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FRANÇA

Revolução Francesa (em francês: Révolution française , 1789-1799) foi um período de


intensa agitação política e social na França, que teve um impacto duradouro na história do país
e, mais amplamente, em todo o continente europeu. A monarquia absolutista que tinha
governado a nação durante séculos entrou em colapso em apenas três anos. A sociedade
francesa passou por uma transformação épica, quando privilégios feudais, aristocráticos e
religiosos evaporaram-se sobre um ataque sustentado de grupos políticos radicais, das massas
nas ruas e de camponeses na região rural do país.[1] Antigos ideais da tradição e da hierarquia
de monarcas, aristocratas e da Igreja Católica foram abruptamente derrubados pelos novos
princípios de Liberté, Égalité, Fraternité (em português: liberdade, igualdade e fraternidade ).
As casas reais da Europa ficaram aterrorizadas com a revolução e iniciaram um movimento
contrário que, até 1814, tinha restaurado a antiga monarquia, mas muitas reformas
importantes tornaram-se permanentes. O mesmo aconteceu com os antagonismos entre os
partidários e inimigos da revolução, que lutaram politicamente ao longo dos próximos dois
séculos.

Em meio a uma crise fiscal, o povo francês estava cada vez mais irritado com a
incompetência do rei Luís XVI e com a indiferença contínua e a decadência da aristocracia do
país. Esse ressentimento, aliado aos cada vez mais populares ideais iluministas, alimentaram
sentimentos radicais e a revolução começou em 1789, com a convocação dos Estados Gerais
em maio. O primeiro ano da revolução foi marcado pela proclamação, por membros do
Terceiro Estado, do Juramento do Jogo da Péla em junho, pela Tomada da Bastilha em julho,
pela aprovação da Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão em agosto e por uma
épica marcha sobre Versalhes, que obrigou a corte real a voltar para Paris em outubro. Os anos
seguintes foram dominados por lutas entre várias assembleias liberais e de direita feitas por
apoiantes da monarquia no sentido de travar grandes reformas no país.

A Primeira República Francesa foi proclamada em setembro de 1792 e o rei Luís XVI foi
executado no ano seguinte. As ameaças externas moldaram o curso da revolução. As guerras
revolucionárias francesas começaram em 1792 e, finalmente, apresentaram espetaculares
vitórias que facilitaram a conquista da Península Itálica, dos Países Baixos e da maioria dos
territórios a oeste do Reno pela França, feitos que os governos franceses anteriores nunca
conseguiram realizar ao longo de séculos. Internamente, os sentimentos populares
radicalizaram a revolução significativamente, culminando com a ascensão de Maximilien
Robespierre, dos jacobinos e de uma ditadura virtual imposta pelo Comitê de Salvação Pública,
que estabeleceu o chamado Reino de Terror entre 1793 e 1794, período no qual entre 16 mil e
40 mil pessoas foram mortas.[2] Após a queda dos jacobinos e a execução de Robespierre, o
Diretório assumiu o controle do Estado francês em 1795 e manteve o poder até 1799, quando
foi substituído pelo Consulado, sob o comando de Napoleão Bonaparte.

A era moderna tem-se desdobrado na sombra dos ideais conquistados pela Revolução
Francesa. O crescimento das repúblicas e das democracias liberais ao redor do mundo, a
difusão do secularismo, o desenvolvimento das ideologias modernas e a invenção da guerra
total[3] tiveram o seu nascimento durante a revolução. Eventos subsequentes que podem ser
rastreados com a revolução incluem as Guerras Napoleônicas, duas restaurações separadas da
monarquia (a primeira em 1814 e a segunda, a Restauração Bourbon, em 1815), e duas
revoluções adicionais (1830 e 1848) ajudaram a moldar a França moderna.

Índice

1 Causas

2 Antigo Regime

2.1 Crise financeira

2.2 Assembleia dos Estados Gerais de 1789

2.3 Assembleia Nacional (1789)

3 Monarquia Constitucional

3.1 Queda da Bastilha

3.2 Assembleia Nacional Constituinte

3.2.1 Fim do feudalismo e ascensão do secularismo


3.3 Assembleia Legislativa

3.4 Queda da Monarquia

4 Primeira República

4.1 Convenção (1792–1795)

4.2 República Jacobina

4.3 Reino do Terror

4.4 Diretório (1795–1799)

4.4.1 Golpe de Estado

5 Impacto

5.1 Reino Unido

5.2 Guerras Revolucionárias e Napoleônicas

5.2.1 Revoltas coloniais

6 Ver também

7 Referências

7.1 Bibliografia

8 Ligações externas

Causas

Parte de uma série sobre a

História da França

Armoiries république française.svg

Pré-História[Expandir]

Antiguidade[Expandir]

Idade Média[Expandir]
Idade Moderna[Expandir]

Século XIX[Expandir]

Século XX[Expandir]

Portal França

vde

Ver artigo principal: Causas da Revolução Francesa

O governo francês enfrentou crises fiscais na década de 1780, pelas quais o rei Luís XVI
foi considerado culpado pela população

Os historiadores apontaram muitos eventos e fatores no Antigo Regime que levaram à


Revolução. O aumento da desigualdade social e econômica,[4][5] as novas ideias políticas
emergentes do iluminismo,[6] a má gestão econômica, os fatores ambientais que levaram ao
fracasso agrícola, a dívida nacional incontrolável[7] e a má gestão política por parte do rei Luís
XVI foram citados como fatores que formaram as bases para a Revolução.[8][9][10][11]

Ao longo do século XVIII, emergiu o que o filósofo Jürgen Habermas chamou de "esfera
pública" na França e em outros lugares da Europa.[12] Habermas argumentou que o modelo
cultural dominante na França do século XVII era uma cultura "representativa", baseada em
uma necessidade unilateral de "representar" o poder com um lado ativo e o outro passivo.[12]
Um exemplo perfeito seria o Palácio de Versalhes, que deveria abalar os sentidos do visitante e
convencer a grandeza do estado francês e Luís XIV.[12] A partir do início do século XVIII, se viu
a aparição da "esfera pública", que era "crítica" na medida em que ambos os lados estavam
ativos.[13] Exemplos da "esfera pública" incluíam jornais, lojas maçônicas, cafés e clubes de
leitura onde as pessoas, pessoalmente ou virtualmente, através da palavra impressa, debatiam
e discutiam questões.[14] Na França, o surgimento da "esfera pública" fora do controle do
Estado viu a mudança de Versalhes para Paris como a capital cultural da França.[14] Da mesma
forma, no século XVII, era o tribunal que decidia o que era culturalmente bom e o que não era;
no século XVIII, a opinião do tribunal importava menos e eram os consumidores que se
tornaram os árbitros do gosto cultural.[15] Na década de 1750, durante a "Querelle des
Bouffons" sobre a questão da qualidade da música italiana versus a francesa, os partidários de
ambos os lados apelaram para o público francês "porque ele tem o direito de decidir se um
trabalho será preservado para posteridade ou será usado por mercearias como papel de
embrulho".[16] Em 1782, Louis-Sébastien Mercier escreveu: "A palavra tribunal já não inspira
repulsa entre nós como na época de Luís XIV. As opiniões reinantes já não são recebidas do
tribunal, já não decide sobre reputações de qualquer tipo ... os julgamentos da corte são
contraordenados, diz-se abertamente que não entende nada, não tem ideias sobre o assunto e
não pode ter nenhum."[17] Inevitavelmente, a crença de que a opinião pública tinha o direito
de decidir sobre questões culturais em vez de apelar ao tribunal fez com q