Вы находитесь на странице: 1из 10

FRAN – 2.

009 – ADMINISTRAÇÃO

DIREITO EMPRESARIAL

MATERIAL DE APOIO – 1º. Termo

Professora: Renata Magnanelli Adomaitis Brunhani

(14/05/2009)

AS SOCIEDADES

Conceito e noções de sociedade

Segundo o Código Civil, a sociedade é fruto de contrato entre pessoas que,


reciprocamente, se obrigam a contribuir com bens e serviços para o exercício de
atividade econômica, objetivando a partilha dos resultados.

A sociedade assim conceituada resulta, cultural e historicamente, da necessidade de


se organizarem, na esfera jurídica, atividades econômicas, e tudo o que elas abarcam,
que exigem investimentos maiores e esforços de agentes com diferentes capacitações,
os quais, por sua vez, visam aos lucros que podem advir destas mesmas atividades.

A sociedade é, portanto, uma aglutinação de esforços para o bom desenvolvimento


de atividades econômicas, das quais uma única pessoa natural não daria conta.

A atividade societária

Ao conceituar sociedade, o documento legal esclarece que a atividade societária


pode tanto se restringir a um único negócio determinado, quanto abranger mais de um
negócio determinado.

A sociedade empresária
A sociedade empresária é definida como a sociedade que tem por objetivo o
exercício de atividade própria de empresário sujeito a registro, ou seja, atividade
econômica necessariamente organizada para produção ou para a circulação de bens
e/ou de serviços.

Note-se, no entanto, que a lei estabelece esta definição para sociedade empresária,
ressalvando as exceções expressas.

A despeito do seu objeto, considera-se sociedade empresária a sociedade por ações


ou quotas.

Desde já, importa enfatizar, ainda que a título de recordação, diferença essencial
que há entre ações e quotas. Assim, as ações são as parcelas em que se divide o capital
de uma sociedade, que se representam por documentos negociáveis cujo valor equivale
ao valor daquelas parcelas. As quotas, por sua vez, são porções determinadas do capital
social que cabem a cada sócio, sem qualquer representação documental, e inegociáveis.

Note-se que, pela lei civil que regula a matéria, a figura do empresário, ou seja, da
pessoa física que exerce atividade empresária, se distingue da figura da empresa, ou da
sociedade empresária, que se refere à pessoa jurídica que exerce atividade empresária.
O Direito brasileiro arrola como sociedades empresárias a sociedade limitada, a
sociedade anônima, a sociedade em comandita por ações, a sociedade em comandita
simples, a sociedade em nome coletivo e a sociedade em conta de participação.

Todavia, com exceção da sociedade limitada e da sociedade anônima, as demais


sociedades empresárias encontram pouca expressão prática no mundo moderno.

Também é relevante ressaltar que sociedade empresária e sociedade empresarial são


termos cujos conceitos não podem ser confundidos para a compreensão real do que a
sociedade empresária de fato denota. Temos, portanto, que “empresária” é a sociedade
titular de atividade econômica, na qual os sócios, enquanto pessoas naturais, não
devem ser considerados titulares da empresa, já que esta qualidade é exclusiva da
pessoa jurídica. Sociedade “empresarial”, por sua vez, é a união de empresários, cada
um titular da atividade econômica que exerce enquanto pessoa natural, sem configurar
pessoa jurídica.

A semântica, neste aspecto, mostra a sua importância no sentido de se utilizarem os


termos certos na expressão de conceitos específicos, o que é fundamental na ordem
jurídica. Analogicamente, o uso aleatório de termos vocabulares seria como, no campo
da Medicina, haver mais de um conceito para a mesma patologia. Ora, como seria o
diagnóstico e tratamento de uma doença com mais de um nome para designá-la, e com
conceitos diferentes para tais terminologias?

A sociedade simples

Todas as demais sociedades que não as empresárias, são, portanto, segundo a lei,
sociedades simples, sendo assim consideradas as cooperativas.

A constituição das sociedades empresária e simples

Nos arts. 1.039 a 1.092 do CC, o legislador arrola, define e regulamenta os tipos de
sociedades, conforme veremos oportunamente. Neste sentido, a constituição de uma
sociedade empresária deve obrigatoriamente adotar um dos tipos de sociedade
indicados na lei.

Já a sociedade simples pode ou não se constituir segundo estes tipos de sociedade.


Porém, em não adotando qualquer destes tipos, estará subordinada às normas que lhe
são próprias.

Ressalvas para a constituição das sociedades

De acordo com o parágrafo único do art. 983 do CC, são ressalvas à constituição das
sociedades empresárias e simples as disposições concernentes a sociedades em conta de
participação, cooperativas e sociedades constantes de leis especiais (como, por
exemplo, as sociedades anônimas) que imponham a constituição da sociedade
obrigatoriamente de acordo com um tipo determinado, de modo a lhe permitir o
exercício de certas atividades.
Sociedade de empresário rural

A lei faculta à sociedade cujo objeto seja o exercício de atividade própria de


empresário rural a possibilidade de ser constituída ou transformada de acordo com um
tipo determinado de sociedade. Neste caso, deverá requerer a sua inscrição, nos termos
do art. 968, junto ao Registro Público de Empresas Mercantis de sua sede. E, uma vez
assim constituída (ou transformada) e inscrita, passará a ser equiparada sociedade
empresária, seja para que efeito for.

Importante ressaltar que, ainda que a sociedade já esteja constituída de acordo com
um tipo determinado, o requerimento de inscrição estará subordinado às normas que
regem a transformação naquilo que forem aplicáveis, como veremos mais adiante.

A personificação das sociedades

A personalidade jurídica é efetivamente atribuída à sociedade com a inscrição de


seus atos constitutivos no registro próprio e na forma da lei. Em casos necessários
(como, por exemplo, nos casos das sociedades estrangeiras), esta inscrição pressuporá a
autorização ou a aprovação do Poder Executivo, averbando-se no registro toda e
qualquer alteração por que passar o ato constitutivo.

Conforme dispõe o parágrafo único do art. 45, o direito de anular a constituição


das pessoas jurídicas de direito privado, por causa de defeito do respectivo ato, decai
em três anos, prazo esse contado da data de publicação de sua inscrição no registro.

Note-se, ainda, que o empresário e a sociedade empresária estão vinculados ao


Registro Público de Empresas Mercantis a cargo das Juntas Comerciais, enquanto as
sociedades simples devem se subordinar ao Registro Civil das Pessoas Jurídicas que,
por sua vez, deverá obedecer às normas fixadas para aquele tipo de registro, no caso de
a sociedade adotar um tipo determinado de sociedade empresária (art. 1.150).

Natureza da pessoa jurídica


Como ocorre na maioria das questões cujo entendimento envolve reflexões teóricas
vindas das Ciências Humanas, também no Direito há diferentes maneiras de se
entender a origem de um mesmo conceito. Assim também a natureza da pessoa
jurídica encontra duas teorias opostas que a expliquem: uma chamada de “pré-
normativista”, e outra, “normativista”.

Pela teoria pré-normativista, entende-se que a existência da pessoa jurídica é


anterior e independente da ordem jurídica que, assim, apenas estaria reconhecendo e
organizando o que já existe de fato. Trata-se de teoria orgânica e de realidade objetiva.
Por outro lado, a teoria normativista defende que a pessoa jurídica surge do direito,
não existindo fora da previsão legal. Trata-se, por sua vez, de teoria ficcionista e de
realidade jurídica (Clóvis Beviláqua, Teoria geral do direito civil, Rio de Janeiro, Ed. Rio,
1980, p. 258).

Dr. Fábio Ulhoa Coelho, em seu Curso de direito comercial (São Paulo, Saraiva, 2002),
esclarece que o que está em jogo nas questões relativas a pessoas jurídicas é a
distribuição de bens entre indivíduos, concluindo que a natureza da pessoa jurídica é a
de apenas uma “idéia”, cujo significado é partilhado pelos membros da comunidade
jurídica, que a utilizam na composição de interesses ou na solução de conflitos.

Conceito de pessoa jurídica

Pessoa jurídica refere-se a uma entidade constituída de acordo com a lei, a partir do
agrupamento (sociedade) de pessoas que se organizam, de maneira estável, visando fins
de utilidade pública ou privada. É a pessoa jurídica completamente distinta da pessoa
dos indivíduos que a compõem, sendo-lhe facultada capacidade legal de contrair
obrigações e de exercer direitos.

Classificação geral das pessoas jurídicas

As pessoas jurídicas são classificadas em: pessoas jurídicas de direito público


interno, pessoas jurídicas de direito público externo e pessoas jurídicas de direito
privado.
Pessoa jurídica de direito público

As pessoas jurídicas de direito público interno são, especificamente, a União; os


Estados, o Distrito Federal e os Territórios; os Municípios; as autarquias e as demais
entidades de caráter público, criadas por lei.

Autarquia (do grego autarchia, “poder absoluto”) é entidade estatal autônoma, com
patrimônio e receita próprios, criada por lei para executar, de forma descentralizada,
atividades típicas da administração pública. O Banco Central é um exemplo de
autarquia.

As pessoas jurídicas de direito público são civilmente responsáveis por atos de seus
agentes que, assim qualificados, causem danos a terceiros, sendo-lhes, contudo,
facultado o direito regressivo contra os causadores do dano, em casos de culpa ou dolo
destes agentes.

As pessoas jurídicas de direito público interno a que se tenha dado estrutura de


direito privado são regidas e regulamentadas pelas normas do Código Civil e respectiva
legislação extravagante quanto ao seu funcionamento, sempre no que for cabível e
ressalvadas as disposições em contrário.

As pessoas jurídicas de direito público externo, por sua vez, são os Estados
estrangeiros e todas as pessoas jurídicas regidas pelo direito internacional público.
Pessoa jurídica de direito privado

São pessoas jurídicas de direito privado as associações; as sociedades e as


fundações. Ressalte-se que os sindicatos possuem natureza jurídica de associação civil.

As pessoas jurídicas de direito privado poderão ser estatais ou particulares,


conforme a origem dos recursos empregados na sua constituição.

Há que se diferenciar sociedades, de associações, de fundações.


Assim, a associação (do latim associatione, de associare, “unir”), como a sociedade, é
também união de esforços para a realização de bens comuns. Entretanto, enquanto a
sociedade se caracteriza por estes fins comuns terem natureza econômica, a associação
volta-se para fins não econômicos.

Já a fundação (do latim fundatione, “ato de fundar”) é instituição fundada por ato do
Estado ou por liberalidade privada, a partir de doação ou testamento, e se caracteriza
como pessoa jurídica autônoma destinada a fins de utilidade pública ou benemerência,
mediante dotação especial de bens livres. Difere da sociedade e da associação por não
resultar da união de esforços para fins comuns, mas por decorrer da afetação de um
patrimônio a finalidades específicas e bem delineadas.

Personalidade jurídica

Efeitos da personalidade jurídica

Uma vez que a lei distingue a pessoa jurídica dos membros (pessoas naturais) que a
compõem, desta forma contemplando o princípio da autonomia patrimonial, os sócios
não podem ser considerados como titulares de direitos nem como devedores de
prestações no exercício da atividade empresária. Assim, a personalidade jurídica
acarreta três efeitos principais, ou seja, a titularidade obrigacional, a titularidade
processual e a responsabilidade patrimonial.

A titularidade obrigacional refere-se ao fato de que, a princípio, é a pessoa jurídica


que participa de qualquer relação com terceiros, seja como credora ou devedora, sendo
dela, portanto, toda e qualquer responsabilidade pelos atos praticados, sem que nisto
haja qualquer envolvimento da pessoa natural que serviu de agente (representante) dos
atos da sociedade. Ressalte-se, contudo, que, em situações excepcionais regulamentadas
por normas específicas (por exemplo, as que se referem a obrigações tributárias), os
efeitos desta relação entre pessoa jurídica e terceiros pode se estender à pessoa física
que agiu pela sociedade empresária.
Titularidade processual implica em que, nos processos judiciais envolvendo as
obrigações da pessoa jurídica, será ela, e só ela, a parte legítima para mover ou
responder a ação, e nunca os seus sócios enquanto pessoas naturais individuais.

Por fim, a responsabilidade patrimonial refere-se à distinção entre o que é patrimônio


da pessoa jurídica e o que é patrimônio de seus sócios. Todo e qualquer bem atribuído
à pessoa jurídica é de sua exclusiva propriedade, e nunca de propriedade dos membros
que a compõem. Sobre os bens sociais, os sócios não exercem qualquer direito de
propriedade. Lembre-se de que a participação societária de um Sócio não se confunde
com uma parcela dos bens titularizados pela pessoa jurídica. Deste modo, apenas os
bens sociais respondem pelas obrigações da sociedade.

O patrimônio dos sócios só poderá ser executado por dívida da sociedade em


hipóteses que excedam a autonomia da pessoa jurídica. Sem o princípio da
responsabilidade patrimonial da pessoa jurídica, as atividades empresárias seriam
absolutamente reduzidas, já que as pessoas naturais ousariam menos mediante os riscos
que se associam ao empreendimento empresário.

Características da personalidade jurídica

A personalidade jurídica se caracteriza pelas informações contidas em seu registro,


ou seja:

1) sua denominação, seus fins, o local de sua sede e, quando houver, o seu fundo
social;
2) o nome e a individualização dos fundadores, ou instituidores, e dos diretores;
3) o modo pelo qual é administrada e representada, ativa e passivamente, judicial e
extrajudicialmente;
4) a possibilidade ou não de reformação do seu ato constitutivo, e o modo pelo
qual esta reformação pode se realizar;
5) a responsabilidade subsidiária ou não de seus membros pelas obrigações sociais;
6) e as condições para a sua extinção e, neste caso, o destino de seu patrimônio.
Lembre-se de que a responsabilidade subsidiária é a responsabilidade secundária à
de outrem.

18.3 - Nascimento da personalidade jurídica

Como já vimos, a personalidade jurídica nasce no momento em que é efetivada a


sua inscrição no registro competente.

Validade da personalidade jurídica

A lei é clara em determinar que só se configura o início da personalidade jurídica


mediante a sua inscrição no registro competente.

No entanto, a doutrina acata que, a rigor, desde o momento em que os sócios


passam a atuar em conjunto para a exploração de atividade econômica, a pessoa
jurídica já existe. Em outras palavras, nasce a pessoa jurídica a partir do momento em
que está formulado o contrato, seja expresso ou verbal, de formação da sociedade.

Tanto isto parece ser verdade que a própria lei prevê a hipótese de a pessoa jurídica
ser considerada sociedade em comum, até que obtenha a sua inscrição; e, não obstante
a sociedade em comum constituir sociedade não personificada, ela encontra na
legislação normas sobre as quais fundamentar os seus atos.

A personalidade jurídica termina com a dissolução da sociedade empresária,


procedimento que engloba três etapas: a dissolução propriamente dita, a liquidação e a
partilha, termos cujos conceitos e cuja aplicabilidade jurídica serão estudados mais
adiante.

Na norma comum, dissolução (do latim dissolutione, de dissolvere, “desfazer”) é o


rompimento ou a extinção, expressos ou tácitos, de um contrato, de uma sociedade ou
de um órgão coletivo, pela separação dos elementos constitutivos. Liquidação (do latim
liquidu, “o que flui”), a seu turno, é um conjunto de atos praticados de acordo com a lei
e/ou o contrato, visando a realização do ativo das sociedades em dissolução assim
como da massa falida, o pagamento do passivo e a partilha do saldo.
Desconsideração da personalidade jurídica

A desconsideração da personalidade jurídica constitui questão jurisprudencial.


Muitas vezes, uma sociedade empresária pode ser instituída ou, durante o curso de sua
existência, pode ser transformada para se constituir em instrumento de fraude contra
credores ou de abuso do direito e, nestas hipóteses, se resguardada a autonomia da
personalidade jurídica, a fraude ou o abuso não serão passíveis de correção. E neste
sentido que é facultada ao juiz a possibilidade de desrespeitar este princípio de
autonomia da pessoa jurídica, desconsiderando, conseqüentemente, a autonomia
patrimonial que caracteriza a pessoa jurídica.

Embora a lei não se manifeste expressamente no que concerne à desconsideração


da pessoa jurídica, tem-se nisto um fato cujo julgamento criterioso é imperativo para
que sejam resguardados os direitos daqueles que se vêem lesados por atos ilícitos de
sociedade empresária.