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CUIDADOS DE SAÚDE INFANTIL

Enquadramento

A formação profissional é um facto determinante na vida profissional de cada


formando, uma vez que obtendo este tipo de formação é-lhes possível adquirir novos
conhecimentos, novas técnicas de trabalho e por vezes também a redescoberta da
profissão. Tendo tudo isto em conta, este módulo de formação
surge através da formação de “Técnico auxiliar de saúde”.

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Índice

Enquadramento ................................................................................................................. 2

Objetivos Pedagógicos ..................................................................................................... 6

1. Os direitos e deveres da criança ............................................................................ 9

1.1. Conhecimento dos direitos e deveres do adulto e da criança............................. 9

1.2. Conhecimento da carta de direitos da criança hospitalizada ........................... 10

1.3. Respeito pelas crenças e valores ...................................................................... 11

2. Marcos de crescimento estaturo-ponderal e psicomotor dos 0 aos 3 anos com


especial incidência para o primeiro ano de vida ............................................................. 12

2.1. Percentis de peso .............................................................................................. 12

2.2. Percentis de comprimento ................................................................................ 14

2.3. Percentis de perímetro cefálico ........................................................................ 17

2.4. A obesidade Infantil ......................................................................................... 19

3. A alimentação no primeiro ano de vida ............................................................... 21

3.1. Aleitamento materno ........................................................................................ 21

3.2. Leites adaptados ............................................................................................... 23

3.3. Biberões ........................................................................................................... 23

3.4. Limpeza e esterilização dos equipamentos usados na alimentação ................. 25

3.5. Diversificação Alimentar ................................................................................. 26

4. Necessidades nutricionais específicas ................................................................. 33

5. Sintomas comuns na infância .............................................................................. 37

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5.1. Febre ................................................................................................................ 37

5.2. Vómitos ............................................................................................................ 39

5.3. Diarreia ............................................................................................................ 40

5.4. Dor abdominal / Cólicas abdominais ............................................................... 42

5.5. Tosse ................................................................................................................ 43

5.6. Rinorreia .......................................................................................................... 44

5.7. Lesões cutâneas ................................................................................................ 45

6. Criança doente e causas fisiológicas de maior suscetibilidade na 1ª infância ..... 47

6.1. Noções sobre doenças exantemáticas .............................................................. 47

7. Conceito de morbilidade e mortalidade infantil .................................................. 51

8. A prestação de cuidados de saúde infantil ........................................................... 53

8.1. O apoio nos cuidados na maternidade/berçário ............................................... 53

8.2. O apoio nos cuidados especiais para recém-nascidos ...................................... 54

8.3. O apoio nos cuidados na unidade de internamento de pediatria ...................... 56

8.4. O apoio nos cuidados na consulta de pediatria ................................................ 57

9. Acompanhamento da criança nas atividades diárias ........................................... 59

9.1. Alimentação ..................................................................................................... 59

9.2. Eliminação ....................................................................................................... 61

9.3. Higiene e hidratação ........................................................................................ 63

9.4. Sono e repouso ................................................................................................. 68


9.5. A relação com a criança e família: a ansiedade, o medo e as crenças associados
à hospitalização ........................................................................................................... 70

9.6. Noções de segurança e prevenção de acidentes no universo infantil enquanto


intervenientes passivos / ativos nas atividades diárias ................................................ 72

9.7. A importância da ocupação dos tempos livres ................................................. 73

10. Tarefas que em relação a esta temática se encontram no âmbito de intervenção


do/a Técnico/a Auxiliar de saúde ................................................................................... 75

10.1. Tarefas que, sob orientação de um Enfermeiro, tem de executar sob sua
supervisão direta ......................................................................................................... 75

Bibliografia ..................................................................................................................... 79
Objetivos Pedagógicos

No final deste módulo de formação as formandas deverão saber:

 Identificar as noções básicas dos Direitos e Deveres da Criança.

 Identificar as noções básicas das diferentes fases do desenvolvimento infantil.

 Caracterizar os diferentes tipos de cuidados prestados nos serviços de saúde


infantil.

 Identificar sinais de alerta no âmbito das atividades diárias à criança.

 Explicar que as tarefas que se integram no seu âmbito de intervenção do/a


Técnico/a Auxiliar de Saúde terão de ser sempre executadas com orientação e
supervisão de um profissional de saúde.

 Identificar as tarefas que têm de ser executadas sob supervisão direta do


profissional de saúde e aquelas que podem ser executadas sozinho.

 Explicar a importância de demonstrar interesse e disponibilidade na interação


com utentes.

 Explicar a importância de manter autocontrolo em situações críticas e de limite.

 Explicar o dever de agir em função das orientações do profissional de saúde.

 Explicar o impacte das suas ações na interação e bem-estar emocional de


terceiros.

 Explicar a importância da sua atividade para o trabalho de equipa


multidisciplinar.

 Explicar a importância de assumir uma atitude pró-ativa na melhoria contínua da


qualidade, no âmbito da sua ação profissional.

 Explicar a importância de cumprir as normas de segurança, higiene e saúde no


trabalho assim como preservar a sua apresentação pessoal.

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 Explicar a importância de agir de acordo com normas e/ou procedimentos
definidos no âmbito das suas atividades.
 Explicar a importância de adequar a sua ação profissional a diferentes públicos e
culturas.

 Explicar a importância de prever e antecipar riscos.

 Explicar a importância de demonstrar segurança durante a execução das suas


tarefas.

 Explicar a importância da concentração na execução das suas tarefas.

 Explicar a importância de desenvolver as suas atividades promovendo a


humanização do serviço.

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1. Os direitos e deveres da criança

1.1. Conhecimento dos direitos e deveres do adulto e da criança

Os cidadãos internados num estabelecimento de saúde ou seguidos por este no


domicílio, são pessoas com direitos e deveres. Não deverão ser consideradas apenas do
ponto de vista da sua patologia, deficiência ou idade, mas com todo o respeito devido à
dignidade humana.

Para além da regulamentação aplicada pelos estabelecimentos de saúde, devem zelar


pelo respeito dos direitos do homem e do cidadão reconhecidos universalmente, e dos
seguintes princípios gerais: não discriminação, respeito da pessoa, da sua liberdade
individual, da sua vida privada e da sua autonomia.

Também, as instituições e os profissionais devem zelar pela boa aplicação das regras de
deontologia profissional. Enfim, devem assegurar que os doentes tenham a
possibilidade de fazer valer os seus direitos e afirmar a sua primazia como pessoa.

O doente internado tem direito à visita dos seus familiares e amigos quando o desejar e
os horários o permitam, sempre que não exista contraindicação.

As instituições e os profissionais devem facilitar e mesmo incentivar o apoio afetivo que


pode dar “entes significativos” para o doente.

As situações familiares mais complicadas onde existem conflitos entre os diferentes


Familiares e/ou amigos têm que ser ponderadas discreta e subtilmente pelos
profissionais.

Os doentes que não têm visitas e se sentem isolados devem ter um maior apoio quer do
Pessoal de saúde, quer do pessoal voluntário devidamente preparado e enquadrado.

O doente internado que se mostre incapaz de compreender ou de se fazer compreender


tem direito ao acompanhamento da pessoa que habitualmente lhe presta cuidados e para
a qual deve haver condições mínimas.

Em outras situações que se justifiquem o doente internado tem também direito ao


acompanhamento em permanência:

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 No momento do parto, pelo companheiro, ou outra pessoa designada pela
parturiente;
 No caso das crianças internadas independentemente da sua idade e estado de
saúde;
 Doentes com deficiências, com problemas de comunicação ou alterações de
natureza psicológica;
 Doentes em situação terminal;
 Doentes no serviço de urgência.

Os horários para as visitas deverão ter em conta não só as necessidades dos serviços,
mas também e, sobretudo as necessidades dos doentes e a disponibilidade da população.

1.2. Conhecimento da carta de direitos da criança hospitalizada

CARTA DOS DIREITOS DA CRIANÇA HOSPITALIZADA

1.A admissão de uma criança no Hospital só deve ter lugar quando os cuidados
necessários à sua doença não possam ser prestados em casa, em consulta externa ou em
hospital de dia.

2.Uma criança hospitalizada tem direito a ter os pais ou seus substitutos, junto dela, dia
e noite, qualquer que seja a sua idade ou o seu estado.

3.Os pais devem ser encorajados a ficar junto do seu filho devendo ser-lhes facultadas
facilidades materiais sem que isso implique qualquer encargo financeiro ou perda de
salário. Os pais devem ser informados sobre as regras e as rotinas próprias do serviço
para que participem ativamente nos cuidados ao seu filho.

4. As crianças e os pais têm o direito a receber uma informação adaptada à sua idade e
compreensão. As agressões físicas ou emocionais e a dor devem ser reduzidas ao
mínimo

5. As crianças e os pais têm o direito a serem informados para que possam participar em
todas as decisões relativas aos cuidados de saúde. Deve evitar-se qualquer exame ou
tratamento que não seja indispensável.

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6. As crianças não devem ser admitidas em serviços de adultos. Devem ficar reunidas
por grupos etários para beneficiarem de jogos, recreios e atividades educativas
adaptadas à idade, com toda a segurança. As pessoas que as visitam devem ser aceites
sem limites de idade.

7. O Hospital deve oferecer às crianças um ambiente que corresponda às suas


necessidades físicas, afetivas e educativas, quer no aspeto do equipamento, quer no do
pessoal e da segurança.

8.A equipa de saúde deve ter formação adequada para responder às necessidades
psicológicas e emocionais das crianças e da família.

9. A equipa de saúde deve estar organizada de modo a assegurar a continuidade dos


cuidados que são prestados a cada criança.

10. A intimidade de cada criança deve ser respeitada. A criança deve ser tratada com
cuidado e compreensão em todas as circunstâncias.

1.3. Respeito pelas crenças e valores

As convicções culturais, filosóficas e religiosas do doente internado, bem como a sua


orientação sexual deverão ser respeitadas pelo estabelecimento de saúde e pelos
respetivos profissionais.

Cada pessoa é um todo único e singular, protagonista de uma história e de uma entidade
Cultural e espiritual, que para muitos se define religiosamente. Considerar estes aspetos
é fundamental na prática dos cuidados de saúde. A experiência do sofrimento torna estas
dimensões particularmente importantes para o doente internado.

Nos estabelecimentos de saúde, existem serviços religiosos, aos quais compete


explicitamente garantir o respeito pela identidade espiritual e religiosa dos doentes e
procurar ir ao encontro de todos sem exceção, diretamente ou facilitando o acesso aos
ministros de outras religiões de modo a encontrar a resposta pessoal pretendida por cada
um.

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Todos os doentes têm direito a assistência religiosa sempre que o solicitarem. As
instituições devem zelar para que este direito seja respeitado. Faz-se notar que é
altamente incorreto que o ministro duma religião faça assédio religioso a outros doentes
internados.

Esta recomendação estende-se aos membros de Ordens Religiosas não ministros assim
como outros evangelizadores voluntários.

Chama-se a atenção para alguns grupos não religiosos, bastante ativos, que se
aproveitam do relativo isolamento e da fragilidade dos indivíduos internados para,
abusando desta situação, captarem simpatizantes ou aderentes.

As convicções culturais, filosóficas e religiosas deverão também ser tidas em


consideração quer nos aspetos terapêuticos (por exemplo: transfusões nas testemunhas
de Jeová), quer nos hábitos alimentares, bem como algumas regras sociais referentes ao
relacionamento entre as pessoas e aos rituais de nascimento e morte.

Todo o proselitismo é proibido, seja por uma pessoa internada, um voluntário, um


visitante ou um membro do pessoal.

2. Marcos de crescimento estaturo-ponderal e psicomotor dos 0 aos 3 anos com


especial incidência para o primeiro ano de vida

2.1. Percentis de peso

O peso é a medida antropométrica mais comum. Na realidade, esta medida é de massa


corporal e não de peso, mas este último termo é universalmente aceite e de difícil
substituição.

O peso é uma medida elementar para a avaliação nutricional, particularmente no que


respeita a situações de insuficiência ponderal de excesso de peso ou obesidade.

Trata-se da medida antropométrica mais usada nos serviços de saúde em todo o mundo,
sendo facilmente obtida e é importante no cálculo da dosagem de medicamentos e
planos alimentares, na definição do risco nutricional e na definição do perfil nutricional

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da criança, com o objetivo de planear, implementar e avaliar programas de saúde
infantil.

Como qualquer medida antropométrica, o valor obtido para o peso não deve ser
interpretado isoladamente mas sim posicionado numa tabela de percentis que consta do
boletim de saúde infantil e juvenil.

A evolução ponderal na trajetória do crescimento não é linear, podendo sofrer alterações


e depender de fatores exógenos pontuais, bem como apresentar características
particulares e individuais.

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2.2. Percentis de comprimento

O comprimento/ estatura são medidas que expressam o processo de crescimento linear


do corpo humano e são de extrema importância na definição do perfil nutricional da
criança.

Dependendo da idade da criança e da capacidade para se manter de pé, mede-se o


comprimento ou a estatura. O comprimento é medido com a criança em decúbito dorsal,
e deve ser utilizado até aos 24 meses. A estatura é medida com a criança de pé.

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O valor obtido para o comprimento ou estatura deve ser posicionado na tabela de
percentis que consta no boletim de saúde infantil e juvenil.

Tendo em consideração que a evolução da trajetória do crescimento não é linear e que o


padrão de crescimento estatural tem características particulares e individuais, com forte
influência genética, apenas reduções ou aumentos marcados entre duas ou mais
avaliações deverão ser alvo de sinalização.

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2.3. Percentis de perímetro cefálico

Para acompanhar a avaliação do crescimento de uma criança, as medidas


antropométricas incluem também o perímetro cefálico (PC). O PC é um parâmetro
altamente correlacionado com o tamanho cerebral, refletindo o seu crescimento.

A cabeça no feto aos 2 meses de vida intra-uterina representa, proporcionalmente, 50%


do corpo; no recém-nascido representa 25% e na idade adulta, 10%. Os dois primeiros
anos de vida constituem o período em que o crescimento cerebral se completa quase
totalmente, sendo no primeiro ano particularmente acelerado.

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Este crescimento do cérebro explica o aumento do PC e a importância da sua medição
periódica nos primeiros três anos de vida.

Quando o PC aumenta de uma forma proporcional, traduz um crescimento adequado e


um bom prognóstico neurológico, enquanto um crescimento demasiado rápido ou um
ritmo lento podem ser indicativos de patologia.

O PC tem também a sua importância nos dois primeiros anos de vida como indicador
nutricional.

A interpretação do valor obtido na medição do perímetro cefálico tem por base o valor
do respetivo percentil, observado nas tabelas de referência, para a idade e sexo. Não
devem ser interpretados de forma isolada.

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2.4. A obesidade Infantil

As crianças alimentadas com leite materno não sofrem de excesso de peso, o mesmo
não acontecendo com o aleitamento artificial se não se seguirem as indicações dos
técnicos de saúde. Os problemas podem ter início aquando da introdução de novos
alimentos, nomeadamente as farinhas, não enquanto refeição, mas como acréscimo ao
leite no biberão – “ para engrossar “

Salvo raras exceções, o excesso de peso dos bebés e das crianças resultam sempre de
um excedente de alimentos, quase sempre da responsabilidade de quem cuida. Os maus

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hábitos alimentares começam ao longo da infância e da adolescência, prolongando-se
até à vida adulta.

Para muitos adultos, consciente ou inconscientemente, dar de comer é uma forma de


exprimir afeto, e por tal quanto mais e do gosto da criança, melhor.

Um bebé ou criança gordos são de certeza mal alimentados quer em quantidade quer em
qualidade.

Erros mais comuns:

Bebés com excesso de peso:

 Fazer doces de leite artificial muito açucarados


 Introduzir farinhas na dieta do bebé demasiado cedo
 Acrescentar desnecessariamente farinha ao biberão de leite para o tornar “ mais
agradável “ e ajudar a crescer
 Dar alimentos doces muito cedo, não permitindo o hábito por alimentos menos
ou não doces

Crianças com excesso de peso

 Recusar comer determinados alimentos que são substituídos por outros


francamente do seu agrado
 Recusar comer às refeições
 Preferência por alimentos doces.

O excesso de peso na criança agrava-se muitas vezes por falta de atividade física,
podendo tornar-se problemático e um círculo vicioso. Ou seja, uma dificuldade em
participar nos desportos, poderá levar a um mau estar compensável por uma ingestão de
mais doces e assim sucessivamente, até a adolescência ou vida adulta, podendo vir a
desencadear problemas físicos e psíquicos de gravidade.

Como ajudar?

 Seguir o Esquema de Vigilância de Saúde ou recorrer a um técnico de saúde


cumprindo as suas orientações.

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 Corrigir os erros identificados.
 Planear a correção de erros alimentares da família, servindo assim de modelo e
traduzindo-se em benefício para todos a curto e longo prazo.
 Evitar guloseimas
 Em casa substituir os doces por fruta
 Observar se a criança come por andar tensa, nervosa ou com medos, tentando
resolver o motivo
 Conquistar, quando a idade permitir, a cooperação da criança para que não coma
fora de casa e das refeições.

Uma vigilância de saúde correta pode evitar este problema bem como as suas
consequências.

3. A alimentação no primeiro ano de vida

3.1. Aleitamento materno

O Aleitamento Materno é um bom princípio para o bebé. Nenhum laboratório,


conseguiu ainda algo semelhante ao colostro: líquido amarelo segregado nos primeiros
dias após o parto.

Este líquido, cuja composição química varia de dia para dia, tem um valor nutriente
superior ao do leite, e contém proteínas especiais, que protegem o bebé das infecções (a
primeira vacina do bebé). Trata-se de anticorpos, produzidos pelo organismo materno,
que transmite as primeiras defesas ao bebé. Esta razão é por si só motivo mais que
válido para a obrigatoriedade da amamentação.

Por outro lado, a ligação que existe entre a mãe e o filho, e a importância que isso tem
para a saúde física e psíquica da criança, constitui outra razão importante para os que
defendem o aleitamento.

Em relação à mãe, a sucção precoce provoca a produção de uma substância que ajuda a
recuperação do útero e que além disso, estimula a subida do leite.

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O aleitamento pode, no entanto, ser desaconselhado por razões ligadas à mãe ou à
criança:

 Doença grave da mãe - toma de medicamentos prejudiciais ao bebé, e que


passam pelo leite
 Mãe com pouco ou sem leite
 Incapacidade do Bebé chupar, por várias razões
 Perda de peso sem o peso desejado à nascença
 Grande cansaço ou ansiedade da mãe provocadas pelas necessidades do bebé
 Lesões do mamilo
 Outros

Vantagens:

 Proporciona uma vivência muito íntima entre Mãe e filho


 Está disponível, esterilizado e à temperatura correta
 É de fácil digestão
 Fornece de modo equilibrado todos os nutrientes necessários ao bebé nos seus
primeiros meses
 Protege o bebé contra infeções - Fator imunitário
 Diminui o risco do bebé ter alergias
 Ajuda à eliminação de gorduras no corpo da mãe e ajuda a que o útero volte ao
tamanho anterior
 Impede a desidratação e desnutrição grave
 Está num recipiente “fácil de utilizar, sempre à mão”, e que nas primeiras
semanas permite ao bebé saber regular a quantidade que quer

Como ajudar a Amamentar:

 Ajude a encostar o mamilo do peito da mãe a uma das faces do bebé e ele abrirá
logo a boca
 Incentive a mãe a não deixar o bebé chupar só o mamilo, ajude-o a abocanhar a
auréola mamilar (a parte mais escura) para não ficar a chupar só o mamilo
 A mãe deve com um dos dedos impedir que as narinas do bebé fiquem tapadas
com a mama, fazendo pressão sobre a mesma com um dedo.

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 No momento de mudar de peito ou acabar com a mamada, com o dedo mínimo
no canto da boca do bebé e retira-se o mamilo suavemente
 Se o bebé adormecer antes dos 5 minutos ao peito, deve tentar-se acordá-lo com
cócegas nos pés. Se não acordar, não se deve insistir, ele mamará mais tarde
 Se após a mamada, a mama tiver leite, deve ajudar-se a esvaziar as mamas para
evitar o seu ingurgitamento
 Mamilo deve ser seco e protegido se necessário com pomada própria.

3.2. Leites adaptados

O aleitamento artificial pode ocorrer desde o início da vida do bebé, o que é raro, ou
mais tarde por diversas razões. Tal como já foi referido alimentar uma criança é mais
que dar-lhe de comida. A relação afetiva que acompanha este ato é importantíssima e
não há razão para que não esteja garantida no aleitamento artificial.

Assim e para que os nutrientes que leite e afeto fornecem há que ter em conta algumas
preocupações que permitirão um crescimento global.

O aleitamento misto pode surgir quando:

 Em cada mamada se oferece um suplemento de leite artificial


 Se substitui uma mamada por uma refeição de leite artificial.

Devem ter-se os cuidados e preocupações inerentes ao aleitamento materno e artificial,


devendo no primeiro caso o aleitamento artificial ser oferecido após o materno.

3.3. Biberões

Antes de começar:

 Não deixe tarefas a meio como alimentos ao lume


 Certifique-se que a temperatura do leite está correta, deixando cair gotas de leite
na face interna pulso,

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 Verifique se o fluxo de leite da tetina, não está demasiado rápido ou lento, o
ideal é várias gotas por segundo
 Verifique se o bebé está confortável (fralda limpa)
 Lave as mãos
 Sente-se cuidadosamente e sem pressas
 Coloque o bebé ao colo numa posição de conforto e segura (nunca deitado), dê-
lhe atenção e carinho
 Adote uma posição de modo a que os olhares se encontrem e assim possa
associar o prazer da mamada a quem o amamenta
 Se for necessário ponha uma almofada no colo para elevar o bebé
 Retifique alguns aspetos do ambiente, ruído, luminosidade, temperatura e
espaço, de modo a que a refeição se realize num ambiente calmo e acolhedor

Dar biberão:

 Afague-lhe a bochecha, o que vai despertar o reflexo de mamar


 Toque com a tetina nos lábios entreabertos do bebé, ele abrirá a boca e introduza
a tetina para começar a mamar
 Mantenha o biberão inclinado de modo a que a tetina esteja sempre com leite,
impedindo o bebé de engolir ar
 Fale com o bebé
 Deixe-o mamar até ele se sentir satisfeito
 Não deixe o bebé pequeno tomar o biberão sozinho, pode sufocar e mesmo
morrer
 O bebé não tem sempre o mesmo apetite, não obrigue o bebé a beber o que não
quer, deite fora o que sobrar.

Material:

 Esterilizador ou panela
 Jarro medidor
 Funil
 Escovilhão
 Faca de costas lisas

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 Biberões (125 cc e 250cc)
 Tetinas
 Sal
 Tampas
 Água quente ou fervida
 Leite em pó.

A preparação e a higiene corretas são importantes, uma vez que ambas podem conduzir
a problemas de saúde do bebé:

 Lave as mãos
 Siga os cuidados aconselhados pelos técnicos de saúde e fabricantes de leite

Preparação do biberão

 Comece por ferver a água durante 15 minutos e deixe-a arrefecer – não use água
mineral
 Encha de leite a colher medida que acompanha a lata e nivele o pó com as costas
da faca. Não pressione o pó
 Deite a quantidade necessária e correta de água fervida no biberão e adicione
uma medida de cada vez
 Tape o biberão imediatamente, agite-o até o leite estar bem dissolvido
 Tire a tampa e coloque a tetina na posição correta

Podem preparar-se todos os biberões necessários para o dia, dever-se-á fazer a


totalidade do leite num jarro medidor e distribui-lo pelos vários biberões esterilizados.
Os biberões que não são dados de imediato devem ser colocados no frigorífico.

3.4. Limpeza e esterilização dos equipamentos usados na alimentação

Regras:

 Nunca se devem guardar biberões preparados há mais de 24 horas.


 Nunca se devem dar restos de biberões.

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 Nunca faça um biberão demasiado forte, carregando mais no leite ou juntando
mais pó ao líquido. As misturas podem causar indisposições, problemas de rins e
obesidade.
 Nunca junte açúcar, nem aqueça o biberão no micro-ondas, porque o leite pode
ficar perigosamente quente
 Deite fora o leite que sobrou e passe o biberão e a tetina por água e sal, agitando
bem
 Verifique os orifícios da tetina. Não deixe que fiquem restos de Leite
 Lave o biberão com um escovilhão próprio e exclusivo para a limpeza do
biberão, água quente e passe por água quente, corrente e em abundância.
 Lave as tetinas com a água (se estiverem pegajosas esfregue-as com sal,
retirando-o bem, de seguida)
 Esterilize os biberões por fervura – ponha o biberão dentro da panela com água
(de modo a ficarem todos mergulhados e conte 15 minutos, após a água levantar
fervura. Depois de ferver, escorra a água e guarde os biberões escorridos e
fechados.

3.5. Diversificação Alimentar

Depois dos quatro meses o bebé está preparado para ingerir novos alimentos e digeri-
los. Mas, se o bebé é amamentado, fica satisfeito e está a crescer bem, pode assim
continuar até aos seis meses.

Se está ser alimentado com leite artificial e não fica satisfeito, deve participá-lo aos
técnicos de saúde. Geralmente há uma grande pressão do exterior para o desmame,
quando começar, o que dar, como dar.

Desmame é uma forma acompanhar as exigências do crescimento e desenvolvimento da


criança e um modo de incentivar a sua autonomia.

A introdução de novos alimentos não é um problema do ponto de vista do bebé, mas


alguns demoram mais tempo que outros a habituar-se a comer alimentos sólidas, bem
como as suas mamadas de leite.

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Sugestão de horário de desmame a partir dos:

 4 Meses se estiver a ser alimentado com leite artificial


 6 Meses se estiver a ser amamentado.

Tradicionalmente a primeira refeição sólida é constituída por papa de cereais, que não à
base de trigo. Geralmente bem aceite pelo bebé, dado a consistência e paladar, pode no
entanto em vez desta, dar-se o puré de legumes.

Fruta, carne, peixe e ovos é a sequência aconselhada para introduzir alimentos, devendo
ser feito à colher.

É importante continuar a dar leite, seja materno ou artificial, devendo este último ser
readaptado pelo médico.

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Se tiver de dar leite de vaca, cru ou pasteurizado, este deve ser fervido e guardado no
frigorífico. Se for ultrapasteurizado não necessita de ser fervido, só guardado no
frigorífico e consumido até ao dia seguinte.

O leite é um importante fornecedor de proteínas (fundamentais ao crescimento muscular


e dos órgãos) e é quase a única fonte de cálcio (necessário para os ossos e dentes).
Nunca se deve dar menos que meio litro de leite por dia.

Cuidados na Introdução:

 Nunca iniciar um novo alimento, se o bebé estiver doente, não só porque não
estará disponível para o aceitar mas porque qualquer reação ao alimento poderia
agravar o estado de doença.
 Não dar alimentos novos, se o bebé estiver sem apetite, cansado ou você
indisponível
 Não insista demasiado com o novo alimento. Nos primeiros dias faça-o com o
bebé normalmente acordado, desperto e sentado ao colo.
 Pode tentar dar-se primeiro duas a três colheres das de chá de papa, e completa-
se a refeição com o leite.
 Pode também dar-se parte do leite, saciando a fome inicial, não protestando
tanto, e dar-se então as duas e três colheres das de chá do novo alimento e
completar ou não com o resto do leite
 Utilize uma colher bem limpa, esfregando o lábio superior com a colher e deixar
que o bebé chupe. O bebé pode debater-se e babar-se um pouco nas primeiras
vezes mas continue a tentar.
 Deve introduzir um só alimento de cada vez para habituação e identificação de
possíveis reações e preferências; com um intervalo de uma a duas semanas.
 A colher deve estar bem introduzida na boca da criança para facilitar a
deglutição.
 Cuspir o alimento, pode significar que o bebé não sabe engolir que é diferente de
não gostar ou fazer birra.
 Deve também começar-se a introduzir a chávena (forma de ovo com duas pegas
e de plástico)

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 É obrigatório estar-se preparado para uma grande confusão e sujidade, enquanto
a criança não se habitua a comer outro, que poderão de vez em quando,
introduzir na boca do bebé, uma colher bem cheia de comida.

Idade e introdução de alimentos

4 MESES

 3 a 4 refeições por dia, sendo uma de papa de farinha ou puré de legumes

4 E MEIO A 5 MESES

 2 a 3 refeições de leite
 1 Refeição de puré de legumes e fruta esmagada
 1 Refeição de farinha

ENTRE OS 5 E OS 6 MESES

 2 ou 3 refeições de leite
 1 Refeição de puré de legumes com carne picada e fruta esmagada
 1 Refeição de papa de farinha

ENTRE OS 6 E OS 7 MESES

 2 a 3 refeições de leite ( 1 pode ser de iogurte simples )


 1 Refeição de puré de legumes com carne ou peixe, e fruta
 1 Refeição de papa de farinha

ENTRE OS 8 E OS 9 MESES

 2 ou 3 refeições lácteas ( leite, papa láctea de farinha ou iogurte )


 2 Refeições de puré de legumes com carne, peixe ou gema de ovo e fruta

DEPOIS DOS 9 MESES

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 2 Refeições lácteas
 2 Refeições de:
o Sopa (começar a habituar à sopa da panela)
o Carne, peixe ou ovo, com puré de batata ou hortaliça cozida, arroz ou
massa
o Fruta em sumo ou esmagada

Aos poucos o puré de legumes deve passar a ser mais espesso

Alimentos permitidos com reserva:

BOIÕES

 Utilizar só como recurso

SOBREMESAS DOCES

 Podem ser um modo de fornecer leite a uma criança que bebe pouco, mas há
outros modos de o fazer sem o inconveniente do açúcar

BOLACHAS, BOLOS E GULOSEIMAS

 Nos intervalos das refeições tiram o apetite


 Com iogurte devem escolher-se as mais simples

AÇÚCAR

 Incentivar maus hábitos estraga os dentes, engorda e pode estar na origem de


doenças em adulto. Os alimentos têm açúcar, não adicione mais

MEL

 Alimento natural que a ser dado deve sê-lo em muito pequenas quantidades e
nunca como meio de calar ou adormecer

AÇORDA

30
 Só deverá ser utilizada como modo de dar carne, peixe ou ovo quando a criança
os não quer no puré de legumes. Não deverá ser dado mais do que uma vez por
semana. A acontecer deve ser feito com pão de mistura.

Alimentos a evitar

 Cereais ricos em fibra, O bebé não está preparado uma vez que a sua digestão é
difícil.
 Queijo feito com leite não pasteurizado até o bebé ter 2 anos.
 Não dar queijo fresco
 Alimentos salgados, gordos ou doces
 Não dê amendoins a um bebé (pode sufocar ao comê-los)

Alimentos proibidos

 Fígado e mioleira – Estes alimentos estão intimamente ligados à transmissão de


doenças de origem animal, pelo que não devem ser ingeridos por crianças e
adultos.
 Espinafres, nabos e beterrabas antes dos 6 meses.

Alimentos a dar

FRUTA E LEGUMES

 Lavar muito bem em água corrente e descascar para evitar o risco de resíduos de
pesticida.
 Procurar dar vitamina C a cada refeição através da fruta, legumes ou sumo, uma
vez que ajuda ao corpo a fixar o Ferro.

LEITE

 A partir dos 6 meses pode introduzir-se leite de vaca nos cozinhados e misturas
de alimentos (puré de batata), e dos 12 pode ser utilizado como bebida.

CARNE E PEIXE

 Dar pelo menos uma dose diária de carne magra ou peixe sem espinhas.

31
HIDRATOS DE CARBONO

 São principal forma e mais directa fonte de energia, indispensável ao


crescimento, e desempenham um papel importante no bom funcionamento dos
órgãos
 Encontram-se no pão, arroz, batata, massas e farinhas e em quase todos os
alimentos doces.
 Um excesso destes alimentos pode dar origem a um indesejável aumento de
peso.

PROTEÍNAS

 São importantes para o crescimento e recuperação dos tecidos do corpo


(cicatrizes por exemplo).
 Podem encontrar-se em alimentos de origem animal, (carne, peixe, ovos, leite e
derivados, entre outros), e vegetal, (ervilhas, feijão, grão, soja, entre outros)

GORDURAS

 São uma importante fonte de energia.


 Encontram-se na carne, peixe, leite e derivados e óleos alimentares.
 A quantidade que o bebé necessita é-lhe fornecida pela alimentação saudável e
adequada á sua idade.

SAIS MINERAIS

 Desempenham um papel fundamental á vida


o Cálcio – importante para a saúde dos ossos e dente. Existe no leite e
derivados (iogurte, queijo, manteiga e outros)
o Ferro – essencial à produção de glóbulos vermelhos do sangue.
Encontra-se em alguns legumes e gérme de trigo
o Potássio, fósforo, sódio e iodo – essenciais ao funcionamento do
organismo. Encontram-se em alimentos como ovo, cereais, frutos, peixe,
carne leite e outros.

VITAMINAS

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 O corpo não as pode produzir por si, e são vitais para a sua saúde

o Vit. A – encontra-se nas cenouras, gema de ovo, manteiga e outros


o Vit. C – existe nos frutos e vegetais. Complexo B – encontram-se por
exemplo no gérme de trigo
o Vit. D – a sua fonte natural é o Sol.

4. Necessidades nutricionais específicas

O total de alimentos, ingeridos ao longo do dia, deve respeitar as proporções da roda


dos alimentos, incluindo hortaliças, legumes e frutos, não esquecendo os alimentos do
grupo do leite, os cereais e derivados como o pão, passando pelas leguminosas.

Os alimentos devem distribuir-se ao longo do dia, por 5 a 6 refeições diárias, a


intervalos regulares.

O pequeno-almoço é uma refeição fundamental para a criança, nunca devendo ser


omisso. O leite, acompanhado de pão ou cereais, deve fazer parte desta refeição. A
quantidade diária de leite recomendada ronda o 1/2 litro, podendo ser gordo ou meio-
gordo.

A meio da manhã deve ser fornecida uma pequena refeição, a fim de evitar que a
criança fique mais do que 3 horas sem comer. Meia carcaça ou papo-seco, duas ou três
bolachas sem creme ou uma peça de fruta são suficientes.

As duas principais refeições devem começar com uma sopa de legumes da época. Os
produtos hortícolas devem ser predominantes nas sopas e no prato. Em conjugação com
a fruta, devem ser consumidos diariamente. Pão de mistura e cereais escuros podem ser
fornecidos à vontade.

Carne e peixe não precisam de ultrapassar os 50 g limpos a cada uma das duas
principais refeições, os ovos podem chegar aos 3 por semana. Sal e açúcar, o mínimo
possível. Água e sumos naturais são as bebidas mais adequadas. A sobremesa deve ser
constituída por fruta. Em dias especiais pode ser fornecida uma sobremesa doce.

33
A meio da tarde deve ser fornecida uma merenda, em que o leite ou derivados e o pão
não devem faltar.

O jantar será semelhante ao almoço, devendo começar também com uma sopa de
legumes e terminar com uma peça de fruta. Antes de ir para a cama, algumas crianças
gostam de beber um copo de leite.

A seguir às principais refeições e antes de ir para a cama a criança deve ser ensinada a
lavar os dentes e a utilizar uma pasta dentífrica, a partir da altura em que já consegue
bochechar e não engole o produto.

Distribuindo as necessidades calóricas próprias deste grupo etário, que como já referido
variam entre as 1300 e as 1700 calorias, pelas várias refeições ao longo do dia, obtêm-se
os valores que constam do quadro seguinte:

Ementas onde predominam dias de batatas fritas, salsichas, fiambre, produtos enlatados,
frequência excessiva de doces e pratos monótonos e repetitivos, são absolutamente
desaconselhadas, pelo que se deve fazer algo para mudar.

Acresce referir que uma alimentação saudável não é necessariamente cara, na medida
em que é possível dispor de uma grande gama de alimentos, aproveitando-os e
complementando-os entre si, por forma a enriquecer o seu valor alimentar.

Assim, a seleção da alimentação a fornecer às crianças deve ter em consideração


princípios de alimentação saudável, respondendo às necessidades energéticas e de
funcionamento orgânico das crianças, e servir como oportunidade de aprendizagem de
uma alimentação saudável.

34
Evidentemente que as crianças que sofram de determinadas doenças crónicas, de
obesidade, de atraso de crescimento ou de outros problemas de saúde deverão ser
acompanhadas pelo médico, nutricionista ou outro profissional de saúde, no sentido de
adotarem uma alimentação adequada à sua situação.

EXEMPLO DE EMENTAS PARA BEBÉS/ CRIANÇAS

DOS 4 AOS 6 MESES

Pequeno-almoço

Leite materno complementado, ou não, com um leite infantil ou Um biberão de 180ml


de leite infantil

Almoço

Creme de legumes simples + puré de fruta cozida

Tarde

Leite materno complementado, ou não, com um leite infantil ou Um biberão de 180 ml


de leite infantil + opcionalmente puré de fruta cozida

DOS 6 AOS 8 MESES

Pequeno-almoço

Leite materno complementado, ou não, com um leite infantil ou um biberão de 210 ml


de leite infantil

Almoço

Creme de legumes com carne triturada ou Creme de legumes simples + arroz bem
cozido com carne triturada (2 a 3 colheres de chá*) 130g Puré de fruta cozida

Tarde

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Papa de cereais com glúten

DOS 8 AOS 12 MESES

Pequeno-almoço

Leite materno complementado, ou não, com um leite infantil ou um biberão de 210 ml


de leite infantil

Almoço

Creme de legumes com carne ou peixe triturada ou Creme de legumes simples + arroz;
ou massa; ou pedaços de batata bem cozidos com carne; ou peixe esmagados (3 a 4
colheres de chá*) 130g Puré de fruta cozida

Tarde

Papa de cereais com glúten

DOS 12 AOS 15 MESES

Pequeno-almoço

250 ml de leite de crescimento especial para crianças, enriquecido em vitaminas e


minerais + 40g pão com creme vegetal

Almoço

Sopa de legumes + arroz ou massa ou pedaços de batata bem cozidos com carne ou
peixe ou 1 ovo em pedacinhos (2 a 2+1/2 colheres de chá*) + pedaços de legumes
cozidos 130g Fruta em pedaços ou uma sobremesa láctea

Tarde

250 ml de leite de crescimento especial para crianças, enriquecido em vitaminas e


Minerais + 2 tostas para bebé ou Papa de cereais para bebé + Fruta em pedaços

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A PARTIR DOS 15 MESES

Pequeno-almoço

Um biberão/caneca de 250 ml de leite de crescimento especial para crianças,


enriquecido em vitaminas e minerais + 40g pão com creme vegetal

Almoço

Sopa de legumes + arroz ou massa ou pedaços de batata bem cozidos com carne ou
peixe ou 1 ovo em pedacinhos (2 a 3 colheres de chá*) + pedaços de legumes cozidos
130g Fruta em pedaços ou uma sobremesa láctea

Tarde

250 ml de leite de crescimento especial para crianças, enriquecido em vitaminas e


minerais+ 2 tostas para bebé ou Papa de cereais para bebé + Fruta em pedaços.

5. Sintomas comuns na infância

5.1. Febre

A febre é uma manifestação comum a muitas doenças. O corpo saudável mantém uma
temperatura constante situada entre os 36-37ºC, estabelecendo um equilíbrio entre o
calor que produz e o que liberta.

Dizemos que uma criança tem febre quando a temperatura está acima dos 37ºC,
significando isto que o equilíbrio está perturbado. A febre é um sinal de doença. A
gravidade da doença depende da existência de outros sintomas, do período de duração
da febre se esta cede (baixa) com a medicação.

A febre muito alta pode ser perigosa em bebés e crianças pequenas pelo risco de
convulsões.

Avaliação da temperatura

Existem termómetros com depósito de mercúrio e digitais. Com os termómetros digitais


a temperatura é avaliada no ouvido externo.
37
Para isso:

 1- Deite o bebé ou sente-o ao colo com a cabeça encostada ao seu peito.


 2- Puxe com cuidado a orelha para trás de modo a endireitar o canal auditivo.
 3- Ligue o termómetro.
 4- Introduza cuidadosamente a ponta do termómetro no canal auditivo.
 5- Carregue no botão durante um segundo e leia a temperatura após o
termómetro ter apitado.
 6- Desligue o termómetro.

A avaliação da temperatura rectal, embora sendo a mais rigorosa deve ser apenas ser
feita por indicação médica. Para tal deve proceder da seguinte forma:

 1- Use um termómetro rectal, com ponta curta e arredondada.


 2- Deite o bebé de costas com as pernas para cima, as quais deve segurar com
firmeza. Em alternativa pode deitar o bebé de barriga para baixo sobre o colo ou
sobre uma superfície lisa.
 3- Lubrifique a ponta com vaselina e introduza com cuidado no recto.
 4- Faça a leitura após 2-3 minutos.

Cuidados a ter:

Avalie a temperatura do bebé ou da criança caso suspeite que esta “está quente” ou “não
está bem”. Se a temperatura está acima de 38º-38,5 C axilar ou 39º-39,5 C rectal,
proceda do seguinte modo:

 Desagasalhe a criança, deite-a e cubra-a com um lençol que será mudado quando
necessário.
 Ventile o quarto
 Avalie a temperatura
 Dê um antipirético (medicamento para baixar a febre), tipo Benuron, em xarope,
comprimido ou supositório. A dose deve ser adequada à idade e peso da criança,
e será indicada pelo médico.
 Dê muitos líquidos, de preferência não açucarados e do agrado da criança (150cc
x Kg de peso x por dia).
 Não force a alimentação.
38
 Se a temperatura não baixar, passe no corpo um toalhete embebido em água
tépida, no sentido da cabeça para os pés, ou dê-lhe um banho de imersão tépido.
Vá avaliando a temperatura da criança até esta baixar.
 Se a criança entrar em convulsão actue prontamente.

5.2. Vómitos

Os vómitos na criança podem ser um sintoma de diferentes doenças ou problemas,


como por exemplo: Constipação, traumatismo craniano, febre, intoxicação alimentar,
ingestão de substância tóxica, apendicite, amigdalite, otite, obstrução intestinal ou
infeção urinária entre outras causas.

Os vómitos são muito perigosos pois podem levar à desidratação, que é tanto maior
quanto menor for a idade da criança.

Avaliação da situação

Quando uma criança tem vómitos é necessário registar e avaliar as características dos
mesmos:

 Número de vómitos e horário


 Quantidade: em pouca ou muita quantidade
 Aspecto: tem alimentos mal digeridos ou é líquido
 Cor
 Forma como a criança vomita: após tossir, em jacto, com ou sem náuseas.
 Grau de tolerância: vomita só os alimentos sólidos, também os líquidos, tudo
que engole ou mais do que ingeriu
 Outros sintomas: diarreia, cólicas, febre, dor de cabeça, dor no abdómen,
erupção na pele.

É importante distinguir os vómitos da regurgitação do leite ou outros alimentos, pelo


recém-nascido ou lactente. Neste caso trata-se da expulsão de leite acompanhada de
uma eructação (arroto) ou de mudança de posição. A quantidade é pouca e não afeta o
peso.

39
A causa da regurgitação é uma certa imaturidade do aparelho digestivo que se resolve
espontaneamente ao fim de alguns meses.

Deve ter os seguintes cuidados:

 Levante a cabeceira cerca de 30º, colocando uma almofada pequena ou toalha na


cabeceira da cama, debaixo do colchão.
 Nunca force a comer uma criança que vomita.
 Um vómito isolado de outros problemas não tem qualquer

Perante um bebé que vomita várias vezes, e não apresenta outros problemas, deve fazer
pausa alimentar habitual e dar líquidos frios e açucarados em pouca quantidade e por
várias vezes, como água e chá preto fraco.

Quando estiver melhor, e as náuseas tiverem passado, introduza aos poucos a dieta
habitual. Na criança mais velha comece por alimentos sólidos, não gordurosos em
pequena quantidade, como: caldo de frango, cozidos e grelhados sem gordura

Numa situação de vómitos é mais importante hidratar (dar líquidos) do que alimentar.

5.3. Diarreia

A diarreia é um problema frequente nas crianças de diferentes idades, é um sinal de


irritação do intestino. Pode ter causas muito diferentes como:

 Intoxicação alimentar
 Parasitas intestinais
 Otites
 Infeções urinárias
 Alimentação inadequada
 Outras causas

A diarreia caracteriza-se pela eliminação muito frequente e abundante de fezes líquidas


ou semilíquidas, podendo ter um cheiro característico.

É muito perigosa, pois leva a uma grande perda de água e de sais minerais necessários
ao bom funcionamento do organismo, podendo haver desidratação, com consequências

40
tão mais graves, quanto menor for a idade do bebé, porque esta ocorre muito
rapidamente.

A diarreia é uma situação que de um modo geral se trata com uma dieta correcta e
raramente com medicamentos, a menos que haja complicações.

Avaliação da situação

Se uma criança tem diarreia é necessário avaliar e registar as características da mesma:

 Número de dejeções
 Quantidade: muita ou pouca
 O cheiro
 A consistência: pastosa, com grumos, líquida, semilíquida,
 Presença de: muco sangue ou pús
 Outros sintomas: febre, vómitos, diminuição da actividade, apatia, sonolência,
boca seca, olhos encovados, fontanela deprimida (moleirinha afundada), dor,
constipação.

Cuidados a ter se não há outro sinal:

Criança menor de 1 ano:

 Se a alimentação é apenas com leite materno, deve continuar.


 Se o aleitamento é apenas artificial, prepare os biberões com água de arroz e
com menor quantidade de leite em pó (metade da quantidade de leite para igual
quantidade de água).
 No caso de o bebé já beber leite inteiro, dilua em água de arroz
 Dê puré de banana ou maçã muito maduras, se já introduziu estes alimentos.
 Faça sopa de batata e cenoura.
 Faça papa de farinha de arroz, com água.
 Dê água de arroz à colher ou no biberão sempre que o bebé tenha sede, e nos
intervalos das refeições.
 À medida que o bebé fica melhor, acrescente progressivamente mais leite até
chegar à diluição habitual.

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Criança maior de 1 ano

 Aumente a ingestão de líquidos (água de arroz, água ou chá preto fraco).


 Suspenda o leite temporariamente e substituir por iogurtes simples.
 Faça sopa de cenoura
 Dê batata e cenoura cozida
 Faça carne, peixe ou frango cozido
 Dê maçã cozida ou banana madura.
 Ofereça coca-cola sem gás (para retirar o gás mexer bem com uma colher).
 Quando a criança estiver melhor, introduza pouco a pouco os outros alimentos
começando por cozidos e grelhados, sem gordura.

5.4. Dor abdominal / Cólicas abdominais

As crianças pequenas queixam-se com alguma frequência de dores de barriga. Isto


significa a maior parte das vezes que não se sentem bem.

A dor de barriga pode ter causas físicas ou psicológicas:

 Problemas abdominais relacionados com náuseas e vómitos, diarreia, “gases”,


cólica do recém nascido, obstipação, apendicite ( pouco frequente em crianças
menores de cinco anos e ainda mais rara no 1º ano de vida ), infecção intestinal,
parasitas intestinais, entre outros
 Problemas respiratórios como constipação, gripe, otite, amigdalite e outras
infeções respiratórias
 Problemas emocionais como tensão nervosa, medo e preocupações ( ex. entrada
para a escola, agressão de um colega, ausência do pai ou da mãe )
 Outros problemas

Possíveis sinais e sintomas:

 Acesso de choro repentino, leva as mãos à barriga, dobra s coxas sobre a barriga
ou aponta onde lhe dói

42
 Abdómen distendido e doloroso ao toque
 Recusa alimentar-se
 Náuseas
 Vómitos
 Palidez
 Febre

Cuidados a ter:

 1. Verifique se a criança tem febre


 2. Vigie a criança para detetar outros sinais ou sintomas ( ex. náuseas, vómito,
diarreia )
 3. Saiba à quanto tempo a criança não evacua
 4. Verifique se a criança tomou algum medicamento ou alguma substância
tóxica
 5. Valorize o tipo de choro e queixas
 6. Não lhe dê medicamentos
 7. Observe e registe as características da dor
 8. Observe e registe as características última micção e dejecção
 9. Registe os alimentos ingeridos na última refeição.

5.5. Tosse

A tosse é um sintoma muito comum na criança, tendo um papel de defesa, pois ajuda a
expulsar da garganta restante aparelho respiratório, substâncias irritantes como muco,
fumo, alimentos, objetos inalados acidentalmente como amendoins, pedaços de carne,
rebuçados, botões, moeda e outros.

A tosse pode ser causada por:

 Uma infecção respiratória que causa inflamação das mucosas e consequente


aumento de secreções, tendo a tosse um papel muito importante na sua remoção,
mantendo as vias aéreas desobstruídas.
 Nervosismo

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 Laringite estridulosa ou Falso Croupe, situação em que as cordas vocais ficam
inchadas e inflamadas como resultado de uma infecção das vias aéreas
superiores.
 Asma

Sintomas

Existem dois tipos de tosse, a seca e a produtiva. A primeira faz um ruído seco, “tipo
tosse de cão” e é irritativa, a segunda, produz secreções. Muitas vezes os acessos de
tosse impedem a criança de dormir e provocam vómitos.

Cuidados a ter:

 1. O importante é tratar a doença que provocou a tosse.


 2. A asma têm indicação de tratamento médico imediato.
 3. É raro tratar-se a tosse seca e irritativa, isso apenas será feito se a criança não
consegue descansar.
 4. Os expetorantes são administrados para alterar a composição do muco, de
modo a que seja mais fácil a sua eliminação. São de evitar nos bebés, pois ainda
não conseguem expetorar bem, pois ficam ainda com mais secreções. Use
apenas estes medicamentos por períodos de tempo muito curtos e com
prescrição médica.
 5. Aumente a ingestão de líquidos para fluidificar as secreções.
 6. Deite a criança de bruços ou de lado, para evitar que o muco escorra para a
garganta.
 7. Se a criança consegue expetorar deite-a nos seus joelhos de barriga para
baixo, e dê-lhe pequenas pancadas secas nas costas.
 8. Fluidifique as secreções, com aerossol ou vaporizador.

5.6. Rinorreia

É uma doença de infância provocada por um vírus, que ocorre sobretudo entre os seis e
os vinte e quatro meses de idade. É também designada por febre dos três dias ou 6ª
Doença. A forma de transmissão é desconhecida.

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Possíveis sinais e sintomas

 Início súbito
 Febre elevada (39,5º-40,5ºC), que pode ser acompanhada de convulsões.
 Falta de apetite.
 Irritabilidade
 A criança está ativa apesar do seu estado de doença.
 A febre desce e aparece a erupção caracterizada por manchas simples, que
começam no tronco e se estendem ao pescoço e membros superiores, pouco ou
nada afetando a face e membros inferiores. Desaparece rapidamente.

Cuidados a Ter

 Reforce a ingestão de líquidos.


 Promova a higiene e conforto
 Avalie e controle a temperatura, e caso tenha febre dê antipirético, e faça
arrefecimento.
 Limpe o nariz com soro fisiológico ou água do mar
 Fluidifique as secreções: aumente a ingestão de líquidos e faça atmosfera
húmida.
 Fluidifique as secreções.
 Faça com que a criança repouse.
 Evite que a infecção se propague a outros elementos da família: a criança
deve dormir em cama própria, ensine a criança a tapar a boca quando tosse,
espirra ou fala, use lenços descartáveis e elimine-os de forma adequada.

5.7. Lesões cutâneas

Furúnculo

É uma infeção que dá origem a uma bolsa de pus por baixo da pele, que é provocada por
bactérias. Pode ter origem numa raiz de um pelo, numa glândula sebácea ou sudorípara
ou num corte ou ferida.

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Transmissão

 Através das mãos infectadas com bactérias.

Possíveis sinais e sintomas

A zona afetada fica muito inchada, quente, vermelha e dolorosa (sinais inflamatórios).

 Febre
 Gânglios

Cuidados a ter

 Não mexa, e nunca esprema um furúnculo pois a infecção pode generalizar-se a


outras partes do corpo.

Impetigo

É uma doença infeciosa da pele, altamente contagiosa, e muito frequente na criança. É


causada por bactérias e a criança apresenta feridas com crostas de cor amarelada e
brilhantes e pus, que quando arrastado pelas unhas para outras zonas faz surgir novas
feridas.

Transmissão

Contacto direto com as lesões de uma pessoa infetada, ou com as mãos de um portador
nasal da doença.

Possíveis sinais e sintomas

Começa geralmente na face à volta do nariz, boca, ouvidos que depois alastra muito
rapidamente, formando-se pequenas bolhas que se rompem e cobrem com crostas
amareladas.

É a própria criança que ao coçar espalha a infeção com as unhas a outras partes do
corpo.

Cuidados a ter

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1. Lave as crostas utilizando uma solução desinfetante aconselhada pelo médico e
remova as crostas com muito cuidado, secando o líquido com cotonetes tantas quanto
necessário.

2. Lave sempre as mãos antes e depois de tratar a criança.

3. Evite contactos da criança doente com outras crianças. A criança só deve voltar ao
infantário jardim infantil ou escola quando estiver curada.

Prevenção

 Ter e ensinar a criança a ter bons hábitos de higiene pessoal (lavagem das mãos,
banho, etc.), alimentar, da casa e do ambiente.

6. Criança doente e causas fisiológicas de maior suscetibilidade na 1ª infância

6.1. Noções sobre doenças exantemáticas

Existem várias doenças infeciosas que provocam, entre as suas manifestações


características e como principal fenómeno, um exantema, ou seja, a erupção de pontos
ou manchas e outras lesões na pele. Embora algumas destas doenças se possam
manifestar noutras idades, afetam essencialmente as crianças.

O facto de estas doenças serem tão comuns na infância deve-se à especial sensibilidade
que os bebés têm ao ataque dos respetivos agentes causadores, determinados vírus e
bactérias, mas especialmente devido ao facto de estes micróbios serem extremamente
contagiosos e facilmente transmissíveis tanto por via aérea como através do contacto
com pacientes ou objetos contaminados.

Caso não se adote medidas específicas, como a administração sistemática de vacinas


que consigam prevenir algumas destas patologias, estas acabam por afectar
praticamente todos os bebés.

Manifestações e evolução

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Dado que cada uma destas doenças exantemáticas infantis evolui através de
manifestações próprias, o médico consegue, na maioria dos casos, diagnosticar o
problema através da simples descrição do processo de evolução da erupção cutânea.

Sarampo

O sarampo é uma doença muito contagiosa de origem viral, cuja incidência diminuiu
drasticamente nos países desenvolvidos desde que se efetua a vacinação infantil
sistemática, embora continue a ser muito comum nos países subdesenvolvidos, onde
afeta, sobretudo, crianças entre 1 e os 5 anos de idade.

Após um período de incubação de cerca de dez dias, a doença manifesta-se através de


febre e rinoconjuntivite que provoca a congestão ocular e sinais e sintomas catarrais.
Em seguida, evidencia-se uma erupção cutânea formada por pequenas manchas
vermelhas que se inicia na face e por trás das orelhas, para se irradiar ao longo de dois
ou três dias ao tronco e aos membros.

A erupção acaba por desaparecer na mesma ordem de aparecimento, à medida que os


restantes sinais e sintomas vão desaparecendo. Embora a doença costume ter uma
evolução benigna, pode originar certas complicações.

Rubéola

A rubéola é uma doença muito contagiosa de origem viral com uma evolução benigna e
que afeta, sobretudo, as crianças com menos de 10 anos, embora a sua incidência seja
atualmente reduzida nos países onde se procede à vacinação infantil sistemática.

Após um período de incubação de duas ou três semanas, a doença começa a manifestar-


se através de febre ligeira, catarro e congestão ocular, a que se segue a erupção de
inúmeras pequenas manchas rosadas, de início apenas na cabeça, mas que depois se
estende a todo o corpo ao longo de um ou dois dias, acabando por desaparecer na
mesma ordem ao fim de um ou dois dias, à medida que os restantes sinais e sintomas
vão desaparecendo.

Varicela

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A varicela é uma doença contagiosa provocada pelo vírus varicela-zóster (igualmente
responsável pelo herpes zóster), muito frequente nas crianças dos 2 aos 9 anos de idade.

Após um período de incubação de uma a três semanas, a doença começa a manifestar-se


através de febre, mal-estar geral e perda de apetite, a que se segue, ao fim de um a três
dias, a erupção de pequenas manchas vermelhas muito pruriginosas que revestem toda a
superfície do corpo e adquirem, ao fim de algumas horas, um certo volume,
convertendo-se em vesículas repletas de um líquido amarelado.

Alguns dias depois, as vesículas rebentam e o líquido nelas presente seca, formando
crostas que acabam por cair. Tanto a erupção cutânea como os restantes sinais e
sintomas desaparecem ao fim de sete a dez dias, normalmente sem originar
complicações.

Escarlatina

Esta doença infeciosa é provocada pelo estreptococo beta-hemolítico do grupo A, uma


bactéria muito contagiosa, igualmente responsável por outras doenças, como a erisipela,
que afeta, sobretudo, as crianças entre os 6 e os 10 anos de idade.

Após um período de incubação de três a cinco dias, a escarlatina manifesta-se através do


aparecimento de febre alta (cerca de 40°C), de uma faringite que provoca dor de
garganta, tumefação dos gânglios do pescoço e, sobretudo nos bebés pequenos, dor
abdominal, náuseas e até vómitos.

Ao fim de um ou dois dias, proporciona a erupção de inúmeros pequenos pontos


ligeiramente salientes, de início rosados, mas que depois adotam uma cor vermelha
viva, que de início se localizam no pescoço e no tronco, disseminando-se em
aproximadamente 24 a 48 horas para os membros e o rosto, embora não se manifestem
no queixo e na região à volta da boca.

Para além disso, a língua costuma adotar uma cor vermelha, evidenciando na sua
superfície as papilas gustativas inflamadas, o que lhe dá um aspeto conhecido como
"língua de framboesa".

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Ao fim de uma semana, a erupção começa a desaparecer progressivamente, na ordem
inversa ao seu aparecimento, até desaparecer totalmente, embora possa provocar uma
descamação da pele, particularmente intensa nas palmas das mãos e plantas dos pés.

Caso não se proceda ao seu devido tratamento, a doença pode ter uma evolução grave,
originando complicações imediatas e outras tardias.

Eritema infecioso

Igualmente designada quinta doença, pois foi descrita após as quatro já mencionadas,
esta patologia é provocada por um vírus que se transmite de forma direta por via aérea e
que afeta, sobretudo, as crianças de idades compreendidas entre os 5 e os 14 anos.

Após um período de incubação de duas semanas, o problema evidencia-se através de


manifestações gerais não muito graves, como por exemplo febre moderada, problemas
gastrointestinais, dores nas articulações e um exantema típico, uma erupção cutânea que
se evidencia nas bochechas através da formação de manchas cor-de-rosa ou vermelhas
que se vão irradiando até revestirem praticamente todo o rosto, à exceção do queixo e da
ponta do nariz.

A erupção difunde-se, ao fim de pouco tempo, ao pescoço, tronco e membros (à


exceção das palmas das mãos e das plantas dos pés), persistindo uma ou duas semanas
até acabar por desaparecer de forma espontânea, à semelhança dos restantes sinais e
sintomas, sem originar complicações.

Exantema súbito

Igualmente conhecida como sexta doença ou roséola infantil, esta patologia, provocada
por um vírus do grupo herpes, afeta essencialmente os bebés entre os 6 meses e os 2
anos de idade.

Após um período de incubação de uma ou duas semanas, manifesta-se através do


aparecimento de febre elevada (39°C a 40°C), dor de garganta, aumento do volume dos
gânglios cervicais e, por vezes, igualmente através de vómitos e diarreia.

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Ao fim de quatro ou cinco dias, e coincidindo com a descida da temperatura, evidencia-
se a erupção de pequenas manchas cor-de-rosa no tronco e no pescoço que se podem
estender aos membros e, raramente, ao rosto.

À semelhança das restantes manifestações, a erupção desaparece ao fim de um ou dois


dias.

Terapêutica

A exceção da escarlatina, provocada por uma bactéria que pode ser combatida através
da administração de antibióticos, as doenças exantemáticas infantis não têm um
tratamento específico, como a maioria das patologias provocadas por vírus.

De qualquer forma, os sinais e sintomas são tão reduzidos, na maioria dos casos, que
nem sequer é necessário tratamento, enquanto nos restantes casos apenas se pode
recorrer à utilização de medicamentos que diminuam as manifestações mais incómodas:
antipiréticos para baixar a febre, colírios para reduzir os problemas oculares, xaropes
para evitar o prurido das lesões em caso de varicela...

Caso as lesões originem prurido, como em caso de varicela, deve-se adotar as devidas
precauções para que o bebé não se coce, já que uma infeção secundária pode provocar a
formação de cicatrize.

Por outro lado, deve-se controlar a temperatura para que, caso esta seja muito elevada,
se recorra à utilização de antipiréticos e se mantenha o bebé bem hidratado sempre que
tenha febre.

7. Conceito de morbilidade e mortalidade infantil

A taxa de mortalidade infantil corresponde ao número de óbitos em crianças com menos


de um ano de idade, ocorridos num determinado período de tempo (geralmente um ano
civil), relativamente ao total de nados-vivos no mesmo período. Geralmente é expressa
por 1000 nados-vivos.

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Portugal, apesar de se manter como um dos países da União Europeia com a taxa de
mortalidade infantil mais elevada, registou um decréscimo muito acentuado do número
de óbitos no primeiro ano de vida.

No início da década de 60, a mortalidade infantil era aproximadamente 80 por 1.000


nados vivos, atingindo em meados da década de 80 valores inferiores a 20 por 1.000
nados vivos (para uma média da UE de 9.5 por 1.000), e registando-se em 2001 o valor
de 5 por 1.000 nados vivos.

A redução da mortalidade infantil em Portugal foi a mais acentuada de todos os países


da União Europeia.

A análise da mortalidade em crianças com menos de 15 anos, por causas de morte


(morbilidade), mostra que excluindo as alterações congénitas e perinatais, que
constituem a principal causa de morte no grupo etário dos 0 aos 4 anos (82 óbitos por
1.000 crianças, deste grupo etário), os acidentes constituem a causa de morte mais
frequente.

Em 2000, registou-se uma mortalidade de 9.8 por 100.000 crianças, devido a acidentes.
Dentro dos vários tipos de acidente, a principal causa de morte são os acidentes
rodoviários, quer no grupo dos 0 aos 4 anos, quer no grupo dos 5 aos 14 anos. No
entanto, no grupo de 0 aos 4 anos, as quedas também constituem uma importante causa
de morte.

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Analisando as causas de morte ocorridas entre os 0 e os 14 anos, verifica-se que mais de
40% da mortalidade é devida a alterações congénitas e perinatais. No entanto, e mesmo
no grupo etário dos 0 aos 4 anos, os acidentes, afeções mal definidas, doenças infeciosas
e do sistema nervoso central, constituem causas não negligenciáveis.

No grupo etário dos 5 aos 14 anos, as principais causas de morte são semelhantes, mas
com uma representatividade diferente. Neste grupo são os acidentes a principal causa de
morte, sendo responsáveis por 32% dos óbitos. Do total de óbitos por acidente, 42% são
provocados por acidentes rodoviários.

8. A prestação de cuidados de saúde infantil

8.1. O apoio nos cuidados na maternidade/berçário

Os cuidados prestados no âmbito da saúde materno-infantil assumem como prioridade o


bem-estar da grávida e, posteriormente da puérpera, mas sobretudo do bebé. É neste que
se focaliza toda a intervenção dos diferentes profissionais.

O contacto precoce pele com pele, logo após o nascimento permite acalmar o bebé,
estabilizar a respiração e mantê-lo quente. O bebé não deve ser separado da mãe, sendo
colocado em cima do seu corpo, sem roupa (apenas com uma fralda), e dando-lhe tempo
que lhe permite movimentar-se na direção da mama da mãe, procurar a aréola e iniciar
espontaneamente uma mamada.

53
Para tudo isto é necessário da criação de um ambiente favorável, calmo, que a mulher
entenda como favorecedor da amamentação e com uma relação amigável. O bebé deve
permanecer com a mãe, sem interferências e o companheiro ou outro acompanhante
devem sentir-se bem-vindos.

O período após o parto deverá ser um momento privado, relaxado e calmo para esta
nova família, e os profissionais devem comunicar de uma forma cuidada e não ruidosa.
Atos como pesar ou vestir o bebé, assim como administrar vitamina K devem aguardar
para mais tarde.

A auxiliar pode ajudar a mãe a saber interpretar os sinais do bebé, e se este mostrar
interesse em mamar, assistir a mãe a adotar uma posição confortável, para que o bebé
possa fazer uma pega eficaz.

Nas primeiras duas horas de vida existe um estado de alerta, em que o bebé fica
desperto, calmo, de olhos abertos, atento aos sons e movimentos sendo o período em
que o instinto de mamar é mais forte.

Se, pelo contrário, o bebé não for colocado ao peito logo após o nascimento acaba por
adormecer, dificultando o estabelecimento com sucesso do aleitamento materno.

O que pode fazer:

 Mostrar à mãe as posições para colocar o bebé ao peito;


 Explicar a importância da amamentação livre e a pedido;
 Explicar o que é a "descida" do leite e o que significa;
 Ajudar a perceber se tem leite e se o bebé mama bem;
 Ajudar a interpretar o comportamento do bebé, particularmente os sinais de
fome;
 Identificar as dificuldades ou problemas e ajudar a ultrapassá-las;
 Apoiar psicologicamente a mãe.

8.2. O apoio nos cuidados especiais para recém-nascidos

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A Neonatologia é um espaço, geralmente, amplo e espaçoso com várias incubadoras ou
berços organizadamente distanciados. O facto deste espaço ser em “open space” permite
aos técnicos ter uma visão global de todos os bebés que ali se encontram internados.

Neste serviço prestam-se cuidados ao recém-nascido, seja ele de pré-termo ou de termo


mas que precisa de cuidados especiais, para tal há sempre um ou mais enfermeiros
experientes, dependendo da extensão do serviço, 24 horas disponíveis para dar
informações.

Ao entrar neste serviço pode sentir um ambiente mais quente, ouvir alarmes que vêm
dos monitores, encontrar incubadoras, aparelhos diferentes, alguns com uma luz azul
intensa, denominados por aparelhos de fototerapia (para bebés com icterícia) ou
simplesmente alguns berços.

As visitas neste serviço são muito restritas, devido à fragilidade e suscetibilidade destes
pequenos seres.

Durante o horário das visitas, os únicos membros que estão autorizados a entrar são os
avós e os irmãos. No entanto, não deverão permanecer mais de duas pessoas junto do
bebé. Os pais não são considerados visitas e por isso podem permanecer 24 horas junto
do seu bebé.

Os pais são as únicas pessoas que ao telefonarem podem obter informações sobre o
estado do seu bebé (durante as 24 horas do dia). Inclusivamente já existem sistemas que
permitem aos pais visualizar o seu bebé internado através de uma câmara colocada junto
da incubadora.

Os cuidados prestados nas unidades de Neonatologia estão organizados em função das


necessidades e da situação do bebé. Pretendendo sempre respeitar o recém-nascido
quando acordado ou a dormir, manipulando o mínimo de vezes indispensáveis.

A presença dos pais e o envolvimento que estes têm na prestação dos cuidados é muito
importante para o desenvolvimento e recuperação do bebé. Se por algum motivo não
puder estar presente o dia todo junto do seu bebé, combine com a enfermeira que está a
cuidar dele, as horas em que pode vir para assistir/ajudar no banho, mudar a fralda ou
trocá-lo de posição.

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A permanência dos bebés nesta unidade pode variar muito, pode ser de 1 hora, dias,
semanas ou meses (mais frequente nos bebés prematuros) no entanto todos são
diferentes e por isso cada situação é uma situação.

Na maior parte dos casos, os recém-nascidos que passam por este serviço, só precisam
de ficar umas horas. Como é o caso de alguns bebés que têm dificuldade em se adaptar à
nova vida, devido à diferença de temperatura e que precisam de ser aquecidos ou porque
precisam de uma concentração de oxigénio superior, até se habituarem ao ar que
respiramos.

Se o motivo de internamento do bebé é porque nasceu antes do fim da gravidez,


provavelmente vai precisar de ficar mais tempo.

8.3. O apoio nos cuidados na unidade de internamento de pediatria

A criança, particularmente quando vive uma experiência de cirurgia, está exposta a


determinados stresses como: a separação dos pais, a exposição a pessoas, situações e
ambientes desconhecidos, o confronto com procedimentos invasivos e dolorosos, a
incerteza acerca dos limites e dos comportamentos esperados e aceitáveis, a perda de
controlo, de autonomia, das aptidões adquiridas e da privacidade, a ameaça à
integridade física.

As respostas da criança perante esta experiência exigem dos cuidadores conhecimentos


profundos sobre desenvolvimento infantil, uma vez que este influencia particularmente
as suas experiências. A experiência emocional do cliente assume uma importância
central na ação de cuidar, já que as emoções têm um papel relevante nas respostas que
cada pessoa tem sobre uma situação específica.

As suas respostas emocionais à cirurgia no contexto de internamento podem ser


intensas, prolongadas e causadoras de danos pelo que os cuidados dos profissionais de
saúde têm, também, como foco as experiências emocionais, as estratégias de confronto
e os modos de ajuda na gestão do estado emocional da criança e da família.

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Se a relação de cuidados for apoiante e de segurança, a criança adquirirá um maior
sentido de controlo sobre si, o que lhe permitirá envolver-se de forma mais intensa no
mundo externo desenvolvendo autoconfiança e autoestima ao contrário de frustração.

Para que esta gestão emocional ocorra, é importante que os profissionais de saúde
valorizem e incrementem estratégias de atuação específicas em enfermagem pediátrica
das quais se destaca o brincar.

Existem algumas técnicas de comunicação criativa com as crianças que podem ser
aplicadas durante o brincar, tais como:

 Técnica da terceira pessoa que envolve a adoção de termos na terceira pessoa


com recurso a fantoches, ursos ou bonecos, na medida em que as crianças se
sentem menos ameaçadas quando não se fala diretamente delas, embora permita
paradoxalmente que elas falem sobre si;
 Contar histórias de livro infantil que funciona como uma atividade de distração;
 Contar história mutuamente que envolve a narração de histórias que se
assemelham à situação particular que a criança está a viver, ainda que com
algumas diferenças que a ajudam com os seus problemas;
 Jogo de associação de palavras, em que é pedido à criança que diga a primeira
palavra que lhe surge na mente, após ter ouvido uma palavra-chave;
 Prós e contras que consiste em selecionar um tópico como “estar no hospital” e
permite que a criança relacione, por exemplo num desenho “cinco coisas boas e
cinco coisas más” a esse mesmo tópico.

Estas atividades de brincar são atividades expressivas e constituem-se como uma


oportunidade para a criança expressar as emoções/sentimentos perturbadores que
decorrem da experiência de hospitalização.

8.4. O apoio nos cuidados na consulta de pediatria

A atenção à saúde da criança tem de ser coerente com o atributo fundamental das
crianças: estar em intenso processo de crescimento e desenvolvimento.

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Assim, a assistência deve ocorrer ao longo do tempo de maneira organizada através de
um programa de visitas pré-agendadas e com a abertura para atendimento das
intercorrências, seja no âmbito clínico seja no âmbito mais amplo das necessidades da
família.

O projeto de atendimento às crianças deve começar durante a gravidez através de uma


consulta realizada com a mulher grávida durante o pré-natal. Nesta oportunidade, inicia-
se o relacionamento de confiança com os pais, base indispensável para os encontros
clínicos que estão por vir.

Durante as consultas, o médico deve estar atento aos fatores culturais, religiosos e
socioeconómicos que poderiam influenciar a assistência direta à criança. Estes fatores
são determinantes no grau de aceitação dos pais em relação às futuras recomendações e
terapias relacionadas com a saúde da criança.

Tal aspeto propiciará o desenvolvimento de um relacionamento pediatra-criança-família


como experiência compensadora para todos.

Quando os pais levam uma criança sadia à consulta, o médico deve examinar a criança
integralmente. Ao iniciar a consulta o técnico de saúde deverá:

 Receber com empatia os pais. Pedir-lhes que fiquem a vontade ou sugerir que
sentem.
 Verificar ou perguntar os nomes dos pais e da criança.
 Identificar se é a primeira consulta da criança no ambulatório ou se é consulta de
retorno.

É fundamental estabelecer um bom diálogo com os pais e a criança, utilizando-se de


habilidades de comunicação verbal e não-verbal. Essa boa comunicação ajudará, desde
o início na confiança e segurança da mãe de uma boa parceria na sua aderência às
recomendações e tratamentos propostos.

Para isso o técnico deve:

 Escutar atentamente o que a mãe lhe diz.

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 Usar palavras que a mãe possa entender.
 Dar tempo para que a mãe responda às perguntas.
 Fazer perguntas adicionais, caso a mãe não esteja segura das suas respostas.

Em suma, a abordagem da criança deve ser marcada por um profundo respeito e


disponibilidade para receber a família e a criança, identificar o elemento de atracão à
consulta valorizar e explorar esse elemento, mas extrapolar o espaço da consulta para o
desenvolvimento de práticas de assistência integral à família no geral, e à criança, em
particular.

9. Acompanhamento da criança nas atividades diárias

9.1. Alimentação

Rotina alimentar - Bebés

A distribuição das suas refeições respeita o ritmo e necessidades de cada uma e é


disponibilizada de forma individualizada e não tanto como parte de uma rotina (p.e. os
bebés com menos de 8 meses são alimentados ao colo enquanto bebem o biberão,
procurando-se que seja sempre o mesmo colaborador a realizar esta tarefa e que este
disponibilize uma atenção individualizada à criança).

As crianças com alimentação à base de biberão são alimentadas individualmente, ao


colo, devendo o colaborador procurar estabelecer contacto ocular com esta.

As crianças, dependendo da idade e autonomia, e que se alimentem de papas e sopas,


deverão ficar sentadas numa cadeira de alimentação individual ou à mesa e em pequeno
grupo.

O papel dos adultos será o de tentar recriar a proximidade e a segurança familiar que os
bebés sentam quando estão nos braços dos pais, quando estes cuidam deles ou quando
lhes dão o biberão.

É também durante a alimentação do lactente que o adulto estará pronto para interagir
sempre que o bebé mostre interesse em o fazer: sorrindo, fazendo caretas, conversando
em voz baixa ou fazendo uma festinha na cabeça do bebé.

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O bebé por sua vez poderá agarrar nos dedos do adulto, tocar na sua cara, nas mãos ou
vestuário. É através destas trocas que o adulto e bebé constroem uma relação pessoal
com base na qual a criança aprende, que pode confiar nesse adulto para lhe satisfazer as
suas necessidades físicas e emocionais.

Quando consomem alimentos para serem comidos com uma colher (puré, iogurte,
papas) é necessário que o adulto lhes dê uma colher para a mão, mas que
simultaneamente segure uma colher na sua mão.

Assim, a criança pode praticar a utilização da colher, juntamente com a utilização dos
seus dedos. Nessa circunstância, a atitude do adulto é a de ajudar sem forçosamente ter
de lhe retirar a colher.

Além disso, o facto de os bebés utilizarem os dedos quando comem vai proporcionar o
desenvolvimento da sua autonomia: os bebés não são obrigados a depender do apoio e
do controlo de um adulto, assim como, a aquisição de experiências tácteis variadas.

Como dar de comer ao bebé

 1. Preparar uma pequena quantidade de comida. Em seguida, sentar o bebé no


colo, utilizando a curva do braço como suporte. A cabeça do bebé deve estar
direita, para que seja mais fácil engolir.
 2. Utilizar uma pequena colher de plástico rasa, retirar um pouco de puré e levá-
lo suavemente aos lábios do bebé. Alguns bebés abrem automaticamente a boca
quando se aproxima dela uma colher, mas, se tal não acontecer, abrir a própria
boca – normalmente o bebé imitá-la-á.
 3. Com a ponta da colher na boca do bebé, incliná-la ligeiramente para cima,
para que o puré deslize. Ter o cuidado de não a colocar demasiado dentro da
boca, pois o bebé pode fechá-la e deixar de se sentir estimulado. No início, a
maior parte dos bebés sentem-se confusos sobre o que fazer com a comida, por
isso, deve-se ter paciência. Muitas vezes a primeira reação é deitar a comida
fora, mas deve apanhá-la e voltar a tentar.
 4. Se a primeira colherada correr bem, deve oferecer-lhe outra.

Com as crianças mais pequenas deve-se trabalhar no sentido de:

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 Conduzir os bebés ao refeitório, sempre que possível, em pequenos grupos, com
cadeiras adequadas para que a atividade de refeição possa ser comunitária e mais
estimulante.
 É preciso deixar que os bebés sintam as texturas dos alimentos, denominando
doce, salgado, quente, frio, duro, mole, cores, sabores, orientando-os nas boas
maneiras com palavras simples e com músicas;
 Olhar nos olhos e sorrir, estimulando a pronúncia de palavras e sons simples,
com alegria; usar termos de cordialidade (obrigado, por favor), mesmo com
crianças que ainda não falem;
 Alimentar simultaneamente os bebés, para que não fiquem esperando e vendo os
outros comerem; deixar que manuseiem alguns alimentos para estimulação e
distração.

Com as crianças maiores deve-se trabalhar no sentido de:

 Experimentar dinâmicas variadas, tais como: cantar músicas relacionadas à


refeição que irão fazer (café, almoço, lanche, jantar...);
 Soletrar o nome do alimento que será saboreado;
 Fazer adivinhações sobre o alimento a ser consumido;
 Fazê-los ouvir e compreender histórias com fantoches;
 Escrever o nome do alimento da ementa em fichas ou painéis para leitura
posterior e incidental, Auto servir-se da travessa ou do jarro, colocando a
quantidade que deseja e comprometendo-se a consumi-la até o fim.

9.2. Eliminação

Bacio

O início do treino para utilizar o bacio não tem idade determinada, podendo ocorrer
entre os 1 e 3 anos. Não se deve insistir com a criança para evacuar, e muito menos
urinar antes que seja capaz de perceber o que está acontecer.

Não é necessário ensinar a um bebé a controlar a urina e porque faz parte do seu
desenvolvimento natural. Pode é dar-se oportunidade e coragem para o fazer.

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Pode começar-se pelas fezes, e será tanto mais fácil se a criança tiver uma hora habitual.
Quando sentir que esta manifesta vontade de o fazer, sugira mas não obrigue o uso do
bacio.

A hora de ir ao bacio deve ser calma e sem pressa, podendo ser acompanhada de um
brinquedo, livro, conversa, história ou de um ursinho ou boneco que também precisa de
ir à casa de banho.

O treino para urinar no bacio deve iniciar-se quando as fraldas começam a ficar secas,
podendo ser retiradas por períodos, durante o dia em que a criança pode utilizar o bacio,
que deve estar acessível, fomentando assim a sua autonomia. As cuecas de treino, mais
reforçadas e fáceis de tirar pela criança podem ajudar nesta fase.

Acidentes:

 Nunca se zangue com a criança que sujou as cuecas ou molhou o chão. Pode ser
sintoma de insegurança ou de não estar preparada psicologicamente
 Não ralhe quando, não tendo evacuada ou urinada no bacio, o faz de imediato no
chão ou na fralda
 Crise de choro e ansiedade, por sentimento de perda, podem ocorrer quando a
criança vê “aquilo que é seu” e de que tanto se orgulha, ir-se embora pela sanita
arrastado por um fluxo de água. Elogie-o e conte-lhe uma história
 Brincadeiras com as fezes e a urina podem ocorrer. Não se irrite. Lave as mãos
da criança e o que for necessário, como quando estão sujas de outra matéria
qualquer.
 Podem ocorrer quedas se a criança não se equilibrar no bacio, não estiver bem
sentada ou for demasiado precoce para este treino. Fique por perto. Esta
aprendizagem é tão importante como aprender a comer, andar ou ler sozinha

Sanita

 O apoio dos pés auxilia a evacuar, pela criança deverá contar com um banco de
apoio aos pés, que pode ser utilizado para facilitar o acesso a o lavatório. Um
adaptador ao tampo da sanita é fundamental, deixando-a mais segura e à
vontade, pois pensa que pode cair ou ser sugada pela sanita, à semelhança com o
que sucede com a urina e as fezes.

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 Lembre a criança para lavar as mãos após a utilização da casa de banho.
 Ajude a que a ida ao bacio ou à sanita antes de dormir se torne um hábito.
 Deixe ficar o bacio junto à cama e vista-lhe um pijama que seja fácil de tirar,
fomentando assim a autonomia durante as sestas diurnas e nocturnas.
 Proteja a cama com um resguardo de borracha para o caso de virem a existir
acidentes durante o sono.
 Ensine um rapazinho a urinar de pé, bem como a colocar um pouco de papel
higiénico no pénis quando está sentado no bacio ou sanita.
 Vá alertando para a necessidade de, aquando da utilização de sanitas,
verificarem o seu estado de higiene bem como puxar o autoclismo, antes e
depois de utilizar a sanita.

9.3. Higiene e hidratação

Mudança de fraldas

Cuidados

 Junte todo o material que vai necessitar;


 Nunca deixe o bebé sozinho, mesmo recém-nascido, exceto se estiver numa
superfície ao nível do chão;
 Não comece a mudar a fralda se prevê ter de interromper de imediato;
 Faça sempre que puder, também desta ocasião, um momento agradável;
 Aproveite para conversar, sorrir e mimar a criança;
 Esteja atenta/o a algo de diferente na urina ou nas fezes, e se algo se passar
guarde a fralda ou não despeje o bacio, e alerte os pais.
 Deite as fezes na sanita, mas não as fraldas descartáveis.

Material:

 Proteção da superfície onde vai mudar a fralda


 Lenços de papel
 Fralda; adequada ao tamanho, e se descartável, ao sexo da criança
 Tigela com água morna, ou loção de bebé

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 Algodão ou toalhetes para bebé
 Creme gordo e/ou de vitamina A (não utilizar pó de talco)
 Caixote de lixo ou saco de plástico
 Muda de roupa se necessário

Mudar a fralda

 Deite o bebé de costas sobre uma superfície plana protegida


 Descole ambos os lados da fralda descartável ou tire os alfinetes da de pano
 Tire a parte da frente por entre as pernas usando-a para limpar o rabinho, dobre
os lados para o centro, enrole-a
 Os rapazes urinam frequentemente quando se lhes muda a fralda, por isso,
proteja o pénis com lenços de papel
 Proceda à limpeza da zona consoante se trate de uma rapariga ou rapaz
 Levante as pernas pelos tornozelos, levante o rabinho, tire a fralda ponha-a no
caixote ou no saco de plástico; se de pano num balde próprio para esse fim
 Desdobre a fralda descartável ou dobre a de pano e, com as pernas do bebé
levantadas pelos tornozelos faça-a deslizar por debaixo do rabinho;
 Certifique-se que todos os refegos estão limpos e secos;
 Dobre a frente da fralda entre as pernas do bebé, largando os tornozelos e com as
2 mãos puxe-a para cima o mais alto que puder, entale bem os cantos à volta da
cintura deixando a fralda descartável pronta para ser fixa
 Se for rapaz deve pôr-se o pénis para baixo para que não urine para a barra da
cintura.
 Mantenha com uma das mãos a fralda no lugar e, com a outra cole bem as faixas
adesivas ou coloque os alfinetes-de-ama;
 Coloque as cuecas plásticas por cima da fralda de pano ou turca.

Banho

Os bebés pequenos não se sujam pelo que o banho é mais uma oportunidade de carícias
e brincadeiras. Para além deste aspeto, quando dado à mesma hora orienta a criança para
uma rotina e noção de tempo.

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Dar banho a um recém-nascido pode fazer com que fique nervosa/o, principalmente se é
uma experiência nova. A confiança é ingrediente essencial para se tratar de um bebé
com segurança e tranquilidade.

O tipo de banho a dar a um recém-nascido vai depender em primeiro lugar das


orientações médicas, que poderá sugerir, ou não, limpeza, banho de esponja ou de
banheira.

Procedimento:

 Aqueça a divisão onde irá decorrer o banho


 Reúna todo o material necessário e coloque-o junto do local onde se efetuará o
banho, evitando ter de interromper, levar o bebé para outro local a diferente
temperatura ou deixá-lo cair por estar escorregadio;
 Coloque a roupa do bebé já preparada pela ordem inversa à que vai ser vestida,
isto é, primeiro a peça de roupa que vai vestir em último lugar;
 Nunca limpe o interior dos ouvidos com um cotonete, retirando apenas o cerume
visível à entrada do canal auditivo;
 Escolha a hora do banho de modo a ser mais gratificante para quem o recebe e o
dá;
 Use os produtos de higiene indicados para aquele bebé. Não faça experiências
pois podem ocorrer alergias;
 Certifique-se se tudo o que é necessário está preparado e à mão;
 Use sempre tapete antiderrapante, mesmo em recém-nascido,
 Lave as mãos antes de iniciar esta atividade;
 Coloque a cabeça afastada das torneiras
 Feche bem as torneiras, os pingos de água quente queimam.

Limpeza

Consiste em limpar bem o bebé lavando-lhe a cara, as mãos e o rabinho sem o despir
por completo. Esta limpeza pode estar indicada nos primeiros dias, em casos em que o
bebé fique muito angustiado, como alternativa aos banhos completos ou como rotina de
mudança de fralda.

Material

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 Tigela com água fervida
 Bolas de algodão
 Luvas
 Gel de banho
 Óleo de bebé
 Vit. A ou creme gordo
 Toalhas
 Roupa e fralda
 Recipiente para recolher de algodões sujos
 Pente
 Cotonetes

Como atuar:

 Limpe com água a fervida e morna a cara, da testa para o queixo, as orelhas e
atrás das mesmas, e as pregas do pescoço, certificando-se que todas estas partes
ficam bem secas
 Limpe os olhos com pedaços de algodão e água fervida fria, devendo usar-se um
algodão para cada passagem, que deverá ser feita do canto interno do olho para o
externo;
 Dispa a criança, deixando-a com a camisinha interior e a fralda
 Coloque-o na cama ou colchão de banho e embrulhe-o numa toalha;
 Lave e seque meticulosamente as mãos e as axilas;
 Cubra o tronco com a tolha, tire a fralda, limpe o “ rabinho” com um algodão
humedecido, no sentido da frente para trás, e seque bem as virilhas e as pregas
das coxas. Se necessário aplique um creme apropriado
 Se for uma menina, exceto se estiver suja de fezes, não limpe dentro da vagina,
pois além de desnecessário poder-se-ia arrastar alguma infeção.
 Pode hidratar-se a pele da criança com uma loção própria para o tipo de pele e se
indicado pelos pais;
 Ponha a fralda, vista e penteie o bebé.

Banho de esponja

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Este tipo de banho pode estar indicado em situações como o bebé com muito sono,
angustiado, limpeza após uma refeição atribulada ou tão simplesmente porque não há
tempo ou meios.

Material

 O mesmo que o da limpeza, acrescido de uma esponja, champô com água


fervida

Como atuar

 Dispa o bebé, deixando a fralda, e embrulhe a sua parte inferior com uma toalha;
 Coloque-o no colchão de banho
 Lave, enxague e seque a cara, o pescoço, o tronco e os braços, com especial
atenção para as pregas da pele nestas zonas;
 Limpe os olhos;
 Vista a parte lavada;
 Tire a fralda e lave e seque as pernas, os pés e o rabinho da frente para trás; se
necessário aplique um creme adequado
 Coloque a fralda, vista a roupa, e faça-lhe o resto da higiene.
 Pode hidratar-se a pele da criança com uma loção própria para o tipo de pele do
bebé e se indicado pelos pais.

Banho de banheira

A diferença entre a limpeza e este banho consiste em, no banho, a criança ser
completamente despida e metida na água. Embora os banhos, nos primeiros dias de
vida, devam ser rápidos para o bebé não apanhar frio, o quarto não deve a uma
temperatura inferior a 22ºC, enquanto normalmente deve rondar os 19ºC.

Excetuando a higiene, o principal objetivo e assegurara-se que o bebé não apanhe frio.
A banheira deverá estar sobre uma superfície lisa, não escorregadia, segura e a uma
altura adequada a quem dá o banho.

Material

 Banheira

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 Tapete antiderrapante
 Todo o material referido no banho parcial

Como atuar

 Encha a banheira até 5 a 8 cm de altura de água, deitando em primeiro lugar a


água fria, e aos poucos a quente, certificando –se da temperatura através de um
termómetro, cotovelo ou pulso
 Dispa a criança, deixe ficar a fralda e embrulhe-a numa toalha
 Segure-a debaixo do braço, lave e enxugue o cabelo e o couro cabeludo, que
deverão ser enxutos de imediato para que não haja perda de calor
 Tire a fralda ao bebé e apoiando bem o pescoço e a cabeça, e o rabinho e as
pernas, coloque-o na banheira de um modo rápido mas calmo e tranquilo e que
transmita segurança.
 Continue a segurá-lo com muito cuidado, tendo especial atenção à cabeça e aos
ombros, enquanto o lava e enxagua
 Para tirar o bebé da banheira e o colocar numa toalha seca e de preferência
aquecida, levante a cabeça e os ombros com uma mão, enquanto com a outra
segura o rabinho e as pernas
 Embrulhe-o de imediato para que não perca calor e arrefeça, ao mesmo tempo
que lhe dá mimo, e seque-o muito bem com “pancadinhas”.
 Coloque a fralda, vista e penteie a criança.

9.4. Sono e repouso

O sono do bebé é um sono leve durante cerca dos primeiros 20 minutos, passando por
um estádio intermédio até atingir um sono profundo, não voltando a acordar sem que
tenha dormido o suficiente.

Assim, poder-se-á ter de embalar um bebé, durante um pouco de tempo antes de ele
adormecer, pelo que se deve ser paciente, quando se tenta que ele volte a dormir durante
a noite e se está ansioso por voltar para a cama.

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A distribuição do sono pelas horas do dia muda com a idade. Um bebé pequeno tem
habitualmente seis ou sete períodos de sono, acordando quando tem fome e
adormecendo se está satisfeito.

À medida que a criança vai crescendo, passa mais tempo acordada, com um longo
período de sono noturno e várias sestas diurnas.

É habitual estabelecer-se um padrão de duas horas de sesta, por dia, que persiste durante
a 1º Infância. Com 4 anos as crianças só dormem de noite e o total das necessidades de
sono decresce à medida que se tornam mais velhas.

Exemplo de uma rotina:

 Dê banho e vista a roupa com que vai dormir


 Dê o biberão ou a papa
 Permita uma brincadeira suave
 Crie um período de calma, cantando, contando uma história, conversando
calmamente e de assuntos que o não excitem
 Diga à criança que é quase hora de deitar
 Sente-se um pouco com ele ao colo dando-lhe beijinhos e segredando algo que o
tranquilize, ou fique ao seu lado em silêncio durante 1 a 2 minutos. Muitos
bebés não conseguem adormecer sem ajuda, por isso embale-o, dê-lhe uma
chupeta, cante-lhe, deixe-o na cama a ouvir uma música agradável e calma,
embale-o com movimentos ritmados ou com o bebé deitado, dê-lhe palmadinhas
no rabinho
 Não deve habituá-lo a adormecer ao colo; mas pode fazê-lo
 Saia do quarto calmamente, desejando-lhe as Boas-Noites e deixando a porta
semifechada – os sons de fundo dão segurança e/ou os ruídos ritmados dos
eletrodomésticos podem funcionar como auxiliar para adormecer.

Se o bebé chorar, e dependendo do tipo de choro, espere 5 a 10minutos antes de entrar


no quarto, e se tudo estiver bem repita sempre a mesma rotina, várias vezes durante a
noite ou o dia. Se não gostar do escuro pode deixar-se acesa uma luz fraca e suave ou
uma de outra divisão da casa.

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A altura em que começa a andar, e todas as novas experiências e receios que isso
implica podem acarretar alterações no comportamento a nível do sono, assim como o
fazem os pesadelos por volta dos 4 anos e o medo da morte cerca dos 5.

Um modo como incentivar um bebé a dormir de seguida durante a noite é assegurar-se


que ele ingere as calorias suficientes para aguentar esse tempo. À medida que a criança
vai ganhando um peso estável pode aguentar mais tempo entre as mamadas.

Quando acordar de noite para comer, deve fazer-se o mínimo barulho possível, dar-se
de comer, mudar-se a fralda única e exclusivamente se estiver suja, e não só molhada,
sendo esta manobra feita rápida, mas calmamente, com cuidado e luz fraca.

Não se deve fazer deste momento, uma ocasião de conversas e brincadeiras. Assim, o
bebé aprenderá que acordar de noite não lhe trará privilégios especiais e que há noite e
dia.

9.5. A relação com a criança e família: a ansiedade, o medo e as crenças


associados à hospitalização

A hospitalização de uma criança é sempre geradora de instabilidade e desequilíbrio no


sistema familiar, capaz de desencadear uma situação de crise: os pais podem considerar
que falharam no exercício do seu papel e nas expectativas que colocaram a si próprios, o
que poderá prejudicar o seu funcionamento e as capacidades de apoio ao sofrimento do
filho.

Por tudo isto e, para que os pais possam ajudar a criança durante a sua hospitalização é
necessário que os técnicos de saúde se focalizem no papel parental e os apoiem desde o
primeiro momento, no sentido de promover o seu bem-estar nesta transição. Cada
família tem necessidades diferentes e por isso tem que ser acompanhada de forma
individualizada.

O papel ativo e protetor relativamente à saúde e bem-estar dos filhos é,


tradicionalmente, atribuído à mãe, mas quando estes adoecem, estas funções são
assumidas, total ou parcialmente, por profissionais de saúde.

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Desse modo podem gerar-se conflitos de papéis entre o mandato social que é atribuído
aos enfermeiros, para cuidar profissionalmente, e o exercício da parentalidade, o que
pode originar um sentimento de limitação do exercício desse papel por parte das mães.

Quando uma criança é hospitalizada tudo se torna diferente, a família entra em


sofrimento causado pela própria situação de saúde da criança e pela mudança de
ambiente, confrontando os pais com a necessidade de assumir um papel parental que
não resulte apenas das expectativas dos familiares, mas também das expectativas dos
profissionais, fazendo alterar o exercício da parentalidade.

A capacidade da família enfrentar esta situação de crise depende dos sistemas de


suporte que dispõe, das experiências anteriores em acontecimentos semelhantes, da
coesão entre os membros e da capacidade de utilização dos recursos exteriores ao
núcleo familiar.

Perceber o papel parental significa “estar atento ao conflito e angústia que os pais
podem desenvolver tendo em conta a mudança sentida no seu papel em resposta a
fatores como a doença e a hospitalização da criança”.

Do lado da criança, o acompanhamento da sua hospitalização pelos seus familiares


proporciona-lhe afetividade, segurança e diminuição na quebra de continuidade do
quotidiano; mas para os pais, a hospitalização pode significar separação do seu filho e
quebra na organização do quotidiano: deslocações, aumento das despesas, faltas ao
trabalho e ausência do lar.

A hospitalização é sempre um acontecimento altamente perturbador pelas mudanças e


condicionalismos que implica na vida e no quotidiano das famílias.

Quando uma criança é hospitalizada é comum, os pais manifestarem sentimentos de


medo, ansiedade e frustração. O medo e a ansiedade podem estar relacionados com a
gravidade da própria doença e com o tipo de procedimentos envolvidos no tratamento; a
frustração está frequentemente relacionada com o facto de não se sentirem desejados
pela equipa, com o desconhecimento de normas e rotinas da instituição e com a falta de
informação acerca de procedimentos e tratamentos.

A frustração e a ansiedade são minimizadas quando o ambiente se torna familiar,


quando os pais estão na posse de informações sobre o que podem esperar da instituição

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e sobre o que é esperado deles, e quando os consideram elementos essenciais ao cuidar
do seu filho.

9.6. Noções de segurança e prevenção de acidentes no universo infantil


enquanto intervenientes passivos / ativos nas atividades diárias

Os acidentes são uma das principais causas de mortalidade e de problemas de saúde nas
crianças. A mortalidade é apenas a ponta do iceberg uma vez que, por uma criança que
morre por acidente, existem muitas outras que têm acidentes que lhes causa grande
sofrimento, e muitas ainda ficam com complicações graves para a toda a vida.

Estima-se que em cada dia, duas crianças morrem devido a acidente, e dez ficam com
deficiências. Em Portugal a 3ª causa de morte, é a mortalidade por acidentes. Esta é
ainda a primeira causa de morte das crianças do 1-14 anos.

Praticamente todas as causas de um acidente são possíveis de identificar e em


consequência de prevenir. No entanto muitos pais e outros adultos, pensam que os
acidentes só acontecem aos filhos dos outros e que o seu filho nunca correrá
determinados riscos, não tendo assim a noção da gravidade da situação e dos riscos que
a criança corre, e por tal não gasta tempo a prevenir o que é prevenível.

Tornar o ambiente mais seguro à volta de uma criança, significa adequa-lo às


capacidades e desenvolvimento da mesma, tomando medidas preventivas fáceis de
executar e respeitar, entre as quais vigiar a criança, e logo que esta compreenda, educá-
la para o risco.

Para que se consiga ter uma atitude preventiva, e reduzir os acidentes, é importante:

 Informar os pais ou outros educadores, sobre fatores de risco dos acidentes.


 Informar sobre as etapas, e as particularidades do desenvolvimento psicomotor,
afetivo e social, e a sua relação com os acidentes.
 Educar as crianças a viver com o risco. Isso deve ser iniciado desde logo, no
entanto só por volta dos 3/4 anos a criança terá capacidade para começar a
compreender. Deve aprender a reconhecer os riscos e a adotar comportamentos
preventivos, sabendo proteger-se, adquirindo pouco a pouco a sua autonomia.

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Existem determinados fatores que aumentam o risco de ter acidentes, são estes a idade,
a personalidade da criança, a deficiência, a atitude dos pais e educadores face ao risco, o
nível socioeconómico, a vigilância do adulto, as divisões da casa, e acontecimentos
geradores de stress.

A idade influencia a frequência com que se dá um acidente, atingindo na sua maioria o


grupo etário de 1-4 anos. Do 1 aos 4/5 anos, a criança caminha, explora e descobre,
podendo-lhe acontecer todo o tipo de acidentes, sobretudo intoxicações, quedas,
queimaduras, asfixia, e afogamento.

Quanto às divisões da casa a cozinha é aquela onde se dá o maior número de acidentes.


Também os meios mais desfavorecidos, onde há desemprego, imigração, dificuldades
financeiras, ou os contextos familiares em que se vivem situações de stress, são aqueles
onde se encontra um maior número de crianças vítimas de acidente. Um acidente é
muitas vezes uma forma de chamar a atenção dos pais.

Não vigiar uma criança é igualmente um fator de risco de acidente. Também as crianças
que são demasiado controladas e protegidas pelos pais, acabam por ter mais acidentes
que as outras.

A personalidade da criança tem igualmente influência no risco de acidente, assim as


crianças mais ativas, empreendedoras e curiosas, são mais frequentemente vítima dos
mesmos. A criança deficiente física ou mental pelas limitações que lhe são próprias, são
também mais sujeitas a acidentes.

9.7. A importância da ocupação dos tempos livres

Brincar é, e faz parte da infância, apresenta-se como um fator primordial no crescimento


social, intelectual, físico e emocional de todas as crianças, é uma fonte de prazer. O
valor terapêutico no hospital, é crucial dado que permite a inversão das contingências
diárias a que estão submissas todas as crianças.

Na verdade, o jogo constitui uma autêntica escola de disciplina, contribui para o aflorar
de emoções e afetos, constitui um espaço de ação em que a criança aceita e exercita. O

73
jogo permite-lhe descobrir o mundo, integrar-se na comunidade, efetuar as sua próprias
experiências e edifica as estruturas mentais e a flexibilidade do corpo.

O jogo emerge no contexto hospitalar como instrumento terapêutico, sendo o fio


condutor e facilitador da comunicação e expressões da criança, submetida a
determinados procedimentos que constituem momento de agressão. Pode ainda ser fator
coadjuvante na transmissão de mensagens ocultas, fornecendo informação sobre o
estado de ânimo e necessidades da criança.

O jogo incentiva o desenvolvimento da criança internada, evitando o seu bloqueio e


menorizando os efeitos negativos da hospitalização.

Através das atividades organizadas, a criança aprende a autocontrolar a sua reação


individual, construindo, desta forma, o seu próprio “eu”.

A vida quotidiana da criança está constantemente a adotar as atitudes dos outros, em


relação a ela, principalmente aqueles que a rodeiam (família, comunidade onde vive e
de quem depende), passando de uma forma ténue da brincadeira para o jogo organizado
e interdependente, apoderando-se este da moralidade da criança, tornando-se assim
capaz de atuar no interior do todo organizado e afirmar-se perante o grupo,
despoletando a resposta dos seus membros.

Seria conveniente manter, durante a hospitalização determinadas atividades, de acordo


com a preferência e possibilidades da criança, com a finalidade de permitir o seu
processo de desenvolvimento e facilitar a rotinas quotidianas, proporcionando os jogos
habituais oferecendo oportunidades de regresso ao seu mundo.

Nos hospitais deve haver um espaço para a atividade lúdica, rompendo-se com as
estruturas rígidas e ambientais, estimulando os sentidos e a atividade da criança. É
necessário possuir, neste espaço, jogos que contemplem os aspetos mencionados e
possibilitem à criança de todas as idades usufruir deles.

As atividades lúdicas são de grande utilidade na hospitalização e devem contemplar: a


terapia musical, a relação e a fantasia dirigidas, a dramatização ou representação teatral,
a narração e a colagem. Todos estes jogos constituem ótimos meios para “ajudar a
criança a expressar e a desenvolver recursos que permitam enfrentar eficazmente a
hospitalização, diminuindo os seus efeitos.

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Os pais e/ou outras figuras significativas da criança, que permanecem junto delas,
devem envolver-se e participar nos seus jogos ajudando-as, a confrontar-se, não só com
o percurso do internamento, mas também com os momentos difíceis que se deparam no
quotidiano hospitalar.

Para além do envolvimento dos pais nas atividades lúdicas, devem os profissionais de
saúde envolver-se neste fenómeno em simultâneo com as crianças, uma vez que estão
constantemente em contacto com as crianças e, neste sentido, devem ter conhecimento
destas atividades, para que possam usufruir da colaboração da criança com o menor
sofrimento possível.

10. Tarefas que em relação a esta temática se encontram no âmbito de intervenção


do/a Técnico/a Auxiliar de saúde

10.1. Tarefas que, sob orientação de um Enfermeiro, tem de executar sob


sua supervisão direta

Nos contextos de saúde, o supervisor do técnico/a de saúde é um enfermeiro que pode


ter as competências de consultor, conselheiro, orientador, que estabelece e desenvolve
relações de ajuda em vários campos de intervenção e que:

 Disponibiliza os seus conhecimentos e saberes avaliando as necessidades de


formação e de suporte emocional para melhorar cuidados seus e dos seus pares;
 Promove e coopera em processos sistematizados de mudança e de atendimento
do doente;
 Dá visibilidade e incentivo às boas práticas;
 Promove a autorreflexão perante as situações que se deparam nos vários
contextos de trabalho;
 Desenvolve processos de reflexão-ação sobre o seu próprio papel como
supervisor e também como prestador de cuidados de enfermagem.

Os intervenientes na relação supervisiva devem ter em consideração as políticas


diretivas, as preocupações com a melhoria dos primados de qualidade para o cliente,
participar no debate sobre a filosofia do cuidar, desenvolvimento de processos

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formativos e motivação para o seu próprio processo de desenvolvimento de
competências.

As medidas que o supervisor deve estabelecer apresentam-se como:

 O ser explícito no suporte,


 Considerar todas as formas de ajuda;
 Desenvolver os processos comunicativos;
 Ser um elemento encorajador, clarificador e dinamizador;
 Desenvolver o foco nos aspetos mais relevantes dos assuntos;
 Desenvolver as atividades do processo supervisivo de uma forma faseada;
 Utilizar as energias do próprio supervisado, mais do que dar conselhos, dar
informações para reflexão;
 Saber avaliar introduzindo as medidas corretivas educacionais;
 Saber refletir e levar o outro a desenvolver processos de autorreflexão.

De acordo com o respetivo perfil profissional, cabem ao técnico/a de saúde as seguintes


tarefas que, sob orientação de um enfermeiro, tem de executar sob sua supervisão direta:

 Uma prestação de cuidados à criança/família, determinando respostas de elevado


grau de adequação às suas necessidades;
 O reconhecimento da criança como elemento participativo na tomada de decisão
do seu processo de saúde, bem como a valorização dos pais como primeiros
prestadores de cuidados.
 O suporte e assistência da criança/família nos processos de transição e adaptação
tendo em conta os seus projetos de saúde, conducente á maximização do
potencial de crescimento e desenvolvimento da criança e jovem.

10.2. Tarefas que, sob orientação e supervisão de um Enfermeiro de


saúde, pode executar sozinho/a

A supervisão das práticas do técnico/a auxiliar de saúde terá uma dimensão menos
intrusiva, permitindo a sua autonomia, nomeadamente quando nos referimos a:

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 Relação de ajuda ao doente/utente, convivente significativo ou familiar;
 Promoção da melhoria do estado de saúde do doente em situação de urgência ou
emergência;
 O cuidar de doentes que se encontram em risco de vida;
 A identificação de problemas nos doentes;
 Aspetos da comunicação com o doente e a família.

Neste campo, a supervisão aponta para a identificação de soluções de problemas,


melhoria efetiva da prática e aumento de competências, capacidades e conhecimento
dos profissionais com vista à qualidade global e globalizante.

O Técnico/a auxiliar de saúde deve então:

 Adaptar-se e atualizar-se a novos produtos, materiais, equipamentos e


tecnologias.
 Agir em função das orientações do profissional de saúde e sob a sua supervisão.
 Agir em função de normas e/ou procedimentos.
 Agir em função de princípios de ética.
 Agir em função do estado de saúde do utente,
 Agir em função dos aspetos culturais dos diferentes públicos.
 Assumir uma atitude de melhoria contínua.
 Concentrar-se na execução das tarefas.
 Trabalhar em equipa multidisciplinar.
 Agir em função do bem-estar de terceiros.
 Comunicar de forma clara e assertiva
 Demonstrar compreensão, paciência e sensibilidade na interação com utentes.
 Demonstrar interesse e disponibilidade na interação com utentes, familiares e/ou
cuidadores.
 Demonstrar interesse e disponibilidade na interação com os colegas de trabalho.
 Demonstrar segurança durante a execução das tarefas.
 Autocontrolar-se em situações críticas e de limite.

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De acordo com o respetivo perfil profissional, cabem ao técnico/a de saúde as seguintes
tarefas que, sob orientação e supervisão de um técnico/a de saúde, pode executar
sozinho/a:

 Acompanhamento da criança nas atividades diárias: especificidades.


 Comunicação na interação com o utente, cuidador e/ ou família.
 Cuidados de apoio à eliminação: materiais, técnicas e dispositivos de apoio,
sinais de alerta.
 Cuidados de higiene e conforto: materiais, técnicas e dispositivos de apoio.
 Cuidados na alimentação e hidratação oral: técnicas, riscos e sinais de alerta.
 Aplicar técnicas de apoio à higiene e conforto,
 Aplicar técnicas de apoio na alimentação e hidratação oral.
 Cumprir e aplicar procedimentos definidos.

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Bibliografia

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Ministério da Saúde

AA VV. Carta de direitos do doente internado, Ed. Ministério da Saúde/ Direcção-Geral


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Sociologia da Infância, Universidade do Minho, 20

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