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Sobre o Direito Autoral dos Arquitetos, Urbanistas e

Designers
Arq. Paulo Ormindo de Azevedo

O direito autoral dos arquitetos e urbanistas tem especificidades que o distingue


do de outros artistas como escritores, músicos, cineastas e vídeo makers. Como
todos trabalhadores intelectuais, temos um direito moral e um direito patrimonial
sobre a nossa obra, mas devido à função utilitária da arquitetura temos em
contrapartida uma responsabilidade civil, que não é comum às demais artes.
Outra característica de nossa profissão é que na grande maioria dos casos a
obra do arquiteto se enquadra no Capitulo VI do Título III – Da obra sob
encomenda ou decorrente de vínculo – da proposta do MinC de
aperfeiçoamento da Lei 9.610, com todas as suas limitações.

Há naturalmente exceções, como é o caso dos arquitetos que desenvolvem por


conta própria sistemas de pré-fabricação e design de moveis, equipamentos e
objetos. Normalmente esses profissionais concedem a um ou mais fabricantes o
direito de reproduzi-los, cobrando royalties por unidades produzidas. Outra
característica da produção arquitetônica é não ensejar direitos conexos, como
ocorrem na literatura, com as traduções, e na música, na dança e no teatro, com
as interpretações.

Por outro lado, o direito autoral do arquiteto não pode se contrapor ao do usuário
(consumidor) da arquitetura, especialmente no que se refere à proteção da vida,
da saúde e segurança (janelas inadequadas, escadas, rampas e guarda-corpos
inseguros etc) como estabelece o Código do Consumidor (Inciso I do Art. 6o e
Seção I do Cap. IV). Neste caso, cabe ao usuário, exigir a revisão das falhas de
projeto e na sua omissão mandar corrigir, mesmo depois de construído, sem
constituir isso ofensa ao direito autoral.

Por todas essas especificidades cabe na proposta de aperfeiçoamento da Lei


9.610 um capitulo especifico sobre a arquitetura, urbanismo e design, como já
ocorre com a obra fonográfica, fotográfica, audiovisual e as bases de dados
(Título IV), além da complementação de artigos que tratam genericamente do
direito autoral e que incidem com especificidades na obra dos arquitetos
urbanistas.

As praticas do mercado que mais conflitam com os direitos autorais dos


arquitetos são quatro:

1. – Desenvolvimento de estudos preliminares e ante-projetos ou alteração


de um projeto durante sua execução por outros profissionais que não o
autor, o que fere o principio da integridade da obra de arte.
2. - Omissão sistemática do nome do autor na obra em si e na divulgação da
mesma pelo contratante, ferindo o direito ao reconhecimento da
paternidade da obra.
3. - Plagio de um projeto original por outro profissional, o que atinge tanto no
direito moral quanto patrimonial do verdadeiro autor.
4. – Reprodução não autorizada de um projeto pelo contratante em numero
e em locais além do estabelecido no contrato, ferindo o direito patrimonial
do arquiteto sobre sua obra.

Sobre os dois primeiros itens, os Incisos II, IV e V da Lei 9.610 asseguram


genericamente esses direitos aos autores de obras de arte. Mas devido ao fato
da arquitetura ser uma arte utilitária, é importante incluir artigos sobre esses dois
direitos no capítulo especifico dos direitos autorais dos arquitetos.

De um modo geral, a Lei 9.610 não faz referencia ao plagio nem a sua
penalização. Este é a nosso ver uma das maiores falhas a lei atual,
especialmente com as facilidades de reprodução de textos e imagens
disponibilizados na internet. O artigo 33 da Lei 9.610 diz apenas:

Ninguém pode reproduzir obra que não pertença ao domínio público, a pretexto
de anotá-la, comentá-la ou melhorá-la, sem permissão do autor.

Vamos convir que a questão é muito mais complexa nos campos da música, das
artes plásticas, da arquitetura e da ciência. Não podemos deixar de caracterizar
o plagio em arquitetura, para que seu julgamento não fique sujeito
exclusivamente a subjetividade de um juiz, que na maioria dos casos não
conhece as especificidades dessas atividades.

No caso da arquitetura e do urbanismo, não se pode considerar plagio a simples


reprodução de um elemento, como um tipo de pilar, arco, abóbada, janela ou
porta, não só por serem esses elementos universais e de domínio publico, como
porque isso contrariaria o principio da intertextualidade e impede o progresso da
arquitetura. A chave para sua caracterização será, a nosso ver, a famosa tríade
vitruviana: firmitas, utilitas e venustas. Firmitas entendida como o partido
topológico e estrutural, utilitas, como a distribuição das funções e circulações no
edifício, e venustas entendida como a forma, especialmente volumétrica e dos
grandes espaços internos e externos.

As soluções desses problemas são reiterativas e o que caracteriza um projeto


arquitetônico é o que os antigos chamavam de “composição”, numa analogia
com a música, em que as notas, os ritmos, as harmonias são por demais
conhecidos, variando apenas a forma como são juntados, ou melhor, compostos.
Assim, para que se caracterize o plágio em arquitetura, a nosso ver, não basta
dois projetos terem elementos parecidos, é necessário que tenham a mesma
composição, ou seja, que tenham pelo menos dois dos seguintes atributos
semelhantes - partido, funcionalidade e forma - semelhantes, desprezando-se os
detalhes, os materiais, as texturas e as cores, que podem ser diversos.
Finalmente, para prevenir a reprodução além do limite autorizado de um projeto
pelo contratante é fundamental que seja observado o que recomenda o
parágrafo 6o do Artigo 52-A da proposta do MinC de reformulação da lei de
Direitos Autorais: “Os contratos de obra de encomenda far-se-ão sempre por
escrito”, mesmo se tratando de um estudo preliminar ou anteprojeto. A
reprodução de um projeto em locais e número diversos do original se caracteriza
como fraude e a lei vigente já estabelece a seguinte sanção, embora a redação
do artigo precise ser complementada:

Art. 102 – O titular cuja obra seja fraudulentamente reproduzida, divulgada ou de


qualquer forma utilizada, poderá requerer a apreensão dos exemplares
reproduzidos ou a suspensão da divulgação, sem prejuízo da indenização
cabível.

Em resumo, propomos que se sugira ao MinC as seguintes modificações da Lei


9.610 para atender aos direitos dos arquitetos urbanistas1:

Títudo IV, Capitulo III – (alterar seu título e acrescentar os artigos seguintes):

Da Utilização da Obra de Arte Plastica, Arquitetura, Urbanismo e Design2

(Acrescentar os seguintes artigos)

Art. – A contratação de qualquer fase de um projeto de arquitetura ou


urbanismo, que se presume onerosa, deve ser feita por escrito3.

Art. - É direito do autor do projeto de arquitetura ter o seu nome na placa do


empreendimento, em todo o material de divulgação e gravado na obra concluida,
em lugar visivel4.

1

- Para uma melhor compreensão das propostas e modificações sugeridas, grafamos essas com
itálico.

2

- A idéia é ampliar este capitulo atendendo às áreas da arquitetura, urbanismo e design. Mas
devem ser mantidos os artigos 77 e 78, relativos ás artes plásticas.

3

- Este dispositivo visa formalizar as relações do autor do projeto com o empreendedor e
tacitamente o reconhecimento de seu direito moral e patrimonial.

4
Art. – É assegurado ao autor de estudo preliminar ou anteprojeto de
arquitetura ou urbanismo seu desenvolvimento, bem como executar as
modificações solicitadas pelo contratante durante sua execução ou após a
conclusão da obra5.

Art. - O autor ou autores de projetos mencionados acima poderão repudiar a


autoria do projeto alterado sem seu consentimento durante a execução dos
mesmos ou após a conclusão da obras, respondendo o proprietário pelos danos
que causar ao autor sempre que após o repudio der como sendo daquele a
autoria do projeto (substituindo o art. 26 da lei 9.610).

Paragrafo Unico – Não se considera para este efeito pequenas alterações


internas por razões de segurança ou destinadas a facilitar o funcionamento do
edificio, desde que não descaracterizem a sua volumetria e espacialidade.

Art. - Um projeto de Arquitetura ou Urbanismo contratado por ente publico ou


privado só pode ser utilizado para aquele local e no numero de unidades
estabelecido no contrato e seu autor não pode vender o mesmo projeto para
outrem sem autorização por escrito de quem o contratou6.

Paragrafo Unico – Salvo convenção em contrario, o criador de sistemas de


prefabricação e design de objetos pode autorizar um ou mais fabricantes a
produzi-los mediante remuneração por número de elementos fabricados7.

Art. – O plagio e a reprodução do projeto arquitetonico ou de urbanismo sem


autorização por escrito do autor são considerados fraude para efeito desta Lei.


- A explicitação da autoria é exigida na literatura, na música, no áudio visual, mas
sistematicamente omitida no caso da arquitetura.

5

- O novo artigo visa coibir a adulteração da obra do autor por terceiros e é uma explicitação do
que estabelece o Inciso IV do Artigo 24 da Lei 9.610.

6

- Neste artigo pretendemos reprimir prática comum na indústria imobiliária, com grande
prejuízo para os autores do projeto e os usuários, na medida em que um mesmo projeto é utilizado em
orientações e situações topográficas as mais diversas com grandes prejuízos para os futuros moradores.

7

- Pretende-se com esse artigo dar proteção ao design brasileiro e sistemas de pré-fabricação,
como os desenvolvidos por Lelé e outros colegas.
Paragrafo Unico – Considera-se plágio em arquitetura a reprodução de pelo
menos dois dos seguintes atributos do projeto ou construção - partido,
funcionalidade e forma, ainda quando os materiais, detalhes, texturas e cores
sejam diversos8.

Art. – Na realização de projetos em equipe de arquitetura, urbanismo e design


são considerados co-autores, além do coordenador ou cordenadores, todos
aqueles profissionais que colabotaram na realização do projeto9.

Parágrafo Unico – Não se considera como co-autor quem simplismente auxiliou


os autores do projeto, como desenhistas, cadistas, digitadores e maquetistas.

Complementar ou fundir os seguintes artigos

Art. 7 - Dar a seguinte redação ao Inciso X:

X –Os projetos, esboços e peças gráficas concernentes à arquitetura,


urbanismo, design de produtos, cenografia, engenharia, ciencia, geografia e
topografia10.

Art. 26 – (Elimina-lo incorporando seu conteudo ao Capitulo III do Títudo IV,


como proposto anteriormente)11.

Art. 29 – (Incluir o Inciso):

XI - a fabricação de componentes de prefabricação e objetos de design.

Títudo VII, Capitulo II – Das Sanções Civis

8

- A caracterização do plágio na arquitetura, urbanismo e design reduz a subjetividade da questão
por parte dos juízes.

9

- Trata-se do respeito a um direito de co-autoria muitas vezes não reconhecido nas corporações,
no serviço público e nos grandes escritórios de arquitetura e urbanismo.

10

-Incluímos outras atividades intelectuais como o urbanismo e o design, reordenadas de forma
mais sistemática, e substituímos a expressão “obras plásticas” por “peças gráficas”, a nosso ver mais
apropriada.

11

- É puramente uma exigência da sistematização.
(acrescentar)

Art. – Quem comete plagio, falsificação ou adulteração de obra literária,


artistica, cientifica ou projeto arquitônico ou urbanistico fica sujeito a
retratação pública, indenização pelos danos morais causados ao autor e
pagamento dos direitos autorais subtraidos do autor12.

Art 102 – (Transformar em paragrafo único do novo artigo):

Paragrafo unico - O titular cuja obra seja fraudulentamente reproduzida,


divulgada ou de qualquer outra forma utilizada, poderá requerer a
apreensão dos exemplares reproduzidos, suspensão da divulgação, ou
embargo da obra, sem prejuizo da indenização cabível13.

12

- Na atual legislação e mesmo na proposta do MinC o plágio, cada vez mais comum na produção
acadêmica, não está caracterizado nem criminalizado.

13

- Estamos estendendo a penalização às obras de arquitetura e urbanismo, mediante seu
embargo.

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