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ARBITRAGEM

MATERIAL COM QUESTÕES DE CONCURSO e ALGUMAS REFERÊNCIAS À SÚMULAS


E JULGADOS DOS TRIBUNAIS SUPERIORES

Material confeccionado por Eduardo B. S. Teixeira.

Última atualização legislativa: nenhuma.

Última atualização questões de concurso: 09/08/2019.

Observações quanto à compreensão do material:


1) Cores utilizadas:
 EM VERDE: destaque aos títulos, capítulos, bem como outras informações relevantes,
etc.
 EM ROXO: artigos que já foram cobrados em provas de concurso.
 EM AZUL: Parte importante do dispositivo (ex.: questão cobrou exatamente a
informação, especialmente quando a afirmação da questão dizia respeito à situação
contrária ao que dispõe Lei 9.307/96).
 EM AMARELO: destaques importantes (ex.: critério pessoal)

2) Siglas utilizadas:
 MP (concursos do Ministério Público); M ou TJPR (concursos da Magistratura); BL
(base legal, etc).

LEI Nº 9.307, DE 23 DE SETEMBRO DE 1996.

(Vide Lei nº 13.105, de 2015) (Vigência)


Dispõe sobre a arbitragem.
(Vide Lei nº 13.129, de 2015) (Vigência)

O PRESIDENTE DA REPÚBLICA Faço saber que o Congresso Nacional decreta e eu


sanciono a seguinte Lei:

Observações gerais do Dizer o Direito:

NOÇÕES GERAIS SOBRE ARBITRAGEM: Arbitragem representa uma técnica de solução de


conflitos por meio da qual os conflitantes aceitam que a solução de seu litígio seja decidida por
uma terceira pessoa, de sua confiança. A arbitragem é uma forma de heterocomposição, isto é,
instrumento por meio do qual o conflito é resolvido por um terceiro.

Arbitragem é jurisdição? Há intensa discussão na doutrina se a arbitragem pode ser


considerada como jurisdição ou se seria apenas um equivalente jurisdicional. Podemos
identificar duas correntes: 1ª) SIM. É a posição de Fredie Didier. 2ª) NÃO. É defendida por Luiz
Guilherme Marinoni.

Regulamentação: A arbitragem é regulada pela Lei 9307/96, havendo também alguns


dispositivos no CPC versando sobre o tema.

Capítulo I

Disposições Gerais

Art. 1º As pessoas capazes de contratar PODERÃO VALER-SE da ARBITRAGEM para


dirimir litígios relativos a direitos patrimoniais disponíveis. (PGEPB-2008) (TRF2-2011)
(DPETO-2013)

§ 1o A administração pública direta e indireta poderá utilizar-se da arbitragem para dirimir


conflitos relativos a direitos patrimoniais disponíveis. (Incluído pela Lei nº 13.129, de 2015)
(Vigência)
§ 2o A autoridade ou o órgão competente da administração pública direta para a celebração
de convenção de arbitragem é a mesma para a realização de acordos ou transações. (Incluído pela
Lei nº 13.129, de 2015) (Vigência)

OBS1: O legislador, por meio da Lei n 13129/15 previu, de forma genérica, a possibilidade de
a Administração Pública valer-se da arbitragem quando a lide versar sobre direitos
disponíveis. Foram acrescentados dois parágrafos ao art. 1º da Lei n.° 9.307/96. Desse modo,
atualmente, existe uma autorização genérica para a utilização da arbitragem pela
Administração Pública para todo e qualquer conflito que envolva direitos patrimoniais
disponíveis. Isso vale para os três entes federativos: União, Estados/DF e Municípios.

OBS2: A autoridade que irá celebrar a convenção de arbitragem é a mesma que teria
competência para assinar acordos ou transações, segundo previsto na legislação do respectivo
ente. Ex: se o Secretário de Estado é quem tem competência para assinar acordos no âmbito
daquele órgão, ele é quem poderá firmar a convenção de arbitragem. Como a Administração
Pública deve obediência ao princípio da legalidade (art. 37, da CF/88) e, a fim de evitar
questionamentos quanto à sua constitucionalidade, a Lei n.° 13.129/2015 determinou que a
arbitragem, nestes casos, não poderá ser por equidade, devendo sempre ser feita com base nas
regras de direito (art. 2º, §3º da Lei 9307).

Art. 2º A arbitragem PODERÁ SER DE DIREITO ou DE EQÜIDADE, a critério das


partes. (Cartórios/TJRS-2015)

(TJDFT-2012): A arbitragem pode dar-se por equidade, a critério das partes. Já na sentença
judicial, o julgamento por equidade somente é possível nos casos previstos em lei. BL: art. 2º,
Lei 9307/96 e art. 140, § único do NCPC.

OBS: Vejamos o teor do art. 140, NCPC: “Art. 140. O juiz não se exime de decidir sob a alegação de
lacuna ou obscuridade do ordenamento jurídico. Parágrafo único. O juiz só decidirá por equidade
nos casos previstos em lei.”

§ 1º PODERÃO as partes escolher, LIVREMENTE, as regras de direito que serão


aplicadas na arbitragem, DESDE QUE não haja violação aos BONS COSTUMES e à ORDEM
PÚBLICA. (TJSP-2013) (Cartórios/TJRS-2015)

(TRF1-2015-CESPE): Assinale a opção correta a respeito da jurisdição e dos equivalentes


jurisdicionais: Na arbitragem, as partes podem escolher a norma de direito material a ser
aplicada para a solução do conflito. BL: art. 2º, §1º da Lei 9307/96.

(TJDFT-2014-CESPE): Há possibilidade de os envolvidos na arbitragem escolherem a norma


de direito material a ser aplicada na resolução do conflito, podendo ainda ser convencionado
que o julgamento se faça com base nos costumes. BL: art. 2º, §1º da Lei 9307/96.

(DPETO-2013-CESPE): Na arbitragem, as partes podem escolher, livremente, as regras de


direito que serão aplicadas, desde que não haja violação aos bons costumes e à ordem pública.
BL: art. 2º, §1º da Lei 9307/96.

§ 2º PODERÃO, também, as partes convencionar que a ARBITRAGEM se realize com


base nos princípios gerais de direito, nos usos e costumes e nas regras internacionais de
comércio. (DPETO-2013) (Cartórios/TJRS-2015)

§ 3o A arbitragem que envolva a administração pública será sempre de direito e respeitará


o princípio da publicidade. (Incluído pela Lei nº 13.129, de 2015) (Vigência)

Arbitragem de direito ou de equidade: A arbitragem poderá ser de direito ou de equidade, a


critério das partes (art. 2º da Lei 9307/96).
a) Arbitragem de DIREITO: é aquela em que os árbitros decidirão a controvérsia com base em
regras de direito. Ex: as partes combinam que os árbitros encontrarão a solução para o caso
seguindo as regras do Código Civil. Vale ressaltar que as partes podem escolher livremente as
regras de direito que serão aplicadas na arbitragem, desde que não haja violação aos bons
costumes e à ordem pública (§ 1º do art. 2º). As partes também poderão convencionar que a
arbitragem se realize com base nos princípios gerais de direito, nos usos e costumes e nas regras
internacionais de comércio (§ 2º).

b) Arbitragem de EQUIDADE: é aquela em que os árbitros decidirão a controvérsia não com


base necessariamente no ordenamento jurídico, mas sim de acordo com aquilo que lhes parecer
mais justo, razoável e equânime. Aqui, os árbitros terão uma liberdade de julgamento mais
elástica, já que não estarão obrigados a seguir o que diz a lei, podendo conferir solução
contrária às regras do direito se isso, no caso concreto, parecer mais justo e adequado.
Apesar de parecer “estranha” para quem tem contato com ela uma primeira vez, a arbitragem
por equidade pode ser muito útil para determinados tipos de lide envolvendo conhecimentos
técnicos muito especializados, os quais a legislação ainda não conseguiu regular de forma
satisfatória. Alexandre Freitas Câmara aponta seus benefícios:
“a arbitragem de equidade terá, sobre a de direito, a imensa vantagem da
especialização do árbitro. Basta pensar, por exemplo, numa arbitragem de equidade
envolvendo conflito que diga respeito a uma questão de engenharia, ou química. A
se levar tal lide ao Judiciário, o juiz fatalmente convocaria um perito no assunto
para assessorá-lo, e dificilmente sua sentença teria orientação diversa, quanto aos
fatos, daquela apontada pelo perito em seu laudo. Neste caso, com a arbitragem se
poderá entregar a solução da controvérsia diretamente nas mãos do especialista,
retirando-se da composição do conflito o juiz, que funcionaria aqui, em verdade,
como um mero intermediário entre as pessoas e o expert”. (CAMARA, Alexandre
Freitas. Arbitragem. Lei n.º 9.307/96. Rio de Janeiro: Lumen Juris, 1997).

Capítulo II

Da Convenção de Arbitragem e seus Efeitos

Art. 3º As partes interessadas PODEM SUBMETER a solução de seus litígios ao juízo


arbitral mediante CONVENÇÃO DE ARBITRAGEM, assim entendida a cláusula
compromissória e o compromisso arbitral. (TRF2-2011) (MPF-2015) (Cartórios/TJRS-2015)

Convenção de arbitragem é o gênero, que engloba: a) a cláusula compromissória e b) o


compromisso arbitral.

Art. 4º A cláusula compromissória é a convenção através da qual as partes em um contrato


comprometem-se a submeter à arbitragem os litígios que possam vir a surgir, relativamente a tal
contrato.

§ 1º A cláusula compromissória deve ser estipulada por escrito, podendo estar inserta no
próprio contrato ou em documento apartado que a ele se refira.

§ 2º Nos CONTRATOS DE ADESÃO, a cláusula compromissória SÓ TERÁ eficácia se o


aderente TOMAR a iniciativa de instituir a arbitragem ou CONCORDAR, expressamente, com
a sua instituição, DESDE QUE por escrito em documento anexo ou em negrito, com a
assinatura ou visto especialmente para essa cláusula. (TJSP-2013) (MPF-2015)

A cláusula compromissória (art. 4º da Lei), também chamada de cláusula arbitral, é...


- uma cláusula prevista no contrato,
- de forma prévia e abstrata,
- por meio da qual as partes estipulam que
- qualquer conflito futuro relacionado àquele contrato
- será resolvido por arbitragem (e não pela via jurisdicional estatal).

Regra geral: validade da cláusula compromissória. Em regra, a cláusula compromissória é


válida e, tendo sido imposta, é de observância obrigatória, sendo hipótese de derrogação da
jurisdição estatal.
1ª regra específica: contrato de adesão (art. 4º, §2º): É possível que um contrato de adesão
contenha uma cláusula compromissória? SIM, no entanto, essa cláusula compromissória só
terá eficácia se o aderente:
 tomar a iniciativa de instituir a arbitragem; ou
 concordar, expressamente, com a sua instituição, por escrito, em documento anexo ou
em negrito, com a assinatura ou visto especialmente para essa cláusula.

2ª regra específica: contrato de consumo: É possível que um contrato de consumo contenha


uma cláusula compromissória? NÃO. O CDC estipula que é nula de pleno direito a cláusula
que determina a utilização compulsória de arbitragem (art. 51, VII). Assim, em qualquer
contrato de consumo, seja ele de adesão ou não, é nula a cláusula compromissória.

3ª regra específica: dissídios individuais de trabalho: Não é válida arbitragem nos dissídios
individuais de trabalho, conforme entendimento pacífico do TST. Obs: A Lei 13129/15 tentou
inserir a permissão de arbitragem para contratos individuais de trabalho de determinados
empregados de maior escalão, mas esse dispositivo foi vetado pela Presidente da República,
de forma que permanece a vedação quanto à arbitragem nos dissídios individuais de trabalho.
É permitida a arbitragem no caso de dissídios coletivos de trabalho, conforme previsão
expressa do § 1º do art. 114 da CF/88.

(Cartórios/TJRS-2015-Faurgs): Nos contratos de adesão, a cláusula compromissória terá


eficácia somente se o aderente tomar a iniciativa de instituir a arbitragem ou concordar,
expressamente, com a sua instituição, desde que por escrito em documento anexo ou em
negrito, com a assinatura ou visto especialmente para essa cláusula. BL: art. 4º, §2º, Lei 9307.

§§ 3o e 4º (VETADOS). (Incluído pela Lei nº 13.129, de 2015) (Vigência)

Art. 5º Reportando-se as partes, na cláusula compromissória, às regras de algum órgão


arbitral institucional ou entidade especializada, a arbitragem será instituída e processada de
acordo com tais regras, podendo, igualmente, as partes estabelecer na própria cláusula, ou em
outro documento, a forma convencionada para a instituição da arbitragem. (Cartórios/TJRS-
2015)

Art. 6º Não havendo acordo prévio sobre a forma de instituir a arbitragem, a parte
interessada manifestará à outra parte sua intenção de dar início à arbitragem, por via postal ou
por outro meio qualquer de comunicação, mediante comprovação de recebimento, convocando-
a para, em dia, hora e local certos, firmar o compromisso arbitral.

Parágrafo único. Não comparecendo a parte convocada ou, comparecendo, recusar-se a


firmar o compromisso arbitral, poderá a outra parte propor a demanda de que trata o art. 7º desta
Lei, perante o órgão do Poder Judiciário a que, originariamente, tocaria o julgamento da causa.

Art. 7º Existindo cláusula compromissória e havendo resistência quanto à instituição da


arbitragem, poderá a parte interessada requerer a citação da outra parte para comparecer em
juízo a fim de lavrar-se o compromisso, designando o juiz audiência especial para tal fim.

§ 1º O autor indicará, com precisão, o objeto da arbitragem, instruindo o pedido com o


documento que contiver a cláusula compromissória.

§ 2º Comparecendo as partes à audiência, o juiz tentará, previamente, a conciliação acerca


do litígio. Não obtendo sucesso, tentará o juiz conduzir as partes à celebração, de comum acordo,
do compromisso arbitral.

§ 3º Não concordando as partes sobre os termos do compromisso, decidirá o juiz, após ouvir
o réu, sobre seu conteúdo, na própria audiência ou no prazo de dez dias, respeitadas as
disposições da cláusula compromissória e atendendo ao disposto nos arts. 10 e 21, § 2º, desta Lei.

§ 4º Se a cláusula compromissória nada dispuser sobre a nomeação de árbitros, caberá ao


juiz, ouvidas as partes, estatuir a respeito, podendo nomear árbitro único para a solução do litígio.
§ 5º A ausência do autor, sem justo motivo, à audiência designada para a lavratura do
compromisso arbitral, importará a extinção do processo sem julgamento de mérito.

§ 6º Não comparecendo o réu à audiência, caberá ao juiz, ouvido o autor, estatuir a respeito
do conteúdo do compromisso, nomeando árbitro único.

§ 7º A sentença que julgar procedente o pedido valerá como compromisso arbitral.

Art. 8º A cláusula compromissória É AUTÔNOMA em relação ao contrato em que estiver


inserta, de tal sorte que a nulidade deste NÃO IMPLICA, necessariamente, a nulidade da
cláusula compromissória. (TJSP-2013) (DPEMS-2014)

Parágrafo único. CABERÁ ao árbitro DECIDIR de ofício, ou por provocação das partes,
as questões acerca da existência, validade e eficácia da convenção de arbitragem e do contrato
que CONTENHA a cláusula compromissória. (TJSP-2013) (DPEMS-2014)

Art. 9º O compromisso arbitral é a convenção através da qual as partes submetem um litígio


à arbitragem de uma ou mais pessoas, podendo ser judicial ou extrajudicial.

§ 1º O compromisso arbitral judicial celebrar-se-á por termo nos autos, perante o juízo ou
tribunal, onde tem curso a demanda.

§ 2º O compromisso arbitral extrajudicial será celebrado por escrito particular, assinado por
duas testemunhas, ou por instrumento público.

O compromisso arbitral (art. 9º da Lei) é...


- um acordo (convenção) feito entre as partes
- após o conflito já ter surgido,
- por meio do qual se combina que a solução desta lide
- não será resolvida pelo Poder Judiciário,
- mas sim por intermédio da arbitragem.

No compromisso arbitral, as partes renunciam ao seu direito de buscar a atividade


jurisdicional estatal e decidem se valer da arbitragem

Art. 10. Constará, obrigatoriamente, do compromisso arbitral:

I - o nome, profissão, estado civil e domicílio das partes; (TRF3-2016)

II - o nome, profissão e domicílio do árbitro, ou dos árbitros, ou, se for o caso, a


identificação da entidade à qual as partes delegaram a indicação de árbitros; (TRF3-2016)

III - a matéria que será objeto da arbitragem; e (TRF3-2016)

IV - o lugar em que será proferida a sentença arbitral.

Art. 11. PODERÁ, ainda, o COMPROMISSO ARBITRAL CONTER:

I - local, ou locais, onde se desenvolverá a arbitragem;

II - a autorização para que o árbitro ou os árbitros julguem por eqüidade, se assim for
convencionado pelas partes;

III - o prazo para apresentação da sentença arbitral;

IV - a indicação da lei nacional ou das regras corporativas aplicáveis à arbitragem, quando


assim convencionarem as partes;
(Cartórios/TJRS-2015-Faurgs): É possível a utilização de regulamentos corporativos como
direito aplicável em um processo arbitral. BL: art. 11, IV, Lei 9307.

V - a declaração da responsabilidade pelo pagamento dos honorários e das despesas com a


arbitragem; e

VI - a fixação dos honorários do árbitro, ou dos árbitros.

Parágrafo único. Fixando as partes os honorários do árbitro, ou dos árbitros, no


compromisso arbitral, este constituirá título executivo extrajudicial; não havendo tal estipulação,
o árbitro requererá ao órgão do Poder Judiciário que seria competente para julgar,
originariamente, a causa que os fixe por sentença.

Art. 12. Extingue-se o compromisso arbitral:

I - escusando-se qualquer dos árbitros, antes de aceitar a nomeação, desde que as partes
tenham declarado, expressamente, não aceitar substituto; (TRF3-2016)

II - falecendo ou ficando impossibilitado de dar seu voto algum dos árbitros, desde que as
partes declarem, expressamente, não aceitar substituto; e

III - tendo expirado o prazo a que se refere o art. 11, inciso III, desde que a parte interessada
tenha notificado o árbitro, ou o presidente do tribunal arbitral, concedendo-lhe o prazo de dez
dias para a prolação e apresentação da sentença arbitral.

Diferença entre a cláusula compromissória e o compromisso arbitral:


Cláusula compromissória Compromisso arbitral
É uma convenção de arbitragem em que as É uma convenção de arbitragem posterior
partes dizem que qualquer conflito futuro ao conflito. O conflito surgiu e as partes
será resolvido por arbitragem. decidem resolvê-lo por arbitragem.
É uma cláusula prévia e abstrata, que não se É feito após o conflito ter surgido e se refere a
refere a um conflito específico. um problema concreto, já instaurado.
Em regra, mesmo havendo a cláusula Mesmo que não exista cláusula
compromissória no contrato, as partes ainda compromissória no contrato, as partes
precisarão de um compromisso arbitral para poderão decidir fazer um compromisso
regular como a arbitragem será feita. arbitral para resolver o conflito.
Exceção: Fredie Didier ressalta que não será
necessário o compromisso arbitral se a
cláusula compromissória for completa, ou
seja, contiver todos os elementos para a
instauração imediata da arbitragem (exs:
quem serão os árbitros, o direito a ser
aplicável, o tempo de duração etc.).

OBS:
É válido que seja realizado compromisso arbitral para dirimir conflito existente em uma
relação de consumo? SIM. O STJ entende que o art. 51, VII, do CDC se limita a vedar a adoção
prévia e compulsória da arbitragem, no momento da celebração do contrato, mas não impede
que, posteriormente, diante de eventual litígio, havendo consenso entre as partes (em especial
a aquiescência do consumidor), seja instaurado o procedimento arbitral. Em outras palavras, o
que se veda é a cláusula compromissória nos contratos de consumo. No entanto, surgido o
conflito entre consumidor e fornecedor, é possível que este seja resolvido mediante arbitragem,
desde que, obviamente, as partes assim desejem. (STJ. 3ª Turma. REsp 1.169.841-RJ, Rel. Min.
Nancy Andrighi, julgado em 6/11/2012.)

Capítulo III

Dos Árbitros
Art. 13. PODE SER ÁRBITRO qualquer pessoa capaz e que TENHA a confiança das
partes. (TRF2-2011) (PCSC-2014)

§ 1º AS PARTES NOMEARÃO um ou mais árbitros, sempre em número ímpar, podendo


nomear, também, os respectivos suplentes. (TRF2-2011)

§ 2º Quando as partes nomearem árbitros em número par, estes estão autorizados, desde
logo, a nomear mais um árbitro. Não havendo acordo, requererão as partes ao órgão do Poder
Judiciário a que tocaria, originariamente, o julgamento da causa a nomeação do árbitro, aplicável,
no que couber, o procedimento previsto no art. 7º desta Lei.

§ 3º As partes poderão, de comum acordo, estabelecer o processo de escolha dos árbitros,


ou adotar as regras de um órgão arbitral institucional ou entidade especializada.

§ 4o As partes, de comum acordo, poderão afastar a aplicação de dispositivo do


regulamento do órgão arbitral institucional ou entidade especializada que limite a escolha do
árbitro único, coárbitro ou presidente do tribunal à respectiva lista de árbitros, autorizado o
controle da escolha pelos órgãos competentes da instituição, sendo que, nos casos de impasse e
arbitragem multiparte, deverá ser observado o que dispuser o regulamento aplicável. (Redação
dada pela Lei nº 13.129, de 2015) (Cartórios/TJRS-2015)

§ 5º O árbitro ou o presidente do tribunal designará, se julgar conveniente, um secretário,


que poderá ser um dos árbitros.

§ 6º No desempenho de sua função, o árbitro deverá proceder com imparcialidade,


independência, competência, diligência e discrição.

§ 7º Poderá o árbitro ou o tribunal arbitral determinar às partes o adiantamento de verbas


para despesas e diligências que julgar necessárias.

Art. 14. Estão impedidos de funcionar como árbitros as pessoas que tenham, com as partes
ou com o litígio que lhes for submetido, algumas das relações que caracterizam os casos de
impedimento ou suspeição de juízes, aplicando-se-lhes, no que couber, os mesmos deveres e
responsabilidades, conforme previsto no Código de Processo Civil.

§ 1º As pessoas indicadas para funcionar como árbitro têm o dever de revelar, antes da
aceitação da função, qualquer fato que denote dúvida justificada quanto à sua imparcialidade e
independência.

§ 2º O árbitro somente poderá ser recusado por motivo ocorrido após sua nomeação.
Poderá, entretanto, ser recusado por motivo anterior à sua nomeação, quando:

a) não for nomeado, diretamente, pela parte; ou

b) o motivo para a recusa do árbitro for conhecido posteriormente à sua nomeação.

Art. 15. A parte interessada em argüir a recusa do árbitro apresentará, nos termos do art.
20, a respectiva exceção, diretamente ao árbitro ou ao presidente do tribunal arbitral, deduzindo
suas razões e apresentando as provas pertinentes.

Parágrafo único. Acolhida a exceção, será afastado o árbitro suspeito ou impedido, que será
substituído, na forma do art. 16 desta Lei.

Art. 16. Se o árbitro escusar-se antes da aceitação da nomeação, ou, após a aceitação, vier a
falecer, tornar-se impossibilitado para o exercício da função, ou for recusado, assumirá seu lugar
o substituto indicado no compromisso, se houver.
§ 1º Não havendo substituto indicado para o árbitro, aplicar-se-ão as regras do órgão
arbitral institucional ou entidade especializada, se as partes as tiverem invocado na convenção
de arbitragem.

§ 2º Nada dispondo a convenção de arbitragem e não chegando as partes a um acordo sobre


a nomeação do árbitro a ser substituído, procederá a parte interessada da forma prevista no art.
7º desta Lei, a menos que as partes tenham declarado, expressamente, na convenção de
arbitragem, não aceitar substituto.

Art. 17. Os ÁRBITROS, quando no exercício de suas funções ou em razão delas, FICAM
EQUIPARADOS aos FUNCIONÁRIOS PÚBLICOS, para os efeitos da legislação penal.

(MPF-2015): EM RELAÇÃO A ARBITRAGEM, É CORRETO AFIRMAR QUE: Os árbitros são


equiparados aos servidores públicos para efeitos penais. BL: art. 17, da Lei 9307/96.

Art. 18. O árbitro é juiz de fato e de direito, e a sentença que proferir NÃO FICA SUJEITA
a recurso ou a homologação pelo Poder Judiciário. (TCEES-2012) (MPF-2015)

Regras para a escolha dos árbitros: As regras relacionadas com a escolha dos árbitros estão
previstas nos arts. 13 a 18 da Lei n 9307/96.

Quem pode ser árbitro? Qualquer pessoa civilmente capaz e que tenha a confiança das partes
(art. 13). As partes que escolhem quem elas querem como árbitro. As partes nomearão um ou
mais árbitros, sempre em número ímpar, podendo nomear, também, suplentes.

E se as partes nomearem árbitros em número par? Quando as partes nomearem árbitros em


número par, estes (os árbitros) estão autorizados a nomear mais um árbitro (para ficar ímpar).
Não havendo acordo, requererão as partes ao órgão do Poder Judiciário a que tocaria,
originariamente, o julgamento da causa a nomeação do árbitro.

Órgão arbitral institucional ou entidade especializada: Em vez de as partes escolherem


individualmente os árbitros que irão julgar a causa, elas podem escolher um órgão arbitral
institucional ou entidade especializada. Órgão arbitral institucional ou entidade
especializada é uma pessoa jurídica constituída para a solução extrajudicial de conflitos por
meio da mediação, negociação, conciliação e arbitragem.
Desse modo, as partes poderão, de comum acordo, estabelecer o processo de escolha dos
árbitros ou adotar as regras de um órgão arbitral institucional ou entidade especializada (art.
13, § 3º).

Escolha de árbitros caso as partes optem por um órgão arbitral institucional ou entidade
especializada: Se as partes escolherem um órgão arbitral institucional ou entidade
especializada para solucionar a causa, a seleção dos árbitros será feita, em princípio, pelas
regras previstas no estatuto da entidade. Normalmente, tais entidades possuem uma lista de
árbitros previamente cadastrados e a escolha recai sobre esses nomes. A Lei 13129/15, com o
objetivo de conferir maior liberdade aos envolvidos, incluiu § 4º ao art. 13 da Lei 9307/96
prevendo que as partes podem, de comum acordo, afastar algumas regras do regulamento do
órgão arbitral ou entidade especializada a fim de terem maior autonomia na escolha dos
árbitros. O que o § 4º quer dizer é que as partes, mesmo tendo escolhido um órgão arbitral
institucional ou entidade especializada que trabalhe com lista fechada de árbitros, poderão
escolher outros que não estejam previstos naquela relação. Na opinião do Dizer o Direito,
trata-se de inovação desarrazoada considerando que, se as partes escolheram aquele órgão
arbitral ou entidade especializada é porque confiam (ou deveriam confiar) na sua expertise e
em trabalhos anteriormente por eles realizados. Assim, não há sentido em escolher um órgão
pelo seu bom desempenho em arbitragens anteriores e querer mudar a essência, o âmago dessa
entidade, que é justamente a qualidade e o conhecimento técnico de seus árbitros credenciados.
Andou mal, portanto, o legislador neste ponto.

Impedimento e suspeição dos árbitros: Aplicam-se aos árbitros as mesmas causas de


impedimento e suspeição previstas para os juízes no CPC (amizade íntima, inimizade,
interesse na causa etc.) (art. 14). No desempenho de sua função, o árbitro deverá proceder com
imparcialidade, independência, competência, diligência e discrição.

Equiparação à funcionário público para fins penais: Os árbitros, quando no exercício de suas
funções ou em razão delas, ficam equiparados aos funcionários públicos, para os efeitos da
legislação penal (art. 17).

(TJSP-2013-VUNESP): Acerca da arbitragem, é correto dizer que a sentença arbitral brasileira


não fica sujeita a recurso ou a homologação pelo Poder Judiciário. BL: art. 18 e 31 da Lei 9307.

OBS: Vejamos o teor do art. 31 da Lei de Arbitragem: “Art. 31. A sentença arbitral produz, entre
as partes e seus sucessores, os mesmos efeitos da sentença proferida pelos órgãos do Poder Judiciário e,
sendo condenatória, constitui título executivo.”

(TJDFT-2012): A sentença arbitral proferida no território nacional constitui título executivo


judicial, independentemente de homologação por qualquer órgão do Poder Judiciário. BL: art.
515, inciso VII, NCPC e art. 18 da Lei 9307.

OBS: Vejamos o teor do art. 515, VII, NCPC: “Art. 515. São títulos executivos judiciais, cujo
cumprimento dar-se-á de acordo com os artigos previstos neste Título: (...)VII - a sentença arbitral;”

(TRF2-2011-CESPE): A arbitragem constitui-se em método previsto no direito internacional e


no direito brasileiro para a resolução de controvérsias. A legislação brasileira que trata da
arbitragem foi elaborada tendo como parâmetro o modelo de arbitragem internacional das
Nações Unidas. Assinale a opção correta, tendo como parâmetro a lei que regula, no Brasil, a
arbitragem (Lei n.º 9.307/1996): A sentença arbitral não está sujeita à homologação do Poder
Judiciário para surtir efeitos entre as partes. BL: art. 18, Lei 9307.

Capítulo IV

Do Procedimento Arbitral

Art. 19. Considera-se instituída a arbitragem quando aceita a nomeação pelo árbitro, se for
único, ou por todos, se forem vários.

§ 1o Instituída a arbitragem e entendendo o árbitro ou o tribunal arbitral que há necessidade


de explicitar questão disposta na convenção de arbitragem, será elaborado, juntamente com as
partes, adendo firmado por todos, que passará a fazer parte integrante da convenção de
arbitragem. (Incluído pela Lei nº 13.129, de 2015) (Vigência)

§ 2o A instituição da arbitragem interrompe a prescrição, retroagindo à data do


requerimento de sua instauração, ainda que extinta a arbitragem por ausência de
jurisdição. (Incluído pela Lei nº 13.129, de 2015) (Vigência)

PRESCRIÇÃO E ARBITRAGEM

A Lei n.° 9.307/96 tratava sobre prescrição? NÃO. A Lei de Arbitragem não traz prazos de
prescrição. No entanto, apesar disso, a doutrina majoritária afirma que essa omissão foi
proposital, já que os prazos de prescrição são previstos nas leis de direito material e a lei de
arbitragem é uma norma processual.
Para a corrente majoritária, aplicam-se os prazos prescricionais previstos na legislação
também para a arbitragem. Ex: imagine que determinado engenheiro foi contratado para uma
obra e no contrato preveja a cláusula compromissória; o prazo prescricional para pretensões
decorrentes deste contrato é de 5 anos, nos termos do art. 206, § 5º, II, do CC. Logo, este
engenheiro teria o prazo de 5 anos para pedir a instituição da arbitragem.

E quando se considera instituída a arbitragem? Considera-se instituída a arbitragem quando


aceita a nomeação pelo árbitro, se for único, ou por todos, se forem vários (art. 19).
O que a Lei 13129/15 alterou sobre a prescrição? Foram inseridos prazos prescricionais na Lei
de Arbitragem? NÃO. A Lei 9307/96 continua sem prever prazos de prescrição, até porque isso
é matéria atinente às leis de direito material. No entanto, a Lei 13129/15 acrescentou §2º ao art.
19 fixando um marco interruptivo da prescrição: “§ 2º A instituição da arbitragem interrompe a
prescrição, retroagindo à data do requerimento de sua instauração, ainda que extinta a arbitragem por
ausência de jurisdição”. Desse modo, os prazos de prescrição continuarão a observar as regras
previstas na legislação extravagante (Código Civil, Lei de Propriedade industrial etc.), mas,
agora a Lei de Arbitragem traz a regra de que a instituição da arbitragem interrompe o prazo
prescricional.

Art. 20. A parte que pretender argüir questões relativas à competência, suspeição ou
impedimento do árbitro ou dos árbitros, bem como nulidade, invalidade ou ineficácia da
convenção de arbitragem, deverá fazê-lo na primeira oportunidade que tiver de se manifestar,
após a instituição da arbitragem.

§ 1º Acolhida a argüição de suspeição ou impedimento, será o árbitro substituído nos


termos do art. 16 desta Lei, reconhecida a incompetência do árbitro ou do tribunal arbitral, bem
como a nulidade, invalidade ou ineficácia da convenção de arbitragem, serão as partes remetidas
ao órgão do Poder Judiciário competente para julgar a causa.

§ 2º Não sendo acolhida a argüição, terá normal prosseguimento a arbitragem, sem prejuízo
de vir a ser examinada a decisão pelo órgão do Poder Judiciário competente, quando da eventual
propositura da demanda de que trata o art. 33 desta Lei.

Art. 21. A arbitragem obedecerá ao procedimento estabelecido pelas partes na convenção


de arbitragem, que poderá reportar-se às regras de um órgão arbitral institucional ou entidade
especializada, facultando-se, ainda, às partes delegar ao próprio árbitro, ou ao tribunal arbitral,
regular o procedimento. (Cartórios/TJRS-2015)

§ 1º Não havendo estipulação acerca do procedimento, caberá ao árbitro ou ao tribunal


arbitral discipliná-lo.

§ 2º Serão, sempre, respeitados no procedimento arbitral os princípios do contraditório, da


igualdade das partes, da imparcialidade do árbitro e de seu livre convencimento.

§ 3º As partes poderão postular por intermédio de advogado, respeitada, sempre, a


faculdade de designar quem as represente ou assista no procedimento arbitral.

§ 4º Competirá ao árbitro ou ao tribunal arbitral, no início do procedimento, tentar a


conciliação das partes, aplicando-se, no que couber, o art. 28 desta Lei.

Art. 22. Poderá o árbitro ou o tribunal arbitral tomar o depoimento das partes, ouvir
testemunhas e determinar a realização de perícias ou outras provas que julgar necessárias,
mediante requerimento das partes ou de ofício. (Cartórios/TJPE-2013)

§ 1º O depoimento das partes e das testemunhas será tomado em local, dia e hora
previamente comunicados, por escrito, e reduzido a termo, assinado pelo depoente, ou a seu rogo,
e pelos árbitros.

§ 2º Em caso de desatendimento, sem justa causa, da convocação para prestar depoimento


pessoal, o árbitro ou o tribunal arbitral levará em consideração o comportamento da parte faltosa,
ao proferir sua sentença; se a ausência for de testemunha, nas mesmas circunstâncias, poderá o
árbitro ou o presidente do tribunal arbitral requerer à autoridade judiciária que conduza a
testemunha renitente, comprovando a existência da convenção de arbitragem. (Cartórios/TJPE-
2013)

§ 3º A revelia da parte não impedirá que seja proferida a sentença arbitral.

§ 4º (Revogado pela Lei nº 13.129, de 2015) (Vigência)


§ 5º Se, durante o procedimento arbitral, um árbitro vier a ser substituído fica a critério do
substituto repetir as provas já produzidas.

CAPÍTULO IV-A
(Incluído pela Lei nº 13.129, de 2015) (Vigência)

DAS TUTELAS CAUTELARES E DE URGÊNCIA

Art. 22-A. Antes de instituída a arbitragem, as partes poderão recorrer ao Poder Judiciário
para a concessão de medida cautelar ou de urgência. (Incluído pela Lei nº 13.129, de
2015) (Vigência)

Parágrafo único. Cessa a eficácia da medida cautelar ou de urgência se a parte interessada


não requerer a instituição da arbitragem no prazo de 30 (trinta) dias, contado da data de
efetivação da respectiva decisão. (Incluído pela Lei nº 13.129, de 2015) (Vigência)

Art. 22-B. Instituída a arbitragem, caberá aos árbitros manter, modificar ou revogar a
medida cautelar ou de urgência concedida pelo Poder Judiciário. (Incluído pela Lei nº 13.129,
de 2015) (Vigência) (TJSP-2017)

Parágrafo único. Estando já instituída a arbitragem, a medida cautelar ou de urgência


será requerida diretamente aos árbitros. (Incluído pela Lei nº 13.129, de 2015) (Vigência) (TJSP-
2017)

TUTELAS CAUTELARES E DE URGÊNCIA: A Lei n 13129/15 acrescentou um importante


capítulo na Lei 9307/96 prevendo a possibilidade de serem concedidas tutelas cautelares e de
urgência antes e durante o procedimento arbitral.

Mas se ainda não existem árbitros escolhidos, quem irá deferir tais medidas? O Poder
Judiciário. A Lei13129/15 estabeleceu que, se for necessária alguma medida cautelar ou de
urgência e ainda não houver sido instituída a arbitragem, as partes poderão requerê-las junto
ao Poder Judiciário (art. 22-A).

Assim, determinada empresa prejudicada poderá pedir ao juiz que conceda uma medida de
urgência no sentido de que a outra empresa continue fornecendo a matéria-prima ajustada no
contrato até que a disputa contratual seja resolvida pelos árbitros, sob pena de multa diária.
Depois de conseguir a medida pleiteada junto ao Poder Judiciário, a parte terá que requerer a
instituição da arbitragem em até 30 dias, sob pena de a medida ser cessada (art. 22-A, § único).

Depois de instituída a arbitragem, os árbitros poderão revogar a medida concedida pelo


Judiciário? SIM. A medida cautelar ou de urgência concedida pelo Poder Judiciário é
provisória e, depois de instituída a arbitragem, os árbitros irão reexaminá-lo e poderão mantê-
la, modificá-la ou revogá-la (ar. 22-B).

Poderão ser concedidas medidas cautelares ou de urgência depois de instaurado o


procedimento arbitral? SIM, mas neste caso tais medidas serão concedidas pelos próprios
árbitros que já estarão escolhidos (art. 22-B, § único). Antes da Lei n 13129/15, a Lei 9703/96
determinava que tais medidas deveriam ser requeridas pelo árbitro ao Poder Judiciário,
conforme previsto no art. 22, § 4º. Esse § 4º foi, contudo, revogado pela Lei13129/15, deixando
claro que é o próprio árbitro quem determina a medida deferida.

CAPÍTULO IV-B
(Incluído pela Lei nº 13.129, de 2015) (Vigência)

DA CARTA ARBITRAL
Art. 22-C. O árbitro ou o tribunal arbitral poderá expedir carta arbitral para que o órgão
jurisdicional nacional pratique ou determine o cumprimento, na área de sua competência
territorial, de ato solicitado pelo árbitro. (Incluído pela Lei nº 13.129, de 2015) (Vigência)

Parágrafo único. No cumprimento da carta arbitral será observado o segredo de justiça,


desde que comprovada a confidencialidade estipulada na arbitragem. (Incluído pela Lei nº
13.129, de 2015) (Vigência)

O que são as cartas no Direito Processual? Todo juízo possui competência restrita a limites
territoriais. Dentro destes limites, o próprio magistrado pode praticar os atos processuais por
meio de ordem judicial. Se o ato tiver que ser praticado fora dos limites territoriais onde o juízo
exerce sua competência, ele terá que se valer das chamadas “cartas”. Carta, para o direito
processual, é um instrumento de auxílio entre dois juízos. Determinado juízo expede uma carta
para que outro juízo pratique determinado ato processual na esfera de sua competência.

Espécies de carta: Tradicionalmente, nosso Direito Processual conhecia três tipos de carta:
Carta de ordem Carta rogatória Carta precatória
Serve para que um Tribunal Ocorre quando um juízo Ocorre quando um juízo
delegue a juízo inferior solicita que outro juízo solicita que outro juízo, de
“subordinado” a ele a prática pratique determinado ato igual hierarquia, pratique
de determinado ato processual fora do país. determinado ato processual
processual. nos limites de sua
Ex: juízo de Belém (PA) competência, dentro do
Ex: o Ministro do STF expede expede uma carta rogatória Brasil.
carta de ordem para que o para que seja ouvida uma
juízo federal ouça uma testemunha residente na Ex: o juízo da comarca de
testemunha localizada em Alemanha, pela autoridade Niterói (RJ) expede uma
Natal (RN). judiciária alemã. carta precatória para que o
juízo da comarca de Búzios
(RJ) ouça uma testemunha
que lá reside.

Carta arbitral: A Lei 13129/15 criou uma quarta espécie: a carta arbitral, prevista no art. 22-C
desta Lei. Por meio da carta arbitral, o árbitro ou o tribunal arbitral solicita que um órgão
jurisdicional nacional (juiz de direito ou juiz federal) pratique ou determine o cumprimento de
algum ato que seja necessário para o procedimento arbitral. Ex: o árbitro que está solucionando
uma controvérsia envolvendo duas partes que moram em Salvador (BA) expede uma carta
arbitral para que o juízo de direito de Manaus (AM) intime um diretor de empresa que reside
na capital amazonense.

OBS: Vale ressaltar que novo CPC, que entrará em vigor em 2016, também já previa
expressamente a existência das cartas arbitrais determinando que elas deverão atender, no que
couber, aos requisitos das demais cartas (precatória, de ordem, rogatória) e exigindo que ela
seja instruída com a convenção de arbitragem e com as provas da nomeação do árbitro e de
sua aceitação da função (art. 260, § 3º do CPC 2015).

Capítulo V

Da Sentença Arbitral

Art. 23. A sentença arbitral será proferida no prazo estipulado pelas partes. NADA TENDO
SIDO CONVENCIONADO, o prazo para a apresentação da sentença é de seis meses, contado
da instituição da arbitragem ou da substituição do árbitro. (Cartórios/TJPE-2013)

§ 1o Os árbitros poderão proferir sentenças parciais. (Incluído pela Lei nº 13.129, de 2015)

§ 2o As partes e os árbitros, de comum acordo, poderão prorrogar o prazo para proferir a


sentença final. (Incluído pela Lei nº 13.129, de 2015)
Art. 24. A decisão do árbitro ou dos árbitros será expressa em documento escrito.

§ 1º Quando forem vários os árbitros, a decisão será tomada por maioria. Se não houver
acordo majoritário, prevalecerá o voto do presidente do tribunal arbitral.

§ 2º O árbitro que divergir da maioria poderá, querendo, declarar seu voto em separado.

Art. 25. (Revogado pela Lei nº 13.129, de 2015) (Vigência)

Parágrafo único. (Revogado pela Lei nº 13.129, de 2015) (Vigência)

Art. 26. SÃO REQUISITOS OBRIGATÓRIOS da sentença arbitral: (PCSC-2014)

I - o relatório, que conterá os nomes das partes e um resumo do litígio;

II - os fundamentos da decisão, onde serão analisadas as questões de fato e de direito,


mencionando-se, expressamente, se os árbitros julgaram por eqüidade; (TJDFT-2011)

III - o dispositivo, em que os árbitros resolverão as questões que lhes forem submetidas e
estabelecerão o prazo para o cumprimento da decisão, se for o caso; e

IV - a data e o lugar em que foi proferida.

(TRF3-2016): São requisitos obrigatórios da sentença arbitral: o relatório, que conterá os nomes
das partes e um resumo do litígio; os fundamentos da decisão, onde serão analisadas as
questões de fato e de direito, mencionando-se, expressamente, se os árbitros julgaram por
equidade; o dispositivo, em que os árbitros resolverão as questões que lhes forem submetidas
e estabelecerão o prazo para o cumprimento da decisão, se for o caso; a data e o lugar em que
foi proferida. BL: art. 26, da Lei 9307.

Parágrafo único. A sentença arbitral será assinada pelo árbitro ou por todos os árbitros.
Caberá ao presidente do tribunal arbitral, na hipótese de um ou alguns dos árbitros não poder ou
não querer assinar a sentença, certificar tal fato.

Art. 27. A sentença arbitral decidirá sobre a responsabilidade das partes acerca das custas
e despesas com a arbitragem, bem como sobre verba decorrente de litigância de má-fé, se for o
caso, respeitadas as disposições da convenção de arbitragem, se houver.

Art. 28. Se, no decurso da arbitragem, as partes chegarem a acordo quanto ao litígio, o
árbitro ou o tribunal arbitral poderá, a pedido das partes, declarar tal fato mediante sentença
arbitral, que conterá os requisitos do art. 26 desta Lei.

Art. 29. Proferida a sentença arbitral, dá-se por finda a arbitragem, devendo o árbitro, ou o
presidente do tribunal arbitral, enviar cópia da decisão às partes, por via postal ou por outro meio
qualquer de comunicação, mediante comprovação de recebimento, ou, ainda, entregando-a
diretamente às partes, mediante recibo.

Art. 30. No prazo de 5 (cinco) dias, a contar do recebimento da notificação ou da ciência


pessoal da sentença arbitral, salvo se outro prazo for acordado entre as partes, a parte interessada,
mediante comunicação à outra parte, poderá solicitar ao árbitro ou ao tribunal arbitral
que: (Redação dada pela Lei nº 13.129, de 2015)

I - corrija qualquer erro material da sentença arbitral;

II - esclareça alguma obscuridade, dúvida ou contradição da sentença arbitral, ou se


pronuncie sobre ponto omitido a respeito do qual devia manifestar-se a decisão.
Parágrafo único. O árbitro ou o tribunal arbitral decidirá no prazo de 10 (dez) dias ou em
prazo acordado com as partes, aditará a sentença arbitral e notificará as partes na forma do art.
29. (Redação dada pela Lei nº 13.129, de 2015) (Vigência)

Art. 31. A SENTENÇA ARBITRAL PRODUZ, entre as partes e seus sucessores, os


mesmos efeitos da sentença proferida pelos órgãos do Poder Judiciário e, sendo condenatória,
constitui título executivo. (TCEES-2012) (MPPI-2012) (TRT2-2012) (TJDFT-2016)

Art. 32. É NULA a sentença arbitral SE:

I - for nula a convenção de arbitragem; (Redação dada pela Lei nº 13.129, de 2015) (Vigência)

II - EMANOU de quem não podia ser árbitro; (Procurador/BACEN-2009)

III - não contiver os requisitos do art. 26 desta Lei;

IV - for proferida fora dos limites da convenção de arbitragem;

V - (Revogado pela Lei nº 13.129, de 2015) (Vigência)

VI - comprovado que foi proferida por prevaricação, concussão ou corrupção passiva;

VII - proferida fora do prazo, respeitado o disposto no art. 12, inciso III, desta Lei; e

VIII - forem desrespeitados os princípios de que trata o art. 21, § 2º, desta Lei.

Art. 33. A parte interessada PODERÁ PLEITEAR ao órgão do Poder Judiciário


competente a DECLARAÇÃO DE NULIDADE da sentença arbitral, nos casos previstos nesta
Lei. (Redação dada pela Lei nº 13.129, de 2015) (MPF-2015)

(Cartórios/TJRS-2015-Faurgs): A decisão arbitral proferida por entidade não eleita pelas partes
afigura-se nula de pleno direito, possibilitando a interferência do Poder Judiciário para
desconstituí-la, mediante requerimento da parte prejudicada. BL: art. 32, II e art. 33, Lei 9307.

§ 1o A demanda para a declaração de nulidade da sentença arbitral, parcial ou final, seguirá


as regras do procedimento comum, previstas na Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973 (Código de
Processo Civil), e deverá ser proposta no prazo de até 90 (noventa) dias após o recebimento da
notificação da respectiva sentença, parcial ou final, ou da decisão do pedido de esclarecimentos.
(Redação dada pela Lei nº 13.129, de 2015) (Vigência)

§ 2o A sentença que julgar procedente o pedido declarará a nulidade da sentença arbitral,


nos casos do art. 32, e determinará, se for o caso, que o árbitro ou o tribunal profira nova sentença
arbitral. (Redação dada pela Lei nº 13.129, de 2015) (Vigência)

§ 3o A decretação da nulidade da sentença arbitral também poderá ser requerida na


impugnação ao cumprimento da sentença, nos termos dos arts. 525 e seguintes do Código de
Processo Civil, se houver execução judicial. (Redação dada pela Lei nº 13.105, de
2015) (Vigência)

OBS: Aqui o legislador cometeu o mesmo equívoco do § 1º e a Presidente da República, a fim


de evitar discussões estéreis, deveria ter vetado esse § 3º. Isso porque o CPC 2015 já traz uma
regra muito semelhante alterando este mesmo § 3º do art. 33 da Lei 9307/96. Vamos comparar:

Redação original da Alteração feita na Lei Alteração feita na Lei


Lei 9.307/96 9.307/96 pela Lei 13.129/15 9.307/96 pelo CPC 15
Art. 33 (...) Art. 33 (...) Art. 33 (...)
§ 3º A decretação da § 3º A declaração de § 3º A decretação da
nulidade da sentença nulidade da sentença arbitral nulidade da sentença arbitral
arbitral também poderá ser também poderá ser arguida também poderá ser
argüida mediante ação de mediante impugnação, requerida na impugnação ao
embargos do devedor, conforme o art. 475-L e cumprimento da sentença,
conforme o art. 741 e seguintes da Lei n. 5.869, de nos termos dos arts. 525 e
seguintes do Código de 11 de janeiro de 1973 seguintes do Código de
Processo Civil, se houver (Código de Processo Civil), Processo Civil, se houver
execução judicial. se houver execução judicial. execução judicial.

A partir de março de 2015, a redação que irá vigorar no § 3º do art. 33 da Lei n.° 9.307/96 será
aquela que foi dada pelo CPC 2015 (terceiro quadro).

§ 4o A parte interessada poderá ingressar em juízo para requerer a prolação de sentença


arbitral complementar, se o árbitro não decidir todos os pedidos submetidos à
arbitragem. (Incluído pela Lei nº 13.129, de 2015) (Vigência)

A sentença arbitral pode ser invalidade pelo Poder Judiciário? SIM. Fredie Didier explica que
há possibilidade de controle judicial da sentença arbitral, mas somente quanto à sua validade
(arts. 32 e 33, caput, da Lei 9307/96), ou seja, ela pode ser anulada se tiver vícios formais. O
Poder Judiciário não pode, por outro lado, revogar ou modificar a sentença arbitral quanto ao
seu mérito por entendê-la injusta ou errada. A parte prejudicada que desejar anular a sentença
arbitral por vícios formais deverá ajuizar a ação de nulidade no prazo máximo de 90 dias após
o recebimento da notificação da sentença arbitral ou de seu aditamento (art. 33, § 1º).
Ultrapassado esse prazo, a decisão arbitral torna-se imutável pela coisa julgada material.
(DIDIER, Fredie. Curso de Direito Processual Civil. Salvador: Juspodivm, 2015, p. 171).

Causas de nulidade da sentença arbitral: A Lei 9307/96 traz, em seu art. 32, as hipóteses em
que a sentença arbitral poderá ser anulada. A Lei n 13.129/2015 promoveu duas alterações
neste rol: 1ª) Revogou o inciso V que previa a nulidade das sentenças arbitrais parciais. 2ª)
Alterou a redação do inciso I do art. 32. Compare:

Redação original da Lei 9.307/96 Alteração promovida pela Lei 13.129/2015


Art. 32. É nula a sentença arbitral se: Art. 32. É nula a sentença arbitral se:
I - for nulo o compromisso; I - for nula a convenção de arbitragem;

OBS: A alteração corrige falha da redação original da LA. O inciso I falava apenas na nulidade
do compromisso arbitral, deixando de fora a cláusula arbitral. Agora, utiliza, corretamente, a
palavra “convenção de arbitragem”, que é o gênero

NULIDADE DA SENTENÇA ARBITRAL


Ação de declaração de nulidade da sentença arbitral: A parte interessada poderá pleitear ao
órgão do Poder Judiciário competente a declaração de nulidade da sentença arbitral, nos casos
previstos no art. 32 da Lei n.° 9.307/96.

Prazo: 90 dias, após o recebimento da notificação da respectiva sentença, parcial ou final, ou


da decisão do pedido de esclarecimentos.

Procedimento a ser aplicado: Procedimento comum previsto no CPC. Compare a mudança


operada pela Lei 13129/15 no art. 33 da Lei 9307/96. Dessa forma, quando o CPC 2015 entrar
em vigor, onde se lê CPC 1973, no § 1º do art. 33 da Lei n 9307/96, passará a ser lido CPC 2015.

Comandos da sentença que julgar procedente a anulação: Agora, se o juiz considerar


procedentes os argumentos do autor, ele irá declarar a nulidade da sentença arbitral, em todas
as hipóteses do art. 32 da Lei n.° 9.307/96.
Impugnação incidental da sentença arbitral: Em vez de ajuizar uma ação autônoma pedindo
a nulidade da sentença arbitral, a parte poderá alegar esse vício como uma matéria de defesa
no momento em que a outra parte estiver executando a sentença arbitral. Essa alegação é feita
mediante IMPUGNAÇÃO, já que a sentença arbitral é título executivo judicial, não havendo
que se falar, portanto, em embargos do devedor, que é uma defesa típica da execução de títulos
extrajudiciais.

Sentença arbitral complementar: Agora é possível a prolação de sentença arbitral parcial.


Ocorre que poderia acontecer de os árbitros proferirem uma sentença parcial e, mesmo
passado tempo razoável, não decidissem o restante da controvérsia. A fim de evitar esta
indesejável situação, a Lei 13129/15 acrescentou o §4º ao art. 33 trazendo a possibilidade de a
parte ajuizar ação exigindo que os peritos complementem a sentença arbitral caso esta tenha
sido apenas parcial.
Repare que a parte interessada não irá requerer que Poder Judiciário complete a sentença
arbitral. A ação é proposta com o objetivo de que Poder Judiciário determine aos árbitros que
decidam todos os pedidos submetidos à arbitragem.
O § 4º foi omisso quanto ao prazo desta ação, razão pela qual deve-se aplicar o mesmo prazo
de 90 dias previsto no § 1º deste art. 33. Ora, se a ação objetivando a declaração de nulidade
segue o prazo de 90 dias, com mesma razão deve ser este o prazo para a ação visando apenas
a complementação da sentença arbitral parcial.

Capítulo VI

Do Reconhecimento e Execução de Sentenças

Arbitrais Estrangeiras

Art. 34. A sentença arbitral estrangeira será reconhecida ou executada no Brasil de


conformidade com os tratados internacionais com eficácia no ordenamento interno e, na sua
ausência, estritamente de acordo com os termos desta Lei. (TRF5-2015)

Parágrafo único. Considera-se sentença arbitral estrangeira a que tenha sido proferida fora
do território nacional.

Art. 35. Para SER RECONHECIDA ou EXECUTADA no Brasil, A SENTENÇA


ARBITRAL ESTRANGEIRA ESTÁ SUJEITA, UNICAMENTE, à homologação do Superior
Tribunal de Justiça. (Redação dada pela Lei nº 13.129, de 2015) (TRF5-2015)

(Advogado/TRANSPETRO-2018-CESGRANRIO): De acordo com a Lei 9.307/96, para ser


reconhecida ou executada no Brasil, a sentença arbitral estrangeira está sujeita, unicamente, à
homologação do Superior Tribunal de Justiça BL: art. 35, da Lei 9307.

Art. 36. Aplica-se à homologação para reconhecimento ou execução de sentença arbitral


estrangeira, no que couber, o disposto nos arts. 483 e 484 do Código de Processo Civil.

Art. 37. A homologação de sentença arbitral estrangeira será requerida pela parte
interessada, devendo a petição inicial conter as indicações da lei processual, conforme o art. 282
do Código de Processo Civil, e ser instruída, necessariamente, com:

I - o original da sentença arbitral ou uma cópia devidamente certificada, autenticada pelo


consulado brasileiro e acompanhada de tradução oficial;

II - o original da convenção de arbitragem ou cópia devidamente certificada, acompanhada


de tradução oficial.

(TRF3-2016): Para que haja a homologação da sentença arbitral estrangeira, deverá haver
requerimento da parte interessada, devendo a petição inicial conter as indicações da lei
processual, conforme o art. 282 do Código de Processo Civil, sendo dispensável a apresentação
do original da sentença arbitral, desde que substituído por cópia devidamente certificada,
autenticada pelo consulado brasileiro e acompanhada de tradução oficial e sendo dispensável
a apresentação do original da convenção de arbitragem, desde que substituído por cópia
devidamente certificada, acompanhada de tradução oficial. BL: art. 37, da Lei 9307.

Art. 38. Somente poderá ser negada a homologação para o reconhecimento ou execução de
sentença arbitral estrangeira, quando o réu demonstrar que:

I - as partes na convenção de arbitragem eram incapazes;

II - a convenção de arbitragem não era válida segundo a lei à qual as partes a submeteram,
ou, na falta de indicação, em virtude da lei do país onde a sentença arbitral foi proferida;

III - não foi notificado da designação do árbitro ou do procedimento de arbitragem, ou


tenha sido violado o princípio do contraditório, impossibilitando a ampla defesa;

IV - a sentença arbitral foi proferida fora dos limites da convenção de arbitragem, e não foi
possível separar a parte excedente daquela submetida à arbitragem;

V - a instituição da arbitragem não está de acordo com o compromisso arbitral ou cláusula


compromissória;

VI - a sentença arbitral não se tenha, ainda, tornado obrigatória para as partes, tenha sido
anulada, ou, ainda, tenha sido suspensa por órgão judicial do país onde a sentença arbitral for
prolatada.

Art. 39. A homologação para o reconhecimento ou a execução da sentença arbitral


estrangeira também será denegada se o Superior Tribunal de Justiça constatar que: (Redação
dada pela Lei nº 13.129, de 2015) (Vigência)

I - segundo a lei brasileira, o objeto do litígio não é suscetível de ser resolvido por
arbitragem;

II - a decisão ofende a ordem pública nacional.

Parágrafo único. Não será considerada ofensa à ordem pública nacional a efetivação da
citação da parte residente ou domiciliada no Brasil, nos moldes da convenção de arbitragem ou
da lei processual do país onde se realizou a arbitragem, admitindo-se, inclusive, a citação postal
com prova inequívoca de recebimento, desde que assegure à parte brasileira tempo hábil para o
exercício do direito de defesa.

Art. 40. A denegação da homologação para reconhecimento ou execução de sentença


arbitral estrangeira por vícios formais, não obsta que a parte interessada renove o pedido, uma
vez sanados os vícios apresentados.

Capítulo VII

Disposições Finais

Art. 41. Os arts. 267, inciso VII; 301, inciso IX; e 584, inciso III, do Código de Processo Civil
passam a ter a seguinte redação:

"Art. 267.........................................................................

VII - pela convenção de arbitragem;"

"Art. 301.........................................................................

IX - convenção de arbitragem;"
"Art. 584...........................................................................

III - a sentença arbitral e a sentença homologatória de transação ou de conciliação;"

Art. 42. O art. 520 do Código de Processo Civil passa a ter mais um inciso, com a seguinte
redação:

"Art. 520...........................................................................

VI - julgar procedente o pedido de instituição de arbitragem."

Art. 43. Esta Lei entrará em vigor sessenta dias após a data de sua publicação.

Art. 44. Ficam revogados os arts. 1.037 a 1.048 da Lei nº 3.071, de 1º de janeiro de 1916,
Código Civil Brasileiro; os arts. 101 e 1.072 a 1.102 da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973,
Código de Processo Civil; e demais disposições em contrário.

Brasília, 23 de setembro de 1996; 175º da Independência e 108º da República.

FERNANDO HENRIQUE CARDOSO


Nelson A. Jobim