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Considerações sobre o desenvolvimento da

Lógica no Brasil

Itala M. Loffredo D’Ottaviano


Centro de Lógica de Lógica, Epistemologia e História da Ciência, CLE
Departamento de Filosofia
Universidade Estadual de Campinas, UNICAMP, SP
E-mail: itala@cle.unicamp.br

Evandro Luís Gomes


Departamento de Filosofia
Universidade Estadual de Maringá, UEM, PR
Centro de Lógica de Lógica, Epistemologia e História da Ciência, CLE
Universidade Estadual de Campinas, UNICAMP, SP
E-mail: elgomes@uem.br

Resumo
Este artigo apresenta um panorama histórico sobre o desenvolvimento
da lógica no Brasil, caracterizando o desenvolvimento da lógica con-
temporânea, com ênfase no aspecto histórico sócio-institucional e na
interdisciplinaridade. Após uma sucinta introdução sobre o desenvol-
vimento da lógica no cenário acadêmico luso-brasileiro, é mencionado
o trabalho percursor dos primeiros autores (e grupos) brasileiros que
podem ser considerados lógicos. É dado destaque especial ao eclodir
da pesquisa original em lógica no Brasil, com o trabalho pioneiro de
Newton Carneiro Affonso da Costa e a criação da lógica paraconsis-
tente. Também são destacadas a implantação do Centro de Lógica,
Epistemologia e História da Ciência (CLE) da Universidade Estadual
de Campinas (Unicamp), a criação da Sociedade Brasileira de Ló-
gica (SBL), a realização dos Encontros Brasileiros de Lógica (EBL) e
a participação brasileira nos Simpósios Latino-Americanos de Lógica
Matemática (SLALM).
Procurando captar as várias dimensões do cultivo da lógica no País,
são relacionados grupos reconhecidos de ensino e pesquisa em lógica
no Brasil e suas áreas de atuação, além de periódicos e coleções de

1
Considerações sobre o desenvolvimento da Lógica no Brasil - I.M.L. D’Ottaviano e E.L. Gomes 2

livros editados pelos núcleos dedicados à lógica, e de eventos regulares


por eles organizados.
Este artigo não pretende apresentar, ou discutir, a produção e re-
sultados específicos dos lógicos ou dos núcleos de pesquisa dedicados
à lógica no País.

1 Itinerários pré-universitários da Lógica


À lógica foi reservado um lugar privilegiado no cenário acadêmico luso-
brasileiro.1 A disciplina foi introduzida no Brasil por meio dos cursos de
filosofia ministrados pelos jesuítas e outros religiosos em seus colégios, ao
modo do Colégio de Artes de Lisboa.2 Sabe-se que a difusão da escolástica
renovada foi ampla, mas não se tem evidências de que tenha sido a única.
Há razões para crer que os jesuítas difundiram a lógica dentro desse movi-
mento, mas reelaboraram, igualmente, outras abordagens à lógica como o
lulismo3 , contexto no qual um projeto de matematização do pensamento se
apresenta.4
A influência jesuítica no ensino colonial foi vasta e hegemônica. Até a
primeira metade do século XVIII, o ensino de lógica, de orientação predo-
minantemente escolástica, não sofre abalo ou oposição no Brasil. De fato,
1
Vide Miranda Barbosa apud Fonseca (1964, p. XIV).
2
Vide Leite (1938) e Campos (1968, p. 43).
3
Raimundo Lúlio (1232-1315) inaugurou o emprego de diagramas geométricos com o
propósito de descobrir verdades não matemáticas, sendo também o primeiro a usar um
dispositivo mecânico - uma máquina lógica. O método de Lúlio fundamenta-se na tese de
que haveria, em qualquer ramo do conhecimento, um pequeno número de princípios ou
categorias básicas que deveriam ser assumidos como verdadeiros e inquestionáveis. Por
conseguinte, combinando-se todas as possibilidades dessas categorias, poder-se-ia explorar
todo o conhecimento acessível às nossas mentes finitas. A perspectiva luliana da lógica teve
grande aceitação durante o Renascimento e no século XVII. Segundo Gardner (1958, p. 5;
9), é de particular interesse aos lógicos contemporâneos a prática de Lúlio de condensar
certas palavras e expressões, reduzindo-as à forma quase algébrica. O impacto das ideias
de Lúlio relativamente à lógica foi grande na península Ibérica, pois “Escolas e discípulos
cresceram tão rapidamente que na Espanha os lulistas tornaram-se tão numerosos quanto
os tomistas. Lúlio também ensinou em algumas ocasiões, na insígne Universidade de Paris
- um sinal de honra para um homem que não portava nenhum grau acadêmico de qualquer
espécie."Com efeito, “de todos os aspectos do lulismo no XVII, seguramente, ao menos para
a lógica, o de maior importância é o que está unido à mathesis universalis e à matematização
da lógica, a partir da combinatória, sendo um insigne representante e precursor de Leibniz
o jesuíta Sebastián Izquierdo..."(Muñoz Delgado 1982, p. 289). Esta concepção de lógica
teria sido uma das influências sobre o jovem Leibniz na concepção de sua ars combinatoria.
Vide Gardner (1958, Cap. 1).
4
Vide Muñoz Delgado (1982, p. 280-289).
Considerações sobre o desenvolvimento da Lógica no Brasil - I.M.L. D’Ottaviano e E.L. Gomes 3

apenas em 1759, quando Sebastião José de Carvalho e Melo (1699–1782), o


Marquês de Pombal, inicia a reforma dos estudos em Portugal e domínios,
é que a lógica escolástica típica nos séculos anteriores seria oficialmente
preterida por uma lógica eclética de caráter moderno. Tal concepção de
lógica privilegia a produção de princípios para o correto emprego de todas
as operações da mente – a ideia, o juízo e o raciocínio – envolvidas na cog-
nição.5 Deste modo, encontram-se no Dezoito Português pistas decisivas
para a compreensão da forma de lógica praticada no Brasil na transição do
século XVIII ao XIX. Nesse contexto, defendeu-se a implantação de uma
concepção pragmática de lógica, a serviço de uma mentalidade esclarecida,
de cunho iluminista, capaz de equiparar Portugal às maiores nações da
época e reformar as mentalidades.6
No século XVIII, as universidades lusitanas atendiam todos os níveis
de ensino, cenário no qual se destacava a lógica, pois só ingressavam na
Universidade de Coimbra os aprovados no exame de proficiência nessa
disciplina.7 Nesse contexto, a lógica eclética ou boa lógica não suprimiu,
como se registra, a tradição escolástica tanto em Portugal quanto no Brasil.
Parece, antes, que as duas visões da lógica combinaram-se e coexistiram no
período que se seguiu à referida reforma. Pode-se dizer ainda que não só
isso foi alcançado, como também uma lógica verdadeiramente sincrética,
dada a liberdade teórica que fundiu elementos das formas de lógica em
voga de maneira não muito criteriosa.
A reforma efetivou-se por meio da adoção de novos manuais de lógica.
O pioneiro da reforma da lógica em Portugal foi Manuel Azevedo Fortes
(1660–1749), autor do Lógica racional, geométrica e analítica, publicado em
1744.8 Dois outros textos foram fundamentais na reforma pombalina da
lógica: o Instituitiones logicae ad usum tironum scriptae de Antônio Genovesi
(Genuensis) (1712–1769)9 , e o De re logica ad usum lusitanorum adolescentium
de Luis Antonio Vernei (1713–1792)10 , amplamente utilizados no Brasil. Os
elementos psicologistas assumidos na lógica por estes autores, somados ao
ecletismo que caracteriza estas duas elaborações da lógica, subsidiaram o
ecletismo da primeira metade do século XIX no Brasil.11 Este movimento
5
Vide Buickerood (1985, p. 159).
6
Vide Maxwell (1995, p. 10; 101) e Gomes (2002, p. 36-39).
7
Vide Universidade de Coimbra (1591, p. 121f, 124f/v) e Gomes (2002, p. 25-31).
8
Vide Fortes (1744).
9
Vide Genuensis (1786). Esta obra consiste numa edição simplificada de outro trabalho
mais sistemático do autor, o Elementorum artis logico-criticae. Vide Genuensis (1767).
10
Vide Vernei (1950). É de 1751 a primeira edição dessa obra.
11
Vide Gomes (2002, p. 39-45).
Considerações sobre o desenvolvimento da Lógica no Brasil - I.M.L. D’Ottaviano e E.L. Gomes 4

filosófico, mais tarde, sob a forma de espiritualismo, consolidaria o desen-


volvimento do movimento romântico em filosofia no Brasil.12
Embora o ecletismo seja um fenômeno cultural amplo no Brasil, durante
o Primeiro e Segundo Impérios (1822–1889), ele se distingue na proporção
com que assimilaram seus elementos os diversos divulgadores da lógica.
Não raro, este ecletismo lógico-metodológico induziu incoerências e incon-
sistências severas nas elaborações desses divulgadores. Os freis Francisco
de Monte Alverne e Antônio da Virgem Maria Itaparica são bem representa-
tivos dessa etapa da história da lógica no país.13 Deve-se registrar, inclusive,
que a influência escolástica sobre a lógica nunca deixou de ocorrer no Bra-
sil, seja em suas formas próprias, seja sob a égide da lógica neo-escolástica
típica do século XIX.14
A influência positivista sobre a compreensão da lógica no Brasil no
último quartel do século XIX se impõe. A lógica positiva denota, essenci-
almente, a visão de lógica defendida por Auguste Comte na Síntese subje-
tiva15 , embora a ela não se reduza. As consequências herdadas da adesão
de muitos intelectuais brasileiros a essa visão obtusa da lógica acarreta uma
efêmera mudança de perspectiva da lógica, induzindo perspectivas de ma-
tematização da disciplina; todavia, paradoxalmente, motiva prejuízos que
certamente influíram negativamente no desenvolvimento da lógica no Bra-
sil nos séculos XIX e XX. A lógica positiva à la Comte, proposta no limiar
da plena renovação da lógica na perspectiva de sua forma contemporânea,
não pôde acompanhá-la. A concepção comteana da matemática, do mesmo
modo, era completamente estranha à revolução que se processou no século
XIX, com o advento das estruturas algébricas. Comte a encarava como uma
anarquia retrógrada consagrada pelo regime acadêmico, meio no qual ele
nunca foi acolhido.16 As convicções de Comte quanto à matemática e à ló-
gica são absolutamente simplificadoras. E tal como na reforma pombalina,
em que o ensino de lógica considerado do ponto de vista formal resulta
empobrecido, seus conselhos didáticos na Síntese prejudicam enormemente
o ensino e a pesquisa em lógica no Brasil.17
A adesão à visão positivista de lógica no Brasil teve um papel crucial.
12
Vide Cruz Costa (1956, p. 83).
13
Vide Gomes (2002, p. 111-155).
14
Vide Gomes (2002, p. 159-201).
15
Vide Comte (1900).
16
Vide Comte (1900, p. 66).
17
Vide Comte (1900, p. 68) e Gomes (2002, p. 210-231). Comte recomenda que dois anos
de ensino, em duas aulas semanais de instrução enciclopédica, bastariam para aprender as
noções fundamentais da lógica, inclusive completando-a com a astronomia.
Considerações sobre o desenvolvimento da Lógica no Brasil - I.M.L. D’Ottaviano e E.L. Gomes 5

Por um lado, rivalizou-se com as formas greco-escolásticas superficiais en-


sinadas nos colégios e seminários brasileiros, apontando, mesmo que de
maneira míope, à perspectiva de matematização da lógica. Por outro, insti-
tuiu preconceitos que comprometeram a pesquisa em matemática e lógica
nas primeiras décadas do século XX. A melhor ocorrência desse período,
cabe ressaltar, foi o contato com bons textos de lógica, especialmente os
de outros autores do movimento positivista, que influíram na história da
lógica no Brasil na transição do século XIX ao XX. A lógica de John Stuart
Mill (1806–1873) terá no Brasil muitos leitores, conforme permitem afirmar
alguns documentos e as provas do concurso à cátedra de lógica do Colégio
Pedro II, ocorrido em Maio de 1909, certame ao qual compareceram figuras
ilustres da intelectualidade brasileira, como Euclides da Cunha (1866–1909)
e Raimundo de Farias Brito (1862–1917).18 O mesmo se pode afirmar acerca
da influência de Alexander Bain (1818–1903) e Hebert Spencer (1820–1903).
A visão positivista de lógica destes autores está marcada por particula-
ridades relativas às suas concepções de conhecimento, de homem e de
sociedade.19

2 Nas veredas da lógica contemporânea


Nas primeiras décadas do século XX, verifica-se no Brasil um lento e cres-
cente contato com a lógica contemporânea, que se intensifica após a Segunda
Guerra.
O primeiro livro escrito no Brasil, com algumas referências à lógica
matemática, foi As ideias fundamentais da matemática, de Amoroso Costa,
publicado em 1929.20
Na década seguinte, em 1940, aparece o primeiro trabalho integralmente
dedicado à disciplina, os Elementos de lógica matemática, de Vicente Ferreira
da Silva.21 O autor, egresso da Faculdade de Direito, recém agregada à
então nascente Universidade de São Paulo (USP), valeu-se, desde 1933, da
comunidade matemática local, especialmente do intercâmbio com o pro-
fessor Octávio Monteiro de Carmargo e os professores italianos Giacomo
18
Vide Gomes (2002, p. 301-318).
19
Um estudo amplo deste período da história da lógica no Brasil foi levado a cabo por
Evandro L. Gomes, em sua pesquisa de Mestrado em Filosofia, sob a supervisão de Newton
C. A. da Costa. Nesse estudo, o pesquisador resgata à memória inúmeros aspectos des-
conhecidos e documentos inéditos sobre a fase pré-universitária da lógica no Brasil. Vide
Gomes (2002).
20
Vide Amoroso Costa (1981).
21
Vide Silva (1966, vol. II, p. 9-79).
Considerações sobre o desenvolvimento da Lógica no Brasil - I.M.L. D’Ottaviano e E.L. Gomes 6

Albanese e Luigi Fantapié, personagens importantes do núcleo inicial do


Departamento de Matemática do Instituto de Matemática e Estatística que,
mais tarde, constituir-se-ia na referida Universidade.22 Em seu livro, o au-
tor situa a lógica como base da atividade filosófica. Nesse trabalho pioneiro,
apresenta com correção os conceitos fundamentais da lógica proposicional
e de predicados, dedicando capítulos específicos ao tratamento da nova
doutrina do termo, à teoria das proposições atômicas e moleculares, ao cál-
culo proposicional, à noção de função proposicional e sua aplicação, aos
fundamentos do cálculo de classes e às leis de dedução em lógica de pri-
meira ordem. Vicente Ferreira da Silva finaliza sua exposição analisando a
distinção fundamental na análise lógica contemporânea entre a abordagem
semântica e a sintática, em que esboça uma distinção entre a validade lógica
e a verdade.23
Entretanto, estaria reservado ao lógico estadunidense Willard Van Or-
man Quine inaugurar a fase contemporânea da lógica no Brasil, num curso
ministrado na Escola Livre de Sociologia e Política de São Paulo, de Junho
a Setembro de 1942.24 A visita de Quine contribuiu significativamente para
o aumento de interesse pela lógica entre os brasileiros e isto resultou, dois
anos mais tarde, em 1944, na publicação, em português, do curso então
ministrado, sob o título O sentido da nova lógica.25 Vicente Ferreira da Silva
atuou como assistente de Quine durante o curso e o auxiliou na edição do
referido livro.
Outro personagem importante nesta fase é o epistemólogo francês Gilles-
Gaston Granger, que lecionou na Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências
da USP, de 1947 a 1953. Todavia, o desenvolvimento contínuo e vigoroso
da lógica brasileira estava por começar.

2.1 Os primeiros lógicos brasileiros


Na década de 1950, destacam-se os primeiros autores brasileiros que po-
dem ser considerados propriamente ‘lógicos’. Nessa e na década seguinte,
constituiu-se um pequeno e ativo grupo de estudiosos da lógica e dos fun-
damentos da matemática, conhecido mais tarde como Escola de Curitiba.
Tal grupo muito se beneficiou da experiência de João Remy Teixeira Freire,
professor lusitano residente na cidade à época; outro personagem impor-
tante foi Jayme Machado Cardoso, que se destacou especialmente no estudo
22
Vide Silva (1966, vol. II, p. V).
23
Vide Silva (1966, vol. II, p. 75-79).
24
Para mais informações acerca das circunstâncias desse curso, vide Quine (1996, p. 7-13).
25
Vide Quine (1944) para a primeira edição, e Quine (1996), para a reedição desta.
Considerações sobre o desenvolvimento da Lógica no Brasil - I.M.L. D’Ottaviano e E.L. Gomes 7

de estruturas algébricas.26
Ao final daquela década, em 1959, Mário Tourasse Teixeira inicia, na
Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Rio Claro, São Paulo27 , profícuo
trabalho de ensino e pesquisa. Tendo sido orientado por Antonio Aniceto
Monteiro, em Bahía Blanca, Argentina, na época o núcleo pioneiro com
liderança na pesquisa em lógica na América Latina, Tourasse defendeu sua
Tese de Doutorado (M-Álgebras) na Universidade de São Paulo (USP) em
1965, e passou a incentivar colegas e estudantes a se dedicarem à lógica28 .
O interesse pela lógica cresce. No início dos anos 1960, diversos livros
elementares de lógica foram publicados por Leônidas Hegenberg, do Ins-
tituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA, São José dos Campos, São Paulo);
Hegenberg contribuiu decisivamente para a divulgação da lógica, com ar-
tigos e uma intensa atividade como professor, conferencista e tradutor.
Podemos também mencionar o papel desempenhado por Jorge Barbosa, da
Universidade Federal Fluminense (UFF, Niterói, Rio de Janeiro), que for-
mou um pequeno grupo de pesquisadores, tendo realizado alguns eventos
naquela universidade entre 1960 e 1962.
No entanto, é em Curitiba, Estado do Paraná, que se inicia a pesquisa
original em lógica no Brasil, com o trabalho pioneiro de Newton Carneiro
Affonso da Costa. Sob a liderança de da Costa realizaram-se seminários
e, a partir de 1957, constitiui-se um pequeno grupo de lógica, devendo
ser salientada a participação de Ayda Ignez Arruda, a primeira discípula e
colaboradora de da Costa.
Nos anos 1950, sem conhecer os trabalhos do lógico polonês Stanislaw
Jaśkowski (que publicou, em polonês, dois artigos, em 1948 e 1949, res-
pectivamente29 , porém publicados em inglês apenas em 1969) e do lógico
americano David Nelson30 , da Costa começou a desenvolver suas ideias
sobre a importância do estudo de teorias contraditórias. Os cálculos para-
consistentes de da Costa foram concebidos entre 1954 e 1958 e apresentados
26
Vide Micali (2009).
27
Essa Faculdade, estabelecida em 1958, estaria entre os 14 Institutos Isolados de Ensino
Superior do Estado de São Paulo que constituíram, a partir de 30 de Janeiro de 1976, a
Universidade Estadual Paulista ‘Júlio de Mesquita Filho’ (Unesp).
28
Antonio Monteiro imigrou de Portugal, à mesma época que outros matemáticos por-
tugueses, por questões políticas, durante a ditadura de Antonio de Oliveira Salazar (que
perdurou de 1933 a 1974). Instalado inicialmente no Rio de Janeiro, Monteiro participou
de atividades acadêmico-institucionais com matemáticos brasileiros. Também por questões
políticas teve que deixar o País tendo, desde então, radicado-se na Argentina. Vide Nobre
(1997).
29
Vide Jaśkowski (1948, 1949).
30
Vide Nelson (1949, 1957).
Considerações sobre o desenvolvimento da Lógica no Brasil - I.M.L. D’Ottaviano e E.L. Gomes 8

em seminários e conferências na Universidade Federal do Paraná (UFPR) e


na Universidade de São Paulo.
Desde seus primeiros trabalhos, da Costa preocupa-se com a possibi-
lidade de tratar teorias inconsistentes. Em diversos artigos publicados no
Anuário da Sociedade Paranaense de Matemática suas ideias iniciais sobre uma
lógica alternativa, capaz de lidar com contradições, evidenciam uma abor-
dagem inovadora. Em 1958, em Notas sobre o conceito de contradição, da Costa
esboça o Princípio da Tolerância em Matemática ao afirmar:

Resta, unicamente, indagar se do ponto de vista técnico, as teorias


inconsistentes possuem alguma relevância. Encontra-se incluída neste
problema, entre outras, a questão de se saber quais as modificações
que devem ser feitas na estrutura ‘lógica’ de semelhantes teorias. [...]
Por ora, quizemos salientar, apenas, a possibilidade de se investigar
linguagens objeto inconsistentes em pé de igualdade com as outras,
e que, sintática e semânticamente, as teorias inconsistentes são tão
lícitas quanto as consistentes. (da Costa 1958, p. 8)

Ao admitir o estudo de linguagens objeto inconsistentes em pé de igua-


dade com outras, da Costa dá um passo decisivo rumo à obtenção das
lógicas paraconsistentes e a favor da legitimidade de tais constructos teóri-
cos.
No ano seguinte, no trabalho Observações sobre o conceito de existência
em matemática, da Costa retoma o Princípio de Amoralidade em Lógica
proposto por Carnap, constituindo-se uma das bases de sua postura anti-
dogmática em lógica.31 Naquele trabalho, a forma madura do Princípio da
Tolerância em Matemática é enunciada:

Resumindo as ponderações feitas, propomos um Princípio de Tolerância


em Matemática, análogo ao formulado por Carnap em Sintática, e que
assim se enuncia: Do prisma sintático-semântico, toda teoria matemá-
tica é admissível, desde que não seja trivial. Em sentido lato, existe,
em Matemática, o que não for trivial. (da Costa 1959, p. 18)

Tendo apresentado suas ideias no encontro da Sociedade Brasileira para


o Progresso da Ciência (SBPC), ocorrido em Curitiba em Julho de 1962, da
31
Carnap afirma: “Em lógica, não há moral. Todos têm liberdade para estruturar sua
própria lógica, isto é, a forma de linguagem que desejarem. A única condição que deve ser
preenchida, é que, se quizermos discutir o tipo de linguagem escolhido, é preciso explicitar
claramente os métodos empregados, e fornecer regras sintáticas em vez de argumentos
filosóficos.” (Rudolf Carnap, Logical syntax of language, p. 51-52, apud da Costa (1959, p.
18)).
Considerações sobre o desenvolvimento da Lógica no Brasil - I.M.L. D’Ottaviano e E.L. Gomes 9

Costa publicou suas primeiras notas sobre cálculos inconsistentes e não-


triviais no periódico Ciência e Cultura, no mesmo ano. O desenvolvimento
completo dessas idéias aparece no ano seguinte, quando da Costa defende,
em Março de 1963, sua Tese para a Cátedra de Análise Matemática e Análise
Superior da Universidade Federal do Paraná, intitulada Sistemas formais
inconsistentes. Em sua tese, Newton da Costa apresenta lógicas subjacentes
a sistemas formais que possam ser inconsistentes sem que sejam triviais.
Da Costa assim motiva sua tese:
A idéia central do presente trabalho consiste, a grosso modo, no se-
guinte: um sistema dedutivo formalizado tendo por base a lógica
elementar clássica (ou a lógica intuicionista, ou várias formas de ló-
gicas polivalentes,...), se for inconsistente, é trivial no sentido de que
todas as suas proposições são demonstráveis; logo, assim encarado,
não apresenta especial interesse matemático. Todavia, por diversos
motivos, como, por exemplo, para análises comparativas com sistemas
consistentes e para valoração apropriada, do ponto de vista metamate-
mático, dos diversos princípios em jogo, torna-se conveniente estudar,
de maneira direta, os sistemas inconsistentes. Mas, para tanto, é im-
prescindível estruturar novos tipos de lógica elementar, com auxílio
dos quais se possam manipular tais sistemas. (da Costa 1993, p. 3)32

Em Sistemas formais inconsistentes (da Costa (1963)) os objetivos do traba-


lho pioneiro de da Costa já estavam claramente definidos. São introduzidas
suas hierarquias de cálculos lógicos para o estudo de teorias inconsistentes
(contraditórias) porém não-triviais: a hierarquia de cálculos proposicionais
Cn , 1 ≤ n ≤ ω, a hierarquia de cálculos de predicados C∗n , 1 ≤ n ≤ ω, a hie-
rarquia de cálculos de predicados com igualdade C=n , 1 ≤ n ≤ ω, e a hierarquia
de cálculos de descrições Dn , 1 ≤ n ≤ ω. As novas lógicas deveriam ser
conservativas maximais sobre a lógica clássica sendo que, se o Princípio
da (Não-)Contradição (¬(A&¬A)) é válido para uma dada fórmula A, en-
tão A deve comportar-se como uma fórmula clássica (consistente) e é dita
‘bem comportada’. As teorias paraconsistentes estendem as teorias clássi-
cas, da mesma forma que a geometria de Poncelet compreende a geometria
euclideana standard.
No mesmo ano de 1963, o matemático brasileiro Artibano Micali leva
pessoalmente os três primeiros artigos de da Costa para Marcel Guillaume,
professor da Universidade de Clermont-Ferrad, que os encaminha ao mate-
mático francês René Garnier, professor da Sorbonne e membro da Academia
de Ciências de Paris. Garnier apresenta o artigo de da Costa Calculs proposi-
tionnels pour les systèmes formels inconsistents na Académie. Para a publicação
32
Trata-se da reedição da tese de da Costa.
Considerações sobre o desenvolvimento da Lógica no Brasil - I.M.L. D’Ottaviano e E.L. Gomes 10

do artigo, criou-se uma celeuma, pois membros da Academia objetaram que


o trabalho não poderia ser publicado nos Comptes Rendues de l’Académie de
Sciences de Paris porque o termo inconsistent não fazia parte da língua fran-
cesa. Marcel Guillaume pesquisou na literatura até verificar que Poincaré
utilizara o termo num trabalho no final do século XIX.
Só então foi publicada a primeira nota de da Costa sobre a lógica para-
consistente.33 Esse é o primeiro trabalho brasileiro de pesquisa em lógica
a aparecer em periódico de circulação internacional. Da Costa então inicia,
naquele ano, a publicação de uma série de artigos, nos quais introduz suas
conhecidas hierarquias de cálculos paraconsistentes.34
Em 1964, Marcel Guillaume passou três meses como professor visitante
em Curitiba, a convite de da Costa, o que colaborou para intensificar a
pesquisa em lógica. Ayda Arruda, também na Universidade Federal do
Paraná (UFPR), publicou em 1964 seus primeiros trabalhos em colaboração
com da Costa, tendo então introduzido a hierarquia de teorias de conjuntos
paraconsistentes NFi , 1 ≤ n ≤ ω.35
Em 1968 da Costa transfere-se para São Paulo, quando se forma um
grupo pioneiro de estudiosos em lógica no Departamento de Matemática
(anos mais tarde também no Departamento de Filosofia) da Universidade
de São Paulo (USP), então sob a coordenação de Edson Farah. Do Grupo
de São Paulo, como ficou conhecido, participaram Benedito Castrucci, da
Costa, Leônidas Hegenberg, Jacob Zimbarg Sobrinho e Mário Tourasse Tei-
xeira – cada um desses professores desempenhou importante papel para a
lógica brasileira nas décadas seguintes, tendo sido responsáveis pela pro-
moção do bom ensino e pesquisa da lógica contemporânea e pela formação
de alguns dos melhores pesquisadores hoje atuantes em diversas institui-
ções de ensino e pesquisa brasileiras e latino-americanas. À mesma época,
da Costa também lecionou no Departamento de Matemática (posterior-
mente no Departamento de Filosofia) da Universidade Estadual de Cam-
pinas (Unicamp), onde passara a trabalhar Ayda Arruda também a partir
de 1968. Sob a liderança de da Costa formou-se, aos poucos, um grupo de
jovens lógicos na Unicamp, conhecido como Grupo de Campinas.

2.2 Iniciativas institucionais em Lógica na América Latina


A lógica matemática passou a ser desenvolvida em alguns países da Amé-
rica Latina, como Chile e Argentina. O principal centro difusor foi a a
33
Vide Micali (2010) e da Costa (1963b).
34
Vide da Costa (1964, 1964b, 1964c, 1965, 1974).
35
Vide Arruda (1964).
Considerações sobre o desenvolvimento da Lógica no Brasil - I.M.L. D’Ottaviano e E.L. Gomes 11

Universidad Nacional del Sur, de Bahía Blanca (Argentina), devido à lide-


rança de Antonio Aniceto Monteiro. Diversas figuras institucionais foram
fundamentais para o incremento qualitativo e quantitativo do desenvolvi-
mento da lógica na América Latina, da década de 1960 em diante.

2.2.1 A Association for Symbolic Logic e os Simpósios Latino-Americanos


de Lógica Matemática
Em 1964 foi proposto que a América Latina poderia sediar simpósios sob os
auspícios da Association for Symbolic Logic (ASL), aos moldes dos simpósios
europeus. Entretanto, foi Abrahan Robinson, em 1968, quando Presidente
da ASL, quem sugeriu a Rolando Chuaqui, da Universidad Católica de Chile
e então professor visitante na Universidade da Califórnia, que o primeiro
simpósio latino-americano fosse realizado no Chile.
À mesma época, a ASL constituiu o Comitê para a Lógica na América
Latina (Committee on Logic in Latin America), do qual fizeram parte, entre
1970 e 1976, Newton da Costa (Presidente), Dana Scott, Rolando Chuaqui e
Antonio Monteiro. A representatividade continental no Comitê passou a ser
assegurada pela contínua indicação de lógicos latino-americanos para seus
assentos.36 Igual representatividade foi garantida no Council da Association
for Symbolic Logic, com o mandato trienal conferido a Newton da Costa,
findo em 1973; a Rolando Chuaqui em 1976; a Ayda Arruda em 1983; e a
Carlos de Prisco, com dois mandatos, o primeiro findo em 1998 e o segundo,
em curso, vigente até 2013.
O I Simpósio Latino-Americano de Lógica Matemática (I SLALM) foi reali-
zado em Santiago, na Universidad Católica de Chile, em Julho de 1970,
com a participação de diversos brasileiros, inclusive como conferencistas
convidados.
O II SLALM ocorreu na Universidade de Brasília (UnB), Distrito Federal,
Brasil, em Julho de 1972. Desse simpósio participaram como conferencistas
Rolando Chuaqui (Chile), Roberto L. O. Cignoli (Argentina), Maximiliano
36
Tiveram assento no Comitê para a Lógica na America Latina os seguintes estudiosos,
nos respectivos mandatos: Itala M. Loffredo D’Ottaviano (1990–93, 1993–95, 1995–98); Ro-
berto Cignoli (1993–96, 1996–99); Xavier Caicedo (1993–96, 1996–99, 2008–11); Renato Lewin
(1992–95, 1995–98); Antonio M. A. Sette (1995–98); Carlos Uzcategui (1995–98, 1999–2003,
2003–04); Francisco Miraglia (1999–2003, 2003–05); Irene Mikenberg (1999–2003, 2003–05,
2005–08); Luis Jaime Corredor (1999–2003, 2003–06); Guillermo Martinez (1999–2003, 2003–
06); Ramón Pino Pérez (2004–07, 2007–10); Ricardo Bianconi (2005–08, 2008–11); Alejan-
dro Petrovich (2006–09, 2009–12); Andres Villaveces (2006–09, 2009–12); Carlos Di Prisco
(2007–10, 2010–13); Ruy de Queiroz (2010–13). Para a lista dos atuais conselheiros, vide
http://aslonline.org/info-council.html .
Considerações sobre o desenvolvimento da Lógica no Brasil - I.M.L. D’Ottaviano e E.L. Gomes 12

Dickmann (França), Marcel Guillaume (França), Luís Monteiro (Argentina),


Abraham Robinson (EUA), Patrick Suppes (EUA), Ayda Arruda e Newton
da Costa. Houve vários participantes, em geral brasileiros, muitos dos
quais interessados nos cursos introdutórios de lógica, ministrados no pré-
simpósio que foi organizado no Instituto Tecnológico da Aeronáutica (São
José dos Campos, São Paulo), como uma preparação para o evento. Durante
o II SLALM foi decidido que o próximo Simpósio Latino-Americano seria
realizado em Bahía Blanca, Argentina, em Julho de 1974, o que não ocorreu,
devido à difícil e terrível situação política gerada pela ditadura militar então
vivenciada pelo país.
Após uma visita de quatro meses ao Chile, em Março de 1975, Alfred
Tarski, acompanhado por Rolando Chuaqui, visita o Instituto de Mate-
mática, Estatística e Ciência da Computação37 (IMECC) da Universidade
Estadual de Campinas (Unicamp). Um pequeno Simpósio de Lógica Matemá-
tica, organizado por Ayda Arruda, teve lugar no IMECC, com a participação
de lógicos e estudantes da Unicamp, USP e Universidade Federal de Per-
nambuco (UFPE), cujos proceedings foram publicados por Arruda, com a
colaboração de Itala M. Loffredo D’Ottaviano.38 Tarski ministrou duas lon-
gas conferências, sobre Relation algebras, com a apresentação de sugestivos
problemas então abertos no tema; as conferências foram filmadas e os re-
gistros compõem hoje parte do acervo dos Arquivos Históricos em História
da Ciência do Centro de Lógica, Epistemologia e História da Ciência (CLE)
da Unicamp.39
Com o número crescente de lógicos brasileiros, decidiu-se que o III
SLALM seria realizado na Unicamp, sob o patrocínio da Association for
Symbolic Logic, com o apoio de seu Vice-Presidente, J. R. Shoenfield, que
nomeou o terceiro Comitê para a Lógica na América Latina, constituído por
Rolando Chuaqui (Presidente), Newton da Costa e Francisco Miró Quesada
(Peru).
O III Simpósio Latino-Americano de Lógica Matemática realizou-se no
IMECC de 12 a 16 de Julho de 1976, precedido por todo um semestre de cur-
sos e seminários para estudantes de pós-graduação. Constou de 3 sessões:
Teoria de Modelos, Lógicas Não-Clássicas e Computabilidade. A organiza-
ção de Ayda Arruda foi primorosa e o sucesso do simpósio grande, com a
participação ativa de muitos brasileiros e jovens lógicos latino-americanos,
37
Atualmente Instituto de Matemática, Estatística e Computação Científica.
38
Vide Arruda (1975).
39
Apenas recentemente, Leandro Suguitani, estudante de Doutorado em Filosofia de Itala
M. Loffredo D’Ottaviano, tem trabalhado e estudado o material. Em breve, a transcrição
das conferências de Tarski estará disponível à comunidade científica. Vide Suguitani (2008).
Considerações sobre o desenvolvimento da Lógica no Brasil - I.M.L. D’Ottaviano e E.L. Gomes 13

entre eles Xavier Caicedo (Colômbia), Irene Mikemberg e Manuel C. Cor-


rada (Chile). Diversos lógicos importantes participaram como conferencis-
tas convidados, entre eles F. G. Asenjo (EUA), M. Benda (EUA), R. Chuaqui
(Chile), R. Fraissé (França), J. Kotas (Polônia), M. Krasner (França), E.G.K.
López-Escobar (EUA), C. Pinter (EUA), R. Routley (Austrália), J. R. Shoen-
field (EUA) e R. Solovay (EUA). Numa das sessões desse simpósio, deu-se
um importante evento relativo à lógica paraconsistente: a proposição, pelo
filósofo peruano Francisco Miró Quesada, do termo ‘paraconsistente’ para
nomear as lógicas que possam ser subjacentes a teorias inconsistentes e
não-triviais.
Os primeiros proceedings completos de um Simpósio Latino-Americano
de Lógica foram publicados pela North-Holland, em 1977, pela série Studies
in Logic and the Foundations of Mathematics, editados por Arruda, da Costa e
Chuaqui, sob o título Non-classical logics, model theory and computability.40
Os SLALMs continuaram crescendo em extensão e compreensão. Antes
de completar o elenco dos demais simpósios, é mister historiar a consti-
tuição e o aparecimento de importantes parceiros da lógica no horizonte
latino-americano.

2.2.2 O Centro de Lógica, Epistemologia e História da Ciência da Uni-


camp
Os Simpósios Latino-Americanos de Lógica Matemática e o intercâmbio
com lógicos de outras nacionalidades incrementaram a lógica desenvolvida
no Brasil, seja pela troca de experiência, seja pela sincronia teórica então
estabelecida. Este cenário, que se afirmara com maior nitidez a partir dos
anos 1960, intensificou-se nas décadas seguintes.
Deve-se destacar, nesse aspecto, o profícuo intercâmbio de estudantes
brasileiros em centros estadunidenses e europeus, o que permitiu expandir
os horizontes da lógica praticada no país, e foi possível graças ao expressivo
apoio do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico
(CNPq) do Brasil. Da Europa, alguns estudiosos trouxeram boa formação de
universidades francesas, belgas, alemãs e escandinavas. Um bom exemplo
disso foi a intensa participação de brasileiros no célebre ‘Grupo de Lógica
e Metodologia da Ciência’ da Universidade da Califórnia, em Berkeley,
que desenvolvia suas atividades de modo contínuo, congregando alguns
dos melhores especialistas em lógica do século XX, como Henkin, Craig,
Addison, Vaught e Mates, em torno de Alfred Tarski (1901–1983).
40
Vide Arruda, da Costa e Chuaqui (1977).
Considerações sobre o desenvolvimento da Lógica no Brasil - I.M.L. D’Ottaviano e E.L. Gomes 14

Após uma proveitosa temporada de estudos pós-doutorais naquele


grupo, Oswaldo Porchat Pereira propõe, em seu retorno ao país, a cria-
ção de um centro semelhante na Universidade de São Paulo (USP), ao final
dos anos 1970, o que não ocorreu, segundo o próprio Porchat, devido a
resistências de cunho político-ideológico. O Centro de Lógica, Epistemologia
e História da Ciência (CLE), projetado e organizado em 1976, seria instalado
oficialmente em 1977, na recém-criada Universidade Estadual de Campinas
(Unicamp), com a interveniência do físico da Unicamp Rogério César de
Cerqueira Leite. Nos anos que se seguiram, esse Centro congregou inúme-
ros estudiosos, formou professores e pesquisadores hoje atuantes no ensino
e na pesquisa. Além disso, o CLE fomentou a pesquisa em lógica no país
de modo singular e sem precedentes na história acadêmica brasileira.41
O Centro de Lógica, criado em 1977 pelo Professor Zeferino Vaz, Reitor
da Unicamp, foi concebido para promover pesquisa nas áreas de lógica,
epistemologia e história da ciência, bem como trabalho de natureza inter-
disciplinar, organizar seminários e encontros científicos, promover publi-
cações e manter intercâmbio acadêmico com outros grupos de pesquisa e
instituições no Brasil e outros países.
O CLE constituiu-se como a primeira instituição acadêmica de natureza
interdisciplinar em suas áreas de atuação no Brasil e, possivelmente, na
América Latina, com o objetivo de congregar cientistas de vários ramos do
conhecimento filosófico e científico. Conta atualmente com mais de 100
membros, pesquisadores de vários Institutos e Faculdades da Unicamp, de
outras universidades brasileiras, americanas e européias. Além de lógi-
cos e filósofos, cientistas sociais, linguistas, matemáticos, físicos, biólogos,
psicólogos e docentes das áreas de artes, entre outros, têm integrado as
atividades do CLE.
O primeiro Diretor do CLE foi Oswaldo Porchat Pereira (1977–1982), se-
guido por Zeljko Loparić (1982–1986), Itala M. Loffredo D’Ottaviano (1986–
1993), Osmyr Faria Gabbi Jr. (1993–1999), Walter A. Carnielli (1999–2005),
Itala M. Loffredo D’Ottaviano (2005–2009) e Walter A. Carnielli (desde 2009).
O CLE, nestes mais de 30 anos desde sua fundação, tem mantido um in-
tenso intercâmbio científico e cooperação acadêmica com outras instituições
brasileiras e instituições estrangeiras de ensino e pesquisa de excelência.
Com o apoio de instituições de fomento ao ensino e pesquisa brasileiras
e estrangeiras, o CLE já promoveu mais de 100 eventos de médio e grande
porte, além de muitas conferências, seminários e cursos, sendo que mais
de 500 renomados pesquisadores o têm visitado. Entre eles, mencionamos
41
Vide D’Ottaviano, Carnielli e Alves (1996).
Considerações sobre o desenvolvimento da Lógica no Brasil - I.M.L. D’Ottaviano e E.L. Gomes 15

Alfred Tarski (Berkeley, EUA), Andrès Raggio (Buenos Aires, Argentina),


Carlos Di Prisco (Caracas, Venezuela), Cecilia Rauszer (Varsóvia, Polônia),
Claudio Pizzi (Siena, Itália), Daniel Isaacson (Oxford, Inglaterra), Daniel
Vanderveken (Montreal, Canadá), Daniele Mundici (Firenze, Itália), David
Miller (Londres, Inglaterra), Diego Marconi (Torino, Itália), Don Pigozzi
(Iowa, EUA), Edgard G.K. López-Escobar (Maryland, EUA), Eduardo Ra-
bossi (Buenos Aires, Argentina), Ezequiel Olasso (Buenos Aires, Argentina),
G. Malinowski (Łodz, Polônia), Gonzalo Reyes (Montreal, Canadá), Gott-
fried Gabriel (Konstanz, Alemanha), Helena Rasiowa (Varsóvia, Polônia),
Jakko Hintikka (Boston, EUA e Finlândia), Jeff Paris (Manchester, Ingla-
terra), John Corcoran (Buffalo, EUA), John Luccas (Oxford, Inglaterra), Jus-
tus Diller (Münster, Alemanha), Maximiliano Dickmann (Paris, França), Mi-
chal Krynicki (Varsóvia, Polônia), Raymundo Morado (Ciudad de México,
México), Richard L. Epstein (Berkeley, EUA), Richard Routley (Canberra,
Austrália), Rizsard Wojcicki (Varsóvia, Polônia), Roberto Cignoli (Buenos
Aires, Argentina), Rolando Chuaqui (Santiago, Chile), Saul Kripke (New
York, EUA), Xavier Caicedo (Bogotá, Colômbia).
O CLE tem mantido a edição contínua e regular de importantes revistas
acadêmicas. A primeira delas é Manuscrito - Revista Internacional de Filosofia,
periódico semestral de circulação internacional, editado ininterruptamente
desde 1977. O periódico já alcançou a marca de 65 números, que totali-
zam 32 volumes publicados, com artigos em português, espanhol, inglês e
francês. Além de Oswaldo Porchat Pereira (1978–1983), que foi o fundador
e primeiro editor da publicação, seguiram-se à frente da mesma Marcelo
Dascal (1983–1998), Michael Wrigley (1999–2003) e, desde 2003, Marco A.
Ruffino, com André Leclerc atuando como editor associado desde 2009. Ma-
nuscrito é indexada no The Philosopher’s Index e no Repertoire Bibliographique
de la Philosophie. Recentemente, em Agosto de 2010, o periódico ingressou
na Coleção SciELO Brasil.
Outra publicação regular do CLE são os Cadernos de História e Filosofia da
Ciência, editados semestralmente. Fundada em 1980 por Zeljko Loparić, que
dirigiu a coleção até 1988, essa publicação já alcança 56 números publicados.
Colaboraram nesta coleção, como editores, Roberto de Andrade Martins e
Michael O. Ghins. Fátima Regina Rodrigues Évora é a editora desde 1991.
Os CLE e-Prints, em formato eletrônico, desde 2003 substituem as antigas
Pré-publicações do Centro de Lógica, Epistemologia e História da Ciência e veicu-
lam, com muita agilidade e acesso fácil, resultados de pesquisas inéditas em
caráter adiantado, antes que apareçam em formato consolidado em outros
periódicos. Os trabalhos publicados no CLE e-prints estão disponíveis no
liame
Considerações sobre o desenvolvimento da Lógica no Brasil - I.M.L. D’Ottaviano e E.L. Gomes 16

http://www.cle.unicamp.br/e-prints/

O acervo publicado é organizado em volumes anuais, 11 até o presente.


Outra publicação pioneira no formato eletrônico, sob os auspícios do
CLE, é a Kant e-Prints. Desde sua fundação em 2002, é editorada e dirigida
por Zeljko Loparić. A primeira série dos Kant e-Prints (2002–04) totaliza
três volumes; uma segunda série, em curso desde 2006, já alcança cinco
volumes. A publicação é acessível no liame
http://www.cle.unicamp.br/kant-e-prints/index.htm

O primeiro periódico de circulação internacional dedicado às lógicas


não-clássicas, The Journal of Non-Classical Logic, foi criado no CLE em 1982,
tendo sido seus editores Newton da Costa, Luiz Paulo de Alcântara e Itala
M. Loffredo D’Ottaviano, respectivamente. Após a publicação de 8 volumes
e 14 números, fundiu-se em 1992, por acordo formal, com o Journal of Applied
Non-Classical Logics, que começara sua série em 1991 em Toulouse, França.
A nova publicação, que herda o título desta, corresponde à fusão dos dois
periódicos, é publicada pela Hermès/Lavoisier (Paris), com Luiz Fariñas del
Cerro (Université de Toulouse) como editor, e conta com cinco membros do
antigo conselho editorial do periódico do CLE como membros do novo
conselho. Até o presente a publicação alcançou 19 volumes publicados,
cujos números aparecem quadrimestralmente.
O CLE também edita, desde 1987, uma coleção de livros dedicada à
lógica pura e aplicada, bem como a monografias e coletâneas dedicadas à
história da filosofia, à epistemologia e metodologia da ciência: a Coleção
CLE é publicada em português (principalmente), espanhol e inglês, com
pelo menos 2 títulos anuais. Desde sua criação, o editor é Itala M. Loffredo
D’Ottaviano, com 57 volumes publicados até o momento. A Coleção CLE
tem contado com o apoio da Unicamp e da Fundação de Amparo à Pesquisa
do Estado de São Paulo (FAPESP). Diversos volumes da Coleção CLE versam
sobre temas de lógica.
A ‘Biblioteca Michel Debrun’ do CLE possui um dos mais especializados
acervos nas áreas de lógica, epistemologia e história da ciência da América
Latina.
Os ‘Arquivos Históricos em História da Ciência’ do CLE contêm uma
coleção de mais de 100.000 manuscritos e documentos armazenados em
diferentes mídias.
O CLE deu suporte acadêmico e administrativo para cursos de espe-
cialização oferecidos pela Unicamp até princípios dos anos 2000 e para o
Considerações sobre o desenvolvimento da Lógica no Brasil - I.M.L. D’Ottaviano e E.L. Gomes 17

‘Programa de Pós-Graduação em Lógica e Filosofia da Ciência’ do Depar-


tamento de Filosofia, curso pioneiro no Brasil criado quase que simultanea-
mente com o CLE, e que deu origem ao atual ‘Programa de Pós-Graduação
em Filosofia’, de cujo corpo docente fazem parte os lógicos do ‘Grupo de
Lógica Teórica e Aplicada’ do CLE.
Além do Seminário de Lógica semanal, que também faz parte das ativi-
dades do Programa de Pós-Graduação em Filosofia, do Departamento de
Filosofia da Unicamp, o ‘Grupo de Lógica Teórica e Aplicada’ do CLE man-
tém o Colloquium Logicae, seminários avançados regulares do Grupo abertos
a toda a comunidade acadêmica, com a participação de pesquisadores con-
vidados.
Desde 1986, o CLE mantém os Seminários Interdisciplinares CLE sobre
‘Sistêmica, Auto-Organização e Informação’: o ‘Grupo Interdisciplinar CLE
Auto-Organização’, do qual participam lógicos do CLE, foi coordenado até
1997 por Michel Maurice Debrun e, desde então, por Itala M. Loffredo
D’Ottaviano.
O sítio do Centro de Lógica, Epistemologia e História da Ciência contém
informações históricas, grupos de pesquisa, publicações, eventos e demais
atividades desenvolvidas pelo Centro, e está disponível no liame
http://www.cle.unicamp.br

2.2.3 Os primeiros Encontros Brasileiros de Lógica


A Seção de Lógica, logo após a criação do CLE, decidiu organizar encontros
brasileiros de Lógica, com o objetivo de congregar os lógicos brasileiros
e estimular a pesquisa nacional na área. O CLE co-patrocina todos os
Encontros Brasileiros de Lógica (EBL) e os Simpósios Latino-Americanos
de Lógica Matemática (SLALM) desde 1978.
O I Encontro Brasileiro de Lógica (I EBL) ocorreu em Campinas, em 1977,
co-patrocinado pelo Instituto de Matemática, Estatística e Ciência da Com-
putação (IMECC) da Unicamp, com participantes de quase 10 universida-
des brasileiras. Os proceedings da conferência foram publicados em 1978,
pela Marcel Dekker, sob o título Mathematical Logic – Proceedings of the First
Brazilian Logic Conference, editados por A. I. Arruda, N. C. A. da Costa e R.
Chuaqui.42
Em 1978, realizou-se o II EBL, novamente em Campinas. O objetivo foi
divulgar a lógica entre estudantes brasileiros, o que teve grande sucesso,
42
Vide Arruda, da Costa e Chuaqui (1977).
Considerações sobre o desenvolvimento da Lógica no Brasil - I.M.L. D’Ottaviano e E.L. Gomes 18

com a participação de 53 professores e 101 estudantes de diversas universi-


dades brasileiras. Minicursos e conferências em temas avançados de lógica
foram oferecidos durante o evento.
Após um ano dedicado à lógica na Universidad Católica de Chile, o IV
SLALM realizou-se durante o período de 18 a 22 de Dezembro de 1978, no-
vamente em Santiago. Nas duas semanas que precederam o evento, foram
ministrados cursos em tópicos avançados de lógica por A. I. Arruda, N. C. A.
da Costa, J. Bosch (Argentina), L. F. Cabrera (Chile), U. Felgner (Alemanha
Ocidental) e J. Malitz (EUA). Entre os conferencistas convidados menci-
onamos M. Benda (EUA), X. Caicedo (Colômbia), E.G.K. López-Escobar
(EUA), J. R. Lucas (Inglaterra), C. Pinter (EUA), W. Reinhardt (EUA), R.
Vaught (EUA) e, do Brasil, A. I. Arruda, N. C. A. da Costa, A. M. Sette, M.
S. de Gallego, O. Chateaubriand, H. Sankappanavar e E. H. Alves.
Os proceedings do IV SLALM, mais uma vez editados por Arruda, da
Costa e Chuaqui, foram publicados em 1980 pela North-Holland, na série
Studies in Logic and the Foundations of Mathematics, dedicados a A. Tarski,
sob o título Mathematical Logic in Latin America.43

2.2.4 A Sociedade Brasileira de Lógica


Com o grande impulso para o desenvolvimento da lógica no Brasil e com
a participação de brasileiros em eventos internacionais e publicações em
periódicos de circulação internacional, naturalmente surgiu a proposta de
criação de uma sociedade que congregasse os lógicos brasileiros. Tal pro-
cesso de constituição acadêmico-institucional da comunidade dedicada à
lógica se intensifica com a fundação da Sociedade Brasileira de Lógica (SBL),
em 14 de Fevereiro de 1979, em reunião presidida por Oswaldo Porchat Pe-
reira, mentor, fundador e primeiro Diretor do CLE, realizada no Instituto de
Matemática, Estatística e Ciência da Computação (IMECC) da Universidade
Estadual de Campinas (Unicamp).
A SBL visa congregar lógicos e estudiosos de lógica em todos os seus
aspectos do Brasil e também do exterior; estimular e manter um interesse
ativo pela lógica e suas aplicações; incentivar a pesquisa e contribuir para
o aperfeiçoamento deste ramo do conhecimento.44
Entre os membros fundadores da SBL figuram: Andrea Maria Altino
Campos Loparić, Antonio Mário Antunes Sette, Ayda Ignes Arruda, Bene-
dito Castrucci, Celso Volpe, Cezar Shintaro Mizuno, Clara Helena Sanches
Botero, Elias Humberto Alves, Francisco Miraglia Neto, Harvey Robert
43
Vide Arruda, da Costa e Chuaqui (1980).
44
Vide liame http://www.cle.unicamp.br/sbl.
Considerações sobre o desenvolvimento da Lógica no Brasil - I.M.L. D’Ottaviano e E.L. Gomes 19

Brown, Iole de Freitas Druck, Itala Maria Loffredo D’Ottaviano, Jacob Zim-
barg Sobrinho, José Eduardo de Almeida Moura, Leonidas Hegenberg, Luiz
Paulo de Alcântara, Luiz Henrique Lopes dos Santos, Marta Sagastume Ga-
lego, Matias Francisco Dias, Newton Carneiro Affonso da Costa, Oswaldo
Chateaubriand Filho, Oswaldo Porchat Pereira, Paulo Augusto da Silva Ve-
loso, Raul Ferreira Landim Filho, Roberto Leonardo Oscar Cignoli, Stavros
Christodoulou, Ubiratan D’Ambrosio, Walter Alexandre Carnielli e Zeljko
Loparić.
Desde sua criação, a Sociedade Brasileira de Lógica (SBL) está sediada
no CLE, na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).
A primeira diretoria da Sociedade Brasileira de Lógica, eleita em sua
fundação, com mandato para o período de 1979 a 1981, foi constituída pe-
los professores Newton da Costa (USP), Presidente; Antonio Mário Sette
(UFPE), 1o Vice-Presidente; Raul Ferreira Landim Filho (PUC-RJ), 2o Vice-
Presidente; Ayda Ignez Arruda (Unicamp), Secretária Geral; Elias Hum-
berto Alves (Unicamp), Subsecretário; Jacob Zimbarg Sobrinho (USP), Te-
soureiro.
As Diretorias eleitas para os mandatos subsequentes, entre 1981 e 1995,
foram as seguintes. Mandato de 1981 a 1982: Ayda Ignez Arruda (Uni-
camp), Presidente; Jacob Zimbarg Sobrinho (USP), 1o Vice-Presidente; Elias
Humberto Alves (Unicamp), Secretário Geral; Itala M. Loffredo D’Ottaviano
(Unicamp), Subsecretária; Antonio Mário Sette (Unicamp), Tesoureiro. Man-
dato de 1983 a 1984: Roberto L.O. Cignoli (Unicamp), Presidente; Fran-
cisco Miraglia Neto (USP), 1o Vice-Presidente; Paulo Augusto da Silva
Veloso (PUC-RJ), 2o Vice-Presidente; Itala M. Loffredo D’Ottaviano (Uni-
camp), Secretária Geral; Irineu Bicudo (Unesp, Rio Claro), Subsecretário;
Luiz Paulo de Alcântara (Unicamp), Tesoureiro. Mandato de 1985 a 1988:
Oswaldo Chateaubriand (PUC-RJ), Presidente; Luiz Paulo de Alcântara
(Unicamp), 1o Vice-Presidente; Luiz Henrique Lopes dos Santos (USP), 2o
Vice-Presidente; Paulo Augusto da Silva Veloso (UFRJ), Secretário; José
Eduardo Moura (UFRN), Subsecretário; Luiz Carlos P.D. Pereira (PUC-RJ),
Tesoureiro. Período de 1988 a 1993: Newton C.A. da Costa (USP), Presi-
dente; Luiz Carlos P.D. Pereira (PUC-RJ), 1o Vice-Presidente; Mineko Ya-
mashita (PUC-SP), Secretária Geral; Elias Humberto Alves (Unicamp), Sub-
secretário; Celina Aparecida Almeida Pereira Abar (PUC-RJ), Tesoureiro.
Período de 1994-1995: Itala M. Loffredo D’Ottaviano (Unicamp), Presidente;
Edward Hermann Haeusler (PUC-RJ), 1o Vice-Presidente; Walter Alexandre
Carnielli (Unicamp), 2o Vice-Presidente; Mamede Lima-Marques (UnB), Se-
cretário Geral; Décio Krause (UFSC), Subsecretário; Cosme Damião Bastos
Massi (Unesp, Marília), Tesoureiro.
Considerações sobre o desenvolvimento da Lógica no Brasil - I.M.L. D’Ottaviano e E.L. Gomes 20

No período de 1996 a 2003, foi mantida Itala M. Loffredo D’Ottaviano


na presidência da Sociedade Brasileira de Lógica. Os demais componentes
das diretorias desse período foram os seguintes. Mandato de 1996 a 1998:
Paulo Augusto da Silva Veloso (UFRJ), 1o Vice-Presidente; Antônio Mário
Antunes Sette (Unicamp), 2o Vice-Presidente; Jairo José da Silva (Unesp, Rio
Claro), Secretário Geral; Luiz Carlos P.D. Pereira (PUC-RJ), Subsecretário;
Elias Humberto Alves (Unesp, Marília), Tesoureiro. Mandato de 1999 a
2001: Paulo Augusto da Silva Veloso (UFRJ), 1o Vice-Presidente; Francisco
Miraglia Neto (USP), 2o Vice-Presidente; Jairo José da Silva (Unesp, Rio
Claro), Secretário; Luiz Carlos P.D. Pereira (PUC-RJ), Subsecretário; Marcelo
Esteban Coniglio (Unicamp), Tesoureiro.
Para o período de 2003 a 2006 foi eleita a seguinte diretoria: Oswaldo
Chateaubriand Filho (PUC-RJ), Presidente; Jairo José da Silva (Unesp, Rio
Claro); 1o Vice-Presidente; José Carlos Cifuentes (UFPR), 2o Vice-Presidente;
Luiz Carlos P.D. Pereira (PUC-RJ), Secretário Geral; Marcelo Esteban Co-
niglio (Unicamp), Subsecretário e Edward Hermann Haeusler (PUC-RJ),
Tesoureiro.
A diretoria com mandato de 2006 a 2008 foi constituída pelos seguin-
tes professores: Walter Alexandre Carnielli (Unicamp), Presidente; Décio
Krause (UFSC), 1o Vice-Presidente; Frank Thomas Sautter (UFSM), 2o Vice-
Presidente; Marcelo Esteban Coniglio (Unicamp), Secretário Geral; Mário
Benevides (COPPE-UFRJ), Tesoureiro.
A atual diretoria da Sociedade Brasileira de Lógica, com mandato ini-
ciado em 2008 e até 2011, é assim constituída: Walter Alexandre Carni-
elli (Unicamp), Presidente; Edward Hermann Haeusler (PUC-RJ), 1o Vice-
Presidente; Hércules de Araújo Feitosa (Unesp, Bauru), 2o Vice-Presidente;
Marcelo Esteban Coniglio (Unicamp), Secretário Geral. Para o cargo de
Subsecretário foi eleito Daniel Durante Pereira Alves (UFRN) e para o de
Tesoureiro Itala M. Loffredo D’Ottaviano (Unicamp).
A SBL mantém estreita relação científica com os lógicos e grupos de
pesquisa da América Latina, com a Association for Symbolic Logic, em especial
com o Committee on Logic in Latin America, que já foi presidido por Newton
da Costa (1970–76), Itala M. Loffredo D’Ottaviano (1993–98) e Francisco
Miraglia Neto (1999–2005).

2.2.5 Consolidação dos encontros acadêmicos


A partir de 1979, a Sociedade Brasileira de Lógica passou a co-organizar,
com o CLE, os Encontros Brasileiros de Lógica.
Considerações sobre o desenvolvimento da Lógica no Brasil - I.M.L. D’Ottaviano e E.L. Gomes 21

O III Encontro Brasileiro Lógica realizou-se em Recife, em 1979, co-


patrocinado pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e coorde-
nado por Antonio Mário Sette. Os proceedings foram editados pela SBL.45
O IV EBL e o V EBL foram realizados no CLE, Unicamp, em 1980 e 1981,
respectivamente.
O V SLALM realizou-se na Universidad de Los Andes, em Bogotá,
Colômbia, em 1981, coordenado por Xavier Caicedo. Foi dedicado à me-
mória de Antonio Monteiro, matemático português responsável pelo pri-
meiro grupo de lógica na América Latina, na Universidad del Sur, em Bahía
Blanca, Argentina. A conferência de abertura do evento, dedicada a Mon-
teiro, foi proferida por seu discípulo e colaborador Roberto Cignoli. Do
Brasil, participaram Arruda, da Costa, Sette e D’Ottaviano.
Em 1982, no VI EBL, realizado em Fortaleza, na Universidade Federal
do Ceará (UFCE), foi decidido que os Encontros Brasileiros passariam a
ser a cada dois anos, alternando-se com a realização dos Simpósios Latino-
Americanos de Lógica Matemática.
De acordo com essas diretrizes, foram realizados o VII EBL, na Pontifícia
Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-RJ), em 1984; o VIII EBL, no
Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA-SP), em 1986; e o IX EBL, em
1988, na Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP).
O VI SLALM ocorreu em Caracas, Venezuela, em 1983, coordenado por
Carlos Augusto Di Prisco, também com a participação de da Costa, Arruda,
Sette e D’Ottaviano.
O VII SLALM e o VIII SLALM foram realizados no Brasil, respectiva-
mente, na Unicamp, em 1985, coordenado por Walter A. Carnielli e Luiz
Paulo de Alcântara; e na Universidade Federal da Paraíba (UFPB), João
Pessoa, em 1989, coordenado por Matias Francisco Dias.
O VII SLALM foi dedicado à memória de Ayda Arruda, falecida prema-
turamente em Outubro de 1983, aos 46 anos, cujo trabalho e dedicação foram
fundamentais para a criação do primeiro grupo de lógica da Unicamp, para
a implantação do CLE e criação da Sociedade Brasileira de Lógica, para a
realização dos EBLs e dos SLALMs, para a edição dos primeiros proceedings
de eventos realizados na América Latina e para a vinda de eminentes lógi-
cos convidados para a Unicamp. A homenagem a Arruda, na abertura do
evento, foi proferida por Newton da Costa.
O IX SLALM ocorreu em 1992 na Universidad Nacional de Sur, Bahía
Blanca, Argentina, coordenado por Manuel I. Abad e dedicado à memória
do lógico argentino Andrès R. Raggio (1927–1991), recém falecido à época.
45
Vide Sette (1979).
Considerações sobre o desenvolvimento da Lógica no Brasil - I.M.L. D’Ottaviano e E.L. Gomes 22

A conferência em homenagem a Raggio foi proferida por Itala M. Loffredo


D’Ottaviano.
O X EBL ocorreu em 1993, em Itatiaia, Rio de Janeiro, com a participa-
ção dos mais reconhecidos lógicos brasileiros e latino-americanos e muitos
estudantes brasileiros de pós-graduação, com ênfase especial em lógicas
não-clássicas. O evento foi também dedicado à memória de Andrés R. Rag-
gio, membro do CLE, professor e amigo de muitos dos participantes, que
com sua formação logico-filosófica e envolvente personalidade, muito con-
tribuiu para o desenvolvimento da lógica na América do Sul. A conferência
em homenagem a Raggio foi proferida por Itala M. Loffredo D’Ottaviano e
os proceedings foram publicados na Coleção CLE (vol. 14, 1995) do Centro de
Lógica, organizados por Walter A. Carnielli e Luis Carlos P. D. Pereira, sob
o título Logic, Sets and Information.
Ruy Guerra de Queiroz, docente da Universidade Federal de Pernam-
buco, desde 1994, organiza e coordena o Worshop on Logic, Language, Infor-
mation and Computation (WoLLIC), evento anual apoiado pela Association for
Symbolic Logic e de cujos comitês têm feito parte lógicos brasileiros e re-
nomados lógicos da comunidade científica internacional. Os WoLLICs têm
recebido como participantes relevantes pesquisadores do Brasil e de países
estrangeiros e os proceedings dos eventos têm sido publicados por periódicos
qualificados de circulação internacional. O primeiro e segundo WoLLICs
foram realizados em Recife, Pernambuco, em 1994 e 1995, respectivamente.
O X SLALM realizou-se na Universidad de Los Andes, Bogotá, de 24 a
29 de Julho de 1995, coordenado por Xavier Caicedo. Durante o período
de 17 a 22 de Julho, quatro mini-cursos de lógica foram ministrados por
pesquisadores convidados, na Universidad Nacional de Colômbia. Esse
Simpósio foi dedicado à memória de Rolando Chuaqui, falecido em Santi-
ago, Chile, em Março de 1994, em reconhecimento ao importante papel por
ele desempenhado para o desenvolvimento da lógica na América Latina.
Chuaqui foi o primeiro Presidente do Committee on Logic in Latin America da
ASL, iniciou os SLALMs em 1970 e participou ativamente da organização
de todos eles, até seu falecimento. A conferência de abertura do evento,
sobre sua vida e obra, foi proferida por seu discípulo e colaborador Renato
Lewin (Universidad Catolica de Chile).
Desde o X SLALM, todos os simpósios têm sido precedidos por uma
Escola de Lógica (Logic School), na qual são ministrados, por especialistas
convidados, mini-cursos (tutorials) introdutórios e avançados de Lógica,
destinados a estudantes e pesquisadores.
O XI EBL ocorreu na Universidade Federal da Bahia (UFBA), em Salva-
dor, em 1996, em conjunto com o WoLLIC’96. Os temas da conferência fo-
Considerações sobre o desenvolvimento da Lógica no Brasil - I.M.L. D’Ottaviano e E.L. Gomes 23

ram lógicas não-clássicas, computabilidade, traduções entre lógicas, teoria


de modelos, teoria da prova, filosofia da lógica, teoria de conjuntos e lógica
algébrica. Foram apresentados 65 trabalhos, 37 de lógicos brasileiros e 28
de outras nacionalidades: entre os brasileiros, mencionamos Antonio Má-
rio Sette (Unicamp), Armando Haeberer (PUC-RJ), Décio Krause (UFPR),
Carlos Cifuentes Vazquez (UFPR), Edward Herman Hauesler (PUC-RJ),
Elias Humberto Alves (Unesp, Marília), Francisco Antonio Dória (UFRJ),
Francisco Miraglia Neto (USP), George Svetlichny (PUC-RJ), Gerson Za-
verucha (Instituto Alberto Luiz Coimbra de Pós-Graduação e Pesquisa de
Engenharia - COPPE-UFRJ), Irineu Bicudo (Unesp, Rio Claro), Itala M. Lof-
fredo D’Ottaviano (Unicamp), Jairo J. da Silva (Unesp, Rio Claro), Jean-Yves
Béziau (LNCC, RJ), Luiz Carlos P. D. Pereira (PUC-RJ), Mário Benevides
(Instituto Alberto Luiz Coimbra de Pós-Graduação e Pesquisa de Engenha-
ria - COPPE-UFRJ), Michael B. Wrigley (Unicamp), Ofélia T. Alas (USP),
Oswaldo Chateaubriand (PUC-RJ), Paulo Augusto da Silva Veloso (PUC-
RJ), Sheila Veloso (UFRJ), Walter A. Carnielli (Unicamp). A participação
de convidados americanos e europeus foi expressiva, entre eles Andreas
Blass (EUA), Carlos Augusto Di Prisco (Venezuela), Christian Fermuel-
ler (Áustria), Claudio Pizzi (Itália), Daniel Vanderveken (Canadá), Daniele
Mundici (Itália), Guillermo Rosado Haddock (Porto Rico), Juliete Floyd
(EUA), Kosta Dosen (França), Manuel Corrada (Chile), Marta Sagastume
Galego (Argentina), Mathieu Marrion (Canadá), Michal Krynicki (Polônia),
Nestor Guillermo Martinez (Argentina), Renato Lewin (Chile), Ugo Mos-
cato (Itália), Wilfred Hodges (Inglaterra) e Xavier Caicedo (Colômbia). O
evento foi dedicado à memória de Mário Tourasse Teixeira, a conferência
em sua homenagem tendo sido proferida por Irineu Bicudo. Os proceedings,
editados por Walter A. Carnielli e Itala M. Loffredo D’Ottaviano, foram pu-
blicados pela American Mathematical Society, na coleção Series Contemporary
Mathematics, (vol. 235, 1999), sob o título Advances in Contemporary Logic and
Computer Science.46
O XII EBL realizou-se em Itatiaia, Rio de Janeiro, em 1998, em evento
conjunto com o WoLLIC’98, com mini-cursos introdutórios e a participa-
ção de muitos estudantes de pós-graduação e lógicos brasileiros e latino-
americanos.
O XI SLALM realizou-se em Mérida, Venezuela, em 1998, coordenado
por Carlos Augusto Di Prisco e Carlos Uzcátegui. O XII SLALM ocorreu em
San José, Costa Rica, coordenado por Jorge I. Guier Aosta, em 2003. Desde
então, além do apoio da Association for Symbolic Logic, os SLALMs têm
46
Vide Carnielli e D‘Ottaviano (1999).
Considerações sobre o desenvolvimento da Lógica no Brasil - I.M.L. D’Ottaviano e E.L. Gomes 24

recebido apoio e suporte financeiro da National Science Foundation (EUA).

3 Iniciativas recentes no País


3.1 EBL’s e SLALM’s recentes
O XIII EBL ocorreu na Unicamp, Campinas, em 2003, em evento conjunto
com o Colóquio CLE 25 ANOS, comemorativo dos 25 anos do Centro de
Lógica, com a participação usual de brasileiros, membros do CLE, latino-
americanos e convidados ilustres de outras nacionalidades. Foi prestada
uma homenagem especial a Oswaldo Porchat Pereira, fundador do CLE,
tendo sido lançado o livro O filósofo e sua história: uma homenagem a Oswaldo
Porchat, volume 36 da Coleção CLE, organizado por Michael B. Wrigley e
Plínio J. Smith. O EBL foi dedicado a Antonio Mário Sette, falecido em
1998, a homenagem tendo sido prestada por Itala M. Loffredo D’Ottaviano
e Xavier Caicedo. Os proceedings foram publicados, em dois volumes, pelo
Journal of the Interest Group in Pure and Applied Logics sob o título An event on
Brazilian logic, editados por Walter A. Carnielli, Marcelo E. Coniglio e Itala
M. Loffredo D’Ottaviano.47
O XIV EBL foi realizado em Itatiaia, Rio de Janeiro, em 2006, com mini-
cursos introdutórios e expressiva participação de estudantes, lógicos bra-
sileiros, latino-americanos e outros conferencistas convidados. Durante o
evento, foi lançado um volume especial da revista Manuscrito, organizado
por Walter A. Carnielli: Logic and philosophy of the formal sciences – a festschrift
for Itala M. Loffredo D’Ottaviano.48
O XIII SLALM realizou-se em Oaxaca, México, em 2006, coordenado
por José Alfredo Amor.
O XV EBL foi mais uma vez organizado pelo Grupo do CLE. Pela pri-
meira vez realizou-se um evento conjunto EBL e SLALM, o evento CLE 30
ANOS / XV Encontro Brasileiro de Lógica / XIV Simpósio Latino-Americano de
Lógica Matemática, de 11 a 17 de Maio de 2008. A Conferência, organizada
pelo CLE e pela Sociedade Brasileira de Lógica, recebeu o patrocínio da
Association for Symbolic Logic que, além do apoio institucional, pela primeira
vez propiciou um apoio financeiro, que foi destinado à participação de
estudantes.
O evento CLE 30 ANOS / XV EBL / XIX SLALM (CLE 30 Years / XV
Brazilian Logic Conference / XIV Latin American Symposium on Mathemati-
47
Vide Carnieli, Coniglio e D’Ottaviano (2004, 2005).
48
Vide Carnielli (2005).
Considerações sobre o desenvolvimento da Lógica no Brasil - I.M.L. D’Ottaviano e E.L. Gomes 25

cal Logic) foi coordenado por Walter A. Carnielli, Marcelo E. Coniglio e


Itala M. Loffredo D’Ottaviano. Durante a semana prévia, de 7 a 9 de
Maio, o CLE-Unicamp sediou a já tradicional Logic School, com aproxima-
damente 50 participantes de instituições brasileiras e latino-americanas,
bem como de estudantes europeus e estadunidenses. Foram ministrados
seis tutoriais: Aristotle’s underlying logic, por John Corcoran (State Univer-
sity of New York at Buffalo, EUA); Translations between Logics, por Itala M.
Loffredo D’Ottaviano (CLE-Unicamp); Possible-translations semantics, por
Walter A. Carnielli (CLE-Unicamp); Combining logics, Marcelo E. Coniglio
(CLE-Unicamp); Algebraic aspects of substructural logics, por Roberto Cignoli
(Universidad de Buenos Aires, Argentina); Logic and information, por Jaako
Hintikka (Boston University, EUA).
Subsequentemente, em 11 de Maio, o evento foi aberto em Paraty, Rio de
Janeiro, com a presença de relevantes pesquisadores da comunidade cientí-
fica internacional. Aproximadamente 180 estudantes e pesquisadores brasi-
leiros e de diversos países latino-americanos (Argentina, Colômbia, México,
Uruguai e Venezuela), Estados Unidos, Bélgica, Holanda, Itália e Polônia
participaram do Encontro, excedendo em números todos os SLALMs ante-
riores. Foram totalizadas mais de 80 comunicações.
Os abstracts estendidos dos artigos foram publicados pelos CLE e-Prints
(vol. 8 (6), 2008); os abstracts e um report sobre o evento foram publicados
pela ASL no Bulletin of Symbolic Logic49 ; os proceedings do evento, editados
por Walter A. Carnielli, Marcelo E. Coniglio e Itala M. Loffredo D’Ottaviano,
foram publicados pela College Publications (Londres), na coleção Series Stu-
dies in Logic (vol. 21, 2009), sob o título The Many Sides of Logic.50

3.2 Os WoLLIC’s
A série de eventos anuais regulares WoLLIC (Workshop on Logic, Language,
Information and Computation), já na sua décima sétima edição, conta com o
apoio acadêmico-científico das seguintes instituições: Interest Group in Pure
and Applied Logics (IGPL), The Association for Logic, Language and Information
(FoLLI), Association for Symbolic Logic, European Association for Theoretical
Computer Science (EATCS), Sociedade Brasileira de Computação (SBC) e Socie-
dade Brasileira de Lógica (SBL).
Os WoLLIC’s foram criados e são organizados e mantidos por Ruy de
Queiroz e colaboradores. Iniciados em 1994, visam fomentar a pesquisa
49
Bulletin of Symbolic Logic, vol. 15 (3), Sep. 2009. p. 332-376.
50
Vide Carnielli, Coniglio e D’Ottaviano (2009).
Considerações sobre o desenvolvimento da Lógica no Brasil - I.M.L. D’Ottaviano e E.L. Gomes 26

interdisciplinar em lógica pura e aplicada, como um fórum com o maior


número de interações possíveis entre lógicas e ciências relacionadas à infor-
mação e à computação, porém focado o suficiente para permitir interação
concreta e útil entre os seus participantes.
Os primeiros três WoLLIC’s, até 1996, duraram três dias cada, e con-
sistiram de conferências proferidas por convidados e apresentações de tra-
balhos. De 1997 a 2006 os encontros tiveram quatro dias de duração, com
o primeiro dia dedicado a mini-cursos. Em 2007, os mini-cursos foram
distribuídos nos quatro dias do encontro.
Os WoLLIC’s tiveram lugar nas seguintes localidades: Recife (Pernam-
buco, Brasil) em 1994 e 1995; Salvador (Bahia, Brasil) em 1996, evento
conjunto com o ‘XI Encontro Brasileiro de Lógica’; Fortaleza (Ceará, Brasil)
em 1997; São Paulo (Brasil) em 1998; Itatiaia (Rio de Janeiro, Brasil) em
1999, evento conjunto com o ‘XII Encontro Brasileiro de Lógica’; Natal (Rio
Grande do Norte, Brasil) em 2000; Brasília (Distrito Federal, Brasil) em 2001;
Rio de Janeiro em 2002; Ouro Preto (Minas Gerais, Brasil) 2003. Em 2004 o
encontro realizou-se em Fontainebleau, 60km ao sul de Paris, França. Em
2005 foi realizado em Florianópolis (Santa Catarina, Brasil), e em 2006 teve
lugar no CSLI, Stanford (California, EUA). Em 2007, o encontro foi realizado
no Rio de Janeiro. Edinburgh foi a sede para o encontro de 2008; Tokyo em
2009 e Brasília recebeu o evento em 2010.
As seguintes localidades estão relacionadas para os encontros futuros:
Philadelphia (2011), Buenos Aires (2012), Darmstadt (2013), Santiago ou
Valparaiso (2014), Moscow (2015), Puebla (2016), Utrecht (2017).
Os Comitês de Programa e conferencistas convidados de todos os WoL-
LIC’s têm contemplado pesquisadores brasileiros e estrangeiros de relevân-
cia internacional.51 Os Conference-Reports e Proceedings dos WoLLIC’s têm
sido publicados anualmente por reconhecidas editoras.52

3.3 Outros importantes eventos acadêmicos


No final dos anos 1990, um importante congresso mundial dedicado à
paraconsistência foi organizado. O I World Congress on Paraconsistency (I
WCP) realizou-se em Gent, Bélgica, em 1998. Em 2000, o Grupo de Lógica
do CLE organizou o II WCP, realizado em Juquehy (São Sebastião, São
51
Dados sobre os eventos já realizados e conferencistas, estão acessíveis em http://www.
cin.ufpe.br/~wollic; http://www.cin.ufpe.br/%7Ewollic/; http://www.informatik.
uni-trier.de/~ley/db/conf/wollic/; http://en.wikipedia.org/wiki/WoLLIC.
52
Os Proceedings dos WoLLIC’s e Special Issues of Scientific Journals estão listados nas
Referências às p. 46 e às p. 48-50.
Considerações sobre o desenvolvimento da Lógica no Brasil - I.M.L. D’Ottaviano e E.L. Gomes 27

Paulo), dedicado ao septuagésimo aniversário de Newton da Costa. Os


proceedings do evento, editados por Walter A. Carnielli, Marcelo E. Coniglio
e Itala M. Loffredo D’Ottaviano, foram publicados pela Marcel Dekker (New
York, 2002), sob o título Paraconsistency: the logical way to the inconsistent.53
O III WCP foi realizado em Toulouse, França, em 2003; e o IV WCP em
Melbourne, Australia, em 2008. Planeja-se realizar o V WCP em Vancouver
(Canadá).
Outro importante evento de lógica foi preparado pelo Grupo de Lógica
do CLE. De 23 a 28 de Agosto de 2009, o Centro de Lógica e a Académie
Internationale de Philosophie des Sciences (AIPS) realizaram na Unicamp o
evento conjunto CLE/AIPS: Science, Truth and Consistency, em tributo ao oc-
togésimo aniversário de Newton da Costa. Primeira reunião da AIPS no
Brasil (segunda na América do Sul, a primeira tendo ocorrido no Peru em
1989), o objetivo do Evento CLE/AIPS, coordenado por Itala M. Loffredo
D’Ottaviano e Daniele Mundici, foi reunir renomeados pesquisadores em fi-
losofia, lógica, epistemologia, história e filosofia da ciência, com o propósito
de discutir uma ampla variedade de tópicos do maior interesse acadêmico,
focados em temas relacionados ao trabalho de da Costa, tais como filosofia,
filosofia da ciência, lógica não-clássica, história e filosofia da lógica, entre
outros, com ênfase especial na interdisciplinaridade.
Mais de 100 relevantes nomes da comunidade científico-filosófica in-
ternacional participaram do evento, entre membros do CLE, da AIPS e
discípulos, colaboradores e amigos de da Costa. Durante a cerimônia de
abertura do evento, o Presidente da Académie, Evandro Agazzi, anunciou
que Newton da Costa havia sido eleito membro honorário da AIPS, sendo
portanto o primeiro brasileiro a receber tal honraria; também durante o
evento, Newton da Costa recebeu o título de ‘Professor Emérito da Uni-
camp’, título a ele ortogado pelo Conselho Universitário. Os proceedings da
Conferência serão publicados em três volumes, a serem editados por Itala
M. Loffredo D’Ottaviano, Daniele Mundici e Evandro Agazzi em periódi-
cos distintos: um volume especial do periódico Studia Logica (2011), sob
o título The Legacy of Newton da Costa; um volume de Manuscrito - Revista
Internacional de Filosofia (2011); e um volume do periódico Principia: Revista
Internacional de Epistemologia (2011).
Um importante evento realizado recentemente no País foi o Model-Based
Reasoning 2009 (MBR’09). Esse congresso internacional é um desdobra-
mento da cooperação de pesquisa entre o Centro de Lógica da Unicamp,
o Departamento de Filosofia da Universidade de Pávia (Itália) e o Depar-
53
Carnielli, Coniglio e D’Ottaviano (2002).
Considerações sobre o desenvolvimento da Lógica no Brasil - I.M.L. D’Ottaviano e E.L. Gomes 28

tamento de Filosofia e Pesquisas Sociais da Universidade de Siena (Itália).


O evento contou com o apoio da Sociedade Brasileira de Lógica, tendo
retomodo as temáticas debatidas em edições anteriores da série, especial-
mente as seguintes: o MBR’98 (Model-Based Reasoning in Scientific Discovery),
o MBR’01 (Model-Based Reasoning: Scientific Discovery, Technological Innova-
tion, and Values), o MBR’04 (Model-Based Reasoning in Science and Engineering:
Abduction, Visualization, and Simulation) e o MBR’06 (Model-Based Reasoning
in Science and Medicine). Pela primeira vez realizado no Brasil, o MBR’09
foi coordenado por Lorenzo Magnani e Walter A. Carnielli. Esse congresso
debateu os aspectos lógicos, epistêmicos e cognitivos das práticas de mo-
delagem empregadas em ciência e ciências cognitivas, incluindo modelos
lógico-computacionais dessas práticas. Dentre os conferencistas convida-
dos ao MBR’09 destacamos: Walter A. Carnielli (Unicamp), B. Chandra-
sekaran (Ohio State University, Columbus, EUA), Simon Colton (Imperial
College, London, UK), Jaakko Hintikka (Boston University, Boston, EUA),
Jairo José da Silva (Unesp-Rio Claro, SP), Alex Kirlik (University of Illinois at
Urbana-Champaign, Savoy and Urbana, EUA), Lorenzo Magnani (Univer-
sity of Pavia), Claudio Pizzi (University of Siena), Paul Thagard (University
of Waterloo) e John Woods (University of British Columbia, Canadá).
Outros importantes eventos têm sido realizados, de forma regular, no
Brasil. O Departamento de Filosofia da Universidade Federal de Santa Ca-
tarina (UFSC) realiza a cada dois anos, desde 1999, o Simpósio Internacional
Principia, devotado a temas relativos à lógica e filosofia da ciência. Foram
realizados até o momento seis simpósios Principia, organizados pelo Nú-
cleo de Epistemologia e Lógica (NEL) e pelos editores de Principia - Revista
Internacional de Epistemologia, ambos sob os auspícios da Universidade Fe-
deral de Santa Catarina. Todos os eventos foram sediados em Florianópolis,
capital do Estado de Santa Catarina.
O I Simpósio Internacional Principia, ocorrido de 9 a 12 de Agosto de 1999,
teve por tema principal os Princípios na Filosofia e nas Ciências. O II Simpósio
Internacional Principia foi dedicado ao debate da Filosofia de Bertrand Russell,
tendo ocorrido de 06 a 10 de Agosto de 2001. O III Simpósio Internacional
Principia, realizado de 08 a 11 de Setembro de 2003, desenvolveu temáticas
da Filosofia de Quine. O IV Simpósio Internacional Principia, realizado de 08 a
11 de Agosto de 2005, tratou da Filosofia de Donald Davidson.
A quinta edição do Simpósio Internacional Principia abordou a Filosofia
de Bas van Fraassen e comemorou os dez anos de existência da revista Prin-
cipia. Realizou-se entre 06 e 09 de Agosto de 2007, tendo figurado entre os
principais palestrantes dessa edição do evento Bas C. Van Fraassen (Univer-
sidade de Princeton, EUA), Harvey Brown (Universidade de Oxford, Ingla-
Considerações sobre o desenvolvimento da Lógica no Brasil - I.M.L. D’Ottaviano e E.L. Gomes 29

terra), Michel Ghins (Universidade de Louvain-la-Neuve, Bélgica), Michel


Paty (Universidade de Paris VII-Denis Diderot, França, e USP), Hugh Lacey
(Swarthmore College, Pensylvania, EUA), Steven French (Universidade de
Leeds, Reino Unido), Wilson Mendonça (Universidade Federal do Rio de
Janeiro), Newton C.A. da Costa (UFSC) e João Paulo Gomes Monteiro (Uni-
versidade Nova de Lisboa, Portugal, e USP). Organizaram o simpósio Luiz
Henrique Dutra, na qualidade de Presidente (editor responsável de Prin-
cipia, UFSC), Cézar Mortari, na qualidade de secretário (editor assistente
de Principia), UFSC), Otávio Bueno (Universidade de Miami, EUA) e Sara
Albieri (USP). Constituíram a comissão científica desta edição do evento os
pesquisadores Michel Ghins, na qualidade de Presidente, Alberto Cupani
(UFSC) como secretário, Hugh Lacey (Swarthmore College, Pensylvania,
EUA), Harvey Brown e Gustavo Andrés Caponi (UFSC).
O VI Simpósio Internacional Principia foi dedicado à obra de Charles
Darwin e seu Impacto na Filosofia e na Ciência. Esta edição foi promovida
pelo NEL e pelo Grupo de Pesquisa em Lógica e Epistemologia (NECL),
tendo sido realizado de 03 a 06 de Agosto de 2009. Esta edição do evento foi
organizada por Gustavo Caponi, na qualidade de Presidente (UFSC), Cézar
Mortari, na qualidade de secretário (UFSC) e Alberto Cupani (UFSC).
O Departamento de Filosofia da Universidade Federal de Santa Maria
(UFSM), Rio Grande do Sul, realiza anualmente, desde 1996, o Evento Co-
lóquio Cone Sul – Filosofia das Ciências Formais / Coloquio Cono Sur – Filosofía
de las Ciencias Formales. Os eventos têm sido coordenados por Abel Lassale
Casanova e Frank Thomas Sautter, sendo que o XIV Colóquio Cone Sul –
Filosofia das Ciências Formais: Quantificação e Generalidade, realizado em No-
vembro de 2009, foi dedicado a Oswaldo Chateaubriand, em homenagem
a seu septuagésimo aniversário.54
O Departamento de Filosofia da Pontifícia Universidade Católica do Rio
de Janeiro (PUC-RJ) tem realizado nos últimos anos diversos eventos sobre
teoria da prova, com a participação de convidados estrangeiros.
Outra iniciativa recente a ser destacada são os estudos desenvolvidos no
Brasil, e em colaboração com grupos de outros países, voltados à lógica uni-
versal, que se propõe como uma teoria geral de todas as lógicas possíveis.
Nesse sentido, a lógica universal utiliza ferramentas abstratas, tais como a
teoria das categorias, traduções entre lógicas, combinações de lógicas, entre
outras. O que se visa nessa área de investigação é encontrar as propriedades
54
O volume 22 (1999) de Manuscrito: Revista Internacional de Filosofia, organizado por
Michael B. Wrigley, foi dedicado a Oswaldo Chateaubriand, em comemoração a seus 60
anos.
Considerações sobre o desenvolvimento da Lógica no Brasil - I.M.L. D’Ottaviano e E.L. Gomes 30

mais gerais compartilhadas por todas as lógicas ou por classes específicas


de lógicas. Para concretizar esse projeto, Jean-Yves Béziau (Universidade
Federal do Rio de Janeiro, UFRJ) e Alexandre Costa-Leite (Universidade de
Brasília, UnB) organizaram três congressos mundiais: o congresso inaugu-
ral, o 1st World Congress and Logic School on Universal Logic (UNILOG’05),
foi realizado em 2005, em Montreux, Suíça; o 2nd World Congress and Logic
School on Universal Logic (UNILOG’07) realizou-se em 2007, em Xian, China;
e o 3rd World Congress and Logic School on Universal Logic (UNILOG’10) foi
realizado em Lisboa, Portugal, em 2010.55

3.4 Periódicos em lógica e filosofia analítica


Além dos periódicos e coleção de livros publicados pelo CLE, já menciona-
dos, diversos periódicos são editados por grupos de pesquisa brasileiros,
em áreas afins à lógica.
O periódico Principia: Revista Internacional de Epistemologia publica traba-
lhos em epistemologia contemporânea, filosofia da ciência e áreas correlatas
nas línguas portuguesa, espanhola, inglesa e francesa. Principia publica não
apenas artigos, mas também notas, debates e estudos críticos acerca de tra-
balhos recentes e resenhas de lançamentos bibliográficos. Ocasionalmente,
números especiais dedicados a tópicos específicos são editados. Com perio-
dicidade trimestral, seus números aparecem em abril, agosto e dezembro. O
periódico é publicado, desde 1997, em formato tradicional, tendo alcançado
a marca de nove volumes até 2005. Nesse ano, ele passa a ser publicado
também em meio digital (on-line e CD-ROM) e, desde então, sua publicação
em papel tornou-se ocasional. Atualmente, o periódico atinge a marca do
décimo quarto volume publicado. Desde o princípio, Luiz Henrique de
Araújo Dutra é o Editor-Chefe da revista, que conta também com a colabo-
ração dos Editores Associados Cezar Augusto Mortari e Alexandre Meyer
Luz. Principia é indexada pelo The Philosopher’s Index.
Os três últimos volumes (2009 e 2010), sob a responsabilidade de Décio
Krause, estão dedicados a Newton da Costa, em comemoração a seus 80
anos, com artigos de seus discípulos, colaboradores e convidados do Brasil
e diversos outros países.
Dentre os periódicos editados por grupos de pesquisa brasileiros, em
áreas afins à lógica, destacamos ainda a revista O que nos faz pensar, a
publicação Cognitio: Revista de Filosofia e a Revista Brasileira de Filosofia.
O periódico O que nos Faz Pensar é publicado sob os auspícios do Depar-
55
Para mais informações, acesse http://www.uni-log.org .
Considerações sobre o desenvolvimento da Lógica no Brasil - I.M.L. D’Ottaviano e E.L. Gomes 31

tamento de Filosofia da PUC-RJ. Iniciado em 1989, tem dedicado diversos


números à lógica e à sua filosofia; deste modo, constitui-se em importante
espaço de intercâmbio e debate da comunidade estudiosa da lógica do Rio
de Janeiro e do País, uma vez que tem se destacado como uma das principais
publicações acadêmicas nacionais na área de filosofia. Desde o início de sua
série histórica já foram publicados 24 números. Os professores Danilo Mar-
condes de Souza Filho e Déborah Danowski compartilham o editorial da
revista; Kátia Muricy exerce a editoria associada. Os trabalhos apresentados
na O que no Faz Pensar são indexados no The Philosopher’s Index.
A publicação Cognitio: Revista de Filosofia é dedicada aos temas do prag-
matismo e da filosofia analítica contemporânea e tem reservado à lógica
prestigiado espaço. A revista é publicada desde 2000, com periodicidade
semestral, tendo alcançado em 2009 a marca de 10 volumes. O periódico é
preparado pelo Centro de Estudos do Pragmatismo e pelo Programa de Es-
tudos Pós-Graduados em Filosofia da Pontifícia Universidade Católica de
São Paulo (PUC-SP), tendo por editor Ivo Assad Ibri, com Edelcio Gonçalves
de Souza na qualidade de editor adjunto. O periódico auferiu a indexação
nos seguintes repertórios The Philosopher’s Index; Citas Latinoamericanas en
Ciencias Sociales y Humanidades (CLASE); International Philosophical Biblio-
graphy (Répertoire Bibliographique de la Philosophie - Bibliografish Repertorium
van de Wijsbegeerte).
A Revista Brasileira de Filosofia foi fundada em 1951 e dirigida por Mi-
guel Reale (1910–2006), sendo órgão oficial do Instituto Brasileiro de Fi-
losofia. Esse periódico manteve notável regularidade, constituindo-se em
privilegiado espaço acadêmico voltado ao debate de todos os campos da
investigação filosófica. A linha editorial da Revista, desde a sua fundação,
devotou considerável espaço às pesquisas em lógica – sua história e filosofia
– e à filosofia analítica e da ciência. Os mais importantes nomes da lógica
e epistemologia nacional inscreveram em suas páginas seu nome. Dada a
sua longevidade, o periódico alcançou a cifra de 200 números trimestrais
em 2000, em 49 anos de profícuo trabalho. Desde a sua retomada, após o fa-
lecimento de seu fundador, a Revista tem por editor Tércio Sampaio Ferraz
Jr. e editores associados Juliano Souza de Albuquerque Maranhão e Mar-
celo E. Coniglio, este último responsável pela seção de lógica. Atualmente,
a Revista atinge a marca do número 233, volume 58, publicado em 2010,
com expressiva contribuição de pesquisadores da área de lógica, filosofia
analítica e epistemologia. Desde 2009, a publicação é realizada pela Editora
Revista dos Tribunais, pertencente ao grupo Thomson Reuters. A Revista
Brasileira de Filosofia é uma das mais longevas publicações especializadas
em Filosofia no Brasil.
Considerações sobre o desenvolvimento da Lógica no Brasil - I.M.L. D’Ottaviano e E.L. Gomes 32

Com o desenvolvimento da pesquisa em lógica universal e o amadure-


cimento desse campo de investigação, foi criado em 2007 o periódico Logica
Universalis, cujo editor é Jean-Yves Béziau. Este jornal acadêmico, com peri-
odicidade de 1 volume por ano, dedica-se a publicar trabalhos relacionados
a aspectos universais das lógicas. Dentre os tópicos contemplados destaca-
se o estudo de ferramentas e técnicas para a análise de lógicas em geral,
de classes de lógicas, o escopo da validade e o domínio de aplicação dos
teoremas fundamentais e de caracterização, bem como os aspectos histó-
ricos e filosóficos envolvidos nos conceitos gerais da lógica.56 Uma outra
publicação, relacionada com a linha de investigação em lógica universal,
também editada por Jean-Yves Béziau, é a série de monografias Studies in
Universal Logic, que tem por objetivo publicar textos sobre a abordagem
geral dos conceitos lógicos.
Diversos livros de autores brasileiros, sobre tópicos fundamentais e
avançados de lógica, têm sido publicados nos últimos anos, por editoras
brasileiras e de circulação internacional, tais como Springer Verlag, Oxford
University Press, entre outras. Destacamos alguns deles: Newton da Costa
(um deles em coautoria com J.-Y. Béziau e O. Bueno, outro em co-autoria
com Steven French), Francisco Miraglia Neto (um em coautoria com E.G.K.
López-Escobar; um em coautoria com M. Dickmann); Matias Francisco Dias
(uma tradução de livro e um livro em coautoria com Leonardo Weber), Itala
M. Loffredo D’Ottaviano (um em coautoria com E.G.K. López-Escobar;
dois em coautoria com R. Cignoli e D. Mundici); Jairo J. da Silva; José
Carlos Cifuentes Vasquez; César Mortari; Oswaldo Chateaubriand (dois
volumes); Ruy de Queiroz (duas traduções de livros para o português);
Walter A. Carnielli (dois em coautoria com R. L. Epstein; dois em coautoria
com C. Pizzi; um em coautoria com M. E. Coniglio, C. Sernadas, P. Gouveia,
D. Gabbay); Marcelo E. Coniglio (em coautoria com W. A. Carnielli, C.
Sernadas, P. Gouveia, D. Gabbay) e Décio Krause (em coautoria com S.
French).

4 Grupos de pesquisa e núcleos dedicados à lógica no


País
Nos dias atuais encontram-se em diversas universidades brasileiras grupos
de pesquisa e núcleos que se dedicam à lógica. Faremos um breve escorço
deste cenário e seus personagens, certos de que a relação aqui apresentada
56
Acesse http://www.springer.com/birkhauser/mathematics/journal/11787.
Considerações sobre o desenvolvimento da Lógica no Brasil - I.M.L. D’Ottaviano e E.L. Gomes 33

não fará justiça a todos os que se dedicam com afinco e zelo ao cultivo da
lógica no país. Na USP, como antecipamos, houve um trabalho contínuo
e reconhecido pelo protagonismo de Oswaldo Porchat Pereira, Luis Henri-
que Lopes dos Santos, Newton da Costa e Andrea Loparić, na Faculdade
de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH), e de Edison Farah, Jacob
Zimbarg Sobrinho e Francisco Miraglia no Instituto de Matemática e Es-
tatística (IME); esses professores formaram inúmeros pesquisadores; hoje
também atuam na USP Marcelo Finger, Renata Wassermann, Hugo Luís
Mariano, Flávio Correa, dentre outros.
Na Unicamp, a lógica foi eximiamente promovida, desde os anos 1960,
por diversos pesquisadores. Com a ida de Newton da Costa e Ayda Arruda
para o Departamento de Matemática da Unicamp, em 1968, originaram-se
dois grupos de lógica: do grupo de lógica do Departamento de Matemática
do Instituto de Matemática, Estatística e Ciência da Computação (IMECC),
além de da Costa e Arruda, fizeram parte Antonio Mário Sette, Luiz Paulo
de Alcântara, Itala M. Loffredo D’Ottaviano, Marta Sagastume de Galego,
Roberto Cignoli, Walter Carnielli; do grupo de lógica e filosofia da ciência
do Departamento de Filosofia do Instituto de Filosofia e Ciências Humanas
(IFCH) fizeram parte Oswaldo Porchat Pereira, Luis Henrique Lopes dos
Santos, Andrés Raggio, Carlos Alberto Lungarzo, José Alexandre Guerzoni,
Andrea Loparić, Luiz Carlos P. D. Pereira, Elias Humberto Alves, Zeljko
Loparić, Michel Ghins, Steven French, Michael Wrigley e Harvey Brown.
Em 1993, o grupo de lógicos remanescentes do IMECC transferiu-se para o
Departamento de Filosofia do IFCH. Em 1998, a esse grupo se uniu Marcelo
Esteban Coniglio.
Na Universidade Estadual Paulista (Unesp, SP) diversos pólos se des-
tacam. No Departamento de Filosofia, atualmente instalado no Campus de
Marília, prossegue o trabalho iniciado pelo professor Elias Humberto Alves,
com Ricardo Pereira Tassinari e Hércules de Araújo Feitosa; no Departa-
mento de Matemática do Campus de Rio Claro, a lógica muito se beneficiou
do esmero de Mário Tourasse Teixeira, Eurides Alves de Oliveira, Irineu Bi-
cudo e Jairo José da Silva. Na Pontifícia Universidade Católica de São Paulo
(PUC-SP), mencionamos Lafayette de Moraes e Edélcio de Souza, também
discípulos de da Costa.
Na Universidade Paulista (UNIP, SP), mencionamos o trabalho de Jair
Minoro Abe e colaboradores, discípulos de da Costa.
Na cidade do Rio de Janeiro, a lógica foi cultivada por uma comuni-
dade de estudiosos. Na Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro
(PUC-RJ), é bastante relevante a contribuição de Oswaldo Chateaubriand,
atuante em filosofia da lógica, filosofia da matemática e filosofia da lingua-
Considerações sobre o desenvolvimento da Lógica no Brasil - I.M.L. D’Ottaviano e E.L. Gomes 34

gem, com interesse em vários temas como ontologia, natureza da lógica,


teoria das descrições, teoria da verdade, e autores como Frege, Russell,
Tarski, Quine, Goodman, entre outros; e de Armando Haeberer (falecido),
George Svetlchny, Edward Hermann Hauesler e Luis Carlos P. D. Pereira,
os dois últimos dedicados especialmente, à teoria da prova e à dedução
natural. Na Universidade Federal do Rio de Janeiro, Gerson Zaverucha,
Mário Benevides, Sheila Veloso e Paulo Augusto Silva Veloso, atuantes em
ciência da computação, especialmente em automatos finitos, linguagens
regulares, redes de automatos, decomposição de autômatos e famílias de
linguagens; na mesma Universidade devemos ressaltar a atuação de Fran-
cisco Dória, que em colaboração com Newton da Costa, tem alcançado
resultados significativos em fundamentos da física e da matemática, com
destaque à contribuição que deram ao célebre problema de computação
?
teórica N = NP.
A lógica floresce também em outras regiões do país. Na Universidade
Federal do Ceará, atua Ana Teresa de Castro Martins, com experiência na
área de ciência da computação, com ênfase em lógica e teoria da computa-
ção, e que se dedica às lógicas clássica e não-clássicas, teoria da prova, teoria
dos modelos finitos e complexidade descritiva, lógicas para formalização e
automatização do raciocínio; outro pesquisador desse núcleo é Tarcísio Pe-
queno, que também se dedica à ciência da computação, especialmente em
especificação formal, lógicas não-clássicas, métodos analíticos, métodos de
tablôs, prova automática e especificação formal; recentemente, iniciou do-
cência na Universidade Federal do Ceará (UFCE) Jean-Yves Béziau, também
discípulo de da Costa, que se dedica à lógica universal.
Atua na Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), Ruy de Queiroz,
atualmente co-Editor-in-Chief do Logic Journal of the IGPL (Oxford Univer-
sity Press) e membro do corpo editorial do International Directory of Logicians;
como já mencionado, criou e mantém desde 1994 a série dos encontros anu-
ais WoLLICs; atua principalmente em temas relacionados à teoria da prova
e da computação, lógica matemática, teoria de modelos e fundamentos da
segurança computacional. Na Universidade Federal da Paraíba (UFPB)
trabalham Matias Francisco Dias, Ana Leda Araújo e Giovanni de Queiroz.
Também na região nordeste do país, um grupo muito promissor de pes-
quisa em lógica se estabelece. Junto do Programa de Mestrado em Filosofia
da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), atuam Maria
da Paz Nunes de Medeiros, pesquisadora de teoria da prova, traduções e
lógica linear; Daniel Durante Pereira Alves, estudioso de lógica e filosofia
da ciência, atuando principalmente em teoria da prova, lógica filosófica e fi-
Considerações sobre o desenvolvimento da Lógica no Brasil - I.M.L. D’Ottaviano e E.L. Gomes 35

losofia da ciência e da tecnologia; José Eduardo de Almeida Moura, Ângela


Maria Paiva Cruz e João Marcos.
Na região sul, a Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) já há
algum tempo congrega pesquisadores interessados nos diversos ramos da
lógica; dentre eles, Cezar Mortari, dedica-se à lógica modal e semântica de
mundos possíveis; Décio Krause, interessado em filosofia e na ontologia
da mecânica quântica, lógica indutiva, lógicas paraconsistentes, além de
pesquisar temas como verdade em física, a objetividade das teorias físicas, a
análise lógica das teorias físicas; Antônio Coelho dedica-se aos fundamentos
da matemática e teoria de conjuntos. A partir de 2003, o grupo de Santa
Catarina tem contado com a colaboração de Newton da Costa que, desde
então, lá reside.
Uma importante iniciativa na UFSC foi o estabelecimento do Núcleo de
Epistemologia e Lógica (NEL), em 1996, que tem por finalidade promover e
difundir a pesquisa nos campos da epistemologia e da lógica, funcionando
como fator de ligação entre os diversos grupos que trabalham questões rela-
tivas a esses campos, pertencentes à UFSC ou a outras instituições. O NEL
tem hoje como grupos e núcleos integrados o Núcleo de Estudos sobre Co-
nhecimento e Linguagem e o Grupo de Estudos em Lógica e Fundamentos
da Ciência.
Em outras universidades federais, devemos ressaltar o trabalho de pes-
quisadores como José Carlos Cifuentes Vasquez, na Universidade Federal
do Paraná (UFPr); Frank Thomas Sautter e Abel Lasalle Casavale, na Uni-
versidade Federal de Santa Maria (UFSM), Rio Grande do Sul; Márcio
Tannus e Carlos Gonzalez, na Universidade Federal de Uberlândia (UFU),
Minas Gerais; Nelson Gomes e Alexandre Costa Leite, na Universidade de
Brasília (UnB), DF; Wagner Sanz na Universidade Federal de Goiás (UFG);
Roque da Costa Caiero e Juliana Bueno-Soler na Universidade Federal do
ABC (UFABC), São Paulo.
Recentemente, em Agosto de 2008, sob os auspícios da Faculdade de
Filosofia São Bento, foi implantado o Centro de Lógica Jurídica e Teorias da
Argumentação. O Centro, sediado no próprio Mosteiro de São Bento, na
cidade de São Paulo, tem promovido cursos e estudos em lógica jurídica e
teorias da argumentação, com o objetivo de fundamentar e refinar o discurso
jurídico. Integram o seu corpo docente os professores Newton da Costa,
Nelson Gonçalves Gomes (UnB), Tercio Sampaio Ferraz Jr. (USP, PUC-
SP), Elias Humberto Alves e Antonio Eduardo Consalvo (Faculdade São
Bento), Juliano Souza de Albuquerque Maranhão (USP), Edélcio Gonçalves
de Souza e Lafayete de Moraes (PUC-SP), Itala M. Loffredo D’Ottaviano,
Marcelo E. Coniglio e Walter A. Carnielli (Unicamp). Com esta iniciativa
Considerações sobre o desenvolvimento da Lógica no Brasil - I.M.L. D’Ottaviano e E.L. Gomes 36

o curso de graduação em Filosofia do Mosteiro de São Bento retoma o seu


pioneirismo, uma vez que foi o primeiro a funcionar a nível universitário
no Brasil, devido a um convênio firmado com a Universidade de Louvain
em 1906, que reconhecia os estudos feitos e diplomava os egressos.
O Grupo de Lógica Teórica e Aplicada do CLE/IFCH-Unicamp, que em
2011 passou também a contar com o pesquisador Fábio Maia Bertato, tem
se dedicado, nos últimos anos, além da pesquisa em lógicas não-clássicas
e lógica algébrica, ao estudo da relação de consequência lógica, ao estudo
das relações entre sistemas lógicos em geral através da análise de traduções
e combinações entre lógicas, ao estudo de semânticas abstratas para lógicas
contemporâneas e ao estudo da lógica quântica.57
Além do suporte financeiro das universidades brasileiras, as atividades
dos grupos brasileiros de lógicos são apoiadas e financiadas pelas institui-
ções de apoio e fomento à pesquisa dos respectivos Estados do país (há
que se salientar, em particular, o apoio constante da Fundação de Am-
paro à Pesquisa do Estado de São Paulo, FAPESP), e por numerosas outras
instituições brasileiras e estrangeiras, como o Conselho Nacional de De-
senvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq, Brasil), Coordenadoria de
Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES, Brasil), Financia-
dora de Estudos e Projetos (FINEP, Brasil), British Council (Inglaterra), Con-
seil National des Recherches Scientifiques (CNRS, France), Consiglio Nazionale
delle Ricerche (CNR, Itália), Alexander von Humboldt Stiftung (Alemanha),
Fullbright Commission (EUA), Association for Symbolic Logic (EUA) e National
Science Foundation (EUA).

5 Considerações Finais
Uma nova geração de lógicos, com reconhecimento internacional, está
dando continuidade ao trabalho pioneiro de Tourasse Teixeira, da Costa
e Arruda.
Desde 1964, as lógicas de da Costa têm sido largamente estudadas e
muitos autores, de diversos países, têm contribuido para o desenvolvi-
mento da lógica paraconsistente em geral. Da Costa, seus discípulos e
colaboradores, do Brasil e de vários outros países, como Estados Unidos,
Argentina, Chile, Inglaterra, França, Itália, Austrália, Alemanha e Japão,
têm introduzido muitos sistemas paraconsistentes, tendo sido obtidos re-
57
Vide Carnielli e D’Ottaviano (1997); Feitosa (1998); da Silva, D’Ottaviano e Sette (1999);
Feitosa e D’Ottaviano (2000) e (2001); D’Ottaviano e Feitosa (2007); Carnielli, Coniglio,
Gabbay, Gouveia e Sernadas (2008); Carnielli, Coniglio e D’Ottaviano (2009).
Considerações sobre o desenvolvimento da Lógica no Brasil - I.M.L. D’Ottaviano e E.L. Gomes 37

sultados relevantes relativos à semântica e decidibilidade de tais cálculos e


uma teoria geral de valorações, estruturas algébricas associadas, teorias de
conjuntos paraconsistentes, lógicas de ordem superior, teorias de modelos,
cálculos diferenciais paraconsistentes e aplicações recentes à informática,
ciência da computação, engenharia, medicina e tecnologia. Deve ser sali-
entada a introdução por Carnielli, Coniglio e Marcos, da classe de lógicas
da inconsistência formal, uma classe geral de lógicas paraconsistentes que
contém diversas das lógicas paraconsistentes estudadas na literatura e tem,
como sub-classe, a hierarquia de cálculos proposicionais Cn , 1 ≤ n ≤ ω, de
da Costa.58
O desenvolvimento da lógica paraconsistente tem originado importan-
tes questões filosóficas, tem aberto diversas áreas de pesquisa e propiciado
a solução de problemas relevantes dos fundamentos da ciência.
Diversas aplicações da lógica paraconsistente têm sido desenvolvidas,
tais como em teorias baseadas em linguagens semanticamente fechadas,
ética, doxástica, lógicas epistêmicas e deônticas, teoria das probabilidades,
fundamentos da mecânica quântica, inteligência artificial, ciências cogniti-
vas, fundamentos do cálculo infinitesimal, fundamentos da ciência e sua
análise filosófica.59
Outra contribuição importante de da Costa, nos anos 1980, no campo da
epistemologia, foi a sua teoria da probabilidade pragmática, introduzida
em colaboração com Rolando Chuaqui, e a teoria da verdade pragmática,
introduzida em colaboração com Chuaqui e Irene Mikenberg.60 Um dos
conceitos relevantes, formal e rigorosamente introduzidos por da Costa
é seu conceito de quase-verdade, uma noção pragmática de verdade que
generaliza a definição de verdade correspondencial de Tarski: a quase-
verdade pode ser formulada através de uma generalização da teoria de
modelos standard e está relacionada ao que da Costa chama de teoria de Galois
abstrata. O conceito de quase-verdade pode ser considerado como o conceito
de verdade inerente às ciências empíricas, em particular às teorias físicas;
mostrou-se depois que a lógica da quase-verdade é paraconsistente.61
A relevância do trabalho de da Costa tornou-o um dos mais citados
cientistas brasileiros. Encontros especializados têm sido dedicados à dis-
cussão e debate de seu trabalho no Brasil, Bélgica, Polônia, Estados Unidos,
Canadá, Dinamarca e Itália, possibilitando a emergência de uma ‘Escola
Brasileira de Lógica’, reconhecida internacionalmente.
58
Vide Carnielli, Coniglio e Marcos (2007).
59
Vide Arruda (1980) e D’Ottaviano (1990). Vide também da Costa, Krause e Bueno (2007).
60
Vide Milkenberg, da Costa e Chuaqui (1986), e da Costa (1986).
61
Vide Hifume e D’Ottaviano (2004).
Considerações sobre o desenvolvimento da Lógica no Brasil - I.M.L. D’Ottaviano e E.L. Gomes 38

Para von Wright, de acordo com correspondência pessoal com da Costa,


a lógica paraconsistente foi a maior criação em lógica durante a segunda
metade do século XX, tendo espandido os paradigmas da lógica.
Alguns eventos importantes, relativos à lógica paraconsistente, mere-
cem ser destacados: como já mencionado, o termo lógica ‘paraconsistente’
foi cunhado pelo filósofo peruano Francisco Miró Quesada, em 1976, du-
rante o III SLALM, na Unicamp, Brasil; em 1984, o volume 43 (números 1,
2 e 3) do periódico Studia Logica foi totalmente dedicado à lógica paracon-
sistente; em 1989, Philosophia Verlag publicou o primeiro livro enciclopédico
sobre paraconsistência, Paraconsistent logic: essays on the inconsistent, orga-
nizado por Routley, Priest e Norman; em 1990, pela primeira vez, ‘para-
consistent logic’ aparece na Subject Classification do Mathematical Reviews e
do Zentralblatt für Mathematik; em 1994, realiza-se o ‘I World Congress on
Paraconsistency’, em Ghent, Bélgica; em 2000, o volume 125, número 12, de
Synthese, foi também dedicado a Newton da Costa (Festschrifft in Honour of
Newton da Costa).
Em 1993, como indicativo do reconhecimento público desse trabalho,
o ‘Prêmio Moinho Santista’ (hoje ‘Prêmio Fundação Bunge’), o mais im-
portante prêmio outorgado a intelectuais e cientistas no Brasil, oferecido
anualmente para a atividade intelectual em uma dada área do conheci-
mento, foi outorgado na área de Lógica Matemática, tendo sido atribuído a
Newton da Costa; o ‘Prêmio Moinho Santista Jovem’, outorgado a jovens re-
cém doutores, foi atribuído a Cosme Damião D. B. Massi, recém doutorado
pela Unicamp e então docente da Universidade Estadual Paulista (Unesp-
Marília, SP). Entre outros prêmios e títulos, merece ser destacada a Medalha
de Mérito Científico ‘Nicolaus Copernicus’, outorgada pela Universidade
Nicolaus Copernicus de Toruń, Polônia, a da Costa, em 1998.
Os lógicos brasileiros têm trabalhado em diversas áreas, tais como mate-
mática, fundamentos da matemática, da lógica e da física, teoria da relativi-
dade e mecânica quântica, também com ênfase em tópicos filosóficos; teoria
de modelos, teoria de prova, teoria das categorias; lógica algébrica; teoria
da computabilidade; filosofia da lógica; e, em especial, em lógicas não-
clássicas, lógica paraconsistente, lógica polivalente, lógica intuicionista, ló-
gica modal, lógica quântica e lógica universal.
Os diversos grupos, em geral, têm implantado e se dedicado a Progra-
mas de Pós-Graduação em lógica e áreas afins, mantendo intenso intercâm-
bio acadêmico com outros grupos e instituições de pesquisa de diversos
países, em especial da América Latina e Europa.
O papel formador da primeira geração de lógicos brasileiros expressa-
se pela presença disseminada de estudantes por eles formados em posi-
Considerações sobre o desenvolvimento da Lógica no Brasil - I.M.L. D’Ottaviano e E.L. Gomes 39

ções acadêmicas nas várias instituições brasileiras já mencionadas, além de


universidades na Argentina, Colômbia, México, Suíça, Alemanha, França,
Estados Unidos e Itália, entre outros países.
O termo lógica contemporânea tem sido adotado, pelo Grupo de Lógica
Teórica e Aplicada do Centro de Lógica, Epistemologia e História da Ciên-
cia, em substituição a lógicas não-clássicas, já que a pesquisa atual em lógica
formal, incluindo ciência da computação, cai sob o escopo de ‘não-clássica’.
Como afirmam D’Ottaviano, Carnielli e Alves em The Centre for Logic in
Campinas and the development of logic in Brazil:
Contemporary logic, thus, seems to be a more appropriate descriptive
name for this area which has received the attention of such a great
number of researchers and has proved to be not only of practical
interest but also subject of philosophical attention.62

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