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O risco da profissão militar na cidade do Rio de Janeiro

ARTIGO ARTICLE
em “tempo de paz”: a percepção da tropa

The risk of the military profession in the city of Rio de Janeiro


in “peace time”: the perception of the troop

Eduardo Borba Neves 1


Márcia Gomide da Silva Mello 2

Abstract This study aims at determining the risk Resumo O objetivo deste estudo foi determinar a
perception of Army Military concerning common percepção de risco dos militares do Exército relativa
activities at Military Units of troop in Rio de Jan- ao exercício das atividades comuns às Organizações
eiro. This mapping might allow taking preventive Militares (OM) de tropa da cidade do Rio de Janei-
action when preparing these professionals, reducing ro. Esse mapeamento permitirá atuar de forma pre-
their vulnerability. The present study is descriptive ventiva no preparo destes profissionais, reduzindo-
and used a qualitative methodological approach. The lhes possíveis vulnerabilidades. O presente estudo
informers were selected into four military units and caracteriza-se como descritivo e utilizou-se da abor-
divided in three groups: eight officers, eight sergeants dagem qualitativa. Os informantes foram selecio-
and eight corporal/soldiers, summing up 24 inform- nados em quatro organizações militares e divididos
ers. It was possible to identify three risk categories por três grupos: (oito) oficiais, (oito) sargentos e
noticed by the military in their common Military (oito) cabos/soldados, totalizando 24 informantes.
Units activities: (a) The risk of being a military in a Pôde-se identificar três categorias de risco percebido
city where urban violence reached the level there is pelos militares quanto às atividades comuns de suas
in Rio de Janeiro city; (b) the risk of accidents and; OM: (a) o risco de ser militar numa cidade com a
(c) the risk of injuries or chronic pathology related to violência urbana nos níveis em que se encontra a cida-
the exposure to activities that need proper protec- de do Rio de Janeiro; (b) o risco de acidentes e (c) o
tion, noticed by a number of informants. It can be risco de lesões ou patologias crônicas pela exposição a
concluded that the local violence has a great influ- atividades que exigem proteção específica, percebido
ence on the health of the military, due to the fact that por um pequeno número de informantes. Pode-se con-
modifies substantially the daily routines and their cluir, portanto, que a violência local exerce grande
emotions during the work and that the perception influência na saúde dos militares, pois modifica subs-
1
Escola de
the military have of the risks of their activities is tancialmente as rotinas diárias e suas emoções viven-
Aperfeiçoamento de
Oficiais do Exército focused on the present moment. ciadas durante o trabalho, e que a percepção dos mi-
Brasileiro - EsAO. Av. Key words Risk, Risk perception, Military, Urban litares em relação aos riscos de suas atividades é
Duque de Caxias 2071,
violence, Accidents focada em situações de momento.
Deodoro. 21615-220 Rio
de Janeiro RJ. Palavras-chave Risco, Percepção de risco, Militar,
borbaneves@hotmail.com Violência urbana, Acidentes
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Instituto de Estudos em
Saúde Coletiva,
Universidade Federal do
Rio de Janeiro.
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Neves EB, Mello MGS

Introdução pontos sensíveis e combate ao narcotráfico. Essa


recente mudança nas tarefas impostas aos milita-
A sociedade do Rio de Janeiro evidencia o avanço res em “tempo de paz”, isto é, num momento sem
da consciência de cidadania e de bem-estar atingi- ameaças à soberania nacional, bem com a expan-
do pela humanidade em seu estágio atual. Ou seja, são do crime organizado, têm modificado os pro-
a exigência cada vez mais elevada de segurança pes- cessos de trabalho dos militares, particularmente
soal traz, simultaneamente, sentimento de maior na cidade do Rio de Janeiro.
insegurança1,2. O estudo de Soares, publicado em Segundo Tambellini e Câmara6, o ambiente de
1996, evidenciou que as classes abastadas, que vi- trabalho é tomado como elemento medidor ou
vem e trabalham nos espaços onde os índices de como uma via de acesso para analisar a relação
criminalidade são relativamente baixos, são as que causa e efeito nos processos de saúde e doença que
mais se queixam de insegurança3. Este sentimento vão se manifestar no trabalhador. Assim sendo, é
pode ser o reflexo da percepção do risco relativo fundamental o conhecimento das situações de ris-
ao estado de violência urbana daquele momento, co de origem no ambiente de trabalho e suas con-
na cidade em questão. sequências para a saúde. Na vigilância à saúde do
Segundo Souza e Minayo, a sensação de inse- trabalhador, admitem-se riscos à saúde, diferenci-
gurança crescente no Rio de Janeiro ocorre, certa- ados para situações de trabalho particulares, pos-
mente, por vários motivos. Primeiro, vem a pró- tos e níveis de trabalho.
pria dinâmica da criminalidade na capital, onde Embora se considere o inerente risco da profis-
existe elevada concentração, tanto da população são, os militares necessitam de uma atenção espe-
do Estado (40,2%) como dos registros de delitos cífica às suas necessidades de segurança e saúde
(52,6%), o que difere totalmente de outras capitais enquanto trabalhadores. Neste sentido, somente
do país. Por exemplo, em São Paulo, apenas 27,6% quando se conhece o indivíduo e seu contexto tor-
da população do Estado e 33% das ocorrências na-se possível que as ações propostas sejam efici-
criminais se concentram na capital. No país como entes e permanentes para a saúde; o primeiro pas-
um todo, esses valores se assemelham mais aos de so para a normatização da atenção à saúde ocupa-
São Paulo: 22,7% da população e 33,8% dos cri- cional do militar é mapear seus processos de tra-
mes se localizam nas capitais4. balho e suas percepções de risco7.
As autoras citadas ainda comentam que, arti- Os estudos de percepção de riscos surgiram, a
culada ao conceito de segurança pública, está a partir da década de setenta, como um importante
noção de segurança pessoal, que deriva do mundo contraponto à perspectiva utilitarista das análises
do trabalho e tem um sentido ordenador de direi- técnicas de risco, e que não contemplava as cren-
tos. Representa o conjunto de normas destinadas ças, receios e inquietações das comunidades envol-
a prevenir acidentes, quer eliminando condições vidas8. Estes estudos emergem e se consolidam, em
inseguras do trabalho, quer prevenindo desastres uma área do saber cientificamente organizada, com
ocupacionais4. o intuito de desvelar as razões que acompanha-
A partir da década de oitenta, os índices de vi- vam as reações negativas do público leigo frente ao
olência expressos nos indicadores do setor saúde e advento de novos processos produtivos, mesmo
da segurança pública apresentaram um aumento que com o aval dos especialistas técnicos9.
significante. O Estado e a capital do Rio de Janeiro Assim, para que se possa agir proativamente
são considerados como dos mais violentos do Bra- na atenção à saúde ocupacional desses profissio-
sil5. As organizações militares têm sido alvo de ten- nais, o objetivo deste estudo foi determinar a per-
tativas de roubos de armamentos por parte de tra- cepção de risco dos militares do Exército relativa
ficantes e agentes do crime organizado, colocando ao exercício das atividades comuns às Organiza-
em risco os militares envolvidos com sua seguran- ções Militares (OM) de tropa da cidade do Rio de
ça. Estes trabalhadores, por força do quadro apre- Janeiro.
sentado, exercem, diariamente, atividades com Para este estudo, utilizou-se o conceito de risco
potenciais riscos à saúde, além dos periódicos exer- do Ministério da Saúde10 que o define como “a
cícios de treinamento e simulação de combate. probabilidade de ocorrer um evento bem definido
Conforme se observa na mídia, a Força Terres- no espaço e no tempo, que causa dano à saúde, às
tre tem sido empregada em diversas missões de unidades operacionais, ou dano econômico / fi-
Garantia da Lei e da Ordem (GLO), como, por nanceiro”, e o conceito de percepção de riscos de
exemplo, greves de policiais militares estaduais; Wiedemann, definida como sendo a habilidade de
eventos que reúnam chefes de Estado ou de gover- interpretar uma situação de potencial dano à saúde
nos estrangeiros; apoio às eleições; segurança de ou à vida da pessoa, ou de terceiros, baseada em ex-
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periências anteriores e sua extrapolação para um com a função e as atividades que desenvolvem nas
momento futuro, habilidade esta que varia de uma suas organizações militares, buscando a diversi-
vaga opinião a uma firme convicção11. dade de olhares a respeito do objeto em estudo,
Compreender (ou mapear) a percepção de ris- que é a percepção de risco dos sujeitos em ativida-
co dos militares permitirá atuar de forma preven- des típicas, desenvolvidas no ambiente militar. Para
tiva no preparo destes profissionais, reduzindo- Minayo, a seleção ideal dos sujeitos na pesquisa
lhes possíveis vulnerabilidades. Pois, dependendo qualitativa é a que reflete o conjunto de suas múl-
do “grau” ou nível de percepção de risco, o profis- tiplas dimensões, o que é atendido nesta pesquisa,
sional estará mais ou menos vulnerável a altera- em função da diversidade de formação e prática
ções orgânicas e emocionais. Essa maior ou menor dos sujeitos participantes12.
vulnerabilidade pode comprometer a proteção e a Assim, tendo em vista os diferentes níveis hie-
manutenção da saúde e, consequentemente, influ- rárquicos que compõem o Exército Brasileiro, os
enciará na eficácia do desempenho dos militares informantes foram selecionados em quatro orga-
em suas atividades de trabalho. No caso específico nizações militares e divididos por três grupos: (oito)
dos militares do Exército, uma menor eficiência oficiais, (oito) sargentos e (oito) cabos/soldados,
pode significar não apenas a morte ou lesão de um totalizando 24 informantes. Os sujeitos deste estu-
indivíduo, mas de todo um grupo ou população. do possuíam idade entre 21 e 37 anos, com tempo
de serviço ativo no Exército variando de dois a
dezoito anos.
Procedimentos metodológicos O estudo foi limitado às atividades comuns das
Organizações Militares (OM) de tropa, sediadas
O presente estudo caracteriza-se como descritivo, na cidade do Rio de Janeiro, pois cada OM se re-
pois seu objetivo foi mapear a percepção de risco veste de atividades peculiares que, para serem es-
dos militares, e utilizou-se da abordagem qualita- tudadas, exigiriam um estudo específico para cada
tiva, pois segundo Minayo, essa abordagem é indi- uma delas. As técnicas de coleta de dados foram a
cada quando se deseja alcançar o conjunto de ex- observação sistemática, para conhecer e entender
pressões humanas constantes nas estruturas, nos as rotinas e os processos de trabalho; e a entrevista
processos e nos sujeitos12. Assim, nesse estudo, se semi-estruturada, para captar as percepções de ris-
buscou uma aproximação da realidade, a partir co dos militares.
do quadro referencial dos próprios sujeitos do es- A observação sistemática foi realizada nas qua-
tudo, cabendo ao pesquisador interpretar o signi- tro OM, onde também foram selecionados os in-
ficado da ação humana e não apenas descrevê-la. formantes, de forma que o pesquisador permane-
O Exército possui tropa que, conforme sua des- ceu quatro horas por semana, em cada quartel,
tinação, pode ser de combate (armas-base), às quais durante um período de seis meses. Essa técnica
pertencem as armas de Infantaria e Cavalaria; de teve por objetivo conhecer o ambiente e o processo
apoio ao combate, constituído pelas armas de Arti- de trabalho que envolve a atividade militar e facili-
lharia, Engenharia e Comunicações e, finalmente, tar a escolha dos informantes, pois o ponto de
pelos elementos de apoio logístico, isto é, os perten- partida de qualquer estudo de percepção de riscos
centes aos serviços de Intendência e Saúde e ao qua- é o quanto difere a interpretação de uma pessoa
dro de Material Bélico. Foram pesquisadas quatro “leiga”, entendida aqui como aquela que não ad-
organizações militares selecionadas de forma alea- quiriu conhecimentos específicos sobre o objeto
tória, considerando o universo de organizações em questão, a respeito de um determinado perigo,
militares de tropa da cidade do Rio de Janeiro. da interpretação por parte de um “especialista”11.
Apesar das diversas destinações, todas as tro- A entrevista foi do tipo semi-estruturada, com
pas apresentadas acima desenvolvem atividades roteiro único, composto por perguntas abertas,
profissionais comuns: serviços de guarda aos quar- registradas por meio de gravação, quando permi-
téis, serviços externos aos quartéis (patrulha), ins- tida pelo informante, e por anotações quando não
trução militar, treinamento físico-militar, exercíci- puderam ser gravadas. Segundo Duarte, a entre-
os de tiro e manutenção de armamento e viaturas vista é uma prática discursiva, na qual se constro-
e, atualmente, operações de Garantia da Lei e da em versões da realidade. Ela permite a interação
Ordem (GLO). Essas atividades, em tempo de paz do pesquisador com o entrevistado, o que possi-
(fora do estado de guerra), ocupam a maior parte bilita captar atitudes e reações, principalmente os
do tempo nas unidades militares. sinais não verbais, que podem possuir significa-
O critério de inclusão dos sujeitos foi o de ca- dos importantes para a pesquisa13. A realização da
sos típicos, ou seja, foram escolhidos de acordo entrevista variou quanto à forma de abordagem,
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Neves EB, Mello MGS

de acordo com as características do informante. A Coletiva da Universidade Federal do Rio de Janeiro


intenção foi a de adaptar as perguntas de acordo (CEP/IESC).
com a função que os sujeitos exerciam.
O pré-teste das entrevistas foi realizado em uma
organização militar distinta das que foram objeto Resultados e discussão
deste estudo, o que permitiu ajustar o instrumen-
to e os procedimentos para as entrevistas. Depois Durante o período de observação, foi possível com-
dos ajustes dos instrumentos de coleta de dados, preender o processo de trabalho das OM de tropa
as entrevistas foram realizadas com horário mar- do Exército. Essas atuam na formação e prepara-
cado antecipadamente com cada um dos entrevis- ção dos recrutas para a guerra, podendo ser com-
tados e com anuência prévia dos respectivos co- paradas com escolas de ensino profissionalizante.
mandantes, visto que os militares foram aborda- Essa dinâmica, no período observado, envolvia
dos dentro dos seus locais de trabalho, em quar- todos os oficiais, sargentos, cabos e soldados, que
téis do Exército. Esse conhecimento prévio das da- participavam de diversos exercícios de preparação
tas das entrevistas por parte dos comandantes não para o combate e algumas missões reais de GLO.
levou a interferências, pois esses oficiais incorpo- Essas últimas provocavam nítidas alterações no
raram a idéia da utilização da presente pesquisa emocional dos militares.
como uma “avaliação” da percepção de risco de Puderam-se identificar três categorias de risco
seus subordinados, que poderia ser utilizada de percebido pelos militares quanto às atividades co-
imediato no estudo e planejamento de ações em muns de suas OM: (a) o risco de ser militar, isto é,
segurança ocupacional. no caso dos militares do Rio de Janeiro significa
As entrevistas foram realizadas até que as infor- dizer “um agente de segurança pública”; (b) o risco
mações começassem a se repetir, sinalizando um de acidentes, nas diversas atividades como tiro, trei-
nível suficiente de argumentos para o objetivo do namentos militares, entre outras; (c) o risco de
trabalho. A validade dos dados, em se tratando de lesões ou patologias crônicas devido às atividades
pesquisa qualitativa, é aquela capaz de responder militares.
às questões colocadas, considerando suficiente o Não se observou qualquer influencia da hie-
número de entrevistas quando da reiteração e esgo- rarquia militar na percepção de risco dos infor-
tamento das categorias nas falas dos entrevistados14. mantes. Porém, um aspecto que merece destaque é
A análise dos dados foi iniciada durante a cole- o da superposição das percepções de risco. Os su-
ta de dados, pois segundo Minayo12, apesar de apre- jeitos que apresentaram percepções enquadradas
sentar-se como uma fase distinta, a análise dos na categoria (c) apresentaram também nas cate-
dados, em uma pesquisa de cunho qualitativo, tem gorias (a) e (b); os que apresentaram percepções
início já durante a fase de coleta dos dados, não na categoria (b) também apresentaram na (a). Isso
sendo estabelecidas separações rígidas entre a co- sugere uma hierarquização dessas percepções, co-
leta e a interpretação das informações, ou seja, a locando a categoria (a) num nível menos acurado
análise e interpretação estão contidas no mesmo e a (c) no nível mais acurado de percepção do risco
movimento: o de olhar atentamente para os da- da população estudada.
dos da pesquisa. Da transcrição das entrevistas se-
guiu-se à leitura exaustiva e repetida dos depoi- O risco de ser militar
mentos, em busca da identificação das categorias
empíricas presentes nas falas, para, em seguida, A totalidade dos informantes percebe que o
agrupar as falas por categorias, por meio dos quais fato de ser militar, no Rio de Janeiro, é um risco à
se procedeu ao aprofundamento de cada catego- sua integridade física e mental. Entretanto, esta vi-
ria. Além da categorização e descrição das percep- são do risco é parcial e restrita ao entendimento de
ções, foi feita a discussão, com base no referencial perigo iminente ao qual se vêem expostos no seu
teórico construído. cotidiano e para o qual não estão devidamente
Para que não fossem identificados os sujeitos preparados. Essa percepção pode ser melhor en-
entrevistados, cada voluntário recebeu um código tendida quando se consideram algumas falas apre-
composto pela abreviatura do posto seguida do sentadas abaixo:
tempo de serviço, em anos. Este estudo seguiu os Sim, naquelas missões de apanhar o militar que
aspectos éticos recomendados pela Resolução no está faltando ao quartel, em casa, a gente tem que ir
196/96 sobre pesquisa envolvendo seres humanos a cada lugar! Cada buraco! Subir em morros, favelas
e teve seu protocolo aprovado pelo comitê de ética que a gente não conhece, isso é muito perigoso!
em pesquisa do Instituto de Estudos em Saúde [2ºSgt18]
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Nesses serviços externos, a gente faz blitz, tem perar os dez fuzis e a pistola levados, na sexta-feira,
que abordar carros e você nunca sabe o que pode do ECT. A decisão foi tomada numa reunião entre o
acontecer. É normal acontecer também tiroteios no secretário de Segurança, Marcelo Itagiba, e o coman-
Gericinó [campo de instrução do Exército], perto dante do Comando Militar do Leste, general Do-
dos muros. A patrulha tem que ir ao Muquiço [fave- mingos Carlos de Campos Curado. A força-tarefa,
la próxima à Vila Militar] que também é perigoso. segundo divulgou a Secretaria de Segurança, visa
[1ºTen10] integrar unidades operacionais e as áreas de inteli-
Na Operação Abafo [operação para recupera- gência do Exército e da polícia para dar o suporte
ção de armas roubadas pelo crime organizado], a necessário ao Inquérito Policial-Militar (IPM), aber-
gente participou dela, fomos lá pras favelas e ali ti- to para investigar o roubo.
nha risco da gente tomar um tiro a qualquer mo- Já são 1.500 homens do Exército nos morros; efe-
mento! [Sd4] tivo é maior do que o mantido pelo Brasil no Haiti.
Na patrulha motorizada há o risco de sofrermos Agora são nove as favelas ocupadas pelo Exército:
ações de indivíduos ligados ao crime organizado [ten- Jacarezinho (Méier), Manguinhos (Bonsucesso),
tar roubar o armamento dos militares].[Cb4] Complexo do Alemão (Ramos), Dendê (Ilha do Go-
Quando estamos de serviço, armados, podemos vernador), Vila Formosa (Jardim América), Vila
ser surpreendidos por meliantes.[Cb2] dos Pinheiros (Maré), Parque Alegria (Caju), Pro-
Pôde-se observar uma relação que é represen- vidência (Centro) e Mangueira. O CML disse que as
tada simbolicamente pela expressão matemática ocupações são por tempo indeterminado16.
“crime organizado no Rio de Janeiro + ser militar Esse tipo de operação militar, por um lado,
= iminente risco de vida”. Essa relação é facilmente promove um aumento da sensação de segurança
percebida nos seguintes discursos: Naquelas mis- da população civil, mas, por outro, aumenta efeti-
sões de apanhar o militar que está faltando ao quar- vamente os riscos à saúde dos militares envolvidos
tel, em casa, a gente tem que ir a cada lugar! Cada na operação, considerando que esses últimos não
buraco! Subir em morros, favelas que a gente não são preparados para esse tipo de atividade.
conhece, isso é muito perigoso! [2ºSgt18] e Na pa- O tenente-coronel da Polícia Militar que co-
trulha motorizada há o risco de sofrermos ações de mandou a ocupação na Providência confirmou que
indivíduos ligados ao crime organizado [Cb4]. A soldados trocaram tiros com traficantes17. O ex-
condição de “agente de segurança pública”, logica- secretário nacional de Segurança Pública, também
mente contrário ao poder paralelo do crime orga- da Polícia Militar, fez a seguinte declaração à im-
nizado, parece gerar um estresse constante no mi- prensa: “Tenho receio de que o Exército comece a
litar que se desloca pela cidade do Rio de Janeiro. tomar tiro e essa garotada passe a atirar a esmo,
Essa percepção de risco comum aos militares até para se proteger. Os traficantes estão bem ar-
pesquisados pode ser melhor entendida quando se mados e conhecem os morros”18.
recorre a López15, que cita Ackerman, Dulong e Jeu- O aspecto do controle emocional é um simples
dy, sobre o imaginário da segurança, pois há uma exemplo dessa falta de preparo, pois não há avali-
grande uniformidade nos relatos, tanto das pes- ação psicológica para a seleção dos soldados do
soas que foram vítimas de atos violentos como da- Exército. Brito e Goulart19 publicaram o resultado
quelas que não o foram. Segundo esses autores, de um estudo com policiais, no qual afirmaram
elas interiorizam representações do que acontece nos que no contingente de policiais militares demiti-
casos de violência, os sentimentos e as condutas das dos, bem como dos que cometeram crimes, mas
vítimas e suas reações. O mecanismo de base é a não foram demitidos, e entre os que cometeram
identificação com a vítima e a reapropriação do in- suicídio, houve uma expressiva predominância de
cidente, o que gera uma socialização da inseguran- contra-indicados no exame psicológico. Esses da-
ça, pela qual se antecipa a própria vitimização. dos os levaram a sugerir que a predisposição para
Os trechos das entrevistas apresentados acima o cometimento desses desvios de comportamento
refletem o contexto sociopolítico da cidade do Rio pode ser identificada pelos testes psicológicos, apli-
de Janeiro, que vem exigindo, cada vez mais, a par- cados por ocasião do processo seletivo.
ticipação do Exército no resgate de materiais rou- A escalada da violência tem exigido políticas
bados de unidades militares e nas atividades de mais eficazes de segurança pública e acarretado
segurança pública propriamente dita. No dia 07 de uma sobrecarga física e emocional para os traba-
março de 2006, o jornal O Globo publicou a se- lhadores desse setor, que atuam com as precárias
guinte notícia: condições de trabalho, as quais interferem no de-
Ontem à tarde, a Secretaria de Segurança Públi- sempenho, afetam sua saúde, geram desgaste, in-
ca e o Exército criaram uma força-tarefa para recu- satisfação e provocam estresse e sofrimento psí-
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Neves EB, Mello MGS

quico20. Um exemplo disso é o armamento utiliza- parece insuficiente. Segundo Lipp22, essa situação
do pelos militares do Exército nas operações urba- de “policial” faz com que o militar lide com riscos
nas, o fuzil 7.62mm, que comprovadamente não é reais e imaginários que são inerentes à atividade,
adequado para essas ações, pois além do tamanho que geram estresse e sofrimento, e mesmo quando
inadequado, por ser muito grande para ser em- imaginários podem desencadear respostas de aler-
pregado em becos e vielas, um tiro dessa arma pode ta e até mesmo levar à morte.
perfurar várias paredes e atingir pessoas inocen-
tes. Isso deixa o militar no dilema de atirar para se Os riscos de acidentes
defender e correr o risco de atingir inocentes ou
receber tiros sem revidar, o que aumenta o risco de Uma segunda categoria de percepção que se fez
se ferir, pois não se neutraliza a fonte agressora. presente em boa parte dos informantes foi a per-
Essa intensificação da violência na cidade do cepção quanto aos riscos de acidentes em diversas
Rio de Janeiro se fez de forma tão rápida que as atividades militares, como é apresentado a seguir.
Forças Armadas, por não terem como missão o Sempre há o risco de batidas de viaturas, lesões
patrulhamento urbano, ainda não possuem tropa como fraturas ou torções e outros acidentes. [2ºTen7]
suficientemente preparada e treinada para esse tipo Risco? Só no salto de pára-quedas já teve uns
de ação. A percepção de risco atual dos militares cinco caras que se acidentaram grave aqui, desses
confirma a posição de Peres, Rozemberg e Lucca21, dois estão até hoje considerados incapazes pela junta
que apontam que a experiência, as informações e [médica] e devem ser reformados. Teve um caso de
background cultural formam uma tríade indisso- um soldado que ficou cego de um olho, foi um tiro de
ciável de determinantes da percepção de riscos, festim num exercício no campo. [1ºTen11]
embora estes não esgotem os fatores relacionados O soldado desenvolve as atividades de campo
com a construção da percepção de riscos em gru- [acampamentos] junto conosco e com os oficiais.
pos populacionais específicos. Então, nessas atividades, sempre acontece de alguém
Neste sentido, a pouca experiência desses mili- lesionar alguma coisa, coluna e joelho é muito co-
tares em ações de “segurança pública” e as ações do mum. [3ºSgt2]
crime organizado contra os agentes de segurança O risco que eu vejo é das viaturas sem condições,
pública promovem uma percepção de iminente ris- algumas motos já saíram pra operação sem os freios
co de vida a esses profissionais, apenas por exercer da frente! [1ºTen10]
as atuais funções dos militares. Lá na manutenção o risco que eu vejo é na hora
As falas como Risco eu vejo só na patrulha mo- de mexer em alguma viatura, os caras as vezes me-
torizada, pois os soldados que ficam na retaguarda xem com ela só no macaco e eu falo pra eles tem que
da viatura ficam muito vulneráveis correndo o risco ter um toco, porque se o macaco der problema já era!
de vir os chamados “bondes” [grupo de traficantes [2ºSgt18]
em diversos veículos], como a viatura é aberta, pode Nesses trechos, pôde-se perceber uma visão li-
ser facilmente alvejada por um desses bondes [3°Sgt3] mitada de risco, quase como sinônimo de aciden-
e O risco que a gente corre é o mesmo risco que te. Numa visão mais técnica, observa-se que os
qualquer militar corre ao tirar um serviço externo. fatores de risco para a saúde e segurança dos tra-
Tipo pode vir um vagabundo [bandido] e passar balhadores presentes ou relacionados ao trabalho,
atirando, até porque não somos nos que estamos de- de acordo com a Organização Pan-Americana da
satentos eles que costumam vir na covardia [Sd2] Saúde no Brasil podem ser classificados em cinco
mostram que esses profissionais parecem se sentir grandes grupos: físicos; biológicos; ergonômicos e
como alvos, uma vez que estão facilmente identifi- psicossociais; químicos e de acidentes23.
cáveis pelo uso da farda. A maior parte dos informantes não possuía
As ações em que os militares vêm sendo em- informações consistentes sobre como gerenciar os
pregados são ações do tipo “polícia”, nas quais o riscos das atividades, apesar de o Exército possuir
agressor encontra-se infiltrado na população que dois documentos que tratam da segurança ocupa-
se desloca a poucos metros dos soldados. Os mili- cional, o Caderno de Instrução 32/1 – Prevenção
tares têm sido preparados para os combates con- de acidentes na instrução e o Caderno de Instru-
vencionais entre forças regulares, uniformizadas e ção 32/2 – Gerenciamento do risco aplicado às ati-
facilmente identificáveis durante o confronto cor- vidades Militares24,25.
po-a-corpo. Recentemente, fruto da demanda, al- O caderno de instrução 32/1 – Prevenção de
gum treinamento para operações de segurança acidentes na instrução – é fundamentado em lições
pública já tem sido realizado pelos militares, mas apreendidas, um sistema de relatórios de caráter
considerando as falas apresentadas acima, ainda voluntário e esporádico que tem por objetivo o
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envio de sugestões para o aprimoramento desse e Os trechos abaixo corroboram com essa afirmati-
de outros documentos normativos calcados em va, pois apresentam as falas dos poucos militares
experiências bem sucedidas24. entrevistados que conseguiram perceber que estão
O método de gerenciamento de risco elabora- expostos a riscos que não os de acidentes ou o da
do pelo Comando de Operações Terrestres (CO- violência do crime organizado.
TER) tem a finalidade de sistematizar procedimen- Eu acho que a principal dificuldade em relação à
tos, responsabilidades e atribuições que propiciem saúde no acampamento é em relação ao desgaste físi-
o desenvolvimento e a execução de ações relacio- co, ao calor, ao frio, ao comer pouco e isso vai mi-
nadas à prevenção de acidentes de instrução e em nando o soldado. [1ºTen8]
outras atividades correlatas que envolvam o em- Uso gasolina, óleo diesel e óleo de motor no dia-
prego dos meios orgânicos e/ou sob custódia do a-dia da garagem [local de trabalho], na manuten-
Exército Brasileiro26. No caderno de instrução 32/2 ção e abastecimento das viaturas, às vezes uso gaso-
- Gerenciamento do risco aplicado às atividades lina para lavar algumas peças.[Cb5]
militares – constam quinze fichas, uma para cada [Você usa EPI?] Não, mas agora que estou na
tipo de atividade, para avaliação do risco pela equi- faculdade [biologia], eu vejo um risco em manejar
pe responsável pelo planejamento da instrução25. por muito tempo a gasolina, eu não sei especificar
Tal normatização mostrou-se muito incipien- qual é o malefício que ela causa ao organismo, mas
te, pois se observou que, além do número reduzi- sei que não é bom!.
do de atividades cobertas pelo documento, as fi- A frequente utilização das armas prejudica a
chas raramente eram empregadas quando da rea- audição. [3ºSgt4]
lização de uma atividade que possuía uma ficha Apenas esses informantes demonstraram al-
própria para avaliação do risco. guma percepção de risco quanto ao desenvolvi-
Pôde-se constatar que o conhecimento sobre mento de lesões ou patologias crônicas devido à
os Cadernos de Instrução 32/1 e 32/2 não é geral atividade militar. Almeida27 afirma que a percep-
por parte dos militares. Quando foram pergunta- ção dos trabalhadores sobre suas ações tem expli-
dos se conheciam tais documentos, ou algum do- cação em contingências da própria atividade, so-
cumento sobre gerenciamento do risco, surgiram bretudo nas pressões originadas do ambiente que
respostas como: Não, poucas vezes eu vi algum do- explicam a variabilidade do trabalho. Segundo o
cumento sobre isso ou que amarre alguma coisa em próprio Exército, durante toda a sua carreira, o
relação a isso! [2ºSgt18] e Não, nunca ouvi falar militar convive com o risco, seja nos treinamentos,
[3ºSgt2]. E ainda, mesmo aqueles que afirmavam na sua vida diária ou na guerra; a possibilidade
conhecer esses documentos, quando perguntados iminente de um dano físico ou da morte é um fato
se já haviam utilizado os formulários de gerencia- permanente de sua profissão28. Assim, como esses
mento do risco que são propostos pelo Caderno militares conseguem conviver com essa percepção
32/2, respondiam: Não, nunca preenchi esse formu- do risco e executar treinamentos que, decididamen-
lário [1ºTen10] e Não, nunca preenchi esses formu- te, lhes afetam a saúde?
lários, mas já vi companheiros preenchendo Essa questão é respondida por Dejours quan-
[1ºTen11]. do aponta que certos trabalhadores tentam elimi-
Mesmo que esses documentos fossem de ple- nar as impressões de risco de sua consciência para
no conhecimento dos militares, esses trabalhado- garantir a sua permanência na atividade, ou ainda
res apresentam um foco voltado apenas à preven- não sofrer outros tipos de pressão, como o pre-
ção de acidentes26, permanecendo ainda uma lacu- conceito dos companheiros, por não ser “corajo-
na com relação aos demais grupos de riscos, se- so” a ponto de realizar a mesma atividade que os
gundo a Organização Pan-Americana da Saúde no demais realizam29. Assim, o militar minimiza sua
Brasil. percepção de risco às atividades que ele, inconsci-
entemente, acredita que não pode modificar. Isso
O risco de lesões ou patologias crônicas o exime de qualquer responsabilidade sobre a pró-
pela exposição às atividades militares pria saúde, ficando em paz consigo mesmo e em
condições de continuar suas atividades profissio-
A análise dessa categoria aponta para a neces- nais sem culpa.
sidade de melhor capacitar esses militares (ou pelo Duarte Filho et al.30 afirmam que, em alguns
menos os comandantes e planejadores de ativida- casos, as condições de risco existem e são manti-
des) em segurança do trabalho, ampliando a visão das porque o convívio frequente com elas, ao lon-
ora apresentada e promovendo melhores condi- go do tempo, incorporou-as à normalidade das
ções de trabalho e de saúde aos seus profissionais. tarefas. Esse fato é desastroso, pois se acostumar a
1706
Neves EB, Mello MGS

uma situação errada, em que há exposição não- operações de Garantia da Lei e da Ordem (GLO).
controlada a um fator de risco, é fatal para a refle- Com relação ao gerenciamento do risco nessas
xão correta sobre o problema, pois, no ato de pen- atividades, pôde-se perceber que são normatiza-
sar sobre o todo, essa variável não será considera- das por dois documentos principais, o Caderno de
da e muito menos solucionada. instrução 32/1 e o 32/2, e se restringem aos riscos
Buscando um olhar mais global, a sociedade é de acidentes, não direcionando atenção aos demais
informada sobre os riscos a que está exposta, seja tipos de risco preconizados pela Organização Pan-
no item “efeitos colaterais” da bula dos remédios, Americana da Saúde.
seja na divulgação sobre a salubridade das praias Puderam-se identificar três categorias de risco
ou sobre a qualidade do ar. Assim, os trabalhado- percebido pelos militares quanto às atividades co-
res também têm o direito de serem informados muns de suas OM: (a) o risco de ser militar; (b) o
sobre os riscos inerentes à sua atividade profissio- risco de acidentes; (c) o risco de lesões ou patologi-
nal. Pois a vulnerabilidade desses trabalhadores é as crônicas devido às atividades militares.
resultante de um conjunto de aspectos não apenas Constatou-se que as percepções de risco apre-
individuais, mas também coletivos, contextuais, sentaram-se “hierarquizadas”, isto é, os sujeitos que
que acarretam maior suscetibilidade e menor dis- apresentaram percepções enquadradas na catego-
ponibilidade de recursos de todas as origens para ria (c) apresentaram também nas categorias (a) e
se proteger31. (b); os que apresentaram percepções na categoria
Apesar dos diversos recursos individuais utili- (b) também apresentaram na (a), colocando a ca-
zados pelos militares para conviver com o perigo, tegoria (a) num nível menos acurado e a (c) no
minimizando ou não sua percepção do risco, a ra- nível mais acurado de percepção do risco.
zão aponta para o fato de que, em tempo de paz Observou-se que a hierarquia militar não in-
ou na preparação para a guerra, a saúde do militar fluencia a percepção de risco dos militares. Entre-
deve ser preservada ao máximo, para que nas ope- tanto, pode-se notar que a violência local exerce
rações reais, o militar possa atuar com 100% do grande influência na saúde dos militares, pois mo-
seu potencial, mesmo que essa atuação acabe por difica substancialmente as rotinas diárias e suas
levá-lo à morte. emoções vivenciadas durante o trabalho.
Considerando o efetivo do Exército Brasileiro,
o que nos alerta para o grande número de traba-
Conclusão lhadores que dependem de suas próprias percep-
ções para se protegerem das situações de risco físi-
Apesar das diversas destinações, as tropas do Exér- co, ergonômico, psicossocial, biológico e químico,
cito Brasileiro desenvolvem atividades profissio- torna-se urgente a adoção de medidas que miti-
nais comuns: serviços de guarda aos quartéis, ser- guem essa vulnerabilidade, preparando-os tanto
viços externos aos quartéis (patrulha), instrução para as atividades inerentes à carreira, como tam-
militar, treinamento físico-militar, exercícios de tiro bém às novas missões que vêm se impondo no
e manutenção de armamento e viaturas e, ainda, cotidiano destes diferenciados trabalhadores.

Colaboradores

EB Neves e MGS Mello participaram igualmente


de todas as etapas da elaboração do artigo.
1707

Ciência & Saúde Coletiva, 14(5):1699-1707, 2009


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