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Caso Lótus de 1927

O caso passou-se entre a França e a Turquia. Viajando no alto mar, o barco francês S. S.
Lótus chocou com o vapor carbonífero turco, nos arredores do mar Egeu. O barco turco afundou,
levando consigo a vida de oito cidadãos. O navio francês prosseguiu viagem, realizando escala
em Constantinopla, local em que o oficial francês que comandava a embarcação foi detido e
levado à jurisdição turca para responder criminalmente, sendo condenado a 80 dias de prisão.
A França contestou, alegando que a Turquia não tinha competência para julgar o caso, por tal
ter ocorrido em alto mar. Por meio de um acordo assinado em Genebra em 1926, a França e
Turquia concordaram em submeter o litígio ao Tribunal Permanente de Justiça Internacional.

O debate irá centrar-se no processo de criação de normas costumeiras. A Turquia


começou por arguir que no costume internacional deve se refletir o consentimento geral dos
membros da “sociedade internacional” , ser suficientemente antigo e constante e ser aplicado
uniformemente e, portanto, ao faltar uma desses codições, não se podia alegar a formação de
costume. O Governo Francês, por sua vez, invocou precedentes para defender a tese do caráter
territorial da jurisdição do Estado, contestada pelo Turquia que, convocando a conceção
voluntarista, argumentou que o costume não poderia se aplicar necessariamente a todos os
Estados- que a ele não aderiram- indepentemente da sua vontade. O representante francês
afirma haver uma prática negativa bem estabelecida pela qual não se persegue o autor numa
situação de choque entre navios, e tal prática refletia o “consensus gentium”, ou seja, a opinião
comum dos Estados. Já o representante turco, contestando tal posição, considera que para
impedir os Estados de exercer a sua jurisdição, uma só abstenção- no caso A França- não
bastaria: e portanto na ausência de normas de direito internacional que regulassem situações
de choque entre navios no alto mar, caberia examinar se tal princípio poderia pertencer a uma
norma costumeira que tinha necessariamente de preencher os requisitos acima expostos.

Um elemento interessante na argumentação francesa centra-se na consideração que,


na ausência de condenações criminais prévias de outros Estados em situações semelhantes,
seria portanto dedutível ser uma prática aceite como costume, e não um crime em alto mar.
Alegou que a Turquia agia ilicitamente ao prender o oficial francês, por terem ambos ratificado
o artigo 16º Da Convenção de Lausanne, de 1923, mediante a qual as questões “de competência
judicial na relações entre a Turquia e as outras potências seriam reguladas conforme os
princípios do direito internacional, alegando ser um costume a prática de abstenção reiterada
dos Estados exercerem a jurisdição criminal em casos semelhantes a este. Alegam ainda que o
direito internacional reconhecia jurisdição exclusiva do Estado cuja bandeira se navegasse.

Tal argumentação foi refutada, e o Tribunal Permanente de Justiça Internacional


afirmou que “só se a abstenção for motivada pela consciência do dever de se abster é que se
pode falar do costume internacional”. Fala-se aqui no elemento psicológico do costume, na qual
é necessária a conviccção de obrigatoriedade a uma regra costumeira para que tal seja apurada.,
enfatizando o elemento da vontade dos Estados independentes na formação de regras
internacionais convencionais.

O segundo argumento levantado pelo governo francês decorre do princípio de que o


Estado sob cuja bandeira se navegue possua jurisdição exclusiva para julgar tudo o que ocorra
no aludido navio mercante em alto mar. É certamente verdade que – além de certos casos
especiais definidos pelo direito internacional – navios em alto mar não são sujeitos a nenhuma
autoridade exceto à do Estado da bandeira sob a qual navegam. Mas isso não significa que um
Estado não possa jamais exercer jurisdição no território próprio, em relação a factos que
ocorreram a bordo de navio estrangeiro em alto mar, até porque não havia nenhuma regra
costumeira de direito internacional que fixasse a competência exclusiva para que o Estado de
bandeira exercesse competência absoluta em relação ao que ocorresse dentro das próprias
embarcações.

E, portanto, a grande questão aqui tratada relaciona-se com a definição das


competências turcas para julgar cidadão francês por facto ocorrido em alto mar, ainda que as
vítimas fossem de nacionalidade turca, e também a fixação de competência para o julgamento
devido ao descumprimento de regras internacionais de navegação.

Assim, decidiu o tribunal que "o que se passa a bordo de um navio em alto-mar deve ser
considerado como se tivesse ocorrido no território do Estado, cuja bandeira o navio usa. Se,
pois, um ato delituoso, cometido num navio, em alto-mar, produz os seus efeitos sobre um navio
que usa outra bandeira ou sobre um território estrangeiro, devem ser aplicados ao caso os
mesmos princípios que se aplicariam se se tratasse de dois territórios de Estados diferentes e,
portanto, deve concluir-se que nenhuma regra de direito internacional proíbe ao Estado, de que
depende o navio, considerar esse delito como se tivesse sido cometido no seu território e
exercer a ação penal contra o delinquente" , estando portanto a favor da ação da Turquia, por
entender que não havia no direito internacional regra alguma que proibisse este Estado de
aplicar sua lei penal sobre o caso. Esta decisão do Tribunal foi tomada por voto de desempate,
proferido pelo Presidente.

Esta questão será trabalhada essencialmente na Convenção da ONU sobre o direito do


Mar, pactuada em Montego Bay, onde se fixaram os principios nucleares do direito
Internacional, dispondo que o foro competente para ação penal no caso de choque entre navios
em alto mar é do Estado ou bandeira de nacionalidade do ofensor.

Ana Almeida Subturma 6

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