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EXMO SR. DR.

JUIZ DE DIRETO DO JUIZADO ESPECIAL CÍVEL DA COMARCA DA


CAPITAL

RAFAEL ALMEIDA DE PIRO, brasileiro, casado, advogado, portador da


carteira de identidade nº 137.706, expedida pela OAB/RJ, inscrito no CPF/MF sob o nº
952.834.207-87, residente e domiciliado nesta cidade, na Rua Sambaíba nº 190, aptº 103,
Leblon, vem, por seu advogado, que para efeitos do art. 39, inciso I, do Código de Processo
Civil, indica como endereço a Av. Rio Branco, nº 99, 9º andar, Centro, Rio de Janeiro,
requerer a V.Exa. a AÇÃO DE REPARAÇÃO DE DANOS E/OU DEVOLUÇÃO DE
VALORES PAGOS contra SONY BRASIL LTDA., empresa privada, na pessoa de seu
representante legal, com endereço na AV, MARECHAL CAMARA, 160 - SL 229 – CENTRO,
CEP 021023-203, pelo que passa a expor, e, ao final, requer:

DOS FATOS

O Reclamante comprou junto ao fornecedor, um Playstation 3 Slim 120GB, número de série


00000000, tendo como fabricante a Reclamada SONY, no estado da Flórida, EUA, no dia 22
de Maio de 2010, pelo preço de $ 300,00 (trezentos dólares), como se pode ver da Nota
Fiscal anexa.

Após pouco tempo de uso, dentro do prazo de garantia (um ano) dado pela Reclamada
(fabricante), mencionado aparelho, apresentou defeito de fabricação, ou seja, não funcionou
mais. Levado à assistência técnica autorizada da Reclamada - SCREENLIGHT TEC. COM.
LTDA *** ATENDIMENTO DE PROJETORES E MONITORES DE INFORMÁTICA – situado
no endereço supra mencionado, esta, unilateralmente, deu o seguinte parecer técnico:
"GARANTIA NÃO COBRA PRODUTO PRODUZIDO E COMERCIALIZADO PELA MATRIZ
OU FILIAIS NO EXTERIOR." (Grifei).

O Reclamante ao comprar referido aparelho ao preço muito superior aos demais existentes
no mercado, acreditou na grande marca (SONY) do produto e na certeza de que teria uma
garantia mínima do produto comprado. Na verdade, o que teve foi a simples afirmativa da
assistente da Reclamada, com frontal desrespeito aos direitos do consumidor.

Desde então (03/06/10), com a recusa da assistente técnica da Reclamada em reparar o


defeito, está o reclamante com o dito aparelho sem qualquer utilidade e não tendo a quem
recorrer, a não ser, ao Poder Judiciário que certamente, com respeito, lhe dará a atenção
devida.

DO DIREITO

O artigo 29 do Código de Defesa do Consumidor traz o conceito de consumidor aplicável ao


caso, merecendo ser transcrito:

"Para os fins deste Capítulo e do seguinte equiparam-se aos consumidores todas as pessoas
determináveis ou não, expostas às práticas nele previstas."
A definição acima declinada visa, portanto, à proteção abstrata e preventiva daqueles
consumidores que podem ser lesados pelas práticas comerciais abusivas, enquadrando-se o
presente feito, perfeitamente, à hipótese legal.

Cabe salientar que a compra a varejo, onde há uma garantia do produto comprado, é um
contrato caracterizado como de "adesão". Estes métodos de contratação baseia-se na
realidade fática de superioridade econômica e técnica que possuem os fabricantes em
relação ao consumidores, superioridade esta que facilmente terá como reflexo a aceitação de
todas condições impostas.

As normas do CDC aplicam-se a este contrato, pois em regra, está presente consumidor em
um dos pólos da relação contratual, atuando como destinatário final do produto para proveito
próprio.

Ainda deve ser dito que é direito básico do consumidor a proteção contra cláusulas abusivas:

"Art. 6º São direitos básicos do consumidor:

IV- a proteção contra publicidade enganosa e abusiva, métodos comerciais coercitivos e


desleais, bem como contra práticas e cláusulas abusivas ou impostas no fornecimento
de produtos e serviços;

V- a modificação das cláusulas contratuais que estabeleçam prestações desproporcionais...

VI- a efetiva prevenção e reparação de danos patrimoniais e morais, individuais, coletivos


ou difusos;

VII- o acesso aos órgãos judiciários e administrativos, com vistas à prevenção ou reparação
de danos difusos, assegurada a proteção jurídica, administrativa e técnica aos necessitados;"
Grifei

Regras que buscam os mesmos resultados estão na "norma-objetivo" do artigo 4º do CDC e,


especificamente, nos artigos 51 até 54 da Lei Protetiva.

Resta induvidoso, desta forma, que as normas do CDC se aplicam diretamente ao contrato
de adesão de compra de produto, bem como que a reparação das perdas e danos, sendo o
mais importante fundamento Lei.

Ademais, o artigo 1º da Lei número 8.078, de 11 de setembro de 1990, dito que as normas
de proteção e defesa do consumidor estabelecidas pelo Código são: "de ordem pública e
interesse social ..."

Tal determinação, inserida no primeiro artigo do CDC, significa que suas regras devem ser
aplicadas até mesmo de ofício pelo Magistrado, mitigando o princípio dispositivo existente no
direito processual civil.

Neste sentido é a lição de Nelson Nery Junior, inclusa na Revista do Consumidor nº 1,


editora Revista dos Tribunais, página 201, palavras que merecem transcrição:
O art. 1º do CDC diz que suas disposições são de ordem pública e interesse social. Isto quer
dizer, em primeiro lugar, que toda a matéria constante do CDC deve ser examinada pelo juiz
ex officio, independentemente de pedido da parte...".

É sabido, também, que o fabricante responde, independente da existência de culpa, pela


reparação dos danos causados ao consumidor, como assevera o CDC, in verbis:

ART.12 O fabricante, o produtor, o construtor, nacional ou estrangeiro, e o importador


respondem, independentemente da existência de culpa, pela reparação dos danos
causados aos consumidores por defeitos decorrentes de projeto, fabricação, construção,
montagem, fórmulas, manipulação, apresentação ou acondicionamento de seus produtos,
bem como por informações insuficientes ou inadequadas sobre sua utilização e riscos.

AR.1º O produto é defeituoso quando não oferece a segurança que dele legitimamente se
espera, levando-se em consideração as circunstâncias relevantes, entre as quais:

I - sua apresentação;

II - o uso e os riscos que razoavelmente dele se esperam;

III - a época em que foi colocado em circulação.

PAR.2º O produto não é considerado defeituoso pelo fato de outro de melhor qualidade ter
sido colocado no mercado.

PAR.3º O fabricante, o construtor, o produtor ou importador só não será responsabilizado


quando provar:

I - que não colocou o produto no mercado;

II - que, embora haja colocado o produto no mercado, o defeito inexiste;

III - a culpa exclusiva do consumidor ou de terceiro." Grifei.

Segundo o art. 7°, parágrafo único da Lei n° 8.078/90, a seguir transcrito, dispõe
que a responsabilidade será solidária a todos os autores a ofensas ao consumidor;

"Art. 7°. (...omissis...)

Parágrafo único. Tendo mais de um autor a ofensa, todos responderão solidariamente


pela reparação dos danos previstos nas normas de consumo."(grifos nosso)

Ada Pelegrini Grinover e outros, in Código de Brasileiro de Defesa do Consumidor


- Comentado pelos Autores do Anteprojeto, pg. 75, 3ª edição, 1993, Ed. Forense
Universitária, afirmam o seguinte:
"Como a responsabilidade é objetiva, decorrente da simples colocação no mercado de
determinado produto ou prestação de dado serviço, ao consumidor é conferido o direito de
intentar as medidas contra todos os que tiverem na cadeia de responsabilidade que propiciou
do mesmo produto no mercado ou então a prestação do serviço."

Na verdade Exª., sendo a reclamada a fabricante do aparelho celular em questão,


em que houve ruptura da garantia unilateralmente por parte de sua assistente técnica, sem
que fosse dado ao reclamante o direito de defesa, é ele, o fabricante, a pessoa jurídica
responsável para responder aos termos desta ação.

É direito do reclamante, por tudo que padeceu, a indenização do dano. O direito


antes assegurado apenas em leis especiais e, para alguns, no próprio art. 159 do Código
Civil, hoje é estabelecido em sede constitucional, haja vista o que prescrevem os incisos V e
X, do art. 5º da Lei Fundamental de 1988:

"é assegurado o direito de resposta, proporcional ao agravo, além da indenização por dano
material, moral ou à imagem; e são invioláveis a intimidade, a vida privada, a honra e a
imagem das pessoas, assegurando o direito a indenização pelo dano material ou moral
decorrente de sua violação." Grifei.

Assevera, ainda mais o CÓDIGO DE DEFESA DO CONSUMIDOR que:

"ART.6º São direitos básicos do consumidor:

(.....)
VIII - a facilitação da defesa de seus direitos, inclusive com a inversão do ônus da
prova, a seu favor, no processo civil, quando, a critério do juiz, for verossímil a alegação ou
quando for ele hipossuficiente, segundo as regras ordinárias de experiências;"

Diz, ainda, o Parágrafo 6º, do art. 18 do CDC que:

"São impróprios ao uso e consumo:

I - os produtos cujos prazos de validade estejam vencidos;


II - os produtos deteriorados, alterados, adulterados, avariados, falsificados, corrompidos,
fraudados, nocivos à vida ou à saúde, perigosos ou, ainda, aqueles em desacordo com as
normas regulamentares de fabricação, distribuição ou apresentação;

III - os produtos que, por qualquer motivo, se revelem inadequados ao fim a que se
destinam."

Turma Recursal de SP pronunciou-se a respeito do assunto da seguinte maneira.

RESP 63.981-SP

DIREITO DO CONSUMIDOR. FILMADORA ADQUIRIDA NO EXTERIOR. DEFEITO DA


MERCADORIA. RESPONSABILIDADE DA EMPRESA NACIONAL DA MESMA MARCA
("PANASONIC"). ECONOMIA GLOBALIZADA. PROPAGANDA. PROTEÇÃO AO
CONSUMIDOR. PECULIARIDADES DA ESPÉCIE. SITUAÇÕES A PONDERAR NOS
CASOS CONCRETOS. NULIDADE DO ACÓRDÃO ESTADUAL REJEITADA, PORQUE
SUFICIENTEMENTE FUNDAMENTADO. RECURSO CONHECIDO E PROVIDO NO
MÉRITO, POR MAIORIA.

I - Se a economia globalizada não mais tem fronteiras rígidas e estimula e favorece a livre
concorrência, imprescindível que as leis de proteção ao consumidor ganhem maior
expressão em sua exegese, na busca do equilíbrio que deve reger as relações jurídicas,
dimensionando-se, inclusive, o fator risco, inerente à competitividade do comércio e dos
negócios mercantis, sobretudo quando em escala internacional, em que presentes empresas
poderosas, multinacionais, com filiais em vários países, sem falar nas vendas hoje efetuadas
pelo processo tecnológico da informática e no forte mercado consumidor que representa o
nosso País.

II - O mercado consumidor, não há como negar, vê-se hoje "bombardeado" diuturnamente


por intensa e hábil propaganda, a induzir a aquisição de produtos, notadamente os
sofisticados de procedência estrangeira, levando em linha de conta diversos fatores, dentre
os quais, e com relevo, a respeitabilidade da marca.

III - Se empresas nacionais se beneficiam de marcas mundialmente conhecidas, incumbe-


lhes responder também pelas deficiências dos produtos que anunciam e comercializam, não
sendo razoável destinar-se ao consumidor as conseqüências negativas dos negócios
envolvendo objetos defeituosos.

IV - Impõe-se, no entanto, nos casos concretos, ponderar as situações existentes.

V - Rejeita-se a nulidade argüida quando sem lastro na lei ou nos autos


DO PEDIDO

Pretende então o reclamante a REPARAÇÃO DE DANOS E/OU DEVOLUÇÃO DE


VALOR PAGO já que possui um aparelho defeituoso e imprestável para o fim a que se
destina, onde a reclamada, unilateralmente, extinguiu um contrato bilateral de garantia, não
podendo arcar o reclamante com os reparos devidos, já que não agiu com dolo ou culpa,
sendo de responsabilidade da Reclamada.

Assim, REQUER A V. Exa.,

a) Seja citada a reclamada, no endereço acima descrito, via postal - AR, para contestar,
querendo, o presente pedido, cientificada que em caso de silêncio serão aceitas como
verdadeiras as alegações;

b) Seja, após a normal tramitação, condenada a reclamada a devolução do valor pago no


referido aparelho, ou seja, o montante de $ 300,00 (trezentos dólares), devidamente corrigido
desde o efetivo pagamento em moeda nacional (22/05/2010);

c) Em caso de indeferimento do pedido anterior, pede, alternativamente, seja a


reclamada condenada ao pagamento de todos os reparos devidos (peças e mão de obra) no
referido aparelho celular, renovando-se a garantia a partir da data do reparo, mais as custas
e honorários de advogado, nos termo da lei.

Protesta e requer todos os meios de prova, inclusive da oitiva do representante legal


da reclamada, dando-se à causa o valor de R$ 599,00 (quinhentos e noventa e nove
reais).

Termos em que
Pede deferimento.
Rio de Janeiro, 02 de outubro de 2009

RAFAEL ALMEIDA DE PIRO