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Proposição: enunciado que pode ser julgado em V ou F.

Nas provas de concurso, o exemplo mais comum de proposição é a frase


declarativa.
Exemplo:
O Brasil é um país da América do Sul
Acima temos uma frase declarativa.
Pergunta: você consegue julgá-la em V ou F?
Sim, certamente sim. Você consegue sem dúvidas dizer que estamos
diante de um enunciado verdadeiro. Deste modo, se é possível julgar
em V ou F, então estamos diante de uma proposição. No caso, uma
proposição verdadeira.
É muito comum "batizarmos" as proposições por letras do alfabeto.
Poderíamos, por exemplo, representar a proposição acima pela letra R:
R: O Brasil é um país da América do Sul
Estas características de verdadeiro (V) e falso (F) são chamadas
de valores lógicos da proposição. No exemplo que vimos acima,
dizemos que a proposição R tem valor lógico verdadeiro.
Em relação aos valores lógicos, temos o seguinte:
 uma proposição só pode ser julgada em V ou F. Não existe uma terceira
opção.
 uma proposição só pode assumir um valor lógico. Ou é verdadeira, ou é
falsa. Não dá para ser V e F ao mesmo tempo
Exemplo:
S: A lei Eusébio de Queirós foi assinada em 1850.
A gente até pode não saber se a lei Eusébio de Queirós foi assinada
mesmo em 1850 ou não. Concorda?
Agora, o simples fato de não sabermos isso, não nos impede de afirmar
que estamos diante de uma proposição.
Por quê?
Porque é possível julgá-la em verdadeiro ou falso.
Ou é verdade que a lei Eusébio de Queirós foi assinada em 1850
(proposição verdadeira), ou é falso que a lei foi assinada naquele ano
(proposição falsa).
Não tem outra opção: ou isso é verdadeiro ou é falso.
E mais: não podemos ter as duas situações simultaneamente. É
impossível que a lei tenha sido assinada em 1850 e, além disso, não
tenha sido assinada em 1850.

Acima vimos o que é uma proposição. Agora precisamos também saber


aquilo que não é proposição.
Não são proposições as perguntas, exclamações, pedidos, ordens,
desejos, opiniões, pois tudo isso não pode ser julgado em V ou F.
Exemplo:
Que horas são?
Isso é uma pergunta, só pode ser respondida. Não dá para julgar em V
ou F.
O mesmo vale para uma ordem. Exemplo:
Saia do meu quarto!
Essa ordem você não julga em V ou F. Uma ordem só pode ser
obedecida ou desobedecida, mas não julgada.
O mesmo vale para tudo o que mencionamos acima: exclamações,
desejos, opiniões, conselhos, pedidos etc.
Também não é proposição a frase que contenha uma variável. Frases
com variáveis são ditas sentenças abertas. Estudaremos isso com mais
detalhe em outro capítulo.
Exemplo:
x−5=0x−5=0
Não dá para julgar esta sentença em verdadeiro ou falso, simplesmente
porque não é possível descobrir o valor de x. Se x valer 5, de
fato, x−5=0x−5=0
.
Caso contrário, se x for diferente de 5, a igualdade acima está errada.
“x” é uma variável, pode assumir inúmeros valores. Sendo variável,
temos então uma sentença aberta. Logo, não é proposição.
Aqui cabe uma observação: é possível transformar uma sentença aberta
em proposição, utilizando os quantificadores. Tal matéria não é
estudada neste capítulo.
Outro caso que não é proposição: frases incompletas. Exemplo:
José disse que....
Como não veio a informação completa, ou seja, como não sabemos o
que José teria dito, não temos como julgar isso em V ou F.
Outro caso que não é proposição: frases contraditórias. Exemplo:
"Esta frase é falsa".
Se supusermos que a frase é verdadeira, concluiremos que ela é falsa.
Se supusermos que ela é falsa, concluiremos que ela é verdadeira. Em
síntese, nunca conseguimos julgá-la.
Podemos resumir todos os casos acima do seguinte modo:
 sempre que não for possível julgar em V ou F, não é proposição
 sempre que for possível julgar em V ou F, é proposição.
Quando conseguimos julgar em V ou F é porque estamos diante de
enunciados que passam uma informação, informação essa que pode ser
verdadeira ou falsa. Assim, a existência das proposições está ligada à
função informativa da linguagem.

Não são proposições: perguntas, exclamações, pedidos, ordens,


sentenças abertas (aquelas com variáveis), expressões de
sentimento/desejo/opinião, frases incompletas, frases contraditórias,
enfim, tudo o que não for possível julgar em V ou F.
Como exemplo, vejamos a questão a seguir, elaborada pelo Cespe para
o concurso da FINEP?
(CESPE) Acerca de proposições, considere as seguintes frases:
I Os Fundos Setoriais de Ciência e Tecnologia são instrumentos de
financiamento de projetos.
II O que é o CT-Amazônia?
III Preste atenção ao edital!
IV Se o projeto for de cooperação universidade-empresa, então podem
ser pleiteados recursos do fundo setorial verde-amarelo.
São proposições apenas as frases correspondentes aos itens
a) I e IV.
b) II e III.
c) III e IV.
d) I, II e III.
e) I, II e IV.
Resolução.
A frase II é uma pergunta, não podendo ser julgada em V ou F.
A frase III é uma ordem, que também não é proposição.
Logo, são proposições as frases I e IV.
Gabarito: A

Para a gente revisar tudo o que vimos acima, preparei esse vídeo. É
bem curtinho, 8 minutinhos apenas, para a gente fixar de uma vez tudo
o que é relevante dessa aula.

Fechando o capítulo, os conceitos que vimos recebem nomes especiais


que, contudo, não costumam cair em provas.
 Uma proposição qualquer "p" é igual a si mesma (princípio da
identidade)
 Uma proposição "p" não pode ser verdadeira e falsa ao mesmo tempo
(princípio da não contradição)
 Uma proposição "p" é V ou F, não havendo uma terceira
opção (princípio do terceiro excluído)
Os alunos costumam confundir o princípio da não-contradição com o do
terceiro excluído.
Vamos dar exemplos para deixar mais clara a diferença.
1) Suponha que João vai ao estádio do Pacaembu assistir a Palmeiras x
Corinthians.
Ele não pode ir com bandeira do Palmeiras e camisa do Corinthians. Ele
não pode ser "contraditório", usando cores dos dois clubes ao mesmo
tempo. Do contrário, corre sério risco de apanhar, qualquer que seja o
lado da arquibancada que escolher para sentar. Se alguém se junta à
torcida do Palmeiras vestindo camisa do Corinthians, vai apanhar. Se
alguém se junta à torcida Corinthians com bandeira do Palmeiras,
apanha também.
Ou seja, ele não pode ser corintiano e palmeirense ao mesmo tempo.
Princípio da não-contradição.
Mas veja que nada impede João de, na verdade, ser torcedor do Vila
Nova Futebol Clube, time da capital goiana. João na verdade está
visitando São Paulo, e apenas quis ir assistir a um clássico paulista, sem
na verdade torcer por nenhum dos dois. Ele torce para um terceiro
time. Logo, João irá com a camisa vermelha do Vila Nova.

Ou seja, tivemos um caso de aplicação do princípio da não contradição


(é proibido ir de bandeira do Palmeiras + camiseta do Corinthians), mas
não tivemos um caso do terceiro excluído (pois havia um terceiro clube
- Vila Nova).
2) Suponha agora que Mário vai ao Maracanã, assistir a Flamengo x
Santos.
Considere ainda que se trata da última rodada do campeonato
brasileiro, que o Flamengo já está bem posicionado na tabela, não corre
risco de rebaixamento, e não briga mais por vagas na Taça Libertadores.
Contudo, o Santos briga para não ser rebaixado. Caso o Santos vença, se
mantém na primeira divisão e, com isso, rebaixa o Fluminense (estamos
descartando a hipótese de tapetão, evidentemente).
Neste caso, certamente todo o estádio estará numa torcida só. Santistas
e flamenguistas estarão juntos, assistindo ao Flamengo fazer corpo mole
para ser derrotado. Não será absurdo ver pessoas com camisas do
Flamengo, agitando bandeiras do Santos, e vice-versa. Ou seja, neste
caso, um torcedor pode usar camisa de um time, mas bandeira do
outro. Não se aplica o princípio da "não contradição".
Considere ainda que só foi permitida a entrada de santistas e
flamenguistas. Nada de torcedores do Vila Nova Futebol Clube. Agora
sim, temos o princípio do terceiro excluído. Não há torcedores de um
terceiro time dentro do estádio.

3) Considere agora que Alberto vai o Mineirão, assistir ao clássico


Cruzeiro x Atlético.
Suponha ainda que ele seja natural de BH, e que em BH a rivalidade
chegou a tal ponto que, ou você é amigo, ou é inimigo. Se não é
atleticano, é cruzeirense. Nada de ficar em cima do muro.
Aqui temos os dois princípios juntos:
 terceiro excluído: ou você é Atlético ou é Cruzeiro, sem terceira opção
(sem torcedor do Vila Nova)
 não contradição: nem pense em ir para o estádio com camisa do
Atlético e bandeira do Cruzeiro
Embora eu tenha dito que esse assunto não costuma cair em prova, há
raras exceções. Um exemplo é a questão abaixo, da Vunesp, que cobrou
o conhecimento dos três princípios:
www.tecconcursos.com.br/conteudo/questoes/215191

A IMPORTÂNCIA DO CONTEXTO (LEITURA OPCIONAL)


O que vem a seguir é de leitura opcional, ok? Fique à vontade para
pular tudo.
Motivo: nada disso vai cair na sua prova.
Eu apenas vou detalhar melhor algumas coisas. A finalidade é apenas
clarear as coisas para concurseiros que desejarem um aprofundamento
maior na matéria. Mas já fica o alerta: nada do que eu vou falar a seguir
cai em prova. Para as provas de concurso já está mais que suficiente ler
a aula até aqui.
Às vezes, podemos ficar em dúvida se uma sentença é ou não
proposição. Isso ocorre por conta das múltiplas funções da linguagem.
O autor Irving Copi, de forma simplificada, aponta três funções básicas
da linguagem:
 informativa (transmite informações),
 expressiva (expressa sentimentos)
 diretiva (tem o propósito de “causar ou impedir uma ação manifesta”;
exemplos: ordens, pedidos).
A nossa matéria trataria apenas da primeira forma de utilização da
linguagem (informativa), que se dá por meio de proposições e
argumentos lógicos, que podem ser verdadeiros ou falsos, válidos ou
inválidos.
Evidentemente, esta divisão simplória não pode ser mecanicamente
aplicada em qualquer caso. É comum que textos tenham,
simultaneamente, mais de uma função (pode-se informar e expressar
sentimentos ao mesmo tempo; pode-se tentar convencer e informar ao
mesmo tempo etc.). Além disso, uma mesma frase, em um dado
contexto, pode ter uma função informativa, em outro contexto, uma
função expressiva, e em outro contexto, uma função diretiva. É
justamente daí que vem a dificuldade em dizer se algo é ou não
proposição.
Exemplificando, a frase “Você sabia que João foi aprovado no concurso
do ICMS/DF?” poderia, dependendo do contexto, ter uma função
informativa. Quem diz a frase, no fundo, poderia estar apenas querendo
informar que João foi aprovado. A frase seria uma proposição, apesar de
se tratar de uma interrogação.
Apesar da complexidade da matéria, as provas de concurso cobram este
assunto de maneira bem simplória. A questão típica relaciona diversas
frases. Em seguida, temos que identificar quais delas são proposições.
Para tanto, seguimos o resumo inserido no final deste capítulo.
Falando ainda sobre o contexto de uma proposição. Não nos
preocupamos, em nenhum momento, em dar uma definição realmente
precisa de "proposição". Há momentos em que falamos em "frases", ou
em "sentenças", como se tudo isso fosse sinônimo de "proposição".
O motivo de não nos preocuparmos em dar uma definição precisa de
"proposição" é: isso não cai em prova. O que cai em prova é saber que
perguntas, exclamações, pedidos, ordens, sentenças abertas,
expressões de sentimento, tudo isso não é proposição, ainda que isso
seja uma aproximação bem simplória da lógica, como ilustramos acima
com a frase "Você sabia que João foi aprovado no concurso do
ICMS/DF?".
Mesmo sem termos visto uma definição precisa, cabe dizer o seguinte:
enquanto uma frase em português é um conjunto de palavras, uma
proposição tem relação com o sentido deste conjunto de palavras.
Exemplo:
Pedro casou com Maria.
Maria casou com Pedro.
As frases são diferentes (uma começa com "Pedro", a outra começa com
"Maria"). Mas, se estiverem sendo usadas para passar a mesma
mensagem, a de que Pedro e Maria casaram entre si, ambas
representam uma única proposição.
Outro exemplo:
Fernando Collor é o atual presidente do Brasil.
Hoje esta frase representa uma proposição falsa, concordam? Mas, em
1991, ela representaria uma proposição verdadeira.
Logo, apesar de termos uma única frase (um único conjunto de
palavras), ela dá origem a proposições diferentes, conforme o contexto.
Num primeiro contexto, a frase nos diz que o presidente do Brasil, no
ano de 1991, é Fernando Collor, o que é algo verdadeiro.
Num segundo contexto, ela nos diz que o presidente do Brasil, hoje, é
Fernando Collor, o que é falso.
Assim, podemos associar o termo "proposição" ao sentido de uma
sentença e não à sentença propriamente dita. A mesma frase em
português pode dar origem a proposições diferentes, pois, em cada
contexto, pode ter um sentido diferente.
Esse aspecto já foi cobrado em provas, como podemos observar nesta
questão da Cesgranrio para o concurso do
IBGE: www.tecconcursos.com.br/conteudo/questoes/275429
Vamos falar um pouquinho mais sobre as sentenças abertas.
Como já dissemos, as sentenças com variáveis são chamadas
de sentenças abertas. Às vezes, em vez de variáveis “x”, “y”, “z”, as
questões de concursos utilizam palavras que passam a ideia de
indeterminação.
Exemplo: “Ele foi eleito, pela FIFA, o melhor jogador de futebol do
mundo em 2005”.
A palavra “ele” dá o teor de indefinição. Não sabemos quem é ele. Ou
seja, temos uma variável. A sentença acima é aberta, podendo,
dependendo de quem for “ele”, ser julgada em verdadeiro (caso ele
seja o Ronaldinho Gaúcho) ou falso (caso “ele” seja qualquer outra
pessoa).
Evidentemente, se, pelo contexto, for possível identificar quem é
“ele”, aí não temos mais uma variável. Passamos a ter uma proposição.
Esse caso em particular foi cobrado no concurso da Sefaz/SP, feito pela
FCC: https://www.tecconcursos.com.br/conteudo/questoes/1542

A classificação das proposições em "simples" ou "compostas" não se dá


pela análise da frase possuir um ou mais verbos, nem se dá pela análise
sobre o sujeito ser simples ou composto

A forma correta de classificar uma proposição em simples ou composta


é esta:

É simples a proposição que não pode ser dividida em proposições


menores.

É composta a proposição que pode ser dividida em proposições


menores.

Resumo do capítulo

Proposição: enunciado que pode ser julgado em V ou F. Exemplo típico:


frase declarativa.
Não são proposições:
 perguntas
 exclamações
 pedidos, ordens
 sentenças abertas (aquelas com variáveis)
 expressões de sentimento/desejo/opinião
 enfim, tudo o que não for possível julgar em V ou F.

Pessoal, pra sentença não ser fechada, ela tem que ser aberta!...

E, uma sentença é aberta quando não conseguimos atribuir um valor


lógico (verdadeiro ou falso) para ela!...

Então, vamos analisar as alternativas da questão e descobrir qual


sentença não é fechada!...

a) 3x2+1=133x2+1=13 para x=3x=3. Essa é fechada!... Geralmente,


equações com incógnitas são abertas!... Mas, quando sabemos o valor
da incógnita, conseguimos atribuir um valor lógico para a sentença!...

b) No inverno os dias são quase sempre chuvosos. Essa


é fechada!... Pois, podemos classificá-la em verdadeiro ou falso!...

c) 10+3 .5=26. Essa é fechada!... Pois, é uma sentença falsa!...

d) Isaac Newton foi um brilhante escultor. Essa é fechada!... Pois,


podemos classificá-la em verdadeiro ou falso!...

e) x−y2x−y2 é um número inteiro. Essa é aberta!... Pois, ela possui


incógnitas!... E, se não sabemos o valor das incógnitas, não podemos
classificá-la em verdadeiro ou falso!...

/////////////////////////////

e) A corrida foi excelente. (Errado)

Sentenças que exprimem juízo de valor não podem ser caracterizadas


como sentenças fechadas, uma vez que não podemos afirmar ou negar
lógica e definitivamente a subjetividade de quem as exprime.

/////////////////////

Afirma-se que o fato de o transporte marítimo ser econômico acarreta


na sua priorização da construção de portos. Ou seja, temos uma relação
de causa e efeito, melhor simbolizada pelo condicional, e não pela
conjunção.

Teríamos algo do tipo:

P→QP→Q

Dando nomes às proposições simples:


 o transporte marítimo é econômico
 a construção de portos deveria ser uma prioridade de governo

O que resulta em:

Se (o transporte marítimo é econômico), então (a construção de portos


deveria ser uma prioridade de governo)

Vítor, esse verbo "deveria" indica um "dever", correto? Assim, a frase


seria imperativa. E frases imperativas não podem ser consideradas
proposição, confere?

Uma frase imperativa consiste de uma ordem direta, a qual pode ser
obedecida ou desobedecida, mas não julgada em V ou F. Por exemplo,
se o irmão mais velho grita para o mais novo:

"Saia do meu quarto agora!"

O caçula pode obedecer, ou pode desobedecer. Mas não faz o menor


sentido querer julgar essa frase em V ou F, pois ela nada declara.

Já quando eu digo que determinado tema deveria ser prioridade de


governo, eu tenho sim um conteúdo sendo declarado: o de que tal
assunto é tão relevante, que precisaria (ou necessitaria,
mereceria, deveria) receber tratamento prioritário do governo. E isso
pode sim ser julgado em V ou F. Oras:
 ou é verdade que esse assunto é mesmo tão importante, e está na
esfera de ação do governo, de modo que a frase seria V
 ou não é tão importante assim, de modo que a frase seria F

Se eu posso avaliar a adequação do conteúdo da frase, ou seja, se ela


declara algo, então é proposição.

Talvez trocando o exemplo fique mais claro:

O pai deve proteger seu filho


Não estamos dando nenhuma ordem para qualquer pai em específico.
Estamos declarando algo acerca de um dever natural. E esta declaração
pode ser julgada em V ou F.

Finalmente, a terceira sentença é verdadeira!... Nem tem o que


falar!... Só confirmamos e reforçamos: não existe proposição meia certa
ou meia errada!... Ou a proposição é certa ou é errada!...

Sentenças declarativas, como o nome sugere, são sentenças que


declaram algo, isto é, fazem alguma afirmação. Por afirmarem alguma
coisa, é possível que o que dizem seja verdadeiro ou falso, o que faz
com que se lhes possa atribuir valores lógicos.

Por outro lado, sentenças interrogativas ("Que horas são?"),


exclamativas ("Não quero!"), que exprimam desejo ("Tomara que ele
volte") e sentenças paradoxais ("Esta frase é falsa") não podem assumir
valores lógicos, pois seu conteúdo não pode ser classificado nem em
verdadeiro, nem em falso.

Portanto, somente às sentenças declarativas podemos atribuir valores


lógicos (verdadeiro ou falso).

///////////////////

#795493 QUADRIX - Auxiliar


Administrativo (CRB 10)/2018
O diagrama abaixo apresenta uma relação existente entre os conjuntos dos
números Naturais (N), Inteiros (Z), Racionais (Q), Irracionais (I) e Reais (R).

Os números racionais podem ser expressos pela razão pqpq, em


que p e q são números inteiros e q ≠ 0.

Considere-se que a representação XC indique o complementar do conjunto X e


que R seja o conjunto Universo.
Com base no texto acima, julgue o próximo item.

Do ponto de vista lógico, o período “não pertence ao conjunto dos números


racionais nem ao conjunto dos números irracionais, mas pertence ao conjunto
dos números reais” é uma contradição.

Certo

O conjunto Universo está definido como a união entre os


conjuntos QQ e II, e nada mais. Sendo assim, se não estamos nem
em QQ nem em II, então não estamos nesse universo. Portanto, ao dizer
que pertencemos e, ao mesmo tempo, não pertencemos a esse
conjunto, a afirmação fere o princípio da não-contradição, segundo o
qual uma proposição não pode ser simultaneamente verdadeira e falsa.
 Gabarito: CERTO.

/////////////////////////////

Tabela Verdade das Proposições Compostas


A tabela verdade é uma tabela em que combinamos todas as possibilidades
das proposições simples para ver quais são os resultados das proposições
compostas.
A tabela verdade do conectivo “e” é a seguinte:

PP QQ P∧QP∧Q
V V V
V F F
F V F
F F F
O que isto significa?
Significa que, quando P for verdadeiro e Q também for verdadeiro, a
proposição composta “P e Q” também será verdadeira (ver linha 1 da tabela).
Quando P for verdadeiro e Q for falso, a proposição composta “P e Q” será
falsa (linha 2 da tabela).
Quando P for falso e Q for verdadeiro, a proposição composta será falsa (linha
3).
Finalmente, se P e Q forem falsos, a proposição composta será falsa (linha 4).
Pronto. Isso é uma tabela verdade.
Para os demais conectivos, as tabelas verdade estão abaixo indicadas.
Tabela verdade do conectivo “ou”:

PP QQ P∨QP∨Q
V V V
V F V
F V V
F F F
Tabela verdade do conectivo “se, então”:

PP QQ P→QP→Q
V V V
V F F
F V V
F F V
Para resolver os exercícios, você ainda precisa saber que, no condicional “se
P, então Q”, as proposições simples recebem nomes especiais.
P é o antecedente.
Q é o consequente.
Tabela verdade do conectivo “se, e somente se”:

PP QQ P↔QP↔Q
V V V
V F F
F V F
F F V
Tabela verdade do conectivo “ou... ou”

PP QQ P∨−−QP∨_Q
V V F
V F V
F V V
F F F
Pronto. Para resolver os exercícios de concursos, é só decorar as tabelas
acima.
Eu não vou passar nenhuma regrinha, nenhum macete de como decorar tudo.
Neste caso, acho que é muito mais proveitoso, em vez de simplesmente
decorar tudo, tentar entender a ideia por trás de cada conectivo. Para tanto,
eu vou colocar exemplos que dispensam a tabela verdade, ok?
Exemplo 1:
João vai viajar. Antes de pegar a estrada, passou na oficina para que fosse
feita uma revisão nos freios e na suspensão de seu carro.
No dia seguinte, João vai à oficina buscar seu carro. Em cada uma das
situações abaixo, como João classificaria o atendimento da oficina?
a) foram checados os freios e a suspensão
b) foram checados só os freios; a suspensão não foi checada
c) foi checada só a suspensão; os freios não foram checados
d) não foi checada a suspensão; os freios também não foram checados
Resolução:
O que João quer é realizar uma viagem segura. Ele só estará seguro se os dois
itens mencionados forem checados. Não adianta nada estar com os freios bons
e a suspensão ruim. João continuará correndo risco de acidente. Da mesma
forma, não é seguro ele viajar com a suspensão em ordem se os freios não
estiverem ok.
Deste modo, a única situação em que João vai aprovar o atendimento da
oficina será na letra “a”, em que os dois itens são checados. Em qualquer
outra hipótese, o atendimento terá sido falho.
João só estará satisfeito com o atendimento quando os dois itens forem
checados (suspensão e freios). Ele só estará satisfeito com o atendimento
quando for checado o freio e também for checada a suspensão.
Analogamente, uma proposição com o conectivo “e” só será verdadeira
quando todas as suas “parcelas” forem verdadeiras. Ou ainda, quando todos
os seus termos forem verdadeiros.
Daí dá até para entender o nome do conectivo. A proposição composta só será
verdadeira se suas parcelas forem conjuntamente verdadeiras.

Existe apenas uma situação em que a proposição composta pelo


conectivo “e” é verdadeira: quando todas as proposições simples são
verdadeiras.
Exemplo 2:
Hoje é feriado e Maria quer fazer um almoço especial. Para tanto, incumbiu
José, seu marido, de ir comprar a “mistura”.
Como eles moram numa cidade pequena, Maria sabe que muitos
estabelecimentos comerciais estarão fechados (ou seja, José pode ter
dificuldades para “cumprir sua missão”).
Por isso ela deixou opções para ele: José pode comprar carne ou peixe.
Em cada uma das situações abaixo, como Maria avaliaria o cumprimento da
tarefa de José?
a) José comprou a carne, mas não comprou o peixe.
b) José comprou o peixe, mas não comprou a carne.
c) José comprou a carne e o peixe.
d) José não comprou nem carne nem peixe.
Resolução:
A ideia de Maria é ter algo pra fazer de almoço. Se o José comprar qualquer
um dos dois itens (peixe ou carne), terá cumprido sua tarefa com êxito e
Maria poderá fazer o almoço.
Assim, nas letras “a” e “b”, Maria ficará satisfeita com José, tendo em vista
que ele comprou pelo menos uma das duas opções de mistura. O almoço
estará garantido.
Na letra “c” José teve, igualmente, êxito. Comprou ambos: peixe e carne.
Maria não só poderá fazer o almoço de hoje como também já poderá planejar
o almoço do dia seguinte.
Só na letra “d” é que Maria ficará insatisfeita com seu marido. Na letra “d”,
José voltou para casa de mãos abanando. José voltou sem nada e o almoço
ficou prejudicado.
Neste exemplo, José precisava comprar a carne ou o peixe. Isto significa que
ele precisava comprar pelo menos um dos dois. Poderia ser só a carne, só o
peixe, ou ambos, carne e peixe.
A única situação em que José não cumpre sua tarefa é aquela em que ele não
compra nada: nem carne nem peixe.
Analogamente, uma proposição com o conectivo “ou” só será falsa se todas as
suas “parcelas” forem falsas (ou ainda: se todas as proposições simples que a
compõem forem falsas).
Disso dá para entender o nome do conectivo: a proposição composta será
verdadeira ainda que as proposições simples sejam disjuntamente (ou
separadamente) verdadeiras.

A proposição composta pelo conectivo “ou” só será falsa quando todas as


proposições simples forem falsas.
Exemplo 3
Augusto contratou um seguro de carro. O seguro protegia contra batidas.
Assim, se Augusto bater o carro, então a seguradora paga a indenização.
Como Augusto avaliaria a seguradora em cada situação abaixo:
a) Augusto bate o carro e a seguradora paga a indenização
b) Augusto bate o carro e a seguradora não paga a indenização
c) Augusto não bate o carro e a seguradora paga a indenização
d) Augusto não bate o carro e a seguradora não paga a indenização
Resolução
Na letra “a”, temos a situação normal de contrato. Augusto bateu o carro e a
seguradora paga a indenização. A seguradora cumpriu com seu papel e
Augusto ficará satisfeito com o serviço prestado pela seguradora.
Na letra “b”, Augusto bateu novamente o carro. A seguradora deveria pagar o
seguro. Deveria, mas não o fez. Augusto certamente ficará insatisfeito com a
seguradora, podendo acionar o Procon, a justiça, etc.
Na letra “c”, temos uma situação até meio irreal. Augusto nem bateu o carro
e a seguradora está dando dinheiro para ele. Ô seguradora boa, hein!
Podemos pensar que se trata de um prêmio, ou desconto, alguma vantagem.
Seria a situação em que as seguradoras premiam bons clientes. Na letra “c”,
novamente o Augusto ficará satisfeito com o atendimento da seguradora.
Muito satisfeito, por sinal.
Na letra “d”, Augusto não bate o carro e a seguradora não paga a
indenização. Augusto tem o direito de ficar insatisfeito? Não, não tem. A
seguradora não tinha obrigação de pagar indenização nenhuma. Afinal de
contas, Augusto não bateu o carro.
Na letra “d”, Augusto não tem motivo algum para dizer que a seguradora
prestou um mal serviço. Portanto, ele, não tendo motivos concretos para
fazer uma avaliação negativa, diria que a Seguradora presta um bom serviço
(ou seja, presume-se que seja uma boa empresa, até prova em contrário).
Observe a situação inicial. Temos exatamente uma frase com “se... então”.
Se Augusto bater o carro, então a seguradora paga a indenização.
Vamos dividir esta frase em duas “parcelas”. A primeira parcela se refere a
Augusto bater o carro. A segunda se refere à seguradora pagar a indenização.
A única possibilidade de Augusto ficar insatisfeito ocorre quando a primeira
“parcela” acontece (ou seja, quando ele bate o carro) e a segunda “parcela”
não acontece (ou seja, quando a seguradora não paga a indenização).
De modo análogo, uma proposição: se “p”, então “q”, só é falsa quando “p” é
verdadeiro e “q” é falso.
Para quem tiver interesse, disponibilizei um vídeo sobre o conectivo
condicional no meu canal do youtube:
Como os alunos costumam ter um pouco de dúvidas neste conectivo
condicional, vejamos outro exemplo.
Exemplo 4:
Júlia, hoje pela manhã, disse à sua amiga: hoje, se fizer sol, eu vou ao clube.
Ao final do dia, temos as situações descritas abaixo. Em cada uma delas,
avalie se Júlia disse a verdade ou se Júlia mentiu.
a) fez sol e Júlia foi ao clube.
b) fez sol e Júlia não foi ao clube.
c) não fez sol e Júlia foi ao clube.
d) não fez sol e Júlia não foi ao clube.
Resolução:
Na letra “a” fez sol. E Júlia disse que, se fizesse sol, ela iria ao clube. Como
ela de fato foi ao clube, então ela disse a verdade.
Na letra “b”, novamente, fez sol. E Júlia disse que, se fizesse sol, ela iria ao
clube. Como ela não foi ao clube, ela mentiu.
Nas letras “c” e “d”, não fez sol. Ora, Júlia não prometeu nada para o caso de
não fazer sol. O compromisso dela era apenas para o caso de fazer sol. Ela
assumiu um compromisso de, fazendo sol, ir ao clube.
Ora, se não fez sol, então Júlia está liberada de seu compromisso. Ela não
prometeu nada caso chovesse, ou ficasse nublado.
Portanto, não interessa o que ela tenha feito nas letras “c” e “d”. Você não
pode dizer que ela mentiu.
Se considerarmos que a situação inicial é composta de duas “parcelas”,
teríamos o seguinte: primeira parcela – fazer sol; segunda parcela – Júlia ir ao
clube.
Novamente, a única situação em que dizemos que Júlia mente ocorre quando
a primeira parcela acontece (ou seja, faz sol) e a segunda não acontece (Júlia
não vai ao clube).
De modo análogo, uma proposição com o conectivo “se... então” só é falsa
quando a primeira proposição for verdadeira e a segunda for falsa.
E, não custa relembrar: vimos que a primeira parcela recebe o nome
de antecedente, e a segunda parcela recebe o nome de consequente.

Um condicional só será falso se sua primeira parcela for verdadeira


(antecedente verdadeiro) e sua segunda parcela for falsa (consequente falso).
Pare a leitura do texto!
Volte ao resumo acima e decore cada palavra.
Se tem um lugar que aluno adora errar é nisso.
O condicional só será falso se tivermos:
 Antecedente verdadeiro
 Consequente falso
Ou seja, se tivermos V/F (nessa ordem) pronto: o condicional é falso.
Em qualquer outro caso, não interessa qual seja, o condicional é
verdadeiro.

Uso dos termos "se" e "somente se".


Num condicional, o "se" aponta para o antecedente. O "somente se" aponta
para o consequente.
Portanto, são equivalentes as seguintes proposições:
Se chove, então o chão fica molhado.
Chove, somente se o chão fica molhado.
Podemos também escrever omitindo o "então", assim:
Se chove, o chão fica molhado.
Podemos também escrever as coisas em ordem inversa.
O chão fica molhado, se chove.
Somente se o chão fica molhado, chove
Veja que em todas as situações o antecedente é "chove" e o consequente é "o
chão fica molhado".

(Cespe)
Em cada um dos itens a seguir, é apresentada uma proposição que deve
ser julgada se, do ponto de vista lógico, é equivalente à
proposição “Se for autorizado por lei, então o administrador detém a
competência para agir”.
56 Somente se for autorizado por lei, o administrador deterá a competência
para agir.
Resolução:
O “se” aponta para o antecedente.
O “somente se” aponta para o consequente.
Então, para fazermos a frase com “somente se”, deveríamos ter:
O administrador é autorizado por lei somente se detém competência para
agir.
O item 56 deslocou o “somente se” para o lugar errado. ITEM ERRADO.

Exemplo 5:
Inácio é um veterinário. Num dado dia, ele recebe dois cães, gravemente
feridos (Alfa e Beta, ambos vítimas de atropelamento). Os dois precisam de
pronto atendimento. Do contrário, irão falecer.
Inácio não tem outros veterinários para lhe auxiliar, só tendo condições de
atender a um dos cães por vez. Avalie o comportamento de Inácio nas
situações abaixo.
a) Inácio atende Alfa e o salva; Beta não é atendido e morre.
b) Inácio atende Beta e o salva; Alfa não é atendido e morre.
c) Inácio tenta atender os dois ao mesmo tempo. Acaba não conseguindo
atender nenhum dos cães de forma adequada e ambos morrem.
d) Inácio não atende a nenhum dos dois e ambos morrem.
Resolução:
Na letra “a”, Inácio agiu corretamente. Ele não teria como atender os dois
cães. Ele escolheu o cão Alfa e o salvou. Era o máximo que ele poderia fazer
naquelas condições. Pelo menos um dos cães foi salvo. Na letra “a”, dizemos
que Inácio agiu de forma adequada, dadas as restrições que ele tinha.
Pelo mesmo raciocínio, na letra “b” também dizemos que Inácio agiu de
forma adequada. Ele só teria condições de salvar um cão. Ele escolheu Beta e
o fez.
Na letra “c” Inácio não foi um bom profissional. Tentou atender aos dois cães,
o que ele já sabia que não seria possível. Consequentemente, nenhum cão foi
atendido de forma adequada e ambos morreram.
Na letra “d” Inácio também agiu de forma inadequada. Ao não atender
nenhum dos cães, ele simplesmente não salvou Alfa nem Beta (quando era
possível salvar um dos dois).
Podemos dizer que ou Inácio atende Alfa ou Inácio atende Beta. As únicas
formas de ele agir corretamente são quando ele atende só o Alfa ou só o Beta.
Dividindo a frase em duas partes, teríamos: primeira parte – atender Alfa;
segunda parte – atender Beta.
O comportamento de Inácio só é adequado quando a primeira parte acontece
(atende Alfa) e a segunda não (não atende Beta). Outra forma de seu
comportamento ser adequado é quando a primeira parte não acontece (não
atende Alfa) e a segunda parte acontece (atende Beta).
De modo análogo, uma proposição com o conectivo “ou ... ou” só é verdadeira
quando um termo é verdadeiro e o outro é falso. Qualquer outra situação
implica em proposição falsa.
É muito importante saber diferenciar a disjunção exclusiva (ou ... ou) da
disjunção inclusiva (ou).
As tabelas-verdade de ambas são quase iguais. A diferença se dá apenas
quando os dois termos são verdadeiros.
Na disjunção inclusiva, os dois termos verdadeiros implicam em proposição
verdadeira. É só lembrar do exemplo do José, que poderia comprar carne ou
peixe. Quando as duas parcelas acontecem (ou seja, quando ele compra carne
e peixe), ele cumpriu sua missão (pois Maria poderá fazer o almoço). José
agiu de maneira satisfatória.
Na disjunção exclusiva, se os dois termos são verdadeiros, temos uma
proposição falsa. É só lembrar do exemplo do Inácio. Inácio deveria atender
ou Alfa ou Beta. Quando as duas parcelas acontecem (ou seja, quando ele
atende os dois cães), aí ele não agiu de forma satisfatória (pois ambos, Alfa e
Beta, morrem).
Podemos pensar que uma única proposição simples deve ser verdadeira
(exclusividade), para que a proposição composta seja verdadeira. Assim como
um dos cães deveria ter exclusividade de atendimento, para que Inácio fosse
considerado um bom veterinário.

Uma proposição composta pelo conectivo “ou...ou” (disjunção exclusiva) só


será verdadeira se uma proposição simples for verdadeira e a outra for falsa.
Exemplo 6:
Rosa foi ao médico, pois está sentindo dores. O médico faz alguns exames,
para ver se ela está doente ou não, e, se necessário, receita um
medicamento.
Como Rosa avaliaria a qualidade do médico em cada uma das hipóteses
abaixo?
a) Rosa estava doente e o médico receitou um remédio.
b) Rosa estava doente e o médico não receitou um remédio.
c) Rosa não estava doente e o médico receitou um remédio.
d) Rosa não estava doente e o médico não receitou um remédio.
Resolução.
Na letra “a”, Rosa estava realmente doente. O médico detectou a doença e
receitou um remédio. É exatamente o que se espera de um bom médico.
Nesta situação, Rosa diria que seu médico realizou um bom atendimento.
Na letra “b”, Rosa estava doente. O médico, contudo, não detectou a doença
e não receitou remédio algum. Para Rosa, ele certamente não foi um bom
médico.
Na letra “c”, Rosa não estava doente. Ainda sim o médico receitou um
remédio. Sabemos que os remédios não podem ser usados
indiscriminadamente, quando a pessoa está saudável. A medicação
desnecessária pode causar diversos efeitos negativos. Deste modo, na letra
“c” Rosa diria que se trata de um médico ruim, que receitou remédios
desnecessariamente.
Na letra “d”, Rosa não estava doente. O médico percebeu isso e não receitou
remédio algum. Talvez só tenha recomendado descanso, repouso, algo do
gênero. Mas agiu corretamente, ao não prescrever nenhuma medicação. Foi
um bom médico.
Podemos dizer que o médico deve receitar um remédio se e somente se Rosa
estiver doente.
Separando a frase acima em duas parcelas, temos: primeira parcela – o
médico receita o remédio; segunda parcela – Rosa está doente.
O médico só será qualificado como um bom médico se as duas parcelas
ocorrerem ou se as duas não ocorrerem.
Caso uma das parcelas ocorra e a outra não, então ele será um médico ruim.
De forma análoga, uma proposição com o conectivo “se e somente se” só será
verdadeira caso os dois termos sejam verdadeiros ou caso os dois termos
sejam falsos.
Se um dos termos for verdadeiro e o outro for falso, então a proposição com
“se e somente se” será falsa.

Uma proposição composta pelo conectivo “se, e somente se” (bicondicional)


só será verdadeira se ambas as proposições simples tiverem valores lógicos
iguais.
É interessante comparar o condicional com o bicondicional.
No condicional p→qp→q nós usamos uma das duas expressões: "se", ou
"somente se".
Assim:
Se p, então q
p, somente se q
O "se" aponta para o antecedente. O "somente se" aponta para o consequente.
Logo, usamos ou o "se", ou o "somente se", mas não ambos. As duas
proposições acima são iguais entre si.
No bicondicional p↔qp↔q, usamos "se" e "somente se" na mesma proposição.
Isso nos indica que cada uma das parcelas é, ao mesmo tempo, antecedente e
consequente. É isso que justifica termos "um condicional para cada lado", ou
ainda, um bicondicional.
Ficamos com:
p se, e somente se, q
Que quer dizer que dois condicionais ocorrem ao mesmo tempo, assim:
(se p, então q) e (somente se p, q)
Por este motivo, o bicondicional p↔qp↔q é equivalente a:
(p→q)∧(q→p)(p→q)∧(q→p)
Exemplo 7:
Construa a tabela verdade para a proposição abaixo:
(p∧q)→r(p∧q)→r
Resolução.
Vamos começar pela proposição “p”. Ela pode ser verdadeira ou falsa.

Fixado o valor lógico de p, vamos para q. Em cada uma das situações acima,
podemos ter q sendo verdadeiro ou falso.
Isto está representado no diagrama abaixo.

E, para cada combinação de valores lógicos de p e q, temos duas


possibilidades para r: verdadeiro ou falso. Veja diagrama abaixo:
Ou seja, há 8 combinações possíveis de valores lógicos para p,q e r.
Uma forma sistemática de abranger todos eles é assim. Para a proposição r,
trocamos o valor lógico de linha em linha.

Pronto. Fomos alternando os valores lógicos. Primeiro V, depois F, depois V,


depois F.
Ok, agora vamos para a proposição q. Vamos alternando os valores lógicos de
duas em duas linhas.
Primeiro colocamos V e V. Depois F e F. Depois V e V. E assim por diante.
E o jeito de fazer é sempre assim, vamos sempre dobrando.
Vamos agora para a proposição p. Novamente dobramos. Alternamos os
valores lógicos de 4 em 4 linhas.

Observem que:
- para “p”, alternamos o valor lógico a cada 4 linhas
- para “q”, alternamos o valor lógico a cada 2 linhas
- para “r”, alternamos o valor lógico a cada 1 linha.
Esta é uma forma sistemática de abranger todos os casos possíveis. No fundo
no fundo, simplesmente transformamos o diagrama em uma tabela.
E isso ajuda a lembrar que a tabela-verdade de uma proposição composta
por n proposições simples terá 2n2nlinhas.
Exemplo: se a proposição for composta por 2 proposições simples, ela
terá 22=422=4 linhas.
Se a proposição for composta por 3 proposições simples, a tabela verdade
terá 23=823=8 linhas.
Se a proposição for composta por 4 proposições simples, a tabela verdade
terá 24=1624=16 linhas.
Viu? Vai sempre dobrando (4, 8, 16, 32, ...)
Uma proposição composta por “n” proposições simples terá tabela verdade
contendo 2n2n linhas
Agora que já conseguimos relacionar todas as combinações de valores lógicos
para p, q e r, podemos continuar montando a tabela verdade.
A proposição composta é:
(p∧q)→r(p∧q)→r
Os parênteses nos indicam que devemos, primeiro, fazer o “e”.

Para tanto, consultamos as colunas p e q.


Quando p e q são verdadeiros, a conjunção também é verdadeira.

Em qualquer outro caso, ou seja, quando pelo menos uma das parcelas é
falsa, a conjunção será falsa (em vermelho o que preenchemos agora, em azul
o que já havia sido preenchido).

Pronto. Já fizemos a parcela que está entre parênteses.


Agora podemos finalmente fazer a coluna da proposição composta desejada.
Temos um condicional. Suas parcelas são:
1ª parcela: p∧qp∧q
2ª parcela: rr
O condicional só é falso quando a primeira parcela é verdadeira e a segunda é
falsa.

Em qualquer outro caso, o condicional é verdadeiro.

Pronto. Montamos a tabela-verdade da proposição


composta (p∧q)→r(p∧q)→r.

Segue vídeo de revisão:


Há algumas coisas dentro de lógica que não caem em prova, mas creio serem
úteis para solidificar nosso conhecimento. Se estiver interessado em ler um
pouquinho sobre o papel do contexto dentro da lógica, sugiro esse artigo
abaixo:
https://www.tecconcursos.com.br/dicas-dos-professores/curiosidades-logicas

Resumo do capítulo

PP QQ P∧QP∧Q P∨QP∨Q P→QP→Q P↔QP↔Q P∨−−QP∨_Q


V V V V V V F
V F F V F F V
F V F V V F V
F F F F V V F

#590498 CEBRASPE (CESPE) -


Escrivão de Polícia (PC MA)/2018 (e
mais 3 concursos)
Proposição CG1A5AAA

A qualidade da educação dos jovens sobe ou a sensação de segurança da


sociedade diminui.

A quantidade de linhas da tabela-verdade correspondente à proposição


CG1A5AAA é igual a

a) 2.

b) 4.
 c) 8.
 d) 16.
 e) 32.
A tabela verdade associada a "n" proposições simples possui 2^n linhas.

A proposição do enunciado é composta de 2 proposições simples:

a∨b
Em que:
 a: a qualidade da educação dos jovens sobe
 b: a sensação de segurança da sociedade diminui.

Como são 2 proposições simples, a tabela verdade possui 2^2=4 linhas.

//////////////

A proposição "p" é formada pela disjunção de duas outras proposições:

P: “A nomeação do novo servidor público ocorre para reposição de


vacância em área essencial, ou o candidato aprovado não será
nomeado”.

Assim:

P:a∨bP:a∨b

Fazendo a tabela verdade da disjunção:

aa bb a∨ba∨b
VV V
VF V
F V V
F F F

Apenas na quarta linha tivemos valores F em todas as células. Ou seja,


temos 1 linha de interesse em 4 possíveis.

P=14P=14

Este valor é menor que 1/3.

Gabarito: errado
FECHAR
#687303 CEBRASPE (CESPE) -
Papiloscopista Policial Federal/2018
Julgue o item, acerca da seguinte proposição:

P: “A nomeação do novo servidor público ocorre para reposição de vacância


em área essencial, ou o candidato aprovado não será nomeado”.
Escolhendo aleatoriamente uma linha da tabela verdade da proposição P, a
probabilidade de que todos os valores dessa linha sejam F é superior a 1313

Certo

Errado
////////////////

#124367 CEBRASPE (CESPE) -


Escrivão de Polícia Federal/2013 (e mais
13 concursos)
Nos termos do Edital n.º 9/2012 – DGP/DPF, de 10/6/2012, do concurso
público para provimento de vagas no cargo de escrivão de polícia federal,
cada candidato será submetido, durante todo o período de realização do
concurso, a uma investigação social que visa avaliar o procedimento
irrepreensível e a idoneidade moral inatacável dos candidatos. O item 19.1 do
edital prevê que a nomeação do candidato ao cargo fica condicionada à não
eliminação na investigação social e ao atendimento a outros requisitos.

Com base nessas informações, e considerando que Pedro Henrique seja um


dos candidatos, julgue o item seguinte.

Considere que sejam verdadeiras as proposições “Pedro Henrique não foi


eliminado na investigação social” e “Pedro Henrique será nomeado para o
cargo”. Nesse caso, será também verdadeira a proposição “Se Pedro Henrique
foi eliminado na investigação social, então ele não será nomeado para o
cargo”.

Certo
 Errado
 Primeiro vamos relembrar da tabela verdade do condicional:

pp qq p→qp→q
VVVVVV
VVFF FF
FF VVVV
FF FF V V


 Vamos dar nomes às proposições simples:

 pp: Pedro Henrique foi eliminado na investigação social
 qq: Pedro Henrique será nomeado para o cargo.

 Foi dito que a negação de "p" é verdadeira. Isto porque foi dito
que Pedro não foi eliminado na investigação social.

 Se a negação de "p" é verdadeira, concluímos que "p" é falso.

 Foi dito ainda que "Pedro Henrique será nomeado". Logo, "q" é
verdadeiro.

 p:Fp:F

 q:Vq:V

 O condicional a ser avaliado é:

 "Se Pedro Henrique foi eliminado na investigação social, então ele
não será nomeado para o cargo”.

 Em símbolos:

 p→(¬q)p→(¬q)

 O antecedente é falso e o consequente é verdadeiro:

 F→FF→F

 Quando temos F/F, nessa ordem, estamos na terceira linha da
tabela verdade. Logo, o condicional é verdadeiro.

 ITEM CORRETO.
//////////////////

Equivalências lógicas
Existem algumas proposições compostas que apresentam tabelas verdades
idênticas. Quando isso acontece, dizemos que as proposições envolvidas
são equivalentes.
Em outras palavras, duas proposições compostas são equivalentes quando
apresentam sempre o mesmo valor lógico, independentemente dos valores
lógicos das proposições simples que as compõem.
Quando duas proposições p, q são equivalentes escrevemos p⇔qp⇔q.
Podemos também escrever assim: p≡qp≡q
PRINCIPAIS EQUIVALÊNCIAS
É possível construirmos inúmeras equivalências lógicas. Para concursos, quatro
delas são especialmente importantes:
 ¬(p∧q)≡(¬p)∨(¬q)¬(p∧q)≡(¬p)∨(¬q)
 ¬(p∨q)≡(¬p)∧(¬q)¬(p∨q)≡(¬p)∧(¬q)
 (p→q)≡(¬p)∨q(p→q)≡(¬p)∨q
 (p→q)≡(¬q→¬p)(p→q)≡(¬q→¬p)
As duas primeiras equivalências são chamadas de “Leis de Morgan”.
Sabendo as equivalências acima, dá para resolver a grande maioria das
questões de equivalências lógicas. Há algumas questões que cobram
equivalências diferentes das listadas acima. Falo sobre elas mais adiante, mas
já fazendo o alerta de que é impraticável decorar todas as equivalências
possíveis, já que existem infinitas. Nossa tarefa é memorizar as mais
importantes e, caso a prova apareça com uma equivalência "maluca", sempre
dá para resolver a questão usando a tabela verdade.
Para entendermos porque é que duas proposições diferentes são ditas
equivalentes, vamos mostrar que
¬(p∧q)≡(¬p)∨(¬q)¬(p∧q)≡(¬p)∨(¬q)
Para comprovar que estas duas proposições são equivalentes, basta fazer as
respectivas tabelas verdades.
Começando pela tabela-verdade de ¬(p∧q)¬(p∧q)

Agora vamos para a tabela verdade de (¬p)∨(¬q)(¬p)∨(¬q)

Observem as últimas colunas, destacadas em vermelho.Elas são idênticas!!!


Isto mostra que, para qualquer combinação de valores lógicos de p e q, as
proposições ¬(p∧q)¬(p∧q) e (¬p)∨(¬q)(¬p)∨(¬q)apresentam valores lógicos
iguais. Por isso são proposições equivalentes.
Se você realizar o mesmo procedimento, conseguirá verificar que todas as
demais equivalências apresentadas neste tópico estão corretas. Aliás, este é o
procedimento padrão para determinar se duas proposições são equivalentes
entre si ou não. Basta montar as tabelas verdade e ver se são iguais.

PRIMEIRA EQUIVALÊNCIA
¬(p∧q)≡(¬p)∨(¬q)¬(p∧q)≡(¬p)∨(¬q)
Para negar uma proposição composta pelo “e”, nós negamos cada parcela e
trocamos o "e" por um "ou".
Exemplo: A negação de “Pedro é alto e Júlio é rico” é “Pedro não é
alto ou Júlio não é rico”.
Não é verdade que Pedro é alto e Júlio é rico
=
(Pedro não é alto) ou (Júlio não é rico)
Vamos fazer passo a passo.Vejam que a primeira frase acima começa com
"não é verdade que". Logo, estamos fazendo uma negação. Estamos negando a
proposição "Pedro é alto e Júlio é rico", que é composta pelo conectivo "e".
Como fazemos tal negação?
Basta negar cada parcela:
 "Pedro é alto" dá lugar a "Pedro não é alto"
 "Júlio é rico" dá lugar a "Júlio não é rico"
Em seguida, trocamos o conectivo por "ou". O que resulta em:
(Pedro não é alto) ou (Júlio não é rico)
Aqui cabe uma observação. Tem muita gente que confunde as coisas.
Tem aluno que pensa que “Pedro é alto e Júlio é rico” é equivalente a “Pedro
não é alto ou Júlio não é rico”. Isso está errado!!!
Vejam que elas têm tabelas verdade totalmente opostas:

PP QQ P∧QP∧Q ¬(P∧Q)¬(P∧Q)
V V V F
V F F V
F V F V
F F F V

PP QQ ¬P¬P ¬Q¬Q ¬P∨¬Q¬P∨¬Q


V V F F F
V F F V V
F V V F V
F F V V V
Basta comparar as duas colunas em vermelho acima. Elas são totalmente
opostas. Quando uma é V a outra é F, e vice-versa.
O equívoco dos alunos ocorre por tentarem montar a equivalência com as
proposições erradas. A equivalência vale para as últimas colunas de cada
tabela. Só quando comparamos a última coluna da primeira tabela
(¬(P∧Q)¬(P∧Q)) com a última coluna da segunda tabela ((¬P)∨(¬Q)(¬P)∨(¬Q))
é que obtemos valores lógicos iguais sempre.
Para deixar mais claro o equívoco, vamos analisar uma série de exemplos:
Exemplo: avalie se as proposições abaixo são ou não equivalentes
Não é verdade que: Pedro é alto e Gustavo é magro.
a)
Pedro não é alto ou Gustavo não é magro.
Não é verdade que: Pedro é alto e Gustavo é magro
b)
Pedro não é alto e Gustavo não é magro
Não é verdade que: Pedro é alto e Gustavo é magro.
c)
Pedro é alto ou Gustavo é magro.
Pedro é alto e Gustavo é magro
d)
Pedro não é alto ou Gustavo não é magro.
Resolução:
a) A proposição de partida é:
Não é verdade que: Pedro é alto e Gustavo é magro.
Em vermelho temos a expressão "não é verdade que". Ela nos indica que
estamos fazendo uma negação. Estamos negando uma proposição composta
pelo conectivo "e" (vide conectivo destacado em azul).
Como fazer para negar tal proposição?
Negamos cada parcela e trocamos o conectivo por "ou". Assim:
Pedro não é alto ou Gustavo não é magro.
Foi exatamente isso o que trouxe a letra "a". Portando, as duas proposições
apresentadas são sim equivalentes.
b) A proposição de partida é:
Não é verdade que: Pedro é alto e Gustavo é magro.
Em vermelho temos a expressão "não é verdade que". Ela nos indica que
estamos fazendo uma negação. Estamos negando uma proposição composta
pelo conectivo "e" (vide conectivo destacado em azul).
Como fazer para negar tal proposição?
Negamos cada parcela e trocamos o conectivo por "ou".
A alternativa errou ao não trocar o conectivo. Ela manteve o conectivo "e", o
que está errado:
Pedro não é alto e (ERRADO!!!) Gustavo não é magro.
Com isso concluímos que as duas proposições dadas na letra "b" não são
equivalentes.
c) A proposição de partida é:
Não é verdade que: Pedro é alto e Gustavo é magro.
Em vermelho temos a expressão "não é verdade que". Ela nos indica que
estamos fazendo uma negação. Estamos negando uma proposição composta
pelo conectivo "e" (vide conectivo destacado em azul).
Como fazer para negar tal proposição?
Negamos cada parcela e trocamos o conectivo por "ou".
A alternativa até fez a troca do conectivo. Mas esqueceu de negar cada
parcela. Vejam:
Pedro é (NÃO) alto ou Gustavo (NÃO) é magro.
Como a alternativa não negou cada parcela, as proposições apresentadas não
são equivalentes.
d) A proposição de partida é:
Pedro é alto e Gustavo é magro.
Observem que a alternativa negou cada parcela e trocou o conectivo por "ou",
resultando em:
Pedro não é alto ou Gustavo não é magro.
Logo, as duas proposições dadas são equivalentes.
Certo???
ERRADO!!!
Só podemos fazer a equivalência quando tivermos uma negação da proposição
composta pelo "e". A proposição de partida deveria começar com algo como
"não é verdade que". Assim:
(NÃO É VERDADE QUE) Pedro é alto ou Gustavo é magro.
Se a gente não tem essa negação incidindo sobre a proposição composta pelo
"e", nada feito, não podemos usar a equivalência.

SEGUNDA EQUIVALÊNCIA
Outra equivalência lógica importante é:
¬(p∨q)≡(¬p∧¬q)¬(p∨q)≡(¬p∧¬q)
Para negar um “ou” lógico, nós negamos cada parcela e trocamos o “ou” por
um “e”.
Exemplo: A negação de “O governo aumenta os juros ou a inflação sobe” é “O
governo não aumenta os juros e a inflação não sobe”.
Vejam que esta segunda equivalência é muito parecida com a primeira que
vimos, o raciocínio é bastante similar.
Segue um vídeo sobre as Leis de Morgan.

TERCEIRA EQUIVALÊNCIA
(p→q)≡(¬p)∨q(p→q)≡(¬p)∨q
Podemos trocar um condicional por um "ou". Basta negar a primeira parcela e
manter a segunda.
Exemplo: Dizer que “Se os juros baixam então eu compro um carro novo” é o
mesmo que dizer (em termos lógicos) que “Os juros não baixam ou eu compro
um carro novo”.
Se os juros baixam então eu compro um carro novo
=
Os juros não baixam ou eu compro um carro novo
Tínhamos um condicional, com duas parcelas:
 1ª parcela: Os juros baixam
 2ª parcela: Eu compro um carro novo
Nós negamos a primeira parcela, mantemos a segunda, e trocamos o
conectivo por "ou". Resultado:
Os juros não baixam ou eu compro um carro novo.
Segue um vídeo tratando desta equivalência:

QUARTA EQUIVALÊNCIA
(p→q)≡(¬q→¬p)(p→q)≡(¬q→¬p)
Podemos inverter a ordem das parcelas de um condicional, desde que façamos
as negações.
Exemplo: Dizer “Se baixam os juros então a inflação sobe” é o mesmo que
dizer, em termos lógicos, que “Se a inflação não sobe então os juros não
baixam”.
Um outro exemplo bem legal.
Lembram daquela propaganda que aparece toda hora na televisão? As frases
ditas são:
Se beber, então não dirija.
Se for dirigir, então não beba.
É claro que a ideia da propaganda é reforçar, ao máximo, que bebida e
direção não combinam. Mas, em termos lógicos, não seria necessário que as
duas frases fossem ditas. Isto porque elas são equivalentes!!!
Olhem só:
Se beber, então não dirija.
Temos:
- primeira parcela: beber
- segunda parcela: não dirigir.
Agora vamos trocar a ordem das parcelas, negando-as. Ficamos com:
- primeira parcela: dirigir.
- segunda parcela: não beber.

O grande problema deste exemplo é que, como as frases estão no formato


imperativo (uma ordem para não dirigir), não seriam proposições.
Mas acho que podemos ignorar este problema. Afinal de contas, a propaganda
é algo ótimo para ajudar a lembrarmos da equivalência.
Segue um vídeo para ajudar a entender esta equivalência:

OUTRAS EQUIVALÊNCIAS
Partindo de duas equivalências já vistas, podemos chegar a uma nova
equivalência.
Partimos de:
¬(p→q)¬(p→q)
Dentro dos parênteses, trocamos o condicional por um "ou". Assim:
¬(¬p∨q)¬(¬p∨q)
Agora aplicamos a Lei de Morgan:
p∧(¬q)p∧(¬q)
Com isso, chegamos a mais uma equivalência:
¬(p→q)≡(p∧(¬q))¬(p→q)≡(p∧(¬q))
Em palavras: para negar um condicional, basta manter a primeira parcela,
negar a segunda, e trocar o conectivo por "e".
Mais equivalências possíveis:
(p↔q)≡(¬p↔¬q)(p↔q)≡(¬p↔¬q)
(p↔q)≡(p→q)∧(q→p)(p↔q)≡(p→q)∧(q→p)

A primeira equivalência acima é bem tranquila de visualizar. Segue a tabela


verdade do bicondicional:

pp qq p↔qp↔q
V V V
V F F
F V F
F F V
A proposição composta só é V quando suas duas parcelas têm valores lógicos
iguais, o que só ocorre nas linhas 1 e 4.
Se negarmos as duas parcelas ao mesmo tempo, elas trocam de valor, mas não
mudamos o fato de, nas linhas 1 e 4, elas permanecerão com valores iguais.
Oras, onde tínhamos V/V, passaremos a ter F/F. Onde tínhamos F/F,
passaremos a ter V/V. Portanto, justamente nas linhas 1 e 4 os valores lógicos
das parcelas continuarão iguais entre si, o que dá o mesmo resultado final.
Vejam:

pp qq ¬p¬p ¬q¬q (¬p)↔(¬q)(¬p)↔(¬q)


V V F F V
V F F V F
F V V F F
F F V V V
A segunda equivalência também não é tão difícil de guardar. Ela nos diz que
um bicondicional vale por dois condicionais. Assim:
(p↔q)≡(p→q)∧(q→p)(p↔q)≡(p→q)∧(q→p)
Isso explica o fato de o símbolo do bicondicional ser uma seta dupla, para os
dois sentidos. Vale a ida (p antecedente, q consequente) e vale a volta (q
antecedente, p consequente). Tudo ao mesmo tempo. Por isso ficamos com a
conjunção de dois condicionais.
A terceira equivalência também é tranquila. Quando estudamos a tabela
verdade do bicondicional, vimos que ele só é V se as duas parcelas tiverem
valores lógicos iguais. Para o "ou exclusivo" é justamente o contrário: ele só é
V se as duas parcelas tiverem valores lógicos diferentes.
Como o bicondicional e a disjunção exclusiva têm comportamentos contrários,
concluímos que uma é a negação da outra, o que nos leva a:

Como a quantidade de equivalências possíveis é muito grande, escolhi


algumas para detalharmos nos vídeos a seguir.
Iniciando pela equivalência entre o bicondicional e os condicionais:
Agora vamos para a negação do condicional:

Resumo do capítulo

Proposição de
Como fazer Resultado
origem
Nega primeira parcela:
Quero negar a Pedro não é alto
seguinte proposição:
Nega a segunda parcela: Pedro não é alto ou Júlio não é rico
“Pedro é alto e Júlio Júlio não é rico.
é rico”
Troca o conectivo: ou
Nega primeira parcela:
Quero negar a Pedro não é alto
seguinte proposição:
Nega a segunda parcela: Pedro não é alto e Júlio não é rico
“Pedro é Júlio não é rico.
alto ou Júlio é rico”
Troca o conectivo: e
Nega a primeira parcela:
Os juros não baixam.
Se os juros baixam,
Mantém a segunda Os juros não baixam ou eu compro um
então eu compro um
parcela: Eu compro um carro novo
carro novo.
carro novo.
Troca o conectivo: ou
Nega primeira parcela:
Não beba
Se beber, então não
Nega segunda parcela: Se dirigir, então não beba
dirija (*)
Dirija
Inverte a ordem

Quero negar a Mantém a primeira: Os


seguinte proposição: juros baixam Os juros baixam e eu não compro um
carro novo
Se os juros baixam, Nega a segunda: Eu não
então eu compro um compro um carro novo
carro novo. Troca o conectivo: e
O médico receita o
remédio se, e Nega cada parcela. O médico não receita o remédio se, e
somente se, Rosa Mantém o conectivo somente se, Rosa não estiver doente.
estiver doente.

O médico receita o Monta dois


condicionais. Se o médico receita o remédio, então
remédio se, e
Rosa está doente e se Rosa está doente,
somente se, Rosa Une os condicionais então o médico receita o remédio.
estiver doente. com o conectivo "e"
O médico receita o
Troca o conectivo por
remédio se, e Não é verdade que: ou o médico
"ou exclusivo", fazendo
somente se, Rosa receita o remédio, ou Rosa está doente.
a negação.
estiver doente.
(*) vamos desconsiderar o fato de que, sendo uma ordem, não teríamos
proposição.
Equivalências na simbologia lógica
¬(p∧q)≡(¬p∨¬q)¬(p∧q)≡(¬p∨¬q)
¬(p∨q)≡(¬p∧¬q)¬(p∨q)≡(¬p∧¬q)
(p→q)≡(¬p∨q)(p→q)≡(¬p∨q)
(p→q)≡(¬q→¬p)(p→q)≡(¬q→¬p)
¬(p→q)≡(p∧¬q)¬(p→q)≡(p∧¬q)
(p↔q)≡(¬p↔¬q)(p↔q)≡(¬p↔¬q)
(p↔q)≡(p→q∧q→p)(p↔q)≡(p→q∧q→p)
(p↔q)≡¬(p∨−−q)

/////////////////

Vamos relembrar a tabela verdade do condicional:

aabba→ba→b
V V V

V F F

F V V

F F V
Temos que analisar a seguinte proposição:

“Se não há disponibilidade, no estoque do órgão, dos insumos previstos


no plano de trabalho, então a programação de aquisição dos insumos
previstos no plano de trabalho não é adequada.”

Em símbolos:

¬Q→¬R¬Q→¬R

O enunciado garantiu que Q e R são verdadeiras. Logo, suas negações


são falsas. Nosso condicional fica:

Falso →→ Falso

Um condicional com duas parcelas falsas é verdadeiro. Vide linha 4 da


tabela verdade.

ITEM CERTO.

FECHAR

#185805 CEBRASPE (CESPE) -


Administrador (PF)/2014 (e mais 7
concursos)
Ao planejarem uma fiscalização, os auditores internos de determinado órgão
decidiram que seria necessário testar a veracidade das seguintes afirmações:

P: Os beneficiários receberam do órgão os insumos previstos no plano de trabalho.


Q: Há disponibilidade, no estoque do órgão, dos insumos previstos no plano de
trabalho.

R: A programação de aquisição dos insumos previstos no plano de trabalho é


adequada.

A respeito dessas afirmações, julgue o item seguinte, à luz da lógica sentencial.

Se as afirmações Q e R forem verdadeiras, será verdadeira a seguinte proposição: “Se


não há disponibilidade, no estoque do órgão, dos insumos previstos no plano de
trabalho, então a programação de aquisição dos insumos previstos no plano de
trabalho não é adequada.”


Certo


Errado

//////////////////////////

Para exemplificar, suponha que o plano de trabalho sob fiscalização


diga respeito à merenda escolar sob responsabilidade da prefeitura
municipal. Os auditores se dirigem então ao galpão da Secretaria
Municipal de Educação e lá se deparam com vários tipos de insumo.
Alguns deles são previstos no plano de trabalho, e guardam relação com
a merenda escolar. Exemplos: farinha, sal, açúcar, leite em pó, etc.

Outros insumos não estão previstos no plano de trabalho, pois se


referem a outras ações da prefeitura, tais como: papel, tinta, etc.

Na figura abaixo ilustramos o estoque com os insumos previstos no PT


(em azul) e com os insumos não previstos (em laranja).
A proposição Q refere-se apenas aos insumos previstos (em azul). Ou
seja, para analisarmos Q é irrelevante o que ocorre com os insumos não
previstos (em laranja). Vamos, portanto, ocultar os insumos não
previstos, pois eles não têm nada a ver com a proposição Q.

A proposição Q nos diz que os insumos em azul (previstos no PT) estão


disponíveis no estoque.

Logo, a negação de Q corresponde a dizer que tais insumos não estão


disponíveis no estoque. Fica assim:

Não há disponibilidade, no estoque do órgão, dos insumos previstos no


plano de trabalho.

O item erra ao se referir aos insumos em laranja (os não previstos no


PT). Vejam o que afirmou o item:

"Não há disponibilidade, no estoque do órgão, dos insumos não


previstos no plano de trabalho”.
ITEM ERRADO.

FECHAR

#185840 CEBRASPE (CESPE) -


Administrador (PF)/2014 (e mais 7
concursos)
Ao planejarem uma fiscalização, os auditores internos de determinado órgão
decidiram que seria necessário testar a veracidade das seguintes afirmações:

P: Os beneficiários receberam do órgão os insumos previstos no plano de trabalho.

Q: Há disponibilidade, no estoque do órgão, dos insumos previstos no plano de


trabalho.

R: A programação de aquisição dos insumos previstos no plano de trabalho é


adequada.

A respeito dessas afirmações, julgue o item seguinte, à luz da lógica sentencial.

A negação da afirmação Q pode ser corretamente expressa por “Não há


disponibilidade, no estoque do órgão, dos insumos não previstos no plano de
trabalho”.

 Certo

Errado

/////////////////////////

A proposição original pode ser reescrita assim:

(Se Pedro for nomeado), (então não foi eliminado)

A equivalência lógica envolvendo o condicional e a disjunção é a


seguinte:
Equivalência Resumo

Podemos trocar um condicional por uma disjunção. Basta


(p→q)≡(¬p∨q)(p→q)≡(¬p∨q)
negar a primeira parcela e manter a segunda.

Aplicando este resultado ao nosso caso, teremos a seguinte proposição


equivalente:

 Negação da primeira parcela: Pedro não é nomeado


 Mantemos a segunda parcela: Pedro não é eliminado
 Trocamos o conectivo por "ou"
Resultado:

Pedro não é nomeado ou Pedro não é eliminado

A banca trouxe outra redação, completamente diferente. Faltaram as


negações.

ITEM ERRADO.

[Editado em 19/1/17]

No fórum surgiram dois apontamentos.

 A questão do duplo "ou"


 A montagem do condicional

(i) Quanto ao duplo "ou", não quis entrar neste aspecto porque não era
necessário para matar a questão. A associação imediata de palavras a
conectivos é apenas um facilitador, mas não algo exato. Exemplos:
 costumamos associar a disjunção à palavra "ou". Mas é
perfeitamente possível montar uma disjunção usando a palavra
"e"
 costumamos associar a conjunção à palavra "e". Mas é
perfeitamente possível montar uma conjunção usando a palavra
"se".

E por aí vai

Nos meus cursos, com mais calma, vemos exemplos de situações que
fogem às regras "usuais".

No fim, o que manda é sempre o contexto, pois a língua portuguesa não


é exata. Toda língua natural é flexível, e pode ser usada de uma forma
tão rica, tão versátil, que a lógica, na hora de traduzir o texto para a
simbologia lógica, não pode se prender a regras estáticas, tem que
tentar preservar o sentido original, da melhor maneira possível.

É claro que em 99,99% das questões você pode simplesmente decorar as


palavrinhas chave e está tudo certo. Mas, especificamente no caso do
duplo "ou", como já tivemos questão do Cespe tratando como
disjunção inclusiva, achei por bem não entrar neste detalhe, já que,
como sobredito, não era essencial para a questão. Se fosse, pelo
contexto, eu diria que estamos sim diante de uma disjunção exclusiva.

(ii) Sobre o condicional, a forma correta é como fizemos no comentário


mesmo:

Se Pedro foi nomeado, então não foi eliminado na investigação social

Eu até entendo algum candidato não gostar desta frase, pois traz como
antecedente um fato que, na linha do tempo, ocorre depois. Ou seja,
soa estranho um antecedente que ocorreu depois. Sem stress, se esse
for o problema, é só usar este outro condicional aqui, que é
equivalente:

Se foi eliminado na investigação social, então não será nomeado

O que não dá para fazer é colocar a "não eliminação" como condição


suficiente para ser nomeado. Isso é que não pode. Vejam como ficaria:

Se Pedro não foi eliminado na investigação social, então será


nomeado

Isto foge completamente do que foi dado na questão, pois coloca a "não
eliminação" como condição suficiente para a nomeação. Mas não é! É
apenas uma condição necessária. O próprio exercício deixa claro que
para ser nomeado há uma série de outros requisitos a serem
obedecidos, sendo a não eliminação na investigação social apenas um
deles.

Quando o comando da questão diz que a nomeação é condicionada à


não eliminação, temos que ter em mente que há dois tipos de condição:
a necessária e a suficiente. Identificar a qual das duas se está referindo
só mesmo pelo contexto.

Não sei se ficou clara esta explicação complementar. Por via das
dúvidas gravei o vídeo abaixo.

FECHAR
#124366 CEBRASPE (CESPE) -
Escrivão de Polícia Federal/2013 (e mais
13 concursos)
Nos termos do Edital n.º 9/2012 – DGP/DPF, de 10/6/2012, do concurso público para
provimento de vagas no cargo de escrivão de polícia federal, cada candidato será
submetido, durante todo o período de realização do concurso, a uma investigação
social que visa avaliar o procedimento irrepreensível e a idoneidade moral inatacável
dos candidatos. O item 19.1 do edital prevê que a nomeação do candidato ao cargo
fica condicionada à não eliminação na investigação social e ao atendimento a outros
requisitos.

Com base nessas informações, e considerando que Pedro Henrique seja um dos
candidatos, julgue o item seguinte.

As proposições “A nomeação de Pedro Henrique para o cargo fica condicionada à não


eliminação na investigação social” e “Ou Pedro Henrique é eliminado na investigação
social ou é nomeado para o cargo” são logicamente equivalentes.

 Certo

Errado

#124372 CEBRASPE (CESPE) -


⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀

Escrivão de Polícia Federal/2013 (e mais


13 concursos)
Suspeita-se de que um chefe de organização criminosa tenha assumido as despesas
de determinado candidato em curso de preparação para concurso para provimento de
vagas do órgão X.

P1: Existe a convicção por parte dos servidores do órgão X de que, se um chefe de
organização criminosa pagou para determinado candidato curso de preparação para
concurso, ou o chefe é amigo de infância do candidato ou então esse candidato foi
recrutado pela organização criminosa para ser aprovado no concurso;
P2: Há, ainda, entre os servidores do órgão X, a certeza de que, se o candidato foi
recrutado pela organização criminosa para ser aprovado no concurso, então essa
organização deseja obter informações sigilosas ou influenciar as decisões do órgão X.

Diante dessa situação, o candidato, inquirido a respeito, disse o seguinte:

P3: Ele é meu amigo de infância, e eu não sabia que ele é chefe de organização
criminosa;
P4: Pedi a ele que pagasse meu curso de preparação, mas ele não pagou.

Considerando essa situação hipotética, julgue o item subsecutivo.

A negação da proposição P4 é equivalente a “Não pedi a ele que pagasse meu curso,
mas ele pagou”.

 Certo

Errado

Dando nomes às proposições simples:

p: pedi a ele que pagasse o curso


q: ele pagou

A proposição P4 fica:

p∧(¬q)p∧(¬q)

Lembrando que a palavra "mas", pelo contexto, corresponde ao


conectivo "e". Ou seja:

(Pedi a ele que pagasse meu curso de preparação, mas ele não pagou) =
(Pedi a ele que pagasse meu curso de preparação eele não pagou)

Queremos negar esta proposição composta pelo "e". A lei de Morgan nos
diz para fazer o seguinte:
 negamos a primeira parcela: ¬p¬p
 ¬(¬q)≡q¬(¬q)≡q
 trocamos o conectivo por "ou"
Resultado:

¬p∨q¬p∨q

Em palavras: Não pedi a ele que pagasse o curso ou ele pagou.

O item errou ao não usar o conectivo "ou".

ITEM ERRADO
#185839 CEBRASPE (CESPE) -
Administrador (PF)/2014 (e mais 7
concursos)
Ao planejarem uma fiscalização, os auditores internos de determinado órgão
decidiram que seria necessário testar a veracidade das seguintes afirmações:

P: Os beneficiários receberam do órgão os insumos previstos no plano de trabalho.

Q: Há disponibilidade, no estoque do órgão, dos insumos previstos no plano de


trabalho.

R: A programação de aquisição dos insumos previstos no plano de trabalho é


adequada.

A respeito dessas afirmações, julgue o item seguinte, à luz da lógica sentencial.

O seguinte argumento é um argumento válido: “Se a programação de aquisição dos


insumos previstos no plano de trabalho fosse adequada, haveria disponibilidade, no
estoque do órgão, dos insumos previstos no plano de trabalho. Se houvesse
disponibilidade, no estoque do órgão, dos insumos previstos no plano de trabalho, os
beneficiários teriam recebido do órgão os insumos previstos no plano de trabalho.
Mas os beneficiários não receberam do órgão os insumos previstos no plano de
trabalho. Logo, a programação de aquisição dos insumos previstos no plano de
trabalho não foi adequada.”


Certo

 Errado
 Convertendo o argumento para a simbologia lógica:

Em
Sentença original
símbolos
Se a programação de aquisição dos insumos previstos no plano de trabalho
fosse adequada, haveria disponibilidade, no estoque do órgão, dos insumos R→QR→Q
previstos no plano de trabalho
Se houvesse disponibilidade, no estoque do órgão, dos insumos previstos
no plano de trabalho, os beneficiários teriam recebido do órgão os insumos Q→PQ→P
previstos no plano de trabalho
Mas os beneficiários não receberam do órgão os insumos previstos no ¬P¬P
Em
Sentença original
símbolos
plano de trabalho
Logo, a programação de aquisição dos insumos previstos no plano de
trabalho não foi adequada
¬R¬R

 Ou seja, nosso argumento fica:

 Premissa 1: R→QR→Q
 Premissa 2: Q→PQ→P
 Premissa 3: ¬P¬P
 Conclusão: ¬R¬R

 1ª solução

 Podemos fazer uma tabela verdade englobando todas as
proposições simples. É a técnica 2 que ensino nos meus cursos de
lógica.

P QR
VV V
VV F
VF V
VF F
F VV
F VF
FF V
FF F

 Agora vamos lendo cada premissa e descartando as linhas que as
tornam falsas. Lembrando que um condicional é falso quando o
antecedente é V e o consequente é F, ou seja, quando temos V/F,
nesta ordem.

 P1: R→QR→Q

 A primeira premissa é falsa se R for verdadeiro e Q for falso.
Eliminamos estas linhas:


P QR
VV V
VV F
VF V
VF F
F VV
F VF
FF V
P QR
FF F

 P2: Q→PQ→P

 A segunda premissa será falsa quando Q for verdadeiro e P for
falso.

P QR
VV V
VV F
VF V
VF F
F VV
F VF
FF V
FF F

 P3: ¬P¬P

 Esta premissa será falsa quando P for verdadeiro.

P QR
VV V
VV F
VF V
VF F
F VV
F VF
FF V
FF F

 Só sobrou a última linha da tabela verdade. É a única valoração
que faz todas as premissas serem verdadeiras. Nesta linha, notem
que RR é falso. Logo, ¬R¬R é verdadeiro. Ou seja, realmente
podemos concluir que a programação de aquisição dos insumos
previstos no plano de trabalho não foi adequada.

 2ª solução: usando a técnica 1

 Repetindo o argumento:

 Premissa 1: R→QR→Q
 Premissa 2: Q→PQ→P
 Premissa 3: ¬P¬P
 Conclusão: ¬R¬R

 Da premissa 3, concluímos que P é falso.

 Agora analisamos a premissa 2:

 Q→P falsoQ→P⏟falso

 Se o antecedente fosse V, teríamos V/F nesta ordem e a premissa
seria falsa.

 Para que isso não ocorra, o antecedente deve ser falso.

 Q é falso

 Agora analisamos a premissa 1:

 R→Q falsoR→Q⏟falso

 Se o antecedente fosse V, teríamos V/F nesta ordem e a premissa
seria falsa.

 Para que isso não ocorra, o antecedente deve ser falso.

 R é falso

 Portanto, realmente a negação de R é verdadeira. Novamente é
correto concluir ¬R¬R. Argumento válido.

 3ª solução: usando as regras de inferência (técnica 6):

 Relembrando o argumento:

 Premissa 1: R→QR→Q
 Premissa 2: Q→PQ→P
 Premissa 3: ¬P¬P
 Conclusão: ¬R¬R

 De 3 e 2, pela regra Modus Tollens, inferimos:

 4) ¬Q¬Q

 Agora, de 4 e 1, pela regra Modus Tollens, inferimos:

 5) ¬R¬R

 Que é a conclusão a que queríamos chegar. Mais uma vez,
argumento válido.
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