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2 – Criacionismo e Evolucionismo

2.5 A questão central da polêmica: a criação do Homem _______________

2.5.1 – Duas formas de manifestação da Verdade

Até aqui já construímos uma visão sobre a criação e evolução, mas ainda não
entramos no ponto realmente mais polêmico: a criação do Homem. Além disso, tendo
apresentado na introdução deste estudo que havia 4 formas de manifestação da Verdade,
até aqui só trabalhamos usando a Bíblia e a natureza. Duas formas de manifestação
foram deixadas um pouco de lado. Isto foi, porém, deliberado. Agora será justamente
sobre estas duas formas de manifestação que desenvolveremos a discussão sobre o
último ponto desta polêmica questão.
Deus se manifesta diretamente ao homem e se manifesta através do próprio
homem para com seu semelhante. Estas duas formas de manifestação (assim como as
outras duas) atingem seu auge na vinda de Cristo – Deus feito em homem e habitando
entre nós. Portanto, será neste relacionamento Deus-homem e na vinda de Cristo, sim,
na vinda de Cristo, que buscaremos a base para considerar como o homem foi criado.

2.5.2 – Evidências da natureza sobre a criação do homem

Antes de prosseguir a este ponto central, porém, é interessante levarmos em


conta as evidências que a natureza nos traz. Eis algumas:
 A existência de fósseis de hominídeos: a Paleontologia e a Arqueologia há
tempos têm descobertos fósseis do que seriam precursores do homem na escala
evolutiva. Fósseis como os dos Australopithecus, e dos Homo Neanderthalensis
são evidências importantes de que até que a espécie Homo sapiens fosse criada
existiram animais com características próximas às do homem. Estes animais,
assim como os dinossauros, não chegaram até nossos dias, embora haja
evidências para crer que alguns hominídeos conviveram com o Homo sapiens. A
ciência estima que o homem tenha surgido a cerca de 250.000 anos atrás. Alguns
cálculos da genética estimam que toda a humanidade seja descendente de uma
linhagem que tenha vivido a cerca de 140.000 anos atrás na África, a Eva
Mitocondrial (nome dado por estes cálculos serem realizados com uma organela
celular chamada mitocôndria e somente em mulheres, de onde o nome Eva). A
população humana atual é geneticamente homogênea (mais do que a população
de outros primatas inclusive pelos melhores dados científicos), de forma que há
dificuldades para a ciência explicar como por mecanismos evolutivos os
hominídeos tenham resultado no homem e todas as outras espécies de
hominídeos tenham sido extintas. Uma teoria cientifica neste sentido é a da
catástrofe de Toba, pela qual uma gigante erupção vulcânica na Indonésia teria
reduzido a população humana para menos de 10.000 na Terra, há 70.000 anos
aproximadamente. A existência destes hominídeos, porém, não é razão
suficiente para total aceitação da evolução como forma de criação do Homo
sapiens. Falta um elo perdido entre os primatas e o Homo sapiens. Caso o
homem tenha se desenvolvido de um descendente comum com os primatas é
necessário que se encontre um “elo perdido” entre os primatas e o homem. No
entanto este “elo perdido” não foi encontrado, e com os dados atuais nada é
conclusivo em dizer que os Australophitecus, ou os fósseis chamados de Homo
erectus sejam este elo. Segundo a teoria evolucionista seria esperado que os
registros fósseis apresentassem um padrão suave de transição entre primatas e o
homem. No entanto temos pelo menos dois pontos bruscos de alteração no
registro fóssil. O primeiro, em uma data calculada como 125.000 a 100.000 anos
atrás, onde os primeiros fósseis praticamente indistinguíveis do homem moderno
começaram a aparecer. O segundo, há cerca de 40.000 anos atrás, quando as
primeiras evidências de uma cultura mais avançada (instrumentos de caça como
bumerangues, formas de arte primitivas,etc) e uma maior densidade
populacional aparece. Temos dois casos que parecem apontar no sentido de
intervenções especiais de Deus na criação. Naturalistas geralmente dizem que
afirmações destes tipos são um caso de “Deus das lacunas”, por colocar Deus em
ação onde não temos conhecimento suficiente. Porém desconsiderar que esta
seja uma opção para considerar apenas meios naturais não seria um “naturalismo
das lacunas”?. O fato é que paleoantropólogos de tempos em tempos surgem
com um novo fóssil que seria o elo perdido, mas que logo caem em descrédito
sendo considerados como ou homens ou espécies de primatas, quando não
ocorre de ser o fóssil uma grande calúnia, caso por exemplo do suposto
“Homem de Java” de Eugène Dubois (anatomista holandês, 1858-1940). A
seqüência mais prestigiada para a evolução humana atualmente,
Australopithecus afarensis para Homo habilis para Homo erectus para Homo
sapiens não é de forma alguma um consenso e há grandes lacunas nos registros
fósseis entre estas espécies. Além disso, nenhum destes outros candidatos a
antecessores humanos pode ser ligados ao uso de ferramentas e a cultura de
forma comprovada. De qualquer maneira, já expressamos anteriormente nossa
convicção de que Deus pode ter usados os meios que quis para criar cada espécie
animal, e que nem a ciência nem a Bíblia trazem conhecimentos que sejamos
capazes de compreender totalmente, para esclarecer este ponto atualmente.
 A semelhança entre o Homo sapiens e os outros animais: Um dos pontos mais
citados em defesa dos ancestrais comuns entre homem e primatas é a
similaridade genética (98% do DNA é idêntico entre homem e chimpanzé). O
Homo sapiens é visto como sendo diferente dos outros hominídeos por uma
série de fatores anatômicos, marcadamente um cérebro maior e mais
desenvolvido e esqueleto mais leve e postura mais ereta. Porém a semelhança é
marcante em muitos aspectos, mostrando que o Homo sapiens é fruto do mesmo
processo de criação que os outros animais. Esta questão não nos parece, porém,
embaraçosa. Mesmo algumas características aparentemente “morais” tem sido
observadas pelos cientistas no comportamento dos primatas. A principal
diferença entre os homens e os animais não é biológica, nem mesmo
comportamental.
 A existência do homem em regiões remotas da Terra: os índios mais isolados
da Terra, ainda são iguais a nós em termos genéticos. Há evidências para a
presença de povos na América do Sul em datas muito anteriores a 10.000 anos.
 A presença do Homo sapiens em datas remotas: Os registros fósseis que
encontramos mostram a presença de Homo sapiens em épocas mais antigas que
as genealogias de Gênesis colocam Adão. Assim temos evidências de artes pré-
históricas em Cavernas como em Altamira, que são datadas em cerca de 14.000
anos, havendo ainda registros mais antigos. Temos ainda evidências de uso de
ferramentas em épocas tão tardias quanto 100.000 anos atrás. Além disso, os
registros fósseis encontrados há mais de 50.000 anos são semelhantes aos do
homem moderno. Existem evidências de cultura e linguagem em períodos mais
antigos do que 10.000 anos.

Até este ponto somente tratamos mais a fundo de questões que anteriormente já
tinhamos levantado. Faremos o mesmo com as evidências bíblicas.

2.5.2 – Evidências da Bíblia sobre a criação do homem

A Palavra de Deus tem muito a dizer sobre a criação do homem, uma vez que
descreve como Adão e Eva foram criados. Esta parte do relato foi omitida de nosso
estudo verso a verso, no tópico anterior. Continuaremos o estudo aqui.

Versículo 26 – Então disse Deus: “Façamos o homem à nossa imagem, conforme a


nossa semelhança. Domine ele sobre os peixes do mar, sobre as aves do céu, sobre
os grandes animais, sobre toda a terra, e sobre todos animais que rastejam sobre a
terra”.

Façamos – Esta palavra está no plural no original. A idéia do plural pode ser
apenas um plural de majestade, divindade, como no plural em Elohim, que aparece neste
capítulo (ver 1.1). Porém, aqui podemos ter uma referência a Trindade: Deus Pai, Filho
e Espírito, à imagem de quem o homem é feito. Muitos durante a história entenderam
esta palavra neste sentido. Alguns teólogos não-trinitários argumentam que o plural é
apenas majestático, ou Deus estaria falando com anjos, e foi neste sentido que a
Septuaginta (versão grega do Antigo Testamento) entendeu Sl 8.6. Em relação a esta
última opinião, esta é deficiente no sentido que anjos em nenhum momento são
mostrados tomando parte na criação. Não é possível ser dogmático em relação a ser um
plural que aluda à Trindade ou apenas majestático, mas a Trindade é mostrada em
outras partes das Escrituras e essa doutrina não depende apenas deste versículo.
Embora em relação aos outros seres vivos seja dito que a terra ou a água os
produza, em relação ao homem é dito “façamos”. Isto implica na ação especial de Deus
na criação do homem, diferenciando este de todos os outros seres vivos e de toda a
criação.
o homem – Hebraico: (Adam), de onde o nome Adão. A palavra
(Adam) é semelhante a (adamah) que significa terra. Esta é uma alusão à
criação do homem do pó da terra, conforme o capítulo 2 mostra. O homem é a última
criação de Deus na Terra e a mais importante, como podemos ver pelo fato do próprio
Filho de Deus se fazer homem, para a salvação dos eleitos. Ser a última criação é tanto
uma honra quanto uma graça para o homem. Tendo sido formado por último, o homem
vem a um mundo já ordenado e completo para recebê-lo.
à nossa imagem – Não podemos entender completamente o que implica o
homem ter sido feito à imagem de Deus, uma vez que não somos capazes de
compreender totalmente qual é a imagem de Deus. Porém, é nesta imagem que
buscaremos as respostas mais importantes para a criação do homem.
conforme a nossa semelhança – Basicamente uma afirmação semelhante a
anterior, que apenas a reforça. Quando é dito que o homem é feito à semelhança de
Deus, isto não significa que devamos levar esta semelhança até o ponto de afirmar que
Deus possua um corpo físico como o do homem. Esta é uma heresia, que de forma
alguma tem respaldo bíblico. Alguns argumentam que a expressão “a nossa
semelhança” tenha sido colocada para atenuar o sentido de imagem, evitando a paridade
do homem com Deus. Porém, os dois termos imagem e semelhança são usados como
sinônimos no Antigo Testamento.
Domine ele – O hebraico traz o plural: “Dominem eles”. Ao homem é dado o
domínio sobre toda a criação, sobre todos os seres vivos, o mandato cultural. Feito a
semelhança de Deus, o homem é seu representante no domínio sobre a criação, o que é
confirmado quando o homem nomeia os animais (Gn 2.20).

Versículo 27 – Deus criou o homem à sua imagem, à imagem de Deus o criou;


homem e mulher os criou.

Deus criou o homem à sua imagem, à imagem de Deus o criou - Escrito em


forma poética, este trecho ressalta a importância da criação do homem e da mulher. O
homem é a última e mais importante criação de Deus neste universo. Em relação a
detalhes referentes à criação do homem ver capítulo 2 e comentários.
homem e mulher os criou – O hebraico traz “macho e fêmea”.

Versículo 28 – Deus os abençoou e disse: “Sede férteis e multiplicai-vos, encham a


terra e a dominem. Dominem sobre os peixes do mar, sobre as aves do céu e sobre
todos animais que se movem sobre a terra”.

Sede férteis e multiplicai-vos – Assim como Deus abençoou os outros seres


vivos, ele agora abençoa o homem para que ele se multiplique. A sobrevivência e
multiplicação do homem dependem da vontade e graça de Deus, como depende a
manutenção de toda a vida e criação.
os peixes do mar, sobre as aves do céu e sobre todos animais que se movem
sobre a terra – representantes principais de todos os habitats da Terra: águas, ares e
terra. O homem recebe o domínio sobre todos os seres vivos.

Versículo 29 – E disse Deus: “Eis que lhes dou todas as plantas que nascem na
terra e produzem sementes e todas árvores que produzem frutos e sementes. Elas
servirão de alimento para você.

Eis que lhes dou todas as plantas – Além do domínio sobre os animais já
destacado, o homem recebe o domínio sobre as plantas.
Elas servirão de alimento para você – Muitos argumentam que este versículo
mostra que o homem não era carnívoro, ou que não era vontade de Deus que ele se
alimentasse dos animais. Por outro lado, este versículo talvez apenas reforce o domínio
do homem sobre as plantas. A alimentação com carne não é pecado, como podemos ver
em muitos outros textos, principalmente do Novo Testamento (por exemplo, Mt 15.11 e
os diversos regulamentos da Lei, que tratam da divisão da carne do sacrifício com os
sacerdotes).

Versículo 30 – E a todo animal terrestre, a todo animal que voa nos céus e a todo
ser vivo que se move sobre a terra dou os vegetais como alimento”. E assim foi.

Este versículo é usado por muitos como prova de que os animais eram antes da
queda do homem todos herbívoros. Porém, ele apenas estende o domínio do homem
sobre as plantas para os animais, que sendo formas mais desenvolvidas de vida tem
também domínio sobre as plantas, das quais podem se alimentar. Esta cadeia alimentar,
que denota o domínio dos animais e do homem é parte da lei natural, feita por Deus.
Não há boas razões para se argumentar que um animal se alimentar de outro seja algo
ruim, sendo antes algo natural

Versículo 31 – E Deus viu tudo que havia feito, e tudo era muito bom. E passaram-
se tarde e manhã, e esse foi o sexto dia.

E Deus viu tudo que havia feito – Toda a criação, da origem do Universo até a
formação da Terra, dos seres vivos e por último a formação do homem e da mulher.
tudo era muito bom – Toda a criação de Deus é boa. Ele fez tudo de acordo
com seus desígnios superiores.
e esse foi o sexto dia – O sexto dia inclui a formação do homem e também da
mulher, que é descrita em detalhes no capítulo 2. Os eventos do sexto dia são muito
longos para terem se dado em um dia de 24 horas, mais um argumento em favor de que
não interpretemos os dias de Gênesis desta forma. Pela sua importância, esse dia é o
único que no original hebraico recebe o artigo definido.

Gênesis 2 e 3 trazem mais informações sobre a criação do homem. Porém, ao


invés de fazer o estudo verso a verso, apenas apontaremos para algumas questões deste
texto:
 O homem é feito alma vivente pelo sopro do Espírito de Deus: é o que nos
mostra o versículo 2.7 de Gênesis.
 A esposa de Caim: Caim é mostrado casando-se com uma mulher logo após
cometer o assassinato de seu irmão. Porém, se o homem foi criado a partir de um
casal apenas, como seria possível que houvesse alguma mulher para que Caim se
casasse? Além disso, geneticamente é complexo uma espécie que se desenvolve
a partir de um casal apenas.
 O domínio do homem sobre a natureza: o relato de Gênesis mostra que ao
homem é conferido o domínio sobre a ordem natural.
Sobre o texto bíblico isto é suficiente por enquanto. Passemos enfim as duas
últimas formas de manifestação da Verdade. Comecemos pelo relacionamento direto de
Deus com o homem.

2.5.4 – Deus se manifesta direta e pessoalmente ao homem

Quando dizemos que Deus se manifesta direta e pessoalmente ao homem,


falamos do que sentimos, pois como salvos em Cristo, temos recebido a presença de
Deus, e tomado parte em seu Espírito Santo. Somente o homem pode tomar parte neste
relacionamento.
Muito mais do que isso, porém, é grandiosa a Verdade suprema deste
relacionamento: o próprio Deus se fez homem. Esta é a maior questão: a vinda de Cristo
em forma de homem. Através dela podemos ver que o homem não é apenas uma espécie
animal.
Qual foi o motivo de Cristo ter vindo? João 3.16 nos responde: “Porque Deus
amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que
nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna”. Portanto, o motivo maior da vinda de
Cristo é a salvação do homem e a vida eterna. Podem outras espécies animais receber a
vida eterna? Embora Salomão questione em Ec 3.21: “Quem sabe que o fôlego do
homem vai para cima, e que o fôlego dos animais vai para baixo da terra?”, a vida
eterna é sempre associada à crença pela fé em Cristo (veja, por exemplo, Jo 3.36 ou Jo
6.40).
Outro fato interessante a ser considerado é que com a vinda, morte e ressurreição
de Cristo, uma nova era é inaugurada para a humanidade. Textos como Jo 12.30-32, Jo
16.4-14 e Lc 7.28 mostram isto.
Cristo é comparado a Adão em 1 Co 15.20-22,45-49. Esta comparação não é
sem propósito. Levá-la-emos adiante no próximo tópico, onde trataremos da última
forma de manifestação da Verdade: através dos homens.

2.5.4 – A Verdade dentro do próprio homem. Mas o que é “homem”?

Anteriormente apontamos para o fato de não levar o texto bíblico de forma


superficial ou tirar conclusões sem maior estudo. Agora, que chegamos ao último ponto
de análise desta controvérsia, faremos isto. A pergunta que colocamos é: Deus criou o
homem. Mas afinal, o que é homem?
Quando a Bíblia usa a palavra “homem” ela se refere ao homem moderno, como
cada um de nós. Neste sentido, é óbvio que ela não quer se referir a primatas como o
chimpanzé, por mais parecido que este seja geneticamente com o homem. Fica claro
também que “homem” não inclui nenhum hominídeo como o Homo Erectus ou os
Australophitecus, muito embora alguns destes pareçam ter dominado o uso do fogo e
desenvolvido ferramentas (neste sentido, outros primatas e mesmo animais de outras
espécies também foram descobertos usando ferramentas em algumas ocasiões). Porém,
esta questão não é tão clara quanto parece à primeira vista. Esbocemos a pergunta de
outra maneira. Se fosse possível que um adulto qualquer de hoje fosse trazido recém-
nascido para o dia de hoje, e fosse criado com as mesmas condições que qualquer
recém-nascido de hoje, parece claro que este teria a mesma capacidade de
desenvolvimento, raciocínio e de desenvolver sua espiritualidade. Ou de outra forma, a
geração atual não é superior em termos de capacidade a geração anterior, apenas teve
uma criação diferente. Utilizando este raciocínio de forma mais ampla, se fosse possível
que um recém-nascido de 3000 anos fosse trazido para nossos dias e criado com as
mesmas condições, parece que também este teria a mesma capacidade de
desenvolvimento, ou de outra forma, em 3000 anos não houve evolução nenhuma no
homem. Somente para que tenhamos alguma base de avaliação esta questão, os grandes
filósofos gregos, como Platão, viveram há cerca de 2500 anos atrás. Também a pouco
menos de 2000 anos foi escrito todo o Novo Testamento, e pelas cartas de Paulo vemos
sua capacidade (sabendo, porém, da inspiração do Espírito Santo para estas obras). Não
parece óbvio que os homens daquela época fossem menos inteligentes, criativos e
capazes que hoje. Se voltarmos a 7000 anos atrás, para o 5º Milênio antes de Cristo,
nesta época começavam a surgir as primeiras grandes civilizações como a
mesopotâmica e a começar a se difundir a agricultura. Ai repete-se a pergunta: se um
recém-nascido desta época fosse trazido para nossos dias será que ele seria menos
capacitado do que qualquer criança que fosse criada nas mesmas condições?
Novamente, não parece ser o caso, e parece que os homens há 7000 anos atrás fossem,
levando em consideração os conhecimentos adquiridos e a cultura da época, tão capazes
quanto os de hoje em dia. Para pensarmos mais nesta questão podemos considerar algo
mais próximo da realidade do que estes exercícios de imaginação e dedução. Se um
recém-nascido de uma das muitas tribos isoladas que hoje existem fosse criado em um
lar de uma família totalmente em contato com a sociedade moderna, será que no geral
essa criança teria mais dificuldades de desenvolvimento, aprendizagem ou para se tornar
um cristão? Esse não parece ser o caso, e os indígenas que passaram a se integrar mais
na sociedade moderna demonstram serem tão capazes quanto qualquer um de nós.
Afirmar que os indígenas isolados são menos capazes, inteligentes ou evoluídos que as
populações das cidades não parece muito correto, e esta opinião não sobreviveria a uma
pesquisa a respeito. A verdade é que todos os homens são iguais, independente de raça.
Com isso concluímos que se houve alguma evolução em 7.000 anos, esta não foi
motivada pelas descobertas da sociedade ocidental. Se desenvolvemos estes dois
raciocínios anteriores, o fizemos no sentido de desenvolver o ponto que desejamos
analisar. Temos por um lado, que até 150.000 anos atrás no máximo não existia
vestígios de existência de nenhum animal cujo registro fóssil pudesse ser comparado ao
de um homem moderno. Por outro lado, temos que há, digamos, 10.000 anos atrás
tínhamos pessoas que na média eram tão capazes quanto às pessoas de nossos dias na
média, conforme propomos pelo raciocínio anterior. Estes dados parecem indicar uma
transição nada suave, ao contrário do que a teoria da evolução sugere. A pergunta é: em
que ponto do passado encontramos pessoas que na média são menos capazes,
intelectualmente, por exemplo, que as pessoas de hoje? Guardemos esta questão.
Já colocamos que quando a Bíblia usa a palavra “homem” ela a usa no sentido
de alguém que tem as mesmas capacidades que o homem moderno. Assim, os israelitas
do tempo de Moisés eram tão “homem” quanto os judeus, índios, negros, brancos e
todas as raças de homem moderno. Mas o que faz de uma espécie de animal um homem,
ou melhor, o que seria uma definição para homem. Esta questão é mais importante do
que pode parecer e sua resposta menos trivial. Geneticamente e morfologicamente pode-
se definir o homem por uma série de atributos que lhe são próprios em relação aos
outros animais. Porém do ponto de vista teológico o que diferencia o homem dos outros
animais não é biológico: é a sua capacidade de se relacionar com seu Criador, de uma
forma que nenhum outro animal é capaz. E esta distinção não é mero resultado de
processos biológicos, mas sim da presença do espírito, que diferencia o homem dos
outros. Portanto, para que se possa dizer que temos um “homem” deve-se ter as
seguintes características: características genéticas que o qualifiquem como tal e a
presença do espírito que o diferencia e permite se relacionar com Deus de uma forma
diversa de qualquer outra espécie. Geneticamente (através de evidências indiretas que
não são claras atualmente) podemos encontrar animais que fossem idênticos ao homem
há 130.000 anos. Porém não parece ser o ponto que neste período houvesse consciência
da presença de Deus, por exemplo, pela falta de registros que demonstrem a existência
de uma religião.
A Bíblia não se preocupa com o aparecimento de outras espécies e nem é o foco
da Bíblia outros animais, mas sempre o homem. Desta forma, qualquer espécie que não
fosse o homem não seria tratada como importante pelo relato de Gênesis, e isto inclui
todos os hominídeos que viveram antes da criação do homem. Quando a palavra homem
é usada na Bíblia ela é sempre usada para descrever nossa espécie, e mais do que isso,
para descrever um ser vivo que diferencia dos outros na capacidade de se relacionar
com seu Criador. Assim, Adão é o primeiro homem, pois tendo sido feito por Deus de
maneira especial e recebendo dEle o sopro de vida recebeu também a capacidade de se
relacionar com seu Criador, de uma forma especial e única. Esta mesma capacidade
possuem todos os homens, porém após a queda, o pecado original, nem todos procuram
viver este relacionamento. Quando a Bíblia trata de Adão como o primeiro homem (por
exemplo em 1 Co 15.45), o faz no sentido que ele foi o primeiro a ser como cada um de
nós, possuindo um espírito e capacidade de adorar a Deus e se relacionar com Ele.
Antes de Adão ninguém teve estas duas características, logo não houve homem antes de
Adão (no sentido de que na nossa escala de tempo e universo físico ele foi o primeiro a
se relacionar com Deus entre os animais, o que o diferenciou dos animais e dEle fez um
homem).

2.5.5 – Uma conclusão

Tendo chegado até este ponto no raciocínio juntaremos estas idéias e dela
tiraremos a conclusão. Em primeiro lugar, respondendo a primeira pergunta colocada
acima, o ponto de transição, a partir do qual podemos encontrar homens realmente, no
sentido de possuírem as mesmas capacidades que nós é a criação de Adão. Antes de
Adão não existia o homem pela definição que colocamos, e por aquilo que o diferencia
dos animais: sua capacidade de relacionamento com Deus. Deus criou a espécie
humana, Homo sapiens, como umas das espécies de animais em algum ponto no
passado distante, 200.000 anos, 150.000 anos, não temos dados para chegar nesta data
de forma certa atualmente. A forma usada para criar esta espécie não podemos dizer
com certeza, mas os registros fósseis, como discutimos, parecem mostrar que não houve
uma transição suave, o que indica que ações especiais de Deus tenham sido empregadas.
Porém, não podemos dizer que esta espécie era ainda o homem. Não tendo a capacidade
de relacionamento com Deus, estes ainda não eram verdadeiramente “homem”. Eram
como os outros animais, dotados de uma alma, porém sem espírito. Em algum ponto do
passado então ocorreu a grande intervenção de Deus na criação. Tendo criado Adão do
pó da terra e colocando nele o sopro da vida e o espírito, e fazendo a este como os
outros da espécie humana, porém diverso destes por sua forma de criação e por ter a
capacidade de relacionamento com Deus, Deus marcou o ponto máximo da criação do
Universo: a criação de um ser vivo que tivesse a capacidade de relacionar-se com Deus
e neste sentido fosse diverso de todos os outros seres. Somente Adão possuía um
espírito, e este espírito o diferenciava de todos os seres que existiam sobre a terra. Neste
sentido Adão é o primeiro homem, e Eva criada a partir deste, a primeira mulher. Mas o
que dizer de todos os outros homens que viviam na Terra nesta época? Todos estes
receberiam o espírito e a capacidade de se relacionar com Deus, como o primeiro
homem: Adão. A analogia é colocada por Paulo em Rm 5. Assim como em Jesus todos
podem ser salvos e receber o Espírito Santo, através de Adão todos da espécie humana
puderam se relacionar com Deus e se tornar homens. Assim, após a queda do homem, o
pecado original de Adão, todos receberam o espírito que permitiria que estes se
relacionassem com Deus. A forma como o espírito foi distribuído a todos para que se
tornassem “homem” é um mistério, assim como é um mistério a forma como hoje as
pessoas recebem o Espírito Santo e a reconciliação com Deus.
Sumarizando o que foi dito, temos que: Adão foi um personagem histórico, e um
personagem muito importante, pois foi o primeiro homem, conforme discutimos
significar homem. Considerar Adão como um personagem histórico é importante, como
já discutimos anteriormente, pois a Bíblia sempre o faz, inclusive o próprio Cristo.
Pelas ações de Adão todos os da espécie humana sobre a terra receberam o espírito e se
tornaram homens. Pela ação de Adão todos porém se tornaram pecadores, e a morte e o
pecado entrou no mundo. Desta forma, todos homens sobre a terra são descendentes de
Adão, o primeiro homem. Biologicamente falando, nem todos homens são descendentes
de Adão, mas todos são uma só espécie, como a Biologia pode atestar através de testes
genéticos. Em última análise, nenhum animal, planta ou qualquer outra criação foi feita
à parte da ação de Deus, seja por ação natural ou sobrenatural. Este tratamento da
criação pode parecer descabido ou especulativo para muitos, e por certo é polêmico,
porém não é resultado de nada além da busca pela verdade nas Escrituras. De fato, essa
abordagem da criação soluciona mais problemas do que os cria. Assim, quando pouco
depois da saída de Adão do paraíso Caim diz que todos os que o encontrarem o matarão
(Gn 4.14), fica claro que alguém poderia encontrá-lo, bem como fica claro onde ele
obteve uma esposa.
Portanto, a espécie animal a que pertencemos, Homo sapiens, foi criada há mais
de 150.000 anos provavelmente, mas o homem, ser capaz de se relacionar com Deus, foi
criado em Adão. Adão, como Cristo, foi inaugurador de uma nova era para a espécie
humana – sendo o primeiro homem terreno, como afirma 1 Co 15.45-48. Cristo - o
primeiro dos homens espirituais, foi além inaugurando uma nova época para história da
humanidade. Na sua volta, uma terceira era se iniciará, onde o relacionamento do
homem com Deus se aperfeiçoará e receberemos uma nova humanidade, capaz de viver
com nosso criador, fechando o ciclo iniciado com a criação do Universo (1 Co 15.51-
57).

2.5.6 – Uma síntese do que tratamos

Chegamos até o ponto final de nossa discussão. É importante resumir nossa


opinião, formada até este ponto:
 Deus criou tudo que existe. Neste processo usou os processos que lhe aprouve
usar, e a Bíblia não faz distinção entre causa primeira e causa segunda. Portanto,
resta ao homem buscar compreender pela natureza os meios de ação de Deus.
 A evolução pode e deve ter sido ferramenta do processo criativo de Deus.
Porém, as evidências científicas são ainda muito escassas para comprovar que
foi a única ferramenta. Permanecemos mantendo a dúvida sobre as formas que
Deus usou em toda criação.
 Gênesis 1 não é mero mito de criação, mas sim um texto escrito com motivação
religiosa, e numa linguagem carente de palavras para descrever detalhadamente
o processo da criação. Porém, ali está presente a Verdade sobre a criação.
 O estudo da natureza que nos cerca mostra que não devemos levar Gênesis ao pé
da letra, de uma forma que o texto não exige, e nem é a leitura mais natural,
como mostram as interpretações dadas ao mesmo em épocas onde o
conhecimento científico era ainda mais escasso.
 O homem deve ser entendido, mais do que pelas suas características biológicas,
pelas suas características espirituais. É ai que reside a essência do homem. Neste
sentido é que Adão é o primeiro homem.
 Adão é um personagem histórico. Não podemos admitir conclusão diferente,
pois isto traz problemas sérios a toda compreensão e veracidade da Bíblia.
 Assim como Adão, Cristo veio e se tornou homem, inaugurando uma nova
época no relacionamento de Deus com o homem. Esta analogia é sustentada pela
Bíblia e é a base da compreensão da criação do homem. A criação do homem é
um evento espiritual, mais do que biológico.
 A partir de Adão, criado por intervenção espiritual de causa primeira (assim
como Cristo foi gerado pelo Espírito Santo), uma nova era surgiu para a espécie
Homo sapiens, escolhida para se tornar o homem, auge da criação a quem foi
dado o domínio sobre esta. Adão, caindo em pecado, trouxe a morte ao homem,
que pelo acesso a árvore da vida poderia ser eterno. Assim, foi necessário que
Cristo viesse em forma de homem, para trazer o homem de volta a este acesso
(Ap 2.7).
Esta é nossa posição sobre o assunto. Por certo pode ser alvo de críticas, mas se
fosse unânime não haveria mais polêmica. Esta opinião é resultado, porém, de um
compromisso com a Verdade, revelada pelas 4 formas de manifestação de Deus.
Esta posição poderia ser conceituada como intermediária entre o criacionismo da
Terra antiga e o teísmo evolucionista, com uma ênfase especial na criação espiritual do
homem. Não vemos na natureza razão para concordarmos totalmente com o
evolucionismo, esperando antes que novos estudos possam clarear nossa compreensão.
Quanto a criação do homem, como ser espiritual a imagem de Deus, temos por certo
que nada há de processos biológicos nisto.
Terminando, colocaremos nossas principais críticas as posições recorrentes no
debate.
Em primeiro lugar, os criacionistas da Terra Jovem falham em desconsiderar a
natureza como fonte de conhecimento de Deus, negando evidências claras a sua
interpretação literal do relato de Gênesis. Os teístas evolucionistas falham em considerar
o relato de Gênesis como mero mito, em especial no que se relaciona a Adão. Se Adão e
sua criação são mitos, o que falta para considerar Cristo e sua criação e ressurreição um
mito? Nada sobra do Cristianismo sem a ressurreição de Cristo.
Tendo afirmado nossa crítica aos pontos principais dentro do debate cristão, é
dispensável apontar as críticas ao ateísmo evolucionista, mas de qualquer forma o
faremos. A grande falha dos ateístas evolucionistas está em acreditar que compreender
tudo pela ciência seja possível, quando na verdade Deus está presente e manifesto em
tudo que vemos. A ciência por si só não explica como o Universo surgiu, como a vida
surgiu na Terra, como o homem surgiu, e muitas outras coisas satisfatoriamente (a
explosão cambriana é um grande exemplo). Em especial, não explica como o homem se
relaciona com Deus, o ponto principal de nossa própria existência.
Como encerramento, deixamos nossa crítica a polêmica em si. Como afirmamos
no início, a polarização no debate entre criacionistas da Terra Recente de um lado e
ateus evolucionistas do outro é prejudicial a compreensão da verdade, pois desconsidera
as diversas formas que Deus usa para falar com o homem. A Verdade está nas diversas
formas que Deus se manifesta ao homem. Está principalmente na comunhão com Deus.
Tendo comunhão com Ele talvez não aprendamos se a evolução foi um método para a
criação de Neanderthais, mas com certeza compreenderemos que o homem é uma
criação especial e diferente de Deus, de forma que Este foi capaz de dar seu filho para
morrer por nós.
Esperamos que este estudo tenha sido útil. Por certo algumas pontas de
raciocínio ficaram desamarradas, mas no geral procuramos buscar a Verdade e
desenvolver uma base de conhecimentos que pudesse nos dar como discutir este
assunto, e ter sobre ele uma opinião. Passaremos a discussão de outra polêmica,
deixando, porém, a vontade quem quiser questionar algo que não tenha ficado claro.