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Exm°ˢ. Srs. Deputados Federais integrantes da Comissão Especial do Projeto de Lei


n° 1645/2019

Referência: Projeto de Lei n° 1645/2019.

Assunto: Parecer sobre o Projeto de Lei n° 1645/2019.

Tramitação: Solicita-se Urgência.

- A Presidência da Comissão de Direito Militar da 49ª Subseção da OAB/RJ, representada pelo


seu Presidente; Alessandro Miranda Lopes José, Advogado inscrito na Ordem dos Advogados do Brasil
sob o n°: 215918 - OAB/RJ (Anexo A), com domicílio na Rua Floriano Peixoto, n° 169, sala 202, Centro,
Cachoeiras de Macacu-RJ, CEP 28680-000, telefones de contato (21) 99570-7373 / (21) 97515-9495,
email: advo.dr.jose@outlook.com; vem respeitosamente, através das prerrogativas previstas na Lei n°
8.906 de 04 de julho de 1994 (Estatuto da Advocacia), solicitar a apresentação do parecer que se segue:

Senhores Deputados.

- Atualmente o PL 1645/2019 encontra-se em estudo nessa Comissão Especial, e conforme se


tomou conhecimento, seja através da mídia ou via informações pessoais, existem no projeto questões a
princípio controvertidas e que talvez possam ocasionar algum tipo de prejuízo a pessoas envolvidas no
assunto, tais como alguns militares (em especial os de menor graduação), os que se encontram na
condição de inativos, e aos pensionistas.

- Este advogado que subscreve devido a uma peculiar experiência, inclusive junto a Justiça Militar,
atualmente encontra-se como Presidente da Comissão de Direito Militar da 49ª Subseção da OAB/RJ;
situações estas que possibilitaram o conhecimento das questões sobreditas.

- A iniciativa em expor o presente parecer, de forma excepcional e fidalga, tem como principal
inspiração o posicionamento legal no qual “o advogado é indispensável à administração da justiça [...]”
(Art. 133 – CF/ Art. 2°, caput, Estatuto da Advocacia); e que também em seu ministério privado “presta
serviço público e exerce função social” (Art. 2°, §1°, Estatuto da Advocacia); onde conforme NEVES o
“advogado é simultaneamente um garantidor e uma garantia”1, estando seu labor claramente ligado a
comunidade.

1
- NEVES, José Roberto de Castro. Como os advogados salvaram o mundo. 1. ed. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2018. 238p.
Grifo do autor.
2

- Os ensinamentos do atual Presidente da Ordem dos Advogados, o Dr. Felipe Santa Cruz, foram
também influência para a presente iniciativa, onde de pleno acordo, cito:

“O Brasil não vive, hoje, um momento positivo. Intolerância, ódio, onda punitivista, desemprego e
violência penetraram a sociedade e parecem não ter fim. Em meio a isso, a Ordem dos Advogados
do Brasil tem a difícil missão de incumbir-se de uma atuação contramajoritária, sendo um canal
para grupos vulneráveis e o arauto do direito de defesa.”2

- Deste modo, entende-se ser ao menos plausível, s.m.j, que a Presidência da Comissão de Direito
Militar da 49ª Subseção da OAB/RJ, tendo conhecimento de aspectos que envolvem o PL 1645/2019,
possa caso permitido, dentro de um juízo de conveniência e oportunidade, coadunado com o espírito
participativo da democracia, auxiliar de algum modo aqueles que tratam de um assunto com inúmeras
repercussões.

- Considerando o histórico da Ordem dos Advogados e o papel da advocacia em todo o trilhar da


democracia brasileira, interpretou-se também que uma insensibilidade em um momento tão crucial não
seria permitida; afinal encontra-se em análise uma futura lei que pode acarretar inúmeras
consequências/reflexos para a sociedade; aonde se vem a lembrança da frase do historiador e professor
inglês, Sir. Ian Kershaw, "O caminho para Auschwitz foi construído pelo ódio, mas pavimentado pela
indiferença”3.

- Assim sendo, considerando todos os aspectos já mencionados, redige-se o presente parecer na


seguinte estrutura:

I - Histórico do PL 1645/2019;

II - O momento atual do PL 1645/2019 e a importância da participação política;

III - O controle de constitucionalidade no momento atual.

IV - Possíveis controvérsias no PL 1645/2019.

V - A não existência de estamentos inferiores; e

VI - Conclusão.

- Mister citar ainda que o presente parecer segue rigorosamente um caráter informativo/
técnico; tendo como objetivo transmitir informações do ponto de vista jurídico sobre um projeto
de lei; que trata de um assunto ostensivo e se encontra em fase totalmente permissível de estudo por
parlamentares; não havendo qualquer pretensão de críticas a missão das Forças Armadas, seus
princípios ou estruturas de trabalho.

2
- Fúria contra o direito de defesa. Disponível em <https://www.conjur.com.br/2019-mai-05/entrevista-felipe-santa-cruz-
presidente-conselho-federal-oab?utm_source=UltimasNews&utm_medium=link&utm_campaign=noticia> Acesso em 21 jun.
2019. Grifo do autor.
3
- Historiador faz alerta sobre as sombras do nazismo. Disponível em https://www.terra.com.br/diversao/historiador-faz-alerta-
sobre-as-sombras-do-nazismo,032454da998eaee288725b86f437a4d6f8zpc8ld.html> Acesso em 29 ago. 2019.
3

I - Histórico do PL 1645/2019.

1. O ano de 2018/ 2019 trouxe a baila a reforma da previdência e a necessidade de modificações


nos mais diversos ramos previdenciários existentes na sociedade.

2. Em 20/03/2019 ocorreu a apresentação do projeto de lei 1645/2019 que tem uma iniciativa
reservada, pois seguindo os passos de ABREU, “compete, privativamente, ao Presidente da
República, a iniciativa de lei que fixe a remuneração dos militares das Forças Armadas, nos termos
do art. 61, § 1°, II, f, da CF/1988, com redação dada pela EC 18/1998”4; fato este que pode ser
comprovado quando se constata a assinatura do Presidente na Mensagem n° 88, que encaminhou o PL
assinado pelo Ministro da Defesa e da Economia ao Congresso.

3. A princípio, em 15/04/2019 e 23/04/2019 ocorreram na Comissão de Direitos Humanos com a


presença do Senador Paulo Paim, e na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) as primeiras audiências
públicas sobre o tema.

4. Em 30/04/2019 em razão da distribuição a mais de três comissões de mérito, foi determinada a


criação de Comissão Especial para analisar a matéria, conforme Art. 34, Inc. II, do Regimento Interno da
Câmara dos Deputados (RICD), onde posteriormente em 23/05/2019 foi apresentado o Requerimento de
Informação n° 635/2019, solicitando informações ao Ministro da Defesa acerca da estimativa de receitas e
despesas decorrente do PL.

5. Em 29/05/2019 é criada Comissão Especial, nos termos do Art. 33, §1° e 2° e do Art. 34, Inc.
II, ambos do RICD.

6. Atualmente o PL em estudo encontra-se sendo analisado pela sobredita Comissão Especial, já


tendo ocorridas audiências, salvo engano, nas datas de 27/ 29 de agosto e 03/05 do corrente mês.

II – O momento atual do PL 1645/2019 e a importância da participação política.

1. Seguindo os ensinamentos de OLIVEIRA5, de um modo geral as lei ordinárias passam por três
fases, que são a inciativa, a deliberativa e a complementar (promulgação e publicação); sendo que o PL
em estudo se encontra na fase de deliberação, onde é possível a realização de debates em comissões
para posteriormente, os projetos serem encaminhados a cada uma das Casas do Congresso; fazendo deste
modo que uma participação política seja extremamente oportuna; pois se permite assim que eventuais
problemas sejam sanados já pelos congressistas, em vez de se esperar pelo Judiciário, onde muitas ações
tramitam de forma morosa.

4
- ABREU, Jorge Luiz Nogueira de. Direito administrativo militar. 2. ed. rev. atual. ampl. Rio de Janeiro: Forense; São Paulo:
Método, 2015. 409p. Grifei.
5
- OLIVEIRA, Erival da Silva; ARAUNO JR. Marco Antônio (Coord.); BARROSO, Darlan (Coord). Direito constitucional –
Coleção elementos do direito. 14. ed. rev. e atual. São Paulo: Revista dos tribunais, 2015. 142/143p.
4

2. Consta que até o presente momento, salvo engano, ocorreram ao todo seis reuniões tratando o
tema; quatro delas na Comissão Especial, sendo que a princípio, somente em uma houve a participação
de representantes do Ministério da Defesa. Também foi tomado conhecimento que em tese as tentativas
de alguns populares em procurar o Presidente da República não surtiram efeito, como mostra um vídeo6
disponibilizado na internet.

3. Em todos os casos, tentando evitar dissabores este advogado orienta a todos que vão à busca do
Poder Legislativo, que mantenham um ânimo calmo, respeitoso e cumpridor da legislação em vigor.

4. Compreendo que os militares têm seus regulamentos e os mesmos devem ser respeitados,
entretanto em todos os aspectos da vida, é salutar sempre a busca pelo equilíbrio; neste sentido se
acrescenta o ensinamento de GUSMÃO existente em uma obra de Direito Penal Militar, narrando que “a
transformação do militar num elemento puramente automático e mecânico só pode ser compreendida nas
eras passadas, no regime de monarquias absolutas”7.

5. Um temor reverencial aos seus superiores, a preocupação constante na quebra da hierarquia e


disciplina, uma articulação política nem sempre eficiente, os rigores da legislação castrense (algumas
vezes em colisão com a Carta Magna), a impossibilidade de socorro do judiciário neste momento; são
fatores que colocam alguns dos que se sentem prejudicados pelo PL, talvez, numa situação análoga a
muitos outros grupos em situação de vulnerabilidade em nosso país; que em alguns momentos da história
precisam de lideranças políticas, afinal como o filósofo CORTELLA ensina; “líderes são homens e
mulheres que ajudam indivíduos, equipes a fazerem a travessia rumo ao futuro”8.

III – O controle de constitucionalidade no momento atual.

1. Conforme mencionado anteriormente o PL em questão encontra-se na fase legislativa, na qual


existem dois tipos de controles que são explicados por MASSON9, como político preventivo e judicial
preventivo (de forma excepcional).

2. O político-preventivo pode ser realizado pelo Legislativo através do trabalho das Comissões de
Constituição e Justiça; e pelo Executivo através do veto do Presidente da República, quando o mesmo
entende que o projeto de lei é inconstitucional (Art. 66, § 1°, CF); já o judicial-preventivo é realizado
pelo Judiciário, quando algum parlamentar encontra-se sendo prejudicado de realizar seu trabalho
(solicita-se um mandado de segurança).

3. Desse modo, o PL 1645/2019, está passando pelo controle político preventivo do Legislativo
e a princípio, não se tem conhecimento de haver necessidade da intervenção do Judiciário para amparar
algum parlamentar em exercer seu trabalho; concluindo-se então que um controle realizado nos moldes de
ações diretas de inconstitucionalidade não é possível no momento, fazendo que a atual fase político-
parlamentar passe a ter uma importância relevante.

6
- PL1645. Disponível em <https://www.youtube.com/watch?v=fMotpuKJODA> Acesso em 12 Jul. 2019.
7
- Crysólito de Gusmão. Dir. Pen. Mil. Pag 72. Apud LOBÃO, Célio. Direito penal militar. 2. ed. atualizada. Brasília: Brasília
Jurídca, 2004. 218p.
8
- CORTELLA, Mario Sergio. O melhor do Cortella – trilhas do fazer. São Paulo: Planeta do Brasil, 2019. 71p. Grifei.
9
- MASSON. Nathalia. Manual de direito constitucional. 4.ed. rev. ampl. atual. Salvador: JusPODIVM, 2016. 1135/1136p
5

IV – Possíveis controvérsias no PL 1645/2019.

1. Os pontos mais controvertidos na visão deste causídico, salvo melhor entendimento são a
possibilidade de uma redução das remunerações, a gratificação de representação e o adicional de
habilitação; podendo haver ainda outras problemáticas referentes ao projeto de lei.

1°) A possibilidade da redução das remunerações e a Vantagem Pessoal Nominada (VPN).

- O Art. 3° do PL (Pág.10) faz alterações mencionando o Capítulo I (Dos contribuintes, das


contribuições e dos descontos) onde o Art. 3°-A, §1°, diz que a contribuição para a pensão militar é de
7,5% (valor atual), passando por força do § 2° a ocorrer um acréscimo de 1% até o limite de 10,5%.

- Ocorre que como o PL não reestrutura os soldos, mantendo-os fixos em tese até 2023, algumas
categorias que não possam ter um ganho real em suas remunerações terão uma redução do que já ganham,
sendo necessário a compensação da diferença via título de vantagem pessoal nominal (VPN) prevista no
Art. 20, caput, do PL (Pág. 20)..

- Deste modo, sempre de forma respeitosa se compreende que em tese um projeto de lei que já
nasce com essa possibilidade pode traduzir a necessidade de um melhor estudo e de uma eventual revisão.

2°) A gratificação de representação.

- O Art. 9° do PL em análise menciona a gratificação de representação para oficiais generais, no


valor de 10% sobre o soldo, que será pago inclusive na inatividade conforme mencionado nos §1° e §2°
do artigo sobredito; o que resulta na pergunta por que somente oficias generais poderão receber, visto que
todos os militares, inclusive inativos devem representar bem sua instituição como vemos:
“zelar pelo bom nome das Forças Armadas e de cada um de seus integrantes, obedecendo e
fazendo obedecer aos preceitos da ética militar.” (Art. 28, Inc. XIX. Lei n°6.880/80 – Estatuto dos
Militares).

- A princípio o PL apresenta neste ponto duas celeumas. Uma ao não atender o clamor atual do
próprio parlamento que procura acabar com benesses mesmo que legais, reduzindo gastos; e outra não
seguir a risca o princípio constitucional da igualdade, afinal, conforme OLIVEIRA, “o legislador, ao
criar as normas, não poderá se afastar do princípio da igualdade, sob pena de incorrer em
inconstitucionalidade, sujeitando-se ao controle de constitucionalidade”10.

- Mesmo existente a frase de Aristóteles onde “devemos tratar igualmente os iguais e


desigualmente os desiguais, na medida de sua desigualdade”11; deve-se prestar atenção, pois embora haja
relevância desse princípio ao ligar a ideia da igualdade ao da justiça; o mesmo pode quando não bem
dimensionado induzir o intérprete a um erro, relatado por SILVA quando menciona que “no fundo,
prevalece nesse critério de igualdade, uma injustiça real”12.

10
- OLIVEIRA, Erival da Silva; ARAUNO JR. Marco Antônio (Coord.); BARROSO, Darlan (Coord) . Direito constitucional
– Coleção elementos do direito. 14. ed. rev. e atual. São Paulo: Revista dos tribunais, 2015. 190p. Grifo do autor.
11
- Frase de Aristóteles. Disponível em < https://kdfrases.com/frase/120428>. Acesso em: 14 Jul. 2018.
12
- SILVA, José Afonso da. Curso de direito constitucional positivo. 33. ed. rev. atual. São Paulo: Malheiros, 2009. 213p.
6

- Outra situação importante foi que a partir de agosto conforme divulgado pela “Revista Digital
Sociedade Militar”13 e pelo site “Montedo.com”14; os militares foram exortados pelas suas instituições
para a observância de critérios disciplinares, que de forma geral faziam referência a alguns tipos de
manifestações.

- O presente parecer não adentrará no mérito das questões acima, entretanto apenas por um
caráter informativo, participa que sobre este assunto, a prima vista, nada foi observado sobre a Lei n°
7.524/86, que em seu Art. 1°, caput, disciplina que “[...] é facultado ao militar inativo, independentemente
das disposições constantes dos Regulamentos Disciplinares das Forças Armadas, opinar livremente sobre
assunto político, e externar pensamento e conceito ideológico, filosófico ou relativo à matéria pertinente
ao interesse público”.

- Nesse ponto, se não houver modificação no adicional de representação conforme está previsto
no PL, na prática o militar inativo em nada mais poderá ser atingido pelos regulamentos disciplinares,
pois além do disposto na Lei n° 7.524/86; como exigir de alguém um “dever de representação” se não jaz
jus ao adicional correlato?

3°) O adicional de habilitação.

- O adicional de habilitação pelo Art. 3°, Inc. III, da Lei n° 2.215/2001 (Remuneração dos Militares
das Forças Armadas) corresponde a “parcela remuneratória mensal devida ao militar, inerente aos cursos
realizados com aproveitamento, conforme regulamentação”.

- As principais controvérsias que atingem este tópico provavelmente são os fatos de que muitos
militares que foram para a reserva recentemente não puderam realizar os cursos de Altos Estudos, pois
suas instituições não os tinham para oferecer aos mesmos; bem como se todos aqueles que estão na ativa
poderão realizar tais cursos.

- A única instituição, salvo engano, que ofertava uma grande parte dos cursos (altos estudos) aos
seus militares graduados era o Exército (EB); enquanto que as demais passaram a estruturar suas
estruturas de ensino nesses moldes somente a partir de 2019.

- Assim, com a vigência do PL haverá uma diferença entre os próprios militares. Um militar com a
mesma graduação, porém sendo do EB receberá em 2023 um adicional de 73% enquanto que, muitos de
seus pares de outras instituições receberão somente 45%, visto que os cursos de altos estudos foram
recentemente criados e não conseguirão atingir o pessoal inativo e possivelmente a totalidade dos que
estão na ativa; sendo problemática também a situação dos militares do Quadro Especial do EB que
também não puderam fazer tais cursos.

13
- Revista Sociedade Militar. Advertências dos Comandantes [...]. Disponível em
https://www.sociedademilitar.com.br/wp/2019/08/ameacas-das-forcas-armadas-contra-associacoes-sao-respondidas-com-
reclamacao-direta-para-o-presidente-da-republica.html>. Acesso em: 30 Ago. 2019.
14
- Montedo.com. Copia e cola: Exército e Marinha repetem nota da FAB sobre associações militares. Disponível em <
https://www.montedo.com.br/2019/08/15/copia-e-cola-exercito-e-marinha-repetem-nota-da-fab-sobre-associacoes-militares/>.
Acesso em: 30 Ago. 2019.
7

- Abaixo podem ser observadas a TABELA ATUAL e a com o PL (Anexo III, Pág. 25, PL).

TABELA ATUAL
TIPOS DE CURSO QUANTITATIVO
PERCENTUAL SOBRE O
SOLDO

Altos Estudos – Categoria 30


I.
Altos Estudos – Categoria 25
II.
Aperfeiçoamento. 20
Especialização. 16
Formação. 12

TABELA COM O PL - QUANTITATIVO PERCENTUAL SOBRE O SOLDO


TIPOS DE CURSO Até 30 de A partir de 1º de A partir de 1º de A partir de 1º de A partir de 1º de
junho de 2020 julho de 2020 julho de 2021 julho de 2022 julho de 2023

Altos Estudos – Categoria 30 42 54 66 73


I.

Altos Estudos – Categoria 25 37 49 61 68


II.

Aperfeiçoamento. 20 27 34 41 45
Especialização. 16 19 22 25 27
Formação. 12 12 12 12 12

- Pode-se concluir que caso o PL seja aprovado sem qualquer alteração poderá haver uma grande
diferença entre os militares das forças e entre estes e os da reserva que não puderam fazer os cursos, o que
pode levar na prática a uma contradição com a regra da paridade dos militares (Art. 55, Lei n°
6.880/80), embora o dispositivo legal indicado faça referência aos soldos.

- Ainda que a contradição não ocorra ao ser feita uma interpretação literal, na prática conforme
mencionado isto ocorrerá, e é neste ponto que precisa haver uma reflexão, pois como dizia Celso, antigo
jurista romano citado na obra de NEVES, “conhecer as leis não significa repetir as suas palavras; mas
entender a sua força e seu sentido”15. Entendo como advogado que não se pode utilizar somente a letra
fria da lei; precisamos ousar, tentar averiguar na lei os “fins sociais a que ela se dirige e às exigências do
bem comum” conforme consta no Art. 5° da Lei de Introdução as Normas do Direito Brasileiro.

- Se o governo brasileiro resolver adotar ações que possam resultar no final em uma alteração na
paridade, as mesmas devem ser claras, adotando medidas que atinjam a todos, independentes de
postos e graduações.

- Um perigo que alguns já perceberam é que, fruto de um equívoco, existe uma possibilidade de
ao final, a já citada paridade ser sacrificada (somente para alguns), fazendo que no futuro quaisquer
correções financeiras só sejam aplicadas ao cursos que estão sendo criados ou a outros que poderão ser
desenvolvidos em sequência, ficando deste modo militares inativos e alguns pensionistas sem qualquer
forma de reajuste.

15
- NEVES, José Roberto de Castro. Como os advogados salvaram o mundo. 1. ed. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2018. 60p.
8

- Sendo imparcial é correto afirmar que a administração pública atendendo o princípio da


eficiência precisa e deve se modernizar; entretanto também não se pode descartar de forma radical a
paridade levando inúmeros inativos e pensionistas à desilusão.

- A solução talvez para situações controvertidas como esta, seja a aplicação dos Princípios do
Direito Justo, que são a Logicidade, a Proporcionalidade e a Razoabilidade, princípios estes que se
aplicam em todos os ramos do Direito e que são utilizados para dirimir tais questões, conforme LARENS
esclarece:

“Utilizado habitualmente para aferir a legitimidade das restrições de direitos, o princípio da


proporcionalidade ou da razoabilidade, consubstancia, em essência, uma pauta de natureza
axiológica que emana diretamente das ideias de justiça, equidade, bom senso, prudência,
moderação, justa medida, proibição de excesso, direito justo e valores afins; precede e
condiciona a positivação jurídica, inclusive a de nível constitucional; e, ainda, enquanto
princípio geral do direito serve de regra de interpretação para todo o ordenamento
jurídico.”16

- Neste diapasão talvez fosse oportuno evitar que a diferença atual entre o curso de
aperfeiçoamento e altos estudos categoria I que é de 10%; progredisse ao final para 28%; podendo se
pensar em um valor diferencial mais proporcional.

- Na maior parte das vezes que se comenta sobre os cursos de altos estudos, a palavra
“meritocracia” aparece quase que automaticamente, entretanto o que não se explica é que o uso de tal
palavra pode apresentar distorções.

- O livro A classe média no espelho de autoria de Jessé Souza é elucidativo ao mostrar que essa
expressão é utilizada na verdade para justificar em alguns casos os privilégios de alguns, que nutrem desta
forma um sentimento de superioridade, retirando do Estado toda e qualquer obrigação e colocando aos
mais humildes a responsabilidade de todas as suas tragédias.

- Demonstrando o perigo do uso da meritocracia para justificar certas medidas, o autor da


importante literatura sobredita, SOUZA ainda esclarece debatendo o assunto que “em cada 100 pobres,
um ou outro consegue, superando obstáculos gigantescos e guiados por um extraordinário instinto de
sobrevivência, ascender socialmente por meio do estudo”17.

- Ao final deste tópico é preciso esclarecer que este parecer não pretende adentrar no mérito da
manutenção ou não da paridade; discorrendo apenas que o sistema que se apresenta para o futuro,
s.m.j, pode contradizer a proporcionalidade e a razoabilidade da administração pública prevista no
Art. 2°, caput, da Lei n° 9.784/99 e de forma reflexa o princípio da igualdade previsto no Art. 5°,
caput, CF.

16
- LARENZ, Karl. Apud CUNHA JÚNIOR, Dirley da. Curso de direito constitucional. 10. ed. rev. ampl. e atual. Salvador:
JusPODIVM, 2016. 198p. Grifei.
17
- SOUZA, Jesse. A classe média no espelho. Livro Digital. Rio de Janeiro: Estação Brasil, 2018. 3464p.
9

V – A não existência de estamentos inferiores.

1. No primeiro semestre deste ano o Porta-Voz da Presidência ao ser perguntado sobre algumas
insatisfações sobre o PL disse que “[...] não se faz necessário que os estamentos mais inferiores da nossa
carreira tenham a oportunidade de apresentar, de iluminar diretamente a sociedade [...].”18

2. Embora tenha um grande respeito pela figura do Porta-Voz da Presidência, por ser advogado não
posso deixar de dizer que o pronunciamento, ao menos para este que subscreve, foi ouvido com
lamentável tristeza, pois pessoas poderiam ser afastadas da participação na sociedade em função de
posições que ocupam.

3. Mesmo já transcorrido a Revolução Gloriosa na Inglaterra, a Revolução pela Independência


Americana, a Revolução Francesa, a Declaração Universal dos Direitos Humanos e a nossa Constituição
Cidadã de 88, continuamos na eterna luta para que todos sejam em iguais em dignidade e direitos.

4. Especificamente sobre a expressão “estamentos inferiores”, a mesma não deve ser utilizada,
pelos motivos abaixo:

a) Em pesquisa nas graduações, postos e círculos hierárquicos das Forças Armadas não consta
definição para a expressão “estamentos inferiores” que possa indicar a quem foi destinado o
pronunciamento (quem são estamentos inferiores?); situação esta igual no Código Penal Militar (CPM),
no Código de Processo Penal Militar (CPPM) e nas doutrinas de direito militar de ABREU19, LOBÃO20,
LOUREIRO NETO21, ROSSETO22 e CRUZ23;

b) Mesmo com total apreço e profundo respeito à figura do já citado porta-voz; não posso
considerar o pronunciamento em tela, pois a princípio não existe um elemento indicado na obra de
ARAS24, ou seja, um sujeito com competência, conforme estipulado pelo Direito Administrativo para
criação de novas designações hierárquicas e até talvez com certas limitações para pronunciamentos
pessoais;

c) Também quero acreditar que a expressão não partiu da Presidência da República, pois não
seria permissível que o representante de uma nação realizasse pronunciamentos discriminatórios de
qualquer natureza.

5. Deste modo, entendo ter havido um “mal entendido”, e que a expressão em questão não pode ser
considerada.

18
- Sociedade militar. Estamentos inferiores. Disponível em https://www.sociedademilitar.com.br/wp/2019/06/estamentos-
inferiores-assessor-de-imprensa-do-presidente-causa-polemica-ao-dizer-que-graduados-nao-podem.html. Acesso em 11 Jul.
2019.
19
- ABREU, Jorge Luiz Nogueira de. Direito administrativo militar. 2. ed. rev. atual. ampl. Rio de Janeiro: Forense; São
Paulo: Método, 2015. 1p Et seq.
20
- LOBÃO, Célio. Direito penal militar. 2. ed. atualizada. Brasília: Brasília Jurídca, 2004. 1p. Et seq.
21
- LOUREIRO NETO, José da Silva. Direito penal militar, 4. ed. São Paulo: Atlas, 2001. 1p. Et seq.
22
- LOBÃO, Célio. Direito penal militar. 2. ed. atualizada. Brasília: Brasília Jurídca, 2004. 1p. Et seq.
23
- CRUZ, Ione de Souza; MIGUEL, Claudio Amin. Elementos de direito penal militar – Parte geral. Rio de Janeiro: Lumen
juris, 2005. 1p. Et seq.
24
- ARAS, José. Direito Administrativo – Método de estudo OAB. 2. ed. rev. atual. Rio de Janeiro: Forense; São Paulo:
Método, 2018, 18p.
10

VI – Conclusão.

1. Após a apresentação de fatos, ordenamentos legais, doutrinas jurídicas e demais literaturas, se


conclui que:

a) O Projeto de Lei (PL) 1645/2019 encontra-se em fase deliberativa no congresso, sendo


importante citar que na fase em questão um controle de constitucionalidade nos moldes das ações diretas
de inconstitucionalidade não é permitido; fornecendo assim uma maior relevância ao momento.

b) O controle político-preventivo no caso em estudo é de extrema valia, pois pode permitir a


correção de eventuais distorções;

c) No tocante a uma possibilidade da redução das remunerações que pode implicar na vantagem
pessoal nominada (VPN), a princípio, a mesma indica a necessidade de uma possível revisão do PL.

d) Sobre a gratificação de representação, em tese pode haver colisão com o princípio constitucional
da igualdade (Art. 5°, caput, CF).

e) Em relação ao adicional de habilitação, a princípio, o modo como foi aplicado os adicionais


pode contradizer a proporcionalidade e a razoabilidade da administração pública prevista no Art. 2°,
caput, da Lei n° 9.784/99, e de forma reflexa o princípio da igualdade previsto no Art. 5°, caput, da CF;
causando um prejuízo, ainda que indireto, no futuro à paridade.

2. Caso seja necessário este advogado coloca-se à disposição para sanar eventuais dúvidas,
podendo ser contatado pelos telefones (21) 97515-9495 / (21) 99570-7373, por email:
advo.dr.jose@outlook.com, ou no endereço profissional na Rua Floriano Peixoto, n° 169, Sala 202,
Bairro Centro, Cachoeiras de Macacu (RJ), CEP 28680-000.

3. Esclarece-se ainda que o presente parecer tem um caráter informativo/ técnico, objetivando
uma análise jurídica dentro do panorama atual da sociedade brasileira de um assunto ostensivo e que
se encontra em estudo por parlamentares (PL 1645/2019); tendo sido redigido pelo que subscreve, na
condição de Advogado, Presidente da Comissão de Direito Militar da 49ª Subseção da OAB/RJ,
utilizando as prerrogativas do Art. 133 da CF e do Art. 7°, §2°, do Estatuto da Advocacia (Lei n°
8.906/94) - (imunidade profissional); não tendo havido pretensão de críticas a quaisquer pessoas
físicas/ jurídicas/ instituições públicas; nem tão pouco a nobre missão das Forças Armadas, a estrutura
de trabalho, ou a hierarquia e disciplina das mesmas.

4 - Pelo exposto, confiante na prestatividade e no altruísmo característico dos parlamentares


brasileiros, apresenta-se o presente parecer.
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5 - Na oportunidade se apresenta ainda as vossas excelências os protestos de elevada estima e


distinta consideração.

Sempre grato, respeitosamente.

“[...] não há democracia à brasileira. A


democracia é universal, sem adjetivos.”25
Sobral Pinto

Cachoeiras de Macacu (RJ), 05 de setembro de 2019.

Alessandro M. L. José. (*)


Pres. Comissão Dir. Militar - 49ª Subseção – OAB/RJ
Advogado – OAB/RJ 215918

ALESSANDRO Assinado de forma digital por


ALESSANDRO MIRANDA LOPES JOSE
MIRANDA LOPES JOSE Dados: 2019.09.05 15:59:06 -03'00'

(*): O autor é Pós-Graduado em Direito Penal/


Processo Penal; Constitucional; Administrativo e
Pós-Graduando em Ciências Penais.

Anexos:
a) Cópias de Carteira Funcional da OAB e Diploma de Presidente da Comissão de Direito Militar da 49ªSubseção-OAB/RJ.

Cópias:

a) Ilm°. Sr. Presidente da 49ª Subseção-OAB/RJ ( Dr. Marcelo Araújo).

b) Ilm°. Sr. Presidente da Comissão de Prerrogativas da OAB/RJ = Para conhecimento e, se necessário, defesa deste advogado,
contra eventuais retaliações praticadas pelo governo brasileiro e seus segmentos.

25
- Documentário resgata. Disponível em <https://oglobo.globo.com/cultura/documentario-resgata-as-memorias-de-sobral-
pinto-sr-justica-10638894 >. Acesso em 16 Jul. 2019.

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