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XXVII Congresso Interamericano de Engenharia Sanitári a e Ambient al

III-046 - AVALIAÇÃO DOS IMPACTOS AMBIENTAIS CAUSADOS POR


LIXÕES: UM ESTUDO DE CASO

Wilton Silva Lopes(1)


Mestrando em Saneamento Ambiental pelo PRODEMA (Programa Regional de Pós-
Graduação em Desenvolvimento e Meio Ambiente) da Universidade Federal da
Paraíba/Universidade Estadual da Paraíba. Químico Industrial pelo Centro de Ciências e
Tecnologia da Universidade Estadual da Paraíba.
Valderi Duarte Leite
Doutor em Hidráulica e Saneamento pela Escola de Engenharia de São Carlos da
Universidade de São Paulo. Professor do Departamento de Química da Universidade
Estadual da Paraíba.
Shiva Prasad
Doutor em Química. Professor do Departamento de Engenharia Química da Universidade Federal da Paraíba.

Endereço(1): Rua Papa João Paulo II, 325 - Nova Brasília - Campina Grande - PB - CEP: 58103-600 - Brasil -
Tel: (0xx83) 322-5008 - e-mail: wslopes@bol.com.br.

RESUMO
O crescimento desordenado das cidades vem provocando uma série de problemas sócio-econômicos e
ambientais, dentre esses problemas pode-se destacar aqueles relacionados a disposição inadequada dos
resíduos sólidos que, devido a falta de alternativas políticas e tecnológicas destinadas ao tratamento e/ou
disposição final, estão causando impactos ambientais de diferentes magnitudes. No Brasil a grande maioria
dos resíduos sólidos produzidos são dispostos em lixões. E isto tem como conseqüência a poluição do ar, do
solo e dos corpos aquáticos, além de favorecer a proliferação de micro e macrovetores. A cidade de Campina
Grande localizada na mesorregião do Estado da Paraíba no Nordeste do Brasil, tem uma população em torno
de 360 mil habitantes e produz diariamente cerca de 200 toneladas de resíduos sólidos urbanos que são
depositados em sua totalidade num lixão localizado na alça sudoeste da cidade. Além dos resíduos sólidos
urbanos também são descarregados no lixão diariamente resíduos sólidos industriais e hospitalares o que
agrava a situação no local. Neste contexto, este trabalho teve o propósito de avaliar o índice do impacto
ambiental causado pelo lixão da cidade de Campina Grande, utilizando para tal finalidade uma listagem de
controle. Os resultados demonstraram a gravidade dos problemas causados, visto que numa escala variando de
-5 a +5, sendo que -5 foi atribuído ao impacto negativo mais intenso, o índice do impacto ambiental
encontrado para o caso em estudo foi de -4,25.

PALAVRAS-CHAVE: Impacto Ambiental, Lixão, Resíduos Sólidos, Percolado, Biogás.

INTRODUÇÃO
Impacto ambiental é uma alteração física ou funcional em qualquer um dos componentes ambientais. Essa
alteração pode ser qualificada e, muitas vezes, quantificada. Pode ser favorável ou desfavorável ao ecossistema
ou à sociedade humana (TOMMASI, 1994).

A resolução nº 001 do Conselho Nacional do Meio Ambiente (CONAMA) de 23/01/1986 em seu art. 1º
considera impacto ambiental como qualquer alteração das propriedades físicas, químicas e biológicas do meio
ambiente, causada por qualquer forma de matéria ou energia resultante das atividades humanas que direta ou
indiretamente, afetam:
! a saúde, a segurança e o bem-estar da população;
! as atividades econômicas;
! a biota;
! as condições estéticas e sanitárias do meio ambiente;
! a qualidade dos recursos ambientais.

Segundo MUNN (1979), a avaliação de impacto ambiental é uma atividade projetada para identificar e
predizer o impacto de dispositivos legais, políticas, programas, projetos e procedimentos operacionais no meio
biogeográfico, na saúde humana e no bem estar do cidadão.

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Desde o surgimento do homem na Terra, a freqüência e os tipos de impactos ambientais têm aumentado e
diversificado. O primeiro tipo de impacto causado pelo homem provavelmente derivou–se do domínio do
fogo. À medida que a espécie humana foi desenvolvendo novas tecnologias e ampliando seu domínio sobre os
elementos e a natureza em geral, os impactos ambientais foram se ampliando em intensidade e extensão
(BRANCO, 1988).

O crescimento desordenado das cidades, especialmente das grandes metrópoles, tem provocado uma série de
problemas sócio-econômicos e ambientais. Atualmente são várias as atividades humanas que causam impactos
ambientais, dentre elas pose-se destacar a disposição inadequada dos resíduos sólidos que provocam alterações
na qualidade do solo, do ar e dos corpos aquáticos além de representar um risco para a saúde pública.

A responsabilidade pela disposição final dos resíduos sólidos urbanos é das prefeituras e os resíduos sólidos
industriais, de serviços de saúde e agrícola é do próprio gerador. No entanto, a grande maioria dos resíduos
sólidos gerados no Brasil são dispostos em lixões causando sérios problemas ambientais.

A lei nº 9.605 (Lei da Natureza: lei dos crimes ambientais) de 12/02/1998 em seu art. 54 diz que é crime
ambiental causar poluição de qualquer natureza em níveis tais que possam resultar em danos à saúde humana,
ou que provoquem a mortandade de animais ou a destruição significativa da flora. Se o crime ocorrer por
lançamento de resíduos sólidos, líquidos ou gasosos, ou detritos, óleos ou substâncias oleosas em desacordo
com as exigências estabelecidas em leis ou regulamentos: pena de reclusão de 1 a 5 anos.

Apesar das leis existirem, as próprias prefeituras não as cumprem, haja visto, cerca de 80% das mais de
100.000 toneladas de resíduos sólidos urbanos produzida diariamente no Brasil serem depositadas diretamente
em lixões.

O município de Campina Grande está localizado no Planalto da Borborema na mesorregião do agreste do


Estado da Paraíba, a uma altitude média de 551m, possui uma área total de 518 km2, sendo que 75 km2 é de
área urbana. A cidade produz diariamente em torno de 200 toneladas de resíduos sólidos urbanos que são
dispostos de forma inadequada em um lixão.

O presente trabalho teve o propósito de avaliar o índice do impacto ambiental causado pelo lixão da cidade de
Campina Grande, PB através da utilização de uma listagem de controle.

METODOLOGIA
O trabalho foi realizado no lixão da cidade de Campina Grande, PB, localizado na alça sudoeste da cidade,
próximo ao bairro do Multirão, a uma distância de aproximadamente 14Km do centro da cidade. Na Figura 1 é
mostrada a localização geográfica da cidade de Campina Grande no mapa do Brasil.

FIGURA 1. Localização geográfica da cidade de Campina Grande, PB.

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A avaliação do impacto ambiental foi realizada utilizando-se o método da listagem de controle. Neste método
as ações efetuadas na área do estudo são apresentadas em colunas e as conseqüências decorrentes da ação nas
linhas da listagem.

Na Tabela 1 mostra-se o esquema geral de uma listagem de controle utilizada para avaliação de impactos
ambientais.

TABELA 1. Esquema geral de uma listagem de controle.


Peso Ação Nota
P1 ação 1 N1
P2 ação 2 N2
P3 ação 3 N3
... ... ...
Pn ação n Nn

De acordo com metodologia descrita por TOMMASI (1994), a cada ação foi atribuída um peso variando de 1 a
5 de acordo com a importância relacionada aos princípios da análise. As conseqüências foram atribuídas notas
variando de -5 a +5, sendo que -5 é o valor para o impacto negativo mais intenso, 0 (zero) quando o impacto
for ausente e +5 para o impacto positivo mais intenso.

As notas e os pesos foram atribuídos após visitas e análises dos efeitos de cada ação sobre o meio ambiente
realizada “in loco”.

Depois de obtidos os pesos e notas, o índice de impacto foi calculado utilizando-se a equação 1:

I IMPACTO =
∑ (PA × NC ) equação(1)
∑ PA
onde: IIMPACTO = índice de impacto
PA = peso das ações
NC = nota das conseqüências

O índice de impacto é um valor que situa-se entre -5 e +5 obedecendo a escala descrita anteriormente para as
notas das conseqüências.

RESULTADOS E DISCUSSÕES
O lixão da cidade de Campina Grande, PB possui uma área em torno de 30ha e um sistema de proteção
bastante precário, não existindo nenhum responsável para controlar o fluxo de caminhões que descarregam
resíduos no local e por esse motivo várias industrias conduzem seus resíduos e dispõem no local.

Os resíduos sólidos industriais lançados no lixão são constituídos basicamente por papéis, papelões, restos de
tecidos de algodão, madeira, plásticos e restos de animais provenientes de matadouros e granjas.

Os resíduos sólidos gerados nos hospitais da cidade são coletados pela prefeitura e conduzidos para o lixão.
Teoricamente esses resíduos deveriam ser despejados em valas separadas e aterrados imediatamente, mas, é
comum presenciar no lixão crianças com medicamentos vencidos e seringas usadas. Até o presente não foi
possível quantificar os resíduos sólidos industriais e hospitalares que são dispostos no lixão.

Diariamente são coletadas na cidade de Campina Grande, PB aproximadamente 200 toneladas de resíduos
sólidos e o resultado de sua caracterização gravimétrica está apresentada na Tabela 2.

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TABELA 2. Composição gravimétrica dos resíduos sólidos


urbanos da cidade de Campina Grande, PB (base úmida).
Componente % (em peso)
Matéria orgânica putrescível 56,76
Plástico 15,52
Papel e papelão 13,62
Vidro 1,14
Borracha 1,04
Metal 1,51
Ossos 0,95
Inertes (pedra, madeira, trapos, terra) 9,46
Fonte: LEITE & LOPES (2000).

Dos resíduos sólidos dispostos no lixão a grande maioria ficam expostos a céu aberto favorecendo a
proliferação de micro e macrovetores. Esses vetores podem ser vias de acesso de agentes patogênicos para os
catadores que realizam as atividades de catação sem nenhum tipo de equipamento de proteção. Na Figura 2
mostra-se o aspecto geral da catação de alguns frações de resíduos sólidos urbanos no lixão.

FIGURA 2. Aspecto geral da catação no lixão da cidade de Campina Grande - PB.

Um outro problema constatado, relacionado com a exposição de resíduos sólidos à céu aberto, foi a poluição
das áreas circunvizinhas pelos resíduos leves como plásticos e papéis que são conduzidos pelo vento por uma
longa distância. Isto modifica a paisagem produzindo um aspecto horrível em toda área próxima ao lixão.

Segundo LEITE & LOPES (2000), o lixão da cidade de Campina Grande, PB produz diariamente cerca de
55m3 de percolado. Até o presente momento não foi verificado nenhum problema no que se refere a
contaminação de corpos aquáticos pelo percolado produzido durante o processo de bioestabilização anaeróbia
da fração orgânica dos resíduos sólidos, visto que a jusante da área destinada ao lixão não verificou-se a
existência de nenhum corpo aquático.

De acordo com estudos realizados pela ATECEL (1996), não foi verificada a presença de lençol freático ao
nível de 3 metros de profundidade na área do lixão.

LEITE & LOPES (2000), constataram ainda que o lixão produz aproximadamente 4370 m3 de biogás por dia,
que são lançados diretamente na atmosfera. Considerando-se que o biogás possa atingir 55% de metano, são
lançados diariamente na atmosfera em torno de 2404 m3 desse gás que é um dos principais gases que contribui
para o efeito estufa.

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Embora haja somente traços de metano na atmosfera (perto de 1,7ppm), sua presença ainda preocupa, haja
visto, ele Ter a capacidade de absorver cerca de 20 vezes mais radiação infravermelha do que o dióxido de
carbono. Estima-se que o metano seja responsável por 18% do efeito estufa (SCARLATO & PONTIN, 1992).

Além do biogás também é lançado na atmosfera pelo lixão uma grande quantidade de fumaça proveniente da
queima de resíduos no local. A queima é realizada por algumas indústrias no momento do lançamento de seus
resíduos e o fogo acaba espalhando-se pelos demais resíduos.

Com base nos fatos citados anteriormente foi realizado um levantamento das ações causadas pelo lixão ao meio
ambiente e a cada uma delas foram atribuídos seus respectivos pesos e notas. Na Tabela 3 é mostrada a listagem de
controle utilizada para avaliar os impactos ambientais causado pelo lixão da cidade de Campina Grande, PB.

TABELA 3. Listagem de controle utilizada para avaliar os impactos ambientais


causado pelo lixão da cidade de Campina Grande, PB.
Peso Ação Nota Peso x Nota
5 Exposição de resíduos sólidos à céu aberto -5 -25
4 Poluição de áreas circunvizinhas pelos resíduos -3 -12
5 Lançamento de resíduos sólidos industriais -4 -20
5 Lançamento de resíduos sólidos hospitalares -5 -25
5 Lançamento de percolado -5 -25
5 Lançamento de biogás -5 -25
5 Fumaça produzida pela queima dos resíduos -4 -20
3 Aspectos estéticos -3 -9
4 Proliferação de microvetores -5 -20
4 Proliferação de macrovetores -5 -20
5 Contaminação e poluição do solo -5 -25
5 Contaminação e poluição do ar -5 -25
5 Contaminação e poluição dos corpos aquáticos 0 0
5 Contaminação dos catadores -5 -25
65 Somatório -4,25 -276

Analisando a Tabela 3 pode-se observar que o índice do impacto ambiental encontrado para o lixão da cidade
de Campina Grande situou-se em torno de –4,25 numa escala que varia de –5 a +5, sendo –5 atribuído ao
impacto negativo mais intenso. Isto vem a demonstrar a intensidade dos problemas ambientais que os resíduos
sólidos podem causar quando dispostos inadequadamente no meio ambiente.

Na Figura 3 estão mostrados os principais problemas ambientais identificados no local durante o trabalho e as
possíveis vias de contaminação dos catadores que freqüentam o lixão.

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Lixão

Resíduos sólidos à Resíduos sólidos


céu aberto cobertos

Micro- Macro- Problemas Fumaça Biogás Percolado


vetores vetores estéticos

Moscas, Ratos,
baratas, gatos,
vírus, cachorros, Poluição do Poluição do
bactérias, aves, ar solo
etc. bovinos

Problemas
ambientais

Possíveis vias de
contaminação dos
catadores

FIGURA 3. Principais problemas ambientais identificados no lixão da cidade de Campina Grande, PB e


possíveis vias de contaminação dos catadores.

CONCLUSÕES
Com base nos dados obtidos durante o trabalho, concluiu-se que:
! são lançados diariamente no lixão da cidade de Campina Grande-PB cerca de 200 t.dia-1 de resíduos
sólidos urbanos com um percentual de médio de 56,76% de matéria orgânica putrescível;
! são lançados no lixão além de resíduos sólidos urbanos, resíduos sólidos industriais, resíduos sólidos
hospitalares e cadáveres de animais;
! não existe até o presente medidas de contenção para o percolado e o biogás produzido e anualmente são
lançados pelo lixão aproximadamente 20.075m3 de percolado e 877.278m3 de gás metano que causam
grandes impactos negativos ao meio ambiente;
! índice de impacto ambiental determinado foi de –4,25 o que demonstra a intensidade dos problemas
ambientais causados ao meio ambiente.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
1. ATECEL (Associação Técnica Científica Ernesto Luiz de Oliveira Júnior) da Universidade Federal da
Paraíba, 1996.
2. BRASIL. Leis, Decretos, etc. Lei nº 9.605 (Lei da Natureza: lei dos crimes ambientais), de 12 de
janeiro de 1998. In: Diário Oficial da União. Distrito Federal, 1998.

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3. BRASIL. Leis, Decretos, etc. Resolução CONAMA nº 001, de 23 de janeiro de 1986. In: Diário Oficial
da União. Distrito Federal, 1986.
4. BRANCO, S. M. O meio ambiente em debate. Coleção Polêmica, Editora Moderna, 5ª edição. São
Paulo, 1988.
5. LEITE, V. D. & LOPES, W. S. Avaliação dos aspectos sociais, econômicos e ambientais causados pelo
lixão da cidade de Campina Grande - PB. In: IX Simpósio Luso - Brasileiro de Engenharia Sanitária e
Ambiental. Porto Seguro - Brasil, 2000, p. 1534-1540.
6. MUNN, R. E. (ed.). Environmental Impact Assessment. Principles and Procedures. John Willey e Sons,
1979.
7. SCARLATO, F.C. & PONTIN, J.A.- Do nicho ao lixo: ambiente , sociedade e educação. Editora atual,
São Paulo, 1992.
8. TOMMASI, L. R.. Estudos de Impacto Ambiental. CETESB: Terragraph Artes e Informática. São
Paulo, 1994.

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