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QOAA-AFN/2019 TURMA REGULAR CONHECIMENTOS GERAIS MÓDULO – II JANEIRO - FEVEREIRO 2019 PORTUGUÊS E REDAÇÃO

QOAA-AFN/2019

TURMA REGULAR

CONHECIMENTOS GERAIS MÓDULO II

JANEIRO - FEVEREIRO

2019

PORTUGUÊS E REDAÇÃO

Prof. Rafael Dias

MATEMÁTICA GEOGRAFIA ECÔNOMICA

Prof. César Loyola Prof. Odilon Lugão

HISTÓRIA MILITAR NAVAL

Prof.

Vagner Souza

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MATERIAL INTERNO DE USO EXCLUSIVO DOS ALUNOS Proibida a reprodução total ou parcial

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CURSO

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REDAÇÃO

COMO MELHORAR A ESCRITA ?

1. USO DO GERÚNDIO NO TEXTO DISSERTATIVO-ARGUMENTATIVO

1. O gerúndio é uma forma nominal que apresenta o processo verbal em curso. Daí decorrem as seguintes características (uso correto):

a) valor de modo (Ele saiu chorando. = Ele saiu choroso.)

b) valor de tempo ( Encontramos Pedro estudando.= Encontramos Pedro que estudava.)

c) valor de duração (Permaneceu atendendo. = Permaneceu no atendimento.)

d) valor de causa/explicação (Enfrentando João, Pedro fez sucesso com as meninas. = Por enfrentar João, Pedro fez sucesso com as meninas. Ou Pedro fez sucesso com as meninas, porque enfrentou João.)

(Percebendo que o ladrão se aproximava, sentiu medo. =Por perceber que o ladrão se aproximava, sentiu medo. Ou Sentiu medo, pois percebeu que o ladrão se aproximava.)

e) valor de condição ( Sendo decidido assim, cumpra o acordado.= Se for decidido assim, cumpra o acordado.)

f) ação imediatamente anterior à do verbo principal (Recebendo os documentos, encaminhou-os logo à chefia. = Quando recebeu os documentos, encaminhou-os logo à chefia.)

1.2. Desvios mais comuns no emprego do gerúndio:

a)

Quando a ação descrita pela forma no gerúndio e o verbo da oração principal não puderem ser simultâneas. Exemplo de erro: Chegando, saiu.

Correto: Ele chegou e, logo após, saiu.

b)

Quando a ação expressa pelo gerúndio é posterior à do verbo da oração principal.

Exemplo de erro: Pela manhã, a menina não tomou o remédio, passando muito mal durante à tarde. Correto: Pela manhã, a menina não tomou o remédio, consequentemente passou muito mal durante à tarde. Pela manhã, a menina não tomou o remédio e passou muito mal durante à tarde.

c)

Quando o gerúndio tem valor de adjetivo.

Exemplo de erro: Encontrou uma nota no jornal comemorando o fato.

Correto: Encontrou uma nota comemorativa do fato no jornal.

d) Quando o gerúndio é empregado para generalizações ou conclusões não fundamentadas. Exemplo de erro: O garoto chorava muito causando medo aos que ali passavam. Correto: O garoto chorava muito, o que pode ter causado medo aos que ali passavam.

 

EXERCÍCIOS

1. Verifique se ambas as construções correspondem ao considerado como bom uso do gerúndio. Escolha a que considera mais aceitável ou mais correta. Justifique sua posição com base nas observações acima.

a) O policial viu o bandido correndo pela praia.

b) O aluno apareceu, sendo recebido pela direção da escola duas semanas depois.

c) A Marinha do Brasil criou um militar vencendo a competição.

d) O aluno vai estar fazendo a prova dia 5 de novembro.

 

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2. As generalizações e as conclusões “precipitadas” devem ser evitadas durante a elaboração de um texto dissertativo- argumentativo porque constituem uma espécie de vício na escrita. O mau uso do gerúndio pode gerar tais situações. Analise as situações abaixo e reescreva-as adequadamente:

a)

O Brasil passa por um bom momento na economia gerando um futuro de prosperidade e avanço tecnológico.

b)

As autoridades têm investido em novos projetos na área da Educação trazendo a tão esperada arrancada social.

3.

Assinale os períodos em que há uso inadequado de gerúndio e corrija-os:

a)

A comunidade internacional vem esforçando-se no sentido de acompanhar, da melhor maneira possível, a crise no mundo árabe. Observando diariamente o que lá ocorre.

b)

Os pais devem acompanhar a vida escolar de seus filhos. Demonstrando amor e dedicação. Só assim as crianças terão bom aproveitamento como estudantes.

c)

Isso ocorre para fazer barulho e chamar atenção dos demais, tornando o trânsito mais barulhento, aumentando o estresse e prejudicando a audição de muitos.

d)

O país precisa solucionar o problema do menor abandonado alcançando o desenvolvimento social tão esperado.

2. COESÃO E COERÊNCIA

Um aspecto importante na construção do conteúdo do texto, principalmente no que diz respeito à coesão, coerência

e clareza do texto, está no emprego adequado dos conectivos.

Emprego de palavras ou expressões de sentidos semelhantes na coesão de um texto

Algumas palavras e expressões podem apresentar sentido bastante semelhante. Para empregá-las adequadamente,

é preciso revisar o trecho com atenção.

a) portanto, logo, então : sentido conclusivo; têm relação direta com o que foi dito anteriormente.

b) por isso, por conseguinte: sentido de consequência; podem ser usadas na conclusão.

c) haja vista: levando em consideração isso, considerando isso

d) com isso: usando isso como meio ou instrumento (algo mais concreto)

e) dessa forma, desse modo: usando como medida, modo, maneira de algo ser obtido

f) devido a, em virtude de: por causa de, em razão de

g) em decorrência de: consequentemente, em consequência

h) em detrimento de: em prejuízo de

1. Nas alternativas, numere com a ordem de importância ( 1 é o mais importante) para a coesão do trecho transcrito da forma mais adequada:

1. Todos têm responsabilidade na questão sustentabilidade. Mundo, continente, nação precisam chegar ao

É, ,

desenvolvimento de maneira que as gerações futuras possam desfrutar dele.

necessário que os governantes invistam recursos na área de educação e de gestão ambiental.

(A) Dessa forma

(B) Para isso

(C) Com isso

(D) Portanto

(E) Logo

2.

No contexto atual, ser militar é cumprir rigorosamente ordens e missões; é conduzir-se com idoneidade e apropriação;

é estar sempre pronto para o cumprimento do se ao serviço militar, o que ainda é motivo de orgulho para eles.

 

homens e mulheres diariamente dedicam-

(A)

Com isso

(B) Portanto

(C) Dessa forma

 

(D) Por isso

(E) Para manter tal condição

 

3. A implementação de novas alternativas para o transporte público, se feita, possibilitará aos cidadãos mais

 

tranquilidade e conforto no percurso até o trabalho. É, os projetos cujo objetivo maior seja atender melhor à população.

,

necessário que as autoridades viabilizem

(A)

Por isso

(B) Dessa forma

(C ) Consequentemente

(D) Com isso

(E) Para isso ocorrer

 

4.Os Estados Unidos possuem hoje grandes vantagens no cenário internacional seu grande poder econômico.

 

o

(A)

haja vista

(B) devido ao

(c ) considerando

(D) com base no

(E) a partir do

5.

Os países em desenvolvimento têm posto em prática ações conjuntas para solucionar questões ou entraves difíceis

de serem superados comerciais do MERCOSUL.

 

tais nações têm alcançado sucesso em iniciativas como os acordos

(A)

Com isso

(B) Se isso for feito

(C) Então

(D) Logo

(E) Para manter essa condição

 

6.

Os projetos de desenvolvimento econômico no Brasil têm buscado formas de crescimento seremos reconhecidos, no cenário internacional, como nação desenvolvida.

 

(A)

Assim

 

(D)

Quando esses programas forem obtidos

 

(B)

Sendo assim

 

(E)

Se tais programas ocorrerem

 

(C)

Dessa forma

 

7.

Os funcionários da área da Saúde alegam que, além de sofrerem com a perda de poder de compra do salário, enfrentam dificuldades muito grandes no exercício da profissão. No local de trabalho, costuma faltar todo tipo de resolveram entrar em greve.

(A)

Devido a esses entraves

(B) Dessa forma

(C) Haja vista

(D) Consequentemente

(E) A partir disso

8.

Muitos países, desde o século XX, têm implementado medidas favoráveis à produção e consumo de energia mais pode-se constatar progresso nessa área; outras fontes em breve surgirão para atender às necessidades do ser humano, sem agredir ao planeta.

(A)

Em decorrência de tais práticas

 

(B) Portanto

(C) Sendo assim

(D) Com isso

(E) Por isso

3. A ELABORAÇÃO DO TEXTO DISSERTATIVO-ARGUMENTATIVO Ao elaborar-se um texto dissertativo-argumentativo de acordo com a norma culta da língua, é preciso atentar para os seguintes aspectos:

3.1. USO DE COLOQUIALISMOS OU EXPRESSÕES DE REGISTRO INFORMAL: o texto dissertativo-argumentativo deve revelar certa capacidade de expressão formal, elegante, isenta e sem marcas da linguagem oral.

Devem ser evitados os seguintes tipos de construção:

 

Sem falar que

(É importante mencionar ainda

);

Não tem nada a ver

(Não

há relação clara entre

 

);

(Não é válido

);

Não vale a pena Bom que se diga

(É preciso que se mencione/evidencie/aponte

).

 

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3.2. USO DE VOCABULÁRIO INADEQUADO: a escolha do vocabulário revela a formação e a experiência de vida daquele que escreve ou fala. Usar as palavras adequadas ao contexto indica preparo e qualificação do autor de um texto. Ter claro o significado de palavras como etnia, raça, cidadania, sociedade, nação, estado é realmente importante .

Exemplos de uso indevido:

Esse modelo tem desenvolvido diversos campos de trabalho para a sociedade ( população ). Um bom governo deve priorizar questões básicas para a sobrevivência de sua população ( para a qualidade de vida da população ). Através dos erros, chegaremos aos acertos ( Por meio dos

É preciso que a humanidade se conscientize da necessidade de

É preciso que a sociedade daquele lugar

No caso em tela

).

(que os indivíduos se conscientizem

)

(comunidade)

)

( Em casos como esses

OBS.: a locução usada para qualificar um nome deve manter-se no singular (meios de transporte, meios de comunicação, pais de família, casos de mortalidade);

OBS.: deve ser evitada a locução expletiva é que ( Na verdade, a política é que fará a mudança . / a política fará )

/Devido à má distribuição de alimentos, é que a fome vem

(

alimentos,

a fome vem

)

4. FALTA DE CONCISÃO: a redundância retórica é uma das formas mais comuns da prolixidade.

Observe-se o exemplo (GARCIA,1986): “Conforme a última deliberação unânime de toda a Diretoria, a entrada, a frequência e a permanência nas dependências deste Clube, tanto quanto a participação nas suas atividades esportivas, recreativas, sociais e culturais, são exclusivamente privativas dos seus sócios, sendo terminantemente proibida, seja qual for o pretexto, a entrada de estranhos nas referidas dependências do mesmo.” Tal aviso poderia ser simplesmente: “É proibida a entrada (ou frequência, ou a permanência) de estranhos” ou “Só é permitida a entrada de sócios.” Ao redigir, o autor de um texto deve buscar o equilíbrio entre enfatizar seu ponto de vista e manter a clareza e a objetividade daquilo que diz.

5. OUTROS CUIDADOS IMPORTANTES

É preciso revisar o próprio texto com atenção para evitar

a) ausência de oração principal no período:

Isso porque a política

/ Claro que a saúde é importante

/ Interessante destacar que

b) ausência de preposição antes do pronome relativo:

Essa é a crise que a imprensa se refere todo dia. / O local onde vai o migrante torna-se sua nova casa. / É comum a mídia valorizar as falas das celebridades que faz alusão.

6. PROBLEMAS DE ESTRUTURAÇÃO SINTÁTICA

6.1. USO DE FRASES FRAGMENTADAS Frase fragmentada é um erro de construção que consiste em pontuar uma oração subordinada (ou uma locução) como se fosse uma frase completa.

Ex.: O Brasil precisa encarar seus problemas. Com determinação e seriedade. (locução pertencente à frase anterior). Trouxe sugestões. Que são muitas. (oração subordinada à anterior).

ATENÇÃO: todo enunciado deve ter sujeito e verbo; não deve ser introduzido por conjunção subordinativa, pronome relativo ou forma nominal (infinitivo, gerúndio e particípio) sem que tenha oração principal a que se refira.

Marque com (X) as frases fragmentadas e reescreva-as de forma adequada:

(

) Como o governo quer fazer reformas. O Legislativo parece disposto a ouvi-lo.

(

) O governo quer fazer reformas. Que visam beneficiar a todos.

(

) O governo quer fazer reformas. Em curto espaço de tempo.

(

) Uma vez que o governo quer fazer reformas, o Legislativo parece disposto a começar a colaborar.

(

) O governo quer fazer reformas. Sob condições específicas e de seu interesse.

(

) Todos gostariam de acreditar no governo. Cientes da importância das reformas.

(

) Acreditar no governo e importante. Para ele poder efetuar as reformas pretendidas.

6.2. USO DE FRASES SIAMESAS Frase siamesa é um erro de construção que consiste em unir duas frases completas como se fosse uma só.

Ex.: Nosso País precisa resolver o problema da fome, a fome revela um grande desequilíbrio social. Nosso País precisa resolver o problema da fome, pois o mesmo revela um grande desequilíbrio social. ATENÇÃO: - para corrigir esse erro, pode-se empregar ponto, ponto e vírgula, conjunção coordenativa ou transformar uma das frases em oração subordinada.

Reescreva as seguintes frases de modo adequado:

a) Havia muitos interessados na queda do Presidente Collor, lembro-me de ter visto isso nos jornais

b) As farmácias de manipulação representam um setor em ascensão na economia brasileira, os números das estatísticas comprovam essa afirmação.

c) No alto da montanha, há minérios, depois de explorados, renderão muito a nós.

d) A onça é um animal em extinção, essa é alvo constante de caçadores.

e) A testemunha negava-se a depor, ela estava com medo do réu.

 

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Texto 1: Navio da Marinha do Brasil socorre refugiados sírios na costa do Líbano Migrantes estavam sem comida havia três dias O Globo com Ansa 15/10/2018 - 15:23 / 15/10/2018 - 16:33 Um navio da Marinha do Brasil socorreu 31 refugiados que estavam à deriva em um barco clandestino na costa do Líbano, no Mar Mediterrâneo Oriental, diringindo-se à ilha do Chipre, que faz parte da União Europeia. Segundo o Ministério da Defesa brasileiro, o resgate foi feito pela fragata Liberal, que integra a Força Interina das Nações Unidas no Líbano (Unifil), na última quinta-feira. Os refugiados, provenientes da Síria, estavam sem comida e água havia três dias e receberam assistência do navio brasileiro. "Toda assistência necessária foi fornecida pela Unifil, para amenizar o sofrimento das pessoas a bordo, com o fornecimento de água, comida, assistência médica e alguns medicamentos", diz uma nota do Ministério da Defesa. Segundo a Defesa, a embarcação continuou no local para prestar todo o auxílio possível aos refugiados, à espera de duas lanchas patrulha para resgatar os imigrantes. O plano pretendido pela fragata era escoltar os resgatados até as águas territoriais libanesas, e lá encerrar suas ações. Não foi informado se esta parte da missão já aconteceu, na tarde desta segunda-feira. Segundo a Organização Internacional para as Migrações (OIM), 25.437 migrantes forçados conseguiram concluir a travessia do Mediterrâneo Oriental em 2018 e outros 152 morreram tentando. Não é a primeira vez que um navio da Marinha brasileira socorre migrantes em situação de risco. Em setembro de 2015, a corveta Barroso resgatou 220 refugiados que estavam numa embarcação precária no Mar Mediterrâneo, numa operação que levou mais de 20 horas. Entre os resgatados estavam 94 mulheres, 37 crianças e quatro bebês, sírios em sua maioria. Na época, o comandante Alexandre Amendoeira Nunes contou que muitos estavam desidratados.

Amendoeira Nunes contou que muitos estavam desidratados. A corveta havia sido acionada pelo Centro de Busca

A corveta havia sido acionada pelo Centro de Busca e Salvamento italiano para ajudar no resgate. A embarcação com os refugiados estava a cerca de 300 quilômetros da Sicília. Segundo a Marinha, a corveta

Barroso havia partido do Rio de Janeiro no dia 8 de agosto para participar da Força-Tarefa Marítima das Nações Unidas no Líbano. https://oglobo.globo.com/mundo/navio-

da-marinha-do-brasil-socorre-refugiados-sirios-na-costa-

do-libano-23157259

Fragata Liberal socorre refugiados na costa do Líbano - 11 de outubro de 2018 A embarcação, sem combustível, foi localizada a cerca

de 41 milhas náuticas da capital do Líbano, Beirute. A fragata “Liberal”, que pertence à Marinha do Brasil, foi acionada pelo Comando da FTM, e imediatamente foram iniciadas as buscas por radar e com aeronaves. Toda assistência necessária foi fornecida pela UNIFIL, para amenizar o sofrimento das pessoas a bordo, com o fornecimento de água, comida, assistência médica e alguns medicamentos.

A “Liberal” permanece no local para prestar todo o

auxílio possível aos refugiados, até a chegada de duas lanchas patrulha que realizarão o resgate. A fragata escoltará os resgatados até as águas territoriais libanesas, e lá encerrará suas ações. Em setembro de 2015, a corveta brasileira Barroso, que estava a caminho para missão da FTM, também resgatou 220 imigrantes no Mar Mediterrâneo.

FTM, também resgatou 220 imigrantes no Mar Mediterrâneo. FTM-UNIFIL A Marinha do Brasil participa desde 2011

FTM-UNIFIL A Marinha do Brasil participa desde 2011 da FTM- UNIFIL, ocasião em que assumiu o comando da Força Tarefa Marítima multinacional e passou a enviar um navio para atuar como capitânia do Comandante da Força. Atualmente, o contra-almirante Eduardo Machado Vazquez é o comandante da FTM-UNIFIL, integrada por navios da Alemanha, Grécia, Indonésia e Turquia, além do Brasil. A Fragata “Liberal” desatracou da Base Naval do Rio de

Janeiro em agosto deste ano para realizar a “Operação Líbano XIV”. Por um período de oito meses, a fragata conduzirá as operações de interdição marítima a fim de prevenir a entrada de armas não autorizadas no território libanês, bem como qualquer material correlato, além de contribuir para o adestramento da Marinha Libanesa.

É a quarta vez que a Fragata “Liberal” participa da

“Operação Líbano”, tendo atuado anteriormente, em 2012

(Líbano II), 2014 (Líbano V) e 2016 (Líbano X). Com informações e fotos da Força Tarefa Marítima UNIFIL. FONTE: Ministério da Defesa

https://www.naval.com.br/blog/2018/10/11/fragata-

liberal-socorre-refugiados-na-costa-do-libano/

Exercício 1: Escreva um texto com 4 parágrafos de 5 a 7 linhas cada, sendo 1º parágrafo: apresentação do programa UNIFIL + TESE; 2º parágrafo: o problema dos refugiados; 3º parágrafo: a participação da MB no problema dos refugiados; 4º parágrafo: as consequências do salvamento. Dica: faça, pelo menos, 3 frases por parágrafo.

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Texto 2: Submarino nuclear: segurança e desenvolvimento PEDRO FONSECA JUNIOR Escola Superior de Guerra Introdução

O Estado conforme previsto na Constituição Federal tem o dever de assegurar a segurança e o desenvolvimento da sociedade.Segundo a Política Nacional de Defesa (PND), segurança

É a condição que permite ao País preservar sua

soberania e integridade territorial, promover seus interesses nacionais, livre de pressões e ameaças, e garantir aos cidadãos o exercício de seus direitos e deveres constitucionais. (PND, 2012 p.13) Os países, de uma maneira geral, possuem um sentimento constante de cerco e de ameaça externa, já que o mundo não possui uma governança centralizada, e na anarquia, a segurança é o fim mais importante. Apenas se a sobrevivência for assegurada é que os estados podem com segurança procurar outros objetivos como a tranquilidade, o lucro e o poder. (WALTZ, 2002, p.175)

Para Fiori (2014, p.38), isto explica a centralidade da preocupação que manifestam com relação à própria defesa, e também sua permanente preparação para a

todos os países que se transformaram em

grandes potências capitalistas passaram por longos

períodos de guerra ou por guerras extremamente destrutivas.

O Brasil não está livre de pressões e ameaças. Para

Melo (2015, p. 25) o patrimônio brasileiro é um dos mais ricos do planeta, e “esses ativos estratégicos não estão a salvo da cobiça no futuro”. O ambiente internacional, demanda ações do Estado para preservar sua soberania e integridade territorial, e assim promover e sustentar os interesses nacionais. Desse modo, o Estado deverá pôr em prática “um conjunto de medidas e ações, com ênfase no campo militar, para defesa do território, da soberania e dos interesses nacionais contra ameaças preponderantemente externas, potenciais ou manifestas” (BRASIL, PND, 2012, p.15). Essas medidas e ações são baseadas em dois instrumentos: Forças Armadas e Base Logística de Defesa1. O Programa de Desenvolvimento de Submarinos (PROSUB), pelos recursos empregados, é a maior política pública de defesa em desenvolvimento no Brasil e um dos maiores programas do gênero no hemisfério sul. Para o Senador Ferraço, é o maior programa de capacitação industrial e tecnológico da indústria de defesa brasileira. Quero crer um dos maiores programas desenvolvidos inclusive neste momento em todo mundo. Um programa estimado em 21 bilhões de reais e que é estratégico não só para Marinha do Brasil ou para defesa do nosso espaço marítimo, mas também para o fortalecimento da nossa indústria de defesa e para o desenvolvimento científico e

tecnológico do nosso país (FERRAÇO, 2014, s.p.).

A questão central para reflexão neste trabalho é a

guerra [

]

contribuição do PROSUB para a sustentação do binômio segurança-desenvolvimento. Esta pesquisa se justifica pela necessidade da sociedade analisar e avaliar as políticas públicas de

defesa, por ser a sua maior beneficiária. Diferentemente dos países desenvolvidos, no Brasil quando o tema é defesa, o povo não identifica a sua relevância.

A sociedade civil é capaz de influenciar a adoção e o

desenvolvimento de políticas públicas, a exemplo do que ocorre com a saúde e a educação. No entanto, dado que

vigora uma percepção social do baixo nível de importância da defesa nacional, os governos ficam à vontade para empurrar com a barriga (OLIVEIRA, 2006, s.p.).

O artigo decorre de consulta a fontes primárias,

levantamento bibliográfico de fontes secundárias, e pesquisas em arquivos públicos e privados. Em paralelo,

assistiu-se a diversas conferências ligadas ao tema, visitou-se instalações de interesse e também foram feitas entrevistas com integrantes do PROSUB.

O trabalho teve como fundamentação teórica os

conceitos de segurança, defesa e políticas públicas. O conceito de segurança já foi anteriormente mencionado. Um conceito para defesa, além do existente na PND, pode-se encontrar também nas Políticas e Temas Especiais do Plano Mais Brasil.

A defesa de um país consiste, basicamente, no

conjunto das capacidades organizadas, com o objetivo de

garantir a segurança do patrimônio natural e social, a dissuasão por meio da capacidade de combate e os compromissos internacionais, que culminam com a manutenção da soberania do estado nacional (BRASIL, 2013, p. 272).

As ações de defesa contribuem para a garantia de

soberania e também para a construção de uma sociedade

livre, justa, solidária e desenvolvida.

As políticas públicas são ferramentas utilizadas pelo

Estado para mudar a realidade social. Especificamente,

as políticas públicas de defesa contribuem sobremaneira com o sentimento de segurança da sociedade, pois garantem a integridade territorial e soberania.

O PROSUB, como será visto, não contribui apenas

com o sentimento de segurança, integridade territorial e soberania, mas também para o fortalecimento da indústria nacional e o desenvolvimento científico e tecnológico do país. O Programa de Desenvolvimento de Submarino A PND preconiza que “O País deve dispor de meios com capacidade de exercer vigilância, controle e defesa das águas jurisdicionais brasileiras” (BRASIL, PND, 2012, p.17), ou seja ter a capacidade de negar o uso do mar por uma força hostil. Fruto desta orientação a Estratégia Nacional de Defesa (END) (2012) menciona que esta capacidade será obtida através de uma força naval submarina de envergadura, composta de submarinos de propulsão diesel-elétrica e de propulsão nuclear. Para a END - Estratégia Nacional de Defesa - , é inseparável de estratégia nacional de desenvolvimento. Esta motiva aquela. Aquela fornece escudo para esta. Cada uma reforça as razões da outra. Em ambas, se desperta para a nacionalidade e constrói-se a Nação. (END, 2012, p.23) O documento diz que o Brasil deve se capacitar para projetar e construir os submarinos que garantirão a defesa das águas jurisdicionais. Este desafio, na realidade, significa a formulação de uma política pública voltada para autonomia estratégica e independência tecnológica. A concretização desta política pública de defesa colocará o Brasil em um patamar alcançado por apenas outros seis países: Estados Unidos da América, China, Inglaterra, França, Rússia e Índia. Em certa medida o movimento na direção da independência tecnológica na área nuclear teve início após o término da Segunda Guerra Mundial, quando foram enviadas comitivas para os EUA, França e Ale- manha, visando fazer acordos para instalação de reatores nucleares em solo brasileiro. Embora tais ações não

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tenham sido bem sucedidas2 “atribuem-se aos esforços dos integrantes dessas duas comitivas os gêneses dos ideais para o desenvolvimento de tecnologia nuclear, essencialmente nacional” (HENRIQUES, 2011, p.16). A década de 1970 foi promissora para o domínio da tecnologia nuclear. No final de 1976, a Marinha indicou o Capitão-Tenente Othon Luiz Pinheiro da Silva para se especializar na área nuclear no Massachusetts Institute of Technology (CORRÊA, 2010, p.77). No seu regresso, dois anos depois, Othon emitiu um relatório no qual enfatizou que para adquirir a capacidade de construir um submarino nuclear duas etapas precisavam ser vencidas: o domínio do ciclo de enriquecimento do combustível nuclear e a construção de um reator piloto para testes. Em dezembro de 1978, o Alto Comando da Marinha, decidiu inserir na agenda naval um programa para projetar e construir submarino de propulsão nuclear. Essa decisão não foi importante apenas para a Força Naval, mas também para o desenvolvimento científico tecnológico nacional: Assim teve início a saga que se arrasta até os dias de hoje com o Programa de Desenvolvimento de Submarino com Propulsão Nuclear (PROSUB). Durante os anos 80 e 90, o Programa Nuclear da Marinha (PNM), por fatores que fogem ao escopo desse trabalho, entrou em estado vegetativo. Até que na primeira década deste século, fatos novos surgiram que mudaram a história do PNM. Kingdon (1995 apud COSTA: CALMON, 2007) elaborou um modelo de análise de política pública, no qual um tema é colocado na agenda quando existe uma convergência de três fluxos: o problema, a solução, e o político. No tema em análise, existiam dois problemas, a descoberta de petróleo em alto mar e a determinação da END de que o Brasil deveria ter uma Força de Submarinos compatível com a sua dimensão geopolítica. A solução a Marinha tem buscado desde a década de 80 do século passado: possuir a capacidade de projetar e construir submarinos. O gargalo estava no fluxo político. Ao tomar posse no Comando da Marinha em março de 2007, o Almirante de Esquadra Júlio Soares de Moura Neto recolocou o projeto de desenvolvimento do submarino nuclear como prioridade da Força Naval. Suas palavras iniciais demonstraram esta postura. Merece menção o Programa Nuclear da Marinha, iniciado em 1979 e que apresenta considerável progresso, mesmo restrito aos recursos da própria Força, com o desenvolvimento de dois projetos: o do ciclo do combustível, empregando ultracentrífugas projetadas no Brasil, o que já se conseguiu; e o desenvolvimento e a prontificação, com tecnologia própria, de uma planta nuclear de geração de energia elétrica, incluindo o reator nuclear, o que ainda não está pronto (MOURA NETO, 2007, s.p.). Em julho de 2007, o Presidente Luis Inácio Lula da Silva visitou, a convite do Ministro da Defesa, o Centro Tecnológico da Marinha em São Paulo. Impressionado com a grandeza do programa, o Presidente garantiu a liberação de recursos para a Marinha concluir o projeto das instalações de propulsão nuclear para submarinos. Graças a esse recurso foi possível acelerar a obra do Laboratório de Geração de Energia Núcleo Elétrica (LABGENE) e continuar a Usina de Produção do Hexafluoreto de Urânio. Este foi um grande passo para o desenvolvimento científico tecnológico nacional, pois permitiu abrir o caminho para a tão almejada independência na área nuclear.

Nesta época, a indústria de armamentos francesa sofria transformações decorrentes do fim da Guerra Fria e da onda neoliberal “que, ao pregar desregulamentação,

privatização, abertura de capital das empresas públicas e

questionava as próprias

bases do sistema de produção de armamentos” (MELO, 2014, p.76). Cabe destacar que as empresas estratégicas francesas eram vistas como os principais polos de excelência e inovação do país (MELO, 2014, p.83). Diante desse quadro o Presidente Sarkozy (2008- 2012) dedicou especial atenção as indústrias de defesa e lançou ambiciosa estratégia de exportações.

Sarkozy promoveu parcerias industrias em defesa com potências emergentes, vistas como dinâmicas e com potencial de crescimento e investimento na área. Como idealizadas por Sarkozy, essas parcerias eram fundadas

em transferência de tecnologia, formação de mão de obra

e capacitação industrial no país de destino. (MELO, 2014, p. 83)

Desse modo, surgiu a convergência de interesses entre Brasil e França que culminou com uma parceria estratégica entre os dois países. Além do citado, a França em relação aos outros seis países que projetam e constroem submarinos emprega métodos e processos típicos do Ocidente e de mais fácil absorção pelos en- genheiros e técnicos brasileiros; é um fornecedor tradicional de material bélico para o mundo ocidental; estava disposta a vender a tecnologia de projeto de submarinos, excluídos o projeto e a construção do reator e de seus controles; e, em razão do número de submarinos a construir, apresentou vasto programa de nacionalização, com objetivo de aumentar a participação brasileira na produção dos submarinos e preparar a base industrial nacional para futuros projetos da mesma natureza. Esses últimos aspectos foram os diferenciais a favor dos franceses (BRASIL, 2013b, p. 19).

O Comandante da Marinha, no início de 2008, foi para

a Europa, juntamente com os Ministros Nelson Jobim e

desengajamento do Estado [

]

Mangabeira Unger. Na França tiveram encontros com o Presidente Sarkozy, com o Ministro da Defesa francês Hervè Morin, com representante da Direction Générale de l’Armement (DGA), e com a Direction des Constructions Navales et Services (DCNS). Desse modo, Brasil e França estabeleceram uma parceria estratégica, concretizada em 29 de janeiro pelos respectivos Ministros da Defesa Nelson Jobim e Hervè Morin. Neste dia foi concretizado um acordo relativo à cooperação no domínio da defesa. (FONSECA, 2015, p.71) A implementação dessa política pública de defesa pode ser analisada por diversos ângulos, entretanto, este trabalho priorizou aspectos que impactam diretamente no desenvolvimento nacional: transferência de tecnologia3, formação de mão de obra (capacitação de pessoal) e capacitação industrial no país de destino (nacionalização).

Transferência de tecnologia (TT)

O submarino é considerado o vetor de guerra mais

complexo, considerando-se a qualificação da mão de obra empregada, a quantidade de componentes e o seu peso. Isto, em parte, explica o motivo de apenas seis países terem adquirido a capacidade para projetar e construir essa arma. A figura abaixo compara a complexidade tecnológica do submarino com outros armamentos. O submarino nuclear brasileiro (SNBR) não está no topo da curva, porque não será equipado com armamento nuclear. A tecnologia nuclear restringe-se a propulsão devido a compromissos internacionais assumidos pelo Estado brasileiro.

Um fato curioso na figura é a defasagem de tempo para construção. Se um blindado

Um fato curioso na figura é a defasagem de tempo para construção. Se um blindado e o SNBR iniciarem o processo simultaneamente, o meio naval demorará, aproximadamente 5 anos a mais para sua prontificação, o que em certa medida comprova a defasagem tecnológica

entre os dois vetores de guerra. Para esta análise não deve ser considerado outros fatores tais como restrições de recursos humanos ou financeiros. O ponto fulcral da parceria com a França é a transferência de tecnologia para projetar e construir submarinos. Para tanto diversos contratos foram assinados totalizando a quantia de € 3.283.433.000,00 ou R$ 13.270.400.000,00 ao câmbio de dezenove de março de 20164. O contrato 6 prevê TT para: construção de submarinos; projeto de submarinos; projeto e construção do Estaleiro

e Base Naval. São obrigações contratuais da DCNS:

transferir conhecimentos, transferir informações, prestar serviços de assistência técnica e ensinar como fazer. As TT são operacionalizadas de três maneiras: transferência direta (conhecimento passado diretamente na ponta da linha), cursos e “On-the-Job-Training”5, como foi o caso das seções mais avante do primeiro submarino, construídas na França. Para Hirschfeld (2014, apud FONSECA, 2015, p.88), a expectativa ao final do processo de transferência de tecnologia é que o Brasil adquira capacitações para:

a) projetar e construir submarinos (convencionais e nucleares);

b) projetar e construir bases e estaleiros navais;

c) projetar e manter sistemas de combate;

d) manter sistema SONAR; e

e) produzir equipamentos e sistemas.

Percebe-se na fala de Hirschfeld que técnicos brasileiros, não somente os de Marinha, estarão adquirindo capacitações, o que é uma demonstração inequívoca de que o Programa tem potencial para influenciar diversos setores do desenvolvimento nacional. Capacitação de pessoal

Segundo o Coordenador-Geral do PROSUB (2014,

apud FONSECA, 2015, p.87) aproximadamente trezentos engenheiros e técnicos já foram enviados à diversas locais na França. Para Cherbourg, foram duzentos e trinta

e oito (Marinha do Brasil, Nuclebrás Equipamentos

Pesados e Itaguaí Construções Navais), para receberem os conhecimentos de construção e detalhamento de

submarino. Lorient recebeu trinta e um oficiais engenheiros navais para aprenderem a projetar submarinos. Os ensinamentos para construir tubos lançadores de torpedo foram transmitidos em Ruelle e nesse caso apenas para um oficial e um técnico. Em

Toulon, seis oficiais e oito engenheiros da Fundação Ezute receberam conhecimentos de sistema de combate para submarino. Já em Saint Tropez a TT do sistema lançador do Torpedo F-21 foi para dois oficiais. Finalmente, em Sophia-Antipolis, dois oficiais receberam conhecimentos do sistema do sonar. Em palestra para a Comissão de Relações Internacionais e Defesa Nacional (CREDEN) do Con- gresso Nacional, o Coordenador-Geral do PROSUB mencionou que os conhecimentos transmitidos pela França para a capacitação dos engenheiros brasileiros em projetar e construir os submarinos convencionais (S- BR) serão fundamentais para o desenvolvimento do projeto do submarino de propulsão nuclear (SN-BR), pois neste a Marinha do Brasil é a autoridade responsável. A DCNS acompanhará todo o processo, exceto na parte da propulsão. Muitos conhecimentos estão sendo absorvidos pelos engenheiros brasileiros tais como:

a) concepção geral: arranjos gerais, compartimentagem, casco resistente, propulsão, choques, ruído e vibração;

b) ferramentas de concepção: cálculo de pesos,

estabilidade, índice de vulnerabilidade,

compatibilidade eletromagnética, assinaturas;

c) interfaces entre instalações;

d) hidrodinâmica, incluindo a realização de ensaios;

e) concepção do casco resistente;

f) concepção das instalações mecânicas e elétricas;

g) concepção da propulsão, excluindo-se a instalação

nuclear;

h) sistema de combate: sistemas de detecção e

sistemas de armas; e

i) apoio logístico integrado (ALI)6: confiabilidade e disponibilidade.

Especificamente para a construção estão sendo absorvidos os seguintes conhecimentos:

a) planejamento, gerenciamento e coordenação da

construção;

b) estratégia de construção;

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c) requisitos necessários para as oficinas de

b) buscar, a longo prazo, a nacionalização completa de todas as peças, componentes, partes, sistemas e serviços;

c) obter alta confiabilidade e segurança nos itens

nacionalizados;

d) envolver a participação de universidades e/ou

instituições científicas e tecnológicas nacionais, a própria Marinha, além da indústria

selecionada, para possibilitar a continuidade do desenvolvimento da tecnologia de interesse; e

e) englobar, sempre que possível, a tecnologia de

projeto, a tecnologia de fabricação e a tecnologia de manutenção. Segundo a TechnoNews, na edição de outubro de 20148, 54 projetos de nacionalização da cadeia produtiva estavam em andamento, dos quais 20 já tinham sido aprovados pela Marinha, destacando-se o Sistema de Combate (SC) desenvolvido pela Fundação Ezute; o Sistema de Gerenciamento Integrado da Plataforma, desenvolvido pela Mectron; e os Consoles Multifuncionais do Sistema de Combate. O desenvolvimento desses sistemas é acompanhado por equipe técnica da Diretoria de Sistemas de Armas da Marinha (DSAM). É importante mencionar que, existindo equipamentos similares no mercado nacional ou que as indústrias tenham capacidade de produzir, a prioridade de aquisição será para empresas brasileiras. Segundo Talon9 Para as empresas brasileiras que produzem determinado equipamento semelhante ou similar ao equipamento do submarino, mas que não atende completamente aos requisitos necessários ao projeto do S-BR, a DCNS tem por obrigação contratual transferir a tecnologia e o conhecimento para estas indústrias. [ ]no programa da nacionalização, o fundamental é que, ao final do processo, as empresas brasileiras sejam autônomas e independentes na fabricação para, no futuro, suprirem a demanda da Marinha para a manutenção e/ou construção de submarinos. Mais uma vez fica claro, nas palavras do gerente de nacionalização do S-BR, que o Brasil busca a grandeza, a independência tecnológica. E é essa perfomance que a sociedade brasileira deve esperar de um programa com tamanha magnitude.

construção;

d) elaboração do projeto e dos desenhos de

fabricação;

e) exigências de qualificação de recursos humanos;

f) construção do casco resistente;

g) gerenciamento da qualidade;

h) qualificação do pessoal e dos processos; e

i) programas de computador: interfaces entre os

programas utilizados pela indústria francesa e aquele utilizado pela Marinha do Brasil. A expectativa é que em futuro próximo, o Brasil seja capaz de projetar e construir de maneira autóctone seus submarinos, o significará autonomia estratégica e independência tecnológica. É mister considerar também que a capacitação adquirida possibilitará a realização de outros empreendimentos tão ou mais complexos, inclusive com transbordamento para outras áreas industriais tais como óleo e gás, construção naval etc. Nacionalização

Os contratos comerciais 1A e 2A7 estão associados ao

Programa de Nacionalização da Produção (PNP), que visa à capacitação para desenvolvimento, produção e manutenção de equipamentos e sistemas relativos aos submarinos convencionais e ao nuclear (BRASIL, 2013b). Para Fonseca (2015, p.121), “nacionalizar é capacitar

o parque industrial brasileiro para: fabricar sistemas,

equipamentos e componentes; treinar pessoal para o desenvolvimento e integração de softwares específicos; e

dar suporte técnico às empresas durante a fabricação dos itens”. Com essa capacitação o Brasil poderá dar continuidade à fabricação de submarinos e atingir a autossuficiência tecnológica condizente com o preconizado na Estratégia Nacional de Defesa.

A nacionalização no PROSUB é um processo

complexo fruto da dimensão do programa, do seu ineditis- mo construção do primeiro submarino brasileiro com propulsão nuclear e diversidade de atores envolvidos,

públicos e privados. Enfim, é um empreendimento cujas características técnicas e construtivas desafiadoras configuram o “Estado da Arte” da Engenharia Naval nacional. Para esse processo foram, segundo Talon e Cavalcanti (2014), seguidas algumas premissas:

a) reduzir gradualmente a compra de serviços e de produtos acabados no exterior;

O quadro abaixo classifica diversos setores da indústria brasileira segundo a intensidade tecnológica.

da indústria brasileira segundo a intensidade tecnológica. Baseado no QUADRO 1, foi elaborado o QUADRO 2

Baseado no QUADRO 1, foi elaborado o QUADRO 2 onde classificou-se 41 empresas envolvidas no PROSUB.

tecnológica. Baseado no QUADRO 1, foi elaborado o QUADRO 2 onde classificou-se 41 empresas envolvidas no

As empresas citadas fazem parte de uma amostragem já que não é possível ter acesso a todas envolvidas no

Programa. As que constam do quadro participam da fabricação do casco resistente, estrutura externa não resistente, estrutura interna não resistente, estruturas isoladas, isolamentos, sistema elétrico, propulsão principal, segurança de imersão, segurança específica, servidão, habitações, sistema de detecção de superfície, sistema de mastros içáveis, sonar, gerenciamento do sistema de combate, sistema de contra medidas, sistemas de armas, comunicação interna e sistema de gerenciamento do navio.

O quadro mostra que mais de 50% das empresas selecionadas são de média-alta e alta tecnologia, o que é coerente com a complexidade do projeto. O quadro também nos leva a refletir que, dependendo da vontade política, o Pais pode vir a ser um ícone em futuros projetos de construção de submarinos, com um parque industrial no estado da arte.

É mister considerar que a seleção das empresas segue a uma lógica própria, na qual participam a Marinha e a DCNS, conforme o fluxo mostrado na figura abaixo.

e a DCNS, conforme o fluxo mostrado na figura abaixo. Considerações finais Por diversos motivos, no

Considerações finais Por diversos motivos, no Brasil, a reflexão sobre políticas públicas de defesa não tem o mesmo apelo que as de saúde e educação, por exemplo. A defesa está para uma nação assim como um plano de saúde está para o indivíduo, o ideal é as capacitações não sejam empregadas, entretanto não deve ser questionado a sua importância. O desenvolvimento econômico para Sandroni (1999, p.169) é o “crescimento econômico (aumento do Produto Nacional Bruto per capita) acompanhado pela melhoria do padrão de vida da população e por alterações fundamentais na estrutura de sua economia”. O crescimento econômico e a melhoria do padrão de vida da população, com segurança, somente serão possíveis se o Estado possuir uma capacidade de defesa a altura de sua

estatura geopolítica. Assim sendo a nação ficará livre da cobiça de outra (s) unidade (s) política (s) por seus ativos estratégicos. O PROSUB provoca reflexões na sociedade brasileira.

necessidade de importar tecnologia, capacitar pessoal

nacionalizar demonstra atraso para projetar e construir

A

e

submarinos. Por outro lado, nenhuma empresa (no caso a DCNS) estabelece contrato deste porte, sem que a outra parte tenha capacidade de absorver os conhecimentos necessários para o desenvolvimento do projeto. Um outro aspecto a considerar é que o Brasil se capacitando para desenvolver um programa de tamanha complexidade, logicamente estará capacitado para realizar outros com menor valor agregado como é o caso de navios de superfície. Um fato importante a considerar que a tecnologia que está sendo transmitida certamente poderá ser empregada em outros projetos de caráter naval ou não. Alguns

exemplos podem ser citados: a Shuller brasileira fez uma prensa de 8 mil toneladas após receber orientação dos franceses, que é uma das maiores do mundo; no Estaleiro Enseada de Paraguaçu, em Maragogipe, Bahia, a Odebrecht utilizou muito do aprendizado no PROSUB- EBN, ao deslocar uma parte da equipe que trabalhou na obra de Itaguaí para atuar no projeto de Paraguaçu; a Micromazza, localizada no município de Vila Flores (RS), foi selecionada e capacitada pela DCNS para produzir as válvulas com base no projeto original dos submarinos, técnicos brasileiros foram para a empresa Issartel, na França, os conhecimentos adquiridos poderão ser usados para a fabricação de válvulas de alta pressão de plataformas de exploração de petróleo em alto mar. Segundo o Nomar nº 885, de janeiro de 201610, a produção, pelas empresas brasileiras, de peças, equipamentos, materiais e sistemas, que façam parte do pacote de material nacional dos submarinos convencionais previstos no PROSUB, permite que, ao final do processo de nacionalização, elas sejam capazes de produzir material de forma independente e autônoma. Muitos desses materiais têm uso dual, podendo ser empregados em outros setores da indústria. Desse modo não resta dúvida que o PROSUB contribui para o desenvolvimento nacional, entretanto se não houver vontade política para o seu prosseguimento, assim como a implementação de novos programas, os conhecimentos obtidos ficarão obsoletos em curto espaço de tempo. Enfim, o trabalho procurou mostrar que o Estado brasileiro, através da Marinha do Brasil, tem capacidade para ser empreendedor e assumir riscos ao se envolver em projeto de tamanha complexidade tecnológica.

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1. ed

FONSECA JUNIOR, Pedro. Programa de Desenvolvimento de Submarinos: uma análise da política pública para capacitar o Brasil a projetar e fabricar submarinos. Dissertação (Mestrado em Estudos Estratégicos da Defesa e da Segurança) Universidade Federal Fluminense, Instituto de Estudos Estratégicos, 2015. FURTADO, André Tosi; CARVALHO, Ruy de Quadros. Padrões de intensidade tecnológica da indústria brasileira: um estudo comparativo com os países centrais. São Paulo em Perspectiva, v. 19, n. 1,

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São Paulo: Boitempo, 2014.

2015.

Exercício 2: Escreva um texto com 4 parágrafos de 5 a 7 linhas cada um, em que você defenda a construção e o uso do submarino nuclear pelo Brasil. Crie uma linha de raciocínio sobre o tema. Dica: faça, pelo menos, 3 frases por parágrafo. Texto 3: MEC e Marinha vão lançar edital para incentivar área nuclear Estudos devem contribuir também com a saúde e a agricultura publicado: 13/11/2018 14h00, última modificação: 13/11/2018 14h00

O Ministério da Educação e o Comando da Marinha vão lançar até o final deste ano

um edital que destinará R$ 20 milhões para a criação de um programa de incentivo

R$ 20 milhões para a criação de um programa de incentivo à formação na área de

à formação na área de energia nuclear, com bolsas para novas pesquisas.

O anúncio foi feito pelo ministro da Educação, Rossieli Soares, nessa segunda-feira

(12), após a 3ª Reunião Plenária do Comitê de Desenvolvimento do Programa Nuclear Brasileiro. Rossieli destacou que as pesquisas nucleares vão muito além do uso militar e podem ser aproveitadas para o desenvolvimento de tecnologias em outras áreas que beneficiem diretamente a população, como saúde

e agricultura.

Ainda segundo o ministro, está na pauta do MEC, da Marinha e do Ministério da Ciência e Tecnologia a criação de

cursos de graduação e pós-graduação no complexo de Aramar, localizado em Iperó, município na Região Metropolitana de Sorocaba (SP), que faz parte do Centro Tecnológico da Marinha em São Paulo (CTMSP). O Centro é responsável pelo desenvolvimento do Programa Nuclear da Marinha do Brasil, que busca a inserção do País na lista de nações que dominam esse tipo de tecnologia.

http://www.brasil.gov.br/noticias/educacao-e-ciencia/2018/11/mec-e-marinha-vao-lancar-edital-para-incentivar-area-

nuclear

Exercício 3: Escreva um texto com 4 parágrafos de 5 a 7 linhas cada um, em que você defenda a parceria entre MEC

e Marinha do Brasil.

Dica: faça, pelo menos, 3 frases por parágrafo.

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Texto 4: Brasil vence 38º Campeonato Mundial Militar de Judô Delegação brasileira encerrou sua participação no evento com dez ouros e sete bronzes publicado: 11/11/2018 17h28, última modificação: 12/11/2018 10h43

A equipe brasileira ficou com a primeira colocação no quadro de medalhas do 38º Campeonato Mundial Militar de Judô. A competição foi realizada no Centro de Educação Física Almirante Adalberto Nunes (Cefan), da Marinha do Brasil, no Rio de Janeiro, entre 8 e 12 de novembro. Os judocas do Brasil conquistaram 17 medalhas, sendo dez ouros e sete bronzes. Rússia, com três ouros, seis pratas e quatro bronzes, e França, com três ouros, cinco pratas e três bronzes, completaram o pódio da classificação geral. O time que representou o Brasil foi formado por 18 militares, divididos igualmente entre as equipes masculina e feminina. Todos integram o Programa Atletas de Alto Rendimento (PAAR) do Ministério da Defesa (MD) e são terceiros-sargentos das Forças Armadas do Brasil. Organizado pela Marinha do Brasil, o 38º Campeonato Mundial Militar de Judô é um preparatório para os 7º Jogos Mundiais Militares, que serão realizados em 2019, na cidade de Wuhan, na China, e para os Jogos Olímpicos de 2020, em Tóquio, no Japão. Mais da metade do time militar do Brasil faz parte da equipe da Confederação Brasileira de Judô (CBJ). Fonte: Ministério da Defesa

Brasileira de Judô (CBJ). Fonte: Ministério da Defesa Exercício 4 : Escreva um texto com 4

Exercício 4: Escreva um texto com 4 parágrafos de 5 a 7 linhas cada um, em que você defenda o incentivo ao Esporte pela Marinha do Brasil. Dica: faça, pelo menos, 3 frases por parágrafo.

Texto 5: PIRATARIA MARÍTIMA: AMEAÇA GLOBAL

1. INTRODUÇÃO A presente obra visa analisar as implicações à sociedade global oriundas da prática de atos de pirataria marítima, como um dos desafios para a criação e efetivação de novos paradigmas na área do Direito, principalmente no tocante às relações jurídicas na seara dos transportes internacionais pelo modal aquaviário, comércio internacional e direitos humanos. Para tal, é realizada uma análise quantitativa e qualitativa de tais eventos, com o objetivo de ressaltar a importância do combate a tal conduta delitiva. A pirataria marítima é fenômeno de grande preocupação na comunidade internacional, dados os enormes prejuízos à economia internacional, que arca com gastos que vão desde o pagamento de vultuosos resgates para soltura das vítimas e navios objeto de sequestros, passando pelo efetivo combate ao fenômeno, com emprego de armas militares de última geração, chegando até o aumento dos valores dos contratos de seguro marítimo e, consequentemente, dos produtos transportados pelo modal aquaviário, bem como as graves violações dos direitos humanos dos trabalhadores marítimos, vítimas das mais diversas e cruéis formas de violência. Em plena era de grande desenvolvimento na áreas de energia, com a descoberta do pré-sal, e tecnologia, a pirataria marítima se apresenta como um desafio para a ordem internacional, visto que esta prática delitiva é responsável por grandes prejuízos à economia mundial, bem como por graves violações aos direitos humanos de suas vítimas, que são submetidas à violência extrema. Para o melhor entendimento sobre a questão, faz-se imperioso discorrer sobre o conceito de pirataria marítima que, apesar de normatizado, gera grande discussões a respeito de sua abrangência, bem como das espécies de atos piratescos e modus operandi. Após é realizada uma análise a respeito do impacto desses atos na economia

mundial, bem como em relação aos direitos humanos das vítimas afetadas pela pirataria. Por derradeiro, verifica-se que tal prática delitiva representa grande preocupação para a sociedade global, merecendo, destarte, especial atenção quando do tratamento da temática do combate ao fenômeno da pirataria marítima, sendo necessário que a comunidade internacional repense suas atitudes quando do enfrentamento do tema.

2. CONCEITO DE PIRATARIA MARÍTIMA

A pirataria marítima, definida hoje como ato ilícito, nem sempre teve esta conotação:

pirataria era entendida principalmente como um ato

de guerra, quando navios, comandantes e tripulações estavam sob a licença (‘Carta de Marque’) ou os auspícios de um monarca ou governo para atacar e pilhar a frota de um Estado competidor numa dada rota comercial considerada monopólio para a aquisição de especiarias, tecidos, minerais nobres e presas de animais apreciados pelos artesãos europeus. Adicione-se o fato de que o ato constituía-se de pirataria em qualquer porção do espaço marítimo, fosse realizado em alto-mar ou não (CALIXTO, 2006, p. 202-203). O conceito de pirataria perdeu hodiernamente seu caráter de ato com participação estatal, passando a ter como essência a finalidade privada, não se confundindo, portanto, com o corso, que contava com intervenção de um Estado que autorizava sua prática e dela se beneficiava. A doutrina conceitua pirataria como “o saque, a depredação ou o apresamento de navio, geralmente sob violência, e com fins privados” (MARTINS, 2008, p. 82), ou mesmo como “qualquer roubo ou outro ato de violência, com fins privados e sem autorização de autoridade pública, cometido em mares ou no espaço aéreo localizados fora da jurisdição de qualquer Estado” (JENKINS, 2013). Entretanto, conforme será exposto

] [

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mais adiante, quando da análise dos tipos relativos aos

atos de pirataria, não apenas atos violentos configuram o fenômeno ora estudado, mas também quaisquer atos de auxílio ou instigação a esta prática. A Convenção sobre o Alto-Mar de 1958 dispôs sobre os atos de pirataria, em seu artigo 15º, o seguinte:

] [

Constituem pirataria os actos a seguir enumerados:

1) Todo o acto ilegítimo de violência, de detenção ou toda a depredação cometida para fins pessoais pela tripulação ou passageiros de um navio privado ou de uma aeronave privada, e dirigidos: a) No alto mar, contra um outro navio ou aeronave, ou contra pessoas e bens a seu bordo; b) Contra um navio ou aeronave, pessoas ou bens, em local fora da jurisdição de qualquer Estado. 2) Todos os actos de participação voluntária para utilização de um navio ou de uma aeronave, quando aquele que os comete tem conhecimento de factos que conferem a este navio ou a esta aeronave o carácter de navio ou aeronave pirata. 3) Toda a acção tendo por fim incitar a cometer os actos definidos nas alíneas 1) e 2) do presente artigo ou

empreendida com a intenção de os facilitar. Tal texto, bem como outros regramentos sobre o tema, foi repetido integralmente na Convenção das Nações Unidas sobre Direito do Mar (CNUDM III), de 1982, também conhecida como Convenção de Montego Bay,

que em seu art. 101 define quais atos são considerados de pirataria, in verbis:

Constituem pirataria quaisquer dos seguintes atos:

a) ato ilícito de violência ou de detenção ou todo ato de depredação cometidos, para fins privados, pela tripulação ou pelos passageiros de um navio ou de uma aeronave privados, e dirigidos contra: i) um navio ou uma aeronave em alto mar ou pessoas ou bens a bordo dos mesmos; ii) um navio ou uma aeronave, pessoas ou bens em lugar não submetido à jurisdição de algum Estado; b) todo ato de participação voluntária na utilização de um navio ou de uma aeronave, quando aquele que o pratica tenha conhecimento de fatos que dêem a esse navio ou a essa aeronave o caráter de navio ou aeronave pirata; c) toda a ação que tenha por fim incitar ou ajudar intencionalmente a cometer um dos atos enunciados nas alíneas a) ou b). Dessa forma, pode-se conceituar pirataria marítima como o cometimento, participação, induzimento ou instigação, de ato ilícito danoso praticado com fins privados e sem a autorização de autoridade pública, perpetrados pela tripulação ou passageiros de um navio contra navio ou pessoas localizados fora da jurisdição de algum Estado. Diante de tal conceito, pode-se identificar três elementos que devem ser avaliados quando da análise de atos de pirataria:

O objeto do ato deve ser um navio, aeronave ou passageiros/tripulantes destes veículos. O critério geográfico, por sua vez, estipula que o crime tem que ser perpetrado em alto mar ou em lugar onde não haja a jurisdição de um estado. Por este critério, deixariam de ser considerados todos os atos cometidos nas águas interiores, mar territorial e zona econômica exclusiva (ZEE). [data venia, a rigor, a jurisdição é exercida somente no mar territorial e águas interiores, onde o Estado atua na plenitude do uso de seus poderes, visto que a zona contígua destina-se apenas à fiscalização, um preparo para a entrada no navio no mar territorial, assim como na zona econômica exclusiva há somente o monopólio da exploração de recursos naturais, quer sejam de natureza animal (pesca), quer sejam de natureza mineral (por

] [

exemplo petróleo)] Os dois primeiros critérios objeto e localização são objetivos. Entretanto, a finalidade é subjetiva por natureza, podendo comportar diferentes interpretações. Por exemplo, não há consenso entre os juristas se o animus furandi, a intenção de roubar, é elemento necessário ou se atos de insurgentes

procurando derrubar seu governo devem ficar fora da definição. A jurisprudência das cortes nos Estados Unidos

da América e Reino Unido têm adotado que qualquer ato

não autorizado de violência cometido no alto mar é pirataria (CANINAS, 2009, p. 106). Diante de tal dispositivo legal há que identificar três tipos

de ato de pirataria: pirataria propriamente dita, participação na pirataria e instigação ou auxílio à pirataria.

O primeiro tipo tem como elementos característicos: a

violência, seja física (depredação) ou moral (mera ameaça), sendo frequente o uso da primeira, dadas as proporções dos meios de transporte das vítimas (navios); e os fins privados, visto que não se confundem os atos de pirataria com atos típicos do poder de império de Estado (presa bélica, captura e apreensão).

Os atos de pirataria referem-se às presas piratescas:

Denomina-se presa todo ato de depredação, praticado no mar por homens que o percorrem roubando, à mão

armada, navios de qualquer nação. Diz respeito, principalmente, ao arrebatamento do navio ou à carga por piratas. É o ato de pirataria (GIBERTONI, 2005, p. 234).

O segundo tipo refere-se à participação na pirataria,

segundo o qual não se faz necessária para a caracterização do tipo o elemento da violência, mas sim, apenas, o conhecimento do uso do navio para cometimento de atos de pirataria. Tal espécie é usualmente cometida pela tripulação dos motherships3 que não praticam propriamente os atos de violência contra

as vítimas de pirataria, mas que tem conhecimento do uso

das embarcações para tal fim. O último tipo faz menção à instigação ou auxílio à pirataria. Incitar refere-se ao ato de instigar, reforçar a ideia de cometer as condutas descritas

nas alíneas a ou b do mencionado dispositivo legal. Auxiliar é a prestação de ajuda material à prática dos citados atos, como por exemplo os piratas que atuam como assistentes de artilharia, no recarregamento das RPGs4 utilizadas nos ataques às vítimas. São equiparados a esses atos os cometidos por navios de

guerra na hipótese prevista no art. 102 da CNUDM III, in

verbis:

Os atos de pirataria definidos no Artigo 101, perpetrados por um navio de guerra, um navio de Estado ou uma aeronave de Estado, cuja tripulação se tenha amotinado e apoderado do navio ou aeronave, são equiparados a atos cometidos por um navio ou aeronave privados. Vale ressaltar que todos esses atos descritos na CNUDM III, para que possam configurar pirataria, hão de ser praticados em lugar não submetido à jurisdição de um Estado, sob pena de serem considerados outros tipos penais previstos na legislação interna de tal Estado, delitos estes classificados pela Organização Marítima Internacional (International Martime Organization IMO) como roubo armado contra navios (armed robbery against ships), conforme dispõe o item 2.2 do Anexo Code of Practice for the Investigation of Crimes of Piracy and Armed Robbery against ships da sua Resolução

A.922(22):

‘Roubo armado contra navios’ significa qualquer ato ilícito de violência ou de detenção ou qualquer ato de depredação, ou ameaça, não tipificado como ato de

pirataria, dirigido contra um navio ou contra pessoas ou bens a bordo de um navio dentro da jurisdição do Estado sobre tais infrações. Faz-se mister ainda mencionar que tal assunto é também disciplinado na Convenção para Supressão de Atos Ilícitos contra a Segurança da Navegação Marítima (SUA Convention), que em seu artigo 3º disciplina que:

 

3.1.

LOW-LEVEL ARMED ROBBERY

Refere-se à modalidade mais simples de pirataria, sem destruição de partes do navio ou mesmo sequestro da tripulação, e com menor rentabilidade para os agentes, visto que consiste muitas vezes em pequenos roubos ou furtos.

O ‘Low-Level Armed Robbery’ é o nível mais baixo da pirataria, no qual os piratas assaltam o navio e a tripulação

1. Qualquer pessoa comete delito se, ilícita e intencionalmente: (a) sequestar ou exercer controle sobre um navio, pela força ou ameaça de força ou por qualquer outra forma de intimidação; ou (b) praticar ato de violência contra pessoa a bordo de um navio, se esse ato for capaz de pôr em perigo a navegação segura desse navio; ou (c) destruir um navio ou causar dano a um navio ou à sua carga e esse ato for capaz de pôr em perigo a navegação segura desse navio; ou (d) colocar ou mandar colocar em um navio, por qualquer meio, dispositivo ou substância capaz de destruí-lo ou causar dano a esse navio ou à sua carga, e esse ato puser em perigo ou for capaz de pôr em perigo a navegação segura desse navio; ou (e) destruir ou danificar seriamente instalações de navegação marítima ou interferir seriamente em seu funcionamento, se qualquer desses atos for capaz de pôr em perigo a navegação segura do navio; ou (f) fornecer informações que sabe serem falsas, dessa forma pondo em perigo a navegação segura de um navio; ou (g) ferir ou matar qualquer pessoa, em conexão com a prática ou tentativa de prática de qualquer dos delitos previstos nas letras (a) a (f). 2. Qualquer pessoa também comete delito se: (a) tentar cometer qualquer dos delitos previstos no parágrafo 1; ou (b) ajudar na prática de qualquer dos delitos previstos no parágrafo 1, cometido por qualquer pessoa, ou for, de outra forma, cúmplice de pessoa que cometa tal delito; ou (c) ameaçar, com ou sem condição, conforme disposto na lei nacional, com o objetivo de compelir pessoa física ou jurídica a praticar ou deixar de praticar qualquer ato, cometer qualquer dos delitos previstos no parágrafo 1, letras (b), (c) e (e), se essa ameaça for capaz de pôr em perigo a navegação segura do navio em questão. A SUA Convention, também conhecida como Convenção de Roma de 1988, foi criada com a finalidade de suprir a anomia existente na CNUDM no sentido de ser elemento da pirataria o fim privado do ato, dessa forma, não integrando o tipo condutas baseadas em outros fins, como por exemplo, políticos e religiosos. Como se depreende, a Convenção de Roma de 1988, veio superar a lacuna da CNUDM ao não cobrir atos políticos ilícitos em suas definições sobre pirataria, superando, bem assim, a necessidade do envolvimento de dois navios para caracterizar o ato. Ao generalizar a ofensa ou a ilicitude, as disposições do tratado de Roma se aplicam tanto aos atos terroristas marítimos privados ou políticos quanto à pirataria marítima. (CALIXTO, 2006, p. 223) Todavia, vale ressaltar que os atos de terrorismo marítimo não se confundem com os de pirataria marítima,

e

fogem, sendo um dos romoves do assalto o cofre do

navio. Estes tipos de ataques ocorrem, normalmente, enquanto o navio está no porto ou no ancoradouro, sucedendo-se, normalmente à noite. Ocasionalmente, contudo raramente, o navio é levado para venda. (SARAMAGO, 2009) Vale ressaltar que é comum o enquadramento de tal delito no conceito de armed robbery against ships, dado o fato de ocorrer com maior frequência em portos, área de jurisdição do Estado em que se situa o porto. Como exemplo, pode ser citado o evento ocorrido no dia 16 de outubro de 20125, em Conakry, na Guiné, em que seis assaltantes embarcaram em um navio cargueiro

ancorado, furtando carga armazenada em contêineres. A tripulação ficou a salvo, pois se escondeu nos alojamentos, entrando em contato imediatamente com o Centro de Denúncias do Internacional Maritime Bureau, que transmitiu a mensagem às autoridades competentes.

Os assaltantes fugiram com as citadas mercadorias ao ver

a

embarcação da patrulha enviada se aproximando. Outro

caso ocorreu 18 do mesmo mês e ano, em Tanjung Datu, em Sarawak, na Malasia, onde ladrões abordaram um rebocador que puxava uma balsa, roubaram o dinheiro da tripulação e fugiram.

 

3.2.

MEDIUM-LEVEL ARMED ASSAUL AND ROBBERY

É uma espécie intermediária de pirataria, em que são empregados armamentos poderosos, utilizando violência para a consecução dos atos piratescos e táticas de abordagem das vítimas. Segue-se o ‘Meddium-Level Armed Assault and Robbery’, no qual os actos de pirataria são realizados por grupos que se encontram bem organizados e que operam com embarcações rápidas nas proximidades da costa. No entanto, o raio de acção pode ser alargado pela utilização de ‘navios-mãe’ (mother-ships), possuindo, frequentemente, radar. Neste caso, já estamos perante um maior nível de brutalidade, com tripulação ameaçada, amarrada, e possivelmente ferida. O armamento utilizado abrange armas automáticas, RPG’s ou morteiros. (SARAMAGO, 2009) Esta espécie também é classificada normalmente como armed robbery against ships, dado o fato de comumente visar navios ancorados. Entretanto, nada impede que seja realizada em região fora da jurisdição de algum Estado, posto que os agentes contam com embarcações maiores

que lhes dão suporte. O modus operandi nessa modalidade de pirataria geralmente observa o seguinte:

   

[

]

as horas iniciais da manhã são o momento favorito

dada a finalidade privada destes, que são o objeto da presente obra.

3. ESPÉCIES DE PIRATARIA O International Maritime Bureau (IMB) disciplina que há três dimensões de atos de pirataria: o Low-Level Armed Robbery (LLAR), o Meddium-Level Armed Assault and Robbery (MLAAR), e o Major Criminal Hijack (MCHJ) (SARAMAGO, 2009).

dos piratas para atacar os navios que estão de passagem em alto mar. Usualmente, estes atacantes tem um bom conhecimento de navios e se aproximam dos navios com rapidez de dezessete nós [aproximadamente 31,5km/h]. Os piratas usam cordas e ganchos para chegarem ao convés. A partir deste ponto, os procedimentos usados são similares aos empregados pelos ladrões armados nos portos. Os piratas de alto mar, entretanto, parecem ser

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mais violentos do que seus colegas da costa e geralmente são mais bem armados. Depois de roubarem a tripulação

e pegarem tudo o que puderem da carga do navio, os

piratas normalmente trancam os membros da tripulação em seus aposentos. Os piratas então partem, deixando o navio se movendo sem ninguém na ponte. (GOTTSCHALK, Jack A. et al, 2000, p. 130, tradução nossa). Como exemplos, podem ser citados os eventos ocorridos no dia 15 de outubro de 20127 , no sul de Brass, na Nigéria, em sete piratas armados embarcaram em um rebocador através de uma lancha lançada de um navio mãe, roubando os pertences pessoais da tripulação, bem como sequestrando sete integrantes desta; e no dia 4 do mesmo mês e ano, em Lomé, Togo, em que:

Cerca de 10-12 piratas armados com armas automáticas embarcaram em um navio-tanque à deriva. Os piratas sequestraram o navio tanque e reuniram toda a tripulação na ponte enquanto esperavam por uma bunker barge [um navio tanque pequeno de reabastecimento] para roubar a carga do navio. Quando a bunker barge chegou, a

tripulação do navio foi forçada a preparar as defesas para

o navio atracar ao seu lado. Depois de roubar a carga os

piratas trancaram a tripulação na cabine do Comandante,

danificando alguns dos equipamentos de navegação, roubaram dinheiro navio, pertences pessoais da

tripulação, provisões e itens eletrônicos e depois deixaram

o navio-tanque em 05/10/2012 nas primeiras horas da

manhã. Todos os tripulantes estão a salvo apesar de

algumas lesões físicas.8

3.3. MAJOR CRIMINAL HIJACK Esta é a forma mais grave de pirataria e a mais rentável das três espécies.

Na dimensão mais elevada distinguida pelo IMB, o

‘Major Criminal Hijack’, as acções são perpetradas por organizações regionais de grande dimensão, ou mesmo internacionais. Aqui, o navio é sequestrado, e é pedido um resgate; há o recurso à violência extrema (por vezes a tripulação é assassinada). Pode acontecer o navio ser repintado, ser-lhe dada outra bandeira e registo sob outro nome (Phantom Ship). São uma pequena parte dos crimes de pirataria ocorridos em todo o mundo, no entanto os mais rentáveis. Quanto à última espécie, faz-se mister mencionar importante caso, o do petroleiro MV Sirius Star, o maior navio já sequestrado por piratas da história. Com carga avaliada em US$ 100 milhões9 , e tripulação de 25 pessoas, foi sequestrado por piratas somalis em 15 de novembro de 2008, sendo libertado após pagamento de resgate no montante de US$ 3 milhões, em 9 de janeiro de 200910.

4. ZONAS DE RISCO

O International Maritime Bureau (IMB) classifica

algumas regiões do mundo como zonas de risco em relação à pirataria marítima, considerando o elevado número de incidentes reportados a ele nestas regiões. Essas regiões podem ser reunidas em cinco grupos devido às suas características geográficas e idiossincrasias: Costa da Somália, Golfo de Áden, Golfo da Guiné, Sudeste da Ásia (Estreito de Malacca, Malásia, Indonésia, Mar do Sul da China e outros) e Índia. Os citados incidentes ocorrem nessas regiões por diversos motivos, mas principalmente devido à sua localização geográfica favorável à existência de importantes rotas

marítimas. O mapa (RODRIGUE, 2014) abaixo ilustra esta assertiva. A principal rota marítima (core route), que liga as regiões da América do Norte, Europa e Ásia, passa por todas as zonas de risco classificadas pelo IMB. Todavia, vale ressaltar que o IMB realiza seus estudos estatísticos incluindo nos atos de pirataria os roubos armados praticados contra navios. Tal cálculo visa aumentar o número de incidentes reportados para fomentar o combate a estes delitos. Tecnicamente, somente há pirataria se as condutas praticadas estiverem de acordo com os ditames legais do art. 101 da CNUDM, isto é, somente se as condutas forem realizadas “em lugar não submetido à jurisdição de algum Estado”, no caso, além dos limites do mar territorial, pois, do contrário, constituem-se em crimes de jurisdição interna dos Estados onde foram praticados. Destarte, somente algumas das áreas listadas como zonas de risco pelo IMB são realmente regiões onde há relevante número de incidentes de pirataria, como é o caso da Costa da Somália, Golfo de Áden e Golfo da Guiné. As demais são áreas onde o maior número de ataques constituem roubos armados contra navios, visto que praticados em portos, ancoradouros, ou águas próximas à costa.

FIGURA 1. Principais rotas de comércio marítimo Zonas de risco de pirataria marítima

de comércio marítimo Zonas de risco de pirataria marítima 5. AMEAÇA GLOBAL O fenômeno da pirataria

5. AMEAÇA GLOBAL

O fenômeno da pirataria marítima é de grande interesse da sociedade global, visto que mais de 80% do volume de comércio mundial é realizado através do modal aquaviário (UNCTAD, 2011, p. 26, tradução nossa). De acordo com relatório elaborado em 2012 pela Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (United Nations Conference on Trade and Development UNCTAD):

Dados preliminares indicam que o comércio marítimo mundial manteve-se estável em 2011 e cresceu 4%, com um total

Esta expansão foi impulsionada pelo rápido

crescimento nos volumes de carga seca (5.6%) propelido pelo otimismo do comércio de contêineres e granel, que

cresceram 8,6% (expresso em toneladas) e 5,4%, respectivamente. (UNCTAD, 2012, p. 5,tradução nossa)

de volumes atingindo o recorde de 8,7 bilhões de toneladas [

].

CONCLUSÃO

A pirataria marítima é fenômeno de extrema relevância para a sociedade global, visto que os prejuízos dele advindos

são preocupantes e comuns à toda a comunidade mundial. Hodiernamente, a pirataria se apresenta como um dos maiores desafios na esfera internacional para o transporte pelo modal marítimo, afetando toda a cadeia produtiva e de fornecimento, visto que os navios mais visados pelos criminosos são os que transportam produtos químicos, petróleo e cargas gerais a granel ou em containers. Quando os navios são sequestrados e sua carga roubada, há a interrupção de tais cadeias, o que gera enorme prejuízo

a todos os envolvidos nesta relação. Diante disso, os armadores que transportam cargas pelas chamadas zonas críticas, localizadas nas principais rotas de comércio marítimo mundial, tem que arcar com prêmios mais caros, majorados em razão do aumento do risco ao qual o objeto do contrato de seguro é submetido. Não obstante tais prejuízos, há outros que não podem ser mensurados, posto que causados às vidas humanas envolvidas na prática do citado delito. Atualmente, o número de incidentes de pirataria foi bastante reduzido, se comparados aos dos anos anteriores. Entretanto, ainda se apresentam em escala alarmante, em número que preocupa a comunidade internacional, dada a violência extrema típica de tais ataques. Nesse compasso, torna-se evidente a necessidade de serem repensadas atitudes da comunidade global a fim de combater tal fenômeno. Atualmente, estas atitudes consistem no emprego de máquinas e estratégias militares altamente dispendiosas, o que agrava ainda mais os custos gerados pela pirataria. Quando da aplicação de mecanismos de boa governança, há que serem considerados outros aspectos relacionados à pirataria marítima, como a ausência de condições para um desenvolvimento digno das populações das áreas afetadas e a incapacidade de autogestão das atividades precípuas pelos Estados a elas relacionados. Destarte, na criação de novos paradigmas, bem como na efetivação dos atuais, relativos à área dos transportes por meio marítimo, há que ser levada em conta a pirataria como desafio que deve ser superado. Nesta toada, não obstante o emprego das atuais medidas de enfrentamento do problema que se fazem necessárias, acredita-se que o empoderamento da figura estatal, através de investimentos na criação de capacidade de autogestão das atividades precípuas dos Estados assolados pelo fenômeno pode ser uma solução, com resultados em longo prazo, viável para a erradicação do problema ou, ao menos, sua minimização. Fonte: http://www.publicadireito.com.br/artigos/?cod=52fe8f09c95a49a4

Exercício 5: Escreva um texto com 4 parágrafos de 5 a 7 linhas cada, sendo

parágrafo: apresentação do problema da pirataria marítima + TESE;

parágrafo: explicação de causas da pirataria marítima;

parágrafo: explicação de consequências da pirataria marítima;

parágrafo: REAFIRMAÇÃO DA TESE + explicação de soluções da pirataria marítima.

Dica: faça, pelo menos, 3 frases por parágrafo

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PLANEJAMENTO

-

Exemplo de roteiro de planejamento

 

Tema

Problemas do meio ambiente

Ideia 1: Aquecimento global

Ideia 2: Queimadas / Desmatamento

Ideia 3: Falta de políticas públicas consistentes

Introdução

Técnica de introdução:

Tese: O ser humano tem destruído o meio ambiente a cada ano.

Desenvolvimento

Parágrafo 1 = ideia 1

Recentemente, cientistas descobriram que o aquecimento global é causado pela enorme destruição do meio ambiente.

Parágrafo 2 = ideia 2

Dois problemas graves e recorrentes são as queimadas e os desmatamentos.

Parágrafo 3 = ideia 3

A falta de políticas públicas consistentes impede a preservação do ambiente.

Conclusão

Retomada da tese: O ser humano é, portanto, responsável pela destruição gradativa do meio ambiente.

Técnicas de conclusão:

Título

O ser humano é, portanto, responsável pela destruição gradativa do meio ambiente. Técnicas de conclusão: Título

Planejamento Textual

 

Tema

   

Ideia 1:

Ideia 2:

Ideia 3:

Introdução

 
 

Técnica de introdução:

Tese:

Desenvolvimento

 
 

Parágrafo 1 = ideia 1

Parágrafo 2 = ideia 2

Parágrafo 3 = ideia 3

Conclusão

 
 

Retomada da tese:

Técnicas de conclusão:

Título

= ideia 3 Conclusão     Retomada da tese: Técnicas de conclusão: Título Página 23 de

Página 23 de 120

3 Conclusão     Retomada da tese: Técnicas de conclusão: Título Página 23 de 120

INTRODUÇÃO 1) Funções:

* Contextualizar: de onde o tema surgiu? Qual a relevância da questão proposta?

Qual é a melhor estratégia para

começar a falar desse tema? Essa estratégia “fere” a essência da introdução ou, ao contrário, consegue enriquecê- la?

* Direcionar a abordagem: como o tema será tratado? Que ponto de vista será defendido?

o tema será tratado? Que ponto de vista será defendido? 2) Estrutura: * 1º parágrafo do

2) Estrutura:

* 1º parágrafo do texto → cerca de cinco ou seis linhas

* Contextualização + Tese

2.1) Tese

* Conceito: eixo central / linha de raciocínio / Expressão do ponto de vista.

a) Tese explícita por etapas: explicitação dos três argumentos

* Tese explícita por etapas: trata-se da apresentação clara dos argumentos que serão explorados nos parágrafos de desenvolvimento, resumidos em um período, na ordem em que eles aparecerão no texto.

Exemplo 1:

Tema: Consumismo Tese: Embora necessário, o consumismo constitui uma violência simbólica, que pode levar, também, à criminalidade.

Arg1: relevância econômica Arg2: imposição de “necessidades” / sedução publicitária Arg3: criminalidade para o consumo

Exemplo 2:

Tema: Redução da maioridade penal Com o aumento da quantidade e da gravidade dos casos de delinquência juvenil, vem à tona o debate em torno de

suas possíveis soluções. Dentre as propostas, destaca-se a redução da maioridade penal para dezesseis anos no Brasil. Embora seja necessário melhorar previamente o

confirma a precocidade dos jovens de hoje e ajuda a diminuir sua imunidade frente à lei.

Arg1:

Arg2:

Arg3:

Exemplo 3:

Tema: a identidade da música brasileira

Quem vai à História descobre logo que o samba não seria

o mesmo sem os ritmos africanos e as danças latinas, o

mesmo vale para outros estilos tipicamente brasileiros.

Nesse contexto, vê-se com histeria o alarme diante da

música americana nas rádios e lojas de CD. Entretanto a velocidade das influências, hoje, é realmente motivo de preocupação. Afinal, embora as trocas estejam na base

econômica precisam ser filtrados, a fim de que a música

brasileira

mantenha

o

mosaico

que

sustenta

sua

identidade.

Arg1:

Arg2:

Arg3:

b) Tese implícita por ideia geral ou palavra-chave:

sugestão sutil de ponto de vista * Tese implícita por ideia geral ou palavra-chave: trata- se da sugestão genérica e/ou sutil da opinião que será defendida na argumentação. Exemplo 1:

Tema: Efeitos negativos da tecnologia:

Tese: Existe um paradoxo tecnológico: quanto maior o progresso, maior a desumanização. Arg1: comunicação mediada Arg2: dependência da tecnologia Arg3: redução das identidades culturais

Exemplo 2:

Tema: Representações sociais da mulher no Brasil hoje

O discurso politicamente correto parece ocupar todos os

espaços sociais disponíveis. Não seria diferente no que diz respeito à mulher. Reconhecimento por parte de autoridades, mudanças na legislação eleitoral, teses e mais teses acadêmicas. Na hora do comercial, porém, lá está a mesma mulher-objeto de sempre, corpo escultural, boca calada. No Brasil, sem dúvida, vive-se uma espécie de contradição, pois a imagem feminina oficial nunca coincide com a real.

sistema

carcerário,

essa

mudança

no

código

penal

de

qualquer

cultura,

os

excessos

da

globalização

Exemplo 3:

Exemplos:

Tema: Democracia e desigualdade social no Brasil. Sabe-se que o Brasil é, historicamente, marcado por absurdas desigualdades sociais e por nenhuma medida política eficaz para, pelo menos, amenizá-las. Nesse contexto de displicência governamental, o abismo entre as classes apenas aumentou e chegou, nos dias atuais, a uma assustadora realidade de divisão e segregação. O paradoxal, no entanto, é que, mesmo em um país de muitas diferenças, há quem acredite viver em uma plena democracia.

c) Tese implícita por pergunta: questionamento retórico e sugestivo

Tema: Descrença na política no mundo contemporâneo Muito se tem discutido acerca da desvalorização da política no mundo atual. De fato, o descaso com o voto parece constituir forte sintoma desse panorama. Para compreender tal fenômeno, cabe analisar a influência dos políticos, da sociedade e do próprio sistema. Só assim será possível perceber a complexidade da situação.

Tema: Preservação ambiental Não são poucos os fatores envolvidos na discussão acerca de preservação ambiental hoje. Basta ler com atenção os jornais ou observar a força dos Partidos Verdes em boa parte do mundo. Em meio a esse grande debate, ganha espaço a valorização da água, por razões científicas, econômicas e humanitárias. Compreender tais

*

Tese por pergunta retórica: trata-se da sugestão de

sutil de um ponto de vista por meio de um questionamento que induz a uma resposta.

Exemplo 1:

 

Tema: Os avanços da consciência ecológica no mundo. Rio 92, Rio+10, Rio+20. Não há, na história, registro de tantas reuniões e congressos para discutir os problemas ambientais que desafiam a todos. Tema obrigatório em sala de aula e em páginas de jornal, a ecologia entrou e ficou em pauta. O que era pura ciência alcança o cidadão comum, que, nos atos mais simples, aos poucos muda sua postura. Mantêm-se, no entanto, os problemas mais graves, causados pelas grandes empresas de sempre. Nesse contexto, cabe indagar: de que adianta a pura

fatores é o primeiro passo para afastar uma ameaça grave ao próprio ser humano.

Tema: Aquecimento global É cada vez mais frequente a discussão sobre o aquecimento global. Realmente, os cientistas alertam para os perigos da emissão de gases poluentes, os quais afetam a temperatura da Terra. Diante disso, o homem começa a se preocupar um pouco mais com suas atitudes, enquanto governos preparam leis e acordos. Resta saber se ainda há tempo para mudar.

b) Histórica

 

*

Citação de época passada ou episódio histórico

*

consciência individual se o sistema não vê obstáculos para sua expansão destruidora?

Tema: Redução da maioridade penal Com o aumento da quantidade e da gravidade dos casos de delinquência juvenil, vem à tona o debate em torno de suas possíveis soluções. Dentre as propostas, destaca-se a redução da maioridade penal no Brasil. Uma análise menos emocionada da situação, no entanto, revela governos incapazes de oferecer educação de base; prisões lotadas, que não reintegram indivíduos à sociedade e bandidos dispostos a aliciar pessoas cada vez mais jovens para o tráfico. Nesse contexto, será mesmo que prender jovens de dezesseis e dezessete anos será benéfico para o país?

Objetivo: comparação com o presente → semelhança → diferença

* Necessidade de exatidão, sem detalhismo

* Interdisciplinaridade

Exemplos:

Tema: O fim das utopias Em 1917, uma revolução começou a concretizar uma das maiores utopias do ser humano a criação de uma sociedade igualitária. Menos de um século depois, em 1989, esse ideal acabou com a destruição de um muro que, de certa forma, o simbolizava. A sociedade mundial chegou ao século XXI descrente e cínica e apostou tudo

Exemplo 3:

Tema: Identidade da música brasileira Samba misturado à batida “Funk”. Música eletrônica com pitadas de “Rock”. Jazz com apelo Brega. Se a essência da música contemporânea é a mistura, o Brasil desempenha muito bem sua função. No país da miscigenação étnica, a produção musical herda a qualidade da reciclagem criativa, responsável pela diversidade cultural da nação. Convém indagar: mosaico ou colcha de retalhos?

em uma única e triste certeza: o indivíduo. O problema ou solução, nesse caso, é que o homem nunca deixou de sonhar.

Tema: Trote nas universidades Na Idade Média, quando surgiu, o trote constituía um ritual de passagem cuja violência apresentava significados filosóficos: os traumas físicos e psíquicos ajudavam os calouros a entender seu novo lugar. Hoje, porém, essa prática tornou-se vazia e se limita à expressão de uma violência cada vez mais banalizada.

2.2) Estratégias de contextualização a) Tradicional

Tema: Problemas na política brasileira Quando o governo militar se aproveitou da vitória brasileira na Copa de 70 para fazer propaganda política, muitos denunciaram uma postura populista. Hoje, apesar da liberdade de imprensa, não são poucos os políticos que agem apenas pela simpatia do público e fogem de medidas impopulares. Das cotas nas universidades ao Bolsa Escola, passando pelos restaurantes populares, muito pouco é feito para mudar, de fato, as estruturas sociais do País.

* Frases genéricas de ambientação

- “quando o assunto é (

),

não são poucas as dúvidas

presentes (

)”

- “muito se discute acerca de (

)”

* Evitar os lugares-comuns

 

- “Atualmente” (impreciso)

- “Desde os primórdios da humanidade” (não faz sentido)

- “A cada dia que passa”

 
 

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c) Conceitual

Tema: Identidade da música brasileira Samba misturado à batida “Funk”. Música eletrônica com pitadas de “Rock”. “Jazz” com apelo Brega. Se a essência da música contemporânea é a mistura, o Brasil desempenha muito bem sua função. No país da miscigenação étnica, a produção musical herda a qualidade da reciclagem criativa, responsável pela diversidade cultural da nação. Convém indagar: mosaico ou colcha de retalhos?

e) Jornalística

* Definição da palavra-chave

* Útil em temas reflexivos abstratos

Exemplos:

Tema: Educação brasileira hoje Em sua etimologia, educar significa elevar, conduzir a um patamar superior. Infelizmente, nem sempre a teoria se aproxima da prática. O sistema educacional brasileiro é um bom exemplo desse distanciamento. Infraestrutura decadente, baixa remuneração de profissionais e currículos antiquados não combinam com o discurso do Ministério da Educação, pois o tornam etéreo.

* Micronarrativa que ilustre o tema

* Uma espécie de narrativa

Tema: A ciência e o dinheiro Os dicionários registram que a ciência é o conjunto de conhecimentos de determinada área, obtidos segundo um método objetivo e demonstrável. Embora clara, essa definição deixa de lado um fator cada vez mais presente no mundo científico: o dinheiro. Sejam as verbas para universidades públicas, sejam os investimentos em laboratórios privados, o fato é que os cientistas tornaram- se reféns da lógica econômica. Nesse novo contexto, a humanidade só tem a perder.

Tema: A transgressão às leis no contexto contemporâneo Segundo o filósofo grego Aristóteles, “a lei é a razão livre da paixão”. A julgar pelo panorama atual, esse precioso ensinamento tem sido constantemente desvirtuado. Para muitos, a paixão como sinônimo de interesses e desejos pessoais revela-se elemento inerente à observância de uma lei e, o que é pior, pode ser o pretexto necessário para que esta não seja sequer cumprida.

Exemplos:

Tema: Violência gratuita Em junho de 2011, cinco adolescentes de classe média espancaram uma empregada doméstica na Barra da Tijuca. De modo semelhante ao que ocorrera com o índio Galdino, incendiado em Brasília há dez anos, a vítima ainda não entendeu por que sofreu a agressão. Às gargalhadas, o grupo repetia um fenômeno que não é novo e só piora a cada ano: a violência gratuita praticada por jovens abastados. Embora injustificável, essa prática precisa ser compreendida para ser controlada. Eis o desafio.

Tema: Trote nas universidades Há cerca de cinco anos, a USP foi palco de uma tragédia:

a morte de um calouro de medicina durante o trote. Esse episódio trouxe à tona uma discussão que ficara escondida por muito tempo. Trata-se do debate em torno dos trotes universitários e sua violência descontrolada. Embora represente um sadismo compreensível, essa prática vai de encontro ao espírito universitário e pode ser substituída por atividades mais inteligentes.

d)

Fotográfica

Citação de três imagens sucessivas que apresentem o tema

*

f)

Cultural

*

Vantagem: dinamismo

*Interdisciplinaridade com a cultura: música, artes, literatura, etc.

* Depois é preciso fazer uma frase para explicar os

 

flashes.

 
 

Exemplos:

Exemplos:

Tema: O sentido do tempo para o homem contemporâneo Entre os poderes da Arte, encontra-se a capacidade de traduzir certas percepções em palavras ou imagens especiais. Na música, por exemplo, canções como a “Oração ao Tempo”, de Caetano Veloso, e “Tempo Rei”, de Gilberto Gil, falam de um mesmo assunto e o fazem da mesma maneira: personificam o tempo com letras

maiúsculas. Essa opção faz sentido, sobretudo, quando se reflete acerca da importância dada ao tempo pelo homem contemporâneo, que o trata como uma espécie de religiosidade vazia.

Tema: O sentido do tempo para o homem contemporâneo Há cem anos, Einstein mudou a cosmovisão ocidental ao propor a teoria da relatividade. Embora se trate de assunto complexo, a hipótese do físico alemão colocou o tempo em evidência, tornando-se a grande questão desta época. Em meio à preponderância da economia, nunca foi tão verdadeiro o clichê “tempo é dinheiro”. Em virtude dessa visão pragmática, a aceleração tecnológica reduz o tempo do homem, que tenta detê-lo em vão.

Tema: Relações amorosas na atualidade Adolescentes “ficando”. Namoros via internet. Aumento do número de divórcios. Tais são alguns dos indícios de que as relações amorosas têm passado por transformações profundas. Sem dúvida, a economia, a tecnologia e a aceleração dos processos têm sido decisivas na caracterização do amor contemporâneo. Cabe compreender esse processo para julgá-lo, se for o caso.

Tema: O brasileiro diante do medo da violência Olhos inquietos, bolsa levada à frente do corpo, andar apressado. Esses exemplos não tratam de um cidadão neurótico, mas de um típico brasileiro morador das grandes cidades. Seja nas estatísticas, seja nas ruas, a violência aparece em todas as suas dimensões e, dessa forma, altera o cotidiano das pessoas. Nessa realidade, todos garantem sua segurança como podem: uns compram armas, outros planejam roteiros, outros ainda evitam sair de casa. Afinal, ninguém quer ser vítima da violência.

Tema: O sentido do tempo para o homem contemporâneo Quando Santos Dumont inventou o relógio de pulso, talvez não tenha imaginado o quanto esse instrumento seria importante, até mesmo para evidenciar sua obra mais famosa. Sem dúvida, seja para embarcar num avião, seja para regular suas atividades vitais, o homem mede o tempo de tudo. Entretanto quanto mais a humanidade imagina controlar a passagem dos ponteiros nos relógios, mais ela se torna refém desse controle.

K) Comparação Tema: Reforma agrária O tema da reforma agrária está presente há bastante tempo nas discussões sobre os problemas mais graves que afetam o Brasil. Numa comparação entre o movimento pela abolição da escravidão no Brasil, no final do século passado, e o movimento atual pela reforma agrária, podem-se perceber algumas semelhanças. Como na época do Império existiam elementos favoráveis e contrários a acabar com aquele mal, também hoje há os que são a favor e os que são contra a implantação de uma reestruturação no campo.

Outros Tipos de Contextualização

g)

Divisão

 

Tema: Exclusão Social Predominam ainda no Brasil duas convicções errôneas

sobre o problema da exclusão social: a de que ela deve

ser

enfrentada apenas pelo poder público e a de que sua

superação envolve muitos recursos e esforços extraordinários. Experiências relatadas mostram que o combate à marginalidade social em Nova Iorque tem contado com intensivos esforços do poder público e ampla participação da iniciativa privada.

a)

Oposição

Tema: Educação no Brasil

De

um lado, professores mal pagos, desestimulados,

esquecidos pelo governo. De outro, gastos excessivos com computadores, antenas Wi-Fi, aparelhos de DVD. Esse é o paradoxo que vive hoje a educação no Brasil.

h)

Uma frase nominal seguida de explicação

Tema: Educação no Brasil.

Uma catástrofe. Essa é a conclusão da própria Secretaria

de

Avaliação e Informação Educacional do Ministério da

Educação e Cultura sobre o desempenho dos alunos do 3º ano do Ensino Médio submetidos ao Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb), que ainda avaliou estudantes em todas as regiões do território nacional. É preciso, então, que o governo busque alternativas para esse grave problema.

i)

Citação

Tema: política demográfica

"As

pessoas chegam ao ponto de uma criança morrer e

os

pais não chorarem mais". O comentário do fotógrafo

Sebastião Salgado sobre o que viu em Ruanda é um estímulo no estado de letargia ética que domina algumas nações do Mundo Desenvolvido. Será que a humanidade está deixando de ser humana?

j)

Citação de forma indireta

Tema: Escravidão

O

teórico Joaquim Nabuco, em sua comiseração pelo

escravo brasileiro, disse que este só tem a própria morte.

O

movimento brasileiro antiescravista, quando já

fortalecido, deixou bem clara essa pungente acusação

nas

palavras dos abolicionistas.

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EXERCÍCIO DE INTRODUÇÃO

Leia com atenção o seguinte texto: Amazônia Azul Há quem diga que o futuro da humanidade dependerá das riquezas do mar. Nesse sentido, torna-se inexorável o destino brasileiro de praticar sua mentalidade marítima para que o mar brasileiro seja protegido da degradação ambiental e de interesses alheios. Na tentativa de voltar os olhos do Brasil para o mar sob sua jurisdição, por ser fonte infindável de recursos, pelos seus incalculáveis bens naturais e pela sua biodiversidade, a Marinha do Brasil criou o termo "Amazônia Azul", para, em analogia com os recursos daquela vasta região terrestre, representar sua equivalência com a área marítima. Mas como é delineada essa Amazônia Azul? A Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar (CNUDM) tem origem em sua 3ª Conferência, encerrada em 10 de dezembro de 1982, em Montego Bay, na Jamaica. O Brasil assinou a convenção naquela mesma data, juntamente com outros 118 países, mas só a ratificou em 1993; a CNUDM só entrou em vigor em 16 de novembro de 1994. Nela foram definidos os espaços marítimos: o Mar Territorial, que não deve ultrapassar o limite de 12 milhas náuticas (MN); a Zona Contígua, adjacente ao mar territorial, cujo limite máximo é de 24 MN e é medida a partir das

linhas de base do mar territorial; a Zona Econômica Exclusiva (ZEE), medida a partir das linhas de base do mar territorial

e que não deve exceder a distância de 200 MN; e a Plataforma Continental, que compreende o solo e o subsolo das

áreas submarinas, além do mar territorial, podendo estender-se além das 200 milhas até o bordo exterior da margem continental. A distância máxima está limitada a 350 milhas, a contar da linha de base a partir da qual se mede a largura do mar territorial. Foram definidos ainda conceitos complementares, como as Águas Interiores: situadas no interior das linhas de base

do mar territorial e que fazem parte das águas interiores de um país. Como exemplo, as águas do Rio Amazonas, do São Francisco e da Lagoa dos Patos; as Águas Arquipelágicas, circunjacentes aos arquipélagos como os de Martim Vaz e Trindade, Fernando de Noronha e o Atol das Rocas; Alto Mar, como se configuram as partes não incluídas na zona econômica exclusiva, no mar territorial ou nas águas interiores, nem nas águas arquipelágicas de um Estado. Regime das Ilhas: o Mar Territorial, a Zona Contígua, a Zona Econômica Exclusiva e a Plataforma Continental de uma ilha são determinados de acordo com a convenção citada. Os rochedos, porém, não se prestam à habitação humana ou à vida econômica, não tendo zona econômica exclusiva ou plataforma continental. Assim, no final dos anos 1990, o Brasil adotou providências em relação aos rochedos São Pedro e São Paulo, situados a cerca de 520 MN do Estado do Rio Grande do Norte: mudou-lhes o nome de “rochedos” para “arquipélago”; construiu e instalou lá um farol, para

substituir o que fora destruído por um sismo, em 1930, e construiu uma estação científica permanentemente guarnecida por um pequeno grupo de pesquisadores.

O Alto-Mar, segundo os acordos internacionais, é franqueado a todos os Estados, sejam eles costeiros ou não, desde que utilizado para fins pacíficos. Porém, os Estados devem estabelecer os requisitos necessários à atribuição da sua nacionalidade a navios, para o registro deles em seu território e para o direito de mostrar sua bandeira, impedir o transporte ilegal de material e pessoal, reprimir a pirataria e cooperar para a repressão do tráfico ilícito de drogas.

transporte ilegal de material e pessoal, reprimir a pirataria e cooperar para a repressão do tráfico

A pirataria tem crescido em determinadas áreas do mundo e deve ser combatida. Devemos estar prontos para combater tal ilícito. Uma breve observação do mapa acima permite esclarecer a importância da Amazônia Azul para o Brasil: com a ampliação da nossa Plataforma Continental e mais as áreas marítimas dos Arquipélagos de Fernando de Noronha e São Pedro e São Paulo, somadas à área marítima das ilhas Oceânicas de Trindade e Martim Vaz, a área disponível para a exploração de riquezas e exploração científica (fundamental para o futuro da humanidade) se assemelha à atual superfície amazônica. Não são necessárias maiores explicações para justificar as razões da necessidade de protegê-la.

Dia da Amazônia Azul O “Dia Nacional da Amazônia Azul” é celebrado no dia 16 de novembro. Sancionada pela Lei n° 13.187, de 11 de novembro de 2015, a data foi escolhida em homenagem à entrada em vigor da Convenção das Nações Unidas sobre Direito do Mar, em 16 de novembro de 1994.

Com base nas ideias presentes nos textos acima, redija 4 parágrafos diferentes de introdução sobre o tema:

A importância da Amazônia Azul

OBS.:

- Utilize as várias técnicas de contextualização e de tese;

- Não se esqueça de indicar a técnica por você escolhida antes de cada parágrafo.

- Faça 2 ou 3 frases em cada parágrafo;

- Faça parágrafos de 4 a 6 linhas;

Acentuação Gráfica

GRAMÁTICA

Regras Gerais (não houve mudanças pelo novo Acordo Ortográfico):

   

Leva

 

Terminados em:

acento?

EXEMPLOS

Monossílabos

-a(s), -e(s), - o(s)

   

tônicos

Sim

Oxítonas

-a(s), -e(s), -o(s), -em, -ens

Sim

 

Paroxítonas

-a(s), -e(s), -o(s), -em, -ens, -am

Não *

 

Proparoxítonas

Qualquer letra

Sim

 

* Essas terminações não fazem parte de ditongos nem são nasais.

Regras Especiais (Só houve mudanças na posição paroxítona):

Ditongos

Levam acento os ditongos abertos quando oxítonos. (-éi, -éu, -ói)

Hiatos

1ª vogal (em ditongo só nas oxítonas) + í(s), ú(s) [sem nh]

Acentos diferenciais

a)

de timbre: pôde [e fôrma(s), opcionalmente]

b)

de tonicidade: pôr

c)

de número: ele tem/eles têm, ele vem/eles vêm (e derivados)

Latinismos

álibi, fórum, harmônium, memorândum, múndi, superávit e tônus.

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derivados) Latinismos álibi, fórum, harmônium, memorândum, múndi, superávit e tônus. Página 29 de 120

Exercícios

01. Assinale a opção que contém erro de acentuação na série de monossílabos tônicos.

(a)

crás, lá, vá, más;

(c)

quê, vê-lo, mês, três;

(e)

pô-lo, pô-la, pôs, côr.

(b)

fé, pés, és, Sé;

(d)

pó, nós, só, cós;

02.

Assinale a opção que contém erro de acentuação na série de palavras paroxítonas.

 

(a)

dândi, beribéri, íbis, Cáli;

(c)

factótum, parabélum, álbuns, fóruns;

(d)

hífens, plâncton, elétrons;

(b)

ônus, cáctus, lótus, retrovírus;

(e)

bíceps, tríceps, quadríceps.

03.

Assinale a opção que contém erro de acentuação na série de palavras paroxítonas.

(a)

âmbar, éter, fêmur, sênior;

(c)

dólmen, pólen, próton, nêutron;

(d)

incrível, imóvel, míssil, afável;

(b)

cóccix, tórax, ônix, Fênix;

(e)

ímã, Cristovão, sótão, órfã.

04.

Assinale a opção que contém erro de acentuação na série de palavras paroxítonas terminadas em ditongo.

(a)

escritório, etérea, série;

(c)

ingênuo, anágua, mágoa;

(e)

distíngues, extínguem, conséguem.

(b)suspensório,calendário,

(d)

bilíngue, anáguas, contíguo;

 

abstêmios;

05.

Assinale a opção que contém erro de acentuação na série de palavras proparoxítonas.

(a)

insólito, tétrico, nostálgico;

(c)

antropofágico, hiperbólico, ótico;

(d)

dramático, econômico, hermenêutico;

(b)

rúbrica, cosmonáutico, letárgico;

 

(e)

fétido, hálito, metalúrgico.

06.

Assinale a opção que contém erro de acentuação na série de palavras com ditongo.

(a)

andróide, epopéia, tipóia;

(c)

europeus, colmeia, centopeia;

(e)

Gláuber, Áurea, Cleide.

(b)

pastéis, arranha-céus, corrói;

(d)

boi, urubu-rei, apogeu;

07.

Assinale a opção que contém erro de acentuação na série de palavras com hiato.

 

(a)

voo, enjoo;

(c)

creem, leem;

(e)

deem-me, reveem-nos.

(b)

magôa, corôa;

(d)

perdoa-o, abençoa-a;

08. Assinale a opção que contém erro de acentuação no i da série de palavras com hiato.

(a)

Icaraí, Jacareí;

(c)

atraindo, contribuiu;

(e)

gratuíto, fluído (subst.).

(b)

saídas, caístes;

(d)

ladainha, coroinha;

09. Assinale a opção que contém erro de acentuação no u da série de palavras com hiato.

(a)

Grajaú, tuiuiú;

(c)

baiúca, feiúra;

(e)

Raul, extrauterino.

(b)

reúnem, mundaú;

(d)

conteúdo, transeunte;

10.

Assinale a opção que contém apenas acentos diferenciais (aqueles que não podem ser explicados por nenhuma regra ortográfica) de timbre ou de tonicidade.

(a)

pôr (verbo), pôde (pret. Perf.) e fôrma (=modelo oco);

 

(b)

dê (verbo), é (verbo), réis (moeda antiga);

 

(c)

fábrica (subst.), sábia (adjetivo), sabiá (subst.);

 

(d)

bobó (subst.), lã(subst.) camelô (comerciante de calçada);

(e)

convidássemos, envolvêssemos, retornássemos.

11.

Assinale a opção que contém um par de formas verbais que caracteriza o segundo componente como caso de acento diferencial de número (3ª pessoa do plural).

(a)

(ele) intervém & (eles) intervêm;

(c)

(ele) entretêm & (eles) entretém;

(e)

(ele) tém & (eles) têm.

(b)

(ele) relê & (eles) relêem;

(d)

(ele) prevê & (eles) prevêem;

12.

Assinale a opção cuja série de palavras recebe acento em virtude da mesma regra ortográfica.

(a)

contratá-la, vendê-la, atraí-la, propô-lo;

(b)

táxi, pálido, maracujá, hábito;

(d)

cânion, ômicron, sêmen;

(c)

escarcéu, carretéis, caracóis;

(e)

atraísse, faraó, Anhangabaú.

13.

Assinale a opção que não contém palavra acentuada em virtude da mesma regra ortográfica de LUNÁTICA.

(a)

anômalo;

(c)

metáfora;

(e)

clímax.

(b)

dígrafo;

(d)

antítese;

14.

Assinale a opção que contém palavra acentuada tanto no singular como no plural.

 

(a)

(o) inglês;

(c)

(o) convés;

(e)

(ele) antevê.

(b)

(o) álcool;

(d)

(o) cós;

15.

Assinale a opção que contém palavra acentuada apenas no singular.

 

(a)

júnior;

(c)

pôster;

(e)

sustém.

(b)

trenó;

(d)

fôrma;

16. Assinale a opção que contém palavra acentuada apenas no plural.

(a)

pera

(c)

vez;

(e)

item.

(b)

urubu;

(d)

juiz;

17.

Assinale a opção que contém erro de acentuação na série de palavras oxítonas.

(a)

sofá, atrás, maracujá, dirá, falarás, encaminhá-la, encontrá-lo-á;

(b)

banzé, pontapés, você, buquê, japonês, obtê-lo, recebê-la-emos;

(c)

jiló, avô, avós, gigolô, compôs, paletó, indispô-lo;

(d)

além, alguém, também, ele intervém;

(e)

armazéns, parabéns, vinténs, hiféns.

18.

Assinale a opção que não contém palavra acentuada em virtude da mesma regra ortográfica de FREGUÊS.

(a)

carijó;

(c)

vatapá;

(e)

ioiô

(b)

matinês;

(d)

açaí;

19.

Assinale a opção cuja série de palavras recebe acento em virtude da mesma regra ortográfica de ÍNDIO.

(a)

estapafúrdia, espécie;

(c)

chimpanzé, tarumã;

(e)

intrínseco, rígido;

(b)

acessível, caráter;

(d)

Estêvão, Asdrúbal;

Uso do hífen

Algumas regras do uso do hífen foram alteradas pelo novo Acordo. As observações a seguir referem-se ao uso do hífen em palavras formadas por prefixos ou por elementos que podem funcionar como prefixos, como: aero, agro, além, ante, anti, aquém, arqui, auto, circum, co, contra, eletro, entre, ex, extra, geo, hidro, hiper, infra, inter, intra, macro, micro, mini, multi, neo, pan, pluri, proto, pós, pré, pró, pseudo, retro, semi, sobre, sub, super, supra, tele, ultra, vice etc.

1. Com prefixos, usa-se sempre o hífen diante de palavra iniciada por h.

Exemplos:

anti-higiênico

anti-histórico

macro-história

Exceção: Não se emprega hífen com os prefixos des- e in- quando o 2º elemento perde o h inicial: desumano (nesse caso, a palavra humano perde o h), desumidificar, inábil, inumano etc.

2. Não se usa o hífen quando o prefixo termina em vogal diferente da vogal com que se inicia o segundo elemento.

Exemplos:

aeroespacial

agroindustrial

anteontem

antiaéreo

Exceção: o prefixo co aglutina-se em geral com o segundo elemento, mesmo quando este se inicia por o: coobrigar, coobrigação, coordenar, cooperar, cooperação, cooptar, coocupante etc.

Atenção: o encontro de vogais diferentes tem facilitado o fenômeno da elisão de vogal do 1º e do 2º elemento:

eletracústico, ao lado de eletroacústico, por exemplo. Mais uma vez se recomenda que se evitem essas elisões, ressalvados os casos já correntes na tradição lexicográfica.

3. Não se usa o hífen quando o prefixo termina em vogal e o segundo elemento começa por consoante diferente de r ou s.

Exemplos anteprojeto antipedagógico autopeça autoproteção Atenção: com o prefixo vice, usa-se sempre o hífen. Exemplos: vice-rei, vice-almirante etc.

4. Não se usa o hífen quando o prefixo termina em vogal e o segundo elemento começa por r ou s. Nesse caso, duplicam-se essas letras

antirracismo

antirreligioso

antirrugas

antissocial

cosseno

infrassom

minissaia

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5. Quando o prefixo termina por vogal, usa-se o hífen se o segundo elemento começar pela mesma vogal.

Exemplos:

anti-ibérico

contra-almirante

micro-ondas

anti-imperialista

contra-atacar

auto-observação

contra-ataque

6. Quando o prefixo termina por consoante, usa-se o hífen se o segundo elemento começar pela mesma consoante

Exemplos:

hiper-requintado

inter-racial

inter-regional

sub-bibliotecário

Atenção:

• Nos demais casos não se usa o hífen. Exemplos: hipermercado, intermunicipal, superinteressante, superproteção.

• Com o prefixo sub, usa-se o hífen também diante de palavra iniciada por r: sub-região, sub-raça etc.

• Com os prefixos circum e pan, usa-se o hífen diante de palavra iniciada por m, n e vogal: circum-navegação, pan- americano etc.

7. Quando o prefixo termina por consoante, não se usa o hífen se o segundo elemento começar por vogal.

Exemplos:

hiperacidez

interestelar

superamigo

interestadual

interestudantil

superaquecimento

8. Com os prefixos ex, sem, além, aquém, recém, pós, pré, pró, usa-se sempre o hífen.

Exemplos:

além-mar

ex-hospedeiro

pré-vestibular

além-túmulo

ex-prefeito

pró-europeu

aquém-mar

ex-presidente

recém-casado

ex-aluno

pós-graduação

recém-nascido

ex-diretor

pré-história

sem-terra

9. Deve-se usar o hífen com os sufixos de origem tupi-guarani: -açu, -guaçu e -mirim. Exemplos: amoré-guaçu, anajá- mirim, capim-açu.

10. Deve-se usar o hífen para ligar duas ou mais palavras que ocasionalmente se combinam, formando não propriamente vocábulos, mas encadeamentos vocabulares. Exemplos: ponte Rio-Niterói, eixo Rio-São Paulo.

11. Emprega-se o hífen nos compostos por justaposição sem termo de ligação quando p 1º elemento, por extenso ou reduzido, está representado por forma substantiva, adjetiva, numeral ou verbal. Exemplos:

Afro-asiático

Decreto-lei

Porta-aviões

Afro-luso-brasileiro

Guarda-chuva

Porta-retrato

Amor-perfeito

Guarda-noturno

Primeiro-ministro

Ano-luz

João-ninguém

Sócio-democracia

Arcebispo-bispo

Luso-brasileiro

Sul-africano

Arco-íris

Má-fé

Tio-avô

Conta-gotas

Mesa-redonda

Vaga-lume

Observação: Não se deve usar o hífen em certas palavras que perderam a noção de composição. Exemplos:

girassol

mandachuva

paraquedista

madressilva

paraquedas

pontapé

Atenção:

As formas empregadas adjetivamente do tipo afro-, anglo-, euro-, franco-, indo-, luso-, sino- e assemelhadas continuarão a ser grafadas sem hífen: afrodescendente, afrogenia, afrofilia; eurocêntricom francofone, lusofonia etc.

Os outros compostos com a forma verbal para- e manda- seguirão sendo separados por hífen conforme a tradição lexicográfica: para-brisa(s), para-choque(s), para-lama(s), etc.; manda-lua, manda-tudo.

O acordo não trata nem exemplifica compostos formados com elementos repetidos, com ou sem alternância vocálica ou consonântica, do tipo blá-blá-blá, reco-reco, lenga-lenga, zum-zum, zás-trás, zigue-zague, pingue-pongue, tico- tico, tique-taque, xique-xique etc. O espírito do Acordo sugere que tais compostos entrem na regra geral, ou seja, são de natureza nominal, não contêm elemento de ligação, constituem unidade sintagmática e semântica e mantêm acento próprio. Assim também os possíveis derivados: lenga-lengar, zum-zunar.

Serão escritos com hífen os compostos entre cujos elementos há o emprego do apóstrofo: cobra-d’água, mestre- d’armas, mãe-d’água, olho-d’água etc.

Quando o 1º elemento está representado pela forma mal e o 2º elemento começa por vogal, h ou l, usa-se hífen:

mal-afortunado, mal-entendido, mal-estar, mal-humorado, mal-limpo etc.; porém, malcriado, malditoso, malgrado, malnascido, malvisto etc. Exceção: Mal com o significado de “doença” grafa-se com hífen: mal-caduco (epilepsia), mal-francês (sífilis) etc.

Não se emprega o hífen nas ligações da preposição de às formas monossilábicas do presente do indicativo do verbo haver. Exemplo: hei de, hás de, hão de, etc.

12 . Emprega-se o hífen nos topônimos compostos pelas formas grã, grão, ou por forma verbal ou, ainda, naqueles ligados por artigo. Exemplos:

Grã-Bretanha

Passa-Quatro

Baía de Todos-os-Santos Entre-os-Rios

Grão-Pará

Quebra-Costas

Abre-Campo

Albergaria-a-Velha

Atenção: serão hifenizados os adjetivos gentílicos derivados de topônimos compostos que contenham ou não elementos de ligação. Exemplos: alto-rio-docense, belo-horizontino, cruzeirense-do-sul, mato-grossense, mato- grossense-do-sul, juiz-forano etc.

13. Emprega-se o hífen nos compostos que designam espécies botânicas, zoológicas e áreas afins, estejam ou não ligadas por preposição ou qualquer outro elemento.

Exemplos:

Abóbora-menina

Erva-do-chá

(mas malmequer)

Coco-da-baía

Vassoura-de-bruxa

Bem-te-vi

Erva-doce

Feijão-verde

Formiga-branca

Couve-flor

Bem-me-quer

14. Não se emprega o hífen nas locuções, sejam elas substantivas, adjetivas, pronominais, adverbiais, prepositivas ou conjuncionais. Exemplos:

Cão de guarda Fim de semana Cor de café com leite Ele próprio Quem quer que seja

À parte

À toa (adj.) Dia a dia(subs.) Deus nos acuda Um maria vai com as outras

À vontade

Abaixo de

À

parte de

A fim de que

 

15. Para clareza gráfica, se no final da linha a partição de uma palavra ou combinação de palavras coincidir com o hífen, ele deve ser repetido na linha seguinte.

Exemplos:

Na cidade, conta- -se que ele foi viajar.

O diretor recebeu os ex- -alunos.

16. Com o prefixo não, só se usa hífen nas seguintes palavras: não-me-deixes, não-me-esqueças, não-me-toquense, não-me-toques, não-te-esqueças, não-te-esqueças-de-mim.

17. Com o prefixo bem-, só não se usa hífen com as seguintes palavras: bem de alma, bem de fala, bem te vi (simpatizante de partido político).

Resumo

Emprega-se o hífen quando:

1º elemento

HÍFEN

2º elemento

Prefixo que termina por vogal

HÍFEN

Iniciado por vogal igual à vogal final do 1º elemento ou iniciado por h

Prefixo quer termina com r (hiper, inter, super)

HÍFEN

Iniciado por h ou r

Prefixo que termina com b (ab, ob, sob, sub)

HÍFEN

Iniciado por b, h ou r

Prefixo que termina com d (ad)

HÍFEN

Iniciado por d, h ou r

Mal

HÍFEN

Iniciado por vogal, h ou l

Circum, pan

HÍFEN

Iniciado por vogal, h, m, ou n

co

HÍFEN

Iniciado por h

Ex, pós, pré, pró, sota, soto, vice, vizo, além, aquém, recém, sem, bem

HÍFEN

Qualquer elemento

Elemento terminado por vogal com acento gráfico (ou quando a pronúncia exige: capim-açu)

HÍFEN

-açu, -guaçu, -mirim

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acento gráfico (ou quando a pronúncia exige: capim-açu) HÍFEN -açu , -guaçu , -mirim Página 33
1. Assinale a opção que contém erro na grafia de palavras compostas. 28. Identifique a

1. Assinale a opção que contém erro na grafia de palavras compostas.

28.

Identifique a frase que contém erro quanto ao uso de

hífen.

 

(a)

recém-inaugurada, granfino;

(a)

Fiquei habituado ouvindo apenas cantigas de maldizer

(b)

grão-rabino, tambor-mor;

(b)

Desengonçado e mal-acabado, o negócio ia de mal a

(c)

és-nordeste, acácia-negra;

pior.

 

(d)

bico-de-lacre, girassol;

(c)

Houve

aquele

mal

estar

porque

ele

é

um

mal

(e)

quarta-feira, rio-grandense-do-sul.

agradecido.

 
 

(d)

Apresentaram-me

um

menino

mal-educado

e

22.

Assinale a opção que contém erro na grafia de

malcriado.

 

palavras compostas.

(e)

Meus olhos malferidos revelam que estou mal-

 

(a)

bota-fora, come-e-dorme;

-humorado.

 

(b)

limpa-vidros, vai e vem;

 

(c)

canário-da-terra, gato de botas;

29.

Identifique a frase que contém erro quanto ao uso de

(d)

passa-tempense, pega-varetas;

hífen.

 

(e)

cata-vento, Iaiá me sacode.

(a)

Bem-aventurado aquele que é bem-ordenado por seus

 

pais.

 

23.

Assinale a opção que contém erro na grafia de

(b)

Essas bem-feitorias são atribuídas a criaturas bem-

palavras compostas.

ditas.

 

(a)

são-paulino, santo-amarense;

(c)

Fiquei bem-visto no rádio quando perceberam que sou

(b)

santa-cruzense, donquixotismo;

bem-falante.

 

(c)

pica-pau, vaivém;

(d)

Meu terno ficou bem-acabado e o preço foi bem barato.

(d)

ato-show, novo-horizontino;

(e)

Um profissional bem-vestido é sempre bem-

 

(e)

queda de braço, pé de moleque.

-vindo.

 

24.

Assinale a opção que contém erro na grafia de

30.

Identifique a frase que contém erro quanto ao uso de

palavras compostas.

hífen.

 

(a)

belo-horizontino, bom-bocado, peixe-boi;

(a)

Seu sangue azul é uma questão de ponto de vista.

 

(b)

novaiguaçuense, tampouco, peixe-espada;

(b)

O carro forte bateu num gelo baiano.

 

(c)

beladona, prima-dona, peixe-de-briga;

(c)

Consta do livro de bordo que ele é um bom-copo.

 

(d)

primo-irmão, tão somente, peixe-japonês;

(d)

A pedra de toque da economia foram as medidas

(e)

misto-quente, sanguessuga, peixe-prego.

preventivas do Governo.

 
 

(e)

Mandaram para o olho da rua aquele menino de ouro.

25.

Assinale a opção que contém erro na grafia de

 

palavras compostas.

31.

Assinale a opção que contém erro na grafia de

(a)

peça-chave, guarda-civil, salário-hora;

palavras derivadas.

 

(b)

bode-expiatório, roupa-de-baixo, camisa-social;

(a)

caeté-açu, araçá-guaçu, igarapé-miriense;

 

(c)

camisa de força, guarda-noturno, redator chefe;

(b)

curumim-açu, jataí-guaçu, araçá-mirim;

(d)

salário-família, baba de moça, meio-tempo;

(c)

jataí-açu, maracanã-guaçu, tucu-mirim;

(e)

à queima-roupa, pão de ló, rosa-cruz

(d)

tangará-açu, caroba-guaçu, abelha-mirim;

 

(e)

tucumã-açu, mirim-guaçu, araçá-guaçu.

26.

Identifique a frase que contém erro quanto ao uso de

 

hífen.

32.

Assinale a opção que contém erro na grafia de

(a)

Comprei cheiro-verde, amor-perfeito e laranja-

palavras derivadas.

 

-seleta.

(a)

extra-atmosférico, extra-ordinário;

 

(b)

Plantei batata-inglesa, bem-me-quer e capim-

(b)

metacelulose, meta-histórico;

 

-gordura.

(c)

paraolimpíadas, parapsicologia;

 

(c)

Encomendei a erva-cidreira, o inhame-roxo e a maria-

(d)

pré-adolescência, pré-nupcial;

 

sem-vergonha.

(e)

ultraoceânico, ultrassonografia;

 

(d)

Fotografei a salsa-do-campo, a sempre-viva e a rosa

 

dos ventos.

33.

Assinale a opção que contém erro na grafia de

(e)

Pedi a vitamina-de-frutas, a gaiola-torácica e um saco-

palavras derivadas.

 

de-gatos.

(a)

anteconjugal, anteontem;

 

(b)

antielitista, antiimperialista;

27.

Identifique a frase que contém erro quanto ao uso de

(c)

sobre-exposição, sobressair;

hífen.

(d)

sublunar, subalpino;

 

(a)

Falarei amanhã na convenção luso-

(e)

super-realidade, supersafra.

 

-hispanobrasileira.

 

(b)

Trataremos de questões técnico-industriais.

34.

Assinale a opção que contém erro na grafia de

(c)

O acordo sino-tibetano vai acontecer.

palavras derivadas.

 

(d)

Houve uma perigosa celebração fanático-

(a)

circum-adjacente, circum-navegação, circunlabial;

 

-religiosa.

(b)

ex-atleta, ex-corrupto, ex-patrão;

 

(e)

Faremos estudos sintático-semântico-

(c)

não-conformista, não cumprimento, não-

 

-estilísticos.

-violência;

 

(d)

pós-colonial, pós-pago, pós-socrático;

 

(e)

vice-almirante, vice-liderança, vice-reitor.

 

35. Assinale a opção que contém palavras derivadas.

erro na grafia

de

41.

Assinale a opção que contém erro na grafia da palavra

 

formada por recomposição.

(a)

adjunto, ad-rogação;

(a)

aeroespacial;

(b)

arqui-inimigo, arqui-hiperbólico;

(b)

agroindustrial;

(c)

co-herdeiro, copiloto;

(c)

cardiorrespiratório;

(d)

contra-reforma, contra-senha;

(d)

eletrossiderurgia;

(e)

pericárdio, perissístole.

(e)

lipoigiene.

36.

Identifique a opção que contém apenas palavras com

42.

Assinale a opção que contém erro na grafia da palavra

erro quanto ao uso de hífen.

 

formada por recomposição.

(a)

antiácido, antiaéreo, anti-hemorrágico, anti-

 

(a)

macrorregião;

-herói, anti-inflacionário;

 

(b)

mega-operação;

(b)

contracheque, contra-ataque, contradança,

(c)

micro-hino;

contraespião, contraindicação;

 

(d)

mididesvalorização;

(c)

extra-conjugal, extra-curricular, extra-escolar, extra-

(e)

minimercado.

gramatical, extra-judicial;

   

(d)

sobrecapa, sobrecoxa, sobre-erguer, sobre-

 

43.

Assinale a opção que contém erro na grafia da palavra

-humano, sobrevoo.

 

formada por recomposição.

(e)

ultra-apressado, ultrafecundo, ultra-humano,

(a)

maxissaia;

ultramarino, ultrarradical.

 

(b)

mesofauna;

 

(c)

mono-espécie;

37.

Identifique a frase que contém erro quanto ao uso de

(d)

multi-imperialismo;

hífen.

 

(e)

unissexuado.

(a)

Para interagir comigo, vai ser preciso interconectar

 

máquinas.

 

44.

Assinale a opção que contém erro na grafia da palavra

(b)

Nosso interrelacionamento é apenas intersocial.

 

formada por recomposição.

(c)

O ônibus interescolar faz transporte interbairros.

(a)

neoexpressionismo;

(d)

Li um estudo inter-helênico com abordagem

(b)

paleomagnético;

interdisciplinar.

 

(c)

pluriocular;

(e)

Ela fez um exame interocular e intermaxilar.

 

(d)

poliinsaturado;

 

(e)

pseudossufixo.

38.

Identifique a frase que contém erro quanto ao uso de

 

hífen.

 

45.

As combinações tetra + campeonato, penta + sílabo,

(a)

A justaposição não é o mesmo que a contraposição.

hexa + valência, hepta + cloro e octo + secular, formadas

(b)

O pós-comunismo talvez se assemelhe com o pré-