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Copyright © 2019 por

João Antônio de Araújo

Todos os direitos reservados por:


João Antônio de Araújo
Produção e edição
Editora V.E.M
Visão de Evangelismo Mundial
Curitiba-Paraná
Capa:
MV9 Multimídia LTDA.
Revisão,Catalogação e Diagramação:
Conceição Milagres

ARAÚJO, João Antônio de


Depressão à luz da Bíblia 120 páginas

1. Depressão – 2. Aspectos
religiosos – 3. Vida espiritual
I.Título
ISBN 978-65-80490-02-8
18-12204
CDD-248.8625

Nova impressão: Junho de 2019.


As citações bíblicas, bem como os
textos relacionados foram extraídos
da Bíblia Almeida Revista e
Atualizada, Sociedade Bíblica do
Brasil.

Proibida a reprodução total ou


parcial por quaisquer meios a não ser
em citações breves, com indicação da
fonte.
Dedicatória

Dedico este livro ao leitor que


certamente, assim como eu – no corre-
corre da vida –, em algum momento se
sentiu desmotivado e, em meio às
decepções com a vida, foi surpreendido
por uma tristeza que durou mais do que
o costume e que mereceu de sua parte
uma atenção maior. O conteúdo deste
livro – não se trata de técnicas, nem
“receitas de faça e não faça”, nem de
tarefas e exigências dogmáticas –
realizará uma reforma na gestão da sua
vida.
Este livro é dedicado a todos aqueles
que me inspiraram, fazendo-me crer que
é melhor acender uma vela do que
amaldiçoar a escuridão; a todos que me
motivaram a cooperar um pouco para
trazer maior compreensão de nós
mesmos e de nossa vida.
Tenha uma boa leitura desta obra.
Com respeito e gratidão a todos,
J. A. Araújo, Autor
Agradecimentos

À minha querida esposa, Mariaá, pelo


incentivo, aos meus filhos, Samuel S.
Araújo e Suzana S. A. Gadêlha, pela
força, ao meu genro, Glauber M.
Gadêlha, e à minha nora, Alinne A. B.
Araújo.
À Neyara Barbosa, por fazer –
juntamente com minha filha Suzana – a
digitação e primeiras correções desta
obra; ao Bispo Samuel Silva pela
inspiração da capa; e ao casal Orismar
Pereira e Eliana Ribeiro pelo valioso
testemunho aqui narrado, e à minha
comunidade.
Sumário

Dedicatória
Agradecimentos
Prefácio
Apresentação
Frases para colaborar na reflexão
proposta pelo livro
O foco da fé e sua importância
Como evitar o desânimo
Discernindo as ações do espírito de
suicídio
O nosso exemplo de vida perfeita
Quando a busca de sentido da dor se
torna pior que a dor
Como Deus trata um depressivo?
Fomos tocados pelas mãos do Mestre
O evangelho não é um tratado de uma
religião
Sou um espírito, tenho uma alma e
habito em um corpo
Viver mediante regras e ritos não é ser
cristão
Deus criou nossas emoções para nos
servirem
De onde vim e quem é minha fonte
Instruções bíblicas de como superar o
desânimo
A dor é inevitável, mas o sofrimento
pode ser propositado
Exorcismo - Endorcismo
Qual a origem das emoções e seu
propósito
Estou perdido dentro de mim mesmo. O
que fazer?
Deus é a fonte de tudo
Religião ou espiritualidade
Referências
Prefácio

Depressão à Luz da Bíblia ensina que


todos são capazes de viver uma vida
cheia de motivação, energia e sonhos. A
maioria já foi feliz um dia – alguma
coisa que o impulsionava a viver uma
vida plena e entusiástica. Isso foi antes
de ser consumida pela rotina e sufocada
pelo peso das lutas diárias. O que
aconteceu?
O aumento das responsabilidades e as
dificuldades impõem uma trajetória que
distancia as pessoas da paz,
transformando-as em alguém de quem
não gostam.
Tomam atitudes que não aprovam.
Trabalham onde não têm prazer. Aturam
um tipo de vida que conduz à
esquizofrenia. Não se relacionam bem
com a família.
Convivem pouco com os filhos. Não
dão valor à espiritualidade. Cuidam mal
do corpo. Administram com dificuldade
as finanças e, por isso, ficam
endividados.
Equilibram-se em uma corda bamba,
entre a pessoa que são e a que gostariam
de ser.
Mergulhados na luta pela
sobrevivência, negligenciam os ideais,
perdem a capacidade de sonhar e ficam
cada vez mais desmotivadas, sem
direção, sobrecarrega-das, insatisfeitas,
não acreditando em si, nem que é
possível sair da roda viva em que se
meteram. Tornam-se escravas da
depressão, vivendo uma vida pequena,
acomodadas a sentimentos infelizes que
passam a controlar as emoções. Às
vezes, aguardam um milagre salvador,
sem tomar nenhuma atitude para mudar
ou reagir.
Não há como duvidar – milagres
acontecem. Porém, se não houver ações
claras e direcionadas da sua parte, não
se iluda, tudo pode continuar exatamente
do jeito como está. O entusiasmo não é
obra do acaso; requer atitudes
conscientes. As pessoas que dão certo
acreditam em si mesmas. Traçam planos
para viver melhor. Envolvem outras
pessoas na causa que abraçam.
Contagiam companheiros a segui-las.
Ultrapassam obstáculos. Com muita
determinação, mudam sua história e, um
pouco, a do seu tempo. E acima de tudo,
mudam a si mesmas, não permitindo que
as dificuldades ditem o estado de
espírito em que vivem. Contagiam o
ambiente ao invés de serem afetados por
ele.
Abra sua mente. Mantenha os olhos
abertos para contemplar a vitória.
Amplie seus limites para alcançar o que
você pensa ser inalcançável. Dedique-se
um pouco mais do que você pensa ser
possível. Aguente um pouco mais. Não
se angustie tentando adivinhar o futuro.
Não se deixe dominar por
preocupações. Invente o amanhã debaixo
das asas protetoras do amor de Deus.
Não seja um mero coadjuvante no palco
da vida. Seja forte e corajoso, tenha
bom ânimo, pois Deus não o abandonou.
Em suma, é esta a mensagem deste
livro. Ele foi escrito só para detectar os
sintomas do desânimo ou prescrever
remédios complicados. Pr. João Antônio
escreve do mesmo modo como fala em
suas palestras, com simplicidade e
entusiasmo.
Caso você esteja vivenciando um
estado de desânimo, desgastado por
desajustes emocionais ou psicológicos,
este quadro infeliz pode perfeitamente
mudar. A proposta do autor é trazer
diretrizes facilmente aplicáveis para
solucionar tais situações. Quando o
leitor se der conta que é possível viver
uma vida plena, descobrirá, desde logo,
que a vida é bela; ela pode e deve ser
vivida intensamente.
Contribuir para que sua vida seja
revitalizada com entusiasmo é o
objetivo final do autor. Não importa o
grau de desgaste que você esteja
experimentando, este livro pode
despertar atitudes e emoções já há muito
adormecidas. A leitura consciente e a
assimilação das lições proporcionarão o
ressurgimento de emoções positivas,
ajudando-o a experimentar novas
emoções e grande entusiasmo.
Tenha bom ânimo!
Sua vida vai dar certo!
Dr. Silmar Coelho
Apresentação

– Qual a opinião da Bíblia sobre


depressão?
– Crentes ficam depressivos?
– “A devoção a Deus evita
depressão?”
– Há uma prática espiritual que cura
depressão?
– A fé em Deus pode imunizar alguém
da depressão?
– Existe alguma ligação de demônios
com a depressão?
– Qual é a diferença entre exorcismo
de endorcismo?
– Deus tem uma receita na Bíblia que
cura o depressivo?
Neste livro, o Rev. João Antônio lhe
dará esclarecimento sobre estas oito
perguntas e o levará a ter um
conhecimento que o capacitará a ajudar
um depressivo a sair da depressão, ou,
caso seja você quem está passando por
essa situação, dar-lhe-á os caminhos do
livramento completo deste mal do
século.
Quero destacar que este livro não
tratará do assunto com base na
psicologia ou psiquiatria, mas com base
em uma sabedoria espiritual. Ao longo
de 35 anos, lidando com pessoas
depressivas e outras livres da
depressão, o Rev. João Antônio,
estudando o ser humano, a religião, a
espiritualidade, examinando as
Escrituras sobre o assunto (depressão),
pensando estar seguindo uma orientação
divina, escreveu este livro, com o único
intuito de ajudar pessoas ao redor do
mundo.
Também, ao estudar centenas de
livros escritos sobre o assunto e
presenciar suicídios e tentativas de
suicídios em sua comunidade, sente-se
hoje como uma autoridade espiritual
para abordar sobre este assunto tão
relevante.
Que Deus o auxilie, e que, nas
páginas seguintes, você se reencontre em
um mundo colorido novamente, com
muito mais sentido do que antes.
Eu o abençoo!
Tenha uma boa leitura com muita fé.
Pastora Mariaá S. Araújo
Frases Para
Colaborar Na
Reflexão Proposta
Pelo Livro

– Entristecer-se é inevitável;
deprimir-se é uma escolha.
– Decepções são inevitáveis;
desânimo é uma escolha.
– Eu me recuso a desencorajar.
– Eu controlo minhas emoções, elas
são minhas servas.
– Eu posso desanimar, mas não
preciso continuar desanimado.
– O desânimo e seus resultados:
1º. Dividir a atenção;
2º. Desfoque;
3º. Ausência de confiança;
4º. Tomada de decisões insensatas;
5º. Sentimento de culpa.
– Como se curar: o seu ponto de vista
é importante:
1º. Olhar para dentro de mim;
2º. Olhar para cima, para Deus;
3º. Olhar para trás, o que já foi feito
por Deus;
4º. Olhar para frente;
5º. Qual é a resposta certa.
– Reorganizar a vida: confie em Deus
incondicional-mente (Salmos
103:19[Nota 1]) . Ele é quem controla
tudo, não você!
– As decepções podem surgir a
qualquer instante, contra a sua vontade,
você pode ficar dominado pelo
desânimo, mas lembre-se: as decepções
são inevitáveis, o desânimo é uma
escolha. Eu me recuso a ser
desencorajado.
– Qual é a base para superar o
desânimo? A Bíblia tem receita para
curar a depressão?
– Quem está no controle de sua vida?
– Existe uma hierarquia de governo
da vida que supere a depressão?
– Como Deus trata um depressivo?
– Provérbios 20:27[Nota 2] , Jó
32:8[Nota 3] , Jó 33:4[Nota 4] – base e
fundamentos bíblicos do governo da
vida;
– Tricotomia do homem – espírito,
alma e corpo;
– Hebreus 4:12[Nota 5], 1
Tessalonicenses 5:23[Nota 6];
– Espírito – hebraico = ruach
– Espírito – grego = pneuma
– Alma – hebraico = nephesh
– Alma – grego = psique ou psiche
– Corpo – hebraico = basnar
– Corpo – grego = somma
Notas do Capítulo

Nota 1 - “O Senhor tem estabelecido o seu


trono nos céus, e o seu reino domina
sobre tudo.” (Salmos 103:19)
[Voltar]
Nota 2 - “O espírito do homem é a lâmpada do
Senhor, que esquadrinha todo o
interior até o mais íntimo do ventre.”
(Provérbios 20:27) [Voltar]
Nota 3 - “Na verdade, há um espírito no
homem, e a inspiração do Todo-
Poderoso o faz entendido.” (Jó 32:8)
[Voltar]
Nota 4 - “O Espírito de Deus me fez; e a
inspiração do Todo-Poderoso me deu
vida.” (Jó 33:4) [Voltar]
Nota 5 - “Porque a palavra de Deus é viva e
eficaz, e mais penetrante do que
espada alguma de dois gumes, e
penetra até à divisão da alma e do
espírito, e das juntas e medulas, e é
apta para discernir os pensamentos e
intenções do coração.” (Hebreus
4:12) [Voltar]
Nota 6 - “E o mesmo Deus de paz vos
santifique em tudo; e todo o vosso
espírito, e alma, e corpo, sejam
plenamente conservados
irrepreensíveis para a vinda de nosso
Senhor Jesus Cristo.” (1
Tessalonicenses 5:23) [Voltar]
Capítulo 1
O Foco Da Fé E
Sua Importância

Há certas falas de Jesus registradas


nos evangelhos que são de uma
relevância tremenda, como esta
registrada por São Marcos 11:22:
“Tenham fé em Deus” .Parece óbvio
esta colocação do Mestre sobre o foco
da fé. Será possível desviarmos o foco
da fé? Com certeza, sim!
Quando começamos nossa caminhada
na fé, recebendo Cristo como o Senhor
em nossa vida, iniciamos uma jornada
simplesmente pela fé e confiança
profunda no que Ele fez por nós na cruz.
Mas, tempos depois, em nosso coração
– que antes era vazio e agora se encheu
de Cristo e fé – começamos a substituir
o conteúdo do nosso coração por
conhecimentos bíblicos, experiências de
vida e milagres, consagrações, práticas
cristãs, frequência em um lugar de culto,
teologias etc.
Tiramos o foco da fé em Deus para
nós mesmos, deixando de reconhecê-lo
em todos os nossos caminhos (“Confia
no Senhor de todo o teu coração, e não
te estribes no teu próprio
entendimento. Reconhece-o em todos os
teus caminhos, e ele endireitará as tuas
veredas. Não sejas sábio a teus pró
prios olhos; teme ao Senhor e aparta-te
do mal.” – Provérbios 3:5-7), e logo
transferimos a nossa fé ao Deus Todo-
Poderoso para o que representamos para
nós mesmos. Aí, veja a relevância da
observação de Jesus em Marcos 11:22:
“Tenham fé em Deus” (Bíblia NVI). O
apóstolo Paulo diz em Colossenses 2:6-
7 : “Ora como recebestes Cristo Jesus,
o Senhor, assim também andai nele
enraizados, edificados e confirmados
na fé, tal como fostes instruídos,
crescendo em ação de graças”.
Colossenses 3:16: “Habite ricamente
em vós a palavra de Cristo; instrui-vos
e aconselhai-vos mutuamente em toda a
sabedoria”. Colossenses 3:15: “Que a
paz de Cristo seja o juiz em seu
coração, visto que vocês foram
chamados para viver em paz...”.
Paulo sabia dos perigos que cercavam
os crentes de Colossos para tirar o foco
da fé. Aquele foco do Deus que tudo
pode para muitas coisas sem
significado, como suas festas etc. Este
perigo está eminente em nossos dias;
muitos de nós temos tido sérios
problemas, como desilusões, tristezas,
frustrações, desapontamentos e até
depressões profundas por termos
perdido o foco de nossa fé no Deus que
move montanhas, para ritos e
experiências vividas no decorrer da
nossa caminhada de fé. Começamos
bem, mas nos perdemos na caminhada
ao longo da estrada. Deixamos de andar
no Cristo que recebemos no nosso
início, complicamos o nosso
cristianismo, desviando-nos da nossa fé
em Deus para fé em nossas obras;
começamos no espírito e estamos
tentando prosseguir em nossa carne ao
nos frustrarmos por não
correspondermos às nossas expectativas
e achamos que o que estamos fazendo
nunca é o bastante e nunca nos dará
saldo suficiente em Deus.
Pelo desvio do foco de nossa fé,
entramos em uma área emocional
perigosa, e pela utopia de nossa fé
desviada, começamos a nos
autocondenar e julgar que não somos
capazes de viver uma vida perfeita, que
no nosso autojulgamento, definimos o
que temos de viver; e quando não
alcançamos a vida cristã de um
“supercrente” que acreditamos que
devemos ser, a ausência desta perfeição
arrebenta com a nossa autoestima como
cristãos e nos tornamos fortes
candidatos à tortura de alma, e, por
consequência, a uma profunda
depressão, pois passamos a viver uma
vida de autocobrança e começamos, aos
poucos, a nos afastar do convívio da fé e
de gente que anteriormente somava
conosco e agora deixa de ser importante.
A relevância que tem a fala de Jesus
em Marcos 11:22 (“Tenham fé em
D e u s ” ), muitas vezes, quase sem
percebermos, começamos a desviar
nossa fé, e então passamos a inserir em
nosso dia a dia chavões e jargões sem
fundamentos, como: “barco em que
Jesus está não afunda!”. Se isso fosse
verdadeiro, teríamos que arrancar da
Bíblia Atos 27, a qual relata que o barco
no qual Paulo estava afundou por
completo.
Mas Paulo não foi junto para o fundo
do mar, pois a vida do apóstolo estava
nas mãos de Deus e não no poder
daquela tempestade, nem daquele barco
e muito menos do capitão! Devemos ter
cuidado com os jargões dos crentes que
querem passar uma ideia de que são cré-
dulos demais, mesmo não havendo
resultados conforme as ardentes
expectativas e acabam entrando em um
estado de esgotamento espiritual e
frustrações emocionais, que os tornam
volúveis e abertos para o fracasso.
Então, o melhor é viver um dia de cada
vez, um passo de cada vez, com zelo
para nunca desviar o foco da fé. Jejue,
ore, consagre-se, faça o melhor que
puder para o Senhor, mas a fé tem de ser
em Deus e nunca no que fazemos.
“Tenham fé em Deus...” ; Provérbios
3:5-7[Nota 7]; Marcos 11:22[Nota 8];
Colossenses 2:6-7[Nota 9]; Colossenses
3:15-16[Nota 10].
Deus sempre irá agir a seu favor para
trazê-lo de 7 “Confia no Senhor de todo
o teu coração, e não te estribes no teu
próprio entendimento. Reconhece-o em
todos os teus caminhos, e ele endireitará
as tuas veredas. Não sejas sábio a teus
próprios olhos; teme ao Senhor e aparta-
te do mal.” (Provérbios 3:5-7) 8
“Respondeu-lhes Jesus: Tende fé em
Deus.” (Marcos 11:22) 9 “Portanto,
assim como recebestes a Cristo Jesus, o
Senhor, assim também nele andai,
arraigados e edificados nele, e
confirmados na fé, assim como fostes
ensinados, abundando em ação de
graças.” (Colossenses 2:6-7) 10 “E a
paz de Cristo, para a qual também fostes
chamados em um corpo, domine em
vossos corações; e sedes agradecidos. A
palavra de Cristo habite em vós
ricamente, em toda a sabedoria; ensinai-
vos e admoestai-vos uns aos outros, com
salmos, hinos e cânticos espirituais,
louvando a Deus com gratidão em
vossos corações.” (Colossenses 3:15-
16) volta para que sua confiança se
estabeleça unicamente nEle, pois a única
forma de Ele lhe dar descanso e cura é
se você confiar plenamente no Seu
favor. Ele lhe dará o descanso por você
desejado. Tudo é possível ao que crê!
Não importa quão longe a depressão e a
angústia da alma o levaram, o amor e a
graça de Deus o acharão.

“Para onde me irei do teu


espírito, ou para onde fugirei da
tua face? Se subir ao céu, lá tu
estás; se fizer no inferno a minha
cama, eis que tu ali estás também.
Se tomar as asas da alva, se
habitar nas extremidades do mar,
até ali a tua mão me guiará e a
tua destra me susterá. Se disser:
Decerto que as trevas me
encobrirão; então a noite será luz
à roda de mim. Nem ainda as
trevas me encobrem de ti; mas a
noite resplandece como o dia; as
trevas e a luz são para ti a mesma
coisa; Pois possuíste os meus
rins; cobriste-me no ventre de
minha mãe.” (Salmos 139:7-13)

Ele se interessa por você, caso fosse


o contrário, Ele jamais teria dado seu
único Filho por você, como está escrito:
“Aquele que nem mesmo a seu próprio
Filho pou-pou, antes o entregou por
todos nós, como nos não dará também
com ele todas as coisas?” (Romanos
8:32).
Jesus é o príncipe da paz; estar nEle é
estar em paz. “Paz” tem significados
tremendos tanto no Velho Testamento
(VT) como no Novo Testamento (NT).
No VT é Shalom, que significa
prosperidade e bem-aventurança; no NT,
em grego, é Heireny, que significa atar
tudo em um só feixe e ter domínio
próprio.
A paz do NT é uma pessoa – Cristo –
que nos foi dada; e hoje, na pessoa
bendita do Santo Espírito, habita em
nós, nos assiste em nossas fraquezas
com gemidos inexprimíveis. Em
Romanos 8:26[Nota 11], Paulo nos afirma
categoricamente que o Espírito Santo é o
provedor de nossa alegria, gerando paz
em nosso interior. Se o Espírito Santo
gera paz em nosso interior, percebo
então que as minhas circunstâncias não
têm nada a ver com minha paz, porque o
gerador de minha paz está dentro de
mim.
As expectativas da minha vida
saudável, relativas à paz, estão no meu
interior, e como comentamos em um
outro texto, “ninguém tem o poder de
tirar ou controlar minha paz interior”.
Eu e o Espírito Santo é que temos
total controle sobre o meu interior e
ninguém poderá me ferir acima do que
eu permitir. O que fazem comigo não é
de nenhuma importância, a
importância está no que eu vou fazer
do que fazem comigo. Se ninguém pode
controlar o meu interior, EU sou o
senhor das minhas emoções e as
circunstâncias não poderão me atingir,
logo, não serei um candidato à
depressão.
Há três tipos de pessoas na vida: as
que se submetem e são controladas pelas
circunstâncias; as que se neutralizam,
não permitindo o controle, mas não
reagem a elas; e as que promovem sua
própria circunstância. Esse terceiro
grupo são as que não permitem serem
controladas por ações exteriores, pois
elas possuem a maior força no seu
interior.
Em 1 Samuel 17, está registrado que a
nação de Israel se submeteu a uma
circunstância determinada pelos
filisteus, e Saul – o rei que nada fazia –
mesmo com uma aparência de quem não
aceitava a condição, não agia. E Davi
criou suas próprias circunstâncias e
reagiu matando o gigante filisteu que
antes comandava as circunstâncias de
Israel nos dias do rei Saul.
Se eu permitir que outros criem
minhas circunstâncias, ficarei sempre à
mercê do controle dos outros em minha
vida e serei, com certeza, uma pessoa
infeliz e propensa à depressão, e eu não
posso permitir que outros determinem o
meu potencial; posso até ouvi-los, mas a
última análise tem de ser minha. Lembra
das opiniões dos irmãos de Davi e Saul
a respeito dele? Mas Davi não se deixou
levar e com uma atitude iniciou um novo
tempo para ele e toda Israel.
Aqui aprendemos que ninguém pode
influenciá-lo para o fracasso. Alguém
disse que “a vida” é 10% do que nos
acontece e 90% de como reagimos ao
que nos acontece.
Notas do Capítulo

Nota 7 - “Confia no Senhor de todo o teu


coração, e não te estribes no teu
próprio entendimento. Reconhece-o
em todos os teus caminhos, e ele
endireitará as tuas veredas. Não sejas
sábio a teus próprios olhos; teme ao
Senhor e aparta-te do mal.”
(Provérbios 3:5-7) [Voltar]
Nota 8 - “Respondeu-lhes Jesus: Tende fé em
Deus.” (Marcos 11:22) [Voltar]
Nota 9 - “Portanto, assim como recebestes a
Cristo Jesus, o Senhor, assim
também nele andai, arraigados e
edificados nele, e confirmados na fé,
assim como fostes ensinados,
abundando em ação de graças.”
(Colossenses 2:6-7) [Voltar]
Nota 10 - “E a paz de Cristo, para a qual
também fostes chamados em um
corpo, domine em vossos corações; e
sedes agradecidos. A palavra de
Cristo habite em vós ricamente, em
toda a sabedoria; ensinai-vos e
admoestai-vos uns aos outros, com
salmos, hinos e cânticos espirituais,
louvando a Deus com gratidão em
vossos corações.” (Colossenses
3:15-16) [Voltar]
Nota 11 - “E da mesma maneira também o
Espírito ajuda as nossas fraquezas;
porque não sabemos o que havemos
de pedir como convém, mas o mesmo
Espírito intercede por nós com
gemidos inexprimíveis.” (Romanos
8:26) [Voltar]
Capítulo 2
Como Evitar O
Desânimo

Falamos, há pouco, sobre não


alcançar expectativas e nos frustrarmos
logo depois.
Pois bem, isso pode acontecer nos
relacionamentos: pode ser um
desapontamento com alguém que você
não esperava, pode acontecer em uma
luta para deixar um vício ou um pecado
não abandonado depois de várias
tentativas sem sucesso.
A frustração pode levar a um
esgotamento mental a ponto de a pessoa
pensar em desistir por se julgar incapaz
de resolver tal problema ou se livrar do
mau hábito do pecado.
Muitos estão a caminho de uma forte
depressão, por se acharem incapazes de
sair do problema, possuem uma mente
que as condena e as faz pensar que
nunca voltarão a agradar a Deus, e por
isso se sentem as piores pessoas da face
da terra.
Como reagir a uma situação assim?
Em primeiro lugar, não tente fazer
uma lista religiosa de tarefas e votos!
Pare de tentar fazer algo com sua força e
recorra a Cristo pela fé, pois quanto
mais você recorrer à sua força, pior
poderá ficar. Lembre-se: não é uma lista
de “faça e não faça” que irá tirá-lo da
depressão. Vá para as Escrituras com a
ajuda de alguma autoridade espiritual,
para auxiliá-lo a retomar a fé.

“E da mesma maneira também o


Espírito ajuda as nossas
fraquezas; porque não sabemos o
que havemos de pedir como
convém, mas o mesmo Espírito
intercede por nós com gemidos
inexprimíveis. E aquele que
examina os corações sabe qual é a
intenção do espírito; e é ele que,
segundo Deus, intercede pelos
s a n t o s . ” (Romanos 8:26-27)
“Sabendo que, se o nosso coração
nos condena, maior é Deus do que
o nosso coração, e conhece todas
as coisas.” (1 João 3:20).
“Deus é maior e mais forte do que
sua autocondenação, e está pronto
para fazer muito mais do que você
pediu, sonhou ou pensou”.
(Efésios 3:20)
Talvez a sua indisposição seja tão
grande que você não se sente nem com
vontade de mudanças. É lógico que isso
pode acontecer, você está depressivo.
Mas vá para as Escrituras, em
Filipenses 2:13: “Tanto o querer como
o efetuar vem de Deus” ; 1 Coríntios
2:9: “Mas, como está escrito: As coisas
que o olho não viu, e o ouvido não
ouviu, e não subiram ao coração do
homem, são as que Deus preparou para
os que o amam” .
O Espírito Santo lhe mostrará uma
saída, se você foi abusado por alguém
ferido, desapontado, não importa o que
fizeram com você, o que importa é o
que você fará com o que fizeram com
você. Ninguém tem o poder de lhe
causar um sofrimento pelos danos que
lhe fizeram acima do que você
permite.
Lembra-se de José do Egito? E Jesus
de Nazaré? Se a sua paz está no controle
dos outros, você sempre terá problemas
sobre ela. Seja o controlador de sua paz,
não permitindo acesso a ela, ainda que
sejam pessoas, eventos ou coisas. Nunca
ligue sua paz de espírito a pessoas, pois
elas podem desapontá-lo, nem crie
expectativas demasiadas em eventos,
pois eventos podem surpreendê-lo, nem
em coisas, elas envelhecem e se
modificam.
Paulo, em Filipenses 4:12-13[Nota 12],
diz que: viver em paz é algo que
aprendemos, é uma conquista interna e
não depende de nada do externo. Paulo
nos aconselha a mantermos a paz de
vida (2 Coríntios 4:16-18[Nota 13]). O
nosso foco irá atrair a nossa total
atenção, e a nossa total atenção sugará a
nossa força. Se o nosso foco for bom,
valerá o esforço e dele virá a
recompensa. Focar em muitas coisas de
uma vez nos leva a um cansaço de mente
e esgotamento espiritual mais rápido.
Como evitar o acúmulo de foco?
Paulo, em Colossenses 3:23[Nota 14], diz
que devemos ter entrega total no que
fazemos, ou seja, uma coisa de cada vez,
de todo o coração. Se você está
comendo, entregue-se ao sabor e ao
degustar da comida, sem focar em outra
coisa. Isso lhe dará proteção mental e
não terá esgotamento de espírito.
Administre bem seu tempo, não o usando
de forma destrutiva (Eclesiastes 3:1[Nota
15]). Se você atropela seu tempo,

usando-o de forma mal administrada,


saiba que ele nunca volta. Procure viver
intensamente cada minuto de vida, com o
máximo de excelência, aproveitando
cada instante para deixar uma obra nesta
passagem por aqui. Não viva cobrando
de você o que você não pode pagar nem
se forçando a entender, a decifrar o
indecifrável (Deuteronômio 29:29[Nota
16]).

Não gaste seu tempo com o dia de


ontem e não se frustre com o amanhã,
lembre-se do ditado: “Há dois dias no
ano que ninguém pode fazer nada, o
ontem e o amanhã, pois temos
disponível o hoje e quando o amanhã
chegar, também vai ser hoje”. Não
procrastine o que você pode fazer hoje,
com todo o seu coração, com entrega
total.
Atualmente, precisamos tomar muito
cuidado com os avanços da tecnologia.
São tantas coisas maravilhosas que o
homem tem descoberto para facilitar a
nossa vida e que o bom uso nos dá
condições melhores de viver do que
viveram as gerações passadas. No
entanto, o mau uso nos causará um
sofrimento futuro sem pre-cedentes. O
uso inadequado das novas tecnologias
diminuirá o nosso potencial e reduzirá
nossos movimentos físicos e
emocionais, que não podem ser
substituídos e sempre nos promoveram
muita saúde.
A geração de hoje dificilmente
exercita a mente pela facilitação das
máquinas, que foram trazendo tudo
pensado. Já não há mais escrita manual e
muito pouco de correção de exercícios
usando a mente. As máquinas já
corrigem tudo. No caso dos exercícios
físicos, por exemplo, as pessoas saem
do trabalho e se mudam para as
academias onde há máquinas
sofisticadas no dia a dia.
Tudo isso, havendo bom uso, é
sensacional, mas o mau uso tem
sacrificado pessoas, espírito, alma e
corpo ao redor do mundo. Muitas, por
usarem mal determinadas máquinas,
distanciam-se umas das outras e, no
isolamento, na ilusão de unir quem está
longe, acabam distanciando quem está
perto.
Notas do Capítulo

Nota 12 - “Sei estar abatido, e sei também ter


abundância; em toda a maneira, e em
todas as coisas estou instruído, tanto
a ter fartura, como a ter fome; tanto a
ter abundância, como a padecer
necessidade. Posso todas as coisas
em Cristo que me fortalece.”
(Filipenses 4:12-13) [Voltar]
Nota 13 - “Por isso não desfalecemos; mas,
ainda que o nosso homem exterior se
corrompa, o interior, contudo, se
renova de dia em dia. Porque a nossa
leve e momentânea tribulação produz
para nós um peso eterno de glória
mui excelente; Não atentando nós nas
coisas que se veem, mas nas que se
não veem; porque as que se veem são
temporais, e as que se não veem são
eternas.” (2 Coríntios 4:16-18)
[Voltar]
Nota 14 - “E tudo quanto fizerdes, fazei-o de
todo o coração, como ao Senhor, e
não aos homens.” (Colossenses 3:23)
[Voltar]
Nota 15 - “Tudo tem o seu tempo determinado,
e há tempo para todo o propósito
debaixo do céu.” (Eclesiastes 3:1)
[Voltar]
Nota 16 - “As coisas encobertas pertencem ao
Senhor nosso Deus, porém as re-
veladas pertencem a nós e a nossos
filhos para sempre, para que cumpra-
mos todas as palavras desta lei.”
(Deuteronômio 29:29) [Voltar]
Capítulo 3
Discernindo As
Ações Do Espírito
De Suicídio

O suicídio nunca foi uma orientação


do Espírito Santo, sendo assim, o que
está por trás do suicídio é um espírito de
um anjo caído (demônio), a serviço de
satã, e não de Deus.
As ações do espírito do suicídio é
tentar convencer você a pôr fim em sua
vida, mas não é este o seu desejo nem
intenção.
A pessoa que está sendo vítima de
uma depressão não quer se matar, quer
matar a dor, mas o espírito do suicídio
irá agir com toda força, confundindo-a
para cometer o suicídio e, com isso,
tentará provar ao depressivo que não há
outra saída senão suicidar-se.
O espírito do suicídio vai lhe sugerir
a se isolar de tudo e de todos para fazê-
lo ainda mais vulnerável, trará à sua
memória suas decepções e seus
fracassos para prendê-lo e tentará
convencê-lo de que a culpa é de alguém,
levando-o a uma prisão de
autocondenação sem saída. Por que ele
faz isso? Porque isso alimentará ainda
mais a sua dor.
O espírito do suicídio sempre
trabalhará na sua fragilidade,
convencendo-o de que é impossível
matar a sua dor e que a solução está em
dar um fim à sua vida. Ele agirá com
muita força para provar que se matando
acabarão o seu sofrimento e a angústia
da sua alma e que não há outra solução.
Podemos neutralizar as suas ações
pela fé em um Cristo que é sempre
presente. Ele veio para me dar vida e
vida com abundância.
Não importa o tamanho da nossa dor,
nem a profundidade da nossa angústia,
nenhum sofrimento, tristeza ou
depressão é justificativa para tirarmos a
nossa vida. “O choro pode durar a
noite inteira, mas alegria virá ao
amanhecer.” (Salmos 30:5)
Em primeiro lugar, saiba que o
espírito do suicídio é o espírito da
mentira e do engano. Ele é mentiroso
desde o princípio e jamais achou
verdade nele.
Em segundo lugar, a morte não é o
fim. Morre o corpo, o nosso espírito e
alma não morrem, pois são eternos e
continuam vivos depois do túmulo.
Em terceiro lugar, a sua vida é
preciosa demais, razão do espírito do
suicídio querer convencê-lo do
contrário. Ele vai tentar iludi-lo a tomar
a decisão mais errada que um ser
humano pode tomar.
Em quarto lugar, há uma saída SIM. A
dor pode acabar sem acabar com sua
vida, existe uma SAÍDA e não é o
suicídio.
A morte não é o fim, e o momento de
passarmos por ela é determinado por
quem nos deu a vida. Não temos o
direito de tirar a vida de ninguém e
muito menos a nossa.
1º - Há um potencial criado por Deus,
ainda desconhecido em você, e o
Espírito Santo quer lhe revelar que irá
adicionar todo seu mecanismo de cura.
“Mas, como está escrito: As coisas que
olhos não viram, nem ouvidos ouviram,
nem penetraram o coração do homem,
são as que Deus preparou para os que
o amam.” (1 Coríntios 2:9).
2º - Há sempre uma pessoa que Deus
já preparou e colocou nos seus caminhos
para ajudá-lo a vencer as ações do
espírito do suicídio. Esta pessoa já
existe e está pronta para ser instrumento
de Deus em sua vida.
3º - Ainda que sua fé pareça fraca e
pequena será suficiente para acionar a
graça e o amor de Deus para alcançá-lo.
4º - Deus jamais sugere o suicídio a
alguém. Ele não aprova o suicídio em
hipótese alguma, e o quer vivo. Sua dor
é muito menor do que a dor do suicídio,
ainda que pareça maior e sem solução.
Você pode, agora mesmo, neutralizar as
ações deste espírito, em nome de Jesus.
Ele lhe dá força e poder agora para
reagir a esta situação, tomando o
controle da sua vida.
A ousadia do espírito do engano, ao
sugerir o suicídio ao Senhor Jesus:
“Então o diabo o levou à cidade santa,
colocou-o sobre o pináculo do templo,
e disse-lhe: Se tu és Filho de Deus,
lança-te daqui abaixo...” . (Mateus 4:5-
6). Ele teve a audácia de sugerir a Jesus
que se atiras-se do pináculo do templo.
De onde você acha que vêm hoje as
sugestões para o suicídio? Vêm do
mesmo encardido Satanás. Deus está
vivo e o quer vivo. Pense nisso.
Capítulo 4
O Nosso Exemplo
De Vida Perfeita

O ministério do verbo que se fez


carne, Isaías, 740 anos antes, nos deu o
discernimento da encarnação do
Messias: Isaías 9:6: “um menino
nasceu, um filho nos deu...” . Um
menino nos nasceu: Jesus, filho de Davi,
nascido de Maria, de Nazaré, 100%
homem. Um filho nos deu: Cristo 100%
Deus. O governo está sobre Seus
ombros e Seu nome será: Maravilhoso,
Conselheiro, Deus Forte, Pai da
Eternidade, Príncipe da Paz. Então
Jesus, como homem, experimentou todo
tipo de tentação e prova humana. Em
tudo Ele foi provado e em todas as
tribulações que passamos hoje. João
16:33 ( “Tenho-vos dito isto, para que
em mim tenhais paz: no mundo tereis
aflições, mas tende bom ânimo, eu
venci o mundo.” ) diz que Jesus, como
homem, venceu toda gama da vida
humana, incluindo as doenças da alma.
Ele nunca ficou doente, não porque era
Deus, mas porque, como homem, não
permitiu que alguém controlasse as suas
emoções, nem tampouco a sua paz.
Logo após a Ceia, as Escrituras nos
dizem que mesmo sabendo que no dia
seguinte seria crucificado, Ele cantou
um hino. Jesus vivia um dia de cada vez
com plena saúde e paz, não permitindo
se contaminar com as circunstâncias.
Qual será o segredo de Jesus? Ele
dava total primazia ao seu EU principal:
o espírito. Ele tinha total domínio
próprio pela saúde de seu espírito.
Provérbios 18:14: “O espírito firme
sustém o homem...” . 2 Timóteo 1:7:
“...porque Deus não nos tem dado
espírito de covardia, mas de poder, de
amor e domínio próprio...” . Todo o
domínio e controle de nossas emoções
dependem da saúde de nosso espírito.
Um espírito sadio não permitirá sermos
controlados pelas emoções, mas
gerenciará todas elas para nos servir.
Como já mencionei em outro capítulo,
as emoções (ira, medo, tristeza) nos
foram dadas por Deus para nos servir, e
não nos controlar. Jesus, quando aqui
viveu, foi o exemplo de um ser humano
completo e perfeito, não porque era
Deus, mas como homem, Jesus, filho de
Davi. Assim como Deus, Ele não
precisava provar nada em sua vivência
aqui, pois já é perfeito de eternidade a
eternidade, mas como homem, venceu
toda gama da terra, e o Seu segredo era
sua saúde espiritual: o seu espírito
nunca permitiu que o mal tivesse
qualquer tipo de legalidade em sua vida
para enfermá-lo: “... o príncipe deste
mundo nada tem em mim...” (João
14:30). O espírito de Jesus, o “seu eu
principal” – e aqui não estou falando do
Espírito Santo, estou falando do espírito
humano do homem, o mesmo que Jesus
entregou ao Pai na cruz.
O espírito de Jesus sustentou Sua
alma e corpo até aquele momento na
cruz, portanto, Jesus foi um exemplo de
como viver e vencer, controlando as
emoções a serviço e propósito da vida,
ou seja, Ele nunca ficou doente, nunca se
deprimiu, nunca foi controlado pelas
circunstâncias e nos dá o poder do qual
necessitamos para viver como Ele
viveu. Ele foi para a cruz como o
remédio e deu Sua vida, morreu a minha
morte e nos deu a Sua vida.
Capítulo 5
Quando A Busca
De Sentido Da Dor
Se Torna Pior Que
A Dor

Quando a busca de sentido da dor se


torna maior que a dor?! Por que tudo
isso? Mais do que qualquer outra coisa,
o sofrimento abala a nossa fé. Mas a
busca brutal do “por quê” pode nos
levar a um sofrimento muito maior, pois
rouba nosso tempo, nossa energia e
poderá nos tirar totalmente a força da
recuperação. Talvez ainda mais
perturbador do que a própria dor seja
sua ausência de sentido ou razão.
Eu só queria que alguém me dissesse
se existe uma razão. O que realmente
eleva a indignação de uma pessoa em
relação ao sofrimento não é o sofrimento
em si, mas sua falta de sentido. Por que
eu? A nossa intensa busca de razão pela
dor – seja de um abuso, de uma
decepção ou algo ainda mais forte – fará
prolongar o tempo da permanência da
dor em si, por isso, a nossa busca por
possibilidades inclui a nossa fixação
pelo motivo de existir uma
possibilidade em que a dor já não seja
mais o problema, mas algo que se
instalou em nossa alma de tal forma
que o nosso cérebro codificou uma
situação que já não existe. Certamente
você já ouviu a frase: “faça uma
limonada destes limões que a vida lhe
ofereceu”.
Entretanto, após uma busca intensa
pela razão da dor – sem nenhum sucesso
–, a pessoa entra em um estado de
desespero e, nesse desespero, ela tende
a se isolar e, muitas vezes, é nesta
desistência que um espírito de engano
começa a atuar, sugerindo à pessoa em
depressão dar fim em sua vida, como se
a morte fosse o fim.
Na verdade, a sugestão do mal não é
visando uma solução, mas sim um
começo de um sofrimento muito pior.
Neste caso, a pessoa precisa, com
urgência, de assistência espiritual, pois
só um tratamento psicológico não trará a
libertação necessária. Todo cuidado
com uma pessoa nessas condições é
muito importante, é bom saber que
sempre há uma saída.
Neste livro, fiz questão de publicar
um testemunho de um ex-deprimido que
recebeu a cura total da depressão e se
livrou de uma vez por todas dos
espíritos enganadores, que por vezes lhe
sugeriram o suicídio como saída. Você
poderá ler este depoimento real aqui.
Pois Deus não “controla” a doença, mas
de fato a elimina. Êxodo 15:26: “...eu
sou o Senhor que te sara” .
Capítulo 6
Como Deus Trata
Um Depressivo?

Depressões repentinas, pessoas que


caminham pela fé, na graça e no amor de
Deus e, de súbito, se esgotam
espiritualmente, deprimindo-se, todavia,
antes não haviam percebido em suas
vidas nenhum sintoma que comumente as
induzisse à depressão; no entanto, de
súbito, esses indivíduos se desanimaram
demais para prosseguir.
São pessoas diferentes da vela que
gradualmente vai se queimando e, de
repente, dá uns estalos e se apaga. São
pessoas semelhantes à vela que arde em
chamas e, repentinamente, apaga-se.
Todos se voltam e perguntam: o que
aconteceu?
Elias foi assim quando o vimos no
cume de sua carreira. É difícil deixar de
pensar nele como um tipo de
“supercrente”, alguém que ocupa uma
classe diferente das demais.
É interessante que Elias é o único
crente nas Escrituras sobre o qual somos
advertidos para o considerarmos como
pessoa comum: “Elias era homem,
sujeito às mesmas paixões que nós, e
orou com fervor...” (Tiago 5:17).
Pouco sabemos a respeito de Elias. A
Bíblia o chama de profeta de Israel. Em
Efésios 6:13[Nota 17], Paulo disse que
depois de termos vencido tudo, devemos
permanecer inabaláveis. Elias venceu os
profetas de Baal e ouviu a nação de
Israel aclamar “só o Senhor é Deus”, e
os profetas tentaram escapar, mas foram
todos executados pessoalmente por
Elias, pelo crime de induzir a nação ao
erro, extraviando-a e pela multidão de
israelitas que haviam condenado à
morte. Logo após, subiu ao cume do
monte Carmelo e orou por sete vezes
para que tornasse a chover em Israel, e
choveu! Essas foram duas grandes e
maravilhosas conquistas do Santo
profeta. No triunfo daquele momento,
Elias ficou física e emocionalmente
exausto.
É possível que, por causa das
emoções daqueles dias, ele não
estivesse consciente de sua situação.
Embora estivesse cansado e precisasse
de sono, isso não seria possível agora. É
quase certo que Elias, tendo de se
preparar para o confronto no monte
Carmelo, não houvesse dormido na noite
anterior. Ele teve de viver aquele grande
dia em um sol escaldante e todas as
enormes tensões que o acompanhavam,
embora tivesse confiança no Deus que
servia.
Elias experimentou tremendo estresse.
O pastor pode ministrar com
facilidade e calma pela unção recebida,
porém, depois, o seu corpo estará
exausto pelo esforço de ficar perante o
público.
Os momentos elevados que se
seguiram imediatamente após a descida
do fogo dos céus sobre o altar, quando a
multidão rompeu num entusiasmo
selvagem –, ele sabia que isso
aconteceria, todavia, o acontecimento
seria marcado por todas as emoções,
tanto em seu corpo como em sua alma.
A tarefa de executar os 450 profetas
pessoalmente lhe tirou as forças, talvez
mais do que ele pudesse perceber. Seus
braços, cansados de tantos golpes de
espada, seriam suficientes para fazer
uma pessoa precisar com urgência de
uma boa cama. Completamente exausto,
Elias foi apanhado no meio de uma
celebração nacional da vitória que
conquistou na maior exaustão de sua
vida.
Por uma mensagem de Jezabel, o
mensageiro foi cruel e disse: “Assim me
façam os deuses, e outro tanto, se até
amanhã a estas horas eu não fizer a tua
vida como a um deles.” (1 Reis 19:2).
Quando o profeta Elias leu a mensagem,
o mundo para ele desmoronou. À
semelhança do vento que apaga a chama
da vela, as palavras de Jezabel
arrebentaram com a alma aquecida do
profeta, e o abateu de súbito. As poucas
palavras da rainha tinham um volume de
ameaças pesadas demais para a mente
cansada do profeta. Então, ele desabou
em uma depressão súbita. Elias
desesperou-se. Aquilo que trabalhara
durante anos entrou em colapso diante
de seus olhos cansados.
Ele havia alimentado uma certeza de
que Baal seria banido da nação de Israel
para sempre. Contudo, na luz da
mensagem recebida, Baal estava ali para
permanecer. Esse pensamento abriu a
porta de sua mente para outros mais
sombrios duelos de morte e dor. Aquele
grande triunfo havia se convertido em
uma grande derrota na mente cansada de
Elias, e ele começou a se lembrar com
amargura de todos os crentes que não o
apoiaram: se todos que diziam ser
crentes o houvessem apoiado no
Carmelo, Jezabel teria entendido que os
dias de Baal haviam chegado ao fim,
mas, na verdade, ela estava rindo do
homem que foi às montanhas. Todos
aqueles pseudocrentes o teriam
abandonado e o deixado sozinho.
A cuidar do inimigo, entretanto, a
fúria de Elias para com os crentes não
terminava. Onde estava Deus em tudo
isso? Será que Deus não se importava
com o fato de seus altares estarem
derrubados em ruínas, e seu povo
escravizado por Baal? Por que Deus não
bania Jezabel? Elias achou que era o
único crente em Israel, único profeta,
isso o fez desistir e pedir demissão ao
Senhor que o aceitou: “Já basta, ó
Senhor; toma agora a minha vida
(minha alma) , pois não sou melhor do
que meus pais” (1 Reis 19:4).
Muitos crentes esgotados
espiritualmente têm se atirado em uma
cama, depressivos, fazendo essa mesma
oração e se demitindo de tudo e da vida.
Cheios de dor na alma, amargurados,
estão dizendo: “já basta, quero morrer!”.
Quando esse é o pensamento
predominante e não sobrou nada pelo
qual valha a pena viver ou continuar
existindo, a morte é bem-vinda.
Uma pessoa descreveu muito bem a
situação, quando disse: “nada sobrou
capaz de me entusiasmar ou me inspirar,
não sobraram desafios que me
interessem para serem enfrentados, estou
entediado na vida, quero morrer...”.
E assim, no abalo da mensagem da
rainha, caminhou rumo ao deserto e,
nesta ocasião, Elias dispensou o
companheiro e se isolou.
Uma das primeiras ideias do
deprimido é se isolar, ficar só, e assim
fez o profeta. Mas aprendemos que não
existe distância que a depressão e o
desapontamento nos levam em que a
graça e o amor de Deus não nos
alcancem. Ele nos busca no mais
profundo abismo do nosso ser e das
nossas decepções com a vida. Assim
como Deus curou Elias, Ele nos cura
também.
Qual foi o processo usado por Deus
para curar Elias? Ele não respondeu à
oração que o profeta desejou sobre ele,
oração feita de sentimentos de
desespero.
Graças a Deus, pelo seu grande amor
por nós, de modo que nem sempre
responde às nossas orações, e tampouco
ouve todas as palavras que escapam de
nossa boca. Caso assim o fizesse, a
população da terra ficaria bem menor.
Deus curou Elias revelando a ele Sua
graça de uma maneira que o profeta
jamais tinha visto ou experimentado.
Algumas pessoas ficam surpreendidas
por não encontrarem nenhuma
condenação vinda dos lábios de Deus,
nesse episódio. O amor de Deus pelo
Seu servo trouxe-lhe de volta a sanidade
espiritual. O Senhor não o abandonou.
Em todas as caminhadas de Elias
durante as semanas seguintes, Deus
caminhou ao seu lado. Enquanto o
profeta fervia em seu furor e amargura,
Deus permaneceu em silêncio em Seu
amor, esperando que Elias chegasse ao
lugar onde estaria pronto para ouvir o
que Ele tinha a dizer.
É exatamente isso que Ele, em seu
infinito amor, faz conosco hoje – pois
somos contemporâneos de Elias (Tiago
5:17[Nota 18]). Veja que Deus nem mesmo
exigiu que Elias dedicasse sua vida ao
ministério em serviço divino, Ele
simplesmente o amou na situação em que
se encontrava. O primeiro passo deste
amor foi cuidar das necessidades físicas
de seu servo. O profeta precisava
desesperadamente s e recompor. Deus
então colocou um anjo para cuidar dele
debaixo de um zimbro. O anjo o guardou
enquanto ele dormia profundamente.
Deus não só o fez dormir, mas
colocou o anjo para cozinhar para ele
uma refeição forte, para recompô-lo.
Muitas horas depois, o anjo o acordou.
Elias, ao despertar, percebeu que ali, em
sua cabeceira, havia pão quente recém-
assado em brasas para ele comer e se
recompor. Ainda sonolento, comeu e, em
seguida, recaiu em profundo sono.
Mais tarde – talvez depois de mais de
um dia de sono –, o anjo o acordou outra
vez para uma segunda refeição. Ao tratar
do problema da depressão do profeta e
de sua exaustão, é preciso que não nos
esqueçamos de que somos espíritos que
vivem em um corpo físico, e a
ressurreição do corpo ainda não
ocorreu.
Se abusarmos de nosso corpo
mediante a má comida, a falta de sono,
de um programa de sobrecarga de
trabalho, com pouco ou nenhum tempo
para a recuperação, podemos ter toda
certeza de que tudo isso refletirá em
nossas emoções desgastadas, em nossa
mente obscurecida e espírito exausto.
Em seu amor e sabedoria, Deus
estava concedendo ao profeta um dia de
descanso emergencial, e essa bênção
deu alento e força ao profeta. Paulo
destaca que nossa fraqueza humana é
necessária para que possamos estar
constantemente experimentando o poder
de Cristo em nós: “Temos, porém, este
tesouro em vasos de barro para que a
excelência do poder seja de Deus e não
de nós” (2 Coríntios 4:7).
Quando sofremos pressão, se não
estivermos conscientes do perigo, fica
fácil perder de vista a graça, e podemos
ficar desorientados e cair na armadilha
de tentar tirar forças de nós mesmos.
Seguindo um caminho por decisão
própria, foi o que Elias fez após a
segunda refeição preparada pelo anjo,
ele saiu de debaixo do zimbro e dirigiu-
se para o Sul, caminhou pelo deserto e,
durante quase seis semanas, com a força
daquele pão, percorreu 320 km.
Descreveu Moisés: “Aquele deserto de
serpentes avassaladoras, de escorpiões
e terra árida e sem água...”
(Deuteronômio 8:15).
Durante todos aqueles dias e noites,
um único pensamento rodava na mente
de Elias, como se fosse um “disco
arranhado”, e, chegando ao fim de sua
viagem torturante, ele falou com Deus e
essa frase foi a primeira coisa que saiu
de sua boca: “tenho sido zeloso pelo
Senhor, Deus dos exércitos, porque os
filhos de Israel deixaram a Tua
aliança, derrubaram os Teus altares e
mataram os seus profetas à espada; só
eu fiquei e agora estão tentando matar-
me também...” (1 Reis 19:10). Aqui ele
revela o ponto principal de sua
depressão: o zelo do Senhor lhe causou
uma frustração tamanha, que mesmo
depois de todo tratamento “VIP” do
anjo, e de sua longa jornada, ainda
martelava em sua mente o insucesso de
todo o acontecido dos últimos dias. Não
era o que Elias esperava. Mesmo depois
de sua longa jornada de 320km, Elias
não havia avançado nem um milímetro
em sua mente. Tudo que ele martelava
nos pensamentos eram queixas
derivadas de seu amargo
desapontamento com as pessoas.
Elias foi atraído para o lugar em que
Deus, pela primeira vez, estabeleceu
aliança com o povo de Israel. Agora,
depois de tanto tempo, o profeta achava
que era o único crente que restara em
Israel. Ele precisava saber o que Deus
planejava fazer dali em diante.
Encontrou uma caverna onde entrou e
aguardava o Senhor, e não foi
desapontado, mesmo vindo para um
lugar inverso do que o Senhor queria,
Deus foi ao seu encontro: “que fazes
aqui, Elias?” (1 Reis 19:9). E o Senhor
não o condenou por tal decisão. Em vez
de condená-lo, Deus o redirecionou para
o lugar em que Ele planejara. Embora
agindo pela primeira vez sem ordem
específica de Deus, Deus não o
condenou, mas mostrou seu amor
paciente e misericordioso ao profeta.
Deus conhecia as razões de o profeta
estar tão deprimido e frustrado...
“Tenho sido zeloso pelo Senhor
Deus dos exércitos, porque os filhos de
Israel deixaram a Tua aliança,
derrubaram os Teus altares, e mataram
os Teus profetas à espada. Só eu fiquei
e agora estão tentando matar-me
também.” (1 Reis 19:10). Elias deveria
ter relatado que seu zelo pelo Senhor
deu um grande resultado, pois milhares
de filhos de Israel voltaram para o
Senhor arrependidos.
O que Acabe e Jezabel estavam
fazendo era reagir a uma grande derrota
de Baal e seus seguidores. Entretanto, na
frustração e na concepção do profeta
nada tinha mudado, ele questionava a
Deus: “O que o Senhor fez?” , era a
pergunta dele, pois nada mudou mesmo
depois da experiência do Carmelo. Era
como se nada tivesse acontecido.
Jezabel estava agindo. “É isto o que
estou fazendo aqui, Senhor?”
Uma pessoa frustrada, com uma
expectativa não alcançada, tende a
não perceber os resultados de sua fé e
a esquecer o que Deus já realizou em
sua vida, ministério e tudo mais. Foi o
que houve com Elias. Veja que o
primeiro passo do Senhor foi retirar
Elias da caverna e mostrar-lhe os seus
feitos através de sinais, dos
acontecimentos – fortes ventos,
terremotos, chamas de fogo, como se
estivesse dizendo: “Foi assim que
mostrei o meu poder e meus feitos a
Israel na ocasião de outros séculos
antes” (Êxodo 19:16-18[Nota 19]). Depois
de tudo isso, surgiu uma brisa suave, tão
suave que era quase imperceptível, e
uma voz calma e suave, uma quietude
que era audível. Nessa tranquilidade o
profeta reconheceu a presença de Deus
que, através do Seu Espírito, veio curá-
lo.
Deus/Espírito moveu-se como brisa
suave, e Elias O reconheceu e entendeu
com clareza o que Ele queria lhe
transmitir. Deus mostrou Seu poder
através do vento, do terremoto e da
tempestade, demonstrando a Elias que
era o Criador e que controlava todo o
universo, que é o Deus Todo-Poderoso,
que é maior que todos os deuses dos
pagãos. Entretanto, Ele não é apenas
força e onipotência. Como sinal de sua
marca de Criador e controlador do
universo, é também amor e graça (1
João 4:8[Nota 20]). Ele é santo, mas com
uma santidade de amor que expressa Seu
poder com amor.
Quando nos aproximamos dEle,
comprovamos que Ele é brisa suave em
vez de furacão. Com isso, Ele (Deus)
está dizendo: “Não sou controlador
numa exibição de poder”; “Meu Espírito
de graça suave opera no coração das
pessoas”. Ele tratou com Elias
utilizando-se da brisa suave de Sua
preciosa graça, e é dessa maneira que
irá tratar você – o seu Israel espiritual.
Para as pessoas deprimidas e
esgotadas espiritualmente de hoje, que
conhecem a graça de Deus e andam nela
com zelo, o equívoco que chegou a Elias
foi o mesmo. A resposta para o estado
em que nos encontramos é a
compreensão mais profunda da graça de
Deus e a recepção dessa graça para nós
mesmos e de todas as demais pessoas.
Deus se interessa profundamente pelas
injustiças e erros, mas é óbvio que Ele
não se choca, Ele sabe que nenhuma
exibição do Seu poder vai transformar
alguém. Apenas a ação do Seu Espírito
no coração humano é que eficazmente
produzirá a obediência à Sua vontade na
vida de uma pessoa.
O crente é curado da depressão
espiritual ao receber nova revelação de
quem é Deus. Tal fato não faz sentido
para o raciocínio humano. Na nossa
concepção, achamos que ficaremos
curados se pudermos ver Deus trazendo
julgamento sobre todas as pessoas que
nos desapontam ou, pelo menos,
obrigando-as a virem até nós
confessando que estão erradas.
Ficaríamos satisfeitos com uma
demonstração de poder de inigualável
magnitude, chegamos a Deus e exigimos
uma série de providências, de modo que
possamos contar aos outros que O
seguimos, a fim de escapar do buraco da
exaustão espiritual. No entanto, Deus
nos frustra, não nos dá uma fórmula, Ele
nos dá a Si mesmo.
Se você compreender quem é Ele
(Deus), todas as peças começarão a se
encaixar em seus próprios lugares. A
solução para o problema da depressão é
reagir a Deus com um novo frescor,
redescobrir no relacionamento com Ele
Sua voz calma e suave. O Verbo tornou-
se carne e veio viver entre nós, em Jesus
Cristo. A boa-nova do evangelho é que
ressurgiu vencendo a morte, e agora
vive e pelo Seu Espírito sopra vida em
nosso espírito cansado, desmantelado,
em nossa alma aflita e depressiva,
curando-nos com o ministério de Sua
maravilhosa graça. Não há distância em
que os desapontamentos e frustrações da
vida nos levem que a graça não nos
alcance.
Os primeiros cristãos e discípulos do
Senhor são excelentes exemplos: o
mundo deles havia desmorona-do; dois
deles caminhavam pelo caminho da
desistência de volta a Emaús, e suas
faces contavam a história de desespero e
frustrações irremediáveis. Estavam
completamente esgotados, a caminho de
uma vida inesperada de tristezas. A vida
para eles se acabara, os projetos futuros
desapareceram, perspectiva nenhuma de
vida, mundo cinzento, obscuro, prontos
para viverem naquela situação de
desalento até o fim de seus dias. Mas, de
repente, uma voz suave e ressurreta de
entre os mortos, Jesus aproximou-se
deles, sua identidade lhes foi ocultada,
eles derramaram diante dele toda sua
tristeza e resumiram tudo em palavras
que caracterizavam a frustração
espiritual.
“Ora, nós esperávamos que fosse Ele
quem redimisse a Israel...” (Lucas
24:21). Estraçalharam-se as esperanças
no que lhe diziam. Para eles, Jesus
estava morto e enterrado. Então o
Senhor passou a lhes dar nova
perspectiva, revelando o coração e os
métodos de Deus. A chama apagada em
seus corações, como um pavio que
fumega e volta a acender-se, durante a
refeição naquela tarde, Ele lhes revelou
e, em um instante, desapareceu deixando
o coração destes discípulos curados e
reavivados para um novo começo. Vida
nova tudo se tornou: os dois discípulos
correram de volta a Jerusalém para
relatar o episódio aos demais, e contar
tudo aos outros discípulos pessoalmente.
Em seguida, colocou-se diante de todos
eles e soprou a Si mesmo neles. Entrou
na vida dos discípulos sob o som da
brisa suave e eles nunca mais se
deprimiram ou se frustraram.
Muitos conselhos dados e ministrados
hoje no ato de recuperar cristãos com
depressão consistem, na maior parte, de
fórmulas e listas de coisas a serem
feitas, todavia, muito pouco – ou nada –
dessas táticas funcionam.
Deus não é uma fórmula de tarja
preta, tampouco pode nosso coração se
satisfazer com fórmulas. Não sou contra
os métodos científicos, mas acredito que
eles apenas substituem a dependência,
pois creio que toda depressão – seja ela
ativa ou reativa não é só de origem
emocional e física – tem sempre uma
raiz espiritual, e nenhuma fórmula
religiosa com lista de “faça e não faça”
poderá resolver as causas de uma
depressão.
Muitos se tornam esgotados
espiritualmente e depressivos mediante
fórmulas, mas só depois que ouvirem o
som da voz da brisa suave da graça de
Deus em suas vidas é que os conselhos e
sugestões se tornam válidos. Tendo
recebido nova perspectiva, Elias viu-se
pronto para recomeçar a nova missão.
Em seu recomeço, Deus preparou um
companheiro para o profeta – no lugar
daquele do qual se separou no começo
de sua profunda depressão.
Agora, Deus colocou um discípulo
persistente na cola de Elias. Quando
Elias despertou com o novo de Deus,
logo percebeu que não era o único
crente em Israel: havia mais sete mil
crentes na nação que não se curvaram
diante de Baal – Deus mesmo lhe disse.
Essa era a maneira suave de Deus dizer
a Elias que ele não era o único, a graça
de Deus operava onde ele não conseguia
enxergar. Eles não eram nenhum Elias,
não conseguiram lançar mão de Jezabel,
todavia, eram o povo da aliança de
Deus, povo que Ele conhecia.
É fato que um dos péssimos sintomas
da depressão é querer se isolar e,
ficando só, julga ser o único existente
com tamanho problema na terra dos
viventes. Até essa companhia Deus
providenciou para o profeta Elias, o seu
fiel discípulo Eliseu. Sempre haverá
uma companhia ideal que nos ajudará a
trazer de volta nossa autoestima da fé.
Veja que Eliseu não saía de perto de
Elias. Ainda que Elias dispensasse esse
companheiro, ele não o abandonava:
“tão certo como vive o Senhor e vive a
tua alma, não te deixarei” (2 Reis 2:4).
Todas as vezes que Elias convidava
Eliseu para ficar e deixá-lo, o profeta
Eliseu dizia: “Vive o Senhor, vive a tua
alma, não te deixarei” (2 Reis 2:3-6).
Observe que Deus sabe que uma pessoa
que acabou de sofrer uma crise de
depressão jamais pode ficar só.
Voltemos à forma de Deus tratar com
o profeta desistente e depressivo.
A onipotência de Deus fará que uma
pessoa reconheça que Deus existe, mas
não descreve o coração de Deus. A
experiência do monte Carmelo
demonstrou a futilidade de Baal, porém,
não transformou o coração de Jezabel,
Acabe, nem do povo.
Agora, Elias se via prostrado, exausto
– no monte Horebe –, não precisando do
poder de Deus que experimentou no
monte Carmelo, mas, antes, do Seu amor
e de Sua graça, razão de o Senhor não
entrar no terremoto, nem no vento, nem
no fogo, mas no cicio tranquilo e suave
como um sussurro, como um rumor
brando:

“Disse-lhe Deus: sai e põe-te


neste monte perante o Senhor. Eis
que passava o Senhor; e um
grande vento forte que pendia as
rochas e despedaçava as penhas
diante do Senhor, porém o Senhor
não estava no vento; depois do
vento, um terremoto, mas o Senhor
não estava no terremoto, um fogo,
mas o Senhor não estava no fogo;
e, depois do fogo, um cicio
tranquilo e suave.” (1 Reis 19:11-
12)

“Elias, saindo da caverna, eis que


veio uma voz e lhe disse: que fazes
aqui, Elias?” (2 Reis 19:11-13). Foi
assim que Deus interagiu com Elias,
tirando-o da caverna e levando ao
recomeço de tudo. O texto revela a
sutileza desta interação de Deus com o
profeta Elias. Ter experiência com o
poder de Deus é maravilhoso, mas nada
se compara com a experiência de ter o
seu coração cheio de amor e graça.
Cada experiência com Deus é
extraordinária, mas quando interagimos
com o coração dEle, toda depressão
desaparece e Ele nos coloca de pé para
recomeçarmos.
Na experiência com o poder de Deus,
Elias experimentou a grande vitória
contra Baal: matou todos que intentavam
contra Deus. A outra grande vitória que
Elias experimentou com o poder de
Deus foi a resposta de sua oração, para
que voltasse a chover em Israel depois
de três anos de seca. Mas a grande
vitória da experiência vivida com o
poder de Deus não guardou o coração de
Elias contra as ameaças de Jezabel; ele
foi pego de surpresa quando teve que
enfrentar seus medos internos e a
alternativa foi fugir para o deserto da
desistência.
Existem vários tipos de desertos: o
deserto da preparação, o qual o Espírito
Santo levou Jesus (Mateus 4) e que Deus
levou Moisés; o deserto da rebeldia, que
Israel escolheu; e o deserto da
desistência, que Elias preferiu por estar
exausto e depressivo.
Deus tratou com o Seu profeta de
forma maravilhosa, mostrando a ele Seu
amor, Sua misericórdia e trazendo-o a
um recomeço, usando uma interação com
uma voz suave no meio de um cicio
tranquilo. Na brisa suave da presença do
Eterno, eu e você encontramos todas as
saídas dos desapontamentos da vida.
Deus curou o profeta não com um
furacão de poder, mas com uma voz
suave em um sussurro tranquilo, quase
inaudível.
Deus não tem só um meio de agir para
responder as nossas aflições da vida.
Averiguemos agora – atenta-mente – a
maneira como Davi atravessava os
períodos de crises sem que se
esgotassem as suas forças,
desencadeando uma depressão dessas
ocasiões de profundo abatimento,
enfrentado por ele. Está registrado como
música, em Salmos 6:3-6: “A minha
alma está em agonia... estou cansado
do meu gemido; toda noite faço na-dar
a minha cama no choro, e molho o meu
leito com lágrimas...” . Quando lemos 1
Samuel 30:4: “então Davi e o povo que
com ele estava alçaram a sua voz e
choraram até não ter mais forças para
chorar” , aqui estava um homem prestes
a entrar em uma profunda guerra de
queima espiritual, emocional e
depressiva. Como foi que ele se livrou
disso? Onde encontrou forças, para não
parar no fundo do poço? O texto
responde: “e fortaleceu-se no Senhor” .
Que é que Davi viu em Deus que tornou
a trazê-lo a uma consciência que havia
força à semelhança de um músculo
nunca trabalhado esperando para ser
acionado sob esforço? Davi fez uso da
palavra de Deus que ele dispunha nos
seus dias. Ele diz em Salmos 27:1: “O
Senhor é a força da minha vida; de
quem terei medo, a quem me
recearei?”.
O Senhor restaurou as forças do
salmista, deixando-se achar quando
consultado pelo homem em sua maior
angústia de vida, dando novas
estratégias para reconquistar, pela fé, o
que ele havia perdido. É só nEle
confiar, Ele sempre tem uma saída –
como deixou registrado o profeta Naum
(1:3) em seu pequeno livro: “O Senhor
é tardio em irar-se, mas grande em
poder, e ao culpado não tem por
inocente; o Senhor tem o seu caminho
na tormenta e na tempestade, e as
nuvens são o pó dos seus pés” . Ele tem
um caminho na tormenta, e na
tempestade, quando tudo falha e as
esperanças se desvanecem, é só
sossegar e saber que Ele é Deus, Deus
de Elias e Deus de Davi e seu Deus.
Salmos 46:10: “Aquietai-vos, e sabeis
que Eu sou Deus; serei exaltado entre
os gentios”.
Notas do Capítulo

Nota 17 - “Portanto, tomai toda a armadura de


Deus, para que possais resistir no dia
mau e, havendo feito tudo, ficar
firmes.” (Efésios 6:13) [Voltar]
Nota 18 - “O profeta Elias era um ser humano
como nós. Ele orou com fervor para
que não chovesse, e durante três anos
e meio não choveu sobre a terra.”
(Tiago 5:17) [Voltar]
Nota 19 - “Ao amanhecer do terceiro dia,
houve trovões e relâmpagos, e uma
espessa nuvem sobre o monte, e mui
forte clamor de trombeta, de maneira
que todo o povo que estava no arraial
se estremeceu. E Moisés levou o
povo fora do arraial ao encontro de
Deus; e puseram-se ao pé do monte.
Todo o monte Sinai fumegava, porque
o SENHOR descera sobre ele em
fogo; a sua fumaça subiu como
fumaça de uma fornalha, e todo o
monte tremia grandemente.” (Êxodo
19:16-18) [Voltar]
Nota 20 - “Aquele que não ama, não conhece a
Deus, pois Deus é amor.” (1 João
4:8) [Voltar]
Capítulo 7
Fomos Tocados
Pelas Mãos Do
Mestre

Aprendendo com um cão da raça


pastor alemão: em um pequeno vilarejo,
os moradores tentaram – sem muito
sucesso – resgatar um cachorro que
vivia ali nos arredores perambulando
pelo meio da mata. Muitos dos
habitantes tentaram alimentá-lo, mas o
cão só fazia agachar-se e rosnar contra
seus benfeitores. Por fim, a sociedade
protetora dos animais o capturou. Algum
tempo mais tarde, soube-se que o animal
havia sido repetida-mente surrado por
um homem cheio de vícios, meio louco,
até que esse cão conseguiu fugir e ficar
perambulando pelo campo, não ousando
confiar noutro ser humano.
Em todas as comunidades, há muitos
crentes isolados, tristes e tremendo de
frio espiritual, agachando-se para evitar
os que lhe desejam fazer bem. São
pessoas feridas em sua alma, surradas
verbalmente – desta ou daquela maneira
– pelos irmãos da mesma fé. Veem-se
indignas de Deus e temem partilhar sua
vida com outro ser humano, pois seriam
condenadas e rejeitadas. Assemelham-se
àquele cão: alienadas, rejeitadas e
solitárias.
Tornam-se presas fáceis para
desenvolverem uma profunda depressão,
mesmo sendo cristãs.
Isaías viu com perfeição o coração de
Jesus e o que Ele viria a fazer, então
resumiu seu caráter no seu ministério.
Jesus “não esmagará a cana quebrada
nem apagará torcida ou pavio que
fumega” (Isaías 42:3). Canas cresciam
com abundância nas margens do rio
Jordão, as crianças gostavam de sentar-
se às margens do rio e tirar o miolo das
canas a fim de fazer flautas musicais.
A tarefa era delicada: a cana poderia
ser facilmente es-magada, e estaria
inutilizada para produzir música.
As crianças quebravam de vez essa
cana e a atiravam fora, no rio. Se havia
tantas canas com que trabalhar, disse
Isaías que quando Cristo viesse, Ele não
esmagaria “a cana quebrada”. Jesus
nunca jogaria fora aqueles que fossem
esmagados no processo do manuseio
ministerial.
Nos tempos dos cristãos primitivos,
as casas dos israelitas eram iluminadas
com luz de candeias ou lâmpadas com
pavios de linho, fios de linho no óleo ou
azeite. Se o pavio fosse acabando, e o
seu poder de fogo começasse a fumegar,
soltava uma fumaça mal cheirosa. A
dona da casa então atiraria fora pela
janela, pois tinha uma caixa cheia de
pavios novos, de modo que jogar fora
um deles não faria a mínima diferença.
Entretanto, disse Isaías que Jesus,
quando viesse, não apagaria a torcida ou
pavio que fumega, Ele não jogaria fora
aqueles que se viram queimados pela
vida, que só produzissem luz reluzente.
Em outra tradução, o pavio que fumega
ou torcida fumegante seriam,
literalmente, um pavio sem condições de
produzir a luz de outrora, mas, ainda
assim, Jesus não jogaria no lixo, ele
cuidaria de renová-lo.
Os fariseus descartavam as pessoas
que haviam falhado na vida, mas Jesus
restaurava aquelas “canas esmagadas”,
transformando-as em instrumentos
musicais, que tocavam seu cântico de
graça. Jesus tomava os restos
fumegantes de um pavio ou torcida de
uma vida esgotada e os transformava
num pavio mediante o qual Ele próprio
seria a luz do mundo. Deparamo-nos
hoje com ovelhas feridas, rejeitadas e
em profunda tristeza porque foram
descartadas do meio de um rebanho
pelas mãos de ditadores eclesiásticos.
Mãos que deveriam ser instrumentos
para promover uma atmosfera em que a
graça de Deus pudesse ser usufruída
para resgate das canas quebradas e
pavios fumegantes.
Você é uma cana quebrada? Você foi
considerado torcida fumegante ou pavio
apagado pelos seus irmãos ou ditadores
eclesiásticos? O que é esse lugar de
onde você foi descartado? Um ambiente
de tentativas constantes de viver de
acordo com uma lista de preceitos, que
nada tem a ver com as Escrituras,
imposta sobre você por pessoas que
nunca experimentaram a graça de Deus!
Tenho boas-novas para você que o
profeta Isaías via 740 anos antes e já é
realidade hoje: Jesus nasceu, sofreu,
morreu e ressuscitou por você, e Ele
quer pôr um cântico novo em seus lábios
e um novo sentido em seu viver. Ele
disse: “o que vem a mim, de maneira
nenhuma o lançarei fora e ninguém o
arrebatará de minhas mãos” (João
10:28). Hoje ainda Ele deseja e se você
permitir, Ele se revelará a você agora e
o fará conhecer o quanto Ele o ama, e
que nada mudou, tudo será como antes,
você será uma cana com um novo som
que Ele colocará em você, e será um
pavio ou torcida com luz reluzente e
nunca mais fumegante, que irá brilhar
cada vez mais.
Conta-se que um jovem de um
pequeno vilarejo herdou de seus pais um
violino, uma relíquia da família, e a
recomendação era que o preservasse
para as gerações futuras. Em um período
de muito aperto e dificuldades, o jovem
não teve alternativa a não ser vender o
estimado violino. E lá foi ele para
margem do caminho próximo ao
vilarejo. De vez em quando, chegava um
interessado e logo pedia: “Quero ouvir
o som do instrumento”. E o moço mexia
nas cordas do violino – que há tempo
estava desafinado. Logicamente, o
suposto interessado, ao ouvir o som,
perdia o interesse pela compra. A
princípio, o jovem pedira um valor pela
venda, agora, foi baixando-o na tentativa
de vendê-lo; porém, sem nenhum
sucesso. Mas, no final da tarde, quando
já desanimado e sem esperanças, eis que
se aproximou dele um senhor de idade e,
dirigindo-se ao jovem, pediu para olhar
o violino de estimação. Tomando o
instrumento nas mãos, perguntou ao
jovem: “Por qual valor você quer
vendê-lo?”. O moço, já um tanto quanto
desanimado, disse o valor: uma
“merreca”! O velho senhor, um pouco
surpreso, disse: “Só isso?! Deixe-me
experimentá-lo”. O moço, sem saber que
se tratava de um mestre violinista, ficou
a observar o maestro afinar o
instrumento e, experimentando-o,
começou a tocar belas canções. Ao
executar com tamanha maestria aquele
velho instrumento, as pessoas que
passavam começaram a parar para
observá-lo, e muitos dos ouvintes
ofereceram quantias em dinheiro pelo
violino, que antes de ser tocado pelo
mestre, não tinha nenhum valor.
Assim éramos nós – como esse
violino – nas mãos de quem não sabia
nada a nosso respeito nem entendia nada
sobre nós. Muitas vezes, os
desapontamentos da vida tiram o tom do
nosso som, mas sabemos que o nosso
Mestre sempre se importará em de novo
nos afinar.
Só queria adquirir alguma coisa,
permutando-nos por nada. Mas, um dia,
fomos tocados pelo Mestre, especialista
em pessoas, que nos afinou e colocou
em nossos lábios um novo cântico, um
novo som e mostrou ao mundo o nosso
verdadeiro valor. Hoje, você e eu não
estamos mais à venda por uma
“merreca”, mas temos um dono, somos
Sua exclusiva propriedade e temos o
nosso valor.
Capítulo 8
O Evangelho Não
É Um Tratado De
Uma Religião

O evangelho é um convite para


descansar em Cristo, para receber a
dádiva não merecida que Deus nos
concedeu no seu Filho. Nada existe que
o homem possa fazer para ganhar a
salvação, nem no passado, nem no
presente, trata-se – do princípio ao fim –
da graça de Deus, que só pode ser
recebida pela fé. A salvação de Deus
não está à venda!
As escadas que o homem constrói e as
regras que ele formula – na tentativa de
alcançar a Deus –, tudo isso constitui um
insulto ao Deus ágape que a Si mesmo
se dá graciosamente, a todos. O espírito
da religião enfurece-se contra o Deus
que ama e dá-se a Si mesmo por todos
nós. A mente carnal insiste que o homem
ganha a aceitação de Deus mediante
merecimento. Mesmo tendo
graciosamente o perdão da parte de
Deus, esse homem natural crê que
precisa trabalhar, agora, a fim de
merecer e continuar recebendo o favor
Divino.
O corpo de verdades que proclama
a revelação de Deus se chama boas-
novas, a saber, boas notícias.
Notícias, por definição, são o anúncio
de algo que já aconteceu. Não há lista de
coisas que ainda estão por ser
realizadas em perfeita saúde espiritual,
emocional e física, em perfeita união
com Deus. Já foram realizadas por
Jesus, em sua morte e ressurreição.
Nada mais resta ao homem a ser feito,
não há escada a galgar, nem montanhas a
escalar. O cerne da vida cristã é
permanecer maravilhado diante do amor
de Deus e dizer: “Obrigado, Senhor!”.
Mas quando começamos a adicionar
condições para o recebimento da dádiva
de Deus, sejam quais forem as razões,
começamos simultaneamente nossa
queda e nossa abertura a decepções não
administradas, e a tendência é o
afastamento da graça, para uma religião
vazia e sem eficácia. E neste desvio,
começamos a transferir a nossa fé na
graça para um esforço nosso e religioso
próprio e carnal, de permutas com Deus,
e logo nos frustramos e nos abrimos a
tristezas e autocobranças que, com
certeza, destruirão nossa autoestima, e
poderão nos levar a uma queima
espiritual, um esgotamento, que
desencadeará uma profunda depressão.
A preocupação do apóstolo Paulo era
esta com os crentes de Colossos:

“Assim digo para que ninguém vos


engane com raciocínios falazes.
Pois embora ausente quanto ao
corpo, contudo, em espírito, estou
convosco, alegrando-me e
verificando a vossa boa ordem e a
firmeza da vossa fé em Cristo.
Ora, como recebestes Cristo
Jesus, o Senhor, assim andai nele,
radicados, edificados, e
confirmados na fé, tal como fostes
instruídos crescendo em ações de
graças. Cuidado que ninguém vos
venha a enredar com sua filosofia
e vãs sutilezas, conforme a
tradição dos homens, conforme os
rudimentos do mundo e não
segundo Cristo; porquanto, nele,
habita, corporal-mente, toda a
plenitude da divindade. Também,
nele, estais aperfeiçoados. Ele é o
cabeça de todo principado e
potestade. Nele também fostes
circuncidados, não por intermédio
de mãos, mas no despojamento do
corpo da carne, que é a
circuncisão de Cristo, tendo sido
sepultados, juntamente com ele,
no batismo, no qual igualmente
fostes ressuscitados mediante a fé
no poder de Deus que o
ressuscitou dentre os mortos. E a
vós outros, que estáveis mortos
pelas vossas transgressões e pela
incircuncisão da vossa carne, vos
deu vida juntamente com ele,
perdoando todos os nossos
delitos; tendo cancelado o escrito
de dívida, que era contra nós e
que constava de ordenanças, o
qual nos era prejudicial, removeu-
o inteiramente, encravando-o na
cruz; e despojando os principados
e as potestades, publicamente os
expôs ao desprezo, triunfando
deles na cruz. Ninguém, pois, vos
julgue por causa de comida e
bebida, ou dia de festa, ou lua
nova, ou sábados, porque tudo
isso tem sido sombra das coisas
que haviam de vir; porém o corpo
é de Cristo. Ninguém se faça
árbitro contra vós outros,
pretextando humildade e culto dos
anjos, baseando-se em visões,
enfatuado, sem motivo algum, na
sua mente carnal, e não retendo a
cabeça, da qual todo o corpo,
suprido e bem-vinculado por suas
juntas e ligamentos, cresce o
crescimento que procede de Deus.
Se morrestes com Cristo para os
rudimentos do mundo, por que,
como se vivêsseis no mundo, vos
sujeitais a ordenanças: não
manuseies isto, não proves aquilo,
não toques aquiloutro, segundo os
preceitos e doutrinas dos homens?
Pois que todas estas coisas, com o
uso, se destroem. Tais coisas, com
efeito, têm aparência de
sabedoria, como culto de si
mesmo, e de falsa humildade, e de
rigor ascético; todavia, não têm
valor algum contra a
sensualidade”. (Colossenses 2:4-
23)

Deus nos deu, em Cristo, o poder de


ter a mesma saúde espiritual que Ele
teve. Em 1 João 2:6[Nota 21], a promessa
é que podemos andar como Ele andou.
Jesus ficou triste, mas nunca permitiu
que a tristeza o controlasse. Ele nos
ensinou que no mundo teríamos tristezas
e desapontamentos, mas, se crermos
nEle e seguirmos os seus passos com fé,
teremos saúde espiritual, de maneira que
controlaremos nossas emoções a nosso
serviço.
Que esta saúde de espírito não
permita, em hipótese nenhuma, os
traumas da vida se alojarem em nossa
alma. Jesus foi para a cruz para ser o
nosso bálsamo de cura: “enviou-me a
curar os quebrantados de coração...”
(Isaías 61:1).
Hoje, agora, você pode reivindicar
seu milagre desejado – ainda que não
haja força em sua vida, o Espírito de
Deus intercederá por você com gemidos
inexprimíveis, e volto a dizer: não há
distância que a angústia de alma possa
levá-lo que o amor e a graça de Deus
não o alcancem.
Este livro não veio parar em suas
mãos por acaso, mas foi uma
providência Divina. Enquanto escrevo
estas linhas, eu já percebia em meu
espírito que hoje este livro estaria em
suas mãos e a cura de Deus, pela fé, já é
uma realidade em sua vida.
Notas do Capítulo

Nota 21 - “Aquele que diz que está nEle,


também deve andar como Ele andou.”
(1 João 2:6) [Voltar]
Capítulo 9
Sou Um Espírito,
Tenho Uma Alma
E Habito Em Um
Corpo

A realidade do meu ser principal –


espírito.
Em primeiro lugar, vamos verificar
aqui quantos espíritos atuam na terra,
para nos situarmos sobre o nosso. 1
João 4:1: “provai os espíritos...” . O
primeiro espírito que atua na terra é o
Espírito Santo: “Ele pairava sobre as
águas desde então” (Gênesis 1:2); o
segundo, o espírito dos anjos (Hebreus
1:14[Nota 22]); o terceiro, o espírito dos
homens e mulheres, que é o mesmo –
como já esclarecemos em outro texto; o
quarto, dos anjos caídos – demônios.
Desses quatro espíritos, apenas três
possuem legalidade para atuar no
planeta Terra: o primeiro, o Espírito
Santo; o segundo, o espírito dos anjos
que não caíram; e o terceiro, o espírito
do homem (Tiago 2:26[Nota 23]).
Os espíritos humanos só possuem
legalidade de atuar na terra enquanto o
corpo vive. Qualquer espírito, que não
seja o Espírito Santo ou os espíritos dos
anjos que não caíram, não possui
legalidade de atuar na terra. Toda
atuação é ilegal na terra e é por isso que
João manda provar os espíritos, testar se
têm legalidade de ação na terra.
Aonde quero chegar? E o que isso tem
a ver com depressão? É bom lembrar
que este livro não tem nada a ver com
técnicas psicológicas. O assunto aqui
tratado é exclusivamente espiritual, do
ponto de vista bíblico.
Pois bem, até aqui falamos dos quatro
espíritos existentes e a legalidade de
ação deles. Agora, vamos conhecer a
excelência do espírito humano, que veio
de Deus e foi soprado no corpo (casa)
de habitação terrena – tabernáculo –, ou
seja, habitação temporária (2 Pedro
1:13-14[Nota 24] e 2 Coríntios 5:1[Nota
25]), enquanto estamos neste corpo,

somos os dominadores deste planeta.


Gênesis 1:28[Nota 26]: “dominai e
sujeitai...” . A terra inclui nosso corpo.
Sujeitar e dominar, ter domínio
próprio, principalmente sobre as nossas
emoções, fazendo com que nos sirvam,
pelo qual propósito foram criadas em
nós, ou seja, o espírito é o meu eu
principal. “O espírito do homem é a
lâmpada do Senhor, que esquadrinha
todo o interior até o mais íntimo do
v e n t re ” (Provérbios 20:27); e “O
espírito é o que vivifica, a carne para
nada aproveita; as palavras que eu vos
digo são espírito e vida” (João 6:63).
Como vencer as tristezas e
desapontamentos da vida sem entrarmos
em depressão?
Primeiro: nascer de novo, ou seja,
colocar de volta o espírito no comando
da nossa alma, bem como emoções e
corpo: “O espírito do homem susterá a
sua enfermidade, mas ao espírito
abatido, quem o suportará?”
(Provérbios 18:14). Alimentar-se da
fonte de onde fomos tirados. Ele tem
domínio sobre a alma e todas as
emoções e corpo. Quem viveu aqui
assim, para ser o nosso exemplo, foi
Jesus de Nazaré, filho de Davi, cem por
cento homem – como já definimos em
outro texto. Durante seus 33 anos de
vida na terra, foi tentado em tudo como
somos hoje, mas em nenhum momento
foi controlado pelas emoções. Foi
maltratado, humilhado, espezinha-do,
mas nunca ficou deprimido; entristeceu-
se, muitas vezes, mas se deprimir,
nunca! Ele veio aqui e se tornou homem
para ser nosso Salvador e Senhor de
nossa vida e fazer de cada um de nós um
vencedor – inclusive de nós mesmos –,
dando-nos domínio próprio: “Porque
Deus não nos deu o espírito de temor,
mas de fortaleza, e de amor, e de
moderação” (2 Timóteo 1:7). Recriou o
nosso espírito. Este espírito regenerado
não é covarde e possui amor, poder e
DOMÍNIO PRÓPRIO.
Qual o alimento deste eu principal
(espírito)? Para ter domínio sobre a
alma, emoções e corpo, viver da
pal avra: “Ele, porém, respondendo,
disse: Está escrito: Nem só de pão
viverá o homem, mas de toda a palavra
que sai da boca de Deus” (Mateus 4:4).
O pão da terra alimenta o corpo que
veio da terra, o espírito se alimenta de
Deus porque veio de Deus: “E o pó
volte à terra, como o era, e o espírito
volte a Deus, que o deu” (Eclesiastes
12:7). Deus é espírito: “Deus é
Espírito, e importa que os que o
adoram o adorem em espírito e em
verdade” (João 4:24). E dEle fomos
tirados, e por isso dEle nos alimentamos
por meio de Sua palavra: “Ele, porém,
respondendo, disse: Está escrito: Nem
só de pão viverá o homem, mas de toda
a palavra que sai da boca de Deus”
(Mateus 4:4). “Oespírito é o que
vivifica, a carne para nada aproveita;
as palavras que eu vos digo são
espírito e vida” (João 6:63). E do seu
reino: “Mas, buscai primeiro o reino
de Deus, e a sua justiça, e todas estas
coisas vos serão acrescentadas”
(Mateus 6:33). As “demais coisas” aqui
podemos interpretar como “saúde da
alma e do corpo”; Deus é espírito e eu e
você também somos.
Portanto, Ele é a nossa saúde plena:
“Nem tampouco é servido por mãos de
homens, como que necessitando de
alguma coisa; pois ele mesmo é quem
dá a todos a vida, e a respiração, e
todas as coisas” (Atos 17:25). Pois Ele
mesmo é quem a todos dá a vida, a
respiração e tudo mais: “Porque nele
vivemos, e nos movemos, e existimos;
como também alguns dos vossos poetas
disseram: Pois somos também sua
geração” (Atos 17:28). Porque nEle
vivemos e nos movemos e existimos. O
nosso reconhecimento com estas
verdades nos libertará (“E conhecereis
a verdade, e a verdade vos libertará.”
– João 8:32) de toda gama de misérias
que vem para afetar nossas emoções e a
tentativa de nos controlar e nos prender
em algum lugar, não ministrado por
nossa vida emocional e nos levar a uma
profunda depressão.
Quando você ler as Escrituras,
perceberá quantas vezes Davi foi
atribulado e iniciou um processo de
depressão, mas buscou socorro no
Senhor e foi socorrido de forma
sobrenatural (1 Samuel 30) e deu o
testemunho no Salmo 121: “o meu
socorro vem do Senhor que fez os céus
e a terra...” .
Por que há crentes depressivos?
Resposta: há crentes depressivos por
terem substituído o relacionamento com
Cristo por um relacionamento com uma
religião. A religião cansa, cobra, dá
listas de “faça e não faça” e leva o
crente a sair da caminhada no espírito
para uma caminhada na carne, esforços
humanos, fazer do braço de carne sua
força, trocando o relacionamento com
Cristo (andar no espírito) na palavra
(“O espírito é o que vivifica, a carne
para nada aproveita; as palavras que
eu vos digo são espírito e vida.” – João
6:63), para viver sob as regras
religiosas. Paulo disse : “assim como
recebestes a Cristo, andai nEle” .
Notas do Capítulo

Nota 22 - “Não são porventura todos eles


espíritos ministradores, enviados para
servir a favor daqueles que hão de
herdar a salvação?” (Hebreus 1:14)
[Voltar]
Nota 23 - “Porque, assim como o corpo sem o
espírito está morto, assim também a
fé sem obras é morta.” (Tiago 2:26)
[Voltar]
Nota 24 - “E tenho por justo, enquanto estiver
neste tabernáculo, despertar-vos com
admoestações...” (2 Pedro 1:13)
[Voltar]
Nota 25 - “Porque sabemos que, se a nossa
casa terrestre deste tabernáculo se
desfizer, temos de Deus um edifício,
uma casa não feita por mãos, eterna,
nos céus.” (2 Coríntios 5:1) [Voltar]
Nota 26 - “E Deus os abençoou, e Deus lhes
disse: Frutificai e multiplicai-vos, e
enchei a terra, e sujeitai-a; e dominai
sobre os peixes do mar e sobre as
aves dos céus, e sobre todo o animal
que se move sobre a terra.” (Gênesis
1:28) [Voltar]
Capítulo 10
Viver Mediante
Regras E Ritos
Não É Ser Cristão

Viver mediante regras e ritos não é


ser cristão, é ser religioso! O
cristianismo não é uma religião que
depende de fórmulas para obter o favor
Divino, mas é, antes, um relacionamento
dinâmico com Deus mediante Jesus
Cristo. O cristão dificilmente entrará em
depressão, mas o religioso, sim. Então,
não transforme seu cristianismo em um
dogma de obrigações pessoais sem
vigor e obra de esforços humanos.
Adicione sempre sua fé para
experimentar o renovo e frescor do
amor, da misericórdia e da graça
restauradora de Deus, e viva cheio de
paz e alegria. É isso que o
relacionamento com Jesus Cristo lhe
proporcionará.
Todas as vezes que exercitamos a
nossa fé, fortalecemo-nos no Senhor, na
força do Seu poder. Quando a fé espera
no Senhor, a fraqueza do crente é
tragada pela força divina. A seiva flui
através do ramo e os frutos de Deus são
produzidos em nossa vida. Nossa fé
extrairá muito mais de Deus, porque
qualquer obra de nosso esforço na fé
promoverá em nós um esforço NO
Senhor, e não PARA o Senhor.
A religião nos convoca para
lamentarmos nossas fraquezas.
Dedicamos e dedicamos a nós mesmos e
tentamos encontrar dentro de nós força
para a batalha.
Todavia, a tentativa de achar a
dedicação última ou a experiência
definitiva que nos transformará em
homens fortes de Deus só nos trará mais
sentimento de culpa e aumentará nossa
exaustão.
“O Senhor é a força da minha vida;
de quem me recearei?” (Salmos 27:1).
Paulo salienta que nossa fraqueza
humana é necessária para que possamos
estar constantemente mostrando o poder
de Cristo em nós: “Temos, porém, este
tesouro em vasos de barro, para que a
excelência do poder seja de Deus, e
não de nós” (2 Coríntios 4:7).
Portanto, todas as vezes que nos
esquecemos que somos de barro e que o
tesouro é de Deus, começamos a sair de
um cristianismo de relacionamento com
uma pessoa (Jesus Cristo) para uma
religião vazia e fraca.
Muitas vezes, trocamos o nosso
relacionamento com Deus por um monte
de propostas do tipo: vou fazer para
conquistar, vou tentar ser o melhor para
agradar a Deus e, quando falhamos, nos
frustramos, esquecendo que a fé extrai
muito mais de Deus do que qualquer
permuta que tentamos fazer com Ele,
com atitudes religiosas. E o interessante
é que, uma vez na fé em exercício, nos
tornamos cristãos de boas obras para as
quais fomos predestinados. Não temos
fé por causa das obras, temos obras por
causa da fé. Tudo começa com a fé:
“Ora, sem fé é impossível agradar-lhe;
porque é necessário que aquele que se
aproxima de Deus creia que ele existe,
e que é galardoador dos que o buscam”
(Hebreus 11:6).
Capítulo 11
Deus criou nossas
emoções para nos
servirem

“O espírito do homem é a lâmpada


do Senhor, que esquadrinha todo o
interior até o mais íntimo do ventre”
(Provérbios 20:27). À excelência do
espírito, não temos um espírito, nós
somos um espírito, habitamos em um
corpo e temos uma alma. Somos um ser
espiritual em adaptação em um mundo
material físico. Nós já existíamos antes
de nosso corpo da terra e Ele nos soprou
dentro dele, que é nossa casa terrena.
Um dia, deixaremos esta casa/corpo,
mas enquanto estivermos aqui, a única
forma de permanecermos é nesta casa
(corpo), a alma que temos – embora
alguns interpretem que ela seja o
espírito. As Escrituras dizem que o
espírito e a alma são dois: “Porque a
palavra de Deus é viva e eficaz, e mais
penetrante do que espada alguma de
dois gumes, e penetra até à divisão da
alma e do espírito, e das juntas e
medulas, e é apta para discernir os
pensamentos e intenções do coração”
(Hebreus 4:12). Portanto, a alma é a
intérprete do mundo espiritual para o
mundo físico.
Toda doença na alma tem uma origem
espiritual, porque se o nosso “eu
espírito” estiver bem, ele gerencia todos
os demais, alma e corpo, porque Deus, o
Criador, estará – através dele (o espírito
homem) – promovendo toda a saúde
emocional, na alma e no físico, no
corpo.
Aqui Deus planeja e cria o homem e
mulher antes de formar o corpo:
E disse Deus: Façamos o homem à
nossa imagem, conforme a nossa
semelhança; e domine sobre os
peixes do mar, e sobre as aves dos
céus, e sobre o gado, e sobre toda
a terra, e sobre todo o réptil que
se move sobre a terra. E criou
Deus o homem à sua imagem; à
imagem de Deus o criou; homem e
mulher os criou. (Gênesis 1:26-27)

Aqui, Deus sopra o homem no corpo:


“E formou o Senhor Deus o homem do
pó da terra, e soprou em suas narinas o
fôlego da vida; e o homem foi feito
alma vivente” (Gênesis 2:7).
Deus coloca o homem no jardim do
É d e n: “E tomou o Senhor Deus o
homem, e o pôs no jardim do Éden para
o lavrar e o guardar” (Gênesis 2:15).
Deus tira do homem o mesmo espírito
e dá à mulher antes em um só corpo,
agora em dois:

“Então o Senhor Deus fez cair um


sono pesado sobre Adão, e este
adormeceu; e tomou uma das suas
costelas, e cerrou a carne em seu
lugar; E da costela que o Senhor
Deus tomou do homem, formou
uma mulher, e trouxe-a a Adão.”
(Gênesis 2:21-22)

Adão e Eva, a mulher, são um espírito


que tem uma alma que mora em um
corpo (casa) diferente. Só a casa é
diferente, o espírito é o mesmo no
macho e na fêmea.
Como controlar suas emoções? Elas
não são um produto dos acontecimentos
cotidianos. Em primeiro lugar, toda
emoção provém de Deus. Deus colocou
as emoções em nossa alma para serem
gerenciadas pelo espírito, para nos
servirem, e não para nos controlar.
O propósito das emoções que Deus
criou em nós é nos servir. Por exemplo:
o medo, a ira, a tristeza. Qual é o
propósito destas emoções? O medo nos
foi dado como um sensor de proteção, e
não para nos controlar. A ira foi-nos
dada para despertar nosso senso de
justiça, e não para nos controlar. A
tristeza, as Escrituras dizem que,
segundo Deus, produz arrependimento.
Veja que, se não nos entristecemos por
nada, de nada também nos
arrependemos. Então, o propósito de
Deus – ao criar em nós as emoções – é
que todas elas nos sirvam, e nunca nos
controlem. O medo, quando nos
controla, transforma-se em pânico,
síndrome do pânico. A ira nos destruirá,
caso a deixemos nos controlar. A
tristeza, se permitir-mos, irá nos
deprimir, nos adoecer.
Como controlar e não ser controlado
por nossas emoções? A Bíblia diz, em 2
Timóteo 1:7: “Deus não nos tem dado
um espírito de covardia, mas de poder
e de amor, e de moderação ou domínio
própri o” . Este espírito, com “e”
minúsculo, é o espírito do homem; ele
veio de Deus: Eclesiastes 12:7: “e o
espírito volta para Deus, que o deu”; Jó
32:7: “na verdade há um espírito no
homem e o sopro do Todo Poderoso o
faz sábio” . Pois bem, Salomão disse
em Provérbios 20:27 que este espírito
no homem controla todos os demais do
seu ser.
Capítulo 12
De Onde Vim E
Quem É Minha
Fonte

Jó 33:4: “o Espírito de Deus me fez,


e o sopro do Todo Poderoso me dá
vida” . O espírito do homem veio do
espírito de Deus. Deus é a fonte de onde
eu e você saímos, assim como o meu
corpo veio da terra, o meu espírito veio
de Deus e o meu “eu interior” foi criado
antes do meu corpo. Gênesis 2:7[Nota 27]:
o sopro de Deus nos coloca dentro do
corpo, nossa casa terrenal, portanto, o
nosso espírito é o meu eu principal, e
todas as minhas emoções devem estar
sujeitas ao meu espírito (Provérbios
20:27[Nota 28], 2 Timóteo 1:7[Nota 29]).
Quando Deus nos soprou no corpo
(Gênesis 2:7), nos deu fôlego de vida.
Vida terrenal no corpo e alma vivente.
Quando Deus me colocou dentro
daquele corpo, no seu sopro foi criada a
minha alma, que não é o mesmo que meu
espírito, portanto, a alma que me fez ser
vivente neste planeta é a intérprete do
mundo espiritual para o mundo físico, e
nela estão todas as minhas emoções
(Hebreus 4:12[Nota 30]).
Você deve estar se perguntando como
isso é possível. Examine o texto das
Escrituras em Salmos 42:5: “porque
estás abatida, ó minha alma, por que te
perturbas dentro de mim?”. Sinto
abatida dentro de mim a minha alma.
Quem está fazendo perguntas e
exortando a alma, senão aquele que tem
controle sobre ela, o espírito que chamo
de o “eu principal”?
Se o meu espírito é o meu “eu
principal” ( Ruach), sou maior que
minha alma, e tenho total controle sobre
minhas emoções. Nunca permitirei ser
dominado por elas, mas terei domínio
próprio e moderação: “Vigiai e orai,
para que não entreis em tentação; na
verdade, o espírito está pronto, mas a
carne é fraca” (Mateus 26:41).
Jesus fala da excelência do espírito
do homem.
Quando o apóstolo Paulo fala que
aprendeu a não ser controlado pelas
circunstâncias da vida, ele nos mostra
de onde vem a sua força para maneira de
v i v e r : “tanto sei estar humilhado,
como também ser honrado; de tudo e
em todas as circunstâncias, já tenho
experiências e tanto de fartura como de
escassez; tudo posso naquele que me
fortalece” (Filipenses 4:12-13). Paulo
aprendeu a viver acima das
circunstâncias, não permitindo se
contaminar.
É possível, não por uma lista de
exigências religiosas, mas por um ato de
fé, deixando Jesus entrar em seu
espírito, regenerá-lo. Na Bíblia, é
chamado de novo nascimento. Uma vez
o espírito vivificado, ele tomará
controle da gestão da alma, bem como
das emoções, trazendo domínio próprio,
como em nossos dias, quando vivemos
na era das indecisões e ânsia de vida.
Se nós não tomamos os rumos em
nossas escolhas, alguém irá decidir por
nós. Eu preciso, a cada dia, ter um forte
relacionamento com Deus para que o
meu “eu principal” seja fortalecido. Ele
é a fonte de onde vim e onde há minha
força para o domínio próprio. Assim
como o meu corpo tem como fonte a
terra e da terra se alimenta, o meu “eu
principal” (espírito) tem como fonte
Deus e de Deus se alimenta.
O homem, quando se afasta de Deus,
fica doente.
Assim, se retirarmos o corpo dos
alimentos necessários da terra, também
adoecerá. Todas as depressões têm – e
sempre terão – uma origem espiritual.
Tenho um respeito grande pela ciência.
Os psicólogos são de grande
importância no tratamento de um
depressivo, mas não irão além da psique
do homem. Agora, se houver uma
parceria da ciência com a fé, o êxito
será completo, pois não se trata de um
ser emocional – somos espirituais.
Como já mencionei anteriormente,
somos um ser espiritual em adaptação
em um mundo físico material. A minha
saúde espiritual é muito mais
importante, ela trará saúde emocional e
física.
Quando Jesus deu o mandamento
“Buscai em primeiro lugar o reino de
Deus e sua justiça e as demais coisas
lhes serão acrescentadas” (Mateus
6:33), dê saúde ao seu espírito, e saúde
emocional e física lhe será
acrescentada. Quando meus hábitos
forem alimentados, o meu “eu principal”
primeiro, com certeza, se esforça para
controlar minha alma e emoções.
Notas do Capítulo

Nota 27 - “E formou o Senhor Deus o homem


do pó da terra, e soprou em suas
narinas o fôlego da vida; e o homem
foi feito alma vivente.” (Gênesis 2:7)
[Voltar]
Nota 28 - “O espírito do homem é a lâmpada do
Senhor, que esquadrinha todo o
interior até o mais íntimo do ventre.”
(Provérbios 20:27) [Voltar]
Nota 29 - “Porque Deus não nos deu o espírito
de temor, mas de fortaleza, e de
amor, e de moderação.” (2 Timóteo
1:7) [Voltar]
Nota 30 - “Porque a palavra de Deus é viva e
eficaz, e mais penetrante do que
espada alguma de dois gumes, e
penetra até à divisão da alma e do
espírito, e das juntas e medulas, e é
apta para discernir os pensamentos e
intenções do coração.” (Hebreus
4:12) [Voltar]
Capítulo 13
Instruções Bíblicas
De Como Superar
O Desânimo

Decepções são inevitáveis, mas o


desânimo é uma escolha e me recuso a
ser desencorajado. Qual a base? A
Bíblia nos traz o testemunho de um
guerreiro chamado Davi, que aprendeu a
superar o desânimo. Ele, o seu “eu
principal” (espírito), tinha autoridade
sobre sua alma, bem como sobre todas
as suas emoções. “Por que estás
abatida, ó minha alma, e por que te
perturbas dentro de mim? Espera em
Deus, pois ainda o louvarei, o qual é a
salvação da minha face, e o meu Deus”
(Salmos 42:11 e Salmos 43:5). Ensina-
nos como nos fortalecermos no Senhor e
na força de Seu poder, e não sermos
dominados pelas terríveis circunstâncias
da vida. No texto de 1 Samuel, ele se
recusa a ser dominado pelo desânimo
que as circunstâncias lhe propõem,
fortalecendo-se no Senhor.
Decepções sempre surgirão em nossa
vida: com pessoas, com coisas etc. Mas
elas não têm o poder de nos controlar. O
desânimo é um sentimento de desespero
que escolhemos ou rejeitamos. Quando
tenho ciência de que estou no controle
da minha vida, fujo das consequências e
decido não ser desencorajado. Se
cedermos, as consequências serão
terríveis, o desânimo divide nossa
atenção e, com a mente dividida, não
conseguiremos dar o nosso melhor em
nada. O motivo é a perda de confiança
que compromete todos os
relacionamentos, familiar, conjugal e no
trabalho.
Atrapalha tudo por causa do espírito
negativo e deprimido. Há pessoas que
gostam de ficar deprimidas para chamar
a atenção de outros. Maridos ou esposas
que usam esta arma terrível para
atraírem o bom tratamento do outro, é
uma fuga, são pessoas infelizes.
Outra consequência do desânimo é a
tomada de decisões insensatas. Com a
alma estraçalhada, com desânimo, as
decisões nunca são seguras.
Então, nunca tome nenhuma decisão
assim. Reaja! Saia do desânimo! Veja
que Davi, em 1 Samuel 30:1-4, se
fortalece no Senhor e recebe do Senhor
uma orientação segura que o faz
recuperar tudo de volta com porções
dobradas.
Como sair do desânimo que sempre –
ou quase sempre – nos leva à
depressão?
Passo número um: decida sair.
Passo número dois: olhe para dentro
de você, de si mesmo e pense: “como
vim parar neste estado? Como isso
começou? Como cheguei aqui?”.
Passo número três: olhe para cima,
para Deus – Ele é quem controla tudo.
Ele o ama, está com você e é fiel para
tirá-lo deste desânimo.
Passo número quatro: olhe para
frente, para o que Deus vai fazer.
Analise com carinho o texto de Efésios
3 : 2 0 : “Ora, àquele que é poderoso
para fazer tudo muito mais
abundantemente além daquilo que
pedimos ou pensamos, segundo o poder
que em nós opera” . Ele não está
desanimado e pode tudo – muito mais do
que posso imaginar.
Passo número cinco: busque
descansar com o Senhor: “E os
apóstolos ajuntaram-se a Jesus, e
contaram-lhe tudo, tanto o que tinham
feito como o que tinham ensinado”
(Marcos 6:30). Fique a sós com Ele por
um tempo.
Passo número seis: reorganize sua
vida, descubra o que está fora de ordem
e vá – aos poucos – colocando cada
coisa no seu lugar.
Passo número sete: confie e
descanse na fidelidade de Deus. Ele é
bom o tempo todo e está com você!
Pode confiar totalmente nEle. Você não
tem que aceitar o desânimo e muito
menos a depressão. Reaja com fé e diga:
“eu me recuso a me desencorajar, o
Senhor é a minha força, Ele é a minha
suficiência, Ele está dentro de mim e
nEle eu posso confiar”.
Você pode confiar em Deus. Ele não é
homem para mentir nem filho do homem
para voltar atrás (Números 23:19). Ele
não muda e nEle não há sombra de
variações (Malaquias 3:6). Olhe para
Deus! Ele o ama e tem interesse em tirar
você do desânimo e não lhe permitirá
permanecer em depressão. Recuse, com
veemência, a se desencorajar. Faça
como o Rei Davi, seja duro com sua
alma (Salmos 42:11[Nota 31], Salmos
43:5[Nota 32]) e faça como ele fez em 1
Samuel 30:1-4[Nota 33].
Do Senhor vem a orientação e o
ensino de como segui-los: “Tu és o
lugar em que me escondo; t u me
preservas da angústia; tu me cinges de
alegres cantos de livramento. (Selá.)
Instruir-te-ei, e ensinar-te-ei o
caminho que deves seguir; guiar-te-ei
com os meus olhos” (Salmos 32:7-8).
Confie nEle, Ele caminhará contigo até a
saída deste túnel escuro, assim como fez
com Elias. O encorajar vem dEle. Ele é
a nossa fonte de coragem e força na hora
do medo e fraqueza. A força dEle está à
sua disposição, como nos dias de Davi e
Elias, é só clamar por Ele.
Notas do Capítulo

Nota 31 - “Por que estás abatida, ó minha alma,


e por que te perturbas dentro de mim?
Espera em Deus, pois ainda o
louvarei, o qual é a salvação da minha
face, e o meu Deus.” (Salmos 42:11)
[Voltar]
Nota 32 - “Por que estás abatida, ó minha alma?
E por que te perturbas dentro de
mim? Espera em Deus, pois ainda o
louvarei, o qual é a salvação da minha
face e Deus meu.” (Salmos 43:5)
[Voltar]
Nota 33 - “Quando Davi e seus soldados
chegaram a Ziclague, no terceiro dia,
os amalequitas tinham atacado o
Neguebe e Ziclague, e haviam
incendiado a cidade. Levaram como
prisioneiros todos os que lá estavam:
as mulheres, os jovens e os idosos. A
ninguém mataram, mas os levaram
consigo, quando prosseguiram seu
caminho. Ao chegarem a Ziclague,
Davi e seus soldados encontraram a
cidade destruída pelo fogo e viram
que suas mulheres, filhos e filhas
haviam sido levados como
prisioneiros. Então Davi e seus
soldados choraram em alta voz até
não terem mais forças.” (1 Samuel
30:1-4) [Voltar]
Capítulo 14
A Dor É
Inevitável, Mas O
Sofrimento Pode
Ser Propositado

Salmos 55:22: “confia os teus


cuidados ao Senhor e Ele te
sustentará” .
A dor, a tristeza e a perda podem ser
inevitáveis; o sofrimento pode ser útil e
propositado. Há duas formas de
enfrentarmos o sofrimento: uma positiva,
propositando-o; e outra negativa:
focando-o como castigo e punição.
Quando consigo propositar o
sofrimento, eu o encaro – posicionando
diante de Deus –, crendo que o
sofrimento me fará um ser melhor e me
levará para mais perto do Senhor. Ao
olhar para o sofrimento como um
resultado do meu afastamento do divino,
ou seja, uma desconexão da minha
essência espiritual, o que estou
passando não é fruto da ira de um Deus
zangado comigo, e sim eu mesmo estou
sofrendo por uma desconexão de minha
própria iniciativa, a semeadura.
Um teólogo no século XVIII, William
Law, escreveu: “os homens não estão no
inferno porque Deus está zangado com
eles, mas por resultado de suas
escolhas”.
Se eu focar o sofrimento como uma
punição ou uma injustiça divina, vou
reagir murmurando, reclamando e me
apegando à falsa justiça própria, e
despropositarei o que estou passando e
não terei nenhum resultado útil, no que
sofro.
Leia com atenção este testemunho:
TESTEMUNHO DE ORISMAR E ELIANA

1. Nossa vinda para a Igreja


Quadrangular: O R IS MA R:No
final de 2014, eu e minha esposa,
Eliana, fomos convidados por sua
prima Geni para fazermos a
campanha do Projeto de Vida para
2015, na qual participamos dos
últimos três dias e gostamos muito
da palavra que foi ministrada.
2. A depressão:
O R IS MA R:Antes desta vinda
para a Quadrangular, iniciei um
processo de depressão, no qual eu
achava tudo muito difícil. Não via
solução para os problemas – que
nem eram tão grandes –, não via
sentido na minha existência. Pensei,
por várias vezes, em tirar minha
vida, mas, erroneamente, nunca
comentei esses maus pensamentos
com ninguém.
Para mim, nada estava bom. Eu era
insatisfeito, apesar de não me faltar
nada, afinal, eu tinha uma empresa,
que supria as minhas necessidades
financeiras, não tinha dívidas,
morava onde planejei, onde lutei e
sacrifiquei para alcançar, tinha ao
meu lado uma esposa a quem eu
amava e que, graças a Deus, nunca
desistiu de mim, sempre
companheira e guerreira, e me
mostrava as saídas que eu não
conseguia ver.
ELIANA:Eu não entendia muito
bem o que estava acontecendo com
meu esposo. Eu costumava dizer
que ele estava vendo “pelo em
ovo”, pois eu não via as coisas sem
solução como ele via. Ele tinha
insônia todas as noites e a
justificativa era estar preocupado
com a empresa. Contudo, no meu
ponto de vista, não acontecia nada
além da rotina normal de qualquer
negócio. Não era motivo para tanto.
B u s c a n d o m i n i m i z a r aquele
sofrimento, eu sempre tentava
ajudá-lo a encontrar a saída para
cada problema que se levantava.
Afinal, tudo tinha solução. Eu
procurava mostrar como éramos
abençoados e que não tínhamos
motivos para viver tão ansiosos.
Aparentemente, ele parecia
melhorar, mas no fundo, não
conseguia sair daquele estado em
que se encontrava. Ele nunca
comentou comigo que sentia desejo
de se matar. Penso que isso foi um
grande erro, mas que muitas
pessoas o cometem também. Eu
gostaria muito que ele não tivesse
guardado só para si um pensamento
tão terrível. Apesar de eu não saber
nem de longe quão profunda era a
sua dor, não cruzei meus braços, e
mesmo sem ter conhecimento sobre
a doença – depressão –, busquei
ajuda para o meu marido. Ele
passou por um psicólogo, que o
encaminhou para um psiquiatra, que
diagnosticou a depressão e lhe
receitou um medicamento tarja
preta. Fiquei assustada, achei tudo
muito radical e repentino. Então,
não o deixei tomar a medicação,
optei por encaminhá-lo para um
tratamento de regularização
hormonal – com hormônios
bioidênticos – e colocamos a nossa
fé em ação, buscando ajuda em
Deus.
Contudo, caso ele não fosse
curado, voltaria para o caminho
radical do tratamento, mas de uma
coisa eu estava certa, eu não
desistiria de ajudá-lo, assim como
muitas vezes, foi ele quem me
ajudou e não desistiu de mim.
3. O que me impediu de tirar
minha vida: ORISMAR:Olhando
agora para trás, penso no que me
impediu de tirar a minha própria
vida, e percebo que não foi a minha
vida abençoada nem a minha
esposa amada – porque, na
verdade, quando a gente está
depressivo, não consegue ver o
exterior, as pessoas em volta, mas
ficamos dentro de nós mesmos.
Quando penso no que me impediu,
lembro-me somente do temor de
Deus. Foi só isso que me impediu
de pular da sacada do meu
apartamento.
Hoje, penso que foi um erro
guardar somente para mim os maus
pensamentos; eles nos fazem sentir
vergonha pelo que pensamos, e esta
é uma estratégia do diabo para nos
levar a um caminho sem volta.
É importante – para quem está
depressivo – procurar ajuda e falar
o que está sentindo e pensando.
Agradeço a Deus por Ele ter me
guardado.
4. A cura:
O RISMAR:Após finalizarmos a
campanha do projeto de vida,
continuamos indo à igreja aos
domingos e, quando ouvi a palavra
ministrada pelo Pastor João,
começou a haver em mim uma
libertação. Tudo voltou a fazer
sentido. Os problemas, aos meus
olhos, já não eram tão grandes,
pois eu via que eles tinham
solução. Comecei a ter mais alegria
e voltei a ter vontade de viver. Já
dormia tranquilamente e não
desejei mais tirar minha vida.
Acredito que o tratamento
hormonal foi importante, mas a
libertação pela palavra foi
definitiva para a cura da depressão.
5. O velho homem:
O RISMAR:Apesar de toda essa
mudança, eu ainda vivia como tinha
aprendido até ali: era tão somente
um “crente de banco”. Não era –
nem de longe – um cristão
fervoroso. Posso dizer que era frio
– ou morno. Provavelmente, Deus
estava ao ponto de me vomitar,
como diz em Sua palavra. Contudo,
dentro de mim estava acontecendo
um despertamento e eu já sentia um
desejo íntimo de ajudar as pessoas.
Mas me faltava algo, e eu não
entendia o que era; havia um vazio
dentro de mim – mas já não era a
depressão, era o “velho homem”
que ainda habitava em mim, mas já
não me agradava tanto assim.
6. A tragédia:
O RISMAR:No Natal de 2015,
percebemos minha mãe com um
problema, parecido com depressão.
Ela sempre foi depressiva, mas,
dessa vez, era algo maior – ao
ponto de ela mesma pedir ajuda.
Foi quando a levamos para o nosso
apartamento e rapidamente
iniciamos um tratamento, tanto
hormonal quanto psiquiátrico, pois
era uma grave crise depressiva
cujo motivo desencadeador não
descobrimos. Era algo muito pior
que aquilo que eu tinha passado.
Eu, meu irmão e nossas esposas
queríamos ajudá-la, mas não
sabíamos muito bem o que fazer.
Os remédios causavam sérios
efeitos colaterais. Então pedimos
ajuda na igreja e obtivemos essa
ajuda – tanto por parte do Pastor
João, que orou por ela, quanto por
parte das pastoras que nos
visitaram. Um mês após o início
dessa luta, ela ainda não tinha
apresentado melhoras. Como fazia
parte do tratamento, eu e minha
esposa saíamos para caminhar com
ela. Podíamos ver, nitidamente, que
havia uma tristeza profunda em seu
olhar.
Tentávamos mostrar a natureza, as
belezas, para alegrá-la, mas ela não
parecia ver.
Dentro dela, tudo era sem solução.
Quando voltávamos para o prédio
que moramos, eu decidi ficar lá
embaixo mais um pouco – pois
estava um lindo entardecer – até
que minha esposa e ela subissem
para tomar banho. Foi então que o
pior de minha vida aconteceu: ela
esperou minha esposa entrar para o
banho e, sabe Deus em qual
desespero, pulou do 16º andar, da
sacada do meu apartamento. Fui o
primeiro a chegar onde seu corpo
estava caído. Tive o ímpeto de
subir e também me jogar, mas uma
força maior me puxou e eu caí ali,
sobre ela, desesperado.
E L I A N A :Foi uma tragédia –
quando a mesma vizinha que
amparou meu esposo lá embaixo
subiu e me amparou lá em cima –,
eu não podia acreditar! Nós não
desistimos dela, nunca!
Mas ela não suportou a dor, não
conseguiu esperar a cura, que eu
tenho certeza que viria.
Mas diante de tanta dor, pude
encontrar, de volta, o homem que
me ganhou para Jesus e com quem
me casei; ele presenciou o que
nenhum filho deveria presenciar.
Deus, pela Sua infinita
misericórdia, preservou o rosto da
minha sogra, mas o restante, só
aquele filho – que teve de ser tão
forte – sabe o que viu, por três
dolorosas vezes: ali no momento da
queda, no IML e na funerária. E,
ainda assim, ele dirigiu a noite
inteira providenciando tudo o que
era necessário, e mesmo naquela
infinita dor, na qual ele é quem
precisava de cuidados, o tempo
todo ele se preocupava em cuidar
de mim. Mas o que mais me
impactou, e que mudou a minha
vida e a dele também, foi quando
ele, naquele momento triste, me
olhou e disse: “Não se preocupe,
meu amor, nós iremos vingar a
morte da minha mãe!”. Por alguns
segundos eu pensei: “Meu Deus, o
que aconteceu com o meu marido?
Em que esta dor o transformou?
Agora ele quer vingança?”. Então,
criando coragem, eu perguntei:
“Como, meu amor?”. E ele me
respondeu: “Arrancando as almas
das mãos de Satanás”.
7. A transformação
O RIS MAR:Eu não sabia que
passaria por uma dor tão grande em
minha vida, e que esta dor moldaria
em mim um novo caráter, que é o
caráter de Jesus Cristo. Com a
perda da minha mãe daquela forma,
como muitos, eu poderia ter
buscado refúgio na bebida, ou ter
me revoltado contra Deus, mas foi
o contrário: eu busquei forças nEle
e isso, juntamente com o apoio da
igreja, me possibilitou entender o
“ide” ordenado por Jesus.
Hoje, o vazio foi preenchido pelo
Espírito Santo, e agora, eu e minha
esposa nos preocupamos em salvar
almas para o reino de Deus, pois
esta vida é muito passageira.
Dinheiro é bom – e até necessário
–, diversão é algo prazeroso, mas o
importante mesmo é como
viveremos na eternidade.
O fato de eu ter passado por uma
depressão me fez entender o
sofrimento que levou minha mãe a
uma atitude tão drástica, mas penso
que, se quando ela tinha apenas
uma depressão mais leve, tivesse
seguido o tratamento menos
agressivo e buscado apoio na
igreja, como eu fiz, ainda hoje teria
minha mãe viva aqui comigo. Mas
ela teimava em simplesmente se
isolar. Se eu tivesse me voltado
antes para o propósito do Senhor,
talvez, tivesse tido melhores armas
para ajudá-la. Hoje, apesar de tudo
que passei – por um milagre de
Deus –, sou feliz, valorizo o que
tenho, meu sono é tranquilo e minha
alegria e de minha esposa é
servirmos a Deus.

Este é um exemplo de como enfrentar


o sofrimento propositando-o de forma
positiva. Lembrem-se: a dor, a perda e a
tristeza são inevitáveis, mas o
sofrimento pode ser propositado. A
desgraça não está no que fazem
conosco, e sim no que fazemos com o
que fazem conosco.
Capítulo 15
Exorcismo
Endorcismo

É possível não se contaminar, olhar


nos olhos da vida e dizer: eu vou vivê-la
com intensidade, pois você é um
presente de Deus que recebi, e vou
preservá-la!
Cristo nos mostrou, em seus 33 anos
de vida nesta terra, que é possível viver
no meio sem se misturar e guardar a
alma, bem como as emoções, com uma
gestão forte e segura do meu “eu
principal” (espírito). Jesus soube se
proteger de toda gama de sentimentos
terrenos que poderiam bloqueá-lo de
terminar bem sua jornada e missão.
Como já mencionei, Ele é o nosso
exemplo. A educação
psicológica/psiquiátrica fala de códigos
da inteligência e que não basta entendê-
los, é preciso decifrá-los intimamente e
desvendar suas ciências para conhecer
seus segredos.
São dezenas de códigos. Eu não sou
psicólogo nem cientista d a psique, não
s o u contra os conhecimentos desta
ciência, mas sugiro que qualquer pessoa
no processo de desenvolvimento de
depressão, antes de tentar decifrar as
dezenas de códigos da alma, procure
ajuda espiritual de cristãos com
maturidade e conhecimento bíblico.
Sei que a ciência pode ajudar
bastante, mas talvez não haja tempo de
salvar o indivíduo no estado avançado
da doença, devido ao processo
demorado do tratamento e, por essa
razão, aconselho um tratamento
espiritual, que reorganizará a hierarquia
do governo de viver da pessoa. Nem
sempre é um caso de exorcismo ou coisa
assim, talvez seja um caso de
endorcismo, em que a pessoa se perdeu
dentro de si mesma, e o endorcismo
ajudará a encontrá-la.
Jamais poderemos, de pronto, entrar
com um tratamento agressivo de tarja
preta, sem primeiro buscar ajuda
espiritual e orientações psicológicas
alternativas para os pacientes
agressivos. Você já leu aqui, em outro
texto, como Deus tratou Elias em seu
estado depressivo e também no
depoimento do casal Orismar e Eliana
da perda da mãe em um drástico
suicídio, e eles disseram que se
houvessem antes buscado ajuda idônea
espiritual, talvez tivessem evitado a
tragédia. Em um grande desejo de ajudá-
la, entraram de imediato com um
tratamento agressivo, mas não houve
tempo para o salvamento da paciente em
epígrafe, vindo ela a cometer, em
desespero, o drástico suicídio que aqui
lamentamos tristemente.
Ao colocar neste livro o corajoso
testemunho de Orismar e Eliana, a
intenção não é expô-los ao público, mas
sim uma tentativa de alertar os nossos
estimados leitores que se, por acaso,
convivem com uma pessoa no processo
de desânimo e depressão, ajude-a na
busca cor-reta.
Como já mencionado na descrição,
este não é um livro técnico, com base na
psicologia ou psiquiatria, mesmo crendo
que ambas podem ajudar bastante, mas o
que eu quero – com estas simples linhas
– é ajudar pessoas, como já tenho feito
em minha congregação, onde sou pastor
há 35 anos.
Já convivi com inúmeras pessoas – e
ainda convivo –, tentando ajudá-las;
algumas, com sucesso gratificante –
razão de tomar a iniciativa de escrever
este livro, e o escrevi com muito temor e
tremor – na expectativa de ajudar
alguém. Oro por você que tem este livro
nas mãos, que o Eterno, seu Criador,
acione todos os mecanismos de bênçãos
que Ele criou em sua vida, espírito,
alma e corpo.
Capítulo 16
Qual A Origem
Das Emoções E
Seu Propósito

Todas as nossas emoções têm sua


origem em Deus, Ele é a fonte delas.
Deus nos deu cada uma das emoções
com um propósito especial, por meio
das quais motivamos nosso corpo para
suas ações. A função de nossas emoções
é nos servir e nunca nos controlar.
Quando somos controlados pelas
nossas emoções, tornamo-nos reféns das
circunstâncias.
O amor é uma emoção sadia quando é
nossa serva. Com ela, construímos
relacionamentos sadios, mas o amor
descontrolado, sem equilíbrio, torna-se
paixão doentia.
A ira é uma emoção com a função de
manter nosso senso de justiça, mas,
descontrolada, torna-se rancor e mágoa.
O medo foi criado como um sensor de
proteção da vida, mas, descontrolado,
torna-se um bloqueio, síndrome do
pânico.
A função da tristeza é nos levar ao
arrependimento. Descontrolada, vira
angústia, depressão.
A função da preocupação é fiscalizar
nossa qualidade de vida. Descontrolada,
torna-se ansiedade, descontrole mental,
estresse...
Como controlar nossas emoções?
Primeiramente vou citar quatro coisas
que não controlam as emoções:
1. Reprimir não controla as emoções,
tentar sufocá-las e não se abrir sempre
piora;
2. Não fazer nada também não
controla; deixar o tempo passar para ver
o que acontece não mudará em nada;
3. Receber uma oração por imposição
de mãos de um abençoado por si só não
controlará;
4. Mudar de estado, país ou
residência não irá controlar. Há um
ditado que diz: onde o ferro vai, a
ferrugem sempre irá.
Agora veremos como controlar nossas
emoções:
1. Experimentar o novo nascimento
em Cristo Jesus, o Senhor; isso, com
certeza, dará capacidade de gestão
espiritual para o indivíduo;
2. Examinar os pensamentos que
dominam sua vida e mente e de onde
eles vêm;
3. Comece a mudar seu modo de
pensar, você pode estar perguntando:
“Como posso fazer isso?”. Romanos
12:1-2[Nota 34] responde: meditando,
estudando, ouvindo a Palavra do Senhor;
4. Exercer o privilégio de orar com o
Espírito Santo, apresentando a Deus o
seu verdadeiro estado de emoções.
“Não estejais inquietos por coisa
alguma; antes as vossas petições sejam
em tudo conhecidas diante de Deus
pela oração e súplica, com ação de
graças.” (Filipenses 4:6)
Isso fará com que o Espírito Santo
guarde seu coração e sua mente em
Cristo Jesus, o Senhor (“E a paz de
Deus, que excede todo o entendimento,
guardará os vossos corações e os
vossos pensamentos em Cristo Jesus.”
– Filipenses 4:7), levando-o ao
potencial para controlar suas emoções,
assim, conduzindo-as ao propósito pelo
qual foram criadas.
Notas do Capítulo

Nota 34 - “Portanto, irmãos, rogo-lhes pelas


misericórdias de Deus que se
ofereçam em sacrifício vivo, santo e
agradável a Deus; este é o culto
racional de vocês. Não se amoldem
ao padrão deste mundo, mas
transformem-se pela renovação da
sua mente, para que sejam capazes de
experimentar e com-provar a boa,
agradável e perfeita vontade de
Deus.” (Romanos 12:1-2) [Voltar]
Capítulo 17
Estou Perdido
Dentro De Mim
Mesmo.
O Que Fazer?

Estou perdido dentro de mim mesmo.


O que fazer?
O rei Davi – como já citei em
capítulos anteriores – aprendeu a se
reanimar no Senhor e a lidar com suas
emoções como gestor do seu interior,
reorganizando o governo, a hierarquia
da vida, achando-se no seu interior. Em
Salmos 42:5 e Salmos 42:11,
aprendemos com o salmista como reagir
superando o desespero de nossa alma e
o desequilíbrio de nossas emoções. Ele
se torna um autodidata: “porque estás
abatida, ó minha alma? Por que te
perturbas dentro de mim? Espera em
Deus, pois ainda O louvarei, Ele é o
meu auxílio e Deus meu”. Ele repete a
mesma fala e, no Salmos 43:5, ele, de
novo, repete o mesmo teor da fala. O
salmista provoca esperança em sua alma
com autoridade, comanda as emoções
que abatiam a sua vida interna. Não era
um problema externo que oprimia o
salmista. Mais uma vez, dá ordem dentro
de si mesmo (alma abatida), toma o
controle, reanimando-se, usando a
autoridade do seu “eu
principal”(espírito) para orientar sua
alma, como um gestor forte de suas
emoções.
Os nossos pais, Adão e Eva, enquanto
se mantinham na obediência, o espírito
que Deus soprara dentro deles guardava
total poder e vigor. Sua influência
impregnada os defendia completamente
– corpo, alma e espírito – das invasões
de corrupção e morte, ao passo que, ao
mesmo tempo, seu esplendor, brilhando
pela forma física e perfeita, via uma
auréola lustrosa ao redor de ambos, a
fim de que o elemento mais espesso do
corpo fosse escondido dentro do véu de
glória radiante, devido à conexão que
eles tinham com Deus. Logo, como
dominadores da criação, eles se
distinguiam, de forma notável, de todas
as criaturas que lhes foram colocadas
em posição de inferioridade.
Todavia, o pecado destruiu toda a
armadura da alma, corpo e espírito, e
essa destruição tirou todo equilíbrio da
existência do homem e da mulher. O
espírito que eu chamo de “meu eu
principal”, abatido, foi reduzido à
condição de prisioneiro, destituído de
poder e quase calado. Por conseguinte, a
luz espiritual estava terminada e não
mais poderia preservar o corpo de
ambos da decadência ou vesti-lo com
sua glória, como de um manto. A ameaça
de Deus foi um fato consumado.
O reino da morte começaria e, daí por
diante, no desequilíbrio do homem, o
espírito perdeu a liderança e a harmonia
com a alma e corpo. Essa harmonia só é
recuperada quando o meu espírito é
regenerado pelo novo nascimento que
Cristo nos promove pela fé.
Daniel, falando desse tempo (Daniel
12:3[Nota 35]), quando o espírito retoma a
gestão sobre a alma e suas emoções,
tudo volta ao equilíbrio.
Por que há crente com depressão?
Desconectaram-se de Cristo e
conectaram-se à religião, e mais uma
vez, o espírito perdeu a liderança e,
quase calado, perde-se dentro do crente
que começou bem e prosseguiu mal. O
relacionamento com uma religião cansa,
deprime e frustra o indivíduo porque
não é mais o espírito que lidera, ele não
tem mais influência e a alma se torna a
dominadora, bem como suas emoções.
Aí, o crente para de viver pela fé e
passa a viver pelo que sente e pelo que
vê.
E vivendo pelo que sente, passa a
viver influenciado pelas circunstâncias,
guiado e controlado pelas emoções, e é
quando se torna depressivo e vencido
pelos desânimos provocados pelas
circunstâncias.
A religião nos ilude e, iludidos,
criamos expectativas com base no que
fazemos e sentimos, e quando não
alcançamos as expectativas, frustramo-
nos e nos decepcionamos, e logo nos
voltamos contra tudo e todos que
achamos que foram os culpados pelo
nosso insucesso.
A verdade é que entramos em um
caminho perigoso e minado, que com
certeza nos fará enfraquecer na fé.
O cuidado que devemos tomar: “ora,
como recebestes Cristo Jesus, o
Senhor, assim andai nele”
(Colossenses 2:6). Quando recebemos
Cristo, nada tínhamos para recebê-lo, e
mesmo assim, Ele nos encheu de alegria
e nos deu um novo viver, no qual
devemos caminhar pela fé, e tão somente
permiti-lo que nos recrie para boas
obras.
Não são as boas obras que nos
recriam, e sim Cristo que nos dá a
regeneração para as boas obras.
Notas do Capítulo

Nota 35 - “Os que forem sábios, pois,


resplandecerão como o fulgor do
firmamento; e os que a muitos
ensinam a justiça, como as estrelas
sempre e eternamente.” (Daniel
12:3) [Voltar]
Capítulo 18
Deus É A Fonte De
Tudo

O que existiu e o que existe, tudo isso


esteve em Deus. Antes que Deus criasse
qualquer coisa, só existia Ele, portanto,
Deus tinha dentro de si o potencial para
fazer tudo o que fez. Não existe nada que
tenha existido antes dEle. Deus é a fonte
de tudo, de toda a vida, porque antes de
haver alguma coisa, só Ele existia.
“No princípio Deus criou os céus e a
t erra” (Gênesis 1:1), Deus tirou de
dentro de si mesmo tudo o que criou. De
fato, o começo esteve em Deus antes de
começar. Deus começou o começo. Se o
livro de Gênesis começasse com
“Gênesis 1:0”, o versículo poderia ser:
“antes de haver começo, havia Deus;
antes de haver criação, havia o Criador;
antes de haver qualquer coisa, havia
Deus”. Assim como tudo estava em
Deus, nesse tudo estamos inclusos eu e
você. Deus nos tirou de dentro de Si
mesmo e nos colocou em uma habitação
terrena chamada corpo – tabernáculo –,
habitação provisória: “ E tenho por
justo, enquanto estiver neste
tabernáculo, despertar-vos com
admoestações, sabendo que brevemente
hei de deixar este meu tabernáculo,
como também nosso Senhor Jesus
Cristo já mo tem revelado” (2 Pedro
1:13-14). Ele é nossa fonte de existência
e vida (Atos 17:26 e 28[Nota 36]).
Organize sua vida.
Os cinco relacionamentos essenciais
para uma vida organizada:
. Relacionamento com Deus, ligado à
fonte da existência da vida (Jó 33:4);
. Relacionamento consigo mesmo;
. Relacionamento com outras pessoas;
. Relacionamento com seres
espirituais criados;
. Relacionamento com o mundo
natural.
“E disse Deus: Façamos o homem à
nossa imagem, conforme a nossa
semelhança; e domine sobre os peixes
do mar, e sobre as aves dos céus, e
sobre o gado, e sobre toda a terra, e
sobre todo o réptil que se move sobre a
terra. E criou Deus o homem à sua
imagem; à imagem de Deus o criou;
homem e mulher os criou. E Deus os
abençoou, e Deus lhes disse: Frutificai
e multiplicai-vos, e enchei a terra, e
sujeitai-a; e dominai sobre os peixes
do mar e sobre as aves dos céus, e
sobre todo o animal que se move sobre
a terra.” (Gênesis 1:26-28)
“Eis aqui, o que tão-somente achei:
que Deus fez ao homem reto, porém
eles buscaram muitas astúcias.”
(Eclesiastes 7:29)
Deus sabe como transformar caos em
ordem.
O homem sabe como transformar
ordem em caos.
Com Deus eu posso todas as coisas;

– “O espírito do homem é a
lâmpada do Senhor, que
esquadrinha todo o interior até o
mais íntimo do ventre.”
(Provérbios 20:27)
– “Na verdade, há um espírito no
homem, e a inspiração do Todo-
Poderoso o faz entendido.” (Jó
32:8)
Notas do Capítulo

Nota 36 - “E de um só sangue fez toda a


geração dos homens, para habitar so-
bre toda a face da terra, determinando
os tempos já dantes ordenados, e os
limites da sua habitação; Porque nEle
vivemos, e nos movemos, e
existimos; como também alguns dos
vossos poetas disseram: Pois somos
também sua geração.” (Atos
17:26,28) [Voltar]
Capítulo 19
Religião Ou
Espiritualidade

O que chamamos de religião não tem


nada a ver com espiritualidade. O
espiritual é uma realidade pessoal, e não
física, que não se pode perceber com os
cinco sentidos: “o espiritual não tem
propriedades físicas como forma,
tamanho, peso, cor, sabor, dor e
textura”. O espírito é o poder pessoal,
incorpóreo e podemos entender que
Deus é espírito (João 4:24[Nota 37]),
como ensinou o Senhor Jesus, assim
como o ser humano, criado à imagem e
semelhança. Assim, espiritualidade
acontece quando o Espírito de Deus foi
unido no espírito do homem.
A espiritualidade cristã é, portanto, o
encontro do Espírito de Deus com o
espírito do homem. A espiritualidade
cristã implica cuidar do espírito que é o
meu “eu principal”. A partir do encontro
pessoal com Jesus Cristo, manterá o meu
espírito que é o “meu eu” de fato unido
ao Espírito de Deus, e essa junção me
dará uma gestão espiritual na hierarquia
certa do governo da vida, que me fará
viver em domínio de minha alma e
minhas emoções, e nunca refém das
circunstâncias. Foi assim que o Senhor
Jesus viveu aqui, para ser o meu
exemplo, e nEle tudo posso.
Se houve um homem que transitou
naturalmente pela dimensão espiritual e
que dedicou sua vida a fazer com que as
pessoas encontrassem o mesmo
caminho, esse homem foi Jesus, o
homem completo, na verdade, Deus
encarnado, 100% Deus, 100% homem,
mistério divino. Ele jamais esteve
contido nos limites da matéria em
relação ao universo natural ou
biopsíquico da realidade humana. Jesus
foi perfeito em sua espiritualidade.
O caminho de Jesus no meio das
multidões era admirável; ele conseguia
andar no meio da massa sem perder de
vista o indivíduo. Jesus não apenas
entrava e saía em todos os lugares sem
se contaminar, mas convivia com todos
os tipos sem se deixar influenciar,
portanto, “admoesto-vos que sejais
meus imitadores, como também eu sou
de Cristo” (1 Coríntios 11:1). Paulo
afirma que podemos imitá-lo assim
como ele imitou a Cristo Jesus. Cristo é
o modelo de vivência integrada em
Deus, e por isso a imitação de Cristo é o
caminho para a harmonia com Deus e
sem bloqueio.
O cristianismo afirma que Jesus de
Nazaré é o protótipo do novo homem,
sendo Ele mesmo o homem novo, em
que céus e terra, pó da terra e fôlego da
vida coexistem em harmonia plena e
perfeita. “Na verdade, há um espírito
no homem, e a inspiração do Todo-
Poderoso o faz entendido.” (Jó 32:8)
TESTEMUNHO ABRAHAM LINCOLN

Abraham Lincoln (1809-1865),


considerado um dos presidentes mais
importantes dos Estados Unidos, viveu
muito tempo antes da psiquiatria
entender que a depressão é o produto de
um desequilíbrio bioquímico do
cérebro, acompanhado por um
desequilíbrio psicológico
correspondente, com frequência,
chamado de “pensamento falho”.
Disse ele:

Eu sou, agora, o mais miserável


entre os homens vivos; se o que eu
sinto fosse distribuído por toda
família humana, não haveria
nenhum rosto alegre sobre a terra.
Se irei melhorar algum dia? Eu não
posso dizer. Tenho o terrível
pressentimento de que não.
Permanecer como eu sou é
impossível, eu preciso morrer, ou
ser melhor do que pareço a mim
mesmo. (Abraham Lincoln)

Abraham Lincoln, de algum modo,


reuniu a fé de que precisava para seguir
em frente e vencer a profunda
depressão, e manteve, não apenas a si
mesmo intacto, mas também toda a
nação norte-americana. A depressão não
é culpa de alguém, nem sua, nem de seus
pais, nem da sociedade, nem de Deus.
Consiga a ajuda de que você precisa –
preferencialmente de um líder
especializado que não apenas sinta
empatia com a sua dor, mas que também
entenda plenamente as dimensões
espirituais, psicológicas e médicas da
sua condição. Este, com maturidade para
discernir o seu estado, encaminhará
você a um tratamento eficaz.
Segundo o Instituto Nacional de
Saúde Mental, é muito provável que uma
pessoa esteja clinicamente deprimida,
desde que apresente os seguintes
sintomas:
• Tristeza persistente ou estado de
ânimo “vazio”;
• Perda de interesse ou prazer em
atividades comuns, incluindo o
sexo;
• Fadiga e energia reduzida;
• Perturbações no sono;
• Perturbações alimentares;
• Dificuldades para se concentrar,
para se lembrar ou tomar decisões;
• Sentimento de culpa, de indignidade
ou desamparo;
• Pensamento de morte ou suicídio;
tentativa de suicídio;
• Irritabilidade;
• Choro excessivo;
• Dores crônicas sentidas pelo corpo,
e dores que não respondem a
tratamentos;
• Produtividade reduzida;
• Abuso de álcool ou de drogas.
Alguém disse: “é melhor acender uma
vela do que amaldiçoar a escuridão”.
Não se desespere, depressão tem cura.
Se você constatou um desses sintomas
ou vários deles, saiba que há saída pra
você.
Eu oro por você agora, na certeza de
que, em algumas destas páginas, Deus
falou com você, e que você falou com
Ele. Que neste diálogo você ouça a voz
suave que sai do Seu coração gracioso.
Que Deus o abençoe!
João Antônio
Notas do Capítulo

Nota 37 - “Deus é Espírito, e importa que os


que o adoram o adorem em espírito e
em verdade.” (João 4:24) [Voltar]
Referências

ARAÚJO, João Antônio de.Depressão


o que é e como sair de la. Goiânia,
2005.
______________. Muitos olham,
poucos veem. Editora Delta, 1.009.
BARROS FILHO, Clóvis de.Felicidade
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Leandro Karnal. Campinas, SP: Papirus
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BÍBLIA Sagrada. Versões NVI, RA, RC
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BLECH, Rabino Benjamin.Se Deus é
bom, por que o mundo é tão ruim?
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KUSHNER, Harold S.Quando coisas
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SMITH, Malcolm.Esgotamento
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