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PESSOAS COM DEFICIÊNCIA, CONQUISTAS E LIMITAÇÕES

RIO DE JANEIRO / RJ
2017
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1. Introdução

Durante muito anos as pessoas com deficiência eram vistas de maneira pejorativa, tratadas
como malucas ou doentes; inválidas e incapacitadas. Eram excluidas do mundo profissional e do
convívio social. Ao longo dos anos esse ponto de vista foi se modificando. No início de 1970,
surgiu o paradigma da integração social, como forma de banir a exclusão social (Soares, 2006). A
autora menciona que para o “cidadão deficiente é reconhecido o direito de estar na sociedade, por
meio de implementação das políticas de integração escolar e laboral” (2006, p.7). A nova
Constituição Brasileira (de 1988), garantiu a educação na rede de ensino regular aos portadores
de deficiência. A partir do século XX, os deficientes passaram a ser vistos como cidadãos com
deveres e direitos perante à sociedade. As dificuldades ainda são inúmeras, mas o processo está
apresentando progresso.

2. Definição

De acordo com a Convenção Internacional dos Direitos da Pessoa com Deficiência “as pessoas
com deficiência são aquelas que têm impedimentos de longo prazo de natureza física, mental,
intelectual ou sensorial, os quais, com interação com diversas barreiras, podem obstruir sua
participação plena e efetiva na sociedade em igualdades de condições com as demais pessoas”.

O Decreto 3298/89, que regulamentou a Lei 7853/89, em seu art. 3o define deficiência como
“toda perda ou anormalidade de uma estrutura ou função psicológica, fisiológica ou anatômica que
gere incapacidade para o desempenho de atividade, dentro do padrão considerado normal para o
ser humano“.

3. Lei das cotas e outras leis

Há várias leis que acometem os deficientes, sejam eles físicos, visuais, mentais, auditivos ou
múltiplos. A Lei de Cotas, lei n°8.213, implantada em 24 de julho de 1991, é uma das leis mais
importantes para a inserção desta parcela da população no mercado de trabalho. Ela teve sua
regulamentação nove anos depois (período de tempo em que a fiscalização de seu cumprimento
tornou-se mais efetiva nas empresas).
De acordo com a Lei de Cotas as deficiências se dividem em: Deficiência física (alteração
completa ou parcial de um ou mais segmentos do corpo humano, levando o comprometimento da
função física); deficiência visual ( cegueira, a baixa visão, os casos nos quais a somatória da
medida do campo visual em ambos os olhos for igual ou menor que 60°); deficiência auditiva
(perda bilateral, parcial ou total, de 41(dB) ou mais); deficiência mental (funcionamento intelectual
significativamente inferior à média, com manifestação antes dos dezoito anos e limitações
associadas a duas ou mais áreas de habilidades adaptativas, tais como: comunicação; cuidado
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pessoal; habilidades sociais; utilização dos recursos da comunidade; saúde e segurança;


habilidades acadêmicas; lazer; e trabalho) ou deficiência múltipla ( associação de duas ou mais
deficiências). Para comprovar a deficiência para a empresa, é necessário um laudo médico,
emitido pelo médico do trabalho da empresa ou outro médico do trabalho; e em caso de
reabilitação, do certificado de Reabilitação Profissional emitido pelo INSS.

A nova contextualização da definição de pessoas com deficiência, obriga as empresas


analisarem não só a deficiência em si para cumprir o preenchimento das vagas para deficientes
das empresas, mas se há obstrução a participação plena do candidato a vaga de emprego, devido
sua deficiência. Pois antes contratavam os “menos deficientes”, aqueles que não tinham tanto
impedimento para realizar atividades, pois acreditavam que aqueles que tinham mais impedimento
eram incapazes e trariam possíveis prejuízos. De acordo com Lobato (2009, p.33) “a falta de
preparação da pessoa com deficiência para o trabalho, associado ao preconceito social e a falta
de conhecimento de seu potencial, é apontada como um dos principais motivos para a não
inserção das pessoas com deficiência no mercado de trabalho.”

A Lei de Cotas tem como objetivo promover a inclusão, estabelecendo a reserva de 2% a 5% das
vagas de emprego para pessoas com deficiência ou usuários reabilitados pela Previdência Social
nas empresas com 100 ou mais funcionários. Até 200 empregados 2%; de 201 a 500 empregados
3%; de 501 a 1.000 empregados 4%; de 1.000 em diante 5%; caso não cumpra, a empresa paga
multa.

A lei das cotas não é exclusividade do Brasil, Portugal por exemplo, estabelece cota de até 2%
para iniciativa privada e mínimo de 5% para a pública. Já a França reserva 6% para empresas
com mais de 20 empregados. Alguns países não estabelecem um percentual legal para a iniciativa
privada, mas sim uma negociação por sindicatos e representantes para cada ramo da economia.
Já na Alemanha, boa parte da população têm deficiência grave e de acordo com as leis alemãs,
as pessoas com deficiência têm direito a ajuda e assistência a fim de evitar, eliminar ou melhorar
sua deficiência. O objetivo principal é diminuir os efeitos da deficiência e permitir que pessoas com
deficiência possam participar em todas as áreas da sociedade, em especial no mercado de
trabalho e na vida social. As Leis defendem, ainda, que o Governo Federal tem a obrigação de
diminuir as barreiras e promover construções de edifícios públicos, ruas que fornecem acesso sem
barreiras aos deficientes. Sites de Internet administrativos, formulários oficiais e notificações
devem ser planejados de forma a facilitar ao máximo a comunicação. Na Alemanha todos os
meios de transportes são livres de barreira.

Dentre as outras leis que asseguram os direitos dos deficientes no Brasil, podemos destacar:

- No Brasil, há também a lei das cotas para pessoas deficientes nas universidades federais, o que
é uma conquista recente (2017), onde Universidades e institutos federais de ensino técnico de
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nível médio deverão reservar parte das vagas às cotas de escolas públicas para estudantes com
deficiência.

- LEI Nº 12.319, DE 1 DE SETEMBRO DE 2010 - Regulamenta a profissão de Tradutor e Intérprete da


Língua Brasileira de Sinais - LIBRAS.

- LEI Nº 12.622, DE 8 DE MAIO DE 2012 - Institui o Dia Nacional do Atleta Paraolímpico e dá outras
providências.

- LEI Nº 13.146, DE 6 DE JULHO DE 2015: Lei Brasileira de Inclusão. garante a pessoa


deficiente o direito a educação, a vida, da igualdade, a não discriminação, à habilitação e
reabilitação, a saúde, a moradia, ao trabalho, à previdência, a cultura, esporte, lazer, transporte e
mobilidade, acessibilidade, participação na vida pública e política e outros. Além de reforçar a lei
das cotas nas empresas.

- Lei de nº 13.443/17, aprovada esse ano, onde todos os parquinhos públicos deverão ter, no
mínimo, 5% de seus brinquedos adaptados para crianças deficientes, para assim garantir o lazer
dessas crianças.

4. Conquistas e direitos

Os deficientes têm conquistado seu espaço na sociedade, sua posição como cidadão atuante e
capaz tem tomado o lugar da visão retrograda a respeito dessas pessoas.

O site Oyster fez um ranking com as quatro cidades do mundo mais acessíveis para quem tem
deficiência física, as cidades destacadas foram:
1- Seattle nos Estados Unidos, que diferente de outras cidades como Nova York e Boston, já foi
planejada dentro dos padrões mais modernos de acessibilidade.
2- Montreal no Canadá, que possui 7 estações de metrô totalmente acessíveis por meio de
cadeiras de rodas.
3- Las Vegas nos Estados Unidos, possui acomodações e serviços de transportes adaptados, os
cassinos possuem rampa e elevadores de acesso e até algumas máquinas caça níques contam
com um sistema de audio para deficientes visuais.
4- Londres no Reino Unido, apesar de ter sido a primeira cidade urbanizada do mundo, a cidade
foi capaz de se atualizar com sucesso na questão da acessibilidade. Atrações como a catedral de
St. Paul, a London Tower e até o London Eye hoje são todas acessíveis.

Aqui no Brasil, o Passe Livre é um programa do Governo Federal que proporciona a pessoas com
deficiência, gratuidade nas passagens, é um compromisso assumido pelo governo e pelas
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empresas de transportes coletivos interestadual de passageiros para assegurar o respeito e a


dignidade das pessoas com deficiência. Há, também a reserva de vagas especiais e adequadas
no transporte público, e a reserva de vagas com espaço e posicionamento adequados em
estacionamentos públicos e comerciais. Entre os direitos das pessoas com deficiência mais
conhecidos, está a prioridade de atendimento. É obrigação de locais de acesso público dar
tratamento diferenciado a pessoas com deficiência, incluindo a prioridade no atendimento, e a
adaptação das instalações para uma passagem em condições equilitárias pelo local.

Outra conquista são os jogos paraolimpicos, ou paralímpicos, que são o maior evento esportivo
mundial envolvendo pessoas com deficiência. O Brasil tem conseguido destaque nas últimas
edições dos Jogos Paralímpicos. O país estreou em 1976 e conquistou sua primeira medalha na
edição seguinte. Alguns dos destaques paraesportivos do país são Clodoaldo Silva , Daniel
Dias, Ádria Santos e Terezinha Guilhermina.

5. Limitações

Os deficientes ainda nos dias de hoje sofrem com as limitações causadas pela sua deficiência,
além das barreiras físicas, falta de adaptação e segurança para os deficientes, há também a
discriminação que continua presente na vida dessas pessoas.

É muito comum o deficiente, especialmente o físico, se locomover para estabelecimentos e não


conseguir entrar por não ter acesso, muitas vezes nem acontece essa tentativa, já por saber que
são poucos os lugares que são acessiveis, que possuem rampas, escritas em braile e tradutores e
pessoas que saibam linguagem de sinais, além das ruas terem muitos buracos, o que
impossibilita que essas pessoas tenham uma vida como qualquer pessoa.

O mercado de trabalho para pessoas com deficiência não é como deveria, apesar da lei das
cotas dar oportunidade para essas pessoas ingressarem no mercado, infelizmente, muitas
empresas não compreendem a essencia e importância da inclusão das pessoas com deficiência, e
não querem investir na contratação dessas pessoas, pois não acreditam na capacidade delas, e
os custos para adaptar sua empresa e seus funcionários são altos, sendo assim, é muito comum
que empresas contratem apenas para cumprir a cota e não pagar multa, e depois demitem esse
pessoal.

6. Empresas em destaque

Uma organização que se destaca no mercado por garantir espaço para a empregabilidade para
profissionais com deficiência é a Serasa, que deu início ao “Programa Serasa de Empregabilidade
de Pessoas com Deficiência”,o que tem inspirado outras organizações. Por meio do programa, a
mpresa recruta e treina pessoas com deficiência que tenham potencial para desenvolver tarefas
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profissionais segundo suas aptidões e talentos pessoais. A base da iniciativa é o desenvolvimento


da competência profissional e tem como objetivo a empregabilidade e oferecer crescimento
profissional. A empresa mexeu em toda a sua estrutura para se adaptar as necessidades dos
funcionários deficientes.

Outra empresa que se destaca pela inclusão de pessoas com deficiência é o Grupo Pão de
Açúcar, com enfoque para o Assaí Atacadista, que além de contratar e treinar, ajuda a Associação
de Assistência à Criança Deficiente (AACD), com o dinheiro arrecadado na venda das sacolas no
atacadista.

7. Conclusão

As leis criadas favoreceram a sociedade em geral, fazendo com que as empresas sejam
obrigadas a contratarem deficientes, promovendo a inclusão, e movendo a economia pois caso
não fossem obrigadas, teriamos uma boa parcela da população excluida e privada de seus
direitos. Há uma fragilidade das empresas e profissionais em lidar com pessoas com deficiências,
é um processo tênue, que precisa de muitos ajustes para ser efetivo. Apesar de todos os recursos
como o braile, aparelho auditivo, cadeiras de rodas, linguagem de sinais entre outros, a sociedade
não consegue incluir com eficiência essas pessoas, pois não estão preparados, e muitas vezes
discriminam-os por não acreditarem na capacidade de executar as atividades igualmente como
uma pessoa sem deficiência. É muito comum muitas pessoas que se acidentam e tornassem
deficientes, se aposentar, do que ser inserido novamente em sua antiga tarefa, ou em outra.

Houve muitas conquistas, como a Paraolimpiada ou paralímpiada, possibilitando que atletas com
deficiência possam competir pelo seu país; a lei das cotas para deficientes, a lei que institui cotas
para pessoas com deficiência nas universidades públicas e a Lei Brasileira de Inclusão.

Apesar de todas as conquistas, ainda existe uma grande limitação em relação a participação das
pessoas com deficiência na sociedade, seja pela falta de estrutura para recebê-los, em locais sem
acessibilidade alguma ou parcial; falta de preparo da sociedade ou pela falta de adaptação a suas
necessidades ao meio em que habita.

É necessário estabelecer mais leis e colocar em prática as já existentes, aprimorando a


acessibilidade em todos os lugares do país, sejam em empresas, lojas, restaurantes e ruas, para
que as pessoas com deficiência possam ter uma vida mais digna e menos limitada.
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4. Referências bibliográficas

LOBATO, D. M. et al. Estratégia de empresas. 9 ed. Rio de Janeiro: Editora FGV. 2009.

SOARES, Suely Galli. Ensino Superior e tecnologias educacionais. In: _____(Org.).


Cultura do desafio: gestão de tecnologias de informação e comunicação no ensino superior.
Edtr São Paulo: Alínea, 2006.

https://www.portaleducacao.com.br/

http://www.planalto.gov.br/

http://isocial.com.br/

https://caianomundo.ci.com.br/