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CURSO MEGE

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Turma: TJ-MG - 1ª Fase (Reta Final)
Material: Prova Objetiva Comentada (fundamentação e análise de questões passíveis de
recursos após gabarito preliminar oficial)

Fundamentação e análise de questões passíveis de


recursos após gabarito preliminar oficial 1
(TJ-MG, 2018)2
2

1
O presente foi preparado pela Equipe Mege imediatamente após a divulgação do gabarito
preliminar da prova objetiva do TJ-MG. O intuito é auxiliar nossos alunos e seguidores na elaboração
de recursos e possibilitar também a revisão de temas cobrados no certame. Trata-se de versão
preliminar elaborada com as finalidades informadas e concluída em cerca de 24 horas de atuação
de nosso time específico para 1ª fase de magistratura estadual, sem maiores pretensões de
aprofundamento e trabalho editorial neste momento de apoio. Nas questões que identificamos
como antecipadas consideramos apenas o conteúdo da turma de reta final, não sendo considerados
nesta abordagem, diante do curto tempo, as produções voltadas aos Simulados, Mege Informativos,
Turmas Regulares e Extensivas.
Questões que entendemos passíveis de anulação, conforme apresentado neste modelo de prova: 12, 13, 19,
44, 49, 51, 65 e 89. Ao lado destas, entendemos como passíveis de alteração de gabarito: 62, 67 e 68. Pedimos
que se atentem à conferência exata destas questões com seu caderno de prova.
SUMÁRIO

1. DIREITO CIVIL................................................................................................................................... 4

2. DIREITO PROCESSUAL CIVIL........................................................................................................... 22

3. DIREITO DO CONSUMIDOR ........................................................................................................... 37

4. DIREITO DA CRIANÇA E ADOLESCENTE ......................................................................................... 50

5. DIREITO PENAL .............................................................................................................................. 60

6. DIREITO PROCESSUAL PENAL ........................................................................................................ 70

7. DIREITO CONSTITUCIONAL ............................................................................................................ 87

8. DIREITO ELEITORAL ....................................................................................................................... 98

9. DIREITO EMPRESARIAL ................................................................................................................ 117

10. DIREITO TRIBUTÁRIO ................................................................................................................. 128

11. DIREITO AMBIENTAL ................................................................................................................. 136 3


12. DIREITO ADMINISTRATIVO ........................................................................................................ 142
1. DIREITO CIVIL

(Professora Flávia Martins)

1 - Considerando o disposto na legislação sobre direitos autorais e, em especial, sobre a


utilização de obras intelectuais, analise as afirmativas a seguir.

I. Mediante contrato de edição, o editor, obrigando-se a reproduzir e a divulgar a obra


literária, está autorizado, em caráter de exclusividade, a publicá-la e a explorá-la pelo
prazo e nas condições pactuadas com o autor.

II. Em caso de falecimento do autor para concluir a obra, o editor poderá editá-la, sendo
autônoma, mediante pagamento proporcional do preço.

III. Quaisquer que sejam as condições do contrato, o editor é obrigado a facultar ao autor
o exame da escrituração na parte que lhe corresponde, bem como a informá-lo sobre o
estado da edição. 4
IV. Somente decorrido um ano de lançamento da edição, o editor poderá vender, como
saldo, os exemplares restantes, desde que o autor seja notificado de que, no prazo de
trinta dias, terá prioridade na aquisição dos referidos exemplares pelo preço de saldo.

Estão corretas as afirmativas

A) I, II, III e IV.

B) I e IV, apenas.

C) I, II e III, apenas.

D) II, III e IV, apenas.

RESPOSTA – A
COMENTÁRIOS

I – CORRETA

Conforme Lei 9.610/98, art. 53: “Mediante contrato de edição, o editor, obrigando-se a
reproduzir e a divulgar a obra literária, artística ou científica, fica autorizado, em caráter de
exclusividade, a publicá-la e a explorá-la pelo prazo e nas condições pactuadas com o
autor”.

II – CORRETA

Conforme Lei 9.610/98, art. 55: “Em caso de falecimento ou de impedimento do autor para
concluir a obra, o editor poderá: II - editar a obra, sendo autônoma, mediante pagamento
proporcional do preço”.

III – CORRETA
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Conforme Lei 9.610/98, art. 59: “Quaisquer que sejam as condições do contrato, o editor é
obrigado a facultar ao autor o exame da escrituração na parte que lhe corresponde, bem
como a informá-lo sobre o estado da edição”.

IV – CORRETA

Conforme Lei 9.610/98, art. 64: ”Somente decorrido um ano de lançamento da edição, o
editor poderá vender, como saldo, os exemplares restantes, desde que o autor seja
notificado de que, no prazo de trinta dias, terá prioridade na aquisição dos referidos
exemplares pelo preço de saldo”.

2 - Todas as pessoas que têm impedimento de longo prazo de natureza física, mental,
intelectual ou sensorial, e que, em interação com uma ou mais barreiras, podem obstruir
sua participação plena e efetiva na sociedade em igualdade de condições com as demais
pessoas, são consideradas como pessoas com deficiência. Quanto aos direitos e deveres
previstos na Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência (Estatuto da Pessoa com
Deficiência), é correto afirmar que

A) a deficiência afeta a plena capacidade civil da pessoa para exercer o direito à curatela.

B) a pessoa com deficiência tem direito a receber atendimento prioritário na tramitação de


procedimentos judiciais em que for interessada.

C) aos planos e seguros privados de saúde é facultada, em caráter excepcional, a cobrança


de valores diferenciados das pessoas com deficiência, em razão de sua condição.

D) a pessoa com deficiência, em situação de curatela, não há necessidade de sua


participação para a obtenção de consentimento prévio, livre e esclarecido quando da
submissão a realização de procedimentos médicos eletivos.

RESPOSTA - B
6
COMENTÁRIOS

A: INCORRETA

Conforme Estatuto da Pessoa com Deficiência, art. 6º: “A deficiência não afeta a plena
capacidade civil da pessoa, inclusive para: I - casar-se e constituir união estável; II - exercer
direitos sexuais e reprodutivos; III - exercer o direito de decidir sobre o número de filhos e
de ter acesso a informações adequadas sobre reprodução e planejamento familiar; IV -
conservar sua fertilidade, sendo vedada a esterilização compulsória; V - exercer o direito à
família e à convivência familiar e comunitária; e VI - exercer o direito à guarda, à tutela, à
curatela e à adoção, como adotante ou adotando, em igualdade de oportunidades com as
demais pessoas”.

B: CORRETA
Conforme EPD, art. 9º: “A pessoa com deficiência tem direito a receber atendimento
prioritário, sobretudo com a finalidade de: VII - tramitação processual e procedimentos
judiciais e administrativos em que for parte ou interessada, em todos os atos e diligências”.

C: INCORRETA

Conforme EPD, art. 23: “São vedadas todas as formas de discriminação contra a pessoa com
deficiência, inclusive por meio de cobrança de valores diferenciados por planos e seguros
privados de saúde, em razão de sua condição”.

D: INCORRETA

Conforme EPD: “Art. 12. O consentimento prévio, livre e esclarecido da pessoa com
deficiência é indispensável para a realização de tratamento, procedimento, hospitalização
e pesquisa científica” c/c “Art. 13. A pessoa com deficiência somente será atendida sem
seu consentimento prévio, livre e esclarecido em casos de risco de morte e de emergência
em saúde, resguardado seu superior interesse e adotadas as salvaguardas legais cabíveis”.
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QUESTÃO PARCIALMENTE ABORDADA NO AULÃO DE VÉSPERA E NA RODADA 10 DE
DIREITO CIVIL.

3 - Em 1º de outubro de 2003 foi promulgada a Lei nº 10.741 que instituiu o Estatuto do


Idoso, destinado a regular os direitos às pessoas com idade igual ou superior a 60
(sessenta) anos. A respeito dos direitos fundamentais, analise as afirmativas a seguir.

I. O envelhecimento é um direito personalíssimo e a sua proteção um direito social.

II. Os alimentos são prestados ao idoso na forma da lei civil e de forma solidária entre os
prestadores.

III. Na admissão do idoso em qualquer trabalho ou emprego, é vedada a fixação de limite


máximo de idade, inclusive para concursos, ressalvados os casos em que a natureza do
cargo o exigir.
IV. Aos maiores de 65 (sessenta e cinco) anos é assegurada, pelo princípio da assistência
integral, a gratuidade a todos os meios de transportes coletivos públicos urbanos e
semiurbanos.

Estão corretas as afirmativas

A) I, II, III e IV.

B) I e IV, apenas.

C) I, II e III, apenas.

D) II, III e IV, apenas.

RESPOSTA - C

COMENTÁRIOS

I – CORRETA
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Conforme Estatuto do Idoso (EI), art. 8º: “O envelhecimento é um direito personalíssimo e
a sua proteção um direito social, nos termos desta Lei e da legislação vigente”.

II – CORRETA

Conforme EI, art. 11 c/c 12: “Art. 11. Os alimentos serão prestados ao idoso na forma da lei
civil” e “Art. 12. A obrigação alimentar é solidária, podendo o idoso optar entre os
prestadores”.

III – CORRETA

Conforme EI, art. 27: “Na admissão do idoso em qualquer trabalho ou emprego, é vedada a
discriminação e a fixação de limite máximo de idade, inclusive para concursos, ressalvados
os casos em que a natureza do cargo o exigir”.

IV – INCORRETA
Conforme EI, art. 39: “Aos maiores de 65 (sessenta e cinco) anos fica assegurada a
gratuidade dos transportes coletivos públicos urbanos e semi-urbanos, exceto nos serviços
seletivos e especiais, quando prestados paralelamente aos serviços regulares”. A assertiva
afirma que a gratuidade seria para todos os meios de transporte coletivos, quando a lei
apresenta exceções.

4 - Quanto à locação de imóvel urbano, analise as afirmativas a seguir.

I. Em casos de divórcio ou dissolução da união estável, a locação residencial prosseguirá


automaticamente com o cônjuge ou companheiro que permanecer no imóvel. Porém, a
sub-rogação dever ser comunicada por escrito ao fiador, se houver, e ao locador. Existindo
fiador este poderá se exonerar de suas responsabilidades no prazo de 30 (trinta) dias
contado do recebimento da comunicação oferecida pelo sub-rogado, ficando responsável
pelos efeitos da fiança durante 120 (cento e vinte) dias após a notificação ao locador.
9
II. No caso permuta, o locatário tem o direito de preferência para adquirir o imóvel locado,
em igualdade de condições com terceiros, devendo o locador, previamente à realização
do negócio, dar-lhe conhecimento para que, no prazo de 30 (trinta) dias, possa manifestar
de maneira inequívoca sobre sua aceitação à proposta.

III. Nas locações por temporada é vedado ao locador o recebimento de uma só vez e
antecipadamente dos aluguéis e encargos contratuais.

Está(ão) correta(s) apenas a(s) afirmativa(s)

A) I.

B) II.

C) I e II.

D) I e III.
RESPOSTA - A

COMENTÁRIOS

I. CORRETA

Conforme Lei de Locações (LL), art. 12: “Em casos de separação de fato, separação judicial,
divórcio ou dissolução da união estável, a locação residencial prosseguirá automaticamente
com o cônjuge ou companheiro que permanecer no imóvel; § 1º Nas hipóteses previstas
neste artigo e no art. 11, a sub-rogação será comunicada por escrito ao locador e ao fiador,
se esta for a modalidade de garantia locatícia; § 2º O fiador poderá exonerar-se das suas
responsabilidades no prazo de 30 (trinta) dias contado do recebimento da comunicação
oferecida pelo sub-rogado, ficando responsável pelos efeitos da fiança durante 120 (cento
e vinte) dias após a notificação ao locador”.

II. INCORRETA

Conforme LL, art. 32. O direito de preferência não alcança os casos de perda da propriedade 10
ou venda por decisão judicial, permuta, doação, integralização de capital, cisão, fusão e
incorporação.

III. INCORRETA

Conforme LL, art. 49. O locador poderá receber de uma só vez e antecipadamente os
aluguéis e encargos, bem como exigir qualquer das modalidades de garantia previstas no
art. 37 para atender as demais obrigações do contrato.

5 - Quanto aos registros públicos, analise as afirmativas a seguir.

I. Todo nascimento que ocorrer no território brasileiro deverá ser registrado. No tocante
à naturalidade, poderá ser a do Município em que ocorreu o nascimento ou a do
Município de residência da mãe do registrando na data do nascimento, desde que
localizado em território nacional. Tal opção cabe ao declarante no ato de registro do
nascimento.

II. Nenhum sepultamento será feito sem certidão do oficial de registro do lugar do
falecimento ou do lugar de residência do “de cujus”, quando o falecimento ocorrer em
local diverso do seu domicílio. A cremação do cadáver somente poderá ser feita se o
falecido houver manifestado a vontade de ser incinerado ou no interesse da saúde pública
e se o atestado de óbito houver sido firmado por 1 (um) médico ou por 2 (dois) médicos
legistas e, no caso de morte violenta, depois de autorizada pela autoridade judiciária.

III. É admitido o pedido de reconhecimento extrajudicial de usucapião, sem prejuízo da


via jurisdicional, que será processado diretamente perante o cartório do registro de
imóveis da comarca em que estiver situado o imóvel usucapiendo, a requerimento do
interessado, representado por advogado e devidamente instruído.

Está(ão) correta(s) apenas a(s) afirmativa(s)


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A) I.

B) II.

C) I e II.

D) I e III.

RESPOSTA - D

COMENTÁRIOS

I. CORRETA

Conforme Lei de Registros Públicos, art. 50: “Todo nascimento que ocorrer no território
nacional deverá ser dado a registro, no lugar em que tiver ocorrido o parto ou no lugar da
residência dos pais, dentro do prazo de quinze dias, que será ampliado em até três meses
para os lugares distantes mais de trinta quilômetros da sede do cartório” c/c art. 54. § 4º.
“A naturalidade poderá ser do Município em que ocorreu o nascimento ou do Município de
residência da mãe do registrando na data do nascimento, desde que localizado em território
nacional, e a opção caberá ao declarante no ato de registro do nascimento”.

II. INCORRETA

Conforme LRP, art. 77: “Nenhum sepultamento será feito sem certidão do oficial de registro
do lugar do falecimento ou do lugar de residência do de cujus, quando o falecimento ocorrer
em local diverso do seu domicílio, extraída após a lavratura do assento de óbito, em vista
do atestado de médico, se houver no lugar, ou em caso contrário, de duas pessoas
qualificadas que tiverem presenciado ou verificado a morte. § 2º A cremação de cadáver
somente será feita daquele que houver manifestado a vontade de ser incinerado ou no
interesse da saúde pública e se o atestado de óbito houver sido firmado por 2 (dois)
médicos ou por 1 (um) médico legista e, no caso de morte violenta, depois de autorizada
pela autoridade judiciária. ”.

III. CORRETA 12
Conforme LRP, Art. 216-A. Sem prejuízo da via jurisdicional, é admitido o pedido de
reconhecimento extrajudicial de usucapião, que será processado diretamente perante o
cartório do registro de imóveis da comarca em que estiver situado o imóvel usucapiendo, a
requerimento do interessado, representado por advogado, instruído com: [...].

QUESTÃO PARCIALMENTE ABORDADA NO AULÃO DE VÉSPERA E NA VIDEOAULA SOBRE


LEI DE REGISTROS PÚBLICOS.
6. Quanto ao direito das sucessões, analise as afirmativas a seguir.

I. Na petição de herança, o herdeiro aparente, que de boa-fé houver pago um legado, não
está obrigado a prestar o equivalente ao verdadeiro sucessor, ressalvado a este o direito
de proceder contra quem o recebeu.

II. A sucessão de bens de estrangeiros, situados no Brasil, será regulada na lei do país em
que era domiciliado o defunto, qualquer que seja a natureza e a situação dos bens, exceto
quando houver cônjuge ou filhos brasileiros, ou de quem os represente, quando se
utilizará a lei material brasileira, sempre que não lhes for mais favorável a lei pessoal do
“de cujus”.

III. Havendo a concorrência de herdeiros de classes diversas, a renúncia de qualquer deles


devolve sua parte aos que integram a mesma ordem dos chamados a suceder.

IV. Quando os netos, representando seus pais, sucedem aos avós, estão obrigados a trazer
à colação, ainda que não o hajam herdado, o que os pais teriam de conferir, sob pena de
13
sonegação.

Estão corretas as afirmativas

A) I, II, III e IV.

B) I e IV, apenas.

C) I, II e III, apenas.

D) II, III e IV, apenas.

RESPOSTA - A

COMENTÁRIOS

I. CORRETA
Conforme CC, art. 1.828: “O herdeiro aparente, que de boa-fé houver pago um legado, não
está obrigado a prestar o equivalente ao verdadeiro sucessor, ressalvado a este o direito de
proceder contra quem o recebeu”.

II. CORRETA

Conforme LINDB, art. 10. “A sucessão por morte ou por ausência obedece à lei do país em
que domiciliado o defunto ou o desaparecido, qualquer que seja a natureza e a situação dos
bens. § 1º A sucessão de bens de estrangeiros, situados no País, será regulada pela lei
brasileira em benefício do cônjuge ou dos filhos brasileiros, ou de quem os represente,
sempre que não lhes seja mais favorável a lei pessoal do de cujus”.

III. CORRETA

Conforme CC, art. 1.810. Na sucessão legítima, a parte do renunciante acresce à dos outros
herdeiros da mesma classe e, sendo ele o único desta, devolve-se aos da subseqüente.

IV. CORRETA 14
Conforme CC, art. 2.002. Os descendentes que concorrerem à sucessão do ascendente
comum são obrigados, para igualar as legítimas, a conferir o valor das doações que dele em
vida receberam, sob pena de sonegação.

QUESTÃO PARCIALMENTE ABORDADA NA RODADA 13 DE DIREITO CIVIL.

7 - Quanto às provas, segundo o Código Civil, analise as afirmativas a seguir.

I. Os documentos redigidos em língua estrangeira não precisam ser traduzidos para o


português para ter efeitos legais no Brasil.

II. As declarações constantes de documentos assinados presumem-se verdadeiras em


relação aos signatários, porém, não tendo relação direta com as disposições principais ou
com a legitimidade das partes, as declarações enunciativas não eximem os interessados
do ônus de prová-las.

III. A escritura pública, redigida em língua portuguesa e lavrada em notas de tabelião, é


documento dotado de fé pública, fazendo prova plena, mesmo que o comparecente não
saiba a língua nacional e, neste caso, desde que o tabelião entenda o idioma em que se
expressa.

IV. O fato jurídico pode ser provado pela confissão que é irrevogável, porém, pode ser
anulada se decorreu de erro de fato ou de coação.

Estão corretas as afirmativas

A) I, II, III e IV.

B) I e IV, apenas.

C) I, II e III, apenas.
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D) II, III e IV, apenas.

RESPOSTA - D

COMENTÁRIOS

I. INCORRETA

Conforme CC, art. 224: “Os documentos redigidos em língua estrangeira serão traduzidos
para o português para ter efeitos legais no País”.

II. CORRETA

Conforme CC, art. 219: “As declarações constantes de documentos assinados presumem-se
verdadeiras em relação aos signatários. Parágrafo único. Não tendo relação direta, porém,
com as disposições principais ou com a legitimidade das partes, as declarações enunciativas
não eximem os interessados em sua veracidade do ônus de prová-las”.
III. CORRETA

Conforme CC, art. 215: “A escritura pública, lavrada em notas de tabelião, é documento
dotado de fé pública, fazendo prova plena. § 4o Se qualquer dos comparecentes não souber
a língua nacional e o tabelião não entender o idioma em que se expressa, deverá
comparecer tradutor público para servir de intérprete, ou, não o havendo na localidade,
outra pessoa capaz que, a juízo do tabelião, tenha idoneidade e conhecimento bastantes.

IV. CORRETA

Conforme CC, art. 212: “Salvo o negócio a que se impõe forma especial, o fato jurídico pode
ser provado mediante: I – confissão”; c/c art. 214: “A confissão é irrevogável, mas pode ser
anulada se decorreu de erro de fato ou de coação”.

8 - Quanto aos contratos, segundo o Código Civil, analise as afirmativas a seguir.


16
I. A parte lesada pelo inadimplemento pode pedir a resolução do contrato, se não preferir
exigir-lhe o cumprimento, cabendo, em qualquer dos casos, indenização por perdas e
danos.

II. Aquele que tiver prometido fato de terceiro responderá por perdas e danos, quando
este o não executar, exceto se o terceiro for o cônjuge do promitente, dependendo da sua
anuência o ato a ser praticado, e desde que, pelo regime do casamento, a indenização, de
algum modo, venha a recair sobre os seus bens.

III. É anulável a venda de ascendente a descendente, salvo se os outros descendentes e o


cônjuge do alienante, independente do regime de bens, expressamente houverem
consentido.

IV. O vendedor pode executar a cláusula de reserva de domínio em razão do não


pagamento integral do valor devido, independente de constituir o comprador em mora
pelo protesto do título ou interpelação judicial.
Estão corretas as afirmativas

A) I, II, III e IV.

B) I e II, apenas.

C) III e IV, apenas.

D) I, II e III, apenas.

RESPOSTA – B

COMENTÁRIOS

I. CORRETA

Conforme CC, art. 475: “A parte lesada pelo inadimplemento pode pedir a resolução do
contrato, se não preferir exigir-lhe o cumprimento, cabendo, em qualquer dos casos,
indenização por perdas e danos”.
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II. CORRETA

Conforme CC, art. 439. “Aquele que tiver prometido fato de terceiro responderá por perdas
e danos, quando este o não executar. Parágrafo único. Tal responsabilidade não existirá se
o terceiro for o cônjuge do promitente, dependendo da sua anuência o ato a ser praticado,
e desde que, pelo regime do casamento, a indenização, de algum modo, venha a recair
sobre os seus bens”.

III. INCORRETA

Conforme CC, art. 496: “É anulável a venda de ascendente a descendente, salvo se os outros
descendentes e o cônjuge do alienante expressamente houverem consentido. Parágrafo
único. Em ambos os casos, dispensa-se o consentimento do cônjuge se o regime de bens
for o da separação obrigatória.

IV. INCORRETA
Conforme CC, art. 525: “O vendedor somente poderá executar a cláusula de reserva de
domínio após constituir o comprador em mora, mediante protesto do título ou
interpelação judicial”.

QUESTÃO PARCIALMENTE ABORDADA NA RODADA 4 DE DIREITO CIVIL.

9. Quanto ao direito de família, analise as afirmativas a seguir.

I. A guarda compartilhada não exclui a fixação do regime de convivência e não implica


ausência do pagamento de pensão alimentícia.

II. Qualquer descendente possui legitimidade, por direito próprio, para propor o
reconhecimento do vínculo de parentesco em face dos avós ou de qualquer ascendente
de grau superior, ainda que o pai não tenha iniciado a ação de prova da filiação em vida.

III. A obrigação alimentar dos avós tem natureza subsidiária, somente se configurando no
18
caso de impossibilidade total de seu cumprimento pelos pais.

IV. O cancelamento do pagamento de pensão alimentícia a filho que atingiu a maioridade


está sujeito à decisão judicial, mediante contraditório, ainda que nos próprios autos.

Estão corretas as afirmativas

A) I, II, III e IV.

B) I, II e III, apenas.

C) I, II e IV, apenas.

D) II, III e IV, apenas.

RESPOSTA - C

COMENTÁRIOS
I. CORRETA

Conforme Enunciados das Jornadas de Direito Civil: Enunciado 605 -A guarda compartilhada
não exclui a fixação do regime de convivência; Enunciado 607 - A guarda compartilhada não
implica ausência de pagamento de pensão alimentícia.

II. CORRETA

Conforme Enunciado 521 da Jornada de Direito Civil: “Qualquer descendente possui


legitimidade, por direito próprio, para propor o reconhecimento do vínculo de parentesco
em face dos avós ou de qualquer ascendente de grau superior, ainda que o pai não tenha
iniciado a ação de prova da filiação em vida”.

III. INCORRETA

Conforme Súmula 596 do STJ: “A obrigação alimentar dos avós tem natureza
complementar e subsidiária, somente se configurando no caso de impossibilidade total ou
parcial de seu cumprimento pelos pais”. 19
IV. CORRETA

Conforme Súmula 358 do STJ: “O cancelamento de pensão alimentícia de filho que atingiu
a maioridade está sujeito à decisão judicial, mediante contraditório, ainda que nos próprios
autos”.

QUESTÃO INTEGRALMENTE ABORDADA NA RODADA 10 DE DIREITO CIVIL.

10. Quanto ao direito de laje, assinale a afirmativa INCORRETA.

A) Os titulares da laje, unidade imobiliária autônoma constituída em matrícula própria,


poderão dela usar, gozar e dispor.
B) No caso de alienação de qualquer das unidades sobrepostas, terão direito de preferência,
em igualdade de condições com terceiros, os titulares da construção-base e da laje, nessa
ordem.

C) A instituição do direito real de laje implica a atribuição de fração ideal de terreno ao


titular da laje ou a participação proporcional em áreas já edificadas.

D) O seu titular poderá ceder a superfície de sua construção para a instituição de um


sucessivo direito real de laje, desde que haja autorização expressa dos titulares da
construção-base e das demais lajes, e que sejam respeitadas as posturas edilícias e
urbanísticas vigentes.

RESPOSTA – C

COMENTÁRIOS

A: INCORRETA
20
A afirmação está correta, o que torna a ASSERTIVA INCORRETA. Conforme CC, art. 1.510-A,
§ 3º: “Os titulares da laje, unidade imobiliária autônoma constituída em matrícula própria,
poderão dela usar, gozar e dispor”.

B: INCORRETA

A afirmação está correta, o que torna a ASSERTIVA INCORRETA. Conforme CC, art. 1.510-
D. “Em caso de alienação de qualquer das unidades sobrepostas, terão direito de
preferência, em igualdade de condições com terceiros, os titulares da construção-base e da
laje, nessa ordem, que serão cientificados por escrito para que se manifestem no prazo de
trinta dias, salvo se o contrato dispuser de modo diverso”.

C: CORRETA
A afirmação está incorreta, o que torna a ASSERTIVA CORRETA. Conforme CC, art. 1.510-A,
§ 4º: “A instituição do direito real de laje não implica a atribuição de fração ideal de terreno
ao titular da laje ou a participação proporcional em áreas já edificadas”.

D: INCORRETA

A afirmação está correta, o que torna a ASSERTIVA INCORRETA. Conforme CC, art. 1.510-A,
§ 6º: “O titular da laje poderá ceder a superfície de sua construção para a instituição de um
sucessivo direito real de laje, desde que haja autorização expressa dos titulares da
construção-base e das demais lajes, respeitadas as posturas edilícias e urbanísticas
vigentes”.

QUESTÃO INTEGRALMENTE ABORDADA NA RODADA 7 DE DIREITO CIVIL E NO AULÃO DE


VÉSPERA

21
2. DIREITO PROCESSUAL CIVIL

(Professor Guilherme Andrade)

11 - São princípios fundamentais do processo civil, EXCETO:

A) Isonomia.
B) Cooperação.
C) Informalidade.
D) Boa-fé objetiva.

RESPOSTA – C

COMENTÁRIOS

22
O NCPC trouxe, na sua Parte Geral, Livro I, um título específico sobre as normas
fundamentais do Processo Civil (arts. 1º a 15), onde são encontrados diversos Princípios
Fundamentais, tais como os Princípios da Isonomia, da Cooperação e da Boa fé Objetiva.
Com efeito, segundo o artigo 7º do NCPC, “é assegurada às partes paridade de tratamento
em relação ao exercício de direitos e faculdades processuais, aos meios de defesa, aos ônus,
aos deveres e à aplicação de sanções processuais, competindo ao juiz zelar pelo efetivo
contraditório”. Do artigo 7º extrai-se o PRINCÍPIO DA IGUALDADE OU DA ISONOMIA, o
qual se relaciona com a ideia de processo justo, no qual seja dispensado às partes e
procuradores idêntico tratamento, para que tenham iguais oportunidades de fazer valer
suas ideias em juízo. Por sua vez, dispõe o artigo 6º do NCPC que, “todos os sujeitos do
processo devem cooperar entre si para que se obtenha, em tempo razoável, decisão de
mérito justa e efetiva”, trazendo o PRINCÍPIO DA COOPERAÇÃO. Por fim, o artigo 5º trata
do PRINCÍPIO DA BOA-FÉ, segundo o qual “aquele que de qualquer forma participa do
processo deve comportar-se de acordo com a boa-fé”, impondo a todos que participam do
processo os deveres de probidade e moralidade, uma vez que, o processo não pode ser
utilizado para obtenção de resultados ilícitos, escusos, devendo todos zelar pela correta e
justa composição do litígio. O Princípio da Informalidade, por sua vez, não pode ser
considerado um Princípio FUNDAMENTAL do Processo Civil, como um todo, uma vez que a
norma processual traz diversas formalidades que devem ser respeitadas (sem prejuízo da
aplicação do Princípio da Instrumentalidade das Formas). Frise-se, entretanto, que o
Princípio da Informalidade é um dos norteadores do procedimento dos Juizados Especiais,
conforme previsto no artigo 2º da Lei 9.099/95 (Art. 2º O processo orientar-se-á pelos
critérios da oralidade, simplicidade, informalidade, economia processual e celeridade,
buscando, sempre que possível, a conciliação ou a transação).

A QUESTÃO FOI TRATADA NA 1ª RODADA DE PROCESSO CIVIL DA TURMA DE RETA FINAL,


TENDO SIDO RESSALTADA, AINDA, A GRANDE PROBABILIDADE DE O TEMA SER COBRADO,
CONFORME EXPOSTO NA “APRESENTAÇÃO”, O QUE EFETIVAMENTE ACONTECEU.

23
12 - A aforou ação de repetição de indébito contra o Município X para reaver a
importância de R$ 200.000,00 que teria pago em excesso a título de imposto sobre
serviços de qualquer natureza. O réu foi citado e contestou a ação, alegando fato extintivo
do direito do autor. Este foi intimado e, no segundo dia do prazo para se manifestar,
faleceu num acidente automobilístico e deixou dois herdeiros além de vasto patrimônio.
O fato foi notório na Comarca, pois o autor era importante empresário. Com base nesse
caso hipotético, é correto afirmar que o Juiz determinará

A) o prosseguimento sem qualquer outra providência.


B) a intimação do espólio a fim de ser promovida a sucessão.
C) o arquivamento dos autos do processo até que o espólio providencie a habilitação.
D) a intimação do espólio, de quem for sucessor ou dos herdeiros a fim de ser promovida a
sucessão.
RESPOSTA – B. O gabarito aponta como resposta correta a letra B. No entanto, a letra D
também está correta, conforme será explicado.

QUESTÃO PASSÍVEL DE RECURSO.

COMENTÁRIOS

Dispõe o artigo 313, I, do NCPC que “suspende-se o processo pela morte ou pela perda da
capacidade processual de qualquer das partes, de seu representante legal ou de seu
procurador”. Falecendo a parte, cabe ao aos seus sucessores promover a habilitação, nos
termos do artigo 687 a 692 do NCPC, a fim de que seja promovida a sucessão processual
pelo espólio ou sucessores. Não ajuizada ação de habilitação e sendo transmissível o direito
em litígio (como é o caso da questão), o juiz suspenderá o processo e determinará A
INTIMAÇÃO DE SEU ESPÓLIO, DE QUEM FOR O SUCESSOR OU, SE FOR O CASO, DOS
HERDEIROS, pelos meios de divulgação que reputar mais adequados, para que manifestem 24
interesse na sucessão processual e promovam a respectiva habilitação no prazo designado,
sob pena de extinção do processo sem resolução de mérito, conforme dispõe o inciso II do
§2º do artigo 313, do NCPC. Vejam, portanto, que a as assertivas “B” e “D” nada mais são
do que complementação uma da outra, existindo duas respostas corretas.

13 – Acerca da tutela provisória de urgência cautelar ou satisfativa, é correto afirmar que


a parte

A) deve demonstrar apenas o perigo de dano.


B) somente pode requerer em caráter antecedente.
C) é responsável pela indenização do dano processual se a sentença for desfavorável para
ela.
D) é responsável pela indenização do dano processual ainda que a sentença seja favorável
a ela.

RESPOSTA – D

QUESTÃO PASSÍVEL DE RECURSO, AINDA QUE DE DIFÍCIL PROVIMENTO.

COMENTÁRIO

Sabe-se bem que, para a concessão da tutela provisória de urgência são imprescindíveis a
probabilidade do direito (fumus boni iuris) e o perigo da demora (periculum in mora), na
forma do artigo 300 do Novo Código de Processo Civil (Art. 300. A tutela de urgência será
concedida quando houver elementos que evidenciem a probabilidade do direito e o perigo
de dano ou o risco ao resultado útil do processo.), a qual pode ser requerida tanto em
caráter antecedente como em caráter incidental (Art. 294. Parágrafo único. A tutela 25
provisória de urgência, cautelar ou antecipada, pode ser concedida em caráter antecedente
ou incidental.). O artigo 302 do NCPC trata da responsabilidade objetiva do autor em razão
da efetivação da tutela provisória de urgência quando ocorrer alguma das hipóteses
mencionadas nos seus incisos. Segundo o artigo 302, I, do NCPC, “independentemente da
reparação por dano processual, a parte responde pelo prejuízo que a efetivação da tutela
de urgência causar à parte adversa, se a sentença lhe for desfavorável”. Observa-se,
portanto, que, havendo ou não a ocorrência de culpa da parte que obteve a concessão e
efetivação da tutela provisória, deverá responder por todos os danos sofridos pela parte
contrária em razão da efetivação da tutela se a sentença lhe for desfavorável. A dúvida da
questão, entretanto, paira sobre as assertivas C e D que misturam os conceitos sobre dano
processual (arts. 79 a 81) e dano decorrente da efetivação da tutela provisória de
urgência. Com efeito, o próprio artigo 302, caput, inicia a sua redação afirmando que
“independentemente da reparação por dano processual, a parte responde pelo prejuízo
que a efetivação da tutela de urgência causar à parte adversa (...)”. Veja que a parte inicial
faz uma ressalva no sentido de separar a responsabilidade por dano processual (arts. 79 a
81) da responsabilidade objetiva em razão da efetivação da tutela provisória de urgência,
de maneira que, POR UMA INTERPRETAÇÃO LITERAL, poder-se-ia entender que, mesmo
nas hipóteses em que foi concedida e efetivada a tutela provisória, ainda que a sentença
tenha sido favorável ao autor, este poderia vir a ser responsabilizado por DANO
PROCESSUAL (arts. 79 a 81), conforme a assertiva D. Ocorre que, em raríssima hipótese,
poderia ser o autor condenado por dano processual e a sentença lhe ser favorável. Com
efeito, dispõe o artigo 79 do NCPC que “responde por perdas e danos aquele que litigar de
má-fé como autor, réu ou interveniente”. Segundo o artigo 80, “considera-se litigante de
má-fé aquele que: I - deduzir pretensão ou defesa contra texto expresso de lei ou fato
incontroverso; II - alterar a verdade dos fatos; III - usar do processo para conseguir objetivo
ilegal; IV - opuser resistência injustificada ao andamento do processo; V - proceder de modo
temerário em qualquer incidente ou ato do processo; VI - provocar incidente
manifestamente infundado; VII - interpuser recurso com intuito manifestamente
protelatório”. Ora, analisando as hipóteses de litigância de má-fé, não se vislumbra 26
alguma possibilidade de o autor ter se sagrado vencedor e incidir em alguma hipótese de
litigância de má-fé. Ademais, as assertivas C e D fazem uma correlação entre algum dano
processual praticado em razão da efetivação da tutela provisória de urgência. Ora, mas se
o juiz ratificou o direito do autor na sentença, em que hipótese de litigância de má-fé
decorrente da efetivação da tutela provisória incidiria o autor? Bom, ainda que a redação
do artigo 302 do NCPC possa fundamentar a manutenção da resposta dada pelo gabarito,
sugiro que o candidato recorra na tentativa de anular a questão.

O TEMA “TUTELA PROVISÓRIA” FOI ABORDADO NA 2ª RODADA DE PROCESSO CIVIL.

14 – A propôs ação de cobrança cumulada com indenização por danos materiais contra B.
Alegou que as partes celebraram um negócio jurídico e o réu deveria pagar a importância
de R$ 90.000,00 no prazo de 90 (noventa) dias, mas ele deixou de adimplir a obrigação.
Acrescentou ter deixado de auferir lucro no valor de R$ 5.000,00, porque, diante do
inadimplemento, perdeu um bom negócio que estava em vias de concretizar com C.
Citado, o réu, no prazo legal, ofereceu contestação e somente negou a existência do lucro
cessante alegado, porque não seria verídico estar o autor em negociação com C. Requereu
produção de prova oral. As partes, expressamente e em oportunidade pertinente,
informaram que não desejavam a audiência de conciliação ou mediação. Acerca desse
caso hipotético, o Juiz deverá

A) fazer julgamento parcial de mérito.


B) determinar a produção de prova pericial.
C) extinguir o processo sem julgamento de mérito.
D) fazer julgamento conforme o estado do processo.

RESPOSTA - A
27
COMENTÁRIOS

Nesta hipótese, o Juiz deveria julgar antecipadamente e parcialmente o mérito com relação
ao pedido de pagamento de R$ 90.000,00 referente ao não cumprimento da obrigação por
parte de B. Isso porque, trata-se de pedido incontroverso, sendo certo que, ao contestar,
não impugnou o referido pedido, limitando-se a impugnar o pedido de lucros cessantes de
R$ 5.000,00. Desta forma, tratando-se de pedido incontroverso, o juiz deverá julgar de
forma antecipada e parcial o mérito da ação, nos termos do artigo 356, I, do NCPC (Art. 356.
O juiz decidirá parcialmente o mérito quando um ou mais dos pedidos formulados ou parcela
deles: I - mostrar-se incontroverso;) prosseguindo a instrução do processo com relação ao
pedido de lucros cessantes.

O TEMA “JULGAMENTO ANTECIPADO PARCIAL DE MÉRITO” FOI ABORDADO NA


VIDEOAULA DISPONIBILIZADA PARA OS ALUNOS DA TURMA DE RETA FINAL.
15 - A tomou certa importância emprestada de B para pagar em 60 (sessenta) dias; 10
(dez) dias antes de vencer a obrigação, o credor faleceu. O devedor foi procurado por C e
D para receberem o crédito e alegaram que ambas teriam mantido união estável,
simultaneamente, com B. Diante do impasse e pretendendo não se sujeitar aos efeitos da
mora, o devedor

A) nada fará e aguardará iniciativa por parte das supostas credoras.


B) proporá ação de consignação em pagamento e requererá ao Juiz, como tutela provisória
de urgência, decidir quem é a credora.
C) proporá ação de consignação em pagamento e requererá a citação das duas supostas
credoras para que levantem a importância ofertada.
D) proporá ação de consignação em pagamento e requererá ao Juiz autorização para
depositar a importância devida somente depois que for definido quem é a credora. 28

RESPOSTA - C

COMENTÁRIOS

Se, por algum motivo, o devedor tiver dúvida sobre quem deva legitimamente receber o
pagamento, deverá requerer a consignação do pagamento, a fim de evitar a incidência dos
efeitos da mora (arts. 335, IV e 337, do CC/02). Trata-se de um Procedimento Especial
previsto nos artigos 539 a 549 do NCPC. Neste caso, o deverá propor a petição inicial
requerendo o depósito da quantia ou da coisa devida, a ser efetivado no prazo de 5 (cinco)
dias contados do deferimento (art. 542, I, do NCPC). Da mesma forma, como existe dúvida
sobre quem deva legitimamente receber o pagamento, o autor deverá requerer, além do
depósito, a citação dos possíveis titulares do crédito para provarem o seu direito (art. 547
do NCP), no caso em tela, C e D. Neste caso, caso C e D compareçam em juízo, o juiz declara
efetuado o depósito e extinta a obrigação em relação a A, sendo certo que o processo
continuará agora para ver quem é realmente que tem direito de receber (art. 548, III, do
NCPC). Veja que o juiz não decide, em tutela provisória, quem é a parte credora, o que é
feito posteriormente, motivo pelo qual a assertiva B está errada. Da mesma maneira,
conforme visto, o depósito da quantia disputada é feito logo no início do procedimento,
conforme artigo 542, I, do NCPC, razão pela qual a assertiva D está errada. Sendo assim,
resta apena a assertiva C, eis que as supostas credoras serão citadas e poderão levantar a
quantia, ou disputar o levantamento integral, o que é feito posteriormente à liberação
obrigacional do devedor.

16 - A sociedade empresária X, pequena empresa que se dedica à atividade econômica de


prestação de serviços (consertos de celulares) sem atendimento domiciliar, aceitou uma
duplicata emitida por seu fornecedor Y. No vencimento, a obrigação foi inadimplida, o
credor aforou ação de execução e indicou para penhora um automóvel utilizado pelo 29
sócio-gerente da devedora. A executada foi citada e, no prazo legal, ofereceu embargos à
execução somente para alegar impenhorabilidade absoluta do veículo porque seria
instrumento de trabalho. Nesse caso a alegação deve ser rejeitada porque

A) a impenhorabilidade é relativa.
B) o usuário do veículo pode utilizar transporte público.
C) o bem não é utilizado na atividade empresarial da devedora.
D) a impenhorabilidade, no caso narrado, beneficia somente a pessoa natural devedora.

RESPOSTA – C
COMENTÁRIOS

Segundo o artigo 833, V, do NCPC, “são impenhoráveis os livros, as máquinas, as


ferramentas, os utensílios, os instrumentos ou outros bens móveis necessários ou úteis ao
exercício da profissão do executado. Os bens necessários ou úteis ao exercício profissional
também são impenhoráveis. Tal disposição legal é devida, pois retirar tais bens seria o
mesmo que impedir o executado de obter o necessário para a sua manutenção. Além desse
motivo, parte da doutrina ainda aponta outro fundamento para sua impenhorabilidade: a
realização pessoal do executado, que, caso fosse lhe privado, feriria sua dignidade humana.
No caso em tela, entretanto, A EMPRESA NÃO FAZIA ATENDIMENTO DOMICILIAR, razão
pela qual o veículo não era útil ao exercício da atividade empresarial, não se enquadrando
na proteção do artigo 833, V, do NCPC.

QUESTÃO ABORDADA NO TÓPICO SOBRE OS “BENS IMPENHORÁVEIS” NA 4ª RODADA DE


PROCESSO CIVIL DA TURMA DE RETA FINAL. 30

17 - Acolhida a alegação da existência de excesso de execução no cumprimento de


sentença, o credor poderá impugnar o ato judicial respectivo mediante

A) apelação.
B) reclamação.
C) agravo interno.
D) agravo de instrumento.

RESPOSTA – D
COMENTÁRIOS

A – INCORRETA
Nos termos do artigo 1.009 do NCPC, “da sentença cabe apelação”. Ocorre que “a sentença,
ressalvadas as disposições expressas dos procedimentos especiais, é o pronunciamento por
meio do qual o juiz, com fundamento nos arts. 485 e 487, põe fim à fase cognitiva do
procedimento comum, bem como extingue a execução, conforme dispõe o artigo 203, §1º,
do NCPC. No caso da questão, não houve extinção do cumprimento de sentença (da
execução), tendo em vista que o juiz acolher apenas o excesso de execução, ou seja, o
restante do valor é devido e o cumprimento de sentença prosseguirá, motivo pelo qual o
recurso cabível é o agravo de instrumento, conforme dispõe o Parágrafo único do artigo
1.015 do NCPC, segundo o qual “também caberá agravo de instrumento contra decisões
interlocutórias proferidas na fase de liquidação de sentença ou de cumprimento de
sentença, no processo de execução e no processo de inventário”.
31
B – INCORRETA
Art. 988, do NCPC – “Art. 988. Caberá reclamação da parte interessada ou do Ministério
Público para: I - preservar a competência do tribunal; II - garantir a autoridade das decisões
do tribunal; III – garantir a observância de enunciado de súmula vinculante e de decisão do
Supremo Tribunal Federal em controle concentrado de constitucionalidade; IV – garantir a
observância de acórdão proferido em julgamento de incidente de resolução de demandas
repetitivas ou de incidente de assunção de competência”.
C – INCORRETA
Art. 1021, do NCPC – “Art. 1.021. Contra decisão proferida pelo relator caberá agravo
interno para o respectivo órgão colegiado, observadas, quanto ao processamento, as regras
do regimento interno do tribunal”.

D – CORRETA
Vide explicação da alínea A.
O TEMA “RECURSOS” FOI ABORDADO NA RODADA 5 DA TURMA DE RETA FINAL, OCASIÃO
EM QUE SE RESSALTOU O CABIMENTO DE AGRAVO DE INSTRUMENTO CONTRA AS
DECISÕES PROFERIDAS EM SEDE DE CUMPRIMENTO DE SENTENÇA, NOS TERMOS DO
ARTIGO 1015, PARÁGRAFO ÚNICO DO NCPC.

18 - O município de Belo Horizonte foi condenado no pagamento de indenização, no valor


de R$ 2.000,00 claramente contra a prova dos autos e, na sentença, o Juiz determinou a
remessa necessária. O Tribunal, de forma correta,

A) não conhecerá da remessa necessária.


B) conhecerá da remessa necessária e reformará a sentença.
C) conhecerá da remessa necessária e confirmará a sentença.
D) determinará o retorno dos autos para o primeiro grau de jurisdição a fim de ser exercido
32
o juízo de retratação.

RESPOSTA – A

COMENTÁRIOS

Segundo o artigo 496, I, do NCPC, “Está sujeita ao duplo grau de jurisdição, não produzindo
efeito senão depois de confirmada pelo tribunal, a sentença proferida contra a União, os
Estados, o Distrito Federal, os Municípios e suas respectivas autarquias e fundações de
direito público”. No entanto, o §3º, II, deste mesmo artigo ressalva a aplicação da Remessa
Necessária, quando a condenação proferida contra Município que constitua capital (que é
o caso de BH) for inferior a 500 salários mínimos. Desta forma, não é cabível a Remessa
Necessária, sendo certo que, se a Fazenda Pública Municipal não apelou, a sentença
transitou em julgado, e o Tribunal não deverá conhecer da Remessa, eis que fora das
hipóteses de cabimento.

A QUESTÃO SOBRE A DISPENSA DA REMESSA NECESSÁRIA FOI ABORDADA BREVEMENTE


NO FINAL DA VÍDEOAULA SOBRE O TEMA “SENTENÇA”.

19 - Foi indeferida prova pericial requerida pelo autor. Acolhida a pretensão inicial, o
autor apelou somente para alegar cerceamento de defesa porque entende ser
absolutamente necessária a prova indeferida. Ao julgar a apelação, o Tribunal negará
provimento aplicando o princípio

A) da isonomia.
B) da celeridade.
C) da cooperação.
33
D) da instrumentalidade das formas.

RESPOSTA – D

QUESTÃO PASSÍVEL DE RECURSO, UMA VEZ QUE NÃO HÁ RESPOSTA CORRETA.

COMENTÁRIOS

O gabarito indica como assertiva correta a alínea D, ao afirmar que o Tribunal deverá negar
provimento ao recurso em razão da aplicação do Princípio da Instrumentalidade das
Formas. No entanto, deve ser negado provimento ao recurso, não em razão do Princípio da
Instrumentalidade das formas, mas sim pela ausência de interesse recursal. Com efeito, o
Princípio da Instrumentalidade das Formas está relacionado à FORMA DOS ATOS
PROCESSUAIS, não tendo relação com à existência ou não do interesse de recorrer.
Segundo o Princípio da Instrumentalidade das Formas, o processo não é um fim em si
mesmo, de maneira que os atos processuais não podem ser encarados apenas sob o prisma
da regularidade formal. De acordo com esse princípio, o ato processual que alcançar a
finalidade para o qual foi elaborado será válido, eficaz e efetivo, mesmo que praticado por
forma diversa da estabelecida em lei, desde que não traga prejuízo substancial à parte
adversa. Neste sentido, dispõe o artigo 188 do NCPC que “os atos e os termos processuais
independem de forma determinada, salvo quando a lei expressamente a exigir,
considerando-se válidos os que, realizados de outro modo, lhe preencham a finalidade
essencial”. Da mesma forma, aduz o artigo 277 do NCPC que “quando a lei prescrever
determinada forma, o juiz considerará válido o ato se, realizado de outro modo, lhe alcançar
a finalidade”. Vê-se, portanto, que o Princípio se relaciona com à FORMA DOS ATOS
PROCESSUAIS. A resposta da questão, todavia, deveria ser a negativa de provimento do
recurso pela ausência de interesse recursal. Efetivamente, exige-se para que o mérito da
demanda seja julgado que o juiz, anteriormente, analise os pressupostos processuais e as
condições da ação, os quais são considerados genericamente como pressupostos de 34
admissibilidade do julgamento do mérito. No âmbito recursal, existe o mesmo fenômeno
devendo o órgão julgador fazer uma análise de aspectos formais, para só então, superada
positivamente essa fase, julgar o mérito do recurso. A doutrina majoritária entende que são
pressupostos intrínsecos do recurso os seguintes: a) cabimento; b) legitimidade; c) interesse
em recorrer; d) a inexistência de fato impeditivo ou extintivo do poder de recorrer. Por sua
vez, seriam pressupostos extrínsecos: a) tempestividade; b) preparo; e c) regularidade
formal. Com relação ao interesse de recorrer, a doutrina entende que o interesse recursal
deverá ser analisado à luz do interesse de agir. Assim, a mesma ideia de utilidade da
prestação jurisdicional que permeia o interesse de agir verifica-se no interesse recursal,
entendendo-se que somente será julgado o mérito de recurso que possa ser útil ao
recorrente. A utilidade, aqui, deverá ser analisada sob a perspectiva prática, sendo
necessário se observar no caso concreto se o recurso poderá trazer uma melhora fática na
situação do recorrente. No caso em tela, ainda que tenha sido indeferida a prova pericial, o
autor obteve êxito na ação, não possuindo interesse recursal (art. 17 do NCPC) já que
ganhou aquilo que pediu. Observe-se, portanto, que não há qualquer discussão com relação
à forma do ato processual, a qual poderia ser analisada se estivéssemos falando da questão
da fungibilidade recursal, o que não é o caso. Sendo assim, opino pela interposição de
recurso, a fim de que seja anulada a questão.

20 - A jovem M teria sido engravidada por seu colega de trabalho J. Ele não assumiu a
paternidade e ela aforou ação de alimentos gravídicos. Antes da fase instrutória, a autora
deu à luz a S, que nasceu viva. A derradeira circunstância, a substituição no processo
ocorrerá

A) logo após o nascimento de S.


B) após o trânsito em julgado da sentença.
C) após a audiência de instrução e julgamento.
D) após a sentença e antes do respectivo trânsito em julgado. 35

RESPOSTA – A

COMENTÁRIOS

Não obstante algumas discussões doutrinárias, a própria questão afirma que a M teria
ingressado com a ação cobrando alimentos gravídicos. Ocorrendo o nascimento da criança,
esta passa a ter capacidade de ser parte (Art. 70 do NCPC - Toda pessoa que se encontre no
exercício de seus direitos tem capacidade para estar em juízo.), razão pela qual deverá
assumir a titularidade do polo ativo, devidamente representada pela sua mãe (art. 71 do
NCPC – O incapaz será representado ou assistido por seus pais, por tutor ou por curador, na
forma da lei.). Tanto é assim que, após o nascimento com vida, os alimentos gravídicos
concedidos anteriormente ao nascimento da criança serão convertidos em pensão
alimentícia, nos termos do artigo 6º da Lei 11.804/08 (Art. 6º Convencido da existência de
indícios da paternidade, o juiz fixará alimentos gravídicos que perdurarão até o nascimento
da criança, sopesando as necessidades da parte autora e as possibilidades da parte ré.
Parágrafo único. Após o nascimento com vida, os alimentos gravídicos ficam convertidos
em pensão alimentícia em favor do menor até que uma das partes solicite a sua revisão).

36
3. DIREITO DO CONSUMIDOR

(Professora Beatriz Fonteles)

21. A inversão do ônus da prova, como um dos direitos básicos do consumidor, ocorrerá:

A) de ofício pelo juiz.

B) quando o consumidor for hipossuficiente financeiro.

C) quando o Código de Processo Civil autorizar, aplicando a teoria dinâmica do ônus da


prova.

D) quando o consumidor for hipossuficiente de conhecimentos técnicos acerca do produto


adquirido.

RESPOSTA – D
37
COMENTÁRIOS

Trata-se de questão bastante objetiva, mas que nos causou certa espécie, razão pela qual
sugeriremos recurso, pois acreditamos haja margem para sua anulação. Vamos explicar
alternativa por alternativa.

Antes, perceba-se que o enunciado da questão traz uma afirmação categórica – a inversão
do ônus da prova ocorrerá (então não estamos no campo da mera possibilidade).

A – INCORRETA

A inversão do ônus da prova poderá ser determinada pelo magistrado, todavia não se opera
automaticamente, em todo e qualquer caso. Para tanto, deverá estar presente um dos
requisitos alternativos para a inversão: a verossimilhança das alegações ou a
hipossuficiência do consumidor. Perceba, ademais, que o inciso VIII do art. 6 o do CDC
prescreve que a inversão ocorrerá “a critério do juiz”.
Se, no enunciado, estivesse o verbo “poderá” no lugar de “ocorrerá”, a assertiva estaria
correta.

O Superior Tribunal de Justiça possui orientação de que "a inversão do ônus da prova é
faculdade conferida ao magistrado, não um dever, e fica a critério da autoridade judicial
conceder tal inversão quando for verossímil a alegação do consumidor ou quando for ele
hipossuficiente. (AgInt no AREsp 1061219/RS, Rel. Ministro OG FERNANDES, SEGUNDA
TURMA, julgado em 22/08/2017, DJe 25/08/2017).

B – INCORRETA (segundo o gabarito preliminar)

Um dos requisitos alternativos para que a inversão do ônus da prova ocorra, a critério do
magistrado, é quando for o consumidor hipossuficiente.

Um primeiro ponto a se destacar é que o inciso VIII do art. 6o do CDC, ao prever a inversão
do ônus da prova como direito básico do consumidor, traz o vocábulo “hipossuficiente,
segundo as regras ordinárias de experiências”. 38
Ocorre que a hipossuficiência é um vocábulo de múltiplos significados, e, embora não
signifique necessariamente pobreza, existem tipos diversos de hipossuficiência, inclusive
a financeira, segundo entendimento comum da doutrina e da jurisprudência.

Em outras palavras: é a incapacidade técnica ou econômica do consumidor para produzir a


prova necessária à satisfação da sua pretensão em juízo (não sendo sinônimo de pobreza).
Não existe somente a hipossuficiência financeira, mas esta é uma das possibilidades.

Para fins de fundamentar inclusive eventuais recursos, segue abaixo manifestação da


doutrina:

“Hipossuficiência é a dificuldade do consumidor para produzir, no


processo, a prova do fato favorável a seu interesse, seja porque ele
não possui conhecimento técnico específico sobre o produto ou
serviço adquirido (hipossuficiência técnicocientífica), seja porque
ele não dispõe de recursos financeiros para arcar com os custos da
produção dessa prova (hipossuficiência econômica ou fática).

(...)

Em síntese, a hipossuficiência – outro conceito jurídico


indeterminado presente no CDC – pode ser definida como a
dificuldade técnica (hipossuficiência técnica) ou econômica
(hipossuficiência econômica) do consumidor para produzir a prova
necessária à satisfação da sua pretensão em juízo” (ANDRADE,
Adriano; MASSON, Cleber; ANDRADE, Landolfo. Interesses difusos e
coletivos esquematizado. 6.ed. rev. atual. ampl. Rio de Janeiro:
Forense; São Paulo: Método, 2016, p. 465).

De igual forma, o STJ admite a hipossuficiência financeira como uma das hipóteses de
inversão do ônus da prova: 39

Equivocado, nos litígios coletivos ou difusos, reduzir a


hipossuficiência exclusivamente ao "necessitado" de recursos
financeiros, pressuposto para a assistência judiciária, mas não para
a inversão do ônus da prova. Na litigisiosidade supraindividual,
hipossuficiente é tanto o pobre (= carente material) como aquele
que, "segundo as regras ordinárias de experiência" e as
circunstâncias do caso concreto, não dispõe de mecanismos aptos
a fazer valer seu direito (= carente processual). Um e outro
encontram-se, com base em transcedente valor de isonomia real,
abrigados e protegidos pelo regime solidarista dos arts. 6º, VIII, e
117 do Código de Defesa do Consumidor. (REsp 1235467/RS, Rel.
Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em
20/08/2013, DJe 17/11/2016)
A inversão do ônus da prova pressupõe hipossuficiência (técnica,
jurídica ou econômica) ou verossimilhança das alegações feitas pelo
consumidor. (REsp 1021261/RS, Rel. Ministra NANCY ANDRIGHI,
TERCEIRA TURMA, julgado em 20/04/2010, DJe 06/05/2010).

C – INCORRETA

Como visto, os requisitos do CDC para a inversão ope judicis do ônus da prova, em favor do
consumidor, são próprios, não havendo necessidade nem de autorização nem se de
recorrer subsidiariamente ao CPC.

D – CORRETA (segundo o gabarito preliminar)

Vide comentários à alternativa B acima. Essa alternativa é correta. A sugestão de recurso é


40
porque a alternativa B também seria correta.

A QUESTÃO FOI TRABALHADA COM A TURMA DE RETA FINAL, EM AULA GRAVADA PARA
SEMANA FINAL.

22. A e B celebraram contrato de adesão para prestação de serviços e o fornecedor inseriu


uma cláusula resolutória alternativa, cujo texto foi sublinhado, com escolha dele,
fornecedor. A cláusula, em questão

A) é inválida por falta de destaque.

B) é válida porque não lesa o consumidor.

C) é válida porque o consumidor foi beneficiado.

D) é inválida porque o consumidor fica em posição desfavorável perante o fornecedor.


_______________________________________________________________________

RESPOSTA – D

COMENTÁRIOS

Observe-se que o enunciado trata especificamente dos contratos de consumo de adesão.

Admite-se, pelo art. 54, par. 2o, do CDC, a inserção de cláusula resolutória em contratos de
adesão, desde que alternativa, cabendo a escolha ao consumidor. Confira-se a redação
legal:

Art. 54. Contrato de adesão é aquele cujas cláusulas tenham sido


aprovadas pela autoridade competente ou estabelecidas
unilateralmente pelo fornecedor de produtos ou serviços, sem que
o consumidor possa discutir ou modificar substancialmente seu
conteúdo.

§ 2° Nos contratos de adesão admite-se cláusula resolutória, desde


que a alternativa, cabendo a escolha ao consumidor, ressalvando-
41
se o disposto no § 2° do artigo anterior.

Como o enunciado estabelece que a escolha compete ao fornecedor, tal implica em afronta
à previsão legal e deixa o fornecedor em posição de superioridade perante o consumidor,
daí sua invalidade. Correta, portanto, apenas a assertiva D.

OS CONTRATOS DE CONSUMO E A IMPORTÂNCIA DAS CLÁUSULAS ABUSIVAS FORAM


OBJETO DE VIDEOAULA ESPECÍFICA GRAVADA PARA A TURMA.

23. Não tem legitimidade ativa para propor ação coletiva de consumo

A) o Município.
B) a própria vítima.

C) a Defensoria Pública municipal do consumidor.

D) a associação instituída para defesa de seus associados consumidores, legalmente


constituída e funcionando há menos de um ano.

RESPOSTA – D

COMENTÁRIOS

Trata-se de mais uma questão que, sob nosso sentir, é passível de anulação. Vamos explicar
a razão nos comentários a cada uma das assertivas.

A – INCORRETA

Os Municípios, sim, possuem legitimidade ativa para a defesa coletiva dos interesses de
consumidores. Tal legitimidade exsurge do art. 82, II, do CDC, que prevê a legitimação ativa 42
dos entes públicos, da Administração direta.

E o STJ, bem recentemente, veio a confirmar essa legitimidade:

Novidade 2018 – Informativo 626 STJ. Município tem legitimidade ad causam para ajuizar
Ação Civil Pública em defesa de direitos consumeristas questionando a cobrança de tarifas
bancárias.

“Trata-se, em verdade, de dever-poder, decorrente da supremacia do interesse público


sobre o privado e da indisponibilidade do interesse público, a impor aos entes políticos o
dever de agir na defesa de interesses metaindividuais, por serem seus poderes
irrenunciáveis e destinados à satisfação dos interesses públicos. Ademais, (...) não se
questiona sua pertinência temática ou representatividade adequada, por serem
presumidas.

(...) no que se refere especificamente à defesa de interesses individuais homogêneos dos


consumidores, o Município é o ente político que terá maior contato com as eventuais lesões
cometidas contra esses interesses, pois, conforme afirma a doutrina, "será no Município
que esses fatos ensejadores da ação civil pública se farão sentir com maior intensidade [...]
em face da proximidade, da imediatidade entre ele e seus munícipes” )REsp 1.509.586-SC,
Rel. Min. Nancy Andrighi, por unanimidade, julgado em 15/05/2018, DJe 18/05/2018).

B – INCORRETA (segundo o gabarito preliminar)

Não concordamos com o gabarito preliminar neste ponto.

Observe-se que o enunciado é claro ao delimitar o questionamento da legitimidade ativa


para propor ação coletiva de consumo.

As vítimas do evento, porém, só possuem legitimidade ativa para propor ações a título
individual (conforme art. 81, caput, do CDC) ou para, no máximo, atuarem na qualidade de
litisconsortes ativas, a teor do art. 94 do CDC.

O CDC, aliás, é claro ao distinguir as demandas individuais da tutela coletiva dos direitos dos
consumidores:
43
Art. 81. A defesa dos interesses e direitos dos consumidores e das
vítimas poderá ser exercida em juízo individualmente, ou a título
coletivo.

Parágrafo único. A defesa coletiva será exercida quando se tratar


de:

I - interesses ou direitos difusos, assim entendidos, para efeitos


deste código, os transindividuais, de natureza indivisível, de que
sejam titulares pessoas indeterminadas e ligadas por circunstâncias
de fato;

II - interesses ou direitos coletivos, assim entendidos, para efeitos


deste código, os transindividuais, de natureza indivisível de que seja
titular grupo, categoria ou classe de pessoas ligadas entre si ou com
a parte contrária por uma relação jurídica base;
III - interesses ou direitos individuais homogêneos, assim
entendidos os decorrentes de origem comum.

Art. 82. Para os fins do art. 81, parágrafo único, são legitimados
concorrentemente:

I - o Ministério Público;

II - a União, os Estados, os Municípios e o Distrito Federal;

III - as entidades e órgãos da Administração Pública, direta ou


indireta, ainda que sem personalidade jurídica, especificamente
destinados à defesa dos interesses e direitos protegidos por este
código;

IV - as associações legalmente constituídas há pelo menos um ano e


que incluam entre seus fins institucionais a defesa dos interesses e
direitos protegidos por este código, dispensada a autorização
44
assemblear.

Para a defesa coletiva, pois, somente estão legitimados aqueles previstos no art. 82 do CDC,
não havendo previsão das vítimas. Nem mesmo nas ações coletivas para a defesa de direitos
individuais homogêneos há previsão da legitimidade das vítimas:

Art. 91. Os legitimados de que trata o art. 82 poderão propor, em


nome próprio e no interesse das vítimas ou seus sucessores, ação
civil coletiva de responsabilidade pelos danos individualmente
sofridos, de acordo com o disposto nos artigos seguintes.

Eis as razões pelas quais a alternativa que entendemos que seria a mais apropriada de
marcação seria a B.

C – INCORRETA
De fato, as Defensorias públicas são entes legitimados.

A legitimidade ativa da Defensoria Pública não está prevista expressamente no CDC (assim
como não estava, até o advento da Lei n. 11.448/2007, na Lei de Ação Civil Pública). Boa
parte da doutrina e da jurisprudência, todavia, já a admitia como parte legítima em razão
da previsão do inciso III do art. 82 do CDC.

Nesse sentido, já vinha decidindo o STJ (REsp 1.264.116/RS, 2ª T, Rel. Min. Herman
Benjamin, j. 18/10/2011, DJe 13/04/2012; REsp 1.106.515/MG, 1ª T, Rel. Min. Arnaldo
Esteves Lima, j. 16/12/2010, DJe 02/02/2011).

Atualmente, há previsão expressa na LACP (art. 5o, II), conferindo legitimidade ativa à
Defensoria Pública para o manejo de ACP (lembrando-se que o art. 90 do CDC permite a
aplicação subsidiária da LACP às ações coletivas de consumo).

Há, porém, um equívoco na assertiva (que, por si só, talvez não fosse suficiente para
invalidar a questão). Não existem Defensorias Públicas municipais na organização da
carreira da Defensoria Pública. De acordo com a Lei Complementar n. 80/94, existem a 45
Defensoria Pública da União, a Defensoria Pública do Distrito Federal e as Defensorias
Públicas Estaduais.

E – CORRETA (segundo o gabarito preliminar)

Vide os comentários feitos à alternativa B.

Vislumbramos, porém, um problema (talvez má redação da assertiva). É bem verdade que,


para que as associações tenham legitimidade ativa para a defesa coletiva do consumidor,
precisam atender a determinados requisitos previstos no art. 82, IV, do CDC:

- legalmente constituídas há pelo menos um ano;

- e que incluam entre seus fins institucionais a defesa dos interesses


e direitos protegidos por este código.

Em princípio, de fato, as associações que estejam funcionando há menos de 01 ano não são
legitimadas.
Por outro lado, é amplamente sabido (e aplicado) a exceção a esse requisito temporal,
prevista no par. 1o do mesmo dispositivo.

Compete a análise da dispensa ou não do requisito temporal ao magistrado atuante no caso


específico (a dispensa, portanto, não é automática, e sim ope judicis). Ademais, pode ser
fundamentada em duas situações alternativas:

i) o manifesto interesse social (cujos parâmetros são a dimensão ou


a característica do dano); ou
ii) a relevância do bem jurídico a ser protegido.

Assim, não se pode dizer que associações constituídas e em funcionamento há menos de


01 ano, peremptoriamente, não tenha legitimidade ativa para propor ação coletiva de
consumo.

A QUESTÃO FOI TRABALHADA COM A TURMA DE RETA FINAL, RODADA 10, E NA AULA 46
GRAVADA PARA SEMANDA FINAL.

24. Considera-se abusiva a cláusula em contrato de relação de consumo que

A) estabeleça o ônus da prova em favor do consumidor.

B) vede a transferência de responsabilidade para terceiro.

C) autorize o consumidor a cancelar unilateralmente o contrato.

D) estabeleça a inversão do ônus da prova em favor do fornecedor.

RESPOSTA – D

COMENTÁRIOS

A - INCORRETA
O ônus da prova, para facilitação da sua atuação em Juízo, é um direito básico do
consumidor, previsto no art. 6o, VIII do CDC. Assim, não é abusiva a cláusula inserta em
contrato de consumo que estabeleça o ônus da prova em favor do consumidor.

B - INCORRETA

O art. 51, III, do CDC, prevê a abusividade (nulidade de pleno direito) da cláusula contratual
que transfira a responsabilidade do fornecedor para terceiros.

Todavia, se a cláusula contratual prevê justamente a vedação dessa transferência, está em


plena harmonia com o inciso III do art. 51, não havendo nulidade.

C - INCORRETA

O inciso XI do art. 51 do CDC prevê a abusividade (nulidade de pleno direito) da cláusula


contratual que autorize o fornecedor a cancelar unilateralmente o contrato, sem que igual 47
direito seja conferido ao consumidor.

Todavia, se a cláusula contratual prevê justamente a autorização para o consumidor


cancelar unilateralmente o contrato, está em plena harmonia com o inciso XI do art. 51,
não havendo nulidade.

D - CORRETA

A cláusula contratual que estabeleça a inversão do ônus da prova em prejuízo do


consumidor (o que é o mesmo de estabelecer a inversão do ônus da prova em favor do
fornecedor) é nula de pleno direito, conforme art. 51, VI, do CDC.

OS CONTRATOS DE CONSUMO E A IMPORTÂNCIA DAS CLÁUSULAS ABUSIVAS FORAM


OBJETO DE VIDEOAULA ESPECÍFICA GRAVADA PARA A TURMA DE RETA FINAL.
25. A é vendedor da sociedade empresária X, que produz bem de consumo durável. A
convenceu B a adquirir o produto, afirmando existir uma importante utilidade, o que não
era verdade. B, ao verificar que a utilidade do bem não existia, aforou ação correta contra
a fornecedora e seu vendedor. A sociedade empresária X, na contestação, alegou ser
parte passiva ilegítima porque a responsabilidade pela informação inverídica seria
atribuível somente ao vendedor A. A alegação

A) deve ser acolhida porque a responsabilidade é individual do vendedor.

B) não pode ser acolhida porque o consumidor, no caso, é pessoa bem esclarecida.

C) não pode ser acolhida porque existe solidariedade passiva entre a fabricante e seu
vendedor.

D) não pode ser acolhida porque o consumidor deixou de confirmar a informação com a
fabricante.

_____________________________________________________________________
48
RESPOSTA – C

COMENTÁRIOS

Há responsabilidade por vício do produto quando existe um problema oculto ou aparente


no bem de consumo, que o torna impróprio ou inadequado para uso ou diminui o seu valor,
tido como um vício por inadequação. Em casos tais, não há repercussões fora dos produtos.

Outro vício de qualidade do produto é a falha de informação (disparidade com as


indicações constantes do recipiente, embalagem, rotulagem ou mensagem publicitária).

Art. 18. Os fornecedores de produtos de consumo duráveis ou não


duráveis respondem solidariamente pelos vícios de qualidade ou
quantidade que os tornem impróprios ou inadequados ao consumo
a que se destinam ou lhes diminuam o valor, assim como por
aqueles decorrentes da disparidade, com as indicações constantes
do recipiente, da embalagem, rotulagem ou mensagem publicitária,
respeitadas as variações decorrentes de sua natureza, podendo o
consumidor exigir a substituição das partes viciadas.

Fornecedor – o fato de a previsão legal referir-se a “fornecedor”, como gênero, significa


que todos aqueles integrantes da cadeia de consumo (fabricante, produtor, fornecedor,
distribuidor, comerciante etc.) são responsáveis de forma solidária. Não há, pois,
responsabilidade diferenciada para o comerciante.

Além disso, há responsabilidade solidária do fornecedor pelos atos de seus prepostos ou


representantes autônomos (art. 34) – significa que o CDC estabelece a solidariedade entre
todos os envolvidos na veiculação da oferta.

Art. 34. O fornecedor do produto ou serviço é solidariamente


responsável pelos atos de seus prepostos ou representantes
autônomos.

QUESTÃO FOI TRABALHADA COM A TURMA DE RETA FINAL NAS RODADAS 7 E 13.
49
4. DIREITO DA CRIANÇA E ADOLESCENTE

(Professor Edison Burlamaqui)

26 - Quanto à adoção, analise as afirmativas a seguir.

I. Em caso de conflito entre direitos e interesses do adotando e de outras pessoas,


inclusive seus pais biológicos, devem prevalecer os direitos e os interesses do adotando.

II. A adoção atribui a condição de filho ao adotado, com os mesmos direitos e deveres,
inclusive sucessórios, desligando-o de qualquer vínculo com pais e parentes, salvo os
impedimentos matrimoniais. É recíproco o direito sucessório entre o adotado, seus
descendentes, o adotante, seus ascendentes, descendentes e colaterais até o 4º grau,
observada a ordem de vocação hereditária.

III. O prazo máximo para conclusão da ação de adoção será de 120 (cento e vinte) dias,
prorrogável uma única vez por igual período, mediante decisão fundamentada da 50
autoridade judiciária.

IV. Nas adoções internacionais, quando o Brasil for o país de acolhida e a adoção não
tenha sido deferida no país de origem porque a sua legislação a delega ao país de acolhida
ou, ainda, na hipótese de, mesmo com decisão, a criança ou o adolescente ser oriundo de
país que não tenha aderido à Convenção referida, o processo de adoção seguirá as

regras da adoção nacional.

Estão corretas as afirmativas

A) I, II, III e IV.

B) III e IV, apenas.

C) I, II e III, apenas.

D) II, III e IV, apenas.

RESPOSTA - A
COMENTÁRIOS

I - CORRETA

art. 39, § 3º do ECA - Em caso de conflito entre direitos e interesses do adotando e de


outras pessoas, inclusive seus pais biológicos, devem prevalecer os direitos e os interesses
do adotando.

II - CORRETA

art. 41 do ECA - A adoção atribui a condição de filho ao adotado, com os mesmos direitos e
deveres, inclusive sucessórios, desligando-o de qualquer vínculo com pais e parentes, salvo
os impedimentos matrimoniais.

51
§ 2º É recíproco o direito sucessório entre o adotado, seus descendentes, o adotante, seus
ascendentes, descendentes e colaterais até o 4º grau, observada a ordem de vocação
hereditária.

III - CORRETA

art. 47, § 10 do ECA - O prazo máximo para conclusão da ação de adoção será de 120 (cento
e vinte) dias, prorrogável uma única vez por igual período, mediante decisão fundamentada
da autoridade judiciária.

IV – CORRETA

art. 52-D do ECA - Nas adoções internacionais, quando o Brasil for o país de acolhida e a
adoção não tenha sido deferida no país de origem porque a sua legislação a delega ao país
de acolhida, ou, ainda, na hipótese de, mesmo com decisão, a criança ou o adolescente ser
oriundo de país que não tenha aderido à Convenção referida, o processo de adoção seguirá
as regras da adoção nacional.

QUESTÃO ADIANTADA NO MATERIAL DE RETA FINAL E NO AULÃO DE VÉSPERA.

27 - Quanto à família substituta, analise as afirmativas a seguir.


I. A colocação da criança ou adolescente em família substituta se fará mediante a guarda,
tutela ou adoção e independentemente da sua situação jurídica.
II. Os grupos de irmãos deverão ser colocados sob adoção, tutela ou guarda da mesma
família substituta, ressalvada a comprovada existência de risco de abuso ou outra
situação que justifique plenamente a excepcionalidade de solução diversa.
III. A colocação em família substituta estrangeira constitui medida excepcional, somente
admissível nas modalidades de tutela e adoção.
IV. Tratando-se de menor de 12 (doze) anos de idade, não será necessário seu 52
consentimento expresso.
Estão corretas as afirmativas
A) I, II, III e IV.
B) II e III, apenas.
C) I, II e IV, apenas.
D) II, III e IV, apenas.

RESPOSTA - C

COMENTÁRIOS

I - CORRETA
art. 28 do ECA - A colocação em família substituta far-se-á mediante guarda, tutela ou
adoção, independentemente da situação jurídica da criança ou adolescente, nos termos
desta Lei.

II - CORRETA
art. 28, § 4º do ECA - Os grupos de irmãos serão colocados sob adoção, tutela ou guarda da
mesma família substituta, ressalvada a comprovada existência de risco de abuso ou outra
situação que justifique plenamente a excepcionalidade de solução diversa, procurando-se,
em qualquer caso, evitar o rompimento definitivo dos vínculos fraternais.

III – INCORRETA
art. 31 do ECA - A colocação em família substituta estrangeira constitui medida excepcional,
somente admissível na modalidade de ADOÇÃO.

IV – CORRETA 53
art. 28, § 2º do ECA - Tratando-se de maior de 12 (doze) anos de idade, será necessário seu
consentimento, colhido em audiência.

QUESTÃO ADIANTADA NO MATERIAL DE RETA FINAL E NO AULÃO DE VÉSPERA.

28 - O Conselho Tutelar é um órgão permanente e autônomo, não jurisdicional,


encarregado pela sociedade de zelar pelo cumprimento dos direitos da criança e do
adolescente. De acordo com o exposto, analise as afirmativas a seguir.

I. Cada Conselho Tutelar será composto, na forma da lei, por 5 (cinco) membros,
escolhidos pela população local para mandato de 4 (quatro) anos, inadmitida a
recondução.

II. Se, no exercício de suas atribuições, o Conselho Tutelar entender necessário o


afastamento do convívio familiar, comunicará imediatamente o fato ao Ministério
Público, prestando-lhe informações sobre os motivos de tal entendimento e as
providências tomadas para a orientação, o apoio e a promoção social da família.

III. As decisões do Conselho Tutelar somente poderão ser revistas pela autoridade
judiciária a pedido de quem tenha legítimo interesse.

Está(ão) correta(s) apenas a(s) afirmativa(s)

A) I.

B) III.

C) I e II.

D) II e III.

RESPOSTA - D
COMENTÁRIOS
I - INCORRETA 54
art. 132 do ECA - Em cada Município e em cada Região Administrativa do Distrito Federal
haverá, no mínimo, 1 (um) Conselho Tutelar como órgão integrante da administração
pública local, composto de 5 (cinco) membros, escolhidos pela população local para
mandato de 4 (quatro) anos, PERMITIDA 1 (UMA) RECONDUÇÃO, MEDIANTE NOVO
PROCESSO DE ESCOLHA.

II - CORRETA
art. 136, parágrafo único do ECA - Se, no exercício de suas atribuições, o Conselho Tutelar
entender necessário o afastamento do convívio familiar, comunicará incontinenti o fato ao
Ministério Público, prestando-lhe informações sobre os motivos de tal entendimento e as
providências tomadas para a orientação, o apoio e a promoção social da família.

III – CORRETA
art. 137 do ECA - As decisões do Conselho Tutelar somente poderão ser revistas pela
autoridade judiciária a pedido de quem tenha legítimo interesse.
QUESTÃO ADIANTADA NO MATERIAL DE RETA FINAL E NO AULÃO DE VÉSPERA.

29 - Considerando o disposto no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) sobre a


proteção integral à criança e ao adolescente, analise as afirmativas a seguir.
I. Criança, para os efeitos do ECA, é a pessoa que possuiu até 12 (doze) anos de idade
completos. Em situações excepcionais, expressas em lei, o Estatuto poderá ser aplicado
às pessoas entre 18 (dezoito) anos e 21 (vinte e um) anos de idade.
II. É direito da criança e do adolescente ser criado e educado no seio de sua família e,
excepcionalmente, em família substituta, assegurada a convivência familiar e
comunitária, em ambiente que garanta seu desenvolvimento integral. A permanência da
criança e do adolescente em programa de acolhimento institucional não se prolongará
por mais de 24 (vinte e quatro meses), salvo comprovada a necessidade que atenda ao 55
seu superior interesse, devidamente fundamentada pela autoridade judiciária.
III. A convivência integral da criança com a mãe adolescente que estiver em acolhimento
institucional será devidamente garantida.
IV. Será garantida a convivência da criança e do adolescente com a mãe ou o pai privado
de liberdade, por meio de visitas periódicas promovidas pelo responsável ou, nas
hipóteses de acolhimento institucional, pela entidade responsável, independentemente
de autorização judicial.
Estão corretas as afirmativas

A) I, II, III e IV.


B) III e IV, apenas.
C) I, III e IV, apenas.
D) II, III e IV, apenas.
RESPOSTA - B
COMENTÁRIOS

I – INCORRETA

art. 2º Considera-se criança, para os efeitos desta Lei, a pessoa até doze anos de idade
INCOMPLETOS, e adolescente aquela entre doze e dezoito anos de idade.

Parágrafo único. Nos casos expressos em lei, aplica-se excepcionalmente este Estatuto às
pessoas entre dezoito e vinte e um anos de idade.

II – INCORRETA

art. 19. É direito da criança e do adolescente ser criado e educado no seio de sua família e,
56
excepcionalmente, em família substituta, assegurada a convivência familiar e comunitária,
em ambiente que garanta seu desenvolvimento integral.

§ 2º A permanência da criança e do adolescente em programa de acolhimento institucional


NÃO SE PROLONGARÁ POR MAIS DE 18 (DEZOITO MESES), salvo comprovada necessidade
que atenda ao seu superior interesse, devidamente fundamentada pela autoridade
judiciária.

III – CORRETA

art. 19, § 5º do ECA - Será garantida a convivência integral da criança com a mãe
adolescente que estiver em acolhimento institucional.
IV – CORRETA

art. 19, § 4º do ECA - Será garantida a convivência da criança e do adolescente com a mãe
ou o pai privado de liberdade, por meio de visitas periódicas promovidas pelo responsável
ou, nas hipóteses de acolhimento institucional, pela entidade responsável,
independentemente de autorização judicial.

QUESTÃO ADIANTADA NO MATERIAL DE RETA FINAL E AULÃO DE VÉSPERA.

30 - Quanto à habilitação de pretendentes à adoção, analise as afirmativas a seguir.


I. É recomendável a participação dos postulantes em programa oferecido pela Justiça da
Infância e da Juventude, preferencialmente com apoio dos técnicos responsáveis pela
execução da política municipal de garantia do direito à convivência familiar e dos grupos
de apoio à adoção devidamente habilitados perante a Justiça da Infância e da Juventude,
que inclua preparação psicológica, orientação e estímulo à adoção inter-racial, de crianças
ou de adolescentes com deficiência, com doenças crônicas ou com necessidades
57
específicas de saúde, e de grupos de irmãos.
II. A todos os postulantes à habilitação, é obrigatório o cumprimento da etapa que inclui
o prévio contato com crianças e adolescentes em regime de acolhimento familiar ou
institucional, e que é realizado sob orientação, supervisão e avaliação da equipe técnica
da Justiça da Infância e da Juventude e dos grupos de apoio à adoção.
III. É obrigatório que as crianças e os adolescentes acolhidos institucionalmente ou por
família acolhedora sejam preparados por equipe interprofissional antes da inclusão em
família adotiva.
IV. A desistência do pretendente em relação à guarda para fins de adoção ou a devolução
da criança ou do adolescente depois do trânsito em julgado da sentença de adoção
importará na sua exclusão dos cadastros de adoção e na vedação de renovação da
habilitação, salvo decisão judicial fundamentada, sem prejuízo das demais sanções
previstas na legislação vigente.
Está(ão) correta(s) apenas a(s) afirmativa(s)
A) II.
B) IV.
C) I e IV.
D) II e III.

RESPOSTA - B
COMENTÁRIOS

I – INCORRETA

art. 197-C, § 1º do ECA - É OBRIGATÓRIA a participação dos postulantes em programa


oferecido pela Justiça da Infância e da Juventude, preferencialmente com apoio dos
técnicos responsáveis pela execução da política municipal de garantia do direito à
convivência familiar e dos grupos de apoio à adoção devidamente habilitados perante a
Justiça da Infância e da Juventude, que inclua preparação psicológica, orientação e estímulo
à adoção inter-racial, de crianças ou de adolescentes com deficiência, com doenças crônicas
ou com necessidades específicas de saúde, e de grupos de irmãos.
58
II – INCORRETA

art. 197-C, § 2º do ECA - SEMPRE QUE POSSÍVEL E RECOMENDÁVEL, a etapa obrigatória da


preparação referida no § 1º deste artigo incluirá o contato com crianças e adolescentes em
regime de acolhimento familiar ou institucional, a ser realizado sob orientação, supervisão
e avaliação da equipe técnica da Justiça da Infância e da Juventude e dos grupos de apoio à
adoção, com apoio dos técnicos responsáveis pelo programa de acolhimento familiar e
institucional e pela execução da política municipal de garantia do direito à convivência
familiar.

III – INCORRETA

art. 197-C, § 3º do ECA - É RECOMENDÁVEL que as crianças e os adolescentes acolhidos


institucionalmente ou por família acolhedora sejam preparados por equipe
interprofissional antes da inclusão em família adotiva.
IV – CORRETA

art. 197-E, § 5º do ECA - A desistência do pretendente em relação à guarda para fins de


adoção ou a devolução da criança ou do adolescente depois do trânsito em julgado da
sentença de adoção importará na sua exclusão dos cadastros de adoção e na vedação de
renovação da habilitação, salvo decisão judicial fundamentada, sem prejuízo das demais
sanções previstas na legislação vigente.

QUESTÃO ADIANTADA NO MATERIAL DE RETA FINAL.

59
5. DIREITO PENAL

(Professor Fernando Abreu)

31 - Sobre os crimes eleitorais, assinale a alternativa INCORRETA.

A) O crime de inscrição fraudulenta de eleitor não comporta cometimento por coautoria.


B) O erro de tipo, uma vez configurado, acarreta sempre a atipicidade da conduta imputada.
C) O pedido explícito de voto é requisito para a configuração do crime de corrupção eleitoral
ativa.
D) O crime de falsidade ideológica eleitoral pode ser cometido mediante inserção de
informação falsa em prestação de contas de campanha ou omissão de informação que dela
deveria constar.

RESPOSTA - C
60
COMENTÁRIOS

Não há necessidade de pedido expresso de voto, por se tratar de tipo misto alternativo e
sem elementar nesse sentido. (RHC 134450, Relator(a): Min. CELSO DE MELLO, julgado em
15/06/2016)

32 - A, B, e C se conheceram quando estavam recolhidos na Penitenciária Nelson Hungria.


Posteriormente, estando em meio aberto, eles se reencontraram e decidiram praticar um
crime juntos. Assim, agindo em comunhão de vontades e unidade designios, no dia
18/09/2017, cometeram um latrocínio com resultado morte, sendo a prisão em flagrante
convertida em medidas cautelares diversas da prisão. Após regular instrução, o Juiz
proferiu sentença, condenando os agentes pela prática do crime do artigo 157, § 3º, in
fine, do Código Penal. Ao passar à fase de aplicação da pena, o magistrado, analisando as
certidões cartorárias de antecedentes de cada um dos réus, constatou que A possui uma
condenação transitada em julgado em 10/08/2012, com extinção da pena em
15/05/2016. B possui duas condenações: a primeira transitada em julgado em
05/05/2003, com extinção da pena em 23/07/2016 e a segunda transitada em julgado em
07/02/2011, cuja execução ainda se encontra em curso. C possui duas condenações, uma
por crime praticado quando ele era menor de 21 (vinte e um) anos, transitada em julgado
em 03/04/2005, cuja extinção da pena se deu 10/10/2014 e outra por fato praticado em
25/12/2017, com trânsito em julgado em 01/08/2018, cuja execução se encontra em
andamento. Levando-se em conta as disposições previstas no Código Penal, analise as
afirmativas, marque V para as verdadeiras e F para as falsas.
( ) Em desfavor do réu A deve ser reconhecida a agravante da reincidência, prevista no
artigo 61, I, do Código Penal.
( ) O réu C é tecnicamente primário, não podendo os dados constantes em sua certidão de
antecedentes criminais
serem considerados em seu desfavor. 61
( ) O réu B registra uma única condenação caracterizadora da reincidência.
( ) O réu C é reincidente e portador de maus antecedentes.

A sequência está correta em


A) V, F, V, F.
B) V, F, F, V.
C) F, V, V, V.
D) V, F, F, F.

RESPOSTA - D

COMENTÁRIOS

C é reincidente, em razão do cumprimento da pena encerrado em 10/10/14.

B possui duas condenações caracterizados de reincidência


C não é portador de maus antecedentes porquanto o crime foi praticado após o fato de
25/12/17. A outra condenação deve ser levada em consideração como reincidência

33 - JJ, frentista de um posto de gasolina e responsável pelo recebimento de valores que


recebia dos clientes, pretendendo ter uma noite especial com sua namorada em um motel
de luxo, resolve pegar do caixa pelo qual é o responsável há mais de 5 (cinco) anos, a
quantia de R$ 1.200,00 em dinheiro. Para encobrir seu ato, emite e firma três notas fiscais
falsas para pagamentos posteriores, em nome de clientes. Nessa situação hipotética,
conforme legislação aplicável ao caso, o frentista pratica crime de

A) estelionato.
B) furto qualificado mediante fraude.
C) furto qualificado pelo abuso de confiança.
62
D) apropriação indébita qualificada em razão do emprego.

RESPOSTA - D

COMENTÁRIOS

JJ era detentor da posse em razão do emprego. Passível de recurso para alternativa B, pois
no caso, ainda que possuidor, houve a prática de meio fraudulento para assegurar o
assenhoramento e consequente inversão da posse. Pouca probabilidade de modificação do
gabarito.
34 - MA, preocupada com o desempenho escolar insatisfatório de sua filha AL, de 13
(treze) anos de idade, pediu ao vizinho V, de 19 (dezenove) anos de idade, universitário,
para ministrar aulas particulares para AL. Ao fazer o pedido, MA mencionou para V a idade
de AL e as dificuldades que ela enfrentava com a disciplina de matemática. Na data
combinada, V foi à residência de AL e foi por esta recebido e conduzido até seu quarto.
MA, estava na sala de TV, que fica ao lado do quarto de AL, de modo que pôde ouvir com
clareza o inteiro teor da conversa travada entre V e AL. Depois de alguma conversa entre
eles, AL convidou V para “ficarem”. V ficou indeciso inicialmente, mas AL insistiu e
afirmou que não haveria problema algum, porque sua mãe MA estava na sala entretida
com a novela e não os interromperia. Depois da insistência por parte de AL, V concordou
com a proposta e acabaram mantendo relação sexual. MA, que ouviu toda a conversa,
achou melhor não interferir e continuou a assistir à novela. Diante dessa situação
hipotética, assinale a alternativa que contém a solução jurídica correta para o caso.

A) Somente V responde pelo crime de estupro de vulnerável. 63


B) V e MA respondem pelo crime de estupro de vulnerável, em coautoria.
C) V e MA respondem pelo crime de estupro de vulnerável, V na modalidade comissiva e
MA na modalidade omissiva.
D) V e MA respondem pelo crime de estupro de vulnerável, V na modalidade comissiva e
MA na modalidade omissiva, sendo aplicada à MA a causa de aumento de pena prevista no
artigo 226, II, do Código Penal (condição de ascendente).

RESPOSTA - C

COMENTÁRIOS

V conhecia a idade da vítima e MA tinha o dever jurídico de impedir o resultado nos termos
do art. 13, §2º do CP.
35 - Sobre o princípio da legalidade, assinale a alternativa INCORRETA.

A) É considerado por setor da doutrina como restrição deontológica de segundo grau, que
não admite exceções.
B) Tem como destinatários tanto o Juiz quanto o legislador e, no processo judicial, incide
não apenas na fase de conhecimento, como também na fase de execução das penas.
C) Tem como consectários a proibição de analogia em Direito Penal, de irretroatividade da
lei penal gravosa, de utilização dos costumes para fundamentar ou agravar a pena e de
criação de leis penais indeterminadas ou imprecisas.
D) Tem âmbito de aplicação mais abrangente do que indica o teor literal da fórmula em
latim “Nulla poena sine lege; nulla poena sine crimine; nullum crimen sine poena legali”,
pois abrange crimes e contravenções penais, além de penas e medidas de segurança. 64

RESPOSTA - C

COMENTÁRIOS

A analogia é permitida para beneficiar o réu, sendo vedada apenas para prejudicar.

36 - Acerca das leis penais extravagantes, analise as afirmativas a seguir, marque V para
as verdadeiras e F para as falsas.

( ) Nos termos da Lei nº 12.850/2013, considera-se organização criminosa a associação de


4 (quatro) ou mais pessoas estruturalmente ordenada e caracterizada pela divisão de
tarefas, ainda que informalmente, com objetivo de obter, direta ou indiretamente,
vantagem de qualquer natureza, mediante a prática de infrações penais cujas penas
máximas sejam superiores a 4 (quatro) anos, ou que sejam de caráter transnacional.
( ) Nos termos da Lei nº 8.137/90, que define os crimes contra a ordem tributária,
econômica e as relações de consumo, se os crimes funcionais, previstos no art. 3º (extraviar,
sonegar ou inutilizar livro oficial, processo fiscal ou qualquer documento), forem praticados
por servidor contra a administração tributária, a pena imposta aumentará de um terço até
a metade.
( ) Nos termos da Lei nº 9.455/97, constitui crime de tortura constranger alguém com
emprego de violência ou grave ameaça, causando-lhe sofrimento físico ou mental, em razão
de discriminação racial, sexual ou religiosa.
( ) Nos termos da Lei nº 8.072/90, considera-se hediondo o crime de posse ou porte ilegal
de arma de fogo de uso restrito, previsto no art. 16 da Lei nº 10.826, de 22 de dezembro de
2003.
A sequência está correta em 65
A) V, F, F, V.
B) V, V, F, F.
C) F, V, V, F.
D) F, F, V, V.

RESPOSTA - A

COMENTÁRIOS

Não o art. 3º Art. 12. São circunstâncias que podem agravar de 1/3 (um terço) até a metade
as penas previstas nos arts. 1°, 2° e 4° a 7°.

Somente racial e religiosa. Sexual não. Princípio da legalidade.


ASSERTIVA I TRATADA NA AULA DE VÉSPERA.

37 - Fulano, querendo matar Beltrano, efetua um disparo de revólver contra este, mas
erra o alvo, vindo a atingir Sicrano, ferindo este último levemente no braço. Nessa
situação hipotética, conforme legislação aplicável ao caso, Fulano deverá responder por

A) homicídio tentado contra Sicrano.


B) homicídio tentado contra Beltrano.
C) lesões corporais leves contra Sicrano.
D) lesões corporais culposas contra Sicrano.

66
RESPOSTA - B

COMENTÁRIOS

Vítima virtual. Art 73 CP.

TEMA TRATADO EXPRESSAMENTE NA AULA DE VÉSPERA.

38 - Sobre os crimes da Parte Especial do Código Penal, analise as afirmativas a seguir,


marque V para as verdadeiras e F para as falsas.

( ) O “aborto com consentimento” da gestante constitui exceção à teoria monística adotada


pelo Código Penal.
( ) Sob a mesma rubrica, o legislador tipificou dois modelos distintos de lesão corporal: a
grave e a gravíssima. Segundo o Código Penal, a perda ou inutilização de membro, sentido
ou função, devidamente atestada em laudo pericial, é classificada como lesão grave.
( ) O crime de perigo de contágio venéreo se consuma com a prática da relação sexual ou
de ato libidinoso, independentemente do efetivo contágio que, se ocorrer, será simples
exaurimento do delito.
( ) No crime de difamação, não é admitida a exceção da verdade.
A sequência está correta em
A) V, F, F, V.
B) F, V, V, F.
C) V, F, V, F.
D) F, V, V, V.

67
RESPOSTA - C

COMENTÁRIOS

Devidamente atestada em laudo pericial não é elementar típica.

Admite-se a exceção da verdade quando a difamação for contra funcionário público.

Art. 139 - Exceção da verdade

Parágrafo único - A exceção da verdade somente se admite se o ofendido é funcionário


público e a ofensa é relativa ao exercício de suas funções.

ASSERTIVA I TRATADA NA AULA DE VÉSPERA.


39 - “A e B, imputáveis, resolvem cometer um roubo em um estabelecimento comercial
na companhia do menor M, mediante emprego de um revólver eficaz e completamente
municiado. Na ocasião programada, A conduz os demais comparsas e estaciona em local
estratégico próximo ao estabelecimento comercial para facilitar a fuga e dificultar que
testemunhas anotem a placa do veículo. B e M descem do veículo, entram no
estabelecimento comercial perto do horário do encerramento e anunciam o assalto. A
vítima V reage e entra em luta corporal com os agentes. Para pôr fim à briga, M efetua
três disparos de arma de fogo e foge, em seguida, na companhia de B sem nada subtrair
do estabelecimento comercial. V morre em função dos disparos de arma de fogo que lhe
atingiram. B e M entram rapidamente no veículo conduzido por A, que empreende rápida
fuga do local.” Sobre a punibilidade de A, assinale a alternativa correta.

A) A responde por latrocínio consumado em concurso formal com corrupção de menor, sem
incidência da causa de diminuição de pena da participação de menor importância.
B) A responde por roubo majorado pelo concurso de agentes e pelo emprego de arma de 68
fogo em concurso formal com corrupção de menor, já que houve um excesso por parte do
menor M em relação ao plano inicial, excesso que não deve ser imputado a A.
C) A responde por roubo majorado pelo concurso de agentes e pelo emprego de arma de
fogo, com a incidência da causa de diminuição de pena prevista no art. 29, §1°, do Código
Penal, em função da participação de menor importância, em concurso material com
corrupção de menor.
D) A responde por latrocínio tentado (artigo 157, §3°, parte final, combinado com artigo 14,
inciso II, ambos do Código Penal) em concurso material com corrupção de menor, na
medida em que não houve a consumação do crime de latrocínio em virtude de não ter
havido a subtração de coisa alheia móvel.

RESPOSTA - A

COMENTÁRIOS
“A” tinha ciência do emprego de arma para a prática do crime de roubo e as consequências
posteriores que ocorreram eram previsíveis a ele, de forma que não se fala em participação
de menor importância.

40 - Fulano, conhecido nos meios policiais pela prática de crimes contra o patrimônio,
decidiu abandonar temporariamente suas atividades delituosas após conhecer Beltrana,
por quem se apaixonara. A moça, no entanto, conhecendo a má fama de Fulano, o
rejeitou. Magoado, Fulano decidiu se vingar e, durante uma festa na casa de amigos em
comum, colocou sonífero na bebida de Beltrana. Tão logo ela caiu no sono, Fulano a levou
para um dos quartos e, aproveitando-se de que ninguém o observava, subtraiu todas as
roupas de Beltrana, deixando-a nua, além de pilhar dinheiro e documentos que ela levava
em sua bolsa. Em seguida, ele evadiu da festa, levando consigo todos os bens subtraídos.
Nessa situação hipotética, conforme legislação aplicável ao caso, o Fulano pratica crime
de 69
A) roubo próprio.
B) roubo impróprio.
C) furto simples consumado.
D) furto qualificado pelo abuso de confiança.

RESPOSTA – A

COMENTÁRIOS

Parte final do art. 157 do CP.

Art. 157 - Subtrair coisa móvel alheia, para si ou para outrem, mediante grave ameaça ou
violência a pessoa, ou depois de havê-la, por qualquer meio, reduzido à impossibilidade
de resistência.
6. DIREITO PROCESSUAL PENAL

(Professor Vinícius Reis)

41 - Analise as afirmativas a seguir.

I. Segundo o Código de Processo Penal, a “emendatio libelli” exige que seja assegurada ao
acusado vista sobre a possível modificação da classificação jurídica do fato, para incidência
de crime mais gravemente apenado.

II. “Y” foi denunciado por tentativa de furto simples. Encerrada a instrução, a prova coligida
aponta para a prática de furto qualificado consumado, a exigir a providência do art. 384 do
CPP (“mutatio libelli”). O Promotor de Justiça oficiante recusou-se a aditar a denúncia e,
remetidos os autos ao Procurador Geral de Justiça, este avalizou a recusa.

Neste caso, nada restará ao magistrado fazer, a não ser proferir sentença pelo crime
constante da inicial. 70
III. No caso de “mutatio libelli”, não procedendo o órgão do Ministério Público ao
aditamento, o assistente de acusação poderá fazê-lo, no prazo de 5 (cinco) dias, ficando o
Juiz, na sentença, adstrito aos termos do aditamento.

IV. É admissível a “mutatio libelli” em segundo grau de jurisdição.

Assinale a alternativa correta.

A) Todas as afirmativas estão incorretas.

B) A afirmativa II está integralmente correta e as afirmativas I, III e IV estão incorretas.

C) As afirmativas I, II e III estão integralmente corretas, mas a afirmativa IV está incorreta.

D) As afirmativas I e II estão integralmente corretas e as afirmativas III e IV estão incorretas.

RESPOSTA: B
COMENTÁRIOS

I – INCORRETA

O juiz pode aplicar a emendatio de ofício, conforme regra do art. 383 do CPP.

II – CORRETA

Se o MP optar por não aditar, o juiz deve julgar o fato conforme descrito na denúncia, pois
não pode realizar mutatio de ofício.

III – INCORRETA

O assistente de acusação não tem legitimidade para realizar aditamento.

IV – INCORRETA
Não cabe mutatio libelli em segundo grau de jurisdição, conforme a Súmula 453 do STF.
71
QUESTÃO AMPLAMENTE ABORDADA NO AULÃO DE VÉSPERA.

42 - A, nascido em 07/02/1963, foi denunciado pelo Ministério Público em 08/01/1993


como incurso no art. 121, § 2º, IV, do Código Penal, por fato ocorrido em 02/07/1992. A
denúncia foi recebida em 02/02/1994. O réu foi citado por edital e não compareceu ao
ato designado para o interrogatório. O processo prosseguiu. O réu foi pronunciado nos
termos da denúncia em 15/12/1998. O processo foi suspenso, porque o réu não foi
encontrado para ser intimado pessoalmente da pronúncia. Entrou em vigor a Lei nº
11.689, de 9 de junho de 2008, que criou a possibilidade da intimação da pronúncia por
edital. Com referência a essa situação hipotética, de acordo com a Jurisprudência do
Superior Tribunal de Justiça, assinale a opção correta.
A) O Juiz não deverá determinar a intimação do réu por edital sobre a decisão de pronúncia.
O processo deverá permanecer suspenso até a captura do réu, se houver decreto de prisão
preventiva, ou até o advento da prescrição da pretensão punitiva estatal, previsto para
dezembro de 2018.

B) O Juiz deverá determinar a intimação do réu, nos termos do art. 420, parágrafo único, do
CPP, alterado pela Lei nº 11.689/2008, em observância ao princípio “tempus regit actum”,
não tendo se operado a prescrição da pretensão punitiva estatal, pelo fato de o processo
ter sido suspenso após a decisão de pronúncia.

C) O Juiz deverá extinguir a punibilidade do réu, com fundamento no art. 107, IV, do Código
Penal, porque transcorrido lapso temporal superior a 20 (vinte) anos entre a data do
recebimento da denúncia e a presente data (02/09/2018), operando-se a prescrição da
pretensão punitiva estatal pela pena máxima abstrata cominada ao crime de homicídio.

D) O Juiz deverá determinar a intimação do réu, nos termos do art. 420, parágrafo único,
do CPP, alterado pela Lei nº 11.689/2008 – que permite a intimação por edital do réu solto 72
que não for encontrado –, e, uma vez preclusa a decisão de pronúncia, também deverá
aplicar o art. 457, do CPP, alterado pela Lei nº 11.689/2008 – que deixou de exigir a presença
do acusado na sessão plenária para que esta se realize – por se tratarem de normas de
natureza processual, incidindo de forma imediata sobre os atos processuais pendentes.

RESPOSTA: A

Precedentes do STJ – HC 253.263, Resp 1251526, HC 357696).

COMENTÁRIOS

A – CORRETA
Conforme o entendimento do STJ, a intimação por edital prevista no art. 420 do CPP só é
cabível para o réu que foi citado pessoalmente, mas não para o réu citado por edital, que
não sabe da existência da ação penal. O crime prescreve em 20 anos, tendo-se como termo
inicial a decisão de pronúncia (marco interruptivo da prescrição).

B – INCORRETA
O STJ não admite intimação por edital para réu que foi citado somente por edital.

C – INCORRETA
Tal assertiva não considerou os marcos interruptivos para efeito de contagem da prescrição.

D – INCORRETA
O STJ não admite intimação por edital para réu que foi citado somente por edital.

43 - No tocante aos procedimentos atinentes aos crimes de competência do Tribunal do 73


Júri, analise as afirmativas a seguir.

I. Os jurados poderão formular diretamente perguntas ao ofendido e às testemunhas.

II. Durante a sessão de julgamento não é permitida a leitura de documento ou a exibição de


objeto que não tiver sido juntado aos autos com a antecedência mínima de 3 (três) dias
úteis, dando-se ciência à outra parte.

III. O desaforamento pode ser requerido se o interesse da ordem pública o reclamar ou se


houver dúvida sobre a imparcialidade do júri ou a segurança pessoal do acusado e, ainda,
em razão do comprovado excesso de serviço.

IV. O Juiz, na fase do sumário da culpa, absolverá desde logo o acusado, quando provada a
inexistência do fato; provado não ser ele autor ou partícipe do fato; o fato não constituir
infração penal; demonstrada a inimputabilidade prevista no caput do art. 26 do Decreto-Lei
nº 2.848/1940, não sendo está a única tese defensiva.

De acordo com o Código Processual Penal, estão corretas apenas as afirmativas.


A) I e II.

B) II e III.

C) III e IV.

D) I, III e IV.

RESPOSTA: B

COMENTÁRIOS

I – Falsa. As perguntas dos jurados são feitas por intermédio do juiz. Art. 474 do CPP.

II – Verdadeiro. Art. 479 do CPP.

III – Verdadeira. Arts. 427 e 428 do CPP.

IV – Falsa. O juiz só pode absolver sumariamente pela inimputabilidade se esta for a única 74
tese defensiva.

44 - De acordo com o Código de Processo Penal, quando trata da prisão, das medidas
cautelares e da liberdade provisória, analise as afirmativas a seguir, marque V para as
verdadeiras e F para as falsas.

( ) A liberdade provisória com fiança pode ser concedida independentemente de oitiva do


Ministério Público.

( ) Em caso de descumprimento de qualquer das medidas cautelares impostas, o Juiz


deverá decretar imediatamente a prisão preventiva.

( ) O Juiz não poderá decretar a prisão preventiva do investigado de ofício, durante a fase
inquisitiva, sendo necessário, para tanto, requerimento do Ministério Público, do
querelante ou de seu assistente, ou, ainda, representação da autoridade policial.
( ) O Juiz poderá substituir a prisão preventiva pela domiciliar quando o agente for maior
de 80 (oitenta) anos.

A sequência está correta em

A) V, F, V, F.

B) F, V, F, F.

C) F, F, V, V.

D) V, F, V, V.

RESPOSTA: D

QUESTÃO PASSÍVEL DE ANULAÇÃO. O gabarito veio como como D, mas na verdade não
há resposta correta.

75
A QUESTÃO FOI ABORDADA NO AULÃO DE VÉSPERA EXPRESSAMENTE QUANTO À PRISÃO
DOMICILIAR.

COMENTÁRIOS

I – VERDADEIRA

a concessão de liberdade provisória com fiança não exige manifestação do MP.

II – FALSA

a decretação da preventiva é apenas uma das alternativas do juiz e deve ser utilizada
somente em último caso. O juiz deve dar prioridade a outras duas medidas, como substituir
uma medida por outra ou impor outra em cumulação. (art. 282, §4º do CPP).

III – FALSA

não existe querelante nem assistente na fase de inquérito policial.


IV – VERDADEIRA

uma das hipóteses de prisão domiciliar segundo art. 318 é para maior de 80 anos.

45 - O item sobre a homologação da colaboração premiada foi abordado expressamente


no aulão de véspera.

Analise as afirmativas a seguir, marque V para as verdadeiras e F para as falsas.

( ) Segundo a Lei nº 13.431/2017, que estabelece o sistema de garantia de direitos da


criança e do adolescente vítima ou testemunha de violência, o depoimento especial reger-
se-á por protocolos e será realizado uma única vez em sede de produção antecipada de 76
prova judicial, garantida a ampla defesa do investigado, sendo vedada a tomada de novo
depoimento especial, salvo quando houver pedido expresso do Ministério Público ou da
defesa do acusado.

( ) Segundo a Lei nº 12.850/2013, que define organização criminosa e dispõe sobre a


investigação criminal, os meios de obtenção da prova, infrações penais correlatas e o
procedimento criminal, realizado o acordo de colaboração, será remetido ao Juiz para
homologação, o qual deverá verificar sua regularidade, legalidade e voluntariedade,
podendo recusar homologação à proposta que não atender aos requisitos legais, ou
adequá-la ao caso concreto.

( ) Segundo a Lei nº 7.960/1989, que regula a prisão temporária, esta possui caráter
cautelar voltado à investigação policial, não podendo ser decretada ou subsistir se já houver
processo ou tiver sido oferecida a denúncia.

( ) Segundo a Lei nº 11.340/2006, constatada a prática de violência doméstica e familiar


contra a mulher, o Juiz poderá aplicar, de imediato, ao agressor, em conjunto ou
separadamente, as seguintes medidas protetivas de urgência, dentre outras: suspensão da
posse ou restrição do porte de armas, com comunicação ao órgão competente; restrição
ou suspensão de visitas aos dependentes menores, ouvida a equipe de atendimento
multidisciplinar ou serviço similar; prestação de alimentos provisionais ou provisórios.

A sequência está correta em

A) V, F, V, F.

B) F, V, F, V.

C) F, V, V, V.

D) V, F, V, V.

RESPOSTA: C

COMENTÁRIOS 77
I – FALSA

em contrariedade com o art. 11, § 2º da lei 13.431/17 que dispõe que “não será admitida
a tomada de novo depoimento especial, salvo quando justificada a sua imprescindibilidade
pela autoridade competente e houver a concordância da vítima ou da testemunha, ou de
seu representante legal”.

II – VERDADEIRA

conforme o art. 4º, §7º da lei 12.850/13.

III – VERDADEIRA

pois só cabe prisão temporária na fase de investigação policial, tornando-se ilegal a


temporária quando iniciada a ação penal (art. 1º, lei 7960/89)

IV – VERDADEIRA

conforme o art. 22 da lei 11.340/06.


46 - Em relação à competência no processo penal, analise as afirmativas a seguir, marque
V para as verdadeiras e F para as falsas.

( ) Na determinação da competência por conexão ou continência, havendo concurso de


jurisdições da mesma categoria, prepondera a do lugar da infração a qual for cominada a
pena mais grave.

( ) A competência será determinada pelo domicílio ou residência da vítima quando o lugar


da infração for desconhecido.

( ) A competência para processar e julgar o crime de uso de documento falso é firmada em


razão da entidade ou órgão ao qual foi apresentado o documento público, não importando
a qualificação do órgão expedidor.

( ) A competência do Juizado será determinada pelo lugar em que foi praticada a infração
78
penal.

( ) A competência será determinada pela continência nas hipóteses de concurso formal,


erro na execução e resultado diverso do pretendido.

A sequência está correta em

A) V, F, V, F, F.

B) F, V, F, F, V.

C) F, F, V, V, F.

D) V, F, V, V, V.

RESPOSTA: D
COMENTÁRIOS

I – VERDADEIRA

conforme a regra do art. 78, II, “a” do CPP.

II – VERDADEIRA

pois não existe no processo penal brasileiro competência fixada pelo domicílio da vítima.

III – VERDADEIRA

conforme jurisprudência do STJ em vários precedentes.

IV – VERDADEIRA

conforme regra do art. 63 da lei 9099/95.

V – VERDADEIRA

conforme regra do art. 77, II do CPP. 79

47 - Sobre as nulidades no processo penal, analise as afirmativas a seguir, marque V para


as verdadeiras e F para as falsas.

( ) O Juiz poderá, ao proferir sentença condenatória, aplicar a agravante da reincidência,


ainda que ela não tenha sido descrita na denúncia, não configurando ofensa ao princípio da
correlação.

( ) A ausência de quesito obrigatório nos julgamentos do Tribunal do Júri é causa de


nulidade absoluta.

( ) A ausência de intimação do denunciado para oferecer contrarrazões ao recurso


interposto da rejeição da denúncia constitui mera irregularidade sanável pela nomeação de
defensor dativo.
( ) A nulidade decorrente da citação, por edital, de réu preso só será verificada se o
denunciado estiver custodiado no mesmo estado em que atuar o Juiz processante.

A sequência está correta em

A) V, V, F, V.

B) F, V, F, F.

C) F, F, V, V.

D) V, F, V, F.

RESPOSTA: A

COMENTÁRIOS
80
I – CORRETA

conforme o art. 385 do CPP.

II – CORRETA

conforme a Súmula 156 do STF.

III – ERRADA

pois conforme a Súmula 707 do STF, há nulidade absoluta.

IV- CORRETA
conforme a Súmula 351 do STF.

48 - A questão foi expressamente comentada no aulão de véspera, quanto à suspensão


do prazo para oferecimento da denúncia, no caso de organizações criminosas.
No tocante aos procedimentos da lei processual penal e de leis extravagantes, analise as
afirmativas a seguir.

I. No procedimento relativo à execução das medidas socioeducativas, será adotado o


sistema recursal do Código de Processo Civil, não se exigindo, contudo, a realização de
preparo para a interposição dos recursos, cujo prazo para o Ministério Público e para a
defesa, salvo nos embargos de declaração, será sempre de 10 (dez) dias.

II. No procedimento relativo às infrações penais da lei de organização criminosa, o prazo


para oferecimento de denúncia ou o processo, referentes ao colaborador, poderá ser
suspenso por até 06 (seis) meses, prorrogáveis por igual período, até que sejam cumpridas
as medidas de colaboração, suspendendo-se o respectivo prazo prescricional.

III. No procedimento dos Juizados Especiais Criminais, caberá a oposição de embargos de


declaração quando, em sentença ou acórdão, houver obscuridade, contradição ou omissão,
no prazo de 02 (dois) dias, contados da ciência da decisão.
81
IV. No procedimento da lei antidrogas, após o oferecimento da denúncia, deverá o Juiz
imediatamente recebê-la ou rejeitá-la. No caso de recebimento, deverá determinar a
intimação do réu para apresentação de defesa prévia.

Está(ão) correta(s) apenas a(s) afirmativas

A) III.

B) I e II.

C) II e IV.

D) I, III e IV.

RESPOSTA: B

COMENTÁRIOS
I – VERDADEIRA

conforme o art. 198 do ECA.

II – VERDADEIRA

conforme o art. 4, §3º da lei 12.850/13.

III – FALSA

conforme o art. 83, §1º, que prevê embargos de declaração no juizado no prazo de 5 dias.

IV – FALSA
pois após o oferecimento da denúncia, deverá o juiz notificar o réu para oferecer defesa
prévia no prazo de 10 dias, conforme o art. 54, §3º da lei 11.343/06. O recebimento da
denúncia só ocorre após a apresentação de defesa prévia.

82
49 - Sobre as provas no processo penal, analise as afirmativas.

I. A serendipidade tem sido admitida em julgamentos recentes do Superior Tribunal de


Justiça envolvendo provas obtidas mediante interceptação telefônica judicialmente
autorizada, não gerando irregularidade do inquérito policial, tampouco ilegalidade na ação
penal.

II. Nos termos da Lei nº 12.850/2013, são permitidos, dentre outros, os seguintes meios de
obtenção da prova: colaboração premiada; ação controlada; interceptação de
comunicações telefônicas e telemáticas; cooperação jurídica internacional, desde que as
provas obtidas tenham como parâmetro de validade a lei do local onde foram produzidas e
o meio de sua obtenção não ofenda a ordem pública, a soberania nacional e os bons
costumes brasileiros.
III. Nos crimes de violência doméstica são admitidos como meios de prova os laudos ou
prontuários médicos fornecidos por hospitais e postos de saúde, sendo prescindível a
realização do exame de corpo de delito para fins de comprovar a materialidade delitiva.

IV. Nos crimes relacionados ao tráfico de pessoas, o membro do Ministério Público ou o


delegado de polícia poderá requisitar, independentemente de autorização judicial, às
empresas prestadoras de serviço de telecomunicações e/ou telemática que disponibilizem
imediatamente os meios técnicos adequados que permitam a localização da vítima ou dos
suspeitos do delito em curso.

V. Nos termos do Código de Processo Penal, considera-se vestígio a circunstância conhecida


e provada, que, tendo relação com o fato, autorize, por indução, concluir-se a existência de
outra ou outras circunstâncias.

Estão corretas apenas as afirmativas

A) I e III.
83
B) II e IV.

C) I, IV e V.

D) I, II, III e V.

RESPOSTA : A

PASSÍVEL DE RECURSO – VIDE COMENTÁRIOS ABAIXO.

COMENTÁRIOS

I – VERDADEIRA
A serendipidade (encontro fortuito de provas) tem sido utilizada em casos de interceptação
telefônica, sendo considerada como procedimento legal, sem ensejar nulidade no inquérito
ou ação penal, segundo a jurisprudência do STJ.

II – FALSA

Pois não há previsão de cooperação internacional na lei 12.850/13.

III - VERDADEIRA

Com base no art. 12, §3º da lei 11.340/06. Porém entendemos ser passível de recurso, pois
o fato de a lei dispor que serão admitidos como meios de prova os laudos ou prontuários
médicos fornecidos por hospitais e postos de saúde não exclui a necessidade do exame de
corpo de delito para a demonstração da materialidade.
84
IV – FALSA

A requisição depende de autorização judicial, conforme o art. 13-B do CPP.

V – FALSA

o conceito formulado foi o de indício e não de vestígio (art. 239 do CPP).

50 - Considerando as disposições do Código de Processo Penal, analise as afirmativas a


seguir.
I. Nos crimes de competência do Tribunal do Júri, ou do Juiz singular, se da sentença não
for interposta apelação pelo Ministério Público no prazo legal, o ofendido, ainda que não
se tenha habilitado como assistente, poderá interpor apelação.

II. Da decisão que denegar a apelação ou julgá-la deserta é cabível carta testemunhável,
que será requerida ao diretor de secretaria ou ao secretário do tribunal, conforme o caso,
nas 48 (quarenta e oito) horas seguintes, devendo o requerente indicar as peças do
processo que deverão ser trasladadas.

III. O Código de Processo Penal não prevê expressamente a legitimidade do Ministério


Público para impetração de habeas corpus, sendo esta decorrente de sua atuação como
custos legis.

IV. A falta ou a nulidade da citação fica sanada quando o réu comparece antes de o ato
consumar-se, mesmo que o faça, expressamente, para o único fim de arguir a falta ou a
nulidade.
85
A partir da análise, conclui-se que está(ão) correta(s) a(s) afirmativa(s)

A) I, II, III e IV.

B) I, apenas.

C) III, apenas.

D) I e IV, apenas.

RESPOSTA : D
COMENTÁRIOS

I - VERDADEIRA

Conforme o art. 598 do CPP.


II – FALSA

Pois cabe RESE (art. 581, XV do PP).

III – FALSA

Em razão do art. 577 do CPP, que prevê legitimidade recursal do Ministério Público. O
habeas corpus está no título referente aos recursos, embora seja uma ação autônoma de
impugnação. A legitimidade recursal do MP para recorrer se estende à impetração de HC.

IV – VERDADEIRA

Conforme a regra do art. 570 do CPP.

86
7. DIREITO CONSTITUCIONAL

(Professora Flávia Martins)

51. Avalie as seguintes asserções e a relação proposta entre elas.

I. “Após dois anos de exercício, os juízes estaduais togados de 1º grau de jurisdição não
mais poderão ser removidos, tanto pelo CNJ quanto pelo tribunal a que estiver
vinculado.”

PORQUE

II. “Passam a contar com a garantia funcional da inamovibilidade.”

A respeito dessas asserções, assinale a alternativa correta.

A) A segunda afirmativa é falsa e a primeira verdadeira.

B) A primeira afirmativa é falsa e a segunda é verdadeira. 87


C) As duas afirmativas são verdadeiras e a segunda justifica a primeira.

D) As duas afirmativas são verdadeiras, mas a segunda não justifica a primeira.

RESPOSTA – B

NÃO OBSTANTE, A INAMOVIBILIDADE NÃO EXIGE DOIS ANOS DE EXERCÍCIO, REFERÊNCIA


FEITA À FRASE ANTERIOR PARA QUE A ALTERNATIVA FAÇA SENTIDO, O QUE TORNARIA A
ASSERTIVA INCORRETA, SENDO, PORTANTO, PASSÍVEL DE ANULAÇÃO.

COMENTÁRIOS

I – FALSA
Conforme CF, Art. 95. Os juízes gozam das seguintes garantias: II - inamovibilidade, salvo
por motivo de interesse público, na forma do art. 93, VIII (Art. 93, VIII o ato de remoção,
disponibilidade e aposentadoria do magistrado, por interesse público, fundar-se-á em
decisão por voto da maioria absoluta do respectivo tribunal ou do Conselho Nacional de
Justiça, assegurada ampla defesa).

II – VERDADEIRA
Em razão do mesmo art. 95, II, da CF, os juízes gozam de inamovibilidade, inclusive os juízes
substitutos, conforme entendimento do STF no MS 27.958.

52. Avalie as seguintes asserções e a relação proposta entre elas.

I. “NÃO é constitucional a lei municipal que impõe sanção mais gravosa que a constante
do Código de Trânsito Brasileiro.”
88
PORQUE

II. “É competência exclusiva da União legislar sobre trânsito e transporte.”

A respeito dessas asserções, assinale a alternativa correta.

A) A segunda afirmativa é falsa e a primeira verdadeira.

B) A primeira afirmativa é falsa e a segunda é verdadeira.

C) As duas afirmativas são verdadeiras e a segunda justifica a primeira.

D) As duas afirmativas são verdadeiras, mas a segunda não justifica a primeira.

RESPOSTA - A

COMENTÁRIOS
I – VERDADEIRA
Conforme entendimento do STF: “Há nesta Corte decisão específica sobre o tema no
sentido da inconstitucionalidade de norma municipal que impõe sanção mais gravosa que
a prevista no CTB, por extrapolar a competência legislativa suplementar do Município
expressa no art. 30, II, da CF. Neste sentido: ARE 638.574/ MG, rel. min. Gilmar Mendes,
DJE de 14-4-2011. Esta Corte possui ainda jurisprudência firmada no sentido de que
compete privativamente à União legislar sobre trânsito e transporte, impossibilitados os
Estados-membros e Municípios a legislar sobre a matéria enquanto não autorizados por lei
complementar. [ARE 639.496 RG, voto do rel. min. Cezar Peluso, j. 16-6-2011, P, DJE de 31-
8-2011, Tema 430.]

II – FALSA
Conforme CF, art. 22, I: “Art. 22. Compete privativamente à União legislar sobre:XI -
trânsito e transporte”.
89

53. Avalie as seguintes asserções e a relação proposta entre elas.

I. “A nossa Constituição não veda a retroatividade da lei, exceto da lei penal que não
beneficie o réu.”

PORQUE

II. “O princípio da irretroatividade da lei não é de Direito Constitucional, mas princípio


geral do Direito.”

A respeito dessas asserções, assinale a alternativa correta.

A) A segunda afirmativa é falsa e a primeira verdadeira.

B) A primeira afirmativa é falsa e a segunda é verdadeira.

C) As duas afirmativas são verdadeiras e a segunda justifica a primeira.


D) As duas afirmativas são verdadeiras, mas a segunda não justifica a primeira.

RESPOSTA - D

COMENTÁRIOS

I. VERDADEIRA
Conforme CF, art. 5º, XL – “a lei penal não retroagirá, salvo para beneficiar o réu”.
II. VERDADEIRO. Conforme LINDB, Art. 6º. “A Lei em vigor terá efeito imediato e geral,
respeitados o ato jurídico perfeito, o direito adquirido e a coisa julgada”.

54. Avalie as seguintes asserções e a relação proposta entre elas.


I. “Se a Câmara Municipal rejeitar o projeto da lei orçamentária anual, por capricho ou
espírito de vindita, o Juízo da Comarca pode, se provocado pelo chefe do Executivo do
90
Município, determinar, mediante liminar, à Câmara, que reabra a sessão e dê
continuidade ao exame e votação da matéria, e, ao Município, que adote a lei
orçamentária do ano anterior para manter a máquina administrativa em funcionamento,
enquanto aguarda a deliberação da Câmara.”
PORQUE
II. “A Constituição da República dispõe expressamente que a sessão legislativa não será
interrompida sem a aprovação do projeto de lei de diretrizes orçamentárias.”
A respeito dessas asserções, assinale a alternativa correta.
A) A segunda afirmativa é falsa e a primeira verdadeira.
B) A primeira afirmativa é falsa e a segunda é verdadeira.
C) As duas afirmativas são verdadeiras e a segunda justifica a primeira.
D) As duas afirmativas são verdadeiras, mas a segunda não justifica a primeira.

RESPOSTA - B
COMENTÁRIOS

I. FALSA
Não há tal previsão constitucional.

II. VERDEIRA
Conforme CF, Art. 57, § 2º “A sessão legislativa não será interrompida sem a aprovação do
projeto de lei de diretrizes orçamentárias”.

55. Avalie as seguintes asserções e a relação proposta entre elas.


I. “Os princípios fundamentais constituem os alicerces, a base, a fundação do edifício
jurídico constitucional, condição para que as demais normas assentem sobre a matriz
político-constitucional do Estado. Em nossa Constituição, o princípio republicano, não o
princípio democrático, alicerça a temática insculpida no art. 37, caput.” 91
PORQUE
II. “O princípio democrático é postulado do regime político e o princípio republicano é
postulado da forma de governo.”
A respeito dessas asserções, assinale a alternativa correta.
A) A segunda afirmativa é falsa e a primeira verdadeira.
B) A primeira afirmativa é falsa e a segunda é verdadeira.
C) As duas afirmativas são verdadeiras e a segunda justifica a primeira.
D) As duas afirmativas são verdadeiras, mas a segunda não justifica a primeira.

RESPOSTA - C
COMENTÁRIOS
I e II são verdadeiros e a segunda justifica a primeira, pois a democracia é inerente ao
regime político brasileiro, ao passo que a nossa forma de governo é a “república”, razão
pela qual a assertiva II se mostra verdadeira e justifica a primeira, na medida em que a forma
de gerir a coisa pública (forma de governo = república) impõe os limites constitucionais
previstos no art. 37 da CF.

56. Avalie as seguintes asserções e a relação proposta entre elas.


I. “De acordo com o art. 150, §7º, da CR, à luz da cláusula de restituição do excesso e
respectivo direito à restituição, é devido ao contribuinte passivo a diferença do pago a
mais no regime de substituição tributária para frente se a base de cálculo efetiva da
operação for inferior à que se concretize empiricamente no fato gerador presumido.”
PORQUE
II. “O modo de raciocinar ‘tipificante’ no campo do direito tributário não pode ignorar a
narrativa extraída da realidade do processo econômico.” 92
A respeito dessas asserções, assinale a alternativa correta.
A) A segunda afirmativa é falsa e a primeira verdadeira.
B) A primeira afirmativa é falsa e a segunda é verdadeira.
C) As duas afirmativas são verdadeiras e a segunda justifica a primeira.
D) As duas afirmativas são verdadeiras, mas a segunda não justifica a primeira.

RESPOSTA - D
COMENTÁRIOS

I. VERDADEIRA
Conforme entendimento do STF: “É devida a restituição da diferença do ICMS pago a mais
no regime de substituição tributária para frente se a base de cálculo efetiva da operação for
inferior à presumida. (...) De acordo com o art. 150, § 7º, in fine, da Constituição da
República, a cláusula de restituição do excesso e respectivo direito à restituição se aplicam
a todos os casos em que o fato gerador presumido não se concretize empiricamente da
forma como antecipadamente tributado. Altera-se parcialmente o precedente firmado na
ADI 1.851, de relatoria do ministro Ilmar Galvão, de modo que os efeitos jurídicos desse
novo entendimento orientam apenas os litígios judiciais futuros e os pendentes submetidos
à sistemática da repercussão geral. [RE 593.849, rel. min. Edson Fachin, j. 19-10-2016, P,
DJE de 5-4-2017, Tema 201.]”

II. VERDADEIRA
O direito tributário guarda estreita relação com o Direito Penal no que tange à necessária
“tipificação” da hipótese de incidência e do fato gerador, bem como em relação à
necessidade de lei para instituir tributos (Princípio da Legalidade). Da própria teoria do
direito advém a necessária observação da realidade para a “tipificação” tributária. Assim, a
assertiva encontra amparo na melhor doutrina, não sendo, entretanto, a justificativa da
primeira. 93

57. Avalie as seguintes asserções e a relação proposta entre elas.


I. “Segundo a corrente doutrinária majoritária, o chefe do executivo municipal pode
deixar de cumprir lei inconstitucional, desde que, por ato formal e expresso, declare a
inconstitucionalidade da norma.”
PORQUE
II. “No regime de sanção de nulidade, Executivo e Legislativo submetem-se ao princípio
da legalidade e usufruem da igual legitimidade para declarar a inconstitucionalidade.”
A respeito dessas asserções, assinale a alternativa correta.
A) A segunda afirmativa é falsa e a primeira verdadeira.
B) A primeira afirmativa é falsa e a segunda é verdadeira.
C) As duas afirmativas são verdadeiras e a segunda justifica a primeira.
D) As duas afirmativas são verdadeiras, mas a segunda não justifica a primeira.
RESPOSTA - C
COMENTÁRIOS

I e II são verdadeiras e a segunda justifica a primeira. Conforme entendimento do STF: “Em


nosso sistema jurídico, não se admite declaração de inconstitucionalidade de lei ou de ato
normativo com força de lei por lei ou por ato normativo com força de lei posteriores. O
controle de constitucionalidade da lei ou dos atos normativos é da competência exclusiva
do Poder Judiciário. Os Poderes Executivo e Legislativo, por sua chefia – e isso mesmo tem
sido questionado com o alargamento da legitimação ativa na ação direta de
inconstitucionalidade –, podem tão só determinar aos seus órgãos subordinados que
deixem de aplicar administrativamente as leis ou atos com força de lei que considerem
inconstitucionais. [ADI 221 MC, rel. min. Moreira Alves, j. 29-3-1990, P, DJ de 22-10-1993.]
94

58. Avalie as seguintes asserções e a relação proposta entre elas.


I. “Não ofende o preconizado pelo art. 100, 8º §, da Constituição da República – segundo
o qual é vedado o fracionamento, repartição ou quebra de valores da execução, para fins
de enquadramento – a execução individual de sentença condenatória genérica proferida
em ação coletiva que tem, como objeto, a tutela a direitos individuais homogêneos.”
PORQUE
II. “Na hipótese, a sentença de mérito limita-se à análise do núcleo dos direitos
controvertidos.”
A respeito dessas asserções, assinale a alternativa correta.
A) A segunda afirmativa é falsa e a primeira verdadeira.
B) A primeira afirmativa é falsa e a segunda é verdadeira.
C) As duas afirmativas são verdadeiras e a segunda justifica a primeira.
D) As duas afirmativas são verdadeiras, mas a segunda não justifica a primeira.
RESPOSTA - C
COMENTÁRIOS

I e II são verdadeiros e a segunda justifica a primeira. Conforme entendimento do STF:


“Não viola o art. 100, § 8º, da CF a execução individual de sentença condenatória genérica
proferida contra a Fazenda Pública em ação coletiva visando à tutela de direitos individuais
homogêneos. [ARE 925.754 RG, rel. min. Teori Zavascki, j. 17-12-2015, P, DJE de 3-2-2016,
Tema 873.]”

59. Avalie as seguintes asserções e a relação proposta entre elas.

I. “O juízo da Comarca é o competente para examinar mandado de segurança impetrado


contra o Presidente da Comissão Processante e o Presidente da Câmara, que decretou a 95
perda do mandato do Prefeito de Mutuca, Minas Gerais, por infração político-
administrativa.”
PORQUE
II. “Prefeitos são julgados originariamente pela 2ª instância, com eficácia ‘ex nunc’, nas
hipóteses de infração comum de natureza criminal, dos crimes dolosos contra a vida, dos
crimes impróprios de responsabilidade e dos crimes de desvio de verba federal
incorporada ao patrimônio municipal.”

A respeito dessas asserções, assinale a alternativa correta.


A) A segunda afirmativa é falsa e a primeira verdadeira.
B) A primeira afirmativa é falsa e a segunda é verdadeira.
C) As duas afirmativas são verdadeiras e a segunda justifica a primeira.
D) As duas afirmativas são verdadeiras, mas a segunda não justifica a primeira.
RESPOSTA - B
COMENTÁRIOS

I. FALSO e II. VERDADEIRO. Conforme entendimentos do STF: “A competência do tribunal


de justiça para julgar prefeitos restringe-se aos crimes de competência da Justiça comum
estadual; nos demais casos, a competência originária caberá ao respectivo tribunal de
segundo grau (Súmula 702); “Compete, exclusivamente, à câmara de vereadores, processar
e julgar o prefeito municipal nas infrações político-administrativas, assim definidas em
legislação emanada da União Federal, podendo impor, ao chefe do Executivo local,
observada a garantia constitucional do due process of law, a sanção de cassação de seu
mandato eletivo. (...) O tribunal de justiça do Estado, ressalvadas as hipóteses que se
incluem na esfera de atribuições jurisdicionais da Justiça Federal comum, da Justiça Militar
da União e da Justiça Eleitoral, dispõe de competência originária para processar e julgar os
prefeitos municipais nas infrações penais comuns. [ADI 687, rel. min. Celso de Mello, j. 2-2-
1995, P, DJ de 10-2-2006.]; “No ordenamento jurídico-brasileiro não existe a garantia do 96
duplo grau de jurisdição. A Constituição concede aos prefeitos foro especial por
prerrogativa de função. Determina que sejam julgados originariamente pelo Tribunal de
Justiça. [RHC 80.919, rel. min. Nelson Jobim, j. 12-6-2001, 2ª T, DJ de 14-9-2001.]

60. Avalie as seguintes asserções e a relação proposta entre elas.

I. “Salvo por vontade própria, por sentença judicial transitada em julgado, por
disponibilidade ou por aposentadoria compulsória, os juízes estaduais togados de 1º grau
não perdem a garantia funcional da vitaliciedade.”
PORQUE
II. “No tocante à auto-organização da magistratura, a Constituição da República não veda
o legislador estadual de legislar sobre as garantias institucionais do Poder Judiciário,
consubstanciadas na autonomia orgânico-administrativa e financeira preconizadas pela
‘Lex Mater’.”

A respeito dessas asserções, assinale a alternativa correta.


A) A segunda afirmativa é falsa e a primeira verdadeira.
B) A primeira afirmativa é falsa e a segunda é verdadeira.
C) As duas afirmativas são verdadeiras e a segunda justifica a primeira.
D) As duas afirmativas são verdadeiras, mas a segunda não justifica a primeira.

RESPOSTA - D
COMENTÁRIOS

Conforme entendimento do STF: “No que toca ao § 1º do art. 15, convém salientar que tal
dispositivo está em flagrante descompasso com a Carta Magna, visto que o CNJ, ao arrepio
desta, cria, mediante mero ato normativo, nova hipótese cautelar de afastamento de 97
magistrado. Qualquer restrição às garantias da inamovibilidade e da vitaliciedade exige a
promulgação de lei em sentido formal e material, sob pena de flagrante ofensa ao princípio
da legalidade e ao devido processo legal. [ADI 4.638 MC-REF, rel. min. Marco Aurélio, voto
do min. Ricardo Lewandowski, j. 8-2-2012, P, DJE de 30-10-2014.]. Nesse sentido, a LOMAN
assim estabelece: “Art. 26 - O magistrado vitalício somente perderá o cargo (vetado): I - em
ação penal por crime comum ou de responsabilidade; II - em procedimento administrativo
para a perda do cargo nas hipóteses seguintes: a) exercício, ainda que em disponibilidade,
de qualquer outra função, salvo um cargo de magistério superior, público ou particular; b)
recebimento, a qualquer título e sob qualquer pretexto, de percentagens ou custas nos
processos sujeitos a seu despacho e julgamento; c) exercício de atividade politico-
partidária”.
8. DIREITO ELEITORAL

(Professores Raul Cabús e Arnaldo Bruno Oliveira)

OBSERVAÇÃO: Após análise das questões da prova objetiva do TJ-MG, verificamos


que não há questão sujeita à anulação e também sujeitas à alteração de gabarito. Há
alternativas com base na lei seca, mas também em entendimentos jurisprudenciais e
doutrinários, conforme comentários adiante.

61 - Avalie as seguintes asserções e a relação proposta entre elas.

I. “Em caso de desistência da parte, o Ministério Público deve dar prosseguimento à ação,
sempre que estiver diante de fatos que possam comprometer a lisura do pleito.” PORQUE

II. “Em matéria de Direito Eleitoral, não é possível a utilização do termo de ajustamento
98
de conduta, previsto na Lei nº 7.347/85, eis que a Justiça Eleitoral não possui competência
para processar e julgar o TAC.”

A respeito dessas asserções, assinale a alternativa correta.

A) A segunda afirmativa é falsa e a primeira verdadeira.

B) A primeira afirmativa é falsa e a segunda é verdadeira.

C) As duas afirmativas são verdadeiras e a segunda justifica a primeira.

D) As duas afirmativas são verdadeiras, mas a segunda não justifica a primeira.

RESPOSTA - D
COMENTÁRIOS

I - VERDADEIRA

Diante do interesse público em apurar as irregularidades no processo eleitoral, cabe ao


Ministério Público assumir o polo ativo da ação.

Nesse sentido, TSE:

O Parquet eleitoral possui legitimidade para assumir a titularidade


recursal, nas hipóteses em que houver pedido de desistência por
parte do Agravante, ante o hibridismo ínsito ao processo eleitoral,
que tutela não apenas as pretensões subjetivas, mas também visa
salvaguardar interesses transindividuais, e.g. a higidez, a
normalidade e legitimidade do prélio. (TSE - Recurso Especial
Eleitoral nº 154666, Acórdão, Relator(a) Min. Luiz Fux, Publicação: 99
DJE - Diário de justiça eletrônico, Tomo 107, Data 02/06/2017,
Página 37/40)

II - VERDADEIRA

Lei nº 9.504/97

Art. 105-A. Em matéria eleitoral, não são aplicáveis os procedimentos previstos na Lei
no 7.347, de 24 de julho de 1985.

No mesmo sentido, o TSE:

Representação eleitoral. Descumprimento de termo de


ajustamento de conduta. 1. A realização de termos de ajustamento
de conduta previstos no art. 5º, § 6º, da Lei nº 7.347/85 não é
admitida para regular atos e comportamentos durante a
campanha eleitoral, consoante dispõe o art. 105-A da Lei nº
9.504/97. (...) (Recurso Especial Eleitoral nº 32231, Acórdão,
Relator(a) Min. Henrique Neves Da Silva, Publicação: DJE - Diário
30/05/2014, Página 60)

Os fundamentos dos itens não têm dependência entre si, por isso o item II não justifica o
item I.

62 - Avalie as seguintes asserções e a relação proposta entre elas.

I. “Para efeitos penais do Código Eleitoral, não são membros nem funcionários da Justiça
Eleitoral aqueles por esta requisitados.”

PORQUE

II. “O julgamento dos crimes eleitorais e dos comuns que lhe foram conexos, assim como 100
nos recursos e na execução que lhes digam respeito, aplicar-se-á, como lei supletiva ou
subsidiária, o Código de Processo Penal.”
A respeito dessas asserções, assinale a alternativa correta.

A) A segunda afirmativa é falsa e a primeira verdadeira.

B) A primeira afirmativa é falsa e a segunda é verdadeira.

C) As duas afirmativas são verdadeiras e a segunda justifica a primeira.

D) As duas afirmativas são verdadeiras, mas a segunda não justifica a primeira.

RESPOSTA DO GABARITO PRELIMINAR – D

RESPOSTA SUGERIDA PELO MEGE – B


COMENTÁRIOS

I - FALSA

CE

Art. 283. Para os efeitos penais são considerados membros e funcionários da Justiça
Eleitoral:

IV - Os funcionários requisitados pela Justiça Eleitoral.

II - VERDADEIRA

CE

Art. 364. No processo e julgamento dos crimes eleitorais e dos comuns que lhes forem
conexos, assim como nos recursos e na execução, que lhes digam respeito, aplicar-se-á,
como lei subsidiária ou supletiva, o Código de Processo Penal.
101

63 - Avalie as seguintes asserções e a relação proposta entre elas.

I. “Segundo o Código Eleitoral, a incoincidência entre o número de votantes e os votos


apurados constitui motivo de nulidade da votação, eis que faz exsurgir a presunção ‘jure et
de jure’ de fraude, a ser declarada ‘ex-officio’ pela autoridade judicial.”

PORQUE

II. “A nulidade será comunicada quando o órgão apurador conhecer do ato ou dos seus
efeitos e o encontrar provada, não lhe sendo lícito supri-la, ainda que haja consenso das
partes.”

A respeito dessas asserções, assinale a alternativa correta.

A) A segunda afirmativa é falsa e a primeira verdadeira.


B) A primeira afirmativa é falsa e a segunda é verdadeira.

C) As duas afirmativas são verdadeiras e a segunda justifica a primeira.

D) As duas afirmativas são verdadeiras, mas a segunda não justifica a primeira.

RESPOSTA - B

COMENTÁRIOS

I - FALSA

CE

Art. 166. Aberta a urna, a Junta verificará se o número de cédulas oficiais corresponde ao
de votantes.
§ 1º A incoincidência entre o número de votantes e o de cédulas oficiais encontradas na
102
urna não constituirá motivo de nulidade da votação, desde que não resulte de fraude
comprovada.

ITEM II - VERDADEIRA

CE

Art. 220. É nula a votação:


Parágrafo único. A nulidade será pronunciada quando o órgão apurador conhecer do ato
ou dos seus efeitos e o encontrar provada, não lhe sendo lícito supri-la, ainda que haja
consenso das partes.

64 - Avalie as seguintes asserções e a relação proposta entre elas.


I. “No primeiro grau de jurisdição a Justiça Eleitoral fica a cargo do Juiz de Direito designado
pelo Tribunal Regional Eleitoral (Resolução TSE 21.009/02).”

PORQUE

II. “A competência do Juiz Eleitoral está prevista no art. 35 do Código Eleitoral e no


tratamento ao tema conferidos pela Lei das Eleições e pela Lei das Inexigibilidades.”

A respeito dessas asserções, assinale a alternativa correta.

A) A segunda afirmativa é falsa e a primeira verdadeira.

B) A primeira afirmativa é falsa e a segunda é verdadeira.

C) As duas afirmativas são verdadeiras e a segunda justifica a primeira.

D) As duas afirmativas são verdadeiras, mas a segunda não justifica a primeira.

103
RESPOSTA - D

COMENTÁRIOS

I - VERDADEIRA

Na zona eleitoral que houver mais de uma vara da Justiça Comum, o TRE designará aquela
responsável pela competência eleitoral, que será exercida pelo período de 2 anos, salvo se
só houver um juízo de direito atuando no espaço correspondente à zona eleitoral, quando
esse será designado por tempo indeterminado.

II - VERDADEIRA
No tocante à competência dos Juízes Eleitorais, necessária a observância do art. 35 do CE.

Há de se mencionar, ainda, o poder de polícia apontado pela Lei das Eleições (Lei nº
9.504/97), a ser exercido pelos juízes eleitorais, no tocante à propaganda eleitoral. Essa Lei
das eleições também prevê a competências para processar e julgar reclamações ou
representações nas eleições municipais (art. 96, I), dentre outras.

A LC 64/90 também prevê a competência dos juízes eleitorais para conhecer e decidir as
argüições de inelegibilidade de candidato a Prefeito, Vice-Prefeito e Vereado (art. 2º,
parágrafo único, III), bem como para conhecer e processar, nas eleições municipais, a
representação prevista na Lc (art. 24).

Desse modo, o CE, em seu art. 35, atribui competências aos juízes eleitorais e a Lei das
Eleições e pela Lei das Inexigibilidades tratam sobre os temas.

Contudo, essas competências dos juízes eleitorais não justificam a atribuição dessa função
designada pelo TRE, por isso o item II não justifica o item I.
104
QUESTÃO ANTECIPADA NA RODADA DA RETA FINAL.

65 - Avalie as seguintes asserções e a relação proposta entre elas.

I. “O art. 14, §9º, da Constituição da República, que foi regulamentada com a promulgação
da Lei Complementar 64/90, a fim de resguardar a lisura e autenticidade do processo
político-eleitoral, preconiza a propositura da Ação de Investigação Judicial Eleitoral (AIJE),
a ser manejada por qualquer partido, coligação, candidato ou pelo Ministério Público.”

PORQUE

II. “O sistema democrático federativo republicano depende fundamentalmente da


probidade e da honestidade do candidato, valores jurídicos indispensáveis à eficácia
social da democracia representativa, razão pela qual a AIJE objetiva garantir a lisura do
certame, mediante a proteção ao eleitor.”

A respeito dessas asserções, assinale a alternativa correta.

A) A segunda afirmativa é falsa e a primeira verdadeira.

B) A primeira afirmativa é falsa e a segunda é verdadeira.

C) As duas afirmativas são verdadeiras e a segunda justifica a primeira.

D) As duas afirmativas são verdadeiras, mas a segunda não justifica a primeira.

RESPOSTA - A

QUESTÃO PASSÍVEL DE ANULAÇÃO.


105
COMENTÁRIOS

I - VERDADEIRA

O ART. 14, § 9º, da CF, atribui à LC competência dispor de mecanismos para proteger a
normalidade e legitimidade das eleições contra a influência do poder econômico ou o abuso
do exercício de função, cargo ou emprego na administração direta ou indireta.

E a LC 64/90, por sua vez, em seus arts. 19 e 22, trazem a AIJE com essa finalidade,
apontando, ainda, a competência para figurar no polo ativo a qualquer partido político,
coligação, candidato ou Ministério Público Eleitoral.

II - FALSA
Essa ação tem por fundamento impedir e apurar o abuso de poder econômico ou político e
utilização indevida dos meios de comunicação social, que possam afetar a igualdade dos
candidatos em uma eleição.

Assim, a AIJE busca proteger, em síntese, a legitimidade e a normalidade das eleições,


mediante a proteção dos candidatos que estejam concorrendo ao cargo eletivo.

Ressalta-se que o eleitor não tem legitimidade ativa para propor a AIJE.
A polêmica da questão fica por conta do termo “mediante proteção ao eleitor”, que deve
ter sido inserido pelo examinador para indução ao erro. Ressalta-se que não há esse objeto
imediato da AIJE, mas que poderia ser entendido pelo candidato como uma poteção
genérica ao eleitor. Desse modo, seria mais clara a posição do examinador caso este
destaca-se de forma cristalina se seria essa proteção ao eleitor o objeto imediato da AIJE,
razão pela qual se pode cogitar a possibilidade de recurso para a questão.

ASSUNTO ABORDADO NA AULA DE AÇÕES ELEITORAIS NA RETA FINAL DO TJ-MG.


106

66 - Avalie as seguintes asserções e a relação proposta entre elas.

I. “É absoluta, plena ou de eficácia total, e de aplicabilidade imediata, sem quaisquer


exceções, o princípio da anualidade ou anterioridade da lei eleitoral.”

PORQUE

II. “ O princípio foi pensado pelo constituinte com o propósito de impedir mudanças
repentinas, de última hora, no processo de escolha dos agentes políticos que emergem das
eleições.”

A respeito dessas asserções, assinale a alternativa correta.

A) A segunda afirmativa é falsa e a primeira verdadeira.


B) A primeira afirmativa é falsa e a segunda é verdadeira.

C) As duas afirmativas são verdadeiras e a segunda justifica a primeira.

D) As duas afirmativas são verdadeiras, mas a segunda não justifica a primeira.

RESPOSTA – B

COMENTÁRIOS

I - FALSA

Não tem eficácia absoluta. Se a alteração romper a igualdade de participação no processo


eleitoral, aplica-se o princípio da anualidade. Por outro lado, se tratar de normas
meramente instrumentais, que não interfiram no equilíbrio das eleições, não são
abrangidas pelo princípio em epígrafe 107

II - VERDADEIRA

Tal princípio visa proteger as “regras do jogo”, ou seja, evita que as normas referentes ao
processo eleitoral não sejam modificadas perto da disputa eleitoral e, com isso, preserva
tanto a igualdade de participação no pleito quanto a própria segurança jurídica.

QUESTÃO ABORDADA NA RODADA SOBRE PRINCÍPIOS ELEITORAIS NA RETA FINAL DO


TJMG.

67 - Avalie as seguintes asserções e a relação proposta entre elas.


I. “A natureza da sentença que cassa o registro ou o diploma, a teor do que dispõe o art. 41-
A da Lei nº 9.840/99, é constitutiva negativa.”

PORQUE

II. “Mesmo que o candidato representado não seja eleito, o feito deve prosseguir em razão
da possibilidade de se declarar a inelegibilidade do representado na hipótese de se julgar
procedente a representação.”

A respeito dessas asserções, assinale a alternativa correta.

A) A segunda afirmativa é falsa e a primeira verdadeira.

B) A primeira afirmativa é falsa e a segunda é verdadeira.

C) As duas afirmativas são verdadeiras e a segunda justifica a primeira.

D) As duas afirmativas são verdadeiras, mas a segunda não justifica a primeira.

108
RESPOSTA DO GABARITO RELIMINAR - A

RESPOSTA SUGERIDA PELO MEGE - D

COMENTÁRIOS

I - VERDADEIRA

O item se encontra correto porque sentença que cassa desconstitui o registro do candidato
ou diploma do candidato eleito.

II - VERDADEIRA

Esse item é polêmico.


Há autores que afirmam que a declaração de inelegibilidade apenas se perfaz possível, na
representação por captação ilícita de sufrágio, se houver a cassação do registro ou do
diploma, nos moldes do art. 1º, I, “j”, LC 64/90.

Nesse sentido, José Jairo Gomes (Direito Eleitoral. São Paulo: Atlas, 2011)

“Frise-se que, se o candidato -representado não for


eleito, ainda assim deve o feito prosseguir, haja vista a
possibilidade de aplicação da sanção de multa.
Impossível será, nesse caso, a incidência de
inelegibilidade, pois esta resulta da cassação de registro
ou diploma.”.

O TRE/MG já decidiu no sentido acima (TRE MG - RE - RECURSO ELEITORAL nº 37177


- Juvenília/MG, j. 02/10/2017, Relator(a) PAULO ROGÉRIO DE SOUZA ABRANTES), mas
também no sentido do item em questão. Veja. 109

Recurso. Representação. Captação ilícita de sufrágio.


Promessa de quitação de financiamentos habitacionais.
Procedência. Imposição de impedimento à diplomação.
Condenação em Multa. Declaração de inelegibilidade a
partir do trânsito em julgado. Eleições 201 2. Prefeito e
Vice-prefeito, não eleitos. PRELIMINAR. Carência
superveniente do interesse de agir. Inexistência da
perda de objeto da demanda, se há possibilidade de
haver cassação de registro de candidatos não eleitos,
bem como de aplicação de multa e de declaração de
inelegibilidade. Rejeitada. MÉRITO. Promessa feita a
membros de comunidade no sentido de quitar
financiamentos imobiliários com finalidade a obtenção
de votos. Provas firmes da ocorrência de captação ilícita
de sufrágio. Multa aplicada de for ma correta diante da
gravidade da conduta ilícita. Inelegibilidade decorrente
da Lei Complementar 64, de 18/5/1990 (art. 1º, I, j).
(TRE-MG - RE: 46914 MG , Relator: MAURÍCIO TORRES
SOARES, Data de Julgamento: 07/03/2013, Data de
Publicação: DJEMG - Diário de Justiça Eletrônico -TREMG,
Data 18/03/2013).

Assim, diante da divergência apontada, há possibilidade de se considerar correto o presente


item, porém esse não justifica o item I.

68 - Avalie as seguintes asserções e a relação proposta entre elas.


110
I. “Os partidos políticos e os candidatos podem arrecadar recursos oriundos da pessoa
física que exerça atividade comercial decorrente de permissão pública, desde que recurso
próprio do candidato aplicado em sua campanha.”

PORQUE

II. “Os recursos da pessoa física decorrentes de atividade comercial que usufrua de
permissão pública usados em prol de sua candidatura são recursos próprios.”
A respeito dessas asserções, assinale a alternativa correta.

A) A segunda afirmativa é falsa e a primeira verdadeira.

B) A primeira afirmativa é falsa e a segunda é verdadeira.

C) As duas afirmativas são verdadeiras e a segunda justifica a primeira.

D) As duas afirmativas são verdadeiras, mas a segunda não justifica a primeira.


RESPOSTA DO GABARITO PRELIMINAR - C

RESPOSTA SUGERIDA PELO MEGE - B

COMENTÁRIOS

I - FALSA

Este item é polêmico, uma vez que a parte final condiciona à assertiva ao recurso do próprio
candidato.

O TSE já decidiu que sócia ou acionista de outra empresa permissionária não configura
doação recebida de fonte vedada.

AGRAVO REGIMENTAL EM RECURSO ESPECIAL. ABUSO DE PODER.


CAPTAÇÃO ILÍCITA DE SUFRÁGIO E DE RECURSOS. ART. 24, INCISO 111
III, DA LEI Nº 9.504/97. INTERPRETAÇÃO RESTRITIVA. FONTE
VEDADA. AUSÊNCIA DE PROVAS. REEXAME. IMPOSSIBILIDADE.
FUNDAMENTOS NÃO AFASTADOS. ENUNCIADOS SUMULARES 83 E
182 DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA E 283 DO SUPREMO
TRIBUNAL FEDERAL. AGRAVO REGIMENTAL DESPROVIDO. 1. A
doação efetuada por sócia ou acionista de outra empresa
concessionária ou permissionária de serviço público não configura
doação recebida de fonte vedada. Precedentes. (TSE - Recurso
Especial Eleitoral nº 93653, Acórdão, Relator(a) Min. Maria Thereza
Rocha De Assis Moura, Publicação: DJE - Diário de justiça eletrônico,
Data 26/10/2015, Página 56-57)

Por outro lado, o TRE-MG já decidiu sobre a possibilidade de o próprio candidato


permissionário doar para sua campanha.
(...) Permissionário de serviço público. Taxista. Previsão do art. 24,
inciso III, da Lei nº 9.504/97 c/c o art. 25, III, da Resolução TSE nº
23.463/2015. Lacuna na interpretação da norma. Possibilidade da
doação do candidato-taxista para a sua própria campanha. Não
compromete a regularidade da movimentação financeira, nem o
efetivo controle por esta Especializada. Recurso a que se dá
provimento. (TRE-MG - RECURSO ELEITORAL nº 21348, Acórdão de
03/07/2017, Relator(a) RICARDO MATOS DE OLIVEIRA, Publicação:
DJEMG - Diário de Justiça Eletrônico-TREMG, Data 14/07/2017 )

Não obstante o candidato, como pessoa física permissionária, poder doar para sua
campanha, não condiciona apenas a esse caso. Ou seja, nada impede que uma pessoa física,
sócia ou acionista de permissionária, também possa doar para campanha eleitoral de um
determinado candidato.

Por isso, sugerimos a possibilidade de se considerar falso o presente item. 112

II - VERDADEIRA

Correto, uma vez que o recurso da pessoa física, ainda que decorrente de uma atividade
permissionária, é próprio.

69 - Avalie as seguintes asserções e a relação proposta entre elas.

I. “A Ação Penal nº 470, que apurou os fatos e julgou os parlamentares envolvidos no


episódio que ficou conhecido como ‘mensalão’, fez o disposto no art. 30-A da Lei nº
9.504/97 adquirir eficácia social sobre os acontecimentos relacionados à captação ilícita e
aos gastos ilícitos nas eleições.”

PORQUE
II. “A voz da sociedade brasileira, que reverbera nos Juízos e Tribunais, exigiu a incidência
concreta e regular da norma, que só tem efetividade quando há eficácia, ainda que, na
hipótese, a incidência demande a prova da desproporcionalidade dos meios ou a relevância
jurídica do ilícito praticado, não a potencialidade do dano à higidez e à moralidade nas
eleições.”

A respeito dessas asserções, assinale a alternativa correta.

A) A segunda afirmativa é falsa e a primeira verdadeira.

B) A primeira afirmativa é falsa e a segunda é verdadeira.

C) As duas afirmativas são verdadeiras e a segunda justifica a primeira.

D) As duas afirmativas são verdadeiras, mas a segunda não justifica a primeira.

RESPOSTA - C 113
COMENTÁRIOS

I - VERDADEIRA

Inegável a efetividade dada pelo julgamento em comento, frente ao disposto no art. 30-A
da Lei das Eleições.

II - VERDADEIRA

A captação ou gastos ilícitos de recursos, para fins eleitorais, deverá ser comprovada na
ação e, nesse caso, será negado diploma ao candidato, ou cassado, se já houver sido
outorgado.
Mesmo que comprovado a captação ou gastos ilícitos, esses devem possuir relevância
jurídica do ilícito, não bastando a simples potencialidade do dano em face do pleito,
conforme entendimento do TSE.

Essa relevância jurídica do ilícito se consubstancia na constatação da proporcionalidade da


conduta frente ao contexto da campanha eleitoral.

Só o fato de não ser necessário a potencialidade lesiva já aumenta as chances de aplicação


do disposto no art. 30-A da Lei das Eleições, trazendo uma maior eficácia social desse
dispositivo.

Por isso, esse item justifica o primeiro que, na prática, trouxe essa efetividade da norma.

70 - Avalie as seguintes asserções e a relação proposta entre elas.

I. “É cabível a propositura da Ação de Impugnação de Mandato Eletivo (AIME) na hipótese


114
de abuso de poder praticado por ato de viés econômico grave.”

PORQUE

II. “O abuso de poder político quebra o equilíbrio nas eleições, eis que ínsita à conduta vem
abuso de poder econômico, razão pela qual a Justiça Eleitoral, de forma tópica, deve
especificá-los, claramente, mediante parâmetros metrificados, para que a norma possa
transbordar o fosso entre a subsunção teórica e a faticidade.”

A respeito dessas asserções, assinale a alternativa correta.

A) A segunda afirmativa é falsa e a primeira verdadeira.

B) A primeira afirmativa é falsa e a segunda é verdadeira.

C) As duas afirmativas são verdadeiras e a segunda justifica a primeira.

D) As duas afirmativas são verdadeiras, mas a segunda não justifica a primeira.


RESPOSTA - A

COMENTÁRIOS

I - VERDADEIRA

A AIME deve ter prova constituída da potencialidade lesiva, isto é, a o abuso de poder
econômico, corrupção ou fraude deve ser grave ao ponto de macular a igualdade dos
candidatos no pleito.

II - FALSA

A Justiça Eleitoral não pode especificar, de forma fechada, os casos de abuso de poder. Tais
abusos devem ser verificados de acordo com o conjunto fático-probatório dos autos, em 115
atenção à igualdade da disputa e a legitimidade do pleito.

O TSE tem considerado, para sua averiguação, as provas dos autos. Veja o trecho do
seguinte julgado:

(...) AUSÊNCIA DE ABUSO DO PODER POLÍTICO PELA EDIÇÃO DAS


MPs 215/2013 (ALTERADA PELA MP 226/2014) E 225/2014 E DA LEI
10.231/2013. INEXISTÊNCIA DE PROVA. PRESUNÇÃO DE
LEGITIMIDADE DO ATO ADMINISTRATIVO. IMPOSSIBILIDADE DE
CONDENAÇÃO POR PRESUNÇÃO. RECURSO ORDINÁRIO A QUE SE
NEGA PROVIMENTO. (...) 18. Quanto à análise das MPs 215/2013 e
226/2014, sob o enfoque do abuso do poder político, entende-se
que não há prova suficiente para a caracterização do abuso, além
disso, na existência de dúvida acerca da finalidade eleitoral,
elemento essencial para a ocorrência do abuso do poder
econômico, milita em favor do gestor público a presunção de
legitimidade do ato administrativo. (...) A partir do conjunto
probatório dos autos, não é possível reconhecer, com grau de
certeza, a caracterização do abuso do poder político, além do que
o abuso de poder não pode ser presumido (AgR-RO 7972-04/SP,
Rel. Min. MARIA THEREZA DE ASSIS MOURA, DJe de 30.6.2016; AgR-
REspe 258-20/CE, Rel. Min. JOÃO OTÁVIO DE NORONHA, DJe de
2.9.2014) (...) 23. Os elementos trazidos aos autos afastam a
caracterização do abuso do poder político que tenha dado força
desproporcional à candidatura dos recorridos de forma a
comprometer a igualdade da disputa e a legitimidade do pleito.
Desse modo, à míngua de base empírica concreta, não merece
prosperar a irresignação pela edição das MPs 215/2013, 226/2014 116
e 225/2014 ou da Lei 10.231/2013.24. Recurso Ordinário a que se
nega provimento. (TSE - Recurso Ordinário nº 171821, Acórdão,
Relator(a) Min. Napoleão Nunes Maia Filho, Publicação:
28/06/2018, Página 29-32)

Portanto, o item é falso.

ITEM I ABORDADO NA AULA DE AÇÕES ELEITORAIS DA RETA FINAL DO TJ-MG.


9. DIREITO EMPRESARIAL

(Professor Jean Vilbert)

71 - Com relação aos contratos bancários, é correto afirmar que

A) o arrendamento mercantil é a locação caracterizada pela faculdade conferida ao


locatário de, ao seu término, optar pela compra do bem locado.
B) o contrato de abertura de crédito é contrato unilateral, pelo qual o banco põe
determinada quantia de dinheiro à disposição do cliente, que pagará juros e encargos,
independentemente de efetiva utilização dos recursos.
OBSERVAÇÃO: Os juros só serão pagos com a utilização do valor.

C) na modalidade de fomento mercantil denominada conventional factoring, a instituição


financeira faturizadora assume a obrigação de prestar serviços de administração do crédito 117
e de financiamento, sem oferecer o serviço de seguro.
OBSERVAÇÃO: “No conventional factoring (tradicional) = banco garante o pagamento das
faturas, antecipando o valor faturizado → administração de crédito + seguro +
financiamento”.

D) o mútuo bancário é um contrato real, que se aperfeiçoa com a celebração do ajuste entre
as partes, sendo possível cobrar do banco mutuante as obrigações contratuais
convencionadas, antes da entrega do dinheiro ao cliente mutuário.
“É contrato real, aperfeiçoando-se com a entrega dos valores ao mutuário.”

RESPOSTA - A
COMENTÁRIOS
Consta de nossa Rodada: “ARRENDAMENTO MERCANTIL: Locação caracterizada pela
faculdade conferida ao locatário de, ao final, optar (por ato unilateral) pela compra do bem
locado, amortizando-se os valores pagos a título de aluguel”.
O tema foi abordado na Rodada MEGE respetiva e na AULÃO DE REVISÃO. Quem viu, matou
a questão!

72 - No tocante aos contratos bancários e empresariais, é correto afirmar que


A) o devedor pode dar em garantia a terceiros coisa que já alienara fiduciariamente em
garantia.
OBSERVAÇÃO: Claro que não! Ele nem proprietário é, tendo apenas direito real de aquisição
em caso de cumprimento de sua obrigação.

B) nos contratos eletrônicos, o exercício do direito de arrependimento não implica a


rescisão dos contratos acessórios.
118
OBSERVAÇÃO: Vai implicar. O acessório segue o principal. Essa é a regra da teoria geral dos
contratos.

C) nos contratos de seguro, as apólices poderão conter cláusula que permita rescisão
unilateral ou que, por qualquer modo, subtraia sua eficácia e validade além das situações
previstas em lei.
OBSERVAÇÃO: É exatamente ao contrário: NÃO poderão ter tal cláusula.

D) franquia empresarial é o sistema pelo qual um franqueador cede ao franqueado o direito


de uso de marca ou patente, associado ao direito de distribuição exclusiva ou semi-exclusiva
de produtos ou serviços.

RESPOSTA – D
COMENTÁRIOS

Consta de nossa Rodada: “FRANQUIA: contrato pelo qual o franqueador (franchisor) licencia
o uso de sua marca a outro franqueado (franchisee – titular de marca conhecida dos
consumidores) e presta-lhe serviços de organização empresarial, com ou sem venda de
produtos (Lei nº 8.955/1994)”.

QUESTÃO ABORDADA NA RODADA MEGE RESPECTIVA E NO AULÃO DE VÉSPERA.

73 - A respeito dos títulos de crédito e sua respectiva cobrança judicial, é correto afirmar
que
A) o cheque, ordem de pagamento à vista emitida contra um banco em razão de fundos que
o emitente tem contra o sacado, poderá ser executado judicialmente, dentro do prazo
prescricional de 6 (seis) meses, contados de sua emissão.
119
OBSERVAÇÃO: A execução do cheque sem fundos = 6 meses, contados do término do prazo
para apresentação a pagamento, isto é, 30 ou 60 dias, desconsiderando eventual
prorrogação por cair em dia não útil.

B) a Cédula de Crédito Bancário, devidamente acompanhada de claro demonstrativo acerca


dos valores utilizados pelo cliente, deve ser liquidada na via do processo de conhecimento,
para, então, proceder-se à sua execução, por meio do cumprimento de sentença.
OBSERVAÇÃO: A CCB é título de financiamento (representa a abertura de crédito por
instituição financeira) é título de crédito impróprio, admitindo execução. Não se confunde
com o contrato de abertura de crédito em conta corrente, não se aplicando, portanto, as
súmulas 233 e 247 do STJ.

C) o Certificado de Direitos Creditórios do Agronegócio (CDCA), promessa de pagamento


emitida por pessoa física que exerce atividade de comercialização, beneficiamento ou
industrialização de produtos e insumos agropecuários, pode ser cobrado judicialmente via
execução para pagamento de quantia certa.
OBSERVAÇÃO: O CDCA é de emissão exclusiva de cooperativas de produtores rurais e de
outras pessoas jurídicas que exerçam a atividade de comercialização, beneficiamento ou
industrialização de produtos e insumos agropecuários ou de máquinas e implementos
utilizados na produção agropecuária (artigo 24, parágrafo único, da Lei 11.076/04).

D) a Duplicata, ordem de pagamento emitida pelo credor originário, com base em uma
fatura, para documentar o crédito originado de uma compra e venda mercantil ou de uma
prestação de serviços, poderá ser executada judicialmente em face do sacado e respectivos
avalistas dentro do prazo de 3 (três) anos, contados da data do vencimento do título.

RESPOSTA - C
COMENTÁRIOS
120
Consta de nossa Rodada: “DUPLICATAS: título (ordem de pagamento) sacado pelo
vendedor, em relação de compra e venda mercantil, com base na fatura ou nota fiscal-
fatura (causal), antes do vencimento da obrigação ou da primeira prestação (Lei nº
5.474/1968) [...]Duplicata de prestação de serviços = emitida por pessoa física ou jurídica
que se dedique a tal atividade econômica, em razão da prestação de serviços. Regime
jurídico idêntico ao da duplicata mercantil (inclusive adoção de livro de duplicatas...
[...]contra o devedor principal e seus avalistas = 3 anos, a contar do vencimento do título”.

QUESTÃO ABORDADA NA RODADA MEGE RESPECTIVA.

74 - Quanto às sociedades empresárias, considere as afirmativas a seguir.


I. A dissolução de sociedade empresária abrange o ato ou fato desencadeante; a liquidação
com solução das pendências da sociedade e a partilha do acervo entre os sócios.
II. A dissolução da sociedade limitada, por vontade dos sócios, exige aprovação de metade
do capital social; nas sociedades por ações, exige-se, pelo menos, 3/4 (três quartos) das
ações com direito a voto.
OBSERVAÇÃO: Ao contrário, segundo o CC (rege LTDA) a dissolução exige ¾.

III. A expulsão do sócio nas sociedades limitadas conduz, de modo obrigatório, à dissolução
total da sociedade.
OBSERVAÇÃO: Dissolução parcial.

IV. Nas sociedades limitadas, quando houver modificação do contrato, fusão ou


incorporação da sociedade, terá o sócio que dissentir da deliberação, o direito de retirar-se
da sociedade nos 30 (trinta) dias subsequentes à reunião dos sócios.
Estão corretas apenas as afirmativas
A) I e IV.
B) III e IV.
121
C) I, II e III.
D) II, III e IV

RESPOSTA - A
COMENTÁRIOS
Interpretação simples das fases da liquidação e ainda artigo 1.077 do CC.

QUESTÃO ABORDADA NA RODADA MEGE RESPECTIVA.

75 - Analise as afirmativas a seguir.


I. O cirurgião-dentista que atende pacientes em seu consultório, tendo contratado pessoa
para prestar serviços de secretariado, é considerado empresário, porque o exercício de sua
profissão constitui elemento de empresa.
OBSERVAÇÃO: Esse é o caso clássico de profissional liberal não empresário.

II. O empresário individual e a sociedade empresária que não procederem a qualquer


arquivamento no período de 10 (dez) anos devem comunicar à Junta que ainda se
encontram em atividade, sob pena de serem considerados inativos, com o consequente
cancelamento de seu registro.
III. O patrimônio da empresa individual de responsabilidade limitada responde pelas dívidas
da pessoa jurídica, e não se confunde com o patrimônio da pessoa natural que a constitui,
sem prejuízo da aplicação do instituto da desconsideração da personalidade jurídica.
IV. O produtor rural que, sendo empresário, cuja atividade rural constitua sua principal
profissão, desde que observadas as formalidades legais, requeira inscrição no Registro
Público de Empresas Mercantis da respectiva sede, pode constituir EIRELI.
Estão corretas apenas as afirmativas
A) I e IV.
B) II e III. 122
C) I, II e III.
D) II, III e IV.

RESPOSTA - D
COMENTÁRIOS

Enunciado 62 CFJ: O produtor rural, nas condições mencionadas do art. 971 do CCB, pode
constituir EIRELI.

QUESTÃO ABORDADA NA RODADA MEGE RESPECTIVA.


76 - Quanto às sociedades limitadas, analise as afirmativas a seguir.
I. O contrato social poderá prever a regência supletiva da sociedade limitada pelas normas
da sociedade anônima.
II. O capital social divide-se em quotas, iguais ou desiguais, cabendo uma ou diversas a cada
sócio.
III. Nas sociedades limitadas é permitida a contribuição para o capital social consistente em
prestação de serviços.
IV. O administrador não sócio de sociedade limitada será eleito pela unanimidade dos
sócios, enquanto não integralizado o capital social.
Estão corretas apenas as afirmativas
A) II e III.
B) III e IV.
C) I, II e III.
D) I, II e IV.
123
RESPOSTA - D
COMENTÁRIOS

Tudo letra do CC, só havendo erro no que tange ao sócio-indústria (colabora apenas com
serviços), que só se admite nas sociedades simples.

QUESTÃO ABORDADA NA RODADA MEGE RESPECTIVA.

77 - Sobre a disciplina jurídica da concorrência, analise as afirmativas a seguir.


I. A publicação, por qualquer meio, de falsa afirmação, em detrimento de concorrente com
o fim de obter vantagem, constitui crime de concorrência desleal.
II. O aumento arbitrário de lucros e a dominação de mercado relevante de bens ou serviços
constituem infrações da ordem econômica, pressupondo culpa do agente econômico, ainda
que os resultados pretendidos não tenham sido alcançados.
OBSERVAÇÃO: Aumento arbitrário pressupõe um resultado material, não havendo que falar
em mera pretensão (objetivo), a qual poderá eventualmente constituir outra modalidade
de infração.

III. Nas informações que se caracterizem como confidenciais, sejam segredo de indústria ou
de comércio, quando reveladas em juízo, deverá ser observado o segredo de justiça.
IV. Os prejuízos causados por atos de violação de direitos de propriedade industrial
conferem ao prejudicado o direito de haver perdas e danos.
Estão corretas apenas as afirmativas
A) II e III.
B) II e IV.
C) I, II e IV. 124
D) I, III e IV.

RESPOSTA - D
COMENTÁRIOS

A conduta prevista no item I é crime (artigo 195 da Lei nº 9.279/96). O segredo de justiça
(item III) está previsto no artigo 206 da Lei nº 9.279/96. “Fica ressalvado ao prejudicado o
direito de haver perdas e danos em ressarcimento de prejuízos causados por atos de
violação de direitos de propriedade industrial e atos de concorrência desleal” (artigo 209
da Lei nº 9.279/96).

78 - Quanto à Falência e Recuperação, segundo a Lei nº 11.101/2005, analise as


afirmativas a seguir.
I. É competente para deferir a Recuperação Judicial ou decretar a Falência, o juízo do local
do principal estabelecimento do devedor empresário ou sociedade empresária.
II. Aplicam-se à sociedade de economia mista, mas não à empresa pública.
OBSERVAÇÃO: Não se aplicam aos dois casos.

III. Serão suspensas todas as ações e execuções em face do devedor, inclusive aquelas em
que se demandar quantia ilíquida.
OBSERVAÇÃO: Somente as que se referem a quantia líquida.

IV. Não são exigíveis do devedor as obrigações a título gratuito, as despesas que os credores
fizerem para tomar parte na recuperação judicial ou na falência, salvo as custas judiciais
decorrentes de litígio com o devedor.
Está(ão) correta(s) apenas a(s) afirmativa(s)
A) III.
B) I e II.
125
C) I e IV.
D) I, II e III.

RESPOSTA - C
COMENTÁRIOS

Artigos 3º e 5º da Lei nº 11.101/05.

QUESTÃO ABORDADA NA RODADA MEGE RESPECTIVA.

79 - Quanto ao pedido de falência, é correto afirmar que


A) citado o devedor, não poderá pleitear sua recuperação judicial no prazo da contestação.
OBSERVAÇÃO: Claro que pode pleitear.
B) se baseado em obrigação líquida, pode ser intentado independentemente do valor do
crédito.
OBSERVAÇÃO: Tem de ser superior a 40 salários-mínimos.

C) decretada judicialmente a falência ou julgado improcedente o pedido, o recurso para


ambas as situações será o de apelação.
OBSERVAÇÃO: Decretada a falência, o processo continua e, portanto, a sentença é
impugnável via Agravo de Instrumento.

D) será decretada a falência do devedor que, executado por qualquer quantia líquida, não
paga, não deposita e não nomeia à penhora bens suficientes dentro do prazo legal.

RESPOSTA - D
COMENTÁRIOS
126

CASO DE TRÍPLICE OMISSÃO RELATADO NA RODADA MEGE RESPETIVA E NA AULÃO DE


REVISÃO.

80 - A respeito do deferimento do processamento da recuperação judicial e seus efeitos


em relação ao devedor principal, a terceiros devedores solidários e coobrigados em geral,
assinale a afirmativa correta.
A) A novação dos créditos decorrente do plano de recuperação judicial, da mesma forma
que a novação comum, prevista na lei civil, extingue os acessórios e as garantias da dívida,
sempre que não houver estipulação em contrário.
OBSERVAÇÃO: Nada! A novação implementada pela recuperação é sui generis e não tem
este efeito.
B) Em sede de recuperação judicial, na hipótese de alienação de bem objeto de garantia
real, a supressão da garantia ou sua substituição serão admitidas independentemente de
aprovação expressa do credor titular da respectiva garantia.
OBSERVAÇÃO: Depende de anuência dos respectivos credores (artigo 50, § 1º).

C) Estando em termos a documentação exigida para o pedido de recuperação judicial, o Juiz


deferirá o seu processamento e, no mesmo ato, ordenará a suspensão de todas as ações ou
execuções contra o devedor, coobrigados, fiadores e obrigados de regresso, permanecendo
os respectivos autos no juízo onde se processam.
OBSERVAÇÃO: Contra o DEVEDOR. A lei nada fala nos coobrigados.

D) Embora o plano de recuperação judicial opere novação das dívidas a ele submetidas, as
garantias reais ou fidejussórias são preservadas, circunstância que possibilita ao credor
exercer seus direitos contra terceiros garantidores e impõe a manutenção das ações e
execuções aforadas em face de fiadores, avalistas ou coobrigados em geral.
127

RESPOSTA - D
COMENTÁRIOS

STJ, Súmula 581 - A recuperação judicial do devedor principal NÃO impede o


prosseguimento das ações e execuções ajuizadas contra terceiros devedores solidários ou
coobrigados em geral, por garantia cambial, real ou fidejussória.

QUESTÃO ABORDADA NA RODADA MEGE RESPECTIVA E NA AULÃO DE REVISÃO.


10. DIREITO TRIBUTÁRIO

81 - Acerca da execução fiscal, assinale a alternativa correta.

A) Não ocorrendo o pagamento, nem garantindo a execução na forma da lei, a penhora


poderá recair em qualquer bem do executado.
B) É permitido ao executado pagar a parcela da dívida que julga incontroversa e garantir a
execução do saldo devedor remanescente.
C) As intimações ao representante da Fazenda Pública poderão ser feitas pessoalmente,
desde que assim requerida até a apresentação dos embargos pelo devedor.
D) Para garantir a execução, o executado poderá efetuar depósito em dinheiro, fiança
bancária, ou indicar bens à penhora, em valor suficiente para quitar o valor total da dívida,
podendo, ainda, oferecer seguro garantia até o valor correspondente a 1/3 (um terço) da
dívida.

128
RESPOSTA – B
COMENTÁRIOS

A – INCORRETA
Não pode recair sobre bens absolutamente impenhoráveis (art. 10, LEF).

B – CORRETA
LEF
Art. 9º.
§ 6º - O executado poderá pagar parcela da dívida, que julgar incontroversa, e garantir a
execução do saldo devedor.

C – INCORRETA
LEF
Art. 25 - Na execução fiscal, qualquer intimação ao representante judicial da Fazenda
Pública será feita pessoalmente.

D – INCORRETA
LEF
Art. 9º - Em garantia da execução, pelo valor da dívida, juros e multa de mora e encargos
indicados na Certidão de Dívida Ativa, o executado poderá:
I - efetuar depósito em dinheiro, à ordem do Juízo em estabelecimento oficial de crédito,
que assegure atualização monetária;
II - oferecer fiança bancária ou seguro garantia; (Redação dada pela Lei nº 13.043, de 2014)
III - nomear bens à penhora, observada a ordem do artigo 11; ou
IV - indicar à penhora bens oferecidos por terceiros e aceitos pela Fazenda Pública.

TEMA ABORDADO NO AULÃO DE VÉSPERA . 129

82 Acerca do imposto sobre operações relativas à circulação de mercadorias e sobre


prestações de serviços de transporte interestadual e intermunicipal e de comunicação
(ICMS), assinale a alternativa correta.

A) Lei ordinária poderá dispor sobre a substituição tributária, mas para a definição dos
contribuintes do imposto e fixação de sua base de cálculo será indispensável lei
complementar.
B) O imposto incide sobre o fornecimento de mercadorias com prestação de serviços ainda
que compreendidos na competência tributária dos municípios, dada à soberania do Estado
e em virtude da competência concorrente.
C) O imposto será não cumulativo, compensando-se o que for devido em cada operação
relativa à circulação de mercadorias ou prestação de serviços com o montante cobrado nas
anteriores pelo município, pelo Estado ou pelo Distrito Federal.
D) O imposto incidirá também sobre a entrada de bem ou mercadoria importadas do
exterior por pessoa física ou jurídica, ainda que não seja contribuinte habitual do imposto,
qualquer que seja a sua finalidade, assim como sobre o serviço prestado no exterior,
cabendo o imposto ao Estado onde estiver situado o domicílio ou o estabelecimento do
destinatário da mercadoria, bem ou serviço.

RESPOSTA – D
COMENTÁRIOS

A – INCORRETA
A Lo pode instituir regime de substituição tributária (art. 150, § 7º, CF )

Por outro lado, conforme o art. 146, III, “a”, da CF, cabe à Lc a DEFINIÇÃO dos respectivos
fatos geradores, bases de cálculo e contribuintes.
130
Todavia, a parte final da assertiva afirma que a FIXAÇÃO da BC se dá por Lc, o que a torna
errada.

B – INCORRETA
Lc nº 116 de 2003
Art. 1º
§ 2o Ressalvadas as exceções expressas na lista anexa, os serviços nela mencionados não
ficam sujeitos ao Imposto Sobre Operações Relativas à Circulação de Mercadorias e
Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação –
ICMS, ainda que sua prestação envolva fornecimento de mercadorias.

C – INCORRETA
O ICMS é imposto estadual, não havendo no que se falar em compensação do montante
cobrado nas anteriores pelos Municípios.
CF Art. 155 § 2º
I - será não-cumulativo, compensando-se o que for devido em cada operação relativa à
circulação de mercadorias ou prestação de serviços com o montante cobrado nas anteriores
pelo mesmo ou outro Estado ou pelo Distrito Federal;

D – CORRETA
CF Art. 155. § 2º.
IX - incidirá também:
a)sobre a entrada de bem ou mercadoria importados do exterior por pessoa física ou
jurídica, ainda que não seja contribuinte habitual do imposto, qualquer que seja a sua
finalidade, assim como sobre o serviço prestado no exterior, cabendo o imposto ao Estado
onde estiver situado o domicílio ou o estabelecimento do destinatário da mercadoria,
bem ou serviço.

QUESTÃO ANTECIPADA NO AULÃO DE VÉSPERA. 131

83 Assinale a alternativa que retrata a jurisprudência consolidada nos Tribunais


Superiores.
A) O serviço de iluminação pública pode ser remunerado mediante taxa.
B) Norma legal que altera o prazo de recolhimento de obrigação tributária não se sujeita ao
princípio da anterioridade.
C) É constitucional a incidência do Imposto Sobre Serviços de Qualquer Natureza (ISSQN)
sobre operações de locação de bens móveis.
D) No tocante à base de cálculo, o ISSQN incide apenas sobre a taxa de agenciamento
quando o serviço prestado por sociedade empresária de trabalho temporário for de
intermediação, não podendo englobar os valores dos salários e encargos sociais dos
trabalhadores por ela contratados, independentemente do fornecimento de mão de obra.
RESPOSTA - B
COMENTÁRIOS

Sv. 50 do STF. Norma legal que altera o prazo de recolhimento de obrigação tributária não
se sujeita ao princípio da anterioridade.

84 - Acerca do Imposto Sobre Serviços de Qualquer Natureza (ISSQN), assinale a


alternativa correta.

A) O imposto incide também sobre o serviço proveniente do exterior do país ou cuja


prestação se tenha iniciado no exterior do país, mas não incide sobre as exportações de
serviços para o exterior do país.
B) A alíquota máxima do imposto é de 10% (dez por cento) nas capitais dos Estados e do
Distrito Federal, e de 5% (cinco por cento) nos demais municípios, e a mínima de 2% (dois
por cento), em qualquer caso. 132
C) Os municípios e o Distrito Federal poderão atribuir, de modo expresso, mediante lei, a
responsabilidade pelo crédito tributário a terceira pessoa, vinculada ao fato gerador da
respectiva obrigação, mantida a responsabilidade do contribuinte, salvo quanto à multa e
aos acréscimos legais.
D) Considera-se estabelecimento prestador o local onde o contribuinte desenvolva a
atividade de prestar serviços de modo permanente e, excepcionalmente, onde a
desenvolva de modo temporário, dependendo da efetiva denominação do estabelecimento
utilizada (sede, filial, agência, posto de atendimento, sucursal, escritório de representação
ou contato).

QUESTÃO ANTECIPADA NO AULÃO DE VÉSPERA.

RESPOSTA – A
COMENTÁRIOS

A - CORRETA
Lc 116 de 2003
Art. 1o O Imposto Sobre Serviços de Qualquer Natureza, de competência dos Municípios e
do Distrito Federal, tem como fato gerador a prestação de serviços constantes da lista
anexa, ainda que esses não se constituam como atividade preponderante do prestador.
§ 1o O imposto incide também sobre o serviço proveniente do exterior do País ou cuja
prestação se tenha iniciado no exterior do País.
Art. 2o O imposto não incide sobre:
I – as exportações de serviços para o exterior do País;

B – INCORRETA
A alíquota máxima é 5% e a mínima é 2% (arts. 8º e 8º-A da Lc nº 116 de 2003).
133
C – INCORRETA
Lc 116 de 2003
Art. 6o Os Municípios e o Distrito Federal, mediante lei, poderão atribuir de modo expresso
a responsabilidade pelo crédito tributário a terceira pessoa, vinculada ao fato gerador da
respectiva obrigação, excluindo a responsabilidade do contribuinte ou atribuindo-a a este
em caráter supletivo do cumprimento total ou parcial da referida obrigação, inclusive no
que se refere à multa e aos acréscimos legais.

D – INCORRETA
Lc 116 de 2003
Art. 4o Considera-se estabelecimento prestador o local onde o contribuinte desenvolva a
atividade de prestar serviços, de modo permanente ou temporário, e que configure unidade
econômica ou profissional, sendo irrelevantes para caracterizá-lo as denominações de sede,
filial, agência, posto de atendimento, sucursal, escritório de representação ou contato ou
quaisquer outras que venham a ser utilizadas.

85 - Acerca da Administração Tributária, analise as afirmativas a seguir.


I. O termo de inscrição da dívida ativa deverá atender aos requisitos legais. Assim sendo, a
omissão de qualquer deles ou o erro a eles relativo ensejará a nulidade da inscrição e do
processo de cobrança dela decorrente, a qual, todavia, poderá ser sanada pela Fazenda
Pública até a decisão de Primeira Instância, mediante a substituição da certidão nula.
II. Substituída a certidão nula, será devolvido ao sujeito passivo, acusado ou interessado, o
prazo para defesa, que deverá se restringir à parte modificada, restando vedada a
impugnação da parte que não sofreu alteração.
III. A dívida regularmente inscrita goza de presunção relativa de certeza e liquidez, razão
pela qual não poderá ser ilidida por qualquer prova produzida pelo sujeito passivo.
IV. A lei poderá exigir que a prova da quitação de determinado tributo, quando exigível, seja 134
feita por certidão negativa. Entretanto, na ausência de certidão negativa, o sujeito passivo
poderá apresentar uma certidão positiva, com efeito de negativa, constando a existência
de créditos não vencidos, em curso de cobrança executiva em que tenha sido efetivada a
penhora ou cuja exigibilidade esteja suspensa.
Estão corretas apenas as afirmativas
A) I e II.
B) III e IV.
C) I, II e III.
D) I, II e IV.

RESPOSTA - D
COMENTÁRIOS
I e II - CORRETAS
CTN
Art. 203. A omissão de quaisquer dos requisitos previstos no artigo anterior, ou o erro a eles
relativo, são causas de nulidade da inscrição e do processo de cobrança dela decorrente,
mas a nulidade poderá ser sanada até a decisão de primeira instância, mediante
substituição da certidão nula, devolvido ao sujeito passivo, acusado ou interessado o prazo
para defesa, que somente poderá versar sobre a parte modificada.

III - INCORRETA
CTN
Art. 204. A dívida regularmente inscrita goza da presunção de certeza e liquidez e tem o
efeito de prova pré-constituída.
Parágrafo único. A presunção a que se refere este artigo é relativa e pode ser ilidida por
prova inequívoca, a cargo do sujeito passivo ou do terceiro a que aproveite.

IV - CORRETA 135
CTN
Art. 205. A lei poderá exigir que a prova da quitação de determinado tributo, quando
exigível, seja feita por certidão negativa, expedida à vista de requerimento do interessado,
que contenha todas as informações necessárias à identificação de sua pessoa, domicílio
fiscal e ramo de negócio ou atividade e indique o período a que se refere o pedido.
Parágrafo único. A certidão negativa será sempre expedida nos termos em que tenha sido
requerida e será fornecida dentro de 10 (dez) dias da data da entrada do requerimento na
repartição.
Art. 206. Tem os mesmos efeitos previstos no artigo anterior a certidão de que conste a
existência de créditos não vencidos, em curso de cobrança executiva em que tenha sido
efetivada a penhora, ou cuja exigibilidade esteja suspensa.

APÓS ANÁLISE DAS QUESTÕES DA PROVA OBJETIVA DO TJMG, VERIFIQUEI QUE NÃO HÁ
QUESTÕES SUJEITAS À ANULAÇÃO. A MAIORIA DAS ALTERNATIVAS SE ENCONTRAM EM
DISPOSITIVOS EXPRESSOS DA LEI SECA, CONFORME COMENTÁRIOS ADIANTE.
11. DIREITO AMBIENTAL

(Professor Edison Burlamaqui)

86 - O meio ambiente ecologicamente equilibrado, como prevê o Art. 225 da


Constituição da República Federativa do Brasil, pressupõe
A) a proteção somente da flora.
B) a proteção somente da fauna.
C) limitação da propriedade privada.
D) a proteção exclusiva de alguns grupos sociais.

RESPOSTA - C 136
COMENTÁRIOS

Art. 225 da CF - Todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, bem de
uso comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida, impondo-se ao Poder Público e
à coletividade o dever de defendê-lo e preservá-lo para as presentes e futuras gerações.

Art. 225, § 1º, VII da CF - Para assegurar a efetividade desse direito, incumbe ao Poder
Público: (...) VII - proteger a fauna e a flora, vedadas, na forma da lei, as práticas que
coloquem em risco sua função ecológica, provoquem a extinção de espécies ou submetam
os animais a crueldade.

QUESTÃO ADIANTADA NO MATERIAL DE RETA FINAL E NO AULÃO DE VÉSPERA.


87 - A sociedade empresária X consome carvão vegetal na produção de ferro gusa.
Requereu isenção quanto à obrigação de fazer reposição florestal, porque o carvão é
produzido com 80% de madeira de floresta plantada e o restante de floresta nativa. O
requerimento deverá
A) ser parcialmente deferido quanto ao percentual de floresta nativa.
B) ser integralmente indeferido porque há utilização parcial de floresta nativa.
C) ser integralmente deferido porque a utilização parcial de floresta nativa é mínima.
D) ser parcialmente deferido quanto ao percentual de utilização da floresta plantada.

RESPOSTA – D

COMENTÁRIOS
137

Art. 33 do Código Florestal - As pessoas físicas ou jurídicas que utilizam matéria-prima


florestal em suas atividades devem suprir-se de recursos oriundos de: I - florestas plantadas;
II - PMFS de floresta nativa aprovado pelo órgão competente do Sisnama; III - supressão de
vegetação nativa autorizada pelo órgão competente do Sisnama; IV - outras formas de
biomassa florestal definidas pelo órgão competente do Sisnama.

§ 1º SÃO OBRIGADAS À REPOSIÇÃO FLORESTAL AS PESSOAS FÍSICAS OU JURÍDICAS QUE


UTILIZAM MATÉRIA-PRIMA FLORESTAL ORIUNDA DE SUPRESSÃO DE VEGETAÇÃO NATIVA
OU QUE DETENHAM AUTORIZAÇÃO PARA SUPRESSÃO DE VEGETAÇÃO NATIVA.
§ 2º É isento da obrigatoriedade da reposição florestal aquele que utilize: (...) II - matéria-
prima florestal: a) oriunda de PMFS; b) ORIUNDA DE FLORESTA PLANTADA; c) não
madeireira.

88 - O Estatuto da Cidade veda a utilização de espaço urbano que

A) cause maior controle térmico.


B) cause degradação na qualidade de vida.
C) cause mais conforto para sua população.
D) evite causar erosão na captação de água fluvial.

RESPOSTA - B

COMENTÁRIOS
138
Art. 36 do Estatuto da Cidade - Lei municipal definirá os empreendimentos e atividades
privados ou públicos em área urbana que dependerão de elaboração de estudo prévio de
impacto de vizinhança (EIV) para obter as licenças ou autorizações de construção,
ampliação ou funcionamento a cargo do Poder Público municipal.

Art. 37 do Estatuto da Cidade - O EIV será executado de forma a contemplar os efeitos


positivos e negativos do empreendimento ou atividade quanto à qualidade de vida da
população residente na área e suas proximidades, incluindo a análise, no mínimo, das
seguintes questões: I – adensamento populacional; II – equipamentos urbanos e
comunitários; III – uso e ocupação do solo; IV – valorização imobiliária; V – geração de
tráfego e demanda por transporte público; VI – ventilação e iluminação; VII – paisagem
urbana e patrimônio natural e cultural.
Art. 39 do Estatuto da Cidade - A propriedade urbana cumpre sua função social quando
atende às exigências fundamentais de ordenação da cidade expressas no plano diretor,
assegurando o atendimento das necessidades dos cidadãos quanto à qualidade de vida, à
justiça social e ao desenvolvimento das atividades econômicas, respeitadas as diretrizes
previstas no art. 2º desta Lei.

89 - O município X adotou uma lei definindo como área “non aedificandi” uma distância
superior à prevista na Lei Federal em relação a curso de água. A lei local

A) é inválida porque a competência legislativa é exclusiva da União.


B) é inválida porque a competência legislativa é exclusiva do Estado.
C) é válida porque o município tem competência legislativa concorrente com a União.
D) é válida porque o município tem competência legislativa suplementar com a União. 139

RESPSOTA - D

COMENTÁRIOS

QUESTÃO PASSÍVEL DE RECURSO.

Art. 30. Compete aos Municípios: (...) II - suplementar a legislação federal e a estadual no
que couber;

A alternativa C afirma que a legislação municipal “é válida porque o município tem


competência legislativa concorrente com a União”. Dessa forma, apesar da alternativa D se
adequar de forma “mais correta” a resposta, a alternativa C também se encontra correta.
Apesar do art. 24 da CF não incluir os municípios como entes que detêm competência
legislativa complementar, a doutrina majoritária entende que tais entes possuem tal
competência com fundamento no art. 30, II da CF, posto que a estes cabe suplementar a
legislação federal e estadual no que couber.

A doutrina majoritária entende que a competência suplementar pressupõe a existência de


competência complementar, posto que a primeira somente surge no contexto da segunda.
Dessa forma, existe a possibilidade de anulação da questão pela existência de duas
alternativas corretas.

QUESTÃO ADIANTADA NO MATERIAL DE RETA FINAL.

90 - A, proprietário rural, adquiriu motosserra movida a gasolina e o bem foi apreendido 140
mediante autuação pela Polícia Militar Ambiental, sob o fundamento de falta de registro.
A apresentou defesa administrativa e alegou que a motosserra é de pequeno porte e não
estaria sujeita a registro. A defesa

A) será rejeitada porque a lei não distingue o tamanho da motosserra.

B) será acolhida porque a motosserra não causa danos ao meio ambiente.

C) será acolhida por ausência de previsão legal que exija o registro de motosserra.

D) será rejeitada porque apenas o fabricante está obrigado a promover o registro da


motosserra.

RESPSOTA – A
COMENTÁRIOS

Art. 69 da Lei 12.651/12 - São obrigados a registro no órgão federal competente do Sisnama
os estabelecimentos comerciais responsáveis pela comercialização de motosserras, bem
como aqueles que as adquirirem.

§ 1º A licença para o porte e uso de motosserras será renovada a cada 2 (dois) anos.

§ 2º Os fabricantes de motosserras são obrigados a imprimir, em local visível do


equipamento, numeração cuja sequência será encaminhada ao órgão federal competente
do Sisnama e constará nas correspondentes notas fiscais.

Art. 51 da Lei de Crimes Ambientais - Comercializar motosserra ou utilizá-la em florestas e


nas demais formas de vegetação, sem licença ou registro da autoridade competente: Pena
- detenção, de três meses a um ano, e multa
141
12. DIREITO ADMINISTRATIVO

(Professor Bruno Pinto)

91 - Com relação à responsabilidade civil do Estado, assinale a alternativa correta.

A) De acordo com o entendimento consolidado do Superior Tribunal de Justiça, a


responsabilidade do Estado por dano ao meio ambiente decorrente de sua omissão no
dever de fiscalização é de caráter e execução solidários.

B) O Supremo Tribunal Federal, em sede de repercussão geral, assentou a tese de que, em


razão da adoção da teoria do risco integral, a morte de detento no interior do
estabelecimento prisional gera responsabilidade civil objetiva para o Estado.

C) O Supremo Tribunal Federal reconheceu a existência de repercussão geral e firmou a tese


de que, na hipótese de posse em cargo público determinada por decisão judicial, o servidor
não faz jus à indenização, sob fundamento de que deveria ter sido investido em momento 142
anterior, salvo situação de arbitrariedade flagrante.

D) O Superior Tribunal de Justiça firmou o posicionamento de que o Estado é parte legítima


para figurar no polo passivo de ações indenizatórias e responde de forma solidária, nos
casos de acidente de trânsito em face da má conservação das estradas, mesmo existindo
autarquia responsável pela preservação das estradas estaduais.

RESPOSTA – C

COMENTÁRIOS

A - INCORRETA

De acordo com o STJ, a responsabilidade civil do Estado por dano ambiental decorrente de
omissão é OBJETIVA, de caráter SOLIDÁRIO e de execução SUBSIDIÁRIA (com ordem de
preferência). Nesse sentido: RESP 200801460435, Relator Ministro Herman Benjamin, STJ –
2ª Turma, DJE: 16/12/2010.

B - INCORRETA

No caso da Teoria da Guarda/Garantidor, quando o Estado tem a custódia de bens ou


pessoas, o STF entende que a responsabilidade civil do Estado é OBJETIVA, porém
admitindo a aplicação das excludentes de responsabilidade. É que se aplica a teoria do risco
administrativo, reconhecendo-se que, nesse caso, o Estado assume o risco da custódia.
Assim: STF, RE 841.526/RS, j. em 30/03/2016.

C - CORRETA

Em repercussão geral, o STF firmou a tese de que “na hipótese de posse em cargo público
determinada por decisão judicial, o servidor não faz jus a indenização, sob fundamento de 143
que deveria ter sido investido em momento anterior, salvo situação de arbitrariedade
flagrante (STF, RE 724.347, Tribunal Pleno, j. em 26/02/2015).

D - INCORRETA

Em caso de acidente automobilístico decorrente da má conservação de estradas


administrada por autarquia estadual, o STJ entende pela responsabilidade SUBSIDIÁRIA do
Estado (STJ, REsp 1.137.950/RS, Rel. Ministro Castro Meira, 2ª Turma, DJe de 30/03/2010;
STJ, AgRg no REsp 875.604/ES, Rel. Ministro Humberto Martins, 2ª Turma, DJe de
25/06/2009).

92. A respeito da ação civil pública por ato de improbidade administrativa, assinale a
opção correta.
A) A aplicação da pena de demissão por improbidade administrativa, por ser medida
excepcional, não é passível de aplicação no âmbito do processo administrativo disciplinar,
restringindo-se ao Poder Judiciário.

B) A medida extrema de afastamento cautelar do agente público do exercício do cargo,


emprego ou função, durante a apuração dos atos de improbidade administrativa ocorrerá,
sem prejuízo da remuneração, e diante da existência de risco à instrução processual.

C) Os atos de improbidade subdividem-se em: a) atos que importem enriquecimento ilícito


(art. 9º); b) atos que causem prejuízo ao erário (art. 10); c) atos que atentam contra os
princípios da Administração Pública (art. 11), sendo certo que aqueles previstos no art. 11
dispensam a apuração do dolo praticado pelo agente, uma vez que a referida Lei prevê que
os fatos ali tipificados admitem a forma culposa.

D) A indisponibilidade cautelar de bens e direitos do demandado tem por objetivo assegurar


a efetividade de eventual decisão judicial condenatória. Para sua concessão, faz-se
necessária a presença simultânea de indícios veementes da prática de atos de improbidade 144
administrativa (fumus boni juris), além da comprovação de que o demandado intenciona
desfazer do seu patrimônio a fim de frustrar o cumprimento de eventual condenação
(periculum in mora).

RESPOSTA - B

COMENTÁRIOS

A - INCORRETA

O STJ assentou a possibilidade de a pena de demissão por ato de improbidade


administrativa ser aplicada em processo administrativo disciplinar, ainda que não haja
processo judicial prévio, por se tratar do exercício do poder administrativo disciplinar, que
prescinde do ajuizamento de ação judicial de improbidade administrativa (MS 017537/DF,
DJe 09/06/2015). Assim também entende o STF, reconhecendo que um mesmo ato ilícito
de um servidor pode, concomitantemente, caracterizar ato de improbidade administrativa,
apurável mediante processo civil, e, ainda, infração disciplinar, apurável por processo
administrativo disciplinar, com possibilidade de acarretar ao servidor a pena de demissão,
inclusive (RMS 24.194, j. em 13/09/2011).

B - CORRETA

Trata-se de reprodução do art. 20, parágrafo único da Lei Federal nº 8.429/92.

C - INCORRETA

Há dois erros nessa assertiva. O primeiro é que a LC nº 157/2016 inseriu na Lei Federal nº
8.429/1992 uma nova espécie de ato de improbidade administrativa por meio da inclusão
do art. 10-A, o qual dispõe que “Constitui ato de improbidade administrativa qualquer ação
ou omissão para conceder, aplicar ou manter benefício financeiro ou tributário contrário ao 145
que dispõem o caput e o § 1º do art. 8º-A da Lei Complementar nº 116, de 31 de julho de
2003”. Assim, diferentemente do que propõe a assertiva, a Lei Federal nº 8.429/1992
agrupa os atos administrativos em 04 categorias: (i) que importam enriquecimento ilícito
(art. 9º); (ii) que causam prejuízo ao erário (art. 10); (iii) decorrentes de concessão ou
aplicação indevida de benefício financeiro ou tributário relacionado ao ISS (art. 10-A); e (iv)
que atentam contra os princípios da Administração Pública. Além disso, o segundo erro da
afirmativa corresponde a afirmação de que a configuração de ato que atente contra os
princípios da Administração Pública admite a forma culposa. É que, via de regra, exige-se o
dolo (genérico) do agente para a caracterização do ato de improbidade administrativa,
somente se admitindo também a culpa no caso de lesão ao erário.

D - INCORRETA. De acordo com o STJ, para que seja decretada a indisponibilidade de bens,
não se faz necessária a prova de que o sujeito ativo está efetivamente dilapidando o seu
patrimônio ou na iminência de fazê-lo, pois o periculum in mora é presumido. Assim, afirma-
se que a medida do art. 7º da Lei Federal 8.429/1992 é uma verdadeira “tutela de
evidência”, porque, embora se exija a demonstração de fumus boni iuris – consistente em
fundados indícios da prática de atos de improbidade –, é desnecessária a prova de
periculum in mora.

93. Analise as afirmativas a seguir e assinale a correta.

A) Na condição de parte, a Fazenda Pública goza de prerrogativas quanto a prazos


processuais, o que não ocorre quando atua na condição de terceiro interessado.

B) A respeito do controle externo da Administração Pública, cabe ao Tribunal de Contas do


Estado, órgão do Poder Judiciário, a fiscalização orçamentária e patrimonial dos Estados e
Municípios.

C) Nos termos da Lei nº 11.419/2006, que dispõe sobre a informatização do processo 146
judicial, no processo eletrônico, todas as citações, intimações e notificações, ressalvadas as
da Fazenda Pública, serão feitas por meio eletrônico.

D) De acordo com a Lei de Responsabilidade Fiscal, é vedada a realização de operação de


crédito entre um ente da Federação, diretamente ou por intermédio de fundo, autarquia,
fundação ou empresa estatal dependente, e outro, inclusive suas entidades da
administração indireta, ainda que sob a forma de novação, refinanciamento ou postergação
de dívida contraída anteriormente.

RESPOSTA - D

COMENTÁRIOS

A – INCORRETA
Para a doutrina e jurisprudência majoritárias, aplica-se a prerrogativa de prazo em dobro
para qualquer manifestação da Fazenda Pública, por aplicação do art. 183, caput, do
CPCP/15, a qualquer espécie de procedimento e ainda que o ente de direito público não
figure como parte. Assim sendo, ainda que atue como terceiro interessado ou outra
modalidade de interveniente, afastada tal prerrogativa somente no caso de haver norma
específica dispondo em contrário.

B – INCORRETA
Segundo entendimento do STF, o TCU ostenta a condição de órgão independente na
estrutura do Estado brasileiro, de modo que não integra o Poder Legislativo, tampouco o
Poder Judiciário (STF. MS 33.340 – Info 787). Lembre-se que, conforme preconiza o art. 71
da CF/88, o TCU auxilia o Congresso Nacional no seu exercício do controle externo.

C – INCORRETA 147
Diferentemente do que propõe a assertiva, o art. 183, § 1º, do CPC/2015, expressamente
estabelece que a Fazenda Pública será intimada pessoalmente, o que poderá ocorrer por
carga, remessa ou meio eletrônico. Neste mesmo sentido, a Lei Federal nº 11.419/16 (que
dispõe sobre a informatização do processo judicial) estabelece, em seu art. 9º, que, no
processo eletrônico, todas as citações, intimações e notificações, inclusive da Fazenda
Pública, serão feitas por meio eletrônico.

D – CORRETA

Trata-se de reprodução do art. 35, caput, da Lei Complementar nº 101/2000 (Lei de


Responsabilidade Fiscal).

94. Quanto à intervenção do Estado na propriedade, analise as afirmativas a seguir.


I. A servidão administrativa é, via de regra, permanente e constitui direito real sobre a
propriedade alheia em favor da Administração Pública.

II. Na requisição o Estado utiliza bens móveis, imóveis e serviços particulares em situação
de perigo público iminente.

III. O tombamento só alcança bens imóveis, podendo ser voluntário ou compulsório.

IV. Na desapropriação todos os bens poderão ser expropriados, incluindo coisas móveis e
imóveis, corpóreas e incorpóreas, públicas ou privadas.

Estão corretas apenas as afirmativas

A) I e II.

B) II e IV.

C) I, II e III.

D) I, II e IV.
148

RESPOSTA - D

COMENTÁRIOS

Apenas o item III está incorreto, vez que o tombamento não incide somente sobre bens
imóveis, mas, sim, sobre todos os bens corpóreos, móveis ou imóveis. Lembre-se que o
tombamento não recai sobre bens incorpóreos, cujo valor cultural deve ser protegido por
outros meios jurídicos, a exemplo do registro. Ademais, o tombamento pode mesmo ser
voluntário, quando provocado pelo próprio proprietário ou quando este consentir com a
proposta feita pelo Poder Público, ou compulsório, se iniciativa é do Poder Público e o
proprietário se recusa a aceitar o tombamento do seu bem. Os demais itens estão corretos,
conforme detalhado na tabela abaixo.
MODALIDADES OBJETO INSTITUIÇÃO INDENIZAÇÃO

Sobre IMÓVEIS. Instituídas por acordo, Prévia, mas


Natureza de DIREITO decisão judicial e usucapião. condicionada à
REAL da Administração. Perduram enquanto houver a comprovação de
Servidão
necessidade de satisfação do prejuízo.
Administrativa
interesse público Prescreve em 5 anos.
(PERMANENTES).

Sobre bens imóveis, A sua instituição é Somente se houver


móveis e de serviços autoexecutória, diante de dano e APÓS a
particulares. situação de PERIGO requisição do bem.
Requisição
Natureza de direito IMINENTE. Prescreve em 05 anos.
PESSOAL da
Administração.
Sobre bens corpóreos, Sua instituição se dá após Somente se houver
149
móveis e imóveis, processo administrativo, comprovação de dano
Tombamento públicos ou privados. assegurada ampla defesa e Prescreve em 05 anos.
contraditório.
Pode ser cancelado
Sobre qualquer objeto Sua instituição se dá após A indenização deve ser
suscetível de valoração processo administrativo, que prévia, justa e em
patrimonial. Pode ser se compõe de 2 fases: (i) dinheiro, salvo na
móvel, imóvel, declaratória: manifestação de desapropriação
corpóreo ou intenção Poder Público de sancionatória
Desapropriação
incorpóreo, público desapropriar o bem; e (ii) urbanística e rural, nas
(hierarquia federativa) executória: providências quais o pagamento será
ou privado. voltadas à transferência do por meio de títulos, e na
bem para o expropriante, que desapropriação
se dará de forma
administrativa, se houver confiscatória, em que
acordo do desapropriado, ou não há indenização.
judicial.

Embora eu ache difícil, vislumbro a possibilidade de recurso contra o item “IV”, tendo em
vista que a assertiva é por demais genérica, desconsiderando a existência de bens que não
podem ser desapropriados, a exemplo, conforme aponta a doutrina administrativista, da
moeda corrente no país [por incompatibilidade lógica, eis que o dinheiro é justamente a
forma de se indenizar o bem expropriado, ressalvando-se, contudo, a possibilidade de
desapropriação de dinheiro estrangeiro] e os direitos personalíssimos [dado não possuírem
conteúdo patrimonial]. A ser considerada falso o item “IV”, a resposta correta seria letra
“A”.

150
95. Quanto ao ato administrativo, analise as afirmativas a seguir.

I. Os atos administrativos presumem-se legítimos, presunção relativa, pois que não se trata
de presunção absoluta e intocável.

II. A teoria dos motivos determinantes está assentada no princípio de que o motivo do ato
administrativo deve ser compatível com a situação de fato que gerou a manifestação de
vontade.

III. Anulação é modalidade de extinção do ato administrativo por motivo de oportunidade


ou conveniência, ao passo que revogação é a extinção por ilegalidade do ato.

IV. A convalidação tem efeitos ex nunc, por não ser possível retroagir seus efeitos ao
momento em que foi praticado o ato originário.
Estão corretas apenas as afirmativas

A) I e II.

B) II e IV.

C) III e IV.

D) I, II e III.

RESPOSTA - A

COMENTÁRIOS

I – CORRETA

São 04 os atributos dos atos administrativos consagrados na maior parte da doutrina


brasileira: (i) presunção de veracidade e legitimidade; (ii) imperatividade; (iii) 151
autoexecutoriedade; e (iv) tipicidade. A presunção de legitimidade é a presumida edição do
ato em conformidade com o Direito, suas regras e princípios, permitindo ao ato a produção
de seus efeitos próprios desde sua publicação, de forma a conferir celeridade no
funcionamento da Administração, que, para fazer valer seus atos, não precisa demonstrar
que eles são juridicamente válidos. Ressalte-se que se trata de presunção relativa,
porquanto a legitimidade do ato pode ser questionada, mas caberá ao interessado provar
seu descompasso com as regras e princípios jurídicos, determinando, na prática, uma
inversão do ônus da prova em favor da Administração Pública.

II – CORRETA

A “teoria dos motivos determinantes” dispõe que, expostos os motivos que justificaram a
edição do ato (motivação), eles vinculam o próprio ato, de modo que, havendo vício no
motivo enunciado, o ato como um todo será ilegal. Assim, ainda que se trate de ato em que
o motivo seja discricionário, uma vez explicitado, ele deverá ser verdadeiro e consonante
com os princípios da Administração Pública, sob pena de invalidade do ato (STJ, AgRg no
RMS 32.437/MG).

III – INCORRETA

O item inverteu os significados de anulação e revogação: a anulação é a extinção por


ilegalidade originária do ato, possuindo efeitos ex tunc (retroativos) via de regra; a
revogação é modalidade de extinção do ato administrativo por motivo de oportunidade ou
conveniência, com efeitos ex nunc (prospectivos).

IV – INCORRETA

A convalidação é modalidade de correção de ato com vício de ilegalidade, possível quando


tal ilegalidade repouse em defeitos sanáveis do ato (competência, salvo material ou
exclusiva; e forma, salvo se essencial à validade, da substância do ato). Entende-se que o 152
vício de ilegalidade atinge o ato desde a sua edição e, portanto, a convalidação opera efeitos
ex tunc, retroagindo à data de edição do ato. Anote-se que controverte a doutrina sobre a
natureza discricionária ou vinculada da decisão de convalidação.

96. Em se tratando de mandado de segurança coletivo, é correto afirmar que

A) o mandado de segurança coletivo induz litispendência para as ações individuais.

B) a impetração de mandado de segurança coletivo por entidade de classe em favor dos


associados depende da autorização destes.

C) a entidade de classe não tem legitimação para o mandado de segurança coletivo quando
a pretensão veiculada interesse apenas a uma parte da respectiva categoria.
D) configura particularidade procedimental do mandado de segurança coletivo, a
necessidade de oitiva prévia da pessoa jurídica de direito público para o deferimento da
medida liminar.

RESPOSTA - D

COMENTÁRIOS

A – INCORRETA

A assertiva contraria texto expresso de lei, qual seja o art. 22, §1º, da Lei de Mandado de
Segurança (Lei Federal nº 12.016/09), segundo o qual o mandado de segurança coletivo não
induz litispendência para as ações individuais.

B – INCORRETA

A atuação de entidade classe em mandado de segurança coletivo é hipótese de substituição


153
processual, e não representação, prescindindo, assim, de autorização dos associados,
conforme entendimento consolidado no Enunciado nº 629 da Súmula do STF: “A
impetração de mandado de segurança coletivo por entidade de classe em favor dos
associados independe da autorização destes”.

C – INCORRETA

O item contém afirmação contrária ao entendimento do STF consagrado no Enunciado nº


630 de sua Súmula: A entidade de classe tem legitimação para o mandado de segurança
ainda quando a pretensão veiculada interesse apenas a uma parte da respectiva categoria.

D – CORRETA

Trata-se de reprodução do art. 22, §2º, da Lei do Mandado de Segurança, que dispõe que,
“No mandado de segurança coletivo, a liminar só poderá ser concedida após a audiência do
representante judicial da pessoa jurídica de direito público, que deverá se pronunciar no
prazo de 72 (setenta e duas) horas”.

97. A Constituição prevê ações específicas de controle da Administração Pública, às quais


a doutrina se refere com a denominação de remédios constitucionais. Quais seriam os
remédios constitucionais passíveis de serem utilizados, individualmente, por qualquer
pessoa física?

A) Habeas corpus e querela nullitatis.

B) Ação rescisória e mandado de injunção.

C) Mandado de segurança individual e habeas data.

D) Ação popular e mandado de segurança individual.


154

RESPOSTA - C

COMENTÁRIOS

São remédios constitucionais as seguintes ações: habeas corpus; habeas data; mandado de
segurança, mandado de injunção; ação popular; e ação civil pública.

Não se enquadra nesse rol, portanto, a querela nullitatis e ação rescisória, eliminando-se as
alternativas A e C. Para fins de conhecimento, é importante ressaltar que a querela
nullitatis, de origem medieval, não tem previsão no CPC, mas é aceita pela jurisprudência
dos Tribunais Superiores (v.g. STJ. REsp 12.586/SP), com cabimento sempre que houver
vício na constituição do processo (ex. vício na citação; surgimento de nova prova após o
prazo decadencial da rescisória; afronta direta a princípios constitucionais; etc.), podendo
ser proposta a qualquer tempo, uma vez que não está sujeita a decadência ou prescrição.

Em relação às alternativas C e D, embora ambas tragam exemplos de remédios


constitucionais, apenas as ações prescritas na alternativa C (mandado de segurança
individual e habeas data) podem ser utilizados, individualmente, por qualquer pessoa física,
vez que a ação popular só poderá ser proposta por CIDADÃO, reconhecido como aquele que
possua título de eleitor, conforme disposto no art. 1º, § 3º, da Lei Federal nº 4.717/1965,
não sendo legitimado à propositura, portanto, toda e qualquer pessoa física.

98. Sobre a Lei nº 8.666/93, que institui normas para licitações e contratos da
Administração Pública, é correto afirmar que

A) concorrência é a modalidade de licitação entre interessados devidamente cadastrados


155
ou que atenderem a todas as condições exigidas para cadastramento até o terceiro dia
anterior à data do recebimento das propostas, observada a necessária qualificação.

B) é inexigível a licitação para a compra ou locação de imóvel destinado ao atendimento das


finalidades precípuas da administração, cujas necessidades de instalação e localização
condicionem a sua escolha, desde que o preço seja compatível com o valor de mercado,
segundo avaliação prévia.

C) nos processos de licitação, poderá ser estabelecida margem de preferência para bens e
serviços produzidos ou prestados por empresas que comprovem cumprimento de reserva
de cargos prevista em lei para pessoa com deficiência ou para reabilitado da Previdência
Social e que atendam às regras de acessibilidade previstas na legislação.

D) é dispensável a licitação para aquisição de materiais, equipamentos, ou gêneros que só


possam ser fornecidos por produtor, empresa ou representante comercial exclusivo,
vedada a preferência de marca, devendo a comprovação de exclusividade ser feita através
de atestado fornecido pelo órgão de registro do comércio do local em que se realizaria a
licitação ou a obra ou o serviço, pelo Sindicato, Federação ou Confederação Patronal ou,
ainda, pelas entidades equivalentes.

RESPOSTA - C

COMENTÁRIOS

A – INCORRETA

A assertiva traz a definição da modalidade de licitação denominada tomada de preços que,


segundo o art. 22, §2º da Lei de Licitações (Lei nº 8.666/93) é aquela entre interessados
devidamente cadastrados ou que atendam a todas as condições exigidas para
cadastramento até o terceiro dia anterior à data do recebimento das propostas, observada
a necessária qualificação. A concorrência, por sua vez, está prevista no §1º desse mesmo
artigo e corresponde à modalidade de licitação entre quaisquer interessados que, na fase 156
inicial de habilitação preliminar, comprovem possuir os requisitos mínimos de qualificação
exigidos no edital para execução de seu objeto.

B – INCORRETA

A situação prevista na assertiva trata de hipótese de licitação dispensável, conforme art.


29, inciso X, da Lei de Licitações.

C – CORRETA

Trata-se de reprodução do art. 3º, §5º, inciso II, da Lei de Licitações.

D – INCORRETA
A assertiva trata de hipótese de licitação inexigível, conforme art. 25, inciso I, da Lei de
Licitações.

99. Em relação aos agentes públicos, analise as afirmativas a seguir.

I. À Administração Pública não é possível aplicar aos servidores a pena de demissão em


processo disciplinar, se ainda em curso a ação penal a que responde pelo mesmo fato.

II. O STF firmou a tese de que a contratação por tempo determinado para atendimento de
necessidade temporária de excepcional interesse público em desconformidade com os
preceitos do art. 37, IX, da CF/88, não gera quaisquer efeitos jurídicos válidos, com exceção
do direito à percepção dos salários referentes ao período trabalhado e ao levantamento
dos depósitos efetuados no FGTS.

III. A estabilidade compreende a garantia constitucional do servidor público estatutário 157


nomeado em virtude de concurso público, de permanecer no serviço público após o período
de 3 (três) anos de efetivo exercício, enquanto a efetividade representa situação jurídica
que qualifica a titularização de cargos efetivos, para distinguir-se da que é relativa aos
ocupantes de cargo em comissão.

IV. Os notários e os registradores são titulares de cargo público efetivo, exercem atividade
estatal e, de acordo com o entendimento do Supremo Tribunal Federal, são considerados
servidores públicos, independentemente do tempo de serviço.

Está(ão) correta(s) a(s) afirmativa(s)

A) I, II, III e IV.

B) III, apenas.

C) I e II, apenas.

D) II e III, apenas.
RESPOSTA - D

COMENTÁRIOS

I - INCORRETA

Como sabido, as instâncias penal, cível e administrativa são relativamente independentes,


havendo vinculação tão somente quando, no juízo criminal, houver reconhecimento da
inexistência do fato, negativa de autoria ou excludentes de ilicitude. Nesse sentido, os arts.
125 e 126 da Lei Federal nº 8.112/1990, o art. 935 do CC/02 e os arts. 65-67 do CPP.
Registre-se que, nesse diapasão, a absolvição criminal por insuficiência de provas ou porque
o fato não constitui crime não impede eventual condenação do servidor no âmbito
administrativo ou até mesmo civil. Ante o exposto, nada impede a condenação de servidor
à demissão em processo administrativo

II – CORRETA
158
Trata-se de entendimento firmado pelo STF em sede de repercussão geral, considerando,
no caso de saldo de salários, a vedação ao enriquecimento ilícito da Administração, que se
beneficiou dos serviços prestados pelo servidor temporário irregularmente contratado, e,
em relação aos depósitos de FGTS, por incidência do art. 19-A da Lei Federal nº 8.036/1990
(RE nº 765.320, j. em 20/09/2016).

III - CORRETA

De acordo com o STF: a estabilidade é o direito de permanência no serviço público no cargo


em que fora admitido, sendo impossível sua demissão fora das hipóteses constitucionais,
conforme estabelece o art. 41 da CF/88 e, de forma excepcional, o art. 19 do ADCT; a
efetividade, diferentemente, somente é adquirida por concurso público, incorporando o
servidor na carreira, com direito aos benefícios privativos de seus integrantes e à
progressão funcional, inclusive com filiação ao RPPS. De acordo com o Supremo, aquele que
goza da estabilidade excepcional do art. 19 do ADCT, como não foi aprovado em concurso
público, não é servidor efetivo, de modo que não integra a carreira, não gozando dos
benefícios que lhe são próprios, vinculando-se ao RGPS, e não ao RPPS (ADI 114 e ARE
1.069.876 AgR).

IV – INCORRETA

Para o STF, os notários e registradores NÃO são servidores públicos (AR 660.781 AgR).
Lembrem-se que, nos termos do art. 236 da CF/88, os serviços notariais e de registro são
serviços públicos, mas exercidos em caráter privado. A Lei Federal nº 8.935/1994
regulamenta esse dispositivo constitucional e dispõe sobre os serviços notariais e de
registro.

100. O serviço público poderá ser prestado direta ou indiretamente pelo Estado e neste 159
aspecto, de acordo com o texto constitucional do art. 175, a prestação indireta se dará
sob o regime de permissão ou concessão. A respeito da concessão e permissão de serviços
públicos, analise as afirmativas a seguir.

I. A concessão de serviço público pode ser definida como o contrato administrativo pelo
qual a Administração Pública delega a outrem a execução de um serviço público, para que
o execute em seu próprio nome, por sua conta e risco, mediante tarifa paga pelo usuário
ou outra forma de remuneração decorrente da exploração do serviço.

II. A encampação que consiste em retomada do serviço pelo poder concedente durante o
prazo da concessão, por motivo de interesse público, e a declaração de caducidade da
concessão decorrente da inexecução total ou parcial contrato representam situações de
extinção da concessão.

III. A permissão e a concessão de serviços públicos apresentam, entre outras, a seguinte


diferença: a primeira dispensa a exigência de licitação e pode ser feita à pessoa física ou à
jurídica que, por sua conta e risco, demonstre capacidade para seu desempenho; já a
segunda, só à pessoa jurídica ou a consórcios de empresas e não prescinde de licitação.

IV. De acordo com a Lei nº 8.987/1995, se extinta a concessão de serviço público em razão
do advento do termo do contrato e o poder concedente venha a decidir que os bens afetos
ao serviço público, de propriedade do concessionário, sejam incorporados ao poder público,
o instituto utilizado pelo poder concedente para incorporar os bens do concessionário ao
patrimônio público denomina-se reversão.

Estão corretas as afirmativas

A) I, II, III e IV.

B) I e IV, apenas.

C) II e III, apenas.

D) I, II e IV, apenas

160

RESPOSTA - D

COMENTÁRIOS

I – CORRETA

Trata-se do conceito de concessão de serviço público apresentado pelo art. 2º, II, da Lei
Federal nº 8.987/1995. Destaque-se que, na concessão, a remuneração deve advir da
exploração do serviço público, o que não se resume à cobrança de tarifas. É possível, com
efeito, que o concessionário seja remunerado por receitas alternativas, complementares,
acessórias ou de projetos associados, consoante dispõe o art. 11 da referida Lei. Ressalve-
se que, na PPP (Lei Federal nº 11.079/2004), modalidade especial de concessão de serviço
público, temos sempre a contraprestação do parceiro público, adicionalmente à tarifa
cobrada dos usuários no caso da patrocinada, ou exclusivamente no caso da administrativa.
II – CORRETA

A assertiva traz corretamente os conceitos de encampação e caducidade, formas de


extinção do contrato de concessão de serviço público, trazidos pela Lei Federal nº
8.987/1995 em seus arts. 35, 37 e 38, in verbis:

Art. 35. Extingue-se a concessão por:


[...]
II - encampação;
III - caducidade;
[...]
Art. 37. Considera-se encampação a retomada do serviço pelo poder
concedente durante o prazo da concessão, por motivo de interesse
público, mediante lei autorizativa específica e após prévio
pagamento da indenização, na forma do artigo anterior. 161
Art. 38. A inexecução total ou parcial do contrato acarretará, a
critério do poder concedente, a declaração de caducidade da
concessão ou a aplicação das sanções contratuais, respeitadas as
disposições deste artigo, do art. 27, e as normas convencionadas
entre as partes.

III – INCORRETA

Nos termos da Lei Federal nº 8.987/1995, tanto a concessão quanto a permissão de serviço
público dependem de licitação prévia, exigindo-se, ainda, a modalidade de concorrência
para a primeira [na permissão, a licitação pode ser por qualquer modalidade licitatória].
Confira-se o teor do art. 2º, II e IV, da Lei, in litteris:

Art. 2º Para os fins do disposto nesta Lei, considera-se:


[...]
II - concessão de serviço público: a delegação de sua prestação, feita
pelo poder concedente, mediante licitação, na modalidade de
concorrência, à pessoa jurídica ou consórcio de empresas que
demonstre capacidade para seu desempenho, por sua conta e risco
e por prazo determinado;
IV - permissão de serviço público: a delegação, a título precário,
mediante licitação, da prestação de serviços públicos, feita pelo
poder concedente à pessoa física ou jurídica que demonstre
capacidade para seu desempenho, por sua conta e risco.

IV – CORRETA

Nos termos do art. 36 da Lei Federal nº 8.987/1995, quando do advento do termo final da
concessão ou permissão de serviço público, a reversão determina a incorporação dos bens
vinculados ao serviço, desde que indenizados os correspondentes investimentos feitos pelo
162
delegatário ainda não amortizados ou depreciados. Vejamos:

Art. 36. A reversão no advento do termo contratual far-se-á com a


indenização das parcelas dos investimentos vinculados a bens
reversíveis, ainda não amortizados ou depreciados, que tenham
sido realizados com o objetivo de garantir a continuidade e
atualidade do serviço concedido.