Вы находитесь на странице: 1из 43

PROGRAMA DE PORTUGUÊS

No que diz respeito ao domínio da Gramática, é objetivo deste


Programa que os alunos consolidem conhecimentos no plano da
Sintaxe e realizem um percurso coerente e sustentado no plano da
Formação, Mudança e Variação da Língua, no da Semântica e no
da Análise do Discurso e Linguística Textual.
O estudo da Gramática assenta no pressuposto de que as
aprendizagens dos diferentes domínios
M do Programa convocam
um trabalho estruturado e rigoroso de reflexão, de explicitação e
de sistematização gramatical [...].
Programa e Metas Curriculares de Português, p. 9

Clara Amorim
PROGRAMA DE PORTUGUÊS

Clara Amorim
PROGRAMA E METAS CURRICULARES DE PORTUGUÊS
FONÉTICA E FONOLOGIA
• Conteúdos de natureza fonológica limitados aos processos
fonológicos no âmbito da evolução diacrónica do português.

Meta 17.3. Explicitar processos fonológicos que ocorrem na


evolução do português.
M

Clara Amorim
PROGRAMA E METAS CURRICULARES DE PORTUGUÊS
FONÉTICA E FONOLOGIA
Confusão entre fonema, som (fone), letra

Sublinha os fonemas nas palavras dadas:


ralha / malha entrava / entrave

M
• Fonema = segmento: unidade abstrata que, substituída por outra no
mesmo contexto, permite distinguir significados.
/ˈʀaʎa/ - /ˈmaʎa/; /ẽˈtɾava/ - /ẽˈtɾave/

• Fone: realização física do fonema / segmento.


[ˈχaʎɐ] – [ˈmaʎɐ]; [ẽˈtɾavɐ] – [ẽˈtɾavɨ]

• Letra: representação gráfica do fone.

Clara Amorim
PROGRAMA E METAS CURRICULARES DE PORTUGUÊS
FONÉTICA E FONOLOGIA
Confusão entre hiato e ditongo

Sublinha os hiatos nas palavras dadas:


fiambre oceanos régua pátio

M
• Ditongo: sequência de vogal e ditongo.
céu moita cauda caixa
fiambre oceanos régua pátio

• Hiato: sequência de duas vogais.


secretaria saúde dia bainha

Clara Amorim
PROGRAMA E METAS CURRICULARES DE PORTUGUÊS
FONÉTICA E FONOLOGIA

A variação histórica resulta de mudanças na língua a nível


da gramática, da pronúncia e da ortografia.

M
• Alterações na ortografia não implicam mudanças na língua:

Abysmo > abismo; pharmacia > farmácia

Vêem > veem; acto > ato

Clara Amorim
PROGRAMA E METAS CURRICULARES DE PORTUGUÊS
FONÉTICA E FONOLOGIA
• Processos fonológicos

a) inserção: prótese, epêntese e paragoge;


b) supressão: aférese, síncope e apócope;
c) alteração: sonorização, palatalização,
M redução vocálica, contração
(crase e sinérese), vocalização, metátese, assimilação e dissimilação.
• DT: ditongação (e não sinérese).

• Assimilação: um segmento fonológico adquire traços de um segmento


vizinho.
Muito [ˈmuj̃tu]  [-nasal] >> [+nasal]
Secretu >> segredo  [-voz] >> [+voz]
Clara Amorim
PROGRAMA E METAS CURRICULARES DE PORTUGUÊS
FONÉTICA E FONOLOGIA

Em football >> futebol ocorreram os processos de


epêntese, síncope e apócope.

M
• A alteração football >> futebol é essencialmente gráfica e de
acentuação: [ˈfʊt.bɔːl] >> [fu.tɨ.ˈbɔɫ]
- a epêntese da vogal [ɨ] não ocorre geralmente no registo
informal;
- não houve supressão de nenhum segmentos, apenas alteração
na representação gráfica de sons semelhantes.

Clara Amorim
GRUPOS CONSTITUINTES DA FRASE vs. FUNÇÕES SINTÁTICAS

• A natureza dos constituintes é uma informação imprescindível na


identificação das funções sintáticas.
Enjoa-me o ar abafado.

Enjoar: Alguma coisa enjoa alguém


M
GN GN

sujeito CD

Clara Amorim
SINTAXE
PREDICATIVO DO SUJEITO
• Função sintática desempenhada por um constituinte selecionado
por um verbo copulativo, predicando o sujeito:

Ele é [o principal suspeito].


Este livro parece [interessante].
M
As ruas estão [em obras].
O hospital fica [ali].

Clara Amorim
SINTAXE
PREDICATIVO DO SUJEITO

Se o predicativo do sujeito for um grupo nominal ou adjetival:

• concorda em género e em número com o sujeito


* Ele é a principal suspeita.
M
* Este livro parece interessantes.

• pode ser substituído pelo pronome demonstrativo invariável o


Ele é o principal suspeito, mas amanhã já não o será.

• não admite a passiva.

Clara Amorim
SINTAXE
PREDICATIVO DO SUJEITO

Identifica as função sintática desempenhada pelos elementos


sublinhados:
É verdade que estás sempre presente.
O nosso sonho é ir à final.
O professor é o João.
M
• Orações equativas ou representacionais – como identificar o
sujeito e o predicativo do sujeito?

Clara Amorim
SINTAXE
PREDICATIVO DO SUJEITO
Predicativo do sujeito é o elemento pós-verbal que concorda com o
verbo:

[...] em alguns casos, o verbo ser se acomoda à flexão do predicativo,


especialmente quando se acha no plural.M
[...] Nas orações ditas equativas
em que com ser se exprime a definição ou a identidade, o verbo, posto
entre dois substantivos de números diferentes, concorda em geral com
aquele que estiver no plural [...]:

A pátria não é ninguém; são todos [...].


(Bechara, 1999: 558).

Clara Amorim
SINTAXE
PREDICATIVO DO SUJEITO
Predicativo do sujeito é o elemento que pode ser substituído pelo
demonstrativo invariável -o:

A degradação do edifício foi a causa do desmoronamento.


M

A degradação do edifício foi [a causa do desmoronamento] e também o


foram as chuvas torrenciais.
[...]
*A causa do desmoronamento foi [a degradação do edifício] e também o
foi o pouco cuidado dos inquilinos.
[...]
(Mateus et al., 2003: 545).

Clara Amorim
SINTAXE
PREDICATIVO DO SUJEITO
Predicativo do sujeito é o elemento que pode ser substituído pelo
demonstrativo invariável -o:
É verdade que estás sempre presente.
Que estás sempre presente é [verdade] e também o é que raramente
me deixas ficar mal. M
* É verdade [que estás sempre presente] e também o é de admirar /
admirável.
O nosso sonho é ir à final.
Ir à final é [o nosso sonho] e também o é ser campões.
* O nosso sonho é [ir à final] e também o é a nossa ambição.

Clara Amorim
SINTAXE
PREDICATIVO DO COMPLEMENTO DIRETO

• Função sintática desempenhada por um constituinte selecionado


por um verbo transitivo, predicando o complemento direto:
Todos consideram a Ana [uma boa amiga].
O júri achou-o [o melhor candidato].
M
• O predicativo do complemento direto concorda em género e em
número com o complemento direto:
* Todos consideram a Ana um bom amigo.

Clara Amorim
SINTAXE
PREDICATIVO DO COMPLEMENTO DIRETO
• Geralmente, o complemento direto e o seu predicativo podem
ser parafraseados por uma oração subordinada completiva:

Todos consideram a Ana [uma boa amiga].


M
Todos consideram que a Ana é [uma boa amiga].

O júri achou-o [o melhor candidato].

O júri achou que ele era [o melhor candidato].

Clara Amorim
SINTAXE
COMPLEMENTO OBLÍQUO
• Função sintática desempenhada por um grupo preposicional ou
adverbial selecionado por um verbo transitivo.

• Não é substituível pela forma dativa nem acusativa do pronome


pessoal:
M
As crianças portaram-se bem.
* As crianças portaram-se-lhe.

A Luísa gosta de chocolate.


* A Luísa gostava-o.

Clara Amorim
SINTAXE
MODIFICADOR
• Função sintática desempenhada por elementos frásicos não
selecionados pelo verbo.

• Podem realizar-se através de grupos adverbiais, preposicionais


ou orações subordinadas:
M
[Amanhã], será transmitido o jogo de futebol.
Encontrámos o livro [na biblioteca].
Teve boa nota [porque estudou].

Clara Amorim
SINTAXE
MODIFICADOR DE FRASE
• Ao contrário dos modificadores do grupo verbal, os
modificadores da frase não fazem parte do predicado.
• A não distinção dos dois tipos de modificador pode levar a
incorreções na identificação do predicado.

M
O João trabalha honestamente, e o irmão também (trabalha
honestamente).

Honestamente, surpreendeu-me a sua atitude e a tua também


(me surpreendeu).

Clara Amorim
SINTAXE
MODIFICADOR DO NOME

Modificador restritivo: função sintática desempenhada por um


GAdj, Gprep ou uma oração subordinada relativa restritiva que
modifica o nome, acrescentando informação suplementar que
limitam/restringem a sua referência.
M
Dois arquitetos [portugueses] foram distinguidos com o Prémio
Pritzker.
Dois arquitetos [do Porto] foram distinguidos com o Prémio
Pritzker.
Dois arquitetos [que são do Porto] foram distinguidos com o
Prémio Pritzker.

Clara Amorim
SINTAXE
MODIFICADOR DO NOME

Modificador apositivo: função sintática desempenhada por um


GN, GAdj, Gprep ou uma oração subordinada relativa explicativa
que modifica o nome, acrescentando informação suplementar que
não limita/restringe a sua referência.
M
Siza e Souto Moura, [arquitetos portugueses], foram distinguidos
com o Prémio Pritzker.
Siza e Souto Moura,[do Porto], foram distinguidos com o Prémio
Pritzker.
Siza e Souto Moura, [que são do Porto], foram distinguidos com o
Prémio Pritzker.

Clara Amorim
SINTAXE
MODIFICADOR DO NOME

Identifica as funções sintáticas dos elementos sublinhados:


A Joana, filha da Maria, foi selecionada para as Olimpíadas.
A estátua em bronze representa Cristiano Ronaldo,
futebolista português.

O modificador do nome integra a funçãoMsintática do nome que modifica:

A Joana do 10.º B foi selecionada para as Olimpíadas.


A Joana, filha da Maria foi selecionada para as Olimpíadas.
Ela foi selecionada para as Olimpíadas.

A estátua em bronze representa Cristiano Ronaldo, futebolista português.


A estátua em bronze representa o madeirense Cristiano Ronaldo.
A estátua em bronze representa-o.

Clara Amorim
SINTAXE
COMPLEMENTO DO NOME

Função sintática desempenhada por um GAdj, Gprep (oracional ou


não ) que é selecionado por alguns nomes, nomeadamente:
• Nomes derivados (construção, ensino, corte; artista, porteiro; beleza,
alegria…);
• Nomes icónicos (fotografia, imagem, retrato…);
M
• Nomes de parentesco (irmão, pai, tio…);
• Nomes que regem preposição (medo de, ânsia de, orgulho em, ideia
de, diferença entre…);
• Nomes que estabelecem uma relação parte-todo (perna da mesa),
possuidor-agente-tema (livro de Maria = seu livro), fonte-origem
(banana da Madeira), matéria (mesa de madeira).

Clara Amorim
SINTAXE
COORDENAÇÃO

Coordenação: relação sintática que se estabelece entre elementos


que pertencem à mesma categoria sintática:

Dormiu cada qual como pôde, com os seus [próprios] e


[secretos] sonhos. M

O Búzio chegava de dia, rodeado [de luz] e [de vento].

[António pregava] e [eles ouviam].

Clara Amorim
SINTAXE
COORDENAÇÃO

As orações coordenadas são sintaticamente independentes e têm


pouca mobilidade na frase:

António pregava e eles ouviam.


* E eles ouviam António pregava.
M

Ele é guloso mas não come doces.


* Mas não come doces ele é guloso.

Clara Amorim
SINTAXE
COORDENADA ADVERSATIVA

Coordenada adversativa: introduzida por mas.

Os advérbios conectivos (porém, todavia, contudo…) também


desempenham a função de conexão adversativa, mas essa
conexão dá origem a unidades linguísticas
M superiores à frase,
não podendo ocorrer como complementos de verbos.

* Ele diz [que [o irmão é guloso, porém que não come doces].
unidade superior à frase
Ele diz [que [o irmão é guloso, mas que não come doces].
frase

Clara Amorim
SINTAXE
COORDENADA EXPLICATIVA vs. SUBORDINADA CASUAL
Coordenada explicativa: apresenta uma explicação para o ato de
enunciação expresso na oração anterior (uma asserção ou uma
ordem).
(i) Come, que estás doente!
(ii) A criança deve estar doente, pois não comeu.
M

Subordinada causal: apresenta o facto que dá origem ao estado


de coisas manifestado na subordinante (há, portanto, uma relação
de causa-efeito).
(iii) A criança não comeu porque está doente.

Clara Amorim
SINTAXE
COORDENADA EXPLICATIVA vs. SUBORDINADA CASUAL
Sintaticamente, as subordinadas causais podem ocorrer em
posição inicial, ao contrário do que acontece com as explicativas:

(ia) Porque está doente, a criança não comeu.


(iia)* Pois (porque) não comeu, aMcriança deve estar doente.
(iiia) * Que/pois estás doente, come!

Clara Amorim
SINTAXE
COORDENADA EXPLICATIVA vs. SUBORDINADA CASUAL
Embora a conjunção porque esteja mais associada às orações
subordinadas causais, pode assumir também um valor explicativo,
introduzindo orações coordenadas explicativas. Neste caso, a
oração não pode ocorrer em posição inicial e, na escrita, é
precedida de vírgula.
M

(i) A criança não comeu porque está doente.


(iib) A criança deve estar doente, porque não comeu.

Clara Amorim
SINTAXE
COORDENADA EXPLICATIVA vs. SUBORDINADA CASUAL
Quando porque introduz uma oração subordinada causal, a oração
pode ocorrer antes ou depois da subordinante, não sendo
geralmente precedida de vírgula quando ocorre depois.

(ia) Porque está doente, a criança não comeu.


M
(iia)* Pois (porque) não comeu, a criança deve estar doente.
(iiia) * Que/pois estás doente, come!

Clara Amorim
FRASE COMPLEXA: SUBORDINAÇÃO

• Subordinação: relação sintática que se estabelece entre


elementos em que um (oração subordinada) está dependente de
outro (elemento subordinante).

• A dependência sintática da oração subordinada deve-se ao facto


de desempenhar uma função sintática relativamente ao
M
elemento subordinante:

 Sujeito:
É urgente que repensemos este plano.

Clara Amorim
FRASE COMPLEXA: SUBORDINAÇÃO

• Complemento (de verbo, nome ou adjetivo):

A pequenina exigiu que o chapéu ficasse ali.


Não há dúvida de que os resultados confirmam isso.
Nem ele seria capaz de lhe falar outra vez.
M
• Modificador (de GV, GN ou frase):
Estava sozinho quando vi a Andorinha Sinhá.
modificador do GV

Estava sozinho naquele momento.


modificador do GV

Clara Amorim
FRASE COMPLEXA: SUBORDINAÇÃO

Modificador (de GV, GN ou frase):

A bicicleta que me deste tem mudanças automáticas.


modificador do GN

Se és uma alma vil, não me pertences.


M
modificador da frase

Ele viajava escondido, embora não buscasse oiro.


modificador da frase

Clara Amorim
SINTAXE
SUBORDINADA RELATIVA
A oração relativa adjetiva apresenta uma relação de subordinação
relativamente a um antecedente.
Pred. Suj.
O Memorial do Convento é [uma obra que fomentou a economia de
Mafra].
M
Sujeito
[A opção que tomaram os autores do novo programa] provocou fortes
críticas por parte da autarquia.

Clara Amorim
SINTAXE
SUBORDINADA

Sublinha as formas verbais das orações de cada frase e rodeia o


elemento que estabelece a ligação entre elas.
O Memorial do Convento é uma obra que fomentou
a economia de Mafra.
A opção que tomaram os autores M do novo programa provocou
fortes críticas por parte da autarquia.

Oração subordinante vs. subordinada relativa

Clara Amorim
SINTAXE
COORDENAÇÃO E SUBORDINAÇÃO
Um mesmo nexo semântico pode ser assinalado através de
construções sintáticas diferentes:

• Nexo de causa: orações coordenadas explicativas e


conclusivas, orações subordinadas causais e consecutivas;
M
• Nexo de contraste: orações coordenadas adversativas e
orações subordinadas concessivas.

Clara Amorim
SINTAXE

A conexão de causa (uma das quatro entidades básicas de


conexão, a par da de adição, tempo e contraste) permite
estabelecer as relações de causa e efeito entre acontecimentos.
Para explicitar esse nexo, o locutor pode optar por marcar a
causa/motivo ou o efeito/consequência:

Deve ter chegado tarde, pois havia


M muito trânsito.
coordenada explicativa

Havia muito trânsito, logo deve ter chegado tarde.


coordenada conclusiva

Clara Amorim
SINTAXE

A mesma relação de causa-efeito pode ser transmitida através de


orações subordinadas:

Cheguei tarde porque havia muito trânsito.


Subordinada causal

M
Havia tanto trânsito que cheguei tarde.
Subordinada consecutiva

Clara Amorim
SINTAXE

Nexo contrastivo: estabelece-se um contraste entre dois


elementos que se combinam de forma inesperada. Os eventos
apresentados contrastam com as expectativas normais acerca do
mundo:

O João é muito bom aluno, mas reprovou no exame.


coordenada
M adversativa

Embora tenha reprovado no exame, o João é muito bom aluno.


subordinada concessiva

Clara Amorim
Bibliografia

Bechara, Evanildo. 1999. Moderna Gramática Portuguesa. Rio de


Janeiro: Editora Lucerna.
Amorim, Clara e Sousa, Catarina. 2012. Gramática da Língua
Portuguesa. (3.ª ed.). Porto: Areal Editores.
Amorim, Clara e Sousa, Catarina. 2013. Conhecer a Gramática.
Porto: Areal Editores.
M
Mateus, Maria Helena Mira et al. 2003. Gramática da Língua
Portuguesa. Lisboa: Caminho.

Clara Amorim