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Anatomia

Humana
Dra. Carmem Patrícia Barbosa
DIREÇÃO UNICESUMAR
Reitor Wilson de Matos Silva, Vice-Reitor e
Pró-Reitor de Administração, Wilson de Matos
Silva Filho, Pró-Reitor Executivo de EAD William
C397 CENTRO UNIVERSITÁRIO DE MARINGÁ. Núcleo de Educação a Victor Kendrick de Matos Silva, Pró-Reitor de
Distância; BARBOSA, Carmen Patrícia. Ensino de EAD Janes Fidélis Tomelin Presidente

Anatomia Humana. Carmem Patrícia Barbosa. da Mantenedora Cláudio Ferdinandi.
Maringá-PR.: Unicesumar, 2019.
248 p.
“Graduação - EAD”. NEAD - NÚCLEO DE EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA
Diretoria Executiva Chrystiano Mincoff, James
1. Anatomia. 2. Humana. 3. EaD. I. Título.
Prestes, Tiago Stachon , Diretoria de Design
Educacional Débora Leite, Diretoria de Graduação
CDD - 22 ed. 611 e Pós-graduação Kátia Coelho, Diretoria de
CIP - NBR 12899 - AACR/2 Permanência Leonardo Spaine, Head de Produção
de Conteúdos Celso Luiz Braga de Souza Filho,
Head de Metodologias Ativas Thuinie Daros,
Impresso por: Gerência de Projetos Especiais Daniel F. Hey,
Gerência de Produção de Conteúdos Diogo
Ribeiro Garcia, Supervisão do Núcleo de Produção
de Materiais Nádila de Almeida Toledo, Projeto
Gráfico José Jhonny Coelho e Thayla Guimarães
Cripaldi, Fotos Shutterstock.

Coordenador de Conteúdo Lilian Rosana dos


Santos Moraes.
Designer Educacional Ana Claudia Salvadego e
NEAD - Núcleo de Educação a Distância Janaína de Souza Pontes.
Av. Guedner, 1610, Bloco 4 - Jardim Aclimação Revisão Textual Érica Fernanda Ortega
CEP 87050-900 - Maringá - Paraná Editoração Bruna Stefane Martins Marconato e
unicesumar.edu.br | 0800 600 6360 Isabela Mezzaroba Belido.
Ilustração Marcelo Goto e Mateus Calmon.
Realidade Aumentada Kleber Ribeiro, Leandro Nal-
dei e Thiago Surmani.
PALAVRA DO REITOR

Em um mundo global e dinâmico, nós trabalha-


mos com princípios éticos e profissionalismo, não
somente para oferecer uma educação de qualida-
de, mas, acima de tudo, para gerar uma conversão
integral das pessoas ao conhecimento. Baseamo-
-nos em 4 pilares: intelectual, profissional, emo-
cional e espiritual.
Iniciamos a Unicesumar em 1990, com dois
cursos de graduação e 180 alunos. Hoje, temos
mais de 100 mil estudantes espalhados em todo
o Brasil: nos quatro campi presenciais (Maringá,
Curitiba, Ponta Grossa e Londrina) e em mais de
300 polos EAD no país, com dezenas de cursos de
graduação e pós-graduação. Produzimos e revi-
samos 500 livros e distribuímos mais de 500 mil
exemplares por ano. Somos reconhecidos pelo
WILSON DE MATOS SILVA MEC como uma instituição de excelência, com
REITOR IGC 4 em 7 anos consecutivos. Estamos entre os
10 maiores grupos educacionais do Brasil.
A rapidez do mundo moderno exige dos
educadores soluções inteligentes para as ne-
cessidades de todos. Para continuar relevante, a
instituição de educação precisa ter pelo menos
três virtudes: inovação, coragem e compromisso
com a qualidade. Por isso, desenvolvemos, para
os cursos de Engenharia, metodologias ativas, as
quais visam reunir o melhor do ensino presencial
e a distância.
Tudo isso para honrarmos a nossa missão que é
promover a educação de qualidade nas diferentes
áreas do conhecimento, formando profissionais
cidadãos que contribuam para o desenvolvimento
de uma sociedade justa e solidária.
Vamos juntos!
BOAS-VINDAS

Prezado(a) Acadêmico(a), bem-vindo(a) à Co-


munidade do Conhecimento.
Essa é a característica principal pela qual a
Unicesumar tem sido conhecida pelos nossos alu-
nos, professores e pela nossa sociedade. Porém, é
importante destacar aqui que não estamos falando
mais daquele conhecimento estático, repetitivo,
local e elitizado, mas de um conhecimento dinâ-
mico, renovável em minutos, atemporal, global,
democratizado, transformado pelas tecnologias
digitais e virtuais.
De fato, as tecnologias de informação e comu-
nicação têm nos aproximado cada vez mais de
pessoas, lugares, informações, da educação por
meio da conectividade via internet, do acesso
wireless em diferentes lugares e da mobilidade
WILLIAM DE MATOS SILVA dos celulares.
PRÓ-REITOR EXECUTIVO DE EAD As redes sociais, os sites, blogs e os tablets ace-
leraram a informação e a produção do conheci-
mento, que não reconhece mais fuso horário e
atravessa oceanos em segundos.
A apropriação dessa nova forma de conhecer
transformou-se hoje em um dos principais fatores de
agregação de valor, de superação das desigualdades,
propagação de trabalho qualificado e de bem-estar.
Logo, como agente social, convido você a saber
cada vez mais, a conhecer, entender, selecionar e
usar a tecnologia que temos e que está disponível.
Da mesma forma que a imprensa de Gutenberg
modificou toda uma cultura e forma de conhecer,
as tecnologias atuais e suas novas ferramentas,
equipamentos e aplicações estão mudando a nossa
cultura e transformando a todos nós. Então, prio-
rizar o conhecimento hoje, por meio da Educação
a Distância (EAD), significa possibilitar o contato
Janes Fidélis Tomelin
PRÓ-REITOR DE ENSINO EAD
com ambientes cativantes, ricos em informações
e interatividade. É um processo desafiador, que
ao mesmo tempo abrirá as portas para melhores
oportunidades. Como já disse Sócrates, “a vida
sem desafios não vale a pena ser vivida”. É isso que
a EAD da Unicesumar se propõe a fazer.
Seja bem-vindo(a), caro(a) acadêmico(a)! Você
está iniciando um processo de transformação,
pois quando investimos em nossa formação, seja
ela pessoal ou profissional, nos transformamos e,
consequentemente, transformamos também a so-
ciedade na qual estamos inseridos. De que forma
o fazemos? Criando oportunidades e/ou estabe-
lecendo mudanças capazes de alcançar um nível
de desenvolvimento compatível com os desafios
que surgem no mundo contemporâneo.
O Centro Universitário Cesumar mediante o Kátia Coelho
DIRETORIA DE GRADUAÇÃO
Núcleo de Educação a Distância, o(a) acompa- E PÓS-GRADUAÇÃO
nhará durante todo este processo, pois conforme
Freire (1996): “Os homens se educam juntos, na
transformação do mundo”.
Os materiais produzidos oferecem linguagem
dialógica e encontram-se integrados à proposta
pedagógica, contribuindo no processo educa-
cional, complementando sua formação profis-
sional, desenvolvendo competências e habilida-
des, e aplicando conceitos teóricos em situação
de realidade, de maneira a inseri-lo no mercado
de trabalho. Ou seja, estes materiais têm como
principal objetivo “provocar uma aproximação
entre você e o conteúdo”, desta forma possibilita Leonardo Spaine
DIRETORIA DE PERMANÊNCIA
o desenvolvimento da autonomia em busca dos
conhecimentos necessários para a sua formação
pessoal e profissional.
Portanto, nossa distância nesse processo de
crescimento e construção do conhecimento deve
ser apenas geográfica. Utilize os diversos recursos
pedagógicos que o Centro Universitário Cesumar
lhe possibilita. Ou seja, acesse regularmente o Stu-
deo, que é o seu Ambiente Virtual de Aprendiza-
gem, interaja nos fóruns e enquetes, assista às aulas
ao vivo e participe das discussões. Além disso,
lembre-se que existe uma equipe de professores e
tutores que se encontra disponível para sanar suas Débora Leite
dúvidas e auxiliá-lo(a) em seu processo de apren- DIRETORIA DE DESIGN EDUCACIONAL
dizagem, possibilitando-lhe trilhar com tranquili-
dade e segurança sua trajetória acadêmica.
APRESENTAÇÃO

Prezado(a) aluno(a), a palavra Anatomia é originária do grego e decorre da


fusão de “ana” e “tomein”, que significam, respectivamente,“partes” e “cortar”.
Assim, é possível traduzir literalmente a palavra “Anatomia” como cortar
em partes. Essa palavra foi escolhida porque na Grécia antiga a atenção era
dada exclusivamente ao ato de cortar, o que estava implícito no conceito
geral da anatomia. Tal fato explica, ao menos em parte, porque até mesmo
nos dias de hoje muitas pessoas se sentem incomodadas ou têm medo de
estudar anatomia.
Enquanto ciência, a anatomia tem um significado muito mais amplo, pois
estuda macro e microscopicamente a constituição e o desenvolvimento
do ser humano. Sua existência sempre esteve relacionada à imensa curio-
sidade do homem em melhor compreender as estruturas que o formam
e as diferenças que existem em relação a seus semelhantes, em termos de
constituição e função.
O início dos estudos anatômicos foi difícil, pois princípios éticos e religiosos
da época impunham restrições ao ato de expor o corpo humano, já que
para desvendar os mistérios desta fabulosa “máquina”, a simples observa-
ção superficial não era suficiente. Por isso, a necessidade de aprofundar tal
estudo foi posteriormente saciada pela dissecação (ou dissecção).
A palavra dissecar tem origem latina e é produto da fusão de “dis” (separar)
mais “secare” (cortar). Assim, por meio da dissecação, os órgãos do corpo
podem ser expostos cirurgicamente, de maneira metódica, por meio de
incisões adequadas que mantêm a organização natural do corpo. Dessa
forma, é possível manter os órgãos separados, mas ao mesmo tempo em
uma relação de dependência entre forma e função.
Vale ressaltar que os estudos da anatomia humana são realizados no cadáver
- nome dado ao corpo, após a morte, enquanto este ainda conserva parte
de seus tecidos. Esse termo, segundo a etimologia popular, teve origem na
expressão latina “caro data vermibus” que significa “a carne dada aos ver-
mes”. Os etimologistas defendem que a palavra deriva da raiz “cado”, que
significa “caído”. Estranho, não é? Esse termo foi escolhido devido ao fato
de que, como o estudo anatômico era inicialmente proibido, aqueles que
se interessavam pela dissecação muitas vezes o faziam às escuras, violando
sepulturas e dissecando corpos que já estavam em estado de putrefação.
Complementarmente, estudos realizados em animais originaram a ana-
tomia comparativa por meio da qual a compreensão da constituição do
corpo era realizada primeiramente em animais para posterior comparação
com seres humanos. Inclusive, a dissecação de animais prenhes permitiu
a observação de fetos e representou o início da embriologia como ciência.
A embriologia (estudo da formação dos órgãos e sistemas), a citologia (estu-
do das células) e a histologia (estudo dos tecidos) tiveram seus desenvolvi-
mentos fortemente marcados pelo surgimento do microscópio. Isto porque
este instrumento possibilitou o estudo específico dos elementos constituintes
dos seres organizados. Vale ressaltar que embora todas estas ciências sejam
consideradas especializações, são vistas como ramos da anatomia.
Em relação aos principais aspectos históricos da anatomia humana, sabe-se
que os primeiros esboços anatômicos datam do período paleolítico e que
os gregos foram grandes responsáveis por seu desenvolvimento. No Brasil,
a Bahia se destacou como “berço do ensino médico” e, na mesma época,
iniciou-se o ensino médico oficial no Rio de Janeiro.
Atualmente, o estudo da anatomia ainda é realizado por meio da disseca-
ção de cadáveres humanos considerados normais, embora possam existir
variações anatômicas individuais e diferenças morfológicas em decorrência
da passagem do estado vivo ao cadavérico. No entanto, é possível aprender
anatomia mesmo sem a dissecação por meio da observação do corpo huma-
no, por sua palpação e pelo estudo da anatomia de superfície (a qual avalia
os relevos e depressões que as estruturas anatômicas são capazes de formar).
Por todo o exposto, pode-se concluir que esta tão bela e polêmica ciência se
encarrega de estudar o corpo humano em detalhes. Seu estudo pode ser feito
de maneira regional, clínica ou sistêmica. Enquanto no estudo regional (ou
topográfico) são apresentados os pormenores de uma determinada região
do corpo, no estudo clínico as estruturas e as funções são apresentadas aos
profissionais da área da saúde a fim de habilitá-los a compreender o corpo
em um contexto clínico geral.
No entanto, neste livro, estudaremos a anatomia sistêmica, ou seja, os de-
talhes de cada sistema que compõe a fabulosa “máquina” chamada corpo
humano. Para tanto, estudaremos o aparelho locomotor (composto pelos
sistemas esquelético, articular e muscular), o sistema cardiorrespiratório
(composto pelos sistemas circulatório sanguíneo, circulatório linfático e
respiratório), o sistema digestório (responsável pelo processo da digestão), o
sistema urogenital (composto pelos sistemas urinários do genital masculino
e genital feminino) e sistema neuroendócrino (composto pelos sistemas
nervoso e endócrino).

8 
Em cada unidade, apresento uma INTRODUÇÃO sobre as generalidades
de cada tema, um DESENVOLVIMENTO para apresentar o conteúdo
programático de cada sistema, CONSIDERAÇÕES FINAIS que resumi-
rão o estudo teórico e prático do assunto abordado e ATIVIDADES DE
ESTUDO para reforçar o conteúdo estudado.
Desejo a você um excelente aproveitamento desta tão apaixonante ciência.
Na verdade, ela sempre foi não só apaixonante, mas também intrigante.
Prova disso pode ser dada ao ler o texto do salmista (nos versos 13 a 16 do
capítulo 139) que, mesmo sem grandes recursos tecnológicos ou científicos,
não se conteve de tanta admiração ao analisar o milagre da criação e do
funcionamento do corpo humano.
Que você se encante conhecendo seu próprio corpo e que a todo momento
descubra as melhores formas de favorecer seu desenvolvimento, tanto no
adulto quanto na criança, por meio do pleno conhecimento.
Bom estudo!

Profa. Carmem Patrícia.


CURRÍCULO DO PROFESSOR

Dra. Carmem Patrícia Barbosa

Tem Doutorado e Mestrado em Ciências Biológicas pela Universidade Estadual de Maringá


(UEM) na área de Concentração Biologia Celular, respectivamente nos anos de 2002 e 2013.
Especialização em Morfofisiologia Aplicada à Educação Corporal e à Reabilitação pela UEM
(2000). Possui graduação em Fisioterapia pela Universidade Estadual de Londrina (UEL/1997).
Desde 2002 é professora das disciplinas de Anatomia Humana, Fisiologia Humana, Cinesio-
logia e Biomecânica, Bases Neurofuncionais do Movimento no Centro de Ensino Superior
de Maringá (UniCesumar) e desde 2012 é professora na área de Anatomia Humana na UEM,
no Departamento de Ciências Morfológicas (DCM) e também no curso de especialização. Foi
membro do Comitê de Ética em Pesquisa (CEP) da UniCesumar e faz parte do corpo editorial
da revista “Saúde e Pesquisa” da mesma instituição. Iniciação Científica da UniCesumar e
ArquiMudi da UEM. Tem experiência nos cursos de Educação Física, Odontologia, Ciências
Biológicas, Enfermagem, Nutrição, Biomedicina, Fisioterapia e Estética.
Introdução à
Anatomia Humana
e Aparelho
Locomotor

15

Sistemas
Cardiovascular
e Respiratório

81
Sistema Digestório

137

Sistema Urogenital

167

Sistema
Neuroendócrino

201
24 Processo de Envelhecimento da Pele

Utilize o aplicativo
Unicesumar Experience
para visualizar a
Realidade Aumentada.
Dra. Carmem Patrícia Barbosa

Introdução à Anatomia
Humana e Aparelho
Locomotor

PLANO DE ESTUDOS

Divisões, planos e eixos Sistemas esquelético,


do corpo humano articular e muscular

Anatomia Humana:
Conceito e introdução Tegumento Comum
ao estudo

OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM

• Apresentar o conceito, a importância, os principais aspec- • Evidenciar as características do tegumento comum em


tos históricos da anatomia humana e a nômina anatômica todos os seus detalhes e especificações
atualizada. • Estudar as generalidades sobre os ossos, definir articula-
• Elucidar as principais subdivisões do corpo humano e os ções e compreender suas funções e classificações, além
planos de tangenciamento e de secção do corpo humano, de destacar as funções musculares.
bem como os eixos de movimento.
Anatomia Humana:
Conceito e Introdução
ao Estudo

Prezado(a) aluno(a), o aparelho locomotor é


constituído pelos sistemas esquelético, articular
e muscular. Eles agem de maneira integrada e sob
o comando do sistema nervoso para permitir cor-
reção postural, equilíbrio e movimento voluntário.
Enquanto o sistema esquelético é formado
por ossos e cartilagens, o articular é formado por
articulações e o muscular por músculos e órgãos
anexos. O sistema esquelético é estudado pela os-
teologia, o articular pela artrologia, o muscular
pela miologia e os movimentos pela cinesiologia
(MIRANDA NETO; CHOPARD, 2014).
Embora cartilagem e osso sejam formas es-
pecializadas do tecido conjuntivo, a cartilagem é
flexível e o osso é rígido. As articulações ou jun-
turas são representadas por estruturas que co-
nectam duas ou mais partes rígidas do esqueleto
(ossos, cartilagens e dentes) e embora possam ser
chamadas de junturas, não devem ser chamadas
de juntas. Os órgãos anexos do sistema muscular
incluem fáscias de revestimento, bolsas sinoviais
e bainhas fibrosas e sinoviais.
Já ossos, articulações e músculos têm funções
diferentes, mas complementares. Ossos suportam
e dão forma ao corpo, protegem órgãos internos,
atuam nos movimentos, armazenam íons, fabricam Na anatomia, estudamos o corpo humano
células do sangue e absorvem toxinas. A maioria considerado “normal”, já que a patologia e outras
das articulações e músculos relaciona-se ao movi- ciências se dedicam ao estudo das doenças que
mento, coordenação e tônus muscular, peristalse e o acometem. No entanto, para definir “normal”
produção de calor (TORTORA; DERRICKSON; em anatomia, é necessário considerar o conceito
WERNECK, 2010). estatístico e o conceito idealístico. O idealístico
O texto abordará estes importantes sistemas e considera normal aquilo que é melhor para o de-
suas especificidades em relação aos profissionais sempenho da função da estrutura anatômica. Por
da saúde. Será fundamentado em autores como exemplo, para que a mão consiga desempenhar
Dangelo e Fattini (2011), Moore et al. (2014), Mi- adequadamente sua função de pinça fina, é ideal
randa Neto e Chopard (2014) e outros. A nomen- que o indivíduo tenha cinco dedos em cada uma
clatura está de acordo com a nômica anatômica delas. Já o conceito estatístico considera normal
atualizada. Todavia, é necessário utilizar um atlas aquilo que a maioria dos indivíduos apresenta. Por
de anatomia como Narciso (2012) ou Rohen, Yo- exemplo, a maioria das pessoas tem cinco dedos
kochi e Lütjen-Drecoll (2002). em cada mão, por isso, é normal ter cinco e não
Veremos aspectos relevantes do aparelho lo- três ou quatro dedos (WATANABE, 2000).
comotor e a prática do exercício físico, a visão Todavia, quando comparamos diferentes indi-
geral da nomenclatura anatômica, segmentação víduos em um pequeno grupo sempre podemos
do corpo e planos e eixos. identificar a existência de pequenas diferenças
morfológicas entre eles (faça isso onde você esti-
ver agora e perceba como as pessoas são mesmo
Fatores Gerais de Variação diferentes). De acordo com Watanabe (2000),
Anatômica quando tais diferenças não prejudicam a função
desempenhada pela estrutura anatômica, diz-se
O termo “anatomia humana” é mal visto por que são apenas “variações anatômicas”. No entan-
muitas pessoas. Talvez até para você, caro(a) alu- to, quando tais diferenças atrapalham a função da
no(a), isto porque muitos pensam que falar em estrutura, elas são ditas “anomalias” e, inclusive,
anatomia é sinônimo de falar de pessoas mortas podem ser denominadas de “monstruosidades”
ou mutiladas. Na verdade, a anatomia não tem se impedirem que o indivíduo permaneça vivo.
nada de assustador, muito pelo contrário. É uma Uma variação anatômica pode ser, por exem-
ciência que muito nos tem esclarecido ao longo plo, as diferentes tonalidades na cor dos olhos de
dos anos. dois irmãos. Uma anomalia pode ser a miopia que
A anatomia estuda a estrutura do ser humano e um deles apresenta. Uma monstruosidade pode
as relações entre as partes que o formam. O termo ser exemplificada quando dois irmãos nascem
“anatomia” deriva de duas palavras gregas, “ana” e grudados e um deles tem que ser sacrificado para
“temnein”, que significam, respectivamente, “em que o outro viva (é o que ocorre com gêmeos sia-
partes” e “cortar ou incisar”. Assim, esta ciência está meses ou xifópagos).
amplamente embasada no ato de cortar o corpo Para que estes conceitos de “normal”, “variação
humano pelo método da dissecção (ou disseca- anatômica”,“anomalia” e “monstruosidade” possam
ção) a fim de melhor compreender sua estrutura ser empregados, é necessário saber que alguns
externa e interna (FREITAS, 2004). fatores podem causar variação. Isto ocorre, por

UNIDADE 1 17
exemplo, com a idade do indivíduo, com seu sexo, Nomenclatura Anatômica
grupo étnico, biótipo entre outros. Por exemplo, é
normal que um bebê apresente os ossos do crânio Cientistas e profissionais da área da saúde usam
separados, mas não é normal que isso ocorra em uma linguagem própria ao se referirem às estru-
um adulto. É normal que uma mulher tenha os os- turas do corpo humano e à forma como a dissec-
sos da pelve mais abertos a fim de facilitar o parto ção é feita. Por isso, estar atualizado em relação à
pélvico, mas não é normal que isso ocorra em um nomenclatura utilizada é essencial ao estudante
homem. É normal que um indivíduo negro tenha a de anatomia humana, bem como aos profissionais
pele escura e os cabelos enrolados, mas não é nor- da saúde. Na anatomia, esta nomenclatura engloba
mal em um japonês. É normal que um indivíduo termos gerais e especiais originados da língua gre-
longilíneo tenha os membros longos em relação ga, latina e outras. Em conjunto, a Nômina Ana-
ao corpo, mas não é em um indivíduo brevilíneo. tômica, publicada com o nome de Terminologia
Por fim, é importante destacar que o estudo Anatômica, tem o objetivo de evitar que estruturas
da anatomia humana pode ser feito de diferen- do corpo humano recebam diferentes denomina-
tes formas conforme o objetivo do estudo. Por ções em diversos centros de estudos e pesquisas
exemplo, a anatomia pode ser estudada a partir em anatomia no mundo (DI DIO, 2002).
dos sistemas que compõem o corpo humano (esta Considerada um documento oficial que deve
é a anatomia sistêmica que aprenderemos aqui). ser obedecida por professores e alunos da discipli-
Por outro lado, seu estudo pode abranger regiões na de anatomia humana, a terminologia anatômica
específicas e então passa a ser chamada de ana- é constituída por cerca de 6.000 termos esporadica-
tomia topográfica (a odontologia, por exemplo, mente revistos e atualizados, os quais são traduzi-
estuda anatomia topográfica da cabeça). Além dos pelas sociedades de anatomia de cada país. No
disso, seu estudo pode ser feito por meio de ima- Brasil, a terminologia é traduzida pela Comissão de
gens (anatomia radiológica ou de imagem), em Terminologia Anatômica da Sociedade Brasileira
comparação a seres de outras espécies (anatomia de Anatomia (SBA) (CFTA, 2001; FREITAS, 2004;
comparativa), com fins artísticos (anatomia artís- TORTORA; DERRICKSON; WERNECK, 2010).
tica), em comparação aos diferentes tipos raciais Este conjunto de termos empregados funda-
e morfológicos (anatomia antropológica e bioti- menta-se na forma da estrutura ou em parte dela
pológica) etc. (WATANABE, 2000). (como o músculo deltoide, por exemplo), sua si-
tuação (artéria vertebral), sua função (glândula la-
crimal) e outras peculiaridades. Vale destacar que
a utilização de abreviações é permitida a fim de
facilitar seu uso prático. Assim, utiliza-se a. (para
artéria), v. (para veia), n. (para nervo), m. (para
músculo), lig. (para ligamento), gl. (para glândula)
e g. (para gânglio). O plural destes termos normal-
mente emprega a duplicação da letra utilizada na
abreviação, por exemplo, aa. (para artérias), vv.
(para veias) etc. (WATANABE, 2000).

18 Introdução à Anatomia Humana e Aparelho Locomotor


Divisões, Planos
e Eixos do
Corpo Humano

A posição anatômica de descrição ou posição


de referência foi instituída e se tornou de gran-
de valia para evitar erros na nomenclatura e no
posicionamento do corpo a ser estudado. Em tal
posição, supõe-se que o cadáver está ereto, com
a cabeça em nível horizontal, olhos voltados para
frente, pés plantados no chão e direcionados para
frente, membros superiores ao lado do corpo com
as palmas das mãos voltadas para frente (MOO-
RE et al., 2014).
A partir da posição anatômica, as várias regiões
do corpo são denominadas como cabeça, pescoço,
tronco, membros superiores e membros inferiores.
A cabeça é subdividida em crânio facial ou viscero-
crânio e crânio neural ou neurocrânio. Enquanto o
crânio facial é anterior, menor, constituído por 14
ossos, cujas funções se relacionam a abrigar e pro-
teger os órgãos dos sentidos e possibilitar a fonação
e a mastigação, o crânio neural é posterior, maior,
constituído por oito ossos, os quais estão direta-
mente relacionados à proteção do sistema nervoso
localizado em seu interior (TORTORA; DERRICK-
SON; WERNECK, 2010).

UNIDADE 1 19
livre inclui braço, antebraço e mão (sendo sua parte anterior denomi-
nada palma e a posterior, dorso). A raiz ou cíngulo do membro inferior
é a cintura pélvica e sua parte livre inclui coxa, perna e pé (sendo sua
parte superior denominada dorso e a inferior, planta). Articulações
conectam as várias partes dos membros, por exemplo, as articulações
do ombro, cotovelo, quadril e joelhos (FREITAS, 2004).
De igual modo, a partir da posição anatômica de descrição, supõe-se
a existência de planos imaginários que tangenciam a superfície externa
do corpo a fim de facilitar a localização das estruturas corpóreas. Tais
planos são denominados superior ou cranial, inferior ou podálico, la-
teral direito, lateral esquerdo, anterior ou ventral, e posterior ou dorsal
(MIRANDA NETO; CHOPARD, 2014).
Assim, pode-se afirmar que os olhos são estruturas superiores à
cicatriz umbilical já que se localizam mais pró-
ximos ao plano superior ou cranial do que à
cicatriz umbilical. De igual modo, pode-se
afirmar que as escápulas são estrutu-
ras posteriores em relação ao osso
esterno uma vez que estão mais
Figura 1 - Posição anatômica de descrição próximas do plano posterior.
Embora os planos de tangen-
O pescoço é dividido em pesco- ciamento facilitem a localização
ço anterior (visceral) e posterior das estruturas corpóreas, o es-
(muscular), também denomina- tudo da anatomia também se
do nuca. Segundo Freitas (2004), faz por meio do corpo seccio-
o tronco também é subdividido nado, lembra? Assim, pla-
em tórax (limitado superiormen- nos de secção de referência
te pela clavícula e inferiormente também tiveram que ser
pelo músculo diafragma), ab- padronizados. Assim, os
dome (limitado superiormente termos “plano sagital”, “plano trans-
pelo músculo diafragma e infe- versal” (ou horizontal) e “plano coronal”
riormente pela abertura superior (ou frontal) foram adotados.
da pelve) e pelve (localizada entre O plano sagital é uma secção longi-
os ossos do quadril). tudinal que divide o corpo ou qualquer
Os membros superiores e in- uma de suas partes em porções direita
feriores também são subdividi- e esquerda. Se este plano passar exata-
dos em uma região conectada ao mente sobre a linha mediana do corpo,
tronco, denominada cíngulo (ou ele é chamado de plano sagital media-
cintura) e uma parte livre. A raiz no, o qual divide o corpo em duas me-
ou cíngulo do membro superior tades iguais denominadas antímero
Figura 2 - Partes do corpo humano
é a cintura escapular e sua parte direito e antímero esquerdo.

20 Introdução à Anatomia Humana e Aparelho Locomotor


O plano coronal é uma secção Os movimentos sempre ocorrem em um dos planos (sagital,
longitudinal que divide o corpo coronal ou transversal) e por meio de linhas imaginárias deno-
em porção anterior e posterior minadas eixos, os quais são perpendiculares aos planos. Assim, os
denominadas paquímero an- movimentos de flexão e extensão ocorrem no plano sagital a partir
terior ou ventral, e paquímero do eixo coronal; a abdução e a adução ocorrem no plano coronal a
posterior ou dorsal. Por fim, o partir do eixo sagital; a rotação medial e lateral ocorrem no plano
plano transversal divide o corpo transversal a partir do eixo longitudinal (GRABINER; GREGOR;
em porção superior e inferior de- VASCONCELOS, 1991).
nominadas metâmero superior Plano Sagital
ou cranial e metâmero inferior
Plano Coronal
ou podálico (FREITAS, 2004).
Um dos objetivos do estudo
da anatomia humana é empre-
gar os conhecimentos adqui-
ridos também no corpo vivo.
Dessa forma, existem termos
usados para descrever os dife- Plano Transversal
rentes movimentos dos mem-
bros e outras partes corpóreas
que podem ser realizados nas
articulações móveis do corpo.
Tais movimentos são descri-
tos como pares de opostos, ou
seja, flexão e extensão, abdu-
ção e adução, rotação medial
e lateral, supinação e prona-
ção etc. (MOORE et al., 2014;
TORTORA; DERRICKSON;
WERNECK, 2010). Todos esses
movimentos serão abordados,
posteriormente, nesta unidade,
pois são de extrema relevância
aos profissionais da saúde. Figura 3 - Plano Sagital, Coronal e Transverso

UNIDADE 1 21
Tegumento
Comum

Conhecer o tegumento comum é de extrema im-


portância aos profissionais da saúde, uma vez que
este importante sistema se relaciona diretamente
às suas atividades profissionais. Por isso, esta uni-
dade abordará exclusivamente o tegumento co-
mum em todos os seus detalhes e especificações.
Todo o texto a seguir será baseado em importan-
tes autores da área, como Miranda Neto e Chopard
(2014), Moore et al. (2014), Watanabe (2000) e outros.
O aprofundamento de seu estudo deve ser realizado
considerando o uso concomitante de um atlas de
Anatomia Humana como Narciso (2012) e um livro
e/ou atlas de Histologia Humana como Junqueira
et al. (2018). Desejo a você um ótimo aprendizado!

Tegumento Comum

O termo tegumento comum engloba a pele e seus


anexos e a tela subcutânea que também é conheci-
da como hipoderme. Enquanto a tela subcutânea
tem localização profunda, a pele é superficial e
constituída por duas camadas sobrepostas: epi-
derme e derme.
As três principais camadas da pele humana
em áreas como pálpebras e lábios, ela é extrema-
mente delicada sendo chamada de pele fina.
Epiderme
A pele se prende apenas frouxamente às es-
truturas próximas (como a tela subcutânea e as
Derme
fáscias) e por isso pode ser facilmente deslocada
Hipoderme
ou mesmo se adaptar às irregularidades do cor-
po. Todavia, existem faixas de tecido conjuntivo
chamadas de retináculos da pele os quais podem
Figura 4 - As três principais camadas da pele humana limitar parcialmente esta mobilidade. Tais retiná-
culos prendem-se à tela subcutânea e às fáscias,
Pele formando pontos de fixação profunda da pele.
Nos pontos onde estas estruturas estão bem pre-
A pele é considerada o maior órgão do corpo hu- sentes, formam-se sucos superficiais, chamados
mano equivalendo a 16% do peso corporal de um de linhas de clivagem, que indicam a direção dos
indivíduo adulto e com uma área total de cerca feixes de fibras colágenas. Por isso, a pele (mais
de 2m2. Ela reveste externamente a superfície do especificamente a epiderme) é rica em sulcos e
corpo, margeia seus orifícios e prolonga-se com as cristas que caracterizam as pessoas (como as im-
mucosas do corpo dando proteção contra desidra- pressões digitais) e as regiões do corpo.
tação e agentes nocivos (que podem ser agentes Em algumas regiões do corpo, a pele apresenta
químicos, físicos e biológicos). capacidade de contração devido à presença de fi-
Além disso, a pele apresenta inúmeros recep- bras musculares lisas. Isso acontece, por exemplo,
tores sensitivos (de dor, tato, temperatura, pressão na pele dos mamilos e do escroto. Ademais, a pele
etc.) os quais ligam-se ao sistema nervoso central pode ser extremamente elástica (como ocorre no
informando-o constantemente das condições do dorso da mão) ou pouco elástica (como ocorre na
meio externo. Adicionalmente, por seu intermé- palma da mão). No entanto, o envelhecimento faz
dio, pode ocorrer eliminação e absorção de várias que ocorra expressiva perda da elasticidade da pele
substâncias do corpo como, por exemplo, medi- uma vez que suas fibras elásticas diminuem em
camentos. Ela é fantástica! termos quantitativos e tornam-se desorganizadas.
Algumas características da pele podem variar Tal fato associa-se ao aumento do número de rugas
de acordo com as regiões do corpo. Sua espessura, e de flacidez. Vale ressaltar que quando ocorre a
por exemplo, pode variar de 0,5 a 4 mm. Normal- distensão excessiva da pele (em caso de gestação,
mente é mais espessa nas superfícies dorsais e ex- obesidade, edema etc.), pode haver alteração da
tensoras do corpo, e em regiões sujeitas à pressão sua estrutura, com adelgaçamento e ruptura dos
onde é chamada de pele grossa. Em contrapartida, feixes de fibras elásticas.

UNIDADE 1 23
Vale destacar que a pele pode apresentar-se flá-
cida quando a ingestão de proteínas é muito baixa.
Isto porque os fibroblastos da pele necessitam de
aminoácidos para efetivarem a síntese de colágeno,
cuja ausência implica em flacidez cutânea. A vita-
mina C estimula a síntese de colágeno e, de igual
modo, sua ausência a reduz.
A proliferação das células da pele dependem do
ritmo circadiano, sendo mais acentuada durante
o repouso. O conhecimento da cronobiologia da
pele tem permitido aos dermatologistas, cosme-
tologistas e profissionais que trabalham em seu
benefício, otimizarem a absorção de compostos
pela pele, estimulando a utilização de protetores
solares durante o dia e cremes hidratantes e nutri-
tivos durante a noite.
A cor da pele depende de alguns fatores como
a quantidade de pigmentos (principalmente me-
lanina e caroteno), da cor do sangue circulante, da
Processo de Envelhecimento da Pele espessura da epiderme e da quantidade de vasos
capilares sanguíneos. Este último fator explica, por
exemplo, o fato da pele ficar avermelhada quando
aquecida em decorrência da vasodilatação perifé-
rica e, em contrapartida, o fato da pele ficar pálida
(esbranquiçada) em função da vasoconstrição.

Figura 5 - Diferentes tipos de pele humana - A: Pele fina; B: Pele grossa.

24 Introdução à Anatomia Humana e Aparelho Locomotor


A melanina é produzida pelos melanócitos de disso, na epiderme, a queratina é responsável pela
maneira geneticamente determinada. Embora relativa impermeabilidade que a pele apresenta,
o número de melanócitos seja quase o mesmo dificultando a evaporação de água (o que é es-
em todas as raças, a quantidade de melanina que sencial à manutenção da homeostasia corpórea),
eles produzem determina a cor que a pele apre- impede a penetração de substâncias químicas
sentará (negros têm muita melanina e albinos lesivas e minimiza a invasão de microrganismos.
não a apresentam). É importante destacar que A epiderme não tem vasos linfáticos nem san-
a melanina protege dos raios solares (e conse- guíneos e por isso recebe sua nutrição do tecido
quentemente da incidência de câncer de pele). conjuntivo da derme. Apresenta três tipos princi-
Todavia, um tipo específico de câncer, o mela- pais de células: as células epiteliais (que são as mais
noma maligno, pode acometer os melanócitos. abundantes e formam o epitélio pavimentoso que-
Sua prevenção se relaciona à menor exposição ratinizado), os melanócitos e as células do sistema
aos raios ultravioletas. A exposição da pele ao imune. Histologicamente (ou seja, quando vista
sol causa escurecimento porque a melanina já ao microscópio), a epiderme é constituída por 5
existente na pele sofre um processo de escureci- estratos de células: estrato córneo, estrato lúcido,
mento e, concomitantemente, ocorre ativação da estrato granuloso, estrato espinhoso e estrato basal
síntese de nova melanina a partir da liberação do (ou germinativo).
hormônio estimulante de melanócitos (MSH), A derme fica abaixo da epiderme, tem muito
produzido pela glândula hipófise. tecido conjuntivo e é a camada mais espessa da
O caroteno também influencia na coloração da pele. É rica em fibras colágenas e elásticas, o que
pele, podendo fazer que ela apresente uma colo- lhe dá a capacidade de distensão quando tracio-
ração amarelada. Este pigmento está presente em nada. Apresenta muitos vasos sanguíneos e linfá-
alimentos como cenoura, abóbora e mamão. No ticos, nervos e terminações nervosas. Devido aos
entanto, é importante enfatizar que a pele amare- vasos sanguíneos e glândulas que apresenta, ela
lada pode surgir em decorrência de doenças que participa da regulação da temperatura corporal,
podem alterar a coloração normal da pele (como na chamada termorregulação.
icterícia, hepatites etc.). A derme apresenta duas camadas: papilar e
Como visto anteriormente, a pele é constituída reticular. A camada papilar é fina e formada por
por duas camadas sobrepostas: a epiderme e a tecido conjuntivo frouxo que penetra nas papilas
derme. A epiderme é formada por várias cama- dérmicas formando as cristas dérmicas (impres-
das de células. As mais profundas sofrem divisões sões digitais) visíveis na superfície da pele. Nas
celulares, se proliferam e empurram as demais papilas dérmicas, estão presentes vasos sanguí-
células para regiões mais superficiais as quais pas- neos e receptores do tato. Complementarmente,
sam por um processo de queratinização. Assim, a camada reticular apresenta muitas fibras colá-
quando queratinizadas e mortas, tais células são genas, elásticas e reticulares entrelaçadas.
eliminadas pelo próprio atrito. Na derme, estão os folículos pilosos, as glându-
Como a queratina é uma proteína de fácil hi- las sudoríparas, as glândulas sebáceas e os mús-
dratação, a tumefação característica da pele de culos eretores do pelo. Sua superfície profunda se
indivíduos que ficam muito tempo submersos fixa aos ossos, músculos ou ao tecido conjuntivo
na água se deve à hidratação excessiva dela. Além da tela subcutânea.

UNIDADE 1 25
Pele Humana pelas emoções (o que explica o fato de em situa-
ções de estresse físico ou psicológico haver au-
mento da sudorese). Seu número varia de acordo
com as regiões do corpo, sendo abundantes nas
Poros palmas das mãos e plantas dos pés, escassas no
dorso corpo e ausentes nas pálpebras e glande.
Epiderme Em algumas regiões do corpo (como axila,
região inguinal, órgãos genitais externos e ânus)
Glândula
sebácea
existem algumas glândulas muito semelhantes
Derme Glândula às glândulas sudoríparas. Todavia, a secreção de
sudorípara tais glândulas é um pouco diferenciada, pois é
Folículo ligeiramente viscosa, apresenta alguns produtos
piloso
Adipócitos
da desintegração de células glandulares e pode
Hipoderme
desenvolver um odor característico em função
das bactérias locais.
Músculo
As glândulas sebáceas secretam sebo (consti-
tuído de gorduras), cuja função é lubrificar a pele
Figura 6 - Pele humana
e os pelos. Assim, o sebo diminui o ressecamen-
to dos pelos e previne a evaporação excessiva da
Anexos da Pele pele, mantendo-a macia e inibindo o crescimento
bacteriano. Normalmente elas ficam próximas
Os anexos da pele localizam-se na epiderme, na aos folículos pilosos e não existem nas regiões
derme e até mesmo na tela subcutânea. Incluem palmares e plantares. Na adolescência, é comum,
as glândulas sudoríparas, as glândulas sebáceas, por influência hormonal, que as glândulas se-
as mamas, os pelos e as unhas. báceas sejam estimuladas e passem a produzir
As glândulas sudoríparas possibilitam a su- maior quantidade deste sebo. Tal fato, associado
dorese ou também chamada transpiração, que à queratinização anormal, à impactação do fluxo
nada mais é do que a eliminação do suor a fim do sebo e ao crescimento bacteriano exacerbado,
de manter a homeostasia corpórea (tais glândulas pode causar uma infecção dérmica ou hipodér-
atuam na termoregulação). O suor é semelhante mica conhecida como acne.
ao plasma sanguíneo, contém sódio, potássio, clo- As mamas situam-se à frente dos músculos
reto, ureia, amônia, ácido úrico e uma pequena peitorais e são popular e erroneamente chamadas
quantidades de proteínas. O odor do suor se deve de seios. Este termo foi atribuído às mamas em
à ação das bactérias sobre ele e das substâncias decorrência do fato de entre elas existir um sulco
orgânicas eliminadas. intermamário o qual no passado era chamado de
As glândulas sudoríparas também atuam na seio. Elas têm por função secretar inicialmente o
excreção de metabólitos, medicações e alimentos. colostro e posteriormente o leite para a nutrição
Elas são inervadas pelo sistema nervoso autôno- do recém-nascido uma vez que é rico em proteí-
mo simpático e por isso podem ser influenciadas nas, lactose, lipídeos e sais minerais.

26 Introdução à Anatomia Humana e Aparelho Locomotor


As mamas são constituídas por 15 a 20 glân- Infelizmente, o câncer de mama atinge grande
dulas especializadas na produção de leite, as quais parte da população feminina mundial. A prevenção
passam por um amplo desenvolvimento durante a é a melhor forma de conter esta doença. Para tanto,
puberdade em decorrência da influência hormo- a palpação periódica dos linfonodos de drenagem
nal. Por isso, as mamas são vistas como caracteres das mamas e o autoexame de mama são essenciais.
sexuais secundários e sofrem uma involução (cha-
mada de involução climatérica da mama) gerando Músculo Peitoral
Maior
redução de tamanho, atrofia de ductos, de glându-
las e tecido conjuntivo caracterizando a involução Tecido Adiposo

senil. Nos homens, elas são pouco desenvolvidas. Glândulas


A influência hormonal sobre as mamas tam- Mamárias
bém pode ser vista durante o período gestacional
e de lactação, e durante o período pré-menstrual.
Mamilo
No primeiro caso, as mamas podem até triplicar
de tamanho. No segundo, pode haver enrijeci-
mento e um quadro doloroso nas mamas. Papila
Mamária
As mamas apresentam uma região central
projetada chamada papila mamária onde desem- Ductos
bocam de 15 a 20 ductos lactíferos. A papila é Lactíferos

bastante inervada e sua pele apresenta fibras mus- Costelas


culares lisas cuja contração (desencadeada por Figura 7 - Anatomia das mamas
estímulos mecânicos, táteis, térmicos ou sexuais)
faz que ela enrijeça. Ao redor da papila está a aréo- Os pelos recobrem uma parte considerável da
la da mama, uma área bastante pigmentada onde pele dos mamíferos, embora em algumas regiões
existem glândulas sudoríparas e sebáceas que são específicas possam ser ausentes (como no dorso
visíveis como pequenas saliências. Na gravidez, a das falanges distais e nas regiões palmar e plan-
aréola da mama escurece e tende a manter esta tar). Os pelos dão proteção ao corpo, participam
cor após o período gestacional. da termorregulação, da evaporação do suor e da
Internamente, as mamas são compostas por sensibilidade tátil. Eles variam de acordo com as
glândulas mamárias cujos ductos lactíferos se diferentes regiões corpóreas, com o sexo e grupo
abrem na papila mamária. O conjunto destas étnico. Sua coloração depende da quantidade de
glândulas é chamado de corpo da mama. Além melanina que apresentam de forma que a ausência
disso, uma grande quantidade de tecido conjunti- deste pigmento faz que sejam brancos.
vo forma o estroma da mama. O tecido conjuntivo Os pelos apresentam duas partes: haste (acima da
denso forma trabéculas (ligamentos cutâneos ou pele) e raiz (dentro do folículo piloso que fica dentre
ligamentos suspensores da mama) que sustentam da derme e da tela subcutânea). A base do folículo
o tecido adiposo da mama. A forma e o tamanho piloso é dilatada, formando o bulbo piloso e, a cada
das mamas dependem da quantidade de tecido pelo, há um músculo eretor do pelo cuja contração
adiposo que elas apresentam. faz que ele fique ereto e a pele próxima arrepiada.

UNIDADE 1 27
Além disso, ocorre a contração da glândula sebácea cuja secreção é eliminada ao meio externo
para diminuir a perda de calor corpóreo. O músculo eretor do pelo pode se contrair involuntaria-
mente a partir de emoções (como susto e medo) e também pela influência do frio. Ao redor das
raízes dos pelos, existem várias
terminações nervosas e vasos
sanguíneos.
Os pelos são constituídos Pelo propiamente
de células queratinizadas e in- dito
cluem cabelos, supercílios, cí-
lios, vibrissas (pelos do nariz), Escalpo Músculo
bigode, barba, hircos (pelos da eretor do pelo
axila) e púbios (pelos da região
Glândula Folículo
púbica). Pelos escuros apresen-
sebácea piloso
tam medular, cortical (pigmen-
tada) e cutícula; pelos brancos Papila do Raiz do pelo
têm as mesmas camadas, mas pelo
Vasos
a cortical é despigmentada; sanguíneos
pelos loiros não têm medular. Figura 8 - Anatomia do pelo

As unhas são lâminas constituídas de células queratinizadas que recobrem a maior parte das falanges
distais das mãos e pés a fim de protegê-las. Sua parte proximal é chamada de matriz da unha (oculta pela
pele que a recobre) e sua parte distal e principal é o corpo da unha. A matriz da unha garante a formação
e o crescimento da unha. Próximo à raiz, há uma região esbranquiçada em forma de meia lua chamada
de lúnula e uma prega que a fixa chamada de eponíquio (ou popularmente, cutícula). As margens la-
terais e a margem proximal da unha são fixas aos dedos e sua margem distal é livre. Sua transparência
permite ver a tonalidade rosada
ha
do leito da unha (local bastante a a a un
nh nh ld
vascularizado e inervado onde d a u da u ida la
t r iz ai z x im t í cu
a unha repousa). a R r o u
M
gap i o/C ha
As unhas crescem durante Pr
e q u un a
o n í d a u nh
o da
toda a vida (cerca de 1mm / se- Ep rp
Co e ito vre
da
mana), pois as células epiteliais L li
gem
da raiz se proliferam e sofrem mar unha
queratinização formando a pla-
Falange distal
ca córnea constituída de célu-
las mortas. O crescimento das Estrato
unhas tende a ser maior no ve- germinativo
rão e não ocorre em cadáveres. Figura 9 - Anatomia da unha

28 Introdução à Anatomia Humana e Aparelho Locomotor


Tela Subcutânea Embora ela seja mais espessa nas mulheres e sua
distribuição no corpo feminino seja uma carac-
A tela subcutânea é formada por tecido conjunti- terística sexual secundária (haja vista ela predo-
vo frouxo, tecido adiposo e fibras elásticas. Ela une minar na região de baixo ventre e quadris), em
frouxamente a derme aos órgãos adjacentes, pro- alguns lugares do corpo ela quase inexiste (como
tege contra choques e atua como isolante térmico. no pavilhão auditivo, pálpebras, lábios menores
Adicionalmente, a tela subcutânea representa uma do pudendo, escroto e prepúcio).
reserva de nutrientes e armazena temporariamen- O tecido conjuntivo subcutâneo tem muitos
te alguns hormônios e medicamentos liposso- vasos sanguíneos e vasos linfáticos. Além dis-
lúveis. Tal fato pode ser útil quando se utilizam so apresenta raízes dos folículos pilosos, parte
injeções subcutâneas de liberação lenta aplicada das glândulas sudoríparas, nervos cutâneos e
diretamente na tela subcutânea. Todavia, isso terminações nervosas (principalmente relacio-
pode ser indesejável quando a via de adminis- nadas à pressão).
tração é outra, mas o medicamento é parcialmente A espessura da tela subcutânea varia de acordo
armazenado na tela subcutânea comprometendo com o estado nutricional do indivíduo e tende a
sua biodisponibilidade e consequentemente sua ser maior nas mulheres e a aumentar com a idade
ação (é o caso, por exemplo, de medicamentos à em ambos os sexos. Histologicamente, apresenta
base de hormônios lipossolúveis). as camadas areolar, lamelar e a fáscia superficial. A
A tela subcutânea forma uma camada variável gordura da tela subcutânea normalmente é usada
de tecido adiposo chamada de panículo adiposo. em situações de privação alimentar e desnutrição.

Você sabia que a pele tem importante participação da síntese da vitamina D? Tal fato é extremamente
importante, pois a vitamina D atua aumentando a absorção de fosfato e cálcio no intestino. A síntese
desta vitamina depende da incidência dos raios ultravioletas, os quais, ao atingirem a pele, transfor-
mam a pré-vitamina D obtida nos alimentos em sua forma ativa. No verão, a síntese de vitamina D
é grande, permitindo que o excedente do consumo seja armazenado no fígado, possibilitando que
a reserva seja consumida durante o inverno (pela menor disponibilidade de luz solar). Vale destacar
que deficiências na vitamina D podem causar raquitismo (nas crianças) e osteomalácea (nos adultos).
Outro dado interessante é o fato da vitamina A (ácido retinóico) ser fundamental para a manutenção
da estrutura epitelial normal, pois é necessária para que as células basais se diferenciem em epitélio
garantindo assim a integridade da pele e das mucosas. Sua deficiência causa lesões cutâneas como
hiperceratose folicular (pele de sapo, escamas de jacaré), cegueira noturna (nictalopia), amolecimento
e ulceração da córnea.

UNIDADE 1 29
ALTERAÇÕES CORRELATAS

Dermatite Vitiligo
É a inflamação da pele que pode ocorrer, por É uma doença na qual os melanócitos são perdi-
exemplo, quando a pele é exposta a substâncias dos parcial ou completamente. Assim, a atuação
irritantes químicas ou físicas, ao contato com agen- deles na produção de pigmento na epiderme é
tes tóxicos ou pode ser em decorrência à exposi- prejudicada, fazendo que apareçam manchas de
ção excessiva aos raios ultravioletas do sol. Quando tonalidade mais clara pelo corpo. Suas causas in-
streptococos pyogenicos infectam a pele, podem cluem autoimunidade, fatores neuro-humorais e
aparecer impetigo (lesão ulcerosa e até purulenta) autodestruição dos melanócitos por intermediá-
e erisipela (grave infecção da pele). rios tóxicos da síntese de melanina.

Caspas Eritema
Também chamadas de dermatite seborreica, as É a coloração anormalmente avermelhada da pele
caspas são caracterizadas por placas amareladas que ocorre em casos de lesão cutânea, exposição
e oleosas em toda a extensão do couro cabeludo. ao calor excessivo, infecção, inflamação ou reações
Seu agente causador são fungos, e normalmente alérgicas. Ocorre por ingurgitamento dos leitos
culminam em queda dos cabelos. capilares superficiais.

Cianose Cicatrização
É a pele azulada comum em casos de hipóxia/anó- Incisões paralelas às linhas de clivagem da pele
xia (diminuição / falta de oxigênio). Isso ocorre por- tendem a cicatrizar facilmente e com pouca marca
que a hemoglobina (responsável pelo transporte de cicatrização. No entanto, quando a incisão é
de gases no sangue) apresenta coloração vermelho transversal às linhas de clivagem, mais fibras colá-
vivo ao transportar o oxigênio e coloração arroxea- genas são rompidas e a cicatrização é mais difícil,
da quando o oxigênio não está em quantidade podendo desencadear uma cicatrização excessiva
suficiente. É mais evidente onde a pele é fina como chamada queloide.
nos lábios, pálpebras e unhas transparentes.

Icterícia Estrias cutâneas


É a coloração amarelada da pele e das escleras dos Estrias são linhas finas e enrugadas que aparecem
olhos. É comum em alguns distúrbios do fígado, na pele, inicialmente com a coloração avermelha-
porque um pigmento amarelado (chamado bilir- da e posteriormente esbranquiçada. Elas surgem
rubina) acumula-se no sangue. É mais evidente porque os ajustes da pele em relação à distensão
em pessoas de pele clara. e crescimento não são suficientes para evitar que
as fibras colágenas da derme se rompam.
Ocorrem comumente em gravidez, com o aumento
de peso acentuado (obesidade), em algumas doen-
ças (hipercortisolismo ou síndrome de Cushing), e
são comuns nas nádegas, abdome, coxas e mamas.

30 Introdução à Anatomia Humana e Aparelho Locomotor


Queimaduras
São causadas por trauma térmico, radiação ultravioleta ou ionizante,
agentes químicos dentre outros. São classificadas de acordo com a
profundidade da lesão em queimaduras de primeiro, segundo e ter-
ceiro graus.
A queimadura de primeiro grau é mais superficial, pois limita-se à epider-
me. Ocorre, por exemplo, por exposição ao sol. Seus principais sintomas
incluem dor, eritema e edema. Geralmente causa descamação da cama-
da mais superficial, sendo facilmente substituída sem que haja cicatriz.
A queimadura de segundo grau tem uma profundidade interme-
diária, havendo danos à epiderme e à derme superficial. É comum o
aparecimento de bolhas e dor em função da agressão às terminações
nervosas. A cicatrização é lenta (em média 3 meses) e pode haver
cicatriz e algum grau de retração ou contratura.
A queimadura de terceiro grau é profunda, pois acomete toda a es-
pessura da pele, tela subcutânea e até mesmo músculos subjacentes.
É comum o aparecimento de edema e anestesia da região acometida
em função da lesão das terminações nervosas locais. Pode exigir,
inclusive, enxerto de pele.
É importante enfatizar que a extensão da queimadura geralmente
é mais importante do que o grau da lesão. De acordo com a Ameri-
can Burn Association, uma queimadura extensa é representada por
uma queimadura de 3° grau em mais de 10% da área de superfície
corporal, ou uma queimadura de 2° grau em mais de 25% desta área
ou ainda qualquer queimadura de 3° grau em mãos, pés, face ou pe-
ríneo. Quando a área queimada do corpo ultrapassa 70% da área de
superfície corporal, a taxa de mortalidade passa a ser superior a 50%

Acne
A acne é uma infecção dérmica ou hipodérmica comum, mas não
exclusiva da adolescência (devido à forte influência hormonal que
ocorre nesta fase da vida). Ela é causada pela estimulação excessiva
das glândulas sebáceas que passam a produzir maior quantidade
de sebo, aliada à queratinização anormal, à impactação do fluxo do
sebo e ao crescimento bacteriano exacerbado.

UNIDADE 1 31
Ao chegarmos ao término do
estudo específico do tegumento
comum, você deve ser capaz de
diferenciar as estruturas anatô-
micas que formam este sistema,
de entender seus principais as-
pectos morfológicos e funcio-
nais. Ademais, é importante que
você se sinta familiarizado com
as principais alterações comuns
ao tegumento comum e que
busque sempre o conhecimento
específico das principais técni-
cas profiláticas e terapêuticas de
tais males.
Além disso, você, enquan-
to profissional da saúde, não
pode esquecer o fato de que a
pele é um dos melhores indica-
dores da saúde do ser humano.
Por isso, seu exame detalhado,
além de ser facilmente reali-
zado, é imprescindível e pode
evitar maiores complicações à
saúde. Assim, é importante que
você se aplique à sua prática e se
aperfeiçoe em suas habilidades
profissionais sempre se capaci-
tando e buscando a excelência.
Muito sucesso a você!

32 Introdução à Anatomia Humana e Aparelho Locomotor


Sistema
Esquelético

Generalidades
sobre os Ossos

Ossos são peças rígidas, com formatos variados.


Eles são muito plásticos, ou seja, adaptam-se às
estruturas vizinhas, inclusive permitindo que tais
estruturas lhes imprimam marcas em decorrência
do contato. Isto pode ser visto, por exemplo, ao
examinar a face interna da calota craniana. Nes-
sa região aparece claramente os sulcos venosos e
arteriais, além das impressões dos giros.
A criança apresenta um total de 350 ossos, mas
o indivíduo adulto tem este número reduzido para
206. Você pode se perguntar: “O que ocorre para
este número reduzir tanto”? Na verdade, há uma
fusão em vários ossos do corpo, por exemplo, no
osso frontal, no sacro e nos ossos do quadril. Além
disso, você precisa saber que este número pode
sofrer variações de acordo com características in-
dividuais. Por exemplo, se a pessoa tiver um dedo
ou uma costela a mais ou a menos. Além disso,
esse número total de ossos no indivíduo adulto
também pode ser influenciado pelo critério de
contagem que foi adotado.

UNIDADE 1 33
Muitas vezes escuto pessoas dizendo que seus o corpo humano na posição bípede (em pé). A
pesos na balança não estão altos porque estão “aci- habilidade dos ossos em suportar o peso corporal
ma do peso”, mas que seu peso está alto porque e dar forma aos diferentes segmentos do corpo
elas têm os ossos largos e pesados. Sorrio quan- é extraordinária. Tais funções são prontamente
do ouço isso porque tenho a impressão de que as percebidas quando imaginamos um osso fratura-
pessoas se veem como o Wolverine e seus ossos de do (o fêmur, por exemplo) e temos a clara certeza
adamântio. Acho que as pessoas imaginam que os de que é impossível descarregar peso naquele
ossos pesam muito mais do que verdadeiramente membro inferior. Além disso, se você comparar
pesam. Você sabe qual é o peso real dos seus os- a forma arredondada do seu crânio à forma alon-
sos? Na verdade, o peso médio dos ossos de um gada de seus dedos terá clareza de que os ossos
homem adulto de cerca de 80 Kg é cerca de 12 Kg. são os responsáveis diretos por tais diferenças.
Assim, não é tanto quanto a maioria das pessoas Quando os ossos protegem os órgãos inter-
julgam ser. nos, armazenam íons essenciais, sintetizam células
Por fim, gostaria de esclarecer que, além dos os- sanguíneas e absorvem toxinas, certamente, con-
sos convencionais conhecidos por nós desde a vida cluímos que suas funções também são vitais. Ao
inteira, existem também alguns ossos especiais, observarmos, por exemplo, a importante ação das
por exemplo, os ossos suturais (que ficam entre costelas e do osso esterno envolvendo o coração
as suturas do crânio) e os ossos heterotópicos que e os pulmões, e do crânio envolvendo o encéfalo,
se formam nos tecidos moles (como nas coxas de fica claro o quanto os ossos nos são relevantes.
jóqueis em áreas onde a hemorragia se calcifica). Além disso, eles atuam como reservatórios de
cálcio, fosfato e magnésio os quais são essenciais
à transmissão sináptica e à contração muscular.
Funções do Esqueleto A síntese de células sanguíneas ocorre por
meio da medula óssea vermelha que se localiza
Se você acha que a função dos ossos se restringe no interior dos ossos (este assunto será esclarecido
a possibilitar movimentos, você está muito enga- adiante). E, por fim, eles são hábeis em absorver
nado. Na verdade, o esqueleto desempenha vá- toxinas e metais pesados da corrente sanguínea
rias funções, inclusive algumas consideradas vitais diminuindo os efeitos deletérios destes compos-
(MOORE et al., 2014). tos em outros tecidos (principalmente no fígado
De fato, os ossos se relacionam ao movimento e nos rins).
embora não os produzam. Isto porque quem faz
o movimento acontecer são os músculos e, por
isso, estes são considerados os elementos ativos do Divisões do Esqueleto
movimento (por outro lado, ossos são elementos
passivos do movimento). Dessa forma, os ossos O esquelético pode ser dividido em duas partes
são tracionados pelos músculos em um efeito de funcionais, porém interligadas: o esqueleto axial
alavanca. É o que ocorre, por exemplo, quando o e o esqueleto apendicular. O esqueleto axial é for-
músculo quadríceps femoral traciona a tíbia e gera mado pelos ossos localizados na região central do
movimento de extensão do joelho. corpo, como aqueles da cabeça (ossos do crânio),
Outras duas funções dos ossos podem ser pescoço (osso hioide e vértebras cervicais) e no
identificadas quando observamos atentamente tronco (osso esterno, costelas, vértebras e sacro).

34 Introdução à Anatomia Humana e Aparelho Locomotor


Já o esqueleto apendicular é formado pelos ossos Tipos de Ossos Quanto à Forma
localizados nas extremidades do corpo, ou seja, nos
membros superiores e inferiores incluindo aqueles Ao avaliar o comprimento, a largura e a espessu-
que formam os cíngulos (escápula, clavícula e ossos ra dos ossos, podemos agrupá-los em seis tipos
do quadril) (DANGELO; FATTINI, 2011). principais: longos ou tubulares, curtos, laminares
ou planos, irregulares, sesamoides e pneumáticos
(WATANABE, 2000).
Os ossos longos ou tubulares têm predomínio
do comprimento em relação à largura e à espessura.
Apresentam uma cavidade central (chamada ca-
vidade medular) que abriga a medula óssea. Além
disso, sua parte central é chamada de diáfise e suas
extremidades são as epífises. Enquanto, a epífise
proximal fica mais próxima do cíngulo do mem-
bro, a epífise distal fica mais distante dele. A região
de transição entre epífise e diáfise recebe o nome
de metáfise. O fêmur é um exemplo deste tipo de
osso. Alguns ossos têm características semelhantes,
mas não apresentam cavidade medular e, por isso,
são chamados de alongados ao invés de longos.
Ossos curtos têm os três diâmetros (compri-
mento, largura e espessura) equivalentes apresen-
tando forma cuboide. É o que ocorre, por exemplo,
com os ossos carpais e tarsais. Por outro lado, os
ossos laminares ou planos são largos e pouco
espessos. Geralmente, esses ossos têm função pro-
tetora, como os ossos planos do crânio (o parietal
é um bom exemplo).
Já os ossos irregulares (como o próprio nome
já revela) têm formatos variados sem predomínio
específico do comprimento, da largura ou da espes-
sura. São exemplos os ossos da face e as vértebras.
Os ossos sesamoides são também chamados
de ossos intratendíneos ou periarticulares, pois se
desenvolvem em alguns tendões e são encontrados
onde os tendões cruzam as extremidades dos ossos
longos. Assim, eles protegem os tendões contra
desgastes e podem mudar seu ângulo de inserção. A
patela é um deles. Todavia, algumas pessoas podem
apresentar ossos sesamoides nas mãos e pés como
Figura 10 - Esqueleto axial x Esqueleto apendicular variação anatômica.

UNIDADE 1 35
Os ossos pneumáticos apresentam cavidades A constituição do tecido ósseo também é fa-
contendo ar em seu interior. Localizam-se no crânio, bulosa, pois os ossos são constituídos a partir de
por exemplo, o osso frontal, a maxila, o esfenoide e o três componentes principais: água, matriz óssea
etmoide. Suas cavidades são revestidas por mucosa e orgânica e matriz óssea inorgânica (DANGELO;
são chamadas de seios. Devido ao fato de drenarem FATTINI, 2011).
seu conteúdo mucoso para a cavidade nasal podem A água representa cerca de 25% da estrutura
ser chamados, em conjunto, de seios paranasais. óssea. Todavia, é importante ressaltar que esta pro-
porção é maior em recém-nascidos e crianças, e
vai diminuindo à medida que o envelhecimento
ocorre. Por isso, o envelhecimento faz com que
os ossos fiquem mais sujeitos a sofrerem fatu-
ras as quais, em idosos, são chamadas de “fratura
em galho seco”. Crianças têm “fratura em galho
verde”. Além disso, ossos de idosos normalmente
apresentam maior dificuldade para consolidação
de fraturas uma vez que a quantidade de matriz
orgânica diminui.
A matriz orgânica também representa cerca de
25% da estrutura óssea e é constituída por proteo-
glicanas e colágeno. Assim, esta matriz é rica em
proteínas que dão resistência à tensão e à tração
às quais os ossos estão sujeitos diariamente. Por
isso, a matriz orgânica está diretamente relacio-
nada à maleabilidade óssea, ou seja, sua ausência
pode causar doenças, por exemplo, a doença dos
Figura 11 – Comparação entre os tipos de ossos: a) exemplo
de osso irregular, b) exemplo de osso sesamoide e c) exemplo ossos de vidro. Nesse caso, os ossos não resistem
de osso longo à tensão e à tração que os músculos lhes impõem
e se tornam fragilizados e quebradiços, mesmo
Constituição e aos menores esforços. Sobre a matriz orgânica se
Arquitetura dos Ossos deposita a matriz inorgânica.
A matriz inorgânica representa cerca de 50%
Quando você observa atentamente um osso, é co- da estrutura óssea. É constituída por sais minerais
mum achar que se trata de um tecido inerte, seco e (principalmente, fosfato de cálcio e carbonato de
até sem vida. Todavia, muito pelo contrário, o tecido cálcio) os quais formam a hidroxiapatita que dá
ósseo é vivo, dinâmico e se desenvolve e cresce por ao osso resistência à compressão. Deficiência nos
meio de um metabolismo muito ativo. Pra você ter componentes dessa matriz também pode tornar
uma ideia, os ossos são renováveis, em média, a cada os ossos fragilizados e quebradiços.
dois anos. Isto significa que o fêmur ou o crânio que O tecido ósseo pode se organizar em dois tipos
você tem hoje, não são os mesmos que você tinha principais de ossos: os compactos ou corticais e os
há dois anos e nem serão os mesmos que você terá esponjosos ou trabeculares. No osso compacto, as
daqui a dois anos. Fantástico, não? trabéculas ósseas estão justapostas e formam uma

36 Introdução à Anatomia Humana e Aparelho Locomotor


estrutura pouco porosa e com alta capacidade de resistência para sustentação de peso. Assim, atuam
como colunas que suportam a descarga de peso.
Em contrapartida, no osso esponjoso as trabéculas ósseas não estão justapostas, mas deixam
espaços entre si os quais são preenchidos por ar. Essa disposição origina uma estrutura altamente
porosa e adaptada à absorção de impacto uma vez que o ar presente em meio às trabéculas ósseas
funciona como um coxim aerífero que amortece a descarga de peso.
Osso esponjoso Osso esponjoso
Epífise proximal

Osso compacto

Cartilagem articular

Linha epifisial

Periósteo Artérias nutrícias


Osso compacto
Cavidade medular
Endósteo

Medula óssea
amarela
Diáfise
Epífise distal

Artérias nutrícias

Periósteo

Figura 12 - Osso compacto e esponjoso Osso compacto

É importante que você saiba que a distribuição de uma massa central de osso esponjoso, ossos longos
tecido ósseo compacto e esponjoso nos ossos não adaptados à descarga de peso (como o fêmur, por
é uniforme, mas depende das solicitações biome- exemplo) apresentam maior quantidade de osso
cânicas impostas aos ossos, ou seja, varia de acor- compacto próximo da parte média da diáfise onde
do com a função exercida pelo osso, com a tração tendem a se curvar. O mesmo não acontece, por
e com a pressão a que os ossos são submetidos. exemplo, nos ossos longos que não recebem gran-
Assim, embora todos os ossos tenham uma fina des descargas de peso (por exemplo, úmero) ou nos
camada superficial de osso compacto ao redor de ossos carpais e tarsais.

UNIDADE 1 37
O efeito piezoelétrico explica alojado em seu interior. Em tais ossos, uma camada de osso esponjoso,
parcialmente as diferenças na ar- chamada díploe, fica interposta entre duas lâminas de osso compacto
quitetura dos ossos submetidos (uma lâmina externa e outra interna). Assim, quando uma força é im-
ou não à descarga de peso e à tra- posta à lâmina externa de osso compacto, a díploe absorve parte desta
ção óssea. Embora a descarga e a força (uma vez que em seu interior existe ar interposto às trabéculas
tração ocorram constantemente ósseas) minimizando as chances da lâmina interna de osso compacto se
em nosso dia a dia, normalmente fragmentar e lesionar o tecido nervoso adjacente. Na díploe, há medula
elas são maiores ao realizarmos óssea vermelha e por ela passam as veias.
exercícios físicos (MIRANDA
NETO; CHOPARD, 2014).
Segundo o efeito piezoelétrico,
regiões ósseas onde ocorre com-
pressão ficam sujeitas a potenciais
elétricos negativos, enquanto nas
demais regiões do osso aparecem
potenciais elétricos positivos.
Onde há potencial elétrico nega-
tivo, células ósseas sintetizadoras Figura 13 - Díploe
de ossos são ativadas fazendo
deposição óssea proporcional O tecido ósseo compacto está disposto em unidades chamadas
ao estímulo dado. Dessa forma, ósteons ou sistema de Havers. Em volta destes canais existem lame-
a tensão óssea estimula a síntese las concêntricas (anéis de matriz extracelular rígida e calcificada),
de matriz orgânica e a deposição entre as quais há pequenos canais (lacunas) contendo osteócitos
de sais minerais (MIRANDA que se comunicam entre si. Canalículos minúsculos com líquido
NETO; CHOPARD, 2014). extracelular irradiam-se pelos ossos fazendo difusão de oxigênio e
Esse princípio é facilmente nutrientes por todo o osso e drenando resíduos. Vasos sanguíneos,
identificado em atletas, os quais linfáticos e nervos provenientes do periósteo penetram no osso
têm estrutura óssea diferenciada compacto por meio de canais perfurantes transversos ou canais
em relação aos indivíduos seden- de Volkmann. O tecido ósseo esponjoso, ao contrário, não contém
tários e é aplicado à reabilitação ósteons. Ele é leve (o que reduz o peso total dos ossos) e tende a se
física de pacientes tetraplégicos localizar onde não há grandes forças ou onde as forças são aplicadas
que perdem a capacidade de a partir de muitas direções (MOORE et. al, 2014).
manter o ortostatismo. Para estes A manutenção da saúde dos ossos depende da atuação das células
pacientes, a pedestação por meio que os compõem: os osteoblastos, osteócitos e osteoclastos (MIRAN-
de mesas ortostáticas possibilita DA NETO; CHOPARD, 2014). Os osteoblastos são células jovens,
a manutenção da saúde óssea originadas de células osteoprogenitoras, com grande capacidade de
minimizando o aparecimento de divisão celular e, portanto, formadoras de osso. Elas sintetizam e se-
fraturas espontâneas. cretam fibras colágenas e outros componentes orgânicos necessários
A arquitetura dos ossos planos à formação da matriz extracelular e iniciam a calcificação. À medida
do crânio merece destaque, pois é que são recobertos por matriz, tornam-se presos em suas secreções
adaptada à proteção do encéfalo e se transformam em osteócitos.

38 Introdução à Anatomia Humana e Aparelho Locomotor


A ação das células ósseas de-
pende de diversos fatores como
idade, hereditariedade, nutri-
ção, doença, trauma, gravidez,
esforço funcional e influência
hormonal. Em relação aos hor-
mônios, os ossos sofrem forte
influência do hormônio do cres-
cimento (GH), dos hormônios
Figura 14 - Ósteon
sexuais (testosterona, estrógeno
Os osteócitos são considerados células ósseas maduras relacionadas e progesterona), da calcitonina
à manutenção do tecido ósseo e, por isso, são as principais células (hormônio tireoidiano) e do
desse tecido. Assim como os osteoblastos, não sofrem divisão celular paratormônio (ou hormônio
(apenas células osteoprogenitoras se dividem). paratireoidiano).
Já os osteoclastos são células grandes que resultam da fusão de até Enquanto o GH, os hor-
50 monócitos. Por meio de sua margem pregueada (lacunas de Ho- mônios sexuais e a calcitonina
wship), elas liberam enzimas proteolíticas que englobam e solubilizam atuam como hormônios os-
cristais que contêm cálcio dissolvendo as matrizes ósseas. Assim, estão teogênicos ativando osteoblas-
diretamente relacionadas à renovação óssea, uma vez que o tecido tos, o paratormônio estimula a
ósseo sofre reabsorção e reelaboração durante toda a vida fazendo degradação da estrutura óssea
com que o esqueleto seja constantemente renovado (lembra que, em por estimular os osteoclastos.
média, o esqueleto se renova a cada dois anos?). No entanto, sua ação Isto explica o fato da osteopo-
excessiva pode causar osteopenia que pode evoluir para osteoporose. rose (doença que torna os ossos
ESTRUTURA DO OSSO LONGO progressivamente mais porosos)
ser mais comum na velhice e nas
Ósteon Medula óssea amarela
Osso compacto
Canal Osteonico mulheres após a menopausa. Ne-
Osteócito las, há redução do estrógeno e da
Osteoblasto
Periósteo
renovação da matriz orgânica.
Osteoclasto
Célula Além disso, no indivíduo
osteoprogenitora
com osteoporose, devido à atua-
ção excessiva dos osteoclastos
causando osteólise, o nível de
Cartilagem Osso Ósteon cálcio no sangue pode subir
causando complicações como
Células do tecido ósseo depósito do cálcio nas articu-
lações e rins, e hipercoagulação
sanguínea (causando embolia
pulmonar, acidente vascular
Osteócito Osteoblasto Célula osteoprogenitora Osteoclasto encefálico isquêmico etc.).
Figura 15 - Células ósseas

UNIDADE 1 39
Estrutura óssea
Vale lembrar que deficiência na ingestão de determinados nutrien-
tes pode enfraquecer os ossos. É o caso, por exemplo, das proteínas
(uma vez que aminoácidos são necessários para formar colágeno),
vitamina C (que estimula a síntese do colágeno), vitamina D (que é
responsável pela absorção do cálcio e do fosfato do intestino; é ativada
pela exposição ao sol) e vitamina A (que ajuda a fazer com que os ossos
respondam adequadamente à tensão). Linha
epifisial Osso
esponjoso

Vasos
Embora as vitaminas A e D sejam importantes para os ossos, o sanguíneos
excesso de vitamina A acelera a ossificação causando cessação
precoce do crescimento corporal. Além disso, deficiência de vi-
Medula
tamina D pode causar raquitismo na criança e osteomalácia no óssea
amarela
adulto. Ambas são doenças caracterizadas pela baixa absorção de
cálcio pelo intestino e má calcificação da matriz óssea causando
amolecimento e deformação dos ossos.
Fonte: Guyton e Hall (2011).

Periósteo

Ainda em relação à constituição e arquitetura dos ossos, é importan-


te estudarmos a medula óssea (alojada no interior de alguns ossos), Cartilagem
articular
e as camadas de revestimento dos ossos (o pericôndrio, o periósteo
e o endósteo). A medula óssea está presente em praticamente todos
os ossos do feto e em alguns ossos dos adultos (como costelas, osso
esterno, ossos do quadril, crânio e ossos dos membros superiores
Figura 16 - Tipos de medula óssea
e inferiores). Nos ossos longos, o osso esponjoso da diáfise é subs-
tituído pela cavidade medular a qual abriga a medula óssea. Essa Pericôndrio, endósteo e periós-
medula pode ser vermelha ou amarela. A vermelha é um órgão teo são camadas de tecido con-
hematopoiético, ou seja, produz células sanguíneas. A amarela perde juntivo fibroso que revestem os
esta função em decorrência do próprio envelhecimento e se torna elementos do esqueleto. O peri-
altamente gordurosa. côndrio faz o revestimento das
Uma medula óssea anormal ou cancerosa pode ser substituída cartilagens nutrindo suas faces
por uma medula óssea vermelha saudável a fim de reestabelecer as externas; o endósteo reveste in-
contagens normais de células sanguíneas por meio de um trans- ternamente a cavidade medular
plante de medula óssea. A medula óssea vermelha saudável pode e contém uma única camada de
ser fornecida por um doador do qual é retirada, sob anestesia, da células formadora de osso; o pe-
crista ilíaca e injetada na veia do receptor em um processo muito riósteo faz o revestimento exter-
semelhante a uma transfusão de sangue. Um procedimento mais no dos ossos, é capaz de deposi-
moderno envolve o transplante de células do cordão umbilical tar mais osso (sobretudo durante
(MIRANDA NETO; CHOPARD, 2014). a consolidação de fraturas ou o

40 Introdução à Anatomia Humana e Aparelho Locomotor


crescimento ósseo), formar uma interface para fixação dos tendões e
dos ligamentos, proteger o osso e ajudar na nutrição do tecido ósseo.
O periósteo se fixa ao osso subjacente pelas fibras perfurantes (de
Sharpey) – feixes espessos de colágeno que se estende do periósteo
até o interior da matriz óssea (MIRANDA NETO; CHOPARD, 2014).
Pericôndrio Periósteo

Endósteo

Figura 17 - Pericôndrio, periósteo e endósteo

Crescimento Ósseo

As estruturas responsáveis pelo crescimento ósseo em compri-


mento e em espessura são diferentes. Enquanto o crescimento em
espessura dos ossos é possibilitado pelo periósteo, o crescimento
em comprimento é feito pela lâmina epifisial (WATANABE, 2000).
O periósteo já foi mencionado anteriormente como sendo uma
bainha de tecido conjuntivo que circunda a superfície externa dos
ossos em partes não cobertas pela cartilagem articular. Já a lâmina
epifisial é uma fina camada de cartilagem hialina localizada na
metáfise. Por volta dos 18 anos de idade para mulheres e 21 anos
para homens, ela se fecha, ou seja, suas células param de se dividir e
o osso substitui a cartilagem permanecendo apenas a linha epifisial.
A clavícula é o último osso a parar de crescer.
Cartilagem
Cartilagem
articular
Periósteo epifisial
Osso Osso
esponjoso compacto

Epífise Diáfise Epífise

Figura 18 - Periósteo e lâmina epifisial

UNIDADE 1 41
Nutrição e Inervação Óssea

Você já sofreu alguma fratura? Se já, sabe que dói A drenagem venosa dos ossos é feita por veias que
muito e que pode ocorrer sangramento e hema- seguem trajetos muito semelhantes aos das arté-
toma na região. Contudo, você sabe por que tais rias. Assim, as veias que drenam os ossos podem
coisas acontecem? A dor se deve ao fato dos ossos ser uma ou duas veias nutrícias (que acompanham
serem abundantemente inervados, e o sangramen- as artérias na diáfise), veias metafisárias e epifisiá-
to ocorre porque eles são muito vascularizados. rias (que acompanham as artérias metafisárias e
Vasos sanguíneos e nervos penetram a estrutu- epifisiárias) e veias periostais (que acompanham
ra óssea a partir do periósteo. Assim, as artérias pe- as artérias periostais).
riosteais penetram a diáfise dos ossos longos pas- De igual modo, os nervos dos ossos acompa-
sando por canais perfurantes e irrigam o periósteo nham os vasos sanguíneos que os suprem. Assim,
e a parte externa do osso compacto. Além disso, o periósteo é rico em nervos periostais sensitivos
próximo ao centro da diáfise uma grande artéria (alguns responsáveis pela dor) e nervos vasomo-
nutrícia penetra o osso pelo forame nutrício, chega tores responsáveis pela vasoconstrição e vasodila-
à cavidade medular, divide-se em ramos distal e tação dos vasos regulando o fluxo de sangue para
proximal para irrigar o tecido ósseo compacto, a medula óssea. Vale lembrar que no periósteo
esponjoso, medula óssea até as linhas epifisiais. É também tem vasos linfáticos.
importante ressaltar que enquanto alguns ossos
têm apenas uma artéria nutrícia (como a tíbia, por
exemplo), outros têm várias (como o fêmur). As Ossificação e Fratura
extremidades dos ossos são irrigadas por artérias
metafisárias e epifisiárias (MORRE et al., 2014). Você já se perguntou se os fetos têm ossos pron-
Vasos sanguíneos e nervos tos? Ou se todos os ossos dos fetos são de cartila-
responsáveis pela irrigação,
drenagem e inervação óssea
gem? Que tipo de substância pode originar osso?
Bom, para responder estas e outras perguntas,
primeiro é importante você saber que os ossos
não nascem prontos. Eles são gradativamente
formados por um processo contínuo chamado
ossificação ou osteogênese que se inicia na sexta
semana de desenvolvimento. A ossificação ocorre
a partir de células mesenquimais presentes no
esqueleto do embrião, no local onde os futuros
ossos serão formados (MIRANDA NETO; CHO-
PARD, 2014).
Embora alguns ossos (como o esfenoide e o
temporal) tenham uma ossificação mista, normal-
mente, ela ocorre de duas formas: a intramembra-
nosa e a endocondral. Na ossificação intramem-
Figura 19 – Artérias ósseas branosa, o osso se forma diretamente dentro do
mesênquima, em uma região chamada centro de

42 Introdução à Anatomia Humana e Aparelho Locomotor


ossificação. Ela ocorre nos ossos do crânio e na Principais Ossos do Corpo
mandíbula, os quais são ditos ossos conjuntivos. Humano
Já na ossificação endocondral, primeiro células
mesenquimais se aglomeram na forma do futuro
osso e se diferenciam formando um modelo de Ossos da Cabeça
cartilagem hialina envolto por pericôndrio. Esse
tipo de ossificação ocorre principalmente nos ossos Os ossos da cabeça são chamados em conjunto de
longos, os quais ditos ossos condrais. crânio. Esta estrutura, que se parece com um ca-
Depois do osso formado pode haver, em casos pacete ou com um estojo ósseo, tem por principal
de traumas ou doenças, a ruptura do osso carac- função proteger o encéfalo (parte do sistema ner-
terizando algum tipo de fratura. Elas são denomi- voso central popularmente conhecida como “cére-
nadas conforme a gravidade, a forma ou a posição bro”) que fica alojado em seu interior. No entanto,
da linha de fratura. Assim, os tipos mais comuns o crânio apresenta outras importantes funções, por
são fratura exposta, fechada, cominutiva, em galho exemplo, abrigar e proteger os órgãos dos senti-
verde, impactada ou por estresse (fissuras micros- dos (olhos, mucosa olfatória, órgão auditivo, órgão
cópicas, sem ruptura visível). O reparo de uma gustativo e do equilíbrio) por meio de cavidades
fratura é um processo relativamente lento e sua especiais (como a orbital, nasal, meato acústico
recuperação deve ser sempre acompanhada por interno e cavidade oral). Por fim, o crânio também
um profissional habilitado que acompanhe todas possibilita a mastigação e a fonação por meio dos
as etapas descritas porque se elas não forem respei- movimentos da Articulação Temporo-Mandibular
tadas, pode haver formação de um osso defeituoso. (ATM) (DANGELO; FATTINI, 2011).
O crânio tem um teto em forma de cúpula
(chamado de calvária) e um assoalho (chamado
Acidentes Anatômicos de base) e é formado por 22 ossos que se articu-
lam sendo apenas um deles amplamente móvel, a
Os acidentes anatômicos constituem os elementos mandíbula. Vale lembrar que no interior de dois
descritivos para o estudo dos ossos. Eles surgem destes ossos (os ossos temporais) estão presentes
onde há inserção de tendões, fixação de fáscias, os ossículos da audição chamados de martelo,
ligamentos, onde artérias penetram os ossos etc. bigorna e estribo, os quais não entram nesta con-
Podem ser de vários tipos, por exemplo, saliências, tagem (DI DIO, 2002).
depressões e aberturas. Dos 22 ossos, 8 formam o crânio neural (osso
As saliências (como os processos, tubérculos, frontal, occipital, esfenoide, etmoide, parietais
eminências, cristas, espinhas etc.) geralmente es- e temporais) e 14 formam o crânio facial ou
tão relacionadas a pontos de inserção de músculos visceral (mandíbula, vômer, nasais, palatinos,
e fáscias. As depressões (como as fossas, sulcos, maxilas, zigomáticos, lacrimais e conchas nasais
incisuras etc.) geralmente servem para adapta- inferiores). Lembre-se de que a maxila e a man-
ção a estruturas vizinhas. Já as aberturas (como díbula têm estruturas destinadas à sustentação
os forames, canais etc.) geralmente servem para dos dentes (processos alveolares) e por todo o
a passagem de estruturas como vasos e nervos crânio há muitos forames para a passagem de
(WATANABE, 2000). vasos e nervos.

UNIDADE 1 43
Figura 20 - Crânio Figura 21 – Fontículos

Exceto a articulação da mandíbula com o osso temporal (que é Alguns ossos do crânio (fron-
chamada de Articulação Temporo-Mandibular ou ATM), as ou- tal, esfenoide, etmoide e maxilas)
tras articulações do crânio ocorrem por meio de suturas (como apresentam cavidades ocas con-
a sagital, a coronal, a lambdoidea, a escamosa, a internasal e a tendo ar, as quais são revestidas
intermaxilar). por mucosa e chamadas de seios
Estas suturas não estão presentes desde o nascimento, pois, paranasais (em decorrência de
inicialmente, entre os ossos do crânio existem espaços preen- drenarem seu conteúdo mucoso
chidos com mesênquima não ossificado chamados de fontí- para a cavidade nasal). Tais ossos
culos (popularmente chamados de “moleiras”). Os fontículos são classificados como pneumá-
permitem relativa flexibilidade e possibilidade de crescimento ticos e ajudam a diminuir o peso
ao crânio fetal. Os principais são o fontículo anterior (entre o da cabeça sobre as vértebras cer-
osso frontal e os parietais), o posterior (entre os parietais e o vicais e a amplificar o som da voz
occipital), os ântero-laterais (entre frontal, parietal, esfenoi- como uma caixa acústica. A infla-
de e temporal) e os póstero-laterais (entre parietal, occipital e mação de tal mucosa é chamada
temporal). Esses sofrem ossificação e desaparecem durante o de sinusite (TORTORA; DER-
crescimento do crânio. RICKSON; WERNECK, 2010).

44 Introdução à Anatomia Humana e Aparelho Locomotor


Ossos do Pescoço Ossos do Tronco

Fazem parte dos ossos do pescoço o hioide, as Os ossos do tronco incluem o osso esterno, as
vértebras cervicais, o manúbrio do esterno (que costelas, as vértebras torácicas, as vértebras lom-
será descrito junto com o esqueleto do tórax) e as bares, as vértebras sacrais e as vértebras coccígeas
clavículas (que serão descritas junto ao esqueleto (DI DIO, 2002).
do membro superior) (MOORE et al., 2014). Esqueleto apendicular

Clavícula
Ossos dos
membros Escápula
superiores

Ossos do
Osso hioide quadril
Ossos dos
membros
inferiores

Esqueleto axial

Figura 22 - Ossos do pescoço Osso


esterno
O osso hioide é móvel e fica situado na parte an- Cartilagens
terior do pescoço. Ele é suspenso por músculos e costais

ligamentos e não se articula com nenhum outro Costelas


osso do corpo. Assim, além de fixar os músculos
da região anterior do pescoço, ele ajuda a manter
Vértebras
as vias aéreas abertas. As vértebras cervicais são torácicas
sete pequenos ossos irregulares chamados, respec-
tivamente, de C1 (ou atlas), C2 (ou áxis), C3, C4, C5
e C6 e C7 (ou vértebra proeminente). Figura 23 – Ossos do tronco

UNIDADE 1 45
O osso esterno é um osso ímpar, plano, localizado
na região central e anterior do tórax. Ele é dividido
em três partes até a meia idade quando ocorre
sua ossificação. A parte mais larga e superior é Entre os corpos das vértebras ficam interpos-
chamada de manúbrio e nela se identificam as tos os discos intervertebrais. Esses discos são
incisuras claviculares e a incisura jugular. Ele se constituídos pelo anel fibroso de fibrocartilagem
une ao corpo que é mais longo e estreito, e onde se (externamente) e núcleo pulposo (internamente).
identificam as incisuras costais. O processo xifoide Ele é altamente hidratado e por isso é capaz de
é a menor e mais variável parte do esterno. Ele se absorver impactos impostos à coluna vertebral
ossifica por volta dos 40 anos e nos idosos pode-se e permitir movimentos.
fundir ao corpo (antes é cartilagíneo). Fonte: Kahle; Leonhardt; Platzer, (2006).
As costelas são 12 pares de ossos planos, curvos,
com alta resiliência e que contém medula óssea.
Podem ser verdadeiras, falsas ou flutuantes. As ver- Para finalizarmos a apresentação do esqueleto do
dadeiras (do 1° ao 7° par) fixam-se diretamente ao tronco, é importante apresentarmos as curvaturas
osso esterno por meio de suas próprias cartilagens da coluna vertebral (CV). Em vista anterior e pos-
costais. As falsas (do 8° ao 10° par) têm conexão terior a CV deve ser retilínea, mas em vista lateral
indireta com o osso esterno, pois suas cartilagens ela apresenta curvaturas fisiológicas que permi-
costais são unidas (formando a margem costal). As tem a adequada distribuição do peso corpóreo e,
flutuantes ou anesternais (11° e 12° par de costelas) consequentemente, o equilíbrio.
não se conectam ao osso esterno. Tais curvaturas começam a se formar ainda na
As 12 vértebras torácicas são chamadas de T1, vida embrionária quando a CV do feto apresenta-
T2, T3, T4, T5, T6, T7, T8, T9,T10, T11 e T12, as 5 lombares -se convexa (em vista posterior) devido à curva-
são chamadas de L1, L2, L3, L4 e L5, as 5 sacrais são tura do próprio útero e é chamada de curvatura
chamadas de S1, S2, S3, S4 e S5 e as 3 ou 4 coccígeas são primária. Quando o bebê começa a sustentar a
chamadas de Co1, Co2, Co3 e Co4 (variação anatô- cabeça, uma curvatura cervical côncava surge e
mica). No entanto, as vértebras sacrais e as coccí- é chamada de lordose cervical. Ao ficar em pé e
geas, por ossificação de seus discos intervertebrais, sustentar o peso corpóreo (em torno de um ano
originando o sacro e o cóccix, respectivamente. de idade), aparece uma curvatura côncava nas
As lombares são as maiores e mais resistentes vértebras lombares (lordose lombar). As regiões
vértebras da coluna. Seus processos espinhosos são torácica e sacral são convexas, posteriormente, e,
quadriláteros, largos, espessos e servem para fixação por isso, são chamadas de cifoses.
dos grandes músculos do dorso. O sacro é um osso Assim, no adulto normal existem quatro cur-
triangular que se posiciona na parte posterior da vaturas fisiológicas na CV: Lordose cervical, cifose
cavidade pélvica, medialmente aos ossos do quadril, torácica, lordose lombar e cifose sacral. No entan-
servindo como forte fundação para o cíngulo do to, o aumento destas curvaturas pode se tornar
membro inferior. Na mulher ele é mais curto, largo patológico passando a caracterizar um quadro de
e curvo a fim de favorecer a expulsão do bebê du- hipercifose ou hiperlordose. Além disso, o desvio
rante o trabalho de parto normal. O sacro apresenta látero-lateral da CV também é patológico e é cha-
forames sacrais anteriores e posteriores pelos quais mado de escoliose (que pode ser “C” à direita ou à
passam nervos e vasos sanguíneos. esquerda, e em “S”).

46 Introdução à Anatomia Humana e Aparelho Locomotor


A clavícula é um osso fino, em forma de “S”,
que fica sobre a primeira costela. Sua posição lhe
permite se articular com o esterno e com a escá-
pula, além de servir como ponto de fixação para
alguns ligamentos. Em contrapartida, a escápula é
um osso grande, plano, triangular e posterior que
se articula com a clavícula e com o úmero.
Além disso, ela permite a fixação de muitos mús-
culos. Já o úmero é o osso mais longo do membro
superior. Sua extremidade proximal se articula com
a escápula e sua extremidade distal se articula com
o rádio e com a ulna. Ele também permite a fixa-
ção de vários músculos que agem sobre o braço,
antebraço e mão.
Enquanto a ulna (o maior osso do antebraço)
tem localização medial, o rádio é o osso lateral
do antebraço cuja extremidade distal se articula
com três ossos do carpo (semilunar, escafoide e
piramidal) para formar a articulação radiocarpal.
Rádio e a ulna se articulam entre si pela mem-
brana interóssea do antebraço que serve como
Figura 24 – Curvaturas normais da CV ponto de fixação de alguns músculos profundos
do antebraço.
Ossos do Membro Superior Os ossos da mão compreendem os ossos car-
pais e metacarpais. Os carpais são oito ossos curtos
O membro superior é composto por vários ossos interligados por ligamentos nas articulações inter-
(32 no total) que se articulam entre si para permi- carpais. São dispostos em duas fileiras com quatro
tir ampla mobilidade e realização dos movimen- ossos cada. Na fileira proximal estão os ossos es-
tos das mãos, inclusive os de pinça fina. O cíngulo cafoide, semilunar, piramidal e pisiforme; na fileira
do membro superior é composto pela clavícula e distal estão os ossos trapézio, trapezoide, capitato
pela escápula e tem a função de unir a parte livre (maior) e hamato.
do membro ao esqueleto axial. A parte livre do Os ossos metacarpais são cinco ossos longos
membro apresenta um osso no braço (o úmero), numerados de I a V, a partir da posição lateral.
dois ossos no antebraço (o rádio e a ulna), treze Consistem de uma base (proximal), um corpo
ossos nas mãos (oito ossos carpais e cinco ossos (intermédio) e uma cabeça (distal). Articulam-se
metacarpais) e quatorze ossos nos dedos (cinco proximalmente com os ossos do carpo e distal-
falanges proximais, cinco falanges distais e qua- mente com as falanges. Os ossos dos dedos são
tro falanges médias). Apenas os ossos carpais são as falanges. São 14 ossos longos que apresentam
classificados (quanto à forma) como curtos sendo base, corpo e cabeça e são chamadas de proximal,
os demais classificados como longos (MIRANDA média e distal. O polegar tem apenas as falanges
NETO; CHOPARD, 2014). proximal e distal.

UNIDADE 1 47
O osso do quadril do recém-
Clavícula
-nascido é formado por três os-
sos separados por cartilagem:
Escápula ílio, ísquio e púbis. Eles se unem
completamente por volta dos 23
anos de idade e se articulam an-
teriormente na sínfise púbica e,
Úmero posteriormente, unem-se ao sa-
cro. Assim, o anel ósseo completo
Rádio
formado pelos dois ossos do qua-
Ulna
dril e sacro fazem uma estrutura
em forma de bacia, chamada pel-
ve óssea, que dá suporte à coluna
vertebral e aos órgãos pélvicos.
Como visto, existem impor-
tantes diferenças entre o cíngulo
Ossos
carpais do membro superior e inferior.
Enquanto, o cíngulo do membro
superior não se articula direta-
Falanges mente à coluna vertebral, o do
membro inferior o faz pela arti-
culação sacroilíaca. Além disso, o
Ossos metacarpais encaixe na escápula para o úmero
é raso e o fêmur no osso do qua-
Figura 25 - Ossos do membro superior
dril é profundo. Assim, enquanto
o membro superior é adaptado a
Ossos do Membro Inferior amplos movimentos, o membro
inferior é adaptado ao suporte
O membro inferior é composto por vários ossos que se articulam de peso e à estabilidade articular
entre si para permitir ampla mobilidade e o suporte de peso corporal (GRABINER; GREGOR; VAS-
durante a marcha, assim como o equilíbrio do corpo na postura CONCELOS, 1991).
estática. O cíngulo do membro inferior é composto pelos ossos O fêmur é o maior, mais pe-
do quadril e pelo osso sacro e tem por função unir a parte livre do sado e mais resistente osso do
membro ao esqueleto axial. Já a parte livre do membro apresenta corpo. Sua extremidade proximal
um osso longo na coxa (o fêmur), dois ossos longos na perna (a tíbia articula-se com o acetábulo do
e a fíbula), um osso sesamoide na região do joelho (patela), doze osso do quadril e a distal articula-
ossos no pé (sendo sete ossos tarsais e cinco ossos metatarsais) e -se com a tíbia e patela. Já a patela
quatorze ossos nos dedos (cinco falanges proximais, cinco falanges é um osso triangular e sesamoi-
distais e quatro falanges médias). Os ossos do quadril e o sacro são de que se desenvolve no tendão
irregulares, os tarsais são curtos, os metatarsais e as falanges são do músculo quadríceps femoral
longos (DANGELO; FATTINI, 2011). aumentando a força de alavanca

48 Introdução à Anatomia Humana e Aparelho Locomotor


deste músculo, mantendo a po-
sição de seu tendão na flexão do
joelho e protegendo a articulação.
Enquanto, a tíbia é o osso
medial e sustentador de peso
do membro inferior, a fíbula Ossos do
quadril
é paralela e lateral à tíbia. Su-
periormente, a tíbia se articula
com o fêmur e com a fíbula e
inferiormente se articula com
o osso tálus e com a fíbula (pela Fêmur
membrana interóssea da perna;
sindesmose tibiofibular).
Os ossos do pé incluem os
ossos tarsais e metatarsais. Os Patela
tarsais (tálus, calcâneo, navicu-
lar, cuboide, cuneiforme lateral,
cuneiforme medial e cuneiforme
intermédio) unem-se pelas arti- Tíbia
culações intertarsais. Os metatar-
sais apresentam uma base (pro-
ximal), um corpo (intermédio) e Fíbula
uma cabeça (distal), e são nume-
rados de I a V a partir da posição
medial. Articulam-se proximal-
mente com os ossos tarsais e dis-
talmente com as falanges. Ossos
As falanges (proximal, média tarsais
e distal) apresentam base, corpo e Ossos
cabeça, e as articulações que for- metatarsais Falanges
mam entre si são chamadas de
interfalângicas. Vale lembrar que Figura 26 - Ossos do membro inferior
o hálux (popularmente chamado
de “dedão”) apresenta apenas fa-
langes proximal e distal.

UNIDADE 1 49
Sistema
Articular

Definição de Articulação

Quem nunca ouviu a vó ou o vô reclamando que


está com dor nas “juntas”? Quem nunca ouviu
dizer que se estalar o dedo engrossa as “juntas”
ou se ficar muito tempo sem movimentar uma
articulação a “junta” seca? Será que essas suposi-
ções são fato ou boato? A fim de respondermos
estas e tantas outras questões sobre este tema
tão complexo, vamos fazer um estudo completo
sobre as articulações.
Em primeiro lugar, você só pode chamar de
articulações ou junturas. Junta não! Em segun-
do lugar, elas são definidas como o conjunto de
estruturas anatômicas que promovem a conexão
entre duas ou mais peças do esqueleto. Se a ar-
ticulação ocorrer entre apenas dois ossos ela é
classificada como simples, mas se acontecer entre
mais de dois ossos, ela é chamada de composta
(WATANABE, 2000). O restante, abordaremos
nos tópicos que seguem.
Funções das Articulações tem cavidade articular entre os ossos e permitem
apenas pequenos deslocamentos e movimentos
A maioria das articulações relaciona-se à produ- vibratórios. A articulação cartilagínea tem ossos
ção de movimentos uma vez que as peças ósseas unidos por cartilagem hialina ou fibrocartilagem,
são tracionadas pelos músculos (durante a contra- não tem cavidade articular entre os ossos e também
ção) e se movem ao redor dos pontos de junturas permite apenas pequenos deslocamentos e movi-
entre os ossos. Todavia, algumas articulações não mentos vibratórios. Em contrapartida, a articulação
são muito móveis, mas dão estabilidade às zonas sinovial tem ossos unidos por tecido conjuntivo
de união entre os vários segmentos do esqueleto, denso não modelado em forma de cápsula articular,
ou seja, estão mais relacionadas à postura e ao tem cavidade articular e apresenta alguns elementos
equilíbrio (MOORE et al., 2014). articulares característicos e outros especiais.
Quando as articulações perdem suas funções As articulações fibrosas podem ser do tipo su-
em decorrência de doenças articulares graves tura, sindesmose ou gonfose. As suturas são fun-
(por exemplo, artrite), um procedimento cirúr- cionalmente classificadas como sinartroses, são
gico chamado de artroplastia pode ser feito. Nele encontradas nos ossos do crânio e podem ser pla-
a articulação lesada é substituída por uma arti- nas (quando os ossos se encaixam de forma retilí-
culação artificial. nea, como no caso da sutura internasal), serrilhada
(quando os ossos se interdigitalizam um no outro,
como na sutura sagital) ou escamosa (quando os
Classificação ossos se sobrepõem um ao outro como ocorre entre
das Articulações o parietal e temporal). A ossificação das suturas
geralmente inicia na segunda década de vida e ter-
As articulações podem ser classificadas segundo mina após 80 anos, recebendo o nome de sinostose.
vários critérios, sendo os dois mais utilizados o Na sindesmose há uma distância maior entre
critério funcional (com base nos tipos de mo- os ossos e, por isso, existe mais tecido conjuntivo
vimentos que permitem) e o critério estrutural fibroso entre eles, o qual pode estar disposto como
(baseado em características anatômicas) (GRA- um feixe (ligamento) ou como lâmina (membrana
BINER; GREGOR; VASCONCELOS, 1991). interóssea). Exemplo: membrana interóssea da
A classificação funcional está relacionada ao perna (sindesmose tibiofibular) e do antebraço
grau de movimento que a articulação permite. (sindesmose radioulnar). É funcionalmente clas-
Assim, pode ser chamada de sinartrose (quando sificada como anfiartrose.
a articulação é fixa, sem movimento), anfiartrose A gonfose ocorre quando uma estrutura cunei-
(quando a articulação permite pouco movimen- forme se ajusta a uma concavidade. É o que ocorre,
to) ou diartrose (quando a articulação é muito por exemplo, na união das raízes dos dentes com
móvel). Já a classificação estrutural é baseada na os processos alveolares da maxila e mandíbula.
presença ou ausência de um espaço (a cavidade Vale ressaltar que, embora discretos, os movimen-
articular) entre os ossos da articulação, e no tipo tos dos dentes existem e podem ser percebidos du-
de tecido que une os ossos. Assim, a articulação rante pequenos rebaixamentos ao serem submeti-
pode ser fibrosa, cartilagínea ou sinovial. dos a fortes compreensões (servem para suavizar
A articulação fibrosa tem ossos unidos por teci- impactos e evitar que os dentes se partam). São
do conjuntivo fibroso rico em fibras colágenas não funcionalmente classificadas como sinartroses.

UNIDADE 1 51
As articulações cartilagíneas podem ser do tipo metabólicos. Como é produzido proporcionalmen-
sincondrose ou sínfise. A sincondrose apresenta te ao movimento articular, quando uma articulação
cartilagem hialina entre os ossos e é funcionalmente fica imobilizada por muito tempo (para consolidar
classificada como sinartrose. Algumas podem ser uma fratura, por exemplo), o líquido torna-se me-
temporárias sofrendo ossificação no decorrer da nos abundante e viscoso. Por isso, as pessoas dizem
vida (como a sincondrose esfenocciptal e a lâmina que a “junta secou”. Todavia, produzido em excesso
epifisial) e outras podem ser permanentes (como as (por um processo inflamatório, por exemplo, sino-
articulações entre o osso esterno e as dez primeiras vite), deve ser aspirado a fim de diminuir a pressão
cartilagens costais). intra-articular e a dor (FREITAS, 2004).
A sínfise é uma articulação onde os ossos são uni- Os elementos especiais das articulações si-
dos por um disco de fibrocartilagem (por exemplo, noviais incluem os lábios, os discos articulares,
sínfise púbica, manubrioesternal e intervertebral). os meniscos, os ligamentos acessórios, as bolsas
São classificadas como anfiartroses. As articulações e as bainhas tendíneas. Os lábios são estruturas
sinoviais têm elementos característicos e especiais de fibrocartilagem localizadas em extremidades
que podemos citar: a superfície articular, cartilagem articulares, geralmente côncavas, a fim de am-
articular, cápsula articular e líquido sinovial. pliar a cavidade e conferir maior estabilidade à
A superfície articular é a porção de cada osso da articulação.
articulação. Não tem periósteo, mas é coberta por Os discos articulares e os meniscos são estru-
cartilagem articular que é avascular (é nutrida pelo turas de fibrocartilagem presentes em articula-
líquido sinovial), é fina, lisa e escorregadia (a fim de ções muito usadas, como a temporomandibular
reduzir o atrito entre os ossos e absorver impactos). e o joelho. Eles melhoram a coaptação articular,
A cápsula articular é uma membrana de tecido aumentam a estabilidade, reduzem o atrito e os da-
conjuntivo que envolve a articulação vedando-a nos causados por impactos, além de distribuírem
e unindo os ossos (fazendo coaptação articular). melhor o líquido sinovial.
É amplamente vascularizada e inervada (tanto Os ligamentos acessórios aumentam a coapta-
com inervação dolorosa quanto proprioceptiva). ção articular e podem estar localizados por fora
É composta pela camada fibrosa (externa) e sinovial da cavidade articular (extracapsulares - como os
(interna). Enquanto a fibrosa é resistente, permite ligamentos colaterais do joelho) ou por dentro da
coaptação, mobilidade e resistência à tração, a si- cápsula, mas fora da cavidade articular (intracap-
novial sintetiza o líquido. sulares - como o ligamento cruzado anterior do
O líquido sinovial é viscoso, amarelo-claro, joelho).
constituído principalmente por ácido hialurônico, As bolsas são sacos de tecido conjuntivo reves-
proteoglinas e glicosaminoglicanas. Ele reduz atri- tidos por membrana sinovial e preenchidos por
to (pois lubrifica a articulação), absorve impactos uma pequena quantidade de líquido semelhante
(pois mantém os ossos levemente afastados) e eli- ao líquido sinovial. Localizam-se entre pele/osso,
mina calor produzido nas articulações durante os tendões/osso, músculo/osso ou ligamento/osso.
movimentos. Reduzem o atrito de articulações muito exigidas
Além disso, remove microrganismos e fragmen- e sua inflamação é chamada de bursite. Por fim,
tos resultantes do desgaste articular (pois contém bainhas tendíneas são bolsas que envolvem tendões
células fagocíticas), nutre e oxigena a cartilagem ar- que sofrem atrito.
ticular, assim como dela remove o CO2 e os resíduos

52 Introdução à Anatomia Humana e Aparelho Locomotor


Tipos de Articulações Sinoviais

As articulações sinoviais são nomeadas de acordo com os movimen-


tos que permitem, os quais são influenciados pela forma dos ossos.
Assim, conforme a configuração das faces articulares, as articulações
sinoviais podem ser do tipo plana, gínglimo, trocoide, elipsoide, selar
ou esferoide (TORTORA; DERRICKSON; WERNECK, 2010).
As articulações planas apresentam faces planas e permitem mo-
vimentos de deslizamento de uma superfície sobre a outra. Isso
ocorre entre os ossos carpais e tarsais, na articulação sacroilíaca,
acromioclavicular, esternoclavicular, esternocostais e vertebrocostais.
As articulações do tipo gínglimo têm superfícies ósseas cilíndricas
apresentando depressão em carretel em um osso e saliência corres-
pondente no outro. As articulações interfalângicas, do cotovelo e do
joelho são alguns exemplos.
As articulações trocoides têm faces ósseas semicilíndricas com-
pletadas por ligamentos que possibilitam movimento de rotação. As
articulações rádio-ulnar proximal e distal e a articulação atlantoaxial
são exemplos. Já nas elipsoides, uma das superfícies ósseas é oval e
convexa, e a outra é oval e côncava. As articulações radiocarpal e
metatarsofalângica são assim.
As selares têm superfície côncava em uma direção e convexa em
outra, com encaixe recíproco em outra superfície óssea. Ocorre, por
exemplo, na articulação carpometacarpal do polegar. Por fim, as ar- Figura 27 - Tipos de articulações Sinoviais

ticulações esferoides têm superfície esférica articulando-se em uma


cavidade correspondente (como no quadril e ombro).

Movimentos das Articulações Sinoviais

As articulações sinoviais podem apresentar movimento do tipo deslizamento, angular, de rotação ou


ainda movimentos especiais. No deslizamento, as faces planas dos ossos se movimentam sem alterar
significativamente o ângulo entre eles. Assim, a amplitude de movimento é limitada. Diferentemente,
nos movimentos angulares o ângulo entre os ossos da articulação é alterado. Incluem flexão, extensão,
flexão lateral, abdução, adução e circundução (GRABINER; GREGOR; VASCONCELOS, 1991).
Flexão e extensão são movimentos opostos. Na flexão ocorre redução do ângulo entre os ossos e na
extensão ocorre aumento desse ângulo (normalmente para voltar à posição anatômica). Ocorrem no
plano sagital, por meio do eixo coronal (exceto a do polegar). Alguns autores consideram a continuação
da extensão para além da posição anatômica como hiperextensão. Na flexão lateral, o segmento corpóreo

UNIDADE 1 53
é deslocado em direção ao plano lateral. Ocorre no A inversão e a eversão ocorrem nas articula-
plano coronal por meio do eixo sagital. Este movi- ções intertarsais. Enquanto na inversão as plantas
mento ocorre, por exemplo, no tronco. movimentam-se medialmente, na eversão elas se
Abdução e adução são movimentos opostos. movimentam lateralmente. Na flexão dorsal, o dorso
Na abdução ocorre movimento do segmento é movido em direção à face anterior da perna e na
corpóreo para longe da linha mediana do corpo. flexão plantar, a planta é movida em direção à face
Na adução, o segmento corpóreo é deslocado em posterior da perna.
direção à linha mediana do corpo (normalmente A supinação e a pronação ocorrem nas articu-
para voltar à posição anatômica). Ocorrem no lações radioulnar proximal e distal. Enquanto na
plano coronal por meio do eixo sagital (exceto supinação a palma é girada anteriormente, na pro-
a do polegar). Para os dedos, considera-se como nação a palma é girada posteriormente. Por fim,
ponto de referência uma linha mediana que passa oposição é o movimento do polegar para tocar
sobre o dedo médio da mão e sobre o 2° dedo do as falanges distais dos demais dedos dando-lhe a
pé. Na articulação radiocarpal, a abdução pode capacidade de fazer movimentos de pinça (possí-
ser chamada de desvio radial e a adução pode ser vel na articulação carpometacarpal). Reposição é
chamada de desvio ulnar. o movimento oposto.
Na circundução a extremidade distal do seg-
mento corpóreo descreve um círculo. Ocorre
como resultado de uma sequência de movimento Vascularização e Inervação
que envolve flexão, extensão, abdução e adução. Na Articular
rotação o osso gira em torno do seu próprio eixo
longitudinal. Nos membros, se a face anterior é As articulações são extremamente inervadas e vas-
girada em direção à linha mediana do corpo, a ro- cularizadas (MIRANDA NETO; CHOPARD, 2014).
tação é chamada de medial e se é girada para longe Elas recebem sangue de ramos articulares das arté-
da linha mediana do corpo, é chamada de lateral. rias que passam ao redor da cápsula articular e são
Em algumas articulações podem ocorrer mo- drenadas por veias que acompanham as artérias.
vimentos especiais. É o caso, por exemplo, da ele- A maioria dos nervos articulares é derivada de
vação e abaixamento. Enquanto na elevação há nervos que suprem músculos ao redor das articula-
movimento de uma parte do corpo para cima, no ções. Vale destacar que a inervação articular é muito
abaixamento esta mesma parte corpórea move-se importante, pois está relacionada à sua proteção.
para baixo. São possíveis na mandíbula, costelas, Assim, principalmente, a cápsula e os ligamentos
ombros, osso hioide etc. articulares apresentam vários tipos de sensibilidade,
Outros movimentos especiais incluem a pro- como a dolorosa e a proprioceptiva.
tração (ou protrusão), retração (ou retrusão), in-
versão, eversão, flexão dorsal (ou dorsiflexão), fle-
xão plantar (ou plantiflexão), supinação, pronação, Fatores que Afetam o Contato
oposição e reposição. Na protração há movimento e a Amplitude de Movimento
anterior de uma parte do corpo no plano trans- das Articulações Sinoviais
versal e na retração ocorre o movimento da parte
protraída de volta à posição anatômica (possível Alguns fatores afetam o contato entre as superfícies
na mandíbula, clavícula etc.). ósseas de uma articulação e, consequentemente,

54 Introdução à Anatomia Humana e Aparelho Locomotor


limitam a amplitude de movimento articular. Os ligamentos, o aumento do peso corporal e a ten-
principais são a forma dos ossos que se articulam, a dência a deformidades corpóreas (principalmente
resistência das estruturas articulares, a tensão mus- na coluna vertebral e nos joelhos) (GRABINER;
cular, o contato de partes moles próximas, ação de GREGOR; VASCONCELOS, 2001).
alguns hormônios e o desuso (GRABINER; GRE- Todavia, todos esses efeitos do envelhecimento
GOR; VASCONCELOS, 1991). podem ser minimizados pela prática de exercícios
A forma dos ossos afeta, por exemplo, a extensão físicos frequentes e por cuidados alimentares (in-
completa do cotovelo, pois tal movimento depen- gestão proteica e hídrica adequada, por exemplo).
de do encaixe da ulna no úmero. Extrapolar esta
limitação óssea pode causar lesão. A resistência das
estruturas articulares também afeta a amplitude de Particularidades das Princi-
movimento articular. Isto pode ser visto, por exem- pais Articulações do Corpo
plo, quando se faz a flexão e a extensão do punho em
amplitude máxima. Tais movimentos são limitados As diferentes articulações do corpo têm carac-
pela tensão dos ligamentos e da cápsula articular os terísticas anatômicas próprias, as quais variam,
quais são bastante resistentes. principalmente, com as demandas funcionais.
De igual modo, a tensão muscular pode in- Assim, a presença de discos e meniscos na ar-
fluenciar na realização do movimento. A flexão ticulação do joelho e na articulação temporo-
do quadril associada à extensão do joelho, por mandibular, por exemplo, deve-se ao fato destas
exemplo, pode ser limitada por encurtamento dos articulações receberem descarga de peso e serem
músculos posteriores da coxa. utilizadas abundantemente em toda a vida. Por
Quando a flexão do cotovelo é realizada por um outro lado, as articulações dos tórax estão adap-
indivíduo com hipertrofia do músculo bíceps bra- tadas não à descarga de peso, mas aos movimen-
quial, pode haver limitação da amplitude de movi- tos respiratórios.
mento devido o contato das partes moles próximas Outro aspecto importante é que as articula-
(músculos do braço e do antebraço). ções se movem ao redor de eixos de movimento.
Além disso, alguns hormônios podem interferir Assim, quanto mais móvel é a articulação, mais
na mobilidade articular. É o caso da relaxina (produ- eixos passam por ela. Por exemplo, as articulações
zida pelos ovários e placenta) que aumenta a mobili- do quadril e do ombro são muito móveis, pois são
dade da sínfise púbica em gestantes a fim de facilitar triaxiais, ou seja, por elas passam três eixos de mo-
o trabalho de parto. Em contrapartida, o desuso ou a vimento. Já a articulação do joelho e do cotovelo
imobilização articular podem reduzir a flexibilidade são monoaxiais e, por isso, desenvolvem menos
dos ligamentos e tendões. tipos de movimentos. O punho e o tornozelo são
biaxiais e podem realizar mais movimentos do
que as monoaxiais e menos do que as triaxiais.
Envelhecimento Articular Normalmente, os movimentos de flexão e ex-
tensão ocorrem por meio do eixo coronal e são
Os efeitos do envelhecimento sobre as articula- realizados no plano sagital. Já os movimentos de
ções variam individualmente segundo fatores abdução e adução ocorrem por meio do eixo sagital
hereditários e de uso. Incluem a diminuição na e são realizados no plano coronal. As rotações ocor-
produção do líquido sinovial, a fragilidade da rem pelo eixo longitudinal e no plano transversal
cartilagem articular, a perda da flexibilidade dos (GRABINER; GREGOR; VASCONCELOS, 2001).
UNIDADE 1 55
Sistema
Muscular

Funções Musculares

A função do músculo é realizar contração e, a


partir desta, vários outros eventos podem ser
desencadeados, como manutenção da postura
(sustentação estática), respiração, movimento
cardíaco, movimento peristáltico e manutenção
do tônus muscular. Além disso, os músculos dão
forma ao corpo, são fonte de calor e possibilitam
movimentos voluntários sendo considerados os
órgãos ativos da locomoção (MOORE et al., 2014).

Quando se fala em sistema muscular é impor-


tante nos questionarmos sobre alguns pontos:
Todas as pessoas têm o mesmo número de
músculos?
Será que indivíduos hipertrofiados têm o mesmo
número de músculos do que aqueles que sofre-
ram atrofia muscular, após terem apresentado
uma lesão medular? Até que ponto o sistema ner-
voso influencia no poder de contração muscular?
Tipos de Músculos

Os músculos podem ser classificados consideran- Assim, considerando estes três critérios, os
do diferenças relacionadas ao controle voluntário, músculos podem ser de três tipos: músculo
à presença de estrias em suas fibras ao microscó- estriado esquelético (movem ou estabilizam
pio e à localização (FREITAS, 2004). ossos e outras estruturas como os olhos; é so-
Quanto ao controle voluntário, o músculo mático e voluntário), músculo estriado cardía-
pode ser voluntário (se sua contração ocorrer de co (forma a maior parte das paredes do coração
acordo com a vontade do indivíduo) ou involun- e dos grandes vasos; é visceral e involuntário)
tário (se sua contração não depender do controle ou músculo liso (forma a parede da maioria
do indivíduo). Quanto à aparência estriada ou não dos vasos sanguíneos e órgãos ocos; é visceral
de suas fibras ao microscópio, o músculo pode e involuntário).
ser do tipo estriado (aquele que apresenta estrias Um caso especial ocorre com o músculo dia-
transversais) ou liso (sem estrias transversais). fragma, pois embora seja involuntário, ele pode
Por fim, quanto à localização, o músculo pode ser sofrer breve influência voluntária permitindo pe-
somático (aquele localizado na parede do corpo ríodos de apneia (interrupção da respiração) ou
ou nos membros) ou visceral (aquele localizado hiperpneia (aumento da frequência da respiração)
nos órgãos ocos ou nos vasos sanguíneos). de acordo com a vontade do indivíduo.

Músculo estriado cardíaco Músculo estriado esquelético Músculo liso

Figura 28 - Tipos de músculos

Músculo Estriado Esquelético

A maioria dos músculos estriados esqueléticos está Uma membrana de tecido conjuntivo denso,
fixada aos ossos, cartilagens, ligamentos ou fáscias. chamada epimísio, envolve todo o músculo. Dela
Todavia, alguns deles podem se fixar a órgãos (como partem septos (o perimísio) para o interior do
os olhos), pele (como os músculos da face) ou à músculo os quais envolvem pequenos grupos de
mucosa (como os músculos intrínsecos da língua). células ou fibras musculares (fascículos). Cada
Tais músculos têm porções carnosas, avermelhadas fibra muscular, por sua vez, é envolvida por uma
e contráteis (chamadas de cabeça ou ventre), e ex- membrana delicada de tecido conjuntivo, o endo-
tremidades brancas não contráteis (chamadas de mísio. Externamente, os músculos são revestidos
tendões). Os tendões são compostos principalmente por mais uma camada de tecido conjuntivo - a
por feixes de colágenos e servem para fixação dos fáscia muscular. Epimísio, perimísio e endomísio
músculos. Em alguns músculos aparecem como se prolongam além das fibras musculares para
lâminas planas e passam a ser chamados de apo- formar os tendões musculares.
neurose (MIRANDA NETO; CHOPARD, 2014).

UNIDADE 1 57
M. Trapézio
M. Peitoral maior M. Deltoide
M. Serrátil anterior
M. Bíceps braquial M. Latíssimo
do dorso
M. Reto do abdome
M. Oblíquo externo
do abdome
M. Glúteo
máximo

M. Reto femoral
M. Bíceps
femoral

M. Gastrocnêmio

Figura 29 - Ventre muscular, tendão e aponeurose

Cartilagem
articular
A fáscia muscular garante a sustentação do mús-
culo bem como a preservação de sua anatomia
Tendão funcional sustentando vasos e nervos, e permi-
tindo o deslizamento entre músculos próximos.
Além disso, forma septos intermusculares que
compartimentalizam os músculos do corpo.
Quando ocorre aderência entra as fáscias (de-
vido a processos inflamatórios ou traumas), os
Fáscia
muscular músculos diminuem seu poder de contração.
Músculo As fixações dos músculos (seja por tendão
estriado ou aponeurose) costumam ser descritas como
esquelético
origem e inserção. De uma forma geral, origem
Perimísio
é a extremidade proximal que permanece fixa
Epimísio durante a contração muscular e a inserção é a
Fibras Vasos
musculares sanguíneos
extremidade distal que se move durante a contra-
Fascículo ção muscular. No entanto, em alguns movimentos
Endomísio Osso
específicos, os conceitos de origem e inserção po-
Figura 30 - Peri, epi e endomísio + fáscia muscular dem ser modificados.

58 Introdução à Anatomia Humana e Aparelho Locomotor


Tipos de Contração do Vascularização e Inervação
Músculo Estriado Esquelético Muscular

Existem dois principais tipos de contração mus- A vascularização sanguínea é abundante nos mús-
cular fásica ou ativa: a isométrica e a isotônica culos, pois dela depende a adequada oxigenação
(GRABINER; GREGOR; VASCONCELOS, 1991). e nutrição muscular, bem como a drenagem de
Na contração isométrica, o comprimento do mús- gás carbônico e produtos residuais produzidos no
culo permanece igual (ou seja, não há movimen- próprio músculo. Sem vascularização eficiente, a
to), mas a força aumenta para resistir à gravidade contração muscular é inviável e, por isso, ela ge-
ou à outra força antagônica. Este tipo de contração ralmente é múltipla, ou seja, o músculo é irrigado
é importante para a manutenção da postura quan- por várias artérias adjacentes.
do os músculos atuam como fixadores. De igual modo, a inervação do músculo é res-
Em contrapartida, na contração isotônica o ponsável pela contração e pelos estímulos sensi-
músculo altera seu comprimento enquanto o tivos deles (dolorosos e proprioceptivos). Assim, a
movimento ocorre. Ela pode ser do tipo concên- coordenação motora depende da interação entre
trica (o movimento se dá junto ao encurtamento sistema muscular e sistema nervoso (MOORE et
do músculo) ou excêntrica (quando o músculo é al., 2014).
alongado ao se contrair, ou seja, sofre um relaxa-
mento gradual e controlado enquanto exerce uma
força contínua). Classificação Funcional do
É importante destacar que a gravidade influen- Músculo Estriado Esquelético
cia no tipo de contração que o músculo exercerá.
Assim, a flexão resistida do cotovelo com o indiví- De acordo com o papel que o músculo desem-
duo em pé é realizada por contração concêntrica penha durante o movimento, ele pode ser clas-
dos músculos flexores do cotovelo, mas o lento sificado como agonista, antagonista, sinergista
retorno à extensão do cotovelo é feita pela con- e fixador ou postural (GRABINER; GREGOR;
tração excêntrica dos mesmos músculos. Muitas VASCONCELOS, 1991).
pessoas imaginam que o retorno seja feito pela O agonista (ou motor primário) é o principal
contração concêntrica do tríceps braquial que é músculo que produz o movimento (como o múscu-
o agonista da extensão do cotovelo. lo braquial na flexão do cotovelo). Já o antagonista,
Todavia, não é. Isto porque o fato do movi- é o músculo que se opõe à ação de outro músculo
mento ocorrer contra a ação da gravidade muda (como o músculo tríceps braquial na flexão do co-
a participação do músculo no movimento. Assim, tovelo). O músculo sinergista complementa a ação
quando o profissional da saúde precisar analisar do agonista (como o músculo braquiorradial na
biomecanicamente os músculos envolvidos na flexão do cotovelo) ou fixa uma articulação inter-
realização de um determinado movimento, é ne- mediária quando o agonista passa por mais de uma
cessário que ele faça antes uma avaliação da ação articulação (como o músculo extensor dos dedos
da gravidade sobre as fibras musculares. que é sinergista do flexor profundo dos dedos ao

UNIDADE 1 59
fixar em extensão todas as outras articulações pelas
quais ele passa). Por fim, o músculo fixador ou
postural estabiliza partes proximais de um membro
mediante contrações isométricas, enquanto ocor-
rem movimentos nas partes distais. O músculo del-
toide, por exemplo, mantém o ombro em abdução Retináculo
enquanto um movimento de pinça fina é executado
nas articulações interfalângicas.
Retináculo
Tendões
Órgãos Anexos do Sistema musculares

Muscular

São estruturas que facilitam a ação dos músculos


ou os mantêm íntegros. Os principais órgãos ane-
xos são as bolsas sinoviais, as bainhas fibrosas e Figura 31 - Órgãos anexos do sistema muscular
sinoviais e os retináculos (FREITAS, 2004).
As bolsas sinoviais são sacos fibrosos revestidos Generalidades do Sistema
de membrana sinovial, contendo líquido sinovial Muscular
em seu interior. Normalmente, ficam em regiões
de maior atrito entre um músculo e um osso, entre Segundo Moore et al. (2014), existem 656 mús-
dois músculos, entre o músculo e a pele supra- culos estriados esqueléticos nominados no corpo
jacente etc. Quando inflamadas ou lesadas por humano. A nomenclatura é baseada em vários
esforço repetitivo, ocorre edema e dor (bursite). critérios, como forma (músculo deltóide e mús-
As bainhas fibrosas revestem tendões e fás- culo trapézio), localização (músculos intercos-
cias de revestimento. São constituídas por teci- tais e músculo subescapular), forma e localização
do conjuntivo e se inserem nos ossos formando (músculo quadrado da coxa e músculo orbicular
canais para manterem em posição os tendões de da boca), ação (músculo eretor da espinha e mús-
músculos longos que passam em seu interior. Já culo extensor dos dedos), ação e forma (músculo
as bainhas sinoviais são encontradas no interior pronador quadrado e músculo adutor longo), ação
das bainhas fibrosas. São constituídas por uma e localização (músculo flexor superior dos dedos e
camada interna (intimamente aderida ao tendão) músculo flexor radial do carpo), origem e inserção
e uma camada externa (voltada à bainha fibrosa). (músculo esternocleidomastoideo) dentre outros.
Sua função é produzir um líquido semelhante Além disso, os músculos também podem ser
ao líquido sinovial para facilitar o deslizamento classificados de acordo com outros critérios, por
dos tendões durante a realização dos movimentos. exemplo, direção das fibras musculares, sua apa-
São comuns na região dos ossos carpais e tarsais. rência, localização, número de pontos de origem,
Por fim, os retináculos são espessamentos das número de pontos inserção, número de ventres
fáscias. São constituídos por tecido conjuntivo e musculares e função.
servem para manter em posição os tendões que Quanto à direção das fibras musculares, eles po-
cruzam as articulações. dem ser de fibras paralelas (como o sartório) ou de

60 Introdução à Anatomia Humana e Aparelho Locomotor


fibras oblíquas (como o glúteo máximo). Normal- (presentes no abdome e no dorso; como o trapé-
mente, músculos de fibras paralelas desenvolvem zio), fusiforme (com uma região central de maior
bastante amplitude de movimento articular, mas diâmetro em relação às extremidades; como o
normalmente têm pouca força. Em contrapartida, bíceps braquial) ou circulares ou esfincterianos
músculos de fibras oblíquas têm bastante força (que circudam aberturas ou orifícios do corpo;
muscular, mas pouca amplitude de movimento. como o orbicular do olho).
Complementarmente, os músculos de fibras oblí- Quanto à localização, eles podem ser superfi-
quas podem ser do tipo unipenados (como o ex- ciais (aqueles que ficam logo abaixo da pele têm
tensor longo dos dedos), bipenados (como o reto pelo menos uma de suas inserções na derme, sen-
da coxa) ou multipenados (como o deltoide). do chamados de dérmicos; como os músculos da
Vale ressaltar que em alguns músculos, as fi- expressão facial) ou profundos (sem inserções na
bras convergem de uma larga origem para um derme; como músculos profundos do antebraço).
estreito e único tendão dando ao músculo uma A nomenclatura também pode considerar o núme-
arranjo em forma de leque ou um aspecto triangu- ro de pontos de origem (bíceps, tríceps e quadrí-
lar (é o que ocorre, por exemplo, com o músculo ceps), o número de pontos de inserção (bicaudado
peitoral maior). Quanto à aparência, os músculos e policaudado), de ventres musculares (digástrico
podem ser curtos (como os da mão), longos (em e poligástrico) ou a função exercida pelo músculo
forma de fita; como o sartório), plano ou chato (flexor, extensor, abdutor etc.)

Músculo fusiforme Músculo de


fibras oblíquas

Músculo
plano
Músculo de
fibras paralelas

Músculo longo
Músculo de Músculo
fibras paralelas curto

Músculo de
fibras oblíquas

Figura 32 - Músculos de fibras paralelas e oblíquas, músculos longos, curtos, planos e fusiformes

UNIDADE 1 61
Músculo
tríceps
Músculo
bíceps

Músculo
quadríceps

Músculo digástrico
ou biventre

Músculo
policaudado

Músculo
poligástrico
ou poliventre

Figura 33 - Da esquerda para a direita: Músculos bíceps, tríceps, quadríceps, digástrico, poligástrico, bi e policaudado

62 Introdução à Anatomia Humana e Aparelho Locomotor


Principais Músculos do Corpo Humano

Principais Músculos da Cabeça e do Pescoço

Os músculos da cabeça e do • Levantador do lábio superior e da asa do nariz: levanta


pescoço incluem os da expres- o lábio superior e a asa do nariz.
são facial, os mastigatórios, os • Levantador do lábio superior: levanta o lábio superior
relacionados ao osso hioide, os fazendo eversão ou “bico” do lábio superior.
superficiais do pescoço (como o • Levantador do ângulo da boca: traciona o ângulo da boca
esternocleidomastoideo), aque- obliquamente para cima na risada.
les relacionados à coluna verte- • Zigomático maior e zigomático menor: tracionam o ân-
bral (pré, para e pós-vertebrais), gulo da boca obliquamente para cima na risada.
além daqueles que constituem a • Risório: traciona o ângulo da boca horizontalmente no
língua, o palato mole e a faringe sorriso.
(FREITAS, 2004). • Orbicular da boca: fecha a rima bucal.
Os músculos da expressão • Abaixador do ângulo da boca: abaixa o ângulo da boca
facial nos permitem expressar fazendo a expressão de tristeza.
emoções por meio de suas con- • Abaixador do lábio inferior: abaixa o lábio inferior fazendo
trações. Seus nomes estão dire- a eversão ou “bico” do lábio inferior.
tamente relacionados às suas • Mentual: protrai o lábio inferior e enruga a pele do mento.
funções, são eles: • Bucinador: contrai a bochecha no assopro, assovio, bocejo,
• Occipitofrontal: com os e puxa o ângulo da boca lateralmente.
ventres frontal e occipital • Platisma: o mais superficial; abaixa a mandíbula, traciona o
unidos pela aponeurose ângulo da boca para baixo e enruga a pele do pescoço.
epicrânica; ele eleva os
supercílios enrugando
a pele da fronte dando a
expressão de atenção.
• Prócero: enruga a pele M. Occipitofrontal
entre os supercílios.
• Corrugador do super-
cílio: junta os supercílios M Prócero M. Orbicular do olho
fazendo a expressão de
bravo. M. Nasal
• Orbicular do olho: fe- M. Zigomático menor
cha a rima palpebral. M. Zigomático maior
• Nasal: abre a asa do nariz M. Risório
para ampliar a captação M. Abaixador do
M. Abaixador do ângulo da boca
do ar em esforço respi- lábio inferior
M. Mentual
ratório.
Figura 34 - Músculos da expressão facial

UNIDADE 1 63
Os músculos da mastigação incluem o temporal, o O esternocleidomastoideo é um músculo superfi-
masseter, o pterigoide lateral e o pterigoide medial. cial do pescoço. Ele flexiona a cabeça (em contra-
Todos eles movimentam a mandíbula durante a ção bilateral) e, em contração unilateral, faz a flexão
mastigação e a fala. lateral da cabeça para o mesmo lado do músculo
que se contraiu associada à rotação da face para o
lado contrário do músculo que se contraiu.

M. Temporal

M. Masseter

M. Esternocleidomastoideo

Figura 35 - Músculos da mastigação

Os músculos relacionados ao osso hioide dividem-


-se em supra e infra-hioideos. Os supra-hioideos Figura 37 – Músculo Esternocleidomastoideo
elevam o osso hioide durante a primeira fase da de-
glutição e abaixam a mandíbula contra resistência. Os músculos pré-vertebrais estão relacionados à
São eles o digástrico, o estilo-hioideo, o milo-hioi- flexão da cabeça e do pescoço. Inclui o músculo
deo e o gênio-hioideo. Os músculos infra-hioideos longo da cabeça, o longo do pescoço, reto anterior
abaixam o osso hioide durante a segunda fase da da cabeça e reto lateral da cabeça. Os músculos
deglutição. São eles: o omo-hioideo, esterno-hioi- para-vertebrais realizam a flexão lateral da cabeça
deo, esternotireoideo e o tíreo-hioideo. e do pescoço (este movimento também pode ser
chamado de inclinação lateral). Inclui os músculos
escalenos anterior, médio e posterior.
Os músculos pós-vertebrais estão relaciona-
dos à extensão da cabeça e do pescoço. São eles o
Músculos esplênio da cabeça, esplênio do pescoço, semies-
supra-hioideos
pinal da cabeça, semiespinal do pescoço, multí-
fidos e suboccipitais (incluindo o reto posterior
Músculos maior da cabeça, reto posterior menor da cabeça,
infra-hioideos
oblíquo superior da cabeça e oblíquo inferior da
cabeça). Os multífidos são também rotadores da
Figura 36 - Músculos supra e infra-hioideos coluna vertebral.

64 Introdução à Anatomia Humana e Aparelho Locomotor


Músculos paravertebrais Músculos pós-vertebrais
Figura 38 - Músculos para (esquerda) e pós-vertebrais (direita)

Principais Músculos do Dorso

Os músculos do dorso são for-


tes, fixam-se às vértebras e são
essenciais para sustentar e mover
a coluna vertebral. De uma for-
ma geral, podem produzir movi-
mentos nos membros superiores
(como o trapézio, o latíssimo do
dorso, o levantador da escápula
e os romboides), relacionam-se
aos movimentos respiratórios
(como o serrátil posterior su-
perior e o serrátil posterior in-
ferior) ou agem sobre a coluna
vertebral permitindo movimen-
to e sustentando a postura (como
o esplênio da cabeça, esplênio do
pescoço, eretor da espinha, semi-
nespinal, multífidos e rotadores)
(DI DIO, 2002). Figura 39 - Músculos do dorso

UNIDADE 1 65
Principais M. Peitoral
maior
Músculos do Tórax
M. Peitoral
menor
Os músculos do tórax in-
cluem músculos que unem o
esqueleto axial ao apendicular,
músculos da parede anterola-
teral do abdome, do pescoço,
M. Serrátil
do dorso e alguns que agem anterior
como acessórios da respiração.
No entanto, os verdadeiros
músculos da parede torácica M. intercostais
externos
são os levantadores das cos-
telas (agem na inspiração), o
Figura 40 – Músculos do tórax
transverso do tórax (função
expiratória), os intercostais
externos (atuam na inspira- Principais Músculos do Abdome
ção), os intercostais internos
(na expiração), os intercostais Os músculos do abdome podem estar localizados na parede ante-
íntimos (têm a mesma ação rolateral ou posterior do abdome. Na parede anterolateral existem
dos intercostais internos) e cinco pares de músculos: reto do abdome, piramidal, oblíquo exter-
subcostais (com ação igual a no do abdome, oblíquo interno do abdome e transverso do abdome.
dos intercostais internos). Estes músculos têm diferentes direções de fibras e formam uma
O diafragma é um comum sustentação forte para esta região. Juntos, eles sustentam e prote-
ao tórax e ao abdome e atua gem as vísceras abdominais, comprimem o conteúdo abdominal
como o principal músculo da para manter ou aumentar a pressão intra-abdominal, opõem-se ao
inspiração. Apresenta uma par- diafragma, movem o tronco, ajudam a manter a postura, formam
te central aponeurótica chama- um cinturão muscular e atuam ao tossir, espirrar, vomitar, no parto
da de centro tendíneo, e uma normal, ao assoar o nariz, na defecação e outras atividades (MI-
parte muscular dividida em RANDA NETO; CHOPARD, 2014).
parte esternal, costal e lombar Os músculos da parede abdominal posterior incluem o psoas
(de acordo com suas fixações). maior, o psoas menor, o ilíaco e o quadrado do lombo. O psoas maior
Ele é perfurado pelo forame da fica posicionado lateralmente à coluna vertebral e parte de suas
veia cava, pelo hiato esofágico e fibras unem-se ao tendão do músculo ilíaco formando o músculo
pelo hiato aórtico os quais ser- iliopsoas, que é o principal flexor do quadril. Além disso, ele faz a
vem para permitir a passagem, flexão lateral do tronco e ajuda a manter a lordose lombar. O psoas
respectivamente, da veia cava menor é considerado uma variação anatômica podendo não existir.
inferior, esôfago e da artéria Enquanto o ilíaco estabiliza a articulação do quadril, o quadrado
aorta (WATANABE, 2000). do lombo é flexor lateral e extensor do tronco.

66 Introdução à Anatomia Humana e Aparelho Locomotor


M. Oblíquo externo M. Reto do
do abdome abdome

quase totalmente coberto pelo peitoral maior. Ele


estabiliza a escápula e ajuda a elevar as costelas na
inspiração profunda. Já o subclávio fica abaixo da
clavícula e tem a função de estabilizar a clavícula
durante os movimentos do membro superior.
O serrátil anterior faz a protrusão da escápula.
O levantador da escápula eleva a escápula. Os rom-
boides (maior e menor), nem sempre separados um
do outro, situam-se profundamente ao trapézio e
fazem a retração e rotação inferior da escápula.
O deltoide é um músculo espesso e forte que
recobre o ombro dando-lhe um contorno arre-
dondado. Ele estabiliza a articulação do ombro
e faz sua abdução, flexão e extensão quando suas
partes clavicular, acromial e espinal agem, res-
pectivamente.
O redondo maior também é um importante
Figura 41 - Músculos do abdome estabilizador do ombro e faz sua adução e rotação
medial. Já o redondo menor é completamente co-
Principais Músculos berto pelo deltoide e faz rotação lateral do ombro.
do Membro Superior Acima e abaixo da espinha da escápula ficam
os músculos supraespinal e infraespinal, e abaixo
Os músculos do membro superior são muito dela o subescapular. O supraespinal inicia os pri-
numerosos, principalmente porque possibilitam meiros 15° de abdução do ombro (é considerado
os precisos movimentos da mão. O trapézio e o o abdutor “starter”, sendo auxiliado pelo deltoide).
latíssimo do dorso atuam sobre o membro supe- O infraespinal, além de ser um poderoso rotador
rior, mas não serão abordados novamente, pois lateral do ombro, ajuda a estabilizar a articulação
já foram descritos no dorso. Além deles, também do ombro. O subescapular é o principal rotador
estão inclusos o peitoral maior, peitoral menor, medial do braço e também ajuda a estabilizar a
subclávio, serrátil anterior, levantador da escá- articulação do ombro.
pula, romboide maior, romboide menor, deltoi- Vale ressaltar que os músculos supraespinal,
de, redondo maior, redondo menor, supraespinal, infraespinal, redondo menor e subescapular for-
infraespinal, subescapular, os vários músculos do mam o chamado “manguito rotador”. Seus ten-
braço, do antebraço e da mão (DI DIO, 2002). dões fundem-se e reforçam a capsula articular do
O peitoral maior tem forma de leque. Age para ombro protegendo e estabilizando a articulação.
aduzir, rodar medialmente, flexionar ou esten- O nome é dado porque todos eles (menos o su-
der o braço a partir da flexão. O peitoral menor é praespinal) são rotadores do úmero.

UNIDADE 1 67
M. Deltoide M. Bíceps braquial
M. Levantador
da escápula
M. Romboide
menor
M. Romboide
maior

M. Trapézio

M. Tríceps
M. Latíssimo braquial
do dorso

Figura 42 - Músculos relacionados à escápula Figura 43 - Músculos do braço

Os músculos do braço são divididos em grupo ante- Os músculos do antebraço compreendem 17


rior e posterior, os quais são separados pelo úmero. músculos que cruzam a articulação do cotovelo.
O grupo anterior é flexor do cotovelo (bíceps bra- Alguns atuam exclusivamente nessa articulação,
quial, braquial e coracobraquial) e o grupo posterior enquanto outros atuam na articulação do punho
é extensores (tríceps braquial e ancôneo). Os flexores e/ou dedos. Geralmente, os flexores ficam no
são quase duas vezes mais fortes do que os extenso- compartimento anterior e têm cerca do dobro
res, o que justifica o fato de sermos melhores para do volume e da força dos extensores que ficam
puxar do que para empurrar (MOORE et al., 2014). no compartimento posterior.
O bíceps braquial geralmente tem duas cabeças Todavia, o músculo braquiorradial embora
(longa e curta), mas 10% das pessoas podem ter seja flexor do antebraço está no compartimento
uma terceira cabeça. É triarticular, pois passa pela posterolateral; o músculo pronador redondo faz
articulação do ombro, do cotovelo e pela articula- a pronação do antebraço; o flexor radial do carpo
ção radioulnar proximal. Assim, o bíceps braquial faz a flexão e abdução do punho; o palmar longo
permite flexão do ombro, supinação da articulação faz a flexão do punho; o flexor ulnar do carpo
radioulnar e flexão do antebraço em supinação. O faz flexão e adução do punho; o flexor superficial
braquial é profundo ao bíceps braquial e é o princi- dos dedos flexiona as articulações interfalângi-
pal flexor do antebraço. Já o coracobraquial ajuda a cas proximais dos quatro dedos mediais; o flexor
flexionar, aduzir e estabilizar a articulação do ombro. profundo dos dedos é o único que pode flexionar
O tríceps braquial tem três cabeças (longa, cur- as articulações interfalângica distais dos dedos
ta e medial). A cabeça longa cruza a articulação do mediais; o flexor longo do polegar faz a flexão das
ombro e a medial é o carro chefe da extensão do articulações do polegar; o pronador quadrado é
cotovelo. A cabeça medial é a mais forte, porém é o agonista da pronação do antebraço (é auxilia-
recrutada principalmente em atividades contra re- do pelo pronador redondo) e ajuda a membrana
sistidas. Assim, este músculo é o principal extensor interóssea a unir o rádio e a ulna.
do antebraço, mas ajuda a estabilizar a articulação Os músculos extensores do antebraço podem
do ombro. O ancôneo, por sua vez, situa-se na face estender e abduzir ou aduzir a articulação do
posterolateral do cotovelo e ajuda o tríceps braquial punho (como o extensor radial longo do carpo,
a estender o antebraço. o extensor radial curto do carpo e o extensor

68 Introdução à Anatomia Humana e Aparelho Locomotor


ulnar do carpo) podem estender os quatro dedos joelho fazendo a flexão de ambas. O iliopsoas
mediais (como o extensor dos dedos, o extensor é um músculo fixo à coluna vertebral, à pelve
do indicador e o extensor do dedo mínimo) e e ao fêmur. É o principal flexor da coxa e, em
podem estender ou abduzir o polegar (como o contração bilateral, faz flexão do tronco sobre
extensor longo do polegar, o extensor curto do o quadril e aumenta a lordose lombar sendo
polegar e o abdutor longo do polegar). ativo também na caminhada em declive.
Os músculos da mão têm nomes que identi- O quadríceps femoral dá o maior volume para
ficam suas funções. Incluem o músculo abdutor a região anterior da coxa e é um dos músculos
curto do polegar, flexor curto do polegar, opo- mais fortes do corpo. É constituído pelos músculos
nente do polegar, abdutor do dedo mínimo, flexor reto femoral, vasto lateral, vasto intermédio e vasto
curto do dedo mínimo, oponente do dedo míni- lateral. Tais músculos se unem na parte distal da
mo, lumbricais, interósseos e o adutor do polegar. coxa para formar um tendão único, o tendão do
músculo quadríceps femoral, cuja continuação é
o ligamento da patela que se fixa à tuberosidade
da tíbia. O músculo vasto medial e vasto lateral
Músculos extensores também ajudam a manter o alinhamento da patela.
do carpo e dos dedos
O reto femoral é biarticular e é mais eficiente
em movimentos que associam a flexão do quadril
Figura 44 - Músculos do antebraço e a extensão do joelho a partir de uma posição
de hiperextensão do quadril e flexão do joelho
Principais Músculos (como na posição preparatória para chutar uma
do Membro Inferior bola de futebol). Todos eles agem em conjunto
fazendo a extensão do joelho. Por fim, o músculo
Os músculos do membro inferior, além de movi- articular do joelho é derivado do músculo vasto
mentar as diversas articulações deste segmento intermédio. Ele é pequeno, plano e age tracionan-
corpóreo, permitem a sustentação do peso do cor- do a membrana sinovial na extensão da perna.
po e a manutenção da postura bípede em equi- Na região medial da coxa estão os músculos
líbrio, possibilitando a marcha. Seu estudo pode adutores (adutor longo, adutor curto, adutor mag-
ser realizado agrupando-os em grupo anterior da no, grácil e obturador externo). O adutor magno
coxa, posterior da coxa, medial da coxa, múscu- tem uma parte adutora (que também faz flexão
los da região glútea, da região anterior da perna, da coxa) e uma parte do jarrete (que também faz
da região posterior da perna, da região lateral da extensão da coxa). O grácil cruza as articulações
perna e músculos do pé (FREITAS, 2004). do quadril e do joelho e se une a outros dois mús-
Na região anterior da coxa estão os flexores culos biarticulares (o sartório e o semitendíneo)
do quadril e/ou extensores do joelho e incluem o para formar uma inserção tendínea chamada
músculo pectíneo, sartório, iliopsoas, quadríceps “pata de ganso”. Ele é sinergista na flexão do joe-
femoral e articular do joelho. lho e na rotação medial da perna quando o joelho
O pectíneo faz adução, flexão e ajuda na ro- está flexionado, e aumenta a estabilidade do joe-
tação medial do quadril. O sartório é o músculo lho estendido. O obturador externo é pequeno e
mais longo do corpo, é superficial e parece uma profundo e atua também como rotador lateral da
fita. Age sobre a articulação do quadril e do coxa (DI DIO, 2002).

UNIDADE 1 69
M. Tensor da
fáscia lata

M. Sartório
M. adutores
do quadril

M. Reto
M. Glúteo máximo
femoral

Figura 46 - Músculos da região glútea

M. Vasto
medial Os músculos da região posterior da coxa são o
semitendíneo, semimembranáceo e o bíceps fe-
moral. Todos, menos a cabeça curta do bíceps
femoral, são extensores do quadril e flexores do
joelho. A cabeça curta do bíceps femoral age ape-
nas na flexão do joelho, pois é monoarticular (ou
Figura 45 - Músculos anteriores e mediais da coxa seja, só atravessa a articulação do joelho).

Os músculos da região glútea incluem o múscu-


lo glúteo máximo, glúteo médio, glúteo mínimo,
tensor da fáscia lata, piriforme, obturador inter-
no, gêmeo superior, gêmeo inferior e quadrado
femoral. O glúteo máximo faz extensão e rotação M. Semitendíneo
lateral do quadril e sua paralisia, embora não afete
a marcha em superfície plana, afeta a marcha em
aclive (principalmente ao subir escadas). Já o glú- M. Bíceps
femoral
teo médio e o glúteo mínimo têm forma de leque
e atuam estabilizando a pelve, aduzindo e fazendo
rotação medial da coxa.
O tensor da fáscia lata tensiona a fáscia lata e
é flexor do quadril. O piriforme, obturador inter-
no, gêmeo superior, gêmeo inferior e quadrado M. Semimembranáceo
femoral estabilizam a articulação do quadril e
são rotadores laterais da coxa. Figura 47 - Músculos da região posterior da coxa

70 Introdução à Anatomia Humana e Aparelho Locomotor


Os músculos da região anterior da perna incluem o e o sóleo, pode-se afirmar que: “Se passeia com
músculo tibial anterior, o extensor longo dos dedos, o sóleo, mas se ganha o salto à distância com o
extensor longo do hálux e fibular terceiro. O tibial gastrocnêmio” (MOORE et al., 2014, p. 592).
anterior é dorsiflexor da articulação talocrural e O plantar é pequeno, de ventre curto, tendão
inversor do pé. O extensor longo dos dedos estende longo e está ausente em torno de 10% das pessoas.
os quatro dedos laterais e faz dorsiflexão do torno- Atua com o gastrocnêmio. Todavia, é considera-
zelo. O extensor longo do hálux estende o hálux e do um órgão de propriocepção, pois tem muitos
faz dorsiflexão do tornozelo. O fibular terceiro faz fusos neuromusculares. Além disso, seu tendão
dorsiflexão do tornozelo e auxilia na eversão do pé. pode ser usado em enxertos (por exemplo, na re-
Já os músculos da região lateral da perna são construção dos tendões da mão), sendo que sua
eversores do pé e podem contribuir para a flexão retirada não causa incapacidade.
plantar do tornozelo. São eles o fibular longo e o O poplíteo é insignificante como flexor do joe-
fibular curto. Os músculos da região posterior da lho, mas durante a flexão, ele ajuda a tracionar o
perna são o gastrocnêmio, sóleo, plantar, poplíteo, menisco lateral posteriormente; quando em pé
flexor longo dos dedos, flexor longo do hálux e com o joelho parcialmente flexionado, ele se con-
tibial posterior. O gastrocnêmio forma a parte mais trai para ajudar o ligamento cruzado posterior na
proeminente da panturrilha. Tem duas cabeças (la- prevenção do deslocamento anterior do fêmur;
teral e medial) as quais se unem por um tendão co- em pé com os joelhos estendidos, faz rotação late-
mum, o tendão do calcâneo, que se fixa ao calcâneo ral do fêmur liberando o joelho para fazer flexão.
(é o mais forte e espesso tendão do corpo humano). O flexor longo do hálux e o flexor longo dos
É biarticular (faz flexão do joelho e plantiflexão do dedos são potentes flexores das articulações do
tornozelo). Todavia, o músculo não pode exercer hálux e dos dedos. Já o tibial posterior é inversor
toda a sua força nas duas articulações ao mesmo do pé e plantiflexor do tornozelo.
tempo. Assim, é mais eficaz com o joelho estendido Os músculos do pé localizam-se na face plan-
e é ativado ao máximo quando a extensão do joelho tar (14 deles), no dorso (2 deles) ou são inter-
é associada à dorsiflexão. mediários (4 deles). Os músculos da planta es-
O sóleo é profundo ao gastrocnêmio e é con- tão organizados em camadas e atuam na fase de
siderado o “burro de carga da flexão plantar”. Isso suporte da marcha mantendo os arcos do pé e
porque é monoarticular (não age sobre o joelho e produzindo supinação e pronação para permitir
por isso atua sozinho na flexão plantar quando o que o pé se ajuste ao solo irregular. São eles o ab-
joelho está flexionado). Além disso, é antigravita- dutor do hálux, adutor do hálux, flexor curto do
cional atuando na posição ortostática, na marcha e hálux, abdutor do dedo mínimo, flexor do dedo
para manter o equilíbrio. É forte, capaz de manter mínimo, flexor curto dos dedos, quadrado plan-
contração por bastante tempo, mas é lento. Une-se tar, lumbricais, interósseos dorsais e plantares. No
às cabeças do gastrocnêmio para formar o tríceps dorso estão os músculos extensor curto dos dedos
sural. Devido às diferenças entre o gastrocnêmio e extensor curto do hálux.

UNIDADE 1 71
A
C

M. Tibial anterior

M. Gastrocnêmio (cabeça medial)


B

Músculos dorsais do pé

M. Extensor longo
dos dedos

M. Gastrocnêmio (cabeça lateral)

Figura 48 - Músculos da perna (região anterior A, posterior B, lateral C) Figura 49 - Músculos do pé (planta e dorso)

O corpo humano é capaz de realizar movimentos ser assumidos. Uma dieta adequada, por exemplo,
graças ao sistema locomotor formado por ossos, com ingestão de alimentos ricos em colágeno e
articulações e músculos. A atuação conjunta des- cálcio (leite e derivados, brócolis, repolho, cama-
tes sistemas, e em concordância com o comando rão, salmão e ostras). Além disso, exercício físico
do sistema nervoso, garante o movimento volun- regular e supervisionado, alternado com repouso
tário harmônico e coordenado. articular e muscular, faz toda a diferença. De igual
O sistema muscular é importante, pois repre- modo, reposição hormonal em mulheres pós-cli-
senta o elemento ativo do movimento tracionando matério, também é indicada.
ossos que, como alavancas, movem passivamente Por fim, é essencial o pleno conhecimento
articulações às quais se conectam. Se qualquer um anatômico e fisiológico das estruturas que com-
destes sistemas ou o controle nervoso falhar, distúr- põem tais sistemas, pois por meio do conheci-
bios motores podem surgir como hiper ou hipoto- mento adequado, procedimentos preventivos e
nia muscular, paralisia, paresia, discinesia e outros. curativos (como o fortalecimento e o alongamento
Além disso, as funções destes sistemas também muscular, e até mesmo as intervenções cirúrgicas)
podem ser prejudicadas por fraturas, osteoporose, poderão aperfeiçoar a atuação destes sistemas tão
inflamação, alteração imunológica, trauma e ou- importantes.
tros. Como estas anormalidades podem compro- Vale ressaltar que como profissional da área da
meter uma atividade primordial do ser humano saúde é fundamental conhecer profundamente
que é a deambulação, a saúde e integridade das estes sistemas, pois age diretamente modifican-
estruturas anatômicas que o formam é essencial. do-os, seja ao predispor hipertrofia óssea ou mus-
Para garantir que as funções destes sistemas cular, ou ao manter a integridade articular. Assim,
permaneçam adequadas, cuidados simples podem boa capacitação a você.

72 Introdução à Anatomia Humana e Aparelho Locomotor


Você pode utilizar seu diário de bordo para a resolução.

1. Leia, atentamente, o texto que segue sobre o sistema esquelético, avalie as


proposições a seguir e responda.
“Além de dar sustentação ao corpo, o sistema esquelético protege os órgãos
internos e fornece pontos de apoio para a fixação dos músculos. Ele é consti-
tuído de peças ósseas e cartilagíneas articuladas, que formam um sistema de
alavancas movimentadas pelos músculos” ( VILELA, 2015, on-line)2.
I) O esqueleto do tórax é composto pelas cartilagens costais, osso esterno,
costelas e vértebras cervicais e torácicas. Sua mobilidade, apesar de não tão
expressiva, é essencial à respiração.
II) Pode-se afirmar que, exceto os ossos carpais e tarsais que são alongados, os
outros ossos que formam o esqueleto dos membros superiores e inferiores
são classificados como longos.
III) A escápula e a clavícula, embora estejam posicionados no tronco, pertencem
ao esqueleto apendicular.
IV) A coluna vertebral, em vista lateral, apresenta curvaturas características tais
como a lordose cervical, a cifose torácica, a lordose lombar e a cifose sacral.
Entretanto, embora tais curvaturas sejam consideradas fisiológicas (normais),
o seu aumento é considerado patológico, pois pode ocasionar hiperlordoses
e hipercifoses as quais são responsáveis por fortes dores na coluna vertebral.
V) O crânio é constituído por 24 ossos os quais apresentam pouca mobilidade.
A maior parte deles constitui o crânio neural.

Estão corretas as alternativas:


a) I e II.
b) II e III.
c) III e IV.
d) VI e V.
e) III e V.

73
2. O estudo dos planos de secção e tangenciamento do corpo humano é essencial
à Anatomia Humana uma vez que auxilia no corte anatômico e na nomenclatura
das estruturas estudadas. Analise as proposições a seguir e responda.
a) Uma estrutura é dita mediana quando ela está próxima do plano sagital me-
diano, mas não sobre ele.
b) Ao contrário do proposto, uma estrutura é dita mediana quando ela está pró-
xima ao plano anterior.
c) Uma estrutura é classificada como média quando se posiciona entre uma es-
trutura lateral e outra estrutura medial.
d) Uma estrutura é classificada como intermédia quando ela se posiciona entre
uma estrutura lateral e outra estrutura medial.
e) Ao contrário do proposto na afirmativa, uma estrutura é intermédia quando
ela se posiciona embaixo do plano sagital mediano.

3. A Anatomia Humana estuda a constituição do corpo considerando que cada


indivíduo pode apresentar diferenças devido a fatores que causam variações.
Analise as proposições a seguir e responda.
I) A idade é um fator causador de variação anatômica. Bom exemplo disso é o
fato de ocorrer sinostose nos ossos do crânio de indivíduos idosos.
II) O biótipo é outro fator causador de variação anatômica. Indivíduos do biótipo
longilíneo apresentam tórax arredondado, membros curtos em relação ao
tronco e baixa estatura corpórea. Em contrapartida, indivíduos brevilíneos
têm tórax alongado, membros longos em relação ao tronco e maior estatura
corpórea.
III) Outro diferente fator causador de variação anatômica é a etnia. No entanto,
diferentes grupos raciais apresentam diferenças anatômicas apenas exter-
namente (cor de pele, cor de olhos, aspecto do cabelo, do nariz etc.). Não há
diferenças anatômicas internas entre grupos raciais.
IV) O sexo também causa variação anatômica e, inclusive, pode ser usado na ana-
tomia legal para identificação de cadáveres. O crânio masculino, por exemplo,
apresenta a fronte mais inclinada (na mulher ela é verticalizada; apresenta
ortometopismo). Além disso, o crânio masculino tem acidentes anatômicos
mais salientes devido à maior força muscular que os homens apresentam
tracionando os ossos ao ponto de marcá-los.

74
V) De fato, o sexo é um fator causador de variação anatômica que pode ser usado
na anatomia legal para identificação de cadáveres. Todavia, ao contrário do
que foi proposto anteriormente, o crânio feminino apresenta a fronte mais
inclinada (no homem ela é verticalizada, apresentando ortometopismo). Além
disso, no crânio feminino os acidentes anatômicos são mais salientes devido
à ação dos hormônios femininos (como o estrógeno e a progesterona).

Está correta a alternativa:


a) I e II.
b) I e III.
c) II e III.
d) I e IV.
e) III e V.

4. Relembre seus conhecimentos sobre miologia, analise as afirmações, a seguir,


e identifique-as como verdadeiras ou falsas.
(( ) Os músculos classificados como digástricos apresentam dois ventres muscu-
lares separados por um tendão intermediário. Um exemplo de tal músculo é
o estilo-hioideo (um dos músculos supra-hioídeos que atuam na primeira fase
da deglutição elevando o osso hioide).
(( ) Os músculos classificados como bíceps, tríceps ou quadríceps apresentam,
respectivamente, dois, três ou quatro ventres musculares. Exemplos de tais
músculos são, respectivamente, o bíceps braquial, o tríceps braquial e o qua-
dríceps femoral.
(( ) Os músculos mímicos são classificados como estriados esqueléticos, voluntários
e dérmicos. A proximidade deles à pele faz com que suas contrações repetitivas
e contínuas sulquem a pele, fazendo com que as rugas de expressão apareçam.
a) F - F - V.
b) V - F - V.
c) F - V - F.
d) V - F - F.
e) F - V - V.

75
5. A miologia estuda os músculos e seus órgãos anexos. Analise as proposições a
seguir e responda:
I) O músculo estriado cardíaco apresenta estrias transversais e contração in-
voluntária. Assim, ele é classificado como somático.
II) Ao contrário do músculo estriado cardíaco, o músculo estriado esquelético
tem contração voluntária e não apresenta estrias transversais. Assim, ele é
classificado como liso.
III) Um músculo classificado como tríceps (por exemplo, o tríceps braquial e
o tríceps sural) apresenta três ventres musculares e apenas um tendão
de inserção.
IV) Um músculo classificado como policaudado (como alguns das mãos e dos
pés) apresenta um ventre muscular e vários tendões de inserção.
V) É considerado o tendão de origem de um músculo seu ponto que permanece
mais fixo durante um determinado movimento. Em contrapartida, é consi-
derado o tendão de inserção de um músculo seu ponto que mais se move
durante um determinado movimento.

Está correta a alternativa:


a) I e III.
b) II e III.
c) III e IV.
d) IV e V.
e) II e V.

76
FILME

A Teoria de Tudo
Ano: 2014
Sinopse: a história de Stephen Hawking é contada pela luz da genialidade e do
amor que não vê obstáculos. Quando Jane conhece Stephen, percebe que está
entrando para uma família diferente. Com grande sede de conhecimento, os
Hawking possuíam o hábito de levar material de leitura para o jantar, ir à ópe-
ras e concertos e estimular o brilhantismo em seus filhos – entre eles aquele
que seria conhecido como um dos maiores gênios da humanidade, Stephen.
Diagnosticado com Esclerose Lateral Amiotrófica (ELA) aos 21 anos, Hawking
superou todas as expectativas dos médicos sobre suas chances de sobrevivência
a partir da perseverança de sua mulher. Mesmo ao descobrir que a condição de
Stephen apenas pioraria, Jane seguiu firme na decisão de compartilhar a vida
com aquele que havia lhe encantado.

77
CFTA - COMISSÃO FEDERATIVA DA TERMINOLOGIA ANATÔMICA. Terminologia Anatômica: ter-
minologia anatômica internacional. São Paulo: Manole, 2001.

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DI DIO, L. J. A. Tratado de Anatomia Sistêmica Aplicada: princípios básicos e sistêmicos, esquelético, articular
e muscular. 2. ed. Atheneu: São Paulo, 2002.

FREITAS, V. Anatomia conceitos e fundamentos. Porto Alegre: Artmed, 2004.

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JUNQUEIRA, L. C. U.; CARNEIRO, J.; ABRAHAMSOHN, P.; ZORN, T. M. T.; SANTOS, M. F.; GAMA, P. His-
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KAHLE, W.; LEONHARDT. H.; PLATZER, W. Atlas de Anatomia Humana: com texto comentado e aplicações
em Medicina, Reabilitação e Educaçã Física: Aparelho de Movimento. São Paulo: Editora Athene, 2006.

MIRANDA NETO, M. H.; CHOPARD, R. P. Anatomia humana: aprendizagem dinâmica. Maringá: Gráfica
Editora Clichetec, 2014.

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REFERÊNCIAS ON-LINE

Em: <http://periodicos.uem.br/ojs/index.php/ArqMudi/article/view/24739/pdf_49>. Acesso em: 07 nov. 2018.


1

2
Em: <http://www.afh.bio.br/sustenta/sustenta1.asp>. Acesso em: 07 nov. 2018.

78
1. C.

2. C.

3. D.

4. A.

Falso. Embora a definição de músculo digástrico esteja correta, o músculo estilo-hioideo não é um exemplo.
Exemplo correto seria o próprio músculo digástrico ou mesmo o músculo omo-hioideo.

Falso. Embora os exemplos dados estejam corretos, a classificação dos músculos como bíceps, tríceps
ou quadríceps não considera o número de ventres musculares, mas sim o número de pontos de origem.

Verdadeira.

5. D.

79
80