Вы находитесь на странице: 1из 241

Escolaridade Obrigatória

Alexandra Lobo
Maria
Helena
Costa

IDENTIDADE
género
de

Toda a Verdade
Reservados todos os direitos de acordo com a legislação em vigor.
Reprodução proibida por todos e quaisquer meios.

O conteúdo e as ideias expressas nesta obra são da inteira


e exclusiva responsabilidade da Autora.

©2018, Maria Helena Costa e Emporium Editora


Rua Conde Ferreira, n.º 3
2800-077 Almada, Portugal
E-mail: geral@emporiumeditora.com

Título: Identidade de Género


Autora: Maria Helena Costa
Editora Executiva: Clara Pinheiro Simões
Revisão: Madalena dos Santos (Emporium Editora)
Paginação: Gonçalo Cardal Pais
Capa: Gonçalo Cardal Pais
isbn: 978-989-8955-03-6

www.emporiumeditora.com
Índice

Prefácio 7
Introdução 9
O que é a Ideologia de Género? 12
Teoria Queer  17
«Mas… Se duas pessoas se amam… Por que não?» 24
Como, E Quando É Que Toda Esta Loucura Começou? O Que
Aconteceu Nos Países Onde Começou Há Mais Tempo? 30
A Ideologia de Género e a experiência fracassada do caso Reimer 38
O que se passa pelo mundo? 46
“Quando o Mundo Enloqueceu” 58
E Por Cá? O Que Se Está A Passar? 64
Manuais para implementação da Ideologia de Género nas Escolas75
Afinal, para que vai servir a Educação para a Cidadania? 80
Uma Professora Preocupada 84
E A Ciência? O Que Diz? 95
Pais, Algumas Perguntas: 122
Se Os Seus Filhos São Heterossexuais, Não Serão Respeitados. 126
A nação é um reflexo do lar 134
Acorde! Você está a ser manipulado! 137
Já não existem padrões morais em relação ao sexo? 142
À beira da destruição 146
Sintomas do fim — Imoralidade 150
As Nossas Crianças De “Pijama Às Riscas” 158
“Cevados” Para A Matança 162
Enrolados 167
Amordaçados 171
Encolhidos De Medo? 175
«Seria cómico, se não fosse trágico!» 180
Ideologia? Ou filosofia? 183
Saiba Como Usar A Constituição Contra A Ideologia De Género [sexo]
 188

Anexos:
Plataforma pelas Liberdades Petições aos grupos parlamentares 196
O Veto Do Presidente da República 203
Portuguis? A língua portuguesa transformada em “novilíngua” 205
Rodrigo Transformou-se em Tiffany O Ícone Transexual Que Agita
O Voleibol 209
Carta aberta ao Comitê Olímpico Internacional 212
«Anda tudo a fazer pouco Da gente»  218
5 Razões para Não Aceitarmos A Ideologia De Género, Na
Perspectiva Da Razão 221
Amado Leitor: 224
Referências Bibliográficas 229
Prefácio

Para quem já conhece a Maria Helena, sabe que não é mulher para dei-
xar de falar ou escrever o que lhe vai na alma. O estilo de escrita incisivo, que
consegue ser agridoce (porque se baseia no binómio com que Jesus tratava
as pessoas, o da Sua maravilhosa graça, mas ao mesmo tempo da verdade
que podia desiludir algum do seu auditório – como o jovem rico, escribas,
fariseus, doutores da Lei, etc.) e baseado num trabalho de investigação sem
pudores, leva a que sejamos confrontados com um assunto cada vez mais
em voga… o da ideologia de género. O que será isso? Que implicações tem?
Como se reflete na vida cristã de hoje e na Igreja? São tantas as questões que
podemos colocar e que precisam de resposta. Neste livro vai encontrar, senão
a maioria das respostas sobre estas temáticas, pelo menos boa parte delas.
A Maria Helena consegue neste livro, abrir a caixa de Pandora e falar
do que muitos têm medo de abordar. Gabo-lhe a coragem. Então, porquê
ler este livro? Em primeiro lugar, porque é um tema atual e estarmos a par e
passo da atualidade nunca feriu ninguém. Em segundo lugar, porque inde-
pendentemente da espiritualidade ou religiosidade que cada um manifeste
(ou não), a liberdade de expressão é um direito consagrado na Constituição
da República Portuguesa e é salutar que nos expressemos, assim como, ter a
possibilidade de expressar aquilo em que cremos (ou não). Em terceiro, por-
que é uma autora nacional, que investe o seu tempo naquilo a que podemos
chamar uma obra de caridade: o esclarecimento de crentes e descrentes sobre
variados assuntos e como eles se relacionam com Deus. Por fim, é um livro
que não vai deixar ninguém indiferente. Vai mexer nas consciências e nas
vísceras, porque não nos vai permitir ficar numa zona cinzenta… confronta-
-nos com o que é a sã doutrina do Cristianismo, com aquilo que a ideologia
de género (e tudo a ela associada) propõe e com as suas implicações.
A sociedade que quer ser cada vez mais humanista e laica, precisa de

7
ouvir a voz da sua tradição judaico-cristã falar, porque é nela que começaram
por ser assentes os pilares de uma sociedade cada vez mais justa e civilizada.
Quando recebi este convite e tive a oportunidade de ler todo o conteúdo, fui
forçado a meditar no valor da família, ponto fundamental de cada sociedade.
Que tipo de sociedade queremos? Até onde se desenha no chão, o limite
para a moral e a ética de um conjunto de indivíduos que vivem em comu-
nidade? É aqui que a Maria Helena também nos ajuda. No esclarecimento
sincero e frontal. Porque colocar um penso rápido num problema progres-
sivo não vai resolver. Termino dizendo que mesmo não concordando com
tudo, a minha visão sobre esta temática saiu mais enriquecida após a leitura
do livro. Leia-o sem preconceitos. Leia-o mesmo que sinta dores. Leia-o
na expectativa de perceber onde fé e ciência dão as mãos ou se degladiam.
Simplesmente, sem medos, leia-o.

Ricardo Mendes Rosa

Blogger responsável pelos projetos Freecoded e Dois mil anos.


Gestor de redes sociais e informático.
Cristão Pentecostal congregante na Assembleia de Deus em Sacavém|Loures.

8
Introdução

• Sorrateiramente, instalou-se como a peste negra, mas veio camufla-


da de vacina.
• Diz trazer a cura, mas traz a morte.
• Alega promover a tolerância, mas não tolera ninguém que não seja
a seu favor.
• Diz que só quer ter os direitos que os outros têm, mas nega-me o
direito de manifestar uma opinião discordante acerca da sua cos-
movisão.
• Ignora a minha vontade e o meu direito de educar os meus filhos e
quer educá-los, para a sua ideologia, à minha revelia, nas escolas e
nas universidades.
• Pede liberdade, mas promove leis para punir e prender quem não
pensa como ela.
• Quer transformar mulheres em homens e homens em mulheres.
• Quer acabar com a masculinidade e com a feminilidade.
• Quer criar um mundo novo onde ninguém é nada e pode ser tudo
o que quiser.
• Quer desconstruir a humanidade e transformá-la a seu bel-prazer.

Quem é?
— É a ideologia/identidade de género.

Promovida por um lobby poderosíssimo, tem ganho terreno todos os


dias e ameaça destruir os alicerces da sociedade. Milhões de crianças, jovens
e adultos, em todo o mundo, estão a ser vítimas de uma lavagem cerebral
massiva que promete transformá-los numa folha em branco onde os ideólo-

9
gos de género possam escrever o que quiserem. Ao arrepio da ciência e dos
muitos alertas da comunidade médica essa ideologia terrível avança, sem
freio, para atropelar e “matar” todos os que se levantem contra ela e a des-
mascarem.
Este livro foi pensado e escrito num tempo record e pretende ser um
abre-olhos para todos aqueles que se preocupam realmente com os seus fi-
lhos e com a sociedade d’hoje e d’amanhã. É baseado no muito material
disponível na Internet, na opinião profissional do médico sexólogo, Dr. Abel
Matos Santos, do American College of Pediatricians, etc.

Eu sei que muitos podem olhar para este livro como mais uma “teoria da
conspiração”, mas, infelizmente, não o é.

Pais, os nossos filhos estão em perigo e é nossa obrigação fazer algo para
os proteger desta máquina destruidora que é a ideologia de género.
Posto isto, convido-o a descobrir o que é essa ideologia — que estão a
enfiar goela abaixo aos nossos filhos, na escola e nos meios de comunicação
social — e a preparar-se para a guerra, porque nós estamos numa guerra e,
numa guerra, precisamos conhecer muito bem o inimigo para podermos
vencê-lo.

Deus nos ajude,


Maria Helena Costa

10
«Sabe, porém, isto: que nos últimos dias sobrevirão tempos traba-
lhosos. Porque haverá homens amantes de si mesmos, avarentos,
presunçosos, soberbos, blasfemos, desobedientes a pais e mães, ingratos,
profanos, sem afecto natural, irreconciliáveis, caluniadores, incon-
tinentes, cruéis, sem amor para com os bons, traidores, obstinados,
orgulhosos, mais amigos dos deleites do que amigos de Deus, tendo
aparência de piedade, mas negando a eficácia dela. Destes afasta-te.
Porque deste número são os que se introduzem pelas casas, e levam
cativas mulheres néscias carregadas de pecados, levadas de várias
concupiscências; que aprendem sempre, e nunca podem chegar ao co-
nhecimento da verdade.»

— 2 Timóteo 3:1-7
Identidade de Género

O que é a Ideologia de Género?

A ideologia de género é um braço da revolução cultural mundial que visa


implantar o socialismo no mundo. O braço de uma DESCONSTRUÇÃO
social — da Nova Ordem Mundial — que visa a reorientação da sexua-
lidade humana e do género humano. Uma DESCONSTRUÇÃO total do
homem e da mulher e das suas características físicas SECUNDÁRIAS.

«Secundárias?», pergunta o leitor.

— Sim. Porque cirurgia alguma pode mudar a natureza biológica com


que alguém nasce. De acordo com o Dr. César Vidal, a ideologia de género:

«É a maior ameaça totalitária que o ser humano alguma vez viu, e não é
exagero dizer que implica uma mudança radical do género humano. Algo
jamais imaginado pelo nazismo ou até pelo comunismo.»

Já a Dra. Michelle Cretella afirma:

«A ideologia de género alega que não existe «natureza humana» para con-
seguir desprezar a importância do sexo biológico. Dessa forma, qualquer
pessoa pode afirmar ser qualquer coisa, inclusive um dragão. Este é o caso de
Richard Hernandez, um homem “transgénero” que decidiu ser a primeira
“Mulher Dragão” do mundo.»

O que é que ideólogos de género — com os movimentos femi-


nista e LGBTQ à cabeça — dizem?

«Só pedimos tolerância e igualdade de direitos para todos!»

12
Maria Helena Costa

O que é que eles, na realidade, querem dizer?

«Tens de assumir a nossa cosmovisão, fazer dela lei, ensiná-la nas escolas
e universidades e multar — ou até prender — todo aquele que não pensa
como nós.»

«Mas», questiona o leitor, «afinal, o que é uma ideologia»?

«Uma ideologia é um corpo fechado de crenças sobre si mesmo que pretende


dar uma explicação de todas as coisas como um interesse em particular. Para
isso, parte de uma ideia básica, falsa, a partir da qual são feitos raciocínios
lógicos. A partir daí, as pessoas aplicam essa ideologia até às últimas conse-
quências.»

Em linguagem mais simples: Se eu acredito que sou um gato, mio, ron-


rono, como comida para gatos, ando de gatas e abano o “rabo”.Quem és tu
para dizer que eu não sou um gato?
Sim, eu sei que os defensores da ideologia de género vão dizer que a mi-
nha afirmação é ridícula e não leva em conta o sofrimento dos transsexuais,
mas…
Além de Richard Hernandez, um homem “transgénero” que decidiu ser
a primeira “Mulher Dragão” do mundo; na Noruega, Nano, uma mulher de
vinte anos, afirma ter nascido na espécie errada e afirma que é uma gata presa
num corpo humano. Com a aceitação da família, a jovem anda de gatas pela
casa, usa orelhas de gato e um rabo postiço, ronrona, mia, arranha as paredes,
tem medo de cães, já tentou caçar ratos e diz ter, a audição e a visão apuradas
dos felinos… é, de acordo com a ideologia de género, transespécie.
Ela diz: «Fui um gato toda a minha vida, mas só assumi aos 16 anos
quando médicos e psicólogos descobriram o que havia dentro de mim.», mas
depois também diz algo como isto: «Já recebi ajuda de um psicólogo» mas
que decretou que seria gato por toda a sua vida.
Enfim, na óptica de qualquer ser humano normal e dos médicos que a
acompanharam, ela precisa de tratamento psiquiátrico a uma doença cha-
mada “licantropia”1. De acordo com a “Acta Psychiatr Scand”: «a pessoa
que sofre dessa doença acredita ser um animal, enquanto, ao mesmo tempo,

13
Identidade de Género

preserva consciência interior para se lembrar de quem realmente é». Stuart


Olyott, no livro “Ouse ser firme”, escreveu: «Pessoas acometidas por essa
enfermidade terrível agem como o animal que imaginam ser e emitem os
ruídos que o caracterizam. Uma forma específica dessa doença é chamada:
“boantropia”. Muitos casos já foram registados. No século XIX, houve um
número surpreendentemente alto de casos nas Ilhas Britânicas. Certas pes-
soas acreditavam ser bois ou vacas e agiam exactamente como esses animais,
não esquecendo completamente a sua verdadeira identidade.»

Amado leitor: não ponho em causa o sofrimento daqueles que sofrem


de “disforia de género”, o novo nome de uma antiga doença mental que dava
pelo nome de: “transtorno da sexualidade”. O que eu ponho em causa é uma
ideologia que não quer tratar da doença, mas sim aproveitar-se dos que dela
sofrem para a tornar incurável.

Aliás, hoje, dia 18 de Junho, de 2018, a OMS [Organização Mundial de


Saúde], pressionada pela agenda da Ideologia de Género:

«… deixa de considerar a transexualidade como uma doença mental e


passa a considerar o vício por videojogos como tal. No CID-10, anterior
relatório da organização, a transexualidade era considerada”transtorno de
identidade de género”. Contudo, não deixa de ser mencionada no CID- 11,
publicado esta segunda-feira, como “incongruência de género”. Isto para que
as pessoas ainda possam receber apoio médico, por parte do Sistema Nacional
de Saúde, “visto que é frequente pessoas lidarem com depressão ou ansiedade
antes de lidarem com a transformação / aceitação”, […] Até agora, quem
não se identificava com o sexo que lhes foi atribuído à nascença era con-
siderado doente mental. Transexual é uma pessoa que sente que o seu sexo
não está de acordo com a sua identidade de género; “é a forma mais extrema
da perturbação da identidade de género, em que as pessoas se identificam
persistentemente como membros do sexo oposto ao que lhes foi atribuído ao
nascimento e necessitam de adaptar a sua aparência física à sua identida-
de de género através de terapias hormonais e/ou procedimentos cirúrgicos
(que não se limitam à cirurgia genital) ” segundo um relatório da associação
ILGA Portugal sobre a transexualidade. […] As associações de apoio a co-

14
Maria Helena Costa

munidades LGBT (Lésbicas, Gays, Bissexuais e Transexuais) já lutavam


contra este diagnóstico por parte da OMS para que saísse desta classificação,
pois era considerada discriminativa.
O CID é uma listagem de todas as doenças, distúrbios, condições e causas de
morte que é utilizada para fins estatísticos e preventivos.»2

Sexo atribuído à nascença? Tipo: atribui-se um pénis ou uma


vagina a quem acabou de nascer?

Somos o que sentimos ser? Desde quando? E se eu sentir que


sou um ogre? Sou-o de facto?

Se eu, que nasci mulher, me sentir um homem, sou-o de facto e


não tenho nenhum problema mental?

Mas, se eu for viciada em jogar videojogos sofro de uma doença


mental?

É a pressão de algumas comunidades multimilionárias, que de-


fine o que é doença mental e o quenão é?

Se eu chegar ao médico, disser que sinto que só tenho uma perna


e que quero amputar a outra, ele envia-me para psiquiatria, certo?
Mas se eu chegar ao médico e lhe disser que sinto que sou uma mu-
lher e que quero amputar o pénis, estou bem da cabeça?

Parem o mundo que eu quero subir!


Tal como a ideologia nazi, que provocou o holocausto, a ideologia de
género é um dos braços da cultura da morte que promete destruir as bases
da sociedade. Como disse Nicolás Gomez d’Ávila:

«Não é necessária violência para destruir uma civilização. Cada civilização


morrerá pela indiferença em relação aos valores únicos que a criaram.»

15
Conversas:

— Sr. Doutor, sinto-me o pirata da perna-de-pau. Aliás, eu sou o


piratadaperna-de-pau desde criança, mas nasci neste corpo com duas
pernas e quero amputar uma.
— Mmm... Acho melhor marcarmos uma consulta de psiquiatria,
pois não é recomendável, nem normal, querer amputar um membro
são e que lhe faz falta.

Entra o próximo paciente:


— Sr. Doutor, sinto-me uma mulher presa no corpo de um homem e
quero amputar o pénis, pois sei que sou uma mulher desde que nasci.
— Parabéns pela sua coragem! Vamos dar início aos trâmites legais
imediatamente, e o Estado terá o maior prazer em pagar a cirurgia
para que finalmente possa amputar esse membro inútil e ser aquilo
que quer. Afinal, nós só estamos aqui para que os pacientes se sintam
bem consigo mesmos e sejam aquilo que querem ser.

#istoéideologiadegénero
Maria Helena Costa

Teoria Queer

Desconstrução social/sexual

A teoria/ideologia Queer, é a base da Ideologia de Género, uma


“invencionice” que promove a reorientação sexual e a desconstrução da he-
terossexualidade, ou seja, da família.
É uma teoria sobre o género [sexo], que afirma que a orientação sexual
e a identidade sexual, ou de género, dos indivíduos, são resultado de uma
construção social e que, portanto, não existem papéis sexuais essencial ou
biologicamente inscritos na natureza humana, mas sim formas socialmente
variáveis de desempenhar um ou vários papéis sexuais. A teoria Queer teve
origem nos EUA, nos anos 80, a partir de estudos gays, lésbicos e feministas
e alcançou maior notoriedade a partir do fim do século passado, tendo sido
fortemente influenciada pelo filósofo francês Michel Foucault, pela sua obra
“História da sexualidade”, 1984, e pelo movimento feminista. Essa teoria vi-
sa a desconstrução da heterossexualidade, como algo natural e normal. Para
isso, inventou a palavra “heteronormatividade” — que sugere que a heteros-
sexualidade é imposta e normativa — afirma que o género é neutro e que
as crianças devem ser criadas sem definição de papéis sexuais, e/ ou sociais,
pois, de acordo com a teoria, não há diferença entre os sexos. Assim, a teoria
garante que o preconceito entre homens e mulheres devido ao género [sexo]
seria destruído.

Por muito nobre que o objectivo possa parecer, à primeira vista, a verda-
de é que mascara uma prática perigosa pois coloca as pessoas, especialmente
as crianças, em conflito com a sua sexualidade, podendo gerar transtornos de
identidade de género [disforia de género], pois sabemos o quanto os papéis,

17
Identidade de Género

bem como figura e modelos de pai e mãe, são essenciais na construção dos
homens e mulheres de amanhã.

A teoria Queer tem vindo a avançar, qual camião TIR desgovernado,


na tentativa de desconstruir a heterossexualidade — como algo natural e
normal — e a família, fundada nos laços sanguíneos e que só existe e se
multiplica por meio das relações sexuais [heterossexuais], entre o homem e a
mulher, o macho e a fêmea. Apesar da ofensiva massiva, patrocinada e pro-
movida por lobbies poderosíssimos, a heterossexualidade ainda permanece
como único modelo gerador de vida, de acordo com a sua natureza biológica,
e não de forma normativa, imposta e/ou compulsória, como se tenta fazer
crer.

Todos os testes científicos provam, inequivocamente, que somos pre-


dispostos a desenvolver as características físicas e psicológicas do sexo a que
pertencemos. Mas, a teoria Queer, sob o disfarce de um discurso aparen-
temente nobre, promove uma prática nefasta — um absurdo surreal que é
bandeira política das esquerdas marxistas que defendem apenas um grupo
— uma minoria — como se essa minoria vivesse numa ilha e pudesse criar
e impor as suas ideologias e ideais, regras e normas, à maioria que constitui
a população mundial. Cegos pelos seus próprios conceitos querem educar as
nossas crianças — as suas cobaias — incutindo nas suas mentes, ainda em
formação, que podem ser o que quiserem independentemente do que sejam
na realidade. Esquecem-se que uma educação saudável passa por ensinar
que, nem tudo é como queremos ou idealizamos e que, ao longo da vida,
teremos de saber lidar com as mais diversas frustrações.
Contra a História da Humanidade e a Ciência, contra o bem senso e
até a sanidade mental, parece que o mundo caminha para essa reorientação
sexual, que deveria ser vista pelas áreas médicas e psicológicas com grande
desconfiança e cuidado. Sabemos que é uma preocupação mundial e que há
os que a defendem, mas também os que a criticam.
A Ideologia de Género/Queer promove a ideia bizarra de que a família
pode ser construída apenas por laços afectivos e que não tem nada a ver com
laços sanguíneos. O problema é que, sem que haja sexo entre um homem
[macho] e uma mulher [fêmea] não há laço afectivo que gere filhos — não

18
Maria Helena Costa

há reprodução da espécie e a família acaba. Por muito que se alegue o con-


trário, esta desconstrução da família natural — homem + mulher = filhos
— não eliminará preconceito algum, só cria mais problemas e mais precon-
ceitos, visto rejeitar a heterossexualidade como normal/natural e apontar a
homossexualidade como natural e até desejável. Então, para os heterosse-
xuais, a proposta da teoria Queer é a certeza da desconstrução da família e
de uma reorientação social acerca da sexualidade de cada um, que lhes está a
ser imposta — uma desconstrução da heterossexualidade.
O movimento Queer argumenta que se deve motivar a família homos-
sexual e afirma que a intenção é colocar definitivamente em xeque esse
conjunto que bapizaram como: “normativo ocidental”. Segundo eles:

«O sangue era como uma das últimas barreiras à etapa de nos tornarmos de
facto seres culturais, afectivos e simbólicos». 1

Não lhe parece que este pensamento, que incita reacções con-
tra a família e contra aqueles a quem eles chamam “religiosos” e/ou
“conservadores”, sugere, motiva e incita a um preconceito contra o
mundo ocidental por causa da sua tradição e da sua fé?

Há coisas que, ao contrário das pretensões da teoria Queer, não podem ser
mudadas por muitas palavras novas que se inventem. Identidade sexual não é
uma alienação psicológica que pode variar conforme os nossos humores.

Haverá maior gerador de conflitos do que afirmar que homem


e mulher [macho e fêmea] são construcções da sociedade e não os
seus constructores?

Usar a vitimização daqueles que sofrem de um transtorno mental para


nos induzir a defendê-los da verdade acerca de si mesmos, não é razoável.

Como é que eu, que nasci de homem e mulher e sou mãe, posso
aceitar que ensinem aos meus filhos que a maternidade/paternida-
de são construcções sociais e que eles não são nada, nem homens
nem mulheres?

19
Identidade de Género

A teoria Queer ou movimento LGBTT, que é o verdadeiro mentor des-


sa desconstrução, querem impor-nos a aceitação da “família” homossexual
com um absolutismo medonho, que não deixa espaço a argumentações e/ou
opiniões contrárias. Laboram apenas para desconstruir a biologia e a ciência
que afirmam que só a heterossexualidade é natural, preserva e multiplica a
raça humana.

Qual é a democracia de tal imposição? Quem é que tem direitos?


Só eles?

Paulo Roberto Ceccarelli, psicólogo e psicanalista, alerta:

“Se a heteronormatividade encontra-se questionada, na linha de uma des-


construção do discurso social sobre a sexualidade e num fluxo freudiano,
provoca que também a homossexualidade seja uma invenção de nosso con-
texto ocidental.”2

A teoria Queer quer impor-nos a homossexualidade e a transsexuali-


dade como conceito/lugar seguro para a afirmação identitária de sujeitos.
É um movimento político e ideológico, limitado à construção imaginária
da nossa história e práticas sociais. Explicando: quer desconstruir a hete-
rossexualidade como normal e impor-nos, cultural e compulsivamente, a
homossexualidade. É como alguém que quer trocar 12 por uma dúzia.
De acordo com Cléber Lizardo de Assis:

«Ela [a ideologia de género] emerge, contra o instituído do conceito de “hete-


rossexualidade”, apregoando a vivência e a condição do sexual não natural
e não normativo».3(grifo meu)

A teoria Queer, critica tudo o que não se conforma à sua ideologia de


mundo — saberes religiosos, médicos, psicológicos, psiquiátricos e jurídi-
cos — e afirma que tanto as normas como a naturalidade são forjadas por
estes leigos e/ou profissionais. Tudo isto é um claro malabarismo contra a
verdadeira ciência.

20
Maria Helena Costa

As críticas à clara maioria heterossexual são severas e descartam to-


talmente a biologia e a genética, desconstruindo milénios de História da
Humanidade e afirmando que a família — desde o primeiro casal — foi
historicamente arquitetada por poderosos e que deve ser desconstruída pelo
movimento Queer. É isto que lemos nas palavras de Souza Filho:

“As realidades humano-sociais, em toda sua diversidade e em todos os seus


aspectos, são produtos de construção humana, cultural e histórica […] [e se
opondo] a todas as tentações substancialistas e essencialistas, notadamente as
tentativas de biologização do social, muito difundidas atualmente.”4

E é nesta perspectiva que a teoria Queer se constitui, avança como refe-


rencial teórico da sexualidade, influenciando, um pouco por todo o Ocidente,
as ciências humanas, e exerce grande influência sobre o campo sociocultural,
particularmente na área da psicologia que pretende nortear de acordo com
as suas crenças.

Nesta desconstrução social, a religião e a fé têm sido apontadas como


alvo a abater por, de acordo com os ideólogos de género, promover o pre-
conceito contra os homossexuais. Usando os média para disseminar uma
manipulação intelectualmente desonesta, atribuem ao judaísmo/cristianis-
mo a construção da heterossexualidade (como se a humanidade existisse
sem ela) e levam ao delírio os seus seguidores quando lhes prometem des-
construir a heterossexualidade, nem que para isso atropelem tudo e todos.

Num estado de direito e laico, como é possível que se prendam


pessoas e os filhos lhes sejam retirados por os criarem como hete-
rossexuais e por lhes ensinarem que sexo, de acordo com o plano de
Deus, é entre um homem e uma mulher?

Creio que chegou o momento de enfrentarmos esta desconstrução so-


cial — este ataque cerrado à família —e lutarmos para que essa loucura não
arraste a Humanidade de forma muito mais intolerante. Claro que todos os
cidadãos têm direito a viver como quiserem e a fazerem o que bem entende-
rem dos seus corpos, mas não podemos aceitar que nos obriguem a pensar

21
Identidade de Género

como eles e a ser doutrinados para dizermos “Amém”, a todos os seus deva-
neios. Caminhamos em passo acelerado para uma cultura que desrespeita
o próximo e que pode provocar uma escalada de violência quando a maioria
se cansar de ser perseguida e se rebelar contra uma ideologia que pretende
reorientar a sexualidade dos nossos filhos a seu bel-prazer.
O Estado de Direito não pode ser refém de uma qualquer ideologia po-
lítica. Não vivemos numa ditadura. É verdade que precisamos de aprender a
conviver com as pessoas “diferentes”, mas isso não implica que uma ideologia
use a Escola para doutrinar os nossos filhos e tentar transformá-los naqui-
lo que não são. Promover a tolerância passa por não sermos discriminados
quando nos posicionamos contra aquilo que viola os nossos princípios, a
nossa fé e a nossa consciência.
Precisamos de ir buscar informação sobre esta avalanche ideológica que
já foi implementada no ensino público. É necessário aprender, compreender
e lutar, para que nosso modo de vida, a nossa fé e os valores que criaram a
nossa sociedade não sejam desconstruídos por uma minoria ruidosa e pode-
rosa. Isto não é uma questão de preconceitos, mas sim de DIREITOS.
Se a teoria Queer — a ideologia de género — pode usar as escolas e
os média para tentar desconstruir a heterossexualidade, acusando-a de ser
“construída” “contranatura” ou “imposta”, também eu posso desconstruir a
homossexualidade e chamar a atenção para o preconceito desta ideologia
contra a família, por meio de uma teoria que deita para o lixo: os saberes
médicos, jurídicos e religiosos que fazem parte da vida e da cultura de cada
um de nós, e que nos são garantidos pela Constituição e pela Declaração
Universal dos Direitos Humanos. Debater e promover direitos iguais? Sim.
Mas sem ferir ou destruir os nossos princípios e os nossos direitos.
Ninguém tem o direito de, em nome da sua própria dignidade, ferir a
dignidade do outro.

22
«Uma liberdade da qual se extirpou a verdade, é uma mentira.»

— Joseph Ratzinger
Identidade de Género

«Mas… Se duas pessoas se amam…


Por que não?»

Estas costumam ser palavras mágicas para calar todos aqueles que crêem
em Deus, na Bíblia e no Criacionismo, mas também os evolucionistas e
ateus que afirmam que, macho nasce macho e fêmea nasce fêmea — algo
comprovado pela Ciência e pela Biologia.
Alguns ideólogos de género que se querem introduzir na Igreja e obrigar
os cristãos a aceitarem a homossexualidade — e todos os tipos de sexuali-
dade LGBTQ — como algo normal, que Deus não condena, deram-se ao
trabalho de fazer duas novas traduções da Bíblia: a Bíblia Gay1e a Bíblia
Graça sobre Graça2, à qual chamo “desgraça sobre desgraça”, para fugirem
ao ensino claro das Escrituras que condena toda e qualquer prática sexual,
que não aquela que Deus instituiu, e ordenou ao homem e à mulher:

«E criou Deus o homem à sua imagem; à imagem de Deus o criou; homem


e mulher os criou. E Deus os abençoou, e lhes disse: Frutificai e multiplicai-
-vos, […] Portanto deixará o homem o seu pai e a sua mãe, e apegar-se-á à
sua mulher, e serão ambos uma carne.» (Génesis 1:27-28a; 2:24)

Deus, também ordenou a Moisés que escrevesse na Lei:

«Com homem não te deitarás, como se fosse mulher; abominação é;»


(Levítico 18:22)

Os defensores da homossexualidade alegam que isto se referia à Lei e,


como Cristo veio cumprir a Lei, então já não estamos sujeitos a ela. Eles
esquecem-se que a lei moral de Deus nunca muda. Se querem usar o facto
de esse mandamento estar na Lei para o anularem, então, também terão que

24
Maria Helena Costa

anular estes:

«Nem te deitarás com a mulher de teu próximo para cópula, para te contami-
nares com ela. […] Nem te deitarás com um animal, para te contaminares
com ele; nem a mulher se porá perante um animal, para ajuntar-se com ele;
confusão é.» (Levítico 18:20; 23)

Portanto, como a Bíblia não lhes dá razão, eles fizeram uma tradução
que os deixe mais confortáveis no seu pecado e lhes alivie a consciência. Veja
como isso foi feito em dois pequenos exemplos — um no Antigo e outro no
Novo Testamento:

Em Levítico 18:22, por exemplo, acrescentaram umas palavrinhas:

«Com homem não te deitarás, como se fosse mulher [no templo de Moloque];
abominação é;».

Eles alegam que nesse texto Moisés proibiu a homossexualidade como


forma de culto às divindades pagãs. O problema é que nada, no contexto da
passagem, aponta para tal e, se assim fosse, tanto o sexo com animais como
o adultério estariam num contexto de culto às divindades pagãs. Sabemos
que isso não é assim.

O outro texto, que adulteraram, foi 1 Coríntios 6:9-10. Nas versões cris-
tãs lemos:

«Não sabeis que os injustos não hão de herdar o reino de Deus?


Não erreis: nem os devassos, nem os idólatras, nem os adúlteros, nem os
efeminados, nem os sodomitas, nem os ladrões, nem os avarentos, nem os
bêbados, nem os maldizentes, nem os roubadores herdarão o reino de Deus.»
(1 Coríntios 6:9,10)

Nas traduções adulteradas, lê-se:

«Não sabeis que os injustos não hão de herdar o reino de Deus?

25
Identidade de Género

Não erreis: nem os devassos, nem os idólatras, nem os adúlteros, nem os mo-
ralmente fracos, nem os promíscuos, nem os ladrões, […] herdarão o reino
de Deus.»

«Qual é o problema com esta tradução?»

— O problema é que no original grego os termos “efeminados” e “sodo-


mitas” indicam, respectivamente, parceiros homossexuais passivos e activos.
A cidade de Corinto, tal como a sociedade de hoje, era bastante conhecida
pela sua depravação e Paulo, trata do problema da imoralidade sexual de
modo abrangente e directo. Aliás, usar a palavra promíscuos em lugar de
sodomitas só revela a promiscuidade da prática e dá um tiro na tentativa de
omitir a verdade bíblica.

Mas, se duas pessoas se amam, porque é que não se podem rela-


cionar sexualmente?

Porque os sentimentos das pessoas não mudam a lei de Deus, nem a


natureza. O Ser humano nasce pecador e o pecado escraviza-o de diversas
formas. Paulo não colocou o pecado da homossexualidade num patamar
acima dos demais, ele apenas listou vários pecados e afirmou algo que dá
esperança ao Ser humano, seja qual for o seu pecado:

«E é o que alguns têm sido [devassos, idólatras, adúlteros, efeminados, so-


domitas, ladrões, avarentos, bêbados, maldizentes, roubadores]; mas haveis
sido lavados, mas haveis sido santificados, mas haveis sido justificados em
nome do Senhor Jesus, e pelo Espírito do nosso Deus.» (1 Coríntios 6:11)

A ideologia de género está a ser disseminada há muitos anos.


Sorrateiramente, ela foi entrando em nossas casas e vem sendo exaus-
tivamente promovida pelos meios áudio visuais. Quando nos sentamos em
frente à TV, para nos entretermos, na verdade estamos a ser doutrinados.

Há alguns anos, não sei precisar quantos, num programa da americana


Oprah Winfrey, duas mulheres estavam a ser entrevistadas. Uma delas era

26
Maria Helena Costa

aquilo a que podemos chamar feia… muito feia…


A entrevistadora apresentou-as: Eram casadas e a “feia”, tinha sido ma-
rido da outra mulher durante mais de 30 anos e tinham dois filhos. Um belo
dia, decidiu “sair do armário” e assumir que era um homem preso num corpo
de mulher. Fez todos os tratamentos necessários e tornou-se “mulher”. A
Oprah preguntou à esposa:
— Mas, continuam casados?
— Sim, respondeu ela.
— E têm relações sexuais?
— Não!
— Porquê?
— Porque eu não sou lésbica.
— Mas, então, por que continuam casados?
— Porque o amo independentemente de quem ele é e do seu sexo.
O estúdio quase vinha abaixo com os aplausos e eu fiquei de queixo
caído. A sério… É uma perfeita loucura. E o casamento? Os votos matri-
moniais? Os filhos?
Na entrevista, eles disseram não ter problemas com aquela situação, mas
o olhar e o tremor das mãos e da voz de ambos, gritavam algo muito dife-
rente.

Percebe a subtileza? Amo-o independentemente de quem ele é?


Mas ela não casou com um homem?

Alguma vez viu a série “Morangos com açúcar”?

— Eu não vi, mas adolescentes e jovens comeram a série ao pequeno-al-


moço, ao almoço e ao jantar. Ouvi contar esta história:

Numa das temporadas, uma jovem que testemunhara um crime, entrou


n’um programa de protecção de testemunhas. Para não ser reconhecida usa-
va roupas de rapaz e comportava-se como se fosse um. Na escola, o colega de
carteira dela, que era o D. Juan lá do sítio, começou a sentir palpitações pelo
colega e entrou em pânico. Aflito, com a dúvida de ser ou não homossexual,
resolveu procurar o conselho de adultos de “referência”. E os adultos de “re-

27
Identidade de Género

ferência” dos “Morangos com açúcar” são: o professor de educação física, o


mais porreiraço da escola, que lhe diz: «Vai onde te leva o coração. Ninguém
te vai compreender, vais ser um mártir por causa do teu amor, mas tens
que experimentar. Haja o que houver, estou aqui para te apoiar.», e a Sra.
divorciada que já vai no quarto casamento e é a mãe mais porreira da série —
porque os outros pais da série são velhos, antiquados, ignorantes e sem graça
nenhuma — e que lhe diz: «Estamos aqui para ti.» E… Quando o rapaz está
quase a sair do armário, a assumir a sua homossexualidade e a declarar-se ao
colega… Afinal ele era ela e o D. Juan continua a ser hetero. C’alívio!

O maior problema deste mundo pervertido é confundir amor com lascí-


via, que são opostos. A essência da lascívia é o desejo de obter algo de outra
pessoa. O amor é exactamente o contrário: é o desejo profundo de fazer o
outro feliz.

A ideologia/identidade de género é um conceito moderno?

Camille de Paglia, uma feminista mundialmente conhecida, afirmou


durante uma entrevista:

«Quando uma civilização está à beira da queda, a ideologia de género está


a dominar a cultura.»

Portanto, a resposta à pergunta acima é: “Não. A ideologia de género é


um conceito muito antigo que, no seu apogeu, pronunciava o fim de uma
civilização.” Se há algo em que todos nós devíamos meditar é nesta verdade:

«Se não aprendermos com a História, ela voltará para nos ensinar.»

28
«Entre 80% e 95% das crianças e dos adolescentes com disforia de
género aceitam o seu sexo biológico até ao final da adolescência.»

— American College of Pediatricians (ACPeds)


Identidade de Género

Como, e quando é que toda esta


loucura começou? O que aconteceu nos
países onde começou há mais tempo?

A primeira vez que ouvi falar na loucura da ideologia/identidade de


género também pensei que isso só acontecia lá longe, no país dos outros.
Quando falava nisso nas conferências, há dois anos, a resposta era sempre a
mesma: «Tem calma, isso é lá fora!» Mas, passados dois ou três anos, hoje,
dia 06-04-2016, as notícias não podiam ser piores. Aqui, neste país à beira-
-marplantado, onde isto jamais deveria acontecer, aconteceu:

«A nova lei da identidade de género, que prevê a alteração do nome do Car-


tão do Cidadão sem relatório médico e a partir dos 16 anos, foi aprovada na
especialidade e é votada em plenário na sexta-feira.»

Só me apetece chorar… Escrevo com raiva, sinto-me impotente… Co-


mo é possível que algo tão destruidor e aberrante tenha sido aprovado num
país de maioria católica? Onde estão os cristãos e os cidadãos de bem deste
país que me diziam que isso só acontecia lá fora?
Sim, lá fora, há cerca de quatro anos, a máquina trituradora da ideologia
de género já estava em movimento, aliás, cá também.

Sabia que, em 2011, já se podia mudar de sexo no cartão de


cidadão?

De acordo com o DN de 07 de Janeiro de 2017,

«Em cinco anos, 375 pessoas alteraram o sexo no registo civil através da Lei
da Identidade de Género, de 2011, que vai ser substituída.»

30
Maria Helena Costa

Eu confesso a minha perfeita ignorância acerca disto e também acerca


da mudança de linguagem que já está aprovada desde 2011. Quando pesqui-
sava para escrever este livro, encontrei isto:

«Guia orientador para uma linguagem promotora da Igualdade de Género


Equipa Interdepartamental para a Igualdade do Género – EIIG do ex –
MOPTC — Outubro 2011»1

Lei após lei, tudo se conjugava para aquilo que hoje foi aprovado e, pode
escrever isto, a seguir virá a descriminalizaçãoda pedofilia. Não é por acaso
que, ontem, dia 05-04-2017,

«… o Tribunal de Braga decidiu aplicar uma pena de prisão suspensa a um


professor de xadrez que foi acusado de violar uma criança menor, justifican-
do a pena suspensa com o facto de não existirem antecedentes criminais.»2

Apesar de dar como provado o crime de abuso sexual a uma aluna de 10


anos, o tribunal soltou o predador.
E no dia 20-04-2018, o Tribunal de Viana do Castelo aplicou uma pena
de prisão suspensa por cinco anos a um homem de 41 anos, apesar de ter
dado como provados, 82 dos 159 crimes de abuso sexual de menores de que
era acusado.
Portanto, amado leitor, prepare-se porque amanhã pode ser o seu filho/
filha.

Então, como é que esta loucura começou? Onde? Em que


países?

A ideologia de género começou a ser disseminada no séculoXIX. Karl


Marx (1818-1883), escreveu num velho manuscrito redigido em 1846:

«A primeira divisão do trabalho é a que se fez entre o homem e a mulher


para a procriação dos filhos. Hoje, posso acrescentar, a família monogâmica
é o primeiro antagonismo de classes que apareceu na história, é a primeira
opressão de classes em que o homem explora a mulher.»

31
Identidade de Género

E, na sua obra mundialmente conhecida, “O Capital”, continuava a en-


sinar que a família é a primeira opressão de classes:

«O homem contra a mulher — que nada mais é do que a primeira proprie-


dade do homem — os dois casam-se e tem que haver a primeira propriedade
privada para sustentar a família. Ou seja, se a família não for destruída,
jamais se destruirá a propriedade privada.»

Em 1940-50, surge a escola de Frankfurt — socialistas marxistas debru-


çados sobre as ideias de Marx para destruir a família monogâmica como a
primeira forma de opressão — e com ela Herbert Marcuse, que, em 1955,
lançou a obra: “Eros e a Civilização”, na qual podemos ler:

«A força plena da moralidade civilizada foi mobilizada contra o uso do


corpo como mero objecto, instrumento de prazer. Tal coisificação era tabu e
manteve-se como infeliz privilégio de prostitutas, degenerados e perverti-
dos.»

Marcuse propõe que todo o corpo se transforme em mero instrumento


de prazer — é preciso deixar crianças, adolescentes e jovens, livres para todas
as práticas sexuais que desejem fazer, e exemplifica:

«Permitam que crianças e jovens façam sexo com animais [bestialismo], com
cadáveres [necrofilia] … pais, mantenham intimidade sexual com os vossos
filhos menores [incesto]. … A erotização de crianças, adolescentes e jovens
levará à desintegração das instituições em que foram organizadas as relações
privadas.» Ele finaliza: «Ao erotizar crianças, adolescentes e jovens, des-
truiremos a família monogâmica patriarcal.»

Anos mais tarde, em 1949, Simone de Beauvoir escreveu “O Segun-


do Sexo”. Um tratado fundamental do feminismo contemporâneo, no qual
aponta aquilo que considera ser a opressão das mulheres. De acordo com ela:

«Mulher não nasce mulher, torna-se mulher.»


«A gravidez é, acima de tudo, um drama representado no interior da mu-

32
Maria Helena Costa

lher; ela percebe isso como um enriquecimento e ao mesmo tempo como uma
mutilação; o feto é uma parte do seu corpo e também um parasita que a
explora.»

Creio que Simone se devia odiar a si mesma.-Nasci mulher e sou mu-


lher. Fui mãe três vezes e nunca me senti assim nem pensei nos meus filhos
desta forma. Creio que uma leitura sobre a sua vida é capaz de nos ajudar a
entender porque é que ela odiava o papel da mulher e a maternidade, e, junto
com o seu amante, Jean-Paul Sartre, aprovava a pedofilia.
Anos mais tarde, aparece Shulamith Firestone, feminista radical, que
passou vários anos numa clínica psiquiátrica para tratar a sua esquizofrenia.
Em 2012, foi encontrada morta, em casa, em estado de putrefacção. Antes,
em 1970, escreveu “A dialéctica dos sexos” onde descreve o passo-a-passo
para a destruição da família:

«É preciso libertar as mulheres da tirania da sua biologia reprodutiva por


todos os meios disponíveis e ampliar a função reprodutiva e educativa a toda
a sociedade globalmente considerada. […] estamos a falar de uma mudança
radical. Libertar as mulheres da sua biologia significa ameaçar a família,
que é a unidade social organizada em torno da reprodução biológica e da
sujeição das mulheres ao destino biológico.»

«[…] Com isso, atacamos a família numa frente dupla, contestando aquilo
em torno da qual ela está organizada a reprodução das espécies pelas mulhe-
res, e a sua consequência, a dependência física das mulheres e das crianças.
Eliminar estas condições já seria suficiente para destruir a família que pro-
duz a psicologia do poder. Contudo, nós destrui-la-emos ainda mais.»

Contestar a reprodução das espécies pelas mulheres?

Eliminar isso? Como?

Mas o facto de só as mulheres poderem dar à luz não é natural e


não está biologicamente provado que só elas podem dar à luz?

33
Identidade de Género

Destruir a família?

O maior inimigo do marxismo cultural é a realidade.

«…Todas aquelas instituições que segregam os sexos ou separam as crianças


da sociedade adulta, por exemplo, a escola elementar, devem ser destruídas.
Abaixo a escola. […] E se as distinções culturais entre homens e mulheres e
entre adultos e crianças forem destruídas, nós não precisaremos mais da re-
pressão sexual que mantém estas classes diferenciadas. Sendo, pela primeira
vez possível a liberdade sexual natural […]»

Quando Shulamith escreveu isto, a escola elementar ainda tinha rapazes


e meninas em classes e até em edifícios separados. Era essa escola que ela
queria ver destruída e isso já aconteceu. E, sim, sem dúvida isso acabou por
descarrilar para uma maior promiscuidade sexual. Quanto ao que ela quer
dizer com “liberdade sexual natural”, creio que se torna claro nestas palavras:

«Assim chegaremos à liberdade sexual para que todas as mulheres e crian-


ças possam usar a sua sexualidade como quiserem. […] Na nossa sociedade
a humanidade poderá finalmente voltar à sexualidade natural [animal],
polimorfamente diversa [que se apresenta de diversas formas]: serão per-
mitidas e satisfeitas todas as formas de sexualidade. A mente plenamente
sexuada [que só pensa em sexo] tornar-se-ia universal se a criança escolhesse
a relação sexual com os adultos, ainda no caso que escolhesse a sua própria
mãe genética, não existiriam razões, à priori, para que esta rejeitasse as suas
insinuações sexuais, visto que o tabu do incesto teria perdido a sua função.»

Percebeu, amado leitor?

Não lhe deu ânsias de vómito?

Levar as crianças a pensar só em sexo?

Ter relações sexuais com a própria mãe biológica?

34
Maria Helena Costa

A expoente máxima da Ideologia de Género, hoje, é sem dúvida a ame-


ricana Judith Butller. Professora do departamento de retórica e literatura
comparada da Universidade da Califórnia, em Berkeley, escreveu o livro: “O
problema do género”, que contribuiu decididamente para estabelecer essa
diferenciação. Feminista radical, é a principal pesquisadora de um programa
que reúne estudiosos do campo da teoria crítica, com uma confessa inspira-
ção neomarxista, e é totalmente avessa ao pensamento cristão. Veja o que ela
disse, recentemente, no Brasil:

«Se você baseia a sua visão de mundo na Bíblia, então, a ideia de género vai
ser mesmo ofensiva.»

Inteligente, aparece em cena com um novo discurso — não sobre li-


bertar a mulher da tirania do homem — mas sim libertar a mulher de ser
mulher porque, afirma ela:
-“Mulher” não existe é apenas um conceito inventado pelo homem para
que este exerça domínio sobre ela. E, prossegue:
-“Homem” também não existe; o que existe é um papel que ele pode
fazer e desfazer conforme a sua vontade. Então, há que libertar a mulher
de ser mulher e o homem de ser homem porque são meros papéis que lhes
foram atribuídos pela sociedade.

Então, Judith Butller afirma que o género [sexo] é uma construção so-
cial sem qualquer base na realidade biológica. Segundo ela, não nascemos
homens nem mulheres, nem gays, nem lésbicas, mas devemos aprender
a construir-nos, desde cedo, com tantos géneros [leia-se práticas sexuais]
quantos quisermos. Não podemos ficar presos, diz ela, a qualquer tipo de
género [sexo].
Segundo a sua teoria, a sociedade impõe a algumas pessoas que sejam
educadas como pertencendo a um género [sexo] para exercerem poder sobre
outras que são educadas para pertencerem a outro género [sexo]; os prin-
cipais géneros que foram INVENTADOS para isto foram o homem e a
mulher. Os pais e professores mentem às crianças quando lhes dizem que
nasceram meninos ou meninas. O resultado foi a construção de uma socie-
dade cuja norma é a família, constituída da união entre um homem e uma

35
Identidade de Género

mulher, que é chamado de heteronormatividade.


De acordo com a Dra. Judith; para que nos possamos libertar destas
construções, é preciso que as crianças experimentem todas as formas de
identidade de género [sexo] e de orientações sexuais para que percebam,
desde muito cedo, que a heterossexualidade é fictícia e socialmente construí-
da como um discurso de poder, que produzirá a desconstrução da identidade
sexual de cada um e também da família. E, isso só poderá ser feito através da
Escola. São dela estas palavras:

«Nós queremos educar as nossas crianças, ou as crianças das outras pessoas,


para entenderem que isto, [género] é um problema altamente debatível.»

Pedofilia e incesto; sexualização da mente das crianças e experiências


sexuais. Desde muito cedo, entre outras aberrações, são as propostas destas
ideólogas de género. Levar as crianças a pensar só em sexo, é o que está a ser
feito hoje, nas escolas, nos média e em tudo o que nos rodeia. Já há notícias
de mães grávidas de filhos e a quererem casar com eles. No Brasil, já há uma
apologia descarada do incesto e da pedofilia. Circulam notícias de que a
próxima novela da Globo- “Segundo Sol”- terá uma neta de 13 anos e um
avô de 71 que se apaixonam e fogem para casar. Já houve um desmentido,
na revista “Veja”, mas o melhor é esperar para ver. Digo isto, porque o Big
Brother Brasil, tem promovido descaradamente o incesto ao emitir imagens
carregadas de sensualidade entre pai e filha.

Antes de darmos uma volta pelos países onde essa ideologia nefasta já
está uns passos à frente, convido o amado leitor, a ver o que aconteceu com
a primeira experiência prática da ideologia de género.

Já ouviu falar do caso Reimer?

36
«Um abismo chama outro abismo, ao ruído das tuas catadupas; todas
as tuas ondas e as tuas vagas têm passado sobre mim.»

— Salmos 42:7
Identidade de Género

A Ideologia de Género e a experiência


fracassada do caso Reimer

A ideologia de género é o passo mais ousado do feminismo radical, pois


pretende eliminar as diferenças naturais e interpretar, com base na cultura
e não na biologia, a condição sexual do homem e da mulher. Mas a história
que lhe mostro a seguir serve de advertência para o que pode acontecer
quando ideólogos e cientistas se apaixonam por uma bela teoria e ignoram
os factos, a realidade e a natureza.

John William Money (1921-2006) foi um psicólogo da Jonhs Hopkins


University de Baltimore, sexólogo e autor de livros, especializado em pes-
quisas sobre identidade sexual, mudança de sexo e biologia de género. A sua
influência foi decisiva para a criação da teoria da identidade de género. Ele
acreditava que não era tanto a biologia que determinava se somos homens
ou mulheres, mas sim a maneira como somos criados. Ainda na década de
60, ele pretendeu demonstrar que a sexualidade depende mais da educação
do que dos genes.

Dr. John Money ficou famoso devido a uma polémica, fracassada e


vergonhosa, experiência médica. As suas cobaias foram os gémeos: Bruce
e Brian Reimer. Um infeliz acidente com Bruce, proporcionou a Money,
a oportunidade de transformar o corpo do bebé – através de uma cirurgia
plástica consentida pelos pais – num corpo com aparência feminina.

Em 1965, na cidade de Winnipeg, Manitoba, no Canadá; Janet e John


Reimer, eram um jovem casal de fazendeiros. Janet deu à luz os meninos
Brian e Bruce. Com a idade de 6 meses, os pais, depois de detectarem que
os meninos tinham dificuldade em urinar, levaram-nos ao médico e o prog-

38
Maria Helena Costa

nóstico foi: fimose. Com apenas 8 meses foram encaminhados para uma
cirurgia de circuncisão, tida como simples e de rotina. Em 27 de Abril de
1966, um urologista realizou a operação utilizando um equipamento elétrico
de cauterização, que já havia apresentado alguns problemas de funciona-
mento. Na última tentativa, o procedimento correu mesmo muito mal e o
pénis de Bruce ficou totalmente queimado. A família ficou arrasada. Nos
anos 60 uma cirurgia plástica de reconstrução de pénis não era uma opção.
Não havia nada que se pudesse fazer para reverter o dano da cirurgia. Rela-
tivamente ao irmão, os médicos optaram por não operar Brian cuja fimose
logo desapareceu, sem qualquer intervenção cirúrgica [1] [2] [3] [4].

Alguns meses depois, Janet e John Reimer viram uma entrevista com o
Dr. John Money na TV, na qual este falava sobre as operações de mudança
de sexo em transexuais e dizia que os bebés nasciam “neutros” e que teriam
a sua identidade definida como masculina ou feminina (identidade de gé-
nero) exclusivamente em função da maneira como são criados. Acreditando
que tal ideia poderia ser apropriada para o problema do filho mutilado, o
casal procurou aquele especialista que imediatamente se dispôs a ajudá-los e
lhes indicou uma mudança cirúrgica de sexo. Ele e outros médicos, que tra-
balhavam com crianças nascidas com genitália anormal [hermafroditismo],
acreditavam que um pénis não podia ser substituído, mas que uma vagina
funcional, poderia ser construída cirurgicamente e que seria mais provável
que Bruce, tivesse uma bem-sucedida maturação funcional sexual como uma
menina, do que como um menino [3].

Com a idade de 22 meses, foi realizada uma cirurgia para redefinir o


sexo e remover os testículos de Bruce. Money orientou os pais a criá-lo
como se a criança tivesse nascido com o sexo feminino, mantendo tudo sob
segredo e sem nunca lhe falar do que tinha acontecido. Foi-lhe posto o no-
me Brenda [1] [3].

Os pais não sabiam, mas Money era conhecido como uma espécie de
guru da sexualidade (fazia-se chamar “missionário do sexo”) e defendia
comportamentos sexuais ousados, como casamentos “abertos”, nos quais os
cônjuges poderiam ter amantes com consentimento mútuo; estimulava o

39
Identidade de Género

sexo em grupo e bissexual, além de, em momentos mais extremados parecer


tolerar o incesto e a pedofilia [1] [2].

O interesse de Money no caso não poderia ser maior. Como defendia


a ideia de que as diferenças de comportamento entre os sexos eram decor-
rentes de factores socio-culturais e não biológicos — tese aclamada pelas
feministas de então — a mutilação acidental de Bruce oferecia-lhe uma ex-
celente oportunidade para colocar à prova a sua teoria. Havia — na sua
opinião — a indicação para a mudança cirúrgica de sexo. Os pais tratariam
a criança conforme a sua orientação e a experiência teria uma contra-prova
natural, pois havia um irmão gémeo idêntico, univitelino, compartilhando
o mesmo ambiente familiar e que serviria de controle [1]. No eterno debate
sobre natureza e educação, Money ia demonstrar que a educação é tudo.
Simone de Beauvoir e Sartre já tinham popularizado a ideia de que é o Ser
humano quem goza de liberdade, não a Natureza [2].

O Dr. Money deu apoio psicológico para a cirurgia e na posterior ree-


ducação sexual, por cerca de dez anos, em consultas nas quais avaliava o
resultado. Os Reimer, seguiram religiosamente as instruções de Money, mas
as coisas não correram conforme o previsto. Janet, a mãe, conta o que acon-
teceu quando tentou vestir Brenda com o seu primeiro vestido, pouco antes
de fazer dois anos:

«Tentou arrancá-lo, rasgá-lo. Lembro-me de que pensei: ‘Meu Deus, ele sabe que
é um menino e não quer vestir-se como uma menina!’»

“Brenda” também passou a ser rejeitado na escola, onde bem cedo ma-
nifestou estranhas tendências lésbicas, apesar das hormonas que o faziam
tomar. Enquanto toda a família via, aflita, o fracasso da operação, Money
proclamava aos quatro ventos, a mentira de que a sua experiência era um
êxito rotundo. N’um artigo publicado em Archives of Sexual Behaviour, es-
creveu:

«O comportamento da menina é claramente, o de uma menina activa, bem


diferente das formas masculinas do seu irmão gémeo. […] Os gémeos estão

40
Maria Helena Costa

felizes nos seus papeis estabelecidos: Brian é um menino forte e irrequieto;


‘Brenda’, sua irmã’, é uma menina muito doce».

Em função dessa experiência, Money ficou mais famoso. A revista “Ti-


me”, numa longa matéria, afirmava:

«[…] este caso constitui um apoio férreo à maior das batalhas pela libertação
da mulher: o conceito de que as pautas convencionais sobre a conduta mas-
culina e feminina podem ser alteradas.».

Nesse entretanto, os gémeos eram obrigados a seguir sessões de “psi-


coterapia” com Money. Segundo consta, tais sessões foram profundamente
traumáticas para as crianças. Nelas, possivelmente num esforço de estabele-
cer as diferenças de comportamento sexual entre homem e mulher, Money
mostrava-lhes fotos sexuais explícitas e teria feito as crianças despirem-se e
encenarem posições de coito; com “Brenda” desempenhando o papel sexual
passivo. “[…] pelo menos n’uma ocasião”, o Dr. Money tirou uma “fotogra-
fia” das duas crianças a realizar essas actividades. A razão que invocava para
estes tratamentos era a sua crença de que “jogos sexuais infantis” eram “im-
portantes para uma identidade de género adulta saudável” [1] [2] [3].

No meio de toda essa azáfama, a mãe, que se sentia culpada e desorien-


tada com a situação da “filha”, entrou em depressão e, a certa altura, tentou
o suicídio. O pai transformou-se num alcoólico e o irmão gémeo, Brian:
ao atingir a adolescência, começou a consumir drogas e a praticar actos de
delinquência.
Quando o Dr. Money começou a pressionar a família para “Brenda” fa-
zer uma cirurgia de construção de uma vagina, a família interrompeu as
visitas de acompanhamento. Dos 22 meses de vida até aos seus primeiros
anos como adolescente, “Brenda” urinou por meio de um orifício que os ci-
rurgiões fizeram no seu abdómen. Foram-lhe dados estrogénios para induzir
o desenvolvimento mamário. Destruída pelas intermináveis sessões psiquiá-
tricas e pela medicação com estrogénios, com a idade de 13 anos; “Brenda”,
que estava a passar por uma grave depressão suicida, disse aos seus pais que
se suicidaria se eles o fizessem ver o Dr. John Money, novamente.

41
Identidade de Género

Terminado o contacto com a família, visto que as visitas foram suspen-


sas, o Dr. John Money não publicou mais nada sobre o caso. Mas, também
não informou o público que a mudança não havia sido bem-sucedida e con-
tinuou, por muito tempo, a permitir que as pessoas acreditassem no sucesso
da experiência. [3] [4].
Como, inexplicavelmente, deixou de publicar as evoluções do caso, o
facto chamou a atenção de um pesquisador rival. Dr. Milton Diamond, da
Universidade do Havaí, procurou informações e reconstruiu a verdade sobre
o mesmo, publicando-a num artigo em coautoria com Keith Sigmundson,
no Archives of Pediatrics and Adolescent Medicine [1].

A verdade, descrita por Diamond, era muito diferente da versão sus-


tentada por Money. Desde os dois anos, “Brenda” rasgava a sua roupa de
menina e recusava-se a brincar com bonecas, disputando com o irmão Bruce
os seus brinquedos. Na escola, era permanentemente hostilizada pelo com-
portamento masculinizado e pela insistência em urinar de pé. Queixava-se
insistentemente aos pais por não se sentir, como uma menina. Obedecendo
às orientações de Money, os pais diziam-lhe que era uma “fase” que logo
superaria [1].
Não aguentando mais a situação, os pais consultaram um psiquiatra da
sua cidade, que sugeriu que eles dissessem toda a verdade a “Brenda”. Em
1980, o pai contou-lhe a verdade, e isso teve um efeito profundo e transfor-
mador. Posteriormente, “Brenda/Bruce” disse:

«De repente, tudo fazia sentido. Ficava claro por que me sentia daquela
forma. Eu não estava louco».

“Brenda”, aos 14 anos, dedicou-se imediatamente a uma busca do sexo


perdido. Fez inúmeras cirurgias para: fechar a sua vagina artificial, recompor
a genitália masculina com a implantação de próteses de pénis e testículos;
retirar os seios crescidos à base de estrogénios, além de iniciar tratamen-
tos hormonais para masculinizar a sua musculatura. Significativamente, não
quis usar o seu nome “Bruce” e escolheu chamar-se “David”. Apesar de todas
as cirurgias e da nova identidade masculina, também ele mergulhou numa
séria depressão e tentou o suicídio aos 20 anos. Mas em 22 de Setembro de

42
Maria Helena Costa

1990, ele casou-se com Jane Fontaine e tornou-se padrasto de três filhos [1]
[3]
.
Quando tinha 30 anos, David foi encontrado por Diamond, que, como
dito acima, desconfiara do motivo que levara Money a interromper, sem
maiores explicações, o relato de um caso que reputava de tanto sucesso.
Somente aí, David soube que, até então, o seu caso era mundialmente co-
nhecido, e que tinha sido imortalizado como caso ‘John/Joan’, em artigos e
livros de teoria médica e psicológica, atestando o ‘sucesso’ da teoria de Mo-
ney, e estabelecendo os protocolos sobre como tratar crianças hermafroditas
e pessoas que sofreram algum tipo de mutilação como a perda do pénis. [1] [5]

Indignado com tal mentira, David resolveu colaborar, dando origem ao


trabalho que recolocou a verdade em circulação, empreendendo uma cam-
panha para evitar que outros passassem pelos mesmos sofrimentos que ele
tivera de suportar. O trabalho de Diamond foi largamente divulgado e che-
gou aos grande media — jornais e televisões norte-americanos. Se não fosse
pelo trabalho detectivesco de Diamond, tudo teria ficado encoberto [1].

Posteriormente, John Colapinto, redator da revista Rolling Stone, junto


com David escreveu a sua biografia, com o nome “As Nature made him -
The Boy who was raised as a girl”. Os lucros da publicação foram divididos
igualmente entre Colapinto e David. Algum tempo depois, David perderia
todas as suas economias, advindas dos direitos de autor da sua biografia e de
um futuro filme nela baseado (o estúdio Dreamworks de Spielberg, desen-
volve um projeto para futura realização), em investimentos mal-sucedidos.
Em 2002, o irmão gémeo Brian, que sofria de esquizofrenia, suicidou-se
com uma overdose de antidepressivos. David nunca conseguiu superar o seu
trauma. Ele disse:

«Daria qualquer coisa para que um hipnotizador conseguisse apagar todas


as recordações do meu passado. É uma tortura que não suporto. O que fi-
zeram com o meu corpo não é tão grave como o que provocaram na minha
mente.»

Em 2 de Maio de 2004, a sua esposa Jane, cansada do carácter soturno

43
Identidade de Género

e melancólico do marido, após 14 anos de casamento, pediu o divórcio. Na


manhã de 5 de Maio de 2004, David foi a uma mercearia e suicidou-se com
um tiro na própria cabeça. Ele tinha 38 anos. O seu corpo está enterrado no
cemitério Saint Vital Cemetery, Winnipeg, Manitoba, Canadá [6].

O Dr. John William Money continuou até o fim da vida como professor
emeritus,na Johns Hopkins University. Na época do suicídio de David Rei-
mer foi procurado pela imprensa, mas não quis manifestar-se. As suas ideias
sobre a Ideologia de Género, infelizmente, continuam a ser divulgadas.» 7

Ao arrepio de tragédias como esta, a palavra “género” foi sendo introdu-


zida, sorrateiramente, no lugar da palavra “sexo”. Muitos, acreditavam que
“género” era apenas uma palavra menos explícita para “sexo”. Só em 2007,
obrigadas pelos países dirigentes da ONU, é que as feministas, na voz de
Judith Butler, deram a definição correta da palavra “género” — o papel que
cada um encena, veste e despe, como e quando quer.

O lobby da Ideologia de Género quer revolucionar as leis e está a usar os


governos e os legisladores para o fazer. A pergunta é:

Quais são as consequências da Ideologia de Género nos países


(que nos dizem ser de 1º mundo), onde já foi acolhida e o povo a
aceitou sem protestar?

44
«Qual será a vossa postura quando os vossos filhos e filhas, menores,
forem “amados” por adultos cuja (des)orientação sexual os leva a
“fazer amor” com crianças e adolescentes?»
Identidade de Género

O que se passa pelo mundo?

Madrid:

Professores que se recusem a ensinar Ideologia de Género aos alunos,


começam por ser multados; se persistirem são processados e, se não voltarem
atrás são afastados e até presos.
A lei prepara-se despenalizar o ato sexual entre crianças de 12 anos e
adultos.
Meninas de 14 anos podem recorrer ao Serviço Nacional de Saúde para
abortar SEM O CONSENTIMENTO DOS PAIS.
Leis que protegem a Ideologia de Género aplicam o dobro da pena aos
homens que é aplicada às mulheres — PELO MESMO CRIME.

Confirmei isto com o pastor David Barceló, que reside em Barcelona e


esteve em Portugal para a conferência Fiel.

Granada, Espanha:

O calendário passou a chamar-se calendária. Os meses do ano passaram


a ser no feminino e, na entrada da Universidade de Granada, há um cartaz
com duas meninas — uma com vagina e outra com pénis — e dois rapazes
— um com vagina e outro com pénis — a correrem no campo.

Alemanha:

Pais são presos porque os filhos não querem assistir às aulas de orienta-
ção sexual, segundo a Ideologia de Género. O que é ensinado nessas aulas?

46
Maria Helena Costa

• Sexo oral
• Sexo anal
• Sexo entre dois homens
• Sexo entre duas mulheres
• Sexo com animais
• Sexo em grupo

Isso é abordado e mostrado — nos livros — a crianças de 6 anos de


idade.

Suécia:

A Suécia é, actualmente, o segundo país do mundo em número de vio-


lações. Não deve ser um acaso o facto de ter sido o primeiro país a aderir às
casas de banho unissexo — não aquelas em que entra uma mulher e fecha a
porta e, depois dela sair, pode entrar um homem e fechar a porta, mas sim
um único WC imenso onde homens e mulheres entram ao mesmo tempo.
Como dizia a minha mãe: «A ocasião faz o ladrão!».

Já se imaginou a sair do WC e a dar de caras com um homem a


fazer xixi, de pé, à sua frente?

E se for um violador à espreita da vítima num lugar onde há tantas?

Claro que muito em breve já poderá ver homens, que são mulheres, no
Cartão de Cidadão, a passearem-se nus em casas de banho e até em vestiá-
rios femininos e terá que conviver com isso calada ou poderá ser presa. Temo
que isso já esteja banalizado quando este livro chegar às suas mãos…

Finlândia:

Os manuais para o 1º ciclo — 6 a 10 anos — contêm imagens de sexo


explícito e de todo o tipo de perversões sexuais.

47
Identidade de Género

O Supremo Tribunal finlandês rejeitou considerar que tenha havido vio-


lação num caso em que um homem teve relações sexuais com uma menina,
de 10 anos.
— 05 de Maio de 2018, DN.PT

Canadá:

• Estado determina como é que os pais devem educar os filhos.


• Podem perder a sua guarda, se o Estado entender que os estão a
educar de forma diferente daquela que a Ideologia de Género pro-
move.
• Professores podem ser despedidos pelo motivo acima descrito.
• Comerciantes e profissionais liberais podem perder os seus alvarás
de funcionamento e licenças profissionais pelo mesmo motivo.
• Na cidade de Kingman, no Canadá, o conselho escolar do municí-
pio votou por unanimidade pelo encerramento de uma escola cristã.
O motivo seria a presença de textos bíblicos no manual do aluno
que condenavam a prática homossexual. Os textos que causaram
controvérsia eram sobre versículos bíblicos que alertavam con-
tra as práticas que os cristãos consideram pecaminosas: adultério,
fornicação, homossexualidade, lascívia, idolatria, bruxaria, ódio, ira,
contendas, sedições e heresias.
• Advogados recém-formados, antes de entrar para a Ordem, são
obrigados a assinar um documento no qual afirmam concordar com
a Ideologia de Género, Caso se recusem a fazê-lo, não entram na
Ordem.

Toda esta informação me foi confirmada por uma pessoa credível que
nasceu e reside no Canadá.

Chicago:

Um homem de Chicago, acusado de abusar sexualmente de três meni-


nas, disse aos promotores que é um menino preso no corpo de um homem.

48
Maria Helena Costa

De acordo com os documentos da Corte do Condado de Cook, o predador


sexual diz que é trans-idade.
— Chicago Tribune

Este energúmeno não brinca com carrinhos, com legos, nem joga à bo-
la… Viola meninas.

Califórnia:

Califórnia poderá punir pessoas que ensinam a visão bíblica do casamen-


to aos gays. Parlamentares da Califórnia, nos Estados Unidos, aprovaram
na última semana o projeto de lei AB 2943, que visa proibir os serviços
que “anunciam, oferecem ajuda ou engajam esforços para a mudança da
orientação sexual de um indivíduo”, de acordo com o texto da Assembleia
Legislativa do Estado.

A redação do projeto de lei concentra-se principalmente na chamada


“terapia de conversão”, alegando que o método de “converter” pessoas ho-
mossexuais para heterossexuais é prejudicial às pessoas que sentem atração
pelo mesmo sexo. No entanto, a proposta é apresentada de maneira ampla e
permite que a sua interpretação tenha impacto na liberdade religiosa do país.

“A lei é tão ampla que proíbe livros, materiais impressos e anúncios que
forneçam informações a uma pessoa que enfrenta atrações indesejadas pelo
mesmo sexo ou confusão de género”- disse Mat Staver, presidente da or-
ganização Liberty Counsel, à CNS News. “É uma violação dramática dos
direitos da Primeira Emenda e um ponto de vista clássico de discriminação”.
Ele declara certos tipos de discurso como fraude ao consumidor”.

“Um pastor, uma igreja ou um ministério poderiam ser proibidos de rea-


lizar uma conferência ou vender livros e vídeos sobre pessoas que superaram
atrações indesejadas pelo mesmo sexo ou confusão de género”, Staver avalia.
— Guiame, com informações CNS News, 27 de Abril de 2018

49
Identidade de Género

Argentina:

Não só aconteceu, como aconteceu dentro da lei. Um homem mudou


de sexo, ainda que apenas no papel, para, acusam os críticos e um respon-
sável do Registo Civil, poder antecipar a idade da reforma. O caso insólito
registou-se na cidade de Salta, na Argentina, país onde as mulheres podem
reformar-se cinco anos mais cedo do que os homens.
— JN, 27 de Março 2018

Noruega:

Em 2011, o documentário “O Paradoxo do Género”, transmitido em re-


de nacional na Noruega abalou a credibilidade dos defensores da Ideologia/
Identidade de Género nos países nórdicos.

O Conselho Nórdico de Ministros, que inclui autoridades da Noruega,


Suécia, Dinamarca, Finlândia e Islândia, determinou a suspensão dos finan-
ciamentos até então concedidos ao Instituto Nórdico de Género, entidade
promotora de ideias ligadas à “Ideologia de Género”. A medida veio depois
da exibição, em 2010, do documentário “Hjernevask” [Lavagem Cerebral]
“, que questionava os fundamentos científicos dessas teorias – que, de facto,
não passam de teorias que não podem ser provadas por nenhum ramo da
Ciência. Na Noruega, o documentário gerou intenso debate público acerca
da Ideologia/Identidade de Género que, mundo fora, (Portugal incluído,)
vem sendo recomendada e imposta por programas governamentais.
A produção do sociólogo e ator Harald Eia, contrapõe as afirmações dos
defensores da Ideologia de Género com outras, de estudiosos das neurociên-
cias e da psicologia evolutiva. Enquanto os ideólogos do género afirmam que
não há qualquer fundamento biológico nas diferenças de comportamento
entre homens e mulheres e que elas se devem a meras construções sociais,
os outros cientistas mostram resultados de testes científicos que constactam
diferenças inatas nas preferências e comportamentos de homens e mulheres.

Os neurocientistas admitem que a cultura exerce influência nos com-


portamentos, mas demonstram que os genes são determinantes na conduta

50
Maria Helena Costa

dos dois sexos. A professora Anne Campbell, que trabalha em Durham, no


norte de Inglaterra, é uma psicóloga evolucionista que estuda como o corpo
e a psique são influenciados pela evolução e entende o Ser humano de acor-
do com a teoria de Charles Darwin. Ela acredita que os nossos traços são
resultado de um longo processo de selecção. Eis as suas palavras:

«A questão nisso tudo é: quantos descendentes é que você deixa? E qual-


quer característica que aumente o número de descendentes, tenderá a ficar
no conjunto genético. É isso que seleciona traços específicos entre homens e
mulheres.»

«Então», perguntou-lhe Harald Eia: «porque é que a evolução fez os


homens e as mulheres diferentes?»

«Se as mulheres são quem dá à luz e amamenta as crianças, seria surpreen-


dente se não houvesse algum tipo de orquestração psicológica que ajudasse as
mulheres a realizar esses feitos e a fazer esse tipo de tarefas particularmen-
te prazerosas para elas. Então, coisas como: a empatia das mulheres, como
evitar confrontos perigosos nos quais possa ser ferida ou magoada, evitar a
exclusão social, ser expulsa do grupo, todas essas coisas são boas e significam
que ela tenderá mais a sobreviver, reproduzir e deixar filhos que também
se reproduzam. […] Sabemos que as diferenças entre os sexos em algumas
áreas são muito significativas. Acho difícil acreditar que uma diferença
muito subtil no tom de voz, na forma como se estabelece contacto visual ou
algo assim, afectem tão profundamente os interesses, actividades e preferên-
cias que as crianças demonstram.»

Quando confrontada com esta afirmação de um ideólogo de género:

«A diferença é só nos genitais e nos órgãos reprodutivos […] pelos, seios, e


umas poucas outras coisas […] Mas, fora isso, não há mais nenhuma dife-
rença. Têm os mesmos sentimentos, interesses, inteligência, capacidade […]
é basicamente a mesma coisa.»,

51
Identidade de Género

Campbell responde:

«Incrível. Espanta-me que alguém possa dizer isso. O que eu questionaria é:


qual é a origem dessas diferenças físicas? De onde vêm as diferenças repro-
dutivas do homem e da mulher? Evolução, seria a resposta que a maioria
dos cientistas daria. E o que é que coordena essas diferenças físicas? O que é
responsável pela produção das hormonas que mantêm esse funcionamento?
O cérebro humano, principalmente, através de sistemas de retroalimentação.
Parece-me extraordinário que alguém imagine a evolução a agir sobre os
sistemas reprodutivos sem que tenha nenhum efeito no nosso cérebro, o órgão
mais complexo que temos no corpo.»

À revelia dos muitos estudos existentes e da própria Ciência, os ideolo-


gistas de género afirmam que “não vêem qualquer verdade” nas pesquisas dos
neurocientistas, embora toda a base dos seus estudos de género, seja apenas
teórica e não científica. No vídeo, a “filósofa do género” Catherine Egeland,
uma das entrevistadas, chega a afirmar algo como isto:

«Base científica? Eu tenho uma base teórica. Para mim não há espaço para
a biologia. [...] não me interesso nem um pouco por esse tipo de ciência e é
espantoso que as pessoas se interessem em pesquisar essas diferenças […]as
ciências sociais deveriam contestar o pensamento que vê diferenças biológicas
entre seres humanos…».

Outro ideólogo afirmou:

«Por quê essa obsessão com a origem biológica dos géneros [sexos]? A minha
hipótese é que não há nenhuma diferença entre os géneros [sexos] todos esses
estudos, que provam o contrário daquilo que eu acredito, são fracos.»

Resumindo: O que importa não é a ciência, mas sim aquilo em que eu


acredito e tudo o que for contra a minha ideologia deve ser silenciado.1

Infelizmente, após uma primeira reacção acertada, em18 de Maio de


2016, passados 5 anos, a Noruega aprovou a lei, segundo a qual pessoas po-

52
Maria Helena Costa

dem mudar de sexo “marcando x no quadradinho dum formulário dado pelo


governo”. Sob a nova lei: crianças, a partir dos seis anos de idade, poderão
mudar de sexo sem que antes haja qualquer acompanhamento psicológico
ou psiquiátrico.
Passado apenas um ano, em 2017, um casal perdeu a custódia dos filhos
por “serem muito cristãos”.2

Reino Unido:

O ensino da Ideologia/Identidade de Género nas escolas elevou a


1000% o número de crianças que recorrem a psicólogos e psiquiatras vítimas
de DEPRESSÃO. Não se está a tentar ensinar às crianças o respeito pelas
diferenças, mas sim a incentivá-las — à força — a serem diferentes do que
são na realidade.3

«Mas» pergunta o leitor «porquê tamanha confusão?

— Olhe para as imagens que se seguem e tente explica-las a uma criança


de 6 anos:

53
Identidade de Género

Imagine-se com seis anos de idade (já há países onde é a partir dos três),
a chegar à escola e a professora a dizer-lhe algo como isto:

«Tu não és nem menino nem menina. Os teus pais mentiram-te porque, na
verdade, tu és uma folha em branco e podes escolher ser: cisgénero, Agénero,
Andrígine, Butch n-b, Demiboy, blá, blá, blá, mediante aquilo que te vamos
ensinar.»

Se isto dá um nó na cabeça de um adulto, imagine na de uma criança.

Brasil:

Primeiro foi o MAM [Museu de Arte Moderna] a apresentar “La Bête”


— uma leitura interpretativa da obra “Bicho”, da pintora e escultora Lygia
Clark — que apresentava um artista, totalmente nu, e algumas crianças a
interagirem com o seu corpo nu. A dado momento, uma criança, acompa-
nhada pela mãe, aproximava-se do homem, deitado no chão de barriga para

54
Maria Helena Costa

cima, e estabelecia contacto físico com os seus pés e uma das mãos4 e, claro,
contacto visual com o órgão sexual do homem.
Depois, a Fundação Santander Cultural, ligado ao banco com o mes-
mo nome, decidiu trazer para o Brasil a exposição “Queer Museu” [Museu
Transviado, em tradução livre]. Na sua sede, na cidade de Porto Alegre, fi-
cariam exibidas entre 14 de agosto e 8 de outubro, 270 obras e instalações,
assinadas por 85 artistas LGBT.
A temática deveria ser a “diversidade”, mas o que se viu foram imagens
promovendo práticas como: a pedofilia, o homossexualismo e a zoofilia,
além de imagens que profanam a figura de Jesus e a fé cristã.

Claro que o que mais lemos sobre os eventos acima, é a defesa dos mes-
mos e a desculpa de que havia avisos que alertavam para o facto de existirem
imagens de sexo, na exposição, e nu, no museu. Mas, digam eles o que dis-
serem, a verdade é que as escolas foram convidadas para levarem as crianças
à exposição onde viram imagens de sexo explícito [pornográficas] e os pais
levaram os filhos a olhar para o homem nu sem se preocuparem com o facto
de os seus filhos poderem habituar-se à nudez e não se inibirem quando
algum adulto os tentar aliciar para práticas sexuais pedófilas.

Uma exposição de arte na Escola Estadual Dom Geraldo Fernandes,


em Cambé, gerou polémica. A escola realizou uma exposição com refe-
rências directas ao suicídio, ao aborto e à profanação da Bíblia. Continha
bonecas enforcadas, remédios e instrumentos para abortar, mensagens alusi-
vas ao tema, bem como: “a solução para todos os seus problemas“ [uma corda
para se enforcar], e uma Bíblia rasgada e queimada. Tudo isto, para ser visto
por crianças a partir dos 6 anos de idade.
Os idealizadores da mostra foram alunos do Ensino Médio.

Universidade do Piauí:
Na área de Humanidades, é fácil encontrar alunos nus nas aulas, em
orgias, fazendo trabalhos de conclusão de cursos sobre orgias. Em 2017, um
aluno fez um mestrado sobre orgias homossexuais e participou em 500 or-
gias, tendo sido patrocinado pela Universidade e pelo Ministério da Ciência,
Tecnologia, Inovações e Comunicações.

55
Identidade de Género

Chocado? Ou nem por isso?


Há algum tempo vi um vídeo no Youtube que me gelou por dentro…
Pareceu-me tão surreal… Tão absurdamente louco… Transcrevi-o e pode
ser lido no próximo capítulo.

56
«O normal no desenvolvimento humano é que os pensamentos do in-
divíduo se alinhem com a realidade física; que a identidade de género
do indivíduo corresponda ao seu sexo biológico. As pessoas que dizem
“sentir-se como se fossem do sexo oposto”, ou “sentir-se em algum
ponto intermediário”, ou alguma outra categoria, não formam um
terceiro sexo. Elas continuam a ser homens ou mulheres, em termos
biológicos. A disforia de género é um problema que está na mente,
não no corpo. Crianças e adolescentes com Disforia de Género não
possuem um corpo desordenado, mesmo que seja isso o que sentem.»

— A American Psychiatric Association


Identidade de Género

“Quando o mundo enloqueceu”

Foram estas palavras e a imagem de crianças a descer por um baloiço


em forma de pénis gigante que me chamaram a atenção, para ver o vídeo
no Youtube. As imagens mostram várias criancinhas a brincar num parque
infantil, na Noruega, num escorrega em forma de pénis gigante de cujo in-
terior as vemos sair. Somos então alertados de que, se acharmos o que vamos
ver chocante, e revoltante, seremos considerados antiquados, superficiais, in-
tolerantes e necessitados de ir a um psiquiatra. A seguir, somos informados
que aquele escorrega tem como objectivo “educar as crianças da forma cor-
recta”, a fim de perderem a timidez em relação ao sexo e se desenvolverem.

Está chocado?

Se a sua resposta é “sim”, você é um retrógrado incapaz de apreciar a evo-


lução da civilização moderna e, cuide-se, porque parece que o mundo tem
vindo a desenvolver mecanismos para reduzir o número de pessoas tão estú-
pidas que acreditam que os meninos nascem meninos e as meninas nascem
meninas. Nos infantários de toda a Europa, as crianças aprendem nas novas
histórias infantis, que a raposinha tem duas mães e o pinguim tem dois pais.
Educadores do infantário, e da pré-escola, lêem essas histórias a criancinhas
com menos de 5 anos. Eles usam métodos e técnicas especiais elaboradas
pelo Ministério da Educação.
Por exemplo: O Ministério de Educação dinamarquês publicou uma
directriz para educadores da creche, lerem aos bebés, histórias onde há prin-
cesas piratas e príncipes coquetes e muito femininos. Na Letónia, podemos
encontrar livros para meninos intitulados: “O dia em que Karl era Karlina”,
e para meninas: “O dia em que Ruth era Richard”, patrocinados pelo Minis-
tério da Educação. A mesma situação é encontrada na Alemanha.

58
Maria Helena Costa

Por exemplo: os alunos de uma escola alemã “trocam de sexo” em honra


do dia da Igualdade de Género — eles vestem-se de menina, e elas vestem-
-se de menino. Todos participam. Professores e alunos, porque, de acordo
com os europeus modernaços, isso ajuda a alcançar a compreensão mútua.
No vídeo, um rapaz maquilhado, aparece a dizer que a maquilhagem é uma
forma de se colocar no papel do outro.

Será que o amado leitor está chocado com tudo isto?

Ou, já começa a pensar que não há nada de mais neste tipo de


educação?

É que, vai piorar!


Ideólogos LGBT afirmam que um homem, na sua infância, é neutro
e que, por conta disso, mais tarde ele pode ser o que quiser — ele, ela ou
algo. Em Basel, na Suíça, há umas caixinhas que têm tudo para estar numa
sex-shop, mas que são dadas às crianças no jardim-de-infância. Feitas para
crianças de 4 ou 5 anos, as caixas contêm um conjunto de bonecas, livros
ilustrados especiais, e brinquedos que imitam os genitais. Mas isso não é o
pior... O pior é que, hoje, as crianças deixam de ser quem são – menino ou
menina – e passam a ser algo “neutro”, uma criatura que não é macho nem
fêmea.
O Max é um menino de 2 anos. Os seus pais, ingleses, vestem-no com
calças de menino e saia de menina. A mãe pinta-lhe as unhas, coloca-lhe
lacinhos e fitinhas no cabelo e, apesar do Max se sentir um menino e afirmar
que o é, os pais consideram isso insignificante e insistem em fazê-lo brincar
com carrinhos de bonecas e agir como uma menina. Dizem que o fazem
para bem da criança?!
Muitos pais, e filhos, por esse mundo fora, são vítimas de uma lavagem
cerebral que dá pelo nome de “Ideologia de Género” travestida de moderni-
dade que transforma as pessoas em mutantes.

Na Suécia, no jardim de infância Egalia, que funciona desde 2010, em


Estocolmo, as crianças são tratadas como se não tivessem sexo. Em vez de
“han” [ele] ou “hon” [ela], a criança é chamada “hen” [algo]. Esta palavra

59
Identidade de Género

neutra foi incluída por pedagogos adeptos das minorias não tradicionais.
A directora da instituição acha que o tratamento “hen” é mais democrático.
Que tratar as crianças por “algo” é dar a todas elas os mesmos direitos, as
mesmas possibilidades e as mesmas responsabilidades. Como é que funciona
a tal democracia?

Todas as crianças brincam com bonecas, neutras, leem livros sobre um


garoto, que é apaixonado por cor-de-rosa, e vestem-se com vestidos às bo-
linhas brancas. Os meninos devem brincar com cozinhas de bonecas e as
meninas devem fazer construções em Lego. Bué de democrático, sem dú-
vida.

Em França, a situação é a mesma. Os burocratas do Departamento


de Educação foram aos infantários ensinar aos professores como ajudar
as crianças a superar estereótipos. Figuras de meninos e meninas são pen-
duradas num quadro negro e as crianças devem vesti-las de forma a não
parecerem nem meninas nem meninos.
Filmes em defesa da “Ideologia de Género” atraem a atenção de adoles-
centes com idades entre os 12 e os 14 anos. Por exemplo: o filme “Tomboy”,
cujo título significa uma menina que age como um menino, conta a história
de uma menina de dez anos, Laura, que se vê como um menino e que se
apaixona pela sua vizinha. Muito elogiada pelos críticos, esta história foi
premiada no Berlinale de 2011. O filme está a correr as escolas da Europa, e
a ser mostrado aos adolescentes, no âmbito do programa “Escola e Cinema”.
Em França, já foi visto por 46 mil alunos.

Enquanto isso, na Alemanha, alunos com 13 anos de idade, recebem


questionários bizarros nos quais lhes é pedido para reflectirem e responde-
rem a perguntas como estas:

Pertences ao sexo certo?

Quando, e porque é que decidiste ser heterossexual?

A heterossexualidade é apenas uma fase que vais superar?

60
Maria Helena Costa

É possível que a tua heterossexualidade seja apenas o resultado


do medo neurótico das pessoas que têm o mesmo sexo que tu?

Escandalizado?

Se perguntas como essas já seriam difíceis para um adulto, imagine para


alunos do 2.º ano do 2.º ciclo.

Tudo se conjuga para tornar neutras as “crianças modernas” que são as


grandes vítimas de uma doutrina aceite em 1995, quando a transformação
de uma pessoa num misterioso “algo” começou a dar os primeiros passos
em Pequim, na Conferência Mundial da ONU, quando a noção de sexo
foi mudada para género, por respeito a pessoas com (des)orientação sexual
diferente. Na época parecia inócuo, mas muitos psicólogos e sociólogos pen-
saram que isso poderia levar à queda da civilização humana. É incrível ver
uma geração que afirma que a ciência é que é, a ser totalmente manipulada
por uma ideologia que não tem nada de científico, que afirma que ninguém
nasce homem ou mulher, mas que é tudo uma questão de educação e de
treino.

O que é que aconteceu a uma sociedade que já honrou


as tradições familiares e os valores tradicionais?

Como é que essa sociedade começou a aceitar, tão


levianamente, a libertinagem das minorias ao ponto de
legitimar a corrupção das crianças no infantário?

Será que o amado leitor sabe, que, há algum tempo, o chefe do Ministé-
rio da Criança e do Desenvolvimento Familiar, era homossexual assumido e
multimilionário? Agora, ele assumiu a liderança de um partido de esquerda,
na Noruega, e doou 13 milhões de krones para promover um novo programa
de educação sexual, não-tradicional, nos jardins-de-infância e nas escolas
norueguesas.

Já ouviu falar de Daniel Cohn-Bendit?

61
Identidade de Género

É o líder da facção unida do Partido Verde do Parlamento Europeu.


Um homem que começou a sua carreira como professor do pré-escolar em
Frankfurt am Main. Foi acusado de pedofilia e, como se não bastasse, há
alguns anos, descreveu coisas chocantes na televisão francesa. Estas são al-
gumas das suas palavras:

“As crianças pequenas são fantasticamente sexy. Tenho que ser honesto. Em
primeiro lugar, trabalhei com as mais pequenas [...] Bem, quando crianças
de 4-6 anos... Você sabe... Quando uma menina de 5 anos o começa a despir,
isso é fabuloso.”1

Sente-se tão enojado como eu?

Tenho algumas perguntas para si:

Você quer que os seus filhos sejam “neutros”?

Quer que leiam contos de fadas sobre o amor de duas princesas,


ou sobre o “casamento” feliz de dois príncipes barbudos?

Se a sua resposta é “sim”, continue calado, relativize e apoie a “Ideologia


de Género” com todas as suas forças. Não que eles precisem, até porque se as
coisas continuarem a “evoluir” como até aqui, dentro de poucos anos todos
os valores familiares estarão destruídos e você não poderá perguntar aos seus
filhos se lhe vão dar um netinho, ou uma netinha, porque correrá o risco de
ir preso.

Enfiar a cabeça na areia — pensando que os seus filhos não vão ser dou-
trinados por essa ideologia — não é sábio. Só mesmo quem não olha para
o que se passa à sua volta, e não se apercebe do espaço que essa ideologia já
conquistou, pode ficar indiferente.

62
“A Ideologia de Género está a ser introduzida no ensino escolar sob
a alegação de que é necessária para evitar a discriminação contra
homossexuais e outros grupos minoritários. Mas a verdade é que a
ideologia não tem qualquer relação com o combate à discriminação. O
que ela realmente produz é uma crise de identidade sexual em crian-
ças e adolescentes, inclusive nas próprias minorias que supostamente
estariam a ser defendidas.”

AF
Identidade de Género

E por cá? O que se está a passar?

Já parou para se sentar com os seus filhos e ver o que eles vêem
nos desenhos animados?

— Se ainda não o fez, faça-o, pois o primeiro lugar onde os seus filhos
estão a ser doutrinados por essa ideologia podre é a sua casa.

A Ideologia de Género já foi introduzida no ensino escolar, a partir dos


3 anos, sob a alegação de que é necessária para evitar a discriminação contra
homossexuais e outros grupos minoritários. Mas a verdade é que não tem
qualquer relação com o combate à discriminação. O que ela produz é uma
crise de identidade sexual, em crianças e adolescentes, e até nas próprias
minorias que supostamente estariam a ser defendidas.

Já ouviu alguém comparar a homossexualidade com a cor da pe-


le? Como algo que nasce com alguém e não se pode mudar?

«O primeiro problema com a ideia de igualar a “orientação sexual” e a «raça»


é o facto de que a homossexualidade não é detectável à parte da auto-identi-
ficação. Determinar se uma pessoa é negra, caucasiana, ou do sexo feminino,
normalmente, não envolve mais do que uma verificação visual. Todavia,
caso a dúvida permaneça, testes sanguíneos, genética, ou uma rápida via-
gem pela árvore genealógica bastariam. Com a homossexualidade não é
assim. Não há evidência que possa confirmar, ou negar, a alegação de uma
pessoa com relação à sua orientação sexual.»1

Nos meios de comunicação social, e nas escolas, a Ideologia de Género


está a ser impingida e promovida, descaradamente. Neste caso, pela junta de

64
Maria Helena Costa

freguesia de S. Vicente, concelho de Lisboa, que ofereceu o livro “Não há


dois iguais”, a crianças de 10 anos, como prenda de Natal. O livro promove
o homossexualismo como algo tão normal e natural como a heterossexua-
lidade e a iniciativa da Câmara chama-lhe “planos de combate ao insucesso
escolar” no qual são apresentadas várias actividades, muito bem intenciona-
das. e Lá pelo meio aparece, muito sorrateiramente, uma actividade que é:
“sessões sobre identidade de género”. Esta actividade não pode ser rejeitada
pelos pais e nãos lhes é dada opção de escolha — ou aceitam todo o pacote,
ou não aceitam nada — para além de que, no final dessa lista de atividades,
está escrito “entre outras”.

Alguma vez leu o PRESSE?1

Sabe o que é?

É o guia/Programa Regional de Educação Sexual em Saúde Escolar que


tem como população-alvo, alunos e professores do 1º, 2º, 3º ciclos do ensino
básico e ensino secundário, envolvendo também pais, encarregados de edu-
cação, pessoal não docente e restante comunidade. Nos próximos capítulos
poderá ler alguns dos seus ensinamentos e ver neles aquilo que foi feito no
MAM [Museu de Arte Moderna] e na Exposição do Santander, o marxis-
mo cultural e a ridicularização dos valores judaico-cristãos.

Amado leitor, deu-se conta do rápido avanço desta ideologia?


Sabe quando começou a pôr as garras de fora?

01-03-2016
Happy Meals vão deixar de ter menção a “rapariga” e “rapaz”. A Secretá-
ria de Estado considera distinção discriminatória. […] Catarina Marcelino,
congratulou-se: “Não há brinquedos de menino e de menina.

23-08-2017
Proibição, e retirada do mercado dos blocos de atividades para meninos
e para meninas por serem… sexistas.

65
Identidade de Género

12-02-2018
Saiu discretamente na sexta-feira passada (Lei n.º 4/2018, de 9 de Fe-
vereiro), sob a designação de “regime jurídico da avaliação de impacto de
género de atos normativos”, e entra em vigor a 1 de Abril. “[…] Para o efeito,
o, a, ou outra coisa qualquer dantes designada por legislador, entende que “a
avaliação de impacto de género deve igualmente analisar a utilização de lin-
guagem não discriminatória na redacção de normas através da neutralização
ou minimização da especificação do género, do emprego de formas inclusi-
vas ou neutras, designadamente por via do recurso a genéricos verdadeiros
ou à utilização de pronomes invariáveis».

Exemplo prático: Se vir uma mulher grávida é melhor mencioná-la co-


mo “pessoa grávida”, não vá ela sentir que é um homem e ficar ofendida.

Existe uma linha que nunca devia ser transposta: Permitir que o
governo decida que palavras podemos usar.

05-04-2018
Proposta de lei que permite mudança de sexo no registo civil aos 16 anos
aprovada na especialidade.
Os partidos de esquerda congratularam-se hoje com a aprovação na es-
pecialidade, da proposta de lei que permite a mudança de sexo e de nome
no registo civil aos 16 anos e proíbe as cirurgias a crianças e bebés intersexo.
O Dr. Abel Matos Santos escreveu sobre isto e quero compartilhá-lo aqui:

«Para a nova Lei do Governo, da responsabilidade da agora demitida


Catarina Marcelino, apoiada pelo BE e PAN, mudar de sexo passa a ser
possível aos 16 anos, de forma arbitrária, a qualquer português, somente,
devido à sua vontade.»

Não estamos perante uma questão científica mas sim política! Estamos
a falar de um tema que se insere numa ideologia sem qualquer base científica
credível, que quer subjugar a Ciência, permitindo que as pessoas mudem de
nome e sexo, de forma arbitrária, aos maiores de 16 anos. ou noutra idade
qualquer.

66
Maria Helena Costa

Será que a maioria dos eleitores do PS e do BE são a favor desta


Lei? Já para não falar na maioria dos Portugueses?

Apresentam uma Lei para autodeterminação do Género, mas o que


querem mudar no registo civil é o Sexo. Por isso, importa explicar o que se
discute e o que está escondido e não é explicado. De forma simples os quatro
conceitos fundamentais são:

• O Sexo, que é imutável, atribuído aquando da fecundação e é gené-


tico, biológico.
• O Género é a representação social, cultural de masculinidade e /ou
feminilidade, e, de mais umas dezenas de formas descritas.
• Transgénero é um termo mais abrangente que engloba pessoas que
se auto identificam como, estando ou vivendo, fora dos papéis de
género socialmente construídos de masculinidade e feminilidade.
• Transsexual é o termo usado para conceptualizar e descrever uma
parte das pessoas transgénero que desejam alterações físicas aos seus
corpos, como Terapêutica Hormonal e cirurgia de reatribuição se-
xual, para adequarem de facto as características sexuais do corpo ao
sexo que pretendem.

Portanto, o que querem com esta lei é mudar no Registo Civil, o Gé-
nero à custa do Sexo. Com esta Lei, vamos ter pessoas do sexo masculino e
feminino, que não são transsexuais, porque, nada fizeram, nem nada querem
fazer, para adequar o corpo ao sexo que dizem desejar, ou com o qual se
identificam. Vamos ter pessoas do sexo masculino, com um corpo e uma
biologia masculina, a mudar para um nome e sexo feminino no Cartão de
Cidadão (e vice-versa), bastando dizer que se sentem identificadas com o
sexo oposto, e, toda a sociedade, pessoas e instituições, terão de obedecer a
essa imposição ideológica que não é real, sendo que se não o fizerem, pode-
rão sofrer pesados castigos judiciais que a lei prevê.

A “mulher” — que é homem — no duche das mulheres, no giná-


sio ou nas escolas.

67
Identidade de Género

Com esta Lei vamos poder ter uma pessoa do sexo masculino, que muda
de nome e sexo no Registo Civil para feminino, ir ao ginásio e no fim do
treino ir para os balneários das Mulheres tomar duche, com as outras mu-
lheres, com o seu corpo e pénis masculino.

Quem defende as mulheres desta opressão?

Se as mulheres se queixarem e o ginásio retirar o transgénero do balneá-


rio, poderá queixar-se por discriminação de género e o ginásio e as mulheres
poderão ser processadas judicialmente.

O homem grávido.
Outra situação que vai acontecer, se esta ridícula lei for aprovada, é, que
Portugal terá o primeiro “homem” grávido. Passo a explicar: um Ser humano
do sexo feminino, muda de nome e sexo no Registo Civil para masculino.
Como mantém o aparelho reprodutor feminino, engravida, e quando o bebé
nascer, ele será legalmente filho de um homem, porque no Registo Civil essa
pessoa consta como sendo do sexo masculino.

Bem sabemos que o conceito de Liberdade das esquerdas é totalitário,


de imposição ideológica. E quando a política não se aplica à realidade, o que
fazem é mudar a realidade, por decreto, porque a política tem de estar certa.
É exatamente isto que o Governo e o BE estão a fazer.

Em Portugal há muitas décadas que se acompanham transsexuais, e de-


vo dizer que bem. Eu já o faço há 20 anos, e, a principal razão que deram
para mudar a Lei em 2011, era a de retirar da esfera judicial a possibilidade
de as pessoas mudarem de sexo e nome no Registo Civil, mudança essa que
já se fazia muito antes.

Agora, vêm legislar ao contrário! Permitindo que se possa mudar de no-


me e sexo aos 16 anos e se a pessoa se arrepender e quiser voltar atrás, a Lei
já não deixa, tendo a pessoa que intentar uma acção judicial contra o Estado.

68
Maria Helena Costa

Os pais dos adolescentes vêem nesta Lei um estímulo para amplificar as


dúvidas e incertezas próprias da adolescência. Ninguém entende como é que
aos 16 anos não se pode votar, não se pode beber nem fumar, não se pode
conduzir, mas pode-se mudar de sexo, mesmo que os pais legitimamente
queiram saber se algo de errado se passa com o filho.

Estamos perante um atentado à Liberdade dos Pais de educa-


rem os filhos, e, mais grave, de cuidar deles! Um totalitarismo para o
qual os cidadãos têm de ser esclarecidos.

É o Estado a entrar porta dentro das casas das famílias portuguesas num
processo nunca visto nas democracias ocidentais.

Os Pais têm o direito de querer ajudar os filhos, de os levar ao mé-


dico, ao psicólogo, ou a quem entenderem para saber o que se passa!?

Invocando a liberdade, estão a abrir um precedente gravíssimo em


termos de Saúde, porque a lei permite que os menores possam ser acompa-
nhados por médicos ou psicólogos só se o quiserem. É que os jovens podem
ter patologias várias como psicoses, perturbações da personalidade, tumores
cerebrais, patologias endócrinas e outras que podem levar a alterações da
personalidade e também da identidade sexual ou de género. Várias doenças,
como a Anorexia Nervosa, Fobias ou automutilações podem existir sem que
as pessoas queiram ou desejem qualquer tipo de acompanhamento clínico.

Para os promotores desta legislação o respeito pela liberdade


dos menores é o de permitir que não sejam vistos por clínicos, sendo
que podem estar doentes!

Estão a expulsar a Medicina e a Psicologia de um campo onde natural-


mente elas tem de estar, com consequências imprevisíveis e gravíssimas do
ponto de vista de saúde individual e até do ponto de vista da saúde pública.
A esmagadora maioria dos jovens não tem problemas de identidade sexual
ou de género.

69
Identidade de Género

As situações de disforia de género são poucas e devem merecer a


atenção da Psiquiatria e da Psicologia e não do Estado.

É um erro a política querer meter-se em questões científicas. Sempre


que o fez deu mau resultado. O articulado da Lei proposta pelo Governo é
totalmente ambíguo e mal definido, porque refere que: “salvo em situações
de comprovado risco para a sua saúde”, os menores só podem ser subme-
tidos a “intervenções cirúrgicas, farmacológicas ou de outra natureza que
impliquem modificações ao nível do corpo ou das características sexuais”
no “momento em que se manifeste a sua identidade de género” e mediante
autorização expressa do próprio menor.

Podemos depreender da lei que, todos os bebés que nasçam com altera-
ções nos orgãos sexuais, sem comprovado risco para a sua saúde, deixam de
poder ser intervencionados cirurgicamente!

Como pode um bebé dizer se quer ou não? Os pais e os médicos


ficam proibidos de o fazer!

Como é que isto é possível? Em pleno século XXI regressar à Idade


Média! Situações completamente claras na medicina, podem passar a ser
proibidas à luz de uma lei ideológica radical do BE e do PS.

Como se vê, a questão é política e não científica! É a expressão


máxima da Ideologia de Género. E ficamos todos a pensar no que
mais virá a seguir?

Sabemos que a maioria destes casos de disforia de género em crianças


e adolescentes, com um acompanhamento conservador, se resolve pela não
mudança de sexo ou de género. Isto é que é a evidência clínica.

Para quê dar a possibilidade, sem o fundamental tempo de refle-


xão e amadurecimento, aos menores para mudarem de sexo e nome,
para depois (e pasme-se!), proibir a sua reversibilidade, obrigando
a pessoa a intentar uma acção judicial contra o Estado, se o quiser
fazer?

70
Maria Helena Costa

A totalidade das estruturas cerebrais, não estão desenvolvidas aos 16


anos. O cortex pré-frontal aos 16 anos ainda está em formação, não está to-
talmente desenvolvido e é responsável por várias funções que têm a ver com
a sexualidade, o género e outras. O neurologista Castro Caldas, no seu livro
“A vida do cérebro”, afirma:

”O cérebro está longe de estar formado antes dos 20 anos”.

E é por tudo isto que esta lei é iníqua, perigosa e não acrescenta nada de
bom a quem tem estas problemáticas. Pelo contrário, vem introduzir mais
dúvidas e condições para mais gente se questionar se de facto tem uma pro-
blemática de identidade sexual ou de género, em particular numa fase difícil
da vida como a adolescência.

E todos nós sabemos e compreendemos como a adolescência é das fa-


ses mais difíceis para o Ser humano, talvez só comparável ao bebé que sai
do meio aquático da barriga da mãe para o meio aéreo quando nasce. É
uma fase potencialmente traumática, difícil e exigente, onde existem muitas
dúvidas, anseios, dificuldades e também muitas perturbações emocionais,
mentais e afectivas.

O Psiquiatra Daniel Sampaio considera que a “autoridade dos


pais é crucial e tudo o que ponha em risco a segurança dos filhos não
deve ser tolerado pelos pais”, sendo “fundamental saber dizer “não”
aos filhos”. E que “os jovens precisam de regras, de orientações, de
directrizes traçadas pelos pais. Podem discordar, mas odeiam pais
demitidos ou desinteressados”.

Em suma, devemos dar segurança, tranquilidade, reflexão e ambição pa-


ra uma vida boa e saudável e não criar condições para as dúvidas, anseios e
medos se amplificarem e evoluírem para situações geradoras de mal-estar
quando de outra forma poderiam não surgir.

Há quem entenda que esta Lei e tudo o que lhe está associado, como a
doutrinação nas escolas sobre a disforia do género, vem potenciar este efeito
negativo. De forma unânime, o plural Conselho Nacional de Ética para as

71
Identidade de Género

Ciências da Vida, manifestou-se contra esta Lei, pronunciando-se pela re-


provação ética dos mesmos, afirmando que:

• Não é um direito humano fundamental;


• A Lei desconsidera a natureza pública do acto com as conse-
quências que dai advêm;
• Não se acautelaram questões associadas ao processo de ma-
turação e desenvolvimento neuropsíquico.

Outro reputado Psiquiatra, Pedro Afonso, afirmou que se opõe a esta


Lei, “pois ela não respeita a ciência médica”, e que “os adolescentes não po-
dem ser objecto de experiências de engenharia social”. Afirma que a agenda
política do BE é a de “promover a ambiguidade sexual e considerar normal
aquilo que, na maioria dos casos, é patológico”. Diz ainda, que os casos de
disforia do género “devem ser referenciados para a psiquiatria e podem levar
ao suicídio”.

O Juiz Vaz Patto alertou para o facto de esta Lei consagrar o direito
de qualquer pessoa ser tratada de acordo com o género que quer, e, impor
directrizes às instituições de ensino, forçando todos aos ditames próprios da
“Ideologia de Género”, limitando a liberdade de expressão.

Quanto às crianças e adolescentes, o Colégio Americano de Pe-


diatras (www.acpeds.org) afirma: que a grande maioria de casos de
“disforia de género” em menores são superados com o normal cres-
cimento.

Vários estudos e autores, como Bradley e Zucher ou Marks e col., mos-


tram que devemos ser optimistas e ajudar as crianças a serem mais seguras
na sua identidade de género e que a grande maioria dos casos se resolve
sem se revelarem transsexuais ou transgéneros. E que em adultos, a disforia
de género ocorre frequentemente associada com outros problemas de saúde
mental.

O peso ideológico e repressivo destas agendas é de tal modo evi-


dente, que há dias uma publicação internacional revelou que uma

72
Maria Helena Costa

universidade britânica cancelou de forma abrupta um estudo sobre


pessoas transsexuais, porque os resultados preliminares foram no
sentido de que muitas pessoas se arrependeram da transição efec-
tuada.

A Universidade cancelou, para não ter problemas nos media devido


à pressão dos activismos LGBT, devido a pressões inadmissíveis para que
fosse interrompido, tendo surgido uma controvérsia sobre a liberdade aca-
démica e o politicamente correcto.

Em Portugal, vive-se este mesmo ambiente, pesado, onde as pessoas têm


medo de falar, de discutir, porque são manifestamente perseguidas e proces-
sadas por delito de opinião. Aliás, como o projecto de Lei do Governo prevê,
Elencam uma série de ações civis e judiciais contra pessoas ou instituições
que pensem de forma diferente. Criam aliás uma polícia dos costumes à boa
maneira da Stasi ou do KGB, dando poderes a associações, de suposta defesa
dos transgénero, para perseguir e meter processos a quem não alinhar no
modelo de sociedade que querem impor.

Portanto, quem não alinhar com esta ideologia, imposta por uma
minoria totalitária, sujeita-se à destruição mediática, com calúnias
e ofensas, de modo a condicionar e a calar. Além da possibilidade
dos processos judiciais que reforçam a intimidação e privam a liber-
dade, obrigando todos a seguir a cartilha, objectivamente marxista.

É uma tentativa de “Engenharia social” que pretende construir um


“homem novo” e as vidas das crianças e dos adolescentes não devem ser
utilizadas para experiências sociais, pois são muito valiosas.2

Esta lei, que jamais deveria ter sido sequer cogitada, foi aprovada sem
que os portugueses fossem chamados a pronunciar-se e responsabiliza a Ge-
ringonça por tudo o que vier a correr mal com estas pessoas. Esta ideologia é
um cancro galopante que destrói valores, famílias e sociedades. Os manuais
escolares para promover a Ideologia de Género multiplicam-se, comissões
são formadas para doutrinar os nossos filhos.

73
«Usaremos o idiota útil na linha da frente. Incitaremos o ódio entre
as classes. Destruiremos a sua base moral, a família e a espiritualida-
de. Comerão as migalhas que caírem das nossas mesas. O Estado será
Deus.»
Maria Helena Costa

Manuais para implementação da


Ideologia de Género nas Escolas

Já ouviu falar do PRESSE?

— De acordo com o próprio documento:

«O PRESSE é o Programa Regional de Educação Sexual em Saúde Es-


colar, promovido pela Administração Regional de Saúde do Norte, I.P.
(ARSN) através do seu Departamento de Saúde Pública (DSP) em par-
ceria com a Direcção Regional de Educação do Norte (DREN), que apoia
a implementação da educação sexual nas escolas, de uma forma estruturada
e sustentada, envolvendo o trabalho conjunto entre os profissionais de edu-
cação e de saúde escolar. […] Entendendo a Educação Sexual como uma
importante dimensão da promoção e protecção da saúde e do processo global
de educação, o DSP constituiu um grupo de trabalho multidisciplinar, com
formação e experiência relevantes nesta área, que estrutura, executa, moni-
toriza, avalia e apoia a implementação do programa no local. Esta equipa
é composta por dois médicos de saúde pública, uma enfermeira especialista
em saúde comunitária e mestre em sexologia, uma licenciada em ciências
de educação e uma psicóloga. […] O PRESSE tem como finalidade incluir,
nos projectos educativos e nos currículos das escolas básicas e secundárias, um
programa de educação sexual estruturado e sustentado, para aumentar os
factores de protecção e para diminuir os comportamentos de risco dos alunos
em relação à sexualidade.
População-alvo:
O programa PRESSE tem como população-alvo alunos e professores do
1º, 2º, 3º ciclos do ensino básico e ensino secundário, envolvendo também
pais, encarregados de educação, pessoal não docente e restante comunidade

75
Identidade de Género

possuindo todos estes actores um papel activo no desenvolvimento deste pro-


grama.» (Fonte: PRESSE, págs. 6-7)

Não precisamos ler tudo para percebermos os objectivos por detrás do


PRESS — a pressa em sexualizar as crianças é o alvo imediato. Senão, ve-
jamos:

Nas págs. 12 e 13, há uma apologia descarada que visa transformar em


algo desejável todo o tipo de sexualidade e de voltar á “pré-História” no que
ao sexo diz respeito:

«Na pré-história o comportamento sexual era liberal. Em tribos que ca-


çavam, a bissexualidade era comum. A virgindade feminina era pouco
valorizada. As pessoas tinham liberdade para escolher os seus parceiros.»

«Na antiguidade clássica (800 A.C. – 476 D.C.) […] havia grande tole-
rância com a homossexualidade, especialmente na Grécia (mas também em
Roma) e com as representações sexuais. 500 A.C. Surge na região de Mileto,
no continente grego, uma fábrica de pénis artificiais de madeira e couro al-
mofadado. 100 D.C. No auge do Império Romano, era comum que famílias
tivessem, nas suas casas, representações sexuais explícitas. 138 D.C. Morre
o imperador Adriano que, mesmo casado, tinha uma relação homossexual
com um adolescente.»

«Na Idade Média (476 D.C. – 1453 D.C.), o comportamento sexual era
diversificado, mas o fortalecimento do cristianismo aumenta a quantidade
de tabus sexuais na Europa. Século IV: Ganham força as conceções de Santo
Agostinho de que o sexo era fruto do pecado humano. É reforçado que Jesus
nasceu de uma virgem. Século VII: As atividades homossexuais caem na
clandestinidade. Cresce a repressão à atividade sexual pelo prazer»

Qual é o interesse de ensinar isto a crianças de 6 anos de idade?

OBS: Não vou alongar-me nos comentários pois, no final deste livro,
compartilharei alguns artigos que escrevi acerca do PRESSE e das suas pre-
tensões na [des]orientação sexual de crianças, adolescentes e jovens.

76
Maria Helena Costa

Entretanto, eis outro documento que já está a ser usado no ensino da


Ideologia de Género nas escolas:

Por despacho de 16 de Maio do Senhor Secretário de Estado da Educa-


ção, foi homologado o Referencial de Educação para a Saúde.

«Este Referencial pretende ser uma ferramenta educativa flexível, passível


de ser utilizada e adaptada em função das opções e das realidades de cada
contexto educativo, desde a educação pré-escolar ao ensino secundário, nas
suas diferentes modalidades, em qualquer disciplina ou área disciplinar.
Como documento de referência, orientador na promoção e educação para a
saúde, contribui para o desenvolvimento integral das crianças e jovens, tor-
nando-os mais aptos para uma cidadania ativa e responsável.»1

E, o que é que este manual pretende ensinar e orientar?

Entre muito palavreado, algo como isto:

«Nos vários ambientes que a escola proporciona os alunos, EXPERIMEN-


TAM A SUA SEXUALIDADE, quer seja nas suas BRINCADEIRAS,
NO ESTUDO e nos namoros, MAS TAMBÉM NA RELAÇÃO COM
OS DOCENTES E TRABALHADORES DA ESCOLA.

Ela está presente nas conversas, nos jogos, nas quezílias, mas também nos
conhecimentos científicos.

A educação para a sexualidade, para ter os resultados desejáveis, terá de


dirigir-se à escola como um todo, PENETRAR EM TODOS OS SEUS
AMBIENTES, ENVOLVER TODOS OS SEUS MEMBROS, APRO-
VEITAR TODOS OS MOMENTOS para, através de acontecimentos
emocionais estruturados, CONSTRUIR MODELOS que promovam os
valores e os direitos sexuais, SOBRE OS QUAIS OS JOVENS POSSAM
DESENVOLVER A SUA PRÓPRIA IDENTIDADE e o respeito para
com os outros.» Págs. 73 e 74

77
Identidade de Género

Quando me lembro dos escritos da feminista Shulamit Firestone, em


1970: «A mente plenamente sexuada [que só pensa em sexo] tornar-se-ia
universal se a criança escolhesse a relação sexual com os adultos, ainda no
caso que escolhesse a sua própria mãe genética, [...]» e olho para a escola dos
nossos dias, fico horrorizada com o que aí vem.
Muito em breve, os filhos acusarão os pais de serem homofóbicos,
conservadores, mentes fechadas e até ignorantes por não experimentarem
outros parceiros e outras formas de sexualidade. Soube, há uns dias, que
uma menina de 6 anos chegou a casa e contou à mãe que a professora tinha
ensinado algumas posições sexuais na aula. Sim. Eles estão a sexualizar a
mente dos seus filhos.

No próximo capítulo, comentarei mais um despacho da Geringonça no


sentido de apressar o ensino da Ideologia de Género nas escolas.

78
«A MINORIA organizada sempre irá derrotar a MAIORIA
desorganizada.»

— Vladimir Lenine, 187-1924


Identidade de Género

Afinal, para que vai servir a Educação


para a Cidadania?

Considere​m-se 2 despachos relativos à Comissão para a Cidadania e a


Igualdade de Género / Educação para a Cidadania, e repare-se na impor-
tância e promoção dada à causa da igualdade de género nestes despachos,
como se fosse dado inquestionável, base de diálogo s​ egura ​para outras deci-
sões em termos de educação​/formatação​PÚBLICA.

Entenda-se que a palavra usada não é sexo, mas “género”​,​a percepção


social de ​uma ​identidade que não reflete necessariamente o dado factual in-
desmentível que é o sexo biológico​[…] Vai esta base questionável conduzir
a propostas de educação sexual [...] para as ​nossas ​crianças e jovens e estas
directivas​​implementam directrizes​de Bruxelas.

O QUE É QUE ESTÁ NA NOSSA MÃO FAZER PARA PA-


RAR/ANULAR esta corrente de insensatez?

Afinal para que vai servir a Educação para a Cidadania?

Para promover ​umas quantas causas “liberais” enquanto os pais


deixam os filhos na Escola que é de todos?

Pretende-se promover uma​​​ agenda de sexualidades divorciadas de res-


ponsabilidade, ​de ​afectos genuinos, c​ om ​abertura à promiscuidade​e a uma
agenda LGBTQ [...], e​ m idade prematura, com​​invectiva​ao Cristianismo​​
como “repressor” por defender a moderação, a modéstia, o adiar de relacio-
namentos físicos para altura em que haja maturidade psicoemocional​para
lhes dar significado humano e recíproco [​...] “a alma não usa anti-concep-

80
Maria Helena Costa

cional” c​ ostuma dizer alguém. A protecção da saúde física não é suficiente​


para preparar o jovem para relacionamentos​.

E a s​ aúde e​ mocional?

Como pode​m​, o casamento e a família ​saudáveis ​subsistir, no


meio dos desregramentos e desequilíbrios?

Quem pode trazer sensatez aos decisores políticos na Europa e


em Portugal? ​​

Estão a pressionar presidentes africanos​​a implementar a agenda LGB-


TQ..​, o aborto, etc., chamando-lhes intolerantes e ​apresentando a promoção
destas agendas de retrocesso​como condição para apoios​financeiros e logís-
ticos [​...] chantagem e tirania ideológica d​ ita ​“progressista​“​que conduz a
descalabros que trazem sofrimento aos envolvidos e​ prejuízo aos que vêem
os seus impostos aumentarem para ajudar a reduzir as consequências físicas,
emocionais, psicológicas [...] este excerto do despacho​diz, pela constituição
do grupo, já ​algo sobre ​o tipo de​filosofia que preside​à Educação para a
Cidadania​.

Assim, determina-se o seguinte:

1 — É criado o Grupo de Trabalho de Educação para a Cidadania dian-


te designado por Grupo de Trabalho, que tem a missão de conceber uma
Estratégia de Educação para a Cidadania, a implementar nas escolas do
ensino público, com o objetivo de incluir nas saídas curriculares, em todos
os graus de ensino, um conjunto de competências e conhecimentos em ma-
téria de cidadania. 2 — O Grupo de Trabalho é constituído por: a) Um/a
representante da Secretária de Estado para a Cidadania e Igualdade, que
coordena o grupo; b) Um/a representante do Secretário de Estado da Educa-
ção; c) Um/a representante da Comissão para a Cidadania e a Igualdade de
Género; d) Um/a representante do Alto Comissariado para as Migrações, I.
P.; e) Um/a representante da Direção -Geral da Educação; f ) A Coordena-
dora Nacional da Rede de Bibliotecas Escolares; g) Um/a representante da
Direção -Geral da Saúde; h) Um/a representante da Associação Nacional

81
Identidade de Género

de Município Portugueses.

NÃO HÁ representantes de pais, de líderes religiosos, de organiza-
ções ou iniciativas civis​que possam apresentar um paradigma diferente​?
Onde está a pluralidade de ideias garantida?​

Abram os links abaixo, leiam e defendam os vossos filhos desta lavagem


cerebral massiva.

file:///C:/Users/Pre/Downloads/cidadania.2016_despacho6173.pdf
https://dge.mec.pt/sites/default/files/Curriculo/Projeto_Autono-
mia_e_Flexibilidade/perfil_dos_alunos.pdf

Precisamos estar despertos para esta ideologia que está a arrombar as portas
dos nossos lares e a destruir a família.

82
«Em vez de pessoas com identidade — e cérebro — que controlam os
seus impulsos sexuais, estão a criar pessoas com impulsos sexuais que
determinam a sua identidade e subjugam o seu cérebro.»
Identidade de Género

Uma professora preocupada

Uma amada amiga, professora, enviou-me este plano de acção contra


a implementação da Ideologia de Género [SEXO] nas escolas. Partilho-o
aqui para que cada pai/mãe que me lê, possa perceber os meandros e a forma
como esta ideologia nos está a ser imposta:

«O Ministério da Educação cumpre as directivas vindas de Bruxelas.


Bruxelas curva-se a outras organizações internacionais como as Nações
Unidas, que usam o dinheiro para subsidiar prioritariamente quem multipli-
ca as suas agendas “progressistas” não ajudando os que (como alguns países
africanos), não querem promovê-las.

Os ditos liberais progressistas, visam deitar abaixo e redefinir, a família,


relacionamentos marido-mulher/pais-filhos, sexualidade, dar prioridade ao
novo sobre o antigo. Preferem alterar, a conservar princípios (ppor ex: a hie-
rarquia homem-animal tem sido reduzida através da defesa de um crescente
aumento dos direitos dos animais como o: não à morte antecipada de ani-
mais pelo PAN, mas, por outro lado, um sim por alguns partidos à eutanásia
de pessoas).

A agenda “liberal Progressista” procura, através do multiculturalismo


(diferente de interculturalidade), desfazer a prioridade de uma cultura me-
lhor sobre uma pior (canibalismo em várias culturas; mutilação genital em
África; “pés mutilados na China”; morte na pira funerária…) e promover o
sincretismo/ecumenismo no campo das religiões, visando uma orientação e
confluência para princípios globais de paz, de meditação de raíz Oriental,
tomando de assalto a visão Cristã de, UM Só Caminho feito de Deus e para
Deus (Cristo).

84
Maria Helena Costa

Na linha da espiritualidade da Nova Era (New Age) que integra pa-


ganismo, o culto aos elementos da natureza deificada, as orientalidades do
karma, da reencarnação, das energias, do yin e do yang, das pedras, incensos,
com a busca de um deus dentro de si mesmo, e não fora de si mesmo; o
Cristianismo tem sido relegado, e com ele os valores de família, de educação,
de relacionamentos, as prioridades que defende. Os media e as decisões polí-
ticas, dão reduzido foco a assuntos de enorme importância como o tráfico de
órgãos, o isolamento e falta de apoios na terceira idade, o emprego precário
de jovens, a terrível dimensão da perseguição aos Cristãos, na Índia pelos
hindus, na China pelo Partido, na Nigéria pelos muçulmanos Fulani, etc. A
lista continuaria. Em nome da tolerância, os liberais progressistas, defenden-
do a “moral” dos direitos civis, contradizem-se: são intolerantes para os que
com eles não concordam, ou ignoram grupos cujas liberdades fundamentais
são desrespeitadas.

Quanto à Educação em Portugal, regra geral, o Ministério envia as


decisões em DR [Diário da República], ou outras, para as Direcções; as
Direcções das escolas enviam os diplomas legais para os Professores que, por
sua vez, têm de os implementar, pois são funcionários públicos.

Algumas Direcções defendem (conheço uma) que os Professores não


têm direito a expressar opinião própria, que têm de ser “neutros” quando a
neutralidade é impossível para quem tem ideias e conceitos definidos. Mas
se as ideias não forem conservadoras, podem e devem ser adiantadas em sala
d’aula, porque estão em linha com o discurso político/ideológico. Esquecem
que o Professor em primeiro lugar, é PESSOA, só depois, Professor, e que
ser conservador não lhe retira idoneidade para falar. Os Professores conser-
vadores, têm de se defender de acusações de Pais, de outros Professores, da
Direcção. Não tenho ouvido queixas de Pais por os Professores ensinarem
ideias “progressistas” ou que haja elogios públicos por os Professores defen-
derem valores saudáveis. Também devia de haver apreciação.

A formação de Professores nas Escolas Superiores e na formação feita


pelo Ministério, está a preparar Professores de acordo com novas diretri-
zes,ideológicas(do género[sexo]), para o lançamento de disciplina transversal

85
Identidade de Género

como a EDUCAÇÃO PARA A CIDADANIA, que complementam a ES-


TRATÉGIA NACIONAL DE EDUCAÇÃO PARA A CIDADANIA1,
visando um PERFIL DOS ALUNOS À SAÍDA DA ESCOLARIDADE
OBRIGATÓRIA2, e ninguém se apercebe como aos poucos as coisas vão
mudando. O Ministério tem feito formação de Professores para os “capaci-
tar”. A área da formação inicial e continuada de Professores tem de ser alvo
de escrutínio com acordo da tutela.

O que estão a ensinar aos Professores para ensinarem aos filhos


da população?

A encomenda é credibilizada pelo ME [Ministério da Educação] por-


que feita de acordo com “compromissos”: as diretrizes internacionais de
“documentos de referência”, de Bruxelas, de Comissões, organizações in-
ternacionais: a União Europeia/o Conselho da Europa; a ONU/UNESCO
e, a nível nacional o Plano Estratégico para as migrações 2015-2020 e o V
Plano Nacional para a Igualdade de Género, Cidadania e Não Discrimina-
ção, 2014-2017 (ver pág. 4 do doc. Estratégia Nacional de educação para a
Cidadania3).

É preciso que as famílias naturais — pai, mãe/homem e mulher — sai-


bam defender nas escolas, mais do que boas “notas” para os filhos. Deixar
claro quais os “valores” que não lhes querem ver transmitidos/inculcados nas
várias disciplinas e nas áreas transdisciplinares que estão a ser lançadas.

A ideia não dita é, que em nome da Justiça social/democracia/ equidade,


da diversidade, da inclusão, da adaptabilidade a novos contextos, da igual-
dade nas relações interpessoais, da integração da diferença; há uma agenda
marcada por domínios como a Igualdade de Género, a Sexualidade (diver-
sidade, direitos, saúde sexual e reprodutiva), bem estar animal, a Educação
ambiental, etc. (pág. 7 do doc. ENEC3). Atenção que uma palavra co-
mo inclusão ou diversidade não tem de significar o mesmo para todos nós;
presentemente não podemos assumir que a definição ou âmbito da palavra
diversidade, desigualdade, de amor para outrem, é exactamente a que nós
temos. Quando um diploma, aparentemente com grande mérito, pretende

86
Maria Helena Costa

que tenham “ todos os alunos as mesmas condições”, temos de ver qual o


contexto (de que condições falamos? em que domínios da vida?) ,o discurso
tem de ser DEFINIDO, porque a definição não é necessariamente a mesma
que temos.

Há por detrás, vontade política de que os alunos acabem por sair (quase)
todos a pensar e a fazer o mesmo, mesmo que haja Pais, que com tal não se
identifiquem — não apenas a vestir quase igual e a ouvir/gostar do mesmo
tipo de música, a ter os mesmos passatempos ou gostos, mas também a
defender as mesmas causas de direitos civis do pensamento liberal, dito pro-
gressista (a ideologia de género [SEXO] é uma delas), acima da causa basilar
das LIBERDADE FUNDAMENTAIS (de expressão, de consciência, de
reunião, etc. ). A Escola é um instrumento de “educação-doutrinação” em
vários domínios em que as “massas” estarão em linha com o Estado num
mundo assustadoramente global.

Veja-se a perseguição a Cristãos na Nigéria pelos Fulani muçulmanos;


na Índia, pelos grupos hindus; na China pelo Partido marxista, etc.

O que ouvimos sobre estas notícias, em Portugal, nos jornais


e TV?

Muito pouco, comparado com outras notícias “politicamente corretas”


que são repetidas nas váriasredes de informação.

Na disciplina de Cidadania e Desenvolvimento, que acompanha a


criança/adolescente/jovem, da Educação pré-escolar ao secundário, inclusi-
ve, contribuirão para os valores considerados de Cidadania várias disciplinas.
Serão muitas horas em que o tópico da sexualidade terá o seu lugar.

A sexualização das crianças em idade precoce, bem como a hipersexua-


lização da Educação (com todas as disciplinas e todos os atores educativos
a contribuírem, ao longo de 3 ciclos de básico e o do secundário para tal),
poderá vir a favorecer efeitos de “entediamento/tédio”, e com eles desvios/
exageros na procura de novidade na conduta sexual, desvios ao que é natural

87
Identidade de Género

como a pornografia, comportamentos trans, que poderão tornar-se familia-


res e aceitáveis entre um crescente número de pessoas. Algo que alguns Pais
e alunos que os evidenciam ou defendem, mais numas escolas do que nou-
tras, já fazem. Vejamos um paralelo: o facto de o tema da teoria da evolução
ser dado/estudado/avaliado como explicação mais “credível” da existência do
mundo como tópico de várias disciplinas, tem contribuído para que as vo-
zes discordantes tenham sido silenciadas, porque os fizeram sentir mal. São
ridicularizados por vezes como menos inteligentes, menos “científicos” por
outros alunos e professores… quando uma tese/teoria, é isso mesmo… uma
hipótese de explicação, não uma lei cientificamente comprovada.

A sexualidade desassociada de responsabilidade, de compromisso, de


enquadramento justificativo significativo, torna-se uma arma que pode dar
um tiro nos outros ou em si mesmo. O pudor ou modéstia nem é falado. A
corrente do TRUE LOVE WAITS (O VERDADEIRO AMOR ESPE-
RA) nem é provavelmente posta na mesa da formação de Professores, mas
deveria, porque daria um modelo de abstinência válido.
Parte-se do princípio que os jovens querem iniciar a sua vida sexual cedo
e que não podemos fazer sentir mal os adolescentes/jovens que decidam
deixar para mais tarde o que é de grande significado para eles e para os Pais.
Esses, terão de se “adaptar” à maioria ou, ao que se julga ser as necessidades
da maioria.

Onde está aqui o respeito pela DIFERENÇA, A INCLUSÃO


DA DIVERSIDADE? Ou será que este modelo de Cidadania de-
fende cidadãos de 1ª e de 2ª escolha?

Os PAIS deverão estar atentos a estes documentos e aliar-se com outros


Pais, Educadores/Professores; deverão criar elos de confiança e sugerir/pro-
mover sessões de esclarecimento nestes domínios com oradores convidados
de sua confiança para o Plano Anual de Atividades da Turma do seu filho.
Oradores que saibam esgrimir com confiança e lógica, os argumentos em
terreno que podem ter “minas” de vozes oponentes discriminatórias.

Os PAIS têm de fazer as suas sugestões conhecidas em tempo certo;

88
Maria Helena Costa

á DT, em reunião de Conselho de Turma, como representantes dos outros


Encarregados de Educação, ou enquanto elementos da Associação de Pais,
fazerem as suas opiniões e sugestões chegar ao Conselho Geral da Escola/
Agrupamento, à Direção da Escola…

PAIS e POLÍTICOS, ORGANIZAÇÕES que estão informados do


que se discute e é aprovado em Bruxelas, do que se discute e é aprovado
na Assembleia da República, nas Comissões: quando discordam, devem
escrever emails aos grupos parlamentares, ao Presidente da República, ao
Presidente da Assembleia da República, para os jornais; de preferência
ANTES DOS PROJETOS de lei serem aprovados. Se forem aprovados,
devem unir-se para pedirem a não promulgação, ou oporem-se pedindo a
REVOGAÇÃO DE uma LEI que ponha valores caros à família natural em
causa, os secundarize, ou CRIMINALIZE QUEM OS DEFENDA.4

São precisos PAIS e/ou ADVOGADOS que lêem “as entrelinhas” dos
diplomas legais e os desmontam, e expõem a agenda de risco por detrás, ain-
da que em primeira mão defendendo direitos civis de outros pais e de alunos
diferentes, mas cuja diferença tira espaço à família natural.

PAIS que alertam, quando as Direcções das escolas não informam sobre
as matrículas em disciplinas como; Religião e Moral Católica ou Evangé-
lica, mas deixam crianças entrar em filosofias como, o yoga e o reiki, com a
capa de “exercício físico” ou de técnica para acalmarem/relaxarem. Algumas
Direcções não dão informação sobre a disciplina de EMReligiosa, ou traba-
lham dados de matrículas, ou dão maus horários para que o ethos da escola
não seja marcado por valores judaico cristãos contra o aborto, a eutanásia, a
favor da família natural e da identidade cultural ocidental; pretendem que
valores “seculares” ditos liberais, progressistas os substituam e assim rara-
mente os alunos ouvem em debate, argumentos contra a eutanásia, contra
o aborto ou contra a ideologia de sexo ou contra a teoria da evolução ou...

PAIS que falam com os filhos sobre o que aprendem, que verificam o
que se ensina em Filosofia, noutras disciplinas, que querem que os seus fi-
lhos tenham o ponto de vista de casa sobre essas matérias. Que contrariam o

89
Identidade de Género

corte de horas na disciplina de História, porque transmite aos jovens o vín-


culo com um passado de que devem orgulhar-se, e de que devem reconhecer
as falhas, como houve em todas as civilizações, e não apenas na ocidental.

PAIS, POLÍTICOS, PARTIDOS; que se juntam para reunir forças po-


líticas, religiosas, associativas. A CitizenGo e outras iniciativas, são a favor
da Família homem-mulher e dos seus valores; desmascaram e NÃO apoiam
outras, como a AMNESTY INTERNATIONAL, que tem uma agenda
de esquerda prioritária, anti família natural, antivalores ocidentais e recolhe
financiamentos das grandes multinacionais. A CitizenGo é um porta-voz
independente que depende da boa vontade de quem a tem. Importa que os
Pais, Políticos, Educadores apoiem as iniciativas que não têm agenda mar-
xista cultural.

São necessários PAIS que; usem a sua influência junto da imprensa,


da televisão, das redes sociais, para passar um discurso de desmontagem da
ideologia de sexo, num combate político ao marxismo cultural que pretende,
com o fim da família marcada por vínculos fortes de lealdade para com os
Pais (e Deus) em 1º lugar , abrir caminho para o fim da propriedade privada
legada por pais a filhos e conseguir ao longo dos cada vez mais anos de
ensino obrigatório “formatar” as mentes, desejos, e propósitos dos jovens no
sentido de os “domesticar”, robotizar como “mão de obra/apoiantes/servos
“do Estado-Progenitor” , elo de submissão comum para todos porque o elo
de paternidade se vai diluindo com “leis” de barrigas de aluguer, de bi/tri...
paternidade/maternidade....

São precisos PAIS, POLÍTICOS, ASSOCIAÇÕES, PLATAFOR-


MAS que usem as suas ligações e façam mudar os (apresentadores de)
programas de recreio da televisão, os desenhos animados, filmes e docu-
mentários que promovem a Ideologia de Género [sexo] de forma activa
ou passiva, que correm na TV, inclusive à noite; sobretudo a RTP, deve ser
responsabilizada porque tem uma missão pública. Cidadãos têm que exigir
que a cumpram. Uma resposta têm de dar, a cartas ou a vários emails en-
viados. Exigindo filmes com famílias homem-mulher, que funcionam de
forma agradável em família, que ultrapassam as dificuldades e representam

90
Maria Helena Costa

um BOM modelo de referência para adultos, crianças e jovens (a cadeia


pureflix deveria chegar a Portugal); exigindo DIVERSIVIDADE; pedindo
programas musicais clássicos, músicas de corais, orquestras, música que não
desperte a sexualidade lactente na adolescência, motivando-os para outros
passatempos menos “sexualizados”.

Basta ver como as jovens se despem, por vezes, mais do que se vestem,
na rua e até na escola, e os rapazes são “forçados” a ter conversas “femininas”
(com beijos pelo meio) porque não lhes dão modelos masculinos com causas
elevadas, mas são-lhes vendidos metrossexuais ou pessoas com inseguranças
sobre a sua identidade.

Os jovens precisam de algum terreno sólido, de algumas certezas para


se continuarem a construir. Pôr tudo em causa leva à depressão. O número
de crianças que são acompanhadas por psicólogos cresceu grandemente e
também o daquelas que, tendo problemas de comportamento, lhes são pas-
sados atestados que os tornam mais “especiais” do que os outros, a nível de
responsabilização por comportamentos desadequados.

PAIS devem ler os livros infantis e juvenis, ver os programas de TV e


fazer recomendações, tanto para editoras, como para que o PLANO NA-
CIONAL DE LEITURA do ME não passe nos livros de leitura obrigatória
em Português e/ou Língua estrangeira, ou nos manuais uma ideia de várias
sexualidades que não advogam as palavras sexo e género como sinónimos.
A agenda está disseminada em várias plataformas. Só Pais que pensem de
forma semelhante, unindo-se e dividindo tarefas com informações a cruzar
entre si, poderão fazer frente à “inclusão” do que consideram que não é de
incluir, em tenras faixas etárias sem um enquadramento ideológico crítico.
Uma criança não consegue distanciar-se de forma crítica. Tende a identifi-
car-se sobretudo com protagonistas de idades semelhantes à sua.

PAIS fariam bem em informar-se sobre os objectivos educativos de


visitas de estudo e de outros eventos da escola. Os Pais de esquerda opõem-
-se, queixam-se, por haver tarefas associadas a celebrações cristãs centrais.
Cabe a quem as celebra defender a celebração dos símbolos do Natal, do

91
Identidade de Género

Nascimento de Cristo e não a Popota, a Páscoa do Cordeiro de Deus (Cru-


cificação/Ressurreição/Ascensão) e não a do Coelho. O que os nossos jovens
celebram é importante.

Fazer vassouras, gatos, bruxas e ver filmes de “terror” para celebrar a Noi-
te das Bruxas; é celebrar a agenda pagã ABRAÇADA PELA ESQUERDA
do culto aos deuses da natureza, a quem eram sacrificados animais e até
crianças para acalmar a ira do trovão, do relâmpago… Não se comemora
dor, sofrimento, pavor e violência. O trick, era um severo castigo dado a
quem não contribuísse para os sacrifícios; o treat, era uma espécie de na-
bo/abóbora para quem contribuísse. Bruxas, Mortos-Vivos, Lobisomens,
máscaras degoladas com sangue, estão ligados ao mal; apresentados como
elementos a celebrar, não é formativo. O mal tem de se chamar mal; o bem,
bem. Não podemos tornar a noite das bruxas algo obrigatório, quando a
palavra Christmas foi “censurada” e retirada de imediato no ano passado,
na escola pública, por ordem da Direção, em nome da escola ser laica. Ser
laica é ter lugar para todos, não excluir alguém; não significa ignorar a nossa
MATRIZ DE IDENTIDADE RELIGIOSA E CULTURAL. Deixamos
de fora a nossa cultura, depois os nossos valores…e a seguir? Os alunos não
politicamente/religiosamente/ideologicamente corretos?

PAIS, POLÍTICOS, CIDADÃOS; têm de sublinhar que a LINGUA-


GEM importa! Nos meios académicos/universidades/escolas, nos meios de
comunicação, na literatura; não se pode censurar a palavra “sexo”; tem de se
explicar que SEXO e GÉNERO são diferentes e que médicos, jornalistas,
etc., devem usar a palavra sexo, quando se referem ao domínio biológico e
género, à construção social , à leitura pessoal que alguém faz de si mesmo,
contrariando a realidade, e desejando, por isso, envidar esforços PARA A
ALTERAR. Não precisamos alterar para o que já somos; só para o que
não somos.

É importante conhecer os argumentos dos Defensores da Ideologia de


Género [sexo] e DESCONTRUÍ-LOS de forma racional, usando por ve-
zes a sua argumentação ao contrário, sem pedir desculpa por o fazer.
É importante também, “não procurar descobrir de novo a roda” e ir

92
Maria Helena Costa

buscar os argumentos como os de Ben Shapiro e de outros escritores/co-


mentadores/oradores de pensamento conservador e dar a conhecer vídeos
simples, com informação concisa para outros PAIS, COLEGAS, PARTI-
DOS POLÍTICOS pensarem.

As JUVENTUDES PARTIDÁRIAS dos partidos de linha conserva-


dora deveriam unir-se para criar uma plataforma conjunta e COESA para
fazer palestras em escolas, publicar esclarecimentos nas redes sociais, como
membros da Associação de Estudantes ou grupo de estudantes com Inicia-
tiva.

Já que alguns diplomas dão palavra aos estudantes e a Pais, é bom que
sejam os que defendem famílias naturais e valores saudáveis que avancem.

Atenção, que o Currículo dos Ensinos Básicos e Secundário para revi-


são do Decreto-Lei nº 139/2012 de 5 de julho, diz ter estado para consulta
pública, mas passou-me ao lado e não terei sido a única.

Se reparar, a constituição do Grupo de Trabalho que fez a Estratégia


Nacional para Educação para a Cidadania, é composto por 13 pessoas ,
coordenadas por representante dos Gabinetes do Ministro adjunto e da Se-
cretária de Estado para a Cidadania e Igualdade. Não há representantes dos
Pais, mas há uma representante da Comissão para a Cidadania e a Igualdade
de Género.

93
«A ideologia/identidade de género — promovida, incentivada e im-
pingida pela geringonça que nos [des]governa — e que hoje promete
escrever mais uma página negra na decadência moral e na destruição
da família, é um daqueles casos em que devemos recorrer ao prin-
cípio protestante da desobediência civil. Quando uma autoridade
civil ordena algo contrário à Sagrada Escritura; neste ponto, a nossa
obrigação é desobedecer à autoridade humana — «pois mais importa
obedecer a Deus do que aos homens».»

— Leonardo Moraes
Maria Helena Costa

E a ciência? O que diz?

Faz alguns dias que vi esta publicação num grupo que fala sobre os peri-
gos e o avanço da Ideologia/Identidade de Género. De acordo com a Gazeta
do Povo:

«Em Agosto de 2016, o American College of Pediatricians (ACPeds)


publicou um estudo, assinado pela presidente da associação, a doutora Mi-
chelle Cretella, analisando a literatura médica sobre disforia de género e
as bases científicas dos atuais protocolos para o tratamento dessa condição,
principalmente em relação a crianças e adolescentes. A partir de uma exten-
sa análise dos dados, o relatório conclui pela falta de evidências científicas
sólidas para recomendar tratamentos invasivos, como os bloqueios hormo-
nais em crianças e adolescentes, cujos efeitos ainda são em grande parte
desconhecidos ou, em muitos casos, prejudiciais.

Fundado em 2002 por dissidentes da American Academy of Pediatrics


(AAP) descontentes com os rumos ideológicos da tradicional associação, o
College aponta e detalha a existência de uma verdadeira ideologia de género
por trás das mudanças na compreensão médica sobre o fenómeno da disfo-
ria de género e aponta para os perigos de mudanças bruscas sem pesquisas
sólidas que as recomendem.»

Resumo

A disforia de género (DG) na infância é uma condição psicológica em


que as crianças sentem uma incongruência nítida entre o género que sen-
tem ter e o género associado ao seu sexo biológico. Na imensa maioria dos
casos em que isso ocorre na criança pré-adolescente, a DG resolve-se até ao

95
Identidade de Género

final da adolescência. Existe hoje uma discussão intensa, embora suprimida,


entre médicos, terapeutas e académicos em torno do que está rapidamente
a tornar-se o novo tratamento padronizado da DG em crianças. Esse novo
paradigma baseia-se na premissa de que a DG é algo inato; ele envolve a
supressão da puberdade com agonistas da hormona libertadora de gona-
dotrofina (GnRH), seguida pelo uso de hormonas do sexo oposto – uma
combinação que resulta na esterilidade de menores. Uma revisão da literatu-
ra actual sugere que esse protocolo se baseia numa ideologia de género não
científica, que carece de uma base de evidências e que viola o princípio ético
duradouro de “em primeiro lugar, nunca causar dano ou mal”.

Neste relatório você encontra:

• A disforia de género em crianças: esta discussão transcende a ciência


• A disforia de género como fruto de uma identidade interna sexuada
inata
• Factores pós-natais predominam no desenvolvimento e persistência
da DG
• A disforia de género como um transtorno mental objectivo
• O protocolo que afirma a transgeneridade: qual é a base de evidências?
• Clínicas de género se multiplicam nos Estados Unidos, a despeito
da falta de evidências médicas
• O risco dos agonistas do GnRH
• Agonistas do GnRH, hormonas do sexo oposto e infertilidade
• Riscos adicionais ligados às hormonas do sexo oposto
• O adolescente pós-púbere com disforia de género
• Impacto da redesignação sexual em adultos, relacionado ao risco em
crianças
• Recomendações para pesquisa
• Conclusão
• Referências

A disforia de género em crianças: esta discussão transcende a


ciência

96
Maria Helena Costa

“Género” é um termo que alude às características psicológicas e culturais


associadas ao sexo biológico [1]. É um conceito psicológico e um termo so-
ciológico, não biológico. A Identidade de Género diz respeito à consciência
que um indivíduo tem de ser homem ou mulher e às vezes é descrito como
o “género vivido” do indivíduo. A disforia de género (DG) na infância, é um
termo que descreve uma condição psicológica na qual a criança sente uma
incongruência nítida entre o género que ela sente ter e o género associado
ao seu sexo biológico. Essas crianças frequentemente manifestam a crença
de que são do sexo oposto [2]. O índice de prevalência de DG entre crianças
é estimado em menos de 1% [3]. Os índices de meninos e meninas encami-
nhados para clínicas especializadas variam segundo a idade. Nas crianças
pré-adolescentes, a razão entre meninos e meninas varia entre 2:1 e 4,5:1.
Entre adolescentes, a razão entre pessoas de ambos os sexos é quase igual;
entre adultos, a razão entre homens e mulheres varia entre 1:1 e 6,1:1 [3].

A discussão sobre o tratamento a dar a crianças com DG é sobretudo de


natureza ética: ela diz respeito tanto à visão de mundo do médico quanto à
ciência. A medicina não ocorre num vácuo moral; toda a acção ou inacção
terapêutica é fruto de um julgamento moral de alguma espécie que nasce
da visão de mundo filosófica do médico. A medicina tampouco ocorre num
vácuo político, e estar do lado errado da política sexual pode encerrar con-
sequências graves para indivíduos que defendem a posição politicamente
incorrecta.

A título de exemplo, o Dr. Kenneth Zucker, reconhecido há muito tem-


po como a maior autoridade em questões de género em crianças, também é
e, sempre foi defensor dos direitos dos gays e transgéneros. Contudo, para
grande consternação dos activistas adultos em favor dos transgéneros, Zu-
cker acredita que as crianças pré-adolescentes com disforia de género são
mais beneficiadas quando as ajudamos a alinhar a sua identidade de género
com o seu sexo anatómico. Essa posição acabou por lhe custar o cargo de
Director, que ele ocupava há 30 anos, da Clínica Infantil, Juvenil e Familiar
de Identidade de Género (GIC) do Centro de Adição e Saúde Mental, em
Toronto. [4][5]

97
Identidade de Género

Muitos críticos da supressão da puberdade, defendem uma visão de


mundo teleológica moderna. Para eles, é autoevidente que existe uma inten-
ção proposital na natureza humana e que a cooperação com essa intenção,
leva ao desabrochamento humano. Outros, contudo, identificam-se como
pós-modernistas que rejeitam a teleologia. O que une os dois grupos é uma
interpretação tradicional da máxima de “em primeiro lugar, nunca causar
dano ou mal”. Por exemplo, existe uma comunidade on-line crescente de
médicos, profissionais de saúde mental e académicos que defendem os gays
e possuem uma página na internet intitulada “First, do no harm: youth gen-
der professionals”. Eles escrevem:

«Estamos preocupados com a tendência actual a rapidamente diagnosticar e


afirmar crianças e adolescentes como transgéneros, frequentemente direcio-
nando-os para a transição médica. […] Consideramos que cirurgias e/ou
tratamentos hormonais desnecessários, cuja segurança a longo prazo ainda
não foi comprovada, representam riscos importantes para crianças e adoles-
centes. Políticas públicas que incentivam – directa ou indirectamente – esse
tratamento médico para crianças ou adolescentes que podem não ser capazes
de avaliar os seus riscos e benefícios são altamente suspeitos, na nossa opi-
nião.» [6]

Contrastando com isso, os proponentes do paradigma intervencionista


médico também são pós-modernistas, mas têm uma visão subjectiva de “em
primeiro lugar, nunca causar dano ou mal”. A Dra. Johanna Olson Kenne-
dy, Hebiatra do Hospital Infantil de Los Angeles e líder das transições de
género pediátricas: já afirmou que “[em primeiro lugar, nunca causar dano
ou mal] é realmente subjectivo. Historicamente, viemos de uma perspectiva
altamente paternalista […] em que os médicos realmente recebem o privi-
légio de decidir o que fará ou não fará o mal. E, no mundo do género, isso
é realmente problemático.”[7] Não apenas ela afirma que “em primeiro lugar,
nunca causar dano ou mal” é subjectivo, como mais adiante também afirma,
que deve ser deixado a cargo da criança decidir o que constitui dano ou mal,
com base nos seus próprios pensamentos e sentimentos subjetivos [7]. Dada a
imaturidade cognitiva e de experiência da criança e do adolescente, o Ame-
rican College of Pediatricians (o College) considera essa posição altamente
problemática e antiética.

98
Maria Helena Costa

A disforia de género como fruto de uma identidade interna sexuada


inata.
O professor de assistência social Dr. William Brennan escreveu que
“o poder que a linguagem possui de colorir a nossa visão da realidade é
profundo”[8].É por essa razão que a engenharia linguística sempre precede
a engenharia social, mesmo na medicina. Muitos têm a visão equivocada
de que o género, no passado, significava sexo biológico. Embora os termos
frequentemente sejam usados de modo intercambiável, eles nunca foram
verdadeiros sinónimos [9] [10]. As feministas do final dos anos 60 e da década
de 1970, usavam o termo “género” para se referir a um “sexo social” da pessoa,
que poderia diferir do seu “sexo biológico”, para superar a discriminação in-
justa das mulheres, que tinha raízes em estereótipos sexuais. Essas feministas
são as grandes responsáveis por terem generalizado o uso da palavra “género”
em lugar de “sexo”. Mais recentemente, num esforço para eliminar a hetero-
normatividade, os teóricos queer ampliaram o género, de modo a abranger
mais de 50 categorias, fundindo o conceito de um sexo social com asatrac-
ções sexuais [9]. Mas nenhum dos usos reflete o sentido original do termo.

Entre 80% e 95% das crianças e adolescentes com disforia de


género aceitam o seu sexo biológico até ao final da adolescência.

A maioria das crianças aceita o seu sexo biológico até ao final da ado-
lescência.
Antes da década de 1950, o género aplicava-se apenas à gramática, não
às pessoas.[9],[10] As línguas de origem latina classificam os substantivos e os
seus qualificadores como masculinos ou femininos, e por essa razão essas
palavras ainda são descritas como tendo um género. Isso mudou nas décadas
de 1950 e 1960, quando os sexólogos perceberam que a sua agenda de rede-
signação sexual não poderia ser suficientemente defendida usando os termos
“sexo” e “transexual”. Do ponto de vista puramente científico, os seres hu-
manos possuem um sexo biologicamente determinado e diferenças sexuais
inatas. Nenhum sexólogo pode mudar os genes de uma pessoa através de
hormonas e cirurgia. A troca de sexo é objectivamente impossível.
A solução encontrada pelos sexólogos foi apropriar-se da palavra “géne-

99
Identidade de Género

ro” e atribuir-lhe um novo sentido que se aplicava às pessoas. John Money,


PhD, foi um dos mais destacados desses sexólogos que redefiniram o género
para que significasse “a actuação sexual indicativa de uma identidade interna
sexuada”.[10] Essencialmente, esses sexólogos inventaram a fundamentação
ideológica necessária para justificar o seu tratamento do transexualismo com
cirurgias de redesignação sexual, e chamaram género a isso. É essa ideologia
fabricada pelo Homem, de uma “identidade interna sexuada”, que hoje do-
mina a medicina, a psiquiatria e o mundo académico.

Esta história linguística, deixa claro que o género não é e nunca foi, uma
realidade biológica ou científica. Em vez disso, o género é um conceito social
e politicamente construído.

No seu estudo “Overview of Gender Development and Gender Noncon-


formity in Children and Adolescents” (Panorama geral do desenvolvimento
de género e da inconformidade de género em crianças e adolescentes): For-
cier e Olson-Kennedy rejeitam o modelo binário da sexualidade humana,
descrevendo-a como uma “ideologia”, e apresentam uma “visão alternativa”
da “identidade de género inata”, que se apresenta ao longo de um ”contínuo
de género”. Eles recomendam que os pediatras digam aos pais, que o “género
verdadeiro” da criança é aquele que a criança sente que é, porque “o cérebro
e o corpo da criança podem não estar em sintonia”.[11]

A alegação feita por Forcier e Olson-Kennedy de uma discordância ina-


ta entre o cérebro e o corpo de uma criança, vem de imagens de difusão por
ressonância magnética que demonstram que o aumento da testosterona em
meninos na puberdade, aumenta o volume de substância branca, além de
estudos dos cérebros de adultos que se identificam como transgéneros. Um
estudo de Rametti e colegas, constatou que a microestrutura de substância
branca dos cérebros de adultos transexuais, de mulher a homem (MaH),
que ainda não haviam iniciado tratamento com testosterona, era mais seme-
lhante à de homens do que à de mulheres.[12] Outros estudos com imagens
de difusão por ressonância magnética, concluíram que a microestrutura de
substância branca nos transexuais, MaH e homem a mulher (HaM), está a
meio caminho entre, os de mulheres e homens genéticos.[13]

100
Maria Helena Costa

Do ponto de vista puramente científico, os seres humanos possuem um


sexo biologicamente determinado e diferenças sexuais inatas. Nenhum sexó-
logo pode mudar os genes de uma pessoa através de hormonas e cirurgia.
Seres humanos possuem um sexo biologicamente determinado e diferenças
sexuais inatas.

Mas esses estudos têm um significado clínico questionável, devido ao


número pequeno de sujeitos e à existência da neuroplasticidade. Este é um
fenómeno fartamente constactado, em que os comportamentos a longo pra-
zo modificam a microestrutura cerebral. Não há evidências de que as pessoas
nasçam com microestruturas cerebrais que são imutáveis para sempre, mas
há evidências importantes de que a experiência modifica a microestrutura
cerebral.[14] Portanto, se, e quando forem identificadas diferenças válidas nos
cérebros de transgéneros, é provável que elas sejam fruto do comportamento
transgénero, não a sua causa. O que é mais importante, contudo, é o facto
de que os cérebros de todos os bebés do sexo masculino, são masculinizados
antes do nascimento por sua própria testosterona endógena, que é libertada
pelos seus testículos a partir de, aproximadamente, oito semanas de gestação.
As bebés meninas não possuem testículos, é claro, logo não têm os seus cé-
rebros masculinizados por testosterona endógena.[15],[16],[17]

Por essa razão, tirando a hipótese de uma das raras desordens


de desenvolvimento sexual (DDSs), os meninos não nascem com
cérebro feminilizado e as meninas não nascem com cérebro mascu-
linizado.

Os geneticistas comportamentais sabem há décadas que, enquanto ge-


nes e hormonas influenciam o comportamento, eles não predeterminam que
uma pessoa tenha que pensar, sentir ou comportar-se de determinada ma-
neira. A ciência da epigenética constactou que os genes não são análogos a
“modelos” rígidos de comportamento. Na realidade, os humanos “desenvol-
vem características através do processo dinâmico de interacção entre genes
e ambiente (…) [os genes por si só] não determinam quem somos.”[18] Com
relação à etiologia do transgénerismo, estudos de gémeos feitos com transe-
xuais adultos provam definitivamente que a influência genética e hormonal
pré-natal é mínima.

101
Identidade de Género

Estudos de gémeos, são instrumentais para elucidar o grau em que uma


característica é biologicamente determinada antes do nascimento. Como os
gémeos monozigóticos são concebidos com exactamente o mesmo ADN
e são expostos ao mesmo ambiente pré-natal, as características que são
determinadas unicamente pelos genes e/ou o ambiente pré-natal manifes-
tam-se100% do tempo em ambos os gémeos idênticos. A raça é um exemplo
de uma característica que gémeos idênticos compartilham 100% do tempo,
porque é determinada exclusivamente pelos genes.

O maior estudo de transexuais realizado com gémeos até agora, examina


110 pares de gémeos e foi publicado pelo Dr. Milton Diamond, na edição
de Maio de 2013 no International Journal of Transgenderism.[19] A Tabela 5,
documenta que o número de pares de gémeos monozigóticos concordantes
para o transexualismo, é maior do que o de pares de gémeos dizigóticos.
Isso sugere uma possível predisposição biológica à disforia de género. Mas o
dado mais significativo do estudo, é o número pequeno de pares de gémeos
monozigóticos concordantes (ou seja, em que ambos sejam transexuais).
Apenas 21 pares de gémeos monozigóticos dum total de 74 pares mono-
zigóticos (ou seja, 28%), foram concordantes em transexualismo; os 72%
restantes dos gémeos idênticos foram discordantes em transexualismo.

Isso significa que pelo menos 72% dos factores responsáveis


pelo transexualismo num gémeo e não no outro, ocorrem após o
nascimento e não são biológicos.

Um índice tão alto de discordância entre gémeos idênticos, prova que


ninguém nasce pré-determinado a apresentar disforia de género e muito
menos a identificar-se como transgénero ou transexual. Isso condiz com
o índice muito alto de resolução da disforia de género, documentado entre
crianças e adolescentes, quando não foram incentivadas a fazer-se passar
por pessoas do sexo oposto. O baixo índice de concordância, também revela
a teoria de que a DG persistente, se deve principalmente ao impacto de
influências ambientais não compartilhadas sobre certas crianças biologica-
mente vulneráveis.

102
Maria Helena Costa

Para que fique claro, bastam os estudos com gémeos para esclarecer que
a “perspectiva alternativa” de uma “identidade de género inata”, que teria
origem em cérebros “feminilizados” ou “masculinizados” presos no corpo er-
rado é, de facto, uma crença ideológica que não tem base na ciência rigorosa.

Já uma visão teleológica binária da sexualidade humana, é compatível


com a realidade biológica. A regra é, que o organismo humano seja conce-
bido como masculino ou feminino. Os pares de cromossomas sexuais “XY”
e “XX” são determinantes genéticos do sexo, respectivamente masculino e
feminino. Não são marcadores genéticos de um corpo desordenado ou um
defeito de nascimento. A sexualidade binária é binária, pela sua própria con-
cepção, sendo a finalidade a reprodução da nossa espécie. Esse princípio é
autoevidente. Tirando uma das raras desordens do desenvolvimento sexual
(DDSs), nenhum bebé tem um sexo ou género que lhe é “atribuído” ao
nascer; pelo contrário, o sexo visto no nascimento declara-se “in utero” e é
claramente evidente e reconhecido no nascimento.

As raríssimas DDSs, que incluem, mas não se limitam à síndrome da


insensibilidade androgénica e hiperplasia adrenal congénita, são desvios
medicamente identificáveis da normalidade sexual binária humana. Di-
ferentemente dos indivíduos com genótipo e eixo hormonal normais que
se identificam como “transgéneros”, as pessoas com DDS possuem uma
condição biológica inata. A designação sexual de indivíduos com DDS é
complexa e depende de uma variedade de factores genéticos, hormonais e
físicos. Mesmo assim, a declaração consensual de 2006 da Intersex Society of
North America, não endossou a DSD como um terceiro sexo.[20]

Fatores pós-natais predominam no desenvolvimento e persis-


tência da DG.

Estudos realizados com gémeos idênticos demonstram que eventos pós-


-natais não compartilhados (ou seja, factores ambientais), predominam no
desenvolvimento e persistência da disforia de género. Isso não surpreende,
já que é amplamente aceite que o desenvolvimento emocional e psicológico
da criança, é influenciado por experiências positivas e negativas da primeira

103
Identidade de Género

infância, em diante. Os relacionamentos familiares e com pares, a escola e


o bairro, a experiência de qualquer tipo de abuso, a exposição aos média,
doenças crónicas, guerra e desastres naturais, todos esses são exemplos de
factores ambientais que impactam o desenvolvimento emocional, social e
psicológico do indivíduo. Não existe uma dinâmica familiar única, situação
social, acontecimento adverso ou combinação dos factores anteriores, que se
tenha descoberto, que destine qualquer criança a desenvolver DG. Esse fac-
to, somado aos estudos com gémeos, sugere que existem muitos caminhos
que podem levar à DG em certas crianças biologicamente vulneráveis.

A “perspectiva alternativa” de uma “identidade de género inata”


que teria origem em cérebros “feminilizados” ou “masculinizados”
presos no corpo errado é, de fato, uma crença ideológica que não
tem base na ciência rigorosa.

A literatura especializada sobre a etiologia e o tratamento psicoterapêuti-


co de DG infantil, é fundamentada fortemente em estudos de casos clínicos.
Esses estudos sugerem que o reforço social, a psicopatologia parental, a di-
nâmica familiar e o contágio social facilitado pelos media convencional e as
redes sociais; tudo isso contribui para o desenvolvimento e/ou persistência
de DG entre algumas crianças e adolescentes vulneráveis. É possível que
existam outros fatores ainda não reconhecidos que contribuam para isso,
também.

A maioria dos pais de crianças com DG recorda-se que a sua reacção


inicial ao ver o seu filho vestir roupas do sexo oposto e apresentar outros
comportamentos do sexo oposto, foi de tolerância e/ou incentivo. Às vezes, a
psicopatologia parental está à raiz do reforço social. Por exemplo, um peque-
no subgrupo das mães de meninos com DG que tinham desejado ter filhas
meninas, sofreu algo que foi descrito como “tristeza patológica de género”.
Dentro desse subgrupo, o desejo da mãe de ter tido uma filha foi exteriori-
zado com a mãe vestindo o seu filho como menina. Essas mães geralmente
sofriam de depressão grave que era aliviada quando os seus filhos se vestiam
e agiam de maneira feminina.[21]

104
Maria Helena Costa

Um grande conjunto de literatura clínica documenta que, pais de meni-


nos femininos relatam passar menos tempo com os seus filhos de 2 a 5 anos,
comparados aos pais de meninos do grupo de controlo. Isso condiz com
dados que revelam que meninos femininos se sentem mais próximos da mãe
do que do pai. Nos seus estudos clínicos de meninos com DG, Stoller ob-
servou que a maioria tem um relacionamento muito íntimo com a mãe e um
relacionamento distante e periférico com o pai. Ele postulou que a DG em
meninos, é “uma suspensão do desenvolvimento (…) em que uma simbiose
mãe/filho pequeno, excessivamente estreita e gratificante, não perturbada
pela presença do pai, impede o menino de se separar adequadamente do
corpo e comportamento feminino da mãe.”[21]

Já foi constactado também que, entre crianças com DG, o índice de


psicopatologia materna, especialmente de depressão e transtorno bipolar, é
“alto, segundo qualquer padrão”. Além disso, a maioria dos pais de meninos
com DG; sente-se ameaçada facilmente, manifesta dificuldade com a regu-
lação de seus afctos e possui um senso interno de inadequação. Esses pais
geralmente lidam com os seus conflitos, dedicando-se excessivamente ao
trabalho ou distanciando-se da família de outra maneira. Frequentemente
os pais não se apoiam mutuamente e têm dificuldade em resolver os seus
conflitos conjugais. Isso produz um ambiente intensificado de conflito e
hostilidade. Nessa situação, o menino fica cada vez mais inseguro em relação
ao seu próprio valor, devido à raiva ou à apatia da mãe e ao facto de o pai não
interceder. A ansiedade e insegurança do menino intensificam-se, assim co-
mo a sua raiva, e tudo isso pode resultar numa incapacidade de se identificar
com o seu próprio sexo biológico.[22]

Não há estudos sistemáticos sobre meninas com DG e o relacionamento


entre pais e filhas. Contudo, observações clínicas sugerem que o relaciona-
mento entre mãe e filha, é mais frequentemente distante, e marcado por
conflitos, algo que pode levar a filha a não se identificar com a mãe. Noutros
casos, a masculinidade é elogiada pelos seus pais, enquanto a feminilidade
é desvalorizada. Já houve casos, também, em que filhas têm medo do pai,
que pode manifestar raiva explosiva em relação à mãe, chegando à violência
física. Uma menina pode apreender o facto de ser mulher como algo que não

105
Identidade de Género

lhe garante segurança e defender-se contra isso, sentindo que na realidade é


menino, acreditando subconscientemente que, se fosse menino, seria amada
pelo seu pai e não seria alvo de sua raiva.[21]

Há evidências de que psicopatologias e/ou diversidades de desenvol-


vimento, podem precipitar a DG entre adolescentes, especialmente entre
mulheres jovens. Pesquisas recentes documentaram um número crescente
de adolescentes que vão às clínicas de identidade de género e pedem re-
designação sexual (RS). Kaltiala-Heino e colegas, procuraram descrever os
candidatos adolescentes à redesignação sexual legal e médica, durante os dois
primeiros anos de funcionamento de uma clínica de identidade de género
de adolescentes na Finlândia; em termos de factores sociodemográficos, psi-
quiátricos e de identidade de género e de desenvolvimento adolescente. Eles
realizaram uma revisão retrospectiva quantitativa estruturada e uma análise
qualitativa dos estudos de caso, de todos os candidatos adolescentes à RS
que entraram para avaliação, até ao final de 2013. Constactaram que o nú-
mero de encaminhamentos superou as expectativas, à luz do conhecimento
epidemiológico. Entre os candidatos à redesignação sexual verificou-se um
predomínio marcante de adolescentes nascidas meninas. Eram comuns os
casos de psicopatologias graves que antecederam a manifestação da DG.
Muitos dos jovens estavam no espectro do autismo. Essas descobertas não
correspondem à imagem comumente aceite, de um adolescente ou criança
com disforia de género. Os pesquisadores concluíram, que as directrizes de
tratamento, precisam avaliar a DG em menores de idade no contexto de
dificuldades psicopatológicas e de desenvolvimento graves.[23]

Segundo evidências anedóticas, existe também uma tendência


crescente entre adolescentes, de se autodiagnosticarem como trans-
géneros, depois de passarem períodos prolongados em sites como
Tumblr, Reddit e YouTube.

Isso sugere que o contágio social também pode ser um factor em jogo.
Em muitas escolas e comunidades, grupos inteiros de pares, estão a “sair
do armário” como transgéneros.[6] Finalmente, merece ser investigada uma
ligação causal entre acontecimentos adversos na infância, incluindo abuso

106
Maria Helena Costa

sexual, e o transgenerismo. É reconhecido há muito tempo, que existe uma


coincidência entre discordância de género na infância e a orientação homos-
sexual na idade adulta.[24] Existe também um grande conjunto de artigos da
literatura especializada, que documenta uma prevalência maior de eventos
adversos na infância e abuso sexual entre adultos homossexuais, em compa-
ração com adultos heterossexuais. Andrea Roberts e colegas publicaram, em
2013, um estudo que constactou que, “entre metade e todo o risco elevado de
abuso infantil entre pessoas com sexualidade homossexual, comparadas a he-
terossexuais, se deve aos efeitos do abuso sobre a sexualidade”.[25] É possível,
portanto, que alguns indivíduos desenvolvam DG e mais tarde reivindiquem
identidade transgénero, em consequência de maus-tratos e/ou abuso sexual
sofridos na infância. Esta é uma área que precisa de ser estudada.

A disforia de género como um transtorno mental objectivo

A psicologia vem rejeitando cada vez mais o conceito de normas para a


saúde mental, focalizando, em vez disso, o sofrimento emocional. A Ame-
rican Psychiatric Association (APA), por exemplo, explica, na quinta edição
do Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders (DSM-5 – Ma-
nual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais); que a DG consta
do manual, não devido à discrepância entre os pensamentos do indivíduo
e a realidade física, mas devido à presença de sofrimento emocional que
dificulta o seu funcionamento social. O DSM-5 também observa, que é
preciso um diagnóstico para que os planos de saúde paguem por hormonas
do sexo oposto e cirurgia de redesignação sexual (CRS), para aliviar o sofri-
mento emocional causado pela DG. Uma vez aliviado o sofrimento, a DG
deixa de ser considerada um transtorno.[2]

Esse raciocínio é problemático. Considere os seguintes exemplos: uma


garota com anorexia nervosa acredita de maneira fixa e equivocada que é obe-
sa; uma pessoa com transtorno dismórfico corporal (TDC), tem a convicção
errada de que é feia; uma pessoa com transtorno de identidade de integri-
dade corporal (TIIC), identifica-se como deficiente física e sente-se presa
num corpo plenamente funcional. Indivíduos com TIIC, frequentemente,
sentem-se tão aflitos com o seu corpo plenamente funcional, que procuram

107
Identidade de Género

amputar cirurgicamente, os seus braços ou pernas saudáveis, ou cortar a me-


dula espinhal.[26] A Dra. Anne Lawrence, que é transgénero, já argumentou
que o TIIC possui muitos paralelos com a DG.[27] Assim como a DG, as
crenças falsas acima citadas, não apenas geram sofrimento emocional para o
indivíduo como põem a sua vida em risco. Em cada caso, uma cirurgia para
“afirmar” a premissa falsa (liposucção para a anorexia, cirurgia plástica para
o TDC, amputação ou paraplegia cirurgicamente induzida para o TIIC),
pode muito bem aliviar o sofrimento emocional da pessoa, mas não ajudará
em nada, a resolver o problema psicológico subjacente e pode ter como con-
sequência a morte do paciente. Se for completamente desligada da realidade
física, a arte da psicoterapia vai perder espaço, à medida que o campo da
psicologia se converterá cada vez mais numa especialidade médica interven-
cionista, com resultados devastadores para os pacientes.

A alternativa seria a busca para definir um padrão mínimo. A normali-


dade já foi definida como, “aquilo que funciona conforme o seu desígnio”.[28]
Uma das principais funções do cérebro é apreender a realidade. Os pensa-
mentos que estão em conformidade com a realidade física, são normais. Os
pensamentos que se desviam da realidade física, são anormais — além de
potencialmente serem nocivos ao indivíduo ou a outros. Isso é um facto, in-
dependentemente do indivíduo que possui os pensamentos anormais, sentir
sofrimento. Quando uma pessoa acredita que é algo ou alguém que não é,
trata-se, na melhor das hipóteses, de pensamento confuso, e, na pior, de uma
ilusão irreal. O simples facto de uma pessoa pensar ou sentir alguma coisa,
não faz com que essa coisa seja realidade. Isso seria um facto, mesmo que os
pensamentos anormais fossem biologicamente “predeterminados”.

O normal no desenvolvimento humano, é que os pensamentos do


indivíduo se alinhem com a realidade física; que a Identidade de Géne-
ro do indivíduo, corresponda ao seu sexo biológico. As pessoas que dizem
“sentir-se como se fossem do sexo oposto”, ou “sentir-se em algum ponto
intermediário”, ou alguma outra categoria, não formam um terceiro sexo.
Elas continuam a ser homens ou mulheres, em termos biológicos. A Dis-
foria de Género ,é um problema que está na mente, não no corpo. Crianças
e adolescentes com DG não possuem um corpo desordenado, mesmo que

108
Maria Helena Costa

seja isso o que sentem. Do mesmo modo, a aflição de uma criança diante do
desenvolvimento das características sexuais secundárias, não significa que
a puberdade deva ser vista como uma doença a ser interrompida, porque a
puberdade não é, na realidade, uma doença.

Do mesmo modo; embora muitos homens com DG, expressem a


ideia de que são “uma essência feminina” presa num corpo de homem,
essa crença não possui base científica.

Até há pouco tempo, a visão do mundo prevalecente com relação à DG


infantil, era, que ela refletia um pensamento anormal ou confusão por par-
te da criança, algo que pode ou não ser transitório. Consequentemente, a
abordagem padrão, consistia ou em observar e aguardar, ou em procurar
psicoterapia familiar e individual.[1],[2] Os objetivos da terapia eram, tratar a
patologia familiar, se estivesse presente, tratar qualquer morbidez psicosso-
cial na criança e ajudar a criança a alinhar a sua identidade de género, com
seu sexo biológico.[21],[11] Especialistas de ambos os lados do debate sobre a
supressão da puberdade, concordam que, nesse contexto, entre 80% e 95%
das crianças e dos adolescentes com DG, aceitam o seu sexo biológico até
ao final da adolescência.[29] Essa visão do mundo começou a mudar, contu-
do, os ativistas transgéneros adultos, passaram cada vez mais a promover a
narrativa da “essência feminina”, visando conquistar aceitação social.[10] Em
2007, no mesmo ano em que o Boston Children’s Hospital, abriu a primeira
clínica pediátrica de género. O Dr. J. Michael Bailey escreveu:

«A visão cultural predominante hoje do transexualismo de homem a mulher,


é que todos os transexuais homens a mulher (HaM) são, em essência, mulhe-
res presas dentro de um corpo de homem. Essa visão tem pouca base científica,
porém, e não condiz com as observações clínicas. Ray Blanchard demonstrou
que existem dois subtipos distintos de transexuais HaM. Os membros de um
dos subtipos: os transexuais homossexuais, podem ser entendidos melhor co-
mo um tipo de homem homossexual. Os membros do outro subtipo: o dos
transexuais autoginefílicos, são motivados pelo desejo erótico de se tornarem
mulheres. Embora seja explicável, a persistência da visão cultural predomi-
nante é prejudicial à ciência e a muitos transexuais.» [30]
Com a persistência da visão da chamada “essência feminina”, o sofri-

109
Identidade de Género

mento de adultos transgéneros, foi evocado para defender que as crianças


fossem resgatadas com urgência do mesmo destino, através da identificação
precoce, afirmação e supressão da puberdade. Hoje alega-se que a discri-
minação, violência, psicopatologia e suicídio são consequências directas e
inevitáveis de se negar a afirmação social a uma criança com disforia de
género e impedir o seu acesso a bloqueadores de puberdade ou hormonas do
sexo oposto.[31] No entanto, o facto de que de 80% a 95% dos adolescentes
com disforia de género, emergirem física e psicologicamente intactos depois
de passarem pela puberdade sem afirmação social, refuta essa visão.[29] Ade-
mais, mais de 90% das pessoas que morrem de suicídio, têm uma doença
mental diagnosticada.[32] Não há evidências de que crianças e adolescentes
com disforia de género que cometem suicídio, sejam diferentes. Por essa ra-
zão, a base para a prevenção do suicídio, deve ser a mesma para eles, quanto
é para todas as crianças e os adolescentes: identificação e tratamento precoce
de comorbidezes psicológicas.

Apesar disso, existem hoje nos Estados Unidos 40 clínicas de género,


que promovem a supressão da puberdade e tratam crianças e adolescentes
com hormonas do sexo oposto. A lógica da supressão da puberdade, é dar à
criança com disforia de género, tempo para explorar sua identidade de género
sem o sofrimento emocional desencadeado pelo surgimento das característi-
cas sexuais secundárias. Os padrões seguidos nessas clínicas baseiam-se em
“opiniões especializadas”. Não existe um único estudo controlado, grande
e randomizado, que documente os alegados benefícios e potenciais danos
da supressão da puberdade e de décadas de tratamento hormonal, dados a
crianças e adolescentes com disforia de género. Tampouco existe um único
estudo grande, randomizado, controlado e de longo prazo, que compare os
resultados de diversas intervenções psicoterapêuticas em casos de DG in-
fantil ,com os resultados da supressão da puberdade, seguida por décadas de
ingestão de esteroides sintéticos tóxicos. Na nossa era actual, de “medicina
baseada em evidências”, esse facto deveria fazer-nos parar para reflectir. Um
facto mais preocupante, é que a supressão da puberdade no estágio 2 da
escala de Tanner (geralmente aos 11 anos de idade), seguida pelo uso de
hormonas do sexo oposto, deixará essas crianças estéreis e sem tecido gona-
dal ou gametas disponíveis para criopreservação. [33],[34],[35]
Em vista do fenómeno amplamente constactado da neuroplasticida-

110
Maria Helena Costa

de, o comportamento reiterado de fazer-se passar pelo sexo oposto, vai


alterar, de alguma maneira, a estrutura e função do cérebro da criança.

A neurociência, documenta claramente que o cérebro adolescente é cog-


nitivamente imaturo e, antes de a pessoa chegar a meados da casa dos 20
anos, não possui a capacidade adulta necessária para fazer uma avaliação de
riscos.[36] Existe um sério problema ético em permitir que sejam realizados
procedimentos irreversíveis e que transformam a vida de menores de idade
que são jovens demais para poderem dar um consentimento válido. Essa
exigência ética do consentimento informado, é fundamental para a prática
da medicina, conforme enfatiza o site do Departamento de Saúde e Servi-
ços Humanos dos EUA: “O consentimento voluntário do sujeito humano é
absolutamente essencial”.[37] Ademais, quando um indivíduo é esterilizado,
mesmo quando isso ocorre como consequência secundária de uma terapia,
sem ter dado o seu consentimento pleno, livre e informado, ocorre uma vio-
lação da lei internacional.[38]

O protocolo que afirma a transgeneridade: qual é a base de evidên-


cias?

Nas duas últimas décadas, a Hayes Inc., tornou-se uma firma de pes-
quisas e consultoria internacionalmente reconhecida, que avalia uma ampla
gama de tecnologias médicas para determinar o seu impacto sobre a segu-
rança dos pacientes, seus resultados sobre a saúde dos pacientes e a utilização
de recursos. Em 2014, a empresa realizou uma revisão e avaliação abrangen-
te da literatura científica sobre o tratamento da DG em adultos e crianças.
Concluiu então, que “embora as evidências sugiram benefícios positivos” das
cirurgias de redesignação sexual em adultos com disforia de género, “limita-
ções sérias [inerentes à pesquisa] permitem apenas conclusões fracas.”[39] A
Hayes Inc., considerou o uso de hormonas do sexo oposto em adultos com
disforia de género, como sendo baseado em evidências de qualidade “muito
baixa”:

Estudos múltiplos não demonstraram melhorias estatisticamente sig-


nificativas para a maioria dos resultados. As evidências sobre qualidade de

111
Identidade de Género

vida e função em adultos, homem a mulher (HaM), foram muito esparsas.


As evidências em favor de medidas menos abrangentes de bem-estar em
adultos que receberam terapia hormonal do sexo oposto, foram directamen-
te aplicáveis a pacientes com DG, mas muito esparsas e/ou conflituantes. Os
estudos não permitem conclusões de causalidade e, na sua maioria, tiveram
fraquezas na sua execução. Há potenciais riscos de saúde a longo prazo asso-
ciados à terapia hormonal, mas nenhum deles foi comprovado ou excluído
conclusivamente.[40]

Com relação ao tratamento de crianças com DG, usando agonistas da


hormona libertadora da gonadotrofina (GnRH) e hormonas do sexo opos-
to; a Hayes, Inc., atribuiu a sua nota mais baixa, indicando que a literatura
especializada “é escassa demais e os estudos existentes são demasiado limi-
tados para sugerir conclusões.”[40]

Clínicas de Género multiplicam-se nos Estados Unidos, a despeito


da falta de evidências médicas.

Em 2007, o Dr. Norman Spack, endocrinologista pediátrico e fundador


da primeira clínica de género do país, no hospital Boston Children’s; lançou
o paradigma da supressão da puberdade nos Estados Unidos.[41] Primeiro,
ela consiste em afirmar o autoconceito falso da criança, instituindo mudan-
ças de nome e pronome, e ajudando a criança a fazer-se passar por uma
pessoa do sexo oposto, dentro e fora da sua casa. Em seguida, a puberdade
em crianças com apenas 11 anos, é suprimida com agonistas do GnRH, e,
finalmente, aos 16 anos, os pacientes podem começar a tomar hormonas
do sexo oposto, preparando-se para a cirurgia de redesignação sexual, para
quando chegarem à idade adolescente mais velha ou à idade adulta.[42] Hoje,
as directrizes da Sociedade de Endocrinologia, proíbem o uso de hormonas
do sexo oposto antes dos 16 anos de idade, mas essa proibição está a ser
revista.[43] Alguns especialistas de género, já passam ao largo da supressão
da puberdade e, em vez disso, encaminham crianças com apenas 11 anos
diretamente ao tratamento com hormonas do sexo oposto.[44] A explicação
apresentada, é que a criança passará pelo desenvolvimento púbere do se-
xo desejado e, com isso, poderá evitar o sofrimento emocional iatrogénico,

112
Maria Helena Costa

decorrente de manter uma aparência pré-púbere, enquanto os seus pares


seguem a trajetória natural de puberdade.

Em 2014, existiam 24 clínicas de Género, concentradas principalmente


na costa leste dos EUA e na Califórnia; um ano mais tarde, haviam 40 dis-
tribuídas pelo país. A Dra. Ximena Lopez, endocrinologista pediátrica no
Children’s Medical Center Dallas e membro do programa Genecis (Educação e
Assistência de Género, Apoio Interdisciplinar) desse centro, declarou:

“[O uso deste protocolo] vem aumentando rapidamente. E a razão principal


disso é que pais o estão exigindo e levando pacientes aos endocrinologistas
pediátricos, porque sabem que esse serviço está disponível.”[45]

Vale a pena notar, que a razão principal do uso aumentado do protocolo


é a demanda por parte dos pais, e não a medicina baseada em evidências.

O risco dos agonistas do GnRH

Os agonistas do GnRH, usados para suprimir a puberdade em crianças


com disforia de género, incluem dois que são aprovados para o tratamen-
to da puberdade precoce: a leuprolida por injecção intramuscular em doses
mensais ou trimestrais, e a histrelina; um implante subcutâneo com dosagem
anual.[34] Além de prevenir o desenvolvimento das características sexuais se-
cundárias, os agonistas do GnRH: fazem parar o crescimento ósseo, reduzem
a acreção óssea, previnem a organização dependente de esteroides sexuais e
a maturação do cérebro adolescente; e inibem a fertilidade, ao impedir o
desenvolvimento de tecido gonadal e de gametas maduros, pela duração do
tratamento. Se a criança interromper o uso de agonistas do GnRH, ocorrerá
a puberdade. [34],[42] Consequentemente, a Sociedade de Endocrinologia afir-
ma: que os agonistas do GnRH, além do paciente viver socialmente como
pessoa do sexo oposto, fazem intervenções plenamente reversíveis que não
encerram risco de causar dano permanente a crianças.[42] Mas a teoria da
aprendizagem social, a neurociência e o único estudo de acompanhamento
de longo prazo de adolescentes que passaram pela supressão de puberdade,
visto abaixo, contestam essa afirmação.

113
Identidade de Género

Não existe um único estudo controlado grande e randomizado, que


documente os alegados benefícios e potenciais danos da supressão da
puberdade e de décadas de tratamento hormonal, dados a crianças e ado-
lescentes com disforia de género.

Num estudo de acompanhamento dos seus primeiros candidatos pré-


-púberes, a receber tratamento de supressão da puberdade, De Vries e os
colegas, documentaram; que todos os sujeitos acabaram por adoptar iden-
tidade transgénero e a pedir hormonas do sexo oposto.[46] É preocupante.
Normalmente, 80% a 95% das crianças pré-púberes com DG, não continuam
a apresentar DG. O facto de que 100% das crianças pré-púberes tenham
escolhido tomar hormonas do sexo oposto, sugere que o próprio protocolo
conduz o indivíduo inevitavelmente a identificar-se como transgénero.

Existe algo evidentemente autorrealizado, quando incentivamos uma


criança com DG a fazer-se passar socialmente por uma pessoa do sexo
oposto e depois instituímos a supressão da sua puberdade. Em vista do fe-
nómeno amplamente constactado da neuroplasticidade, o comportamento
reiterado de fazer-se passar pelo sexo oposto, vai alterar de alguma maneira
a estrutura e função do cérebro da criança, potencialmente de uma maneira
que reduza a probabilidade da sua identidade se alinhar com o seu sexo bio-
lógico. Isso, somado à supressão da puberdade, que impede a masculinização
ou feminilização endógena adicional do cérebro, leva a criança a permanecer,
ou como menino pré-púbere de género inconforme disfarçado de menina
pré-púbere, ou o inverso. Como seus pares vão desenvolver-se normalmente,
convertendo-se em homens ou mulheres jovens, essas crianças ficam psicos-
socialmente isoladas. Elas serão menos capazes de se identificar como sendo
a pessoa biologicamente masculina ou feminina que são na realidade. Um
protocolo para fazer-se passar pelo sexo oposto e de supressão da puberdade,
que desencadeia um único resultado inevitável (a identificação transgénero),
que exige o uso vitalício de hormonas sintéticas tóxicas, que produzem in-
fertilidade, não é nem plenamente reversível, nem isento de danos.

Agonistas do GnRH, hormonas do sexo oposto e infertilidade

114
Maria Helena Costa

Como os agonistas do GnRH impedem a maturação do tecido gona-


dal e dos gametas em ambos os sexos, os jovens que, depois de passar pela
supressão da puberdade no estágio 2, da escala de Tanner, são submetidos
a tratamento com hormonas do sexo oposto, serão convertidos em infér-
teis, sem qualquer possibilidade de terem filhos genéticos no futuro, porque
não vão possuir os tecidos gonadais e gametas que possam ser criogeni-
camente preservados. O mesmo resultado ocorrerá se crianças pré-púberes
receberem hormonas directamente, sem a anterior supressão da puberdade.
Adolescentes mais velhos que tenham rejeitado a supressão da puberdade,
são aconselhados a cogitar a possibilidade de conservação criogénica das
suas gametas antes de iniciarem o tratamento com hormonas do sexo opos-
to. Isso permitir-lhes-á conceber filhos genéticos no futuro, por meio de
tecnologia reprodutiva artificial. Embora existam casos documentados de
adultos transgéneros que interromperam o tratamento com hormonas do
sexo oposto para que o seu corpo pudesse produzir gametas, conceber e ter
um filho, não existe garantia absoluta de que essa seja uma opção viável a
longo prazo. Ademais, os indivíduos transgénero que passam por cirurgia de
redesignação sexual e têm os seus órgãos reprodutivos extirpados, tornam-se
permanentemente inférteis.[34],[35],[36]

Riscos adicionais ligados às hormonas do sexo oposto

Os riscos potenciais de se tratarem crianças com DG, com hormonas do


sexo oposto, baseiam-se na literatura especializada relativa a adultos. Vale a
pena lembrar que, nessa literatura relativa a adultos, o estudo Hayes afirma:

“Existem riscos de segurança potencialmente de longo prazo ligados à terapia


hormonal, mas nenhum deles foi comprovado ou excluído conclusivamente”.
[40]

Por exemplo, a maioria dos especialistas concorda que o risco de doença


arterial coronariana entre adultos HaM, é mais alto quando tomam etinil
estradiol via oral; por esse motivo, são recomendadas formulações estrogé-
nicas alternativas. Mas um estudo de adultos HaM que utilizaram produtos
alternativos, constactou um risco aumentado semelhante. Portanto, esse

115
Identidade de Género

risco não foi comprovado nem excluído.[47],[48],[49] As crianças que fazem a


transição para o sexo oposto, vão precisar de tomar essas hormonas por um
tempo muito maior que os adultos. Consequentemente, a probabilidade de
elas sofrerem morbidezes fisiologicamente teóricas, embora raramente ob-
servadas, é maior do que a dos adultos. Levando em conta essas reservas, é
mais exato dizer que a ingestão de estrogénio por via oral por meninos pode
deixá-los em risco de sofrer: trombose/tromboembolismo; doenças cardio-
vasculares; aumento de peso; hipertrigliceridemia; hipertensão; redução na
tolerância à glicose; doenças vesiculares, prolactinoma e cancro de mama.
[47],[48],[49]
Do mesmo modo, meninas que recebem testosterona podem sofrer
um risco elevado de: HDL baixo e triglicéridos elevados; níveis aumentados
de homocisteína; hepatotoxicidade; policitemia; risco aumentado de ap-
neia do sono; resistência à insulina, e efeitos desconhecidos sobre os tecidos
mamários, endométricos e ovarianos.[47],[48],[49] Além disso, meninas podem
legalmente submeter-se à mastectomia com apenas 16 anos, depois de faze-
rem tratamento com testosterona por um ano, e essa cirurgia carrega o seu
conjunto próprio de riscos irreversíveis.[34]

O adolescente pós-púbere com disforia de género

Como foi destacado anteriormente, de 80% a 95% das crianças pré-púbe-


res com DG, verão a sua condição resolver-se até ao final da adolescência,
se não forem expostas à afirmação social e intervenção médica. Isso significa
que entre 5% e 20% persistirão com a DG até ao início da idade adulta. Não
existe, no momento, nenhum exame médico ou psicológico, para determinar
quais são as crianças que vão persistir com a DG na idade adulta jovem. As
crianças pré-púberes com DG que persistem com a DG além da puberdade,
também apresentam probabilidade maior de persistir até à idade adulta. Por
essa razão, a Sociedade de Endocrinologia e outras, incluindo o Dr. Zucker,
consideram razoável afirmar a transgeneridade dos adolescentes que persis-
tem com a DG após a puberdade, além dos que começam a apresentar a DG
após a puberdade, e iniciar com eles o tratamento com hormonas do sexo
oposto aos 16 anos de idade.[42]

116
Maria Helena Costa

O College discorda pelas seguintes razões:

Primeiro, nem todos os adolescentes com DG vão inevitavelmente


identificar-se com transgénero no futuro, mas a ingestão de hormonas do
sexo oposto vai inevitavelmente gerar mudanças irreversíveis em todos os
pacientes.
Em segundo lugar, o adolescente jovem, simplesmente não possui ma-
turidade suficiente para tomar decisões médicas importantes. O cérebro
adolescente não alcança a capacidade de fazer uma avaliação de riscos plena,
antes de chegar à casa dos 20 anos. Há um problema ético importante em
permitir que menores de idade recebam intervenções médicas que mudarão
a sua vida de modo irreversível, incluindo o tratamento com hormonas do
sexo oposto e, no caso de meninas no nascimento, a mastectomia bilateral,
quando ainda não são capazes de dar consentimento informado sozinhos.

Como foi dito anteriormente, o College também vê com preocupação,


a tendência crescente entre adolescentes para se autodiagnosticarem como
transgéneros após passarem períodos longos em sites. Muitos desses ado-
lescentes vão procurar um terapeuta, depois de se autoidentificarem, mas
muitos Estados foram obrigados, devido a pressões políticas não científicas,
a proibir a chamada “terapia de conversão”. Essa proibição impede os tera-
peutas de se aprofundarem, não apenas nas atrações e identidade sexual do
jovem, mas também na sua Identidade de Género. Os terapeutas não são
autorizados a perguntar por que o adolescente acredita ser transgénero; eles
não podem explorar as questões de saúde mental subjacentes; não podem
levar em conta a natureza simbólica da disforia de género e não podem levar
em conta possíveis questões que estejam confundindo o problema, como o
uso de sites ou o contágio social.[6]

Quanto ao Impacto da redesignação sexual em adultos, relacionado ao


risco em crianças, pesquisas sugerem que adultos transgéneros manifestam
um sentimento de alívio e satisfação após o uso de hormonas e cirurgia de
redesignação sexual (CRD). Contudo, a CRD não resulta num nível de saú-
de equivalente ao da população em geral.[50]

117
Identidade de Género

Por exemplo, um estudo de 2001 com 392 transgéneros, homem a mu-


lher (HaM) e 123 transgéneros, mulher a homem (MaH), constactou que
62% dos transgéneros HaM e 55% dos MaH sofriam de depressão. Quase
um terço (32%) de cada grupo tinha tentado o suicídio.[51] Do mesmo mo-
do, em 2009, Kuhn e colegas, encontraram saúde geral e satisfação geral
com a vida, consideravelmente inferiores entre 52 transexuais HaM e três
MaH, 15 anos depois de passarem por CRD, comparados aos controles.[52]
Finalmente, um estudo de acompanhamento feito ao longo de 30 anos de
pacientes transgéneros pós-cirúrgicos na Suécia, constactou que o índice de
suicídio entre adultos transgéneros operados, era quase 20 vezes maior do
que o da população geral. Para que fique claro, isso não prova que a rede-
signação sexual provoca risco aumentado de suicídio ou outras morbidezes
psicológicas. O que indica é que a cirurgia de redesignação sexual, por si
só, não oferece ao indivíduo um nível de saúde mental comparável ao da
população em geral. Os autores resumiram as suas descobertas como segue:

As pessoas com transexualismo, após passarem pela redesignação sexual,


apresentam riscos de mortalidade, comportamento suicida e morbidez psi-
quiátrica consideravelmente mais elevados que a população em geral. Nossas
descobertas sugerem que a redesignação sexual, embora alivie a disforia de
género, talvez não seja o bastante como tratamento do transexualismo e de-
ve inspirar atendimento psiquiátrico e somático melhor, para esse grupo de
pacientes, após passarem pela redesignação sexual.[50]

Vale a pena notar, que essas disparidades de saúde mental, são observadas
num dos países mais abertos do mundo a lésbicas, gays, bissexuais e
transgéneros (LGBT). Isso sugere que essas diferenças de saúde, não sejam
devidas principalmente ao preconceito social, mas sim à condição ou ao estilo
de vida dos adultos transgéneros. Essa ideia também condiz com um estudo
americano publicado no Journal of LGBT Health em 2008, que constactou
que a discriminação não explica as discrepâncias de saúde mental entre indi-
víduos que se identificam como LGBT e a população heterossexual.[53]

Na ausência de intervenção hormonal e cirúrgica, apenas 5% - 20% das


crianças pré-púberes com DG, enfrentarão uma idade adulta transgénera

118
Maria Helena Costa

que parece predispô-las a certas morbidezes e a um risco aumentado de mor-


te precoce. Contrastando com isso, o único estudo conduzido com crianças
pré-púberes com DG que passaram por supressão da puberdade, deixa claro
que 100% dessas crianças serão transgénero na idade adulta. Portanto, as
actuais intervenções de afirmação transgénero em clínicas de género pediá-
tricas, irão estatisticamente gerar esse resultado para as restantes 80% a 95%
das crianças pré-púberes com DG que, de outro modo, teriam identificado
o seu sexo biológico antes de chegar à idade adulta.

Recomendações para pesquisa

Estudos com gémeos idênticos, mostram que factores ambientais pós-


-natais, exercem influência considerável sobre o desenvolvimento da disforia
de género e do transgenerismo. Dados, também refletem um índice de reso-
lução superior a 80% entre crianças pré-púberes com DG. Por essa razão, um
alvo de pesquisas, deve ser a identificação dos diversos factores ambientais e
caminhos, que desencadeiam a DG em crianças biologicamente vulneráveis.
Atenção especial, precisa ser dada ao impacto de acontecimentos adversos
na infância e ao contágio social. Outra área em que mais pesquisas são muito
necessárias é na psicoterapia. São urgentemente necessários e já deveriam
ter sido iniciados há muito tempo, estudos longitudinais grandes e de lon-
go prazo em que crianças com DG e suas famílias são encaminhadas de
maneira randomizada, a tratamento com diversas modalidades terapêuticas
e avaliadas segundo múltiplos critérios de saúde física e emocional. Além
disso, os estudos de acompanhamento a longo prazo que avaliam critérios
objectivos de saúde física e mental de adultos transexuais operados, preci-
sam incluir um grupo de controlo correspondente, composto de indivíduos
transgéneros não submetidos à CRD. Essa será a única maneira de testar a
hipótese de analisar sea própria CRD pode causar mais danos aos indiví-
duos do que eles sofreriam apenas com psicoterapia.

Conclusão

A disforia de género (DG) infantil, é um termo usado para descrever


uma condição psicológica em que uma criança sente uma incongruência

119
Identidade de Género

marcante, entre o género que sente ter e o género associado ao seu sexo
biológico. Estudos com gémeos, demonstram que a DG não é uma caracte-
rística inata. E, sem a afirmação da sua transexualidade antes da adolescência
e sem intervenção hormonal, antes de chegarem ao final da adolescência,
entre 80% e 95% das crianças com DG vão aceitar a realidade do seu sexo
biológico.

O tratamento da DG infantil com hormonas, equivale, na prática, à rea-


lização de experiências em massa e esterilização de crianças e adolescentes,
que são cognitivamente incapazes de dar o seu consentimento informado.
Existe um problema ético grave em permitir que procedimentos irreversíveis
e transformadores de vida, sejam realizados em menores que não têm idade
suficiente para darem o consentimento válido, eles próprios; os adolescentes
não são capazes de compreender a magnitude de tais decisões.

A ética, por si só, exige o fim da supressão da puberdade com agonis-


tas do GnRH, hormonas do sexo oposto e cirurgias de redesignação sexual
em crianças e adolescentes. O College recomenda a cessação imediata des-
sas intervenções e o fim da promoção da ideologia de género por meio de
currículos escolares e políticas legislativas. A saúde, os currículos escolares e
a legislação; precisam de permanecer ancorados à realidade física. Pesquisas
científicas precisam buscar uma compreensão melhor das bases psicológicas
desse transtorno, a identificação das terapias familiares e individuais mais
indicadas e um esforço para delinear as diferenças entre crianças, cuja condi-
ção se resolve com acompanhamento e espera, versus aquelas, cuja condição
se resolve com terapia e as, cuja condição persiste, não obstante a terapia.»

Infelizmente, ainda que a Ciência alerte para os perigos da Ideologia


de Género, os políticos, a nível mundial, estão empenhadíssimos em fazê-la
avançar. De acordo com os dados que vão sendo divulgados, o lobby é mul-
ti-milionário e não falta dinheiro para investir nesta DESCONSTRUÇÃO
do Ser humano. Deixo-lhe uma pergunta:

Qual é o lobby que mais ganha com a Ideologia de Género?

120
«Se nada fizermos, se nos mantivermos silenciosos (quem cala consen-
te) e não gritarmos aos quatro ventos os perigos da cultura da morte,
que a geringonça vem orquestrando desde há alguns anos a esta par-
te, seremos destruídos e veremos a nossa posteridade desfeita.»
Identidade de Género

Pais, algumas perguntas:

• Como é que vocês acham que os vossos filhos — rapazes — se sentem


quando são ACUSADOS, diariamente, de serem os OPRESSO-
RES das mulheres e de as tornar tão INFELIZES?

• Como é que um rapazinho se sente quando é bombardeado, diaria-


mente, com a ideia de que a masculinidade é algo OPRESSOR e
ERRADO que maltrata mulheres indefesas?

• De que as mulheres foram OPRIMIDAS pela sua raça [homem]


durante milénios de História?

• Como é que o seu rapazinho se sente quando é acusado, diariamen-


te, nas aulas de História e de ciências sociais e humanas, de ser parte
de uma cultura de VIOLAÇÃO, masculinidade TÓXICA e se os
seus impulsos competitivos são vistos como TIRANIA — parte da
força OPRESSIVA PATRIARCAL?

• Como é que o seu rapazinho suporta o fardo de ser rotulado, dia-


riamente, de AGRESSIVO e DOMINADOR para estabelecer o
tão odiado PATRIARCADO que oprime as pobrezinhas das mu-
lheres?

• Como é que os seus meninos, rapazes, podem suportar o FARDO


que os professores estão a colocar-lhes em cima, diariamente?

PAIS: encorajem os vossos filhos, apoiem a sua coragem. Ensinem-nos


a serem HOMENS, com H maiúsculo, COMPETENTES, MASCULI-
NOS e a confiarem em si mesmos para PREVALECEREM e vencerem as

122
Maria Helena Costa

mentiras que lhes são incutidas todos os dias. E, se, na escola, eles estão a
ser bombardeados com a ideologia de género — que os acusa de tudo o que
falei acima — tire-os da escola pois eles não estão a ser ensinados, mas sim
DOUTRINADOS.

FAMÍLIA — homem + mulher = filhos — é o alicerce de uma socieda-


de saudável. Destruí-la, é destruir a sociedade.
Se me obrigam a ver os valores morais cristãos destruídos, em tudo o que
é entretenimento e (des)informação, eu também tenho o direito de dizer o
que creio e penso. E não adianta acusar-me de discurso de ódio.

— Discurso de ódio?

• Discurso de ódio é doutrinar os nossos filhos, na escola, com algo


totalmente contrário ao que lhes ensinamos em casa. Escola é para
ensinar, não para doutrinar.

• Discurso de ódio é ensinar aos nossos filhos, na escola, que se os pais


afirmam que a prática homossexual é pecado, são homofóbicos.

• Discurso de ódio é ensinar aos nossos filhos, na escola, que os ho-


mens, com H maiúsculo, são o mal da sociedade e fazer com que eles
se sintam culpados de serem homens.

• Discurso de ódio é ensinar aos nossos filhos, na escola, que eles


nasceram neutros — não são meninos, nem meninas, mas sim algo
— deixando-os tão confusos, a ponto de entrarem em depressão e
precisarem de recorrer a psicólogos.

• Discurso de ódio é ensinar às nossas filhas, na escola, que elas só


serão realmente felizes se fizerem sexo com quem lhes apetecer,
tiverem uma carreira profissional de sucesso, mas nunca se forem
esposas e mães e cuidarem da casa e da família.

• Discurso de ódio é quererem amordaçar-nos e até prender-nos, por

123
Identidade de Género

expressarmos as nossas convicções e darmos voz ao que cremos e


pensamos.

• Discurso de ódio é quererem obrigar-nos a chamar normal ao que


não o é, e anormal ao que é normal.

Tudo o que peço é o direito de educar os meus filhos/netos em casa, e


que a escola não diga aos meus filhos/netos, que eu lhes ensino mentiras.
Não posso permitir que a escola diga ao meu filho/neto, que nasceu meni-
no, que eu o engano quando lhe digo que é um menino. Não admito que a
escola destrua a verdade visível, no sexo com que o meu filho/neto nasceu,
com uma ideologia nefasta que ignora a biologia e a ciência em nome de
uma mentira, que promete às suas vítimas o poder de poderem ser o que
quiserem.

Pais, como está a vossa casa?

Como educam os vossos filhos?

Sei que, infelizmente, seria inglório aguardar por mais desenvolvimentos


para editar este livro, porque todos os dias há notícias tenebrosas sobre o
avanço inexorável desta ideologia que é como um camião TIR desgoverna-
do, que avança por cima de tudo e de todos, causando destruição total. Vou
terminar com vários artigos de opinião, que fui escrevendo à medida que ia
pesquisando, lendo as notícias, o PRESSE, tudo o que já tinha sido apro-
vado para facilitar a introdução da ideologia de género nas escolas, e olhava
para trás a tentar perceber como chegámos até aqui, sem que a maior parte
da população se tenha dado conta.

Amado leitor: pesquise na Internet. Não se deixe enganar pela máscara


que a ideologia/identidade de género usa. Sim. É verdade que a maior parte
das fontes que lutam desesperadamente contra esta ideologia se identificam
como cristãs, mas também há inúmeros pais, médicos e cientistas agnósticos
e ateus, a levantar-se contra esta insanidade. Não permita que, um dia, os
seus filhos ou netos o acusem de nada ter feito para os proteger da descons-
trução de que certamente serão alvo, se nós nada fizermos.

124
«O que foi, isso é o que há de ser; e o que se fez, isso se fará; de modo
que nada há de novo debaixo do sol.
Há alguma coisa de que se possa dizer: Vê, isto é novo? Já foi nos
séculos passados, que foram antes de nós.
Já não há lembrança das coisas que precederam, e das coisas que hão
de ser também delas não haverá lembrança, entre os que hão de vir
depois.»

— Eclesiastes 1:9-11
Identidade de Género

Se os seus filhos são heterossexuais,


não serão respeitados.

Eis algumas perguntas que serão feitas, aos seus filhos, na escola:

1) Pertences ao sexo certo?


2) Quando, e porque é que decidiste ser heterossexual?
3) A heterossexualidade é apenas uma fase que vais superar?
4) É possível que a tua heterossexualidade seja apenas o resultado do
medo neurótico das pessoas que têm o mesmo sexo que tu?

E, às quais, antes de mais nada, é preciso perguntar:

1) Mas, existe um sexo errado?

2) Afinal, sempre se decide? Ou só os heterossexuais é que deci-


diram?

3) Então, a homossexualidade também é superável?

4) É possível que a homossexualidade seja só o medo neurótico


das pessoas que não têm o mesmo sexo que tu?

Será possível que, nas nossas escolas, os professores que alinham nesta
Ideologia, sejam estúpidos todos os dias? Ainda que se trate de cumprir or-
dens do patrão, o Estado, abandonaram a competência científica em nome
da obediência política, ou será só uma fase que vão ultrapassar?

A lei da “autodeterminação de género”, supostamente, fala em aprender

126
Maria Helena Costa

a inclusão e a não diferenciação, pelo que, confrontar os alunos com per-


guntas pessoais sobre o seu sexo/género é uma violência psicológica a que
nenhum aluno pode ser submetido, uma intrusão na sua liberdade e auto-
determinação, seja o aluno heterossexual ou sofra de qualquer anomalia ou
desordem de natureza sexual que se queira ter, politicamente, como natural.

Pois segundo a lei 38/2018, que estive a ler com todo o cuidado, estabe-
lece-se no 12°art. - educação e ensino:

“2 - Os estabelecimentos do sistema educativo, independentemente da sua


natureza pública ou privada, devem garantir as condições necessárias para
que as crianças e jovens se sintam respeitados de acordo com a identidade de
género e expressão de género manifestadas e as suas características sexuais.”

Mas a lei tem alguns truques linguísticos, pois no n° 1 do mesmo artigo


estabelece :

“d) Formação adequada dirigida a docentes e demais profissionais do sis-


tema educativo no âmbito de questões relacionadas com a problemática da
identidade de género, expressão de género e da diversidade das característi-
cas sexuais de crianças e jovens, tendo em vista a sua inclusão como processo
de integração socioeducativa.”

Pelo que se deve estar com atenção à regulamentação, que vai ser dada,
para o alcance do objecto da lei, de modo a que também as crianças hete-
rossexuais sejam respeitadas e não questionadas sobre o seu sexo e género,
sobretudo se forem ainda demasiado pequenas para alcançarem o significa-
do dessas questões. A regulamentação da lei 38/2018 vai ser fundamental
para se aferir da sua inconstitucionalidade, pois ninguém pode ser discrimi-
nado em razão do sexo e opções sexuais, logo os heteterossexuais também
não, pelo que serem confrontados com perguntas como as que são colocadas
acima, será ilegal perante esta lei e a sua regulamentação aplicativa inconsti-
tucional se abrir espaço para tais perguntas.

Publiquei isto no meu mural do Facebook e a publicação foi imediata-

127
Identidade de Género

mente censurada. Reclamei, e foi reposta. A pergunta é: - porque é que foi


censurada tão depressa?
Porque, muito em breve, todo aquele que denuncia os objectivos da
agenda da Ideologia de Género, será silenciado, acusado, julgado e preso.

Isso já acontece noutros países, e acontecerá aqui, se não agirmos.

Em Espanha, na Universidade de Granada, como já foi mencionado, há


uma parede coberta com um grande cartaz onde se vêm duas meninas —
uma com pénis e outra com vagina — e dois meninos — um com vagina e
outro com pénis.
Mas, quando um autocarro circulou pelas ruas de Madrid com o slogan:

«Que não te enganem: Meninos têm pénis e meninas têm vagina.»

Foi violentamente censurado, acusado de discurso de ódio e impedido


de circular.

O que é isto?

Onde está a liberdade e os “direitos humanos” de quem não pen-


sa como os ideólogos de género?

Eles podem dizer aos meus filhos o que querem, mas eu não pos-
so dizer o que quero?

Onde termina a minha liberdade e começa a deles? Porque é que


eu não tenho os mesmos direitos que eles têm?

Porque é que a verdade: “Meninos têm pénis e meninas têm


vagina.”, não pode ser exibida, e uma ideologia anticientífica e an-
tibiológica pode?

Amado leitor, sabe que já há a intenção de substituir a palavra “vagina”,


por “buraco da frente”?
No dia 28-08-2018, a revista “Visão”, no link: noticiava:

128
Maria Helena Costa

«O guia do Healthline para sexo seguro destinado à comunidade LGBTQIA


está a dar que falar. Em causa está a expressão alternativa “front hole” (isso
mesmo, «buraco da frente») para quem não se identificar com “vagina”.
O Healthline explica que a comunidade LGBTQ não se sente representada
nos materiais existentes destinados à educação sexual, onde “desnecessaria-
mente”, se refere “partes femininas” e “partes masculinas” e “sexo com homens”
e “sexo com mulheres”, “excluindo os que se identificam como binários”.

“A noção de que o pénis é exclusivamente uma parte do corpo masculino e a


vulva exclusivamente uma parte do corpo feminino é incorreta”. Com essa
teoria em mente, sempre que, no guia, se fala de “vagina”, fala-se também
de “buraco da frente”.

Os autores recordam ainda que a origem do termo está num estudo pu-
blicado no BMC Pregnancy and Childbirth, em que foi pedido a homens
transexuais que sugerissem linguagem mais inclusiva, tendo surgido então o
termo “buraco da frente”.»1

Ou seja, a comunidade LGBTQIA (daqui a pouco o abecedário tam-


bém terá que ter mais letras), não quer ser respeitada, quer impor-nos os
seus devaneios, pensamentos, e até a sua sexualidade. Querem mudar a nossa
língua e apagar qualquer palavra que aponte para a realidade de que meninas
nascem meninas e meninos nascem meninos.

Qual será o nome que darão ao pénis? Apêndice da frente?

E, quando penso que nada mais me pode surpreender, desde que a porta
do manicómio foi aberta e libertaram estes loucos, eis que, no dia 22-08-
2018, o “Expresso” noticiava:

«Autoridades de Guadalajara, no México, autorizam relações


sexuais na via pública»2

«O «La Nacion» recorda que Guadalajara não é pioneira neste tipo de medi-

129
Identidade de Género

das. No Vondelpark, em Amesterdão, as pessoas estão autorizadas a manter


relações sexuais ao ar livre. As únicas condições são as de que os amantes
deixem o local limpo e que as atividades prosseguidas sejam realizadas fora
das zonas dedicadas às crianças. Se os intervenientes se revelarem demasia-
do ruidosos, a polícia da capital holandesa está autorizada a pedir-lhes para
abandonarem o parque.»

Então, é só limpar e agir como os cães.

Mas, não posso terminar este capítulo sem dar conta da notícia que mais
me revoltou e que só é possível numa sociedade às portas de legalizar a pe-
dofilia, tal como já aconteceu em França, no dia 02-08-2018:

«França praticamente legaliza a pedofilia

Idade limite para consentimento sexual no país era de 15 anos, mas par-
lamento francês retirou limite, devendo agora a justiça analisar cada
caso.

A França é o primeiro país do Ocidente a, na prática, legalizar a pedofilia.


A idade legal de maioridade sexual na França era até então de 15 anos, con-
forme estabelecia os artigos 227-25 e 227-22-1 do Código Penal francês,
que previa pena de cinco anos de prisão e multa de 75 mil euros para quem
infringisse essa norma. Entretanto, um novo projeto de lei apresentado pelo
governo francês ano passado e aprovado em 2 de agosto anulou, na prática,
qualquer idade mínima para o consentimento sexual.

Em todo o Ocidente, essa idade limite varia de 14 a 18 anos conforme o


país. A França abriu um precedente que está sendo visto por militantes como
justificativa para forçar o mesmo sobre outros países da Europa.»3

Profundamente revoltada com esta notícia, que legaliza um crime he-


diondo, algo para o qual tenho vindo a alertar há anos, eis que me deparo
com esta, no dia 23-08-2018:
«Pedófilo afirma que “se uma criança tem idade para falar, tem idade
para ter sexo”

130
Maria Helena Costa

Onde é que, há poucos anos, um monstro destes, teria liberdade


e tempo de antena para afirmar algo tão assustador num jornal, ou
na Comunicação Social, sem ser imediatamente detido?

Está preparado para o dia, em que os seus filhos, podem ser vio-
lados por pedófilos e nada acontecerá aos predadores.

Vai continuar a permitir que leis destas nos sejam impostas sem
fazer nada para o evitar?

Depois de saber que a lei tinha sido aprovada em França, perante alguns
sites que negam que a pedofilia tenha sido legalizada, tive oportunidade de
conversar com um emigrante, em França, que me informou que apesar da
lei ser um tanto ou quanto confusa, e até omissa, a verdade é que acabou a
idade mínima de consentimento (que antes era de 15 anos) e só há crime de
violação de menores caso a vítima denuncie claramente que não consentiu
o acto sexual. Nesse caso, se a criança se queixar — e provar a acusação — a
pena aumentou.

«Ok!«, perguntamos, «qual é o problema?»

Imagine: uma criança que é violada pelo pai ou até pelo irmão mais
velho; se ela não apresentar queixa, não há crime ainda que haja denúncia e
provas. Ou, um adulto, pedófilo, a seduzir crianças de 10 ou 12 anos (pode
ser menos, mas enoja-me mais ainda pensar nisso), convencendo-as a ceder
aos seus apetites sexuais desordenados a troco de mil e uma coisas... Se a
criança disser que consentiu, o predador não é acusado de nada e pode usar
e descartar quantas crianças quiser.

SIM! A PEDOFILIA FOI APROVADA EM FRANÇA, MAS ES-


CONDE-SE ATRÁS DE UMA MÁSCARA QUE FAZ PARECER
QUE NÂO É BEM ASSIM.

Há sites a negar a verdade dos factos, e a acusar os “conservadores” de


a interpretar mal, mas é só ler a lei, com atenção, para perceber o que ela
realmente legalizou.

131
Para pensar:

Se, de acordo com os ideólogos de género [sexo] e o “Guião de Edu-


cação Género [sexo] e Cidadania pré escolar”: «os brinquedos oferecidos
às meninas fomentam nelas uma menor criatividade», porque cargas
d’água se querem pôr os meninos a brincar com esses brinquedos, tão
limitadores da criatividade? Para os emburrecer? Ou para os efeminar?
Identidade de Género

A nação é um reflexo do lar

Numa sociedade que lê muito pouco, vemos cada vez mais pessoas alie-
nadas, a afirmar que estamos a evoluir e que nunca houve tanta liberdade
como hoje; só que isso não é verdade. Libertinagem, não é, nem nunca foi
liberdade. Libertinagem é uma forma de prisão. Os grandes historiadores
mundiais dizem-nos que todas as grandes civilizações, ao longo da História,
passaram por três fases:

Primeiro, vem aascensão que alcança o auge do poder, em que perma-


nece por um curto período. A seguir começa a fase da decadência, e por fim
um mergulho no esquecimento. Isso aconteceu nos reinos: Antigo Egipto,
Médio Egipto, Babilónia, Assíria, Império Medo-Persa, Império Grego,
Império Romano, mais tarde o Sacro Império Romano e, mais recentemen-
te o Império Britânico. Todos passaram por essas fases.

Todos os historiadores são unânimes em dizer que, durante os períodos


de ascensão, cada uma dessas nações e reinos observou um período de rigor
moral. Havia uma reprovação social à promiscuidade sexual e leis que a re-
freavam. Por causa do rígido código moral da população, esta crescia firme
e a nação prosperava. Após alcançar prosperidade e sucesso, o código moral
era relaxado, ignorado e por fim abolido. O povo começava a introduzir
expressões sexuais, atrevimentos, imoralidade e promiscuidade, e as nações
mergulhavam num mar de esquecimento.

Isso aconteceu com cada nação da antiguidade, uma após a outra, sem
exceção.

O grande Historiador Edward Gibbon, deixou isso claro na sua obra


The Decline of the Roman Empire [Declínio e queda do Império Romano],

134
Maria Helena Costa

quando disse que uma das principais razões da desintegração do Império


Romano, foi a dissolução das famílias dentro dele. Dizer que a família é o
elemento formador da nação, não é um aforismo. Como os romanos vieram
a descobrir, a destruição das famílias não era apenas um assunto particular.
Na verdade, quando os godos, os visigodos e todos os bárbaros assolaram,
como uma onda, o Império Romano, matando, saqueando, mutilando,
massacrando, violando e roubando, o povo romano descobriu que, afinal de
contas, o casamento é um assunto de grande interesse público. A nação é um
reflexo do lar.

«O casamento deve ser honrado por todos; o leito conjugal, conservado puro;
pois Deus julgará os imorais e os adúlteros.»

— Hebreus 13:14

135
«Somos uma nação que dorme enquanto a geringonça se preparara
para nos impor a maior ditadura, desde o nazismo, e nos enfia goe-
la abaixo as suas ideologias. Dormimos enquanto a destruição da
família é orquestrada e os valores morais e o cristianismo são descons-
truídos na mente das nossas crianças, adolescentes e jovens.»
Maria Helena Costa

Acorde! Você está a ser manipulado!

O DN e o JN, dois jornais de referência nacional, publicaram esta notí-


cia no dia 14 de Fevereiro de 2018:

«Menina de 11 anos «não é uma criança», diz advogado.


Defesa de homem de 29 anos acusado de abuso sexual infantil alega que não
foi violação, mas relação consentida. Os advogados de um homem francês de
29 anos que manteve relações sexuais com uma menina de 11 anos alega-
ram, em tribunal, que não se tratou de uma violação porque esta consentiu
e porque com 11 anos “não é uma criança”. O caso reavivou o debate sobre
a idade de consentimento de relações sexuais no país. A família da menina
quer que o suspeito seja acusado de violação.
Em França não existe idade legal para um menor concordar com uma re-
lação sexual - embora o tribunal superior do país tenha decidido que as
crianças com menos de cinco anos não o podem consentir. Os advogados do
suspeito argumentaram que a menina não só consentiu como estava cons-
ciente do que fazia.»1

A ideologia de género está a ganhar terreno dia-a-dia. Sinto-me qual D.


Quixote a lutar contra moinhos de vento.

Quem é que pode vencer esta máquina, tão bem oleada, empe-
nhada na destruição dos valores morais e da família?

A indústria do entretenimento trabalha a todo o gás para promover um


dos principais objectivos da ideologia/identidade de género — a pedofilia.

«Nova novela da Globo terá casamento entre avô e neta. José de Abreu acei-

137
Identidade de Género

ta o papel.
A nova novela das 21h da Globo ainda nem começou e já está causando
polêmica. “Segundo Sol”, que é como se chamará a trama, irá ao ar no iní-
cio de junho, e contará com um elenco bastante veterano. Com um roteiro
dramático e cheio de histórias impactantes, a novela irá abranger em sua
maior parte, temas voltados para a diversidade, como ideologia de gênero,
homossexualismo, igualdade social e até mesmo a sexualidade infantil. Isso
mesmo, uma das principais e mais polêmicas atrações da novela envolverá
uma criança, uma garotinha de 12 anos que se apaixona pelo próprio avô e,
numa linda história de amor, passam a ter relações e morarem juntos sozi-
nhos em um outro país. O casal será interpretado pelos atores José de Abreu
(71 anos) e Mel Maia (12 anos).»2

Como mencionei antes, a revista “Veja” desmentiu esta notícia, mas eu


vou deixá-la aqui, pois muitas notícias, como aquela que há algum tempo
dava conta que uma novela da Globo promoveria a transsexualidade, têm
sido desmentidas e, depois, é só esperar para as ver passar. Eu sei que muitos
“evangélicos” vão dizer que não vêem TV, mas também sei que depois não
falam de outra coisa. E, infelizmente, como dizia a minha cabeleireira no ou-
tro dia: «Li numa revista que a novela Tieta, naquele tempo, foi uma lufada
de ar fresco para a libertação das mulheres».
Os diversos canais de TV, nacionais e internacionais, têm vindo, pau-
latinamente, a destruir todas as barreiras da decência e os espectadores
acreditam que eles se limitam a trazer a realidade e a verdade para dentro das
suas casas... O povo é ingénuo e ignorante acerca dos objectivos duma má-
quina manipuladora à frente da qual se senta para ser doutrinado. Acha que
tem o controlo do comando, mas é o comando que tem controlo sobre ele.

A TV tem sido um dos maiores promotores do erro, da libertinagem e


da sexualização da mente.

Há muitos anos, a telenovela “Gabriela”, começou por tratar a prostitui-


ção e a traição como algo engraçado, que nunca tinha consequências graves,
a não ser para os homens traidores. A paixão e o sexo passaram a ser mais
importantes do que o amor verdadeiro e o compromisso «até que a morte

138
Maria Helena Costa

nos separe», assumido no casamento. A seguir, apareceu o primeiro par de


lésbicas com uma história tão pungente, de perseguição e ódio, que levou a
maioria, eu incluída, a torcer pelo parzinho no fim da novela (foi aí que eu
me apercebi que estava a ser manipulada e doutrinada). Depois, todas as no-
velas tinham um gay tão engraçado, que levava os espectadores às lágrimas
de tanto rir, e que ganhava o coração do público que acabava a torcer para
que o romance dele com outro gay desse certo, «porque ele é tão engraçado!»,
diziam.
A par com o “gay bué d’engraçado”, havia “romances” cuja heroína pas-
sava pela cama do pai e do filho e, pelo meio, por outras camas, até terminar
num casamento com o filho onde o pai, e ex-amante, também se casava com
a mãe da nora e... eram todos felizes para sempre. Daí aquela ideia de que
as ex-mulheres e as actuais mulheres se devem dar todas muito bem e que
os divórcios consecutivos, só deviam aumentar a lista de familiares e amigos
de alguém.
Ultimamente, a apologia do “casamento” e adopção gay, homens com
homens, mulheres com mulheres e homem com mulher, trans — como se
fosse tudo normal, natural e desejável — tem levado milhões de pessoas a
concordar com o que a TV lhes leva para dentro de casa — como se ela fosse
o arauto da verdade. Tudo o que a agenda LGBQT quer ver aprovado, tem
sido normalizado via novelas, filmes e séries, e os consumidores têm reagido
muito bem, aceitando e aprovando tudo o que é podre, mau e pecaminoso.
Agora, vem aí a pedofilia. Arrisco dizer que a história de “amor” será tão
pungente, que vai levar os espectadores a torcerem pelo casalinho incom-
preendido, sem se aperceberem que, quando a lei que descriminaliza, que
crianças de 12 anos tenham sexo com adultos sair, elas já estarão de mente e
braços abertos para a receber.

Como diz a minha amada amiga e irmã em Cristo, Valdecélia Martins:

«Tomar uma gotinha de veneno uma vez apenas, até pode não matar, mas
imagine este mesmo veneno a ser dado todos os dias, ou seja, entrando pela
telinha da Globo nos nossos lares e nas nossas mentes, diariamente, contami-
nando os nossos pensamentos e influenciando os nossos filhos.»

139
Identidade de Género

Creio que este mundo está a dar as últimas, e que Deus, brevemente, fará
justiça e punirá o pecado. Como disse Jesus:

«O céu e a terra passarão, mas as minhas palavras não hão de passar. Mas
daquele dia e hora ninguém sabe, nem os anjos do céu, mas unicamente meu
Pai. E, como foi nos dias de Noé, assim será também a vinda do Filho do
homem.
Porquanto, assim como, nos dias anteriores ao dilúvio, comiam, bebiam, ca-
savam e davam-se em casamento, até ao dia em que Noé entrou na arca, e
não o perceberam, até que veio o dilúvio, e os levou a todos, assim será tam-
bém a vinda do Filho do homem.»

— Mateus 24:35-39

140
Lógica de esquerda:
a) Se liberar a droga, o consumo diminui.
b) Se liberar o aborto, o número de abortos diminui.
c) Mas, se liberar o porte de arma, vai ter tiroteio todos os dias.

— Conservadores
Identidade de Género

Já não existem padrões morais em


relação ao sexo?

Esta loucura da ideologia/identidade de género apresenta-se como algo


moderno, mas, na verdade, é muito, muito antigo. Como ensina o PRESSE
(programa que tem como população-alvo alunos e professores do 1º, 2º, 3º
ciclos do ensino básico e ensino secundário, envolvendo também pais, encar-
regados de educação, pessoal não docente e restante comunidade):

«Na pré-história o comportamento sexual era liberal. Em tribos que ca-


çavam, a bissexualidade era comum. A virgindade feminina era pouco
valorizada. As pessoas tinham liberdade para escolher os seus parceiros.»

Claro que o PRESSE se esqueceu de mencionar que não era a virgin-


dade que não era valorizada, mas sim a mulher no seu todo. Que qualquer
macho podia acasalar com elas, quer elas quisessem quer não, e que eram
eles que escolhiam livremente quem queriam usar para satisfazer as suas
necessidades — mulheres, homens, crianças e até animais. Também não é
mencionado que esses povos, pagãos, faziam sacrifícios humanos (princi-
palmente de bebés) para apaziguar as divindades, e que as mulheres eram
descartáveis e não tinham valor algum. Quanto à “bissexualidade ser co-
mum”, faltam fontes fidedignas, mas ainda que fosse verdade, isso não
significa que era o comportamento correto. Claro que o PRESSE também
não mencionou que havia um pequeno povo, o povo de Deus, os Hebreus,
que tinham práticas civis e morais instituídas por Deus e que viviam na
contramão dos povos pagãos e idólatras.
Mas, nem precisamos ir tão longe para percebermos o quão nefasta é a
Ideologia de Género e quais as trágicas consequências que sempre se abatem
sobre os povos que abraçam o seu princípio basilar — a imoralidade sexual.

142
Maria Helena Costa

Lembra-se do romance histórico “Os últimos dias de Pompeia”?

Há uma cena na qual um personagem diz ao outro: «Ione só tem um


vício — ela é casta.» Essa expressão, ainda que num personagem fictício, re-
sume bem a postura da sociedade em relação ao sexo antes da vinda de Jesus.
Esta é a postura adoptada por muitos, nos dias de hoje, com o surgimento
do neo-paganismo.
Ainda que os proponentes da Ideologia de Género encham a cabeça de
professores, pais e alunos com esta falácia: «o fortalecimento do cristianismo
aumenta a quantidade de tabus sexuais na Europa», ignorando ou omitindo,
propositadamente, que o judaísmo bíblico já defendia os valores que o cris-
tianismo defende, a verdade é que o impacto do cristianismo sobre o sexo foi
positivo ou negativo, dependendo de quem pergunta.
O hedonista — antigo ou moderno — dirá que a fé cristã teve um
desempenho terrível na questão do sexo. É só olhar para o cartaz que o
movimento feminista/LGBQT exibe nas suas manifestações «Não pense na
Bíblia quando fazemos amor!».

Claro que “amor” é algo muito mais nobre, sublime, responsável


e sacrificial, do que a satisfação de apetites e impulsos sexuais, com
quem e como se deseja.

A partir da perspectiva cristã, o sexo é sagrado, bom, prazeroso e total-


mente recomendável no contexto do casamento. Qualquer desvio disso, é
errado. Embora a Igreja de Roma tenha fomentado algumas heresias em
relação ao sexo, com alguns líderes proeminentes a serem contra o sexo, caso
este não visasse única e exclusivamente a procriação, os antecedentes gerais
da Igreja de Cristo são extremamente positivos.
Foi o cristianismo que ajudou a preservar a família como unidade básica
da sociedade: impediu que milhões de pessoas fossem contaminadas por
doenças sexualmente transmissíveis e evitou muita infelicidade por parte
daqueles que obedecem aos ensinamentos bíblicos. Ainda é isto que aconte-
ce hoje: muitos cristãos (infelizmente são cada vez menos), têm preservado
a virgindade até ao casamento e são poupados de todos os tipos de doenças
e aflições. Hoje, no rastro da revolução sexual, com a grande disseminação

143
Identidade de Género

de doenças sexualmente transmissíveis, muitas pessoas deveriam olhar para


a Bíblia e perceber que ela está certa desde o princípio.
A pergunta que quero deixar é esta:

Já não existem padrões morais em relação ao sexo?

Aos que respondem «Não!»:

Qual será a vossa postura quando os vossos filhos e filhas, me-


nores, forem “amados” por adultos cuja (des)orientação sexual os
leva a “fazer amor” com crianças e adolescentes?

144
«Não erreis: Deus não se deixa escarnecer; porque tudo o que o ho-
mem semear, isso também ceifará.»

— Gálatas 6:7
Identidade de Género

À beira da destruição

Hoje, é comum ouvirmos dizer, que vivemos a era mais liberal de todos
os tempos.

Será?

A triste realidade é que estamos apenas a repetir a História. É isso que


o PRESSE informa:

«Na antiguidade clássica (800 A.C. - 476 D.C.) A virgindade continuava


a ser valorizada e os pais influenciavam nos casamentos, mas havia grande
tolerância com a homossexualidade, especialmente na Grécia (mas também
em Roma) e com as representações sexuais. 500 A.C. Surge na região de
Mileto, no continente grego, uma fábrica de pénis artificiais de madeira e
couro almofadado. 100 D.C. No auge do Império Romano, era comum que
famílias tivessem, nas suas casas, representações sexuais explícitas. 138 D.C.
Morre o imperador Adriano que, mesmo casado, tinha uma relação homos-
sexual com um adolescente.»

Como o amado leitor pode ler: na antiguidade clássica, ainda que o au-
tor do texto acima afirme que o sexo era “relativamente restritivo” — ainda
se valorizava a virgindade, algo que hoje é até motivo de chacota — já era
comum haver a exibição de representações sexuais explícitas, como as que
recentemente foram expostas no Santander, Brasil; recheadas de cenas de
homossexualidade, pornografia, pedofilia e promiscuidade. Mas o que se
pretende é mesmo voltar à pré-história, onde, de acordo com o PRESSE,
em matéria de sexo, valia tudo menos arrancar olhos.

146
Maria Helena Costa

Nesta era pós-moderna, com a imposição da Ideologia de Género e com


o PRESSE a ser enfiado na cabeça de crianças, adolescentes, jovens e adul-
tos; cresce diariamente o número de pessoas que pensa que tudo é permitido
desde que haja “amor”. É como se, finalmente, a humanidade tivesse desco-
berto a pólvora — a liberdade sexual — despertando assim da escravidão
dos tabus sexuais que o malvado do cristianismo trouxe à sociedade. Pelo
menos é isso que o PRESSE ensina:

«Na idade média (476 D.C. - 1453 D.C.), O comportamento sexual era
diversificado, mas o fortalecimento do cristianismo aumenta a quantidade
de tabus sexuais na Europa. Século IV: Ganham força as concepções de Santo
Agostinho de que o sexo era fruto do pecado humano. É reforçado que Jesus
nasceu de uma virgem. Século VII: As actividades homossexuais caem na
clandestinidade. Cresce a repressão à actividade sexual pelo prazer.»

Veja que, até nas aulas de má-educação sexual, o marxismo cultural


promove o ateísmo e ridiculariza a conceção de Jesus Cristo que, de facto,
nasceu de uma virgem. Se isto não é tentar destruir a fé e os valores judaico-
-cristãos, que os pais cristãos ensinam aos seus filhos, eu não sei o que seja.
Mas, para esta sociedade alienada, a ideologia/identidade de género pa-
rece algo tão novo quanto a ciência moderna, tão original e vibrante quanto
o último lançamento da nave espacial Atlantis da NASA. Algo que faz parte
da era moderna.

Mas será que é assim?

— Bem, li um livro, cujo escritor, não me parece nada impressionado


com tudo isto. Ele diz:

«A anarquia sexual assumiu formas extremas e espalhou-se por grande


parte da população. Lado a lado com o aumento da perversão sexual, uma
vergonhosa promiscuidade sexual também aumentou muito. A educação de
membros da mesma família, como relações entre pai e filha [...] filho e mãe
[...] já não são desconhecidos. Os autores [contemporâneos] enfatizam de
forma especial casos como o relacionamento sexual de um homem com duas

147
Identidade de Género

irmãs ou com mãe e filha. [O adultério, o estupro e a prostituição aumentaram


significativamente] O amor homossexual passou a fazer parte do costume
das pessoas. Os autores contemporâneos parecem deleitar-se sadicamente ao
enumerar uma infinidade de torpezas e perversões sexuais. Descrevem todas
as aberrações do erotismo mórbido, com a despudorada serenidade do descaso:
estupro, relações sexuais anormais, tortura e sodomia.»1

Soa-lhe familiar? Mais actual do que o último Star Wars?

Contudo, esse texto foi redigido por um escritor quando o reino do An-
tigo Egipto estava a desmoronar-se, há 4 500 anos.

Novo? Moderno?

— Tolice! É tão velho quanto o pecado e tão fatal quanto. Vivemos nu-
ma sociedade à beira da destruição. No meu coração há um clamor:

E Deus? Ele está morto? Aquele que nos criou não tem o direito
de nos governar? E quanto aos Seus mandamentos?

Uma coisa sei; não importa quantos milhões se unam para conspirar
contra Deus e os Seus mandamentos, tudo o que podemos fazer, como
cristãos, é opor-nos. Deus dá tempo para o arrependimento antes que o
julgamento divino chegue, mas inevitavelmente ele virá. Os padrões morais
continuam os mesmos.

148
«De todo nos corrompemos contra ti, e não guardámos os manda-
mentos, nem os estatutos, nem os juízos, que ordenaste a Moisés, teu
servo.»

— Nehemias 1:7
Identidade de Género

Sintomas do fim — Imoralidade

O PRESSE, guião de formação de professores, que afirma «apoiar os


agentes de educação sexual na implementação de um programa estruturado
e sustentado que visa a aquisição de competências e a promoção de valores
fundamentais à vivência da sexualidade de forma responsável», nada mais
é do que a promoção da imoralidade sexual e um regresso a tempos mais
antigos do que o Antigo Império Romano. Creio que qualquer escritor
dessa época escreveria o PRESSE baseando-se no que via ao seu redor.
Então, de acordo com o que ensinam ás nossas crianças na escola:

«Apesar da sexualidade ser um fenómeno anterior ao aparecimento do ho-


mem [...] apresenta-se uma breve resenha histórica que permite observar
como e porque mudaram, ao longo dos últimos séculos, os códigos e valores
ligados ao sexo, bem como perceber que certas mudanças no comportamento
sexual não coincidem com reformas económico-sociais e políticas por acaso.»

Ainda estou a pensar em como seria a sexualidade humana antes do


homem existir. Mas de acordo com o PRESSE, primeiro apareceu o sexo e
depois os seres humanos... Valha-nos Deus!

Eu sei que o autor se refere à teoria da evolução, mas… Hoje, olho para
o evolucionismo e vejo uma teoria cheia de buracos negros, que vem caindo
pela base, mas que foi transformada em ciência exacta pelos “gurus” da edu-
cação. Uma teoria que nada mais é, do que uma porta escancarada para se
comparar o comportamento do Ser humano ao comportamento animal na
área sexual. Tipo: os cavalos marinhos cujo macho nidifica os ovos; os cara-
cóis que são pais à vez; os pinguins machos que se relacionam sexualmente
com outros machos; os leões depravados; os “girafos” gays e etc.

150
Maria Helena Costa

Quando se tira Deus da criação — e a escola já fez isso há muito


tempo — abre-se a porta a tudo o que O ofende e a tudo o que o ser
humano depravado quer ver normalizado.

É verdade que «ao longo dos séculos, os códigos e valores ligados ao


sexo, bem como certas mudanças no comportamento sexual não coincidem
com reformas económico-sociais e políticas por acaso», mas não é verdade,
a mentira que o PRESSE orienta os professores a acreditar e a ensinar. Ao
contrário do que insinua o guião:

As mudanças de comportamentos sexual — na direcção a que


hoje assistimos — sempre foram um sintoma do fim eminente de
uma civilização e não da sua saúde.

O PRESSE não dá nome aos “bois” e incute nas crianças que havia algo
de bom no mundo antigo, pré-cristão, onde a imoralidade e a perversão se-
xual eram comuns e fontes de prazer. No guião, as palavras “imoralidade” e
“perversão”, foram trocadas por “liberdade sexual” e “prazer”. De acordo com
os seus mentores: «No auge do Império Romano, era comum que famílias
tivessem, nas suas casas, representações sexuais explícitas.»

Mas, na verdade, essas representações são bem anteriores ao Império


Romano.
No livro “Eros na Antiguidade”, todas as páginas trazem figuras de pin-
turas antigas totalmente obscenas e o órgão sexual masculino é o que mais
se destaca. Fornicação, adultério, homossexualidade, sodomia, bestialidade,
sexo em grupo e todo o tipo de perversão sexual, bem como aborto e infan-
ticídio, eram práticas desenfreadas no mundo antigo.

Tão actual, não é?

Encontramos culturas da Antiguidade, muito anteriores a gregos e a


romanos, com toda a sorte de perversões sexuais. O arqueólogo Joseph Free
diz, que nos templos dos antigos cananeus — o povo que Deus mandou
expulsar e destruir por causa da sua depravação — se praticava a “adoração

151
Identidade de Género

ao sexo degradante” que resultava em sacrifício de crianças. Os seus templos


eram “locais de depravação”. O arqueólogo W. E. Albrigth concorda:

«Em país algum se encontrou um número tão elevado de estatuetas de


divindades da fertilidade nuas, sendo algumas particularmente obscenas.
Em nenhum lugar o culto de serpentes aparece tão fortemente. As duas deusas,
Astarote e Anate, são chamadas de as grandes deusas que concebem, mas não
dão à luz! Prostitutas sagradas e sacerdotes eunucos eram extremamente
comuns. O sacrifício humano era notório [...] os aspectos eróticos do seu culto
devem ter penetrado nas mais sórdidas profundezas da degradação social.»1

Na Antiguidade, antes dos gregos, os cananeus não eram os únicos no que à


perversão diz respeito. Os sírios e os fenícios tinham uma deusa cuja adora-
ção envolvia a “prostituição sagrada de ambos os sexos”.2

Os antigos egípcios também praticavam homossexualismo como parte


da sua religião:

«Como parte da sua cerimónia à deusa Isis, os “sacerdotes” egípcios (na


verdade eram apenas prostitutos) tinham relações com os homens que
vinham “adorar”. Essa forma pervertida de “adoração” era encontrada
ao longo de toda a região do Mediterrâneo, onde essa deusa era conhecida
também Ishtar, Mylitta, Afrodite e Vênus.»3

Os gregos também são conhecidos pela sua aprovação e prática do


homossexualismo, tal como os egípcios que também tinham prostitutos
homossexuais. N’uma rua principal, em Éfeso, o caminho até ao bordel
estava demarcado no chão (Rua do Mármore). O templo de Diana que,
curiosamente, era uma das sete maravilhas do mundo, promovia e albergava
um contínuo festival de depravação sexual.4 Da mesma forma, o templo de
Afrodite em Corinto. John Boswell, professor de História em Yale, escreveu:

«Muitos gregos retratavam o amor homossexual como a única forma de


erotismo duradoura, pura e verdadeiramente espiritual [...] O legislador
ático Solon considerava o erotismo homossexual demasiadamente sublime

152
Maria Helena Costa

para os escravos, e proibiu-o a eles. No mundo utópico dos romances


helenísticos, os homossexuais figuravam destacadamente como amantes
proibidos, cujas paixões não eram menos duradouras ou espirituais do que as
dos seus amigos heterossexuais.»[...]5

Não é isso que hoje se promove? Não é o que estão a impor-nos?


Não lemos notícias de homossexuais bem-sucedidos, em áreas de
poder e nas artes, como se a sua sexualidade fosse desejável para
ocuparem os cargos que ocupam?

Ainda de acordo com o PRESSE:

«Cada pessoa vive a sua sexualidade de forma diferente de acordo com a


educação recebida pela família, pelos amigos, pela escola, pelo local onde vi-
ve, pelos meios de comunicação, entre outros e esta experiência interfere na
construção da personalidade da pessoa e, portanto, na sua saúde. Como refe-
rem López e Fuertes, (1999, p. 16) “a sexualidade não só mediatiza todo o
nosso ser como também é mediatizada pelo que somos”.»

Traduzindo para uma linguagem mais acessível:

«Todos nascem neutros e é a educação, a família, a escola, os amigos, o local


onde se vive e os meios de comunicação que têm a palavra final na construção
da sexualidade da pessoa — o sexo é o que a torna conhecida [mediatizada] e
torna-se conhecido pela forma como a pessoa é, sexualmente falando.»

Resumindo: sexo é tudo e tudo é sexo.

De acordo com a feminista radical, Shulamith Firestone:

«A mente plenamente sexuada [que só pensa em sexo] tornar-se-ia universal


se a criança escolhesse a relação sexual com os adultos, ainda no caso que
escolhesse a sua própria mãe genética, não existiriam razões, à priori, para
que esta rejeitasse as suas insinuações sexuais, visto que o tabu do incesto
teria perdido a sua função.»

153
Identidade de Género

É isto que estão a fazer às crianças na escola; a inculcar nas suas


mentes sexo, sexo e mais sexo, muito sexo, em todas as suas per-
versões... Até elas só pensarem nisso e não rejeitarem quaisquer
insinuações sexuais, venham elas de onde vierem.

Como escreveu Shulamith, nem a sua própria mãe [ou pai] teria razões
para rejeitar os avanços sexuais de um filho. Se isto não dá ânsias de vómito...

Este guião imoral aponta para a Roma Antiga como algo desejável para
os nossos dias, no que à imoralidade sexual diz respeito, e aponta o dedo aos
cristãos como os repressores do que era bom:

«Ganham força as concepções de Santo Agostinho de que o sexo era fruto do


pecado humano. [...] Século VII: As actividades homossexuais caem na clan-
destinidade. Cresce a repressão à actividade sexual pelo prazer.»

Percebeu? Os malvados dos cristãos tornaram clandestinas as


atividades homossexuais, tão prazerosas, e passaram a reprimir a
atividade sexual que dá prazer...

É verdade que Roma Antiga ficou conhecida pela imoralidade sexual


desenfreada. O historiador Will Durant escreveu:

«A prostituição florescia. O homossexualismo era estimulado pelo contacto


com a Grécia e com a Ásia. Muitos homens ricos pagavam um talento (+
ou - 3 600 euros) por um homem favorito. Cato queixava-se de que um belo
jovem custasse mais do que uma quinta».6

Duran, diz que a prostituição era tão comum em Roma, que algumas
vezes os votos dos políticos tinham de ser recolhidos no collegium lupanario-
rum, que era a “associação de defensores dos bordéis”!7 e acrescenta:

«O adultério era tão comum que atraía pouca atenção, a não ser quando era
praticado por motivos políticos; e praticamente todas as mulheres abastadas

154
Maria Helena Costa

se divorciavam pelo menos uma vez.»8

Ele diz mais:

«Os romanos, como os gregos, toleravam de bom grado os locais onde se


concentravam os prostitutos. A profissão era legalizada e restrita [...] O
velho Sêneca adoptava o amplo adultério entre as mulheres romanas».9

Prostituição legalizada?

Adultério comum?

Divórcio?

Homossexualidade nas ruas e às claras?

Não há nada de novo!


Mas, de todas as cidades da Antiguidade, não havia nenhuma mais de-
pravada do que Pompeia. Por exemplo: era comum que um símbolo fálico
adornasse o lado de fora das casas. Não devia deixar de ser um alerta, para
nós, o facto de a cidade mais pervertida daquela época ter sido destruída
repentinamente em 24 de Agosto de 79 d.C. — como Sodoma e Gomorra
antes disso. Deus abomina o pecado e Ele destruiu Sodoma e Gomorra de-
vido à imoralidade que imperava, para nosso exemplo:

«Porque, se Deus não perdoou aos anjos que pecaram, mas, havendo-os lan-
çado no inferno, os entregou às cadeias da escuridão, ficando reservados para
o juízo; e não perdoou ao mundo antigo, mas guardou a Noé, a oitava pes-
soa, o pregoeiro da justiça, ao trazer o dilúvio sobre o mundo dos ímpios; e
condenou à destruição as cidades de Sodoma e Gomorra, reduzindo-as a
cinza, e pondo-as para exemplo aos que vivessem impiamente;»
— 2 Pedro 2:4-6

Foi num mundo corrupto e pervertido — que está a ressurgir das cinzas
e a ser apresentado à sociedade como algo bom e desejável — que Jesus

155
Identidade de Género

nasceu. Foi nesse mundo que o Evangelho começou a ser espalhado pelos
discípulos. Eles chegaram, declararam que Deus é Santo — uma ideia total-
mente desconhecida da sociedade, visto os deuses pagãos não terem nada de
santos e encorajarem todo o tipo de perversão sexual. Hoje,

O hedonismo moderno está a ensinar às nossas crianças, adoles-


centes, jovens e adultos, que o cristianismo reprime a sexualidade
e impede o prazer, mas o que eles realmente querem dizer, é que o
cristianismo reprime a IMORALIDADE e, nisso, estão certos.

156
«Se te calas perante este ataque às bases da sociedade és conivente com
o mal e com os seus proponentes.»
Identidade de Género

As nossas crianças de “Pijama às riscas”

Sim! Estou a falar do filme “O rapaz do pijama às riscas”.


Quem viu o filme, sabe que a esposa do oficial alemão só percebeu real-
mente o que tinha acontecido ao seu país, quando foi morar para perto de
um campo de concentração e o cheiro dos corpos queimados nos fornos
crematórios lhe chegou às narinas.
A tragédia acontece, porque o pai sempre mentiu ao filho sobre a reali-
dade e finalidade dos campos de concentração. Ele sempre lhe contou uma
história muito bonita sobre a boa vida e a sorte dos judeus nos campos — a
história que era vendida ao mundo. Então, um dia, o rapaz vai ter com o seu
amiguinho judeu ao campo de concentração, para o ajudar a procurar o pai
(que já havia sido assassinado), veste um “pijama” às riscas (nome que ele
havia atribuído à roupa que os judeus usavam nos campos de concentração)
e acaba numa câmara de gás com um grupo de judeus condenado à morte
— todos vestidos com um “pijama às riscas”.
Hoje, assistimos a algo muito semelhante, mas à escala mundial —
as nossas crianças são o “filho” e o Governo é o “pai”. As poucas “mães”,
que se apercebem do que se passa e avisam os incautos, são chamadas de:
conservadoras (como forma de insulto), homofóbicas, fanáticas religiosas,
atrasadas, etc. Neste mundo em ruínas, defender os valores morais judaico-
-cristãos é mais mal visto do que prostituir-se, matar ou roubar.
A comunicação social é totalmente controlada por um lobby, podre de
rico, que decidiu colocar em marcha aquilo a que hoje se chama Marxismo
cultural. Esse lobby pretende criar uma nova criatura — algo que não é nada
e que pode ser o que quiser — de acordo com a Ideologia de Género. O
“pai” só conta aos “filhos” quão maravilhoso é, poderem ser o que quiserem, e
omite, propositadamente, as terríveis consequências que essa ideologia tem
provocado nos países onde já vigora a todo o gás.

158
Maria Helena Costa

A escola, a serviço do “pai”, tem “doutrinadores” que ensinam aos “fi-


lhos”, a partir dos três anos, que ninguém nasce menino (sexo masculino),
nem menina (sexo feminino), mas sim algo (sem sexo definido) que pode vir
a ser aquilo que quiser e que lhes é ensinado nas escolas. Esse ensino falso e
nefasto está a provocar, só no Reino Unido, um crescimento fulminante de
crianças confusas quanto à sua sexualidade — 1000% — que têm enchido
os consultórios de psicologia e psiquiatria. Psicólogos e pediatras, um pouco
por todo o mundo, alertam para os perigos de expor crianças de tão tenra
idade, a ensinos que só as confundem por não terem maturidade para os
receber e entender.
Ao arrepio da Constituição, que proíbe a exposição de crianças à por-
nografia e ao sexo explícito, o “pai” ordena que se fale de sexo, muito sexo,
só sexo, aos “filhos” e que eles sejam manipulados, desde muito cedo, para
acreditarem que ninguém nasce menino ou menina, a fim de serem aquilo
que eles quiserem e não aquilo que realmente são. As “mães” deixam-se en-
ganar e, assustadas, não percebem que estão a encaminhar os seus filhos para
as câmaras de gás e não para o banho.
Fala-se tanto de abuso infantil e, quais carneiros de Panúrgio, deixa-
mos que os nossos filhos e netos sejam condicionados a acreditar que a sua
natureza biológica — aquilo que eles realmente são — pode ser mudado
por medicamentos (química) ou por uma cirurgia que, na verdade, só muda
o envelope e não o conteúdo. Isso, além de ser uma fonte de renda para a
indústria farmacêutica, É ABUSO INFANTIL. Tal como acontecia nos
campos de concentração nazis, hoje há médicos a fazerem experiências com
crianças, nas chamadas clínicas de género, enchendo-as de medicamentos
bloqueadores da puberdade, que lhes garantem uma vida inteira de hormo-
nas cancerígenas e tóxicas, do sexo oposto, além da mutilação desnecessária
de partes saudáveis do seu corpo.

Sabia que, após a puberdade, 88% das meninas e 98% dos me-
ninos, que eventualmente possam estar confusos, acabam por se
aceitar como são — rapaz ou menina — e atingir um estado de saú-
de física e mental satisfatórias?

159
Identidade de Género

Sabia que, as taxas de suicídio são 20x mais elevadas entre adul-
tos que usam hormonas do sexo oposto e se submetem à cirurgia
de mudança de sexo, mesmo na Suécia, que está entre os países que
melhor aceitaram esta ideologia — LGBQT?

Infelizmente, estão a ensinar aos nossos filhos que essas pessoas se suici-
dam por causa de pessoas homofóbicas (todos os que não concordam com a
ideologia) que não as aceitam como realmente são. Mais um engano nefasto.

Então, porque é que continua calado a ver os seus filhos e netos


a serem levados, como carneiros, para o matadouro?

Porque é que não faz alguma coisa para os proteger e alertar os


que dormem?

“Mães”: os vossos filhos estão a ser-vos roubados por uma ideologia que
pretende colocar em prática, e transformar em modo de vida, algo como isto:

«Assim chegaremos à liberdade sexual para que todas as mulheres e crianças


possam usar a sua sexualidade como quiserem. Não haverá mais nenhuma
razão para não ser assim. […] Na nossa sociedade a humanidade poderá
finalmente voltar à sexualidade natural [animal], polimorfamente diversa:
serão permitidas e satisfeitas todas as formas de sexualidade. A mente
plenamente sexuada [que só pensa em sexo] tornar-se-ia universal se a
criança escolhesse a relação sexual com os adultos, ainda no caso que escolhesse
a sua própria mãe genética, não existiriam razões, à priori, para que esta
rejeitasse as suas insinuações sexuais, visto que o tabu do incesto teria perdi-
do a sua função.» — Shulamith Firestone

É isto que você deseja para os seus “filhos”? Permitir que lhes vistam um
“pijama às riscas”. para que caminhem com os que caminham para a morte?
E se eu lhe dissesse que temos vindo a ser cevados para a matança?

160
«Nos anos 70, Jean-Paul Sartre e Simone de Beauvoir, estavam en-
tre os signatários de uma petição com o objectivo de descriminalizar
a pedofilia.»
Identidade de Género

“Cevados” para a matança

Sim, eu sei que o título é algo estranho, mas tem tudo a ver com o pen-
samento que quero compartilhar consigo:
Eu sou do tempo em que ainda havia algum temor de Deus, em que o
divórcio era a última hipótese a ser considerada e em que a palavra de uma
pessoa valia mais do que o dinheiro. E não posso deixar de encontrar, a causa
e o efeito, do divórcio, nestas duas realidades — se alguém dava a sua palavra,
diante de Deus e dos homens (ou só dos homens), de que cuidaria do mari-
do/esposa na alegria e na tristeza, na saúde e na doença, até que a morte os
separasse, assumia um compromisso para a vida.
Hoje, após muitos folhetins, telenovelas, filmes e séries, que foram tor-
nando o divórcio, não só normal como até desejável, a larga maioria não quer
assumir um compromisso e os que o assumem já partem do pressuposto: «Se
não der certo, separamo-nos» e... acabam mesmo por se separar ao primeiro
desaguisado.
O divórcio, consequência da falta de palavra e de compromisso, é a
origem do que estamos a viver hoje — famílias desfeitas e crianças mortal-
mente feridas, perdidas, confusas e sem rumo.
Eu sei que muitos vão contestar: «Ai!...e tal, os meus pais separaram-se
e eu estou bem e recomendo-me». Mas também sei que os que dizem isso,
não estão a ser totalmente honestos. Ninguém passa por um divórcio e sai
incólume. (Antes que me acusem de defender a violência doméstica e outras
violências dentro do casamento, eu não estou a dizer que não há casos em
que o divórcio, infelizmente, é a única saída.)
Crianças, adolescentes e jovens, que vêem pai e mãe trocar de parceiro
como quem troca de camisa, que os vêem sofrer quando se sentem traídos
e que não têm um lar no qual possam crescer saudavelmente — com o pai
e a mãe como referência — terão tendência a não querer compromisso e a
agir como os pais agiam, ainda que jurem a pés juntos, não querer repetir os

162
Maria Helena Costa

erros dos pais.


Depois de nos bombardearem com a mentira de que a verdadeira
liberdade consistia em nos divorciarmos de quem não nos faz feliz, conven-
ceram-nos que é possível que a família permaneça unida após um divórcio...
Não sei o que foi pior, mas creio que a mentira de uma possível união, após
a quebra de compromisso, e a dor que isso provoca, iludiu ainda mais as
pessoas e as levou a acreditar que o divórcio era a única saída para resolver
problemas conjugais. Quando a pessoa se centra em si mesma, no que a faz
feliz, perde o foco do significado do casamento — fazer o outro feliz. O
egocentrismo é, sem sombra de dúvida, a causa da maior parte dos divórcios
e da destruição da família — pais e mães que só se preocupam com o seu
próprio umbigo e que não suportam nada que não esteja de acordo com o
seu conceito de felicidade, doa a quem doer. E, dói sempre mais aos filhos.
Infelizmente, à medida que a sociedade se foi afastando de Deus, o di-
vórcio foi aumentando, aumentando... Até ao ponto de ser a regra e não a
excepção. Num cenário destes, não deixa de ser estranho que aqueles que
promovem o divórcio e o têm facilitado — a ponto de só ser necessário a
parte interessada em se divorciar ir ao registo e assinar um papel — agora se
levantem pelo direito de gays e lésbicas se casarem. E, por que não, na Igreja?
Se isto não é revelador das verdadeiras intenções dos ideólogos de género...
Não sei o que será.
Então, com as famílias desfeitas e crianças, adolescentes e jovens, re-
voltados, sem um lar — sem família — há que aproveitar isso para os fazer
acreditar que não são nada, nasceram nada, e podem ser o que quiserem. A
tragédia do divórcio, na vida dos filhos, está a ser aproveitada por políticos
sem escrúpulos, para criar uma nova sociedade — despida de valores morais,
onde não há certo, nem errado, mau e bom — uma sociedade de pessoas que
não são nada, a não ser aquilo que o Estado lhes diz que podem ser — volú-
veis — sem fé, sem Deus, sem fado, meras marionetas nas mãos de fazedores
de géneros, que tentam a apagar o sexo biológico com que cada Ser humano
nasce — homem ou mulher — e decidiram desconstruir o homem e recons-
truí-lo como mulher e vice-versa.
O que eles não dizem, é que essa feitura é apenas exterior e contraria a
natureza, a ciência e a inteligência. É um engano nefasto que está a aprovei-
tar-se de sofrimento provocado por uma desordem mental (recentemente

163
Identidade de Género

baptizada como disforia de género) e a transformar um distúrbio, que deve-


ria ser tratado em psiquiatria, num caso de bisturi ou apenas de Cartão de
Cidadão. Afinal, se eu me sinto um homem, por que não posso sê-lo? E se
me sentir um cão? Ou um ET?
Eu sei que alguns estão a dizer que eu não posso comparar... que não
imagino a dor das pessoas que sofrem de “disforia de género” (transtorno
da sexualidade)... Mas não é nada disso. Fazer alguém acreditar que pode
ser aquilo que não é, é o mais puro engano. É levar a pessoa a permane-
cer doente e não permitir que seja devidamente tratada. É aproveitar-se da
fragilidade de crianças, adolescentes e jovens, que já foram vítimas de lares
desfeitos e que sofrem horrivelmente.

— Ai e tal... Mas há pessoas que se sentem presas num corpo que


não é delas e que têm um lar feliz.

Ok! Essas pessoas precisam de muito amor, acompanhamento psicoló-


gico e psiquiátrico e não que lhes digam que podem ser aquilo que jamais
serão.
Não sei se já perceberam o título que escolhi, mas é algo como isto:
alimentaram-nos com mentiras sobre as benesses do divórcio e a felicidade
que daí adviria; promoveram activamente a destruição do casamento e fize-
ram-nos acreditar nas vantagens das uniões de facto (para quê papéis que
só complicam quando a relação acaba?); legalizaram o casamento (aquela
coisa antiquada entre um homem e uma mulher) entre dois homens ou duas
mulheres; negaram às crianças o direito a terem um pai e uma mãe, como
referência, legalizando a adopção por pares do mesmo sexo (“casados” ou em
união de facto) e; agora, estão a dizer-nos que todos os que viveram antes
de nós não passaram de construções da sociedade — que os homens não
nasceram homens, nem as mulheres nasceram mulheres — e que cada um
pode ser o que lhe apetecer, quando lhe apetecer e como lhe apetecer. Já nos
cevaram... Agora vem a matança.1
Estamos entregues a ideologias e a governantes que:

«Dizendo-se sábios, tornaram-se loucos. E mudaram a glória, do Deus in-


corruptível, em semelhança da imagem de homem corruptível, e de aves, e

164
Maria Helena Costa

de quadrúpedes, e de répteis. Pelo que, também, Deus os entregou às concu-


piscências de seus corações, à imundícia, para desonrarem seus corpos entre si;
pois mudaram a verdade de Deus em mentira, e honraram e serviram mais,
a criatura do que o Criador, que é bendito eternamente. Amém.»
— Romanos 1:22-25

No meio desta loucura, o que me deixa mais apreensiva, é o medo… Ou


será apenas ignorância de pais e encarregados de educação?

165
«Eis o derradeiro crime de destruição da percepção humana e do bom
senso, obrigando cada pessoa a ver, não o que ela vê, mas o que os ou-
tros, ou o Estado, querem que ela veja. Isto é Ideologia de Género.»
Maria Helena Costa

Enrolados

Lembro-me de uma música muito antiga:

«O mar enrola n’areia


Ninguém sabe o q’ele diz.
Bate n’areia e desmaia,
Porque se sente feliz.»

Hoje, nós, e não a areia, estamos a ser enrolados por um mar de ideolo-
gias e sem saber o que realmente nos dizem. De acordo com os “enroladores”:
importa é ser feliz, promover a igualdade e a tolerância.
Há muito, muito tempo, quando eu era uma adolescente tonta; enrola-
ram-me com a história de que uma mulher, a sério, tinha que ser “emancipada”
e que isso significava: jogar fora alguns valores morais, ser feminista, fumar,
ter sexo antes do casamento, trabalhar fora e pagar a quem cuidasse da casa,
colocar os filhos no infantário, caso não houvesse ninguém para tomar conta
deles, e pagar a quem os criasse — tudo, menos ser dona de casa e mãe a
tempo inteiro.
Não percebi que o que estavam realmente a dizer, era algo como isto:
esquece os valores morais, isso é antiquado. Tens que ser promíscua, deixar
o cuidado da tua casa, não cuidar do teu marido e entregar os teus filhos a
terceiros para os educarem e criarem. Explicando melhor: casar virgem, é
antiquado; casar depois de algum uso e vários desgostos amorosos, é mo-
derno. Cuidar da casa e do marido (que trabalhava para sustentar a casa),
é escravatura; trabalhar para patrões que te vão explorar e até assediar, é
“emancipação”. Educar os filhos, é escravatura; pagar a quem os eduque,
é “emancipação”. Trabalhar fora e em casa (quando não dá para pagar à
empregada), é “emancipação”; ser sustentada pelo marido, que trabalha ar-
duamente para sustentar a família, é “escravatura”.

167
Identidade de Género

Outra coisa com a qual nos têm enrolado, é com a ideia de que, sem um
curso superior não somos nada. Que devemos incutir nos nossos filhos, que o
mais importante, na vida, é terem um curso superior e serem independentes.
Esqueceram-se de nos dizer que: obrigá-los a estudar até tão tarde (até
porque há muitos que não querem ser doutores), produziria gerações de adul-
tos-crianças, totalmente dependentes dos pais, que não haveria empregos
para tantos doutores e que haveria falta de profissionais — tão necessários
no dia-a-dia — como por ex: canalizadores, trolhas, limpa-chaminés, jardi-
neiros, electricistas, etc. Também não nos disseram que, ao educarmos filhos
e filhas para terem canudos e serem independentes, estaríamos quase que
irremediavelmente, a condená-los a casar muito tarde e a não lutarem pelo
casamento quando as dificuldades surgissem, pois foram criados para cuida-
rem de si mesmos e não para se sacrificarem em prol de quem quer que seja.
Também não nos disseram, que nos tornaríamos incapazes de criar as filhas
para serem boas esposas e os filhos para serem bons maridos.

E quando nos enrolam, dizendo que só nos sentiremos plena-


mente realizadas naquela profissão?

Esqueceram-se de nos dizer que a realização profissional, ainda que


possa ser gratificante, não deveria ocupar o lugar da família e que não há
nada mais satisfatório do que manter o casamento e criar e educar homens
e mulheres, para serem cidadãos exemplares — alicerces de uma sociedade
sadia. Esqueceram-se de nos alertar que não somos robots e que viríamos a
sofrer de inúmeras doenças, devido ao stress e ao cansaço provenientes de
querermos fazer tudo, quando, na verdade, não o conseguimos fazer bem
feito e acabamos por perder o mais importante —a família. Quem é que já
parou para pensar, que vivemos em função daquilo que realmente amamos?
Se trabalhamos para dar e ter coisas materiais, nunca ficaremos satisfeitas.
Há sempre coisas novas, coisas que nos dizem ser indispensáveis para a nos-
sa felicidade e realização pessoal. Passamos a vida a correr atrás do vento e
nunca o conseguimos agarrar.

Devido ao excesso de trabalho e à falta de tempo, passámos a


usar coisas descartáveis e nem nos apercebemos que até as pessoas

168
Maria Helena Costa

se tornaram descartáveis. Como?

Os filhos nascem e descartamo-los no infantário. Mais tarde, eles far-


-nos-ão o mesmo descartando-nos num lar. E aquela gravidez indesejada?
Como é possível ter engravidado só porque estava tão cansada que me es-
queci de tomar o anticoncepcional? Caramba... que azar... fazia tanto tempo
que nem sequer tinha relações com o meu marido... como é possível que isto
tenha acontecido? Não posso ter outro filho. Melhor abortar. Coitadinho,
afinal não ia ter tempo para ele e não... Melhor descartá-lo. Um dia, quando
estiver velhinha e a dar trabalho, quando os meus filhos não tiverem tempo
para mim... Bem, há sempre a possibilidade de legalizarem a eutanásia e já
não darei trabalho a ninguém. E o marido? Está chato, não faz o que eu que-
ro e como eu quero, engordou e não me satisfaz... Para alguma coisa existe o
divórcio, não é? Descarta-se. (E se for ao contrário?)
E, agora, continuam a querer enrolar-nos com mentiras como estas:

Mulher não é realmente mulher. Homem não é realmente ho-


mem. Ninguém nasce nada, todos podem ser o que quiserem. Tipo:
«A minha criança vai chamar-se OMO. Quando crescer decide se
quer ser homem, mulher, homossexual, trans, bi, ou sabão em pó.»

Menores de 16 anos não podem votar, conduzir, comprar bebidas al-


coólicas ou tabaco, mas podem mudar de sexo, pois já são suficientemente
adultos para tomarem uma decisão tão irreversível como essa. Então é assim:
Conduzir? Não, é perigoso. Votar? Não, não têm maturidade para escolher.
Comprar bebidas alcoólicas e tabaco? Não, faz-lhes mal à saúde. Mudar de
sexo? Claro que podem, eles já sabem o que querem.

Então, está todo o mundo enrolando?

Ou a ser enrolado?

«Eis aqui, o que tão-somente achei: que Deus fez ao homem recto, porém eles
buscaram muitas astúcias.»
— Eclesiastes 7:29

169
«Não se está a tentar ensinar às crianças o respeito pelas diferenças,
mas a incentivá-las à força, a serem diferentes do que são na verdade.»

— National Geographic
Gender Revolution
Maria Helena Costa

Amordaçados

Li este testemunho há alguns anos e escrevi-o no meu livro, “Todas as


coisas me são lícitas...” que reeditei em Fevereiro de 2018 com outro títu-
lo”Órfãos” de pais vivos”:
«Quando o casamento entre pessoas do mesmo sexo foi criado no
Canadá, a linguagem de género-neutro tornou-se legalmente obrigatória.
Essa “nova linguagem” proclama, que é discriminatório assumir que um Ser
humano possa ser masculino ou feminino, ou mesmo heterossexual. Então,
para ser inclusivo, toda uma nova linguagem de género-neutro passou a ser
usada pelos média, pelo Governo, no ambiente de trabalho, e especialmente
nas escolas que querem evitar a todo custo ser recriminadas como ignoran-
tes, homofóbicas ou discriminatórias. Um curriculum especial está a ser
usado em muitas escolas para ensinar aos alunos como usar apropriada-
mente a linguagem do género-neutro. Sem o conhecimento de muitos pais,
o uso de termos que descrevem marido e esposa, pai e mãe, dia do pai e da
mãe, e mesmo “ele” e “ela”, estão a ser radicalmente erradicados das escolas
no Canadá. Qualquer empresário que não tenha a sua consciência alinhada
com as decisões do governo acerca da orientação sexual e as suas leis de
não-discriminação de género, não terá permissão de gerir as suas práticas
profissionais de acordo com as suas próprias convicções.
No fim de contas, é o Estado quem dita o quê, e como é, que os cida-
dãos se podem expressar. A liberdade para pensar sobre o casamento, ser
entre um homem e uma mulher, família e sexualidade, é restrita. A grande
maioria das comunidades de fé, tornaram-se “politicamente correctas”, a
fim de evitar multas e apreensões do seu status caritativo. A média está
restrita pela Comissão Canadiana de Rádio, Televisão e Telecomunicações.
Se os órgãos de comunicação social publicam qualquer coisa considerada
discriminatória, as suas licenças podem ser revogadas, podem ser multados

171
Identidade de Género

e sofrer restrições de novas publicações no futuro.


Um exemplo de restrição e punição legal sobre opiniões discordantes a
respeito da homossexualidade, no Canadá, envolve o “Case of Bill Whatcott”,
que foi preso por “discurso de ódio”, em Abril de 2014, depois de distribuir
panfletos com críticas ao comportamento homossexual. Independentemen-
te de concordarmos, ou não, com o que Bill Whatcott disse, deveríamos
ficar horrorizados com este acto de sanção estatal. Livros, DVDs e outros
materiais, também podem ser confiscados nas fronteiras do Canadá, se o
seu conteúdo for considerado “odiável”. Depois das leis que aprovam o “ca-
samento” gay e a adopção ou coadopção por pares do mesmo sexo serem
aprovadas no nosso país, precisamos de nos preparar para o mesmo tipo de
vigilância estatal, se o Supremo Tribunal decidir legislar e banir o casamen-
to como uma instituição feita entre um homem e uma mulher. Isso significa
que, não importa o que acreditemos, o Governo terá toda a liberdade para
regular as nossas opiniões, o que escrevemos, as nossas associações e até
para decidir se poderemos, ou não, expressar a nossa consciência. É urgente
entendermos que a meta final dos activistas do movimento LGBTQ, en-
volve um poder centralizado e estatal — e o fim das liberdades previstas na
Constituição.”»
Na altura, não faltaram pessoas a abanar a cabeça e a dizer: “Isso é no
Canadá! Por cá, nunca será assim.”

— JÁ É! “A nova gramática do socialismo” é o início deste ab-


surdo no nosso país.

De acordo com a «Resolução do Conselho de Ministros nº 5/2011, e


o “Guia orientador para uma linguagem promotora da Igualdade de Género”
publicado no D.R., 1ª série, nº 12 de 18 de Janeiro de 2011», foi compilada
uma nova gramática:

Em vez de: pais — Utilizar: pai e mãe


Em vez de: filhos — Utilizar: filhas e /ou filhos
Em vez de: enteados — Utilizar: enteados e / ou enteadas
Em vez de: avós — Utilizar: avó e avô
Em vez de: O requerente — Utilizar: A pessoa que requer

172
Maria Helena Costa

Em vez de: Os interessados — Utilizar: As pessoas interessadas


Em vez de: O gerente — Utilizar: A gerência
Em vez de: O Director — Utilizar: A Direcção
Em vez de: Os licitadores — Utilizar: As entidades licitadoras…

De acordo com esta gente, a linguagem que antes usávamos é sexista.


Sim, tudo o que lhes soar masculino, é sexismo. Até as designações “Loja
do Cidadão” e “Cartão de Cidadão” queriam mudar por serem… sexistas.
Parece que os legisladores deste país, dormem e acordam a pensar em des-
truir qualquer forma de falar que utilize pronomes, artigos e nomes no
masculino. Qual é o objectivo desta maluquice?
Se nos calarmos, todos, juntamente, seremos severamente castigados e
voltaremos a viver numa ditadura que até a gramática pretende mudar para
nos obrigar a falar de acordo com as suas próprias convicções ou ideologias.
Isto é outra forma de NAZISMO. Por favor, ACORDE!
Quando saiu a primeira edição do livro, todos achavam que esta ideo-
logia jamais chegaria ao nosso país, mas passados dois anos... Ela impõe-se
e promete tirar-nos a liberdade.
Existe uma linha que nunca devia ser transposta:

Permitir que o Governo decida que palavras podemos usar.

173
«O núcleo familiar deve ser destruído. Seja qual for o seu último
sentido, a dissolução das famílias agora é um processo objectivamente
revolucionário.»

— Linda Gordon
Maria Helena Costa

Encolhidos de medo?

«Então a serpente disse à mulher: Certamente não morrereis. Porque Deus


sabe que no dia em que dele comerdes se abrirão os vossos olhos, e sereis como
Deus, sabendo o bem e o mal. E viu a mulher que aquela árvore era boa para
se comer, e agradável aos olhos, e árvore desejável para dar entendimento;
tomou do seu fruto, e comeu, e deu também a seu marido, e ele comeu com
ela. Então foram abertos os olhos de ambos, e conheceram que estavam nus;
e coseram folhas de figueira, e fizeram para si aventais. E ouviram a voz do
Senhor Deus, que passeava no jardim pela viração do dia; e esconderam-se
Adão e sua mulher da presença do Senhor Deus, entre as árvores do jardim.
E chamou o Senhor Deus a Adão, e disse-lhe: Onde estás?»
— Génesis 3:4-9

Como cristã, eleita pelo Pai, comprada pelo Filho e regenerada pelo Es-
pírito Santo, creio em TODA a Escritura - ipsis verbis - e não a encaixilho
em quadros para a adaptar a teorias científicas ou a ideologias demoníacas.
Portanto, o texto acima é muito claro para mim, e os dias que vivemos com-
provam a sua actualidade, pois a Palavra de Deus é tão actual como o jornal
que sairá amanhã.
Hoje, como então, Satanás continua a dizer à Humanidade: «Façam à
minha maneira e alcançarão tudo o que desejam: prazer, satisfação, reali-
zação e felicidade.» Hoje, o inimigo das nossas almas continua a dizer ao
homem e à mulher: «Não dês ouvidos a Deus. Ele está ultrapassado, fora de
moda e tem uma visão mesquinha e redutora que tornará a tua vida miserá-
vel. Se queres ser feliz, desobedece a Deus, esquece-O e ouve o que te digo.
Segue os meus conselhos e ideologias e serás feliz.»
E, tal como então, porque o Ser humano continua a imitar os seus
primeiros pais — Adão e Eva — as palavras de Satanás soam bem e eles

175
Identidade de Género

aceitam-nas. Mas, o que realmente encontram; é vergonha, humilhação, cul-


pa, doença e morte.
As pessoas sempre foram levadas a acreditar que as orientações bíblicas
sobre sexo, definitivamente, seriam insatisfatórias e nãos as fariam felizes.
É o que o PRESSE ensina aos nossos filhos e aos adultos que os ensinam:

«... o fortalecimento do cristianismo aumenta a quantidade de tabus sexuais


na Europa. Ganham força as concepções de Santo Agostinho de que o sexo
era fruto do pecado humano. É reforçado que Jesus nasceu de uma virgem.
As actividades homossexuais caem na clandestinidade. Cresce a repressão à
actividade sexual pelo prazer.»

Há alguns anos começámos a ouvir dizer, da parte de “especialistas”, que


se não soltássemos as rédeas aos nossos filhos acabaríamos por os destruir. Se
não queremos que os nossos filhos se tornem inibidos, dizem os sabichões,
deixemos que façam o que lhes der na telha. Paulatinamente, a permissivi-
dade, substituiu a palavra paternidade.
Assim, apoiado por escritos, teses e citações, de “autoridades na área”,
o conceito de permissividade venceu. O ensino bíblico: «Não retires a dis-
ciplina da criança; pois se a fustigares com a vara, nem por isso morrerá.»
(Provérbios 23:13), caiu em desuso e pode até dar cadeia aos pais que não
ouviram a voz da serpente. E, qual é o resultado da permissividade?
Produzimos uma geração de monstros permissivos, bem-sucedidos em
fazer com que o povo se encolha de medo por trás de portas e janelas tran-
cadas. Milhões de pessoas têm medo de sair à noite, nas grandes cidades,
porque algumas pessoas não sabem conter os seus impulsos: se sentem von-
tade de violar, violam; se a vontade for matar, matam; se for roubar, idem.
Mas, actualmente, já não basta ser permissivo, é preciso ser acéfalo e
promíscuo. O sexo, não o saudável, é o novo deus deste mundo. Somos bom-
bardeados diariamente com toda a sorte de promiscuidade sexual. Como se
o sexo fosse a mente e a mente fosse o sexo; como se os instintos, ou desejos
de alguém, fossem o fio de prumo da verdade pelo qual tudo é nivelado; até
o sexo biológico de cada ser humano.
Então, dizem eles, ninguém nasce “homem” ou “mulher”, mas sim “algo”
— um corpo sem identidade — que a escola ensinará a ser o que quiser, de

176
Maria Helena Costa

preferência aquilo que não é, mas que quer ser.


N’outras palavras, Deus não criou nem cria nada. É o Estado, mediante
a Escola, que cria novas pessoas a partir de corpos neutros... E, agora, de
acordo com notícias recentes, um branco poderá dizer que é negro, e um
negro dizer que é branco, e ai de quem diga o contrário. Ainda que os nossos
olhos vejam que a cor de pele de alguém é branca... Se a pessoa se identificar
como negra, é isso que ela é. E, não, não é para acabar com o racismo, mas
sim para dizer que ser homossexual, bissexual, trans, ou qualquer outra coisa,
sexualmente falando, é como ser branco, negro, amarelo... Percebem? Pois,
eu também não.
Afinal, se, de acordo com os ideologistas de género, ninguém nasce hé-
tero, como é que se pode equiparar a cor da pele, com que alguém nasce
de facto, à (des)orientação sexual com a qual ninguém nasce? E, se nascem
(des)orientados para ser o que não são, por que não nascem hétero — ho-
mem e mulher — com sexos preparados para encaixar perfeitamente um no
outro e dar continuidade à espécie?

Modernidade? Não! Loucura e...demência.

Estamos apenas a voltar a viver os tempos de Sodoma e Gomorra. Como


a maioria foi ensinada a não ler e crer na Palavra de Deus- ipsis verbis- no
que ela nos ensina acerca do pecado e das suas consequências, «Assim como
Sodoma e Gomorra, e as cidades circunvizinhas, que, havendo-se entregue à
fornicação como aqueles, e ido após outra carne [homossexualismo], foram
postas por exemplo, sofrendo a pena do fogo eterno.» Judas 1:7, a história
está a repetir-se e as consequências serão as mesmas.

«Não erreis: nem os devassos, nem os idólatras, nem os adúlteros, nem os


efeminados, nem os sodomitas, nem os ladrões, nem os avarentos, nem os
bêbados, nem os maldizentes, nem os roubadores herdarão o reino de Deus.»
— 1 Coríntios 6:10

A pergunta que Deus fez a Adão, no Jardim, é aquela a que nós, hoje,
precisamos responder:
ONDE ESTÁS?

177
Identidade de Género

E, não me venham dizer para não misturar Deus e a Sua Palavra, com
o que está a acontecer no mundo, porque isso seria não olhar para trás e
continuar a caminhar como carneiros para o matadouro. Mais uma vez, o
conselho de Deus é para ser levado em conta e obedecido:

«Assim diz o Senhor: Ponde-vos nos caminhos, e vede, e perguntai pelas


veredas antigas, qual é o bom caminho, e andai por ele; e achareis descanso
para as vossas almas; [...]»
— Jeremias 6:1

O que é que as veredas antigas nos ensinam?

«E criou Deus o homem à sua imagem; à imagem de Deus o criou; homem


e mulher os criou. E Deus os abençoou, e Deus lhes disse: Frutificai e
multiplicai-vos, e enchei a terra, e sujeitai-a; e dominai sobre os peixes do
mar e sobre as aves dos céus, e sobre todo o animal que se move sobre a terra.
[...] [ Jesus] porém, respondendo, disse-lhes: Não tendes lido que aquele que
os fez no princípio macho e fêmea os fez, e disse: Portanto, deixará o homem
pai e mãe, e se unirá a sua mulher, e serão dois numa só carne? Assim não
são mais dois, mas uma só carne. Portanto, o que Deus ajuntou não o separe
o homem.»
— Génesis 1:27-28; Mateus 19:4-6

Deus, não a sociedade ou a escola, criou o homem a mulher e o sexo e


deu ordens muito claras acerca da sexualidade:

«Com homem não te deitarás, como se fosse mulher; abominação é;»


— Levítico 18:2

178
Rejeite esta mentira hedionda:

«Sob o patriarcado, o filho de cada mulher é seu traidor em potencial


e também o estuprador inevitável ou explorador de outra mulher.»

— Andreia Dworkin
Identidade de Género

«Seria cómico, se não fosse trágico!»

Foi este o meu comentário quando li o texto do Ricardo Lima. Achei-o


tão actual, pertinente, sagaz e urgente, que não resisti a pedir-lhe que me
permitisse compartilhá-lo aqui:
«Brevemente vais ser abordado por um tipo barbudo e corpulento que
acabará por te processar por teres assumido que se tratava de alguém do
género masculino.
O teu grupo foi beber um copo e vão começar a dizer-te para não levares
o Diogo, o Diogo que tem ar de preconceituoso, um gajo do tempo da ou-
tra senhora que achou estranho a pessoa acima mencionada ter entrado no
mesmo WC que a namorada dele.
O Ramiro já achava estranho o que o filho andava a aprender na escola
desde que, depois do módulo de masturbação, lhe perguntou porque é que
ele e a mãe se detinham nas fronteiras socialmente construídas para o prazer
sexual. Aquilo da heteromonogamia fazia-lhe confusão. A gota de água para
o Ramiro foi aquele trabalho de casa subjugado ao tema: “Os Crimes de
Portugal e da Cristandade no Mundo: Afonso de Albuquerqque, do Primei-
ro Himmler”. Protestou ao conselho directivo, o caso foi para a imprensa,
que o investigou, e hoje ainda anda a explicar como é que só tem uma cigana
e dois muçulmanos no Conselho de Administração da empresa.
O irmão mais novo do Paulo roçou a falta disciplinar quando se es-
queceu de dirigir-se ao colega pelo pronome neutro. Porra, o puto nem nos
outros pronomes acerta. A irmã dele ainda não encara aquela coisa de “a”
Afonso se vestir no mesmo balneário que ela.
O Abreu sempre foi um crápula. Já nos tempos da faculdade a casa dele,
no papel, era uma residência universitária de militantes do partido. Desta
feita mudou de género, enfiaram-no nas listas via quota e agora é a Senhora
Deputada Abreu. Grande Abreu!

180
Maria Helena Costa

O Carlos meteu-se numa alhada. Disse muito calmamente a uma sujeita


com quem estava a falar que a achava muito gira. Lixou-se bem. Levou um
processo porque não era “a senhora”, era “o senhor” e ainda outro por piropo
indevido.
A Marta vai chegar atrasada à clínica. Desde que a homeopatia entrou
para o SNS que decidiu experimentar e prega a todos que anda uma mara-
vilha com aquilo. Mas a confusão na Ponte Mário Soares era imensa, mais
uns gajos apanhados a fumar tabaco dentro do carro, estes anormais nunca
aprendem! Irritada, fumou um charro para relaxar enquanto a situação se
resolvia. Olhou a estátua de Marielle Franco onde, em tempos mais negros,
ficava o Cristo Rei. Estátua bonita, sim senhora.
Partiram o restaurante ao Silveira. Ele ainda hoje não sabe se foi por
servir Bife na Pedra, se foi por servir Bife na Pedra em pleno Ramadão, se foi
por não ter deixado o cão daquela senhora — ou senhor, agora era compli-
cado — sentar-se à mesa a comer o Bife na Pedra ou se simplesmente tinha
sido algum bêbedo. Esperto foi o Zé, que deixou de comer carne. Pergun-
taram-lhe o porquê de um gajo que vai à caça deixar de comer carne. O Zé
explicou que depois da nova taxa da carne mais valia adoptar outro estilo de
vida, que até aprendeu umas receitas novas.
Quem se safou com isso das taxas foi o Silva. Faz o contrabando de
refrigerantes e snacks para não sei quantas cidades. Estava a falar com um
amigo sobre quando em “puta” fui à Casa do Infante. Agora aquilo é o Mu-
seu do Genocídio Colonial e diz que na semana passada esteve lá o Sócrates
a falar de tortura com o Sec. de Estado da Igualdade Mamadou Bá.»
— De tortura? Tortura é isto tudo. Tortura é estes energúmenos anda-
rem a discutir se o IRC baixa ou sobe 1% enquanto a sociedade é virada de
pernas para o ar.

Obrigada Ricardo!

181
Maria Helena Costa

Ideologia? Ou filosofia?

Independentemente do que tentem impingir-nos, esta ideologia não


tem nada a ver com a verdadeira Filosofia. A Filosofia tenta ver a realidade
através de princípios últimos; tem princípios que são verificáveis e entende
que esses princípios são a melhor expressão da realidade.
Uma ideologia faz exatamente o oposto: concebe um ideal prático, e em
nome desse ideal prático futuro, recalcula toda a realidade, passa por cima de
todo e qualquer princípio que não concorde com a ideologia a implemen-
tar, adultera a realidade, força-a e destrói-a. O grande problema, que vemos
nos textos dos criadores e dos promotores da Ideologia de Género, é que a
perspetiva de género deve ser um pré-requisito metodológico normativo e
um fim político.

“O que é que isso quer dizer?” – Pergunta o leitor.

Quer dizer que não nos é dado o direito de discutir se as afirmações dos
ideólogos de género são verdadeiras, ou não, mas que temos que as aceitar
partindo da ideia de que aquilo é a realidade, que depois é transformada num
fim político. Isso é uma ideologia. E, não basta discordar dela em silêncio…
É preciso desmascarar essas ideias e mostrar que o seu fundo ideológico tem
como meta o poder absoluto.

Quer você acredite, quer não, há grupos muito poderosos que querem
criar um poder global com uma ética universal a ser imposta a toda a socie-
dade. Como essa ética não pode ser imposta, única e exclusivamente, através
da política, é preciso criar um ethos colectivo – um ambiente onde todos se
comportam da mesma maneira – por imposição dos senhores do mundo que
criam leis para punir quem não alinhar na sua ideologia. Só há um obstáculo

183
Identidade de Género

que os impede de levar a cabo os seus intentos. A família.

Como é que eles vão conseguir doutrinar uma criança — que


tem pai e mãe, um lar estável e feliz, onde é educada com valores
judaico-cristãos, e que conhece o Evangelho — que tudo o que lhe
foi ensinado é errado?

Que ter filhos não é desejável, e que o fim último do Ser huma-
no é matar-se a trabalhar para o bem da colectividade [leia-se dos
senhores do mundo]?

É por isso que o lobby precisa destruir a família e incutir nas crianças
que elas não são nada, mas que podem ser o que quiserem, a fim de as ma-
nipularem para que aceitem qualquer ideologia. Isso é um desastre para as
pessoas, mas é tudo o que os ditadores precisam para reinar. O direito à
educação resulta numa atribuição de responsabilidade ao Estado, que acaba
por deter amplos poderes de
acção nessa área. O facto dos pais trabalharem fora, obriga-os a entregar
os seus filhos a instituições que estão sujeitas ao Estado e que são obrigadas a
cumprir um programa de ensino. O Governo em funções, quer ver aprovado
um diploma que obriga os pais a colocarem os seus filhos na pré-escola a
partir dos três anos.

Então, perguntamos, quais são as possibilidades de ação dos


cristãos na proteção de crianças e adolescentes contra a ideologia
de género nas escolas, uma vez que esta é apresentada como uma
abordagem pluralista, tolerante e contra a discriminação?

Primeiro: -É urgente entender que a Ideologia de Género, não visa


combater a discriminação. Esse é o papel de embrulho, com um laço muito
bonito, no qual os seus patrocinadores a envolvem para “vender” melhor. Na
verdade, essa ideologia é uma teoria sobre a identidade do Ser humano e a
sua essência é desconstruir a identidade das pessoas, dizendo que não há
homens nem mulheres – que ninguém é alguém. É isso que a Ideologia de
Género nos quer enfiar pela goela abaixo.

184
Maria Helena Costa

Segundo: -Depois de perceber que a Ideologia de Género não tem como


objetivo final desconstruir preconceitos, mas sim destruir a identidade do
Ser humano para melhor o manipular, é preciso entender que nós podemos
influenciar a educação. A família é o lugar onde a educação deve ser dada
—quem educa é o pai, a mãe, os irmãos mais velhos, os avós – a família e não
o Estado. A escola deve ensinar Matemática, Português, Inglês, Espanhol,
Francês, Alemão, Ciências, e outras disciplinas necessárias para que os adul-
tos de amanhã exerçam as suas profissões.

Não foi à toa que Hegel, na Fenomenologia do Espírito, escreveu, que não
entende porque é que as pessoas gostam tanto da família, em vez de gostar
do Estado que, segundo ele, é o lugar onde a razão se manifesta exuberante
e perfeitamente. E também diz:

“No fundo, é porque no Estado o indivíduo é um número, mas na família o


indivíduo é alguém, é amado por si mesmo.”

Hegel considera o amor que o indivíduo tem da família um atraso, algo


bem primitivo.

Percebe a grande verdade que as palavras de Hegel contêm?

Se lermos nas entrelinhas, o que ele diz, é que a família educa porque
ama, porque me considera especial – um filho, um irmão – eu sou insubsti-
tuível. Na escola, não. Lá, sou apenas mais um número. Se eu morrer, fica a
faltar o número 13 e a chamada vai passar do 12 para o 14, mas no próximo
ano vai ter outro 13 no meu lugar.

Entende?

É fundamental entender isto porque a Educação, do ponto de vista hu-


mano e moral, é obrigação da família, e só a família pode influenciar a Escola.

Pais, o que têm feito para impedir que esta ideologia destrua os
vossos filhos?

185
Identidade de Género

Há países onde os pais estão a lutar contra a desconstrução dos seus fi-
lhos, contra leis que os tratam como folhas em branco nas quais os ideólogos
de género podem escrever o que muito bem entenderem. Vou terminar este
livro com uma notícia sobre isso.

186
«O que não respeita os seus pais não poderá esperar tratamento
distinto.
O que não honra os seus avós não é merecedor do seu legado.
O que não respeita a História secular e o povo do seu país jamais en-
contrará nele a sua Pátria.»

— Mário Cunha Reis


Identidade de Género

Saiba como usar a constituição contra


a ideologia de género [sexo]

Consultei uma amada amiga jurista, acerca de como a Constituição Por-


tuguesa pode ajudar os pais na luta para defenderem os seus filhos do cancro
da Ideologia de Género. Mesmo estando de férias com a família, ela gastou
algum tempo para nos ajudar [a mim e a si] com uma breve reflexão sobre
o assunto. De acordo com ela: «O tema é muito vasto e complexo. É neces-
sária uma análise mais profunda mas, do que li, explano a seguir a minha
convicção e breve análise sobre o assunto. Espero ter conseguido escrever
de forma clara e aguardo o teu feedback se houver alguma dúvida. Repeti
alguns aspectos para reforçar a necessidade de refletir sobre alguns pontos
essenciais. Outros contributos poderão enriquecer a análise.»

CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA PORTUGUESA

Artigo 13.º
(Princípio da igualdade)
1. Todos os cidadãos têm a mesma dignidade social e são iguais pe-
rante a lei.

2. Ninguém pode ser privilegiado, beneficiado, prejudicado, privado


de qualquer direito ou isento de qualquer dever em razão de ascendência,
sexo, raça, língua, território de origem, religião, convicções políticas ou
ideológicas, instrução, situação económica, condição social ou orienta-
ção sexual.

Nr. 2 - Este nr. 2 trata de proibição de discriminações.

188
Maria Helena Costa

— Quando se colocam no sistema de ensino obrigatório, ideologias e


valores que agradam a uns, para estes, é um privilégio e um claro benefício
ter o sistema de ensino a funcionar em seu favor para incutir as suas ideolo-
gias, AO MESMO TEMPO QUE OFENDEM PROFUNDAMENTE
OUTROS CIDADÃOS (que ainda por cima são acusados de homofóbi-
cos, sexistas, etc., onde está a igualdade?).
Neste ponto de análise, É ABSOLUTAMENTE PRIORITÁRIO
REFLECTIR no seguinte: AS PESSOAS EM CAUSA SÃO CIDA-
DÃOS INDEFESOS, QUE NÃO SABEM NEM TÊM CONDIÇÃO
DE REFLECTIR NEM DE REAGIR PERANTE OS ENSINOS
INCUTIDOS POR IMPOSIÇÃO, pois estamos a falar de crianças e ado-
lescentes — no caso dos 3 aos 12 anos. São os pais quem tem que defender
os seus direitos e que têm o poder legalmente conferido nos termos da lei,
de os proteger e representar.
— Os cidadãos que não se revêm nas ideologias que se pretendem in-
troduzir nas escolas e que ofendem os seus valores e consciência, estão a ser
obrigados a ouvir como sendo bons para a sociedade e benéfico para o seu
desenvolvimento, ensinos com ideologias que ofendem os seus valores cris-
tãos, éticos e morais. Isto afeta o desenvolvimento da criança e adolescente
que passa a sentir-se “perdido” e a questionar-se: «mas quem tem razão? Os
meus pais ou os professores?»

HÁ UM CONFLITO DE AUTORIDADE — alunos-professor (a)


— e UMA QUEBRA de CONFIANÇA POR PARTE DOS PAIS, FA-
CE À FIGURA DO PROFESSOR que sempre foi alguém a quem os pais
confiavam uma parte obrigatória da formação dos seus filhos, nos conteúdos
escolares.

Algumas consequências inevitáveis disto:


A repetição constante de uma ideologia por uns, tenderá a abafar e até a
aniquilar os valores da moral e da ética de quem a ela está sujeita.
Desencadear-se-á um certo temor reverencial perante os professores e
um complexo de inferioridade perante os colegas e os professores, causado
pelo sistema de educação.
Os pais ficarão diariamente apreensivos e preocupados com a exposição

189
Identidade de Género

a que os filhos estão a ser sujeitos: “o que é que o meu filho/a estará a ouvir
neste momento?”. Isto será um fator de stress emocional também para os
pais conscientes da seriedade do prejuízo em causa.
Continuando, e reforçando, o princípio da igualdade é violado porque:
Quando se pretende incutir a Ideologia de Género nas escolas, usando
os poderosos meios do Estado, professores... querendo incutir sistematica-
mente os seus valores e passando por cima da consciência dos cidadãos que
não se revêem neles, há um claro benefício de um lado da sociedade. Porque,
enquanto uns vêem os seus valores serem falados e amplamente difundidos
diariamente nas nossas escolas e meios de comunicação social, os restantes
vêem sua consciência refém, o que é proibido pela Lei da Liberdade Reli-
giosa (artigo 1º, e pela Constituição. São inclusive confrontados, ofendidos
e perseguidos quando são chamados de sexistas ou homofóbicos. A CRP
proíbe a perseguição, por não praticarem, nem querem ser concordantes,
com os seus atos. Uma Prova desse benefício “escondido”: quererem formar
a mente dos cidadãos desde a sua tenra infância.

Ora, quem defende os interesses destas crianças indefesas que


não tem condições para escolher?

— Só a intervenção dos pais.

Portanto, a intervenção do Estado em conteúdos escolares obrigatórios


que venham a formar uma mente na criança e no adolescente com valores
e ideologias, sejam elas quais forem, que ofendam a sua consciência e valo-
res, é uma violação dos direitos fundamentais dos cidadãos. E o que vemos
acontecer, é uma intervenção excessiva e abusiva da figura do Estado na
esfera privada dos cidadãos, incutindo valores sem qualquer possibilidade de
serem contraditados pelas crianças e adolescentes que a eles estão expostos
diariamente, longe da possibilidade de contraditório, pois os pais não estão
presentes nas salas de aula e as crianças, pela sua condição, nada podem
fazer. O que acontece é que longe da vista e actuação em tempo útil dos
pais, a consciência da criança e do adolescente vai sendo formada, não com
os valores da família, mas com os valores que um grupo poderoso nos seus
meios, impõe aos cidadãos.

190
Maria Helena Costa

O artigo 13º da CRP, proíbe esse tipo de actuação de favorecimento,


de benefício, para fazer passar uma ideologia que vai formar a mente dos
cidadãos em pouco tempo.
Falando de nós, cristãos: a disciplina de RME [Religião Moral Evan-
gélica] não é obrigatória. Os pais, as crianças e os adolescentes cristãos não
impõem as suas convicções e conduta cristã aos colegas, não os obrigam a
ouvir falar de Jesus não obrigam os professores e os colegas a ler a Bíblia.
Mas agora, pretendem que os nossos filhos sejam diariamente expostos e
aceitem como certas, essas ideologias e pior ainda:
Desde a idade mais inocente e mais favorável a assimilar essas ideolo-
gias, que é a primeira infância e adolescência. Isto é que não é inocente e
viola o artigo13º NR 2 da CRP e as outras normas legais.

Porque é que desde a primeira infância também não há o ensino


de outros valores válidos e sãos para a sociedade?

Desigualdade de tratamento. Isto, desde logo, e sem entrar em quaisquer


outras questões de mérito acerca do assunto em si.
E onde está o superior interesse da criança que a lei tanto apregoa, e que
as próprias Instituições dizem defender?

ARTIGO 12.º

Objecção de consciência
1 - A liberdade de consciência compreende o direito de objectar ao
cumprimento de leis que contrariem os ditames impreteríveis da própria
consciência, dentro dos limites dos direitos e deveres impostos pela Consti-
tuição e nos termos da lei que eventualmente regular o exercício da objecção
de consciência.

2 - Consideram-se impreteríveis aqueles ditames da consciência cuja


violação implica uma ofensa grave à integridade moral que torne inexigí-
vel outro comportamento.

CONSIDERO SEM QUALQUER DÚVIDA QUE ESTÁ EM

191
Identidade de Género

CAUSA UMA OFENSA GRAVE À INTEGRIDADE MORAL, tanto


dos pais como das crianças e dos adolescentes (que cresceram com valores
éticos e morais sãos, transmitidos pelos seus pais). Pelas razões já enuncia-
das ao longo desta reflexão e ainda pela exposição precoce das crianças e
adolescentes a assuntos de teor sexual, para os quais, pela sua condição de
crianças e adolescentes, não têm, nem a maturação psicológica, nem física,
para acompanhar estes assuntos com a necessária capacidade para os com-
preender, sem correrem o risco de esses assuntos lhes causarem perturbações
ao nível emocional e do equilíbrio no seu desenvolvimento.

Ainda mais uma reflexão acerca da Lei da Liberdade Religiosa:

ARTIGO 4.º

Princípio da não confessionalidade do Estado

1 - O Estado não adopta qualquer religião nem se pronuncia sobre


questões religiosas.
2 - Nos actos oficiais e no protocolo de Estado será respeitado o princí-
pio da não confessionalidade.
3 - O Estado não pode programar a educação e a cultura segundo
quaisquer directrizes religiosas.

Comentário: MAS...OLHANDO PARA OS PRINCÍPIOS DA LEI


DA LIBERDADE RELIGIOSA CONJUGADOS COM O ARTIGO
13º N2 DA CRP, O ESTADO TAMBÉM NÃO PODE IMPOR DE
FORMA TOMA TOTALITÁRIA, OS VALORES E CONSCIÊNCIA
MORAL DOS SEUS CIDADÃOS, COM POLÍTICAS DE EDU-
CAÇÃO QUE OFENDAM ESSES VALORES E CONSCIÊNCIA
MORAL sistematicamente. E, CONCLUO DA ANÁLISE desses artigos,
que É EXACTAMENTE ISSO QUE O ESTADO ESTÁ A FAZER.

O Estado DEFENDE A IGUALDADE MAS PRATICA A


DESIGUALDADE.

192
Maria Helena Costa

Quando começamos a ler a legislação e a observar com atenção o que


está a acontecer, verificamos que estas ideologias já vêm sendo trabalhadas
paulatinamente há cerca de duas décadas. (http://www.un.org/geninfo/bp/
women.html) Os seus valores foram sendo introduzidos na sociedade “silen-
ciosamente”. Usando os mais diversos instrumentos, o principal dos quais
a educação, usada como uma arma poderosíssima para moldar as mentes,
principalmente as das crianças, adolescentes e jovens.
Não estaremos perante uma morte anunciada da Democracia e o ressur-
gimento de um Novo Estado Totalitário?

Lei da Liberdade Religiosa - breve análise de alguns artigos:


Artigo 1 .º
Liberdade de consciência, de religião e de culto
A liberdade de consciência, de religião e de culto é inviolável e garantida
a todos em conformidade com a Constituição, a Declaração Universal dos
Direitos do Homem, o direito internacional aplicável e a presente lei.

Artigo 2.º
Princípio da igualdade
1 - Ninguém pode ser privilegiado, beneficiado, prejudicado, perseguido,
privado de qualquer direito ou isento de qualquer dever por causa das suas
convicções ou prática religiosa.
Artigo 11.º
Educação religiosa dos menores

1 - Os pais têm o direito de educação dos filhos em coerência com


as próprias convicções em matéria religiosa, no respeito da integridade
moral e física dos filhos e sem prejuízo da saúde destes.

2 - Os menores, a partir dos 16 anos de idade, têm o direito de realizar


por si as escolhas relativas a liberdade de consciência, de religião e de culto.

— Regra geral: Os filhos menores estão sob a tutela dos pais até à sua
maioridade (18 anos)

193
Identidade de Género

Exceções: -Aos 16 anos pode haver emancipação pelo seu casamento.


Aos 16 anos poderão pronunciar-se e escolher autonomamente acerca dos
valores religiosos. Aos 14 anos poderão pronunciar-se acerca do acordo das
responsabilidades parentais em caso de divórcio.

Portanto: antes dos 16 anos, os pais têm o direito de transmitir e ensinar


regularmente os seus filhos, como fazendo parte do seu desenvolvimento
intelectual e moral são; os valores religiosos, éticos e morais e de intervir no
percurso educativo dos seus filhos, de modo a aferir se valores contrários à
suas convicções e consciência, estão a ser ensinados aos seus filhos nas es-
colas. Uma vez que as crianças e os adolescentes são altamente permeáveis
e vulneráveis e consequentemente indefesos, podendo tais valores e conteú-
dos contrários afetar, não apenas o comportamento relacional normal e são,
próprio da sua faixa etária (desde a primeira infância), mas também, com os
seus pares ,com os adultos, como ainda a médio prazo, vir afetar a sua saúde
mental e física. Ver artigos 1º, 6º, 11º e 12º da Lei da Liberdade Religiosa e
conjugar com Artigo 13º NR 2 da CRP)

Num país que se pretende livre, as crianças e os adolescentes não


são propriedade do Estado e ninguém melhor que os progenitores
para poderem defendê-las das palavras ocas dos demagogos, por
mais eloquentes que se apresentem.

194
Anexos
Identidade de Género

Anexo 1
Plataforma pelas Liberdades
Petições aos grupos parlamentares

A Plataforma pelas Liberdades pede, aos grupos parlamentares no Con-


gresso dos Deputados, a rejeição da Proposta de Lei LGTBI do “Podemos”.
Consideram que viola os direitos fundamentais e as liberdades públicas,
e que longe de levar ao fim da discriminação, tenta impor uma ideologia sem
base científica de forma totalitária.

A Plataforma pelas Liberdades, que reúne mais de 100 instituições, en-


tregou um documento aos grupos parlamentares maioritários do Congresso
dos Deputados, com as razões que explicam a sua postura em relação à Pro-
posta de Lei do “Podemos”. Pedem-lhes que rejeitem 12 leis por violarem
direitos fundamentais e liberdades públicas. Denunciam ainda que a Pro-
posta de Lei, atenta contra o livre desenvolvimento da personalidade, da
liberdade ideológica, religiosa e de expressão, o direito à educação, o direito
à igualdade, a presunção de inocência, etc. […]

«Este texto [os 12 pontos que listamos abaixo] longe de acabar com
a discriminação (finalidade que obviamente compartilhamos), tenta impor
uma ideologia sem base científica à base de sanções, visando a doutrinação
do Estado, especialmente aos mais pequeninos;» denunciou Lourdes Men-
déz.

[…] Este texto coincide com as denúncias que a Plataforma vem reali-
zando em relação aos múltiplos textos que já foram aprovados em diferentes
Comunidades Autónomas, devido à violação dos direitos fundamentais e
das liberdades públicas.

196
Maria Helena Costa

«Nas Comunidades Autónomas, essas leis já estão a ser aplicadas onde


uma certa ideologia é fomentada, promovida e imposta, especialmente em
centros educacionais sem a autorização dos pais», denuncia Juan Antonio
Perteguer.

José Eugenio Azpiroz afirmou: «Agradecemos a todos os grupos pela


sua recepção [da Petição] e expressamente à UPN pela clareza do seu dis-
curso como única formação que expressou a sua posição contra a Proposta
de Lei, e ao grupo parlamentar popular pela emenda à totalidade apresen-
tada no texto. […]»

Lourdes Mendéz também disse: «Pedimos ao grupo parlamentar po-


pular que, em coerência com a emenda ao totalitarismo que apresentaram,
mudem essa posição política com as reformas legais necessárias a todas as
Comunidades Autónomas, especialmente onde governam, já que estão a
violar os mesmos direitos que eles razoavelmente denunciaram na totalida-
de da sua emenda.»

Finalmente, Francisco Martínez expressou a sua preocupação pelo fun-


do ideológico evidenciado por essas iniciativas.

Eis o documento que foi entregue aos Grupos Parlamentares:

Por vulnerabilizar direitos fundamentais e liberdades públicas (livre


desenrolar da personalidade, liberdade ideológica, religiosa e de expressão,
direito à educação, direito à igualdade, presunção de inocência, etc.) propõe-
-se a supressão/anulação dos 12 pontos que listamos a seguir:

1 . A proibição de terapias que pretendem reverter a orientação sexual


ou a identidade de género da pessoa «que vai contra a expressa vontade do
interessado ou dos seus representantes legais» (art.7.3d. Proposta de Lei)

2 . A documentação administrativa adequar-se-á à diversidade sexual


e de género manifestada (art.69 Proposta de Lei), e as pessoas terão direito a
ser tratadas conforme a mesma «com independência de ter obtido ou não o

197
Identidade de Género

seu reconhecimento legal» (art.77 Proposta de Lei), quebrando os princípios


de segurança jurídica e interdição da arbitrariedade dos poderes públicos
(art.9.3 CE), e sem ter em conta as circunstâncias próprias das pessoas, es-
pecialmente, os menores de idade, os deficientes cognitivos e os doentes (ex.
comorbidade ou morbidade associada).

3 . A «sensibilização adequada» na diversidade sexual e identidade de


género por parte da Administração Pública competente para todas as co-
munidades educativas de Espanha, sejam centros universitários ou não, de
titularidade privada ou pública (art.42 para alunos e pais; arts. 41.1 e 42
para docentes; art.40.3 todas as assinaturas e cursos; art.45 material didático;
art.46.5 e 46.6 comunidade educativa universitária: art. 56 in fine todos os
menores, da Proposta de Lei), em ter em conta a devida neutralidade ideo-
lógica do Estado, a proibição de doutrinamento nos centros de propriedade
pública, o carácter próprio e ideológico dos centros privados, a liberdade de
ensino dos professores, o direito dos pais a educar os seus filhos em confor-
midade com as suas convicções, etc.

4 . Todos os menores de idade, por si mesmos, «estão capacitados» pa-


ra determinar a sua identidade e expressão de género e a utilizar o nome
que escolherem (art.52 Proposta de Lei). Além disso, a partir da puberdade
(meninas de 8 anos e meninos de 9 anos), por si mesmos, «poderão dar con-
sentimento informado» para o bloqueio hormonal ou tratamento hormonal
cruzado. No caso de terem 16 anos, poderão consentir na cirurgia de mu-
dança de sexo (art.20.bis.2 Proposta de Lei), contra a incapacidade legal de
menores de 12 anos e do facto não provado cientificamente de que «98% dos
homens e 86% das mulheres que durante a sua infância confundem o seu
género, finalmente aceitam o seu sexo biológico após passar a puberdade».
[Wallien, M.S., & Cohen-Kettenis, P.T. (2008). Psychosexual outcome of
genderdysphoric children. J Am Acad Child Adolesc Psychiatry, 47, 1413-
23; Drummond, K.D., Bradley, S.J.-B., & Zucker, K.J. (2008). A follow-up
study of girls with gender identity disorder. Dev Psychol, 44, 34-45]

5 . Todos os poderes públicos do Estado adoptarão as medidas oportu-


nas de «apoio ao movimento associativo LGTBI» (art.6.6 Proposta de Lei),

198
Maria Helena Costa

transmitindo no âmbito das suas competências uma formação que garanta


uma «sensibilização adequada» dos funcionários públicos (art. 70 Proposta
de Lei), e comemorar apoiando a celebração de datas, actos e eventos de
pessoas LGTBI (ART. 6.7 Proposta de Lei).

6 . Em todo o caso, será obrigatória a «formação e sensibilização adequa-


das» dos profissionais que desenvolvam a sua tarefa na prevenção, detecção,
atenção, assistência e recuperação nos âmbitos laboral, de saúde, educação,
serviços sociais, justiça, forças de segurança, segurança privada, funcionários
das prisões, pessoal dos centros de menores, desportos, lazer e comunicação
(art.7.4.c Proposta de Lei).

7 . Todos os meios de comunicação «incluirão» nos seus códigos deon-


tológicos a diversidade de sexo e identidade de género de acordo com a
Proposta de Lei (art.66) e a Administração Pública velará para que incluam
na sua programação e para todas as idades a diversidade sexual, identidade e
expressão de género. (art.65.4 Proposta de Lei).

8 . Nos procedimentos administrativos «inverte-se a carga da prova»


(art. 74.1 e 74.4 Proposta de Lei), apesar da ausência absoluta de dados es-
tatísticos que motivem o carácter extraordinário da medida (como acontece
na violência contra as mulheres).

9 . As pessoas vítimas de violência por causa do seu género poderão «ace-


der aos direitos previstos para as mulheres» vítimas de violência de género
na Lei orgânica 1/2004 (art.28 Proposta de Lei), como consequência, os
homens vítimas de violência doméstica poderão aceder aos direitos previstos
para as mulheres vítimas de violência de género dependendo da sua orienta-
ção sexual, uma vez que só os homens não heterossexuais terão acesso.

10 . As pessoas transsexuais e transgénero «serão consideradas» em to-


da a legislação laboral como pessoas em risco de exclusão social (art.49.1
Proposta de Lei), em consequência, as pessoas não heterossexuais, pela sua
orientação sexual, sempre e em todos os casos serão pessoas em risco de
exclusão social (ainda que sejam milionárias), não são assim as pessoas he-

199
Identidade de Género

terossexuais.

11 . Diante de qualquer infracção, qualquer que seja a sua natureza,


«proceder-se-á ao confisco, destruição, eliminação ou desactivação de livros,
arquivos, documentos, artigos e qualquer tipo de apoio sujeito a infracções
administrativas contemplado na Lei ou por meio do qual foi cometido. Se
foi feito através de informação e comunicação, será acordado retirar o con-
teúdo, bloquear o acesso ou interromper a sua prestação (art. 96.4 Proposta
de Lei), pois viola os artigos 20.2 e 20.5 da Constituição Espanhola.

12 . Os cuidados de saúde «serão baseados numa visão despatologizan-


te». Os profissionais de saúde realizarão um acompanhamento da pessoa no
desenvolvimento da sua identidade sentida. Qualquer teste, exploração ou
teste psicológico ou psiquiátrico para determinar o status de transgénero ou
transsexual serão banidos, bem como qualquer prática médica que limite ou
possa coagir essa liberdade (art. 30.3 Proposta de Lei). Contudo, esta visão
ou interpretação legal dos cuidados de saúde é contrária ao que afirma: a)
o DSM-5 e o CIE-10; b) a guia da Worldd Professional Association for
Transgender Health (WPATH 2012), onde se afirma que é indispensável
diagnosticar clinicamente a disforia de género para poder solicitar uma te-
rapia de redesignação sexual; c) A Convenção do Conselho da Europa para
protecção dos direitos humanos e a dignidade do ser humano a respeito
das aplicações da biologia e da medicina de 4 de Abril de 1997, e c) a Lei
41/2002 reguladora da autonomia do paciente e dos seus direitos e obriga-
ções em matéria de informação e documentação clínica.

Finalmente, queremos destacar as três seguintes reflexões:

1 . Na espécie humana, a sexualidade é uma característica binária, bio-


lógica e objectiva que determina o desenvolvimento de um indivíduo da
mesma união de gametas. Os genes XY e XX são marcadores genéticos da
saúde, não marcadores genéticos de um transtorno e indicam duas realidades
sexuais ou sexos: o masculino e o feminino. Todo o ser humano nasce com o
seu sexo biológico e há uma predisposição inata para um ou outro compor-
tamento sexual independentemente do ambiente ou da educação recebida.

200
Maria Helena Costa

[[Gardner, D., Larman, M., & Thouas, G. (2010). Sex-related physiology of


the preimplantation embryo. Molecular Human Reproduction, 16 (8), 539-
47]. Os denominados estados intersexuais são fruto de anomalias genéticas
(síndromes de Klinefelter e Turner, síndrome de Morris, etc.), excepções à
regra geral que se depreende da natureza humana.

Nem a sexualidade, nem o sexo, nem o género são construções mera-


mente culturais. As disposições biológicas configuram fortemente «todos os
níveis» do ser humano predispondo-o a uma desenvolvimento masculino ou
feminino [Connellan, J., Baron-Cohen, S., Wheelwright, S., Batkia, A., &
Ahluwalia, J. (2000). Sex differences in human neonatal social perception.
Infant Behavior and Development, 23 (1), 113-8], o que difere da «orien-
tação sexual ou conduta sexual» (identidade de género sentida, expressão de
género, diversidade sexual) das pessoas.

Biológica e cientificamente, a identidade sexual «humana» não é diversi-


ficada, não há um género hermafrodita como acontece com algumas plantas
ou animais nem há um género neutro como na linguagem. Não há diversi-
dade sexual, pois a identidade sexuada «humana» é masculina ou feminina.

2 . A orientação ou conduta sexual (identidade de género sentida, ex-


pressão de género e diversidade sexual) «afecta» o âmbito das convicções, a
moralidade e a consciência individual do sujeito, sendo próprio das pessoas
maiores de idade com capacidade civil, diferentemente dos factos da sexua-
lidade humana objecto da ciência (como a biologia) que têm um carácter
neutro para convicções, moralidade e a consciência individual do sujeito, e
isso é próprio da natureza humana comum a todas as pessoas.

Não é lícita a intervenção sócio-legal consciente do estado de Direito


na promoção da substituição do conceito “sexo” pelo conceito “género”, nem
quando promove a confusão do conceito “género” com o conceito “orien-
tação sexual”, com a finalidade de impor uma ética-moral de Estado em
matéria afectivo-sexual em consonância com a ideologia de género, cuja
principal premissa é a de que a sexualidade do ser humano é neutra e defi-
nida pela sociedade, a cultura e o sentimento individual e interno do sujeito.

201
Identidade de Género

Para esta ética-moral ideológica (pseudocientífica) a natureza própria da


espécie humana é absolutamente inexistente e irrelevante.
3 . A formação e sensibilização «adequadas a uma única e concreta
concepção afectivo sexual da pessoa», alheia à sua natureza biológica cons-
titutiva e constituinte (genética), é proselitismo e doutrinamento ideológico
impróprio de um Estado social e democrático de Direito que defende como
valores superiores da sua ordem jurídica, entre outros, liberdade e pluralismo
(art. 1.1 CE).

http://www.plataformaporlaslibertades.org/pdf/noticias-
-2018-05-10-peticion-grupos-parlamentarios-rechazo-proposicion-lgtbi.
pdf

202
Maria Helena Costa

Anexo 2
O veto do presidente da república

Fui a primeira a saudar a decisão do Presidente da República, Dr. Mar-


celo Rebelo de Sousa, ao vetar a lei da mudança de sexo aos 16 naos. Mas
é preciso percebermos o que foi vetado e discordar dos argumentos que lhe
subjazem. Como se pode ler no site https://www.temcds.org/

«A Lei agora vetada é perigosa, porque introduz na fase da vida onde


a estabilidade e a segurança são fundamentais (a adolescência), espaço para
ambiguidades e dúvidas que são amplificadas com leis deste tipo e com a
propaganda a elas associadas, conduzida pelos partidos de esquerda e outros
arautos de uma pretensa modernidade.

É iníqua, porque não vem ajudar a resolver nenhum problema dos


transexuais, entidade clínica há muito seguida e tratada por especialistas
portugueses.

Por outro lado, é uma lei falsa, porque o que a Lei agora vetada prevê, é
que qualquer cidadão, com 16 ou mais anos, possa mudar, arbitrariamente,
de sexo e nome no Registo Civil. Não existe nenhuma mudança de género,
porque o género não consta no Cartão de Cidadão, sendo que existem deze-
nas de géneros. O Género é um constructo social e cultural e não biológico,
genético, associado à Ideologia do Género e ao feminismo radical.

Não se pode misturar e usar o drama e sofrimento dos transexuais, com


“direitos de autodeterminação do género”, ou seja, as pessoas quererem ter
comportamentos e parecerem ao longo do dia ou da semana, mais com um
registo masculino ou feminino ou neutro. Isto nada tem a ver com Registo
Civil, nome e muito menos, sexo.

203
Identidade de Género

A motivação para impor este tipo de legislação é puramente ideológico


e está diretamente ligado à Ideologia do Género e ao marxismo cultural.

O veto é contraditório, porque o Senhor Presidente da República, pede


avaliação clínica, mas ao mesmo tempo, afirma que: “A razão de ser dessa
solicitação não se prende com qualquer qualificação da situação em causa
como patologia ou situação mental anómala, que não é,…”

Ora, isto é absolutamente falso. Nos manuais de Psiquiatria, a Disforia


do Género é classificada como uma doença psiquiátrica, logo, se não é doen-
ça, para que serve afinal o relatório médico?

É que se não tem Disforia de Género, não pode mudar de sexo e nome!
Se tem, deve e terá de ser, avaliado e acompanhado por profissionais de saú-
de habilitados, pois estas condições clínicas podem reverter com o tempo e
acompanhamento.

O que é fundamental, é rejeitar liminarmente esta Lei má e avaliar a Lei


de 2011, em vigor. Aquilo que deve ser corrigido e que a prática já mostrou
que deve ser emendada.

Introduzir um relatório médico para os menores de 18 anos, deixan-


do subentender que, para maiores de 18 anos não é necessário, é um erro
grosseiro e que em bom português parece ser: “uma no cravo e outra na
ferradura”.

O Presidente da República tem de ser claro, informado, e tomar decisões


assentes naquilo que é melhor para as pessoas e a sociedade que queremos
construir.»

Documentos:
Nota de imprensa da TEM, 10 de Maio de 2018
Mensagem do Presidente da República à Assembleia República,
9 de Maio de 2018
Decreto n.º 203/XIII, 13 de Abril de 2018

204
Maria Helena Costa

Anexo 3
Portuguis?
A língua portuguesa transformada
em “novilíngua”

A língua portuguesa será agora amputada na sua riqueza vocabular e


linguística em nome de uma suposta igualdade de género.

Em 1949, o escritor inglês George Orwell (1903-1950), declarado so-


cialista democrático e entusiasta do partido trabalhista, que, então, governava
o Reino Unido, publicava a sua obra ficcional Mil Novecentos e Oitenta e
Quatro, vulgo 1984, na qual procurava “mostrar as perversões a que uma
economia centralizada está sujeita”. Leia-se comunismo e fascismo.

Descreve Oceânia: um Super Estado conduzido ferreamente por um


regime político totalitário, designado eufemisticamente por “socialismo in-
glês”, no qual a vigilância governamental é omnipresente, o revisionismo
histórico e a destruição de documentos que não confirmam a narrativa ofi-
cial é uma prática sistemática e indispensável à sobrevivência do regime. As
liberdades individuais são suprimidas, assim como a liberdade de expressão,
que são consideradas “crime de pensamento” e tenazmente perseguidos pela
“polícia do pensamento”.

Neste sistema totalitário, um dos mais importantes instrumentos de


manipulação, consistiu na criação da “novilíngua”. Um idioma fictício que,
através de alterações e simplificações linguísticas, pela remoção de certo sen-
tido das palavras, pela eliminação de uso de outras, ou pela conjunção de
palavras contraditórias, permite restringir a riqueza vocabular e, portanto,
reduzir a capacidade intelectual para pensar e comunicar.

205
Identidade de Género

A “novilíngua”, chegou aos nossos dias sob a forma de discurso “politi-


camente correcto”, tendo por base aparentemente virtuosas preocupações de
defesa e promoção da igualdade de direitos entre mulheres e homens, a que
vieram a chamar de “Igualdade de Género”.

A palavra “género”, que, na gramática da língua portuguesa, indica sim-


plesmente se uma palavra é feminina ou masculina, entrou na linguagem
política e na legislação nacional para designar a palavra “sexo”, isto é, sexo
biológico, substituindo-a. Poderá parecer que a palavra” género” ,terá passa-
do a ser utilizada por se tratar de uma palavra mais elegante, uma vez que
“sexo” ,pode remeter para a relação ou acto sexual, mas não!

Na verdade, a palavra “género”, foi introduzida no vocabulário político


internacional em 1995, aquando da IV Conferência Mundial sobre a Mu-
lher, organizada pela Organização das Nações Unidas (ONU), em Pequim,
por acção de intelectuais feministas marxistas e trotsquistas, que, como é
sabido, são liberais no que diz respeito à moral e liberdade sexuais, com o ob-
jectivo de desconstruir a família natural — constituída por homem e mulher,
que permite gerar a vida —, entendida por estes como a fonte de opressão na
sociedade e a pedra base do capitalismo.

A chamada “Ideologia de Género” tem vindo a impor-se de forma fur-


tiva nas vidas das sociedades ocidentais, através do sistema educativo, do
sistema de saúde, dos meios culturais e políticos, beneficiando de forte apoio
e divulgação através dos meios de comunicação social.

Mas o que tem isto a ver com a língua portuguesa? Vem isto a propósito
da publicação do Regime Jurídico da Avaliação de Impacto de Género de
Actos Normativos (Lei n.º 4/2018, de 9 de Fevereiro), projecto da iniciativa
do PS, que contou com a aprovação do BE, CDS-PP, PEV, PAN e com a
abstenção do PSD e do PCP, e que entrará em vigor já no próximo dia 1 de
Abril.

Esta lei prevê que no processo de produção legislativa, os projectos de


actos normativos — leis, decretos-lei, regulamentos, etc. — elaborados pela

206
Maria Helena Costa

Administração Central, Regional e Local, bem como projectos e propostas


de lei a submeter a discussão e votação na Assembleia da República, sejam
sujeitos a “avaliação prévia de impacto de género”.

Conforme se pode ler nos artigos 3.º e 4.º: o objectivo será a “diminui-
ção dos estereótipos de género que levam à manutenção de papéis sociais
tradicionais negativos” e “assegurar a utilização de linguagem não discrimi-
natória na redacção das normas, através da neutralização ou minimização da
especificação do género, através do emprego de formas inclusivas ou neutras,
designadamente através do recurso a genéricos verdadeiros ou à utilização
de pronomes invariáveis”.

Daqui se depreende, que o Estado se prepara-se para intervir de forma


mais incisiva, contra o que identifica como “papéis sociais tradicionais ne-
gativos”, com o mesmo critério que levou, em Agosto de 2017, a Comissão
para a Igualdade de Género, a “recomendar” a retirada do mercado de blocos
de actividades distintos, adaptados ao gosto estético comum de meninas e
meninos, dos quatro aos seis anos.

Daqui se depreende, que o Estado passará a limitar e regular o uso da lín-


gua portuguesa, dando ao que poderia, eventualmente, ser entendido como
mera preferência vocabular, um carácter compulsivo e porventura coercivo,
uma vez que dotado de força legal.

Assim, depois da mutilação da língua portuguesa, que resultou do Acor-


do Ortográfico de 1990, teremos agora sucessivas amputações, retirando aos
que escrevem e falam português, a possibilidade de se exprimirem livremen-
te, uma vez que a “polícia do pensamento” de George Orwell estará vigilante.

Exagero? Pois bem. Importa ter presente que estas medidas estão a ser im-
plementadas em vários outros países, nos quais o processo está mais avançado.

Em Novembro de 2015, o Governo Francês, publicou o Guia Prático


para uma Comunicação Pública Sem Estereótipo de Sexo, no qual propõe:
a eliminação da expressão “mademoiselle”, que significa jovem senhora; a

207
Identidade de Género

ordenação por ordem alfabética de termos masculinos ou femininos idênti-


cos, como seja, “senhoras e senhores”, “igualdade homem-mulher” e “senador
e senadora”; e sugere a substituição no nome da “Declaração Universal dos
Direitos do Homem e do Cidadão” de 1789, por “Declaração Universal dos
Direitos Humanos e dos Cidadãos e das Cidadãs”.

Em 2016, a Associação Médica Britânica (BMA) publicou, o Guia para


a Comunicação Eficaz: Linguagem Inclusiva no Local de Trabalho, onde
tem recomendações como a substituição da expressão “mulher grávida”, por
“pessoa grávida”, para não ferir a susceptibilidade de “homens transgénero”.

Em Julho de 2017, o Metro de Londres anunciou a alteração das men-


sagens de boas vindas endereçadas às damas e cavalheiros (“Ladies and
Gentlemen”) por, “Olá a todos”, para serem mais inclusivas. Neste mês de
Fevereiro de 2018, no Canadá, foi aprovada a alteração da versão inglesa do
hino nacional, pasme-se (!), em nome da Igualdade de Género.

Assim, depois de ter sido mutilada por acção arbitrária do Acordo Or-
tográfico de 1990, a língua portuguesa será agora amputada na sua riqueza
vocabular e linguística, em nome de uma suposta Igualdade de Género, pas-
sando a ser um português mais neutro. “Portuguis”?

— Mário Cunha Reis


Engenheiro e gestor; membro da TEM/CDS – Tendência Esperança em
Movimento

208
Maria Helena Costa

Anexo 4
Rodrigo transformou-se em Tiffany
o ícone transexual que agita o voleibol

Antigo jogador do Esmoriz, mudou de sexo e passou a competir na liga


feminina, mas a sua alegada vantagem física causa polémica.

Rodrigo Pereira de Abreu, atacante/oposto que passou pela equipa


masculina do Esmoriz em 2008-09, transformou-se em Tiffany, a jogadora
transexual que está a agitar a liga italiana de voleibol feminino. Após ter
concluído no ano passado o processo de mudança de sexo, a atleta estreou-se
no Domingo, pelo Golem Palmi, da Série A2 (segunda divisão) transalpina.
Mas há quem questione a sua legitimidade para competir entre as mulheres.

O caso não é inédito — a pioneira foi, em 2016, Alessia Ameri, nascida


Alessio mas com a síndrome de Morris, que limita ou inibe o desenvolvi-
mento de características masculinas. No entanto, é emblemático: são raros
os casos de atletas ou ex--desportistas que mudaram de sexo, como fizeram
Caitlyn/Bruce Jenner (ouro olímpico de decatlo em 1976), Andreas/Hei-
di Krieger (campeã europeia de lançamento do peso em 1986) e Philippa
York/Robert Millar (figura de topo do ciclismo nos anos 80). E são ainda
mais incomuns, os episódios de transexuais que competem pelo novo gé-
nero, após a mudança de sexo — fê-lo a tenista Renée Richards (nascida
Richard Raskin) nos anos 70 do século passado.

Rodrigo/Tiffany, brasileira de 32 anos, sempre jogou em campeonatos


masculinos — com passagem, além da Liga portuguesa; por Indonésia, Es-
panha, França, Holanda e Bélgica. Até que, após ter completado a mudança
de sexo, quando representava o JTV Dero Zele-Berlare (da segunda liga

209
Identidade de Género

belga), recebeu permissão da Federação Internacional de Voleibol (FIVB),


para competir em provas femininas. A estreia pelo Golem Palmi foi no Do-
mingo, contra o Delta Informatica Trentino.

Tiffany Pereira de Abreu, teve impacto imediato. Entrou em campo


após a equipa ter perdido o primeiro set e, com 28 pontos, comandou a revi-
ravolta (3-1), sendo eleita a MVP da partida. -”Fui muito bem recebida no
grupo. As meninas têm--me tratado como uma irmã. O nível aqui em Itália
é muito alto e eu tenho de treinar duro para estar à altura. Os treinadores são
muito bem preparados: têm uma cultura de trabalho duro e transmitem-nos
a vontade de corresponder”- sublinhou a jogadora.

No entanto, uma estreia tão estrondosa, veio alimentar a polémica sobre


a vantagem que uma atleta transexual como Tiffany - que mede 1,98 metros,
pode, ou não, ter numa competição feminina (onde a rede está a 2,24 metros
de altura, menos 19 centímetros do que nas provas masculinas). -”Tivemos
dois jogos diferentes: um até ela entrar, outro depois. A nível pessoal, ela
tem todo o meu respeito por tudo o que passou. Mas, a nível desportivo, os
seus parâmetros físicos não são os mesmos de uma mulher. No ano passado
tive a sorte de competir na A1 [o primeiro escalão transalpino] e nem lá se
veem muitas jogadoras que consigam jogar à sua altura e com um ataque tão
forte”- apontou a capitã do Trentino, Sílvia Fondriest.

-”Ninguém fez algo de irregular, isso é claro. Mas esta situação devia
ser regulamentada, para resolver casos futuros”- frisou também o técnico da
equipa derrotada, Ivan Iosi. E o presidente da Liga feminina, Mauro Fabris,
prometeu tomar medidas. -”Com o máximo respeito pela pessoa em causa,
já questionei formalmente o CONI [Comité Olímpico Nacional Italiano] e
a federação sobre este assunto. Temos de saber o que fazer se estes casos se
multiplicarem”- explicou.

O treinador do Palmi, Pasqualino Giangrossi, saiu em defesa da sua


atleta: -”Quando nos ofereceram a jogadora não nos falaram do seu passado
como homem. Escolhi-a pelas suas qualidades e aceitei-a como mulher. Para
mim é apenas uma pessoa que joga bem voleibol.”- E garantiu que Tiffany

210
Maria Helena Costa

não parte em vantagem em relação às adversárias. -”Com a transformação


perdeu 60% da sua força, antes saltava até 3,60 metros, agora apenas 3,15”-
esclareceu.

No entanto, a polémica promete continuar. -”Espero que as reclamações


[dos adversários] deem em nada. As regras dizem que ela legalmente é uma
mulher e é elegível. Uma mudança de sexo não é um passeio. A Tiffany con-
tou-me o quanto sofreu. Quem a ataca é um hipócrita”- concluiu o treinador
do Golem Palmi.

211
Identidade de Género

Anexo 5
Carta aberta ao Comitê
Olímpico Internacional

Ana Paula Henkel


16 Janeiro 2018 | 18h35

Esta é uma carta aberta aos dirigentes do Comitê Olímpico Interna-


cional (COI) e estendida aos dirigentes do Comitê Olímpico Brasileiro
(COB), da Federação Internacional de Vôlei (FIVB) e da Confederação
Brasileira de Vôlei (CBV), em defesa das modalidades femininas dos espor-
tes profissionais.

Prezados,

Antes de tudo, quero agradecer ao COB e à CBV pela oportunidade de re-


presentar meu país em quatro Olimpíadas e inúmeros mundiais no vôlei de
quadra e de praia. Foram anos de enorme sacrifício e prazer testemunhando
diariamente os valorosos ideais do Barão de Coubertin, ideais que morarão
para sempre em minha alma.

Poder representar meu país entre os melhores do mundo é a maior honra que
qualquer atleta pode sonhar na carreira. Entre os títulos alcançados, certa-
mente a confiança depositada em mim, de que eu representaria com respeito
e dignidade o esporte brasileiro durante 24 anos da minha vida, está entre
as mais importantes conquistas da minha carreira.

É com respeito mas com grande preocupação que escrevo às entidades


responsáveis pelo esporte sobre a ameaça de total desvirtuação das

212
Maria Helena Costa

competições femininas que ocorre atualmente com a aceitação de atletas


que nasceram homens, que desenvolveram musculatura, ossos, capacidade
pulmonar e cardíaca como homens, em modalidades criadas e formatadas
especificamente para mulheres. Se alguém tem que ir à público e pagar um
preço em nome da verdade, do bom senso e dos fatos, estou disposta a arcar
com as consequências. O espaço conquistado de maneira íntegra por mulheres
no esporte está em jogo.

Tenho orgulho de ser herdeira dos valores que construíram a civilização oci-
dental, a mais livre, próspera, tolerante e plural da história da humanidade.
Este legado sócio-cultural único permitiu que nós mulheres pudéssemos con-
quistar nosso espaço na sociedade, no mercado e nos esportes. Na celebração
das diferenças é que nos tornamos ainda mais unidos, homens e mulheres,
dentro e fora das quadras. E é apenas com esse legado que podemos olhar
para cada indivíduo como um ser único e especial.

Num tempo em que a militância política condensa e resume o pensamento às


pautas ideológicas para negar a realidade, não é difícil identificar a arma-
dilha em que as entidades esportivas caíram e que podem levar junto todo o
esporte feminino. Sabemos da força do esporte para elevar o espírito humano
acima das guerras e conflitos, especialmente a cada quatro anos, quando du-
rante três semanas mágicas testemunhamos o que há de melhor e mais nobre
em todos nós. É esse legado que precisamos defender.

A verdade mais óbvia e respeitada por todos os envolvidos no esporte é a


diferença biológica entre homens e mulheres. Se não houvesse, por que es-
tabelecer categorias separadas entre os sexos? Por que colocar a rede de vôlei
masculina a 2,43m de altura e a feminina com 2,24m? Basta uma análi-
se superficial com um mínimo de bom senso no porte físico de jogadores de
basquete masculino e feminino para entender que não são intercambiáveis.

A nadadora americana Allison Schmitt estabeleceu o recorde mundial dos


200 metros (livre) em 1:53.61, um feito admirável, mas quando comparado
aos 1:42.96 de Michael Phelps na mesma prova só evidencia a óbvia dife-
rença física entre homens e mulheres. Seleções de futebol feminino costumam

213
Identidade de Género

treinar (e perder) de times masculinos sub-17. Os exemplos são infinitos de


como não faz sentido misturar homens e mulheres em modalidades onde a
força física faz diferença no resultado final.

É justo simplesmente fingir que estas inegáveis diferenças biológicas não


existem em nome de uma agenda político-ideológica que servirá para cercear
um espaço tão duramente conquistado pelas mulheres ao longo de séculos?
Como aceitar homens “biológicos” em competições como lutas, batendo
impiedosamente em mulheres e ainda ganhando dinheiro, fama e medalhas
por isso? Será que todos enlouquecemos ao permitir tamanho descalabro?

Médicos já começam a se pronunciar sobre a evidente vantagem de atle-


tas transexuais no esporte feminino e contestam a recomendação feita pelo
COI de permitir atletas trans de competirem entre mulheres com apenas um
ano com o nível de testosterona baixo. Inúmeros fisiologistas já atestaram
que esse parâmetro estabelecido pelo COI não reverte os efeitos do hormônio
masculino na já finalizada construção de ossos, tecidos, órgãos e músculos ao
longo de décadas. Treinadores de voleibol no Brasil e na Itália já relatam
que agentes esportivos estão oferecendo atletas trans que já podem competir
no vôlei feminino, homens biológicos que ocuparão o lugar de mulheres nos
times. Até quando vamos assistir calados a tudo isso? Eu me recuso.

Esportistas em geral e jogadoras de vôlei em particular estão sendo patru-


lhadas e cerceadas da sua liberdade de expressão. Muitas não expressam sua
indignação pela total falta de proteção das entidades esportivas, coniventes
com esse disparate. “É uma diferença muito grande e nos sentimos impo-
tentes”, relata Juliana Fillipeli, atleta do time de vôlei do Pinheiros, depois
de assistir Tiffany Abreu, ex-Rodrigo, vencer seu time e ser, mais uma vez,
recordista em pontos na partida. Tiffany, que jogou na Superliga Masculina
no Brasil como Rodrigo, é hoje a maior pontuadora da Superliga Feminina
em apenas poucos jogos, deixando para trás a campeã olímpica Tandara,
uma das melhores atacantes do Brasil e do mundo.

Durante 24 anos dedicados ao voleibol, fui submetida ao mais rigoroso


controle antidoping por todas as entidades esportivas, incluindo a Agência

214
Maria Helena Costa

Mundial Antidoping (WADA). Fui testada dentro e fora das competições


para provar que meu corpo não estava sendo construído em nenhum momento
da minha vida com testosterona. De todos os testes, um dos mais importantes
para mulheres é o que mede exatamente o nível do hormônio masculino, proi-
bido de ser usado ou mesmo de ser naturalmente produzido em qualquer fase
da vida de uma atleta mulher, além do permitido.

Em resumo, desde a adolescência preciso provar, cientificamente, que sou


mulher para competir e depois manter minhas conquistas, títulos e meda-
lhas. Quantas mulheres não perderam títulos ou foram banidas do esporte
especificamente por conta deste hormônio que sobra num corpo masculino
normal? Havia uma relação de confiança mútua entre atletas, entidades e
confederações para garantir o esporte limpo, justo e honesto, sem atalhos ou
trapaças. Esta relação está a um passo de ser quebrada.

O material colhido de anos atrás para testes antidoping de todos os atletas,


como eu, continua guardado até hoje e pode ser novamente acessado e tes-
tado. Uma nova medição que constate níveis incompatíveis de testosterona
num corpo feminino pode retirar títulos retroativamente, conquistas de anos
ou décadas anteriores. Este nível de rigor foi totalmente abandonado para
acomodar transexuais que até pouco tempo eram homens, alguns deles tendo
competido profissionalmente como homens. O que uma amostra de anos atrás
de atletas transexuais femininas acusaria? É simplesmente inaceitável.

O combate ao preconceito contra transexuais e homossexuais é uma discussão


justa e pertinente. A inclusão de pessoas transexuais na sociedade deve ser
respeitada, mas essa apressada e irrefletida decisão de incluir biologicamente
homens, nascidos e construídos com testosterona, com altura, força e capaci-
dade aeróbica de homens, sai da esfera da tolerância e constrange, humilha
e exclui mulheres.

Assistimos atualmente entidades esportivas fechando os olhos para a biologia


humana na tentativa de ludibriar a ciência em nome de agendas políti-
co-ideológicas. Assistimos atualmente um grande deboche às mulheres e a
cumplicidade dos responsáveis pelo esporte no mundo com a forma suprema

215
Identidade de Género

de misoginia. Uma declaração de boas intenções das entidades encarregadas


de proteger o esporte escrupuloso e correto não é suficiente para justificar ta-
manho absurdo.

O esporte sempre foi um grande e respeitado veículo de conquistas femininas,


uma arma que sempre evidenciou o mérito das mulheres àqueles que tenta-
ram impor limites aos sonhos de todas que lutaram e lutam para mostrar
nosso verdadeiro valor, talento, capacidade de superação e mérito. Numa
semana que celebramos Martin Luther King Jr., deixo aos dirigentes do es-
porte mundial uma de suas célebres frases: “nossas vidas começam a terminar
no dia que nos silenciamos para as coisas que são realmente importantes.”.

216
«A ideologia de género, um dos braços armados do processo de descons-
trução social em marcha na Europa, não pensou por um momento no
interesse, no bem-estar, no futuro destes jovens. Usa-os, instrumenta-
liza-os, expõe a sua identidade e as suas fragilidades sem escrúpulos,
nem remorso. Tudo em nome da tal agenda, do homem novo, sem pá-
tria, sem laços, sem compromissos, sem valores, sem sexo, sem família,
em suma, despido de Humanidade.»

— Mário Cunha Reis


Identidade de Género

«Anda tudo a fazer pouco Da gente»

Há alguns anos, a Ivone Silva e o Camilo d’Oliveira, parodiavam o estado


da nação com uma canção” brega”, mas que serve como uma luva no momento
que vivemos:

«Este país perdeu o tino


A armar ao fino!
A armar ao fino!

Este país é um colosso


Está tudo grosso!
Está tudo grosso!

Anda tudo a fazer pouco


Da gente
Anda tudo a fazer pouco
Da gente»

Duvida? Então, pense:

Enquanto os hospitais rebentam pelas costuras e mandam pessoas, de


80 anos, para casa com duas fracturas da bacia, horas depois de terem sido
atropeladas, porque não há vagas e as listas de espera para quem precisa de
cirurgia, estão nos 2 anos de espera; o Estado só pensa em incentivar cirurgias
de mudança de sexo, pagas com o dinheiro dos nossos impostos e para isso
não há lista de espera e não faltam vagas.
Em apenas três anos, entre 2014 e 2016, foram feitos 50 mil abortos que
custaram 12 milhões de euros ao Estado. Mas, há poucos dias, numa farmácia,
assisti a uma cena de partir o coração. Um casal de idosos, que não tem como

218
Maria Helena Costa

pagar a medicação toda, e a senhora, vestida de forma muito modesta, dizia


ao marido: -”Não faz mal, este mês tomas tu, para o próximo mês tomo eu”.
Um adolescente de 16 anos não pode comprar tabaco nem bebidas al-
coólicas, não pode conduzir nem votar — porque não tem maturidade para o
fazer — mas pode tomar a decisão irreversível de mudar de sexo.
Os ideólogos de género afirmam que, ninguém nasce homem nem mu-
lher e que isso — ser homem ou mulher — são meros papéis que a sociedade
lhes atribuiu. Então, se são papéis atribuídos pela sociedade, há milhares de
anos, que resultaram na multiplicação da espécie; para quê novos papéis, im-
postos pelo Estado, que ameaçam a multiplicação da espécie?
Para quê retransformar homens em mulheres e mulheres em homens, se a
sociedade já o fez, de acordo com a Biologia, a ciência e o sexo com que cada
um nasce, há milénios, e tem resultado?
Não faltam verbas para manuais que visam desconstruir a personalidade e
o sexo dos nossos filhos, mas falta dinheiro para fazer obras no IPO.
Criam-se comissões para impor a Ideologia de Género nas escolas, mas
não há verba para contratar funcionários e fazer obras nessas mesmas escolas.
O PCP, um partido anti-capitalista, paga 73 000 euros à Associação”
Capazes” (cuja fundadora é só, a filha do Presidente da Assembleia da Repú-
blica), para ministrar palestras sobre a Ideologia de Género, mas todos sabem
as dificuldades em que vivem as pessoas que residem nas zonas do país, que
ainda são dominadas pelo partido.

É impossível olhar para esta loucura e não ver um Titanic a afundar-se.


Só que, os HOMENS que colocaram as mulheres e as crianças nos botes
salva-vidas e morreram no mar gelado para que elas se salvassem, serão uma
miragem, uma espécie em vias de extinção, um alvo a abater… Não consigo
parar de pensar:

Como seria hoje? Num tempo em que homens se dizem mulheres


e mulheres se dizem homens? Em que as feministas sonham destruir
os homens?

— Talvez uma luta sem tréguas, uma grande confusão na qual as pessoas
se matariam umas às outras para tentarem entrar nos botes, e ninguém se
salvaria.

219
«São os loucos de Lisboa
Que nos fazem duvidar
Que a Terra gira ao contrário
E os rios nascem no mar»

— Ala dos Namorados


Maria Helena Costa

5 razões
para não aceitarmos a ideologia de género,
na perspectiva da razão

HISTÓRICA. Não há precedentes civilizacionais ,que demonstrem a


sustentabilidade histórica de uma sociedade sexualmente plural.

LÓGICA. Pela via dos factos, já que uma cultura heterossexual é fun-
damental e imprescindível à perpetuação da espécie humana.

MORAL. Porque se constitui, quer no contexto da ética clássica, quer


nos mais antigos códigos de lei, uma premissa de valor essencial à estrutura
social e familiar. Os valores referentes à cultura heterossexual não podem ser
alterados sem se considerar a imersão num caminho distintamente novo.
Uma realidade perigosa e sem precedentes.

BIOLÓGICA. Pela bipolaridade sexual manifesta na estrutura corpo-


ral, física, emocional, psicológica. E na genética humana, considerando-se os
diferentes pares de cromossomas — XY e XX — que definem a natureza se-
xual de homens e mulheres. Homem, nasce homem e mulher nasce mulher.

CIENTÍFICA. Porque se depreende da Ciência, a responsabilidade


de uma análise sistemática e referencial. A Ideologia de Género, desenvol-
vida no subjectivo campo das ciências humanas, não pode assumir-se como
conhecimento científico, curricularmente proposto, sem ter sido criticamente
analisado. As prerrogativas de análise, marcadas nas grandes áreas do conhe-
cimento humano — teológico, filosófico, empírico e científico — não devem
ser desconsideradas. Do mesmo modo, é imprescindível considerar os seus
aspectos: simbólico, ético e sobretudo axiológico.

221
Identidade de Género

É facto que as subjectividades propostas pela Ideologia de Género vão


muito além do contexto privado pois propõe: uma mudança social e para-
digmática, intelectual, social, sexual, familiar, civil, educacional.

A aceitação da Ideologia de Género abre espaço, directa e indirectamen-


te, para as teorias e ideologias que a sustentam, entre elas, e para além do
Marxismo e pós estruturalismo, a teoria e a pedagogia Queer — uma pers-
pectiva identitária desconstrutivista que propõe desconstruir toda e qualquer
ideia de identidade — sexual, familiar, institucional e outras.

222
«Sejamos claros: doutrinar as crianças a partir da pré-escola, com a
mentira de que elas podem estar no corpo errado, destrói os funda-
mentos de um teste da realidade de uma criança. Se uma criança não
pode confiar na realidade do seu corpo físico, no que é que ela poderá
confiar?
Ideologia transgénero nas escolas é abuso psicológico e frequentemente
resulta em castração química, esterilização e mutilação cirúrgica.
Se isto não é abuso infantil, senhoras e senhores, então o que é?»

— Dra. Michelle Cretella, presidente do American College of Pediatricians.


Identidade de Género

Amado Leitor:

SE NÃO NOS LEVANTARMOS CONTRA ESTA LOUCURA:


Um dia contaremos aos nossos netos que houve um tempo em que
existiam homens e mulheres; um tempo em que homens se casavam com
mulheres e tinham filhos; um tempo em que os homens não tinham sido
mulheres e as mulheres não tinham sido homens; um tempo em que só
as mulheres engravidavam e davam à luz; um tempo em que os homens
trabalhavam para sustentar as suas famílias; um tempo em que os homens
morriam para as mulheres e as crianças viverem; um tempo em que cada um
nascia “homem” ou “mulher” e não “algo”; um tempo em que as doenças eram
tratadas como doenças e as cirurgias plásticas como cirurgias plásticas; um
tempo em que a biologia, não a loucura, determinavam o sexo de alguém;
um tempo em que a família tinha um cuidador e não dois destruidores;
um tempo em que havia casamentos, famílias, pais e mães que cuidavam e
educavam os seus filhos... Um tempo que foi destruído por uma ideologia,
mortífera e nefasta, que colocou na cadeia, quem cria que esses eram tempos
bons, naturais e normais.

É impossível olhar para tudo isto e não ver o prelúdio de uma nova So-
doma, o prelúdio do fim de uma sociedade.

Eu sei que muitos não querem saber de Deus e rejeitam os factos só


porque são cristãos a denunciá-los, mas a Bíblia, o Livro mais amado e mais
odiado do mundo, escrito há cerca de 2000 anos, já alertava:

«Porque do céu se manifesta a ira de Deus, sobre toda a impiedade e injustiça


dos homens, que detêm a verdade em injustiça.
Porquanto, o que de Deus se pode conhecer neles, se manifesta, porque Deus

224
Maria Helena Costa

lho manifestou.
Porque as suas coisas invisíveis, desde a criação do mundo, tanto o seu eterno
poder, como a sua divindade, se entendem, e claramente se vêem, pelas coisas
que estão criadas, para que eles fiquem inexcusáveis; Porquanto, tendo co-
nhecido a Deus, não o glorificaram como Deus, nem lhe deram graças, antes
em seus discursos se desvaneceram, e o seu coração insensato se obscureceu,
Dizendo-se sábios, tornaram-se loucos,
E mudaram a glória, do Deus incorruptível, em semelhança da imagem de
homem corruptível, e de aves, e de quadrúpedes, e de répteis.
Pelo que, também, Deus os entregou às concupiscências de seus corações, à
imundícia, para desonrarem seus corpos entre si;
Pois mudaram a verdade de Deus em mentira, e honraram e serviram,
mais, a criatura do que o Criador, que é bendito eternamente. Amém.
Pelo que Deus os abandonou às paixões infames, porque até as suas mulheres
mudaram o uso natural, no contrário à natureza;
E, semelhantemente, também osvarões, deixando o uso natural da mulher, se
inflamaram em sua sensualidade uns para com os outros, varão com varão,
cometendo torpeza, e recebendo em si mesmos a recompensa que convinha ao
seu erro.
E, como eles não se importaram de ter conhecimento de Deus, assim Deus
os entregou a um sentimento perverso, para fazerem coisas que não con-
vêm; estando cheios de toda a iniquidade, prostituição, malícia, avareza,
maldade; cheios de inveja, homicídio, contenda, engano, malignidade; sendo
murmuradores, detractores, aborrecedores de Deus, injuriadores, soberbos,
presunçosos, inventores de males, desobedientes aos pais e às mães; néscios,
infiéis nos contratos, sem afeição natural, irreconciliáveis, sem misericórdia;
os quais, conhecendo a justiça de Deus (que são dignos de morte os que tais
coisas praticam), não somente as fazem, mas também consentem aos que as
fazem.»

— Romanos 1:18-32

225
Fim
Referências Bibliográficas

O que é a Ideologia de Género?

[1] Garlipp, P; Godecke-Koch T, Dietrich DE, Haltenhof H. (2004).


«Lycanthropy--psychopathological and psychodynamical aspects». Acta Psy-
chiatr Scand. 109 (1): 19-22
[2] https://ionline.sapo.pt/616272, cons. 20-06-2018, ás 23:50.

Teoria Queer — Desconstrução social/sexual

[1] Lizardo de Assis, Cleber Queer theory and the CFP n. 1/99 re-
solution: a discussion about heteronormativity versus homonormativity
– http://www.cchla.ufrn.br/bagoas/v05n06art06_assis.pdf
[2] CECCARELLI, Paulo. A invenção da homossexualidade. Bagoas:
estudos gays, gêneros e sexualidades, Natal, n. 2, p. 71-93, 2008.
CECCARELLI, Paulo. Sexualidade e preconceito. Revista Latino ameri-
cana de Psicopatologia Fundamental, São Paulo, v. 3, n. 3, p. 18-37, set.
2000
[3] Lizardo de Assis, Cleber Queer theory and the CFP n. 1/99 re-
solution: a discussion about heteronormativity versus homonormativity
– http://www.cchla.ufrn.br/bagoas/v05n06art06_assis.pdf
[4] SOUSA FILHO, Alípio. Por uma teoria construcionista crítica.
Bagoas: estudos gays, gêneros e sexualidades, Natal, v. 1, n. 1, jul./dez.
2007. Disponível em: <http://www.cchla.ufrn.br/bagoas/v01n01art02_
sfilho.pdf>.

229
Mas… Se duas pessoas se amam… Por que não?

[1] https://maringapost.com.br/ahduvido/ja-sabem-da-biblia-
-colorida-lancada-para-a-comunidade-gay/
[2] https://www.direitoafe.com/graca-sobre-graca/

A Ideologia de Género e a experiência fracassada


do caso Reimer

[1] Psicanálise em debate: O caso de David Reimer e a questão da


identidade de gênero, por Sérgio Telles. Psychiatry on line Brasil - Part of
The International Journal of Psychiatry - Junho de 2004 - Vol.9 - Nº 6 -
Consultado em 31/03/2014 - http://www.polbr.med.br/ano04/psi0604.
php
[2] Ideologia de gênero: A Ideologia contra Biologia, por José Ramón
Ayllón - - Consultado em 31/03/2014 - http://www.portaldafamilia.org/
artigos/artigo916.shtml
[3] David Reimer - Wikipédia, a enciclopédia livre - Consultado em
31/03/2014. http://pt.wikipedia.org/wiki/David_Reimer
[4] Vídeo do documentário Dr. Money And The Boy With No Penis
- Consultado em 31/03/2014. http://documentarystorm.com/dr-money-
-and-the-boy-with-no-penis/
[5] Documentário mostra gêmeo criado como menina após perder pê-
nis - 24/11/2010 - - Consultado em 31/03/2014. http://g1.globo.com/
ciencia-e-saude/noticia/2010/11/documentario-conta-drama-de-gemeo-
-criado-como-menina-apos-perder-penis.html
[6] Find A Grave: David Reimer - Consultado em 31/03/2014. ht-
tp://www.findagrave.com/cgi-bin/fg.cgi?page=gr&GRid=20309661
[7] http://www.portaldafamilia.org/artigos/ideologia-de-genero-ca-
so-reimer.shtml

230
O que se passa pelo mundo?

[1] Os sete episódios do documentário, legendados em português, estão


disponíveis no YouTube neste link.
https://www.youtube.com/playlist?list=PLgMCMsUi8TgyqPT6EL-
4bXn5TcGUuCVZiU
[2] www.semprefamilia.com.br
[3] National Geographic
[4] https://www.jn.pt/mundo/interior/video-de-crianca-a-tocar-
-em-artista-nu-acende-polemica-8810096.html

“Quando O Mundo Enlouqueceu”

[1] https://www.youtube.com/watch?v=NT4Be2y7x98

E por cá? O que se está a passar?

[1] Voddie Baucham


[2] Especialista em Psicologia Clínica, vice-presidente da Concelhia do
CDS de Lisboa e Fundador da Esperança em Movimento/TEM-CDS

Manuais para implementação da


Ideologia de Género nas Escolas

1 http://dge.mec.pt/noticias/educacao-saude/referencial-de-educacao-pa-
ra-saude

Uma Professora Preocupada

[1] https://docs.google.com/document/d/1hY8EHB91EHIBdUGZh-
q629MM9sGgCxwn3KVoTJZC9qeU/edit
[2] https://docs.google.com/document/d/1tlaAjUPKZOdfAJbSECq-
gogGIDr6mesXBw-lihJHMgEM/edit
[3] http://www.dge.mec.pt/sites/default/files/Projetos_Curriculares/

231
Aprendizagens_Essenciais/estrategia_cidadania_original.pdf
[4] https://www.telegraph.co.uk/news/2018/02/08/bermuda-rever-
sessame-sex-marriage-legislation-world-first/

E a Ciência? O Que Diz?

Tradução: Clara Allain


Original em inglês: Gender Dysphoria in Children
Referências:
Shechner T. Gender identity disorder: a literature review from a deve-
lopmental perspective. Isr J Psychiatry Relat Sci,2010; número 47, pp.
132-138.
American Psychiatric Association. Diagnostic and Statistical Manual of
Mental Disorders. 5ª edição, 2013, pp. 451-459.
Cohen-Kettenis PT, Owen A, Kaijser VG, Bradley SJ, Zucker KJ. Demo-
graphic characteristics, social competence, and behavior problems in children
with gender identity disorder: a cross-national, cross-clinic comparative
analysis. J Abnorm Child Psychol,2003, número 31, pp. 41–53.
Singal J. How the fight over transgender kids got a leading sex researcher
fired. New York Magazine, 2016. Disponível em http://nymag.com/scien-
ceofus/2016/02/fight-over-trans-kids-got-a-researcher-fired.html. Acesso
em 15 de maio de 2016.
Bancroft J, Blanchard R, Brotto L, et al. Open Letter to the Board of Trus-
tees of CAMH; Jan 11, 2016. Disponível em ipetitions.com/petition/
boardoftrustees-CAMH. Acesso em 15 de maio de 2016.
Youth Trans Critical Professionals. Professionals Thinking Critically about
the Youth Transgender Narrative. Disponível em https://youthtranscriti-
calprofessionals.org/about/. Acesso em 15 de junho de 2016.
Skipping the puberty blockers: American “transgender children” doctors
are going rogue, 2014. Disponível em https://gendertrender.wordpress.
com/2014/11/11/skipping-the-puberty-blockers-american-transgender-
-children-doctors-are-going-rogue/. Acesso em 15 de maio de 2016.
Brennan, W. Dehumanizing the Vulnerable: When word games take lives.
Chicago: Loyola University Press, 1995.
Kuby, G. The Global Sexual Revolution: Destruction of freedom in the na-

232
me of freedom. Kettering, OH: Angelico Press, 2015.
Jeffeys, S. Gender Hurts:A feminist analysis of the politics of transgender-
sim. NY: Routledge, 2014 (p. 27).
Forcier M, Olson-Kennedy J. Overview of gen-
der development and gender nonconformity in children and
adolescents. UpToDate; 2016. Disponível em www.uptodate.com/
contents/overview-of-gender-development-and-clinical-presentation-o-
f-gender-nonconformity-in-children-and-adolescents?source=search_re-
sult&search=Overview+of+gender+nonconformity+in+children&selected-
Title=2percent7E150. Acesso em 16 de maio de 2016.
Rametti G, Carrillo B, Gomez-Gil E, et al. White matter microstructure in
female to male transsexuals before cross-sex hormonal treatment. A diffu-
sion tensor imaging study. J Psychiatr Res, 2011, número 45, pp. 199-204.
Kranz GS, Hahn A, Kaufmann U, et al. White matter microstructure in
transsexuals and controls investigated b diffusion tensor imaging. J Neuros-
ci, 2014, número 34(46), pp. 15466-15475.
Gu J, Kanai R. What contributes to individual differences in brain struc-
ture? Front Hum Neurosci, 2014, número 8, p. 262.
Reyes FI, Winter JS, Faiman C. Studies on human sexual development
fetal gonadal and adrenal sex steroids. J Clin Endocrinol Metab, 1973,
número 37(1), pp. 74-78.
Lombardo M. Fetal testosterone influences sexually dimorphic gray matter
in the human brain. J Neurosci, 2012, número 32, pp. 674-680.
Campano A. [ed]. Geneva Foundation for Medical Education and Resear-
ch. Human Sexual Differentiation, 2016. Disponível em www.gfmer.ch/
Books/Reproductive_health/Human_sexual_differentiation.html. Acesso
em 11 de maio de 2016.
Shenk, D. The Genius in All of Us: Why everything you’ve been told about
genetics, talent, and IQ is wrong, 2010, New York, NY, Doubleday, p. 18.
Diamond, M. “Transsexuality Among Twins: identity concordance, tran-
sition, rearing, and orientation.” International Journal of Transgenderism,
número 14(1), pp. 24–38. (Nota: o resumo deste artigo afirma equivoca-
damente que o índice de concordância de gêmeos monozigóticos é de 20%.
A dra. Cretella, autora deste relatório “Disforia de Gênero em Crianças”,
referenciou diretamente os dados do Dr. Diamond para demonstrar que o

233
índice de concordância correta é um pouco superior a 28%).
Consortium on the Management of Disorders of Sex Development. Cli-
nical Guidelines for the Management of Disorders of Sex Development in
Childhood. Intersex Society of North America; 2006. Disponível em www.
dsdguidelines.org/files/clinical.pdf. Acesso em 20 de março de 2016.
Zucker KJ, Bradley SJ. Gender Identity and Psychosexual Disorders. FO-
CUS, 2005, número 3(4), pp. 598-617.
Zucker KJ, Bradley SJ, Ben-Dat DN, et al. Psychopathology in the parents
of boys with gender identity disorder. J Am Acad Child Adolesc Psychiatry,
2003, número 42, pp. 2-4.
Kaltiala-Heino et al. Two years of gender identity service for minors: over-
representation of natal girls with severe problems in adolescent development.
Child and Adolescent Psychiatry and Mental Health, 2015, número 9, p. 9.
Zucker KJ, Spitzer RL. Was the Gender Identity Disorder of Childhood
Diagnosis Introduced into DSM-III as a Backdoor Maneurver to Replace
Homosexuality? Journal of Sex and Marital Therapy, 2005, número 31,
pp. 31-42.
Roberts A. Considering alternative explanations for the associations among
childhood adversity, childhood abuse, and adult sexual orientation: reply
to Bailey and Bailey (2013) and Rind (2013). Arch Sexual Behav, 2014
número 43, pp. 191-196.
Blom RM, Hennekam RC, Denys D. Body integrity identity disorder.
PLoS One, 2012, número 7(4).
Lawrence A. Clinical and theoretical parallels between desire for limb
amputation and gender identity disorder. Arch Sexual Behavior, 2006, nú-
mero 35, pp. 263-278.
King CD. The meaning of normal. Yale J Biol Med, 1945, número 18, pp.
493-501.
Cohen-Kettenis PT, Delemarre-van de Waal HA, Gooren LJ. The treat-
ment of adolescent transsexuals: changing insights. J Sexual Med, 2008,
número 5, pp. 1892–1897.
Bailey MJ, Triea K. What many transsexual activists don’t want you to
know and why you should know it anyway. Perspect Biol Med, 2007,
número 50, pp. 521-534. Disponível em www.ncbi.nlm.nih.gov/pub-
med/17951886. Acesso em 11 de maio de 2016.

234
Sadjadi S. The endocrinologist’s office–puberty suppression: saving children
from a natural disaster? Med Humanit, 2013, número 34, pp. 255-260.
Bertolote JM, Fleischmann A. Suicide and psychiatric diagnosis: a worl-
dwide perspective. World Psychiatry 2002;1(3):181–185.
Eyler AE, Pang SC, Clark A. LGBT assisted reproduction: current practice
and future possibilities. LGBT Health, 2014, número 1(3), pp. 151-156.
Schmidt L, Levine R. Psychological outcomes and reproductive issues among
gender dysphoric individuals. Endocrinol Metab Clin N Am, 2015, núme-
ro 44, pp. 773-785.
Jeffreys, S. The transgendering of children: gender eugenics. Women’s Studies
International Forum, 2012, número 35. pp. 384-393.
Johnson SB, Blum RW, Giedd JN. Adolescent maturity and the brain: the
promise and pitfalls of neuroscience research in adolescent health policy. J
Adolesc Health, 2009, número 45(3), pp. 216-221.
US Department of Health and Human Services. Nuremberg Code, 2015.
Disponível em www.stat.ncsu.edu/people/tsiatis/courses/st520/references/
nuremberg-code.pdf. Acesso em 15 de maio de 2016.
World Health Organization. Eliminating forced, coercive and otherwise
involuntary sterilization. Interagency Statement, 2014. Disponível em
www.unaids.org/sites/default/files/media_asset/201405_sterilization_
en.pdf. Acesso em 16 de maio de 2016.
Hayes, Inc. Sex reassignment surgery for the treatment of gender dysphoria.
Hayes Medical Technology Directory. Lansdale, Pa.: Winifred Hayes; May
15, 2014.
Hayes, Inc. Hormone therapy for the treatment of gender dysphoria. Hayes
Medical Technology Directory. Lansdale, Pa: Winifred Hayes, 2014.
Kennedy P. Q & A with Norman Spack: a doctor helps children change their
gender. Boston Globe, Mar 30, 2008. Disponível em http://archive.bos-
ton.com/bostonglobe/ideas/articles/2008/03/30/qa_with_norman_spack/.
Acesso em 16 de maio de 2016.
Hembree WC, Cohen-Kettenis PT, Delemarre-van de Wall HA, et al.
Endocrine treatment of transsexual persons: An Endocrine Society clinical
practice guideline. J Clin Endocrinol Metab, 2009, número 94, pp. 3132-
3154.
Reardon S. Transgender youth study kicks off: scientists will track psycho-

235
logical and medical outcomes of controversial therapies to help transgender
teens to transition. Nature, 2016, número 531, pp. 560. Disponível em
www.nature.com/news/largest-ever-study-of-transgender-teenagers-set-
-to-kick-off-1.19637. Acesso em 16 de maio de 2016.
Keleman M. What do transgender children need? Houstonian Magazine,
2014. Disponível em www.houstoniamag.com/articles/2014/11/3/what-
-do-transgender-children-need-november-2014. Acesso em 16 de maio de
2016.
Farwell S. Free to be themselves: Children’s Medical Center Dallas opens
clinic for transgender children and teenagers, the only pediatric center of its
type in the Southwest. Dallas Morning News, 2015. Disponível em http://
interactives.dallasnews.com/2015/gender/. Acesso em 16 de maio de 2016.
De Vries ALC, Steensma TD, Doreleijers TAH, Cohen-Kettenis, PT. Pu-
berty suppression in adolescents with gender identity disorder: a prospective
follow-up study. J Sex Med, 2011, número 8, pp. 2276-2283.
Feldman J, Brown GR, Deutsch MB, et al. Priorities for transgender me-
dical and healthcare research. Curr Opin Endocrinol Diabetes Obes, 2016,
número 23, pp. 180-187.
Tangpricha V. Treatment of transsexualism. UpToDate Disponível em
www.uptodate.com/contents/treatment-of-transsexualism?source=search_
result& search=treatment+of+transsexualism&selectedTitle=1percent7E8.
Acesso em 14 de maio de 2016.
Moore E, Wisniewski A, Dobs A. Endocrine treatment of transsexual peo-
ple: a review of treatment regimens, outcomes, and adverse effects. J Clin
Endocrinol Metab, 2003, número 88, pp. 3467-3473.
Dhejne, C, et.al. “Long-Term Follow-Up of Transsexual Persons Under-
going Sex Reassignment Surgery: Cohort Study in Sweden.” PLoS ONE,
2011; número 6(2). Filiação: Departamento de neurociência clícina, Divi-
são de Psiquiatria, Instituto Karolinska, Estocolmo, Suécia. Department of
Clinical Neuroscience, Division of Psychiatry, Karolinska Institutet, Sto-
ckholm, Sweden. Acesso em 11 de julho de 2016 a partir de http://journals.
plos.org/plosone/article?id=10.1371/journal.pone.0016885.
Clements-Nolle, K., et al. HIV prevalence, risk behaviors, health care use
and mental health status of transgender persons: implications for public
health intervention. Am J Public Health,2001, número 91(6), pp. 915-21.

236
Kuhn, A., et al. Quality of Life 15 years after sex reassignment surgery for
transsexualism. Fertility and Sterility, 2009, número 92(5), pp. 1685-89.
Burgess D, Lee R, Tran A, van Ryn M. Effects of Perceived Discrimina-
tion on Mental Health and Mental Health Services Utilization Among
Gay, Lesbian, Bisexual and Transgender Persons. Journal of LGBT Health
Research, 2008, número 3(4), pp. 1-14.

Estudo do American College of Pediatricians sobre Ideologia de Género


A Gazeta do Povo publica com exclusividade, pela primeira vez em por-
tuguês, a íntegra do mais importante estudo sobre ideologia de género na
medicina: disforia de género, condições médicas e protocolos de tratamento.

Autor: Michelle Cretella, MD (autor principal)


Publicado em: 17 nov, 2017 Atualizado em: 14 mar, 2018

Se os Seus Filhos são Heterosexuais,


Não Serão Respeitados

[1] http://visao.sapo.pt/actualidade/sociedade/2018-08-24-Deve-
-dizer-se-buraco-da-frente-em-vez-de-vagina--Guia-de-saude-acres-
centa-termo-para-ser-mais-inclusivo
[2] https://expresso.sapo.pt/sociedade/2018-08-22-Autoridades-de-
-Guadalajara-no-Mexico-autorizam-relacoes-sexuais-na-via-publica#-
gs.BgRvP84
[3] http://www.cpadnews.com.br/universo-cristao/45435/franca-
-praticamente-legaliza-a-pedofilia.html
[4] https://www.diarioluso.com/jason-leonar/?ref=fmn823

Acorde! Você está a ser manipulado!

[1] https://www.dn.pt/mundo/interior/menina-de-11-anos-nao-e-
-uma-crianca-diz-advogado-9117200.html
[2] http://www.odetetive.com/2018/03/nova-novela-da-globo-tera-
-casamento.html?m=1

237
À beira da destruição

[1] (Pitirim A SOROKIN, The american sex revolution, Boston: Porte


Sargent Publisher, 1956, p. 93)
Sintomas do fim — Imoralidade
[1] Apud Merrill Unger, Archaeology and the Old Testment, Grand
Rapids [2] Ibid., p. 173 [3] S. I. MCMILLEN, e David STERN, None
of these diseases, Old Tappan: Fleming H. Revell Company, 1984, p. 86.
[4] Halley, Manual bíblico, p. 237; [5] Christianity, social tolerance,
and homossexuality: gay people in western Europe From the beginning of
the Christian era to the Fourteen century, Chicago: The University of Chi-
cago Press, 1980, p. 27. [6] Caesar and Christ, p. 89. [7] Ibid. p. 134. [8]
Ibid. [9] Ibid. p. 369.

“Cevados” Para A Matança

[1] https://ftimaburegio.jusbrasil.com.br/noticias/250747967/
tragedia-silenciosa-pesquisa-revela-a-epidemia-de-suicidios-entre-trans-
generos

Anexos

Plataforma pelas Liberdades


http://www.plataformaporlaslibertades.org/pdf/noticias-
-2018-05-10-peticion-grupos-parlamentarios-rechazo-proposicion-
-lgtbi.pdf