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Caminhos

Inescrutáveis
Reflexões Sobre o Tema, Mil Vezes Debatido:

A Predestinação.

“ Porque os meus pensamentos não são os vossos pensamentos,


nem os vossos caminhos os meus caminhos, diz o Senhor...”
(Profeta Isaías, 55.8)

Júlio Andrade Ferreira


Caminhos
Inescrutáveis
Reflexões Sobre o Tema, Mil Vezes Debatido:
A Predestinação.

Quanto à salvação ou perdição eterna, não somos


tratados como robôs, mas como seres
responsáveis deíitro do plano divino.
A soberania de Deus deve ser acatada
não com a razão, mas, com os olhos da fé, crendo
que Deus opera através do Seu Espírito, tanto o
querer como o realizar.
Este é um livro de rápida leitura, onde o autor,
como ele próprio declara, procura tratar
do assunto “constantemente retomado, discutido e
não resolvido, da predestinação."
Ao laborar em tão difícil tarefa o autor não
pretende resolvê-lo, mas ajudar o leitor a fugir de
certos becos sem saída dispensáveis, e a partir
para o reconhecimento de que
“os caminhos do Senhor são inescrutáveis”.
Adota a fórmula de João Calvino: submeter-se a si
mesmo à escola da Escritura Santa, e aprender
dali tudo o que é necessário aprender.

Rev. Júlio Andrade Ferreira é pastor jubilado da Igreja Presbiteriana


do Brasil, membro da Academia Campinense de Letras e autor de
Conheça Sua Bíblia, Conheça Sua Fé, Apocalipse Ontem e Hoje,
Judeu Enigma da História, Que Sinais Haverá?, entre outros.
Júlio Andrade Ferreira

Caminhos
Inescrutáveis

Edição de "L U Z PARA O C A M IN H O "


Campinas, SP.
CAM INHO S INESC RUTÁVEIS
Reflexões sobre o tema, mil vezes
debatido: A Predestinação
Júlio Andrade Ferreira

Direitos reservados por


"Luz Para o Caminho"
C.P.130
13.100 Campinas, SP—Brasil.

O texto bíblico utilizado neste livro é o da Edição


Revista e Atualizada no Brasil, da Sociedade Bí-
■) blica do Brasil, exceto quando outra versão é
indicada.

Primeira Edição — 1985


Capa: Robert Heyer

"L U Z PARA O C A M IN H O " é a organização de


radiodifusão internacional da Igreja Presbiteriana
do Brasil e da Igreja Cristã Reformada dos Estados
Unidos e Canadá.
Ao Dr. Otto Piper,
dos que mais me ajudaram
na tarefa do conhecimento bíblico.
CAMINHOS INESCRUTÁVEIS
Rm 11.33

O estudo que vamos apresentar trata do tema,


constantemente retomado, discutido e não resolvi­
do, da Predestinação. Gostaremos, porém, de en­
trar nessa tarefa, não como quem se propõe resol­
ver o assunto, mas como quem foge de certos becos
sem saída dispensáveis, para o reconhecimento de
de que os "caminhos do Senhor são inescrutá-
veis".
Ainda que nossa posição não coincida plena­
mente com a do autor Pierre Maury, gostaríamos
de fazer nossas as suas palavras:
"Em face de todos os mal-entendidos, eu
gostaria de ser capaz de discutir o problema, não
de acordo com o que sabemos da tradição eclesiás­
tica, nem muito menos de conformidade com as
objeções filosóficas; não como partidário ou adver­
sário da doutrina, mas como alguém que, de acordo
com a fórmula de Calvino, deseja submeter-se a si
mesmo, à escola da Escritura Santa, e aprender dali
tudo o que é necessário aprender".
Por que escrever?
Não é verdade que há muitos que se aba­
laram a tratar desse assunto? Por que mais um?
Cremos que os textos em português, seguem
de perto a trilha de teólogos, e nós estamos pre­
tendendo buscar uma correlação de Ciência e Bí­
blia, independentemente de qualquer filiação teo­
lógica.
De qualquer modo, se o leitor não chegar ao
fim de nosso texto, não há desconsolo para nós,
uma vez que nosso propósito é o de apresentar.. .
. . . Caminhos Inescrutáveis.
ÍNDICE

I PARTE

0 SER HUM ANO E SUA N A TU R E ZA


1. Uma analogia conveniente ........................ 10
2. Universo determinado ............................... 12
3. Homem responsável ................................... 15
4. Providência divina ...................................... 18
5. Bíblia paradoxal .......................................... 21

II PARTE

O SER HUM ANO E SEU PAPEL


1. Recenseamentosunilaterais ....................... 26
2. Eleição de indivíduos .................................. 29
3. Eleição de Israel ......................................... 31
4. Eleição da Igreja ......................................... 34

III PARTE

O SER HUM ANO E SUA FÉ


1. Experiência dos salvos ............................... 38
2. A natureza do juízo ................................... 42
3. Mistério inevitável ...................................... 46

Bibliografia 49
I PARTE

O Ser Humano
e
Sua Natureza
UMA ANALOGIA CONVENIENTE

Quase sempre os que abordam o tema da pre­


destinação, tomam-na como fatalismo. É uma pré-
destinação. Tratar-se-ia de um determinismo abso­
luto. Os homens e o mundo estariam sujeitos a leis
inflexíveis, em trajetória semelhante à de uma bala
de canhão. Por que o tiro acerta no alvo? Os cál­
culos se fazem com base no peso do projétil, no
impulso que lhe é dado, a velocidade conseqüente,
as resistências possíveis e a inevitável atuação da
lei da gravidade. E, naturalmente, a direção que se
lhe imprime.
Em oposição ao fatalismo há o ocasionalismo,
posição que julga estarem as coisas sujeitas ao aca­
so. Tudo o que ocorre, apesar de aparências em
contrário, não passa de uma dança da folha ao ven­
to. Sobe, desce, move-se à direita ou à esquerda,
sem nenhuma regularidade, que pudesse permitir
a previsão do que há de acontecer no instante a se­
guir. Tudo incerto, vago, intrigante.. .
Mas, será mesmo que somos bala de canhão
ou folha ao vento? Introduzimos, a seguir, a ima­
gem do vôo de avião. Ainda que, em situação nor­
mal, haja um ponto de partida e outro de chegada,
certos, e mesmo uma rota provável, é bem verdade
que não é ela tão fixa como o da bala de canhão,
nem tão incerta como a folha ao vento. A estranha
combinação de leis fixas que são levadas em consi­

- 10 -
deração, e que exigem o complexo painel a fazer
indicações de peso, rumo, velocidade, altitude,
pressões, e o mais, o avião é controlado por um ser
inteligente e livre. Este não raro, decide por uma
nova altitude para fugir à tempestade, ou um retor­
no à base, para o reparo do aparelho, e assim por
diante.
ê cedo para tirar conclusões, não digo tanto
sobre o assunto, mas sobre nossa posição a seu
respeito. As analogias que foram enumeradas su­
gerem apenas que não queremos o extremismo do
acaso, nem tão pouco o destino, no sentido fatal;
mas. procuramos um propósito. Entendemos que
Deus tem vontade, decisão, e, ao relacionar-se com
o ser humano tem a este, não como robô; trata-o
como pessoa, e, portanto, como ser responsável.
0 vôo da vida não é menos sério do que o que
se dá com o avião.

- 11 -
UNIVERSO DETERMINADO

Levemos a sério as leis que Deus imprimiu


no universo. O primeiro artigo do Credo Apostóli­
co diz: "Creio em Deus Pai, Todo-Poderoso, cria­
dor dos céus e da terra..." Se Deus é o criador, en­
tão a Ciência não faz outra coisa senão descobrir os
Seus caminhos. Nunca é demais repetir que a Ci­
ência é boa; quem, às vezes, tem opiniões filosófi­
cas erradas é o cientista, quando extrapola o se­
tor de sua competência, para se pronunciar a res­
peito de origem, de fim, de sobrenatural, de fé.
Dentro dos limites da Ciência, o que se veri­
fica é um Universo determinado. . . Maravilhosa é
a equipe que fez cálculo para a viagem à lua; muito
mais maravilhosa é a Realidade que se deixou cal­
cular. A lua não pregou uma peça, retardando a sua
marcha.. .
No prefácio da Théorie Analytique des Pro-
babilités (1920), Laplace formulou uma hipótese
metafísica, que se tornou célebre. É a seguinte:
"Uma inteligência que viesse a conhecer, num dado
momento, todas as forças que atuam na Natureza e a
situação dos seres de que ela se compõe, inteligência
suficientemente vasta para submeter esses dados à
análise matemática, podería expressar em uma só
fórmula os movimentos dos maiores astros e os me­
nores átomos. Nada seria incerto para ela, e, tanto
o futuro como o passado estariam presentes aos

- 12-
seus olhos” (Apud-Ferrater Mora-Dicionário de Fi­
losofia).
Cumpre notar, dizem os entendidos, que o
"ideal de Laplace", além de ser irrealizável, é in­
completo, pois não introduziu em sua hipótese a
variante de propriedades dos seres, as matemáticas
e outras, e mesmo as que vierem a ser descobertas.
A História (que implica na vida humana) se
passa dentro dessa Realidade mensurável e inalterá­
vel. As categorias de tempo e espaço são condições
de vida e amarram o ser humano. O tempo é irre­
versível. Nossas saídas para o futuro não nos li­
vram do peso do passado. A integração do ser no
corpo faz que ele se torne parte integrante da natu­
reza, ligado à terra, ao clima, à gravitação. A con­
dição biológica da reprodução o faz membro da
raça, da comunidade, do grupo, de modo que,
de mil maneiras, sua decisão é a de mil outros.
Diz Mc Intyre:
"Mesmo que concedamos transcendência par­
cial e certa autonomia ao homem, continua a ser
verdade que, por mais que o agente se distancie de
suas origens, e faça esforço para mudar seu status,
leva consigo os traços da matriz de onde saiu. Tra­
ços esses, que tomam a forma de preconceitos,
preferência, hierarquia de valores, traços de memó­
ria do que ocorreu e aos quais traços não consegue
erradicar” . Os próprios heróis que, pela sua força e
valor, parecem ser os mais soberanos agentes, não
o são senão aparentemente. Seu meio social é que
possibilita os reflexos de sua atuação.
O ser humano só muito parcialmente é racio­
nal. Sua carga hereditária, instintiva, emocional e,
porventura, outras, fazem dele um ser predominan­
temente errado. Realiza seu‘s motivos; ilude-se.
Mas, a verdade é que se sente limitado, incapaz,
frustrado. Não é dono de sua própria história. Mes­

- 13-
mo as decisões mais lúcidas que toma, passam a ter
conseqüências que não esperava e não queria.
As decisões trazem, em conseqüência, decisões
de outros, fora do alcance de quem tomou a de­
cisão original.
é da experiência de todos nós os numerosos
condicionamentos a que estamos sujeitos. Não es­
colhemos o lugar de nascer, mas isso nos atribui
nacionalidade e naturalidade. Não escolhemos a
data do nosso nascimento, mas a idade é uma coor­
denada de nossa vida. Não escolhemos nossos pais,
mas eles são os transmissores de bens e males ine­
vitáveis, que não raro nos atingem em cheio. Não
escolhemos o sexo, a cor, as qualificações físi­
cas ou mentais; não obstante, tais condições podem
ser critério de êxito ou de discriminação.
Tem-se a impressão de que o homem é um ser
prisioneiro.

- 14 -
HOMEM RESPONSÁVEL

Mas, condicionado, o homem é homem.


0 aviador está absolutamente preso ao aviâfo;
não obstante, ao obedecer às leis que regem o voo,
é o mais livre dos agentes, guiando o aparelho na
amplidão. O ser humano preso ao Universo e por
ele determinado, é fecundo em suas iniciativas.
"Tudo puseste debaixo de seus pés", diz o salmis-
ta, e isso, na hora mesmo, em que reconhecia a
mesquinhez humana em face da lua e das estrelas
(Salmo 8).
Convém, pois, desde logo, sondara outra face
da moeda. Ainda que Deus possa ter criado muitos
outros seres responsáveis, (e sabemos pela Escritura
que os anjos, por Ele criados, são responsáveis!), é
a posição do ser humano que nos diz respeito.
Usamos as analogias da bala de canhão, da fo­
lha ao vento e do vôo do avião. Não são mais do
que maneira fácil de representar três condições de
ocorrências, chamadas determinismo, indetermi-
nismo e relação aleatória.
Há determinismo quando duas realidades se
contrapõem em termos de causa e efeito, sem alter­
nativas possíveis. Pode-se prever necessariamente o
que vai ocorrer. Esse tipo de relação exclui total­
mente as idéias de liberdade, de escolha, de respon­
sabilidade, de moralidade.
Há indeterminismo, quando no relaciona­

- 15 -
mento de realidades, ocorre uma multiplicidade de
alternativas simultaneamente possíveis, a ponto de
tornar impossível a previsão do que vai ocorrer.
As relações aleatórias, porém, têm duas fases:
Há uma fase indeterminada, com alternati­
vas, por exemplo, as duas faces da moeda, as seis
faces do dado, os sete dias da semana, as trinta e
duas peças do xadrez, as cinqüenta e duas cartas
do baralho.. .
Qual vai sair?
Há a segunda fase, quando ocorre opção por
uma alternativa, e uma só. Dada a coroa, ou a face
quatro do dado, ou escolhido a quinta feira na se­
mana, ou retirado a carta X do baralho, todas as
demais alternativas ficaram excluídas. Era impos­
sível, objetivamente, saber qual seria a escolha; mas
uma vez feita a escolha, a situação em relação a ela
é irreversível. Não é possível não ter escolhido;
qualquer outra decisão será outra e não aquela.
Por mais determinadas que sejam as relações
do ser humano com o meio, há relações aleatórias,
que fazem dele um ser peculiar no Universo. O con­
traste entre a Natureza e a História não é sem fun­
damento. Natureza se nos apresenta como sistema
determinista; mas, a História é obra de homens, so­
bretudo de pessoas geniais, que tomam opções em
processo aleatório. O homem é sujeito da História,
ainda que parcialmente seu objeto.
Sujeito da História o homem chega a ser quan­
do analisa as possibilidades da ação e joga com to­
dos os recursos ao seu alcance para tornar válida a
opção por uma delas. Diz-se de Napoleão que, an­
tes da batalha, fazia o balanço incrivelmente minu­
cioso de todas as condições geográficas, meteoroló­
gicas, militares. Controlava armamento, vestimenta,
provisões, tambores, bandeiras, sapatos. . . até
aguardente. Levava em consideração, quanto possí­
- 16 -
vel, o imprevisível, o imponderável. Buscava a au­
tonomia da decisão.
À consciência que o ser humano chega a ter
das possibilidades de sua autonomia é que se dá o
nome de livre arbítrio. Toda a História da Filosofia,
e bem assim, a História do Dogma estão cheias de
reflexões feitas sobre o tema por grandes pensado­
res, o que não acrescenta nada ao fato, puro e sim­
ples, de que cada um de nós tem feito escolhas, e
luta pelo direito de fazê-las. Todos nós impugna­
mos escolhas feitas em nosso nome, mas sem nosso
consentimento. Todas as lutas na História, são le­
vadas a efeito por esse motivo. Filhos e pais, em­
pregados e patrões, pretos e brancos, desenvolvidos
e subdesenvolvidos - todos, em série incomensurá-
vel, estão se opondo uns aos outros, em nome do
direito de opção.
O condicionamento limita, mas não anula a
opção. Restringe setores dela, nada mais. 0 jogador
de xadrez, por exemplo, não pode ter maior núme­
ro de casas de tablado, nem maior número de
peças, nem outras regras de movimentação, senão
as previstas; não obstante, dentro desses limites, as
possibilidades de opção são tantas, que seria inge­
nuidade supor que é possível ganhar uma partida
por acaso.
Uma recente reportagem sobre tecnologia no
Japão nos mostrou um cego guiado por robô. É
mais seguro do que ter por guia outro cego.
O melhor é ver. É escolher o caminho!

- 17 -
PROVIDÊNCIA DIVINA

Àquele que crê em Deus, nos termos da Reve­


lação Cristã, a História não se desenrola apenas no
ambiente determinista do Universo, em função de
ações do Homem responsável. Há, ainda, e sobre­
tudo, a operação providencial de Deus. Providência
é mais que o envolvimento de Deus na Natureza e
na História; é sua operação constante, que sustenta
o Universo e dirige a História. Claro que essa atua­
ção só pode ser apreendida em termos de Fé e não
de Ciência. "Porque os meus pensamentos não são
os vossos pensamentos, nem os vossos caminhos
os meus caminhos", diz o Senhor (Is 55.8).
Há, sem dúvida, um aspecto histórico na Re­
velação Bíblica, que nos mostra Deus agindo em re­
lação a homens e nações; os heróis da História Sa­
grada, bem como I íderes pagãos como Nabucodo-
nosor ou Ciro, são considerados instrumentos de
sua atuação; o povo de Israel, descendência de
Abraão ou outros povos como Egito, ou Assíria, ou
Babilônia, são como azorragues em Suas mãos.
Mas, o aspecto cósmico da Revelação não é
menos importante. O Deus bíblico é o criador e
mantenedor do Universo, desde os astros no fir­
mamento, até às mínimas criaturas. Vejam-se tex­
tos eloqüentes como Livro de Jó 38, Salmo 104,
ou Isaías 40, por exemplo.
O próprio conceito de Cristo é muito mais do

- 18 -
que histórico. Que haja o Cristo histórico, Deus
encarnado, nâo há dúvida. Mas, há igualmente na
Escritura, o Cristo Cósmico. É o Revelador através
de quem "todas as coisas foram criadas" (Jo 1.1-3)
e que é "tudo em todos" (Ci 1.15-18). Releiam-se
também Romanosl, Efésíos 1, Hebreus 1, Apoca­
lipse 1.
Não será demais acrescentar um balanço do
ensino bíblico sobre juízo. "Tudo que é oculto vi­
rá à tona". O mesmo Deus que sustenta as pessoas,
alimentando-as como aos lírios do campo, é o que
perscruta seus pensamentos, mesmo os mais pro­
fundos (Salmos 51 e 139, Mateus 6, Romanos 2,
Atos 17, etc...).
A iniciativa divina da misericórdia - doutrina
da graça - não anula a pessoa humana, e não a
isenta da decisão de aceitá-la. Por outro lado, a ini­
ciativa humana de aceitação ou rejeição da mesma
é objeto de julgamento (2 Co 5.10; Ap 20; Mt 25.
31-46, e tc ...) .
Sobretudo em relação a atos maus, o compor­
tamento providencial de Deus, é diversificado, con­
forme o balanço tradicionalmente feito, do ensino
bíblico. Ora Deus impede o ser humano de cair no
erro, como no caso de Abimeleque, que pensara
em tomar para si, a Sara, mulher de Abraão (Gn
20); ora permite que o pecador erre para evidenciar
os intentos mais íntimos do mesmo, como é o caso
do comportamento do rei Ezequias entre os embai­
xadores da Babilônia (2 Cr 32); ora Deus controla e
delimita o âmbito da tentação (Jó 1, 2 e 1 Co 10.
13); ora, ainda, dirige o roteiro de uma vida, por
ínvios caminhos para um final feliz. Haja vista a
biografia de José do Egito, e as palavras que dirige
aos irmãos: "Vós, na verdade, intentastes mal con­
tra mim; Deus o tornou em bem, como porém
vedes a g o r a . ( G n 50).

- 19 -
É óbvio que a ação providencial de Deus está
fora de nossa possibilidade de conhecer, e, por isso
se nos apresenta como paradoxal ao pensamento,
Sem deixar de ser um conforto para o nosso coração.
Saber, por exemplo, que "todas as coisas contribu­
em para o bem dos que amam a Deus", é muito
consolador, mas não é nada acessível ao pensa­
mento. É consolador, igualmente, colocar nosso fu ­
turo nas mãos de Deus (M t 6.30-34), mas o futuro
sempre será um desafio às nossas reflexões. O ho­
mem foi criado por Deus e para Deus, e jamais se
sentirá completo sem Ele.
Nós vemos a história da perspectiva terrestre e
inacabada, e ela nos parece um bordado pelo aves­
so, cheio de irregularidades; mas. Deus a vê da
perspectiva do Alto, de modo acabado, coerente e
lindo. Ele, Deus, é como o arquiteto, que, diante
do prédio em construção vê, não apenas andaimes,
detritos e obra parcial, mas, antes, o desenho da
obra concluída e ajardinada...
Ele é o alfa e o ômega!

- 20-
b íb l ia p a r a d o x a l

Tudo que expusemos, até agora, são dados


importantes no estudo sobre predestinação. A pre­
ocupação mais corrente dos inquiridores, não é so­
bre o que ocorre no Universo e na História, mas,
sim, o que pode acontecer com a própria pessoa,
em seu destino pessoal. Vai ser salva ou não? Céu
ou inferno? E há, mesmo, muita pressa em concluir
que deve haver perdidos e salvos, e, por isso, a pro­
clamação do Evangelho é inútil, pois que ninguém
vai alterar o destino de ninguém!
0 pior seria alguém se ter por perdido e fe­
char-se em copas à doce realidade da graça procla­
mada.
A Bíblia é menos aflita em concluir; a Bíblia é
mais desafiadora na apresentação de parodoxos.. .
Ela diz, ao mesmo tempo, que os israelitas são
salvos pelo pacto e que devem observar os manda­
mentos (Ex 20.1); que o povo hebreu toma a terra
de Canaã, ainda que seja mera posse do que Deus
deu (Dt 4.1); que os israelitas foram rebeldes a
ponto de "entristecer o Espírito" e, não obstante,
foram dirigidos e protegidos pelo "braço glorioso
que andou à mão direita de Moisés" (Is 63.9-12);
que uma nação pode se converter, embora seja co­
mo barro na mão do oleiro (Jr 18.4-8); que deve­
mos orar, embora o Pai saiba de antemão tudo que
temos a dizer (Mt 6.9); que Deus escolhe doze, em­

-2 1 -
bora um deles seja traidor (Jo 6.70); que as mãos
dos crucificadores foram iníquas, e, não obstante, a
Paixão fez parte da "presciência de Deus" (A t 2.
23); que a salvação é ao mesmo tempo "obra da
fé" e "eleição do Espírito" (1 Ts 1.3-5); que
não devemos permanecer no pecado, lutando, pois,
contra ele, ainda que a graça de Deus seja abundan­
te (Rm 6 .1 ,2 ); que há salário de pecado e dom gra­
tuito de Deus (Rm 6.23); que embora eleitos em
Cristo "antes da fundação do mundo", os crentes
só depois de crerem, é que são "selados com o
Santo Espírito da Promessa" (Ef 1.4, 13); que so­
mos "salvos pela graça, mediante a fé", e não
obstante, "criados para boas obras" (Ef 2.8-10);
que precisamos estar alertas para que "ninguém nos
domine"; ao mesmo tempo somos "mortos em nos­
sos pecados" (Cl 2.18); que temos de "operar nossa
salvação com temor e tremor" porque "Deus é que
opera tanto o querer como o efetuar" (Fp 2.12,
13); que em relação aos "escolhidos" (e, portanto,
salvos), temos de nos empenhar, dispostos a "tudo
sofrer"por eles. (2 Tm 2.9); que devemos "d ili­
gência cada vez maior", mas isso para "confirmar a
nossa vocação e eleição" (2 Pe 1.9, 10); que o pen­
samento humano deve ser executado, mas essa exe­
cução é cumprimento da palavra de Deus (Ap 17.
17); que a iniciativa de se retirar do pecado precisa
ser tomada, e, não obstante, aqueles que são adver­
tidos a fazê-lo são o "povo de Deus" (Ap 18.4).
Biblicamente falando, somos condenados à
liberdade, predestinados à responsabilidade.
Acrescentemos alguns casos. A parábola do ju­
iz iníquo diz que aos que clamam dia e noite fará
justiça, pressupondo um trato pessoal e responsável
com eles; mas, a esses mesmos chama de "escolhi­
dos" (Lc 18.7).
Em João 15.16, Jesus diz aos dicípulos: "não
- 22-
fostes vós que me escolhestes a mim; pelo contrá­
rio, eu vos escolhi, a vós outros", mas ao mesmo
tempo lembra a responsabilidade deles de "dar
frutos, e frutos permanentes".
Poderiamos resumir tudo o que foi dito, na
fórmula: Vigiai e Orai. Quem vigia conta consigo
mesmo; quem ora conta com a operaç3o de Deus.
A Bíblia jamais pressupõe que uma atitude
dispense a outra. Ela é paradoxal.

- 23 -
11 PARTE

0 Ser Humano
e
Seu Papel
RECENSEAMENTOS UNILATERAIS

A história das reflexões sobre a predestina­


ção é longa e intrincada, fazendo de um assunto
já por si desafiador, algo pior do que precisaria ser.
Tanto filósofos, como teólogos, se viram na obri­
gação de se pronunciar a respeito. Não é convenien­
te, nem útil, para os nossos propósitos, tentar nem
mesmo uma síntese dessa história. Há, porém, dois
momentos, que importa mencionar. Um é a posi­
ção de Agostinho, ressaltando a soberania divina,
em contraposição a Pelágio, que procurava ressalvar
a responsabilidade humana. Outro é a posição de
Arm ínio, que foi de um pelagianismo mais avança­
do, contestando Calvino, ou antes, seus seguidores,
que eram agostinianos extremados.

Como em qualquer assunto, também neste os


extremos são condena'veis, pois ao pisar um terreno
onde não se pode dar a última palavra, por que ten­
tar fazê-lo?
Se a Bíblia não se afina pela nossa lógica, a
troco de que havemos de querer ir além, arrazoan-
do logicamente, que as perspectivas são tais ou
quais?
Vimos que a Bíblia é paradoxal, e nossa lógica
é inaplicável ao assunto. A partir do balanço dado
em textos em que afirmam, contraditoriamente,
duas realidades - a da soberania de Deus e a da res­

- 26-
ponsabilidade humana - cada vez que um desses as­
pectos for mencionado na Escritura, não será fun­
damento para uma construção exegética unilateral.
Pelo contrário, deve ser pressuposto o outro braço
do dilema, como igualmente verdadeiro e necessá­
rio. São as construções de sistemas unilaterais que
têm se constituído em esforços não apenas inócuos
para quem os faz, mas perturbadores para quem os
lê.
De dentro de uma casa, através de uma janela,
à direita, vemos o beirai do telhado. Igualmente,
pela janela, à esquerda, vemos outro beirai. Mas,
não nos é dado ver a cumeeira. Nós estamos dentro
da casa do Universo, do destino, do plano divino,
não fora como observadores da perspectiva de Si­
ri us. Vemos aspectos da verdade, não a verdade
que é Deus. Só Ele sabe do entrosamento das par­
tes.
Já me ocorreu viajar de avião sobre o litoral,
em região de praia retilínea e de longa distância. Lá
de cima podia ver de um lado o mar; de outro, a
terra; mas, nunca a própria praia.
Todos nós temos a experiência de uma vara
mergulhada na água. Por mais que vejamos a vara
quebrada, sabemos ser reta. Basta mergulhar a mão
na água e apalpá-la. Se nos iludimos em coisas tão
simples, por que havemos de ter pretensão de har­
monizar, por nossa conta, o inescrutável projeto
divino?
Daí a repulsa que temos por todo recensea-
mento unilateral de texto, o que, infelizmente, não
é tão raro.
Não pretendemos que nosso trabalho seja re-
censeamento exaustivo de texto. Mas, queremos
buscar os essenciais.
Os que já foram enumerados firmaram, cre­
mos nós, a posição da Bíblia, de que eleição não

- 27-
exclui responsabilidade. Não se trata de raciocinar:
ou eleição, ou decisão. Pelo contrário, trata-se de
crer: não só eleição, mas também decisão.
Assim, mesmo que encontremos um texto que
dê ênfase na eleição, devemos pressupor a respon­
sabilidade. Busquemos o contexto mais amplo. E
bem assim, se a ênfase é sobre a responsabilidade,
é de se pressupor que haja eleição divina.
Deus escolhe indivíduos e grupos, para desem­
penharem seus papéis na História.

- 28-
ELEIÇÃO DE INDIVÍDUOS

A Bíblia nos fala de pessoas eleitas.


Tomemos, à guisa de exemplo. Jeremias e
Paulo.
Caso de Jeremias. "Antes que eu te formasse
no ventre materno, eu teconheci,e antes que saísses
da madre, te consagrei e te constituí profeta às na­
ções... Não digas: Não passo de uma criança; por­
que a todos a quem eu te enviar, irás; e tudo quan­
to eu te mandar, falarás...". "Eis que hoje te po­
nho por cidade fortificada, por coluna de ferro, e
por muros de bronze, contra todo o país; contra os
reis de Judá, contra os seus príncipes, contra os
seus sacerdotes e contra o seu povo..." (Jr 1).
Imaginar que um homem como Jeremias não
agiu responsavelmente, e que não lutou tenazmente
para levar a efeito sua vocação, seria revelar total
ignorância de sua biografia e de sua profecia.
Caso de Paulo. "Quando, porém, ao que me
separou antes de eu nascer e me chamou pela sua
graça, aprouve revelar seu Filho em mim, para que
eu o pregasse entre os gentios, sem detença não
consultei carne e sangue..." (Gl 1.15-16). "Pois
aquele que operou eficazmente em Pedro para o
apostolado da circuncisão, também operou efi­
cazmente em mim para os gentios..." (Gl 2.8).
". . .este é para mim um instrumento escolhido pa­
ra levar o meu nome perante os gentios e reis, bem
- 29-
como perante os filhos de Israel; pois eu lhe mostra­
rei quanto lhe importa sofrer pelo meu nome"
(At 9.15, 16). Paulo mesmo enumerou as prova­
ções que lhe custou o cumprimento de sua voca­
ção (2 Co 11. 16-32).
Pressupor um Paulo irresponsável porque foi
eleito é fugir totalmente ao ensino bíblico.
A enumeração de "heróis da fé” , conforme
Hebreus 11, obviamente uma galeria de vocaciona­
dos, de eleitos, é, e não podería deixar de ser, gale­
ria de heróis, responsáveis, sofredores. E são invo­
cados como "nuvens de testemunhas", estímulo e
desafio para a galeria do Novo Testamento, a dos
que correm a carreira cristã. O capítulo 12, nos fa­
la de disciplina, e, pois, de responsabilidade fun­
damentada no que Cristo fez por eles (Hebreus -
capítulos: 7, 8, 9 ,10, 1 1 , 1 2 , ) . Não há fugir. Indi­
víduos são eleitos e responsáveis.
Um comandante no exército controla a bata­
lha, mas contando com soldados capazes.
Um diretor de teatro dirige a peça, escolhe
os atores. Mas a estes compete desempenhar
seus papéis.
A descrição do destino final, de bons e maus,
é feita em termos de cobrança pelo que fizeram ou
deixaram de fazer!
Mateus 25.31-46.
Deus predispõe, comunicando dons; oJíQmem
desempenha seus papéis, usandoos. Deus os deu
para que sejam para Sua honra. Os pecadores
usam-nos para seus próprios interesses.

- 30-
ELEIÇÃO DE ISRAEL

É sabido que a Bíblia trata de cinco grandes


assuntos: Criação, Israel, Cristo, Igreja e Consuma­
ção. De modo geral, poderiamos dizer que são res­
pectivamente tema de Gênesis, do Antigo Testa­
mento, Evangelhos, Atos, Epístolas e Apocalipse.
Examinemos o tema do Antigo Testamento.
Romanos 9 a 11 - É o chamado "parêntese ju­
daico". Após a exposição de seu sistema doutriná­
rio (1 a 8), Paulo focaliza, nos capítulos 9 a 11, o
povo de Israel, para, só a partir do capítulo 12, fa­
zer aplicações práticas de seu pensamento.
Diz ele:
"São israelitas. Pertence-lhes a adoção, e
também a glória, as alianças, a legislação, o culto e
as promessas; deles são os patriarcas, e também de­
les descende o Cristo, segundo a carne, o qual é
sobre todos. Deus bendito para todo sempre.
Amém". (Rm 9.4-5). Não seria possível ser mais
explícito quanto ao alvo de suas considerações.
A eleição de Israel para seu papel histórico,
de instrumento da bênção do Senhor, é firmada pe­
lo apóstolo ao falar da opção por Jacó, da instrumen­
tal idade de Faraó, da ilustração do oleiro, do con­
traste entre vasos de misericórdia e vasos de ira, das
citações de Oséias e Isaías quanto ao povo chama­
do de Deus. Encerra o capítulo 9, lembrando que,
não obstante, o povo optando pela lei e não pela
- 31 -
graça, e sendo rebelde, topou com uma rocha de
escândalo.
O capítulo 10 mostra que paralelamente a es­
sa rejeição de Israel à graça, na a abertura do ca­
minho da graça aos gentios. Por um lado Paulo
mostra a responsabilidade cristã para a evangeliza-
çâo; por outro, prova pelas promessas encontradas
no Antigo Testamento, que a proclamação a "toda
a terra", seguir-se-á à história de um "povo rebelde
econtradizente".
O capítulo 11 trata do futuro de Israel, ou
melhor, da Relíquia. Esse tema já vem do próprio
Antigo Testamento, e Paulo o apontara no início
de seu arrazoado, dizendo: "Nem todos os de
Israel são de fato israelitas" (9.6). Deus é fiel à
sua promessa a Abraão, pois, o que está em jogo é
sua descendência segundo a fé, e não segundo a
carne. D aí vem a analogia do enxerto do zambujei-
ro sobre o tronco da oliveira, e a advertência à Igre­
ja. Se Deus disciplinou a Israel por não se mostrar
responsável face aos privilégios, pode disciplinar a
igreja se esta entrar pelo caminho da infidelidade.
Em Romanos 11, do verso 25 ao 32, o autor
reconhece claramente que haverá restauração de
Israel, por uma plenitude da conversão da Relíquia.
A rejeição de Israel foi oportunidade de bênção
para a Igreja, a sua restauração o será muito mais.
Romanos 11, 33 a 36 é uma apoteose a
respeito da soberania de Deus e da inescrutabili-
dade de seu ser e de seus propósitos.
Na impossibilidade de um balanço pleno so­
bre a História de Israel, para mostrar que foi um
"povo rebelde e contradizente", invocamos os tex­
tos de Deuteronômio, onde Jeová lança repto nes­
tes termos:
"Não vos teve o Senhor afeição, nem vos esco­
lheu, porque fôsseis mais numerosos do que qual­

- 32-
quer povo, pois éreis o menor de todos os povos,
mas porque o Senhor vos amava, e para guardar o ju­
ramento que fizera a vossos pais... (D t 7.7 - 8).
“ Quando, pois, o Senhor teu Deus os tiver lançado
fora de diante de ti, não digas no teu coração: Por
causa da minha justiça é que o Senhor me trouxe
a esta terra para a possuir, porque pela maldade
destas gerações é que o Senhor as lança fora diante
de ti. Não é por causa da tua justiça, nem pela reti-
tude do teu coração que entras a possuir a sua ter­
ra, mas pela maldade destas nações o Senhor teu
Deus as lança fora, de diante de ti; e para confirmar
a palavra que o Senhor teu Deus jurou a teus pais,
Abrão, Isaque e Jacó” (D t 9.4, 5).
Há textos em que a História de Israel é sinte­
tizada de modo surpreendente, como Salmo 105,
Atos 7, Hebreus 11. A enumeração das bênçãos
recebidas não esconde o fato de que eleição foi
para ser instrumento de bênção, e de que são
constantes as advertências quanto à desobediên­
cia e conseqüente maldição. Disso está cheia a
História do Velho Pacto.

- 33-
ELEIÇÃO DA IGREJA

Outro texto clássico está em Efésios, capítulo


1. Consideremos, antes de tudo, o ponto chave:
Cristo é o cabeça da Igreja (Ef 1.22, 23). Ela é,
pois, o corpo de Cristo. É a síntese do Novo Tes­
tamento.
Não é novidade ao conhecedor mediano da
Bíblia, que a epístola aos Efésios é uma Eclesiolo-
gia. Restringindo-nos ao essencial, diriamos que o
capítulo indicado, o primeiro, nos mostra as raízes
da Igreja na eleição em Cristo. "Deus nos escolheu
n'E!e, Cristo, antes da fundação do mundo, para
que fôssemos santos e irrepreensíveis perante Ele,
e, em amor nos predestinou para Ele, para a ado­
ção de f i l h o s . ( E f 1.4, 5).
São muitos os aspectos colocados no capítulo
como motivo de gratidão. Um comentador enume­
ra os seguintes: a) Eleição, sem que se revele o co­
mo e o porquê (Ef 1.4); b) Adoção, procedente de
destinação antecipada — "nos predestinou para
Ele” (Ef 1.5); c) Redenção, que não é mera promes­
sa, mas experiência presente, baseada no que Cristo
já fez (Ef 1.7); d) Conhecimento — "Ele derramou
sobre nós em toda sabedoria e prudência..."
(Ef 1.8, 17, 18); e)Esperança — "Na plenitude
dos tempos, conforme o propósito do Pai, todas
as coisas serão convergidas em Cristo" (Ef 1.10).
- 34-
Uma vez selados pelo Espírito (Ef 1.13) a
perspectiva é de vitória, e n3o de incerteza (Ef 1.
1 9 -2 0 ).
Seria ingenuidade deslocar este precioso capí­
tulo primeiro, do resto da epístola, como se eleição
não envolvesse responsabilidade. Quando, por
exemplo, Paulo trata nos capítulos 4 e 5, dascon-
seqüências da regeneração, enumera o padrão de
vida que se espera do crente. Espera-se “ justiça e
retidão procedentes da verdade". "Fale cada um a
verdade...". "Não se ponha o sol sobre a vossa
ira...". "Não saia da vossa boca nenhuma palavra
torpe...". “ Não entristeçais o Espírito...". "Sede
uns para com os outros benignos..." "Não sejais
cúmplices nas obras infrutíferas...". "Vede como
andais...remindo o tem po...". "ínchei-vos do
Espírito..." (Ef 4 e 5).

Uso de textos

Os dois textos apresentados, sobre a eleição


de Israel e da Igreja, devem ser entendidos como
peças inteiriças sobre esses dois assuntos, e pri­
mariamente no aspecto histórico, desempenhado
por Israel e pela Igreja. Deslocar qualquer expres­
são desses contextos e fazer deles base para espe­
culação sobre o destino de indivíduo no além, é
má exegese.
Não são esses os únicos textos a serem exami­
nados, mas são, certamente, dos mais significativos.
Não estão na linha de especulações sobre uma pre­
destinação fatalista, que deve ser afastada intransi­
gentemente.
Não nos esqueçamos de como Pedro caracte­
riza a Igreja e de como aponta seu alvo.
"Vós, porém, sois raça eleita, sacerdócio real,
- 35-
nação santa, povo de propriedade exclusiva de
Deus, a fim de proclamardes as virtudes daquele
que vos chamou das trevas para a sua maravilho­
sa luz" (1 Pe 2.9).
A Igreja nunca foi boneca de Deus, mas a
noiva de Cristo.

- 36-
I I I PARTE

O Ser Humano
e
Sua Fé
EXPERIÊNCIA DOS SALVOS

Discutimos a natureza responsável do ser hu­


mano e seu papel histórico. É necessário, no entan­
to, caminhar mais em nossa análise, reconhecendo
que há pessoas crentes, que se dizem regeneradas
pelo Espírito Santo, certas do perdão de Deus. A
Bíblia ensina que isso é possível e que se deve à
operação de Deus na vontade das pessoas. Sua ope­
ração é chamada - graça. Para bem apreciar esse as­
sunto temos que fazer um balanço, ainda que sin­
tético, do que seja a salvação. O contraste de um
Deus perfeito e o homem pecador, é inevitável.
0 abismo criado entre um e outro é superado, bi-
blicamente falando, por iniciativa divina. Antes de
tudo, pôs-se Deus ao nível dos homens, esvaziando-
se, encarnando-se, pondo-se no homem Jesus.
"Deus estava em Cristo, reconciliando o mundo
consigo". Mas, não foi mera presença mas, também
atuação. Jesus sofreu pelo pecador. Ao primeiro
movimento chamamos Encarnação; ao segundo,
Expiação. Expiar e sofrer em lugar de outrem. Ao
texto de Fp 2.5-8, acrescentemos Rm 3.24-26. Se­
gue-se o terceiro movimento — a Reconciliação.
Trata-se do restabelecimento da comunhão: 2 Co
5.18-21. Isso é que Deus fez por nós em Cristo. 0
fruto é o perdão. Doutrina da CRUZ.
Vejamos, agora, o que Deus faz em nós pelo

- 38 -
Espírito Santo. Antes de tudo nos justifica, ou seja,
Deus nos trata como se fôssemos justos, Rm 5.1. À
justificação segue-se a Regeneração, ou Novo Nas­
cimento. (Ef 4.18 seg.). O senso do perdão que nos
foi proposto, age como um desafio; nos incita a
converter-nos do pecado a uma vida com Deus. A
iniciativa é d'Ele. “ Estando nós mortos em nossos
delitos. . . Ele nos vivificou. . “ Pela graça sois
salvos. . . Isso não vem de vós. . .“ (Ef 2.1-10). Se­
gue-se a Santificação, que cobre toda a Carreira
Cristã, até à morte (1 Ts 4.1 seg.; Hb 12.1, 2; Ef
21, 5.1 seg. etc.). Mesmo, porém, na Santificação,
temos a atuação do Espírito de Deus. Por nós
mesmos nada podemos (Rm 7).
Em síntese: Sentimo-nos salvos mediante a
iniciativa e a atuação da Santíssima Trindade.
Calvino acentuou que nosso pecado nos dei­
xou totalm ente incapazes de tomar iniciativa. Que
Deus ao operar em nós, não levou em consideração
qualidades ou deméritos que tivéssemos, mas nos
escolheu independentemente de condições. Quan­
do nos escolhe sentimo-nos efetivamente agra­
ciados. A obra de Deus não está sujeita a fracas­
sos. Jesus morreu por todo pecador, mas a eficiên­
cia de sua obra redentora se mostra efetiva nos
eleitos. Todos os que são escolhidos por Deus,
ainda que sujeitos às contingências da carreira
cristã, serão perseverantes até o finai.
Esse balanço da posição de Calvino deu lugar
a muitas reflexões e extremismos; estamos certos
que Calvino, se vivesse hoje, e lesse a História da
Doutrina, não se consideraria calvinista.
Afinal, nós proclamamos o Evangelho, que é
oferecimento do perdão de Deus, gratuitamente, e
nos opomos a toda iniciativa humana, de obras me­
ritórias. As religiões não cristãs e heresias cristãs é
que apelam para recursos humanos, que porventu­

- 39-
ra pudessem agradar a Deus. "Visto como, na sabe­
doria de Deus, o mundo não O conheceu por sua
própria sabedoria, aprouve a Deus salvar aos que
crêem, pela loucura da pregação".
"A loucura de Deus é mais sábia do que os ho­
mens, e a fraqueza de Deus é mais forte do que os
homens" (1 Co 1.18-25).
O teor dessas verdades no Novo Testamento é
tão reiterado, tão enfático, que não julgamos neces­
sário maior balanço a seu respeito.
Um destaque, porém, se justifica:
"Sabemos que todas as coisas cooperam para
o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que
são chamados segundo o seu propósito. Portanto,
os que de antemão conheceu, também os predesti­
nou para serem conformes à imagem de seu Filho, a
fim de que seja o primogênito entre muitos irmãos.
E aos que predestinou, a esses também chamou, e
aos que chamou, a esses também justificou, e aos
que justificou, a esses também glorificou" (Rm.
8.28-30). O texto de Romanos 8, é a parte final
dos temas teológicos: a glorificação. Romanos 8,
apenas completa o que Paulo apresenta em capí­
tulos precedentes, a saber, uma apresentação do
sistema redentor, cuja síntese pretendemos ter
feito em páginas anteriores. Trata-se da operação
de Deus no ser humano, trata-se de eleição efeti­
vamente.
M as.. . não com exclusão da responsabilidade.
Esse capítulo é o que descreve a luta do Espírito
contra a carne.
O próprio contexto mais próximo do texto
transcrito merece estudo.
Por quem e por que ora o Espírito com ge­
midos inexprimíveis? (vv 26, 27). Por nós, por cau­
sa de nossas fraquezas. Nós os santos, na linguagem
bíblica. Os crentes.

- 40-
Que acontece com os crentes, "os que amam a
Deus"? "Todas as coisas cooperam para seu bem".
Se estão necessitados de intercessão e se importa
que lhes seja resguardado o bem, é porque ainda
não se fala da salvação eterna, mas de sua salvação
no tempo. Dentro do teor desta vida "foram cha­
mados segundo o p ro pó sito de Deus" (v 28). O ter­
mo usado para propósito é prothesis. Aparece, por
exemplo, em Atos 11.23 (prothesei tês kardias)
sendo traduzido por propósito de coração. Tra­
duzir tal palavra por decreto, como já se fez,
não é o melhor. Propósito sugere vontade; de­
creto sugere fatalidade.
O texto continua: "os que dantes conheceu,
também os p r e d e s t i n o u . . Corresponde, no origi­
nal, a PROORISE, melhor traduzido por predis­
pôs, o que envolve a responsabilidade humana, e
não seu automatismo. Não nos esqueçamos de
Fp 2.12-13: " Operai vossa salvação com temor e
tremor, porque Deus é que opera em vós tanto o
querer como o efetuar".
O relacionamento Deus - homem não deve ser
imaginado como dois círculos, um ao lado do ou­
tro, em competição; mas, dois círculos concêntri­
cos, sendo o humano o interior e o divino o maior,
que nos circunscreve: Estamos todos, em todas as
circunstâncias, sob sua alçada.
Acresce que o contexto posterior, no final de
Romanos 8, descreve a segurança do crente em
m eio às diferentes e desafiadoras provas.
A segurança é um apelo à fidelidade.

- 41 -
A NATUREZA DO JUÍZO

Onde entra a idéia de responsabilidade, neces­


sariamente há avaliação ou juízo. A seriedade da
proposição da graça de Deus implica em seriedade
na consideração de Seu juízo. A Bíblia nos fala
mesmo de Sua ira. Essa palavra, aplicada a Deus,
não pode ter conotação pejorativa, como se fosse
ira humana. Mas, de qualquer modo, é atitude de
reprovação.
Ante a operação divina no ser humano, atra­
vés de mandamentos que expressam Sua vontade,
há constantes advertências. Obediência quer dizer
vida e bênção; oposição e resistência à Sua vontade,
significa maldição, morte, juízo!
O coração mesmo da mensagem evangélica fa­
la da possibilidade de perecer:
"Porque Deus amou ao mundo de tal maneira
que deu o seu Filho Unigênito, para que todo o
que nEle crê não pereça, mas tenha a vida eterna.
Porquanto Deus enviou o seu Filho ao mundo, não
para que julgasse o mundo, mas para que o mundo
fosse salvo por Ele. Quem nEle crê não é julgado;
o que não crê já está julgado, porquanto não crê no
nome do Unigênito Filho de Deus. 0 julgamento é
este: Que a luz veio ao mundo, e os homens ama­
ram mais as trevas do que a luz; porque as suas
obras eram más" (Jo 3.16-19).
Está e estará sempre de pé a palavra de Batis­
ta:
- 42-
"Raça de víboras! Quem vos induziu a fugir
da ira vindoura? Produzi, pois, fruto digno do arre­
pendimento" (M t 3.7-8).
Se o pecador é advertido a arrepender-se, ao eleito
se diz que sua eleição é para produzir fruto:
"Todo ramo que, estando em mim, não der
fruto, ele o corta; e todo o que dá fruto, limpa, pa­
ra que dê mais fruto ainda. Se alguém não perma­
necer em mim, será lançado fora à semelhança do
ramo, e secará; e o apanham, lançam no fogo e o
queimam" (Jo 15.1-6).
Na oração sacerdotal (Jo 17), ocasião em
que Cristo fala dos eleitos ("os que do mundo me
destes"), lembra a responsabilidade deles, pois de­
vem "guardar a palavra" (v 6 ), "santificar-se na pa­
lavra" (v 17) e "manter-se na unidade" (vv 1 1 ,2 1 ,
etc).
Paulo, que se sentia responsável quanto à
evangelização (1 Co 9 .1 6 ), acrescenta: "Esmurro o
meu corpo, e o reduzo à escravidão, para que, ten­
do pregado a outros, não venha eu mesmo a ser
desqualificado" (1 Co 9.27).
Dirigindo-se aos tessalonicenses, o mesmo
apóstolo exorta-os a "reconhecerem a eleição";
mas na base da "operosidade da fé, da abnegação
do amor, da firmeza da esperança" (1 Ts 1.3, 4).
O perigo da maldição é inegável pela maldição
que recaiu sobre Jesus (Mt 27.46; 2 Co 5.21; Gl 3.
13, etc.). Exatamente porque ela já recaiu sobre
Ele, não precisa recair sobre mais ninguém, a me­
nos que a pessoa queira resistirá graça. Infelizmen-
te, a mais antiga lição da História, e que os homens
insistem em não aprender, é a de que o pecado traz
conseqüências desastrosas.
Já tornamos claro nosso ponto de vista quan­
to à dupla natureza do juízo, a saber: juízo para
salvação, na morte, pois esta define nossa posição
- 43 -
em Cristo; juízo de galardão,_no juízo final, para a
medida de graus de culpa aos que não estiverem em
Cristo e a medida de graus de bênção aos que esti­
verem nEle. Não vamos repetir aqui o que já expu­
semos em outra parte: Conheça sua Fé - Capítulo
sobre juízo.
É fato que a Bíblia nos apresenta advertências
quanto à possibilidade de o indivíduo se perder.
Algumas passagens sobre isso são as seguintes: Mt
25.30: "E o servo inútil lançai-o para fora, nas tre­
vas. . Mt 25.41: "Apartai-vos de mim, malditos,
para o fogo eterno. . Mc 9.43-48 fala do infer­
no, "onde não lhes morre o verme, nem o fogo
se apaga"; 2 Ts 1.9: "Estes sofrerão penalidade de
eterna destruição..."; Ap 14.10, 11, onde se fala
de perdição a que estão sujeitos os adoradores
da besta; Ap 20.10 — idem, em relação ao diabo;
Ap 10.15 — há referência ao que não foi achado
inscrito no livro da vida, "lançado no lago de
fogo"; 2 Pe 2.4-9 e Judas 6 e 7, onde se fala de
"anjos que caíram",se diz também que nas tre­
vas serão "colocados os ímpios para juízo".
Certamente que a linguagem bíblica não pode
ser tomada ao pé da letra, pois treva é incompatível
com o fogo; ou bicho que roí com fogo que não
se apaga. Muito menos deveria ela servir de base
para extremismos pictóricos da Idade Média.
O problem a fundam ental é a oposição de von­
tades. Como no aquém a vontade humana se opõe
à divina; assim, a vontade divina se oporá à humana
no além.
Da eleição dissemos que ela é afirmada pela
Escritura, e confirmada pela experiência. A respei­
to da perdição, não poderiamos basear-nos na ex­
periência, mas tão somente na Escritura. Não po­
demos basear-nos na experiência porque o eleito
não prova a perdição e o perdido não sabe, nesta

- 44-
presente vida, o que isso é. Por outro lado, o cren­
te não deve ver o próximo como reprovado,mas,
sim, como potencialmente eleito, 0 pecador, aqui
no mundo, na verdade, só deve ser visto como um
candidato à salvação. Diz Dowey: "Empiricamente
não há indivíduos perdidos no mundo para o qual
alguém possa apontar o dedo".
Queremos nós, com isso, negar o testemunho
bíblico quanto à possibilidade da perdição? De mo­
do nenhum. Queremos apenas lembrar que o co­
nhecimento da eleição tem base experimental; o da
perdição, não.
Não defendemos apenas a liberdade do ho­
mem; também, e sobretudo a liberdade de Deus.
E Judas? Esse ex-apóstolo, tesoureiro dos do­
ze, traidor e suicida, mais do que qualquer outro
é apontado como precito. Dele declarou Jesus que
era "filho da perdição para que se cumprisse a Es­
critura" (Jo 17.12). "Melhor lhe fora não ter nasci­
do" (M t 26.24).
Suponha, porém, o leitor, que antes do acesso
de loucura que o levou ao suicídio, no último
momento de lucidez (mais ou menos como o la­
drão na cruz), tivesse o arrependimento e a fé, que
conduzem à vida! Basta essa suposição para se veri­
ficar que não temos experiência da perdição; o que
dela temos é advertência, e muita! Há dois cami-
nhor — o largo leva à perdição.
E as expressões sobre Judas, em que ficam?
São verdadeiras, mesmo na hipótese levantada,
pois, o papel histórico por ele desempenhado é in­
desejável (SI 41.9; Jo 13.27).
Não olhemos para as trevas, mas para a luz!
Não nos prendamos aos móveis do recinto, mas ao
espelho que reflete, tanto o interior, como o exte­
rior do recinto — Cristo!

- 45 -
MISTÉRIO INEVITÁVEL

Rm 11.33-36
" 0 profundidade da riqueza, tanto da sabedo­
ria, como do conhecimento de Deus! Quão inson-
dáveis são os seus juízos e quão inescrutáveis os
seus caminhos!
"Quem, pois, conheceu a mente do Senhor?
Ou quem foi o seu conselheiro?
"Ou quem primeiro lhe deu a Ele para que lhe
venha a ser restituído?
"Porque dEle e por meio d Ele e para Ele são
todas as coisas. A Ele, pois, a glória eternamente.
Am ém !"
À submissão é que devemos chegar, não à es­
peculação.
Se não temos o recurso de conhecer a perdi­
ção pela experiência, poderiamos entrar pelo cami­
nho da lógica na consideração deste assunto? Creio
que alguns têm cedido a essa tentação. Dizem: Se
sabemos pela Escritura que Deus, antes da criação
do mundo "nos elegeu nEle", então a perdição dos
não-eleitos deve ter sido igualmente predestinada
por Deus desde toda a eternidade. Por mais lógica
que fosse a conclusão, seria também a anulação de
todo ensino bíblico, cujo balanço acabamos de fa­
zer.
O melhor é pôr a perder a nossa lógica. Nesse
assunto, como em tantos outros (haja vista a data

- 46-
da segunda vinda de Cristo!), há certamente
pessoas, que têm vaidade de se antecipar aos de­
mais no conhecimento do mistério de Deus. Que não
seja para sua própria perdição!
A Escritura, muito diferentemente, dá a impressão
de que se alguém se perde não é pelo gosto de Deus,
como mesmo os pais terrenos, não agrada cas­
tigar o filho. Ez 18.32. . . "não tenho prazer na
morte de ninguém"; 1 Tm 2.4. . . "Deus quer que
todos os homens se salvem e venham ao conheci­
mento da verdade"; 2 Pe 3.9. . . "Deus não quer
que alguns se percam, senão que todos venham a
arrepender-se".
Não sabemos explicar como, querendo Deus a
salvação de todos (e não duvidamos deste testemu­
nho da Escritura), não tenha eleito a todos e não os
tenha efetivamente salvo. O fato de não podermos
explicar, significa que não há explicação? É lícito
impor explicação a Deus?
Não escrevemos este trabalho para explicar a
predestinação, antes, ao contrário para fugir a ex­
plicações tolas, apontando tão somente o que as
Escrituras dizem.
Calvino repudiou a especulação. Se Deus nos
deu em Cristo, a revelação, diz ele, por que especu­
lar? Mesmo o estudioso que audaciosamente se
meta nesse terreno, não vai satisfazer sua curiosi­
dade. Nem é direito que o homem possa impune­
mente inquirir aquelas coisas que Deus quis manter
ocultas em Si mesmo. Deus quer ser adorado e não
propriamente entendido. O melhor é ficarmos em
silêncio, aderindo-nos estritamente à Sua Palavra.
O que nela se pede é total obediência.
Tal é o apanhado que sobre o assunto colhe­
mos de Wilhelm Niesel, especialista em Calvino.
O Apocalipse nos garante que "nos dias da
voz do sétimo anjo, quando ele estiver para tocar a

- 47-
trombeta, cumprir-se-à, então, o m istério de
Deus. . ( Ap 10.7K
Vamos esperar?
Prevenimos que iríamos tratar de "caminhos
inescrutáveis".
Continuam a ser assim! Não queira ir além. É
perder tempo.

- 48-
BIBLIOGRAFIA

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