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ANÁLISE TARIFÁRIA E OTIMIZAÇÃO DO FATOR DE POTÊNCIA:

ESTUDO DE CASO EM INDÚSTRIA DE EMBALAGENS PLÁSTICAS

Rafael Nishimura, Saulo Gomes Moreira, Wellington Rocha Araújo, Amâncio R. da


Silva Júnior, Gervásio S. Lara, João César Okumoto, Paulo Irineu Koltermann
Departamento de Engenharia Elétrica
Universidade Federal de Mato Grosso do Sul – UFMS
Campus Universitário, Caixa Postal 549, CEP 79.070-900 – Campo Grande-MS
gerenciamento@gmail.com

Abstract: This work aims to present an evaluation for electrical energy costs reduction
possibilities in a plastic package factory located in Dourados, MS. The tariffs analysis and
the power factor optimization study had allowed to conclude that the economically more
advantageous option is to remain in the “horo-sazonal” tariff framing with green tariff
application, extra energy in “rush time” utilization, 520 kW demand contract and the
installation of a 35 kvar capacitors bank with programmable timer. Copyright © 2007
CBEE/ABEE

Keywords: Tariff Costs, Power Factor, Extra Energy, Exceeded Demand.

Resumo: Este trabalho tem por objetivo apresentar uma avaliação das possibilidades de
redução de gastos com energia elétrica em uma indústria de embalagens plásticas, situada
no município de Dourados, MS. A análise tarifária e o estudo de otimização do fator de
potência permitiram concluir que a opção economicamente mais vantajosa é a
permanência no enquadramento tarifário horo-sazonal com aplicação da tarifa verde,
utilização de energia extra no horário de ponta, contratação de demanda de 520 kW e
instalação de um banco de capacitores de 35 kvar com timer programável.

Palavras Chaves: Tarifas de Energia Elétrica, Fator de Potência, Energia Extra,


Ultrapassagem de Demanda.

(tensão de fornecimento entre 2,3 kV e 34 kV). Foi


1 INTRODUÇÃO analisada a hipótese de mudança para o sistema
tarifário horo-sazonal com aplicação da tarifa azul.
A empresa na qual foi realizado este trabalho, atua na
indústria e comércio de embalagens plásticas na cidade Com a possibilidade da celebração de contrato de
de Dourados, MS. O faturamento de energia elétrica é fornecimento de energia extra com a concessionária no
representativa em seu balanço financeiro. Este fato horário de ponta aos consumidores horo-sazonais e que
justifica a elaboração de um estudo que vise menores estejam com os pagamentos das faturas de energia
gastos com energia elétrica. elétrica em dia, surgiu uma nova opção de utilização de
energia elétrica no horário de ponta. Essa energia é
A legislação atual permite a alguns consumidores disponibilizada a um custo por kWh menor do que em
escolher o enquadramento e valor de contrato de relação à tarifação normal para o horário de ponta. Foi
demanda que resultam em menor despesa com energia analisada a viabilidade econômica da utilização de
elétrica. A decisão, porém, só deve ser tomada após energia extra comparada ao uso do grupo gerador.
uma verificação do comportamento de consumo e
demanda nos segmentos horários (ponta e fora de Através de faturas de energia, constatou-se que, em
ponta) e sazonais (períodos seco e úmido) da unidade alguns meses, houve o faturamento de ultrapassagem de
consumidora. A empresa em questão está enquadrada demanda. A partir desta constatação, foi determinado
no sistema tarifário horo-sazonal verde, subgrupo A4 um valor de demanda contratual que evite o
faturamento de ultrapassagem de demanda e que resulte 2.1 Comparações tarifárias
em menores despesas.
A partir do históricos de consumo e de demanda da
Verificou-se também que as instalações da empresa empresa, foram realizadas simulações comparando as
apresentam, em determinados momentos, um valor de opções horo-sazonais verde e azul, onde considerou-se
fator de fator de potência inferior a 0,92, o que tem o uso de energia extra no horário de ponta. Devido ao
ocasionado a cobrança de consumo de energia reativa fato de sua demanda contratada ser superior a 300 kW,
excedente. A otimização do fator de potência tem por a empresa deve ser enquadrada compulsoriamente na
finalidade evitar o faturamento de energia reativa estrutura tarifária horo-sazonal, com aplicação da tarifa
excedente pela concessionária, liberar a capacidade dos verde ou azul, segundo a resolução nº 456 de 2000 da
transformadores da empresa e promover o uso racional ANEEL. Portanto, não será analisada a opção tarifária
da energia elétrica. Neste estudo foram comparadas as convencional. Nas comparações tarifárias, foram
opções de instalação de bancos de capacitores do tipo utilizados os valores das tarifas da resolução nº 74 de 6
fixo e com timer programável. Foram levados em de abril de 2005, do Ministério de Minas e Energia, já
consideração os custos iniciais de instalação destes acrescidos de ICMS.
bancos e a economia proporcionada pela instalação
destes ao longo de um período de 10 anos. 80.000
Comparações Tarifárias

70.000
60.000
2 ANÁLISE TARIFÁRIA 50.000

R$
40.000
Através das contas de energia dos meses de janeiro de 30.000

2004 a dezembro de 2004 e de registros de memória de 20.000


10.000
massa, é possível saber os consumos e as demandas 0
máximas do período nos horários de ponta e fora de

fev/04

nov/04
jan/04

mar/04

abr/04

mai/04

jun/04

jul/04

ago/04

set/04

out/04

dez/04
ponta. O consumo estimado médio da instalação fora do Mês
horário de ponta foi de 189.084 kWh, e no horário de Horosazonal Azul Horosazonal Verde

ponta foi de 266 kWh. A demanda máxima registrada Figura 3: Comparações tarifárias entre as opções horo-
foi de 566 kW no horário fora de ponta e de 570 kW no sazonais verde e azul.
horário de ponta. Conforme legislação em vigor, esta
empresa está enquadrada no sistema tarifário horo- Observa-se pelo gráfico da Fig. 3 que a opção horo-
sazonal verde, no subgrupo A4. As Figuras 1 e 2 sazonal verde é mais vantajosa economicamente. A
apresentam o histórico de consumo e de demanda da opção horo-sazonal azul apresenta um acréscimo
empresa no período analisado. mensal médio na conta de R$ 27.068,29 (Vinte e Sete
Mil e Sessenta e Oito Reais e Vinte e Nove Centavos)
Histórico de Consumo em relação à opção horo-sazonal verde, ou seja, um
250.000
aumento de 60%.
200.000

150.000 2.2 Ultrapassagem de demanda


kWh

100.000
O gráfico da Fig. 4 apresenta os valores das demandas
50.000 faturada e de ultrapassagem em função dos meses do
0 ano.
jun/04

jul/04
jan/04

nov/04
fev/04

out/04

dez/04
mar/04

abr/04

mai/04

ago/04

set/04

Mês Demanda Faturada e Ultrapassagem de Demanda

Energia Fora de Ponta Energia Extra Ponta 12.000,00


10.000,00
Figura 1: Histórico de consumo nos horários de ponta e fora 8.000,00
R$ 6.000,00
de ponta.
4.000,00
Demanda Medida 2.000,00
600 0,00
jun/04
jul/04
jan/04

nov/04
fev/04

out/04

dez/04
mar/04
abr/04
mai/04

ago/04
set/04

500

400 Mês
Demanda Faturada Ultrapassagem de Demanda
kW

300

200 Figura 4: Histórico de demandas faturadas e de ultrapassagens


de demanda.
100

0 Com base no histórico de demandas faturadas e de


ultrapassagens de demanda, foram feitas simulações
jun/04

jul/04
jan/04

nov/04
fev/04

out/04

dez/04
mar/04

abr/04

mai/04

ago/04

set/04

com valores de demandas contratadas variando de 480


Mês
kW a 570 kW.
Figura 2: Histórico de demanda.
Simulação de Contratação de Demanda Comparação: Gerador x Energia Extra x Energia na Ponta
10.000,00 35.000,00
30.000,00
8.000,00 25.000,00
20.000,00
6.000,00

R$
R$

15.000,00
4.000,00 10.000,00
5.000,00
2.000,00
0,00

jun/04

jul/04
jan/04

nov/04
fev/04

out/04

dez/04
mar/04

abr/04

mai/04

ago/04

set/04
0,00
480 490 500 510 520 530 540 550 560 570
Mês
Demanda Contratada (kW)
Gerador Energia Extra Energia Ponta
Demanda Faturada Ultrapassagem de Demanda

Figura 5: Simulação de contratação de demanda. Figura 6: Comparação entre utilização de grupo gerador,
energia extra da concessionária e energia faturada no horário
A contratação de uma demanda de 520 kW trará uma de ponta.
redução média nos custos de R$ 145,84 (Cento e Através do gráfico da Fig. 6, percebe-se que a
Quarenta e Cinco Reais e Oitenta e Quatro Centavos) utilização da energia extra proporciona os menores
por mês, o que equivale a R$ 1.750,08 (Hum Mil custos no horário de ponta.
Setecentos e Cinqüenta Reais e Oito Centavos) anuais.
No período analisado, a economia média mensal
Ressalta-se que a estimativa de contratação de demanda utilizando energia extra comparando-se à opção que
foi realizada baseados em dados do passado e é correta utiliza gerador é de R$ 3.005,80 (Três Mil e Cinco
para o funcionamento atual da empresa. Entretanto, Reais e Oitenta Centavos), o que representa uma
com a inclusão de novas cargas, será necessário fazer à economia anual de R$ 36.069,61 (Trinta e Seis Mil e
concessionária um pedido de aumento de demanda para Sessenta e Nove Reais e Sessenta e Um Centavos).
cada grande aquisição de novas cargas.
A economia média mensal utilizando energia extra em
2.3 Energia extra comparação com a opção que utiliza energia com
tarifação normal no horário de ponta é de R$ 18.541,59
A empresa não vem utilizando o grupo gerador no (Dezoito Mil Quinhentos e Quarenta e Um Reais e
horário de ponta pois possui um contrato de energia Cinqüenta e Nove Centavos), o que representa uma
extra com a concessionária. A energia extra é economia anual de R$ 222.449,09 (Duzentos e Vinte e
disponibilizada pela concessionária justamente para que Dois Reais Mil Quatrocentos e Quarenta e Nove Reais
o consumidor opte por utilizá-la no horário de ponta em e Nove Centavos).
detrimento do uso do gerador.
É recomendável a manutenção do contrato de utilização
O uso do grupo gerador no horário de ponta implica da energia extra enquanto a concessionária fornecer
num custo de R$ 0,45 por kWh gerado. Esse custo essa energia a um preço inferior a R$ 0,45/kWh.
refere-se ao consumo de combustível e às despesas com
manutenção periódica do gerador.
3 OTIMIZAÇÃO DO FATOR DE
Foi avaliada então a viabilidade econômica da POTÊNCIA
utilização da energia extra no horário de ponta. Para
fins de comparação, foram simuladas três situações A variação do fator de demanda provoca o acréscimo
para o horário de ponta: ou decréscimo no valor do fator de potência, pois
dependem de quais cargas estão operando
• Utilização da energia extra da concessionária; simultaneamente, se são as de alto ou baixo fator de
potência. As curvas do fator de potência levantadas
• Utilização do grupo gerador; através dos dados fornecidos pela empresa de
distribuição de energia local mostram, que em alguns
• Utilização da energia da concessionária com momentos, existe um fator de potência igual ou
aplicação da tarifa normal no horário de ponta. superior a 0,92, enquanto que em outros horários há a
ocorrência de valores inferiores a este. Observou-se que
em alguns períodos noturnos, os capacitores não foram
desligados, sendo cobrado o excesso de energia reativa
capacitiva.

3.1 Conseqüências financeiras do


baixo fator de potência da
empresa
O faturamento de energia reativa excedente (FER) é
realizado pela concessionária em conformidade com os
Artigos 64 a 69 da Resolução nº 456 da ANEEL, de 29 Levando-se em consideração a utilização de um banco
de Novembro de 2000. de capacitores fixo, o banco que proporciona menores
custos com o FER é o de 30 kvar. A economia média
A Fig. 7 apresenta o faturamento de consumo de mensal comparando-se com a situação atual seria de R$
energia reativa excedente da empresa, nos horários de 268,27 (Duzentos e Sessenta e Oito Reais e Vinte e
ponta e fora de ponta no período compreendido entre Sete Centavos).
agosto de 2003 a julho de 2004, utilizando as tarifas da
Resolução nº 74 de 6 de abril de 2005, do Ministério de Considerando-se a instalação de um banco de
Minas e Energia com ICMS. capacitores com timer programável, o banco que
conduziu a um menor valor de FER mensal médio é o
Faturamento de Energia Reativa de 55 kvar. A economia média mensal seria de R$
625,00
315,64 (Trezentos e Quinze Reais e Sessenta e Quatro
500,00 Centavos). Porém, apesar de conduzir para um menor
375,00 valor mensal de FER, conforme o gráfico da Fig. 9, o
R$

250,00 banco de 55 kvar não proporcionou a maior economia


líquida devido ao seu maior custo inicial. Nota-se que a
125,00
maior economia líquida em 10 anos foi obtida com a
0,00
instalação do banco de 35 kvar.
jun/04

jul/04
nov/03

jan/04
out/03

dez/03

fev/04
ago/03

set/03

mar/04

abr/04

mai/04

Mês Economia Líquida em 120 meses


40.000,00
FER - Ponta FER - Fora de Ponta
35.000,00
Figura 7: Histórico de faturamento de energia reativa 30.000,00
excedente.
R$
25.000,00

O faturamento de energia reativa excedente total no 20.000,00


período dos 12 meses analisados foi de R$ 3.963,57 15.000,00
(Três Mil Novecentos e Sessenta e Três Reais e 10.000,00
Cinquenta e Sete Centavos), o que representa uma 5 10 15 20 25 30 35 40 45 50 55

média mensal de R$ 330,30 (Trezentos e Trinta Reais e Bancos de Capacitores (kVAr)

Trinta Centavos). Fazendo-se uma projeção para 10 Fixo Programável

anos de operação, o custo em energia reativa excedente Figura 9: Economia líquida em 120 meses para diversos
(multa por baixo fator de potência) foi de bancos de capacitores.
aproximadamente R$ 40.000,00 (Quarenta Mil Reais).
O gráfico da Fig. 10 mostra a comparação entre os
tempos de retorno de do banco de capacitores fixo de
3.2 Simulações para a correção do 30 kvar e do banco de capacitores de 35 kvar com timer
fator de potência programável.
Pay-Back dos Bancos de Capacitores
Foram realizadas duas simulações para a correção do 40.000,00
fator de potência da empresa. A primeira utiliza um 35.000,00
banco de capacitores fixo, e a segunda utiliza um banco 30.000,00
de capacitores com timer programável, o que permite 25.000,00

desligá-lo durante o período em que é cobrado o baixo 20.000,00


R$

15.000,00
fator de potência capacitivo (23h30min às 5h30min do 10.000,00
dia seguinte). 5.000,00
0,00
O gráfico da Fig. 8 apresenta os valores do FER mensal -5.000,00 0 10 20 30 40 50 60 70 80 90 100 110 120
Meses
médio correspondentes aos bancos de capacitores com Fixo Programável
valores de 5 a 55 kvar.
Figura 10: Tempos de retorno de investimento do banco de
FER x Bancos de Capacitores capacitores fixo de 30 kvar e do banco de capacitores de 35
250,00 kvar com timer programável.
FER Mensal Médio (R$)

200,00 O retorno do investimento de um banco de capacitores


150,00 fixo de 30 kvar se completará em 5 (cinco) meses. Em
120 meses, a economia descontando-se o valor da
100,00
compra deste banco de capacitores será em torno de R$
50,00 31.000,00 (Trinta e Um Mil Reais).
0,00
5 10 15 20 25 30 35 40 45 50 55
O retorno do investimento de um banco de capacitores
Bancos de Capacitores (kVAr) de 35 kvar com timer programável se completará em 8
Fixo Programável (oito) meses. Em 10 anos, a economia líquida, será em
Figura 8: Comparativo de valores de FER utilizando diversos
torno de R$ 35.100,00 (Trinta e Cinco Mil e Cem
valores de bancos de capacitores fixos. Reais).
4 CONCLUSÕES
A opção tarifária horo-sazonal verde, permanece como
sendo a mais interessante economicamente para a
empresa. Uma mudança para a opção horo-sazonal azul
representaria um acréscimo mensal de 27.068,29 (Vinte
e Sete Mil e Sessenta e Oito Reais e Vinte e Nove
Centavos) em relação à situação atual.

A alteração do contrato de demanda dos atuais 500 kW


para 520 kW representará uma economia média mensal
de 145,85 (Cento e Quarenta e Cinco Reais e Oitenta e
Quatro Centavos), em comparação com o atual valor de
demanda contratada.

A economia média mensal proporcionada pela


utilização da energia extra na ponta é de R$ 3.005,80
(Três Mil e Cinco Reais e Oitenta Centavos) em relação
à utilização de gerador diesel na ponta e R$ 18.541,59
(Dezoito Mil Quinhentos e Quarenta e Um Reais e
Cinqüenta e Nove Centavos) em relação à utilização de
energia faturada no horário de ponta. É recomendável o
uso da energia extra na ponta enquanto a concessionária
fornecer essa energia no preço abaixo de R$ 0,45/kWh.

Para a correção do fator de potência da empresa, a


instalação de um banco de capacitores de 35 kvar com
timer programável apresentou-se como a mais
econômica ao longo de 10 anos, por proporcionar a
maior economia líquida durante este período.

5 REFERÊNCIAS
ANEEL. Resolução nº. 456, de 29 de novembro de
2000. D.O.U. 30/11/2000.

ANEEL. Resolução nº. 74, de 6 de abril de 2005.


D.O.U. 07/04/2005.

EFEI / Eletrobrás (2001). Conservação de Energia –


Eficiência Energética de Instalações e
Equipamentos. Ed. EFEI. FUPAI, Itajubá-MG.

ELETROBRÁS – PROCEL. Manual de Conservação


de Energia Elétrica – CICE.

ELETROBRÁS – PROCEL. Manual de Tarifação da


Energia Elétrica. Rio de Janeiro.

MAMEDE Fº, João (2001). Instalações Elétricas


Industriais, 6ª Edição. Editora LTC. Rio de
Janeiro.