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AULA 3

Segunda fase do Modernismo – Poesia


Considera-se como segunda fase do Modernismo o período que se estende
de 1930 a 1945. Também ficou conhecida como “Geração de 30” ou “Fase de
consolidação”. Sua característica principal é o amadurecimento das tendências
modernistas de 1922, tanto na poesia como na prosa.

Carlos Drummond de Andrade: um dos principais poetas desta fase

Estátua de Carlos Drummond de Andrade, Praia de Copacabana, Rio de Janeiro.

Segunda fase do modernismo: uma divisão didática

O modernismo brasileiro foi um amplo movimento cultural que repercutiu fortemente sobre a
cena artística e a sociedade brasileira na primeira metade do século XX, sobretudo no campo da li-
teratura e das artes plásticas. Didaticamente, divide-se o Modernismo em três fases: a primeira fase,
mais radical e fortemente oposta a tudo que foi anterior – 1922 a 1930; uma segunda mais amena,
que formou grandes romancistas e poetas – 1930 a 1945; e uma terceira, também chamada Pós-
Modernismo – 1945 a 1975, apesar de alguns críticos considerarem até final do séc. XX
A segunda fase foi rica tanto na produção poética como na prosa. O universo temático amplia-
se de maneira construtiva. A maioria dos poetas de 1930 absorveu experiências de 1922, como a
liberdade temática, o gosto da expressão atualizada ou inventiva, o verso livre e o antiacademicismo.
A poesia passa a aprimorar as formas poéticas, direcionando e ampliando a temática da inquietação
filosófica e religiosa, com Vinicius de Moraes, Jorge de Lima, Augusto Frederico Schmidt, Murilo
Mendes, Carlos Drummond de Andrade.
O romance promove o encontro do autor com seu povo, havendo uma busca do homem bra-
sileiro em diversas regiões, caracterizando o regionalismo. José Américo de Almeida, Rachel de
Queiroz, Jorge Amado, José Lins do Rego, Érico Veríssimo, Graciliano Ramos, Orígenes Lessa entre
outros escritores criaram um estilo novo, completamente moderno, totalmente liberto da linguagem
tradicional, nos quais puderam incorporar a linguagem regional, com expressões locais.

Literatura 3 - Aula 3 37 Instituto Universal Brasileiro


Segunda fase do Modernismo
História & Poesia
Contexto histórico

A segunda fase do modernismo no Brasil


surge num contexto conturbado. Após a crise
de 1929 em Nova York, com a depressão eco-
nômica, muitos países estavam mergulhados
Cecília Meireles Jorge de Lima
numa crise econômica, social e política que
fez surgir diversos governos totalitários e dita-
toriais, os quais levariam despontar Segunda
Guerra Mundial (1939-1945). Carlos Drummond
Além do aumento do desemprego, a fa- de Andrade
lência de fábricas, a fome e miséria, no Brasil
a Revolução de 1930 representou um golpe
de estado que depôs o presidente da repúbli-
ca Washington Luís, impedindo assim, a pos- Em sua segunda fase, a poesia modernista
se do presidente eleito Júlio Prestes. alargou seus horizontes temáticos e consolidou-se
Foi o início da Era Vargas e o fim das graças às conquistas de seus precursores. A se-
Oligarquias de Minas Gerais e São Paulo, de- gunda geração foi marcada pelo amadurecimento
nominadas “política do café com leite”. Com a e pela ruptura com a fase polêmica de suas primei-
chegada de Getúlio ao poder, a ditadura no país ras manifestações. A poesia continuou adotando o
determinava o Estado Novo (1937-1945). verso livre, mas resgatou também formas como o
As obras dessa época (1930-1945) re- soneto ou o madrigal sem que isso fosse necessa-
fletem este contexto econômico e politica- riamente um retorno às estéticas do passado, tão
mente turbulento. Na literatura, é bastante questionadas pelos poetas que ganharam proje-
significativo o fato de que os marcos tempo- ção na Semana de Arte Moderna
rais para o início e fim dessa fase coincidam Além do amadurecimento de poetas que
com importantes fatos políticos. Isso revela se destacaram na primeira fase do Modernismo,
o estreitamento das relações entre a litera- como Mário de Andrade, Oswald de Andrade e
tura e a história e uma maior aproximação Cassiano Ricardo, que continuam a publicar, sur-
da literatura à realidade. Nesta aula vamos gem novos poetas. Carlos Drummond de Andra-
nos concentrar na produção poética da se- de, que havia participado da Semana de 22, mas
gunda fase do Modernismo. ainda não havia publicado nenhum livro, é con-
siderado um dos principais autores dessa fase.
Poetas alargam horizontes temáticos
Destacam-se também Murilo Mendes, Jorge de
Lima, Vinicius de Morais e Cecília Meireles.
As principais linhas temáticas desenvol-
vidas são a espiritualista, a religiosa, a social
e a amorosa. As principais características das
obras desse período são: a abordagem de
temas universais como o destino do ser hu-
mano, o tema líríco-amoroso, o uso da ironia
sutil, em lugar do poema-piada, a volta às for-
Vinicius de Moraes Murilo Mendes mas fixas, como o soneto, paralelamente ao
uso do verso livre e do poema sintético.
Literatura 3 - Aula 3 38 Instituto Universal Brasileiro
Carlos Drummond de Andrade busca de explicações sobre o momento pre-
(1902-1987) sente.
• Além dos poemas, nessa época, tam-
“Se eu gosto de poesia? Gosto de bém escrevia crônicas para alguns jornais que
gente, bichos, plantas, lugares, choco- foram publicadas em 1944, reunidas num livro
late, vinho, papos amenos, amizade, que leva o título Confissões de Minas.
amor. Acho que a poesia está contida • O poeta enfrenta a realidade, refle-
nisso tudo.” te sobre o presente e, em alguns momentos,
propõe modificá-lo, enquanto em outros re-
vela-se desesperançado, descrente. Isso é
Drummond bastante frequente no livro A rosa do povo, de
nasceu em Itabi- 1945, no qual encontramos também a refle-
ra, Minas Gerais. xão sobre o fazer poético.
Sua cidade na- • A partir da década de 1950, passou a
tal é apresenta- dedicar-se exclusivamente à literatura, escre-
da em muitos de vendo poemas, contos, crônicas, e também
seus poemas; e fazendo traduções.
o ferro, abundan- • Em Lição de coisas, de 1962, nota-
te na cidade, é mos grande preocupação do autor com as-
frequentemente pectos usuais e sonoros do texto, fazendo
mencionado em uso de aliterações e dando maior importância
sua obra. For- à disposição do texto na página. Regressa a
mou-se em Far- temas anteriores, como a questão social, as
mácia, mas dedicou-se ao ensino de por- contradições do amor e continua a refletir so-
tuguês e geografia. Em 1925, fundou com bre a condição humana.
Emílio Moura e outros escritores A Revista, • Os livros Boitempo, de 1968, Meni-
em que era proposta a reformulação dos no antigo, de 1973, e Esquecer para lem-
padrões estético-literários brasileiros. De- brar, de 1979, constituem uma trilogia que
pois, foi para Belo Horizonte, onde ocupou pode ser considerada autobiográfica. A pre-
o cargo de redator e, depois, de redator sença da memória é marcante e, por meio
chefe do Diário de Minas. dela, volta à infância adolescência e ju-
ventude, recuperando-as com o auxílio da
Produção poética ficção. Temos assim um lirismo saudosista
paralelo a uma sensação de incômodo com
• Em 1928, foi publicado seu poema No as mudanças.
meio do caminho, na Revista de Antropofagia, • Nos livros publicados na década de
que causou muita polêmica. 80, o amor é o tema central, como se pode
• Em 1930, publicou seu primeiro livro, ver por seus títulos: A paixão medida, de
Alguma poesia, no qual se destacam o hu- 1980; Corpo de 1984, e Amar se aprende
mor e a ironia presentes nos poemas-piada, a amando, de 1985.
apresentação do cotidiano, a linguagem colo-
quial e o verso livre.
• Em 1934, assumiu um cargo publi-
co no Ministério da Educação e transferiu-se
para o Rio de Janeiro.
• Em 1940, publicou Sentimento do Acesse o web site oficial do autor:
mundo, livro no qual o poeta mostra-se im- www.carlosdrummond.com.br/ e pes-
potente diante dos problemas e revela gran- quise sobre sua obra completa, sua vida,
de consciência da realidade social, ao mes- e demais trabalhos.
mo tempo que se volta para o passado em
Literatura 3 - Aula 3 39 Instituto Universal Brasileiro
Leia alguns poemas de Drummond
sem mulheres e sem horizontes.
Poema de Sete Faces E o hábito de sofrer, que tanto me
diverte,
Quando nasci, um anjo torto é doce herança itabirana.
desses que vivem na sombra De Itabira trouxe prendas diversas
disse: Vai, Carlos! ser gauche na vida. que ora te ofereço:
As casas espiam os homens esta pedra de ferro, futuro aço do
que correm atrás de mulheres. Brasil;
A tarde talvez fosse azul, este São Benedito do velho santeiro
não houvesse tantos desejos. Alfredo Duval;
O bonde passa cheio de pernas: este couro de anta, estendido no sofá
pernas brancas pretas amarelas. da sala de visitas;
Para que tanta perna, meu Deus, este orgulho, esta cabeça baixa...
pergunta meu coração. Tive ouro, tive gado, tive fazendas.
Porém meus olhos Hoje sou funcionário público.
não perguntam nada. Itabira é apenas uma fotografia na
O homem atrás do bigode parede.
é sério, simples e forte. Mas como dói!
Quase não conversa.
Tem poucos, raros amigos
o homem atrás dos óculos e do bigode. Quadrilha
Meu Deus, por que me abandonaste
se sabias que eu não era Deus João amava Teresa que amava Rai-
se sabias que eu era fraco. mundo
Mundo mundo vasto mundo, que amava Maria que amava Joa-
se eu me chamasse Raimundo quim que amava Lili
seria uma rima, não seria uma solução. que não amava ninguém.
Mundo mundo vasto mundo,
João foi para os Estados Unidos, Te-
mais vasto é meu coração.
resa para o convento,
Eu não devia te dizer
Raimundo morreu de desastre, Maria
mas essa lua
ficou para tia,
mas esse conhaque
botam a gente comovido como o diabo. Joaquim suicidou-se e Lili casou com
J. Pinto Fernandes
que não tinha entrado na história.
Confidência do itabirano

Alguns anos vivi em Itabira. No meio do caminho


Principalmente nasci em Itabira.
Por isso sou triste, orgulhoso: de ferro. No meio do caminho tinha uma pedra
Noventa por cento de ferro nas tinha uma pedra no meio do caminho
calçadas. tinha uma pedra
Oitenta por cento de ferro nas almas. no meio do caminho tinha uma pedra.
E esse alheamento do que na vida é Nunca me esquecerei desse acon-
porosidade e comunicação. tecimento
A vontade de amar, que me paralisa na vida de minhas retinas tão fatigadas.
o trabalho, Nunca me esquecerei que no meio do
vem de Itabira, de suas noites brancas, caminho

Literatura 3 - Aula 3 40 Instituto Universal Brasileiro


tinha uma pedra Está sem mulher,
tinha uma pedra no meio do caminho está sem discurso,
no meio do caminho tinha uma pedra. está sem carinho,
já não pode beber,
já não pode fumar,
Mãos dadas cuspir já não pode,
a noite esfriou,
Não serei o poeta de um mundo o dia não veio,
caduco. o bonde não veio,
Também não cantarei o mundo fu- o riso não veio,
turo. não veio a utopia
Estou preso à vida e olho meus com- e tudo acabou
panheiros. e tudo fugiu
Estão taciturnos mas nutrem grandes e tudo mofou,
esperanças. e agora, José?
Entre eles, considero a enorme
realidade. E agora, José?
O presente é tão grande, não nos afas- sua doce palavra,
temos. seu instante de febre,
Não nos afastemos muito, vamos de sua gula e jejum,
mãos dadas. sua biblioteca,
Não serei o cantor de uma mulher, de sua lavra de ouro,
uma história. seu terno de vidro,
não direi os suspiros ao anoitecer, a sua incoerência,
paisagem vista da janela, seu ódio, - e agora?
não distribuirei entorpecentes ou car-
tas de suicida, Com a chave na mão
não fugirei para ilhas nem serei rapta- quer abrir a porta,
do por serafins. não existe porta;
O tempo é a minha matéria, o tempo quer morrer no mar,
presente, os homens presentes. mas o mar secou;
a vida presente. quer ir para Minas,
Minas não há mais.
José, e agora?
José
Se você gritasse,
E agora, José? se você gemesse,
A festa acabou, se você tocasse,
a luz apagou, a valsa vienense,
o povo sumiu, se você dormisse,
a noite esfriou, se você cansasse,
e agora, José? se você morresse...
e agora, Você? Mas você não morre,
Você que é sem nome, você é duro, José!
que zomba dos outros,
Você que faz versos, Sozinho no escuro
que ama, protesta? qual bicho-do-mato,
e agora, José? sem teogonia,

Literatura 3 - Aula 3 41 Instituto Universal Brasileiro


Murilo Mendes
sem parede nua
para se encostar,
sem cavalo preto
que fuja do galope,
você marcha, José!
José, para onde?

Amar

Que pode uma criatura senão,


entre criaturas, amar?
Amar e esquecer,
Amar e malamar, Murilo Monteiro Mendes (1901-1975).
Amar, desamar, amar? O autor diz que sua inspiração poética veio da
Sempre, e até de olhos vidrados, visualização da passagem do cometa Halley
amar? em 1910, ainda criança. Iniciou a Escola de
Que pode. pergunto, o ser Farmácia, mas não concluiu. Mudou-se para
amoroso, o Rio de Janeiro em 1920. Executou diversas
sozinho, em rotação universal, se- atividades, a procura de estabilidade profissio-
não nal: prático de farmácia, professor de francês,
rodar também, e amar? funcionário do cartório, telegrafista, arquivista
Amar o que o mar traz à praia, do Ministério da Fazenda. Mas foi durante seu
o que ele sepulta, e o que, na bri- período como escriturário do Banco do Brasil
sa marinha, que o autor começou a colaborar com textos
é sal, ou precisão de amor, ou e poemas para jornais e revistas do período
simples ânsia? Modernismo, em revistas como Antropofagia,
Amar solenemente as palmas do Verde, Terra Roxa, Outras terras.
deserto,
o que é entrega ou adoração ex- Produção poética
pectante.
e amar o inóspito, o áspero, Seu primeiro livro, intitulado Poemas foi
um vaso sem flor, um chão de ferro, publicado em 1930 e recebeu o Prêmio Graça
e o peito inerte, e a rua vista em Aranha. Em 1940, conheceu a poetisa Maria
sonho, e uma ave de rapina. da Saudade com quem se casou no final da
Este o nosso destino: amor sem mesma década e viajou para a Europa com
conta, missão cultural, onde proferiu conferências.
distribuído pelas coisas pérfidas Mudou-se para Itália e se tornou professor
ou nulas, da Cultura Brasileira e Literatura Brasileira na
doação ilimitada a uma completa Universidade de Roma. Suas obras foram di-
ingratidão, fundidas por toda Europa, onde ficou conhe-
e na concha vazia do amor a pro- cido, inclusive por um círculo de amizades de
cura medrosa, artistas renomados, como: Miró, Breton, Ezre
paciente, de mais e mais amor. Pound e poetas brasileiros.
Amar a nossa falta mesma de Obras: Poemas (1930), Bumba-meu-
amor, e na secura nossa poeta (1930), História do Brasil (1933), Tem-
amar é a água implícita, e o beijo po e eternidade – em parceria com Jorge de
tácito, e a sede infinita. Lima (1935), O sinal de Deus (1936), A poesia
em pânico (1937), O Visionário (1941), As me-
Literatura 3 - Aula 3 42 Instituto Universal Brasileiro
tamorfoses (1944), Mundo enigma (1945), O
discípulo de Emaús (1945), Poesia liberdade mundo de planetas em fogo
(1947), Janelas do caos (1949), Contempla- vertigem
ção de Ouro Preto (1954), A idade do serrote desequilíbrio de forças,
(1968), Convergência (1970), Retratos relâm- matéria em convulsão ardendo
pago (1973). pra se definir.
Ó alma que não conhece todas as
Leia alguns poemas suas possibilidades,
o mundo ainda é pequeno pra te
Trecho de “Cantiga de Malazarte” encher.
Abala as colunas da realidade,
Consolo o herói vagabundo, glorifico o desperta os ritmos que estão dor-
soldado vencido, mindo.
não posso amar ninguém porque sou À guerra! Olha os arcanjos se es-
o amor, facelando!
tenho me surpreendido a cumprimen- Um dia a morte devolverá meu
tar os gatos corpo,
e a pedir desculpas ao mendigo. minha cabeça devolverá meus
Sou o espírito que assiste à Criação pensamentos ruins
O que bole em todas as almas que en- meus olhos verão a luz da perfeição
contra. e não haverá mais tempo.
Múltiplo, desarticulado, longe como o
diabo,
nada me fixa nos caminhos do Jorge de Lima
mundo.

Solidariedade

Sou ligado pela herança do espírito


e do sangue
Ao mártir, ao assassino, ao anar-
quista.
Sou ligado
Aos casais na terra e no ar,
Ao vendeiro da esquina,
Ao padre, ao mendigo, à mulher da
vida,
Ao mecânico, ao poeta, ao soldado, Jorge de Lima (1895-1953) era um poe-
Ao santo e ao demônio, ta com características parnasianas e, no meio
Construídos à minha imagem e se- literário, ficou conhecido como “príncipe dos
melhança. poetas”. Outra característica de sua obra era
o regionalismo. Formado, atuam em medicina
na cidade de Maceió, e também, em cargos
O homem, a luta e a eternidade políticos e como professor.
Jorge de Lima destaca-se nas artes
Adivinho nos planos da consciência plásticas, mas é na literatura que é reconhe-
dois arcanjos lutando com esferas e cido como o “Príncipe dos poetas” através de
pensamentos um concurso literário promovido por um jornal
de Maceió, chamado Correio da Tarde.
Literatura 3 - Aula 3 43 Instituto Universal Brasileiro
Produção poética Trecho de seus poemas (fase social e
fase cristã)
Após seu primeiro livro, o autor aproxi-
ma-se mais da estética de sua época, o Mo- Essa negra fulô
dernismo. Em contato com outros autores
regionalistas da época, inicia a produção de Ora, se deu que chegou
poemas em versos brancos e livres em con- (isso já faz muito tempo)
traposição à rigorosidade estética do Parna- no banguê dum meu avô
sianismo. O contexto regionalista voltado à re- uma negra bonitinha,
gião do nordeste passa a ser tema das obras chamada negra Fulô.
do escritor. Não só pela posição geográfica
deste local, mas pelos problemas advindos Essa negra Fulô!
deste fato, refletidos na paisagem e na figura Essa negra Fulô!
das personagens.
Logo após essa fase regionalista, Jor- Ó Fulô! Ó Fulô!
ge de Lima volta-se à poesia cristã e, junta- (Era a fala da Sinhá)
mente com Murilo Mendes, escreve um livro — Vai forrar a minha cama
cujo lema era a restauração da poesia em pentear os meus cabelos,
Cristo, chamado Tempo e eternidade. Além vem ajudar a tirar
deste, há outros com a mesma temática: a minha roupa, Fulô!
Túnica inconsútil e Anunciação e encontro
de Mira-Celi. Em sua obra Livro de sonetos Essa negra Fulô!
retoma as rimas e métricas em alternância
com os versos livres e brancos e mostra no- Essa negrinha Fulô!
vamente sua vertente social com a temática ficou logo pra mucama
do nordestino e do negro, esta última muito pra vigiar a Sinhá,
bem retratada em seu famoso poema Essa pra engomar pro Sinhô!
negra Fulô. Outra obra que merece desta-
que é a Invenção de Orpheu, a qual se dis- Essa negra Fulô!
tingue pela mesclagem entre métrica e ver- Essa negra Fulô!
sos brancos.
Ó Fulô! Ó Fulô!
Obras (Era a fala da Sinhá)
vem me ajudar, ó Fulô,
Poesia: XIV ale- vem abanar o meu corpo
xandrinos (1914); O que eu estou suada, Fulô!
mundo do menino im- vem coçar minha coceira,
possível (1925); Poe- vem me catar cafuné,
mas (1927); Novos vem balançar minha rede,
poemas (1929); Poe- vem me contar uma história,
mas escolhidos (1932); que eu estou com sono, Fulô!
Tempo e eternidade (...)
(1935); Quatro poemas
negros (1937); A túnica
inconsútil (1938); Poe- O poeta diante de Deus
mas negros (1947);
Livro de sonetos (1949); Anunciação e en- Senhor Jesus, o século está pobre.
contro de Mira-Celi (1950); Invenção de Or- Onde é que vou buscar poesia?
feu (1952). Romance: O anjo (1934); Ca- Devo despir-me de todos os mantos,
lunga (1935).
Literatura 3 - Aula 3 44 Instituto Universal Brasileiro
Vinicius de Moraes (1913-1980) foi
os belos mantos que o mundo me deu. um nome muito importante no meio cultural
Devo despir o manto da poesia. brasileiro. Diplomata de carreira destacou-
Devo despir o manto mais puro. se como poeta modernista, mas também
Senhor Jesus, o século está doente, como compositor e letrista popular. Com
o século está rico, o século está gordo. apenas 15 anos começa a compor músicas
Devo despir-me do que é belo, populares. Em 1933, conclui o curso de di-
devo despir-me da poesia, reito. No mesmo ano, publica seu primeiro
devo despir-me do manto mais puro livro, a coletânea de poemas: O Caminho
que o tempo me deu, que a vida me dá. para a Distância (1933). Em 1935, surge:
Quero leveza no vosso caminho. Forma e Exegese. Em 1938 vai estudar na
Até o que é belo me pesa nos ombros, Inglaterra e lança: Novos Poemas. De volta
até a poesia acima do mundo, ao Brasil, ingressa no ministério das rela-
acima do tempo, acima da vida, ções Exteriores, em 1943. Nesse ano, o li-
me esmaga na terra, me prende nas vro: Cinco Elegias inaugura uma nova fase
coisas. em sua poesia. De um início marcado for-
Eu quero uma voz mais forte que o temente pela religiosidade neossimbolista,
poema, o lírico Vinicius passa para uma temática
mais forte que o inferno, mais dura mais próxima do amor, do erotismo e das
que a morte: angústias do desejo. Fala mais do cotidia-
eu quero uma força mais perto de Vós. no, de temas sociais, e sua linguagem se
Eu quero despir-me da voz e dos olhos, torna mais coloquial.
dos outros sentidos, das outras pri-
sões, Produção poética
não posso Senhor: o tempo está
doente. Em 1953 compõe seu primeiro sam-
Os gritos da terra, dos homens so- ba Quando tu passas por mim, e publica
a peça Orfeu da Conceição, em 1954. Em
frendo
1956 conhece o compositor Tom Jobim e
me prendem, me puxam me daí Vos-
compõem em parceria os sambas: Chega
sa mão.
de saudade e Outra vez, gravadas por Eli-
zeth Cardoso no disco: Canção do Amor
Vinicius de Moraes demais, em 1958, com acompanhamento
ao violão de João Gilberto. Ambas as mú-
sicas se tornam um marco da Bossa nova.
É também de Vinicius a letra de Garota de
Ipanema, a música brasileira mais conheci-
da em todo o mundo.
Entre 1955 e 1956, prepara o roteiro
do filme: Orfeu Negro, do diretor francês
Marcel Camus, que ganha o Oscar 1959 de
melhor filme estrangeiro. No início dos anos
1960, compõem com outros músicos como
Carlos Lyra, Edu Lobo, Pixinguinha, Dori-
val Caymmi e Francis Hime. Com Baden
Powell, cria afros sambas famosos como:
Canto de Ossanha e Berimbau. Tornou-se
um dos compositores brasileiros mais po-
pulares com letras intimistas, sambas e
parcerias marcantes.
Literatura 3 - Aula 3 45 Instituto Universal Brasileiro
Leia alguns poemas de Vinícius
Eu possa me dizer do amor (que tive):
Soneto do amor total Que náo seja imortal posto que é
chama
Amo-te tanto, meu amor... não cante Mas que seja infinito enquanto dure.
O humano coração com mais ver-
dade...
Amo-te como amigo e como amante Soneto de separação
Numa sempre diversa realidade.
Amo-te afim, de um calmo amor pres- De repente do riso fez-se o pranto
tante Silencioso e branco como a bruma
E te amo além, presente na saudade E das bocas unidas fez-se a espuma
Amo-te, enfim, com grande liberdade E das mãos espalmadas fez-se o
Dentro da eternidade e a cada ins- espanto.
tante.
Amo-te como um bicho, simplesmente De repente da calma fez-se o vento
De um amor sem mistério e sem Que dos olhos desfez a última chama
virtude E da paixão fez-se o pressentimento
Com um desejo maciço e permanente. E do momento imóvel fez-se o
E de te amar assim, muito e amiúde drama.
É que um dia em teu corpo de repente
Hei de morrer de amar mais do De repente, não mais que de repente
que pude. Fez-se de triste o que se fez amante
E de sozinho o que se fez contente.

Soneto de fidelidade Fez-se do amigo próximo o distante


Fez-se da vida uma aventura errante
De tudo, ao meu amor serei atento De repente, não mais que de repente.
Antes, e com tal zelo, e sempre,
e tanto
A rosa de Hiroshima
Que rnesmo em face do maior en-
canto
Pensem nas crianças
Dele se encante mais meu pensa-
Mudas telepáticas
mento.
Pensem nas meninas
Cegas inexatas
Quero vivê-lo em cada vão momento
Pensem nas mulheres
E em seu louvor hei de espalhar
Rotas alteradas
meu canto
Pensem nas feridas
E rir meu riso e derramar meu
Como rosas cálidas
pranto
Mas oh não se esqueçam
Ao seu pesar ou seu contenta-
Da rosa da rosa
mento.
Da rosa de Hiroshima
A rosa hereditária
E assim, quando mais tarde me
A rosa radioativa
procure
Estúpida e inválida
Quem sabe a morte, angústia de
A rosa com cirrose
quem vive
A anti-rosa atômica
Quem sabe a solidão, fim de quem
Sem cor sem perfume
ama
Sem rosa sem nada.

Literatura 3 - Aula 3 46 Instituto Universal Brasileiro


Cecília Meireles Em Vaga música, de 1942, Mar abso-
luto, de 1945, e Retrato natural, de 1949,
mantêm-se as características. Como te-
mas centrais de sua obra como um todo,
destacam-se a tristeza e a referência ao
sonho e à fantasia. Em Romanceiro da In-
confidência, de 1953, temos a abordagem
de questões históricas e sociais. Tendo a
Inconfidência Mineira como eixo central, a
autora reflete sobre a história do Brasil, so-
bre as implicações sociais da Inconfidência
e sobre questões universais, como o amor,
a liberdade, a traição. São 85 romances
envolvendo personagens e fatos da histó-
ria do Brasil. O “romanceiro” é de origem
ibérica e se constitui num conjunto de “ro-
mances”; nessa cultura, “romance” é uma
composição de caráter popular em que se
narra um fato em versos.
Cecília Benevides de Carvalho Mei- Outros livros de poemas de Cecília Mei-
reles (1901- 1964). Tendo obtido o diploma reles são Doze noturnos de Holanda e O ae-
do magistério em 1917, lecionou nas primei- ronauta, publicados em 1952; e Solombra, de
ras séries do primeiro grau e, paralelamente, 1963. A autora escreveu também os seguin-
estudava música e escrevia para os principais tes textos em prosa: Giroflê, giroflá, Escolha
jornais da imprensa carioca. Em 1919, publi- o seu sonho, e Olhinhos de gato.
cou seu primeiro livro, Espectros, que reunia
sonetos marcados por elementos do Simbo- Leia alguns de seus poemas
lismo e do Parnasianismo. Em Nunca mais...
e Poemas dos poemas, de 1923, e Baladas Motivo
para El-rei, de 1925, encontramos elemen-
tos que refletem a ligação de Cecília Meireles Eu canto porque o instante existe
com a poesia espiritualista. Posteriormente, a e a minha vida está completa.
autora excluiu esses livros de sua obra poéti- Não sou alegre nem sou triste:
ca por não considerá-los significativos. sou poeta.

Produção poética Irmão das coisas fugidias,


não sinto gozo nem tormento.
Viagem, de 1939, é o livro com o qual Atravesso noites e dias
se projeta de fato, recebendo o prêmio de no vento.
poesia da Academia Brasileira de Letras.
Esse livro reúne poemas escritos entre 1929 Se desmorono ou se edifico,
e 1937 e é marcado pela musicalidade, uma se permaneço ou me desfaço,
das principais características de sua poesia. - não sei, não sei. Não sei se fico
Com temas variados, podemos apresentar ou passo.
também, dentre suas características, a me-
lancolia, a preocupação com a fugacidade do Sei que canto. E a canção é tudo.
tempo e com a transitoriedade das coisas, Tem sangue eterno a asa ritmada.
e a descrição da realidade em função das E um dia sei que estarei mudo:
emoções e dos sentimentos, sendo essen- - mais nada.
cialmente lírico.
Literatura 3 - Aula 3 47 Instituto Universal Brasileiro
Retrato Porque a vida, a vida, a vida,
a vida só é possível
Eu não tinha este rosto de hoje, reinventada.
assim calmo, assim triste, assim
magro,
nem estes olhos tão vazios, Encomenda
nem o lábio amargo.
Desejo uma fotografia
Eu não tinha estas mãos sem força, como esta - o senhor vê? - como esta:
tão paradas e frias e mortas; em que para sempre me ria
eu não tinha este coração como um vestido de eterna festa.
que nem se mostra.
Como tenho a testa sombria,
Eu não dei por esta mudança, derrame luz na minha testa.
tão simples, tão certa, tão fácil: Deixe esta ruga, que me empresta
- Em que espelho ficou perdida um certo ar de sabedoria.
a minha face?
Não meta fundos de floresta
nem de arbitrária fantasia...
Reinvenção
Não... Neste espaço que ainda
resta,
A vida só é possível
ponha uma cadeira vazia.
reinventada.

Anda o sol pelas campinas


e passeia a mão dourada
pelas águas, pelas folhas...
Ah! tudo bolhas
que vem de fundas piscinas
de ilusionismo... - mais nada. Segunda fase do Modernismo

Mas a vida, a vida, a vida, História & Poesia


a vida só é possível
reinventada. Contexto histórico

Vem a lua, vem, retira As obras dessa época (1930-1945)


as algemas dos meus braços. refletem o contexto econômico e politi-
Projeto-me por espaços camente turbulento. Na literatura, é bas-
cheios da tua Figura. tante significativo o fato de que os mar-
Tudo mentira! Mentira cos temporais para o início e fim dessa
da lua, na noite escura. fase coincidam com importantes fatos
políticos da chamada Era Vargas. Isso
Não te encontro, não te alcanço... revela o estreitamento das relações en-
Só - no tempo equilibrada, tre a literatura e a história e uma maior
desprendo-me do balanço aproximação da literatura à realidade.
que além do tempo me leva. Nesta aula vamos nos concentrar na
Só - na treva, produção poética da segunda fase do
fico: recebida e dada. Modernismo.

Literatura 3 - Aula 3 48 Instituto Universal Brasileiro


Poetas alargam horizontes
temáticos No meio do caminho

Em sua segunda fase, a poesia No meio do caminho tinha uma


modernista alargou seus horizontes te- pedra
máticos e consolidou-se graças às con- tinha uma pedra no meio do ca-
quistas de seus precursores. A segunda minho
geração foi marcada pelo amadureci- tinha uma pedra
mento e pela ruptura com a fase polê- no meio do caminho tinha uma
mica de suas primeiras manifestações. pedra.
A poesia continuou adotando o verso li- Nunca me esquecerei desse acon-
vre, mas resgatou também formas como tecimento
o soneto ou o madrigal sem que isso na vida de minhas retinas tão fati-
fosse necessariamente um retorno às gadas.
estéticas do passado, tão questionadas Nunca me esquecerei que no meio
pelos poetas que ganharam projeção na do caminho tinha uma pedra
Semana de Arte Moderna. tinha uma pedra no meio do ca-
minho
Carlos Drummond de Andrade no meio do caminho tinha uma
(1902-1987) pedra.

Considerado um dos principais poe- Murilo Mendes (1901-1975)


tas desta fase. Principais publicações:
• Poema polêmico No meio do ca- Suas obras foram difundidas por toda
minho (1928). Europa: Poemas (1930), Bumba-meu-poe-
• Primeiro livro, Alguma poesia ta (1930), História do Brasil (1933), Tempo e
(1930), que apresenta: humor e iro- eternidade - em parceria com Jorge de Lima
nia nos poemas-piada, o cotidiano, a (1935), O sinal de Deus (1936), A poesia em
linguagem coloquial e o verso livre. pânico (1937), O Visionário (1941), As me-
• Sentimento do mundo (1940), que tamorfoses (1944), Mundo enigma (1945),
revela grande consciência da realidade O discípulo de Emaús (1945), Poesia liber-
social. dade (1947), Janelas do caos (1949), Con-
• A rosa do povo (1945) no qual en- templação de Ouro Preto (1954), A idade do
contramos a desesperança em face da serrote (1968), Convergência (1970), Retra-
realidade; e também a reflexão sobre o tos relâmpago (1973).
fazer poético.
• Lição de coisas (1962) regressa Solidariedade
a temas anteriores, como a questão so-
cial, as contradições do amor e continua Sou ligado pela herança do espírito
a refletir sobre a condição humana. e do sangue
• Boitempo, (1968), Menino antigo Ao mártir, ao assassino, ao anar-
(1973) e Esquecer para lembrar (1979) quista.
Sou ligado
constituem uma trilogia que pode ser
Aos casais na terra e no ar,
considerada autobiográfica Ao vendeiro da esquina,
• Nos livros publicados na déca- Ao padre, ao mendigo, à mulher da
da de 80, o amor é o tema central: A vida,
paixão medida (1980); Corpo (1984) (...)
e Amar se aprende amando (1985).

Literatura 3 - Aula 3 49 Instituto Universal Brasileiro


Jorge de Lima (1895-1953)
“Pensem nas crianças
Conhecido como “príncipe dos Mudas telepáticas
poetas”, tem como características de Pensem nas meninas
sua obra o regionalismo e a tendência Cegas inexatas (...)
cristã. Obras poéticas: XIV alexandrinos Mas oh não se esqueçam
(1914); O mundo do menino impossí- Da rosa da rosa
vel (1925); Poemas (1927); Novos poe- A rosa hereditária
mas (1929); Poemas escolhidos (1932); Da rosa de Hiroshima
Tempo e eternidade (1935); Quatro poe-
mas negros (1937); A túnica inconsútil Cecília Meireles (1901- 1964)
(1938); Poemas negros (1947); Livro de
sonetos (1949); Anunciação e encontro Viagem, de 1939, é o livro com o qual
de Mira-Celi (1950); Invenção de Orfeu se projeta de fato, recebendo o prêmio de
(1952). Romances: O anjo (1934); Ca- poesia da Academia Brasileira de Letras;
lunga (1935). marcado pela musicalidade, uma das prin-
cipais características de sua poesia; que se
Essa negra fulô repetem em Vaga música (1942), Mar abso-
luto (1945) e Retrato natural (1949). Como
Ora, se deu que chegou temas centrais de sua obra como um todo,
(isso já faz muito tempo) destacam-se a tristeza e a referência ao so-
no bangüê dum meu avô nho e à fantasia. Em Romanceiro da Incon-
uma negra bonitinha, fidência, de 1953, temos a abordagem de
chamada negra Fulô. questões históricas e sociais. Outros livros
de poemas de Cecília Meireles são Doze
Essa negra Fulô! noturnos de Holanda e O aeronauta, pu-
Essa negra Fulô! blicados em 1952; e Solombra, de 1963. A
(...) autora escreveu também os seguintes tex-
tos em prosa: Giroflê, giroflá, Escolha o seu
Vinicius de Moraes sonho, e Olhinhos de gato.
(1913-1980)
Motivo
Foi um nome muito importante no meio
cultural brasileiro. Em 1933, publica seu Eu canto porque o instante existe
primeiro livro, a coletânea de poemas: e a minha vida está completa.
O Caminho para a Distância (1933). Não sou alegre nem sou triste:
Em 1935, surge: Forma e Exegese. Em sou poeta.
1938 lança: Novos Poemas. Em 1943, o
livro: Cinco Elegias inaugura uma nova Irmão das coisas fugidias,
fase em sua poesia que fala mais do co- não sinto gozo nem tormento.
tidiano, de temas sociais, e sua lingua- Atravesso noites e dias
gem se torna mais coloquial. Em 1953 no vento.
compõe seu primeiro samba: Quando tu
passas por mim, e publica a peça: Orfeu Se desmorono ou se edifico,
da Conceição, em 1954. Tornou-se um se permaneço ou me desfaço,
dos compositores brasileiros mais po- - não sei, não sei. Não sei se fico
pulares com letras intimistas, sambas e ou passo.(...)
parcerias marcantes.

Literatura 3 - Aula 3 50 Instituto Universal Brasileiro


a) ( ) o autor do poema pertence à pri-
meira geração do modernismo brasileiro.
b) ( ) o autor do poema é Carlos
Drummond de Andrade e caracteriza-se por
apresentar em sua obra elementos líricos,
1. Considerando a Poesia na Segun- elementos do cotidiano e fatos autobiográ-
da Geração Modernista, qual a alternativa ficos.
correta? c) ( ) na primeira estrofe, temos a
I – A maioria dos poetas absorveu as apresentação do destino do poeta, que
experiências de 1922, alargando os horizon- será uma pessoa “sem jeito” e “esquerdo”;
tes temáticos. isto é, “gauche” e “torto”.
II – A poesia continua a adotar o verso d) ( ) na segunda estrofe, o mundo é
livre, ao mesmo tempo em que resgata for- apresentado distorcido e temos também uma
mas como o soneto e o madrigal. visão erótica do cotidiano.
III – Carlos Drummond de Andrade,
participante da Semana de 22, é conside- 4. Associe os textos a seus autores e es-
rado um dos principais autores desta fase. colha a alternativa correta:

a) ( ) I, II e III estão incorretas. ( 1 ) Carlos Drummond de Andrade.


b) ( ) I, II e III estão corretas.
c) ( ) I e II estão corretas. ( 2 ) Cecília Meirelles.
d) ( ) I e III estão corretas. ( 3 ) Vinícius de Moraes.

2. Leia:
( ) “Pensem nas crianças
“Não faças versos sobre aconteci- Mudas telepáticas
mentos. Pensem nas meninas
Não há criação nem morte perante a Cegas inexatas (...)
Um dos principais temas da poesia de
poesia.
“Drummond”, presente também nos versos Mas oh não se esqueçam
Diante dela, a vida é um sol estático,
anteriores, é: Da rosa da rosa
Não aquece nem ilumina.”
A rosa hereditária
a) ( ) a religião. Da rosa de Hiroshima
b) ( ) a reflexão sobre o fazer poético.
c) ( ) o momento político e social.
( ) “No meio do caminho tinha uma pedra
d) ( ) o amor.
tinha uma pedra no meio do caminho
3. Leia o trecho do Poema de sete faces tinha uma pedra
e assinale a única afirmação incorreta. no meio do caminho tinha uma pedra.”.

Quando nasci, um anjo torto ( ) “Eu canto porque o instante existe


desses que vivem na sombra e a minha vida está completa.
disse; Vai, Carlos! Não sou alegre nem sou triste:
Ser gauche na vida. sou poeta”.
(...)
As casas espiam os homens
que correm atrás de mulheres.
A tarde talvez fosse azul, a) ( ) 3 – 1 – 2
não houvesse tantos desejos. b) ( ) 1 – 3 – 2
(...) c) ( ) 2 – 3 –1
d) ( ) 3 – 2 – 1
Literatura 3 - Aula 3 51 Instituto Universal Brasileiro
uma de suas mais famosas obras, Poema de
Sete Faces, com o sentido de “ser estranho”,
“deslocado”, “diferente”.

4. a) ( x ) 3 – 1 – 2
1. b) ( x ) I, II e III estão corretas.
Comentário. Trata-se de trechos dos
Comentário. Todas as afirmativas estão poemas mais populares dos autores da se-
corretas. Esteticamente a segunda geração gunda geração modernista:
modernista representava o amadurecimento e
o aprofundamento das conquistas da geração A rosa de Hiroshima
de 1922. Desse modo, permanecia o uso dos (Vinícius de Moraes)
versos livres (sem preocupação com a métri-
“Pensem nas crianças
ca), resgatando-se ao mesmo tempo formas
Mudas telepáticas
como o soneto e os madrigais. Carlos Drum-
Pensem nas meninas
mond, realmente participou da Semana de 22,
Cegas inexatas (...)
mas somente na Segunda Fase do Modernis-
Mas oh não se esqueçam
mo publicou seus poemas e foi considerado
Da rosa da rosa
um dos principais autores do período.
A rosa hereditária
Da rosa de Hiroshima
2. b) ( x ) a reflexão sobre o fazer
poético.
No meio do caminho
Comentário. Metalinguagem: um recur- (Carlos Drummond de Andrade)
so muito utilizado pelos poetas ao escreverem
“No meio do caminho tinha uma pedra
poemas sobre o fazer poético. Mas afinal, o
tinha uma pedra no meio do caminho
que é metalinguagem poética? A metalingua-
tinha uma pedra
gem acontece quando a linguagem se debru-
no meio do caminho tinha uma pedra”.
ça sobre si mesma: a poesia falando sobre a
própria poesia. Quando o poeta reflete sobre o
fazer poético, parece explicar para si mesmo e Motivo
para os leitores o momento libertador que per- (Cecília Meireles)
meia a criação e dá vida a um poema.
“Eu canto porque o instante existe
3. a) ( x ) o autor do poema pertence à e a minha vida está completa.
primeira geração do modernismo brasileiro. Não sou alegre nem sou triste:
sou poeta”.
Comentário. A única alternativa incor-
reta é a. Considera-se como segunda fase
do Modernismo o período que se estende de
1930 a 1945. Portanto, Drummond pertence
à segunda, e não à primeira fase do Moder-
nismo. Embora Carlos Drummond de Andra-
de tenha participado da Semana de 22, como Vinicius de Moraes Cecília Meireles

ainda não tivesse publicado nenhum livro,


é considerado um dos principais autores da
segunda fase. As demais alternativas estão Carlos Drummond
de Andrade
corretas. Um comentário sobre “ser gauche
na vida”. “Gauche” é uma palavra francesa
que significa esquerdo. Drummond a usou em
Literatura 3 - Aula 3 52 Instituto Universal Brasileiro