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O Diário da

LUA VERMELHA

CAPA

Morena Cardoso
Que alegria poder ver estes textos juntos, compilados.
Devo admitir que esse é o inicio de ter um de meus grandes
sonhos realizados: um livro com cheiro de livro, com textura de
papel, com lugar na cabeceira pra ser degustado no silêncio.
Sonho por sonho: chamados que pulsam em eminência de
falta até que venham ao mundo, cumprindo uma missão que
nem sequer foi escolhida por nós. Quem já realizou sonhos
ligados a propósitos, sabe ao que me refiro.
Agradeço a todas as maestras que passaram por mim nestes
tantos cantos de mundo e me ensinaram que ser mulher não é
somente uma construção social, mas que é sim magia, poder,
beleza, fonte de vida e criação! Agradeço a todas aquelas que
são a manifestação de uma nova subjetividade, a partir do
próprio corpo, em potente silêncio, em constante ruído- trans-
formando desde dentro as costuras de uma tecedura obsoleta,
patriarcal, capitalística e opressora.
Que seja um profundo, visceral, leve e lindo despertar!
Sim, nós somos aquelas que estávamos esperando!
Com amor, por Morena Cardoso.

CRÉDITOS:

Textos:
Morena Cardoso

Projeto Gráfico: Revisão de Textos: Foto:


Bárbara Blauth Juliana Godoy Salinê Saunders
MORENA
CARDOSO

Morena Cardoso é antes de tudo uma peregrina, que iniciou a busca de si


mesma a partir do espelho fornecido por povos de diversas etnias culturais ao
redor do mundo.

Em sua caminhada, praticou yoga com às margens do Rio Ganges, meditou


nas montanhas de altitude dos Himalaias no Nepal, recebeu medicinas de
mulheres curandeiras nos Andes e na Floresta Amazônica, ofereceu
despachos na Indonésia, iniciou seu estudo como meditadora Vipassana na
França, firmou seus rezos em templos sagrados na Tailândia, dançou sobre o
solo sagrado da Floresta de Sequóias nos Estados Unidos, recebeu iniciação
em partería pela tradição mexicana e em xamanismo nas montanhas do Leste
Europeu, foi iniciada como MoonDancer nas terra ancestrais de Teotihuacan.

Em mais de uma década de jornada pelos saberes tradicionais, lugares


sagrados e povos originários, Morena pôde testemunhar diferentes formas de
vida, mitos, crenças, sistemas simbólicos, costumes e rituais; diferentes
formas de se relacionar com o universo psíquico e com a natureza- tudo isso
se tornou o que hoje é a DanzaMedicina.

Como Filha da Terra e mãe do pequeno Bento, Morena vive hoje como
guardiã de uma terra sagrada e selvagem no Sul do Brasil- Ainda peregrina,
facilita workshops da DanzaMedicina ao redor do mundo, trazendo em sua
bagagem cantos antigos, artefatos sagrados, danças, tambores, maracas,
medicinas da floresta. Levando consigo contos, histórias, mistérios, memórias
e saberes. Semeando por onde passa, a reverência à Deusa, ao feminino, à
irmandade, à família, à Natureza e à essência selvagem que habita em cada e
toda mulher.
SUMÁRIO
DIA 01 Lua nova....................................................................................................05
DIA 02 Natureza Cíclica.................................................................................... 07
DIA 03 Como começar a se conectar com seu corpo e seus ciclos?. 09
DIA 04 Você conhece seu ciclo menstrual?................................................10
DIA 05 As fases..................................................................................................... 13
DIA 06 A bruxa...................................................................................................... 14
DIA 07 A menina................................................................................................... 16
DIA 08 A mãe......................................................................................................... 18
DIA 09 A anciã....................................................................................................... 20
DIA 10 O seu sangue é sagrado, mulher!.................................................... 22
DIA 11 Reconexão............................................................................................... 24
DIA 12 Plantar a lua.............................................................................................26
DIA 13 Malefícios dos absorventes.............................................................. 28
DIA 14 Cólicas Menstruais............................................................................... 30
DIA 15 Mandala da lua....................................................................................... 33
DIA 16 Mandala da lua....................................................................................... 35
DIA 17 Como lidar com sua “força pré-menstrual”................................. 37
DIA 18 Vamos falar sobre métodos contraceptivos............................... 39
DIA 19 Sobre métodos contraceptivos artificiais................................... 41
DIA 20 Fertilidade Consciente........................................................................43
DIA 21 Sobre o controle da fertilidade........................................................ 44
DIA 22 Como você se relaciona com o prazer?.........................................50
DIA 23 E como os homens podem fazer parte desse processo.......... 52
DIA 24 Mulheres na menopausa, como podem participar?.................55
DIA 25 Para as mulheres com desequilíbrios físicos?............................ 57
DIA 26 Mais referências.................................................................................... 59
DIA 27 Chegamos ao fim do nosso ciclo!.................................................... 64
DIA 28 O manifesto............................................................................................. 66
#odiáriodaluavermelha

DIA 01
LUA NOVA
Pare por alguns instantes, feche seus olhos e observe a sua
respiração. A lua nova te convida a silenciar e internalizar. Esse é
um momento em que seus pensamentos são como sementes, que
irão florescer durante seu ciclo, portanto consciência, quietude e
auto-observação são muito bem-vindas nesse período.

Esse é o momento de recomeçar, renascer e nos recriar a partir


do contato com nosso mundo subterrâneo, nossas sombras e os
aspectos que nos foram renegados às nossas sombras. Te convido,
hoje, a um exercício sutil: pegar lápis e papéis e escrever toda e
qualquer impressão negativa que você possa carregar a respeito de
ser mulher.

Ficar menstruada é desconfortável?


Parir é dolorido? Suas oscilações de humor são ineficientes e
diminuem seu desempenho? Estar fértil é um risco? Como você se
relaciona com seu corpo de mulher? Como você lida com os
arquétipos do feminino e seus papéis, como os estereótipos? Como
você se relaciona com outras mulheres ao seu redor? Como você
acolhe seu feminino, expresso em sua relação com sua mãe, e que
crenças e padrões você carrega de suas ancestrais femininas?

Esses são apenas alguns exemplos de questionamentos que


podem começar a trazer luz a respeito de como você se relaciona
com o seu feminino.
Mergulhando um pouco mais, acesse as memórias do seu corpo
e toque a si mesma, enquanto percebe seus ovários, suas mamas,
seu útero e sua vulva, ouvindo as histórias que neles existem.

Escreva sobre qualquer sinal de desamor,


desconexão, medo, abuso, agressão, culpa ou
inferioridade que possa existir aí.
Compreenda que essas feridas não são apenas suas, mas o
reflexo de um inconsciente coletivo que permeia todas nós. É a
partir desse espaço que nosso trabalho começa: deixando-nos ser
acolhidas com confiança pelo manto da lua nova e entrando em
contato com o que há de mais profundo dentro de cada uma de nós.

Guarde consigo essas palavras escritas até o fim do nosso ciclo,


quando faremos, então, um pequeno ritual de cura e transmutação
para firmar o rezo por uma nova forma de existir como mulher, em
um corpo de mulher! Bom mergulho, hermanas!

ANZA EDI INA


b
#odiáriodaluavermelha

DIA 02
NATUREZA CÍCLICA

Hoje, muitas mulheres se encontram distantes da sua natureza


cíclica. Ao deixar de observar nosso tempo biológico, a velocidade
das máquinas passa a definir nosso ritmo interno.

Os conceitos de eficiência, desempenho e maturidade emocional


estão muito distorcidos e, assim, ouvimos em uníssono: "eu sou a
mesma, todos os dias".

O que isso traz para nós, mulheres?


Desconexão.
Uma verdade deve ser dita: não podemos escolher entre as
emoções que desejamos ou não sentir! Não podemos escolher nos
entorpecer para não sentir dor, solidão, frustração, medo, tristeza
ou raiva sem nos abster de todos os outros sentimentos, como
alegria, êxtase, contentamento ou prazer!

Se você não mergulhar nas suas frustrações, como poderá trans-


formar positivamente a sua realidade? Se você não conhecer a si
própria, como poderá querer saber sobre a vida? Observe a nature-
za a sua volta: tudo é cíclico. Uma semente germina, vira um botão
de rosa que se abre em flor, decai, perde suas pétalas, morre e uma
nova semente germina.

O mesmo acontece com o dia e a noite, o verão e o inverno, a lua


cheia e a lua nova. O mesmo acontece com o ciclo menstrual da
mulher!
Outra verdade deve ser dita:
ser cíclica é ser vulnerável.
Se você não aceita sua vulnerabilidade (como habilidade de ser
afetado como indivíduo, e não como ser frágil diante de um coletivo
opressor), você não aceita a si mesma integralmente e também não
será capaz de se relacionar com o outro de forma completa.

Acreditando ter tomado as rédeas de suas vidas e emoções


através de hormônios artificiais, pílulas e reguladores de humor,
muitas mulheres estão, na verdade, anestesiando-se contra toda a
sua potência de vida.

Experimente voltar ao seu movimento cíclico natural de mulher!


Deixe o seu corpo livre para ovular, livre para sangrar! Deixe o seu
espírito livre para descer às sombras e se surpreenda com retornos
cada vez mais brilhantes! Deixe suas emoções oscilarem como as
marés!

Com o tempo, você perderá a aversão pelo seu inverno psíquico,


perderá o apego pelos seus verões e, quando esse momento chegar,
você será, enfim, capaz de sentir profunda gratidão e plenitude por
cada uma das suas paisagens internas, sabendo que isso também
irá mudar!

ANZA EDI INA


c
#odiáriodaluavermelha

DIA 03
Como começar
a se conectar com
seu corpo e seus ciclos?

O primeiro passo é querer! Querer voltar a ser orgânica e a se


conhecer, confiando no seu corpo de mulher como ferramenta de
empoderamento!

No decorrer do dia, desde o momento em que você acorda até


quando for se deitar, observe como você se sente de formas
distintas a cada novo momento, começando, assim, a despertar
uma escuta mais atenta de si mesma com relação ao seu ciclo!
Observar-se de acordo com o ciclo do sol (meia-noite, seis da
manhã, meio-dia, seis da tarde) e as particularidades de cada um
desses momentos é um bom começo. Dessa forma, você também
pode ir criando correlações com o ciclo da lua (nova, crescente,
cheia, minguante) ou com o ciclo do ano (as quatro estações: inver-
no, primavera, verão e outono) e, consequentemente, com o ciclo
menstrual (lunação, pré-ovulação, ovulação, pré-menstruação).
Esse é um bom começo! Assim, conforme você conhecer o seu ciclo
menstrual através do nosso estudo, você terá mais assertividade
para perceber os sinais do seu corpo mental/emocional, físico e
espiritual e suas diferentes manifestações, que se modificam em
momentos determinados desse padrão cíclico.

É realmente muito interessante perceber que, quando começa-


mos a observar os nossos ritmos internos, naturalmente, eles se
harmonizam com os tempos da natureza! Consequentemente, fica
claro que nosso corpo é parte do todo, micro e macro, em uma espi-
ral que apresenta a mesma dinâmica dentro e fora de nós!
d
#odiáriodaluavermelha

DIA 04
VOCÊ CONHECE SEU
CICLO MENSTRUAL?

É muito frustrante pensar que passamos uma vida fértil,


menstruando todos os meses, sem nunca ter aprendido ou se
interessado em saber o que acontece com os nossos corpos!
Quando é que vamos parar de renegar nosso poder e deixá-lo nas
mãos de terceiros? É hora de se apropriar de si mesma, mulher!

Para começar, que tal uma pequena jornada


pela fisiologia do misterioso universo do corpo
feminino?

MENSTRUAÇÃO: o ciclo menstrual começa com a menstruação.


Esse sangramento é causado pelo desprendimento da camada mais
interna do útero, o endométrio, que se desenvolveu no ciclo
anterior. A pituitária, uma pequena, mas poderosa glândula
localizada na base do cérebro, envia uma mensagem aos ovários
para que os folículos comecem a crescer. O mensageiro, aqui, é o
hormônio folículo estimulante.

LOGO APÓS A MENSTRUAÇÃO: os folículos começam a crescer,


desenvolver-se e produzir estrógeno. Em ciclos mais longos, tem-se
um período seco e sem muco, característico do período infértil. Em
ciclos mais curtos, o útero já começa a produzir muco cervical e a
preparar o endométrio, podendo passar da menstruação direto
para a próxima fase. Por isso, algumas mulheres dizem engravidar
durante a menstruação. Ou seja, a fase pré-ovulação pode variar
muito, tanto de mulher para mulher quanto de ciclo para ciclo.

ANTES DA OVULAÇÃO: nos ovários, os folículos continuam a


crescer e produzir estrógeno. No útero, começa a preparação do
endométrio, que se torna mais grosso, preparando-se para receber
o embrião. O colo do útero fica mais alto, macio e aberto. O útero
trabalha na produção de fluido cervical. Quanto mais perto da
ovulação, mais lubrificante, transparente e úmido o fluido se torna.
A vulva e os seios podem ficar mais inchados, e a energia e o humor
estão em alta.

LOGO ANTES DA OVULAÇÃO: o estrógeno está em seu nível


máximo. Com isso, lá no cérebro, a pituitária percebe que tudo está
indo bem nesse ciclo menstrual e manda outra mensagem para os
ovários. O mensageiro, desta vez, é o hormônio luteinizante, que
comanda a liberação do óvulo. O fluido cervical está no máximo da
umidade.

OVULAÇÃO: o folículo libera o óvulo, que sai de um dos ovários


e é captado pela tuba uterina mais próxima. Se houver
espermatozoides dentro do sistema reprodutor e sexual da mulher,
um deles pode alcançar o óvulo na tuba uterina, possivelmente
levando à fecundação. Não importa se esses espermatozoides
acabaram de chegar ou estão ali há alguns dias (eles apresentam
uma sobrevida de 72 horas).

LOGO APÓS A OVULAÇÃO: no ovário, agora com o óvulo


liberado, o folículo vazio passa a se chamar corpo lúteo e continua a
produzir estrógeno, mas em menor quantidade. O corpo lúteo
manda uma mensagem para os ovários e o útero através do
hormônio progesterona, que significa “pró-gravidez". Como o óvulo
já foi liberado, os folículos não precisam continuar crescendo, de
forma a evitar uma ovulação extra no mesmo ciclo.

A progesterona torna o endométrio glandular e rico em vasos


sanguíneos, ou seja, a condição ideal para que o embrião se fixe no
útero. Esse hormônio aumenta o metabolismo do corpo e eleva a
temperatura basal. Depois da ovulação, os óvulos continuam vivos
por algumas horas ou dias, sobrevivendo, em média, 24 horas. Se o
óvulo for fecundado, o embrião vai viajar pela tuba uterina até o
útero.

Diante da fecundação do óvulo, o embrião chega ao útero e fixa


residência. Em torno de 7 dias após a ovulação, uma mensagem é
enviada para o corpo lúteo. O mensageiro é o hormônio HCG, que
indica que o endométrio deve permanecer, em vez de ser expelido
na forma de uma nova menstruação. Por isso, devem-se realizar os
testes de gravidez ao final do período pós-ovulação (em média, 14
dias depois da ovulação). Caso contrário, pode haver um resultado
falso negativo.

APÓS A OVULAÇÃO: com duração pouco variável, mesmo em


ciclos irregulares, essa fase se inicia, em média, 14 dias após a
ovulação e dura até a próxima menstruação. A mulher SEMPRE
menstrua, mais ou menos, 14 dias depois da ovulação. Isso quer
dizer que não é a menstruação que atrasa ou adianta, mas a
ovulação. Ao saber quando você ovula, é possível saber quando
você vai estar menstruada (viu!?). Com a aproximação do período
infértil, o muco cervical vai ficando cada vez mais seco, até deixar
de ser produzido. Além disso, o colo do útero vai ficando mais baixo
e firme. Se até essa fase não tiver ocorrido a fecundação, o corpo
lúteo se desintegrará cerca de 14 dias após a ovulação. Com isso, os
níveis de estrógeno e progesterona cairão. A temperatura basal
também cairá e, depois, virá a menstruação.

E começa tudo de novo! Não é maravilhoso?

ANZA EDI INA


e
#odiáriodaluavermelha

DIA 05
AS 4 FASES
Já explicamos sobre a fisiologia do ciclo menstrual. Agora,
vamos adentrar em uma visão mais subjetiva desse mesmo ciclo.
Vamos lá? Saia um pouco da esfera racional e sinta!

Segundo as tradições ancestrais do feminino sagrado, a mulher


passa por 4 fases distintas durante o ciclo menstrual, que podem
ser metaforicamente relacionadas com as fases da lua, as estações
do ano, os arquétipos do feminino, as quatro direções sagradas ou o
ciclo do sol.

Ou seja, isso não significa que você tenha que menstruar na lua
nova, por exemplo, nem apenas no inverno! Essas são somente
referências da qualidade da energia de cada um desses momentos
dos ciclos. Veja só:

1. MENSTRUAÇÃO: Energia do inverno. O feto, a semente.


Energia da lua nova. A bruxa. Meia-noite. Direção sul. O animal de
poder da serpente.

2. FASE FOLICULAR: Depois da menstruação, antes da ovulação.


Energia da primavera. A menina. Energia da lua crescente. A
virgem, princesa. Energia da manhã, do amanhecer. Direção leste.
O animal de poder da águia.

3. OVULAÇÃO: Energia do verão. Energia da lua cheia. A mãe.


Meio-dia. Direção norte. O beija-flor.

4. FASE LÚTEA: Período pré-menstrual. Depois da ovulação, até o


início da menstruação. Energia do outono. A anciã. Energia da lua
minguante. A feiticeira. Energia da tarde, do anoitecer. Direção
oeste. O animal de poder do jaguar.
f
#odiáriodaluavermelha

DIA 06
a bruxa
A primeira fase do ciclo se inicia
com chegada da lunação (menstruação).

ENERGIA DO INVERNO
O FETO, A SEMENTE
ENERGIA DA LUA NOVA
A BRUXA
MEIA-NOITE
DIREÇÃO SUL
ANIMAL DE PODER DA SERPENTE
ARQUÉTIPO DAS DEUSAS GREGAS HÉSTIA E PERSÉFONE
(como deusas do mundo subterrâneo)
Recolher-se e sair um pouco do mundo pode ser muito profundo
e revelador nesse momento. É durante esse período que ocorre o
verdadeiro despertar de uma mulher!

A lunação pede isolamento, pois a mulher está


no auge de seus poderes mais intuitivos e
visionários.
Esse é o momento para ter sonhos auspiciosos, acessar insights
importantes, receber visões e ideias criativas. É a oportunidade
para questionar sobre seu propósito de vida e suas escolhas, sobre
o que você deseja levar ou não para o próximo ciclo, indo além do
espaço do ego e ao encontro de um lugar de não materialidade dos
seus mundos internos. Nossa lunação nos proporciona tudo isso.

Esse período não deve ser desperdiçado com


tarefas mundanas nem distrações sociais.
Ao contrário, todas as energias devem ser dirigidas para a medi-
tação concentrada, a acumulação de energia espiritual e a
renovação da sua força vital. Para isso, é preciso criar e defender
um tempo e um espaço para si mesma. Mesmo com as limitações da
vida moderna, podemos, com boa vontade e perseverança, experi-
mentar seguir o exemplo das nossas ancestrais, que se refugiavam
nas "Tendas da Lua". Esses eram templos de religação, rezo, purifi-
cação, descanso e contemplação, que permitiam às mulheres
deixar suas obrigações e papéis sociais durante o sangramento e
entrar em retiro.

Crie a sua própria Tenda da Lua, física ou mentalmente. Durante


esse período, diminua o seu ritmo, evite sobrecargas, seja gentil
consigo mesma. Faça pequenos rituais de cuidados com o corpo,
mente e espírito, mesmo que por apenas um pequeno instante do
seu dia atribulado. Experimente, mesmo no caos de uma vida
urgente, incorporar a postura interna de reclusão, silêncio e
presença, tão bem-vinda nesse momento!

ANZA EDI INA


g
#odiáriodaluavermelha

DIA 07
a MENINA
A segunda fase do ciclo menstrual: fase folicular. Depois da
menstruação, antes da ovulação.

ENERGIA DA PRIMAVERA
LUA CRESCENTE
ENERGIA DO AMANHECER
DIREÇÃO LESTE
ANIMAL DE PODER DA ÁGUIA
ARQUÉTIPO DAS DEUSAS GREGAS PERSÉFONE (como a
vergem, a menina) e ÁRTEMIS (como deusa invulnerável)
Essa fase representa o momento desde o fim do sangramento
(a menstruação é a primeira fase) até a ovulação. Se você se permi-
tiu um tempo de recolhimento, autoestudo e quietude durante a
sua lua (menstruação), agora, vai sentir que começa a ficar cheia de
energia, em todos os aspectos.

Já renovada, devagar,
vai voltando para o mundo.
Sente-se pronta para encarar todos os desafios da vida mundana
e seu aspecto interno expressa entusiasmo e ânsia de vivê-la
intensamente.
A lua crescente invoca os arquétipos da sacerdotisa iniciante, da
virgem, da donzela. A energia da primavera: generativa, dinâmica e
inspiradora. Por isso, é comum uma abertura para o novo, o início
de projetos, a facilidade para aprender e compartilhar, a brincadei-
ra, a leveza, o riso e a abertura da menina! Com sua sexualidade
fresca e renovada, essa é uma fase de diversão, excitação, ânimo,
disposição e vitalidade.

Perceba como você começa a ficar mais


cuidadosa com sua aparência, sentindo-se mais
bonita e radiante!
Fisicamente, são cada vez maiores os níveis de estrógenos. Esses
hormônios são deixados no sangue e produzem efeitos em todo o
corpo, inclusive em nossa pele, nossos cabelos, nossa disposição
para fazer, trabalhar e produzir e nossa clareza de pensamento e
discernimento, oferecendo sensações de bem-estar e vitalidade!

Além disso, esse é o momento em que muitas mulheres se cen-


tram em seu próprio ser, seus projetos pessoais e suas ambições,
com confiança, firmeza, mais concentração e grande força de
trabalho!

Aproveite essa fase de alto astral e otimismo para enfrentar


aquelas situações que você sabiamente adiou em outros dias do
mês. Utilize essa energia para prosperar em seu trabalho e começar
e firmar novos projetos, colocando em prática todas as visões e
canalizações recebidas durante sua menstruação! Acolha o brilho e
toda a luz que você começa a manifestar!

ANZA EDI INA


g
#odiáriodaluavermelha

DIA 08
a Mãe
A terceira fase do ciclo menstrual: ovulação.

ENERGIA DO VERÃO
LUA CHEIA
A MÃE
MEIO-DIA
DIREÇÃO NORTE
O BEIJA-FLOR
ARQUÉTIPO DAS DEUSAS GREGAS AFRODITE
(como deusa alquímica),
DEMÉTER E HERA (como deusas vulneráveis).
Em geral, nesse período, encontramo-nos radiantes, brilhantes,
expansivas, extrovertidas e cheias de beleza. Mais abertas a nos
comunicar, nos expressar e a sair do nosso ninho em direção à luz e
ao calor, indo ao encontro da abundância que vibra e floresce
dentro e fora de nós.

Esse é o momento de desfrutar do nosso útero alquímico, de


honrar e descobrir as riquezas da nossa feminilidade e fertilidade.
Orgulhar-se delas, deliciar-se com elas! É o momento de sentir
todo o poder do nosso potencial criativo no corpo, na mente e no
espírito.
Essa é a oportunidade de compartilhar e expressar ideias,
sonhos e projetos. Com a força da lua cheia dentro de nós, passa-
mos a atrair tudo aquilo pelo que vibramos internamente, então
faça isso conscientemente!

Nossa sexualidade se encontra cada vez mais aflorada e nossa


libido aumenta muito nesse período, expressando um desejo de
conexão e intimidade com o outro. Esse é um momento em que nos
tornamos mais atentas e cuidadosas com a nossa aparência e nos
sentimos mais interessantes, bonitas e confiantes.

Nosso corpo fértil dá sinais de transformação.


Os hormônios deixam nossa pele reluzente, nossos cabelos mais
brilhantes, nossa vagina aumenta de tamanho e se torna mais
úmida, nossos seios se tornam mais fartos. Toda essa energia age
como um feromônio natural, que sutilmente atrai e magnetiza as
pessoas ao nosso redor, não apenas sexualmente, mas em todos os
aspectos.

Durante nosso período fértil, representado pelo elemento água,


podemos acessar mais facilmente qualidades, como fluidez, adap-
bilidade, entrega, compaixão, empatia e transparência, além de
vislumbrar o aumento do nosso potencial intuitivo e uma maior
conexão com nossas emoções. Com o animal de poder do colibri, o
beija-flor, há um aumento da nossa capacidade de oferecer amor e
gentileza incondicionalmente, em leveza e união.

Nessa terceira fase do ciclo menstrual, durante o período fértil,


encontramo-nos menos focadas em nossos próprios interesses e
desejos egocêntricos e passamos a olhar para o nosso entorno com
mais cuidado e carinho. Essa é a representação do arquétipo da
mãe, que representa esse espaço de nutrição, proteção, acolhimen-
to, suporte e ancoramento, sustentação. Essa energia da Grande
Mãe pode ser compartilhada e manifestada das mais diversas
formas: oferecendo seu tempo para uma escuta carinhosa,
aumentando sua capacidade de doação, expondo suas emoções e
abrindo seu coração, cuidando de um jardim, criando expressões
artísticas, compartilhando energias criativas, nutrindo um propósi-
to de vida, uma empresa ou um projeto, cozinhando para as pessoas
que amamos, oferecendo um abraço protetor e amparando, em
serenidade e amor.

Ao ovular, receba e honre


a lua cheia que brilha dentro de você.
Honre seu útero sagrado, ovários, óvulos, muco e seios. Honre a
fertilidade que transborda em sua mente, corpo e espírito e utilize
conscientemente esse maravilhoso potencial de concepção para
gerar vida, criar sua própria vida, cocriar sua própria realidade e
manifestar, assim, todos os propósitos mais profundos do seu
coração, em gentileza e união.
i
#odiáriodaluavermelha

DIA 09
a ANCIÃ
A quarta fase do ciclo menstrual: fase lútea. Período
pré-menstrual. Depois da ovulação até o início da menstruação.

ENERGIA DO OUTONO
A ANCIÃ
LUA MINGUANTE
A FEITICEIRA
ENERGIA DA TARDE, DO ANOITECER
DIREÇÃO OESTE
ANIMAL DE PODER DO JAGUAR
Essa fase se refere ao período pré-menstrual, fisiologicamente
representado pela queda dos hormônios estrógeno e progestero-
na. Assim como a lua começa a minguar, deixando de estar plena e
brilhante, a mulher também começa a entrar em um processo sutil
de "morte", de "escuridão".

Nessa fase, surge uma forte necessidade de focar a sua energia


em si mesma. Ou seja, parar de doá-la aos outros e fazer por si e
para si, em um momento e espaço de individualização. Isso explica
porque muitas mulheres se tornam hostis, briguentas e impacien-
tes durante esse período. Elas precisam afastar as pessoas a sua
volta para, finalmente, poderem ficar sozinhas, respeitando seus
tempos internos e espaço sagrados.
Muitas mulheres dizem que, durante a TPM, elas “deixam de ser
elas mesmas” ou “não se reconhecem”. Entretanto a verdade é que,
nessa fase, nós, mulheres, somos mais verdadeiras do que nunca!

Tudo aquilo que não foi expresso, integrado ou


aceito durante o decorrer do ciclo, pode, nesse
momento, vir à tona, muitas vezes de forma
inoportuna!
E qual é o benefício disso? Muitos! Isso salva muitas mulheres de
viverem uma vida de somatizações. Além disso, a TPM nos dá força
e coragem para tomar as decisões necessárias.

Com calma, maturidade emocional e carinho, temos, aqui, a


oportunidade de nos libertar de tudo aquilo que não nos serve
mais, interna ou externamente, abrindo espaço para iniciar um
novo ciclo em nossas vidas. Trata-se de uma oportunidade de mais
alinhamento e conexão com quem realmente somos, por baixo das
nossas máscaras, indo além dos padrões repetitivos, das crenças
limitantes, das escolhas inconscientes e da necessidade de segu-
rança, controle e/ou apreciação.

Muitas vezes, entrar em contato com aquilo que renegamos à


nossa sombra é desconfortável e até doloroso, tirando-nos imedia-
tamente da nossa zona de conforto. Entretanto com a visão correta
e a firme intenção de nos curar (nos conhecer, crescer, amadurecer,
transformar), esse processo se torna não só mais leve, mas também
bem-vindo e necessário!

ANZA EDI INA


j
#odiáriodaluavermelha

DIA 10
O seu sangue
é sagrado, mulher!

Esse sangue guarda em sua estrutura toda a memória da história


da humanidade. Esse sangue, a cada mês, traz para a mulher a men-
sagem de que ela está saudável, de que seus órgãos e hormônios
estão em equilíbrio, purificando nosso organismo e reequilibrando
nosso sistema.

Como pode uma mulher dizer que se ama,


se não ama algo tão parte de si
quanto seu próprio sangue?
Como uma mulher pode querer ser amada e respeitada se não
honra a si mesma, completa e integralmente? Como pode culpar
toda uma sociedade patriarcal se ela mesma não acolhe seu corpo e
as especificidades de ser mulher?

A sua relação com seu sangue diz muito sobre como você se rela-
ciona com o seu feminino. O valor que atribuímos a nossa menstru-
ação é o valor que atribuímos a nós mesmas enquanto mulheres.

Experimente, a partir deste momento, quebrar as resistências e


se abrir para uma nova relação com o seu sangue, com a sua lua,
deixando crescer um novo senso de autoconfiança, compaixão,
acolhimento, carinho e amor por si mesma.

O sangue menstrual, ao fluir do seu corpo, permite que você


morra e renasça desde o seu ventre, deixando para trás tudo aquilo
que você não necessita mais, como padrões e crenças limitantes,
emoções, estagnações, medos e dúvidas, de forma a abrir espaço
para o que você deseja, merece e é, em essência.

O seu sangue menstrual é uma chave,


um portal para todaa sabedoria ancestral
do feminino sagrado.
Esse conhecimento não está nos livros, não pode ser comprado,
vendido, nem ensinado, mas pode ser experienciado através dessa
reconexão íntima e pessoal. Dê asas à mulher sagrada que habita
em você, através do seu divino corpo de mulher!

ANZA EDI INA


k
#odiáriodaluavermelha

DIA 11
RECONEXÃO
Segundo Elinor Gadon, a palavra ritual vem do termo sânscrito
RTU, que significa menstruação. Nos tempos remotos, as mulheres
ofereciam, ritualmente, seu sangue menstrual para a Terra,
acreditando que o sangue que nutria as crianças no útero, ainda por
nascer, possuísse "mana", o poder mágico.

Hoje, perdemos nosso relacionamento instintivo com a Terra de


diversas maneiras. Consequentemente, carregamos arraigados
padrões de insegurança, medo, escassez e ansiedade. Entretanto
saiba que a Terra, como Pachamama, Gaia ou a Grande Mãe, é capaz
de nos ensinar a sabedoria mais profunda, atemporal e arquetípica
do feminino sagrado. Ela está apenas esperando que você se abra
para o despertar das memórias ancestrais latentes em seu útero.
Para isso, ofereça a ela o seu maior tesouro: seu sangue!

Saiba que a Terra pode tudo transmutar,


inclusive a sua vida!
Durante sua lunação, olhe para trás, para o ciclo que passou.
Veja todos os padrões negativos, as crenças limitantes e os hábitos,
os pensamentos e as emoções que não lhe servem mais. Além disso,
perceba tudo o que se encontra estagnado em sua vida. Observe,
especialmente, o que veio à tona na última fase do seu ciclo, duran-
te a TPM (que prefiro chamar de força pré-menstrual), quando as
nossas sombras mais profundas emergem à superfície para que
possamos entrar em contato com nós mesmas e nos tornarmos
mais conscientes sobre quem somos.
Ao observar esses padrões, com carinho e compaixão, entregue
à Terra, junto com o seu sangue, tudo aquilo que você não quer mais
levar para o novo ciclo, como qualquer padrão negativo que te
impeça de ser quem você realmente é, em todo seu potencial.
Entregue-se, com confiança, deixando ir todos esses aspectos,
conscientes ou não.

Muitos desequilíbrios físicos também podem ser curados


através dessa prática, como ovários policísticos, miomas, ciclo
menstrual irregular, cólicas, infertilidade, tensão pré-menstrual,
menorragia etc. Plantar a sua lua é, com certeza, o primeiro passo
para a cura e o reequilíbrio do seu corpo de mulher. Entregue, junto
com o seu sangue, todas as impressões negativas que você carrega
a respeito de ser mulher, como suas memórias de aborto, traumas e
abusos do seu feminino.

Enquanto oferece seu sangue, sinta como você cresce


internamente como mulher, aumentando seu poder visionário,
intuitivo e instintivo. Perceba como, a cada ciclo, uma nova
realidade se abre para manifestar um espaço interno de muito mais
consciência, conexão e poder sobre si mesma, sua vida e seu
destino.

A cura está aí, mulher,


bem debaixo dos seus pés!
Honre, agradeça e receba as bênçãos da Grande Mãe, em forma
de cura, reconexão, beleza e abundância. Já é hora de suas filhas
voltarem para casa.

ANZA EDI INA


m
#odiáriodaluavermelha

DIA 12
plantar a lua

Esse é um exercício muito simples, porém extremamente


poderoso, curador e profundo para todas as mulheres. As mulheres
que sentem o chamado para oferecer seu sangue para a Terra
devem escolher uma forma de recolhê-lo. Isso pode ser feito
através de coletores menstruais ou bioabsorventes.

Os coletores são práticos e eficientes, entretanto muitas


mulheres mais sensíveis não se adaptam e questionam o fato de ter
um material inorgânico no corpo. Depois de coletar o sangue, você
pode dilui-lo em um pouco de água e devolvê-lo à Terra.

Os bioabsorventes são feitos de algodão e você pode adquirir o


seu em @mamakillaabsorventes. Essa opção é segura, higiênica e
ecológica. Para coletar o seu sangue, é necessário deixar o absor-
vente de molho por algumas horas na água, sem nenhum produto
químico. É essa água com sangue que você irá usar para plantar a
sua lua. Depois de coletar o sangue, você poderá lavar o absorvente
com sabonete de coco.

Em ambos os casos, você pode plantar a sua lua em um jardim ou


um simples vasinho de planta em seu apartamento. Além disso,
você pode escolher uma planta que tenha um significado especial
para você, como a roseira, sálvia, tanchagem ou artemísia, que são
plantas de forte representação do feminino. Saiba que o sangue é o
biofertilizante mais poderoso que existe!

É interessante experimentar também


sangrar direto na Terra.
Ao tomar consciência de que o seu fluxo menstrual não é
contínuo, você pode desenvolver a percepção de quando ele vai
descer, acocorando-se e permitindo que ele escorra livremente
enquanto se senta direto sobre a Terra. Você pode fazer isso em
vaso grande, caso não tenha um jardim, deixando que seu útero se
abra, em uma conexão direta com a sabedoria ancestral da Mãe
Terra.

A ideia é que você plante a sua lua como um pequeno ritual, uma
ou mais vezes durante seu ciclo, conforme a sua intuição e natural
disposição para fazê-lo. Crie um ritual pessoal, lembrando que não
existem regras sobre como fazê-lo. O importante, aqui, é desen-
volver a sua própria forma de se conectar e rezar. A clareza e a
firmeza da intenção são o que definem esse momento entre você e
a Mãe Terra.

Se para você não estiver claro, conscientemente, os aspectos de


si mesma que você precisa deixar ir com o seu sangue para adentrar
no novo ciclo, deixe que seu Eu Superior te guie nesse processo.
Coloque-se em humildade e entrega e mentalize para que Gaia
transmute tudo aquilo que você não necessita mais, por você
mesma, pelo seu crescimento, pela sua evolução e por todas as
nossas relações. Lembre-se que, como qualquer oferenda, esse é
um ato para agradecer e retribuir todas as bênçãos recebidas no
ciclo que passou.

Uma antiga profecia Lakota afirma que,


"no dia em que as mulheres voltarem a dar seu
sangue para a Terra, os homens não mais
precisarão derramá-lo na guerra".

ANZA EDI INA


n
#odiáriodaluavermelha

DIA 13
MALEFÍCIOS
DOS ABSORVENTES

Hoje em dia, é bem difícil encontrar informações de qualidade a


respeito dos riscos e malefícios dos absorventes internos e exter-
nos.

Embora haja poucas pesquisas sobre o assunto, as que existem


são abafadas pelas grandes indústrias fabricantes desses produtos.
Isso é, no mínimo, confuso para quem quer fazer uma escolha
consciente e conhecer a qualidade e o risco do produto que
consome.

No meio dessa névoa, surgem casos como o de Lauren Wasser


(@theimpossiblemuse), uma modelo norte-americana que teve sua
perna amputada devido à síndrome do choque tóxico, causada pelo
uso de absorvente interno. Lauren era uma modelo reconhecida
nos Estados Unidos e, felizmente, decidiu se tornar a voz de muitas
mulheres que foram mantidas em silêncio, vítimas do mesmo
problema. Embora o assunto tenha começado a ser tratado com
menos negligência e irresponsabilidade, ainda existem muitas
barreiras para a informação e conscientização.

O choque tóxico, como o sofrido por Lauren, pode começar com


sintomas, como dor de cabeça, febre, cansaço extremo, fotossensi-
bilidade e erupções cutâneas. Além disso, essa condição já levou
muitas mulheres a processos graves, como anemia, lesões hepáti-
cas, lesões musculares e morte em todo o mundo.
Conheça mais sobre alguns dos compostos dos
absorventes internos e externos:

RAIOM DE VISCOSE:
Essas fibras sintéticas são perigosas e constituem o ambiente
ideal para a proliferação de estafilococos, as bactérias responsáveis
pelo processo infeccioso.

DIOXINA:
Descolorante. Trata-se de uma substância cancerígena e tóxica
para o sistema imunológico e reprodutivo que causa alterações na
mucosa do útero e no endométrio, podendo levar à endometriose

ASBESTO OU AMIANTO:
Aumenta o fluxo menstrual, é altamente tóxico e seu uso está
proibido em muitos países.

FRAGRÂNCIAS QUÍMICAS, PESTICIDAS, PARABENOS,


FURANOS, ENTRE OUTROS:
Substâncias cancerígenas que podem causar problemas
reprodutivos, desregulação endócrina, erupções na pele etc.

Além disso, devem-se considerar os 10 mil absorventes que


cada mulher joga na Terra no decorrer de toda a sua vida fértil, os 3
milhões de absorventes que vão para o lixo diariamente e os 100
anos que demoram, em média, para que esses produtos se decom-
ponham. É hora de repensar!

Encontre seu absorvente ecológico aqui: www.mamakilla.com.br

ANZA EDI INA


#odiáriodaluavermelha

DIA 14
CÓLICAS MENSTRUAIS

Veja abaixo algumas considerações para amar a sua lunação e


transformar sua visão a respeito das cólicas menstruais.

As cólicas menstruais
não são inerentes ao nosso período!
Na verdade, elas funcionam como uma campainha para que
possamos prestar a devida atenção ao nosso corpo e às
especificidades desse momento com o carinho e o cuidado que
nossa menstruação merece. Quando você se dá tempo para
descansar, quando você se relaciona de forma amorosa com o seu
sangue menstrual e se acolhe com gentileza durante a sua lua, as
cólicas menstruais passam a ser apenas uma companheira e amiga
de jornada. Aquela que te convida a baixar o ritmo, pensar e falar
menos, questionar menos, fazer menos e ser mais.

Lembre-se que todos os sintomas físicos e emocionais desse


período são campainhas para observarmos a quantidade de toxinas
que estamos ingerindo (alimentos, hábitos, relações ou estresse),
além de representarem sinais de desconexão com nosso feminino,
nosso ciclo e nosso sangue.

Observe, torne-se consciente, acolha-se e comece a refinar e


aprofundar esse amor por si própria. Você perceberá que, muito
rapidamente, os desconfortos vão deixar de existir em sua vida!
Além disso, algumas dicas práticas também podem ajudar a viver
sua menstruação de uma forma mais consciente e leve:
• Entre em retiro física e/ou mentalmente. Siga o fluxo e
descanse.

• Fique com o seu corpo assim como ele é e está e fique atenta a
ele!

• Durma mais, sonhe mais! Essa é uma fase propícia para sonhos
auspiciosos. Faça perguntas antes de dormir. Na terceira noite de
sangramento, você pode colocar um pouco de sangue entre as suas
sobrancelhas, na altura do Ajna Chakra, para ativar o seu potencial
visionário. Anote, grave em áudio ou desenhe os seus sonhos para
que você possa se lembrar deles e ancorá-los no decorrer do seu
ciclo;

• Uma ótima dica para as cólicas menstruais é realizar uma auto-


massagem nos seios, dançar (de forma livre e suave) para soltar os
quadris e mover a energia do ventre. Além disso, a masturbação
também pode ser uma ótima aliada!

• Sempre devolva o seu sangue para a Terra, honre a sua lua e o


seu corpo de mulher com todo o seu amor! Pare de vez com o uso
de absorventes internos e descartáveis. Eles só te distanciam de
você mesma! Você pode encontrar o seu absorvente ecológico
aqui: www.mamakilla.com.br

• Tome banhos relaxantes, faça compressas de água quente e


use velas e luzes baixas no templo sagrado do seu lar para manter
sua quietude interna.

• Utilize óleos essenciais de gerânio, rosa, jasmim ou lavanda em


banhos de imersão e/ou junto com óleos carreadores para a pele
(gergelim, óleo de coco, semente de uva etc.).

• Use uma joia especial, que sinalize para você e outros pessoas
que você está na lua. Algumas opções são a pedra da lua, garnet,
cornalina etc. Você pode também utilizar roupas, lençóis ou toalhas
vermelhas.

• Colora-se, dance para si mesma, silencie, escreva, medite e


acolha-se. Desenhe utilizando seu próprio sangue.

• Faça exercícios sutis e que te deem prazer, como caminhar,


passear, fazer yoga etc.

• Conecte-se com a natureza, de pés descalços, recebendo as


mensagens, ensinamentos e sinais que a Mãe Terra tem para te
oferecer neste momento.

• Elabore o mês que passou, integre e se prepare internamente


para o novo ciclo.
• Nutra-se com bons alimentos: diminua o consumo de sal e
açúcar refinado, ingira alimentos ricos em potássio (banana,
repolho, pera e amêndoas), ferro (legumes, cereais integrais,
feijões, frutas secas etc.), aumente quantidade de vitamina A
(cenoura, abóbora, cebola, alho, nabo, espinafre, lentilhas,
damasco, limão e azeites vegetais crus) e abuse dos alimentos
diuréticos (abacaxi, melancia e pepino).

• Beba muita água.

• Aposte nos chás: dente-de-leão (para compensar a perda de


sangue no período), valeriana (para relaxar, tome 3 xícaras de chá
de raiz de valeriana por dia), gengibre (para reduzir a tensão e as
câimbras).

• Durante esse período, por estar muito aberta e sensível, utilize


um cinturão lunar, caso precise estar em lugares com muitas
pessoas. Para isso, use uma faixa na altura do umbigo, colocada em
torno da sua cintura. Dentro do cinturão ou diretamente na
calcinha, você pode colocar folhas de sálvia, manjericão, arruda,
alecrim ou qualquer outra planta de proteção.

ANZA EDI INA


n
#odiáriodaluavermelha

DIA 15
MANDALA DA LUA

Uma boa forma de utilizar o seu ciclo menstrual para se


conhecer é através da Mandala da Lua.

Esse é um diagrama em que você documenta, a cada dia, como se


sente, para compreender o ritmo, a frequência, o arquétipo, as
tendências e as limitações de cada fase do seu ciclo menstrual, de
forma a entender melhor seus processos internos e se conhecer
com mais profundidade. Dessa maneira, você se tornará mais dona
de si e conseguirá prever como vai estar ou se sentir durante seu
ciclo!

A Moondala te oferece a
possibilidade de compreender suas reações
e flutuações em cada fase específica.
Por exemplo: o melhor momento de ter aquela conversa delica-
da, começar novos projetos, parar e silenciar, trabalhar e realizar,
dormir um pouco mais, compartilhar sua energia ou focar em si
mesma e em seus processos pessoais. Além disso, ela te ensina a
lidar com sua TPM (podendo, assim, evitar situações desgastantes
ou desagradáveis), reconhecer seu período fértil (para prevenir ou
potencializar uma gestação) e conhecer seu próprio corpo
(responsabilizando-se e se empoderando da sua saúde e do seu
bem-estar).
Sabemos que, muitas vezes, a velocidade da nossa vida cotidiana
nos impede de iniciar um novo projeto, mesmo que seja apenas
escrever um diário durante 15 minutos! Entretanto eu sugiro que
você experimente e se dê esse presente!

Para as mulheres que não menstruam devido à menopausa ou a


algum desequilíbrio físico etc., eu sugiro, ainda assim, fazer a Moon-
dala, começando sempre pela lua nova e comparando os padrões,
da mesma forma como para quem menstrua. Para as mulheres que
utilizam contraceptivo hormonal, uma boa ideia é começar o
estudo, mesmo que você não viva os ciclos exatamente, pois pode
ser que a Avó Lua te inspire a confiar um pouco mais, mais e mais,
em seu corpo e sua fertilidade!

ANZA EDI INA


o
#odiáriodaluavermelha

DIA 16
MANDALA DA LUA

Características a serem anotadas e observadas durante o


estudo da Moondala:

DATA

DIA DO CICLO:
O dia em que começa o fluxo menstrual é o primeiro dia do ciclo.
Se você não sabe em que dia está, siga escrevendo mesmo assim e
comece a marcar o dia do ciclo a partir da próxima menstruação.

FASE LUNAR:
Consulte o calendário lunar para saber que fase da lua
correspondente a cada dia do ciclo.

Preparei um pequeno questionário para guiar nosso processo de


exploração, inspirado no interessante estudo de Miranda Gray
sobre os ciclos do feminino:

ENERGIA FÍSICA:
• Estou disposta? Fazer as atividades físicas é fácil ou difícil?
• Me sinto cansada ou cheia de energia fisicamente?
• Me sinto confortável quando sou tocada?
• Me sinto sexy ou sensual?
• Como se manifesta a minha sexualidade? Ativa, passiva, eróti-
ca, sensual, exigente, agressiva, nula, carinhosa, protetora, luxurio-
sa, espiritual ou criativa? Sexualidade alta ou baixa? Não importa a
frequência das relações sexuais, mas a forma como elas se manifes-
tam.
• Me sinto confortável com alguém perto de mim fisicamente?
• Estou feliz com minha aparência física ou estou muito crítica
comigo mesma?
• Como me visto? Me enfeito ou estou mais desleixada?
• Como está a qualidade do meu sono?
• Consigo superar as coisas facilmente?
• Tenho desejo ou aversão por determinado alimento?
• Ao observar meu corpo, percebo alguma mudança em meu
muco vaginal, meus seios ou meus lábios vaginais? Existem
mudanças em minha pele e meu cabelo?

ENERGIA EMOCIONAL:
• Me sinto emocionalmente forte e confiante?
• Estou amorosa e cuidadosa?
• Estou disposta a conviver com pessoas?
• Sinto-me confiante ou tímida para falar com os outros?
• Sinto-me mais positiva que negativa ou o contrário?
• Sinto-me segura ou vulnerável?
• Sinto-me capaz de enfrentar e superar?
• Aceito os outros?
• Estou pronta para agir?
• Sou boa para escutar os outros?
• Me importa saber como os outros se sentem?
• Estou entusiasmada e apaixonada pelos meus ideais e ações?
• Do que eu preciso emocionalmente para me sentir feliz?
• O que é importante emocionalmente para mim neste
momento?

ENERGIA MENTAL:
• Estou pensando claramente ou estou divagando?
• Estou prática, eficiente ou sonhadora?
• Minha memória está boa?
• Sou boa para lidar com números, escritas e planejamento?
• Tenho muitas ideias inspiradoras?
• Consigo me concentrar facilmente e focar naquilo que estou
fazendo?
• Qual é a natureza dos meus sonhos (relações sexuais, cores
intensas, animais, de índole menstrual, sonhos mágicos, recor-
rentes, proféticos, psíquicos ou espirituais)?
• Sinto-me sinto criativa? Como está minha intuição e
percepção sutil?
• Estou organizada?
• Eu sei o que eu quero?
• O que preciso fazer com a minha mente para me sentir feliz?

A ideia, aqui, é escrever as mandalas durante 3 meses e, depois,


compará-las entre si para encontrar os padrões que se repetem
todos os meses, dependendo das fases do seu ciclo e das fases da
lua! Não é incrível poder conhecer a si própria e se tornar mestre
(em vez de vítima) das suas flutuações cíclicas? Isso é empodera-
mento feminino, desde o útero até o coração!
p
#odiáriodaluavermelha

DIA 17
COMO LIDAR COM SUA
“FORÇA PRÉ-MENSTRUAL”

• Ajuste seu ritmo de vida às suas verdadeiras necessidades


(estudo do ciclo menstrual);

• Assuma a responsabilidade pelos seus processos. Lembre-se


que os outros são apenas espelhos que refletem o que existe
dentro de você;

• Se for necessário, informe às pessoas com quem você convive


que você está em uma fase mais introspectiva e sensível. Ao fazer
isso com amor, elas terão a oportunidade de te oferecer espaço e
tempo, como sinal de respeito por você e seu ciclo;

Caso algum processo interno venha à tona, não


crie aversão.
Ao contrário, receba e honre a oportunidade de estar se
tornando mais consciente de si e se conhecendo mais
profundamente. Não se cobre tanto, seja gentil consigo mesma;

• Expresse suas emoções (inclusive a raiva), mas não seja vítima


de si mesma. Torne-se consciente dos seus processos e busque agir
com base nesse espaço de equanimidade e testemunho de si;

• Assuma o compromisso, consigo mesma, de se dar um tempo e


entrar em retiro (em sua "Tenda da Lua") quando receber o seu
sangue. Saber que daqui a pouco você irá descansar te ajudará a
lidar com mais tranquilidade com o seu período pré-menstrual;

• Saiba que o seu sangue limpa e purifica não só o seu corpo, mas
todos os padrões que você carrega, então recolha o seu sangue e o
ofereça à Terra, pedindo que tudo o que veio à tona nessa fase
possa ser transmutado;

• Observe se, todos os meses, os mesmos padrões vêm à tona.


Em caso positivo, isso é um sinal de que você não está se ouvindo,
nem transformando aquilo que é necessário. Ao contrário, você
está apenas repetindo um padrão! Legitime-se e escute as
verdades que o seu coração te diz neste momento;

Liberte-se dos apegos.


Permita que a natureza cíclica se desvele
e se entregue ao fluir da vida, deixando ir e vir;
• Evite açúcar e sal em excesso, álcool e carne vermelha, pois
isso só traz mais desequilíbrio. Mantenha uma dieta rica em fibras e
faça refeições nutritivas e regulares;

• Pratique atividades físicas para liberar endorfina;

• Consuma chá de valeriana, tanchagem, angélica, camomila.


Use óleos essenciais para automassagem, como gerânio, rosas ou
jasmim. São todos bem-vindos!

• Lembre-se que, para viver em paz, em beleza e harmonia, é


preciso saber morrer e renascer. Começar de novo, quantas vezes
forem necessárias.

ANZA EDI INA


q
#odiáriodaluavermelha

DIA 18
VAMOS FALAR SOBRE OS
MÉTODOS CONTRACEPTIVOS

É comum, hoje em dia, associarmos os contraceptivos artificiais


a termos, como: "independência", “liberdade” e "empoderamento".
Não podemos negar o excelente impulso dos contraceptivos para a
ressignificação dos paradigmas da mulher, em todos os níveis, entre
as décadas de 60 e 70.

Esse movimento ajudou a legitimar nosso poder de escolha e


nosso posicionamento diante do homem, do prazer e da materni-
dade, além de promover a nova importância da mulher no meio
público, através do exercício profissional e do nosso papel social.
Além disso, não podemos negar a grande eficiência e praticidade
desses métodos, muito importantes nos dias de hoje, com nossas
rotinas extenuantes e sobrecarga de obrigações.

Existem, porém, alguns pontos a ser considerados.

Hoje, muitas mulheres estão sentindo uma necessidade e um


chamado por uma reconexão, uma mudança na sua forma de viver
e uma transformação na forma de existir no mundo.

Muitas delas não conseguem sequer


nomear aquilo que buscam.
Consequentemente, observo um número cada vez maior de
mulheres abandonando os hormônios sintéticos e se permitindo,
novamente, experimentar o que significa menstruar e ser fértil,
cíclica e orgânica. Ou seja, ser quem se é. É como se estivéssemos
voltando para o mesmo lugar de onde saímos, mas, agora, com a
escolha consciente e individual de estar lá. Desta vez, não somos
movidas pela rigidez de uma sociedade domesticadora que oprime
e subjuga as mulheres, mas pela vontade simples e profunda de
explorar o universo de ser mulher, em um corpo de mulher.

Nesse processo de transição, é natural e bem-vindo entrar em


contato com os diversos aspectos sutis que envolvem nossa relação
mais profunda e visceral com o nosso feminino.

Ao repensar a nossa relação com a fertilidade, muitos questiona-


mentos começam a vir à tona, como:
• Como me relaciono com a maternidade?
• Como me relaciono com meu potencial de fertilidade?
• Confio no meu corpo?
• Confio na minha capacidade de conhecer a mim mesma e ouvir
os sinais do meu corpo?
• Tenho medo de ser fértil (de florescer, de ser a minha melhor
versão, de me expandir?)
• Ser mulher é difícil?
• Como me relaciono com a minha sexualidade como mulher?
Preciso estar sempre disponível sexualmente? Como, com quem e
por que me relaciono sexualmente? O controle da fertilidade é
apenas responsabilidade da mulher? Até que ponto meu
companheiro está disposto a se relacionar intimamente e observar,
junto comigo, os cuidados para uma contracepção natural?
• Ser cíclica é um problema?
• Quem define os meus tempos? Eu ou o relógio? Eu ou a minha
família, o meu emprego?
• Estou entregando a responsabilidade pelos cuidados com o
meu corpo para terceiros? No que baseio as minhas escolhas?

Fazer essas perguntas a si mesma é uma boa forma de começar a


explorar os seus porquês, de forma a permitir que você questione
que escolhas realmente te fazem sentir, fazem sentido na sua vida
e, principalmente, na vida que você deseja viver e manifestar!

Vamos nos descobrir?


Mergulhe em si mesma, escute seus vários lugares internos, a
mente, o coração, o útero e a intuição.

Além disso, lembre-se: nessa jornada de empoderamento do


seu feminino, não existe certo nem errado. O que existe é a sua
verdade interior, fruto de uma tomada de consciência profunda,
honesta e essencial!

ANZA EDI INA


r
#odiáriodaluavermelha

DIA 19
SOBRE MÉTODOS
CONTRACEPTIVOS
ARTIFICIAIS
Veja a seguir alguns dados interessantes a respeito dos
malefícios das pílulas anticoncepcionais.

Elas podem desencadear enjoo, mal-estar, ansiedade,


diminuição da libido, alterações de humor, depressão, distúrbios
metabólicos, nutricionais e gastrointestinais, além de alterações no
sistema nervoso e imunológico.

Seu uso está relacionado ao aumento dos distúrbios circulatóri-


os, que podem gerar trombose, embolia pulmonar, AVC e até casos
de morte.

Outras condições clínicas possivelmente associadas negativa-


mente ao uso das pílulas incluem: diabetes, síndrome do ovário
policístico, lúpus, doença de Crohn, colite ulcerativa, anemia falci-
forme e enxaqueca.

Além de potencialmente causar flacidez, celulite, diminuição da


massa muscular, aumento da gordura localizada e retenção de
líquido, há um maior risco de câncer cervical, câncer de mama e
tumor hepático, pancreatite, aumento da pressão arterial, icterícia,
cálculos biliares e por aí vai!

Os riscos são ainda mais acentuados em mulheres obesas,


fumantes e com história familiar de alguma das doenças acima.
*Sobre o SIU e o DIU:
O SIU (DIU Hormonal ou DIU Mirena) é um dispositivo revesti-
do com o hormônio progesterona. Apesar de apresentar uma quan-
tidade menor de hormônio que a pílula e ter efeito local, o DIU
Mirena também compartilha da mesma lista de malefícios das pílu-
las anticoncepcionais e pode contribuir para o surgimento de cistos
ovarianos, dismenorreia, depressão, cefaleia, enxaqueca, dor
abdominal, dor pélvica, náusea, aumento da pressão arterial e
outros distúrbios do sistema circulatório. Além disso, há o risco de
perfuração uterina e alteração no sangramento (aumento,
diminuição ou irregularidade, geralmente levando à amenorreia).

O DIU de cobre não contém hormônios, portanto possui menos


malefícios que a pílula e o DIU Mirena. Entretanto essa opção
aumenta significativamente a probabilidade de contrair doença
inflamatória pélvica (DIP), que pode provocar obstrução perma-
nente das trompas, esterilidade, gravidez ectópica etc.

Existem muitos outros meios de contracepção, e todos apresen-


tam benefícios e malefícios. Este texto é, na verdade, um convite
para a reflexão: a partir de qual espaço interno surgem as suas
decisões? Praticidade, comodismo, ignorância, pressão social ou
consciência, informação, empoderamento, poder de decisão sobre
si mesma e sobre o próprio corpo?

Aliás, considerando-se que as mulheres são férteis durante


apenas alguns dias do ciclo, é irônico pensar que elas arriscam tão
vasta gama de efeitos colaterais. Para quê? Para se proteger de um
homem que produz milhões de espermas por hora! É frustrante!
Temos, em média, 15 formas de contraceptivos para mulheres
(entre diafragma, esponja, espermicidas, implantes etc.), enquanto
existem apenas 3 opções de contraceptivos masculinos: vasecto-
mia, camisinha e "gozar fora". (É para rir ou para chorar?)

ANZA EDI INA


s
#odiáriodaluavermelha

DIA 20
FERTILIDADE
CONSCIENTE
O.K., quero caminhar em direção à fertilidade consciente! Como
faço isso?

Respire e vamos devagar. Em um nível mais sutil, deixar de lado


os métodos contraceptivos artificiais é um movimento de cura,
reconexão e empoderamento de si como mulher. Isso, necessaria-
mente, traz mudanças de paradigmas, quebra de crenças e padrões
limitantes, revisão de hábitos e escolhas de vida. É normal que tudo
isso venha à tona durante o processo e, apesar de não ser fácil,
sinaliza positivamente uma profunda transformação das subjetivi-
dades desse nosso Ser Mulher, como: aumento do potencial intuiti-
vo, ativação do poder visionário, maior percepção de si mesma,
clareza mental, tomada de consciência sobre seus processos inter-
nos, poder de decisão sobre sua própria vida, mudança qualitativa
nas escolhas, aumento da libido, relações que se manifestam com
mais amorosidade e presença, reconexão com os tempos internos e
ressignificação do próprio corpo e da sexualidade.

Para iniciar essa jornada,


o primeiro e mais importante passo
é conhecer a si mesma, seu corpo e seu ciclo.
Esse é o começo e o verdadeiro objetivo de todo esse movimen-
to que proponho aqui: o autoconhecimento e a apropriação de si.
Para as mulheres que começam o processo de transição, inicial-
mente, o ideal é fazer uso de preservativos (ou até adotar um perío-
do de abstinência, se você achar conveniente ter um tempo para si
mesma) para ir se acostumando com a nova condição e, aos poucos,
ganhar confiança no processo e conhecer cada vez melhor os sinais
do seu corpo. Além disso, essa é uma oportunidade para que o seu
corpo se ajuste a um ciclo mais regular e orgânico.

Para o controle da fertilidade,


não se recomenda utilizar unicamente
métodos lineares, como a tabelinha.
Afinal, considerando-se que nosso ciclo está constantemente
suscetível a mudanças, estaríamos utilizando dados do passado
para "prever o futuro". Além disso, é importante observar que os
aplicativos não são nada mais do que tabelinhas eletrônicas!

O ideal é que se utilize a observação de si, dia a dia, para com-


preender seu ciclo, seus padrões de fertilidade e infertilidade e
como proceder em cada um deles.

Para realizar esse estudo, sugiro, como uma boa opção, usar a
Mandala da Lua ou qualquer outro método que empregue os
padrões primários e secundários como forma de observação, como,
por exemplo, o método Billings ou o método sintotermal. Que tal
mergulhar mais profundamente e descobrir um pouco mais sobre
os mistérios do seu Ser Mulher?

ANZA EDI INA


t
#odiáriodaluavermelha

DIA 21
sobre o controle
de fertilidade

A primeira coisa a se considerar é que sua ovulação não acon-


tece sempre no 14° dia do seu ciclo. Mesmo que o seu ciclo seja
regulado em 28 dias, a sua ovulação pode variar.

Além disso, é possível engravidar quando existe relação


pênis-vagina/vulva, mesmo se o óvulo ainda não estiver disponível.
Como assim? Vou explicar: os espermatozoides podem sobreviver
por alguns dias dentro do sistema reprodutor da mulher diante de
condições adequadas, ou seja, quando as mulheres estão perto de
ovular. Considerando-se os dias durante os quais os espermatozoi-
des podem sobreviver no corpo da mulher e os dias em que o óvulo
está disponível no sistema, temos um período fértil de mais ou
menos uma semana!

Agora, para compreender se você está fértil ou


não são necessários disciplina, atenção e
entendimento sobre o processo.
Sugiro, inclusive, que você leia novamente o texto sobre a Fisio-
logia do ciclo. A ideia é observar os sinais todos os dias e fazer ano-
tações. Com o tempo, esse processo vai se tornar natural e orgâni-
co e você simplesmente vai saber quando está em seu período
fértil! Entretanto não se trata de uma receita de bolo. São
necessárias prática e dedicação, principalmente no início! Você não
precisa fazer tudo: temperatura, colo do útero, muco etc. Escolha o
que flui melhor para você e o que se adapta mais adequadamente à
sua rotina. Não queremos mulheres neuróticas, mas se deve ter
consciência que a liberdade requer disciplina! Confie, vai ficar cada
vez mais fácil! O importante é que esse processo não se torne um
estresse, mas um exercício gostoso de autocuidado e amor por si
própria, sua sexualidade e seu útero alquímico!

Ah, e bom senso, certo? Não adianta nada aprender tudo isso,
mas, quando chegar a hora H, esquecer tudo e ficar tomando a
pílula do dia seguinte. (Quem nunca?)

SINAIS PRIMARIOS DA FERTILIDADE:


São chamados de sinais primários, porque não mudam tanto de
mulher para mulher, nem de ciclo para ciclo!

FLUIDO CERVICAL:
É um fluido saudável e natural que é produzido pelo colo do
útero e escorre pela vagina até a vulva.
Para reconhecer o muco, anote e observe as características, a
sensação e a aparência, além das alterações nas características.
Você pode sentir a sensação de umidade, ver o muco na calcinha, no
papel higiênico e também ao tocar a vagina. Esses fluidos têm um
odor normal, são claros e não são acompanhados de coceira nem
vermelhidão. É importante observar, pois esses sintomas podem
indicar algum tipo de processo infeccioso!
O muco cervical saudável, presente em todos os ciclos durante o
período fértil, permite a passagem dos espermatozoides e também
a sobrevivência deles por mais tempo dentro do sistema sexual e
reprodutor feminino. Esse muco muda em quantidade, cor e
textura. Todos os fluidos são considerados férteis. Entretanto
quanto mais úmido, mais fácil é para os espermatozoides se
movimentarem e mais próxima da ovulação a mulher está.
• Período seco e sem muco visível (característica do período
infértil)
• Seco, branco, pastoso e grudento
• Esbranquiçado, cremoso e mais líquido
• Lubrificante e mais transparente, como clara de ovo. A aparên-
cia de clara de ovo indica que a ovulação está próxima (logo antes
da ovulação), mas não que a mulher está ovulando ou já ovulou.
É importante prestar atenção no dia de pico, ou seja, o último dia
com fluido cervical úmido, antes do fluido secar total ou parcial-
mente. Lembre-se que a presença de sêmen pode alterar a
percepção do fluido cervical. Dessa forma, recomenda-se ter
relações em dias alternados conforme a ovulação se aproxima!

TEMPERATURA BASAL:
É a temperatura do corpo em repouso, medida por um
termômetro adequado, após acordar e antes de se levantar. A
mudança no padrão da temperatura indica que a ovulação já acon-
teceu. Antes da ovulação, a temperatura corporal é mais baixa e,
depois da ovulação, mais alta (devido à ação do hormônio proges-
terona). Ou seja, esse método não prevê o início da ovulação, mas
confirma quando a ovulação já aconteceu!
A temperatura pode ser medida com o termômetro na boca (em-
baixo da língua) ou na vagina. É importante usar o termômetro
sempre no mesmo lugar durante todo o ciclo menstrual. Em geral,
para medir a febre, o termômetro digital apita após alguns segun-
dos. Por outro lado, para medir a temperatura basal, recomenda-se
deixar o termômetro por, pelo menos, 1 minuto.
Idealmente, deve-se medir a temperatura após, pelo menos, 3
horas de descanso/repouso e não se deve mudar o horário de
medição em mais de 1 hora. Se algo acontecer que mude a tempera-
tura (febre ou consumo de bebida alcoólica na noite anterior),
pode-se, ainda assim, realizar a medição, entretanto se deve con-
siderar a alteração na hora da interpretação.

COLO DO ÚTERO:
Deve-se observar a posição, a abertura e a textura do colo do
útero. Essas características variam durante o ciclo e apresentam
padrões claros no período fértil e infértil. É possível realizar esse
exame ao introduzir os dedos indicador e médio na vagina até
encontrar o colo do útero. São necessárias mãos limpas, unhas
curtas e tranquilidade.
O colo do útero fica lá no fundo da vagina. Ele não é rugoso,
como a vagina, mas bem lisinho, com o formato de uma bolinha com
uma abertura.
Um excelente momento para fazer isso é após tomar banho.
Além disso, também é bom manter a mesma média de horário todos
os dias. Esse exame pode ser realizado na posição de cócoras, em pé
com uma perna levantada ou deitada com um travesseiro sob as
costas.
Quando se está no período infértil, o colo do útero se encontra
duro (firme), fechado, baixo e inclinado sobre a parede da vagina.
No período fértil, ele se encontra mais aberto, maleável, alto e
alinhado com a vagina.

SINAIS SECUNDÁRIOS DA FERTILIDADE:


Agora, alguns sinais secundários de fertilidade, que, como dito
anteriormente, podem variar bastante de mulher para mulher e de
ciclo para ciclo:
• Durante a ovulação, pode haver uma pequena cólica, como um
desconforto abdominal ou dor;
• Durante a ovulação, pode haver um pequeno sangramento de
um ou dois dias. Deve-se ficar atenta, pois esse sangramento pode
ser confundido com menstruação;
• Pode haver inchaço nas mamas e maior sensibilidade nos
mamilos;
• Pode-se notar a vagina mais inchada e exuberante;
• Pode ser que você se sinta mais disposta, animada, extroverti-
da e com a sexualidade mais aflorada!
ATENÇÃO:
Essas observações não valem para quem usa algum tipo de con-
traceptivo hormonal, mas podem ser utilizadas por mulheres que
recorrem a contraceptivos não hormonais, como DIU de cobre,
camisinha feminina ou masculina e diafragma.
Esse método não previne DSTs.
Esse método pode ser considerado para ciclos regulares e sem
especificidades, como: lactação, descontinuação de métodos con-
traceptivos hormonais (portanto sem ciclos regulares), presença de
ovários policísticos, pós-parto e pré-menopausa.

REGRAS SUGERIDAS:
• Nos cinco primeiros dias de menstruação, considera-se a
mulher em período infértil, desde que se confirme que o
sangramento é, de fato, menstrual.
• Dias secos. Considera-se período infértil as noites dos dias
sem fluido cervical, desde que os três dias anteriores tenham sido
de menstruação ou também dias secos.
A partir do momento que a mulher apresenta fluido cervical de
qualquer tipo, ela é considerada fértil até que a ovulação e o
retorno da infertilidade sejam comprovados, de acordo com as
regras a seguir:
• Temperatura + 3: a mulher volta a estar infértil na noite do
terceiro dia de temperatura basal aumentada.
• Pico + 3: a mulher volta a estar infértil no terceiro dia após o
pico, ou seja, após o último dia de fluido cervical mais fértil e úmido.

O PORQUÊ DESSAS REGRAS:


• Caso a ovulação aconteça cedo no ciclo menstrual, o colo do
útero já vai começar a produzir o fluido cervical, mesmo durante os
dias de menstruação. Consequentemente, a mulher não vai conse-
guir perceber o muco. Por isso, a partir do quinto dia de menstru-
ação, já se considera que a mulher está fértil (principalmente,
aquelas que têm um ciclo muito curto). Por isso, algumas mulheres
acham que "engravidaram enquanto menstruavam".

• Atente-se para o fato de que, na ovulação, também pode haver


sangramento, o que pode causar confusão. Para saber com
exatidão se é menstruação ou ovulação, é só verificar se o
sangramento veio 14 dias depois da ovulação (com base no muco)
ou se foi seguido por 14 dias de temperatura elevada (com base na
temperatura basal).

• A regra dos dias secos funciona, porque sem o muco cervical, o


espermatozoide não sobrevive muito tempo no sistema reprodutor
da mulher, mas apenas algumas horas. Ou seja, na ausência de muco
cervical, a ovulação ainda vai demorar para chegar, e os espermato-
zoides não sobreviverão até lá.
• A ideia de se considerar somente o período noturno se deve ao
fato de que, durante o dia, o muco escorre pela vagina devido ao
movimento do corpo. Ao acordar, isso ainda não ocorreu. Entretan-
to com o tempo, conforme você adquirir mais confiança e conheci-
mento do seu corpo, é possível, sim, fazer amor de manhã cedinho,
fica tranquila!

• Se a mulher teve relação no dia anterior, o sêmen pode dar a


impressão de que existe muco. Então o dia posterior à relação é
considerado dia fértil. Alguns métodos sugerem relações em dias
alternados. Entretanto, de novo, com o tempo vai ficando mais fácil
distinguir as coisas!

• A regra da temperatura +3 se deve ao fato de a mulher não


poder medir uma temperatura isolada, mas um padrão de tempera-
tura. Considerando-se que a temperatura elevada sinaliza que a
ovulação já aconteceu, não é necessário fazer sexo em dias alterna-
dos. Você fica livre para relaxar e gozar até seu próximo ciclo!

• A regra de pico +3 vale após o último dia de pico. Se o fluido


voltar, comece a contar de novo. A infertilidade é confirmada se o
fluido cervical mudar de seco para mais seco nesses três dias e a
temperatura se mantiver elevada depois desses 3 dias.

O QUE FAZER NO PERÍDO FÉRTIL:


Para quem não quer engravidar:
• Abstinência;
• Outras formas de sexo, que não envolvam pênis/vagina ou
vulva (nem fluidos);
• Uso de métodos de barreira, que podem ser combinados com o
coito interrompido.

Para engravidar:
• Aproveite o momento de fluido cervical mais úmido e
transparente. Depois da confirmação das regras de pico +3 e
temperatura +3, esse ciclo já deu o que tinha que dar e agora só nos
cabe esperar. Esperar literalmente, pois, como vimos, o
espermatozoide pode demorar vários dias para viajar da tuba até o
útero.

O que observar durante o ciclo (porque esse conhecimento não


é só sobre engravidar ou não, mas sobre estar atenta e tomar para
si a responsabilidade de observar e cuidar do seu corpo!):
O sangramento acontece na quantidade de dias considerada
saudável? (Entre 3 e 7 dias.)
Os ciclos são regulares? (Não mudam mais do que 20 dias de
um ciclo para o outro.)
A duração dos ciclos é adequada? (De 24 a 35 dias.)
O colo do útero está produzindo fluido cervical na quantidade
e qualidade adequada?
Há corrimento não saudável que indique algum desequilíbrio?
Há sangramentos irregulares (não saudáveis) durante o ciclo?
A intensidade do seu fluxo menstrual está adequada? (5 a 80
mL.)
O padrão de temperatura está muito alto ou muito baixo, indi-
cando um possível problema metabólico?
A fase pós-ovulação tem duração adequada? (De 10 a 16 dias.)
Em muitos casos, o diagnóstico de infertilidade é dado erronea-
mente, simplesmente porque não se considerou a duração da fase
lútea! Atente-se a isso!

ANZA EDI INA


u
#odiáriodaluavermelha

DIA 22
como você se
relaciona com o prazer?

Para mim, prazer tem a ver com o quanto você se permite viver a
vida em entrega e abundância. Com o quanto você se conecta posi-
tivamente com o que existe ao seu redor, despertando seus senti-
dos e aumentando a frequência da sua energia através desses
pequenos estímulos.

A Sexualidade Sagrada nos ensina que somos completas e nos


mostra que não mais é necessário buscar o prazer no outro. Além
disso, ela nos ajuda a compreender, em um nível mais profundo, que
o princípio e o fim da busca pelo prazer estão dentro de nós.

A Sexualidade Sagrada nos convida a tirar nossas máscaras e nos


tornar mais autênticas e conscientes a respeito das reais
motivações para nos relacionarmos sexualmente
.
Sexo não é ação, sexo é energia.
A Sexualidade Sagrada nos convida a abandonar os padrões
limitantes do sexo criado por uma vida de pornografia, fantasia e
masturbação e do sexo obcecado por genitais e ejaculação, como se
essas fossem as únicas fontes de prazer.

A Sexualidade Sagrada nos convida a ficar apenas com o que se é,


com nossos corpos, nossas sensações e nossa energia.

Ela nos convida a olhar nos olhos e enxergar; a respirar juntos,


de forma profunda e consciente; a mergulhar nos cheiros, gostos e
tato; e a conectar os centros de energia, a mente e o coração,
dançando juntos e descobrindo um ritmo único e particular de
servir e se entregar.

Ela nos convida a dedicar mais e mais tempo para ativar o prazer
no corpo como um todo, explorando e descobrindo o verdadeiro
potencial energético dessa matéria densa; ativando nosso poten-
cial bioenergético; despertando nossa consciência corporal;
refinando e expandindo o nosso poder orgástico; e permitindo,
então, que novas possibilidades se desvelem.

Através da Sexualidade Sagrada, podemos direcionar nossa


energia para desobstruir e ativar nossos canais e centros de ener-
gia, além de experienciar novos estados de consciência, mais
amplos e elevados.

Através de uma relação sexual consciente, somos capazes de


acessar e liberar memórias celulares de dor, trauma e abuso. Assim,
não estaremos apenas nos regalando com um bom orgasmo, mas
estaremos nos curando e nos descobrindo a partir de lugares muito
mais interessantes, complexos e profundos. Em vez de abrirmos
apenas as nossas pernas, abriremos também nossa alma, nossa
mente e nosso coração para uma maior capacidade de ser e sentir.

ANZA EDI INA


v
#odiáriodaluavermelha

DIA 23
e como os homens podem
fazer parte desse processo?

Como processo de autoconhecimento, sempre sugiro aos


homens que façam o estudo da Mandala da Lua. Afinal, mesmo que
eles não menstruem e não tenham um ciclo físico tão óbvio quanto
o nosso, como mulheres, eles também podem experimentar como é
o ciclo pessoal junto à lua. Esse é um processo profundo de ressig-
nificação, pois o feminino vai muito além do gênero mulher e,
quando falamos desse resgate, falamos do resgate da energia femi-
nina em homens e mulheres e desse olhar para a manifestação do
feminino dentro e fora de nós.

Enquanto a energia masculina é linear, a feminina é cíclica.


Enquanto a energia masculina é para cima e para fora,
a feminina é para baixo e para dentro.
A masculina é o ciclo solar e a feminina o ciclo lunar.

Dessa forma, um homem que se experimenta cíclico, junto à lua,


além de ter a oportunidade de se perceber como parte do todo,
junto à organicidade que nos compõe, pode também se empoderar
de novos símbolos arquetípicos em sua psique, tornando-se muito
mais completo, integrado e conscientemente multifacetado.

Assim, ele deverá preencher a Moondala a partir da lua nova, a


cada novo ciclo, descobrindo também seus padrões pessoais junto
à lua.

É interessante observar nesses padrões, metaforicamente, o


"período fértil", quando se encontram mais expansivos, confiantes
e comunicativos, e o "período menstrual", quando estão mais intro-
spectivos, reflexivos e receptivos. Assim como as mulheres, os
homens podem considerar os quatro arquétipos principais explica-
dos anteriormente aqui.

Agora, falo aqui para os homens que são companheiros de mulheres


que estão percorrendo o caminho de reconexão ao sagrado.
Veja abaixo algumas dicas:

• Conheça e reconheça a si próprio como cíclico, compreenden-


do suas flutuações junto à lua. Dessa forma, sua parceira poderá
compreender melhor suas dinâmicas nos diferentes momentos e as
formas como elas se apresentam.

• Reconheça a bênção da TPM da sua companheira e a ajude


nesse momento tão potente, sendo um espelho refinado, um
prisma, que reflete e transmuta as sombras que podem emergir
dela, enquanto acolhe as suas próprias, durante esse período. Vá
além do corpo de dor, das projeções e da criança ferida, acolhendo
as sombras que vierem à tona, em um exercício de tomada de con-
sciência, como uma oportunidade de cura para ambos. Lembre-se e
a ajude a relembrar que isso é só um processo e que vocês estão
juntos nele! Agradeçam pelas feridas que vierem à tona, pois só
assim elas poderão ser realmente erradicadas. Só o que é renegado
machuca, enquanto o que é acolhido, cura!

• No momento da menstruação dela, ofereça-se como um


guardião para cuidar das tarefas para que ela possa repousar em
sua Tenda da Lua. Lembre-se: esse é um momento propício para
que ela ative o potencial visionário, contemple o silêncio, durma e
sonhe. Essa é uma oportunidade de descanso e simples presença!
Prepare comida para ela, algo que nutra sua alma e corpo; faça uma
boa massagem para ajudá-la com as cólicas; e sirva como
puder/quiser para que ela possa ter um tempo para si própria.
Vocês dois se beneficiarão do poder que emergirá nesse momento,
acredite!

• Ajude-a a mapear seu ciclo para que você possa compreender


as suas fases. Esse pode ser um bom manual de instruções (rs).

• Plante a Lua junto com ela, num rezo pelo seu próprio femini-
no, pela Mãe Terra e pela cura da relação com as mulheres da sua
vida!

Ao conhecer o ciclo da sua mulher, você pode


participar ativamente do controle da fertilidade,
compreendendo que nem sempre ela estará
disponível para que você ejacule dentro!
Esse é um convite delicioso para experimentar novas formas de
se relacionar sexualmente! Desfoque da sua ejaculação e foque em
seu potencial criativo para dar e receber as mais variadas formas de
prazer! Lembre-se que, no período fértil, a libido da sua
companheira estará possivelmente mais alta que em todas as
outras fases do ciclo. Ou seja, desfrutem, ambos, com o mesmo
senso de responsabilidade!

Para casais que querem engravidar: homens, participem do


processo para uma concepção consciente. Vocês podem, juntos,
saber o dia de pico fértil e desfrutar de toda a energia e de todo o
poder de gerar, juntos, uma nova vida!

Uma mulher empoderada não precisa existir sem homens, mas


precisa de um homem forte o suficiente para se sustentar, em si
mesmo, diante de todo esse poder! Fica a dica!

ANZA EDI INA


w
#odiáriodaluavermelha

DIA 24
MULHERES NA MENOPAUSA.
cOMO PODEM PARTICIPAR?

Em nossa sociedade, a maioria das mulheres tem muita dificul-


dade em viver o rito de passagem da menopausa. Na minha opinião
míope, de quem ainda não passou por isso, mas tem como maiores
mentoras as abuelas (avós, mulheres sábias da tradição), percebo
que isso se dá por um conjunto de fatores.

Um deles reside no fato de que, no inconsciente coletivo, muitas


mulheres vibram na ideia de que envelhecer é ruim.

Nas tradições originárias, quanto mais a idade


avança, mais importância a mulher adquire e mais
reconhecimento ela ganha diante da sociedade.
Essas mulheres não estão preocupadas com as rugas nem os
cabelos brancos. Ao contrário, elas exercem seus papéis como
pilares, compartilhando experiências e saberes.

É interessante observar que as mulheres da tradição não apre-


sentam os desconfortos típicos da menopausa. Isso me faz pensar
que, realmente, trata-se muito mais de uma questão de perspectiva
que de fisiologia. Outro fator é a desconexão com o próprio corpo,
com a menstruação. As mulheres passam a vida renegando o poder
dos seus corpos e entregando a terceiros a manutenção da sua
saúde, acreditando que o que vem de fora tem mais legitimidade
que o poder de conhecer a si mesma, e os hormônios de reposição
são um exemplo disso.
A desconexão com os ciclos: a menopausa é um momento de
morte e, consequentemente, de renascimento. É uma oportuni-
dade de voltar a nascer, porém escolhendo como, de se desidentifi-
car com os papéis do passado e recriar uma nova forma de ser.
Dessa forma, deve-se receber esse momento como um presente,
uma oportunidade para recomeçar, em verdadeira plenitude, con-
sciência e sabedoria!

Mesmo que a mulher já não menstrue, estudar os saberes


compartilhados aqui, no Diário da Lua Vermelha, é de extrema
importância. Afinal, são as mulheres mais sábias que nos ensinam
tudo isso. Então, mesmo que você não tenha tido a chance de
exercer essas práticas durante sua vida fértil, agora, você terá a
oportunidade de passar esse conhecimento adiante para a
linhagem feminina da sua família que veio depois de você!

Plante a Lua da sua filha ou da sua neta,


conte para ela como
é possível se conectar com tudo isso!
Exerça seu papel de abuela!
Mesmo estando na menopausa, vale também fazer a Moondala
para estudar seu ciclo pessoal junto à lua, começando pela lua nova,
como já explicado anteriormente, e fazendo a comparação dos
padrões depois de algumas Moondalas! Desfrutem desse renasci-
mento, abuelitas!

ANZA EDI INA


x
#odiáriodaluavermelha

DIA 25
E PARA AS MULHERES COM
DESEQUILÍBRIOS FÍSICOS?

É necessário lembrar que todo e qualquer desequilíbrio em


nosso corpo físico é resultado de processos internos mais profun-
dos. Essas manifestações são campainhas que nos despertam para
entrar em contato com os aspectos do nosso ser que foram renega-
dos ao inconsciente, como memórias de dor, crenças limitantes,
traumas ou desconexão.

Os desequilíbrios relacionados ao útero, aos ovários ou às


mamas são indicações de desconexão com o feminino.

Dessa forma, seu corpo te chama para que


você se perceba, se escute e se cure.
Alterações mais simples, como acne e cólicas menstruais,
também são, assim como todas as outras, resultado de processos
psicossomáticos.

Infelizmente, a medicina tradicional ainda caminha em passos


lentos em direção a um trabalho mais holístico. Já existem pesqui-
sas suficientes comprovando a influência das nossas emoções e dos
nossos padrões mentais na formação das doenças físicas, mas a
sociedade continua a adotar uma postura de negação e fuga
quando se trata de olhar para as próprias sombras.

Assim, muitas mulheres se esquecem de seu poder autocurador,


enquanto mascaram os sintomas com o uso de pílulas anticoncep-
cionais, analgésicos etc.
Existem alternativas mais integrais. Para isso, é importante
estar disposta a entrar em contato com aquilo que realmente pode
ter gerado esses desequilíbrios, com vontade e firme intenção.

Além disso, é necessário se abrir e estar atenta para enxergar os


sinais que a vida traz, mostrando o caminho a seguir em direção à
sua cura. (O fato de você estar lendo isto hoje é um deles.) Dessa
maneira, as pessoas e as respostas corretas virão até você.

É importante, acima de tudo, confiar.


Confiar na vida, em você e no seu corpo. Aprender a se entregar
e confiar também faz parte do processo! Receba cada um desses
sinais no seu corpo físico como uma oportunidade para alcançar
uma vida mais plena e consciente. Ao compreender a doença como
um caminho para o despertar, você estará dando energia e força
para que o equilíbrio se restabeleça em todos os aspectos de sua
vida.

Busque profissionais de saúde que compreendam esse processo


de cura, em vez daqueles que receitam pílulas como solução para
todos os males do mundo! Você merece ser vista como única e
enxergada em suas particularidades. A cada dia que passa, temos
mais ginecologistas conscientes trabalhando para a cura da alma e
do coração, junto à cura do útero!

ANZA EDI INA


y
#odiáriodaluavermelha

DIA 26
MAIS REFERÊNCIAS

Durante os últimos dias do Diário da Lua Vermelha, tenho rece-


bido muitas perguntas a respeito da fonte bibliográfica dos textos
que escrevo. Hoje, essas perguntas já não me causam desconforto,
pois sei que isso é fruto de uma sociedade que fala pouco a partir
das próprias experiências e dos conhecimentos integrados em
forma de sabedoria e que usa muitas aspas para se expressar.

Minha busca por lugares sagrados, tradições ancestrais e


mulheres medicina ao redor de todo o mundo me proporcionou
observar a mim mesma e a natureza e mergulhar nos meus
processos pessoais de ressignificação, cura e empoderamento. Por
isso, não uso aspas.

ABAIXO SEGUEM INDICAÇÕES DE ALGUNS LIVROS:


• In all her names (Todos os nomes da deusa) - Joseph Campbell;
• Mística Feminina - Betty Friedan
• A mulher na sociedade de classes- Heleith Saffioti
• Feminist theory: from margin to center- Bell Hooks
• Justice and the politics of difference- Iris Marion Young
• Mulheres, Cultura e Política- Angela Davis
• O contrato sexual - Carole Pateman
• O mito da beleza - Naomi Wolf
• O que é lugar de fala - Djamila Ribeiro
• O Segundo Sexo - Simone de Beauvoir
• Política sexual - Kate Millett
• Problemas de gênero - Judith Butler
• Quarto de despejo - Carolina Maria de Jesus
• Select writings - Alexandra Kollontai
• Sister outside - Audre Lorde
• Taking Charge of Your Fertility - Toni Weschler
• Um teto todo seu - Virginia Woolf
• Winnie Mandela - Anne Marie du Preeze Bezdrob
• Mulheres que correm com os lobos - Clarissa Pinkola Estés;
• Libertem a mulher forte - Clarissa Pinkola Estés;
• Memórias, sonhos e reflexões - Carl Gustav Jung;
• As deusas e a mulher - Jean Shinoda;
• Descubra as deusas dentro de você (sobre os ciclos e seus
arquétipos) - Miranda Gray;
• A ciranda das mulheres sábias - Clarissa Pinkola;
• O tesouro de Lilith - Carla Casanovas

ANZA EDI INA


z
#odiáriodaluavermelha

DIA 27
CHEGAMOS AO FIM
DO NOSSO CICLO!
Agradeço a oportunidade de trazer esses saberes de tanto
poder para tantas mulheres e me sinto honrada e grata por esse
servir! Este é o momento de nos prepararmos para a lua nova,
revendo nosso último ciclo, refletindo sobre tudo aquilo que quere-
mos deixar para trás, tudo o que não nos serve mais, e nos abrindo
para o novo, para a realidade que queremos cocriar de agora em
diante!

Faça um ritual com aquele papel que escrevemos no primeiro dia do


Diário da Lua Vermelha. Um ritual simples para que você o queime e
intencione que tudo aquilo se transmute!

Não há uma regra para fazer isso. Somos todas bruxas e capazes
de ativar nossa intuição para criar nosso próprio ritual! O que
importa é a sua força de vontade, desde o útero e o coração, a
presença, o rezo e a confiança!

Depois disso, abra-se para o novo, intencionando o que você


quer de agora em diante para seu Ser Mulher! Uma sugestão é a
construção do vaso mágico, como um ritual!

O nosso ventre sagrado é, muitas vezes, simbolizado por um


vaso, um pote ou um caldeirão, trazendo para o nosso inconsciente
coletivo as informações sobre o poder alquímico, criador e trans-
formador dos nossos úteros.

Convido você a uma experiência simples, mas profundamente


curadora para nossos corpos, nossas mentes e nosso espírito de
mulher. (Você pode convidar suas amigas e fazerem isso juntas!)
Escolha um recipiente para simbolizar o seu útero sagrado. Ele
pode ser feito de qualquer material orgânico, como cerâmica, ferro,
prata, vidro etc. Você sentirá qual dessas opções é mais representa-
tiva para você.

O ideal é que o recipiente seja grande o bastante para caber


coisas dentro e pequeno o suficiente para que você possa trans-
portá-lo com facilidade.

Dentro dele, comece a colocar coisas que possam representar


aspectos do seu feminino que você deseja cultivar. Cada um com
um significado específico.

Pode ser um amuleto, um cristal, sementes, flores, conchas do


mar etc. Coisas que você guarda consigo e/ou encontra na nature-
za. Todo e qualquer objeto de poder!

Experimente montar o seu pote em um lugar especial e silencio-


so! Se for possível, deixe-o ao ar livre durante a primeira noite, para
que ele se ative e se energize sob a luz da lua.

Durante o ciclo de uma lua, experimente levar o recipiente para


onde você puder, como uma prática de cuidar do seu feminino e
relembrar as intenções colocadas ali dentro!

Após o ciclo dessa lua, coloque-o em seu altar e continue a


cuidar dele, trocando as flores, acendendo velas e incensos, usando
essências e perfumes.

Quando quiser, leve seu pote de volta à natureza, para próximo


do mar, de uma cachoeira, para tomar sol ou dormir sob o luar.

A cada novo cuidado, perceba-se nutrindo e abençoando seu


feminino, zelando por tudo aquilo que é importante para você!

Que seja lindo!!!

ANZA EDI INA


#odiáriodaluavermelha

DIA 28
O MANIFESTO

A DanzaMedicina é uma jornada sagrada de cura em direção à


essência da mulher selvagem. É um incorporar da sabedoria atem-
poral, instintiva e intuitiva. Esse é um chamado para dar o próximo
passo em direção ao desconhecido, em entrega e confiança. Sinta a
liberdade de se despir de suas máscaras, justificativas e medos.
Descalce os sapatos, descasque as camadas, afrouxe suas roupas e
solte seus cabelos. Invoque tudo o que há de mais sagrado em si
mesma.

Deixe-se inundar pela fertilidade do seu corpo, da sua mente e


do seu espírito. Feche os olhos, respire fundo, consagre o seu
sangue e abençoe seu ventre. Mova seu corpo, em suspiro, arrepio,
êxtase e silêncio. Junte os fragmentos da sua alma, resgatando os
aspectos do seu feminino que foram perdidos, rejeitados, negligen-
ciados, feridos ou esquecidos no decorrer da sua jornada de vida.
Honre cada um dos arquétipos, ritmos, facetas e frequências da
roda de vida cíclica do Ser Mulher.

Crie! Sua arte, sua vida, sua própria realidade.


Recrie-se! Abrindo o peito, resgatando sua voz, reacendendo
seu brilho e seu poder e recebendo o despertar de todas as deusas
e sacerdotisas que repousam latentes em você.
Renasça com a lua, em sua essência cíclica. Renasça com a água,
em seu prazer, com o fogo, em sua força visionária e com o vento, no
sopro da sua intuição. Renasça com a Terra, em ancestralidade e
abundância, em seu poder de decisão sobre tudo aquilo que é
importante para você: seu corpo sagrado, seu valioso tempo, seus
rezos, suas relações, seus dons, seus desejos, seu destino e seus
pequenos e grandes sonhos.

Renasça com suas irmãs e vibre em uníssono nesse círculo


sagrado. Acolha e sinta-se acolhida, com seu brilho e suas sombras,
com seu caos e sua perfeição. Este é o momento! Tome, graciosa-
mente, o seu poder pelas mãos, pelo ventre e pelo coração e se
torne testemunha do florescimento da mulher que você é, deseja e
merece ser!

Por todas as nossas relações, seguimos tecendo, hermanas!

Muitas bênçãos. Espero ter a oportunidade de compartilhar


momentos em presença com cada uma de vocês, dançando,
rezando, tocando tambor, cantando pela Grande Mãe e nos
honrando, assim como deve ser!

Gratidão por esse caminhar junto,


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ANZA EDI INA


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