Вы находитесь на странице: 1из 18

Estudos Sobre o Noroeste Peninsular

Estudos Europeus, Estudos Lusófonos e Relações Internacionais


3º Ano

A Eurocidade Chaves-Verin

Docente: Doutora Célia Taborda

Discente: Fábio Pinto Azevedo


Estudos sobre o Nordeste Peninsular | Fábio Pinto Azevedo

“A disciplina é mais forte do que o número; a disciplina, isto é,


a perfeita cooperação, é um atributo da civilização.“

Stuart Mill

2
Estudos sobre o Nordeste Peninsular | Fábio Pinto Azevedo

Índice
Introdução ................................................................................................................... 4
Capítulo I ..................................................................................................................... 5
1. Perspetiva Histórica da cidade Chaves e Verín ........................................................ 5
2. A Fronteira ................................................................................................................ 6
Capítulo II.................................................................................................................... 7
1. A ligação da cidade de Chaves a Verín – a Eurocidade da Água ............................. 7
2. AECT (Agrupamento Europeu de Cooperação Territorial) .................................. 11
3. Cartão do Eurocidadão ........................................................................................... 12
3.1. Objetivos/vantagens do cartão do Eurocidadão: ................................................ 13
4. Sede da Eurocidade ................................................................................................. 14
5. Objetivos da Eurocidade ......................................................................................... 14
Capítulo III ................................................................................................................ 16
1. Proposta de projeto ................................................................................................. 16
Conclusão .................................................................................................................. 17
Bibliografia ................................................................................................................ 18

3
Estudos sobre o Nordeste Peninsular | Fábio Pinto Azevedo

Introdução

O presente trabalho, desenvolvido no âmbito da disciplina Noroeste Peninsular,


no terceiro ano de licenciatura do curso de Estudos Europeus, Estudos Lusófonos e
Relações Internacionais na Universidade Lusófona do Porto tem como objetivo
compartilhar algum conhecimento sobre o Noroeste Peninsular, desde o seu inicio até ao
momento atual, com especial foco para o verdadeiro tema do mesmo, a Eurocidade
Chaves-Verín.
Vou, ao longo deste trabalho dar a conhecer este projeto pioneiro na União
Europeia que une duas cidades de duas nacionalidades diferentes, Portugal e Espanha,
conseguindo assim trazer benefícios para os dois municípios, com o objetivo de perceber
qual o rumo da Eurocidade, como foi criada, qual o motivo da sua criação e quais os seus
objetivos para o futuro.
Este trabalho mostra também a importância da cooperação regional e neste caso
também da cooperação transfronteiriça, como pode ser benéfica quer para a população,
quer para os serviços quer para o mercado e a economia em seu redor.
Tendo em conta as especificidades e características que marcam esta região, é
também do meu interesse demonstrar ao longo deste trabalho a importância dos aspetos
culturais e históricos e os atributos dos territórios fronteiriços.

4
Estudos sobre o Nordeste Peninsular | Fábio Pinto Azevedo

Capítulo I

1. Perspetiva Histórica da cidade Chaves e Verín

A inter-relação humana neste território remota ao período Neolítico, continuando


durante a Idade do Bronze e a época castreja, em que os Tamagani eram um povo que
habitava as ribeiras do Tâmega. Durante a romanização surgem as villae como Verín e,
nos redores das Caldas, o imperador Favio Vespasiano funda no ano 78 d.C., o município
de Aquae Flaviae, que deu origem a Chaves.

A ocupação sueva em 462 foi devastadora para esta zona, causando a prisão do
bispo de Flavias. Séculos depois, em 766 seriam os árabes a ocupar estas terras. As
guerras da reconquista trariam instabilidade, miséria e emigração, sendo Alfonso I de
León quem primeiro as recupera do domínio muçulmano. Contudo, só em 878 é que se
levou a cabo a forma definita de repovoamento do Vale do Tâmega e da vila de Chaves
pela mão de Odoário, em nome de Alfonso III.
No ano de 921, Ordoño II de León visita a zona, acompanhado pelo conde Gutier,
pai de São Rosendo, fundador do mosteiro de Celanova. Este mosteiro receberia
posteriormente inúmeras doações em Verín e em Chaves.

Em 931 apareceu já documentado o nome de Verín, e têm início os litígios entre


as sedes episcopais de Ourense e de Braga por diversos territórios fronteiriços. O
casamento de Teresa, filha de Alfonso VI, com Henrique de Borgonha, proporcionou-lhe
numerosas terras na fronteira, incluindo a vila de Chaves. Durante este período. Teresa
fez várias doações à sede bracarense, como a do Couto de Ervededo. Em 1127, o rei
Alfonso VII invade esses territórios, submetendo Teresa e devolvendo as suas possessões
a Celanova. Um ano depois o filho de Teresa, Afonso Henriques, entrou em guerra com
a sua mãe, vencendo o seu exército e tomando posse das suas terras. Em 1134, Alfonso
VII volta a ocupar as terras flavienses, deixando-as sob tutela dos Fernão Mendes,
senhores de Bragança.

Em 1145, Verín recebeu a carta de foral do mosteiro de Celanova para favorecer


o seu repovoamento. Este foral seria novamente validado no ano de 1328.

5
Estudos sobre o Nordeste Peninsular | Fábio Pinto Azevedo

As disputas por terras fronteiriças entre as dioceses de Braga e Ourense tiveram o


seu ponto culminante no encontro entre Fernando II e Afonso Henriques de Portugal
celebraram nas proximidades de Verín, na presença do bispo de Ourense e de três
prelados bracarenses, pondo assim fim a estas disputas. A fronteira estabiliza-se e em
1274 é terminado e repovoado o castelo de Monterrei como garantia dos novos limites.
Em 1258, o rei Afonso III concede carta de foral a Chaves, que seria renovada em 1350
por Afonso IV. Com Chaves sob o poder régio, teve lugar a crise dinástica de 1383, que
levou o regedor de Chaves a tomar partido por Castela. O Rei D. João I reconquistaria a
praça pela mão do condestável Nuno Álvares Pereira, a quem foi concedida a vila. Esta
foi incluída no dote da sua filha Beatriz, que ao casar com D. Afonso, filho ilegítimo de
D. João I, tornaria chaves uma possessão da casa de Bragança onde ambos viveram e
morreram.

No final da Idade Média, Chaves e Monterrei constituíram povoações


importantes, que partilham os caminhos de Santiago. Em ambos os lugares, e com uma
escassa margem de anos instaram-se várias oficinas de impressão, que trabalhando em
ambos os lugares, darão à luz duas joias bibliográficas como o Sacramentak de Chaves
em 1488 e o Missal Auriense em 1494. No início do século XVI, Chaves receberia de D.
Manuel um novo foral, confirmando os anteriores.

Os anos da Idade Moderna são um período de contínuos conflitos fronteiriços no


Vale, com a ocupação de lugares e de praças de armas por ambos os lados. E será apenas
a invasão napoleónica que as forças de um e de outro lado da fronteira se unirão contra o
inimigo comum.

As agitadas guerras civis dos séculos XVIII e XIX , na Galiza e em Portugal


levaram inúmeros refugiados e implicados, a um outro lado da fronteira, em busca de
apoio. Uma das últimas incursões a ter lugar desde a Galiza seria a do monárquico Paiva
Couceiro em 1912. Em 1929, a Vila de Chaves foi elevada a cidade, ao converte-se pela
sua população e pelo seu dinamismo num importante centro urbano.

2. A Fronteira

A fronteira recebe pelos populares de ambos os lados e desde tempos imemoriais


o nome de “Raia”, que constitui um dos aspetos mais marcantes da zona, ao não existirem

6
Estudos sobre o Nordeste Peninsular | Fábio Pinto Azevedo

praticamente quaisquer acidentes geográficos que a delimitem. Este aspecto pautaria


desde bem cedo as características económicas e sociais da zona e dos habitantes de
“Raia”. Como fronteira geográfica forçada, dividiu o Vale do Tâmega em dois e foi
motivo de amores, ódios e solidariedades diversas.
A atual política comunitária de eliminação de fronteiras reavivou projetos
económicos, culturais e sociais, latentes desde sempre, apesar das ignominiosas guerras
que avivaram os confrontos seculares, hoje felizmente superados. Os aspetos comerciais,
incluindo o clandestino contrabando, foram as que nos últimos anos caraterizaram as
relações interfronteiriças aos olhos de muita gente.

Desde a antiguidade que as relações sociais entre os povos da “Raia” se


manifestaram primordialmente pela comparência de ofícios religiosos de um e de outro
lado, no matrimónios mistos, no intercambio ou na venda de diversas mercadorias e no
apoio médico e ajuda mútua em casos de catástrofes. As manifestações de solidariedade
com os fugitivos e os exilados em tempos de repressão e de perseguição política são
também uma inesquecível contribuição a destacar, como exemplo para muitos.
As numerosas variações da fronteira geográfica têm, em grande medida,
coadjuvado esta inter-relação.

A raia fronteiriça é quase um conceito moderno, apurado pelas consequências das


guerras, mas foi sempre uma fronteira viva onde os costumes, recursos, cultura e
população criaram laços de união e solidariedade que têm a sua origem na história mais
profunda.

Capítulo II

1. A ligação da cidade de Chaves a Verín – a Eurocidade da Água

No processo de Cooperação Transfronteiriça destaca-se a criação de um tipo de


núcleo explorador e inovador e consequentemente, de uma equipa de trabalho “além-
fronteiras” designada por Eurocidade.

7
Estudos sobre o Nordeste Peninsular | Fábio Pinto Azevedo

No caso de Chaves e Verín, o projeto pretende aproximar as entidades locais


aglutinando as centralidades históricas e culturais, dentro de um espaço territorial rural e
de baixa densidade populacional.
Ao destacar a Eurocidade Chaves – Verín, é destacar a importância dos laços de
união entre a Região Norte e a Galiza e as similitudes/aproximações que se fazem sentir
neste território.
Do lado português deparamo-nos com Chaves, concelho com 41.243 mil
habitantes, pertencente à zona do Alto Tâmega (seis concelhos com 100 mil habitantes
na totalidade). Verín possui 14.467 mil habitantes e pertence à Comarca de Monterrey-
Verín (com 30 mil habitantes na totalidade) e à Província de Ourense.

Em outubro de 2015, realizaram-se em Chaves as Jornadas Técnicas das


Eurocidades onde estiveram presentes os Presidentes dos Municípios de Chaves e Verín
e o Professor Doutor Luis Dominguez Castro.
No mesmo mês a Eurocidade Chaves - Verín foi premiada em Bruxelas com o
prémio RegioStars 2015 na categoria CityStar, atribuído no âmbito da boa estratégia de
cooperação entre ambos municípios destacando a colaboração institucional e cultural.

A relação entre Chaves e Verín já existia há muitos anos e o projeto conjunto veio
aprofundar as relações.
Ao longo das jornadas, foi realçada a importância da Água para ambos municípios
denotando que o rio Tâmega não separa as localidades: acaba por unir Chaves e Verín. A
criação de uma linha de transporte pendular continua a ser um dos grandes objetivos do
projeto e que ainda não foi possível concretizar.
Uma das principais marcas da Eurocidade passa pela zona franca social onde cada
cidadão possa escolher o serviço público que melhor o servir, sem que a fronteira e a sua
naturalidade, o impeçam.
Ambos os municípios possuem interesses coincidentes e comuns. Primeiramente,
pela proximidade geográfica entre ambas (distam 30 minutos uma da outra) e as ligações
históricas e político-institucionais supra mencionadas. Tanto Chaves como Verín fazem
parte da Associação de Municípios do Eixo Atlântico; isto fomenta a multiplicação de
iniciativas e atividades entre ambos municípios. Existem recursos económicos e
territoriais que necessitam de preservação – como questões de logísticas e empresariais
ou questões de gestão urbana. A união entre Chaves e Verín tem, para além de todos os

8
Estudos sobre o Nordeste Peninsular | Fábio Pinto Azevedo

fatores já citados, um suporte que assenta nas Águas Termais que as cidades - A
Eurocidade da Água. Para além do rio Tâmega que atravessa Verín e Chaves, existem
nove nascentes nos dois municípios. O território da Eurocidade compreende em si uma
grande cifra de nascentes termais representando uma das maiores concentrações termais
em toda a Europa. Apesar de se encontrarem relativamente próximas umas das outras e
divididas pela raia, as nascentes têm todas a mesma origem: uma falha tectónica que
atravessa o Vale de Monterrei e o Alto Tâmega. Apesar da proximidade, todas elas
possuem indicações minerais e terapêuticas diferentes. No lado luso, as principais
nascentes são as das Caldas de Chaves, Campilho, Vidago e Vilarelho da Raia. Do lado
de Verín, as principais são: Águas de Sousas, Fontenova, Cabreiroà, Caldeliñas e Fonte
do Sapo. A água possui uma importância incontornável neste território transfronteiriço,
quer a nível económico, e turístico quer a nível de bem-estar e de saúde.

Uma das intenções desta iniciativa é conseguir levar a Cooperação


Transfronteiriça a um nível mais próximo das suas populações. Pretende-se que a
cooperação vá além das infraestruturas administrativas e que tenha aplicação na vida
quotidiana de todos os cidadãos destes territórios. Pode afirmar-se que se trata de uma
iniciativa experimental que utiliza a cooperação de proximidade na edificação de uma
identidade europeia (neste caso, de uma “eurocidadania”).
A ideia de criar estruturas institucionais que permitam fortalecer as relações entre
ambas tem um longo percurso, acarinhado pelos dois municípios há já algum tempo.
Não obstante, foi a oportunidade aberta criada pela nova programação comunitária
2007-2013 e o seu interesse na cooperação territorial que veio dar o impulso definitivo a
um objetivo que pretendia contribuir para o crescimento e para o emprego.

Para os municípios, a união através da Eurocidade é incontornável e assume-se


como uma vantagem competitiva capaz de criar emprego e riqueza e atrair e fixar
população permitindo contrariar a tendência de decrescimento das regiões de montanha.
A cooperação transforma-se no motor impulsionador do projeto e do
desenvolvimento das economias locais e regionais. Assim sendo, a iniciativa e a vontade
de abraçar esta ação partiu das instituições e administrações locais, levando as duas
cidades a procurarem o caminho da sustentabilidade e do desenvolvimento (nas diversas
áreas sociais e económicas).

9
Estudos sobre o Nordeste Peninsular | Fábio Pinto Azevedo

Ultrapassada a fase do predomínio das infraestruturas, a cooperação territorial


transfronteiriça dentro da União Europeia tem estado a evoluir em direção a um novo
conceito que dá primazia à preponderância do viver quotidiano de cidadãos
artificialmente separados.
A cooperação de proximidade, através das Eurocidades, estende-se hoje em dia
por todas as fronteiras como um laboratório de construção da eurocidadania, de um viver
partilhado entre iguais, sendo Chaves e Verín dois territórios com sólidos vínculos de
intercâmbio e cooperação entre as suas gentes.
Chaves e Verín reúnem duas características muito importantes para se
converterem numa das primeiras experiências europeias deste tipo. Em primeiro lugar, a
vontade política das administrações (locais, provinciais, autonómicas e nacionais) para
levar em frente a iniciativa.
Em segundo lugar, a sua condição de porta de acesso do eixo interior da
Eurorregião Galiza-Norte de Portugal: um eixo interior que requer medidas de apoio pelo
seu caráter de território de baixa densidade, para permitir a sua convergência com o eixo
litoral.

O atual processo de consolidação da Eurocidade Chaves-Verín tem as suas origens


no movimento de cooperação institucional e territorial iniciado em 1991 com a
constituição legal da Comunidade de Trabalho Galicia-Norte de Portugal (CTG-NP) e,
em 1992, do Eixo Atlântico do Noroeste Peninsular, que define os contornos
institucionais e operacionais da denominada Eurorregião Galiza-Norte de Portugal.

Em Julho de 2007, com a entrada do município de Verín no Eixo Atlântico,


arranca este ambicioso projeto, que foi impulsionado desde o início pelo Eixo Atlântico,
pelo Governo de Portugal, pela Xunta de Galiza e pela Diputación de Ourense. Assim,
em Setembro de 2007 organizou-se o Grupo de Trabalho Institucional responsável pelo
impulso político e pelo acompanhamento da iniciativa e onde estão representadas todas
as instituições mencionadas, incluindo os municípios de Chaves e Verín.

Em 18 de Dezembro de 2007, teve lugar, em Chaves, a cerimónia oficial de


apresentação da Eurocidade Chaves-Verín e do seu Plano de Visibilidade.

Finalmente, em Janeiro de 2008, dando seguimento ao mandato do citado Grupo

10
Estudos sobre o Nordeste Peninsular | Fábio Pinto Azevedo

de Trabalho Institucional, começaram os trabalhos para a realização de uma Agenda


Estratégica da Eurocidade para definir o perfil da Eurocidade Chaves-Verín.
Para isso, foi adotada uma metodologia de trabalho baseada num enfoque “de
baixo para cima”, tendo em conta a opinião dos agentes sociais e económicos, assim como
dos cidadãos e dos responsáveis políticos e sociais.
Deste modo, procurou-se estabelecer as linhas diretrizes de desenvolvimento que
pudessem satisfazer as expectativas de todos os eurocidadãos.

De acordo com os Censos, em 2011 residiam na Eurocidade Chaves-Verín 55.710


pessoas, correspondendo a população do Município de Chaves a perto de três quartos e o
outro quarto à de Verín.
No entanto, o peso da população de Chaves na aglomeração transfronteiriça tem
vindo a diminuir nas últimas décadas, uma vez que foi observada uma perda de população
em Chaves, de 8% em relação a 1970, enquanto que em Verín, a população residente
aumentou 45% em relação ao mesmo período de referência.

2. AECT (Agrupamento Europeu de Cooperação Territorial)

O AECT é um agrupamento de entidades territoriais, dotada de personalidade


jurídica, que têm por objetivo facilitar e promover a cooperação transfronteiriça,
transnacional e inter-regional, designada “cooperação territorial”, exclusivamente no
intuito de reforçar a coesão económica e social.

A Eurocidade Chaves-Verín, AECT visa a conjugação dos esforços e dos


recursos, através do planeamento e da gestão conjunta dos serviços e dos equipamentos
dos municípios fronteiriços de Verín na Comunidade Autonómica da Galiza e de Chaves
na Região Norte de Portugal. As intervenções, dirigidas aos cidadãos, pretendem
promover a convergência institucional, económica, social, cultural e ambiental entre as
duas cidades que passam a utilizar o efeito fronteira como uma oportunidade de
desenvolvimento territorial e socioeconómico, promovendo a utilização de serviços
comuns como instrumento dinamizador da convivência entre a população de ambos
territórios.

11
Estudos sobre o Nordeste Peninsular | Fábio Pinto Azevedo

No contexto da cooperação de proximidade, os AECT surgiram como um


instrumento jurídico europeu inovador que permite às autoridades locais de diferentes
Estados-Membros se constituírem como agrupamentos de cooperação com personalidade
jurídica. Este instrumento jurídico representa um novo passo na eliminação de obstáculos
existentes na gestão conjunta de projetos e programas, bem como gestão de
equipamentos, infraestruturas e serviços dirigidos à população nos territórios de fronteira,
resultando em um impacto transfronteiriço significativo e um valor acrescentado na
cooperação territorial existente entre determinados municípios de ambos os lados da
fronteira.

Em 2010, os dois municípios iniciam os trabalhos para a constituição do


Agrupamento Europeu de Cooperação Territorial Eurocidade Chaves-Verín, doravante
Eurocidade Chaves-Verín, AECT, que culminou com a sua inscrição no registo de
Agrupamentos Europeus de Cooperação Territorial, do Ministério de Negócios
Estrangeiros de Espanha e, finalmente, no Registo Europeu de AECT do Comité das
Regiões.

Participam na Eurocidade Chaves-Verín, AECT, no lado espanhol o Município de


Verín (província de Ourense, Comunidade Autónoma da Galiza) e do lado Português o
Município de Chaves, no Norte de Portugal.

3. Cartão do Eurocidadão

O Cartão do Eurocidadão é uma iniciativa do Município de Chaves e do Concello


de Verín, desenvolvida no âmbito do projeto de cooperação transfronteiriça
“EUROCIDADE CHAVES-VERÍN”.
O Cartão do Eurocidadão visa proporcionar os mesmos benefícios aos residentes
nos dois municípios, nas mesmas condições dos serviços que já dispõe no seu município
de residência, promovendo desta forma o intercâmbio entre as populações destes dois
municípios e o acréscimo da oferta e da diversidade de bens e serviços, bem como
emprego.
A promoção da eurocidadania passa pela compreensão da existência de igualdade
de tratamento dos eurocidadãos, independentemente da sua nacionalidade. O lançamento
do Cartão do Eurocidadão materializa essa igualdade dado que permite as mesmas

12
Estudos sobre o Nordeste Peninsular | Fábio Pinto Azevedo

condições de acesso, em Chaves e em Verín, aos serviços de titularidade municipal


(piscinas, bibliotecas, etc.), assim como igualdade de acesso a eventos, formações,
concursos.
Com a implantação da Eurocidade Chaves-Verín, é possível evitar a duplicação
de equipamentos e consequente duplicação de custos. A complementaridade territorial e
demográfica não só é, em si mesma, justificadora da instalação de determinados
equipamentos (sociais, desportivos, recreativos e culturais), cuja rentabilidade só é
possível a elevados níveis de utilização como também promove a gestão equilibrada de
dinheiros públicos através do aproveitamento de economias de escala na utilização e
gestão partilhada de recursos já existentes ou, até, no planeamento conjunto de futuros
equipamentos.

O Cartão do Eurocidadão representa assim o principal instrumento para a criação


de uma zona franca social na Eurocidade, constituindo-se como uma forma de
identificação da eurocidadania ao qual são associados benefícios sociais e comerciais.

Cartão do Eurocidadão

3.1. Objetivos/vantagens do cartão do Eurocidadão:

• Acesso universal e comum dos cidadãos a um conjunto de serviços públicos, de


caráter coletivo e social dos dois municípios.

• Promover a consolidação do sentimento de pertença e de euroidentidade dos


cidadãos da Eurocidade Chaves-Verín.

• Visibilidade de benefícios imediatos ao nível individual no contexto da Eurocidade.

13
Estudos sobre o Nordeste Peninsular | Fábio Pinto Azevedo

• Evitar a duplicação de equipamentos e consequente duplicação de custos no


conjunto dos dois municípios.

• Aproveitamento de economias de escala na utilização e gestão partilhada de


serviços e equipamentos existentes e no planeamento conjunto de futuros
equipamentos.

• Promover uma reflexão alargada sobre as implicações e necessidades de


intervenção em questões de natureza jurídico-legal que possam constituir barreiras
para as atuações propostas.

4. Sede da Eurocidade

A localização da sede da Eurocidade, na antiga alfândega espanhola não é casual,


trata-se de um símbolo. Um espaço que antes era sinónimo de separação é, nos dias de
hoje, o ponto de referência da união de ambos os municípios e o núcleo da Eurocidade.

Trata-se de um espaço público, destinado aos eurocidadãos, que disponibiliza


informações, serviços , programas e outros.

Existe por isso, um posto de atendimento da Eurocidade de Chaves-Verín, tendo


um auditório com capacidade para receber 80 pessoas, sala de reuniões, sala de
exposições, detém ainda uma biblioteca com um fundo bibliográfico em espanhol, galego
e português.
Para além destas valências, trata-se do posto de emissão do cartão do eurocidadão,
posto de informação turística sobre as duas cidades em apreço, local transfronteiriço de
informação juvenil, local de ensaios musicais para a juventude e, centro de documentação
da RIET.

5. Objetivos da Eurocidade

Passa por fomentar o espírito empreendedor: sistema de iniciativas empresariais


da Eurocidade. A dinamização da atividade económica de base local, através da criação
de unidade de apoio ao empreendorismo e aos empresários (incluindo o apoio à

14
Estudos sobre o Nordeste Peninsular | Fábio Pinto Azevedo

implementação de planos de negócios de dinamização do sector primário) e através do


estabelecimento de programa de ação conjunto de dinamização do comércio tradicional.

Na área do Turismo:
ü Aplicação das novas tecnologias ao turismo.
ü Criação da Unidade de Desenvolvimento de Produtos turístico da Eurocidade.
Na área do Comercio:
ü Fronteira comercial aberta.
ü Realização de um manual de boas praticas para os comerciantes através de um
Plano de animação conjunto dos centros de comércio tradicional e material
promocional conjunto.
ü Janela específica sobre o comércio.

Finalmente, a promoção de atividades de I+D com base nos recursos endógenos,


levou a apresentação de uma outra candidatura ao POCTEP, baseada numa forte aposta
na formação altamente qualificada em Termalismo e Turismo (sempre em função das
reais necessidades do mercado laboral) e no ensino universitário de qualidade. Este
projeto, procura impulsar o potencial económico que possui a água, o recurso
diferenciador sem dúvida da Eurocidade, mas partindo do que é básico para o seu
desenvolvimento: investigação e formação. Não existindo, na Península Ibérica uma
iniciativa como esta, este seria um projeto chave para converter a Eurocidade num
referente ibérico para a agua, e assegurando a especialização dos recursos humanos para
o impulso a um sector privado que aposte por oferecer uma serviço de excelência,
sendo que obviamente reforçaria o futuro desenvolvimento da Eurocidade Termal.

Desta forma, pode concluir-se que o grande objetivo da Eurocidade passa pela
promoção a convergência institucional, económica, social, cultural e ambiental entre as
duas cidades, que passam a utilizar o efeito fronteira como uma oportunidade de
desenvolvimento territorial e socioeconómico. E pela promoção da utilização de serviços
comuns como instrumento dinamizador da convivência entre a população de ambos
territórios.

15
Estudos sobre o Nordeste Peninsular | Fábio Pinto Azevedo

Capítulo III

1. Proposta de projeto

A minha ideia sobre uma proposta de projeto para a região do Noroeste Peninsular,
mais propriamente para a Eurocidade Chaves-Verín, desenvolveu-se no sentido de
trabalhar um dos pontos mais fortes da região, o vinho.

A ideia principal do projeto seria criar uma cooperativa e trabalhar uma marca de
vinhos que envolvesse matéria prima das duas regiões, ou seja, um vinho produzido com
uvas de Chaves e uvas de Verín, um vinho e uma marca da Eurocidade Chaves/Verín.

O projeto passaria mesmo pela criação de uma adega cooperativa que produzisse
esse vinho com o intuito de haver um logotipo próprio do mesmo, da Eurocidade e que
promovesse a Eurocidade e a região do Noroeste Peninsular, não só por Portugal, mas
pelo Mundo.

Importante perceber que este projeto ia ajudar, para além da divulgação e das
pessoas que iria acabar por trazer a longo prazo, ia combater o desemprego e ia assim,
empregar muita gente numa região considerada desertificada e onde a falta de emprego
por vezes é um problema.

16
Estudos sobre o Nordeste Peninsular | Fábio Pinto Azevedo

Conclusão

Ao longo deste trabalho percebemos que a cooperação transfronteiriça acaba por


se apresentar como uma necessidade e um instrumento de combate às dissemelhanças
territoriais.
Norte de Portugal e a Galiza possuem ligações históricas e culturais que não se
podem atenuar: a questão linguística, a romanização, as ligações politicas na Idade Média
e as Rotas do Contrabando.
Além das semelhanças e das trocas de bens e serviços que ocorreram ao longo dos
tempos, as duas regiões pertencem a países diferentes e têm administrações diferentes.
Apesar das origens e das experiências semelhantes que marcaram a História até aos dias
de hoje, as identidades moldam-se em função da diferença.
Pode concluir-se com este trabalho que a junção destas duas cidades e a criação
da Eurocidade Chaves/Verín foi um projeto pioneiro ao nível da União Europeia
A Cooperação Transfronteiriça pode representar a chave para o desenvolvimento
destas populações e dos seus territórios muito parcos em recursos. Todos os esforços que
a União Europeia faz para que a cooperação seja uma solução para as dificuldades e um
instrumento de coesão, podem ser dificultados pelas diferenças estatais e administrativas.
A abertura que as próprias instituições governativas têm sobre a Cooperação e os seus
projetos marcam a visão e a realidade atribuída às áreas geográficas interiores.
A consciencialização da União Europeia tendo em conta os problemas regionais
foram crescendo: as politicas de coesão e de integração surgem para diminuir as
disparidades e as diferenças no território europeu. Os instrumentos financeiros facultados
e as estratégias de coesão traçadas ao longo dos anos são prova dessa preocupação no
fomento do desenvolvimento regional.
Por fim, pode afirmar-se que a Cooperação Transfronteiriça ocupa um lugar de
destaque nas medidas regionais que apelam e suscitam a solidariedade nos compromissos
entre estados, regiões e cidades.

17
Estudos sobre o Nordeste Peninsular | Fábio Pinto Azevedo

Bibliografia

EIXO ATLÂNTICO. (2007). “Sete ideias para sete anos”

POCTP. (2007). “Programa Operativo – Programa de Cooperação Transfronteiriça


Espanha-Portugal”.

POCTP. (2007 a)). “Programa Operattivo – Programa de Coorperação Transfronteiriça


Espanha-Portugal”.

Silva, Elaine Cristina Carvalho da, in“Formações sociais e organização territorial no


NO Peninsular: a integração no mundo romano durante o império”, Tese de
Doutoramento, São Paulo, 2017.

Alberti, Augusto Pérez e Araujo, Assunção in “Os meios geográficos no Nordeste


peninsular”.

Cruz, Mário da in “O vidro romano do Noroeste Peninsular: um olhar a partir de


Bracara Augusta”, Tese de Doutoramento em Arqueologia, Universidade do Minho,
2009.

Cunha, Nídia Ferreira da, in “Cooperação Transfronteiriça no Noroeste Peninsular: A


Eurocidade Chaves-Verín, Relatório de Estágio, Universidade de Letras da Faculdade de
Lisboa, 2016.

http://www.eurocidadechavesverin.eu/_cf/115808

http://www.eurocidadechavesverin.eu/aect/assim-nasceu-a-ideia

18

Оценить