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COMITÊ BRASILEIRO DE BARRAGENS

VI SIMPÓSIO BRASILEIRO SOBRE PEQUENAS E MÉDIAS CENTRAIS HIDRELÉTRICAS


BELO HORIZONTE – MG, 21 A 25 DE ABRIL DE 2008
T23 – A06

OTIMIZAÇÃO DE ARRANJOS DE PMCH’S

GEÓLOGO NOBUTUGU KAJI


Grupo Energia Consult
Consultor Autônomo

RESUMO

Este trabalho apresenta alguns casos reais de otimização de arranjos de médias e


pequenas centrais hidrelétricas em cujos projetos o autor teve a oportunidade de
participar nesses últimos dez anos Todos os projetos analisados, sem exceção,
estavam desenvolvidos em nível de Projeto Básico, estando as de PCH, com
outorga da ANEEL.

ABSTRACT

This paper presents some real optimization cases of medium and small hydroelectric
powerplant layouts the author has had the opportunity to participate in the last ten
years. All the studies analyzed here, were considered to be, without exception, on
Basic Project stage, and all the SHP have authorization from ANEEL.
1. GENERALIDADES

Nestes últimos dez anos, puxado pelo PROINFA, vários projetos de PCH foram
desenvolvidos pela iniciativa privada, onde participaram um grande número de
técnicos, muitos de grande experiência em projetos de UHE que, entretanto, não
puderam ou não tiveram condições de detalhar e aprofundar os seus conhecimentos
na elaboração de projeto básico. Todos sabem os “porquês” dessa situação, seja
pela economia nos levantamentos básicos, seja pela falta de tempo.

Daí resultou, no geral, projetos com arranjos convencionais, sem considerar as reais
condições locais, principalmente geológicas e empreendimentos com custos
bastante atrativos, muito deles irreais.

E, justamente, nesse segmento, de se buscar soluções mais econômicas, que o


autor pode otimizar os arranjos, levando em consideração, sempre que possível, a
geologia, a hidrologia, a topografia, os equipamentos eletromecânicos, os métodos
construtivos, a disponibilidade de materiais naturais de construção e os aspectos
ambientais.

Foram analisados cerca de 50 projetos e, em todos, sem exceção, foram feitas


modificações, algumas restritas às estruturas e, em outras, profundas de arranjo.

Para este trabalho foram selecionados cinco projetos, obviamente sem identificá-los,
alguns já implantados e que foram desenvolvidos por outros grupos.

2. APROVEITAMENTO A

Na Figura 1 é apresentado o perfil esquemático do arranjo original do


Aproveitamento A.

O arranjo original havia sido concebido com casa de força subterrânea junto do local
do eixo da barragem em maciço rochoso de alta permeabilidade e com extenso túnel
de fuga. Além de o maciço rochoso ser inadequado, os acessos à casa de força
eram bastante longos, o que dificultaria o avanço das escavações e retirada dos
materiais, sem falar nos problemas de drenagem, ventilação e iluminação.

Uma visita ao campo mostrou a topografia suave da região e a provável presença, a


jusante, de maciço rochoso de boas características geomecânicas, confirmada
posteriormente com sondagem rotativa, o que levou a sugerir um novo arranjo,
apresentado na Figura 2.

O novo arranjo leva a casa de força subterrânea bem à jusante no maciço rochoso
de excelentes características geomecânicas e faz a adução em canal, solução esta
muito mais econômica, segura e flexível em termos de construção.

Este tipo de arranjo é pouco comum, principalmente em PCH, mas existem outros
casos em UHE.
3. APROVEITAMENTO B

O arranjo da área da barragem deste Aproveitamento incluía um vertedouro de


soleira livre e estrutura de desvio em galeria no leito do rio, complementada em suas
ombreiras por barragens de terra.

Na Figura 3 é apresentado apenas o arranjo original da área da barragem. O local


da casa de força, distante cerca de um km, foi mantido. A adução estava projetada
em túnel e também foi mantida.

Este tipo de arranjo com vertedouro no leito do rio é muito aplicado em situações
topográficas similares e tem a vantagem de diminuir os volumes de escavação, além
de uma excelente condição hidráulica de restituição. A Projetista teve o mérito de
programar o desvio para o período de estiagem, visando diminuir as dimensões da
comporta.

Os resultados das sondagens indicavam a presença de rocha alterada e fraturada


no leito do rio e segundo o relatório de projeto previa-se a escavação do mesmo no
período de estiagem quando seriam executadas, no prazo de 5 (cinco) meses, as
ensecadeiras de montante e de jusante; o esgotamento da área ensecada; a
limpeza, escavação e tratamentos de fundação; a concretagem e, por fim, o encosto
da barragem de terra nos muros de encontro. O risco de não se construir essa
estrutura no período de estiagem era muito grande.
Como alternativa, foi proposto deslocar o vertedouro para a ombreira esquerda,
mantendo-se a posição da galeria de desvio, conforme apresentado no novo arranjo
da Figura 4.

A nova posição do vertedouro propiciou executar toda a estrutura a seco,


independente do período do ano e, no caso, houve sensível diminuição dos volumes
de concreto pelo fato da fundação estar em cotas mais elevadas. Acrescente-se que
a espessura de solo era pequena e o maciço rochoso apresentava condições
geomecânicas adequadas para a fundação dessa estrutura. A vazão de desvio foi
mantida para o período seco.

Apesar de ser partidário desta última alternativa, tanto para vertedouro livre ou
controlado, existem casos que a melhor solução seja realmente implantar essa
estrutura no leito do rio. Entretanto, é necessário ter um bom conhecimento das
condições de fundação do local.
4. APROVEITAMENTO C

Na Figura 5 é apresentado o arranjo original deste Aproveitamento.

Trata-se de um arranjo compacto com as estruturas de concreto posicionadas na


margem direita, sendo o eixo do barramento complementado, em ambas às
ombreiras, por barragens de terra.

À primeira vista, o arranjo estudado está correto, tendo em vista o maciço rochoso
de boas características geomecânicas. O exame mais detalhado do projeto,
entretanto, revelou a existência de um grande volume de escavação em rocha ao
longo do seu extenso canal de fuga, acima de 200.000 m3 e que seria colocado em
bota fora.
Um novo arranjo foi proposto posicionando-se a casa de força na margem esquerda
e mais a jusante, minimizando-se assim as escavações do canal de fuga, conforme
apresentado no arranjo da Figura 6.

O vertedouro de soleira livre foi substituído pelo vertedouro controlado e posicionado


também na margem esquerda, concentrando-se assim as estruturas de concreto
numa mesma margem. As barragens de terra foram mantidas, assim como as
barragens de enrocamento e núcleo argiloso junto às estruturas de concreto.

Neste caso, observa-se que o arranjo original não aproveitou as condições


topográficas condicionadas pela presença da cachoeira.
5. APROVEITAMENTO D

Na Figura 7 é apresentado o arranjo original do Aproveitamento D.

O arranjo original incluía um vertedouro de soleira livre no leito do rio e desvio em


galeria na ombreira direita. A posição da casa de força, cerca de 1.500 m a jusante,
foi mantida
.
Chamaram a atenção os grandes volumes de concreto do vertedouro com cerca de
50 m de altura e os grandes volumes de escavação em rocha para a implantação da
galeria de desvio.

As sondagens existentes indicavam a presença de excelente maciço rochoso na


ombreira direita, o que sugeriu fazer o desvio em túnel.
O vertedouro de soleira livre foi substituído por vertedouro controlado e posicionado
na ombreira direita, concentrando-se todas as estruturas de concreto na margem
direita. No leito do rio e nas ombreiras foram projetadas barragens de terra e nos
encontros com os muros das estruturas de concreto, barragens de enrocamento e
núcleo argiloso.
O novo arranjo é apresentado na Figura 8.

Novamente, observam-se as vantagens de tirar o vertedouro do leito do rio e o


emprego do vertedouro controlado. Obviamente, as vazões envolvidas devem ser
consideradas.

6. APROVEITAMENTO E

Neste aproveitamento, o arranjo original, não compacto, contemplava uma casa de


força situada cerca de 5 km distante do eixo da barragem com adução em canal,
conforme apresentado na Figura 9.
O canal de adução foi implantado em região de topografia íngreme, resultando
grandes volumes de escavação de solo e rocha e taludes bem altos em região de
geologia desfavorável, onde o maciço rochoso apresenta-se alterado e muito
fraturado. A implantação das obras de barramento era penalizada por essa geologia
desfavorável, também com grandes volumes de escavação e de concreto.

No local da casa de força, a jusante, as sondagens rotativas indicavam a presença


do mesmo maciço rochoso, porém com condições geológicas melhores e com
topografia favorável à implantação de um túnel de desvio, o que levou a considerar a
eliminação do canal de adução e concentração das obras no sítio da casa de força.

Na Figura 10 é apresentado o novo arranjo do Aproveitamento E.


7. CONCLUSÕES

De uma maneira geral, observa-se que muitos dos projetos hidrelétricos e, mais
principalmente os de PCH, não estão sendo suficientemente estudados, originando
arranjos passíveis de ser otimizados. Pior ainda quando se apresentam arranjos
com estruturas incompatíveis e até mesmo inviáveis com a geologia do local. Não
raro são encontrados casos de barragens de concreto em locais de grandes
espessuras de solo, de túneis em arenitos friáveis e saturados e de
desbalanceamento de materiais. Muitas das vezes, a escolha e a posição do
vertedouro não são devidamente estudadas, não se levando em conta o estudo em
conjunto das implicações com a vazão, com as obras de desvio, com a topografia e
a geologia. Não menos importante, observa-se que a maioria dos arranjos não leva
em consideração os equipamentos eletromecânicos.

Obviamente, grande parte desses problemas, nesta fase de transição, está


associada à prática da Engenharia Nacional condicionada aos impulsos dos
investidores privados, principais e únicos alavancadores das PCH’s, onde o
levantamento de dados básicos é negligenciado e o fator tempo é preponderante.

Como conseqüência, arranjos que poderiam ser melhorados estão sendo


implantados e, pior ainda, alguns acidentes têm ocorrido na construção de desses
aproveitamentos, principalmente de PCH’s, alguns do conhecimento público e outros
de conhecimento restrito, sem dúvida, ocasionados por essa condição momentânea
da nossa engenharia e do mercado.

Por fim, lembro que o trabalho apresentado a este Simpósio não tem o objetivo de
ensinar a ninguém a arte de conceber e/ou conduzir um projeto hidrelétrico, de
domínio geral, mas o de lembrar sempre dos acidentes de percurso que se
apresentam ao longo de nossos exercícios e quem sabe, melhorar a qualidade dos
nossos projetos com mais estudos e maior tempo de maturação.

8. PALAVRAS-CHAVE

Projetos de PMCH’s, arranjos hidrelétricos, condicionantes de arranjos.