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XXIV Encontro Nac. de Eng. de Produção - Florianópolis, SC, Brasil, 03 a 05 de

XXIV Encontro Nac. de Eng. de Produção - Florianópolis, SC, Brasil, 03 a 05 de nov de 2004

Capital Intelectual: Porque e como medir este ativo intangível

Clarissa Gracioli (UFSM) clarissagracioli@hotmail.com Paulo Sergio Ceretta (UFSM) ceretta@smail.ufsm.br

Resumo

Atualmente, muitas empresas resistem em considerar apenas os ativos tangíveis como os únicos fatores de produção importantes na análise dos sistemas contábeis, porém a literatura especializada não deixa duvidas, empresas que almejem sucesso devem buscar mais informações sobre os seus ativos intangíveis. Neste contexto, o presente artigo tem por objetivo destacar os principais métodos existentes na literatura atual de mensurar o capital intelectual e ainda evidenciar as suas vantagens para as empresas. A pesquisa se caracteriza por ser do tipo exploratória. Inicialmente, após esta breve introdução, serão apresentadas algumas definições do capital intelectual, em seguida será explicitada a vantagem da avaliação do capital intelectual sob o ponto de vista de alguns autores especializados no tema e, na seqüência são apresentados os principais modelos de estimação do capital intelectual. Palavras chave: Capital Intelectual, Modelos, Conhecimento.

1. Introdução

Verifica-se que, nas últimas décadas, vieram ocorrendo mudanças significativas, como o rápido processo de globalização, que por um lado fez com que as economias por todo o mundo passassem a manter interdependência global, mas por outro, aumentou ainda mais o nível de concorrência mundial; a informatização, a conscientização do real valor do saber humano e o aumento da valorização dos ativos intangíveis por parte das organizações. Essas mudanças segundo Castells (2001) sugerem novas formas de percepção e interpretação da sociedade como um todo, pois novos valores, decorrentes dessas mudanças, impõem tais condições.

Esse período de gradativas mudanças na economia mundial, vem sendo apontado por muitos estudiosos do assunto como um período de transição de uma Era Industrial para a Era do Conhecimento, em que o capital intelectual apresenta-se com um novo conceito de administração de empresas. Em relação a essa nova era, Crawford (1994) salienta que a informação e o conhecimento juntos substituem capitais físicos e financeiros da empresa e, conseqüentemente, tornam-se as novas fontes de riqueza ou ainda uma das maiores vantagens competitivas nos negócios.

Admitir o conhecimento como recurso econômico impõe novos paradigmas na forma de valorizar o ser humano e na forma de valorizar uma organização, pois gera benefícios intangíveis que alteram seu patrimônio. Desta forma, a gestão do conhecimento afeta, sobre maneira, o valor das organizações, pois estas competem crescentemente com base em seus ativos intelectuais. Em um ambiente em que inovações são duplicadas rapidamente pelos concorrentes, Klein (1998) ressalta que é o capital intelectual das empresas, isto é, seu conhecimento, experiência, especialização e diversos ativos intangíveis, ao invés de seu capital tangível físico e financeiro, que cada vez mais determina suas posições competitivas.

Com relação à contabilidade empresarial, os autores Edvinsson e Malone (1998) afirmam que, o modelo tradicional de contabilidade não tem conseguido acompanhar a evolução que esta ocorrendo no mundo dos negócios e, além disso, os demonstrativos financeiros das grandes

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empresas estão de mostrando cada vez mais estáticos e obsoletos para acompanhar a organização moderna, já que não retratam o real valor de uma empresa. Entende-se que a contabilidade, para atingir eficazmente seu objetivo, de considerar tais mudanças.

No desenvolvimento deste artigo, foi utilizada uma pesquisa exploratória, que segundo Gil (1997), consiste na descoberta de idéias, de forma flexível possibilitando a consideração dos mais variados aspectos relativos ao estudo a fim de realizar uma avaliação comparativa dos modelos de estimação do capital intelectual. Ainda, segundo Gil (1997) a pesquisa bibliográfica é um tipo de pesquisa exploratória desenvolvida a partir de material já elaborado, como livros e artigos científicos. Neste caso, para a realização do artigo, foi realizada uma pesquisa bibliográfica em publicações periódicas, como jornais e, também, por meio de livros, já que este tipo de pesquisa exige uma ampla cobertura de informações.

O presente artigo busca destacar os principais métodos existentes na literatura atual de

mensurar o capital intelectual e ainda evidenciar as suas vantagens para as empresas. Após esta breve introdução, serão apresentadas algumas definições do capital intelectual, em seguida será explicitada a vantagem da avaliação do capital intelectual sob o ponto de vista de alguns autores especializados no tema, na seqüência são apresentados os modelos de

estimação do capital intelectual e, por fim, são apresentadas as considerações finais.

2. Definições de Capital Intelectual

No momento presente, os conceitos de Capital Intelectual diferem em alguns aspectos, mas na essência, apresentam o mesmo conteúdo. Portanto, avaliar e mensurar o capital intelectual tem sido alvo de diversos autores. Para Stewart (1998), o capital intelectual é a soma do conhecimento de todos numa empresa, o que lhe proporciona vantagem competitiva. Constitui o conhecimento, a informação e a experiência que pode ser utilizada para gerar riqueza. Segundo o autor, o capital intelectual pode ser encontrado em três lugares: nas pessoas, nas estruturas e nos clientes.

O capital humano é a capacidade necessária para que os indivíduos ofereçam soluções aos

clientes. No entanto, para compartilhar, transmitir e alavancar o conhecimento é necessário de ativos estruturais como laboratórios, sistemas de informações, conhecimento dos canais de

distribuição que transformam o saber individual em beneficio de toda a empresa, ou seja, em capital estrutural. Já o capital de clientes é o valor dos relacionamentos de uma entidade com

as pessoas com as quais realiza operações.

Para Low e Kalafut (2003) o capital intelectual refere-se ao valor das idéias da empresa, pois

os principais ativos das empresas não são mais os recursos naturais, máquinas ou mesmo

capital financeiro, e sim, os intangíveis, como pesquisa e desenvolvimento e técnicas confidenciais, propriedade intelectual, habilidade da força de trabalho, redes de fornecimento e marcas de classe mundial.

Os autores Edvinsson e Malone (1998) dividem o capital intelectual em três grupos, a saber:

capital humano, capital estrutural e capital de cliente. O capital humano é composto pelo conhecimento, expertise, poder de inovação e habilidade dos empregados mais os valores, a cultura e a filosofia da empresa. O capital estrutural é formado pelos equipamentos de informática, softwares, banco de dados, marcas registradas, relacionamento com os clientes e tudo o mais da capacidade organizacional que apóia a produtividade dos empregados. E o capital de clientes envolve o relacionamento com clientes e tudo o mais que agregue valor para os clientes da organização.

Sveiby (1998) ressalta que a peça chave da gerência é transformar capital humano em capital estrutural, pois o capital humano não se pode possuir e o capital estrutural é propriedade da

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empresa. Segundo o autor a propriedade intelectual do lado dos ativos é possível graças ao capital intelectual, isto é, a parte que sai todos os dias da empresa após o expediente.

Verifica-se que são várias as definições a respeito do conceito de capital intelectual e que não há divergências em relação aos elementos que formam o capital intelectual, segundo os autores citados, apenas utilizam maneiras diferentes quando se referem ao conceito de Capital Intelectual, alguns o tratam como recursos ou capital, se vistos pela Economia, e ativos ou bens e direitos, se vistos pela Contabilidade.

Logo, admite-se o Capital Intelectual, como o conjunto de valores ocultos que agregam valor

às entidade, permitindo sua continuidade. Levando em conta tais conceitos, pode-se dizer que

o Capital Intelectual é conjunto de valores, seja de capital, um ativo ou um recurso, que ambos se acham ocultos e todos tendem a agregar valores reais a organização.

3. Vantagens da Mensuração do Capital Intelectual

Num mercado cada vez mais competitivo, o sucesso nos negócios, nos anos 90, depende basicamente da qualidade do conhecimento que cada organização aplica nos seus processos coorporativos/empresariais. Nesse contexto, o desafio de se utilizar do conhecimento residente na empresa, com o objetivo de criar vantagens competitivas, torna-se mais crucial.

Em relação às vantagens na mensuração do capital intelectual, Martin (2004) aponta as vantagens da mensuração do capital intelectual, entre elas destaca-se: aumento no potencial informativo da Contabilidade; redimensionamento patrimonial da entidade (clareza e adequação); canalização correta dos recursos para investimentos em capital humano e capital estrutural; facilitar a escolha do investidor; determinar de que maneira uma melhor gestão do conhecimento ajudará à empresa a ganhar ou a economizar dinheiro e ainda, evitar danos e injustiças que uma avaliação patrimonial incorreta traz, gerando lucros ou prejuízos indevidos.

Marr, Gray e Neely (2003) também identificam as razões pelas quais as organizações estão buscando mensurar o seu capital intelectual, entre elas, a avaliação do capital intelectual permite as empresas a formularem suas estratégias, pois a mensuração do capital intelectual ajuda a organização identificar suas competências corporativas e os melhores recursos para aproveitar as oportunidades; a avaliação dos indicadores de performance do capital intelectual contribuem para as empresas avaliarem suas estratégias, ao mesmo tempo em que as executam; os indicadores do capital intelectual ajudam as organizações nas decisões de desenvolver, diversificar e expandir seus recursos, como no caso de alianças estratégicas, aquisições; possibilita o uso de medidas financeiras juntamente com as medidas não financeiras e permite a comunicação aos acionistas sobre os maiores concorrentes, crescimento do mercado, volatilidade e perigos inerentes nas avaliações incorretas das empresas e aumento do custo de capital.

Assim sendo, pode-se concluir que as informações contidas em um relatório de capital intelectual, obtidas por meio de métodos de mensuração são relevantes para a organização, bem como para os seus acionistas, pois o capital intelectual permite a identificação dos componentes fundamentais e valiosos que contribuem no desenvolvimento potencial da organização.

4. Mensurando o Capital Intelectual

Para que as empresas possam gerir eficazmente o capital intelectual da empresa e maximizar

o seu potencial de criação de valor torna-se fundamental, não somente sua identificação e avaliação, mas também sua mensuração, que pode ser realizada por uma parcela de valor

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gerada pelo capital intelectual dentro da empresa, ou ainda, por meio das relações entre variáveis da empresa que conduzam a uma determinada quantia de capital intelectual.

Objetivamente, Kaplan e Norton (1997) afirmam que o que não pode ser medido, não pode ser gerenciado, mostrando a relevância de se identificar e mensurar os ativos intangíveis. Se não for avaliado, mensurado, através de indicadores um elemento, não será possível a identificação adequada de sua presença e nem será possível controlar sua evolução. A seguir, são apresentados os principais métodos encontrados na literatura para a mensuração do capital intelectual de uma empresa.

Navegador da Skandia

O primeiro modelo de evidenciação e mensuração do Capital Intelectual foi elaborado pelo grupo Skandia. De acordo com Edvinsson e Malone (1998), o navegador Skandia foi desenvolvido, na Skandia, uma companhia de Seguros e Serviços financeiros na Escandinávia, em 1991, por Edvinsson e uma equipe de especialistas contábeis e financeiros quando começaram a desenvolver, para a divisão de seguros e serviços financeiros da Skandia, a primeira estrutura organizacional a ser criada para apresentar capital intelectual e que se sustenta nos valores de sucesso que devem ser maximizados e incorporados à estratégia organizacional e, que estão focados em cinco áreas distintas, como pode ser vista na Figura 1, foco financeiro, foco de clientes, foco de processo, foco de renovação e desenvolvimento e foco humano.

Foco Financeiro Foco no Foco no Foco Cliente Humano Processo Ambiente Operacional
Foco Financeiro
Foco no
Foco no
Foco
Cliente
Humano
Processo
Ambiente Operacional

Fonte: Edvinsson e Malone (1998).

Figura 1: Navegador da Skandia

Bontis (2001) afirma que o modelo já incorpora cerca de 91 indicadores relacionados ao capital e 73 indicadores relacionados ao desempenho financeiro. A partir da análise destes indicadores pertencentes a cada área focada no modelo, as empresas podem analisar tanto o desempenho financeiro da empresa quanto seu desempenho nas áreas não financeiras, ou seja, nos componentes do capital intelectual. Esta analise possibilita que o administrador tome decisões que maximizem o resultado financeiro da empresa.

Monitor de Ativos Intangíveis

Sveiby (1998), considerado um dos pais do movimento do capital humano, desenvolveu um monitor de ativos intangíveis para a Celemi, uma empresa sueca de consultoria. A proposta do modelo, segundo Sveiby (1998) é a estruturação de um painel onde são apresentados indicadores relacionados com os ativos intangíveis da empresa. Para Sveiby (1998), o valor de mercado total de uma empresa consiste em seu valor contábil mais os três grupo de ativos intangíveis. Conforme o autor, os ativos intangíveis são categorizados, como estrutura externa

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(marcas, cliente e distribuidores), estrutura interna (organização: administração, estrutura legal, sistemas manuais, atitudes, software) e competência individual (educação, experiência).

O monitor de ativos intangíveis, segundo Sveiby (1998), consiste num documento que faz a

reportagem de várias medidas financeiras e não financeiras da empresa. Essas medidas relacionam a habilidade de uma empresa em relação ao crescimento, a eficiência e a estabilidade aplicadas as três formas de ativos intangíveis da empresa: competência, estrutura interna e estrutura externa, Figura 2.

 

Avaliação da

   

Indicadores

competência

Estrutura Interna

Estrutura Externa

Crescimento/

-tempo de profissão -nível de escolaridade

-investimento na estrutura interna -investimento em sistemas de informações -contribuição dos clientes

-lucratividade por cliente

Renovação

Eficiência

-proporção de profissionais -efeito alavancagem -valor agregado por profissional

-proporção do pessoal de suporte -vendas por funcionário de suporte

-índice de clientes satisfeitos -vendas por cliente

Estabilidade

-média etária -tempo de serviço -rotatividade

-idade da organização -rotatividade de suporte -taxa de novatos

-proporção de clientes -estrutura etária dos clientes -repetição de pedidos

Fonte: Sveiby (1998).

Figura 2: Ativos Intangíveis.

Assim, conforme Sveiby (1998), o objetivo de medir os indicadores de crescimento, eficiência

e de estabilidade é proporcionar um maior controle à administração. Neste contexto, por

exemplo, na análise da estrutura externa deve-se identificar que resultados serão interessantes em uma apresentação externa, isto é, as empresas precisam se descrever com tanta precisão

quanto possível, de forma que estes agentes externos, como clientes, concorrentes e parceiros, possam avaliar a qualidade de sua administração.

Balanced Scorecard

Os estudos sobre o Balanced Scorecard tiveram seu início em 1990, com os estudiosos Kaplan e Norton, e foram motivados diante do reconhecimento da insuficiência dos indicadores contábeis e financeiros para avaliar o desempenho empresarial. Isso decorre, principalmente, devido a não inclusão dos ativos intangíveis e intelectuais corporativos no tradicional modelo de contabilidade financeira.

De acordo com Kaplan e Norton (1997), o Balanced Scorecard (BSC) objetiva a implantação

de novos sistemas de medidas de desempenho aliados às estratégias organizacionais. Estas no

contexto atual de elevada competitividade, recursos escassos e exigências crescentes por parte

dos clientes, tornam-se imprescindíveis para a sobrevivência e crescimento empresarial.

A metodologia proposta pelo BSC vem a auxiliar uma gestão estratégica à medida que busca

facilitar a compreensão da missão e das estratégias organizacionais e a construção de uma sistema de medição integrado com a estratégia. O desempenho organizacional, na visão do

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scorecard, é avaliado sob quatro perspectivas equilibradas: financeira, do cliente, dos processos internos da empresa, do aprendizado e crescimento (Figura 3).

Clientes O que fazer para atender os clientes?

Financeira O que fazer para atender os acionistas? Visão e Estratégia Aprendendo e Crescendo Como
Financeira
O que fazer para atender
os acionistas?
Visão e
Estratégia
Aprendendo e Crescendo
Como continuar
crescendo e aprimorando
processos?

Processos Internos Quais os processos de negócios que devem ser melhorados?

Fonte: Kaplan e Norton (1997).

Figura 3: Perspectivas do Balanced Scorecard

Technology Broker

Brooking (1996) desenvolveu o modelo de capital intelectual centrado na auditoria do capital intelectual. De acordo com Brooking (1996), o capital intelectual se divide em quatro categorias ativos de mercado, ativos humanos, ativos de propriedade intelectual e os ativos de infra-estrutura (Figura 4). Os ativo de mercado, se referem ao potencial que a empresa possui em decorrência dos intangíveis que estão relacionados com o mercado, como marcas, lealdade de clientes, canais de distribuição, franquias, entre outros. Ativos humanos compreendem os benefícios que os indivíduos podem proporcionar a organização, como criatividade, conhecimento, habilidade para resolver problemas, vistos de forma coletiva e dinâmica.

Capital Intelectual Ativos de Mercado Ativos Humanos Ativos de Propriedade Intelectual Ativos de Infraestrutura
Capital Intelectual
Ativos de Mercado
Ativos Humanos
Ativos de Propriedade
Intelectual
Ativos de
Infraestrutura

Fonte: Van de Berg (2003).

Figura 4: Componentes do capital intelectual

Os ativos de propriedade intelectual são aqueles que necessitam de proteção legal para proporcionar benefícios futuros para a organização, como Know-how, segredos industriais, copyright, patentes, design, etc. E os ativos de infraestrutura compreendem as tecnologias, as metodologias e processos empregados, como a cultura, sistema de informação, métodos gerenciais, banco de dados de clientes, etc.

O modelo de avaliação do capital intelectual, de Annie Brooking, de acordo com Van de Berg

(2003), funciona como um diagnóstico, incitando os gerentes a desenvolver indicadores de capital intelectual em forma de pesquisa. A metodologia para a avaliação do capital intelectual identifica e mede atributos de uma empresa que não aparece nas demonstrações contábeis.

Valor Econômico Agregado e Valor de Mercado Agregado

O Valor Econômico Agregado (EVA), segundo Bontis (2001) é um modelo de avaliação da

empresa baseado no lucro econômico. Sendo assim, o EVA é igual ao lucro operacional após o pagamento de impostos menos os custos de capital (Figura 5).

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NOPAT Lucro EVA operacional Lucro líquido efetivo depois dos Custo de impostos capital Fonte: Adaptado
NOPAT
Lucro
EVA
operacional
Lucro
líquido
efetivo
depois dos
Custo de
impostos
capital
Fonte: Adaptado de Bastos (1999).

Figura 5: Geração de valor econômico.

Valor criado para o acionista

Capital total vezes o seu custo

Observa-se na figura de Bastos (1999) que o EVA representa o lucro residual, como já foi comentado, isto é, a quantia que sobra depois do pagamento dos impostos e depois de descontada a parcela correspondente ao custo de capital. Desta forma, calcula-se o valor presente dos EVA projetados e adiciona o capital inicial empregado, determinando-se assim, o valor da empresa. Assim, ao somar o valor presente dos EVA projetados para os períodos futuros da empresa, obtém-se o MVA (Market Value Added). Assim, uma empresa capaz de gerar EVA futuros positivos provavelmente verá o seu MVA aumentar, enquanto que uma empresa que possua o EVA negativo verá o seu MVA diminuir.

Assim, de acordo com Van de Berg (2003), o Valor de Mercado Agregado (MVA) corresponde a diferença entre o valor de mercado da empresa e o capital investido subtraído os passivos exigíveis, representa o seu patrimônio líquido. O MVA busca indicar qual é a percepção do mercado com relação ao desempenho da empresa, e, portanto com relação ao valor de suas ações (Figura 6).

MVA Valor Valor de para o Mercado acionista Capital investido Fonte: Adaptado de Bastos (1999).
MVA
Valor
Valor de
para o
Mercado
acionista
Capital
investido
Fonte: Adaptado de Bastos (1999).

Valor adicionado para o acionista

Investimento do

acionista

Figura 6: valor adicionado pelo mercado (MVA).

Pode-se observar que o MVA corresponde à parcela de valor paga pelo mercado além do capital investido na empresa. Conforme Rodgers (2003), a principal dificuldade em aplicar estas medidas como ferramentas de auxílio à gestão está em saber com exatidão a quantia de capital investido, bem como encontrar medidas para calcular índices onde muitos dos ativos são intangíveis, tais como nomes de marcas. Haverá sempre a necessidade de se fazer estimativas aleatórias sobre o valor ou então recorrer à contabilidade tradicional para fornecê- lo.

Considerações Finais

Com a realização desse estudo, foi possível analisar os modelos que permitem avaliar o capital intelectual e verificar, conseqüentemente, que o Capital Intelectual esta diretamente ligado aos ativos físicos de uma empresa. Logo, tais ativos são intangíveis e a empresa somente alcançara seus objetivos e aumentara sua riqueza com a presença de pessoas capacitadas, as quais dão vida aos ativos tangíveis.

Pode-se verificar que, os ativos intelectuais tornaram-se os elementos mais importantes no mundo dos negócios. Cada vez mais as empresas falam do conhecimento como o principal

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ativo das organizações e como a chave da vantagem competitiva. Essa competitividade das organizações passou a ser determinada pelo capital intelectual.

A partir dos modelos de estimação do capital intelectual, pode-se perceber que muitas

empresas já estão mensurando a verdadeira importância dos seus recursos intelectuais, vitais e

de grande relevância para a contabilidade, pois minimizam a quantidade de intangíveis não

identificados, constituindo assim, modelos complementares as decisões referentes aos seus sistemas financeiros.

Por fim, a partir deste artigo, pode-se afirmar que, através de pesquisas de diversos estudiosos sobre o capital intelectual e sua mensuração, está se criando uma enorme contribuição para que muitas organizações descubram quais são os seus verdadeiros recursos e, conseqüentemente, qual o seu valor fundamental e, também, de como utilizá-los de maneira que agreguem algum valor. Além disso, pode-se esperar que a partir deste estudo, sobre o capital intelectual e seus modelos de estimação, desperte o interesse nas empresas que ainda

se baseiam apenas em dados financeiros e incluam em suas análises alguns destes modelos de avaliação do capital intelectual, procurando contribuir para um melhor entendimento de modelos e métodos que possibilitem as empresas avaliar seus ativos intelectuais.

Referências

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