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“Presidente vai arrebentar!

”: uma tenebrosa
profecia ou um vazamento antecipado de um malicioso
plano de precarização e destruição da Educação Pública
Superior e Pós-Graduação?

Despertou-me a atenção uma notícia sobre o


presidente Bolsonaro que inaugurou o mês de
setembro. Trata-se da unção recebida a partir do
bispo Edir Macedo da Igreja Universal que, na
ocasião, deixa escapar uma tenebrosa profecia:
“Presidente vai arrebentar”. Quando li, assustei-me.
Não basta o conjunto de desgraças que esse governo
já emplacou nesses poucos meses? Reformas que
penalizam os trabalhadores, principalmente os mais pobres; desvalorização e perseguição de
cientistas; a irresponsável atitude no episódio das queimadas; as constantes gafes que destroem a
imagem do Brasil no exterior; os bloqueios dos orçamentos das Universidades – que agravaram o
cenário de precarização, acendendo o alerta da possibilidade de interrupção do semestre letivo – e
dos órgão de fomento da pesquisa e pós-graduação (CAPES e CNPq) implicando na suspensão de
editais e bolsas. As profecias prenunciam acontecimentos futuros. No entanto, o imediatismo do
cumprimento da predição do bispo parece mesmo sobrenatural, pois no dia seguinte à profecia,
somos surpreendidos com a notícia de uma expressiva redução do orçamento do MEC para 2020.
No geral, a redução na pasta será de 18%. Não obstante, a distribuição dessa redução ampliará seus
efeitos nos órgãos de fomento à Pesquisa e Pós-Graduação e nas universidades. Na Coordenação de
Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES), o orçamento cairá pela metade. É
importante lembrar que esse ano já foram cortadas mais de 6000 bolsas no primeiro semestre e
anunciado novo corte de mais 5.613 bolsas de mestrado e doutorado a partir desse mês. Nas
universidades o impacto também será fulminante. Na Universidade Federal do Rio de Janeiro,
segunda maior universidade do Brasil, a diminuição será de 24% e na recém-criada Universidade
Federal do Agreste Pernambucano, que ainda está em processo de instalação, chegará aos 63%. De
fato, o presidente arrebentou com a Educação e a Pós-Graduação. Do cenário de incertezas desse
ano, causado pelos bloqueios do MEC no orçamento das universidades, no qual a maioria demonstra
dificuldades de pagar as contas e a suspensão do semestre chega a ser uma possibilidade real, ao
cenário futuro, com essa redução no orçamento para 2020, podemos ter uma funesta certeza: as áreas
de Educação, Ciência e Tecnologia nunca foram prioridades para esse governo obscurantista e
anticientífico. Pelo contrário, são suas arqui-inimigas. Sendo assim, fica a dúvida: “O presidente vai
arrebentar!” foi uma tenebrosa profecia ou o vazamento antecipado de um malicioso plano de
precarização e destruição da Educação Pública Superior e Pós-Graduação?

Dilson Cavalcanti, professor da UFPE.