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ANÁLISE E PROJETOS DE ESTRUTURAS OFFSHORE II

COC799

Professor: Gilberto Bruno Ellwanger, D.Sc.


Aluno: Antonio Roberto de Medeiros
 

PRÉ­SAL: DESAFIOS TECNOLÓGICOS 

RIO DE JANEIRO – RJ
DEZEMBRO/2009
CURSO DE MESTRADO DO PROGRAMA DE  ENGENHARIA CIVIL – UFRJ/ COPPE 2 
Trabalho de Offshore II – PRÉ‐SAL DESAFIOS TECNOLÓGICOS
 
 

1. OBJETIVO                    03 
2. PROPOSIÇÃO DO PROBLEMA                03 
3. PRÉ‐SAL                    03 
3.1 INTRODUÇÃO                    03 
3.2 ANTECEDENTES                  03 
3.3 FORMAÇÃO E ORIGEM                 08 
3.4 GEOLOGIA                    09 
3.5 DADOS E RESULTADOS DO PRÉ‐SAL BRASILEIRO          10 
3.6 OPORTUNIDADES E CONSIDERAÇÕES              11 
4.  OS PRINCIPAIS DESAFIOS                14 
5. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS               21 

 
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1. OBJETIVO 

O presente trabalho tem como escopo principal proporcionar uma abreviada visão
dos desafios tecnológicos que serão enfrentados pelo Brasil na superação do
conhecimento e da tecnologia atual para produzir na já notória região do Pré-Sal, de
forma que, ao fomentar-se o debate técnico, possa aproveitar-se o seu conteúdo
para a avaliação parcial da disciplina Análise de Estruturas Offshore II - COC799 e
obtenção proporcional do grau final de aprovação requerido para esta matéria.

2. Proposição do Problema 

Apresentar descrição técnica e breve significado da descoberta do Pré-Sal,


oferecendo um resumo dos principais desafios que serão enfrentados e
analisados, e as possíveis soluções para um sustentável desenvolvimento
tecnológico na área offshore.

3. PRÉ‐SAL 
3.1 ‐ INTRODUÇÃO 

A exploração de petróleo no mundo dirige-se deliberadamente para o caminho da


imensidão, em busca da vastidão de suas águas e das profundezas oceânicas,
muito além costa e ignoto mar, cada vez mais, mergulhando em ultras profundas,
pujantes e desconhecidas farpas ambientais. No Brasil, os desafios e recordes
mundiais vêm sendo superados a todo o momento pela PETROBRAS. A indústria
do petróleo, em nosso país, continua sendo motor de desenvolvimento para outras
áreas do conhecimento, fator fundamental na busca por tecnologias ainda
desconhecidas. Essa é uma das áreas que mais se desenvolve e progride no Brasil,
e a confirmação da descoberta da nova província da Amazônia Azul - chamada de
Pré-Sal – vem induzindo modificação substancial na geopolítica mundial do
petróleo, e convertendo o Brasil em um dos principais Players dessa nova ordem.

3.2  ‐ Antecedentes

Não é de hoje que se conhece essa camada chamada de Pré-Sal do Brasil


Offshore. A primeira descoberta ocorreu em terra, ainda em 1963, na formação
Muribeca, no município de Rosário do Catete, sede da PETROMISA, em Sergipe,
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quando se encontrou uma das mais importantes jazidas até então conhecida
como “sal-gema” e um dos motivos para criação daquela subsidiária. Já em 1969,
nos primórdios dos trabalhos de exploração de petróleo na costa brasileira,
descobria-se petróleo em Guaricema, águas rasas sergipanas com profundidade
de 30 metros, e daí prosseguiria durante toda a década de 70, expandindo-se pelo
nordeste e sudeste brasileiro, chegando em 1997, aos 1709 metros em Marlim
Sul-RJ. Esse é o período (69/97) em que ex-empregados da Petrobras, muitos
trabalhadores marítimos de outras companhias, e também chamados de velhos
lobos do mar, além de outros colaboradores, companheiros da velha guarda, hoje
já aposentados, orgulhosamente intitulavam de “Época do Romantismo Offshore
no Brasil”1 2. Em 2009, os desafios já são outros. A descoberta de Tupi na camada
pré-sal da bacia de Santos, anunciada em dezembro de 2007, é vista como um
marco no mercado petrolífero mundial, e por isso tenha se divulgado como a
descoberta de um verdadeiro oceano de petróleo na camada do pré-sal. Veja a
seguir, um breve histórico da linha do tempo3:

Brasil Colonia - A existência do petróleo no País já era computada durante os tempos do regime imperial. Naquela
época, o Marquês de Olinda cedeu o direito a José Barros de Pimentel de realizar a extração de betume nas
margens do rio Marau, na Bahia. Até as primeiras décadas do século XX, alguns estudiosos e exploradores
anônimos tentaram perfurar alguns poços de petróleo sem obter êxito.
1919 - Realizada a primeira perfuração pelo Serviço Geológico e Mineralógico do Brasil (SGMB), no município de
Mallet (PR). O poço chegou aos 84 metros, mas foi abandonado no ano seguinte.
1927 - Foi proposta legislação específica para o setor petrolífero, na qual reservava a propriedade do subsolo e a
exploração do petróleo somente a brasileiros natos.
1937 - Assinada a Nova Constituição do País, que estabelecera que as concessões para exploração das riquezas
minerais só poderiam ser estendidas "a brasileiros, ou empresas constituídas por acionistas brasileiros".
1938 - Assinado o Decreto-lei nº 366 que acrescentava novo título ao Código de Minas, instituindo o regime legal de
jazidas de petróleo e gases naturais, e também o Decreto-lei nº 395, que criava o Conselho Nacional do
Petróleo (CNP).
1939 - Primeira descoberta de petróleo no Brasil, realizada pela Divisão de Fomento da Produção Mineral, órgão do
Departamento Nacional da Produção Mineral (DNPM), no poço nº 163, localizado em Lobato, no Recôncavo
Baiano. A descoberta foi considerada sub-comercial.
1941 - Descoberto em Candeias (BA) o primeiro campo comercial de petróleo do país, este ano também é marcado
pelo decreto-lei nº 3.236, que resguarda à União a propriedade de todas as jazidas de petróleo e gases
naturais encontradas em território nacional. Nesta época foram descobertos campos de gás natural em Aratu e
de petróleo em Itaparica, ambos no Recôncavo Baiano.
1945 - O Conselho Nacional do Petróleo (CNP) defende a presença de capitais estrangeiros na indústria do
petróleo, e aprova a participação de companhias privadas de capital nacional no refino do petróleo importado.
1947 – Início da campanha “O petróleo é nosso”. Tal campanha pela autonomia brasileira no campo do petróleo foi
uma das mais polêmicas da história do Brasil republicano, perdurando de 1947 a 1953. O País dividiu-se entre
aqueles que achavam que o petróleo deveria ser explorado exclusivamente por uma empresa estatal brasileira
e aqueles que defendiam que a prospecção, refino e distribuição deveriam ser atividades exploradas por
empresas privadas, estrangeiras ou brasileiras.
1951 - Presidente Getúlio Vargas envia ao Congresso projeto de criação da Petróleo Brasileiro S.A. – Petrobras.
                                                            
1
 Amaury Aragão de Freitas – PETROBRAS/IEEPT/SIMA/BGL‐1 
2
 Enoch Carneiro – PETROBRAS/IEEPT/SIMA/LOE 
3
 Visita ao sítio do Ministério das Minas e Energia em Dez/2009: 
(http://www.mme.gov.br/mme/galerias/arquivos/pre_sal/Linha_do_tempo.pdf.) 
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1953 – Getúlio Vargas assina a Lei 2004, que cria a Petrobras (03 de outubro).
1954 – Petrobras inicia atividades (10 de maio).
1955 - Entra em operação a Refinaria Presidente Bernardes, em Cubatão, SP; Descoberta de petróleo em Nova
Olinda (AM), mais tarde considerada subcomercial.
1956 – Início de operação do Terminal de Madre de Deus, na Bahia, que torna possível exportar para Cubatão o
excesso de petróleo produzido no estado.
- Esforço para adquirir no mercado interno quantidades cada vez maiores de materiais e equipamentos. A
RPBC adquiriu no país 78% de seus suprimentos.
1961 – Entra em operação a Refinaria Duque de Caxias, RJ, que propiciou a auto-suficiência na produção dos
principais derivados.
- Inaugurado o primeiro posto da Petrobras, em Brasília, DF
- Iniciada exploração da plataforma continental, do Maranhão ao Espírito Santo.
1962 – Monopólio estatal é estendido à importação e exportação de petróleo e derivados.
- Marco da produção de 100 mil bdp alcançado.
1963 – Descoberta do campo petrolífero de Carmópolis (SE).
1966 – Criado o Centro de Pesquisas e Desenvolvimento Leopoldo A. Miguez de Mello – Cenpes.
- Inaugurada a Fábrica de Asfalto de Fortaleza, mais tarde denominada Lubrificantes e Derivados do Nordeste
(Lubnor).
1967 – Constituída a primeira subsidiária, Petrobras Química S.A. – Petroquisa.
1968 – Perfurado o primeiro poço submarino na Bacia de Campos, RJ.
– Realizada primeira descoberta de petróleo no mar, o campo de Guaricema, SE.
– Inauguradas as refinarias Gabriel Passos, em Betim (MG) e Alberto Pasqualini, em Canoas (RS).
1971 – Criada a subsidiária Petrobras Distribuidora S.A.
1972 – Criada a Petrobras Internacional – Braspetro S.A.
- Entra em operação I Pólo Petroquímico, em São Paulo.
- Começa a extração de óleo de xisto, em São Mateus do Sul, PR.
- Inaugurada a Refinaria do Planalto, em Paulínia, SP, a maior do País.
1974 – Descoberto petróleo na Bacia de Campos, RJ (campo de Garoupa).
- Aquisição pela Petrobras das refinarias privadas de Capuava, SP e Manaus, AM.
1975 – Exploração de petróleo no território nacional é aberta à iniciativa privada, por meio dos contratos de risco.
1976 – Criadas duas subsidiárias: Petrobras Fertilizantes S.A. – Petrofértil.
1977 – Assinado primeiro contrato de risco para exploração de petróleo, com a British Petroleum.
- Bacia de Campos (campo de Enchova) começa a produzir.
- Inaugurada a Refinaria Presidente Getúlio Vargas, em Araucária, PR.
1978 – Encontrado campo de gás de Juruá, primeira descoberta com possibilidades comerciais na região
amazônica.
- Inaugurado o segundo pólo petroquímico do Brasil, instalado em Camaçari, BA.
1979 – Começa a comercialização de álcool hidratado como combustível para automóveis.
1980 – Inaugurada a Refinaria Henrique Lage, em São José dos Campos, SP.
1981 – Instalados, na bacia de Campos, os Sistemas de Produção Antecipada, tecnologia desenvolvida por técnicos
da Petrobrás.
1982 – Inaugurado o terceiro pólo petroquímico do Brasil, em Triunfo, RS.
1984 – Alcançada a meta-desafio de produção de 500 mil barris diários de petróleo.
- Descoberto Albacora, primeiro campo gigante do país (bacia de Campos, RJ).
- Inaugurado o primeiro Centro Modelo de Combate à Poluição no Mar por Óleo, em São Sebastião, SP.
1985 – Descoberta do campo de Marlim, o segundo campo gigante do país, também na bacia de Campos.
– Descoberta de gás natural, pela Pecten, na bacia de Santos, e de óleo pela firma brasileira Azevedo
Travassos, na parte terrestre da bacia Potiguar, as únicas efetuadas pelas contratantes de risco.
1986 – Lançado o Procap, programa de capacitação tecnológica para produção em águas profundas e
ultraprofundas.
- É consolidado pela Petrobras o pioneirismo na exploração e produção em águas profundas, com a
perfuração de poços em profundidade d'água superiores a 1.200 metros e produção a profundidades de cerca
de 400 metros, o que constitui recorde mundial.
1987 - Descoberta do Campo de Marlin Leste, em lâmina d´água de 1.251m e distando aproximadamente 120 km do
litoral.
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1988 – Entra em produção o campo de Rio Urucu, no Alto Amazonas.
1989 – Eliminado o chumbo tetraetila de nossa gasolina.
1992 – Petrobras ganha o OTC Award, como empresa que mais contribuiu para o desenvolvimento tecnológico da
indústria offshore.
1993 – Assinado acordo entre os governos do Brasil e da Bolívia para importação de gás natural boliviano e a
construção de um gasoduto de 2.233 quilômetros.
- Começa a operar primeira plataforma semi-submersível totalmente desenvolvida pelos técnicos da Petrobras
(Petrobras XVIII), no campo de Marlim (bacia de Campos).
1995 – Aprovada a Emenda Constitucional nº 9, flexibilizando o Monopólio da União sobre o petróleo e permitindo a
contratação de empresas privadas e estatais para executar as atividades.
– Descoberta do campo gigante de Roncador, na bacia de Campos.
- Assinado o contrato de fornecimento de gás boliviano para a Petrobras.
1997 – Aprovada a Lei do Petróleo, Lei nº 9.478, criando a ANP, o CNPE e introduzindo as regras para a execução
das atividades integrantes do monopólio da União sobre o petróleo.
- Superada a marca de produção de um milhão de barris diários de petróleo.
– Iníciada construção do gasoduto Bolívia-Brasil.
1998 – Assinados primeiros acordos de parceria entre Petrobras e empresas privadas para exploração de petróleo.
- Petrobras obtém da Agência Nacional do Petróleo 397 concessões em blocos exploratórios, de
desenvolvimento e campos em produção, correspondendo a 7,1% da área sedimentar do país, o que ficou
conhecido como Rodada Zero.
- Criada a Petrobras Transporte – Transpetro.
1999 – Inaugurada primeira etapa do Gasoduto Bolívia-Brasil.
- Realizada, pela ANP, a 1ª Rodada de Licitações de blocos exploratórios para petróleo e gás natural.
- Início da produção em Roncador, estabelecendo novo recorde mundial de lâmina d´água (1.853m).
2000 – Petrobras produz petróleo a 1.877 metros de profundidade, no campo de Roncador, recorde mundial
- Concluído o Gasoduto Bolívia-Brasil.
- Superada produção de 1,5 milhão de barris/dia de óleo (campo de Marlim produz 500 mil barris diários, 40%
do volume nacional).
- Realizada, pela ANP, a 2ª Rodada de Licitações de blocos exploratórios para petróleo e gás natural (são
desta Rodada a maioria dos blocos onde foram feitas as descobertas do Pré-sal).
- A Shell é a primeira empresa privada a começar a exploração de petróleo na Bacia de Campos.
2001 - Petrobras recebe pela segunda vez o OTC Award, mais importante prêmio da indústria mundial do petróleo.
- Ações da Petrobras são lançadas na bolsa de Nova Iorque.
- Descoberta do campo gigante de Jubarte, na Bacia de Campos, em frente ao litoral do Espírito Santo.
- Realizada, pela ANP, a 3ª Rodada de Licitações de blocos exploratórios para petróleo e gás natural.
2002 – Início da produção em Jubarte.
- Realizada, pela ANP, a 4ª Rodada de Licitações de blocos exploratórios para petróleo e gás natural.
2003 – Descoberto o Campo de Mexilhão, maior jazida de gás natural na plataforma continental brasileira, na bacia
de Santos.
- A Shell é primeira empresa a produzir petróleo depois da flexibilização do monopólio estatal, com início de
produção de Bijupirá & Salema, na Bacia de Campos.
- Realizada, pela ANP, a 5ª Rodada de Licitações de blocos exploratórios para petróleo e gás natural.
-Produção da Petrobras no Brasil e no exterior supera a marca de dois milhões de barris de óleo equivalente
por dia.
2004 - No dia 30 de dezembro de 2004 um navio-sonda foi enviado à Bacia de Santos. Sua missão: perfurar alguns
poços pioneiros em busca de óleo, no bloco exploratório BMS-10. A primeira área escolhida pelos geólogos e
geofísicos foi a hoje conhecida como Parati. É que ali haviam sido identificadas, acima da camada de sal,
rochas arenosas depositadas em águas profundas, com formação semelhante às encontradas na Bacia de
Campos, onde estão acondicionadas cerca de 80% das reservas nacionais de petróleo. A idéia era começar a
exploração no local por essas rochas já conhecidas. Se fosse encontrado óleo, o poço seria aprofundado e se
chegaria ao pré-sal, onde os técnicos acreditavam que seriam encontrados grandes reservatórios de petróleo.
O projeto foi levado adiante.
- Realizada, pela ANP, a 6ª Rodada de Licitações de blocos exploratórios para petróleo e gás natural.
2005
Julho– Encontrados os primeiros indícios de petróleo no pré-sal na Bacia de Santos, no bloco BM-S-10 (Parati), no
litoral do estado do Rio de Janeiro;
- Realizada, pela ANP, a 7ª Rodada de Licitações de blocos exploratórios para petróleo e gás natural.
Agosto - São encontrados os primeiros indícios de petróleo no pré-sal na Bacia de Santos, no bloco BM-S-10,
próximo a Parati.
2006
Julho – Encontrada nova jazida de óleo leve no bloco BM-S-11 da Bacia de Santos (Tupi);
Outubro – Divulgados os resultados do teste do primeiro poço perfurado no BM-S-11 (Tupi);
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- Realizada pela ANP a 8ª Rodada de Licitações de blocos exploratórios para petróleo e gás natural, que foi
suspensa por duas medidas liminares após o leilão de poucos blocos.
2007
Março - Encontrada nova jazida de óleo leve na seção pré-sal que deu origem ao campo de Caxaréu, no norte da
Bacia de Campos;
Junho – Encontrada nova jazida de óleo leve na seção pré-sal do campo de Pirambu, no norte da Bacia de Campos;
Agosto – Encontrada jazida de óleo leve no bloco BM-S-9 – Carioca, na Bacia de Santos;
Novembro - Consórcio formado por Petrobras, BG Group e Galp conclui análises do segundo pólo do MS-S-11, na
área de Tupi, que indicam volumes recuperáveis entre 5 e 8 bilhões de barris de petróleo e gás natural. A
descoberta chama a atenção do mundo para o pré-sal.
Dezembro – Encontrada nova jazida de óleo leve no bloco BM-S-21 – Caramba, na Bacia de Santos;
- Realizada, pela ANP, a 9ª Rodada de Licitações de blocos exploratórios para petróleo e gás natural, com
retirada de blocos situados sobre área do Pré-sal.
2008
Janeiro – Encontrada nova jazida de gás natural e condensado no bloco BM-S-24 – Júpiter, na Bacia de Santos;
Maio – Comprovada presença de óleo leve no bloco BM-S-8 – Bem-Te-Vi, na Bacia de Santos;
Junho – Encontrada jazida de óleo leve em outra região do bloco BM-S-9 – Guará, Bacia de Santos;
Julho - Governo forma uma comissão interministerial para apresentar sugestões de mudanças institucionais e
regulatórias para a exploração e produção de petróleo e gás natural na camada pré-sal. Começam as
discussões para o novo marco regulatório.
Agosto – Comprovada presença de óleo leve em outra região do bloco BM-S-11 – Iara, na Bacia de Santos.;
Setembro (dia 2) – Petrobras inicia a produção do primeiro óleo da camada pré-sal, em águas profundas, no campo
de Jubarte, no norte da Bacia de Campos (ES) (poço ESS-103) que não faz parte da seqüência de
descobertas anunciadas desde 2007.
Setembro - Petrobras aprova a contratação de dez novas plataformas flutuantes, que produzem, estocam e escoam
petróleo, para as áreas do pré-sal na Bacia de Santos.
Setembro (dia 10) – Estimado preliminarmente o volume recuperável da acumulação de Iara, uma área menor
localizada no mesmo bloco de Tupi, em 3 a 4 bilhões de barris de óleo leve (30º API) e gás natural.
Setembro (dia 24) - Confirmada a ocorrência de uma grande jazida de óleo leve e gás em Júpiter, com a conclusão
da perfuração do poço localizado a 290 km da costa do RJ e a 37 km a leste de Tupi, na Bacia de Santos;
- A petroleira norte-americana Anadarko descobre petróleo na camada pré-sal do Brasil, a primeira realizada
por uma empresa estrangeira como operadora em bloco de exploração no País.
Novembro - Concluída a perfuração de dois novos poços na seção pré-sal do litoral do Espírito Santo e comprovada
expressiva descoberta de óleo leve no Parque das Baleias. As descobertas foram feitas em reservatórios do
pré-sal localizados abaixo dos campos de óleo pesado de Baleia Franca, Baleia Azul, Jubarte e Cachalote. O
volume recuperável dessas descobertas é estimado entre 1,5 e 2 bilhões de barris de óleo leve e gás natural
(boe).
Dezembro- Realizada, pela ANP, a 10ª Rodada de Licitações de blocos exploratórios para petróleo e gás natural,
composta exclusivamente por blocos situados em terra.
2009
Março – Sancionada a Lei do Gás
Abril - Consórcio formado pela Petrobras (45%), BG Group (30%) e Repsol (25%), para a exploração do bloco BM-
S-9, comprovou a existência de mais uma jazida de petróleo leve na área do poço de Carioca e de Guará. A
acumulação foi encontrada por meio da perfuração do poço 4-SPS-60, denominado Iguaçu. O consórcio
atualmente avalia a descoberta.
Maio - Em cerimônia simbólica o presidente Luiza Inácio Lula da Silva recebeu o primeiro litro de óleo da camada
pré-sal. Iniciando assim, a produção no Pré-Sal da Bacia de Santos, em 1º maio, com o Teste de Longa
Duração (TLD) de Tupi, operando com o FPSO BW (Bergesen Worldwide Offshore do Brasil) Cidade de São
Vicente, ancorado a cerca de 290 km da costa. Sua duração será de 15 meses. Com capacidade máxima para
processar 30 mil barris diários de óleo, a produção será realizada por meio de dois poços, um de cada vez,
possivelmente por seis meses cada um, embora ainda dependa de algumas definições técnicas. Nos três
meses restantes, serão realizados testes complementares. A área conhecida como Tupi tem volume de óleo
equivalente (petróleo e gás) recuperável estimado entre 5 e 8 bilhões de barris.
- A petroleira Exxon comunica à ANP indícios de petróleo no bloco B-M-S-22 na área do Pré-sal.
Junho - A Petrobras iniciou em 30 de junho de 2009, na Refinaria de Capuava (Recap), em São Paulo, o primeiro
refino de petróleo da camada pré-sal da Bacia de Santos. Trata-se de um marco histórico na indústria
petrolífera mundial. Com 28,5º API, baixa acidez e baixo teor de enxofre, este petróleo de alta qualidade é
extraído em condições bastante severas: profundidade de água de 2.140 metros, mais de 3.000 metros a
partir do fundo do mar, abaixo de 2.000 mil metros de camada de sal e a uma distância de 300 km da costa do
estado de São Paulo. O processamento pioneiro deste petróleo permitirá comprovar, em escala comercial, os
rendimentos e a qualidade de seus derivados.
Julho - Petrobras admite que um poço na área BM-S-22, na Bacia de Santos, não possui indícios de óleo, mas
afirma que são improváveis as ocorrências de poços secos nessa área do pré-sal.
Agosto - BG Group afirma que o poço Corcovado-2, no bloco BM-S-52, perfurado em conjunto com a Petrobras, não
contém hidrocarbonetos, apesar de um exame inicial ter sugerido a presença de gás.
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Agosto - Governo anuncia novas regras para a exploração de 71% das reservas do pré-sal, que ainda não foram
licitadas. Linha do tempo

3.3  –Formação e Origem 

O petróleo do pré-sal está em uma rocha reservatório,


localizada abaixo de uma camada de sal nas
profundezas do leito marinho. Entre 300 e 200 milhões de anos atrás a África e a
América do Sul formavam um único continente, a Pangeia, que a cerca de 200
milhões de anos se subdividiu em Laurásia e Gondwana. A aproximadamente 140
milhões de anos teve inicio o processo de separação entre duas as placas
tectônicas sobre as quais estão os continentes que formavam o Gondwana, os
atuais continentes da África e América do Sul. No local em que ocorreu o
afastamento da África e América do Sul, formou-se o que é hoje o Atlântico Sul4.

Nos primórdios, formaram-se vários mares


rasos e áreas semi-pantanosas, algumas de
água salgada e salobra do tipo mangue,
onde proliferaram algas e microorganismos
chamados de fitoplâncton e zooplâncton.
Estes microorganismos se depositavam
continuamente no leito marinho na forma de
sedimentos, misturando-se a outros
sedimentos, areia e sal, formando camadas de rochas impregnadas de matéria
orgânica, que dariam origem às rochas geradoras. A partir delas, o petróleo
migrou para cima e ficou aprisionado nas rochas reservatórios, de onde é hoje
extraído. Ao longo de milhões de anos e sucessivas Eras glaciais, ocorreram
grandes oscilações no nível dos oceanos, ocorrendo inclusive a deposição de
grandes quantidades de sal que formaram grandes camadas de sedimento salino,
geralmente acumulado pela evaporação da água nestes mares rasos. Estas
camadas de sal voltaram a ser soterradas pelo Oceano e por novas camadas de
sedimentos quando o gelo das calotas polares voltou a derreter nos períodos
inter-glaciais.

                                                            
4
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3.4‐ Geologia 

De uma maneira simplificada, o Pré-Sal é um conjunto de reservatórios mais


antigos que a camada de sal (halita e anidrita) neoapitiniano que se estende nas
Bacias de Campos e Santos desde o Alto Vitória até o Alto de Florianópolis
respectivamente. A espessura da camada de sal na porção centro-sul da Bacia de
Santos é de aproximadamente 2.000 metros, enquanto na porção norte da bacia
de Campo está em torno de 200 metros. A área de ocorrência conhecida destes
reservatórios, segundo a Petrobras (2008), é de 112.000 km² dos quais 41.000
km² (38%) já foram licitados e 71.000 km² (62%) ainda por licitar. A análise de um
perfil sísmico da Bacia de Santos leva a crer que existem ao menos quatro Plays
na região: O primeiro referente à fase Drift (turbiditos Terciários similares aos da
Bacia de Campos) acima do sal e mais três, abaixo do sal, referentes Pós-Rift
(carbonatos e siliciclastos apitinianos de plataforma rasa) e ao Sin-Rift (leques
aluviais de conglomerados). Em todos os casos a rocha-geradora é de toda a
costa Leste brasileira, a Formação Lagoa Feia.

Quando se fala do “Cluster Pré-Sal” na Bacia de Santos, as descobertas foram


realizadas no Play Pós-Rift em grandes profundidades com lâminas d’água
superiores a 2.000 m e profundidades maiores que 5.000 m, dos quais 2.000 de
sal. As rochas geradoras são folhelhos lacustres da Formação Guaratiba (do
Barremiano/Aptiano e COT de 4%). O selo são pelitosintraformacionais e
obviamente o sal. A literatura científica afirma que os reservatórios encontrados
são biolititos cuja origem são estromatólitos da fase de plataforma rasa do
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Barremiano. Ocorrências similares, sob o sal podem ser encontradas nas Bacias
do Ceará (Aptiano Superior), Sergipe-Alagoas, Camamu, Jequitinhonha,
Cumuruxatiba e Espírito Santo, no litoral das ilhas Malvinas, mas também já foram
identificadas no litoral atlântico da África, Japão, no Mar Cáspio e nos Estados
Unidos, na região do Golfo do México. A grande diferença deste último é que o sal
é alóctone (oriundo de outras regiões) enquanto o brasileiro e o africano são
autóctones (formado nessa região) (Mohriak et al., 2004).

O conjunto de descobertas situado entre os estados do Rio de Janeiro e São


Paulo (Bem-te-vi, Carioca, Guará, Parati, Tupi, Iara, Caramba e Azulão ou Ogun)
ficou conhecido como “Cluster Pré-Sal”, pois o termo genérico “Pré-Sal” passou a
ser utilizado para qualquer descoberta em reservatórios sob as camadas de sal
em bacias sedimentares brasileiras.

3.5 ‐ Dados e Resultados do Pré‐Sal Brasileiro 

A Petrobras já perfurou quinze poços exploratórios na camada pré-sal; todos eles


indicaram a presença de óleo. No Campo de Jubarte, localizado no norte da Bacia
de Campos, a Petrobras iniciou, no mês de setembro de 2008, um teste de longa
duração no poço 1-ESS-103A, que está produzindo 18 mil barris por dia a partir de
um reservatório da camada pré-sal. Desse total, onze poços foram perfurados em
áreas licitadas da Bacia de Santos, consideradas as mais promissoras. Mostram-
se a seguir alguns dados e resultados do teste relativos ao poço pioneiro RJS-
628, localizado em águas profundas da Bacia de Santos no campo de Tupi:

• Bloco: BM-S-11;
• Lâmina de água: 2.140 m
• Tipo: vertical;
• Tipo de reservatório: carbonato de alto índice de produtividade;
• Espessura do reservatório: 90 m
• Vazão de óleo: 4.900 barris de petróleo;
• Vazão de gás: 150 mil metros cúbicos por dia;
• Grau API: 30º;
• Abertura: 5/8 de polegada;
• Comportamento de pressão: estável.
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A área de Tupi está localizada em
águas de cerca de 2.200 m de
lâmina de água, com camadas de
sal de 2.000 m de espessura. Os
poços testados indicam vazões
potenciais de 15 a 20 mil barris de
óleo por dia e as seguintes
características: grau API de 28o a
30o; a viscosidade de 1 cP; razão
gás-óleo de cerca de 230 m3/m3 e
pressão inicial do reservatório de 580 kgf/cm2. Ressalte-se ainda a presença de
8% a 12% de CO2 no gás associado e a possibilidade de deposição orgânica nas
tubulações.

3.6 ‐ Oportunidades e Considerações 

A Petrobras estima que Tupi tenha um volume de óleo recuperável de Cinco a


Oito bilhões de barris de petróleo equivalente. No prospecto de Iara, o volume de
óleo recuperável seria de Três a Cinco bilhões de barris equivalentes de petróleo.
Tanto Tupi como Iara estão localizados no Bloco BM-S-11. O Pré-Sal é uma das
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maiores descobertas de petróleo dos últimos anos, são mais de Oito bilhões de
barris de petróleo numa faixa de cerca de 800 km de extensão por
aproximadamente 200 Km de largura plana.

As recentes descobertas de reservas de petróleo sob o manto de sal na chamada


camada pré-sal configuram um momento novo na história do país, o qual sempre
esteve acuado pela carência de recursos para promover seu desenvolvimento
econômico e por crises sucessivas de financiamento externo. Esta é uma nova
oportunidade. Pensar as melhores formas de transformar essa riqueza
proveniente da natureza em desenvolvimento sustentado é um grande desafio. As
novas descobertas, se, de um lado, abrem um leque enorme de oportunidades
dado o potencial de volume de recursos financeiros que podem gerar, de outro,
irão requerer uma administração eficiente, a fim de que se torne possível
transformar essa riqueza natural em benefício de gerações atuais e futuras.

A descoberta de mega jazidas no Cluster de Santos gerou uma percepção de


risco “zero” para a exploração de petróleo naquela região. Encontrar o petróleo no
fundo do mar foi o primeiro passo. Agora vem a parte mais difícil: superar os
desafios para extraí-lo de maneira economicamente viável. E há importantes
desafios – especialmente tecnológicos e de logística. Para desenvolver todo o
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aparato tecnológico, uma das estratégias poderá ser a formação de parcerias
entre fornecedores brasileiros e estrangeiros, com o objetivo de promover o
intercâmbio e a incorporação de expertise internacional, quando disponível.

Há intenção explícita que fornecedores estrangeiros utilizem instalações fabris de


empresas já instaladas no Brasil, ou que aqui instalem novas facilidades, sozinhos
ou em associação com o empresariado local, e que mobilizem suas equipes para
trabalhar em contato estreito com técnicos brasileiros, permitindo, assim, mais um
salto na já internacionalmente reconhecida capacitação da comunidade
acadêmica e do parque industrial nacionais.
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4. Os Principais Desafios 

A exploração de petróleo e gás abaixo da camada de sal no mar gera demanda de


especialistas, conhecimento extraordinário e tecnologia avançada. Destacamos
como primeiro grande desafio para a extração de petróleo e gás dessa região a
distância entre o campo produtor e a costa (caso de Tupi, por exemplo) que está
localizado há cerca de 300 km da costa de Santos, dificultando enormemente a
implementação de infra-estrutura para a exploração dos hidrocarbonetos,
englobando-se aí desde o transporte e estratégia de habitação para pessoal de
operação, até a instalação de dutos e/ou facilidades (e a sua logística operacional)
para exportação do gás natural extraído dos poços.

Recentemente, a Petrobrás divulgou a decisão de escoar o gás de Tupi até


Mexilhão por um gasoduto de 250 km no fundo do mar.

Um segundo grande desafio será atingir a jazida de petróleo, já que será


necessário primeiro, alcançar o leito do oceano há mais de dois mil metros de
profundidade; em seguida, perfurar um tipo de rocha conhecida como pós-sal com
uma espessura de cerca de mil metros (os poços atualmente explorados pela
Petrobrás em alto-mar localizam-se nessa camada geológica); para chegar, então,
à camada de sal, de mais de dois mil metros de espessura, cuja formação ocorreu
no período Cretáceo (entre 145 milhões e 65 milhões de anos atrás).

Esta camada apresenta consistência pastosa em altas temperaturas, exigindo


5
cuidado especial com os equipamentos de exploração , e assim, entre os
desafios de explorar as novas jazidas está o de perfurar a camada de sal porque
ela sofre deformações e pode colapsar aprisionando a coluna de perfuração. É
preciso monitorar a cada instante (a camada de sal é facilmente fraturável), é
necessário simular numericamente cada poço, o qual precisa ter um modelo
numérico experimental característico, feito por programas de computador que
reproduza as condições do mar, do solo e calcule a dinâmica dos navios e
plataformas e seus carregamentos ambientais.

                                                            
5
  http://www.iedi.org.br/admin_ori/pdf/20090112_pre‐sal_completo 
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O sigilo que cerca as dificuldades técnicas,  inclusive para setores da comunidade
científica que têm parceria com a Petrobras, está provavelmente ligado às
decisões sobre os rumos da exploração do pré-sal no contexto econômico e
político, porque o país poderá ter um crescimento nas suas reservas de petróleo
dos atuais 14 bilhões para até 50 bilhões de barris ou mais, e isso tanto desperta
a cobiça alheia (externa as nossas fronteiras) como direciona para a precaução
interna na condução dos estudos e debates específicos.

Enumeramos abaixo os principais pontos que gostaríamos de destacar como


desafiadores:

A) Quanto aos Reservatórios:


♦ Definição de qualidade do reservatório carbonático a partir de dados sísmicos;
♦ Caracterização interna do reservatório, com foco nas principais heterogeneidades;
♦ Recuperação secundária: viabilidade técnica da injeção de água e/ou gás;
♦ Geomecânica das camadas adjacentes aos reservatórios;
♦ Otimização da geometria dos poços.
RISCO: Possível não uniformidade dos reservatórios

B) Quanto ao Poço:
♦ Desvio de poços dentro da zona de sal;
♦ Poços de longo afastamento;
♦ Fraturamento hidráulico em poços horizontais;
♦ Materiais de poço resistentes a elevados teores de CO2;
♦ Aumento da taxa de penetração no reservatório.

É necessário aprimorar as tecnologias existentes para a perfuração e


estabilização dos poços com destaque para a tenacidade e resistência da
tubulação e maior ênfase no uso do conceito de poços inteligentes,
instrumentados e automatizados para propiciar um melhor gerenciamento da
produção a partir de informação on-line das condições de temperatura, pressão e
vazão dos poços. Para isso, são necessários sensores avançados de fibra ótica e
infra-estrutura laboratorial de testes em câmara termo-hiperbárica. A
COPPE/UFRJ já tem em mãos o projeto de uma nova câmara hiperbárica capaz
de simular pressões e temperaturas do ambiente marinho até 7mil metros de
profundidade.
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C) Engenharia de Poço:
♦ Poços com início vertical. Inclinação na camada de sal. Maior área de exposição para
facilitar extração;
♦ Camada de sal instável;
♦ Materiais resistentes a alto conteúdo de CO2.

D) Garantia de escoamento
♦ Deposição de parafinas ao longo das linhas de produção;
♦ Controle de hidratos;
♦ Controle de incrustações.
RISCO: Para o “flow assurance”, a possibilidade de obstrução pela deposição de parafinas.

A garantia de escoamento é de vital importância, tendo em vista a elevação média


da ordem de seis mil metros até a superfície do mar. Para isso, se fazem
necessárias tecnologias de bombeio multifásico associado a tubulações que
combinem alta resistência à pressão externa e isolamento térmico. Um conceito
de duto a ser melhor investigado para este fim é o ‘duto sanduíche’, tubo com as
camadas interior e exterior em aço, cujo anular com resistência mecânica deve
também proporcionar isolamento térmico.

E) Logística para aproveitamento do gás


♦ Projeto e instalação de gasodutos de grande diâmetro em lâmina d’água de 2200 m;
♦ Longa distância até a costa (300 km);
♦ Cenário para novas tecnologias de aproveitamento de gás em ambiente offshore: GNL,
GNC, GTL, GTW, etc. → a Petrobras está em contato com empresas que detêm tecnologia
para aproveitamento do gás dos campos no próprio local. Uma alternativa é instalar térmicas
flutuantes que poderiam enviar energia para o continente por meio de cabos submarinos;

RISCO: Para o aproveitamento de Gás em ambiente offshore /ou Escoamento através de


Criogenia não existem no mercado mundial Unidades Estacionárias com Plantas embarcadas
que possibilitem o seu uso em larga escala com tamanha capacidade. É necessário
desenvolver e testar.

F) Unidades de Produção
♦ Interação/acoplamento com o sistema de risers;
♦ Plataformas com acesso direto aos poços (SPAR, FPDSO, TLPs).
RISCO: O desafio dos FPSO’s é a ancoragem em lâminas d´água maiores que 2.000 metros.

Para transportar o óleo é preciso dispor de dutos (risers) resistentes à pressão da


camada de água. O duto tem que ser robusto e, ao mesmo tempo, leve, e ter
capacidade para conservar a temperatura do óleo que sai fervendo das rochas e
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chega ao topo do poço, já no leito marinho, a cerca de 100º C. Sem a proteção
térmica, o óleo resfria e gera resíduos sólidos que entopem o duto. Do leito
marinho até a superfície serão de 2 a 3 mil metros a serem percorridos no fundo
do mar, onde a temperatura da água é em torno de 4º C, o que poderá provocar
uma queda de temperatura no óleo, caso o riser não seja anti-térmico.

Uma solução apontada pelo professor Edson, implica na utilização de um tubo de


aço flexível feito à base de titânio, que apesar de ser considerado caro é um
material bem resistente e adequado para este transporte. Caso seja inviável
economicamente, outra opção seria injetar nos risers produtos químicos que evite
o adensamento do óleo.

Os novos projetos de dutos chegaram a um ponto em que somente a espessura


não será capaz de garantir que a pressão hidrostática evite o colapso do duto. Aí
entram os anéis de reforço, chamados “buckle arrestors”, feito de aço forjado
soldado ao duto ou tipo braçadeiras. O grande desafio é desenvolver materiais de
alta resistência que sobrevivam à corrosão interna, à pressão externa e que ao
mesmo tempo sejam fáceis de soldar e lançar.

De modo a atender esses requisitos, a Petrobras vem trabalhando em um projeto


de qualificação de novos aços. Para isso, foram escolhidos diversos fabricantes
de aços e de tubos soldados longitudinalmente (para maiores diâmetros nominais)
e também de tubos laminados pelo processo Mannesman, que não possuem
solda longitudinal. Partindo do princípio de que, quanto mais espesso, mais caro,
quanto se poderia economizar conseguindo um material mais resistente e menos
espesso? É o que está sendo buscado com as siderúrgicas.

G) Engenharia Submarina
♦ Qualificação de risers flexíveis para LDA de 2200 m, considerando a presença de CO2 e
altas pressões.
♦ Cenários para: torre de risers; riser híbrido auto-sustentado (RHAS); riser de aço em
configuração em catenária composta com flutuador (SLWR), entre outras tecnologias;
♦ Qualificação de linhas termicamente isoladas para LDA de 2200 m;
♦ Qualificação de “risers” para CB´s maiores que 2.000 metros, com CO2 e alta pressão;
♦ Cenário p/ “risers towers”, SCRs c/ “lazy waves” e outras tecnologias;
♦ “Thermal Insulated Flowlines” para lâminas d´água maiores que 2.000 metros;
♦ Linhas de fluxo para altas pressões de injeção de gás.
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RISCO: Os risers HT/HP para operação em profundidades superiores a 2.500 metros estão
ainda em fase de desenvolvimento final e homologação.

H) Desafios de Geologia e Perfuração


O grande desafio da Petrobras na extração de óleo e gás nos campos do pré-sal é a camada
de sal, que sob alta pressão e temperatura se comporta como um material plástico, o que torna
complicado garantir a estabilidade das rochas, que podem fluir e impedir a continuidade da
perfuração dos poços.
Vários avanços foram alcançados nos últimos anos, permitindo não somente a perfuração de
forma estável da camada de sal, mas também a redução do tempo para perfuração dos poços.
Para a empresa, tudo é uma questão de tecnologia.
Normalmente, a produção é feita com poços que têm um trecho horizontal. A Petrobras já
perfurou mais de 200 poços horizontais em águas profundas em reservatórios mais rasos
acima da camada de sal
I) Outros Desafios:
Instalação das plataformas de produção, considerando-se novos conceitos de
plataforma para completação seca ao invés de molhada; a falta de uma rede de dutos
para escoamento do gás e do petróleo produzidos; O Desenvolvimento de
equipamentos e materiais especiais para resistir às altas pressões e corrosividade
associada ao CO2 e H2S produzido.
Risco: Para produzir é necessário fazer a modelagem de sistemas de produção em superfícies 
de carbonato, onde estão localizadas as acumulações do cluster. O ambiente difere muito da 
experiência da Petrobras em rochas de arenito na Bacia de Campos.

Uma nova chance para o Brasil se converter em potência mundial, foi oficializada
na segunda-feira 31 de Outubro de 2009. Diante de uma platéia de três mil
pessoas no Centro de Convenções Ulysses Guimarães, em Brasília, o presidente
Luiz Inácio Lula da Silva anunciou o marco regulatório do pré-sal. Trata-se de um
conjunto de leis que disciplinará como o País vai lidar com um tesouro negro de
14 bilhões de barris de petróleo
descoberto a sete mil metros de
profundidade. Essa riqueza é
capaz de lançar a economia
brasileira para um novo patamar,
com a multiplicação de empregos,
de investimentos e reflexos
diretos no PIB. É A força para
levar o País a se desenvolver e
ser do Primeiro Mundo, mas para isso o governo precisa saber usar tanta riqueza.
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Atualmente as plataformas brasileiras localizadas em alto-mar, em geral, estão a
uma distância de 100 a 150 quilômetros do litoral. Mas a estatal estuda saídas.
Entre elas, está a utilização de plataformas menos habitadas e a compra de
dezenas de helicópteros mais adaptados para a distância. Há também a
possibilidade de adaptar plantas que fazem liquefação do gás em unidades
flutuantes. Além disso, os deslocamentos de insumos e pessoal para as
plataformas e o escoamento do óleo bruto retirado vão exigir a criação de pontos
intermediários para umas e outras necessidades.  

Abaixo ‐ Ilustração da Previsão de Demanda de Plataformas para o Pré‐sal.  
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REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 

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3. Presalt basins identified in Gabon: A new study indicates Brazilian analogs, E&P Magazine,

01/07/2009, [2]

4. "Entenda o que é a camada pré-sal", Folha Online, 31/08/2008

5. "A importância do Pré-Sal", Pré-Sal.org

6. "A produção no pré-sal". Agência Brasil, 31/08/2009

7. "Pré-sal se estende até o Ceará, diz geólogo", Reuters, 17/10/2008

8. "Petrobras acha óleo leve no Pré-Sal da Bacia de Campos", Globo, 08/06/2007, [3]

9. OLIVEIRA, Nielmar, 02/09/2008, "Petrobras inicia produção na região do pré-sal", Agência Brasil, [4]

10. "Petrobras vai buscar tecnologia de maior rentabilidade para explorar pré-sal, diz diretor", Folha Online,

01/09/2008 [5]

11. "A exploração do pré-sal e o futuro brasileiro". Jornal da Universidade, UFRGS, nº 113, ano XII,

Nov/2008, p. 5. [6]

12. "Estatal para administrar petróleo da camada pré-sal se chamará Petrosal", Agência Brasil [7]

13. "Petrosal vai gerenciar recursos do petróleo extraído nas novas jazidas", Correio do Brasil, 31/08/2009 [8]

14. Entenda o que é a camada pré-sal, Folha Online, 02/09/2008

15. "Parlamentar defende mudança no marco regulatório do petróleo", Agência Brasil, 30/10/2008, [9]

16. "Lobão diz que apresentará hoje ao governo cinco propostas para exploração no pré-sal", Agência Brasil,

01/10/2008 [10]

17. "Governo aumenta número de projetos sobre pré-sal e resolve pedir urgência constitucional", Agência

Brasil, 31/08/2009, [11]

18. "Lula anuncia regras para exploração do petróleo do pré-sal", Agência Brasil, 31/08/2009, [12]

19. "Ministros e parlamentares se reúnem com Lula para conhecer marco regulatório do pré-sal", Agência

Brasil, 31/08/2009, [13]

20. "Os interesses em jogo no debate sobre o novo marco regulatório do petróleo do pré-sal", Diário do Pré-

Sal, 01/10/2009 [14]

21. "Petroleiros apresentam projeto pelo monopólio estatal do petróleo e por uma Petrobras 100%

pública", Agência Petroleira de Notícias, 27/08/09 [15]

22. "O Pré-sal é Nosso!" Pré-Sal.org

23. "CNI defende debate do pré-sal e participação privada", Estado, 31/08/2009 [16]

24. IBP abre debates sobre pré-sal e defende modelo atual, Globo, 29/08/2009, [17]

25. ESTADAO, "Empresas privadas contestam Petrobras e dizem que há risco no pré-sal", 29/08/2008[18]

26. "Partilha do pré-sal enfrentará resistência, diz oposição", Yahoo Notícias, 31/08/2009 [19]

27. "Lobão: regime de concessão não condiz à nova realidade", Estado, 31/08/2009 [20]
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28. "Contratos atuais do pré-sal favorecem fornecedor externo", Portos & Navios, 28/08/2009 [21]

29. "Novo modelo de exploração do pré-sal pode elevar em 2,5 vezes a arrecadação", Correio Braziliense,

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30. "Marco regulatório do pré-sal será enviado ao Congresso em regime de urgência", Agência Brasil,

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31. http://www2.petrobras.com.br/minisite/premiotecnologia/pdf/TecnologiaExploracao_MetodosExploracao.pdf;

32. http://cezarnogales.blogspot.com/2009/09/verdadeira‐historia‐do‐pre‐sal.html;

33. http://pt.wikipedia.org/wiki/Pr%C3%A9‐sal#O_pr.C3.A9‐sal_brasileiro;

34. http://www.sbgf.org.br/publicacoes/artigo4D.html;

35. http://images.google.com.br/imgres?imgurl=http://2.bp.blogspot.com/_XIRlQBuy4YY/SpgbN30IQvI/AAAAAAAAEOw

/5QOJ_u3_tVM/s400/SISMICA.bmp&imgrefurl=http://andreambiental.blogspot.com/2009/08/sao‐joao‐da‐barra‐

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Dpt‐BR%26sa%3DX%26um%3D1;

36. http://www.lps.ele.puc‐rio.br/marcilio/publications/4D_boletim_agosto_2004vfa.pdf;