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Bloco 8- Competências docentes.

Investimento na Docência- Criando Gestores de Competência.

O discurso do Banco Mundial surge com uma visão muito clara sobre a necessidade de
medidas efetivas nas politicas educacionais para os países de terceiro mundo e do Caribe, com
o discurso de que é preciso educar para erradicar a pobreza mundial, mas é necessário uma
educação efetiva para o trabalho. Assim, encontramos um discurso forte de investimento
numa educação que transforme alunos em futuros profissionais, desta forma a educação seria
“o melhor remédio contra os efeitos de um inevitável desemprego”, (Bonfim, ANO).
Antes de realizar um acordo com o Brasil, o Banco Mundial faz um diagnóstico através de
um levantamento, sendo que este resulta em um documento onde o Banco aponta falhas no
sistema de educação, a escola pública tem recursos suficientes, não se trata de mais
investimentos, a questão é como gerir estes recursos de forma eficiente?
O discurso da má gerencia aponta para o direcionamento de outras questões, são elas: a má
qualidade dos serviços públicos e a necessidade de se criar bons gestores, nos diferentes
setores da esfera pública, o discurso empresarial-capitalista vem com muita força neste
documento, “... a qualidade dos gastos continuaria prejudicada pela ineficiência da gestão do
setor publico e dos arranjos institucionais”. (Bonfim, idem).
Assim surge a necessidade de “criarmos” profissionais, mais competentes e capazes de lidar
com novas tecnologias, em outras palavras, “criarmos” um profissional com maior instrução
para o mundo do trabalho moderno. Outra questão seria melhorar o acesso às condições de
surgimento de novas frentes de trabalho, a crítica aqui vai pelo Brasil ter uma carga muito alta
tributária, o que encarece manter um trabalhador e desestimula o surgimento de novas vagas
de trabalho.
Partindo dessa necessidade surge a demanda do Banco, que neste momento não pensa mais
em criar novas vagas, mas em dirigir esforços para o “... aperfeiçoamento dos sistemas de
educação e ao alinhamento das intervenções estaduais e federais nos estados”. (Bonfim,
idem). Portanto o foco é a melhora do sistema educacional, através do desenvolvimento de
um Plano de Desenvolvimento da Educação, que deve ter tempo de implantação, execução e
de avaliação, e também mecanismos de controle e monitoramento da educação nos diferentes
níveis, assim poderia avaliar a execução do Plano, nesse contexto surge a ideia do IDEB,
Índice de Desenvolvimento da Educação Básica, e assim uma forma de categorizar as
diferentes unidades de ensino e unificar a educação no país todo. Todos estes esforços
visavam melhorar a educação, num primeiro momento, no sentido de corrigir questões como:
diferença serie-idade, repetências excessivas, gestão dos recursos dos serviços públicos e
estimulando a iniciativa privada uma maior participação neste mercado.
Após esse primeiro período, surge o PNE (Plano Nacional de Educação vigência 2010-2020),
e este aponta que agora é hora de melhorar a qualidade do profissional docente- professores.
Essa melhora tem pontos fortes na argumentação do Banco: A má formação docente, a
seleção de professores com poucos critérios e a má utilização do tempo pelo professor na sala
de aula.
Segundo o Banco Mundial a carreira agora é cada vez mais exercida pelos piores alunos que
saem do ensino médio, por ser uma carreira com “baixa valorização”, segundo o Banco, ”Os
futuros professores brasileiros, [são] recrutados do terço inferior dos estudantes,...”,(Bonfim,
idem), o que impossibilita que apareçam bons profissionais para os postos de trabalho, além
da má formação, teórica demais segundo o Banco, os alunos de Pedagogia são mais pobres
em relação a outros cursos. Outra questão levantada e que possa caracterizar o despreparo
destes profissionais são os processos de seleção, sendo estes descentralizados, cada unidade
de ensino faz sua própria seleção o que pode ser inadequado para os “padrões do Banco”, uma
ideia para solucionar essa questão, segundo Bonfim (idem) seriam as “certificações” já
propostas pelo Ministério da Educação, onde haveria maior exigência para formação do futuro
profissional docente.
Pensar na eficiência dos docentes também implica em melhorar a qualidade dos que já estão
trabalhando, e desta forma o Banco insiste na ideia de formação continuada, sendo esta com
vistas a melhorar a eficiência do professor na sala de aula.
Uma das questões apontadas pelo Banco é a má utilização do tempo em sala de aula, vemos a
seguir na citação do Sumário do documento do próprio banco, “... os professores brasileiros
usam uma proporção substancial do tempo em sala de aula praticando atividades rotineiras
como fazendo a chamada e recolhendo deveres de casa.”, através de observações realizadas
nas salas de aula, chega-se a conclusão que o professor brasileiro deixa os alunos tempo
ocioso demais, o que causaria prejuízo na educação de crianças pobres.
Baseado nisto surge a proposta de “um treinamento voltado para a prática”, onde através de
vídeos e treinamentos, busca-se uma melhora na prática do exercício, e assim, diminui-se o
tempo “ocioso” e melhora-se a gestão do tempo escolar.
O enfoque na formação continuada, entendida pelo Banco deve ser na boa utilização de tempo
e recursos disponíveis, e assim os professores alcançarão um nível mínimo exigido de
competência. Observar estas questões, por parte do Banco, implica em esquecer todas as
outras implicadas no mesmo processo: “a precarização das relações de trabalho docente, com
destaque para a flexibilização de vínculos; a baixa remuneração; a ausência frequente de
concursos públicos, tal como preconiza a Constituição; e a expansão da contratação de
docentes temporários- é revelador de um olhar superficial sobre o trabalho docente...”
(Bonfim, idem).
O discurso do Banco naturaliza e minimiza a importância do processo histórico de formação
da classe docente, pensar apenas nessa visão mercantilista da educação faz com que questões
urgentes para a pratica docente fiquem apenas no âmbito do trabalho do professor o que
diminui a força da classe trabalhadora deste setor, e abre um processo de culpabilização do
professor que fica como “incapaz” de produzir tudo que seria capaz.

Portugal- exemplo de formação continuada baseada no discurso

Ferreira (ANO), em seu texto nos mostra a ideia de formação continuada que surge em
Portugal, sendo esta valorizada e procurada pelos próprios docentes e classes associativas.
No inicio estas surgem em contextos não formais e segundo Ferreira (idem), “sem vinculação
a progressão na carreira”, e ainda assim há adesão dos professores neste modelo de formação.
No âmbito formal, estas surgem ainda pelas classes associativas, e são feitas através de
conferências, seminários, encontros, jornadas, e tinham um aspecto de “os professores
brasileiros usam uma proporção substancial do tempo em sala de aula praticando atividades
rotineiras como fazendo a chamada e recolhendo deveres de casa.” (Ferreira, idem). Mas a
partir de normas legais e investimentos provindos da União Europeia (1980/1990) entra de
vez em pauta a ideia de formação continuada em Portugal no modelo que encontramos.
Este modelo baseada na politica neoliberal, onde os conceitos de mercado fazem parte do
discurso em todos os níveis, inclusive educacional, assim segundo Ferreira (idem), aparece
uma politica de “quase-mercado” , pois sendo mediada pelo Estado a educação é publica, mas
esta deve operar como um serviço do setor privado, oferecendo qualidade, eficiência, gestão,
competência e ainda sendo “rankeada” para uma escolha dos pais pelo bom serviço oferecido.
Nesse contexto a formação continuada está centrada nas universidades o que segundo Ferreira
(idem), há um deslocamento da pratica para o discurso, este esvazia seu conteúdo ao ficar na
base da retórica, não há uma reflexão sobre a prática. A “universitarização” dificulta esta ideia
de interdisciplinaridade, trabalho em equipe, integração comunidade-escola, coisas tão
necessárias para a escola.
Nos chama a atenção Ferreira (idem), para a ideia de formação continuada ligada a progressão
na carreira, neste novo modelo, os professores são estimulados a aumentarem suas formações
para assim aumentarem seus ganhos, e diminuírem suas “carências” de técnicas. Isso
possibilita uma mudança no enfoque na formação, “essa logica mobiliza o discurso da
importância e da necessidade da formação como aquisição de competências e técnicas para a
melhoria do desempenho individual e da produtividade.” (Ferreira, idem).
Vale ressaltar a importância da formação continuada enquanto formador e parte reflexiva da
prática de ensino, o professor deve ser atuante, não apenas receber essa formação, mas ser
formador também de práticas. A Formação deve estar próxima à realidade social e da
comunidade onde o professor, age e interage, possibilitando assim, um discurso pratico e não
apenas teórico.

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