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B. Fonseca TAI-CHI KUNG-FULaércio

B. Fonseca TAI-CHI KUNG-FU Laércio Olhai o vento que sopra. Vede o riacho a correr cantando
B. Fonseca TAI-CHI KUNG-FU Laércio Olhai o vento que sopra. Vede o riacho a correr cantando

Olhai o vento que sopra. Vede o riacho a correr cantando o som melódico da vida. Vede os pássaros a cantar, os animais a

correr

e suave luz do luar. Procurem sentir essas coisas todas penetrando em nosso ser.

A harmonia da natureza se revela na

integração de cada parte, de cada ser. A vida flui naturalmente e todas as coisas se

sucedem no contínuo fluxo do tempo. O homem necessita da compreensão dessa ordem natural e encontrar o seu papel e o seu significado nesse processo cósmico da vida.

Na antiga China os monges do templo de

Shaolin e muitos outros monges Taoístas desenvolveram um caminho de harmonia onde o homem pudesse caminhar tranquilo pela vida. Um caminho que também os conduzisse ao crescimento e a auto- realização cósmica. Dessa forma surgiu

o Kung-Fu: “O Caminho do Venerável

Guerreiro”. O Tai-Chi é um princípio Kung-Fu que consiste em encontrar o fluxo cósmico natural que conduz a todos à auto-realização.

Venha conosco, através desse livro, encontrar o Tai-Chi interno a cada um de nós. Vamos juntos viver o Tai-Chi e o kung-Fu.

Reparem no brilho do sol e na tênue

ASSOCIAÇÃO

WU SAN DJI TAO

no brilho do sol e na tênue ASSOCIAÇÃO WU SAN DJI TAO TAI-CHI KUNG-FU WU SAN
no brilho do sol e na tênue ASSOCIAÇÃO WU SAN DJI TAO TAI-CHI KUNG-FU WU SAN
no brilho do sol e na tênue ASSOCIAÇÃO WU SAN DJI TAO TAI-CHI KUNG-FU WU SAN

TAI-CHI

KUNG-FU

WU SAN DJI TAO

O CAMINHO DO VENERÁVEL GUERREIRO

(2º Edição)

• A Espiritualidade

• A Transcendência

• A Mística

Laércio B. Fonseca

Professor Laércio B. Fonseca é diretor geral da Associação Wu San Dji Tao de Artes Orientais fundada há mais de 30 anos. É instrutor de Kung-Fu, Tai-Chi, professor de Acupuntura, Do-In, massagem oriental e filosofias orientais. Desenvolve pesquisas na área de parapsicologia, ufologia e psicofísica.

Fonseca é físico e astrofísico formado pela UNICAMP, autor dos livros:

“Introdução à cosmologia e astrofísica”, “Manual de sobrevivência à guerra nuclear” e “Ufologia psíquica”.

Atualmente vem orientando suas atividades no campo da educação onde a formação humana e espiritual das pessoas tem sido seu principal interesse. Vem divulgando as artes orientais pelo Brasil através de palestras, conferências, debates, seminários e amostras de Kung-Fu e Tai-Chi.

Acredita ser a espiritualidade o caminho de integração do homem ao Universo e, sendo assim, dirige toda sua atividade para o crescimento espiritual de si próprio e de todas as pessoas.

EIS AQUI UM TESTE PARA SABERES SE TUA VIDA

É ÚTIL OU INÚTIL NESTE PLANETA. TODA MANHÃ,

QUANDO ACORDARES, DEVES A TI PRÓPRIO INQUIRIR:

QUEM SOU? DE ONDE VIM? POR QUE E PARA QUE VIVO?

PARA ONDE VOU? AO FINAL DO DIA, AO SE DEITAR DEVES A TI PRÓPRIO INQUIRIR:

O QUE EU FIZ DURANTE O DIA DE HOJE PARA RES-

PONDER AS QUESTÕES QUE ME PERGUNTEI AO ACORDAR?

A TI PRÓPRIO INQUIRIR: O QUE EU FIZ DURANTE O DIA DE HOJE PARA RES- PONDER

ÍNDICE

ESCLARECIMENTO

1

PREFÁCIO

2

INTRODUÇÃO

4

A

Árvore

8

O

Kung-Fu e o Tai-Chi

11

A

Diferença entre Kung-Fu e Tai-Chi

14

Um Jeito de Ser Tai-Chi

17

A

Respiração

22

O

Caminhar Sobre as Águas

24

O

Caminho das Mãos

28

Sentir Uns Aos Outros

31

A

Forma do Grande Círculo

33

Os Estilos de Tai-Chi

37

Como Criar Nosso Próprio Tai-Chi

39

Sexo e Tai-Chi

42

O

Kung-Fu de Shaolin

48

“Lutar Não Lutando” O Caminho do Venerável Guerreiro

52

À

Semelhança dos Animais

57

As Marcas do Tigre e do Dragão

61

A Filosofia de Shaolin e do Tai-Chi

64

A Filosofia do Kung-Fu

65

Budismo

67

Taoismo

73

O

Símbolo Dinâmico do Tai-Chi

81

O

Esoterismo de Shaolin e do Tai-Chi

83

Os Sete Corpos do Homem e As Sete Dimensões Esotéricas

86

Os Sete Corpos Energéticos

86

 

O

Plano Físico

89

O

Plano Astral

91

Os Planos Superiores

93

 

O

Plano Mental

93

Os Planos Intuicional, Búdico e Crístico

93

Os 7 Chacras

94

A

Aura Humana

97

Estado Vibracional

98

As Três Fases do Homem

99

 

A Fase Abdominal

99

A Fase Torácica

100

A Fase Encefálica

101

O

Caminho Iniciático de Shaolin

104

O

Treinamento do Corpo

104

As Leis Bioenergéticas do Corpo

105

Meridianos Pares

106

Meridianos Ímpares

108

A

Importância da Alimentação

112

O

Caminho da Espiritualidade

114

A

Meditação

116

A

Projeção Astral

120

Histórias Reais dos Monges Shaolin

124

O

Conselho Astral

125

Mestre Kwan Visita Outro Planeta

126

Uma Nobre Lição

128

A

Preparação

130

Diálogo Entre Um Monge e Seus Discípulos

132

De Lagarto a Beija-Flor

139

A

Vida É Como Um Parque de Diversões

145

Um Encontro Com o Tao

151

ESCLARECIMENTO

Na China, existem atualmente, centenas de estilos diferentes de Kung-Fu Cada estilo possui em si, suas características pró- prias, pensamentos e suas filosofias. Alguns estilos podem possuir, às vezes, princípios totalmente antagônicos a outros Os estilos mais conhecidos e difundidos pelo mundo são:

Shaolin, Tai-Chi, Choy Lay Fut, Hung-Gar, Hok Pak, Ton Lon, Pak Mey, Wing Chun, Pa-Kua, Shing-I, etc Notem que Tai-Chi e um estilo de Kung-Fu, ou seja, uma das variações na modalidade Kung-Fu é um termo generalizado na China que é dirigido a uma variedade muito grande de artes corporais Portanto, se eu me referir, ao Tai-Chi como Kung-Fu, isso e perfeitamente natural na China Logo, não estarei cometendo nenhum erro Neste livro nos ateremos principalmente aos estilos Tai-Chi e Shaolin, pois são estilos, os quais eu possuo maior experiência Faço essa nota de esclarecimento porque já fui muitas vezes protelado por pessoas que acham que Tai-Chi é uma coisa e que Kung-Fu é outra coisa As pessoas acham que Tai-Chi são aquelas sequências de movimentos lentos e que Kung-Fu são aqueles mo- vimentos rápidos e duros, com ênfase à luta marcial Portanto, Kung-Fu é um termo que engloba todas as linhas de expressão, não só físicas ou corporais, mas também escolas de níveis filosóficas e esotéricas. Kung-Fu é a expressão do homem na busca da autocompreen- são e do aprimoramento do seu ser

PREFÁCIO

Ao escrever este livro, tentei transmitir um pouco da minha experiência e vivência em Kung-Fu e Tai-Chi Sabemos que nos é quase que impossível transmitir em pa- lavras, coisas de nosso espírito e de nosso coração Portanto, ao escrevê-lo, procurei seguir o princípio Tai-Chi: simplesmente sentei e deixei as palavras e os pensamentos fluírem. Lentamente as coisas foram se processando Procurei transportar, aqui neste livro, os fatos e acontecimen- tos reais de minha vida, vividos com meus mestres e com meus alunos da Associação Wu San Dji Tao de Artes Orientais Tudo que escrevo são fatos reais e verdadeiros Muitos diálo- gos, entre mim e meus Mestres Espirituais, estão transcritos no decorrer dos textos. Muitos irão ficar confusos sobre a natureza desses diálogos e não compreenderão muito bem as coisas No en- tanto, esse aspecto fica no ar, como o vento. Se por ventura algum leitor um dia me encontrar pessoalmente poderemos conversar sobre o assunto Tudo é relativamente muito simples, porém para algumas pessoas, tais assuntos podem se tornar bastante comple- xos

A ASSOCIAÇÃO WU SAN DJI TAO, vem procurando, há mais de trinta anos, levar às pessoas as culturas e as artes orientais, bem como uma gama enorme de atividades relacionadas com o desenvolvimento espiritual Quero agradecer a todos que de alguma forma, colaboraram para o presente trabalho Em especial, nossos agradecimentos aos

amados Mestres Espirituais KWAN, CHANG LI, HAY VON TAO e muitos outros, que enumerá-los seria impossível Muita paz a todos os mestres e amantes das artes espirituais do Universo Muita paz a vida

O AUTOR

seria impossível Muita paz a todos os mestres e amantes das artes espirituais do Universo Muita
INTRODUÇÃO Hoje em dia, as escolas de Artes Marciais se espalham por todo o mundo
INTRODUÇÃO Hoje em dia, as escolas de Artes Marciais se espalham por todo o mundo
INTRODUÇÃO Hoje em dia, as escolas de Artes Marciais se espalham por todo o mundo
INTRODUÇÃO Hoje em dia, as escolas de Artes Marciais se espalham por todo o mundo
INTRODUÇÃO Hoje em dia, as escolas de Artes Marciais se espalham por todo o mundo
INTRODUÇÃO Hoje em dia, as escolas de Artes Marciais se espalham por todo o mundo
INTRODUÇÃO Hoje em dia, as escolas de Artes Marciais se espalham por todo o mundo

INTRODUÇÃO

Hoje em dia, as escolas de Artes Marciais se espalham por todo o mundo Principalmente no Brasil são inúmeras as linhas e correntes dessas artes orientais a se multiplicarem sem par Quer sejam de origem chinesa, coreana ou japonesa, enfim o consumo pela população tem aumentado assustadoramente Quando se pergunta a um aluno porque este está treinando Artes Marciais, logo vem aquela mesma resposta: “Bem, eu treino para me defender A violência tem crescido tanto nos últimos tempos e eu procuro aprender algo para me defender ” Tal aluno encontra um ambiente propicio, em muitas escolas, para extravasar sua ira interna e preparar seu corpo para a luta As pessoas desde cedo são encorajadas e dirigidas para a competi-

tividade Nos discípulos mais jovens você já percebe as rivalidades

brotarem

Treinam muito para serem os melhores Treinam muito para

conseguirem uma faixa e então a exibi como grau de capacidade

e superioridade Enrijecem seus corpos treinando seus músculos

com a intenção de se tornarem mais fortes Chutam cada vez mais alto Quebram o máximo de tijolos possíveis Dessa maneira, os discípulos mostram ao público e às pessoas em geral, como sua arte é boa Como ela é melhor que a da outra escola Desenvolvem técnicas e estilos e comparam com outros numa competitividade para saberem qual o melhor Torneios são organizados para que os alunos, dessa ou daquela escola, desse ou daquele estilo, provem suas eficácias e vençam mostrando a

superioridade de suas escolas e de suas técnicas Anos a fio venho observando, nas Artes Marciais em geral, esse comportamento dos alunos e de alguns “mestres”

Hoje em dia o Universo da maioria das pessoas é muito res- trito. A sociedade em geral possui uma doutrina filosófico-social baseada no materialismo bruto e grosseiro Em todos os níveis de relações ocorrem as competições As pessoas competem no tra- balho, competem nas escolas, nos vestibulares, nos esportes, na religião, nas ciências Os países competem economicamente e so- ciofilosoficamente. O que importa às pessoas é encontrarem um “status” de soberania e poder social, não importando os caminhos

e as lutas travadas para se conseguir tal feito Em nosso mundo é

necessário estar por cima e para estar por cima é preciso vencer Porém, quando se está por cima e se é o vencedor, existirá sempre alguém por baixo e muitos perdedores

Num mundo materializado e bruto em que vivemos, pouco resta para as coisas do espírito e da alma Sendo assim, as anti- gas artes da Mestria Oriental, caíram num total esquecimento por parte da maioria dos praticantes atuais Antigamente os modelos dos discípulos eram seus líderes es- pirituais que sabiamente os conduziam à iluminação espiritual da alma Hoje em dia os jovens praticantes têm como modelos e guias, filmes medíocres de cinemas onde só aparecem as lutas nuas e cruas dos tiranos do ódio, contra o aparente estado do bem e do Amor Os filmes com respeito a Shaolin são indescritíveis. Usa-se o nome de Shaolin em títulos de quase todos os filmes. Consomem- se filmes de Artes Marciais como se consomem filmes de sexo e pornografias. Nessas circunstâncias nosso jovem discípulo entra em uma escola para aprender Kung-Fu e tem esses modelos em sua cabeça Sua meta é ser tão bom quanto o astro de cinema Ser tão forte e hábil como ele Manejar armas brancas como ninguém Poucos são os instrutores e mestres com capacidades ou co- nhecimentos suficientes para introduzir e encaminhar tal discípulo em outras direções A maioria dos instrutores não possui uma for- mação espiritual e filosófica a altura. Sendo assim, sua escola será conduzida dentro dos padrões atuais de nossa sociedade Existem muitas escolas com intuito altamente comercial onde os instrutores estão, na maioria do tempo, preocupados com o número de alunos, para saber se terá menos ou mais lucros Dessa maneira o nível de ensino decai sensivelmente O que fazer diante de uma situação assim? Caros amigos e irmãos, amantes das Artes Orientais; Tentarei

nesse livro transmitir um pouco da minha experiência em anos de estudo e trabalho, transmitindo e recebendo conhecimentos das mais diversas fontes Tenho a certeza de que as coisas que lerão neste livro chocarão em muito aos desconhecidos e despreparados Muitos irão se es-

pantar em saber que o que hoje praticam ou fazem é algo completa

e totalmente diferente e distinto do que se fazia nos Templos de

Shaolin A única coisa que restou em comum é o nome Shaolin Caros amigos, este livro não é e nem deve ser encarado como uma disputa de conhecimentos Não deve ser encarado novamente como uma competição, dizendo-se assim: “Puxa, que cara preten- sioso; Está querendo mostrar e dizer que sabe mais do que nós e mais que os mestres” Não encarem as coisas assim Não sei nem mais nem menos que ninguém Apenas espero que as discussões e temas aqui apre- sentados sirvam de sementes na orientação do caminho de todos aqueles, praticantes ou não das artes orientais, que queiram se conduzir pelo caminho da espiritualidade Um monge de Shaolin vivia orientando o seu corpo para doutri- nar e disciplinar o espírito O Kung-Fu era o caminho dos mestres rumo à ascensão espiritual e à consciência do sentido da vida Portanto, espero que este livro chegue a todos com muito amor

e muita paz Se alguns temas aqui apresentados não estiverem de acordo com algumas ideias, não haverá importância Compreendi com os mestres que meus pensamentos e ideias ocorrem em meu interior e em meu coração Para que as pessoas os compreendam seria necessário entrarem em meu ser, unir seus corações ao meu Nesse ponto a união seria tão grande que não haveria nenhuma

discórdia

A Árvore Em um espaço, ao ar livre e junto à natureza, reúne-se um grupo

A Árvore

Em um espaço, ao ar livre e junto à natureza, reúne-se um grupo de alunos de Tai-Chi Um círculo é feito Uma suave e maravilhosa música começa

a se ouvir Um perfume envolvente de incenso preenche todo o

espaço Ouve-se uma voz:

“Caros amigos, fechem seus olhos. Afastem seus pés e flexio- nem levemente os joelhos. Todos nós agora somos uma floresta e

cada um de nós é uma árvore Raízes profundas penetram o solo tornando-nos firmes e fixos ao chão. Nossos braços são os galhos

e nossas mãos as folhas da árvore

Deixem que a música toque a árvore, e como o vento que toca e

balança as árvores, deixem seus corpos balançarem ao sabor da música Soltem-se, relaxem-se Agora somos uma árvore Esva- ziem suas mentes A árvore deve ser flexível. À medida que a música progredir,

A música suave é o vento

os movimentos vão se harmonizando com a melodia e com seus próprios interiores Não se preocupem com seus movimentos: se eles são belos ou feios Agora não importa a estética Não estamos competindo com ninguém, nem tão pouco participando de concur- sos, Agora nós estamos livres dos conceitos e dos pensamentos Os movimentos são nossos e devem ser a expressão externa do interior de cada um Deixem que o Tai-Chi brote em vocês, como uma flor brota do solo. À medida que tudo flui, as energias corporais vão mudando e o brilho de suas auras começa a acender e a envolver todo o espaço Vamos juntos remexer o nosso interior adormecido Vamos descobrir o que existe em nosso “baú” interno ” Fez-se silêncio, e por algum tempo os alunos passaram a mo- vimentarem-se como árvores e livres de seus condicionamentos externos Após algum tempo, ouve-se novamente a voz do instru- tor:

– “Amigos, a árvore resume a harmonia da vida e da natu- reza. Suas raízes a fixam à terra, suas folhas tocam o ar,

tocam a luz do sol, a luz do luar e das estrelas Os pássaros vêm cantar em seus galhos e comer de seus frutos O vento vem trazer mensagens de árvores distantes A árvore, o ar,

o sol, a lua, as estrelas , todos se tocam de alguma forma Quando se tem olhos penetrantes e espíritos preparados, pode-se ver além da matéria Pode-se enxergar a unidade

de tudo Pode-se ver como as folhas tocam a luz, o ar, o sol,

o luar, as estrelas e se fundem com tudo A aura brilhante

irradiada pela árvore envolve a todas as outras árvores da floresta. Somente se vê um corpo, uma vida e um único ser

Infelizmente, o homem de hoje não sabe que tudo é assim e que ele também faz parte dessa união total Estamos na floresta de pedra e nos esquecemos da real natureza das coisas Vamos todos juntos, hoje aqui, voltarmos aos poucos a perceber e a sentir essa integração Vamos todos aprender com as árvores Vamos ser ‘Homens- Árvores’ ” Novamente o instrutor se calou e a música continuou guiando o balanço dos “Homens-Árvores”

O Kung-Fu e o Tai-Chi Observai o vento que sopra Vejam como ele é forte,

O Kung-Fu e o Tai-Chi

Observai o vento que sopra Vejam como ele é forte, porém

sintam como ele também é suave Agora olhem para as árvores

e notem como elas balançam e se curvam ao toque do vento

Toda natureza possui sabedoria e seus integrantes, se perpetuam

à medida que compreendem as leis naturais do Universo Todo

aquele que agir em desacordo com as leis naturais não se perpe- tuará e entrará em extinção O princípio do Kung-Fu e do Tai-Chi está em compreendermos essas leis naturais e procurarmos viver em harmonia com elas Imaginem que a vida é como um rio que devemos atravessar para atingir a outra margem Este rio é muito largo e com fortes correntezas Estamos todos à margem do rio e nosso intento é atravessá-lo da melhor maneira possível Muitos não sabem nadar e morrem afogados logo ao entrarem no rio Outros, mais experien- tes, preparam-se muito antes de entrar no rio Aprendem a nadar no raso onde não há perigo de afogamento Pouco a pouco a expe- riência e a convivência com o rio fornecem-lhes segurança para se aventurarem na travessia

A jornada, porém é dura e cansativa A correnteza é muito

forte Alguns, ainda com pouca sabedoria, não compreendem as

leis naturais e não sabem qual a melhor maneira de se fazer a travessia Por isso, alguns nadam contra a correnteza do rio e sua jornada é extremamente dura e cansativa Outras pessoas, porém, estudam o rio e suas leis, e ao fazerem a travessia procuram fazê -la da maneira mais simples e sem sofrimento Nadam a favor da correnteza e com pouco esforço e com suavidade chegam à outra margem Meu amado Mestre Kwan disse-me certa vez que o Tai-Chi e o Kung-Fu é a ponte sobre este rio da vida Uma ponte onde os dis- cípulos podem atravessar sem molhar os pés nas águas desse rio

A sabedoria do Tai-Chi e do Kung-Fu reside no fato de en-

contrarmos em nossas vidas o verdadeiro caminho do TAO Um caminho suave e tranquilo onde nosso espírito possa aprender com sabedoria, sem muito sofrimento, as experiências da vida Certa vez encontrei uma pessoa que se dirigiu a mim pergun- tando:

– Você é o tal Laércio, que faz Tai-Chi e é mestre de uma aca- demia? Então lhe respondi:

– Disso tudo que você disse só uma coisa está correta, meu nome é Laércio Não sou mestre de nada nem tão pouco faço Tai-Chi Essa pessoa um tanto quanto que desconcertada, continuou perguntando:

” e me

disseram que você também fazia Tai-Chi Então quer dizer

– Sabe, é que eu faço Tai-Chi com mestre “

que você não é mestre e nem pratica o Tai-Chi-Chuam? Calmamente eu lhe respondi:

– Amigo, eu aprendi que Tai-Chi não se pratica Se vive

Essa pessoa, ainda eufórica para mostrar a mim tudo que sabia sobre Tai-Chi, continuou afirmando:

– Sabe, eu faço Tai-Chi todos os dias pela manhã

Dizem que é a melhor hora Notei que aquela pessoa compreendia muito pouco sobre a arte que praticava Aí então resolvi sentar-me com ela para con- versarmos um pouco melhor Disse-lhe então:

– Amigo você me perguntou se eu fazia Tai-Chi-Chuam e eu lhe disse que não O Tai-Chi não é algo que alguém possa fazer ou praticar em horas específicas do dia. O Tai-Chi não é simplesmente aquele movimento que você aprendeu com seu instrutor Tai-Chi é uma Arte de se viver e não de se fazer ou praticar A gente vive Tai-Chi Para se viver não há melhores horas ou lugares específicos. Você me perguntou se eu era mestre de Tai-Chi e eu lhe res- pondi que não O Tai-Chi é algo muito além de simples formas corporais Ele transcende a nossa própria alma Como já lhe disse, Tai-Chi é a própria vida Como posso eu ser mestre da vida? Sou apenas um vivente que busca compreensão da vida e do Universo como qualquer um Não posso ser chamado, ou confundido com mestre Agora se você quer saber, eu dirijo uma escola onde não há mestres Há somente discípulos da vida Essa pessoa, ao me ouvir, não deu ar de me compreender muito bem No entanto ela me cumprimentou e se afastou dizendo que iria pensar sobre o assunto

A DiferençA entre Kung-fu e tAi-Chi

Quando estou discursando ou falando sobre Tai-Chi e Kung-Fu, muitos ouvintes ficam um pouco confusos e não compreendem de imediato. Falo do Kung-Fu e do Tai-Chi sem especificações ou diferenciações entre ambos Isso a princípio causa muito espan- to a alguns ouvintes, principalmente se eles já ouviram falar em Kung-Fu ou Tai Chi de uma forma superficial. Certo dia estava proferindo uma palestra sobre as Artes Orien- tais Chinesas, e um moço da platéia me questionou dizendo:

– Laércio, eu acho que o senhor confunde as coisas Eu sempre soube que Tai-Chi era uma coisa e que Kung-Fu era outra coisa No Tai-Chi os movimentos são lentos e suaves e no Kung-Fu os movimentos são rígidos e rápidos No entanto você os confunde falando deles igualmente Respondi a ele dizendo que essa era a visão da maioria das pessoas que se envolvem superficialmente com estas Artes. No Kung-Fu de Shaolin ou no Tai-Chi não há diferenças cós- micas Os monges de Shaolin executavam movimentos físicos com extrema leveza e perfeição Os monges não diferenciavam os mo- vimentos simplesmente por um ser lento e o outro ser rápido A velocidade física com que eram executados não dizia se eles eram Tai-Chi ou Kung-Fu Para os monges o Kung-Fu é o Tai-Chi e o Tai-Chi é o Kung-Fu Não há diferenças entre eles A essência do Kung-Fu e a essência do Tai-Chi são comuns Ambos se diferen- ciam apenas no estereótipo físico dos movimentos As diferenças surgem apenas aos olhos físicos daqueles que observam o superfi- cial da Arte No fundo, Kung-Fu e Tai-Chi são um só São juntos, caminhos que conduzem ao mesmo ideal comum

Vocês podem se espantar se eu disser aqui que Yoga é Tai-Chi, que Karatê é Tai-Chi, e que Judô e uma porção de outras Artes são Tai-Chi Tudo é Tai-Chi porque Tai-Chi é a essência de todas as coisas que existe Se você pensar em Tai-Chi como apenas e tão somente esses poucos movimentos que você pratica, estará cada vez mais longe do Tai-Chi Quanto mais vocês encontrarem a igualdade nas coisas, quanto mais vocês enxergarem o Tai-Chi em tudo o que existe, mais próximos vocês estarão da verdadeira essência e espírito do Tai-Chi Todos aqueles que buscam a beleza, a felicidade, a compreen- são da vida através de seus espíritos de luta, estão praticando o Tai-Chi. Os estudantes de filosofias orientais, de Parapsicologia, de Física, de Biologia, de Medicina, enfim todos os desbravadores da compreensão humana estão de alguma forma fazendo o Tai-Chi O Tai-Chi deve ser compreendido em sua total extensão, jamais limitado pelos rótulos ou definições específicas. Querer afirmar que Tai-Chi é isso ou aquilo é limitá-lo O Kung-Fu e o Tai-Chi não possuem limites ou fronteiras e a cada dia os mestres e monges criam algo novo e dizem: isto é Kung-Fu ou isto é Tai-Chi Nosso Mestre nos dizia que a vida já é um Tai-Chi Somente pelo fato de estarmos vivos já estamos praticando o Tai-Chi Certo dia um discípulo observou seu mestre executando alguns movimentos novos que nunca havia visto antes alguém fa- zê-los Então percebeu que tais movimentos eram completamente diferentes de tudo o que já vira em Kung-Fu e Tai-Chi Obviamente pensara que aquilo não era Kung-Fu nem tão pouco Tai-Chi Apro- ximou-se do mestre e então perguntou:

– Mestre, que tipo de Arte é essa que estais praticando agora?

O

mestre respondeu:

É Kung-Fu

O

aluno prosseguiu perguntando:

Que tipo estranho é esse de Kung-Fu que nunca vi antes?

O

mestre então respondeu:

– “Esse Kung-Fu que acaba de presenciar é o meu novo Kung-Fu, é aquele que descobri dentro de mim, por isso você não o conhecia Você também pode criar Kung-Fu todos os dias O Kung-Fu e o Tai-Chi não consistem em você ficar a vida toda copiando os movimentos e os exercícios de seus instrutores O Kung-Fu é como uma estrada repleta de atalhos que se abrem a nossa frente Ainda existem in- finitos caminhos a percorrer e muito o que aprendermos sobre o Kung-Fu ” Notem que o Kung-Fu não é algo que devemos rotular como algo fechado, terminado e registrado como completo Sempre haverá algo novo no Kung-Fu para aprendermos Muitas são as pessoas que acham que sabem tudo sobre o Kung-Fu e Tai-Chi Desprezam outras Artes e se vangloriam de sua sabedoria Cada dia que passa o mundo e as pessoas vão evoluindo e

crescendo As pessoas que vivem fechadas em seus casulos her- méticos, um dia certamente serão discípulos de seus discípulos A maior tolice de todas é julgar que estamos no fim.

O Kung-Fu e o Tai-Chi são como a essência do TAO Não possui

princípios nem fim. Não pode ser classificado nem rotulado. São formas mutáveis que todos os dias se transformam em concordân- cia com as leis naturais do Universo

um Jeito De Ser tAi-Chi

Todos os dias enfrento um sério problema em nossa escola Muitas pessoas chegam até mim e perguntam:

– Laércio, eu vim aqui saber sobre o Tai-Chi Me explique: o que é o Tai-Chi? Penso eu comigo mesmo; como vou responder tais questões a essas pessoas? Contudo, é lógico, não respondo Digo apenas às pessoas que venham um dia em nosso grupo para participarem de uma vivência, para sentirem o Tai-Chi Os ocidentais em geral vivem pela razão e querem entender tudo Fazem mil perguntas e enquanto não encontram as respos- tas não se aquietam As pessoas que chegam até mim querem entender Tai-Chi com suas mentes racionais Fazem um grande

esforço e no fim de seus cálculos mentais percebem que só saiu “fumacinha” da cabeça e não chegaram a conclusão nenhuma a respeito

O pensamento ocidental está baseado na lógica da razão e

sendo assim as pessoas são levadas a um certo padrão de racio- cínio e atividade mental Existe um condicionamento mental que está embutido no mecanismo cerebral do homem ocidental

O Tai-Chi está no lado oposto a tudo isso Quando estamos

com um grupo de iniciantes, surgem muitas perguntas sobre Tai-Chi; aí então eu lhes digo:

– Amigos, Tai-Chi não é para se pensar sobre ele Tai-Chi não é para se compreender O Tai-Chi é para se sentir Não pensem em Tai-Chi Sintam o Tai-Chi em seus interiores A intuição e o sentir são canais que nos fazem chegar até

o Tai-Chi O Tai-Chi está muito além da compreensão, do raciocínio e do padrão da lógica ocidental Uma vez estávamos executando alguns movimentos e uma jovem aluna me perguntou:

– Laércio, o que você sente quando pratica Tai-Chi?

Então lhe respondi:

– Estes movimentos que estou executando são apenas uma parte do Tai-Chi e não pode ser confundido com o Tai-Chi como um todo Agora se você deseja saber o que eu sinto quando eu faço estes movimentos, eu digo que sinto muitas coisas e ao mesmo tempo não sinto nada A jovem continuou perguntando:

faço estes movimentos, eu digo que sinto muitas coisas e ao mesmo tempo não sinto nada
– Laércio, para que serve esse movimento que você está fazendo agora? Então eu respondi:

– Laércio, para que serve esse movimento que você está fazendo agora? Então eu respondi:

– Não sei,

A jovem perplexa questionou:

– Mas como, você não sabe o que ele significa e para que ele serve? Então como você o faz? Pacientemente eu lhe respondi:

– “Eu não sei para que servem estes movimentos nem tão pouco me importo em saber No Tai-Chi o importante é deixar a mente de lado e aprender as coisas sentindo-as Só poderemos compreender estes movimentos após fa- zê-los muitas vezes e tê-los sentido em nosso interior No entanto, cada dia que executo estes movimentos, me

surgem sentimentos diferentes Em meu ser as sensações são as daquele momento Em outro dia ou em outra hora que eu os execute, meu interior está diferente e minhas sensações também são diferentes Portanto, em Tai-Chi não há explicações para as coisas nem necessidade de se compreender isso ou aquilo Em Tai-Chi não há rótulos para as coisas e o sentido de cada coisa tem seu momento

e

sua hora Em Tai-Chi tudo é mutável e nossos sentimentos são

o

Tai-Chi Se assim é, cada dia sinto algo diferente e quando estou

a

executar alguns movimentos, os meus sentimentos irão variar

cada instante Mesmo que meus movimentos possam “aparen- temente” ser iguais aos de ontem, meu espírito e meu ser estarão diferentes Digo a você que até meus movimentos são diferentes todos os dias e em todas as horas Talvez você possa ter ouvido de alguém que certos movimentos

a

e

exercícios servem para trabalhar com certas energias de nosso

corpo Isso é correto, só que dessa forma tudo não passará de teorias para sua mente No Tai-Chi aprendemos as coisas sem as teorias Nossos mestres nos ensinam na prática essas coisas Sa- bemos que existem essas energias porque as sentimos, não porque alguém nos disse que elas existem Se você preocupar-se em sentir essas energias, certamente não as sentirá Deixe sua mente livre, aí certamente você sentirá ” A jovem satisfeita com o diálogo voltou-se e continuou a fazer seus movimentos

21
A Respiração – “Vamos trabalhar agora, uma parte muito importante do Tai-Chi O exercício que

A

Respiração

– “Vamos trabalhar agora, uma parte muito importante do Tai-Chi O exercício que vamos fazer agora reúne a harmo- nia dos movimentos com uma calma e ordenada respiração A respiração consiste numa das atividas mais importantes dos seres vivos Sem respiração não há vida Vocês aprenderam nas escolas, todo o processo orgânico e bioquímico da respiração, porém aqui, gostaria de explicar-lhes o aspecto energético Segundo os orientais, existe uma energia primordial denominada CHI, para os chineses; e PRANA, para os hindus Essa energia cósmica primordial permeia todo espaço Nosso ser está em íntima relação com essa energia e aproveita-se dela para manter o processo da vida Nós sempre falamos em nossas aulas, sobre a energia corporal que o Tai-Chi movimenta É sobre essa mesma energia que vamos trabalhar, porém, agora sob o aspecto da respiração Quando respiramos não é só o oxigênio ou o nitrogênio que entram em nosso corpo Conjuntamente com o ar, também res- piramos o CHI ou o PRANA Essa energia penetra os canais bioenergéticos do nosso corpo e realiza um circuito Através desse circuito ocorrem as trocas bioenergéticas entre uma energia já

usada pelo nosso organismo, por uma outra pura e renovada que estamos inspirando O circuito do Chi é bem diferente ana- tomicamente, que o circuito do ar O CHI circula pelos Chacras, preenchendo e realizando as trocas energéticas Normalmente as pessoas não respiram direito e, na maioria das vezes, possuem canais energéticos bloqueados, impossibili- tando o fluir dessa energia. Portanto, hoje vamos aprender como respirar corretamente e como carregar nossas “baterias” Uma respiração consciente e equilibrada promove a saúde e a cura de muitas doenças Vamos lá então:

De pernas levemente afastadas umas das outras e com os joelhos flexionados, vamos respirar calmamente. À medida que a inspiração ocorre, elevamos os braços suavemente no mesmo ritmo da inspiração Quando ocorre a expiração, devemos abaixar os braços sua- vemente O movimento dos braços deve estar coordenado com a respiração A respiração deve ser executada muito lentamente e abdominal, o que significa respiração de baixo ventre. Notem como eu faço Agora, vamos todos respirar ao sabor da música Vamos todos respirar essa música fascinante ” Dessa forma, o exercício desenrolou-se, sempre com uma at- mosfera tênue e com música oriental suave Respirar é o divino ato da expansão e do recolhimento É o YIN e o YANG O interno e o externo se tocando e realizando uma relação de complemento No Universo existe o fluxo e o refluxo das coisas, e neste pro- cesso contínuo e cíclico, é que a vida pulsa As ondas do mar vão e

vêm Na pulsação das coisas sentimos a vida Quando esse proces- so deixa de existir, acaba-se o Tai-Chi da vida e advém o fantasma da “morte”

o CAminhAr Sobre AS ÁguAS

– “Agora amigos, vamos para outro exercício: vamos apren- der o caminhar sobre as águas Soltem-se e relaxem o corpo todo Fechem os olhos e vamos nos transportar mentalmente para um bosque maravilhoso, onde

haja um lago de águas calmas e cristalinas Mentalizem bem isso

e criem essa condição interior Agora lentamente, um passo após o outro, vamos começar

a adentrar o lago com o intuito de caminharmos por sobre suas

águas. As mãos devem ficar na altura do peito e à medida que caminhamos, um pequeno círculo com as mãos deverá ser execu- tado: vejam como eu faço! Agora vamos adentrar o lago, mas lembrem-se que os passos devem ser os mais lentos possíveis e extremamente leves Caso contrário, afundaremos Devemos mentalizar que não afundare- mos e que não temos peso algum Vamos lá então, todos juntos ” Ao som de música suave, todos iniciam suas caminhadas por sobre o lago Uns são rígidos e mal conseguem dar um passo lento e já perdem o equilíbrio Outros se perdem na escuridão de seus in- teriores e temem caminhar no escuro Os bloqueios mentais e espirituais são claramente visíveis nas pessoas Os movimentos de cada pessoa refletem sua condição interior.

Se forem duros e rígidos é porque o interior possui essa condição À medida que o Tai-Chi flui nas pessoas e os bloqueios in- ternos vão desaparecendo, os movimentos vão se tornando mais circulares e fluentes. O tempo e a prática transformam as pessoas.

desaparecendo, os movimentos vão se tornando mais circulares e fluentes. O tempo e a prática transformam
desaparecendo, os movimentos vão se tornando mais circulares e fluentes. O tempo e a prática transformam

Passado alguns minutos de exercício, o instrutor interrompe e

chama seus alunos e pede que todos se sentem em círculo Inicia- se então um diálogo:

– Amigos, eu gostaria de ouvir de vocês o que sentiram Quais suas impressões e o que acharam do exercício Uma jovem começa o diálogo

– Olha pessoal, eu tentei me transportar para o lago e seguir as instruções Senti minha mente com milhares de pensa- mentos do dia a dia Foi difícil para me libertar dos meus problemas No início do exercício, meus movimentos eram confusos e eu não conseguia caminhar lento Não sei, acho que minha vida é tão agitada que não consigo parar para fazer as coisas lentamente No entanto, à medida que o tempo foi passando percebi minha mente se acalmar Meus passos tornaram-se mais seguros e equilibrados Agora no final, percebi muita paz dentro de mim. Posso dizer que foi ótimo para mim Tenho certeza que com o tempo esse exer- cício pode me ajudar em muito Um senhor de meia idade prossegue dando sua opinião:

– Eu senti meu corpo muito pesado Achava que não ia con- seguir andar sobre as águas sem afundar Senti meus pensamentos interferirem muito Sabe pessoal, agora posso perceber o quanto meu ser é confuso Esse exercício mos- trou-me o quanto eu sou desequilibrado e inseguro Acho que nada vai dar certo, já parto do princípio de que nunca vou conseguir No entanto, pude ver como sou perturbado interiormente Laércio, como superar essa minha condição? Como esvaziar a mente?

Então respondi:

– Não sei se você percebeu, mas já estamos trabalhando nisso O exercício que acabaram de executar é o princí- pio ao trabalho com vocês mesmos Hoje todos vocês estão entrando em contato com seus interiores e reconhecendo como são Esse é o primeiro passo A partir do momento que esse contato interior vai ocorrendo, inicia-se o processo da transformação Pouco a pouco reconhecerão seus inte- riores e aprenderão como operar as mudanças Paciência e perseverança, essas são as chaves Outra aluna fala:

– Laércio, eu me senti muito leve e calma e parecia que podia flutuar. Me senti muito bem mesmo. Porém houve momentos que senti medo Parecia que estava perdida e tinha medo de dar outro passo Então me assustei muito quando alguém esbarrou em mim O que vem a ser esse medo, Laércio?

– A escuridão traz muito pavor aos homens O desconhecido é fruto de aventuras de nossas mentes Nossos espíritos estão muito presos e enjaulados dentro da escuridão in- terior. Refletimos o medo embutido lá dentro de nossas almas O exercício colocou-a em contato com seu espírito Seu interior tem medo das trevas, sendo assim você perce- beu e sentiu esse medo Quando o homem conquista sua alma interior, ele domina o medo com o instrumento da sabedoria Através do Tai-Chi vocês terão a oportunidade desse contato com suas almas Nossas almas são como dragões que precisam ser domados para que possamos cavalgar o vento Pouco a pouco irão percebendo as coisas mudando por dentro Daqui a algum tempo conversaremos novamente e verão como muitas coisas mudaram em nós Muita paz a todos vocês Vamos prosseguir com outro exercício

o CAminho DAS mãoS – “Vamos trabalhar agora, utilizando um exercício de pro- funda eficácia.
o CAminho DAS mãoS – “Vamos trabalhar agora, utilizando um exercício de pro- funda eficácia.

o CAminho DAS mãoS

– “Vamos trabalhar agora, utilizando um exercício de pro- funda eficácia. Nós o chamamos de: O caminho das mãos.

Fisicamente é um exercício muito simples, mas com pro- fundas implicações para o interior Nossas mãos são terminais energéticos e através delas pode- mos captar e transmitir energias As mãos são instrumentos de exteriorização de nossas ações mentais Vamos aprender como chegar lá dentro de nossas almas atra- vés das mãos Novamente, soltem seus corpos, flexionem os joelhos e rela- xem bastante. Os braços e principalmente os ombros devem ficar bem soltos. Agora devem fixar seus olhos em uma das mãos e len- tamente iniciarem um movimento circular com o braço, passando

as mãos à frente de seus rostos: Vejam como faço! A concentração é muito importante e não devemos desviar os olhos da mão Ao findar o círculo com uma das mãos, iniciamos o movimento com a outra mão e assim sucessivamente. Vamos ficar treinando isso por uns 15 minutos ” Deixando as mãos bailarem ao sabor da música, o exercício transcorreu naturalmente. Após findado o intervalo de 15 minu- tos, o instrutor interrompe:

– “Muito bem amigos, como se sentem? Estão mais calmos?

Um aluno responde:

– Poxa, que incrível! Esqueci-me totalmente desse mundo

aqui Viajei pelo universo de minhas mãos Quando você interrompeu, nos chamando, demorei a voltar porque não queria mais sair daquele estado Estava muito bom e eu nunca havia estado assim tão próximo de mim antes Outro aluno fala:

– Também me senti muito bem Gostei de fazer esse exercí-

cio Estou muito diferente de quando comecei É incrível como a gente muda Eu não sei o que mudou, mas sei que estou bem mais calmo e diferente Laércio, você pode nos dizer o que ocorreu para que nós mudássemos tanto?

– “Bem amigos, quando fitamos as mãos e nos soltamos e re- laxamos, um processo grandioso começa a se desencadear

Um fluxo muito grande de energia começa a circular e a fluir pelos meridianos de todo o nosso corpo Isso promove uma higiene geral em nosso corpo bioenergético O importante aqui é que nossa mente atua no processo, porém notem que tudo ocorre sem o esforço da mente Tudo acontece na mais perfeita paz, leveza e tranquilidade. Não ficamos com

o corpo nem com a mente cansados Isso ocorre porque

encontramos o fluxo natural de nosso ser. Encontramos

o caminho Tai-Chi para equilibrar nosso ser Pessoas que

não conhecem Tai-Chi, quando ficam doentes, tensas ou têm um outro problema qualquer, vão logo tomando remé- dios, que mais desequilibram do que promovem melhoria do sistema Enquanto não tomarmos consciência de nosso ser e não atuar- mos sobre ele, seremos eternamente escravos dos médicos e dos remédios Aqueles que encontram seu equilíbrio interno através do Tai-Chi ou através de qualquer outro processo, liberta-se das amarras do corpo A liberdade é conquistada por nós mesmos atra- vés da consciência do espírito e da transcendência de nossa alma sobre o corpo físico Essa é a verdadeira e total liberdade O exercício que acabaram de executar é uma das portas para

o encontro com esse equilíbrio natural Por isso se sentiram tão

bem

Com o passar dos anos, o Tai-Chi mais e mais vai se incor- porando em suas vidas Tenho a certeza que verão muitas coisas mudarem em vocês Todos poderão olhar o mundo e a vida de uma forma diferente Não porque a vida ou as coisas externas muda- ram, mas sim porque nós é que mudamos e nos transformamos Quando ocorre a mutação de nosso interior, o Universo assume novas formas e novas características Após a mutação interna de nossas almas o mundo externo e material também muda, em con- cordância com as leis naturais Se as coisas em nosso mundo são como são, é porque elas são decorrentes dos estágios primitivos de nossa consciência O mundo externo só evoluirá quando o mundo interno, das pessoas, assumir tal condição Como diz o nosso amado mestre: “O mau não existe no mundo,

o mal existe no interior de cada indivíduo O mundo externo é o reflexo do mundo interno das pessoas da Terra.”

Sentir unS AoS outroS

– “Agora passemos a outro exercício

Fechem os olhos e elevem suas mãos à altura do peito Gos- taria que o grupo todo concentrasse mais para o centro de nosso espaço O exercício que vamos executar é muito interessante e visa desenvolver nossas percepções Vamos treinar nossas capacidades de sentir as pessoas Quero que todos caminhem lentamente e de olhos fechados Ao caminhar irão encontrando as outras pessoas Quero que toquem as mãos das pessoas que forem cruzando, mas somente as mãos

Nenhum som deve ser emitido, devemos permanecer no mais pro- fundo silêncio O toque das mãos deve ser natural de cada um

Vamos então caminhar e sentir o toque da outra pessoa; Ve- jamos se podemos sentir o que ela nos transmite e até quem seja

o nosso parceiro Através do simples toque das mãos as pessoas

transmitem energias que são trocadas entre si Sintam se o toque

é apertado ou delicado Sintam se as mãos são duras e rígidas

Notem se elas acariciam você ou se ela toca apenas superficial- mente Procurem sentir tudo isso ” O instrutor para de falar e por alguns minutos os alunos pas- saram a realizar o exercício, e passado algum tempo o instrutor continuou falando:

– “Muito bem amigos, não abram os olhos ainda Fiquem com a pessoa que está trabalhando agora Procure sentir quem ela é e quando tiverem definição, abram os olhos.” Pouco a pouco os alunos foram completando o exercício, ma- ravilhados Uma enorme euforia tomou conta de todos Alguns por conseguirem identificar seu parceiro, outros por errarem totalmen- te

– “Então amigos, como se sentiram?

Uma jovem responde:

– Foi excelente Pude perceber muitas coisas das pessoas com quem encontrava Dava para sentir através das mãos a ansiedade de uns e a falta de carinho de outros Sentia a brutalidade interior refletida nas mãos. E o mais sensa- cional de tudo é que acertei o parceiro com quem estava Nunca pensei poder sentir tanto das pessoas pelo simples toque das mãos

– “Como vocês puderam notar, basta deixarmos nossa mente livre e nosso corpo calmo e relaxado que a energia flui li- vremente Quando tocamos as mãos de outras pessoas, o campo energético de ambas se inter-relacionam, promo- vendo uma simbiose energética Nesse ponto, a comunhão é total De acordo com a capacidade perceptiva de cada um, os senti- dos poderão compreender e interpretar as emoções do outro

Isso é Tai-Chi meus amigos Tai-Chi é a capacidade de inte- gração com a natureza das coisas Essa simbiose que acabaram de ter, uns com os outros, pode se estender a toda natureza, ou seja, plantas, animais, etc Devemos aprender a nos harmonizarmos com as pessoas e saber como nos integrar com o nosso semelhan- te Hoje em dia é ao contrário; as pessoas só pensam em separar-se

e vencer uns aos outros, em competições sem sentido Atualmente

as pessoas vivem fechadas em seus corpos físicos, como o bicho da seda em seu casulo As pessoas não se relacionam com as outras, não abraçam as outras Dessa forma temos pessoas extremamente carentes de afeto Essa falta de carinho e afeto vai tornando as pes- soas rudes, tensas, nervosas e altamente bloqueadas para a vida Os desequilíbrios gerados são enormes

A formA Do grAnDe CírCulo

Agora, nós vamos treinar a forma clássica do Tai-Chi A forma,

a qual eu transmito a vocês, possui um contexto histórico muito

interessante O Tai-Chi está embutido nos movimentos represen-

tando o desenrolar de um processo Cósmico O grande círculo

representa a ideia do TAO, o incriado, sem princípios nem fim. O TAO é um processo contínuo, sem nascimento nem morte Apenas a existência do eterno e imutável ser

nem morte Apenas a existência do eterno e imutável ser Dentro desse conceito cósmico, vamos realizar
nem morte Apenas a existência do eterno e imutável ser Dentro desse conceito cósmico, vamos realizar

Dentro desse conceito cósmico, vamos realizar alguns movi- mentos, a nós transmitidos pelos antigos mestres da China Já

conversamos muito sobre o processo de copiarmos ou imitarmos os movimentos de outra pessoa, porém vamos encarar tal exercício como um começo, para adaptação de nossos corpos e mentes ao processo Tai- Chi Vamos executar a forma, porém prestem atenção no que vou dizer-lhes:

O primeiro passo é prepararmos nossos corpos e nossas mentes para o início da execução Isso se faz de acordo com o princípio cosmológico do TAO Ficamos em pé, com os joelhos levemente flexionados. Olhos fechados, ombros bem soltos e braços totalmente relaxados Nossa mente deve buscar a calma e um vazio, sem preocupações Nossa mente deve simbolizar o TAO:

o vazio e o nada. Dessa maneira, nos identificamos com o processo Tai-Chi, que está prestes a se desencadear Quando sentirmos que devemos começar, então abrimos levemente os olhos e iniciamos os movimentos Notem que na forma, a primeira manifestação é a respiração calma e profunda, acompanhada com um movimento de subida e descida dos braços, simbolizando a geração do Yin e do Yang a partir do TAO. Após esse princípio, a forma deverá fluir de acordo com cada pessoa Aqui neste nosso ambiente, existe um fluxo natural de ener- gias cósmicas, onde nós fazemos parte deste processo À medida que a forma for evoluindo, deixem que tudo flua livremente e que nosso ser se harmonize com o campo energético desse ambiente Nesse momento nossas energias estão em expansão e em absor- ção Irradiamos auras luminosas para todo o espaço Nós nos tornamos extremamente agradáveis e maravilhosamente ilumina- dos por essa aura que nos envolve a todos

Os habitantes dos planos superiores vêm todos comparti- lhar conosco esse harmonioso processo A integração, através do Tai-Chi, sobe aos mais altos planos dimensionais Movimentamos castas de seres iluminados que vêm até nós, para dividir conosco a sua luz áurica Através do processo Tai-Chi, nosso ser recebe e doa altas vibrações energéticas, dos seres superiores da criação divina Através do Tai-Chi, nosso ser se une ao Cosmos e nos traz de volta o nosso mundo e nossas vidas espirituais esquecidas Deixem que seus corpos bailem com a música Deixem que a vida nos conduza, como um rio que carrega uma flor, jogada em suas águas ” E assim, os alunos iniciaram suas buscas interiores através da alma do Tai-Chi

oS eStiloS De tAi-Chi

Estávamos reunidos em nossa escola quando um aluno per- guntou:

– Laércio, qual é o estilo de Tai-Chi da nossa escola? Eu ouvi dizer que existem centenas de estilos diferentes de Tai-Chi na China e eu gostaria de saber qual é o estilo que nós pra- ticamos aqui? Disse-lhe então:

– Aqui nós praticamos o Tai-Chi Cósmico Você já ouviu falar nesse estilo? Então o aluno me respondeu:

– Não, nunca ouvi falar nesse estilo

Um tanto confuso, o aluno prosseguiu:

– Explique-me mais sobre este estilo e qual a diferença com

relação aos outros Então disse-lhe:

O Tai-Chi Cósmico é o Tai-Chi Universal: é aquele que brota

de dentro de nossos interiores O Tai-Chi Cósmico é aquele que não possui regras ou definições; É a síntese de todos nós O Tai-Chi Cósmico não é diferente de nenhum estilo

de Tai-Chi ou Kung-Fu que possa existir, pois só existe um tipo de Tai-Chi e este é o Tai-Chi O que pode aparentar para você e muitos praticantes e seguidores do Kung-Fu

e do Tai-Chi, é que existem muitos estilos diferentes Digo

a você que a única coisa que pode parecer diferente nisso

tudo são os movimentos externos que cada escola executa No entanto, como já lhes disse, o Tai-Chi está muito além dos movimentos e querer classificá-lo apenas pelos movi-

mentos é cometer um grave erro As pessoas comuns vêem somente o exterior das coisas e vivem separando e dando qualidades a tudo. Classificam em bom e mau, certo ou errado, melhor ou pior, etc O Tai-Chi está além dos rótulos e do estereótipo das formas físicas Não podemos compa- rar estilos de Tai-Chi por que não há estilos diferentes Só existe um Tai-Chi, que é a nossa vida Ainda outro dia, um outro aluno perguntou quais eram os es-

tilos de Kung-Fu e Tai-Chi os quais eu julgava serem os melhores Eu respondi, dizendo que não existia o melhor Kung-Fu nem o melhor Tai-Chi O que existia era somente o Kung-Fu, sem compa- rações É comum as pessoas chegarem até a mim e perguntarem:

O que você

acha dele? O estilo que ele ensina é bom? Então eu digo que do mestre eu não acho nada, porque não procuro julgar as pessoas nem dar qualidades a elas, sejam positi- vas ou negativas Quanto ao estilo, se ele é bom ou não, respondo perguntando ao aluno:

– O que você acha do estilo para você? É bom ou ruim? De acordo com a resposta do aluno, eu digo que o Tai-Chi não está divido em estilos ou que este seja melhor ou pior do que outros. Se é bom para você fique com ele então. Não procurem o melhor estilo Tai-Chi nem o melhor mestre, porque você não vai encontrar Essas coisas não existem Tai-Chi está em toda parte, em toda vida e em toda natureza Procure en- contrar o Tai-Chi nesses lugares e não com um mestre ou com um estilo definido. A característica principal dos mestres de Tai-Chi e Kung-Fu

– Laércio, eu faço Tai-Chi com mestre “

do passado residiam no fato de orientarem os discípulos a encon- trarem o Tai-Chi dentro de si mesmos A verdadeira escola e o verdadeiro mestre de Tai-Chi ou Kung-Fu é nosso próprio interior Certo dia perguntei ao amado “Mestre Kwan”:

– Mestre, quem foi o maior mestre de Tai-Chi e Kung-Fu da história? Suavemente o mestre respondeu:

– “O SILÊNCIO O Silêncio foi e ainda é o maior de todos os mestres da história Sente-se e ouça a mestria do silêncio, meu jovem discípulo ” Aprendi com meus amados orientadores que o maior aprendi- zado é aquele que escutamos vindo do silêncio cósmico de nossa Alma Os mestres do passado ensinavam sem falar Agiam pelo não agir Dessa maneira os discípulos encontravam os seus cami- nhos e o verdadeiro significado do Kung-Fu e do Tai-Chi. Procurem ouvir o SILÊNCIO

Como CriAr noSSo PróPrio tAi-Chi

– “Agora amigos, vamos trabalhar nossa criatividade Vocês já estão fazendo a forma clássica do Tai-Chi, àquela se- quência de movimentos que sempre executamos em nossas aulas Porém, agora vamos trabalhar o nosso próprio Tai- Chi, ou seja, cada um de nós irá criar uma forma individual e particular de Tai-Chi Quero que se movimentem livres e soltos, sem copiar nada de ninguém Quero que todos se movimentem da forma que se sentirem melhor Vamos en- contrar o Tai-Chi natural de cada um de nós

Não se preocupem com estética, nem tão pouco fiquem com- parando seus movimentos com o do outro: se está feio ou bonito

Outra coisa importante é deixarmos a mente livre, sem pensarmos ou projetarmos os movimentos seguintes Deixe apenas que cada movimento flua naturalmente, um após o outro, de uma maneira contínua e natural Não é preciso decorarem nada Vamos lá então Soltem-se e comecem a movimentarem-se ”

E ao som de música suave e numa atmosfera quase sem luz, o

Tai-Chi brotava nas pessoas

É algo muito belo de se ver As pessoas tentando colocar algo

de si para fora É maravilhoso como podemos compreender as pes- soas somente pelos seus gestos e movimentos corporais Sinto o movimento das pessoas e o fluxo de energia que elas movimentam

e expandem Quando essa onda energética me toca, posso perce- ber como é a pessoa e como vive seu interior Quando estamos no fluxo Tai-Chi, nos integramos à natureza e às pessoas. Fazemos parte de tudo e somos apenas um único ser Dessa forma tudo sentimos e em tudo participamos Um tempo se passou e o exercício foi interrompido:

– “Bem amigos, viram que maravilhoso? Viram como é fácil criar o Tai-Chi?“ Uma aluna responde:

– A princípio eu estava indecisa e não sabia o que fazer Parecia difícil criar os movimentos Hoje é o meu segundo dia aqui nesse grupo e nunca havia feito nada de Tai-Chi, ou coisa parecida De repente, o Laércio me pede para eu criar o Tai-Chi Achei uma coisa difícil para mim, no entanto, mais no final do exercício, pude notar que sem querer, eu

me movimentava Fazia o que me vinha à cabeça Agora não sei se fiz certo.

– “Vejam, o Tai-Chi não é privilégio dos mestres ou dos sábios chineses O Tai-Chi é a coisa mais natural do mundo, por isso ele funciona Todos podem criar Tai-Chi agora mesmo Os antigos mestres Taoistas criaram o Tai-Chi em seus pró- prios interiores Houve uma primeira vez para eles também Tenho quase que certeza de que quando alguém movimentou seu corpo pela primeira vez em busca do Tai-Chi, deve ter se saído bem igual a você Com o passar do tempo e com a prática constante, os movi- mentos vão nos transformando e num ciclo natural, nós também vamos transformando e modificando nossos movimentos. O único segredo é deixarmos nossa mente racional de lado e não ficarmos classificando ou dando qualidades às coisas ou aos movimentos. Como vocês puderam ver, o que acabaram de fazer é o Tai-Chi de vocês. Não é necessário ficar copiando de mim ou de ninguém os movimentos É fácil fazer Tai-Chi, basta deixar que ele brote de nossos corações ” Um aluno pergunta:

– Os movimentos de Tai-Chi não têm que possuir uma sequência lógica, na qual as energias são manipuladas cor- retamente?

– “No Tai-Chi a lógica não existe, tal qual o pensamento oci- dental a conhece. Existe um fluxo natural de energias ao longo de nosso corpo e com íntima ligação com o espaço à nossa volta É importante que cada um de nós encontre esse fluxo naturalmente. Quando soltamos nosso corpo e

não oferecemos resistência ao movimento, tudo flui natural- mente Certamente nosso corpo e nosso ser vão encontrar esse fluxo e caminhar com ele. Somente a partir daí é que estaremos com o Tai-Chi em nós Às vezes os movimentos que imitamos em nossas escolas, através das formas clássicas, não se adaptam as pessoas Cada um possui o seu fluxo individual que difere dos outros. Considero a forma clássica como um instrumento de iniciação e adaptação ao Tai-Chi interno Chegará um tempo, para cada um de nós, em que encontraremos nosso fluxo natural. A partir daí, estaremos movimentando nosso corpo através desse fluxo. Os movimentos certamente serão diferentes a cada dia que passar, pois o fluxo muda e se transforma a cada dia Não podemos cometer o erro de permanecer estáticos e iguais o tempo todo ” Outra pergunta surge:

– Laércio, como saber se encontramos ou não esse fluxo? Como ter certeza disso?

– “Não se preocupem com isso; vocês saberão Continuem treinando que vocês saberão quando chegaram lá Vocês saberão por si só

Sexo e tAi-Chi

Estando reunido o grupo Tai-Chi, uma aluna pergunta:

– Laércio, fale-nos sobre o sexo e a relação sexual Como o processo Tai-Chi encara o sexo e a atividade sexual? Falemos então sobre o sexo e o grande tabu das relações se- xuais Vamos inserir no contexto Tai-Chi e conversaremos um pouco

A energia sexual está localizada especificamente no chacra sexual, logo abaixo do umbigo, como todos vocês sabem Nós somos um processo bioenergético que se desdobra em “n” funções

que, em conjunto, geram todo o processo da vida Toda emoção gerada em nosso interior se propaga para fora através de uma onda energética Toda vez que essa onda chega até nossa mente racional, e por razões de padrões culturais e so- ciais ela é reprimida, nosso ser sofre danos seríssimos A repressão emocional é algo muito sério, e eu não estou falando apenas da emoção sexual, refiro-me a todo tipo de emoção. Quando a emoção não sai e é reprimida, a onda energética na qual a emoção cami- nha, geralmente descarrega sua carga nos órgãos e músculos do corpo físico Também ocorrem lesões nos corpos astrais e de todo complexo dos corpos sutis Sendo assim, muitas partes de nosso corpo começam a enrijecer, e a bloquear os canais energéticos Se tais bloqueios persistirem por muito tempo, corre-se o perigo de se contraírem doenças seríssimas Quando vocês se apaixonam por outra pessoa e não são correspondidos, vocês se sentem bloquea- das e não conseguem expressar suas emoções à pessoa desejada A gente se sente muito mal, não é mesmo? Agora vejamos o lado sexual:

A emoção gerada pelo desejo sexual é muito poderosa A onda

energética que se propaga, é extremamente violenta e quando ela

não sai e não encontra portas para fluir livremente, algo será pre- judicado Vocês podem notar como todo nosso organismo se altera diante dessa onda energética

A maioria das pessoas do mundo de hoje, não possuem uma

vida sexual equilibrada A estrutura social, familiar, religiosa e cultural criou uma gigantesca montanha de entulhos para barrar

o fluir natural dessa emoção. É aquela velha situação: “Todos querem, mas ninguém o faz ” É como se fosse um Anti-Tai-Chi A emoção é forte Ansiamos, desejamos, mas não pode ser feito Alguns aqui desse grupo ainda são bastante jovens e não sei se já tiveram uma relação sexual satisfeita Porém aqueles que já tiveram puderam notar que após o orgasmo sexual, o nosso orga- nismo fica muito alterado e um pouco cansado até. Isso é porque muita energia fluiu e esvaziou um pote já muito cheio, no reserva- tório dos chacras. Quando essa energia fica estagnada por muito tempo no chacra sexual, o emocional começa a perder o equilíbrio Essa energia é tão poderosa que pode subir e danificar estruturas mais altas em nossos corpos bioenergéticos Dessa maneira po- derão ocorrer lesões sérias em órgãos do corpo físico e afetar em muito os níveis psíquicos Sigmund Freud acreditava que muitos desequilíbrios eram causados em fases específicas de suas vidas, por traumas sexuais. Esses traumas influenciavam seus comportamentos psíquicos no decorrer de todas suas vidas O sexo deve ser encarado como algo natural, inerente à nossa espécie. Os sentimentos devem fluir livremente. Toda vez que houver bloqueios, haverá sofrimento Conquistar a liberdade também significa possuirmos liberda- de de sentimentos e expressões das nossas emoções Creio que todos devem amar uns aos outros, em todas as formas de suas expressões. Sexo também é uma forma de amor. Não significa que tenhamos que ter autorização de instituições para as ações de nossos corações Acredito que com muito bom senso, muito carinho e com bas- tante amor, todos nós poderemos compreender melhor nossas

emoções e realizarmos as relações sexuais naturalmente, sem

repressões Basta que cada um rompa as barreiras sociais e cultu- rais e expressem aquilo que sentem e façam aquilo que realmente desejam fazer A vida é para ser vivida e a conquista da liberdade consiste em soltarmo-nos das prisões, das amarras e dos fortes condiciona- mentos sociais Gostaria que olhassem seriamente para seus interiores e ve- rificassem como vocês estão, em relação ao sexo. O sexo é vocês

e se vocês não compreenderem essa parte, não poderá haver au-

toconhecimento Nós dissemos que Tai-Chi é autoconhecimento, logo Tai-Chi é uma jornada através de todas as manifestações da natureza O sexo é mais uma dessas manifestações Agora, se ainda alguém tiver alguma dúvida, basta olhar a na- tureza e os animais Eles não usam roupas Não sentem vergonha do que são. Em momentos específicos sentem fome, então vão e comem Quando sentem vontade de fazer sexo, vão e naturalmente

fazem Tudo muito natural e simples Agora, os sábios, civilizados

e inteligentes seres humanos, vivem aprisionados nos condicio-

namentos culturais Escondem-se atrás das roupas e esperam penosamente pela autorização das instituições Nesse intervalo de

tempo, o espírito sofre e agoniza-se em pranto ” Uma pergunta surge:

Laércio, você então prega a liberdade sexual?

– “Quero que todos vocês compreendam uma coisa: vejo o mundo e as coisas a minha maneira Eu não prego só a liberdade sexual, eu vivo lutando pela liberdade total dos homens Agora, cada um vai viver de acordo como achar que deve viver

Esse assunto de sexo pode causar muitas discussões e as opiniões podem se divergir em muito A proposta de trabalho neste grupo Tai-Chi, é a de simples- mente ouvirmos as opiniões, e não discutirmos Cada um aqui pode falar, porém todos devem ouvir ” Outra pergunta surge:

– Laércio, existem correntes que pregam a abstinência sexual total Dizem que o sexo é prejudicial ao crescimento espiri- tual Como você vê isso?

– “Muitas escolas do passado eram adeptas do celibato O Templo de Shaolin possuía essa linha, porém esse aspecto devemos discutir seriamente Muitos de vocês aqui presentes já assistiram minhas aulas sobre os corpos bioenergéticos e sobre os chacras É importante que saibam bem essa teoria para compreenderem melhor o celibato nas escolas esotéricas do passado Os antigos mestres conheciam muito bem as leis bioenergéticas dos corpos superiores Quando os discípulos eram treinados nas técnicas Shaolin e Tai-Chi, eles supriam a falta de relacionamento sexual de outras maneiras Não havia repressões de espécie alguma A técnica quando bem empre- gada conduzia a energia sexual por outros canais A energia sexual não se acumulava e, portanto o discípulo não era lesado Um monge Shaolin era totalmente livre para suas ações Se ele resolvesse encontrar uma mulher e ter relações com ela, ele tinha essa liberdade e não era punido por tal ato Agora, se um discípulo estivesse no meio de um treinamento importante para si e quebrasse a disciplina, aí sim ele recebia suas punições Porém, tudo dentro de uma certa ordem e de um imenso bom senso dos

abades superiores Agora, quanto a ideia do sexo ser prejudicial ao crescimen- to espiritual, esse fato é totalmente ridículo Vamos analisar pelo processo Tai-Chi: Se nós fomos criados para evoluir e ascencio- narmos espiritualmente, por que a natureza nos deu o sexo e o apetite sexual? Se ele fosse prejudicial, tenho a certeza que ele nem existiria em nós Muitos não compreendem as leis naturais e os sistemas da criação divina Dessa maneira engendram-se por caminhos tortuosos e escuros Vêem o medo e o terror em tudo O medo de não evoluírem os prendem cada vez mais à não evolução No Tai-Chi, tudo é muito simples e é seu coração quem dita as regras Se seu coração estiver em paz, vivendo dessa ou daquela maneira, então continue neste caminho Agora, se seu coração não encontra paz, procure tentar outros caminhos e outras formas de viver a vida Muitos amigos meus sabem que eu não como carne de espécie alguma Então eles passam comendo carne diante de mim só para se exibirem, achando que eu vou morrer de vontade de comer um pedacinho Se eles soubessem que eu me sinto muito mal quando os vejo comendo carne, não fariam isso É horrível para mim o ato de comer carne No entanto, muitos adoram a carne e não vivem sem ela Da mesma forma existiam monges e mestres que viviam sem sexo, sem a falta ou a necessidade dele Um dia todos nós iremos nos compreender melhor O sexo só será compreendido quando realmente for vivido por nós Tudo é assim em Tai-Chi Nada de teorias; Somente as vivências das expe- riências nos trazem sabedoria, consciência e crescimento

O Kung-Fu de Shaolin 48

O Kung-Fu de Shaolin

O Kung-Fu de Shaolin 48
O Kung-Fu de Shaolin 48
Estando os alunos reunidos em fila, como de costume, exe - cutam a reverência inicial

Estando os alunos reunidos em fila, como de costume, exe- cutam a reverência inicial em cumprimento aos ancestrais Após o ritual, o instrutor pede aos alunos que se sentem para ouvirem instruções – “Alunos, vamos iniciar a aula do Kung-Fu de Shaolin Embora nossos corpos irão se movimentar mais rápidos que no Tai-Chi, não devemos nos enganar O processo Shaolin é o mesmo que o processo Tai-Chi Portanto, toda consciência e instrução que tiveram no Tai-Chi são aplicá- veis aqui na aula de hoje Quando executarmos as formas Shaolin, elas deverão fluir livremente dentro do proces- so Shaolin, que consiste em respeitarmos e adentrarmos ao fluxo energético natural. Não devemos ser rígidos nem duros Seremos suaves como uma pena Nossos pés não serão ouvidos Iremos movimentar nossos corpos com a astúcia e a sutileza dos animais A força física não deve

existir e o que deve fluir é a força interior. Todas as vezes que suas mãos ou pés movimentarem em projeção, deverão fazê-los rápidos, porém suaves A energia deve vir de dentro O importante não é colocarmos ódio nem raiva em nossos movimentos Devemos fazer os exercícios com muito amor em nossos corações Vejo muitas pessoas treinando artes marciais, e fazendo umas caras de maus e extremamente horríveis Aqui não quero ver nin- guém com cara dura e amarrada Quero que expressem através de seus rostos o Kung-Fu interno que estão fazendo O Kung-Fu de

Shaolin deve ser alegre e feliz Ele deve ser praticado com vontade e alegria Prestem muita atenção no que vou lhes dizer:

O Kung-Fu de Shaolin, não deve ser para nós um trabalho

duro, nem difícil, nem tão pouco exaustivo Nosso corpo não pode ser agredido com exercícios estafantes. O Kung-Fu deverá fluir de tal forma que nos sintamos muito bem e felizes em executá-lo Existem alguns exercícios que nós chamamos de internos, que podem parecer que estamos usando muita força física No entanto não é verdade O aluno desenvolvido sabe muito bem dividir a apli- cação da força física com a força interior Conjuntamente e bem equilibradas, elas tornam o processo perfeito

É dessa maneira que eu gostaria que treinassem o Kung-Fu

aqui em nossa escola Aqui nós remontamos os antigos processos espirituais da verdadeira corrente de Shaolin Devemos sempre utilizar a sabedoria antes da força Podemos chegar ao crescimento com o uso da sabedoria, mas jamais com o uso da força Existe um velho ditado popular que nos diz: “O burro leva a carga e o sábio é a carga ” Não sejam os burros na pratica do Kung-Fu Compreendam com muita sabedoria como treinarem seus corpos, suas mentes e seus espíritos

Vocês sabem que todos os alunos que treinam o Kung-Fu Shaolin desta escola são obrigados a praticarem o Tai-Chi conjun- tamente Essa obrigação é nossa disciplina interna Para muitas pessoas ou praticantes em outras escolas, isso pode parecer uma coisa absurda, pois crêem que Kung-Fu de Shaolin e Tai-Chi são coisas bem diferentes e não se combinam

Porém, em nossa escola o Tai-Chi e o Shaolin são irmãos ou marido

e mulher para gerar a vida perfeita Um em perfeita harmonia com

o outro Antigamente, nos Templos de Shaolin, era assim Os monges compreendiam os valores intrínsecos de ambos, e dessa forma

as duas técnicas eram praticadas em conjunto Poucas pessoas sabem desse fato histórico O que pode parecer estranho a muitos

é que, talvez o Kung-Fu que estão praticando não se compatibilize com o Tai-Chi Certamente se perderam da grande fonte cósmica de Shaolin Digo isso a vocês porque vivi e vivo com os ensina- mentos dos monges de Shaolin Portanto alunos vamos praticar

o Kung-Fu Shaolin com essa consciência Vamos praticar para o

crescimento O aluno desta escola não irá competir com ninguém Não entrará em nenhum concurso Aqui, vocês todos estão para crescer através do caminho de Shaolin e do Tai-Chi Portanto não haverá disputas e nem haverá vencedores A única coisa que ga- nharão é a oportunidade de encontrarem suas próprias almas e seus próprios corações, esse é o tipo de Kung-Fu que julgo o mais nobre Aquele que mostra o caminho da igualdade, da união e do amor Universal ” E dessa maneira, os alunos iniciaram os treinamentos, imi- tando os movimentos do Louva-a-deus, do Tigre, da Cegonha, da

Serpente, do Macaco, etc

“Lutar Não Lutando” O Caminho do Venerável Guerreiro 52
“Lutar Não Lutando” O Caminho do Venerável Guerreiro 52

“Lutar Não Lutando” O Caminho do Venerável Guerreiro

Um grupo de alunos de Kung-Fu Shaolin, reúnem-se especifi- camente para o treinamento da luta marcial Tal treinamento só é

oferecido aos alunos com certo tempo de escola O instrutor reúne

o grupo em círculo e começa a ensinar os princípios básicos de tal

treinamento

– “Alunos, hoje vamos praticar o exercício da luta marcial, portanto quero que prestem o máximo de atenção naquilo que vou lhes dizer:

Quando estiverem diante de alguém para lutar com ele, “lute não lutando”. Isso significa que seu espírito não deve estar em luta O corpo poderá se movimentar, dessa ou daquela maneira, em concordância com os movimentos da outra pessoa, porém o espírito jamais devera lutar Aqui, em nossos treinamentos, vocês

terão uma outra pessoa à frente para exercitarem-se A pessoa não

é seu inimigo, e nem tampouco devem existir inimigos para um

homem evoluído Você deverá respeitá-lo como homem que é Quando estiverem em “combates” quero que não haja o ódio

e nem a raiva em seus corações Em nossos treinos não existem

vencedores nem perdedores; somente alunos treinando e apren-

dendo

Na vida real também deve ser assim Se acaso encontrarem alguém à sua frente e tiverem que lutar com ele, vocês simplesmen- te deverão executar os movimentos necessários para se safarem do problema Estejam conscientes de que não será uma disputa, nem tão pouco uma competição de ideologias ou valores Por tudo que ocorrer, jamais haverá um vencedor Numa disputa corporal só há perdedores Portanto, aqui e agora, quero que coloquem todo o princípio Tai-Chi e Kung-Fu que aprenderam Sejam leves, suaves

e sem brutalidades Deixem que seus corpos se movimentem em harmonia e em concordância com os movimentos do outro Estabe- leçam ligações Sintam os espíritos e as energias entrelaçarem-se umas nas outras Procurem fitar os olhos uns dos outros, pois assim poderão pe- netrar a alma do outro e estabelecer ligações Os movimentos irão acontecendo espontaneamente, dentro de um fluxo natural. Vocês irão perceber que não estarão lutando, mas sim estabelecendo li- gações harmoniosas uns com os outros Atenção: Seus espíritos não deverão se exaltar ou ficarem en- vaidecidos por terem conseguido surpreender seu amigo de treino Seus espíritos deverão permanecer serenos e equilibrados durante todo treino Se assim o fizerem, estarão “lutando sem lutar”. Esse é o ver- dadeiro e o mais antigo princípio Shaolin ” Um aluno pergunta:

– Laércio, qual é o objetivo principal de treinarmos a luta marcial, então? Você nos ensina a paz e o amor, então porque devemos fazer esse treinamento?

– “Vejam alunos, a vida aqui na Terra é composta das mais diversas situações e algumas delas totalmente indesejáveis por nós Sendo assim, o homem sábio deverá se preparar para tudo Seu espírito poderá se encher de sabedoria Porém, algum dia alguém poderá feri-lo e até matá-lo Sendo assim, o homem sábio não poderá ser destruído dessa maneira O homem sábio não é fraco Ele é forte em todas as situações É óbvio que nosso treinamento marcial não visa simplesmen-

te o desenvolvimento da capacidade de lutar dos alunos Ele está

ligado a um processo de desenvolvimento interior Nesse exercício, nós colocamos o aluno contra uma situação difícil e dura, onde ele deverá raciocinar rápido e agir com destreza e precisão Atra- vés desse processo, tornamos o aluno mais forte para enfrentar as duras provas deste mundo físico Sua força interior, sua coragem, sua destreza e eficácia são desenvolvidas. Precisamos desencadear processos para que os alunos possam viver experiências fortes, para que os treinamentos possam surtir algum efeito Todos vocês sabem que sou muito exigente nesse treinamento e espero a maior seriedade e respeito de todos, mu- tuamente Num treinamento como esse cada um de nós aprende a co-

nhecer seus limites e possibilidades Quando somos colocados em testes, verificamos o nosso atual estágio de desenvolvimento. Sempre digo aos meus alunos que é muito fácil ser herói e

o bacana quando estamos em tempos de paz Porém, quando

surgem as dificuldades, as guerras externas ou internas a nós, é que vamos nos testar e saber se realmente aprendemos as lições Daí por diante, basta reconhecermos nossas falhas e procurar cor- rigi-las O autoconhecimento é um processo que requer vivência das mais diversas possíveis Notem essa situação: Podemos estar meditando em nossas casas e de repente começar uma guerra mundial O que fazer? Haverá muitas lutas e muitos conflitos. Não poderemos fugir dessas situações Teremos que enfrentar tudo com a maior naturalidade e sabedoria possível Esses testes são reais, acontecem e aconte-

ceram em toda história da humanidade, embora esse não seja o nosso desejo interior Porém, vivemos num mundo onde as coisas ocorrem independentes de nossas vontades. Existe um fluxo em que o mundo caminha e nós pertencemos a este fluxo. Existe um provérbio Taoista que diz: “O Céu e a Terra tratam os homens como cães” Isso é verdade Quando ocorre a chuva, ele cai para todos Quando ocorre um terremoto, ele acontece para todos Todos os seres vivos são tratados igualmente pelo Cosmos Não há distinções de espécie alguma Assim também é conosco Não somos privilegiados por sermos espiritualistas ou vivermos na senda do Amor Estamos neste mundo e seremos tratados de acordo com a lei Universal: A lei de igualdade entre todos seres e coisas do Universo O segredo para o sucesso está em termos os pensamentos livres, o coração aberto e o espírito em paz, que tudo fluirá com perfeição Com o passar do tempo irão compreendendo e incorporando em vossas vidas todas essas coisas as quais vos falo Agora concentrem-se em um estilo ou em um animal que já praticaram. Deixem tudo fluir, que o processo Kung-Fu irá condu- zi-los sem esforço, à integração total MUITA PAZ A VOCÊS

À Semelhança dos Animais Em quase todas as linhas de Kung-Fu originárias da China, estão

À Semelhança dos Animais

Em quase todas as linhas de Kung-Fu originárias da China, estão presentes os estilos animais Os mestres copiaram os mo- vimentos básicos de uma série de animais e os introduziram em suas artes corporais Dessa forma os movimentos do Kung-Fu e do Tai-Chi tornaram-se belos e graciosos Os monges e alguns mestres do Kung-Fu eram pessoas extremamente ligadas com a natureza, e sendo assim, sua criação era compatível com seu meio de vida Existe uma ordem natural no Universo e também existe a uni- dade Cósmica entre todos os seres e coisas Todos nós humanos, temos um pouco de cada animal inserido em nosso ser Na apresentação do Kung-Fu de Shaolin do Tai-Chi comenta- mos sempre o aspecto não marcial destas artes Tivemos sempre o cuidado de sempre transmitir o conteúdo hermético e trans- cendental, que resume o objetivo principal deste livro Quando comentamos ou discutimos sobre o Kung-Fu de Shaolin, especifi- camente sobre o aspecto dos exercícios físicos, temos que falar da

arte marcial Vamos deixar uma pergunta no ar:

Porque será que um monge budista treinava sua vida toda simplesmente para se tornar um grande guerreiro? O intuito dos monges e mestres do Kun-Fu não estava no de- senvolvimento do guerreiro No entanto, muitas outras escolas de Kung-Fu e Tai-Chi da China não possuíam um compromisso eso- térico ou espiritual com a arte Dessa forma, alguns generais, ou mestres, criaram e desenvolveram um Kung-Fu e um Tai-Chi es- tritamente Marcial Neste livro não vou me referir a essas escolas, pelo simples fato de achá-las vazias e sem objetivos maiores Na China, muitos mestres fundaram e organizaram estilos ou linhas de Kung-Fu elevadíssimos, do ponto de vista espiritual Falar de cada um deles seria cansativo e necessitaríamos de muitas

páginas ou outros livros. Portanto, vou fixar-me na linha Shaolin e no Tai-Chi, que são bons exemplos da arte espiritual Vejamos um diálogo entre Mestre Kwan e eu:

– Mestre, dizei-me algo sobre os animais em Shaolin Fale-me sobre eles no Kung-Fu

– Caro discípulo; olhai para a natureza e veja como ela é per- feita e tudo flui com suavidade. Vede o tigre que caminha leve e suave por sobre a floresta. Veja como seus passos leves e ao mesmo tempo firmes. Note sua agilidade no saltar Quando um tigre salta ou anda, você não o escuta O espírito do tigre é sábio e está em perfeita harmonia com a natureza Um tigre não reclama e não se preocupa Quando tem fome, sai e caça; e dessa forma simples e natural ele vive Um tigre não se preocupa com o dia de amanhã Ele não acumula riquezas nem tão constrói casas ou moradas luxuosas Um tigre não pensa* Vede tudo isso, caro discípulo Nenhum homem até hoje conseguiu se igualar a um tigre

Olhamos para o espírito do tigre e encontramos muita coisa que serve como exemplo para nós humanos Do tigre nós copiamos sua força, sua objetividade, sua graça e sua destreza

Tentávamos em nossos exercícios corporais, imitá-lo, ser como ele em jeito e espírito Nossas mentes incorporavam o espírito do tigre, e dessa maneira éramos o tigre, Quando nossos corpos se movimentavam com o espírito do tigre, treinávamos para compreendermos nossa natureza interna e suas relações com o cosmos Dentro do princípio da Unidade Universal, experimentávamos naquele momento ser o tigre Nos treinamentos do tigre nosso espírito não se preocupava com a batalha ou a luta Nossos corpos se moviam como o tigre e com ele Em nossas almas havia paz Nosso espírito vivia feliz

– Mestre, dizei-me como um monge enfrentava o mundo de fora? Como ele enfrentava os opressores e inimigos?

– Caro discípulo, é bom que se diga que um monge ou sacerdote bem treinado jamais lutava Às vezes quando an- dávamos pelo mundo surgiam em nossas vidas “aparentes inimigos” que nos forçavam a movimentar nossos corpos em luta Porém, nunca lutávamos Embora nossos corpos se movimentassem como o tigre ou outro animal qualquer, nossa alma estava em paz Nossa alma não lutava Nós agíamos como o tigre, sem ódio e com o coração vazio de sentimentos, Nós lutávamos com eles e não contra eles Caro discípulo, se algum dia estiveres diante de um tigre para

lutar ou guerrear, lute com ele e não contra ele Se você lutar contra ele, fatalmente sua vida será perdida

– Mestre, dizei-me sobre os outros animais Fale sobre a ser- pente, o louva-a-deus, a cegonha

– Da mesma forma que o tigre, cada animal, cada ser possui

suas características especiais que o homem pode absorver para si

No caminho da serpente encontramos a destreza, a rapidez No caminho do louva-a-deus encontramos a tenacidade e a perse- verança No caminho da cegonha encontramos a beleza, a graça e a suavidade Unindo todos eles podemos trazer muita sabedoria para nossas vidas No Kung-Fu, bem como no Tai-Chi, não devemos nos fixar apenas nos movimentos superficiais que aparentemente suge- rem tal animal Quando movimentamos como o tigre, somos como o tigre Nesse momento existe o homem e o tigre sendo um só Da mesma maneira devemos nos concentrar e executar qualquer outro animal Muitos discípulos podem decorar os movimentos que ensi- namos, porém movimentar-se com o tigre internamente é um aprendizado que requer muita paciência e treino

– Mestre, qual o significado do Dragão?

– Caro aluno, o caminho do Dragão é aquele que conduz os homens ao encontro de sua própria natureza interna Os movimentos do Dragão não imitavam nenhum animal que você conhece, porém os movimentos são o reflexo do inte- rior de cada homem Com o Dragão, o discípulo aprende a cavalgar o vento Aprende a dominar sua alma e conquistar sua criatividade interior Através do Dragão, o discípulo constrói seu próprio Kung-Fu sem precisar imitar animal algum Através do Dragão o homem aprende a ser ele mesmo e a encontrar sua força interior

As Marcas do Tigre e do Dragão – Mestre, dizei-me o porquê dos símbolos do

As Marcas do Tigre e do Dragão– Mestre, dizei-me o porquê dos símbolos do Tigre e do Dragão marcados a fogo – Mestre, dizei-me o porquê dos símbolos do Tigre e do Dragão marcados a fogo

As Marcas do Tigre e do Dragão – Mestre, dizei-me o porquê dos símbolos do Tigre
As Marcas do Tigre e do Dragão – Mestre, dizei-me o porquê dos símbolos do Tigre
As Marcas do Tigre e do Dragão – Mestre, dizei-me o porquê dos símbolos do Tigre

– Mestre, dizei-me o porquê dos símbolos do Tigre e do Dragão marcados a fogo nos braços dos monges de Shaolin

– Caro discípulo, cada homem possui dentro de si as semen- tes de tudo o que existe na natureza. O Tigre significa nós mesmos Nosso elo com o mundo físico, com os estágios primitivos da evolução Trazemos em nosso ser a marca do Tigre, a marca do animal que fomos em nossas vidas anteriores Caminhamos muito e passamos por diversas experiências de vida em planos e dimensões distintas Já fomos bárbaros, escravos, animais, tigres, reis, e muitas outras coisas Quando marcamos o Dragão e o Tigre é um sinal para que nenhum sacerdote ascencionados se esqueça disso A marca do Tigre nos traz a lembrança da força, uma época em que se vivia

pela força Hoje nossas almas conquistaram muita sabedoria atra- vés das vivências sucessivas pelo planeta Terra Adquirimos paz em nossas almas, enxergamos um pouco mais através do olho es- piritual Nossos olhos agora vislumbram o céu à frente O Dragão

é a lembrança do que temos a despertar ainda em nós É a lem-

brança de que temos muito ainda que caminhar Porém, da mesma forma como o Dragão voa nos céus, nosso ser também não mais

está preso à Terra ou às coisas materiais da vida O Dragão é o símbolo de nossa transcendência para o espiritual O símbolo do Dragão marcado em nossos braços nos mostra o novo caminho a

seguir

Jovem discípulo, continuai seu trabalho com dedicação Trei-

nai vosso corpo e o vosso espírito através do caminho do Kung-Fu

e do Tai-Chi Pouco a pouco, com muita paciência e perseverança

irá compreender por si só tudo o que acabo de vos transmitir Seja feliz, amado discípulo Dessa maneira ouvi de Mestre Kwan Podemos notar através desse diálogo como os mestres encaram

o Kung-Fu, os estilos e formas praticados, como algo de extrema

profundidade Através da prática do Kung-Fu, em sua essência não marcial, os mestres conquistaram a sabedoria para a transcendên- cia Nós também, podemos crescer muito através desse processo Aqueles que escolheram o caminho do Kung-Fu e do Tai-Chi, hoje em dia, devem estar cientes de tudo isso que acabamos de ver Devem estudar a fundo e levar o Kung-Fu e o Tai-Chi como ins- trumento para o nosso crescimento espiritual Devemos seguir os exemplos dos monges e sacerdotes de Shaolin, que com sabedoria desenvolveram esta forma de chegarmos à compreensão da vida e

de nós mesmos

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A Filosofia de Shaolin e do Tai-Chi

A filoSofiA Do Kung-fu

Na China, três correntes filosóficas conviviam harmoniosa- mente: O Budismo, Taoismo e o Confucionismo O templo de Shaolin possuía uma tradição Budista, porém o budismo chinês possuía suas características próprias, distintas e muito diferenciadas do Budismo Hindu Os trajes, o sacerdócio, a cabeça raspada e muitos outros costumes eram de origem Budista No entanto, os monges chineses mesclaram os costumes e filosofia Budista com o Taoismo e Confucionismo O TAO TE KING era um livro estudado e ensinado aos jovens discípulos O I-CHING consis- tia na base estrutural da mais antiga raiz do pensamento erudito chinês O Confucionismo engendrava um aspecto de ordem social em que os costumes familiares de respeito e veneração aos mais velhos, ao imperador e à organização sociopolítica de uma socieda- de, eram partes integrantes dos costumes de Shaolin Tentar definir em padrões classificatórios a estrutura de ordem filosófica em Shaolin, é um grande erro. Havia uma ins- crição nas paredes do templo que explica muito bem o que quero dizer Tal inscrição dizia: “Neste templo habitam “n” monges, neste templo existem “n” religiões. (Esse “n” genérico significa o número de monges no templo, que variava com o tempo e portanto esse número era sempre corrigido ) Cada pessoa habitante do templo era uma religião Possuía suas convicções próprias e não havia uma ordem religiosa a qual todos devessem seguir Não havia dogmas Havia apenas discípu- los em busca da verdade interior Nenhuma verdade era ensinada para que o aluno nela acreditasse e a seguisse Todos os treina- mentos em Shaolin visavam despertar a capacidade criativa e de

auto-suficiência dos discípulos. Os mestres eram guias que pouco interferiam nas lutas interio- res dos alunos Alguns dos treinamentos visavam colocar o aluno

a meditar durante meses solitário nas montanhas Os mestres não

jogavam as verdades Os mestres pouco falavam; deixavam que o silêncio fosse o melhor de todos os mestres Pouco a pouco o discí-

pulo vencia aquelas dificuldades primárias e acostumava-se a ficar sozinho com sua alma A meditação era um dos melhores instru- mentos que os alunos possuíam para suas instruções De início,

o discípulo deparava-se com sua mente agitada e com milhões de

pensamentos, ansiedades, problemas de sua vida cotidiana No princípio, a paz parecia jamais existir, e a dor e a insatisfação eram companheiras diárias Porém, pouco a pouco o espírito ia aquie- tando-se Os dias iam se passando e a compreensão de muitas coisas ia apaziguando o espírito Os mestres se comportavam como amigos, que passavam a ouvir as lamentações e as dores dos jovens alunos Com muito amor e carinho, os mestres forneciam parábolas e poemas maravilhosos que os alunos iam deliciar em seus momentos de dor e solidão O crescimento vinha com o tempo e com a vida O aluno apren- dia a dedicar sua vida em prol de seu interior e encontrava no final da jornada um presente inigualável Encontrava sua origem, seu caminho, sua razão de ser e seu destino Aí sim, seu espírito se acalmava e sua alma encontrava a PAZ

Budismo
Budismo

Uma das filosofias básicas do Templo de Shaolin era o Bu- dismo A vestimenta, os rituais e a cabeça raspada, todos esses costumes eram de origem Budista Hoje em dia, as escolas de Kung-Fu que seguem o estilo Shaolin, nem citam ou ensinam algo sobre o Budismo Vemos os exercícios e os movimentos corporais desacoplados desta filosofia maior que era a base fundamental da disciplina e caminho de vida dos sacerdotes e discípulos em Shaolin Passemos então a ver um pouco sobre o Budismo, sua filoso- fia, sua história e sua evolução no mundo. Por muitos séculos o Budismo tem sido a tradição espiritual dominante em toda a Ásia, incluindo os países da Indochina, Tibe- tee, Sri Lanka, Nepal, China, Japão e Coréia

A origem do Budismo tem como seu único fundador o príncipe

Sidharta Gautama, “O BUDA” Buda viveu na Índia, na metade do século VI a C

Sua doutrina era nova e diferente, pois mostrava às pessoas

a origem das frustrações humanas e como superá-las O caminho

da auto-realização era atingido com a compreensão das causas

do sofrimento humano, que por sua vez era então superado pelo

discípulo

Após a morte de Buda, foram geradas duas escolas principais:

a Hinayama e a Mahayama

A primeira é a escola mais ortodoxa delas que só se ateve à

letra dos ensinamentos de Buda, ao passo que a Mahayama é a corrente mais flexível deixando seus seguidores mais livres para

seguir suas próprias ideias

A escola Hinayama estabeleceu-se no antigo Ceilão (atual Sri

Lanka), Burma e Tailândia A escola Mahayama expandiu-se em direção ao Nepal, China, Tibetee e Japão Na própria índia o Budismo foi absorvido e passou a conviver pacificamente com o Hinduísmo, extremamente flexível. Com a difusão do Budismo pelo mundo, ele encontrou em outros povos culturas totalmente diferentes Dessa maneira o Bu- dismo original sofreu adaptações culturais e foi muito enriquecido Na China ele encontrou o Taoismo e o Confucionismo que con- juntamente passaram a constituir a base da doutrina Shaolin Como podemos ver espalhado pelo mundo existem muitas es- tátuas da figura do Buda. Tais estátuas são o símbolo do Budismo, tão forte como o Cristo pregado na cruz para os cristãos “BUDA” é um termo sânscrito para um estado de consciência ou nível evolucional de um ser. BUDA significa o estado de luz, ou “Iluminado” - aquele que irradia luz pelos seus chacras superiores Uma luz muito penetrante, porém invisível aos olhos comuns, que

os sentidos da intuição imediatamente revelavam que se estava diante de BUDA Os ensinamentos básicos do Budismo resumem-se nas quatro verdades nobres, pregadas pelo Buda

A primeira nobre verdade é DUHKHA

DUHKHA é o sofrimento e a frustração A frustração surge quando resistimos em enfrentar os fatos básicos da vida É exa- tamente quando não compreendemos as leis naturais que regem

a vida e procuramos contrariá-las Da mesma maneira que no

Tai-Chi, precisamos encontrar, compreender e aceitar com natu- ralidade as leis da natureza Uma das leis principais que Buda mostrava é que tudo na vida é transitório e passageiro Todas as coisas surgem e vão embora Da mesma forma, o Taoismo nos

mostra tal fato ao exprimir as leis das mutações dinâmicas como

a lei básica das coisas no Universo A raiz do pensamento Budista

é essa lei natural, é esse fluxo constante das coisas no Universo.

O sofrimento humano surge exatamente quando contrariamos

essas leis e desrespeitamos o fluxo e a ordem natural das coisas. Quando tentamos nos apegar às formas fixas, quer elas sejam

coisas materiais, pessoas ou ideias; Buda nos mostra que tudo isso é MAYA (ilusão) Tudo é transitório e passageiro Aquele que se fixa a essas coisas ocorrerá em frustrações e sofrimentos. Outra característica importante é a total destruição do Eu in- dividual Buda pregava que não existia um EU individual isolado do resto do Universo O ego ou o Si - mesmo não existia; era outra ilusão, mais uma vez MAYA O apego a esse conceito do Eu indi- vidual ou ego, era mais um motivo que conduzia a frustrações e

sofrimentos

A segunda nobre verdade é TRISHNA

TRISHNA é a causa do sofrimento; vem a ser o apego e a avidez

O apego às coisas fúteis é a ignorância Através da ignorância en-

xergamos um mundo composto de coisas isoladas e classificadas de acordo com nossos padrões mentais Dividimos e separamos as coisas dando qualidades e valores distintos Enquanto permanecer

essa visão, estaremos sujeitos a frustrações e sofrimentos À medida que nos apegamos às coisas que nos parecem fixas, permanentes, e que medem nossos maiores valores, caímos na armadilha da ignorância, pois veremos que essas coisas todas são transitórias e se acham em contínua mudança Vemo-nos presos a um círculo vicioso onde cada ação gera uma nova ação e uma nova pergunta gera outras perguntas Esse círculo vicioso é conhecido no Budismo como SANSARA, o ciclo do nascimento e morte impe- lido pelo KARMA. KARMA é a infindável cadeia da causa e efeito.

A terceira nobre verdade diz:

O sofrimento e a frustração podem chegar a um fim. Pode- se quebrar o círculo vicioso do SANSARA e livrar-se do jugo do KARMA Podemos após isso chegar ao NIRVANA ou estado de Buda Transcendermos à percepção normal da vida e entrarmos num estado de consciência dos níveis superiores É óbvio que tais estados são indescritíveis em palavras Em Shaolin, Tibetee, e em muitos outros templos, os sacerdo- tes treinavam seus discípulos dentro dessa doutrina, procurando

desenvolver as percepções elevadas dos discípulos Porém, depois que o discípulo tivesse incorporado à sua vida os conceitos básicos da filosofia de vida e compreendido as verdades cósmicas, passava a buscar sua transcendência espiritual

A Quarta Verdade

A Quarta Verdade é a descrição de Buda ao caminho que conduz a total extinção do sofrimento Essa doutrina nos ensina o caminho ÓCTUPLO do autodesenvolvimento que pode nos condu- zir ao estado de Buda Os dois primeiros caminhos consistem na visão correta da vida

e da situação humana Compreender os motivos e causas do sofri- mento, o que consiste no ponto de partida Os quatro caminhos a seguir predizem a atitude correta e as

regras básicas para o meio de vida Budista Buda mostrava o ca- minho do Meio, entre os extremos opostos Os dois caminhos finais referem-se à consciência correta e à meditação correta Mostra-nos a experiência mística e transcen- dental oriunda da experiência cotidiana e da contemplação Elevar

a consciência a estados superiores através da qual iremos observar as coisas por ângulos diferentes, nos fazendo ver outra estrutu- ra da realidade Tal atitude e estado de consciência fornecem-nos

a experiência prática e real e nos traz a compreensão do mundo

físico e de nossa jornada por sobre a Terra Buda sempre mostrou um caminho aberto e livre para o cres- cimento Sempre pregou a necessidade de nos libertarmos de qualquer autoridade espiritual Ele não montou nem ditou uma filosofia consistente, cheia de regras, rituais ou qualquer ato dog- mático Pregava humildemente coisas simples de maneira simples Buda dizia que não podia conduzir ninguém à libertação, so- mente podia apontar um caminho ou uma estrada O discípulo é quem deveria percorrê-lo Somente através da experiência pessoal pode haver crescimento e tomada de consciência Buda mais uma vez traz a tona o exemplo dos velhos AVA- TARES espirituais da humanidade Nunca escreveu nem uma de suas palavras em um pedaço de papel; assim como Jesus, Só- crates e outros mestres espirituais, nunca escreveram nada de próprio punho Os discípulos é que achavam necessário preservar suas doutrinas e pensamentos através da escrita Buda, como os outros, achou isso desnecessário, pois o conhe- cimento e a elevação não podem ser colocados em palavras, muito menos em um pedaço de papel O caminho de cada um deve ser

trilhado passo a passo, e no devido momento cada ser depara-se com seus momentos de mudanças e transformações A vida é a verdadeira doutrina e os caminhos a cada dia abrem-se à frente de cada indivíduo ou ser Uma pergunta surge; qual o melhor cami- nho a seguir? Quem poderá apontá-lo para nós? As respostas para essas perguntas só podem ser encontra- das dentro de nós, não em uma doutrina nem tampouco com um mestre espiritual. A figura do mestre é importante do ponto de vista de ser um amigo e um orientador que ilumina um pouco os caminhos os quais devemos trilhar Aqueles que já trilharam e já fizeram a jornada que agora estamos vivendo, são maravilhosos e valiosos orientadores que muito podem nos auxiliar Tais mestres nos dão forças e animo para o prosseguimento da jornada. Em sua total sabedoria treina-nos com afinco e mestria para que com nossos próprios olhos enxerguemos o caminho a seguir Devemos com sabedoria venerar e respeitar os sábios e mes- tres do passado e do presente Só assim poderemos ter auxílio em nossa dura e tortuosa es- trada Os discípulos do Kung-Fu e do Tai-Chi eram orientados com tais métodos, para que pudessem através dessas artes compreen- derem os ensinos do Buda e do Tao Em Shaolin, o Kung-Fu era um caminho original que in- troduzia o discípulo na senda da autodisciplina do corpo e por consequência direta, a autodisciplina da mente e do espírito Com essas bases bem sólidas, os mestres podiam abrir os olhos dos

alunos às verdades de Buda e à Transcendência do “Tao

Taoismo
Taoismo

O Taoismo é uma das mais antigas filosofias da China. Seus

princípios se fundem na origem da própria civilização chinesa

O “I-Ching” (Livro das Mutações) foi o primeiro compêndio a

revelar o pensamento Taoista O I-Ching baseia-se no princípio das transformações naturais que ocorrem no Universo Acredita-se que o Cosmos está em mutação constante, num dinamismo sem fim e sem princípios. No entanto, as transformações não ocorrem ao acaso, muito pelo contrário, segundo o I-Ching essas mutações seguem leis naturais bem determinadas e extremamente simples O I-Ching descreve todo um princípio cosmológico Hoje em dia, quase todos os livros sobre I-Ching são apre- sentados sob uma forma de jogo Muitos acham que o I-Ching é na verdade um oráculo para ser consultado em face das decisões importantes em nossas vidas Pessoalmente eu acho isso uma profanação do conhecimento cósmico que o I-Ching revela Na rea- lidade o I-Ching não é um oráculo e nem devia ser apresentado como tal

O I-Ching traduz o pensamento cosmológico original dos anti-

gos sábios chineses

O Universo tem uma História e segue leis naturais A vida no

Universo, nas galáxias, nas estrelas e planetas tem uma razão de

ser. O I-Ching é um guia cosmológico, revelando o fluxo primordial das coisas e os motivos e leis pelas quais o Universo e todas suas manifestações ocorrem As duas manifestações primárias da Unidade Cósmica são re- presentadas pelos conceitos Yin e Yang O Yin e o Yang, é bom que fique bem claro, não são forças antagônicas como pensam a maioria das pessoas Os mestres nos ensinam que da Unidade não se pode criar coisas antagônicas O homem profano é quem inter- preta mal as coisas, tudo distingue e separa, não vendo a unidade na natureza

O Yin e o Yang são na realidade forças complementares em

constante harmonia uma com a outra Jamais são opostas, apenas complementares O conceito que muitas pessoas têm sobre Yin e Yang são forças opostas e contrárias é errado e subjetivo Tal con- ceito parte de uma rotulação e é de uma observação conceitual Afirmar que algo é oposto ou contrário em relação a outros, não possui bases lógicas Tudo é uma questão de referenciais Você define as coisas como quer e de acordo com seus padrões de racio-

cínio Por exemplo: entre o bem e o mal parece haver oposição, não

é mesmo? No entanto esses são meros conceitos relativos O bem e

o mal estão sujeitos ao julgamento individual de cada pessoa Quando dizemos que a mulher é Yin e o homem é Yang não significa que eles possuem energias opostas ou contrárias. Aprendi com os mestres, que as pessoas, tanto homens quanto mulheres não são Yin nem Yang são apenas superficialmente diferentes, porém ambos se completam A união de ambos traz equilíbrio e harmonia

No I-Ching, o Yin e o Yang são representados simbolicamente por duas linhas: uma cheia e outra interrompida linha Yang linha Yin Aconselho os leitores a lerem o I-Ching para terem melhor ideia do que falo

a lerem o I-Ching para terem melhor ideia do que falo • Os Trigramas que constituem

• Os Trigramas que constituem a simbologia Pa-Kua. Outra obra de extrema importância para o Taoismo é sem dúvida o “Tao Te King”, do filósofo Lao Tsé. Escrito por volta do século VI a C , consiste numa das mais belas obras do pensamento taoista chinês Vamos nos ater e estudarmos um pouco a estrutura maravi- lhosa do Tao-Te-King Acho de suma importância a todos os praticantes de Kung-Fu e Tai-Chi o conhecimento dessa obra sem par O livro é apresentado em 81 poemas versando sobre a nature- za intrínseca do “Tao

Lao Tsé procura transformar a sabedoria cósmica em uma linguagem simples e com exemplos do cotidiano do povo chinês, a fim de transmitir as bases do pensamento Taoista. Passemos agora a analisar alguns textos e discuti-los um pouco

TEXTO I

O Insondável (Tao) que se pode sondar

Não é o verdadeiro Insondável.

O Inconcebível que se pode conceber,

Não indica o Inconcebível.

No Inominável está a origem do Universo.

O

que é Nominável constitui a mãe de todos os seres.

O

Ser indigita a Fonte Incognoscível.

O

Existir nos leva pelos canais cognoscíveis

Ser e Existir são a Realidade total.

A diferença entre Ser e Existir,

É apenas de nomes.

Misterioso é o fundo Da sua unidade. Eis em que consiste a sabedoria suprema. Neste texto introdutório, Lao Tsé, lança as bases da transcen- dência do TAO Vemos que a mente humana é primitiva demais para querer imaginar como seja a fonte e a origem do Universo Na cultura ocidental, as religiões procuram definir o criador, dando-lhe qualidades humanas tais como: bondade, justiça, sabe- doria e tudo o mais que define Deus. Lao Tsé confessa-se um ignorante dessa fonte cósmica inaces-

sível ao raciocínio humano A mente racional não pode tocar ou mesmo compreender a natureza intrínseca da essência cósmica Desse modo, Lao Tsé simplesmente chama essa fonte cósmica de “TAO” - o caminho TAO não significa Deus. TAO é apenas uma maneira de se co- meçar a trajetória rumo à compreensão cósmica da vida TAO é apenas o caminho por onde se deve seguir para o retor- no inevitável ao seio materno

TEXTO 25

Nas profundezas do Insondável

Jaz o Ser. Antes que céu e terra existissem, Já era o Ser, Imóvel, sem forma,

O Vácuo, o Nada, berço de todos os Possíveis.

Para além de palavra e pensamento

Está Tao, origem sem nome nem forma,

A

Grandeza, a Fonte eternamente borbulhante,

O

ciclo do Ser e do Existir.

TEXTO 40

Tudo que Existe egressa do Ser

E

regressa ao Ser.

O

Ser é o Insondável Tao.

Das profundezas do Ser Nascem todos os seres que existem

O Ser, porém,

É o abismo do Não - existir.

Na essência do Tai-Chi encontramos o TAO O Tai-Chi é o fluxo natural das coisas do Universo. Viver Tai-Chi é estar em harmonia com as leis de fluxo e refluxo. Viver Tai-Chi é viver sobre a égide do TAO No processo Tai-Chi a sabedoria é atingida sem esforço É necessário simplesmente que deixemos a NATUREZA seguir sua ordem natural e acompanharmos suavemente essa ordem Veja o que diz LAO TSÉ a respeito

TEXTO 2

Só temos consciência do belo, Quando conhecemos o feio. Só temos consciência do bom, Quando conhecemos o mau. Porquanto, o Ser e o Existir, Se engendram mutuamente.

O fácil e o difícil se completam.

O

grande e o pequeno são complementares.

O

alto e o baixo formam um todo.

O

som e o silêncio formam a harmonia.

O

passado e o futuro geram o tempo.

Eis porque o sábio age

Pelo não - agir.

E ensina sem falar.

Aceita tudo que lhe acontece. Produz tudo e não fica com nada.

O sábio tudo realiza –

Tudo faz –

Não se prende aos frutos da sua atividade. Termina a sua obra,

e nada considera seu.

e não se apega à sua obra.

E

está sempre no princípio.

E

por isto a sua obra prospera.

Aqui podemos ver como no Taoismo o conceito das antíteses são complementares Um em harmonia com o outro gerando toda

experiência humana no campo das emoções Aqui, Lao Tsé frisa o ato Taoista do “agir pelo não agir” Agir não agindo é o velho e incompreendido princípio de Tai-Chi

O desapego às coisas mundanas leva o sábio a autorrealização

e à paz interior Como disse certa vez nosso mestre Kwan: “A vida é

como uma ponte sobre um imenso vale Somente serve para a pas- sagem. Não devemos construir nossas casas ou fixarmos na ponte. Lembre-se; na vida estamos apenas de passagem rumo ao TAO” Podemos comparar nossas vidas e o Tai-Chi como um grande rio que flui rumo ao mar infinito. Nós somos os peixes e vivemos num rio que tem um fluxo pró- prio e independente de nossa vontade. Nós não podemos modificar

o curso do rio, assim como os peixes Temos toda liberdade possível dentro do rio, porém não podemos atuar fora do rio

O fluxo do rio é o Tai-Chi, e os peixes somos nós. Se seguirmos sem esforço o fluir natural do rio, chegaremos ao “TAO”, o supremo encontro de todos os rios Sem Palavras

O supremo ensinamento do Tai-Chi é como buscar o “TAO”

Nossos Mestres preferem o silêncio, o vazio da meditação profunda

para conhecermos o “TAO”

Quando buscamos o TAO não pensamos em chegar ao “TAONão temos pressa. Apenas esperamos pacientemente que o fluxo natural da vida nos conduza ao retorno do seio materno Viver o Kung-Fu e o Tai-Chi é seguir essas leis com paciência, sem esforço Não é pela razão, pelas fórmulas matemáticas ou através desta ou daquela sofisticada teoria que vamos chegar a compreensão do TAO” Nossos mestres diziam que o TAO reside em nosso próprio in- terior e que buscá-lo era uma simples questão de ouvirmos em silêncio o nosso interior Por isso Tai-Chi é o não raciocínio Não há explicações dentro da lógica no Tai-Chi Nele, nossos pensamentos e sentimentos não seguem leis ditadas pelos mestres As coisas simplesmente acontecem. O Tai-Chi flui em nós. Os primeiros monges a perceberem o Tai-Chi viram isso em seus próprios interiores Os movimentos e exercícios foram cria- dos a partir dessa sabedoria Dessa maneira, os movimentos são naturais, sem pressa, lentos e fluindo naturalmente. Em nossas mentes não há objetivos Somente existe a alegria de viver

TEXTO 5

O Universo não tem preferências,

Todas as coisas lhe são iguais. Assim, o sábio não conhece preferências, Como os homens as conhecem.

O Universo é como o fole de uma forja,

Que, embora vazio, fornece força,

E tanto mais alimenta a chama quanto mais o aciona-

mos. Quanto mais falamos no Universo,

Menos o compreendemos.

O melhor é auscultá-lo em silêncio.

o Símbolo DinâmiCo Do tAi-Chi

Em quase todos os povos os símbolo traduzem, de uma forma subjetiva o conteúdo hermético das filosofias. No Taoismo vamos encontrar o símbolo Tai-Chi:

filosofias. No Taoismo vamos encontrar o símbolo Tai-Chi: Tal símbolo é gerado dentro de uma estrutura

Tal símbolo é gerado dentro de uma estrutura do pensamento taoista Vamos analisar sua origem e evolução

1 No princípio do pensamento Taoista reside o “TAO”, supre-

ma forma original do Universo Indivisível e Uno Fonte de todos os

seres e todas as formas O TAO é simbolizado por um círculo vazio O círculo vazio ex-

prime a ideia da unidade. No círculo não há princípios nem fim. Dessa maneira o círculo representa o Eterno, o Uno

2 Na primeira manifestação do TAO originou-se as formas

primárias: o Yin e o Yang em constante dinamismo O Yin em mo- vimento se transformando em Yang e vice-versa

1)

primárias: o Yin e o Yang em constante dinamismo O Yin em mo- vimento se transformando

2)

primárias: o Yin e o Yang em constante dinamismo O Yin em mo- vimento se transformando

Como podemos ver, através dessa simbologia, as duas ma- nifestações geradas, não são antagônicas Elas estão dentro do círculo original, portanto são da mesma natureza e essência No- tamos também o fluxo dinâmico das mutações ocorrendo neste símbolo A pequena bolinha branca no interior da parte negra mostra o princípio Yin inserido no lado Yang Tal bolinha chama-se jovem Yin, ou seja, o que é jovem tornar-se-á adulto Dessa manei- ra vemos o constante dinamismo das forças do universo Podemos ver também que não há antagonismo Existe apenas um constante complemento entre uma energia e outra Os olhos de quem ainda não visualiza o “todo”, poderá ver opostos Mas para aquele que transcendeu aos olhos do superficial notará a unidade em tudo e em todos

poderá ver opostos Mas para aquele que transcendeu aos olhos do superficial notará a unidade em
O Esoterismo de Shaolin e do Tai-Chi 83

O Esoterismo de Shaolin e do Tai-Chi

Existiam alguns costumes em Shaolin, que podem parecer es- tranhos ao ocidental Por exemplo:

Os monges eram celibatários, não comiam carne e outros cos- tumes que comentaremos a diante Por que será isso? Por que não fazer sexo? Por que não se alimentar de carne? Será mais um faná- tico costume religioso ou terá um fundamento lógico? Pretendo mostrar que os monges eram homens muito além de tudo aquilo que pensamos e imaginamos Nossos padrões de lógica, certo ou errado, bem e mal, prazer e dor, são totalmente encarados numa outra perspectiva de realidade Os monges, com suas capacidades transcendentes, viviam num outro mundo, num outro Universo, totalmente distante deste em que hoje se encontra nossa sociedade Para responder com objetividade estas duas simples pergun- tas: Por que o não da carne e por que o celibato nós teremos que elevar bastante o nosso conhecimento do corpo humano, de sua

estrutura bioenergética e da essência da manifestação da vida nos corpos sutis Estando reunido um grupo de discípulos na presença do grão sacerdote Mestre Kwan, um de meus amigos presentes dirige tal pergunta ao mestre:

– Mestre, fale-nos sobre o celibato em Shaolin

Calmamente, o Mestre com suas sábias e doces palavras inicia sua explicação à moda Taoista

– “De manhã cedo, mesmo antes que o sol nasça, o lavrador acorda e prepara suas ferramentas de trabalho Caminha pelo campo e inicia seu árduo trabalho de preparação da Terra para o plantio de sua colheita Permanece ali o dia

todo debaixo de sol fustigante, porém ele não esmorece; conhece seu dever e o cumpre fielmente. Por que isto é assim? É desta maneira, porque o lavrador sabe que está plantando para colher no futuro os frutos que irão saciar sua fome e suas necessidades Por isso ele levanta bem cedo, mesmo antes que o sol nasça, enquanto todos dormem Para tal lavrador, isso não é nenhum esforço, pois sabe que está plantando para colher e suprir os dias do amanhã Assim também é o dia de Shaolin Os discípulos plantam algo para colher no amanhã Não é nenhum esforço quando se conhece os verdadeiros motivos das coisas Por isso, no dia de Shaolin, ser for necessário não comer disso ou daquilo, não se comerá neste dia Quando vocês quebram um dedo de suas mãos não receiam em imobilizar sua mão toda para que aquele dedo ferido fique bom. Assim também é Shaolin; preparamos nosso ser para que outras partes de nós fiquem aperfeiçoadas e sem dúvida as recompensas virão “Muita paz a todos vocês, caros discípulos” Vejam que em Shaolin tudo que se fazia, ou se faz, tem uma razão lógica de ser, um motivo especial para as coisas acontece- rem. Vamos expor agora o esoterismo oriental e definir em padrões da lógica ocidental para que os leitores possam compreender as transcendências do conhecimento dos monges Devemos deixar claro que tais conhecimentos são cósmicos e não eram exclusivos de Shaolin No Tibete, na índia e em muitos outros centros espirituais do oriente tal sabedoria andava nas mentes e corações dos sábios

oS Sete CorPoS Do homem e AS Sete DimenSõeS eSotériCAS

A sabedoria oriental nos ensina que o homem e a vida trans- cendem para além do convencional universo dos sentidos Nos

ensina também que a morte nada mais é do que um processo de reintegração da alma nos planos dimensionais superiores da vida

e do Universo Dentro desses princípios o ser permanece eterno,

é “uno” com o todo De tempos em tempos o ser pode manifestar-

se em planos densos e assumir um corpo físico, assim conhecido como reencarnação Porém, falaremos desse assunto mais adiante

os Sete Corpos energéticos

Segundo os ensinamentos dos mestres, possuímos sete níveis de corpos que se interpenetram O corpo físico é o mais denso de todos e o mais material Os sete corpos são:

1 Corpo Físico

2 Etérico

3 Astral

4 Mental

e o mais material Os sete corpos são: 1 Corpo Físico 2 Etérico 3 Astral 4

5 Intuicional

6 Búdico

7 Crístico

O corpo físico, o 1º da ordem, é regido e mantido funcionando pelos corpos superiores Da mesma forma que o corpo biológico tem leis específicas de funcionamento, tais como: circulação sanguí- nea, respiração, alimentação, etc , os corpos energéticos também possuem leis bem específicas para seu bom funcionamento. Quando um indivíduo morre, os seis corpos sutis abandonam

o corpo físico deixando-o sem vida e sem controle É como tirar uma roupa suja, ou velha e gasta que não nos serve mais Notem uma coisa interessante: Certo dia você está diante de um amigo

todo alegre e se divertindo com ele No entanto horas depois, inex- plicavelmente, ele vem a falecer Quando você se depara com o corpo ali imóvel e inerte você então se pergunta: Onde está aquele meu amigo que eu tanto amava? Onde está aquela vida, aquela

alegria?

Sem dúvida aquilo ainda existe, porém não mais ali, usando aquele corpo físico Os corpos energéticos, responsáveis pelo pensamento, pelas emoções e pelo controle e uso do corpo físico, estão coexistindo em outra dimensão da realidade O corpo físico foi literalmente abandonado Agora sem sua fonte de controle o corpo e a ordem biológica se desfazem, o corpo apodrece e vira pó Aprendi na prática com os mestres, que isso é assim Os

monges e mestres orientais não ensinam com muitas palavras, mas sim com a prática e vivência dos fatos Com esse princípio da não morte, todos aqueles que amamos

e todos os grandes mestres e monges do passado, não morreram

e nem se perderam ou deixaram de existir Estão vivos e existindo em outra dimensão da realidade Apenas os sentidos físicos dos homens comuns não são capazes de perceber essas outras reali- dades da vida e do universo

Segundo os conceitos e os dizeres dos mestres, nossa vida original ou nosso meio natural não é o planeta Terra Os corpos físicos e a vida biológica são estruturas artificiais criadas por di- vindades e seres superiores de origens cósmicas e de dimensões superiores Todos nós somos seres divinos e nossa essência ori- ginal e una com o Tao Dessa maneira, os planos físicos foram criados para que nossas almas pudessem passar por experiências específicas. Segundo alguns estudos da Física moderna, acredita-se num princípio natural: que todo sistema procura estar num estado onde se consuma menos energia possível No universo físico a tendên- cia de tudo é assumir a maior desordem possível A desordem de um sistema físico acarreta um baixo consumo de energia A esse estado de desordem e mínima energia dá-se o nome de Entropia Quanto menos energia um sistema gasta, diz-se que sua entropia é maior, se você jogar um copo de vidro no chão ele irá se espati- far e seus pedaços irão se espalhar por todo canto As partículas de vidro irão procurar acomodar-se de tal forma que fique o mais natural possível Esse estado natural é um estado de desordem Um corpo biológico é uma estrutura altamente organizada Porém, para manter essa ordem e ter o que os técnicos chamam de Entropia baixa, o corpo paga um preço Ele necessariamente gasta muita energia para mantê-lo assim organizado Note que todo ser vivo precisa alimentar-se, respirar e tudo mais que são as fontes de energia do sistema humano biológico Isso não é natural Agora, quando um ser morre o corpo não realiza mais as fun- ções de obtenção da energia externa que o mantinha organizado e equilibrado Nesse ponto a lei natural age, levando aquele corpo à entropia máxima, que é a podridão e a total decomposição do corpo físico levando-o ao

Estou colocando e descrevendo tudo isso para mostrar a todos que o corpo físico é uma estrutura primária e que a vida não se resume apenas no corpo físico e na matéria bruta A vida transcen- de muito nossas expectativas Para podermos continuar a apresentação deste tema, temos que lançar mão dos planos dimensionais superiores Da mesma maneira que os corpos energéticos, o Universo está dividido, a grosso modo, em sete planos dimensionais Os sete planos rece- bem os mesmos nomes dos corpos energéticos do homem São eles:

Planos

1 Físico

2 Etérico

3 Astral

4

5 Intuicional

6 Búdico

7 Crístico

Mental

o Plano físico

O plano físico é o conhecido nosso É o plano da manifestação material; espaço tridimensional mais a matéria O homem conse- gue ainda neste universo material ter algumas abstrações em seus sentidos brutalizados e intuir uma ideia da dimensão temporal O tempo quase não pode ser sentido do mesmo modo que a sensação e a noção real que temos das distâncias físicas, das densidades e massas dos corpos materiais Muitas leis naturais regem o plano físico A ciência moderna, como a Física e Química, estuda muito essas leis do comportamen- to da matéria

Nossa liberdade no planeta Terra é bem restrita, ou seja, temos apenas alguns graus de liberdade Note o seguinte: quando você olha para o céu, deslumbra um Universo infinito, repleto de sóis e outros mundos No entanto você não pode ir lá Está acorrentado com seu corpo físico à superfície desse planeta Por que será que nós humanos temos esse aparente estado de prisioneiros da ma- téria? Existe um Universo infinito para se explorar no Cosmos, no entanto, a natureza nos acorrentou à superfície da Terra e faz de todos nós sonhadores das estrelas É como a vida dos peixes em um rio ou oceano Os peixes podem ir para onde quiserem, porém dentro do rio Os peixes jamais sonham ou imaginam as estrelas ou que existe um Universo assim à sua volta

O mesmo acontece conosco, seres humanos Estamos tão

presos às coisas do mundo físico, às coisas de nossa sociedade, que jamais imaginamos a existência de outros lugares no Universo onde nossos sentidos e percepções não alcançam Por isso devemos parar um pouco para dar asas a nossa mente

e intuição, para ampliarmos nossos sentidos e tomarmos conhe-

cimento sobre a grandeza da vida e a transcendência do Universo

o Plano etérico ou etéreo

O plano etérico é uma dimensão logo acima do plano físico

Na realidade esta é uma dimensão intermediária entre o Físico e

o Astral Quando falamos dos corpos energéticos do homem, nos refe- rimos ao corpo etéreo Tal corpo é um corpo intermediário entre o Astral e o Físico. Ele coordena, dá forma e função específica às informações que provém do corpo Astral Assim também o plano

Etéreo é uma interfase de ligação entre o Astral e o Físico

o Plano Astral

Poderíamos redigir mil livros só sobre esse tema No entan- to, daremos algumas noções sobre essa dimensão tão importante para nós aqui da Terra O plano astral é uma dimensão da realidade onde poucos homens iniciados nos conhecimentos da sabedoria oriental, têm total domínio e conhecimento Uma pessoa quando morre fisicamente, os corpos bioenergéti- cos abandonam o corpo físico Os corpos que saem são os do Astral para cima O corpo etérico é como se fosse uma roupa de baixo que usamos antes de vestir a principal Assim, quando morremos, nos despi- mos do corpo físico e do etéreo Estamos portanto com o corpo Astral interpenetrado pelos quatro outros superiores P.S.: “Quando me refiro ao corpo Astral, subentendemos os cinco corpos energéticos em conjunto” Logo após a morte, o corpo Astral fica livre da matéria densa que é o seu corpo físico Agora, o corpo Astral está existindo numa outra realidade e dimensão do Universo que chamaremos de Plano Astral ou Dimen- são Astral Os sentidos normais de uma pessoa no mundo físico não per- cebem a existência do corpo astral do falecido Não conseguem ver, ouvir, ou nem se relacionar de qualquer maneira com essa dimen- são superior Porém, aquele que passou ou está no plano Astral consegue perceber tudo o que se passa no mundo físico Estando no plano Astral, com o corpo Astral, uma pessoa ou ser, está livre das leis do mundo físico Agora ele passa a viver sob as leis naturais do Plano Astral Por exemplo: o corpo Astral não

está mais sujeito às forças de atração gravitacional da Terra Uma pessoa no plano Astral pode flutuar suavemente sem peso. O deslocamento no plano Astral é muito diferente que no plano físico As noções de distância, espaço e tempo são totalmente di- ferentes do mundo físico Assim sendo, os conceitos de velocidade não se aplicam da mesma maneira que entendemos para o mundo físico Por exemplo: No plano astral posso deslocar-me instantanea- mente para qualquer parte de nosso mundo Agora estou aqui e no instante seguinte estou na China ou em qualquer outro lugar que desejar Agora pensem: No plano Astral posso viajar pelo Universo Posso me libertar das amarras que nos prendiam à Terra Posso então viajar pelo Cosmos, visitar outras estrelas, outros mundos e outras civilizações As distâncias interestelares só são barreiras para as pessoas do mundo físico. Posso viajar em ínfimos instantes de tempo, para outras galáxias, conhecer e dialogar com outros povos e seres inte- ligentes Posso aprender coisas que jamais um humano do mundo físico sonhou ser possível O deslocamento no plano Astral é muito sutil e mais eficaz. Como vêem, para o homem superior conquistar a liberdade signifi- ca tomar consciência de sua natureza transcendente Um homem só se liberta quando desperta para a verdade A verdade reside em tomarmos consciência da nossa natureza divina e transcendente Enquanto os “grandes” cientistas do mundo físico e os países ditos “ricos” gastam seus esforços e somas altas de dinheiro em projetos espaciais, não conhecem a ciência do espírito e dos corpos superiores, o que facilitaria tudo

Se tais esforços e dinheiro fossem investidos no treinamento e no despertar da consciência das pessoas, já teríamos atingido os mais distantes pontos do Universo

oS PlAnoS SuPerioreS o Plano mental

Uma vez o ser, vivenciando as experiências do mundo Astral, pode subir para o plano Mental e novamente deparar-se com uma nova realidade do Universo O ser experimenta a segunda morte, despindo-se de seu corpo Astral e passando a possuir os quatro corpos superiores Nesse ponto ele ganha mais graus de liberdade que antes Quando falo em graus de liberdade está implícito graus de percepções Os cinco sentidos rudes do mundo físico são extrema- mente ampliados e adicionados outros mais, quando este passa para o plano Astral, Mental e assim por diante A evolução da cons- ciência do ser evolui até atingir o nível Crístico

os Planos intuicional, búdico e Crístico

Com respeito a esses planos superiores, um humano como eu pouco sabe ou tem acesso a eles; muito menos saber da realidade dos seres que os habitam Os chamados seres crísticos que de tempos em tempos se manifestam na Terra, provêm dessas regiões do Universo dimensional Sua sabedoria e capacidade são inimagináveis por nós huma-

nos

Os 7 Chacras Agora, com o estudo mais avançado do corpo bioenergético, poderemos ter uma

Os 7 Chacras

Agora, com o estudo mais avançado do corpo bioenergético, poderemos ter uma noção mais clara dos porquês de alguns cos- tumes em Shaolin

O corpo humano possui 7 centros energéticos (cujo nome que

chega do oriente) conhecidos como chacras A tradução dessa pa- lavra significa “vórtice ou roda”.

A distribuição desses chacras ao longo do corpo é a seguinte:

dessa pa- lavra significa “vórtice ou roda”. A distribuição desses chacras ao longo do corpo é

1.

O Chacra Básico ou Fundamental

Esse centro energético localiza-se bem próximo aos órgãos sexuais, na base do cóccix Sua função específica é o controle da eliminação. É o centro oculto do corpo, pois contém uma energia secreta chamada Kun- daline A Kundaline tem como símbolo uma serpente, enroscada três vezes e meia e mordendo o próprio rabo Os antigos mestres conheciam técnicas de como despertar e utilizar essa fonte de energia Com o domínio dessa energia e desse chacra, muitos milagres podiam ser operados pelos monges

2. O Chacra Sexual

Tal chacra controla as funções específicas do sexo. O apetite sexual, a energia liberada no orgasmo sexual e toda função de re- produção tanto no homem quanto na mulher

3. Chacra Solar

Controla as funções orgânicas básicas da digestão Situa-se um pouco deslocado da linha central do corpo, (vide figura)

4. Chacra Cardíaco

Situa-se ao nível do coração Controla as funções cardíacas e respiratórias Este chacra também possui ligações com emoções e sentimen- tos Por isso, muitos povos antigos referem-se ao coração quando

falam em sentimento Nessas condições, as energias sofrem altera- ções fortes e são sensíveis até a nível físico

5 Chacra Laríngeo

Situa-se na parte posterior da garganta Tem ligações com a fala, respiração e com certas capacidades psíquicas

6. Chacra Frontal

Localiza-se entre as sobrancelhas Controla o sistema nervoso autônomo Corresponde à glândula pineal Este chacra é conhecido como chacra psíquico ou chacra de Terceira Visão Com tal chacra desenvolvido e ativado, os monges e mestres, do passado possuíam elevadas capacidades de percepção extra-sen- soriais, tais como: clarividência, premonição, telepatia, projeção astral entre outras

7. Chacra Coronário

O último chacra localiza-se no alto da cabeça É conhecido como o chacra do Lótus das mil pétalas Este chacra é o que une o homem com o Universo Os mestres ascencionados ativam estes centros energéticos

que os elevam a graus superiores da vivência cósmica Estabelece

o que os mestres chamam de Nirvana: a consciência cósmica, a união com o eterno Todo o trabalho dos monges é conduzir o discípulo a uma

elevação de suas frequências bioenergéticas e com isso ativar os chacras Os chacras superiores são inativos num homem comum, e devido a essa inatividade, os seres não tomam contato com uma realidade maior Suas percepções são animalescas e seu universo

é fechado nas cinco paredes dos sentidos comuns

A AurA humAnA

Todo ser vivo possui o que chamamos de Bioenergia Essa bioe- nergia não é perceptível pelos sentidos comuns Porém, os mestres sempre se referiam a um halo dinâmico e radiante que envolve os corpos dos seres vivos Quer sejam homens, animais ou vegetais, as auras aparecem como irradiação energética dos corpos sutis Através da capacidade psíquica do terceiro olho, os monges videntes podiam visualizar e descrever o formato e as cores da aura de uma pessoa A estrutura, como forma e cor, de uma aura está intimamente ligada com o aspecto físico, mental e emocional de um indivíduo A aura pode registrar todos os distúrbios físicos do corpo e também os distúrbios emocionais Se um órgão vai mal, a aura humana naquele local fica alterada. Um vidente experimentado pode diag- nosticar, somente analisando o estado da aura de uma pessoa Há pouco falamos dos chacras e é sabido pelos monges que a estrutura de uma aura pode revelar o estado evolutivo de mesma pessoa. Cada chacra tem uma coloração energética específica. Quando tais chacras superiores são ativados, a bioenergia corporal muda totalmente A aura acompanha essa mudança, tornando-se altamente radiante em cores maravilhosas Dessa maneira, os mestres do passado sabiam quem e quais pessoas que realmente eram iluminadas Não era preciso palavras, atos ou demonstrações de qualquer espécie A luz brotava pelo corpo todo do homem ou discípulo ascencionado Não é à toa que muitos quadros dos santos são pintados com

uma auréola dourada sobre a cabeça dos mesmos Os discípulos

de Jesus disseram que certa vez o mestre subiu à montanha para

meditar, e seu corpo ficou tão brilhante e radiante como o sol, que

mal podiam olhar para ele Quando um monge ascencionado ou

um ser cósmico de outros mundos e dimensões se faz presente,

sua radiação áurica pode envolver cidades ou até mesmo um pla-

neta inteiro, tal é a energia liberada pelos centros energéticos do

homem cósmico Atualmente, os cientistas acreditam terem capta-

do e fotografado a aura dos seres vivos através de um equipamento

eletrônico chamado câmara Kirlian Não se sabe ainda se as fotos

obtidas através desse processo, são realmente as da aura bioener-

gética Contudo, muitos estudiosos de parapsicologia acham que

sim. No entanto, pairam controvérsias no campo e eu prefiro não

discutir tal assunto por aqui

Estado Vibracional

Por falta de um termo melhor, vamos chamar de frequência vibracional a característica bioenergética de um ser Diremos que uma frequência vibracional é alta quando um ser possui uma energia corporal elevada a estados de transcendência Os chacras superiores, nesse caso, estão ativados e o ser possui uma aura radiante e com cores específicas. Diremos que uma frequência vibracional é baixa quando o ser não está em estados elevados de energia corporal e de consciência Sua AURA refletirá este estado em estrutura e cor. Mas, simplesmente nos referiremos usando o termo vibração alta ou baixa

As três fases do homem

No esoterismo oriental costuma-se dizer que um ser possui três fases que são:

1 Fase Abdominal

2 Fase Torácica

3 Fase Encefálica

A Fase Abdominal

A Fase Abdominal consiste naquele indivíduo que possui so-

mente os três chacras inferiores ativados

- O chacra básico fornecendo energia para a vida

- O chacra sexual cuidando das atividades de reprodução da espécie

- O chacra solar cuidando das atividades digestivas

A maior parte dos seres humanos vivem nessa fase aqui na

Terra Apenas esses três centros energéticos inferiores estão ativos, ou seja, a ação dos homens em geral se resumem numa atividade semelhante à dos animais: comer e fazer sexo Alguns poderiam dizer: “mas o homem tem cérebro e pensa Como igualar-nos aos animais?”

A maioria dos homens não difere de seus parceiros do mundo

animal Este cérebro que aparentemente pensa, ilude os homens Pensamos estar numa posição de privilégio com relação a outros seres, por essa ação pensante No entanto essa capacidade pensan- te é muito mal usada Os pensamentos que passam pelo cérebro humano o conduz apenas à uma melhor adaptabilidade ao meio

ambiente

A capacidade de pensar do homem comum o levou a uma con-

dição melhor para suprir-se de alimentos, construir sua casa e

montar certa relação social A ação do homem no planeta e ex- tremamente nefasta O orgulho, o ódio, a ganância e cobiça tem

levado e torturado as mentes humanas e conduzido a civilização ao caos social. O mundo externo é reflexo do interior dos homens. Basta olhar o exterior do mundo para ver como são os homens interiormente Continuando, a característica bioenergética desse homem ab- dominal é possuir uma baixa vibração energética condizente com a vibração dos chacras ativados

A Aura de tal pessoa irá vibrar em cor e frequência de acordo

com esse estado A cor será cinza escuro, cinza clara, vermelha escuro

A Fase Torácica

Na Fase Torácica, o homem deixou de ser dominado pelos seus instintos primitivos e passou a abrir e ativar o chacra do Coração Esse centro energético está muito ligado a certas emoções ditas superiores, tais como: amor, carinho, piedade, bondade enfim, todas as emoções que elevam as vibrações energéticas do ser Quando o grande mestre Jesus andou pela Terra, ensinou algo de extrema importância aos homens da Fase Abdominal Ensinou que eles deviam amar, pois o amor seria a porta e o caminho para a libertação do ser Nossos mestres orientais dão a mesma receita O caminho evolucional é imprimir a ativação dos chacras superiores Para o homem abdominal, o chacra seguinte na escala de subida é o chacra cardíaco

Sendo assim, os mestres ensinaram que sua ativação poderia se dar mediante uma postura do espírito humano A partir de uma filosofia de vida espiritual, o homem com seus sentimentos mu- dados, passa a vibrar numa outra frequência energética A mente superior atua diretamente no estado energético do ser, podendo conduzir o homem da fase abdominal a um homem torácico O homem torácico envolvido pela vibração fraterna do Amor Univer- sal automaticamente ativa e abre seu chacra cardíaco Nesse estágio a Aura assume um colorido diferente, com cores mais suaves e belas Teremos um rosa claro, um verde claro e um prata tênue Com essa vibração envolvendo e dirigindo o homem, este liber- ta-se das doenças físicas e de muitos males terrenos Como os chacras são interligados e não isolados, os chacras superiores da Fase Encefálica já começam a receber alguns es- tímulos Nesse caso, o homem passa a ter algumas faculdades psíquicas a mais do que um homem normal Pode ser vidente, pode ser telepata e projetar-se no plano Astral, consciente

A Fase Encefálica

Nesta fase estão os 3 chacras superiores Os chacras laríngeo, frontal e coronário Os diferentes estágios de um homem superior vão se dar na medida da ativação dos chacras, na ordem de subida Despertando-se o chacra laríngeo e o frontal o homem passa a ter capacidades superiores controladas ao seu bel prazer Nesse estágio ele possui capacidades psíquicas abundantes e com total controle e conhecimento de uso das mesmas Pode manipular a

matéria com o desejo da sua mente Pode se transportar física e instantaneamente para qualquer lugar Visita outros mundos no Universo Adentra outros planos dimensionais Absorve conheci- mentos de mestres extremamente avançados, contata com seres

da Fase Crística Sua realidade existencial está além de tudo que possamos imaginar Esse era o estágio atingido por muitos monges e sacerdotes em Shaolin Sua realidade, sua sabedoria, seus valores eram extrema- mente distintos de tudo o que se passava nesse mundo Após sua existência no mundo físico, conscientemente abando- nava seu corpo material Essa era a chamada morte consciente ou abandono consciente da matéria Um monge nesse estágio trans- cendia à morte Vencia o maior horror dos homens primitivos

É óbvio que a Aura de um ser nessa fase vibrará em cor e

frequência de acordo com esse nível Tais cores poderão ser: rosa

púrpura, verde metálico, azul metálico e um lilás suave

É difícil expressar como são as cores dessas dimensões e vi-

brações superiores E certo que elas possuem suas características próprias e inigualáveis em relação às cores que nossos olhos pri- mitivos captam No entanto, podemos ter uma noção de como elas são

O nível superior é chamado de Nível Crístico Quando um ser ativa seu chacra de mil pétalas (chacra coronário) sua vibração energética explode nos mais belos tons do dourado Pode se ma- nifestar na união de todas as cores É inimaginável por nós como seja um ser Crístico Sua realidade, seus pensamentos, seu traba- lho; tudo é incompreensível por nós Com pouco trabalho e esforço do homem, porém dirigido e

orientado corretamente, ele pode ascencionar e elevar suas ener- gias vibracionais Um homem encefálico se liberta do plano material, livra-se do ciclo reencarnatório do plano físico Portanto, vamos nos conscientizar de nosso ser, de nossa alma

e de nossos corpos energéticos Não vamos desperdiçar nossa

energia e nosso trabalho em atividades fúteis que não nos levam a nada O verdadeiro Kung-Fu está no caminho daquele que segue

a senda da evolução e da espiritualidade O verdadeiro Tai-Chi

resume-se na compreensão de todos esses aspectos da vida e na orientação de nossas atividades no planeta Terra, rumo à cons-

ciência cósmica Fazer Tai-Chi ou Kung-Fu é viver e percorrer os caminhos da ascensão da alma rumo ao homem superior Vamos viver Tai-Chi e Kung-Fu Vamos ser Tai-Chi e Kung-Fu

O Caminho Iniciático de Shaolin A escola de Shaolin possuía métodos próprios de introduzir o

O Caminho Iniciático de Shaolin

A escola de Shaolin possuía métodos próprios de introduzir o

discípulo na senda da sabedoria e na experiência vivida do seu psi-

quismo superior Os treinamentos que um aluno recebia, visava-o

integralmente Treinava-se o corpo, a moral e o espírito

O Treinamento do Corpo

O trabalho corporal em Shaolin tinha suas características próprias e particulares O Kung-Fu era um dos métodos emprega- dos na preparação corporal do discípulo No entanto, o Kung-Fu realizado e desenvolvido pelos monges supremos, possuía uma ca- racterística inigualavelmente transcendente Para se “montar” um trabalho corporal, os mestres reuniram conhecimentos cósmicos provindo de várias partes do Universo Contudo, mais adiante comentarei as fontes cósmicas de tais co- nhecimentos

O Kung-Fu desenvolvido em Shaolin possuía então seu estilo

próprio e seus objetivos eram transcendentes Poucos sabem que o Tai-Chi era também praticado pelos monges de Shaolin, porém

com sua estrutura intrínseca Movimentos leves e suaves, lentos como a brisa suave da manhã Comentaremos os exercícios de Kung-Fu e Tai-Chi mais adiante Atualmente, muitos alunos treinam Kung-Fu e Tai-Chi, porém se esquecem do resto; limitam-se apenas ao corpo Não sabem sobre a estrutura energética dos corpos sutis e fazem exercícios prejudiciais e contrários às leis energéticas Os exercícios em Shaolin eram ensinados em câmaras iniciá- ticas, ou seja, o discípulo era acompanhado pelos mestres a todo tempo De acordo com seu grau de aprimoramento, dedicação, disciplina e sabedoria alcançada, o jovem aluno alçava graus su- periores em Shaolin Nos graus superiores, os treinamentos eram muito avançados e transcendentes à realidade comum A preparação moral e inte- lectual do aluno era imprescindível, pois sem as bases filosóficas ou morais, o discípulo não podia receber conhecimentos superio- res

A profanação da sabedoria não podia ocorrer, pois muito poder era depositado nas mãos desses alunos Sendo assim, os mestres só ensinavam os graus superiores aos alunos iniciados, ou seja,

com todos os pré-requisitos preenchidos

As Leis Bioenergéticas do Corpo

O corpo físico é encarado como uma roupa, onde os corpos energéticos superiores habitam e usam O mecanismo de contro- le e comando das funções orgânicas do corpo físico provém dos corpos superiores Sendo assim, os monges conheciam e respeita- vam essas leis energéticas de funcionamento Com base nesses conhecimentos os monges desenvolveram a milenar arte da Medicina Chinesa Como exemplo típico e clássico

temos a Acupuntura

A Acupuntura tem como lei básica a circulação de energia ao

longo do corpo humano Tal circulação de energia se dá através de

doze meridianos simétricos e outros dois não simétricos

Esses meridianos não podem ser detectados ou analisados

pela Medicina Ocidental ou pelos equipamentos eletrônicos da

ciência moderna

Cada um desses meridianos são responsáveis por regularizar e

controlar um órgão ou uma função específica do corpo.

Os meridianos e suas funções são as seguintes:

Meridianos Pares

1. Meridiano do Pulmão

Comanda o órgão do Pulmão e as vias respiratórias, inclusive as superiores (fossas nasais, seios da face)

2. Meridiano do Intestino Grosso

Comanda o Intestino Grosso e suas funções de absorção de líquidos e de eliminação de resíduos pesados

3. Meridiano do Estômago

Comanda o Estômago e o Duodeno e suas funções digestivas transformadoras dos alimentos

4. Meridiano do Baço-Pâncreas

Comanda a função combinada dos órgãos:

O Baço, com sua função reguladora sobre o sangue e o Pân-

creas no que se refere à sua função de secreção interna (insulina),

que regula as reservas de glicogênio (depositado no fígado)

5. Meridiano do Coração

Comanda a função do órgão cardíaco

6. Meridiano do Intestino Delgado

Comanda o Intestino Delgado e a função de absorção dos ali- mentos transformados no Estômago

7. Meridiano da Bexiga

Comanda a função eliminadora renal e não apenas a Bexiga

8. Meridiano do Rim

Comanda a função do Rim e da glândula suprarrenal, daí sua influência sobre a sexualidade e a vontade.

9. Meridiano da Circulação - Sexualidade

Não representa órgão algum, mas sim uma função reguladora que influi sobre o coração, a circulação e os órgãos sexuais. Deve- mos considerá-lo aparentado com o parassimpático

10. Meridiano do Triplo Recalentador

Como seu nome indica, tem uma função tripla: digestiva, car- diorrespiratória e geniturinário

11. Meridiano da Vesícula Biliar

Comanda a função biliar total, intra e extra-hepática

12. Meridiano do Fígado

Comanda as múltiplas funções do Fígado, especialmente as relacionadas com o metabolismo, a sexualidade, os músculos e a acuidade visual

Meridianos Ímpares

1. Meridiano do Vaso Governador

Este meridiano está estreitamente relacionado com as funções

do sistema nervoso central

2. Meridiano do Vaso Concepção

Juntamente com o Vaso Governador, este meridiano forma

a chamada pequena circulação de energia, que desempenha um

papel regulador na função da grande circulação de energia Aqui se depositam os excessos energéticos da grande circulação ou, ao contrário, daqui partem os reforços nos estados de carência de energia Não representa qualquer órgão em particular Funcional-

mente desempenha três papéis diferentes: geniturinário, do seu nascimento até o umbigo; digestivo, até o apêndice xifóide; respi- ratório daí até o queixo Ao longo dos meridianos estão situados os pontos da Acupun-

tura

Quando uma pessoa está doente, tal fato é encarado pelos

mestres como um desequilíbrio na circulação energética dos me-

ridianos

Quando a circulação energética é deficiente em um meridiano,

a função orgânica ao qual tal meridiano está acoplado, sofrerá um

mau funcionamento Os mestres chineses de Shaolin sabiam de tudo isso e também sabiam como proceder à cura Colocando-se agulhas nos pontos corretos, a circulação deficiente era restabelecida, e dessa forma o paciente era curado de seu mal

Agora eu deixo uma pergunta no ar:

Como os monges sabiam de tudo isso? Como sabiam dos pontos corretos? Quem os ensinou? Como puderam ver, aprender e ensinar tudo isso, se nem mesmo nossos

maiores centros médicos da atualidade nada conseguem a respeito? Hoje em dia a Acupuntura está operando milagres Operações cirúrgicas de grande porte são levadas a cabo com o auxílio da Acupuntura como anestésico Uma infinidade de males estão sendo tratados com o auxílio dessa milenar técnica A ciência oficial do ocidente reluta em aceitar a Acupuntu-

ra Os cientistas presos somente ao conceito material do corpo humano, não conseguem compreender nem aceitar a teoria energética dos chineses Os cientistas as acham espiritualistas e religiosas Porém,

a Acupuntura funciona e todo

cientista sabe disso; só que não conseguem encontrar uma boa ex- plicação ocidental para o fato Para que haja uma boa saúde do corpo físico, se faz necessário que a circulação energética seja perfeita e flua naturalmente. Para que isso ocorra, o corpo precisa ser trabalhado corretamente

energética seja perfeita e flua naturalmente. Para que isso ocorra, o corpo precisa ser trabalhado corretamente

Conclusão:

a) O corpo precisa de movimentos e exercícios

b) Não é qualquer exercício ou tipo de trabalho corporal que é

bom

c) É necessário relacionar os movimentos corporais com as leis

energéticas dos corpos sutis

d) O Kung-Fu de Shaolin e o Tai-Chi foram as soluções que

combinavam movimentos corporais e as leis energéticas A maior parte das doenças no mundo atual são causadas pelas mais diversas formas de agressão ao corpo

As agressões ao corpo podem ser resumidas em alguns itens mais importantes São eles:

a) Alimentação incorreta, desnatural e contrária às leis bioe-

nergéticas do homem

b) A vida “estressada” e estafante dos homens que passam o

dia todo sentados, ou em pé, sem que haja movimento corporal adequado

c) Psiquismo em total desequilíbrio com o corpo, levando ao

excesso de tensão e as doenças psicossomáticas

d) A falta total de exercícios físicos corretos, sob orientação de

pessoas especializadas e) Exercícios executados dentro de uma filosofia materialista e consumista, sem o respeito às leis bioenergéticas Com todos esses fatores, podemos notar que é difícil estar cor- poralmente preparado aqui no Ocidente Poucos são os instrutores ou professores que conhecem essas teorias bioenergéticas O tra- balho físico no Ocidente visa quase que totalmente a formação de vencedores e de campeões de jogos e olimpíadas Quando ainda, não são empregados para que os “escravos” dos sistemas sociais possam melhorar seus corpos físicos para que possam produzir mais e darem mais lucros a seus patrões Olhe para si e veja o que você está fazendo com seu corpo Será

que ele está sendo preparado para a evolução cósmica? Será que ele não está sendo preparado para satisfazer um orgulho pessoal seu? Será que não estão preparando seu corpo para que alguns poderosos aproveitadores possam usá-lo? Pense muito Você pode dirigir sua vida Lembre-se que seu corpo é o trampolim para a evolução da alma Lembre-se que seu corpo é a porta que o conduz para a ele- vação do espírito interior Trate-o com carinho, amor e suavidade Forte não é aquele que possui um corpo musculoso e inchado pelos duros exercícios físicos Forte é o homem que domina o seu espírito Forte é aquele que possui sabedoria sobre si mesmo

A Importância da Alimentação Anteriormente, apresentamos o fato dos monges serem celi- batários e absterem-se

A

Importância da

Alimentação

Anteriormente, apresentamos o fato dos monges serem celi- batários e absterem-se de carnes em geral Com base nas teorias bioenergéticas, poderemos compreender melhor estes costumes Cada alimento ingerido pelo homem carrega consigo uma ca- racterística energética particular A energia que cada alimento possui, pode trazer benefícios ou malefícios ao corpo bioenergético do homem Dessa forma os monges procuravam eliminar de suas dietas os alimentos prejudiciais energeticamente O intuito dos monges era o de conquistar a elevação vibracio- nal de suas energias, ativando assim os chacras superiores Para isso, utilizavam os exercícios do Kung-Fu e do Tai-Chi em suas técnicas especiais Existem certos alimentos que “carregam consigo uma baixa energia vibracional, e quando ingeridos, influenciam toda energia corporal do homem, fazendo com que ela baixe e permaneça no nível do alimento ingerido Sendo assim, os monges não podiam alimentar-se incorretamente, caso contrário eles não conseguiam progressos em seus trabalhos de elevação

Dessa forma os monges não comiam carne animal, que con- siste num dos piores alimentos para o homem Sua energia está impregnada de baixas vibrações e toxinas que deixam o homem altamente tenso, ansioso, violento e com as energias vibracionais no nível abdominal O homem passa a possuir instintos animais cada vez mais acentuados Os alimentos que possuem uma energia bem compatível e equilibrada para o homem são os vegetais e em especial os cereais O vegetarianismo equilibrado faz com que as energias do homem se elevem e sua aura fique mais brilhante, em tons mais claros e belos A alimentação do homem superior é compatível com seu grau de elevação espiritual e bioenergético Desta forma, ele evita matar animais para seu sustento Quando um monge tinha um exercício especial para execu- tar, este então fazia em jejum, poupando assim, as energias que seriam direcionadas para a digestão No caso do celibato, os monges poupavam suas energias se- xuais para que suas vibrações pudessem ser mais facilmente elevadas Como já vimos, o homem abdominal possui as ativida- des do homem primitivo, com características animais O monge trabalhava para sair desse estado e para isso cuidava em ter uma alimentação correta energeticamente poupar-se sexualmente e em épocas especiais fazia jejum Todas as atividades em Shaolin tinham uma razão lógica de ser Basta apenas que encontremos as explicações corretas e sai- bamos como funcionam as coisas do Universo Aconselho aos discípulos das artes do Kung-Fu e do Tai-Chi que realmente querem se elevar na senda espiritual, que preo-

cupem-se muito com sua alimentação Existem muitos livros de origem oriental que tratam especificamente do assunto. Pesqui- sem e estudem essa importante área e verão que suas vidas irão melhorar em muito, após uma nova alimentação mais pura ener- geticamente Quanto ao celibato, não aconselho que as pessoas passem a fazê-lo sem uma alta orientação de mestres capacitados Caso contrário, o indivíduo acarretará para si enormes desequilíbrios energéticos e psíquicos, pois não saberá como equilibrar essa abs- tinência e suprir-se de outras formas

o CAminho DA eSPirituAliDADe

O estágio superior de um discípulo é atingido quando este vence os estágios inferiores de sua alma Após o discípulo dominar seu corpo, apaziguar sua mente e encontrar seu equilíbrio natural, ele está preparado para os estágios superiores Existe um ditado oriental que diz: “Quando um discípulo está preparado, o mestre aparece” Isso é muito real, pois toda jornada de cada ser vivente aqui neste mundo é acompanhada atentamente pelos mestres e orien- tadores das dimensões superiores Esteja este ser onde estiver, mesmo que se encontre na mais alta e isolada montanha da Terra, não escapa da vigilância dos mentores espirituais do planeta Nesses estágios, o discípulo de Shaolin era conduzido a locais especiais em total solidão a fim de receber a visita dos mestres superiores Todo um ritual era preparado, fazia-se jejum e muita meditação Quando era chegada a hora, os mestres espirituais dos planos astrais superiores aproximavam-se do discípulo e opera-

vam mudanças bioenergéticas na estrutura mental do aluno A partir dessas operações, o discípulo tornava-se um para- normal com percepções extra-sensoriais Podia então ver, ouvir e dialogar com os espíritos dos mestres não físicos Agora o discípulo estava iniciado nas ordens superiores, pois seus Ensinamentos provinham das mais altas fontes destes planos Dia a dia o discípulo ia contatando com o mundo espiritual e uma infinidade de novidades e sabedoria enchia sua alma e sua mente Através do desenvolvimento mental, o discípulo podia ser tele- pata, podia ler a mente e o coração das outras pessoas Ninguém mais podia lhe mentir e nem nada esconder O discípulo possuía agora o olho espiritual aberto; aquele que tudo vê O olho que en- xerga além do mundo físico e vê o interior das coisas e das almas

A Meditação Talvez esta seja a porta principal que nos conduza aos estados elevados de

A Meditação

A Meditação Talvez esta seja a porta principal que nos conduza aos estados elevados de consciência

Talvez esta seja a porta principal que nos conduza aos estados elevados de consciência

No silêncio do nosso interior podemos escutar a nossa alma Podemos nos encontrar com nossa real natureza por nós esqueci- da

No Tai-Chi e no Kung-Fu é imprescindível a meditação

Muitos de meus novos alunos questionaram-me perguntando:

– Como meditar, em que pensar, e no que devemos nos con- centrar? A maioria das pessoas não fazem a mínima ideia do que seja a meditação Acham que necessitam de téc- nicas especiais para tal, e se não tiverem um bom mestre nada conseguirão

Nada disso se faz necessário Não há técnicas e muito menos regras A meditação é mais uma parte do Tai-Chi Podemos meditar de muitas formas: Andando, sentados na postura de Lótus ou exe- cutando os movimentos do. Tai-Chi, enfim, de in finitas maneiras. Cada um encontra sua maneira particular de meditar Cada um encontra a sua regra e o seu método Existe uma antiga historinha chinesa que ilustra muito bem o ato de meditar

– “Certa vez, existia na China um comerciante muito rico Tudo que o dinheiro podia comprar esse rico comerciante possuía Sua casa era repleta de todos os bens materiais Nada faltava Certo dia ficou sabendo que numa pequena aldeia nas montanhas morava um velho sábio que sabia levitar O ve- lhinho flutuava suavemente a alguns centímetros do chão à vista de muitos curiosos que o procuravam

O rico comerciante ficou extremamente interessado no

assunto e de imediato subiu as montanhas ao encontro do

sábio ancião

Lá chegando, encontrou-o e ficou maravilhado com sua exi-

bição

O rico comerciante não possuía tal poder e a todo custo

queria comprar do velho sábio o segredo para tal feito Dizia ele que pagaria ao velho o dinheiro necessário para que ele

o ensinasse a levitar

O paciente velhinho disse-lhe que não queria pagamento

algum e que o ensinaria com todo o prazer Maravilhado, o comerciante, passou a ouvir os ensinamen- tos do velho sábio Disse o velho, que era muito simples aprender aquilo; bastava apenas que ele seguisse as instruções passo a

passo O primeiro exercício foi o seguinte:

Durante um mês o comerciante deveria sentar-se todos os dias na posição de Lótus e ficar ali sentado por uma hora a meditar No entanto, tinha um porém: durante esse tempo ele não poderia pensar em “macacos”

O

comerciante ouvindo as instruções disse: Só isso, é muito

fácil Basta então sentar e não pensar em “macacos

Exatamente, não pode pensar em macacos – Disse o velho sábio

O

comerciante foi para casa, para então começar a executar

sua primeira tarefa, como intuito de findado o 1º mês retornar até o velho para a segunda lição

No primeiro dia de meditação, sentou-se num local silencioso e iniciou seus treinos com o intuito de passar uma hora sem pensar em macacos Passou um dia, dois dias, uma semana e o rico comerciante não suportou tal exercício Por mais que não quisesse pensar em macacos, mais macacos apareciam em sua mente Entristecido, após uma semana de tentativas, voltou a subir as montanhas em busca do velho sábio Lá chegando disse ao velho: Olha meu Senhor, em meus exer- cícios, disse-me que não poderia pensar em macacos No entanto,

em minha mente não consigo pensar em outra coisa Só vejo ma- cacos em minha cabeça O velho sorriu largamente e disse-lhe:

– “Tu acabastes de ter sua primeira lição do que não é Tai-Chi Tu aprendeste como não deves fazer as coisas Na natureza tudo segue a ordem do Tai-Chi Natural, sem esforço Quando dirigistes sua mente, ela se perdeu e veio a confusão. O Tai-Chi deve fluir e existir em teu interior. Deixe que teus pensamentos fluam livremente sem querer conduzí-los Aos poucos tua mente se aquietará e então poderás ouvir tua alma” O hábito de meditar consiste no equilíbrio do homem com o mundo espiritual É o primeiro passo na abertura das portas psíquicas que colocará o discípulo em contato com as dimensões superiores Através da meditação, o discípulo encontra a sua alma, con-

versa com ela e a compreende

as dimensões superiores Através da meditação, o discípulo encontra a sua alma, con- versa com ela
A Projeção Astral Nos estágios iniciáticos elevados de Shaolin, o discípulo era conduzido à compreensão

A Projeção Astral

Nos estágios iniciáticos elevados de Shaolin, o discípulo era conduzido à compreensão dos estágios superiores da vida cósmica Através de treinamentos especiais, o aluno modificava suas energias corporais e colocava seu corpo em estado de relaxamento profundo

A partir daí, sob total controle de sua mente, o corpo Astral afastava-se do corpo Físico Tal operação é conhecida como Projeção Astral ou Desdobra- mento Consciente Estando fora do corpo Físico, o corpo Astral mantém sua li- gação com o Físico através de um fino cordão prateado que une o corpo Astral com o Físico Nesse estado, absolutamente consciente, o discípulo era guiado pelos mestres superiores, que estavam ao seu lado no plano

Astral O aluno era então conduzido a incontáveis locais, conhecia

o nosso mundo por inteiro Viajava por todo o planeta e entrava em todos os locais ditos como “proibidos” Escutava os pensamentos de todas as pessoas Não havia segredos que os homens pudessem

guardar que o aluno não encontrasse e pudesse verificar com sua capacidade adquirida. O Universo ficou maior e mais fácil de ser conhecido com o uso dessa capacidade natural dos homens Após verificar e adentrar todos os segredos dos homens do mundo físico, o discípulo depara-se com os mistérios dos mundos

e planos superiores Ao seu lado irão aparecer os seus entes queridos já mortos no mundo físico Irá contatar com os antigos mestres ascencionados da Ordem de Shaolin que já morreram no mundo físico Irá receber os ensinamentos diretamente da suprema fonte do

Tao

Porém, chegará um dia que seus olhos olharão para o céu in- finito pontilhado de estrelas. Perguntará ele aos mestres e guias:

O que existe lá em cima? Sua jornada rumo às estrelas então se iniciará O discípulo ira projetar-se para o espaço rumo às estrelas

distantes e como num passe de mágica, muito mais veloz que a luz

e quebrando os princípios do tempo, este chega aos mais distantes

mundos deste Universo Encontra civilizações de todos os tipos possíveis e imagináveis, seres gigantes, pequeninos, seres avança- díssimos, seres primitivos O Universo se abre como uma porta e o aluno tem uma eternidade para estudar Tudo isso não é mera fantasia É a realidade nua e crua de todos nós Nossa alma e nosso espírito são tudo isso Se acaso alguém não crer nisso, não tem importância, pois após a sua morte no mundo físico, constatará tudo o que digo Porém, àqueles que crerem nisso pelos seus sentimentos interiores, poderão guiar

desde já suas vidas e torná-las mais felizes e mais tranquilas neste mundo A consciência do espírito liberta-nos dos valores materiais que tanto aprisionam os homens A libertação dos valores mate- riais, dos sentimentos de posse e da possessividade alheia, traz paz ao coração A mente se aquieta e a vida tem agora um sentido

e uma razão de ser

e da possessividade alheia, traz paz ao coração A mente se aquieta e a vida tem
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Histórias Reais dos Monges Shaolin 124

Histórias Reais dos Monges Shaolin

o ConSelho AStrAl

Certo dia Mestre Chang-Li caminhava em jornada de peregri- nação muito distante materialmente do templo de Shaolin Sua mente e seu espírito eram abertos para os planos superiores Em sua mente ouviu-se uma voz, um chamado telepático que o convo- cava para importante reunião no plano ASTRAL Calmamente o mestre dirigiu-se para um local onde seu corpo pudesse ficar seguro e protegido. Sentou-se, cruzou as pernas e projetou-se para o plano Astral Como era do seu costume, já conhecia o local, e lá chegando esta- vam presentes os seus amigos - outros monges de Shaolin e outros mestres e seres de outros estágios e ordens planetárias Ali discu- tiam muitas coisas, desde a vida de um discípulo mais jovem até programas de trabalhos com outros povos de outras áreas do pla- neta Podiam decidir curar alguns doentes Podiam decidir mudar o curso de algumas batalhas ou guerras no mundo. Enfim, suas ações eram extremamente de alto nível Quem via Mestre Chang-Li humildemente caminhando por sobre o planeta Terra, jamais poderia imaginar quem era e o que realmente fazia aquele venerável Mestre Os leigos e os profanos pensam que os mestres fogem da ação, que eles são fracos e isolam-se do mundo, fogem das batalhas co- vardemente Que ironia não é mesmo? Os homens comuns não estão preparados para ver o lado interior de alguém Impressiona- vam-se apenas quando um monge movimentava seu corpo e exibia o seu Kung-Fu físico Os homens comuns só viam isso e sendo assim procuravam imitá-los, tentando movimentar seus corpos igualmente É óbvio que não conseguiam, pois faltava toda a sabe- doria interna

mestre Kwan Visita outro Planeta Certo dia, mestre Kwan passeava pelos jardins do templo De

mestre Kwan Visita outro Planeta

Certo dia, mestre Kwan passeava pelos jardins do templo De repente ouve um chamado interno e dirige-se para o interior do templo Indo até uma sala especial, encontra à sua espera um outro monge seu amigo Sentam-se calmamente e cruzam as pernas Com suas vidências ativadas vêem surgir ao lado um pe- quenino ser com cerca de 90 cm de altura Sem dúvida Mestre Kwan e seu amigo já o conheciam, pois era um ser amigável e não causou espanto aos monges O pequenino ser os convidou para que o seguissem em uma jornada até seu planeta de origem onde algo importante os espe- rava Aceitando o gentil convite, os monges se concentraram e su- tilmente projetaram-se em corpo Astral Estando fora dos corpos físicos, os três deram-se as mãos e imediatamente elevaram-se rumo as estrelas

Com a velocidade do pensamento, viajando muito além das fronteiras dimensionais do espaço e do tempo, os três viajantes do espírito chegam a um maravilhoso mundo Um planeta extrema- mente belo na região central da nossa Galáxia Dirigiram-se para um local onde existia uma imensa constru- ção piramidal feita com um tipo belo e indescritível de cristal Tudo reluzia e as linhas arquitetônicas do edifício refletiam o estado evo- lucional de seus construtores O local era um imenso anfiteatro, e assim que os três adentra- ram no recinto, o pequenino ser, guia dos monges, os conduziu até seus lugares. Os dois monges ficaram admirados quando viram nas duas cadeiras seus nomes ali gravados, como que já estabele- cidas de antemão suas presenças àquele evento Uma conferência estava para se realizar e o recinto aos poucos foi se enchendo Haviam seres das mais diferentes raças e origens cósmicas Desde seres de apenas um palmo de altura até seres de estaturas gigantescas Ali estavam apenas pessoas previamente convidadas Tudo pronto para o início do evento Diante de todos surge um ser de inigualável beleza Descrever tal pessoa seria a tarefa mais difícil e ousada para qualquer humano Seus gestos, sua calma, sua luz, sua sabedoria, tudo era mag- nífico e belo. Tal ser discursou sobre muitas coisas e em especial sobre o futuro da Humanidade Terra Vários dias terrestres ali permaneceram os monges Terminados os trabalhos, os três iniciaram a jornada de volta à Terra Chegando à sala especial de onde partiram em Shaolin, os seres se despediram cordialmente e Mestre Kwan agradeceu ao pequenino Ser dizendo: Muita Paz a ti e aos seus, mestre Clarlin

“Assim ouvi essa história do amado mestre”

Uma Nobre Lição Todas as tardes Mestre Chang-Li saía para um passeio ao in- terior

Uma Nobre Lição

Todas as tardes Mestre Chang-Li saía para um passeio ao in- terior da emaranhada e misteriosa floresta de Shaolin. Um jovem e curioso discípulo ficava a observar todos os dias essa incursão do venerável mestre pela floresta. Curioso em saber aonde ia o monge e o que de tão especial ia realizar no meio das matas, resolveu numa tarde seguir furtiva- mente o monge

Imediatamente o Mestre Chang-Li percebeu o intento do jovem discípulo e resolveu dar uma lição ao curioso Após caminhar muito e embrenhar-se profundamente nas matas e ter absoluta certeza que o jovem discípulo não sabia voltar sozinho ao templo, o monge então iniciou seu intento Ao chegar a uma clareira, o monge parou calmamente e olhou para o seu furtivo seguidor Sem nada dizer, como num passe de mágica desapareceu diante dos olhos do jovem discípulo Estarrecido com tal façanha, o jovem passou a procurar por todo local para onde é que tinha ido o venerável Mestre Procurou por horas e horas e nada encontrou Porém, perce- beu que estava perdido no meio da floresta e não sabia qual era o caminho para o templo O jovem discípulo ficou vários dias perdido e vagando pelas matas Faminto e cansado, já tinha suas esperanças perdidas Novamente, como num passe de mágica, o monge Chang-Li materializa-se inexplicavelmente diante de seus olhos Sem nada dizer, o monge se vira e começa a caminhar rumo ao templo de Shaolin O Jovem discípulo, sem de nada saber passou a seguir os passos do monge Quando estavam próximos ao templo e podia-se vê-lo no horizonte próximo, mestre Chang-Li cessa seu caminhar e suavemente dirige algumas palavras ao jovem discípulo dizendo:

“Caro discípulo, quando em sua jornada pela vida encontrar alguém que te aponte um caminho, não sigas ” Assim dizendo, o monge vira-se novamente e a passos lentos e suaves adentra novamente à floresta Assim ouvi de Mestre Kwan

A Preparação Certo dia Mestre Kwan aproximou-se de nós e em círculo ouvi- mos seus

A Preparação

Certo dia Mestre Kwan aproximou-se de nós e em círculo ouvi- mos seus ensinamentos

– Caros discípulos, amigos e irmãos; ouçam e guardem bem o que vou lhes contar:

Na China antiga havia um pequeno vilarejo muito simples e de

população humilde Em certa época, um sábio homem assumiu ali

o cargo de prefeito e começou a dirigir aquele povoado com destre- za e perfeição Amante das artes, como música, poesia, literatura

e tudo o mais, ensinou ao seu povo toda a riqueza de seus conhe-

cimentos Impôs decretos e com isso o vilarejo e seus habitantes passaram a viver da cultura e da arte Em pouco tempo o vilarejo

prosperou muito Tal homem era inimigo da violência, e o quanto pode afastou de seu povo qualquer forma de agressão Não possuía exército nem treinava pessoas para a guerra, pois achava isso desnecessário Julgava que violência gerava violência e que a sabedoria e cultura seria o essencial e tudo poderia prover a partir daí O povo muito progrediu e logo atraiu cobiça de salteadores e ladrões Numa triste e amarga noite, o vilarejo foi invadido por um exército de bandidos e ladrões e a aldeia foi totalmente incendia- da e destruída Os bens foram todos saqueados Jovens, velhos e mulheres foram cruelmente mortos pela voracidade dos bárbaros Isso realmente ocorreu Caros discípulos e amigos, essa história vem nos ensinar que um homem deve se preparar para a vida em todos os sentidos Deve estar preparado para tudo Um homem, como o dragão, deve galgar nas asas do vento Porém, quando necessário deve se trans- formar numa rocha dura e intransponível a qualquer “aparente inimigo” “Assim ouvi de Mestre Kwan ”

Diálogo Entre Um Monge e Seus Discípulos MESTRE – Muita paz a todos! Muita paz!

Diálogo Entre Um Monge e Seus Discípulos

MESTRE – Muita paz a todos! Muita paz! Que a alegria habite todos vós É com grande alegria que estou aqui a vos orientar e transmitir-lhes algo de meu cora- ção

Venho hoje, com o intuito de responder algumas perguntas com respeito ao Tai-Chi e ao Kung-Fu, lembrando que Tai-Chi é Kung-Fu; e Kung-Fu é a vida

DISCÍPULO

– Muita paz, caro mestre! Gostaria de saber qual a relação existente entre o Kung-Fu de Shaolin e o Tai-Chi por nós praticado

MESTRE – Quando vais comer teu alimento e tua honrada mãe porventura se esqueceu de colocar sal neste alimento, tu provas a comida, verificando que não está saborosa Ainda falta alguma coisa para

que o alimento fique perfeito. Assim também é

com o Shaolin e o Tai-Chi Shaolin sem Tai-Chi

é o mesmo que o alimento sem sal Tai-Chi sem Shaolin é o mesmo que sal sem alimento

DISCÍPULO

– Como podemos levar o Kung-Fu e o Tai-Chi para nossas vidas cotidianas?

MESTRE – Levar o Tai-Chi e o Kung-Fu para vossas vidas cotidianas não é difícil Difícil é colocar vossas vidas diárias no Kung-Fu e no Tai-Chi Portanto, deveis meditar sempre e irão perceber o quanto

o Kung-Fu e o Tai-Chi pouco a pouco irão se in-

corporando em vossas vidas e quando menos esperarem, estarão conectando tudo, tudo que aprenderam em Kung-Fu e Tai-Chi a vossas vidas

Não é o Kung-Fu e o Tai-Chi que se adaptarão

às coisas, pois todas as coisas já são Kung-Fu

e Tai-Chi Portanto, deveis apenas compreender

cada vez mais as vossas vidas por sobre o plane- ta, por sobre a Terra e, pouco a pouco irão não incorporar o Tai-Chi a vossas vidas, mas sim com- preender que vossas vidas são o Tai-Chi

Muita paz a ti, meu caro amigo e discípulo

Meditai sobre estas palavras as quais parecem não responder às vossas perguntas, mas como digo sempre: Prestai muita atenção não às pala- vras, mas ao que vem junto delas

DISCÍPULO

– Mestre, que devemos fazer para combater maus sentimentos que às vezes se apoderam de nosso interior?

MESTRE

– Dizei, meu menino, o que é mau para ti?

DISCÍPULO

– São sentimentos como: rancor, inimizade, enfim, algo que incomoda nossas vidas

MESTRE

Isto para ti é mau?

DISCÍPULO

– Sim

MESTRE

Dizei-me, o que é o bem?

DISCÍPULO

– O bem é o amor que carregamos dentro de nós É o amor que sentimos pelos nossos irmãos, pelo nosso próximo e pelas nossas ações

MESTRE

– Conheceis o tigre? Sabeis como o tigre ama seus filhotes?

 

Quando o tigre sai de sua toca em busca de alimen- tos na floresta e encontra uma pequena gazela, também fruto de um amor, que livre e alegre ca- minha pelos campos, eis que o tigre chega com sua força, com sua persistência, destrói e mata a feliz gazela, levando-a para seus filhotes, que então se alimentam

Dizei-me, meu menino, onde está o bem e onde está o mau nesta estória?

DISCÍPULO

– Sinto-me confuso

MESTRE – Meditai sobre isto Minha maneira de transmitir as coisas é desta forma Não venho aqui com res- postas Vós próprios deveis buscá-las Traremos pequenas sementes Sementes de ensinamento como as que eram lançadas aos discípulos nos antigos templos de Shaolin Assim, os discípulos aprendiam dos mestres, e assim transmito a vós discípulos; como era, como é, e como será Meditai sobre o bem, meditai sobre o mal Meditai sobre o sol, meditai sobre a lua Meditai sobre o dia, me- ditai sobre a noite Procure encontrar nestas duas coisas, a unidade

Muita paz a ti, muita paz

DISCÍPULO

– Mestre, podes dizer algo sobre a energia do fogo?

MESTRE

– Conheceis algo chamado salamandra?

DISCÍPULO

– Sim

MESTRE – Já sentistes o calor em vossa pele, em vosso corpo? Percebeste que o sol é o centro da vida planetária? Lá existe a fonte de toda a vida, de toda a energia que habita neste mundo e em outros mundos pelo Universo As estrelas são fogo Quando acendeis uma pequena fogueira, já sentistes em vosso co- ração o calor do fogo Mestre Chang-Li pediu certa vez, que meditassem diante de uma vela

Meu intuito é ensinar-vos Não é trazer até vós as coisas que possam confundir vossas cabeças;

coisas que ainda estão distantes de vossa com- preensão, pois muito mais sabedoria envolve estas coisas

Porém digo-vos: pouco a pouco irei vos trazendo orientação para que vós próprios possam buscar a compreensão das coisas e de vós próprios

Peço que acendeis uma vela ou uma fogueira Sentai diante desta vela ou fogueira e sinta o vosso coração Então compreendereis tudo aquilo que eu poderia transmitir em palavras

DISCÍPULO

– Podes dizer-nos algo sobre os mantras?

MESTRE – Já observastes uma pedra tocar a superfície de um lago tranquilo? O que acontece quando uma pedra toca a superfície deste lago? O que acontece com aquele ambiente de serenidade?

DISCÍPULO

– Toda a extensão do lago é informada deste fato

MESTRE

– Como a margem do lago recebe a informação de que esta pedra caiu no centro do mesmo?

DISCÍPULO

– Através da vibração da superfície que se propaga até a margem do lago

MESTRE

– O mantra é uma pedra e o Universo é o lago!

DISCÍPULO

– Gostaria de saber Mestre, porque a humanidade deste planeta se desviou tanto de uma evolução espiritual

MESTRE

– Este planeta não se desviou de nada Este pla-

neta apenas segue o seu caminho Aquilo que estais vivendo neste planeta, neste momento é também importante e útil para esta humanidade Se assim não fosse, o Grande Criador Supremo deste cosmos não o permitiria

Muita paz a ti, meu amigo!

DISCÍPULO

– Podes comentar algo sobre o livro da filosofia Taoista, “Tao-Te-King”?

MESTRE

– Tu dissestes Tao-Te-King Dizei-me, o que é o Tao- Te-King?

DISCÍPULO

– Para mim, Tao-Te-King é um livro que pode me orientar na busca da compreensão do Universo

MESTRE

Tu sabes o que é Tao?

DISCÍPULO

– Não sei

MESTRE – Um dia, um grande poeta, em sua jornada, em busca pela compreensão, querendo conhecer a natureza do Criador, deparou com algo incog- noscível, inominável e inimaginável Algo que seu pequeno ser não podia sonhar nem tocar Por não saber nada sobre ele, denominou-o de Tao, o ca- minho

Quando estiveres a ler este livro, Tao-Te-King leia suas palavras sem prestar a atenção a elas Preste muita atenção ao que vem junto das palavras

As regras da vida, as filosofias de vida não estão contidas num pedaço de papel A vida existe na vida, e a filosofia são palavras de um poeta para descrever a vida a qual já vivemos

Muita paz! Muita paz!

Continuem sempre firmes em vossos treinos, em vossas meditações Não vos esqueçais, nem por um momento de vossos irmãos Transmitais a eles o conhecimento Nós da antiga China, discípulos dos Templos de Shaolin, mestres e sacerdotes de Shaolin, não vos desampararemos Estamos ao vosso lado, sempre a vos auxiliar e a vos orientar

No interior de cada um de vós, cada um possui o Kung-Fu e o Tai-Chi Vivam Kung-Fu e Tai-Chi em vossas vidas aí fora Não procurem transfor- mar Kung-Fu e Tai-Chi em palavras Vivam a vida Quando um grande mestre do passado quis descrever o Criador, não teve palavras, disse-nos:

“É o incognoscível (que não se pode conhecer), o inominável (que não se pode dar nome) No en- tanto, para meu mundo e para minha consciência eu o chamo Tao (o caminho) ” Muita paz, caros e queridos amigos; caros e queridos cordeirinhos Muita paz a todos vocês!

Juntos caminharemos para a compreensão, todos nós unidos, sem mestres nem discípulos, somen- te nós juntos e unidos

Que a vida se encha de felicidades e que vossa

caminhada seja repleta de paz e alegria

De Lagarto a Beija-Flor Certo dia eu andava triste e em meu coração reinava a

De Lagarto a Beija-Flor

Certo dia eu andava triste e em meu coração reinava a mágoa e a tormenta Cansado e angustiado estava eu pela minha vida Nesse dia Mestre Kwan achegou-se diante de mim e disse:

– Jovem discípulo Laércio, o que o atormenta?

Então respondi:

– Não sei Mestre, talvez seja minha incompreensão de tudo Meu coração não encontra paz

Calmamente o Mestre pega minha mão direita e diz:

– Jovem discípulo, tu és como o Lagarto que rasteja por sobre este planeta Você se suja na lama da Terra e vive a comer os detritos e os piores alimentos Por isso és Lagarto Laércio Sua cabeça anda tão baixa e seus olhos tão sujos pela lama e poeira da Terra que não consegues enxergar um palmo sequer diante de ti Por tudo isso és Lagarto Laércio Porém, não te desespere Dia a dia seus olhos se limparão e sua cabeça poderá erguer-se um pouco Poderás pouco a pouco desviar-se da lama e caminhar mais tranquilamente Que a paz esteja contigo, caro discípulo Lagarto Laércio Assim ouvi de mestre Kwan e assim recomeçaram meus anti- gos ensinamentos Era costume em Shaolin os mestres batizarem seus alunos com apelidos de animais Eu ganhara o meu, no entanto era apenas um ritual carinhoso do mestre para marcar os estágios iniciáticos Veremos mais adiante o porquê disso:

Eu me identificava com o Lagarto e assim Mestre Kwan me comparou Todas as vezes que mestre Kwan encontrava-se comigo me chamava pelo apelido: Lagarto Laércio, faça isso; Lagarto Laér- cio, faça aquilo Todos me conheciam como Lagarto Laércio, porém só os mestres superiores é que sabiam o porquê disso Todos os mestres que vinham ter comigo e me instruir chamavam-me La- garto Laércio Muito tempo se passou e meu espírito e minha alma muito havia aprendido dos mestres Meu interior estava delineando um pouco de paz Eu estava mais forte e minha vida toda era dirigida para o aprendizado e para a instrução dos jovens alunos a mim confiados.

Certo dia, um conselho de mestres, se reuniu diante de mim Mestre Kwan, meu amado orientador dirigiu-se até mim com suas meigas palavras e disse:

– Como vai indo nosso caro discípulo Lagarto Laércio? Então respondi:

– Bem mestre, meu espírito e minha mente estão mais calmos

Por alguns instantes fez-se silêncio e os mestres do conselho conversaram telepaticamente entre si Então mestre Kwan olhou para mim e fez uma pergunta:

– Dizei-me, Lagarto Laércio, o que é evolução? Calmamente meditei sobre a pergunta e respondi:

– Caro mestre, não sei o que é evolução ao certo Em meu in- terior eu creio que não existe evolução O tempo e o espaço são fatores inerentes à experiência humana No entanto, o que é o tempo e o espaço? Tudo está ligado, o sábio e o primitivo são um só Somente o exterior mostra aparente

diferença Não sei mestre ao certo o que seja evoluir Fez-se silêncio e novamente outra pergunta foi feita por mestre Kwan:

– Dizei-me então, onde você se encontra em sua jornada evo- lutiva, no começo, no meio ou no fim?

Calmamente meditei e respondi aquilo que sentia em meu in- terior:

– Caro mestre, eu não estou no princípio, nem no meio, nem no fim. A única coisa que sei é que vivo. Os conceitos de princípio e fim das coisas são temporais e regidos pelo sentido dimensional do tempo Creio que a única coisa que existe é a vida constante e eterna Sou o que sou, nem mais

evoluído, nem menos

Novamente fez-se um silêncio e surgiu a terceira pergunta:

– Caro discípulo, responde-me onde é que estais sentado?

Calmamente meditei sobre a pergunta e é óbvio que eu estava

sentado no chão de pernas cruzadas e o conselho todo a me olhar No entanto, mandei minha resposta

– Caro mestre, eu estou sentado no Universo, e o Universo somos nós Portanto abaixo de mim estamos nós

Novamente fez-se silêncio e eu esperava mais perguntas No entanto, calmamente o Mestre disse:

– Caro amigo Laércio, dê-me a sua mão direita

Estendi minha mão direita e com ambas as mãos o mestre a segurou Curvou-se calmamente e colocou sua testa junto das mãos unidas Então carinhosamente pronunciou:

– Caro discípulo Lagarto Laércio, - a partir de hoje não serás mais chamado de Lagarto Laércio Serás chamado de Esquilo Laércio. És agora um esquilo que corre pela flores- ta de lado a lado construindo sua vida Pode sair do chão e subir a copa das árvores em busca da luz do sol e da visão dos horizontes distantes Por tudo isso não és mais Lagarto Laércio Agora serás Esquilo Laércio A minha emoção não se conteve, e lágrimas de alegria e felici- dade encheram meu rosto A energia de Amor e carinho emanada dos elevados mestres ali presentes encheram meu espírito de luz e paz Esta foi uma das mais belas experiências que guardo até hoje em meu coração Após tal ritual, Mestre Kwan despediu-se calmamente, dese- jando-me muita paz e muito amor Após esse dia todos passaram a me chamar de Esquilo Laércio

e tudo prosseguia calma tranquilamente Novos obstáculos iam surgindo Havia ainda muito o que caminhar, porém a força era maior e eu sabia que podia contar a cada instante com o auxílio dos Mestres superiores Muitas coisas se passaram em minha vida, muitos encontros espirituais com os mestres, porém não pretendo fazer deste livro minha biografia. Em um tempo mais adiante repetiu-se o mesmo ritual onde os mestres mudaram meu apelido e passaram a me chamar de Ave Laércio Diziam os mestres que nesse estágio minha vida se asse- melhava a uma ave migratória que cruzava os oceanos em busca da primavera distante E por muito tempo assim permaneci em busca da primavera e de meu mundo colorido cheio de flores. Dias difíceis transcorreram, porém minha jornada era passo a passo acompanhada pelos instrutores espirituais Hoje em dia, na presente data que escrevo este livro, sou um beija-flor que procura sugar de flor em flor o saboroso néctar da vida Diante de mim abrem-se inúmeras portas e as duras provas de um jovem adolescente são apenas marcas do passado Quanto mais aprendo, mais vejo o quão ínfimo somos diante da magnificência do Cosmos. Minha jornada através das artes orientais é o sustentáculo de minha consciência física e espiritual Quero deixar aqui registrado que os caminhos que segui e os ensinos dos mestres espirituais me deram força e coragem para en- frentar a vida e aprender a vivê-la em concordância com o Tai-Chi Cósmico

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A Vida É Como Um Parque de Diversões Certo dia estava eu a passear por

A Vida É Como Um Parque de Diversões

Certo dia estava eu a passear por um bosque maravilhoso Meu espírito flutuava e vagava por entre as árvores. Fui então con- duzido diante de um senhor com aparência de bem velhinho que estava sentado à margem de um lago Era como se ele já me espe- rasse para um diálogo Sentei-me diante dele, nos cumprimentamos e comecei a per- guntar:

– Mestre, eu ando meio confuso Dizei-me o que é evolução Como e qual a melhor maneira e o melhor caminho para a evolução

Com extremo carinho e paciência, aquele ancião me respon- deu:

– Meu caro menino, preste bem atenção em uma história que vou lhe contar Multo distante deste tempo e deste espaço, em uma outra dimensão e numa outra realidade, estávamos todos nós unidos Todos éramos uma só essência, um só corpo, um só ser Éramos o Tao, a supremacia divina Nossos pensamentos atuais não conse- guem se lembrar disso tudo, porém éramos assim Nestes tempos não existia ainda o Universo material, nem os planos energéticos que agora estamos habitando Era um tempo antes da criação dos versos do Universo Só existia a unidade in- divisa Foi nestes tempos que o TAO, a Unidade, resolveu criar para si um imenso “Parque de Diversões”, onde pudesse se divertir e enriquecer seu âmago de experiências novas Foram então criados os Universos dimensionais e materiais Através de nossa própria energia interna e pela força de nossa vontade, tudo se fez e a criação do Universo material e temporal foi realizada Bilhões e bilhões de galáxias, trilhões e trilhões de estrelas e sóis. Infinitos e incontáveis planetas e mundos foram criados. Estava montado o “gigantesco Parque de Diversões” Neste ponto, todos nós nos transformamos em crianças, ves- timos trajes especiais e invadimos o “grande Parque de Diversões Cósmicas” em busca das experiências e sensações para nossa alma Nessa época, o Tao se dividiu e cada partícula foi brincar em um brinquedo cósmico

Nós, meu filho, já brincamos em muitas dessas estrelas que brilham no firmamento, hoje estamos a brincar no planeta Terra. Aqui neste mundo já brinquei de ser escravo, de ser rei Fiz bata- lhas e guerras, amei muitas mulheres, tive muitos filhos. Fome passei e angústias vivi Fui torturado pelos cárceres dos inimigos e fui crucificado pelas doenças da carne. Hoje eis aqui meu espírito se deliciando em ser velhinho, um monge de Shaolin a conversar com você, meu filho, que brinca de ser Laércio Como vê caro menino, existem muitos brinquedos no Cosmos e pelo Universo Na condição imposta pelo brinquedo deste mundo, os seres não compreendem muita coisa Para que as sensações sejam as mais reais possíveis, as regras são claras e objetivas Nesse brinquedo, nós, espíritos eternos oriundos da essência su- prema do TAO, temos que usar as roupas físicas, encurtar nossos sentidos e percepções e esquecer da nossa fonte de origem cósmi- ca

No entanto, nós mesmos escolhemos tudo isso e sem dúvida iremos até o fim nessa jornada maravilhosa. Você me perguntou o que era evolução, e como vê, a evolução como a imaginava, não existe Nós e todos os seres deste Universo, não somos diferentes uns dos outros Somos uno Não existe no Universo todo, um ser sequer mais evoluído ou diferente de ti O que existe apenas são partes de nós mesmos brincando em brinquedos diferentes Esses brinquedos diferentes dão àquelas partículas irmãs, condições de enxergarem as coisas do Universo

por um ângulo diferente Aparentemente eles podem ser mais evo- luídos do que nós, porém isso é só em aparências Não se preocupe jovem filho e irmão. No Universo ninguém pre-

cisa se preocupar em evoluir ou atingir os altos planos ou níveis Nós já somos a essência divina do TAO Temos apenas que cumprir as leis naturais impostas por nós mesmos para o funcionamento do “grande Parque CósmicoNaturalmente tudo vai fluindo e acontecendo. Quando nossa jornada pela Terra estiver findada, iremos para outros lugares, brincaremos em outros brinquedos cósmicos Essa

é a nossa essência divina Somos crianças e como crianças quere- mos apenas nos divertir, brincar e aprender Olhe para as crianças da Terra, como elas são despreocupadas

Correm de um lado para outro com leveza em seus espíritos Puras

e preocupadas somente em se divertir Esse é o grande exemplo e

caminho que posso te ensinar Esse deve ser o Tai-Chi e o Kung-Fu que deveis praticar: O Tai-Chi de uma criança Os homens adultos perderam sua conexão com a criança divina que todos nós somos Suas vidas se transformaram em an- gústias e sofrimentos Não vivem mais para brincar ou se divertir Vivem apenas para ganhar dinheiro e outras coisas mais Volte a ser criança, meu filho, e estarás mais próximo do Tai-Chi cósmico e da essência do Tao Na jornada do crescimento

interior, o homem não precisa aprender coisas ou estudar e encher suas mentes de cultura O homem necessita apenas esvaziar tudo

e retornar a ser a criança que saiu do Tao para brincar no Parque Cósmico da Vida

O caminho é ser simples e infantil e nos divertirmos no carros-

sel da vida, sem complicações Todos verão um dia, quando essa jornada Terra terminar para todos nós, como são as coisas e como a verdade é simples

A verdade é simples, mas não tão simples que por causa de sua

simplicidade os homens não a encontram As pessoas a procuram nos Lugares mais distantes e formulam milhares de teorias para explicar as coisas O homem se perdeu em suas complicações e emaranhou-se no seu brinquedo cósmico O homem se assemelha a uma criancinha que, por acidente, esbarrou num complicado quebra-cabeça recém montado pelo pai Com muito medo de uma bronca do pai, a jovem criança fica perdida no meio das peças do quebra-cabeça tentando remontá-lo Na simplicidade você encontrará, meu filho, o caminho e as verdades que, iluminarão seu espírito Verás como tudo no Universo está perfeito como sempre foi Compreenderás as guerras, as doenças, as tristezas e perceberá sua razão lógica de ser Sede simples e sede uma criança Faça do seu Kung-Fu e do seu Tai-Chi o caminho de uma criança Sede feliz e divirta-se muito neste imenso “parque de Diversões CósmicasMuita paz a ti meu filho. Terminado o diálogo e a exposição do mestre, meu tempo havia se esgotado Despedi-me do mestre e agradeci suas generosas pa- lavras as quais transformaram radicalmente minha vida e meu caminhar por sobre a Terra

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Um Encontro Com o Tao Sentado à beira de um riacho, ouvia as águas cantando

Um Encontro Com o Tao

Sentado à beira de um riacho, ouvia as águas cantando o som alegre e harmonioso da vida Balbuciavam palavras harmoniosas do contínuo mudar e transformar das coisas Como era belo ouvir

a vida Em certos momentos meu ser confundia-se com as águas; minha mente, meu espírito eram o rio. Sentia que não tinha fim o meu caminhar, pois mal chegara ao mar e estava eu a nascer no princípio de uma nascente Meditei e senti meu ser infinito, sem princípio nem fim, longe

e distante do mundo das transformações Senti-me eterno Grande

era meu ser, pois tudo conseguia enfocar O espaço e o tempo com- primiam-se de tal forma em mim que vivi a magnificência do Todo.