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Meditação

Das palestras de Huberto Rohden

Texto extraído de páginas da internet

Vamos sair agora das 3 dimensões dos ruídos tradicionais e vamos entrar na
zero dimensão do grande silêncio. Do silêncio dinâmico da plenitude. A voz do silêncio
nos fala: o ruído é dos homens, o silêncio é de Deus. Quanto mais silencioso o homem se
torna, mais se aproxima de Deus; e o silêncio absoluto que parece ser ausência e
vacuidade é presença, é plenitude. É a fonte das grandes revelações, das inefáveis
inspirações. É nas profundezas do silêncio dinâmico que o homem descobre a verdade. A
verdade libertadora sobre si mesmo, sobre Deus, sobre o universo.
Universo - um em diversos, uma só causa real e muitos efeitos realizados.
E quando o homem atinge esse uno e esse único do centro, começa ele a
compreender os diversos e os múltiplos de todas as periferias. É no abismo do silêncio
creador que o homem descobre o segredo da harmonia consigo mesmo, da harmonia
com os seus semelhantes e da harmonia com a própria Divindade. Descobre o Deus, do
mundo no mundo de Deus. Unidade sem diversidade é monotonia, diversidade sem
unidade é caos. Mas unidade na diversidade é harmonia, é o uni-verso, a harmonia
cósmica.
Meus amigos, neste momento solene e sagrado, vamos submergir no oceano do
grande silêncio, não do inconsciente, mas, do pleniconsciente. Depois de fecharmos as
portas a todos os ruídos do ego físico, mental e emocional, a todos os sentimentos,
pensamentos e desejos, abramos de par em par, as portas da consciência espiritual,
entremos agora no terceiro céu, no vasto nirvana da realidade suprema.
Eclipsou-se o mundo objetivo das aparências efêmeras, despertou o mundo
subjetivo da verdade eterna. Para além de tempo e espaço, entra o homem no eterno e
no infinito. E ali percebe ele, ditos indizíveis, algo que lábios humanos não podem dizer,
que nem o pensamento pode analisar, os ditos indizíveis da verdade libertadora.
E a alma começa o seu misterioso solilóquio com o infinito, o eterno. E o
solilóquio se transforma aos poucos em colóquio. O monologo passa a ser diálogo,
porque a alma sente a presença de alguém, a onipresença da Divindade, a imanência do
infinito em todos os finitos, o espírito do Deus do mundo que habita em todos os mundos
de Deus. O vasto deserto do silêncio se transforma num oásis transbordante de vida,
beleza e beatitude.
E a alma habita feliz neste Éden, e sabe por intuição imediata o que pensamento
algum lhe poderia revelar através dos meandros das análises intelectuais. O homem sabe
finalmente por intuição imediata e direta o que é Deus, sabe o que é ele mesmo, sabe o
que é o universo. E este saber esperiencial é beatitude, é vida eterna, é imortalidade.
E quando o homem regressa desse longínquo nirvana da verdade para o
propínquo sansara das aparências de cada dia, leva ele consigo um reflexo dessa luz, um
eco dessa voz, uma vibração dessa força que ele viveu nas profundezas do terceiro céu.
E em contato o infinito, com o eterno, volta ele, a tomar contato com todos os finitos e
temporários; e a sua vida diária se transforma aos poucos pela leveza e luminosidade
desses mundos que ele contemplou, no grande além de fora que é também o seu grande
além de dentro. E ele diz a si mesmo: Eu e o Pai somos um. O Pai está em mim e eu
estou no Pai. O infinito vive em mim e eu vivo no infinito. No meu intimo ser eu sou o que
Deus é, por isso no meu externo agir, quero também agir assim como Deus age.
Finalmente ele descobriu o que quer dizer O reino dos céus está dentro de vós. E
a experiência dessa paternidade única de Deus se manifesta na vivência da fraternidade
universal dos homens. A grande vertical da mística do primeiro mandamento se
concretiza na vasta horizontal da ética do segundo mandamento: ''Amarás O Senhor teu
Deus de todo o teu coração, com toda a tua alma, com toda a tua mente e com todas as
tuas forças - e amarás ao teu próximo como a ti mesmo.''
E quando o homem descobre o reino de Deus dentro de si mesmo, aqui e agora,
não espera mais a inauguração do reino de Deus para depois da morte, em algum futuro
ignoto, em alguma distância longínqua. O seu céu começa aqui e agora pela
autodeterminação do seu livre arbítrio, e não pelo alo-determinismo de algum fator
externo. Nascer, viver e morrer, não resolvem o problema central da existência humana,
porque são coisas que apenas nos acontecem, por obra e mercê de circunstâncias
externas. Nascemos, graças a nossos progenitores, vivemos mercê dos alimentos que
assimilamos, e morreremos em virtude de um acidente, de uma doença ou da velhice.
E ele nunca mais pergunta a si mesmo, quem é o meu próximo, porque todas as
creaturas, mesmo as mais distantes se tornaram próximas, desde que todas as distâncias
da ignorância foram eliminadas pela proximidade da sapiência. Tempo e espaço deixaram
de existir em face da imanência de Deus, do Deus do mundo em todos os mundos de
Deus. Ele sabe que todas as creaturas são os seus próximos.
Nada disto nos redime porque nada disto é obra nossa. É algo alheio a nós, são
alo-determinismos de fatores externos. Meu é somente o que eu mesmo produzo: a
autodeterminação do meu eu espiritual, do meu livre arbítrio. Meu, sou somente eu, aquilo
que eu sou interna e eternamente. Nascer, viver e morrer não me redimem da irredenção
de mim mesmo. O que me redime é um viver diferente, uma vivência mais intensa. A
experiência central da verdade sobre mim mesmo, o meu grande Eu sou, o renascimento
pelo espírito, como dizia o Divino Mestre.
Se eu intensificar devidamente a minha vivência experiencial, e se esta
experiência da verdade sobre mim mesmo atingir o seu clímax, então serão abolidos o
morrer e o nascer. E só o viver, o grande e indestrutível viver, a vida eterna, a integração
da minha vida individual na vida universal é que continuarão a existir. Nem o conformismo
com as misérias da vida presente, nem o escapismo para um céu, para uma zona
longínqua, para além da morte, nada disto resolverá o problema central da existência
humana. Somente o transformismo, a total transformação de todas as minhas
materialidades pelo poder da espiritualidade é que resolverá o problema da minha vida.
''O reino dos céus'', disse o divino Mestre, é semelhante a um fermento que
alguém tomou e ocultou em 3 medidas de farinha até ficar tudo levedado. O fermento da
experiência divina deve levedar, transformar todas as massas da minha existência
humana, aqui e agora, e continuar para sempre. Nada de justaposição, nada de
substituição, somente a total permeação, e pela interpenetração é que resolve o
problema. O reino do Cristo, escreve Frederic Sandersno seu livro In The Power of The
Infinite: ''O reino do Cristo não jaz em alguma região longínqua; o reino de Deus não é
condicionado por tempo e espaço. Muitos pensam que a vida terrestre com o seu
sofrimento e as suas angústias seja um estágio preliminar para a vida eterna e que o
homem deva suportar as misérias desta vida até que soe a hora da libertação. Entretanto
o reino dos céus ficará distante enquanto nós o considerarmos distante. E, contudo é
agora mesmo que vivemos no reino de Deus, e não há nenhum outro mundo. Somente o
nosso consciente obscurecido é que nos torna cegos para as glórias do mundo espiritual,
no qual vivemos. O homem, que tem a permanente consciência da presença de Deus,
vive agora mesmo na harmonia do seu reino, numa atitude interna inatingível pelas
vicissitudes dos fenômenos externos. Não podemos descrever a um surdo as belezas da
música, nem podemos dar a um cego idéia das cores - e da mesma forma não podemos
fazer compreender as glórias do reino do Cristo a um incrédulo que não as tenha
experimentado pessoalmente. Da cadeia e do alcance dos seus próprios pensamentos
tece o homem dia a dia o seu céu e o seu inferno. Céu e inferno não são estados futuros
que nos esperem depois da morte. A morte não modifica em nada o estado do homem; e
os chamados mortos não estão mais perto de Deus do que os vivos. A morte não
representa a transição para um estado perfeito e definitivo. A disposição do espírito de um
defunto continua a ser a mesma após morte que foi durante a vida terrestre.
A revelação do reino de Deus se dá diariamente nas almas capazes de recebê-
la; e cada pensamento espiritual acelera o advento universal do reino de Deus sobre a
face da terra.
Meus amigos, no meio deste grande e solene silêncio, deste silêncio dinâmico da
presença de Deus, em que nos achamos, vamos submergir profundamente, neste
misterioso mundo da verdade; até que ele nos penetre totalmente e transforme todas as
nossas atividades pelo poder da verdade libertadora.
''Conhecereis a verdade'', disse o grande Mestre da humanidade, e ''a verdade
vos libertará.''
Neste momento solene e sagrado, desça sobre mim e sobre cada um de nós,
Senhor, a tua grande paz e permaneça conosco eternamente. E, se algum de nós ou dos
nossos aqui presentes ou ausentes, ainda estiver sem paz, perturbado nas energias da
sua alma, da sua mente ou do seu corpo, invocamos a luz branca do Cristo eterno e
universal; para que rearmonize todas as nossas desarmonias espirituais, mentais e
corporais. E dê a cada um de nós perfeita santidade, sapiência e sanidade, para que
através de cada um de nós seja proclamado o reino de Deus sobre a face da terra.
Vamos dizer umas poucas palavras sobre um assunto de imensa importância em
nossos dias: a meditação.
A palavra não é exata, mas ela é a mais usada e a mais conhecida. Devia ser
antes contemplação. Quando o homem entra em meditação, ou melhor, em
contemplação, ultrapassa ele a zona da sua consciência habitual, do seu ego consciente,
e entra na zona ignota do seu eu supraconsciente, pleniconsciente. Para além de toda
concentração mental e para além mesmo da meditação espiritual começa este mundo
misterioso da contemplação intuitiva que os orientais chamam samadi e que nós
costumamos chamar êxtase. Esta palavra êxtase, palavra grega composta de ek- stasis,
quer dizer literalmente, posição fora de si, isto é, uma atitude fora do ego habitual
consciente. Uma invasão do mundo espiritual supraconsciente.
Quando o homem medita deve ao menos no princípio, impor silêncio, tanto às
sensações do corpo, como aos pensamentos do intelecto. Meditação não é leitura
espiritual, não é estudo, não é análise de textos sacros. Meditar é focalizar a consciência
espiritual em Deus. Colocar a alma bem dentro da luz divina e deixá-la imóvel, no meio
dessa irradiação, como uma planta colocada em plena luz solar, com as mãozinhas das
verdes folhas erguidas ao céu, em silenciosa prece ao astro benéfico que tudo opera na
planta: vida, beleza, alegria, contanto que esta seja devidamente receptiva e
heliantrópica.
De fato, a alma do orante é antes objeto que sujeito, pois não é ela propriamente
que faz aquilo que está acontecendo. É Deus que o faz nela, por ela, para ela. Basta que
a alma do orante seja receptiva para as maravilhas divinas que nela são produzidas,
durante essa intensa e silenciosa diatermia celeste, essa gloriosa passividade dinâmica.
É necessário que o homem escolha, para meditação, ou contemplação, tempo e
lugar apropriados. Seria erro funesto, por exemplo, querer dedicar a essa ocupação
importantíssima a pior meia-hora das 24 horas do dia; talvez o período depois dos
trabalhos profissionais, quando corpo, a mente e a alma estão derreados de fadiga e
suspiram por um pouco de repouso. É necessário reservar para comunhão com Deus a
melhor meia-hora ou mesmo uma hora do dia, quando todas as faculdades do homem
estejam em perfeita calma e equilíbrio; porquanto a meditação bem feita não é algum
doce e indolente devaneio, semi-sonâmbulo, mas é, pelo menos no princípio, um trabalho
pesado, que reclama todas as energias do nosso ser.
Nem convém meditar num lugar onde se possa ser facilmente perturbado. Quem
não encontrar em casa um cantinho sossegado e não-devassável, fará bem em procurá-lo
fora de casa, em plena natureza, ou então na doce penumbra de alguma igreja aberta,
onde à sombra duma coluna, encontrará facilmente o ambiente desejado e seguro contra
incursões indébitas.
Há nas 24 horas do dia, dois períodos especialmente favoráveis à meditação: um
de manhã e outro à noite. A treva ou a semiluz são, geralmente propícias à meditação.
Luz ligeiramente azulada ou esverdeada é preferível a outras tonalidades.
Devido à íntima correlação que vigora entre corpo e alma, é de suma
conveniência que, enquanto a alma se entrega à meditação, o corpo mantenha uma
atitude compatível com essa atividade espiritual. A melhor posição do corpo, durante a
meditação, é a de sentado naturalmente, se possível em cadeira de assento duro e
encosto vertical. A espinha dorsal assume atitude ereta, normal; as pernas, não cruzadas,
ficam em posição espontânea, formando ângulo reto na junção com o corpo e nos
joelhos; as mãos, de palmas para cima, pousam naturalmente no regaço ou sobre as
coxas, junto ao corpo; os olhos conservam-se ligeiramente fechados - tudo isto, que aos
inexperientes talvez pareça arbitrário ou artificial, é perfeitamente natural e espontâneo
para quem, de fato, se acha imerso em profunda comunhão com Deus.