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Gestão Pública

2º Semestre

Universidade Braz Cubas - UBC

Mogi das Cruzes/SP

2016
Av. Francisco Rodrigues Filho, 1233 - Mogilar

CEP 08773-380 - Mogi das Cruzes - SP

Reitor: Prof. Maurício Chermann

EQUIPE DE PRODUÇÃO CORPORATIVA

Gerência: Adriane Aparecida Carvalho

Orientação Pedagógica: Karen de Campos Shinoda

Coordenação de Produção: Diego de Castro Alvim

Revisão de Textos: Adrielly Rodrigues, Taciana da Paz

Coordenação de Edição e Arte: Michelle Carrete

Diagramação: Amanda Holanda

Ilustração: Everton Arcanjo

Impressão: Grupo VLS / Jet Cópias

Imagens: Fotolia / Acervo próprio

Os autores dos textos presentes neste material didático assumem total

responsabilidade sobre os conteúdos e originalidade.

Proibida a reprodução total e/ou parcial.

© Copyright UBC 2016


Sumário

Sumário

A Braz Cubas 5
Guia de Estudos do Semestre 7

Economia 9

Filosofia e ética 71

Direito Previdenciário e Tributário 133

Marketing 183

Matemática Financeira 227


A Braz Cubas

A Braz Cubas

Nascida em 1940, na cidade de Mogi das Cruzes, a Braz Cubas, que iniciou suas
atividades com um pequeno curso preparatório, conta hoje com cerca de 20 mil alu-
nos, entre as modalidades presencial e educação a distância.

Ao longo desses 75 anos no mercado, a instituição passou por diversas trans-


formações, abrigando, inclusive, cursos de ginásio, nível médio, comércio, até que
chegou a Faculdade de Direito, em 1965.

O ensino superior, estimulado pela política da educação, cresceu em todo o


País e a Braz Cubas, atendendo às exigências e necessidades do mercado, continuou
a crescer, tanto no aspecto acadêmico, quanto no social, até que em 1985, o Conse-
lho Federal de Educação reconhece a então Federação das Faculdades Braz Cubas
como Universidade.

A importante notícia veio valorizar a região de Mogi das Cruzes e premiar uma
longa carreira de bons serviços prestados à educação brasileira, formando profissio-
nais competentes e capacitados ao mercado de trabalho.

Missão

Valorizar as pessoas, despertando talentos por meio de uma aprendizagem


diferente para desenvolver hoje o ser humano para o amanhã.

Visão

Ser reconhecida como uma instituição de Ensino centrada na aprendizagem.

Valores

Cidadania, humanização, sabedoria, humildade e transparência.

5
Guia de Estudos do Semestre

Guia de Estudos do Semestre

Uma das vantagens em estudar em EaD é que podemos administrar o nosso


próprio tempo. Administrar o próprio tempo é contar com uma boa organização
para se dedicar ao conteúdo de cada disciplina.

Antes de iniciar a sua organização, entenda como as disciplinas do semestre


lhe serão oferecidas.

Você já sabe que em cada semestre terá 5 disciplinas para estudar, correto?
Mas, você não verá as 5 de uma única vez. Para que possa aproveitar ao máximo
cada uma delas, fizemos uma organização, que chamaremos de “Dinâmica das
Disciplinas”.

As 5 disciplinas, que nomearemos como “A”, “B”, “C”, “D” e “E”, foram dividas em
3 blocos.

Em cada bloco você estudará até duas disciplinas em um período de 6 semanas.

Para cada semana você terá um conteúdo a ser estudado, consequentemente


uma atividade a ser desenvolvida. Essas atividades, assim como a sua explicação,
você encontrará em sua plataforma de estudos (AVA), a sua sala de aula virtual.

Vamos entender toda essa dinâmica?

Veja no esquema abaixo a organização do semestre.

Bloco 1
Período Disciplinas Conteúdo a ser estudado
1ª semana AeB Unidade I
2ª semana AeB Unidade II
Avaliação de Verificação
3ª semana AeB
(unidades I e II)
4ª semana AeB Unidade III
5ª semana AeB Unidade IV
Avaliação Presencial
6ª semana AeB
(unidades I, II, III e IV)

7
Guia de Estudos do Semestre

Bloco 2
Período Disciplinas Conteúdo a ser estudado
1ª semana CeD Unidade I
2ª semana CeD Unidade II
Avaliação de Verificação
3ª semana CeD
(unidades I e II)
4ª semana CeD Unidade III
5ª semana CeD Unidade IV
Avaliação Presencial
6ª semana CeD
(unidades I, II, III e IV)

Bloco 3
Período Disciplinas Conteúdo a ser estudado
1ª semana E Unidade I
2ª semana E Unidade II
Avaliação de Verificação
3ª semana E
(unidades I e II)
4ª semana E Unidade III
5ª semana E Unidade IV
Avaliação Presencial
6ª semana E
(unidades I, II, III e IV)

É importante salientar que as informações dos períodos e as disciplinas que


cursará neste semestre estão no “Roteiro de Aula”, disponível em sua Área do Aluno.

Com isso você está preparado para iniciar os estudos!

Lembre-se que para o bom desempenho você deverá ter organização e plane-
jamento, além, claro, de muita disciplina.

Desejamos que tenha um ótimo semestre e conte sempre conosco!

8
Produção do conteúdo: 2º sem./2013
Economia Disciplina 1

Sumário da Disciplina

Apresentação 13
O Professor 15
Introdução 17

1 Unidade I
Introdução à Teoria Econômica 19
1.1 A Teoria Econômica 19
1.2 Agentes Econômicos 20
1.3 Curva de Possibilidade de Produção 21
1.4 Setores Econômicos 23
1.5 Organização Econômica 23
1.6 Problema Fundamental do Sistema Econômico 24
1.7 Divisões da Economia 25
1.8 Considerações da Unidade I 25

2 Unidade II
Introdução à Microeconomia 27
2.1 A Teoria Microeconômica 27
2.2 Utilidade Marginal Decrescente 29
2.3 A Curva de Demanda 29
2.4 A Curva de Oferta 29
2.5 A Curva da Oferta Individual 31
2.6 Democracia, Distribuição de Renda e Movimento 32
2.7 Elasticidade 34
2.8 Considerações da Unidade II 34

3 Unidade III
Câmbio 37
3.1 Definições e Conceitos 38
3.2 Mercado de Câmbio 39
3.3 O que são Taxas de Câmbio? 39
3.4 Desvalorização e Valorização Cambial 40
3.5 Sistema de Bretton Woods 41
3.6 Sistemas de Taxas Flutuantes 43
3.6.1 Relações Paritárias no Brasil 43
3.7 Fatores que afetam as Taxas de Câmbio em Longo Prazo 45
3.8 Pagamentos Internacionais 47
3.9 Considerações da Unidade III 48

4 Unidade IV
Comércio Internacional 51
4.1 Definições e Conceitos 52
4.2 Teoria do Comércio Internacional 53
4.2.1 Teoria da Vantagem Absoluta 55
4.2.2 A Teoria da Vantagem Absoluta 56

11
Disciplina 1 Economia

4.2.3 Teoria e Prática 57
4.3 Teoria da Política Comercial 58
4.3.1 Tarifas 58
4.3.2 Subsídios 59
4.3.3 Cotas de Importação 60
4.3.4 Controles Cambiais 62
4.3.5 Proibição de Importação (ou Exportação) 62
4.3.6 Monopólio Estatal 63
4.3.7 Lei de Compras de Produtos Nacionais 63
4.3.8 Depósito Prévio à Importação 64
4.3.9 Barreiras Não Tarifárias 64
4.3.10 Acordos Voluntários da Restrição às Exportações (AVRE) 65
4.4 Integração Econômica Internacional 66
4.5 Considerações da Unidade IV 66
Referências 69

12
Economia Disciplina 1

Apresentação

Caro(a) aluno(a),

É com muita satisfação que estarei com você durante este curso de Economia
na modalidade de educação a distância.

A EaD é uma forma moderna de troca de conhecimento, que a cada dia recebe
novos alunos em função da flexibilidade que o estudante tem para exercer suas ati-
vidades de estudo.

Nos dias de hoje a necessidade de trabalhar, estudar e de cuidar da família é


uma realidade cada vez mais constante para jovens e adultos e, por isso, sei que você
que decidiu fazer este curso é uma pessoa diferenciada: optou por encarar o desafio
e não deixou ser levado pela maré, mas decidiu construir o caminho pelo qual o rio
correrá.

Para que o seu estudo seja efetivo, é preciso que você se dedique com muita
atenção ao conteúdo aqui inserido, bem como que acompanhe todas as videoaulas
que estão à sua disposição no Ambiente Virtual de Aprendizagem (AVA). Qualquer
dúvida, entre no ícone de dúvidas e poste o assunto para que eu possa esclarecer a
questão.

Não deixe também de cumprir os prazos para as atividades, pois elas o ajuda-
rão a assimilar o conteúdo apresentado aqui.

Bons estudos!

13
Economia Disciplina 1

O Professor

Prof. Ms. Antonio Carlos Lima

Mestre em Gestão Internacional pela ESPM


(2015) - Pós Graduado em Finanças (2003)
e graduação em Economia pela Faculdade
de Economia Finanças e Administração de
São Paulo (1982) e graduação em Admi-
nistração de Empresas pela Faculdade de
Administração e Ciências Econômicas San-
tana (1981). É coordenador do Curso de
Logística (Presencial) na Universidade Braz
Cubas. Professor na Faculdade Santa Rita
de Cássia.

15
Economia Disciplina 1

Introdução

Esta disciplina tem a missão de facilitar a sua compreensão sobre os aspectos


econômicos que estão vivos na sociedade.

O entendimento dos fundamentos econômicos trará a você um diferencial fun-


damental para a progressão pessoal, profissional e até mesmo política, pois é fato que
quando aparecem notícias econômicas nos telejornais, jornais e/ou revistas, é comum
trocarmos de canal ou passarmos para outra página.

Por que fazemos isto? Pelo simples fato de não conhecermos seus fundamentos,
não entendermos o que falam ou o que está escrito e até mesmo somos forçados a en-
frentar situações de falta de produtos, fruto de manobras dos agentes produtivos, como
levados a acreditar em discursos políticos eleitoreiros.

Não temos a pretensão de criar cientistas econômicos, mas habilitar você a am-
pliar a sua leitura crítica de jornais e notícias sobre a atuação do governo, das empresas,
trabalhadores e indivíduos quando relacionados aos aspectos econômicos.

Durante nossos encontros através das teleaulas, atividades e fóruns, abordare-


mos a teoria econômica de forma prática e simples, pois a economia é oriunda de ativi-
dades simples da administração de um lar, ampliada para conceitos de administração
de empresas e nações.

Nesta unidade, nós trabalharemos a introdução à teoria econômica e fundamen-


taremos as explicações sobre sua origem e áreas de estudo.

Sinta-se à vontade para entrar em contato comigo pelo Ambiente Virtual de


Aprendizagem (AVA) durante o curso, para que possamos juntos ampliar nossos
conhecimentos.

17
Economia Disciplina 1

1 Unidade I

Introdução à Teoria Econômica

Objetivos da unidade:

• Apresentar a teoria econômica, desde a sua origem até a conceitua-


ção moderna;

• Conhecer as diversas definições de Economia pelos economistas


proeminentes da nossa época.

Competências e Habilidades:

• Análise crítica e comparativa da teoria econômica com o cotidiano.

1.1  A Teoria Econômica

Estamos inseridos num mercado em que somos afetados por várias situações
de natureza econômica e que, muitas vezes, não podemos fugir, como: aumentos de
impostos; desemprego; alterações nas taxas de juros; variação cambial.

Essas situações nos acompanham de longa data, e vêm construindo o dia a


dia das pessoas e por consequência, da sociedade regional, nacional e internacional.

É impossível imaginar uma pessoa que não viva segundo as leis básicas da eco-
nomia, administrando a escassez de recursos e equilibrando oferta e demanda de
acordo com as possibilidades individuais ou familiares.

Imagine os seguintes casos para exemplificar a proximidade da economia em


sua vida diária.

19
Disciplina 1 Economia

Caso 1

Otacílio, quando se formou no início da década de 70, recebeu a oferta de qua-


tro diferentes oportunidades de emprego. Naquela época, a riqueza gerada no Brasil
crescia a uma taxa média de 8% ao ano, ou seja, praticamente não havia desempre-
go. Hoje, seu filho Jr., que recentemente se formou na faculdade, enfrenta sérias
dificuldades para conseguir um trabalho, pois a taxa de desemprego é superior a da
década de 70.

Por que a taxa de desemprego varia de um período para outro?

Caso 2

Gilberto comprou uma geladeira e um aparelho de TV em 1993, ano em que


se casou. No início de 2003, ele constatou que os preços desses eletrodomésticos
caíram 30% ao longo desse período.

Por que os preços caem ou sobem de um ano para outro?

Atenção:

Vá para o AVA e acesse o material que lhe dará a resposta para esta per-
gunta, que deverá ser apresentada no fórum para discussão.

1.2  Agentes Econômicos

São as pessoas, tanto de natureza física como jurídica, que através dos seus
movimentos, acionam os mecanismos econômicos que contribuem com o funciona-
mento do sistema econômico, que são:

Famílias – sendo os indivíduos e/ou unidades familiares


que, como consumidores, adquirem bens e serviços. De
outra maneira são fornecedores e/ou contribuem como
fator de produção;

20
Economia Disciplina 1

Firmas – empresas encarregadas na produção e comer-


cialização de produtos e serviços para atendimento dos
consumidores diversos;

Governo – organizações que diretamente ou indiretamen-


te estão sob o controle do estado, nas esferas municipais,
estaduais e federais, atuando ora como produtor de bens
e serviços, ora como consumidor dos mesmos bens;

Resto do mundo – são todos os países que venham a ter


relação comercial com o Brasil, atuando como consumi-
dores do nosso excedente de produção.

1.3  Curva de Possibilidade de Produção

Em cada dia útil de trabalho, é possível produzir uma quantidade específica de


bens e serviços, que estão limitados aos recursos disponíveis e tecnologia utilizada.
Por outro lado, existem as necessidades ilimitadas. Assim, deve-se estudar as diver-
sas combinações de possibilidades de produção que possam melhor maximizar a
necessidade dos consumidores. Esse estudo de possíveis combinações de produção
chama-se CURVA DE POSSIBILIDADES DE PRODUÇÃO.

Um exemplo é imaginar que os recursos disponíveis em uma área geográfica,


que detém uma determinada tecnologia produtiva, podem produzir refrigerante e
isotônico em um específico período nas mais diversas combinações e que gera a
seguinte curva de produção para esses bens:

Produção de refrigerantes Produção de isotônico (mi-


Possibilidades
(milhões de litros mês) lhões de litros por mês)
A 30 0
B 28 1
C 24 2
D 18 3
E 10 4
F 0 5

Fonte:Elaborado pelo autor.

21
Disciplina 1 Economia

Fonte: Elaborado pelo autor.

A fronteira de possibilidades para o refrigerante e o isotônico mostra o limite


de produção para esses dois bens, dado os recursos totais disponíveis para produzi-
-los. Caso sejam utilizados todos os recursos para produzir o refrigerante, serão pro-
duzidos 30 milhões de litros em um mês (possibilidade A). Por outro lado, não será
produzido nenhum isotônico nesse mesmo período. Se por uma razão de demanda
a produção atual estiver atuando na possibilidade D, 18 milhões de litros de refrige-
rante e 3 milhões de unidades de isotônico e decide-se que é necessário produzir 4
milhões de isotônico, migrando para a possibilidade E, a diferença entre 18 e 10 (8)
milhões de litros de refrigerante é custo de oportunidade de produção.

Eficiência Produtiva – Custo de oportunidade – Como você viu, a produção


As produções tanto de máxima entre dois produtos a serem produzidos em
refrigerantes como de uma firma está representada pela curva de possibili-
isotônicos serão realiza- dades de produção, o que, para que seja produzido
das utilizam-se todos os mais refrigerantes, inevitavelmente deverá ocorrer
recursos produtivos dis- uma diminuição na produção de isotônico. Dessa ma-
poníveis, dessa maneira neira, o custo de um produto será expresso pelo sacri-
estarão produzindo em fício de produção de outro produto. Vale lembrar que
cima da curva de possi- o processo de escolha é uma constante nas nossas
bilidades de produção; vidas, e na área de produção existem com mais fre-
quência devido à escassez dos recursos produtivos;

Desemprego – Em qualquer ponto que estiver dentro da curva de possibilidades de pro-


dução, significará que não estarão sendo utilizados todos os recursos produtivos disponí-
veis. Dessa maneira, os recursos estarão em ociosidade, pois estão trabalhando abaixo da
sua eficiência produtiva. Quando isso acontece, dizemos que os recursos estão em desem-
prego, sem utilização no processo produtivo.

22
Economia Disciplina 1

1.4  Setores Econômicos

Os setores econômicos são classificados de acordo com a intensidade de utili-


zação dos recursos econômicos (naturais, humanos e de capital), que são:

O setor primário = utiliza de forma mais intensa os recursos naturais (terra) e


cobre as atividades de agricultura, pecuária e extração vegetal;

O setor secundário = utiliza de forma mais intensa os recursos de capital e


engloba as atividades de transformação, ou seja, indústria de manufatura em geral;

O setor terciário = utiliza de forma mais intensiva os recursos humanos, e são


considerados como setores de serviço, comércio, transporte, comunicação, ensino
e intermediação financeira. No Brasil, esses setores estão mais ou menos divididos
assim: 12% Primário, 35% Secundário e 53% Terciário. Antes dos anos 70, o setor
primário era o mais representativo, entre 70 e 90 o setor secundário foi o mais re-
presentativo e, atualmente, o setor terciário é o que tem maior participação na eco-
nomia brasileira;

O quarto setor, que são as Organizações Não Governamentais (ONGs), atuam


no campo das atividades comunitárias, sem fins lucrativos, com o objetivo de contri-
buir para a melhoria dos setores carentes da economia.

1.5  Organização Econômica

Os caminhos de qualquer nação para solucionar seus problemas passarão pela


escolha do tipo de organização econômica adotada que melhor resolverão o dia a dia
das pessoas, empresas e governo. Essa escolha fará com que o governo dê respostas
diretas ou não para os problemas básicos da economia, que são: o quê, o como e
para quem produzir, os quais definiremos a seguir.

Economia mista de Mercado (Capitalismo) – Economia que parte dos recur-


sos produtivos pertence ao Estado e outra à iniciativa privada. Nesse tipo de sistema
o Estado é o responsável pela orientação e o controle de muitos aspectos da econo-
mia. Para que isso aconteça, se utiliza das firmas públicas e de outros instrumentos,
como legislação e tributação. No setor privado deverá trabalhar conforme a sua efi-
ciência produtiva. Ex: Você tem duas vacas. Você vende uma e compra um touro.

23
Disciplina 1 Economia

A economia planificada centralmente tem vertentes claramente identificáveis,


que definimos a seguir:

Economia Planificada Centralmente (Socialismo) – Economia na qual todos


os recursos produtivos pertencem ao Estado. Neste caso o Estado, como Órgão Pla-
nejador Central, elabora os planos de produção de todos os setores econômicos de
acordo com as necessidades a serem atendidas. Ex: Você tem duas vacas. O Estado
toma uma e a dá a alguém;

Economia Planificada Centralmente (Comunismo) – Economia na qual to-


dos os recursos produtivos pertencem ao Estado. Neste caso o Estado, como Órgão
Planejador Central, elabora os planos de produção, de acordo com as necessidades
a serem atendidas, com o trabalho conjunto da população, que é destinado para os
locais de trabalho definidos pelo Estado. Ex: Você tem duas vacas. O Estado toma
as duas, faz você cuidar delas e lhe dá o leite;

Economia Planificada Centralmente (Facismo) - Economia na qual todos os


recursos produtivos pertencem ao Estado. Neste caso o Estado, como Órgão Pla-
nejador Central, elabora os planos de produção de acordo com as necessidades a
serem atendidas. Ex: Você tem duas vacas. O Estado toma as duas e lhe vende o
leite.

No Brasil, vivemos em Economia mista de mercado, na qual o capitalismo im-


pera na gestão dos recursos produtivos com a intervenção do Estado, orientando,
corrigindo e até mesmo impondo regras para a regulação do mercado.

1.6  Problema Fundamental do Sistema Econômico

Independente de qual é o sistema econômico, qualquer economia deve


decidir como melhor alocar os recursos e, para isso, deve analisar três questões
fundamentais:

a) O que produzir? Que bens e serviços serão produzidos, já que os recursos


são escassos e não disponíveis para atender todas as necessidades?

b) Como produzir? Qual a melhor combinação de fatores produtivos será uti-


lizada para produzir? Como não desperdiçar recursos e como ser eficiente
no sistema produtivo? Nesse momento, nasce a necessidade de determi-
nar a tecnologia utilizada.

24
Economia Disciplina 1

c) Para quem produzir? Esta questão diz respeito exclusivamente à distribui-


ção do produto, que depende do nível e da distribuição da renda pessoal.
Quanto maior a renda de um indivíduo, maior a parcela de produto da eco-
nomia que ele pode adquirir.

1.7  Divisões da Economia

A economia está dividida em dois principais ramos de atividade: a microecono-


mia e a macroeconomia.

1 - Microeconomia:

Estuda as unidades, consumidores, empresas, trabalhadores, proprietários de recursos


etc. Unidades que são componentes da economia e o modo como suas ações e decisões
estão inter-relacionadas. A análise microeconômica é também conhecida como a teoria
dos preços, pois em uma economia liberal é o funcionamento do livre mecanismo do
sistema de preços que articula e coordena as ações dos produtores e consumidores. Um
bom exemplo de análise microeconômica é o de um produtor que precisa decidir por
produzir a melhor combinação de bens ou serviços que lhe permitirá maior lucro.

2 - Macroeconomia:

Esta tenta explicar as relações entre os grandes agregados econômicos, consumo, pou-
pança, investimento, produto e renda nacional, níveis de emprego, níveis de preço geral,
inflação, balança comercial internacional etc. Por exemplo: se estivermos estudando as
variações na oferta de dinheiro, suas causas e seus efeitos no fluxo de bens e serviços,
emprego e desemprego ou renda nacional, estamos utilizando o instrumento analítico
da macroeconomia.

1.8  Considerações da Unidade I

Caro(a) aluno(a), espero que o uso desta primeira unidade tenha servido como
base para a iniciação à Teoria Econômica. Também gostaria que aqui tivesse sido
desmistificado a tese de que economia é para poucos, já que vimos que sua origem
se deu dentro das casas dos indivíduos.

25
Disciplina 1 Economia

Convido você para assistir à videoaula I e ficar atento aos aspectos que definem
a Teoria Econômica, que é a administração de recursos limitados para atendimento
de necessidades infinitas. No AVA você poderá dar continuidade as atividades desta
unidade. Prepare-se e não se esqueça de entregá-las no prazo.

Na unidade seguinte, você irá estudar uma das mais utilizadas cadeiras da eco-
nomia, a microeconomia, que é a teoria que estuda as influências unitárias dos fato-
res econômicos, preços, quantidade, oferta, demanda e alguns outros fatores.

26
Economia Disciplina 1

Unidade II
2

Introdução à Microeconomia

Objetivos da unidade:

• Estudar a demanda de bens e serviços;

• Apresentar a Utilidade Marginal;

• Entender a curva de demanda e oferta;

• Compreender a elasticidade - uma medida de resposta.

Competências e Habilidades:

• Entendimento das forças de demanda e oferta;

• Compreensão para desenvolver o conceito de ponto de equilíbrio de


mercado no planejamento de preço;

• Conhecimento da importância da elasticidade para a empresa.

2.1  A Teoria Microeconômica

A microeconomia estuda as partes da economia como se fossem partes de


um mercado específico. Por exemplo, a indústria de petróleo no Brasil, a indústria
do algodão no Brasil, os preços do transporte em São Paulo, o comportamento dos
consumidores de chocolate durante o inverno. Esses são exemplos de partes da eco-
nomia que são estudadas pela microeconomia.

27
Disciplina 1 Economia

Nesta unidade, você entrará em contato com teoremas que lhe ajudarão a
compreender o comportamento do preço em relação à quantidade de produtos
ofertados, e você irá também estudar como preço e quantidade evoluem e podem
ser expressos por números índices, que são chamados elasticidade.

Espero que aprecie os conceitos apreendidos aqui, como ferramentas para au-
xílio nas tomadas de decisões sobre investimentos e relações comerciais, seja de
venda ou compra de um bem ou serviço.

Sendo assim, a microeconomia estuda as unidades (consumidores, firmas, tra-


balhadores, proprietários dos recursos etc.), componentes da economia e o modo
como suas decisões e ações são inter-relacionadas. Ou seja, ela cuida, individual-
mente, do comportamento dos consumidores e produtores com vista à compreen-
são do funcionamento geral do sistema econômico.

Imagine os seguintes casos para exemplificar a proximidade dessa teoria eco-


nômica em sua vida diária.

Caso 1

Nos primeiros dias de Janeiro, é muito comum os principais jornais do país


apresentarem matérias sobre as liquidações que algumas grandes lojas de departa-
mento fazem. Uma delas anuncia que os eletrodomésticos terão descontos de até
70%, prevendo faturar R$ 15 milhões em dois dias. De madrugada as filas já se for-
mam na porta dessa loja. O gerente de loja diria: “os consumidores são muito sensí-
veis a preços”. O economista diria: “a demanda por eletrodomésticos é elástica”.

Caso 2

Em 1973, quando a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP)


decidiu restringir a extração de óleo, diga-se, reduzir a oferta, o preço do petróleo
subiu substancialmente de USD 2,50 / barril para USD 30,00 / barril, em 1979, mas,
mesmo assim, o consumo de petróleo continuou a ser praticamente o mesmo. O
economista diria: a demanda por petróleo é inelástica.

Caso 3

Um último exemplo, quando o CD player foi introduzido no mercado, em 1983,


custava mais de USD 1.000,00, e foram poucos os consumidores que decidiram com-
prá-lo. Desde então, o preço vem caindo muito e, como consequência disso, as ven-
das aumentaram drasticamente. O economista diria: “a demanda por CD Players é
elástica com relação ao preço”.

28
Economia Disciplina 1

2.2  Utilidade Marginal Decrescente

A teoria de utilidade se baseia na constatação de que o consumidor obtém uti-


lidade ou satisfação pelo consumo de bens e serviços. Utilidade significa benefício, e
marginal é a satisfação adicional que se tem ao consumir outra unidade do mesmo bem.

Imagine você em uma churrascaria de espeto corrido, em que por R$ 15,00


você pode comer à vontade. Após quatro corridas de carne, você rejeita o suculento
pedaço de picanha, pois a sua satisfação está completa.

O mesmo acontece quando você toma água, a sua satisfação decresce a cada
copo de água ingerido.

2.3  A Curva de Demanda

A curva de demanda de mercado é uma relação que descreve quanto de um


bem os consumidores estão dispostos a adquirir, a diferentes níveis de preços.

Atenção:

Vamos entender sobre demanda nos materiais disponíveis no AVA.

Até lá!!!

2.4  A Curva de Oferta

A oferta pode ser definida como: oferta individual de um determinado bem/


serviço, ou a quantidade que um único produtor deseja vender no mercado por um
período de tempo.

29
Disciplina 1 Economia

Existem elementos que influenciam a oferta e que estão listados abaixo:

O preço do bem – A quantidade ofertada (aquela que é vendida) de um bem, é in-


fluenciada pelo seu preço. Percebemos que, quando o produtor quer vender um bem,
quanto maior for o seu preço, maior será a sua motivação para produzi-lo, resultando
em uma maior produção.

Em contrapartida, quanto menor for o seu preço, menos motivado o produtor estará
em produzir, o que resultará em menor quantidade produzida do bem. Você perce-
beu que o preço do bem, nesse caso, tem relação direta com a quantidade produzida?

Preço dos fatores de produção – Você já viu que os fatores de produção são: terra,
trabalho, capital, capacidade empresarial e tecnologia. Então, quanto menor for o
preço pago pelo produtor pelos fatores de produção, menor será o preço do bem a
ser oferecido para os consumidores. Perceba que o lucro não é mexido (reduzido),
mas com um menor custo de produção é que o preço do bem será diminuído.

O preço dos bens relacionados – A oferta de um determinado produto pode ser afetada
pela variação dos preços de outros produtos, podendo ser divididos em: bens comple-
mentares na produção e bens substitutos na produção.

Bens Complementares na produção Bens Substitutos na produção


São aqueles que apresentam alteração na pro- São aqueles bens que são produzi-
dução em razão da variação de preço de outro dos com os mesmos recursos pro-
bem. dutivos. Podemos citar uma fazenda
que planta amendoim e soja. Se o
Ex.: Se citarmos um aumento no preço da car-
preço de um deles subir no merca-
ne, ouviremos também o aumento do preço do
do, o produtor ficará encorajado em
sapato. Ora, o que tem a ver aumento da carne
plantar o produto que dará o maior
com aumento de sapatos? A razão é simples, o
lucro, deixando de produzir o produ-
gado é vendido, como chamam “em pé”. Então,
to que render menos para ele.
se todos os componentes do corpo do gado
aumentarem de preço, os produtos derivados
desses componentes, também, aumentarão. O
couro é um componente que subiu de preço, no
nosso exemplo, e que é matéria-prima do sapa-
to. Então, os sapatos também subirão de preço.

30
Economia Disciplina 1

Bens Substitutos na produção – São aqueles bens que são produzidos com os mes-
mos recursos produtivos. Podemos citar uma fazenda que planta amendoim e soja.
Se o preço de um deles subir no mercado, o produtor ficará encorajado em plantar o
produto que dará o maior lucro, deixando de produzir o produto que render menos
para ele.

Expectativas sobre preços – São expectativas sobre o que pode ocorrer no futuro,
vejamos: Como uma notícia de uma geada ao sul dos Estados Unidos (USA), prejudi-
cando a colheita de laranjas. O produtor nacional, provavelmente, pode reter a co-
lheita brasileira de laranjas para provocar um aumento no produto, se aproveitando
dos preços mais altos.

Condições Climáticas – Relativas a geadas, vendaval e enchentes, ocorrendo alguma


catástrofe climática, ocorrerá uma diminuição de oferta do produto, consequentemente
o produto em questão sofrerá aumento de preço pela diminuição produzida do produto.

2.5  A Curva da Oferta Individual

A escala de oferta de um produtor individual mostra a quantidade de um deter-


minado produto ou serviço que o produtor estará disposto a oferecer, nos diferentes
valores de preço, pressupondo que tudo o mais permaceça constante (coeteris paribus).

Através do quadro abaixo, tomado como exemplo um fabricante de sapatos:

PREÇO QUANTIDADE/MÊS PONTO


140,00 500 A
120,00 400 B
100,00 300 C
80,00 200 D
60,00 100 E

Fonte: Elaborado pelo autor.

Esta tabela apresenta as quantidades de sapatos que o produtor está disposto


a produzir e, consequentemente, a oferecer no mercado, a cada preço oferecido.

Nesta escala, você percebe que a cada preço oferecido a mais, o produtor es-
tará disposto a produzir mais, e a cada preço menor, o produtor responde com uma
produção também menor, o que se verifica que o preço do produto tem uma relação
direta com a quantidade ofertada.

31
Disciplina 1 Economia

Essa relação pode ser demonstrada graficamente, como:

Fonte: Elaborado pelo professor.

LEI GERAL DA OFERTA

A oferta de um produto, ou serviço, varia na razão direta entre o preço e


a quantidade ofertada, tendo como pressuposto que as variáveis que afetam a
oferta permaneçam constantes (coeteris paribus).

2.6  Democracia, Distribuição de Renda e Movimento

À medida que o número de pessoas aumenta, mais habitações, alimentos, rou-


pas e serviços são necessários. Portanto, o crescimento da população implica no
aumento da demanda por esses produtos e serviços, e a curva original se desloca
para outra direção.

O poder de compra, em uma região, depende do contingente populacional


e da renda dos consumidores. Em cada estado ou região brasileira, há áreas com
grandes diferenças em renda e em densidade populacional. Por exemplo: a região
Sudeste, com cerca de 73 milhões de habitantes em 2002, possui 42,3% da popula-
ção brasileira e contribui com mais de 60% da renda nacional, o que a torna o grande
mercado de bens e serviços. Por outro lado, o Nordeste, com aproximadamente 50
milhões de habitantes em 2002, tem ainda um baixo poder aquisitivo, apenas 1/7 da
renda nacional.

32
Economia Disciplina 1

A mobilidade da população também influencia o sistema de comercialização


de bens e serviços. Aproximadamente 15% dos brasileiros não residem em seus es-
tados de origem. A renda, ou capacidade de comprar, é um grande fator de deslo-
camento de uma curva de demanda. Por exemplo, na Suíça, com um pouco mais
de sete milhões de habitantes e renda per capita em torno de USD 35.000 por ano,
constitui um mercado de alimentos muito maior do que o da América Latina, com 30
milhões de habitantes e renda per capita de USD 2.500,00 por ano.

Sendo assim, conclui-se que a curva de demanda se desloca de acordo com a


classe social de cada região.

No Brasil, o potencial estimado de consumo divide-se da seguinte forma:

Potencial Estimado de con-


Renda Média
Classe social Brasil (%) sumo urbano em bilhões de
(R$)
dólares
A1 8.850,00 1 20,4
A2 5.615,00 4 50,2
B1 3.667,00 7 48,4
B2 2.420,00 12 56
C 1.267,00 31 78
D 650,00 33 34
E 350,00 12 13,0
TOTAL 100 300,0

Fonte: Elaborado pelo autor.

A relação consumo/renda varia de acordo com o nível de satisfação marginal


de cada família e, segundo o estatístico alemão Ernst Engel, quanto mais pobre uma
família, maior é a proporção de sua renda gasta com alimentos.

Os princípios da lei de Engel são:

Quanto maior Para qualquer O percentual da À medida que


é o nível de nível de renda, renda destinada à aumenta a renda,
renda de uma a família gasta habitação e ener- a percentagem
família, menor aproximada- gia é invariavel- de gastos com
é a proporção mente a mesma mente o mesmo. produtos e
relativa gasta com percentagem em serviços extras é
alimentos. vestuário. cada vez maior.

33
Disciplina 1 Economia

2.7  Elasticidade

Imagine que você tem um restaurante e seu negócio está indo bem. Mas, você
ficou preocupado ao saber que outro restaurante está abrindo as portas num local
muito próximo ao seu, o que vai aumentar a concorrência. Como você está tendo
um lucro razoável, estaria disposto a baixar um pouco o preço das refeições do seu
restaurante, mas a intrigante pergunta que você faz é: “Se eu baixar o preço em 10%,
qual vai ser o aumento no número de fregueses?”. Em outras palavras, você quer sa-
ber a resposta dos consumidores a uma queda no preço das refeições. Ou seja, você
precisa estimar quão sensíveis são os clientes à variação no preço.

A maneira de medir a sensibilidade dos consumidores a algumas variações de


preço do produto, preço do produto substituto ou de renda, é por meio da elasticidade.

A fórmula geral da elasticidade é:

Existem três tipos de elasticidade: elasticidade-preço da demanda, elasticidade


cruzada da procura e elasticidade-renda.

Atenção:

Nós iremos estudar a elasticidade-preço, por tratar-se de um curso intro-


dutório à microeconomia. Essa questão está no AVA, com exemplos práti-
cos e esclarecimentos quanto ao cálculo.

2.8  Considerações da Unidade II

Nesta unidade, você aprendeu como a economia estuda os detalhes de um


segmento específico, e explica como é o comportamento de preço e quantidade em
função da variação do preço ao longo do tempo. Outros aspectos que estudamos
aqui foram as razões que deslocam uma curva de demanda, e algumas delas são: de-
mografia, nível de distribuição de renda; preços dos produtos substitutos; processos
de urbanização; mudanças nos gostos e nas preferências, e propaganda.

34
Economia Disciplina 1

Você também aprendeu que a utilidade marginal de um bem ou serviço, é de-


crescente ao longo do consumo de unidades crescentes, o que causa uma utilidade
marginal decrescente ao longo do aumento de consumo de unidades similares de
bens ou serviços.

Por fim, percebe-se que é possível criar um número índice para representar o
potencial de variação de quantidade de venda de um produto em função da variação
do preço.

Como complemento da leitura desta unidade, assista a segunda videoaula.


Nela, abordaremos esses conceitos de forma diferenciada. Caso tenha dúvidas, le-
ve-as para o nosso Fórum dentro da plataforma de estudos (AVA – Ambiente Virtual
de Aprendizagem).

35
Economia Disciplina 1

Unidade III
3

Câmbio

Objetivos da unidade:

• Permitir otimizar o sistema de câmbio de uma organização;

• Avaliar a política monetária do governo e os instrumentos de câmbio;

• Conhecer as políticas de câmbio nas suas diversas áreas: políticas


internas e externas.

Competências e Habilidades:

• Compreensão da importância do câmbio no sistema de trocas


internacionais;

• Mensuração do impacto do câmbio na economia nacional e


internacional;

• O mapeamento e modelagem das possíveis oportunidades de


negócios no sistema de trocas por moedas estrangeiras.

37
Disciplina 1 Economia

3.1  Definições e Conceitos

O preço de uma moeda em relação à outra é chamada de taxa de câmbio. Ela


afeta a economia de qualquer país e altera o cotidiano das pessoas, pois quando o
dólar americano se desvaloriza frente ao real, nossas mercadorias ficam mais caras
para serem exportadas, ocorrendo uma queda nas exportações. Em contrapartida,
serão dispendidos menos reais para realizar as viagens de turismo para o exterior,
aumentando-se assim o número de turistas lá fora.

Na situação contrária, quando o dólar se valoriza frente ao real, as mercado-


rias brasileiras se tornam mais baratas, aumentando as nossas exportações para os
países importadores, e nas viagens para os turistas brasileiros ao exterior, terão que
dispender mais reais para fazer a planejada viagem para os países afora.

A conclusão é bastante simples. Quanto maior a taxa de câmbio, maiores são


as chances das mercadorias produzidas no Brasil conseguirem compradores interna-
cionais, o que aumentará nossas exportações, trazendo divisas internacionais para
o país. Quanto menores as taxas de câmbio, menores são as chances de vendermos
nossos produtos que aqui produzimos.

Observando pelo lado da importação, quanto menor for a taxa de câmbio,


maiores serão as importações de mercadorias para o Brasil dos outros países, pois
os preços dos produtos produzidos lá fora estarão com preços mais baixos do que os
que são produzidos no mercado brasileiro. Já, quanto maior for a taxa de câmbio, os
produtos produzidos por outros países estarão mais caros, o que reduzirá a impor-
tação desses produtos. A mesma situação ocorre quanto ao turismo internacional.

O início do estudo sobre finanças internacionais e a sistematização do merca-


do de câmbio é no mercado financeiro, em que são determinadas as taxas de câm-
bio. Antes dos anos 80, as taxas de câmbio no Brasil eram altamente voláteis. Isso
significava que era um mercado no qual pessoas podiam ganhar muito dinheiro na
compra de moeda estrangeira, no caso, o dólar como podia perder muito dinheiro
por causa da oscilação da moeda.

Já na década de 90, o governo do presidente Itamar Franco culminou numa


cartada derradeira contra a inflação, predominante no Brasil por mais de 50 anos,
corroendo os detentores de renda fixa, como: os salários dos trabalhadores que per-
diam poder de compra frente aos produtos e serviços de consumo, como também as
pessoas que tinham propriedades alugadas, que reajustavam seus aluguéis de ano
em ano. Essa estabilidade inflacionária teve continuidade no governo posterior, do
presidente Fernando Henrique Cardoso, que fez com que a nova moeda, o Real, se
valorizasse, tendo consequências nas taxas de câmbio.

38
Economia Disciplina 1

Quais fatores explicam o fortalecimento e o posterior enfraquecimento


do real frente ao dólar americano?

Por que as taxas de câmbio variam de um dia para outro?

Quem define o valor cambial do real frente ao dólar?

3.2  Mercado de Câmbio

Grande parte dos países do mundo tem suas próprias moedas. O Brasil tem o
real, os Estados Unidos, o dólar, a Comunidade Econômica Europeia, o euro, e assim
por diante. Quando os países se deparam com o comércio, existe o envolvimento da
troca mútua de diferentes moedas. O que na verdade acontece, é o procedimento de
depósitos bancários efetuado em moedas diferentes.

Quando uma empresa brasileira compra um determinado produto ou serviço


fora do território nacional, é necessário que ela deposite seus reais no Banco do
Brasil, através de formulários da Siscomex, o que será encaminhado para o Banco
Central brasileiro para que ele possa fazer a transferência do valor da compra para
o Banco Central do país que estava vendendo a mercadoria ou serviço em questão.

O comércio de moedas e depósitos bancários ocorre no mercado de câmbio,


e para se ter uma ideia, o volume transacionado diariamente em todo o mundo, em
média, ultrapassa a cifra de U$ 1 trilhão. As trocas monetárias no mercado de câmbio
determinam as taxas para o câmbio das moedas dos países, as quais determinam o
custo de se adquirir produtos e serviços no exterior.

3.3  O que são Taxas de Câmbio?

A taxa de câmbio é o preço, em moeda nacional, de uma unidade de moeda es-


trangeira. Dessa maneira, ao dizer que um dólar americano vale dois reais, a relação
cambial entre as duas moedas já está sendo expressa, como ilustrado abaixo:

39
Disciplina 1 Economia

US$ 1,00 = R$ 2,00

Atenção:

Ainda há muito o que falar sobre taxa de câmbio. No AVA você vai encon-
trar o material que complementa esse assunto.

3.4  Desvalorização e Valorização Cambial

Toda vez que ocorre um aumento no preço da moeda estrangeira, como exem-
plo: R$ 3,50 para cada USD 1,00 (relação real x dólar americano), dá-se o nome de
desvalorização cambial. Esse termo significa que a moeda nacional passa a ter me-
nos valor frente à moeda estrangeira, e traz desdobramentos importantes na econo-
mia de um país.

Uma desvalorização da taxa de câmbio ocasiona o estímulo para as empresas


exportadoras brasileiras ou de qualquer país, uma vez que as empesas que estão
comprando, ou seja, os importadores, aqueles que compram em outros países, pre-
cisarão dispender menos dólares para comprar nossos produtos.

Quando um país vive em situação inflacionária, os impactos de uma desvalori-


zação cambial não podem ser deixados de lado, uma vez que ela aumenta os custos
dos produtos importados. No caso dos fatores de produção importados, uma desva-
lorização cambial significa um aumento nos custos de produção, o que, consequen-
temente, a empresa produtora repassará esses custos para os preços dos produtos,
acabando por elevar o preço dos produtos internos finais.

Importante dizer que essa desvalorização cambial afeta o país que contrai dívidas
externas, sendo de maneira crucial, pois uma vez que o valor da moeda internacional
aumenta, aumenta também a dívida do governo, que terá que dispender mais reais
para poder cobrir o valor a ser pago pelos juros e amortização da sua dívida externa.

Em contrapartida, quando acontece a conversão da moeda dólar para real,


como no exemplo acima citado, R$ 3,50 para cada USD 1,00 (relação real x dólar ame-
ricano), em consequência de fatos econômicos, políticos e ou especulativos, a taxa
passa a ser R$ 3 para cada USD 1,00. Nesse caso, dizemos que ocorreu uma valori-
zação cambial, o que significa que o real se valorizou frente ao dólar, mesmo que
a moeda real esteja com uma margem de desvalorização de 100% frente ao dólar.

40
Economia Disciplina 1

O Brasil teve uma fase de valorização do real frente ao dólar, no período de


1994 a 1999, no início do governo Fernando Henrique Cardoso, em que o Brasil man-
teve uma paridade de: R$ 1 para cada USD 1,00. Com essa taxa de câmbio vigente,
as importações cresceram consideravelmente, tendo os brasileiros acesso aos pro-
dutos, do então chamado primeiro mundo, o que era notado pelos carros, bebidas,
roupas e outros produtos mais que invadiram nosso cotidiano.

Os empresários brasileiros foram forçados a descontinuarem seus negócios,


ou a investirem em outros segmentos de mercado, para sobreviverem à concorrên-
cia dos produtos importados a preços diferenciados dos produtos nacionais.

Para poder suplantar a situação das importações estimuladas e exportações


desestimuladas, o governo teve que lançar mão do endividamento interno para po-
der cobrir o déficit nas contas governamentais.

3.5  Sistema de Bretton Woods

Ao final da 2ª Grande Guerra Mundial, 45 países se reuniram na pequena ci-


dade americana de Bretton Woods, Estado de New Hampshire, em julho de 1944.
O Brasil foi representado por uma comitiva chefiada pelo Ministro da Fazenda na
época, Roberto Campos. Essa Conferência foi convocada para construir uma nova
ordem econômica mundial que pudesse impedir novos cataclismos, como os que
aconteceram durante a Grande Depressão dos anos 1930.

Em 22 de julho de 1944, ficou acertado um documento firmado para que ocor-


resse a reestruturação dos países ressurgidos das cinzas da Segunda Guerra Mun-
dial. Foi determinado que haveria um fundo encarregado de dar estabilidade ao sis-
tema financeiro internacional, bem como um banco responsável pelo financiamento
da reconstrução dos países atingidos pela destruição e pela ocupação, sendo:

FMI (Fundo Monetário Internacional);

BIRD (Banco Internacional para a Reconstrução e o Desenvolvimento), ou


simplesmente World Bank, Banco Mundial, apelidados, então, de os Pilares da Paz.

A ideia do FMI e do BIRD era evitar crises, mas eles deveriam ser restritos a um
punhado de países. Por isso, essas instituições nasceram com objetivos relativamen-
te modestos. Porém, de 1944 para cá, as coisas mudaram. O padrão-ouro, sobre o
qual fora construída a Nova Ordem, foi desmantelado em 1973, o dólar tornou-se a

41
Disciplina 1 Economia

moeda hegemônica de reserva mundial, e os ativos financeiros são, hoje, centenas


de vezes mais importantes que os comerciais.

Os problemas em conta corrente dos países tornaram-se insignificantes. Para


evitá-las, cada país tratou de acumular reservas, com enormes sacrifícios para o
bem-estar de sua população. Grande parte dessas reservas constitui-se, hoje, de tí-
tulos do Tesouro dos Estados Unidos, o que cria novas distorções. É que reservas
são sobras de dólares que só podem ser obtidas por meio da formação de superavit
comerciais; como não há superavit sem contrapartida de déficit (em outros países),
a situação atual está montada sobre desequilíbrios estruturais, justamente o que se
pretendeu evitar em Bretton Woods.

Com a diminuição das crises em conta corrente, em contrapartida, o mundo


inteiro ficou vulnerável a maremotos gigantescos nas contas de capitais (em que
são registrados os fluxos em moeda), com enorme força de contágio global. A partir
da década de 70, a função principal do FMI foi a de socorrer as crises financeiras
mundiais como um bombeiro, devido a vários problemas de pagamento por parte
de especulações financeiras e investimento em infraestrutura nos países em desen-
volvimento.

O FMI ficou ultrapassado diante das novas dimensões da economia mundial.


Seus ativos não passam de US$ 330 bilhões. Se tivesse, hoje, o tamanho do seu início,
seria da ordem de US$ 1 trilhão, o que fica claro que os juros cobrados aos países
em crise financeira são sobremaneira menores do que os praticados nos mercados
internacionais.

Os Estados Unidos, por não terem sido invadidos pelas tropas nazistas, tiveram
perdas menores em detrimento daqueles situados na Europa e que necessitavam de
uma reconstrução. Com isso, a moeda americana se tornou a moeda representativa
desse novo sistema monetário.

Os Estados Unidos da América se comprometeram em manter o dólar ancora-


do ao ouro, o que nessa condição, o dólar não poderia variar em relação ao valor do
ouro. Na convenção, o valor foi fixado em USD 35,00 por onça de ouro. No entanto,
a crescente demanda pelo dólar dos países de todo o mundo, fez com que os Esta-
dos Unidos emitissem a moeda americana sem o devido lastro em ouro, problema
levado à ONU tendo como desfecho a desvalorização do dólar frente ao ouro e a
finalização da paridade das moedas em todo o mundo no ouro.

42
Economia Disciplina 1

3.6  Sistemas de Taxas Flutuantes

Com as crises de 1971/1973 e os sucessivos problemas de saldos negativos no


balanço de pagamentos dos Estados Unidos, ocorre uma forte pressão para a des-
valorização do dólar. Por decorrência disso, em 1976, na Jamaica (Kingston), o Fundo
Monetário Internacional (FMI) modificou seus estatutos e reconheceu o novo regime
de taxas flutuantes.

Diante dessa decisão, o preço oficial do ouro em relação à moeda foi abolido. O
FMI concedeu liberdade para os países membros administrarem suas taxas de câmbio.
Os países, sem um parâmetro de conversão devido a não paridade com o ouro, come-
çaram a atrelar suas moedas em uma moeda existente que desse garantia e segurança
para eles. Mesmo com a desvalorização do dólar perante o ouro, o dólar americano foi
a moeda preferida para servir de âncora para muitos países, inclusive para o Brasil.

3.6.1  Relações Paritárias no Brasil

No Brasil, como já sabemos, é utilizada a moeda norte-americana como de


curso legal, isto é, serve como moeda para pagamento dentro do território nacional
tanto como o nosso real, apesar disso não ser uma prática muito comum de qual-
quer povo, ou seja, transitar com duas moedas. No nosso caso, é devido à relação de
muita volatilidade entre o real e o dólar.

Com isso, é comum ser noticiado, nos jornais e televisão, a relação entre o real
e o dólar americano e, evidenciado pelo Banco Central do Brasil as paridades de
compra e venda sempre em relação ao dólar.

43
Disciplina 1 Economia

As paridades das diversas moedas são organizadas em dois grupos:

44
Economia Disciplina 1

As paridades entre as moedas variam constantemente, e não é difícil vermos a


variação delas entre o período matutino, vespertino e noturno. Por isso, não se pode
garantir a estabilidade de uma moeda em relação à outra até mesmo por alguns
dias, quanto mais por períodos longos, como fizeram alguns países, como já citado a
Argentina, pois desestabilizam seu Balanço de Pagamentos.

Diversos fatores contribuem para a inconstante variação dos valores da taxa


de câmbio, tais como: mudança de política econômica do país, fatores políticos, fato-
res econômicos, guerras, conflitos etc.

3.7 Fatores que afetam as Taxas de Câmbio em Longo Prazo

Analisando as várias possibilidades, o certo a dizer é que os níveis relativos de


preços, além de outros fatores, afetam a taxa de câmbio. Contudo, em longo prazo, o
entendimento acontece da seguinte maneira: qualquer fator que aumenta a demanda
por um produto feito no Brasil em detrimento do produto importado tende a valorizar
a moeda nacional, no caso, o real. Isso porque, os produtos nacionais continuarão a
ser vendidos, mesmo com a valorização do real. Da mesma forma, qualquer fator que
aumente a demanda por produtos estrangeiros em relação à produtos brasileiros, ten-
de o real a se desvalorizar frente à moeda estrangeira, porque as vendas dos produtos
brasileiros só continuarão altas se o valor do real estiver mais baixo.

Em longo prazo, há quatro fatores principais que contribuem para afetar a taxa
de câmbio:

Preços Relativos – De acordo com a teoria da Paridade do Poder de Compra,


quando os preços dos produtos brasileiros sobem (quando os preços dos produtos
importados se mantêm constantes), a demanda por nossos produtos tenderá a cair.
Nesse caso, o real tenderá a se desvalorizar para que os níveis de venda dos nossos
produtos possam reagir. Em contrapartida, se os produtos importados subirem de
preço, a demanda pelos importados cairá, aumentando a demanda pelos produtos
brasileiros, valorizando o nosso real;

Em longo prazo: Um aumento no nível de preços de um país (em relação


ao nível de preços estrangeiros) faz com que sua moeda se desvalorize, e uma
queda no nível relativo de preços do país causa a valorização de sua moeda.

45
Disciplina 1 Economia

Tarifas e Cotas – As barreiras do livre comércio, como as tarifas (imposto so-


bre produtos importados) e cotas (restrições quantitativas à importação de bens es-
trangeiros), podem afetar a taxa de câmbio. Suponha que o Brasil adote um sistema
de tarifa e/ou de cotas para um produto importado, o que terá como consequência,
um aumento de preço pelo produto ou a oferta restrita pela cota. Isto terá reflexo
no aumento da demanda pelo produto nacional, valorizando, assim, o real frente a
moeda estrangeira;

Em longo prazo, elas causam a valorização da moeda de um país.

Preferências por Produtos Nacionais versus Produtos Estrangeiros – Se


os brasileiros manifestarem sua preferência por produtos americanos, a crescente
demanda por esses produtos (exportação para os americanos), tende a valorizar o
dólar, porque a venda dos produtos americanos continuará a ser alta mesmo com o
valor do dólar alto. Da mesma forma, se os americanos decidirem comprar produtos
brasileiros, a demanda crescente por produtos brasileiros (importação) tende a des-
valorizar o dólar;

A demanda crescente de um país por exportações causa valorização de


sua moeda em longo prazo; por outro lado, a demanda crescente por importa-
ções causa desvalorização da moeda nacional.

Produtividade – Se um país se torna mais produtivo do que outros países, os


empresários nesse país podem reduzir os preços dos produtos nacionais em relação
aos produtos estrangeiros e, ainda assim, ter lucro. Consequentemente, a demanda
por produtos nacionais aumenta, e a moeda nacional tende a se valorizar porque a
venda dos produtos continuará alta com um valor mais alto para a moeda. Se, no
entanto, sua produtividade ficar aquém em relação à outros países, seus produtos se
tornam relativamente mais caros, e a moeda tende a se desvalorizar.

À medida que um país torna-se mais produtivo em relação à outros paí-


ses, sua moeda é valorizada.

46
Economia Disciplina 1

3.8  Pagamentos Internacionais

A atividade de comércio internacional leva em conta a troca de mercadorias, e


é exatamente na diferença de preços relativos entre eles que provoca-se uma atua-
ção do Banco Central de cada país para dirimir o problema. O preço relativo é a rela-
ção de troca entre quantidades físicas de dois bens.

Para facilitar as trocas, sabemos que todos os produtos são expressos em uni-
dades monetárias, e que cada país adota uma moeda própria. Como isso é uma
questão presente em todo o mundo, vale salientar algumas questões:

Como são feitos os pagamentos internacionais, se as mercadorias transaciona-


das são pagas em dinheiro, mas não são transferidas diretamente entre o importa-
dor e o exportador?

Sendo cada país autônomo em relação a sua moeda, quais moedas são aceitas
internacionalmente como meio de pagamento?

Se alguma moeda é aceita como forma de pagamento internacional, qual é a


proporção desta moeda em relação às demais?

Como as transações comerciais internacionais são efetuadas em dinheiro, en-


tão é necessário um mecanismo de transferência dos valores de um país para o ou-
tro e determinar uma taxa de conversão de uma moeda para outra também.

Como você sabe, o Brasil adota para as relações comerciais internacionais o


dólar americano, o que facilita a transferência no mercado cambial dos agentes eco-
nômicos envolvidos.

O Banco Central de cada país controla as entradas e saídas de moeda estran-


geira, que denotará as chamadas “reservas” de cada país no balanço de pagamento.
Para melhor visualização desse procedimento, veja o quadro abaixo:

47
Disciplina 1 Economia

Fonte: Elaborado pelo autor.

Dica de Leitura:

GONÇALVEZ, Orivaldo. Câmbio. Ed. Aduaneiras.

3.9  Considerações da Unidade III

Nesta unidade, você conheceu as premissas básicas do câmbio e de como ele


é utilizado dentro do sistema nacional e mundial, o que fará com que você adentre
e discuta a abordagem da economia em qualquer área, seja ela organizacional, no
caso de investimentos internacionais e de relações comerciais internacionais, ou seja
no discernimento sobre as decisões políticas governamentais e sua relação com o
resto do mundo.

O conteúdo de câmbio é de suma importância para o seu desempenho no


mundo moderno, pois onde existe uma relação de troca entre países, o conhecimen-
to das formas de atuação do câmbio trará um diferencial para que você possa se
diferenciar dos seus pares nos momentos de decisão, atuando nos vários segmentos
da nossa economia, bem como também na economia mundial.

48
Economia Disciplina 1

A riqueza da disciplina ultrapassa o conteúdo apresentado, o que, para apro-


fundar seus conhecimentos, você deve fazer uso dos diversos livros de economia
existentes. Além disso, participe dos fóruns para solucionar suas dúvidas.

O assunto aqui apresentado será exibido na videoaula, em que será comple-


mentado com informações pertinentes.

Será divulgado a você algumas discussões no AVA para melhor captação do


assunto exposto.

A seguir, entraremos em Comércio Internacional.

49
Economia Disciplina 1

4 Unidade IV

Comércio Internacional

Objetivos da unidade:

• Entender a Teoria do Comércio Internacional com as teorias das


Vantagens Absolutas e Comparativas;

• Saber como um país trata sua política comercial para enfrentar


seus rivais internacionais;

• Conhecer as diversas práticas de proteção dos países contra a


importação.

Competências e Habilidades:

• Mensuração da importância do comércio internacional;

• Compreensão do impacto dos diversos tipos de proteção utilizados


pelos países a fim de desencorajar as importações;

• Conhecimento sobre a construção de medidas protecionistas


eficientes.

51
Disciplina 1 Economia

4.1  Definições e Conceitos

Imagine se você pudesse ser totalmente autossuficiente. Dessa maneira, você


teria que construir sua própria casa, produzir suas roupas, seus alimentos, sua ma-
neira de locomoção, enfim, teria que reunir todas as qualidades sozinho para produ-
zir e suprir todas as suas necessidades básicas.

Você já se imaginou nessa situação? Ter que produzir sozinho tudo aquilo que
precisa? Ao analisar essa situação, passa pela cabeça que o seu padrão de vida cairia
sobremaneira, devido ao fato de que faltariam recursos para tudo que você neces-
sitaria e/ou desejaria, tais como: recursos materiais, monetário, tempo e até mesmo
habilidade para algumas tarefas necessárias para tudo.

A conclusão que você tirou de tudo isso, é que não faz parte de todo proces-
so produtivo de todos os produtos que consumimos e aí vem a seguinte pergunta:
Como você pode resolver esse problema?

A resposta para esse problema é encontrado no início da civilização, quando


deixamos de ser nômades, fixamo-nos em determinados locais, e a partir daí, desen-
volvemo-nos como comunidades. Cada indivíduo começou a se especializar, isto é,
passou a trabalhar apenas nas atividades em que tinha melhor habilidade. Assim,
poderia produzir uma quantidade maior que o necessário para vender ou trocar a
sobra por outros produtos que fossem necessários para seu consumo e/ou suprisse
seu desejo.

Mas, não é isso que acontece na realidade? Cada um de nós tenta hoje estudar
e se qualificar na profissão que tem maior habilidade, seja medicina, economia, en-
genharia, pedagogia e habilidades manuais, para então exercer uma profissão como
médico, economista, pedreiro, e assim busca tirar vantagem naquilo que se faz de
melhor, ganhando uma remuneração satisfatória para fazer frente às nossas neces-
sidades e/ou desejos.

Essa especialização acontece também quando falamos de países, pois sabe-


mos que cada país tem recursos que outro não tem, por isso, cada país pode ter
uma vantagem perante outro devido aos recursos que estão dentro de sua fronteira.
Alguns países podem ter uma grande extensão de terra cultivável, outro pode ter
mão de obra especializada e outros terem capital para empréstimo e investimento.

Vendo desta forma, já imaginamos quais países tem esse diferencial, que é
chamado de fatores de produção, e é exatamente esse diferencial que torna um
país mais rico ou mais pobre em relação a outro, ou mais especificamente, os custos
de produção variam de um país para outro.

52
Economia Disciplina 1

Ah! Agora você pode perceber que se um país tiver vantagem competitiva so-
bre outro país na produção de um determinado bem ou serviço, por ter custos me-
nores, seus produtos terão um preço melhor do que os que não têm esse diferencial,
o que então poderá ser comercializado por meio do comércio internacional.

O comércio internacional propicia ao país ter acesso aos países com maior
vantagem competitiva na produção de bens e serviços, ao aproveitar as melhores
habilidades produtivas de certos produtos e empregar seus esforços para produzir
aqueles produtos em que tem melhor produtividade.

Dessa maneira, os países produzem as mercadorias que têm maior habilidade


e em consequência maior produtividade e trocam seu excedente com outros países
pelas mercadorias que necessitam e que não têm a mesma produtividade do que se
fosse produzir internamente.

O interesse pelo comércio internacional é antigo, contudo, cresceu sobrema-


neira nos dias atuais, especialmente porque, a partir do governo Fernando Collor de
Melo, no final dos anos 80 e início dos anos 90, houve uma abertura econômica das
fronteiras brasileiras para produtos importados.

O Brasil se apresentou, de forma exuberante, à decisões tomadas pelos agen-


tes econômicos e pelos empresários nacionais, na intenção de entrar no jogo de tro-
cas internacionais, melhorar as condições de emprego interno e consequentemente,
a balança comercial brasileira.

Para refletir:

Os países deveriam produzir tudo que necessitassem sem precisar depen-


der dos outros para suprir as suas necessidades. Dessa maneira, não fica-
riam mais pobres por ter que mandar suas divisas, enriquecendo os países
exportadores.

O que acha dessa visão patriótica?

4.2  Teoria do Comércio Internacional

Você pôde perceber que há uma forte razão que leva os países ao comércio in-
ternacional, que é a vantagem que um país tem sobre outro, e que pode envolver tanto
produtos de consumo comum como de sobrevivência de uma nação, como vacinas
contra epidemia, petróleo para abastecimento de aquecimento da população etc.

53
Disciplina 1 Economia

Quando falamos de fatores de produção, segundo Passos, são da seguinte


ordem:

1 2 3 4
As desigualdades Diferenças interna- Desigualdades nas Diferenças nos está-
entre nações no cionais no tocante disponibilidades gios de desenvolvi-
tocante às reservas a fatores climáticos estruturais de capital mento tecnológico.
não reprodutíveis (que são determi- e trabalho.
(recursos naturais). nados pela altitude,
longitude, topografia
e tipo de superfície),
e a fatores endáficos
(natureza e distribui-
ção de solos).

Com a combinação desses quatro fatores é que surge a divisão internacional


do trabalho, a especialização das nações. É a partir do comércio externo que temos
como contribuição a internacionalização dos processos econômicos e a impressio-
nante aceleração das taxas de dependência econômica em detrimento aos países do
resto do mundo.

Para que você tenha uma ideia da dependência de que alguns países têm da
exportação de seus produtos, verifique logo abaixo um quadro demonstrativo:

País Produto
Emirados Arábes Petróleo
Venezuela Petróleo
Bolívia Estanho
Jamaica Alumínio
Serra Leoa Diamantes
Honduras Banana

Fonte: Elaborado pelo autor.

Estes países têm o que chamamos de uma “cultura única” ou “fonte única”, que
faz com que a renda obtida na exportação deste único produto possa importar os
produtos e/ou serviços necessários para seu desenvolvimento populacional.

Não é difícil encontrar países que têm uma fonte única de receita, o Brasil pas-
sou ao longo da sua existência por várias situações como a descrita. Apesar de ter-
mos diversos outros produtos que eram exportados, como o pau-brasil, algodão,

54
Economia Disciplina 1

pimenta-do-reino e ervas, não eram representativos como a nossa exportação de


açúcar, produto em que colocou o Brasil na rota de produção especializada em um
determinado produto.

Não devemos nos esquecer de outro produto, a cultura do café, outra mono-
cultura que aqui produzimos que trouxe grandes fortunas para seus agricultores e
que faz parte da nossa história, tanto cultural como econômica.

4.2.1  Teoria da Vantagem Absoluta

A teoria da vantagem absoluta foi mostrada para o mundo pela primeira vez
em 1776, por Adam Smith, considerado um grande economista clássico. Ele publicou
o tratado A Riqueza das Nações, que visava defender o livre comércio como o melhor
caminho para todas as nações.

Conheça mais:

Segundo o ponto de vista dos Mercantilistas, que vigorou do século XVI até
meados do Século XVIII, em países como a Grã-Bretanha, Espanha, França e
Holanda, quanto mais uma nação possuísse ouro, mais rica e poderosa ela
seria. A maneira com que isso poderia acontecer era exportar mais do que im-
portar, uma vez que a diferença seria paga principalmente com ouro. Por essa
razão, procurava-se estimular as exportações e desestimular as importações.

Adam Smith saiu na defesa de que cada país deveria se especializar nos pro-
dutos em que o resultado da sua produtividade era inquestionavelmente superior,
dessa maneira teria uma vantagem absoluta em relação aos produtos produzidos e
conseguiria exportá-los para os países que não teriam a mesma condição. O inverso
aconteceria com a importação, ou seja, com os produtos que estivessem sob desvan-
tagem absoluta (ou se sua produção fosse menos eficiente).

Com esse argumento, a especialização dos fatores de produção e o comér-


cio mútuo beneficiariam os dois países em questão, pois aumentaria a produção de
cada país e o bem-estar da população, que passaria a ter acesso às mercadorias com
um valor menor do que os produzidos internamente de maneira ineficaz.

55
Disciplina 1 Economia

Bom, acredito que você constatou que o comércio internacional é salutar para
todos os países envolvidos, pois os produtos e serviços podem ser adquiridos a pre-
ços relativamente menores aos daqueles produzidos internamente, aumentando o
comércio internacional e o bem-estar da população.

4.2.2  A Teoria da Vantagem Absoluta

A teoria da vantagem absoluta demonstra que é salutar o comércio entre os


países que se especializam e se beneficiam dessa condição para realizar o comércio
internacional, contudo, ela ainda não foi capaz de resolver o impasse causado quan-
do a relação descrita não é uma realidade entre os países.

David Ricardo, filho de judeus holandeses, com habilidade precoce para os ne-
gócios, ficou rico aos 18 anos ao aplicar na bolsa de mercadorias de Londres. Para
explicar tamanho sucesso, ele apenas falou da sua teoria da vantagem comparativa.

Conheça mais:

David Ricardo, aos 18 anos, lê as escritas de Adam Smith e fica maravi-


lhado com as situações econômicas descritas. Estuda-as sistematicamente
durante dez anos e se torna notório para a comunidade econômica da
época ao escrever um artigo no jornal londrino, no qual relata que a libra
esterlina (Inglaterra) era mais valorizada que o ouro.

Ricardo esclarece em sua teoria que não é preciso a existência da vantagem


absoluta para que a especialização e o comércio sejam benéficos. Afirmou que, ainda
que um país exibisse desvantagem absoluta na produção dos produtos por ele pro-
duzidos em comparação com outro país, o comércio seria vantajoso, desde que ele
concentrasse esforços na produção do produto em que a vantagem absoluta fosse
maior, e que importasse a mercadoria que sua vantagem absoluta fosse menor.

Em um primeiro momento você acharia que David Ricardo não estaria bem das
suas funções mentais. Como é possível o comércio entre países se um deles tem des-
vantagem absoluta em todas as mercadorias produzidas? Se um país tem vantagem
absoluta em todas as mercadorias em relação a outro, teria prejuízo na relação de
troca, o que torna impossível essa relação de comércio.

56
Economia Disciplina 1

Concluindo, podemos dizer que a Teoria da Vantagem Absoluta e a Teoria da


Vantagem Comparativa procuram mostrar que a especialização da produção estimu-
la o comércio internacional e favorece o consumidor.

4.2.3  Teoria e Prática

Quando você tem o conhecimento da Teoria da Vantagem Absoluta, de Adam


Smith, e da Teoria da Vantagem Comparativa, de David Ricardo, fica claro que o co-
mércio internacional traz benefícios mútuos para os países participantes, não so-
mente no que se refere ao aumento de produtividade aliado à dedicação da espe-
cialização em determinados produtos, mas também ao aumento do bem- estar da
população, que terá acesso às mercadorias com um menor custo dos fatores de
produção, o que leva a um menor preço final para o consumidor.

Já que essas propostas são verdadeiras, por que não verificamos essa prática
comercial nos nossos dias? O que vemos é que cada vez mais os países estão se fe-
chando ao comércio internacional, tentando se proteger em blocos econômicos e/ou
produzir o máximo de produtos internamente nas suas fronteiras, mesmo com me-
nor eficiência produtiva, o que leva a um maior preço do produto para o consumidor.

O bem da verdade, é que a exportação é definida como no jargão dos econo-


mistas: “exportação de desemprego”, isso porque quando um país exporta uma
mercadoria para outro país, ele gera empregos dentro do seu território para pro-
duzir, enquanto para o país que está importando, deixará de criar empregos para
produzir os produtos que necessita, o que aumentará assim o desemprego dentro
da sua fronteira territorial.

E aí vem outra pergunta: “Qual país quer que o desemprego aumente no seu
território?” Em defesa a essa pergunta, cada vez mais os países arrumam argumento
e regulamentações para poder impedir a importação dos produtos necessários para
o consumo da população, produzindo-os com maior custo produtivo, a fim de defen-
der o emprego.

57
Disciplina 1 Economia

4.3  Teoria da Política Comercial

Atualmente, o livre comércio entre as nações está mais para uma exceção do
que uma regra, tanto para os países desenvolvidos como nas economias industriali-
zadas. Isso é evidente nas decisões dos encontros dos países mais industrializados e
ricos do mundo, o famoso G-7, que sempre decidem regras a seu favor e nunca em
prol de uma economia participativa.

Se a decisão é governamental, é claro que o objetivo é favorecer o produtor


nacional frente aos concorrentes estrangeiros, o que denominamos de proteção.

Essa iniciativa visa reduzir as importações para o país em questão e pode tam-
bém promover estruturas de promoção às exportações.

A proteção é estruturada por meio de diversos instrumentos de intervenção


pública que incidem sobre o comércio exterior, e a união de todas as regras é de-
nominada de Política Comercial, que pode ser sistematizada a partir de um número
considerável de normas.

4.3.1  Tarifas

Tarifa é o imposto incidido sobre a mercadoria importada quando entra no


país. Ela pode ser cobrada da seguinte forma:

Específico – É cobrado um valor específico sobre cada unidade de mercadoria


importada, independentemente do valor da nota fiscal do produto. Exemplo: Para
cada veículo importado cobra-se uma tarifa de R$ 30.000,00;

Ad-valorem – É cobrado um percentual sobre o valor da nota fiscal da mer-


cadoria importada. Exemplo: Para um computador que tem um valor de nota fiscal
de USD 100.000,00 cobrar um percentual de 15% = USD 100.000,00 x 0,15 = USD
15.000,00;

Essa modalidade de tarifa é usada pelo governo brasileiro para taxar as


mercadorias que entram no país.

Misto – É a união da tarifa específica e da tarifa ad-valorem, pois é cobrado um


valor específico sobre cada unidade de mercadoria importada mais um percentual

58
Economia Disciplina 1

sobre o valor da nota fiscal do produto. Exemplo: Se uma empresa importar uma
máquina para seu setor produtivo que tem o valor de USD 300.000,00 e o Brasil tiver
como política a cobrança de tarifa sob a denominação mista, essa máquina terá uma
cobrança de um valor específico por cada máquina, digamos R$ 20.000,00 e mais um
percentual incidido sobre o valor da nota fiscal da mesma, digamos 10%, teremos
uma tarifa então – R$ 20.000,00 mais USD 300.000,00 x 0,10 = USD 10.000,00.

Informação - o Brasil tem as seguintes tarifas:

Tarifa externa comum (tec)

35% produtos industrializados

55% produtos agrícolas

Para o mercosul

20% para todos os produtos

A tarifa é uma das maneiras mais antigas de tributação usada pelos governos
e é aplicada na importação das mercadorias, o que para alguns países não deixa de
ser uma importante fonte de renda. Para os países que têm a importação como uma
forma de abastecer seu país, devido à falta de condições e/ou fatores de produção
suficientes para atender às necessidades da sua população, a tarifa representa uma
parcela significativa da receita pública.

Nos países que possuem participação significativa no comércio, a tarifa tem


como princípio fundamental, a garantia de uma vantagem ao produtor doméstico
frente à concorrência estrangeira. É certo que, qualquer que seja a intenção da polí-
tica tarifária, sua implementação gera várias alterações na economia.

4.3.2  Subsídios

O governo pode aplicar o subsídio como instrumento de política comercial, que


consiste em pagamentos diretos ou indiretos para encorajar exportações ou desen-
corajar importações. A aplicação do subsídio, tanto na importação como na expor-
tação equivale a um imposto negativo, dessa maneira, o produtor terá uma redução
dos fatores de produção, que pode ser concedida da seguinte maneira:

59
Disciplina 1 Economia

Pagamento em dinheiro;

Redução de impostos;

Taxas de juros com taxas inferiores às do mercado.

Existem casos que o país compra uma determinada mercadoria a um determi-


nado preço e a revende aos consumidores.

Conheça mais:

O Brasil adotou esta estratégia em relação ao trigo. Com intenção de levar


o famoso pãozinho mais barato para a população, comprava a produção
interna e importava o que era preciso e os vendia aos moinhos a um preço
menor que a de custo, que os transformavam em farinha, que por sua vez
eram vendidos para as panificadoras, supermercados e outros estabeleci-
mentos ao preço tabelado pelo governo.

Essa medida serve para que o produtor interno seja incentivado a produzir
mais. A partir do momento que o governo paga parte dos seus custos produtivos, a
mercadoria produzida fica então mais barata para o consumidor, o que consequen-
temente aumentará as suas vendas e gerará mais empregos. Com as mercadorias
sendo oferecidas a um custo menor, as mercadorias importadas ficarão mais caras,
o que inibirá a importação das mercadorias concorrentes daquelas subsidiadas.

Na visão da economia, o subsídio gera o efeito de distribuição de renda, pois a par-


tir do momento que o governo paga parte dos custos dos fatores de produção, o preço
final será menor. Sendo assim, o consumidor será beneficiado, já que necessitará de
menos dinheiro para adquirir o produto, e mais tarde até poderá gerar uma poupança.

4.3.3  Cotas de Importação

Toda vez que ouvimos falar de cotas, entenda-se como restrições quantitativas
importadas sobre o volume (quantidade de peças) ou o valor das importações.

As cotas de importação podem ser fixadas da seguinte maneira:

60
Economia Disciplina 1

e países –
acordos entr
Fixadas em controlar as
Decisão unilatera
l do país – O país,
e necessitam por decisão
Os países qu no seu país
interna, pode im
por cotas de im
que entram portação de
mercadorias acordo, fazer
qualquer mercado
ria que entra no
um simples país quando
podem, em or coloque
constatar que
algum segmento
país exportad produtivo
com que o países que
interno esteja
prejudicado pela
rtação para os mercadoria
cotas de expo estrangeira.
se acordo.
realizaram es

As cotas de importação têm como variável econômica a elevação de preços ao


consumidor pelo simples fato de que a imposição de cotas advém à insuficiência de
oferta, ficando assim os consumidores com uma restrição quantitativa no momento
da sua compra, o que pressiona também os preços dos produtos para cima.

Usualmente, as cotas são inseridas pelo governo por meio de licenças para
importar e são concedidas a determinados grupos de indivíduos ou empresas. Na
verdade, são esses os verdadeiros beneficiados, já que ao irem ao exterior procuram
por um preço mais atrativo que o produzido internamente e assim revendem a mer-
cadoria por um preço mais caro no mercado doméstico.

Um problema ligado ao sistema de cotas é a corrupção da burocracia estatal res-


ponsável pela liberação das licenças, contudo, pode ser possível contornar essa situação
leiloando as licenças de cotas de importação ao mercado, processo pelo qual o dinheiro
arrecadado pelos leilões seria creditado diretamente aos cofres do governo, o que po-
deria, inclusive, evitar a concentração de lucro nas mãos de poucos importadores.

Conheça mais:

O controle seletivo por intermédio de licenças para importar foi abraçado


pelo governo brasileiro no período pós-guerra.

Primeiro com intenção de equilibrar o balanço de pagamentos, e com o


passar do tempo, teve como finalidade a promoção do desenvolvimento
industrial nacional, procurando dificultar a entrada de bens de consumo
não essenciais e daqueles que tivessem similar nacional.

61
Disciplina 1 Economia

4.3.4  Controles Cambiais

O controle cambial é também uma medida restritiva administrativa (por par-


te do governo) sobre as transações que envolvem divisas. O emprego de múltiplas
taxas de câmbio vem ajudar o governo a proteger determinado produto produzido
internamente dos produtos importados.

Esse tipo de proteção, usualmente aliada com as cotas de importação, pode de


acordo com o interesse do governo, leiloar ou atribuir as cotas de importação com
um câmbio mais alto ou mais baixo. Tudo depende do setor que o governo deseja
obter: maior concorrência ou maior proteção.

Esse sistema de taxas múltiplas coligado aos leilões de câmbio foi utilizado
no Brasil no início dos anos 50. Os leilões tinham como objetivo, a negociação de
promessas de câmbio que eram atribuídas aos seus compradores (importador), o
direito de adquirir determinado montante de moeda estrangeira ao valor estipulado.

Como exemplo, nos anos 1953 a 1955 a taxa ofocial de venda da moeda estran-
geira era de Cr$ 18,82/ US$. Nos leilões de câmbio para importação cobrava-se um
percentual maior sobre a taxa oficial de acordo com a essencialidade do produto. Se
os produtos fossem considerados supérfluos, os importadores poderiam pagar mais
de CR$ 100,00/US$, e para produtos para incentivar a industrialização, a cotação era
a tarifa oficial, enquanto para os produtos considerados essenciais, como papel, trigo
e outros, as importações eram subvencionadas, com vendas cambiais a um preço
menor que a taxa oficial.

4.3.5  Proibição de Importação (ou Exportação)

A proibição da importação é a forma mais drástica de relacionamento com


outro país, pois é a forma mais direta de controle e pode ser:

Seletiva – Seleção de determinado produto ou produtos;

País de Origem – Nesse caso, a proibição tem como razão um conflito político,
denominado embargo comercial.

62
Economia Disciplina 1

Conheça mais:

Os Estados Unidos impôs um embargo contra Cuba nos anos 60. Os países
aliados aos Estados Unidos tiveram que aderir à restrição por temer a mes-
ma sanção. Outro exemplo recente é o embargo proposto também pelos
Estados Unidos contra o Irã.
Quando um embargo é proposto, é aderido por um conjunto grande de
países aliados a ele, fazendo com que o país embargado não consiga com-
prar nenhum produto produzido por eles. Essa medida tem como resulta-
do prático o isolamento do país com o resto do mundo.

4.3.6  Monopólio Estatal

O monopólio estatal acontece quando o próprio governo administra a importa-


ção de determinado produto e, ao mesmo tempo, impede o desempenho de outros
agentes de mercado. O governo pode delegar o direito de monopólio de importação
a uma determinada empresa, mas para isto determina um pagamento pela exclusi-
vidade e gera regras de procedimento.

Na verdade, o governo tem como objetivo o controle do volume de determina-


do produto por decisão administrativa. No Brasil, existem alguns exemplos de mo-
nopólio estatal, a Petrobrás, por exemplo, detém o monopólio na importação de
petróleo, e o próprio trigo, quando importado, era monopolizado pelo governo.

4.3.7  Lei de Compras de Produtos Nacionais

O governo pode criar uma lei específica para as compras públicas ou envolver
todos os possíveis interessados. Nessa regra, o governo baixa regras mirando impe-
dir a importação de determinado produto, caso exista produção de similar nacional.

Essa forma de proteção também foi utilizada pelo Brasil na década de 60, no
governo do Presidente Juscelino Kubitschek, no seu programa chamado “Programa
de Substituição das Importações”. A preocupação na época era a de garantir as mer-
cadorias que fossem importantes para o nosso desenvolvimento industrial com alí-
quotas de importação reduzida, enquanto que outros produtos que poderiam ter
similaridade nacional eram impedidos pelo Conselho Aduaneiro Brasileiro.

63
Disciplina 1 Economia

4.3.8  Depósito Prévio à Importação

É um padrão que exige um pagamento prévio (pode ser um valor determinado


ou um percentual sobre o valor da mercadoria) para poder ter o direito de impor-
tação de determinado produto. O depósito é recolhido por um órgão do governo,
no caso do Brasil é administrado pelo Banco do Brasil S.A., permanecendo por um
período determinado pelo governo. Essa prática não só dificulta a importação, como
também constitui um empréstimo forçado para o governo.

Esse modelo foi implantado pelo governo do presidente Jânio Quadros nos
anos 60, que consistia no “Sistema de Letras de Importação”. Para ter direito à impor-
tação de produtos, os importadores eram forçados a depositar no Banco do Brasil
por um período de 150 dias, o valor correspondente à mercadoria que quisesse im-
portar, recebendo em troca Letras de Importação. Somente após o período estipula-
do o importador poderia realizar o trâmite de importação.

A adoção dessa medida foi devido aos déficits no Balanço de Pagamento Bra-
sileiro, tanto na sua dívida externa como interna. E com esse depósito prévio, pelo
período de 150 dias, possibitou o reescalonamento de sua dívida, financiada em par-
te pelos depósitos exigidos dos importadores. Dessa maneira, o governo retardava
as importações, tendo menos dispêndio de divisas, como financiava parte dos seus
gastos pelo dinheiro depositado no Banco do Brasil.

Conheça mais:

Esse método também foi utilizado pela Inglaterra, contudo com intenção
maior do equilíbrio das contas públicas inglesas do que como Instrumento
de Política Comercial.

4.3.9  Barreiras Não Tarifárias

Este tipo de procedimento foge a qualquer tipo de compreensão por se tratar


de uma restrição imposta por funcionário normal da burocracia governamental, e
nem sempre visa reduzir a importação.

64
Economia Disciplina 1

Esse tipo de restrição envolve medidas relacionadas à regulamentos sanitários


e/ou de saúde, normas técnicas, padrões de segurança, dificuldades relativas à do-
cumentação, inspeção e outras práticas que podem dificultar ou até mesmo impedir
a importação.

O exemplo disso é a proibição da importação da uva moscatel chilena nos Es-


tados Unidos, por alegação do excesso de agrotóxico na plantação na década de 80.
Mais recentemente, os Emirados Árabes estão suspendendo a importação da nossa
carne bovina por alegação de focos isolados da epidemia da “vaca louca”. Na década
de 90 isso também aconteceu pelo mesmo motivo.

4.3.10  Acordos Voluntários da Restrição às Exportações (AVRE)

Diferente das cotas de importação, os acordos voluntários têm a intenção de


uma negociação bilateral entre o país importador e o país exportador. O parceiro ex-
portador se compromete a diminuir a quantidade exportada ao mercado importador.

Com essa medida, por mais que o país exportador esteja interessado em au-
mentar suas receitas com a exportação, é obrigado a restringi-las, porque se não agir
assim poderá ser submetido a restrições mais severas.

Os Estados Unidos é o país que mais utiliza esse tipo de procedimento, e a sua
adoção permite resguardar setores da indústria que acham necessários e se julgam
ameaçados pelas importações. Os países que têm suas exportações limitadas por
esses acordos são: Japão, Coreia e Taiwan e dentre os países menos desenvolvidos
está o Brasil.

Conheça mais:

Os Estados Unidos, na intenção de proteger sua indústria automobilística,


impôs ao Japão um acordo de restrição de exportação do carro japonês. O
que o governo americano não contava era o poder de compra de seus con-
sumidores, que começaram a comprar os carros europeus e aumentaram
assim a importação dos modelos de toda a Europa nos Estados Unidos.

65
Disciplina 1 Economia

4.4  Integração Econômica Internacional

A evolução das relações econômicas internacionais está cada vez mais proble-
mática, de uma simples compra de mercadorias como comumente vimos antiga-
mente, para uma tendência marcante em nossa vida contemporânea: a formação de
blocos econômicos.

Atenção:

A partir deste ponto, vamos continuar nosso trabalho no AVA. Acesse, leia e
estude os conteúdos disponíveis em todos os materiais e realize as tarefas.

Bom trabalho!

4.5  Considerações da Unidade IV

Terminamos esta unidade IV com muitas informações relevantes e que está


em nosso cotidiano, seja na leitura dos jornais ou por outro meio. Há situações que
acontecem em âmbito mundial e muitas vezes não compreendemos as soluções to-
madas pelas organizações que atuam no comércio internacional, mas com o conteú-
do apresentado aqui você terá condições de analisar os variados acontecimentos.

Você teve como início a teoria do Comércio internacional, com o entendimento


da teoria das vantagens absolutas e relativas, o que se percebe que a importação,
assim como a exportação, deve beneficiar os dois países envolvidos, já que essa tro-
ca é salutar para todos.

Apesar das ideias econômicas indicarem um bom caminho para as trocas inter-
nacionais, a teoria da política comercial de cada país mostrou os subterfúgios utiliza-
dos para dificultar a importação das mercadorias.

Viu também como os países estão se organizando em blocos econômicos, e o


entendimento das fases de integração econômica, e em particular o MERCOSUL, no
qual o Brasil é figura decisiva e importante para entender como os países se compro-
metem para que o bloco se torne importante no momento de negociação em bloco.

A Organização Mundial do Comércio, órgão máximo das negociações interna-


cionais, que regula as negociações para minimizar as distorções que ocorrem entre
países, também foi analisada nesta unidade.

66
Economia Disciplina 1

É evidente que a complementação deste assunto é necessária, o que fará com


que você tenha um maior ambiente de pesquisa e de conhecimento.

Não se esqueça de ver e rever as videoaulas para melhor entendimento do


assunto, participar dos fóruns de discussão e desenvolver suas atividades no AVA.

67
Economia Disciplina 1

Referências

PASSOS, Carlos R. Martins; NOGAMI, Otto. Princípios de Economia. 4. ed. São Paulo:
Pioneira Thonson Learning, 2003.

GREMAUD, Amaury Ptrick et. al. Manual de Economia. 5. ed. São Paulo: Saraiva,
2004.

GONÇALEZ, Orivaldo. Câmbio. 2. ed. São Paulo: Aduaneiras, 2012.

RATTI, Bruno. Comércio internacional e Câmbio. 11. ed. São Paulo: Aduaneiras,
2011.

MISHKIN, Frederic S. Moedas, Bancos e Mercados Financeiros. 5. ed. Goiás: LTC,


2000.

69
Produção do conteúdo: 2º sem./2011
Filosofia e ética ADisciplina
Braz Cubas2

Sumário da Disciplina

Apresentação 75
O Professor 77
Introdução 79

1 Unidade I
As origens da ética ou a ética ocidental 81
1.1 A filosofia geral 82
1.2 Considerações da unidade I 93

2 Unidade II
O saber ético e as especificidades da ética 95
2.1 Considerações gerais 96
2.2 A racionalidade prática (I. Kant) 96
2.3 Racionalidade política, “natural” ou “direito natural” 99
2.4 O dever-ser do estado e a ética: Hobbes 104
2.5 Considerações da unidade II 107

3 Unidade III
As normatizações da ação humana 109
3.1 Dos tipos e das características principais 110
3.2 A ética e as profissões 115
3.3 Considerações da unidade III 117

4Unidade IV
Comprovação e validação das normas éticas: alguns fundamentos e o ensino dos
mesmos 119
4.1 A determinação ética 120
4.2 Outros fundamentos gerais 125
4.3 Considerações da unidade IV 129
Referências 131

73
Filosofia e ética ADisciplina
Braz Cubas2

Apresentação

Os homens todos erram, mas quem comete um erro não é insen-


sato, nem sofre pelo mal que fez, se o remedia em vez de preferir
mostrar-se inabalável; de fato, a intransigência leva à estupidez.
(Sófocles)

Age de tal modo que a máxima da tua vontade possa valer sempre,
ao mesmo tempo como princípio de uma legislação universal.
(I. Kant)

Olá, caro(a) aluno(a)!

Seja bem-vindo(a) à disciplina de Filosofia e Ética. Sinto-me honrado em poder


contribuir para as discussões em torno de uma temática tão controversa, mas que,
ao mesmo tempo, deve delimitar o agir humano. A postulação de bons princípios
para guiar a ação humana significa, em última instância, a possibilidade de fazer com
que haja bem-estar na convivência social entre os diferentes indivíduos.

Neste período, estão em cheque os ideais modernos, os valores assumidos, até


então, caem nas margens da incerteza, afinal, tudo se tornou questionável. Talvez,
como Aristóteles afirmou na Grécia, a necessidade de repor alguns ideais a serem
alcançados, como é o caso do ideal de liberdade. Mas não somos criadores da felici-
dade, pois se trata de um estado de bem-estar social. Por tal, outras condições pre-
cisam ser satisfeitas para que isso se cumpra, isto é, precisa-se de governos que não
descuidem de tratar todos igualmente; precisa-se de legisladores que não deixe de
fora do laço social, uma parcela da população; juízes que assegurem o direito a quem
clama por justiça e cumpram com o compromisso ético, dentre outras condições.

Mas isso de nada adianta, ainda, se toda a população, se todas as pessoas não
estiverem empenhadas e direcionadas para os mesmos ideais, cumprindo com algu-
mas condições éticas e morais. O indivíduo, passando pela família, pela comunidade,
pelo município, estado, nação, país, numa escala planetária...

Você está convidado a me seguir nessas discussões, doravante, para juntos


refletirmos sobre esses ideais éticos e morais que possam guiar o agir humano e,
assim, reavivar e acalentar o sonho de uma sociedade justa, em que se possa viver
num completo estado de bem-estar social.

75
Filosofia e ética ADisciplina
Braz Cubas2

O Professor

Prof. Dr. Algacir José Rigon

Possui graduação em Filosofia pela Universidade de


Passo Fundo (UPF-2002); Mestrado em Educação pela
Universidade de Passo Fundo (UPF-2005), e Douto-
rado em Educação pela Universidade de São Paulo
(FE-USP - 2011). Tem experiência na área de Filoso-
fia, com ênfase em Filosofia, Filosofia da Educação,
Fundamentos da Educação, Metodologia, Genética e
Linguagem, Psicologia da Educação e Prática Peda-
gógica. Trabalha em cursos presenciais na Universi-
dade de Mogi das Cruzes - UMC. Participa do Grupo
de Estudo e Pesquisa da Atividade Pedagógica (GEPA-
Pe), e do Grupo sobre Representações de Alunos de
Pedagogia e Licenciatura sobre o trabalho docente,
junto ao CIERS-Ed (Centro Internacional de Estudos
de Representação Social e Subjetividade - Educação
e docência).

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Filosofia e ética ADisciplina
Braz Cubas2

Introdução

O nosso propósito, neste percurso de aprendizado, é subsidiar as reflexões


em torno do agir humano. Geralmente, o problema aparece nas situações em que
observamos a ação de determinado indivíduo, como uma ação ética, ou com falta
de ética.

Mas, afinal de contas, o que é a ética? O que é aquilo que percebemos como
uma ação ética ou uma ação antiética? De outra forma, de imediato, ao pensar so-
bre o problema, algumas coisas aparecem, isto é, uma questão precisa ser feita e
a resposta precisa ser clara: como agir eticamente? Não raras vezes, as pessoas sa-
bem tacitamente o que é a ética, mas ao serem solicitadas a explicar, são tomadas
por uma sensação de embaraço. Nessas circunstâncias, também é comum encon-
trar pessoas que, ao serem interpeladas, se referem à resposta de forma negativa,
isto é, dizem ou apontam situações em que as pessoas não deveriam ter agido, não
deveriam ter feito “aquilo” etc. Dar uma resposta afirmativa, indicar de forma clara
o que é agir eticamente, quais os princípios e normas que devem orientar tais e tais
ações, é difícil.

A ética, nesse sentido, é um saber que se tenta construir racionalmente para


guiar o agir humano, exatamente, por uma característica peculiar: o agir humano
não é exato. Portanto, a ética é normativa: pretende orientar o agir humano pro-
pondo ações ou formas de ação concreta em situações concretas. Com esta direção,
a ética pretende esclarecer os parâmetros éticos e/ou morais que podem auxiliar
e guiar o comportamento humano. A ética não oferece uma resposta pronta, de
aplicação imediata, de como agir em cada caso, pois cabe a cada indivíduo pensar e
refletir com cada circunstância, qual é a melhor forma de agir, considerando os indi-
cativos prévios (éticos, morais) de caráter social e profissional. Apesar de existirem
condições variadas do agir humano, diversidade e complexidade de ações, os princí-
pios devem ser, ou carregarem, como parte integrante e inerente à universalidade.

A ética, ao menos na perspectiva da compreensão ocidental, nasce amparada


por aquilo que os gregos denominavam de justa medida, sensatez, equilíbrio nas
ações, nos princípios, em última instância, da filosofia. O agir humano, conforme
este pensamento, de ser de tal forma que ele possa ser universalizado, bom para
todos, ou seja, que todos os indivíduos sejam contemplados na decisão, por exem-
plo, os que estão presentes e os que não estão presentes, inclusive, os das futuras
gerações. Os indivíduos precisam ter, assim, a sua vida e sua liberdade garantida
sempre, de forma equânime.

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ADisciplina
Braz Cubas2 Filosofia e ética

As ações podem ser particulares, mas o que guia essas ações, devem ser prin-
cípios universais, isto é, princípios de uma ética geral. Por isso, em grande parte, a
nossa meta é aprofundar e fundamentar uma ética geral que possa subsidiar as
éticas particulares, por exemplo, a ética profissional. De outra forma, pode-se di-
zer que antes de discutir casos particulares, ou mesmos nesses, precisa-se discutir
quais são os fundamentos para a avaliação dos mesmos.

Para solucionar esta problemática, o texto pretende mostrar as concepções


que estiveram na origem das discussões sobre a ética, de modo especial aquilo
que está relacionado ao pensamento grego, às discussões em torno de Sócrates,
Platão e Aristóteles. Na sequência, são apresentadas algumas especificidades da
ética, bem como algumas formulações éticas, isto é, a ética prudencial, calculadora,
prática e dialógica e/ou comunicativa (discursiva).

Na terceira unidade, ficam as discussões em torno das normatizações sociais,


jurídicas, religiosas etc. Por fim, as orientações e os fundamentos gerais sobre a éti-
ca. Isso tudo no intuito de estabelecer fundamentos para uma ética geral.

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Filosofia e ética ADisciplina
Braz Cubas2

1 Unidade I

As origens da ética ou a ética ocidental

Objetivos da Unidade:

• Refletir sobre a relação entre filosofia e ética;

• Compreender os conceitos que fundamentam, originariamente, a


ética ocidental.

Competências e Habilidades da Unidade:

• Percepção da relação entre filosofia e ética;

• Interpretação e compreensão de textos filosóficos que, em última


instância, tratem sobre os fundamentos da ética;

• Habilidade de analisar elementos que possam fundamentar a


ação cotidiana, ou seja, compreender o agir humano a partir dos
fundamentos originários da ética.

• Percepção da relação entre filosofia e ética;

• Interpretação e compreensão de textos filosóficos que, em última


instância, tratem sobre os fundamentos da ética;

• Habilidade de analisar elementos que possam fundamentar a


ação cotidiana, ou seja, compreender o agir humano a partir dos
fundamentos originários da ética.

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ADisciplina
Braz Cubas2 Filosofia e ética

1.1  A filosofia geral

Para compreender a filosofia, de um modo geral, pode-se partir de várias de-


finições como Johannes Hessen1, mas uma é mais essencial, pois as outras são su-
perficiais. Denota-se que esse texto é trabalhado na tentativa de responder duas
perguntas básicas, a saber:

Entenda-se por universal, a questão de que seja algo válido para todos. Obser-
va Dilthey: “deve-se primeiramente buscar um conteúdo comum nos sistemas e que se
forma a representação geral da filosofia” (HESSEN, 1999, p.4).

Nestes sistemas, que poderiam ser de Platão e Aristóteles, Descartes e Leibniz,


Kant e Hegel, dentre outros, ocorre como que uma gravitação, ou então, “um direcio-
namento para a totalidade dos objetos” (HESSEN, 1999, p.4), isto é, ao contrário dos

1 HESSEN, J. Teoria do Conhecimento. Martins Fontes. S. Paulo: 1999.

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Filosofia e ética ADisciplina
Braz Cubas2

especialistas que dividem em partes específicas. Por esse motivo, tem-se uma carac-
terística que é o próprio caráter universal, ou de universalidade, em que é somada

a atitude do filósofo com relação à totalidade dos objetos, que


é uma atitude intelectual, uma atitude de pensamento (HESSEN,
1999, p.4).

Esses são os pontos comuns, nos sistemas da filosofia, que percorrem as épo-
cas, e estão em evidência em vários filósofos, como os já citados: Platão, Aristóteles,
Descartes, Leibniz, Kant e Hegel. No entanto, o conceito revelado acima é um tanto
formal, o que leva a buscar características na totalidade do desenvolvimento histó-
rico da filosofia, e isso faz com que se consiga definir melhor a essência da filosofia
e, compreender de formas mais específicas as definições que pareçam, por vezes,
serem contraditórias (HESSEN, 1999).

Em outra perspectiva, podem-se elencar os elementos fundamentais em que


se unem os diversos sistemas e concepções, tendo assim, o centro de atração ou
gravitacional na:

O panorama do desenvolvimento do pensamento filosófico, que começa com


Platão e Aristóteles, conduz a uma aglutinação filosófica dos conceitos que se cha-
mam “visão de si” ou, então, concepção do eu, e “visão de mundo” ou concepção do
mundo. Assim, um conceito é, de certa maneira, dependente do outro e “a filosofia é
ambas as coisas: visão de si e visão de mundo” (HESSEN, 1999, p. 8).

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ADisciplina
Braz Cubas2 Filosofia e ética

A partir desses aspectos tem-se base para determinar a essên-


cia da filosofia e “em conclusão, portanto, podemos dizer que a
filosofia é a tentativa do espírito humano de atingir uma visão
de mundo mediante a autorreflexão sobre suas funções valora-
tivas, teóricas e praticas. (HESSEN, 1999, p. 9).

Entenda-se por funções valorativas teóricas, a teoria do conhecimento, e as


funções valorativas práticas a ética.

Com essa definição (da essência da filosofia), e das funções valorativas teóricas
e práticas, tem-se um campo filosófico sob três ângulos, ou dividido em três partes:
a teoria da ciência, teoria do valor e teoria da visão de mundo.

Da teoria da visão de mundo, obtém-se a cosmologia e teodiceia como partes


integrantes. Da teoria do valor, obtêm-se valores éticos ou, então, a ética; os estéti-
cos ou, então, a estética ou filosofia da arte e os religiosos, ou filosofia da religião.
Na teoria da ciência, temos a formal, que é a lógica, e a material, que é a Teoria do
Conhecimento.

Com isso, desejamos ter situado o campo da filosofia que trata especificamen-
te da ética, isto é, teoria do valor ou filosofia prática.

O Código de Hamurabi, o qual pode ser escrito Hamurábi ou Hammurabi, repre-


senta conjunto de leis escritas, sendo um dos exemplos mais bem preservados desse
tipo de texto oriundo da Mesopotâmia. Acredita-se que foi escrito pelo rei Hamurábi,
aproximadamente em 1700 a.C.. Foi encontrado por uma expedição francesa em
1901 na região da antiga Mesopotâmia correspondente a cidade de Susa, atual Irã. 2

Para refletir:

Aliás, por que filosofia prática? Pesquise... Tente encontrar quais foram as
primeiras normas e regras que orientaram os povos primitivos.

Porque eles passaram a ter necessidade de normas de conduta?

2 Fonte: http://pt.wikipedia.org/wiki/C%C3%B3digo_de_Hamurabi

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Filosofia e ética ADisciplina
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Provavelmente, o nascimento do ramo da filosofia chamado ética, se encontra


no fato de os povos primitivos vislumbrarem que determinadas ações conduziam a ter
uma vida boa, a uma situação de bem-estar. Entretanto, em relação a outras ações,
opostas, quiçá, às anteriores, sentia-se uma mal estar, isto é, uma vida não boa. Em
vista disso, procura estabelecer normas de bem viver, de bem-estar. E, como não po-
deria deixar de ser, começaram (os povos primitivos) a punir os que não seguiam as
regras do grupo. Mas, somente na Grécia, por volta de 400 a. C., que se tem o primeiro
código de Ética profissional defendido por Hipócrates, “Pai da Medicina”, naquilo que
ficou conhecido como “Juramento Médico”. Este foi expresso com a seguinte redação:

Eu juro, por Apolo médico, por Esculápio, Hígia e Panacea, e tomo


por testemunhas todos os deuses e todas as deusas, cumprir,
segundo meu poder e minha razão, a promessa que se segue:

Estimar, tanto quanto a meus pais, aquele que me ensinou esta


arte; fazer vida comum e, se necessário for, com ele partilhar
meus bens; ter seus filhos por meus próprios irmãos; ensinar-
lhes esta arte, se eles tiverem necessidade de aprendê-la, sem
remuneração e nem compromisso escrito; fazer participar dos
preceitos, das lições e de todo o resto do ensino, meus filhos, os
de meu mestre e os discípulos inscritos segundo os regulamen-
tos da profissão, porém, só a estes.

Aplicarei os regimes para o bem do doente segundo o meu po-


der e entendimento, nunca para causar dano ou mal a alguém.

A ninguém darei por comprazer, nem remédio mortal nem um


conselho que induza a perda. Do mesmo modo não darei a ne-
nhuma mulher uma substância abortiva.

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ADisciplina
Braz Cubas2 Filosofia e ética

Conservarei imaculada minha vida e minha arte.

Não praticarei a talha, mesmo sobre um calculoso confirmado;


deixarei essa operação aos práticos que disso cuidam.

Em toda casa, aí entrarei para o bem dos doentes, mantendo-me


longe de todo o dano voluntário e de toda a sedução, sobretu-
do dos prazeres do amor, com as mulheres ou com os homens
livres ou escravizados.

Àquilo que no exercício ou fora do exercício da profissão e no


convívio da sociedade, eu tiver visto ou ouvido, que não seja pre-
ciso divulgar, eu conservarei inteiramente secreto.

Se eu cumprir este juramento com fidelidade, que me seja dado


gozar felizmente da vida e da minha profissão, honrado para
sempre entre os homens; se eu dele me afastar ou infringir, o
contrário aconteça.

Este juramente solene ainda é proferido, com algumas modificações propostas


pela “Declaração de Genebra” (1948), e, em outros momentos, até esquecido. Mui-
tas outras declarações ou códigos são encontrados na história ocidental, por exem-
plo, na tradição religiosa católica, em que se registram os “Dez Mandamentos”, ou
a “Tábua da Lei”, “Decálogo”, que, segundo consta, são normatizações escritas pela
divindade e entregues a Moisés (Êxodo e outros). Conhecemos, também, o “Código
de Khammu-rabi (Hammurabi)”, da Babilônia, escrito pelo rei que dá nome ao códi-
go, depois de ter formado seu império. O objetivo foi, sem mais, normatizar a vida
cotidiana. O intuito do conjunto de leis era “para que o forte não prejudique o mais
fraco, a fim de proteger as viúvas e os órfãos” e “para resolver todas as disputas e
sanar quaisquer ofensas”. Aí, estavam previstas algumas leis éticas no sentido pro-
fissional também.

Para refletir:

Aqui, você faz mais uma pausa e pesquisa: quais eram os princípios da
ética profissional presentes no Código de Hammurabi?

Pois bem, antes de entrarmos nas questões da vida cotidiana, nos códigos, ori-
ginários, ainda é necessário seguir no caminho da reflexão que estávamos fazendo,
isto é, o fato de que a ação, no sentido da filosofia prática, bem como o conhecimento,
para ser válido, tem de ter as seguintes características: universal, necessário e objetivo.

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Filosofia e ética ADisciplina
Braz Cubas2

Em Platão (428-348 a.C.) inicia-se uma explicitação desses pressupostos gerais,


nos seus famosos diálogos, dentre eles, a sua obra chamada República. Platão passa
por três grandes fases:

Em relação à “República”, esta é a obra mais conhecida, embora não tão filosó-
fica quanto o “Sofista”.

O fato presente é o de que o homem faz uma corrida contínua em busca da


plenitude. Destaca-se a ideia da beleza em si e da multiplicidade da beleza. A beleza
em si resgata a ideia de beleza e, por isso, é episteme ou conhecimento, fazendo
parte, então, da ciência e também chamada por outro termo conhecido: noésis. Este
significa ciência e, sendo ciência, subentende-se o filósofo e a filosofia.

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ADisciplina
Braz Cubas2 Filosofia e ética

A multiplicidade da beleza, entenda-se por multiplicidade a ideia de que temos.


Por exemplo:

Se é opinião, entenda-se doxa (opinião, senso comum), tem-se as aparências


ao invés da ciência e, por conseguinte, os philodoxos (amigos da opinião, isto é, o que
faltam com a verdade) e os que fazem parte desta concepção.

Nota-se, então, que os filósofos se dedicam ao ser em si, enquanto que os


philodoxos se dedicam as multiplicidades e passaram a ter apenas opiniões que sen-
do da multiplicidade serão falsas. No parágrafo 505, ou seguintes, da República de
Platão, encontra-se a ideia de bem. O bem é um princípio superior, que supera e
contempla a ideia de beleza em si vista antes. A partir desta ideia, faz-se uma divisão
(distinção) entre filósofos e não filósofos, na medida em que estes se destacam por
identificarem o bem com prazer e aqueles o bem com saber (os verdadeiros filóso-
fos). Daqui a importância de entendermos a problemática do bem.

Os philodoxos também são forçados a dizer que sabem o que é o bem, pois têm
opinião para tudo, e embora digam que o bem é o prazer e que isso seja falso.

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Filosofia e ética ADisciplina
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Como afirma Bernard PIETTRE (1989, p. 35),

Dizer o que é o bem está além da capacidade humana. Sócrates


tentou tal tarefa ao comparar o bem com o sol. Segundo Sócra-
tes o sol ilumina o nosso mundo e permite ao olho enxergar
e aos objetos serem visíveis, oferecendo sua luz, intermediário
indispensável entre o olho e os objetos. “Ora, diz Platão, o que
o sol é no mundo visível, o bem é no mundo inteligível”. O bem
possibilita ao olho da alma perceber os objetos do mundo in-
teligível. Em outras palavras o bem ilumina nossa inteligência e
permite às ideias se manifestarem em todo o seu esplendor. Por
outro lado o sol é a fonte da vida. Sem a luz solar não haveria o
crescimento das plantas e o calor necessário à vida animal. Do
mesmo modo o bem é a fonte da vida do mundo inteligível. É a
ideia do bem que faz com que existam as outras ideias.

Busca-se o bem em si e o que quer se expor é a questão do filho do bem em si


que por tal parece ser o sol (enquanto figura metafórica). Sócrates ao comentar quer
refletir até o ponto de atribuir a um Deus o ato da luz sobre os objetos e o fazer-se
ver. Esta possibilidade de fazer-se ver pressupõe, além do olho e o objeto, um tercei-
ro fator que é a luz. Por isso, educar o filósofo não é algo simples, tem de se forçar o
“homenzinho” que estava na escuridão para que vá à luz. Essa educação leva o sujei-
to a ver o que é verdadeiro, perfeito, e se dar conta de que o que ele via era reflexo
de algo muito mais complexo e perfeito.

Para falar sobre isso, já apontamos, Platão faz uso da Alegoria da Caverna.

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ADisciplina
Braz Cubas2 Filosofia e ética

Por isso, para poder ver essa realidade, o “real”, não as ilusões ou sombras, a
nossa interpretação deve ser das coisas que estão ditas na argumentação e posição
tomada, por isso a filosofia é especulativa e o que exige são alguns critérios que
legitimem o que está no texto e não o que está fora dele. Pode ser interpretado e
explicado de várias formas, mas sempre permanece o mesmo problema de fundo, a
preocupação com as ilusões.

O sentido da alegoria passa, também, pela formação do filósofo, do indivíduo,


do cidadão. O que se vê, por vezes, é que o indivíduo que pega pela mão”, que con-
duz o sujeito, é tido como detestável porque causa uma desestruturação e uma inse-
gurança naquele que é conduzido. O horizonte de sentido é questionado. Assim, se
os indivíduos pudessem agarrar aquele que estava no mundo superior e esmagá-lo,
o fariam, embora não estejam no mundo verdadeiro que o outro sujeito os mostra.
Nem todos tem acesso a verdade e os que têm ao conduzir ou querer conduzir os
outros, sofre com reações. Ao voltar para caverna, o filósofo deverá criar condições
para que os sujeitos, indivíduos, entendam o que ele contemplou. Fazer entender
que o pensamento que possuem não é a essência, embora esta esteja dentro deles
e que tende a ser despertada. Isso tudo faz com que o indivíduo dê um novo signifi-
cado ao mundo em que vive e retome a sua identidade.

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Filosofia e ética ADisciplina
Braz Cubas2

A preocupação de Platão é com os que saíram do mundo da caverna e não vol-


taram; se recusam a voltar para desamarrar os outros e conduzi-los para fora. A ideia
de bem é a senhora da verdade e da inteligência, e é preciso contemplá-la, vê-la. Assim
sendo, pode-se ser mais sensato, pois contemplou o bem, conhece verdadeiramente.
Também de certa forma, realiza-se desse modo o Ideal de Filósofo.

Hoje, na esfera política, o que prevalece é o individualismo, em que basta o


apoio de alguns para ser eleito, e o governo é em benefício próprio, para si. Muitos
dos que se elegem não “contemplam”, não tem uma base; possuem apenas um bom
relacionamento para ir representar.

Quer-se ressaltar o conhecimento do todo para poder ser um sujeito sensato e


saber, assim, administrar o que é público. Algumas perturbações são vistas na saída
do mundo da caverna para o mundo sensível. Quando sai da caverna, a vista está
acostumada à sombra e é preciso se habituar para ir ver o claro. A vista fica ofuscada,
do contrário também. Depara-se com o mundo totalmente luminoso e a sensação é
de fechar as vistas ou olhar para algo menos claro até acostumar. Isso tudo acontece
porque é algo repentino.

Em Platão, no mesmo texto da “República”, ainda encontra-se uma outra ques-


tão pertinente às discussões do problema da ética:

Quem pode governar satisfatoriamente a cidade?

Ter-se-ia como possibilidade de resposta, os que não foram educados. Porém


não satisfaz porque estes são ignorantes, ou seja, não possuem uma finalidade na
vida e logo não conduzirão a cidade para lugar ou direção nenhuma, não havendo
progresso em todos os sentidos. Também poderia ser governada por aqueles que

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ADisciplina
Braz Cubas2 Filosofia e ética

passaram a vida a aprender, mas essa possibilidade também não iria satisfazer, pois
são prepotentes. São aqueles que julgam possuir todo o saber e capazes de habitar
a Ilha dos Bem-Aventurados3.

Faz-se necessário, então, um meio termo entre os extremos (ignorantes e pre-


potentes), e que por dedução, ou indução Platão argumenta serem os filósofos os
sujeitos sensatos e que seriam os sábios verdadeiros capazes de governar satisfato-
riamente a cidade. Assim, o conhecimento é algo sério e estará longe da ignorância e
também da prepotência, e conduz a uma prática sensata (justa medida).

Para ser sábio, não é possível ser ignorante, mas também não é aquele que per-
manece na “Ilha dos Bem-Aventurados”, ou os prepotentes; o sábio é aquele que retor-
na, no caso, ao mundo da caverna, após ter contemplado, e ajuda aos sujeitos a saírem
da caverna e, por isso, a suficiência da sabedoria, do ser sábio, pois consiste em dispor
na prática o conteúdo contemplado, que é uma forma de humildade. É preciso, então,
serem modestos, sensatos e humildes, não sábios (mas verdadeiros sábios).

Lembra-se, então, que o indivíduo enquanto indivíduo não tem sentido e,


como coloca Aristóteles, o indivíduo só se realiza na polis, vivendo com os demais em
liberdade e cujas relações são horizontais, ou seja, de iguais para iguais. No caso do
cristianismo, a salvação vai estar na vivência em comunidade.

Os conhecimentos e habilidades só são importantes se partilhados com os de-


mais, se for posto em questão, em cheque e discutido, seja na polis ou na comunida-
de, caso contrário, se for apenas individual, não terá sentido e nem êxito. Por esse
fato, o público não pode ser pensado fora da polis. Na polis se dá a reprodução da
harmonia do cosmos pelo viés da natureza, e abre-se, então, a partir desse critério,
o espaço político.

Mais tarde, todo esse discurso será modificado, ou seja, com Maquiavel, Locke
e outros, o indivíduo passa a ser valorizado como único, e a partir do indivíduo que
se estruturará a sociedade e os sistemas, ao contrário do que ocorria na polis grega.

A fundamentação contínua de que o Estado deve ser governado por “aqueles


que são realmente ricos”; ricos em sensatez; isso é conquistado na medida em que
se contempla o bem. Por tais motivos, o poder tem de ser dito como uma contin-
gência e não se ter um querer explícito pelo poder, de tal modo que só assim haverá
uma administração pacífica. Não poderia ter uma ambição pelo poder, pois isso gera
disputa e a administração acaba sendo grandiosamente conflituosa.

3 Era para os gregos, lugar das delícias do além, e para nós, toma-se como céu ou algo que o valha.

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Filosofia e ética ADisciplina
Braz Cubas2

Para refletir:

Qual das ciências é capaz de conduzir a alma humana (o homem) para o


caminho do bem?

Qual ciência é capaz de arrancar a alma do inferno (metaforicamente fa-


lando) e alavancá-la para o bem?

Como agir corretamente em direção ao bem?

Atenção:

Agora vamos para o AVA continuar nossos estudos com a leitura do texto1
– disponível na pasta da unidade 1 “Os conceitos de virtude e moral em
Aristóteles: o ensejo ocidental”. Lembre-se de estudar o texto antes de
realizar as atividades virtuais e avaliações. Quando finalizar, volte para o
livro didático e continue seus estudos. Bom trabalho!

1.2  Considerações da unidade I

Agir com total convicção, isso é resultado de um caráter, de uma prática cons-
tante. A virtude se constitui no agir e o agir se dá pela constituição da virtude. Resta
em aberto apenas algumas questões sem pretensão de resposta, que são: o que
dizer quando desejamos fazer algo e não conseguimos? Em que situação de discerni-
mento se encontra o indivíduo que atua sob embriaguez ou cólera? Qual o justo meio
do roubo, ou será possível em alguma circunstância? Se estou na guerra e morrer é
ruim para mim, porém, se morrer pela pátria é um ato nobre, como decidir? A virtude
é um termo médio ou extremo? Virtude está em oposição ao vício/deficiência?

Para concluir, tem-se que as artes apenas exigem um saber fazer instrumental,
conhecimento prático-poético. O fim é o produto e a tendência é aprimorar o produ-
to na exigência do saber fazer repetidamente, sendo, portanto, externo ao homem.
Já as virtudes exigem o conhecimento prático deliberativo, a escolha, o caráter, e
reside dentro do homem/indivíduo, portanto, visa forjar o caráter, falquejar a alma,
aprimorar o agente pela prática habitual. Assim, nobre é o fim da virtude.

É parte desta unidade, a primeira teleaula. Lembre-se de assisti-la no seu Am-


biente Virtual de Aprendizagem para complementar seus estudos. Na plataforma,

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ADisciplina
Braz Cubas2 Filosofia e ética

você terá disponível uma atividade para análise, fórum de dúvidas e links para que
você se aprofunde nesses aspectos. Não se esqueça de buscar essas novas informa-
ções, inclusive, antes de testar seu conhecimento.

Bom trabalho!

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Filosofia e ética ADisciplina
Braz Cubas2

Unidade II
2

O saber ético e as especificidades da ética

Objetivos da Unidade:

• Evidenciar as especificidades da ética e sua relação com a


cotidianidade;

• Elucidar as grandes tarefas éticas.

Competências e Habilidades da Unidade:

• Entendimento para a percepção da ética e suas aplicações


contemporâneas;

• Compreensão para definir com clareza as características principais


da ética e sua relação com o agir humano.

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ADisciplina
Braz Cubas2 Filosofia e ética

2.1  Considerações gerais

A ética é uma forma de saber, que visa orientar o agir humano de modo racional.

Desde suas origens, se é que foi possível perceber isso, a ética se configura como
um saber prático, assim, se distinguindo de vários outros saberes. Como exemplo,
temos o saber chamado de técnico (saber fazer), o artístico, o teórico entre outros.
A diferença da ética, enquanto saber prático em relação aos demais saberes está
em que este visa o agir, mas não qualquer agir e o agir bem no conjunto das várias
facetas do agir do indivíduo. Assim, tem-se a preocupação com o discernimento do
que é o agir correto, o discernimento do melhor agir, o aperfeiçoamento do sujeito
que age.

A característica, aqui, de perfeição, refere-se ao próprio ato de agir e não


exatamente ao produto, como queiram conceber alguns de forma equivocada
(“importa os meios e não os fins”). Nesse sentido, concebem-se, conforme vários
autores, vários tipos de racionalidades, isto é, várias perspectivas do agir no sentido
racional. De alguma forma, discutiremos na sequência algumas formas, modalidades,
ou numa linguagem mais própria, racionalidades como a comunicativa ou dialógica,
prática etc.

2.2  A racionalidade prática (I. Kant)

Destaca-se aqui a importância de ter presente a distinção que Kant faz em


relação ao homem. Este pode ser esclarecido ou ser erudito. A moralidade tem como
ponto de partida os juízos, sendo que cada pessoa tem a capacidade, o saber prático,
de usar a própria razão (e emitir juízos, julgar o que é moral ou não). Esse é o “ser
esclarecido” que cada sujeito pode ser. O homem erudito é somente aquele que faz
uso do entendimento, ligado a esfera do conhecer, das três faculdades: sensibilidade,
entendimento e razão. É aquele que pode fazer uso do entendimento, que pode
conhecer. Essa distinção está pressuposta na Fundamentação da Metafísica dos
Costumes (FMC)4, de Kant, em que o ponto central da discussão são os juízos.

4 KANT, Immanuel. Fundamentação da Metafísica dos Costumes. Lisboa: Edições 70, 1997. Esse
texto, traduzido do alemão por Paulo Quintela, será a referência para as devidas citações ou explanações
referenciais ao texto.

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Filosofia e ética ADisciplina
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O melhor que se pode fazer, nesse momento, é ir direto ao ponto, isto é, a


análise do Imperativo Categórico (I.C.), suas deduções ou fórmulas. Seja ele: “Age de
tal modo que a máxima da tua vontade possa valer sempre, ao mesmo tempo como
princípio de uma legislação universal”. A formulação geral do Imperativo Categórico
está situada na FMC (KANT, 1997, p.59) com os seguintes dizeres:

Age apenas segundo uma máxima tal que possas ao mesmo


tempo querer que ela se torne lei universal.

Após, Kant usa algumas fórmulas derivadas das quais utilizaremos, para fins de
estudo, uma divisão de apenas três.

A primeira é considerada a fórmula da universalidade.

Age como se a máxima da tua ação se devesse tornar, pela tua


vontade, em lei universal da natureza (KANT, 1997, p. 59).

A segunda é tida como a fórmula da humanidade.

Age de tal maneira que uses a humanidade, tanto na tua pessoa


como na pessoa de qualquer outro, sempre e simultaneamente
como fim e nunca simplesmente como meio (KANT, 1997, p. 69).

E a terceira que se encontra “espalhada” de onde

resulta o terceiro princípio prático da vontade como condição su-


prema da concordância desta vontade com a razão prática uni-
versal, quer dizer a ideia da vontade de todo o ser racional conce-
bida como vontade legisladora universal (KANT, 1997, p.72).

E também enuncia que nunca se deve

praticar uma ação senão em acordo com uma máxima que se


saiba poder ser uma lei universal, quer dizer só de tal maneira
que a vontade pela sua máxima se possa considerar a si mesma
ao mesmo tempo como legisladora universal (KANT, 1997, p. 76).

97
ADisciplina
Braz Cubas2 Filosofia e ética

O princípio deve ser uma legislação universal, não pode ser subjetivo, tem de
ser universal. Não pode estar na esfera do simples querer que é subjetivo, mas tem
de ser feito o “teste” e ser elevado ao nível do poder querer. O que deve reinar é a
objetividade, a boa vontade, que é orientada pela razão.

98
Filosofia e ética ADisciplina
Braz Cubas2

Atenção:

Para falar da autonomia da vontade, enquanto Vontade Geral e Univer-


sal, vamos conhecer J. J. Rousseau. Para isso, vamos fazer nossa primeira
parada no estudo do conteúdo desta unidade para analisar o texto 1 dis-
ponibilizado na pasta da Unidade II no seu AVA. “J.J. Rousseau: Raciona-
lidade comunitarista ou bom senso”, que discute, entre outros pontos, a
questão da liberdade. Após finalizar o estudo do texto, retorne e continue
no livro.

Bom trabalho!

2.3  Racionalidade política, “natural” ou “direito natural”

John Locke foi um dos pensadores que viveu entre 1632 e 1704. Ficou caracte-
rizado também como um defensor da tolerância, pois apelava à consciência dos que
praticam “malefícios” aos outros. Foi contrário ao uso da força para fazer as pessoas
aderirem a uma “verdadeira religião”5, ou a um estado (civil) possível. Decorrente
disso, uma de suas primeiras preocupações foi com relação a autoridade, e, em se-
guida, preocupou-se com a lei natural que sancionava a autoridade (e por que não o
estado) e a fundamentação da mesma (autoridade ou estado).

5 Metáfora para indicar que as pessoas eram obrigadas pelo uso da força (bélica, ou corporal) a aderirem a
um estado civil como religião.

99
ADisciplina
Braz Cubas2 Filosofia e ética

O homem tem um lugar de destaque na hierarquia dos seres6. Ressalta-se,


também, que, aqui, a questão é trabalhada de forma hipotética.

A vida política, nesse sentido, só pode ser entendida a partir do “direito na-
tural”. Uma das preocupações é pelo direito à propriedade que, segundo Locke, é
natural, anterior à sociedade civil, não depende do estado, mas está vinculado ao
trabalho que, por sua vez, é a origem e o fundamento da propriedade. O acordo/
contrato que se dá após, com a instituição do estado civil, é para preservar a vida,
a liberdade e a propriedade. Locke, nesse sentido, é também visto como empirista
na teoria do conhecimento, pois valoriza a experiência; na política, é visto junto com
Hobbes e outros, como um jusnaturalista, isso porque via como fundamento último
das questões políticas e sociais a natureza do homem7.

Para Locke existe Deus, e o Homem é obra do criador e também propriedade.


Desse modo, o homem está sujeito a lei moral que é a lei de Deus. Ao homem, como
dono de sua vida, cabe preservar a vida e guiar-se pelas leis divinas.

A razão humana torna-se regra comum, a medida e o meio de nos


preservarmos dada por Deus ao Homem (MACPHERSON, 1979,
p. 22).

6 OLIVEIRA, Manfredo Araújo de. ÉTICA E SOCIABILIDADE. Locke: A emergência do “indivíduo livre” no
horizonte do ético. São Paulo: Loyola, 1999.

7 Por jusnaturalismo pode ser entendido também como as teorias pelas quais os seus formadores propuse-
ram limites ao poder estatal. Segundo Bobbio para Locke “o bom governo é aquele que nasce com limites que
não podem ser ultrapassados, limites impostos pelo fato de que as leis políticas vem depois das leis naturais,
estando, por assim dizer, a seu serviço” (BOBBIO, 1997, p. 151).

100
Filosofia e ética ADisciplina
Braz Cubas2

As perguntas, nesse caso, são:

No Estado de Natureza8 o indivíduo é portador do direito natural, ou seja,


direito a igualdade, liberdade, propriedade; igualdade de condição, de usar o poder
que tem de forma recíproca, de equilibrar as posições, pois são dotados de razão
e podem gerenciar as posses (principalmente). “Liberdade total” contanto que não
destrua o que está sob a guarda de si mesmo. Pode usufruir dos bens e de si mesmo,
contanto que preserve a vida sua e de outrem.

Locke diz que os direitos de liberdade e igualdade estão no homem, na sua


natureza. O indivíduo tem seus direitos de forma individual e não mais participando
de organizações, nação (polis) ou grupos. Surge, portanto, o questionamento:

Hobbes ao falar dos direitos naturais, diz que o homem é que detém os mesmos.
O homem de Hobbes vive num contexto em que ocorre um estado permanente de
guerra de todos contra todos e, por isso, as ações se darão por antecipação, ou
seja, antes que o outro me ataque, me cause prejuízo eu o ataco até, talvez, a seu
extermínio. Isso apenas será resolvido com um contrato social ou um pacto social, ao
menos o que será proposto mais adiante.

Continuando a questão da liberdade, Locke afirma que a realização se dá na


propriedade, em que ser livre implica responsabilidades. Em Aristóteles, ser livre é

8 Estado de Natureza é “um estado em que eles (homens) sejam (seriam) absolutamente livres para decidir
suas ações, e dispor de seus bens e de suas pessoas, como bem entenderem, dentro dos limites do direito
natural, sem pedir a autorização de nenhum outro homem e nem depender de sua vontade” (Locke, 1999,
p. 83). Um estado que só tem como guias as leis naturais, e por tal o homem tende a perder-se, ou seja, por
falta de alguém que seja soberano e de certa forma policie a ação do homem, este tende a começar se achar
diferente dos demais e também agraciado praticando atos “injustos”, desiguais, sendo que a salvação dessa
violência é a criação do Estado Civil e, por consequência, as leis positivas. Se compararmos Locke com Hobbes,
notar-se-á que no primeiro, o estado natural é diferente do estado de guerra. Pode se transformar em estado
de guerra, mas o homem não nasce em estado de guerra como em Hobbes (este coloca o surgimento do
Estado Civil com poder absoluto para poder determinar o fim da guerra, ao contrário de Locke em que o
estado é liberal e não determina, apenas coloca as regras, como juiz, e tem poucos poderes, apenas fiscaliza,
é um estado mínimo). No Estado de Natureza, o homem é juiz de si mesmo.

101
ADisciplina
Braz Cubas2 Filosofia e ética

“arcar” com as consequências das responsabilidades da polis e o indivíduo participa


do estado somente após ser considerado cidadão, ou melhor, ter consciência e
clareza dos direitos e deveres. O Estado de Natureza é hipotético, considerando-se
alguns pensadores. Hobbes tem liberdade como ausência de impedimentos externos
e é também fazer aquilo que o estado determina.

Para a nova concepção do direito natural, temos as seguintes características:

102
Filosofia e ética ADisciplina
Braz Cubas2

Locke, a princípio, parece dizer que a posse é dada pelo trabalho empregado
no objeto e o quanto este lhe permitir adquirir, ou seja, pode-se acumular o tanto
de objetos ou coisas que o indivíduo lhe empregar trabalho, contanto que sobre
o necessário para a sobrevivência dos demais. Há, assim, o direito de se adquirir
propriedade para garantir a própria vida, sendo um direito adquirir e um dever
respeitar a aquisição do outro. Isso porque, há, também, no Estado de Natureza, o
reconhecimento da lei de natureza e o respeito de seus direitos, bem como de seus
deveres. Nesse estágio, então,

Porém, em tempos mais modernos, surge o dinheiro, e a apropriação se torna


mais fácil, sendo possível acumular mais.

103
ADisciplina
Braz Cubas2 Filosofia e ética

Assim foi estabelecido o uso do dinheiro – alguma coisa duradoura


que o homem podia guardar sem que se deteriorasse e que, por
consentimento mútuo, os homens utilizariam na troca por coisas
necessárias à vida, realmente úteis, mas perecíveis (LOCKE, 1999,
§ 47, p. 110).

O homem sentiu, então, a necessidade de preservar o gozo dos direitos (liber-


dade, igualdade e propriedade), criou a sociedade civil e abandonou o estado natural
em que se sentia ameaçado. O Governo torna-se uma delegação com a finalidade de
garantir a segurança e a propriedade dos cidadãos, ou então, o que leva os homens
a unir-se em estados e, por-se sob um governo é a preservação de sua propriedade
(pois no Estado de Natureza, a propriedade estava ameaçada e insegura).

2.4  O dever-ser do estado e a ética: Hobbes

Sabendo-se que a Ética preocupa-se com a fundamentação e legitimação do


agir humano, nesse caso, associado ao Estado, pergunta-se:

A partir disso, poder-se-ia criar uma série de outras questões que poderiam ser
a preocupação com o dever-ser do Estado, as questões éticas e outras mais. A presente
reflexão tem por finalidade apenas mostrar o que acontece no Estado de Natureza, ou
seja, o que possivelmente ocorreria num lugar em que sendo os indivíduos como são
(para Hobbes os indivíduos no estado de natureza são maus, ou tendem ao mal, são
“imorais”; agem por instinto etc.) não houvesse quem impusesse a obrigatoriedade
de algumas leis ou do contrato. E pelo fato dos indivíduos serem maus, “injustos”,
“imorais”, no estado como se encontram (um estado anterior ao civil, o de natureza)
se justificaria a necessidade de um Estado para colocar ou assegurar alguns direitos
aos indivíduos. A fundamentação em Hobbes também muda um pouco de lugar, ou
seja, anteriormente se baseava no cosmos, na divindade, agora se dá a partir do
indivíduo, do sujeito, o fundamento é mais antropocêntrico.

104
Filosofia e ética ADisciplina
Braz Cubas2

Para Hobbes, o Estado de Natureza é igual ao Estado de Guerra, e este Estado


de Natureza é pré-político. É anterior a socialização e de antemão a possibilidade de
se transformar em um estado de guerra.

A possibilidade de entrar em guerra ocorre por um motivo um tanto óbvio, que


é o fato de os homens, num determinado momento, começarem a “achar/pensar”
que possuem capacidades iguais e também direitos iguais9 levando-os a buscarem
as mesmas coisas, os mesmos fins.

O outro passa a ser um empecilho para a minha finalidade, por que há várias
coisas que não podem ser desfrutadas por dois ou mais (membros de um grupo).
Como se percebe, neste Estado de Natureza, há uma primeira característica que é
não existir limites, fronteiras, demarcações, praticamente um homem sem lei (agir
humano não regrado eticamente) que vai a procura de saciar suas vontades próprias,
individuais, saciar suas necessidades e os próprios desejos.

Para atingir o que se quer (neste Estado de Natureza), qualquer meio usado e
que se dispõe, seria justificável, numa espécie maquiavélica de que “os fins justificam
os meios”. Nesse momento, poderia se dar o início de um possível estado de guerra,
um estado de disputa de um indivíduo contra o outro. O outro (indivíduo) passa,
ou poderia ser usado, também, como meio para chegar aos fins desejados. Existe,
então, como que uma predisposição para a “guerra de todos contra todos”.

Em si, por esses motivos colocados e outros que serão elencados, pode-se
dizer que o homem, para Hobbes, não é nenhum selvagem, embora seja pessimista
em relação a natureza humana.

No Estado de Natureza, Hobbes vê o homem, ou quer vê-lo, na sua simplicidade,


como ele é independente do que foi dito até então sobre o homem. Poder-se-
ia dizer, na linguagem de Heidegger, que o homem, este ser-aí, é um ser que tem
paixões, carências, necessidades etc. Neste Estado de natureza, o homem como que
se apresenta de modo selvagem/animal/irracional. Vê-se um homem em sua nudez
envolto somente com o estético, prazeres próprios, egoísta. Desse modo caracteriza-
se Hobbes como um pensador sensista, materialista e prático que vê um homem por
natureza egoísta e possessivo, entendido por natureza como um homem mau/ruim,
embora venha a melhorar com o seu ingresso na sociedade civil.

9 Ou melhor, os homens são “iguais, quanto às faculdades do corpo e do espírito” (HOBBES, p.74) de
maneira que há uma harmonia, uma compensação, um equilíbrio. Isso significa dizer que um pode ter mais
força física do que um segundo. Porém, este segundo pode se unir a um terceiro e, assim, juntar mais força
que o primeiro. A sabedoria neste caso pode compensar a força física.

105
ADisciplina
Braz Cubas2 Filosofia e ética

Há, sim, um estado de medo, insegurança, desconfiança, anepsias, dúvidas etc.


É um lugar de contradições, ao menos, aparentemente, por exemplo, todos têm pro-
priedade e ninguém tem nada ao mesmo tempo, nenhum indivíduo sabe o que é
dele ou do outro10.

Este estado é a negação da civilização e nos dizeres de Sartre “o outro para


mim é um inferno”. Não há proveito algum na companhia uns dos outros. Há um
desprazer, um individualismo; estado de total degradação e muito interesseiro. Resta
apenas ou há apenas a conservação da espécie e se possível a autopreservação, mas
medida pela utilidade, por seu telos/fim, buscam-se os fins e os meios, que podem
ser qualquer um. Após isso, observa Hobbes que:

é fácil conceber qual seria o gênero de vida quando não havia


poder comum a recear, através do gênero de vida em que os
homens anteriormente viveram sob um governo pacífico costu-
mam deixar-se cair, numa guerra civil (HOBBES, p. 76).

Isso significa que é uma possibilidade que o homem tem de entrar em guerra
quando não há lei, e até lei positiva no sentido de regras e jurisprudência. A única
“sorte” que o homem tem, no Estado de Natureza, é que o homem também tem
paixões que o levam a negar o Estado de Natureza para poder supri-las e, assim, se
tem algumas condições para superar o conflito que são: o medo da morte, o desejo

10 Como no estado de natureza ninguém sabe o que é seu ou do outro, não há propriedade particular.
Porém, se tem o direito a propriedade, de se apossar do alimento etc. Assim como, não há igualdade, mas se
tem o direito a igualdade etc.

106
Filosofia e ética ADisciplina
Braz Cubas2

de uma vida confortável e a esperança de conseguir a mesma. Isso faz com que o
homem passe a procurar elementos de uma vida em sociedade e, por tal, uma or-
ganização racional a qual se submeta para poder ter e usufruir da satisfação dessas
necessidades, ou escapar da angústia do medo da morte e outras.

Atenção:

Agora mais uma parada no livro para aprofundar nossos estudos no texto
2 – Racionalidade comunicativa ou dialógica. Lembre-se que deverá es-
tudá-lo antes de realizar as atividades ou avaliações, pois é parte integran-
te do conteúdo. Na sequência, volte e continue seus estudos. Bom trabalho!

2.5  Considerações da unidade II

É importante lembrar que é parte desta unidade, a segunda teleaula. No


Ambiente Virtual de Aprendizagem (AVA), você também terá disponível uma atividade
para análise, Fórum de Dúvidas e links para que se aprofunde nesses aspectos, além
dos textos já indicados durante a unidade para leitura.

Bom trabalho!

107
Filosofia e ética ADisciplina
Braz Cubas2

Unidade III
3

As normatizações da ação humana

Objetivos da Unidade:

• Mostrar as mudanças de concepção ética ao longo da história e nos


diferentes nichos culturais, bem como, nas diferentes profissões.

Competências e Habilidades da Unidade:

• Percepção das mudanças éticas ao longo da história; definir com


clareza as características principais de cada profissão e as normati-
zações específicas, Códigos de Ética.

109
ADisciplina
Braz Cubas2 Filosofia e ética

3.1  Dos tipos e das características principais

Geralmente, logo ao pensar em normas, pensa-se no direito e nas esferas jurí-


dicas que, via de regra, estão posicionadas apenas no aspecto legal, isto é, na legisla-
ção de um modo geral. Quando adentramos para o campo da moral e da ética, cabe
dizer que estas adotam alguns preceitos para orientar a ação dos indivíduos, ou ain-
da, ao adotar um caráter prescritivo geralmente são confundidas com outros tipos
de normas, como as religiosas e as sociais. A contrapelo, pode-se dizer que não raras
vezes as pessoas partem das normas religiosas ou das normas sociais e específicas
de cada grupo e estendem isso para todos como se fossem preceitos universais. De
outra forma, passam acreditar que os valores ou princípios religiosos são morais e
válidos para todos. Mas não é bem assim. Pode até funcionar numa sociedade tipica-
mente cristã, por exemplo, mas num sentido particular, não universal.

Se tomarmos as principais semelhanças que cabem aos diversos tipos de normas,


assim como apontam Cortina e Martinez (1996), vamos encontrar os seguintes aspectos:

110
Filosofia e ética ADisciplina
Braz Cubas2

Precisa-se salientar que as normatizações, embora semelhantes nesse sentido,


as vezes se diferenciam quanto a sua origem. Por exemplo, as prescrições religiosas
para o agir humano geralmente provêm de deuses ou de uma autoridade divina ou
próxima dela, e, em outra instância, as normas jurídicas, se fizermos um paralelo
com “não matar”, possuem uma origem social ou de outro nível. Também diferem
em relação a quem precisa cumprir (não são todos, às vezes), quem legitima, a pena,
sanção que cabe a quem transgride e assim por diante.

As normas morais e religiosas possuem um tribunal diferente das normas le-


gais. As primeiras são julgadas, em última instância, na própria consciência, ou no dia
do juízo final. Na verdade, se trata da consciência das obrigações que o sujeito, indi-
víduo possui. Isso não significa evidentemente, que se trata de um aspecto subjetivo
ou irracional, mas simplesmente são parametrizadas pela consciência do indivíduo
em relação às suas obrigações morais. Em outra medida, as normas jurídicas ou le-
gais precisam ser cumpridas até por que são promulgadas por órgãos do Estado ou
comunidade política, nesse caso, obrigando que todo cidadão ou sujeito participante
daquela comunidade a cumpra.

No caso jurídico, enquanto normatização, os sujeitos não podem alegar que


desconheciam a lei que por isso não a precisam cumprir. Não conhecer, por vezes,
pode até atenuar a pena, mas não há redenção para isso. “NINGUÉM PODE ALEGAR

111
ADisciplina
Braz Cubas2 Filosofia e ética

DESCONHECIMENTO DA LEI” (art.3°, do Decreto-Lei n° 4657/42). No caso das ques-


tões morais, o desconhecimento exime o sujeito da culpa, afinal de contas, a inten-
ção é um elemento essencial.

Por fim, outro aspecto, é que as normas morais e éticas requerem sempre
a característica da universalidade. Em contrapartida, as normas jurídicas somente
exigem que cumpram aqueles cidadãos ou partícipes de determinada comunidade
política, de determinada organização. São, por exemplo, alguns ordenamentos es-
tatais, municipais, de determinadas escolas ou universidades que funcionam como
leis específicas. No caso da moralidade e da ética, se exige o cumprimento de todos
os indivíduos que se encontram numa situação em que a norma possa ser aplicada
(CORTINA E MARTINEZ, 1996, p. 42).

Cortina, por exemplo, vai observar que nem sempre a norma jurídica, em vista
da sua particularidade, contribui para uma sociedade justa. Isso quer dizer que as
leis, a dimensão jurídica é necessária, mas que não são suficientes para que se efeti-
ve uma sociedade em que paire a justiça social. Diz:

As leis jurídicas nem sempre protegem suficientemente todos os


direitos que são reconhecidos por uma moral civil.

Às vezes, exigem comportamentos que não parecem justos aos


obrigados por elas.

As reformas legais são lentas e uma sociedade nem sempre


pode esperar que uma forma de ação esteja reconhecida em
uma lei para ser considerada correta. Por isso, muitas vezes a
ética se antecipa ao direito.

Por outro lado, este tipo de lei não contempla certos casos parti-
culares que, não obstante, requerem consideração.

O fato de ‘juridificar’ é próprio de sociedades com escassa liber-


dade. Nas sociedades mais livres a necessidade de regulamen-
tações legais é menor porque os cidadãos atuam corretamente.

Ainda que pareça que as normas jurídicas que protegem direitos


fundamentais garantam essa proteção em maior medida que as
normas morais, isto é, mesmo que pareça que são mais eficazes,

112
Filosofia e ética ADisciplina
Braz Cubas2

o certo é que sua capacidade protetora é muito limitada. Pode-


se iludir, manipular e tergiversar com as leis, sobretudo por par-
te dos poderosos. (1996, p. 37).

No caso do Direito Constitucional, aparecem alguns conceitos como o de “obje-


ção de consciência” ou “escusa de consciência”. O prof. Rogério Greco explica:

Existem determinadas situações que fazem com que algumas


pessoas se recusem, terminantemente, a cumprir as determina-
ções legais em virtude de sua consciência. Muitas vezes, prefe-
rem a morte a aviltar suas convicções pessoais. Isso, de forma
simplificada, é o que a doutrina reconhece como uma objeção
de consciência.

Veja a seguinte notícia de um aluno de biologia que alegou “objeção de


consciência”:

113
ADisciplina
Braz Cubas2 Filosofia e ética

Em síntese, pode-se dizer que a objeção de consciência traduz um conflito com


a lei de um lado, esfera objetiva, e a consciência do indivíduo, de outro, a esfera sub-
jetiva. Os exemplos podem ser os mais variados.

Atenção:

Que tal você que está lendo até aqui pensar num exemplo também? Depois
acesse a plataforma e poste lá como mensagem aos tutores e/ou professor...

Outra situação semelhante, mas chamada de epiqueia, é quando se cumpre o


espírito da lei, contudo, se descumpre sua letra. É aquilo que geralmente as pessoas
fazem em lugares perigosos, ou na madrugada, quando avançam no sinal vermelho
após observar que não havia trafego de pessoas ou outros carros. Nesse caso, pare-
ce que se requer do indivíduo “um equilíbrio e um bom senso muito forte, tendo uma
consciência clara do que faz [...]; também se requer uma disposição da pessoa em
assumir eventuais sanções que a sociedade lhe impuser” (CAMARGO, 1999, p. 87).

Ainda há as relações entre a moral e a religião, afinal de contas toda religião,


independente de seus credos particulares, carrega consigo uma concepção moral.

Essas normas religiosas, assim como as morais, exigem a auto-obrigação, isto


é, uma apelo a sua consciência, assim como as normas éticas, morais. Não há, por-
tanto, uma coação externa maior, mas a consciência que lhe cobra um correto agir,
conforme os padrões aceitos pela comunidade religiosa específica. No fundo, a cons-
ciência é a instância última a que se presta conta a divindade. A diferença entre as
normas morais e religiosas é apenas a sua origem (sociais e divinas, respectivamen-
te), bem como sua forma de justificação (racionalidade e verdade revelada).

Como prévia conclusão, devemos orientar que uma ética, para ser universal,
que seja válida para todas as pessoas, precisa ser laica (livre da moralidade de cunho
religioso). Em outras palavras, a ética precisa ser válida para todos, crentes ou não,
de diversas crenças, ou independente das crenças particulares, tais são, por exem-
plo, os princípios civis compartilhados: o respeito mútuo, igualdade de condições,
garantia de direitos etc.

114
Filosofia e ética ADisciplina
Braz Cubas2

Outras normatizações, as sociais, dizem respeito a tradições, costumes, hábitos


herdados etc. Quando o indivíduo não cumpre com esses requisitos não há, neces-
sariamente, um descumprimento das normas morais ou éticas. Geralmente, são os
grupos que agem sobre os indivíduos solicitando, na verdade coagindo, para que sua
ação seja de tal forma, bem como, a sanção é dada pelo próprio grupo, acarretando,
por vezes, a não participação daquele indivíduo, naquele grupo. Isto não configura
um problema ou uma infração ética, moral.

3.2  A ética e as profissões

A ética no sentido prático pode ser referenciada a partir de Comte-Sponville, em


que ao falar do Sartre justifica que “todos somos responsáveis por todos”, ou ainda,
a partir de Dostoievsky, quando para o qual “somos todos responsáveis por tudo,
diante de todos”. Vejamos literalmente:

O homem é uma espécie ameaçada, antes de tudo por ele pró-


prio. O homem é o predador do homem. Um aprendiz de feiti-
ceiro, para a humanidade. Não é por ele ser bom que devemos
defendê-lo, e, aliás, ele não é nada bom. É por ele ser vivo. É por
ele sofrer. É por ele ser mortal. (COMTE-SPONVILLE).

Tem-se, com assim, uma série de normativas que a ética engloba, sejam elas
a respeito da bioética, ou da Ética para os negócios. Os problemas mais comuns da
bioética são os seguintes:

115
ADisciplina
Braz Cubas2 Filosofia e ética

Nos casos específicos começam a valer os questionamentos sobre aquilo que


não é permitido. O que não podemos manipular, por exemplo, a clonagem de seres
humanos. Na verdade, se trata de uma relação entre aquilo que o progresso cien-
tífico, tecnológico, em alguns casos, e a evolução daquilo que se pode chamar de
aspecto humano das relações sociais.

Ou o problema da ordem jurídico política, quer dizer, há algumas coisas que


a lei autoriza, é legal que se faça, mas também aquilo que é ilegal, isto é, o que a lei
veda. Contudo, nessa mesma esteira, no sentido político, há os que fazem a lei, su-
postamente por possuírem competência para tal, e os que não possuem competên-
cia para legislar, produzir leis. O problema é

Para refletir:

Aproveite, nesse caso, para pesquisar sobre a Eutanásia (Podemos matar?),


sobre o Aborto (Podemos matar?), o quanto isto é legal, previsto em lei, o
quanto isso atenta para a moral tradicional (Não matar!), e o quanto isto é
apenas “não punível”, mas fere os sentimentos morais e éticos.

Atenção:

Nossos estudos continuam com a leitura do texto 1 desta unidade – O


papel da ética- disponibilizado no AVA. Não deixe de acessá-lo antes de
realizar as atividades e avaliações, pois o texto é parte integrante deste
conteúdo.

Bom trabalho!

116
Filosofia e ética ADisciplina
Braz Cubas2

3.3  Considerações da unidade III

É parte desta unidade a terceira teleaula. Lembre-se de assisti-la no seu am-


biente virtual de aprendizagem para complementar seus estudos. Na plataforma
você terá disponível uma atividade para análise, fórum de dúvidas e links para que
você se aprofunde nesses aspectos. Não se esqueça de buscar essas novas informa-
ções, inclusive, antes de testar seu conhecimento.

Bom trabalho!

117
Filosofia e ética ADisciplina
Braz Cubas2

4 Unidade IV

Comprovação e validação das normas éticas:


alguns fundamentos e o ensino dos mesmos

Objetivos da Unidade:

• Fundamentar os critérios que possam servir para validar e compro-


var os princípios éticos relativos aos códigos de ética;

• Levar a compreensão das diferentes posturas como relativas aos


princípios éticos adotados.

Competências e Habilidades da Unidade:

• Compreensão dos critérios de validação dos princípios éticos, das


normas sociais; aplicação disso nos códigos de ética; o ensino,
educação, transmissão dos mesmos a outros indivíduos.

119
ADisciplina
Braz Cubas2 Filosofia e ética

4.1  A determinação ética

A problemática que se põe aqui é em saber

O fato é que em eras de internet, globalização e comunicação rápida não se


veem mais povos ou grupos isolados, apesar de ralos casos que fazem exceção a
esta regra. Por isso, geralmente os problemas de fome, destruição, morte, precon-
ceito, bullying etc. são apresentados independente de raça, cultura, crença ou outras
especificidades. Na maioria dos casos, cada povo passa assim a ter o dever de apren-
der, saber e compreender as peculiaridades morais e éticas dos demais povos.

Para Kant o problema está em entender o que é o homem e seu destino. De


outra forma, é a pergunta pelo fato de o homem conter um destino, predisposições,
ou se o homem pode ser educado no sentido moral, ético para o bem. Diz Kant:

O homem deve, antes de tudo, desenvolver as suas disposições,


para o bem; a Providência não as colocou nele prontas; são sim-
ples disposições, sem a marca distintiva da moral. Tornar-se me-
lhor, educar-se e, se se é mau, produzir em si a moralidade: eis o
dever do homem (KANT, 1999, p. 19/20).

120
Filosofia e ética ADisciplina
Braz Cubas2

Kant parte de uma distinção rígida entre instintivo e racional, como capacidade
de pensar e não pensar. No entanto, o pensamento posterior mostrou que a proble-
mática do tratamento da fronteira entre o instintivo e o racional é muito mais com-
plexa. Temos então, que todas as reações em prol da vida têm também suas vanta-
gens, mas também têm seus limites. A humanidade talvez esteja criando níveis cada
vez mais aperfeiçoados de sobrevivência e essa distribuição é muito diversificada
desde a autopreservação numa concepção não civilizada, luta direta pela sobrevivên-
cia (selvagem), até outras formas, que se caracterizam pela luta política, do poder, do
dinheiro, e outras. Um dos indicativos para a solução da problemática é não localizar
a explicação num único fator, mas considerar como um processo dinâmico, que so-
fre a influência de vários condicionantes.

Outra ideia importante é que para conceber o ser humano como ser em po-
tencial, a educação moral tende a ser uma arte, ou seja, uma fonte de provocação
permanente, atualmente dir-se-ia uma mobilização pedagógica. É esse tom de pro-
vocação que faz da educação moral um processo reflexivo e lhe confere caráter de
constante busca de um horizonte.

O conceito antropológico de homem deve estar presente na educação moral e


ética como ideal normativo, ideia de horizonte a ser traçado. Educação como ideia,
um conceito racional necessário, que não tem um vínculo empírico direto.

121
ADisciplina
Braz Cubas2 Filosofia e ética

Para entender melhor é preciso retomar a conexão de que somos morais se


livres e racionais. Educação como ideia tem dois significados: de humanidade e de
moralidade. No primeiro, tem diante de si a contribuição para o desenvolvimento da
humanidade moral que já está na criança em potencialidade.

Uma ideia não é outra coisa senão o conceito de uma perfeição


que ainda não se encontra na experiência (KANT, 1999, p. 17).

É um conceito ideal. Precisamos disso para que consigamos, psicologicamente,


“tocar a vida para frente”, é o que dá sentido para o agir humano e, por isso, não
pode ser considerado apenas como sonho, utopia (conforme concepção moderna)
ou quimera.

Se essa ideia talvez não possa ser perfeitamente realizável, isso


não diz nada contra a sua verdade, do mesmo modo que a ideia
de uma república perfeita, regida segundo as normas da justiça
(Gerechtigkeit), deveria permanecer como uma ideia verdadeira,

122
Filosofia e ética ADisciplina
Braz Cubas2

ainda que nós não possamos encontrá-la na realidade.11 (HER-


MENAU, 2003, p. 86).

A razão vai além da relação representacional – a liberdade está fora da relação


sujeito (objeto-mundo), mas na relação independizada do sujeito. A busca pela auto-
nomia do sujeito. Nesse contexto, Kant afirma que para concretizar a ideia deve-se
superar dois obstáculos principais: os pais e os príncipes.

Os pais, porque, em regra geral, só querem que seus filhos se-


jam bem-sucedidos no mundo, sem conectarem esse desejo de
sucesso com uma ideia cosmopolita; os governantes, porque uti-
lizam os seus subordinados somente como instrumentos para
suas intenções particulares (HERMENAU, 2003, p. 87).

Costumeiramente, nem os pais, nem os príncipes se preocupam com esse bem


geral, que seria contrário, por exemplo, as justificativas de que a guerra é importan-
te. A preocupação, no entanto, nas preleções Sobre a Pedagogia é o desenvolvimento
da moral. O sujeito, enquanto cidadão político é pensado em sua obra intitulada “A
Paz Perpétua”, mais precisamente no capítulo: “História universal sobre um ponto de
vista cosmopolita”.

Outro item importante em Kant é a disciplina que se traduz pela organização da


vida da criança. É um conselho que Kant dá:

Rendemos um péssimo serviço às crianças procurando tranquili-


zá-las logo que gritem. (...) estragamos as crianças fazendo tudo
que elas querem. (...) A criança deve obedecer cegamente; não é
natural que mande que o forte obedeça ao fraco. (...) Se quere-

11 HERMENAU, Frank. “No fundo, educamos desde sempre para um mundo saído de seus eixos”: sobre a
relação entre política e educação em Immanuel Kant e Hannah Arendt. IN: DALBOSCO, C. A. Filosofia Prática
e Pedagogia. Passo Fundo: Ed. UPF, 2003.

123
ADisciplina
Braz Cubas2 Filosofia e ética

mos formar o caráter das crianças, importa muito que lhes mos-
tremos em tudo certo plano, algumas leis que possam seguir
exatamente. É assim, por exemplo, que lhe fixamos um horário
para o sono, um para o trabalho, um para o lazer; esse tempo,
uma vez fixado, não pode ser diminuído nem aumentado. (...)
enviamos as crianças cedo à escola, não tanto para que apren-
dam coisa alguma, mas sobretudo para que se acostumem a fi-
car tranquilamente sentadas e a observar pontualmente o que
lhes é ordenado, a fim de que mais tarde, saibam tirar bom pro-
veito de todas as ideias que terão (p.143,144).

Segundo Kant a disciplina é essencial e deve ser clara e fortemente imposta às


crianças aprendendo assim a conhecer e respeitar o convívio social, não propondo,
porém uma coação cega. Para desenvolver tal respeito Kant aborda dois níveis: o
auto-respeito e as sanções.

Porém, Kant parece deixar claro que não se deve humilhar às crianças.

Aquilo que aqui se aplica às crianças, pode servir também para a formação dos
profissionais e dos adultos de um modo geral. Por isso, consideram esses itens como
parte dos fundamentos da formação moral e ética do indivíduo.

Veja que alguns destes fundamentos são discutidos, de outra forma, nas
teleaulas.

Atenção:

Faremos uma parada no estudo do conteúdo do livro didático para o texto


1 Os coordenadores, chefes, governos e suas éticas: serão maquiavé-
licos?, disponível no ambiente virtual da disciplina na pasta da unidade IV.
Quando finalizar, retorne ao livro e continue.

Bom trabalho!

124
Filosofia e ética ADisciplina
Braz Cubas2

4.2  Outros fundamentos gerais

Uma competência moral o pressuposto da

decisão racional e justificada de reduzir ao mínimo o conflito


entre duas regras morais, procurando pôr em prática a mais
desejável e consistente (isto é, menos conflitante) para todos,
segundo o princípio universal de justiça (Freitag, 1992, p. 206).

Quer dizer, sujeitos mais instruídos ou mais competentes no sentido moral são
aqueles que recorrem e dispõe de vários argumentos a fim de poder optar pela alter-
nativa que contempla com maior perspicácia o ponto de vista de todos, para relem-
brar, que contemple talvez a Vontade Geral (Rousseau), evitando assim, de alguma for-
ma, os efeitos colaterais. A competência moral pode ser resumida da seguinte forma:

125
ADisciplina
Braz Cubas2 Filosofia e ética

Portanto, reafirma-se aqui a necessidade de um agir pautado em princípios


que sejam sempre universais. É o caso daquilo que apontamos ao falar de Kant e do
imperativo categórico, a saber, “age de tal forma que a sua ação possa se converter
em lei universal”. Em outras palavras, o agir humano não pode estar pautado nas
vontades instintivas, subjetivas, pessoais, mas a partir de critérios válidos ou que
possam ser aceitos por todos os indivíduos. Na mesma direção parece estar a velha
“regra de ouro da moral”, a saber, “não faças aos outros aquilo que não queres que
seja feito a ti”. Essa regra tem seu valor, mas também suas limitações, pois os princí-
pios universais devem ser positivos e, nessa regra eles são, ainda, restritivos, portan-
to incipientes em alguma medida. Isso quer dizer, que o indivíduo apenas não faria
aos outros, alguma coisa, pois está motivado por uma restrição pessoal.

126
Filosofia e ética ADisciplina
Braz Cubas2

Estão subjacentes outros princípios, como a não contradição entre o princípio


universal e a ação particular. Se não matar é um princípio universal, então nas ações
particulares e individuais eu também não posso ter exceções, pois, caso contrário,
estarei em flagrante contradição. O mesmo vale para outras normas, como não men-
tir e por aí vai...

Se faz mister considerar aspectos como a consistência, o não rompimento com


o princípio de que todos são iguais e não pode haver beneficiários particulares, isto é,

uma ação individual realizada conforme uma máxima que deter-


mina o conteúdo da ação que satisfaz esta máxima, por um lado,
e essa mesma ação levada adiante por todos os membros de
uma determinada sociedade por outro. (Guariglia, 1996, p. 20).

Ou na sequência,

E, por fim,

Em ética, ainda, não se pode tomar o vigente, a facticidade, aquilo que é, como
critério para determinar as normas. Isso quer dizer que pode haver normas, vigen-
tes, que se diferenciam ou contradizem as normas válidas, por exemplo, o “jeitinho
brasileiro”. É vigente, mas não válido e não se pode tomar como norma, como escusa
em tribunais. O válido é porque é digno de que seja reconhecido como universal, é o
dever ser, não, portanto, o ser.

127
ADisciplina
Braz Cubas2 Filosofia e ética

Os cuidados que se deve ter referem-se ao dogmatismo moral, ao senso co-


mum e à desobediência civil. Por um lado, agir ética e moralmente não significa, den-
tro das instituições, perder a liberdade, pois as ações do indivíduo somente podem
ser agências, nas diferentes instituições, se predispuser de autonomia e liberdade.
Isso significa, em última instância, a capacidade de interação social. A liberdade aqui
consiste em não dogmatizar as ações. Isso é perigoso.

Por exemplo, vê como ruim a desonestidade para os políticos, mas em suas


ações particulares, no “jeitinho brasileiro” de resolver sua vida faz sem ter consciên-
cia, ou considera válido. Tal situação beira o senso comum, outro problema, pois faz
a norma parecer apenas externa ao indivíduo, não autonomamente refletida. É o
que poderia ser denominado de dupla moral.

128
Filosofia e ética ADisciplina
Braz Cubas2

4.3  Considerações da unidade IV

Ética é um assunto extenso, e a partir das discussões sobre a mesma podem-se


elencar muitos exemplos. Convido você, caro(a) aluno(a), a continuar os estudos e as
pesquisas. Sugiro que pesquise amplamente qual a relação da ética, normatização
do agir humano, com a liberdade. Ou normatizar o agir humano não é restringir a
liberdade? Ou então, quais seriam os limites da ética? Aguardo suas conclusões no
fórum de discussões na plataforma.

Para fechar, quero reforçar que esta unidade se completa com a quarta teleau-
la e leitura do material complementar. Anote suas dúvidas e compartilhe-as com o
grupo no fórum para solucionarmos juntos.

Até mais...

129
Filosofia e ética ADisciplina
Braz Cubas2

Referências

ARISTÓTELES. A Ética- Textos Selecionados. São Paulo: EDIPRO, 2003.

ARISTÓTELES. Ética a Nicômacos. Brasília: Edunb, 1992.

AUDI, Robert. Dicionário de Filosofia de Cambridge. São Paulo: Paulus, 2006.

BERGER, P. ; LUCKMANN, T. A construção social da realidade. Petrópolis: Vozes,


1990.

CAMARGO, M. Fundamentos de ética geral e profissional. Petrópolis: Vozes, 1999.

CORTINA, A. Ética mínima. Madrid: Tecnos, 1994.

CORTINA, Adela & MARTÍNEZ, Emílio. Ética. São Paulo: Edições Loyola, 2009.

FURROW, Dwight. Ética: Conceitos-Chave em Filosofia. Porto Alegre: Artmed, 2007.

VALLS, A. L. M. O que é ética? São Paulo: Brasiliense, 1992

131
Produção do conteúdo: 2º sem./2011
Direito previdenciário e tributário ADisciplina
Braz Cubas3

Sumário da Disciplina

Apresentação 137
O Professor 139
Introdução 141

1Unidade I
Direito tributário 143
1.1 História dos tributos 144
1.2 Aspectos gerais 147
1.3 Limitações ao poder de tributar - princípios constitucionais tributários 149
1.4 Considerações da unidade I 150

2Unidade II
Obrigação, responsabilidade, processo tributário e crimes contra a ordem
tributária 151
2.1 Obrigação tributária 152
2.1.1 Modalidades de obrigações tributárias 153
2.1.2 Sujeito passivo da obrigação acessória 154
2.1.3 Sujeito passivo da obrigação principal 155
2.1.4 Aspectos gerais da sujeição passiva 155
2.2 Crédito tributário 157
2.2.1 Lançamento 158
2.2.2 Elisão e evasão tributária 159
2.3 Considerações da unidade II 159

3Unidade III
Seguridade social 161
3.1 Seguridade social na Constituição Federal de 1988 162
3.2 Regimes previdenciários no Brasil 163
3.3 Imunidades na seguridade social 164
3.3.1 Imunidade sobre aposentadoria e pensão do regime geral de previdência social
 164
3.3.2 Imunidade sobre as receitas decorrentes de exportação 165
3.3.3 Imunidade das entidades beneficentes de assistência social 165
3.4 Previdência social 166
3.5 Considerações da unidade III 167

4Unidade IV
Benefícios previdenciários 169
4.1 Benefícios previdenciários - introdução 170
4.2 Carência 170
4.2.1 Carência parcial 174
4.3 Salário de contribuição 175
4.3.1 Diferenças entre os benefícios decorrentes de acidente do trabalho e os benefícios
previdenciários 176
4.4 Considerações da unidade IV 177
Referências 179

135
Direito previdenciário e tributário ADisciplina
Braz Cubas3

Apresentação

Caro(a) aluno(a), nossa disciplina é composta por duas matérias: Direito Tribu-
tário e Direito Previdenciário.

Nos estudos sobre o Direito Tributário temos por objetivo proporcionar o co-
nhecimento necessário a respeito do sistema tributário do Brasil, possibilitando a
aplicação dos conceitos e sistemáticas na organização dos diversos setores públicos.

Entender as espécies tributárias, conhecer as hipóteses de imunidades tributá-


rias, os limites constitucionais ao poder de tributar etc., é, sem dúvida, muito impor-
tante para uma administração eficaz do setor público em seus diversos níveis.

Com relação aos estudos a respeito do Direito Previdenciário, iremos analisar


os principais temas sobre este ramo do direito tão importante para a população.
Estudaremos a Seguridade Social, com ênfase na Previdência Social, analisando os
princípios aplicados, os beneficiários, os benefícios e o tratamento dado aos aciden-
tes de trabalho.

Tenho certeza que a leitura deste material, aliado ao desempenho de vocês


nas atividades propostas, ao acesso constante no AVA, e as teleaulas, resultarão na
formação de profissionais competentes e comprometidos com o bem comum da
coletividade administrada.

137
Direito previdenciário e tributário ADisciplina
Braz Cubas3

O Professor

Prof.ª Natália Salaroli Rugai Muramoto

É pós-graduada em Direito Tributário e em Direito


Processual Civil, ambas pela Universidade do Sul de
Santa Catarina. É bacharel em Direito pela Universi-
dade Braz Cubas. É advogada desde 2006.

139
Direito previdenciário e tributário ADisciplina
Braz Cubas3

Introdução

Com as grandes civilizações a busca por terras trouxe grandes conflitos e guer-
ras, nessa época, os reis começaram a exigir tributo para sustentar seus exércitos.
Os Tributos exigidos eram exorbitantes e não existia uma regulamentação eficiente,
com tratamento igualitário a todos.

Hoje, a Constituição Federal de 1988 garante direitos aos contribuintes, im-


pondo limites ao poder do Estado de tributar. Partes das arrecadações dos tribu-
tos são utilizadas em financiamentos dos programas e ações do governo nas áreas
da saúde, previdência, educação, moradia, saneamento, meio ambiente, energia,
transporte etc. Os princípios constitucionais tributários representam uma limitação
ao poder de tributar do Estado e devem ser observados, sendo os recursos arreca-
dados aplicados em obras e serviços que atendam às necessidades da população.

A seguridade social compreende um conjunto integrado de ações de iniciativa


dos Poderes Públicos e da sociedade, destinadas a assegurar os direitos relativos
à saúde, à previdência e à assistência social, todos disciplinados pela Constituição
Federal de 1988.

A Saúde está prevista nos artigos 196 a 200, sendo direito de todos, indepen-
dentemente das condições econômicas. A Previdência Social está disciplinada nos
artigos 203 a 204, sendo um sistema contributivo. A Assistência Social, com previsão
nos artigos 201 e 202, não exige contribuição, porém, diferentemente do direito à
saúde, não são todos que terão direito, é necessário demonstrar necessidade para
a obtenção dos benefícios assistenciais.

Infelizmente o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), sistema público que


atende aos trabalhadores do setor privado, vem apresentando um déficit na arre-
cadação, tal situação necessita de extrema atenção para que no futuro a população
não seja prejudicada.

141
Direito previdenciário e tributário ADisciplina
Braz Cubas3

1 Unidade I

Direito tributário

Objetivos da Unidade:

• Demonstrar que o direito representa limitações ao poder de tributar


do Estado, evitando abusos e regulando a sistemática tributária;

• Conhecer as imunidades tributárias, as fontes do direito tributário


e distinguir os elementos que compõem uma relação jurídica
tributária.

Competências e Habilidades da Unidade:

• Compreensão de que os princípios tributários constitucionais


representam limitações ao poder de tributar do Estado;

• Conhecimento de que as imunidades tributárias são campos de não


incidência tributária;

• Diferenciação dos elementos da relação jurídico tributária.

143
ADisciplina
Braz Cubas3 Direito previdenciário e tributário

1.1  História dos tributos

Com a evolução, aprendeu a domesticar os ani- A conquista de terras favore-


o homem, que mais, a plantar e a construir suas ceu o surgimento das grandes
antes morava em casas, deixou de ser nômade e civilizações, foram séculos de
cavernas, passou a ocupar um espaço fixo. conflitos e guerras entre os
povos da terra em busca de
Nessa época, os homens homena- mais territórios e poder.
geavam seus Deuses e líderes com
presentes, denominados tributos. Os reis começaram a exigir
tributo para sustentar seus
exércitos.

A queda do império romano


marcou o início da Idade Média.

O grande império foi dividido Cada feudo possuía um senhor, os chamados


em vários pedaços de terra senhores feudais. Os camponeses, chamados
chamados de feudos, não de servos, eram obrigados a pagar tributos aos
existia mais a noção de senhores feudais, quem não pagasse o tributo
Estado na Europa medieval. poderia sofrer pena de morte.

O rei Ricardo Coração de Leão, enquanto viajava em guerra, deixou seu povo
sendo governado por um parente chamado João Sem Terra.

João Sem Terra formou seu próprio exército e cobrava tributos dobrados.
Quando o rei Ricardo Coração de Leão voltou das cruzadas, lutou contra João Sem
Terra para recuperar seu trono. O povo, cansado de ser explorado, exigiu que o novo
rei assinasse um documento que o protegesse contra tanto abuso: a Magna Carta, a
primeira limitação legal ao poder dos reis de cobrar tributos.1

1 Uma das marcas significativas da Magna Carta é a instituição do Princípio do Devido Processo Legal.
Por conta disso, a administração da justiça torna-se um dever do Estado e, ainda, um direito da pessoa a
ele vinculado. A propósito, dispunham os artigos 48 e 49 da Magna Carta: “art. 48. Ninguém poderá ser
detido, preso ou despojado dos seus bens, costumes e liberdades, senão em virtude de julgamento de seus
pares, segundo as leis do país. Art. 49. Não venderemos, nem recusaremos, nem dilataremos a quem quer
que seja, a administração da justiça.” (Magna Carta In: Ivan de Oliveira Silva. A Morosidade Processual e a
Responsabilidade Civil do Estado. São Paulo: Pillares, 2004, p. 165).

144
Direito previdenciário e tributário ADisciplina
Braz Cubas3

No final da Idade Média, surgiu uma nova classe social: a dos comerciantes, in-
dustriais e banqueiros. O comércio cresceu e se diversificou, esse movimento atraiu
cada vez mais pessoas para as cidades.2

em reinados
erna transformados
Idade Mod Os feudos foram

Os pequenos reinados deram origem aos Estados Nacionais.

s
e tinham suas riqueza
co lôn ias , co mo o Br asil, eram exploradas
As
rar qualquer benefício
tra ída s e ma nd ad as para a Europa sem ge
ex
s colônias.
para os habitantes da

ias, na França, os
çã o nã o to ma va co nta apenas das colôn
A insatisfa o rei, pois só os
mp on es es e ar tes ão s se revoltaram contra
burgueses, ca rigação de pagar
, ind us tri ais e tra ba lhadores tinham a ob
comerciantes
nobreza e o clero não.
pesados impostos, a

A principal reação a tais injustiças foi a Inconfidência Mineira, que teve como
causa principal a cobrança do quinto do ouro (a quinta parte de todo o ouro extraído
nos garimpos era pago à coroa portuguesa como tributo).3

2 A propósito do crescimento do comércio e aglutinação das pessoas nas cidades, vide: Edgar Salvadori de
Decca. O Nascimento das Fábricas. 10. ed. São Paulo: Brasiliense, 1995. 77 p. 4° reimp. da 10. ed. de 1995.
(Coleção Tudo é História, 51).

3 Vide, a título de aprofundamento no tema, Movimentos nativistas e de libertação: Inconfidência Mineira –


1789 – Vila Rica. Disponível, em 20/05/15: http://www.sohistoria.com.br/ef2/inconfidencia/

145
ADisciplina
Braz Cubas3 Direito previdenciário e tributário

o governo
as minas de ouro português,
endividado
No final do começaram a se , não admit
ia
receber me
século XVIII exaurir e a produção nos.
caiu muito.

Por isso, a rainha de Portugal, o


que a produçã
conhecida como D. Maria, a Lou Desconfiava
ca, chegava às
determinou que se a produção do ouro que
anual dição estava
de ouro que cabia à coroa não casas de fun
fosse e havia muita
atingida, a diferença seria cobrad caindo porqu
a de
sonegação.
uma vez por meio da derrama.

Tiradentes e os demais inconfid


da entes
A proximidade do dia perceberam que esse seria o dia
o certo
derrama aterrorizava para anunciarem o movimento,
pois
povo de Vila Rica. contavam com o apoio e a particip
ação
da população de Vila Rica, revolta
da
com a derrama.
spensa.
A derra ma foi su

No entanto, antes que iss


o
acontecesse, foram delat
ados por
Joaquim Silvério dos Reis.

inspirou,
o movimento mineiro
Apesar de derrotado,
ependência do Brasil.
anos mais tarde, a ind

Atualmente, a Constituição Brasileira de 1988, como a de todos os países de-


mocráticos, garante os direitos dos contribuintes, impondo limites ao poder do Es-
tado de tributar. Por outro lado, o tributo tem hoje um grande significado social,
por ser o maior responsável pelo financiamento dos programas e ações do governo
nas áreas da saúde, previdência, educação, moradia, saneamento, meio ambiente,
energia e transporte, dentre outras. No entanto, é preciso zelar sempre para que os
princípios constitucionais sejam observados e que os recursos arrecadados possam
ser aplicados em obras e serviços que atendam às necessidades da população, prin-
cipalmente a parcela mais pobre. Neste sentido, o Poder Judiciário, tem um impor-
tante papel para estabelecer a efetividade dos limites constitucionais ao poder de
tributar imposto ao Poder Público. No entanto, não é somente este Poder que tem

146
Direito previdenciário e tributário ADisciplina
Braz Cubas3

essa função, de modo que podemos incluir nessa missão todos os demais poderes
da República. Assim, os três Poderes: Legislativo, Executivo e Judiciário tem a função
de zelar pelos limites constitucionais ao poder de tributar.

1.2  Aspectos gerais

Para Hugo de Brito Machado, direito tributário

é o ramo do Direito que se ocupa das relações entre o fisco e


as pessoas sujeitas a imposições tributárias de qualquer espé-
cie, limitando o poder de tributar e protegendo o cidadão contra
abusos desse poder.4

O Direito Tributário é um ramo do direito público5, possui natureza obrigacio-


nal, visto que trata das relações de crédito e débito entre os contribuintes e o Fisco
(fazenda pública), ou seja, trata das relações jurídicas tributárias. Compõem a relação
tributária:

Sujeito ativo

De acordo com o artigo 119 do CTN (Código Tributário Nacional), sujeito ativo é
o credor da relação jurídica, ou seja, é a pessoa jurídica de direito público credo-
ra do tributo (União, Estado, Distrito Federal ou Município).

Quando os parlamentares editarem a lei instituidora do tributo,


ela estipulará quem poderá ser o sujeito ativo. Este terá a função
de receber, fiscalizar, cobrar e executar o cumprimento da lei
fiscal.6

4 Disponível em: <http://tributarioblog.blogspot.com/2008/10/resumos-conceitos-de-direito-tributrio.


html>. Acesso em: 10 de Julho. 2011.

5 A respeito dos ramos do Direito, vide: Ivan de Oliveira Silva; Cláudio José Franzolin e Roberta Cardoso.
Lições de Teoria Geral do Direito. São Paulo: Atlas, 2013.

6 Renato Lopes Brecho. Lições de Direito Tributário: teoria geral e constitucional. São Paulo: Saraiva, 2011.

147
ADisciplina
Braz Cubas3 Direito previdenciário e tributário

Sujeito passivo

De acordo com o artigo 121 do CTN, sujeito passivo é a parte devedora, ou seja,
é a pessoa que possui o dever de pagar o tributo.

Hipótese de incidência

Previsão em lei de que determinada conduta ou fato requer o pagamento de


determinado tributo.

Fato gerador

É a materialização da hipótese de incidência, ou seja, o sujeito passivo realiza a


conduta ou fato disposto em lei, nascendo, portanto, o dever de pagamento do
tributo.

Exemplos:
O fato gerador do imposto de renda é auferir renda, portan-
to, a partir do momento que eu aufiro renda, realizo o fato
gerador e devo realizar o pagamento do tributo;

O fato gerador do IPVA (Imposto sobre a Propriedade de Veí-


culos Automotores) é a propriedade de veículo automotor,
portanto, a partir do momento que sou proprietária de um
veículo, devo promover o pagamento do tributo;

O fato gerador do IPTU (Imposto sobre a Propriedade Terri-


torial Urbana) é a propriedade de imóvel urbano, portanto, a
partir do momento que sou proprietária de um imóvel urba-
no, devo realizar o pagamento do tributo.

Veremos na nossa segunda teleaula, as etapas no tempo que o tributo segue,


começando na hipótese de incidência e terminando com a execução fiscal.

148
Direito previdenciário e tributário ADisciplina
Braz Cubas3

1.3  Limitações ao poder de tributar - princípios


constitucionais tributários

Nossa Constituição Federal de 1988, dispõe sobre uma série de princípios


constitucionais destinados a limitar o poder estatal de cobrar tributos. Este poder
de tributar, exercido pelas entidades políticas, sofre balizamentos (limitações) pelos
referidos princípios constitucionais. Segundo o Supremo Tribunal Federal, os princí-
pios tributários são cláusulas pétreas da Constituição Federal de 1988, ou seja, são
disposições que não podem ser modificadas por emendas constitucionais.

Conheça mais:

Acesse a plataforma e leia os artigos 150 a 152 da CF/88, eles hospedam os


Princípios Constitucionais Tributários.

Aproveite que você fará esta parada e leia, na sequência, os textos:

1. Limitações ao poder de tributar;


2. Imunidades tributárias;
3. Competência tributária;
4. Sistema tributário nacional;
5. Repartição das receitas tributárias;
6. Fontes do direito tributário.

Lembre-se que todos os textos compõem o conteúdo da disciplina e devem


ser estudados antes da realização de atividades e avaliações.

Bons estudos!

Dica de Leitura:

SABBAG, Eduardo de Moraes. Direito Tributário. 11. ed. São Paulo: RT, 2009.

149
ADisciplina
Braz Cubas3 Direito previdenciário e tributário

1.4  Considerações da unidade I

Nesta unidade, vimos que o Direito Tributário é um ramo do direito público


que possui natureza obrigacional, pois trata das relações de crédito e débito entre os
contribuintes e o Fisco (fazenda pública).

Entendemos que os princípios constitucionais tributários representam limita-


ções ao poder de tributar: princípio da legalidade tributária (União, Estados, Muni-
cípios e DF só podem criar ou aumentar um tributo por meio de lei), princípio da
anterioridade tributária (a lei será publicada em um dado momento, anterior ao pla-
no eficacial da norma), princípio da isonomia tributária (contribuintes considerados
iguais deverão receber tratamento isonômico), Princípio da Capacidade Contributiva
(sempre que possível, os impostos terão caráter pessoal e serão graduados segundo
a capacidade econômica do contribuinte), princípio da vedação ao confisco (é vedada
a absorção da propriedade particular pelo Estado, sem justa indenização).

Você percebeu que competência tributária é o poder de criar o tributo, en-


quanto a imunidade tributária determina que sobre aquele determinado bem, enti-
dade, serviço etc., o ente político competente não pode criar, não pode exercer seu
poder de tributar.

Com tudo isso, você é capaz de identificar que tributo é toda prestação pecuniá-
ria compulsória, em moeda ou cujo valor nela se possa exprimir, que não constitua
sanção de ato ilícito, instituída em lei e cobrada mediante atividade administrativa
plenamente vinculada, e que, são espécies tributárias: os impostos, taxas, contribui-
ções de melhoria, empréstimos compulsórios e contribuições.

É importante que, em complemento ao estudo desta unidade, você acesse o


Ambiente Virtual de Aprendizagem (participando dos fóruns, realizando as ativida-
des propostas, fazendo a leitura dos textos e vídeos complementares) e dispense
especial atenção à primeira teleaula.

Ao final desta unidade, você está apto a compreender o conceito de tributo,


suas limitações constitucionais, as hipóteses de imunidade tributária e as diversas
espécies de tributos.

Na unidade II, estudaremos a obrigação, responsabilidade e processo tributá-


rio e os crimes contra a ordem tributária.

150
Direito previdenciário e tributário ADisciplina
Braz Cubas3

Unidade II
2

Obrigação, responsabilidade, processo tributário


e crimes contra a ordem tributária

Objetivos da Unidade:

• Analisar as partes que compõem a relação jurídico tributária, sa-


lientando as espécies de responsabilidade pelos tributos devidos, a
forma de cobrança em caso de não pagamento e os ilícitos conside-
rados crime contra a ordem tributária.

Competências e Habilidades da Unidade:

• Compreender as particularidades das partes que compõem a


relação jurídico tributária (sujeito ativo e sujeito passivo);

• Ressaltar que a responsabilidade tributária pode ocorrer de


diferentes maneiras;

• Diferenciar a cobrança administrativa e judicial dos tributos;

• Identificar os crimes contra a ordem tributária.

151
ADisciplina
Braz Cubas3 Direito previdenciário e tributário

2.1  Obrigação tributária

Para Orlando Gomes, obrigação é um vínculo jurídico em virtude do qual uma


pessoa fica adstrita (submetida) a satisfazer uma prestação em proveito de outra7.

Representa o dever do sujeito passivo, que se insere


dentro do contexto da relação jurídica tributária.
Obrigação
no meio o
Tributária
objeto, que é o
A relação jurídica tributo
tributária é com-
posta por um tripé
por outro,
por um lado, o dever o direito do
do sujeito passivo sujeito ativo

O sujeito passivo tem de pagar o tributo e o sujeito ativo tem o direito de exigi-lo:

99 O dever de pagar do sujeito passivo reflete a obrigação tributária;

99 O direito de exigir do sujeito ativo reflete o crédito tributário;

99 O dever do sujeito passivo nasce por conta da prática do fato gerador.

Exemplo: O fato gerador do IR (Imposto


de Renda) é auferir renda, e se José aufere
renda, ele realiza o fato gerador, e, com isso,
nasce a obrigação tributária, o nascimento
do dever de José de pagar o IR.

Uma vez realizado o fato gerador, o nascimento da obrigação tributária é


automático e infalível, isso porque a obrigação tributária é “ex lege”, ou seja, seu
nascimento independe da vontade do sujeito passivo, decorre de lei.

7 Gomes, Orlando. Obrigações. Rio de Janeiro: Forense, 2000. p. 9.

152
Direito previdenciário e tributário ADisciplina
Braz Cubas3

2.1.1  Modalidades de obrigações tributárias

Em nosso sistema jurídico, há dois tipos de obrigações tributárias:8

dever
Reflete um dever patrimonial. O
lar deve
ibutária patrimonial significa que o particu
Obrigação Tr
entregar dinheiro ao Estado.
Principal

Exemplos: O tributo, a multa (e toda e qualquer penalidade) etc.

al.
sória Não reflete um dever patrimoni
ibutária Aces
Obrigação Tr

que o Consiste num fazer que auxilia


O dever não patrimonial significa
seja a Administração na fiscalização
particular deve fazer algo que não
entregar dinheiro ao Estado. dos tributos.

também pode ser chamada Exemplo:


A obrigação tributária acessória
um instrumento em favor da Emitir nota
de “dever instrumental”, por ser
r se o fato ocorreu ou não. fiscal.
Fiscalização, ajudando-a a verifica

não depende da obrigação


A obrigação tributária acessória
emos ter uma sem outra.
tributária principal, ou seja, pod

Podemos ter obrigação tributária acessória nos casos de imunidade ou isenção,


como por exemplo, a emissão de nota fiscal de um livro que é imune à tributação no
que diz respeito ao seu papel, a livraria deverá, mesmo assim, emitir a nota fiscal.

-la de dever instru-


É exatamente por isso, que a doutrina moderna prefere chamá
ndente da obri-
mental, em vez de falar em obrigação acessória, já que ela é indepe
gação principal.

8 Luciano Amaro. Direito Tributário Brasileiro. São Paulo: Saraiva, 2006, p. 375 e seguintes.

153
ADisciplina
Braz Cubas3 Direito previdenciário e tributário

Pode acontecer de uma determinada empresa


não emitir nota fiscal, descumprindo uma
obrigação tributária acessória. A consequência
do descumprimento de uma obrigação acessória
é a imposição de uma multa, de uma penalidade.

Vejamos as definições do art. 113, CTN:

Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória.

§ 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gera-


dor, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecu-
niária e extingue-se juntamente com o crédito dela decorrente.

§ 2º A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem


por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas
no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos.

§ 3º A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservân-


cia, converte-se em obrigação principal relativamente à penali-
dade pecuniária.

2.1.2  Sujeito passivo da obrigação acessória

Está previsto no art. 122, CTN:

Art. 122. Sujeito passivo da obrigação acessória é a pessoa obri-


gada às prestações que constituam o seu objeto.

É a pessoa física ou jurídica obrigada ao cumprimento do dever


instrumental. A determinação do sujeito passivo se dará por meio de lei. Isso
se dá em função do princípio da estrita legalidade em matéria tributária.

154
Direito previdenciário e tributário ADisciplina
Braz Cubas3

2.1.3  Sujeito passivo da obrigação principal

Está previsto no art. 121, CTN:

Art. 121. Sujeito passivo da obrigação principal é a pessoa obri-


gada ao pagamento de tributo ou penalidade pecuniária.

Parágrafo único. O sujeito passivo da obrigação principal diz-se:

I - contribuinte, quando tenha relação pessoal e direta com a


situação que constitua o respectivo fato gerador;

II - responsável, quando, sem revestir a condição de contribuin-


te, sua obrigação decorra de disposição expressa de lei.

Segundo este artigo, o sujeito passivo é a pessoa física ou jurídica obrigada ao


pagamento de tributo ou ao pagamento de penalidade pecuniária, geralmente será
uma lei ordinária que dirá quem será o sujeito passivo. 9

O sujeito passivo pode ser de dois tipos, a depender do motivo de seu dever
de pagar o tributo:

Existe o dever de pagar o tributo por-


Contribuinte
que realizou o fato gerador;

Existe o dever de pagar o tributo não por-


Responsável
que realizou o fato gerador, mas, porque,
Tributário
a lei o indica como terceiro responsável.

2.1.4  Aspectos gerais da sujeição passiva

São aspectos que servem tanto para os contribuintes, quanto para os


responsáveis, ou seja, é aplicável para todos os sujeitos passivos:10

O artigo 123, do CTN estabelece que, salvo disposições de lei em contrário, as


convenções particulares, relativas à responsabilidade pelo pagamento de tributos,

9 Yoshiaki Ichihara. Direito Tributário. São Paulo: Atlas, 2005, p. 135.

10 Yoshiaki Ichihara. Direito Tributário. São Paulo: Atlas, 2005, p. 140-144.

155
ADisciplina
Braz Cubas3 Direito previdenciário e tributário

não podem ser opostas à Fazenda Pública, para modificar a definição legal do sujeito
passivo das obrigações tributárias correspondentes. Este artigo trata do papel que as
convenções particulares exercem no Direito Tributário.

Exemplo: Se no contrato de locação existe uma


cláusula estabelecendo que o dever de pagar o IPTU
é do locatário, se este não pagar, a fazenda pública
irá cobrar do locador, o dono do imóvel, pois as
disposições particulares entre as partes não alteram
a responsabilidade no direito tributário.

O artigo 126, do CTN, prevê que a capacidade tributária passiva independe:

Da capacidade civil das pessoas naturais;

Exemplo: Um bebê que possui um imóvel,


recebido por herança, é sujeito passivo da
obrigação tributária, ou seja, deverá pagar IPTU.

De achar-se a pessoa natural sujeita a medidas que importem privação


ou limitação do exercício de atividades civis, comerciais ou profissionais, ou da
administração direta de seus bens ou negócios;

Exemplo: Pessoa presa que aufere renda, é


sujeito passivo da obrigação tributária, ou seja,
deverá pagar IR.

De estar a pessoa jurídica regularmente constituída, bastando que configure


uma unidade econômica ou profissional.

156
Direito previdenciário e tributário ADisciplina
Braz Cubas3

Exemplo: Camelôs, embora sejam


constituídos de forma irregular, devem
pagar tributos sobre as mercadorias
vendidas.

Este artigo disciplina a capacidade tributária passiva, dizendo quem pode ser
sujeito passivo. De acordo com o artigo 126, do CTN, poderão ser sujeitos passivos
qualquer pessoa física ou jurídica, independentemente da capacidade civil ou
constituição regular. Lembrar da máxima tributo “non olet” comentada na teleaula.

Conheça mais:

A respeito da capacidade tributária acesse o link disponível na midiateca e


assista a alguns comentários a respeito do artigo 126 do Código Tributário
Nacional.

Após assistir ao vídeo, abra o texto 1 – Responsabilidade Tributária e


estude-o antes de retornar ao livro didático. Ele é parte do conteúdo e obe-
dece à sequência do material.

2.2  Crédito tributário

O crédito Tributário representa o momento de exigibilidade da relação jurídico


tributária. É o direito de crédito da Fazenda Pública, já devidamente apurado por
procedimento administrativo denominado lançamento e, portanto, dotado de certeza,
liquidez e exigibilidade, estabelecendo um vínculo jurídico que obriga o contribuinte
ou responsável (sujeito passivo) ao Sujeito Ativo (Estado ou ente parafiscal) realizar
o pagamento do tributo.

157
ADisciplina
Braz Cubas3 Direito previdenciário e tributário

2.2.1  Lançamento

O lançamento é o instrumento documental de veiculação da exigibilidade do


tributo ou da multa, constitui o crédito tributário, possibilitando sua cobrança. Visa
à identificação do quantum debeatur (quanto devido) e do an debeatur (se devido).
Em outros termos, “entende-se por lançamento o procedimento da administração,
do contribuinte ou de ambos, tendente à constituição do crédito tributário, com vista
na captação do tributo”.

Dispõe o artigo 142, do CTN, que

compete, privativamente, à autoridade administrativa constituir o crédito tribu-


tário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tenden-
te a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, deter-
minar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o
sujeito passivo e, sendo o caso, propor a aplicação da penalidade cabível.

O contribuinte pode auxiliar o Fisco no ato de lançar, em maior ou menor


escala. Conforme a intensidade do auxílio, o lançamento poderá ser:

Lançamento Direto ou de Ofício Lançamento Por Declaração ou Misto

O Fisco, não dispondo de todos os da-


O Fisco prescinde da “ajuda” do contri-
dos para realizar o lançamento, conta
buinte, pois dispõe de bastante dados
com o auxílio do contribuinte que lhe
para lançar.
presta uma declaração.
Exemplos: IPTU e IPVA.
Exemplos: II, IE, ITBI.

O Fisco conta com um amplo auxílio do contribuinte, que


Lançamento Por realiza o fato gerador, calcula o tributo, preenche a guia de
Homologação ou recolhimento e paga o tributo. Diante disso, cabe ao Fisco
Autolançamento homologar o procedimento.

Exemplos: ICMS, IPI, IR.

158
Direito previdenciário e tributário ADisciplina
Braz Cubas3

2.2.2  Elisão e evasão tributária

Elisão e evasão fiscal são duas formas de evitar ou diminuir o pagamento de


tributos. A primeira é um método ilícito, porquanto a segunda é um método permitido
por lei.

Mas vamos entender melhor esse assunto com o estudo do texto 2 desta
unidade – Elisão e evasão tributária – que está disponível na midiateca.

Na sequência, os textos 3 – Cobrança do tributo – e 4 – Crimes contra


a ordem tributária - também devem ser estudados antes de retornar ao
livro didático.

Bons estudos!

Dica de Leitura:

CARVALHO, Paulo de Barros. Curso de Direito Tributário. 23ª. ed. São


Paulo: Saraiva, 2010.

2.3  Considerações da unidade II

Nesta unidade, vimos que a relação jurídica tributária é composta por um tripé:
de um lado, o dever do sujeito passivo; do outro o direito do sujeito ativo e, no meio,
o objeto, que é o tributo. Poderão ser sujeitos passivos qualquer pessoa física ou
jurídica, independentemente da capacidade civil ou constituição regular.

Você aprendeu que a lei pode atribuir de modo expresso a responsabilidade


pelo crédito tributário à terceira pessoa, vinculada ao fato gerador da respectiva
obrigação, excluindo a responsabilidade do contribuinte ou atribuindo-a a este, em
caráter supletivo, o cumprimento total ou parcial da referida obrigação.

Com tudo isso, você é capaz de identificar que o crédito Tributário é o direito de
crédito da Fazenda Pública, devidamente apurado por procedimento administrativo
denominado lançamento, estabelecendo um vínculo jurídico que obriga o contribuinte
ou responsável a realizar o pagamento do tributo. O contribuinte pode auxiliar o fisco
no ato de lançar, em maior ou menor escala. Conforme a intensidade do auxílio, o

159
ADisciplina
Braz Cubas3 Direito previdenciário e tributário

lançamento poderá ser: lançamento direto ou de ofício, lançamento por declaração


ou misto, ou lançamento por homologação ou autolançamento.

Você compreendeu que o crédito tributário pode ser cobrado de forma


administrativa ou judicial. A cobrança será judicial quando frustrada a cobrança
administrativa, ou seja, constituído o crédito tributário pelo lançamento e não
havendo pagamento do tributo haverá a cobrança judicial.

Vimos ainda, que os crimes contra a ordem tributária estão previstos na Lei
8.137/90 e no Código Penal (art. 168-A - Apropriação indébita previdenciária; art.
334, CP - Contrabando ou descaminho e art. 337-A - Sonegação de contribuição
previdenciária).

É importante que, em complemento ao estudo desta unidade, você acesse ao


Ambiente Virtual de Aprendizagem (participando dos fóruns, realizando as atividades
propostas, fazendo a leitura dos textos e vídeos complementares) e dispense especial
atenção à segunda teleaula.

Ao final desta unidade, você está apto a compreender os elementos da relação


jurídica tributária, os tipos de responsabilidade tributária e os crimes tributários
previstos na legislação brasileira.

Na unidade III, estudaremos a Seguridade Social.

160
Direito previdenciário e tributário ADisciplina
Braz Cubas3

Unidade III
3

Seguridade social

Objetivos da Unidade:

• Demonstrar que a Seguridade Social possui três ramos distintos:


Saúde, Previdência Social e Assistência Social;

• Conhecer os sujeitos da Previdência Social.

Competências e Habilidades da Unidade:

• Compreensão dos diversos ramos da Seguridade Social;

• Entendimento de que na Previdência Social existem segurados


obrigatórios e segurados facultativos;

• Diferenciação das diversas classes de dependentes.

161
ADisciplina
Braz Cubas3 Direito previdenciário e tributário

3.1  Seguridade social na Constituição Federal de 1988

A seguridade social compreende um conjunto integrado de ações de iniciativa


dos Poderes Públicos e da sociedade, destinadas a assegurar os direitos relativos à:

Não precisa contribuir para participar. A saúde é direito de todos,


independentemente das condições econômicas.
Saúde
(art. 196 a 200 Exemplo: Um morador de rua tem direito à saúde oferecida pelo
da CF) poder público, assim como o empresário mais bem sucedido eco-
nomicamente, não importa.

Previdência Social (art. 203 a 204 da CF)

Sistema contributivo. Só terá direito a receber os benefícios previdenciários a pes-


soa que contribuir com a previdência.
Só poderá receber aposentadoria a pessoa que contribuir com a previdência, con-
forme requisitos estabelecidos na lei.

Não precisa contribuir para participar, porém, diferente-


mente do direito à saúde, não são todos que terão direi-
Assistência Social
to, é necessário demonstrar necessidade para a obten-
(art. 201 e 202 da CF)
ção dos benefícios assistenciais.

Exemplo: Bolsa família, bolsa escola, auxílio gás etc.

Conheça mais:

Os idosos (65 anos) carentes recebem Benefício de Prestação Continuada


(BPC), como um aparato assistencial, visto que sua concessão independe
de ter o beneficiário contribuído ou não para a Seguridade. Embora os re-
cursos para o pagamento deste benefício saiam dos cofres do INSS.11

11 OLIVEIRA, Lamartino França de. Direito Previdenciário: manuais para concursos e graduação. São Paulo:
RT, 2005 (Série manuais para concursos e graduação; v. 4 / coordenação geral Luiz Flávio Gomes), p. 30.

162
Direito previdenciário e tributário ADisciplina
Braz Cubas3

Outras mídias:

Acesse a plataforma e confira no link disponibilizado os artigos da Consti-


tuição Federal referentes à Saúde, Previdência Social e Assistência social.

Na sequência você deverá estudar o texto 1 desta unidade – Princípios da


Seguridade Social.

Bons estudos!

3.2  Regimes previdenciários no Brasil

No Brasil, o sistema previdenciário é dividido em:

Regimes principais

São de participação compulsória e se subdividem em:

Setor público Setor Privado

99 Civil: Servidores da União, Es- 99 Funcionários da iniciativa pri-


tados, Distrito Federal e Municí- vada - INSS; Regime geral da
pios - Regime Próprio da Previ- Previdência Social (RGPS - art.
dência (RPP- art. 40, CF/88). 201, CF/88).

99 Militar: Policiais.

Regimes complementares

são de participação facultativa e se subdividem em:

Oficial Privado

99 São os regimes complementares que pode ser:


da União, Estados, Distrito Federal
99 Aberto: qualquer um pode partici-
e Municípios.
par. São oferecidos pelos bancos.

99 Fechado: referente a determinado


grupo ou empresa.

163
ADisciplina
Braz Cubas3 Direito previdenciário e tributário

3.3  Imunidades na seguridade social

Assim como estudamos na primeira teleaula, as imunidades recíprocas, religio-


sa, de livros etc., veremos que também existem as imunidades na assistência social.

São casos de não incidência com previsão na CF/88, também chamadas de limi-
tação constitucional ao poder de tributar.

3.3.1  Imunidade sobre aposentadoria e pensão do regime geral de


previdência social

Tem previsão no art. 195, II, CF/88:

II - do trabalhador e dos demais segurados da previdência so-


cial, não incidindo contribuição sobre aposentadoria e pensão
concedidas pelo regime geral de previdência social de que trata
o art. 201.

Só existe previsão de imunidade para o Regime Geral de Previdência. No Regi-


me Próprio, há previsão da contribuição do inativo/pensionista, nos termos do art.
40, § 18/21, CF/88.

Exemplo:

Imaginemos que João recebe, como única fonte de renda, uma aposen-
tadoria do RGPS. Ele não pagará contribuição sobre a aposentadoria, por
conta da regra da imunidade; já Roberto recebe aposentadoria do RGPS e
recebe remuneração de determinado trabalho que lhe garante outra ren-
da mensal. Neste caso, ele terá imunidade sobre a aposentadoria, mas
pagará contribuição sobre os rendimentos do seu trabalho.

A imunidade está restrita à aposentadoria e à pensão.

A imunidade, do ponto de vista literal, somente se aplica à aposentadoria e pensão,


porém, hoje, o único benefício da previdência a sofrer a incidência da contribuição é
o salário-maternidade, estando os demais benefícios imunes à contribuição.

164
Direito previdenciário e tributário ADisciplina
Braz Cubas3

3.3.2  Imunidade sobre as receitas decorrentes de exportação

Tem previsão no art. 149, §2º, I, CF/88:

§ 2º As contribuições sociais e de intervenção no domínio econô-


mico de que trata o caput deste artigo:

I - não incidirão sobre as receitas decorrentes de exportação.

Essa imunidade tem por finalidade fomentar a exportação, pois imuniza as re-
ceitas decorrentes de exportação.

3.3.3  Imunidade das entidades beneficentes de assistência social

Tem previsão no art. 195, §7º, CF/88:

§ 7º - São isentas de contribuição para a seguridade social as


entidades beneficentes de assistência social que atendam às exi-
gências estabelecidas em lei.

Apesar de a CF/88 falar em ISENÇÃO, na verdade, o que temos é IMUNIDADE.


Isso é pacífico no STF (ADI 2028), pois a Constituição Federal estabelece imunidades,
porquanto a legislação infraconstitucional cria isenções. Este equívoco terminológi-
co, cometido pelo legislador constituinte de 1988, não invalida tampouco diminui o
alcance a imunidade em destaque.

A lei ao qual se refere a Constituição no artigo citado acima é o Código Tribu-


tário Nacional.

Um dos requisitos exigidos para a obtenção da imunidade é o Certificado de


Entidade Beneficente de Assistência Social (CEBAS). Tal certificado não é por tempo
indeterminado, devendo ser prorrogado de tempos em tempos, não existindo direi-
to adquirido à imunidade. Neste sentido:

165
ADisciplina
Braz Cubas3 Direito previdenciário e tributário

Súmula 352, STJ:

A obtenção ou a renovação do Certificado de Entidade Beneficente de Assis-


tência Social (Cebas) não exime a entidade do cumprimento dos requisitos legais
supervenientes.

3.4  Previdência social

Vimos que a Previdência Social é um dos ramos da seguridade social, tendo a


peculiaridade de ser um sistema contributivo. A Constituição Federal em vigor, em
seu artigo 201, estabelece que “a previdência social será organizada sob a forma de
regime geral, de caráter contributivo e de filiação obrigatória, observados critérios
que preservem o equilíbrio financeiro e atuarial...”, sendo que, para tanto, deverá
atender diretrizes estabelecidas na legislação infraconstitucional. Conforme verifica-
remos abaixo, a principal norma de regência da Previdência Social é a Lei Ordinária
nº 8213/91.

No AVA você vai encontrar na pasta da unidade 3, os textos indicados abai-


xo, que deverão ser estudados para entendimento do assunto e antes de
dar continuidade à quarta unidade do livro didático.

Texto 2 – Princípios da previdência social (RGPS);


Texto 3 – Beneficiários da previdência social (RGPS).

166
Direito previdenciário e tributário ADisciplina
Braz Cubas3

Outras mídias:

Exercite sua autonomia de pesquisa. Continue no AVA e clique no link para


acesso ao site do planalto e localize o rol completo dos segurados empre-
gados trazido pelo art. 11, da lei 8.213/91.

Também no vídeo a respeito da Previdência Social disponível no link indi-


cado na plataforma, observe os apontamentos gerais a respeito da Previ-
dência Social. O contribuinte individual era responsável pelo recolhimento
da contribuição, mas com a Lei 10.666/03, a empresa passou a ter a obri-
gação de arrecadar a contribuição do contribuinte individual a seu serviço.

Dica de Leitura:

IBRAHIM, Fábio Zambetti. Curso de Direito Previdenciário. 17. ed. São


Paulo: Impetus, 2012.

3.5  Considerações da unidade III

Nesta unidade, vimos que a Seguridade Social é dividida em três ramos: Saú-
de, Assistência Social e Previdência Social, sendo esta última um sistema contributivo.
Estudamos os princípios que regem a Seguridade Social e suas aplicações práticas.

Analisamos o Sistema Previdenciário no Brasil e percebemos que ele é dividi-


do em: Regimes Principais, de participação compulsória e se subdividem em Setor
Público (Civil e Militar) e Setor Privado (funcionários da iniciativa privada); Regimes
Complementares, de participação facultativa e se subdividem em Oficial (regimes
complementares da União, Estados, Distrito Federal e Municípios) e Privado (que
pode ser aberto ou fechado).

Entendemos que na Previdência Social, temos os segurados obrigatórios


(exercem atividade remunerada) e os segurados facultativos (não exercem ativida-
de remunerada nem no âmbito do RGPS e nem no RPP).

Você percebeu que são beneficiários da Previdência Social, os segurados e os


dependentes, sendo que estes últimos são divididos em três classes (Primeira clas-
se: cônjuge, companheiro e filhos não emancipados, menores de 21 anos ou inváli-

167
ADisciplina
Braz Cubas3 Direito previdenciário e tributário

dos de qualquer idade; Segunda classe: Pais; Terceira classe: Irmãos menores de
21 anos, não emancipados ou inválidos de qualquer idade).

É importante que, em complemento ao estudo desta unidade, você acesse ao


Ambiente Virtual de Aprendizagem (participando dos fóruns, realizando as ativida-
des propostas, fazendo a leitura dos textos e e assistindo aos vídeos complementa-
res) e dispense especial atenção à terceira teleaula.

Ao final desta unidade, você está apto a identificar o funcionamento do Siste-


ma Previdenciário no Brasil, entendendo os sujeitos e os beneficiários que compõem
este sistema tão importante para a sociedade.

Na unidade IV, estudaremos os benefícios previdenciários.

168
Direito previdenciário e tributário ADisciplina
Braz Cubas3

4 Unidade IV

Benefícios previdenciários

Objetivos da Unidade:

• Demonstrar as diversas espécies de Benefícios Previdenciários;

• Conhecer os benefícios que pertencem aos segurados e os que per-


tencem aos dependentes dos segurados.

Competências e Habilidades da Unidade:

• Compreensão das características de cada Benefício Previdenciário;

• Conhecimento sobre a existência dos Benefícios Previdenciários


pagos aos segurados e Benefícios Previdenciários pagos aos
dependentes dos segurados;

• Diferenciação dos benefícios pagos em razão de acidente de trabalho


dos Benefícios Previdenciários.

169
ADisciplina
Braz Cubas3 Direito previdenciário e tributário

4.1  Benefícios previdenciários - introdução

É de fundamental importância que o Gestor Público, a frente de equipes de


pessoas, conheça o rol de benefícios previdenciários presentes em nossa legislação.

São dez os benefícios previdenciários: quatro aposentadorias, três auxílios,


dois salários e uma pensão.

Dos dez benefícios, dois são devidos aos dependentes: o auxílio reclusão e a
pensão.

4.2  Carência

Carência é o número mínimo de contribuições indispensável para gozo dos


benefícios, e está prevista no art. 24 da Lei 8.213/91.

Não podemos confundir período de carência com o período de graça.

170
Direito previdenciário e tributário ADisciplina
Braz Cubas3

Período de graça é aquele em que o segurado não paga, mas tem direito
ao benefício. Como o nome sugere, é de graça, está previsto no art. 15, Lei
8.213/91.

Art. 15. Mantém a qualidade de segurado, independentemente


de contribuições:

I - sem limite de prazo, quem está em gozo de benefício;

II - até 12 (doze) meses após a cessação das contribuições, o se-


gurado que deixar de exercer atividade remunerada abrangida
pela Previdência Social ou estiver suspenso ou licenciado sem
remuneração;

III - até 12 (doze) meses após cessar a segregação, o segurado


acometido de doença de segregação compulsória;

IV - até 12 (doze) meses após o livramento, o segurado retido ou


recluso;

V - até 3 (três) meses após o licenciamento, o segurado incorpo-


rado às Forças Armadas para prestar serviço militar;

VI - até 6 (seis) meses após a cessação das contribuições, o segu-


rado facultativo.

§ 1º O prazo do inciso II será prorrogado para até 24 (vinte e qua-


tro) meses se o segurado já tiver pago mais de 120 (cento e vinte)
contribuições mensais sem interrupção que acarrete a perda da
qualidade de segurado.

§ 2º Os prazos do inciso II ou do § 1º serão acrescidos de 12


(doze) meses para o segurado desempregado, desde que com-
provada essa situação pelo registro no órgão próprio do Minis-
tério do Trabalho e da Previdência Social.

§ 3º Durante os prazos deste artigo, o segurado conserva todos


os seus direitos perante a Previdência Social.

§ 4º A perda da qualidade de segurado ocorrerá no dia seguinte


ao do término do prazo fixado no Plano de Custeio da Segurida-
de Social para recolhimento da contribuição referente ao mês
imediatamente posterior ao do final dos prazos fixados neste
artigo e seus parágrafos.

171
ADisciplina
Braz Cubas3 Direito previdenciário e tributário

Antes, na vigência da Lei 3.807/60, o segurado tinha período de carência de


60 meses. Com o advento da Lei 8.213/91, a carência das aposentadorias
programáveis foi ampliada para 180 meses.

Foi fixada uma regra de transição (art. 142, Lei 8.213/91), para aqueles que
eram segurados e pagavam na vigência da lei anterior e continuou pagando quando
da entrada em vigor da Lei 8.213/91.

Art. 142. Para o segurado inscrito na Previdência Social Urbana até 24 de julho
de 1991, bem como para o trabalhador e o empregador rural cobertos pela Previ-
dência Social Rural, a carência das aposentadorias por idade, por tempo de serviço e
especial, obedecerá à seguinte tabela, levando-se em conta o ano em que o segurado
implementou todas as condições necessárias à obtenção do benefício:

Ano de implementação Meses de contribuição


das condições exigidos
1991 60 meses
1992 60 meses
1993 66 meses
1994 72 meses
1995 78 meses
1996 90 meses
1997 96 meses
1998 102 meses
1999 108 meses
2000 114 meses
2001 120 meses
2002 126 meses
2003 132 meses
2004 138 meses
2005 144 meses
2006 150 meses
2007 156 meses
2008 162 meses
2009 168 meses
2010 174 meses
2011 180 meses

172
Direito previdenciário e tributário ADisciplina
Braz Cubas3

Essa tabela somente serve para as aposentadorias especiais, aposentadoria


por idade e aposentadoria por tempo de serviço.

A carência da aposentadoria por invalidez e do auxílio doença é, em regra, de


12 meses de contribuição.

Há dois casos em que não há necessidade de carência para recebimento


do AUXÍLIO DOENÇA e da APOSENTADORIA POR INVALIDEZ, ou seja, há
dispensa de carência:

Acidentes de Qualquer Natureza – Aci- Acometimento Por Doença


dente de trabalho e acidente extralaboral. Prevista em Portaria Inter-
Nestes dois casos, protege-se o trabalha- ministerial – São exemplos
dor na hipótese de infortúnio, mesmo que o HIV, neoplasia maligna,
ele tenha um único dia de trabalho. hanseníase etc.

Para ter direito ao salário maternidade, há prazo de carência de 10 meses de


contribuição. Entretanto, esses dez meses são exigidos apenas para: contribuinte
individual e segurada facultativa, ou seja, há dispensa do prazo de carência (total
isenção de carência) para:

Empregada Doméstica Empregada Empregada Avulsa

A segurada especial (trabalhadora rural ou pes-


cadora artesanal) está dispensada da carência
no que diz respeito a meses de contribuição,
pois em vez de precisar comprovar 10 meses de
contribuição, terá que comprovar 10 meses de
trabalho rural ou de pesca artesanal, pois não é
todo mês que ela trabalhará, já que não se colhe
e nem se pesca o ano todo.

A carência do salário maternidade de 10 meses de contribuição não é fixa, po-


dendo variar conforme os meses de antecipação do parto, ou seja, se o parto foi
antecipado em dois meses, a carência é antecipada em dois meses.

173
ADisciplina
Braz Cubas3 Direito previdenciário e tributário

Exemplo:

meses de parto.
• 10 meses de contribuição  09
meses de parto.
• 09 meses de contribuição  08
meses de parto.
• 08 meses de contribuição  07

Estão ainda isentos de carência:

Pensão e Auxílio Salário


Auxílio Acidente Segurados Especiais
Reclusão família
tudo que envolve a renda dos segu-
são os benefícios
acidente está rados especiais
dos dependentes;
dispensado é sazonal, assim,
de carência. A sempre que falamos
ideia também Carência em carência, temos
é proteger o que falar em necessi-
infortúnio; dade de comprovar o
trabalho.

4.2.1  Carência parcial

A carência parcial está prevista no art. 24, parágrafo único da Lei 8.213/91.

Havendo perda da qualidade de segurado, as contribuições anteriores


a essa data só serão computadas para efeito de carência depois que
o segurado contar, a partir da nova filiação à Previdência Social, com,
no mínimo, 1/3 (um terço) do número de contribuições exigidas para
o cumprimento da carência definida para o benefício a ser requerido.

174
Direito previdenciário e tributário ADisciplina
Braz Cubas3

Exemplo 1:

O cidadão pagou dez meses de contribuição. Entra em


período de graça. Perde a qualidade de segurado após o
término do período de graça. Retorna a contribuir. Quando
terá direito ao auxílio doença?

O auxílio doença prevê a necessidade de pagamento de 12


contribuições mensais. Assim, para ele reaproveitar as contri-
buições já pagas (10), precisa pagar um terço das 12 contribui-
ções, ou seja, deve pagar mais quatro contribuições.

Exemplo 2:

Imaginemos que o segurado tenha pagado sete meses de


contribuição. Para de pagar e entra em período de graça.
Perde a qualidade de segurado. Retorna a pagar e paga quatro
meses. Terá ele direito ao benefício de auxílio doença?

Não. Vejamos: Embora ele tenha pagado um terço da quantida-


de de contribuições exigida para o benefício (benefício exige 12
e ele pagou quatro), se formos somar tudo que ele já pagou,
não dará os 12 meses de carência necessários, já que terá pago
apenas 11 meses de carência.

4.3  Salário de contribuição

Salário de contribuição é a base de cálculo da contribuição para a Previdência


Social, à exceção do segurado especial, que paga sua contribuição sobre outra base:
receita decorrente da produção.

175
ADisciplina
Braz Cubas3 Direito previdenciário e tributário

Outras mídias:

Exercite sua autonomia de pesquisa. Para saber o salário de contribuição


das diversas espécies de segurados, acesse o site do planalto no link dis-
ponível na plataforma e confira o art. 214, do Decreto 3.048/99.

Ainda na plataforma, você vai estudar uma sequência de textos disponíveis


na pasta da unidade IV que tratam sobre questões relacionadas ao salário.

Texto 1 – Limites do salário de contribuição;


Texto 2 – Benefícios em espécie.

Ao terminar, retorne para finalizar o estudo do livro didático.

4.3.1  Diferenças entre os benefícios decorrentes de acidente do


trabalho e os benefícios previdenciários

HO
IDENTE DE TRABAL
BENEFÍCIO POR AC BENEFÍCIO P
REVIDENCIÁ
segura- RIO
• Gera estabi lidade provisória do
• Não gera es
213/91). tabilidade pro
do (art.118 da lei 8. vi-
sória do segu
- rado.
ncia da Justiça Esta
• Em regra, competê •
Lei 8.213/91). Em regra, co
dual (art. 129, II da mpetência d
a
Justiça Feder
al.

Fonte: elaborado pela autora.

A empresa em que o segurado trabalha deve emitir o CAT (Comunicação de


Acidente do Trabalho) no primeiro dia útil posterior ao acidente, ou de imediato, em
caso de evento morte. Se a empresa não emitir, poderão emitir o CAT:

Médico que
Seus Sindicato da Outra
Segurado assistiu o
dependentes categoria autoridade
trabalhador

A emissão do CAT, por qualquer das pessoas citadas acima, não afasta a impo-
sição de multa à empresa pela não emissão do CAT.

176
Direito previdenciário e tributário ADisciplina
Braz Cubas3

Não podemos esquecer que os benefícios citados nesta unidade, são devidos
a partir do 16º dia do afastamento. Nos primeiros quinze dias, competirá à empresa
o pagamento.

Exemplo: O sujeito sofre o acidente do tra-


balho em 01/mar. No dia do acidente, ele
se afasta de suas funções. Fica afastado até
14/mar. Ele retorna em 14/mar. Ele não tem
direito à estabilidade provisória porque não
foi por período superior a 15 dias, não che-
gando a receber o benefício.

Dica de Leitura:

Dias, Eduardo Rocha e José Leandro Monteiro de Mâcedo. Curso de Direi-


to Previdenciário. 2. ed. São Paulo: Método, 2010.

4.4  Considerações da unidade IV

Nesta unidade, vimos que existem dez espécies de benefícios previdenciários


e que cada benefício possui um regramento específico, com rendas e períodos de
carência diferenciados.

Entendemos que existem benefícios previdenciários devidos aos segurados


(Aposentadoria por idade, Aposentadoria por tempo de contribuição, Aposentadoria
especial, Aposentadoria por invalidade, Auxílio doença, Auxílio acidente, Salário ma-
ternidade e Salário família) e benefícios previdenciários devidos aos dependentes do
segurado (Auxílio reclusão e Pensão).

É importante que, em complemento ao estudo desta unidade, você acesse ao


Ambiente Virtual de Aprendizagem (participando dos fóruns, realizando as ativida-
des propostas, fazendo a leitura dos textos e vídeos complementares) e dispense
especial atenção à quarta teleaula.

Ao final desta unidade, você está apto a identificar os diversos benefícios


previdenciários, e perceber a importância da Previdência Social para a sociedade
brasileira.

177
Direito previdenciário e tributário ADisciplina
Braz Cubas3

Referências

AMARO, Luciano. Direito Tributário Brasileiro. 12ª ed. São Paulo: Saraiva, 2006.

ATALIBA, Geraldo. Hipótese de Incidência Tributária. 6. ed. São Paulo: Malheiros,


2008.

BECHO, Renato Lopes. Lições de Direito Constitucional: teoria geral e constitucional.


São Paulo: Saraiva, 2011.

CARVALHO, Paulo de Barros. Curso de Direito Tributário. 23. ed. São Paulo: Saraiva,
2010.

__________. Curso de Direito Tributário. 17ª ed. São Paulo: Saraiva, 2005.

CASSONE, Vittorio; CASSONE, Maria Eugenia Teixeira. Processo Tributário. 9ª ed.


São Paulo: Atlas, 2009.

COÊLHO, Sacha Calmon Navarro. Curso de Direito Tributário Brasileiro. 10. ed. Rio
de Janeiro: Forense, 2009.

COSTA, Regina Helena. Curso de Direito Tributário. 2ª ed. São Paulo: Saraiva, 2012.

DENARI, Zelmo. Curso de Direito Tributário. 9ª ed. São Paulo: Atlas, 2007.

ICHIHARA, Yoshiaki. Direito Tributário. 14ª ed. São Paulo: Atlas, 2005.

JARDIM, Eduardo Marcial Ferreira. Manual de Direito Financeiro e Tributário. 10ª


ed. São Paulo: Saraiva, 2009.

KFOURI JR., Anis. Curso de Direito Tributário. 2ª ed. São Paulo: Saraiva, 2012.

LOPES, Mauro Luis Rocha. Processo Judicial Tributário. 5. ed. Rio de Janeiro: Lúmen
Juris, 2009.

MACHADO, Hugo de Brito. Curso de Direito Tributário. 29. ed. São Paulo: Malheiros,
2008.

MARO, Luciano. Direito Tributário Brasileiro. 17. ed. São Paulo: Saraiva, 2011.
MARTINS, Sérgio Pinto. Direito da Seguridade Social. São Paulo: Atlas, 2002.

MENDES, Gilmar Ferreira; BRANCO, Paulo Gustavo Gonet. Curso de Direito


Constitucional. 8º ed. São Paulo: Saravia, 2013.

MARTINS, Sérgio Pinto. Direito do Trabalho. São Paulo: Atlas, 2002.

179
ADisciplina
Braz Cubas3 Direito previdenciário e tributário

MEDINA, Damares. Revista Artigo: A Emenda Constitucional nº 41/03 e as regras


de transição. Disponível em: <http://jus.com.br/revista/texto/5346/a-emenda-
constitucional-no-41-03-e-as-regras-de-transicao>. Acesso em: 11 de junho. 2013.

MERELLES, Hely Lopes. Direito Administrativo Brasileiro. São Paulo: Malheiros,


2001.

MOUSSALLEM, Tárek Moysés. Fontes do Direito Tributário. 1. ed. São Paulo: Max
Limonad, 2008.

MORAES, Alexandre. Direito Constitucional. 24ª ed. São Paulo: Atlas, 2009.

OLIVEIRA, Aristeu. Previdência Social: Legislação. São Paulo: Atlas, 2000.

ROSA JUNIOR, Luiz Emygdio Franco da. Manual de Direito Financeiro e Direito
Tributário. 1. ed. Rio de Janeiro: Renovar, 2009.

SABBAG, Eduardo. Manual de Direito Tributário. São Paulo: Saraiva, 2009.

SCHOUERI, Luís Eduardo. Direito Tributário. São Paulo: Saraiva, 2011.

SOUZA, Jadir Cirqueira. Curso de Direito Constitucional. São Paulo: Pillares, 2010.

TAVARES, Alexandre Macedo. Fundamentos de Direito Tributário. 4ª ed. São Paulo:


2009.

SABBAG, Eduardo de Moraes. Direito Tributário. 11. ed. São Paulo: RT, 2009.
Constituição Federal do Brasil 1988:

Lei 8.212/1999 – Plano de Custeio da Previdência Social

Lei 8213/1999 – Plano de Benefícios da Previdência Social

O DIREITO TRIBUTÁRIO COMENTADO. Conceitos de Direito Tributário. Disponível


em: <http://tributarioblog.blogspot.com/2008/10/resumos-conceitos-de-direito-
tributrio. html>. Acesso em: 11 de junho. 2013.

Wikipédia, a enciclopédia livre. Non Olet. Disponível em: <http://pt.wikipedia.org/


wiki/Non_olet>. Acesso em: 11 de junho. 2013.

Wikipédia, a enciclopédia livre. Crédito tributário. Disponível em: <http://


pt.wikipedia. org/wiki/Cr%C3%A9dito_tribut%C3%A1rio>. Acesso em: 11 de junho.
2013.

Wikipédia, a enciclopédia livre. Elisão e evasão fiscal. Disponível em: <http://


pt.wikipedia.org/wiki/Elis%C3%A3o_e_evas%C3%A3o_fiscal>. Acesso em: 11 de
junho. 2013.

180
Direito previdenciário e tributário ADisciplina
Braz Cubas3

<http://www.direitovirtual.com.br/>.

Wikipédia, a enciclopédia livre. Auxílio_Gás. Disponível em: <http://pt.wikipedia.org/

wiki/Aux%C3%ADlio_G%C3%A1s>. Acesso em: 11 de junho. 2013.

PRETEL, Mariana. Revista Artigo: A boa-fé: conceito, evolução e caracterização como


princípio constitucionalum pioneiro da psicologia social no Brasil. Disponível em:

<http://jus.com.br/revista/texto/10519/a-boa-fe-conceito-evolucao-e-caracterizacao-
como-principio-constitucional>. Acesso em: 11 de junho. 2013.

181
Produção do conteúdo: 2º sem./2011
Marketing ADisciplina
Braz Cubas4

Sumário da Disciplina

Apresentação 187
O Professor 189
Introdução 191

1 Unidade I
Da Origem à Importância da Diferenciação de Produtos e Serviços 193
1.1 Origem do Marketing 194
1.2 Conceito de Marketing 195
1.2.1 Características do Marketing de Neandertal 197
1.3 Segmentação de Mercado 200
1.4 Diferenciação e Posicionamento da Oferta  200
1.4.1 Estratégias de Posicionamento 201
1.4.2 Diferenciação 202
1.5 Considerações da Unidade I 203

2 Unidade II
Marketing Mix 205
2.1 Mix ou composto de Marketing 206
2.2 Marketing de Serviços 207
2.3 Considerações da Unidade II 209

3 Unidade III
Ambiente de Marketing 211
3.1 Ambiente de Marketing 212
3.1.1 O Microambiente 213
3.1.2 A Empresa 213
3.1.3 Os Fornecedores 214
3.1.4 Os Intermediários 214
3.1.5 Os Clientes 215
3.1.6 Os Concorrentes 215
3.1.7 Os Públicos 215
3.1.8 Macroambiente 216
3.2 Considerações da unidade III 218

4 Unidade IV
Tendências de Marketing 219
4.1 Marketing 3.0 219
4.1.1 Um Mundo Melhor 223
4.2 Considerações da Unidade IV 223
Referências 225

185
Marketing ADisciplina
Braz Cubas4

Apresentação

A proposta da disciplina é abordar conceitos e técnicas de marketing fazendo


um paralelo entre prática e teoria. Além deste livro, iremos estudar temas e concei-
tos centrais do marketing por meio de nossas videoaulas, em que você assistirá a
explanação do professor acerca da disciplina com muita interatividade e dinamismo
e de exercícios e fóruns em mídias como a nossa plataforma on-line - AVA, em que
a sua presença virtual é importantíssima e outras mídias como o podcast, programa
de rádio visando temas da atualidade e tira dúvidas. Em todas essas mídias a sua
participação é indispensável, pois é o conjunto dessas atividades que constrói todo o
conhecimento final da disciplina.

O livro é dividido em quatro unidades. A primeira aborda as origens do marketing.


Faremos uma viagem pelas eras da produção, vendas, marketing e relacionamento.

Na segunda iremos discorrer sobre o marketing mix. O conjunto de ferramen-


tas indispensável às atividades de marketing. Dentro de cada P, estudaremos as es-
tratégias trabalhadas nas organizações. Produto, preço, ponto de venda e promoção
se tornaram um símbolo do conceito de marketing mix.

A terceira trabalhará o conceito do ambiente de marketing. Estudaremos o que


significa micro e macroambiente de marketing, assim como funcionam suas variá-
veis controláveis, semi controláveis e incontroláveis.

Na quarta e última unidade estudaremos as novas tendências do marketing.


As passagens do marketing 1.0, para o marketing 2.0 e agora para o conceito do
marketing 3.0.

Desejo a todos um bom estudo, e lembro que estarei à disposição na plata-


forma para poder esclarecer qualquer dúvida pertinente ao conteúdo da disciplina.

187
Marketing ADisciplina
Braz Cubas4

O Professor

Prof. Ms. Marcus Saldanha da Gama Guedes


Nogueira

Bacharel em Marketing pelo Centro Universitário da


Cidade - UNIVERCIDADE (1999), possui Licenciatura
em Letras com habilitação em Língua Inglesa pela Uni-
versidade Braz Cubas - UBC (2011), Especialização em
Administração Industrial pela EMBRAER / INPG (2001),
Especialização MBA Executivo em Gestão Empresarial
pelo INPG (2005), Mestre em Semiótica, Tecnologia da
Informação e Educação pela Universidade Braz Cubas
- UBC (2007).

Experiência de mais de 10 anos em empresas nacio-


nais e multinacionais de grande porte exercendo car-
gos de Gerência de Marketing. Atualmente, empresá-
rio, analista de mercado e professor da Universidade
Braz Cubas em Mogi das Cruzes/SP e da Faculdade
Unida de Suzano - UNIESP em Suzano/SP. É também
professor no Colégio Gutemberg em Mogi das Cruzes/
SP e professor convidado na pós-graduação MBA na
Universidade de Mogi das Cruzes-UMC.

189
Marketing ADisciplina
Braz Cubas4

Introdução

No atual contexto econômico em que o mundo se encontra a competitividade


entre as empresas se acirra a cada dia. Em decorrência deste fato, passou-se a existir
uma preocupação maior com a gestão de serviços e a comunicação com o mercado.
O marketing tem papel fundamental nessa questão. Por incrível que pareça, muitas
empresas hoje no Brasil não sabem ainda o real significado da palavra marketing.

Podemos definir marketing através de sua própria nomenclatura em inglês. Co-


meçamos com o verbo to mark que significa marcar. Logo, continuamos com market
que quer dizer mercado e então colocamos uma ação na palavra ao acrescentar as
letras ing, como assim manda a língua inglesa. Logo temos a seguinte frase: ação de
marcar o mercado.

MARK – ET – ING

Marcar – Mercado – Ação de marcar mercado

Para Las Casas (2004) é por aí que podemos entender essa disciplina tão im-
portante nos dias atuais. Por volta de 1954 quando se pretendia introduzir o curso
em instituição de ensino superior o marketing foi traduzido como mercadologia, ou
seja, estudo de mercado. Porém, como vimos o termo em inglês significa ação no
mercado, contendo uma conotação de forma dinâmica e não apenas estudo de mer-
cado como a palavra foi traduzida.

Segundo Kotler e Armstrong (2007) algumas pessoas ainda fazem confusão


com o termo ao relacioná-lo com propaganda e vendas. Marketing não é propagan-
da, embora a propaganda seja uma ferramenta valiosa do mix de marketing. Marke-
ting também não é vendas. Grande parte de todo o processo decisório e implantação
do planejamento de marketing está ligada intrinsecamente com venda de produtos e
serviços. Entretanto, o marketing está direcionado nas necessidades do comprador
e as vendas nas necessidades do vendedor. A venda está preocupada com a neces-
sidade de o vendedor transformar o seu produto em dinheiro. O marketing está
interessado na ideia de satisfazer às necessidades do consumidor por meio de um
produto que contém um conjunto de valores e o diferencie da concorrência. É com
a preocupação e o foco nas necessidades do consumidor que o marketing baseia-se
em nortear os rumos das empresas vislumbrando um futuro relacionamento com o
consumidor.

191
ADisciplina
Braz Cubas4 Marketing

De acordo com Boone e Kurtz (2009) atualmente, a exposição de todos os in-


divíduos ao marketing tem sido intensa e acontece a quase todo o momento. É fácil
constatar isso cotidianamente. Ao caminharmos pelas ruas vemos cartazes, placas,
letreiros e etc. Em casa, no carro ou no trabalho, escutamos rádio, assistimos televi-
são, falamos com nossos amigos e parentes por meio do celular e nos conectamos a
internet. Nos escritórios e consultórios, pessoas recebem visitas de representantes
e consultores, solicitam fornecedores e realizam negócios, acordos e parcerias. Tudo
isto é alguma parte do marketing.

Na verdade, nós fazemos marketing o tempo todo. O ser humano quer ser
bem visto pela sociedade. Todos nós passamos uma imagem para o outro. O nosso
corpo e as nossas atitudes também são veículos que passam mensagens para socie-
dade. Fazemos marketing quando nos vestimos, quando falamos, por meio dos luga-
res que frequentamos, com os amigos que temos, com a nossa família e até quando
estamos namorando. Nós somos o produto mais valioso do composto de marketing.

192
Marketing ADisciplina
Braz Cubas4

1 Unidade I

Da Origem à Importância da Diferenciação de


Produtos e Serviços

Objetivos da unidade:

• Estudar o real significado da palavra marketing e a importância da


sua aplicação no mercado;

• Estimular o senso crítico acerca da prática e teoria do marketing;

• Entender a diferença entre marketing e vendas;

• Descrever os critérios necessários para uma segmentação eficaz;

• Identificar os passos do processo de segmentação de mercado;

• Resumir os tipos de estratégias de posicionamento.

Competências e Habilidades:

• Capacidade de entender os conceitos básicos do marketing e da


gerência de produtos;

• Reflexão crítica sobre o conceito de marketing e sua prática


empresarial.

193
ADisciplina
Braz Cubas4 Marketing

1.1  Origem do Marketing

Para Kotler e Armstrong (2007) o marketing se confunde com a história do co-


mércio no mundo. O comércio entre os povos, ou na forma de troca de mercado-
rias (escambo) ou envolvendo produtos valiosos, teve início praticamente ao mesmo
tempo em que a própria sociedade ia se formando. No começo o objetivo era satis-
fazer a necessidade de sobrevivência sendo totalmente baseado em uma relação de
troca. Trocava-se uma pele curtida por dois porcos, escravos por animais, vasos por
armas, e assim por diante. O que se tinha sobrando, trocava-se pelo que faltava. As
trocas também se davam somente no nível familiar e não havia uma organização for-
mal para sua efetivação. Com a formação das vilas e povoados começaram a surgir
pequenas feiras. Uma forma mais formal de comércio, mas que ainda era personali-
zada pelos próprios produtores que iam trocar as mercadorias que produziam. Uma
característica deste período é que ainda não se precisava de vendedores.

O escambo

Com a evolução da sociedade apareceram as chamadas Grandes Civilizações


como: Egípcia, Grega e Romana. Além disso, surgiram grandes cidades que necessi-
tavam aumentar sua estrutura, típica de uma grande metrópole, como lojas, arma-
zéns, padarias3 etc. Outras necessidades mais sofisticadas também começaram a
fazer parte da conjuntura econômica da época, requeridas pelas classes dominantes
em cada cultura, como os Faraós, suas famílias e sacerdotes, os Imperadores, Sena-
dores e senhores do poder. Toda uma classe de ricas famílias, celebridades, políticos
e figuras importantes se manifestavam em busca de mais serviços e produtos que

194
Marketing ADisciplina
Braz Cubas4

atendessem suas necessidades. Iniciou-se então um forte intercâmbio de mercado-


rias entre as várias partes do velho mundo e a Ásia, especialmente o Egito.

Todas as mercadorias eram transportadas por caravanas ou por povos nave-


gadores como os Fenícios. Podemos considerar estes como os primeiros vendedores
de fato, comprando e vendendo mercadorias de um lado para o outro.

Para Boone e Kurtz (2009) com o surgimento do dinheiro e o avanço da tecno-


logia o estudo do mercado tornou-se realidade para as empresas que pretendiam
conservar seus consumidores. O mundo dos negócios, cada vez mais desenvolvido,
gerou a necessidade de melhor conceituar o marketing, explicando sua origem.

O conceito de marketing teve sua evolução dividida em quatro fases:

99 Era da produção (demanda maior que a oferta);

99 Era das vendas (dando os primeiros sinais de excesso de oferta, os produ-


tos acumulavam-se em estoques);

99 Era do marketing (a partir de 1950 quando os empresários perceberam


que a venda a qualquer custo não era uma forma correta, teriam que con-
quistar o cliente); e

99 Era do relacionamento.

Essa evolução do conceito da disciplina foi fundamental para avaliar os bene-


fícios e a importância que o marketing exerceu e ainda exerce nas empresas que
aplicam o conceito da maneira correta.

Atenção:

Vamos estudar as quatro fases diretamente no AVA. Acesse a plataforma,


leia o material e atente para as atividades virtuais.

1.2  Conceito de Marketing

Quando falamos do conceito de marketing, não estamos falando de uma


simples definição, mas de vários enfoques que, no seu conjunto criam uma visão
ampla sobre as funções do marketing moderno no universo da empresa, produto e
mercado.

195
ADisciplina
Braz Cubas4 Marketing

e que Marketing é a única fun


uma atividad ção e so-
Marketing é - mente essa, a função
e o recepcio da empresa. O
ve se r pr aticada desd objetivo do marketing
de -
desde o faxi é tornar a venda
ncia sênior,
nista à gerê a. supérflua. Dessa for
da empres ma, o marketing
dono ou CEO
neiro até o deve compreender tão
sabilidade da bem as neces-
é de respon
O marketing verdadeiro
sidades do cliente, qu
e o produto, ou
o um todo. O
empresa com do a longo
serviço, se ajusta às
necessidades do
je tiv o é ga nhar o merca consumidor e se ven
ob
amento com de por si mesmo.
do o relacion
prazo, tornan rtantíssimo
(Drucker, 1997)
ns um id or um elo impo
o co zação. (Mc-
alquer organi
para toda e qu
)
Kenna, 1998

-
A abordagem social define mar
que in-
keting como um processo em
O Marketing apresen m aqu ilo que
ta duas vi- divíduos ou grupos obtê
sões. Uma com uma dades
abordagem so- querem e atendem suas necessi
cial e outra com um e troc a de
a abordagem ge- por meio da criação, oferta
rencial. (Kotler, 2005) mente
produtos além de serviços livre
5)
com outras pessoas. (Kotler, 200

ele come-
m gerencial,
Na abordage
nérica, como
descrição ge
ça com uma r- Atualmente, os co
nceitos
os e mais ta
nder produt relacionados ao ma
a arte de ve tin g rketing e
de marke
de fin e ge renciamento principalmente as su
de as aplica-
aplicar os con-
e a ciência de ções estão gerando
como a arte cialização, um marke-
s fu nd am en tais de comer ting de alta qualidade
ceito o , de 1ª., 2ª.,
alvo e visand
o mercado 3ª. e 4ª. gerações, inc
escolhendo ero dos luindo es-
m an te r e au mentar o núm tratégias novas como
obter, e marketing
ção, entrega
ie nt es po r meio da cria de guerrilha, maxi-
cl consumido- marketing,
aos próprios marketing de serviços
transmissão prestação , marketing
de um va lo r superior na de relacionamento, ma
res, ler, 2005) rketing vi-
tegrados. (Kot ral, marketing de nic
de serviços in hos, e assim
por diante.

idades de mar-
as que não correspondem as ativ
É importante frisar característic
a. Kotler classifica de
entender o conceito da disciplin
keting para que enfim possamos ns conceitos que
ão aos homens das cavernas, algu
marketing de neandertal, em alus
algumas organizações
dos ainda insistentemente por
estão ultrapassados e são usa
strong, 2007)
iplina representa. (Kotler e Arm
que não tem noção do que a disc

196
Marketing ADisciplina
Braz Cubas4

1.2.1  Características do Marketing de Neandertal

Equiparar marketing a vendas.

Equiparar marketing a publicidade e propaganda.

Enfatizar a conquista de clientes e não a manutenção dos mesmos.

Planejar cada ferramenta de comunicação separadamente em vez de


integrá-las.

Tentar lucrar em cada transação em vez de lucrar gerenciando o valor do


tempo de vida de um cliente.

Vender o produto em vez de tentar compreender e atender às reais necessi-


dades dos clientes.

Elevar preços com base em markup (porcentagem do custo ou preço de um


produto acrescentado ao custo para obter o preço de venda) em vez de deter-
minar preços por metas.

De acordo com Kotler e Armstrong (2007) as empresas inteligentes estão valo-


rizando seu conhecimento a respeito dos hábitos de compra do cliente e as tecnolo-
gias de conexão com o mesmo, além da compreensão dos seus fatores demográficos,
econômicos, culturais, naturais e políticos. O novo conceito de marketing consiste em
convidar o cliente a participar do projeto do produto. O cliente dirá à empresa o que
ele quer e anunciará o produto e serviço da organização para outros possíveis clientes.

A essência do marketing atual é a apresentação da evolução do tradicional con-


ceito de marketing, fazendo uso dos 4 P’s, que veremos no próximo capítulo, à uma
nova abordagem, que amplia o mix de marketing e a visão dos administradores.

O novo mix de marketing, segundo os autores é composto por:

Sensibilidade ao consumidor – Postura do empregado, atendimento ao clien-


te e resposta aos clientes;

Produto – Qualidade, confiabilidade e características do produto;

Conveniência do consumidor – Disponibilidade para o consumidor, conve-


niência do consumidor e vendas;

197
ADisciplina
Braz Cubas4 Marketing

Serviço – Serviços pós-venda e conveniência do consumidor na obtenção de


serviços;

Preço – Preços cobrados, condições da composição de preços e ofertas de


preço;

Praça – Facilidade de acesso ao produtor, unidades de produção, termos de


composição de preços e disponibilidade para o consumidor; e

Promoção – Propaganda, publicidade, vendas, serviços de pré-venda e ofertas


de preço.

A partir dessa nova abordagem se expande a visão acerca do que representa


um planejamento de marketing. Atualmente, ele precisa envolver praticamente todo
mundo dentro da organização. O foco é o cliente e é preciso a união de todos para
que ele não tenha problemas com a empresa.

De acordo com a HSM Management (2011), McKenna, determina cinco regras


básicas de uma nova maneira de agir. O autor considera todas as mudanças pelas
quais o mundo passou nos últimos anos e suas consequências diretas nos hábitos
dos consumidores.

Segundo a HSM Management (2011) McKenna, aponta as novas regras abaixo:

A subestrutura digital muda tudo - o novo paradigma tecnológico provoca mu-


danças em toda a cadeia produtiva. A estrutura digital auxilia a comunicação
voltada para os negócios, mas seu maior diferencial é o acesso sem precedentes,
que possibilita tanto do sistema aos clientes como no sentido inverso.

A consequência é o aumento da comunicação interativa, o que leva à des-


massificação dos mercados, à fragmentação do público e ao aumento da indivi-
dualidade.

A fidelidade à marca desaparece – a revolução digital estimulou a infidelidade


às marcas. Possibilitou uma vasta rede de distribuição capaz de gerir uma imen-
sa variedade de produtos. Logo a escolha e o preço têm um valor maior que a
marca e existe uma constante espera por novidade.

198
Marketing ADisciplina
Braz Cubas4

Redefine-se o conceito de imagem – a imagem vai originar-se menos dos meios


de comunicação estáticos e mais das experiências interativas com os consumi-
dores, que devem ser constantemente renovadas. Em consequência disso, a
presença substitui a consciência da marca. A Internet força todos os negócios a
tornarem-se serviços.

O cliente torna-se seu próprio “marketeiro” - Estamos num mercado em que


os clientes mudam mais depressa do que aqueles que estão tentando conquis-
tá-los. Está surgindo um novo tipo de cliente e um novo tipo de relacionamento
com o mesmo totalmente baseado no acesso, na interface, nos serviços incorpo-
rados e nos sistemas inteligentes de informações que operam por trás de tudo.
Logo, é cada vez mais importante entender as atitudes do consumidor.

O marketing será centrado na tecnologia da informação – são abundantes


os indícios de convergência entre empresas de software e agências de publicida-
de. O marketing deve mudar seu foco na imagem para o foco na tecnologia da
informação.

Dessa forma, o novo conceito de marketing vai transformar-se em um proces-


so de aprendizado contínuo por meio do qual a organização ganha conhecimento ao
interagir com os seus consumidores e o mercado, e dessa maneira consegue estabe-
lecer relacionamentos a longo prazo com os clientes.

O fato é que atualmente temos uma “sopa de letras” e diversas expressões


técnicas para lidar com novas estratégias, tecnologias e metodologias. Podemos citar
entre elas o CRM - customer relationship management (gerenciamento do relaciona-
mento de cliente), o marketing one-to-one (um-para-um), lateral marketing, marketing
de rede, inbound e outbound marketing, e por aí afora.

Para Kotler (2005) com tantos conceitos de marketing, metodologias e estra-


tégias envolvidas, suas definições terminam sendo levadas a um conceito simples
e que, aplicado com foco no posicionamento da marca e no seu público alvo, nada
mais será que o uso do bom senso, intuição, experiência e conhecimento, de acordo
com o produto, mercado, momento e ambiente.

199
ADisciplina
Braz Cubas4 Marketing

1.3  Segmentação de Mercado

Segundo Kotler e Keller (2005) quando pretendemos atingir um mercado es-


pecífico, necessitamos antes de tudo, traçar uma definição do que vêm a ser este
mercado específico. Para isso existem alguns critérios básicos como:

99 Deve existir alguém com necessidade que seja satisfeita com a compra do
produto;
99 A pessoa deve ter o poder aquisitivo para comprar o produto; e
99 Condições para efetuar a compra.

Segmentar um mercado quer dizer, escolher um grupo de consumidores, com


necessidades iguais ou parecidas, para o qual a organização poderá fazer uma oferta
mercadológica. Dentro desse processo de segmentação é necessário que os fatores
que afetam as decisões de compras dos consumidores sejam identificados. Dessa
forma, o segmento deve ser identificável, mensurável, acessível, rentável e estável.

Atenção:

Agora você deverá voltar ao AVA para continuar seus estudos. Todo o ma-
terial sobre segmentação está disponível. Após o estudo, vá para o fórum e
trabalhe com os seus colegas e o tutor a discussão proposta.

1.4  Diferenciação e Posicionamento da Oferta

Para Oliveira (2007) uma vez que a empresa tenha definido seu mercado-alvo,
é preciso posicionar o seu produto ou serviço nesse mercado. Fazer um posiciona-
mento de produto significa conseguir que um produto ocupe um lugar claro, distin-
to e desejável, em relação aos produtos concorrentes na mente dos consumidores.
Para Kotler (2005), posicionamento é o ato de desenvolver a oferta e a imagem da
empresa, de maneira que ocupem uma posição competitiva distinta e significativa
nas mentes dos consumidores. A estratégia de posicionamento do produto é funda-
mental para desenvolver o composto de marketing adequado.

Na estratégia de posicionamento pressupõe-se que se identifiquem possíveis


vantagens competitivas sobre as quais se deve construir a posição da empresa e
da marca, a diferenciação, que pode ser obtida no produto físico (atributos, desem-
penho, design, estilo etc...), nos serviços agregados, no atendimento ao cliente, ou
mesmo uma marca ou imagem da empresa.

200
Marketing ADisciplina
Braz Cubas4

1.4.1  Estratégias de Posicionamento

Para Kotler e Armstrong (2007) por mais especializado que seja o produto, as
empresas devem converter um produto indiferenciado em uma oferta diferenciada.
Os profissionais podem posicionar a oferta de várias maneiras:

cíficos
Atributos espe Ocasiões de uso
dos
Benefícios do pr
do produto, oduto, emplo,
por exemplo, re produtos, por ex
por exemplo, duz as é
cáries, faz emag cerveja bock que
desempenho. recer; o.
cerveja de invern

Classes de us orrentes,
uários, Contra os conc
produtos de uma
crianças comparação de
que são posici outra
onados empresa com
para o uso de
adultos. direta

ou indiretamente.

Classes de pr
aos odutos,
Em contraste como o bicarb
, na onato de
concorrentes sódio que foi
s usado para
contramão do desodorante
es . de geladeiras.
concorrent

Símbolo: as empresas utilizam um


e, enfatiza
Preço/qualidad símbolo ou ícone para posicionar
o seu
o do
o valor derivad produto nas mentes dos consum
idores.
em termos de Ao longo do tempo, o símbolo torn
produto seja a-se
de preço. um sinônimo da empresa ou do
qualidade ou produto.

Assim, segundo Mintzberg (2006) é utilizada uma combinação de posiciona-


mentos para alcançar os objetivos da empresa. As tarefas de posicionamento são:

99 Vantagens competitivas;

99 Seleção das vantagens competitivas; e

99 Comunicação da posição escolhida.

A estratégia escolhida não é tão importante, nesse ponto o objetivo é enfatizar as


vantagens singulares do produto e diferenciá-lo dos produtos e serviços concorrentes.

201
ADisciplina
Braz Cubas4 Marketing

1.4.2  Diferenciação

A principal vantagem competitiva de uma empresa para Mintzberg (2006) é a


criação de valor para o consumidor, seja qual for essa vantagem. O posicionamento
começa com a diferenciação da oferta entregue aos consumidores.

Diferenciar um produto ou serviço quer dizer torná-lo único, com característi-


cas próprias, que o tornem diferente dos produtos da concorrência. A seguir seguem
algumas formas de diferenciação:

dutos
almente, a diferenciação nos pro
Diferenciação por produto: atu
idores, pois os
ceptível aos olhos dos consum
esta ficando cada vez menos per
lizados. Para
dut os cad a vez ma is estã o ficando comoditizados e especia
pro
s prestados.
sendo a diferenciação nos serviço
Las Casas (1999) a solução está
s de marketing
presas que por meio de esforço
Mas mesmo assim existem em
dutos podem
seus produtos físicos. Os pro
estão conseguindo diferenciar
ronizadas ou
as: design, características pad
ser diferenciados de várias form
fiabilidade, entre
consistência, durabilidade, con
opcionais, desempenho, estilo,
outros diferenciais.
os se-
dias de hoje, os serviços prestad
Diferenciação nos serviços: nos
os. Pode ser
o fazendo a diferença nos produt
gundo Las Casas (1999) é que estã
a entrega rápi-
mento ao consumidor eficaz, um
através de um serviço de atendi
. Um serviço
imagem da empresa ou da marca
da, conveniência, instalação, por
o de treinamento ao cliente.
que está fazendo a diferença é
diferencia-
soas: conforme Kotler (2005), a
Diferenciação através de pes
etivos. Assim, as
colaboram para alcançar os obj
ção pode estar nas pessoas que
dial que os seus
ciação na maneira rápida e cor
empresas investem em diferen
organizações
r diferenciação por pessoas, as
colaboradores atentem. Para cria
is em treinamento.
estão investimento cada vez ma
itivas de
al: uma das vantagens compet
Diferenciação através de can
ndo se fala de
seus canais de distribuição. Qua
uma empresa pode estar em
toda a cadeia genérica de valor.
canal de distribuição quer dizer
correntes
gem: Nesse caso, quando os con
Diferenciação através de ima
sua reputação e
a a empresa difere através da
apresentam uma oferta parecid
empresa.
tradição da marca ou da própria

202
Marketing ADisciplina
Braz Cubas4

Segundo Mintzberg (2006) para que uma estratégia de diferenciação seja efi-
ciente e eficaz é importante que a empresa considere os desejos e necessidades dos
consumidores. Os atributos diferenciadores só terão valor se os consumidores per-
ceberem e aprovarem as mudanças. Nesse caso é fundamental enfatizar a qualidade
percebida do produto ou serviço.

1.5  Considerações da Unidade I

Dentro dessa primeira unidade estudamos o real significado da palavra marke-


ting e a importância da sua aplicação no mercado. Em alguns casos o público identi-
fica o marketing como apenas um instrumento de vendas e propaganda. Escutamos
cotidianamente que uma empresa aplica bem o marketing simplesmente porque faz
constante propaganda de seus produtos. O marketing não é só propaganda. Nem
vendas. O Marketing está orientado no sentido da produção de resultados e isso
exige um amplo conceito de todos os fatores que influenciam o comportamento de
compra.

Na maioria das vezes o marketing é uma prática que segue tendências. Assim,
ele tem a função de explorar as necessidades do cliente, suas preferências com o
objetivo de direcionar ações na empresa que atendam e satisfaçam este cliente, uti-
lizando instrumentos variados de promoção.

A identificação das tendências, necessidades e desejos são a primeira fase


do processo estratégico de mercado para que o trabalho de marketing seja bem
sucedido.

Também trabalhamos nessa unidade a descrição dos critérios necessários para


uma segmentação eficaz, a identificação dos passos do processo de segmentação de
mercado e os diversos tipos de estratégias de posicionamento que as corporações
adotam visando transmitir uma imagem para consumidor.

203
Marketing ADisciplina
Braz Cubas4

Unidade II
2

Marketing Mix

Objetivos da unidade:

• Definir o conjunto de ferramentas que formam o composto de mar-


keting;

• Discutir estratégias sobre cada ferramenta de marketing mix;

• Estimular o senso crítico do aluno acerca da prática e teoria do


marketing;

• Descrever as diversas formas de aplicação do composto de marke-


ting.

Competências e Habilidades:

• Capacidade de entender o funcionamento de uma gerência de linha


de produtos;

• Reflexão crítica sobre práticas e estratégias empresariais relaciona-


das ao mix de marketing.

205
ADisciplina
Braz Cubas4 Marketing

2.1  Mix ou composto de Marketing

Segundo Las Casas (2004) o marketing é baseado em 4 pilares. O autor ame-


ricano Jerome McCarty, simplificou esses 4 pilares usando uma forma mnemônica
(auxiliar de memória) conhecida como 4 P´s que são representados pelo: produto,
preço, ponto de venda e promoção. Mais precisamente e seguindo essa ordem em
língua inglesa nós temos: product, price, place e promotion. Para ações bem desenvol-
vidas de marketing esse composto deve estar em constante evolução, cuja meta é ter
um plano internamente coerente ás ações de marketing e mutuamente sustentador
das mesmas.

Disponível em: http://administracaograduacao.blogspot.com.br/2015/07/a- evolucao-do-marketing.html.


Acesso em 27/11/15.

Atenção:

No AVA detalhamos todo o mix de marketing. Você deverá acessar a plata-


forma e estudar os materiais disponíveis. Na sequência, vamos trabalhar
esse composto numa atividade prática a partir de um case.
Até já!

206
Marketing ADisciplina
Braz Cubas4

2.2  Marketing de Serviços

Segundo Kotler e Keller (2006) o setor de serviços é um setor altamente pro-


missor e que vem crescendo a cada dia. O marketing de serviços está voltado, ba-
sicamente, para o tratamento adequado do consumidor, na interpretação e leitura
adequada de suas necessidades, levando-se em conta os fatores que influenciam em
seu comportamento.

Serviço é qualquer ato ou desempenho que uma parte possa oferecer a outra
e que seja essencialmente intangível e não resulte na propriedade de nada. Funda-
mentalmente, podemos definir Serviços em Marketing como o conjunto de esforços
e ações que aperfeiçoam uma venda com o objetivo de encantar o cliente, diferen-
ciando a empresa da concorrência. Assim, com a mudança constante do cenário eco-
nômico, torna-se necessário criar novas formas de serviços para conquistar o cliente
e, principalmente, surpreendê-lo.

A palavra-chave para Kotler e Keller (2006) que norteia todas essas ações é
conveniência, ou seja, o quanto conveniente devemos ser aos nossos clientes atuais
e potenciais. Hoje em dia, o tempo tornou-se moeda forte, visto que as pessoas têm
cada vez menos tempo e, assim, necessitam de novos serviços (mesmo sem saber
que querem...).

Muitas vezes, torna-se difícil separar Marketing de Produtos de Marketing de


Serviços, visto que quando um consumidor adquire um produto, ele automatica-
mente adquire um novo serviço. Costumeiramente, podemos classificar os serviços
em duas categorias básicas: serviços prestados às Pessoas Físicas (consumidor final)
e serviços prestados a Pessoas Jurídicas (empresas). Nenhuma ação de marketing
pode ser desencadeada se não tivermos uma base de conhecimento sobre compor-
tamento do consumidor.

Os serviços segundo Kotler e Keller (2006) são classificados como:

Bem tangível: A oferta consiste em um bem tangível sem nenhum acompa-


nhamento de serviço como a compra de um creme dental ou sal;

Bem tangível acompanhado de serviço: A oferta consiste em um bem tangí-


vel acompanhado por um ou mais serviços para enriquecer seu apelo de consumo.
Podemos citar como exemplo a compra de um carro em uma concessionária. O
carro é o bem tangível desejado. A compra pode ser decidida pelo atendimento do
vendedor;

207
ADisciplina
Braz Cubas4 Marketing

Bem híbrido: A oferta consiste em partes iguais de bens e serviços. Em um


restaurante o prato de comida é tão importante quanto o atendimento do garçom;

Serviço principal acompanhado de bens e serviços secundários: A oferta


consiste em um serviço principal acompanhado de serviços adicionais. Os passagei-
ros de avião têm como principal objetivo seu destino final. Porém, a viagem inclui
bens tangíveis como alimentos e bebidas, uma revista de bordo, além é claro do
próprio serviço da companhia aérea; e

Serviço: a oferta consiste basicamente no serviço. No exemplo podemos in-


cluir o trabalho de médicos e advogados.

Os serviços ainda segundo Kotler e Keller (2006) apresentam algumas caracte-


rísticas importantes como:

Intangibilidade: Os serviços não podem ser vistos, provados, sentidos ou chei-


rados antes de serem comprados. Para reduzir a incerteza de compra perante a esse
fator as empresas costumam investir em instalações físicas, número suficiente de
funcionários para atendimento e equipamentos. Assim o grande desafio dos admi-
nistradores é tornar tangível aquilo que é teoricamente intangível.

Inseparabilidade: geralmente os serviços são produzidos e consumidos si-


multaneamente. Se em um show do Roberto Carlos, o mesmo passar mal, não po-
deremos substituir o cantor por outro astro de categoria inferior. Ou seja, o show
perderá completamente a razão, fazendo com que os organizadores tenham que
transferi-lo de data.

Variabilidade: os serviços são altamente variáveis, uma vez que dependem de


quem os executa e de onde são prestados. Em um restaurante um cozinheiro pode
fazer um divino prato em um dia e em outro por estar com problemas sem querer
pode errar em algum tempero fazendo com que o prato não tenha o mesmo sabor.

Perecibilidade: Os serviços não podem ser estocados. Imagine uma viagem


aérea com 100 lugares. Se houver apenas 1 ou 100 passageiros, o custo do vôo será
praticamente o mesmo. Na verdade, os lugares que a empresa aérea não conseguir
negociar ela jamais conseguirá recuperar novamente. Um médico não pode fazer
amanhã as mesmas consultas que deixou de fazer hoje. Um hotel que não conseguir
vender suas diárias não irá recuperá-las na semana seguinte, isto é, a semana não
vendida representará um faturamento definitivamente perdido.

Os administradores devem estar atentos para critérios importantes de aten-


dimento que podem fazer a diferença como: competência, cortesia, confiabilidade,
agilidade, rapidez e comunicação.

208
Marketing ADisciplina
Braz Cubas4

Outro fator importante dentro do marketing de serviços é a criação de um SAC,


que significa sistema de atendimento ao cliente. O SAC tem a função de filtrar a infor-
mação passada pelo cliente. Assim podemos saber aquilo que o cliente precisa. Pes-
quisas mostram que a maioria dos clientes deixa de comprar por uma atitude nega-
tiva do vendedor. Veja abaixo as razões pelas quais o consumidor deixa de comprar.

1% Morre

3% se mudam

5% Criam relacionamento comercial com


outros fornecedores

9% Motivos de concorrência
de preço

14% Insatisfação com o produto

68% Devido a uma atitude negativa ou de indiferença por


parte do vendedor ou outro funcionário

Fonte: Rockefeller Center

Para continuar mantendo os clientes nunca devemos deixar que um contato


com ele fique esquecido. Devemos sempre nos comunicar de forma amigável e pes-
soal e sempre procurando escutar aquilo que ele tem para dizer. Trate o cliente como
a parte mais importante dos seus negócios, pois é ele que sustenta a sua empresa.

2.3  Considerações da Unidade II

Na segunda unidade foi possível observar o conjunto de ferramentas que for-


mam o composto de marketing. O mix de marketing, também conhecido como com-
posto de marketing ou 4P’s, é o conjunto de ferramentas que a empresa utiliza para
perseguir seus objetivos de marketing no mercado-alvo. Essas ferramentas são clas-
sificadas em quatro grupos amplos, os 4P’s de marketing: produto, preço, praça (ou
canal) e promoção (ou comunicação). Esses termos vêm do inglês product, price, place
and promotion. No marketing mix discutido, foi possível estudar diversas estratégias
mercadológicas que compunham cada elemento do mix.

209
ADisciplina
Braz Cubas4 Marketing

No jogo competitivo do mercado globalizado, as organizações precisam anali-


sar os consumidores, selecionar os mercados-alvo e utilizar as ferramentas do mar-
keting mix para satisfazer as necessidades do consumidor. Os profissionais de mar-
keting e os administradores de empresas devem elaborar estratégias de marketing
que se adaptem à posição e aos recursos da empresa. Visando esse contexto, devem
estudar seus concorrentes e, depois, gerenciar e adaptar de maneira eficaz essas
estratégias para as alterações do ambiente.

Se baseando nisso, essa unidade visou a estrutura de um bom composto de


marketing como uma estratégia de vantagem competitiva para a corporação. Outro
ponto crucial, é que o ambiente de negócios e do mercado é extremamente dinâmi-
co, ou seja, uma estratégia que funcionou muito bem no passado pode não funcio-
nar mais no presente. Em virtude disso estudaremos na próxima unidade o macro e
microambientes de marketing e suas evoluções e estratégias.

210
Marketing ADisciplina
Braz Cubas4

Unidade III
3

Ambiente de Marketing

Objetivos da unidade:

• Explicar o que é um ambiente de marketing;

• Descrever sobre estratégias e componentes utilizados em um micro


e macroambiente de marketing;

• Entender a diferença entre micro e macroambiente de marketing;

• Identificar as variáveis controláveis e incontroláveis em um ambien-


te de marketing.

Competências e Habilidades:

• Capacidade de entender os conceitos básicos de um ambiente de


marketing e sua aplicação prática no mercado;

• Reflexão crítica sobre as estratégias utilizadas em um micro e um


macroambiente de marketing.

211
ADisciplina
Braz Cubas4 Marketing

3.1  Ambiente de Marketing

Para Kotler e Armstrong (2007) o ambiente de marketing de uma empresa é


constituído pelos participantes e pelas forças externas ao marketing que afetam a
capacidade da administração de marketing em manter bons relacionamentos com
seus clientes.

Assim, a empresa para ser bem sucedida em um ambiente de marketing deve


direcionar e adaptar o seu mix de produtos de acordo com as tendências e desenvol-
vimentos no ambiente em que ela se encontra em consonância com as mudanças do
mercado e a rapidez das informações.

Um ambiente de marketing oferece tanto oportunidades quanto ameaças. A


empresa deve usar instrumentos de pesquisa para observar o ambiente e os fatores
que podem causar suas mudanças.

De acordo com Boone e Kurtz (2009) a análise do ambiente de marketing é a


primeira etapa do planejamento estratégico a ser analisada, porque qualquer altera-
ção no ambiente exigirá também a mudança das estratégias institucionais. O objeti-
vo da análise ambiental é documentar um cenário de desenvolvimentos ambientais
significativos que a instituição deve considerar ao traçar o restante do planejamento
estratégico.

Os gestores de marketing das empresas são os maiores responsáveis na iden-


tificação das mudanças significativas do ambiente. Para isso eles devem monitorar
tendências e pesquisar oportunidades. Embora todo gerente precise observar o am-
biente externo, os profissionais de marketing precisam realizar um monitoramento
ambiental sistemático, tornando-se aptos a rever e adaptar as estratégias para poder
enfrentar novos desafios e oportunidades no mercado.

Composto de um micro e de um macroambiente de marketing o ambiente


deve ser estudado como um todo. O microambiente consiste em forças próximas à
empresa que afetam a capacidade de servir seus clientes como: a própria empresa,
os fornecedores, as empresas do canal de marketing, os clientes, os concorrentes e
os públicos.

O macroambiente consiste em forças sociais maiores que afetam ambiental-


mente o microambiente de marketing, que é composto pelas forças: demográficas,
econômicas, naturais, tecnológicas, políticas e culturais.

212
Marketing ADisciplina
Braz Cubas4

AMBIENTE DE MARKETING

Fonte: Kotler, 2010

3.1.1  O Microambiente

Segundo Keller e Machado (2006) a missão da gestão de marketing é atrair


clientes, com o intuito de relacionar-se com eles, oferecendo valor e satisfação, para
que os mesmos permaneçam consumindo na sua empresa. No entanto, essa tarefa
não pode ser realizada apenas pelos gerentes de marketing.

O sucesso de uma empresa depende de outros fatores do microambiente da


empresa como: outros departamentos e filiais, fornecedores, possíveis intermediários
de marketing, clientes, concorrentes e vários públicos que se combinam para construir
o sistema de entrega de valor da empresa que deve ser aprimorado constantemente.

3.1.2  A Empresa

A gerência de marketing de uma organização deve levar em consideração ou-


tros grupos da empresa, tais como a administração de topo, os departamentos de fi-
nanças, pesquisa e desenvolvimento, compras, produção e contabilidade na hora de
fazer o seu planejamento estratégico. Todos estes grupos formam o ambiente inter-
no e uma vez em conjunto, têm um impacto sobre os planos e as ações de marketing.

213
ADisciplina
Braz Cubas4 Marketing

Segundo o conceito de marketing, todas essas funções devem pensar muito no


consumidor e coexistir em harmonia para oferecer valor superior e satisfação ao cliente.

3.1.3  Os Fornecedores

Os fornecedores formam um elo importante no sistema geral de entrega de


valor da empresa ao consumidor. Eles são fundamentais na provisão de recursos ne-
cessários para a empresa produzir seus bens e serviços, e podem afetar seriamente
o marketing da organização.

Os gestores devem controlar os suprimentos, as greves e outras ocorrências


que podem prejudicar as vendas no curto prazo, logo a satisfação do consumidor á
longo prazo. O aumento dos custos dos materiais e dos suprimentos pode forçar o
aumento dos preços, significando um repasse de custos para o cliente, prejudicando
o volume das vendas da empresa.

3.1.4  Os Intermediários

Os intermediários de marketing têm o objetivo de trabalhar em parceria com


a empresa e promover, vender além de distribuir seus bens aos compradores finais.

Podem ser incluídos como intermediários de marketing:

99 Revendedores (atacadistas, varejista, agentes);

99 Firmas de distribuição física (transportadoras, manuseios etc.);

99 Agências de serviços de marketing (agência de propaganda, agência de


promoção, consultorias de marketing); e

99 Intermediários financeiros (bancos, financeiras, seguradores).

Ao criar um relacionamento positivo com os clientes, as empresas devem fa-


zer mais do que apenas trabalhar visando seu próprio desempenho. Elas devem de
certa forma se relacionar efetivamente com os fornecedores e os intermediários de
marketing para otimizar o desempenho de todo o sistema.

214
Marketing ADisciplina
Braz Cubas4

3.1.5  Os Clientes

A empresa deve estudar seus clientes frequentemente, monitorando seus há-


bitos e mudanças de atitudes.

Segundo Kotler e Armstrong (2007) a empresa pode ter cinco tipos de clientes:

99 O mercado consumidor (indivíduos e famílias);

99 O mercado industrial (compra bens e serviços para processamento ou


para seus processos de produção);

99 O mercado revendedor (compra para revender com lucro);

99 O mercado governamental (órgãos do governo que compram bens e


serviços para outros que deles necessitem); e

99 O mercado internacional (compradores estrangeiros, incluindo consumi-


dores, produtores, revendedores e governos).

3.1.6  Os Concorrentes

Os profissionais de marketing não devem apenas visar somente às necessida-


des dos seus consumidores. Eles devem também alcançar vantagens estratégicas,
com o objetivo de posicionar suas ofertas contra as de seus concorrentes, visando o
conceito de diferenciação na cabeça dos consumidores.

Não há estratégia competitiva de marketing que se adapte a todas as empre-


sas. Cada empresa deve considerar seu próprio tamanho e a sua posição na indús-
tria quando comparados aos seus concorrentes.

3.1.7  Os Públicos

O público no ambiente de marketing é qualquer grupo que tenha interesse


real, potencial ou que cause impacto direta ou indiretamente na capacidade da em-
presa em atingir seus objetivos.

215
ADisciplina
Braz Cubas4 Marketing

Kotler e Armstrong (2007) apresentam sete tipos de públicos:

99 Público financeiro;

99 Público da mídia;

99 Público do governo;

99 Público de defesa do consumidor;

99 Público local;

99 Público geral; e

99 Público interno.

A organização pode preparar planos de marketing para seus principais públi-


cos e para seus mercados clientes. Por exemplo, quando uma empresa deseja uma
resposta específica de um público particular, como boa vontade, comentários favo-
ráveis ou até doações em forma de tempo ou dinheiro, deve planejar uma oferta que
possa produzir a resposta desejada desse público sob a forma de ação de marketing.

3.1.8  Macroambiente

Para Boobe e Kurtz (2007) as empresas e todos os outros atores operam em


um cenário maior de forças, que oferecem oportunidades e ameaças para a empre-
sa, além de serem gerenciáveis como variáveis incontroláveis.

AMBIENTE DEMOGRÁFICO
A demografia é o estudo e análise da população humana em termos de tamanho,
densidade, localização, idade, sexo, raça, ocupação e outros dados estatísticos. É de gran-
de interesse para os profissionais de marketing porque envolve pessoas e são estas que
constituem os mercados.
A explosão da população mundial tem grandes implicações nos negócios. Uma po-
pulação crescente significa crescentes necessidades a serem satisfeitas, dependendo do
poder aquisitivo, pode também significar crescentes oportunidades de mercado.
Os executivos acompanham as novas tendências e desenvolvimentos dos seus
mercados nacionais e estrangeiros, assim como as possíveis mudanças de estrutura etá-
ria e familiar, mudanças na distribuição geográfica da população, características educacio-
nais e diversidade populacional.

216
Marketing ADisciplina
Braz Cubas4

AMBIENTE ECONÔMICO
Dependendo tanto do poder de compra como dos consumidores, o ambiente eco-
nômico consiste em fatores que afetam o poder de compra e os hábitos de gasto do con-
sumidor. Os países são muito diferentes quanto aos seus níveis e distribuição de renda.
Alguns países têm economia de subsistência, ou seja, consomem a maior parte
de seus produtos agrícolas e industriais e oferecem portanto, poucas oportunidades de
mercado.
Na outra ponta vêm os países de economia industrial, que constituem mercados ri-
cos para muitos tipos de bens. Os profissionais de marketing devem estar sempre atentos
às principais tendências e hábitos de gasto dos consumidores nos mercados mundiais.

AMBIENTE NATURAL
O ambiente natural está relacionado aos recursos naturais que os gestores de mar-
keting usam como subsídios ou que são afetados pelas atividades de marketing. As preo-
cupações ambientais cresceram muito nas duas últimas décadas. O ambiente natural é o
tema mundial de maior importância para as empresas e para o público, se tornando um
diferencial em muitos casos.
Os profissionais de marketing devem conscientizar-se de quatro tendências do am-
biente natural:
• Escassez de matéria-prima;
• Aumento do custo de energia;
• Aumento da poluição, e
• Intervenção governamental na administração dos recursos naturais.

AMBIENTE TECNOLÓGICO
Talvez a força mais significativa que atualmente molda nosso destino, o ambiente
tecnológico se apresenta como uma realidade. Toda tecnologia nova substitui uma tec-
nologia antiga. Os transistores prejudicaram a indústria de válvulas, a xerografia afetou o
negócio de papel carbono, o automóvel teve impacto nas ferrovias, e os CDs prejudicaram
os discos de vinil. Toda vez que as indústrias velhas lutaram com as novas tecnologias ou
as ignoraram seus negócios declinaram.
Dessa forma, as novas tecnologias se tornam sinônimos de novos mercados e opor-
tunidades, portanto os gestores devem observar as seguintes tendências tecnológicas:
• Rapidez das mudanças tecnológicas;
• Orçamentos elevados para planejamento e desenvolvimento; e
• Concentração em pequenos aprimoramentos.

AMBIENTE POLÍTICO
As estratégias e decisões de marketing são seriamente afetadas e modificadas pelo
desenvolvimento e relacionamento com ambiente político. O ambiente político é cons-
tituído de leis, agências governamentais e grupos de pressão que influenciam e limitam
várias organizações e indivíduos em uma dada sociedade.

217
ADisciplina
Braz Cubas4 Marketing

AMBIENTE CULTURAL
Constituído de instituições e outras forças que afetam os valores básicos, as
percepções, as preferências e os comportamentos da sociedade o ambiente cultural é
representado pelos nossos valores e crenças básicos, absorvendo uma visão de mun-
do que define nossos relacionamentos com o mundo e com os outros.
As seguintes características culturais podem afetar as decisões do marketing:
• Persistência de valores culturais;
• Mudanças dos valores culturais secundários;
• A visão das pessoas sobre si mesmas;
• A visão das pessoas sobre os outros;
• A visão das pessoas sobre as organizações;
• A visão das pessoas sobre a sociedade;
• A visão das pessoas sobre a natureza; e
• A visão das pessoas sobre o universo.
Apesar de ser um elemento incontrolável, as empresas não devem aceitar pas-
sivamente esse ambiente. Ele deve ser estudado e acompanhado com frequência. As
organizações devem analisar as forças ambientais e elaborar estratégias que ajudarão
a empresa a evitar as ameaças e a tirar vantagem das oportunidades que o ambiente
proporciona.

3.2  Considerações da unidade III

O macro e o microambiente de marketing estão relacionados a qualquer rela-


ção de troca entre a empresa e seu consumidor/fornecedor. Desta maneira os am-
bientes de marketing possuem vital importância para a análise de mercado e influen-
ciam muito na hora da decisão de fechar ou não um determinado negócio.

Nesta terceira unidade vimos as estratégias ligadas a fatores controláveis e fa-


tores incontroláveis que afetam a capacidade da empresa atingir seu mercado alvo.
Foi possível entender como funciona o mix de marketing no microambiente e como
o macroambiente e seus fatores: demográficos, econômicos, naturais, tecnológicos,
políticos e culturais afetam a realidade corporativa.

Saber como funciona um ambiente de marketing é de vital importância para o


administrador. Uma vez que o profissional tem em suas mãos ferramentas de análi-
se competentes para entender e se situar no complicado cenário econômico, as suas
chances de desenvolvimento de estratégias aumentam. É preciso sempre estar ante-
nado com que vem acontecendo a sua volta. As novas tendências são fundamentais
para a aplicação de estratégias e é justamente isso através do marketing 3.0, que
vamos ver na nossa próxima unidade.

218
Marketing ADisciplina
Braz Cubas4

4 Unidade IV

Tendências de Marketing

Objetivos da unidade:

• Discutir sobre as estratégias atuais de mercado;

• Entender o avanço do marketing em direção ao consumidor;

• Fazer as considerações finais sobre o assunto.

Competências e Habilidades:

• Compreender a importância do marketing nas instituições;

• Refletir tecnicamente sobre as estratégias de marketing usadas nas


corporações.

4.1  Marketing 3.0

A nova definição de Marketing proposta por Kotler (2010) retrata diversos fato-
res influenciadores da nova política comportamental e comercial do mundo digitali-
zado. Ele se refere nesta publicação como a era da sociedade criativa, o ser humano
tratado como um ser pleno, que possui mente, coração e espírito. Esses indivíduos
tem a necessidade de satisfazer os anseios de transformar o mundo globalizado
num mundo melhor.

219
ADisciplina
Braz Cubas4 Marketing

Para ter uma noção da diferença dos 3 momentos do marketing, Kotler (2010)
exemplifica a era do Marketing 1.0 como a era da do Marketing centrado no produto,
a relação do profissional de marketing tinha representatividade única e exclusiva-
mente em fazer com que existisse produção para atender a demanda de clientes.

Com o passar do tempo e o avanço da tecnologia, muitos produtos se torna-


ram commodities e não existia mais demanda excessiva e para se vender as empre-
sas precisaram entrar num novo modelo estratégico de atuação.

Esse modelo foi chamado de marketing 2.0, que representa a era da informa-
ção. Dessa forma, se trabalha neste modelo até os dias atuais, se estuda mercados,
criam-se nichos e o marketing é responsável por manter acesa a chama dos seus
consumidores para seus produtos e serviços.

Na era da sociedade criativa, nos impactamos com o avanço das redes e mídias
sociais, onde é possível ter a opinião de todos de qualquer parte do planeta. Essa
nova sociedade acredita mais na opinião dos iguais a elas do que nas magníficas
campanhas publicitárias, campanhas essas que não são mais atrativas nos meios
tradicionais.

As empresas precisam entrar no novo universo da comunicação digital e redes-


cobrir diariamente como impactar o seu consumidor, só que desta vez a persuasão
dá lugar a compreensão, sendo necessário antes de mais nada compreender como
seu consumidor lida com a sua marca e como ela é vista perante o mundo globaliza-
do das redes sociais.

Kotler (2010) explica que o novo patamar do marketing, chamado de 3.0, tem
justamente três grandes forças:

99 Era da participação;

99 Globalização; e

99 Sociedade criativa.

O quadro abaixo exemplifica a diferença entre o marketing 1.0, 2.0 e 3.0.

220
Marketing ADisciplina
Braz Cubas4

Fonte: Kotler, 2010

No marketing 3.0 cada vez mais há uma cocriação realizada em parceria com
os stakeholders das organizações.

O termo inglês stakeholder, está relacionado a uma pessoa, grupo ou entidade


com legítimos interesses nas ações e no desempenho de uma empresa e cujas deci-
sões possam afetar, direta ou indiretamente, essa ou outra organização.

Podem ser incluídos como stakeholders os funcionários, gestores, proprietários,


fornecedores, clientes, credores, Estado (enquanto entidade fiscal e reguladora), sin-
dicatos, diversas outras pessoas ou entidades que se relacionam com a organização.

Para Mitchel, Agle e Wood (2011) são várias as formas de classificar os diferentes
stakeholders. A mais usual é a classificação em internos e externos. Para os autores
existem sete tipos de stakeholders que são classificados em:

221
ADisciplina
Braz Cubas4 Marketing

sua
ele que tem poder para impor
Stakeholder Adormecido: é aqu
ia e assim
não tem legitimidade ou urgênc
vontade na organização, porém
ração com a
do ele pouca ou nenhuma inte
seu poder fica em desuso, ten
eholder para
deve conhecer esse tipo de stak
empresa. Entretanto, a gestão
seguir um segundo atributo;
monitorar seu potencial em con
s não
ele que possui legitimidade, ma
Stakeholder Arbitrário: é aqu
atenção que
presa e nem alega urgência. A
tem poder de influenciar a em
ilidade so-
ressada diz respeito à responsab
deve ser dada a essa parte inte
ser mais receptivos;
cial corporativa, pois tendem a
e na
ndo o atributo mais important
Stakeholder Reivindicador: qua
poder e
urgência ele é reivindicador. Sem
administração do stakeholder for
deve ser
legi tim ida de, não dev em atra palhar tanto a empresa, porém
sem
o;
de obterem um segundo atribut
monitorado quanto ao potencial
sa
que tem sua influência na empre
Stakeholder Dominante: aquele
atenção
timidade. Espera e recebe muita
assegurada pelo poder e pela legi
da empresa;
existe
há poder e urgência, porém não
Stakeholder Perigoso: quando
lmente vio-
stakeholder coercitivo e possive
a legitimidade, o que existe é um
e;
pode ser um perigo literalment
lento para a organização, o que
ência e
ele que tem alegações com urg
Stakeholder Dependente: aqu
a ver suas
poder de outro stakeholder par
legitimidade, porém depende do
consideração; e
reivindicações sendo levadas em
timi-
o stakeholder possui poder e legi
Stakeholder Definitivo: quando
além disso,
figura como definitivo. Quando,
dade ele praticamente já se con
priorizada a
devem dar atenção imediata e
ele alega urgência, os gestores
esse.

E quanto mais você escuta o consumidor, mais ele pode ajudá-lo. Kotler (2010)
menciona um caso da marca Doritos que abriu mão de uma agência de publicidade
para fazer uso da estratégia de Crownd Sourcing, na qual todos os clientes foram en-
volvidos e convidados a criar uma campanha. Esta campanha recebeu milhares de
premiações ao redor do mundo, provando que uma multidão pode trazer milhões de
ideias e o seu consumidor pode ser sua melhor publicidade e propaganda.

222
Marketing ADisciplina
Braz Cubas4

De acordo com o acadêmico, o velho pensamento de que o gerenciamento de


produto leva em consideração os 4 P’s (Produto, Preço, Promoção e Praça) deve ter
um incremental: a cocriação.

Mais do que isso, o marketing 3.0 prevê empresas que realmente pensam no
futuro e estão atentas às preocupações de seus clientes.

Cada vez mais as pessoas se preocupam com um mundo melhor para todos.

4.1.1  Um Mundo Melhor

Dessa forma, para Kotler (2010), o Marketing 3.0 tem a função de criar um elo
com o cliente, melhorar a vida dos pobres e criar sustentabilidade para o planeta. O
autor ainda ressalta que estes devem ser os desafios do marketing do futuro.

Mas para que isto aconteça, Kotler (2010) entende que é preciso provar aos
investidores que “a sustentabilidade vai melhorar a produtividade de custo, a receita
e a empresas serão mais respeitadas”. Por fim, o executivo resume o conceito do
marketing 3.0 sugerindo aos congressistas que “sejam eficientes, lucrativos e preocu-
pados com os outros”, trabalhando em prol de um mundo melhor.

4.2  Considerações da Unidade IV

Segundo a última unidade, dentro das novas tendências de marketing foi pos-
sível identificar que os clientes modernos não são mais induzidos a comprar apenas
pelo valor pago pelo produto ou simplesmente pela marca da empresa fabricante.
Hoje em dia, eles são capazes de ver os produtos e comparar os benefícios e valores
gerados pelos produtos de acordo com o posicionamento da corporação. Por essa
razão, é preciso que os profissionais de marketing tratem os clientes como seres hu-
manos completos, dotados de corpo, mente e espírito.

Considerado mais do que simplesmente um conceito, o marketing 3.0 se apre-


senta como uma realidade que é vivenciada por organizações que enxergam seus
consumidores através de um foco maior e entendem que os consumidores atuais
dispõem de um maior acesso a tecnologias, maior poder de comparação de produ-
tos, decisão de compra etc. Uma nova abordagem de marketing é necessária. Uma

223
ADisciplina
Braz Cubas4 Marketing

abordagem com visão holística e voltada para o ser humano, não apenas para o con-
sumidor, como era feito há algum tempo.

Na quarta unidade também estudamos a gestão dos stakeholders e entende-


mos que a mesma se diferencia das demais visões sobre relacionamento empresa-
rial por ter importância e caráter estratégicos. Uma vez bem planejada, a interação
dos stakeholders com a organização é vista como oportunidade, podendo funcionar,
até mesmo, como ferramenta para planejamento estratégico e gestão empresarial.

Quando uma empresa possui a capacidade de entender e satisfazer as neces-


sidades dos diferentes stakeholders que as cercam aumentam de uma forma geral
sua capacidade de êxito. No entanto, muitas vezes, é essa capacidade de satisfazer
os stakeholders que garante sua sobrevivência no mercado.

224
Marketing ADisciplina
Braz Cubas4

Referências

BARBOSA, M. F. N. Introdução ao marketing para empresa de pequeno porte.


Edición electrónica. Texto completo en www.eumed.net/libros/2006a/mfnb/, 2006.

BETA, Agência. Quando a oportunidade se transforma em ameaça. 2010.

CHURCHILL, Gilbert ª e Peter, J. Paul. Marketing: criando valor para os clientes. São
Paulo: Saraiva, 2000.

DANIELS, John e Daniels, Caroline. – Visão Global, São Paulo: Makron, 1996.

DE ANGELO, Claudio Felisone, DIAS FONTES, Nuno Manoel. Segmentação de


Mercados e Preços. Ed Saint Paul, 2007.

DRUCKER, P. F. As fronteiras da administração onde as decisões do amanhã


estão sendo determinadas pelo hoje. São Paulo: Pioneira, 1988.

DRUCKER, P. F. Administrando em Tempos de Grande Mudança. São Paulo:


Pioneira, 1995.

GONÇALVES, C. A; GONÇALVES FILHO, C; REIS, M. T. Estratégia Empresarial: o


desafio nas organizações. São Paulo: Saraiva, 2006.

HAWKINS, Del e MATHERSBAUGH, David. Comportamento do Consumidor:


Construindo a Estratégia de Marketing. Rio de Janeiro: Elsevier, 2007.

KELLER, Kevin e MACHADO Marcos. Gestão Estratégica de Marcas. São Paulo:


Pearson Prentice Hall, 2006

KOTLER.Philip. Marketing 3.0. São Paulo:Campus, 2010.

KOTLER, Philip.Marketing essencial: conceitos, estratégias e casos. 2 ed., São Paulo:


Pearson Prentice Hall, 2005.

KOTLER, Philip e ARMSTRONG Gary. Princípios de Marketing. 12 ed., São Paulo:


Pearson Prentice Hall, 2007.

KOTLER, Philip e KELLER, Kevin. Administração de Marketing. 12 ed., São Paulo:


Pearson Prentice Hall, 2006.

LAS CASAS, Alexandre. Marketing: conceitos, exercícios e casos. 6 ed., São Paulo:
Atlas,2004.

LAS CASAS, Alexandre. Qualidade Total em Serviços. 3 ed., São Paulo: Atlas, 1999.

225
ADisciplina
Braz Cubas4 Marketing

MCKENNA, Regis. Marketing e Relacionamento. Rio de Janeiro: Editora Campus, 1993.

MINTZBERG, H. O Processo da Estratégia. 4° ed. Porto Alegre: Bookman, 2006.

MINTZBERG, H. Safári de Estratégia. Porto Alegre: Bookman, 2004.

MITCHELL, R., AGLE, B. e WOOD, D. (1997). “Toward a theory of stakeholder


identification andsalience: defining the principle of who and what really
counts”, Academy of ManagementReview, vol. 22, nº 4, pp. 853-858.

OLIVEIRA, Sergio Luis. Desmistificando o Marketing. Novatec, 1 ed, 2007.

RIBEIRO, Júlio César. Marketing para micro e pequenas empresas: guia básico de
sobrevivência. Porto Alegre: Senac, 1998.

RICHERS, R. e LIMA, C. Segmentação: opções estratégicas para o mercado brasileiro.


São Paulo: Nobel, 1991.

ROCHA, Angela e Christensen. Marketing – Teoria e Prática no Brasil. Rio de Janeiro:


Editora Atlas, 1998.

ROMERO, R. R. Marketing: para pequenas e médias empresas. São Paulo: Érica, 1998.

UNDERHILL, P. Vamos às compras. Editora Campus, 2007.

WEINSTEIN, A. Segmentação de Mercado. Ed. Atlas, São Paulo, 1995.

Agradecimento especial ao Mundo das Marcas por propor uma interação prática
entre conceitos e teorias através de estudos de casos de grandes empresas. Links
relacionados na íntegra pelo Mundo das Marcas:

Guaraná Antarctica

http://www.mundodasmarcas.blogspot.com/2006/06/guaran-antarctica-original-do-
brasil.html

Omo

http://www.mundodasmarcas.blogspot.com/2006/05/omo-lava-mais-branco.html

Kopenhagen

http://www.mundodasmarcas.blogspot.com/2006/05/kopenhagen-os-mais-finos-
chocolates.html

Havaianas

http://www.mundodasmarcas.blogspot.com/2006/05/havaianas-as-legtimas.html

226
Produção do conteúdo: 2º sem./2013
Matemática financeira ADisciplina
Braz Cubas5

Sumário da Disciplina

Apresentação 231
O Professor 233
Introdução 235

1Unidade I
Proporção, regra de três, porcentagem e potenciação 237
1.1 Proporção 238
1.1.1 Razão 238
1.1.2 Propriedade fundamental 239
1.1.3 Cálculo de um termo desconhecido 240
1.2 Divisão proporcional e regra da sociedade 240
1.2.1 Divisão proporcional 241
1.2.2 Regra da sociedade 243
1.2.3 Regra de três simples 245
1.2.4 Regra de três composta 245
1.3 Porcentagem 247
1.4 Raízes e Radicais 247
1.4.1 Propriedades  248
1.5 Considerações da unidade I 249

2Unidade II
Operações sobre mercadorias e juros simples 251
2.1 Operações sobre mercadorias 252
2.1.1 Vendas com lucro sobre o preço de custo 253
2.1.2 Vendas com lucro sobre o preço de venda 254
2.1.3 Vendas com prejuízo sobre o preço de custo 254
2.1.5 Vendas com prejuízo sobre o preço de venda 255
2.2 Juros  256
2.2.1 Juros simples 257
2.3 Considerações da unidade II 263

3Unidade III
Juro composto, taxa de equivalência e desconto 265
3.1 Juro composto 266
3.1.1 Cálculo do montante 268
3.1.2 Cálculo do capital 270
3.1.3 Taxas equivalentes 271
3.2 Considerações da unidade III 273

4Unidade IV
Capitalização composta, amortização, empréstimos e abatimentos 275
4.1 Capitalização e amortização compostas 276
4.1.1 Rendas 276
4.2 Capitalização composta 278
4.2.1 Renda imediata 278
4.2.2 Renda antecipada 279

229
4.3 Utilizando a calculadora financeira 280
4.3.1 Renda imediata 281
4.3.2 Renda antecipada 281
4.4 Amortização composta 282
4.4.1 Amortização antecipada 283
4.5 Empréstimos 284
4.6 Considerações da unidade IV 286
Referências 289
Matemática financeira ADisciplina
Braz Cubas5

Apresentação

Olá!

Meu nome é Flávio Anunciato e vou acompanhar você durante a disciplina de


Matemática Financeira. Você verá que este assunto não é tão complicado como pa-
rece, é claro que existem cursos específicos que formam especialistas, estes sim são
bastante profundos e exigentes.

A matemática está presente em todas as atividades realizadas por nós, desde o


mais simples que é calcular nossa idade, até os mais complexos cálculos sobre rotas
de aeronaves ou o traçado e a periodicidade de cometas.

Se, pela frase acima, você já ficou de cabelos arrepiados, não se preocupe, não
tenho a pretensão de transformá-lo em cientista da NASA!

Nosso objetivo, digo nosso, pois estaremos construindo e conquistando juntos,


é trabalhar conceitos básicos da matemática, muitos deles estudados no ensino fun-
damental e médio, associados às questões financeiras que nos cercam em nosso dia
a dia. Matemática Financeira parece complicada, não? Mas, não se preocupe, nosso
caminho será suave e tranquilo. Estarei ao seu lado!

Vou acompanhar você durante todo o desenvolvimento da disciplina, sua par-


ticipação nas atividades, nas leituras recomendadas e, principalmente nos fóruns, no
qual você poderá satisfazer todas as suas dúvidas.

Lembre-se de que um gerenciamento eficiente de nossas finanças pessoais é


o primeiro passo para que possamos atingir nossos objetivos. E, se por acaso, você
trabalha na área financeira de uma empresa, a responsabilidade é muito maior, afi-
nal, “o dinheiro não é seu”.

Existe, na atualidade, uma grande variedade de situações em que precisamos


mostrar certa habilidade com números, crédito, compras a prazo e financiamentos
(principalmente para quem não possui condição de realizar uma compra à vista).

O entendimento, por parte de todos nós, dos conceitos de matemática finan-


ceira, pode nos livrar de situações embaraçosas.

231
Matemática financeira ADisciplina
Braz Cubas5

O Professor

Prof. Ms. Flávio Anunciato

Mestre em Administração de Empresas, linha de for-


mação em gestão estratégica de organizações. Gra-
duado em Matemática, possui 30 anos de experiência
na área de Tecnologia da Informação, com vivência
em indústrias e empresas prestadoras de serviços.
Atuando há 20 anos na área educacional, possui
grande experiência como professor em nível técni-
co, universitário e pós-graduação, além da gestão de
cursos e instituições de ensino. Professor dos cursos
de MBA in company da FGV – Fundação Getúlio Var-
gas Vargas e coordenador de cursos de graduação na
Universidade Braz Cubas.

233
Matemática financeira ADisciplina
Braz Cubas5

Introdução

O material da nossa disciplina é composto por três principais mídias: o livro di-
dático, este que você está lendo, as teleaulas e o Ambiente Virtual de Aprendizagem,
também conhecido como AVA.

Nas teleaulas veremos alguns tópicos adicionais, cujo conteúdo também está
neste livro didático. Desta forma, aproveito os recursos de áudio e vídeo para com-
plementar o conteúdo do livro didático, que não será uma simples repetição do que
lerá aqui. No AVA, para cada unidade, você encontrará outros materiais e uma ativi-
dade por unidade para fazer, que o auxiliará na fixação dos conteúdos estudados.
Há um documento de apoio, contendo o formato ou modelo para você registrar o
conteúdo que pesquisar.

Abordaremos assuntos relevantes, tais como: proporção, regra de três, por-


centagem e potenciação. Mas, não é só isso, falaremos sobre juros (simples e com-
postos), equivalência e descontos. Empréstimos e financiamentos também farão
parte de nossas aulas. Por isso, use todos os recursos disponíveis, dedique-se, não
fique limitado apenas às minhas palavras e textos, pesquise, discuta e troque infor-
mações com outras pessoas, aprender é uma atitude ativa e participativa.

Acredito que agora estamos prontos para começar, mas lembre-se: o seu su-
cesso vai depender de todos nós. Eu, enquanto professor, farei o meu melhor, a
Universidade Braz Cubas (UBC) disponibilizará a você todo o material e a tecnologia
necessária para o seu desenvolvimento, o restante é com você! Seu estudo e dedi-
cação é que farão a diferença.

“Criatividade é 99% esforço e 1% inspiração”.

(Thomas Edison)

235
Matemática financeira ADisciplina
Braz Cubas5

1 Unidade I

Proporção, regra de três, porcentagem e


potenciação

Objetivos da Unidade:

• Revisar conceitos básicos da matemática que servirão como base


para o estudo da Matemática Financeira.

Competências e Habilidades da Unidade:

• Desenvolvimento necessário ao reconhecimento e utilização de


análises proporcionais e razões;

• Utilização da visão espacial para identificação e análise sobre os


fatos matemáticos.

237
ADisciplina
Braz Cubas5 Matemática financeira

1.1  Proporção

Utilizamos proporção em nosso dia a dia mesmo sem perceber.

Imediatamente, lembramo-nos do conceito de razão. Assim como queijo e


goiabada, razão e proporção andam sempre juntos.

Vamos começar a entender o que é razão.

1.1.1  Razão

Chamamos de razão entre dois números, a e b, diferentes de zero, ao quocien-


te (ou divisão) de a por b.

Exemplo:
1/
A razão de 6 para 18 é 3 , ou seja, um terço (0,33333)

6 = 1 = 0,3333
18 3

Dizemos que 6 está para 18, assim como 1 está para 3.

238
Matemática financeira ADisciplina
Braz Cubas5

Vamos entender com um caso prático:

Tratando a proporção entre números, podemos observar o seguinte exemplo:

Dados 4 números (15, 3, 20 e 4) como a razão entre os dois primeiros números


(15 e 3) é igual à razão entre os dois últimos (20 e 4), isto é:

15 = 5 20 = 5
3 4

Dizemos que os números 15, 3, 20 e 4, nesta ordem, formam uma proporção


que expressamos mediante a igualdade das duas razões.

15 = 20
3 4

Assim:

1.1.2  Propriedade fundamental

Em toda proporção, o produto dos extremos é igual ao produto dos meios, ou seja:

239
ADisciplina
Braz Cubas5 Matemática financeira

Vou exemplificar com números para ficar mais claro:

4 = 2 = 4 x 3 = 6 x 2 = 12
6 3

1.1.3  Cálculo de um termo desconhecido

Algumas vezes precisamos encontrar o valor de um termo desconhecido na


razão (geralmente, em matemática associa-se um termo desconhecido à variável X).
É com a propriedade fundamental da razão que conseguimos encontrar esse termo.
Vejamos:

Aplicando a propriedade fundamental (o produto dos extremos é igual ao pro-


duto dos meios), temos:

Fazendo a verificação, temos:

5 = 6 = 5 x 12 = 6 x 10 = 60
10 12

1.2  Divisão proporcional e regra da sociedade

A regra de sociedade refere-se à divisão dos resultados (lucros ou prejuízos)


entre os sócios de uma empresa. A divisão é realizada conforme o investimento de
cada pessoa, isto é, o cálculo é proporcional ao dinheiro investido pelos acionistas.
Vamos entender isso melhor!

240
Matemática financeira ADisciplina
Braz Cubas5

1.2.1  Divisão proporcional

Divisão proporcional é uma forma de divisão na qual os valores são divididos


por quocientes previamente determinados, e que mantém a mesma razão. Exemplo:

Exemplo 1:

Resolução:

3 + 7 + 10 = 20

1º Filho: 2º Filho: 3º Filho:

20 = 3 20 = 7 20 = 10
100.000  X 100.000  X 100.000  X

20X = 300.000 20X = 700.000 20X = 1.000.000

X = 300.000 X = 700.000 X = 1.000.000


20 20 20

X = 15.000 X = 35.000 X = 50.000

Então, o valor total de cada filho, proporcional às suas respectivas idades, é de:

R$ 15.000 + R$ 35.000 + R$ 50.000 = R$ 100.000,00

Resolvendo-se de outra forma temos:

Valor total = 100.000 = 5.000


Soma das idades 20

241
ADisciplina
Braz Cubas5 Matemática financeira

1º Filho:

Idade 3 anos   3 x 5.000 = 15.000

2º Filho:

Idade 7 anos   7 x 5.000 = 35.000

3º Filho:

Idade 10 anos   10 x 5.000 = 50.000

Exemplo 2:

Resolução:

90.000 = 1,5
60.000

Logo, os três sócios devem receber as seguintes quantias:

Antônio 30.000 x 1,5 = R$ 45.000

José 20.000 x 1,5 = R$ 30.000

Pedro 10.000 x 1,5 = R$ 15.000

Nos exemplos acima, verificamos a divisão de um determinado número em


partes proporcionais a outros números que estabeleceram os critérios de divisão. No
caso dos filhos, o valor total foi dividido proporcionalmente à idade de cada um, no
caso do terreno, o valor da venda foi dividido proporcionalmente ao valor investido
por cada um na compra.

242
Matemática financeira ADisciplina
Braz Cubas5

1.2.2  Regra da sociedade

Como vimos anteriormente,

Toda sociedade, anualmente é obrigada a efetuar o balanço geral ou, ainda,


quando existe a saída de um sócio ou a entrada de um novo elemento na socieda-
de. Quando se trata de sociedades entre pessoas, o mais comum é a repartição dos
lucros ou prejuízos proporcionalmente ao capital que empregaram na sociedade,
outro fator geralmente considerado é o tempo de cada sócio na sociedade. Os con-
tratos sociais, desde que devidamente aprovados e assinados pelos sócios, podem
estabelecer outras regras de divisão desses valores.

Vejamos alguns casos específicos:

A parte do lucro deve ser distribuída a cada sócio proporcionalmente ao seu


investimento, da seguinte forma:

243
ADisciplina
Braz Cubas5 Matemática financeira

Para confirmar, somando-se a parte que cabe a cada um temos o lucro total
(R$ 420.000)

148.000 + 138.000 + 134.000 = 420.000.

244
Matemática financeira ADisciplina
Braz Cubas5

1.2.3  Regra de três simples

Quando temos dois valores de uma grandeza e um valor da outra, relacionado


a um dos valores da primeira grandeza, temos a chamada regra de três simples.

Você deve estar pensando: “Que confusão!”.

Vou exemplificar para que você possa entender melhor:

Comprei 30 toalhas por R$ 210,00. Quanto custaria 45 toalhas?

Razão conhecida: 30 / 45

Razão desconhecida: 210 / X

30 = 210
45 X

Utilizamos o método de cálculo do termo desconhecido:

30X = 210 x 45

30X = 9.450

X = 9.450 / 30

X = 315

Para saber se o cálculo está correto, fazemos a prova:

30 = 210
45 315

30 / 45 = 0,666

210 / 315 = 0,666

Ou seja, as duas razões são iguais.

1.2.4  Regra de três composta

Como o próprio nome fala, regra de três composta ocorre quando temos três
ou mais grandezas relacionadas entre si. Para que possamos fazer o cálculo, é ne-
cessário ter dois valores de cada grandeza, exceto uma que tem apenas um valor.

245
ADisciplina
Braz Cubas5 Matemática financeira

Essas grandezas devem ser relacionadas entre si. Vamos a um exemplo para tornar
mais fácil:

Toras Dias Canoas

600 5 6

X 12 10

Resolução:

600 =  5 = 6
X   12  10

600 =  5 * 6
X   12  10

600 =  30 O asterisco (*) também

X   120 representa multiplicação.

30 X = 600 * 120

X = 72000
    30

X = 2.400

246
Matemática financeira ADisciplina
Braz Cubas5

1.3  Porcentagem

Praticamente o dia inteiro escutamos alguém falando sobre 5% de desconto,


ou “a taxa de juros foi definida em 8,5% pelo Banco Central”, “gostaria de entender
10% do que ele está falando”, ou seja, a porcentagem está presente em nossa vida.

Atenção:

Mas, você sabe, exatamente, o que é a porcentagem? O que ela significa?


Se eu lhe disser que ela é uma forma de razão especial vai lhe ajudar? Creio
que não, certo? Se a melhor forma é exemplificar, então vamos ao AVA
para entender melhor esse assunto. Você deverá ler o texto 1 Porcenta-
gem, que está disponível na pasta da unidade I. E, aproveitando que você
estará no AVA, antes de retornar à leitura do livro, estude também o texto
II Potenciação (Exponenciação) e entenda sobre o que estamos falando.

Bons estudos!

1.4  Raízes e Radicais

A radiciação é a operação inversa da potenciação. Veja o símbolo a seguir:


3
8

Ele indica que deverá ser calculada a raiz cúbica (3) do número 8. Popu-
larmente, fala-se “Raiz cúbica de oito”. Essa expressão é chamada de radical e é
composta pelo índice (3), pelo símbolo de radiciação ( ) e pelo número 8 que
é o radicando.

Como é a operação inversa à potenciação, o cálculo que fazemos é, no exemplo


acima, descobrir qual número que elevado a 3 é igual a 8.

Vejamos alguns exemplos:


3
• 64 = 4

2
• 144 = 12

247
ADisciplina
Braz Cubas5 Matemática financeira

2
• -4 = Não existente

• 16 = 4 Obs: quando o índice não está explícito, assume-se o 2

• - 16 = - 4

OBS: Ao índice = 2 chamamos de raiz quadrada, quando = 3, raiz cúbica, quan-


do o índice = 4 chamamos raiz quarta, 5, raiz quinta e assim por diante.

1.4.1  Propriedades

n
am = m:p am:p
1 Dividindo o índice do radical e o expoente do radicando por um mesmo núme-
ro diferente de 0, o valor do radical não se altera.

8
ar = 8p arp
2 Multiplicando o índice do radical e o expoente do radicando por um mesmo
número diferente de 0, o valor do radical não se altera.

n
ab = n a. n
b
3
A raiz de um produto é igual ao produto das raízes do mesmo índice.

a
n
a
n =
4 b n
b
A raiz de um quociente é igual ao quociente das raízes com o mesmo índice.

m
n = n m
a a
5
Para elevar um radical a um expoente eleva-se o radicando.

m n mn
a = a
6
A raiz de uma raiz é equivalente a um radical onde o índice é o produto dos
índices.
m n m
a n = a
7 Uma potência de expoente fracionário é equivalente a um radical onde o deno-
minador representa o índice do radical e numerador o expoente do radicando.

FONTE: http://www.qfojo.net/irracionais/Raizes.htm. Acesso em: 09/2013 .

248
Matemática financeira ADisciplina
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Exemplos:
8 2
1.  94 = 91 = 9 = 3

3 9
2.  4 = 43

3.  9.16 = 9 . 16 = 3.4 = 12

4 4 2
4.  = =
9 9 3

1
2
5. 4 2 = 41 = 4 = 2
3 3 3 3
6.  2 2. 24 = 22.24 = 26 = 22 = 4

4 4
4
8 4 8 4 4
7.  8: 2 = = = 4 = 22 = 2
4
2 2
5
4 4 5 4 4 4 4
8.  6 = 6 = 6 = 6 = 6. 6

3 4 3 4 12
9.  6. a = 64 .a = 64 .a

OBS: Em cálculos de Financiamentos de Longo Prazo, usa-se o conceito de


logarítimo (log) para calcular o valor inverso de uma raiz. Por exemplo:

3 log 9 = 2

Ou seja:

32 = 9 e 9 =3

1.5  Considerações da unidade I

Nesta primeira unidade, meu objetivo era chamar a sua atenção para a im-
portância da matemática financeira em nosso dia a dia. No entanto, fiz questão de
lembrar que a base principal é a boa e velha matemática.

Não quero que você, com base nos meus ensinamentos, se torne um especia-
lista, pois, para isso, é necessário muito mais estudo e dedicação, no entanto, não
posso deixar de mostrar a importância do tema nos dias de hoje.

249
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Braz Cubas5 Matemática financeira

Revisamos alguns conceitos básicos, estudados no ensino médio, dedique al-


gumas horas de estudo e pesquisas a eles, você irá perceber que eles o acompanha-
rão durante todo o caminho profissional.

A matemática não é cópia, é entendimento. Quanto mais você praticar, quanto


mais você se dedicar a ela, menos mistério ela será para você. Conte com meu apoio,
dos nossos tutores e aproveite para trocar experiências e ideias com seus colegas. A
participação ativa nos fóruns irá auxiliá-lo muito.

Como já falei anteriormente, este material não esgotará explicações a respeito


de cada parte da matemática financeira, mas poderá ser o seu guia de referência
rápida.

Na unidade II vamos começar a mergulhar na matemática financeira propria-


mente dita, o primeiro passo será a utilização de juros simples em transações comer-
ciais. Lembre-se de fazer as atividades no seu AVA.

Até lá!

250
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Unidade II
2

Operações sobre mercadorias e juros simples

Objetivos da Unidade:

• Aprender a avaliar investimentos, seja em aplicações financeiras ou


na compra e venda de mercadorias;

• Entender a importância dos juros no dia a dia pessoal ou profissional.

Competências e Habilidades da Unidade:

• Conhecimento sobre os conceitos financeiros da Matemática;

• Avaliação e decisão sobre operações comerciais;

• Entendimento sobre a aplicação dos juros simples.

251
ADisciplina
Braz Cubas5 Matemática financeira

Nesta unidade trataremos de forma bastante prática e objetiva sobre a ques-


tão de juros simples e também as operações comerciais. Vale lembrar que o objetivo
principal de qualquer empresa comercial é obter lucros nas suas transações, mas
como poderemos ver, nem sempre isso acontece.

Junto com você, quero explorar os conceitos de preço de custo e preço de


venda para poder entender melhor sobre o resultado das vendas.

Use todos os recursos disponíveis, dedique-se, não fique limitado apenas


às minhas palavras e textos, pesquise, discuta e troque informações com outras
pessoas, aprender é uma atitude ativa e participativa.

Acredito que agora estamos prontos para começar, mas lembre-se: o seu
sucesso vai depender de todos nós. Eu, enquanto professor, farei o meu melhor, a
Universidade Braz Cubas (UBC) disponibilizará a você todo o material e a tecnologia
necessária para o seu desenvolvimento, o restante é com você! Seu estudo e
dedicação é que farão a diferença.

A taxa de juros é como se fosse uma ponte entre dinheiros em datas diferentes,
pois um dinheiro na data 1 tem valor diferente do dinheiro em uma data futura.

2.1  Operações sobre mercadorias

Em todas as empresas comerciais são realizados cálculos constantes sobre os


preços de suas mercadorias, estou falando de empresas comerciais, uma vez que, na
prestação de serviços, os cálculos são ainda mais complexos.

O correto e constante acompanhamento dos preços de compra e de venda


determinam se a empresa obtém lucro ou prejuízo na sua operação diária.

Na verdade, você vai perceber que esses conceitos também serão úteis para
que você resolva questões pessoais (que envolvem compra e venda) e comerciais
com mais facilidade.

252
Matemática financeira ADisciplina
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Na prática você irá perceber que esse conhecimento irá ajudá-lo a resolver
questões comerciais com maior facilidade.

Como sempre, caminharemos juntos e, através da utilização das porcentagens,


conseguiremos fazer cálculos de lucro ou de prejuízo.

Mãos à obra!

2.1.1  Vendas com lucro sobre o preço de custo

De uma forma bastante simples, mas bastante eficiente, definimos preço de


venda como sendo:

PREÇO DE CUSTO + LUCRO

Por exemplo:

Um comerciante vende guarda-chuvas com um lucro de 10% sobre o preço de


custo. Calcule o preço de venda, sabendo que cada guarda-chuva lhe custa R$ 5,00.

Podemos resolver esta questão de duas formas diferentes:

253
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2.1.2  Vendas com lucro sobre o preço de venda

Desta vez, temos o processo inverso, ou seja, vamos calcular o lucro a partir do
preço de venda.

Parece complicado, mas não é, acompanhe o raciocínio no exemplo abaixo:

PREÇO DE VENDA – LUCRO = PREÇO DE CUSTO

Comprei um objeto por R$ 80 e quero ganhar 20% sobre o preço de venda.

Qual deve ser este preço?

Perceba bem a diferença de se calcular 20% sobre o preço de custo:

2.1.3  Vendas com prejuízo sobre o preço de custo

2.1.4 

254
Matemática financeira ADisciplina
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Veja o exemplo abaixo:

2.1.5  Vendas com prejuízo sobre o preço de venda

Muitas vezes, por circunstâncias de mercado ou questões pessoais, somos


obrigados a “desvalorizar” um bem para que possamos vendê-lo de forma mais
rápida, ou para poder fazer frente a um concorrente.

Veja o exemplo abaixo:

Para poder ter mais liquidez, ou seja, transformar um bem em dinheiro, uma
pessoa vendeu um imóvel que estava avaliado por R$ 102.000,00 com um prejuízo
de 20% sobre o preço de venda. Calcule o preço de venda.

255
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2.2  Juros

Muito bem, vamos introduzir o conceito de taxa de juros. Esse conceito que
faz parte de nosso dia a dia, por meio das notícias, pelas compras que realizamos
no crediário ou por um financiamento. Ou seja, a taxa de juros está a nossa volta, o
tempo todo. Mas, será que sabemos exatamente o que ela significa? Vamos começar
a entender a seguinte questão.

O valor do dinheiro de hoje não é o mesmo valor do dinheiro de amanhã. Esse


amanhã é o período de tempo durante o qual a taxa de juros transformará o
capital.

Todo investimento está sujeito ao conceito acima que pressupõe, obrigatoria-


mente, dinheiros alocados em datas diferentes.

Considerando que:

Toda vez que fazemos uma compra em parcelas, e a quantidade dessas parcelas
for maior que três, é muito provável que o vendedor aplique um percentual no valor
da mercadoria pelo “empréstimo” de seu capital pelo prazo determinado.

256
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Em termos matemáticos, podemos dizer que:

“A Taxa de Juros é a razão entre os juros cobráveis ou pagáveis ao final de um


determinado período de tempo e dinheiro efetivamente investido ou devido no
início daquele mesmo período.” (FONTE: PILAO, Nivaldo Elias; HUMMEL, Paulo Roberto
Vampré. Matemática Financeira e Engenharia Econômica - a teoria e a prática da análise de
projetos de investimentos, 2003).

A loja lhe cobrará uma taxa de juros pelo empréstimo do seu dinheiro, já que
você não possui o dinheiro para compra à vista e deseja levar o bem para sua casa
naquele momento. Portanto, podemos dizer que:

“A taxa de juros é a remuneração paga pelo capital investido, que na prática


funciona como uma espécie de ‘aluguel’ pago pela utilização do capital”. (FONTE:
PILAO, Nivaldo Elias; HUMMEL, Paulo Roberto Vampré. Matemática Financeira e Engenharia
Econômica - a teoria e a prática da análise de projetos de investimentos, 2003).

2.2.1  Juros simples

Vamos entender melhor:

Matematicamente, o cálculo dos juros simples é representado pela seguinte


expressão:

257
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J = C * i * t,

Onde:
M= C + J
J=juros
M = montante final
C=capital
C = capital
i=taxa de juros
J = juros
t = tempo de aplicação (mês, bimestre,
trimestre, semestre, ano etc.)

Exemplo 1:

Aplicando-se um capital de R$ 2.000,00, no regime de juros simples, a uma taxa


mensal de 2% durante 10 meses produzirá um determinado montante. Calcule esse
resultado.

M=C+j
Capital: 2000
J=C*i*t M = 2000 + 400
i = 2% = 2/100 = 0,02 ao
J = 2000 * 0,02 * 10 M = 2400
mês (a.m.)
J = 400 O montante produzido
t = 10 meses
será de R$ 2.400,00

Exemplo 2:

A construção de planilhas para o acompanhamento passo a passo do valor


investido e o resultado ao longo do tempo é muito comum, veja o exemplo:

Um capital de R$ 6.500,00 foi submetido a uma aplicação com taxa de juros de


3% mensais durante um período de 12 meses. Determine o montante final e o valor
dos juros produzidos pela aplicação. (Lembre-se de que o cálculo dos Juros Simples
sempre utiliza o capital originalmente aplicado).

258
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Montante Taxa de Valor dos Montante


Mês Forma de Cálculo
Inicial (R$) Juros (%) Juros (R$) Final (R$)
1 6.000,00 3 6.000 * 3% = 180 180,00 6.180,00
2 6.000,00 3 6.000 * 3% = 180 180,00 6.360,00
3 6.000,00 3 6.000 * 3% = 180 180,00 6.540,00
4 6.000,00 3 6.000 * 3% = 180 180,00 6.720,00
5 6.000,00 3 6.000 * 3% = 180 180,00 6.900,00
6 6.000,00 3 6.000 * 3% = 180 180,00 7.080,00
7 6.000,00 3 6.000 * 3% = 180 180,00 7.260,00
8 6.000,00 3 6.000 * 3% = 180 180,00 7.440,00
9 6.000,00 3 6.000 * 3% = 180 180,00 7.620,00
10 6.000,00 3 6.000 * 3% = 180 180,00 7.800,00
11 6.000,00 3 6.000 * 3% = 180 180,00 7.980,00
12 6.000,00 3 6.000 * 3% = 180 180,00 8.160,00

Desenvolvido pelo autor

O montante final foi igual a R$ 8.160,00 e o valor dos juros produzidos foi de
R$ 2.160,00.

A tabela anterior foi montada com o auxílio de um programa de planilhas


eletrônicas, cujo uso é muito comum e recomendado na Matemática Financeira.

Em algumas situações, para efetuarmos os cálculos, temos o valor final da


aplicação, a taxa de juros e o prazo. Nesses casos, precisamos ficar muito atentos
para substituir os valores nos lugares certos da fórmula padrão. Não se esqueça
de que estamos falando de valores financeiros e um cálculo incorreto pode causar
sérios prejuízos.

Exemplo 3:

Determine o valor do capital que aplicado durante 14 meses, a uma taxa de 6%,
rendeu juros de R$ 2.688,00.

259
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J=C*i*t

2688 = C * 0,06 * 14

2688 = C * 0,84

C = 2688 / 0,84

C = 3200

O valor do capital é de R$ 3.200,00.

Exemplo 4:

Qual o capital que, aplicado a juros simples de 2,5% ao mês, rende R$ 5.000,00
de juros em 60 dias?

J = 5000

i = 2,5% = 2,5/100 = 0,025

t = 60 dias = 60/30 = 2

J=C*i*t

5000 = C * 0,025 * 2

5000 = C * 0,05

C = 5000 / 0,05

C = 100.000

O capital é de R$ 100.000,00

Na unidade anterior, falei para você que matemática é uma questão de


dedicação e treino, lembra-se?

Pois bem, vamos verificar mais alguns exemplos. No entanto, quero que você
perceba que nem todos os problemas são iguais, a cada problema a abordagem e a
pergunta muda.

260
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Exemplo 5:

Qual foi o capital que, aplicado à taxa de juros simples de 3% ao mês, rendeu
R$ 120,00 em um trimestre?

J=C*i*t

120 = C * 0,03 * 3

120 = C * 0,09

C = 120 / 0,09

C = 1333,33

O capital corresponde à R$ 1.333,33

Veja o resultado do exemplo acima: R$ 1.333,33. Inseri este exemplo para que
você veja que, nem sempre os resultados são todos “redondinhos”, os números e,
principalmente valores financeiros, possuem centavos!

Preste atenção na abordagem do próximo exemplo:

Exemplo 6:

Qual o tempo de aplicação para que um capital dobre, considerando uma taxa
mensal de juros de 2% ao mês no regime de capitalização simples?

M = C * [1 + (i *t)]

2C = C * [1 + (0,02 * t)]

2C = C * 1 + 0,02t

2C/C = 1 + 0,02t

2 = 1 + 0,02t

2 – 1 = 0,02t

1 = 0,02t

t = 1 / 0,02

t = 50

261
ADisciplina
Braz Cubas5 Matemática financeira

O tempo para que o capital aplicado a uma taxa mensal de 2% dobre é de 50


meses.

Este caso parece complicado, vamos analisar:

M = C * [1 + (i *t)]

A inclusão do termo 1+, na fórmula original (M=C+J) foi necessária pois estamos
falando de dobrar o capital, ou seja, precisamos de 100% de juros.

2C = C * [1 + (0,02 * t)]

2C representa exatamente o que precisamos: dobrar o Capital

0,02 é a taxa de juros de 2%

Deste ponto em diante, é a solução de expressão matemática que nos leva ao


resultado.

O exemplo abaixo é mais um caso clássico de cálculo envolvendo a taxa de


juros. Vale perceber que nele, a taxa de juros está expressa em X % a.a que significa
um determinado percentual de juros (x) ao ano (a.a).

Outras mídias:

Não só este exemplo, bem como uma lista completa de exercícios poderá
ser acessada no AVA. Vale a pena acessar e resolver os exercícios. Então,
vamos ao AVA para trabalhar um pouco e entender melhor esta questão.

Bons estudos!

Exemplo 7:

No dia 26 de maio foi contratado um empréstimo de $5.000,00 a juros simples


de 24% a.a para ser totalmente liquidado em 90 dias. No dia 16 de junho foram
pagos $2.000 e no dia 11 de julho $1500. Determine a data de vencimento da dívida
e o valor da quantia que deverá ser pago naquela data para liquidar a dívida.

Determinação da data de resgate da aplicação usando a Tábua para Contagem


de Dias do ano civil:

Números de dias da data posterior (?) = +Y

Números de dias da data anterior (26 de maio) = -146

Prazo: = 90

262
Matemática financeira ADisciplina
Braz Cubas5

Logo, Y = 146 + 90 = 236, que na tábua corresponde ao dia 24 de agosto.

Valor de Resgate =

Note que 0,24 / 360 representa a taxa de 24% ao ano (a.a).

2.3  Considerações da unidade II

Muito bem, chegamos ao final desta unidade!

Tenho certeza de que você percebeu a intensa aplicação da matemática para o


cálculo de valores financeiros. Com exemplos e exercícios relacionados às transações
comerciais comuns, pudemos trabalhar o conceito e a aplicação do modelo de juros
simples.

A princípio pode parecer complexo, mas com o bom entendimento da fórmula


básica e cada um de seus elementos, o desenvolvimento da solução nada mais é que
a realização de operações básicas de divisão, soma e multiplicação.

Você pode até estar pensando: “É fácil para ele que é professor!”, na verdade,
quanto mais você praticar, mais fácil se tornará para você também.

Assista à teleaula, realize as atividades, pesquise, estude e dedique-se, quem


tem a ganhar é você mesmo.

263
ADisciplina
Braz Cubas5 Matemática financeira

Na próxima unidade vamos trabalhar com juros compostos, taxas de


equivalência e descontos, que são muito utilizadas pelo mercado financeiro.

Prepare-se, não é difícil, basta apenas dedicação!

Até lá!

264
Matemática financeira ADisciplina
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Unidade III
3

Juro composto, taxa de equivalência e desconto

Objetivos da Unidade:

• Utilizar o conceito de juros compostos (amplamente utilizado no


mercado) em transações financeiras;

• Aprender e utilizar a calculadora para cálculos financeiros.

Competências e Habilidades da Unidade:

• Aprendizado dos conceitos financeiros da matemática;

• Senso crítico sobre operações comerciais;

• Visão ampla sobre como são realizadas as operações comerciais no


universo empresarial;

• Entendimento das operações de juros compostos.

265
ADisciplina
Braz Cubas5 Matemática financeira

Na unidade 2 tratamos da questão dos juros simples e fizemos diversos exem-


plos de transações comerciais. Esse foi o início efetivo da Matemática Financeira.

Volto a lembrar de que nosso curso traz os conceitos básicos da Matemática


Financeira que, caso você se apaixone por ela, vale a pena buscar cursos específicos
para se aprofundar.

Nesta unidade trabalharemos os conceitos mais utilizados no dia a dia das em-
presas e dos bancos, que é o sistema de capitalização de juros compostos.

Os juros compostos são chamados assim, pois sempre são aplicados sobre
o capital inicial corrigido, ou seja, é o chamado juros sobre juros.

Não se esqueça de pesquisar, discutir e trocar informações com outras pes-


soas, pois aprender é uma atitude ativa e participativa.

Adicionalmente a unidade, você encontrará três materiais de apoio para que


possa estudar de forma detalhada e aproveitar melhor o curso, são eles:

3.1  Juro composto

O sistema de juros compostos oferece uma maior rentabilidade se comparado


ao regime de juros simples, pois ele é aplicado mês a mês sobre o capital acrescido do
rendimento mensal, isso se chama juro sobre juro. As modalidades de investimentos
e financiamentos são calculadas de acordo com esse modelo, pois ele oferece um
maior rendimento, originando mais lucro ao investidor ou ao agente financeiro que
está concedendo o empréstimo.

266
Matemática financeira ADisciplina
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Veja o exemplo abaixo:

Para ilustrar melhor, montei a tabela abaixo:

Capital Taxa de Valor dos Montante


Mês Forma de Cálculo
(R$) Juros (%) Juros (R$) Final (R$)
1 1.000,00 1 = Capital * 1% 10,00 1.010,00
2 1.010,00 1 = Montante Final * 1% 10,10 1.020,10
3 1.020,10 1 = Montante Final * 1% 10,20 1.030,30
4 1.030,30 1 = Montante Final * 1% 10,30 1.040,60
5 1.040,60 1 = Montante Final * 1% 10,41 1.051,01
6 1.051,01 1 = Montante Final * 1% 10,51 1.061,52
7 1.061,52 1 = Montante Final * 1% 10,62 1.072,14
8 1.072,14 1 = Montante Final * 1% 10,72 1.082,85
9 1.082,86 1 = Montante Final * 1% 10,83 1.093,69
10 1.093,69 1 = Montante Final * 1% 10,94 1.104,62
11 1.104,62 1 = Montante Final * 1% 11,05 1.115,67
12 1.115,67 1 = Montante Final * 1% 11,16 1.126,83

FONTE: Elaborado pelo autor.

Perceba que no primeiro mês, o valor dos juros incide sobre os R$ 1.000,00
que é o capital inicial. A partir do segundo mês, o valor dos juros é calculado sobre o
capital inicial corrigido:

Mês 1 Base de cálculo R$ 1.000,00 Juro R$ 10,00

Mês 2 Base de cálculo R$ 1.010,00 (1.000 + 10) Juro R$ 10,10

E assim sucessivamente.

267
ADisciplina
Braz Cubas5 Matemática financeira

Ou seja, por definição:

“Juro composto é aquele que, em cada período financeiro, a partir do


segundo, é calculado sobre o montante relativo ao período anterior” (http://www.
alub.com.br/concursos/concursos/Lista1jurossimplescompostodescontos.pdf . Acesso em:
06/09/13).

Veja como ficaria a situação caso a aplicação fosse feita com juros simples:

J = C * i * t,

J = 1.000,00 * 0,01 * 12

J = 120,00

M= C + J

M = 1.000,00 + 120,00

M = 1.120,00

Neste caso, considerando uma aplicação de um ano, no valor inicial de R$


1.000,00 a diferença seria de R$ 6,83. Pode parecer pouco, mas estamos falando de
apenas 1 ano.

3.1.1  Cálculo do montante

Como vimos no exemplo anterior, o montante final no modelo de juro compos-


to é maior que no modelo de juro simples.

A fórmula de cálculo desse montante é:

Mn = C(1 + i)n

Onde:

M = Montante

C = Capital inicial

i = Taxa de juros e

n = Período

268
Matemática financeira ADisciplina
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O fator (1+ i)n é denominado fator de capitalização ou fator de acumulação de capital.

Vamos refazer o exemplo acima utilizando a fórmula:

Mn = C(1 + i)n

C = 1.000,00 M12 = 1.000 * (1 + 0,01)12

I = 1% ou 0,01 M12 = 1.000 * (1,01) 12

N = 12 M12 = 1.000 * (1,126825)

M12 = 1.126,83

Veja mais um exemplo:

Exercício:

Calcule o montante produzido por R$2.000 aplicados em regime de juro com-


posto a 5% ao mês durante 2 meses:

Utilizando a fórmula

Mn = C(1 + i)n

M2 = 2000 * (1 + 0,05)2

M2 = 2000 * (1,05)2

M2 = 2000 * 1,10250

M2 = R$ 2.205

Capital Taxa de Valor dos Montante


Mês Forma de Cálculo
(R$) Juros (%) Juros (R$) Final (R$)
1 2.000,00 5 = Capital * 5% 100,00 2.100,00
2 2.100,00 5 = Montante Final * 5% 105,00 2.205,00

FONTE: Elaborado pelo autor.

269
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3.1.2  Cálculo do capital

Imagine a situação inversa, ou seja, sabemos o prazo, a taxa de juros e o mon-


tante final. Basta apenas calcular o capital investido.

A fórmula para o cálculo do capital é:

C = Mn (1 + i) –n

Exemplo:

Calcule o capital inicial que, no prazo de 5 meses, a 3% ao mês produziu o mon-


tante de R$ 4.058,00.

Exercícios:

1) Calcule o capital inicial que, no prazo de 18 meses, a 3% ao mês produziu o


montante de R$ 167.250,00.

C = Mn (1 + i) –n

C = 167250(1 + 0,03)-18
M = 167.250,00
C = 167250* (1,03) -18
n = 18
C = 167250 * 0,58739
i = 3% a.m. = 0,03
C = 98240,98

C = R$ 98.240,98

270
Matemática financeira ADisciplina
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2) Calcule o capital inicial que, no prazo de 24 meses, a 1% ao mês produziu o


montante de R$ 167.250,00.

C = Mn (1 + i) –n

C = 167250(1 + 0,01)-24
M = 167.250,00
C = 167250*(1,01 ) -24
n = 24
C = 167250 * 0,78756
i = 1% a.m. = 0,01
C = 131719,41

C = R$ 131.719,41

Como você pode perceber, é uma “simples” aplicação de fórmula, no entanto,


é necessário ter muita atenção e cuidado para colocar cada item no lugar certo, não
inverter as taxas e os prazos que o resultado será o certo. Não se esqueça, estamos
lidando com dinheiro e qualquer erro pode ocasionar um grande prejuízo.

A seguir, falaremos sobre taxas equivalentes, ou seja, taxas completamente


diferentes que produzem o mesmo efeito em prazos iguais. Por isso, faço essa adver-
tência: preste muita atenção em cada item (capital, taxa, período e montante).

3.1.3  Taxas equivalentes

271
ADisciplina
Braz Cubas5 Matemática financeira

Vamos verificar:

Calcule o montante, em regime de juro composto, relativo a um capital de R$


5.000,00 empregado:

1) Durante 1 ano, à taxa de 24% ao ano;

2) Durante 12 meses, à taxa de 2% ao mês.

Perceba bem a diferença entre as taxas: 24% ao ano e 2% ao mês.

No primeiro caso temos:

Logo:
C = 5.000
M1 = 5000(1 + 0,24)1
n = 1 ano
M1 = 5000 * 1,24
i = 24% ao ano = 0,24 ao ano
M1 = R$ 6.200,00

No segundo caso:

Logo:

C = 5.000 M12 = 5000 * (1 + 0,02)12

n = 12 meses M12 = 5000 * (1,02)

i = 2% ao mês = 0,02 ao mês M12 = 5000 * 1,26824

M12 = R$ 6.341,20

Como M12 é diferente de M1 e as taxas empregadas (2% a.m. e 24% a.a.) são
proporcionais, podemos concluir que:

Em juros compostos, as taxas proporcionais não são equivalentes.

Atenção:

Agora vamos fazer um intervalo no livro para estudarmos os materiais que


foram disponibilizados no AVA – Texto 1 referente a Desconto composto –
e Texto 2 – Cálculo de exponenciação negativa, equivalência de taxas
com juro composto, taxa equivalente e explicação de como achar log.

272
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Faça a leitura do conteúdo, desenvolva os exemplos propostos e preste


muita atenção em todos os tópicos, pois são materiais que compõem o
conteúdo da disciplina e serão trabalhados nas atividades e avaliações.
Na sequência, você encontrará uma pasta com materiais de apoio que
também deverá ser estudada para compreensão da disciplina. Quando
retornar, teremos as considerações desta unidade e avançaremos para a
última unidade de estudo.

Bom trabalho!

3.2  Considerações da unidade III

Nesta unidade você aprendeu alguns cálculos que serão úteis no seu dia a dia,
como negociar taxas bancárias e também administrar e gerenciar empréstimos.

Discutir a melhor forma de comprar um produto não é mais mistério para você,
por isso, assista à teleaula e verifique os materiais que estão na plataforma.

Preste sempre muita atenção aos índices, aos prazos, enfim, às variáveis de
cada problema, substituindo-as nas fórmulas nos lugares certos tudo se tornará fácil.

Você percebeu bem a diferença entre as taxas de juros simples e as taxas de


juros compostos, ressalto aqui mais uma vez a importância da correta interpretação
das variáveis e das negociações que serão efetuadas para evitar perdas.

Não se esqueça de que, muitas vezes, fazemos cálculos unitários onde a dife-
rença pode parecer pequena, às vezes até mesmo desprezível, no entanto, no dia
a dia de uma empresa, os valores são multiplicados muitas vezes e isso acarretará
grandes mudanças no resultado.

Quem entende de Matemática Financeira tem melhores condições de geren-


ciar seu próprio orçamento e essa é a minha dica!

Lembre-se: Matemática é uma questão de estudo e de treino!

Na próxima unidade você vai ser preparado para fazer financiamentos imobi-
liários. Até lá!

273
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4 Unidade IV

Capitalização composta, amortização,


empréstimos e abatimentos

Objetivos da Unidade:

• Possibilitar decisões sobre investimentos de longo prazo;

• Utilizar uma calculadora HP12C para cálculos de empréstimos e


amortizações.

Competências e Habilidades da Unidade:

• Entendimento sobre os conceitos financeiros da matemática;

• Senso crítico sobre operações comerciais;

• Visão sobre como são realizadas as operações comerciais no


universo empresarial;

• Utilização de uma calculadora financeira HP 12C;

• Compreensão de como é realizado um plano de financiamento de


longo prazo.

275
ADisciplina
Braz Cubas5 Matemática financeira

Na unidade 3 tratamos da questão dos juros simples, fizemos diversos exem-


plos de transações comerciais. Esse foi o início efetivo da Matemática Financeira.

Atravessamos a parte mais complexa do curso, que foi a Unidade III, agora
vamos consolidar o nosso curso estudando como utilizar a calculadora financeira
HP12C para realizar cálculos de capitalização composta, amortização, empréstimos,
abatimentos e também como fazer cálculos de Financiamentos Imobiliários através
do Sistema de Amortização Constante, SAC.

Você irá gostar muito desta unidade, pois ela é prática e útil para a nossa vida
como cidadão e irá fazer você ter mais voz ativa quando pensar em comprar uma casa.

4.1  Capitalização e amortização compostas

4.1.1  Rendas

276
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Exemplo:

No caso da compra de uma TV em cores em 7 prestações mensais de R$ 41,00


cada, uma das prestações é um termo da renda e o período é mensal.

a) Rendas certas ou anuidades: Ocorrem quando o número de termos, seus


vencimentos e seus respectivos valores podem ser prefixados.

Exemplo: Compra de bens a prazo

b) Rendas aleatórias: Ocorrem quando pelo menos um dos elementos não


pode ser previamente determinado.

Exemplo: Pagamento de um seguro de vida, o número de termos é


indeterminado.

Quando o período da renda é sempre o mesmo, dizemos que ela é periódica,


caso contrário, é não periódica.

Nas vendas periódicas, se o período é o mês, o trimestre ou o ano, temos, res-


pectivamente, renda mensal, trimestral ou anual, e assim por diante.

Se todos os termos da renda são iguais, ela é denominada constante; caso


contrário, é variável.

Quanto à data do vencimento do primeiro termo, uma renda certa pode ser
imediata, antecipada ou diferida.

a) Imediata: Ocorre quando o vencimento do primeiro termo se dá no fim do


primeiro período a contar da data zero, isto é, da data da assinatura do contrato.

T1 T2 T3 T4
termos
períodos
0 1 2 3 4

b) Antecipada: Ocorre quando o vencimento do primeiro termo se dá na data


zero.

T1 T2 T3 T4 T5
termos
períodos
0 1 2 3 4

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c) Diferida: Ocorre quando o vencimento do primeiro termo se dá no fim de um


determinado número de períodos, a contar da data zero.

T1 T2
termos
períodos
0 1 2 3 4

4.2  Capitalização composta

Neste item vamos estudar a determinação do montante constituído por depó-


sitos periódicos, de quantias constantes, sobre as quais incide a mesma taxa.

4.2.1  Renda imediata

Consideremos o seguinte problema.

Uma pessoa deposita em uma financeira, no fim de cada mês, durante 5 me-
ses, a quantia de R$ 100,00. Calcule o montante da renda, sabendo que essa finan-
ceira paga juros compostos de 2% ao mês, capitalizados mensalmente.

Temos:

T=100

i = 2%

n = 5 meses

Esquema gráfico:

278
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Utilizando a fórmula

Mn = C(1 + i)n

Calculamos o montante para cada período.

A somatória do montante de cada período é igual à renda total esperada.

Assim Renda =

102 + 104,04 + 106,12 + 108,24 + 100 = 520,40

4.2.2  Renda antecipada

Vamos realizar o mesmo exemplo, mas com o depósito da primeira parcela no


momento imediato da capitalização.

Utilizando a fórmula:

Mn = C(1 + i)n

279
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Calculamos o montante para cada período.

A somatória do montante de cada período é igual à renda total esperada.

Assim Renda =

102 + 104,04 + 106,12 + 108,24 + 110,41 = 530,81

4.3  Utilizando a calculadora financeira

280
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4.3.1  Renda imediata

Temos: T=100 i = 2% n = 5 meses

Pede-se a renda desta aplicação:

Assim, para calcular este caso você precisa:

4.3.2  Renda antecipada

Temos: T=100 i = 2% n = 5 meses

Pede-se a renda desta aplicação:

Assim, para calcular este caso você precisa:

281
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A partir de agora, vamos utilizar a calculadora para os próximos cálculos.

4.4  Amortização composta

Vamos agora aprender a calcular o valor de uma dívida, ou de um empréstimo,


ou o valor de uma mercadoria que será paga em prestações periódicas de quantias
constantes, sobre as quais incide a mesma taxa.

Considere o seguinte problema:

Que dívida pode ser amortizada por 5 prestações mensais de R$ 100,00, sendo
de 2% ao mês a taxa de juro?

Temos: T=100 n = 5 meses i = 2%

Precisamos saber o valor da dívida, ou o Capital, ou ainda o Present Value.

Utilizando a calculadora financeira, temos que:

282
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4.4.1  Amortização antecipada

Considere o seguinte problema:

Que dívida pode ser amortizada por 5 prestações mensais de R$ 100,00 sendo
de 2% ao mês a taxa de juro, e a primeira parcela é paga no ato da assinatura do
contrato?

Temos: T=100 n = 5 meses i = 2%

Precisamos saber o valor da dívida, ou o Capital, ou ainda o Present Value.

Utilizando a calculadora financeira, temos que:

283
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4.5  Empréstimos

Um empréstimo ou financiamento pode ser feito a curto, médio ou longo prazo.

Dizemos que um empréstimo é a curto ou médio prazo quando o prazo total


não ultrapassa 1 ou 3 anos, respectivamente.

Nestes casos pode-se:

Nos financiamentos de longo prazo, o devedor ou mutuário tem também três


modalidades para resgatar sua dívida:

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Exemplo:

Calcule o valor das prestações de um imóvel que será financiado em 4 anos


com prestações anuais. O valor do financiamento é R$ 100.000 e a taxa de juros é de
15% ao ano.

1º PASSO - CÁLCULO DA AMORTIZAÇÃO

C = 100.000 Amortização deve ser igual, então:

n = 4 anos Amortização = C/ n

i = 15% ao ano = 0,15 a.a. Amortização = 100.000 / 4 = 25.000

2º PASSO - MONTAGEM DA PLANILHA

SAC - SISTEMA DE AMORTIZAÇÃO CONSTANTE

Pagamento

n Saldo Juro (i) Amort. Total Saldo

0 - - - - -

1 - - - - -

2 - - - - -

3 - - - - -

4 - - - - -

3º PASSO - INCLUA O VALOR DO CAPITAL E AMORTIZAÇÃO

SAC - SISTEMA DE AMORTIZAÇÃO CONSTANTE

Pagamento

n Saldo Juro (i) Amort. Total Saldo

0 - - - - 100.000

1 - - 25.000 - -

2 - - 25.000 - -

3 - - 25.000 - -

4 - - 25.000 - -

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4º PASSO - CÁLCULOS DAS PRESTAÇÕES

SAC - SISTEMA DE AMORTIZAÇÃO CONSTANTE

Pagamento

n Saldo Juro (i) Amort. Total Saldo

0 100.000 - - 100.000

1 115.000 15.000 25.000 40.000 75.000

2 86.250 11.250 25.000 36.250 50.000

3 57.500 7.500 25.000 32.500 25.000

4 28.750 3.750 25.000 28.750 0

O que podemos concluir com este sistema é que:

4.6  Considerações da unidade IV

Concluímos aqui esta unidade, na qual procurei ajudá-lo a compreender me-


lhor o funcionamento de um empréstimo com juros compostos, como funciona um
financiamento e os cuidados que devemos ter com as taxas de juros.

Tenho falado e mostrado a você, desde o início de nosso curso, sobre a impor-
tância de conhecer bem a diferença entre os juros simples e os juros compostos.

Muitas vezes, por falta de cuidado, caímos em verdadeiras “armadilhas” finan-


ceiras que acabam por esgotar nossa capacidade de pagamento, pois os juros supe-
ram aqueles que temos condições de pagar.

Os exemplos desta unidade usaram um determinado modelo de calculadora


financeira, no entanto, quero ressaltar que existem diversas outras calculadoras fi-

286
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nanceiras e até mesmo softwares de planilhas eletrônicas (pagos e gratuitos), que


possuem todas as funções utilizadas na Matemática Financeira.

Lembre-se de que nosso conteúdo vai além desta leitura, você deve assistir
suas teleaulas e realizar as atividades na plataforma de estudos (AVA). Se houver
dúvidas quanto ao conteúdo, é importante que utilize o Fórum para compartilhar
conhecimento e experiência.

Até a próxima!

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Referências

AGUSTINI, Carlos Alberto Di; ZELMANOVITS, Nei Schilling. Matemática aplicada à


gestão de negócios. Rio de Janeiro: FGV, 2005. (Coleção FGV Negócios).

ARAUJO, Carlos Roberto Vieira. Matemática financeira: uso das minicalculadoras


HP 12C e HP 19BLL, mais de 500 exercícios propostos e resolvidos. São Paulo: Atlas,
1993.

ASSAF NETO, Alexandre. Matemática financeira e suas aplicações. São Paulo:


Atlas, 2002.

FARIA, Rogério Gomes de. Matemática comercial e financeira. São Paulo: Makron
Books, 1999.

FERREIRA, José Carlos Gomes. Curso de matemática financeira com HP-12C.


Espírito Santo: Ed. Do autor, 1998.

LAPONI, Juan Carlos. Matemática financeira. São Paulo: Lapponi, 1998.

MATHIAS, Washington Franco. Matemática financeira. São Paulo: Atlas, 1993.

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