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A ASSISTÊNC|A SOCIAL NA PRATICA PROFISSIONAL: HISïORIA E

PERSPEGTIVAS.

Maria Carmelita Yazbek

RESUMO: Este texto trata da histórica relação entre Serviço Social e

Assietência Social. Situa a ernergênpia da profissão no contexto de avanço da

profissionalidade no tratamento da questão social e no crescimento da

rcsponsabilidade do Estado na tarefa de asseguraÍ políticas no campo

social.Mostra como as velhas formas de atender às seqüelas da questão

gocial modificam-se até os anos mais rccentes, quando com a Constituição Federal de {988 e a implantação da Seguridade Social brasileira, a Aseistência

Social alcança o patamar de política pública. Finalmente çploca em evidência

o protagonismo dos assistentes sociais na construção de uma nova matriz

analÍtiòa para a Assistência Social no país e para a implementação do atual

Sistema Único de Assistência Sociat - SUAS.

Palavras Chave: Serviço Social, Assistência Social, SUAS

Gostaria de iniciar minhas reflexões apresentando como ponto de partida uma

'forma de apreender a prática profissional do assistente social, situada no

movimento histórico da sociedade. Entendo que o surgimento do Serviço

$ocial como profissão na sociedade brasileira, seu assalariamento e a

ocupação de um espaço na dÍvisão social e técnica do trabatho, bem como a

estruturação'de seu mercado de trabalho particular é resultante de relações

históricas, $ociais, políticas e econômicas que moldam sua neçessidade

sociale definem os seus usuários.

"Portanto, buscamos ultrapassar a análise do Serviço social em si mesmo

para situá-lo no contexto de relações sociaisl mais 4.mplas qìre o condicionam

e lhe atribuem características particulares. Seu significado social, suas

demandas, tarefas e atribuições devem ser identificados dentro da trama de

relações que constituem a vida social e particularmente nas respostas que a

sociedade e o Estado constroem frente às necessidades sociais dos homens

Cf. Iamamdq Ìúüildq 1995 (Itr "diçaot

em suas múltiplas dimensões {materiais, espirituais, culturais, subietivas etc}.

Estas dimensões, constituem a sociabilidade humana e estão presentes no

çotidiano da prática ds assistente social." {Yazbek, 2004: 13}

O Serviço Social interfere nos processos relacionados com a reprodução

social da vida, desenvolvendo sua ação profissional em situações sociais que afetam a qualidade de vida da população em geral e sobretudo dos .

setores mais empobrecidos da sociedade, objetivando melhorar essas condições sob múltiplos aspectos, o'A intervenção profissional leva em

consideração relaçÕes de classe, genêro, etnia, aspirações sociais, polÍticas,

religiosas, culturais, além de componentes de ordem afetiva e emocional. O

trabalho do assistente social pode produzir resultados concretos nas

condiçÕes materiais, sociais e culturais da vida de seus usuários, em seu

acesso e usufruto de políticas sociais, programas, serviços, recursos e bens,

em seus comportamento$, valores, seu mods de viver e de pensar, suas

formas de luta e organização, suas práticas de resistência." {yazbek, za04:r4l

Âs polÍticas sociais são a rnediação para este exercicio. E, entre as políticas sociais é fundamental destacar a Assistência Social.

A trajetória da profissão com diferentes conotações, acompanha a

Assistência Social brasileira desde os anos 39 quando o Estado assumê uma intervenção reguladora frente à emergente questão sociar2 no paÍs.

Com o desenvolvimento da urbanização e com a ernergência da classe

operária e de euas reivindicações e mobilizaçõês, quê se expandem a partir

desses anos, particularmente no$ espaços das cidades, a .,questão social,,,

considerada legÍtima pelo Estado, passa a ser o fator impulsionador de

medidas estatais de proteção ao trabalhador e sua familia.

Nesse período, a regulação das tensões entre as classes sociais se efetiva mediante a consolidaçâo das Leis do Trabalho (CLT|, o Satário MÍhimo e

outras medidas de cunho controtador, assistencial e paternalista, É também

nessê contexto que emergê como profissão o Serviçà'Social brasileiro

marcado pelo proieto politico da lgreja Católica expresso "pela doutrina e pela

ação social católica". Nêste momento histórico a prafissão prioriza a Ação

9ocial {intervenção direcionada para mudanças sociais sob a ótica do ideário

?o questiio social entendennos a dispúa pela riquaa social na sociedde capitalista pelas classes sociais.

católico) em relação à Assistência Social.3 Ainda assim, a Assistência Social

era considerada um avanço em relação às práiicas fiiantrópicas prevalecentes até então.

Em 1942 o governo brasileiro çria a LBA com a finalidade de prestar às

familias dos expedicionários brasileiros. Terminada a Guerra a LBA se volta

para â Assistência à maternidade e à infãncia e nessê momento se inicia a

politica de convênios com as entidades socials. Tratava-se de um "modelo de

regufação pela benemerência" {Sposati, 1994; 8} e que está na raiz da relação sirnbiótica que a emergente Assistência $ocial brasileira vai estabelecer com a

Filantropia e com a benemerência {cf. Mestriner,200í }4. Caracterizada por

ações paternatistas e de prestação de auxilios emergeneiais e paliativos à

miséria vai interferir junto aos segmentos mais pobres da sociedade,

mobilizando a sociedade civil, o trabalho feminino e a profissionalização dos

assistentes sociais. Essa modalidade de intervenção está na raiz da relação simbiótica que a emergente Assistência Social brasileira vai estabelecercom a

Filantropia e com a benemerência {cf. Mestriner,200í}u.O caráter dessa

relaçâo nunca foi claro e a históriça inexistência de fronteiras entre o público

e o privado na constituição da sociedade bnasileira vai compor a tessitura

básica dessa relaçâo que çontinuamente repõe tradições clientelistas e

assistencialistas seculares.

portanto, o que se observa é que, historicamente a Assistência Social

brasileira e juntamente com ela, o Serviço Social profissional, se estruturam vinculados:

í l ao conjunto de iniciativas benemerentes e filantrópicas da sociedade civil e

2l aa avanço da profissionalização no tratamento da questão social e ao

crescimento da centralidade do Estado na tarefa de assegurar o bern estar da

@hcirÉraFeÍeira

CorIez- agostode 1983.

Reüsa serviço social e sociedadeno 12, sâopauto,

Partilho com Netto (20O1) s enátisp segundo a qual a pofissionalização do

Serviço Social não se explica

da sociedade

4pnas como cmtinuidde da filmtropia qr da caridade (desenvotvidas desde a

burguesa) mas vincúa-se à dinâmica da oçdem rumpólican0 camiotto da profissionalaafio do Serviço

Social é, na verdadq o prooesso pelo qual sets agmtes - atúa

discurso centradas ra autaania dw sus rla/,çvls ç & sts twtde - s insereÍn cm atiüddes interventivas

qn ãesenvdwrdo rerra arÍorepresentação e um

cuja dinâmica, orgmizaçâo,

3 - Para a autcra

Asi$focia

rcursm e oliaivos

S€ci4 Fikoda e

são Mcrmir:dos para além do seu controle.n (Netto,

2001 ; ?l )

Ferrsssàciô tenn si& tratdas no [kasil como irrnãs

siamesas, *6r1ilutas irrnas da outrm" (lvMim:- M):14).

3 - Para a autora '?ssistêmia Sociaf filmtrqlia e Benrqqrfub *m si& tratdas no Brasil como irmãs

siamesas, subsührtas umas da ou8as" {}v{estriner: 2001:14)

sociedade. Trata-se de um çontexto no qual o Estado passa a operacionalizar

suas responsabilidades a paÉir do reconhecimento das competências profissionais e do trabalho baseado no saber técnico para a prestação de

serviços sociais. $em dúvida a profissionalidade e a intervenção especializada como "modêlo

de ação competentê" se tornaram componentes fundamentais das polÍticas de

bem estar no Welfare contemporâneo.

Gom o tempo as velhas formas de socorrer os pobres gestadas na filantropia

e na. benemerência evoluem {p. ex. Na LBA}, passando desde 'oa arïêGadação

de fundos para a manutenção de instituições carentes, auxílio econômico, amparo e apoio à família, orientação maternal, campanhas de higiene, fornecimento de filtros, assistência médico odontológica, manutenção de

creches e orfanatos, lactários, concessão de instrumentos de trabalho etc"

{Falcão e Sposati, 1989:Í9} até políticas, programas e projetos explicitamente

anunciados como de combate à pobreza. Esse processo, çontou sempre com

a interuenção dos assistentes sociais brasileiros. Eu diria mais: os assistentes

sociais fomm operadores centrais nesse processo.

O pobre, trabalhador eventual e destituído, é o usuário dessas polÍticas pelas

quais é visto como "indivíduo necessitado", I muitas vezes como pessoa

açomodada, passiva em relação à sua própria condição, dependente de ajuda, não cidadão enfim. Sua figura é desenhada em negativo. {Cf Telles, í999}

No contexto desenvolvimentista as instituições soçiais direcionam seus

programas para uma polÍtica de integração participativa dos mais pobres no

processo de desenvolvimento nacional. E,nos anos que se seguiram ao golpe

militar de 1964 as politicas sociais vão combinar assistència à pobreza com

repressão.

eom a ampliação da desigualdade na distribuição de renda que Gresce

sobretudo nos ano$ 80 {a década perdida para a CEPAL} a pobreza vai se

converter em tema central na agenda social, quer por sua crescente

visibilidade, pois a década deixou um aumento considerável do número

abeoluto de pobres, quer pelas pressões de democratização que

çaracterizaram a transição. Tratava-se de uma conjuntura econômica

dramática, dominada pela distância entre minorias abastadas e massas

miseráveis. Permanecerir as antinomias entre pobreza e cidadania.

A situação de endividamento {que cresce 61% no$ anos 80}, a presença dos organismos de Washington {Fffil,Banco Mundial}, o consenso de Washington'

as reforrnas neoliberais e a redução da autonomia nacional, a adoção de medidas econômicas e o aiuste fiscal vão se expressar no crescimento dos

indices de pobreza e indigência. "É sempre oportuno lembrar que' nos anos 90 a somatória de extorsões que configurou um novo perfil para a questão social brasileira, particularmente pela via da vulnerabilização do trabalho' conviveu com a erosão do sistema público de proteção social, caraeterizada

por uma perspectiva de retração dos investimentos públicos no campo social'

geu reordenamento e pela crescente subordinação das politicas saciais às

politicas de aiuete da econornia, com suas restrições aos gastos públicos e

sua perspectiva privatizadora." {Cf. Yazbek, 2004} É nesse contexto, e na

,,contra mão'o das tranSformações que OGOffem na Ordern eConÕmiCa internacional mundializada que o Brasil vai instituir constitucionalmente em

1988, seu sistema de seguridade social no qual vâmos de*tacar a

Assistência Social. Com esse sistema tem inicio a construção de uma nova

concepção para a Assistência social brasileira, que é regulamentada em í993,

como política social púbtica, e inicia seu transito para um Gampo novo: o

campo dos direitoso da universalização dos açessos e da responsabilidade

estatal. O protagonismo dos assistentes sociais brasileiros na elaboração da LOAS foi fundamental.

É nesse sentido, que tantas vezes aÍirmamos que a LOAS estabelece uma

nova matriz para a Assistência Social brasileirao inieiando um processo que tem como perspectiva tomá-la visível como politica pública e direits dos que

dela necessitarem. A inserção na Seguridade aponta também para seu caráter

de politica de proteção $ocial6 articulada a outras políticas do campo soçial

voltadas à garantia de direitos e de condições dignas de vida. Desse modo, a

assistência social configura-se como possibilidade de reconhecimento

"

@

as formas 'à,s nezes mais, as vezes flrenos instihrcionalizadas qÌre as

de seus mernlrc- Tais sistemas decmrem de certas

sociedades ccmstihrem para protÊg€r parte ou o @rnto

-"iìriúao da .d'da

".t*"1

conceito, tarnbémtmto

*, r*t"t, tais como a

velbice, a dffiFs o inforírmiq as privações- Úncluo neste

as formasseletivasdedistribüiçãoeredisrih(Sodeb€nsÍÍd6iais(mmoa

os saberes), furc permitirm a sotrevivàrcia

comida e o

e a integraçâo, sob várias

pimipios regúladAÍes as IXtrïìas que,com o intuito de prcteção, fazem

dinheiro), qÌrmto os bens cútgrais (corno

formas na vida social.Incluo , ainda,os

parte daüda das coletiüdades" (Di Giovami, 1998:lO)

público da tegitimidade das demandas de seus usuários e e$paço de

ampliação de seu Protagonismo. ,,Como lei, a LOAS inova ao afirmar paÍa a Assistência Social seu caráter de

direito não contributivo, {independentemente de contribuição à Seguridade e para além dos interesses do mercadolo ao apontar a necessária integração

entre o econômico e o social e ao apresentar novo desenho institucional para

a assistência social. Inova também ao prçpor a participação da população e o

êxercicio do controle da sociedade na gestão e execução das políticas de

assistência social." {Yazbek, 2004:13} Tendência ambigua, de inspiração

neoliberal, mas que contraditoriamente pode direcionar-se para os interesses

de seus usuários.

$em dúvida, uma mudança substantiva na concepção da assistência social,

um avanço que permite sua passagem do assistenciqlismo e de sua tradição

de não política para o carnpo da politica pública.Como política de Estado

passa a ser um espaço para a defesa e atenção dos interesses e necessidades

sociais dos segmentos mais empobrecidos da sociedade, configurando-se

tambémn como estratégia fundamental no combate à pobreza, à discriminação

e à subalternidade econÕrnica, cultural e politica em que vive grande parte da população brasileira. Assim, cabem à Assistência Social ações de prevenção

e provimento de um conjunto de garantias ou seguranças que cubram,

reduzam ou previnam exelusões, riscos e vulnerabilidadès sociais, {Sposati,

,lgg5l bem como atendam às necessidades emergentes ou permanentes

decorrcntes de problemas pessoais ou sociais de seus usuários. {Cf Yazbek,

20041

Essas garantias se efetivam pela construção do que Mishra denomina de

"rede de segurança da rede de Segurança" ou seia um coniunto de

programas, projetes, serviços e benefícios voltados â proteção social e ao

atendimento de necessidades da população usuária dessa política.

Em geral caracterizada por sua heterogeneidade essa rede de segurança

{constituída pelos órgãos governamentais e por entidades da sociedade civil}

opera serviços vottadea ao atendimento de um vastíssimo conjunto de

necessidades particularmente dos segmentos mais pobres da sociedade:

atende à familias, idosQs, crs. e adolescentes, desempregados, portadores de

deficiência, migrantes, portadores do HlV, dependentes de drogas, etc

Arrecada e doa alimentos, alfabetiza adultos, protege testemunhas, defende

direitos humanos e a cidadania, atende suicidas, adolescentes grávidas,

órfãos, combate a violência, cria empreendimentos auto gestionados, cuida de

çreches, de atendimento módico domiciliar e de outras iniciativas que

compõem o complexo e divergificado campo da Assistência SocialT à'

população. Biretamente envolvido tanto na gestão e implementação desses

serviços e politicas, como na "execução terminal" {José Paulo Netto}, estão

os á$sitentes sociais brasileiros. Dessa forrna a Assistência Social como

campo de efetivação de direitos é, {ou deveria ser} polÍtica estratégica, não

contributiva, voltada para a construção e provimento de mínimos ssciais de

inclusão8 e para a universalização de direitoso buscando romper com a

tradição clientelista e assistencialista que historicamente permeia a área onde

semprê foi vista como prática secundária, em geral adstrita às atividades do

plantão social, de atenções êm emergências e distribuição de auxílios

financeiros.

Nesses últimos anos tornaram-se evidentes as caracteristicas neoliberais da politica social brasileira, face às necessidades sociais da população. Quais

são essas características? {muitas das quais nós assistentes sociais

operacionalizamosl

{ - Uma retomada analÍtica dessas políticas sociaiso revela sua direção compensatória e seletiva, centrada em situações limites em termos de

sobrevivência e seu direcionamento aos mais pobres dos pobres, incapazes

de competir no mercado. Nesse sentido as politicas acabam sendo o lugar do

não direito e da não cidadania

n'lugar

a que o indivíduo tem acesso, não por

t . Em São Paulo es{es servirps es{ão agrupados êÍn seguÍaÍças wiais a serern garart*las:

corÍì a pro\risão de necessidadas humanas qüê começam com os direüos a coÍner, vest'r, dormk

humana êrn soclêdadê. lntegram esta segnlÍançâ

provisão dê ná;êssidadês básbas; Segurança de Corwívio: sêwiçaç voüa&

Segurança de Âcolhida: opera

e abr[ar-se, píópdos à üda

6

sërviçoÉ al€ aHt|o, fnord}â píoìrlsóÍ-la, albeÍguês operando com a

ao dêsênvolviÍne{rto

da sociabilidade como

crectes, casas convivênci4 oÍiros dê

Seguranp de Êencficias/Rendinrer*w:

a fabalho soctal d€ ÍÌdü€sa sácb

servÇos, proieacs socirêducdivo$ Fa*a sbnças e adobscentes e outros;

d,e rans#eÍêôciâ de renda. bolsas e au<ílios vincuhdos

inctri f6gffins e pc|*e

e*,rc#n. &Ìcfti aiÍxlr, Fograrr$ de dendinento emergencial, ÍestauÍarúes populares

erúre orüos-; Suança de Trave**eÍ&*on*úa: fudd ser'*ps wlad6 à prwisão de apoios e denções paÍa quê o

cidadão seja alcarçável

condição de üda e pÍovisão

pe*ae pomim sodais pc

rn€b srla iÍs€ngão íÉ ÍEde só€ieas8**cncíd, lrípnFa íìthoriâ da

de mebs p6ra â can*t@ de at*ornr*t de soürevir€rria- lrcfui ryniro a proie*o* de geraçáo de

ek.

ê eslabdeÇsÌ o

@raÍ

de cobertura de riscos e de

definir o patamar de dignidade

rênda, foÍmação de cooperdivx

I

Paa Sf,osài (1997:f0, grilos dâ ad*rr) *Fúopor rnír#noe saciab

garartiras qrÉ irm socêdadê çrer gorarÉfr psrâ todc G sêüs ctdadãç. Trata-s de

abaixo do qual nenlnm cidadão dweria esta'

sua condição de çidadania, mas peta prova de que dela está excluÍdo"{Telles'

200Í:95)

2.Aherançadosú|timosl0anos,olegadoquetemosqueenfrentaréeste:o

da subordinação do soclal ao econômico' o social

constrangido

pelo

legado

econÕmico. o social refilantropizado e despolitizado e despublicizado. 3 - Outra constatação nesta análise ievela-se no o'deslocaÍnento"' no cenário

brasileiro recente, da questão da pobreza "Gomo questão e como figuração

de prohlemas nacicnais, de um lugar pcliticamente construído - lugar

ação, da intervenção, da crítica, da polêmica e do dissenso - para o lugar

pública

da

da não politica, onde é figurada como dado a ser administrado teçnicamente

ou gerido pelas práticas da Filantropia.''{Telles' í998:15}

Cabe|embrarqueestedeslocamento,quetemcomoexpressãomaioro

crescimento do Terceiro Setor, vai inserir-se nos processoS de

dos sistemas de proteção social e da política social em geral, proce$sos quer

por sua vez se explicam nos marcos da reestruturação dos mecanismos de

reestruturação

do capitalismo glcbalizado e que vem sendo implementados'

acumulação

particularmente em sua periferia, por meio de uma reversão polÍtica neoliberal

caracterizada,entreoutrascoisas,peladestituiçãodedireitostrabalhistase

eociais e pela erosão das condições politicas que conferiam um

caráter

púb|icoàdemandapordireitossocials.{Cf.Yazbek,2002}

É nesse contexto que cabe à Assistência Social brasileira atual, prover um

conjuntodesegurançasquecubram,reduzamouprevinamriscose

vulnerabilidades sociais, {Sposati,

ou perrnanentes decorrentes

1995} bem como necessidades ernergentes

de problemas pessoais ou sociais de seus

usuários. Nesse sentido o seu conteúdo e diretrizes são reveladores da

gxtensão e das paÉicularidades da Proteção Social adotada pelo Estado e

pela Politica de Assistência Social'

expressa

Em

setembro de 2004, atendendo ao çumprimento das deliberações da lV

Conferência Nacional dé Assistêncian realizada em Brasilia em dezembra de 2003, o CNAS - consetho Nacional de Assistênçia socialaprovou' após amplo

debate no pais, a Política Nacional de Assistência Social em vigor' na qual

bcupa um lugar de destaque o (re) desenho desta polÍtica, na per$pectiva de

implementação do suAs - sistema unico de Assistência social' A construção

e implementação do Sistema Único da Assistência Social - SUAS, requisito

da LoAS para dar efetividade à assistência social como politica

vem se caracterizando como uma das prioridades da Secretaria

essençiat

pública,

Nacional de Assistência social do Ministério do Desenvolvimento sscial e

combate à Fome. Nesse processo está envolvido significativo contingente de

assistentes sociais brasileiros.

*A gestão proposta por esta Política se pauta no pacto federativo' no qual

devem ser detalhadas as atribuições e competências dos três níveis de

governo na provisão das ações socioassistenciaiso em conformidade cem o preconizado na LOAS e NOBsn a paÉir das indicações e deliberações das

dos Conselhos e das Gomissões de Gestão Compartilhada

Conferências,

{comissões

Intergestoras Tripartite e Ëipartites - clT e clB's}, as quais se

de discussão, negociação e pactuação dos

e formas de operacionalização da PolÍtica de

constituem em espaços

instrumentos de gestão

Assistência $ocial." {PNAS, 2004:1 0}

Nesse sentido, o sistema unico de Assistência $ocial - suAs estâ voltado à articulação em todo o território nacional das responsabilidades, vinculos e

hierarquia, do sistema de serviços, benefÍcios e ações de assistência soçial'

de earáter permanente ou eventual, executados e pfovidos por pessoas juridicas de direito público sob critério de universalidade e de ação em rede

hierarquizada e em artiçulação com iniciativas da sociedade civil'

o suAS é constituído pelo conjunto de serviços, progrãmas, proietos e

beneficios no âmbito da assistência social prestados diretamente - ou através

de convênios com organizações sem fins lucrativos -, por órgãos e

instituiçÕes públicas federais, estaduais e municipais da administração direta

e indireta e das fundações mantidas peto poder público' É modo de gestão

compartilhada gue divide responsabilidades para instalar, regular, manter e

xpandir as ações

de Assistência $ocial.

-

Énquanto sistema cabem ao SUAS:

1 - Ações de Proteção Básica:

ffianoanode1999,oombasenaentãoPolíticaNaciona|.Apartirda

"pr"*ção

preüsões

J".tã n*" puorct" ãe PctÍtica far-s+á imprescindível sua rerrisão, para que atenda às

instituídas.

- prevenção de situações de risco por meio do desenvolvimento de

potencialidades e aquisições, e o fortaiecimento de vinculos familiares e

comunitários. A população alvo: sãs familias e indivíduos que vivem em

situação de vulnerabilidade social decorrente da pobreza, privação {ausência de renda, precário ou nulo ãce$so aos serviços públicos, dentre outros) ê, ou

fragilização de vinculos afetivos-relacionais ê de pertencimento soçial

{discriminações etárias, étnicasu de gênero ou Boí deficiênclas, dentre outras}. Os serviços de proteção social básica serão executados de forma direta nos

CRAS Centros de Referència da A. S. ou de forma indireta nas entidades e

organizaçÕes de A. S. da área de abrangência dos CRAS. 2 - AçÕes de Proteção EsPecial:

- atenção assistencial destinada a individuos que se encontram em situação de alta vulnerabilidade pessoal e social. $âo vulnerabilidades decorrentes do

abandono, privação, perda de vinculos, exploração, violência, etc.

Essas açÕee destinam-se ao enfrentamento de situaçÕes de risço em famílias

e individuos cujos direitos tenham sido violados e, ou, em situações nas

quais já tenha ocorrido o rompirnento dos laços famillares e comunitários.

Podem ser:

- de média complexidade: familias e indivíduos coffi seus direitos violados,

nnas cujos vínculos familiares e comunitários não foram rompidos.

- de alta cornplexidade: famÍlias e individuos com seus direitos violados, que

se encontram sem referênria, e, ou, em situação de ameâça, necessitando ser

retirados de seu núcleç familiar e, olt, comunitário.

$ão os assistentes sociais que estão implementando o SUAS, apoiados pela

NOB 2005, enfrentando inúmeros desafios entre os quais destacamos a

gonsolidação e a democratização dos Conselhos e dos mecanismos de

participação e controle social;

a organização e apoio à representação dos usuários; a participação nos debates sobre o $UAS, a NOB, os CRAS e o$ CREA$; a elaboração de

diagnósticos de vuinerabilidade dos municipios; o monitoramento e a

avaliação da politica; CI estabeleçimento de indicadorcs e

padrões de

qualidade e de custeio dos serviços; contribuindo para a construção de uma

cultura democrática, do direito e da cidadania.

Estas questões nos interpelam "diretamente quando fazemos (ainda?) a

aposta em uÍna cidadania ampliada,o' e quando buscamoS rcverter a figura do

pobre como não cidadão. Tarefa difiçil, que esbarra na herança perversa de

uma pobreza persistente e naturalizada, em uma sociedade cada vez mais desigual, que mesmo Gom o aumento visivel da pobreza, "não instaura o

debate público sobre a iustiça e a igualdade, pondo em foco as iniqüidades

inscritas na trama social." {Telles,200í}

Romper com essa herança e instaurar esse debate na sociedade brasileira é

parte de nosso