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I Encontro Internacional TIC e Educação

Dinâmicas de interacção numa comunidade de prát ica


online envolvendo professores e investigadores: um
estudo no âmbito do projecto IPEC

MARGARIDA MARQUES, MARIA JOÃO LOUREIRO, LUÍS MARQUES


Universidade de Aveiro, Departamento de Educação
marg.marq@ua.pt, mjoao@ua.pt, luis@ua.pt

RESUMO: A formação de professores pode benefi- One group interacted preferably through an online
ciar da utilização das tecnologias de informação e platform, facilitating the analysis of theirs dynamics
comunicação. Testemunho disso é o projecto “Inves- of interaction. In previous studies we found that the
tigação e práticas lectivas em Educação em Ciência: group formed a community of practice and devel-
dinâmicas de interacção”, que promoveu, com recur- oped innovative practices, having the materials pro-
so a ferramentas de comunicação online, a articula- duced been implemented by the group’s teachers and
ção entre a investigação e as práticas lectivas. Este by colleagues who were teaching in theirs schools.
projecto originou quatro grupos de investigadores e
In this contribution we analyse the group’s dynamics
professores que conceberam, implementaram e ava-
of interaction to delineate recommendations on
liaram módulos curriculares. Um grupo interagiu
teachers’ work in communities of practice and their
preferencialmente via uma plataforma online, facili-
contribution to the teacher’s professional develop-
tando a análise das suas dinâmicas de interacção. Em
ment, one of the shortcomings of the literature. The
estudos anteriores verificou-se que esse grupo cons-
study developed a qualitative, descriptive and explo-
tituiu uma comunidade de prática e desenvolveu
ratory case study, of the type single case study, be-
práticas inovadoras, tendo os materiais produzidos
ing the case the group’s dynamics of interaction.
sido implementados pelos docentes do grupo e por
These were researched from the analysis of messag-
colegas das escolas em que leccionavam. Nesta
es published in forums of the online platform of
contribuição analisam-se as dinâmicas de interacção
support of the project and the statistics of utilisation
do grupo, tendo em vista delinear recomendações
of the platform.
relativas ao trabalho docente em comunidades de
prática e seus contributos para o desenvolvimento Key words: dynamics of interaction, linkage be-
profissional de professores, uma das lacunas da tween teachers and researchers, online community of
literatura. O estudo desenvolvido é qualitativo, des- practice, teacher’s professional development
critivo, exploratório e do tipo estudo de caso único,
sendo o caso as dinâmicas de interacção do grupo.
Estas foram investigadas a partir da análise das men- INTRODUÇÃO
sagens publicadas em fóruns da plataforma online de A interacção entre as práticas lectivas e a
apoio ao projecto, bem como das estatísticas de investigação em educação permite a persecução
utilização da plataforma.
de objectivos comuns, pode produzir conheci-
Palavras-chave: dinâmicas de interacção, articula- mento transdisciplinar in situ e pode originar
ção entre professores e investigadores, comunidade processos de inovação (AUBUSSON, 2002).
de prática online, desenvolvimento profissional de Contudo, a literatura revela que esta interacção
professores não é frequente (GOOS, 2008). Este foi o ponto
ABSTRACT: Teacher training can benefit from the de partida para o projecto “Investigação e práti-
use of technologies of information and communica- cas lectivas em Educação em Ciência” (IPEC),
tion. Testimony of that is the project "Research and que visou promover a interacção entre professo-
teaching practices in Science Education: dynamics res e investigadores de diferentes regiões do
of interaction", which promoted, using online com- país, em contexto de Educação em Ciência
munication tools, the linkage between research and
(EC). Um grupo de trabalho do IPEC, o G2,
teaching practices. This project resulted in four
groups of researchers and teachers that designed, tem vindo a ser objecto de estudo pelos autores
implemented and evaluated curriculum modules. deste artigo, tendo-se verificado que o mesmo

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constituiu uma comunidade de prática (CoP) possibilitam a avaliação as próprias convicções


online (MARQUES, 2008) e criou práticas e práticas (BARAB et al., 2001). Porém, Lai e
inovadoras que extravasaram o grupo, pois os colegas (2006) detectaram na literatura poucos
materiais produzidos foram implementados exemplos de CoP de promoção do DPP.
pelas docentes do G2 e por colegas das escolas
Na área de CoP de professores com reu-
em que leccionavam (MARQUES et al., s.d.).
niões presenciais regulares, identificam-se os
Assim, parece que as CoP que envolvem pro-
estudos de Thomas e colegas (1998), que traba-
fessores e investigadores podem apoiar os
lharam com professores em serviço, e de Barab
docentes num conjunto de tarefas complexo e
e co-autores (2002), que envolveram professo-
essecial para a sua profissão: na concepção,
res em formação inicial. Projectos como o
implementação/operacionalização e avaliação
Inquiry Learning Forum ilustram experiências
do currículo, i.e., no desenvolvimento curricular
de CoP essencialmente online (BARAB et al.,
(GASPAR & ROLDÃO, 2007).
2001).
A presente contribuição visa apresentar
uma análise das dinâmicas de trabalho do G2,
DINÂMICAS NAS COP AO LONGO DO TEMPO
tendo em vista delinear recomendações no
âmbito do trabalho docente em CoP online e As CoP não surgem do nada. Atravessam
seus contributos para o desenvolvimento profis- um ciclo natural de formação, crescimento e
sional de professores (DPP). Nas secções cessação. Porém, no que diz respeito à sua evo-
seguintes, apresenta-se uma breve revisão da lução, cada caso é um caso, pois não se verifica
literatura relativa ao DPP e às CoP, descreve-se uma sucessão de etapas obrigatória, com um
a metodologia, contexto do estudo e caracteri- determinado período ou acções associados.
zação do G2 e analisam-se as dinâmicas de Apesar da diversidade de trajectórias evolutivas
interacção do G2 do projecto IPEC. Na secção que as CoP podem descrever, Wenger e colegas
final, adiantam-se algumas recomendações. (2002) reconhecem as seguintes fases típicas:
potencial, coalescente, em maturação, hospeda-
gem e transformação.
UMA FORMA DE DPP EFECTIVO?
Segundo Hawley e Valli (1999, em LAI et Gráfico I – Fases de uma CoP (WENGER et al., 2002)
al., 2006) as formas tradicionais de DPP, carac-
terizadas por eventos presenciais, de curta dura-
ção, com fluxo de informação unidireccional,
não alteram comprovadamente as práticas
docentes.
Um referente de DPP reconhecido na
bibliografia como potencialmente efectivo é
o de CoP (BARAB et al., 2002; FUSCO et al.,
2000; LAI et al., 2006). Segundo Wenger, as
CoP são formadas por um conjunto de pessoas,
envolvidas numa dada prática, que interagem Na fase potencial descobre-se um interes-
continuadamente entre si com o intuito de pro- se em comum num determinado tópico, consta-
gredir o seu conhecimento nessa área. O mesmo tando-se que outras pessoas enfrentam proble-
autor considera que: “A community of practice mas semelhantes, partilham uma paixão pelos
is a unique combination of three fundamental mesmos assuntos e podem contribuir para novas
elements: a domain of knowledge, which de- aprendizagens. Procura-se definir o domínio e
fines a set of issues; a community of people who reconhece-se que a formação de uma rede de
care about this domain; and the shared practice partilha de conhecimento traz mais-valias para
that they are developing to be effective in their os seus membros (WENGER et al., 2002).
domain.” (WENGER et al., 2002, p. 27). As À medida que os membros vão construindo
CoP podem potenciar o DPP, pois diminuem o relações, confiança e consciência dos seus inte-
isolamento e fomentam a capacidade crítica resses e necessidades comuns, a CoP evolui
(THOMAS et al., 1998), permitem a aprendiza- para a fase coalescente. Os membros desco-
gem da teoria e da prática (BARAB et al., brem o valor da partilha de conhecimento acer-
2002), oferecem experiências inovadoras e teo- ca do domínio e da discussão genuína de pro-
ricamente actualizadas (FUSCO et al., 2000) e

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blemas da prática. Estabelecem que conheci- desenvolvimento do projecto IPEC. Este tradu-
mento deve ser partilhado e como tal deve ocor- ziu-se na constituição e manutenção de uma
rer. Assim, os membros partilham dicas e comunidade, em actividade de Maio de 2006 a
conhecem profundamente a prática individual Setembro de 2008, envolvendo trabalho colabo-
uns dos outros (idem). rativo entre investigadores e professores de
ciências. Negociaram-se interesses e problemá-
Surge a necessidade de organizar, sistema-
ticas emergentes das práticas dos professores
tizar e detectar falhas no conhecimento da CoP.
com o intuito de formar quatro grupos de traba-
Criam-se de padrões de boas práticas e identifi-
lho (G1, G2, G3 e G4). Estes conceberam,
cam-se temáticas de ponta. Trata-se do progres-
implementaram e avaliaram módulos curricula-
so para a fase de maturação, havendo novas
res de temas relativos à Sustentabilidade, inte-
exigências, em termos de tempo e empenha-
ragindo a distância com recurso a tecnologias
mento. A produção de valor intelectual atrai
de comunicação online e presencialmente.
novos membros, conduz à descoberta de novos
interesses e necessidades e possibilita a forma- O G2 era constituído por 5 professoras (4
ção de novas relações. Estas mudanças origi- de biologia e geologia e 1 de física e química) e
nam ciclos de alta e baixa energia (idem). por 3 investigadores em EC (2 masculinos e 1
feminino). As professoras possuíam vários anos
Na fase de hospedagem, desenvolve-se
de experiência lectiva (entre 11 e mais de 21
um sentimento de orgulho no trabalho realiza-
anos), tinham formação pós-graduada e usavam
do, que origina um forte sentimento de posse.
frequentemente as tecnologias da informação e
Porém, para manter a relevância, as CoP neces-
comunicação (TIC), principalmente, processa-
sitam de um influxo de novas ideias, perspecti-
dor de texto, browser de Internet e e-mail, mas
vas e relações. Surge então uma tensão entre a
nenhuma tinha experiência na utilização dessas
manutenção da posse do conhecimento desen-
tecnologias para comunicar a distância. Os
volvido e abertura a novas ideias (idem).
investigadores possuíam formação doutoral e
As CoP podem ainda atravessar a fase de mais de 20 anos de experiência. Dois utilizavam
transformação. O avanço para esta fase pode o mesmo tipo de ferramentas TIC que as pro-
ser despoletado por um evento dramático, tal fessoras e um era um perito em tecnologia edu-
como um fluxo súbito de novos membros, que cacional, utilizando as TIC frequentemente com
sentem menor posse dos tópicos da CoP, ou por vários objectivos, incluindo o ensino.
uma queda no nível de energia, originada pelo
No início do projecto os docentes foram
desinteresse dos seus membros. A transforma-
entrevistados e quase todos indiciaram um ensi-
ção pode conduzir ao retorno a uma etapa ante-
no centrado em conteúdos e baseado no profes-
rior, à conversão num grupo social (manutenção
sor. Classificaram as suas actividades de ensino
das relações pessoais, acompanhada da perda
como expositivas, principalmente devido a
do sentido de hospedagem de conhecimento), à
pressões de cumprimento do currículo nacional
divisão em comunidades, à fusão com outras ou
e limitações temporais. Contudo, alguns já
mesmo ao fim da CoP (idem).
recorriam a actividades de pesquisa, assim
como a trabalho de campo, e encorajavam apre-
METODOLOGIA, CONTEXTO DO ESTUDO E sentações de trabalhos dos alunos. A avaliação
CARACTERIZAÇÃO DO G2 DO IPEC era essencialemnte sumativa, através do teste
escrito tradicional.
O estudo desenvolvido é de natureza
qualitativa, descritiva, exploratória e do tipo
estudo de caso único (YIN, 2003), sendo o caso DINÂMICAS DE INTERACÇÃO DO G2
as dinâmicas de interacção no seio do G2 do Professores e investigadores colaboraram
projecto IPEC. Estas foram investigadas a partir no IPEC de Maio de 2006 a Setembro de 2008.
da análise das mensagens publicadas em fóruns Nos primeiros quatro meses negociaram inte-
da plataforma online de apoio ao projecto, ou resses para formar grupos de trabalho e nos
seja, através da observação directa (mediada últimos dois sintetisaram o seu trabalho para o
pela plataforma) não participante, bem como apresentar no seminário final, pelo que a análise
das estatísticas de utilização da plataforma. das dinâmicas do G2 excluiu esses períodos.
Como foi referido na introdução, o reco- Para facilitar a análise foi elaborado o Gráfico
nhecimento do distanciamento entre práticas e II, com base nas frequências totais de acesso e
investigação em educação, constituiu mote de publicação de mensagens em fóruns da plata-

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forma pelas docentes do G2, em cada mês do  Por fim, no 3.º período, elevou-se a partici-
período de Setembro de 2006 e Junho de 2008. pação, dada a implementação do módulo
pelas restantes professoras do G2 e a sua
Gráfico II – Frequência de acesso e de publicação avaliação. Verifica-se neste período, que
em fóruns pelas professoras do G2 antecede o final do projecto, os maiores
níveis de publicação em fóruns.
Pelo atrás exposto coloca-se a hipótese de
que a participação em comunidades online de
professores e investigadores poderá ser condi-
cionada pelos seguintes factores:
 Épocas de final de período lectivo serão
menos propícias à interacção, dado o
Meses de elevada interacção
aumento do volume de trabalho nas escolas
– “A época é má para ter tempo disponível,
pois o final do 1º período está aí.” (Fórum:
O Gráfico II evidencia que o G2 vivenciou Plano de trabalho do grupo 2; Data:
meses de maior e de menor participação, o que 2006/11/30; Autor: ProfD);
parece ser típico das CoP (WENGER et al.,  Ciclos de maior ou menor envolvimento
2002). Analisando estes picos de participação, dos investigadores – “esta semana resolvi
considerando o ano escolar, verificamos que: regressar ainda que devagarinho (…) pedia
 Durante o 1.º período do primeiro ano do que me fizessem um ponto de situação”
IPEC terá ocorrido uma grande exploração (Fórum: Grupo 2 no ano lectivo 2007/2008;
da plataforma, indiciada pela maior fre- Data: 2008/05/05; Autor: Inv2);
quência de acesso a mensagens.  Realização de reuniões presenciais – “nota-
 No 2.º período do mesmo ano houve pouca se uma crise acentuada de interacção. (…)
interacção, possivelmente devido às difi- propomos uma reunião presencial”
culdades do G2 em estabelecer um plano de (Fórum: Grupo 2 no ano lectivo 2007/2008;
trabalho com que todos se identificassem. Data: 2007/11/27; Autor: Inv1);
 O 3.º período (assim como o período de  Premência de cumprir prazos estabelecidos
interrupção lectiva da Páscoa) foi marcado na comunidade – “já está marcada oficial-
por elevada intensidade de participação, mente a visita dos alunos da minha escola à
dada a proximidade da época de implanta- Pedreira do Moínho! (…) antes dessa data
ção do módulo curricular por uma docente. há que trabalhar os documentos de prepa-
ração da saída de campo, etc” (Fórum:
 O final do ano lectivo foi marcado por uma Grupo 2 no ano lectivo 2007/2008; Data:
diminuição da participação em Junho de 2008/02/01; Autor: ProfD).
2007, seguida por uma maior participação
em Julho, altura em que o grupo iniciou a Contudo, esta hipótese é formulada com
reflexão e avaliação do trabalho desenvol- reservas, pois verificaram-se diferenças rele-
vido. Esta foi interrompida pelas férias dos vantes entre os dois anos de interacção do G2.
membros do G2, em Agosto. O G2 constituiu uma CoP (MARQUES,
 Durante o 1.º período do segundo ano hou- 2008) que vivenciou as fases potencial, coales-
ve uma maior participação, antes do encon- cente, de maturação e de hospedagem.
tro geral do IPEC sobre avaliação de com- A fase potencial caracteriza-se pela des-
petências. Contudo, o final deste período é coberta de um domínio comum por um grupo
marcado por um decréscimo da interacção. de pessoas, pelo que terá tido início com o pri-
 No 2.º período verifica-se uma maior inten- meiro encontro geral do IPEC, em Maio de
sidade de participação, para reformulação e 2006, antes da formação do G2. Após a época
adaptação do módulo curricular a uma nova de férias, o G2 começou a tentar definir o seu
implantação. Constata-se uma diminuição domínio: “Estamos a pensar [ProfB e ProfE]
antes da interrupção lectiva da Páscoa. que seria interessante trabalhar ao nível da
sustentabilidade no décimo ano.” (Fórum:
Criação dos grupos; Data: 2006/09/25; Autor:

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ProfB) e um plano de trabalho, que incluiu os com outros estudos, tal como o de Barab e
objectivos a alcançar; as competências didácti- colegas (2001) que indica que tópicos de dis-
cas a desenvolver; as áreas temáticas a aprofun- cussão muito amplos não incitam à participa-
dar; a calendarização; e a avaliação do trabalho ção. Nesta reunião seleccionaram-se os conteú-
do G2 (abrangendo estratégias, instrumentos e dos programáticos do módulo curricular
momentos de avaliação). (“Exploração sustentada de recursos geológi-
cos”), definiu-se a saída de campo como princi-
A especificação do plano de trabalho cons-
pal estratégia e foi seleccionado o seu contexto
tituiu um marco que potenciou a evolução do
de implementação: uma turma de 11º ano de
G2 para a fase subsequente. Assim, a fase coa-
escolaridade de Biologia e Geologia da ProfC.
lescente, terá iniciado em Outubro de 2006.
Assim, principalmente através de interacções
Durante esta fase os membros reconhecem
online, o G2 concebeu um módulo curricular
valor e benefício na CoP – “Gostaria bastante
centrado no trabalho de campo numa pedreira e
de aprender mais coisas neste campo [constru-
teve por base orientações da literatura, nomea-
ção de portfolios], por isso parece-me esta uma
damente no que respeita as Actividades Exterio-
boa oportunidade” (Fórum: Plano de trabalho
res à Sala de Aula - AESA (MARQUES, 2006)
do grupo 2; Data: 2007/01/21; Autor: ProfC);
e CTS (MEMBIELA, 1997).
partilharam algumas opiniões sobre estratégias
de ensino e experiências profissionais – “Estou Após a implementação do módulo, em
a pensar abordar esta temática com estratégias Maio de 2007, e mediante sugestão dos investi-
diferentes, dependendo do nível de escolaridade gadores, o G2 procurou definir a avaliação do
(…) gostaria de discutir com o grupo e com os mesmo (ao nível do processo de ensino e de
investigadores outras ideias” (Fórum: Plano de algumas aprendizagens dos alunos): “Como
trabalho do grupo 2; Data: 2006/11/16; Autor: podemos verificar se os alunos adquiriram ou
ProfA); e procuram esclarecer alguns conceitos não as competências?” (Fórum: Plano de traba-
chave – “objectivos e competências (…) os dois lho do grupo 2; Data: 2007/05/20; Autor: Pro-
conceitos aparecem associados, sem que no fA). A avaliação foi realizada através de um
entanto se esclareça o significado dos mesmos questionário aplicado aos alunos.
e que relação existe entre ambos.” (Fórum:
No final desse ano lectivo, o G2 iniciou
Plano de trabalho do grupo 2; Data:
um processo de reflexão sobre o seu trabalho no
2006/11/27; Autor: ProfD).
IPEC: “tendo em vista, a avaliação do trabalho
Os membros do G2 descobriram diferentes desenvolvido pelo grupo, deixo como sugestão
formas de participação. Os investigadores que se faça uma troca e discussão de opiniões
assumiram um papel de orientação do trabalho, sobre o trabalho desenvolvido até agora.”
procurando focar a atenção em aspectos consi- (Fórum: Plano de trabalho do grupo 2; Data:
derados relevantes, indicando bibliografia 2007/06/26; Autor: Inv2). O G2 reconheceu que
potencialmente útil, propondo reuniões presen- sentiu dificuldades na definição dos objectivos
ciais, contactando potenciais colaboradores, educacionais e das competências a desenvolver
etc.: “Depois de uma leitura das várias inter- pelos alunos e, por consequência, com a sua
venções deixo aqui algumas notas: (…)” avaliação. Surgem, portanto, indícios caracterís-
(Fórum: Plano de trabalho do grupo 2 Data: ticos da fase de maturação de uma CoP, a
2006/11/28 Autor: Inv1). As docentes assumi- saber, a análise do trabalho desenvolvido, com
ram responsabilidades no desenvolvimento do vista à identificação de lacunas e à sua reformu-
plano de trabalho do grupo, na realização de lação. Esta análise permitiu definir o futuro da
leituras de sustentação científica, de redacção comunidade, nomeadamente, a realização de
do documento de planificação e dos materiais um seminário sobre avaliação de competências.
de apoio: “Estou a tentar contribuir para o
A participação após esse encontro, realiza-
guião que a ProfE e a ProfA estão a fazer”
do a 12 de Outubro, foi incipiente, reforçando a
(Fórum: Plano de trabalho do grupo 2 Data:
ideia de que as formações pontuais são insufi-
2007/04/11 Autor: ProfB).
cientes: “Creio que ainda subsistem algumas
As sessões de trabalho presenciais estimu- ideias menos claras nas nossas cabeças, pese
laram a interacção no G2. É o caso da reunião as 2ªs jornadas em Lisboa - uma coisa é falar,
de 10 de Fevereiro de 2007, durante uma época outra é tentar pôr no papel aquilo que se pen-
de baixa interacção online, atribuída, pelas sava ter entendido.” (Fórum: Grupo 2 no ano
docentes, à falta de clareza nos objectivos do lectivo 2007/2008; Data: 2008/01/13 22H55m;
trabalho a desenvolver. Tal facto é coerente Autor: ProfD). Desta forma, o G2 reuniu de

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I Encontro Internacional TIC e Educação

novo a 7 de Dezembro, tendo decidido efectuar presencial em detrimento do trabalho em


uma reflexão sobre o módulo temático, para o ambiente online, apesar deste permitir ultrapas-
adaptar aos novos contextos de implementação; sar barreiras geográficas e temporais.
rever o documento de planificação, para o
melhorar e completar, permitindo a sua divul-
CONCLUSÕES
gação fora do IPEC; e cumprir a calendarização
das tarefas.Nesta reunião, as docentes do G2 A análise das mensagens online dos mem-
indicaram ainda alguns obstáculos à sua inte- bros do G2 evidenciou que esta CoP vivenciou
racção, a saber, o excesso de trabalho na escola, a fase potencial até Outubro de 2006, a fase
que se reflecte na falta de tempo para intervir e coalescente de Outubro de 2006 a Julho de
reflectir; a falta de participação dos outros ele- 2007, a fase de maturação de Julho de 2007 a
mentos, que causa desmotivação; a falta de Maio de 2008 e a fase de hospedagem em Maio
confiança para intervir nos fóruns de discussão. e Junho de 2008. A evolução de uma fase para a
fase subsequente ocorreu de forma gradual.
Num trabalho prévio, verificou-se que o
G2 realizou práticas de desenvolvimento curri- A análise das dinâmicas de interacção do
cular inovadoras, que foram adoptadas por pro- G2 do IPEC permitiu elaborar as seguintes
fessores das escolas em que leccionavam as recomendações no âmbito do trabalho docente
docentes (MARQUES et al., s.d). Porém, o em CoP online e seus contributos para o DPP:
envolvimento de professores externos ao IPEC
 Negociar e definir com clareza os objecti-
não se restringiu apenas à implementação, pois
vos da CoP, as tarefas a realizar e sua
as mensagens nos fóruns evidenciam que houve
calendarização;
ainda colaboração na adaptação dos materiais a
novos contextos: “As minhas Colegas mostra-  Privilegiar a realização de tarefas intima-
ram-se muito receptivas e disponíveis para mente relacionadas com o trabalho que os
também elas implementarem (…) vamos proce- docentes realizam no momento nas suas
der a uma primeira saída de campo para ver se escolas, de forma a aumentar o sentimento
a Pedreira que pretendemos visitar reúne as de pertinência da sua participação na CoP;
condições necessárias para a implementação”  Evitar que os prazos de conclusão de tarefas
(Fórum: Grupo 2 no ano lectivo 2007/2008; da CoP coincidam com os finais dos perío-
Data: 2008/01/18; Autor: ProfA). dos lectivos, que são épocas de maior
O G2 divulgou o seu trabalho, não só pelos envolvimento dos docentes na escola;
docentes das escolas onde leccionavam, mas  Manter a participação activa dos investiga-
sobretudo através de apresentações e publica- dores, através de solicitações, partilha de
ções de artigos em actas de congressos e outros experiências, etc., de forma a evitar a des-
encontros científicos: “A comunicação do Gru- motivação dos docentes;
po 2 do IPEC foi aceite para apresentação de
uma comunicação no XV Simposio do Ensino  Organizar encontros presenciais, quando a
da Geología (AEPECT), que irá decorrer entre participação atingir níveis baixos, e manter
8 e 12 de Julho de 2008 em Guadalajara” discussão realcionada com as temáticas dis-
(Grupo 2 no ano lectivo 2007/2008; Data: cutidas nos mesmos após a sua realização;
2008/05/05; Autor: ProfA). Esta divulgação do  Valorizar as constribuições dos docentes,
trabalho desenvolvido parece indiciar a evolu- de modo a aumentar a sua confiança na sua
ção para a fase de hospedagem, já que a divul- capacidade de participação;
gação não poderia ocorrer se não houvesse um
sentimento de posse e de orgulho no trabalho  Propor a divulgação do trabalho realizado
desenvolvido. no exterior da CoP, fomentando o reconhe-
cimento externo e a confiança dos docentes
.Destaca-se que, na opinião dos autores, a no seu trabalho.
discussão das ideias relativas ao desenvolvi-
mento curricular ocorreu principalmente em
sessões presenciais, tendo sido a operacionali- REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
zação realizada maioritariamente online. Daqui AUBUSSON, P. (2002) An ecology of science
emerge que a tomada de decisão parece ter sido education. International Journal of Science
efectuada essencialmente em reuniões presen- Education, 24, 27-46.
ciais, ficando por compreender o que motivou
os participantes a preferir desenvolver trabalho

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professores de ciências. Dissertação de
Mestrado Não Publicada, Universidade de
Aveiro.

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I Encontro Internacional TIC e Educação

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