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Eduardo Matsura

Comprar
ou
Vender?
Como Investir na Bolsa Utilizando Análise Gráfica

7ª edição
Agradecimentos

Esta nova edição “revisitada” do livro é fruto de uma parceria com a Nelogica Sistemas. Foi por
meio do software gráfico Profitchart RT (cujas imagens ilustram este livro) que tomei conhecimento
de novas formas de interpretar o Candlestick (falo dos indicadores Ichimoku e Heikin-Ashi). Mais
recentemente, por uma sugestão minha, também foi implementado o indicador CandleCode.
Agradeço também aos participantes do blog Nelogica (www.nelogica.com.br/ blog) pelas
sugestões de novos indicadores e críticas que muito ajudaram a aperfeiçoar o entendimento e a
prática destes indicadores.
Estrutura do Livro
A Análise Técnica possui uma infinidade de variações, que pode inicialmente levar o leitor a
imaginar que será incapaz de dominá-la completamente. Na verdade, são inúmeras variações sobre
alguns poucos fundamentos básicos; se você compreender os fundamentos, não terá dificuldades em
desenvolver e explorar outras técnicas.
Nosso propósito é desenvolver estes fundamentos, em uma sequência lógica, e enfatizar, em cada
um deles, o que é realmente importante do ponto de vista teórico e prático. Cada conceito importante
é ilustrado com exemplos recentes de ações da Bovespa.
O Capítulo 1 aborda as premissas da Análise Técnica, sobre as quais se desenvolvem as
principais técnicas. Charles Dow elaborou, no início do século passado, conceitos fundamentais,
como: o mercado não é aleatório, registra períodos de tendência definida e repete padrões de
comportamento. E esses padrões podem ser observados por meio dos gráficos de Barras e
Candlestick.
O Capítulo 2 ensina como definir tecnicamente uma tendência e avaliá-la usando conceitos de
Suporte e Resistência, bem como pontos-chave de reversão da tendência. São apresentadas também
técnicas para dimensionar o tamanho ou a extensão de uma tendência, a partir da teoria das ondas de
Elliott e das razões mágicas de Fibonacci.
A continuidade ou reversão de uma tendência pode ser sinalizada pelas formações típicas que
aparecem ao longo de um gráfico. No Capítulo 3, descrevemos as principais figuras de continuidade
e reversão de tendência.
Identificar figuras de reversão é particularmente importante, pois elas podem estar sinalizando o
final ou o início de uma tendência, o que pode significar uma grande oportunidade para aferir lucros.
O Capítulo 4 aborda as principais figuras de reversão do gráfico Candlestick, originário do Japão
do século XVIII.
Além do gráfico de preço, é possível construir gráficos auxiliares por meio de fórmulas
matemáticas programadas em computador. No Capítulo 5, abordamos os principais indicadores, que
ajudam a entender e a confirmar os padrões encontrados no gráfico de preço.
A Análise Gráfica resulta em um prognóstico a respeito da tendência do mercado e também em
uma expectativa sobre a amplitude do movimento. O grafista deve analisar a relação risco/retorno,
definir objetivos de lucro e se proteger, no caso de inversão da tendência; o Capítulo 6 trata de
gerenciamento de risco por meio dos gráficos.
Diversas técnicas gráficas podem ser utilizadas conjuntamente, resultando em uma análise mais
robusta e consistente. No Capítulo 7, exemplificamos a utilização sinérgica de várias técnicas,
aplicadas em duas estratégias distintas: seguir a tendência e ser contrária a ela.
O Capítulo 8 trata do uso de sistemas mecânicos de operação (Trading Systems) que utilizam
regras de compra e venda, programadas em computador. O Capítulo 9 trata de indicadores pouco
convencionais, mas que ganharam importância nos últimos anos. São apelidados de “segunda geração
dos Candlesticks”. Os indicadores Ichimoku, Heikin-Ashi e CandleCode facilitam a interpretação
convencional dos Candlesticks. Quando utilizados em conjunto definem um método completo para
operar ações. A Análise Técnica automatizada tem a vantagem de não se deixar influenciar pelo fator
emocional, mas perde pela rigidez das regras que deveriam se adaptar à dinâmica do mercado.
No final do livro, organizamos as Referências, em que indicamos os caminhos para o
aprofundamento dos tópicos, seja em livros, revistas ou sites.
Aviso

O objetivo deste livro é informar o leitor sobre conceitos e técnicas utilizadas no investimento
em ações e derivativos. Entretanto, não pretende fornecer receita infalível para obter sucesso em
investimentos de qualquer natureza. Os exemplos utilizados têm objetivos meramente didáticos, e não
representam recomendação de compra ou venda. O autor e a editora não se responsabilizam por
quaisquer resultados obtidos pelo leitor, devido a utilização de conceitos e estratégias contidas neste
texto.
O Editor.
Prefácio

Sorte. Cassino. Jogo. Essas palavras ainda surgem com muita frequência nas conversas sobre
investimentos e Bolsa de Valores no Brasil. Muitos justificam esse fato como sendo a herança de um
ambiente marcado por décadas de alta insegurança econômica e política, com taxas de inflação
estratosféricas e uma sucessão de planos econômicos problemáticos. Certamente esses fatores não
podem ser desconsiderados, mas existem outros ingredientes nesse contexto. O principal deles talvez
seja o conhecimento, ou melhor dizendo, a falta dele.
Os seres humanos tendem a ser naturalmente avessos ao risco, e isso é uma coisa boa do ponto
de vista da evolução, pois nos ajuda a evitar situações potencialmente prejudiciais. No entanto, no
que se refere ao mundo dos investimentos, olhamos para a Bolsa com clareza de julgamento? Ou
nossa visão já possui um viés negativo, soando alarmes de perigo?
Quanto mais conhecemos a realidade do mercado financeiro, mais vemos as coisas da maneira
como elas realmente são. Onde deveria haver apenas um jogo passamos a entender que há uma
dinâmica de preços que sobem e descem regidos por forças reais como oferta e demanda.
Essas forças e outros fatores interagem em um ciclo contínuo e em um ritmo cada vez mais
intenso. O mundo hoje é mais conectado do que jamais fora e os mercados refletem essa realidade.
Mas, como acompanhar o que está acontecendo? Como identificar as oportunidades e os riscos que
surgem a cada segundo?
A Análise Técnica nos ajuda a responder essas perguntas. Cada gráfico traz consigo uma
imensidão de informações apenas disponíveis aos olhos preparados, ou seja, aos olhos que possuem
o conhecimento. De repente, começamos a entender que o tão falado jogo na verdade tem muito, mas
muito, de ciência por trás e os riscos e probabilidades são muito mais administráveis e
quantificáveis do que pensávamos anteriormente.
Quem atua ou pretende atuar no mercado tem o dever de buscar essas informações se deseja
obter sucesso. Vivendo o mercado diariamente já por mais de uma década, posso afirmar que
Eduardo Matsura é um dos melhores guias que alguém poderia ter nessa jornada. Poucas pessoas no
Brasil conseguem aliar uma abordagem didática com um entendimento tão profundo da alma dos
mercados.
Na Nelogica trabalhamos com informação e tecnologia. Estamos constantemente desenvolvendo
novas ferramentas, com o intuito de oferecer todas as condições para que nossos clientes sejam cada
vez mais eficientes. Muitos dos melhores traders e analistas do mercado financeiro confiam e
dependem de nossos softwares. Nessa busca, que visa sempre fornecer o estado da arte, contar com
as opiniões e a visão do professor Matsura tem sido de um valor indescritível.
Esta é uma obra sólida. Sólida porque se inicia nas bases da Análise Gráfica com a teoria de
Dow, unifica a compreensão dos conceitos, apresentando técnicas de análise ocidentais e orientais,
chegando aos tópicos e tendências dos dias de hoje. Após a leitura, com toda a certeza, as altas e
baixas do mercado nunca mais serão as mesmas.
Marcos Rafael Boschetti
Sócio-diretor da Nelogica
Sumário

Introdução

Capítulo 1 – Fundamentos
O Mercado é Previsível?
Princípios da Análise Técnica
O preço desconta tudo
O Preço Tem Tendência
A história se repete
Tipos de Gráficos
Gráfico de Barras
Gráfico Candlestick
Gráfico de Barras x Gráfico Candlestick
Período do Gráfico
Teoria de Dow
I – O movimento dos preços pode ser dividido em três tendências
II – A tendência primária tem três fases
III – O volume confirma a tendência
IV – A tendência acaba com os sinais definitivos de Reversão

Capítulo 2 – Suporte e Resistência


Como Identificar a Força de Compradores e Vendedores
Tendência
Tendência de Alta
Linha de Tendência de Alta
Tendência de Baixa
Linha de Tendência de Baixa
Características da Linha de Tendência
Rompimento da Linha de Tendência
Tendência Lateral
Altas e Baixas memoráveis
Canal
Canal de Alta
Operar um Canal de Alta
Canal de Baixa
Operar um Canal de Baixa
Suporte e Resistência
Reta de Suporte
Força dos compradores
Reta de Resistência
Força dos vendedores
Características do Suporte e da Resistência
Níveis de Suporte e Resistência
Ondas de Elliott
Sequência de Fibonacci
Elliott e Dow

Capítulo 3 – Figuras
O Gráfico Esconde Padrões Que a Maioria dos Investidores Desconhece
Padrões de Continuidade
Retângulo
Continuidade da Tendência
Bandeira e Flâmula
Bandeira
Flâmula
Triângulo
Triângulo de Alta
Triângulo de Baixa
Triângulo Simétrico
Figuras de Reversão
Ombro-Cabeça-Ombro (OCO)
Ombro-Cabeça-Ombro Invertido
Topo Duplo
Fundo Duplo
GAPS
GAP Comum
GAP de Corte
GAP de Continuidade
GAP de Exaustão
Ilha de Reversão

Capítulo 4 – Candlestick
A Lógica do Comportamento do Mercado
Candlestick—Figuras Básicas
Dias longos
Marubozu
Dias curtos
Estrelas
Spinning tops
Paper umbrella
DOJI
Figuras de Reversão
Martelo
Homem enforcado
Padrão envolvente (Alta ou Baixa)
Mulher grávida (Harami)
Martelo invertido
Estrela cadente
Linha penetrante
Tempestade à vista
DOJI Star (Estrela DOJI)
Estrela da manhã
Estrela da tarde
Bebê abandonado (Alta ou Baixa)

Capítulo 5 – Indicadores
Análise Técnica Computadorizada
Médias Móveis
Médias Móveis – Períodos
Tipos de médias – simples x exponencial
Cruzamento – média x preço
Cruzamento – média x média
Moving Average Convergence Divergence – MACD
Indicadores: rastreadores de tendência x osciladores
Histograma MACD
Bandas de Bollinger
Osciladores
SobreCompra e SobreVenda
Divergência preço x oscilador
Divergência Negativa (de Baixa)
Divergência Positiva (de Alta)
Índice de Força Relativa – IFR
Divergências de Alta e de Baixa – IFR
Níveis de SobreComprado e SobreVendido – IFR
Momento
Estocástico
On Balance Volume – OBV

Capítulo 6 – Gerenciamento de Risco


Gráfico Ajuda a Definir o Risco e Retorno de Cada Operação
Stop de Lucro ou Objetivo
Stop Loss (Stop de Perda)
Stop Móvel
Suporte e Resistência
Ondas de Elliott
Fibonacci – Retrações ou Correções
Figuras
Candlestick
Indicadores

Capítulo 7 – Estratégias de Operação


Não Ter uma Estratégia É a Pior das Estratégias
Seguidor de Tendência
Swing Trader
Preço ou Indicador?
Candle e Indicadores
Triple Screen
Opções de Vale PNA (VALE5)
Ibovespa Futuro

Capítulo 8 – Trading System


O Futuro da Análise Técnica
Definição
Metodologia
Escolha de um Time Frame
Regras de Entrada e Filtros
Regras de Saída
Backtesting
Trading System, Aliado ou Substituto?
Aliado, e não substituto
“Turtles” – O Sistema Mais Famoso

Capítulo 9 – Um novo olhar sobre os Candlesticks


Ichimoku Clouds
Estratégias
Seguidor de tendência
CandleCode
Medir em vez de explicar
A estrutura do CandleCode
Regras de Utilização
Heikin-Ashi
Contra a Tendência
Opere a Favor e Também Contra a Tendência
Concluindo

Conclusão
Os Gráficos Não Mentem

Referências
Introdução

O Melhor Caminho é Fazer Você Mesmo!


Fazer fortuna na Bolsa é o sonho de muitos investidores, mas, para isso, é necessário tomar as
decisões certas, de forma consistente, durante vários anos; e isso não é nada fácil!
Você pode investir em um fundo de ações e passar a responsabilidade das decisões para um
profissional; mas ele não vai, e não pode, garantir sucesso ou fortuna para você, que ficará então
refém das decisões dos outros.
O melhor caminho é fazer você mesmo.
Você é capaz de obter sucesso, desde que tenha motivação e trabalhe seriamente, como se esse
fosse qualquer outro empreendimento de valor. Não há fórmula mágica para ganhar dinheiro na
Bolsa, e sim técnicas que o ajudam a tomar as melhores decisões e estão ao alcance de qualquer
pessoa.
Existem basicamente duas técnicas para analisar e decidir sobre compra e venda de ações:
Análise Fundamentalista e Análise Gráfica.
A Análise Fundamentalista é a preferida pelos profissionais analistas de mercado. É uma técnica
complexa, que exige conhecimentos de economia, administração, matemática financeira, além de
conhecimento especializado em setores de atividade econômica. É muito comum, nas Corretoras e
Bancos, os analistas se especializarem em setores, como alimentos, siderurgia, varejo,
telecomunicações etc., pois cada um deles possui particularidades importantes para o processo de
análise fundamentalista. Por exemplo, a recomendação de compra de ações da Usiminas deve ser
justificada pelo analista do setor de Siderurgia.
A Análise Técnica é muito utilizada pelos investidores pessoa física, talvez pela sua aparente
simplicidade, pois ela é basicamente a análise do gráfico histórico de preços de uma ação. Como
pode um simples gráfico indicar o melhor momento para comprar ou vender uma ação? A Análise
Técnica enfatiza que o mais importante é entender o comportamento do mercado, registrado no
gráfico de preços, que, por sua vez, é consequência de todas as informações realmente relevantes,
não importando quais informações são essas. Portanto, para a Análise Técnica, não há necessidade
de se avaliar outras informações, além do gráfico de preços.
Este livro se destina ao investidor pessoa física que ainda não tem um método para análise de
ações ou que tem interesse em conhecer e incluir a Análise Técnica no processo de investimento em
ações. A Análise Técnica pode ser utilizada em sinergia com a Análise Fundamentalista: ela pode ser
aplicada para decidir o melhor momento para comprar ou vender, uma ação escolhida utilizando
critérios fundamentalistas. A Análise Técnica também é denominada Análise Gráfica, e seus
praticantes são os grafistas ou analistas gráficos. Este livro vai ajudá-lo a ser um grafista de sucesso!
CAPÍTULO 1
Fundamentos

O Mercado é Previsível?
Para cada decisão que tomamos em nossa vida, levamos em conta as suas consequências, sejam
elas imediatas ou de longo prazo. Na verdade, estamos especulando o tempo inteiro: na escolha de
uma profissão, no dia a dia do nosso trabalho, nas relações familiares, na hora de decidir o que
vamos comer no almoço ou como vamos usufruir o final de semana. Escolhemos em função das
nossas melhores expectativas, que nem sempre são realizadas ou, pelo menos, não exatamente da
forma esperada – somos especuladores por natureza.
Da mesma maneira, por trás de cada ordem de compra e venda de ações, há uma pessoa com
motivações e expectativas únicas influenciando a sua decisão.
Mas o mercado é movido por uma massa de investidores, cujas decisões individuais são
somadas. O resultado pode ser um consenso ou um desequilíbrio de expectativas, que vão favorecer
a alta ou a baixa das ações.
A massa de investidores reflete padrões comportamentais, como ganância e medo, euforia e
pânico, que são recorrentes, pois são intrínsecos à natureza humana. Esses padrões podem ser
detectados e sugerir as situações mais previsíveis do mercado. Como detectar esses padrões?
No início do século XX, Charles Dow estudou o histórico de índices, que refletiam o
comportamento médio diário das Bolsas. Ele observou que o mercado não é aleatório, que há uma
lógica nos seus movimentos; e constatou que ele se move segundo tendências. Elas podem ser
identificadas por meio de gráficos, que contêm toda a informação relevante. Para se dar bem no
mercado, o investidor os utiliza para identificar uma tendência e investir a seu favor, até que
apareçam evidências contrárias.
O mercado não é previsível, mas existem oportunidades com maior chance de obter sucesso,
como aproveitar os movimentos de tendência definida, que explicaremos com mais detalhes a seguir.

Princípios da Análise Técnica


A Análise Técnica está baseada em alguns princípios, que formam a base conceitual para o
desenvolvimento de uma grande variedade de técnicas ou estudos. É preciso entender e acreditar na
validade desses princípios, para haver coerência na interpretação técnica dos gráficos.

O preço desconta tudo


Não é importante saber POR QUE os preços se movem em uma determinada direção; os motivos
podem ser os mais diversos e, na maioria das vezes, difíceis de descobrir.
Toda informação relevante está embutida no preço: macroeconomia, conjuntura setorial, balanço
de empresas, fatores políticos etc.
O importante é conhecer COMO os preços se movem, pois o que importa mesmo é saber quando
comprar ou vender, sem precisar entender o motivo da alta ou da baixa.
Mais que os próprios fatos, o importante é como o mercado os interpreta e age na forma da
movimentação dos preços.
Os movimentos de alta ou baixa, registrados em um gráfico, podem ser consequência de fatores
econômicos ou políticos, mas não importa a causa: toda a informação relevante está contida no
preço. O PREÇO DESCONTA TUDO!

Figura 1.1 Fatores políticos e econômicos movimentam a alta e a baixa do Ibovespa.

Fonte: www.nelogica.com.br

O Preço Tem Tendência


O comportamento da massa de investidores gera tendências consistentes; o mercado não é
aleatório e mostra situações de grande previsibilidade.
O movimento dos preços reflete a percepção positiva ou negativa dos investidores em relação
ao mercado. As expectativas mudam com frequência, mas existem períodos em que prevalece o
otimismo ou o pessimismo. Nesses períodos, observamos que, embora os preços oscilem, eles
caminham segundo uma tendência; é nessa situação que aparece a melhor oportunidade para
comprar ou vender.
No gráfico a seguir (Ibovespa diário), podemos observar claramente movimentos alternados de
Tendência de Alta e de Baixa. O objetivo do analista gráfico é detectar o início da tendência, a
melhor situação para entrar no mercado e, o final dela, quando o lucro é realizado.
Figura 1.2 O Ibovespa (1994-2012) alterna movimentos de alta e baixa.

Fonte: www.nelogica.com.br

A história se repete
O mercado é movido por pessoas, ou melhor, por uma massa de pessoas, cujo comportamento
segue a lógica emocional da perda e do ganho, do medo e da ganância.
O comportamento da massa acompanha determinados padrões que se repetem ao longo do
tempo. A repetição destes padrões, registradas no gráfico, aumenta a previsibilidade do mercado. A
Análise Técnica existe porque a história sempre se repete, com pequenas diferenças, mas com
padrões gráficos recorrentes.
A análise de padrões gráficos deve ser feita com muito cuidado, pois temos a tendência de
perceber padrões com muita facilidade, mesmo onde eles não existem.
Observar padrões relevantes e válidos é mais uma arte do que uma ciência, é uma habilidade
desenvolvida gradualmente, com muito estudo e prática.
Figura 1.3 O Ibovespa apresenta padrões recorrentes nas reversões de tendência.

Fonte: www.nelogica.com.br

Tipos de Gráficos
Há basicamente três formas de representar o gráfico de preços: Linha, Barras e Candlestick. A
forma mais simples de apresentar um gráfico de preços é o Gráfico de Linha.
O Gráfico de Linha, composto pelo preço de fechamento diário, é um gráfico simples, de fácil
visualização e suficiente para a identificação de alguns padrões gráficos.

Gráfico de Barras
Entretanto, existem outros preços importantes, além do de fechamento: o preço de Abertura, o
preço Máximo e o preço Mínimo do dia.

Uma das formas de representar os quatro preços é por meio do Gráfico de Barras. Nele, o valor
do preço é identificado ao longo de uma barra, sendo que o preço de abertura é indicado por um
traço horizontal à esquerda da barra, e o de fechamento, à sua direita.
O Gráfico de Linha nos dá apenas a informação sobre o fechamento do mercado, e não a
informação sobre a movimentação do preço durante o pregão. Os preços de abertura, máximo e
mínimo, encontrados no Gráfico de Barras, permitem as análises mais sofisticadas sobre o
comportamento do mercado.

Figura 1.4 Gráfico de Linha x Gráfico de Barras.

Fonte: www.nelogica.com.br

Gráfico Candlestick
O Gráfico Candlestick é formado por um corpo e por sombras superiores e inferiores. Como no
Gráfico de Barras, cada candle representa quatro preços: o corpo representa os preços de Abertura e
Fechamento, enquanto as sombras, os preços Máximo e Mínimo.

Figura 1.5 Gráfico Candlestick – corpo e sombras.

Quando o corpo é vazado, o candle é de alta, ou seja, o preço de fechamento está acima do
preço de abertura.
Quando o corpo do candle está preenchido, significa que o mercado fechou em baixa, ou seja, o
preço de fechamento está abaixo do preço de abertura.
A maioria dos softwares gráficos permite identificar os candles de alta e de baixa, por meio da
diferenciação das cores: azul ou verde para a alta e vermelho para a baixa, por exemplo.

Figura 1.6 Gráfico Candlestick – alta e baixa.

Gráfico de Barras x Gráfico Candlestick


O Gráfico de Barras e o Candlestick favorecem a análise mais detalhada do movimento dos
preços. Podemos identificar claramente os preços de abertura, máximo, mínimo e de fechamento. Em
geral, todas as técnicas desenvolvidas para o Gráfico de Barras podem ser aplicadas no Gráfico de
Candlestick, sem prejudicar a análise.
O Candlestick permite uma melhor visualização das tendências, pois o corpo vazado ou cheio
identifica rapidamente qual é a tendência, se de alta ou de baixa. Ele possibilita também identificar
uma série de padrões que não encontramos no Gráfico de Barras. Os principais padrões, na maioria
de reversões de tendência, serão apresentados no Capítulo 4, sobre Candlestick.

Figura 1.7 Gráfico de Barras x Candlestick – Ibovespa diário.

Fonte: www.nelogica.com.br
Período do Gráfico
Uma barra ou candle pode representar preços em qualquer intervalo de tempo: um dia, uma
semana, um mês ou um período intradiário, por exemplo de 15 minutos.
O mais comum é o Gráfico Diário, no qual os preços de abertura – máximo, mínimo e,
principalmente, o de fechamento – são mais significativos, pois o mercado faz um planejamento
diário para as suas operações.
Também é muito utilizado o período intradiário ou intraday, principalmente para ativos
negociados em mercados mais líquidos, como opções e futuros, em que se pratica o day trade ou a
compra e venda do ativo no mesmo dia.
É comum fazer análises simultâneas de gráficos, em diferentes períodos, com o objetivo de
utilizar táticas operacionais de curto prazo, mas com planejamento estratégico de longo prazo.
No entanto, o mais importante é que a Análise Técnica é válida para gráficos de diferentes
períodos, atendendo a estratégias de curto, médio e longo prazos.

Figura 1.8 Ibovespa mensal, semanal, diário e intradiário.

Fonte: www.nelogica.com.br

Teoria de Dow
Charles Dow, como já foi mencionado, foi um dos pioneiros da Análise Técnica e fez
importantes contribuições para o estabelecimento dos seus fundamentos.
Uma das principais premissas da Análise Técnica, a de que o preço incorpora todas as
informações relevantes, é oriunda de sua afirmação de que as médias descontam tudo.
Vamos analisar, a seguir, os demais tópicos da Teoria de Dow, sobre os quais se fundamentam
uma série de técnicas gráficas.
I – O movimento dos preços pode ser dividido em três tendências
Tendência primária (longo prazo)
É um movimento longo que pode ser de alta ou de baixa e leva a uma grande valorização ou
desvalorização dos ativos. As tendências primárias duram aproximadamente de um a dois anos.
Tendência secundária (médio prazo)
Normalmente, a tendência secundária dura alguns meses e pode corrigir até dois terços da
tendência primária, da qual ela faz parte.
Tendência terciária (curto prazo)
As tendências terciárias fazem parte das secundárias, durando em média algumas semanas. Elas
se comportam em relação às tendências secundárias da mesma maneira que as secundárias em
relação às primárias.

Figura 1.9 Tendência primária e secundária.

Fonte: www.nelogica.com.br

II – A tendência primária tem três fases


No caso da Tendência de Alta, Dow identificou as seguintes fases:
Acumulação
Alta Sensível
Euforia
No início da tendência, a maioria tem opinião contrária, e apenas uma pequena minoria começa
a se posicionar. São investidores que possuem alguma informação privilegiada, que, portanto,
justifica essa posição contrária.
A fase seguinte, Alta Sensível, é a fase em que a tendência pode ser confirmada tecnicamente.
Segundo Dow, é nesta fase que o investidor deve entrar no mercado.
A última fase da tendência, a Euforia, ocorre quando a informação é totalmente pública, e os
leigos no assunto resolvem entrar no mercado. É a hora em que os profissionais começam a se
desfazer lentamente das suas posições, realizando os lucros obtidos até então. Uma característica
desta fase final é a popularização súbita do mercado: se o engraxate estiver opinando sobre o
mercado, venda!

Figura 1.10 As três fases da Tendência de Alta – Pão de Açúcar PN Diário.

Fonte: www.nelogica.com.br
De forma análoga à Tendência de Alta, a de baixa também é dividida em três fases.

Distribuição
Baixa Sensível
Pânico
Na fase de Distribuição, os grandes investidores se desfazem lentamente de suas posições;
movimento iniciado na fase de Euforia, no final da Tendência de Alta.
Na fase seguinte, Baixa Sensível, a tendência pode ser confirmada tecnicamente – é nesta fase
que o investidor deve sair do mercado.
A última fase da tendência, o Pânico, ocorre quando a informação é totalmente pública e os
amadores resolvem se desfazer da posição a qualquer preço. É a hora em que os profissionais
começam a comprar e montar novas posições, antes do novo movimento de alta.

Figura 1.11 As três fases da Tendência de Baixa – Ibovespa diário.

Fonte: www.nelogica.com.br

III – O volume confirma a tendência


A tendência, para ser consistente, precisa da participação de um número crescente de
investidores, pois só assim ganhará força para dar continuidade à sua trajetória.
Entretanto, tome cuidado nos movimentos rápidos, associados a baixo volume negociado; são
situações típicas em que manipuladores criam altas ou baixas artificiais, gerando falsas tendências,
sem qualquer consistência.
No gráfico a seguir, repare que, no final da fase de euforia, o volume começa a decrescer,
divergindo do movimento de alta, que está próximo do fim.

Figura 1.12 O volume confirma a tendência – Usiminas PNA diário.

Fonte: www.nelogica.com.br

IV – A tendência acaba com os sinais definitivos de Reversão


Parece intuitivo identificar uma tendência, mas como saber até quando ela vai durar?

Durante o percurso do movimento de uma tendência, acontecem várias retrações em decorrência


de movimentos temporários de realização de lucros, para retornar em seguida à sua direção original.
Dow recomenda não se tentar antecipar o fim da tendência, mas se observar, por meio das
evidências, se ela realmente acabou, mesmo que isso reduza os seus lucros! O seguidor de tendência
só entra no mercado após a confirmação da tendência (fase de alta sensível); e ele só sairá quando
observar sinais definitivos de que a tendência acabou.
Charles Dow é um seguidor de tendência por excelência!
Veja na Figura 1.13 que, apesar de ocorrerem algumas reações secundárias durante o movimento
de alta, o final do movimento se configura apenas com o rompimento da linha que suporta a
tendência.

Figura 1.13 Sinais definitivos de reversão – Petrobras diário.

Fonte: www.nelogica.com.br
CAPÍTULO 2
Suporte e Resistência

Como Identificar a Força de Compradores e Vendedores


A Tendência de Alta é o resultado de uma força compradora maior, enquanto a Tendência de
Baixa reflete o domínio dos vendedores.
Qualquer que seja a tendência, o movimento não é uniforme: há momentos em que a força entre
compradores e vendedores se alternam, mesmo que de forma transitória. São situações em que ocorre
uma pequena reversão, mas a tendência principal é retomada em seguida, após uma breve realização
de lucros.
A tendência principal chega ao fim quando ocorre uma grande inversão de forças entre os
compradores e os vendedores. Nesse caso, a reversão da tendência é duradoura.
Veremos, neste capítulo, que a alternância de força entre compradores e vendedores, seja ela
transitória ou duradoura, pode ser detectada graficamente, gerando oportunidades de compra ou de
venda de ações.
Um método simples para o cálculo dos níveis de Suporte e Resistência utiliza a sequência de
números de Fibonacci, cujas razões (por exemplo, a divisão de um número pelo seu antecessor)
ajudam a medir a extensão de um movimento, seja ele de alta ou de baixa.
Ralph Nelson Elliott foi o responsável pela aplicação das razões de Fibonacci, com o objetivo
de medir os movimentos do mercado. Na sua época, década de 1920, já fazia parte do conhecimento
científico a descoberta da sequência de Fibonacci em diversos fenômenos naturais, como a estrutura
em espiral do Nautilus (tipo do concha) e a cadeia de reprodução de coelhos.
Elliott também utilizou as razões de Fibonacci na mensuração da estrutura de ondas, que é a
forma que descreve o movimento do mercado. Diferentemente da Teoria de Dow, a Teoria da Onda,
criada por Elliott, define regras que permitem prever a amplitude de cada movimento do mercado.

Tendência
A Teoria de Dow tem como principal fundamento o estudo das tendências.
Uma tendência parece visualmente evidente no Gráfico de Preços, mas, para detectá-la
corretamente, é necessário recorrer a uma definição mais técnica. A partir desta definição, será
possível analisar padrões gráficos mais elaborados, matéria-prima no processo da Análise Técnica.

Tendência de Alta
É caracterizada por fundos ascendentes.
Fundos são pontos de Suporte, nos quais a força dos compradores supera a dos vendedores;
fundos ascendentes significam que os compradores estão dispostos a comprar a preços cada vez mais
altos, dando sustentação e continuidade à Tendência de Alta.

Linha de Tendência de Alta


Uma Linha de Tendência de Alta é desenhada, unindo-se os fundos cada vez mais altos de um
movimento de alta.
Pode-se iniciar o desenho de uma Linha de Tendência de Alta ligando-se dois pontos (fundos).
No entanto, a linha somente será confirmada com o toque de um terceiro ponto.

Figura 2.1 Linha de Tendência de Alta (Cemig PN diário).

Fonte: www.nelogica.com.br

Tendência de Baixa
É caracterizada por topos descendentes.
Topos são pontos de Resistência, nos quais a força dos vendedores supera a dos compradores;
topos descendentes significam que os vendedores estão dispostos a vender a preços cada vez mais
baixos, dando sustentação e continui-dade à Tendência de Baixa.
Linha de Tendência de Baixa
Uma Linha de Tendência de Baixa é desenhada unindo-se os topos cada vez mais baixos de um
movimento de baixa.

Figura 2.2 Linha de Tendência de Baixa (Usiminas PNA Diário).

Fonte: www.nelogica.com.br

Características da Linha de Tendência


O grau de importância de uma Linha de Tendência é proporcional às vezes que ela é testada e a
sua duração.
Pode-se utilizar os preços máximo, mínimo e fechamento. No Gráfico Diário, o preço de
fechamento é mais importante, mas a ênfase deve ser dada à frequência de ocorrência do mesmo
nível de preço, independente do seu tipo.
A Linha de Tendência pode sofrer pequenas penetrações. A linha não tem precisão milimétrica,
deve-se utilizar o bom senso como parâmetro para uma boa análise.
Rompimento da Linha de Tendência
O rompimento de uma Linha de Tendência de Alta (Baixa) não sinaliza necessariamente o início
de uma Tendência de Baixa (Alta). O mercado pode começar a trabalhar dentro da distribuição
(acumulação).
A perda de uma Linha de Tendência indica apenas o encerramento da tendência atual. A quebra
da Linha de Tendência Alta (Baixa) deve ser confirmada com um fechamento abaixo (acima) dela.

Tendência Lateral
Caracteriza-se pela formação de topos e fundos no mesmo nível horizontal.
Ela representa o equilíbrio entre a pressão compradora e a vendedora, em que os preços são
negociados dentro de uma faixa delimitada por retas horizontais.
Algumas técnicas seguidoras de tendência não se aplicam na Tendência Lateral.

Figura 2.3 Tendência Lateral (SID Nacional ON diário).

Fonte: www.nelogica.com.br

Altas e Baixas memoráveis


A história recente do mercado internacional mostra exemplos de grandes movimentos de alta e
de baixa. As grandes crises internacionais têm reflexo imediato no mercado da Bovespa, conforme
podemos observar no gráfico do Ibovespa no período de julho de 1994 a março de 2012.
Na Figura 2.4, as Tendências de Baixa estão caracterizadas por topos descendentes; e a
Tendência de Alta, evidenciada pelos fundos ascendentes.
Figura 2.4 Altas e Baixas memoráveis (Ibovespa diário).

Fonte: www.nelogica.com.br

Canal
Em várias ocasiões o preço se movimenta para cima da Linha de Tendência de Alta e,
simultaneamente, para baixo de uma linha paralela a ela, delineando o que chamamos de canal.

Canal de Alta
Um Canal de Alta é desenhado traçando-se uma reta paralela à Linha de Tendência de Alta e, ao
mesmo tempo, unindo-se os topos ascendentes.

Operar um Canal de Alta


Num Canal de Alta, o teste da Linha de Tendência pode ser utilizado para o aumento de posições
de compra e o topo da figura, para a realização do lucro.
A quebra da Linha de Tendência sinaliza o final de uma tendência. Já o rompimento da linha
paralela à Linha de Tendência apenas implica uma aceleração do movimento atual.
Figura 2.5 Canal de Alta (Gerdau PN diário).

Fonte: www.nelogica.com.br

Canal de Baixa
Um Canal de Baixa é desenhado traçando-se uma reta paralela à Linha de Tendência de Baixa e,
ao mesmo tempo, unindo-se os fundos descendentes.

Operar um Canal de Baixa


Num Canal de Baixa, o teste da Linha de Tendência pode ser utilizado para o aumento de
posições de venda e o fundo da figura, para a realização de lucro.
A quebra da Linha de Tendência sinaliza o final de uma tendência. Já o rompimento da linha
paralela à Linha de Tendência apenas implica uma aceleração do movimento atual.
Figura 2.6 Canal de Baixa (Petrobras PN diário).

Fonte: www.nelogica.com.br

Suporte e Resistência
O mercado é uma disputa entre compradores e vendedores; quando os compradores
predominam, temos uma Tendência de Alta, enquanto na baixa preponderam os vendedores.
A Tendência de Alta pode terminar e até reverter quando os vendedores se tornam mais fortes
que os compradores. Essa situação caracteriza o conceito de Resistência.
Na Baixa, o conceito de Suporte identifica a situação em que os compradores se igualam ou
predominam sobre os vendedores.

Reta de Suporte
O Suporte representa o nível de preço no qual a pressão compradora supera a vendedora e
interrompe o movimento de baixa. É identificado por uma linha horizontal, traçada a partir de um
fundo anterior.
Força dos compradores
No gráfico a seguir, podemos observar que o movimento de baixa, iniciado em janeiro, encontra
pontos de Suporte no final deste mês e acaba revertendo a situação para uma Tendência de Alta. Este
mesmo nível de Suporte deverá ser testado na atual Tendência de Baixa, iniciada em março.

Figura 2.7 Reta de Suporte (Santander BR diário).

Fonte: www.nelogica.com.br

Reta de Resistência
A Resistência representa o nível de preço no qual a pressão vendedora supera a compradora e
interrompe o movimento de alta. É identificada por uma linha horizontal, traçada a partir de um topo
anterior.

Os topos representam regiões em que a pressão vendedora volta a ser mais forte em relação à
força compradora. Em uma Tendência de Alta, retratam uma pausa em seu curso e tendem a ser
superados em algum momento.
Força dos vendedores
No gráfico a seguir, podemos identificar diversos pontos de Resistência, que, unidos, compõem
uma Reta de Resistência: abril, maio e junho de 2012.
Quanto mais pontos de Resistência houver, mais forte será a Reta de Resistência. Quanto mais
longo for o período coberto pela reta, mais forte será a Resistência. O mesmo conceito se aplica à
Reta de Suporte.

Figura 2.8 Reta de Resistência (Dasa ON diário).

Fonte: www.nelogica.com.br

Características do Suporte e da Resistência


A dificuldade de uma tendência superar um Suporte ou uma Resistência pode significar uma
sinalização de mudança da tendência.

Quanto mais tempo o movimento respeitar o nível de Suporte/Resistência, mais relevante será o
Suporte/Resistência.
A vantagem de se traçar uma Reta de Suporte ou Resistência é poder prever futuros pontos de
Suporte e Resistência. Estes pontos estariam contidos no prolongamento das retas; e o eventual
rompimento de uma delas, poderia significar o final da tendência.
O rompimento do Suporte/Resistência geralmente é acompanhado pelo aumento do volume
negociado.
A importância de um Suporte/Resistência também está relacionada ao tempo em que ele ocorreu;
se for mais recente, o Suporte/Resistência será mais significante.
Normalmente, o Suporte rompido se transforma em Resistência, analogamente, a Resistência
superada se transforma em Suporte.

Níveis de Suporte e Resistência


Podemos identificar diversos níveis de Suporte ou Resistência durante uma Tendência. Na
Figura 2.9, no período de abril a outubro de 2012, podemos identificar quatro pontos de Suporte do
Ibovespa.

Figura 2.9 Níveis de Suporte e Resistência (Ibovespa diário).

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Ondas de Elliott
Na década de 1930, Ralph Nelson Elliott começou a analisar o mercado de ações, especialmente
o Índice Dow Jones, e acabou publicando uma série de artigos na Financial World Magazine. Nesses
artigos, ele apresentou, pela primeira vez, a Teoria da Onda.
Segundo Elliott, o movimento do preço sempre segue o seguinte padrão:
a Tendência Principal é composta de cinco ondas: ondas 1, 2, 3, 4 e 5;
a correção da Tendência Principal é composta de três ondas; a, b e c;
um ciclo completo é, portanto, composto de oito ondas.
A seguir, um exemplo de movimento de alta; a mesma estrutura é válida para um movimento de
baixa.
Figura 2.10 Movimento do preço.

Dentro de uma tendência, podem ocorrer Ondas de Impulso e Ondas Corretivas. As ondas de
impulso 1, 3, 5, a e c são a favor da tendência.
As ondas corretivas 2, 4 e b são ondas que impedem temporariamente o avanço da tendência.
Perceba que as ondas a e c são de impulso, pois estão a favor da tendência da onda que corrige a
tendência principal.

Figura 2.11 Ondas de Impulso e Corretivas.

As Ondas de Elliott possuem uma estrutura básica, que se repete em vários níveis. O ciclo
completo de oito ondas pode conter ou estar contido em outros níveis de ondas.
O analista que utiliza a Teoria da Onda deve procurar identificar, em um gráfico aparentemente
caótico, a estrutura das Ondas de Elliott. Este tipo de estrutura, que se multiplica em diversos níveis,
é denominado Fractal e encontrado em diversos fenômenos naturais.
Figura 2.12 Estrutura Fractal das ondas.

Figura 2.13 Ondas de Elliott (Suzano PNA diário).

Fonte: www.nelogica.com.br
Figura 2.14 Ondas de Elliott (MMX ON diário).

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Sequência de Fibonacci
Leonardo de Pizza (Fibonacci) foi o matemático mais notável da Idade Média (século XIII).
Além de revolucionar o sistema de contagem indu-arábico, inventou uma sequência numérica
encontrada em diversos fenômenos da natureza, por exemplo, no animal marinho Nautilus (figura) e
nas proporções do corpo humano.
Os números da sequência de Fibonacci são obtidos por meio da soma dos dois números
anteriores:
1, 1, 2, 3, 5, 8, 13, 21, 34, 55, 89.
Exemplo: 1+1 = 2; 1+2 = 3; 2+3 = 5; 3+5 = 8; 5+8 = 13.
A divisão de um número qualquer de Fibonacci pelo seu posterior resulta sempre em uma razão
próxima de 62%.
Exemplo: 21/34 é igual a 34/55, que é igual a 55/89, que é igual a 0,61803 ou cerca de 62%.
O seu inverso será sempre próximo de 1.618.
A divisão pelo segundo posterior resulta em uma razão próxima de 38%.
Exemplo: 13/34 = 21/55 = 34/89 = 0,38197
O seu inverso será sempre próximo de 2.61.
Esta razão, denominada Razão de Ouro, foi utilizada por Elliott para medir o comprimento das
ondas. O grande mérito de Elliot foi ter sido o primeiro a utilizar as séries de Fibonacci no mercado
financeiro.

Figura 2.15 Nautilus.

As Ondas Corretivas seguem uma razão de ouro; é muito frequente se encontrar uma Onda 2, que
corrige a Onda 1, numa razão próxima de 62%.
Dessa forma, dado o comprimento da Onda 1, é possível fazer uma previsão da Onda 2 em torno
de 62% da Onda 1.
A razão de ouro, ou número Phi, também pode ser usada para a previsão das ondas de impulso.
Nesse caso, podemos observar que a Onda 3 superou o pico da Onda 1 na razão de
aproximadamente 62%.
Outra razão muito encontrada nas Ondas de Elliott é a de 38%.
A seguir, no gráfico do Ibovespa diário, podemos visualizar como a razão de ouro ocorre em
uma estrutura de Ondas de Elliott.
A Onda 3 superou o pico da Onda 1 em aproximadamente 62%.
A Onda 4 corrigiu a Onda 3 em aproximadamente 38%. A Onda A corrigiu a Onda 5 em
aproximadamente 62%.
Em todos esses casos, um planejamento de operações para esses pontos críticos vai explorar
uma excelente oportunidade de obter alto retorno com um baixo risco.

Figura 2.16 Ondas de Elliott e Fibonacci (Ibovespa diário).

Fonte: www.nelogica.com.br
As Ondas 1 e 2 são importantes porque ajudam a identificar a Onda 3.
Uma das regras mais importantes é a de que a Onda 2, que corrige a Onda 1, não pode romper a
origem da Onda 1.

Elliott e Dow
Há uma correspondência das Ondas de Elliott com a Teoria de Dow.
As Ondas 1 e 2 de Elliott correspondem à fase de acumulação da tendência de Dow. As duas
teorias sustentam que é difícil identificar o início desta fase e, portanto, não é o momento mais
técnico para entrar no mercado.

Figura 2.17 Ondas 1 e 2 – Acumulação.

Entrar no mercado pela Onda 3 é o sonho de todo seguidor de Elliott.


A Onda 3 tem a vantagem de ser geralmente a maior das Ondas; é nela que devemos surfar! A
Onda 4 corrige a Onda 3, mas não pode ultrapassar o pico da Onda 1. As Ondas 3 e 4 de Elliott
correspondem à fase de Alta Sensível de Dow. As duas teorias recomendam entrar no mercado neste
momento, pois ele é o melhor.
Figura 2.18 Ondas 3 e 4 – Alta Sensível.

A Onda 5 é a última onda de impulso. Ao final dela, começa a correção da tendência principal.
Esta correção é representada pelas Ondas a, b e c.
É muito comum o comprimento da Onda 5 ficar próximo do comprimento da Onda 1.
Durante a Onda 5, enquanto a multidão começa a entrar, o dinheiro esperto começa a desfazer as
suas posições.
As Ondas 5 e a, b, c, de Elliott, correspondem à fase de Euforia e Distribuição de Dow. É o
momento certo para realizar lucros e sair do mercado!
Figura 2.19 Ondas 5, a, b, c – Euforia e Distribuição.
CAPÍTULO 3
Figuras

O Gráfico Esconde Padrões Que a Maioria dos Investidores


Desconhece
Ao analisar o gráfico de preços, o analista técnico é capaz de visualizar diversas formações que
podem significar padrões de continuidade ou reversão de uma tendência.
Veremos, neste capítulo, como identificar essas figuras e quais são as suas consequências em
relação à tendência do mercado.
O gráfico de preços é uma representação do comportamento da massa de investidores e possui
padrões que se repetem com frequência. Eles ficam registrados nos gráficos, em formações que
lembram figuras – como triângulos, retângulos, bandeiras e outras mais elaboradas, por exemplo, a
que se assemelha à formação de um ombro, seguido da cabeça e do segundo ombro.
Algumas figuras aparecem durante uma tendência e representam uma pausa temporária para, em
seguida, retomar o movimento na direção da tendência; elas são classificadas como de continuidade
da tendência. Por outro lado, existem formações características de reversão de tendência; neste caso,
é possível constatar, pela própria configuração da figura, que a tendência está perdendo força e que a
supremacia do poder de compradores ou vendedores está se invertendo.
Uma característica das figuras é que, além da identificação de padrões de continuidade ou
reversão, elas sugerem uma projeção do movimento futuro, isto é, até que nível deve chegar o preço.
Essa projeção é baseada no tamanho da figura.
Normalmente, o movimento dos preços segue um padrão de continuidade, isto é, a sequência de
preços, para cima ou para baixo, ocorre gradualmente, de forma contínua. Entretanto, existem
situações de descontinuidade (GAP), em que a sequência de preços salta de um determinado nível
para outro, deixando um “buraco” no gráfico. Essas formações podem identificar padrões de
continuidade ou reversão.
A identificação das figuras é uma arte, não há uma fórmula exata, apenas uma série de princípios
que servem de orientação para o seu processo de análise e classificação.

Padrões de Continuidade
Durante sua história, o mercado aprendeu a identificar diversos padrões gráficos, que refletem o
comportamento recorrente dos investidores e sugerem uma projeção do movimento futuro do
mercado.
Quando eles aparecem no meio de uma tendência, podem representar apenas uma pausa no
movimento da tendência principal, cuja direção original pode ser retomada. É natural, após um
período de tendência, ocorrer um período de acomodação no qual os investidores têm dúvida sobre a
continuidade ou não da tendência. Neste período, é comum o preço oscilar entre Retas de Suporte e
Resistência. Caso o rompimento de uma dessas retas esteja na direção da tendência principal, fica
configurado o padrão de continuidade.
As figuras são constituídas de vários candles ou barras (depende do tipo de gráfico) e
delimitadas por formatos geométricos, como retângulos, triângulos, bandeiras etc.
Uma característica importante dessas figuras é a possibilidade que elas oferecem de projetar a
extensão do movimento de continuidade da tendência, a partir das medidas da própria figura; existe
uma tendência de movimento simétrico à extensão da figura.
O critério para o traçado das retas que delimitam a figura deve ser o da utilização de pontos que
representam os níveis mais significativos de preço, não necessariamente os pontos extremos de cada
candle ou barra.
É preciso ter em mente que um movimento que origina uma figura de continuidade pode ser
também um formador de padrão de reversão, pois, muitas vezes, o mesmo movimento também tem
uma probabilidade de formar uma figura de reversão de tendência.

Figura 3.1 Padrões de continuidade (BRF Foods ON diário).

Fonte: www.nelogica.com.br

Retângulo
O retângulo é uma figura caracterizada pela formação de uma Reta de Resistência e uma Reta de
Suporte aproximadamente horizontais e paralelas. Essa formação aparece em momentos de
congestão, e significa movimento sem tendência ou lateral, suscitando dúvidas sobre a retomada e
continuidade da tendência.
Enquanto os preços oscilam dentro dos limites estabelecidos pelas Retas de Suporte e
Resistência, os investidores mais agressivos giram parte das suas posições, vendendo sempre que o
preço atingir a Resistência e comprando sempre que o Suporte é atingido.
Figura 3.2

Continuidade da Tendência
Em uma Tendência de Alta, após o provável rompimento da Reta de Resistência, o movimento
retoma a tendência principal e tem como objetivo a distância equivalente à altura que separa as Retas
de Suporte e Resistência.
Caso o rompimento seja para baixo (Reta de Suporte rompida) a figura não deve ser interpretada
como retângulo (figura de continuidade); ela pode ser entendida como um topo duplo ou triplo (veja
figuras de reversão), que configuram um padrão de reversão.

Figura 3.3 Retângulo de Baixa (Lojas Renner ON diário).

Fonte: www.nelogica.com.br
Figura 3.4 Retângulo de Alta (Souza Cruz ON diário).

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Bandeira e Flâmula
São duas figuras que indicam a continuidade da tendência. Estas formações são resultado de um
breve período de acomodação do preço, que, após uma pausa, volta a se movimentar na direção da
tendência principal. Estas figuras são formadas sempre na direção contrária à tendência principal.

Bandeira
É caracterizada por linhas paralelas que formam um pequeno canal de tendência; já na figura da
Flâmula, as linhas são convergentes.
Ambas as figuras são precedidas de longa tendência que acaba se parecendo com o mastro de
uma flâmula ou bandeira. Após a retomada da tendência, o mercado volta a realizar um movimento
com a mesma amplitude que precedeu a figura (mastro).
Figura 3.5 Bandeira de Alta (Natura ON diário).

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Flâmula
Figura semelhante à Bandeira, é caracterizada por linhas convergentes que formam um triângulo,
cuja direção é contrária à tendência principal.
A formação da Flâmula é precedida de longa tendência que acaba se tornando o equivalente ao
Mastro da Flâmula.
Após a retomada da tendência, o mercado volta a realizar um movimento com a mesma
amplitude do Mastro.
Figura 3.6 Flâmula de Alta (Fibria ON diário).

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Triângulo
A figura do triângulo é caracterizada pela convergência de Linhas de Tendência e Retas de
Suporte ou Resistência. Podemos classificá-los em três tipos:
de Alta ou Ascendente;
de Baixa ou Descendente;
Simétrico.

Triângulo de Alta
Esta figura é constituída por uma linha superior horizontal (Reta de Resistência) e uma inferior
(Linha de Tendência) ascendente, mostrando poder maior por parte dos compradores. É uma figura
altista e sua confirmação é feita pelo corte da Reta de Resistência; a projeção do movimento é dada
pela altura do triângulo.
Figura 3.7 Triângulo de Alta (Lojas Americanas PN diário).

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Triângulo de Baixa
O Triângulo de Baixa é uma figura formada por uma linha inferior horizontal (Reta de Suporte) e
uma superior (Linha de Tendência) descendente, o que mostra a maior força dos vendedores. É uma
figura baixista e sua confirmação acontece pelo corte da Reta de Suporte; a projeção do movimento é
dada pela altura do triângulo.
Figura 3.8 Triângulo de Baixa (Cyrela ON diário).

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Triângulo Simétrico
O Triângulo Simétrico é diferente dos anteriores por dois motivos:
1. É formado por duas linhas inclinadas (Linhas de Tendência); não utiliza Reta de Suporte ou
Resistência;
2. O rompimento do triângulo pode ocorrer em qualquer uma das Linhas de Tendência, o que
oferece a possibilidade de descontinuidade da tendência principal. O rompimento do vértice
superior pode representar a continuidade da Tendência de Alta, e o do vértice inferior, a
reversão da Tendência de Alta.
Nas formações triangulares, o volume tende a diminuir quando o triângulo se forma; a subir
quando ocorre o rompimento da Linha de Tendência e pode diminuir no pull-back (pequena retração
do movimento principal) e aumentar na retomada da tendência.
Figura 3.9 Triângulo Simétrico (All Logística ON diário).

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Figuras de Reversão
O primeiro sinal de mudança da tendência é o rompimento de uma Linha de Tendência,
fundamento que faz parte dos princípios da Teoria de Dow.
Muitas vezes, o rompimento da Linha de Tendência é precedido por determinadas formações que
chamamos de figuras de reversão.
Vale a pena lembrar que as figuras que chamamos de reversão podem sinalizar apenas o início
de um “mercado de lado” (tendência lateral), e não necessariamente o início de uma tendência
contrária ao movimento principal. Por outro lado, a caracterização de uma figura de reversão
aumenta significativamente a probabilidade de reversão do movimento.
Antes da verificação de uma figura de reversão, é fundamental identificar uma clara tendência
em curso (condição necessária para ocorrer a reversão).
Figura 3.10 Figuras de reversão (Marfrig ON diário).

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Ombro-Cabeça-Ombro (OCO)
Esta figura, como qualquer outra de reversão, é um refinamento do conceito de tendência,
caracterizado como um movimento de sucessivos topos e fundos ascendentes.

Observe que, no OCO, até a formação da cabeça (C), a tendência é de alta; a quebra da Linha de
Tendência (segundo fundo, no mesmo nível que o anterior, e terceiro topo, inferior ao topo anterior) é
o primeiro sinal de alerta.
Ligando-se os dois fundos, localizados entre os ombros, podemos traçar a Linha de Pescoço. O
fator decisivo na definição do OCO é o rompimento da Linha de Pescoço, que dá origem a uma
Tendência de Baixa.
O objetivo, após a ruptura da Linha de Pescoço, é medido pela distância vertical entre a Linha
de Pescoço e o ponto máximo da cabeça.
Projeta-se este objetivo, a partir do ponto de ruptura da linha de pescoço.
Figura 3.11 Ombro-Cabeça-Ombro (Telefonica PN diário).

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Ombro-Cabeça-Ombro Invertido
A figura Ombro-Cabeça-Ombro pode ser invertida.

Neste caso, ela é formada por um primeiro fundo que é o ombro esquerdo; um segundo fundo
maior que é a cabeça e um terceiro fundo que é o ombro direito. A Linha do Pescoço é a Reta de
Resistência formada pelos topos da figura.
A reversão da Tendência de Baixa acontece com o rompimento da Linha de Pescoço, e sua
extensão é determinada pela distância da Linha do Pescoço até o extremo da cabeça.
Figura 3.12 Ombro-Cabeça-Ombro invertido (Gerdau PN diário).

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Topo Duplo
O Topo Duplo é caracterizado pelo aparecimento de dois topos, que formam uma figura com o
formato da letra “M”.
Com isso, é possível traçar, nos topos, uma Reta de Resistência, e, no fundo, uma Reta de
Suporte.

Com o rompimento do Suporte, a projeção da baixa é igual a distância entre o topo e o fundo.
O volume deve ser menor no segundo topo em relação ao primeiro.
Quanto maior for o tempo entre os dois topos, mais significativa se tornará a figura.
Figura 3.13 Topo duplo (BMF Bovespa ON diário).

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Fundo Duplo
A figura conhecida como Fundo Duplo apresenta dois fundos, que formam uma figura parecida
com a letra “W”.

De forma análoga à figura anterior, traçamos uma Reta de Resistência no topo e uma Reta de
Suporte nos fundos.
Com o rompimento da Reta de Resistência, a projeção de alta será igual à distância entre os
fundos e o topo.
Figura 3.14 Fundo duplo (Copel PNB diário).

Fonte: www.nelogica.com.br

GAPS
GAPS é uma denominação que descreve um movimento no qual ocorre uma descontinuidade dos
preços: o preço dá um salto ou uma queda, formando um intervalo em que não houve negócio.
Essa situação acontece, muitas vezes, em função de algum fato inesperado, divulgado após o
fechamento do pregão, quando não existe a possibilidade de negociação imediata. Os investidores
têm mais tempo para digerir o fato novo e, eventualmente, concluir que o nível de preço se deslocou
para um novo patamar.
As ações que possuem ADR’s equivalentes, negociadas em Nova York, estão sujeitas a GAP’s
nos períodos em que esses mercados não operam simultaneamente. Nos dias em que é feriado em São
Paulo e ocorrem mudanças de preços significativas em Nova York, a Bovespa abre com GAP, e o
preço, em São Paulo, é ajustado imediatamente.
Dependendo do contexto e das suas consequências, podemos classificar os GAPS em quatro
tipos:
Comum (Área);
Corte;
Continuidade (Medida, Fuga);
Exaustão;
Ilha de Reversão.
Figura 3.15 GAPs (Petrobras PN diário).

Fonte: www.nelogica.com.br

GAP Comum
Aparece em movimento de congestão, seja de acumulação ou de distribuição.
Normalmente, isso não implica aumento de volume; os GAPS são fechados rapidamente, ou seja,
o preço retorna ao patamar anterior.

GAP de Corte
Sinaliza o início de uma tendência e/ou rompimento de uma congestão.
Rompe o padrão de comportamento vigente, indicando um novo padrão de movimento.
Atente para o possível aumento de volume, que vai dar maior consistência à nova tendência.
Figura 3.16 GAP Comum e GAP de Corte (Petrobras PN diário).

Fonte: www.nelogica.com.br

GAP de Continuidade
Sinaliza a continuidade de uma tendência. Diferentemente do GAP de Corte, ele ocorre quando a
tendência já está definida.

GAP de Exaustão
Sinaliza o final de uma tendência; é o esforço derradeiro dos investidores que estão
posicionados a favor da tendência.
O mercado está supercomprado (ou supervendido), os compradores (ou vendedores) já estão
perdendo a força, e é iminente o final da tendência.
Depois de um período de oscilações, normalmente o GAP é preenchido.
Figura 3.17 GAP de continuidade e exaustão (Petrobras PN diário).

Fonte: www.nelogica.com.br

Ilha de Reversão
É caracterizado por dois GAPS, sendo o que o primeiro é de exaustão.
Após o primeiro GAP, os preços entram em uma faixa de congestão e, em seguida, ocorre o
segundo GAP, invertendo a tendência anterior.
Esse padrão é um forte sinalizador de reversão de tendência, ele também é conhecido como Ilha
de Reversão.
Figura 3.18 GAP Ilha de Reversão (Petrobras PN diário).

Fonte: www.nelogica.com.br
CAPÍTULO 4
Candlestick

A Lógica do Comportamento do Mercado


Os japoneses começaram a usar a Análise Técnica no mercado de arroz em meados do século
XVIII. O desenvolvimento da técnica do Candlestick deve-se a Homma, um legendário negociante de
arroz de Sakata, Japão. No ocidente, o Candlestick foi introduzido por um analista técnico da
corretora Merril Lynch. Steve Nison publicou um artigo, em 1990, que se tornou um sucesso. Ele era
o resumo das principais ideias do Candlestick e foi reproduzido não só nos Estados Unidos, como no
mundo todo, inclusive no Brasil. Hoje, o Gráfico de Candlestick é tão popular quanto o Gráfico de
Barras e é o preferido dos operadores de curto prazo, seja um Day trader ou Swing trader.
O Candlestick, da mesma forma que o Gráfico de Barras, é formado pela representação dos
preços de Abertura, Máximo, Mínimo e Fechamento. O grande diferencial em relação ao Gráfico de
Barras é a ênfase nos preços de abertura e fechamento; a visualização da alta ou da baixa fica mais
evidente no Gráfico do Candlestick.
Além das figuras estudadas no Capítulo 3, o Candlestick apresenta figuras específicas, a maioria
sinalizando reversões de tendência. Essas figuras recebem denominações que tentam traduzir o
formato ou o significado da formação; são nomes exóticos, como Homem Enforcado, Martelo,
Estrela da Manhã, Tempestade à Vista etc.
As figuras do Candlestick podem se formar a partir de uma única barra, ou candle, ou podem
ser a combinação de vários candles, mas o importante é o contexto em que está inserida a figura.
Dependendo do contexto, a mesma figura pode significar alta ou baixa.
É possível operar nos mercados utilizando apenas o Candlestick; o importante é entender a
lógica comportamental que dá origem à figura e que traduz a briga entre compradores e vendedores.
Embora existam regras para a identificação e classificação das figuras, elas não devem ser
interpretadas de forma rígida, deve-se, acima de tudo, interpretar os candles como a representação
do aspecto comportamental do mercado: quem está mais forte, o comprador ou o vendedor?

Candlestick — Figuras Básicas


Para entender a estrutura elementar de um Candlestick, veja a descrição no Capítulo 1. Antes de
abordarmos suas principais formações, é conveniente conhecermos as figuras básicas que o compõe.
A inserção destas figuras em determinados contextos geram padrões de reversão ou continuidade da
tendência.
Dias longos
Um dia longo representado por um forte movimento de preço, desde a abertura até o fechamento,
com predomínio dos compradores (longo corpo vazado) ou dos vendedores (longo corpo
preenchido).

Marubozu
Marubozu é uma expressão japonesa que quer dizer careca; representa um longo dia de alta ou o
inverso, um longo dia de baixa. Observamos que não existem sombras, isto é, os preços máximos e
mínimos são iguais ou muito próximos ao preço de abertura ou fechamento. O Marubozu representa
os dias em que os compradores ou vendedores dominaram completamente o mercado.

Dias curtos
Representa os dias em que nenhum dos preços (abertura, máximo, mínimo ou fechamento) tem
movimento significativo, resultando em um equilíbrio entre compradores e vendedores

Estrelas
Caracterizado por pequenos corpos reais em GAP (região na qual não ocorre negociação),
acima ou abaixo de um corpo real longo, formam par com várias figuras de reversão.
Spinning tops
O Spinning top, que talvez possa ser traduzido por peão girador, representa uma situação de
relativo equilíbrio entre compradores e vendedores, mas com forte oscilação de preço.

Paper umbrella
Paper umbrella quer dizer guarda-chuva de papel, em inglês.
São figuras que aparecem no final de tendências, com forte indicação de reversão.

DOJI
A DOJI ocorre quando os preços de Fechamento e de Abertura são praticamente iguais.

O comprimento das sombras superior e inferior pode variar, resultando em diferentes tipos de
DOJI:
Star ou Estrela — possui uma sombra superior e inferior aproximadamente do mesmo
tamanho.
Gravestone ou Tumba — possui apenas uma sombra superior longa.
Dragonfly ou Libélula — possui apenas uma sombra inferior longa.

Isoladamente, o DOJI é considerado padrão de equilíbrio ou de indecisão do mercado, que,


muitas vezes, antecede a importantes reversões de tendência.

Figura 4.1 Elementos básicos do Candlestick (Petrobras PN diário).

Fonte: www.nelogica.com.br

Figuras de Reversão
As principais figuras do Candlestick são figuras que sinalizam a reversão de uma tendência e
recebem nomes específicos, conforme o contexto. Estes nomes são traduções de termos japoneses,
que contêm um forte significado simbólico.
As figuras, em geral, indicam a possibilidade de reversão, mas elas precisam ser confirmadas.
Vamos analisar as características e a lógica comportamental de cada uma delas.

Martelo
Características:
um pequeno corpo real no final de uma tendência de baixa;
a cor do corpo é indiferente;
a sombra inferior dever ser duas ou três vezes maior que o corpo;
a sombra superior é inexistente ou muito pequena.
Lógica comportamental:
mercado em tendência de baixa;
mercado abre e cai rapidamente;
compradores reagem e mercado fecha próximo da máxima;
vendedores perdem força.

Figura 4.2 Martelo (CESP PNB diário).

Fonte: www.nelogica.com.br
Homem enforcado
Características:

um pequeno corpo real no final de uma Tendência de Alta;


a cor do corpo é indiferente;
a sombra inferior dever ser duas ou três vezes maior que o corpo;
a sombra superior é inexistente ou muito pequena.
Lógica comportamental:
mercado em Tendência de Alta;
mercado abre e negocia, próximo da máxima;
compradores se desfazem da sua posição;
compradores perdem força.
Figura 4.3 Homem enforcado (Klabin PN diário).

Fonte: www.nelogica.com.br

Padrão envolvente (Alta ou Baixa)


Características:

composto por dois candles;


corpo real envolve o corpo real anterior;
corpos reais com cores alternadas (veja Figuras ao lado);
corpos com sombras inferior e superior pequenas.
Lógica comportamental:
mercado em Tendência de Baixa ou Alta;
mercado abre a favor da tendência predominante;
mercado reage e fecha contra a tendência predominante;
tendência predominante perde força.

Figura 4.4 Padrão envolvente (Cielo ON diário).

Fonte: www.nelogica.com.br

Mulher grávida (Harami)


Características:
composto por dois candles;
corpo real envolvido pelo corpo real anterior;
corpo real envolvido de cor indiferente;
corpos com sombras inferior e superior pequenas.
Lógica comportamental:

mercado em Tendência de Baixa ou Alta;


mercado abre e fecha dentro da faixa do dia anterior;
equilíbrio entre compradores e vendedores;
tendência predominante perde força.
Figura 4.5 Harami (Petrobras PN diário).

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Martelo invertido
Características:

um pequeno corpo real no final de uma tendência;


a cor do corpo é indiferente;
a sombra superior dever ser duas ou três vezes maior que o corpo;
a sombra inferior é inexistente ou muito pequena.
Lógica comportamental:
mercado em Tendência de Baixa;
mercado abre e negocia próximo da mínima;
vendedores se desfazem da sua posição;
vendedores perdem força.

Figura 4.6 Martelo invertido (Bradesco PN diário).

Fonte: www.nelogica.com.br

Estrela cadente
Características:
um pequeno corpo real no final de uma Tendência de Alta;
a cor do corpo é indiferente;
a sombra superior dever ser duas ou três vezes maior que o corpo;
a sombra inferior é inexistente ou muito pequena.
Lógica comportamental:
mercado em Tendência de Alta;
mercado abre e atinge nova máxima;
vendedores reagem e mercado fecha próximo da mínima;
compradores perdem força.
Figura 4.7 Estrela cadente (BMF Bovespa ON diário).

Fonte: www.nelogica.com.br

Linha penetrante
Características:
composto por dois candles;
fechamento atual igual ou acima de 50% do corpo real anterior;
corpo real atual de alta, corpo real anterior de baixa;
corpos com sombras inferior e superior pequenas.
Lógica comportamental:
mercado em Tendência de Baixa;
mercado abre abaixo do fechamento anterior;
compradores reagem com força e mercado fecha em alta;
compradores ganham força.

Figura 4.8 Linha penetrante (PDG Realty ON diário).

Fonte: www.nelogica.com.br
Tempestade à vista
Características:

composto por 2 candles;


fechamento atual igual ou abaixo de 50% do corpo real anterior;
corpo real atual de baixa, corpo real anterior de alta;
corpos com sombras inferior e superior pequenas.
Lógica comportamental:
mercado em Tendência de Alta;
mercado abre acima do fechamento anterior;
vendedores reagem com força e mercado fecha em baixa;
vendedores ganham força.
Figura 4.9 Tempestade à vista (MMX ON diário).

Fonte: www.nelogica.com.br

DOJI Star (Estrela DOJI)


Características (exemplo de reversão de baixa):

uma estrela DOJI no final de uma Tendência de Baixa;


um corpo real de alta após a estrela DOJI;
a sombra do corpo real de alta é inexistente ou muito pequena.
Lógica comportamental:
mercado em Tendência de Baixa;
mercado abre e fecha no mesmo nível de preço;
compradores reagem e equilibram o mercado;
vendedores perdem força;
mercado tem alta significativa no dia seguinte.
Figura 4.10 DOJI Star (CCR ON diário).

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Estrela da manhã
Características:

uma estrela no final de uma Tendência de Baixa;


um corpo real de alta após a estrela;
a sombra do corpo real de alta é inexistente ou muito pequena.
Lógica comportamental:
mercado em Tendência de Baixa;
mercado movimenta pouco o preço;
equilíbrio entre compradores e vendedores;
mercado tem alta significativa no dia seguinte.
Figura 4.11 Estrela da manhã (ItauUnibanco PN diário).

Fonte: www.nelogica.com.br

Estrela da tarde
Características:

uma estrela no final de uma Tendência de Alta;


um corpo real de baixa após a estrela;
a sombra do corpo real de baixa é inexistente ou muito pequena.
Lógica comportamental:
mercado em Tendência de Alta;
mercado movimenta pouco o preço;
equilíbrio entre compradores e vendedores;
mercado tem baixa significativa no dia seguinte.
Figura 4.12 Estrela da tarde (All Logística ON diário).

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Bebê abandonado (Alta ou Baixa)


Características:

uma estrela no final de uma tendência;


um GAP antes e depois da estrela (ilha de reversão);
inversão da tendência principal.
Lógica comportamental:
mercado em tendência;
mercado supercomprado ou supervendido (GAP de exaustão);
equilíbrio entre compradores e vendedores;
mercado inverte a tendência abruptamente (GAP de corte);
vendedores ou compradores perdem forças.

Figura 4.13 Bebê abandonado (All Logística ON diário).

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CAPÍTULO 5
Indicadores

Análise Técnica Computadorizada


Antigamente, os gráficos eram desenhados à mão, em folhas quadriculadas. O investidor
adicionava a ele diariamente uma nova barra de preço, com as indicações do preço de abertura,
máximo, mínimo e de fechamento. O processo de análise ficava restrito ao gráfico de preço, no qual
predominava a identificação de figuras e o traçado das Retas de Tendência, Suporte e Resistência.
A crescente utilização do computador estimulou o desenvolvimento de uma série de outros
gráficos, formulados a partir de diversas combinações de preço e volume. Esses gráficos procuram
captar padrões resultantes do valor médio de um período de preços, refletindo o comportamento
médio de preços relativos, como o fechamento em relação ao máximo ou o fechamento em relação
ao volume. São padrões difíceis de visualizar, para quem observa apenas o gráfico de preço.
Estes gráficos são denominados indicadores e podem ser classificados como rastreadores de
tendência ou osciladores. Os indicadores rastreadores de tendência ajudam a identificá-la por meio
da construção de médias móveis – curvas com comportamento mais uniforme – que ajudam a
identificar melhor uma tendência. Por outro lado, em mercados sem tendência, quando o preço oscila
dentro de uma faixa de negociação, os indicadores osciladores ajudam a identificar os níveis de
Suporte e Resistência.
Os indicadores podem ser facilmente programados no computador, para sob certas condições,
emitir alertas de compra ou venda automaticamente. Veremos no Capítulo 8, sobre Trading Systems,
como desenvolver sistemas mecânicos de operação, em que as regras de compra e venda são
sinalizadas por meio de indicadores.
Veremos neste capítulo, que os indicadores são instrumentos auxiliares ao gráfico de preço, mas
frequentemente antecipam o comportamento futuro do preço. O importante é aprendermos a utilizar
indicadores e preço de uma forma sinérgica, respeitando as vantagens e os limite de cada um, usando
a intuição e a tecnologia para expandir a sua performance.

Médias Móveis
Médias móveis são o que o próprio nome indica: médias de preço que se deslocam no tempo.
Esse deslocamento acontece devido à entrada de novos preços e consequentemente à saída de preços
mais antigos.
Os tipos mais comuns de médias móveis são: Simples, Ponderada e Exponencial. Inicialmente,
utilizaremos a média simples; a média móvel simples é uma média aritmética, ou seja, a soma dos
preços é dividida pela quantidade de preços.
A principal vantagem da média móvel é o alisamento dos ruídos do gráfico de preços,
facilitando assim a determinação da tendência.
Observe na figura a seguir o comportamento da média (de 10 dias) em relação ao preço. A
média é uma curva bem comportada; muda de direção poucas vezes. A curva do preço oscila o tempo
todo.

Figura 5.1 Gráfico preço x média móvel (VALE5 PNA diário).

Fonte: www.nelogica.com.br

Médias Móveis – Períodos


A média móvel também possui desvantagens, pois acompanha o gráfico do preço com um certo
atraso. Muitas vezes, o preço já reverteu, mas a média não. Esse atraso pode ser minimizado se
reduzirmos o período da média.
Note que, no período de 10 dias, a média segue o preço mais de perto, sendo assim, ela é uma
média mais rápida. No período de 20 dias, a média segue o preço mais lentamente.
Figura 5.2 Médias móveis de 10 e 20 dias (VALE5 PNA diário).

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Tipos de médias – simples x exponencial


A média móvel simples, como já vimos, não atribui peso aos preços, é uma média aritmética.
Mas existem outros tipos de médias que atribuem pesos diferentes para cada preço.
A média móvel ponderada dá maior peso aos preços mais recentes e menores aos preços mais
antigos. A média móvel exponencial atribui um peso que cresce exponencialmente do preço mais
antigo ao mais recente. A escolha do tipo da média depende do comportamento de cada ativo. Para
um ativo de baixa volatilidade, pode-se utilizar a média simples. Já para um ativo de alta
volatilidade, é recomendado usar a média ponderada ou exponencial.
Figura 5.3 Média simples x média exponencial (VALE5 PNA diário).

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Cruzamento – média x preço


Observe na Figura 5.4, a seguir, o comportamento da curva de preços em relação a sua média
móvel: quando o preço está acima da média móvel, observamos uma Tendência de Alta; quando o
preço está abaixo da média móvel, observamos uma Tendência de Baixa. Podemos concluir que
deveríamos estar posicionados na Compra, quando o preço estivesse acima da média e, na Venda,
quando o preço estivesse abaixo da média.
O melhor momento para se posicionar é no cruzamento das duas curvas: compre quando o preço
cruzar a média de baixo para cima; venda quando o preço cruzar a média de cima para baixo.
Entretanto, ocorrem, com certa frequência, cruzamentos que não dão origem a tendências
consistentes; nestes casos, a tomada de uma nova posição pode nos levar ao prejuízo. Veja, no nosso
exemplo, que estas situações ocorrem com mais frequência quando a média móvel apresenta um
comportamento horizontal, significando que o mercado não tem uma tendência definida.
Quando o mercado apresenta uma tendência definida, o gráfico do preço e da média tende a se
orientar na mesma direção, muitas vezes, com um distanciamento crescente entre as curvas, que
diminui a chance de cruzamentos esparsos e demonstra a força da tendência. Mesmo quando a média
apresenta uma tendência definida, podem ocorrer pequenas penetrações da curva do preço; nestes
casos, deve-se avaliar com cautela uma possível mudança de posição, mas relevar sempre a direção
da curva da média em relação à curva do preço. Se a curva da média não mudou de direção, é
aconselhável esperar mais um pouco para se confirmar ou não uma real mudança do comportamento
da tendência.
Figura 5.4 Cruzamento preço x média (Petrobras PN diário).

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Cruzamento – média x média


Vimos no tópico anterior que o cruzamento das curvas do preço e da média sinaliza possíveis
reversões de tendência; mas a curva do preço por ter um comportamento bastante irregular pode
acabar gerando “falsos” cruzamentos induzindo a decisões que acabam em prejuízo.
Uma forma de contornar esse problema é incluir mais uma média móvel e utilizar a regra de
cruzamento entre as duas médias móveis, desprezando o gráfico do preço.
Esta ideia parece ter muita lógica, pois sabemos que as médias, ao mesmo tempo que
acompanham a tendência do preço, são curvas mais bem comportadas, o que diminui a chance de
cruzamentos “falsos”.
O cruzamento de duas médias de períodos diferentes pode ser utilizado como uma regra de
compra ou venda, similar à regra de cruzamento do preço com a sua média.
Quando a média de menor período cruzar de baixo para cima a média de maior período é um
sinal de compra. O sinal de venda aparece quando a média de menor período cruzar de cima para
baixo a média de maior período.
Observe que, em relação ao exemplo anterior, o número de cruzamentos reduziu-se
substancialmente, quase eliminando totalmente os “falsos” cruzamentos. Ele ocorre apenas uma vez
neste exemplo.
A regra de cruzamento de duas médias, apesar de minimizar o problema de “falsos”
cruzamentos, apresenta uma grande desvantagem que é o atraso dos próprios cruzamentos. A média
“anda” mais devagar que o preço e, portanto, sinalizará a compra ou a venda com atraso, diminuindo
a chance de “embarcar” no início da tendência. Veja que, em relação ao exemplo anterior, o
cruzamento de cima para baixo, das médias de 10 e 30 períodos, ocorre vários dias após o
cruzamento do preço com a média de 10 períodos.
Figura 5.5 Cruzamento média x média (Petrobras PN diário).

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Moving Average Convergence Divergence – MACD


A utilização de médias móveis exponenciais é muito popular entre os analistas gráficos, em
especial a utilização conjunta de duas médias de períodos diferentes para aplicação da regra do
cruzamento entre elas.
Quando as duas médias se movimentam de forma convergente, elas tendem a se cruzar, gerando
os sinais de compra ou venda. Neste movimento de convergência, a diferença de valor entre as duas
médias vai se reduzindo até que, no cruzamento, a diferença é zero.
Após o cruzamento, caso os preços se movimentem em uma tendência definida, as duas médias
apresentam um comportamento divergente, isto é, a diferença de valor entre as duas médias vai
aumentando até que o movimento de tendência comece a perder força, quando então as médias
começam a convergir novamente.
Baseado nesse raciocínio, Gerald Appel inventou um indicador que é o resultado da diferença
de duas médias móveis exponenciais. Ele a nomeou Moving Average Convergence Divergence
(MACD) que siginifica a convergência e divergência de médias exponenciais.
Após diversos experimentos com períodos diferentes, Appel concluiu que a combinação das
médias de 12 e 26 períodos apresentou o melhor resultado.
A curva MACD indica compra, quando passa de negativo para positivo (significa que a média
de 12 períodos cruza a média de 26 períodos, de baixo para cima), e venda, quando passa de
positivo para negativo (a média de 12 períodos cruza a média de 26 períodos, de cima para baixo).
No gráfico do exemplo, há uma linha horizontal indicando o valor de zero; o cruzamento desta linha
sinalizará compra ou venda.
Figura 5.6 MACD (MRV ON diário).

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Sabemos que o cruzamento de médias muitas vezes não indica uma verdadeira reversão de
tendência; o MACD pode então estar gerando “falsos” sinais. Para minimizar esse problema, Appel
aplicou uma média móvel (originalmente de nove períodos) sobre o próprio MACD, gerando a linha
de Sinal.
Agora que temos duas médias (MACD e SINAL), podemos aplicar a regra de cruzamento de
médias. Comprar quando a linha MACD cruzar de baixo para cima a linha de Sinal e vender quando
a linha MACD cruzar de cima para baixo a linha de Sinal.

Figura 5.7 MACD (MRV ON diário).

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Indicadores: rastreadores de tendência x osciladores
Sabemos que as médias móveis são aplicadas sobre o gráfico de preços e têm, como principal
objetivo, determinar a real tendência do gráfico de preços. Sabemos também que este instrumento
produz melhores resultados quando o movimento do preço segue uma tendência definida.
O MACD é o resultado da diferença de duas médias, ele é, na verdade, uma forma de visualizar
melhor, em um único gráfico (MACD), o que podemos ver por meio de dois gráficos de médias
exponenciais. Deste ponto de vista, podemos classificá-lo como um indicador rastreador de
tendência, em oposição a outra classe de indicadores, que denominamos osciladores. Veremos
adiante, que os osciladores são indicadores que devem ser utilizados quando o mercado “está de
lado”, ou seja, não apresenta uma tendência definida.
É muito importante saber utilizar os diversos indicadores de forma apropriada. Aplicar
indicadores rastreadores de tendência em mercados sem tendência pode resultar em interpretações
totalmente equivocadas.
Veja na Figura 5.8, a seguir, onde o gráfico de preços apresenta inicialmente um movimento de
alta, uma reversão para um movimento de baixa e, em seguida, um movimento lateral (sem
tendência). O MACD acaba emitindo sinalizações falsas de reversão de tendência.

Figura 5.8 MACD: mercado sem tendência definida (MRV ON diário).

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Histograma MACD
Há uma outra forma de representação do MACD que talvez seja mais eficaz; ela foi
popularizada por Alexander Elder e se chama Histograma MACD, que é o resultado da subtração da
linha MACD pela linha de SINAL. Na verdade, o processo é análogo ao cálculo do próprio MACD,
que é o resultado da subtração de uma média exponencial rápida por uma média exponencial lenta.
Quando o MACD está acima da linha de SINAL, o histograma é positivo; quando está abaixo, o
histograma é negativo. Quando o histograma está positivo, mas com tendência descendente, significa
que os compradores estão perdendo força e, portanto, é uma oportunidade para vender. Quando o
histograma está negativo, mas com tendência ascendente, significa que os vendedores estão perdendo
força e, portanto, é uma oportunidade para comprar.
Observe no exemplo a seguir, as oportunidades de compra quando o histograma está negativo,
mas ascendente; e as oportunidades de venda, quando o histograma está positivo, mas descendente.

Figura 5.9 Histograma MACD (MRV ON diário).

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Bandas de Bollinger
As Bandas de Bollinger (John Bollinger) são formadas por três linhas. A linha central é uma
média móvel simples; a linha ou banda Superior é a linha central mais duas vezes o seu desvio
padrão; a linha ou Banda Inferior é igual a linha central menos duas vezes o seu desvio padrão. O
desvio padrão representa o nível de volatilidade (variação dos retornos) do ativo. A ideia é que a
volatilidade sempre reverte para o seu ponto médio.
O momento de reversão de tendência acontece quando o preço se afasta da banda superior ou da
inferior.
Quando a barra de preço se afasta da banda superior, os compradores estão perdendo força – é
hora de vender.
Quando a barra de preço se afasta da banda inferior, os vendedores estão perdendo força – é
hora de comprar.
Quando ocorre um estreitamento da banda, é forte sinalização de rompimento para cima ou para
baixo.
Figura 5.10 Bandas de Bollinger (VALE5 PNA diário).

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Osciladores
Os indicadores técnicos podem ser divididos em dois grupos: os indicadores de
acompanhamento de tendência (elaborados nos tópicos anteriores), e os osciladores que sinalizam
pontos de reversão da tendência.

SobreCompra e SobreVenda
São níveis próximos às extremidades dos osciladores, que representam a saturação das compras
(SobreCompra) ou das vendas (SobreVenda). Esses níveis podem ser determinados por retas e
variam de acordo com a volatilidade do ativo.
Na SobreCompra, os compradores perdem a força, gerando a oportunidade para vender, mas
nunca para comprar. Na SobreVenda, os vendedores perdem a força, gerando a oportunidade para
comprar, mas nunca para vender.
Para um seguidor de tendência, o oscilador é um indicador secundário; ele deve estar sempre
subordinado ao conceito de tendência. Nesse sentido, o oscilador pode sinalizar o enfraquecimento
de uma tendência, indicando o final da tendência, mas a confirmação deve ser feita por meio da
análise do gráfico de preços.

Figura 5.11 SobreCompra e SobreVenda (Vale PNA diário).

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Divergência preço x oscilador


Outra característica importante dos osciladores é o seu possível comportamento divergente em
relação ao gráfico de preço. Em geral, devido à natureza de indicadores antecedentes, a divergência
antecipa uma reversão do gráfico de preço.

Divergência Negativa (de Baixa)


A divergência negativa ocorre quando o preço forma topos sucessivamente mais altos, enquanto
o oscilador forma topos correspondentes sucessivamente mais baixos. O oscilador que mede a força
do movimento demonstra que o preço está perdendo força, e que é iminente o fim ou reversão da
tendência alta.

A seguir, veja como a divergência negativa antecipa a reversão da Tendência de Alta da Vale.
Figura 5.12 Divergência negativa (Vale PNA diário).

Fonte: www.nelogica.com.br

Divergência Positiva (de Alta)


A divergência positiva acontece quando o preço forma fundos sucessivamente mais baixos,
enquanto o oscilador forma fundos correspondentes sucessivamente mais altos. O oscilador que mede
a força do movimento está demonstrando que o preço está ganhando força, e que é iminente o fim ou
reversão da Tendência de Baixa.

Veja no gráfico a seguir como a divergência negativa antecipa a reversão da Tendência de Baixa
da Vale.
Figura 5.13 Divergência Positiva (Vale PNA diário).

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Índice de Força Relativa – IFR


O Índice de Força Relativa (Relative Strenght Index – RSI) é um oscilador desenvolvido por
Welles Wilder. O IFR monitora a força de compradores e vendedores, medindo o comportamento dos
preços de Fechamento.

IFR = 100 – (100/(1+FR))

Como podemos deduzir pela fórmula acima, o que se mede é a força relativa dos compradores
(fechamentos em Alta) em relação aos vendedores (fechamentos em Baixa).
Quanto maior for a força relativa dos compradores, mais o IFR se aproxima de 100; quanto
maior for a força relativa dos vendedores, mais o IFR se aproxima de zero.
Veja no gráfico diário de PETR4 Petrobras PN, a seguir, como os valores máximos do IFR se
aproximam de 70; os valores mínimos estão próximos de 30.
Figura 5.14 Índice de Força Relativa (Petrobras PN diário).

Fonte: www.nelogica.com.br

Divergências de Alta e de Baixa – IFR


A divergência entre o gráfico de preço e o IFR sinaliza a oportunidade de compra ou de venda;
ela mostra que a tendência está perdendo força, aumentando a probabilidade de reversão ou final da
tendência.

Figura 5.15 Divergência preço x IFR (Gerdau PN diário).

Fonte: www.nelogica.com.br
Níveis de SobreComprado e SobreVendido – IFR
Quando o IFR estiver abaixo de sua linha de referência inferior e retornar acima dela, surgirá
uma oportunidade de COMPRA. Quando o IFR estiver acima de sua linha de referência superior e
retornar abaixo dela, surgirá uma oportunidade de VENDA.

Figura 5.16 SobreCompra e SobreVenda (Petrobras PN diário).

Fonte: www.nelogica.com.br

Momento
O Momento mede a velocidade do movimento do preço. Esse indicador mede se uma tendência
está acelerando ou desacelerando, ou se os preços estão se movendo rápido ou devagar.
O Momento é representado na forma gráfica por uma linha flutuante que oscila de um extremo a
outro. Todos os indicadores de Momento oscilam, por isso, são conhecidos como osciladores.
O indicador “Momento”, dá uma medida da velocidade do mercado. Ele é baseado na diferença
entre o preço de fechamento atual e o fechamento de N períodos anteriores.
Momento = Preço Atual – (Preço N períodos anteriores).
Figura 5.17 Momento (Gerdau PN diário).

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Estocástico
O estudo conhecido como Estocástico enfatiza a relação do preço de fechamento com os
máximos e mínimos mais recentes, criando assim regiões de SobreCompra e SobreVenda.
Esse estudo observou que, enquanto os preços sobem, o fechamento tende a se aproximar da
máxima do dia. Já na Tendência de Baixa, o preço de fechamento tende a se aproximar da mínima do
dia.
O Estocástico é representado por duas linhas, conhecidas como:

Quando o Fechamento se aproxima do maior Máximo, o %K se aproxima de 100. Quando o


Fechamento se aproxima do menor Mínimo, o %K se aproxima de 0.
%D é uma média móvel do %K.
A regra de Compra e Venda pode ser baseada no cruzamento da linha %K com a linha %D:
Compre quando o %K cruzar o %D de baixo para cima.
Venda quando o %K cruzar o %D de cima para baixo.
Essa regra funciona melhor em mercado sem tendência. Nos mercados de forte tendência, os
cruzamentos geram sinais falsos; a melhor leitura é a divergência com o preço e a identificação de
níveis de SobreCompra e SobreVenda.
Figura 5.18 Estocástico (Gerdau PN diário).

Fonte: www.nelogica.com.br
De acordo com o criador do Estocástico, George Lane, a sinalização mais importante é a
divergência do %D em relação ao gráfico do preço. Veja o exemplo a seguir.

Figura 5.19 Estocástico divergência %D x preço (Gerdau PN diário).

Fonte: www.nelogica.com.br
Outra leitura importante é a situação em que o %K atinge um extremo, seja um nível de
SobreCompra ou SobreVenda. Observe que a regra de SobreCompra e SobreVenda prevalece sobre a
regra de cruzamento (%K x %D).
Figura 5.20 Estocástico SobreCompra e SobreVenda (Gerdau PN diário).

Fonte: www.nelogica.com.br

On Balance Volume – OBV


O On Balance Volume (OBV) é um indicador que associa a evolução dos preços com os
volumes negociados a cada dia. Ele foi inventado e difundido por Joseph Granville.
O OBV, tenta medir níveis de acumulação ou distribuição, por meio da comparação do volume
com o movimento do preço.

O volume é adicionado ao indicador se o fechamento for de alta e subtraído se o fechamento for


de baixa.
Nenhum ajuste ocorre se o preço de fechamento não variar.
Se o mercado está sem tendência definida, observe se o OBV está subindo ou caindo. Se o OBV
estiver subindo, é sinal de um rompimento de alta; se o OBV estiver caindo, é sinal de um
rompimento de baixa.
Figura 5.21 OBV sinalizando alta (Usiminas PNA diário).

Fonte: www.nelogica.com.br
CAPÍTULO 6
Gerenciamento de Risco

Gráfico Ajuda a Definir o Risco e Retorno de Cada Operação


Quanto maior for o retorno esperado, maior será o risco; essa máxima é excepcionalmente
verdadeira para o investidor ou operador do mercado de ações e futuros. É muito importante avaliar
o risco de uma operação em relação ao retorno esperado, que deve ser sempre muito maior que o
risco de uma possível perda.
Estatisticamente, a recuperação das perdas exige ganhos muito maiores; por exemplo, para
recuperar a perda de 50% do seu patrimônio, é necessário um ganho de 100% sobre o patrimônio
restante. Perder faz parte do processo de investir em ações, pois sabemos que não podemos acertar
sempre; o fundamental é que o lucro médio das operações ganhadoras seja significativamente maior
que o prejuízo médio das operações perdedoras. Para que isso aconteça, é necessário planejar cada
operação, estimando um objetivo de lucro bastante superior ao valor do STOP, ou seja, o valor em
que a operação deve ser abortada com a realização do prejuízo.
A Análise Técnica disponibiliza diversos instrumentos para a definição de OBJETIVOS de
lucro, assim como pontos de STOP, que definem o prejuízo possível de ser absorvido. A
determinação de objetivos de lucro e, por outro lado, das perdas possíveis surge naturalmente no
processo de análise dos gráficos.
Embora o objetivo de lucro/perda possa ser previamente definido como um percentual do valor
da operação, este tipo de procedimento não leva em conta o contexto de risco/retorno de cada
situação do mercado. Este procedimento tem a virtude de ser mais simples, mas pode acabar
reduzindo ganhos potenciais ou abortando operações de forma prematura. Cada ação tem o seu nível
de risco e retorno, e, portanto, neste aspecto, a análise específica do gráfico da ação é mais precisa.
Outro fator importante, a ser destacado em termos de gerenciamento de risco, é a diversificação
da sua carteira de investimentos. Investir em apenas uma ação ou um contrato futuro significa colocar
todos os ovos na mesma cesta. A Análise Gráfica pode e deve ser aplicada sobre uma variedade de
ativos; as oportunidades de operação com esses ativos surgirão em função dos padrões gráficos
encontrados, que acabam resultando em uma diversificação natural do seu portfólio.

Stop de Lucro ou Objetivo


O Stop de Lucro ou o Objetivo pode ser definido por uma condição muito simples. Conforme
mostra o exemplo da figura a seguir, podemos determinar o objetivo, como um ganho percentual
sobre o valor investido, por exemplo, 10% do valor de compra de uma ação.
Uma questão mais complexa é determinar o valor deste percentual; a decisão é subjetiva, pois
depende da expectativa de retorno do investidor.
O investidor que opera no longo prazo tem naturalmente expectativas superiores de retorno em
relação ao investidor de curto prazo.

Por outro lado, há ações cujos preços variam muito pouco, e outras, denominadas voláteis, cujos
preços têm uma variação muito grande, em pouco espaço de tempo. A volatilidade da ação também
deve ser considerada na determinação do preço objetivo.
A variação do preço depende ainda do contexto atual: se o preço tem uma tendência definida ou
está “andando de lado”. Observe no exemplo, a seguir, o comportamento da USIM5 Usiminas PNA.
Nos movimentos de tendência definida, o preço subiu ou desceu rapidamente; quando o mercado
esteve “de lado”, os preços ficaram oscilando dentro de um limite. A definição do objetivo de lucro
deve contemplar o histórico de variações de preço (volatilidade) e o contexto atual de tendência, ou
não.

Figura 6.1 Qual deve ser o objetivo de lucro? (Usiminas PNA diário).

Fonte: www.nelogica.com.br
Stop Loss (Stop de Perda)
O Stop mais importante é o Stop Loss, ou Stop de Perda. Deve-se priorizar o risco em relação
ao retorno, pois trata-se de um fator fundamental para a sobrevivência do investidor de ações. Perder
faz parte do negócio, mas apesar de estarmos conscientes desta condição, a emoção da perda nos
torna mais irracionais do que conseguimos aceitar. Temos a tendência de não admitir a perda, não
realizar o prejuízo e alimentar a esperança de que o mercado reverterá o prejuízo.

O Stopé um valor pré-definido que corresponde ao nível máximo de perda para cada operação.
Ele deve ser definido ANTES do início de cada operação. Deixar a definição do Stop para
depois que o prejuízo já está ocorrendo é dar margem para prejuízos maiores, pois o fator emocional
prevalecerá sobre o racional em momentos de pressão psicológica muito grande.
A definição do Stop, como um percentual do valor da operação ou até mesmo como um
percentual do patrimônio, é válida, pois é uma estratégia que pode assegurar a preservação do
patrimônio por um período considerável. Teoricamente, um Stop de 5% assegura até 20 operações
consecutivas no prejuízo, o que parece ser bastante razoável. A execução do Stopé fundamental para
que, no longo prazo, a relação ganho médio/perda média seja lucrativa.

Figura 6.2 Qual deve ser o valor do Stop? (Usiminas PNA diário).

Fonte: www.nelogica.com.br
Stop Móvel
O Stop não precisa ser necessariamente um valor fixo, como um percentual sobre o preço de
compra. Imagine que o preço se movimente a favor da tendência e, portanto, se distancie do nível
pré-determinado de Stop. Neste caso, é mais eficaz reconsiderar o nível de Stop, ou seja, movê-lo
para cima, assegurando desta forma, uma parte do lucro já obtido. Um critério para a atualização do
Stop pode ser sempre que o mercado atingir um novo preço máximo (veja figura ilustrativa do
processo).

A aplicação do Stop Móvel pode ser feita automaticamente, utilizando-se um software gráfico.
Como todo processo automático, a desvantagem é que, definindo um valor padrão de Stop, o
processo, muitas vezes, torna-se bastante ineficiente, caso o valor definido não seja o mais
apropriado. Em geral, este recurso apresenta melhor resultado quando a ação se movimenta em
tendências bem comportadas e de longa duração.

Figura 6.3 Stop Móvel é eficiente nas tendências (Usiminas PNA diário).

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Suporte e Resistência
O conceito de Suporte e Resistência é o instrumento da Análise Técnica mais utilizada para
avaliar o risco e o retorno de uma operação. A Reta de Suporte ou Resistência determina níveis de
preço em que a tendência pode acabar ou ganhar um novo impulso na sua direção. Portanto, os níveis
de preço geram oportunidades para se entrar ou sair do mercado.
Vamos ilustrar este conceito por meio do gráfico da ação BRFS3 – BRF Foods ON.
A operação de compra foi feita em 16/08 (apontada no círculo), com base na seguinte avaliação
de risco/retorno: rompimento da Resistência no nível de R$ 30,40; o Stop foi definido como R$
28,40 e o objetivo de lucro, como R$ 33,40; a relação risco/retorno é de 1:1,5.
Para a definição do Stop, utilizamos o nível da Reta de Suporte, próxima ao fundo mais recente;
a definição do objetivo é baseada na Reta de Resistência que passa pelo topo anterior.
Podemos concluir, por este exemplo, que, ao contrário do método baseado em um valor
percentual de ganho e perda, a definição de objetivo e Stop por meio do conceito de Suporte e
Resistência é um método mais objetivo e que privilegia o contexto do movimento de preço de cada
ação.
Veremos, nos próximos tópicos, como outros instrumentos, já abordados neste livro, podem ser
utilizados para identificar objetivos e Stops de cada operação.

Figura 6.4 Objetivo e Stop (BRF Foods ON diário).

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Ondas de Elliott
A Teoria das Ondas de Elliott, diferentemente da Teoria de Dow, oferece instrumentos para
medir o tamanho ou a extensão do movimento do preço. Elliott definiu uma estrutura de movimento
baseada em cinco Ondas de Impulso e três Ondas Corretivas, e associou regras que ajudam a definir
o comprimento de cada uma.
Podemos destacar algumas regras importantes:
a Onda 2, que corrige a Onda 1, não deve ultrapassar o início da Onda 1;
a Onda 3 geralmente é a maior das Ondas;
a Onda 4 corrige a Onda 3, mas não deve ultrapassar o topo da Onda 1;
a Onda 5 tem o comprimento aproximado ao da Onda 1.
Com base nestas regras, é possível avaliar a amplitude de um movimento a favor e contra a
tendência; definindo respectivamente o objetivo e o Stop de cada operação.
Elliott introduziu também as razões matemáticas de Fibonacci na mensuração do comprimento
das Ondas, como veremos no próximo tópico.

Figura 6.5 Objetivo e Stop na Onda 3 (Ibovespa diário).

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Fibonacci – Retrações ou Correções


As razões de Fibonacci foram abordadas no Capítulo 2 para medir a amplitude das Ondas de
Elliott, mas podemos generalizar sua aplicação em qualquer tendência, especialmente nos
movimentos de retração. O movimento de retração ou de onda corretiva (na denominação de Elliott)
encontra níveis de Suporte e Resistência que podem ser determinados pelos números de Fibonacci.
Uma vez determinados os níveis de Suporte e Resistência, podemos definir objetivos e Stops,
conforme vimos em tópicos anteriores.
No exemplo a seguir, podemos observar a aplicação de Fibonacci sobre todo o movimento de
baixa anterior; a correção do movimento de baixa ocorreu respeitando-se a primeira Resistência de
Fibo (38,20) por três vezes (a terceira como suporte) e, atualmente, está em teste a segunda
Resistência de Fibo (61,80). O preço atual é de R$ 13,35 e, caso esta Resistência seja vencida, o
objetivo é de R$ 15,09; o Stopé o Suporte no nível de R$ 12,68 (retração de 50%) e a relação
risco/retorno é próxima de 1:2,5.
Figura 6.6 Suporte e Resistência no Fibonacci (Vale R. Doce PNA diário).

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Figuras
Vimos, no Capítulo 3, padrões gráficos que lembram figuras, como retângulos, triângulos,
bandeiras, ombro-cabeça-ombro etc. Essas figuras são padrões que sugerem a continuidade ou a
reversão da tendência, e, ao serem identificadas, também sinalizam a amplitude do movimento que
ocorre após a formação da figura – podemos utilizar esta medida para definir o objetivo e o Stop da
operação.
No exemplo a seguir, formou-se a figura da Bandeira, que é uma figura de continuidade. A
confirmação desta figura ocorreu com o rompimento de uma das retas paralelas no nível de preço de
R$ 14,00; o objetivo, medido pelo mastro da Bandeira, é de R$ 16,83 e o Stop, definido pelo fundo
anterior, é de R$ 13,47, o que resulta na relação risco/retorno de 1:5.
Figura 6.7 Bandeira de alta (ItauUnibanco PN diário).

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Candlestick
As figuras mais conhecidas do Candlestick sinalizam padrões de reversão, o que proporciona
excelente oportunidade para se entrar no mercado, mas como medir o objetivo e o STOP? Não é
possível definir o Objetivo ou STOP apenas com as figuras do Candlestick; é necessário recorrer a
outros instrumentos, como Retas de Suporte e Resistência, e figuras, por exemplo, retângulo,
triângulo etc.
A questão de risco nos padrões do Candlestick deve ser focada na avaliação da probabilidade
de reversão, que, na maioria das vezes, depende de confirmação de um ou mais candles, após a
formação da figura. Não se deve confiar apenas no candle ou na dupla de candles que formam a
figura de reversão, é necessário aguardar o candle seguinte para confirmar, ou não, a reversão da
tendência.
Veja no exemplo a seguir, a confirmação dos padrões Envolvente, Estrela Cadente e, finalmente,
uma sequência de Martelos que termina com um candle de alta. A confirmação acaba retardando a
entrada, o que significa comprar mais caro (reversão de baixa), mas diminui sensivelmente o risco de
perda. Observe que operar apenas com as figuras de reversão do Candlestick significa
frequentemente operar contra a tendência – isso aumenta consideravelmente o risco da operação.
Figura 6.8 Candlestick: confirmação do padrão (Bradesco PN diário).

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Indicadores
Os indicadores, de maneira geral, – sejam eles rastreadores de tendência ou osciladores – não
permitem projetar objetivos ou Stops. Da mesma forma que as figuras do Candlestick, os indicadores
sinalizam a entrada e saída das operações, mas não fornecem informações sobre a amplitude ou
extensão de um movimento.
Eles podem minimizar o risco das operações, quando utilizados de forma sinérgica, ou seja,
quando indicadores, com diferentes abordagens, confirmam uma reversão de tendência.
Veja na região central do gráfico a seguir, a reversão da tendência de alta, indicada pelo
cruzamento do preço abaixo da média móvel, e simultaneamente o IFR na região de SobreCompra,
que apresenta divergência de baixa.
Quanto mais indicadores (não correlacionados) apontarem para uma mesma direção, maior a
probabilidade de acerto e menor o risco de perda.
Figura 6.9 Convergência de indicadores (Petrobras PN diário).

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CAPÍTULO 7
Estratégias de Operação

Não Ter uma Estratégia É a Pior das Estratégias


A Análise Técnica deve ser aplicada de uma forma consistente, ou seja, deve fazer parte de um
planejamento estratégico de operações. O planejamento deve contemplar uma estratégia que esteja de
acordo com o seu perfil de risco e com a sua disponibilidade de tempo para acompanhar as suas
operações. Veremos, neste capítulo, algumas das estratégias mais utilizadas.
“A tendência é a sua melhor amiga!”, esse é o refrão utilizado pelos seguidores de tendência,
que é uma estratégia baseada nos princípios de Dow: só entrar no mercado a favor da tendência e
sair dele somente depois da reversão.
Desta forma, a entrada é atrasada, pois a tendência já está em curso; a saída também é atrasada,
pois a tendência já reverteu. Apesar da perda de lucratividade na entrada e saída da operação, essa é
uma estratégia de baixo risco, que produz bons resultados no longo prazo. Tentar acertar o início e
final de uma tendência é a estratégia dos “contra” a tendência, que acreditam na reversão do mercado
nos níveis de Suporte e Resistência. Esta estratégia é muito mais arriscada e utilizada em operações
de curto prazo, que pode ser um Day trade (compra e venda no mesmo dia) ou Swing trade (prazo de
operação de alguns dias).
Há uma infinidade de instrumentos de Análise Técnica, e todos têm a sua razão de ser. O
importante é saber combinar técnicas que são complementares e evitar indicadores altamente
correlacionados, ou seja, que se comportam de maneira muito semelhante. Um exemplo interessante
de estratégias mais sofisticadas é a utilização do gráfico Candlestick com indicadores
computadorizados.
A utilização simultânea de diversas técnicas implica eleger qual delas é a prioritária. Por
exemplo, é o indicador que confirma o preço ou o contrário? Não existe um consenso entre os
especialistas, vai depender do enfoque mais intuitivo ou mais técnico do analista, que favorece o
preço ou o indicador, respectivamente.
Nos mercados com muita liquidez, como os derivativos, é possível utilizar estratégias que
contemplam análises simultâneas em três períodos: semanal, diário e intradiário. Esta é a estratégia
do Triple Screen, popularizada pelo analista Alexander Elder.

Seguidor de Tendência
A estratégia mais utilizada, e provavelmente a mais segura, é a do seguidor de tendência. Esta
estratégia, baseada na Teoria de Dow, pressupõe o posicionamento do investidor sempre a favor da
tendência principal. Para entrar no mercado, é necessário que ele identifique uma tendência em
curso, e só sairá dele quando existirem fortes evidências de que a tendência acabou.
Os adeptos desta estratégia têm mais chance de sucesso quando a tendência é consistente e
duradoura, pois ocorrem “perdas” no início e no final da tendência. Perde-se parte do lucro pela
entrada “tardia”, pois a tendência já está em curso, e parte dele é devolvido pela saída “tardia”,
depois que a tendência reverteu. Apesar do fator negativo associado a esta “perda dupla”, ela tem a
vantagem de ser uma estratégia de menor risco, pois o posicionamento é a favor de uma tendência
tecnicamente identificada.
A necessidade de seguir tendências com uma duração maior torna esta estratégia mais adequada
para investidores de médio e longo prazo – ela é pouco utilizada no curto prazo. Normalmente, o
gráfico analisado é o diário, e a análise é focada na identificação de tendências mais consistentes.
A seguir, veja uma operação de compra, após o rompimento de uma importante Resistência, e a
saída que ocorre somente no rompimento da linha de tendência.

Figura 7.1 Seguidor de tendência (PDG Realty ON diário).

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Swing Trader
Uma estratégia para quem prefere operar no curto prazo é o Swing Trading. A ideia é operar
com tendências de curto prazo (alguns dias), portanto, ela exige uma precisão maior na entrada e na
saída das operações.
Há mais risco não só pela necessidade de uma maior precisão, mas também porque, muitas
vezes, o posicionamento é contra a tendência principal. O fator positivo é que proporciona um
número maior de operações, e, neste sentido, o risco é minimizado.
Observe na Figura 7.2, a seguir, a mesma situação do exemplo anterior, só que, desta vez,
assinalada com operações de curto prazo. Neste caso, o instrumento técnico utilizado é o conceito de
Suporte e Resistência: compra-se no Suporte, vende-se na Resistência.
Essa mesma estratégia pode ser utilizada pelo Day trader (compra e venda no mesmo dia), mas
aqui deve-se utilizar um gráfico com preços intradiários.
Figura 7.2 Swing trader (PDG Realty ON diário).

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Preço ou Indicador?
Quando temos a opção de observar o gráfico de preços e, ao mesmo tempo, o gráfico de
indicadores, a qual deles devemos dar prioridade? Alguns analistas gráficos argumentam que o preço
deve ter preferência, pois se negocia o preço e não o indicador. Também se pode argumentar que o
indicador, sendo uma fórmula baseada no preço e que geralmente inclui algum tipo de média, não é
tão preciso quanto o próprio gráfico de preço.
Por outro lado, os indicadores, muitas vezes, estão mais adiantados que o preço e, nesse sentido,
sinalizam a reversão antes do gráfico de preço. Neste caso, é o gráfico de preço que confirma a
reversão e, portanto, a prioridade deve ser o indicador. No exemplo a seguir, podemos observar que,
quando o preço rompeu a linha de tendência de alta, o indicador IFR já havia entrado e saído da zona
de SobreCompra, indicando a reversão da tendência.
A definição da prioridade, preço ou indicador, depende frequentemente do perfil do operador: o
mais intuitivo valoriza mais o gráfico de preço, enquanto o mais técnico prioriza os indicadores.
Quem utiliza modelos mecânicos de negociação (veja o Capítulo 8), vai ter mais facilidade para
definir as regras de compra e venda se utilizar preferencialmente os indicadores.
Figura 7.3 Preço ou indicador? (Vale R. Doce PNA diário).

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Candle e Indicadores
Steve Nison introduziu o Gráfico Candlestick no ocidente, no início dos anos 1990. O candle
ganhou uma popularidade surpreendente, e atualmente talvez ele seja mais popular que o gráfico
original de Barras.
É possível montar estratégias de negociação utilizando apenas o Candlestick; muitos operadores
de curto prazo, principalmente os Day traders, operam apenas observando os padrões de reversão
do Candlestick. Mas como já tivemos a oportunidade de observar, é recomendável utilizar vários
instrumentos para fortalecer uma análise, pois quanto mais evidências justificarem uma decisão,
maior a probabilidade de sucesso.
Neste sentido, o próprio Nison recomenda a utilização conjunta do Candlestick com indicadores
popularizados no ocidente, como momento, IFR, Estocástico etc. Podemos dizer que, somando uma
técnica relativamente rudimentar oriunda do oriente com técnicas computadorizadas produzidas no
ocidente, o resultado é a soma da intuição com a tecnologia, produzindo análises mais eficazes.
No exemplo a seguir, o aparecimento da figura do Martelo, associado a uma divergência de alta
do Momento, fortalece a sinalização da reversão da tendência de baixa.
Figura 7.4 Candlestick e indicadores (BRF Foods ON diário).

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Triple Screen
Uma estratégia mais sofisticada combina a utilização simultânea de gráficos em diferentes
períodos de tempo. A estratégia denominada Triple Screen foi popularizada por Alexander Elder e
pode ser aplicada, utilizando-se o gráfico semanal, diário e intradiário.
Observe o exemplo a seguir, com a ação BRFS3 (BRF Foods ON):
Vamos operar na tendência observada no gráfico semanal, que é de alta, pois o preço vem se
movimentando acima da média móvel.
No gráfico diário, vamos utilizar um oscilador e sinalizar uma operação de compra, quando ela
estiver na região de SobreVenda. A operação de compra será compatível com a tendência do gráfico
semanal; a compra na região de SobreVenda busca obter o preço mais barato.
Uma vez que o oscilador aponte uma situação de SobreVenda, a operação de compra é disparada
no intradiário, quando, por exemplo, o preço superar o máximo anterior, indicando a busca de um
novo preço máximo.
Figura 7.5 Triple screen (BRF Foods ON semanal, diário e intradiário).

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Opções de Vale PNA (VALE5)


O operador de opções encontrará algumas dificuldades operacionais para acompanhar o gráfico
da opção ao longo do tempo. Um contrato de opção tem vencimento mensal e, portanto, a série
histórica de preços é limitada há aproximadamente um mês.
O Day trader que opera utilizando gráfico intradiário – e, portanto, com acesso a uma série
histórica maior – não enfrenta esse inconveniente; mas, por outro lado, a liquidez da opção pode
variar muito dentro do período de negociação, tornando a série inconsistente em função de eventual
perda de negociabilidade.
Para resolver este problema operacional, uma estratégia é acompanhar o gráfico do papel, ou
seja, da ação à qual está vinculado o contrato de opção. Se a opção negociada é de Vale PNA, então
deve-se acompanhar e analisar o gráfico da ação VALE5. Sabemos por meio de alguns modelos de
precificação que existe uma forte correlação entre o comportamento da ação e de suas opções.
No exemplo a seguir, observe no gráfico diário a forte correlação entre a ação VALE5 e a opção
de compra VALEK36.
Figura 7.6 Correlação entre ação e opção – (Vale PNA diário).

Fonte: www.nelogica.com.br

Ibovespa Futuro
A negociação de contratos futuros da Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM&F) está disponível
ao pequeno investidor na Internet por meio do Homebroker.
Uma das características de negociação de contrato futuro é a possibilidade de operar na
tendência de baixa, vendendo o contrato na alta e o recomprando na baixa. Como existe muita
liquidez, é possível fazer operações de Day trade e Swing trade, ou seja, especular no curto prazo.
O contrato futuro do Ibovespa vence a cada dois meses, portanto, há uma limitação na sua série
histórica. Entretanto, diferentemente do contrato de opções, é possível fazer uma junção dos vários
vencimentos e criar uma série “perpétua”. Observe na Figura 7.7, a seguir, o gráfico de uma série
perpétua.
A negociação de contratos futuros possibilita ao operador estar permanentemente posicionado no
mercado; ele pode ganhar na Tendência de Alta ou de Baixa.
Figura 7.7 Série perpétua (Ibovespa futuro intradiário).

Fonte: www.nelogica.com.br
CAPÍTULO 8
Trading System

O Futuro da Análise Técnica


O processo de desenvolvimento de uma estratégia começa pela definição de objetivos, escolha
de Técnicas de Análise, formulação de regras de compra e venda, aplicação e verificação de
resultados. O aprendizado de todo esse processo pode ser feito por meio de simulações no
computador, em tempo reduzido e sem o risco de perda real.
Ao desenvolver um Trading System, o operador passa por testes exaustivos para verificar a
consistência dos resultados e a adequação com o seu perfil de risco. Depois de validado, o sistema
começa a operar, sinalizando ordens de compra e venda, que devem ser seguidas mecanicamente, de
forma a manter a coerência com o modelo previamente testado. Um sistema mecânico de negociação
elimina o principal fator de fracasso na atividade de operar nas Bolsas: a falta de disciplina e de
controle emocional.
A tecnologia de Tradings Systems não só facilita o desenvolvimento de estratégias consistentes,
como permite que a execução das ordens seja totalmente automática.
A BM&F Bovespa disponibiliza o sistema de negociação eletrônica denominado Homebroker
que viabiliza a automação completa de um Trading System.
A crescente complexidade dos instrumentos de negociação no mercado financeiro, assim como o
acesso a novas tecnologias de processamento da informação, estimula o desenvolvimento de novos
sistemas de análise e operação; a tendência é uma análise computadorizada cada vez mais automática
e inteligente, inclusive com técnicas de Inteligência Artificial.
Uma das técnicas mais utilizadas, as Redes Neurais, simula o processo humano de
reconhecimento de padrões, para fazer previsões de comportamento da Bolsa.

Definição
Todas as decisões que tomamos hoje são fruto das expectativas sobre o futuro, que
evidentemente desconhecemos. Quem investe em Bolsa tem acesso a muitas informações e especula
sobre possíveis cenários futuros.
Muitas vezes, somos tentados a fazer previsões sobre o futuro, chegamos a acreditar até que
descobrimos uma fórmula mágica. Não é possível prever o comportamento da Bolsa!
É possível construir cenários e avaliar a PROBABILIDADE de cada um. Mais importante ainda
é planejar antecipadamente como reagir a cada cenário. O planejamento antecipado evita a tomada
de decisão sem a pressão emocional do momento.
Todo investidor deve ter as suas próprias ideias sobre como investir no mercado. É importante
desenvolvê-las de forma que se adquira a necessária confiança para utilizá-las em suas operações.
Para que possamos testar as nossas ideias de uma forma consistente, podemos codificá-las em
computador, que vai simular a sua aplicação no passado. A codificação utiliza uma estrutura de
regras (tipo SE… ENTÃO…) de Compra e de Venda. Veremos adiante que essa codificação não
exige conhecimento de programação de computador; ela pode ser codificada de uma forma muito
simples e prática.
A ideia básica de um Trading System (Sistema de Operação) é a sistematização das operações,
isto é, o desenvolvimento e o processamento de um sistema mecânico de operação. Após a definição
das regras de compra e venda, o sistema é capaz de monitorar o mercado e aplicar as regras. Cada
vez que uma regra é disparada (o preço atende às condições definidas na regra), o sistema alerta o
investidor e pode inclusive executar ordens automaticamente.

Metodologia
A construção de uma estratégia de sucesso requer uma metodologia, pois o processo é composto
por uma série de etapas.
Especificamente para a construção das regras, podemos dividir o processo em quatro etapas:
escolha de um Time Frame (Período de Negociação);
regras de Entrada e Filtros;
regras de Saída;
backtesting.

Figura 8.1 Metodologia.

Escolha de um Time Frame


Caso o investidor opere no curto prazo (Day trader ou Swing trader), deve-se utilizar séries de
preço diário e intradiário (geralmente 15 minutos). Para prazos maiores, utiliza-se apenas séries
diárias. É importante que os ativos negociados sejam bastante líquidos, principalmente no caso das
séries intradiárias.
Regras de Entrada e Filtros
Para a definição das regras, é comum a utilização de indicadores técnicos, que podem ser
codificados no computador com muita facilidade. Particularmente nas regras de entrada, podemos
incluir os padrões de início de tendência, identificados por diversos indicadores e também pelas
figuras do Candlestick.

Regras de Saída
Tão importante quanto as Regras de Entrada são as Regras de Saída, que podem ser o
cumprimento de um objetivo ou a realização de um prejuízo, após atingir uma condição de Stop.
Pode-se utilizar os indicadores que sinalizam o final ou o enfraquecimento da tendência, mas também
recursos especiais de gerenciamento de risco, como uma série de tipos de Stop.

Backtesting
Depois de definidas as regras de Entrada e Saída de uma posição, deve-se testá-las por um
período do passado e verificar qual foi a sua performance em termos de lucro e perda. São criados
relatórios que detalham as operações efetuadas e indicadores que permitem analisar a lucratividade
do sistema e também o gerenciamento de risco.
Caso o relatório não apresente bons resultados, o investidor deve rever as etapas anteriores,
fazer as mudanças que achar necessárias e proceder novamente ao backtesting; o processo se
perpetua até que o modelo lhe pareça consistente. Neste caso, ele poderá ser aplicado em tempo real.
Quando as condições das regras forem satisfeitas, o sistema alertará o investidor.

Trading System, Aliado ou Substituto?


Muitas estratégias de negociação de ações podem ser programadas em um computador. O
programa é basicamente a codificação de regras muito objetivas (senão o computador não entende)
para comprar e vender. O computador monitora o “sobe e desce” da Bolsa. Quando a condição
estabelecida ocorre, a ordem é executada automaticamente. Não há “estresse” nem dúvidas; não há
sentimento. Mas há lucro?
Durante o desenvolvimento de um modelo mecânico, as regras são testadas e “otimizadas” com
base nas cotações históricas de cada papel. Se a simulação resultar em lucro excepcional, desconfie.
Você provavelmente “ajustou” as variáveis de uma forma muito particular, totalmente dependente dos
dados passados. No futuro, o resultado vai ser bem diferente.
Para que a performance passada tenha grande probabilidade de se repetir no futuro, as regras de
compra e venda precisam ser “robustas”. As regras devem ser simples e bem fundamentadas (deve
ter uma lógica), e quanto menos regras, melhor.
Você desenvolveu um sistema “robusto”, mas terá a disciplina para segui-lo? Todo sistema tem
um período de “vacas magras”. Não dá para ganhar todo dia, deve-se respeitar uma lei básica das
finanças: maior o retorno, maior o risco. Quanto maior a rentabilidade do sistema (no longo prazo),
maior é a ocorrência de perdas maiores no curto prazo. Também é comum a ocorrência de muitas
perdas sucessivas. Seguir um Trading System é um verdadeiro teste de crença ou fé absoluta no
sistema.

Aliado, e não substituto


No cenário descrito anteriormente, as dificuldades parecem imensas, mas existe um “caminho do
meio”. Pense no Trading System como um aliado, e não como um substituto para o processo de
decisão humano. Utilizadas de forma adequada, a máquina ou a tecnologia podem estender a
capacidade e a produtividade da mente humana. Mas, como?
As regras de um Trading System podem ser aplicadas de forma rápida e consistente a um grande
número de ações. O resultado é a detecção de um número maior de oportunidades, mas não de
operações automáticas. A tomada de decisão final é discricionária, em que prevalece a capacidade
de julgamento e intuição humanos.

Figura 8.2 CandleCode e Bandas de Bollinger.

Fonte: www.nelogica.com.br

Utilizo um método de análise com foco nos padrões Candlestick. Recentemente, incorporei
como uma ferramenta auxiliar o indicador CandleCode (veja mais detalhes no Capítulo 9), baseado
em uma fórmula de quantificação da força de cada candle. O indicador é contextualizado por duas
bandas de Bollinger que são referências de máximos e mínimos (veja o gráfico anterior). Uma regra
de interpretação básica sinaliza compra quando o CandleCode cruzar a banda inferior de baixo para
cima; se o indicador cruzar para baixo, a banda superior é uma indicação de venda. Também é
possível traçar linhas de tendência e buscar divergências entre o indicador e o preço. Visualmente, é
difícil verificar a eficiência do indicador. Precisamos simular operações e quantificar os resultados,
ou seja, desenvolver um Trading System.
Além das Regras de Entrada (compra e venda), devemos definir as Regras de Saída (zerar a
posição) e, nesse caso, usei uma única Regra de Saída, simplesmente a ocorrência de uma inversão
de direção do indicador. Por exemplo, se estou comprado (a direção do indicador é para cima), a
saída da compra ocorre quando o indicador apontar para baixo. A VALE5 apresentou, nos últimos 24
meses (veja o gráfico anterior), uma amostragem equilibrada, com fases de alta, baixa e mercado
lateral. A aplicação mecânica das regras resultou em 53 operações e uma perda acumulada de
-5,39% (incluso as despesas de corretagem). Teria sido melhor comprar e ficar “sentado no papel”, a
valorização seria de +3,17% (“Buy and Hold”). Desanimador, hein? Talvez as regras sejam simples
demais!
Que tal tentar replicar mecanicamente um método discricionário (subjetivo)?
Defini regras de entrada para identificar seis padrões Candlestick de compra (martelo,
martelo invertido, grávida de alta, linha penetrante, envolvente de alta, estrela da manhã) e os
respectivos simétricos de venda. Uma média exponencial de dez dias foi usada para definir uma
tendência e contextualizar as figuras encontradas. A Regra de Saída (da compra e da venda) foi
mantida (inversão da direção do indicador CandleCode). Este sistema resultou em 56 operações e
um ganho acumulado de 34,53%! Mas será consistente? Serei capaz de segui-lo cegamente?
Uma rentabilidade de 34,5% nos últimos 24 meses é muito superior à valorização do papel
nesse período (+3,2%). Esse ganho foi obtido após 56 operações (pouco mais de duas operações por
mês) de compra ou venda, mas surpreendentemente o percentual de operações ganhadoras foi de
46,40%! Resultou em um lucro significativo porque o ganho médio das operações vencedoras
(+2,67%) foi bem superior à perda média das operações perdedoras (-1,21%). Este é um exemplo
claro de que é possível obter estratégias vencedoras, mesmo que o percentual de acertos seja
inferior a 50%! A perda média reduzida pode ser explicada pela Regra de Saída da operação, a
simples inversão de direção do indicador CandleCode. O tempo médio das operações perdedoras é
de um pregão, contra três pregões na média das operações ganhadoras. É uma máxima da Análise
Técnica: “sair rapidamente das operações perdedoras e procurar manter as operações ganhadoras”.
No caso de PETR4, o resultado também foi bem positivo. Após 62 operações, a rentabilidade
acumulada somou 20% (contra uma perda de -29% no mesmo período!). O percentual de acerto de
“apenas” 42% foi compensado por um ganho médio de 2,56% contra uma perda média de -1,22%.
Porém, os números da PETR4 mostram um risco maior em relação à VALE5. Ocorreu um número
maior de perdas consecutivas (7 contra 5), e o “DrawDown” (pior período de perdas) registrou uma
perda temporária de -12,0% do investimento inicial. Apesar do risco mais elevado, a estratégia para
PETR4 revelou-se bastante rentável e com potencial para um sistema mecânico. Em ambos os
papéis, VALE5 e PETR4, obtivemos estatísticas que sinalizam um Trading System ganhador. Será?
Infelizmente, os resultados obtidos para outros papéis como GGBR4, ITUB4 e CMIG4 foram
decepcionantes (veja tabela a seguir). As perdas obtidas com ITUB4 (-26,2%) e CMIG4 (-22,12%)
são surpreendentes, especialmente essa última que valorizou +114,4% no mesmo período! Essa
valorização é atribuída a uma longa Tendência de Alta, quando a estratégia correta é procurar manter
a posição. O sistema fez justamente o contrário, gerou 76 operações, o maior número entre os papéis
analisados.
Baseadas em figuras Candlesticks de reversão de tendência, as regras de entrada não funcionam
em tendências prolongadas. A Regra de Saída também precisa ser melhorada, pois é muito sensível a
pequenas oscilações, frequentes, mesmo em um movimento de forte tendência.
Figura 8.3 Estatísticas do Trading System.

Essa pequena introdução ao universo Trading Systems revela algumas características


importantes e também as dificuldades de se obter um sistema que funcione de maneira consistente, e
que inspire a confiança necessária para um modus operandi totalmente mecânico. Talvez a ênfase
deva ser na “jornada em si” e não no objetivo final. O processo de desenvolver um Trading System
ajuda a compreender melhor os indicadores convencionais, e também a testar e validar novas ideias.
Para mim, um Trading System é mais um aliado que um substituto.

“Turtles” – O Sistema Mais Famoso


“Ou você já nasce trader, ou nunca o será”. William Eckhardt é um matemático que largou a
carreira acadêmica para se tornar um trader de sucesso. Para William, não é possível ensinar uma
pessoa a ser um bom trader. As qualidades necessárias não podem ser aprendidas, elas são inatas. É
uma questão da natureza humana de cada indivíduo. A educação, nesse caso, é limitada e não garante
o sucesso. Será?
Seu amigo e parceiro nos negócios, Richard Dennis, discorda. Também um trader de sucesso
(no início dos anos 1980, foi o “rei” nas bolsas de commodities de Chicago), Dennis acredita que
pode ensinar “qualquer um” a se tornar um trader de sucesso. Ele tem um método sistemático (um
Trading System não computadorizado) de operar e acredita que qualquer pessoa possa aprender e
atingir os mesmos resultados. O método é razoavelmente simples, mas exige muita disciplina.
Para provar que estava certo, Dennis resolveu fazer uma experiência prática. Publicou um
pequeno anúncio no Wall Strret Journal:
O Sr. Richard Dennis (C&D Commodities) está expandindo seu grupo de traders e aceita
candidatos para a posição de trader de futuros. Após um treinamento (um método
proprietário de operação), os melhores passarão a operar para o Sr. Dennis. Não será
permitido operar para si ou para outros. Os traders receberão um percentual de seus lucros, e
será permitida uma perda controlada. Experiência anterior em trading será considerada, mas
não é necessária. Os candidatos devem enviar um currículo resumido e uma frase para
justificar seu interesse. O recrutamento termina em 1° de outubro de 1984. Não atendemos
por telefone.
“Vamos criar traders, assim como criam tartarugas em Cingapura” (Dennis se inspirou em uma
recente viagem à Ásia).
O treinamento ocorreu durante duas semanas, no final de dezembro de 1983. Em fevereiro, cada
um dos treze integrantes começou a operar com um capital inicial entre US$ 500 mil e US$ 2
milhões. Nos primeiros quatro anos, o retorno médio anualizado foi de 80%!
O Turtles é um sistema mecânico. Todas as decisões são baseadas em regras bem-definidas. A
estratégia básica é seguir uma tendência (trend following). Mas quais são os principais
componentes do sistema?
A diversidade de ativos é o primeiro componente importante do sistema. A carteira é composta
por contratos futuros de índices de Bolsa, títulos públicos (bonds), commodities e moedas. O
tamanho da posição (quantos contratos negociar?) para cada ativo depende do nível de volatilidade
(medido pelo indicador ATR, disponível no ProfitChart). Quanto maior a volatilidade (maior o
risco), menor a exposição no ativo. Também há regras para evitar a concentração de posição em
determinada direção do mercado (comprado ou vendido), ou em ativos muito correlacionados.
A estratégia de entrada é baseada no conceito bastante simples de “breakout”. Nessa
estratégia, o rompimento da máxima ou da mínima de determinado período sinaliza,
respectivamente, um sinal de compra ou um sinal de venda. Após um período de consolidação,
quando o preço oscila dentro de um intervalo limitado pela maior máxima e menor mínima, a
volatilidade é reduzida. A eventual saída desse intervalo libera a “energia e a força” que ficou
“represada”. A consequência é maior volatilidade e forte tendência no movimento do preço.
Os Turtles tinham a opção de um breakout de vinte dias (curto prazo) e/ou um breakout de 55
dias (longo prazo). O trader podia, a seu critério, alocar qualquer percentual em cada uma dessas
opções. Aqui, observamos a oportunidade de uma nova diversificação (estratégias simultâneas de
curto e longo prazos).
Há regras de saída, StopGain e StopLoss? Sim, em um Trading System existem regras para
todas as situações possíveis.
Os Turtles utilizam um Stop financeiro. Para cada trade (posição) o StopLoss não pode
ultrapassar 2% do total da carteira. Caso o tamanho da posição seja acima da média, então o valor
do StopLoss é menor. Quando o ativo tem volatilidade acentuada (a expectativa é de oscilações
maiores), o StopLoss financeiro é maior, mas a posição (número de contratos) é menor.
Existe uma tendência de sair precipitadamente de uma posição ganhadora. É o receio (medo!?)
de devolver o lucro ou até tomar um prejuízo. É grande a tentação de sair antes da hora. A maioria
das operações dos Turtles resulta em prejuízo (característica da estratégia de seguir a tendência). A
operação vencedora tem de compensar as pequenas mas numerosas perdas.
No sistema 1 (entrada com breakout de vinte dias), a saída é a mínima de dez dias (na compra)
e a máxima de dez dias (na venda). A posição sempre é zerada se ocorrer um breakout (na direção
contrária) de dez dias. No sistema 2 (breakout 55 dias), a Regra de Saída é a mesma, mas o número
de dias sobe para vinte.
É uma Regra de Saída difícil de ser seguida. Esperar dez ou vinte dias pode resultar na
devolução de lucros significativos e, às vezes, todo o lucro. Requer muita disciplina. Mas é
justamente essas situações que fazem a diferença. É a “marca” das operações de maior lucro.
Talvez seja esta, a principal regra do trading system. O segredo dos Turtles.
Acho muito difícil reproduzir o sistema dos Turtles, negociando apenas os ativos disponíveis na
Bolsa brasileira. É fundamental a diversificação de ativos e muita liquidez. No entanto, temos um
modelo de Trading System de sucesso, com todos os componentes muito bem-definidos.
CAPÍTULO 9
Um Novo Olhar Sobre os Candlesticks

Agora que já conhece os fundamentos da Análise Técnica, você precisa desenvolver um sistema
ou método que melhor se adapte à sua personalidade. Não necessita e talvez não deva ser totalmente
mecânico (veja o Capítulo 8). O importante é estabelecer uma rotina e utilizar um conjunto específico
de ferramentas da Análise Técnica. É essencial “incorporar” as técnicas escolhidas, ganhar
intimidade e confiança, desenvolver o que chamamos de conhecimento heurístico (obtido por meio
da prática repetida). Com o decorrer do tempo, a análise começa a ficar naturalmente automática,
você é capaz de decidir sem pensar. Vai sentir que muitas vezes parece ser guiado pela intuição. Esta
é nada mais que o fruto de uma prática constante e intensiva de um método ou sistema.
A primeira edição do Comprar ou Vender? já tem mais de cinco anos. Nesse período, dei
continuidade ao processo permanente de aprendizado. Pesquisei e pratiquei diversas técnicas, das
mais simples às mais sofisticadas. Algumas foram descartadas rapidamente, outras permaneceram. É
como o processo natural da evolução genética. Após diversos cruzamentos e mutações, só os genes
mais fortes sobrevivem e passam suas principais características para as próximas gerações. É o caso
dos padrões Candlesticks (veja o Capítulo 4).
Sou um apaixonado por essa representação básica do preço. Sei “de cor” identificar e nomear as
principais figuras de reversão e continuidade do Candlestick. Os Candlesticks precisam de uma
referência ou contexto, e, nesse caso, minha preferência sempre foi as bandas de Bollinger (veja a
definição no Capítulo 5). O Candlestick parece simples na teoria, mas pode ser bastante complexo
na prática. As diversas figuras do Candlestick frequentemente ocorrem diferentes do padrão ideal. O
prognóstico dos movimentos futuros também não ocorre na forma e no tempo esperados. A busca pela
“automação” do processo de decisão (por meio da prática diária) pode se tornar uma tarefa penosa e
sem fim. Há muitas contradições no caminho. Na prática, a lógica comportamental, na análise dos
padrões Candlesticks, é muito mais complexa do que se pode imaginar. Mas existem ferramentas
interessantes para ajudar a interpretar os Candlesticks. E também formas alternativas e talvez mais
simples de representação, descritas a seguir.
As curvas do Ichimoku Clouds ou nuvens Ichimoku definem um contexto ideal para os
Candlesticks. Enfatizam sobremaneira o nível de importância de cada Candlestick. Não só no
presente, mas também na perspectiva futura. Candles de Reversão ou Continuidade ganham
importância especial nas situações de defesa ou de rompimento de Suportes e Resistências. O
Ichimoku Clouds define “automaticamente” os principais níveis de Suporte e Resistência.
O CandleCode é uma forma alternativa de representar o preço no padrão Candlesticks. De uma
forma incrivelmente objetiva, o CandleCode atribui um valor único a cada candle – um valor
numérico. É o resultado matemático da medição de um candle. A cor, o tamanho do corpo e das
sombras, resulta em um valor específico para cada candle. A curva resultante é “alisada” por uma
média móvel e representa o comportamento dos Candlesticks ao longo do tempo. A essa curva
podemos aplicar os diversos instrumentos da Análise Técnica apresentados neste livro. Retas de
Tendência, Retas de Suporte e Resistência, figuras clássicas como OCO (ombro-cabeça-ombro),
médias móveis e também as Bandas de Bollinger.
O Heikin-Ashi é outra forma de representar o preço no padrão Candlesticks. Visualmente, você
vai observar maior regularidade no comportamento dos candles de alta e de baixa. Fica bem mais
fácil identificar a direção e a força da tendência. Os preços que definem o Heikin-Ashi são preços
médios, não são os preços reais. Se perdermos o detalhe da movimentação do preço, talvez
ganhemos uma visão mais consistente do comportamento da tendência.
É possível utilizar os três estudos, Heikin-Ashi, CandleCode e Ichimoku Clouds de uma forma
sinérgica e harmoniosa? Sim, e esta é a base para meu método de análise. São os “Três
Mosqueteiros” da Análise Técnica! “Um por todos, todos por um!”.
Vejam, nas páginas seguintes, a definição e as regras básicas de utilização de cada estudo. Pode
parecer complicado à primeira vista (especialmente o Ichimoku Clouds), mas a prática diária vai
mostrar que pode ser mais simples que a teoria. Aqui, a situação se inverte. Se for persistente, vai
perceber depois de algum tempo de prática que conseguiu “automatizar” o processo de análise; que
toma as decisões “sem pensar”. Naturalmente, “sem estresse”. É claro que nem todos se adaptam a
esse método, mas, se você já utiliza os Candlesticks, tem uma chance de dar um “grande salto” no
processo de análise e na performance de suas operações.

Ichimoku Clouds
Ainda antes da Segunda Guerra Mundial, um jornalista japonês com o pseudônimo “Ichimoku
Sanjin” (um olhar por meio da montanha) desenvolveu o indicador que se tornou conhecido como
“Ichimoku Clouds”.
Apesar de ser composto por várias curvas (cinco, no total), são as “nuvens” que chamam a
atenção. Se no Candlestick os preços de abertura e de fechamento são os mais importantes, no
Ichimoku a ênfase é dada nos preços Máximo e Mínimo; na verdade, nos pontos médios entre esses
dois extremos.
As duas primeiras curvas do Ichimoku têm um comportamento semelhante às duas médias
móveis, uma de curto e outra de longo prazo. Porém, não é uma média do preço de fechamento. Cada
ponto da curva é obtido pelo cálculo da média entre o maior Máximo e o menor Mínimo dos últimos
nove dias, e, no caso da segunda curva, 26 dias. A terceira curva é um gráfico de linha do preço de
fechamento, mas “retardado” em 26 dias.
A quarta e quinta curvas definem as “nuvens”. A quarta curva é simplesmente a média das duas
primeiras (nove e 26 dias), mas “adiantada” em 26 dias. A quinta curva é igual à primeira, porém,
com período de 52 dias, e também é graficada “adiantada”, com deslocamento de 26 dias para frente.
Identifique as curvas no gráfico a seguir.
Figura 9.1 As cinco curvas do Ichimoku (Ibovespa diário).

Fonte: www.nelogica.com.br

Estratégias
Comece pelas “nuvens”, ou seja, a curva 4 (denominada Senkou Span A) e a curva 5
(denominada Senkou Span B). Elas determinam uma “região” de Suporte ou Resistência.
Diferentemente do convencional, o rompimento do Suporte ou da Resistência não depende de um
único preço; tem de ultrapassar um intervalo de preços. Esse intervalo pode ser mais largo ou
estreito e, consequentemente, mais difícil ou mais fácil de ser rompido. Lembra do fundamento de
que níveis de Suporte e Resistência passados tendem a se repetir no futuro? Pois bem, no Ichimoku
isso ocorre de fato. O deslocamento das curvas (26 períodos para frente) permite uma visualização
real dos níveis futuros de Suporte e Resistência.
Outra característica importante das “nuvens” é que elas permitem verificar rapidamente
(Ichimoku quer dizer “um único olhar”) qual é a tendência do preço. Se o preço estiver acima da
“nuvem” (nesse caso, uma referência de Suporte), a tendência é de alta. Se estiver abaixo da nuvem
(nesse caso, uma Resistência), a tendência é de baixa.
As curvas 1 (Tenkan Sen) e 2 (Kijun Sen) são bem mais rápidas e definem o “timing” de
entrada ou de saída de uma operação. O cruzamento dessas curvas determina pontos de entrada e de
saída. Também é válido considerar o cruzamento entre o preço e a curva 2 (mais longa). O
fundamento é o mesmo do cruzamento convencional entre uma média móvel curta e uma média móvel
longa. O cruzamento indica ganho de “momentum”, a sinalização da força necessária para iniciar
uma tendência. Porém é muito importante que o cruzamento ocorra na direção da tendência definida
pelas “nuvens”. Todas as curvas do Ichimoku precisam estar alinhadas.
Para finalizar, observe a curva 3 (Chikou Span). Se as curvas anteriores sinalizarem uma alta, a
posição atual da curva Chikou (curva do preço atual deslocada 26 períodos para trás) precisa estar
acima da curva real do preço. É uma forma visual de comparar o preço atual com um período
passado. Se o preço atual está acima desse preço anterior, então há potencial de alta, pois o preço
tende a manter a sua direção.
A incursão ao passado (Chikou Span) e ao futuro (“nuvens”) permite melhor compreensão do
gráfico atual. Se puder “vivenciar, de fato, o passado e o futuro” (como na antiga série de TV O
Túnel do Tempo), terá informações “privilegiadas” para decidir o que fazer no momento presente.
Esta é uma das características mais marcantes do Ichimoku. A outra é a integração dos conceitos de
tendência, “momentum” e Suporte e Resistência. O Ichimoku representa a integração completa dos
fundamentos da Análise Técnica. Com um “único olhar” você vê tudo. É a vista a partir do topo da
montanha (Ichimoku Sanjin).

Seguidor de tendência
O método Ichimoku utiliza a estratégia de seguir uma tendência. O objetivo não é “descobrir”
topos e fundos, muito pelo contrário, a estratégia é “pegar” a tendência já iniciada (perde-se o lucro
inicial) e sair depois que ela já “virou” (devolve parte dos lucros). Portanto, é preciso saber
escolher as ondas; tem de pegar uma onda grande, senão não vai valer a pena surfar. A utilização da
média de máximos e mínimos (em contraponto ao uso convencional da média dos fechamentos)
permite avaliar melhor a força de uma tendência. Afinal, esses preços (máximo e mínimo)
representam melhor a volatilidade, necessária para ocorrer um movimento do preço. Lembre-se de
que uma Tendência de Alta é formada por fundos (mínimos) ascendentes e uma Tendência de Baixa
por uma sucessão de topos (máximos) descendentes. Ao utilizar essencialmente os valores médios
dos máximos e mínimos, Ichimoku Sanjin encontrou uma forma diferente, e talvez melhor, para
avaliar a força de uma tendência, principal fundamento da Análise Técnica.

CandleCode

Medir em vez de explicar


A combinação de diversos Candlesticks forma padrões que contêm informações relevantes
sobre o comportamento atual e (quem sabe) futuro dos mercados. Também há um considerável grupo
de padrões compostos por um único candle (“DOJI”, Homem Enforcado, Martelo etc.) que sinaliza o
sentimento predominante do mercado.
Em geral, os padrões Candlesticks são interpretados de forma subjetiva, baseada na lógica
comportamental do mercado. A análise quantitativa dos Candlesticks é uma alternativa para obter
informação adicional e relevante dessa forma bastante popular de representação do preço.

A estrutura do CandleCode
O CandleCode é baseado em uma fórmula desenvolvida por Viktor Likhovidov e foi publicado
originalmente na revista Stocks & Commodities, de novembro de 1999. Para quantificar um candle,
Viktor utilizou os princípios básicos de interpretação:
1. A cor do Candlestick é a característica mais importante; define se é um candle de alta ou de
baixa.
2. O preço de abertura e de fechamento é o mais importante; e define o corpo do Candlestick.
Com relação às sombras, a superior normalmente significa viés altista em comparação à
sombra inferior, daí a sua precedência.
3. Por fim, o peso de cada elemento (corpo, sombra superior e sombra inferior) depende do seu
tamanho.
Com base nesses três princípios, Viktor definiu uma estrutura de codificação baseada na
aritmética binária (0 ou 1). Cada posição é definida por uma potência de 2; a mais importante (cor) é
26 (=64), ou seja, basta o candle ser de alta para obter no mínimo o valor de 64 (veja o diagrama).

Figura 9.2 Quantificação dos elementos de um Candlestick.

Em que condições o corpo ou a sombra podem ser considerados pequeno, médio ou grande?
Viktor decidiu adotar um padrão estatístico e utilizou as bandas de Bollinger com um desvio-padrão
de 0,5 e uma média de 55 dias. Acima da banda superior é grande, abaixo é pequeno, entre as bandas
é médio. Veja como ficou a codificação binária dessa classificação na figura a seguir.
Figura 9.3 Quantificação do tamanho de cada elemento.

Então, para cada candle, temos um valor (o CandleCode) que quantifica a força do candle.
Quanto maior o valor, maior a força compradora, e vice-versa. Dessa forma, podemos construir uma
curva que reflete a variação da força no tempo. Essa curva não tem “atraso”, mas parece difícil
utilizá-la sem um “alisamento”. O indicador CandleCode utilizado nas minhas análises sofreu um
alisamento de duas médias exponenciais (3 e 21). Entretanto, veja no exemplo a seguir, que, mesmo
na “forma pura”, o CandleCode pode antecipar movimentos importantes.

Figura 9.4 Gráfico do CandleCode “puro”.


Regras de Utilização
Likhovidov sugere a aplicação do indicador no contexto das Bandas de Bollinger, em que o
cruzamento do indicador com as bandas sinaliza pontos de compra (cruzamento acima da banda
inferior) e venda (cruzamento abaixo da banda superior). Também é aplicável o padrão de contração
e expansão das bandas (volatilidade). De forma similar a outros indicadores, é possível aplicar retas
de Suporte e Resistência, e padrões de divergência entre o preço e o indicador. Veja a seguir o
gráfico diário de Petrobras PN (PETR4).

Figura 9.5 Gráfico do CandleCode “alisado” e Bandas de Bollinger (Petrobras PN).

Fonte: www.nelogica.com.br

Heikin-Ashi
Uma das virtudes do Candlestick como indicador é que ele não tem atraso em relação ao preço
(é o próprio). O atraso ou lag é uma característica presente na maioria dos indicadores baseados em
médias. Por outro lado, por se tratar do próprio gráfico do preço, existe muito ruído. A consequência
imediata é que o gráfico do Candlestick, por si só, não define uma tendência.
O método Heikin-Ashi (Heikin significa médio ou equilíbrio, e Ashi quer dizer perna, ou a
barra do preço) é uma técnica que elimina grande parte das irregularidades do Candlestick. Permite
visualizar melhor uma tendência ou um movimento de consolidação. Em vez de utilizar médias
móveis, os preços que formam o candle é que são alterados.
Confira as fórmulas a seguir (prefixoha = preço Heinkin-Ashi):
haFec = (Abe + Max + Min + Fec)/4
haAbe = ((haAbe (barra anterior) + haFec (barra anterior))/2
haMax = Máximo (Max, haAbe, haFec)
haMin = Mínimo (Min, haAbe, haFec)
Ou seja,
O preço de fechamento (haFec) é a média dos 4 preços de um candle normal.
O preço de abertura (haAbe) é a média dos preços anteriores de abertura (haAbe) e
fechamento (haFec).
O preço de máximo (haMax) é o maior entre o preço máximo (normal), haAbe e haFec.
O preço de mínimo (haMin) é o menor entre o preço mínimo (normal), haAbe e haFec.

Figura 9.6 Gráfico Candlestick convencional (Ibovespa diário).

Fonte: www.nelogica.com.br

Compare os gráficos do Ibovespa diário. Agora você visualiza melhor a tendência?


Figura 9.7 Gráfico Candlestick Heikin-Ashi (Ibovespa diário).

Fonte: www.nelogica.com.br

A interpretação dos candles Heikin-Ashi não segue necessariamente as regras tradicionais


(embora elas continuem válidas). Talvez, em função do “alisamento”, seja adequado utilizar padrões
mais genéricos. A figura a seguir (Dan Valcu – Stocks & Commodities) resume as fases de uma
tendência e os respectivos padrões Heikin-Ashi.

Figura 9.8 O Heikin-Ashi e a tendência.

Fonte: Dan Valcu - Stocks & Commodities


Observe o viés em relação às sombras do Candlestick; altista para a sombra superior e baixista
para sombra inferior. Também na quantificação do indicador, a sombra superior tem maior valor, ou
seja, viés de alta em relação à sombra inferior. A identificação de uma forte tendência associada a
corpos maiores e sem sombra assemelha-se aos padrões Marubozu do Candlestick tradicional.
Corpos reduzidos em relação às suas sombras identificam situações de equilíbrio e indecisão (dojis,
spinning tops, high-wave); no Heikin-Ashi sinaliza consolidação e mudança de tendência.
Talvez haja mais semelhanças do que diferenças entre o Candlestick e o Heikin-Ashi. Se o
último perde em detalhes (que pode ser muito importante taticamente, no curto prazo), ganha em
profundidade estratégica (longo prazo).

Contra a Tendência
O Heikin-Ashi e o CandleCode sinalizam estratégias contra a tendência no contexto do
Ichimoku. Veja o exemplo a seguir.
A Sabesp ON (SBSP3) atingiu a sua máxima histórica no mês de agosto. Logo em seguida, um
forte processo corretivo devolveu boa parte dos ganhos. Mas o papel não tardou a reagir. No final de
setembro presenciamos o início de uma nova “perna” de alta, que apenas agora parece estar
chegando ao fim. Esses dois movimentos, primeiro uma “perna de baixa” e, em seguida, “uma perna
de alta”, são ótimos exemplos para aprendermos que com o Heikin-Ashi e o CandleCode, é possível
operar contra a tendência principal determinada pelas nuvens do Ichimoku. Agora temos a chance
de “vender acima da nuvem” e “comprar abaixo da nuvem”. As oportunidades se multiplicaram.

Figura 9.9 Contra a tendência acima da “nuvem” (Sabesp ON diário).

Fonte: www.nelogica.com.br
O movimento de alta, que culminou com a máxima histórica, “balançou” no início de agosto
(observe o candle de baixa isolado em um “mar” de candles de alta), mas não rompeu o Suporte
representado pela média de nove dias (linha Tenkan). Os candles de baixa só voltam a aparecer após
a máxima histórica. Observe que, quando o candle fechou abaixo da média, o CandleCode rompeu
abaixo da banda inferior de Bollinger, em um movimento de abertura das bandas (que caracteriza um
novo movimento direcional). A próxima sinalização de venda foi um candle de baixa com corpo
acima da média e sem sombra inferior (padrão Heikin-Ashi de forte viés baixista). Só depois de
alguns pregões é que a média curta cruzou a média longa para baixo e a linha de momento (Chikou)
rompeu abaixo do preço (referência de Suporte). Apenas na proximidade do final da “perna de
baixa” é que observamos o candle entrar na nuvem Ichimoku e depois fechar abaixo desta.
Este é um exemplo de que há oportunidade de operar contra a Tendência de Alta, ou seja, com o
preço acima da nuvem Ichimoku. Esperar pelo rompimento abaixo da nuvem para uma possível
operação de venda (ou para a saída de uma posição comprada) é uma estratégia com pouca
flexibilidade e também de risco elevado (suscetível a grandes perdas).
O preço estar acima da nuvem é uma premissa para assumir uma posição de compra? Para um
seguidor de tendência é uma regra básica. Mas não precisamos ser tão rígidos. Às vezes, uma
posição extremista pode deixar muitas oportunidades de lado. Acho que vale a pena operar tanto a
favor como contra a tendência. O importante é estar consciente do risco de cada estratégia. Operar
contra a tendência geralmente incorre em um risco maior. Mas, muitas vezes, o retorno é rápido e
acima da média. Assim como um verdadeiro campeão de xadrez domina tanto o jogo estratégico
como o tático, um operador de Bolsa também deveria saber operar a favor (estratégico) e contra
(tático) a tendência. Com essa postura mais flexível, você fica “exposto” a um número bem maior de
oportunidades.
A Sabesp ON (SBSP3) rompeu abaixo da nuvem Ichimoku em meados de setembro. Em seguida,
os candles Heikin-Ashi já apresentam corpos de baixa menores e em alguns casos uma sombra
superior. É uma sinalização de enfraquecimento da tendência de baixa. Surge, então, o primeiro
candle de alta, ainda de tamanho reduzido e com sombras inferior e superior. Ainda é cedo para
apostar em uma reversão para a alta. O preço está abaixo da nuvem Ichimoku, a média curta abaixo
da longa e a linha Chikou (momento) abaixo do preço (momento negativo). As curvas Ichimoku
sinalizam baixa, e só revertem muitos (mas muitos mesmo!) pregões adiante. Você perderia esta
oportunidade se operasse só a favor da tendência.
Figura 9.10 Contra a tendência abaixo da “nuvem” (Sabesp ON diário).

Fonte: www.nelogica.com.br

Ao surgir um novo candle de alta, verificamos que o tamanho do corpo é bem mais significativo,
e observamos também a ausência da sombra inferior. O candle Heikin-Ashi está sinalizando alta. Ao
mesmo tempo o indicador CandleCode forma o padrão OCOI (ombro-cabeça-ombro invertido),
sinalizando uma reversão para a alta. Embora as curvas Ichimoku ainda apontem para uma baixa (a
estratégia-padrão do Ichimoku é seguir a tendência), o Heikin-Ashi e o CandleCode já autorizam uma
compra. Nesse caso, a estratégia é contra a tendência. Estamos apostando na reversão da tendência e
“adiantando” a operação de compra. O risco é maior, mas o ganho potencial também é maior. O
CandleCode acaba rompendo acima da banda superior de Bollinger, com forte movimento direcional
do preço, característico do processo cíclico de compressão e, nesse caso, expansão da volatilidade.

Opere a Favor e Também Contra a Tendência


Existe um fundamento no xadrez que diz que você só deve atacar se estiver em vantagem. Do
contrário, deve se resignar à defesa. A maioria dos jogadores prefere atacar, mas muitas vezes a
defesa é a melhor estratégia. Quem ataca se expõe (ao avançar os peões, a retaguarda fica
desguarnecida) e cria debilidades. Em um momento oportuno, aquele que defende encontra a
oportunidade para contra-atacar, agora que o atacante deixou muitas debilidades para serem
exploradas. É uma questão de paciência e resistência. Aguardar o ataque inimigo perder a sua força.
Identificar o momento certo para contra-atacar.
As operações contra a tendência podem ser comparadas à estratégia de contra-ataque no xadrez.
Observar a perda de força da tendência e ter também a paciência para não se precipitar. A “defesa de
um Suporte” (ou de uma Resistência) pode ser comparada aos movimentos de defesa de uma posição
no xadrez. Após uma defesa bem-sucedida, o jogo vira, e é o momento para contra-atacar.
Ataque e defesa, a favor da tendência e contra a tendência. No xadrez ou na Bolsa, essas
situações se alternam e o jogo tem de ser bem jogado dos dois lados. Assim como no xadrez, o
mercado também alterna oportunidades para operar a favor ou contra a tendência. Em situações de
muita incerteza (como é de fato o comportamento do mercado), devemos nos expor mais. Temos de
diversificar. Operar a favor e contra a tendência!

Concluindo
Agora que já conhecemos com certo detalhe o Heikin-Ashi, o Ichimoku e o CandleCode, que
tal juntá-los? Cada um tem um diferencial importante. A união faz a força. “Um por todos, todos por
um!”
O Heikin-Ashi se destaca pela maior regularidade dos padrões Candlesticks, o que permite
visualizar com maior objetividade e simplicidade a direção e a força de uma tendência.
O grande destaque do Ichimoku são as nuvens, que determinam níveis ou zonas de Suporte e
Resistência, atuais e futuras.
O CandleCode se comporta como um oscilador, e assim define (antecipadamente?) níveis de
máximos (SobreCompra) e mínimos (SobreVenda). Também é um importante indicador de
volatilidade (medida pelas bandas de Bollinger), com movimentos cíclicos de compressão e
expansão.

Figura 9.11 “Os três mosqueteiros” (Ibovespa diário).

Fonte: www.nelogica.com.br
Conclusão

A mera contemplação de uma coisa não pode nos incitar,


Cada contemplação se transforma em consideração
Cada consideração em pensamento,
Cada pensamento em ligação.
Goethe

Os Gráficos Não Mentem


Estrela da Manhã, Estrela da Noite, Tempestade à Vista, Estrela Cadente… Martelo, Homem
Enforcado, Mulher Grávida, Bebê Abandonado…
O que há em um nome?
São apenas nomes? Lembranças do passado, expectativas sobre o futuro? Tendência, Suporte,
Resistência, Canais…
Ideia de movimento, direção e força?
Dow, Elliott, Fibonacci, Bollinger, Candlestick… Nomes estranhos, difíceis de pronunciar?
Triângulos, Retângulos, Bandeiras, Flâmulas, Ombro-Cabeça-Ombro… Formas geométricas ou
humanas?
Oportunidades para comprar ou vender ações?
O gráfico da Bolsa já não é o mesmo; adquiriu formas e nomes estranhos, e deixou mais
transparente, a disputa entre compradores e vendedores.
Análise Técnica é arte e ciência ao mesmo tempo; a análise é subjetiva mas é possível construir
modelos mecânicos de operação.
Dominar uma arte ou uma técnica demanda tempo; o tempo vai dar sentido a todos os nomes, vai
fazer todas as ligações se concretizarem.
O analista técnico ou grafista precisa praticar a arte e a ciência de interpretar os gráficos
diariamente; durante meses, anos… quem sabe?
Um dia ele vai observar o gráfico, e constatar que sabe separar os sinais falsos dos verdadeiros;
então vai concluir que os gráficos não mentem, jamais…
Referências

Tão importante quanto praticar a Análise Técnica, é estudar mais profundamente as ideias
apresentadas neste livro. Gostaria de fazer algumas recomendações de leitura dentro de cada tópico
abordado:

Fundamentos
ELDER, Alexander. Como se transformar em um operador e investidor de sucesso. Rio de Janeiro:
Campus, 2004.
MURPHY, John J. Technical analysis of the financial markets. New York: Institute of Finance,
1999.
PRING, Martin J. Technical analysis explained. New York: McGraw Hill, 1985.

Ondas de Elliott
PRECHTER, Robert R.; FROST, A. J. Elliot wave principle: key to market behavior. New Jersey:
Wiley, 2000.

Figuras
BULKOWSKI, Thomas N. Encyclopedia of charts patterns. New Jersey: Wiley, 2000.

Candlestick
MORRIS, Gregory L. Candlestick charting explained. New York: McGraw-Hill, 1995.
NISON, Steve. Japanese candlestick charting techniques: a contemporary guide to the ancient
investment techniques of the far east. New York: Institute of Finance, 1991.

Indicadores
BOLLINGER, John. Bollinger on Bollinger bands. New York: McGraw Hill, 2001.
ENG, William F. The day traders manual. New Jersey: Wiley, 1993.
FARLEY, Alan S. The master swing trader. New York: McGraw-Hill, 1995.
PRING, Martin. Martin Pring on market momentum. New York: McGraw-Hill, 1993.
WILDER, J. Welles. Nuevos conceptos sobre sistemas técnicos de operación en la Bolsa. Madrid:
Gesmovasa, 1988.
WILLIAMS, Bill. Trading chaos. New Jersey: Wiley, 1995.
Trading Systems
COVEL, Michael. Trend following. New Jersey: Prentice Hall, 2004.
RUGGIERO, Murray A. Cybernetic trading strategies: developing a profitable trading system with
state-of-the-art technologies. New Jersey: Wiley, 1997.

Um novo olhar sobre os Candlesticks


ELLIOTT, Nicole. Ichimoku Charts: An Introduction to Ichimoku Kinko Clouds. London: Harriman
House, 2007.
LIKHOVIDOV, Viktor. Coding Candlesticks. Stocks & Commodities, November 1999.
LIKHOVIDOV, Viktor. Light Up Your Trading System With CandleCode. Seattle, Thechnical
Analysis of Stocks & Commodities, September 2001.
PATEL, Manesh. Trading with Ichimou Clouds: The Essential Guide to Ichimoku Kinko Hyo
Technical Analysis. New Jersey: Wiley Trading, 2010.
VALCU, Dan. Heikin-Ashi: How To Trade Without Candlestick Patterns. London: Educofin, 2011.
VALCU, Dan. Using The Heikin-Ashi Technique. Seattle, Thechnical Analysis of Stocks &
Commodities, February 2004.
Para se manter informado sobre as últimas novidades da Análise Técnica, recomendo a revista
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Matsura, Eduardo
Comprar ou vender? : como investir na bolsa utilizando
análise gráfica / Eduardo Matsura. - 7. ed. - São Paulo :
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168 p. : 24 cm
ISBN 978-85-02-12576-6
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