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COMO RECEBER RESPOSTAS AS NOSSAS ORAÇÕES

GENE

R. COOK

Deseret Book Company Salt Lake City, Utah - E.U.A.

© 1996 Gene R. Cook

Todos os direitos reservados. Este livro não pode ser reproduzido sem a

permisão por escrito da editora, Deseret Book Company,

Salt Lake City, Utah 84130. Este material não é uma publicação oficial de A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias. As opiniões nele contidas são de responsabilidade do autor e nao representam

necessariamente a posição da Igreja ou da Deseret Book

P.O. Box

30178,

Company.

Deseret Book é marca registrada da Deseret Book Company.

Tradução: Simone Carvalho Revisão e Coordenação do Projeto: Reynaldo Pagura

Library of Congress Catalog Card No. 99-72647

ISBN 1-57345-515-6

Impresso no Brasil

84098-6395

A todos os que desejem agradecer ao Senhor pelas muitas orações que Ele respondeu, e a todos os que estão lutando para aprender a orar melhor.

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SUMÁRIO

AGRADECIMENTOS

 

IX

INTRODUÇÃO

XI

CAPITULO 1

 

O

PODER DA ORAÇÃO

1

CAPÍTULO 2

 

COMO PREPARAR O CORAÇÃO

 

E

A MENTE PARA A ORAÇÃO

1 5

CAPITULO 3

 

ALGUMAS SUGESTÕES

QUANTO

À PRÁTICA DA ORAÇÃO

 

3 4

CAPÍTULO 4

 

PRINCÍPIOS QUE TORNAM A ORAÇÃO MAIS EFICAZ

5 0

CAPÍTULO 5

 

A

S BÊNÇÃOS DA ORAÇÃO

7 6

CAPÍTULO 6

 

A

ORAÇÃO: BÊNÇÃO PARA OS

 

PAIS E PARA OS LÍDERES

 

10 4

CAPÍTULO 7

 

A

GRAÇA DE DEUS

12 1

CAPÍTULO 8

 

QUANDO PARECE QUE RECEBEMOS RESPOSTA

NÃO

13 0

CAPÍTULO 9

 

APLICAR OS PRINCÍPIOS DA ORAÇÃO

15 4

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AGRADECIMENTOS

S o u imensamente grato ao Senhor pela bênção de sempre responder às orações que fiz no decorrer dos anos. Sou grato à minha família e a muitos outros membros da Igreja maravilhosos que me falaram de ocasiões em que suas orações foram respondidas. Agradeço especialmente às pessoas que me contaram a luta enfrentada para que suas orações fossem respondidas. Não há dúvidas de que o Senhor responde a todas as orações humildes e sinceras, quer o reconheçamos no momento ou não. Agradeço sinceramente ao irmão Jay A. Perry, que com sua grande capacidade de seleção fez com que este material fosse apresentado de modo mais conciso, tornando-o de mais fácil compreensão. Agradeço também a ajuda de minha secretária, Stephanie Colquitt, e às outras secretárias que já tive e que anotaram as experiências pelas quais passei na vida na época em que aconteceram, possibilitando-me mencioná-las corretamente aos outros. Para encerrar, gostaria de dizer que este livro não é, sob nenhum aspecto, publicação oficial da Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias. Quaisquer enganos, omissões ou erros são claramente meus, único responsável pelo material que este livro contém.

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INTRODUÇÃO

Todos precisamos muitíssimo do Senhor. Precisamos de ajuda em todos os aspectos da vida:

falhas e fraquezas pessoais

problemas e decisões de família

trabalho e carreira

decisões finaneiras importantes

designações difíceis na Igreja

ao lidar com as inúmeras provações

pelas

quais

passamos

• ao aprender a verdade a respeito do evangelho

• todos os outros aspectos da vida.

Uma chave indispensável para o sucesso em todas essas coisas é a oração. Quando começamos a aprender como conseguir respostas às nossas orações, estamos prontos para começar a engatinhar no que se refere ao poder do Senhor e à bondade com que nos ajuda na vida. Contudo, se nossas orações não surtem efeito, ou se não sabemos confiar no Senhor, normalmente somos deixados por nossa própria conta. Muitas vezes as pessoas dizem: "Tento orar, mas o Senhor não fala comigo. Sei que Ele vive e que me ama, mas o fato é que não responde às orações que faço. Talvez queira que eu leve a vida sozinho, sem a Sua ajuda". É verdade que o Senhor quer que exerçamos sempre o

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nosso livre-arbítrio para fazer o bem, crescer, desenvolvermo-nos, aprender a agir por nós mesmos e não nos deixarmos levar. Entretanto, prometeu a todos o dom de ser capaz de receber orientação constante do Espírito Santo. Prometeu ajudar-nos em todos os aspectos de nossa vida, contanto que Lhe permitíssemos fazê-lo. Tenho absoluta certeza de que, quando não recebemos respostas às orações, o problema nunca é com o Senhor. Ele é constante e sincero; nunca falta com nenhuma de Suas promessas; ao contrário, nós é que falhamos. Muitas vezes, simplesmente não sabemos como conseguir as respostas que buscamos. Quem sabe não estejamos sendo bastante diligentes em buscá-las ou, quem sabe, estejamos fazendo a pergunta sem escutar a resposta do Senhor. Quem sabe não tenhamos preparado o coração para receber o que o Senhor nos mandar, seja o que for. Talvez não estejamos compreendendo e colocando em prática algum princípio básico relativo à oração que Ele nos tenha ensinado. Quem sabe estejamos deixando que nossa vontade predomine, e não estejamos verdadeiramente buscando Sua santa vontade. Acho que, às vezes, o Senhor fica triste por ficarmos satisfeitos com tão pouco, quando Ele nos oferece tanto. Mas quando começamos a aprender como conseguir respostas às nossas orações, passamos a ver os métodos divinos que o Senhor emprega e percebemos que podemos receber as muitas dádivas do Pai. Nas páginas deste livro, analisaremos alguns dos princípios e formas mais básicos da oração, que o Senhor nos ensinou por intermédio das escrituras e dos profetas vivos. Iremos empenhar-nos ao máximo para ilustrar esses princípios com inúmeros exemplos e histórias verdadeiras, que demonstrem que o Senhor responde às orações e de que forma isso acontece. Abordaremos com alguma

profundidade as maneiras de saberem se receberam a resposta a uma oração. Concentrar-nos-emos principalmente na difícil questão de por que, às vezes, achamos que não recebemos resposta e o que podemos fazer para aumentar a fé, até nessas ocasiões. O que este livro tem de importante para oferecer? Espero que as idéias que discutirmos nestas páginas sejam de real valor para todos os que as lerem. Coloquei algumas perguntas básicas de revisão ao final de cada capítulo para ajudá-los e sua família. Sugiro que as discutam com outra pessoa, quando possível, para aumentar seu entendimento. O Senhor pode ensinar melhor aos dois. O maior nível de aprendizado que conheço vem diretamente do Espírito do Senhor. Aprendemos muito observando outras pessoas ou lendo os conceitos e doutrinas ensinados. Entretanto, para mim, o aprendizado que tem maior valor é o que vem do Espírito, ilumina a mente e fala ao coração. Esses ensinamentos não são nada menos do que uma mensagem do céu para nós e podem ter um grande impacto em nossa vida. Presto meu testemunho de que esse tipo de aprendizado está ao alcance de todos os que o buscarem, caso se humilhem perante o Senhor e se empenhem incessantemente em aprender com Ele. Se tiverem uma oração no coração sempre que pegarem este livro, o Senhor os inspirará para que sejam mais capazes de receber as bênçãos que Ele deseja dar-lhes. Irá conceder-lhes inspiração e impressões, vocês saberão como a oração pode abençoá-los e o que fazer para receber orientação divina a fim de ajudá-los em todos os aspectos da vida.

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CAPÍTUL O

1

PODER DA ORAÇÃO

H á alguns anos, convidaram nossa família para passar as

férias em uma fazenda no Wyoming. Um de meus filhos tinha acabado de voltar da missão em que servira na América do Sul, e estávamos ansiosos por sair de casa para passar algum tempo com ele e com nossos outros filhos.

Divertimo-nos muito, apesar de só podermos andar a cavalo pela manhã. Conforme o dia esquentava, as mutucas atacavam, mordendo os cavalos de tal modo que lhes escorria sangue pelos flancos; eles ficavam nervosos e tentavam nos derrubar. Uma noite antes de irmos embora, quando estávamos indo para a casa da fazenda, meu filho perguntou-me se podia continuar cavalgando, com um dos filhos do

fazendeiro. "Vamos reunir alguns cavalos", disse, "depois

eu volto para ficar com a família".

Mais ou menos uma hora depois, ele entrou muito aborrecido. "O que foi, meu filho?" perguntei. "Estou muito zangado", disse ele, "Perdi o meu chapéu lá no campo e sei que não vou conseguir encontrá-lo". Eu sabia de que chapéu se tratava. Era um que ele havia comprado na América do Sul, como lembrança da missão, e que considerava insubstituível. Ele ficou um tempo resmungando e reclamando por causa do chapéu, depois animou-se um pouco e disse: "Pai,

o que o senhor acha de reunir a família de manhã, antes de

irmos para casa, fazer uma oração familiar e sairmos para tentar encontrá-lo?" "Excelente idéia", respondi. "Vamos levantar uma hora antes do planejado e ver o que se pode fazer". Eu estava colocando a bagagem no carro, cedo na manhã seguinte, quando ele veio a passos largos do barracão onde havia dormido. Pela cara dele, percebi que estava ainda mais zangado do que na noite anterior. Ele disse: "Pai, como se não bastasse ter perdido o chapéu, minha carteira também sumiu. Os dois devem ter ficado no campo". Aí, descreveu detalhadamente o que havia em sua carteira: a recomendação (ele tinha acabado de ser entrevistado), a carteira de motorista (tinha acabado de tirar), oitenta dólares, que era todo o dinheiro que tinha (havia gastado todo o seu dinheiro na missão; os oitenta dólares eram presente dos avós, para ajudá-lo a recomeçar).

"Essas foram as piores férias que já tive", disse ele. "Quem me dera eu não tivesse vindo." Depois ele disse velha frase, que todos já conhecem: "Por que isso sempre acontece comigo?" "Olha filho, não sei do seu chapéu nem da sua carteira",

disse eu, "o que sei é que não vou reunir a família para orar

a esse respeito". "Por quê?" "Porque não se pode escutar a voz do Espírito quando se está com raiva. Não dá; e eu não vou reunir a família enquanto essa for a sua atitude." Ele não respondeu, só deu as costas e foi pisando duro para casa. Voltou uns quinze ou vinte minutos depois. Sua expressão estava diferente e ele disse: "Pai, quero me desculpar. Não devia ter dito aquilo. As férias foram boas, desculpe-me por ter reclamado tanto delas".

Conversamos e ele disse-me que se tinha ajoelhado e confessado sua atitude negativa ao Senhor, pedido perdão e ajuda para encontrar o chapéu e a carteira. Depois, voltou para onde eu estava, com o coração quebrantado e o espírito contrito. Passei o braço por seus ombros e disse: "Filho, vamos reunir a família? Quem sabe, se todos juntos exercermos nossa fé, encontremos o que você perdeu". Todos se reuniram, ajoelharam e oraram. Sabíamos que estávamos pedindo o impossível. No dia anterior, tínhamos percorrido a cavalo centenas de acres; a maior parte do terreno era coberto de trigo do Wyoming, tão alto que roçava a barriga do cavalo quando passávamos. Ainda assim, queríamos tentar e oramos com o máximo fervor pedindo que o Senhor nos ajudasse. Meu filho sabia que talvez não tivéssemos sucesso, mas decidira que aceitaria a vontade do Senhor, que ficaria satisfeito com o resultado da busca, fosse qual fosse. Ele disse: "Com certeza posso comprar um chapéu novo, mesmo que fique aborrecido. Posso conseguir outra recomendação para o templo e outra carteira de motorista e posso conseguir mais dinheiro em lugar do que meus avós me deram, mas sinceramente espero que o Senhor responda à nossa oração". Depois da oração familiar, montamos e rumamos para os campos que percorrêramos no dia anterior. Quando chegamos ao primeiro campo, apeamos, formamos um círculo e oramos novamente, pedindo ao Senhor que nos guiasse ao local que precisávamos encontrar. Pedi a duas ou três pessoas que, uma de cada vez, proferissem uma oração,

sabendo que isso ajudaria a fortalecer nossa fé. Dissemos ao Senhor que, afinal de contas, não importava muito se fôssemos bem-sucedidos ou não, era só um chapéu e uma

Tudo quanto pedirdes ao Pai em meu nome, que seja justo, acreditando que recebereis, eis que vos será dado". (3 Néfi

18:20)

Eu estava à frente no momento em que entramos no primeiro campo para começar a busca. O trigo roçava a barriga do meu cavalo, e quase sem refletir, deixei escapar:

"Não dá para ver uma carteira nesse capim alto e escuro. Quem é que pode ver uma carteira em um lugar assim?" A família ficou em silêncio por um momento, depois, outro filho disse: "Sabe pai, acho que não faz diferença a altura do mato, faz? O Senhor sabe onde está a carteira". Depois, acrescentou: "Na verdade, poderia até ser duas ou três vezes mais alto. Não faria diferença, porque Ele sabe, não é?" Eu sabia que ele estava certo, e seu gentil lembrete serviu para repreender-me pela incredulidade. Eu disse: "É, meus filhos, ele está certíssimo. Seja duas ou três vezes mais alto, não faz diferença. O Senhor sabe onde está. Continuem andando e orando. Andem e orem, e vamos". Então, rumamos para os campos. Éramos meia dúzia percorrendo uma área que ia até onde a vista alcançava. Passaram-se somente um ou dois minutos antes que o filho que falara de sua fé gritou, pulou do cavalo e disse: "Achei o chapéu!" Ele pegou-o e agitou-o no ar para todos verem. Todos corremos para onde ele estava, com o dono do chapéu em primeiro lugar. "O Senhor respondeu às nossas orações!" disse ele. "Ele nos ouviu e respondeu!" Depois, fez uma preleçãozinha para a família sobre continuar a orar e ter mais fé. "Vamos lá encontrar a carteira!" Começamos a cavalgar de novo, mas não encontramos a carteira. O tempo foi passando, e a animação inicial de encontrar o chapéu começou a diminuir. Passamos uma hora procurando, depois, uma hora e quinze e não encontramos absolutamente nada.

Então, conforme o dia esquentava, as mutucas começaram a picar os cavalos e nós também. Assustados e

irritados, os cavalos começaram a escoicear e corcovear, e todos começamos a ficar temerosos de ser jogados no mato. Minhas filhas mais novas, principalmente, já estavam

ficando nervosas. Finalmente eu disse: "Bem

que voltar. Não dá para continuar procurando". Pusemo-nos na estrada e começamos a voltar para a casa da fazenda. Enquanto voltávamos, resolvi, sendo o pai da família, ficar ao lado do filho que havia perdido o chapéu e a carteira, para ver como ele estava espiritualmente nesse momento importante.

filhos, temos

"É, filho

Como você se está sentindo com isso tudo?"

perguntei. Ele respondeu: "Estou muito, mas muito agradecido

porque o Senhor fez o chapéu voltar a minhas mãos. Sei que para os outros é só um chapéu, mas é muito importante para mim". Fez uma pausa e disse: "Quem dera tivéssemos encontrado a carteira também! Quem sabe, quando fizerem

a colheita, encontrem-na e mandem para mim

quero que saiba que valeu a pena e estou grato por termos encontrado o meu chapéu". Fomos para a casa da fazenda, e agradeci ao Senhor por meu filho ter assumido uma atitude correta e estar no rumo

certo. Apesar de não termos encontrado a carteira, ele sabia que o Senhor o amava e Se importava com ele; e continuava

a acreditar que ainda poderia ser encontrada. Chegamos à casa da fazenda e separamo-nos para terminar de fazer os preparativos para ir embora. Repentinamente, quando a maioria de meus filhos já estava no carro e eu estava-me despedindo de nossos anfitriões, esse filho veio correndo do pátio, acenando e gritando:

"Encontrei a carteira! Encontrei a carteira!" Depois que passou a agitação, perguntamos a ele como

Mas, pai,

a encontrara. Ele disse: "Entrei no barracão para pegar minha mala e, ali, sozinho, senti que deveria ajoelhar-me e agradecer ao Senhor por ter-me ajudado a encontrar o chapéu. Quando levantei para sair, senti que deveria ir até onde aqueles casacos velhos e sujos ficam pendurados na parede". Os casacos formavam uma fileira comprida; eram uns 10 ou 15. De repente, enquanto estava ali sem saber o porquê, ele escutou o barulho de uma coisa caindo a seus pés. Olhou e viu seu pente. "Quando vi meu pente, meu coração disparou. Sempre levo o pente na carteira, vi que havia perdido o pente e a carteira. Fui lá e sacudi os casacos e minha carteira caiu no chão". Não fazemos idéia de como a carteira foi parar no casaco. Nenhum de meus filhos brincou perto deles (os casacos estavam empoeirados e sujos demais). Contudo, por causa da fé e oração, o Senhor possibilitou a meu filho encontrar a carteira que havia perdido. Ele ficou exultante de alegria. Ajoelhou-se no barracão e fez outra oração de agradecimento. Depois, voltou correndo com a carteira para dizer a todos que nossas orações foram respondidas e que nossa fé no Senhor havia sido compensada. Depois, entramos no carro e fomos embora, mas assim que saímos das terras da fazenda, encostamos o carro novamente e fizemos uma oração de pura gratidão, agradecendo ao Senhor Sua prontidão em ouvir e abençoar- nos.

Entretanto, talvez essa experiência ainda estivesse por surtir um de seus "efeitos" mais importantes. Foi maravilhoso encontrarmos a carteira de meu filho, mas a maior bênção foi que a fé dos membros da família aumentou por causa disso. Passaram também a saber mais

a respeito de como conseguir respostas para as orações. Com certeza os membros de nossa família nunca poderiam negar o fato de que viram a mão do Senhor agir em nosso benefício, de modo miraculoso.

A

SEGUNDA CARTEIRA

PERDIDA

Uma semana depois de chegarmos em casa, um de meus filhos mais novos, com 16 anos, foi convidado para acompanhar a família de um amigo na viagem a Lake Powell que faziam todos os anos. Haviam acabado de comprar um barco novo e estavam ansiosos por experimentá-lo. Depois de três ou quatro dias no barco, saíram de onde estavam acampados e voltaram para a marina. Meu filho levou a carteira, mas não tinha bolsos; por isso, pediu ao amigo que colocasse a carteira no bolso da camisa e o abotoasse. Na carteira, havia uns 25 dólares, todos os seus

documentos: a carteira de motorista, o cartão da biblioteca, a carteirinha da academia e a de estudante; e o mais

um pequeno retentor dentário que custava

mais de 75 dólares. Mais tarde, no mesmo dia, voltaram para o acampamento e foram nadar. Mergulharam de muitas pedras e rochedos. De repente, o amigo de meu filho lembrou-se de que estava com a carteira no bolso percebeu que a perdera. Àquela altura, já tinham passado por toda aquela parte do lago. Parecia impossível que a encontrassem; mas meu filho disse consigo mesmo: "Se o Senhor sabia onde estava a carteira do meu irmão naquela fazenda enorme, sabe em que parte do lago a minha está". Aí, começou a orar mentalmente. Depois de alguns minutos, resolveu que isso não bastava. Ajoelhou-se atrás de umas pedras altas e orou,

importante

e

pedindo ao Senhor que o ajudasse a encontrar a carteira perdida. Continuaram a procurar, mergulhando repetidas vezes até o fundo escuro e lamacento da lagoa. Procuraram a tarde toda até a noite, mas não encontraram nada; até que ficou escuro demais para continuarem, e tiveram de voltar ao acampamento. Nessa noite, ele orou. Prometeu ao Senhor que se o ajudasse a encontrar a carteira, leria as escrituras mais fielmente, controlaria mais os pensamentos, não escutaria música ruim, oraria mais vezes e melhor. Depois, o que é muito importante, comprometeu-se a honrar a promessa mesmo que não recuperasse a carteira. Depois da oração, o Espírito fez com que se sentisse muito bem. Quando lhe perguntavam se havia encontrado a carteira, respondia simplesmente: "Ainda não". Na mesma noite ele e o amigo conversaram. O amigo disse que achava que seria impossível encontrar a carteira. A lagoa era muito funda e a carteira provavelmente afundara na lama e musgo do fundo. Meu filho concordou que a lagoa era funda, mas disse que nem a profundidade, nem toda a lama em que a carteira estivesse enterrada nem nada impediria que a encontrasse. Disse que o que contava era que tivessem a fé no Senhor necessária para isso. Depois do café da manhã, ele e o amigo saíram para procurar outra vez. As outras pessoas do acampamento falaram coisas bastante desanimadoras, dizendo que, com certeza nunca encontrariam a carteira e que o melhor que tinham a fazer era desistir. Enfim, meu filho subiu um morro, encontrou um lugar isolado, ajoelhou-se e fez outra oração. Disse outra vez ao Senhor que cumpriria as promessas que fizera, mesmo que não encontrasse a carteira. Depois da oração, teve a certeza de que tudo daria certo. Orou continuamente enquanto

mergulhava procurando, mas não tiveram êxito. Estavam a ponto de desistir quando o amigo de meu filho gritou:

"Achei!"

e contente por ter sido o

amigo quem encontrou a carteira, que ele ainda se sentia culpado por tê-la perdido. Depois de agradecer ao amigo, subiu o morro outra vez e agradeceu ao Senhor de todo o coração por ter-lhes mostrado onde procurar. Outra vez, comprometeu-se a cumprir as promessas que havia feito. Depois, escreveu o testemunho da experiência que teve. Testificou que:

Meu filho ficou emocionado

O Senhor ajuda-nos na vida e responde às nossas orações quando:

1. Oramos e pedimos sinceramente; 2. Arrependemo-nos. Quanto mais prontamente escutarmos ao Senhor, mais prontamente Ele irá escutar- nos;

3. Lemos as escrituras e temos o Espírito;

4. Prometemos melhorar em pontos em que temos dificuldades;

5. Tiramos todas as dúvidas e toda a raiva do coração.

Testifico a vocês que se fizerem essas coisas, e se for bom para vocês, o Senhor responderá à sua oração. Sei

que não foi sorte nem acaso encontrarmos a carteira, e sei que o Senhor realmente me orientou para que a encontrasse quando estivesse preparado. Testifico-lhes

Tenho testemunho

que é verdade e aconteceu de fato. (

de que o Senhor vive e ama a cada um de nós, e irá ajudar-nos se simplesmente O buscarmos e obedecermos

aos Seus mandamentos.

)

*

Foi compensador ver a família inteira unida para tentar encontrar o chapéu e a carteira do primeiro filho; mas deu- me especial satisfação ver nosso filho mais novo exercer fé suficiente para passar por esse tipo de experiência sozinho.

Naquela noite, ele foi ao nosso quarto para contar-nos o

que acontecera. Nunca me esquecerei do que ele disse. Estas foram suas palavras: "Pai, mãe, não fiquei muito espantado por encontrarmos o chapéu e a carteira do meu irmão

quando a família inteira orou

eu orei. Tenho só 16 anos e mesmo assim o Senhor

respondeu!"

Esse filho aprendeu que o Senhor é verdadeiramente generoso com todos os que se humilham e pedem com fé. Essa experiência boa ajudou-o a passar por outras experiências do tipo. Agora, quando precisa buscar as bênçãos do Senhor em assuntos muito mais importantes que uma carteira perdida, sabe pedir e está aprendendo a pedir com fé.

Mas dessa vez fui só eu. Só

O

TESTEMUNHO DA ORAÇÃO

É claro que o verdadeiro tema dessas histórias não é o

chapéu nem as carteiras. Contei-as para demonstrar como

a oração pode representar uma força verdadeira em nossa

vida. Nas próximas páginas, tentaremos explanar alguns

princípios que o Senhor ensinou e que, espero, nos ajudem

a orar de modo mais eficaz. Entretanto, para encerrar o

capítulo, gostaria de prestar meu testemunho de que a oração funciona de fato. Presto testemunho de que os princípios necessários para recebermos respostas que foram ilustrados nessas histórias são verdadeiros. Presto testemunho de que vivemos muito aquém do que poderíamos, no que se refere andarmos com o Senhor. Somos muito rápidos em recorrer à nossa própria força sem confiarmos Nele. Quem sabe, tenhamos medo de que não dê certo ou de nossa própria incapacidade; mas presto testemunho de que podemos todos aprender a utilizar

melhor a oração e aumentar nossa capacidade de receber respostas para elas. Presto testemunho de que aprendemos com o Pai, por intermédio do Espírito do Senhor. O Pai é capaz de comunicar-se com os filhos. Ele o faz com clareza, diariamente, para avisar-nos, ajudar-nos, fortalecer-nos, incentivar-nos, encher-nos de alegria e paz, ajudar-nos a vencer os obstáculos e dificuldades. Acredito que, em toda a história do mundo, Deus nunca deixou de responder às orações sinceras e humildes, não importando quem as fizesse; fosse homem ou mulher, jovem ou velho, fraco ou forte, membro ou não. O Senhor é assim. É muito bom; está ansioso por responder. Obviamente, a resposta pode ter sido "não". Pode ter dito:

"Sim, mas não agora". Pode ainda ser que tenha respondido em uma voz suave e delicada e que a pessoa não tenha escutado. Mas respondeu, e acredito que, quando passarmos pelo véu e virmos mais claramente como funcionam as orações e revelações, iremos ajoelhar-nos humildemente e pedir perdão ao Senhor por não havermos reconhecido melhor a Sua mão em nossa vida.

Tenho certeza de que o Senhor anseia por responder às súplicas de Seu povo; basta que ele se humilhe e peça com fé, acreditando sem duvidar. Podem contar que o braço do Senhor agirá em seu favor.

Tão certo como Cristo

vive, falou ele a nossos pais dizendo: Tudo o que for bom, se pedirdes ao Pai em meu nome, com fé e crendo que recebereis, eis que vos será concedido". (Morôni 7:26)

Como testificou Morôni: "(

)

EXERCÍCIO DE FÉ PARA EMPENHAR-SE EM DESEJOS JUSTOS

Antes de passar aos princípios que fazem a força da oração, quero aconselhá-los a escolherem um desejo justo e empenharem-se diligentemente em alcançá-lo por meio

de oração. Em Doutrina e Convênios está escrito que nossa Igreja não somente é a verdadeira, mas que é "a única igreja verdadeira e viva na face de toda a Terra". (D&C 1:30; grifo do autor) As doutrinas são vivas. O Senhor está vivo. O Espírito está vivo; e nós também poderemos estar vivos, caso tenhamos mais energia e envolvamo-nos mais com Ele.

Pensando nos ensinamentos da Igreja e do evangelho, sinto que o que faz com que não somente sejam verdadeiros, mas estejam vivos é nosso desejo e capacidade de colocá-los em prática. Para mim, o conhecimento sozinho não tem nem de longe a mesma importância que adquire quando combinado à vontade de utilizá-lo. Quando aprendemos, temos de tomar a decisão de arrependermo-nos, exercer a fé e fazer tudo o mais que for necessário para colocar em prática na vida tudo o que aprendemos. Eis o que gostaria que fizessem: Peguem um papel e anotem algo bastante pessoal que desejem do Senhor. Algo que queiram muito. Não escolham qualquer coisa fácil. Quanto mais difícil, melhor. Aí, poderão ter uma experiência verdadeira com a fé. Talvez estejam preocupados com o marido ou a mulher. Talvez um de seus filhos tenha rejeitado o que vocês lhe ensinaram e estejam preocupados. Talvez estejam lutando com um problema de saúde. Talvez estejam passando por grandes problemas financeiros. Talvez, tudo o que queiram seja mais fé, testemunho, força para arrepender-se e mudar, capacidade de vencer uma fraqueza pessoal. Escrevam o que desejam em um papel e empenhem-se nisso enquanto continuam a leitura deste livro.

Não pensem que não são dignos de que o Senhor os ajude. Viajando pelo mundo, conheci muitos membros da Igreja que acham que nunca se qualificarão para receber

respostas para suas orações. Dizem: "É claro que se eu fosse Autoridade Geral, presidente de estaca ou bispo receberia

respostas, mas sou muito

Presto testemunho de que isso não é verdade. O Senhor ama a todos nós e está ansioso por responder a todos, ajudar-nos com os desejos justos de nosso coração. Contei duas histórias que falam de como o Senhor ajudou em coisas de pouca importância, na busca de um chapéu e duas carteiras. Ele quer sinceramente nos ajudar nessas coisas; mas é muito maior Seu desejo de ajudar-nos com as coisas importantes da vida. Prometo-lhes em nome do Senhor que se realmente desejarem o que escreveram, se o desejo for justo e se pedirem

que sefaça a vontade do Pai, Ele haverá de conceder-lhes o que

caso vocês aprendam e obedeçam aos princípios e

leis dos quais as coisas que desejem dependam. Não tenho a menor dúvida disso. Presto testemunho que isso é verdade porque o Senhor o disse.

[preencha

a lacuna]".

desejam

Pontos a

Ponderar

1. No caso da carteira perdida, por que mais de uma pessoa orou?

2. Qual foi o papel das orações de agradecimento no caso do chapéu e da carteira perdidos?

3.

Onde "fazer tudo a seu alcance" entra quando a questão é

receber a resposta a uma oração?

?

r

jj

=

"

4. Quantas vezes Deus responde a nossas orações humildes e

sinceras?

v

5. O que faz com que os ensinamentos do evangelho sejam "verdadeiros e vivos" para cada um de nós?

6. Que outros princípios de oração vocês conseguem identificar

na história do chapéu e da carteira perdidos?

COM O

CAPÍTUL O

PREPARAR o

2

CORAÇÃO E

A MENT E PARA A ORAÇÃO

v^erta manhã, quando morávamos em Quito, no Equador, liguei para casa para dizer à minha mulher que um visitante importante chegaria ao aeroporto em cerca de uma hora, e que eu gostaria de convidá-lo para almoçar em nossa casa. Animada, ela disse que faria o máximo para que a casa estivesse em ordem e a comida estivesse pronta. Nessa época havia uma mulher chamada Roza, que morava conosco e ajudava minha mulher com a cozinha e outras tarefas domésticas. Roza tinha mais ou menos 30 anos e era bem firme em sua religião. Muitas vezes tentáramos falar com ela da Igreja, mas ela não nos escutava. Na verdade, normalmente encarava nossas tentativas muito friamente. Nessa manhã em especial, quando ela e minha mulher estavam correndo com os preparativos do almoço, descobriram que Roza tinha perdido a batedeira de que precisariam para fazer o bolo. Foi um momento frustrante. Naquela época, no Equador, não era possível usar uma massa de bolo semi-pronta; tínhamos de fazer tudo, e elas não tinham o instrumento de que precisariam para isso. Foi aí que nosso filho de sete anos entrou na cozinha e viu o que estava acontecendo. Ficou quieto por um tempo, depois disse inocentemente para Roza: "Então você perdeu

a batedeira, né?" Com isso ela ficou um pouco mais zangada. Depois ele disse: "Bem, se você quer mesmo encontrá-la, por que não pergunta ao Senhor? Ele sabe onde ela está". Ela respondeu rispidamente: "Isso não é coisa que se peça em oração! Agora, saia da cozinha, que precisamos achá-la". Ele correu da cozinha, mas depois de uns minutos, ela ficou aborrecida por ter magoado uma criancinha e foi

procurá-lo. Encontrou-o no quarto, de joelhos, orando. "Pai Celestial, elas têm um problema sério na cozinha. O papai está trazendo uma pessoa importante para almoçar. A mamãe está chateada. Roza perdeu a batedeira e acha que

o Senhor não sabe onde está. Se o Senhor nos mostrasse

onde ela está, o problema ficaria resolvido." Instantes depois, encontraram a batedeira. Há quem diga que foi por acaso, mas acho que foi a fé no Senhor Jesus Cristo; a fé de um menininho. Roza ficou muito espantada com o fato de o Senhor responder a oração de uma criança tão pequena, principalmente se tratando de uma batedeira, assunto aparentemente tão insignificante. Essa experiência deixou-a muito impressionada espiritualmente no que se refere ao valor da oração. O melhor de tudo foi que duas ou três semanas depois,

tive o privilégio de batizar Roza na Igreja. Eu realizei a ordenança, mas o instrumento do Senhor para convertê-la

à verdade foi um menino de sete anos. Ele ensinou a ela

que, qualquer que seja o problema, se estivermos verdadeiramente preocupados com ele, o Senhor também estará. Ele irá ajudar-nos em todos os assuntos que forem realmente importantes para nós.

É verdade que o Senhor responde às orações das criancinhas, mesmo quanto às pequenas coisas. É verdade também que responde às orações dos adultos e que está

interessado em nos ajudar em todos os aspectos de nossa vida. Contudo, nossa capacidade de receber respostas às orações aumentará conforme prepararmos o coração e a mente para comunicarmo-nos com nosso Pai Celestial; e, conseqüentemente, prepararmo-nos para escutá-Lo. Seguem algumas maneiras importantes de prepararmos a mente e o coração para orar.

TENHA FÉ EM

CRISTO

A coisa mais importante a fazer quando tentamos nos comunicar com nosso Pai Celestial é ter fé em Jesus Cristo. Se tivermos fé em Cristo, teremos fé em nosso Pai Celestial, porque Cristo deu testemunho Dele claramente. Há quem pense na fé como sendo uma atitude positiva. Isso é só uma pequena parte do que a fé é de fato. A fé é a força que mantém os mundos no lugar. A fé é o poder pelo qual Deus trabalha. Se tivermos fé, teremos acesso ao Seu poder. Lembrem-se, porém, de que o mandamento não é ter fé só de maneira genérica. Devemos ter fé em uma pessoa:

Jesus Cristo. Se nos empenharmos em compreender isso melhor, compreenderemos por que terminamos todas as nossas orações "em nome de Jesus Cristo". Quando oramos dessa forma, pedimos que a graça do Senhor Jesus Cristo opere a nosso favor. Se conseguirmos manter nossa fé centralizada Nele, ela irá ajudar-nos a alcançar muito mais poder do que se orássemos sem fé. Quando Néfi foi atado com cordas pelos irmãos, que tentaram matá-lo, clamou em oração, dizendo:

Ó Senhor, de acordo com a minha fé em ti, livra-me das mãos de meus irmãos; sim, dá-me forças para romper estas cordas com que estou amarrado. E aconteceu que quando eu disse estas palavras, eis

que as cordas se soltaram de minhas mãos e pés; e pus- me de pé diante de meus irmãos e tornei a falar-lhes. (1 Néfi 7:17-18)

Alma e Amuleque,

que também

foram atados

com

cordas, passaram por experiência semelhante:

E Alma clamou, dizendo: (

)

Dá-nos forças, ó Senhor,

de acordo com nossa fé em Cristo, para que sejamos libertados. E eles arrebentaram as cordas com que

estavam amarrados (

).

(Alma 14:26)

Observem que eles não tiveram fé na própria força; confiaram no Senhor e em Sua força. É a fé em Cristo o que nos libertará do que nos prende; é aumentando nossa fé em Cristo que nossa oração terá mais poder. Podemos edificar a fé sabendo o seguinte:

1. Deus escuta nossas orações e responde-as. (Ver D&C 98:2-3; 88:2.) Creio que desde o "princípio", nenhuma oração sincera de qualquer pessoa ficou sem resposta.

2. Deus vive, ama-nos e dará a resposta certa a todas as

orações sinceras, não importa qual seja a pergunta. (Ver Morôni 10:4-5.)

3. Somos filhos de Deus e servos do Senhor. Podemos

orar do mesmo modo que Samuel: "Fala, porque o teu servo ouve". (I Samuel 3:10)

4. Não importa nossa idade, nosso cargo na Igreja ou há

quanto tempo sejamos membros dela. O Senhor quer responder nossas orações sinceras seja como for. Se sua fé é fraca, você pode apoiar-se no testemunho de outra pessoa (um pai, professor ou líder) enquanto tenta edificar a própria fé.

ARREPENDA-SE DE SEUS

O

arrependimento

PECADOS

é

um

elemento

essencial

conseguir bênçãos do Senhor.

para

A história do chapéu perdido mostra a necessidade do arrependimento, no que se refere à questão de que tratamos ao orar. Primeiro, meu filho ficou zangado com a perda do chapéu e da carteira e teve de arrepender-se antes de continuar. Depois, por um momento, duvidei de que conseguíssemos encontrar o que fora perdido em meio ao mato alto e tive de arrepender-me. Há outras coisas de que nos precisamos arrepender, caso esperemos merecer as bênçãos do Senhor. Quanto mais dignos formos, mais capazes seremos de dirigirmo- nos ao Senhor confiantes e receber respostas para nossas orações. Muitas vezes não basta ser "digno de entrar no templo". O arrependimento pode levar-nos a um estado em que jejuemos mais, oremos mais, sejamos mais humildes, examinemos as escrituras e assim por diante. O Senhor pode purificar-nos, e podemos influenciar vicariamente os acontecimentos e as pessoas, na mesma medida em que estejamos prontos a mudar e abrir mão de nossos próprios pecados. Se nos sacrificarmos e pagarmos o preço, e se for da vontade do Senhor, receberemos as coisas justas que desejarmos. A confissão faz parte do arrependimento. Nela, reconhecemos nossos pecados diante de outra pessoa. Existem pecados graves que temos de confessar ao bispo, mas podemos confessar praticamente todos os pecados ao Senhor. As palavras que o Senhor disse a Martin Harris aplicam-se a todos:

E agora, a não ser que se humilhe e reconheça perante mim os seus erros e faça convênio comigo de que guardará meus mandamentos e exerça fé em mim, eis que lhe digo que não [receberá as bênçãos que busca]. (D&C 5:28)

HUMILHE-SE DIANTE DO SENHOR

Em Doutrina e Convênios, o Senhor traçou uma relação direta entre a humildade e a resposta às orações ao dizer:

Sê humilde; e o Senhor teu Deus te conduzirá pela mão e dará reposta a tuas orações. (D&C 112:10)

Quando somos humildes, sentimos o quanto dependemos do Senhor. Graças a essa sensação de

dependência, procuramo-Lo para conseguir ajuda e

orientação em muitos assuntos mente para recebê-la.

Certas pessoas dizem que não devemos aborrecer o Senhor com coisas sem importância. Essa não deixa de ser uma atitude orgulhosa, atitude de quem quer fazer as coisas sozinho, em vez de ter o desejo de descobrir qual é a vontade do Senhor e fazê-la. No mundo, ouvimos falar muito de independência e auto-confiança. Ouvimos falar muito de aprendermos a agir por nós mesmos; afinal, não foi o Senhor quem nos abençoou com um bom cérebro e a capacidade de raciocinar

e chegar a conclusões sozinhos? Ainda assim, essa atitude afasta-nos do espírito de humildade e confiança no Senhor. É claro que o Senhor quer que façamos tudo o que estiver a nosso alcance, mas se levarmos essa atitude de auto-suficiência a extremos, começaremos a pensar que podemos levar a vida sem a ajuda Dele. Néfi abordou esse mesmo assunto: Será que existe algo

a respeito do qual eu não deva orar? Ou Será que devo orar

a respeito de tudo. Se é assim, por que não o fazemos? Por que passamos dia após dia confiando em nossa própria

e abrimos o coração e a

força?

Néfi lastima isso ao falar aos irmãos da igreja. Depois

de ensinar-lhes que o Espírito Santo "vos mostrará todas as coisas que deveis fazer" (2 Néfi 32:5), diz: "E agora, meus amados irmãos, percebo que ainda meditais em vosso coração; e é-me doloroso falar-vos sobre isso". Em outras palavras, ele diz: "Irmãos, detesto ter de falar essas coisas a respeito da oração, porque vocês já deveriam saber que é assim que recebemos esse tipo de orientação do Espírito Santo. Entristeço-me de ter falar do assunto a vocês, mas vou fazê-lo mesmo assim, porque é disso que precisam".

Depois faz esta importante afirmação:

Porque, se désseis ouvidos ao Espírito que ensina o homem a orar, saberíeis que deveis orar; porque o espírito mau não ensina o homem a orar, mas ensina-lhe que não deve orar. (2 Néfi 32:8)

O Senhor quer que cresçamos e nos tornemos fortes e capazes de fazer muitas coisas boas, mas com tudo isso, quer que confiemos no Espírito do Senhor para receber orientação. Satanás, porém, quer que dependamos dele. O diabo não nos ensina a orar. Com isso não me refiro só a quem não é da Igreja, digo que ele está trabalhando com cada um

de nós: "Como é, João, não precisa orar para falar disso; é

um assunto tão sem importância

Ou então: "Maria, você consegue resolver sozinha". Ou então: "Sei que hoje você está cansado. Não precisa orar hoje, basta amanhã". É isso o que o diabo sussurra a nosso ouvido, pois o espírito mau ensina o homem a não orar. Ao mesmo tempo, o Espírito Santo ensina-nos a orar.

Pense neste versículo: "Mas eis que vos digo que deveis orar sempre e não desfalecer". Quando devemos orar? Sempre! "E nada deveis fazer", como? Nada!

Não perturbe o Senhor".

(

)

E nada deveis fazer para o Senhor sem antes orar ao

Pai em nome de Cristo, para que ele consagre para vós a vossa ação, a fim de que a vossa ação seja para o bem- estar de vossa alma. (2 Néfi 32:9)

Não se trata somente de orar antes de realizar nosso trabalho na Igreja. Devemos orar pedindo orientação e bênçãos em todas as áreas de nossa vida. Como ensinou Alma:

Roga a Deus por todo o teu sustento; sim, que todos

os teus feitos sejam para o Senhor e, aonde quer que fores, que seja no Senhor; sim, que todos os teus pensamentos sejam dirigidos ao Senhor, sim, que o afeto do teu coração seja posto no Senhor para sempre.

Aconselha-te com o Senhor em tudo que fizeres e ele

dirigir-te-á para o bem (

( )

).

(Alma 37:36-37)

Muitas coisas foram ditas nesses versículos. O Senhor sabe que há coisas que seríamos capazes de fazer sozinhos se quiséssemos. (Ainda que em um nível mais profundo, não sejamos capazes de fazer nada sozinhos, já que pertencemos a Ele, o ar que respiramos pertence a Ele tudo em nossa vida é dádiva de Deus.) Contudo diz: "Sei que são capazes de fazer muitas coisas sozinhos, mas se quiserem que suas ações sejam para seu bem-estar espiritual, têm de orar e consagrá-las a Mim". Muitas vezes o objetivo desse tipo de oração é somente Lhe comunicar, dizer a Ele o que pretende fazer e pedir Suas bênçãos. Entretanto, ao mesmo tempo, devemos pedir que nos ensine e oriente: "Será que estou no rumo certo? Haveria alguma coisa que o Senhor gostaria que eu mudasse no que estou para fazer? Está tudo bem? Será que haveria um jeito melhor?" É sempre perigoso dar tanta ênfase a essas idéias de ser totalmente dependente do Senhor. Para algumas pessoas, é

muito fácil tornar-se fanático. Há quem ache que deveria ficar

o tempo todo ajoelhado orando, quando o que deveria fazer

é ir à luta, depois de orar, sem parar de orar mentalmente. Algumas pessoas esperam que o Senhor faça tudo e lhes revele coisas que não se deram ao trabalho de primeiro ponderar mentalmente. (Ver D&C 9) Há quem se torne extremista e, talvez, chegue a dizer com bastante orgulho:

"Nas duas últimas noites, orei a noite inteira; não dormi nada", ou "jejuei três dias seguidos". Pode ser que algum jovem ex-missionário diga: "Já esperei cinco anos para encontrar uma esposa. Oro, oro, mas o Senhor ainda não a colocou em meu caminho. Raramente saio com moças, mas tenho certeza de que, quando o Senhor a encontrar, fará com que ela me encontre".

Pode ser que outras pessoas fiquem estáticas, esperando uma resposta do céu, quando na verdade, o Senhor talvez exija que elas sigam em frente, continuem da melhor maneira possível, antes de dar-lhes confirmação quanto ao rumo que tomaram. Brigham Young disse certa vez:

Caso eu não saiba qual é a vontade de meu Pai e o que Ele quer de mim em determinado negócio, se Lhe pedir que me conceda sabedoria no que se refere a qualquer exigência da vida, ou a respeito do curso que eu, meus amigos, família, filhos ou as pessoas a quem presido devemos seguir, e Ele não responder; e, depois, empenhar-me ao máximo para agir conforme o máximo de minha sabedoria, Ele estará obrigado a reconhecer e honrar o negócio, e o fará no que se refere a todos os fins

e propósitos. (Journal of Discourses 3:205)

À medida em que reconhecemos nossa dependência do Senhor, nossa humildade aumenta, e aumenta nossa capacidade de comunicação verdadeira com Ele. As pessoas

que se humilham sinceramente também fazem sinceramente tudo a seu alcance para cumprir sua parte; pois sabem que para que as suas orações sejam respondidas é preciso que as duas partes estejam empenhadas, é preciso que tanto o homem quanto Deus se envolvam.

OBEDECER OS

MANDAMENTOS

O Rei Benjamim ensinou:

Quisera que considerásseis o estado abençoado e feliz daqueles que guardam os mandamentos de Deus. Pois eis que são abençoados em todas as coisas, tanto

materiais como espirituais; (

(

)

).

(Mosias 2:41)

Quanto mais guardamos os mandamentos, mais nos tornamos capazes de receber as bênçãos do Senhor, incluindo as respostas às orações. Essa relação entre obedecer e conseguir respostas é ensinada abertamente nas escrituras. Citarei apenas dois exemplos:

Se não endurecerdes vosso coração e me pedirdes com fé, acreditando que recebereis, guardando diligentemente os meus mandamentos, certamente estas coisas vos serão dadas a conhecer. (1 Néfi 15:11)

E qualquer coisa que lhe pedirmos, dele a receberemos, porque guardamos os seus mandamentos, e fazemos o que é agradável à sua vista. (I João 3:22)

ESTAR DISPOSTOS A FAZER

SACRIFÍCIOS

Normalmente, as bênçãos não são gratuitas; é característico do Senhor exigir obediência e sacrifício em troca. Temos de "fazer sacrifício, pagar o preço". Na maioria das vezes, o sacrifício toma a forma de

arrependimento: abandonamos os pecados e maus hábitos aos quais insistimos em nos apegar. Contudo, quando os abandonamos, somos muitíssimo abençoados, não somente por livrarmo-nos do pecado, mas também porque a influência que o Espírito tem em nossa vida aumenta. O Senhor também Se referia ao sacrifício do arrependimento quando disse:

teu Deus em

retidão, sim, um coração quebrantado e um espírito contrito. (D&C 59:8)

Oferecerás um sacrifício

ao Senhor

Os sacrifícios podem, de fato, aumentar a força de nossa oração, se os consagrarmos ao Senhor. Suponhamos, por exemplo, que tenham um filho que se está desviando do caminho da retidão. Creio que podem ajudar muito se orarem por ele em casa. Podem arrepender-se de seus pecados a ponto de a intervenção do Senhor na vida do rapaz aumentar e salvá-lo. Não é que estejam pagando os próprios pecados, isso Jesus fez. Contudo, por intermédio de seu livre-arbítrio, de seu sacrifício, conseguem bênçãos que não receberiam de outra forma. (É claro que tudo continua a depender do livre-arbítrio da outra pessoa. Nossas orações não suplantam o livre-arbítrio das pessoas por quem oramos. Contudo, o sacrifício e oração fervorosa podem ser de grande ajuda. Podemos realizar muitas coisas por intermédio desse tipo de oração, mesmo que ele não traga nossos entes queridos de volta para casa. Sem isso, estamos perdidos.)

Precisamos também nos lembrar de sempre orar pedindo que nos sujeitemos à vontade do Senhor em todas as coisas. Com certeza, a vontade do Senhor será feita sempre. Podemos fazer uma lista de todos esses pontos importantes para melhorar nossas orações, elementos que controlamos até certo ponto, mas temos de lembrar-nos

sempre que, a despeito do que desejemos e da diligência de nosso empenho em fazer a nossa parte, a vontade do Senhor é o fator final de controle.

INTENSIFICAR NOSSO

DESEJO

O Senhor disse que nos daria conforme nossos desejos.

(Ver, por exemplo, Enos 1:12; Alma 9:20; 18:35; 41:3-5; D&C 11:17.) Quando preparamos nossa mente e coração para orar, podemos intensificar o desejo que temos de falar com

o Senhor, podemos empenhar-nos mais plenamente em

acertar os nossos desejos pelos de Deus e podemos desejar com mais intensidade receber Suas respostas. Quando os discípulos nefitas estavam orando na presença de Jesus, "não repetiam muitas palavras, porque lhes era manifestado o que deviam dizer e estavam cheios de anelo." (3 Néfi 19:24) Em nossa época, o Senhor prometeu:

E então, eis que te será feito de acordo com teus desejos, sim, de acordo com tua fé. (D&C 11:17)

Essas promessas podem ser nossas, se as buscarmos. Empenharmo-nos sinceramente faz parte da capacidade

de intensificar nosso desejo. Anteriormente, já examinamos

a promessa do Senhor a Martin Harris:

(

)

em

fervorosa oração e fé, com o coração sincero, então permitirei que veja as coisas que deseja ver." (D&C 5:24)

Se

prostrar-se

perante

mim

e humilhar-se

Morôni também salientou a necessidade de sermos sinceros na oração, quando disse:

se estas coisas não são

verdadeiras; e se perguntardes com um coração sincero e

[Perguntai]

a

Deus

(

)

com real intenção, tendo fé em Cristo, ele vos manifestará

a verdade delas (

)•

(Morôni 10:4)

ELIMINAR A RAIVA E A CONTENDA DO

CORAÇÃO

Na ocasião em que meu filho quis ajuda para procurar o chapéu e a carteira, eu sabia que não poderíamos ajudá- lo por meio de oração, porque ele estava muito zangado. Simplesmente não é possível conseguirmos respostas para as orações quando estamos sentindo raiva. Contudo, depois de passar algum tempo de joelhos, para humilhar-se e deixar que o Senhor eliminasse a raiva que sentia, ele estava preparado para que tentássemos ajudá-lo a buscar a resposta que desejava. É claro que esse princípio não se aplica somente à raiva, mas a todas as emoções negativas: luxúria, ciúme, cobiça, contenda, vingança, amargura, dúvida, etc.

DISCIPLINAR-SE

MENTALMENTE

Jacó falou da bênção que recebemos sendo mentalmente disciplinados quando oramos:

( )

Eu, Jacó, desejo falar a vós, que sois puros de coração.

Confiai em Deus com a mente firme e orai a ele com grande fé; e ele consolar-vos-á nas aflições e defenderá vossa causa e enviará justiça sobre os que procuram a vossa destruição. (Jacó 3:1)

O Senhor aconselhou Oliver Cowdery, dizendo que não mais seria bem-sucedido em receber inspiração para traduzir o Livro de Mórmon, se primeiro, não o "[estudasse] bem em [sua] mente". (D&C 9:8) Concentrar os pensamentos em um problema ajuda-nos a estar abertos à inspiração do Senhor. Tiago, no Novo Testamento, acrescenta o seu

testemunho de como a concentração mental é importante no que se refere a receber respostas para as orações:

E, se algum de vós tem falta de sabedoria, peça-a a Deus, que a todos dá liberalmente, e o não lança em rosto, e ser-lhe-á dada. Peça-a, porém, com fé, em nada duvidando; porque o que duvida é semelhante à onda do mar, que é levada pelo vento, e lançada de uma para outra parte. Não pense tal homem que receberá do Senhor alguma coisa. O homem de coração dobre é inconstante em todos os seus caminhos. (Tiago 1:5-8)

Centralizar e concentrar os pensamentos na oração e na bênção que buscamos, é um importante exercício de arbítrio que nos ajuda a qualificarmo-nos para receber as bênçãos do Senhor. Essa concentração faz parte da fé, e a fé é fundamental para recebermos respostas para as orações.

Há duas bênçãos importantes que alcançamos quando preparamos o coração e a mente para receber as respostas e bênçãos do Senhor:

Primeiro, isso ajuda-nos a qualificarmo-nos para receber

a bênção que buscamos. O Senhor atende-nos quando nos empenhamos em ser íntegros, tanto na aparência exterior quanto interiormente, e deseja responder às nossas orações

e ajudar-nos em nossos problemas.

Segundo, quando voltamos o coração e mente para o

Senhor, aumenta a nossa capacidade de receber as respostas que Ele envia. Por intermédio de Joseph Smith, o Senhor

disse:

( )

Eis que eu te falarei em tua mente e em teu coração,

pelo Espírito Santo que virá sobre ti e que habitará em teu coração.

Ora, eis que este é o espírito de revelação (

).

(D&C

8:2-3)

O Rei Lími disse aos de seu povo que receberiam as

bênçãos que buscavam do Senhor caso "[se voltassem] para o Senhor com todo o coração e [colocassem a] confiança nele e o [servissem] com toda diligência de [sua] mente". (Mosias 7:33)

O mesmo acontecerá conosco. Se quisermos receber as

respostas para nossas orações, como meu querido filhinho, no caso da batedeira perdida, temos primeiro de preparar nosso coração e mente.

RECEBER RESPOSTAS COM

RAPIDEZ

Antes de encerrarmos o capítulo, quero responder a uma pergunta que sempre me fazem: Haverá alguma coisa que determine a presteza com que o Senhor responde? Por trás da pergunta temos a observação de que parece que o Senhor responde às orações de algumas pessoas imediatamente, enquanto outras têm de lutar por muito tempo. Acho que em Doutrina e Convênios 101 encontramos uma boa resposta para essa pergunta:

Foram vagarosos em atender à voz do Senhor seu Deus; portanto o Senhor seu Deus é vagaroso em atender a suas orações, em responder-lhes no dia de suas tribulações. No dia de sua paz, trataram com leviandade meus conselhos; mas, no dia de suas tribulações, buscaram-me por necessidade, (vv. 7-8)

Nesses versículos o Senhor lamenta; lamenta que a maioria de nós não encare as coisas com seriedade, exceto

em casos de extrema urgência. Então, imploramos a ajuda do Senhor. Ele está dizendo basicamente: "Onde estavam quando as coisas iam bem? Por que não Me buscaram então?" Acredito que quando somos vagarosos em dar ouvidos à voz do Senhor, Ele seja vagaroso em dar ouvidos a nossas orações e responder-nos no dia de nossas tribulações. É claro que, ainda que no passado tenhamos sido lentos em voltar-nos a Deus, podemos arrepender-nos; pois o Senhor prossegue:

Em verdade eu te digo: Apesar de seus pecados, minhas entranhas estão cheias de compaixão por eles. (D&C 101:9)

Acho que se quiserem aumentar a presteza com que o Senhor lhes responde, precisam aumentar a presteza com que vocês respondem à voz do Espírito. Há uma segunda condição: Não podemos atender de

má vontade. "(

solícita (

O Senhor requer o coração e uma mente

)

)";

não somente exige que sejamos "obedientes",

mas também que sejamos "solícitos". (D&C 64:34) Exige ainda que recebamos todas as Suas dádivas com gratidão, até as que aparentem ser provações:

Tendes ordem porém de, em todas as coisas, pedir a Deus, que dá liberalmente; e aquilo que o Espírito vos testificar, assim quisera eu que fizésseis em toda santidade de coração, andando retamente perante mim,

refletindo sobre o resultado de vossa salvação, fazendo

todas as coisas com oração e ação de graças (

).

(D&C

46:7)

Para concluir, se queremos que o Senhor responda rapidamente, temos de ser humildes. Em Doutrina e Convênios 112 encontramos estas belas palavras: "Sê

humilde; e o Senhor teu Deus te conduzirá pela mão e dará resposta a tuas orações", (v. 10) Que pensamento! Se formos humildes, Ele há de conduzir-nos pela mão e mostrar-nos que sacrifício temos de fazer; depois, dará a resposta a nossas orações. Com tudo isso, temos, porém, de lembrar-nos de que mesmo que o Senhor seja rápido em responder, talvez nem sempre Sua resposta seja "sim". Dependendo de Sua sabedoria e vontade, a resposta pode ser "não" ou "talvez depois". Então, em resumo, o que normalmente determina nossa capacidade de receber respostas com rapidez somos nós mesmos: nosso próprio coração e mente. Se formos puros de coração e mente, se eles estiverem voltados para o Senhor, e se estivermos tentando colocar em prática os princípios que discutimos neste capítulo, aprenderemos a aumentar a nossa capacidade de receber respostas com maior rapidez e clareza.

Pontos a

Ponderar

1. Por que é tão importante preparar o coração e mente antes de orar?

2. Cite algumas das principais maneiras pelas quais podemos edificar a fé.

3.

Por que o arrependimento é tão importante para recebermos

bênçãos do Senhor?

4. De acordo com os ensinamentos de Néfi, quais são algumas das

coisas pelas quais não devemos orar? Ou será que devemos orar por tudo? Por quê?

5. Quem nos ensina a não orar? Por quê?

6. Qual é o risco de salientarmos a verdade de que somos

totalmente dependentes do Senhor? Como podemos ser dependentes sem incorrer nesse risco?

7. O que Brigham Young ensinou

pedíssemos orientação ao Senhor e não recebêssemos resposta?

que deveríamos

fazer se

8. Quando pedimos uma bênção, normalmente temos que dar algo em troca. Na maioria das vezes, o que é exigido?

9. Que forma a maioria dos sacrifícios assume?

10. Como podemos intensificar os desejos adequados?

11. Por que é impossível ouvir a resposta do Senhor quando estamos raivosos ou cheios de qualquer outro sentimento negativo?

12. O que determina se receberemos as respostas com rapidez ou

não? (Perguntem-se: "Em que posso melhorar para receber respostas com maior rapidez na vida?")

CAPÍTUL O

3

ALGUMAS SUGESTÕES

QUANTO

À PRÁTICA DA ORAÇÃO

S e já preparamos o coração e mente para orar, o Senhor irá ouvir-nos e abençoar-nos. A disposição de nosso coração é mais importante do que a nossa forma de abordagem em si. Contudo, seremos mais abençoados se orarmos da maneira que o Senhor prescreveu. Falarei a vocês de alguns elementos essenciais na prática da oração.

DIRIGIR-NOS A DEUS COMO NOSSO

PAI

No Pai Nosso, Jesus disse que deveríamos começar dizendo: "Pai nosso, que estás no céu". (Mateus 6:9) Em uma reunião em Kirtland, no Estado de Ohio, Heber C. Kimball contou uma experiência que teve com a filha, e que demonstrou o poder compensador que advém de dirigirmo-nos a nosso Pai com fé:

"Um dia, quando minha mulher estava saindo para fazer uma visita, deu ordens à minha filha Helem Mar de que não tocasse nos pratos; pois se ela quebrasse alguma coisa em sua ausência, iria apanhar quando voltasse. Enquanto minha mulher não estava, minha filha derrubou a mesa e quebrou vários pratos. Então foi lá para fora e orou embaixo de uma macieira, pedindo que o coração da mãe se abrandasse, de modo que, quando

voltasse, não lhe batesse. Quando prometia algo às crianças, a mãe fazia questão de cumprir; e quando voltou, considerou seu dever cumprir a promessa que fizera. Foi com ela para o quarto, mas não teve forças para castigá-la. Seu coração estava tão brando, que lhe foi impossível levantar a mão para a filha. Depois, Helen contou à mãe que havia orado pedindo ao Senhor que ela não lhe batesse". Heber interrompeu a história singela que contava. Os olhos de quem o ouvia estavam rasos d'água. O Profeta Joseph chorava como criança. Ele disse aos irmãos que esse era o tipo de fé que precisavam: a fé de uma criancinha, que se dirigia humildemente ao Pai e pedia o que almejava. (Orson F. Whitney, The Life of Heber C. Kimball, Salt Lake City: Bookcraft, 1945, p. 69.)

Tivemos uma experiência semelhante em nossa própria família. Certo dia, cheguei do trabalho e encontrei meu filho mais novo muito sério. Com ar de extrema tristeza, abraçou-me e pediu-me que fosse ao quarto com ele. Ali, em cima da cama, estavam o meu termômetro do quintal e uns sete dólares em notas e moedas (todo o dinheiro que ele tinha). Entre suas lágrimas, percebi que ele estava triste de verdade, mas tinha quebrado o termômetro com uma bolada. O pior é que, uma semana antes, tinha quebrado também o termômetro do jardim. (Esse eu consegui consertar.) Ele sabia que tive trabalho para regular os dois termômetros de modo a funcionarem em harmonia para medir a temperatura de dois lugares, e que também regulara o termostato que tínhamos dentro de casa de acordo com eles. Ele tinha certeza absoluta de que eu ficaria muito aborrecido.

Abracei-o e disse que o perdoava. Ele estava tão arrependido que não tive coragem de fazer com que pagasse o estrago, apesar de ser o que eu normalmente faria.

Mais tarde, na mesma noite, ele me disse que, de manhã, havia orado fervorosamente, pedindo ao Senhor que o pai não ficasse zangado com ele. Ele sabia que sua oração tinha sido respondida. Algo que aconteceu na manhã seguinte fez com que tudo isso fosse ainda mais enternecedor. Quando estávamos lendo as escrituras, começamos a falar de como o Espírito se achega a nós e nos abençoa. Perguntei às crianças: "Qual foi a última vez em que verdadeiramente sentiram que o Espírito os ajudou?" Meu filho mais novo respondeu, muito emocionado: "Foi ontem". Então, contou-me que, assim que saí do quarto na noite anterior, orou outra vez. Ajoelhou-se e agradeceu a Deus de todo o coração por responder-lhe a oração e ajudar seu pai a não ficar aborrecido com ele. Disse: "Acho mesmo que Espírito me influenciou e consegui que minha oração fosse respondida. Fico contente por ter agradecido ao Senhor." Sou grato porque podemos recorrer ao Pai com simplicidade, como essas histórias e o Pai Nosso demonstram. O que Ele quer não é ouvir palavras difíceis; quer ouvir palavras simples que venham do coração e digam o que sentimos. Se O reconhecerem como sendo o seu Pai Celestial e tratarem-No assim (e eu saliento: como sendo seu Pai), suas orações terão muito mais impacto.

ORAR EM NOME DE JESUS

CRISTO

Jesus é o nosso Senhor e Salvador. É nosso advogado junto ao Pai. Devemos fazer tudo em Seu nome. Essa é uma das regras dadas por Deus desde o princípio. Um anjo ensinou a Adão:

( )

Farás tudo o que fizeres em nome

do Filho; e

arrepender-te-ás e invocarás a Deus em nome do Filho para todo o sempre. (Moisés 5:8)

Néfi reiterou esse princípio:

( )

Nada deveis fazer para o Senhor sem antes orar ao

Pai, em nome de Cristo (

).

(2 Néfi 32:9)

O Senhor ensinou a mesma coisa a Seus quando estava na Terra:

discípulos

Tudo quanto pedirdes em meu nome eu o farei, para

que o Pai seja glorificado no Filho. Se pedirdes alguma coisa em meu nome, eu o farei. (João 14:13-14)

( )

Estes são os princípios básicos da oração: Orar com sinceridade de coração e pensamento, dirigir-se ao Pai e orar em nome de Jesus Cristo. Se fizermos essas coisas, tudo mais entrará nos eixos. Há, porém, mais coisas que devemos considerar. Aqui estão alguns aspectos da prática da oração que devem ter em mente:

ENCONTRAR UM LUGAR

CALMO

O Senhor disse a Oliver Cowdery:

Se desejas mais um testemunho, volve tua mente para a noite em que clamaste a mim em teu coração a fim de saberes a respeito da veracidade destas coisas. Não dei paz a tua mente quanto ao assunto? Que

maior testemunho podes ter que o de Deus?

6:22-23)

(D&C

O Senhor normalmente nos fala por sussurros tranqüilos. Se não estivermos em um lugar tranqüilo, sossegado, quando nos dirigirmos a Ele, é possível que não escutemos (ou sintamos) Suas respostas.

AJOELHAR-SE

O ato de ajoelharmo-nos, quando possível, demonstra

nossa humildade e confiança no Senhor. Demonstra que

reconhecemos a Sua grandiosidade e nossa

como diria o Rei Benjamim. (Ver Mosias 4:11.)

Já citamos o que o Senhor disse a Martin Harris como

censura e promessa:

"nulidade",

Ele se exalta a si mesmo e não se humilha

suficientemente perante mim; mas se prostrar-se perante mim e humilhar-se em fervorosa oração e fé, com o coração sincero, então permitirei que veja as coisas que deseja ver. (D&C 5:24)

( )

PONDERAR E ESTUDAR

MENTALMENTE

No que se refere à oração e revelação, nossa mente precisa estar ativa e envolvida em algo, caso queiramos receber respostas do Senhor. Se tudo o que fizermos for esperar passivamente que surja algo em nossa mente vazia, vamos ficar esperando. O Senhor exige que utilizemos nosso arbítrio como um requisito prévio importante para recebermos as respostas para as orações. O processo inclui a ponderação e a reflexão.

O Senhor disse a Oliver Cowdery:

Eis que não compreendeste; supuseste que eu o concederia a ti, quando nada fizeste a não ser pedir-me. Mas eis que eu te digo que deves estudá-lo bem em tua mente; depois me deves perguntar se está certo e, se estiver certo, farei arder dentro de ti o teu peito; portanto senti rás que está certo. Mas se não estiver certo, não terás tais sentimentos; terás, porém, um estupor de pensamento que te fará esquecer o que estiver errado; portanto não podes

escrever aquilo que é sagrado a não ser que te seja concedido por mim. (D&C 9:7-9)

Como percebem nesta declaração do Senhor, Ele não quer que somente peçamos, supondo que Ele resolverá todos os nossos problemas. Isso faria com que ficássemos dependentes e fracos. Em vez disso, quer que participemos da solução de nossos problemas; portanto, temos de pensar no assunto, ponderá-lo, quem sabe pedir conselhos a outras pessoas e, depois, pedir ao Senhor que confirme nossa decisão ou rumo.

O Senhor deixa claro também que se o rumo ou decisão que tomamos não estiver certo, Ele nos dará um estupor de pensamento, que fará com que esqueçamos o rumo ou decisão que tomamos. Se uma coisa não é certa e esperarmos um pouco, muitas vezes, em poucos dias teremos sentimentos diametralmente opostos aos que tivemos anteriormente e, com isso, receberemos a resposta para nossa oração.

PEÇAM!

O Senhor raramente responde às perguntas que não fizemos. Raramente concede-nos coisas que não pedimos. Jesus ensinou esse princípio quando estave na Terra. Ele disse:

Pedi, e dar-se-vos-á; buscai,e encontrareis; batei, e abrir-se-vos-á. Porque, aquele que pede, recebe; e, o que busca, encontra; e, ao que bate, abrir-se-lhe-á. E qual de entre vós é o homem que, pedindo-lhe pão o seu filho, lhe dará uma pedra? E, pedindo-lhe peixe, lhe dará uma serpente? Se vós, pois, sendo maus, sabeis dar boas coisas aos

vossos filhos, quanto mais vosso Pai, que está nos céus, dará bens aos que lhe pedirem? (Mateus 7:7-11)

Encontramos essa promessa em muitas passagens de escrituras. Se quiserem ver com os próprios olhos a abrangência do que o Senhor nos promete caso peçamos, vejam Tiago 4:2-3; 2 Néfi 32:4; 3 Néfi 27:28-29 e Doutrina e Convênios 6:5, 42:68 e 103:31. Entretanto, existem certas condições. Temos de crer (Mateus 21:22; Enos 1:15); temos de estar em Cristo e permitir que as Suas palavras estejam em nós (João 15:7); temos de "[guardar] os seus mandamentos e [fazer] o que é agradável à sua vista" (I João 3:22); temos de pedir "segundo a sua vontade" (I João 5:14); temos de "não pedir impropriamente" (2 Néfi 4:35); temos de pedir o que é

"justo" (Mosias 4:21; 3 Néfi 18:20); temos de "crer em Cristo, sem de nada duvidar" (Mórmon 9:21); temos de pedir "o

com fé e crendo que [receberemos]"

(Morôni 7:26) e temos de pedir o que for "para [nosso] bem" (D&C 88:64). Néfi resume muito bem essas exigências:

que for bom, (

)

Se não endurecerdes vosso coração e me pedirdes com fé, acreditando que recebereis, guardando diligentemente os meus mandamentos, certamente estas coisas vos serão dadas a conhecer. (1 Néfi 15:11)

O ato de pedir é tão importante que dele dependeu até a restauração do evangelho. Eis o relato que Joseph Smith fez falando de como o ato de pedir levou-o a ter a Primeira Visão (e a todos os acontecimentos posteriores):

Em meio à inquietação extrema causada pelas controvérsias desses grupos de religiosos, li um dia na Epístola de Tiago, primeiro capítulo, versículo cinco, o

seguinte: £, se algum de vós tem falta de sabedoria, peça-a a

Deus, que a todos dá liberalmente, e o não lança em rosto, e

Jamais uma passagem de escritura penetrou com mais poder no coração de um homem do que essa, naquele momento, no meu. Pareceu entrar com grande força em

cada fibra de meu coração. Refleti repetidamente sobre ela, tendo consciência de que se alguém necessitava de

sabedoria de Deus, era eu, (

Finalmente cheguei à conclusão de que teria de permanecer em trevas e confusão, ou fazer como Tiago aconselha, isto é, pedir a Deus. Resolvi "pedir a Deus", concluindo que, se ele dava sabedoria aos que tinham falta dela e concedia-a liberalmente, sem censura, eu podia aventurar-me. Assim, seguindo minha determinação de pedir a Deus, retirei-me para um bosque a fim de fazer a tentativa. Foi na manhã de um belo e claro dia, no início da primavera de 1820. (Joseph Smith-História 1:11-14; grifo do autor)

)

Joseph escreveu o seguinte, depois que o céu se abriu e Deus concedeu-lhe a Sua luz da verdade:

Descobrira ser verdadeiro o testemunho de Tiago: que um homem que necessitasse de sabedoria podia pedi-la a Deus e obtê-la, sem ser repreendido. (Joseph Smith-História 1:26; grifo do autor)

Pela experiência que tenho com muitos membros, o que percebi é que se lutam para conseguir respostas, não é porque não sejam dignos ou não estejam à altura, mas porque não pedem (ou pedem uma ou duas vezes e desistem, sem verdadeiramente persistir e implorar que o Senhor responda). É claro que a dignidade pessoal é necessária, como já discutimos, mas esta é a promessa: se pedirmos com sinceridade de coração, receberemos. Quando estiverem lutando contra a sensação de não serem dignos, de não merecerem ou de não estarem à

altura, lembrem-se de que o Senhor não exige que sejamos perfeitos nem quase perfeitos para responder às nossas

orações. O que deseja é dar-nos as respostas que nos serão de ajuda no longo caminho da perfeição. O que exige é que

peçamos

história. Temos de pedir repetidamente, com persistência e vontade sincera. Não nos devemos esquecer de que existe uma grande diferença entre pedir conhecimento ao Senhor e pedir que

Ele interfira nos acontecimentos da vida ou em fatores como

o tempo, doenças, o comportamento de outras pessoas, etc. Por um lado, o Senhor prometeu muitas vezes que está

à espera para derramar conhecimento sobre a cabeça dos

membros da Igreja. Nesse caso, parece que há poucas barreiras para recebermos as repostas, contanto que nos humilhemos e peçamos. Por outro lado, pedir que o Senhor mude acontecimentos ou fatores que afetem a nós mesmos ou outras pessoas é bem mais complicado porque há muitas variáveis. No caso de tentar alterar fatores como o tempo, as provações de alguém e os acontecimentos da vida, pode ser que o Senhor tenha determinado muitos desses fatores ou acontecimentos com algum propósito que desconheçamos. Quando a questão é orar pedindo a modificação do comportamento de outra pessoa, não se pode desrespeitar o livre-arbítrio dela, ou, talvez, o Senhor tenha um plano particular em andamento para o desenvolvimento dessa pessoa, ou outros estejam sendo influenciados ou abençoados por orar por ela, etc. Considerando-se tudo o que não sabemos, quando pedimos ao Senhor que mude determinados

acontecimentos ou fatores, faríamos bem se orássemos

e não basta pedir uma vez e acabar com a

sinceramente ao Senhor, pedindo que faça o melhor para todos os envolvidos, e confiássemos sempre Nele.

A

LINGUAGEM DA ORAÇÃO

Deus fica feliz quando demonstramos respeito a Ele utilizando a linguagem de oração formal. Em vez de utilizar expressões altamente familiares como "você" e similares, devemos utilizar a linguagem das escrituras: "vós", "vosso", etc. Há quem não se sinta à vontade para utilizar esse tipo de linguagem por achar que não a emprega bem. Porém, quanto mais orarmos dessa maneira e aprendermos esse tipo de linguagem respeitosa, imergindo-nos nas escrituras, maior será nossa facilidade de utilizá-la em nossas orações.

Assim pois é que vós haveis de orar: Pai nosso que estais nos céus: santificado seja o vosso nome. (Mateus

6:9)

N Ã O REPETIR MUITAS

PALAVRAS

Quando os discípulos nefitas estavam orando na presença de Jesus, deram-nos um bom exemplo. Diz o relato:

Continuavam orando a ele, sem cessar; e não

repetiam muitas palavras, porque lhes era manifestado o que deviam dizer e estavam cheios de anelo." (3 Néfi

( )

19:24)

Isso está em harmonia com o mandamento que o Senhor deu aos judeus, em Seu ministério mortal. Ele disse:

"E, orando, não useis de vãs repetições, como os gentios, que pensam que por muito falarem serão ouvidos". (Mateus 6:7; ver também, 3 Néfi 13:7.) Quando oramos em público, devemos tomar o cuidado

de nunca ser dominados pelo desejo de ser honrados pelos homens. (O que faria com que orássemos sem sinceridade ou que alongássemos a oração sem necessidade.) Devemos tomar o mesmo cuidado quanto a orarmos para o público de pessoas mortais, em vez de orarmos apenas para ser ouvidos pelo Senhor. Devemos sempre ter o cuidado de evitar os floreios quando oramos e de não orarmos para impressionar. Certamente esse tipo de abordagem não agrada ao Senhor, e Ele não responderá às orações de alguém que não estava concentrado no Senhor, ou que ora sem sinceridade.

ORAR EM VO Z

ALTA

O Senhor disse a Martin Harris uma coisa que se aplica a todos nós:

[Ordeno-te] que ores em voz alta, assim como em teu coração; sim, perante o mundo, como também em segredo; em público, assim como em particular. (D&C

(

)

19:28)

Existe certa força na oração em voz alta. Ela ajuda-nos a concentrar os pensamentos e sentimentos. Algumas das orações mais importantes que temos

registradas foram feitas em voz alta. Falando da grandiosa oração intercessória que Jesus proferiu pouco antes de entrar no jardim do Getsêmani, João disse: "Jesus falou

(João 17:1) Temos algumas das palavras que

Jesus disse no jardim, o que indica que, pelo menos parte da oração foi em voz alta. (Ver Mateus 26:39^44.) Quando Jesus esteve entre os nefitas, orou em voz alta, com palavras que "não podem ser escritas". (3 Néfi 17:15)

Ao que parece, houve outras pessoas que oraram em voz alta. Néfi escreveu: "Durante o dia eu ousadamente lhe

assim (

)".

dirigi fervorosa oração; sim, elevei minha voz ( 4:24) Enos disse:

)".

(2 Néfi

Ajoelhei-me ante o meu Criador e clamei-lhe, em

fervorosa oração e súplica, por minha própria alma; e clamei o dia inteiro; sim, e depois de ter anoitecido, continuei a elevar minha voz até que ela chegou aos céus. (Enos 1:4)

( )

Néfi, filho de Helamã, foi à torre em seu jardim para orar, e os passantes ouviram a oração. (Ver Helamã 7:6-11.) Na ocasião em que Alma e seu povo foram sujeitados ao cativeiro pelos lamanitas, clamaram a Deus pedindo que os libertasse, até que os guardas receberam ordens de matar todos os que orassem em voz alta. (Ver Mosias 24:10-12.) Finalmente, temos Joseph Smith, que orou em voz alta no Bosque Sagrado e, com isso, abriu as portas da grandiosa restauração do evangelho nesta última dispensação dos tempos. (Ver Joseph Smith—História 1:14.) Ainda que essas instruções quanto à oração em voz alta sejam muito importantes, o Senhor constantemente ensina também a orar em segredo. Às vezes pode ser somente um pensamento, um sentimento ou uma expressão de gratidão, mas esse tipo de oração é igualmente eficaz. A oração pode ser simples como se disséssemos no coração: "Pai Celestial, ajude-me, por favor", ou "Fale, Senhor, o Teu servo ouve", sabendo que o Senhor realmente responde esse tipo de oração, bem como ao outro. O Senhor disse a Oliver Cowdery:

[Procuraste-mel e eis que, tantas vezes quantas inquiriste,

recebeste instruções de meu Espírito. (

Eis que tu sabes que me inquiriste e que te iluminei a mente; e agora te digo estas coisas para que saibas que foste iluminado pelo Espírito da verdade;

Sim, digo-te para que saibas que ninguém há, a não ser

)

Deus, que conheça teus pensamentos e os intentos de teu coração. (D&C 6:14-16)

Fica claro que Oliver Cowdery tinha perguntado algo ao Senhor e não percebeu que havia recebido a resposta. O Senhor, então, revelou que sabia que Oliver tinha orado a Ele e que havia respondido à oração. Outra coisa que deixou claro foi que somente Deus sabe os intentos do coração das pessoas. Há muitas ocasiões em que é adequado que oremos em silêncio, e há outras em que preferimos orar em voz alta. Seja como for, no decorrer dos anos, os profetas ensinaram que ao menos duas vezes ao dia, devemos arranjar um lugar isolado, ajoelhar-nos e abrir nosso coração ao Pai Celestial. Depois, durante o dia, podemos empenhar-nos ao máximo para ter sempre uma oração no coração. Fazendo isso, se nossa intenção for correta, veremos que a força e objetividade de nossas orações aumentou e que estamos em melhores condições de receber respostas.

ORAR

REPETIDAMENTE

O Senhor não gosta de repetições vãs, mas quando oramos com toda a sinceridade, nossos pedidos não são "vãos", ainda que muitas vezes sejam repetidos. Quando estávamos tentando encontrar o chapéu e a carteira de meu filho, achamos que vinha ao caso invocar o Senhor várias vezes. Oramos juntos, depois, oramos novamente quando chegamos ao campo. Enquanto o percorríamos, não deixamos de ter uma oração no coração. Depois que encontramos o que havia sido perdido, fizemos uma oração sincera de agradecimento. Logo depois de ter-nos ensinado a orar, com o Pai Nosso, o Senhor deu-nos uma parábola que nos ajuda a compreender esse conceito. Ele disse:

Qual de vós terá um amigo, e, se for procurá-lo à meia- noite, e lhe disser: Amigo, empresta-me três pães, Pois que um amigo meu chegou a minha casa, vindo de caminho, e não tenho que apresentar-lhe; Se ele, respondendo de dentro, disser: Não me importunes; já está a porta fechada, e os meus filhos estão comigo na cama; não posso levantar-me para tos dar; Digo-vos que, ainda que não se levante a dar-lhos, por ser seu amigo, levantar-se-á, todavia, por causa da sua importunação, e lhe dará tudo o que houver de mister. E eu vos digo a vós: Pedi, e dar-se-vos-á; buscai, e achareis; batei, e abrir-se-vos-á. (Lucas 11:5-9)

Aqui, o Senhor está dizendo que podemos invocar o Pai Celestial repetidas vezes para pedir a mesma coisa. Desse modo, demonstramos nossa sinceridade e a intensidade de nosso desejo. Pode haver quem tema que nesse processo nos repitamos demais. O Senhor sabe que pediremos as mesmas coisas em oração muitas vezes no decorrer dos anos. Talvez até repetindo muitas palavras. Isso não é problema. A meu ver, a repetição só é problema quando não há sinceridade de nossa parte, e estamos meramente proferindo palavras; aí, passa a ser a repetição vã, que o Senhor condena.

ESTAR ATENTO PARA ESCUTAR AS

RESPOSTAS

Considerando-se que o Senhor fala normalmente com voz mansa e delicada, muitas vezes não escutamos Suas respostas, a menos que despendamos tempo para escutar. Creio que as melhores orações são muitas vezes pontuadas de silêncio; não estamos somente falando com nosso Pai, estamos também escutando o que Ele responde. Sendo assim, quando terminamos a oração, permanecemos de joelhos por alguns momentos, antes de darmos prosseguimento aos afazeres do dia, para continuarmos a buscar sentimentos e respostas.

Pontos a

Ponderar

1. Cite alguns dos princípios mais básicos da oração.

2. Por que é bom procurar um lugar silencioso e tranqüilo para

orar?

3. O que o ato de ajoelharmo-nos diante do Senhor simboliza?

4. Por que o Senhor muitas vezes exige que ponderemos como

parte de nossa preparação para receber a resposta de nossa oração?

5. Apesar de serem dignos, muitos membros têm de lutar para

receber respostas. Por quê?

6. Por que é importante que sejamos persistentes em orar e não desistamos facilmente?

7. Quais são as vantagens de orarmos em voz alta? E as de orarmos em silêncio?

CAPITUL O

4

PRINCÍPIOS QUE TORNAM A ORAÇÃO MAIS EFICAZ

M á não muito tempo, um de nossos filhos, que estava na missão, escreveu para casa e contou-nos uma experiência comovente que teve com a oração. Ele estava andando de bicicleta no escuro, atrás do companheiro, em algum lugar de Pachua, no México. Estavam atrasados para uma palestra. Ele disse: "Enquanto corríamos no escuro, senti que devia orar. Foi o que fiz. Orei agradecendo por ser missionário, por estar no México e por servir aos lamanitas. Fiz o melhor que pude para exprimir minha gratidão ao Senhor; Bem no meio da oração, senti o Espírito dizer-me:

'Coloque a outra mão no guidom'. (Como sabe, sempre ando de bicicleta com uma só mão.) Obedeci e, em questão de segundos, quase dei com a bicicleta em um buraco fundo no meio da estrada. Como eu estava usando as duas mãos, consegui desviar do buraco e ir em frente em segurança." Ele poderia ter-se machucado gravemente, mas saiu ileso. Desse incidente, tirou duas conclusões importantes. Disse: "Muitas vezes acontece algo que me lembra de como a voz do Espírito é suave. É tão suave que se não estivermos tranqüilos, não a escutaremos". Ele testificou também:

"Acredito que se não estivesse orando naquele exato

momento, não teria ouvido a voz. Como estava orando, ouvi". Ouvimos a voz do Espírito mais facilmente quando estamos constantemente em oração; e quando a reconhecemos e obedecemos, nossa oração torna-se mais eficaz. Creio, portanto, que aprendemos a ouvir melhor o Espírito quando aprendemos a orar constantemente. Acho que precisamos aprender a orar o dia todo; orar quanto a coisas grandes e pequenas só para ter certeza, só para conversar, dizer ao Senhor o que sentimos e o que estamos fazendo. Mas isso não é tudo. Temos ainda de estar abertos a qualquer ordem que Ele nos queira dar. Às vezes a ordem chega de um modo impressionante; às vezes, não chega quase nada, mas precisamos estar abertos. Quero salientar que, quando aprendemos verdadeiramente a orar sem cessar (a ter o coração quebrantado e voltado para o Senhor, e o espírito contrito); quando aprendemos a fazer isso, criamos um ambiente em que o Senhor pode falar diretamente a nós; e no qual ouvimos a Sua voz. O Senhor quer que sejamos Seus amigos em oração, tanto quando tudo vai bem quanto nos dias difíceis. Temos de tentar "[buscar a Deus] em cada pensamento". (D&C 6:36) Este é um importante princípio da oração: reconhecer que dependemos de Deus e sempre na vida buscar Seu poder e bênçãos. Neste capítulo, falaremos desse princípio da oração e de vários outros.

RECONHECER QUE DEPENDEMOS DO

SENHOR

Parece que a maioria de nós tenta resolver os problemas sozinha, contando com a própria força. E, na verdade, o Senhor ordenou que orássemos quanto a todas as coisas:

Portanto permita Deus, meus irmãos, que comeceis a exercer vossa fé para o arrependimento, que comeceis a invocar seu santo nome, para que tenha misericórdia de vós. Sim, clamai a ele por misericórdia, porque ele é poderoso para salvar. Sim, humilhai-vos e continuai em oração a ele. Clamai a ele quando estiverdes em vossos campos, sim, por todos os vossos rebanhos. Clamai a ele em vossas casas, sim, por todos os de vossa casa, tanto de manhã como ao meio-dia e à noite. Sim, clamai a ele contra o poder de vossos inimigos. Sim, clamai a ele contra o diabo, que é o inimigo de toda retidão. Clamai a ele pelas colheitas de vossos campos, a fim de que, por meio delas, prospereis. Clamai pelos rebanhos de vossos campos, para que aumentem. Mas isto não é tudo; deveis abrir vossa alma em vossos aposentos e em vossos lugares secretos e em vossos desertos. Sim, e quando não clamardes ao Senhor, deixai que se encha o vosso coração, voltado continuamente para ele em oração pelo vosso bem-estar, assim como pelo bem- estar de todos os que vos rodeiam. (Alma 34:17-27)

Aparentemente, não restam dúvidas de que devemos orar quanto a todas as coisas. Como o Senhor disse nesta dispensação:

Tendes ordem porém de, em todas as coisas, pedir a Deus, que dá liberalmente; e aquilo que o Espírito vos testificar, assim quisera eu que fizésseis em toda santidade de coração, andando retamente perante mim,

refletindo sobre o resultado de vossa salvação, fazendo

todas as coisas com oração e ação de graças (

).

(D&C

Tenho a impressão que muitos de nós passam os dias tentando resolver sozinhos os problemas (espirituais, temporais e outros) e não se voltam para o Senhor como deveriam. Podemos receber todo tipo de bênçãos do Senhor, mas temos de pedir, temos de pedir com fé, e temos de saber que somos totalmente dependentes do Senhor em todo o nosso sustento.

ORAR

INCESSANTEMENTE

"Ora sempre, para que saias vendedor", disse o Senhor, "sim, para que venças Satanás". (D&C 10:5) No magnífico sermão que acabei de citar a respeito da

oração, Amuleque lembra-nos: "(

ao Senhor, deixai que se encha o vosso coração, voltado

continuamente para ele em oração (

Quando o nosso coração está continuamente voltado para o Senhor, abrimos mais o canal de comunicação entre Ele e nós, o que nos ajuda a ser mais receptivos a Suas respostas a nossas orações.

quando não clamardes

)

)".

(Alma 34:27)

ORAR

FERVOROSAMENTE

Tiago escreveu: "A oração [fervorosa! feita por um justo pode muito em seus efeitos". (Tiago 5:16) E Morôni prometeu que nossas orações seriam respondidas se pedíssemos "com um coração sincero e com real intenção, tendo fé em Cristo". (Morôni 10:4) Quando oramos com fervor, oramos com real intenção, oramos com o coração. Queremos dizer de fato o que dizemos e dizemos o que sentimos. Isso nos dá mais humildade, dá à nossa oração mais força do que temos quando oramos apenas superficialmente, quando, talvez, estejamos apenas dizendo palavras.

FAZER PEDIDOS

ESPECÍFICOS

O Senhor Se envolverá em coisas específicas de sua vida

se O convidarem. Em minha própria vida, vi repetidamente

o quanto isso é verdadeiro. Posso estar lutando com um

problema e experimentando todos os tipos de solução. Aí, depois de sentir a frustração que normalmente vem de confiar em minha própria força, finalmente me humilho e peço ajuda de forma bem específica. Sou testemunha de que o Senhor sempre me faz ter idéias ou pensamentos ou sentimentos que me ajudem a chegar à solução do problema. Certamente, sou grato por ter um Pai Celestial bondoso e amoroso, que responde às orações e o faz imediatamente. Testifico que o problema que a maioria de nós tem é não ser suficientemente específico no que pedem ou, quem sabe, não o fazer com a força da real intenção. O Senhor quer muito abençoar-nos, mas muitos não pedem. Testifico também que o Senhor responde às orações de

Seus filhos, quando feitas com fé. Ele dará respostas quanto

a qualquer assunto importante para nós, devido ao imenso

amor que tem a cada um dos filhos. Que cada um de nós seja mais específico quando orar e o faça com real intenção, para que o céu nos responda mais efetivamente.

LIVRAR-SE DA DÚVIDA E DO

MED O

Sempre fico impressionado quando penso na força negativa que a dúvida e o medo exercem na força da fé. Joseph Smith disse basicamente: "Não é possível que a dúvida e o medo tenham lugar na mente do homem ao mesmo tempo que a fé. Ou um, ou o outro terá de sair". [Ver N. B. Lundwall (org), Lectures on Faith, Salt Lake City, s/d, preleção 4, parágrafo 13.] Uma das maiores dificuldades de tentar realizar algo

por meio de fé e oração é verdadeiramente acreditar que dará certo. A dúvida e o medo têm tanta força que, às vezes, dissuadem-nos de tentar logo de início, ou quando começamos, podem induzir-nos a abandonar tudo. Todos conhecem a história de quando Pedro andou sobre as águas. Ele viu Jesus aproximar-se na superfície do

mar e, em um ato de muita fé, disse: "(

contigo". (Mateus 14:28). Jesus ordenou que fosse, e Pedro saiu do barco. Imaginem o que ele sentiu ao colocar todo o peso nos pés e começar a entrar no Mar da Galiléia. Então, repentinamente, ele começou a caminhar, foi o segundo homem na história (pelo que sabemos) a andar sobre a água! Nesse momento, parece que o diabo entrou em cena. O vento se enfureceu, as ondas aumentaram e Pedro começou a duvidar; ficou atemorizado e afundou na água escura e assustadora.

Jesus estendeu a mão e salvou-o, dizendo: "Homem de pouca fé, por que duvidaste?" (Mateus 14:31) Jesus poderia também ter acrescentado: "Pedro, meu poder suste-lo-ia enquanto você acreditasse, andasse e tivesse fé. Mas no momento em que deu lugar à dúvida, viu o que aconteceu?" Que lição! Como é importante! Tenho de dizer que conforme minha mulher e eu tentamos aumentar nossa fé e a de nossa família no transcorrer dos anos, o maior obstáculo que enfrentamos foi acreditar verdadeiramente, de todo o coração, acreditar de antemão, não duvidar nem temer, e não desistir. Se conseguirem fazer isso e tiverem fé inabalável, receberão as bênçãos que buscam (presumindo- se, é claro, que o que desejem esteja em harmonia com a vontade do Senhor). Já ouvi algumas pessoas dizerem: "Vou tentar, mas tenho certeza que não vai dar certo". Elas estão certas. Estão cheias de dúvidas. Ouvi também outras pessoas dizerem:

)

manda-me ir ter

"Não sei como vai ser, mas o Senhor prometeu, e eu tenho certeza que vai dar certo". Elas estão certas, porque estão cheias de fé.

ACREDITAR QUE, PARA DEUS, NAD A É

IMPOSSÍVEL

Na ocasião em que o Senhor prometeu que Abraão e Sara teriam um filho na idade avançada em que estavam, Sara questionou a promessa, e o Senhor respondeu:

"Haveria coisa alguma difícil ao Senhor?" (Gênesis 18:14) E quando o anjo prometeu que Isabel teria um filho "em sua velhice", apesar de ela sempre ter sido estéril, ele disse:

"Porque para Deus nada é impossível". (Lucas 1:36-37) Nas tentativas de receber respostas para nossas orações, temos de realmente acreditar que esse princípio é verdadeiro. Parece que o Senhor trabalha melhor em situações impossíveis, ou quase!

FAÇA TUDO O QUE ESTIVER A SEU

DEIXE QUE O SENHOR FAÇA O RESTO

Há outro modo de expressar esse princípio: Ore como se tudo dependesse do Senhor; depois, aja como se tudo dependesse de você. Lembrem-se da experiência que tivemos quando procuramos o chapéu e a carteira perdidos: oramos várias vezes, depois, montamos e procuramos. Não demos só uma procuradinha e desistimos. Passamos o máximo de tempo possível procurando, orando mentalmente pelo caminho. Quando conseguimos uma bênção do Senhor, não é só pelo trabalho que tivemos. O trabalho não proporciona a bênção necessariamente, mas demonstra nosso desejo sincero, o que permite que o Senhor nos abençoe. Sendo assim, aqui vai o princípio: Temos de fazer tudo o que estiver a nosso alcance e, depois, deixar que o Senhor

ALCANCE;

faça o resto. Isso indica que precisamos descobrir o que o Senhor exige e, então, fazê-lo. Tem uma coisa que eu aprendi com os anos. É que temos de saber o preço logo do início. Precisamos decidir com certeza o que faremos antes de buscarmos determinada bênção. Que sacrifícios e ofertas o Senhor exige? O que estamos dispostos a fazer? O que faremos se não recebermos a bênção que buscamos? Endureceremos o coração? Ficaremos zangados com o Senhor? Diremos que as orações não têm efeito? Ou será que diremos: "Pai Celestial, não sei por que não deu certo. Dei o máximo de mim e, ainda assim, não deu certo, mas sei que não foi Sua culpa. Talvez não fosse da Sua vontade, ou eu tenha deixado a desejar". Minha experiência indica que normalmente o problema é de nossa parte. Muitas vezes não nos sacrificamos o suficiente (ou seja, não pagamos o preço) e, por isso, o céu não responde. Contudo, se estivermos dispostos a pagar o preço, o Senhor sussurrará e dirá algo específico que ainda temos de fazer. Um pouquinho aqui, um pouquinho ali, passa-se mais um mês ou dois e aí conseguimos. Já que fizemos o que o Senhor exigiu, Ele responde. É claro que temos de ter em mente que todos esses princípios estão sujeitos à supremacia da vontade do Senhor. Ele fará sempre o melhor para nós.

FAÇA O QUE O SENHOR

M A S NÃO ACHE QUE TEM DE FAZER MAIS

Esse é um princípio derivado do que acabamos de discutir. Precisamos dar ao Senhor tudo o que Ele exige, mas não precisamos dar mais do que isso. Vejamos um exemplo. Há alguns anos, eu morava em Quito, no Equador. Eu havia tomado um avião para ir a uma conferência de estaca

EXIGE,

em Caracas, na Venezuela. A quantidade de problemas com vôos que eu tivera nesse dia era incrível. Estava acertado que eu viajaria pela Ecuatoriana, para Cali, na Colômbia, onde faria uma conexão para Caracas, mas o vôo foi cancelado e tive de tomar outro avião, da Braniff. Infelizmente, a Braniff não me avisou que faria uma parada de uma hora em Guayaquil, no Equador. Quando cheguei a Cali, já havia perdido o avião para a Venezuela. Senti-me pior ainda quando vi o avião da Ecuatoriana, aquele do vôo supostamente cancelado, parado na pista em Cali. A essas alturas eu já estava ficando frustrado de verdade. Continuei a fazer de tudo, com a ajuda do presidente da missão local, para tentar chegar a Caracas pelo Panamá ou por alguma outra rota, mas não consegui. Depois que perdi o avião, os funcionários do aeroporto disseram-nos que na Colômbia haveria dois dias de feriado nacional e que todos os outros vôos que saíam de Cali estavam lotados. Fiquei sem idéias e já não sabia mais o que fazer.

Na mesma noite, na casa da missão, orei ao Senhor e disse: "A conferência da estaca é Tua. Fiz tudo o que pude para chegar lá e não tenho outras opções. O que devo fazer agora?" Nessa noite, o presidente da missão disse que havia um

vôo de Bogotá para Caracas

Bogotá. Contudo, nós dois sabíamos que todos os vôos estavam lotados. Então, o presidente da missão disse: "Se você quiser mesmo fazer tudo o que estiver ao seu alcance, pode tomar um ônibus agora e passar a noite viajando para Bogotá. Aí, chegaria lá pela manhã, a tempo de tomar o avião para Caracas".

Eu sabia que ele estava certo, mas achei que minha noite seria de maior proveito se ficasse com o presidente da missão, aconselhasse-o e ensinasse-o, em vez de viajar de

se eu conseguisse chegar a

ônibus sozinho. Sabia também que passar a noite toda viajando de ônibus iria deixar-me exausto e, com o cansaço, eu não estaria em condições de desempenhar meu papel nas reuniões da conferência de estaca. Oramos juntos e resolvemos que seria melhor para mim passar a noite em Cali; depois, de manhã, voltaria a tentar tomar um avião. Senti que a viagem de ônibus não era o que o Senhor exigia de mim.

Eu sabia que essa era uma decisão arriscada. Poderia acontecer de ficar preso em Cali e perder a conferência. Mas senti que esta era a resposta a minha oração: Espere até de manhã, depois, volte a tentar. No dia seguinte também não havia lugar no avião, mas o Senhor abriu-me o caminho e peguei o avião para Caracas mesmo assim: consegui convencer o piloto a deixar que eu viajasse na cabine com ele! Escapei de uma viagem exaustiva de ônibus e tive a noite inteira para continuar o trabalho com o presidente da missão. Precisamos tomar muito cuidado quando estamos tentando determinar o quanto o Senhor exige. Queremos fazer tudo o que Ele pede, mas fazer mais do que isso pode ser perda de tempo, energia ou dinheiro; e pode haver outras coisas que Ele queira que façamos em vez disso.

O princípio de fazermos tudo o que pudermos, mas não mais do que o que o Senhor exige, está relacionado à verdade de que o Senhor, muitas vezes, faz com que paguemos um preço espiritual quando pedimos bênçãos. Não se esqueçam de que o preço a ser pago (o sacrifício) varia de acordo com a situação. Às vezes, temos de pagar sem evasivas, outras vezes alguém o pagará vicariamente por nós, ou outras pessoas irão ajudar-nos com sua fé.

CONFIEM EM SUA

DE TER ACESSO AOS PODERES DO

CAPACIDADE

CÉU

Acredito que muitas pessoas confiem que a vontade do Senhor será feita e que Ele pode fazer qualquer coisa, mas não confiam que Ele o faça por elas ou que queira fazê-lo no presente momento. Essa falta de confiança em nossa capacidade de ter acesso aos poderes do céu é uma das principais razões por que a maioria de nossas orações não recebe resposta. Na verdade, em minhas viagens por toda a Igreja, muitas vezes encontro pessoas que dizem: "Minha oração não foi respondida porque não era mesmo da vontade do Senhor". Elas querem responsabilizar o Senhor por não terem recebido resposta para a sua oração. Contudo, muitas vezes a verdade é que elas simplesmente não tiveram fé suficiente; não confiaram suficientemente na própria capacidade de receber respostas. É verdade que devemos pedir que se faça a vontade de Deus, como escreveu João:

E esta é a confiança que temos nele, que, se pedirmos alguma coisa, segundo a sua vontade, ele nos ouve. E, se sabemos que nos ouve em tudo o que pedimos, sabemos que alcançamos as petições que lhe fizemos. (I João 5:14-15)

Entretanto, muitas vezes usamos isso como desculpa. Em vez de tentar passar a responsabilidade para o Senhor quando não recebemos as respostas que queremos ("claro que não era da vontade de Deus"), deveríamos aprender a ter confiança diante Dele, para que "cheguemos, pois, com confiança ao trono da graça" (Hebreus 4:16) e alcancemos o que o nosso coração almeja. Como podemos tornarmo-nos mais confiantes diante do

Senhor? As escrituras dão alguns esclarecimentos que nos podem ajudar. 1. Se temos de pedir o que for da vontade de Deus,

podemos ficar sabendo por revelação o que Ele deseja: "( pelo poder do Espírito Santo podeis saber a verdade de todas as coisas". (Morôni 10:5)

2. É o sacrifício expiatório de Jesus Cristo que possibilita sermos confiantes diante do Pai, e isso acontece com quem

tiver fé nele: "(

no qual temos ousadia e

as riquezas

incompreensíveis de Cristo, (

acesso [ao Pai] com confiança, pela nossa fé nele". (Efésios

)

)

[anuncio] entre os gentios (

)

)

3:8-12)

3. Quem é temente a Deus torna-se confiante: "No

temor do Senhor há firme confiança (

4. Passamos a ser confiantes diante de Deus à medida

não

amemos de palavra, nem de língua, mas por obra e em verdade. E nisto conhecemos que somos da verdade, e

Amados, se

o nosso coração não nos condena, temos confiança para com Deus". (I João 3:18-21)

diante dele asseguraremos nossos corações. (

que nosso coração confirma que Ele nos aprova: "(

)".

(Provérbios 14:26)

)

)

5. Passamos a ter confiança quando recebemos o dom

da caridade e praticamos a virtude: "Que tuas entranhas também sejam cheias de caridade para com todos os

homens e para com a família da fé; e que a virtude adorne teus pensamentos incessantemente; então tua confiança se

fortalecerá na presença de Deus (

Se acham que não têm confiança em sua capacidade de receber respostas de Deus, não coloquem a culpa Nele. Caso decidam se achegar a Ele, empenhando-se em fazer as coisas que acabei de citar, sua confiança aumentará. Vejam que maravilha: Não precisam ser perfeitos nessas coisas para serem confiantes diante de Deus. Têm só que

)".

(D&C 121:45)

empenhar-se honestamente, dia após dia, para que sua confiança Nele e em si mesmos aumente cada vez mais.

ORAR PEDINDO O QUE É

CERTO

Tocamos nesse assunto quando falamos de aumentar a confiança. A força de nossa oração aumenta quando sabemos que estamos pedindo coisas que estão de acordo com o que Deus deseja para nós. Às vezes, oramos com real intenção, para pedir algo que não é certo para nós. Por exemplo: Antes de sair em missão, havia uma jovem que eu achava que era a pessoa com quem verdadeiramente queria casar-me, e tinha certeza de que essa era a coisa certa a fazer. Lembro-me de orar pedindo ao Senhor que nos abençoasse para que, se fosse correto, nosso relacionamento florescesse. Mas tinha certeza de que estava certo e sentia que praticamente não havia necessidade de orar. Quando cheguei de missão e vi que ela já aprontara o vestido de noiva e tudo o mais, fiquei com medo de verdade. Foi aí que começamos a levar mesmo a sério a história de buscar a vontade do Senhor. A conclusão é que o casamento não deveria realizar-se e não se realizou. Ela era uma moça adorável e continua a ser uma boa amiga de minha família; mas casar-me com ela não era a coisa certa a fazer, e estamos muito gratos porque o Senhor nos deu os companheiros de que precisávamos. Estou muito contente porque o Senhor não me deu o que eu pedi.

SER HUMILDE E ACEITAR A VONTADE DO SENHOR EM TUDO

Quando estamos tratando com o Senhor, temos mesmo é que ser humildes de coração. O coração orgulhoso impedirá literalmente que recebamos as respostas. Estar

disposto a submeter-se à vontade do Senhor, seja qual for, faz parte da humildade. Se a disposição de nosso coração estiver correta logo do início, seremos capazes de dizer humildemente ao Senhor: "Conforme o melhor de minha sabedoria, quero tal coisa e vou orar de todo o coração para recebê-la, mas sei que não conheço todas as coisas (como o Senhor, Pai) e caso haja algo que eu não compreenda nisso tudo, submeterei minha vontade à Sua alegremente".

Lembro-me de um magnífico exemplo das escrituras, que ensina esse princípio. Em Daniel 3, o rei estava preparando-se para jogar três fiéis rapazes hebreus na fornalha ardente.

Responderam Sadraque, Mesaque e Abedenego, e disseram ao rei Nabucodonosor: Não necessitamos de te responder sobre este negócio. Eis que o nosso Deus, a quem nós servimos, é que nos pode livrar; ele nos livrará da fornalha de fogo ardente, e da tua mão, ó rei. E, se não, fica sabendo ó rei, que não serviremos a teus deuses nem adoraremos a estátua de ouro que levantaste. (Daniel 3:16-18)

Puxa! Que lição isso ensina! Esses rapazes sabiam que Deus tinha o poder de livrá-los, mas não tinham certeza de que essa fosse a Sua vontade. Mesmo assim, confiaram humildemente na misericórdia de seu Senhor e que Ele faria o que fosse melhor. Lembram-se de que, na história, isso fez com que o rei ficasse tão enraivecido que aqueceu a fornalha sete vezes mais. Ficou tão quente, que os homens que jogaram os jovens hebreus na fornalha morreram com o calor. Depois, Nabucodonosor olhou para o interior da fornalha e disse:

"Não lançamos nós, dentro do fogo, três homens atados?" Seus homens responderam: "É verdade, ó rei". Então ele

disse: "Eu, porém, vejo quatro homens soltos, que andam passeando dentro do fogo, sem sofrer nenhum dano; e o aspecto do quarto é semelhante ao Filho de Deus". (Daniel

3:24-25)

Jesus Cristo, com sua graça, interveio e salvou os rapazes por causa da fé que tinham em Deus e de sua humildade perante Ele. Estavam dispostos a aceitar a Sua vontade que, nesse caso, era proteger, preservar e salvá-los.

SER PROFUNDAMENTE GRATO PELAS BÊNÇÃOS DO SENHOR

Ser profundamente grato é um dos princípios mais importantes para recebermos respostas para as orações. Como disse o Senhor em Doutrina e Convênios: "E no

Espírito deveis render graças a Deus por todas as bênçãos com que sois abençoados". (D&C 46:32) Posteriormente,

aquele que receber todas as coisas com gratidão

disse: "(

será glorificado; e as coisas desta Terra ser-lhe-ão acrescentadas, mesmo centuplicadas, sim, mais". (D&C

)

78:19)

Sendo assim, o que acontecerá se eu for grato pelo que o Senhor me dá? O que essa passagem diz? Receberei mais, "mesmo centuplicadas". Na história do chapéu e da carteira perdidos, fomos abençoados repetidamente por esse princípio de gratidão. A família ficou grata por termos encontrado o chapéu, apesar de ainda não termos encontrado a carteira. Agradecemos a Deus diversas vezes a bênção de encontrarmos os dois objetos perdidos. Chegamos a parar o carro depois de sairmos da fazenda, para fazer outra oração de agradecimento. Meu filho, aparentemente, era quem estava mais consciente dessa verdade. Quando foi ao barracão, depois de encontrar o chapéu, ajoelhou-se e tornou a orar. Depois

ele disse: "Não acredito que teria escutado o sussurro dizendo que me aproximasse dos casacos, se não tivesse orado agradecendo". Acho que aconteceu o mesmo com nosso filho que estava em missão, na ocasião em que estava andando de bicicleta em uma rua escura do México. Como ele estava abrindo o coração e agradecendo ao Senhor, o canal entre ele e Deus estava aberto e ele conseguiu escutar o aviso que ajudou a evitar que se machucasse. Não acredito que seja possível ser demasiadamente grato ao Senhor. Ele concede-nos tantas bênçãos (sendo que nem percebemos a maioria) que acho que é impossível agradecermos o bastante.

O Senhor dá-nos um excelente exemplo de pessoa que

dá anonimamente. Ainda que Ele esteja sempre fazendo boas coisas por nós, temos de esforçar-nos bastante para surpreendê-Lo.

É pena que muitas pessoas não tenham fé e digam:

"Pois é, Deus nunca me ajudou. Nunca recebi uma bênção na vida. Tudo o que tenho consegui sozinho". Acho que elas não sabem o que estão dizendo; pois o Senhor abençoa-nos constantemente, como o Rei Benjamim ensinou. (Ver Mosias

2:19-25.)

A gratidão inclui reconhecermos a mão do Senhor em

nossa vida. O Senhor disse:

E em nada ofende o homem a Deus ou contra ninguém está acesa sua ira, a não ser contra os que não confessam sua mão em todas as coisas e não obedecem a seus mandamentos. (D&C 59:21)

Lembro-me de que quando era moço, a questão de reconhecer a mão do Senhor em minha vida era inquietante para mim. "Foi Ele mesmo, ou não? E se eu Lhe agradecer e, na verdade, não tiver sido Ele?" Há muito tempo deixei disso. Convenci-me de que, como dizem as escrituras, tudo

o que nos acontece de bom em qualquer momento, acontece graças à misericórdia e amor do Senhor Jesus Cristo e de Seu Pai. Considero impossível agradecer-Lhe algo de bom em que Ele não tenha tido participação alguma.

O Senhor lamentou o fato de não poder abençoar os

homens, se não O reconhecerem como sendo quem concede todas as boas dádivas:

Pois de que vale a um homem ser-lhe conferida uma dádiva e não a receber? Eis que ele não se regozija no que lhe foi dado nem se regozija naquele que faz a doação.

(D&C 88:33)

O Senhor está dizendo, em outras palavras: "De que Me

adianta responder às suas orações se você não vai receber a resposta, já que não reconhece a resposta como sendo Minha?" Quando isso acontece, não nos alegramos por termos recebido a dádiva, nem nos alegramos com o Senhor, que a concedeu. Não faria diferença se não tivéssemos recebido a dádiva. Por outro lado, se reconhecermos a mão do Senhor em nossa vida, pedindo bênçãos e alegrando-nos com toda boa dádiva que recebemos, o Senhor responderá.

ORAR COM FÉ, ACREDITANDO QUE

RECEBEREMOS

No capítulo dois, falamos de ter fé em Jesus Cristo. Além disso, temos de acreditar que receberemos o que queremos. O Senhor disse a quem deseja o Espírito Santo: "Pedi ao Pai, em meu nome, com fé, acreditando que recebereis, e tereis o Espírito Santo, que manifesta todas as coisas que são convenientes aos filhos dos homens". (D&C 18:18)

O Senhor ensinou também que "tudo quanto pedirdes

ao Pai em meu nome, que seja justo, acreditando que recebereis, eis que vos será dado". (3 Néfi 18:20)

Esse é um ótimo exemplo de uma ocasião em que o Senhor nos aconselha a acreditar para recebermos; entretanto, como sempre, a promessa depende de ser "justo", ou seja, da vontade do Senhor. Caso achem que sua fé é pouca, podem fazer em oração o mesmo pedido do homem que pediu que Jesus expulsasse um "espírito mudo" de seu filho. "E Jesus disse-lhe: Se tu podes crer, tudo é possível ao que crê. E logo o pai do menino, clamando, com lágrimas, disse: Eu creio, Senhor! ajuda a minha incredulidade." Então, Jesus "repreendeu o espírito imundo" e curou o menino. (Ver Marcos 9:14-29.) Alma fez um grandioso discurso sobre o que fazer caso nossa fé seja pouca. Ele disse:

Comparemos a palavra a uma semente. Ora, se derdes lugar em vosso coração para que uma semente seja plantada, eis que, se for uma semente verdadeira, ou seja, uma boa semente, se não a lançardes fora por vossa incredulidade, resistindo ao Espírito do Senhor, eis que ela começará a inchar em vosso peito; e quando tiverdes essa sensação de crescimento, começareis a dizer a vós mesmos: Deve ser uma boa semente, ou melhor, a palavra é boa porque começa a dilatar-me a alma; sim, começa a iluminar-me o entendimento; sim, começa a ser- me deliciosa. (Alma 32:28)

Nossa capacidade de acreditar aumenta, à medida que recebemos a palavra do Senhor no coração, damos lugar a ela e deixamos que o Espírito opere em nós.

LANÇAR MÃ O DO JEJUM

"(

)

[Dou-vos] um mandamento de que continueis em

oração e jejum a partir de agora." (D&C 88:76) A história que acabei de citar, em que Jesus expulsa um

espírito maligno de um menino, ensina também a

importância do jejum. Antes que Jesus entrasse em cena nessa história, Seus discípulos haviam tentado sem sucesso expulsar o espírito. Depois que Jesus o fez, "seus discípulos lhe perguntaram à parte: Por que o não pudemos nós expulsar? E disse-lhes: Esta casta não pode sair com coisa alguma, a não ser com oração e jejum". (Marcos 9:28-29) O jejum é um sacrifício pequeno que fazemos na tentativa de receber bênçãos maiores do Senhor. Quando jejuamos tentando receber a resposta a uma oração, demonstramos ao Senhor a intensidade do que desejamos

e, por termos utilizado o livre-arbítrio para fazer o sacrifício,

colocamo-nos em melhores condições de receber a bênção que desejamos.

UNIR-SE A OUTRAS

PESSOAS

Temos

mais

força

quando

nos

unimos

em

oração.

Quando conseguimos que várias pessoas orem por nós (uma família, nossos irmãos, amigos, os membros da ala) a força que essa união traz ajuda a aumentar a força de nosso

pedido. Com o tempo, aprendi mais e mais que, quando temos um problema sério que não seja muito pessoal, devemos pedir que toda a nossa família ore quanto a ele, principalmente as criancinhas. Talvez elas não entendam

todos os detalhes do que precisamos, mas basta que saibam

o suficiente para orarem dizendo que o papai ou a mamãe

precisam de tal coisa. Parece que quando elas oram, têm um

canal aberto diretamente com o céu. Elas não só o ajudarão

a receber a resposta à sua oração, mas o processo em si irá

ensinar-lhes várias vezes que o Senhor de fato responde às orações. *

E, como está escrito: Tudo o que pedirdes com fé, estando

unidos em oração, de acordo com minhas ordens, recebereis. (D&C 29:6)

ORAR EM FAVOR DE

OUTROS

As orações feitas em favor de outros têm grande força, talvez até mais do que quando simplesmente oramos por nós mesmos. O Senhor disse a Thomas B. Marsh, que na época era o presidente do Quorum dos Doze:

Conheço teu coração e ouvi tuas orações a respeito de teus irmãos. Não sejas parcial em relação a eles, amando- os mais que muitos outros, mas ama-os como a ti mesmo; e que sobeje teu amor por todos os homens e por todos os que amam meu nome. E ora por teus irmãos dos Doze. (D&C 112:11-12)

Quando oramos fervorosamente por outras pessoas, estamos obedecendo ao segundo grande mandamento:

amar nosso próximo como a nós mesmos. O Senhor escuta nossa súplica em favor delas e as abençoa de acordo com o que desejem receber.

Foi-me proveitoso orar da seguinte maneira, em ocasiões em que estava tentando ajudar outra pessoa:

"Senhor, revela-me o que ele tem no coração. O que posso fazer para ajudá-lo neste momento? Como posso aliviar o seu fardo?" É tão importante ser especifico quando oramos por outras pessoas quanto quando o fazemos por nós mesmos.

O R E PEDINDO O ESPÍRITO E TENHA O ESPÍRITO AO

ORAR

O Espírito é o agente do Senhor para dar-nos muitas bênçãos na vida. Quanto mais tivermos o Espírito conosco, mais força terão nossas orações.

"(

)

O Espírito ser-vos-á dado pela oração da fé (

(D&C 42:14)

)".

O Espírito Santo pode ajudar-nos até a saber o que pedir

em oração. "Aquele que pede em Espírito pede de acordo com a vontade de Deus; portanto é feito como pede." (D&C 46:30) Se recebermos o Espírito por intermédio da oração da fé, poderemos pedir "de acordo com o Espírito" e isso nos ajudará a pedir "de acordo com a vontade de Deus". Orações assim sempre recebem resposta.

O Espírito pode contribuir de outras maneiras com o

processo de comunicação:

E da mesma maneira também o Espírito ajuda as

nossas fraquezas; porque não sabemos o que havemos de pedir como convém, mas o mesmo Espírito intercede por nós com gemidos inexprimíveis.

E aquele que examina os corações sabe qual é a

intenção do Espírito; e é ele que segundo Deus intercede pelos santos. (Romanos 8:26-27)

Fica claro que o Espírito nos ajudará revelando o que devemos pedir em oração.

APRENDA A RECONHECER OS SUSSURROS DO

ESPÍRITO

Temos de aprender a seguir os sussurros do Espírito, quando estamos tentando conseguir respostas para as nossas orações e receber orientação do Senhor. Esses sussurros haverão de ajudar-nos a saber o que o Senhor exige de nós no que se refere à bênção que buscamos. Eles irão ajudar-nos a saber o que pedir em oração e o que fazer a partir daí. Conforme prosseguirmos, os sussurros do Espírito também nos dirão quanta fé precisamos além da que já temos para conseguir o que desejamos. Pode ser que ouçamos um sussurro nos dizer do que precisamos arrepender-nos, como nos achegar mais ao Senhor, que

passos precisamos dar para alcançar a bênção e assim por diante. Resumindo, o Senhor irá guiar-nos nessa experiência, se nos empenharmos em seguir os sussurros que Ele envie. Lembram-se da história que contei no começo do capítulo (aquela em que nosso filho que estava na missão foi inspirado a colocar as duas mãos no guidom da bicicleta e que fala de como isso o ajudou a evitar um acidente perigoso). Esse incidente ajudou-o a lembrar-se de "como a voz do Espírito é suave. É tão suave que se não estivermos tranqüilos, não a escutamos", disse ele. Lembram-se de que disse também: "Acredito que se não estivesse orando naquele exato momento, não teria ouvido a voz. Como estava orando, ouvi".

Não há dúvidas da verdade de que ouvimos a voz com muito mais facilidade quando estamos orando. Por via de regra, precisamos concentrar-nos para escutar a voz. Normalmente a sentimos mais do que ouvimos. Sendo assim, se não estivermos tranqüilos e serenos, normalmente não perceberemos as palavras. Néfi disse aos irmãos:

Haveis ouvido sua voz de tempos em tempos; e ele vos falou numa voz mansa e delicada, mas havíeis

perdido a sensibilidade, de modo que não pudestes

perceber suas palavras (

(

)

).

(1 Néfi 17:45)

A voz é mesmo mansa e suave, como lemos em Helamã:

E aconteceu que quando ouviram essa voz, notaram que não era uma voz de trovão nem uma voz de ruído tumultuoso, mas eis que era uma voz mansa, de perfeita suavidade, semelhante a um sussurro que penetrava até o âmago da alma. (Helamã 5:30)

Já que a voz é tão suave, temos de estar realmente atentos para escutá-la e esperar que sejamos capazes de fazê-lo; caso contrário não o conseguiremos. Se quisermos

aumentar a nossa capacidade de escutar a voz, o melhor que temos a fazer é aprender a orar sem cessar. Sei por experiência própria que quanto melhor aprendemos a orar o dia todo, melhor ouvimos os sussurros que nos ajudam e inspiram quanto ao que devemos fazer. Já vi minha mulher (que sempre sente, ou tem a impressão, quando um de nossos filhos precisa de alguma coisa) manifestar muitas vezes o dom de reconhecer a inspiração. Quando agimos de acordo com a inspiração, sempre passamos por mais experiências que promovem a fé. Houve ocasiões em que isso chegou a livrar um filho nosso de algo que colocaria sua vida em risco. Em muitas outras ocasiões, foram experiências mais simples, que o filho envolvido poderia ter superado sozinho, mas nas quais, graças à atuação do Espírito do Senhor, tudo terminou melhor do que seria de se esperar. Além das sensações a que chamamos de sussurros, o Espírito também nos orienta e responde iluminando o nosso entendimento. O Senhor disse a Hyrum Smith:

Dar-te-ei do meu Espírito, o qual iluminará tua mente e

encher-te-á a alma de alegria (

).

(D&C 11:13)

E a Oliver Cowdery, disse:

Eis que tu sabes que me inquiriste e que te iluminei a

mente; e agora te digo estas coisas para que saibas que

foste iluminado pelo Espírito da verdade (

)

(D&C 6:15)

Se nos achegarmos ao Senhor e aprendermos a escutar a voz do Espírito, seremos capazes de receber a orientação e ajuda de que precisarmos, o que nos levará a receber as respostas para nossas orações.

Pontos a

1.

O

que

Ponderar

podemos

fazer

para

criar

um

ambiente

em

que

consigamos escutar a voz do Senhor?

2. Por que temos "ordem (

Deus"?

)

de, em todas as coisas, pedir a

3. Por que é importante sermos específicos nos pedidos que

fazemos ao Senhor?

4. Por que é tão importante que nos livremos de toda a dúvida e

temor ao buscarmos as repostas para nossas orações? (Pergunte a si mesmo: O que posso fazer para ser mais eficiente em eliminar todas as dúvidas de minha mente e meu coração?)

5. Quando estamos tentando receber as bênçãos do Senhor, o que

podemos fazer para descobrir o que ele exige de nós?

6.

Citem de modo específico algumas sugestões que este capítulo

dá quanto ao que fazer para aumentar nossa confiança diante do Senhor.

7. Por que é essencial que aceitemos a vontade do Senhor quanto

ao que desejamos? Como podemos aprender a descobrir qual é a Sua vontade e a nos sujeitarmos a ela?

8. Por que a gratidão é tão importante para conseguirmos respostas para nossas orações? (Pergunte a si mesmo: De que modo posso demonstrar melhor minha gratidão ao Senhor?)

9. O que vocês podem fazer para aumentar a fé que têm de que o

Senhor concederá o que pedirem?

10. Citem as maneiras pelas quais o Espírito Santo pode ser uma bênção para vocês nas orações que fizerem?

11. Este capítulo trata de vários princípios importantes que aumentam a força de nossas orações. Qual desses princípios vocês pretendem incorporar melhor à própria vida? Qual é a maneira mais eficaz de fazerem isso?

CAPÍTUL O

5

As BÊNÇÃOS DA ORAÇÃO

r l á alguns anos, um de nossos filhos apegou-se muitíssimo

a um hamster a que deu o nome de Hammy. Esse nosso

filho sempre gostou de animais, mas gostava especialmente de Hammy. Meu filho deixava o bichinho andar por suas

costas, subir pela manga da camisa e entrar nela. Adorava andar pela casa com Hammy no bolso da camisa. Colocava

o bichinho para dormir em uma gaiola ao lado de sua cama.

Adorava brincar com ele pela casa toda, não importava o que estivesse fazendo. Hammy passou a ser o "melhor amigo" de meu filho. Em várias ocasiões Hammy fugiu de meu filho, que teve de procurá-lo e sempre acabou por encontrá-lo. Certo dia, porém, Hammy sumiu e não conseguimos encontrá-lo. Passou-se um dia inteiro sem que Hammy aparecesse, e ficamos com medo de que tivesse ficado preso em algum lugar ou que estivesse perdido e morresse de fome. Meu filho havia orado quanto ao problema e tinha procurado com toda a família, mas o hamster não foi achado em lugar algum. Nosso filho disse-nos que havia tentado de tudo e não sabia mais o que fazer, mas não adiantara nada. Foi então que percebeu que ainda que tivesse orado, não havia pedido com fervor ao Senhor que o ajudasse. Com muita

humildade, ele ajoelhou-se no quarto e implorou ao Senhor

que salvasse o hamster e o trouxesse de volta. No instante em que abriu os olhos viu o bichinho sentado ao seu lado no tapetinho, olhando para ele como se dissesse: "Amigo, sua oração trouxe-me aqui". Ainda que esse exemplo seja de algo de pouca importância, é excelente exemplo de como funciona a

oração. Presto testemunho, como faria meu filho, do motivo porque o Senhor respondeu à sua humilde oração. Ele orou

com fé, implorou ao Senhor humildemente

o Senhor dar-lhe uma resposta singular. Teria sido diferente se tivesse encontrado o hamster depois de algumas horas, ou até de alguns minutos, mas o fato de o bichinho aparecer sentadinho ao lado de meu filho no momento em que ele orou, fez com que a experiência fosse particularmente impressionante. Há quem diga que o Senhor não liga para as coisas menos importantes de nossa vida. Uso esse exemplo para demonstrar que o Senhor se importa até com um menininho e seu hamster. Se isso é verdadeiro, o quanto não desejará abençoar-nos nas coisas de grande importância?

e depois, viu

A

CHAVE PARA AS BÊNÇÃOS DO

SENHOR

O Senhor quer sinceramente nos abençoar em todos os aspectos de nossa vida: nossas necessidades físicas, metas, relacionamentos, desejos espirituais e todas as outras coisas. A chave para receber essas bênçãos é pedir em oração. As pessoas que pedem com fé e depois obedecem à orientação que Ele lhes dá recebem as bênçãos. É claro que se decidirmos não obedecer ao Senhor, como conseqüência de nossa desobediência, nada nos é prometido. Acho que muitos de nós têm a tendência de orar de manhã e à noite, e, quem sabe, até orem mais algumas vezes durante o dia, sem orarem verdadeiramente. Faço-lhes esta

pergunta: Quando encontram uma nova dificuldade durante o dia, qual é a primeira coisa que lhes passa pela cabeça? Para onde se voltam em primeiro lugar? Espero que seja para o Senhor. É o que acontece caso estejam tentando orar sem cessar. Se não estão, eu diria que estão "resolvendo tudo" sozinhos. Estão tentando enfrentar os muitos problemas do dia na esperança de que a oração que fizeram de manhã baste para todos. É de grande valia que, quando nos depararmos com qualquer situação nova ou estivermos tentando ajudar alguém, estejamos orando mentalmente. "Como devo agir nesta situação? O que devo fazer? Haveria alguma particularidade que eu deveria saber? Pai Celestial, ajude- me. Ajude-me". Infelizmente, muitos não pedem. Aí, arranjam-se sozinhos e não conseguem a ajuda que poderiam ter recebido para enfrentar os problemas diários. Mais uma vez, presto testemunho humildemente de que, como as escrituras repetem várias vezes, se pedirmos receberemos. Outra vez, presto testemunho de que não há uma oração sincera feita desde o início dos tempos que o Senhor tenha deixado sem resposta. Nenhuma. O problema é que não pedimos. (É claro que é possível que não reconheçamos a resposta ou não gostemos dela.) Se pedirmos, teremos os dons do Espírito com muito mais profusão. É verdade que pode ser necessário que nos tornemos mais dignos, mas normalmente, já somos dignos de receber mais, se nos dermos ao trabalho de pedir. Então esses dons irão ajudar-nos a tornarmo-nos mais dignos, para que recebamos ainda mais. Não se esqueçam do que falamos anteriormente de ser fanático nessas coisas. O diabo trabalha muito bem com os extremos. É bem-sucedido quando nos incentiva a não orar de uma vez, e é bem-sucedido também quando nos

incentiva a passar horas de joelhos, quando o que deveríamos estar fazendo é agir para resolver nossos problemas. Como o diabo não é temperante nem comedido, quase sempre o encontramos trabalhando com os extremismos. Normalmente não consegue agarrar as pessoas religiosas com pecados gritantes, mas é capaz de conseguir tentá-las a exagerarem nos dons que têm, talvez até em nome da espiritualidade. Talvez, tente-as a jejuar e orar exageradamente. Se passarmos a fazer essas coisas com exagero, é bem possível que fiquemos receptivos à orientação do próprio adversário. Considerando-se isso, sinto-me compelido a repetir a advertência de que sejam cautelosos e comedidos no empenho quanto às coisas relativas ao Espírito.

Pode ser que a verdadeira chave de tudo seja o coração. Em que está o seu coração? O que realmente querem? Estão dispostos a fazer o que lhes cabe para ter a certeza de receber as respostas certas para as orações que fizerem? Minha intenção era contar-lhes, neste capítulo, diversas experiências (minhas e de outras pessoas) que exemplifiquem os muitos tipos de resposta e bênçãos que o Senhor gosta de dar. Obviamente, elas são apenas uma pequena amostra. Espero que se lembrem de outros exemplos dados neste livro. Caso acrescentem suas próprias experiências, o número de exemplos pode multiplicar-se muitas vezes.

ORAR PEDINDO A FORÇA PARA ABANDONAR OS MAUS-HÁBITOS

Faz algum tempo, recebi uma carta muito especial de um membro que me contou como a oração foi um elemento importante em seu empenho para superar os problemas

com o álcool e o cigarro. Ele disse o seguinte (mudei os nomes):

Estou escrevendo para contar-lhe uma bênção muito especial que nossa família recebeu depois que Cindy foi para o Centro de Treinamento Missionário, em outubro passado. Na época em que Cindy foi para o CTM, tanto eu como minha mulher fumávamos e bebíamos. Todos sabiam que bebíamos muito. No domingo em que Cindy foi para o CTM, senti-me vigorosamente compelido a deixar de fumar e beber. Já era a noite de domingo, e havíamos bebido muito no fim de semana. A irmã de minha mulher e o marido conversaram conosco nessa noite. Pedi a ajuda de qualquer um que estivesse em condições de ajudar. Não queria desonrar o chamado de minha filha querida. Minha cunhada ligou para um representante dos Alcoólatras Anônimos, e nós conversamos. Ele ofereceu- se para levar-me às reuniões e ajudar-me se eu quisesse. Combinamos tudo para que eu fosse à próxima reunião. Minha mulher telefonou para o bispo, que veio à nossa casa com seu segundo conselheiro na mesma noite. O bispo sugeriu que jejuássemos e orássemos pedindo ajuda para deixar de fumar e beber e que, depois, nos reuníssemos a ele no bispado, para receber uma bênção especial. Eu já fumava havia 40 anos e era alcoólatra inveterado. Minha mulher já fumava há vinte anos e bebia para fazer- me companhia. Fizemos 24 horas de oração e jejum, depois, encontramo-nos com o bispo, que nos abençoou para que conseguíssemos abandonar o vício e não ter mais vontade de consumir bebidas alcoólicas nem cigarros. A bênção teve efeito imediato. Quando saímos da sala do Bispo Stanley aquela noite, não tínhamos mais vontade de fumar nem beber. Liguei para o representante dos Alcoólatras Anônimos

e disse-lhe que não precisaria mais da ajuda deles, pois já contava com todo o auxílio divino de que precisava para abandonar o vício. Em julho, farei 51 anos e, agora, conheço o poder de Deus e sei das coisas que Ele pode realizar. É pena que eu tenha demorado tanto a ver a luz. Há pouco tempo fui entrevistado pelo bispo para tornar-me um élder em nossa conferência de estaca, que será em junho, e estamos na expectativa de casarmo-nos no templo em agosto. [Esse excelente casal foi mesmo selado no templo naquele mês de agosto, e os três filhos que ainda moravam em casa também foram selados a eles. Uma semana depois de voltar da missão, a filha missionária teve o imenso privilégio de ir ao templo e ser selada aos pais.]

Vale a pena examinar o que ajudou esses bons irmãos. O chamado missionário da filha preparou-lhes o coração; depois, a oração, o jejum e uma bênção do sacerdócio deram-lhes a força para prosseguir.

ORAR

INTERIOR DURANTE AS

PEDINDO CONSOLO E PAZ

PROVAÇÕES

Quando eu era presidente de missão, houve uma ocasião em que um missionário ligou para a casa da missão mais ou menos às duas horas da manhã, dizendo que o companheiro havia saído à noite, dividindo com uma pessoa da ala e não voltara mais para casa. Meus assistentes foram à minha casa para inteirar-me do acontecido; assim que fiquei sabendo, liguei para o missionário e perguntei se havia acontecido alguma coisa na noite anterior. Ele disse que não. Perguntei-lhe se o companheiro estava de bom- humor antes de sair para o proselitismo nessa noite. Ele disse que sim. Agradeci, desliguei e, então, ajoelhei-me na sala de estar

com meus dois assistentes e fiz uma oração. Ao orar, tive a certeza de que o Élder Jones estava bem e que não precisávamos ficar preocupados. Não fazia idéia de onde estivesse ou de quando voltaria, mas sabia que estava bem. Depois da oração, os assistentes perguntaram o que fariam. Eu disse: "Acho que devem ir para casa e dormir um pouco. Não se esqueçam de que viajamos para o Paraguai às nove da manhã". Um deles perguntou-me: "Quer dizer que iremos para o Paraguai mesmo que o Élder Jones ainda não tenha voltado?" e eu disse: "Não, ele terá voltado. Tenham fé e ele voltará".

Às 8h30 da manhã seguinte, o Élder Jones ainda não havia voltado. Eu estava no escritório dos assistentes, com eles. Oramos outra vez e dissemos ao Senhor que tínhamos coisas muito importantes a fazer no Paraguai e que queríamos saber o que fazer. Tive a mesma impressão da

noite anterior. "Não fique preocupado; ele voltará antes que vocês partam". Levantamo-nos depois da oração e eu disse

a meus assistentes: "Irmãos, não nos preocupemos. Ele

voltará a tempo". Mais ou menos às dez para as nove, quando estávamos de malas prontas, prontos para ir, o Élder Jones chegou à porta da casa da missão. É claro que todos ficaram aliviados em vê-lo. Imediatamente levei-o para o escritório, para

entrevistá-lo e perguntar-lhe onde estivera e o que fizera a noite toda. Fiquei sabendo que, muito zeloso em pregar o evangelho, ele e o membro com quem fizera a divisão foram

a uma cidade vizinha em que não havia missionários. Ele

havia ido à casa de uma família de membros e ali formado um grupo de pessoas para ser ensinado, e pregara a elas até tarde da noite. Nem lhe passou pela cabeça que o companheiro estivesse preocupado. Foi ao escritório da missão todo animado, para sugerir que abríssemos uma nova cidade e enviássemos missionários para lá.

Fiquei muito agradecido ao Senhor por ter respondido à minha oração. Presto testemunho de que a sensação de paz e segurança que tive não tinha origem humana; provinha do Senhor. Ela permite-nos prosseguir com nossas tarefas ou com a vida, com a segurança de que tudo há de acabar bem (mesmo que não tenhamos conhecimento dos fatos).

ORAR PEDINDO A ELIMINAÇÃO DOS

QUE NOS IMPEÇAM

OBSTÁCULOS

DE ALCANÇAR AS BOAS

METAS

Nunca é fácil atingir as boas metas. Sempre existem obstáculos, e parece que, assim que traçamos a meta de melhorar de fato ou realizar algo que valha a pena, não só aparecem obstáculos imprevistos, como também começam a surgir todos os tipos de oposição. A melhor reação à oposição e a outros obstáculos é a perseverança e a oração. Darei alguns exemplos. Quando eu era presidente de missão, havia uma dupla de missionários que estava sendo muito bem-sucedida. Como conseguiam? Em dado momento, um dos missionários respondeu, prestando o testemunho:

"Gosto muito de meu companheiro, e estamos totalmente concentrados na obra do Senhor", disse ele. "Não batemos em nenhuma porta sem que estejamos orando mentalmente, ou antes de termos orado no carro." Disse também que achavam emocionante ver que as portas, as tradições dos homens, as coisas que cegam as pessoas, todos esses obstáculos simplesmente esvaeciam. Houve outro missionário que me enviou esta carta:

Nunca hei de esquecer a experiência sublime que tivemos, cumprindo a promessa que fizemos a um servo do Senhor de que faríamos 10 batismos no mês de março. Não foi fácil, por causa da forte oposição de Satanás.

Até o dia 28 de março, fizemos apenas cinco batismos e começamos a ficar muito preocupados. Trabalhamos muito arduamente o mês inteiro e tentamos cumprir todas as regras da missão.

No

dia

vinte

e

nove,

meu

companheiro

e

eu

resolvemos jejuar pedindo que tudo desse certo no batismo de uma família de cinco pessoas, que havíamos marcado para esse dia. Contudo, naquela tarde, somente quatro resolveram ser batizadas, o que nos deixou com apenas nove batismos. Apesar de todo o nosso empenho, não alcançaríamos a meta. Entretanto a mão do Senhor manifestou-se. Enquanto os quatro estavam sendo batizados, o membro da família que havia decidido não se batizar procurou-nos e disse: "Élderes, quero ser batizado agora". Minha gratidão ao Senhor é tanta, que fica difícil de exprimir. Meu testemunho da oração e do jejum fortaleceu-se imensamente, e a satisfação que sinto por ter cumprido uma promessa que fiz ao Senhor é muito grande.

Eu mesmo já vi como o Senhor remove os obstáculos que nos impedem de alcançar nossas boas metas, principalmente quando O procuramos com orações fervorosas. Certa vez, quando estava tentando fazer uma viagem importante por uma de nossas missões na Colômbia, passei por uma experiência maravilhosa relacionada a esse princípio. Eu havia chegado ao Equador com minha família no dia 10 de outubro e tinha planos de ir para a Colômbia exatamente uma semana depois. Um dia depois da nossa chegada, designamos alguns missionários

para registrar nossos vistos para validá-los de modo que eu pudesse utilizar o meu na viagem para a Colômbia. Os missionários disseram-me que levaria pelo menos dez dias

e tínhamos somente três dias úteis antes

para registrá-los que eu viajasse.

Na quarta-feira, dia 12 de outubro, telefonei para o presidente da missão e aconselhei-o a ter um plano alternativo pronto, já que parecia que, provavelmente, eu não poderia juntar-me a ele na viagem. Entretanto, não desistimos facilmente. Lançamos mão de nossa fé e orações. Sabíamos que o presidente da missão e os missionários na Colômbia estavam fazendo o mesmo. Entramos em contato com a embaixada americana no Equador para ver se eu conseguiria uma permissão temporária para viajar, mas não foi possível. Na quinta-feira, dia 13 de outubro, fomos à seção de vistos do consulado para conversar com o funcionário encarregado do controle dos vistos e ver se seria possível conseguir um jeito para eu viajar. Quando chegamos lá, o funcionário havia saído, mas seu chefe estava e ofereceu-se para ajudar-nos. Explicamos o problema. Depois de passar alguns minutos escutando-nos, ele falou diretamente com a pessoa que nos estava impondo obstáculos e perguntou se havia algo que os impedisse de registrar nosso visto. O homem respondeu todo submisso: "Não, não há motivo algum. Podemos registrá-los". Então, o chefe sugeriu: "Que tal agora?" Foi o que o homem fez e, em menos de uma hora saímos do escritório com os sete vistos registrados.

Viajei para a missão Cali, na Colômbia, na data prevista. Presto testemunho de que o Senhor é capaz de intervir em situações difíceis fazendo com que se transformem em vantagem para nós, principalmente quando Lhe pedimos. Darei a vocês um último exemplo de como o Senhor remove os obstáculos que nos impedem de alcançar as boas metas, se pedirmos. Há algum tempo, fui a Autoridade Geral visitante em uma conferência de estaca, em um lugar bem distante da sede da Igreja. O presidente da estaca aproximou-se e disse-me: "Élder Cook, como sabe, esta estaca é bem nova. O patriarca da estaca foi convidado pela

Igreja a ir a Salt Lake City para assistir à conferência daqui a 30 dias e para receber a investidura lá. Ele quer levar também a esposa para serem selados, mas não tem dinheiro. Isso custaria uns 700 dólares. Será que a Igreja tem dinheiro para ajudá-lo a levar a mulher consigo?" Tive de dizer-lhe que não. A Igreja não cede dinheiro para esse tipo de coisa. Ele ficou bem desanimado e triste. Então senti que devia acrescentar: "Mas presidente, se você tiver fé e pedir que o patriarca e a mulher façam o mesmo, ele irá à conferência e ela irá com ele. Na verdade, prometo- lhe que se tiverem fé total, ela irá. Prometo-lhe em nome do Senhor que conseguirão o dinheiro e ela irá". Assim que disse isso, veio-me um pensamento: "Élder Cook, você não tem nenhuma cerimônia com o meu dinheiro. Como é que você empenha 700 dólares do meu dinheiro?" Essa era a essência da mensagem. Tentando corresponder a essa impressão, apressei-me em dizer ao presidente da estaca (que, obviamente não sabia o que eu tinha na idéia): "Presidente, o que eu disse é verdade. Se acontecer de vocês não terem conseguido o dinheiro até o dia 23 de setembro, ligue-me a cobrar; pois ela vai". Ele não sabia, mas na verdade, o que eu estava dizendo era que o Élder e a irmã Cook dariam os 700 dólares se o Senhor não o fizesse. Eu não tinha 700 dólares sobrando. Seria difícil, mas eu o faria. Foi como se o Senhor dissesse: "Até onde você acredita, Élder Cook?" e eu respondesse: "Particularmente, aposto 700 dólares que o dinheiro aparecerá". Eu não fazia idéia do que aconteceria, mas acreditava na intuição que me dizia que ela iria à conferência.

Pouco antes de vencer o prazo de trinta dias, apareceu um homem que se ofereceu para custear a ida da mulher do patriarca a Salt Lake City em companhia do marido. Pelo que sei, o bem-feitor não fazia idéia do pedido do presidente nem da promessa que fiz. O Senhor escutou

nossas preces, tocou o coração desse homem, e ele correspondeu. O Senhor quer que sejamos pessoas que contribuem para que as coisas aconteçam. Ele não quer que nos deixemos vencer pelos empecilhos nem pela oposição. Quer que confiemos no braço todo-poderoso de Deus e utiliza-o para complementar a força que cada um tem em si. Se fizermos isso, aprendermos a fazer as coisas à maneira do Senhor; se pedirmos ajuda, seremos ajudados.

A

ORAÇÃO AJUDA A SER HUMILDE DE

CORAÇÃO

Não há maior milagre do que quando o Espírito faz com que o coração de alguém se abrande e torne-se humilde e, depois, que o poder de Cristo o transforme. A oração é um elemento vital nesse processo. Há alguns anos, uma família de sobrenome Jensen foi batizada no Estado de Nova York. Todos os membros da família batizaram-se, menos um dos filhos. Ele não estava interessado e continuou levando sua vida voltada para as coisas do mundo. Após algum tempo, uma das moças da família ingressou na Universidade Brigham Young, em Utah. Ela insistiu com o irmão mais velho, que não era da Igreja, dizendo-lhe que estudasse nessa universidade, até que, finalmente, ele resolveu experimentar. "Quem sabe eu não encontro um monte de moças bonitas lá", disse. Ele admite que, quando chegou à BYU, sua principal idéia era: "Tomara que me arrumem um colega de quarto que seja bom companheiro de noitada". Em vez disso, designaram como seu colega de quarto um membro fiel da Igreja; um jovem ex-missionário, paralítico da cintura para baixo, que não podia nem andar. As semanas foram-se passando e, noite após noite, Jensen chegava bêbado ao apartamento, depois de sair com moças que não eram da Igreja para divertir-se. Até que um

dia, o companheiro de quarto, a quem chamarei de Smith, não agüentou mais. Deitado na cama, no escuro, disse:

"Jensen, você se acha mesmo o máximo, não é?" "O que você quer dizer?" disse Jensen. "Você se acha mesmo o máximo. Pode sair para beber todas as noites, divertir-se com as meninas e fazer tudo o que quiser na vida, e acha mesmo que está enganando a BYU, o Senhor e todo mundo. Bem, digo-lhe que o Senhor vai chamá-lo às falas, e é melhor que você se arrependa, senão, francamente, sabe muito bem onde vai parar". Jensen deu de ombros. "Até que não é ruim". Smith não deixou em branco. "Você precisa é arrepender-se. Hoje é o dia certo para isso. Você precisa arrepender-se e acertar as contas com o Senhor". De repente, Jensen ouviu um baque. Smith tinha ido para o chão. "Agora está orando por mim", pensou Jensen. Tentou fingir que nada estava acontecendo. Enfim, disse:

"Ande, termine logo essa oração, que eu o ajudo a voltar para a cama". Smith respondeu: "Eu não preciso orar. Já orei. Quem precisa orar é você". Jensen não gostou, mas Smith não deixou por menos. Finalmente, Jensen concordou e ajoelhou-se ao lado do colega. Foi a primeira vez que orou na vida. A oração foi simples, mas antes que terminasse, o Espírito Santo tocou-o e, naquele instante, enquanto orava, ele começou a mudar. Imediatamente aceitou receber as palestras dos missionários. Em menos de um mês, foi batizado pelo colega paraplégico, com a ajuda de dois outros homens que o sustentaram na pia batismal. Um ano depois, foi chamado para servir como missionário. Tudo isso foi conseqüência de uma oração feita num apartamento de estudantes.

A ORAÇÃO AJUDA-NOS A ENSINAR A VERDADE CORAJOSAMENTE

Quando eu era calouro na Universidade do Estado do Arizona, tinha uma bolsa de estudos e estava desejoso de manter a média alta. Sendo assim, matriculei-me em um curso de oratória, que diziam ser muito fácil. Achei que com isso conseguiria os créditos de que precisava, com boas notas, sem que representasse um grande acréscimo em meu volume de estudos. Depois do último dia do prazo para mudar de curso, a professora, que era uma senhora de uns sessenta anos, disse: "Gente, vocês gostarão de saber que nos últimos 25 anos em que lecionei, só dei 'A' cinco vezes". Quando ouvi isso, fiquei com o coração apertado, e a turma ficou num estado de desânimo generalizado. Tentei mudar de curso, mas foi impossível, porque o prazo já se havia esgotado. Fiquei desanimado, mas, pensando no assunto, tive vontade de aceitar o desafio e assegurar para mim o sexto "A" que ela desse. Entretanto, com o passar dos meses, apesar de empenhar-me de fato em cada trabalho, eu tirava B, B-menos e, de vez em quando, B-mais; mas nunca tirei um A.

Faltando um mês para o fim do semestre a professora levantou-se e disse à turma: "Vocês têm um último discurso a fazer. Ele valerá metade de nota final. Quero que cada um escolha um tema bem polêmico e faça um discurso de 25 minutos para o resto da turma. Quando terminarem, os outros alunos tentarão colocar abaixo os seus argumentos e seu método de apresentação, enquanto o orador tenta defendê-los. Depois, cada aluno escreverá uma crítica a respeito do que o orador fez". A classe ficou bastante agitada, principalmente por causa da dúvida e do medo. Depois começaram a pensar nos assuntos que poderiam abordar: o comunismo versus a

democracia, questões raciais, controle de natalidade, qualquer assunto polêmico. Eu não fazia idéia de que assunto abordaria. Fizeram um sorteio para escolher quem falaria primeiro. Tirei o número nove. Lembro-me dos primeiros

três ou quatro alunos que se apresentaram. Algumas moças

chegaram a chorar. Era mesmo difícil

crítica. Havia um rapaz chinês que era muito sagaz e parecia capaz de desmantelar tudo o que disséssemos. Com o passar dos dias, eu via o quanto a experiência era penosa e fui ficando muito temeroso quanto ao que deveria fazer. Orei quanto a um tema, mas não conseguia decidir-me por nenhum. Os dias passaram, faltavam apenas mais dois para o meu discurso e eu ainda não tinha escolhido o tema. Mas várias vezes tive uma impressão: "Se o que quer é um tema polêmico, fique com o Livro de Mórmon. Você deveria defender o Livro de Mórmon no discurso". Com isso a idéia de fazer o discurso ficava ainda mais assustadora. Não havia nenhum membro da Igreja na classe além de mim. A professora era protestante; chegou até a usar a Bíblia em classe e deixou claro que, para ela, a Bíblia era a única revelação de Deus aos homens. Eu ainda não havia servido como missionário; tinha o ofício de sacerdote do Sacerdócio Aarônico. Entretanto, havia sido missionário de estaca no verão anterior e conhecia a velha palestra missionária que fala de como o Senhor, que não faz acepção de pessoas, chamou os profetas do Novo e do Velho Mundo. Fiquei muito nervoso. Nunca fui muito medroso para falar, mas lembro-me que dessa vez estava com muito medo. Orei muitas vezes pedindo ajuda para preparar-me e muitas vezes mais, pedindo ajuda com a apresentação em si. Ainda assim, quando me levantei para fazer o discurso

a turma era bem

estava trêmulo e de mãos frias. Disse que o tema do qual falaria era o Livro de Mórmon; depois comecei a ensinar misturando o ponto de vista histórico ao acadêmico, tentando não ofender ninguém. Mas não demorou muito para que o Espírito do Senhor começasse a inspirar-me o pensamento: "Não posso falar do livro só do ponto de vista histórico. Não me importa o que achem de mim nem que nota eu tire. O Livro de Mórmon é verdadeiro, e todos têm de ficar sabendo". Comecei a dar uma palestra bem parecida com as palestras dadas aos visitantes, prestando meu testemunho diversas vezes. À medida em que o fazia, o Espírito Santo começou a prestar testemunho aos vinte alunos da classe de que o que eu estava dizendo era a verdade, e senti-me tranqüilo. Utilizei os últimos três ou quatro minutos para responder à pergunta: "Como podemos saber se esse livro é verdadeiro?" Li para eles a promessa de Morôni (ver Morôni 10:4) e prestei-lhes meu testemunho de sua veracidade. Disse-lhes: "Não importa o que digam, critiquem o que quiserem; o livro é verdadeiro e é de Deus!" Eu estava tão envolvido pelo Espírito, que terminei o discurso "em nome de Jesus Cristo. Amém".

Quando acabei, havia tal silêncio na sala que não sabia se havia arrumado um problema daqueles ou se o Espírito havia de fato envolvido os outros alunos. Logo percebi que era efeito do Espírito. Por fim, a professora quebrou o silêncio e tentou instigar e convencê-los a atacar-me, mas eles não o fizeram. (Fiquei contente porque uma das condições que ela havia estabelecido era de que ela mesma, sendo a professora, não poderia tomar parte.) Como ninguém dizia nada, a professora, frustrada, acabou dizendo: "Parece que ninguém tem nada a dizer. Sente-se, Gene."

Depois, quando os alunos estavam entregando a

avaliação escrita que fizeram, todos demonstraram uma reação positiva. Quatro ou cinco disseram basicamente:

"Quase me persuadistes". Uma moça disse: "Sou metodista e não acredito em nada disso acerca do Livro de Mórmon, mas você quase me convenceu de que é verdadeiro". O rapaz chinês, que havia sido especialmente crítico, disse:

"Nunca tinha ouvido falar no Livro de Mórmon. Onde posso conseguir um?" Sei que o Senhor me abençoou nessa apresentação dificílima. Ele responde mesmo às nossas orações, quando nos empenhamos em ensinar a verdade às outras pessoas; abençoa-nos quando cumprimos os mandamentos e não temos medo de prestar testemunho Dele. Naquele dia, a caminho de casa, lembrei-me destas palavras de Doutrina e Convênios:

Portanto, em verdade vos digo: Clamai a este povo; expressai os pensamentos que eu vos puser no coração e não sereis confundidos diante dos homens; Pois naquela mesma hora, sim, naquele mesmo momento, ser-vos-á dado o que dizer. Mas um mandamento vos dou, de que tudo o que declarardes declarareis em meu nome, com solenidade de coração, com espírito de mansidão em todas as coisas. E prometo-vos que, se fizerdes isso, derramar-se-á o Espírito Santo testificando todas as coisas que disserdes. (D&C 100:5-8)

Não restaram dúvidas de que eu vira essa promessa se cumprir. Algumas semanas depois, recebi o boletim em casa, pelo correio. Abri-o um tanto nervoso. Como fiquei contente quando vi que havia tirado "A" por aquele discurso em classe! A primeira idéia que me ocorreu foi:

"Ela é íntegra mesmo". Eu sabia que ela não acreditava no que eu havia ensinado sobre o Livro de Mórmon. Contudo, veio-me outro pensamento: "Não, filho. Fui Eu que lhe dei esse 'A'". Essa experiência serviu de excelente preparação para o jovem que estaria no campo missionário poucos meses depois.

A

ORAÇÃO E AS BÊNÇÃOS DO

SACERDÓCIO

No que se refere às bênçãos do sacerdócio, há muitas maneiras pelas quais as orações nos ajudam. Ajudam os portadores do sacerdócio a saberem o que dizer na bênção, para que digam o que o Senhor deseja. Ajudam as pessoas doentes, ou sua família, a receber o testemunho de que o que foi dito é a verdade. Ajuda-os a sentirem paz e consolo; e ajuda a fé de todos os envolvidos a aumentar. Gostaria de contar-lhes algo que aconteceu com minha mulher. Na família dela há casos de câncer; por isso ela ficou muito preocupada quando descobriu um caroço que parecia ser algum tipo de tumor. O médico marcou a cirurgia para extraí-lo, e nós começamos a orar pedindo as bênçãos do Senhor. Minha mulher estava muito preocupada; tanto, que quase não conseguia dormir à noite e passava o dia ansiosa. Conversamos sobre o assunto, e ela admitiu que, na verdade, estava cheia de dúvidas e com medo. O médico pretendia fazer uma biópsia para ver se o tumor era maligno. Falando com minha mulher, notei que ela estava esperando pelo resultado do exame para saber como aplicar a fé. Conversamos sobre o fato de que poderíamos demonstrar ainda mais fé se confiássemos no Senhor, mesmo antes de saber se o tumor era maligno. Ou seja: se confiássemos no Senhor "logo de início", quem sabe ela não recebesse do Senhor a paz de que precisava, em vez

de depender inteiramente do exame feito pelo médico. Ela estava cheia de fé e decidiu passar a aplicá-la imediatamente. Tentei utilizar minha fé em seu favor e nossos filhos fizeram o mesmo. Sou de opinião sincera de que, quando temos um problema, se nos voltarmos ao Senhor e nos humilharmos logo de início, estaremos dando a maior prova de espiritualidade e fé. Por outro lado, se demorarmos a confiar no Senhor, pode ser que não sejamos tão abençoados.

Enquanto

minha

mulher

passava

a

ter

mais

fé,

empenhei-me em preparar-me para dar-lhe uma bênção. Fiz um dia de jejum e, dois dias depois, fiz outro. No dia em que fiz o segundo jejum, que seria o dia da bênção, orei enquanto ia para o trabalho e pedi para saber o que dizer na bênção. Há ocasiões em que ficamos sabendo qual é a vontade de Deus, mesmo antes de sairmos para dar a bênção, mas dessa vez tive a impressão que o Senhor queria que eu esperasse. Orei fervorosamente todo o dia pedindo ao Senhor que fosse misericordioso e me dissesse qual era Sua vontade quando eu estivesse abençoando minha querida esposa.

À noite, depois que voltei do trabalho, reuni a família. Pedi que nosso filho de dez anos fizesse a oração. Com ternura e entre lágrimas, ele pediu que a mãe ficasse boa. Depois, um de meus filhos mais velhos ungiu a mãe e, então, eu selei a unção e dei a bênção. Passei o dia inteiro orando e pedindo que, na bênção, dissesse apenas o que surgisse em minha mente naquele mesmo instante. Conforme prosseguia, soube que deveria dizer-lhe que descobririam que o tumor era benigno, que tudo correria bem e que, naquela mesma hora no dia seguinte, ela estaria bem, feliz e muito animada. Todos sentiram o Espírito intensamente.

Todos dormiram bem a noite toda. De manhã, quando fomos ao hospital, nós dois estávamos verdadeiramente em paz. A cirurgia levou uma hora, o tumor era benigno, e, em pouco tempo, ela recuperou-se totalmente. Às vezes o Senhor permite a um portador do sacerdócio

ser o instrumento da cura de alguém. Quando isso acontece,

a oração pode possibilitar que ele fique sabendo qual é a

vontade do Senhor, e isso ajuda-o a aumentar a fé que tem.

Não sei se nessa ocasião o Senhor curou minha mulher, fazendo com que o tumor maligno se transformasse em benigno, ou não. Na verdade não é isso o que importa. O que sei é que, por meio da oração, o Senhor concedeu-nos a bênção de saber o que esperar e deu-nos paz de espírito. Uma das coisas mais importantes que aprendi com essa

experiência, foi que, às vezes, o Espírito sussurra com tanta sutileza e brandura, que fica muito difícil mesmo saber se a resposta é "sim" ou "não". Às vezes é muito difícil saber se

o Espírito falou ou não conosco.

Raramente o Espírito fala em voz audível, que captemos com os ouvidos. Ao contrário, normalmente, ele fala por

meio de sentimentos, idéias e impressões. A voz do Espírito

é mansa e suave e, se estivermos esperando algo diferente

disso, ou não ficarmos bem quietos e atentos, provavelmente não escutaremos a resposta, quando ela for dada.

Nesse caso, compreendi que o Senhor me inspiraria durante a bênção, e orei com fé, pedindo que todos os pensamentos que me viessem à mente naquele momento fossem inspirados pelo Senhor. Quando estava abençoando minha mulher, falei as palavras que me vinham à mente, o que, por si só, já era uma demonstração de fé.

Em

Doutrina

e

Convênios,

o

Senhor

um

mandamento e faz uma promessa que podemos aplicar não

somente ao que dizemos, como também às bênçãos que

damos: "(

)

Expressai os pensamentos que eu vos puser no

coração (

);

pois naquela mesma hora, sim, naquele mesmo

momento, ser-vos-á dado o que dizer". (D&C 100:5-6)

ORAR PARA PEDIR AJUDA EM COISAS

MATERIAIS

O Senhor não quer que nos envolvamos demais com as coisas materiais, superficiais ou secundárias, nem que fiquemos muito absortos com elas. Precisamos lidar com essas coisas, mas devemos fazê-lo com espiritualidade. Conheço um homem que estava trabalhando havia pouco tempo como autônomo e estava tendo dificuldades quase intransponíveis para começar o negócio. Quase não entrava dinheiro e ele tinha a família para sustentar. Além do mais, havia-se comprometido a contribuir com dinheiro para a construção de um novo templo na região em que morava e cumpriu o compromisso, apesar de estar com muitas dificuldades financeiras. "Orei com muito fervor naquela semana", disse ele, "com muita fé que o Senhor nos ajudaria a conseguir algum dinheiro para o nosso sustento". Duas horas depois de orar, ligaram para ele oferecendo-lhe o que seria seu primeiro trabalho como autônomo. Uma hora depois, apareceu outro trabalho. Presto testemunho de que o Senhor livrará quem orar com fé. Ele quer abençoar-nos material e espiritualmente, e em todos os outros aspectos da vida. Certa manhã, há alguns anos, eu estava lendo os capítulos 13 e 14 de 3 Néfi, no Livro de Mórmon. À medida em que lia, percebi que bobagem é imaginar que o Senhor não esteja desejoso de ajudar-nos com o que precisamos. (Ver 3 Néfi 14:7-11, que se aplica tanto às bênçãos materiais quanto às espirituais.)

Senti-me mais vividamente impressionado enquanto lia o capítulo 13, em que o Senhor diz aos Doze que não deveriam ficar preocupados com as coisas materiais (roupa e comida); mas promete a Seus servos que, se tiverem fé, haverá de vesti-los, alimentá-los e cuidar de suas necessidades materiais, para que continuem a servi-Lo e a atender a Sua vontade. Não sei por que, essa idéia arraigou-se profundamente em minha mente. Fiquei aliviado ao perceber que, apesar de todos os problemas materiais que tenho, o Senhor deseja ajudar-me a resolvê-los, caso eu não deixe de concentrar-me em fazer a Sua obra. Devo acrescentar que acredito que a promessa não diga respeito somente às autoridades gerais. Acho que Ele abençoará a todos, se tiverem o desejo de obedecer e servi-Lo. Na mesma noite, minha mulher falou-me de um problema sério no encanamento da casa, que precisava ser resolvido logo. Eu detestava a idéia de tentar fazer esse tipo de conserto, mas não tinha dinheiro para chamar o encanador; além do mais, de manhã, eu teria de viajar para ir a uma conferência de estaca e teria de resolver o problema antes de sair. Para piorar, depois de passar uns minutinhos tentando resolver o caso, envolvi-me com outras coisas e só me lembrei do problema de manhã. No dia seguinte, enquanto me vestia, orei umas duas ou três vezes pedindo que o Senhor solucionasse o problema por mim. Já não gosto mesmo de fazer esse tipo de serviço Enquanto orava, repetidamente veio-me a idéia de que se me concentrasse em pregar o evangelho e salvar almas, o Senhor iria ajudar-me a resolver meus problemas materiais, inclusive o do encanamento. Enquanto orava, tive a certeza de que Ele me ajudaria. Deu trabalho (o problema não desapareceu sozinho),

mas quando tudo ficou resolvido tive plena certeza de que essa havia sido a resposta a minhas orações. Pode haver quem não considere esse tipo de bênção grande coisa, mas, para mim, fazer consertos é difícil e não sou muito seguro nessa área. Estou convicto de que se algo representa um problema para nós, seja o que for, representa um problema para o Senhor e Ele irá ajudar-nos. Com essa experiência, mais uma vez, tive o testemunho de que se nos empenharmos sinceramente em servir ao Senhor, Ele irá ajudar-nos a resolver os problemas materiais.

Vou contar mais uma história que ajuda a ilustrar essa verdade. Há algum tempo, a Igreja enfrentou um problema grave com uma missão que ficava em uma cidade no exterior. A Igreja vinha tendo problemas nesse lugar há mais de cem anos, e precisávamos de um casal de muita fé e de um engenheiro para ajudar-nos lá. Encontramos um casal que correspondia ao perfil. Depois que foram chamados e foram inteirados das dificuldades de sua designação, ficaram muito preocupados com a questão de como resolver um problema tão antigo em apenas um ou dois anos. Dissemos a eles que, se tivessem fé, o Senhor certamente os ajudaria a conseguir. Ofereci-me para dar-lhes uma bênção para ajudá-los na difícil tarefa que tinham pela frente. Alguns dias depois, encontramo-nos para a bênção. Esse bom casal estava com o espírito muito humilde nesse dia e deram-me a entender que, apesar de não saberem o que fariam para resolver o problema, estavam absolutamente confiantes. "Por que estão tão confiantes?" perguntei, e eles responderam: "Porque o Senhor nos ajudará". Então o homem, que já tinha certa idade, disse: "Vou contar-lhe uma história.

Quando eu era moço, estava trabalhando para uma empresa de engenharia nos Estados Unidos. Um dia, nossos técnicos estavam viajando a serviço e uma empresa de Newfoundland ligou para a nossa empresa pedindo ajuda. Não fazia muito tempo, haviam instalado uma grande caldeira industrial, e ela não estava funcionando. Não havia mais ninguém que meu chefe pudesse mandar; portanto, disse que me mandaria. Eu era jovem, não tinha experiência e fiquei com muito medo quando ele disse qual era a minha tarefa. Tentei convencê-lo a mudar de idéia, e ele disse:

'Acontece que você é o melhor que temos. Temos de mandar você'. Sendo assim, acabei indo a Newfoundland para tentar ajudar a empresa. Enquanto andávamos pela fábrica, os gerentes observaram-me examinar tudo e depois disseram: 'E aí, o que está errado com essa caldeira? Por que não funciona?' Eu não sabia o que dizer, estava cheio de dúvidas e morto de medo. Finalmente respondi: 'Preciso de uns minutinhos para pensar'. Afastei-me, deixando-os ali, de pé, e fui andando até encontrar um depósito escuro. Ali, ajoelhei-me, orei e implorei ao Senhor que me inspirasse quanto ao que fazer. Disse a ele que meu chefe e a empresa em que trabalhava contavam comigo, bem como os homens que estavam na fábrica. Disse que não fazia idéia do que estava errado e pedi humildemente ao Senhor que me revelasse. Depois, terminei a oração e voltei para onde os homens estavam esperando. Começamos a andar em volta da grande caldeira outra vez. Enfim, um dos homens perguntou: 'E então, qual é o problema?' Foi como se a resposta simplesmente me viesse dos lábios, e eu disse: 'Não há dúvida nenhuma, a caldeira foi montada ao contrário'. Eles disseram: 'O quê?' e eu respondi: 'É isso mesmo, foi montada ao contrário. Se

ligarem para os fabricantes, eles dirão exatamente o que vocês devem fazer'. Eles, então, ligaram para os técnicos da empresa que fabricara a caldeira, explicaram o problema e receberam a seguinte resposta: 'É, parece que a caldeira foi montada ao contrário. Façam tal e tal coisa e o problema estará solucionado"'. Depois de contar-me essa história, esse homem fiel, que a essa altura já se aposentara, disse: "Élder Cook, sei exatamente o que fazer nessa difícil designação. Sei que devo pedir ao Senhor e, então, conseguiremos resolver o díficil problema que estamos enfrentando". Por sua fé, testemunho e determinação, eu soube que seria exatamente o que aconteceria.

Os dois anos seguintes provaram que isso era verdade. Esse bom homem e sua mulher realizaram um milagre no lugar em que foram chamados a servir. Mais uma vez, ficou claro que a fé no Senhor Jesus Cristo dá conta de todas as coisas. O obstáculo que a maioria de nós tem à frente é confiar logo de início e com bastante fervor no poder que o Senhor coloca à nossa disposição.

VENCER OS OBSTÁCULOS POR MEIO DA ORAÇÃO

Fiquei surpreso com as respostas que recebi ao perguntar a famílias e indivíduos da Igreja em diversos lugares o motivo por que não oram pedindo coisas como as que discutimos neste capítulo. Há quem fique espantado que alguém chegue a pensar em tratar desses assuntos em oração. Outros não estão dispostos a fazer o esforço necessário. Outros, ainda, talvez sintam que não têm fé suficiente. Entretanto, sei que o Senhor quer ajudar-nos em

muitas coisas. Quando nos oferece uma dádiva, o que mais Lhe agrada é que a aceitemos. Perguntei às pessoas por que não são mais persistentes ao orar e ouvi várias respostas:

— Não tenho tempo suficiente.

— Ainda não criei o costume.

— Minha família não costumava fazê-lo; por isso não sou muito de orar.

— Acho que eu devia. Mas acho que ainda não me

determinei de verdade a fazê-lo.

— Detesto admitir, mas às vezes não acredito que a

oração tenha tanta importância assim. Qualquer que seja a razão, espero que não se esqueçam de que é o diabo que nos ensina a não orar. (Ver 2 Néfi 32:8-9.) Acredito que o diabo treina parte de seus melhores emissários em como fazer com que os homens não orem. Diz coisas simples como: "Você está muito cansado". "Amanhã você ora". "Agora não dá tempo. Há muitas outras prioridades". "Veja os seus pecados! Você acha mesmo que é digno de orar?" "Orar não adianta. Não se lembra de quando orou e não aconteceu nada?" E assim por diante, tentando convencer as pessoas de que a oração não adianta de nada ou não vale a pena. É claro que essas inspirações são mentirosas.

Espero que se decidam a não dar ouvidos ao diabo, mas ao Senhor, que nos convida continuamente a orar ao Pai Celestial, para que Ele nos abençoe. No meu entender, todas as desculpas e motivos que temos para não orar se extinguirão, contanto que façamos o seguinte:

1. Decidamos que devemos orar, 2. Acreditemos que orar adianta e 3. Determinemos quando, onde e de que forma o faremos.

No que se refere ao horário, se nossas ocupações não nos deixam tempo para orar, estamos mais ocupados do que deveríamos. Talvez tenhamos de acordar um pouco mais cedo de manhã ou ficar acordados até um pouco mais tarde, à noite. Talvez tenhamos de fazer ajustes no que se refere ao tempo que gastamos com um passatempo, assistindo à televisão ou fora de casa, com lazer. Talvez seja necessário que façamos ajustes aqui e ali; contudo, qualquer que seja nossa decisão, temos de perceber que não orar não deve ser uma das opções.

Caso não tenham o costume, é hora de criarem-no. Caso não acreditem que devam orar acerca de coisas de pouca importância, repassem as histórias e testemunhos deste capítulo. Caso não acreditem que orar adianta, é ora de voltarem a colocar a oração à prova. Prometo-lhes que, se seguirem ao Senhor e buscarem-No de todo o coração, certamente Ele os abençoará; e com certeza responderá às suas orações.

Pontos a

Ponderar

1. Como as nossas intenções podem proteger-nos dos excessos que Satanás quer promover?

2. Na história do irmão que era alcóolatra e de sua mulher, o que tornou possível que eles se livrassem do vício?

3.

Quais são as melhores reações à oposição e a outros obstáculos?

Como pode aplicar isso à sua vida?

4. Neste capítulo há histórias que falam de várias maneiras importantes pelas quais o Senhor nos ajuda. Como essas histórias podem ser aplicadas a você? Pergunte-se: O que eu posso fazer para buscar receber as bênçãos do Senhor em mais áreas da minha vida?)

5. As pessoas dão muitas desculpas para não persistirem em orar.

Você está entre essas pessoas? (Pergunte-se: Como me arrepender e melhorar?

CAPÍTUL O

6

A

o s PAIS E PARA OS LÍDERES

ORAÇÃO:

BÊNÇÃO PARA

llaver á um pai que nunca tenha orado por um filho doente ou que se tenha desencaminhado? Haverá um líder que nunca se tenha ajoelhado para orar pelas pessoas a quem foi chamado a servir e abençoar? A oração é um dos instrumentos mais eficientes que temos para conseguir as bênçãos do Senhor para outras pessoas. Vejam algumas experiências que fortaleceram meu testemunho relativo aos muitos modos de utilizarmos a força da oração em nossa responsabilidade de pais em Sião e líderes no reino de Deus.

ORIENTAÇÃO PARA LIDAR COM OUTRAS

PESSOAS

Certa vez, tive uma entrevista muito penosa com um homem a quem conhecia havia vários anos. Ele havia-se desviado dos ensinamentos da Igreja e chegara às raias da excomunhão. Infelizmente, não estava sendo honesto com os líderes locais. Durante quase meia hora, lutei para que se abrisse comigo (e para que se dispusesse a fazer o mesmo com o presidente de sua estaca). Ele estava inflexível. Não dava o braço a torcer. Acabei ficando de mãos atadas, sem saber o que dizer.

Clamei ao Pai Celestial que me ajudasse e, enquanto orava, senti que devia aproximar-me dele, abraçá-lo e dizer-lhe que o amava. Levantei-me, ele pensou que eu estivesse encerrando a entrevista; só que, em vez disso, fui até ele abracei-o e disse-lhe que o amava do fundo de meu coração. Nesse momento, o coração dele abrandou-se e ele cedeu aos sentimentos infundidos pelo Espírito. Finalmente, dispôs-

se a contar todos os seus problemas e pecados

a dar os primeiros passos para voltar a ser digno e a integrar-se totalmente na Igreja.

e com isso,

DISCERNIR O QUE VAI NO ÍNTIMO DOS

OUTROS

Certa ocasião, quando eu servia em uma presidência, fiquei sabendo que precisaria trocar um de meus conselheiros. Falei de diversas opções com os líderes locais e acabei ficando inclinado por chamar o irmão João da Silva (esse não é o nome real). Estive com ele uma vez e senti-me bem quanto a ele. Contudo, falando do irmão João a seu presidente de estaca, ele disse: "Ele nunca trabalhou bem de verdade. Fez parte do sumo-conselho, mas não cumpriu as designações

e nem sempre fazia o que lhe pedíamos. Agora está

servindo na ala, no programa dos jovens". Conversei com os líderes do escritório da área, onde ele trabalhava. Eles disseram que, no passado, algumas pessoas haviam acusado o irmão João, sugerindo que ele não tinha sido totalmente honesto nos negócios com outras pessoas. Essas mesmas pessoas suspeitavam de que tivesse havido desvio de fundos da Igreja, mas nenhuma das acusações chegou a ser provada. Então, fiquei sabendo que uma Autoridade Geral que estava ao par da questão havia defendido o irmão João, dizendo que ele era honesto mas que não entendia bem de contabilidade.

Passei algum tempo em dúvida. Será que devia chamá-

lo? Será que as acusações de desonestidade eram verdadeiras? Ao orar sobre esse assunto, tive a impressão clara de que ele devia ser meu conselheiro. Liguei para a Autoridade Geral que me servia de contato e conversei longamente com ela a esse respeito. Quando terminei, o conselho que me deu foi: "Caso se sinta bem com relação a ele, e o Espírito indique que ele é a pessoa certa, chame-o". Essa havia sido a indicação do Espírito, e eu acatei-a. Ele estava servindo como meu conselheiro havia menos de um mês, quando escrevi em meu diário que poderia substituir- me no cargo de presidente. Ele era muito espiritual, sabia lidar com as outras pessoas, era fiel no cumprimento das designações; era tudo o que eu esperava de um conselheiro. Depois, tive o imenso prazer de vê-lo ser chamado para presidir uma missão. O Senhor conhece os filhos que tem muito melhor do que nós; e se O procurarmos com humildade, ele haverá de ajudar-nos a discernir o que vai no íntimo das pessoas com quem trabalhamos. Esta foi a lição que aprendi com isso:

Siga os sussurros do Espírito e tudo dará certo.

AJUDA PARA TOCAR OUTRAS

PESSOAS

Numa ocasião em que eu estava visitando a Missão Chile Concepción, tive uma grande reunião com a maioria dos missionários. No transcurso da reunião, diversas vezes peguei-me orando, sentado ao púlpito, quanto ao que deveria falar. Pensei em um assunto após o outro e não me senti bem com nada. De repente, quando faltava pouco para o momento em que eu falaria, dois missionários entraram no fundo do recinto, trazendo consigo um grupo de 14 visitantes. Já que a reunião era para ajudar-nos a treinar os missionários, o presidente da missão e eu chegamos à

conclusão de que os missionários deveriam ensinar os visitantes em outra sala. O presidente foi falar com eles, mas, alguns minutos depois, voltou e disse: "Élder Cook, os missionários pediram desculpas por trazerem esses visitantes, mas prometeram-lhes que ouviriam uma Autoridade Geral. Eles vieram de longe para ouvi-lo falar". Resolvemos deixar que ficassem por alguns minutos, para ouvirem meu testemunho. Quando chegou a minha vez de falar, ainda não tinha a menor idéia do que o Senhor queria que eu dissesse. Contudo, ao ficar de pé diante do púlpito, tive a impressão que deveria convidar os quatorze visitantes para sentarem-se nas primeiras fileiras. Fiz algumas perguntas a eles e fiquei sabendo que todos haviam recebido três ou quatro palestras, exceto uma família, que recebera apenas uma. Tentei preparar o espírito de minha parte da reunião, prestando o meu testemunho e falando do que sentimos quando o Espírito Santo presta testemunho da verdade. Depois, disse aos visitantes: "Eu gostaria muito que me ajudassem a ensinar algumas coisas a esses missionários. Vocês aceitariam?" Eles ficaram bastante espantados e sem saber ao certo o que dizer, mas fui em frente. "Será que vocês, que são visitantes, poderiam dizer-nos como é começar a ter um testemunho?", perguntei. Uma senhora de uns cinqüenta anos disse: "Sei que é verdade, porque li metade do Livro de Mórmon. Não tenho dúvidas porque sinto que o Livro de Mórmon é verdadeiro e sei que tudo o mais é verdadeiro também". O testemunho que ela prestou foi muito ardoroso, dizendo que sentiu tranqüilidade e paz verdadeiras com os ensinamentos do evangelho. Um homem prestou testemunho de que o Senhor o havia ajudado a vencer alguns problemas sérios, e que nunca se sentira melhor ou estivera mais contente do que

depois de os missionários terem começado a ir à sua casa, nas últimas duas semanas. Notei que uma das mulheres tinha o testemunho particularmente fraco e chamei-a para dizer o que sentia. Ela disse que não havia ficado muito convencida da veracidade do evangelho, mas que a influência da força dos outros aumentou o testemunho que tinha. Ela resolveu que estava pronta para ser batizada. Depois, convidei uma mocinha de quinze anos para subir ao púlpito, e perguntei: "Como é que uma moça de quinze anos pode saber se essas coisas são verdadeiras?" Ela prestou testemunho de que sentira o Espírito penetrar- lhe o coração e dar testemunho de Joseph Smith. Disse que passou a haver mais paz, harmonia e espiritualidade em sua casa após o surgimento dos missionários do que em qualquer outra época de que se lembrasse. Os visitantes falaram do amor que tinham aos missionários; depois, pedi que os dois missionários subissem e prestassem o testemunho e falassem do amor que tinham aos visitantes. Foi muito comovente, e fiquei sabendo que todos os 14 visitantes expressaram o desejo de ser batizados em poucas semanas. No fim, passamos quase uma hora com os visitantes,

antes de dispensá-los. Eu tinha poucas coisas a acrescentar à reunião. Os missionários foram treinados e ouviram o que

o Senhor queria que ouvissem. Depois, perguntei-lhes o que

haviam sentido e fiz questão de que atentassem para a

importância do que havia acontecido. No final das contas,

a experiência foi bastante espiritual. Presto testemunho de que se orarmos com humildade, o Senhor nos revelará, no momento exato, o que devemos falar, e isso mudará os sentimentos das pessoas. Tenho certeza de que realizamos mais nos minutos que passamos

com os visitantes do que com qualquer coisa que eu dissesse por minha própria conta.

SOBREPUJAR AS FRAQUEZAS E ABRANDAR OS

CORAÇÕES

Após uma conferência de estaca a que assisti na Colômbia, recebi uma carta de um representante regional. Ele prestava testemunho de como a oração pode ajudar-nos a tocar o coração de outras pessoas (e, ao mesmo tempo, fortalecer nossos pontos fracos).

Enquanto estávamos juntos na sessão geral da

conferência em Cali, algo muito especial aconteceu

comigo, e quero contar-lhe o que foi. (

Entre os ensinamentos que deu aos missionários na sessão para missionários, você salientou a firmeza, a resolução, a determinação, o desejo de alcançar algo e o espírito que devemos ter para atingirmos nossa meta.

)

lutando

para conseguir esse tipo de atitude ou traço de caráter. Na verdade ele não tinha a determinação de ser firme com as pessoas a quem dirigia no trabalho da Igreja. Disse que existiam alguns problemas graves em sua região, mas que ainda não se tinha ocupado deles.

Esse representante regional disse que vinha

Havia orado ao Senhor, pedindo-lhe que me ajudasse a

encontrar um remédio para essa minha fraqueza. (

Nessa noite, no hotel, pedi ao Senhor que me inspirasse para saber como receber ajuda para solucionar esse problema. Logo cedo no domingo, antes de sair do hotel,

Sei que o Senhor

sempre me escuta e responde. Por isso tinha muita fé e fiquei atento para escutar a resposta. Para mim, foi decisivo o momento em que, dez minutos antes do início da sessão geral, o senhor disse-

tornei a orar para pedir inspiração. (

)

)

me: "José, é bem provável que aquele líder do sacerdócio

não venha à conferência. Há quem diga que ele vem, mas quero ter certeza. Por favor, procure-o". Compreendi a magnitude da tarefa porque sabia da inatividade e ressentimento desse líder do sacerdócio; mas senti também que era muito importante para ele e para todos os demais que ele estivesse na sessão. Pus-me a caminho em companhia de um rapaz, orando para ter sucesso em minha designação. Quando chegamos à casa dele, encontrei-o lendo o jornal, com a

televisão ligada. Ele não estava arrumado para ir à Igreja

e o pior é que sua atitude era muito negativa. Disse-lhe,

em uma voz que nem reconheci, mas com energia e determinação: "Irmão, em nome de Jesus Cristo e com a designação especial que me foi feita pelo Élder Cook, vim procurá-lo para que vá à conferência".

Ele respondeu: "Nem pensar! Com todo o respeito que devo a você e ao Élder Cook, digo que não vou. "

Aconteceram muitas coisas que

dizer que o amávamos e esperávamos que reconsiderasse

a decisão, mas, ao mesmo tempo, demonstrei a firmeza

de minhas intenções. Disse-lhe que não sairia da casa sem ele. Disse que em outra oportunidade conversaríamos sobre os problemas, mas nesse instante, tínhamos de ir à conferência.

Nesse momento, operou-se em mim uma mudança maravilhosa. Repentinamente, percebi que o fato de ter- me mandado àquela casa havia sido uma resposta direta às minhas orações. Eu havia orado pedindo mais coragem e força espiritual, o Senhor havia-me colocado em uma situação em que elas seriam testadas e desenvolvidas. Compreendi como nunca o que é agir em nome de Jesus Cristo, pelo poder do sacerdócio e designação de um líder que seja servo do Senhor. Passaram-se 10 minutos e eu estava certo de que a conferência já havia começado, mas disse comigo mesmo:

"Não voltarei sozinho para a capela. Se não tiver a força

Eu o interrompi para

necessária para fazer com que esse líder do sacerdócio me acompanhe, ficarei aqui até o fim da conferência; depois, irei para casa sem voltar à capela. Mas não sairei daqui sozinho." Estas palavras de Néfi serviram-me de inspiração: "Assim como vive o Senhor e vivemos nós, não desceremos para o deserto onde está nosso pai até havermos cumprido o que o Senhor nos ordenou". (1 Néfi 3:15) De alguma maneira esse bom homem deve ter percebido que eu estava decidido, porque apesar de ter dado mil desculpas para não ir, depois de ajoelharmo-nos e orar, ficou com um pouco de remorso por fazer-me perder parte da conferência. Ele disse: "Está bem! Eu vou, mas com a condição de voltar para casa assim que a conferência acabar". Aceitei isso com muita alegria e pedi ao Senhor que ajudasse esse líder do sacerdócio a receber tanto amor e compreensão na capela, que se dispusesse a mudar de atitude. Nunca havia visto uma pessoa se aprontar tão depressa. Em cinco minutos ele estava pronto para ir comigo, e sua aparência era a de um líder, movido pelo Espírito e pronto para cumprir seus deveres.

#

FORTALECER NOSSOS

IRMÃOS

Sei de uma estaca em que 150 homens receberam o Sacerdócio de Melquisedeque em um espaço de tempo muito breve. O que os líderes das alas e da estaca fizeram? O que tornou possível que acordassem tantos homens que estavam adormecidos espiritualmente?

Nas entrevistas com os líderes dessa estaca, descobrimos que o sucesso que alcançaram teve início com uma atitude de determinação. Um bispo disse: "Para mim, tudo começou no dia em que o presidente da estaca decidiu o que faríamos. Não estou dizendo que ele tenha achado

que isso seria uma boa idéia ou que ele iria tentar. Digo que ele tomou uma decisão". O presidente da estaca decidiu que não podia mais tolerar na estaca o tipo de atitude que permite que um número crescente de homens terminem ficando no grupo dos élderes em perspectiva. O Senhor ensinou esse princípio, o espírito de resolução, por intermédio de Néfi, que disse as palavras que acabamos de citar:

Assim como vive o Senhor e vivemos nós, não desceremos para o deserto onde está nosso pai até havermos cumprido o que o Senhor nos ordenou". (1 Néfi 3:15)

Depois de tomarem a decisão, os líderes depositaram total confiança no Senhor. Humilharam-se; pediram a ajuda do Senhor com sinceridade e fervor. Certo bispo disse:

"Depois que percebemos a atitude do presidente da estaca, que ele verdadeiramente tinha a intenção de fazer aquilo, percebemos que nunca fizéramos algo assim anteriormente. Buscamos o Senhor, jejuamos juntos e oramos perguntando:

'Como conseguiremos? O que faremos?" Ao tentarem dar continuidade ao que tencionavam fazer, não deixaram de buscar a influência do Espírito. Outro bispo disse: "Não me concentrei somente nos seis passos fáceis para entrevistar alguém que havia aprendido. Em vez disso, resolvi que o Senhor teria de me dizer o que eu precisaria fazer para ajudar cada homem a passar por uma mudança em seu íntimo. Entrevistei alguns sozinho, como bispo; outros entrevistei com o presidente da estaca ou o presidente do quorum de élderes. Todas as vezes oramos sem cessar, implorando ao Senhor que nos desvendasse o íntimo de cada um".

O

Senhor

prometeu

que

nos

utilizaria

como

instrumentos para ajudar a converter o Seu povo.

E se perguntares, conhecerás mistérios que são grandes

e maravilhosos; (

a verdade, sim, para convencê-los do erro de seus caminhos. (D&C 6:11; grifo do autor)

)

para que leves muitos a conhecerem

Parte do plano era entrevistar todos os élderes em perspectiva sob sua responsabilidade. Certo bispo disse:

"Ajoelhávamo-nos para orar com cada homem que entrava, e eu rogava ao Senhor diante do homem, que ele sentisse o Espírito e tivesse o desejo de voltar à plena comunhão com o Senhor e Sua Igreja. A maioria desses homens eram difíceis. A maioria estava inativa havia muito tempo, não era de recém-conversos".

Outro bispo disse: "Entrevistei literalmente cada homem, mulher e jovem de minha ala. Deixei de ficar só falando e passei a entrevistar com o Espírito. Desafiei famílias inteiras a virem e participarem do reino. Desafiávamos o marido e a mulher especificamente a participarem do curso de preparação para o templo, que foi marcado para uma data determinada. Dissemos a eles que o Senhor esperava que comparecessem e que havia mandado que lhes déssemos o recado. Foi emocionante ver a reação que tiveram! Nossos irmãos, os élderes em perspectiva, verdadeiramente sentiram o amor que lhes dedicávamos. Não poderiam fazer outra coisa senão corresponder. O amor era constante, forte e dominador; pois não éramos somente nós, mas o Espírito do Senhor que estava em nós".

O sucesso alcançado nessa estaca foi fruto de três elementos espirituais simples. Em primeiro lugar, os líderes tomaram uma resolução: "Nós o faremos". Depois, concentraram-se inteiramente no Senhor, com a consciência de que é Ele quem revela o que há no coração das pessoas; e

oraram pedindo-Lhe essa bênção especificamente. Por último, trabalharam arduamente, em espírito de oração, entrevistando a todos sob a influência do Espírito, para fazer com que se arrependessem, sentissem que eram amados e voltassem ao rebanho.

COMOVER E PROMOVER A MODIFICAÇÃO

INTERIOR

Algo semelhante foi feito em outra estaca. Em uma conferência de estaca, fiquei surpreso com o número de rapazes dignos que não haviam sido missionários, apesar de serem maiores de idade. Na conferência, eram tantos, que lhes pedi que ficassem de pé. Levantaram-se 76 rapazes. Fiquei espantado e perguntei-me: "O que os nossos líderes estão fazendo?"

Após a conferência, convoquei uma reunião especial com a presidência da estaca e os bispos. Depois que terminamos, fiz-lhes um desafio: "Irmãos, peço-lhes que entrevistem esses 76 rapazes, cada um deles. Conversem com eles tendo o Espírito do Senhor e peçam-lhes que aceitem o chamado Dele. Procurem-me em uns dois meses e façam-me um relatório sobre cada rapaz".

Umas seis semanas depois, o presidente da estaca procurou-me com um relatório. Ele disse: "Élder Cook, fizemos todas as entrevistas". "Ótimo", respondi. "Quantos estão indo para a missão?" Ele ficou quieto, estava contente com o fato de todos os rapazes terem sido entrevistados, mas não queria dizer-me

o resultado das entrevistas. Por fim, acabou dizendo: "Bem,

E há cinco ou seis que provavelmente

uns três ou quatro irão no ano que vem".

Orei. O que deveria dizer? Então senti que o Senhor

queria que eu falasse francamente, e disse: "Presidente, só há duas conclusões possíveis". "Quais?", perguntou. Eu respondi: "Que esses sejam os rapazes mais indignos e apáticos que já vi". Ele maneou a cabeça. "Não é verdade, Élder Cook. São ótimos rapazes". "Eu sei. Conversei com vários na conferência". Falamos dos rapazes por uns instantes e, depois ele perguntou: "Qual é a outra conclusão?" Respondi: "Acho que se a outra era falsa esta é necessariamente verdadeira." "E qual é?" Nunca teria respondido se o Senhor não me houvesse inspirado a fazê-lo, mas sabia que era importante que eu fosse bem direto. Disse: "Acho que esse é o grupo de líderes do sacerdócio mais ineficiente que já conheci". E não disse isso com um sorrisinho. O presidente da estaca levou a mal, e eu sabia que o faria; mas no fundo, era disso que ele precisava. Ele não estava sendo humilde como deveria. Tinha agido meramente como homem, e foi por isso que alcançara aqueles resultados. Ao término da entrevista, abracei-o com amor. Ajoelhamo-nos e oramos juntos. Depois, prestei meu testemunho a ele: "Presidente, a partir de agora, aja com a autoridade de Deus, e Ele corresponderá. Vá à casa dos rapazes, ajoelhe-se e ore com eles. Peça a cada um que explique ao Senhor em sua presença por que não pode servir como missionário. Aí, se o Senhor disser que ele não precisa ir, para mim está bem; mas se o Senhor disser que ele tem de ir, diga ao rapaz que tenha a decência de fazê- lo". Combinamos que ele me procurasse após mais seis semanas e fizesse um relatório.

Depois dessa conversa, chamei o representante regional responsável por ele e disse: "Acabei de ter uma conversa difícil com o presidente fulano. Tenho certeza que ele está bem abatido. Por favor, procure-o para fortalecê-lo e abençoá-lo". Seis semanas depois, o presidente de estaca voltou com o relatório. Disse o seguinte:

"Irmão Cook, saí do seu escritório ofendidíssimo. Estava humilhado e zangado. Passei uma semana remoendo. Nesse tempo todo, senti-me péssimo mesmo. Até que contei tudo para minha mulher. Ela escutou e, depois, disse: 'Meu bem, não quero ofendê-lo, mas foi um servo do Senhor que falou com você, e sinto algo dizer-me que ele disse o que o Senhor diria. Ele só está pedindo que você volte a conversar com eles. Pare de resistir. Aja'. Sabia que ela tinha razão. Pela primeira vez, humilhei- me e tive o desejo de agir à maneira do Senhor. Ajoelhamo- nos, oramos juntos, e senti que estava recebendo muito poder. Senti-me como se pudesse fazer qualquer coisa, até mover uma montanha, e disse: 'Não arrumarei mais desculpas. Farei o que me pedem'". Então ele foi e, com a ajuda dos bispos, começou a entrevistar os rapazes outra vez. Em seis semanas, entrevistou 27 rapazes. Deles, 25 aceitaram servir como missionários e preencheram os papéis. A oração abrandou- lhes o coração para que eles aceitassem. Um rapaz cujo nome estava na lista de entrevistados, costumava visitar o filho do presidente. Irei chamá-lo de João. Ele não era plenamente ativo e não tinha vontade de ir para a missão, mas era basicamente digno e deveria estar- se preparando para isso. Um dia o João foi visitar o filho do presidente. Assim que o viu, o presidente começou a orar: "Pai Celestial, o que devo fazer? O que devo dizer ao rapaz? Como tocarei seu

coração?" Então, o presidente saiu com esta: "João, ouvi dizer que você vai para a missão". João ficou espantado. "Presidente, o senhor sabe que não tenho a menor intenção de ir para a missão. Quem disse uma coisa dessas?" Então, o presidente respondeu com toda a sinceridade:

"Filho, foi o Senhor e o Espírito Santo". João ficou sem ter o que dizer; e o presidente disse: "Por que não oramos, João?" Eles ajoelharam-se no mesmo momento e oraram. Em questão de quatro ou cinco minutos, João resolveu que serviria como missionário. O que fez com que mudasse? O Espírito Santo, que agiu vigorosamente nele enquanto estava orando com o presidente da estaca. Mas a história não termina aí. João ficou preocupado, achando que os pais, que estavam inativos na Igreja, não aprovariam que fosse para a missão. O presidente disse:

"João, não se preocupe com isso. Se o Senhor quer que vá, não devemos ficar preocupados com os outros, não é?

Acho que não".

Eles visitaram os pais do rapaz e oraram com eles. Em menos de vinte minutos os pais concordaram e João pode servir como missionário com a aprovação dos pais.

O mesmo presidente de estaca teve outra experiência

que demonstra o poder da oração para ajudar-nos a tocar o coração de outras pessoas. Havia uma moça de 22 anos que pertencia à estaca e queria servir como missionária; mas os pais, que não eram membros, se opunham. Estavam preocupados com duas coisas: que a filha perdesse a castidade no campo missionário e que perdesse o emprego, num país com altos índices de desemprego.

O presidente da estaca visitou-os em casa; durante a

visita ficou orando mentalmente e pedindo a ajuda do Senhor. Ele não sabia o que fazer nem o que dizer, mas acreditava que o Senhor o ajudaria. De repente, enquanto

conversavam, ele lembrou-se de uma jovem ex-missionária que morava por ali. Ele pediu licença e foi buscá-la, orando durante todo o trajeto para pedir a Deus que ela estivesse em casa e livre. A moça estava em casa e aceitou de boa- vontade prestar seu testemunho a esses não-membros. Ela disse-lhes mais coisas acerca do que era a missão, como havia mudado sua vida e como havia fortalecido seus valores morais, ao contrário de enfraquecê-los. Isso contentou e convenceu os pais; mas ainda havia a questão do emprego da filha. O próximo passo do presidente da estaca foi visitar o chefe da moça, que era o gerente de uma loja de departamentos, e explicar-lhe o que ela estava tentando conseguir. A moça era uma das melhores funcionárias que tinha, disse ele, e não pretendia deixar que ela se ausentasse por um ano e meio. Se resolvesse sair, perderia o emprego. Ainda orando em pensamento, o presidente da estaca falou dos benefícios da missão. O gerente comoveu-se e ofereceu-se para assinar um acordo que permitiria a ela voltar ao emprego depois da missão (o que, na época, não tinha precedentes no país). Ele ofereceu-se também para ajudar a sustentá-la na missão e deu uma importância em dinheiro ali mesmo. Presto testemunho de que, se pedirmos, o Senhor irá ajudar-nos nas conversas que tivermos, visitas que fizermos, entrevistas e todos os outros contatos com as pessoas a quem servimos. Temos de orar com fervor durante essas ocasiões para que "[expressemos! os pensamentos que [o Senhor nos] puser no coração e não [sejamos] confundidos diante dos

homens; pois (

dado o que dizer". Não há dúvidas de que Ele nos dará "a porção que será concedida a cada homem". (D&C 100:5-6;

)

naquele mesmo momento, [ser-nos-á]

É verdade que a oração nos ajuda a passar por uma mudança interior e ajuda-nos a tocar o coração das pessoas com quem trabalhamos. Não faz diferença estarmos lidando com um filho rebelde, com um cônjuge descontente, com um membro menos ativo, um amigo, colega ou até conosco mesmos: o efeito da oração é verdadeiro e duradouro.

Pontos a Ponderar

1. Releiam a carta do representante regional. De que forma a oração o ajudou no problema que teve com o líder do sacerdócio?

2. Qual foi o papel da oração na história da estaca em que 150

homens receberam o Sacerdócio de Melquisedeque?

3. Qual foi o efeito da oração na história do presidente de estaca

que entrevistou 76 rapazes para que saíssem em missão?

4. A oração pode representar uma importante influência que ajude a promover a mudança interior. Como suas orações podem ajudar os membros da família que precisem passar por uma modificação interior? E as pessoas com quem trabalham ou têm contato na Igreja?

5. Este capítulo contém várias histórias de como a oração ajuda os pais e os líderes. O que podem fazer para utilizar a oração como uma bênção que os ajude nas dificuldades que enfrentam como pais, ou no chamado que têm na Igreja?

A

CAPÍTUL O

7

GRAÇA DE DEUS

Que m nunca tentou resolver os problemas da vida sozinho, sem pedir que o Senhor interferisse em sua vida? Tentamos arcar sozinhos com o peso. Da mesma maneira, quantas vezes nos privamos do poder de Deus ao orarmos pedindo ajuda com nossos problemas, por termos dúvidas ou medo e, assim, não recebemos as bênçãos que Ele nos daria? (Ver D&C 6:36; 76:3.) Há quem diga, quando tenha de passar por provações e momentos aflitivos: "Por que Deus não me ajuda?" Há quem chegue a inquietar-se com dúvidas quanto à oração e à sua dignidade pessoal, e digam: "Será que adianta orar?" Presto testemunho de que orar adianta e que o Senhor está pronto a ajudar-nos. Parece-me que aprender com o Senhor a utilizar melhor os poderes do céu em nosso favor é um elemento essencial, algo que conseguimos quando recebemos Sua graça.

O

PODER DE DEUS QUE TUDO TORNA

POSSÍVEL

A

melhor

definição

que

conheço

do

que

é

graça

encontra-se no dicionário da edição SUD da Bíblia [em inglês]. Diz o seguinte:

A idéia central da palavra é o meio divino de ajudar ou fortalecer, concedido por intermédio da imensa

misericórdia e amor de Jesus Cristo. (

)

A graça é o poder

que torna tudo possível. (Holy Bible, Salt Lake City, The Church of Jesus Christ of Latter-day Saints, 1979, apêndice, p. 697.)

Portanto, a graça é o poder de Deus que tudo torna possível. Na verdade, se substituíssemos a palavra "graça" por "poder de Deus que tudo torna possível" sempre que a encontrássemos nas escrituras, compreenderíamos muitas coisas. Citarei um exemplo de Jacó:

Portanto estudamos os profetas e temos muitas revelações e o espírito de profecia; e com todos estes testemunhos obtemos uma esperança e nossa fé torna-se inabalável, de sorte que podemos verdadeiramente ordenar em nome de Jesus e as próprias árvores ou as montanhas ou as ondas do mar nos obedecem. (Jacó 4:6)

Que declaração! As montanhas, árvores e ondas do mar atendiam as suas ordens. Mas como conseguiram isso?

Não obstante, o Senhor Deus mostra-nos as nossas fraquezas a fim de que saibamos que é por [seu poder, que tudo torna possível] e sua grande condescendência para com os filhos dos homens que temos poder para fazer estas coisas. (Jacó 4:7)

E então, Jacó, onde você conseguia poder para fazer isso? Fazia essas coisas devido à graça, ao poder de Deus que tudo torna possível, e à Sua condescendência para com os filhos dos homens. Vejamos outra escritura que salienta a importância desse poder:

Há uma lei, irrevogavelmente decretada no céu antes da fundação deste mundo, na qual todas as bênçãos se

baseiam - E quando recebemos uma bênção de Deus, é por obediência à lei na qual ela se baseia. (D&C

130:20-21)

Esse é o tipo de escritura que tudo abrange. A lei foi decretada irrevogavelmente (não pode ser alterada). Todas as bênçãos baseiam-se nela (não há exceções). Quando recebemos uma bênção, é por obediência à lei (novamente não há exceções). Acredito que o Senhor esteja dizendo que existem leis e condições que regem todas as bênçãos. Quando cumprimos a lei e a condição, recebemos a bênção (presumindo-se que não estejamos agindo contrariamente à vontade de Deus). Como isso atende ao princípio da graça? Digamos que um homem fiel chamado João esteja orando e pedindo uma bênção de todo o coração. Ele faz tudo a seu alcance para contribuir para que ela se concretize, mas não basta. Ele faz quase tudo o que é necessário, mas nem tudo. Acontece que ele não tem a capacidade necessária para fazer tudo o que é preciso; mas, persiste e recebe a bênção.

Pergunta: Quem fez o que faltava? É preciso que a lei ou exigência seja cumprida, mas João não tinha capacidade de fazê-lo. Quem compensou sua incapacidade? Resposta: O Senhor, Jesus Cristo. O poder de Deus que torna tudo possível, ou a graça, interveio e Jesus Cristo contribuiu com o que faltava a João. Portanto, a lei foi cumprida. Compreendam isso. Jesus não somente nos salva de nossos pecados, mas também nos ajuda em nossas debilidades, aflições, fraquezas, problemas e quando estamos desanimados; e ao fazer isso, ajuda-nos a qualificarmo-nos para receber as bênçãos que buscamos. A isso, chamamos graça. Pensem agora em outro homem. Ele tem menos fé que

João. Foi batizado na semana passada. Está tentando alcançar a mesma bênção que João, mas ainda não tem tanta fé quanto João. Ao tentar obedecer a lei, não consegue cumprir mais de 10% das exigências. Mesmo assim, recebe a bênção. Como? Outra vez, porque Jesus foi a compensação e entrou com o que faltava. Depois que fazemos tudo o que podemos, acontece a intervenção da graça de Deus. O profeta Néfi disse magnificamente:

Pois trabalhamos diligentemente para escrever, a fim de persuadir nossos filhos e também nossos irmãos a acreditarem em Cristo e a reconciliarem-se com Deus; pois sabemos que é pela graça que somos salvos, depois de tudo o que pudermos fazer. (2 Néfi 25:23)

A meu ver, esse princípio explica porque as criancinhas são abençoadas tão prontamente quando oram. Há muito pouco que as crianças possam fazer além de abrir o coração, mas isso basta. O Senhor entra com o restante. As crianças têm pleno acesso aos céus. Também podemos ter esse acesso, caso oremos de todo

o coração e façamos tudo o que pudermos para merecermos

a bênção que buscamos. Então, pela graça de Cristo, ou o

poder que torna tudo possível, há uma intervenção divina que nos concede o que desejamos.

Quero, porém, salientar novamente que todos esses princípios são sempre dependentes da supremacia da vontade do Senhor. Devido ao grande amor que nos tem, Ele sempre fará o que for melhor para nós, tanto a curto quanto a longo prazo.

COMO TER ACESSO À GRAÇA DE

DEUS

Considerando-se que essas coisas são verdadeiras, como ter acesso à graça da qual falamos, para receber ajuda dos céus? As escrituras ensinam alguns dos pré-requisitos.

Primeiro,

ter fé. Paulo ensinou:

Tendo sido, pois, justificados pela fé, temos paz com Deus, por nosso Senhor Jesus Cristo; Pelo qual também temos entrada pela fé a esta graça

). (

(Romanos 5:1-2)

Se realmente tivermos fé, deixando de lado as dúvidas e o medo, receberemos a graça, que nos conferirá o poder necessário para que nossas orações sejam respondidas.

Segundo, arrepender-se Helamã:

e praticar

boas obras. Lemos em

Portanto benditos são os que se arrependem ( E permita Deus, em sua grande plenitude, que os homens sejam levados ao arrependimento e às boas obras, para que lhes seja restituída graça por graça, segundo suas obras. (Helamã 12:23-24)

O que se exige para que recebamos a graça é exatamente que estejamos arrependidos de coração e pratiquemos boas obras. Quando rogamos fervorosamente uma bênção em oração, pode ser que a reposta dependa mais de nossos próprios pecados do que de qualquer outro fator. (Ver D&C 101:7-8; Mosias 11:23-24.) Terceiro, ser humilde. Tiago disse:

Antes, ele dá maior graça. Portanto diz: Deus resiste aos soberbos, mas dá graça aos humildes. (Tiago 4:6)

Parece que a essência de quem somos intimamente é a humildade. Se nos humilharmos diante de Deus, e se o que desejamos estiver em harmonia com a vontade do Senhor, receberemos a graça, o poder que intervirá a nosso favor, e nossa oração será respondida. Esse princípio também foi revelado pelo Senhor por intermédio de Morôni:

E se os homens vierem a mim, mostrar-lhes-ei sua fraqueza. E dou a fraqueza aos homens a fim de que sejam humildes; e minha graça basta a todos os que se humilham perante mim; porque caso se humilhem perante mim e tenham fé em mim, então farei com que as coisas fracas se tornem fortes para eles. (Éter 12:27)

Se nos achegarmos a Cristo, tivermos fé Nele nos humilharmos ante Ele, Ele nos concederá a graça. Quanto de Sua graça? Tanto quanto precisemos, a Sua graça é suficiente para todos. Quarto, fazer tudo o que estiver a nosso alcance. Néfi declarou esta grande verdade:

Sabemos que é pela graça que somos salvos, depois de tudo o que pudermos fazer. (2 Néfi 25:23)

(

)

Em outras palavras: não conseguiremos que a graça (ou o poder que torna tudo possível) atue a menos que tenhamos feito tudo o que pudermos. Depois de havermos atendido o melhor possível às exigências do Senhor, temos todo o direito de esperar que o Senhor interfira, e Ele o fará, presumindo-se que o que buscamos seja honrado e correto. Joseph Smith foi inspirado ao reiterar essa verdade quando disse:

Façamos alegremente todas as coisas que estiverem a

nosso alcance; e depois aguardemos, com extrema segurança, para ver a salvação de Deus e a revelação de seu braço. (D&C 123:17)

( )

A menos que tenhamos feito tudo o que estava ao nosso alcance, não podemos esperar que a graça de Deus se manifeste. É maravilhoso compreender este princípio: A ajuda que recebemos do Senhor (seja nossa fé forte ou fraca; sejamos homens, mulheres ou crianças) não depende somente do que saibamos, de nossa força, ou de quem

sejamos; depende muito mais de que nos empenhemos ao máximo e façamos tudo o que pudermos, de acordo com as exigências do Senhor e de nossa capacidade atual. Depois de empenha rmo-nos ao máximo, o Senhor, por meio de Sua graça, poderá ajudar-nos.

Essa exigência está

intimamente ligada à de arrepender-se e praticar boas obras. O Senhor disse:

Quinto,

guardar

os mandamentos.

( )

Se guardardes meus mandamentos, recebereis de sua

plenitude (

graça. (D&C 93:20)

);

portanto digo-vos: Recebereis graça por

Para alcançarmos a graça, não precisamos ser perfeitos, mas temos de estar empenhados em guardar os mandamentos o melhor que pudermos. Então, o Senhor talvez permita que recebamos esse poder. Estes são, portanto, alguns dos elementos capitais de que precisamos quando estamos tentando receber a graça, que, por sua vez, irá proporcionar-nos as bênçãos dos céus, a força que dele emana: fé, arrependimento, boas obras, humildade, fazer tudo o que estiver a nosso alcance e guardar os mandamentos. Presto testemunho de que se buscarmos a graça de Deus, Ele haverá de ajudar-nos e a nossos entes queridos quando necessitarmos. Ele ouvirá as nossas súplicas e, segundo Sua santa vontade, responderá às nossas orações. Intercederá por nós e irá conceder-nos as bênçãos que buscamos. Se fizermos a nossa parte, com certeza Ele fará a Sua.

Cheguemos, pois, com confiança ao trono da graça, para que possamos alcançar misericórdia e achar graça, a fim de sermos ajudados em tempo oportuno. (Hebreus

4:16)

Pontos a

Ponderar

1. O que significa a palavra graça?

2. Caso estejamos tentando com todo empenho conseguir uma bênção, e ela representar a vontade de Deus, mas não tivermos como cumprir todas as exigências, o que o Senhor faz para nos ajudar?

3. Citem alguns pré-requisitos para que recebamos graça.

4. Não é tanto nosso conhecimento, força ou quem sejamos o que

determina se o Senhor nos ajudará; mas o fato de estarmos empenhados ao máximo e fazendo tudo a nosso alcance. Quando estiver lutando para receber uma resposta ou bênção, pergunte- se o que mais pode fazer. O que mais você pode fazer para receber as bênçãos do Senhor?

5. Não temos de ser perfeitos para recebermos a graça. Contudo, o que temos de estar fazendo para recebermos essa dádiva de Deus?

CAPITUL O

8

QUANDO

PARECE QUE NÃO

RECEBEMOS

RESPOSTA

N ã o faz muito tempo, recebi uma carta pungente de uma irmã solteira da Igreja que passara por uma experiência frustrante quanto à oração. Ao orar acerca de um homem em quem estava interessada, achou que lhe havia sido dado saber por inspiração que se casaria com ele, mas em sua opinião, não foi esse o resultado. Leiam parte da carta:

No ano passado, conheci um homem (que chamarei de Paulo) que me impressionou bastante por sua compaixão e outras qualidades. Senti-me atraída por ele, o que para mim é coisa rara, já que tenho quarenta e oito anos e nunca me casei. Quando o que sentia por ele começou a ficar mais intenso, iniciei um processo de orações para saber se deveria esperar que nosso relacionamento evoluísse. Fui muito criteriosa ao orar, pois não queria pedir algo errado, não queria ir em busca de algo que me trouxesse somente desgosto. Desde que fiz a primeira oração, tomando todo o cuidado com as palavras que empregava, senti como se nossa união fosse parte de um plano eterno. Orei quanto a isso todos os dias, por muitos meses. Jejuei muitas vezes; fui ao templo e orei na sala celestial. Todas as vezes tive a mesma sensação intensa que tenho quando o Espírito me presta testemunho da veracidade

do evangelho. Algumas vezes, quando tive essa sensação intensa, expliquei ao Pai Celestial que eu a interpretava como uma confirmação no que se referia a Paulo e eu, e pedi-Lhe que fizesse com que o sentimento passasse se minha interpretação fosse errônea. Isso nunca aconteceu. Agora, porém, ficou dolorosamente claro para mim que nunca haverá nada entre Paulo e eu. Isso deixa-me muito confusa e angustiada. É claro que me causou sofrimento emocional — durante muitos anos orei quanto ao casamento. (Em 1984, fiquei noiva, mas meu noivo repentinamente resolveu casar-se com outra, pois de repente, passou a "não se sentir bem" ao orar quanto a nosso casamento.) Entretanto o maior sofrimento é espiritual. Honestamente, sinto que o Pai Celestial me abandonou. Como algo que senti ser certo depois de orar fervorosamente pode dar tão errado? Eu sei, as explicações normais são: (a) Confundi minhas emoções com respostas; ou (b) Paulo preferiu não seguir a orientação do Espírito. Minha resposta para essas explicações usuais são (a) Em primeiro lugar, os sentimentos intensos que tive ao orar foram os mesmos que tenho em outras questões espirituais; além do mais, não posso forçá-los; e (b) se Paulo preferisse não seguir a orientação do Espírito, Deus saberia de antemão e poderia ter-me poupado desse grande sofrimento, fazendo com que eu soubesse que isso não daria certo. Para mim não há o que explique por que a diligência com que agi não me trouxe bênçãos, mas lançou-me no maior desespero. Não é de esperar que recebamos orientação divina se vivermos retamente, orarmos com sinceridade e fervor, jejuarmos, escutarmos o Espírito e pedirmos que as respostas que recebemos sejam confirmadas? Tive outras experiências muito dolorosas na vida, mas esta é a mais deprimente de todas, porque a verdade é que sinto que fui traída por Deus. Para mim, seria muito melhor estar com uma doença fatal do que

passar o resto da vida sem saber em que quando oro.

COMO LIDAR COM AS

QUE NÃO FOREM

ORAÇÕES

RESPONDIDAS

acreditar

Conversando com membros da Igreja em muitos países, ficou bem claro que essa irmã não é a única a ficar frustrada com a resposta que recebeu às orações. De certa maneira, todos lutam para que suas orações sejam respondidas. Todos passam por momentos na vida em que recebem respostas facilmente. Há ocasiões em que as respostas são claras e distintas; e há ocasiões em que oramos quanto a algo e parece que não recebemos resposta. Em momentos assim, pode ser que achemos que seguimos escrupulosamente as instruções encontradas em Doutrina e Convênios 9:7-9. Ponderamos o assunto, oramos a respeito dele (talvez tenhamos até jejuado) e perguntamos ao Senhor se nossa escolha é correta ou se compreendemos corretamente. Mas depois de tudo isso, sentimos que nosso peito não ardeu, e que não tivemos um estupor de pensamento. A impressão é que fomos abandonados para tentar resolver o problema com nossos próprios meios. Pode ser também que tenhamos certeza de que recebemos a resposta, mas aí, as coisas não transcorram como imaginamos que o fariam. Esse tipo de situação representa uma oportunidade espiritual ainda melhor de termos fé e persistirmos. Com isso, aumentamos de fato a nossa fé, talvez até mais do que quando as repostas vêm com facilidade, são diretas, claras ou distintas. Há membros da Igreja que perdem a fé na oração quando enfrentam esse tipo de situação, ou que chegam à conclusão que nem sempre o Senhor responde às orações ou que elas não são um meio seguro de receber ajuda. O

que fazer para persistir e não perder a fé, quando as respostas não chegam rapidamente? Para começar, acredito piamente que o Senhor ama muitíssimo os filhos. Como já disse anteriormente neste livro, não acredito que uma única oração sincera desde os tempos de Adão, feita por quem fosse, membro da Igreja ou não, tenha ficado sem resposta do Senhor. Quem sabe com certeza do grande amor que o Senhor tem aos filhos, sabe com certeza que o Senhor responde a todas as orações sinceras. A chave, portanto, é que percebamos como as respostas chegam. Não devemos julgar o Senhor nem endurecer o coração, quando parecer que não fomos atendidos. Ao contrário, devemos confiar no Senhor e ter consciência de que Ele responde às nossas orações a Seu próprio modo, à sua própria maneira. Isaías ensinou:

Porque os meus pensamentos não são os vossos pensamentos, nem os vossos caminhos os meus caminhos, diz o Senhor. Porque assim como os céus são mais altos do que a terra, assim são os meus caminhos mais altos do que os vossos caminhos, e os meus pensamentos mais altos do que os vossos pensamentos. (Isaías 55:8-9)

Presto testemunho da veracidade disso. Portanto, não nos cabe julgar o Senhor, cabe-nos confiar Nele. Vejamos algumas situações em que pode parecer que as orações não foram respondidas, e como podemos compreendê-las.

SABER QUE AS RESPOSTAS

CHEGAR POR VIAS

PODEM

INUSITADAS

Uma das coisas que faz com que pareça que a oração não foi respondida é quando o Senhor responde de modo

inesperado. Se ficarmos mais abertos para receber as respostas por diferentes vias, reconheceremos a mão do Senhor em nossa vida mais freqüentemente, e isso, por sua vez, fortalecerá a nossa fé de modo a possibilitar que sejamos atendidos mais vezes. Certa vez, quando estava em Guayaquil, no Equador, passei por um momento difícil que serve como exemplo disso. Estava viajando para visitar Santa Cruz, na Bolívia, a serviço da missão, e pernoitaria em Guayaquil. No dia seguinte, cheguei ao guichê do departamento de imigração faltando uma hora para a partida do avião. Ao passar pela inspeção, um dos funcionários da imigração olhou para o visto em meu passaporte e disse: "Você tem de conseguir provar que não tem nenhuma dívida no país. Não pode sair se não tiver certas declarações financeiras juramentadas. Onde estão os documentos?" Disse-lhe que nunca ouvira falar nisso antes, mas ele respondeu que eu não poderia sair do país. Expliquei que já havia saído do país várias vezes e que nunca ninguém me pedira isso. Ele disse que isso não mudava nada e puxou uma extensa lista de regras para comprovar que com o meu tipo de visto seriam necessárias as declarações financeiras juramentadas. Por fim, o funcionário ao lado envolveu-se; conversou um pouco com o outro e acabou por convencê-lo a deixar- me ir. Carimbaram o meu passaporte e deixaram-me passar. Como fiquei aliviado! Fui para a sala de espera da Braniff e comecei a ler. Meia hora depois, o funcionário que me havia permitido passar, procurou-me e disse: "Posso ver seu passaporte?" Mostrei o passaporte a ele, que o levou de volta para sua mesa. "Desculpe", disse ele, "mas acho que não será possível deixá-lo ir". Ele disse que seria contra as regras me dar a autorização para sair e acrescentou: "Caso

tenha qualquer dívida, nós arcaríamos com a responsabilidade". Fez também a seguinte observação:

"Não há registro de sua entrada no país". Continuei a tratar do assunto com ele enquanto orava mentalmente. Até que ele disse: "Está bem, deixaremos que vá desta vez; mas nunca mais volte a Guayaquil sem todos os papéis em ordem". Fiquei muito aliviado e relaxei totalmente, certo de que não teria mais problemas. Sentei-me e continuei com a leitura. Quando fizeram a chamada para o embarque, os poucos passageiros que aguardavam passaram rapidamente. Quando eu estava fechando minha maleta para ir também, o outro funcionário aproximou-se e disse:

"Deixe-me ver o seu passaporte". Perguntei-lhe para que, mas ele não disse. "Deixe-me vê-lo", repetiu.

Disse-lhe que não lhe mostraria o passaporte a menos que me dissesse o que queria. Disse também que o outro funcionário da imigração já me havia liberado para sair do país e que a empresa aérea já havia feito a chamada de embarque. Eu tinha de embarcar imediatamente. Ele irritou-se e disse: "Siga-me"; então voltei para o balcão da imigração. Ele exigiu que eu mostrasse o passaporte, dizendo-me que só queria verificar uma coisa; sendo assim, entreguei-lhe o documento. Eu estava ficando cada vez mais nervoso, porque os outros passageiros já haviam ido para o avião. Ele pegou o passaporte e riscou o carimbo que seu colega colocara. Depois, devolveu-me o passaporte e disse: "Quero ver você sair do Equador agora. Não vai hoje, e provavelmente terá de voltar a Quito para conseguir o documento de que precisa. Aí, quem sabe, em um outro dia consiga ir".

Tentei explicar que era o presidente de uma área da Igreja Mórmon naqueles países e que havia 200 missionários esperando por mim. Não adiantou nada; ele

nem me ouviu. Eu não sabia se era porque o dia dele estava sendo ruim, se ele não gostava de americanos, se não gostava de mórmons (ou tudo isso junto), mas tudo indicava que ele estava decidido a criar dificuldades para mim. Depois de tentar de tudo em vão, exigi falar com o chefe dele. Ele disse-me que não tinha chefe e que não me diria seu nome. Finalmente uma senhora de uma mesa próxima, deu-me o número do departamento de imigração no centro

da cidade, mas tanto ela como o homem disseram que eu

teria de ligar de um telefone público. O problema é que eu não tinha fichas telefônicas. Sabia que estavam tentando atrasar-me para que eu perdesse o avião. Disse-lhe que

usaria o telefone deles e, para seu espanto, peguei o telefone

e comecei a discar. Só nesse momento comecei

verdadeiramente a orar com fervor pedindo ajuda. Até ali, eu havia confiado em minha própria força.

Então percebi que não adiantaria de nada falar com o chefe deles no centro da cidade. Do jeito que eles haviam

arranjado as coisas, eu perderia o avião. Tive a inspiração

de desligar o telefone, pegar minhas coisas e correr para o

balcão da Braniff. Nesse momento, vi o funcionário mais benevolente entrar, vindo da rua. "O que você está fazendo aqui?" perguntou. "Pensei que havia ido." Expliquei o problema e ele olhou o meu passaporte e viu que o outro funcionário havia riscado todo o carimbo de aprovação de saída do país. Ele entrou comigo de novo e pediu ao colega que lhe desse o carimbo. Turrão, o homem negou-se. A pessoa que me estava ajudando literalmente arrancou o carimbo do outro, carimbou o passaporte novamente, de modo que ficasse legível e disse "Vá!" Não foi preciso que repetisse. Corri para o avião da Braniff e entrei no instante em que fechavam a porta.

Levei uma meia hora para recobrar a compostura. Fiquei meio nervoso depois de tantos problemas. Depois que me acalmei, agradeci ao Senhor por ajudar- me a, por fim, conseguir pegar o avião. Foi só nesse momento que me lembrei de uma oração que fizera anteriormente. Uns 20 minutos antes de passar pelo guichê do departamento de imigração, havia orado mentalmente, pedindo que o Senhor me ajudasse a fortalecer a fé. Pedi que me ajudasse a estar pronto a passar por qualquer tribulação que Ele desejasse, que conseguisse demonstrar minha fé em qualquer adversidade. Pensando no acontecido, fiquei contente porque as coisas haviam acabado bem. Contudo, senti-me mal por não ter reconhecido antes que essa era a oportunidade de exercer minha fé no Senhor. Eu pedira uma oportunidade de crescer mais, mas em meio à provação, esquecera-me disso. Na verdade, agi impulsivamente, confiando em minha própria força. Estava fazendo mais do que me cabia

e não deixei o Senhor ajudar-me, quando Ele estava pronto

a fazê-lo. Fiquei decepcionado por que só depois de tudo terminado percebi que essa dificuldade tinha as

características de uma bênção. Na verdade eu havia pedido

a bênção e quase a perdi.

ESTEJA PREPARADO PARA A OPOSIÇÃO CRESCENTE DE SATANÁS

Se você estiver orando para pedir algo que seja de fato

importante, pode ter certeza de que o diabo se intrometerá no assunto. Ele está ansioso por fazer o possível para desviá-lo. Irá empenhar-se ao máximo para convencê-lo a não prosseguir. Ele irá incutir-lhe pensamentos como, por exemplo, "você não vai conseguir. Não é digno o bastante. Sua família tem problemas demais. Não vai conseguir fazer

o que o Senhor exige". Ele vai tramar de tudo para tentar

fazê-lo duvidar. Portanto, saiba logo de início que ele vai tentá-lo. Quando atraímos a atenção do diabo, e ele começa a oferecer-nos mais oposição do que de costume, é um forte indício de que estamos tomando um rumo que agrada a Deus e desagrada a Satanás. Descobri que, quando começamos a orar por coisas que são verdadeiramente importantes, muitas vezes as coisas pioram em vez de melhorar. Muitas vezes isso se deve a Satanás e seus ajudantes, que se estão empenhando ao máximo para garantir que não tenhamos sucesso. Isso deveria servir de sinal para os homens e mulheres que têm fé: "Estou no caminho certo. Estou fazendo algo importante e, agora, terei fé redobrada". Se conseguirem fazer com que sua fé aumente nesse momento, terão vencido a maior parte da batalha.

ESTEJA PREPARADO PARA QUE O SENHOR PROVE A SUA

Não há dúvidas de que o Senhor nos provará quando estivermos buscando as respostas para nossas orações. Ele quer que vejamos se O seguiremos custe o que custar. Quer que vejamos se continuaremos a ter fé, mesmo que não recebamos a resposta que esperávamos. Muitas vezes, recebemos as bênçãos depois da prova de nossa fé (ver Éter 12:6); e temos de perseverar até nos momentos difíceis, se quisermos receber a resposta que buscamos. Esta história é um exemplo:

Eu queria muito estar em casa com minha mulher quando o nosso sexto filho nascesse. Era menino e nasceria em Quito, Equador. Ela queria desesperadamente que eu estivesse a seu lado. Naquela época, ela não falava espanhol muito bem e, ali, havia certos procedimentos médicos que

não a agradavam. Programei meus compromissos de modo que pudesse passar duas ou três semanas em casa na época do nascimento do bebê. Então, para nosso espanto, as Autoridades Gerais de Salt Lake City deram-me a designação de ir ao Brasil nas duas semanas que precediam a data do parto. Eles não sabiam para quando era o nosso bebê, e nós ficamos na dúvida, sem saber se deveríamos contar ou não a eles. Depois de considerar as opções com todo o cuidado, resolvemos que iriamos avante com fé, na esperança de que o bebê nascesse em uma ocasião em que eu estivesse em casa.

A família inteira começou a orar pedindo que o bebê

nascesse antes que eu fosse para o Brasil. Contudo, não foi isso o que aconteceu e, quando eu entrei no avião, toda a família começou a orar pedindo: "Por favor, não mande o bebê agora; por favor, espere o papai voltar para casa". O Senhor abençoou-nos e o bebê não nasceu enquanto eu estava no Brasil.

Quando voltei para o Equador, disse à minha mulher que as Autoridades Gerais haviam determinado a data do seminário de presidentes de missão no Peru. Eu recebera a designação de passar quatro dias no Peru em menos de uma semana.

A essa altura, havia chegado a data exata prevista para o

nascimento do bebê. Nessa noite, minha mulher e eu conversamos e oramos quanto ao assunto, outra vez, ela disse com muita fé: "Vá e cumpra sua designação. Do fundo do coração, espero que o Senhor lhe permita estar aqui para o nascimento do bebê, mas se não for possível, farei de boa vontade o melhor que puder sozinha. Contudo, acredito que o espírito e autoridade que o chamou para atender a essas designações é o mesmo espírito e autoridade que manda os bebezinhos. Hei de esperar que o

Senhor nos ouça e que você esteja presente e hei de orar pedindo que isso aconteça". Tenho certeza de que, nesse momento, minha mulher pagou o preço (fez o sacrifício) que o Senhor exigia para conceder-lhe a bênção: Ela estava verdadeiramente disposta a aceitar alegremente a vontade do Senhor, fosse qual fosse.

Fui ao Peru, para o seminário de presidentes de missão. Na manhã do quarto dia, o Élder Howard W. Hunter, do Quorum dos Doze, que presidia o seminário, disse-me que eu tinha de ir para casa. Eu disse: "Bem, o seminário termina amanhã, então irei". Ele disse: "Não, você tem de ir imediatamente, esta manhã". Ele insistiu e acabamos vendo que sua ordem foi pura inspiração.

Consegui um vôo para a mesma manhã e viajei de Cuzco, onde o seminário estava sendo realizado, para Lima. Depois fiz uma conexão para chegar a Quito, no Equador. Quando cheguei, encontrei minha mulher quase na hora do parto. Depois de chegar em casa, descansei uma meia hora e, aí, minha mulher disse: "Está na hora. Vamos!" Fomos para o hospital, onde nasceu o nosso sexto filho, um menino. Eu havia chegado fazia só duas horas quando ele nasceu.

Como o Senhor foi bom conosco nessa ocasião! Quanta fé minha mulher e filhos demonstraram, a despeito das provas e do que nos pareciam adversidades! Podemos ver de fato que a família que se une em oração pode ter verdadeiro poder espiritual, graças à fé. Acredito sinceramente que se as famílias orarem pedindo algo louvável e certo, têm todo o direito de presumir que o Senhor responderá. Ele haverá de abençoá-las com o que desejem, dar-lhes alguma indicação de por que não poderão receber o que pedem ou indicar-lhes que devem parar de orar pedindo algo que não receberão. Foi muito gratificante

para a nossa família ver nossas orações serem respondidas dessa forma. Tudo o que o Senhor quer é saber o que temos no coração. Se tivermos o coração voltado para o que é certo, poderemos passar por provas, mas nossa fé não diminuirá. Pode ser também que não seja preciso passarmos por provas, caso o Senhor ache que não há mais nada em que elas nos beneficiem. Às vezes o Senhor "puxa o nosso tapete" para saber com certeza o que temos no coração. Pode ser que deixe que passemos por situações difíceis, opostas àquilo que pedimos, só para ajudar-nos a provar para nós mesmos que realmente faremos tudo o que Ele nos peça que façamos.

À s

VEZES RECEBEMOS AS RESPOSTAS

DEPOIS

As Orações quanto à Redenção de Sião. A redenção de Sião é um bom exemplo desse princípio. Quantas orações pedindo a redenção de Sião vocês acham que foram feitas no Missouri, no início desta dispensação? Considerando-se que os membros da Igreja receberam a revelação de que deveriam edificar Sião em Independence, no Missouri, não acham que milhares de pessoas oraram mil vezes pedindo que, de fato, conseguissem herdar Sião? Entretanto, se olharmos do ponto de vista das pessoas que foram expulsas do Missouri, seremos forçados a dizer que suas orações não foram respondidas.

Ainda assim, considerando-se que o Senhor faz tudo a Seu próprio modo e em Seu próprio tempo, para mim, todos os membros fiéis da Igreja receberam e receberão a resposta dessas orações. É verdade que, na época, pareceu que não foram respondidas, mas não há por que pensar que não venham a ser respondidas nunca mais. Serão respondidas e consagradas ao bem dos santos que as fizeram.

O Senhor disse:

Mas eis que vos digo que deveis orar sempre e não desfalecer; e nada deveis fazer para o Senhor sem antes orar ao Pai, em nome de Cristo, para que ele consagre para vós a vossa ação, a fim de que a vossa ação seja para o bem-estar de vossa alma. (2 Néfi 32:9)

Esses membros da Igreja oraram fervorosamente pedindo a redenção de Sião e, sendo assim, o Senhor consagrará a ação deles para o bem-estar de sua alma. Um dos problemas que enfrentamos é que queremos receber a resposta para já. Muitas vezes somos semelhantes ao homem que orou pedindo paciência e acrescentou na oração: "Mas quero agora". Ou, para citar outro exemplo, oramos pedindo coragem e ficamos espantados quando o Senhor nos põe de frente com um leão. Às vezes, queremos receber a dádiva sem ter o trabalho de consegui-la. Enfrentar o "leão" irá ajudar-nos a ter coragem, mas se não tomarmos cuidado, não veremos o leão como uma bênção, como a resposta à oração. Ao contrário, faremos mal juízo do Senhor e acharemos que recebemos o contrário do que pedimos. Queríamos coragem e estamos apavorados. O Senhor, porém, respondeu à oração: Proporcionou o meio de desenvolvermos ativamente a nossa coragem e, desse modo, participarmos ativamente da resposta à nossa oração.

O Senhor responde às nossas orações a Seu próprio modo. Há respostas que recebemos logo. Há respostas que recebemos depois de muitos e muitos anos. Algumas vezes recebemos a resposta que esperávamos, outras vezes ela vem disfarçada, mas todas as orações honestas e sinceras recebem uma resposta.

Esclarecerei melhor com outro

exemplo. Pensem em todas as orações que foram feitas nos

As Orações

dos Nefitas.

tempos dos nefitas e lamanitas, pedindo a preservação dos registros do Livro de Mórmon, e em todas as orações pedindo que os registros viessem à luz. Séculos depois, essas orações foram respondidas.

E eis que todo o restante deste trabalho contém todas

as partes de meu evangelho que meus santos profetas,

sim, e também meus discípulos pediram, em suas orações, que fossem dadas a este povo.

E eu disse-lhes que lhes seria concedido de acordo com

a fé expressa em suas orações;

Sim, e esta era a fé que tinham—que meu evangelho,

o qual lhes dei para que pregassem em seus dias,

chegaria a seus irmãos, os lamanitas, e também a todos os que se houvessem tornado lamanitas por causa de suas dissensões.

Ora, isto não é tudo—a fé expressa em suas orações era que este evangelho também se tornaria conhecido caso outras nações ocupassem esta terra;

E assim deixaram uma bênção sobre esta terra em suas

orações, para que todo aquele que cresse neste evangelho, nesta terra, tivesse vida eterna. (D&C 10:46-50)

O Senhor não cumpriu a promessa que fez e respondeu às suas orações? Cumpriu, mas, outra vez, a resposta só foi dada depois de séculos. Repito: o Senhor responde a todas as orações a Seu próprio tempo e maneira; e os Seus pensamentos não são os nossos pensamentos, nem os Seus caminhos são os nossos caminhos. Portanto, devemos tomar todo o cuidado para não julgar o Senhor e dizer: "Ele não respondeu à minha oração". As Orações Pedindo que Se Abrissem as Portas das Nações. Lembrem-se de quantos anos o Presidente Spencer W. Kimball passou pedindo que os membros da Igreja orassem pedindo que as portas das nações se abrissem para a

mensagem do evangelho. Durante anos, os membros fiéis da Igreja pediram a mesma coisa em oração todos os dias e, mesmo assim, as portas não se abriam. De repente, na época certa (repito, na época certa) o Senhor respondeu às orações conjuntas, e as portas das nações do leste europeu, do mundo comunista e de outras nações se abriram, como se fosse de um dia para o outro. Outra vez, tudo aconteceu conforme a programação do Senhor. Portanto, devemos ser pacientes, reconhecer o amor que o Senhor nos tem e, da próxima vez que nos defrontarmos com uma oração que aparentemente não tenha sido respondida, ter mais confiança, ter mais fé no Senhor e, quando chegar a hora, veremos que Ele responderá a essa oração. As Orações das Mães. Vou colocar as coisas em um nível mais pessoal. Uma grande amiga minha tem uma filha que começou a se desviar aos 15 anos de idade. Como essa boa mãe orou, juntamente com o marido, pedindo que a moça ficasse no caminho reto e apertado! Entretanto, a moça tinha livre-arbítrio, resolveu que queria participar das coisas do mundo e foi exatamente o que fez. A mãe passou a ter mais fé, passou a orar mais, passou a jejuar mais, aparentemente em vão. Achou que as suas orações não estivessem sendo respondidas. A filha perdeu- se cada vez mais e passou a praticar todas as coisas do mundo possíveis a uma moça que se tenha extraviado. Felizmente, essa mulher continuou orando. Aproximadamente cinco anos depois, a moça foi tocada pelo Espírito, arrependeu-se dos pecados que cometera, apaixonou-se por um jovem ex-missionário e acabou por casar-se no templo. O processo completo levou uns dez anos. Será que as orações da mãe foram respondidas? Será que foram consagradas para o bem dela? Presto testemunho de que o

foram e de que o Senhor responde às orações; porém muitas vezes não o faz da maneira nem no momento em que os homens desejariam. Em minha própria família, vimos quanta verdade há nisso. Houve pelo menos duas ocasiões em que passamos dez anos orando fervorosamente pedindo uma coisa. Não

havia resposta, mas não desistíamos

estamos colhendo os frutos dessas orações. Fortalecer Os Filhos por intermédio da Noite Familiar. Poderíamos citar muitos outros casos. Por exemplo: tenho certeza de que conhecem pessoas que acreditaram na promessa da Primeira Presidência de que, se realizassem as noites familiares fielmente, os filhos seriam fortalecidos. Elas compreenderam que a noite familiar tornaria bem mais fácil que seus filhos fossem redimidos. Contudo com o tempo, alguns de seus filhos se extraviaram. Continuaram orando sempre, mas a promessa não foi cumprida. Será que esses membros da Igreja estariam procurando as respostas apenas a curto prazo, sem reconhecer que as promessas do Senhor não valem somente para esta vida, mas para a que virá?

e, agora, finalmente

O que eu, o Senhor, disse está dito e não me desculpo; e ainda que passem os céus e a Terra, minha palavra não passará, mas será toda cumprida, seja pela minha própria voz ou pela voz de meus servos, é o mesmo. (D&C 1:38)

A palavra do Senhor subsistirá. Ele responderá às orações de Seu povo. Os profetas prestaram testemunho de que se fizermos a nossa parte, em nosso papel de pais, teremos mais certeza de levar nossos filhos a serem salvos. Se acreditarmos nas promessas do Senhor ou de um de Seus servos, Ele responderá nossas orações a Seu próprio tempo e modo.

146

COMO RECEBER RESPOSTAS ÀS NOSSAS ORAÇÕES

À s

VEZES A RESPOSTA NÃO É

CLARA

Quando eu era jovem e orava fervorosamente pedindo respostas para minhas orações, às vezes não percebia que recebera a resposta e ficava imaginando se o Senhor realmente me amava. Havia orado com fervor e confiado no Senhor, tivera fé, jejuara e, aparentemente, Deus não me respondera.

Depois de mais velho, percebi que em muitos casos o Senhor não dá uma resposta direta a nossas orações, pois isso acabaria com nossa oportunidade de exercer a fé. Ele sabe que, às vezes, o que precisamos é de uma resposta pouco clara ou tardia, por algum tempo, para aprendermos a ter mais fé.

Entretanto, sei por experiência própria que, até quando aparentemente não recebemos resposta, o Senhor comunica-se conosco. Acredito que se prestarmos muita atenção, ele demonstrará de algum modo o amor que tem por nós, dizendo-nos, de alguma outra forma, que nos aprova, mesmo que isso independa do que estivermos pedindo em oração. É assim que ele nos consolará, sem com isso deixar de lado a intenção de fazer com que tenhamos mais fé. Devido a Seu amor, pode ser que Ele não nos dê uma resposta direta quanto ao que estejamos pedindo em oração, mas de alguma forma, quem sabe por algum outro aspecto ou questão de nossa vida, instilará em nosso coração a certeza de que nos ama, de que está trabalhando conosco e de que nos aprova.

Essa cálida inspiração de segurança dar-nos-á a certeza de que Ele ouviu nossa oração, sabe da situação e que, se tivermos paciência, resolverá tudo. Vi isso acontecer principalmente nas ocasiões em que me encontrei em situações difíceis, graças à minha falta de jeito ou habilidade. Se quando isso acontecer eu tiver paciência e

demonstrar meu amor ao Senhor, dizendo-Lhe que confio Nele, até quando parece que estou sem saída, Ele pouco a pouco desfará o emaranhado tão difícil em que me tiver envolvido. Conforme desfaz o emaranhado, concede-me a paz e certeza finais de que me aprova.

Espero que todos vejam que essa é uma das melhores maneiras que o Senhor emprega para nos ajudar a desenvolver mais fé. O Senhor conhece-nos. Ele vê tudo claramente, tanto a curto, quanto a longo prazo, e faz o que é melhor para cada um de nós. O Senhor disse verdadeiramente por intermédio de Seus profetas:

Ele nada faz que não seja em benefício do mundo ( (2 Néfi 26:24)

).

E novamente me lembro de que tu disseste ter amado

(Éter

o mundo a ponto de dar a tua vida pelo mundo (

).

12:33)

Citarei outro exemplo da vida do Profeta Joseph Smith, que mostra como o Senhor pode responder de modo que não fique claro. Certa ocasião, Joseph Smith estava muito desejoso de saber quando Jesus voltaria. Lemos o seguinte em Doutrina e Convênios 130:14-17:

Certa vez eu estava orando fervorosamente para saber

o tempo da vinda do Filho do Homem, quando ouvi uma

voz dizer o seguinte:

Joseph, meu filho, se viveres até a idade de oitenta e cinco anos, verás a face do Filho do Homem; portanto, que isto seja suficiente e não me importunes mais com esse assunto. Assim fiquei sem poder decidir se essa vinda se referia ao início do milênio ou a alguma aparição prévia, ou ainda, se eu haveria de morrer e assim ver-lhe a face.

Creio que a vinda do Filho do Homem não será antes desse tempo.

É importante perceber que Joseph Smith estava orando fervorosamente. Não estava meramente orando; estava orando fervorosamente. Ele havia orado muitas outras vezes e a resposta a suas orações fora revelação direta. É bem provável que ele tivesse presumido que nesse caso, aconteceria o mesmo. Em vez disso, o Senhor deu-lhe uma resposta concisa e

um tanto ambígua: "(

cinco anos, verás a face do Filho do Homem; portanto, que isto seja suficiente e não me importunes mais com esse assunto". Ao ponderar a resposta, Joseph deparou-se com três possibilidades, definidas no versículo seguinte: (1) que antes que Joseph completasse oitenta e cinco anos, o Senhor viria no Milênio, (2) que o Senhor indicara que Joseph veria Sua face em uma aparição anterior ao Milênio ou (3) que Joseph morreria e, assim, veria Sua face. Será que a oração de Joseph foi respondida? Poderíamos sorrir e dizer: "Sim e não". Ele recebeu uma resposta, mas não tinha certeza do que significava. Muitas vezes as respostas às nossas orações são assim. Nessas ocasiões, como eu já disse anteriormente, temos a oportunidade de fazer com que nossa fé aumente ainda mais do que se a resposta fosse clara. O fundamental é não endurecermos o coração, não ficarmos revoltados com o Senhor nem, descrentes, pensarmos que Ele não respondeu à nossa oração. Quando parece que uma oração que fizemos não foi respondida, será que duvidamos do Senhor? Ou será que ficamos com medo, achando que não somos aceitáveis ou que não somos dignos de receber uma resposta para as orações que fizermos?

)

se viveres até a idade de oitenta e

Temos de tomar cuidado com esses sentimentos, pois podem representar uma oportunidade para que Satanás utilize nossas dúvidas e temores para destruir a fé que teríamos.

À s

VEZES, NÃ O RECEBEMOS A RESPOSTA QUE

DESEJAMOS

Vou contar-lhes uma história semelhante que não acabou tão bem. Estávamos no Uruguai presidindo uma missão, e teríamos outro bebê. Já havia passado do prazo para o bebê nascer, e o médico disse que na segunda-feira de manhã induziria o parto. Não achávamos que induzir o parto fosse a melhor opção, pois queríamos muito que o bebê nascesse naturalmente. Resolvemos pedir aos missionários do escritório que jejuassem e orassem conosco, pedindo que o bebê nascesse antes de segunda-feira.

Nos três ou quatro dias que se seguiram, minha mulher

e eu caminhamos mais do que no mês anterior inteirinho,

na esperança de que isso ajudasse. Mas os dias se passaram,

e nem sinal do bebê. Na noite de domingo, oramos com

mais fervor ainda e continuamos a orar até as 9h30 da manhã de segunda-feira, quando a enfermeira deu a injeção para induzir o parto.

Essa experiência com a oração aparentemente não foi bem-sucedida, mas na verdade foi e ajuda a ilustrar um princípio importante de força na oração. Qual é nossa reação quando não recebemos a resposta que esperamos para nossas orações? Damos as costas ao Senhor, frustrados e revoltados? Duvidamos do procedimento? Duvidamos de nós mesmos? Ou será que aprendemos com a experiência e da próxima vez temos ainda mais fé? Creio que nunca colocamos em ação a fé e a oração em vão, mesmo quando não alcançamos o resultado que desejávamos. Isso sempre nos ajuda a crescer e

desenvolver-nos em aspectos espirituais mais importantes e, com isso, preparamo-nos melhor para buscar e receber as respostas para orações futuras. É claro que todas as orações sinceras são respondidas, mas não nos esqueçamos de que às vezes a resposta é não; às vezes, sim, mas depois; outras, a resposta é sim, mas um pouco diferente, ou alguma outra resposta. Para terminar de contar a história, há outra observação importante que acho que devo fazer. Alguns meses depois, exercemos nossa fé em conjunto com os missionários, para pedir as bênçãos do Senhor em uma dificuldade pela qual a missão estava passando. De repente, percebi que o empenho que tivéramos anteriormente para exercer a fé (no caso do parto natural) estava dando frutos agora. Visto que havíamos tentado redobrar a fé na ocasião em que "fracassamos" em evitar o parto induzido, o Senhor aumentou mesmo a nossa fé. A experiência "fácil" que tivemos anteriormente ajudou a preparar-nos para ter fé suficiente para enfrentar a situação muito difícil pela qual a missão passou.

Se quando "fracassarem" na oração, sua reação for orar mais, ter mais amor ao Senhor, ter mais confiança, pedir novamente e não desistir, receberão a recompensa de sua fé.

O SENHOR FARÁ O QUE FOR MELHO R PARA

NÓ S

Muitas vezes, parece que o Senhor não nos revela totalmente a Sua vontade, para dar-nos a oportunidade de colocar a nossa fé verdadeiramente em ação. Tenho testemunho de que o Senhor sempre faz o que é bom e certo para nós. Fico impressionado com estas palavras de Moisés

6:32:

E o Senhor disse a Enoque: Vai e faze o que te ordenei e homem algum te ferirá. Abre tua boca e ela encher-se-á

e dar-te-ei palavras, pois toda carne está em minhas mãos; e farei o que me parecer adequado.

Para mim, está claro que o Senhor trata todos os homens da mesma forma; sempre faz o que é melhor para eles. Vemos que o mesmo conceito foi ensinado no que se refere à família de Joseph Smith e Sidney Rigdon, que se haviam ausentado por algum tempo, pregando o evangelho. O Senhor disse a eles:

Em verdade, assim vos diz o Senhor, meus amigos Sidney e Joseph: Vossas famílias estão bem; encontram-se em minhas mãos e eu lhes farei o que me parecer bem; pois em mim todo o poder existe. Portanto segui-me e dai ouvidos ao conselho que vos darei. (D&C 100:1-2)

Muitas vezes o Senhor diz: "Farei o que me parecer bem [ou adequado]", e sabendo que Ele só faz o que é bom para a humanidade, podemos estar certos de que só fará o que for melhor para nós. Ao mesmo tempo, fica claro também que Ele não nos revela Sua vontade completamente. Age dessa forma para que continuemos a ter fé, a acreditar. Nem sempre temos certeza do que Ele fará ou deixará de fazer, mas podemos ter certeza de que fará o que represente a maior bênção possível para nós.

Pontos a

Ponderar

1.

Por

que,

inesperada?

às

vezes,

as

respostas

assumem

uma

forma

2.

Como Satanás tenta impedir que busquemos as respostas para

nossas orações?

3. Por que o Senhor coloca nossa fé à prova?

4. O que fazer para persistir e não dar lugar à dúvida e ao temor,

quando demoramos a receber uma resposta?

5. Quando as respostas não são claras, o que fazer para continuar

a confiar no Senhor, sem ficar frustrado nem desanimado?

6. Que tipo de resposta o Senhor dará, mesmo quando não der a

resposta que esperamos?

7. Quando as coisas não acabarem do jeito que esperamos, o que podemos fazer para "redobrar a nossa fé"?

CAPÍTUL O

9

APLICAR OS PRINCÍPIOS DA ORAÇÃO

Falamos de alguns princípios da oração, mas como manter tudo isso em mente? Com os anos, passei a usar um resumo de seis pontos básicos e fáceis de lembrar. Dessa forma, sempre que estou verdadeiramente empenhado em orar com fé, avalio meu empenho por esses princípios básicos.

PROCESSO PARA COLOCAR A FÉ EM

AÇÃ O

Acreditar. Em primeiro lugar, temos de lembrar de uma palavrinha simples: acreditar. Refiro-me a ter fé, não duvidar, não temer. Jesus disse que primeiro temos de acreditar, depois receberemos a bênção:

[Digo-vos] que todas as coisas que pedirdes, orando, crede receber, e tê-las-eis. (Marcos 11:24)

(

)

Quando começamos a orar, temos de acreditar como se nosso pedido já tivesse sido concedido. É dessa crença que o Senhor está falando. É claro que acreditamos e temos fé em Jesus Cristo, que tem o poder para conceder as bênçãos e deseja fazê-lo. Devemos sempre centralizar nossa fé em Jesus Cristo, na certeza de que Ele fará o que for melhor para nós e de que nossas orações serão respondidas de acordo com a Sua vontade.

Arrepender-se. A próxima coisa que não podemos esquecer é de arrependermo-nos. "Fazer sacrifícios e pagar o preço" é parte do arrependimento. Temos de descobrir o que precisamos mudar em nossa vida, o que precisamos fazer de outra maneira e, então, fazê-lo. Não me surpreende que esses dois pré-requisitos sejam também os dois primeiros princípios do evangelho: ter fé no Senhor Jesus Cristo e arrependermo-nos de nossos pecados. Depois disso, participamos do poder e das bênçãos das ordenanças, não somente uma vez, mas várias. Somos fortalecidos repetidamente com o passar das semanas, revivendo as ordenanças (por meio do sacramento e ao voltarmos ao templo). Orar. O terceiro ponto básico que devemos lembrar é orar fervorosamente, como se tudo dependesse de Deus. Confiando Nele, em Sua força e poder, recebemos forças e poder que nos permitam ir até o fim. Empenhar-se. O quarto princípio é empenharmo-nos como se tudo dependesse de nós. A história de quando Néfi voltou a Jerusalém para buscar as placas de latão é excelente exemplo. Ele e os irmãos fizeram várias tentativas de conseguir as placas, mas "fracassaram" em todas. Néfi, porém, não desistiu. Sabia que o Senhor queria que conseguissem e não pretendia desistir sem ter feito tudo o que pudesse para alcançar seu objetivo. (Ver 1 Néfi 3-4.) Essa história encerra outro princípio importante: O Senhor revela Sua vontade aos pouquinhos. Faz isso para forçar-nos a ter a fé necessária para que o próximo passo nos seja revelado. Podemos pensar nisso como se fosse ir até o limite entre a luz e a escuridão. Temos de fazer tudo o que pudermos, ir até o limite da luz que tivermos, quem sabe darmos até alguns passos no escuro e, depois, as luzes da revelação voltarão a acender-se. Mas, normalmente, não estaremos prontos a receber mais nada do Senhor antes que

tenhamos ido até o limite da luz e feito tudo a nosso alcance. Preparar-se para Provas Difíceis. O quinto ponto é prepararmo-nos para passar por difíceis provas de fé. Lembrem-se de que há forças que se empenham ao máximo para deter-nos, quando verdadeiramente buscamos respostas para as orações. Portanto, não se espantem quando a adversidade chegar. Na verdade, devemos esperá-la logo de início. Sendo assim, quando as dificuldades despencarem em nossa cabeça e estivermos passando pelo pior, será o momento de descobrir quanta fé temos realmente. Será que enfrentaremos todas as adversidades com coragem? Continuaremos a acreditar? Iremos adiante? Pagaremos o preço necessário até receber a bênção do Senhor, ou até que Ele lhe diga que não deseja que continuemos empenhados nisso)? Fazendo essas coisas resistiremos bem às provas e ficará muito mais fácil receber as bênçãos que desejemos. Estar Certos de que o Senhor Estenderá o Seu Braço. O sexto ponto é estarmos certos de que o Senhor estenderá o Seu braço em nosso favor. Quando fazemos o que o Senhor exige, passamos a ter todo o direito de acreditar que Ele intervirá e nos ajudará. Gosto de como essas idéias encerram o que é preciso para receber as respostas para as orações. Portanto, não esqueçam: ponderem-nas quando estiverem tentando conseguir uma resposta e façam uma auto-avaliação:

Será que acredito mesmo? Será que tenho fé no Senhor e em Suas promessas? Será que me arrependi dos pecados? Será que estou orando como se tudo dependesse do Senhor?

Será que me estou empenhando como se tudo dependesse de mim? Será que estou preparado para resistir às duras provas de minha fé? Será que, depois de fazer tudo isso, estou mesmo certo de que o Senhor estenderá o braço para ajudar-me? Quando estiverem em meio à luta e precisarem de mais

ajuda, lembrem-se do que o Senhor exige e do que promete,

e

conseguirão ir adiante com maior segurança.

O

SENHOR ESTÁ

PRONTO

Presto testemunho de que o Senhor está pronto a responder às nossas orações e conceder nossos pedidos justos. Há um excelente exemplo disso no livro de Alma. Reservei esta história e o meu testemunho para este último capítulo. Certo dia, logo cedo, quando minha família estava lendo o relato das guerras em Alma, um de meus filhos disse: "Pai, não estou tirando grande proveito desses capítulos de guerra. Preferia que estivéssemos lendo alguma das outras coisas que lemos antes". Eu respondi:

"Bem, filho, há um bom motivo para que essas coisas estejam aqui. Tenho certeza de que há alguns tesouros escondidos por aqui, só que não os encontramos". Nessa mesma manhã nos deparamos com uma descrição maravilhosa de como o Senhor responde às nossas orações. Em Alma 58, lemos que os lamanitas e nefitas estavam travando uma batalha. Os nefitas estavam

a ponto de perdê-la. Eles não tinham sido lá muito fiéis, mas quando se viram em perigo, buscaram a ajuda do Senhor. "Portanto", disseram os nefitas, "elevamos a alma a Deus em oração, para que ele nos fortalecesse e livrasse

(Alma 58:10) Que bela descrição do que normalmente

pedimos (que Ele nos fortaleça ou que nos livre de um problema).

)". (

A seguir, vem outra pista sobre a oração. Os nefitas não oraram pura e simplesmente; oraram com fervor:

em oração". É assim que

conseguimos respostas: orando com o máximo empenho. No próximo versículo, atentem para como as respostas podem ser sutis. O Senhor respondeu-lhes, mas eles poderiam não ter percebido, se não estivessem espiritualmente alertas.

"elevamos

alma

(

)

a

Sim, e aconteceu que o Senhor nosso Deus nos deu a certeza de que nos livraria; sim, de tal modo que nos

encheu a alma de paz e concedeu-nos grande e fez com

que tivéssemos esperança (Alma 58:11; grifo do autor)

nele para nossa

libertação.

Pode ser que os nefitas estivessem esperando um milagre. Pode ser que quisessem que anjos fossem livrá-los, como aconteceu uma vez ou outra no Velho Testamento. E o que receberam? O Senhor deu-lhes certeza, paz, fé e esperança. Ele não destruiu imediatamente os inimigos dos nefitas, mas concedeu-lhes o que precisavam para conseguirem livrar-se. O versículo seguinte mostra o efeito que a resposta do Senhor teve no povo:

E criamos coragem com o pequeno reforço recebido [pode ser que achem que a força ou capacidade que

receberam para realizar o que desejam seja muito pouca] e dispusemo-nos, com determinação, a dominar nossos

inimigos (

).

(Alma 58:12)

Em outras palavras, o Senhor instilou nesses homens a capacidade de fazerem o que queriam, a começar com uma firme determinação e, depois, levar a ação a cabo. Depois que sua oração foi respondida, os nefitas foram adiante para assegurar sua liberdade.

Quando o Senhor instila esperança, fé, paz e certeza nas

pessoas, elas podem realizar muitas coisas. Portanto, é isso

o que deveríamos procurar ao pedir ajuda, não um milagre

que resolva o problema por nós, mas um milagre interior, que nos ajude a encontrar a solução por nós mesmos, com

a ajuda do Senhor e do Seu poder.

TESTEMUNHO DA VERDADE

Ao concluir este livro, gostaria de prestar testemunho da veracidade do que disse. Presto testemunho de que Deus nos ama. Ele conhece o nosso íntimo. Acompanha-nos individualmente a cada momento. Suportou nossas dores, aflições, tentações, doenças e todas as nossas enfermidades. (Ver Alma 7:11-12) Ele chegou a dizer que "em todas as [nossas] aflições ele afligiu-se. E o anjo de sua presença [- salvou-nos]; e, em seu amor e em sua piedade [redimiu-nos] e sustentou-nos e carregou-nos em todos os dias da antigüidade". (D&C 133:53) Tenho certeza de que os Seus anjos nos salvaram muitas vezes e não o percebemos. Poderia alguém negar o grande amor que Ele tem por nós?

Presto testemunho de que a fé que tiver no Senhor Jesus Cristo e a determinação de ir adiante combinadas podem ser uma fonte de grande poder em sua vida. Se nutrirem e fortalecerem esses sentimentos, terão mais vontade de colocar a própria vontade de acordo com a do Senhor (e com isso, logo verão seus desejos justos realizados). Espero que, ao concluir a leitura deste livro, peçam em oração que sejam tomados pela firme determinação de vencer, de ser mais humildes, de orar com mais fervor, de acreditar, de arrepender-se de seus pecados, de viver em conformidade com as leis e condições das quais as coisas que desejem dependam. Fazendo isso, achegar-se-ão mais ao Senhor e perceberão que suas orações passaram a ser respondidas cada vez com mais freqüência e constância.

Sendo assim, não endureçamos o coração com a descrença e a dúvida, pensando que o Senhor não responde às orações. Ele nunca nos abandona. Que estas grandiosas palavras do apóstolo Paulo, que se refere ao Senhor com amor, ecoem nos ouvidos de todos nós:

E da mesma maneira também o Espírito ajuda as

nossas fraquezas; porque não sabemos o que havemos de pedir como convém, mas o mesmo Espírito intercede por nós com gemidos inexprimíveis.

E aquele que examina os corações sabe qual é a

intenção do Espírito; e é ele que segundo Deus intercede pelos santos. E sabemos que todas as coisas contribuem juntamente para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são

chamados segundo o seu propósito.(

)

Que diremos, pois, a estas coisas? Se Deus é por nós,

quem será contra nós? (

)

Quem nos separará do amor de Cristo? A tribulação,

ou a angústia, ou a perseguição, ou a fome, ou a nudez,

ou o perigo, ou a espada? (

Mas em todas estas coisas somos mais do que vencedores, por aquele que nos amou. Porque estou certo de que, nem a morte, nem a vida, nem os anjos, nem os principados, nem as potestades, nem o presente, nem o porvir, Nem a altura, nem a profundidade, nem alguma outra criatura nos poderá separar do amor de Deus, que está em Cristo Jesus nosso Senhor. (Romanos 8:26-2831, 35,

)

37-39)

Essas

são

as

promessas

invioláveis