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FPP – Aula 4 – 22/03/2017

Estado, Poder e Governo


(Referência Bibliográfica: cap. 3 do livro do Bobbio)

1) Para o estudo do Estado:

a) As disciplinas históricas: 2 principais fontes de estudo do Estado são a

história das instituições políticas e a história das doutrinas políticas.

b) 3 tipos de investigação na Filosofia política:

i. da melhor forma de governo: “Utopia” (Thomas More);

ii. do fundamento do Estado e do poder político: “Leviatã” (Thomas


Hobbes);

iii. da essência e da especificidade do “político” (≠ da ética): “O


Príncipe” do Maquiavel.

c) 3 condições para uma investigação ser considerada Ciência Política

(que as obras anteriores não atendem):

i. atender ao princípio da verificação ou falsificação;

ii. adoção de explicação causal;

iii. “avaloratividade” (abstenção de juízos de valor).

d) Distinção entre o ponto de vista jurídico e o sociológico: Estado como

órgão de produção jurídica (dever ser / validade ideal das normas) e


como forma de organização social (ser / validade empírica).

e) Principais teorias sociológicas do Estado:

i. Funcionalismo (Parsons): sistema social global formado por 4


subsistemas (cultural, político, econômico e jurídico-legal) que
respondem cada qual por uma função específica e fundamental à
conservação do equilíbrio social: manutenção (= socialização:
família/cultura), consecução de objetivos (política), adaptação ao
contexto (economia) e integração social (leis, justiça, polícia);
ênfase na ordem, na conservação social = integracionismo.

ii. Marxismo: sociedade formada por base econômica


(infraestrutura = relações de produção e forças produtivas) e
superestrutura (relações jurídico-políticas, cultura e ideologia),
onde está o Estado, com a infraestrutura determinando, “em
última instância” a superestrutura; ênfase da mudança social
(transição): conflitualismo.

Ambas têm em comum a representação sistêmica do Estado (esquema


conceitual para explicar funcionamento das instituições políticas), com o predomínio
recente das teorias de sistema político herdeiras do funcionalismo: modelo
“imput/output”, de David Easton e Gabriel Almond;

f) Estado e Sociedade: relação que foi invertida ao logo do tempo; antes

(desde a Grécia antiga) o Estado (Pólis) era o todo (para Aristóteles, a


societas perfectas) e era anterior a outras formas de organização da
sociedade; a partir dos contratualistas, com a emancipação da
“sociedade civil”, a sociedade é que passa a ser vista como o todo e
anterior ao Estado, que passa a ser visto como uma parte da sociedade
(mais especificamente, seu aparato político-administrativo coercitivo).

O espírito de época positivista/industrialista do séc. XIX tornou comum às


diversas doutrinas antagônicas da época a ideia do fim do Estado!!! (seja
na versão liberal do Estado Mínimo, seja na comunista).

g) Governantes e governados: a tradição, desde Platão a Maquiavel, era

definir o Estado a partir dos governantes (quem governa? Um, poucos,


muitos etc., formas de governo, arte do bom governo) (Aristóteles:
“Estado existe por natureza”); a partir dos contratualistas, com a teoria
dos “direitos naturais” dos indivíduos, o foco passa para os governados:
são eles que fundam o Estado e suas liberdades individuais se
contrapõem ao poder dos governantes (Althusius: “política é a arte por
meio da qual os homens se associam com o objetivo de instaurar,
cultivar e conservar entre si a vida social”).

2) O nome e a coisa (origem do Estado e do conceito de Estado): papel pioneiro


de Maquiavel ao substituir as expressões anteriores ( “polis”, “civitas” e “res publica” )
por Estado; Estado moderno não é continuidade da noção de Estado antiga, mas
um novo conceito: pressupõe burocracia profissional e monopólio da violência sobre
um território; apesar disso, permanece atual a tipologia de Aristóteles das formas de
governo: monarquia, aristocracia e politéia (democracia); e suas formas
degeneradas: tirania, oligarquia e demagogia (degeneradas, na visão de Aristóteles,
por não visarem ao bem comum, mas apenas dos que governam).

Na visão marxista, o Estado nasce da dissolução da comunidade primitiva, a partir


do surgimento da propriedade privada e da diferenciação social, como instrumento
de domínio dos proprietários sobre os não proprietários.

Elementos constitutivos do Estado para Weber: aparato administrativo com função


de prover serviços públicos e monopólio legítimo da força.

Visões sobre o nascimento do Estado: dissolução das comunidades primitivas (pré-


estatais) ou só com o Estado moderno?!

3) O Estado e o Poder:

a. Teorias do poder:

i. Substancialista: poder = coisa/meios (Hobbes);

ii. Subjetivista: poder é capacidade de obter efeitos (ex. leis) (Locke);

iii. Relacional: poder é relação entre sujeitos em que um obtém


comportamento do outro que sem o poder não obteria (Dahl).

b. Formas de poder: subdivisão clássica/tradicional (valorativa/axiológica;


Aristóteles/Locke):

i. patriarcal: pais sobre família (fonte de legitimidade: natureza);


ii. senhorial/despótico: senhor sobre seus escravos e seus domínios
(fonte de legitimidade: punição);

iii. político/civil: governantes sobre governados (fonte de legitimidade:


contrato).

c. Subdivisão moderna das formas de poder:

i. econômico: baseado na riqueza;

ii. ideológico: baseado no saber;

iii. político: baseado na força.

4) Os Fundamentos do Poder (critérios de legitimidade; historicamente, todo


poder procura um fundamento ético):

a. teocrático: derivado de Deus;

b. natureza: há sempre os fortes (que dominam) e os fracos (dominados);

c. tradição: “sempre foi assim e sempre será”;

d. consenso: contrato social;

e. leis naturais: que justificam o poder;

f. progresso histórico: que justifica o poder.

O positivismo jurídico do século XIX dispensa a justificativa ética e parte para a


análise dos fundamentos reais do poder: Weber e os 3 tipos de autoridade e
dominação legítimas (consentidas): tradicional, carismática e legal-racional
(burocrática).

5) Estado e Direito (limites do poder): a existência do direito impõe limites ao


poder. Para os juristas, Estado é junção de povo, território e soberania, portanto
com limitações pessoais, espaciais, temporais e materiais (“o parlamento pode
muito, mas não pode transformar um homem numa mulher”). Platão: “é melhor o
governo das leis que o governo dos homens”; tradição anglo-saxã do “rule of Law”
(o império da lei): Rei que viola leis (divinas ou naturais) torna-se tirano.
Constitucionalismo representou vitória da submissão dos governantes à lei e o direito
internacional, o reconhecimento dos limites territoriais do poder.

6) As formas de Governo:

a. Tipologias clássicas:

i. Aristóteles; baseada no número de governantes (quantos


governam?):

1. formas boas:

a. Monarquia: governo de um só;

b. Aristocracia: governo de poucos;

c. Politéia: governo de muitos;

2. formas degeneradas correspondentes:

a. Tirania;

b. Oligarquia;

c. Democracia;

ii. Maquiavel; diferença essencial está entre o governo de um só e o


de um corpo coletivo (assembléia):

1. Monarquia;

2. República: tanto as aristocráticas quanto as democráticas;

iii. Montesquieu; combina elementos valorativos de Aristóteles e


analíticos de Maquiavel, acrescentando critério do princípio de
obediência:

1. Monarquia (honra);

2. República (virtú);

3. Despotismo (medo);

Distinção tradicional que mais perdurou foi a maquiavélica, entre Monarquia


República, mas destituída hoje de seu conteúdo original: com a transformação das
monarquias modernas em parlamentaristas, caiu o sentido de monarquia como
governo de um só (Kant, no séc. XVIII já chamava de republicanos os regimes em
que vigorava a separação de poderes, independentemente se o chefe do Estado
fosse um monarca).

b. Distinção contemporânea (baseada na diversa relação entre os poderes


executivo e legislativo):

i. Presidencialismo;

ii. Parlamentarismo

c. Atualmente nenhuma tipologia de formas de governo pode deixar de fora


também os partidos políticos e os sistemas partidários, que se tornaram
peça-chave nos regimes democráticos (tanto que a distinção atual entre
democracia e ditadura se dá entre pluripartidarismo e unipartidarismo ou
ausência de partido); assim, temos formas de governo:

i. Unipartidárias (China, Cuba);

ii. Bipartidárias (EUA, Reino Unido);

iii. Multipartidárias (Brasil, França, Alemanha, Itália).

7) As formas de Estado:

a. tipologia baseada no critério histórico:

i. feudal: caracterizado pela concentração das funções diretivas


(fusão patrimonial do domínio territorial – feudo – com o político) e
pela fragmentação do poder em pequenos agregados sociais;

ii. estamental: órgãos colegiados (“estados”) reunindo indivíduos da


mesma posição social (estamentos) possuidores de direitos que
fazem valer em assembléias deliberantes (parlamentos);

iii. absolutista: resultado do processo de concentração (eliminação


ou enfraquecimento das assembleias deliberantes) e de
centralização do poder monárquico (eliminação de ordenamentos
jurídicos inferiores: cidades livres, corporações, sociedades
particulares);

iv. representativo: reconhecimento dos direitos naturais dos


indivíduos (liberdade, propriedade, etc.: “verdadeira revolução na
história das relações entre governantes e governados) e da
soberania popular, com consequente extensão do sufrágio, que, ao
se tornar universal, passa a exigir um sistema partidário para a
função de representação de interesses.

b. tipologia baseada no critério ideológico (relação do Estado com a


sociedade): 121 .....................................

8) O fim do Estado: