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UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA

CENTRO DE TECNOLOGIA

CURSO DE ENGENHARIA CIVIL

Bárbara Wermuth Antunes

ORÇAMENTO NA CONSTRUÇÃO CIVIL COM A UTILIZAÇÃO DA TECNOLOGIA BIM

SANTA MARIA, RS

2017

Bárbara Wermuth Antunes

ORÇAMENTO NA CONSTRUÇÃO CIVIL COM A UTILIZAÇÃO DA TECNOLOGIA BIM

Trabalho de Conclusão de Curso Apresentado ao Curso de Graduação em Engenharia Civil, da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM, RS), como requisito parcial para obtenção do grau de Engenheira Civil.

Orientador: Prof. Dr. André Lübeck

Santa Maria, RS

2017

Bárbara Wermuth Antunes

ORÇAMENTO NA CONSTRUÇÃO CIVIL COM A UTILIZAÇÃO DA TECNOLOGIA BIM

Trabalho de Conclusão de Curso Apresentado ao Curso de Graduação em Engenharia Civil, da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM, RS), como requisito parcial para obtenção do grau de Engenheira Civil.

Aprovado em 14 de Dezembro de 2017:

André Lübeck, Dr. (UFSM)

(Presidente/Orientador)

Eng. Thiana Dias Herrmann (UFSM)

Arq. Maraysa Woloszyn

Santa Maria,

2017

DEDICATÓRIA

Dedico esse trabalho aos meus pais, Carlos Eurico e Renice, que me apoiaram durante todo o meu curso de graduação, assim como, em toda minha vida.

AGRADECIMENTOS

Primeiramente, quero agradecer aos meus pais, Carlos Eurico e Renice, que sempre me deram todo o apoio e incentivo durante a minha graduação, que me fizeram superar todos os obstáculos ao longo do caminho, além do amor e atenção em todos os momentos. Agradeço à Deus pela vida e por todas as bênçãos que me concede a cada dia, que me fazem ser uma pessoa melhor a cada dia. Agradeço ao meu orientador, André Lübeck, por toda a atenção e disponibilidade dedicada ao meu trabalho e por todos ensinamentos passados. Quero agradecer aos meus amigos, aos de longa data, Izabela, Marcela e Mariela,

e aos feitos no curso, Bianca, Jaqueline, Lorenzo, Frederico, Vitor, Rômulo e Pablo, por estarem ao meu lado e vivenciarem momentos que serão levados para a vida inteira. Enfim, agradeço à todas as pessoas que de alguma forma passaram pela minha vida e me incentivaram a chegar aqui.

.

RESUMO

ORÇAMENTO NA CONSTRUÇÃO CIVIL COM A UTILIZAÇÃO DA TECNOLOGIA BIM

AUTOR: Bárbara Wermuth Antunes ORIENTADOR: André Lübeck

Devido a necessidade de otimizar seus processos e melhorar a competitividade no mercado da construção civil, a orçamentação ganha um espaço fundamental nas empresas a fim de que seja obtida a máxima lucratividade nos empreendimentos. Para que o processo da orçamentação apresente valores adequados e próximos ao real, é necessário que sejam extraídos os quantitativos da forma mais precisa possível, da mesma forma, de maneira a permitir sanar dúvidas e conferir quantidades, o levantamento de quantitativos é uma tarefa que precisa ser padronizada. Por ser um processo tradicionalmente manual, que demanda tempo e necessita ser refeito para cada modificação no projeto, é interessante integrar

tecnologias novas que permitam torná-lo mais confiável e eficiente. Sendo assim, é proposto o Building Information Model (BIM) para otimizar o levantamento de quantitativos através dos seus recursos inteligentes e automáticos que permitem que

a

edificação seja construída virtualmente. Através de uma revisão bibliográfica sobre

o

processo e conceitos da orçamentação, além de benefícios e classificação do BIM,

este trabalho, visa confirmar a efetividade da aplicação da tecnologia BIM através da extração de quantitativos e posterior orçamentação. Assim, foi realizado um estudo de caso, através da modelagem de uma edificação, utilizando o software Revit e,

através dos valores extraídos, montou-se uma planilha de orçamento, com o software Excel. Dessa maneira, pôde-se expor as vantagens encontradas e, também, algumas dificuldades. No entanto, apesar de possuir algumas peculiaridades, a aplicação do BIM é um processo efetivo para otimizar o processo da orçamentação. Conclui-se que

a tecnologia BIM está pronta para ser inserida no mercado de trabalho da construção civil e é capaz de inovar e tornar essa técnica mais confiável.

Palavras-chave: Construção Civil. Levantamento de Quantitativos. Orçamento. BIM.

ABSTRACT

AUTHOR: Bárbara Wermuth Antunes ADVISOR: André Lubeck

Due to the need of optimizing processes and improve competitiveness in the construction market, budgeting gains a fundamental place in the companies in order to obtain a good profitability in the ventures. In order to show values that are adequate and close to the real in the budget, it is necessary to extract the quantitative data as accurately as possible. For its traditional manual process that requires time and needs to be redone for every design change, technology needs to be included to make the budget efficient. In this way, the Building Information Model (BIM) is inserted to optimize the quantitative survey through its intelligent and automatic resources that allow the virtually construction of the building. Upon a bibliographic review on the process and concepts of budgeting, and benefits and classification of BIM, this paper aims to confirm the effectiveness of the application of BIM technology through the extraction of quantitative data and subsequent budget. Thus, a case study was carried out, the modeling of a building was done, using the Revit software, and, using the extracted values, a budget worksheet was created with Excel software. In this way, the exposition of the advantages gained and also some difficulties could be done. However, although it has some drawbacks, the application of BIM is an effective process to optimize the budgeting process. In conclusion, the BIM technology is ready to be inserted in the labor market of the construction and is able to innovate and make this technique more reliable.

Keywords: Construction. Quantitative data collection. Budget. BIM.

LISTA DE FIGURAS

Figura 1 Imagem 3D edificação multifamiliar

33

Figura

2

Planta

baixa

pavimento

térreo

35

Figura

3

Planta

baixa

pavimento

superior

36

Figura

4 - Elevações

 

37

LISTA DE TABELAS

Tabela 1 Levantamento de quantitativos de materiais

39

Tabela 2 Levantamento de quantitativos de aberturas

41

Tabela 3 Orçamento dos serviços

43

SUMÁRIO

1.1

OBJETIVOS

 

13

1.1.1

Objetivo Geral

13

1.1.2

Objetivos Específicos

13

1.2

JUSTIFICATIVA

14

2

ORÇAMENTO NA CONSTRUÇÃO CIVIL

15

2.1

CUSTOS

DIRETOS

16

2.2

CUSTOS INDIRETOS

17

2.3

BDI

17

2.4

ASPECTOS DO ORÇAMENTO

18

2.4.1

APROXIMAÇÃO

18

2.4.2

ESPECIFICIDADE

19

2.4.3

TEMPORALIDADE

19

2.5

TIPOS DE ORÇAMENTOS

20

2.6

ETAPAS DA ORÇAMENTAÇÃO

21

2.6.1

ESTUDO DAS CONDICIONANTES

21

2.6.2

COMPOSIÇÃO DE CUSTOS

21

2.6.3

DETERMINAÇÃO

DO PREÇO

22

2.7

LEVANTAMENTO

DE QUANTITATIVOS

22

3

BUILDING INFORMATION MODEL

26

3.1

BENEFÍCIOS E CLASSIFICAÇÃO DO BIM

27

3.1.1

BIM

3D

30

3.1.2

BIM

4D

30

3.1.3

BIM

5D

30

3.1.4

BIM

6D

30

3.2

EMPREGO DO BIM NA ORÇAMENTAÇÃO

31

4.1

DESCRIÇÃO DO PROJETO

33

4.2

LEVANTAMENTO DE QUANTITATIVO

37

4.3

ELABORAÇÃO DO ORÇAMENTO

37

5

RESULTADOS

39

5.1

VANTAGENS

48

5.2

DESVANTAGENS

49

6

CONCLUSÃO

51

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

53

ANEXO A

55

ANEXO B

61

12

1. INTRODUÇÃO

A elaboração de um orçamento na construção civil, por muitos anos, foi realizada de forma manual pelos orçamentistas. Nos dias atuais, são utilizadas planilhas eletrônicas e softwares gráficos que apesar de serem considerados mais modernos, ainda são métodos ineficientes uma vez que demandam muito tempo do profissional para extração dos quantitativos e construção de memória de cálculo, além da composição dos custos dos serviços. Além de demandar muito tempo do profissional, cabe a ele adotar as técnicas mais adequadas conforme seu conhecimento para levantamento de quantitativos, podendo levar a incertezas no orçamento, já que o método é baseado no entendimento do orçamentista. Assim, existe a possibilidade de haver variações de medições e, consequentemente, de custos para uma mesma edificação e, até mesmo, idêntico serviço, dependendo de cada profissional orçamentista. Além disso, apesar de ser uma indicação constante dos livros para que seja realizada a memória de cálculo, é inviável ao orçamentista detalhar todas ideias utilizadas. Dessa maneira, para que sejam realizadas conferências no orçamento, acaba-se quase refazendo o trabalho original. Com o aumento do mercado da construção civil, a competitividade entre as empresas cresce cada vez mais juntamente com a exigência dos clientes por menores custos, entretanto com qualidade superior. Sendo assim, é uma necessidade para permanência no mercado que as empresas utilizem a modelagem da informação da construção, conhecida como BIM, não somente no orçamento, mas também em todas as fases da construção. Essa necessidade se dá devido à mais precisa extração de quantitativos entre diferentes profissionais, juntamente com a memória das quantidades no próprio software, reduzindo o tempo para elaboração da orçamentação. Além disso, a plataforma BIM contempla a compatibilização de projetos, gerando projetos e quantitativos mais adequados à realidade da obra. A modelagem BIM é considerada uma das técnicas mais promissoras de desenvolvimento na indústria em relação à engenharia e construção e é apenas questão de tempo para que esse seja o padrão de projetar. Isso se deve ao fato de que o modelo gera desenhos mais semelhantes ao as built, restringindo os problemas de incompatibilidades entre os diferentes projetos que somente seriam percebidos durante a execução. Sendo o BIM um ferramenta também, 4D e 5D, que tem a

13

possibilidade de relacionar planejamento e orçamento aos projetos, essa pode ser a forma que a construção civil tem de maximizar a produtividade e minimizar os erros anteriormente ao início da execução da obra em si. No entanto, apesar de parecer ser a ferramenta que contempla todos os problemas encontrados na construção civil, o aprendizado de algum software para aplicação de BIM é um processo moroso, que demanda tempo e paciência do profissional. Além disso, para que a compatibilização de projetos dê resultado, é necessário que todos os profissionais trabalharem na mesma plataforma ou os softwares extraíam arquivos de mesmo formato. Ainda, para ser eficiente na extração de quantitativos para posterior passagem para planilhas de custos orçamentários, os serviços devem estar na mesma unidade de medida. Sendo assim, a plataforma BIM permite que a elaboração do projeto esteja inteiramente relacionada à extração de quantitativos, sendo que a modificação em um, acarreta mudança imediata no outro, refletindo no custo final, ou seja, no orçamento. Apesar de permitir que esse processo, não é fato que é uma metodologia de fácil aplicação uma vez que demanda conhecimento e uma mudança de pensamento de todas pessoas envolvidas, além de tempo para resolver as diversas adversidades encontradas durante o período. Apesar de tudo, é uma necessidade a troca da forma tradicional de realizar orçamentos, em que o processo de quantificação é manual e pode ser impreciso, para esta nova tecnologia que passa a ser automática.

1.1

OBJETIVOS

1.1.1

Objetivo Geral

O objetivo principal deste estudo é analisar as dificuldades encontradas para extração de quantitativos de uma edificação unifamiliar pela plataforma BIM e, posteriormente, realização de um orçamento com os valores extraídos.

1.1.2 Objetivos Específicos

a. Descrever a plataforma BIM através dos seus critérios para levantamento de quantitativos levando em consideração o formato tradicional de orçamentação usado no país;

14

b. Montar uma planilha orçamentária com base nos valores extraídos do modelo BIM e nas composições unitárias do SINAPI e TCPO;

c. Realizar a análise da eficiência do BIM para extração de quantitativos e observar as dificuldades encontradas com a extração e, subsequente, elaboração do orçamento.

1.2

JUSTIFICATIVA

Com o mercado cada vez mais competitivo e em busca de maior qualificação, os clientes e as empresas buscam por métodos mais assertivos e que otimizem o tempo para realização. Além disso, um orçamento preciso e detalhado é a resposta que todo cliente espera para analisar a viabilidade do seu empreendimento. A plataforma BIM surge como uma das tecnologias mais promissoras para arquitetura e engenharia uma vez que permite que sejam satisfeitas algumas lacunas deixadas pelo método convencional, ou seja manual. Assim, a tecnologia BIM possibilita que os quantitativos possuam maior precisão já que podem ser extraídos do próprio software uma vez que a medição de cada serviço permanece agregada ao próprio modelo do projeto. Além do mais, com a geração automatizada de quantidades, a plataforma proporciona a criação de uma memória de cálculo no próprio modelo, bastando um clique no serviço desejado que já obtêm-se o valor desejado. Sendo assim, caso o projeto for bem modelado e detalhado, e seja elaborado com vistas a servir à orçamentação, o modelo é aferível e extremamente confiável. Dessa forma, além dos benefícios em relação ao levantamento de quantitativos, a tecnologia proporciona que os projetos sejam compatibilizados e os erros previamente solucionados. No entanto, o conhecimento em relação ao BIM ainda é muito precário nos escritórios de engenharia e arquitetura. Apesar de demandar tempo e uma mudança de pensamento dos projetistas, é uma necessidade o estudo desta nova forma de pensar para que a engenharia civil consiga evoluir, automatizar e tornar mais precisos os seus processos.

15

2 ORÇAMENTO NA CONSTRUÇÃO CIVIL

a determinação dos

gastos necessários para a realização de um projeto, de acordo com um plano de execução previamente estabelecido, gastos estes estabelecidos em termos quantitativos.” A fim de garantir a competitividade no mercado de trabalho, a elaboração de um orçamento minucioso e preciso é peça fundamental para as empresas da construção civil. Não é suficiente saber elaborar um orçamento, mas sim, fazê-lo em um período curto, com métodos atuais de execução e, acima de tudo, conseguir preço competitivo e mínimo, afirma Dias (2011). Conforme Mattos (2006), o conhecimento aprofundado dos serviços bem como

a interpretação detalhada dos desenhos e especificações, são peças fundamentais

para garantir um bom orçamento e prever as dificuldades que podem ser encontradas durante a obra, sendo possível identificar mudanças no custo de execução. Para o autor, apesar de ser praticamente impossível de se obter valores exatos para um orçamento, se o trabalho for bem-feito, com especificações técnicas alinhadas, utilizando informações precisas e uma boa análise do orçamentista, pode garantir orçamentos com valores bem próximos ao real. Para Limmer (1997) orçar um empreendimento é realizar uma previsão de custos para uma sequência de atividades a fim de garantir sua construção. Segundo

o autor, os objetivos do orçamento são:

O orçamento é definido por Limmer (1997) como “[

]

a) Definir o custo de execução de cada atividade ou serviço;

b) Construir-se em documento contratual, servindo de base para o faturamento da empresa executora do projeto, empreendimento ou obra, e para dirimir dúvidas ou omissões quanto a pagamentos;

c) Servir como referência ou análise dos rendimentos obtidos dos recursos empregados na execução do projeto;

d) Fornecer, como instrumento de controle da execução do projeto,

informações para o desenvolvimento de coeficientes técnicos confiáveis, visando ao aperfeiçoamento da capacidade técnica e da competitividade da empresa executora do projeto no mercado. A prática orçamentária está fortemente relacionada ao gerenciamento da obra, sendo fundamental para um bom planejamento e controle de custos preciso. No

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orçamento estão incluídas as etapas de toda a execução, podendo ser baseado o planejamento conforme o valor disponível para desembolso em cada período.

“A preparação de um orçamento é imprescindível, para um bom planejamento, pois é com base nele que advém o sucesso de qualquer empreendimento de construção predial. Por outro lado, somente através desse orçamento concluído, podemos prosseguir na execução de trabalhos, tais como: viabilidade técnica-econômica do empreendimento, cronograma físico-financeiro da obra, cronograma detalhado do empreendimento e relatórios para acompanhamento físico-financeiro.” (Coêlho, 2001)

Dias (2011) define orçamento das construções como “a soma do custo direto, do custo indireto e do resultado estimado do contrato (lucro previsto). “A fim de garantir o bom entendimento do estudo, é necessário definir os conceitos de custo direto, custo indireto e BDI.

2.1 CUSTOS DIRETOS

Tisaka (2006) afirma que que “qualquer gasto havido com materiais, pessoal, equipamentos, administração local, canteiro de obras, mobilização e desmobilização, ou qualquer outro gasto havido no âmbito da obra, deve ser lançado no centro de custo da obra, constituindo-se, assim, obrigatoriamente, no custo direto da obra.” Para Dias (2011) o custo direto pode ser obtido pelo consumo dos itens que são de fácil medição pelo somatório dos insumos contidos em determinado produto pelo pagamento dos custos unitários do serviço. Ainda, segundo o autor, através do fornecimento da planilha de quantidades e preços pelo cliente ou orçamentista, considerando todos os serviços. Mattos (2006) define custo direto como o custo de todos os serviços levantados, relacionados aos que serão executados em campo. Braga (2015) afirma que os custos diretos devem abranger os valores gastos com administração, mobilização e desmobilização de equipamentos e materiais e montagem do canteiro de obras. Além disso, as despesas com mão-de-obra e material relacionados aos serviços.

17

2.2 CUSTOS INDIRETOS

Conforme Limmer (1997), custos indiretos como os itens de difícil mensuração para a realização de determinado serviço, ou seja, são componentes necessários porém, secundários, para o sucesso da elaboração da atividade. O autor ainda afirma que esses gastos encontram-se divididos nas atividades ou, atém mesmo, no projeto como um todo. Para Dias (2011) os gastos que são de difícil mensuração na unidade em que

o

serviço é medido são os custos indiretos tais como, engenheiro, veículos de passeio

e

de carga, contas das concessionárias, entre outros. Também estão incluídos nesses

gastos, segundo o autor, os itens previstos em cima do custo total ou do faturamento, administração central, impostos ou juros. Mattos (2006) define custo indireto por exclusão, “Custo indireto é todo o custo que não apareceu como mão-de-obra, material ou equipamento nas composições de custos unitários do orçamento. Em outras palavras, é todo custo que não entrou no custo direto da obra, não integrando os serviços de campo orçados.” O autor identifica alguns fatores que influenciam nesse gasto, como localização geográfica da obra, política da empresa, prazo para duração e complexidade para realizar a obra.

2.3 BENEFÍCIOS E DESPESAS INDIRETAS (BDI)

Dias (2011) menciona que a finalidade do cálculo do BDI (Benefícios e Despesas Indiretas) é somente para executar o cálculo do preço unitário de venda em relação ao custo unitário do serviço, uma vez que o preço unitário de venda deve possuir todos os encargos que cobrem as atividades executadas. Sendo assim, o BDI

é um percentual relacionado às despesas indiretas que irá refletir nos custos diretos. Conforme Tisaka (2006), o BDI na engenharia é um percentual somado aos

custos diretos de uma obra, os gastos indiretos administrativos e, ainda, os tributos e

o lucro desejado.

De acordo com Mattos (2006), BDI é designado pelo resultado da divisão dos custos indiretos, somado ao lucro, pelo custo direto de uma obra, sendo incluso nesse

valor:

a) Despesas indiretas de funcionamento da obra;

b) Custo da administração central;

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c) Custos financeiros;

d) Fatores imprevistos;

e) Impostos;

f) Lucros.

Assim, o BDI serve para se obter o preço de venda, sendo uma percentagem aplicada sobre o custo direto. Para ele, uma maior quantidade de itens torna uma planilha orçamentária completa, reduzindo os itens do custo indireto. Apesar de não modificar o custo total da obra, o impacto sobre o BDI é direto.

2.4 ASPECTOS DO ORÇAMENTO

O processo de orçamentação tem o objetivo de determinar o custo de uma edificação o mais próximo possível da realidade. Porém, como é elaborado por suposição, existe sempre uma margem de erro na sua composição. “Muitas são as premissas de cálculo adotadas e a defasagem de tempo entre o momento da orçamentação e o da realização da tarefa pode ser bastante dilatado”, declara Mattos

(2006).

Segundo Dias (2011), executar um orçamento baseado no projeto básico, pode acarretar em uma possibilidade de 20 a 30% de erro no custo final caso comparado ao projeto executivo. Sendo assim, 3 são os atributos de um orçamento, sendo eles:

aproximação, especificidade e temporalidade. Todos eles estão descritos a seguir.

2.4.1

APROXIMAÇÃO

Conforme Mattos (2006), “O orçamento não tem que ser exato, porém preciso.

Ao orçar uma obra, o orçamentista não pretende acertar o valor em cheio, mas não

Quanto mais apurada e

criteriosa for a orçamentação, menor será sua margem de erro.” Como todo o orçamento é produzido anteriormente ao processo da construção em si, é baseado em previsões sendo assim, é um estudo aproximado do real custo de uma obra. Diversos são os itens que são analisados e vários deles contam com a aproximação para obtenção do custo do serviço. Assim, produtividade de equipes ou equipamentos, cotação de preço de insumos e custos indiretos são itens com custo estimado em comparação à realidade de um empreendimento.

se desviar muito do valor que efetivamente irá custar. [

]

19

Dias (2011) sustenta a ideia em relação à importância da experiência do profissional. O autor afirma não ser suficiente apenar o conhecimento de custos extraído de livros e manuais mas também, a ciência relacionada a execução da obra orçada, em engenharia de segurança do trabalho, em garantia de qualidade, em meio ambiente, em legislação trabalhista e fiscal, uma vez que os impostos afetam diretamente o custo.

2.4.2 ESPECIFICIDADE

Segundo Dias (2011), para cada orçamento elaborado, todos os parâmetros necessitam ser revisados, jamais os valores devem ser fixados uma vez que localização, facilidades ou dificuldades na obra, produtividade e clima mudam conforme cada novo contrato. “Cabe ressaltar que custo de obra é regional, pois, variáveis como produção de mão-de-obra, salários e benefícios e materiais tem características regidas por região, bem como, os preços dos insumos podem apresentar características sazonais, isso é, variam conforma a demanda.” Ainda ressalta, que os custos unitários dos serviços podem ser muito semelhantes porém não exatamente iguais. Até mesmo o BDI modifica seu valor para cada nova edificação. Mattos (2006) reforça que não é eficaz orçamentos padronizados ou generalizados, em todos os casos é imprescindível ao adaptar o estudo para à obra em questão. De acordo com o autor, a orçamentação está relacionada à política da empresa em relação à quantidade de cargos de supervisão e de veículos, no padrão do canteiro de obras, no grau de terceirização, nas taxas cobradas. Ainda, aspectos como clima, relevo, tipo de solo, nível do lençol freático, condições das estradas locais, qualidade da mão-de-obra e diferentes alíquotas de impostos afetam diretamente o orçamento e consequentemente, o custo final de uma edificação.

2.4.3 TEMPORALIDADE

Um orçamento efetuado algum tempo atrás, não é válido hoje uma vez que o mercado se encontra em constante modificação. Segundo Mattos (2006), a flutuação no custo dos insumos, criação ou alteração de impostos e encargos sociais e trabalhistas, a evolução dos métodos construtivos e os diferentes cenários financeiros

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e gerenciais são itens em constante mudança no mercado e, em questão de pouco tempo, pode resultar em orçamentos defasados, com grandes erros.

2.5 TIPOS DE ORÇAMENTOS

Conforme o grau de complexidade e precisão que se deseja atingir, são elaborados diferentes tipos de orçamentos, que resultarão na viabilidade ou não do empreendimento. Segundo Limmer (1997), “Toda estimativa orçamentária é, por conseguinte, afetada de erro, que será tanto menor quanto melhor for a qualidade da informação disponível por ocasião da sua elaboração. Os orçamentos podem ser classificados em estimativa de custo, orçamento preliminar e orçamento analítica, dependendo do nível de detalhe dos mesmos. Baeta (2012) aprofunda as características de cada orçamento e diferencia os mesmos entre os seguintes itens:

a) Etapas de concepção do empreendimento;

b) Propósito ou finalidade da estimativa ou do orçamento;

c) Tipo de qualidade das informações disponíveis;

d) Métodos de preparação e avaliação;

e) Tempo de execução da estimativa ou do orçamento;

f) Grau de precisão esperado.

Neste trabalho será abordado o orçamento analítico como maneira para realização do orçamento por se tratar da maneira mais detalhada e, consequentemente, mais precisa para prever o custo de uma obra. Mattos (2006) afirma que essa maneira de previsão, é realizada através do levantamento de todos os serviços executados e sua respectiva composição de custo unitária, sendo analisado em relação aos materiais, mão-de-obra e equipamentos. Além dos custo de

serviços, que são os custos diretos, estão inseridos os custos indiretos. Sendo assim,

o valor obtido para o custo final de uma edificação, é muito próximo ao real. Para Goldman (1986), o orçamento analítico é a maneira mais correta para que seja planejado e acompanhado o custo da obra. Para isso, essa ferramenta conta com a necessidade de ser baseada em todos os projetos executivos e no memorial descritivo com as especificações técnicas e detalhes de acabamentos a fim de um correto levantamento de quantitativos dos serviços.

21

2.6 ETAPAS DA ORÇAMENTAÇÃO

Mattos (2006) declara que inicialmente são analisados os documentos e feita a visita em campo do local da edificação que será orçamentada. Após, é calculado o custo através dos quantitativos, produtividades e preço dos insumos. Por fim, é acrescido o custo indireto, os impostos e o lucro, caso desejado o preço de venda. O autor classifica as etapas em três grandes grupos, sendo eles: estudo das condicionantes, composição de custos e determinação do preço.

2.6.1 ESTUDO DAS CONDICIONANTES

As condições de contorno são caracterizadas pela interpretação e compreensão de todos os projetos e suas especificações técnicas a fim de garantir o completo entendimento acerca das características e dificuldades do projeto. Além disso, é neste item que são estudados os métodos construtivos, a qualidade de acabamento, são feitas as compatibilizações entre os projetos e previstas as interferências entre os mesmos. Ainda, é indicado que seja realizada uma visita técnica ao terreno da edificação para que sejam levantados dados para o orçamento e verificadas as condições do local.

2.6.2 COMPOSIÇÃO DE CUSTOS

A composição de custo necessita, primeiramente, que sejam identificados todos os serviços que irão compor a planilha orçamentária, ou seja, como se trata, neste caso, de um orçamento analítico, todos os serviços que o empreendimento requer para que seja construído. Com base nos projetos e nos serviços especificados, é gerado o levantamento de quantitativos, sendo que esse ponto é um dos mais importantes para a exatidão do orçamento pois, como cita Mattos (2006), “Um pequeno erro de conta pode gerar um erro de enormes proporções e consequências nefastas”. O levantamento dos quantitativos é realizado conforme a unidade de medida de cada serviço, sendo elas em volume, área, linear, etc. Após o levantamento de quantitativos, são especificados os custos diretos sendo que sua unidade pode ser unitária, relacionados a um serviço mensurável, ou

22

uma verba, quando o serviço não pode ser medido. Cada serviço mensurável possui sua composição de custos unitários e cada insumo apresenta um índice associado. As composições podem ser obtidas do TCPO (Tabelas de Composição de Preços para Orçamentos), do Sinapi (Sistema Nacional de Pesquisa de Custos e Índices da Construção Civil) ou baseado na composição própria da empresa. Posteriormente à discriminação dos custos diretos, são definidos os custos indiretos. Neste momento,

são calculadas as equipes de trabalho, tanto técnicas como de suporte, e verificadas as despesas gerais da obra. Posteriormente, são cotados os preços de mercado para cada insumo envolvido na composição unitária, tanto os de despesa direta como indireta. Ainda nesta etapa, devem ser definidos os encargos sociais e trabalhistas aplicados sobre

a mão-de-obra que são direito do trabalhador.

2.6.3 DETERMINAÇÃO DO PREÇO

Nesta última etapa da orçamentação, é decidida a lucratividade desejada, considerando condições como risco do empreendimento e concorrência. Também, sobre os custos diretos é aplicado o BDI para diluir o custo que não está explícito. Por fim, para melhor a condição econômica do orçamento, pode ser realizado o desbalanceamento da planilha, através da atribuição diferente do BDI para cada item da planilha, ou seja, não linear. O desbalanceamento é realizado já que possibilita o acréscimo do preço dos serviços iniciais e decréscimo do preço dos serviços finais.

2.7 LEVANTAMENTO DE QUANTITATIVOS

O levantamento de quantitativos constitui uma das etapas mais significativa para a elaboração de um orçamento uma vez que a precisão do custo final está intimamente relacionada à correta quantidade de serviços e materiais. Dias (2011) ressalta a necessidade do conhecimento do responsável técnico em relação à todos

os serviços elaborados. Além disso, para que o levantamento tenha precisão e coerência, é imprescindível a análise minuciosa dos projetos, especificações técnicas

e suas plantas construtivas. Conforme Mattos (2006), por demandar leitura e interpretação dos projetos, diversos cálculos e busca por informações, a etapa do levantamento de quantitativos

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é uma das que demanda maior conhecimento do orçamentista. Assim, a quantificação

necessita ser baseada em desenhos fornecidos pelo projetista, utilizando dimensões

definidas e os detalhes técnicos, por meio de documentação das memórias de cálculo empregada.

“O processo de levantamento das quantidades de cada material deve sempre deixar uma memória de cálculo fácil de ser manipulada, a fim de que as contas possam ser conferidas por outra pessoa e que uma mudança de características ou dimensões do projeto não acarrete um segundo levantamento completo. Em vista disso, são normalmente usados formulários padronizados para cada empresa.” (Mattos, 2006)

Conforme Badra (2012), “realizar leituras numéricas, colocando valores

aleatórios à medida que for quantificando os projetos é o caminho ao caos.” O autor afirma que o levantamento de quantitativos deve ser realizado de maneira sistemática uma vez que, caso não for elaborado dessa forma, os valores serão desorganizados

e com entendimento complexo para terceiros, somente sendo compreendidos pelo

orçamentista. Tisaka (2006) define que o levantamento das quantidades pode ser extraído tanto de forma manual como através de programas de computação dos projetos básicos ou executivos. É fundamental que os dados coletados sejam armazenados em planilhas ou documentos auxiliares por meio de memórias de cálculo, de maneira organizada, a fim de permitir a conferência dos valores se necessário. Para Sabol (2008), o levantamento manual dos quantitativos é passível de erros humanos já que depende totalmente do conhecimento e atenção do orçamentista, além de ser um método que demanda muito tempo para realização. A extração de quantidades, segundo o autor, pode demandar 50 a 80% do tempo de um orçamentista em determinado projeto. Além disso, está sujeito a grandes imprecisões no custo final.

O orçamentista deve se atentar à dimensão que cada serviço está inserido para que seu levantamento seja coerente, podendo ser em dimensão linear tais como rodapés ou tubulações, de área ou volumétrica e, até mesmo, de peso, que engloba armação e estruturas metálicas, ou adimensionais que são tratados como verba, como postes ou portões. Badra (2012) ressalta a importância da padronização das unidades para que a fase posterior à quantificação não demande mais trabalho. Assim, é

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interessante e indicado que um mesmo serviço ou peça possua sempre a mesma unidade.

O levantamento de quantidades de armações, por exemplo, é contabilizado em

unidade de peso de aço, conforme o projeto estrutural. Normalmente, o projeto contém uma tabela com comprimentos, bitolas e suas respectivas quantidades. Usualmente, alguns projetistas aumentam em 10% o peso total para contabilizar as prováveis perdas existentes nesse caso, as perdas não devem ser inseridas da composição de custos. Para o serviço de alvenaria, que é quantificado em termos de área de parede a ser construída, é necessário a fragmentação em relação a todos os insumos necessários para sua edificação, ou seja, quantidade de blocos e argamassa. É imprescindível a correta extração desse quantitativo já que servirá de base para outros

serviços, tais como chapisco, emboço, reboco, pintura e azulejos, conforme Mattos (2006). A área de alvenaria é levantada baseada na planta baixa e cortes da edificação. Ainda, é necessário atentar para as regras em relação às aberturas conforme sua área, o que influencia em desprezar ou não o vão.

Segundo Mattos (2006), inicialmente, o orçamentista deve buscar informações

a respeito dos critérios de medição e pagamento utilizado pelo cliente, além de atentar para as especificações técnicas e projetos para que o quantitativo seja coerente com

o real. Um item que deve ser levado em conta são as perdas que incontrolavelmente ocorrem devido à carga e descarga malfeitas, armazenagem em local impróprio,

manuseio e transporte inapropriados ou, até mesmo, roubo. Assim, para cada serviço uma porcentagem a mais deve ser considerada conforme experiência e estudo do orçamentista.

O levantamento de quantitativos realizado manualmente está muito suscetível

a erros humanos uma vez que depende do conhecimento do orçamentista em relação

as técnicas adotadas. Assim, para um mesmo serviços, diferentes orçamentistas não necessariamente calculam um valor equivalente. Considerando esse item, não há certeza e exatidão na quantificação de uma edificação se realizado dessa maneira e, consequentemente, no custo final. Além do mais, é fundamental que exista uma memória de cálculo para que não seja realizado um novo levantamento de quantitativos caso necessário uma conferência. No entanto, sabe-se que é inviável a anotação de todos os cálculos

25

realizados. Por essas razões, surge a tecnologia BIM para auxílio no levantamento de quantitativos, que pode contemplar essas lacunas deixadas por outros métodos. Segundo Pereira (2017), foram encontradas algumas dificuldades no levantamento de quantitativos com a utilização de BIM para um futuro orçamento, tais como, a falta de divisão da extração de quantitativos de forma detalhada. Assim, apenas foi permitida a geração de uma previsão de custos, não um orçamento analítico por etapas da obra, como é utilizado por profissionais do ramo. Além disso, ocorreram incompatibilidades entre as unidades extraídas do software e as que podem ser utilizadas para composição de custo. Ainda, por possuir falta de informação em relação aos materiais e acabamentos utilizados, foi feita a modelagem de forma genérica, sem a definição dos materiais detalhados. Sendo assim, para este trabalho, foram observadas essas considerações, anteriormente à modelagem para que a extração de quantitativos fosse utilizada para elaboração de um orçamento analítico e futuro planejamento da obra.

26

3 BUILDING INFORMATION MODEL

A plataforma BIM está sendo inserida na construção civil como a grande tecnologia para inovação desse mercado através da melhor gestão e integração de projetos, anteriormente ao processo executivo em si. Eastman et al. (2014) caracteriza BIM como uma tecnologia de modelagem juntamente com processos associados que resultam na produção, comunicação e análise de modelos da construção. Segundo a Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), BIM é definido como um conjunto de políticas, processos e tecnologias, que quando unidos constituem uma metodologia para projetar, que permite que a modelagem da edificação, através do armazenamento de dados e troca de informações, prevendo o desempenho da obra durante todo o seu ciclo de vida. Além disso, possibilita que os métodos atuais sejam realizados de outras formas, ou seja, que as técnicas baseadas em documentos passem a ser baseadas em modelos. Conforme a National Building Information Modeling Standard (NBIMS, 2007), BIM pode ser compreendido como um produto, uma ferramenta ou um processo. No que se refere à modelagem do projeto, é tratada como um produto. Em questão de softwares que fazem a criação, associação e extração de informações do modelo da edificação, é vista como ferramenta. Já se tratando das informações referentes à todo ciclo de vida da edificação, é definida como um processo. A mudança da concepção de projetos CAD para o BIM se dá de forma gradual uma vez que essa passagem necessita de uma modificação na filosofia de trabalho. Os projetos passam a ser não apenas desenhos independentes, mas sim, desenhos associados à informação.

“Elaborar um projeto em uma plataforma BIM significa ter todas as informações e documentações do projeto concentradas em um único arquivo ou em arquivos linkados, sendo que, neste caso, as informações são gerenciadas por um arquivo principal. Já no método tradicional, na ferramenta CAD, são gerados diversos arquivos isolados correspondendo aos entregáveis.” (Associação Brasileira dos Escritórios de Arquitetura – RS,

2015)

27

3.1 BENEFÍCIOS E CLASSIFICAÇÃO DO BIM

Apesar de nem todos os benefícios do uso do BIM estarem sendo aplicados atualmente no mercado da Arquitetura e Engenharia, a plataforma possui uma lista de contribuições positivas para desenvolvimento deste mercado e também redução considerável de custo, se utilizada de forma potencializada. Campestrini (2015) cita que a tecnologia está sendo reconhecida apenas como uma ferramenta para desenvolvimento de projetos e não como uma metodologia do mercado.

“Isso acontece sobretudo porque vê-se BIM exclusivamente como um “desenho 3D”, ou “um software”, negligenciando o que tange a mudança dos processos e pessoas. Pensando BIM apenas como um software teremos basicamente os ganhos ao enviarmos à obra um projeto totalmente compatibilizado (acredita-se assim em uma redução de 2% a 5% de custos), ao passo que se BIM for entendido como uma mudança de processo (envolvendo mudanças de cultura, hábito e pessoas) teremos inúmeros projetos para uma única edificação, sendo possível reduções de custo potencialmente 10 vezes maiores.” (Campestrini, 2015)

O CBIC listou alguns benefícios que o BIM proporciona, tais como:

a) O modelo 3D possibilita que seja visualizado todo o projeto inclusive as percepções de interferências entre eles, favorecendo a compreensão do desenho. Como o BIM utilizada um banco de dados, qualquer modificação em um projeto ou planta, será alterado automaticamente em todos os demais;

b) O ensaio da obra no computador permite que sejam estudadas todas as etapas e atividades previstas da obra anteriormente à construção real, além de realizar testes dos métodos construtivos, auxiliando na previsão de erros e tomada de decisões antecipadamente, garantindo maior

qualidade e menores problemas, “surpresas” e riscos;

c) A extração de quantitativos de serviços e materiais assegura rapidez e precisão nos valores obtidos, sendo que quanto maior o nível de detalhe do projeto, melhor a classificação das quantidades, facilitando o processo de planejamento;

28

d)

A análise e simulação de desempenho e comportamento da edificação

é característica inovadora do BIM tais como, simulações estruturais,

térmicas, luminotécnicas, energéticas, entre outras;

e)

A detecção automática das interferências entre os sistemas, conhecida como clash detection, que permite a previsão de incompatibilidades que somente seriam visualizadas no momento da execução;

f)

Como os objetos possuem dados próprios, eles se ajustam automaticamente às modificações de projeto, que garante documentos mais consistentes e íntegros;

g)

Permite a execução de projetos mais complexos, não somente em relação às características construtivas, mas também, em relação à prazos pequenos, logísticas complicadas e coordenação simultânea de

diferentes frentes de trabalho;

h)

A montagem de materiais pré-fabricados pode ser ensaiada

anteriormente, eliminando possíveis erros e interferências no modelo, garantindo confiabilidade e previsibilidade do projeto, a fim de tornar a construção civil mais industrializada;

i)

A

vantagem do uso de tecnologia captura pode ser efetivada através do

BIM já que as informações são analisadas e combinadas para investigar

modificações e executar simulações;

j)

A

aderência ao BIM eleva à confiabilidade e assertividade dos projetos,

o

que evidencia que as empresas sejam conhecidas por investir na

inovação e liderança, melhorando sua perspectiva no mercado e essa consciência está crescendo em diversos países no mundo;

k)

A “construtibilidade” que permite que modelos complexos sejam simulados e estudados através da associação da construção virtual com a detecção das interferências e o planejamento 4D, que proporciona não

somente que sejam solucionados os conflitos físicos mas também determinados os cursos das atividades;

l)

Através de recursos como iluminação, sombreamento e introdução de contextos são produzidas imagens renderizadas com qualidade e definição elevadas, que é um recurso introduzido na própria modelagem BIM;

29

m)

A

percepção intuitiva e facilitada das diferentes versões do projeto

através de códigos de cores para objetos que tenham sido modificados,

excluídos ou incluídos;

n)

A fim de garantir as condições mínimas de segurança para os

profissionais de manutenção, o modelo permite que sejam consideradas as medidas do ser humano com uso de ferramentas para acesso nas instalações em condições ideais;

o)

A compilação de informações dos componentes do modelo para determinação de atributos comuns, tal como a empresa contratada para

o

serviço, auxiliando na programação e controle das atividades e

equipes envolvidas;

p)

Existe a possibilidade de rastreamento e controle dos componentes que

constituem o modelo, que permite a visualização e extração de relatórios de determinado elemento desde que as informações tenham sido agregadas;

q)

A

utilização de uma base de dados para garantir que se tenham

informações para os processos de manutenções, operação e gestão, após a conclusão da edificação;

r)

Alguns dados podem ser extraídos do modelo BIM e empregados em equipamentos de fabricação automática para produção de objetos mais precisos e melhor aproveitados;

s)

Uma só pessoa pode realizar e conferir a locação e níveis da obra, através de equipamentos adequados, utilizando dados anteriormente agregados ao modelo.

Os benefícios da utilização da plataforma BIM são perceptíveis desde a concepção do projeto, passando pela execução da obra e se conservando durante sua manutenção, ou seja, toda a vida útil da edificação. Diversas são as classificações utilizadas para as diferentes dimensões que a plataforma pode atingir, sendo elas do BIM 3D ao 6D, conforme cada utilização. Conforme Campestrini (2015), “Quanto mais dimensões tiver o modelo, maiores serão os tipos de informações passíveis de serem modeladas a partir deles, tornando as tomadas de decisão mais complexas e acertadas.”

30

3.1.1 BIM 3D

Mattos (2014) caracteriza este modelo como a consolidação dos projetos tridimensionalmente associado a todos os elementos fundamentais, em um mesmo ambiente virtual. Também cita que nessa dimensão, é onde são detectados as inconsistências entre os projetos, sendo antecipados os erros que seriam ocasionados no momento da execução.

3.1.2 BIM 4D

Segundo Mattos (2014), no BIM 4D as informações estão relacionadas ao cronograma da obra, sendo possível a visualização do avanço físico da edificação. Campestrini (2015) acrescenta que podem ser atribuídas informações de prazos tais como, produtividade e quantidade de equipes e a sequência construtiva adotada. Assim, possíveis atrasos podem ser previstos nessa etapa do projeto.

3.1.3 BIM 5D

“No BIM 5D agrega-se a dimensão custo ao modelo tridimensional. Cada elemento do projeto passa a ter vinculação a dados de custo”, afirma Mattos (2014). O autor acrescenta que toda alteração no projeto é atualizada automaticamente no orçamento. Conforme Campestrini (2015), os elementos podem ser atrelados à custo com mão-de-obra, material, equipamentos e, até mesmo, despesas indiretas. Assim, pode ser obtido custo das atividades da obra juntamente com a curva ABC e os itens de maior custo da edificação.

3.1.4 BIM 6D

Mattos (2014) explica o BIM 6D como o gerenciamento do ciclo de vida útil da edificação. Para ele, nessa dimensão, pode se ter o monitoramento da garantia dos equipamentos, controle de manutenções, dados de fabricantes e fornecedores, custo das operações e memória fotográfica.

31

Para o estudo deste trabalho, será abordado o BIM 5D em que o projeto está vinculado ao custo da edificação através do levantamento de quantitativos pela plataforma. Conforme Eastman et al. (2014), quanto maior o nível de detalhamento do projeto, maior a exatidão e rapidez do levantamento de quantitativos em relação aos espaços e materiais. Além de beneficiar para um orçamento físico-financeiro melhor segmentado e mais minucioso, a modelagem do projeto bem detalhada auxilia para que o cronograma possua uma divisão mais criteriosa.

3.2 EMPREGO DO BIM NA ORÇAMENTAÇÃO

A utilização do BIM, como mostrado anteriormente, é uma ferramenta que pode potencializar o desenvolvimento da construção civil através dos seus inúmeros benefícios, e apenas utilizando poucos deles, já se pode ter um ganho considerável, tanto de tempo como monetário. Campestrini (2015) cita que mesmo utilizando apenas o modelo 3D para compatibilização de projetos e extração dos quantitativos, as vantagens do BIM já são perceptíveis e motiva os usuários a buscarem por melhorias contínuas. Assim, em relação à orçamentação, a plataforma atua, principalmente, em relação ao levantamento de quantitativos precisos e com maior rapidez. Através de um modelo bem projetado e com um nível de detalhamento adequado, é possível a extração das quantidades mais hierarquizada que auxilia tanto no processo da orçamentação quanto no planejamento da execução, uma vez que o objetivo principal do levantamento de custo é obtenção de um orçamento analítico e não apenas uma estimativa de custo. Segundo Eastman et al. (2014), é mais viável a tomada de decisões que relacionam custos com maior grau de informações através do uso do BIM que quando comparado ao sistema fundamentado em papel. Conforme o autor, quanto mais desenvolvido o projeto, maior precisão do orçamento, uma vez que, inicialmente, o valor é estimado pelo custo unitário por metro quadrado. Apesar da tecnologia BIM apresentar inúmeras vantagens, ainda é necessário que o orçamentista avalie as condições que impactam no custo. Eastman et al. (2014) indica três métodos para o auxílio no levantamento de quantitativos, sendo função do profissional saber identificar de que forma a plataforma pode potencializar suas tarefas uma vez que a tecnologia não permite que todos os processos sejam realizados automaticamente.

32

a) Exportar quantitativos para um software de orçamentação: Algumas ferramentas de software oferecem a extração e quantificação dos objetos do modelo através do BIM. Os dados obtidos podem ser extraídos para planilhas ou bancos de dados externos. Para que os dados das planilhas e do quantitativo sejam compatíveis, tal como unidade de medida, o modelo deve seguir um padrão pré-estabelecido.

b) Conectar diretamente a ferramenta BIM ao software de orçamentação:

É possível a conexão via plug-in da ferramenta BIM aos dados de orçamentação através de regras criadas pelo próprio orçamentista baseados nas propriedades do sistema ou informar manualmente os dados não extraídos no modelo. Podem ser incluídos dados de mão-de- obra, materiais, equipamentos, tempo que podem auxiliar no planejamento da obra.

c) Utilizar ferramenta BIM para levantamento de quantitativos: Pode ser usada uma ferramenta específica para o levantamento de quantidades, sendo que o profissional não necessita aprender os recursos contidos no BIM. A ferramenta importa as informações do modelo de acordo com a necessidade do orçamentista.

Segundo Badra (2012), quando se trata de BIM, ao se finalizar o projeto em 3D, pode ser considerado que está “construído virtualmente”. Sendo assim, todas as peças já se encontram estabelecidas com seu determinado material, e quando levantados os quantitativos, todos os valores serão indicados conforme suas características. Porém, para que o levantamento de quantidades e o orçamento sejam compatíveis, é interessante adequar as unidades para cada serviço em relação à unidade contida no custo unitário da planilha orçamentária.

33

4

METODOLOGIA

4.1

DESCRIÇÃO DO PROJETO

Primeiramente, este trabalho foi realizado de forma a estudar os conceitos e vantagem da prática orçamentária na construção civil, com foco na extração de quantitativos. Ainda, foi analisado que esse processo necessita demandar menos tempo para possuir maior eficiência. A fim de justificar a escolha do tema foram confrontadas diversas interpretações e percepções de autores. Além da orçamentação, foi estudado o Building Information Model (BIM), através dos seus conceitos, benefícios e maiores usos na construção civil, principalmente na extração de quantitativos e, consequentemente, nos orçamentos. Para o estudo foram utilizados livros, artigos, dissertações, normas, entre outros. Após a revisão bibliográfica em relação à orçamentação e BIM, propõe-se um estudo de caso a fim de analisar a eficiência ou não da plataforma BIM na extração de quantitativos do projeto. Posteriormente foi executada uma planilha orçamentária baseada no SINAPI e TCPO, com os valores extraídos. Para isso, foi escolhido uma edificação multifamiliar cedida por uma arquiteta de São Borja RS, modelado no software Revit da Autodesk.

Figura 1 Imagem 3D edificação multifamiliar

Revit da Autodesk. Figura 1 – Imagem 3D edificação multifamiliar Fonte: Cláudia Pinto, Arquiteta de São

Fonte: Cláudia Pinto, Arquiteta de São Borja/RS

34

O edifício multifamiliar possui dois pavimentos, sendo que cada um deles

possui dois apartamentos. Cada apartamento é constituído por hall de entrada,

estar/jantar, cozinha/área de serviço, dois dormitórios, sendo um suíte, dois banheiros e circulação, e uma vaga de garagem nos fundos do terreno. As imagens 2, 3 e 4 mostram a representação gráfica do edifício e suas elevações.

A edificação foi construída em alvenaria estrutural e possui 266,44 m²

distribuídos nos dois pavimentos. Cada apartamento é constituído por 52,21 m² e a obra foi construída em um terreno de 384 m². A projetista disponibilizou as plantas, cortes e memorial descritivo para o estudo. Como se trata de uma edificação já construída, os materiais e suas especificações são conhecidos e foram considerados.

35

Figura 2 Planta baixa pavimento térreo

35 Figura 2 – Planta baixa pavimento térreo Fonte: Cláudia Pinto, Arquiteta de São Borja/RS

Fonte: Cláudia Pinto, Arquiteta de São Borja/RS

36

Figura 3 Planta baixa pavimento superior

36 Figura 3 – Planta baixa pavimento superior Fonte: Cláudia Pinto, Arquiteta de São Borja/RS

Fonte: Cláudia Pinto, Arquiteta de São Borja/RS

37

Figura 4 Elevações

37 Figura 4 – Elevações Fonte: Cláudia Pinto, Arquiteta de São Borja/RS 4.2 LEVANTAMENTO DE QUANTITATIVOS

Fonte: Cláudia Pinto, Arquiteta de São Borja/RS

4.2 LEVANTAMENTO DE QUANTITATIVOS

O levantamento de quantitativos foi realizado utilizando a tecnologia BIM, através do software Revit da Autodesk. O projeto foi devidamente modelado e inseridas as especificações dos materiais tal como foram utilizados na edificação construída. A fim de obter um orçamento analítico, as especificações foram inseridas de forma a obter o levantamento das quantidades por pavimento e por tipo de elemento. Assim, o orçamento realizado pode ser empregado em um futuro planejamento da obra conforme o valor monetário disponível para cada período que se deseja gerenciar. Para a realização do estudo, somente alguns itens foram escolhidos para obtenção do seu respectivo quantitativo, tais como, revestimento interno e externo, pintura interna e externa, pisos, revestimentos cerâmicos, cobertura, alvenaria e concreto das lajes e escada.

4.3 ELABORAÇÃO DO ORÇAMENTO

A planilha orçamentária foi elaborada no software Excel e as composições unitárias dos tópicos escolhidos retiradas do SINAPI/RS, com Setembro como mês de referência, e TCPO. Como o levantamento de quantitativos foi realizado por pavimento

38

e os revestimentos externos por pano da fachada, essa mesma divisão foi aplicada para obtenção do custo destes itens. O orçamento foi dividido em custo unitário e total para mão de obra e material, através da quantidade do item, obtendo, por fim, o custo total do serviço. Os valores dos insumos foram extraídos do SINAPI/RS e, também, através de uma pesquisa de mercado para os itens de maior importância para o orçamento.

39

5

RESULTADOS

Após a modelagem da edificação no software Revit, foram obtidas planilhas com os quantitativos dos itens escolhidos, que foram extraídas para o software Excel e utilizadas no orçamento. Todos os itens foram quantificados em metros quadrados e metros cúbicos a fim de facilitar que as unidades fossem compatíveis com a composição unitária. As informações foram agrupadas nas tabelas 1 e 2.

Tabela 1 Levantamento de quantitativos de materiais

(continua)

QUANTITATIVO DE MATERIAIS

 

QUANTIDADE

 

TIPO

COMENTÁRIOS

 

COBERTURA

 

Bloco Estrutural

121.04

18.16

COBERTURA

Chapisco Externo

36.48

0.11

COBERTURA

Chapisco Interno

121.04

0.30

COBERTURA

Concreto Viga

3.64

0.15

COBERTURA

Emboço Externo

36.48

0.73

COBERTURA

Emboço Interno

121.08

2.42

COBERTURA

Laje Concreto

137.11

23.31

COBERTURA

Pintura Externa

69.16

0.00

INTERIOR PLATIBANDA

Pintura Externa

48.41

0.00

COBERTURA

Reboco Externo

36.48

0.07

COBERTURA

Reboco Interno

121.09

0.31

COBERTURA

Laje Concreto

14.46

1.74

RESERVATÓRIO

Laje Concreto

14.75

1.77

TOPO RESERVATÓRIO

Madeira Estrutura

3.34

0.06

TESOURA

Telha

120.83

12.08

TELHA

 

ESCADA

Concreto

17.22

0.00

ESCADA

Piso Cerâmico

20.26

0.10

ESCADA

 

FACHADA LESTE

 

Chapisco Externo

100.80

0.30

FACHADA LESTE

Emboço Externo

101.01

2.02

FACHADA LESTE

Pintura Externa

104.25

0.00

FACHADA LESTE

Reboco Externo

101.03

0.20

FACHADA LESTE

FACHADA NORTE

 

Chapisco Externo

56.72

0.17

FACHADA NORTE

Emboço Externo

57.12

1.13

FACHADA NORTE

Pintura Externa

61.37

0.00

FACHADA NORTE

Reboco Externo

56.95

0.11

FACHADA NORTE

40

(continua)

QUANTITATIVO DE MATERIAIS

 

QUANTIDADE

 

TIPO

COMENTÁRIOS

   
 

FACHADA OESTE

 

Chapisco Externo

150.75

0.45

FACHADA OESTE

Emboço Externo

151.37

3.02

FACHADA OESTE

Pintura Externa

165.20

0.00

FACHADA OESTE

Reboco Externo

151.39

0.30

FACHADA OESTE

 

FACHADA SUL

 

Chapisco Externo

56.69

0.17

FACHADA SUL

Emboço Externo

57.09

1.13

FACHADA SUL

Pintura Externa

61.34

0.00

FACHADA SUL

Reboco Externo

56.92

0.11

FACHADA SUL

 

FUNDAÇÕES

 

Concreto Viga Baldrame

185.78

11.89

FUNDAÇÃO

 

PINTURA

Pintura Interna

621.36

0.00

PAREDE

Pintura Interna

225.86

0.00

TETO

PAVIMENTO TIPO

 

Alvenaria de Vedação

10.27

1.03

SUPERIOR

Azulejo Cerâmico

81.47

0.41

SUPERIOR

Alvenaria Estrutural

252.24

31.79

SUPERIOR

Chapisco Interno de Parede

393.15

1.18

SUPERIOR

Chapisco Interno de Teto

81.62

0.16

SUPERIOR

Concreto Viga

3.64

0.15

SUPERIOR

Contrapiso

110.03

4.37

SUPERIOR

Emboço Interno de Parede

393.15

7.33

SUPERIOR

Emboço Interno de Teto

81.62

0.82

SUPERIOR

Forro Gesso Acartonado

32.25

0.40

SUPERIOR

Laje Concreto

128.40

8.99

SUPERIOR

Piso Cerâmico - Circulação

4.6

0.02

SUPERIOR

Piso Cerâmico - WC

14.68

0.07

SUPERIOR

Piso Cerâmico - Hall

5.92

0.03

SUPERIOR

Porcelanato

84.53

0.42

SUPERIOR

Reboco Interno de Parede

311.68

0.60

SUPERIOR

Reboco Interno de Teto

81.62

0.24

SUPERIOR

PAVIMENTO TÉRREO

 

Alvenaria de Vedação

10.27

1.03

TÉRREO

Azulejo Cerâmico

81.47

0.41

TÉRREO

Alvenaria Estrutural

252.24

31.78

TÉRREO

Chapisco Interno de Parede

391.15

1.17

TÉRREO

Chapisco Interno do teto

76.74

0.15

TÉRREO

41

(conclusão)

QUANTITATIVO DE MATERIAIS

 

QUANTIDADE

 

TIPO

COMENTÁRIOS

 

   

Contrapiso

120.58

 

4.79

TÉRREO

Emboço Interno de Parede

391.15

 

7.29

TÉRREO

Emboço Interno de Teto

76.74

 

0.77

TÉRREO

Forro Gesso Acartonado

32.25

 

0.40

TÉRREO

Laje Concreto

123.72

 

9.97

TÉRREO

Piso Cerâmico - CIRCULAÇÃO

4.60

 

0.02

TÉRREO

Piso Cerâmico - HALL

7.63

 

0.04

TÉRREO

Piso Cerâmico - WC

14.68

 

0.07

TÉRREO

Piso Porcelanato

84.53

 

0.42

TÉRREO

Reboco Interno de Parede

296.26

 

0.59

TÉRREO

Reboco Interno de Teto

76.74

 

0.23

TÉRREO

Piso Cerâmico

9.37

 

0.05

ÁREA DE LUZ

Fonte: Autora

Uma vez que durante a extração de quantitativos, o software desconta totalmente os vãos, foram extraídas as quantidades e dimensões das aberturas e com

a utilização do software Excel, calculado o perímetro das mesmas. Assim, utilizou-se

o valor do perímetro como requadro para o serviço de reboco a fim de facilitar o cálculo das aberturas.

Tabela 2 Levantamento de quantitativos de aberturas

 

QUANTITATIVO PORTAS E JANELAS

QUANT.

COMP.

ALTURA

PERÍMETRO

PERÍMETRO TOTAL

DESCRIÇÃO

4

1,5

1,2

5,40

21,60

Janela simples de alumínio e vidro

4

1,65

1,2

5,70

22,80

Janela simples de alumínio e vidro

8

0,8

0,6

2,80

22,40

Janela simples de alumínio e vidro

8

1,0

1,0

4,00

32,00

Janela simples de alumínio e vidro

4

2,0

1,2

6,40

25,60

Janela simples de alumínio e vidro

1

1,2

1,2

4,80

4,80

Janela simples de alumínio e vidro

1

1,2

1,2

4,80

4,80

Janela simples de alumínio e vidro

4

0,7

2,1

4,90

19,60

Porta de correr de madeira

8

0,8

2,1

5,00

40,00

Porta de abrir de madeira

4

0,7

2,1

4,90

19,60

Porta de abrir de madeira

5

0,9

2,1

5,10

25,50

Porta de abrir de madeira

1

0,8

2,0

4,80

4,80

Porta de abrir de madeira

 

TOTAL =

243,50

 

Fonte: Autora

42

Com a utilização dos valores levantados, foi elaborada a planilha de orçamentação e escolhidas as composições unitárias condizentes com os serviços realizados em obra, já que a edificação escolhida já foi construída. Não foram

encontradas dificuldades em relação às unidades dos itens extraídos do quantitativo

e sua respectiva composição unitária, ou seja, foi possível estimar o custo de todos

os serviços escolhidos, seja através do SINAPI ou TCPO. As composições unitárias e

o custo dos insumos se encontram nos Anexos A e B, respectivamente. A elaboração do orçamento foi realizada pensando em um futuro planejamento de obra uma vez que foi fragmentado em função do sequenciamento dos serviços executados, sendo eles: infraestrutura, supraestrutura, alvenaria, pavimentação, revestimento e pintura. Assim, possibilita o conhecimento do custo de cada serviço para material, mão-de-obra e custo final. Além disso, conforme cada item é executado, foi feita uma subdivisão em pavimentos ou, no caso do revestimento das fachadas, por pano de fachada, para saber o valor que necessita ser desembolsado para cada etapa da obra, permitindo um maior controle e planejamento sobre os serviços.

Tabela 3 Orçamento dos serviços

43

 

PLANILHA ORÇAMENTÁRIA

 

Obra:

RESIDENCIAL PIRATINI

Data:

Local:

SÃO BORJA - RS

Revisão:

R00

Área

(m²):

266,44

ITEM

DESCRIÇÃO DOS SERVIÇOS

QUANT.

UNID.

M.O. UNIT.

MAT. UNIT.

PREÇO UNIT.

M.O. TOTAL

MAT. TOTAL

 

TOTAL

1

INFRAESTRUTURA

         

R$

-

R$

4.001,53

R$

4.001,53

1.1

Concreto Viga Baldrame

11,89

0,00

336,55

R$

336,55

R$

-

R$

4.001,53

R$

4.001,53

2

SUPRAESTRUTURA

         

R$

198,88

R$

7.369,64

R$

7.568,52

2.1

LAJES

R$

198,88

R$

7.369,64

R$

7.568,52

2.1.1

Concreto Laje Térreo

9,97

0,00

336,55

R$

336,55

R$

-

R$

3.355,36

R$

3.355,36

2.1.2

Concreto Laje 2º Pavimento

8,99

0,00

336,55

R$

336,55

R$

-

R$

3.025,55

R$

3.025,55

2.1.3

Concreto Laje Reservatório

1,74

56,34

280,09

R$

336,43

R$

98,03

R$

487,36

R$

585,39

2.1.4

Concreto Laje Topo Reservatório

1,79

56,34

280,09

R$

336,43

R$

100,85

R$

501,36

R$

602,21

2.2

ESCADA

         

R$

-

R$

-

R$

-

2.2.1

Concreto Escada

0,00

0,00

336,55

R$

336,55

R$

-

R$

-

R$

-

3

ALVENARIA

         

R$

99.947,13

R$ 124.366,18

R$

224.313,31

3.1

TÉRREO

R$

40.588,35

R$

50.478,00

R$

91.066,35

3.1.1

Alvenaria 20cm

252,24

154,62

192,84

R$

347,45

R$

39.000,44

R$

48.640,70

R$

87.641,14

3.1.2

Alvenaria 15cm

10,27

154,62

178,90

R$

333,52

R$

1.587,91

R$

1.837,30

R$

3.425,21

3.2

2º PAVIMENTO

         

R$

40.588,35

R$

50.478,00

R$

91.066,35

3.2.1

Alvenaria 20cm

252,24

154,62

192,84

R$

347,45

R$

39.000,44

R$

48.640,70

R$

87.641,14

3.2.2

Alvenaria 15cm

10,27

154,62

178,90

R$

333,52

R$

1.587,91

R$

1.837,30

R$

3.425,21

3.3

COBERTURA

         

R$

18.770,43

R$

23.410,17

R$

42.180,60

44

 

PLANILHA ORÇAMENTÁRIA

 

Obra:

RESIDENCIAL PIRATINI

Data:

Local:

SÃO BORJA - RS

Revisão:

R00

Área

(m²):

266,44

ITEM

DESCRIÇÃO DOS SERVIÇOS

QUANT.

UNID.

M.O. UNIT.

MAT. UNIT.

PREÇO UNIT.

M.O. TOTAL

MAT. TOTAL

 

TOTAL

3.3.1

Alvenaria 20cm

121,40

154,62

192,84

R$

347,45

R$

18.770,43

R$

23.410,17

R$

42.180,60

4

COBERTURA

         

R$

1.144,60

R$

3.671,77

R$

4.816,37

4.1

Tesouras

3,34

5,91

0,21

R$

6,11

R$

19,72

R$

0,70

R$

20,42

4.2

Telhas

120,83

9,31

30,38

R$

39,69

R$

1.124,88

R$

3.671,07

R$

4.795,95

5

PAVIMENTAÇÃO

         

R$

6.152,23

R$

13.311,19

R$

19.463,42

5.1

TÉRREO

R$

3.011,62

R$

6.476,46

R$

9.488,07

5.1.1

Contrapiso

120,81

4,93

4,00

R$

8,93

R$

595,42

R$

483,65

R$

1.079,07

5.1.2

Piso Cerâmico - WC

14,68

20,00

43,86

R$

63,86

R$

293,60

R$

643,86

R$

937,46

5.1.3

Piso Cerâmico - Circulação

4,60

20,00

43,86

R$

63,86

R$

92,00

R$

201,76

R$

293,76

5.1.4

Piso Cerâmico - Hall

7,63

20,00

43,86

R$

63,86

R$

152,60

R$

334,65

R$

487,25

5.1.5

Piso Cerâmico - Área de Luz

9,37

20,00

43,86

R$

63,86

R$

187,40

R$

410,97

R$

598,37

5.1.6

Piso Porcelanato

84,53

20,00

52,07

R$

72,07

R$

1.690,60

R$

4.401,56

R$

6.092,16

5.2

2º PAVIMENTO

         

R$

2.735,41

R$

5.946,13

R$

8.681,54

5.2.1

Contrapiso

109,73

4,93

4,00

R$

8,93

R$

540,81

R$

439,30

R$

980,11

5.2.2

Piso Cerâmico - WC

14,68

20,00

43,86

R$

63,86

R$

293,60

R$

643,86

R$

937,46

5.2.3

Piso Cerâmico - Circulação

4,60

20,00

43,86

R$

63,86

R$

92,00

R$

201,76

R$

293,76

5.2.4

Piso Cerâmico - Hall

5,92

20,00

43,86

R$

63,86

R$

118,40

R$

259,65

R$

378,05

5.2.5

Piso Porcelanato

84,53

20,00

52,07

R$

72,07

R$

1.690,60

R$

4.401,56

R$

6.092,16

5.3

ESCADA

R$

405,20

R$

888,60

R$

1.293,80

5.3.1

Piso Cerâmico - Escada

20,26

20,00

43,86

R$

63,86

R$

405,20

R$

888,60

R$

1.293,80

6

REVESTIMENTO

R$

52.421,82

R$

4.500,00

R$

56.921,82

45

 

PLANILHA ORÇAMENTÁRIA

 

Obra:

RESIDENCIAL PIRATINI

Data:

Local:

SÃO BORJA - RS

Revisão:

R00

Área

(m²):

266,44

ITEM

DESCRIÇÃO DOS SERVIÇOS

QUANT.

UNID.

M.O. UNIT.

MAT. UNIT.

PREÇO UNIT.

M.O. TOTAL

MAT. TOTAL

 

TOTAL

6.1

TÉRREO

         

R$

16.668,39

R$

2.221,67

R$

18.890,06

6.1.1

Chapisco Parede

391,15

2,17

0,01

R$

2,18

R$

848,40

R$

2,50

R$

850,91

6.1.2

Emboço Parede

391,15

13,01

0,09

R$

13,10

R$

5.090,43

R$

33,80

R$

5.124,22

6.1.3

Reboco Parede

434,68

15,00

0,01

R$

15,01

R$

6.520,20

R$

2,28

R$

6.522,48

6.1.4

Revestimento Cerâmico

81,47

20,00

14,23

R$

34,23

R$

1.629,40

R$

1.159,64

R$

2.789,04

6.1.5

Chapisco Teto

76,74

5,42

0,01

R$

5,43

R$

416,12

R$

0,49

R$

416,61

6.1.6

Emboço Teto

76,74

15,18

0,09

R$

15,27

R$

1.165,14

R$

6,68

R$

1.171,82

6.1.7

Reboco Teto

76,74

13,01

0,01

R$

13,02

R$

998,69

R$

0,40

R$

999,10

6.1.8

Revestimento em Gesso

32,25

0,00

31,50

R$

31,50

R$

-

R$

1.015,88

R$

1.015,88

6.2

2º PAVIMENTO

R$

16.795,32

R$

2.222,31

R$

19.017,63

6.2.1

Chapisco Parede

393,15

2,17

0,01

R$

2,18

R$

852,74

R$

2,52

R$

855,26

6.2.2

Emboço Parede

393,15

13,01

0,09

R$

13,10

R$

5.116,45

R$

33,97

R$

5.150,42

6.2.3

Reboco Parede

430,18

15,00

0,01

R$

15,01

R$

6.452,70

R$

2,26

R$

6.454,96

6.2.4

Revestimento Cerâmico

81,47

20,00

14,23

R$

34,23

R$

1.629,40

R$

1.159,64

R$

2.789,04

6.2.5

Chapisco Teto

81,62

5,42

0,01

R$

5,43

R$

442,58

R$

0,52

R$

443,11

6.2.6

Emboço Teto

81,62

15,18

0,09

R$

15,27

R$

1.239,24

R$

7,10

R$

1.246,34

6.2.7

Reboco Teto

81,62

13,01

0,01

R$

13,02

R$

1.062,20

R$

0,43

R$

1.062,63

6.2.8

Revestimento em Gesso

32,25

0,00

31,50

R$

31,50

R$

-

R$

1.015,88

R$

1.015,88

6.3

COBERTURA

R$

5.945,07

R$

17,57

R$

5.962,63

6.3.1

Chapisco

179,16

2,17

0,01

R$

2,18

R$

388,60

R$

1,15

R$

389,74

6.3.2

Emboço

179,16

13,01

0,09

R$

13,10

R$

2.331,59

R$

15,48

R$

2.347,07

46

 

PLANILHA ORÇAMENTÁRIA

 

Obra:

RESIDENCIAL PIRATINI

Data:

Local:

SÃO BORJA - RS

Revisão:

R00

Área

(m²):