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Adão Mendes Gomes

Davimário Trancoso Bitencourt


Diego de Almeida Silva
Douglas de Alencar Barbosa
Fabrício Araújo Santana
Marcelo Viana Barbosa Lopes
Thales da Silva Brito
Wagner Pereira Barreto

ACESSO A DIREITOS NA ERA DA INDETERMINAÇÃO


: Cidadania - um desafio para o acesso aos direitos

Relatório final apresentado ao Curso de Direito


da Universidade do Estado da Bahia - UNEB
como parte da avaliação da disciplina
Seminário Interdisciplinar I

Orientadora: Profª Mª. Mariana Veras.


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Salvador - BA
2008
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INTRODUÇÃO

Este relatório tem por objetivo relatar a experiência da equipe de alunos,


demonstrando o trabalho executado e os resultados obtidos durante o semestre 2007.2 da
disciplina Seminário Interdisciplinar I, do curso de Direito da Universidade do Estado da
Bahia, sob a orientação da professora Mariana Veras.
Os trabalhos se desenvolveram em conjunto com a Associação Santa Rosa de Lima
que integra as comunidades Paraíso Azul e Recanto Feliz, no bairro Costa Azul, na cidade do
Salvador.
A realização do trabalho interdisciplinar gerou, desde o começo, grande expectativa,
pois se constituía em intervir em um grupo com características muito diferentes da
experiência pessoal dos alunos. A situação que aguardava os alunos era conhecida apenas em
uma teoria vaga reclusa a academia e distante da experimentação.
A escolha do subtema evoluiu gradativamente, mas a equipe de alunos teve um pouco
de dificuldades em estabelecer o vínculo com a sociedade, para possibilitar a realização dos
experimentos fora do âmbito acadêmico, para além da teoria. Após diversas reuniões e quase
ao final do prazo limite para definir o projeto, surgiu a possibilidade de trabalhar com a
Associação Santa Rosa de Lima. Definidos o subtema “cidadania - um desafio para o acesso
aos direitos” e o recorte social para estudo, faltavam os trabalhos extra-academia.
Antes de iniciar os trabalhos de campo, foram realizados preparativos para que o
encontro com as pessoas da Associação ocorresse da melhor forma possível. Assim, foram
realizadas diversas reuniões entre os alunos; feitas pesquisas bibliográficas; preparado um
roteiro final com algumas alternativas de abordagens circunstanciadas à interação com a
Associação; distribuídas atividades operacionais de forma a possibilitar a realização do
encontro. Enfim, planejamento do que se esperava da intervenção, inclusive, assegurando o
alcance dos objetivos, para viabilizar o projeto.
Como estratégia de para aproximar os grupos, foi decidido que deveria haver alguns
contatos prévios, dessa forma foi realizada uma primeira visita para sentir um pouco do
comportamento da comunidade e estabelecer os primeiros vínculos. Todavia, conforme
relatado ao longo deste documento, os primeiros contatos com a Associação Santa Rosa de
Lima careceram de maior habilidade de comunicação por parte dos alunos. Tinha-se em
mente algumas questões, algumas idéias de abordagem, mas faltava conhecimento da cultura
e da experiência que aquela comunidade obtivera da interação com outros extratos sociais, na
luta para assegurar o direito à moradia.
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Para a elaboração teórica do trabalho foram utilizados textos estudados ao longo do


semestre e referências afins fornecidas pela professora Mariana Veras e outros trazidos da
experiência dos alunos.

O SUBTEMA

Até acontecerem as primeiras aulas de Seminário Interdisciplinar, até os alunos dos


três semestres terem se reunidos para levar ao colegiado uma proposta para os seminários,
pairava sobre a cabeça dos calouros, o que era, afinal, esses seminários? Na primeira aula,
quando a proposta de realização e o tema já estavam definidos (acesso a direitos na era da
indeterminação), a nebulosa crescera ainda mais com o termo indeterminação. Finalmente, a
turma tinha que se dividir em equipes, escolher a forma de trabalho a ser apresentado,
escolher um subtema. Qual subtema? Acesso à justiça, acesso a direitos, era algo bastante
genérico, bastante amorfo. Até que Douglas, ao final da primeira aula, conversando com
Thales, citou que seria interessante trabalhar uma questão relacionada com uma escola, pois
nesse ambiente as pessoas nem sempre possuem uma idéia clara do que seja direitos, justiça,
ou mesmo judiciário. Douglas comentava sobre um episódio que certa vez presenciara no
ônibus, com uma pessoa reclamando pelo fato do ônibus não ter parado no ponto e ter
negligenciado seu “direito de consumidor”. Douglas argumentava que não deveria a pessoa
exortar pelo seu “direito de consumidor”, mas o direito de cidadão.
Posteriormente, enquanto refletia sobre a necessidade de fazer um seminário em
equipe, sem sequer ter um tema ou subtema certo, Thales se lembrou de um texto de Roberto
da Matta “Cidadania - uma questão relacional” onde, em síntese, ele trata da problemática da
cidadania no Brasil como algo inexistente e que, segundo o autor, o que impera no país são as
relações, os grupos, famílias, ao qual a pessoa que está inserida se serve destes como
sustentáculo para suas ações, inclusive estando estas ações acima ou fora da lei. Ligando esse
texto com outros, Thales sugeriu o uso de textos de Wolkmer e Adorno, que começavam a ser
estudados em sala de aula. Tratavam, estes textos, do patrimonialismo no Brasil, algo de certa
forma parecido com que Da Matta traz em sua visão sociológica de questão relacional, e da
inoperância e corrupção histórica do executivo, legislativo e mais detidamente do judiciário
no país.
Após a definição dos membros da equipe e discussão em grupo dessas questões, ficou-
se acertado que cada componente deveria buscar na literatura sugerida propostas, textos,
idéias que fizessem o trabalho decolar. Thales trouxe o texto de Da Matta, que agrupado às
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idéias de Douglas, possibilitou criar um embrião de subtema baseado na problemática da


cidadania como dificuldade de acesso aos direitos. A idéia para alguns parecia alienígena, fora
do contexto, uma vez que no texto de Da Matta, quase não se colocava uma posição frente ao
judiciário. Pelo menos para professora orientadora do projeto, o assunto parecia interessante,
entretanto, bastante abrangente. Havia a necessidade de um recorte. Após essa
problematização, acabou a questão da cidadania sendo o trabalho da equipe, até porque foi a
única proposta lançada que vingou. Faltava o subtema que, após discussões, ficou “Cidadania
– um desafio para o acesso aos direitos”.
Influenciado pela idéia de Douglas, Thales pontuou a possibilidade de se fazer uma
intervenção, a qual a professora cogitou na possibilidade desta ser feita na Associação Santa
Rosa de Lima, onde a UNEB, em parceria com outras instituições, realiza o projeto “Direito à
Educação: uma proposta de alfabetização de jovens e adultos para a cidadania”. O projeto do
trabalho foi então feito.

ASSOCIAÇÃO SANTA ROSA DE LIMA

A Associação Santa Rosa de Lima integra as comunidades Paraíso Azul e Recanto


Feliz e localiza-se no bairro Costa Azul, na cidade do Salvador. A Associação tem um
histórico de conquista de cidadania demarcada pela luta por moradia, que a partir de 2004
juntamente com a CONDER – Companhia de Desenvolvimento Urbano do Estado da Bahia, e
através do Projeto Integrado de Desenvolvimento Socioambiental do Costa Azul, nestas duas
comunidades, foi efetivado o direito à moradia para 450 núcleos familiares na primeira etapa
de implantação.
A Associação estabelece parcerias com diversas organizações no sentido de ampliar os
seus direitos e fortalecer a organização comunitária. Dentre as organizações parcerias,
destaca-se a Universidade Católica do Salvador, a Conder, a Coelba, ONG Moradia e
Cidadania, Instituto Fazer e Acontecer, Paróquia Santa Rosa de Lima, Universidade do
Estado da Bahia.
Nas comunidades ainda persiste um grande número de unidades residenciais em infra-
estrutura e estado precários. No que se refere à educação, mais de 60% da população não
completou o ensino fundamental e ainda persiste um índice considerável de analfabetos
absolutos e funcionais. Quanto ao emprego e renda, a incidência maior recai sobre empregos
temporários, trabalho autônomo e eventual. Conforme a CONDER, a população
economicamente ativa 57,68%, desta, 12% desempregada, 22% carteira assinada, a maior
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parte dos desempregados encontram-se nas faixas de 19 –24 anos e 31–40 anos e 26% tem
auxílio governamental.
A UNEB, desde 2007, vem estreitando vínculos com a comunidade através da
Associação. A partir de dezembro de 2007, considerando as demandas postas pela
comunidade no sentido de ampliar o nível de escolaridade, foi implantado o projeto “Direito à
Educação: uma proposta de alfabetização de jovens e adultos para a cidadania”. Trata-se de
uma ação extensionista do Curso de Direito do Campus I, em parceria com o MEC/ SESu/
PROEXT 2007, envolvendo três professores e 6 estudantes. Os principais objetivos são:
promover a alfabetização de jovens e adultos que não tiveram acesso à escolarização em idade
própria, no período de oito meses; proporcionar aos estudantes a oportunidade de realização
de um trabalho comunitário, ampliando a participação social e política; implementar ações de
natureza interdisciplinar; abrir canais de comunicação entre a Universidade e as comunidades;
fomentar uma política em Direitos Humanos no âmbito da formação para a cidadania.
O projeto encontra-se implantado e em desenvolvimento cujo vínculo entre a
Universidade e comunidade vem sendo fortalecido pela confiança que a comunidade explicita
a favor do projeto. Decorre disso a emergência de novas demandas para as quais a
Universidade procura atender.

INTERVENÇÕES NA ASSOCIAÇÃO

Decidido pelo trabalho com a Associação Santa Rosa de Lima, faltava consultar os
membros da Associação sobre essa possibilidade, bem como as condições para sua realização.
Com o apoio da professora Mariana Veras, foi agendada uma visita para observação e
manutenção dos primeiros contatos, conhecer o local, mostrar a proposta para que a
comunidade, desta forma, permitisse a realização do trabalho.
No dia quatorze de abril, Davimário, Diego, Fabrício, Marcelo e Wagner estiveram na
associação, acompanhados da professora Mariana Veras, para estabelecer esses primeiros
contatos. A equipe chegou ao local enquanto acontecia uma aula, e não foi possível fazer uma
apresentação formal, explicando o propósito da visita. Posteriormente, a visita foi discutida na
reunião semanal da Associação, e foi considerada como suspeita, não tendo sido bem
acolhida, pois ninguém sabia o que aquelas pessoas “estranhas” foram fazer lá. Eles se
sentiram invadidos, como que se estivessem sendo fiscalizados. Tudo isso em função de falha
de comunicação da equipe. No dia vinte e oito de abril, Thales e Douglas, juntamente com a
professora Mariana Veras, foram à Associação, quando foi esclarecido o objetivo da visita
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anterior e superado o mal-estar causado. Faltava ainda a confirmação da Associação acerca da


possibilidade de realização de uma intervenção envolvendo o subtema em questão. Após
alguns contatos mediados pela professora orientadora do projeto, ficou combinado que o dia
14 de maio, por ocasião da reunião semanal da Associação, seria a data ideal, pois haveria
tempo hábil para planejar a intervenção, bem como preparar os dados obtidos para
apresentação do seminário na Uneb.
A equipe planejou a intervenção para acontecer sob a forma de debate e suscitar o
levantamento de questões pela própria comunidade. Para esta intervenção foram selecionados
vídeos, músicas e algumas frases no intuito de suscitar um debate que fornecesse subsídios
para a defesa da teste do trabalho de que a cidadania é um processo que se constitui através da
luta organizada. Além disso, foram providenciadas cartilhas informativas, “Balcão de Justiça”
e “Lei Maria da Penha”, elaboradas pelo Tribunal de Justiça da Bahia. Havia a preocupação
de tornar o encontro o mais informal possível, lúdico, a fim de falar sobre o acesso aos direito
sem a formalidade costumeira da área jurídica.
No dia da intervenção principal, a orientadora do projeto teve a gentileza de apresentar
o projeto e disponibilizar a palavras para a equipe, ocasião na qual foram feitas apresentações
individuais. Apesar da receptividade das pessoas, a equipe de alunos teve um pouco de
dificuldades em contornar o silêncio da platéia de aproximadamente 70 pessoas. Logo no
início da apresentação, houve travamento do computador de onde seria mostrado o vídeo, o
que levou ao silêncio e perplexidade, tendo a equipe sustentado o vazio através da intervenção
oral, aguardando que o funcionamento do computador fosse restabelecido. O problema
perdurou por dois minutos, mas parecia uma eternidade, pois a credibilidade da equipe e do
trabalho estava em julgamento pelas pessoas presentes.
Após a projeção do primeiro vídeo, Thales perguntou “o que elas entendiam por
cidadania?” e “quem se considerava cidadão?”. Todavia, ninguém se dispôs a comentá-las.
Percebeu-se o primeiro erro, pois os alunos eram estranhos à Associação e seria
necessário ganhar a confiança do grupo antes de introduzir questões mais diretas. Ao partir
diretamente para a interrogação das pessoas, criou-se um obstáculo intransponível entre o
grupo e os membros da comunidade do costa azul. Este problema só foi superado com a
intervenção da professora Mariana Veras.
O grupo estava normalmente nervoso, mas acentuou-se com os problemas técnicos no
inicio do debate, o que acabou gerando um grande nervosismo por parte dos alunos. Mas
acabou dando tudo certo graças às intervenções da professora Mariana Veras, que na hora
certa intervinha no debate. Desta forma, a orientadora do projeto conseguiu passar
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tranqüilidade tanto para o grupo quanto para os membros da associação de moradores que
participavam do debate.
O objetivo dos alunos foi alcançado, pois foi possível obter da comunidade um
conceito de cidadania que estava além do conhecimento teórico que a academia proporciona.

APRESENTAÇÃO DO SEMINÁRIO NA UNEB

Todo o material colhido foi editado e algumas partes foram selecionadas para serem
apresentadas como resultado do trabalho de campo. A cada parte selecionada foram tecidas
críticas e comentários que confrontaram o conceito de cidadania e a forma de acessar direitos
com o que foi verificado na comunidade. Estes recortes foram comparados com a literatura
utilizada e demonstrado, através da confrontação, a sabedoria que provém da Associação
Santa Rosa de Lima e dos moradores das comunidades englobadas.
Após as considerações iniciais e saudações feitas por todos os integrantes que se
faziam presentes, Thales iniciou a apresentação fazendo uma explanação dos fundamentos
teóricos utilizados desde o início do projeto de pesquisa voltados à questão da cidadania.
Logo depois foi apresentado um pequeno vídeo que foi coletado junto a Associação de
Moradores Santa Rosa de Lima no dia quatorze de maio, ocasião na qual ocorreu a
intervenção com o debate. Após a apresentação do vídeo onde um morador da Associação
falava sobre a necessidade de participação de todos para que os direitos sejam alcançados,
Davimário comentou sobre a necessidade de participação política, sobre a discussão de
assunto de interesse como, o espaço público, onde o homem livre exerce sua cidadania e
como este assunto estava sendo conduzido na Associação, através da mobilização para a
construção da cidadania. Após um outro vídeo, onde o conceito de cidadão é apresentado com
maestria por um morador da comunidade, quando ele diz que “o cidadão anda na linha,
trabalha e busca seus direito”, Davimário observa a sabedoria que vem do povo simples da
comunidade. Também nestas palavras encontra-se o conceito de alteridade: aprender a
conviver com as diferenças, buscando equilíbrio entre os diversos pontos de vista.
Diego apresentou, com base nas palavras de uma integrante da Associação, a
dificuldade em entender o que os contratos diziam, devido ao abuso dos termos difíceis e as
dificuldades de compreensão da linguagem técnica contratual. Diego abordou também sobre o
direito a moradia que é fundamentalmente garantido pela Constituição Brasileira de 1988,
mas seu alcance é dificultado também pelo formalismo dos contratos.
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Fabrício apresentou a falta de informação e comunicação como obstáculos à cidadania,


ressaltando que a publicidade dos direitos deve ser garantida a todos. O direito a comunicação
é legalmente garantido e contribui diretamente à construção democrática.
Douglas falou da articulação temática entre Cidadania na Era da Indeterminação no
campo político e Jurídico. Também o quanto a constituição garantista e democrática de 1988,
muitas vezes, não alcança o cidadão. Mais adiante comentou sobre a distância entre a
formalização da lei e o campo social. Depois comentou sobre o desafio para uma unificação
dos códigos antigos a uma nova interpretação democrática e atual.
Ao final da apresentação, Thales faz mais uma intervenção para uma abordagem sobre
a vida de homens que mudaram a história através de uma luta social intensa, e como exemplo
relata de forma sucinta a história de Martin Luther King, que influenciado pelas idéias de
Gandhi pela desobediência civil sem o uso da violência e pela busca da verdade, lutou pela
igualdade de direitos civis, sociais e políticos entre brancos e negros nos Estados Unidos.
Aqui se têm exemplos de personalidades que através de um processo de conscientização e
essencialmente de luta processual desarmada construíram e conquistaram os direitos e ideais
de justiça de toda uma população, de toda uma classe, de todo um povo.
Os trabalhos foram concluídos com a apresentação de um vídeo contendo frases destas
mesmas personalidades e de outras que mudaram a história com seus ideais de luta. Fazendo
levar todos a refletirem que a formação da cidadania para ser concretizada é necessária uma
luta intensa ao alcance dos direitos que estão escritos, mas nem sempre aplicados.
A defesa oral do material produzido obteve grande aceitação na academia. Isso foi
observado pela receptividade com que professores e alunos de todas as turmas manifestaram e
pelos comentários que foram feitos após a conclusão do trabalho.
Por fim, percebeu-se que o trabalho foi muito proveitoso e deixou marcas indeléveis
na formação da equipe. O fato de observar o clamor, ouvido na comunidade, por acessar seus
direitos naturalmente negados fez os alunos refletirem como outro extrato da sociedade
percebe a organização social vigente que segrega e desfavorece ainda mais os distantes da
elite econômica que ainda é o grande cliente do Direito vigente.

CONCLUSÃO

A construção do trabalho como um todo foi de muita complexidade, pois articular


bibliografia não é uma tarefa fácil principalmente com a demanda de leitura que os alunos
possuíam. No entanto o fato de terem usado alguns textos comuns com outras disciplinas
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ajudou um pouco. A presença, sempre atenciosa e disponível, da professora Mariana Veras do


projeto, ajudou muito, principalmente, devido à inexperiência por parte da equipe com esse
tipo de trabalho.
A possibilidade de trabalhar com a Associação Santa Rosa de Lima que possui um
histórico de lutas para garantir o acesso aos direitos foi, no entendimento da equipe, o aspecto
mais positivo desse trabalho. A intervenção foi uma experiência ímpar e prazerosa na medida
em que se pôde dar um sentido prático ao estudo do Direito: o esclarecimento do povo. A
equipe de alunos acredita que a oportunidade para novas discussões foi criada e um debate foi
apenas iniciado, ficando a expectativa, expressa claramente por todos, alunos e Associação,
de continuar o entendimento e discussão do que seja cidadania.
Com relação ao desenvolvimento dos trabalhos, recomenda-se, para os próximos
semestres que a temática seja escolhida com maior antecedência para que dê tempo aos alunos
para trabalharem as subtemáticas de forma adequada.
Com relação a este projeto, a equipe considera a possibilidade de aproveitar o trabalho
realizado neste semestre, para preparação de um artigo sobre essa subtemática, que poderá ser
publicado.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

ADORNO, Sérgio. Os aprendizes do poder: o bacharelismo liberal na política brasileira.


Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1988.
ARENDT, Hannah. A condição humana. 6. ed. Rio de Janeiro: Forense Universitária, 1993.
ASSEMBLÉIA GERAL DAS NAÇÕES UNIDAS. Declaração Universal dos Direitos
Humanos. 1948.
BRASIL. Constituição (1988). Constituição da República Federativa do Brasil. Brasília,
DF: Senado, 1988.
Cartilha da Mulher: o direito sagrado de viver sem violência: Tribunal de Justiça da
Bahia, 2007.
Cartilha do Balcão de Justiça e Cidadania. Salvador: Tribunal de Justiça da Bahia, 2007.
CHAUÍ, Marilena. A sociedade democrática. In: SOUSA JUNIOR, José Geraldo; MOLINA,
Mônica C.; TOURINHO NETO, Fernando da Costa (orgs.). Introdução Crítica ao
Direito Agrário. O Direito Achado na Rua. vol. 3. São Paulo: Imprensa Oficial do
Estado, 2002, p.331-340.
COVRE, Maria de Lourdes Manzini. O que é cidadania. São Paulo: Brasiliense, 1991.
DA MATTA, Roberto. A Casa & A Rua: espaço, cidadania, mulher e morte no Brasil. 5.
ed. Rio de Janeiro: Rocco, 1997.
DALLARI, Dalmo de Abreu. O que é participação política. 10. ed. São Paulo: Brasiliense,
1991.
11

DALLARI, Dalmo de Abreu. O que são direitos da pessoa. São Paulo: Brasiliense, 1981.
GOLD, Gerald; Ghandi: uma biografia fotográfica. Seleção fotográfica e posfácio:
Richard Attenborough. Tradução: Francisco Luís Horácio da Matta. 2. ed. Rio de Janeiro:
Francisco Alves, 1983.
KING JUNIOR, Martin Luther. Eu Tenho Um Sonho. Portal Afro: Instituto Cultural.
Disponível em: <http://www.portalafro.com.br/religioes/evangelicos/
discursoking.htm>. Acesso em: 20 mai. 2008.
KING JUNIOR, Martin Luther. Eu Tenho Um Sonho. Disponível em:
<http://pt.wikipedia.org/wiki/Eu_Tenho_Um_Sonho>. Acesso em: 20 mai. 2008.
MANZINI-COVRE, Maria de Lourdes. Cidadania, cultura e sujeitos. In: SPINK, Mary Jane
Paris (Org.). A cidadania em construção: uma reflexão transdisciplinar. São Paulo:
Cortez, 1994.
O Acesso aos Direitos e à Justiça: um direito fundamental. Revista Eletrônica Mensal do
Curso de Direito da UNIFACS, Salvador, ano 2007, n. 88, out. 2007. Disponível em:<
http://web.unifacs.br/revistajuridica/edicao_outubro2007/convidados/con4.doc>. Acesso
em: 15 abr. 2008.
SAWAIA, Bader Burihan. Cidadania, diversidade e comunidade. In: SPINK, Mary Jane Paris
(Org.). A cidadania em construção: uma reflexão transdisciplinar. São Paulo: Cortez,
1994.
WOLKMER, Antonio Carlos. História do Direito no Brasil. 4. ed. Rio de Janeiro: Forense,
2007.
12

ANEXO I

PROJETO DE SEMINÁRIO INTERDISCIPLINAR I

1. TEMA

Cidadania: um desafio para o acesso aos direitos

2. JUSTIFICATIVA

Com o advento da modernidade e a formação dos Estados ditos democráticos, temos o


que se pode chamar de revolução individualista1, em outras palavras a sociedade ocidental
tem como preceito a idéia de cidadania, a qualidade do indivíduo, agora chamado de cidadão,
pertencente a um espaço público e que define o seu ser em termos de um conjunto de direitos
e deveres para com outra entidade também universal, o Estado.
Nestes moldes, em quase sua totalidade de Constituições, vê-se o ocidente
assegurando os direitos individuais baseados em princípios de igualdade e liberdade que por
sua vez possui um direito positivado que tem como características um aspecto de
generalidade, onde a lei é para todos e não para algumas pessoas; de abstratividade, alegando
que a norma objetiva alcançar o maior número possível de ações e acontecimentos; de
impessoalidade, referindo-se à idéia de neutralidade diante da particularidade individual, pois
a norma tem a pretensão de estender-se a uma quantidade indefinida de pessoas, de modo
aleatório e não particularizado.

3. PROBLEMÁTICA

O projeto será orientado por diversas questões-problemas a respeito do termo


Cidadania como as abaixo descritas.
• A obtenção da Cidadania é garantia de acesso aos direitos?
• As garantias legais asseguram o acesso aos direitos do cidadão?
• Como se entende a Cidadania para o brasileiro?
• Como as relações interpessoais afetam no ser cidadão?
• A Cidadania fortalece a inclusão social?
• Qual a importância de uma associação comunitária para realização da
cidadania e outras formas de organização do tecido social?

1
Visão de mundo centrada no indivíduo enquanto cidadão livre e autônomo, destacado do todo social.
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4. REVISÃO DE LITERATURA E FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA.

Segundo Antonio Carlos Wolkmer, em História do Direito no Brasil, “O Direito


moderno Liberal-individualista se assenta numa abstração que oculta as condições sociais
concretas. Tem a pretensão de ser um Direito igual, supondo a igualdade dos homens sem
tomar em conta os condicionamentos reais concretos[...]” (2007, p.31), “[...]tem-se, assim, um
significado ideológico, o de ocultar a desigualdade real dos agentes econômicos, para desse
modo se conseguir a aparência de uma igualdade formal, a igualdade perante a lei” (2007,
p.33).
Sérgio Adorno em Os Aprendizes do Poder revela que no período logo após a
Independência do Brasil “[...] a força da aliança entre liberais moderados e grupo absolutista
[...]teve como efeitos retificar os caminhos populares, esquadrinhar rigidamente o espaço de
participação política e silenciar a expressão pública das reivindicações democráticas”. (1988,
p.58)
Tanto em Wolkmer quanto em Adorno percebe-se a formação de um Estado
Brasileiro, desde o seu período colonial, passando pela Independência até a República,
eminentemente burocrático, patrimonialista, cujas instituições públicas e seus atores sociais
vêm beneficiando uma elite dominadora, deixando uma grande margem de excluídos em
nossa sociedade.
Marilena Chauí, em seu texto Sociedade Democrática (2002, p.338), declara:
O autoritarismo social e as desigualdades econômicas fazem
com que a sociedade brasileira esteja polarizada entre as carências das
camadas populares e os interesses das classes abastadas e dominantes,
sem conseguir ultrapassar carências e interesses e alcançar a esfera
dos direitos. Os interesses por não se transformarem em direitos,
tornam-se privilégios de alguns, de sorte que a polarização social se
efetua entre despossuídos (os carentes) e os privilegiados. Estes, por
serem portadores dos conhecimentos técnicos e científicos, são os
competentes, cabendo-lhes a direção da sociedade.

Ainda revela: “uma carência é sempre específica, sem conseguir generalizar-se nem se
universalizar num direito”. Da mesma forma que um privilégio por ser sempre particular,
ocorre o mesmo, “pois se tal ocorresse deixaria de ser privilégio”.
Nesse cenário materialmente desigual, sobressai o indivíduo agente de direitos
formais, mas não consolidados ante a ausência de uma esfera pública onde o exercício da
política poderia conduzir à realização do bem comum.
14

As leis passam então a exprimir os privilégios dos poderosos ou a vontade pessoal dos
governantes; enquanto o poder Judiciário, segundo a autora, (2002, p.339) “aparece como
misterioso, envolto num saber incompreensível e numa autoridade quase mística. Aceita-se
por isso mesmo que a legalidade seja por um lado incompreensível; e por outro, ineficiente (a
impunidade não reina livre e solta?); e que a única relação possível com ela seja a da
transgressão (o famoso jeitinho)”.
Dessa forma observa-se que a idéia de cidadão passa por um processo “construção”
em um país baseado nessas gritantes diferenças e redes de privilégios. O gozo pleno dos
direitos, assim como o conhecimento dos deveres fica em segundo plano. Conforme Roberto
da Matta, em A Casa e A Rua, “a noção de cidadania, o conceito de indivíduo engendram
práticas sociais e tratamentos substancialmente diversos”. (1997, p.75) Tem-se como
“resultado uma nítida distinção de certas categorias ocupacionais que passaram a ter mais
direitos que outras, gozando mais cedo e melhor de certos direitos universais”. (1997, p.75)
O mesmo autor ainda cita que no Brasil, por contraste, “a comunidade é
necessariamente heterogênea, complementar e hierarquizada. Sua unidade básica não está
baseada em indivíduos (cidadãos), mas em relações e pessoas, famílias e grupos de parentes e
amigos” (1997, p.77). Ou seja, “no Brasil, o indivíduo isolado e sem relações, a entidade
política indivisa, é algo considerado como altamente negativo, revelando apenas a solidão de
alguém que, sem ter vínculos, é um ser humano marginal em relação aos outros membros da
comunidade [...] O que vale é a relação”. (1997, pp.77,78)
Ainda que esteja assegurado no plano formal, na Constituição Federal, que todos são
iguais perante a lei, não é assim que a cidadania, como um papel social, é vivida no cotidiano
da sociedade. Inclusive a palavra cidadão é muitas vezes usada com uma conotação negativa
no Brasil, para marcar a inferioridade ou desvantagem de outro. Expressões como “aquele
cidadão tem que esperar um pouco”, “o cidadão não está com todos os documentos em
ordem”, indicam que o uso do termo universalizante cidadão tornou-se uma forma de não
resolver ou dificultar a resolução de um problema.
Para finalizar o mesmo DA MATTA revela que “o cidadão é a entidade que está
sujeita à lei, ao passo que a família e as teias de amizade, as redes de relações, que são
altamente formalizadas política, ideológica e socialmente, são entidades fora da lei” (1997,
p.81), ou, melhor dizendo, acima da lei. Dessa forma, o papel social do indivíduo e o aspecto
universalizante de ser cidadão tornaram-se, antes de tudo no Brasil, um verdadeiro desafio
para um real acesso aos direitos, uma vez que estes de nenhuma forma estão realmente
15

assegurados. Vê-se então um Direito que se distancia de um ideal de justiça e que tampouco
sua positivação no ordenamento jurídico remete a uma igualdade de todos perante a lei.

5. METODOLOGIA E VIABILIDADE

Intervenção na Associação Santa Rosa de Lima


O grupo pretende abordar, na comunidade, questões concernentes ao subtema aqui
exposto, ou seja, os problemas enfrentados no Brasil com relação à cidadania que está apenas
instaurada no discurso formal, mas distante de seu verdadeiro exercício na sociedade, fazendo
com que se mantenham privilégios de alguns por meio de um sistema de relações, colocando
em xeque o exercício efetivo de direitos e garantias. Questões que emergem a partir da
revisão bibliográfica sobre a temática e são, ao mesmo tempo, contempladas a partir de outros
recortes e linguagens no cotidiano desta comunidade, nas suas lutas para efetivação e
exercício de muitos dos direitos já assegurados formalmente.
Deste modo, a forma escolhida para realização dessa intervenção será através da
promoção de um debate na Associação Santa Rosa de Lima, localizada à rua Prof. Isaías
Alves de Almeida, Costa Azul, sede da comunidade de moradores do local, onde se abrirá
discussões a respeito do tema. Para isso serão utilizados recursos áudios-visuais e dinâmicas
de grupo para haver interação maior entre a equipe que realizará o trabalho e a comunidade.
É importante frisar que essa abordagem tentará colher o máximo possível de
informações e relatos das experiências dos indivíduos da comunidade através de questões
previamente elaboradas e que possam alimentar discussões. Intenta-se, após o levantamento
das questões, compreender a temática proposta a partir das interações, falas das pessoas da
comunidade durante a intervenção, articuladas ao referencial teórico levantado na fase de
revisão bibliográfica.
Esta intervenção será gravada, posteriormente, degravada, analisada e confrontada
com o que foi levantado bibliograficamente a respeito do assunto para publicização da
experiência na semana do interdisciplinar e confecção de um relatório final.

6. OBJETIVO

De forma geral, o objetivo deste trabalho será promover uma discussão acerca dos
temas “Cidadania” e “Direito”, considerando situações práticas enfrentadas pelos integrantes
da comunidade foco da pesquisa de campo e a bibliografia estudada.
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7. CRONOGRAMA

24/03 31/03 07/04 14/04 21/04 28/04 05/05 12/05 19/05 26/05 02/06 09/06
ATIVIDADE a a a a a a a a a a a a
30/03 06/04 13/04 20/04 27/04 04/05 11/05 18/05 25/05 01/06 08/06 14/06
Definição da equipe e escolha do subtema

Levantamento Bibliográfico

Levantar História da Cidadania

Levantar história e documentos da


Associação Sta Rosa de Lima

Visitar Associação Sta Rosa de Lima

Levantar vídeos e charges

Elaborar questionário para orientar coleta de


dados

Elaborar proposta de dinâmica de grupo

Realizar intervenção na Associação Sta Rosa


de Lima

Coleta de Dados

Tabulação dos Dados

Estudo comparado da cidadania

Análise dos Resultados

Apresentação do Seminário

Elaboração e Conclusão do Relatório Final

8. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

ADORNO, Sérgio. Os aprendizes do poder: o bacharelismo liberal na política brasileira.


Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1988.
ARENDT, Hannah. A condição humana. 6. ed. Rio de Janeiro: Forense Universitária, 1993.
Cartilha da Mulher: o direito sagrado de viver sem violência: Tribunal de Justiça da
Bahia, 2007.
Cartilha do Balcão de Justiça e Cidadania. Salvador: Tribunal de Justiça da Bahia, 2007.
CHAUÍ, Marilena. A sociedade democrática. In: SOUSA JUNIOR, José Geraldo; MOLINA,
Mônica C.; TOURINHO NETO, Fernando da Costa (orgs.). Introdução Crítica ao
Direito Agrário. O Direito Achado na Rua. vol. 3. São Paulo: Imprensa Oficial do
Estado, 2002, p.331-340.
COVRE, Maria de Lourdes Manzini. O que é cidadania. São Paulo: Brasiliense, 1991.
DA MATTA, Roberto. A Casa & A Rua: espaço, cidadania, mulher e morte no Brasil. 5.
ed. Rio de Janeiro: Rocco, 1997.
DALLARI, Dalmo de Abreu. O que é participação política. 10. ed. São Paulo: Brasiliense,
1991.
17

DALLARI, Dalmo de Abreu. O que são direitos da pessoa. São Paulo: Brasiliense, 1981.
MANZINI-COVRE, Maria de Lourdes. Cidadania, cultura e sujeitos. In: SPINK, Mary Jane
Paris (Org.). A cidadania em construção: uma reflexão transdisciplinar. São Paulo:
Cortez, 1994.
O Acesso aos Direitos e à Justiça: um direito fundamental. Revista Eletrônica Mensal do
Curso de Direito da UNIFACS, Salvador, ano 2007, n. 88, out. 2007. Disponível em:<
http://web.unifacs.br/revistajuridica/edicao_outubro2007/convidados/con4.doc>. Acesso
em: 15 abril 2008.
SAWAIA, Bader Burihan. Cidadania, diversidade e comunidade. In: SPINK, Mary Jane Paris
(Org.). A cidadania em construção: uma reflexão transdisciplinar. São Paulo: Cortez,
1994.
SPINK, Mary Jane Paris (Org.). A cidadania em construção: uma reflexão
transdisciplinar. São Paulo: Cortez, 1994.
WOLKMER, Antonio Carlos. História do Direito no Brasil. 4. ed. Rio de Janeiro: Forense,
2007.
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ANEXO II

ROTEIRO PARA INTERVENÇÃO NA ASSOCIAÇÃO DIA 14/05/2008

Esboço da aula: Vídeos

Direitos Humanos – Acessos à Justiça e Educação e Justiça:

• Qual a reflexão que podemos ter diante dos vídeos agora expostos?

• O que podemos entender como “acesso aos direitos”? Antes de mais nada, o que seria
“direitos”? (colocar questão para o grupo).

R: Formalizar ao final que direitos podem ser entendidos como a possibilidade de praticar
ou não determinado ato, e que isto é protegido legalmente; e também a possibilidade que
alguém pode ter de exigir ou que se deixe de praticar determinado ato por outros.
Estamos ai num conceito formal e estrito de direito subjetivo e relação jurídica (isso não
precisa ser explicado na intervenção), onde existe um sujeito ativo portador de um direito
(subjetivo) que pode exigir do sujeito passivo um cumprimento de um dever (jurídico).
Daí a premissa que “para cada direito há um dever a ser cumprido”.

• A todos nós é dado o direito de livre locomoção, de direito à saúde, à moradia, à


educação, ao bem-estar, direitos esses que estão no cerne dos direitos humanos. Estes
direitos nos são dados de forma igualitária? (colocar questão para o grupo).

Nota: estes direitos estão na 1ª, 2ª e 3ª geração dos direitos humanos. Não é necessário
realizar essa divisão no debate, mas, apenas fomentar essa questão no sentido de constatar
mais tarde que cidadania está apenas num conceito formal.

• Será mesmo que todos nascem livres e iguais em dignidades e direitos, observamos
isso no dia a dia de nossas vidas? (Aqui pode ser lido o começo do art. 5º da CF/88 e
ou da declaração dos direitos humanos de 1948).

O mesmo da questão anterior, o artigo 5º fundamenta-se justamente nesses direitos


humanos.

• O que seria então direitos humanos? (Instigar a discussão e fechar com algum dos
possíveis conceitos, como por exemplo, que direitos humanos sendo são necessidades
fundamentais que todas as pessoas têm e que precisam ser atendidas para que elas
possam sobreviver e possam atender às suas necessidades, mantendo assim sua
dignidade).

Instituto Pedra de Raio

• Quais reflexões que podemos ter diante desse vídeo? Afinal de contas, o que seria ser
cidadão? O que é cidadania? Em quais momentos do nosso dia-a-dia ouvimos ou
empregamos estes termos?
19

R: (Uma vez formalizado o conceito de direitos e deveres a idéia de luta dos sujeitos,
podemos construir o conceito de cidadão que em síntese é “o indivíduo possuidor de
direitos e deveres perante o Estado”. Para Maria de Lourdes Manzini Covre, em “O Que é
a Cidadania”, “a proposta mais funda de cidadania é a de que todos os homens são iguais
ainda que perante a lei”, mais ainda da garantia dos direitos humanos, “enfim no direito de
ter uma vida digna de ser homem”. Refere-se à cidadania “como o próprio direito à vida
no sentido pleno”. Ela mesma pondera logo no início do seu texto que cidadania pode ter
várias acepções a depender dos grupos, dos personagens que tratam do assunto. Dalmo de
Abreu Dallari, em “O Que São Direitos das Pessoas” define cidadania de uma forma mais
estrita como “a situação (jurídica) de uma pessoa em relação a determinado Estado”.
Exemplificando: aquele que pertence ao povo brasileiro é cidadão brasileiro).

 Induzir à confirmação de expressões como: “aquele cidadão tem que esperar um


pouco”, “o cidadão não está com todos os documentos em ordem”.

• Com outras palavras, vocês nestas situações em que ouvem essas frases, percebem que
a palavra cidadão tem um significado positivo ou negativo?

• Vocês acreditam que a informação sobre cidadania pode ajudar nessa comunidade
para construção de um bem comum maior para todos?

Como objetivo este vídeo tem como base a possibilidade de fomentar a construção da
idéia de cidadania não apenas no papel, uma vez que de fato ela não existe. Um primeiro
passo para esse conquista da cidadania pode ser através do conhecimento, da informação
das leis. (Possibilidade de supressão deste vídeo uma vez que os mesmos questionamentos
feitos neste podem ser usados no posterior, ou de utilização de um vídeo após o outro).

Clipe momento cidadania

• Ao final do clipe diante de todos os problemas mostrados, nos é passado uma


mensagem muito importante. Qual seria essa mensagem?

R.: Como cidadãos devemos lutar pelos nossos direitos. Devemos levar o grupo a refletir,
como afirma Marilena Chauí em “A Sociedade Democrática” que:

As idéias de igualdade e liberdade como direitos civis dos cidadãos


vão muito além de sua regulamentação jurídica formal. Significam
que os cidadãos são sujeitos de direitos e que onde não existam tais
direitos, nem estejam garantidos, tem-se o direito de lutar por eles e
exigi-los. É este o cerne da Democracia.

A conquista da democracia e da cidadania vai além do plano de conhecimento, passando


pelo processo de conscientização, e que também constitui em um processo de luta através
da união dos entes da comunidade como forma de conquista de um bem-comum, de seus
direitos.
20

Brasilzinho – Band TV destaca a cartilha da justiça

• Até agora percebemos uma dificuldade no verdadeiro exercício de nossa cidadania em


nosso país, percebemos também que esta só pode ser construída através da luta.

• O que se pode fazer para formar a cidadania aqui em nossa região?

• No dia a dia, entre nós, o que se pode fazer para praticar a cidadania aqui dentro da
comunidade?

(Distribuição da parte número 5 da cartilha e possibilidade de fomentação de mais debate.


Importante salientar mais uma vez que “todo direito é conseqüência de um dever
previamente cumprido”, que esses direitos e deveres são construídos a cada dia na própria
comunidade com o trato com o outro, que isso aumenta a idéia de pertencimento do grupo
e que, os cuidados que tem com o seu lar, sua família podem ser estendidos para a rua,
para comunidade, para o espaço público. Fortalece-se assim a consciência de luta por
melhorias na região, por constituir-se num bem comum. Por fim, para a conquista de uma
relação de cidadania, torna-se imperativo o conhecimento, a informação, a
conscientização, a luta, e que isto constitui um processo de exercício do dia a dia).

(Dependendo do tempo, essa discussão pode ser fomentada no clipe anterior, e este vídeo
pode ser suprimido ou pode servir como elemento ilustrativo e de reiteração das questões
anteriores, uma vez que o juiz o qual é entrevistado comenta da necessidade de
conhecimento por parte da população de noções básicas do Direito, do Poder Judiciário,
da necessidade de conscientização política, entre outros. Assim durante a execução do
vídeo fica-se apenas a equipe na incumbência de distribuir a parte da cartilha que é
comentada no próprio vídeo).

Juizados Especiais

• Alguém aqui tem conhecimento desses juizados?

• Algum de vocês já teve dificuldades em conseguir algo perante as autoridades?


(instigar discussão sobre casos).

• Você acha que há tratamentos diferentes quando se busca algo perante a justiça?
(fundamentar sobre o patrimonialismo de forma implícita e o paradoxo entre lei e
cotidiano).

• Alguém aqui já se encontrou em situações nas quais teve certeza que tinha direitos
mas mesmo assim não conseguiu o que buscava?
(levantar questão sobre necessidades básicas da comunidade).

(Pode-se, a depender do tempo mostrar o vídeo apenas de forma ilustrativa, como forma
de conhecimento desses juizados, ou simplesmente pode ser suprimido e ser distribuído a
Cartilha do Balcão de Justiça e Cidadania, tecendo um breve comentário do que seja esse
Juizados Especiais e ao que eles se propõem).

Eu tenho um sonho
Finalização do trabalho