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Licenciado para Cleverson Pompeu Dos Santos - 02382387173 - Protegido por Eduzz.com
Agradecimentos
Foi preciso que pessoas acreditassem em mim, me encorajassem e me nutris-
sem, que me apoiassem no trabalho árduo de escrever este livro. Especialmente
um livro que talvez até mesmo possa ser útil e informativo!

Eu agradeço e estou em dívida com as seguintes pessoas: Betty Alice Erickson,


cujo trabalho e vida têm me inspirado. Eduardo René Trigo por seu constante apo-
INCOSCIENTE INFORMADO

io e cuidado, os quais me deram o lugar seguro e o espaço para escrever. Andres


Carrillo Pera, meu enteado, cujo amor e encorajamento em relação ao meu trabalho
têm resultado no aumento da minha capacidade de pagar por seus diplomas.

À minha voz no Brasil, Ana Teresinha Passarella Coelho, que tem me interpreta-
do há vários anos e também me apoiado e, em algumas ocasiões, me desafiado a
me tornar um professor ainda melhor, obrigado.

E, acima de tudo, aos meus dedicados alunos que tomam o que eu tenho a lhes
oferecer, transformam em algo seu e integram a aprendizagem de forma que ela
UM

seja expressa através deles. Os meus alunos serão a próxima geração de Curadores
PARA

(healers) Ericksonianos. Saúdo a próxima geração, pois ela deve se sobressair.


Tenho esperança de ser considerado um Mestre Curador (healer) em vida.
ERICKSONIANA

Para receber essa designação, três dos meus alunos devem me superar. Estou
ansioso para alcançar esse título em um futuro próximo.

Com humor e humildade espero profundamente que você desfrute deste livro
e das amostras de histórias.
ABORDAGEM
UMA

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Í N D I C E

CÁP 1 - INTRODUÇÃO 05
1.1 Era Uma Vez 06
1.2 O Concerto 08
1.3 Milton H. Erickson 14
1.4 O campo transformacional 18
1.5 Estratégias ericksonianas - Acompanhar 19
1.6 Conduzir 20

CÁP 2 - METÁFORAS E A ARTE DE CONTAR HISTÓRIAS 22


2.1 Como colecionar e lembrar histórias e metáforas 24
2.2 Metáforas e a arte de contar histórias - Betty Alice Erickson 27
2.3 A criação de histórias e metáforas terapêuticas - Betty Alice Erickson 29
2.4 Sugestões adicionais para a criação de histórias - Betty Alice Erickson 30

CÁP 3 - DICAS SOBRE COMO CONTAR HISTÓRIAS 31


3.1 Dicas: como contar histórias que promovam mudanças nas mentes e nos corações 32
3.2 Condução inicial geral 33
INCOSCIENTE INFORMADO

3.3 Técnicas de confusão 34

CÁP 4 - HISTÓRIAS QUE CURAM 37

4.1 Os sapos na tigela de creme 38


4.2 A passo de caracol 39
4.3 Zebras 41
4.4 O puxão! 43
4.5 O ratinho decidido a ver o mar 44
4.6 Charley 45
4.7 Brócolis 48
UM

4.8 A macieira 51
4.9 Andando na linha 53
PARA

4.10 A pirâmide das possibilidades 53


4.11 Deus é 55
ERICKSONIANA

4.12 Existe vida após o Jardim de Infância? 58


4.13 O sussurro 59
4.14 A testemunha – uma tradição simples 60
4.15 Transformação – de Danaan Parry 61
4.16 Os porcos daquela cobertura 62
4.17 O pessimista 64
ABORDAGEM

4.18 Apenas de passagem 66


4.19 O Convite – de Oriah Mountain Dreamer 67
4.20 George 69
4.21 O presente 72
4.22 O ancião sábio 75
UMA

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4.23 Apenas um pássaro em uma gaiola dourada 74
4.24 Sob a árvore Bodhi 76
4.25 O garoto do estábulo 80
4.26 Feliz 81

CÁP 5 - BOM CONSELHO 84


5.1 Escutar 85

CÁP 6 - CITAÇÕES 86
6.1 Citações 87
6.2 Citações espirituais e orações 105

CÁP 7 - ENTREVISTA 108


7.1 O uso de metáforas na prática (por Ana Teresinha Passarella Coelho) 109
INCOSCIENTE INFORMADO
UM
PARA
ERICKSONIANA
ABORDAGEM
UMA

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1
INTRODUÇÃO
INCOSCIENTE INFORMADO
UM
PARA
ERICKSONIANA

“A sabedoria nada mais é do


que a dor curada (heal).”

(Robert Gary Lee)


ABORDAGEM
UMA

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1 . 1 E R A U M A V E Z

E
screvo este livro com uma missão específica em mente: trazer ao foco tanto dos
profissionais, como do público em geral o imenso impacto e potencial de cura
(*heal) embutido em histórias, metáforas, citações, e ditados.

Histórias, metáforas, citações, e ditados são muito, muito mais do que trocadilhos in-
telectuais! Representam verdades eternas, transculturais e uma sabedoria que vai muito
além dos nossos sonhos mais loucos. Elas exercem um impacto em toda e cada célula
do nosso corpo, podem trazer um sorriso ao nosso rosto, ou lágrimas aos nossos olhos,
às vezes trazem apenas aquele profundo suspiro de alguém que já sabe enquanto nos
lembramos da nossa verdade. São apenas histórias, metáforas, citações, e ditados, e
ainda assim carregam um significado que é tão, tão maior... Em sua essência, elas nos
recordam da nossa sabedoria interior, da nossa verdadeira natureza positiva e amoro-
sa, das nossas infinitas possibilidades de nos tornarmos tudo que podemos nos tornar,
e nos ajudam a continuar a evoluir de maneiras positivas na medida em que tentamos
desenvolver o verdadeiro potencial que nos foi dado por Deus.

''A SABEDORIA NADA MAIS É DO QUE A DOR CURADA (HEAL).''


- ROBERT GARY LEE

'' MINHA VIDA ESCUTA A SUA. ''


- MURIEL RUKEYSER
INCOSCIENTE INFORMADO

O Dr.Milton H. Erickson sentia que nossos padrões de interação e nossos comporta-


mentos frequentemente são o resultado de uma ''aprendizagem incompleta'.

Sempre que estamos aprendendo algo novo, com muita frequência o processo de
aprendizagem é interrompido e raramente temos a chance de voltar ao ponto em que
fomos interrompidos e dar continuidade àquela aprendizagem. Portanto, a maioria das
nossas aprendizagens é deixada em vários estágios de incompletude.

Baseamos muitos de nossos comportamentos nessas informações incompletas. Nos-


sas ações e reações baseadas na aprendizagem ‘incompleta’ tornam-se muito menos
UM

efetivas do que poderiam e deveriam ser. De fato, podemos dar a aparência de ser, no
mínimo desinformados ou ilógicos e, no caso extremo, simplesmente “malucos”!
PARA

Histórias, metáforas e citações nos ajudam indiretamente a completar muitas des-


ERICKSONIANA

sas aprendizagens. Quem conta as histórias não precisa saber que informação está
incompleta para ser efetivo. Ao desenvolvermos o rapport com os nossos ouvintes in-
tuitivamente escolheremos uma ‘história certa o suficiente’. A mente inconsciente é
programada para aprender e evoluir, e ela encontrará o que precisa nas histórias para
tornar nossa aprendizagem mais completa. Com informações mais completas nosso
comportamento automaticamente muda e se altera de maneiras mais positivas.
ABORDAGEM

*N.T: Na língua inglesa há duas palavras que podem ser traduzidas como cura e curar, uma é cure e a outra é heal. De acordo com o Oxford Dictionary and
Thesaurus, as duas palavras são sinônimas no sentido de restaurar a saúde. Porém, no universo da hipnose ericksoniana é importante fazer uma distinção,
pois a palavra heal vem da palavra whole, que significa inteiro, completo, total, não dividido. Heal tem o sentido mais amplo de restaurar o senso de inteireza,
UMA

ou senso de plenitude, porém não tem o sentido de eliminar doenças, enquanto cure também tem o sentido de eliminar doenças. Portanto, sempre que no
texto a palavra cura for utilizada, será colocada ao lado a palavra original em inglês para que o leitor tenha acesso à riqueza do significado.

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''A MENTE INCONSCIENTE DO HOMEM VÊ CORRETAMENTE MESMO QUANDO A RAZÃO
CONSCIENTE É CEGA E IMPOTENTE.''
- CARL GUSTAV JUNG

'' AO CONTAR HISTÓRIAS REVELA-SE O SIGNIFICADO SEM COMETER O ERRO DE DEFI-


NI-LO.''
- HANNAH ARENDT

Era uma vez... No exato momento em que digo “Era uma vez”, ou “Há muito, muito
tempo em um universo muito, muito distante”, qualquer pessoa que esteja ao alcance
do som da minha voz começará a entrar em um transe positivo, como o de uma criança:
“– É hora de história!” A criança em nós reage a estas simples, porém significativas pa-
lavras e espera com antecipação para ouvir o resto da magia que é a história.

Histórias trazem consigo o mistério, o entusiasmo e as informações que nos aju-


dam a fazer uma síntese e a crescer. Histórias nos trazem prazer, nos recordando de
experiências positivas da infância, nos informando e nos ajudando a completar nossa
compreensão do mundo. Histórias ajudam a dar perspectiva. Elas nos ajudam a pensar
e a aprender de uma maneira não linear. Uma boa história tem a qualidade de ser uni-
versal, transcultural, e atravessar gerações. Histórias encorajam a conexão tanto com a
história como com os outros ouvintes.

Ainda consigo me lembrar de estar sentado ao redor da fogueira com meus compa-
nheiros quando pedíamos ao líder do acampamento que nos contasse uma ‘história não
tão aterrorizante!’ Na verdade, queríamos sim uma história muito aterrorizante! Ficá-
vamos todos unidos pelo mesmo medo que sentíamos e pela emoção das histórias ao
redor da fogueira contadas pelos líderes do acampamento que, de certa forma talvez
nos assustassem, e que também nos faziam sentir como um só. Aquelas histórias eram
a maneira como nós garotos nos conectávamos e compartilhávamos algo que tínhamos
em comum, mesmo que fosse algo como o medo de fantasmas ou outros monstros da
INCOSCIENTE INFORMADO

noite!

Histórias sempre existiram e sempre existirão. Histórias, metáforas, ditados e citações


indiretamente nos ajudam a navegar pela vida. Histórias frequentemente contêm metá-
foras, citações, e ditados que informam, inspiram e desafiam. Nós raramente resistimos
àquilo que ouvimos em uma história, pois a mensagem chega até nós de uma maneira
muito gentil. Assim temos a opção consciente e a inconsciente de escolher aquilo que
precisamos no sentido de nos ajudar a responder nossas questões pessoais, dúvidas
ou para preencher as lacunas na medida em que reunimos informações mais completas
sobre o nosso mundo. Histórias comunicam sabedoria, filosofia e moral para a vida. Este
UM

livro é dedicado ao trabalho de Milton H. Erickson, o pai da hipnose contemporânea.


O Dr. Erickson foi tanto o mestre das metáforas, como foi também um dos mais fasci-
PARA

nantes contadores de histórias do mundo. Estas duas técnicas são chave para o poder
de seu trabalho.
ERICKSONIANA
ABORDAGEM
UMA

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1 . 2 O C O N C E R T O

E
nquanto estávamos sentados na minha sala de estar resolvendo os problemas do
mundo, meu amigo, um renomado compositor de Hollywood, contava sobre as
grandes mudanças que aconteceram em sua vida. Durante anos ele compusera as
trilhas sonoras que fazem com que tantos filmes de Hollywood se tornem um sucesso.
Tivera uma esposa, uma filha, uma casa magnífica, todo o trabalho que conseguia ger-
enciar e dinheiro no banco. Em menos de um mês, tudo isto mudara. Ele e a filha quase
morreram em um terrível acidente de carro, seu casamento se dissolveu completamente
de forma inesperada, ele perdeu sua casa no repentino divórcio, e seus investimentos
desapareceram em um golpe do mercado financeiro. Estava prestes a se recompor e
começar tudo de novo quando fez para si mesmo a pergunta das perguntas: Nesta
vida, o que estou fazendo com a minha vida? De certa maneira ele vivenciou sua própria
versão da canção de sucesso do filme “Alfie” de 1966: “ De que se trata tudo isso, Alfie?
Será apenas por um momento que vivemos? De que se trata tudo isso, quando você
faz o balanço geral, Alfie? ”

Passou anos compondo, conquistou prêmios Clio, fez comerciais de TV, ganhou sete
Emmys, tinha uma carreira cheia de filmes importantes que alcançaram a fama através
de sua música e, ainda assim ele se perguntava: O que estava fazendo para afirmar a
vida? O que ele faria agora?

Concluiu que chegara o momento de seguir um caminho diferente. Embarcou em


uma jornada para des- cobrir a sabedoria nas palavras de pessoas famosas, de pessoas
não-tão-famosas e de pessoas comuns. Imagine, ele pensou, o impacto que seria se as
palavras destas pessoas, não importando qual o seu estilo de vida, fossem proferidas
e enquanto estivessem sendo expressas sua sabedoria fosse acompanhada de música
que ele comporia no exato momento de acordo com cada frase que dissessem! Imagine
INCOSCIENTE INFORMADO

se ele combinasse a música e as palavras com os melhores recursos cinematográficos!


Imagine se ele utilizasse uma orquestra de oitenta instrumentos para criar o mesmo
efeito e, a música e os recursos cinematográficos poderiam conduzir a sabedoria, a
história dessas pessoas da mesma maneira que ele havia criado os efeitos que haviam
conduzido as histórias em tantos filmes importantes de Hollywood! E assim, ele iniciou
sua jornada. Ele já havia concluído um DVD que corporificava seu conceito e este DVD
fora muito bem recebido. Já estava na hora de produzir outro.

“– Eu quero que você,” disse ele, “fale sobre alguma coisa que venha do seu coração,
alguma coisa que possa fazer uma diferença, alguma coisa que as pessoas precisam
UM

ouvir. Gostaria de convidar trinta pessoas para uma reunião em sua casa e minha ideia
PARA

é a seguinte: Sentado ao piano de cauda comporei a música enquanto você conta uma
história, comporei de acordo com cada e toda palavra que você disser, criarei uma
trilha sonora original! Você me daria a honra de contar uma história especial?” Fiquei
ERICKSONIANA

muito lisonjeado. Infelizmente, lisonjeado demais!

“– É claro que sim.” Disse eu sem hesitar nem por um momento. Amava o trabalho
dele, amava suas intenções, amava a criatividade, a mensagem e as possibilidades.
Não esperei nem um segundo para refletir sobre o que, o que, o que eu poderia ter
a dizer? Despedimo-nos com um aperto de mãos, rimos e demos um abraço, fiquei
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entusiasmado com a perspectiva de que aquela noite especial viria a acontecer dali a
poucos dias. Restavam apenas vinte e quatro horas quando me dei conta sobre o que
eu havia concordado.
UMA

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Comecei a procurar em todos os meus livros de poesia. Procurei todas as citações ou


metáforas que eu já havia lido, procurei incontáveis vezes no Google, falei com amigos.
Logo, logo eu estava em pânico: O que eu poderia dizer? O que eu poderia dizer que
pudesse ser inspirador? O que eu poderia dizer que fosse universal? E o que eu poderia
dizer que pudesse justificar uma orquestra de oitenta instrumentos e uma música sen-
do composta de acordo com cada palavra que eu dissesse?

Na véspera do evento minha mente estava em branco, minha mandíbula estava fláci-
da, e tenho certeza que meus olhos estavam fixos na grande vastidão. Decidi deixar to-
dos os meus livros, citações, anotações de lado. Decidi tirar tudo isso da minha mente.
Mesmo assim minha mente estava em disparada pensando naquilo com que eu havia
concordado. Bem, finalmente pensei: ''Vamos deixar por conta do universo.' Certamente
eu não tinha a resposta! Eu entrara no estado mental de eu-não-sei. Decidi sair do meu
apartamento e ir à feira comprar uma árvore, sim, uma árvore.

Havia sido um inverno rigoroso e uma das árvores do meu terraço morrera. Eu tinha
uma árvore específica em mente, embora jamais a houvesse visto na feira. Porém, por
que não dar uma olhada? Fui andando pela rua e quando entrei na feira mal pude
acreditar nos meus olhos. Pois, lá no final da feira, há uns duzentos metros de distância,
estava exatamente a árvore que eu havia imaginado. Fiquei muito impressionado, pois
de fato, jamais havia visto aquele tipo de árvore na feira antes. Perguntei o preço para
me informar e era muito, muito barata, paguei com alegria e, cheio de entusiasmo, me
inclinei para pegar o vaso e levar minha árvore para casa.

Ela pesava uma tonelada! Mal consegui erguer o vaso. Era completamente impos-
sível carregá-la para casa. Expliquei ao produtor, com um longo lamento, que eu sim-
plesmente não conseguiria levá-la para casa. Ele me sorriu um sorriso meio banguela.
Era um senhor negro encurvado e de idade, seus cabelos estavam ficando grisalhos e
seus olhos e sua pele eram os de alguém que havia tido uma vida muito dura. Ele era
curvado praticamente até o meio, como uma árvore desesperadamente pendurada na
INCOSCIENTE INFORMADO

beira de um penhasco, que sofre a ação constante do vento, o que faz com que ela fique
inclinada para uma única direção.

“– Qual é a distância que temos que percorrer?”, ele perguntou. “– Apenas alguns
quarteirões.”, respondi. Ao que ele afirmou: “– Eu cultivo, eu vendo, eu carrego.”

Fiquei impressionado com sua determinação e muito aliviado por ele carregar aque-
la árvore impossível de se carregar. Ele apanhou a árvore e começamos a andar. Pelo
menos inicialmente caminhamos em silêncio. Eu não sabia o que dizer. Pensei que talvez
devesse tê-lo mandado na frente com o endereço enquanto fazia outras coisas. O que
poderíamos ter em comum?
UM
PARA

Sentia que não havia nada na minha vida que realmente tivesse qualquer conexão
com alguma coisa que fizesse parte da vida dele. Caminhei em um silêncio muito estra-
ERICKSONIANA

nho, escutando as vozes na minha cabeça, minhas preocupações, meus preconceitos.


Socorro! O que eu poderia dizer? Minha preocupação comigo mesmo foi interrompida:
ABORDAGEM
UMA

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“– Filhos?” Ele perguntou.
“– Oh, sim, tenho um filho.” respondi. “Eu o adotei quando ele tinha quinze anos.
Ele é mexicano e viveu nas ruas, foi reprovado no ensino médio, e agora está comi-
go, quando o conheci estava desesperado a ponto de pensar em roubar tortilhas dos
vendedores ambulantes para sobreviver. Voltou a estudar, concluiu o ensino médio e
ganhou uma bolsa de estudos parcial em uma das melhores universidades do México.
Concluiu o curso como um dos melhores da classe. Passou a ter interesse pela China,
decidiu aprender mandarim e hoje em dia ele é totalmente fluente em inglês, espa-
nhol, mandarim no nível de um falante nativo. Acaba de se candidatar para fazer
mestrado em chinês na Universidade John Hopkins em Nanjing e tenho certeza que
será aceito.”

Houve alguns momentos de silêncio e então ele perguntou: “– Como você fez isto?”

“– Oh”, disse eu em tom de brincadeira, “apenas reguei.”


“– Não.” Ele afirmou.
“– Não?”
“– Não. Como você fez isso?”
“– Eu o amei.” Respondi.
“– Não.” ele disse, “Você acreditou nele.” De alguma forma sua pergunta direta e sua
afirmação da verdade não pareceram intromissão. “– Sim,” eu disse, “eu acreditei
nele.”
“– Você acreditou nele.” Ele disse com firmeza.

Enquanto seguíamos tornei a ele e perguntei, com um quê de travessura: “– Filhos?”

“– Filhos?”, ele perguntou.


“– Sim”, eu disse, “filhos?”
“– Ah, ah, sim. Minha esposa e eu temos uma garotinha linda e adorável de oito anos
de idade. O mundo será dela. É inteligente, é criativa e será enfermeira cirúrgica.
“– Como você fez isso?”
E então repeti devagar: “– Como você fez isso?”
INCOSCIENTE INFORMADO

Ele colocou a árvore no chão, fez uma pausa e sorriu.

“– Eu tenho tido uma vida difícil. Quando eu era novinho li um livro muito especial,
Peter Pan, e eu soube, eu soube que eu podia voar. Porém, com o passar dos anos
eu comecei a esquecer. Eu esqueci de acreditar que eu podia voar! Todas as noites,
quando coloco minha filha na cama, eu recordo a ela, isso mesmo, nunca, jamais se
esqueça que pode voar! Nunca se esqueça que pode voar. Ela não se esquecerá. O
mundo será dela.”

Ficamos de pé em silêncio por um momento, e então ele ergueu minha árvore e nós
UM

continuamos cami-
PARA

nhando em direção ao meu apartamento. Minha voz falhou quando compartilhei com
ele que, no dia seguinte, eu precisaria contar uma história muito especial e que eu que-
ERICKSONIANA

ria contar sua história.

“– Minha história? Minha história?” Ele exclamou, “– Por que a minha história?”
“– Porque”, eu falei, “a sua história é a minha história, a sua história é a história de to-
dos nós.”
ABORDAGEM

Ele colocou a árvore de novo no chão, suspirei, talvez eu e a minha nova árvore nunca
chegaríamos em casa!

“– Você contaria a minha história? Você contaria a minha história?”


“– Sim”, eu disse, “é claro que, com a sua permissão.”
UMA

“– Você pode contar a minha história desde que você lembre aos ouvintes duas coisas:

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Uma é simplesmente a verdade e a outra é o meu segredo.” Ele falou com um leve
sorriso que mostrava alguns de seus dentes quebrados.
“– É claro,” eu disse, “contarei a história exatamente como aconteceu e certamente
que contarei as duas coisas que você gostaria que eu acrescentasse.”
“– Bem, quando você contar a história eu quero que você recorde a todos que eles
podem voar! Isto mesmo, eles não devem nunca, jamais se esquecer de que podem
voar.”
“– E...”, continuei, “o segredo?”
“– Ah, sim,” ele disse, “o segredo. Está vendo estes pequenos calombos nas minhas
costas?” Ele perguntou, se virando um pouquinho para apontar as omoplatas.
“– Bem, o segredo: Estou começando a deixar minhas asas crescerem novamente e
olhe só, as penas já estão se formando.”

Nós sorrimos um para o outro enquanto ele erguia a árvore mais uma vez. Sei que havia
uma pequena lágrima em seus olhos e provavelmente nos meus também. Prosseguimos
até o apartamento, subimos pelo elevador e fomos até o terraço onde ele finalmente
colocou a árvore no chão pela última vez.

“– Ah, sim, por favor, venha me visitar na feira e me conte se gostaram da minha
história.”
“– Eu me lembrarei de recordar a eles de nunca se esquecerem que podem voar.” Afir-
mei enquanto ficava ali de pé no hall do elevador e me despedia dele com um aceno.
“– Nunca, jamais esqueça que você pode voar!”

''DÊ A UM HOMEM UM PEIXE E VOCÊ O TERÁ ALIMENTADO POR UM DIA. ENSINE UM HOMEM
A PESCAR E VOCÊ O TERÁ ALIMENTADO POR TODA UMA VIDA.''
- PROVÉRBIO CHINÊS

Para aprender aquilo que você tem se esquecido de se lembrar, que você pode voar,
você deve primeiro praticar, experimentar suas asas, cometer seus erros, e passar por
INCOSCIENTE INFORMADO

algumas aterrissagens turbulentas. Com o tempo você aprenderá como manejar as cor-
rentes de ar, colher experiências, praticar, praticar, praticar e voar. Um dia, eu não sei
quando, porém muito mais cedo ao invés de muito mais tarde, talvez um mês ou dois
após ter lido este livro, ou talvez após um ano... Você redescobrirá mais uma vez que
você pode voar. Você vivenciará as alegrias de ser capaz de voar, flutuar, fluir, mergulhar
e sim, até planar!

Minha meta é compartilhar com você tudo o que precisa para planar. O restante, as
coisas difíceis, sinto muito, mas isso fica por sua conta. Enquanto você está envolvido
nesse esforço jamais se esqueça de que você pode voar! Inicialmente você sentirá um
UM

pouco de ansiedade: O quê, nada de protocolo? Nenhuma lista de itens? Nenhum guia
PARA

passo a passo da cura (heal) através de metáforas? E assim por diante.

O trabalho de Erickson nunca foi uma técnica baseada em soluções. Todos nós
ERICKSONIANA

somos únicos e toda e qualquer situação é singular. Há o problema mencionado e


há uma intervenção (no caso uma história, metáfora, citação, ditado, etc.) que ativa a
mente inconsciente do cliente no sentido desta entrar em um diálogo com a totalidade
da experiência de vida do ouvinte. Erickson desenvolvia um novo protocolo com cada
cliente toda e cada vez que eles se encontravam. A atitude definitiva de estar no mo-
mento presente e de cultivar uma atenção consciente naquilo que é! Ainda não estou
ABORDAGEM

bem certo, mesmo depois dos meus 45 anos clinicando, sobre o que é essa “atenção
consciente”, porém eu sei quando estou sendo congruente com ela.


UMA

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As histórias, metáforas e citações que eu preparei para este livro serão apresentadas
sem nenhuma su-gestão sobre como, porque, ou onde utilizá-las. A abordagem erick-
soniana requer que o contador de histórias entre dentro de si mesmo para co-criar
ou seja, criar em conjunto, uma experiência singular e única utilizando as informações
vindas do ouvinte, informações estas que são expressas em palavras bem como sem
palavras. Isso culmina quando o contador de histórias utiliza sua sabedoria interior e o
campo relacional para escolher a história que afinal de contas ele contará.

Através do acompanhar e conduzir, (pacing e leading) e do criar um campo relacio-


nal/transformacional o contador de histórias saberá quase que naturalmente que história,
ou tema, ou citação escolher para compartilhar com o ouvinte.

Esta abordagem não linear, inovadora e profundamente intuitiva é central para o


nível de efetividade que as histórias, metáforas e citações têm em nos ajudar a todos
no processo de cura (heal).

A CURA (HEAL) É O RESULTADO DA ATIVAÇÃO DE RECURSOS INTERIORES. SUAS PRÓPRIAS


PALAVRAS SÃO OS TIJOLOS E A ARGAMASSA DO SONHO QUE VOCÊ QUER REALIZAR.
SUAS PALAVRAS SÃO O MAIOR PODER QUE VOCÊ TEM. AS PALAVRAS QUE VOCÊ ESCO-
LHE E UTILIZA ESTABELECEM A VIDA QUE VOCÊ VIVENCIA.

- PROVÉRBIO CHINÊS
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1 . 3 M I LT O N H . E R I C K S O N

M ilton H. Erickson, M.D., tem sido considerado o líder mundial na prática da hip-
nose. Hoje seu trabalho e obra escrita representam a última palavra em hipnose.
Foi psicólogo, psiquiatra e hipnoterapeuta, membro tanto da Associação Americana de
Psiquiatria como da Associação Americana de Psicologia. Ele foi o fundador da Socie-
dade Americana de Hipnose Clínica.

Erickson nasceu em Aurum, Nevada, uma cidade que já não existe mais. Foi uma das
poucas pessoas que seguiram do oeste para o leste em uma carroça coberta, indo com
sua família morar em Wisconsin.

O interesse dele por hipnose começou quando foi a uma demonstração de Clark Hull
(1884 -1952), um hipnotizador e psicólogo que ocupava uma posição de liderança na
época.

Após se graduar na universidade, Erickson foi nomeado para vários hospitais psiquiátri-
cos. Foi responsável pelo treinamento de muitos psiquiatras, e também de muitos estu-
dantes de medicina. Colocava grande ênfase na importância de observar com atenção,
pois acreditava que isso aumentava as habilidades de qualquer hipnoterapeuta. Gostava
de descrever a terapia como uma maneira de ajudar os pacientes a ampliarem seus li-
mites. Ele mesmo passou sua vida fazendo exatamente isso. Erickson acreditava que a
psicoterapia consistia em substituir más ideias por boas ideias. Ele sabia que nós fomos
projetados para a auto cura (heal). Sentia que para muitos de nós algumas informações
ou algumas perspectivas simplesmente ficaram faltando. Histórias, metáforas, citações,
e assim por diante são uma maneira de fornecer as peças que ficaram faltando. Em seu
trabalho se esforçava por induzir apenas um grau de mudança sabendo que tudo o
mais, segundo as leis que governam o universo, teria então que mudar.
INCOSCIENTE INFORMADO

Para os interessados na vida e filosofia


de Erickson uma leitura recomendada é:
Advanced Techniques of Hypnosis and
Therapy: Selected Papers of Milton H.
Erickson, M.D. Grune and Statton Pub-
lishers, New York. 1967 de Jay Haley.

O MESTRE DISSE, "É A PESSOA QUE


É CAPAZ DE AMPLIAR O CAMINHO,
UM

NÃO É O CAMINHO QUE AMPLIA A


PESSOA."
PARA

- CONFÚCIO
ERICKSONIANA

A HIPNOSE SEGUNDO ERICKSON

O Dr. Milton H. Erickson observou que


os estados de transe hipnótico ocor-
ABORDAGEM

rem em cada um de nós, de maneira es-


pontânea, todos os dias de nossas vidas.
Todas as vezes que entramos em um es-
tado altamente focalizado de atenção,
nós estamos em transe.
UMA

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Nesse estado, o qual é na verdade um fenômeno natural, podemos absorver ou re-
ceber informações de maneiras extremamente profundas, em muitos níveis diferentes.
Nesse estado também nos tornamos capazes de acessar a riqueza das nossas infor-
mações, histórias, crenças, e sabedoria interiores para instigar e integrar o autodesen-
volvimento e as mudanças positivas e duradouras.

O estado de transe ativa os níveis mais profundos da aprendizagem inconsciente.

Todo o mundo consegue entrar em transe. De fato, passamos cerca de dez minutos
a cada hora em estado de transe. Resistimos ao transe quando somos abordados por
um facilitador ou sugestões autoritários. Quando a abordagem é autoritária apenas dez
por cento da população aquiesce e entra em transe.

O facilitador não autoritário, ou Ericksoniano, serve como um guia, porém é você


quem dá a permissão e é você quem se coloca em transe. Você já tem anos de prática
em entrar em transe. Quando de manhã seus olhos ficam vidrados na xícara de café,
você está em transe. Quando se senta diante do computador com a intenção de tra-
balhar por dez minutos e quatro horas mais tarde levanta os olhos, você estava em
transe. Escutar uma história, metáfora, ou desfrutar de uma citação automaticamente
induz um estado de transe. Você sabe como entrar em transe! Você faz isso todos os
dias quando seu consciente e seu inconsciente concordam em focalizar a atenção. Seu
cérebro automaticamente faz ciclos entrando em estado de transe várias vezes por dia,
cerca de dez minutos a cada hora são automaticamente passados em transe. Portanto,
todos os estados de transe são considerados auto hipnóticos.

Nossa mente inconsciente responde à autenticidade, à abertura, e à total aceitação


de nós mesmos, com toda a nossa humanidade exatamente como somos, perfeitamente
imperfeitos! Quando somos abordados a partir dessa posição e quando se utiliza a lin-
guagem da nossa mente inconsciente, como metáforas, símbolos, sugestões indiretas,
todos nós entramos em transe e nos beneficiamos enormemente com isso. Erickson
afirmava que cem por cento da população entra em transe quando abordada dessa ma-
INCOSCIENTE INFORMADO

neira.

São nesses estados de transe que ocorrem nossas mais profundas aprendizagens,
reaprendizagens, reprocessamentos e evolução pessoal. O transe nos conecta com a
nossa sabedoria interior.

ERICKSON A RESPEITO DA HIPNOSE:

“Ela (a hipnose) é um estado de consciência, não de inconsciência ou sono, um estado


UM

de consciência ou de atenção consciente no qual há uma marcante receptividade a ide-


ias e compreensões e uma disponibilidade ampliada a responder tanto de forma positi-
PARA

va quanto negativa a essas ideias.”


ERICKSONIANA

Erickson , 1980, Vol. IV, cap.21, p 224

ERICKSON A RESPEITO DO TRANSE:

“Fisiologicamente, há muito mais semelhança do estado hipnótico com o estado des-


perto do que com o sono fisiológico.”
ABORDAGEM

Erickson, 1980, Vol. IV, p. 16.


UMA

15
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O princípio fundamental de todos os ensinamentos de Milton H. Erickson era seu
profundo respeito pela individualidade de toda e cada pessoa. Ele acreditava que o
terapeuta/facilitador/contador de histórias criava o “ambiente” e fornecia o apoio e o
espaço para o paciente/ouvinte alcançar seus objetivos. Toda e cada pessoa tem o seu
“próprio caminho”. A mudança e a filosofia da mudança emergem de toda e cada pes-
soa de uma maneira excitante, criativa e imprevisível. É a vontade do paciente/ouvinte
que determina a mudança e não a posição teórica do terapeuta. O terapeuta/facilitador
está presente para desenvolver e promover estratégias que apóiem a saúde do cliente.

No âmago do trabalho de Erickson está a crença na capacidade da pessoa em se cu-


rar (heal) a partir de seu próprio interior e, a crença e a constante esperança no futuro
de todas as pessoas. O trabalho de Erickson demanda uma mutualidade, uma vulnera-
bilidade de ambas as partes e é sempre um processo de aprender e descobrir.

Suas estratégias formam uma parte central de seu trabalho, elas podem ser usadas
para induzir um transe, elas podem ser usadas para aprofundar ou produzir um transe
mais “completo”, elas podem ser usadas para acelerar os processos de aprendizagem e
cura (heal). Todas as estratégias servem para apoiar o paciente/ouvinte no processo de
aprender em níveis cada vez mais profundos e reforçar a verdade universal de que ele é
capaz de acessar sua sabedoria interior (aquilo que ele já sabe) que repousa em algum
lugar em seu inconsciente e usá-la para refletir e curar (heal). As estratégias precisam
ser usadas em relação à personalidade do paciente/ouvinte. O terapeuta/facilitador
deve ser aberto e fluído em sua abordagem, pois se não for, sua própria rigidez manifes-
tará rigidez no paciente/ouvinte e o trabalho chegará a um impasse. Qualquer encontro
em que, ao final, o ouvinte sai sentindo-se mais capacitado e com mais autonomia e o
terapeuta sai sentindo-se humilde terá sido uma boa sessão!

É aconselhável aprender como e quando usar todas as estratégias. Você perceberá


que terá mais facilidade em usar algumas estratégias em comparação a outras. É im-
portante aprender e praticar todas elas. Inicialmente algumas delas parecerão menos
úteis. Com o tempo, todas elas serão incorporadas como parte de sua prática e você se
descobrirá utilizando-as sem nem mesmo precisar pensar sobre elas. Informações mais
INCOSCIENTE INFORMADO

detalhadas sobre a filosofia e as estratégias ericksonianas estão disponíveis no meu li-


vro: Hipnose Ericksoniana: Estratégias para a Comunicação Efetiva.

''A MENTE CONTÉM TODAS AS POSSIBILIDADES '' - BUDA

'' NÓS SOMOS O ESPELHO BEM COMO A FACE REFLETIDA NELE. NÓS PROVAMOS O
UM

GOSTO, NESTE MINUTO, DA ETERNIDADE. NÓS SOMOS A DOR E AQUILO QUE CURA
(HEAL) A DOR. NÓS SOMOS A ÁGUA DOCE E FRESCA E O JARRO QUE A DESPEJA.''
PARA

- RUMI
ERICKSONIANA

ERICKSON A RESPEITO DO TRANSE:

“O estado hipnótico é essencialmente um fenômeno psicológico, que não tem relação


com o sono fisiológico, e depende inteiramente da plena cooperação entre o hipnotiza-
ABORDAGEM

dor e o sujeito.”

Erickson, 1941, p. 14
UMA

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Não caminhe atrás de
mim, eu talvez não
lidere.

Não caminhe à minha


frente, eu talvez não
siga.
INCOSCIENTE INFORMADO

Caminhe ao meu lado


e que assim possamos
ser um.
UM
PARA
ERICKSONIANA

- provérbio dos índios Ute


ABORDAGEM
UMA

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1 . 4 O C A M P O T R A N S F O R M A C I O N A L

''NOSSO RELACIONAMENTO VIVE NO ESPAÇO ENTRE NÓS. ELE NÃO VIVE EM MIM OU
EM VOCÊ OU NEM MESMO NO DIÁLOGO ENTRE NÓS DOIS. ELE VIVE NO ESPAÇO EM
QUE VIVEMOS JUNTOS. ESTE ESPAÇO É UM ESPAÇO SAGRADO. ''

- MARTIN BUBER

U
m indivíduo, vamos chamá-lo de facilitador, gera automaticamente um ‘ambiente
acolhedor ou campo relacional’ ao usar as estratégias ericksonianas de acompan-
har e conduzir (pacing e leading), estabelecendo um campo de escuta tranquilo,
centrado no coração, não judicioso, receptivo. Ao criar em conjunto com o ouvinte um
verdadeiro estado de ser para ser, um estado arquetípico emerge. Este é o primeiro pas-
so que conduz mutuamente o facilitador e o ouvinte em direção a um espaço sagrado.
Os campos relacionais podem ser negativos, neutros ou positivos, dependendo da dis-
posição do facilitador.
INCOSCIENTE INFORMADO

Por exemplo: Um chefe autoritário, ameaçador, movido por metas de desempen-


ho e exigente, obviamente cria um campo negativo. Um colega que é amável e depois
sem nenhuma razão é distante tende a criar um campo neutro, não são pessoas em
quem confiar, digamos que eles não se qualificam nem como amigo nem como inimigo.
Se como ouvintes nós somos tratados com respeito, com o coração receptivo, temos
nosso espaço, e temos o profundo sentimento de que é realmente seguro sermos nós
mesmos, um campo relacional positivo emergirá. Na medida em que este campo cria-
do em conjunto evolui ele permite que o ouvinte fique totalmente aberto. Quando há
aceitação e abertura incondicionais no campo este se converte em um campo profun-
UM

damente transformacional. Este campo transformacional é o portal para a sabedoria e a


compreensão mais profundas que são o centro da experiência, do crescimento, da cura
PARA

(heal) e da evolução humanas.


ERICKSONIANA

Há um natural fluir de empatia e compaixão que propicia insights, regula os sistemas


nervoso central e límbico e cura (heal) o sofrimento, de ser para ser.

A aceitação incondicional de si mesmo e do outro na qualidade de facilitador aterra-


do e presente em cada e todos os momentos, permite a transformação tanto da mente
como do corpo em ambos, no praticante e no ouvinte. Isso gera um campo relacional
ABORDAGEM

que é transformacional por natureza. Os níveis mais profundos de cura (heal) e cresci-
mento acontecem no campo transformacional. Quando isso acontece é por definição
um espaço sagrado.
UMA

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1 . 5 E S T R AT É G I A S E R I C K S O N I A N A S

A C O M P A N H A R ( P A C I N G )

A
companhar é essencial para a comunicação efetiva: Fazer isso permite esta-
belecer uma ‘conexão em comum’ ou um ‘contexto’ no qual a mente implícita,
ou inconsciente da outra pessoa, e a sua própria mente inconsciente, através
dos sistemas autônomos, passam a cooperar uma com a outra para formarem
um campo unificado ou relacional.

Acompanhar é um modo de você se alinhar com o seu cliente através da respiração,


dos gestos, do tom de voz, da forma de sentar, de movimentar seu corpo ou alterar seu
tom emocional. Ao acompanhar, o facilitador ajusta seu próprio comportamento para
espelhar ou imitar o cliente em todas essas áreas. Quando é feito corretamente, o cli-
ente sente que há uma empatia genuína por ele e pela situação que está vivendo. Ne-
nhum conteúdo novo é introduzido nesse intercâmbio.

O processo de acompanhar (pacing) é não verbal por natureza. Essa técnica permite
que o seu sistema nervoso autônomo se conecte energeticamente à pessoa, ou pessoas,
com quem você deseja realmente se engajar. Essa comunicação tácita oferece ao cliente
um feedback de suas próprias expressões e ritmos. Quando é feita com uma intenção
positiva e de cura (heal) o cliente se sente compreendido. Cada vez mais evidências
indicam que conectar-se ou ‘sintonizar-se’ dessa maneira tem um impacto no sistema
INCOSCIENTE INFORMADO

neuroendócrino do indivíduo produzindo uma resposta reconfortante, e pode afetar o


sistema imunológico, gerando uma maior sensação de bem-estar*. O único propósito é
aumentar o rapport. Acompanhar (pacing) ou igualar os ‘ritmos’ permite que o cliente
fique mais confiante e automaticamente coopere mais com você e isso faz com que ele
sinta que está conectado a você de uma forma positiva através de uma compreensão
mais profunda.

'' CHEGA DE PALAVRAS. OUÇA APENAS A VOZ INTERIOR '' - MARTIN BUBER
UM
PARA

A intenção é imitar o comportamento contínuo do cliente ao mesmo tempo em que


você mantém esse processo de ‘acompanhar’ (pacing) fora da percepção consciente
ERICKSONIANA

dele. A meta dessa comunicação não verbal profunda é estabelecer uma conexão no
nível implícito com a mente criativa inconsciente da pessoa. Você precisa ‘acompanhar’
de uma maneira não manipulativa e natural. Fica fácil fazer isso na medida em que você
percebe que acompanhar é um fenômeno extremamente comum, universal, e natural.
Por exemplo, nós reconhecemos automaticamente quando duas pessoas estão em um
profundo rapport uma com a outra quando reparamos na sua linguagem corporal e
ABORDAGEM

como elas parecem se movimentar em ritmos harmonizados. É fácil distinguir um casal


que está nesse estado enquanto eles rodopiam na pista de dança, se olham nos olhos
ou completam as frases um do outro.
UMA

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EXEMPLOS:

Os comunicadores efetivos desenvolvem uma sensibilidade em relação à sua audiên-


cia e reconhecem e respeitam suas crenças antes de tentar convencê-la de qualquer
coisa. Adotamos maneirismos dramaticamente diferentes quando falamos com uma
criança e quando conduzimos rituais religiosos.

Frequentemente quem pratica corrida costuma treinar com outro corredor. Dentro
de um curto período de tempo eles passam a conhecer o ritmo um do outro e desen-
volvem uma cadência mútua quando estão correndo juntos. Se um acelera ou diminui
o ritmo o outro automaticamente faz o mesmo.

O diminuir o ritmo ou acelerar da parte de um dos corredores, uma vez que eles es-
tejam em sincronismo, é chamado de ‘conduzir’ (leading).

Se você sentir que saiu de sincronismo com o seu cliente volte a acompanhar, acom-
panhar, acompanhar. O rapport será reestabelecido.

1 . 6 C O N D U Z I R
INCOSCIENTE INFORMADO

V
ocê conduz (lead) primeiro acompanhando (pacing) e então, quando estiver sin-
cronizado introduz distinções ou comportamentos que sejam diferentes, porém
consistentes com o estado presente do cliente, na tentativa de guiá-lo ao estado
desejado.

Conduzir (Leading) é o que você faz para acelerar o aprendizado e a cura (heal).
Após ter estabelecido um ritmo similar ao do cliente, através do processo de acompa-
UM

nhar (pacing), você introduz uma leve mudança na direção e no ritmo. Se você começar
PARA

a perder o rapport com o seu cliente deve voltar a acompanhar para reestabelecer a
conexão.
ERICKSONIANA

Conduzir (Leading) depende de continuamente realinhar a comunicação, desenvol-


ver e manter o rapport, prosseguir num ritmo apropriado para o cliente e respeitar as
necessidades do cliente. Se estivermos correndo juntos na mesma velocidade e ritmo,
na medida em que eu aumento ou diminuo minha velocidade, você fará o mesmo. Se eu
vou um pouco mais para a esquerda ou para a direita você fará o mesmo. Você segue
a minha liderança porque a nossa conexão inconsciente guia você a seguir minha con-
ABORDAGEM

dução.


UMA

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Conduzir é uma maneira de mostrar ao cliente uma nova direção, ou de fornecer uma
perspectiva diferente que ajudará a levá-lo a tirar conclusões novas e mais produtivas.
Lembre-se: mais simples é sempre melhor.

Você apenas precisa fazer com que o cliente vire um grau em qualquer direção para
fazer com que sua visão pessoal ou sua visão de mundo se modifiquem. Nós não sabe-
mos, mas ele saberá como usar essas informações adicionais de acordo com os seus
melhores interesses e para o mais alto bem.

Stephen Gilligan em seu livro Therapeutic Trances usa uma analogia musical maravi-
lhosa: “Imagine o corpo humano como um instrumento musical, e os comportamentos
como uma música ou melodia tocada por esse instrumento. A tarefa do professor de
música (você) é aumentar a habilidade dos alunos (clientes) de tocar seus instrumen-
tos. O professor primeiro escuta o aluno tocando o instrumento, repara atentamente no
estilo individual, nos pontos fortes e fracos, nos interesses e assim por diante. O profes-
sor então pega seu próprio instrumento, e o sintoniza com o do aluno (desenvolvendo
o rapport), e então começa a tocar a mesma melodia ou música (acompanhando). Na
medida em que se desenvolve uma ‘dança’ com o aluno, novas notas são acrescentadas
aqui e ali e algumas mudanças são sugeridas em um momento e em outro (conduzin-
do) através da melodia, porém sempre retornando ao ritmo básico do aluno (voltando
a acompanhar). Desta forma o professor permite que o aluno aos poucos desenvolva
suas próprias habilidades inerentes.”
INCOSCIENTE INFORMADO
UM
PARA
ERICKSONIANA
ABORDAGEM
UMA

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2
METÁFORAS E A
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HISTÓRIAS
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“O universo é feito de histórias, não de átomos.”


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(Muriel Rukeyser)
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22
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A
Metáfora é uma forma de história. As metáforas nos permitem usar nossa imag-
inação e criatividade mais livremente e com frequência são interpretadas como
se fossem verdadeiras.

Uma metáfora pega uma expressão de um campo de experiência e a utiliza para di-
zer algo sobre outro campo de experiência. É essa associação imaginativa ou simbólica
que dá às metáforas sua potência literária e terapêutica. Elas falam às verdades univer-
sais que repousam no nosso inconsciente coletivo. Erickson enfatizava fortemente a im-
portância de escutar os clientes, ouvir sua linguagem, e incorporar a experiência deles
na terapia.

Metáforas e histórias ativam nossos recursos interiores e nos apóiam na cura (heal) e,
portanto na mudança de nossas vidas. A linguagem simbólica, ou metafórica, tem sido
usada há milhares de anos para nos instruir ou ensinar. As parábolas do Velho e do Novo
Testamento, os textos sagrados da Kabala, o Bagavagita, os koans do budismo Zen, a
poesia, as alegorias, e os contos dos contadores de histórias, todos eles fazem uso de
linguagem simbólica para passar uma idéia de uma maneira indireta e, paradoxalmente,
de uma maneira mais significativa. O conteúdo das histórias talvez se perca com o pas-
sar dos anos, mas a intimidade do processo que acontece não. É o processo de contar
a história que dá à história o poder especial de comunicar nos níveis mais profundos.
Histórias são contadas com palavras, música e movimento. Histórias inspiram, histórias
motivam, histórias ajudam a pessoa a mudar. Histórias eliciam encantamento e prazer.
Nós compartilhamos tanto as alegrias quanto as tristezas de nossas vidas através das
histórias. Todos nós somos contadores de histórias. Sempre que iniciamos com: “– Era
uma vez...” nós automaticamente entramos em um estado de escuta positivo seme-
lhante ao de uma criança.

Todos nós temos a capacidade de ser contador de histórias e ouvinte e todos nós
alternamos entre estes dois papéis. Muitos pensamos não ser capazes de contar uma
história envolvente! E ainda assim, todas as vezes que alguém nos pergunta: “– Como
INCOSCIENTE INFORMADO

você vai?” ou “– Como foi seu dia?” imediatamente começamos a contar uma história.
Nós contamos histórias o dia inteiro.

'' DEUS CRIOU O HOMEM PORQUE ELE AMA HISTÓRIAS. '' - ELIE WIESEL

'' O UNIVERSO É FEITO DE HISTÓRIAS, NÃO DE ÁTOMOS. '' - MURIEL RUKEYSER


UM
PARA

A H I S T Ó R I A D E U M C O N TA D O R D E H I S T Ó R I A S
ERICKSONIANA

No final do século dezoito um garotinho alemão passou por uma cirurgia para re-
mover um pequeno tumor, isso aconteceu há mais de duzentos anos, sem antibióticos,
sem esterilização. Tudo o que poderia ser oferecido para compensar a dor tremenda
era algo para distrair sua atenção. Contaram para ele uma história tão interessante que
ele se esqueceu de vivenciar a dor. Dezoito anos depois, o garotinho apresentou sua
ABORDAGEM

primeira história para ser publicada. O nome dele era Jacob Grimm. Ele e seu irmão,
Wilheim, foram responsáveis por escrever ou registrar centenas de contos de fadas e
contos folclóricos.
UMA

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O conteúdo das histórias talvez se perca com os anos, mas não a intimidade do pro-
cesso que acontece, o qual dá à história o poder especial de comunicar.

Todos nós contamos histórias. Como foi seu dia hoje?

Contar histórias é uma maneira de nos reconectarmos com as pessoas que conhece-
mos, ou uma forma de se conectar para conhecer alguém. Todos nós temos as habili-
dades e todos nós transitamos entre os papéis de contador de histórias e de ouvinte.

ALGUNS PONTOS A SE LEMBRAR QUANDO ESTIVER CONTANDO HISTÓRIAS:

Nós compartilhamos a alegria e a tristeza de nossas vidas através de histórias.


Use seu próprio entusiasmo, realidade e experiência, ao invés de colocar sua atenção
nas técnicas.
Torne o processo divertido para você e para os outros.
Faça ajustes na história. A história precisa se ajustar ao seu ouvinte.
Escute, realmente escute os problemas e as metas ou objetivos desejados do cliente.
Se a história combina com as metas ou objetivos, os detalhes talvez não precisem ser
tão importantes.

Milton Erickson acreditava que não fazia sentido contar uma história com a qual você
não estivesse envolvido, a história precisa ser sua e deles.
INCOSCIENTE INFORMADO

2 . 1 C O M O C O L E C I O N A R E L E M B R A R
H I S T Ó R I A S E M E TÁ F O R A S

FAÇA UM RESUMO E MANTENHA UM CADERNO DE ANOTAÇÕES

Quando você ouvir uma história, conte a história três vezes na mesma semana.
Anote em um caderno, tenha um caderno onde você possa anotar suas histórias e de-
UM

pois consultar. Mantenha em mente o seguinte:


PARA

1. Comece pelo fim. Não há nada pior do que uma história que parece que vai conti-
nuar para sempre. Ao manter a conexão com o fim da história você perceberá que ficará
ERICKSONIANA

mais fácil fazer com que suas histórias sejam interessantes, porém relativamente breves.

2. Tenha clareza sobre qual é o ponto que você deseja comunicar.

3. Não escreva a história como se fosse um roteiro. Não decore a história.


ABORDAGEM

4. Faça um resumo apenas se você precisar. Fazer um resumo das histórias ao invés
de escrevê-las palavra por palavra permite a você alterar a história e ser espontâneo.
UMA

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METÁFORAS OU HISTÓRIAS CURTAS:

São universais.
São a linguagem do inconsciente.
São rápidas e efetivas.
Conectam-nos à nossa sabedoria interior usando muito poucas palavras.
São como brincadeiras, despertam o interesse e engajam o inconsciente.

Prática: Conte uma história que tenha acontecido com você recentemente e se
concentre em descrever as experiências e as sensações ao invés das palavras. Depois,
conte a mesma história novamente e a modifique. Mais uma vez, conte novamente a
história e a modifique. Continue recontando até que você se sinta confortável con-
tando qualquer versão da história. Lembre-se que ao contar histórias, ao usar hipnose
se você se prender a um único tom de voz não será efetivo, portanto varie o tom, o
volume, grite, chore, sussurre e certifique-se de rir.

Os clientes geralmente vêm para a terapia para aliviar dores emocionais, entretanto
frequentemente eles têm sentimentos muito confusos. Eles querem eliminar a dor e o
estresse, porém há o medo ou a relutância em mudar. Defesas bem-construídas estão
em posição. Quando as intervenções confrontam essas defesas diretamente, com fre-
quência não conseguem atravessar a estrutura defensiva, e ao invés disto servem para
mobilizá-las. Intervenções indiretas ou metafóricas com frequência conseguem contor-
nar ou evitar essas defesas, e criar mudanças positivas, Essas mudanças podem servir
como um alicerce para mudanças ulteriores.

INTERVENÇÕES INDIRETAS E METAFÓRICAS PODEM:

Contornar resistências construídas e defendidas previamente.


INCOSCIENTE INFORMADO

Dar um senso de poder pessoal porque o cliente está ‘a cargo de’.


Ensinar a desenvolver e manter a independência.
Permitir ao cliente que trabalhe dentro de um enquadramento temporal próprio.
Fornecer opções adicionais.
Criar mudanças sem o esforço consciente.
Fornecer um alicerce criado pela própria pessoa para o sucesso e para mudanças
subsequentes.

As intervenções indiretas e metafóricas devem ser direcionadas de forma a atingir de


forma positiva o cliente, o mundo do cliente, o problema percebido pelo cliente e suas
UM

metas. Os problemas devem ser conceitualizados de maneira a evitar mobilizar ainda


PARA

mais as defesas dos clientes.


ERICKSONIANA
ABORDAGEM
UMA

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UM
PARA
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ABORDAGEM
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2 . 2 M E TÁ F O R A S E A A R T E D E C O N TA R
H I S T Ó R I A S - B E T T Y A L I C E E R I C K S O N

B E T T Y A L I C E E R I C K S O N , S Ã O P A U L O , 2 0 1 1

B
etty Alice Erickson, amiga, colega, e filha do Dr. Milton H. Erickson, literalmente
aprendeu Hipnoterapia Ericksoniana no colo de seu pai. Professora, terapeuta e
instrutora internacional experiente, ela concordou em introduzir a Hipnose Erick-
soniana em parceria comigo, na Guatemala em 2004. Como parte desse programa de
treinamento, Betty Alice apresentou as seguintes seleções, que ajudam a estruturar e
esclarecer o ponto de vista Ericksoniano:

“Por definição, metáforas e contar histórias são intervenções indiretas que nutrem
a independência do cliente. O propósito das histórias e metáforas é focalizar o cliente
nas facetas de alguma linha, tema, ideia, questão, recurso, problema, aprendizado, ou
habilidade em particular. Aí então, os clientes podem pensar, sentir, acessar recursos
pessoais, aprender, expandir, crescer, conquistar, dar, pegar, e compreender de for-
mas diferentes. O cliente passa a ter mais opções disponíveis.

Contar histórias cria estados de transe. O transe evita as defesas conscientes e


acessa os recursos inconscientes. O transe fornece aprendizagem vivencial interior,
de forma que a informação da história pode ser incorporada de uma maneira viven-
cial aprendida. O transe também permite que as informações sejam ouvidas em múl-
tiplos níveis. Os clientes podem pegar o que precisam naquele momento, guardando
‘o restante da história’ para ser usado mais tarde.

A melhor maneira de contar uma história é você mesmo estar em transe. Lembre-se:
INCOSCIENTE INFORMADO

transe é qualquer estado de atenção que tenha um foco único. Isso convida o cliente
a seguir você para um lugar tão agradável, confortável!

As melhores histórias e metáforas são aquelas que falam de minimizar, resolver,


mudar, expandir, e que tenham finais abertos. A história em si pode ser clara e direta,
elaborada com uma meta específica em mente, ou ampla e aberta. Pode ser longa ou
curta, complexa e envolvente, ou tão simples e doce como o sorriso de um bebê ao
provar sorvete pela primeira vez. Tão vívida como a lembrança do cheiro inesqueci-
vel do hálito de um filhotinho de cachorro. Tão redefinidora quanto a lembrança de
brincar em um balanço, para cima e para baixo, pensando, com um pouco de preocu-
UM

pação, se o balanço iria além da barra superior do suporte, e aquele momento de


medo delicioso no topo do arco quando o balanço parava e aí voltava a descer, descer
PARA

novamente.
ERICKSONIANA

Estamos acostumados a aprender com histórias, quando uma história é contada


no consultório, o cliente espera aprender algo com ela. Quando os clientes aprendem
com a história, o prazer e a responsabilidade pela mudança pertencem aos clientes.
O terapeuta apenas contou uma história. As histórias ilustram os limites ou os com-
portamentos normais e comuns. Elas dão encorajamento e redefinem situações. Elas
ilustram as coisas comuns, usuais da experiência humana. Elas são construídas sobre
ABORDAGEM

o que o cliente traz, seus temas, suas necessidades, seus recursos, são construídas a
partir das nossas experiências, recursos e julgamentos terapêuticos.”
UMA

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“E minha voz irá com você. E
minha voz se transformará na
voz dos seus pais, seus vizi-
nhos, seus amigos, seus cole-
gas de escola, seus compa-
nheiros de brincadeiras,... (e
você pode se sentir) feliz com
INCOSCIENTE INFORMADO

alguma coisa, que aconteceu


muito tempo atrás, que você
tenha se esquecido, muito
tempo atrás...”
UM
PARA
ERICKSONIANA

- Milton H. Erickson
ABORDAGEM
UMA

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2 . 3 A C R I A Ç Ã O D E H I S T Ó R I A S E
M E TÁ F O R A S T E R A P Ê U T I C A S
B E T T Y A L I C E E R I C K S O N , S Ã O P A U L O , 2 0 1 1

Metas a se utilizar de uma maneira geral na criação de histórias (como dar um foco à
história):

Qual é o propósito dessa metáfora/história?


A que conclusão eu quero que o ouvinte chegue?
Que mudança comportamental/perceptual eu quero?

ALGUMAS METAS BÁSICAS QUE TALVEZ VOCÊ QUEIRA EMBUTIR QUANDO FOR
CRIAR SUA HISTÓRIA:

Triunfo/conquista/coragem
Paz/aceitação
Felicidade/contentamento consigo mesmo e com o passado
Antecipação do futuro
Reconhecimento de situações/comportamentos/percepções disfuncionais
Memórias comuns
Reconhecimento de circunstâncias comuns
Experiências comuns
''Atalhos'' na comunicação
Afirmações/situações inacabadas com conclusões implicadas
Estágios de vida
Desejo de mudança
INCOSCIENTE INFORMADO

Expansão
Inserir curiosidade
Cultivar o riso e o humor
Normalizar situações
Raiva produtiva
Viver no momento

A P R E S E N TA Ç Ã O
UM
PARA

A seguir estão algumas sugestões sobre como apresentar, como transmitir uma história
para o ouvinte:
ERICKSONIANA

• As metáforas são uma parte do discurso


Sentimentos melosos; frio como gelo, quente como torrada. Criar metáforas que
passem mais do que uma única imagem: “– Eu consegui!”, aquele momento em
que você finalmente percebeu que estava andando de bicicleta sem ajuda!
ABORDAGEM

• Conversa casual no nível pessoal


''É quase como se eu...'', ''Isso me recorda...'', ''Lembro-me quando...'', ''Às vezes
penso que...''
UMA

29
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• Conversa casual em um nível mais amplo
''É comum as pessoas...'', ''Quando você vê...'', ''Quase todo mundo se lembra...''

• O estado de transe naturalístico, ou o transe conversacional


É um estado de atenção focalizada na tentativa deliberada de criar uma comuni-
cação profunda em múltiplos níveis, criando uma atmosfera de foco e abertura.

Compartilhar a história como parte de uma conversa comum, enquanto ao mes-


mo tempo as estratégias Ericksonianas são empregadas, proporciona uma melhor
chance de que a mensagem chegue à mente inconsciente dos ouvintes.

2 . 4 S U G E S T Õ E S A D I C I O N A I S P A R A A
C R I A Ç Ã O D E H I S T Ó R I A S
B E T T Y A L I C E E R I C K S O N , S Ã O P A U L O , 2 0 1 1

C R I A Ç Ã O

• Memórias comuns e agradáveis


Memórias agradáveis geram um senso de segurança e de estar a salvo.
A infância de todo mundo tem muitas memórias parecidas.

• Experiências corriqueiras
As experiências corriqueiras transmitem mais do que um único significado, por
INCOSCIENTE INFORMADO

exemplo: quão difícil é aprender a andar de bicicleta? Você tem que se equilibrar,
virar o guidão, pedalar, ver para onde está indo, tanta coisa e tudo ao mesmo tem-
po. Entretanto, você trabalha e pratica, e quando você consegue andar, você real-
mente consegue, e então há aquele senso de triunfo, de alegria, e você continua
andando, tantas coisas ao mesmo tempo, e então aquele senso de triunfo... Isto é
algo que você sente!

• Contos folclóricos e contos de fadas


“– Era uma vez, há muito tempo, em um reino distante, vivia uma linda princesa...”
isso induz um transe conversacional de foco interiorizado. O ouvinte se conecta
UM

com todas as histórias do seu passado do tipo “Era uma vez...” e entra em transe.
PARA

• Histórias sobre a vida de outras pessoas


A maioria de nós teve avós, todos nós tivemos nossos “melhores amigos”.
ERICKSONIANA

• A maneira de contar
Foco e conexão intensos com o ouvinte.
Voz cadenciada fazendo pausa em certos pontos.

• Usar palavras evocativas:


ABORDAGEM

- Lindo céu azul brilhante, ao invés de apenas azul.


- A sensação deliciosa de um maravilhoso chocolate que derrete na boca.
- Sorrir com a voz quando for apropriado.
UMA

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3
DICAS SOBRE COMO
CONTAR HISTÓRIAS
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“ Tudo o que vale a pena guardar com carinho começa


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no coração e não na cabeça.”


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(Suzanne Chapin)
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3 . 1 D I C A S : C O M O C O N TA R H I S T Ó R I A S
Q U E P R O M O VA M M U D A N Ç A S N A S
M E N T E S E N O S C O R A Ç Õ E S

1
Seu trunfo é o seu coração

Toque o coração do ouvinte, pois a verdadeira mudança vem do coração, não da


cabeça. Quando você produz um filme, as pessoas nem se lembram do enredo,
porém elas se lembram do impacto emocional da história.

2 O tempo face a face é importante.

Sempre conte sua história face a face, de forma que vocês estejam respirando o
mesmo ar. Não há nada que possa substituir isto. Isto é o campo relacional.

3
Cem por cento de autenticidade.

Você realmente acredita em sua mensagem? Você consegue se apossar dela com-
pletamente? Se não conseguir, é melhor que você seja um excelente ator. Uma
INCOSCIENTE INFORMADO

grande autenticidade sempre funciona. Seja congruente consigo mesmo e com a


mensagem. Parte da magia está na vulnerabilidade da autenticidade.

'' AQUILO PELO QUE TODOS NÓS ANSIAMOS É AUTENTICIDADE, UMA CONEXÃO DE
ESPÍRITO PARA ESPÍRITO.''
- OPRAH WINFREY

ERICKSON A RESPEITO DO TRANSE:


UM
PARA

“A visão desnuda da expectativa sugere um tipo de abertura e vulnerabilidade que é


surpreendente e um pouco desconcertante quando encontrada inesperadamente. Em
ERICKSONIANA

situações cotidianas, temos a tendência de desviar o olhar e nos distrair desses momen-
tos tão delicados. No máximo, nos permitimos desfrutá-los brevemente com as crianças
e durante encontros amorosos. Na terapia, esses momentos criativos são preciosas a-
berturas para a sequência de sins e para a transferência positiva. Os hipnoterapeutas
permitem se abrir para esses momentos e ser talvez igualmente vulneráveis, enquanto
oferecem algumas sugestões terapêuticas experimentais.”
ABORDAGEM


(Hypnotherapy, Milton H. Erickson e Ernest L. Rossi, Irvington, New York, 1979)
UMA

32
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“Uma consideração que é essencial nessa técnica, entretanto, é aquela atitude por parte
do operador de total expectativa, casualidade e simplicidade, o que coloca a responsa-
bilidade de quaisquer desenvolvimentos inteiramente sobre o sujeito.”


(Em Erickson, 1980, vol. I, cap.8, p.186)

4
Tenha clareza sobre suas próprias metas

Toque o coração do ouvinte, pois a verdadeira mudança vem do coração, não da


cabeça. Quando você produz um filme, as pessoas nem se lembram do enredo,
porém elas se lembram do impacto emocional da história.

5
Conte, mas também escute

Sempre conte sua história face a face, de forma que vocês estejam respirando o
mesmo ar. Não há nada que possa substituir isto. Isto é o campo relacional.

'' UM BOM OUVINTE NÃO APENAS É POPULAR EM TODA PARTE, MAS DEPOIS DE UM
TEMPO ELE ACABA OBTENDO ALGUM CONHECIMENTO.''
- SHARON SALZBERG

3 . 2 C O N D U Ç Ã O I N I C I A L G E R A L
INCOSCIENTE INFORMADO

E
sta é uma breve condução que é útil para quaisquer histórias praticamente, ela ajuda
a fazer com que o ouvinte desenvolva um transe receptivo.

Não foi na minha época,


Mas foi em uma época...
Agora, se eu estivesse estado lá naquela época,
UM

eu não poderia estar aqui e agora.


PARA

Se eu estou aqui e agora,


eu não poderia ter estado lá naquela época.
ERICKSONIANA

Porém se eu estivesse estado lá naquela época, e não aqui e agora, eu teria uma história
diferente para contar...
Bem, uma vez que estou aqui e agora, e não estava lá naquela época, então contarei para
você a história que tenho para contar.
Porque eu estou aqui e agora!
E você não estava lá naquela época, caso contrário você saberia que história eu
ABORDAGEM

contarei...
Então...

Este é um bom exemplo do uso da confusão para capturar a atenção inconsciente do


ouvinte.
UMA

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3 . 3 T É C N I C A S D E C O N F U S Ã O

S
ão úteis especialmente quando a mente consciente parece estar determinada a
bloquear o acesso aos processos inconscientes.

Sugestões deliberadamente construídas para desorientar ou confundir a mente con-


sciente do cliente, que têm como objetivo sobrecarregar a mente consciente e, portan-
to conseguir o acesso e se comunicar diretamente com a mente inconsciente do cliente.

Esta estratégia tem como intenção desarmar comportamentos excessivamente in-


telectuais e resistentes. A técnica da confusão induz um estado de transe que envolve
a criação de um estado levemente dissociado da experiência, no qual a mente inconsci-
ente do cliente seja capaz de funcionar com um maior grau de autonomia em relação à
influência da mente consciente.
INCOSCIENTE INFORMADO

A confusão cria um estado interno desagradável que motiva o cliente a resolver o


input conflitante. As técnicas de confusão deliberadamente causam uma perturbação
no estado mental cotidiano do cliente de forma que a sugestão possa entrar.

A confusão causa incerteza e, portanto prepara o caminho para uma mudança de


atitude ou comportamento. Sempre tenha em mente um objetivo que emergirá no final
da sugestão. O intuito não é apenas confundir a mente consciente, mas sim conduzir o
cliente a completar uma aprendizagem antiga ou iniciar uma nova aprendizagem.

EXEMPLO:
UM

Pode ser muito confuso para a mente consciente quando a mente inconsciente en-
PARA

tende e a mente consciente está confusa pela confusão, mas a confusão, na medida em
que confunde pode levar a um esclarecimento mesmo que esteja claro para a mente in-
ERICKSONIANA

consciente e não esteja claro para a mente consciente e de modo geral cause confusão,
isto ainda pode permitir que a mente inconsciente reformule as informações e chegue
a conclusões saudáveis.

Erickson sentia que era melhor empregar a confusão com clientes altamente inteli-
gentes que, embora estivessem inconscientemente dispostos a entrar em transe, apre-
ABORDAGEM

sentassem certa indisposição vinda da mente consciente. É uma abordagem inapropri-


ada para ser usada com sujeitos altamente motivados e responsivos.
UMA

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INCOSCIENTE INFORMADO
UM
PARA
ERICKSONIANA
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ERICKSON A RESPEITO DA CONFUSÃO:

“Uma consideração importante sobre o uso das Técnicas de Confusão é a manutenção


consistente de uma atitude de um modo geral casual, mas definitivamente interessada,
e falar de uma maneira gravemente intensa que expresse a certeza e a completa e total
expectativa de que o cliente esteja entendendo o que está sendo dito ou feito, junta-
mente com a alteração extremamente cuidadosa dos tempos verbais empregados. Tam-
bém é de grande importância a prontidão no fluxo da linguagem, que este seja rápido
para o pensador ágil, e mais lento para as pessoas de mente mais lenta, porém sempre
tomando cuidado para dar um tempinho para a resposta, porém nunca tempo suficiente.
Assim os sujeitos são levados a quase começarem a responder, são então frustrados
nisto com a apresentação da próxima ideia, e todo o processo é repetido com o desen-
volvimento continuado de um estado de inibição, levando à confusão e uma crescente
necessidade de receber um seguimento claro e compreensível de comunicação ao qual
ele possa dar uma resposta imediata e completa.”

[1964] (Erickson, 1980. Vol I, cap.10, p. 261)

“Finalmente, um seguimento claro, uma frase facilmente apreendida e compreendida é


concluída e o esforçado sujeito se agarra a ela.” (Neste caso a história que você deseja
contar.)


[1964] (Erickson, 1980. Vol.I, cap. 10 p. 263)

“Para entender esta técnica, seria bom ter em mente o padrão do mágico, o qual não
tem a intenção de informar, mas de distrair de forma que seus propósitos possam ser
INCOSCIENTE INFORMADO

alcançados.”


( Erickson, Rossi & Rossi, 1976, p.217)
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PARA
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4
HISTÓRIAS QUE
CURAM (HEAL)
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“Deus criou o homem porque ele ama histórias.”


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(Elie Wiesel)
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4 . 1 O S S A P O S N A T I G E L A D E C R E M E

E ra uma vez, não desta vez, porém de outra vez, estou aqui desta vez para contar uma
história que aconteceu daquela vez... E estou aqui por que não estou lá, pois se eu
estivesse lá eu não poderia estar aqui e se eu não estivesse aqui eu não poderia contar
para você a história que estou prestes a contar e se eu estivesse lá minha história seria
muito, muito diferente. Então, essa é a história de dois sapos, não eram sapos america-
nos, não eram sapos mexicanos, eram sapos brasileiros.

Eles viajavam pelo interior e acabaram chegando a um belo jardim onde havia sido
servido o chá no estilo inglês. Bem, eles eram sapos brasileiros e jamais haviam sido
convidados a participar de um chá no estilo inglês, nem mesmo para as sobras de um
chá no estilo inglês. Pularam em cima da mesa e começaram a explorar: Não tem torta
de frango? Não tem bolo de fubá? Nem broa de milho? O que eram aqueles pãezinhos
secos duros como pedra? Eca! Sanduíches de agrião? Estranho, muito estranho!

E havia uma enorme tigela com um líquido branco. Ao olharem por cima da borda,
INCOSCIENTE INFORMADO

intrigados com o que seria aquele oceano branco, os dois de repente caíram lá dentro!
Bastante em pânico, os dois começaram a nadar e nadar. Eles não conseguiam sair, nem
tampouco conseguiam alcançar o fundo da tigela.

“– Ah não”, se lamentou um sapo, “– Esta é a história da minha vida! Sempre tenho


problemas, é sempre uma luta. Isto tudo é um pouco demais. Acho que vou jogar a
toalha. Para mim chega! Simplesmente não consigo tentar nem mais uma vez.”

“– Não, não!” Gritou o outro sapo. “– Fique comigo, lute, esforce-se, apenas continue.”

“– Não”, respondeu o outro, “– Para mim chega!” E escorregou para baixo das espu-
UM

mantes ondas brancas. Glub, glub, glub...


PARA

Agora, como você pode imaginar, e eu sei que você pode imaginar, pois você vem
ERICKSONIANA

imaginando isto desde o início, o sapo restante mergulhou em profundo desespero.

Agora completamente sozinho e deprimido, pensou que talvez o outro sapo tivesse
razão. Talvez simplesmente devesse tomar mais uma respiração e afundar para debaixo
da espuma também. Enquanto esse pensamento, juntamente com muitos outros, pas-
sava por sua cabeça, outra parte dele se rebelou. Não, não, não, se fosse para morrer,
ABORDAGEM

seria somente após ter feito tudo e qualquer coisa para sobreviver. Com energia reno-
vada ele pulou, nadou, mergulhou, chutou, nadou de costas, nadou de frente e, nadou,
nadou e nadou.


UMA

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Depois de horas e mais horas, exausto, começou a se perguntar se o outro sapo não
estaria certo de fato. Nesse momento ele sentiu algo sob um de seus pés, ou patas ou
nadadeiras, como quer que os pés dos sapos sejam chamados. Era grumoso e amare-
lo e então ele sentiu algo sob seu outro como quer que você chame. Então, ele nadou
por apenas mais alguns minutos e eu sei que você sabe o que todos nós sabemos: Isto
mesmo, você sabe que ele nadou apenas mais alguns minutos e todo o creme se trans-
formou em manteiga e, para fora ele saltou, encontrando seu caminho de volta para
casa. Foi assim que essa história passou a fazer parte da tradição oral das histórias de
mitologia dos sapos.

Até hoje, caso você se encontre à beira de um lago em algum lugar do Brasil, na hora
do pôr do sol, conseguirá ouvir o coaxar dos anciões contando esta história verdadeira
para os sapos mais jovens enquanto desfrutam de sua refeição de moscas e mosquitos.

4 . 2 A P A S S O D E C A R A C O L
INCOSCIENTE INFORMADO

E m uma grande clareira no meio da floresta, os animais se reuniram em assembleia.


Vieram aos milhares e milhares de todos os habitats, de todos os continentes, de to-
dos os cantos da terra. Eles se reuniram por uma única razão: O gênero humano havia
selecionado cuidadosamente cada e todos os animais presentes, fazendo uma avaliação
e medindo o que estes tinham de valor e de utilidade para a humanidade e de forma
sistemática passou a extrair deles para empregar no seu próprio prazer e uso.

Os animais estavam furiosos. Toda e cada espécie havia sido escolhida e se tornado
vítima dessa raça humana tão indiferente e sem consideração.
UM
PARA

O leão bateu o martelo e a assembleia fez silêncio, então ele rugiu pedindo que as
testemunhas dessem seus depoimentos.
ERICKSONIANA

“– Eu, cóco-ricó, cóco-ricó,” a galinha falou, “posso dar meu depoimento primeiro”,
enquanto vinha cacarejando até o centro da clareira. “– Todos os dias tento iniciar uma
família e, no entanto, todos os dias, quando boto meus ovos, cóco-ricó, os seres hu-
manos vêm e os levam embora. Sim, levam eles embora. Não tenho nenhum pintinho
hoje, nenhum pintinho hoje.” Grandes lágrimas rolaram pelos dois lados do seu bico
aristocrático e uma tristeza enorme enchia seus olhos redondos e, de alguma maneira,
ABORDAGEM

expressivos. Ela abaixou a cabeça devagar e se retirou do tablado central.


UMA

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“– Oh, béh, béh, béh,” disseram os carneiros em uníssono, abrindo caminho até o cen-
tro do círculo. “– Nós nos esforçamos tanto, tanto para deixar crescer um casaco de
pele grosso e quente para o inverno frio e cruel, e simplesmente quando está no pon-
to perfeito, os humanos nos tosquiam e levam a lã embora e nós trrrrrememos e ffff-
ficamos arrepiados durante todo o inverno. Béh, béh, béh para os humanos.” Como
carneiros que eram, todos falaram a mesma coisa e então o rebanho voltou para as
laterais.
Isso causou tanta agitação na multidão que Sua Majestade, o Leão, teve que bater o
martelo três, quatro vezes antes que eles fizessem ordem novamente e ficassem em
silêncio. “– Próximo.” ele rugiu, “– Próximo.”
“– Muuuuuu,” disse a vaca, caminhando lentamente. “– Logo quando dou a luz e ten-
ho meu leite, eles tiram as duas coisas de mim, o meu leite e o meu bezerrinho.” Um
silêncio se abateu sobre a multidão enquanto refletia sobre o impacto desse fato.

“– É impossível!” Ela mugiu. “– Não há esperanças. O que podemos fazer? Muuuuuu!”

“– Bem,” lá no fundo da clareira, a voz baixa e suave do caracol finalmente pôde ser
ouvida. “– Bem,” o caracol disse, erguendo-se bem devagar em toda sua estatura.
Quase saindo de sua casinha, ao erguer-se em toda a sua estatura, ou seja, cerca de
dois centímetros, ele afirmou: “– Bem, eu tenho algo que todos os seres humanos
querem e que eles nunca, jamais poderão tirar de mim.”

Os outros animais ficaram em silêncio enquanto o caracol devagar rastejava adiante


proclamando:

“– Eu tenho algo que todos os seres humanos querem, e eles não podem tirar de mim!”

“– Bem,” exclamou o leão com um rugido, “– Fale logo! O que é? Fale logo!”

O caracol agora assumiu sua plena estatura, levando mais uns dez minutos para fazer
isso.
INCOSCIENTE INFORMADO

“– Tenho algo que todos os seres humanos querem e que eles não podem tirar de
mim.” O silêncio era ensurdecedor.

“– Eu tenho tempo. Sim, eu tenho tempo!''


UM
PARA
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4 . 3 Z E B R A S

S abe, alguns anos atrás, talvez não tanto tempo atrás, mas alguns anos atrás, ou talvez
tenha sido muito tempo atrás, não, não tanto tempo atrás assim, estava eu na Áfri-
ca com alguns amigos e nós testemunhamos a coisa mais impressionante, a coisa mais
impressionante!

Estávamos em um safári, é verdade, e sim, diante de nós se espalhava a grande e


verde extensão que constitui o Maasai Mara, as Planícies do Serengeti. Tão longe quanto
era possível avistar, estendia-se à nossa frente um infinito mar verde, que se expandia,
expandia no horizonte para finalmente se encontrar com o surpreendente azul do céu.

Aqui e acolá uma grande pedra e um grupo de árvores pequenas e baixas que for-
neciam um pouco de sombra. Animais, animais, animais até onde a vista alcançava. Oh,
meu deus, zebras, mais zebras do que eu jamais imaginara, havia uma enorme quanti-
dade delas pastando. Com as cabeças abaixadas, se concentrando em cada bocado de
capim. Vagueando aqui e ali enquanto mastigavam em total contentamento.

Entretanto, descansando na grama havia um grupo de leões! Seis ou sete deles, des-
cansando preguiçosamente sob o sol da tarde. Os filhotinhos dando botes ao redor de
suas mães que estavam um tanto quanto letárgicas. Mas e as zebras? Elas eram, para
os leões, um lanchinho, almoço, ou talvez um jantar, e ainda assim elas não estavam
prestando atenção nos leões. Meu coração batia muito acelerado, mas e os das zebras,
não?
INCOSCIENTE INFORMADO

Então, notei que havia, sim andando ao redor da manada, havia umas sete ou oito
zebras. Estas zebras tinham uma atitude muito diferente, elas andavam bem devagar
circulando a parte externa de toda a manada. Caminhavam deliberadamente, com um
andar lento e metódico. Elas não estavam comendo! Andavam de cabeça erguida, ore-
lhas em pé e totalmente vigilantes. Bem lentamente elas percorriam um grande círculo
ao redor da manada que pastava.

Elas eram as sentinelas. Observavam os leões com total concentração e procuravam


por qualquer outro animal que pudesse colocar a manada em perigo. Elas pareciam
saber que os leões não estavam com fome. Não havia necessidade de soar o alarme,
UM

mesmo estando os leões a menos de vinte metros de distância. Pareciam saber que os
leões mais jovens estavam apenas brincando, que nenhum membro do grupo estava
PARA

caçando. Evidentemente eles haviam comido não fazia muito tempo e não tinham in-
teresse na manada.
ERICKSONIANA

As sentinelas simplesmente pareciam saber disto. Embora parecesse haver perigo,


quero dizer: leões e zebras a alguns metros uns dos outros e, as sentinelas sabiam, sim-
plesmente sabiam que não havia necessidade de alarme.

Com bastante frequência uma das sentinelas voltava para dentro da manada para
ABORDAGEM

pastar. Quase como um ballet, outra zebra que estivera pastando tomava o lugar daque-
la que havia se reunido à manada, e começava a circular e proteger a manada junto às
outras sentinelas.
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Fiquei observando por mais de uma hora, a manada não prestava nenhuma atenção
aos seus arqui-inimi-
gos, os leões, as sentinelas observavam e esperavam caso houvesse alguma alteração
na atitude do grupo de leões. Era hipnótico. Era lindo. Uma dança da vida.

De repente uma das sentinelas se empertigou e soltou um zurro! Duas ou três outras
fizeram o mesmo. O grupo de leões estava agora de pé, os rabos sem movimento. Em
um instante, agora sabendo que havia um perigo real, a manada toda rompeu em galope
com as sentinelas por último protegendo a retaguarda e as laterais. As zebras corriam
numa velocidade e determinação incríveis, para longe do perigo. Pude vê-las parando a
cerca de um quilometro de distância, elas então se reorganizaram e voltaram a pastar.
As sentinelas assumiram seu dever e os leões, bem, eles pareciam um tanto perplexos.
Logo eles seguiram em direção a uma manada de gazelas.

Que brilhante, que fantástico o fato de uma sentinela conseguir saber a diferença en-
tre o rosnado de um leãozinho brincando, ou um rugido de chamado e resposta entre
os membros do grupo, ou aquele rugido ou movimento que significa que eles estão à
espreita.

Então, sim, esta é a minha história sobre ver as zebras nas Planícies do Serengeti.
INCOSCIENTE INFORMADO
UM
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ABORDAGEM
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4 . 4 O P U X Ã O !

C erta vez, havia um elefante muito forte e poderoso.

O elefante pertencia ao circo. Todos os dias o elefante era forçado a se apresentar


para as multidões que vinham ver o show. Ele tinha que sentar, ficar de pé nas patas
traseiras, rolar, contar e mais todas as coisas que não tinham nenhuma relação com o
elefante que ele queria tanto ser. Era óbvio que ele era muito, muito infeliz tendo que
fazer todas aquelas tarefas que realmente nenhum elefante jamais escolheria fazer. Ele
INCOSCIENTE INFORMADO

tinha que fazer muitas, muitas coisas que ele não queria ou gostava de fazer, mas que
ele simplesmente tinha que fazer. Estava claro que ele ansiava por ser livre. Ele não era
respeitado, não tinha permissão de ser apenas o elefante que era e poderia ser. Ele não
era livre para levar sua vida de elefante da maneira que um elefante deve viver.

Todos os dias um garotinho, que havia percebido a infelicidade do elefante, vinha ao


circo para assistir a todas as apresentações. Finalmente o garoto, bastante frustrado,
perguntou ao treinador do elefante:

“– Por que o elefante é tão obediente? Eu não entendo. O seu elefante é tão grande,
UM

poderoso e forte e a cada dia ele está mais e mais infeliz com os truques que você o
obriga a fazer. E mesmo assim, toda a noite você põe uma enorme corrente ao redor
PARA

de sua perna e um enorme cadeado e tranca a corrente com o cadeado e prende a


corrente a uma estaca muito, muito pequena no chão. Uma estaca que é tão pequena
ERICKSONIANA

e fina que ele poderia facilmente puxar e seguir seu caminho. Por que o seu elefante
não foge?”

“– Ah,” disse o treinador, “é muito simples, quando era pequenininho ele tentou e ten-
tou puxar e arrancar a estaca do chão. Um dia, percebendo que era pequeno demais
ele simplesmente parou de tentar, ele se acostumou com sua vida exatamente do jeito
ABORDAGEM

que era e simplesmente jamais tentou novamente.”


UMA

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4 . 5 O R AT I N H O D E C I D I D O A V E R
O M A R

U m dia, um ratinho, enquanto mastigava seu café da manhã, uma omelete de queijo,
declarou para o seu pai que tinha um sonho e queria ir ver o mar.

“– Hunf”, disse o pai mal olhando por cima do jornal que lia todas as manhãs, A Gaze-
ta dos Roedores, “– Você sempre foi um sonhador, nunca foi prático de jeito nenhum.
O mar? Por que? Não existe isto chamado de mar! Esqueça isso, hunf! Você tem tudo
de que precisa aqui, e com o tempo você poderá vir trabalhar para mim. O que mais
você poderia precisar? Você quer ver o mar! Ridículo!”

A mãe apenas chorou, chorou, colocou sua patinha trêmula sobre o coração, en-
quanto murmurava guinchos incompreensíveis, balançando a cabeça e perambulando
pela toca em um estado completamente inconsolável.

Os seus irmãos e irmãs simplesmente riram, riram e riram. Ele sempre foi um pouco
diferente, excêntrico, estranho

“– Eu decidi.” o ratinho decretou. “– Nada poderá me fazer mudar de ideia. Eu nunca


vi o mar e isto é importante, ou pelo menos, eu acho importante, e eu estou indo ver
INCOSCIENTE INFORMADO

o mar.”

E lá foi ele arrumar suas malas.

No dia seguinte ele partiu. O pai desviou o olhar, sua mãe ainda estava chorando, e
seus irmãos e irmãs ficaram ali de pé em silêncio. Em silêncio, exceto por sua irmã mais
nova, que mostrou sua língua de ratinha e insistiu em soprar o hálito de queijo bem na
sua cara, eca!

Corajosamente ele começou a descer a montanha e entrou no seu primeiro campo


de grama alta. Porém, escondido na grama havia um gato, um gato muito grande, ele
UM

ficou de bote, esperou e pulou. Por sorte, no último minuto o ratinho viu uma sombra
PARA

pelo canto do olho e começou a correr, correr, correr por sua vida. Ooooh, ele correu,
mas oooh, teve que deixar parte da sua cauda na boca de um gato muito confuso. No
ERICKSONIANA

susto ele também largou suas malas, largou seu almoço, um enorme sanduíche de qua-
tro queijos, e o seu boné da liga dos roedores voou para longe e, além disso, ele perdeu
seus óculos.

Bem, ele continuou lutando, ele estava exausto, tinha a cauda esfarrapada nas mãos;
estava cansado, estava machucado, foi atacado por pássaros, cachorros avançaram, foi
ABORDAGEM

picado por abelhas. Talvez ele estivesse errado e trabalhar para o pai não teria sido tão
ruim. Talvez ele devesse ter ficado em casa e a salvo. Talvez ele não devesse ter feito sua
mãe chorar! Talvez ele fosse um sonhador e devesse ter mantido seus pés de ratinho no
chão. Agora ele estava ferido, sangrando e desiludido.
UMA

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Era quase noite quando ele escalou a última colina, e lá enquanto o sol estava pres-
tes a se pôr, sim, ele viu, ou pensou que viu... o mar. O mar? Sim, sim, era o mar! O lindo
mar!

Ele ouviu as ondas quebrando na praia uma após outra, e viu o brilho do sol poente
sobre a água tão azul! E as cores, as cores lindas. As cores preenchiam o mar e o céu.
Ele se sentou em silêncio com grandes lágrimas de ratinho escorrendo pelo seu rosto
e pingando pelos seus bigodes. Pingando, pingando, pingando, uma a uma as lágrimas
rolavam. Se ao menos sua mãe e seu pai e irmãs e irmãos pudessem estar com ele.
Porém de alguma maneira ele sabia que talvez, sim talvez, aquilo jamais aconteceria.
Talvez eles jamais se arriscariam, talvez eles jamais ousariam a se aventurar. Nunca, nun-
ca ousariam a se aventurar!

A lua surgiu e as estrelas começaram a cintilar e o mar reluzia em ondulado pratea-


do. Ele foi preenchido por uma paz e alegria profundas. Ele havia preenchido o desejo
de seu coração, sentou- se em silêncio, sentindo-se em união com o mar.

4 . 6 C H A R L E Y
INCOSCIENTE INFORMADO

E ra uma vez, não na sua vez, ou na minha vez, porém, era uma vez um garotinho bem
novinho que ganhou um cachorrinho a quem deu o nome de Charley. Eles passavam
o dia inteiro, todos os dias, juntos e, certamente a noite inteira, todas as noites, juntos.
Brincavam, exploravam, rolavam, se divertiam, corriam, pulavam, quebravam as regras,
eram inseparáveis, eram como um só.

Um dia quando o garotinho estava em algum lugar, só que sem o Charley, Charley
descobriu o prazer de mastigar. Mastigar era demais! Era muito divertido, assim como
rasgar, destroçar, despedaçar praticamente tudo que encontrasse pela frente. Explorar
UM

era tão divertido! Que divertido!


PARA

Os pais do garotinho não achavam aquilo nada divertido. Ficaram sim, muito, muito
bravos. Charley foi colocado em um cercado e passou a não ter muitas oportunidades
ERICKSONIANA

de estar com seu melhor amigo. Charley não gostava de ficar no cercado. Sempre en-
contrava um jeito de fugir do cercado e embora inicialmente ficasse um pouco relutante,
logo voltava a descobrir os prazeres de rasgar, cortar, estraçalhar, praticamente tudo
que encontrasse pela frente. Os pais ficavam cada vez mais e mais bravos a cada vez
que Charley voltava a ter o que eles consideravam ser um comportamento inadmissível.
ABORDAGEM

Para apaziguar seus pais o garoto teve que mandar Charley embora. Ele ficou de pé
à porta enquanto seu pai e Charley se afastavam de carro para algum lugar muito, mui-
to distante. Realmente seu pai voltou bem mais tarde naquela noite e sem o Charley!


UMA

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O tempo foi passando, passando e passando, e finalmente o garoto até mesmo se
esqueceu de se lembrar. Charley?

Mais alguns anos se passaram, e o garoto se tornou um rapaz. Em algum lugar bem
lá dentro ele sabia sem saber como sabia, porém ele sabia que havia algo faltando den-
tro de si. Ainda mais tempo se passou e se passou até que o homem já não podia mais
negar que havia alguma coisa faltando dentro de si. Sabia que ele tinha que, ele precis-
ava procurar por aquilo. O que quer que fosse.

Então, sua jornada começou. Onde quer que ele fosse, ele procurava por aquilo. Um
belo dia sua peregrinação o levou para uma trilha que o trouxe para o meio do meio de
lugar nenhum. Uma trilha densa, escura, difícil, cheia de mato, no meio da selva, ele se
sentiu compelido a se aventurar mais e mais profundamente nesta trilha pela selva.

Finalmente ele se encontrou em meio a uma pequena clareira, de alguma maneira


ele simplesmente soube que este era o meio do meio de lugar nenhum. Encontrou um
tronco e, sem realmente saber por que, ele se sentou e esperou. Sim, apenas esperou. O
sol do meio dia começou a descer e ele esperou. A tarde foi chegando e aos poucos foi
indo embora, e ele esperou. A noite começou a se insinuar e a floresta foi se enchendo
de sombras e de barulhos estranhos, e ele esperou. Finalmente a noite se fez presente
com todo o seu mistério e era negra como o breu e, ele esperou. Aos poucos dois olhos
flamejantes apareceram na escuridão, brilhavam como brasas de uma fogueira que está
se extinguindo, dois olhos flamejantes e, ele esperou. Sentou- se completamente imóvel
e esperou. Havia apenas o som de sua respiração, da respiração do animal e aqueles
olhos brilhantes, e ele esperou. Devagar, muito devagar, um focinho magro, comprido
foi aparecendo muito lentamente, ele esperou. Durante horas ele esperou. Finalmente,
saindo da floresta o animal apareceu, ossos salientes, assustado, arranhado, com tufos
de pelo faltando e cicatrizes, coberto de lama e carrapichos.

“– Charley, Charley,” ele sussurrou, “Charley?”


INCOSCIENTE INFORMADO

O pelo do cachorro se eriçou, ele recuou desconfiado e parou. “– Charley” o homem


chamou suavemente, começando agora a se lembrar das vezes em que eles haviam rola-
do juntos, que haviam se divertido, que haviam corrido, pulado, e que haviam quebrado
as regras. Tempos felizes, tempos maravilhosos, tempos em que eles eram inseparáveis.

Comunicando-se, embora sem dizer uma só palavra, ele ansiava por saber como
estes longos e longos anos haviam sido para o Charley. Será que Charley também sa-
bia, será que Charley sabia que havia algo faltando dentro dele também? Como, como
havia sido para ele? Eu não sei, mas você sabe que de alguma maneira Charley contou
UM

para ele. Contou para ele sobre a separação, a dor, a solidão, a tristeza, sobre ficar com
medo, se sentir assustado, e mais do que tudo sobre que havia algo faltando, havia algo
PARA

faltando bem lá dentro. O jovem homem ouviu tudo aquilo e de alguma maneira ele já
sabia de tudo aquilo, sim, ele já sabia de tudo aquilo.
ERICKSONIANA

Tendo ouvido a história de Charley, a sua história, seus corações se apaziguaram,


eles se tocaram e souberam sem nem mesmo saber como sabiam, que podiam confiar
novamente, juntos novamente, eles podiam confiar novamente. Mais uma vez eles vol-
taram a ser inseparáveis... para nunca, jamais se separarem novamente. Nunca, jamais
se separarem novamente. Ah, sim, aquilo que estava faltando, isto também se apazi-
ABORDAGEM

guou e com o tempo os dois pararam de sentir falta daquilo que ficara faltando lá den-
tro. Charley voltou a sentir amor novamente e o homem, bem, ele se lembrou do garo-
to que havia amado Charley. De fato, os dois voltaram a sentir amor novamente. Eles
foram para casa, companheiros mais uma vez na jornada da vida.
UMA

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INCOSCIENTE INFORMADO
UM
PARA
ERICKSONIANA
ABORDAGEM
UMA

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4 . 7 B R Ó C O L I S

“– Você é minha última esperança! Já estive em sete outros terapeutas e todos eles
fracassaram! Eu não posso continuar desta maneira. Estou tão, tão deprimida. Todos
eles falharam comigo. Ouvi dizer que você pode ajudar. Você trabalha com o impos-
sível. Nem sei o que vou fazer se você não conseguir me ajudar a sair da minha de-
pressão. Eu tenho estado tão deprimida, muito deprimida durante anos. Você pode
me ajudar? Sei que você não pode responder a esta pergunta, mas você pode me aju-
dar? Meus amigos estão tão cansados da minha depressão, do quanto estou pesada,
eles fogem de mim. Eu me arrasto por aí, porém nada tem nenhum sentido. Quando
não estou no trabalho me sinto como uma pedra afundando para o fundo de um mar
sem fim. Tudo parece sem propósito.”

Eve era uma mulher de negócios de meia idade muito bem sucedida, se vestia de
uma maneira muito elegante. Ela tinha uma presença muito forte e assertiva. Dirigia uma
pequena empresa com mais ou menos sessenta funcionários e vendas de aproximada-
mente vinte e cinco milhões de dólares por ano. Enquanto pedia ajuda, ela claramente
também estava numa posição de controle em relação a si mesma e tentando estar em
uma posição de controle em relação a mim. Havia uma parte dela que estava determi-
INCOSCIENTE INFORMADO

nada a me acrescentar ao ranque dos outros terapeutas, e eu me tornaria o oitavo te-


rapeuta a falhar com ela, mais um pai, mãe deficiente. Enquanto ela permanecesse no
controle, a experiência havia me ensinado, eu perderia. Não, nós dois perderíamos, eu
fracassaria e ela manteria sua depressão, tornando-me incompetente, quando não im-
potente.

“– Eu posso curar (cure) você.” Eu disse com total segurança. “– Sim, eu posso curar
(cure) você, mas você deve fazer exatamente o que eu disser. Você deve seguir minhas
instruções com total compromisso, e sem questionar!”
UM

Ela ficou chocada (interrupção de padrão) assegurei a ela que, tão certo como o sol
se ergue a cada dia, todos os dias, uma cura (cure) completa era possível. Ela teria que
PARA

fazer tudo que eu dissesse a ela, exatamente como eu dissesse. Ela pensou por um mo-
mento ou dois e perguntou o que é que teria que fazer.
ERICKSONIANA

Ah, não... ela teria que concordar em fazer o que eu solicitasse a ela sem saber o que
seria.

“– Impossível! Eu tenho que saber o que você fará!”


ABORDAGEM

“– Não, não, não, é do meu jeito ou de jeito nenhum. Ou você concorda, ou esta ses-
são acaba aqui, pois será uma completa perda do nosso tempo!”
UMA

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Ela ficou sentada em silêncio durante três ou quatro minutos. Era como o jogo de
quem fica sério por mais tempo. Continuei olhando para ela direto nos olhos. Senti como
se fosse a cena de duelo em algum faroeste antigo. Qual de nós desistiria primeiro? Fi-
nalmente, ela me lançou um olhar penetrante e concordou.

Se eu não houvesse tratado da questão de controle dela logo de cara, eu teria fracas-
sado como tantos outros dos meus colegas. Ela era claramente uma mulher que havia,
em seus outros encontros terapêuticos, assumido o controle rapidamente deixando o
terapeuta impotente. Erickson sempre recordava aos seus alunos que ao mesmo tem-
po em que eles deveriam proporcionar um container de empatia para o cliente, no nível
mais básico o terapeuta deveria permanecer no controle da sessão, no sentido de per-
manecer a cargo da sessão.

Nós continuamos a conversar até o final da sessão. “– O que eu devo fazer? Está na
hora de eu ir embora, e você não me disse o que eu devo fazer!”

“– Oh,” eu disse distraidamente. “– Huhm, quando você sair do consultório, vá di-


retamente para o supermercado e compre um grande maço de brócolis. Coloque o
brócolis na sua bolsa e carregue por aí com você durante a semana, e traga-o para sua
próxima consulta.”

“– O que? Ridículo, esta é a coisa mais estúpida que eu já ouvi um terapeuta dizer!”

“– Ah! Você concordou em fazer exatamente o que eu dissesse. Agora tire o seu tra-
seiro daqui e vá para o mercado e compre o brócolis!” Ela saiu aborrecida, seu rosto
muito, muito vermelho.

Ela retornou na semana seguinte, e assim que entrou começou a se queixar. Con-
tou-me que havia carregado o brócolis durante toda a semana, entretanto havia ficado
muito preocupada que as pessoas poderiam vê-lo em sua bolsa e fugir. Ela me infor-
INCOSCIENTE INFORMADO

mou que na medida em que a semana foi passando, ele começou a ficar mais pesado.
De fato, o brócolis em sua bolsa era inútil, não tinha nenhum propósito. Realmente não
gostava de ser associada a ele de jeito nenhum, sorri e falei que ela havia ido muito bem.
Nós prosseguimos com a sessão. Novamente, bem no finalzinho da sessão, ela obser-
vou que eu não havia lhe dito o que deveria fazer para a semana seguinte.

“Huhm,” eu disse parecendo estar muito distraído. “– Quando você sair vá direto para
o mercado e compre um segundo maço de brócolis. Coloque em sua bolsa junto com
o primeiro e carregue os dois por aí durante a semana. Traga-os com você na próxima
sessão.” Dessa vez ela praticamente pulou da cadeira enquanto expressava sua exas-
UM

peração com as minhas instruções.


PARA

“– Ah, você quer ou não quer ser curada (cure)? Tire seu traseiro daqui e vá comprar
o brócolis!” Falei com firmeza. Ela saiu voando do consultório.
ERICKSONIANA

Na semana seguinte ela retornou bastante brava. Relatou que o brócolis estava
começando a cheirar mal, ninguém queria ficar perto dela, nem ela mesma. Estava
começando a estragar. É claro que ele estava apenas ficando mais pesado. Eu a elogiei
por estar cumprindo seu compromisso e seguindo minhas instruções. Ela estava indo
muito bem. Novamente, esperei até o final da sessão para dizer-lhe que ela tinha outra
ABORDAGEM

tarefa para aquela semana. Ela deveria sair da sessão e comprar um terceiro maço de
brócolis, e carregar os três durante a semana, e trazê-los com ela para o nosso próximo
encontro.
UMA

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“– Eles vão estar completamente podres!” ela exclamou.

“– Oh, sim...” eu respondi, minha voz baixando. “– Coloque todos os três em um saco
plástico dentro da sua bolsa.” Apontei para a porta com um dedo ameaçador e disse
para ela ir e nos encontraríamos na próxima semana.

Na semana seguinte ela retornou, soltando fumaça. “– Eu joguei tudo fora! Eles fe-
diam, eles estavam apodrecendo, eles eram pesados! Ninguém queria se sentar ao meu
lado, Nem eu conseguia suportar ficar perto de mim. Eu os joguei fora, fora, fora!” ela
disse enquanto batia os pés. “– É isso então, terminado! Foi estupidez arrastá-los por aí.
De fato, haviam ficado tão ruim que se transformaram em um líquido gosmento verde
que começou a vazar por toda parte. Ela continuou e continuou. Eu esperei que ela
acabasse de soltar os cacho-
rros.

“– Você está deprimida?” Perguntei, em uma voz suave e gentil.

Houve um silêncio. Houve mais silêncio. Eu simplesmente fiquei sentado.


“– Não.” ela disse. “– Não. Oh!”

Nós ficamos sentados em silêncio, e então ela começou a falar sobre alguns dos
eventos importantes de sua vida. Não houve instruções adicionais quando saiu da ses-
são.

Ela retornou na próxima semana, sorrindo, com uma leveza que eu jamais vira, e que
provavelmente ne-
nhuma outra pessoa vira em anos. “– Eu entendi. O brócolis era a minha depressão. Ele
não servia a nenhum propósito. Eu apenas havia me acostumado a carrega-lo por aí. As
pessoas fugiam. Estava apenas ficando cada vez mais e mais pesado. Eu carregara isto
durante tanto tempo. Não conseguia nem ao menos me lembrar porque eu arrastava
isto por aí, pra início de conversa. Não tinha serventia, apenas me atrapalhava e me alie-
INCOSCIENTE INFORMADO

nava de todo mundo, inclusive de mim mesma. Aha! entendi.”

Eu sorri, e então respondi, “– Quanta análise! Eu pensei que fosse apenas o velho e
bom brócolis. Brócolis, apenas brócolis.”

Os principais componentes de sua depressão desapareceram. Nosso trabalho não


havia terminado, porém com sua energia renovada e com mais um ano de trabalho,
os fatores traumáticos, as aprendizagens incompletas, e os padrões de hábito impro-
dutivos foram trabalhados e ela ficou contente e feliz com sua vida. Nós descobrimos
muitos recursos novos e alguns antigos já adquiridos que ela poderia usar quando uma
situação de vida se tornasse difícil para ela. A probabilidade de que ela viesse a sofrer
UM

de um episódio de depressão grave no futuro desapareceu de sua existência.


PARA

Esta abordagem foi, por um lado, muito mais diretiva do que eu gosto. Não é uma
ERICKSONIANA

parte usual da abordagem Ericksoniana. Embora diretiva, o contexto e princípios Erick-


sonianos estavam presentes. Por outro lado, foi uma atitude ou intervenção necessária,
na medida em que esta era parte da linguagem e posição de vida desta cliente em par-
ticular. Ela foi muito controladora e autoritária em sua entrevista inicial comigo. Por fa-
vor, note que Erickson nunca rejeitou os aspectos mais diretivos da hipnose clássica. Ele
jamais rejeitou a hipnose clássica. Ao invés disto, ele construiu sobre ela e voltava a ela
ABORDAGEM

quando isto servia ao mais alto interesse de algum paciente específico. A abordagem
clássica é produtiva para aproximadamente 10 por cento da população.

E todas a vezes que você vir um brócolis, sua mente inconsciente se lembrará de não
se esquecer de se lembrar desta história.
UMA

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4 . 8 A M A C I E I R A

E ntão, era uma vez, bem lá no alto da colina, havia a macieira mais linda. Uma macieira
tão bonita, tão majestosa, tão verde, tão antiga e tão linda, alguns diziam que era a
macieira mais linda da cidade, alguns diziam que do estado, alguns diziam que do país,
e havia muitos que diziam que do mundo inteiro. E nesta mais linda de todas as macie-
iras, penduradas em todos os seus ramos encontravam-se as mais deliciosas, as mais
apetitosas, as mais gloriosas maçãs, alguns dizem que da cidade, alguns dizem que do
estado, alguns dizem que do país, e alguns dizem que do mundo inteiro.

Estas mais magníficas maçãs entre todas as maçãs ficavam todas dependuradas
juntinhas de forma tão fantástica que todo o mundo que passava por ali parava e olha-
va para cima com enorme admiração e encantamento em relação a quão totalmente
uniformes e próximas, quão majestosas e harmoniosas e, simplesmente quão... isto mes-
INCOSCIENTE INFORMADO

mo, simplesmente quão perfeitas todas elas pareciam assim juntinhas. As mais idílicas
maçãs alguns dizem que da cidade, alguns dizem que do estado, alguns dizem que do
país, e alguns dizem que do mundo inteiro.

Bem, um dia, quando havia mais do que uma leve brisa, porém menos do que um
vento tempestuoso, uma das maçãs começou a balançar um pouco mais do que as
outras. Primeiro para a esquerda e depois para a direita, ou será que foi para a direita e
depois para a esquerda? E então, para trás e para frente, ou será que foi para frente e
para trás? Balançando, balançando e balançando e então, você sabe o que aconteceu?
Não, você não sabe, então eu vou lhe contar, apenas porque sou eu quem estou lhe
UM

contando esta história e é você quem está escutando, e bem, eu realmente sei o que
aconteceu.
PARA

Esta linda maçã, esta maçã mais linda foi e fez puf! Isto mesmo, puf. Não fez ploft,
ERICKSONIANA

nem catapimba, nem qualquer outra das inúmeras possibilidades, mas apenas um sim-
ples e direto puf. Lá foi ela lá para baixo e ai, aterrissou na grama. Apalpou sua cabe-
cinha de maçã para ver se estava machucada, pois ela jamais havia feito puf antes, isto
mesmo, nunca antes em sua vida ela havia feito puf! Apertando os olhos na luz brilhante
e tendo perdido seu fôlego de maçã devido à sua primeira queda, ela olhou para cima
e viu toda a sua família ainda dependurada na árvore.
ABORDAGEM

“– Oh minha nossa!” pensou a maçã, “– Minha família inteira ainda está lá em cima na
árvore. Será que eles sabem o que aconteceu comigo?”
UMA

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“– Eles vão ficar preocupados, com certeza. Eles vão ficar com medo, com certeza.
Eles vão perguntar uns para os outros se alguém me viu, com certeza. Eles vão sentir
a minha falta e terão esperança, acima de todas as esperanças, que eu esteja bem e
que tudo fique bem em minha vida onde quer que eu esteja, com certeza.”

Naquele momento, naquele exato momento, com certeza, uma das maçãs espiou a
maçã sozinha lá no chão.

“– Sua maçã estúpida, sua maçã boba, olha o que você fez!” gritou.

Sim, todas as maçãs começaram a gritar, na verdade, a berrar, de uma forma bastante
ofensiva.

“– O que você fez? Como você pôde fazer isto, você nos deixou! O que as pessoas
vão dizer? O que vai acontecer com a nossa reputação? O que as pessoas vão pensar?
Que coisa horrível você fez de nos deixar, a nós, sua família, sua egoísta! Sua estúpi-
da, estúpida maçã. O que foi que você fez, sua idiota?” Ela jamais, não jamais, ouvira
uma linguagem daquelas de ninguém de sua família antes!

Bem, agora, como você deve ter imaginado, a maçãzinha, ainda sem ter certeza de
não estar machucada devido à queda e, acredito eu, ainda um tanto quanto em cho-
que, talvez até mesmo sofrendo de transtorno de estresse pós-traumático, TEPT, não
conseguia conceber, ou acreditar naquilo que ela estava ouvindo com suas orelhinhas
de maçã. Estúpida, egoísta, boba, idiota, o que foi que você fez? (Sim, maçãs têm ouvi-
dos sim, mas apenas uma verdadeira maçã saberia, ou seria capaz de vê-los, entretanto
talvez você consiga ver, se olhar muito, muito atentamente, e por muito, muito tempo.)
Enormes lágrimas de suco de maçã rolaram por suas bochechas rosadas de vermelho-
maçã. Lágrimas e lágrimas de suco de maçã.

“– O que você tem a nos dizer?” sua família gritou.


INCOSCIENTE INFORMADO

A mamãe maçã, o papai maçã, seus irmãos, suas irmãs, até mesmo a vovó maçã, to-
dos eles gritaram. O castigo era terrível. Era o suficiente para transformar praticamente
qualquer maçã em uma poça de purê de maçã.

Aos poucos, piscando para espantar a dor, com certeza, e piscando devagar para a-
fastar a sua descrença, com certeza, e aos poucos reunindo toda a sua força recém-
descoberta, ela retrucou. Isto mesmo, com sua força recém-descoberta ela retrucou. A
resposta veio inteiramente do âmago do seu ser:

“– Vocês, vocês são todos tão imaturos!”


UM
PARA
ERICKSONIANA
ABORDAGEM
UMA

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4 . 9 A N D A N D O N A L I N H A

M amãe caranguejo e seu filhinho estavam andando pela praia na beirinha do mar. A
mamãe caranguejo observou que seu jovem filhinho não caminhava em linha reta,
ao invés disto ondeava de um lado para outro, da esquerda para a direita, da direita para
a esquerda, ele andava fazendo um completo ziguezague.

“– Meu querido,” mamãe caranguejo finalmente falou, “você caminha de um jeito tão
difícil indo de um lado para o outro, seria muito melhor se você andasse em uma linha
reta!”

“– Oh, mamãe,” o pequenino respondeu, “me ensine como andar em linha reta e eu
farei o meu melhor para que você se orgulhe de mim e para seguir o seu exemplo.”

“– É claro, meu querido.” A mamãe caranguejo disse, e imediatamente tentou mostrar


para ele, mas seu corpo simplesmente não cooperava.

Ela nunca prestara atenção à maneira como caminhava! Tentou andar em uma linha
reta, porém seu corpo ondulou de um lado para o outro, da esquerda para a direita, da
direta para a esquerda. Depois de muitas tentativas, ela se deu conta que andava fazen-
do um ziguezague, e que nunca, jamais, andava em linha reta.

“– Eu sinto muito, querido,” a mamãe caranguejo finalmente falou, “não posso lhe
pedir que ande em uma linha reta uma vez que eu mesma nunca fui capaz de fazer
isto!” E então, eles continuaram caminhando pela praia bem na beirinha do mar.
INCOSCIENTE INFORMADO

4 . 1 0 A P I R Â M I D E D A S P O S S I B I L I D A D E S

E sta história é para ser usada como fantasia dirigida. Utilize quaisquer técnicas que
UM

conheça para conduzir o seu ouvinte ou ouvintes a um estado de relaxamento. Lem-


PARA

bre-se de dar a sugestão: “– Você pode estar completamente relaxado ou tenso e ain-
da assim pode fechar os olhos e, levando minha voz com você, pode seguir minhas in-
struções”. Uma vez que o ouvinte, de olhos fechados, estiver com a aparência de estar
ERICKSONIANA

apropriadamente confortável, prossiga com a seguinte história:

Enquanto continua a relaxar e liberar, talvez agora você possa ver, sentir, visualizar,
imaginar, perceber, ou criar uma trilha, uma trilha que você conhece, ou uma trilha que
você conhece sem nem saber como conhece... uma trilha que vai entrando cada vez mais
e mais profundamente em uma floresta muito, muito bonita, cheia de flores, fragrâncias,
ABORDAGEM

rica em cores, pássaros, lindos pássaros, todos os pássaros que você pode imaginar. Ri-
achos magníficos, animais fascinantes, sons, fragrâncias, texturas... muito bem, isto mes-
mo.
UMA

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Diante de você, coberta de árvores, trepadeiras e plantas muito, muito exóticas,
surge uma construção muito, muito antiga, totalmente inexplorada: uma pirâmide! Você
pode ver os resquícios de esculturas, de pinturas desbotadas pela chuva... A curiosidade
leva você a explorar a parte externa da pirâmide, e algo lhe diz ou talvez você sinta que
esta é a sua pirâmide especial.

Agora, encontre o caminho para a entrada secreta, alguma abertura ou porta secre-
ta que de alguma maneira você sabe que conhece… isto mesmo, aprofundando cada
vez mais na medida em que você explora… você agora entra na pirâmide e descobre o
caminho que leva à parte mais, mais, mais interior da pirâmide. Passando por este corre-
dor e descendo aqueles degraus e aquela escada, seguindo para a direita e depois para
a esquerda, seguindo e seguindo, mais e mais profundamente, indo para o centro do
centro do centro da estrutura. Chegando e entrando no grande depósito, na câmara dos
tesouros desta pirâmide. Este é o depósito de todo o seu conhecimento, de todos os
seus recursos, de toda a sua criatividade... Ele contém tudo o que é seu. Tudo que, com
o passar dos anos, foi tirado de você pelas circunstâncias.

Bem lá dentro, profundamente no centro da sua pirâmide, esperando por você, es-
perando que você reencontre os seus tesouros magníficos, fantásticos, fabulosos: ouro,
prata, pedras preciosas, diamantes, rubis, esmeraldas, pérolas, isso mesmo, livros e mais
livros, todo o conhecimento da humanidade, pinturas, esculturas, tapeçarias, emoções,
sentimentos, amor universal e no centro do centro do centro, bem no coração da sua
pirâmide uma luz... A Luz universal.

Muito bem... Isso mesmo...

Esta luz é emanada de algum lugar no centro do peito de uma imagem feroz. Uma
imagem que representa todas as forças negativas em você… todas as forças negativas
dos outros que têm tentado derrotar você. Todas as forças negativas dentro de você
INCOSCIENTE INFORMADO

que tentam derrotar você, todas as vozes que o perseguem e tentam dividir. Todas as
vozes e pensamentos que afastam você da sua divina verdade interior, da sua sabedoria
interior. Vá até esta imagem e você verá uma pedra brilhante. Agarre esta pedra brilhan-
te, tomando de volta das forças da escuridão a luz e nesta grande luta por libertar a sua
luz das forças da escuridão, a imagem escurecida se trinca completamente e desaba,
desaba em meio a uma nuvem cinza de poeira que vem repousar a seus pés.

O poder daquelas forças acabou, você está livre. Livre para colher quaisquer tesou-
ros que queira trazer de volta consigo para o mundo lá fora. Não importa quantas coi-
sas você pegue, não importa quantas coisas você recolha ou quantas vezes você volte
UM

a esta câmara especial, o tesouro estará sempre aguardando por você. Sempre, cada
vez mais e mais rico. Rico de vida, toda a vida, a sua vida, mais e mais rico comparado à
PARA

vez anterior. Porém, lembre-se: o que quer que você pegue e leve para o mundo lá fora
deverá ser compartilhado com aqueles que estão no mundo lá fora e com aqueles que
ERICKSONIANA

estão ao seu redor. Pois a passagem para a sua câmara do tesouro continuará aberta
para você e estará sempre aberta para você e somente você, SE você compartilhar de
dentro de si mesmo com aqueles ao seu redor. Você pode compartilhar todos os seus
tesouros maravilhosos… e na medida em que compartilhar estes tesouros eles se reve-
larão a você de uma maneira muito, muito mais profunda. Tesouros que se revelarão a
você na forma de novos hábitos, novas ideias, novos sentimentos e novas direções para
ABORDAGEM

você e para aqueles que você conhece e para aqueles que você virá a conhecer.
UMA

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isso mesmo... Muito, muito bem...

Agora, colhendo tudo que deseja levar com você desta vez, comece a trilhar o cami-
nho de volta, de volta para o mundo lá fora. Deixando esta câmara interior e subindo de
volta, para a direita, para a esquerda, subindo, subindo e saindo… saindo para o mundo
lá fora, para a vida, para a sua vida e para o calor do sol, o calor e a luz do sol.

Muito bem...

Agora, saindo da pirâmide e indo para a floresta e seguindo a mesma trilha que inicial-
mente você percorreu através da floresta e que o levou a descobrir sua pirâmide secreta
e sagrada, faça os passos de volta.

Conduza o sujeito a voltar, saindo do estado em que esteve conectado a esta fanta-
sia, para o momento presente.

4 . 1 1 D E U S É

M uitos anos atrás, ou será que eu deveria começar dizendo: Há muito tempo em um
universo muito, muito distante, entretanto não há tanto tempo a ponto desta história
ter sido esquecida, e nem tão pouco tempo a ponto desta história não ser relevante em
um nível mais profundo… Acho, agora que penso a respeito, que foi exatamente a quan-
INCOSCIENTE INFORMADO

tidade de tempo apropriada, o que quer que a quantidade de tempo apropriada real-
mente seja...

Dois garotinhos se conheceram no primeiro dia de escola. Foi um daqueles encon-


tros em que nenhum dos dois prestou muita atenção, porém que jamais se esqueceriam,
pois antes que se dessem conta, ou soubessem como acontecera ou por que, eles mui-
to, muito rapidamente se tornaram amigos. Você até poderia dizer que eles se tornaram
os melhores, melhores, melhores amigos. Suas famílias ficavam maravilhadas com sua
amizade, com sua afinidade e com a total lealdade de um para com o outro. Durante os
primeiros anos de escola eles se tornaram como um só, eram inseparáveis!
UM
PARA

Quis o destino que um deles fosse muito, muito branco e o outro fosse muito, muito
preto. Ainda assim, eles pareciam ter ficado conectados, totalmente conectados desde
o primeiro instante em que se conheceram. Eles nunca, nunca prestavam atenção ao
ERICKSONIANA

fato de que um era branco, muito, muito branco e que o outro era preto, muito, muito
preto. Exceto uma vez por ano, ou alguns dizem que duas vezes por ano, alguns dizem
que era um pouco mais frequente que isto e alguns dizem que era apenas uma vez por
ano, quando eles se envolviam na mesma discussão! Sim, é isso mesmo que você ouviu:
a mesma, a mesmíssima discussão. Esta discussão era a única coisa que perturbava a
amizade deles, e uma vez por ano durante uns dois ou três dias eles ficavam bastante
ABORDAGEM

injuriados um com o outro. A discussão sempre começava da mesma maneira, sempre


terminava da mesma maneira e sempre levava de dois a três dias para que as feridas
cicatrizassem.
UMA

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Um deles, ou o outro, ou vice versa, oh, bem, um deles, dizia, e não importa qual de-
les, pois era sempre ou um ou outro, dizia: “– Eu amo você, você é o meu melhor amigo,
você conhece os meus segredos mais íntimos, porém eu devo lembrar a você que quan-
do morrermos, e nós morreremos, quando o fim chegar, eu prestarei testemunho a seu
favor diante de Deus para que você entre comigo no paraíso e na eternidade.”

Sabe, um deles dizia, ou um ou outro, quem quer que começasse a interminável dis-
cussão:

“– Deus é branco, mas estarei ao seu lado lhe dando apoio quando essa hora chegar.”

“– Oh não,” o outro sempre dizia, “bem, agora você sabe que Deus é preto, de fato,
muito, muito preto, e como nós somos melhores amigos eu ficarei ao seu lado e o
apoiarei nessa hora especial e prestarei testemunho a seu favor.”

Deus é preto ou Deus é branco, ou Deus é branco ou Deus é preto. A disputa furio-
sa durava várias horas, as vozes se erguiam e os ânimos se inflamavam. De fato, era a
única, a única ocasião em que eles erguiam a voz um para o outro. Deus é preto, Deus
é branco, Deus é preto…e assim por diante. Ano após ano a amizade deles continuava a
se aprofundar mais e mais. Sua amizade crescia e crescia, porém a cada ano, todos os
anos, eles travavam uma guerra durante aqueles dois ou três dias: Deus é… Deus é…

Concluíram o ensino fundamental juntos. De fato, suas famílias se mudaram e passaram


a ser vizinhas de porta. Eles saiam juntos com suas namoradas, jogavam nos mesmos
times e tinham tantos interesses em comum que algumas pessoas pensavam que eles
eram gêmeos em peles diferentes. Antes que você notasse lá estavam eles frequentan-
do o mesmo colégio no ensino médio, eles estavam sempre juntos. Mesmo assim, uma
vez por ano, a discussão ‘Deus é preto / Deus é branco’ se repetia. E então chegou a
universidade, mesmo alojamento, mesmos cursos, mesmos amigos, se casaram com a
diferença de alguns dias um do outro. Eles foram morar à distância de dois quarteirões
um do outro, amigos de uma vida inteira, e ainda assim… uma vez por ano, novamente
aquela discussão! Eles criavam suas famílias juntos, comemoravam aniversários juntos,
INCOSCIENTE INFORMADO

iam às formaturas de seus filhos juntos, compravam carros juntos, viajavam de férias jun-
tos, compareciam a velórios juntos e a idade foi avançando e eles foram envelhecendo
juntos. Verdadeiros amigos, mesmo que um fosse muito, muito branco e o outro fosse
muito, muito preto.

Impressionante como talvez isso possa soar, quando tinham 87 anos, um deles mor-
reu e, o outro, quando ouviu a notícia do passamento do amigo de toda uma vida, mor-
reu logo em seguida.

Enquanto suas esposas, filhos, netos e bisnetos estavam unidos no luto a história dos
dois amigos continua. A história deles não termina aqui.
UM
PARA

Enquanto suas famílias compartilhavam do luto, os dois amigos de uma vida inteira
se encontraram diante de São Pedro. São Pedro os recebeu de braços abertos e com
ERICKSONIANA

muita alegria. Eles haviam sido tão bons, tão honestos, tão leais, e haviam cuidado tão
bem um do outro, de suas famílias, de seus amigos e do mundo em geral, amando ver-
dadeiramente e investidos do espírito Santo. Através da Consciência Crística eles rece-
beram as boas vindas ao paraíso com o toque das trombetas. Foram acompanhados
até uma monumental antessala de mármore lindamente ornamentada. Sentaram- se
em silêncio compartilhando um dos bancos em meio às colunas douradas, sorrindo um
ABORDAGEM

para o outro e ouvindo os anjos cantando com muita doçura. Eles se regozijaram por
seu amor recíproco e pela vida que haviam compartilhado, e em silêncio desfrutaram
da “harmonia das esferas”. Um deles sorriu para o outro e disse suavemente: “– Sabe, a
nossa discórdia será resolvida. Em apenas alguns minutos estaremos diante do nosso
Deus e, é claro, eu prestarei testemunho a seu favor, eu prestarei testemunho a seu fa-
UMA

vor, uma vez que Deus é preto.”

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“– Oh,” o outro disse, “nossa discórdia será resolvida e eu prestarei testemunho a seu
favor, pois Deus é branco.” E assim começaram a esbravejar um com o outro até que…
No auge da discussão mais acalorada de todas, e quero enfatizar: a discussão mais
acalorada de todas, de todas!!! Eles ouviram o som de sandálias no chão de mármore
impecável. Os passos foram se aproximando mais e mais e mais até que, com enorme
expectativa, eles sabiam que ele/ela/mãe/pai/a divindade estava de pé bem do outro
lado das portas douradas.

E, e, e... as portas se escancararam bem devagarinho. E.. e… e… em sua direção, uma


sombra gigantesca se estendeu no chão resplandecente. Deus estava presente!!! Deus
estava presente e na medida em que o divino passou pelas portas, que agora estavam
completamente abertas, saudou-os com uma voz profunda, retumbante, ressonante:

“– 您好,先生。我等了很久,终于见到了您”
INCOSCIENTE INFORMADO
UM
PARA
ERICKSONIANA
ABORDAGEM
UMA

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4 . 1 2 E X I S T E V I D A A P Ó S O
J A R D I M D E I N FÂ N C I A ?

A inda me lembro de como estava entusiasmado, eu havia passado para o primeiro


ano, havia passado do jardim de infância para o primeiro ano! Embora, na época
nunca tenha me ocorrido a pergunta: ''Como é que alguém pode ser reprovado no jar-
dim de infância?.''

Aquele era o grande dia, meu primeiro dia na primeira série. Lembro-me de entrar na
sala de aula e ver as outras crianças... Estávamos entusiasmados, rindo e, agitados, sim
agitados com certeza. Nossa professora entrou na sala de aula, até hoje me recuso a
lembrar do nome dela, entregou para cada um de nós uma caixa de giz de cera, lindos
gizes de cera e uma grande folha de papel em branco. Lembro-me dela anunciando que
queria que desenhássemos alguma coisa muito especial que tivesse acontecido conos-
co durante nossas férias de verão.

Sem hesitar nem por um momento, peguei meus gizes e comecei a desenhar a fa-
zenda maravilhosa onde havíamos passado o mês de agosto. Com grande entusiasmo,
desenhei a velha casa da fazenda, o gramado que ficava na frente da casa, as lindas
árvores antigas e até alguns dos bichos da fazenda que perambulavam nos campos ao
redor da casa. O tempo parecia voar, quando finalmente parei de colorir e larguei o giz
de cera, fiquei surpreso ao ver que a professora estava bem perto da minha carteira.
Ainda consigo me lembrar de como fiquei entusiasmado quando ela perguntou:

“– E o que você desenhou?”


INCOSCIENTE INFORMADO

Contei, cheio de expectativa: “– Eu fui, eu fui para uma fazenda, havia muitos bichos
no terreiro, e cerejeiras, e muitos gatos, e quando o tempo estava ruim nós podíamos
brincar em um sótão enorme, foi, foi, foi mágico.”

Não consigo imaginar alguém com um sorriso maior ou mais entusiasmo no tom de
voz do que eu naquele momento.

Ela ficou em silêncio. Aos poucos sua testa se franziu como um pedaço amassado de
papel, ainda consigo ouvir sua voz:
UM

“– Grama não é amarela, árvores não têm folhas vermelhas. Não há cortinas nas suas
janelas e há fumaça saindo da chaminé no verão? Que tipo de animal é este? Não se
PARA

parece com uma galinha e nem mesmo com um ganso. Não, isto não é uma vaca!”
ERICKSONIANA

Pensei que o meu coração fosse explodir na caixa torácica. Pude sentir meus ombros se
erguendo, er-
uendo, quase cobrindo minhas orelhas.

Desejaria poder lhe contar que o meu primeiro dia, aquele dia horrível, foi apenas um
ABORDAGEM

dia ruim no primeiro ano. Entretanto, na maior parte do ano com ela, você sabe a pro-
fessora sem nome, tive a mesma sensação que senti naquele primeiro dia.
UMA

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No ano seguinte eu já não tinha mais a mesma alegria ao entrar na nova sala de aula
no primeiro dia da segunda série. Eu estava feliz por ver alguns dos meus amigos, mas
o entusiasmo havia ido embora. E então, a professora, Srta. Jones, com lindos cabelos
loiros e olhos verdes, entrou na sala. Ah meu deus! Ela nos entregou giz de cera e uma
grande folha de papel em branco e, me lembro dela anunciando que queria que dese-
nhássemos algo muito especial que tivesse acontecido conosco durante as nossas férias
de verão. Eu congelei, eu mal conseguia respirar. Acabei conseguindo pegar o giz de
cera preto e lembro vagamente de colocar um único ponto preto no meio da página.
Mas, mas, mas realmente estava congelado, eu até mesmo senti frio. Na medida em que
a Srta. Jones ia se aproximando meu estômago dava voltas, ela parou, olhou para o meu
papel em branco. Bem, em branco exceto pelo único ponto preto. Fiquei aguardando
que seus olhos se estreitassem e que sua testa franzisse.

“– Que interessante...” ela disse, “que interessante mesmo, você tem uma imaginação
maravilhosa. Você é criativo! Este é o melhor desenho que eu já vi. O melhor dese-
nho que eu já vi de um urso polar em uma tempestade de neve!”

Achei que o meu coração explodiria na caixa torácica! Eu me lembro de ter amado
aquele ano, todo aquele ano na segunda série e, acho que passei o ano todo apaixona-
do pela Srta. Jones.
INCOSCIENTE INFORMADO

4 . 1 3 O S U S S U R R O

O s místicos judeus têm uma maravilhosa tradição de contar histórias. Uma das minhas
favoritas, e talvez venha a ser a sua favorita, ou talvez não venha a ser a sua favori-
ta, porém pode continuar sendo a minha favorita, é uma história que provavelmente virá
a ser a história favorita de muitas pessoas. Vou contar para você minha história favorita
UM

agora, é breve e doce e divinamente simples:


PARA

Conta-se, ou alguém conta, ou muitos contam, ou o mais sábio dos homens contou
ERICKSONIANA

que em cada folhinha de grama existe um anjo. E esse anjo, um anjo muito, muito es-
pecial, tem apenas uma tarefa muito, muito importante. Esse anjo mágico passa cada
minuto de todos os dias e cada minuto de todas as noites sussurando.

Sussurrando suavemente, ternamente e com o amor maior de todos. Cada anjo sussu-
rra vezes sem conta a mesma coisa. É algo breve, doce e divinamente simples. E toda
ABORDAGEM

folhinha de grama, sim toda folhinha de grama tem um anjo designado para ela, que
sussurra pela eternidade: “– Cresça, cresça, cresça.”
UMA

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4 . 1 4 A T E S T E M U N H A

C asei-me quando tinha 29 anos, minha esposa, Dina, era uma linda adorável e ex-
ótica indiana de Bombaim. Nosso casamento aconteceu nos jardins de sua família,
em Malabar Hill. O jardim: um aclive onde havia um amplo terraço, uma floresta tropi-
cal, que transbordava com uma infinita variedade de plantas floridas, orquídeas raras,
entremeada por antigos artefatos indianos, proporcionou a magia nos três fantásticos
dias em que nosso casamento aconteceu. Sim, um acontecimento de três dias que se
completou com a cerimônia persa do fogo, a performance da serpente, mil lâmpadas
de óleo decorando a colina e quatrocentos convidados. Muitas das convidadas vestiam
sáris de seda e ouro e estavam cobertas de jóias incrustadas de pedras preciosas.

Durante aqueles três dias minha esposa vestiu vários sáris de cerimônia. Mal sabia eu
que ela escolheria um deles para acompanha-la durante nossa vida em comum. O sári
escolhido deveria aparecer por pelo menos uma hora, seria usado brevemente antes
que ela vestisse outro sári, para continuar com a celebração ou cerimônia. Este mesmo
processo aconteceria durante toda a nossa vida juntos.
INCOSCIENTE INFORMADO

Quando comemoramos nosso primeiro aniversário, durante cerca de uma hora, ela
usou o sári escolhido e depois vestiu outro sári. Quando ela recebeu o título de Ph.D. ela
usou o sári. Quando eu recebi o título de Ph.D. ela usou o sári. Quando nosso primeiro
filho nasceu, durante um dia entre vários dias de festividades, durante uma hora ou
algo assim, ela usou o sári. Na medida em que nossos filhos cresciam, em cada evento
importante para qualquer um deles, formatura do jardim de infância, o primeiro papel
na peça da escola, ela usava o sári. Para cada ocasião com alguma importância na vida
dela ou na minha, ou de nossos filhos, ou até mesmo da família e amigos íntimos, o sári
aparecia milagrosamente e era usado durante uma hora aproximadamente. Quando
UM

nossos filhos se formaram na faculdade, quando nosso primeiro neto nasceu, quando o
pai dela morreu, quando minha mãe morreu, nas conquistas de títulos profissionais ou
PARA

promoções, e assim sucessivamente, evento após evento, ano após ano. Ela usava o sári
durante uma hora aproximadamente antes de trocá-lo por outro sári.
ERICKSONIANA

Não importava se ela ganhara ou perdera peso, pois os sáris têm 45 metros de teci-
do que é enrolado ao corpo segundo várias maneiras tradicionais, é tamanho único, e
nunca, nunca sai de moda. Este sári em particular, o sári, esteve conosco em todos os
eventos importantes de nossas vidas. Nós envelhecemos juntos e o sári estava sempre
lá, sempre conosco, uma testemunha de tudo. Ele, afinal, teve sua própria vida como
ABORDAGEM

amigo querido e amado na medida em que fazia a jornada com ela, não, conosco, se
preenchendo com a experiência e energia de cada e todos os momentos de especial
importância que nós compartilhamos.
UMA

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Passamos o nosso 47º aniversário de casamento na Índia em Malabar Hill e, sim, o sári
estava lá! Fez sua aparição durante uma hora aproximadamente. É claro que estávamos
apenas um pouco mais velhos, apenas um pouco mais sábios, apenas um pouco mais
lentos, mas sim, ah sim, lembrávamo-nos de tudo muito bem. Mal sabia eu que seria o
nosso último aniversário juntos.

Quando poucos meses depois Dina morreu, conforme é a tradição, ela foi vestida
com o mesmo sári que havia nos acompanhado pelas transições de nossas vidas, enter-
rada naquele mesmo sári, o sári, exatamente o mesmo sári quando ela fez a transição
desta vida!Uma simples tradição.

Eu não sei, e ainda assim eu sei qual é o significado do que acabo de dizer, e eu não
sei, mas eu sei que você também sabe qual é o significado.

4 . 1 5 T R A N S F O R M A Ç Ã O

A D A P TA D O D E T H E E S S E N C E B O O K O F D AY S
M E D O D A T R A N S F O R M A Ç Ã O
D A N A A N P A R R Y

À s vezes eu sinto que minha vida é uma série de volteios em um trapézio, ou estou
me segurando em uma barra de trapézio balançando de um lado para o outro, ou
por alguns momentos em minha vida estou me lançando no espaço entre as barras do
INCOSCIENTE INFORMADO

trapézio. Na maior parte do tempo, levo minha vida me segurando à minha barra-de-
trapézio-do-momento, protegendo minha preciosa vida. Ela me conduz em um ritmo
constante de balanços e tenho a sensação de que estou no controle da minha vida. Con-
heço a maioria das perguntas certas e até mesmo algumas das respostas certas. Porém
de vez em quando, enquanto estou meramente (ou não tão meramente assim) me bal-
ançando, olho lá para frente à distância, e o que eu vejo? Vejo outra barra de trapézio
vindo em minha direção. Ela está vazia e eu sei, eu sei a partir daquele lugar dentro de
mim que simplesmente sabe, que esta nova barra de trapézio tem o meu nome. Ela é o
meu próximo passo, meu crescimento, minha vivacidade vindo me pegar. No âmago do
meu coração, eu sei que para eu crescer, devo soltar meu apego à barra tão conhecida
UM

do presente e ir para a nova barra.


PARA

Todas as vezes que isto acontece comigo, eu tenho esperança (não, eu rezo) para
que eu não precise me lançar para a nova barra. Porém, a partir daquele lugar dentro de
ERICKSONIANA

mim que sabe, eu sei que devo parar de me agarrar à minha antiga barra e devo soltá-
la completamente e por um certo momento no tempo devo voar pelo espaço antes
que possa me agarrar à nova barra. Todas as vezes eu fico cheio de terror. Não importa
que em todas as vezes anteriores em que me lancei através do vazio do desconhecido
eu sempre tenha conseguido. Todas as vezes fico com medo de que não vá alcançar,
que serei esmagado em rochas não avistadas no abismo sem fundo entre as barras
ABORDAGEM

do trapézio. Mas mesmo assim eu me lanço. Talvez essa seja a essência daquilo que os
místicos chamam de fé. Nada de garantias, não, nada de rede, nada de apólice de se-
guro, porém mesmo assim você se lança, porque de alguma maneira, ficar se agarrando
à barra antiga já não consta mais na sua lista de alternativas.
UMA

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E, portanto durante uma eternidade que pode durar um micro segundo ou milhares
de vidas, eu plano através do vazio escuro chamado ‘o passado já se foi e o futuro ain-
da não chegou’, isto se chama transição. Passei a acreditar que este é o único lugar em
que a mudança acontece, quero dizer, a verdadeira mudança, não a pseudo-mudança
que dura apenas até que meus velhos gatilhos sejam disparados.

Tenho notado que em nossa cultura essa zona de transição é vista como um “não saber
nada”, um “não lugar entre os lugares”. Com certeza a antiga barra de trapézio era real,
e eu tenho esperança que a nova barra que vem em minha direção também seja real.
Porém, e o vazio entre elas?

Ele é apenas um “lugar nenhum” amedrontador, que me confunde e desorienta e


que devo atravessar tão rápido e inconscientemente quanto possível. Que desperdício.
Uma suspeita se insinua me indicando que essas zonas de transição são a única coisa
verdadeira e, que as barras de trapézio são as ilusões que sonhamos para evitar o vazio
no qual a verdadeira mudança, o verdadeiro crescimento acontecem para nós. Indepen-
dentemente de meu palpite estar certo ou não, permanece o fato de que as zonas de
transição em nossas vidas são lugares incrivelmente ricos. Elas deveriam ser honradas,
e até mesmo saboreadas. Sim, com toda a dor e o medo e os sentimentos de estar fora
de controle que podem acompanhar as transições, elas ainda são os momentos mais
cheios de vida, mais plenos de crescimento, mais apaixonados e expansivos de nossas
vidas.

E, portanto a transformação do medo talvez não tenha qualquer relação com fazer o
medo ir embora, mas sim com nos permitirmos “dar um rolê” na transição entre as barras
do trapézio. Transformar nossa necessidade de nos agarrar àquela nova barra, qualquer
barra que seja, consiste em nos permitir habitar o único lugar em que a mudança real-
mente acontece. Isso pode ser aterrorizador, isso também pode ser iluminador, no ver-
dadeiro sentido da palavra. Lançando-nos através do vazio talvez aprendamos a voar.
INCOSCIENTE INFORMADO

4 . 1 6 O S P O R C O S D A Q U E L A C O B E R T U R A
UM
PARA

N a Cidade do México um casal muito rico morava na cobertura de um grande con-


domínio de luxo, e todas as manhãs se sentava à mesa do café de onde, através de
ERICKSONIANA

janelas de vidro que iam do chão até o teto, tinham uma linda vista do parque lá em-
baixo, dos prédios e das coberturas que ficavam do outro lado do parque.

A esposa, embora devesse se sentir feliz com seu apartamento magnífico e estilo
de vida luxuoso, passava todas as manhãs amargamente se queixando para o marido:
“– Imagine,” ela dizia olhando do outro lado do parque para outra suntuosa cobertu-
ABORDAGEM

ra, “todo aquele dinheiro e eles penduram a roupa lavada no terraço todos os dias!” E
quando o marido ressaltava quão bom era poder secar as roupas lavadas ao ar livre e
ao sol, ela apenas se enfurecia mais e falava mais alto, cheia de queixas:
UMA

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“– Eles penduram as roupas nos varais e elas estão sujas! Claramente, são de uma
classe inferior, novos ricos, pois eles são uns porcos, porcos, porcos!” tudo isso era
dito enquanto ela batia os pés. “– Roupas sujas, um nojo, sujas, sujas, sujas. Deveria
haver alguma lei, ou alguma autoridade, que impedisse pessoas deste tipo de viverem
nesta vizinhança, ainda mais na cobertura!”

Ela reclamava contundentemente com o marido sobre quão desagradável e quão in-
decente era ter que olhar para a roupa suja pendurada enquanto ela tomava o café da
manhã e, exigia que ele fizesse alguma coisa.

Com frequência terminava seu ataque de birra batendo os pés no chão e pisando
duro em furiosa retirada para o quarto do casal. Durante semanas sem fim o marido
escutou pacientemente suas constantes reclamações e escândalos. Finalmente chegou
ao basta! Sim, ele faria alguma coisa a respeito para que pudesse ter um pouco de paz
de espírito!

Logo na manhã seguinte sua esposa se sentou para o café da manhã e ficou estupe-
fata com o que viu: As roupas penduradas no varal estavam brilhando, sim, isso mesmo
brilhando de limpas. Os lençóis brancos cintilavam sob o sol brilhante. Deliciada, per-
guntou ao marido:

“– O que você fez? Você enviou um e.mail para eles? Você falou pessoalmente com
eles? O que você fez para transformar aqueles porcos?”

Ele respondeu: “– Minha querida, eu lavei nossas janelas.”


INCOSCIENTE INFORMADO
UM
PARA
ERICKSONIANA
ABORDAGEM
UMA

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4 . 1 7 O P E S S I M I S TA

T odo mundo o conhecia como o pessimista. Era fácil reconhecê-lo, sempre que ele
aparecia na vila estava desalinhado, um tanto caótico, passava muito tempo rec-
lamando consigo mesmo, e parecia amaldiçoar o dia em que todos haviam nascido!
Naquele dia em particular ele perambulava por uma estrada relativamente deserta nos
arredores da vila, o sol estava quente e, isto lhe dava muito prazer na medida em que a
cada passo ele tinha a chance de se queixar do calor.

Exausto tanto pelo calor como por ficar se queixando ele parou para descansar en-
costando-se em um tronco à sombra de uma antiga e enorme nogueira. Ao sentar olho-
INCOSCIENTE INFORMADO

u à esquerda e notou uma exuberante trepadeira que toda entrelaçada praticamente


cobria completamente uma cerca antiga. Os ramos da trepadeira se penduravam pesa-
damente com as abóboras que amadureciam.

“– Que ridículo,” ele resmungava, “um absurdo desproporcional! Quão estúpida pode
ser a mãe natureza! Olha só o tamanho daquelas abóboras! Que absurdo elas cresce-
rem em uma trepadeira tão frágil! Será que a mãe natureza não tem nenhum bom
senso?” Resmungando e resmungando: “– É óbvio, é óbvio que as abóboras deveriam
crescer em uma árvore grande e forte como a nogueira, enquanto as nozes, sim, de-
veriam crescer em uma trepadeira. É impossível, impossível,” pensava ele, “viver em
UM

um mundo tão ilógico! Nem mesmo a mãe natureza não consegue fazer nada direito!”
PARA

Neste exato momento, uma leve brisa balançou os ramos da árvore acima dele, soltan-
do uma pequena noz que caiu bem em cima de sua cabeça (ai!) quicando e pousando
ERICKSONIANA

a alguns centímetros de distância.

Será que é preciso dizer mais alguma coisa?


ABORDAGEM
UMA

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4 . 1 8 A P E N A S D E P A S S A G E M

E ra de tardezinha quando o estranho chegou à vila. Ele vinha de sua casa que ficava
no sul e estava a caminho de uma cidade maior que ficava a uma distância de três
ou quatro horas. Pensou em parar, descansar e fazer uma visita ao rabino local. O rabino
tinha uma reputação fantástica por ter alcançado grande sabedoria e a capacidade de
ver o presente e até mesmo predizer o futuro, tudo isso por honorários consideráveis.
Na medida em que seguia em direção à casa do rabino ele se sentia curioso e muito
excitado em relação ao que esta visita poderia trazer. Embora já fosse tarde e o rabino
estivesse prestes a se recolher por aquele dia, concordou em atender o cavalheiro, uma
vez que este percorrera uma longa distância.

O visitante entrou e se sentou em uma cadeira velha, um tanto quanto maltrapilha, di-
ante do rabino. Como seria possível este ser um homem sábio? A casa mal tinha mobília,
INCOSCIENTE INFORMADO

a pintura das paredes estava descascando! Era óbvio que havia goteiras no telhado e
havia pilhas de livros por toda a parte. Sim, havia apenas a cadeira em que ele mesmo
estava sentado e a cadeira do rabino e uma escrivaninha bamba, decrépita, com man-
chas de comida, amontoada com pilhas de papéis amarelados.

A hora que passaram juntos foi impressionante. De fato, o rabino possuía uma grande
sabedoria, uma grande clareza, e uma profunda compreensão do que aquele homem
precisava saber. Quando a visita terminou, o homem tinha apenas mais uma pergunta:

“– Como pode ser,” ele disse com um pouco de sarcasmo na voz, “que você possua
UM

um brilhantismo tão grande, e ainda assim viva com tão pouco ao seu redor? Você não
PARA

tem praticamente nada em sua casa. E ainda assim as pessoas vêm de toda a província
e lhe pagam uma quantia considerável pelos seus conselhos. As poucas posses que
você tem são insignificantes e estão gastas e puídas. Simplesmente não compreendo,
ERICKSONIANA

como esta pode ser a casa de um homem tão, tão sábio?”

“– Bem,” respondeu o rabino, “como pode ser que você carregue tão poucas coisas
com você?”

“– Eu? Eu? Isto é simples.” O homem respondeu com uma risadinha “– Eu estou ape-
ABORDAGEM

nas de passagem, estou fazendo uma viagem. Eu estou apenas de passagem.”


UMA

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4 . 1 9 O C O N V I T E
O R I A H M O U N TA I N D R E A M E R
( D R E A M S O F D E S I R E , 1 9 9 5 )

Não me interessa
o que você faz para ganhar a vida.
Eu quero saber
pelo que você sofre
e se você ousa sonhar
em atender os anseios do seu coração.

Não me interessa
Qual a sua idade.

Eu quero saber
se você se arriscará
a parecer um tolo
por amor
pelo seu sonho
pela aventura de estar vivo.

Não me interessa
INCOSCIENTE INFORMADO

que planetas estão


em quadratura com a sua lua...
Eu quero saber
se você tocou
o centro do seu próprio pesar
se você se abriu
pelas traições da vida
ou se você se encolheu e se fechou
por medo de sofrer novamente.

Eu quero saber
UM

se você consegue se sentar com a dor


PARA

a minha ou a sua própria


sem fazer qualquer movimento para escondê-la,
ERICKSONIANA

ou atenuá-la,
ou consertá-la.

Eu quero saber
se você consegue permanecer com a alegria
a minha ou a sua própria
ABORDAGEM

se você consegue dançar de maneira selvagem


e deixar que o êxtase preencha
UMA

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até a ponta dos seus dedos das mãos e dos pés
sem ficar nos advertindo
para que tenhamos cuidado
para que sejamos realistas
para que lembremos das limitações
de sermos humanos.

Não me interessa
se a história que você está me contando
é verdade.
Eu quero saber se você é capaz de
decepcionar outra pessoa
para ser verdadeiro consigo mesmo.
Se você consegue suportar
a acusação de traição
e não trair a sua própria alma.
Se você consegue ficar sem fé
e, portanto ser digno de confiança.

Eu quero saber se você consegue ver o Belo


mesmo quando não há beleza
todos os dias.
E se consegue encontrar a fonte da sua própria vida
a partir desta presença.

Eu quero saber
se você consegue viver com o fracasso
o seu e o meu
e ainda assim ficar de pé à beira do lago
INCOSCIENTE INFORMADO

e gritar para o prateado da lua cheia,


“Sim!”

Não me interessa
saber onde você vive
ou quanto dinheiro você tem.
Eu quero saber se você consegue levantar
depois de uma noite de sofrimento e desespero
exausto e ferido até os ossos
e fazer o que precisa ser feito
UM

para alimentar as crianças.


PARA

Não me interessa
quem você conhece
ERICKSONIANA

ou como você chegou até aqui.


Eu quero saber se você ficará de pé
no centro do fogo
comigo
sem se encolher ou retroceder.
ABORDAGEM
UMA

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Não me interessa
onde, ou o que, ou com quem
você estudou.
Eu quero saber
o que sustenta você
lá de dentro
quando tudo o mais desmorona.

Eu quero saber
se você consegue ficar sozinho
consigo mesmo
e se você realmente gosta
da sua própria companhia
nos momentos vazios.

4 . 2 0 G E O R G E

H á muitos anos tive a honra de levar ao México a filha de Milton H. Erickson, Betty Al-
ice Erickson, para lecionar hipnose ericksoniana comigo. Quando o curso terminou,
Betty Alice me perguntou se poderíamos ir comprar alguns souvenirs para sua família.
Nada caro, apenas algumas lembrancinhas para que família e amigos soubessem que ela
INCOSCIENTE INFORMADO

pensara neles. Escolhi uma feirinha, longe das lojinhas para turistas, repleta de enfeites,
bijuterias e artigos variados. Betty Alice levou apenas alguns minutos para encontrar os
presentinhos que precisava.

“– Só mais um,” ela disse, “tenho que comprar alguma coisa para o George. Para
George tem que ser algo muito específico, algo carinhoso, simples e que definitiva-
mente não seja ameaçador.”

Comecei a dar sugestões: “– Talvez ele goste de um chaveiro.” Ela fez que não com a
cabeça. “– Que tal um boné de baseball com a águia mexicana, um cactos, ou outro
UM

símbolo?” Novamente ela balançou a cabeça. “– Que tal um saleiro e um pimenteiro no


PARA

formato de cactos, ou panos de prato com um motivo mexicano, um poncho, ou uma


bandeja com o brasão de uma cerveja local, ou sandálias mexicanas, ou..., ou...” e foi
indo, foi indo, foi indo! Em pouco mais de meia hora eu havia sugerido tudo, acredite,
ERICKSONIANA

tudo que poderia imaginar!

Porém, ou o George já tinha, ou o George ficaria com medo, ou não significaria nada
para George, ou simplesmente não era o estilo do George. Embora eu fosse o anfitrião,
minha tolerância estava começando a ficar só um pouquinho, só um pouquinho, só um
pouquinho escassa!
ABORDAGEM

Betty deve ter reconhecido que meus olhos estavam vidrados, que minha voz estava
oscilando um pouco e que minhas mãos estavam trêmulas.
UMA

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“– Talvez,” ela comentou, “eu devesse lhe contar sobre o George.”
“– Por favor, faça isso.” Respondi com um longo suspiro.
“– Bem, muitos anos atrás, o George chegou à nossa casa, em Phoenix, quando eu era
uma menina pequena. O George estivera internado, pois ele tivera uma séria ruptura
com a realidade. Depois de medicado e quando finalmente teve alta ele decidiu bus-
car ajuda indo procurar meu pai. Ele chegou à nossa porta com a aparência esfarra-
pada e implorou por uma sessão. Não tinha dinheiro, nem lugar para viver, não tinha
amigos e tinha muito poucas habilidades que o ajudassem a sobreviver.

Meu pai concordou em atendê-lo e o levou para o consultório. Papai perguntou a ele
o que gostaria de alcançar com o tratamento. George foi muito claro: Ele nunca, jamais,
queria ser internado em um hospital novamente. Ele queria uma vida muito simples,
consistindo de um pequeno apartamento que tivesse apenas as coisas essenciais. Por
último, porém não menos importante dinheiro suficiente para subsistir em um trabalho
que o deixasse com muito pouco, muito pouco estresse!

Meu pai considerou que o que ele queria estava claro e obviamente era possível. Pa-
pai sempre acreditou que aquilo que o cliente queria era exatamente no que você pre-
cisava prestar atenção. Meu pai se deu conta de que George não tinha nenhuma fonte
de renda, ou perspectiva de futuro. Então, papai deu ao George um pouco de dinheiro
e disse para ele ir ao centro da cidade comprar um filhotinho de cachorro. George de-
veria trazer o cachorrinho para nossa casa e o trabalho dele seria cuidar do cachorro,
treiná-lo, passear com ele, dar banho, para resumir, ele se tornaria o responsável pelo
cachorro, em troca, meu pai atenderia George.

Meu pai era realmente sábio, pois ele sabia que todos nós queríamos um cachorrin-
ho, porém nenhum de nós cuidaria consistentemente de um, George foi a solução. Nós
poderíamos ter um cachorrinho e quando nosso interesse diminuísse, como sempre
acontece com as crianças, papai sabia que alguém cuidaria dele com responsabilidade.
Eureca, a combinação perfeita! Todas as manhãs, George deveria ir à nossa casa ao
amanhecer, dar comida para o cachorro, passear com o cachorro, brincar com o cachor-
INCOSCIENTE INFORMADO

ro e fazer-lhe companhia na maior parte do dia. Ele deveria limpar o lugar e colocar o
cachorro para dormir todas as noites antes de ir embora para casa. George recebia uma
pequena gorjeta do meu pai, que também o ajudava a encontrar serviços ocasionais na
cidade.

George encontrou um apartamento pequeno e simples a uma pequena distância a


pé de nossa casa e todas as manhãs ele chegava, dia após dia, semana após semana,
mês após mês, ano após ano, para cuidar do cachorro. Todas as semanas o George fazia
sessões com o meu pai e assim os anos foram passando. Finalmente o cachorro morreu
e George comprou outro.
UM

Aos poucos George foi se tornando parte da família. Ele era incluído nas comemo-
PARA

rações, feriados e aniversários. Era muito difícil tê-lo por perto, pois ele não era real-
mente muito sociável. George raramente falava, não lia, então quando falava não tinha
ERICKSONIANA

realmente muito assunto, e parecia nunca se lembrar de nenhum dos eventos impor-
tantes da família. Ele parecia não saber dizer nem por favor nem obrigado, não ria muito
e estava sempre por ali. Quando não estava em casa conosco ele estava a uma distância
de apenas alguns minutos a pé.

Seu apartamento praticamente não tinha nada, George tinha uma cama, duas cadei-
ABORDAGEM

ras, a TV, que ele raramente assistia porque a maioria dos programas o assustava, um
despertador e algumas roupas para passar a semana. Não pendurava nada nas paredes,
pois praticamente quase todas as coisas eram perturbadoras ou ameaçadoras demais
para ele.
UMA

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Ainda assim, George se tornou parte da família. No dia de Ação de Graças lá estava
George. Sempre comia tudo que colocavam em sua frente, mas nunca pensava em dar
graças ou dizer obrigado. No Natal lá estava George, nunca comprava presentes para
ninguém. Nós comprávamos presentes para o George, é por isso que ele tinha mais
bonés de baseball, chaveiros, meias e presentinhos neutros variados do que estaria dis-
posto a tolerar. George não conseguia tolerar muita coisa.

Na noite de ano novo lá estava George, às vezes ele até sorria, mas raramente lhe ocor-
ria nem ao menos dizer feliz ano novo. E, é claro na Páscoa George sempre estava
com nossa família, George sempre tinha disposição para comer os ovos de chocolate
e desfrutar de uma refeição maravilhosa, mas rapidamente desaparecia para cuidar do
cachorro ou para voltar para seu apartamento simples e tirar uma soneca.

George nunca voltou a ser hospitalizado. Tinha uma vida muito simples, conseguia
ganhar apenas o di-
nheiro suficiente para atender às suas necessidades e parecia nunca ter muito estresse,
embora nós, certamente, ficássemos estressados com sua presença constante.

Com o passar dos anos houve muitos cachorros, mas apenas um George, sim, sem-
pre, sempre George!”
Betty Alice suspirou enquanto continuava com a história.

“Nós tivemos nossos cachorros, eles foram adestrados e foram cuidados e definitiva-
mente nós tivemos George. Quando eu estava no primeiro ano de faculdade, eu já havia
tido o suficiente. Todos nós já havíamos tido o suficiente, porém fui a única que decidiu
falar. Lembro-me de ir para casa no Natal, e um dia entrei pisando duro no consultório
do meu pai. Ali de pé diante da escrivaninha do papai olhei para ele frustrada e com um
tom de voz bastante bravo exigi que tivéssemos uma conversa. Lembro-me de dizer:

– Papai, é sobre o George! Todos nós, seus filhos, convivemos com o George por aqui
há tantos anos de nossas vidas, eu entendo o que o George ganha com isso. Entendo
INCOSCIENTE INFORMADO

que o que ele queria quando foi atendido por você naquele primeiro dia que chegou
em Phoenix se realizou exatamente. Ele não foi hospitalizado, conseguiu um aparta-
mento simples, dinheiro o suficiente para sobreviver e nada de estresse. Eu entendo,
não, nós entendemos o que o George ganha com isso.

– Papai ele passa conosco todos os Dias de Ação de Graças, todos os Natais, todas as
noites de Ano Novo e todas as Páscoas! Papai (meu tom de voz era alto e exigente),
eu entendo o que o George ganha com isso, mas o que nós ganhamos com isso?

Meu pai se recostou na cadeira, em silêncio olhou nos meus olhos, e após o que pare-
UM

ceram ser vários minutos, mas talvez tenha sido menos, ele falou:
PARA

“– O que os seus filhos ganham com isso?” “Vocês entendem o que o George ganha.
O que vocês todos ganham?” Ele fez uma pausa novamente.
ERICKSONIANA

“– Bem, quatro vezes ao ano, Dia de Ação de Graças, Natal, Ano Novo e Páscoa, sim
quatro vezes ao ano, quatro vezes ao ano vocês têm a chance de dizer: ‘Graças a Deus
eu não sou o George!’ ‘Graças a Deus eu não sou o George!''

Aos poucos um sorriso se insinuou em nossos rostos, e na meia hora seguinte encon-
ABORDAGEM

tramos um presente apropriado para o George.

E até hoje, várias vezes por mês, eu me percebo murmurando em várias situações:
“– Graças a Deus eu não sou o George.”
UMA

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4 . 2 1 O P R E S E N T E

M inha esposa Dina estava com quarenta e nove anos. Ali, deitada na cama do hos-
pital, sentia-se ansiosa por receber alta dentro de um ou dois dias e ir para casa.
O veredito estava dado, era improvável que ela sobrevivesse muitas semanas mais, en-
tretanto qualquer que fosse o resultado, ela estaria em casa. Ela queria ir para casa. Ela
queria morrer em casa. Sua luta contra o câncer havia durado cinco anos, durante este
tempo muitas coisas haviam mudado, o que jamais parecia mudar era sua vontade de
viver, sua dedicação a mim, a crença em sua capacidade de se curar (heal), e o cuidado
com todos os seus pacientes. Assim como eu, ela era psicanalista e continuara a tra-
balhar com seus clientes até as últimas semanas, e agora ela estava no hospital e vol-
taria para casa.

Quando recebeu o diagnóstico pela primeira vez declarou que iria se curar (heal), ela
não sabia se triunfaria sobre a doença, porém sabia que curaria (heal) seu coração e sua
alma. Nos anos que se seguiram ela participou tanto da quimioterapia e dos tratamen-
tos médicos, como investigou e praticou muitas das formas complementares de cura
INCOSCIENTE INFORMADO

(heal). Apesar de lhe terem dado o prognóstico de que sobreviveria por apenas seis
meses antes de entrar em coma, agora ela estava no final do seu quinto ano. Embora,
houvessem dito que ela sofreria de dores horríveis, ela raramente tomava uma aspiri-
na. Embora, houvessem dito que nenhuma das formas de medicina complementar faria
qualquer diferença, elas fizeram. Ela estava lúcida, com vitalidade, alerta e cheia de vida.
De fato, se agora estávamos no fim, ela havia se curado (heal), o que era muito diferente
da progressão da doença. Seu coração e sua alma haviam se curado (heal). Ela estava
plena... perfeitamente imperfeita... estava completa. Logo, logo outra jornada se iniciaria
para ela.
UM

Enquanto eu a olhava ali dormindo na cama me dei conta de como estava magra,
PARA

seus traços haviam ficado mais marcados, seus cabelos lindos e exuberantemente ne-
gros haviam ficado brancos como a neve, para mim ela continuava sendo muito bonita,
porém de uma maneira diferente.
ERICKSONIANA

Durante os vários anos em que fomos casados eu também trabalhei como ourives. De-
senhei, criei e fiz à mão muitos pares de brincos de ouro e vários colares, anéis e pulsei-
ras os quais ela usava sempre que podia. Ela era a minha inspiração, eu criara cada peça
com ela em minha mente. Sempre dava a ela a primeira peça, o protótipo, de qualquer
coisa que eu criava ou desenhava. Dina ganhava o original, as cópias eram para os meus
ABORDAGEM

clientes. Entretanto, agora seus cabelos tão brancos já não complementavam o amarelo
do ouro que ela gostava tanto de usar.
UMA

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Era seu aniversário e eu passara semanas desenhando um par de brincos de ouro bran-
co, grandes, e ainda assim delicados, no formato de gotas. Eles eram cravejados de dia-
mantes, e pendurada no centro de cada um, emoldurada no brilho do ouro branco, uma
grande e luminescente pérola taitiana natural. Eu reservara os diamantes e procurara
pelas pérolas realmente apropriadas durante meses. Eu havia feito e refeito, criado e re-
criado os brincos repetidas vezes até que eles estivessem perfeitos. Eles cintilavam com
a vida, a dedicação das minhas mãos e do meu coração e, mais que tudo do meu amor.
Eles eram quase mágicos, pelo menos para mim. Eu sabia que eles exerceriam sua ma-
gia e complementariam seus cabelos. E juntos seus cabelos, os brincos, o ouro branco,
as pérolas combinadas tão perfeitamente e a cascata de diamantes, todos comporiam
para trazer uma luz especial ao seu rosto agora cansado.

Ela despertou brevemente, abrindo os olhos devagar, enquanto se ergueu um pouco


na cama, sorriu e fez um movimento em minha direção. Nós nos beijamos e segurando
sua mão suavemente cantei parabéns a você. “Parabéns pra você...” Seu sorriso se alar-
gou e seus olhos pareciam brilhar dançando devagar com uma luz interior. Eu busquei
no meu bolso e tirei a caixinha que guardava minha criação preciosa, talvez a última que
eu faria para ela.

Quando os brincos surgiram de onde descansavam em seu ninho de algodão eu con-


seguia sentir meu coração palpitando no peito e é claro um aperto na garganta. Dina
os ergueu diante de seu rosto muito lentamente. Os brincos cintilavam, o ouro branco
era exatamente da cor perfeita, e as pérolas brilhavam com um lume que parecia refle-
tir a lua cheia. De repente o rosto dela endureceu, ela largou os brincos na cama, eles
pularam uma vez, não, duas vezes, e simplesmente ficaram ali. Dina olhou para mim e
falou em um tom de voz que cortava o ar como uma faca:

“– Você não entende? Você não entende que não precisarei mais deste tipo de coisa?
Eu não precisarei mais deste tipo de coisa!” A voz dela era fria, muito, muito fria.

O quarto parecia rodopiar e meu coração explodiu com a decepção. Fiquei de pé em


INCOSCIENTE INFORMADO

silêncio, caminhei até a porta, saí do quarto, mas apenas por um segundo ou dois. Voltei
e fiquei de pé ao lado dela agora minha voz estava embargada pela dor que eu sentia:

“– Você não entende?” eu disse, “– Você não entende que levei meses fazendo isto e
que pensei em você a cada momento? Você não entende que eu precisava fazer isto
para você? Eu precisava fazer isto para você.”

Ao dizer minhas últimas palavras me virei e saí do quarto, as lágrimas escorrendo


pelo meu rosto. Cami-
nhei até o posto de enfermagem, bebi um pouco d’água e caminhando muito devagar
UM

voltei para o quarto.


PARA

Dina se sentara na cama, colocara um pouco de maquiagem e estava usando os brin-


cos. Sim, os brincos pendiam tão lindamente de suas delicadas orelhas. Lágrimas obvia-
ERICKSONIANA

mente haviam rolado em sua face também.

“– Muito obrigada, muito obrigada, eles são o mais lindo presente de aniversário que
já ganhei. Eu compreendo, eles são realmente lindos e realmente são meus. Eu com-
preendo.”
ABORDAGEM

Com suas palavras ressoando em meus ouvidos e em meu coração, nós nos demos
as mãos em um silêncio maravilhoso, ambos sabendo que o presente havia sido dado
e o presente havia sido recebido. O presente havia sido dado e o presente havia sido
recebido.
UMA

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4 . 2 2 O A N C I Ã O S Á B I O

H avia uma vila, uma vila bem pequena, ficava no alto de uma colina de onde se avistava
os campos verdejantes. Não era uma vila famosa, de fato, não havia nada de espe-
cial nesta vila. Bem, exceto por um habitante, pois esta vila, por mais simples que fosse
tinha seu próprio ancião, um ancião muito, muito, muito sábio.

Era um ancião muito sábio e no topo de sua cabeça ele tinha uma cabeleira branca e
desalinhada e sua barba era branca e muito, muito, muito longa. Todos os dias vinham
pessoas de muito longe para se consultar com ele. De fato, às vezes as pessoas viajavam
durante dias, algumas pessoas viajavam semanas, algumas pessoas viajavam meses,
apenas para falar com este ancião muito sábio que tinha uma longa, longa, longa barba
branca. Cada pessoa ficava por cerca de uma hora com ele. Ele era realmente um ancião
muito sábio que tinha uma longa, longa, longa barba branca. Cada pessoa que vinha se
aconselhar parecia receber exatamente as palavras de sabedoria que precisava. A re-
putação dele crescia tanto quanto sua barba. Sim, sua reputação crescia a cada dia que
passava, ele era famoso em terras longínquas em todas as direções.
INCOSCIENTE INFORMADO

Todas as noites, à luz de velas, o ancião sábio lia mais um livro na tentativa de au-
mentar e manter sua grande sabedoria. Uma noite, enquanto a chama da vela tremula-
va, ele mal pode acreditar em seus olhos! De fato, ele teve que esfregá-los duas ou três
vezes e ler a sentença novamente em voz alta:

“– Anciões com longas, longas, longas barbas brancas são tolos.”

Ele empurrou o livro estupefato. Balançou a cabeça e murmurou algo ao respirar, e


pode estar certo de que não era nada profundo. De fato, o que ele murmurou era bas-
tante profano. Aproximou o livro da luz novamente e leu a sentença de novo e de novo.
UM

Sim era isso que dizia:


PARA

“– Anciões com longas, longas, longas barbas brancas são tolos.”


ERICKSONIANA

A esta altura ele estava muito agitado. Quem poderia ter escrito uma frase tão ridícu-
la? Que despropósito! Totalmente impossível, impossível, ele murmurava, quase como
um mantra para se acalmar. Mas, e se, e se alguém da vila, ou alguém que viesse vê-lo
houvesse lido exatamente o mesmo livro? E se, e se houvesse lido exatamente a mesma
página? E se, e se houvesse lido exatamente a mesma sentença? Agora ele estava real-
mente, realmente perplexo! O que aconteceria com sua reputação? O que aconteceria
ABORDAGEM

com a vila? E o que aconteceria com as pessoas que vinham vê-lo tão necessitadas de
seus conselhos?
UMA

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Enquanto ele ponderava cada pergunta a chama da vela perto da qual ele lia começou
a tremular, lançando sombras por todo o cômodo. Seus olhos se abriram... Ah há! Pen-
sou, que resposta mais simples para uma questão tão desafiadora, simples, muito sim-
ples. Ele se abaixou até o chão, suas costas estalaram com a idade, pegou firmemente
a ponta de sua longa, longa, longa barba branca e a segurou muito cuidadosamente
sobre a chama flamejante. Um sorriso enorme de completa satisfação apareceu em seu
rosto quando a vela começou a queimar sua tão longa barba branca.

Ele era um ancião e sua barba era longa e realmente sua barba era velha, longa e mui-
to seca, muito seca. Ela ficou em brasa e começou a soltar fumaça e antes que ele con-
seguisse até mesmo piscar os olhos duas vezes sua barba ficou em chamas. Ah minha
nossa! As chamas subiram pela sua longa, longa, longa barba branca correndo até as
costeletas e soltando golfadas de fumaça negra no ar enquanto consumiam a cabeleira
branca que residira tão firmemente em sua cabeça anciã.

Naquele momento ele soube que era verdade: Anciãos com longas barbas brancas
são de fato tolos!

4 . 2 3 A P E N A S U M P Á S S A R O
E M U M A G A I O L A D O U R A D A
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M uitos anos atrás, eu era um jovem estudante universitário viajando pela Europa de
férias. Bem, agora você vai saber há quanto tempo foi isso, pois eu estava em Praga,
que na época ainda ficava atrás da cortina de ferro! Praga é uma linda cidade e como eu
era um estudante pobre eu realmente estava aproveitando as paisagens, uma vez que
não podia pagar muito mais do que isso.

Estava hospedado em um hotel de estudantes muito limpo, porém muito velho. Eu fi-
cava no sexto ou sétimo andar, por sorte havia um elevador, um daqueles fantásticos el-
UM

evadores antigos da Europa instalados no vão da escadaria circular que ligava de forma
tão bela todos os andares de um edifício que um dia fora majestoso. Uma criação inspi-
PARA

rada, imagine um elevador minúsculo, com espaço suficiente apenas para duas pessoas
e ainda assim uma gaiola de ferro com decoração elaborada em filigranas. Geralmente
ERICKSONIANA

era mais rápido ir pelas escadas, porém era muito divertido subir ou descer lentamente
de elevador, observando as outras pessoas do hotel navegando pelas escadarias.

Um dia no final da tarde entrei no elevador para meu passeio fantástico até o lobby
do hotel que era bem simples. Por volta do terceiro ou quarto andar, o elevador sim-
plesmente parou. Sim, simplesmente parou! Parou no meio do caminho entre dois an-
ABORDAGEM

dares! Apertei todos os botões e até sacudi as barras de ferro que compunham a porta
do elevador. Nada aconteceu, nada parecia funcionar. Minha nossa, eu havia me tornado
um pássaro em uma gaiola dourada! Apertei todos os botões repetidamente, inclusive
o botão de emergência, e nada parecia dar certo! Nada acontecia.
UMA

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Àquela altura, na maioria dos andares, as pessoas já haviam percebido que o eleva-
dor não estava funcionando. Elas acenavam para mim ao subir ou descer, entretanto
pareciam não entender os meus gritos de socorro. Todas tão animadas, enquanto eu fi-
cava imaginando que com certeza morreria de fome, ou algo pior, o que quer que fosse.

Parecia que ninguém falava inglês e a única outra língua que eu falava um pouco era
o alemão. O alemão não era bem recebido na Tchecoslováquia daquela época, má ideia,
as poucas palavras que gritei obtiveram ainda menos resposta. De fato, meu alemão
produziu um ar de frieza no ambiente. Tentei diferentes tons de voz, fiz mímica, fiquei
com aparência patética, fingi um ataque do coração, fiz praticamente de tudo menos
tirar a roupa. Decidi não me despir, pois não tinha certeza se as pessoas correriam em
minha direção ou correriam para longe. Além disso, não tinha a menor ideia do que cons
tituía exposição indecente em Praga naquela época, ou de como o exército vermelho
responderia! Poderiam pensar que eu era um invasor.

As pessoas acenavam enquanto continuavam a conversar com seus amigos ao subir,


descer e contornar minha mini prisão. Acredite em mim, foi o suficiente para fazer um
homem quase adulto chorar! Impotente, embora estivesse à vista de todos, eu estava
estupefato, o que poderia fazer em seguida? Estava preso há quase meia hora e mesmo
assim ninguém respondia. Naquele momento minha mente perversa veio em meu au-
xílio em uma última tentativa de alcançar a liberdade.

Precisava desesperadamente ser resgatado, pois eu já estava tendo visões do meu


esqueleto sendo encontrado amontoado no chão do elevador. Cantei a plenos pulmões
uma única palavra, quase como o soar de sinos em uma igreja distante, buscando o
mais doce dos tons: “CHOCOLATE” Sim, chocolate, chocolate, chocolate, eu entoei. O
milagre dos milagres: todo mundo veio correndo. Quero dizer, todo mundo veio corren-
do mesmo. Eles foram todos tão prestativos em me libertar da minha prisão e, todos
ficaram tão decepcionados quando descobriram que eu não tinha nem ao menos um
tablete de chiclete.
INCOSCIENTE INFORMADO

4 . 2 4 S O B A Á R V O R E B O D H I
UM
PARA

S
ERICKSONIANA

ob a árvore Bodhi lá estava Buda sentado. Em silenciosa contemplação ele se sen-


tara. Seus alunos estavam a caminho de casa uma vez que o sol logo se poria. Tri-

lhando seu caminho em direção a Buda ia um homem de meia idade que estudava com
ele há vários anos. Buda permaneceu em silêncio, como esperaríamos que Buda fizesse.
O aluno aproximou-se, fez uma reverência, e sentou-se silenciosamente. Após alguns
momentos inclinou-se em direção a Buda e sussurrou baixinho pedindo se poderia fazer
ABORDAGEM

uma pergunta. Buda continuou sentado imóvel, como esperaríamos que Buda fizesse.

O aluno fez uma pausa e depois prosseguiu:


UMA

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“– Eu o tenho acompanhado por quase três anos e estou realmente confuso. Há alguns
alunos que vêm aqui e ouvem, meditam, estudam comigo, e parecem estar atingindo
a iluminação. Suas vidas são cheias de abundância e de fato eles brilham com uma luz
interior e têm uma conexão com um tipo de verdade interior que muito poucos pare-
cem conhecer. Aí então, há alguns alunos que vêm aqui e ouvem, meditam, estudam
comigo e parecem estar prestes a atingir a iluminação. Suas vidas brilham na medida
em que eles seguem para a abundância e aquela verdade interior parece estar prestes
a se revelar para eles. E então, há aqueles alunos como eu mesmo, nós ouvimos, nós
meditamos, nós estudamos, e nada parece mudar. A abundância parece alusiva, parece
que nada brilha, e a verdade escapa das nossas tentativas de encontrá-la. Estou aqui
há três anos, todos os dias e a cada dia eu venho, todos os dias e a cada dia eu escuto,
todos os dias e a cada dia eu medito, e ainda assim nada parece mudar. Alguns de nós
alcançaram a iluminação, alguns de nós estão se aproximando desta possibilidade, e
há aqueles, como eu, para quem nada parece mudar, embora eu venha todo e cada
dia, por que?”

Ele perguntou, “– Por que?”

Buda continuou sentado em silêncio como você poderia esperar que Buda fizesse.
Lenta e suavemente ele começou a falar:

“– Você estuda comigo a semana inteira, porém você não parece ser destas cercanias,
onde fica a sua casa?”

“– Moro à distância de uma jornada de dez horas, em uma pequena vila do outro lado
das montanhas.”

Buda sorriu, pois conhecia bem o lugar, uma vila famosa por suas lindas paisagens e
por um clima quase perfeito.
“– Você vai para casa com frequência?” Buda perguntou.
INCOSCIENTE INFORMADO

O aluno ficou com uma aparência confusa, deu um suspiro e então respondeu:
“– Sim duas vezes por mês eu faço a viajem e vou para casa.”

“– E você atravessa a pradaria? E presumo que sobe aquela colina e atravessando o


riacho vira à direita e continua subindo?” O aluno balançou a cabeça concordando.

“– E depois de chegar ao topo daquela última colina você desce contornando e sem-
pre seguindo à esquerda. E depois atravessando o vale, subindo a montanha, seguin-
do à direita você entra na sua vila e vai para casa. Enfim, você chega em casa.”

O aluno balançou a cabeça concordando novamente. É claro, pensou, era exatamente


UM

este o caminho que fazia porque este era o caminho para ir para casa!
PARA

“– Os outros alunos que estudam aqui com você, se eles quiserem ir lhe visitar, ou
ERICKSONIANA

conhecer a sua vila, a sua casa, você dá as orientações para eles, você os instrui sobre
como encontrar a sua vila, a sua casa?”

“– Ah sim,” o aluno falou, “muitos têm o desejo de conhecer a minha casa. Preciso
lhes dar orientações claras, caso contrário eles jamais encontrariam minha vila, minha
casa.”
ABORDAGEM

“– E você tem certeza de que lhes ensina o caminho?”

“– O caminho?” o aluno pergunta, “– Sim.”


UMA

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“– E você fala para eles atravessarem a pradaria? E eu presumo que você os instrui
para que subam aquela colina e que logo depois de atravessarem aquele riacho cau-
daloso, eles devem virar à direita e continuar subindo?” O aluno balançou a cabeça
concordando. É claro, pensou, era exatamente este o caminho que fazia porque este
era o caminho para ir para casa! Os alunos que quisessem chegar à sua casa tinham
que seguir exatamente o mesmo caminho caso quisessem chegar à sua casa!

“– E depois de chegar ao topo daquela última colina, eles devem descer, contornar
e virar à esquerda sempre que houver uma escolha, depois subindo a montanha, se-
guindo à direita eles entram na sua vila até que finalmente cheguem à sua casa.” O
aluno balançou a cabeça concordando novamente.

“– Você tem certeza que ensina a eles cuidadosamente e com clareza?”

“– Sim,” o aluno disse com um tom de voz ainda mais confuso. Ele quase estaria irri-
tado, porém era para Buda que ele fizera a pergunta! “– Eu ensino a eles muito clara-
mente, tomo bastante cuidado para que eles não se percam no caminho.”

“– E aqueles a quem você ensina, se eles fizerem a jornada, eles chegam à sua vila, à
sua casa?”

“– É claro, é claro, aqueles que fazem a jornada chegam à minha vila, chegam à minha
casa.”

“– E aqueles que escolhem não fazer a jornada? Aqueles que não fazem a jornada che-
gam à sua casa?”

“– Os que não fazem a jornada?” o aluno perguntou, “– Como eles poderiam esperar
chegar à minha vila, à minha casa?”

Buda ficou sentado em silêncio, como somente Buda ficaria, e então ficou um pouco
INCOSCIENTE INFORMADO

mais. Lentamente Buda se voltou para o por do sol e comentou:

“– Eu acho que se as instruções são claras e foram dadas com cuidado, deve ser real-
mente necessário empreender a jornada para chegar à sua vila, à sua casa.”

Buda retornou suavemente à meditação e o aluno, talvez mais confuso do que nun-
ca, se levantou e caminhou em direção ao por do sol, se preparando para voltar diligen-
temente para suas lições bem cedo no dia seguinte.
UM
PARA
ERICKSONIANA
ABORDAGEM
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INCOSCIENTE INFORMADO
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4 . 2 4 O G A R O T O D O E S TÁ B U L O

S ua fama havia se espalhado em todas as direções. Ele era considerado um grande


professor, um sábio professor. Em todos os lugares que ele ia enormes multidões se
reuniam e com frequência as pessoas tinham que assistir às suas palestras de pé. Ele
viajava de cidade em cidade, assim que ele chegava a uma região a notícia se espal-
hava, e no início da noite o salão de assembleia da cidade onde ele iria palestrar ficava
lotado de habitantes locais que aguardavam para ouvir e se agarrar a cada palavra que
ele dissesse.

Porém, ao entrar naquela cidadezinha ele notou algo muito estranho, pois não havia
ninguém para saudá-lo. Quando chegou ao salão de assembleia ele estava vazio. Bem,
quase vazio, pois na fileira de trás, na última cadeira perto da parede estava sentado o
garoto do estábulo. O professor subiu ao púlpito muito confuso.

“–Sabiam que eu viria?”

O garoto do estábulo acenou com a cabeça.

“–Sabiam que haveria uma palestra hoje?”

Novamente, o garoto do estábulo acenou com a cabeça. Então, ele esperou. Passaram-
se quinze minutos da hora marcada para a palestra, meia hora, uma hora, e ninguém
INCOSCIENTE INFORMADO

chegava. Ninguém exceto o garoto do estábulo. Finalmente ele se dirigiu ao garoto do


estábulo novamente.

“– Não tem ninguém aqui! O que você faria? Devo fazer a minha palestra? Estamos
apenas nós dois aqui.”

“– Sou simplesmente um garoto pobre de estábulo, não sou um homem sábio como
o senhor, então realmente não posso saber a resposta para esta difícil pergunta.
Porém, se eu fosse ao estábulo e houvesse apenas um cavalo, eu daria de comer a
ele.”
UM
PARA

O professor acenou com a cabeça e começou a palestra. Começou falando devagar


e depois na medida em que o tempo ia passando ele continuou com mais entusiasmo,
e continuou, continuou, continuou. Após algumas horas o garoto do estábulo desabou
ERICKSONIANA

na cadeira e nitidamente lutando contra o sono quase caiu no chão.

“– Ah,” o professor disse, “talvez eu já tenha falado o suficiente! O que você faria?
Devo parar por aqui?”

“– Sou apenas um garoto pobre de estábulo, não sou um homem sábio como o se-
ABORDAGEM

nhor, então realmente não posso saber a resposta para esta difícil pergunta. Porém,
se eu fosse ao estábulo e houvesse apenas um cavalo... eu daria de comer a ele, en-
tretanto não daria a ele toda a comida que eu tivesse.”
UMA

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4 . 2 5 F E L I Z

M ario era baixinho, forte, bem, ao menos ele fora em algum ponto de sua vida, ago-
ra estava um tanto quanto rechonchudo. Tinha os cabelos pretos cuidadosamente
penteados com brilhantina, vestia um terno de abotoamento duplo, de um tecido im-
pecável, com detalhes nitidamente feitos à mão. O movimento de suas mãos enfatizava
cada frase que dizia, fazendo com que seu vistoso Rolex brilhasse de tempos em tem-
pos. Na outra mão, um grande anel de diamante rosa cintilava e faiscava sempre que
ele se movimentava. Fiquei intrigado com a grande corrente de ouro pendurada em seu
pescoço que desaparecia por baixo do colarinho aberto. Sua voz era grave, lenta, firme,
ensaiada e soava como cascalho em uma estrada do interior.

Tempos atrás Mario fizera amizade com uma das minhas clientes, Jane. Ela cuidou
dele durante alguns anos quando ele esteve doente, foi amiga, enfermeira, e às vezes
INCOSCIENTE INFORMADO

mãe, pelo menos até Mario decidir se aposentar e ir morar na Flórida.

Mario era da máfia, ou pelo menos era isso que Jane dizia. Quando partiu para a
Flórida ele ofereceu para ela seu apartamento na cidade de Nova York. O apartamento
tinha o aluguel controlado, o controle de aluguel permite que o inquilino original pague
um aluguel muito baixo e o senhorio não pode despejá-lo, nem aumentar muito o valor
do aluguel enquanto o imóvel for sua residência principal. Jane aceitara a oferta de Ma-
rio de assumir o apartamento, e agora, passados alguns anos o senhorio descobrira que
Mario não morava mais lá. Jane vivia no apartamento ilegalmente e estava prestes a ser
despejada. Mario fora até Nova York para “falar” com o senhorio. Jane sentia que Mario
UM

era como um irmão mais velho para ela e que eu deveria conhecê-lo, então concordei.
PARA

Quando entrou no meu consultório, ele apertou minha mão cuidadosamente, olhou
em volta e sentou-se, com certo desconforto, no sofá. “– Lugar bacana,” ele disse, “– Lu-
ERICKSONIANA

gar bacana.”

“– Conte-me sobre você,” eu falei, tentando olhá-lo nos olhos, porém sem muito suce-
sso.

Ele riu e disse: “– Não há muito que contar,” ele murmurou. “– Doutor, você não vai
ABORDAGEM

querer saber, eu não sou um homem bom.

” Não é um homem bom. A pergunta foi descartada, e segui adiante.


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Mario, então disparou a se queixar sobre sua viagem para falar com o senhorio. Evi-
dentemente nos velhos tempos ele trabalhava com o seu “advogado”, Feliz, que o acom-
panhava a todos os lugares. Ele me mostrou uma foto, Feliz era forte como um jogador
de futebol americano. Um jogador de futebol americano muito grande. Feliz estava ves-
tido com um terno fantástico, tinha uma capa de chuva apoiada nos ombros e estava
com uma das mãos enfiada no paletó do terno, como Napoleão. Mario me assegurou
que Feliz sempre segurava os documentos por baixo do paletó do terno quando iam
conversar ou fazer a coleta dos clientes. Com Feliz os clientes sempre assentiam... pa-
gavam, sem fazer perguntas, sem discutir. Infelizmente, Feliz havia falecido no ano ante-
rior. A reunião de Mario com o senhorio transcorreu bem, mas ele teve que “falar” mais
do que quando ia com Feliz. Realmente sentia falta do Feliz. As reuniões transcorriam
suavemente quando o Feliz era vivo. Especialmente, e ele sorriu, quando Feliz tocava
nos “documentos” sob o paletó do terno.

Fiquei realmente curioso, eu suspeitava que os “documentos” de Feliz tinham o for-


mato de um coldre de ombro e um revólver. Pensei que seria sábio não inquirir mais so-
bre esse assunto. Entretanto, não consegui resistir em perguntar ao Mario:

“– Como ele ganhou o nome de Feliz?”

Mario riu e respondeu como se fosse o “poderoso chefão” de algum filme de gan-
gster de Hollywood, e talvez ele fosse mesmo um poderoso chefão!

“– Feliz sempre fazia a coleta, sempre persuadia, e os negócios transcorriam suave-


mente, ele me fazia FELIZ! Se você decidisse debater ou resistir, Feliz faria com que
você ficasse, digamos IN-FELIZ. Sim, IN-FELIZ!”

Nós sorrimos. O que mais havia para dizer? Ele ficou de pé, apertou minha mão, e eu
soube que a sessão havia terminado. Trocamos olhares de quem é conhecedor.

“– Cuide de Jane,” ele disse, e eu sabia que era melhor eu cuidar mesmo, ainda que
INCOSCIENTE INFORMADO

Feliz não estivesse mais entre nós. E ele saiu da sala andando tranquilamente.
UM
PARA
ERICKSONIANA
ABORDAGEM
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F I M DAS
H I STÓ R I AS
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5
BOM CONSELHO
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“Faça da lua o seu alvo. Mesmo se você errar, ainda aterrissará


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entre as estrelas.”
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(Les Brown)
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5 . 1 E S C U TA R

Quando peço a você que me escute e


Você começa a me dar conselhos...
Você não está fazendo o que lhe pedi
Quando peço a você que me escute e
Você começa a me dizer por que eu não deveria
me sentir assim...
você está pisando nos meus sentimentos
Quando peço a você que me escute e
Você sente que precisa fazer alguma coisa
para solucionar os meus problemas...
Você está falhando comigo, por mais estranho que isso possa ser.
Talvez seja por isso que a oração funciona para algumas pessoas
INCOSCIENTE INFORMADO

Por que
Deus é silêncio...
Ele não oferece conselhos
nem tenta consertar as coisas.
Ele apenas escuta e confia que você
conseguirá tratar disso sozinho.
Então, por favor, apenas me ouça.
E se você quiser falar, espere alguns minutos
pela sua vez e
eu prometo que
UM

escutarei você.
PARA

- anônimo
ERICKSONIANA
ABORDAGEM
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6
CITAÇÕES
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“Uma fronteira jamais é um lugar: É um tempo e um modo de


SO
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vida.”
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(Hal Borland)
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“– Quando você cita outra pessoa o seu ouvinte não percebe
que você está indiretamente lhe dando um comando direto.
Aquilo entra diretamente!”

- autor desconhecido

“Quando uma galinha concorda em botar um ovo a cada dia,


todos os dias, bem, isto é responsabilidade. Quando um porco
concorda em se tornar bacon, bem isso é compromisso.”

- autor desconhecido

“– Mantenha distância das pessoas que tentam depreciar suas


ambições. Pessoas pequenas fazem isso, porém as verdadeira-
mente grandes fazem você sentir que de alguma forma pode
se tornar grande.”

- Henry David Thoreau

“– Todo mundo é um gênio, mas se você julgar um peixe por


sua habilidade de subir em árvores, ele viverá a vida inteira
acreditando que é burro.”
INCOSCIENTE INFORMADO

- Albert Einstein

“A arte de ser sábio é a arte de saber em que não prestar


atenção.”

- William James
UM
PARA

“Faça da lua o seu alvo. Mesmo se você errar, ainda aterrissará


ERICKSONIANA

entre as estrelas.”

- Les Brown
ABORDAGEM

“Como seres humanos nossa grandeza repousa não tanto em


sermos capazes de refazer o mundo, quanto em sermos ca-
pazes de refazermos a nós mesmos.”

- Mahatma Gandhi
UMA

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“Se você consegue imaginar, você consegue realizar. Se você
consegue sonhar, você consegue se tornar.”

- William Arthur Ward

“Sua mente é um jardim criativo no qual o seu futuro cresce.


Pensamentos, sentimentos, imagens, e ações são sementes.
Tenha cuidado com o que você semeia.”

- W.E.Tharp

“Se você não for atrás do que você quer, você nunca o terá. Se
você não pedir, a resposta será sempre não. Se você não der
um passo adiante, você ficará sempre no mesmo lugar.”

- Nora Roberts

“Milagres começam a acontecer quando você coloca tanta


INCOSCIENTE INFORMADO

energia nos seus sonhos quanto coloca nos seus medos.”

- Richard Wilkins

“Muito daquilo que nos possibilita crescer são coisas do


coração e não da mente.”

- Stephen Adler
UM
PARA
ERICKSONIANA

“A vida não é algo em relação a que você possa dar uma res-
posta hoje. Você deveria desfrutar do processo de esperar, do
processo de se tornar quem você é. Não há nada mais delicio-
so do que plantar sementes de flores e não saber que tipos de
ABORDAGEM

flores brotarão.”

- Milton H. Erickson, MD
UMA

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“Aqueles que estão com um pé na canoa e um pé na terra
cairão no rio.”

- Provérbio Tuscarora

“A alma não teria arco-íris se os olhos não tivessem lágrimas.”

- Provérbio Minquass

“O que é passado e não pode ser evitado não deveria ser


pranteado.”

- Provérbio Pawnee

“Busque a sabedoria, não o conhecimento. O conhecimento é


do passado, a sabedoria é do futuro.”

- Provérbio Lumbee
INCOSCIENTE INFORMADO

“Quanto mais inteligente for um homem mais ele precisa que


Deus o proteja de pensar que ele sabe tudo.”

- Provérbio Pima
UM
PARA

“A mente contem todas as possibilidades.”


ERICKSONIANA

- Buda

“ Se você não consegue encontrar a verdade bem aí onde


ABORDAGEM

está, onde mais você pensa que pode encontrá-la? ”

- Buda
UMA

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“Reserve um tempo todos os dias para se sentar em silêncio e
escutar.”

- Buda

“Aprenda a liberar. Esta é a chave para a felicidade.”

- Buda

“O que está atrás de nós e o que está à nossa frente são assuntos
pequenos em comparação com o que está dentro de nós.”

- Ralph Waldo Emerson

“Uma fronteira jamais é um lugar: É um tempo e um modo de vida.”

- Hal Borland
INCOSCIENTE INFORMADO

“É extraordinário quão extraordinária a pessoa comum é.”

- George F. Will

“Se você simplesmente fizer com que as pessoas se movimen-


UM

tem elas curarão a si mesmas..”


PARA

- Gabrielle Roth
ERICKSONIANA

“ Suas próprias palavras são os tijolos e a argamassa dos so-


nhos que você quer realizar. Suas palavras são o maior poder
ABORDAGEM

que você tem. As palavras que você escolhe e usa estabele-


cem a vida que você vivencia.”

- Sonia Choquette
UMA

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“O sentido da vida é enxergar.”

- Hul Neng

“Um homem não consegue se sentir confortável sem sua


própria aprovação.”

- Mark Twain

“A verdadeira viagem de descoberta consiste não em buscar


novas paisagens, e sim em ter novos olhos.”

- Marcel Proust

“Bem além das idéias do fazer o que é errado e do fazer o que


é certo, existe um campo. Encontrarei você lá. Quando a alma
repousa nessa grama, o mundo é pleno demais para se falar a
respeito. As ideias, a linguagem, até mesmo a frase um ao
INCOSCIENTE INFORMADO

outro não fazem o menor sentido.”

- Rumi

“Nós somos o espelho bem como a face refletida nele.


Nós provamos o gosto, neste minuto, da eternidade.
Nós somos a dor e aquilo que cura (cure) a dor.
UM

Nós somos a água doce e fresca e o jarro que a despeja.”


PARA

- Rumi
ERICKSONIANA

“Sua tarefa não é buscar o amor, mas simplesmente buscar


e encontrar todas as barreiras dentro de si mesmo que você
ABORDAGEM

construiu contra o amor. ”

- Rumi
UMA

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“Nosso pior medo não é que sejamos inadequados; nosso
medo mais profundo é que sejamos poderosos além do que é
mensurável.”

- Nelson Mandela

“Independentemente de você pensar que consegue ou que


não consegue, você está certo.”

- Henry Ford

“Dizem que uma descoberta é um acidente que encontrou


uma mente preparada.”

- Albert Szent-Gyorgyi

“Como seres humanos nossa grandeza repousa não tanto em


sermos capazes de refazer o mundo, quanto em sermos
INCOSCIENTE INFORMADO

capazes de refazermos a nós mesmos.”

- Mahatma Gandhi

“ A verdadeira viagem de descoberta consiste não em buscar


novas paisagens, e sim em ter novos olhos. ”
UM

- Marcel Proust
PARA
ERICKSONIANA

“ O que nós precisamos é de mais pessoas que se


especializem no impossível. ”
ABORDAGEM

- Theodore Roethke
UMA

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“ O objetivo da vida é viver,
e viver significa estar consciente.
Por que você chora?
A fonte está dentro de você... ”

- Rumi

“Todo o crescimento é um salto no escuro, um ato espontâneo


não premeditado sem ter o benefício da experiência.”

- Henry Miller

“ Esqueça-se daquilo em seu passado que o machuca, porém


jamais se esqueça do que aquilo lhe ensinou. ”

- Darren Shan
INCOSCIENTE INFORMADO

“Eu sempre soube que olhar em retrospectiva para as lágrimas


me faria rir, porém eu nunca soube que olhar em retrospectiva
para as risadas me faria chorar.”

- autor desconhecido

“Eu sou um ninguém.


UM

Ninguém é perfeito.
PARA

Portanto eu sou perfeito.”

- anônimo
ERICKSONIANA

“ Algumas pessoas jamais aprenderão nada... Porque elas


ABORDAGEM

compreendem tudo cedo demais ”

- Alexander Pope
UMA

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“ Não deseje que seja mais fácil, deseje que você seja melhor.”

- Jim Rohn

“Toda folha de grama tem seu próprio anjo


que se inclina sobre ela e sussurra:
“– Cresça, cresça.”

- The Talmud

“ Chega de palavras. Ouça apenas a voz interior. ”

- Rumi

“Ao me deitar agora para dormir,


Peço ao Senhor que guarde a minha alma.
Se eu morrer antes de acordar,
INCOSCIENTE INFORMADO

Peço ao Senhor que leve a minha alma.


Que eu acorde antes de morrer,
Que eu acorde antes de morrer...”

- autor desconhecido

“Paciência, paciência, paciência é o que o mar ensina. Paciên-


UM

cia e fé. Deveríamos nos deitar vazios, abertos, sem escolher,


como a praia, que espera um presente do mar.”
PARA

- Anne Morrow Lindbergh


ERICKSONIANA

“ Nossos corpos choram as lágrimas que nossos olhos se


ABORDAGEM

recusaram a derramar.”

- Dan Millman
UMA

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INCOSCIENTE INFORMADO
UM
PARA
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ABORDAGEM
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“ Você é um ser espiritual rico e criativo.
Jamais poderá ser menos do que isso. Talvez você frustre o seu poten-
cial. Talvez se identifique com aquilo que é menos do que você pode ser.
Porém, dentro de você agora e sempre está a possibilidade não nascida
de uma experiência ilimitada de estabilidade interior e de tesouros ex-
teriores, e é seu o privilégio de dar a luz a ela e, você dará se conseguir
acreditar. ”

- Eric Butterworth

“ Eu não posso mudar o que aconteceu comigo, entretanto eu


posso me recusar a ser diminuída por aquilo. ”

- Maya Angelou

“Sobreviver é importante. Florescer é elegante.”

- Maya Angelou
INCOSCIENTE INFORMADO

“ Eis o que aprendi: Dentro da tristeza existe a graça. Quando


nos aproximamos daquelas coisas que nos quebram, tocamos
aquelas coisas que também nos abrem. E ao nos abrirmos
descobrimos nossa verdadeira natureza.”

- Wayne Muller

“ Se há um tumulto interior, então tudo lá fora parece confuso. ”


UM
PARA

- Brahma Kumaris
ERICKSONIANA

“ Não avalie o sucesso de uma pessoa observando quão alto ela


escala, mas sim quão alto ela quica quando bate no fundo. ”
ABORDAGEM

- Gen. George S. Patton


UMA

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“ A maioria das coisas importantes no mundo foi realizada por
pessoas que continuaram tentando quando parecia não haver
nenhuma esperança.”

- Dale Carnegie

“ Uma atitude positiva talvez não solucione todos os seus


problemas, porém ela irritará tanta gente que valerá o esforço. ”

- Herm Albright

“ Como todo mundo, há dias em que eu me sinto bonita e dias


em que não me sinto e quando não me sinto eu faço algo a
respeito. ”

- Cheryl Tiegs

“ Há algo pior do que estar sozinho: Estar com alguém que


tem um i-phone.”

- anônimo
INCOSCIENTE INFORMADO

“ Todo mundo obtém tantas informações o dia inteiro que as


pessoas perdem o bom senso.”

- Gertrude Stein
UM
PARA

“ Eu não fracassei. Acabo de encontrar dez mil maneiras que


não funcionam.”
ERICKSONIANA

- Thomas Edison
ABORDAGEM

“ Você vê as coisas e diz: “– Por que?” Entretanto, eu sonho


com coisas que nunca existiram e digo: “– Por que não? ”

- George Bernard Shaw


UMA

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“ Oportunidades são perdidas pela maioria das pessoas
porque vêm vestidas de macacão e têm a aparência de
trabalho. ”

- Thomas Edison

“Sinto-me como um pássaro pequenininho que tem uma


grande canção!”

- Thomas A. Edison

“ Se você quer ser bem sucedido em um determinado cam-


po de atuação, penso que perseverança é uma das quali-
dades-chave. É muito importante que você encontre algo de
que goste, algo pelo que você tenha uma profunda paixão,
pois você terá que devotar muito de sua vida a isso. ”

- George Lucas

“ Genialidade é iniciativa em chamas. ”

- Holbrook Jackson
INCOSCIENTE INFORMADO

“ Querer ser o que se pode ser é o propósito da vida.”

- Cynthia Ozick
UM
PARA

“ O medo é o quartinho escuro onde os negativos são


revelados.”
ERICKSONIANA

- Michael Pritchard
ABORDAGEM

“ O humor é o nosso jeito de nos defender dos absurdos da


vida pensando de um jeito absurdo sobre eles. ”

- Lewis Mumford
UMA

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“A juventude é uma coisa maravilhosa. Que crime
desperdiçá-la com crianças.”

- George Bernard Shaw

“Você só pode ser jovem uma vez, entretanto você sempre


pode ser imaturo.”

- Dave Barry

“ Para adquirir conhecimento deve-se estudar, mas para


adquirir sabedoria deve-se observar. ”

- Marilyn vos Savant

“ Ciência é conhecimento organizado. Sabedoria é vida


organizada. ”

- Immauel Kant
INCOSCIENTE INFORMADO

“ Até a mente mais sábia ainda tem algo a aprender. ”

- George Santayana
UM

“ Cuidado para que as vitórias não carreguem a semente de


PARA

futuras derrotas.”
ERICKSONIANA

- Ralph W. Sockman
ABORDAGEM

“ Nada é tão simples como esperamos que seja.”

- Jim Horning
UMA

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UM
PARA
ERICKSONIANA
ABORDAGEM
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“A realidade é uma muleta para as pessoas que não
conseguem lidar bem com as drogas.”

- Lily Tomlin

“Realidade é aquilo que quando você deixa de acreditar não


vai embora”

- Phillip K. Dick

“ O maior erro que você pode cometer na vida é ficar constan-


temente com medo de que vá cometer algum. ”

- Elbert Hubbard

“ Erros fazem parte de ser humano. Aprecie seus erros pelo


que eles são: lições de vida preciosas que apenas podem ser
aprendidas do jeito difícil. A menos que seja um erro fatal,
com o qual, ao menos os outros, podem
aprender.”
INCOSCIENTE INFORMADO

- Al Franken

“ A vida é algo que todo mundo deveria experimentar pelo


menos uma vez.”

- Henry J. Tillman
UM
PARA

“ Eu ouço e esqueço. Eu vejo e aprendo. Eu faço e


compreendo. ”
ERICKSONIANA

- Confúcio

“A genialidade é um por cento de inspiração e noventa e nove


ABORDAGEM

por cento de transpiração.”

- Thomas A. Edison
UMA

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“Um grande número de pessoas pensa que está pensando
quando, na verdade, está apenas reorganizando seus
preconceitos.”

- William James

“O bom senso e o senso de humor são a mesma coisa se


movimentando em velocidades diferentes. Senso de humor é
apenas bom senso dançando.”

- William James

“Se você diz que algo não é possível, o que você realmente
está dizendo é: “– Eu não quero isso.”

- Sadhguru Jaggi Vasuder

“ Em três palavras consigo resumir tudo que aprendi sobre a


vida: A vida continua.”

- Robert Frost
INCOSCIENTE INFORMADO

“ Quando as pessoas podem florescer sendo quem são, algo


poderoso acontece.”

- Doug Glanville
UM

“ Estou sempre fazendo coisas que eu não consigo fazer. É


PARA

assim que consigo fazê-las.”


ERICKSONIANA

- Pablo Picasso

“Sacanagem é usar uma pena.


ABORDAGEM

Perversão é usar a galinha inteira.”

- anônimo
UMA

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“Eles disseram: “– Bem, isso é tolice. Você nunca conseguirá trabalho,
você não é bonita o suficiente, você não é boa o suficiente,” e eu disse:
“– Vocês estão demitidos.” Aí então meu agente disse a mesma coisa e
eu disse: “– Você está demitido.” Simplesmente demiti todo mundo. De-
pois deixei meu marido. Sabe, minha atitude foi ‘fora com todos vocês.’
Eu não podia arcar com todas aquelas vozes perto de mim dizendo:
“– Você não pode fazer isso, você não é boa o suficiente,” porque eu já
tenho vozes demais dentro de mim que dizem isso.”

- Sally Field

“Se você segura um gato pelo rabo você aprende coisas que
não pode aprender de nenhum outro jeito.”

- Mark Twain

“ Viva como se fosse morrer amanhã. Aprenda como se fosse


viver para sempre.”

- Gandhi
INCOSCIENTE INFORMADO

“ Eu nunca ensino meus pupilos, eu apenas tento fornecer as


condições nas quais eles possam aprender.”

- Albert Einstein

“ As melhores e mais lindas coisas do mundo não podem ser


vistas, nem tocadas, porém são sentidas no coração. ”
UM

- Helen Keller
PARA
ERICKSONIANA

“Aqueles que amam você não se deixam enganar pelos erros que
você comete ou pelas as imagens sombrias que você mantem
sobre si mesmo. Eles se lembram da sua beleza quando você se
sente feio, da sua plenitude quando você está despedaçado, da
ABORDAGEM

sua inocência quando você se sente culpado, e do seu propósito


quando você está confuso.”

- Alan Cohen
UMA

104
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C I TAÇÕ E S E S P I R I T UA I S
E ORAÇÕES
INCOSCIENTE INFORMADO
UM
PARA
ERICKSONIANA
ABORDAGEM
UMA

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Meu mundo não deveria ser nem grande demais, nem pequeno de-
mais nem exigente demais, nem indiferente demais. Deveria ser um
mundo no qual eu possa ser significativo, porém não dominante,
limitado, porém não impotente, útil, mas não excessivamente
responsável, amado, porém não
idolatrado.

- Henry Close

“Bem além das ideias do fazer o que é errado e do fazer o que


é certo existe um campo, encontrarei você lá.”

- Rumi

“ A ideia de que tudo é para ser tomado como pessoal é


apenas isso, uma idéia. ”

- Michael Jeffreys

“ As pessoas geralmente consideram andar sobre as águas, ou andar


INCOSCIENTE INFORMADO

no ar impalpável como um milagre. Porém acho que o verdadeiro mi-


lagre não está nem em andar sobre as águas nem em andar no ar, e
sim andar na terra. Todos os dias nos envolvemos em um milagre que
nem ao menos reconhecemos: o céu azul, as nuvens brancas, as folhas
verdes, os negros e curiosos olhos de uma criança, nossos próprios
olhos. Tudo é um milagre.”

- Thich Nhat Hanh


UM
PARA

“Por todos aqueles a quem temos feito mal,


consciente ou inconscientemente,
ERICKSONIANA

perdoe-nos e nos liberte.


Por todos aqueles que nos têm feito mal,
consciente ou inconscientemente,
Nós os perdoamos e os libertamos.
Pelo mal que temos feito a nós mesmos,
consciente ou inconscientemente,
ABORDAGEM

Nós nos perdoamos e nos libertamos.”

- Rev Michael Ingersoll


UMA

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''A iluminação, a alegria e a paz
jamais podem lhe ser dados por outrem.
A fonte está dentro de você ''

- Thich Nhat Hanh

“Nós não somos seres humanos tendo uma experiência espiritual.


Nós somos seres espirituais tendo uma experiência humana.”

- Pierre Teilhard de Chardin

“ A paz em meu coração


traz paz à família.
A paz na família traz paz à comunidade.
A paz na comunidade traz paz à nação.
A paz na nação traz paz ao mundo.
Que haja paz na Terra
e que ela comece em mim.”

- Rev Christine Wall

“Quando eu compreendo
INCOSCIENTE INFORMADO

Eu empreendo com
Quando eu empreendo com
Eu apóio
Quando eu apóio
Eu levanto
Quando eu levanto
Eu elevo
Quando eu elevo
Eu enlevo
Quando eu enlevo
UM

Eu encorajo
PARA

Quando eu encorajo
Eu fortaleço
Quando eu fortaleço
ERICKSONIANA

Eu capacito
Quando eu capacito
Eu solto
Quando eu solto
Eu libero
Quando eu libero
ABORDAGEM

Eu reconheço o divino
Quando eu reconheço o divino
Eu compreendo”

- Jay Woods
UMA

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7
ENTREVISTA
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“Escavamos nosso interior para ir além e não para ir para trás.”


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(Ken Wilber)
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7. 1 O U S O D E M E TÁ F O R A S N A
P R ÁT I C A , N O AT E N D I M E N T O A O S
C L I E N T E S , N O C O A C H I N G , N A
T E R A P I A .

P O R A N A T E R E S I N H A P A S S A R E L L A C O E L H O

É
com imenso prazer que compartilho com o leitor o privilégio de estudar e apren-
der com o Dr. Stephen Paul Adler, ele é um mestre extremamente humano e sábio,
seu espírito alegre e cheio de vivacidade é uma verdadeira inspiração, minha vida
tem se tornado mais rica desde que o conheci em um Simpósio sobre Hipnose na ci-
dade do Rio de Janeiro em 2002. Naquele primeiro contato decidi que estudaria com
ele caso voltasse ao Brasil, e foi assim que me tornei sua aluna e mais tarde, quando
senti que minha formação em Hipnose Ericksoniana estava consistente o suficiente, me
tornei sua intérprete, posição que me permite um contato profundo e extensivo com
INCOSCIENTE INFORMADO

seu trabalho. Procurei, nesta entrevista informal, fazer perguntas que esclarecessem al-
guns pontos da perspectiva de quem está estudando esta forma de comunicação para
sua aplicação no contexto profissional principalmente nas áreas da terapia e do coach-
ing, e indiretamente no ensino e na liderança. Um pequeno trecho desta entrevista foi
gravado no intervalo de um seminário em que o Dr. Adler estava lecionando e eu o es-
tava traduzindo e a maior parte foi gravada no seu lar na cidade de São Paulo, na sala
de estar do apartamento onde ele mora quando não está na cidade de Nova York. A
entrevista consiste em sua maior parte da transcrição e tradução direta dos arquivos
de áudio, embora pequenas partes tenham sido retiradas, algumas informações tenham
sido acrescentadas e alguns trechos tenham sido reelaborados na edição, fiz isso ape-
nas quando julguei ser importante para a fluência e riqueza do texto.
UM
PARA

Bem, agora gostaria de convidar você a desfrutar desta oportunidade como se pu-
desse se juntar a nós nesta conversa, imaginando, escutando, sentindo, enfim, fazendo
ERICKSONIANA

de conta que estamos sentados nesta sala de estar acolhedora e agradável, tomando
um café quentinho e aromático enquanto exploramos o fascinante mundo da comuni-
cação através de metáforas, histórias e citações.

TERÊ:
Steve, eu gostaria de explorar a maneira especial como você utiliza metáforas na
ABORDAGEM

prática quando atende clientes, quando leciona. Em suas palavras, de uma maneira ge-
ral, qual seria uma boa definição para metáforas terapêuticas?
UMA

109
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STEVE:
Quando você diz metáforas terapêuticas, a primeira coisa que me vem à mente, é
que independentemente de ser uma história, o que na verdade é uma longa metáfora,
ou talvez apenas uma citação de algumas frases, o mais importante é jamais explicar a
essência da história, nunca dar a moral da história, pois o aspecto terapêutico no uso
de histórias está em oferecer à mente inconsciente do cliente algumas informações que
ele precise e que estejam, de alguma maneira, embutidas na história. Talvez estas infor-
mações ainda não tewnham sido registradas em sua mente inconsciente, ou ainda não
tenham sido acessadas na mente inconsciente, lembrando que é o cliente quem esco-
lhe as informações que são relevantes para ele. Outro aspecto a se ter em mente é que
é importante desenvolver e manter um bom rapport e uma boa conexão com o cliente
durante todo o processo.

Com frequência o ouvinte perguntará: “– Ah, e o que esta história significa?”, bem,
uma experiência comum para a maioria de nós quando estávamos no colégio foi ouvir
fábulas com a moral da história, ou com algum comentário no sentido de ‘o que esta
fábula quer dizer é...’ e isto na verdade faz com que o impacto positivo da metáfora,
fábula, ou história, fique em um nível muito consciente, e nesse caso trata-se de alguém
dizendo para você como você deveria perceber e o que você deveria extrair da história.

Voltando ao conceito de metáfora terapêutica, metáfora terapêutica é aquela onde


há um nível profundo de conexão e rapport de forma que de algum modo você percebe
que naquela história em particular há algo que pode ser útil ao seu cliente, entretanto
você não sabe como exatamente será útil. Na verdade, é comum eu oferecer uma metá-
fora ao cliente pensando: ‘provavelmente ele utilizará essa história dessa maneira’ e me
surpreender ao perceber que a pessoa a utilizou de uma maneira totalmente diferente,
porém eu não coloco minha atenção nisso, eu coloco minha atenção no sentido de que
a história contenha informações que sejam muito úteis para a evolução daquela pessoa.
E existe uma leve diferença entre histórias, metáforas e citações.

TERÊ:
INCOSCIENTE INFORMADO

Sim, e qual é a diferença?

STEVE:
As citações são muito interessantes porque elas realmente são muito mais diretas
do que as histórias, e se utilizam do nome de alguém que o cliente conheça, e que seja
visto, ou respeitado como autoridade. Ao utilizar uma citação tenho ao meu lado o po-
der da pessoa que estou citando, como Thomas Edson, Jesus Cristo, Nelson Mandela,
Buda, e assim por diante, e ofereço ao cliente algo que essa autoridade disse sobre um
aspecto do viver a vida ou sobre a evolução. Por exemplo, se eu disser: “– Thomas Ed-
son afirmava que ele jamais fracassou, ele encontrou dez mil maneiras em que não era
UM

possível fazer uma determinada coisa, porém jamais fracassou.” Esta é realmente uma
PARA

forma muito indireta de se transmitir a alguém uma mensagem direta, porque a pessoa
associará a autoridade à pessoa que está sendo citada, enquanto você está ali simples-
mente compartilhando uma citação. Então, até mesmo uma frase curta de uma citação
ERICKSONIANA

pode ter muito impacto, pois é um oferecimento direto feito de uma maneira indireta.

TERÊ:
Então, você quer dizer que se, no relacionamento terapêutico, você sentir que há
uma mensagem que gos
taria de transmitir diretamente, a escolha por fazer isso através de uma citação pode ser
ABORDAGEM

uma boa forma de transmitir uma mensagem clara e direta de uma maneira indireta?

STEVE:
Sim, e é uma escolha clínica.
UMA

110
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Geralmente uso citações quando tenho alguma clareza em relação a que recursos
ou informações o meu cliente talvez precise para dar o próximo passo em sua evolução,
em outras palavras algo que possa dar suporte ao seu próximo passo.

Posso também escolher usar uma metáfora, ou uma história bem mais longa, quando
eu não tiver uma percepção clara sobre que mensagem exatamente pode ser útil para
o cliente, então, mantendo em mente a evolução do cliente, no sentido dele se tornar
quem pode se tornar, posso escolher uma história que me pareça importante. E nunca
me aconteceu de contar uma história à qual o cliente tenha respondido que não teve
nenhuma importância para ele. Talvez os clientes digam algo como:

“– Não sei o que isto significa.”, ou “– Que história mais boba!”, e dois meses depois
eles vêm até mim dizendo: “– Sabe de uma coisa, aquela história foi muito significati-
va.”

Às vezes, torna-se muito claro que talvez haja uma citação simples que resuma o es-
tágio em que a pessoa se encontra e aponte uma direção na qual talvez ela possa seguir
no futuro. Por exemplo, aquela citação:

“– Eu nunca fracassei, eu encontrei dez mil maneiras em que algo não funciona.” pode
ser muito útil para alguém que tem realmente se queixado de como tem fracassado
em tudo, e esta citação também é, em uma única frase, um reenquadramento (ressig-
nificação). E pessoalmente, considero Thomas Edson alguém que merece ser citado.

Há uma citação, não me lembro das palavras exatas, é mais ou menos assim: “– Eu
sempre tento fazer as coisas que não acredito que consiga fazer e á assim que acabo
fazendo essas coisas.”, de Pablo Picasso, bem acho que é uma mensagem maravilhosa,
tento o que eu até mesmo penso ser impossível para mim, mas eu acredito em tentar
fazer e sempre funciona, porque eu tenho tentado, e aí então quando você fala para as
pessoas que isso foi dito por alguém cujo nome é Pablo Picasso...
INCOSCIENTE INFORMADO

TERÊ:
Sim, muito interessante.
Você falou que há uma diferença entre citações e histórias ou metáforas mais longas,
você poderia especificar um pouco mais as diferenças entre elas?

STEVE:
Na citação tenho uma ideia e uma percepção muito mais claras de qual é a men-
sagem exata que eu gostaria de passar, ela continua sendo aberta às interpretações
pessoais, porém a maioria das citações tem uma direção que aponta o caminho no qual
você pode pensar sobre as coisas, tendo outras possibilidades, outras opções, e elas
UM

são muito simples, muito concisas, são bastante diretas, entretanto você se retira da
PARA

posição de autoridade uma vez que não é você que está dizendo aquilo.

TERÊ:
ERICKSONIANA

E a diferença entre história e metáfora longa?

STEVE:
Sabe? Às vezes eu acho que não há nenhuma diferença porque uma história é uma
metáfora curta ou longa, e às vezes a história pode levar dois minutos, e às vezes a
história pode levar trinta minutos, dependendo de como você estiver usando aquela
ABORDAGEM

história. Há uma história maravilhosa sobre um fazendeiro em que ele basicamente fica
repetindo: “– Boa sorte, má sorte, as coisas são o que são.
UMA

111
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” É um tipo de história relativamente simples e entediante que diz: “– Eu não julgo dessa
maneira, eu não julgo daquela maneira, as coisas são o que são.” Se você contar essa
história em dois minutos, a maioria das pessoas revira os olhos e olha para você com
aquela expressão de ‘e daí, boa sorte, má sorte, as coisas são o que são?’ Eu gosto de
contar esta história em dez ou quinze minutos, na altura dos três ou quatro minutos as
pessoas já estão pensando ‘boa sorte, má sorte, as coisas são o que são’, mas ao estender
a história eu utilizo o poder do tédio para colocar a pessoa em um transe mais profundo
de forma que aquela informação alcance um nível ainda mais profundo. Então, existem
ocasiões em que você prolonga a história, ou usa certas estratégias dentro da história
para embuti-la mais profundamente na mente inconsciente da pessoa e então, agora a
mente inconsciente da pessoa pode escolher os aspectos e o grau em que aquilo é rel-
evante para ela, você realmente nunca corre o risco, ao contar uma história, de dizer de
forma autoritária o que a pessoa deveria fazer, porque em uma história existem muitas
implicações. E é claro, a mente inconsciente tomará as implicações e informações que
lhe faltavam e construirá um quadro mais completo.

STEVE:
Pensando novamente na ideia de metáfora ou histórias terapêuticas, minha sensação
é que a função da história em si é fornecer recursos. Dentro de cada história existem
muitos recursos que a pessoa pode usar e é exatamente este o aspecto terapêutico. É
terapêutico porque não tiro nenhuma conclusão, não digo à pessoa o que fazer com
aquilo, não se trata de uma interpretação, ou de uma sugestão direta, entretanto dentro
da história existem muitos aspectos e diferentes recursos que podem se somar às ca-
pacidades da pessoa e aos recursos que ela já possui e isso pode ajudá-la a dar o pró-
ximo passo.

TERÊ:
Você percebe algum problema que possa ser causado quando o terapeuta, o coach
dá a moral da história?
INCOSCIENTE INFORMADO

STEVE:
Sim, um dos problemas para muitos alunos quando iniciam sua formação é que eles
contam histórias ma-
ravilhosas que claramente direcionam o cliente para aquilo que estes deveriam acredi-
tar, deveriam concluir. Infelizmente o sistema educacional e muitos tipos de treinamen-
tos pensam que é assim que deveríamos fazer.

Porém, se levarmos em conta que apenas 5% das mudanças comportamentais são


controladas pela nossa mente consciente, então é natural querermos nos comunicar
com os 95% onde as mudanças comportamentais realmente começam, ou seja, com a
UM

nossa mente inconsciente.


PARA

Podemos fazer uma analogia com aquelas pessoas que rezam a Deus e em sua
oração dizem exatamente o que querem receber e como querem receber. Isso é algo
ERICKSONIANA

que a maioria de nós já fez e que raramente funciona. Além disso, confio que o univer-
so é muito mais sábio do que eu, então não sou eu que vou dizer a Deus, ao Universo
em que forma aquilo será entregue, ou em que quantidade ou qualidade, que aparência
deve ter e como deve ser feito, ou quando aquilo deve acontecer, em que dia, minuto,
etc.
ABORDAGEM

Penso que esta é a parte mais importante: quando as pessoas começam sua for-
mação nessa área elas têm a tendência de pensar que conclusão o cliente deveria ex-
trair da história e então organizam a história de tal forma que o cliente tenha que seguir
os passos A, B, C, D e chegar à determinada conclusão ou consequência lógicas.
UMA

112
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Isso é realmente contra producente, pois eu posso lhes garantir que o cliente já ten-
tou fazer esse tipo de coisa e fracassou, fracassou e ficou desiludido. Ao fazer isso você
não está depositando confiança na sabedoria da mente inconsciente a qual está conec-
tada ao espírito e conectada ao universo, e isto é como não confiar que Deus consegue
calcular muito melhor do que você conseguiria.

Então, penso sim que este é um grande perigo. Outra forma de colocar isso é dizen-
do que somos tão treinados a contar histórias de maneira linear. Se você começa com
A, então é certo que você termina com X, Y, Z, esta é a conclusão lógica e correta, exce-
to pelo fato de que A nunca é 100% correto. E também sabemos que quatro milhões de
bits de informação são compartilhados a cada segundo na mente consciente, enquanto
na mente inconsciente são quarenta milhões, ou seja, dez vezes mais bits de informação
são compartilhados por segundo. Então, quando você conta uma história, na qual você
não organizou como as coisas deveriam ser feitas, nem o que a pessoa deveria extrair
da história, ou a que conclusão ela deveria chegar, a mente inconsciente, então, de uma
maneira não linear, de uma maneira multidimensional pode desenvolver uma resolução
que seja única para aquele indivíduo e que o contador de histórias ou o terapeuta ja-
mais poderiam ter imaginado.

TERÊ:
Então, em outras palavras o que você está dizendo é que para contar histórias nesse
sentido, é muito importante ter uma atitude básica de realmente acreditar na mente in-
consciente?

STEVE:
Sim, e o que sabemos hoje em dia é que a mente inconsciente é evolucionária e tra-
balha para o seu interesse, ela não corresponde ao conceito de Freud, isto já foi provado
em muitas pesquisas.
INCOSCIENTE INFORMADO

TERÊ:
Penso que este é um ponto muito importante, você poderia explicar brevemente a
diferença entre o inconsciente segundo Freud e o inconsciente segundo Milton H. Erick-
son?

STEVE:
Bem, o inconsciente de acordo com Freud é basicamente um caldeirão de impulsos
humanos, instintos, desejos reprimidos, necessidades e ações negativas específicas que
devem ser reprimidas para preservar a-
quilo que chamamos de civilização, nessa visão o inconsciente é tido como um inimigo
formidável que no final ocasionará nossa destruição.
UM
PARA

Agora, o inconsciente segundo Milton H. Erickson é um reservatório de vivências


multidimensionais que foram adquiridas ao longo de toda a vida, aí se incluem incon-
ERICKSONIANA

táveis experiências históricas, aprendizados pessoais e sociais, impulsos, motivações,


necessidades e funções autônomas. A mente inconsciente não é rígida e nem se limita
ao processamento analítico, seu processamento é capaz de interpretação simbólica e
tende a uma visão global, também é capaz de incluir inferências subliminares. Ela é de-
positária de tudo que já nos aconteceu do momento do nosso nascimento até o pre-
sente. É capaz de processar sem conflitos e em múltiplos níveis até mesmo informações
ABORDAGEM

contraditórias. Nossa mente inconsciente é pré-programada para apoiar nossa evolução


enquanto indivíduos únicos e de valor.
UMA

113
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TERÊ:
Levando-se em consideração que o conceito de Freud é muito mais disseminado do
que o de Erickson, não é de se espantar que as pessoas sintam subjacentemente como
se tivessem que se policiar ou se controlar e a partir disso faz sentido que queiram di-
rigir o ouvinte construindo histórias que o levem a uma conclusão específica e a com-
portamentos mais benéficos. Porém, isso as impede de ter acesso à riqueza, amplitude
e profundidade que o trabalho com histórias pode propiciar quando adotamos o con-
ceito ericksoniano de mente inconsciente.

STEVE:
E voltando à pergunta sobre acreditar na mente inconsciente, penso que a coisa
mais difícil, para aqueles que usam metáforas para ajudar a curar (heal) pessoas, é real-
mente compreenderem e aprenderem como contar uma história na qual quem conta
não tem uma conclusão lógica, quem conta não sabe o que o ouvinte deveria extrair
da história. É comum quando conto histórias depois de um tempo as pessoas virem
me relatar o que a história significou para elas, e o interessante é que eu jamais poderia
ter imaginado que a pessoa conectaria as coisas daquela maneira, é fascinante como
a pessoa une os pontos e encontra sua própria resolução para a situação. E a palavra
resolução é importante, quando você conta uma história que é A, B, C e você dirige a
pessoa para o que ela deveria concluir você talvez, às vezes, consiga uma solução para
aquele problema, porém uma solução não é uma resolução. E uma solução tende a ser
algo para aquele problema específico de uma forma muito externa. A resolução é inter-
na e promove soluções contínuas que se perpetuam. Eu observo o cliente para ajudá-lo
a encontrar uma resolução, ou seja, para ajudá-lo a desenvolver recursos que de forma
perpetuada lhe permitam encontrar soluções dentro de si mesmo.

TERÊ:
Então, ao contar histórias, com conclusões abertas, ou de uma maneira mais permis-
siva, de uma maneira em que o ouvinte utiliza o que for útil na história, tira suas próprias
conclusões e assim por diante, ao contar histórias dentro desse enquadramento estaria
correto dizer que esta é uma abordagem mais evolutiva?
INCOSCIENTE INFORMADO

STEVE:
Sim, e eu também diria que evita a arrogância pessoal. Presumir que eu sei mais so-
bre os clientes e suas vidas do que eles mesmos, isto é arrogância, e isto não é verdade,
e a arrogância de: ‘Eu sei como eles deveriam resolver esse problema.’, isto é arrogância,
e isto não é verdade. Também evita a arrogância de acreditar que há uma ou duas ma-
neiras corretas deles chegarem a uma resolução ou a uma solução, sendo que na ver-
dade há muitas e muitas maneiras. A resolução de uma pessoa para um problema pode
ser algo com que eu pessoalmente não conseguiria conviver, mas não se trata da minha
vida, e na medida em que não seja algo disfuncional e levando-se em consideração que
UM

nossa mente inconsciente é evolutiva, quando ela recebe informações e as compila e


tenta encontrar uma resolução, quase sempre é uma resolução funcional que atua a
PARA

serviço da singularidade única daquela pessoa. Erickson acreditava, e eu acredito, que


você pode ter um protocolo geral, porém é importante estar ciente de que cada ser hu-
ERICKSONIANA

mano é único. Posso até iniciar a sessão seguindo um protocolo específico sabendo que
ao interagir com o cliente talvez eu tenha que modificar o protocolo na medida em que
observo mudanças no cliente durante a sessão.

Então, trata-se de confiar na evolução da mente inconsciente, e como eu disse antes,


é como confiar no Universo, confiar que ele ouviu você e que aquilo vai acontecer, eu
ABORDAGEM

nunca conheci ninguém que realmente sentisse que era mais inteligente do que Deus
e que estivesse em condição de dizer: “ – Hei, Deus, vou mostrar como se faz.” Não, eu
não descobri como separar o mar vermelho, e duvido que faria da mesma forma que
Deus, mesmo se eu conseguisse e eu não consigo. (risos)
UMA

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Então, acho que isso é realmente importante porque está relacionado à espirituali-
dade, pois está relacionado com a crença mais profunda na qualidade positiva da es-
sência humana e de acreditar que nós crescemos e que nós aprendemos.

TERÊ:
E quando oferecemos uma história para a mente inconsciente estamos oferecendo
um convite para aquela presença mais profunda no ser humano?

STEVE:
Na realidade é tudo o que é, porque você não sabe com clareza como aquilo evoluirá
dentro da pessoa. Por exemplo, se alguma vez teve que lidar com crianças, sabe que às
vezes você oferece algo que pode ser útil para a criança, e talvez ela lhe diga que aqui-
lo não serve para nada, e um tempo depois você observa que ela está utilizando o que
você ofereceu, porém no momento em que ofereceu você não tinha ideia de como e-
xatamente ela integraria e usaria aquilo, você apenas sabia que poderia ser útil para ela.

É o que eu chamo de um profundo respeito pela capacidade da outra pessoa e da


mente inconsciente em crescer e evoluir. Talvez a pessoa não consiga ter acesso a al-
guns recursos, talvez tenha tido uma vida em que ela não se conectou com certos re-
cursos.

E todos nós tivemos vidas em que fomos interrompidos em algo que estávamos
aprendendo e jamais retornamos ao ponto em que fomos interrompidos naquela apren-
dizagem, então nós temos muitas aprendizagens incompletas, assim sendo, tiramos
nossas conclusões com base em aprendizagens parciais.

Bem, se a aprendizagem foi interrompida em um ponto em que tínhamos apenas


vinte por cento da informação, então nossos comportamentos podem dar a aparência
de ser muito estranhos, loucos e até psicóticos, pois eles estão sendo baseados em in-
formações que têm uma precisão de apenas vinte por cento e isso pode realmente dar
a aparência de um comportamento completamente irracional. Agora, se pudéssemos
INCOSCIENTE INFORMADO

de alguma maneira ter acesso e integrar as informações que ficaram faltando, e passás-
semos a ter não apenas vinte por cento, porém setenta, oitenta por cento das infor-
mações como base de referência para fazer nossas escolhas e agir, automaticamente
passaríamos a pensar e a nos comportar de forma diferente.

Em relação aos clientes, talvez não saibamos exatamente o que a pessoa precisa,
porém através de uma história, metáfora, ou de uma citação, disponibilizamos algumas
informações que ela integrará do seu próprio jeito.

TERÊ:
UM

Então você está dizendo que citações, histórias, metáforas são um meio de passar
PARA

informações que talvez estejam faltando àquele cliente?

STEVE:
ERICKSONIANA

Com certeza, com certeza.

TERÊ:
Esta é uma boa maneira de ver isso, e também a partir do que você falou vejo um
grande respeito pelos clientes, pelas suas capacidades, pelas suas potencialidades.
ABORDAGEM

STEVE:
Sim, é impressionante, uma vez tive uma longa conversa com um homem muito in-
teligente que passou anos fazendo psicanálise, cuja mãe era uma psicanalista muito fa-
mosa. E ele me disse: “– Conte-me sobre a técnica que você usa.”
UMA

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Bem, minha formação inicial foi como analista freudiano, a análise freudiana é algo que
eu respeito em termos da psicodinâmica, porém já não é mais algo que eu utilize dire-
tamente, pois eu aproveito aqueles aspectos que são realmente muito produtivos e que
funcionam e há outras partes da análise mais clássica que hoje em dia sabemos cientifi-
camente que não funcionam muito bem em termos de ajudar as pessoas a alcançarem
uma cura (heal) nos níveis mais profundos.

Em determinado ponto da conversa ele disse: “– Bem, quando você escolhe uma
história, ou metáfora isso faz com que você seja a pessoa importante, porque você sabe
o que aquela pessoa precisa.”

E eu disse: “– Não, eu não sei o que aquela pessoa precisa.”

Bem, tenho sim consciência, do quanto é importante me sincronizar com a pessoa,


fazer o que eu chamo de me sintonizar e me conectar, e ao mesmo tempo ficar atento
ao meu próprio histórico, de forma que eu saiba o que é uma questão minha e possa co-
locá-la de lado e possa realmente estar disponível. O quanto é importante adotar uma
atitude de ‘eu não sei, mas realmente fico curioso em saber’ quem é esta pessoa e o que
está acontecendo e qual é sua questão, não necessariamente de uma maneira lógica,
mas de múltiplas maneiras e ao fazer isso então talvez me ocorra algo que possa ofere-
cer e que acredite que terá um impacto terapêutico positivo. E tudo que posso fazer é
oferecer, pois o verdadeiro poder está no cliente. Então, é o cliente quem precisa utilizar
aquilo de uma maneira que lhe traga insights. Isto vem do trabalho de Carl Jung: o cli-
ente tem que usar as informações de uma maneira que lhe traga insights, o cliente tem
que ser persistente, e o cliente tem que ser ativo, e realmente acredito na importância
destas três coisas.

Naquela conversa várias vezes falei para o meu amigo: “– Na maior parte do tempo o
terapeuta é bastante irrelevante.” O processo diz respeito ao cliente, ao intercâmbio de
INCOSCIENTE INFORMADO

atenção, ao respeito, às informações, e é o cliente quem me ajuda a escolher as infor-


mações que apresentarei a ele. E este amigo realmente não conseguia entender como
o terapeuta não era importante, “– Ah, mas você interpreta e então é assim que você
sabe, ou você compreende as dinâmicas subjacentes e é assim que você sabe.” Foi mui-
to difícil para ele imaginar que não é que o terapeuta não tenha importância, e sim que
não é o terapeuta quem faz o trabalho.

E a propósito, quando digo insight, não é meramente um insight intelectual, é um


insight multidimensional, pode incluir o intelectual, porém é bem mais do que isso, é
emocional, é uma percepção física, é um saber.
UM

TERÊ:
PARA

E isso vem da experiência do cliente, não é algo que o terapeuta dá ao cliente.


ERICKSONIANA

STEVE:
Exatamente, e uma das dificuldades com as interpretações da psicanálise é que ao
fazer uma interpretação eu crio uma história do porque você faz o que você faz e então,
lhe conto essa história e o grau em que você aceita a história equivale ao grau em que
você é um bom paciente de análise, e o grau em que você resiste à história equivale ao
grau em que você está lutando contra a verdade, mas essa é a minha verdade, e cada
ABORDAGEM

pessoa tem a sua própria história, não a história que eu crio.


UMA

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Portanto eu tenho que realmente escutar a história da pessoa e criar em conjunto
com ela um ambiente em que ela se sinta a salvo o suficiente para que me conte sua
verdadeira história, não a história que está acostumada a contar, não a história que con-
ta para o público, mas dizer o que realmente acredita.

Agora, o insight é multidimensional, todos nós já passamos por situações em que


alguém nos disse alguma coisa que intelectualmente soou como algo inusitado e ainda
assim sabíamos que se tratava de uma parte da informação que estava faltando, em que
tivemos a impressão de: ‘acho que posso usar isso, não tenho a menor ideia de como
vou usar, mas isso aqui é importante.

E então, também há a ideia da persistência, que tem que vir do cliente, pois se ele
não persistir e ao invés disso ficar com a expectativa de que ele pode se comportar
como um filhote de passarinho que recebe uma história após outra, e não precisará pro-
cessá-las de alguma maneira, nada vai acontecer.

TERÊ:
Em relação a contar histórias no campo terapêutico você poderia ampliar essa noção,
de que o cliente tem que ser persistente?

STEVE:
Em parte, minha responsabilidade ao contar histórias é cultivar um senso de curiosi-
dade no cliente, porque sem curiosidade não há persistência. Observamos que é muito
difícil para pessoas gravemente deprimidas persistirem em qualquer coisa porque elas
não têm curiosidade sobre o mundo, elas se retraem da vida.

Então, persistência para mim tem relação com uma curiosidade muito mais direcio-
nada às experiências positivas que ajudaram a pessoa a sobreviver, a maioria das tera-
pias olha para todas as coisas horríveis que aconteceram, não que isso não faça parte de
um bom processo terapêutico, mas para mim persistência é se dar conta de que há uma
energia, uma fonte de energia positiva em todas as coisas que ajudaram você a sobre-
INCOSCIENTE INFORMADO

viver, e há uma curiosidade de tentar, no nível mais profundo, se tornar tudo o que você
pode se tornar, não como foi determinado pela sua família, não como foi determinado
pelo que aconteceu a você até aquele ponto em sua história, não como foi determina-
do pela sua cultura, todas essas coisas têm influência e precisam ser respeitadas, mas
persistência também significa: a que você se dedica em persistir. Você persiste apenas
no sentido de conseguir um emprego melhor? Não há nada de errado nisso, eu não vejo
isso como algo negativo, agora conseguir um emprego melhor provavelmente significa
que você estará evoluindo de várias maneiras diferentes também, então a ideia aqui é
realmente querer saber quem você é.

Eu trabalhei com vários clientes que estavam na fase final da vida, que estavam mor-
UM

rendo, e todos eles me disseram em algum momento: “– Eu quero saber quem eu sou
PARA

antes de morrer.” Tenho um exemplo muito bom de como suspender o julgamento, eu


atendi um cliente, que expressou: “– Eu quero saber quem eu sou antes de morrer.”, bem
ERICKSONIANA

esse cliente realmente se deu conta de que era um homem muito bravo e de gênio ruim
e que o problema de sua vida fora ter sempre mantido aquilo sob controle. Então, em
seus últimos seis meses de vida ele foi terrível com todo mundo e assumiu essa atitude
compreendendo as consequências, ele compreendia o como as pessoas poderiam se
sentir e no final de sua vida foi exatamente isso que ele expressou. Em minha carreira
até hoje foi o único caso em que isso aconteceu, portanto para mim isso é algo incomum
ABORDAGEM

e tive que lidar com os meus próprios sentimentos relacionados a esta não ser a forma
como eu passaria os meus últimos seis meses de vida, porém ele queria saber quem era
e para ele ficou bastante óbvio que parte de quem ele era havia sido predeterminada
por traumas, entretanto ele afirmou:
UMA

117
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“– Eu não me importo, eu não quero trabalhar isso, eu só tenho seis meses e eu nunca
tive a chance de ser um cretino malvado e agora é a minha vez.” A coisa impressionante
é que de alguma maneira a maioria de seus amigos aceitou isso e simplesmente negou
o fato de que ele não foi uma pessoa legal naqueles últimos seis meses. Eu trabalhei
com muitas e muitas outras pessoas que no final de suas vidas se dedicaram a conse-
guir um senso de paz interior e o conseguiram ao realmente partirem deste mundo ten-
do um senso de quem elas eram. Então, minha sensação é a de que venho fazendo isso
por mim mesmo, tenho entrado e saído de terapias há 45 anos porque não quero ter
que fazer um estudo intensivo nos últimos seis meses de minha vida para saber quem
eu sou. Não quero ficar de recuperação nessa matéria! (risos)

Sabe, tradicionalmente as pessoas usam a analogia do descascar as camadas de


uma cebola quando falam sobre conhecer a si mesmo. Acho que é um conceito que
está desatualizado, quando você tira camada por camada de uma cebola, ao terminar
de descascar não resta nada. Eu realmente vejo o conhecer a si mesmo como uma rosa,
começando com o broto e aos poucos crescendo e se expandindo e se abrindo e des-
abrochando, e no final as pétalas vão caindo uma por uma e é claro que no finalzinho a
rosa se foi, mas não o fruto da roseira, aquilo que detém todo o potencial e que constitui
a semente para a próxima geração.

TERÊ:
Fico muito feliz que tenha oferecido esta metáfora como uma alternativa à metáfora
da cebola, há anos venho tentando reenquadrar essa analogia sem sucesso, e ao refletir
sobre a imagem que nos oferece sinto que ela é muito mais rica, mais ampla, mais pro-
funda.

STEVE:
E também quando pensamos nas conexões inconscientes assim que nos dizem ce-
bola: ela nos faz chorar, os olhos lacrimejam, às vezes é difícil tirar a casca, o cheiro fica
na mão. Penso que não há tantas pessoas assim que tenham alguma experiência muito
INCOSCIENTE INFORMADO

negativa com rosas, pode ser que alguém tenha alergia e isso cause espirros, mas ba-
sicamente rosas têm fragrâncias e cores lindas, em minha opinião as cebolas não são
extremamente atraentes, pelo menos não comparadas a rosas de qualquer maneira. O
que considero realmente importante é ter aquele senso de persistência, no sentido de
conhecer a si mesmo e se tornar quem você realmente pode se tornar.

E então, o terceiro componente é que você dá suporte ao cliente encorajando-o a


agir, você não age por ele, porque qualquer ação que você fizer por ele é algo que real-
mente não o ajudará a integrar e seguir adiante, porque assim ele ficaria passivo e se o
cliente ficar passivo em relação ao seu próprio processo de conhecer a si mesmo ele não
UM

vai aprender nem vai crescer muito. Se estar passivos e nos desenvolver fosse possível
de verdade, então poderíamos ouvir alguns CDs, ver alguns DVDs, ou ler alguns livros e
PARA

estaríamos totalmente evoluídos, bem a maioria de nós já comprou e se beneficiou de


livros de auto-ajuda, porém quantas pessoas conhecemos que fazem isso o tempo todo
ERICKSONIANA

e nunca se importam em prosseguir e fazer alguma coisa, tomar uma atitude.

Por exemplo, eu posso dizer ao cliente: “– Todas as noites antes de você ir para a
cama quero que mantenha um diário, e anote três pequenas coisas pelas quais você seja
grato, três gratidões, e escreva porque você é grato.” Então, se eu fosse fazer o exercício
poderia escrever assim: Nesse momento está chovendo e eu sou grato pela água que
ABORDAGEM

está nutrindo a terra, os jardins. Sou grato pela chuva porque para mim isso realmente
me lembra do mistério do ciclo da vida da chuva e do sol.
UMA

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Erickson dizia, eu prefiro olhar para o brilho do sol, eu sei que chove, isso acontece
e precisa acontecer, porém eu coloco minha atenção no brilho do sol. Então, se você
escrever três pequeninas coisas pelas quais você seja grato, por exemplo, ontem vi uma
linda borboleta azul, e sou tão grato por isso porque eu consegui vê-la, consegui ver o
azul refletindo ao sol, e porque eu tenho olhos para ver isso, mesmo que os meus olhos
estejam um pouco mais velhos e a borboleta estivesse um pouco embaçada, isto não
importa.

Sabemos através de pesquisas no campo da bioquímica que quando de noite você


escreve três coisas pelas quais é grato e o porquê, algo acontece no seu interior que li-
teralmente abre mais o seu coração no sentido de você estar mais no mundo. Eu posso
passar essas tarefas para alguém, posso explicar quais são os efeitos, posso mostrar a
pesquisa, explicar o que os pesquisadores conseguem medir, explicar o quanto acredi-
to que seja algo bom, e ainda assim muitos clientes me reportam: “ –Eu não fiz a lição
de casa.” Bem minha sensação é: “– OK, eu não julgo, mas se você não fizer a ação não
fique com a expectativa de que o seu coração ficará mais aberto.” Eu faço o exercício
e meu coração está mais aberto e isso é uma boa coisa. Já ouvi pessoas me dizendo:
“– Ah não, eu não quero me arriscar em outro relacionamento porque isso pode ferir
meu coração.” E minha sensação é: “– Sabemos que o que pode ferir seu coração é você
mantê-lo fechado. E quem lhe prometeu que o prazer e a aprendizagem em qualquer
relacionamento aconteceriam sem nenhum sofrimento e dor? Isso faz parte. E se você
permanecer aberto saberá quando se proteger, se você permanecer fechado com fre-
quência pode acabar entrando em situações em que você não percebe que deveria es-
tar se protegendo e você se machuca do mesmo jeito.”

Então, são três fatores importantes: ter os insights, não necessariamente insights in-
telectuais, é claro que eles ajudam, porém é bom lembrar que noventa e cinco por cento
dos insights úteis no processo de mudança vêm da mente inconsciente que escuta a
metáfora, história ou citação e faz conexões que nem sequer imaginamos. Persistência
e pode haver histórias que ajudem a cultivar um senso de persistência e curiosidade, e
INCOSCIENTE INFORMADO

é necessário tomar uma atitude, ou seja, partir para a ação.

Também quero ressaltar que quando conto histórias, muitas das estratégias erickso-
nianas se encontram embutidas na história para torná-la mais potente. Quando utilizo
uma citação geralmente não insiro nenhuma estratégia, a citação é suficiente por si só.
Nesse caso, talvez eu use uma estratégia para conseguir atrair o foco da mente incon-
sciente, então antes de lhe apresentar uma citação posso dizer algo como: “– Acaba
de me ocorrer uma citação, é uma citação muito interessante, não sei se você também
achará interessante, e não sei que efeito uma citação assim pode ter para você, sei que
teve um efeito interessante para mim quando a ouvi, e a maioria das citações contêm
UM

informações que causam algum efeito em alguém. Ah, mas estou divagando, a citação
é a seguinte: ...”
PARA

TERÊ:
ERICKSONIANA

Então, neste caso, você antes usa a estratégia da confusão e assim obtém a atenção
da mente inconsciente para então passar a mensagem na citação?

STEVE:
Exatamente, e quando conto uma metáfora ou história longa posso combinar dife-
rentes estratégias para manter o interesse da mente inconsciente, ou para sublinhar al-
ABORDAGEM

gum aspecto em particular da história, um aspecto que não sei ao certo como será uti-
lizado, mas que eu considere ser um aspecto importante.
UMA

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TERÊ:
Eu gostaria de voltar um pouco na questão da persistência e do partir para a ação,
agora do ponto de vista do terapeuta, ou contador de histórias. Se nós pensarmos que
muitas pessoas na área de prestação de ajuda a outras pessoas sentem como se deves-
sem fazer alguma coisa, como se devessem promover a cura (heal), o desenvolvimento
e assim por diante, qual seria o seu conselho para elas sobre isso? O que você sugeriria
que essas pessoas mantivessem em mente e observassem em relação ao cliente, no
sentido de discernir se o cliente está ativo e persistente o suficiente?

STEVE:
Bem, eu acho que a primeira coisa que eu diria é que o terapeuta, coach ou practi-
tioner deve ter consciência de quanto sua autoestima, ou ego, está ligada a ‘eu estou
ajudando meu cliente’, porque frequentemente temos a ideia de que determinada coisa
que dizemos ou fazemos foi significativa em termos da ajuda que prestamos ao cliente
e por outro lado ele nem percebe aquilo como relevante, para ele nossa ajuda é útil de
uma maneira totalmente diferente do que imaginamos.

Um dos problemas que as pessoas têm ao utilizar metáforas, histórias e citações é


que o comportamento talvez mude, dentro de um dia, ou dois, uma semana ou um mês,
entretanto com frequência o cliente não faz uma conexão direta entre a mudança e a-
quilo que você fez. Muitos dos meus clientes já me disseram: “– Eu não sei o que fizemos
aqui neste último ano, e eu não sei dizer daquilo que você fez o que foi efetivo ou não,
entretanto minha vida está...” E então eles contam sobre vidas que estão transformadas.

Bem, eu não fui necessariamente o único a lhes trazer informações que lhes possibi-
litassem realizar isso. Então, a primeira coisa seria avaliar o quanto o nosso sentimento
de estarmos fazendo nosso trabalho, ou sendo bons terapeutas, está ligada à noção de
ajudar. Com frequência alguém chega e me diz assim: “– Mas eu realmente quero ajudar
o meu paciente.” E eu digo: “– A melhor maneira de ajudar o seu paciente é se livrando
dessa atitude.” Primeiro de tudo, eu nunca trabalhei com um cliente que não tenha aju-
dado a curar (heal) algo em mim, então existe uma humildade envolvida. Dizer ‘eu vou
ajudar você’ é algo inadequado, pois será que você realmente está me pedindo isso?
INCOSCIENTE INFORMADO

Será que realmente formamos uma aliança? O que ajudar significa e até que ponto tem
relação com o meu sentimento de ‘Eu ajudei você a mudar a sua vida.’ Não é suficiente
simplesmente saber que de alguma maneira nos nossos encontros e no que comparti-
lhamos eu o vi crescer? Será que realmente preciso levar os créditos?

Observo isso na relação com o meu filho, há vezes em que ele me diz: “– Eu preciso
da sua opinião e preciso da sua ajuda.”, recentemente ele fez isso, pois eu vinha respon-
dendo a ele: “– Ah que interessante, e o que você acha?” Contei-lhe uma história ou duas
e finalmente ele disse: “– Pai, eu preciso de uma opinião direta, eu consigo me decidir
sozinho.” Então eu disse: “– OK, eu vejo desse jeito e desse jeito... e esse seria o meu
foco se eu fosse você.” Ele respondeu: “– OK, agora vou levar isso em consideração.”
UM

Entretanto, na maioria das vezes eu me preocupo em responder ao que ele precisa, ou


PARA

me diz, sugerindo algumas coisas que o ajudem a refletir e, ele tem que se esforçar, às
vezes o que eu faço deliberadamente é não oferecer nenhuma solução, resolução ou
ERICKSONIANA

resposta, e sim realmente dar apoio no sentido dele se expandir um pouco mais do que
se sente confortável, lembrando que talvez ele precise de um pouco de segurança.

Lembro-me que no México houve uma inundação devastadora em uma vila e uma tera-
peuta estava conversando comigo e disse: “– São duzentos quilômetros de distância,
metade da vila foi destruída, e eu estou indo para lá, estou indo para lá simplesmente
ABORDAGEM

para estar com as pessoas da vila e lhes oferecer meus serviços e levar amor para elas
porque elas precisam da minha ajuda.” Ela parou de falar e eu disse: “– Eu acho que o
que elas precisam agora é que todo mundo fique longe da vila e deixe as equipes de
emergência cuidarem das vítimas e pessoas feridas.
UMA

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As equipes de emergência têm que ir para lá para levar água, comida, não fique no
caminho. E a propósito, elas lhe pediram?” E ela ficou muito ofendida com minha per-
gunta, “– Eu vou levar amor para elas.” ela afirmou, então eu disse: “– Elas não precisam
de amor. Elas precisam de comida, precisam de roupas, precisam de abrigo, água, e elas
não precisam de uma ‘fazedora-do-bem que vem para salvar as pobrezinhas!’ Pois, de-
cidi que como ela já havia ficado ofendida eu não tinha nada a perder ao falar a verdade,
e disse: “– Fique de fora! Isso aqui não tem nada a ver com amor e elas não pediram
nada a você. Quando pedirem a você, quando lhe convidarem e quando você escutar
o que elas disserem que precisam, aí é outra história.” Acredito que o que a pessoa diz
ser o problema, é o problema. E a maioria de nós não escuta e as pessoas geralmente
não chegam dizendo ‘eu preciso da sua ajuda’, elas talvez digam algo como ‘eu preciso
de recursos’, ‘eu preciso de informações.

Ontem por cerca de uma hora conversei com uma pessoa, a pessoa estava do outro
lado do mundo, e o que precisava era que eu apenas a escutasse. Duas ou três vezes
recapitulei para a pessoa o que ela havia dito, palavra por palavra: “– Então, você real-
mente ainda não tem nenhuma clareza sobre o que quer fazer, mas você tem sim algu-
mas capacidades.” Acho que refleti algo desse tipo umas três vezes e no final a pessoa
disse: “– Nossa! Mal posso esperar para falar com você na semana que vem porque isso
é realmente importante.” Eu não falei nada, tudo que fiz foi recapitular para a pessoa o
que ela dissera sobre ter algumas capacidades e encontrar alguma clareza, nada além
disso, porque o que a pessoa realmente precisava era de alguém que a escutasse.

Então, toda a ideia de ‘eu vou ajudar’ também pressupõe ‘e eu sei o que você precisa’,
agora se ao invés dessa atitude, adotarmos uma postura de ‘nós realmente criamos em
conjunto com o paciente e somos um instrumento para o paciente’, essa mudança de
postura faz uma grande diferença. Não se trata de darmos os nossos instrumentos para
o paciente para que ele saiba o que fazer, nós somos um instrumento para o paciente.

TERÊ:
Isso nos traz de volta para o que vem em primeiro lugar: rapport, querer conhecer o
INCOSCIENTE INFORMADO

cliente naquele sentido rico que você mencionou antes, e respeito.

STEVE:
Sim, e eu quero comentar sobre o rapport. Nos treinamentos, ensino às pessoas
como ter rapport, ou seja, como se conectar à outra pessoa com uma intenção positiva
espelhando sua linguagem corporal, e quando falo sobre linguagem corporal trata-se
simplesmente de como a pessoa movimenta o corpo, como é seu tom de voz, sua respi-
ração, não no sentido de uma interpretação e sim no sentido do que se pode observar.
Ao estabelecer rapport o terapeuta realmente tem que baixar suas barreiras interiores
em relação a estar em uma conexão muito íntima com outro ser humano de uma ma-
UM

neira não expressa em palavras. Bem, na medida em que isso se desenvolve você obtém
PARA

todo tipo de informações, porém o que eu acho que as pessoas não se dão conta é: e
se você estiver entrando nesse tipo de comunicação com alguém que seja psicótico?
Ou com alguém que acaba de perder três pessoas da família em um terrível acidente de
ERICKSONIANA

carro?

Então, você tem que saber entrar em rapport e como se faz isso, e é preciso prática, ao
mesmo tempo em que cultiva um ambiente a salvo para você e para o cliente. Você tem
que saber quando entrar nesse campo e como sair desse campo relacional para manter
a clareza e a objetividade. E o que acontece com frequência é que as pessoas entram
ABORDAGEM

em rapport, entram nesse campo relacional, e perdem o equilíbrio, o terapeuta perde o


equilíbrio, alguém que seja terapeuta e trabalhe com uma pessoa psicótica pode ficar
desregulado porque a pessoa está no caos e na desorganização.
UMA

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Portanto, estar neste rapport, neste campo, sabendo como retroceder o suficiente para
estar conectado com isso, porém sem que isso se alastre completamente, sem que se
fique desorganizado é parte de um treinamento e uma aprendizagem muito profundos.
Geralmente as pessoas pensam: ‘para obter rapport eu faço isso, isso e isso e agora
nós estamos conectados’, todos nós já tivemos talvez um amigo, uma tia, um tio, talvez
nossos pais, ou até mesmo um cachorro, todos nós já tivemos alguém com quem real-
mente sentimos essa conexão, porém sabemos que na maioria do tempo as pessoas
não se conectam conosco nesse nível. Tenho uma amiga a quem visitarei em Londres
dentro de algumas semanas, não a vejo há cinco anos, bem, cinco minutos após nos
encontrarmos e será como se não houvesse passado dois dias, isso acontece, porque
nós nos conectamos muito profundamente um com o outro. Sei que ela está passando
por uma fase difícil, posso me conectar com isso, porém eu tenho que saber como estar
nesse campo e permanecer regulado. Tenho que saber ao trabalhar com experiências
horrivelmente traumáticas, como me conectar com isso ao mesmo tempo em que per-
maneço fora desse campo para que aquilo não me sobrecarregue e para que eu tenha a
clareza de contar uma história ou oferecer uma citação ou fazer uma sugestão que seja
útil para aquela pessoa.

Bem, penso que jamais vou parar de aprender sobre rapport e sobre como utilizá-lo
de maneira efetiva e sobre como entrar em rapport e como estar em rapport sem ser
contaminado pelos aspectos disfuncionais que também são vivenciados quando se está
em rapport com outra pessoa.

TERÊ:
Sim, penso que é um ótimo alicerce, é a base de todo o processo.

STEVE:
Sim, é a base.

TERÊ:
OK, a essa altura o facilitador deixou seu ego de lado, por assim dizer... (risos)
INCOSCIENTE INFORMADO

STEVE:
Certo, esperamos que sim! (risos)

TERÊ:
Agora ele tem uma atitude de respeito, de testemunhar o universo rico que é o outro
ser humano, que está bem ali à sua frente, e tem a capacidade de estabelecer e manter
o rapport e esse facilitador tem as habilidades de usar citações, metáforas, histórias.
Como esse terapeuta, coach, ou practitioner pode fazer o acompanhamento de seus
clientes em relação ao que você disse anteriormente sobre o cliente ter que ser per-
sistente e ter que partir para a ação, ou seja, ser ativo, o que é importante de se obser-
UM

var no cliente no sentido de fazer o acompanhamento do processo?


PARA

Fico pensando que às vezes as pessoas ficam “viciadas” no transe, ou nas histórias,
e dizem coisas como: “– Ah, eu venho aqui porque amo suas histórias.” “– Faço aqueles
ERICKSONIANA

cursos porque vivo momentos maravilhosos e ouço histórias que me dão esperança.”
Como o facilitador pode discernir se o cliente, o aluno, está usando as histórias de uma
maneira produtiva?

STEVE:
Bem, acho que uma das coisas é prestar atenção nas pequenas mudanças. Por exem-
ABORDAGEM

plo, em meu último treinamento havia uma pessoa que tinha a aparência de estar de-
primida, se vestia com roupas muito escuras, estava com olheiras profundas, não falava
nada.
UMA

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Em uma de minhas aulas contei para toda a classe uma ou duas histórias que falavam
sobre evolução e possibilidades, no dia seguinte essa pessoa veio para a sala de aula de
cabelo arrumado, isso é interessante porque no primeiro dia ela tinha a aparência um
pouco desgrenhada, também passou a usar cores, surgiu uma luz em seus olhos que
não havia antes, no final do quarto dia ela passou a falar com muito mais fluência, a ter
uma energia muito mais positiva, e comentou: “– Sabe? Minha vida inteira eu quis ir para
a Espanha e eu decidi agendar uma viagem para a Espanha nesse verão. Vou sair para
o mundo.” E isso aconteceu em um período de quatro dias, então o que eu procuro é
uma mudança no tom de pele, procuro uma leve mudança na atitude, procuro checar
se ao olhar nos olhos da pessoa seu olhar é longínquo e sem vida e observo se com
o tempo os olhos começam a ganhar vida. São coisas que tenho observado inúmeras
vezes tanto na minha prática particular como nos cursos. Outro exemplo que acontece
com frequência é daqueles clientes que reclamam de tudo, eles têm uma atitude do
tipo ‘essa pessoa me irrita’, ‘aquela pessoa me incomoda’, e aos poucos você nota que
as reclamações começam a diminuir e eles começam a reparar em coisas mais produti-
vas e mais positivas.

Agora, uma das coisas que considero importante é permanecer em contato com o
que você vivencia quando está com o cliente, pois eu não me preocupo tanto em relação
ao cliente ficar viciado nas histórias, ou metáforas, e sim com o terapeuta, porque este
pode pensar: ‘Nossa o cliente ama as histórias, é isso que ele quer, eu me sinto bem, ele
se sente bem...’ Porém, sua função não é essa, sua função é ajudar o cliente a evoluir.
Se algum movimento não estiver sendo notado, com frequência trata-se do terapeuta
que se envolveu tanto com a técnica e deixou o cliente numa posição de ‘Isso é ótimo!’,
pois ele está se divertindo e não tem que mudar de vida, só que assim ele não está se
tornando quem precisa se tornar. Fico mais preocupado em relação ao terapeuta não
perceber no seu íntimo que talvez o cliente precise de um pouco mais de desconforto.

Frequentemente conto histórias e também passo tarefas de casa para os clientes


e alunos. Às vezes a pessoa não faz e tudo bem eu não julgo pensando que a pessoa
está de má vontade. Agora, quando chega à décima vez que a pessoa me relata: “– Ah,
eu queria ter feito, mas não fiz.” eu fico intrigado. Por exemplo, geralmente faço uma
INCOSCIENTE INFORMADO

gravação e peço ao cliente que a ouça todos os dias, e o cliente não faz isso, e me in-
forma: “– Ah, eu nunca ouço a gravação.” Posso dizer: “– Que tal fazermos um acordo?
Vejamos se você concorda, que tal colocarmos o foco no que talvez você precise para
ser capaz de fazer isso? Pois eu não sei que mudança isso produzirá, mas eu sei que
produzirá uma mudança positiva e lhe ajudará em sua vida, entretanto você não tem
feito a tarefa de casa, então vamos realmente explorar se há algo que precisemos fazer
primeiro, ou se há alguma coisa ligada a essa questão.”

Nesses casos é possível fazer um trabalho de transe, é possível usar a estratégia que
chamamos de ponte do afeto para explorar, o sentimento de ‘eu quero fazer e tenho
UM

boa intenção, porém nunca realmente faço, não sigo em frente, etc.’ É possível inves-
PARA

tigar se houve algum momento no passado em que isso tenha ocorrido. É importante
explorar, sem julgar, o porquê a pessoa não está utilizando o que tem sido sugerido. Às
ERICKSONIANA

vezes é devido à falta de rapport, às vezes é devido às palavras e frases que o facilitador
vem utilizando, às vezes as pessoas, devido a seus próprios históricos, ficam apegadas
ao controle. Todas essas coisas podem interferir e precisam ser exploradas.

Às vezes tenho a sensação de ‘Ah, eu gostaria de ver a pessoa fazer isso, isso e isso...’,
só que é claro que o meu papel não é determinar em que direção a pessoa deve seguir.
ABORDAGEM

Então, em termos de acompanhamento do processo ocorre algo muito interessante,


alguém pode vir fazer o processo de terapia, ou coaching porque quer ter um ótimo
relacionamento, porém esse resultado não está aparecendo, no entanto, é possível ob-
servar que a vida da pessoa com os filhos começa a funcionar muito melhor, ou que as
brigas com o chefe diminuíram. Estes são indícios que mostram que a pessoa está se-
UMA

guindo adiante.

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Porque a pessoa pode ter um foco específico, o qual nós procuramos apoiar, mas talvez
haja outras coisas que precisem mudar primeiro, antes que aquilo realmente possa mu-
dar. Portanto, eu acho que é realmente importante observar as pequenas coisas.

STEVE:
Essa é uma pergunta muito interessante, pois há pessoas que, por terem o estilo de
apego ansioso em agradar, fazem tudo o que você sugere e lhe dizem como foi ótimo,
como a terapia está sendo maravilhosa.

TERÊ:
Ou até mesmo na vida cotidiana, a pessoa trabalha e trabalha, cuida da família e dos
amigos, a pessoa está sempre fazendo coisas.

STEVE:
O que eu procuro é o que eu chamo de tom emocional. No início do processo, na
medida em que a pessoa descreve seus relacionamentos, as coisas com as quais vem
se debatendo e assim por diante, é possível perceber um tom, talvez o tom seja o de
um baixo nível de desespero, ou o de um ‘eu jamais serei amado’. Tomemos esses dois
como exemplos, durante o processo muitas coisas podem mudar na vida da pessoa, en-
tão agora você consegue ver que parece que a pessoa é amada, agora a pessoa tem o
emprego que sempre quis, porém quando ela conversa com você, você sente que ainda
está sentado na sala com alguém cujo tom emocional não mudou realmente. Os even-
tos externos ao redor da pessoa sim, e a pessoa agiu para mudar, porém há o risco, pelo
menos essa tem sido a minha experiência, de que se a pessoa realmente passar por
uma situação difícil ela poderá perder terreno muito rapidamente e voltar direto para
o sentimento original. Então, há um tom emocional que me diz se a pessoa realmente
mudou.

TERÊ:
Na minha experiência, pois já o traduzi em tantos cursos e também em muitas ses-
sões individuais no contexto terapêutico, tenho observado que você percebe qual é a
INCOSCIENTE INFORMADO

metáfora com a qual o cliente chega, algo como um sintoma que é uma metáfora de
alguma outra coisa, e tenho notado que você é capaz de enxergar isso e de uma ma-
neira muito suave e indireta, sem ser intrusivo, captura, por assim dizer, essa metáfora,
a utiliza e a acompanha. Você poderia comentar um pouco sobre isso?

STEVE:
Sim e acho que posso dar uma contribuição positiva aqui, eu realmente vejo, ouço e
sinto o que quer que a pessoa esteja dizendo e fazendo como uma metáfora e entro na
linguagem da pessoa, entro no mundo da pessoa.
UM

Tive uma experiência maravilhosa recentemente em que um cliente, que deve estar
PARA

nos seus 55 ou 60 anos, me solicitou repetidas vezes: “– Eu vim aqui para uma experiên-
cia de vidas passadas, eu quero ter uma experiência de vida passada.” Bem, eu não es-
tava particularmente interessado em promover isso porque ele não estava lidando com
ERICKSONIANA

sua vida presente, não estava assumindo responsabilidade por sua vida presente, e eu
poderia facilmente passar um sermão e ele provavelmente iria embora e jamais voltaria,
era perceptível que estava ficando muito frustrado. Em parte, eu me sentia sob pressão,
no sentido de pelo menos tentar uma vida passada com esse cliente, e na medida em
que eu o ouvia repetir: “– Eu quero vidas passadas, eu quero descobrir sobre minha
vida passada, eu sei que há algo na minha vida passada, etc.” fui percebendo o que eu
ABORDAGEM

poderia fazer. Utilizando um transe conversacional concordei inteiramente com ele: “–


Não é engraçado como nos esforçamos e lutamos e esperamos e desejamos nos abrir
para nossas vidas passadas e aprender com nossas vidas passadas, mas sabe, desde o
momento que nascemos até hoje nos seus 55 ou 60 anos você teve muitas vidas.
UMA

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Sabe, é um jeito de praticar, porque entrar em uma experiência de vida passada real,
autêntica e significativa demanda prática. Estou verdadeiramente disposto a lhe ajudar
a abrir essa porta e a única forma que eu conheço em que essa porta realmente se abre
e na qual podemos realmente nos sentir seguros em relação às informações, e seguros
de que será uma experiência útil e transformadora, é praticar voltando às muitas vidas
que você teve nesta vida, e alcançar uma compreensão interior e sabedoria sobre o que
aconteceu, quais foram as aprendizagens, qual é a evolução da sua alma nesta vida,
nesta experiência. Então, que tal realmente colocarmos o foco nas suas vidas passadas
começando no momento em que você nasceu nesta vida até sua idade atual?”

Ele ficou sentado ali, era possível ver que sua mente intelectual provavelmente estava
pensando ''eu acho que vim aqui para ter uma experiência de vidas passadas, do que
esse cara está falando?’ E então obtive sua total concordância, ele perguntou: “– Essa
prática vai me ajudar?” Ao que respondi: “– Eu acredito verdadeiramente que sim, que
até que você arrume esta vida você realmente não obterá informações úteis de uma vida
passada, porque com uma atitude de ‘aquilo aconteceu comigo naquela vida e está me
causando isso agora’ você não está agindo, você está passivo, você não está assumin-
do responsabilidade. E é possível que realmente cheguemos a uma experiência de vida
passada, o que, na verdade, eu encaro como uma metáfora. É uma metáfora fantástica
e para mim as pessoas não têm que acreditar nem deixar de acreditar em vida passada.
Talvez seja uma vida passada ou talvez seja a única forma que você consiga expressar
um conflito muito profundo que seja inaceitável para sua mente consciente nesta vida,
isso não importa porque trata-se de uma metáfora.” E agora ele está trabalhando comi-
go em bases regulares para compreender suas vidas passadas nesta vida.

Então, trata-se de escutar e utilizar o que o cliente está comunicando, assumir que
o problema é o problema, nesse caso o cliente queria um processo de vida passada, e
ao mesmo tempo compreender que talvez seja preciso procurar pelo contexto, porque
o problema é este, porém o contexto do cliente era ‘Deixe-me fugir de tudo nesta vida.
INCOSCIENTE INFORMADO

Tenho certeza que sou do jeito que sou hoje porque há 2000 anos aconteceram todas
aquelas coisas ruins.’ Bem, mesmo que fosse verdade, eu nunca vi isso resolver nada
para ninguém.

Agora, OK, o problema é o problema, então simplesmente utilize a linguagem do cli-


ente, é aí que está o poder da metáfora: “– Vamos dar uma olhada na sua vida passada,
quando você tinha 1 ano, 3 anos, 5 anos vamos realmente explorar suas vidas passadas
nesta vida, e quando tivermos praticado tudo isso até chegar à sua idade presente, nós
saberemos como abrir a porta para uma vida passada se isso for necessário.” Quanto a
este cliente específico ele está extremamente feliz com o trabalho que estamos fazen-
UM

do.
PARA

TERÊ:
Este é um exemplo muito interessante e relacionado a este mesmo aspecto, acho
ERICKSONIANA

que foi Milton Erickson que disse que o sintoma é uma metáfora, não é mesmo?

STEVE:
Exatamente.

TERÊ:
ABORDAGEM

Como você entende isso que Erickson dizia de que o sintoma é uma metáfora?
UMA

125
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STEVE:
O que acontece, e há muitas formas de se trabalhar com isso, é que o sintoma fala
com você. Por exemplo, você pode estar sentindo uma horrível dor no pé, e isto é uma
metáfora para alguma coisa. A questão é que com frequência o sintoma é interpretado:
‘Ah, você está com dor no pé porque você quer chutar alguém.’ As pessoas interpretam
a metáfora, ao invés de ver que ela está se comunicando conosco, porém não quero
que você me diga no nível consciente o que essa metáfora está dizendo. Recentemente
em um curso, durante uma demonstração, fizemos ao voluntário da demonstração cin-
co perguntas: Qual é o problema? O que você acha que poderia ajudar? O que precis-
amos fazer primeiro em relação ao problema?, etc. No primeiro momento fizemos as
perguntas em estado consciente, da segunda vez que fizemos as mesmas perguntas o
voluntário estava em um estado de transe, e as respostas foram diferentes, na terceira
o voluntário estava em um transe muito mais completo e utilizamos os movimentos dos
dedos para que o inconsciente sinalizasse sim, não, eu não sei, novamente as respostas
foram diferentes. Então, quando nos comunicamos com os diferentes níveis da mente
inconsciente chegamos ao que realmente está acontecendo sem a interferência de to-
dos os filtros que a pessoa desenvolveu ao longo de sua formação.

E o que é lindo em relação a isso é que não preciso saber qual exatamente é o sig-
nificado da metáfora que o sintoma está expressando, eu posso simplesmente prescre-
ver o sintoma. Então, alguém que me diz “– Durante umas 5 ou 6 horas por dia fico de-
primido, realmente não consigo lidar com isso, tenho passado de médico em médico,
porém não quero tomar remédios.” Posso dizer: “– OK, o que considero realmente im-
portante é que, por alguma razão, você realmente precisa fazer isso, porém 5 ou 6 horas
por dia parecem não estar sendo suficientes, você precisaria fazer isso durante umas
8 ou 9 horas. Na semana que vem, desde o momento em que você acordar até a hora
de dormir, quero que você realmente acentue esse sentimento. Por exemplo, se alguém
ligar você diz ‘não posso falar com você sinto-me tão...’ e mencione qualquer sentimen-
to que tenha.” Ao prescrever o sintoma duas coisas geralmente acontecem: uma é que
surge aquela sensação de ‘Ai meu deus!’, a pessoa acaba se cansando do sintoma. Ou-
tra é que quando você amplia o sintoma, quando você não o interpreta, quando você
INCOSCIENTE INFORMADO

apenas pede à pessoa que de alguma maneira faça mais daquilo, e aqui está o que é
realmente importante, e aceita o sintoma, quase sempre ele lhe traz algum insight e lhe
diz do que se trata.

Às vezes eu simplesmente peço à pessoa que pense no sintoma, qualquer que seja
ele, e pergunto:
“– Você está confortável com isso?” “– Não eu odeio isso, eu não confio nas pessoas, e
eu odeio o fato de não confiar nas pessoas.”, por exemplo. Então sugiro: “– Ótimo, va-
mos imaginar que você está sentado em um banco no parque, e a parte em você que
não confia nas pessoas, chega e se senta ao seu lado, você consegue aceitar isso?” “–
UM

Não, eu não quero lidar com essa parte de mim de jeito nenhum.” E eu prossigo: “– Dig-
PARA

amos que você esteja sentado em um banco no parque, aí um completo estranho chega
e se senta ao seu lado, ele não é ameaçador, ele não atacará, nem será amistoso, ele vai
ler um jornal, ou uma revista, será que você pode deixar essa parte vir e se sentar com
ERICKSONIANA

você?” Quase sempre, quando uma pessoa permite uma aceitação, o que quer que es-
teja sendo expresso por aquele sintoma, que na verdade é uma metáfora, se torna mui-
to mais disponível, fica mais ao alcance da pessoa. Inicialmente pode não fazer nenhum
sentido, porém a maioria de nós já ouviu a expressão: aquilo a que resistimos persiste,
então no momento em que paramos de rejeitá-lo e apenas nos sentamos com ele, não
precisamos nem falar oi se não quisermos, talvez possamos olhar de canto de olho en-
ABORDAGEM

quanto está ali sentado ao nosso lado, ou não, ou pelo menos adotar uma atitude de
‘Ok, isso está comigo.’ Ao silenciosamente aceitarmos esse sintoma, essa metáfora, ele
nos fornecerá outras metáforas e até mesmo a clareza para sabermos do que se trata,
agora o que é importante é que o cliente lhe diga do que se trata, não é você que diz
ao cliente do que se trata.
UMA

126
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TERÊ:
Sim, compreendo e quero dar um passo adiante em relação a esse conceito de que o
sintoma é uma metáfora. Tenho tido a oportunidade de testemunhar sua capacidade de
no relacionamento com o cliente enxergar certos sintomas como metáfora e utilizá-los,
mesmo que o cliente não perceba o sintoma como metáfora. Noto que você percebe
algo e oferece como uma ideia. Por exemplo, lembro-me de alguém que tinha medo de
grilos e você sugeriu algo como: ‘Talvez esse medo de grilos seja uma metáfora para X
e Y.’ e você mencionou o que seria X e Y. Você poderia falar um pouco sobre isso?

STEVE:
Bem um aspecto é que você tem que ter cuidado para não fazer uma interpretação.
Lembro-me de trabalhar com uma pessoa cuja queixa era se sentir sobrecarregada
porque tinha que gerenciar tudo. Esta pessoa tinha uma pequena empresa, havia um
funcionário na administração, uma equipe de vendas e, a contabilidade e os serviços do
web site eram terceirizados. Bem, a pessoa se queixava que ninguém fazia o trabalho
direito e que ela estava muito cansada, a metáfora era ‘eu mesma tenho que fazer tudo
me pareceu que eu poderia levantar algumas hipóteses sobre o que havia por trás daqui-
lo, que aquilo provavelmente tinha relação com uma quantidade enorme de controle,
tinha relação com micro gerenciamento, e estou bastante certo de que era verdade,
porém isso era irrelevante, então apenas escutei muito atentamente e a pessoa olhou
para mim e perguntou: “– E então, qual é o seu conselho?”

E como eu digo, nunca dê conselhos, agora em certo sentido o que fiz em seguida
foi uma metáfora para tudo o mais, eu disse: “– Fico curioso sobre o porquê você não
contrata uma secretária pessoal? Uma competente secretária pessoal. Você não vai
passar seus cheques para que ela assine, entretanto se você contrata alguém que seja
competente e que tenha as credenciais apropriadas, esta pessoa pode gerenciar isso,
isso e isso e então você realmente se surpreenderia em como sua energia retornaria e
você teria muito mais tempo para se conectar com a alegria da vida, não é bom não
precisar cuidar de tudo?”
INCOSCIENTE INFORMADO

Então, com isso eu estava tratando de duas coisas: ''Que tal fazer uma ação, com
base na realidade?'' Esse cliente tinha o tipo de vida financeira em que isso não seria um
problema, ele tinha condições de contratar alguém que cuidasse de tudo aquilo. E ele
havia me dito: ‘me responda, me diga o que fazer.’ Então, de certa maneira eu disse a
ele o que fazer, mas ao mesmo tempo utilizei aquilo como metáfora para: ‘E eis aqui os
resultados... e, não é bom não precisar cuidar de tudo?’ a mente inconsciente diz ‘Ah!’ e
‘Sim é bom não precisar cuidar de tudo.’ mesmo que o comportamento consciente seja
‘Eu não sou uma pessoa OK a menos que eu faça isso, isso, e isso’.

Então eu acho que o que é realmente importante é escutar com muita atenção
para ter um senso de qual é a metáfora que está se apresentando, um senso de qual é
UM

o significado daquilo na vida do cliente, não o que aquilo significa para mim. Bem, na
PARA

minha abordagem eu poderia dizer ''grilo significa isso, ou aquilo'', utilizando símbolos
freudianos, agora, o que eu ofereço são informações que possam produzir algum tipo
ERICKSONIANA

de resolução, como no caso, a sugestão de contratar uma secretária, trata-se de uma


informação que pode gerar algum tipo de resolução, enquanto ao mesmo tempo co-
munico ‘e a secretária realmente deixará você mais livre para uma resolução muito mais
profunda de algumas dessas outras questões’ e tudo é dito de uma maneira indireta.
Você pode utilizar o sintoma, pode lidar com o sintoma enquanto metáfora, agora é
muito importante ter em mente que não se trata de uma interpretação.
ABORDAGEM

Outro aspecto que me ocorre é ao passar uma tarefa de casa fico muito atento para
não reforçar o problema propriamente dito. Então, no exemplo daquelas pessoas que
têm um estilo de apego ansioso em agradar, que mencionei antes, e aqui o padrão é
que a pessoa sente necessidade de agradar todo mundo.
UMA

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Nesses casos posso organizar a forma como vou passar a tarefa de casa de uma ma-
neira que não coloque a pessoa em uma posição em que ela sinta que tem que me
agradar. Vejamos como isso soaria: “–Talvez você ache interessante fazer esta tarefa de
casa, você pode fazer a tarefa completa, ou pode decidir fazer apenas partes da tarefa,
ou pode decidir até mesmo não fazer, simplesmente porque não quer fazer, e caso se
decida a experimentar fazer você pode checar o que sente ao fazer a tarefa.”

Bem, talvez eu não sugira isso para outra pessoa, o que procuro fazer é escutar o
senso subjacente, observando qual é o padrão improdutivo, talvez a pessoa seja muito
passiva, talvez seja muito dependente, ou queira se tornar independente, porém fica
exigindo que você lhe diga o que fazer. Ao fazer a sugestão final para a tarefa de casa
eu me recordo do tema subjacente e organizo a tarefa de casa de tal forma que não dê
suporte para a atitude de ter que agradar, ou de dependência, organizo-a de tal forma
que propicie um jeito positivo de realizá-la.

TERÊ:
De forma que a tarefa de casa seja uma metáfora útil para apoiar a pessoa no sentido
de interromper um padrão limitante?

STEVE:
Exatamente.

TERÊ:
Então, você mantém em mente durante toda a sessão, tudo o que a pessoa trouxe,
o tema emocional subjacente no qual a pessoa está, aquilo que parece ser o problema,
por exemplo, dependência ou agressividade, qualquer que seja o tema e então quando
você dá a tarefa de casa você presta atenção para que na própria tarefa de casa você
a) não esteja reforçando o problema e b) esteja interrompendo aquele padrão limitante.

STEVE:
INCOSCIENTE INFORMADO

Exatamente.
E com frequência a maneira como eu passo a tarefa de casa é mais importante do
que a tarefa propriamente dita, pois é ao passar a tarefa de casa e orientar como a tare-
fa de casa pode ser feita que realmente a organizo como metáfora para apoiar o cliente
no sentido de transformar aquele padrão limitante. Porque é possível passar tarefas
de casa maravilhosas, porém dependendo da tarefa e da forma que for passada, se a
pessoa fizer a tarefa para lhe agradar, você estará reforçando exatamente aquilo que a
pessoa precisa deixar de fazer, no caso da pessoa ansiosa por agradar. Então, o próprio
ato de passar a tarefa de casa pode ser estruturado como metáfora para, ao menos,
fazer com que a pessoa tenha uma experiência diferente que enfraqueça a percepção
UM

de que aquela é a única maneira de proceder e assim a pessoa começa a ampliar suas
perspectivas.
PARA

TERÊ:
ERICKSONIANA

Você pode nos dar um exemplo? Você se lembra de uma situação real com um cliente?

STEVE:
Lembro-me de uma cliente cuja mãe era muito controladora. Essa cliente realmente es-
tava trabalhando no sentido de se tornar independente, pensar por si mesma, ter suas
próprias ideias sobre as coisas. Lembro vagamente da tarefa de casa, era algo que ela
ABORDAGEM

deveria fazer todas as noites quando fosse para cama. Ela deveria refletir sobre algumas
coisas e anotar seus pensamentos, a tarefa era algo assim.
UMA

128
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O importante é que quando eu estava passando a tarefa me dei conta que estava lhe
dando a formula segundo a qual ela deveria proceder, bem era exatamente isso que
sua mãe fazia o tempo todo, ‘é fazendo assim que você encontrará um marido’, ‘esse
é o emprego que você deveria ter’, etc. Durante toda sua vida minha cliente se sentiu
sobrecarregada com isso a ponto de ser difícil para ela saber o que queria fazer. Então,
percebi depois de ter passado a tarefa, que acabara de passar a tarefa dentro dos mes-
mos moldes, dentro da mesma metáfora, que estava causando o problema, portanto
eu acrescentei: “– Agora, o que quero que faça é que todas as noites você varie do seu
jeito e perceba como você se sente. Perceba se há um jeito diferente de fazer a tarefa.
Talvez haja maneiras realmente criativas de evitar fazer a tarefa até que finalmente pos-
samos ficar curiosos em ver o que realmente emergirá, quero que traga uma tarefa de
casa realmente bem projetada. Você sente que talvez seja possível fazer isso até a se-
mana que vem?” E ela disse: “– Bem , eu não sei.” E eu disse: “– Talvez leve duas ou três
semanas, mas para fazer um experimento quero que você traga a tarefa projetada de
uma maneira que facilite melhor o seu processo.”

Então, na lição de casa ela estava trabalhando com toda sua questão com a mãe,
porém eu me dei conta de que eu havia caído na armadilha de passar a tarefa de casa
sem me lembrar de qual era a questão, o que realmente queríamos fazer era abrir sua
percepção. Então, OK, vamos experimentar diferentes maneiras e vejamos como ela
projetaria a tarefa se ela fosse a terapeuta. E ela retornou com um projeto totalmente
dife
rente para a tarefa e foi ótimo.

TERÊ:
E isso se tornou uma metáfora no sentido de que ela poderia fazer de forma dife-
rente comparado com como havia sido durante toda sua vida.

STEVE:
Certo, e se ela podia romper o padrão comigo ela certamente podia romper o pa-
drão com sua mãe.
INCOSCIENTE INFORMADO

TERÊ:
E essa é uma metáfora ainda mais poderosa.

STEVE:
Sim! (risos)

TERÊ:
Você acha que há diferenças no uso de metáforas e histórias com adultos e com cri-
anças?
UM

STEVE:
PARA

Crianças respondem mais rápido às histórias e metáforas, quando digo respondem


mais rápido, quero dizer que é possível ver no rosto delas, ou no seu nível de energia,
ERICKSONIANA

que aquilo está causando um impacto, mesmo quando a criança finge que o que ouviu
não significa nada para ela, pois é possível perceber que ela está apenas fingindo que
não está ligando.

Outra diferença é que há muito mais probabilidade de que as crianças brinquem e se


envolvam com uma boa história ou metáfora. Uma experiência interessante é quando
ABORDAGEM

estou contando uma história e ao mesmo tempo represento os personagens para a cri-
ança, ela rapidamente se junta a mim e representa as diferentes partes. Ao representar
uma história para um adulto, mesmo que seja de uma forma mais contida, surge aquele
elemento mais consciente de ‘não deveríamos fazer isso’, o adulto não brinca com a
história tão prontamente como a criança.
UMA

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TERÊ:
Então, você considera que tem mais liberdade para representar os personagens da
história e fazer os sons, por exemplo, o som de animais ou algo assim, quando conta
histórias para crianças, e com adultos você é mais cauteloso em relação a usar essas
estratégias?

STEVE:
Especialmente no contexto de sala de aula nos meus cursos sempre encorajo meus
alunos, mesmo sendo todos adultos, a se envolverem porque a mente inconsciente é
como a mente de uma criança de cinco anos de idade segura e brincalhona. Agora, em
um grupo quando você conta uma história para adultos, as pessoas podem rir, ou fazer
comentários apropriados, ou talvez imitar um gesto que você tenha feito, ou o som dos
animais, porém elas geralmente não se levantam da cadeira, não elaboram a história.
Uma coisa interessante em relação às crianças é que às vezes elas elaboram a história,
elas fazem isso muito mais do que os adultos, e também contam a fase seguinte da
história, o que com frequência é algo bastante curativo (heal) para elas.

TERÊ:
O que você quer dizer com elaboram a história?

STEVE:
Elas continuam a história e a expandem, ou mudam o final da história. Isso já aconte-
ceu comigo, contei a mesma história para duas crianças, as duas eram minhas pacien-
tes e estavam fazendo tratamento individual, uma tinha onze anos e a outra seis, bem a
criança de onze anos não fez quaisquer comentários, entretanto foi possível constatar
que a história foi muito útil para ela devido às mudanças em seu comportamento. No
caso da criança de seis anos, logo após a sessão em que contei a história ela me ligou
dizendo: “– Aquela foi a história mais estúpida que já ouvi, o final da história está todo
errado.” Então, passei para ela a tarefa de trazer a história com o final certo. Bem, a cri-
ança reorganizou a história, de maneira que não apenas tinha o final certo, como tam-
bém continha o que ela precisava expressar e aquilo com que precisava lidar na terapia.
INCOSCIENTE INFORMADO

Adultos muito raramente fazem isso. Eles são bem comportados demais, em um senti-
do rígido, para dizer: “– Esse é o final errado para essa história.” Suas mentes inconsci-
entes alteram o final da história de qualquer maneira, porém é muito mais provável que
a criança confronte você ou informe a você que há certas partes da história que não se
aplicam a ela. O adulto tende a dizer “– Eu não sei o que essa história significa.”, só que
não é disso que estou falando, a criança indicará que há uma parte da história que não
está congruente com o que ela precisa processar e criará a parte que está faltando e
adequará as partes da forma como deveriam ser.

TERÊ:
UM

Então, quando não for congruente com a experiência da criança ou com suas ne-
PARA

cessidades ela faz alterações na história e você acha que esse é um processo curativo
(heal)?
ERICKSONIANA

STEVE:
Tenho sempre visto isso como um processo curativo (heal) porque tanto com cri-
anças como com adultos a ideia é que somente eles sabem o que precisam. Quando
você consegue que uma criança escute, e a criança escuta ao mesmo tempo em que
brinca com a história e representa os personagens, ela escuta com muito mais intencio-
nalidade, ela entra no enredo e é ela quem revelará sua própria história. Os adultos em
ABORDAGEM

geral são muito mais passivos, eles não entram tanto dentro da história, eles tendem a
não lhe dizer o que realmente precisam, bem, não há necessidade de se preocupar de-
masiadamente com isso, porque a mente inconsciente deles sempre é instruída a mudar
a palavra ou palavras que eu disser de forma que faça o que de melhor precisar fazer, o
interessante em relação às crianças é que elas fazem isso quase que automaticamente.
UMA

130
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STEVE:
Bem, os leitores que não têm formação em hipnose, ou não fizeram a formação com
você, talvez não tenham consciência de que essa é uma sugestão muito importante:
“– Você pode mudar minha palavra ou palavras para que elas façam o que de melhor
puderem fazer por você.” Você pode comentar um pouco mais sobre essa sugestão es-
pecificamente?

STEVE:
Sim, é uma maneira de expressar para a mente inconsciente que você a honra e re-
speita, outra maneira de dar a mesma sugestão é: “–Você pode mudar minha palavra
ou palavras de forma que o que eu disser atue de acordo com seus melhores interesses
e de acordo com o mais alto bem.” Certamente, eu não usaria esse tipo de linguagem
com uma criança, com crianças seria algo mais ou menos assim: “– Se você achar que
precisa mudar a história, para que a história faça o que você acha que ela deve fazer por
você, podemos mudar a história também.”

Quando contamos histórias no contexto terapêutico, ou de coaching, é impossível


saber exatamente se algo dentro da história representa um gatilho negativo para o ou-
vinte, então esta sugestão é uma boa garantia de que caso o ouvinte perceba alguma
palavra ou aspecto da história como um gatilho negativo, sua mente inconsciente pode
fazer as adaptações de uma maneira útil e produtiva.

TERÊ:
Então, mais uma vez trata-se de uma sugestão que se baseia na confiança na sabe-
doria da mente inconsciente, não é mesmo?

STEVE:
Sim, e a mente inconsciente tem a capacidade de perceber e processar em tantos
níveis diferentes, e uma vez que, em comparação com a mente consciente, ela literal-
mente trabalha um milhão de vezes mais rápido fazendo conexões, ela escolhe o nível
certo e a analogia certa, assim, as histórias são usadas para completar informações que
ela precisa, e apenas a mente inconsciente sabe que informações ela precisa, não é você
INCOSCIENTE INFORMADO

quem sabe. Frequentemente quando pensamos que sabemos estamos enganados. Por
exemplo, no final do tratamento sempre pergunto aos meus clientes: “– O que eu disse
que realmente foi significativo para você?” e “– O que você sente que não foi tão útil?”
Com isso tenho descoberto que muitas vezes coisas que eu achava que haviam sido
úteis na verdade haviam sido neutras, ou não haviam sido úteis de maneira nenhuma, e
alguma coisa que eu nem me lembrava de ter dito, que para mim fora totalmente incon-
sequente dentro do meu enquadramento de referência, o cliente relata: “– Ah, quando
você falou aquilo mudou a minha vida.” Bem, eu sempre corrijo meus clientes, digo a
eles que quando falei aquilo eles mudaram sua própria vida. Porque o poder da história
está na forma em que a mente inconsciente da criança ou do adulto incorpora aquelas
UM

informações de maneira a lhes permitir evoluir. Você não muda a vida de ninguém e
PARA

esse é o erro que pode ser cometido com frequência, quando se pensa no processo de
facilitar a cura (heal) de outra pessoa: agir como se você soubesse algo que somente a
própria pessoa pode saber, e agir como se você tivesse o poder de mudar a vida dela.
ERICKSONIANA

E as crianças são mais abertas a assumir as rédeas e usar algo para mudar suas vidas,
uma vez que você engaja a criança ela é mais ativa em relação a descobrir o que ela
pode fazer e como fazer. Muitos adultos foram treinados a ficarem sentados esperan-
do que alguma autoridade descubra o que fazer por eles. Crianças são mais interativas,
elas se engajam mais no processo.
ABORDAGEM

TERÊ:
Você percebe alguma diferença entre o uso de metáforas, histórias e citações, no
contexto terapêutico, no coaching, no atendimento individual de clientes, comparado
com o contexto educacional e de grupos?
UMA

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STEVE:
O que eu diria é que não tenho certeza de poder separar o contexto educacional
do contexto terapêutico, porque qualquer boa situação educacional tem relação com
a aprendizagem profunda. Conto muitas metáforas e histórias em situações de grupos,
ao conduzir treinamentos, ao fazer palestras em congressos e até mesmo ao trabalhar
com corporações. Uso esse instrumento quando preciso que certas informações sejam
recebidas de forma a possibilitar que as pessoas tenham outra vivência, ou pensem de
uma nova maneira em relação a certas coisas.

Por exemplo, às vezes você é convidado a fazer um trabalho dentro de uma empre-
sa, entretanto o sistema em si não quer realmente mudar, e é comum que haja uma série
de outras coisas acontecendo. Se você tiver uma postura de tentar mudar o sistema
provavelmente não obterá muitos resultados, então será bem remunerado pelo trabalho
e não será chamado novamente, porém não há resistência quando são as próprias pes-
soas que tiram suas conclusões, fazem as conexões e vêm até você dizendo: “– Sabe,
desse outro jeito pode ser mais produtivo.”

Então, histórias, metáforas e citações são instrumentos muito poderosos tanto no


contexto individual, como no contexto de grupo. É claro que se houver trinta pessoas
na sala não saberei exatamente que história contar para cada uma, porém posso entrar
em sincronismo com o grupo, ao mesmo tempo em que fico atento ao que as pessoas
descrevem como sendo o problema e ao que eu percebo como o problema. O interes-
sante é que, com frequência nessas situações, os problemas apresentados são aqueles
sobre os quais as pessoas estão dispostas a falar, ao passo que há uma série de coisas,
bastante óbvias, mas sobre as quais ninguém está disposto a falar.

Bem, se você tratar dessas coisas diretamente, ou mesmo se você sugerir mudanças
diretas para os problemas que elas mesmas mencionaram é provável que não faça mui-
tos progressos. Agora, ao escolher uma história posso tratar do problema explícito e do
INCOSCIENTE INFORMADO

implícito de uma maneira indireta e sugestiva, levando em consideração tanto as infor-


mações que me relataram, como aquilo que observei e posso me comunicar com todo
o grupo e cada pessoa extrairá o que for relevante para si.

Por exemplo, há aquela metáfora maravilhosa sobre limpar as janelas: Um casal mui-
to rico vive em uma linda cobertura, de suas janelas é possível avistar outra cobertura,
a esposa ao olhar pelas janelas se queixa todas as vezes: “– Olhe aqueles porcos, eles
moram em uma cobertura tão cara quanto a nossa e deixam a roupa lavada secando lá
fora.” O marido diz: “– Que bobagem, eles estão apenas secando a roupa ao sol.” Ao que
ela retruca: “– Não, não, o problema não é esse. O problema é que a roupa está suja!” A
esposa estava levando o marido à loucura, todos os dias, na hora do café da manhã, ela
UM

olhava e reclamava e exigia: “– Você tem que fazer alguma coisa. Você tem que fazer
PARA

alguma coisa!” O pobre homem estava fora de si. Bem, para encurtar a história, um dia
ela chega para tomar café da manhã e exclama “– Ah, minha nossa! Você deve ter fala-
ERICKSONIANA

do com eles, pois olhe lá!” Ele pergunta: “– O que?” E ela comenta: “– As roupas estão
estendidas, porém estão limpas e os lençóis estão tão branquinhos! Você foi lá e falou
com eles, não é mesmo?” E ele responde que não, ao que ela insiste perguntando se
ele mandara um e.mail ou uma carta e ele responde: “– Não, não.” E finalmente ela per-
gunta: “– Você fez alguma coisa?” e ele responde: “– Sim, eu fiz.” E ela: “– Ah, obrigada!
E o que você fez para que eles mudassem?” Ao que ele responde: “– Eu lavei as nossas
ABORDAGEM

janelas.”
UMA

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Contar essa história em uma corporação pode ser interessante, por exemplo, quando
diferentes departamentos estão brigando entre si. Também pode ser útil quando você
vai apresentar uma palestra em um congresso. Imagine uma situação comum em con-
gressos: no público metade das pessoas vai assistir às palestras porque de alguma ma-
neira conhece o palestrante, está realmente interessada e tem uma ótima expectativa,
uma percentagem considerável vai porque ouviu falar do palestrante, entretanto não
está realmente disposta a mudar de ponto de vista, e finalmente sempre há algumas
pessoas que ouviram falar do palestrante ou o conhecem e estão ali para confrontá-lo.
Então, o que fazer quando você tem um grupo muito heterogêneo, ou quando você
tem disposições tão diferentes na plateia?

Aconteceu algo semelhante comigo quando fui conduzir um seminário na Guate-


mala para um grupo de mulheres. Bem, a Guatemala é um país que durante décadas
viveu uma violenta guerra civil. Em linhas gerais a disputa se dividia em dois lados ba-
sicamente: um formado pela classe dominante, branca de origem espanhola e o outro
formado pela população indígena de origem maia.

Pela primeira vez um grupo de indígenas faria parte de uma turma junto com um
grupo da classe branca espanhola dominante. Pouco antes do início do curso a líder do
grupo indígena descobre que o marido da senhora que organizara o grupo da classe
dominante era o general das forças armadas que havia sido responsável pela morte de
toda sua família.

Então, imagine a situação: há um grupo indígena e agora a líder deste grupo sabe
que a líder do outro grupo é casada com o homem que matou sua família. Se eu men-
cionasse isso no grupo, as coisas explodiriam, se eu não mencionasse isso no grupo, as
coisas explodiriam. Bem o que eu fiz foi iniciar o curso perguntando se gostariam de
ouvir uma história sobre mexicanos tolos, os mexicanos são para os guatemaltecas o
que os argentinos são para os brasileiros (risos), então é claro que queriam ouvir uma
história de mexicanos, logo, contei a história dos dois mexicanos que estavam discutin-
do para provar quem tinha razão. Não vou me estender na história agora, o importante
INCOSCIENTE INFORMADO

é que na metáfora um lado diz que é uma coisa, o outro lado diz que é outra coisa, e a
história realmente sugere que talvez não seja nem uma coisa nem outra, talvez haja um
lugar no meio.

Durante os quatro dias que passamos juntos todas as vezes que havia tensão na sala,
porque aquilo certamente eclodiria, eu recordava a história para elas. No final do quar-
to dia quando chegara o momento de entregar os diplomas e minha sensação era de
‘graças a Deus conseguimos passar por isso!’, a líder do grupo indígena ficou de pé e
disse: “– Não posso mais ficar em silêncio.” Pensei: ‘Oh não! Ai meu Deus!’ E ela conti-
nuou: “– Vocês mataram e destruíram muitos de nós, porém temos um país lindo, será
UM

que vamos continuar a destruí-lo?” A líder do grupo da classe branca dominante ficou de
PARA

pé e disse “– Sim, nós realmente tomamos consciência de que fizemos coisas horríveis
e pedimos que você nos convide, convide aquelas de nós que se importam, a irmos às
suas aldeias, talvez possamos prestar alguma assistência e talvez possamos ajudar na
ERICKSONIANA

cura (heal)”. A essa altura todos estavam chorando, naquela época havia uma canção
na Guatemala que falava sobre romper as correntes da opressão e de todos terem liber-
dade, elas se deram as mãos e o grupo cantou essa canção de mãos dadas.

Não tenho a menor dúvida de que uma resolução como essa não teria acontecido
caso eu houvesse utilizado qualquer outra técnica terapêutica ao invés da história que
ABORDAGEM

contei. Em nenhum momento nós processamos o fato de que uma família havia sido
morta pelo marido da mulher que liderava o outro grupo, entretanto não houve neces-
sidade de fazer isso, naquela sala de aula todas ouviram a história umas três ou quatro
vezes, suas mentes inconscientes ouviram a história... E elas chegaram à conclusão que
poderiam fazer algo diferente. Este é o poder da metáfora.
UMA

133
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TERÊ:
Sobre a questão de escolher que metáfora, que história contar, gostaria de saber sua
opinião, pois venho da área da PNL e do coaching, e nessas áreas, especialmente no
começo da PNL em que havia a noção de um programador operando uma mudança
em um sujeito, costumávamos pensar, ao estudar metáforas e histórias, como técnica
de comunicação, que era importante estabelecer uma meta, um objetivo para o sujeito
alcançar a partir daquela metáfora. Bem, hoje em dia mesmo sendo uma representante
da PNL de terceira geração, a qual é muito mais permissiva, ainda acredito que é bom
que o contador de histórias tenha um senso de qual é o resultado que ele quer promo-
ver ao contar uma metáfora.

STEVE:
Sim, com certeza.

TERÊ:
Porém, como você mesmo ressaltou anteriormente, não no sentido da moral da
história, não no sentido do que eu quero que aquela pessoa aprenda. Você poderia co-
mentar um pouco mais sobre isto?

STEVE:
Sim, em primeiro lugar, fico muito feliz que essa evolução esteja acontecendo, pois
acho que uma parte do trabalho de Erickson foi traduzida de uma maneira muito correta
e bonita na PNL, ao mesmo tempo em que algumas de suas técnicas foram realmente
mal interpretadas. Contar histórias tendo em mente uma meta para o cliente alcançar
não é algo ericksoniano.

A gora, respondendo à sua pergunta, quando utilizo metáforas e histórias me mante-


nho consciente de duas coisas: uma é será que a metáfora contém uma ampla diversi-
dade de recursos relacionados ao cliente? E a outra é que sempre estou interessado em
metáforas que guiem a pessoa no sentido de que ela saia de uma posição em que ela
INCOSCIENTE INFORMADO

tem apenas a percepção de uma situação, de um evento, e vá para uma posição em que
ela passa a ter uma perspectiva.

TERÊ:
Quando você fala em termos de metáfora que contenha uma ampla diversidade de
recursos relacionados ao cliente, quer dizer que insere na metáfora os recursos que o
cliente não tem, ou você escolhe uma metáfora que represente recursos que seriam
úteis para o cliente?

STEVE:
UM

As duas coisas. Posso contar uma metáfora que lembre ao cliente que ele já tem os
recursos, porém se esqueceu, posso contar uma metáfora que tenha a implicação de
PARA

que ele pode expandir seus recursos, e também posso escolher uma metáfora que se-
meie um recurso que a pessoa ainda não tem, confiando que a transposição e utilização
ERICKSONIANA

do recurso para sua vida podem de alguma maneira ser feitas pela mente inconsciente.
Portanto, a metáfora precisa servir ao propósito de fazer uma conexão com recursos,
independentemente de já estarem presentes ou não. Assim, a história ou metáfora pode
falar sobre como desbloquear o acesso aos recursos, ou pode oferecer um senso de
‘Huhm, este é um recurso que posso somar à minha coleção.''
ABORDAGEM

Meu foco nunca é usar a metáfora para apoiar a realização de uma meta, pois real-
mente acredito que a meta estabelecida pela pessoa no nível consciente pode não ser
a resolução ou meta que ela realmente precisa alcançar.
UMA

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Porque como vimos naquele experimento em sala de aula que mencionei antes, ao
pedir que uma pessoa conscientemente estabeleça uma meta, e depois ao pedir à mes-
ma pessoa que estabeleça uma meta quando está em estado de transe, e novamente
quando está no nível mais profundo de comunicação com seu inconsciente, o que se
obtém com frequência são três metas diferentes, às vezes a pessoa expressa a mesma
meta, mas em geral não. Portanto, tenho interesse em metáforas que guiem a pessoa a
sair de um ponto em que ela tem apenas a percepção de uma situação, de um evento,
e ganhe uma perspectiva da situação.

Agora, o mais importante é: Será que a história tem riqueza o suficiente? Pois, eu
posso achar que certo aspecto da história é relevante, enquanto para o cliente há outro
aspecto mais significativo, então se há riqueza suficiente na história há mais chances
de algo reverberar no ouvinte. Como aquela história que mencionei em que o marido
responde ‘eu lavei nossas janelas’, esta metáfora nos ajuda a passar da percepção ‘as
roupas estendidas estão sujas, eles são uns porcos’ para uma perspectiva de ‘eu estava
olhando através da minha própria janela que estava suja.''

Então, diria que o meu objetivo é me certificar de que eu esteja sempre a serviço de
conectar, expandir, abrir, e reconhecer recursos, e também de procurar facilitar o pro-
cesso de sair de uma percepção e chegar a uma perspectiva, porém estabelecer uma
meta no sentido do que a pessoa deveria presumir ou como ela deveria se comportar
uma vez que tenha ouvido a história, isto não.

TERÊ:
Sobre a questão de escolher que metáfora, que história contar, gostaria de saber sua
opinião, pois venho da área da PNL e do coaching, e nessas áreas, especialmente no
começo da PNL em que havia a noção de um programador operando uma mudança
em um sujeito, costumávamos pensar, ao estudar metáforas e histórias, como técnica
de comunicação, que era importante estabelecer uma meta, um objetivo para o sujeito
alcançar a partir daquela metáfora. Bem, hoje em dia mesmo sendo uma representante
da PNL de terceira geração, a qual é muito mais permissiva, ainda acredito que é bom
que o contador de histórias tenha um senso de qual é o resultado que ele quer promo-
INCOSCIENTE INFORMADO

ver ao contar uma metáfora.

STEVE:
Sim, com certeza.

TERÊ:
Porém, como você mesmo ressaltou anteriormente, não no sentido da moral da
história, não no sentido do que eu quero que aquela pessoa aprenda. Você poderia co-
mentar um pouco mais sobre isto?
UM

STEVE:
Sim, em primeiro lugar, fico muito feliz que essa evolução esteja acontecendo, pois
PARA

acho que uma parte do trabalho de Erickson foi traduzida de uma maneira muito correta
e bonita na PNL, ao mesmo tempo em que algumas de suas técnicas foram realmente
ERICKSONIANA

mal interpretadas. Contar histórias tendo em mente uma meta para o cliente alcançar
não é algo ericksoniano.

Agora, respondendo à sua pergunta, quando utilizo metáforas e histórias me man-


tenho consciente de duas coisas: uma é será que a metáfora contém uma ampla diver-
ABORDAGEM

sidade de recursos relacionados ao cliente? E a outra é que sempre estou interessado


em metáforas que guiem a pessoa no sentido de que ela saia de uma posição em que
ela tem apenas a percepção de uma situação, de um evento, e vá para uma posição em
que ela passa a ter uma perspectiva.
UMA

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TERÊ:
Quando você fala em termos de metáfora que contenha uma ampla diversidade de
recursos relacionados ao cliente, quer dizer que insere na metáfora os recursos que o
cliente não tem, ou você escolhe uma metáfora que represente recursos que seriam
úteis para o cliente?

STEVE:
As duas coisas. Posso contar uma metáfora que lembre ao cliente que ele já tem os
recursos, porém se esqueceu, posso contar uma metáfora que tenha a implicação de
que ele pode expandir seus recursos, e também posso escolher uma metáfora que se-
meie um recurso que a pessoa ainda não tem, confiando que a transposição e utilização
do recurso para sua vida podem de alguma maneira ser feitas pela mente inconsciente.
Portanto, a metáfora precisa servir ao propósito de fazer uma conexão com recursos,
independentemente de já estarem presentes ou não. Assim, a história ou metáfora pode
falar sobre como desbloquear o acesso aos recursos, ou pode oferecer um senso de
‘Huhm, este é um recurso que posso somar à minha coleção.''

Meu foco nunca é usar a metáfora para apoiar a realização de uma meta, pois real-
mente acredito que a meta estabelecida pela pessoa no nível consciente pode não ser
a resolução ou meta que ela realmente precisa alcançar. Porque como vimos naquele
experimento em sala de aula que mencionei antes, ao pedir que uma pessoa conscien-
temente estabeleça uma meta, e depois ao pedir à mesma pessoa que estabeleça uma
meta quando está em estado de transe, e novamente quando está no nível mais pro-
fundo de comunicação com seu inconsciente, o que se obtém com frequência são três
metas diferentes, às vezes a pessoa expressa a mesma meta, mas em geral não. Portan-
to, tenho interesse em metáforas que guiem a pessoa a sair de um ponto em que ela
tem apenas a percepção de uma situação, de um evento, e ganhe uma perspectiva da
situação.

Agora, o mais importante é: Será que a história tem riqueza o suficiente? Pois, eu
INCOSCIENTE INFORMADO

posso achar que certo aspecto da história é relevante, enquanto para o cliente há outro
aspecto mais significativo, então se há riqueza suficiente na história há mais chances
de algo reverberar no ouvinte. Como aquela história que mencionei em que o marido
responde ‘eu lavei nossas janelas’, esta metáfora nos ajuda a passar da percepção ‘as
roupas estendidas estão sujas, eles são uns porcos’ para uma perspectiva de ‘eu estava
olhando através da minha própria janela que estava suja.''

Então, diria que o meu objetivo é me certificar de que eu esteja sempre a serviço de
conectar, expandir, abrir, e reconhecer recursos, e também de procurar facilitar o pro-
cesso de sair de uma percepção e chegar a uma perspectiva, porém estabelecer uma
UM

meta no sentido do que a pessoa deveria presumir ou como ela deveria se comportar
uma vez que tenha ouvido a história, isto não.
PARA

TERÊ:
ERICKSONIANA

Então, quando você é o facilitador e está no processo de escolher uma metáfora,


ou história, para contar para um cliente, um aluno, ou alguém com quem você trabalha,
estaria certo dizer que ao invés de ter um enquadramento mental em que se pensa em
resultados e metas que se quer alcançar através da metáfora, seria mais útil pensar a
partir de um enquadramento mental de semear ideias? Na abordagem ericksoniana te-
mos a estratégia de semear, que consiste em quais ideias, quais capacidades, ou habi-
ABORDAGEM

lidades, ou possibilidades seriam interessantes de se cultivar através daquela história,


seria mais útil pensar a partir desse enquadramento mental quando se trata de escolher
as histórias?
UMA

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STEVE:
Com certeza, e é uma das coisas mais difíceis de aprender.
Agora, em relação ao processo de escolha da metáfora, ou história, há alguns aspectos
interessantes, primeiro é útil alimentar nossa própria mente inconsciente com uma diversi-
dade de histórias para que tenhamos um repertório rico e variado. Uma vez que já tenha-
mos um repertório, o processo de escolher qual delas contar é verdadeiramente curioso,
às vezes penso conscientemente que tipo de metáfora pode ser útil para aquela pessoa ou
grupo, às vezes escolho uma história específica porque ao longo do diálogo a história me
vem à mente repetidamente, às vezes sinto uma sensação visceral de que de alguma ma-
neira aquela é a história apropriada. Outro aspecto importante é que sempre me pergunto:
‘será que essa história contém algo que possa facilitar o processo da pessoa passar de uma
percepção para uma perspectiva?’ Uma vez que a pessoa tenha perspectiva ela agirá de
maneira diferente, pois a maioria dos clientes que atendemos estão emperrados em uma
percepção de si mesmos, das outras pessoas, do mundo ao seu redor, percepção esta que
não é produtiva, que é disfuncional, que não está dando certo. Então, a história não serve
para fazer com que o cliente chegue a determinada conclusão e sim para fornecer infor-
mações, abrir possibilidades, fazer com que o cliente fique curioso sobre como seria se ele
pudesse ver o mundo sob um outro ponto de vista, e é a isso que se refere o processo de
escolha da metáfora, história, ou citação.

Por exemplo, tive uma cliente, uma jovem senhora que ficara terrivelmente traumatizada
no World Trade Center e em razão disso sua vida havia se tornado extremamente limitada,
ela raramente saía de casa nos finais de semana, eventualmente acompanhava o filho, que
tinha por volta de 6 anos, a algum jogo ou festinha infantil, sua rotina se resumia a ir do
trabalho para casa e de casa para o trabalho, além disso, para chegar ao trabalho ela fazia
caminhos intrincados pelos subterrâneos de Manhattan, pois seu escritório ficava em um
edifício próximo ao WTC e ela não queria passar pelo local.

Bem, no dia dos atentados ela perdeu um sobrinho que trabalhava em uma das torres, e
ela mesma sobreviveu à tragédia caminhando durante 8 horas para voltar para casa. O que
a manteve viva em meio àquele caos, atravessando fumaça e destroços que despencavam
INCOSCIENTE INFORMADO

ao redor de si, para mencionar o mínimo, foi a lembrança do filho e o compromisso de vol-
tar para casa, de voltar para ele.

Durante três anos trabalhando com ela tentei tudo que sabia, é claro que neste perío-
do algumas dinâmicas psicológicas ficaram aparentes e receberam atenção, porém não
estávamos fazendo nenhum progresso no sentido dela adotar padrões de comportamen-
to mais saudáveis. Ela continuava vivendo a base de café, pão e cigarros, não queria sair
de casa exceto para trabalhar e continuava evitando o local onde originalmente ficavam
as torres gêmeas, até que finalmente ofereci uma metáfora que realmente passava todo o
poder de volta para ela, no final de uma sessão eu disse a ela que no dia seguinte ao meio
UM

dia iria encontrá-la em seu escritório e então nós sairíamos para almoçar e depois iríamos
PARA

visitar o local do World Trade Center, bem ela recusou repetidamente, não faria nem uma
coisa nem outra. Então, eu acrescentei: “– Amanhã ao meio dia estarei lá no seu escritório
ERICKSONIANA

e a propósito, hoje à noite quando você estiver dormindo seu sobrinho irá visitá-la e ele
trará uma mensagem que a apoiará no sentido de irmos almoçar e depois irmos ao local do
World Trade Center.” Ao que ela respondeu: “– Sabe, gosto muito de você, mas se eu contar
para alguém o que acaba de me dizer, vão achar que o doido é você.”

No dia seguinte, conforme eu havia afirmado, lá estava eu no escritório dela ao meio


ABORDAGEM

dia, sem saber o que iria encontrar, e qual não foi minha surpresa ao vê-la bem vestida, de
cabelo arrumado e maquiada, eu não a vira nenhuma vez assim desde que começáramos
o tratamento. Ela já havia escolhido um bom restaurante e me disse que depois iríamos
juntos ao local do World Trade Center, interiormente surpreso perguntei o que acontecera
para ela mudar de ideia e ela me respondeu que eu sabia o que havia acontecido.
UMA

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Comentei
“– Sim, é claro,” procurando soar com naturalidade, “entretanto, eu não estava lá por
isso estou curioso...” E ela me relatou que conforme eu havia lhe dito seu sobrinho mor-
to no World Trade Center fora visitá-la enquanto ela dormia e na visita ele perguntou:
“– Tia, todos os anos no aniversário da morte da sua mãe você vai visitá-la no cemitério,
todos os anos no aniversário da morte do seu pai você vai visitá-lo no cemitério, por
que você ainda não foi me visitar no meu cemitério?” “– Então,” ela disse, “nós vamos
ao restaurante, faremos uma boa refeição e depois iremos visitar meu sobrinho em seu
cemitério.”

Esta é uma resolução fantástica! Eu jamais poderia, nem em um milhão de anos, ter
pensado na combinação de elementos que realmente permitiu a ela de repente integrar
três anos de trabalho que ainda não havia gerado nenhum movimento. Literalmente da
noite para o dia ela foi de um estado no qual ela tinha apenas uma percepção para um
estado no qual ela passou a ter uma perspectiva.

A princípio ela achou que eu era doido por estar sugerindo que a resposta viria para
ela através do sobrinho morto, mas é claro que veio para ela através de seu inconsciente,
talvez tenha vindo através do sobrinho, eu não sei, quem pode saber? De onde quer que
tenha vindo eu não me importo, o importante é que veio sim de uma sabedoria interior
e profunda quando realmente respeitei o fato de que a única pessoa que poderia saber
e que poderia combinar seus recursos para que pudesse romper com aquele padrão
traumático, muito limitante e empobrecido de vida, que se desenvolvera após o World
Trade Center, era ela e a resolução veio dela. Ela teve que combinar muitos recursos di-
ferentes os quais anteriormente ela não estava usando de maneira integrada e ela teve
que passar de uma percepção para uma perspectiva e foi isso que ela fez. A metáfora
que ofereci foi a de que a sabedoria perene viria até ela.

Ela poderia perceber essa sabedoria como se estivesse vindo do universo, ou de seu
sobrinho, ou vindo de si mesma, isso não importa, além disso, eu estabeleci uma estru-
tura temporal, e então rezei como um louco (risos), e houve uma mudança milagrosa na
vida dela, e foi ela que realizou esta mudança, ela tinha o poder. Aqui a metáfora está
na própria sugestão que eu dei, pois eu não posso garantir que o parente falecido de
INCOSCIENTE INFORMADO

ninguém irá visitar trazendo a informação certa, entretanto eu sabia que aquilo estava
dentro dela e eu sabia que havíamos trabalhado durante tempo suficiente e que nada
mais havia proporcionado uma mudança. Bem, isso nos traz de volta para o tópico de
que ela teve o insight, ela foi persistente, porém aquela foi a primeira vez que ela teve
uma ação, e então, sua vida mudou. Bem, a ação pode ter sido ter integrado tudo aquilo
que havíamos trabalhado.

TERÊ:
Então, a ação não precisa ser uma ação externa?

STEVE:
UM

Neste caso não foi. Porém, a ação prosseguiu quando ela pela primeira vez em muito
PARA

tempo comeu uma refeição saudável, foi até o local onde o sobrinho morreu, no World
Trade Center, naqueles três anos ela jamais fora lá, ela também parou de se esconder
em casa nos finais de semana, ela fez todo o tipo de outras ações, esse é um ponto im-
ERICKSONIANA

portante. Então, talvez eu possa concluir com isso: uma ação também pode ser uma
recombinação ativa de todas as informações que você tem de uma nova maneira que
permita que você se transforme saindo de seus padrões e crenças limitantes e indo para
padrões e crenças que contribuam para fortalecer sua energia vital, sua evolução e sua
expansão.
ABORDAGEM

TERÊ:
E esse é um processo muito bonito.

STEVE:
Sim.
UMA

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O B R I G A D O !
Esperamos que a leitura desse livro tenha aberto portas para sua cura interior,
e que as citações e histórias contadas, tenham refletido positivamente em
alguma parte de sua vida. Você pode acompanhar mais sobre e tema e sobre a
gente em nossas redes sociais:
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UM
PARA
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UMA

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