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18/04/2018 Latour – Priscilla Calmon

Latour

Fontes de Incertezas de Latour – Reagregando


o Social

Resumo

Reagregando o Social – Bruno Latour

Retomando as fontes de incerteza, começando com a primeira delas, Latour diz que não há grupos,
apenas formação de grupos.

Relacionar-se com um grupo é um processo sem fim constituído por laços incertos, frágeis,
controvertidos e mutáveis. Se seguíssemos apenas as pistas do jornais, por exemplo, o principal
postulado da sociologia seria que a qualquer momento um ator pode ser enquadrado em um grupo
ou mais. No entanto, ao analisar os teóricos sociais, a questão mais importante para ser descobrir com
qual grupo é preferível iniciar uma pesquisa social.

Enquanto para os sociólogos o primeiro problema parece ser determinar um grupo privilegiado,
nossa experiência mais comum, se lhe formos fieis, ensina-nos que existem inúmeras formações de
grupos e alistamentos em grupos contraditórios – atividade para a qual os cientistas sociais,
inquestionavelmente contribuem de maneira decisiva. Portanto ou seguimos os teóricos sociais e
iniciamos a jornada determinando de início que tipo de grupo e nível de análise iremos enfatizar,
ou adotamos os procedimentos dos atores e saímos pelo mundo rastreando as pistas deixadas
pelas atividades deles na formação e desmantelamento de grupos. A primeira fonte de incerteza
com a qual devemos aprender é que não há grupo relevante ao qual possa ser atribuído o papel de
compor agregados sociais.

Neste ponto, o autor diferencia os meios de se produzir o social, que se dá por duas formas: por
intermediários e mediadores. Os intermediários são aqueles que transportam significado ou força
sem transformá-lo, definir o que entra já define o que sai. Um intermediário pode ser considerado
não apenas como uma caixa-preta mas uma caixa preta que funciona com uma unidade, embora
feita de várias partes. Os mediadores, por outro lado, não podem ser contados como apenas um,
eles podem valer por um, por nenhuma, por várias ou infinidade. O que entra neles nunca define
exatamente o que sai, sua especificidade precisa ser levada em conta todas as vezes. Eles
transformam, traduzem, distorcem e modificam o significado ou os elementos que supostamente
veiculam.

Os sociólogos do social acreditam em um tipo de agregado social: poucos mediadores e muitos


intermediários, para a ANT não há um tipo preferível de agregados sociais, existem incontáveis
mediadores e, quando estes são transformados em fieis intermediários, não temos aí a regra, mas
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uma exceção rara que deve ser explicada por algum trabalho extra- que mobiliza ainda mais
mediadores.

A segunda fonte de incerteza diz que toda a ação é assumida, e refere-se à natureza heterogênea
dos ingredientes que formam os laços sociais, ou seja, os atores. Neste segundo ponto, Latour
destaca a ação na rede como algo não transparente, ela é opaca e visível, os seja, deve ser encarada
como um nó, uma ligadura, um conglomerado de muitos e surpreendentes conjuntos de funções
que só podem ser desemaranhados aos poucos. O autor diz que a ação é assumida, mas é
assumida por outros, ela deve permanecer como surpresa, mediação, acontecimentos. Devemos
começar, segundo ele, pelas incertezas e controvérsias em torno de quem e o que está agindo
quando nós entramos em ação, e não há, nenhuma maneira de decidir se essa fonte de incerteza
reside no analista ou no ator.

O que nos transforma na mesma coisa ao mesmo tempo? Na festinha da escola perguntamo-nos
porque todos os pais se parecem, as mesmas roupas, mesmas joias, mesma maneira de articular as
palavras, mesma ambições para os filhos.

“O ator não é a fonte de um ato e sim um alvo móvel de um amplo conjunto de entidades que
enxameiam em sua direção”. Empregar a palavra ator significa que jamais fica claro quem ou o
que está atuando quando as pessoas atuam, pois o ator, no palco, nunca está sozinho ao atuar.
Desta forma, a ação na rede é assumida pelos atores- agentes nela. A rede só existe com todas
estas entidades se debatendo em controvérsias e ações. São tão heterogêneas quanto os repertórios
utilizados para relatar suas ações.

Crítica a sociologia do social relacionada a segunda fonte de incerteza: a ciência social, tem por
característica, deixar de lado o que os atores em ação nos dizem e caímos na cilada de traduzir ou
substituir as expressões dos informantes para os vocabulários especializados das forças sociais. Os
investigados acabam por decidir como os atores devem ser levados à ação ao invés de detectar os
diferentes mundos que os próprios atores elaboram uns para os outros. A dolorosa lição que
temos de aprender é justamente o oposto da que vem sendo ensinada ao mundo inteiro como o
nome de explicação social, ou seja, não devemos substituir uma expressão precisa por aquilo que
se supõe oculto nela. Se decidirmos aceitar essa segunda fonte de incerteza, a sociologia se tornará
a disciplina que acata o deslocamento inerente a induzir alguém a fazer alguma coisa.

A terceira fonte de incerteza nos diz que os objetos também agem. Aqui, o autor fala das
entidades heterogêneas que remontam a humanos e não humanos, conectados no que o senso
comum chama de vínculo social. Para a ANT a palavra “social”, diferente da concepção
tradicional que a domina como algo que tem um vínculo social, um domínio específico, é para a
sociologia das associações o nome de um movimento, um deslocamento, uma transformação, uma
translação e um registro. Ou seja, para a ANT o social é o nome de um tipo de associação momentânea
caraterizada pelo modo como se aglutina assumindo novas formas. É o exemplo da gôndola do
supermercado, que não é em si denominada como social, mas as várias modificações feitas no seu
lugar para exibir os produtos. A ação social não é apenas assumida por estranhos como se

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transfere ou é delegada a diferentes tipos de atores capazes de leva-la adiante graças a outros
modos de agir, a outros tipos de forças.

Latour explica que se insistimos na decisão de que é a partir das controvérsias sobre os atores que
vemos o social se formar, qualquer coisa que modifique uma situação fazendo a diferença, e um
ator, ou caso ainda não tenha uma figuração, um actante (uma panela que ferva a agua é um
actante, um faca que corte a carne também). Importante lembrar que a ANT não alega, sem base,
que os objetos fazem coisas no lugar dos atores humanos, diz apenas que nenhuma ciência do
social pode existir se a questão de o quê e quem participa da ação não for logo de início
plenamente explorada.

Latour critica, mais uma vez, os sociólogos do social ao afirmar que, para eles, os objetos existem,
naturalmente, mas não são alvo de pensamento social. “Parece não haver meio, veículo ou porta
de entrada para inseri-los no tecido formado pelos outros laços sociais. Quanto mais pensadores
radicais insistem em atrair a atenção para os humanos nas margens e na periferia, menos citam os
objetos” (LATOUR, 2012, p.111). No entanto, uma vez libertos do silêncio, os objetos começam a
balbuciar. Partem então em todas as direções, sacudindo os atores humanos para despertá-los.

Mas Latour faz um adendo: para serem levados em conta, os objetos precisam ingressar nos
relatos. Quando não deixam traços, não fornecem nenhuma informação ao observador e não
produzem efeito visível em outros agentes, permanecem em silêncio e deixam de ser atores: não
são mais levados em conta. Há também outra questão. Os objetos, pela própria natureza de seus
laços com humanos, logo deixam de ser mediadores para se transformarem em intermediários –
“uma vez construído, o muro de tijolos não pronuncia uma palavra” (LATOUR, 2012, p.118).

Já que os objetos, por mais importantes que sejam, tendem a recuar depressa aos bastidores, é
preciso adotar certos truques para forçá-los a falar. Por ora, neste trabalho, apenas citaremos
brevemente as quatro ocasiões nas quais Latour acredita ser mais fácil visualizar o objeto em ação:
1- no estudo de inovações e controvérsias, pois nessas situações os objetos podem ser mantidos
por mais tempo como mediadores visíveis antes de se tornarem intermediários invisíveis; 2- ao
surgir, no curso normal da ação, elementos estranhos, exóticos, arcaicos ou misteriosos; 3- em
acidentes, rupturas e golpes, pois nessas ocasiões intermediários completamente silenciosos se
tornam mediadores; 4- sempre é possível trazer os objetos dos bastidores utilizando arquivos,
documentos, lembranças, etc.

Aqui, também é importante pontuar a substituição que Latour faz de sociedade por coletivo.
Sociedade será apenas o conjunto de entidades já reunidas que, segundo os sociólogos do social,
foram feitas de material social. Coletivo, por outro lado, designará o projeto de juntar novas
entidades ainda não reunidas e que, por esse motivo, obviamente não são feitas de material social.

A quarta fonte de incerteza fala sobre o embate entre a questão de fato e a questão de interesse, e
traz à baila a palavra construção. Essa fonte nos levará a origem da sociologia das associações. A

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ANT tem uma origem tão sem cuidados que foi preciso um quarto de século para retificá-la e
ajustá-la àquilo que constituía seu exato significado. Tudo começou com o uso da expressão
“construção social de fatos científicos”. Ao considerar a dificuldade do uso dessa palavra
“construção”, Latour propõe deixar claro a razão pela qual ele dá tanta importância para o
subcampo dos estudos de ciência. Dizer que uma coisa é construída sempre significou que ela não
é um mistério surgido do nada ou que tem uma origem mais visível, humilde e interessante. A
grande vantagem de visitar locais de construção, seja para ciência como para todos os locais de
construção, sempre significou um ponto de observação entre humanos e não humanos. Assim,
usar o termo construção definiu-se como a descrição daquilo que significa perdurar, associado a
sua robustez, qualidade, estilo e durabilidade.

Ficou obvio para a ANT, os primeiros estudantes da ciência, que um local onde essa definição de
construção deveria ser aplicada seriam os laboratórios, institutos de pesquisa, entre outros. Era a
ciência oferecendo casos mais extremos de completa artificialidade e objetividade caminhando em
paralelo. Foi por isso que usamos a expressão construção de fatos para descrever o fenômeno da
artificialidade e realidade caminhando ao mesmo passo. Mas a excitação declinou quando
percebeu-se que para as ciências sociais como para as naturais, a palavra construção significava
algo inteiramente distinto do senso comum, como algo não verdadeiro, falseado, inventado.
Pareciam nos submeter a ideia de que ou uma coisa era real e não construída, ou era construída e
artificial, ideada, falsa. A ideia insultava tudo que a ANT estava testemunhando em laboratórios:
ser inventado e objetivo se equivaliam. Fatos era fatos e exatos porque eram fabricados,
significando que emergiam de situações artificiais.

Se quisessem continuar usando a palavra construção teriam que lutar contra essas duas frentes.
Neste ponto, talvez teria sido melhor, afirma Latour, abandonar a palavra construção, mas ela
focalizava a cena entre os dois atores (humanos e não humanos) como toda a ideia de uma nova
teoria social que a ANT estava postulando, que consistia em renovar as direções do que era um
ator social e um fato, por isso, não era possível perder de vista esses locais de construção. Assim,
inseriram a palavra social a construtivismo. Quando um fato é construído, a ANT quer dizer
simplesmente que ela explica a sólida realidade objetiva mobilizando entidades cuja reunião
poderia falhar, construtivismo social, por outro lado, que substituímos aquilo de que essa
realidade é feita por algum outro material – o social – de que ele realmente é feito.

Mas uma vez que para a ANT era obvio que a construção social significava prestar atenção
renovada ao número de realidade heterogêneas que entram na fabricação de estado de coisas,
foram necessários anos para que se reagisse as teorias com as quais pareciam estar associados.

Aos poucos foi ficando claro para a ANT que havia algo falho não só na filosofia da ciência padrão
mas nas teorias sociais padrões usadas para explicar outros domínios que não o da ciência. O que
a ANT estava tentando modificar era o uso de todo o repertório crítico abandonando ao mesmo
tempo o uso da Natureza e o uso da Sociedade, que haviam sido inventadas para revelar por trás
dos fenômenos sociais aquilo que estava efetivamente ocorrendo. Isso significava entretanto uma
total reinterpretação do experimento que a ANT realizou no início do trabalho, quando tentou
explicar sociologicamente a produção da ciência.

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Latour busca mostrar como a ANT emergiu da sociologia da ciência ao tirar conclusões extremas
não só para ciência mas para a teoria social. A ANT não é o ramo da ciência social que conseguiu
estender os seus métodos a atividade cientifica e depois ao resto da sociedade, mas sim o ramo
composto por aqueles que haviam ficado totalmente abalados quando tentavam dar uma
explicação social dos fatos intricados da ciência. No domínio da ciência a teoria do social falhou
tanto que se pode postular que ela falhou em qualquer outro lugar, tanto nas ciências sociais como
nas naturais.

O que é central nessa incerteza é que se realmente é chocante a definição de associação e ao


significado que confere ao social, mas também o lugar incomum reservado aos chamados objetos
naturais. Se ambos não forem postos de lado ao mesmo tempo, será em vao que termos efetuado o
trabalho de campo: por mais conexões novas que estabelecemos algumas agencia receberão o
rótulo de sociais e outras de naturais. Para possibilitar isso temos de libertar as questões de fato da
sua redução a natureza exatamente como devemos libertar os objetos e coisas de sua explicação da
sociedade. Portanto é aqui que a quarta fonte deve nos ajudar, perceberemos que as questões de
fato não descrevem que tipos de agencias estão povoando o mundo melhor do que a palavra
social, simbólico e discursivo descrevem o que é um ator humano. Precisamos ter mente aberta
para a forma na qual os antigos objetos da natureza poderiam apresentar-se nas novas associações
que estamos seguindo. Ou seja, a ANT quer oferecer aos objetos naturais a ocasião para
escaparem da cela estreita dada as questões de fato pelo primeiro empirismo. A discussão
melhora quando se introduzem questões de interesse, agencia reais, objetivas, atípicas,
interessantes que são tomadas não exatamente como objetos mas como assembleias. Pois é
exatamente sobre isso que a quarta incerteza quer prosperar: o mapeamento das controvérsias
científicas sobre questões de interesse deve permitir-nos renovar de cima a baixo a própria cena
do empirismo e portanto a divisão entre natural e social. Um mundo natural feito de questões de
fato não parece exatamente a mesma coisa que um mundo constituído por questões de interesse, e
por isso não pode ser usado com tanta facilidade como imagem da ordem social simbólica
humana intencional.

As questões de fato podem permanecer em silencio mas não nos faltam dados sobre as questões
de interesse porque hoje os seus traços são encontrados em toda parte. Ao estabelecer o relato
ANT devemos estar seguros de que quando agencias são introduzidas elas nunca se apresentam
como questões de fato mas como questões de interesse, seu modo de fabricação e seus
mecanismos estabilizadores claramente visíveis.

Ao propor essa questão de interesse, Latour se apoia em um “segundo empirismo” que não se
basearia em fatos mas em matérias de interesse.Para entender a ciência como parte da rede que
constitui a sociedade, não faz sentido olhar para os fatos já instituídos, e não resta outra coisa a
não ser aceitá-los. Interesse aqui deve ser entendido como aquilo que está entre os atores e seus
objetivos, criando assim uma tensão que fará os atores selecionaram apenas aquilo que, em sua
opinião, ajude a alcançar esses objetivos entre muitas possibilidades existentes.

A quinta a última fonte de incerteza é sobre escrever relatos de risco. Aqui, o que Latour propõe
é trazer para o primeiro plano o próprio ato de compor relatos. O próprio texto se torna um
mediador. Ele busca uma objetividade, mas não a do senso comum, no qual tudo é neutro, frio,
mas a objetividade como algo pulsante que acompanha os pormenores de um assunto
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Latour p
interessante, vivo e controverso. Nesse ponto, Latour convoca todas as entidades mobilizadas na
rede, humanas e não humanos. Ele explica que o texto deve funcionar como o laboratório do
cientista social, exige perícia e habilidade na escrita para descrever com objetividade as conexões
em seus experimentos-estudos.

O autor diz que trazer os relatos ao primeiro plano talvez irrite aqueles que alegam conhecer a
composição do social. Eles preferem ser como os cientistas exatos: tentam entender a existência de
determinado fenômeno, recusando-se a considerar relatos escritos e confiando apenas no contato
direto com a coisa à mão graças ao meio transparente de um idioma técnico claro, sem
ambiguidades.

Para Latour, uma boa sociologia tem de ser bem escrita: senão o social não aparece em nada. E
como a ANT procura renovar o significado de ciência e social, precisa renovar também o que
existe num relato objetivo. O autor vai usar a expressão relato textual para significar um texto em
relação ao qual o problema da exatidão e da veracidade não foi posto de lado. A crítica do autor
direciona-se ao relato que aceita ser apenas uma história, para ele, esse é um tipo de relato que
perdeu sua principal fonte de incerteza: já não faz mais questão de ser acurado, fiel, interessante e
objetivo.

Mas o que vem a ser então um bom relato para Latour? Ele define um bom relato como aquele que
tece uma rede: uma série de ações em que cada participante é tratado como um mediador
completo.Um bom relato ANT é uma narrativa, uma descrição ou uma proposição na qual
todos os atores fazem alguma coisa e não ficam apenas observando. Em vez de simplesmente
transportarem efeitos sem transformá-los, cada um dos pontos do texto pode ser tornar uma
encruzilhada, um evento ou a origem de uma nova translação. Tão logo sejam tratados, não
como intermediários, mas como mediadores, os atores tornam visível ao leitor o movimento
social. O texto, em nossa definição de ciência social, versa portanto sobre quanto os atores o
escritor consegue encarar como mediadores e sobre até que ponto logra realizar o social. O
bom texto tece rede de atores quando permite ao escritor estabelecer uma série de relações
definidas como outras tantas translações. Um texto ruim, um mau relato textual, nele, somente
um punhado de atores serão apontados como causa dos demais. Lembremo-nos: um ator que
não faz a diferença não é um ator.

Rede é uma expressão para avaliar quanta energia, movimento e especificidade nossos próprios
relatos conseguem incluir, ela não é aquilo que está representado no texto, mas aquilo que
prepara o texto para substituir os atores como mediadores.

Latour traça um método de uso de cadernos para ir adiante e ser mais eficaz ao abordar essa
quinta fonte de incerteza. O primeiro deles deve ser um diário da pesquisa. O segundo caderno
deve ser mantido para reunir informações de tal modo que se torne possível, simultaneamente,
registrar todos os itens em ordem cronológica e enquadrá-los e categorias que depois se
transformarão em arquivos e subarquivos mais precisos. O terceiro caderno deve estar sempre à
mão para registros ad libitum. O quarto caderno deve ser mantido cuidadosamente para registrar
os efeitos do relato escritos nos atores cujo mundo tenha sido desdobrado ou unificado.
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Se o social circula e é visível apenas quando brilha através das concatenações de mediadores, isso
é o que tem de ser reproduzido, cultivado, deduzido e comunicado por meio de nossos relatos
textuais. A tarefa consiste em desdobrar os atores como rede de mediações – daí o hífen na
palavra composta ator-rede. Desdobrar significa simplesmente que no relato conclusivo da pesquisa, o
número de atores precisa ser aumentado, o leque de agências que levam os atores a agir, expandido, a
quantidade de objetos empenhados em estabilizar grupos e agências, multiplicada; e as controvérsias em
torno de questões de interesse, mapeadas. Um bom relato realizará o social no mesmo sentido em que
alguns partícipes da ação – pela controvertida mediação do autor – serão convocados para
poderem ser reunidos.

Bruno Latour é filósofo e sociólogo das ciência francesas, um dos


fundadores dos Estudos Sociais da Ciência e Tecnologia (ESCT), ou
social studies in Science. Sua principal contribuição teórica, ao lado de
autores como Michel Callon e John Law, é o desenvolvimento da
Teoria Ator-Rede.
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JUNHO 3, 2014
CARTOGRAFIA DAS CONTROVÉRSIAS, CINCO FONTES DE INCERTEZAS, FONTES DE
INCERTEZA, LATOUR, REAGREGANDO O SOCIAL, TEORIA ATOR REDE
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