Consulado
Este período se caracterizou pela recuperação econômica e pela reorganização jurídica e
administrativa na França. Tem início o período de consolidação das conquistas burguesas obtidas por
meio da Revolução Francesa. Os ideais liberais alastraram-se por muitos lugares no mundo, graças às
campanhas militares napoleônicas que contribuíram para abalar ainda mais as estruturas do Antigo
Regime por toda a Europa.
O governo do consulado era republicano e controlado por militares, onde três cônsules chefiavam o
poder executivo (Napoleão, Roger Ducos e Sieyés), mas como Napoleão foi eleito primeiro-cônsul da
república era ele quem realmente governava. Apesar do cunho democrático criado pela nova constituição,
era ele quem comandava o exército, propunha novas leis, nomeava os membros da administração e
controlava a política interna e externa.
Com os resultados obtidos neste período Napoleão foi nomeado cônsul vitalício em 1802, devido
ao apoio das elites francesas, que estavam entusiasmadas com os avanços.
Império
O Império foi implantado definitivamente após a mobilização da opinião pública. Em 1804 foi
realizado um plebiscito, onde foi reestabelecido o regime monárquico e a indicação de Napoleão ao trono.
O Período do Império estendeu-se até 1815.
Política Interna
Durante o seu governo criou-se o Banco da França e uma nova moeda o franco, o governo
conseguiu a normalização das finanças. Deu ocupação a milhares de desempregados por meio de um
programa de construção de obras públicas, como estradas e portos, além de incentivar a industrialização.
Criou a escola universal e laica sob a supervisão do Estado (os Liceus), para a formação de
administradores fiéis ao Estado, de maneira a compor um quadro de funcionários eficientes para a
burocracia centralizada e capazes de acompanhar o crescimento e a modernização do Estado.
Em 1804 é publicado o Código Civil, também conhecido como Código Napoleônico, que procurava
conciliar a legislação como os princípios da Revolução Francesa. O código tornava legítimos os novos
valores liberais, como a garantia da propriedade privada, a igualdade dos cidadãos perante a lei, a
proibição de greves e sindicatos operários, restaurava a escravidão nas colônias francesas e o domínio
dos maridos sobre as esposas, antes abolido.
Política Externa
No plano externo, Napoleão enfrentou as várias coligações militares que vinham atacando a França
desde o período revolucionário. Apesar de ter vencido toda a Europa continental, o exército napoleônico
enfrentou a resistência da Inglaterra, a maior potência econômica do início do século XIX e principal rival e
concorrente da França a uma hegemonia mundial.
Em 1805 a França tentou invadir a Inglaterra, mas foi derrotada. Decorrente deste fato o governo
Napoleônico tentou enfraquecer a Inglaterra de outra forma. Em 1806 decretou o Bloqueio Continental, o
qual dizia que todos os países da Europa deveriam fechar seus portos ao comércio inglês. Os países que
se opusessem sofreriam represálias, tal como aconteceu a Portugal. Esse país, economicamente
dependente da Inglaterra, não se submeteu ao bloqueio continental. Bonaparte, então, decidiu pela
invasão do território Lusitano. Em função da aproximação das tropas napoleônicas, a Coroa portuguesa,
com a proteção dos ingleses, optou por deixar Portugal rumo ao Brasil, onde desembarcou em 1808.
A tática do bloqueio continental visava isolar e asfixiar a economia britânica, de maneira a
neutralizar os avanços do maior adversário da França na conquista da hegemonia. O Bloqueio Continental
não surtiu o efeito esperado, pois a França não possuía capacidade produtiva para substituir a Inglaterra
nos mercados europeus. A economia francesa, basicamente agrária, não conseguia nem sustentar
materialmente a guerra, nem alcançar uma produção industrial de grande escala. Com isso, o embargo
comercial imposto por Napoleão para aniquilar a rival acabou por enfraquecer as próprias finanças
francesas e contribuiu para fragilizar o seu domínio.
A Rússia tinha aderido a esse decreto após um acordo com a França (Paz de Tilsit), mas como era
um país essencialmente agrícola e estava enfrentando uma grave crise econômica viu-se obrigado a
abandonar o Bloqueio Continental. Em vingança a decisão do Czar Alexandre I, o governo napoleônico
decidiu invadir a Rússia em 1812. Os generais acostumados com grandes vitórias conduziam suas tropas
pelo imenso território russo, enquanto as tropas czaristas recuavam colocando fogo nas plantações e em
tudo que servisse aos invasores. Em Moscou as tropas russas começaram a enfrentar as tropas francesas
que estavam mal alimentadas e desgastadas, devido a isso Napoleão não teve outra escolha a não ser ir
embora.
A desastrosa campanha militar na Rússia encorajou outros países europeus a reagirem contra a
supremacia francesa. Em 6 de Abril de 1814 um exército formado por ingleses, austríacos, russos e
prussianos tomaram Paris e capturaram Napoleão enviando-o para a Ilha de Elba. O trono francês foi
entregue a Luís XVII.
O Congresso de Viena
As potências europeias reuniram-se em Viena, na Áustria, no ano de 1814, para redefinir as
fronteiras, que haviam sido modificadas pelas campanhas napoleônicas, e restaurar e ordem no
continente. Foi criada a Santa Aliança, onde as nações europeias deviam unir-se militarmente na luta
contra as transformações revolucionárias dos últimos anos.
Os países participantes da Santa Aliança fecharam escolas e jornais, penderam pessoas de
posicionamento liberal e restabeleceram a Inquisição em alguns países. Ainda buscaram, sem sucesso,
restabelecer o domínio colonial europeu sob as nações recém-independentes da América Hispânica. Em
1823 os EUA estabeleceram a Doutrina Monroe, cujo lema era “a América para os americanos”, que
ameaçava declarar guerra à Santa Aliança caso esta fizesse qualquer intervenção recolonizadora nos
países latino-americanos.
A Inglaterra também não entrou em acordo com os objetivos da Santa Aliança. O país da
Revolução Industrial não podia admitir qualquer tipo de restrição de mercado, sob pena de ver bloqueado
seu desenvolvimento econômico. Nesse sentido passou a defender o princípio da não intervenção,
apoiando as nações independentes da América e desaprovando a aliança reacionária.
Atividades
1) Durante seu governo, Napoleão Bonaparte promoveu importantes mudanças na sociedade
francesa. Quais foram as principais mudanças realizadas por ele?
2) Em sua opinião, o período napoleônico foi de continuidade ou de ruptura com os ideais da
Revolução Francesa. Justifique sua resposta
3) Explique o que foi o bloqueio continental e o que Napoleão pretendia ao adotá-lo.
4) Com que propósito as potências europeias se reuniram no Congresso de Viena?
5) Conte o motivo pelo qual a Inglaterra se opôs à Santa Aliança.