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A ansiedade me acompanha desde a infância, eu não me lembro de

quando não fui ansiosa. No ataque das torres gêmeas senti um desespero
enorme, no tsunami de 2004 outro ataque de pânico. Os jornais policiais me
causava um grande mal estar. Eu era uma criança frágil, o que os
espiritualistas chamam de índigo, vinha de outro planeta e estava sendo difícil
me acostumar com a energia deste. No meu peito me lembro que havia uma
grande saudade, uma vontade de ir embora para o lugar que eu vim, uma falta
de conexão com o mundo e as pessoas a minha volta. Eu não me sentia daqui
e além desse sentimento de não pertencimento era uma criança estranha, com
poucos amigos e que sofria bullying. A ansiedade na minha infância era algo só
meu, que não abria para ninguém, até então eu consegui lidar com ela.

Quando eu tinha 24 anos comecei a me questionar sobre a vida infeliz


que levava, na lua desenfreada por sucesso e poucos resultados. Eu fui
projetada com o sonho capitalista, para ser uma pessoa bem sucedida aos 25
anos, faltava pouco de um ano para essa idade e na realidade todas as áreas
da minha vida estava uma bagunça. Meus relacionamentos eram fracassados,
o meu ultimo relacionamento tinha sido com um cantor e guitarrista de uma
banda de rock, foi um relacionamento abusivo, destrutivo e com a interferência
de amigos. Antes desse relacionamento havia passado por um susto que me
fez refletir sobre mim e a vida que estava construindo. Eu sofri uma agressão
física de um rapaz que estava me relacionando, depois desse acontecimento
percebi que todas as minhas relações tinham um padrão destrutivo, era como
se sempre fosse eu que desse e não recebesse, que fosse sempre eu que
queria concertar sozinha enquanto me sentia demasiadamente desgastada. O
guitarrista a quem tinha acabado o relacionamento a pouco tempo após
descobrir uma traição era frio o que levava mais ainda a entrar na bolha do
vitimisto.

A minha vida quando as crises começaram a aumentar era baseada em


trabalho que não gostava, faculdade e casa. Me afastei totalmente do meu ciclo
social, me dedicava apenas ao trabalho de conclusão de curso, me
questionava porque estava no segundo curso de graduação e não me
encontrava em nenhum canto. Trabalhava como atendente de telemarketing,
era um trabalho estressante e o que mais de deixava ansiosa era a
preocupação com o tempo, tinha duas pausas de 10 minutos e uma pausa
lanche para o almoço de 20 minutos. Eu corria da minha mesa aos armários e
lá ia para o refeitório, não dava tempo para lavar as mãos, esquentava a
comida no microondas, comia rapidamente e voltava para a operação.
Comecei a sentir cansaço físico e dores nos ombros, depois das dores no
ombro veio dores na barriga, diarréia, não consegui comer, não conseguia
dormir e meus ossos doíam. Fui ao médico, fiz uma pilha de exames que não
deu nenhum problema de saúde. Eu pensava que estava com alguma doença
muito grave ou rara, só pensava nisso o tempo inteiro.
Os ataques de pânico começaram a acontecer, mas de uma forma muito
forte. Eu começava a sentir uma tontura, um enjôo, as mãos ficavam tremendo,
o coração acelerado, falta de ar, vontade de sair correndo, um desespero muito
grande, eu pensava que estava morrendo ou tendo um ataque cardíaco. Corri
para o pronto atendimento, foram feitos mais exames, entre eles um eletro do
coração e mais uma vez não havia nenhum problema de saúde. Após a sexta
vez que chegava no pronto atendimento em um mês a médica me encaminhou
com urgência para um psiquiatra, onde fui diagnosticada com ansiedade
generalizada.

O tratamento médico resumia em medicação e terapia com psicólogo. O


tempo passava e a ansiedade tinha melhorado por conta de medicação, mas
ela ainda estava lá, eu não me sentia viva, era uma espécie de zumbi. Então,
tive a noção que essa era uma luta interna minha e me aprofundei de vez na
espiritualidade.

No livro irei detalhar o que aconteceu nessa busca interna. Como do


estado de umbral me transformei para chegar a ascensão do espírito, a um
estado de paz interior e não sofrimento. A flor de lótus é uma flor que remete a
espiritualidade, ela nasce em meio à lama, as água sujas e estagnadas. Para
mim a flor de lótus reflete a resiliência do espírito, ser feliz em meio ao caos e
por meio do seu crescimento trazer beleza para o mundo.