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UNIVERSIDADE FEDERAL DE MATO GROSSO

FACULDADE DE COMUNICAÇÃO E ARTES


DEPARTAMENTO DE ARTES
LICENCIATURA EM MÚSICA

LAERTE TAVARES

MATERIAL PEDAGÓGICO PARA O ENSINO DO OBOÉ NO PROJETO


INSTITUTO CIRANDA – CUIABÁ/MT: UMA PROPOSTA DE REESTRUTURAÇÃO

Cuiabá
2019
LAERTE TAVARES

MATERIAL PEDAGÓGICO PARA O ENSINO DO OBOÉ NO PROJETO


INSTITUTO CIRANDA – CUIABÁ/MT: UMA PROPOSTA DE REESTRUTURAÇÃO

Trabalho de Conclusão de Curso apresentado ao


curso de Licenciatura em Música da Universidade
Federal de Mato Grosso, como requisito para
obtenção do grau de Graduado em Música.

Orientador: Prof. Ms. Sérgio Vitor de Souza Ribeiro

Cuiabá
2019
LISTA DE FIGURAS

Figura 1 - Exercícios 1 e 11, página 8 do Método de Oboé: elementar, livro 1 18


Figura 2 - Exercícios 1, 5 e 10, página 9 do Método de Oboé: elementar, livro 1 19
Figura 3 - Exercícios 1, 9 e 10, página 10 do Método de Oboé: elementar, livro 1 20
Figura 4 - Exercícios 5 e 6, página 11 do Método de Oboé: elementar, livro 1 21
Figura 5 - Proposta de inclusão de ligaduras e sinais de dinâmica no exercício n. 6 da página
11 do Método de Oboé: elementar, livro 1 ............................................................................ 22
Figura 6 - Exercícios 1, 7 e 8, página 12 do Método de Oboé: elementar, livro 1 23
Figura 7 - Proposta de inclusão de ligaduras e sinais de dinâmica no exercício n. 7 da página
12 do Método de Oboé: elementar, livro 1 ........................................................................... 24
Figura 8 - Exercícios 1, 3 e 6, página 13 do Método de Oboé: elementar, livro 1 25
Figura 9 - Exercícios 1 e 4, página 14 do Método de Oboé: elementar, livro 1 26
Figura 10 - Exercícios 1, 4 e 5, página 15 do Método de Oboé: elementar, livro 1 27
Figura 11 - Proposta de inclusão de ligaduras e sinais de dinâmica no exercício n. 4 da página
15 do Método de Oboé: elementar, livro 1 ............................................................................ 28
Figura 12 – Proposta de troca entre a lição n. 3 da página 15 do Método de Oboé: elementar,
livro 1 do Instituto Ciranda (2019) pela canção n. 3 do livro 24 Duetos para Flauta Doce de
Ernest Mahle (2000) .............................................................................................................. 29
Figura 13 - Exercícios 3 e 4, página 16 do Método de Oboé: elementar, livro 1 30
Figura 14 - Exercícios 3 e 4, página 17 do Método de Oboé: elementar, livro 1 31
Figura 15 - Proposta de inclusão de ligaduras, sinais de dinâmica e staccato no exercício n. 4
da página 17 do Método de Oboé: elementar, livro 1 ............................................................ 32
Figura 16 - Exercício 1, página 18 do Método de Oboé: elementar, livro 1 33
Figura 17 – Exercício 4, página 19 do Método de Oboé: elementar, livro 1 34
Figura 18 – Exercício 6, página 20 do Método de oboé: elementar, livro 1 35
Figura 19 – Exercício 8, página 21 do Método de Oboé: elementar, livro 1 36
Figura 20 – Exercício 10, página 22 do Método de Oboé: elementar livro 1 37
Figura 21 - Proposta de inclusão de ligaduras, gradação dinâmica e alteração de tonalidade
no exercício n. 10 da página 22 do Método de Oboé: elementar, livro 1 38
Figura 22 – Exercício 4, página 24 do Método de Oboé: elementar, livro 1 39
Figura 23 – Exercício 4, página 24 do Método de Oboé: elementar, livro 1 40
Figura 24 – Exercício 2, página 25 do Método de Oboé: elementar, livro 1 41
Figura 25 – Exercício 5, página 26 do Método de Oboé: elementar, livro 1 42
Figura 26 – Segundo exercício, página 26 do Método de oboé elementar, livro 1 43
Figura 27 – Proposta de inclusão de ligaduras e sinais de dinâmica no exercício n. 2 da página
27 do Método de Oboé: elementar, livro 1 ............................................................................ 44
SUMÁRIO
INTRODUÇÃO .......................................................................................................................... 3
CAPÍTULO 1 - CONTEXTUALIZAÇÃO HISTÓRICA .......................................................... 5
1 O Material pedagógico .................................................................................................... 8
CAPÍTULO 2 - REFERENCIAL TEÓRICO ........................................................................... 11
2.1 Quadro de definição de habilidades técnicas ............................................................. 12
2.2 Execução da análise ................................................................................................... 16
CAPÍTULO 3 - LEVANTAMENTO E ANÁLISE DOS DADOS .......................................... 18
Quadro Geral ........................................................................................................................ 45
CONSIDERAÇÕES FINAIS ................................................................................................... 45
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ..................................................................................... 48
ANEXO……………………………………………………………………………………… 50
3

INTRODUÇÃO

O Instituto Ciranda Música e Cidadania é um projeto social com mais de 15 anos de


história desenvolvida no estado de Mato Grosso, que oferece aulas de música de instrumentos
sinfônicos gratuitamente para crianças e jovens. Ao longo dos anos o Instituto Ciranda
desenvolveu um material de apoio pedagógico para cada instrumento. Como professor da classe
de oboé da instituição percebi em diversas aulas dos alunos iniciantes, uma certa dificuldade na
execução de determinadas lições do “método”, que pareciam não serem adequadas para a etapa
em que se encontravam. Dessa forma, surgiu o interesse pelo tema em discussão do trabalho,
no qual pretendo responder às seguintes questões: As lições do material pedagógico encontrado
estão dispostas numa sequência ideal para orientar o aluno de oboé? E a partir do que foi
levantando através dessa questão, qual pode ser uma melhor organização para o material
didático para aulas de oboé, frente à realidade encontrada no projeto social Instituto Ciranda?
Vários autores já se debruçaram a cerca dos temas que envolvem este trabalho, como
Shankar (2018), Gisiger (2017) e Mota (2017) abordando o lado prático e historico do oboé e
suas implicações na performance. E também são várias as pesquisas a respeito da música em
projetos sociais como Magali (2003) e (2011). Porém, pesquisas que proponham a revisão de
material de estudo em âmbito de projetos sociais não são encontradas. Com a pesquisa, busquei
suprir a ausência de textos que têm como objeto de estudo as particularidades organizacionais
de projetos sociais do ensino-aprendizagem do oboé em relação aos instrumentos orquestrais.
Este trabalho centra-se na análise do material criado pelo projeto Instituto Ciranda Música
e Cidadania de Cuiabá através da comparação de quatro aspectos definidos no “Quadro de
definição de habilidades técnicas” elaborado por Caetana Silva (2003). O trabalho está dividido
em três capítulos. No primeiro, apresento uma contextualização da pesquisa, tratando da
estruturação do projeto Instituto Ciranda Música e Cidadania ao longo dos seus mais de 15 anos
de história, sua relação com o ensino musical no estado de Mato Grosso, tendo como foco as
aulas de oboé realizadas no projeto. Nesta primeira parte também abordamos a organização dos
métodos elaborados pela instituição para todos instrumentos, tendo como foco o método para
oboé do primeiro semestre, que será o objeto de análise. As informações presentes
especialmente neste capítulo foram obtidas por meio de uma entrevista semiestruturada
realizada com a coordenadora pedagógica na época da criação dos métodos, que atualmente é
diretora de recursos do projeto Ciranda e por meio dos materiais que a própria instituição
confecciona para divulgação do trabalho ou para a prestação de contas aos patrocinadores.
No segundo capítulo do trabalho apresento o referencial teórico e metodológico da
pesquisa, refletindo sobre os conceitos dos principais autores que contribuíram para o
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enriquecimento desse trabalho, explicando de maneira detalhada como é estruturado o “quadro


de definição de habilidades técnicas” elaborado pela autora Caetana Silva (2003), e como se
deu seu emprego na análise das lições do material didático objeto de estudo.
No terceiro capítulo apresento o resultado desta análise do material pedagógico,
contribuindo com sugestões para as lições presentes e sugerindo outras novas, visando suprir
possíveis lacunas da proposta pedagógica da instituição, lacunas essas identificadas segundo o
referencial teórico adotado para a pesquisa.
Com isso espera-se que essa pesquisa venha auxiliar na reflexão para a elaboração de um
material para as aulas de oboé iniciante que atendam a contextos de projetos sociais semelhantes
ao da instituição aqui envolvida.
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CAPÍTULO 1 - CONTEXTUALIZAÇÃO HISTÓRICA

O tema deste trabalho tem origem nos questionamentos surgidos durante as aulas de
oboé do projeto social Instituto Ciranda Música e Cidadania. O projeto tem sede em Cuiabá e
oferece aulas de instrumentos orquestrais e teoria musical para crianças e jovens há mais de 15
anos em diversas cidades do estado de Mato Grosso, tendo como objetivo proporcionar acesso
à cultura e cidadania a alunos carentes da comunidade por meio da música.
O projeto começou em 2003, sendo um braço social da então recém fundada Orquestra
do Estado de Mato Grosso, com sede no bairro Dom Aquino em Cuiabá. O objetivo do projeto
era a formação de uma nova geração de músicos mato-grossenses e que futuramente os alunos
ingressassem na orquestra e continuassem o ciclo musical no estado. As aulas eram ministradas
pelos músicos contratados e convidados que se apresentavam com a orquestra na época,
atendendo cerca de 80 jovens.
O Instituto tem por finalidade, segundo o art. 2º da sua ata, a promoção e assistência
gratuita para “Crianças e Adolescentes”, bem como a criação e estímulo de grupos musicais,
como orquestra sinfônica, de cordas, de câmara e outros instrumentos, de concertos, espetáculos
musicais, festivais e oficinas de música.
Parágrado Único - O Instituto Ciranda – Música e cidadania se dedica às suas atividades
por meio da execução direta de Institutos , programas ou plano de ações, através de
doação de recursos fisicos, humanos e financeiros, ou prestação de serviçõs
intermediáros de apoio a outras organizações sem fins lucrativos e a orgãos do setor
público que atuam em áreas afins. (INSTITUTO CIRANDA, 2017, p. 1).

O Instituto Ciranda é um projeto do terceiro setor que obtem recursos através de


convênios com empresas parceiras, projetos e leis de incentivo a cultura, no entanto esses
recursos são firmados, por vezes, por apenas curtos períodos, fazendo com que o Instituto tenha
que buscar novas formas de arrecadação financeira continuamente e que podem ou não ser
captadas. Dessa forma, o projeto é geralmente estruturado por diversas vezes pela quantidade
de recursos captados para cada temporada. Com isso a Instituição se apresenta ao longo dos
anos em vários momentos bem distintos em sua história. Para fazer um breve apanhado da
trajetória da instituição será feito um recorte histórico dos anos de 2006, 2014 e 2018 que
ilustram momentos distintos da história do projeto e que foram retirados de almanaques e do
balanço feitos pelo próprio projeto. Estes anos foram selecionados por serem de épocas bem
distintas e poder demonstrar como se deu o desenvolvimento das ações do Instituto Ciranda ao
longo dos anos e até mesmo como a própria instituição descreve seu papel frente a educação
artística.
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No ano de 2006, o projeto tinha poucos anos de criação e atendia cerca de 220 crianças e
adolescentes. Os alunos recebiam aulas de teoria e prática musical, aulas de cursos de
capacitação para técnico de som e gravação, bem como condições favoráveis para realizar as
aulas como vale transporte, métodos e partituras (INSTITUTO CIRANDA, 2006). É possivel
notar a preocupação da instituição também em colocar os jovens no mercado de trabalho seja
através da sua permanência no meio cultural, em grupos musicais já consolidados ou na
inserção dos mesmos em outras áreas através dos convênios com empresas parceiras.
Ainda nesse ano, o Instituto Ciranda, que na época levava o nome de Projeto Ciranda,
desenvolveu um projeto em conjunto com a Secretaria de Justiça onde foram ministradas aulas
de música para jovens infratores no Centro Sócioeducativo Pomeri e o curso de maestro de
bandas em parceria com a Secretaria de Estado e Cultura, oferecendo capacitação a regentes
atendendo cerca de 60 regentes diversos municípios do estado. Dessa forma demonstrando a
dedicação e integração do Instituto por meio de suas projetos musicais em todos os âmbitos da
comunidade. Nesse ano,ainda foi lançado a temporada de concertos da “Orquestra de Sopros
do Projeto Ciranda” contando com a participação de solistas de renome no cenário nacional.
No ano de 2014 pode-se notar outra etapa na história da Instituição. Após completar mais
de 10 anos de atuação, foram firmadas parcerias que multiplicaram a sua área de abrangência
no estado e também seu impacto social. Por meio de cooperações estabelecidas com empresas
privadas e prefeituras, o Instituto Ciranda passou a levar o projeto também para outros bairros
da capital (Ribeirão do Lipa e São João Del Rey) e outras cidades como Várzea Grande (São
Mateus), Nova Mutum, Campo Verde e Nova Brasilândia, chegando a atender cerca de 1.240
alunos em todo o estado (REVISTA CIRANDA MUNDO 2014).
As ações se expandiam e, como reflexo, pode-se destacar a atuação dos grupos musicais
que são, desde o início, uma grande frente de trabalho da instituição, com os grupos Orquestra
Primeira Ciranda, Núcleo Coral em Cuiabá e as orquestras jovens de Campo Verde e de Nova
Mutum, proporcionando a jovens dessas comunidades, através da música coletiva, um senso de
pertencimento e integração cultural, como também o crescimento da cena cultural do Estado.
Ao longo de sua história, a instituição já proporcionou aos alunos a interação com
diversos músicos que são referência no cenário musical nacional e internacional, como: Kayami
Satomi, Vitor Santos, Daniel D’Alcântara, Itiberê Zwarg, Carlos Malta, Redegundis Feitosa,
Luis Afonso Montanha, Ivan Lins dentre outros. Fomentou a música no Estado através da
criação de vários grupos musicais, como: Orquestra de Sopros do Projeto Ciranda, Ciranda Sax,
Coral Ciranda Mirim, Orquestra Primeira Ciranda, Cuyabá Orquestra Popular, Ciranda Brass e
Orquestra Jovem do Estado de Mato Grosso (GUBERT, 2013, p. 13), que após passar por uma
reformulação da gestão, se tornou atualmente a Orquestra Sinfônica Ciranda Mundo. O
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principal grupo musical dos programas de música coletiva do Instituto Ciranda 2014 era a
Orquestra Sinfônica Jovem do Estado Mato Grosso, criada na junção dos grupos Orquestra de
Sopros e Orquestra de Cordas do projeto, que atuavam distintamente. Também em 2014,
manteve uma temporada de concertos regular dividido em quatro séries especiais: Cerrado,
Araguai, Pantanal e Amazônia, apresentando formações e repertorios diversificados.
(REVISTA CIRANDA MUNDO 2014).
Ainda nesse ano, foi realizado o I Festival Nova Mutum de Música Orquestral, uma
importante ação construída a partir de parcerias firmadas pela prefeitura da cidade de Nova
Mutum entre a Orquestra Jovem de Nova Mutum e o Instituto Ciranda, e que coroou o trabalho
realizado na cidade. O Festival ofereceu diversas oficinas com aulas de instrumento, recitais e
palestras realizadas por 15 professores (id. ibid.).
No ano de 2018 o projeto apresentou um novo panorama de atuações. O Instituto Ciranda
desempenhou ações em Cuiabá na sede no bairro Boa Esrprerança e no bairro Dr. Fábio Leite
e em cidades do interior como: Várzea Grande, Poconé, nas comunidades de João Carro e Água
Fria no município de Chapada dos Guimarães (os polos de Nova Mutum e Campo Verde se
tornaram independentes do Instituto Ciranda, porém ainda mantendo suas atividades
educacionais). Nesse ano ainda foram desenvolvidas mais ações integradoras, com o
seguimento do projeto “Pantanal Aventura Sonora”(2018), que há três anos proporciona aos
jovens alunos do Instituto uma viagem até o Pantanal mato-grossense onde realizam atividades
de exploração sonora dos sons da natureza em conjuntos com profissionais que realizam estudo
da fauna e flora do local. E ao final destes trabalhos, os sons captados se transformaram em
uma composição que foi apresentada pela orquestra do projeto.
Ainda em 2018, foi realizada a primeira edição do “Prêmio Ciranda Jovem Artista”, um
concurso realizado em parceria com o festival Aruba Symphony, que premiou quatro jovens do
instituto com a oportunidade de atuar com referida orquestra, e vagas para o prestigiado festival
realizado em Aruba.
Atualmente o Instituto Ciranda é uma Organização da Sociedade Civil de Interesse
Público1, que tem sua sede no bairro Boa Esperança, em Cuiabá. Além da capital, continua sua
atuação nas cidades de Várzea Grande, Poconé, Rondonópolis, Chapada dos Guimarães e nos
seus distritos João Carro e Água Fria, oferecendo aulas para cerca de 1.200 alunos em todo o
Estado. Ainda desenvolve projetos para a comunidade em convênios com empresas como a
Unimed, oferecendo aulas e projetos de melhoria de vida para crianças e adultos. Além das

1 “Uma OSCIP é uma qualificação jurídica atribuída a diferentes tipos de entidades privadas atuando em áreas
típicas do setor público com interesse social, que podem ser financiadas pelo Estado ou pela iniciativa privada sem
fins lucrativos” (SEBRAE, 2019).
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aulas no projeto, os alunos de todos os níveis são incentivados à prática coletiva e participam
de atividades nos grupos com apresentações regulares, como: Orquestra Cirandinha, formada
por alunos iniciantes; Orquestra Primeira Ciranda, composta por alunos intermediários; e
Orquestra Sinfônica Ciranda Mundo, formada pelos professores e monitores do projeto e os
alunos mais avançados. Assim, os alunos de todos os níveis passam pela experiência da música
em conjunto, desenvolvendo sociabilização e interação com o mundo sinfônico.
A orquestra tem como objetivo o desenvolvimento do aluno, tanto artisticamente
como humano. Através da orquestra, o aluno tem a oportunidade de conhecer o
repertório tradicional para orquestra sinfônica, desenvolver habilidades técnicas e
vivenciar situações que proporcionam seu desenvolvimento moral e intelectual
(GUBERT, 2003, p. 13-14).

O envolvimento do autor da presente pesquisa com o Instituto Ciranda e com as aulas de


oboé lá ministradas começa no ano de 2013, ingressando no projeto como aluno de saxofone
na turma de coletivo de sopros. Posteriormente, começamos a estudar oboé em uma das
primeiras turmas ministradas por um docente regular, a professora Jizele André. Alguns anos
depois, assumi a classe como professor titular. As turmas de oboé ao longo dos anos foram
muito heterogêneas, formadas por alunos entre a faixa etária de 12 a 18 anos, alguns
provenientes de outros projetos, apresentando certo conhecimento musical, experiência com
outros instrumentos de sopro ou já propriamente no oboé.
Por volta de 2013, devido à sua expansão para o interior do estado e aumento do número
de alunos atendidos (chegando a mais de 1.500 por ano), o instituto apresentou certa dificuldade
para o controle dos conteúdos e objetivos das turmas. Com isso, foi elaborado uma proposta
pedagógica com o objetivo de padronizar o conteúdo a ser trabalhado por todos os alunos,
criando então um material para cada um dos instrumentos ensinados no projeto (clarinete, oboé,
saxofone, flauta transversal, fagote, trompete, trompa, trombone, tuba, violino, violoncelo,
viola, contrabaixo e percussão). Essa porposta resutou na elaboração de uma apostila para cada
semestre, que deveria acompanhar o aluno no seu progresso teórico e prático durante os três
anos de formação no projeto. Ao final de cada semestre é previsto que os alunos realizem uma
prova teórica e prática com os conteúdos contidos no método. Essa avaliação serve tanto para
medir o desenvolvimento dos alunos e das turmas, quanto verificar se o material está
contribuindo de forma eficaz para a desenvolvimento dos alunos ao objetivo da instituição.

1.1 O Material pedagógico

Os alunos da instituição recebem os materiais básicos para iniciarem o estudo do oboé na


primeira aula, como: uma palheta, o material pedagógico do primeiro semestre, e como o
instrumento é muito caro, na maioria dos casos a Instituição empresta um instrumento em
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plenas condições de funcionamento para poderem estudar em casa, através de um termo de


empréstimo. Segundo a coordenadora e idealizadora do material relatou em entrevista, o
objetivo dos conteúdos musicais do primeiro semestre é que o aluno identifique e execute as
figuras de semibreve, mínima e semínima, porém no método também são encontradas liçõs que
contemplam figuras de colcheias. E que os conteúdos sejam trabalhados com uma devida
compreensão do pulso musical, que compreendam a leitura das notas, com as figuras rítmicas
supracitadas, deixando um pouco de lado o rigor nos conteúdos técnicos que devem ser
trabalhados direcionados a tentar cumprir os objetivos musicais de leitura. Ainda segundo a
coordenadora, o objetivo técnico musical não é dar uma formação completa para o alunos, mas
sim proporcionar plenas condições dos alunos se desenvolver musicalmente, para que possam
ingressar, por exemplo, numa graduação em música, se for de sua escolha.
O material pedagógico em questão, intitulado Método de oboé elementar livro 1-
anteriormente intitulado Método do primeiro semestre -, é utilizado pela instituição desde 2014.
Inicia com uma breve contextualização da história do oboé e suas peculiaridades. Em seguida,
apresenta uma descrição das partes do instrumento, contendo uma tabela de digitação com
orientação das chaves do instrumento que devem ser fechadas para se tocar determinada nota.
Seu conteúdo musical é dividido em duas partes. Na primeira, estão as lições práticas que
devem ser executadas no instrumento, contendo vinte páginas de exercícios com figuras de
semibreve, mínina, semínima e colcheia, organizadas de maneira progressiva da figura de maior
duração para a menor. Na segunda parte da apostila estão dispostas as explicações teóricas
acerca dos conteúdos musicais dispostos na primeira metade do método, que não entrará como
parte da análise deste trabalho, pois é o mesmo material contruído para todos os intrumentos,
já que essa pesquisa tem como foco as lições para o oboé.
Segundo entrevista com a idealizadora do material, declarou que não se recordava quais
foram os métodos especificamente em que se baseou, mas que poderia ter utilizado lições de
métodos para oboé e também de saxofone para compor o material, por terem uma extensão e
digitação parecidas e porque os métodos para saxofone teriam lições com sequências rítmicas
mais diversificadas, que ajudariam na leitura rítmica e que é um grande foco para os primeiros
semestres da formação no projeto. Porém, em breve observação no material é possível notar
que as primeiras páginas da apostila foram retiradas integralmente do método para oboé Rubank
Elementary Method, as demais são retiradas do método para oboé Giampieri e que focam mais
na técnica de execução com exercícios de intervalos na estrutura de figuras rítmicas simples.
Em relação à técnica, as primeiras lições trabalham notas conjuntas (sem salto),
posteriormente saltos de terças até oitavas, em seguida, aspectos e técnica de digitação,
finalizando exercícios voltados a escalas e notas separadas. Segundo a idealizadora do método,
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o aspecto articulação não será cobrado durante o primeiro semestre do aluno, porém algumas
das lições da apostila apresentam ligaduras e articulações leves. O andamento cobrado na
execução é um pouco flexível ao desempenho do aluno, podendo variar de larghetto a adagio
que é semínima igual a 50 até 65 batidas por minuto.
Uma vez apresentado o contexto de pesquisa, a seguir serão abordados os aspectos
metodológicos em que nos nortearemos, com textos que dão origem a debates relacionados à
estrutura e organização do objeto de análise (material pedagógico para oboé nível elementar 1).
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CAPÍTULO 2 - REFERENCIAL TEÓRICO

Vários autores já se encarregaram de falar sobre assuntos que cercam o nosso tema, como
o estudo da música em contextos de projetos sociais, a exemplo o texto de Kleber (2003) e
(2010). Outros autores já fizeram a análise e classificação de peças para o estudo de
instrumentos, como Saloméa Gandelmam (1997). E vários autores estrangeiros já se dedicaram
a orientação sobre a construção da técnica para se tocar oboé, a exemplo de Westphal (1990).
Porém, são escassos os materiais destinados ao oboé em terras brasileiras. Os principais se
destinam a falar sobre diversidades do raspado da palheta do oboé, Ravi Shankar (2018),
implicações sobre o estilo da raspagem frente a diversidade climática e acústica, Joel Gisiger
(2017) e análises de peças para o instrumento Lucius Mota (2017). No entanto não puderam ser
encontradas pesquisas que visam abordar os materiais que são utilizados no ensino do
instrumento dentro do contexto de projeto social.
Para embasar as reflexões e discussões sobre materiais didáticos que aqui serão
apresentadas vale citar a contribuição feita pela pesquisa do texto de Lima (2019) “O ensino da
clarineta: um estudo dos materiais didáticos utilizados no desenvolvimento técnico-
interpretativo do clarinetista” que tem como objetivo fazer um levantamento dos materiais
didáticos utilizados no ensino superior para clarineta em 3 instituições de ensino no Brasil. Tem
como objetivo fazer um levantamento de materiais utilizados para ensino técnico-interpretativo
para o instrumento que, segundo pesquisas do autor, é muito escasso. A pesquisa de Lima se
conecta a essa na medida em que afirma que são poucos os materiais destinados ao auxílio do
professor no ensino do instrumento, ou materiais que servissem de base para o desenvolvimento
de habilidades musicais de maneira progressiva devidamente estruturados com direcionamento
específico para os alunos das instituições nacionais.
E o trabalho de Galdelman (1997) “36 Compositores brasileiros – obras para piano (1950
– 1988)” objetiva ser uma amostra do trabalho para piano de compositores do cenário nacional
entre o período de 1950 a 1988. Para a seleção das obras a autora faz um recorte dos
compositores presentes nas bienais de música contemporânea do Rio de Janeiro. O texto tem
intenção de servir de ampliação da pedagogia pianística, e a autora faz um trabalho de análise
das obras e classificação dos níveis de dificuldade de cada peça. Para isso, foram levados em
conta questões de técnicas de execução, complexidade rítmica, estruturas harmônicas
imprevistas, formas de mão variada, agógica bastante instável. Esses aspectos serviram como
parâmetros utilizados para a classificação dos conceitos técnicos utilizados na análise das lições
no trabalho da autora. Este trabalho se conecta a essa pesquisa na medida em que apresenta
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alguns parâmetros que também serão utilizados nesta pesquisa para classificar as obras em
níveis de dificuldade.
A análise do objeto de estudo, no caso o material pedagógico da instituição, será feita
com base nos dados obtidos no “quadro de definição de habilidades técnicas” elaborado pela
professora Caetana Juracy Resende Silva em seu artigo “Duetos para oboés como material
pedagógico: arranjos e transcrições de obras de compositores brasileiros”, de 2003. O quadro
de definição de habilidades técnicas foi criado para auxiliar na classificação de arranjos de
músicas populares brasileiras realizada pela própria autora como parte de seu mestrado. Seu
trabalho também motivou a levantar na pesquisa questões como: as lições do material
pedagógico para o ensino de oboé do instituto Ciranda estão dispostas na melhor sequência
servindo assim para melhor orientar o aluno tendo em vista a realidade do projeto social? As
lições encontradas no material didático do Instituto Ciranda se enquadram dentro dos quatro
aspectos propostos pelo quadro de Silva?

2.1 Quadro de definição de habilidades técnicas

O quadro foi construído a partir da análise dos métodos escritos por Joseph Sellner (1787-
1843), Alamiro Giampieri (1893-1963), Franz Wilhelm Ferling (1796-1874), Apollon Marie-
Rose Barret (1804-1879), Peter Veale (1959) e Claus-Steffan (1962), todos elaborados por
oboístas e amplamente utilizados internacionalmente. Os métodos dispunham de conceitos
básicos em comum para técnica do instrumento que foram agrupados em quatro aspectos, são
eles: sonoridade, digitação, articulação e dinâmica. Cada um dos aspectos integra noções
diferentes das habilidades técnicas necessárias para se tocar oboé:
Por sonoridade compreende-se o controle da musculatura envolvida no sopro
(controle do fluxo de ar) e na embocadura permitindo o domínio do som na extensão
completa do instrumento, a manipulação da afinação e do timbre. Por digitação
entende-se a coordenação dos movimentos dos dedos obtendo-se flexibilidade,
regularidade e velocidade necessárias para a execução de escalas, intervalos, arpejos
quebrados, trinados, grupetos, mordentes, etc. Estão englobados no termo articulação
os diferentes tipos de ataque e a execução de ligaduras e sons destacados, abrangendo
também aspectos de métrica e agógica e outros aspectos relativos à pontuação
musical. Quanto a denominação dinâmica é observado os aspectos [sic] referentes ao
controle de intensidade do som assim como a utilização e controle do vibrato (SILVA,
2003 p. 51, grifo do autor).

A autora ainda usa como base, além das análises dos métodos, o posicionamento de
Westphal (1990) que seleciona competências técnicas que os oboístas dominam que os
classificariam quanto ao seu nível técnico:
Para Westphal (1990), um aluno no início dessa etapa estará tocando suas primeiras
notas, começando a controlar a movimentação da língua e suavizando o início do som,
aprendendo a digitação na extensão do ré3 ao dó5, adquirindo melhor qualidade
sonora nessa região e obtendo maior resistência muscular em geral. Também nessa
fase são realizados os primeiros exercícios mesclando articulações de notas ligadas e
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separadas e exercícios de dinâmica em mezzo piano, mezzo forte e forte. (SILVA,


2003, p. 52).

O quadro de habilidades técnicas é dividido em 3 níveis. O nível Elementar, com


subníveis um, dois e três, que segundo Silva, pode ocupar os dois primeiros anos do estudo no
oboé, e é nessa fase que o aluno estrutura sua base técnica e assimila conceitos musicais
fundamentais. O nível Intermediário, com os subníveis quatro, cinco e seis, no qual o oboísta
já possui maturidade musical e controle das técnicas do instrumento, segundo a autora. O nível
Avançado com os subníveis sete e oito, no qual o oboísta já possui amadurecimento necessário
para executar qualquer obra do repertório para o instrumento.
Os quadros abaixo (Quadros 1, 2 e 3) - foram organizados levando-se em conta o tempo
de formação média das graduações das universidades e conservatórios do Brasil, mesmo tendo
em vista que a formação completa do instrumentista requer mais tempo.
A divisão em oito etapas baseia-se em um programa de quatro anos. Essa é a duração
média de um curso técnico no Brasil, bem como a duração média dos cursos de
bacharelado em instrumento musical. No entanto levas-se em conta que a formação de
um oboísta normalmente requer um tempo maior que quatro anos. Em um
desenvolvimento padrão para um aluno que não tenha formação anterior em outro
instrumento de sopro (SILVA, 2003, p. 55)
14

Quadro de definição de habilidades técnicas: Nível Elementar

Nível Sub HABILIDADES

Nível Sonoridade Digitação Articulação Dinâmica

 extensão: ré3 ao  escalas e  legato em graus  f e mf


dó5 arpejos em conjuntos
tonalidades com  staccato lento
uma alteração  ataques em mf
 sustentação de na armadura  ritmos regulares
um som  andamentos: (não
1
contínuo por 12 moderato e sincopados)
segundos andante
(semínima 60 –
76)
E

L  extensão: dó3  escalas e  legato em terças  f, mf, mp


ao dó#5 arpejos em e oitavas
E tonalidades com  staccato lento
duas alterações  ataques em mf  cresc. e
M  sustentação de na armadura  ritmos regulares descres. de
um som  andamento: (não sincopados média
E contínuo por 12 adágio e nem pontuados) duração
2 segundos andantino
N
(semínima 60 –
T 92)
 mordente
A simples
R  extensão: si2 ao  escalas e  legato em  f, mf, mp, p
ré5 arpejos com intervalos (na região
tonalidades com maiores que média e
até quatro aguda
 sustentação de uma terça
alterações na  cresc. e
um som armadura  staccato em descres. de
contínuo por 12  andamento: andamento média
segundos adágio e cômodo duração
allegretto  ataque brando
(semínima 56 – em dinâmica p
100) nas regiões
3  mordente duplo
médio aguda
e trilos
 ritmos
sincopados
 frases com
articulações
mistas

Quadro de definição de habilidades técnicas: Nível Elementar Elaborado por Caetava Silva
(SILVA, 2013).
15

Quadro de definição de habilidades técnicas: Nível Intermediário

Nível Subnível HABILIDADES

Sonoridade Digitação Articulação Dinâmica

 extensão:  escalas e  legato em intervalos  f, mf, mp,


si b2 ao arpejos em compostos p (na
mi5 tonalidades  staccato em região
com até cinco andamento cômodo média e
alterações na com mudança de aguda
 sustentaç armadura métrica  cresc. e
ão de um  andamentos:  ataques em diferentes descres.
4 som moderato e acentuações de longa
contínuo andante  ritmos mistos duração
por 24 (semínima 50 – (subdivisão ternária
segundos 120) composta à subdivisão
I  trinado com quaternária)
preparação e
N
terminação;
T grupetos

E
 extensão:  escalas e  legato em frases longas  f, mf,
R si b2 ao arpejos em com saltos de mp,p, pp
fá5 tonalidades intervalos largos, com (pp na
M com até seis variação de intensidade região
alterações na  staccato em notas média e
E  sustentaç armadura repetidas em aguda)
ão de um andamento ligeiro  cresc. e
D som  ataques brandos na descres.
contínuo  andamento: região grave de várias
I
por 32 largo e alegro  ritmos com métrica durações
Á segundos moderato irregular por em
5 (semínima 40 – acentuação ou por diferentes
R 120) alternância de regiões
compassos
I
 trinado rápidos
O e grupetos

 extensão:  escalas e  legato em frases longas  f, mf,


si b2 ao arpejos em com variação de mp,p, pp
sol5 todas as dinâmica e agógica (pp na
tonalidades região
 staccato em
média e
 sustentaç andamento cômodo em aguda)
ão de um  andamento: intervalos mais largos
som largo a allegro e deslocamentos de
contínuo (semínima 40 – acentuações  cresc. e
por 36 132) descrês.
 ataque em diferentes
segundos de várias
6 acentuações (sfz, p, durações
 grupetos e tenuto) em
floreios  variações forma) diferentes
regiões

Quadro de definição de habilidades técnicas: Nível Intermediário Elaborado por Caetava Silva
(SILVA, 2013).
16

Quadro de definição de habilidades técnicas Nível Avançado

HABILIDADES

Nível Subnível Sonoridade Digitação Articulação Dinâmica

 extensão:  escalas e  legato em frases  f, mf, mp, p, pp


si b2 ao arpejos em longas com
lá5 todas as intervalos
tonalidades compostos, com  cresc. e descrês. de
e escalas de variação de várias durações em
 sustentaç terças e dinâmica e diferentes regiões
ão de um quartas agógica
som  andamento:  diferentes tipos  controle do vibrato
contínuo largo e de staccato em
por 42 allegro andamento
segundos vivace ligeiro
7 (semínima  diferentes tipos
40 – 144) de ataque em
A
 ornamentos qualquer região
V e cadências do instrumento
 ritmos
A complexos
 extensão:  escalas e  legato em frases  f, mf, p, pp (pp na
N
si b2 ao arpejos em longas com região média e
Ç lá5 todas as variação de aguda)
tonalidades dinâmica e
A e escalas de métrica, com  cresc. e descres. de
 respiraçã terças e intervalos várias durações em
D o circular quartas e compostos ou diferentes regiões
escalas tecnicamente
O exóticas difíceis no oboé
 multifôni  andamento:  staccato duplo
8 largo e  ataques em
cos
presto intervalos em
(semínima saltos nos
40 – 160) extremos do
 harmônic
 ornamentos instrumento
os
e cadências

Quadro de definição de habilidades técnicas: Nível Avançado Elaborado por Caetava Silva
(SILVA, 2013).

Após a criação do quadro, a autora analisou os parâmetros de cada uma das músicas
arranjadas, seguindo os conceitos dos quatro aspectos, para classificá-los quanto ao seu
nível de dificuldade de execução. Portanto o quadro de definição de habilidades técnicas
foi criado para dar uma amostra de quais as competências técnicas são propostas segundo
a literatura do instrumento para cada nível de aprendizado.

2.2 Execução da análise


Para a obtenção dos dados na pesquisa, serão comparados as lições de todas as páginas
do material pedagógico para oboé do Instituto Ciranda, da apostila do primeiro semestre,
17

observando os aspectos de dinâmica, sonoridade, digitação e articulação do nível elementar,


que abrange os subníveis um, dois e três do quadro de definição de habilidades de Silva (2003).
Analisaremos a primeira apostila do instituto, pois é a mais utilizada no projeto e por isso a que
mais precisa de orientações minuciosas para um bom desenvolvimento no estudo do
instrumento, como aponta Silva:
Em um desenvolvimento padrão para um aluno que não tenha formação anterior em
um instrumento de sopro, o nível elementar pode ocupar cerca de dois anos, sendo
este o período no qual o aluno estrutura suas bases técnicas e assimila conceitos
musicais fundamentais (no caso dos alunos que não possuem formação musical
anterior) (SILVA, 2003, p. 55-56).

A escolha do nível elementar se justifica também pela heterogeneidade das turmas do


projeto, tendo em vista que muitos alunos que ingressam nas aulas já possuem certo
conhecimento técnico em música, provenientes de aulas particulares em igrejas ou outros
projetos. Com isso, abordando um amplo espectro técnico, que acredito oferecer um panorama
geral do nível do conhecimento e habilidades técnicas dos alunos no projeto em que se
encontram.
Serão comparados na análise os quatro aspectos levados em conta por Silva (2003) na
criação de sua tabela. Para o aspecto sonoridade serão levados em conta a extensão das notas
encontradas nas lições de cada página com exemplo de nota mais aguda e mais grave e
sustentação do som. Será levado em conta que, segundo entrevista com a idealizadora do
método, as lições devem ser executadas a pulso de 60 bpm, o que daria para cada semínima 1
segundo. O aspecto digitação levará em conta a tonalidade em que a lição se encontra, o
intervalos dos saltos apresentados e o andamento descritos. No aspecto articulação o tipo de
articulação usado e quais os ritmos, se são regulares ou complexos e possuem síncopas . No
aspecto dinâmica serão comparados quais as intensidades utilizadas ou efeitos, como crescendo
e decrescendo.
Então, a partir das lições que não se enquadrarem dentro das competências do quadro
elaborado por Silva (2003), serão propostas reformulações como a retirada, substituição, troca
de notas fora da extensão ou de outros aspectos que não se enquadrem no quadro e indicações
ou orientações que não estejam claras e que comprometam o desenvolvimento do aluno. Não
serão indicados andamentos restritos para todas as lições, apenas para alguns casos, levando em
conta as diretrizes que o projeto adota para o parâmetro andamento deixando um andamento
lento mais flexível ao desenpenho do aluno como já citado.
18

CAPÍTULO 3 - LEVANTAMENTO E ANÁLISE DOS DADOS

Neste capítulo, será apresentada a análise de algumas lições do material pedagógico


Método de oboé elementar livro 1, à luz dos parâmetros: sonoridade, digitação, articulação
e dinâmica. Foram selecionadas lições que apresentassem uma maior variação dos aspectos
que que serão analisados e que representassem os objetivos para a porpostos que cada
página dispõe. Durante a análise, procurou-se apresentar propostas para os aspectos que
não se enquadrassem no nível elementar, que abrange os subníveis um, dois e três. Assume-
se que as lições poderiam apresentar evoluções no decorer da apostila quanto à
classificação dos subníveis, porém para as lições que apresentaram diferenças muito
bruscas dos aspectos, foram sugeridas propostas de adequação. Tais sugestões levaram em
conta as concepções adotadas originalmente para a criação do material e a adequação aos
subníveis um, dois ou três do quadro de definição de habilidades técnicas de Silva (2013).

Página 8 – Método de oboé elementar livro 1 - (em anexo)

Figura 1 - Exercícios 1 e 11, página 8, do Método de Oboé: elementar, livro 1

Elaborado por Instituto Ciranda, 2019.

Quadro 4 – Identificação das habilidades técnicas contempladas na página 8 do Método de Oboé: elementar,
livro 1 do Instituto Ciranda (2019).

Sonoridade Digitação Articulação Dinâmica


 sol3 ao dó4  sem alterações  notas  não
 sustentação de na armadura separadas especificado
4 segundos  salto de quarta  ritmo regular
Elaborado pelo autor da pesquisa com base no Quadro de definição de competências técnicas

Nesta página, o aspecto sonoridade compreende as notas de sol3 ao dó4 com


sustentação do som por, no máximo, 4 segundos. O aspecto digitação possui armadura sem
alteração. O aspecto articulação dispõe de notas sem ligadura, porém esse não é um aspecto
tão rigoroso para as primeiras lições, pois os alunos aprenderão a controlar a movimentação
da língua, como citado. Logo, não será sugerida nenhuma alteração. O aspecto ‘dinâmica’
19

não é indicado. Nesta fase, assim será sugerido que toda a lição seja executada numa mesma
intensidade, de mezzo forte, como indicado no quadro 1 por Silva (2003). No meu entender,
os 4 aspectos da página 8 encontram-se todos de acordo com nível elementar subnível 1.

Página 9 – Método de oboé elementar livro 1 - (em anexo)


Figura 2 - Exercícios 1, 5 e 10, página 9 do Método de Oboé: elementar, livro 1

Elaborado por Instituto Ciranda, 2019.

Quadro 5 – Identificação das habilidades técnicas contempladas na página 9 do Método de Oboé: elementar,
livro 1 do Instituto Ciranda (2019).

Sonoridade Digitação Articulação Dinâmica


 mi3 ao dó4  sem alterações na  notas separadas  não
 sustentação de 4 armadura ocorrente  ritmo regular especificado
segundos  saltos de quinta

Elaborado pelo autor da pesquisa com base no Quadro de definição de competências técnicas

A página 9 do método compreende os aspectos sonoridade com extensão de mi3 ao


dó4 e com sustentação máxima de 4 segundos. O aspecto digitação não possui alteração na
armadura, porém apresenta a nota fá sustenido na lição número 5, que é utilizada apenas
devido a sua digitação utilizar menos movimentação dos dedos. Saltos de até quinta na
lição de número 10 do compasso 5 para o 6, apesar desse salto ser distante como é realizado
após uma respiração indicada por uma vírgula, não será sugerida uma alteração. O aspecto
articulação contém notas sem ligadura e ritmo regular. O aspecto ‘dinâmica’ não é
20

indicado, dessa forma será sugerido que toda a lição seja executada numa mesma
intensidade, de mezzo forte. Os aspectos dessa página da apostila se classificam como nível
elementar subnível 1.

Página 10 – Método de oboé elementar livro 1 - (em anexo)

Figura 3 - Exercícios 1, 9 e 10, página 10 do Método de Oboé: elementar, livro 1

Elaborado por Instituto Ciranda, 2019.

Quadro 6 – Identificação das habilidades técnicas contempladas na página 10 do Método de Oboé: elementar,
livro 1 do Instituto Ciranda (2019).

Sonoridade Digitação Articulação Dinâmica

 mi3 ao sol4  sem alterações na  notas separadas  não especificado


 sustentação de 4 armadura
 ritmo regular
segundos  saltos até oitava
Elaborado pelo autor da pesquisa com base no Quadro de definição de competências técnicas

Na página 10 do material é possível notar que o aspecto sonoridade compreende uma


extensão com notas que vão de mi3 ao sol4, com sustentação do som por, no máximo, 4
segundos. A digitação contém uma armadura de clave sem alterações, saltos de até oitava
encontrado na lição de número 1 desta página entre o primeiro compasso e o segundo. A
articulação encontra-se sem ligadura na forma de ritmo regular, sem síncopas e com figuras
de semibreve e mínima. O aspecto dinâmica não é explorado, dessa forma é sugerido que
toda a lição seja executada em uma única dinâmica de mezzo forte.
21

A página 10 do método compreende os aspectos sonoridade e articulação dentro do


nível elementar subnível 1. Porém, o aspecto digitação, com um salto de oitava localizado
na lição 1 dessa página se classificaria no nível elementar, subnível 2, que para um aluno
nas primeiras lições seria de difícil execução. Com isso, como essa é a única lição que está
fora do nível esperado, é sugerida sua exclusão da apostila, pois ela possui um salto muito
complicado para um aluno com experiência de poucas aulas.

Página 11 – Método de oboé elementar livro 1 - (em anexo)

Figura 4 - Exercícios 5 e 6, página 11 do Método de Oboé: elementar, livro 1

Elaborado por Instituto Ciranda, 2019.

Quadro 7 – Identificação das habilidades técnicas contempladas na página 11 do Método de Oboé: elementar,
livro 1 do Instituto Ciranda (2019).

Sonoridade Digitação Articulação Dinâmica


 mi3 ao lá4  sem alterações na  notas separadas  não especificado
 sustentação de 4 armadura  ritmo regular
segundos  saltos até quinta

Elaborado pelo autor da pesquisa com base no Quadro de definição de competências técnicas

As lições desta página também foram retiradas integralmente do método Rubank para
oboé. Porém não é a página que viria a seguir na sequência do método, “lesson 4”, e sim o
“lesson 5”. Os aspectos se classificam nessa página como nível elementar subnível 1. O
aspecto sonoridade abrange a extensão de mi3 ao lá4 e sustentação máxima de 4 segundos.
Em digitação não há alterações na armadura, com saltos de até quinta, mas grande parte
22

das lições desta página focando em saltos de terça como na lição de número 5 e 6 (Figura
4). Quanto ao aspecto articulação, as notas devem ser executadas separadas umas das
outras, pois não possuem ligadura, porém, para que haja uma mescla de dois tipos de
articulação, sugerimos que seja colocada uma ligadura de dois em dois compassos na lição
número 6 (Figura 5), que acarretaria na mudança também da sustentação do som, que seria
de 8 tempos. O aspecto dinâmica não é especificado, dessa forma é sugerida que a lição
toda seja na dinâmica de mezzo forte como indicado na figura 5. Sugerimos que as lições
desta página que contenham os mesmos elementos sejam também adaptadas. A aspecto
articulação ainda contém ritmo regular, utilizando as figuras de semibreve, mínima e
semínima, mas com mais aplicação da figura de semínima que é o conteúdo dessa página.
Quanto ao andamento, sugerimos a semínima entre 60 a 76 batidas por minuto.

Figura 5 - Proposta de inclusão de ligaduras e sinais de dinâmica no exercício n. 6 da página 11 do


Método de Oboé: elementar livro 1 do Instituto Ciranda (2019).

Fonte: construção original do presente autor.


23

Página 12 – Método de oboé elementar livro 1 - (em anexo)

Figura 6 - Exercícios 1, 7 e 8, página 12 do Método de Oboé: elementar, livro 1

Elaborado por Instituto Ciranda, 2019.

Quadro 8 – Identificação das habilidades técnicas contempladas na página 12 do Método de Oboé: elementar,
livro 1 do Instituto Ciranda (2019).

Sonoridade Digitação Articulação Dinâmica

 mi3 ao sol4  uma alteração na  notas separadas  não especificado


 sustentação 4 armadura
 ritmo regular
segundos  saltos até quinta

Elaborado pelo autor da pesquisa com base no Quadro de definição de competências técnicas

Os quatro aspectos nesta página se caracterizam no nível elementar sub nível 1. O


aspecto sonoridade está com extensão de mi3 ao sol4 e com sustentação do som de máximo
de 4 segundos. O aspecto digitação apresenta pela primeira vez uma alteração na armadura
com a tonalidade de fá maior onde explora a escala nas primeiras lições ascendente e
descente, saltos até quinta, não sendo especificado o andamento, então deixo aqui a
sugestão ao andamento de semínima entre 60 a 76 batidas por minuto.
No aspecto articulação encontram-se notas separadas e ritmo regular com
compassos na forma binário e quaternário. Como sugestão para começar a criar a
24

movimentação para a articulação. que seja introduzido uma ligadura de 4 em 4 compassos,


nesse caso será utilizado a lição 7 como exemplo para restruturação (figura 7). O aspecto
dinâmica não é especificado, então a sugestão é que sejam utilizadas as dinâmicas de mezzo
forte e forte, nos compassos em que as ligaduras se iniciam, compassos 1, 5, 9 e 13 (figura
7). É sugerido que as lições desta página que contenham os mesmos elementos sejam
também adaptadas. Cabe uma ressalva aqui para a lição número 8 desta página que contém
um dueto com as duas vozes colocadas na mesma pauta, o que dificulta a leitura dos alunos
inexperientes na leitura, pois acabam confundindo as notas. Fica a sugestão que seja
separada cada uma das vozes em um sistema diferente em forma de dueto como já feito em
outras páginas anteriores.

Figura 7 - Proposta de inclusão de ligaduras e sinais de dinâmica no exercício n. 7 da página 12 do


Método de Oboé: elementar, livro 1 do Instituto Ciranda (2019).

Fonte: construção original do presente autor.

Página 13 – Método de oboé elementar livro 1 - (em anexo)


Figura 8 - Exercícios 1, 3 e 6, página 13 do Método de Oboé: elementar, livro 1

Elaborado por Instituto Ciranda, 2019.


25

Quadro 9 – Identificação das habilidades técnicas contempladas na página 13 do Método de Oboé: elementar,
livro 1 do Instituto Ciranda (2019).

Sonoridade Digitação Articulação Dinâmica

 mi3 ao fá4  uma alteração na  notas separadas  não especificado


 sustentação de 5 armadura, fá
 ritmo regular
segundos maior
 saltos até quarta

Elaborado pelo autor da pesquisa com base no Quadro de definição de competências técnicas

Nesta página os aspectos sonoridade com extensão de mi3 ao fá4 e sustentação


máxima de 5 segundos, exposta na lição de número 1 na forma de semibreve ligada a
semínima, sendo essa a primeira vez que a ligadura de valor é utilizada nas lições da
apostila. O aspecto digitação apresenta uma alteração na armadura na tonalidade de fá
maior, com saltos de até quarta, apresentada na lição 6 do compasso 12 (quarta
descendente) não sendo especificado o andamento. Então deixo aqui a sugestão ao
andamento de semínima entre 60 a 76 batidas por minuto. O aspecto articulação com notas
separadas sem ligaduras, nessa página é apresentado pela primeira vez com o ponto de
aumento. Dessa forma a maioria das lições desta página tem o foco neste conteúdo. O
aspecto dinâmica não é especificado, então a sugestão é que seja utilizada a dinâmica de
mezzo forte para toda a lição.
Cabe uma ressalva aqui para as instruções contidas abaixo da lição número 6, que
indicam quanto a anulação do bemol na nota si no compasso 5, terceiro tempo, elas estão
em inglês por serem originalmente de um método em inglês, nesse caso fica a sugestão
para que a instrução seja passada para o português para maior compreensão do aluno que
irá executá-la. “O símbolo (bequadro) é chamado de ‘natural’. Ele anula o efeito do B
bemol na armadura de chave. Os sustenidos, bemóis ou notas naturais ocasionais que não
aparecem na armadura da clave são chamados de acidentes”.
26

Página 14 – Método de oboé elementar livro 1 - (em anexo)


Figura 9 - Exercícios 1 e 4, página 14 do Método de Oboé: elementar, livro 1

Elaborado por Instituto Ciranda, 2019.

Quadro 10 – Identificação das habilidades técnicas contempladas na página 14 do Método de Oboé: elementar,
livro 1 do Instituto Ciranda (2019).

Sonoridade Digitação Articulação Dinâmica

 mi3 ao lá4  uma alteração na  notas separadas  não especificado


 sustentação de 4 armadura, fá
 ritmo regular
segundos maior
 saltos até sexta

Elaborado pelo autor da pesquisa com base no Quadro de definição de competências técnicas

Nesta página o aspecto sonoridade compreende uma extensão de mi3 ao lá4 podendo
ser encontrados na lição 4 com sustentação do som máxima de 4 segundos, na estrutura de
mínima pontuada ligada a semínima. Aspecto digitação com uma alteração com tonalidade
de fá maior, saltos até sexta encontrado na lição 4, no compasso 14 que podem ser
classificados fora da organização do nível elementar subnível 1, nesse caso fica a sugestão
para que a nota si3 seja trocada para a nota ré4, mudando para um salto de quarta
descendente. Como o andamento não é especificado deixo aqui a sugestão ao andamento
de semínima entre 60 a 76 batidas por minuto. O aspecto articulação dispõe de notas
separadas graus conjuntos com ritmo regular de compasso ternário. O aspecto dinâmica
não é especificado, então a sugestão é que seja utilizada a dinâmica de mezzo forte para
toda a lição. Os aspectos se enquadram no nível elementar subnível 1, com exceção do
salto de sexta, o qual foi sugerido a sua mudança.
27

Página 15 – Método de oboé elementar livro 1 - (em anexo)

Figura 10 - Exercícios 1, 4 e 5, página 15 do Método de Oboé: elementar, livro 1

Elaborado por Instituto Ciranda, 2019.

Quadro 11 – Identificação das habilidades técnicas contempladas na página 15 do Método de Oboé: elementar,
livro 1 do Instituto Ciranda (2019).

Sonoridade Digitação Articulação Dinâmica

 ré3 ao lá4  uma alteração na  notas separas  não especificado


 sustentação de 3 armadura, fá  ritmo regular
segundos maior
 saltos até sexta

Elaborado pelo autor da pesquisa com base no Quadro de definição de competências técnicas

Nesta página o aspecto sonoridade compreende das notas da extensão de ré3 ao lá4.
É a primeira vez que a nota ré3 aparece nas lições da apostila, com sustentação de no
máximo 3 segundos na figura de mínima ligada a semínima. Este aspecto tem sido pouco
explorado nas lições do método e a pouca sustentação das notas que acontece nesta página
é menor ainda. O aspecto digitação apresenta uma alteração na armadura na tonalidade de
fá maior, saltos de sexta encontrados na lição 3, que se classifica como nível elementar
subnível 3. Dessa forma, para adequar todos os aspectos ao subnível 1, é sugerido que esta
melodia seja retirada das lições da apostila por conter um salto muito extenso que não se
enquadra para o nível pretendido para a apostila. É sugerido então uma melodia folclórica
brasileira, que contém as mesmas figuras rítmicas, a saber, a música Tenho flores no jardim
28

de Ernest Mahle (2000) (Figura 12). O aspecto articulação é apresentando com notas
separadas. Dessa forma é sugerido que sejam colocadas ligaduras em alguns compassos
para que haja mescla de articulações como indicado na figura 11. O aspecto dinâmico não
é explorado, então será sugerida a inserção de expressões de dinâmica no exercício 4
(Figura 11).

Figura 11 - Proposta de inclusão de ligaduras e sinais de dinâmica no exercício n. 4 da página 15 do Método de


Oboé: elementar, livro 1 do Instituto Ciranda (2019). Concepção original do presente autor.

Figura 12 – Proposta de troca entre a lição n. 3 da página 15 do Método de Oboé: elementar, livro 1 do Instituto
Ciranda (2019) pela canção n. 3 do livro 24 Duetos para Flauta Doce de Ernest Mahle (2000).
29

Página 16 – Método de oboé elementar livro 1 - (em anexo)

Figura 13 - Exercícios 3 e 4, página 16 do Método de Oboé: elementar, livro 1

Elaborado por Instituto Ciranda, 2019.

Quadro 12 – Identificação das habilidades técnicas contempladas na página 16 do Método de Oboé: elementar,
livro 1 do Instituto Ciranda (2019).

Sonoridade Digitação Articulação Dinâmica


 mi3 ao lá4  até uma alteração  notas separadas  não especificado
 sustentação de 8 na armadura, fá  ritmo regular
segundos maior
 saltos até oitava

Elaborado pelo autor da pesquisa com base no Quadro de definição de competências técnicas

Nesta página, os aspectos se classificam no nível elementar subnível 2. O aspecto


sonoridade compreende a extensão da nota mi3 ao lá4 podendo ser encontrada na mesma
lição de número 3, com sustentação do som de no máximo 8 segundos. Este aspecto de
sustentação do som começa a ser explorado somente agora na apostila, porém, segundo o
quadro de definição de habilidades o aluno poderia sustentar o som por até 12 segundos. O
aspecto digitação com até uma alteração na armadura, com lições nas tonalidades de dó
maior e fá maior, saltos até oitava encontrados na lição 4, compasso 6 para o 7 e 11 para o
12. Estes saltos podem ser classificados como nível elementar subnível 2. As lições desta
30

página não serão sujeitas a mudanças pois, segundo a metodologia adotada as lições podem
abarcar até o subnível 3, e como está lição já está mais avançada na apostila acredito que
deva compreender os aspectos que cumprem suas especificações, não sendo de grande
dificuldade para os alunos. É apenas sugerido que seja colocado o andamento de semínima
entre 60 a 92 batidas por minuto. O aspecto articulação apresenta notas separadas conjuntos
e ritmo regular. Cabe uma observação: a lição número 3 que carrega uma instrução quanto
a como deve ser executada o “dal segno”, porém ela está em inglês dificultando a
compreensão para os alunos. É sugerido então que seja retirado o símbolo da partitura o
que não acarretariam mudanças significativas, pelo contrário, diminuiria o tamanho das
lições que são muito grandes e cansativas, ou a tradução das instruções contidas na página.

Página 17 – Método de oboé elementar livro 1 - (em anexo)

Figura 14 - Exercícios 3 e 4, página 17 do Método de Oboé: elementar, livro 1

Elaborado por Instituto Ciranda, 2019.


31

Quadro 13 – Identificação das habilidades técnicas contempladas na página 17 do Método de Oboé: elementar,
livro 1 do Instituto Ciranda (2019).

Sonoridade Digitação Articulação Dinâmica


 dó3 ao lá4  até uma alteração  notas separadas  não especificado
 sustentação de 4 na armadura, fá  ritmo regular
segundos maior
 saltos até quinta

Elaborado pelo autor da pesquisa com base no Quadro de definição de competências técnicas

Nesta página o aspecto os aspectos se classificam no nível elementar subnível 2. A


sonoridade compreende a extensão das notas dó3 ao lá4, é a primeira vez que a nota dó3
aparece nas lições da apostila e pode simbolizar a passagem dos aspectos do subnível 1
para o 2 em definitivo, pois é a única diferença na extensão para os dois subníveis. A
sustentação máxima de 4 segundos nas figuras de semibreve da lição 3. É menor do que a
encontrada na lição anterior. Nesse caso é sugerida uma ligadura para cada dois compassos
como indicado na figura 15, aumentando a sustentação do som que deve ser mantida. O
aspecto digitação compreende uma alteração na armadura na tonalidade de fá maior, com
saltos até quinta encontrado na lição 2. O andamento sugerido é de semínima entre 60 a
92 batidas por minuto. O aspecto articulação com notas separadas também é pouco
explorada e por isso foi sugerida a mudança como indicado na figura 15, com notas ligadas
e staccato, proporcional ao subnível 2. As indicações das sugestões é que sejam aplicadas
a todas as lições da página que abrangerem as mesmas noções. Nesse aspecto ainda se
encontra um ritmo regular em compassos quaternários e binário. O aspecto ‘dinâmica’ não
é especificado, então a sugestão é que seja utilizada a dinâmica de forte para toda a lição.
Portanto, as lições dessa página encontram alguns aspectos que a classificam no quadro de
definições de habilidades no nível elementar subnível 2.
32

Figura 15 - Proposta de inclusão de ligaduras, sinais de dinâmica e staccato no exercício n. 4 da página 17


do Método de Oboé: elementar, livro 1 do Instituto Ciranda (2019).

Fonte: construção original do presente autor.

Página 18 – Método de oboé elementar livro 1 - (em anexo)


Figura 16 - Exercício 1, página 18 do Método de Oboé: elementar, livro 1

Elaborado por Instituto Ciranda, 2019.


33

Quadro 14 – Identificação das habilidades técnicas contempladas na página 18 do Método de Oboé: elementar
livro 1 do Instituto Ciranda (2019).

Sonoridade Digitação Articulação Dinâmica


 dó3 ao dó5  sem alteração na  legato em graus  não especificado
 sustentação de 4 armadura conjuntos e terça
segundos  saltos até terça  ritmo regular

Elaborado pelo autor da pesquisa com base no Quadro de definição de competências técnicas

As lições desta página são retiradas do método Giampieri, que tem como objetivo
trabalhar os intervalos, nesses casos os intervalos de terça são o foco. O aspecto sonoridade
com extensão que vai de dó3 ao dó5, sendo essa a primeira vez que as notas si4 e dó5 são
utilizadas, sustentação do som máxima de 4 segundos. O aspecto digitação não possui
alterações na armadura sendo a tonalidade de dó maior. Os saltos da maioria das lições se
concentram em terças. Articulação em legado em graus conjuntos e com ritmo regular. As
lições se classificam no nível elementar subnível 1. Para que a classificão obedeça a uma
continuidade, os aspectos deveriam estar contidos no subnível 2. Para tanto é sugerido que
haja mudanças no aspecto andamento, para que os exercícios sejam executados no
andamento de semínima igual a 60 até 92 batidas por minuto, como indicado pelo quadro
de definição de habilidades. Como o aspecto dinâmica não é especificado, a sugestão é que
seja utilizada a dinâmica de mezzo forte para toda a lição.
34

Página 19 – Método de oboé elementar livro 1 - (em anexo)

Figura 17 – Exercício 4, página 19 do Método de Oboé: elementar, livro 1

Elaborado por Instituto Ciranda, 2019.

Quadro 15 – Identificação das habilidades técnicas contempladas na página 19 do Método de Oboé: elementar,
livro 1 do Instituto Ciranda (2019).

Sonoridade Digitação Articulação Dinâmica

 dó3 ao dó5  sem alteração na  legato em graus  não especificado


 sustentação de 4 armadura conjuntos e
segundos  saltos até quarta quartas
 ritmo regular
Elaborado pelo autor da pesquisa com base no Quadro de definição de competências técnicas

Os quatro aspectos encontrados nessa página são muito parecidos com os da página
anterior, o objetivo agora é trabalhar os intervalos de quarta. Os aspectos sonoridade tem
extensão de dó3 ao dó5, com sustentação do som máxima de 4 segundos (em anexo).
Apresenta digitação sem alteração na armadura em tonalidade de dó maior, com saltos em
intervalos de até quarta. A articulação indica, legato em graus conjuntos e ritmo regular.
Os aspectos se classificam quanto ao quadro de definição de habilidades, no nível
elementar subnível 2. Para as lições que tem como objetivo trabalhar os intervalos deixo
indicação do aspecto andamento para que sejam executados no andamento de semínima
igual a 60 até 92 batidas por minuto, como indicado pelo quadro de definição de
35

habilidades. O aspecto dinâmica não é especificado, então a sugestão é que seja utilizada a
dinâmica de forte nos dois primeiros sistemas e mezzo piano para os dois últimos sistemas.

Página 20 – Método de oboé elementar livro 1 - (em anexo)


Figura 18 – Exercício 6, página 20 do Método de oboé elementar, livro 1

Elaborado por Instituto Ciranda, 2019.

Quadro 16 – Identificação das habilidades técnicas contempladas na página 20 do Método de Oboé: elementar
livro 1 do Instituto Ciranda (2019).

Sonoridade Digitação Articulação Dinâmica


 dó3 ao dó5  sem alteração na  legato em graus  não especificado
 sustentação de 4 armadura conjuntos e
segundos  saltos até quinta quintas
 staccato
 ritmo regular
Elaborado pelo autor da pesquisa com base no Quadro de definição de competências técnicas

Os quatro aspectos encontrados nessa página são muito parecidos com os da página
anterior. O objetivo agora é trabalhar os intervalos de quinta. O aspecto sonoridade
compreende extensão de dó3 ao dó5, com sustentação do som máxima de 4 segundos. O
aspecto digitação não possui alteração na armadura, com saltos de quinta que são o foco
dos exercícios desta página. Articulação apresenta legato em saltos com intervalo de até
quinta e staccato. Essa é a primeira vez que é utilizado nas lições esse tipo de articulação,
porém segundo o quadro de definição das habilidades a articulação staccato pode ser
utilizada desde o primeiro subnível em andamentos mais moderados.
36

Os aspectos se classificam quanto ao quadro de definição de habilidades no nível


elementar subnível 2. Para as lições que têm como objetivo trabalhar os intervalos deixo a
sugestão para que haja a implementação do aspecto andamento, para que os exercícios
sejam executados no andamento de semínima igual a 60 até 92 batidas por minuto, como
indicado pelo quadro de definição de habilidades.

Página 21 – Método de oboé elementar livro 1 - (em anexo)

Figura 19 – Exercício 8, página 21 do Método de Oboé: elementar, livro 1

Elaborado por Instituto Ciranda, 2019.

Quadro 17 – Identificação das habilidades técnicas contempladas na página 21 do Método de Oboé: elementar
livro 1 do Instituto Ciranda (2019).

Sonoridade Digitação Articulação Dinâmica

 dó3 ao dó5  sem alteração na  legato em sexta  não especificado


 sustentação de 4 armadura
 staccato
segundos  saltos até sexta
 ritmo regular
Elaborado pelo autor da pesquisa com base no Quadro de definição de competências técnicas

Os quatro aspectos encontrados nessa página são muito parecidos com os da página
anterior. O objetivo agora é trabalhar os intervalos de sexta. O aspecto sonoridade
compreende extensão de dó3 ao dó5, com sustentação do som máxima de 4 segundos. O
aspecto digitação não possui alteração na armadura, com saltos de sexta, sendo esse o foco
dos exercícios desta página. A articulação utiliza legato em saltos intervalar de até sexta e
37

staccato, com ritmo regular utilizando a figura de semínima em grande parte das lições
sobe a forma do compasso quaternário simples. Para as lições que têm como objetivo
trabalhar os intervalos deixo a sugestão para que haja mudanças no aspecto andamento,
para que os exercícios sejam executados no andamento de semínima igual a 60 até 92
batidas por minuto, como indicado pelo quadro de definição de habilidades. Os aspectos se
classificam quanto ao quadro de definição de habilidades no nível elementar subnível 2.

Página 22 – Método de oboé elementar livro 1 - (em anexo)

Figura 20 – Exercício 10, página 22 do Método de Oboé: elementar, livro 1

Elaborado por Instituto Ciranda, 2019.

Quadro 18 – Identificação das habilidades técnicas contempladas na página 22 do Método de Oboé: elementar,
livro 1

Sonoridade Digitação Articulação Dinâmica

 dó3 ao dó5  sem alteração na  legato em graus  não especificado


 sustentação de 4 armadura conjuntos
segundos  saltos até sétima  ritmo regular

Elaborado pelo autor da pesquisa com base no Quadro de definição de competências técnicas
38

A meta dessa página é trabalhar os intervalos de sétima, que se classificam como subnível
3. O aspecto sonoridade compreende extensão de dó3 ao dó5, com sustentação do som máxima
de 4 segundos. O aspecto digitação não possui alteração na armadura, com saltos de sétima.
Para que haja melhor aproveitamento do aspecto, será sugerido a incorporação da mesma
estrutura da lição 10, mas na tonalidade de ré maior (Figura 21) como indicado por no quadro
de definição de habilidades, o aluno nesse nível deverá executar lições em tonalidade com até
4 alterações na armadura. Articulação de legato e staccato nos saltos com ritmo regular
utilizando as figuras de semínima e mínima dentro da estrutura de compassos quaternário
simples. O aspecto dinâmica não é explorado, dessa forma é sugerido que sejam aplicadas as
dinâmicas de mezzo piano com crescendo para mezzo forte até forte. Os aspectos se classificam
quanto ao quadro de definição de habilidades no nível elementar subnível 3.

Figura 21 - Gradação de dinâmica e alteração de tonalidade no exercício n. 10 da página 22 do Método


de Oboé: elementar, livro 1 do Instituto Ciranda (2019).

Fonte: construção original do presente autor.


39

Página 23 – Método de oboé elementar livro 1 - (em anexo)

Figura 22 – Exercício 2, página 23 do Método de Oboé: elementar, livro 1

Elaborado por Instituto Ciranda, 2019.

Quadro 19 – Identificação das habilidades técnicas contempladas na página 23 do Método de Oboé: elementar,
livro 1 do Instituto Ciranda (2019).

Sonoridade Digitação Articulação Dinâmica


 dó3 ao dó5  sem alteração na  legato em graus  não especificado
 sustentação de 8 armadura conjuntos e terça
segundos  saltos até oitava  ritmo regular

Elaborado pelo autor da pesquisa com base no Quadro de definição de competências técnicas

Nesta página, a lição selecionada para análise contém o aspecto sonoridade com uma
extensão que vai das notas dó3 ao dó5 com sustentação do som máxima de 8 segundos. A
digitação não contém alteração na armadura, com salto de até oitava encontrado na lição 2.
Articulação de legato em graus conjuntos, terças e staccato, com ritmo regular. O aspecto
dinâmico não é explorado, dessa forma fica a sugestão para que seja executado na dinâmica de
mezzo forte, sem mudanças pois o que deve ser o foco nessas lições é a articulação. O
andamento sugerido é o de semínima entre 56 a 100 batidas por minutos. Os aspectos se
classificam quanto ao quadro de definição de habilidades no nível elementar subnível 3.
40

Página 24 – Método de oboé elementar livro 1 - (em anexo)

Figura 23 – Exercício 4, página 24 do Método de Oboé: elementar, livro 1

Elaborado por Instituto Ciranda, 2019.

Quadro 20 – Identificação das habilidades técnicas contempladas na página 24 do Método de Oboé: elementar,
livro 1 do Instituto Ciranda (2019).

Sonoridade Digitação Articulação Dinâmica

 dó3 ao dó5  sem alteração na  legato em quita  não especificado


 sustentação de 9 armadura
 ritmo regular
segundos  saltos até oitava

Elaborado pelo autor da pesquisa com base no Quadro de definição de competências técnicas

Nesta página, o aspecto sonoridade compreende a extensão das notas dó3 ao dó5 com
sustentação do som máxima de 9 segundos. A digitação não contém alteração na armadura, com
salto até oitava, encontrado na lição 4. No aspecto digitação são encontrados legato, staccato e
um tipo de acento marcato na lição 4, o que a classifica fora do nível elementar, classificando
no nível intermediário subnível 4. Dessa forma é sugerido que os acentos sejam retirados, não
sendo necessário a retirada da lição, pois apenas a retirada dos acentos não afeta o conteúdo
musical. O aspecto articulação utiliza legato e staccato, com ritmo regular. O aspecto dinâmico
não é explorado, dessa forma fica a sugestão para que sejam introduzidas as dinâmicas de mezzo
41

piano para o primeiro sistema e forte para os dois segundos sistemas, sendo que nos dois últimos
sistemas, onde a melodia volta a ficar descendente, com forte novamente, no andamento de
semínima entre 60 a 100 batidas por minuto.

Página 25 – Método de oboé elementar livro - (em anexo)

Figura 24 – Exercício 2, página 25 do Método de Oboé: elementar, livro 1

Elaborado por Instituto Ciranda, 2019.

Quadro 21 – Identificação das habilidades técnicas contempladas na página 25 do Método de Oboé: elementar
livro 1 do Instituto Ciranda (2019).

Sonoridade Digitação Articulação Dinâmica


 dó3 ao dó5  sem alteração na  legato em graus  não especificado
 sustentação de 4 armadura conjuntos
segundos  saltos até oitava  ritmo regular

Elaborado pelo autor da pesquisa com base no Quadro de definição de competências técnicas

Nesta página as lições se focam em graus conjuntos para aprimorar a digitação. O aspecto
sonoridade com extensão das notas de dó3 ao dó5, com sustentação máxima de 4 tempos.
Digitação sem alterações na armadura, com saltos de até oitava, porém os exercícios se
objetivam nos graus conjuntos. A articulação em legato nos graus conjuntos apresenta ritmo
regular de colcheia com final de semínima. O aspecto dinâmica não é especificado, então deixo
a sugestão que a lição seja executada na dinâmica de mezzo forte no primeiro e segundo sistema
e forte para os dois últimos, com andamento de semínima entre 60 a 100 batidas por minuto.
42

Os aspectos se classificam, quanto ao quadro de definição de habilidades, no nível elementar


subnível 2.

Página 26 – Método de oboé elementar livro - (em anexo)

Figura 25 – Exercício 5, página 26 do Método de Oboé: elementar, livro 1

Elaborado por Instituto Ciranda, 2019.

Quadro 22 – Identificação das habilidades técnicas contempladas na página 26 do Método de Oboé: elementar
livro 1 do Instituto Ciranda (2019).

Sonoridade Digitação Articulação Dinâmica

 dó3 ao dó4  sem alteração na  legato quartas  não especificado


 sustentação de 4 armadura
 ritmo regular
segundos  saltos até oitava

Elaborado pelo autor da pesquisa com base no Quadro de definição de competências técnicas

Nesta página, os exercícios se focam em legato em saltos até quarta. O aspecto sonoridade
tem extensão das notas dó3 ao dó5, com sustentação do som máxima de 4 segundos. A digitação
não possui uma alteração na armadura com tonalidade de dó maior, com saltos até oitava
observados na lição 5. A articulação se objetiva em legato entre os saltos de até quarta. O
aspecto dinâmica não é explorado. Nesse caso é sugerida a adição das dinâmicas de crescendo
para todos os compassos, começando do segundo tempo em direção ao primeiro tempo do
compasso seguinte para que os intervalos ascendentes não sejam tocados com dinâmica mais
43

fraca que os descendentes, a intenção é ajudar nos saltos ascendentes para que as notas não
falhem quanto a sua emissão. O andamento sugerido é de semínima entre 60 a 92 batidas por
minuto. Os aspectos se classificam, quanto ao quadro de definição de habilidades, no nível
elementar subnível 1.

Página 27 – Método de oboé elementar livro - (em anexo)


Figura 26 - Segundo exercício, página 26 do Método de oboé elementar, livro 1

Elaborado por Instituto Ciranda, 2019.

Quadro 23 – Identificação das habilidades técnicas contempladas na página 27 do Método de Oboé: elementar
livro 1 do Instituto Ciranda (2019).

Sonoridade Digitação Articulação Dinâmica


 dó3 ao lá4  uma alteração na  notas separadas  não especificado
 sustentação de 1 armadura  ritmo regular
segundo  saltos até sexta

Elaborado pelo autor da pesquisa com base no Quadro de definição de competências técnicas

A página se foca na execução das figuras de colcheia sem ligaduras. Essa é umas das
páginas das quais os alunos sentiam mais dificuldade para execução, por conter apenas figuras
de colcheia e com uma digitação que às vezes pode confundir, pois repete muito as notas.
Encontra-se nela o aspecto sonoridade com uma extensão de dó3 ao lá4, com sustentação do
som máxima de 1 segundo, pois foca na digitação, não tendo nenhuma passagem direcionada a
sustentação do som, como indicado no quadro de definição de habilidades, que seria de no
44

mínimo de 12 segundos. O aspecto digitação, contém uma alteração na armadura na tonalidade


de fá maior, com saltos até sexta podendo ser observado no primeiro compasso do último
sistema da página. A articulação não contém ligaduras, com ritmo regular somente com figuras
de colcheia. É sugerido que seja utilizada uma ligadura em um compasso por vez, como
indicado na figura 27. O aspecto dinâmico não é explorado, dessa forma fica a sugestão para a
execução nas dinâmicas de mezzo forte e forte (Figura 27). Os aspectos se classificam, quanto
ao quadro de definição de habilidades, no nível elementar subnível 2.

Figura 27 - Proposta de inclusão de ligaduras e sinais de dinâmica no exercício n. 2 da página 27 do


Método de Oboé: elementar, livro 1 do Instituto Ciranda (2019).

Fonte: construção original do presente autor.


45

CONSIDERAÇÕES FINAIS

A presente pesquisa abordou uma análise do material pedagógico para ensino de


oboé, comparado com o quadro de definição de habilidades técnicas de Silva (2003),
tomando como contexto o Instituto Ciranda Música e Cidadania e como sua estrutura e
forma de atuação moldam a concepção para qual o material foi elaborado. Busquei desta
forma contribuir para a reformulação de um material que seja mais adequado aos interesses
pedagógicos da instituição, porém mais consciente do processo de desenvolvimento
técnico instrumental para o aluno de oboé.
Dessa forma, pode-se concluir que o material utilizado pelo Instituto Ciranda para
as aulas de oboé, quando comparado com o quadro de definição de habilidades de Silva
(2003), deveria passar por várias reformulações quanto aos seus quatro aspectos analisados.
Mesmo levando em conta que a estrutura do material visa objetivos distintos, do qual o
quadro de definição de habilidades foi criado, é possível correlaciona-los quanto ao seu
objetivo principal na medida em que ambos tendem a ser direcionados a instrução para o
estudo do oboé. O material apresenta lições que não compreendem e não exploram
devidamente a capacidade técnica do aluno, o que pode acabar prejudicando o
desenvolvimento do mesmo. Dessa forma, foram sugeridas reformulações que tentassem
enquadrar a proposta pedagógica apresentada pelo Instituto Ciranda e também a pesquisa
de Silva (2003)
Pode-se concluir também que, mesmo com a reestruturação que deve ser feita na
sua estrutura (concepção pedagógica para o material), o Instituto Ciranda no decorrer dos
anos, cumpriu um papel fundamental para o ensino de música de crianças e jovens do
Estado. Devido à sua forma de atuação social e de captação financeira, o projeto é obrigado
sempre a se adaptar frente às adversidades que surgem no fim de cada temporada, e que,
da melhor forma possível, tem se mostrado compromissado com o desenvolvimento de um
material que sedimentasse o ensino na instituição e de qualidade.

Quadro Geral
Levando em conta a análise realizada, pode-se concluir que várias lições seguem uma
sequência, que pode ser interpretada como: apresentação das notas musicais que são de
mais fácil emissão no instrumento, na extensão média, nas formas das figuras de semibreve,
mínima e semínima; em seguida, apresentação de canções folclóricas retiradas dos dois
métodos, empregando-se as mesmas figuras rítmicas trabalhadas no primeiro momento.
Posteriormente, houve o acréscimo das figuras de colcheia e também da tonalidade de fá
46

maior; e finalmente, a apresentação de elementos técnicos, como estudos de intervalos,


mecanismos e passagens para melhorar a digitação. Porém, por um lado algumas das lições
escolhidas para compor o método acabam por não explorar o potencial que o aluno teria se
fossem contemplados os aspectos do quadro de Silva (2003) e, por um outro lado, encontra-
se conteúdos que um aluno de nível elementar não poderia cumprir.
Percebe-se ainda que a classificação dos quatro aspectos (sonoridade, digitação,
articulação e dinâmica) vai evoluindo no decorrer das lições, começando com todos os
aspectos na classificação de elementar subnível 1 até a lição número 16, em que os aspectos
começam a demonstrar maior grau de complexidade, como intervalos maiores que terça
em legato e uma maior extensão. Mas, na sequência algumas das páginas analisadas
acabaram por regredir nos aspectos como extensão e sustentação do som, quando são
indicadas ligaduras maiores para a manutenção do som por mais tempo, o que influencia
diretamente no aspecto articulação com legato e notas separadas. A análise aponta para
uma evolução nas últimas lições da apostila para o subnível 3, em que são sugeridas
adequações que compreendam esse nível.
O aspecto sonoridade é muito bem explorado com ampliação dos intervalos e
sustentação do som, porém, em certas lições do método, a extensão é retrocedida para um
intervalo menor, como nas lições da página 18. Já o parâmetro da sustentação do som é
apresentado no quadro de Silva (2003) como podendo ser explorado no nível elementar por
até 12 segundos e as lições do Método ficam bem longe dessa marca.
No aspecto digitação, é o aspecto mais explorado nas lições, com grande variação de
intervalos, com algumas páginas destinadas inteiramente a estudos de intervalos. Ainda
assim explorando pouco as tonalidades, ficando apenas nas tonalidades de dó maior e fá
maior e com apresentação da nota fá sustenido em algumas das lições. Segundo o Silva
(2003), poderiam ser utilizadas, dentro do nível elementar, lições com até quatro
aliterações. Nesse caso foi sugerida a troca de tonalidades de algumas lições.
Um parâmetro que nem foi citado nas lições foi o andamento, muito importante para
medir o desenvolvimento das competências do aluno, segundo a própria idealizadora do
Método. Que podem ser medidas quanto aos aspectos digitação e articulação.
A articulação, como já citado anteriormente, não é o foco do material, porém,
segundo Silva (2003), é um parâmetro que poderia ser explorado com diferentes
articulações, inseridas em contextos de intensidade de forte a piano. O aspecto dinâmica é
o mais renegado, pois em nenhuma das lições sequer aparece qualquer indicação de
dinâmica a ser executada. Por isso, propomos inclusões de sinais de dinâmica em grande
47

parte das lições, nas quais tal aspecto não complicaria a execução, vindo apenas contribuir
para o desenvolvimento do estudante.
Abaixo, encerramos nossas observações com um quadro que resume em quais
páginas são trabalhados os quatro aspectos sugeridos por Silva (2003) como parâmetros na
organização didática dos conteúdos para o ensino e aprendizagem do oboé.

Quadro 24 – Visão geral das habilidades técnicas contempladas no Método de Oboé: elementar, livro 1 do
Instituto Ciranda (2019). Quadro idealizado pelo presente autor.
Pág Nível / Subnível Aspecto sugeridos Nível após
sugestão
sonoridade digitação articulação dinâmica
8 Elementar 1 X Elementar 1
9 Elementar 1 X Elementar 1
10 Elementar 2 X Elementar 1
11 Elementar 1 X X X X Elementar 1
12 Elementar 1 X X X Elementar 1
13 Elementar 1 X X Elementar 1
14 Elementar 2 X X Elementar 1
15 Elementar 2 X X X X Elementar 1
16 Elementar 2 X X Elementar 2
17 Elementar 2 X X X X Elementar 2
18 Elementar 1 X X Elementar 2
19 Elementar 2 X X Elementar 2
20 Elementar 2 X Elementar 2
21 Elementar 2 X Elementar 2
22 Elementar 2 X X X X Elementar 2
23 Elementar 3 X X Elementar 2
24 Intermediário 4 X X Elementar 3
25 Elementar 2 X X Elementar 3
26 Elementar 2 X Elementar 3
27 Elementar 2 X X X X Elementar 3
Fonte: Quadro idealizado pelo presente autor.
48

REFERÊNCIAS

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GALDELMAN, Saloméa. 36 Compositores brasileiros – obras para piano (1950-1988). Rio
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GUBERT, Jéssica. A atuação do regente no processo pedagógico de formação de uma
orquestra estudantil. Monografia (Licenciatura em Música) - Universidade Federal de Mato
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GISIGER, Joel. Raspagem de palhetas por oboístas brasileiros: um estudo dos ajustes nas
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LIMA, Eduardo. O ensino da clarineta: um estudo dos materiais didáticos utilizados no
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professores de oboé. Tese (Doutorado) – Universidade Federal de Santa Maria, Centro de
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http://www.sebrae.com.br/sites/PortalSebrae/bis/oscip-organizacao-da-sociedade-civil-de-
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49

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Goiás, Goiânia, 2003. 152 f.
WESTPHAL, Frederick. Guide To Teaching Woodwinds. Dubuque: Wm. C. Brown Co.,
1970.
50

ANEXO