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TEORIA GERAL DA SEGURANÇA FÍSICA

E CRIMINALÍSTICA APLICADA

APOSTILA
1.0 - Introdução
A atividade desenvolvida pelo homem visando proteger sua vida, a vida de seus familiares e seu patrimônio não é nova.
Para não sofrer o dano o ser humano criou com sua inteligência elementos de proteção e defesa. Antes as cidades eram cercadas por
muralhas e os castelos por fossos ou construídos em locais de difícil acesso. Com o tempo foram organizadas guarnições compostas
por seres humanos para a segurança da comunidade. Os elementos de proteção e defesa foram se diversificando e acompanhando a
evolução da sociedade e hoje em dia a gama de opções para a defesa do patrimônio e da vida é imensa.
Com a diversidade de técnicas e de elementos de proteção por fim surgiu a sua utilização organizada e de forma
profissional.

2.0 - Base Teórica

2.1 - Princípios
Há certo número de conceitos que possuem valor empírico e que devem ser aplicados com intensidades diferentes de acordo com
cada situação. Delinearam 14 conceitos de segurança, calcados na visão feudal dos castelos europeus medievais, os quais tinham
barreiras sucessivas de proteção em torno do seu ponto mais valioso, a torre principal.

1° - Um sistema de segurança compreende um conjunto de medidas que se sobrepõem.


Qualquer subsistema de segurança examinado isoladamente será considerado falho. Não há uma segurança perfeita. O agressor
sempre poderá encontrar uma falha, seja ela causada por negligência, esquecimento, hábito, vício ou circunstâncias. Se outras
medidas de segurança estiverem ativas e sobrepondo-se à primeira, haverá menor possibilidade de sucesso do agressor.

2° - A importância de um sistema de segurança é função das ameaças que pesam sobre o que ele protege.
Ao se planejar um sistema de segurança deve-se considerar o valor do que ele se propõe a proteger. Um custoso sistema de segurança
protegendo algo de valor (material ou simbólico) bem menor não tem sentido prático.

3° - A fraqueza de um sistema de segurança mede-se por seu ponto mais fraco.


Sempre haverá pontos mais fracos em um sistema defensivo, e eles definem o sistema como um todo. Sendo assim, ao se planejar
um sistema de segurança ou examinar um já existente, os seus pontos mais fracos devem ser levantados e deverão receber a maior
parte da atenção do planejador. Um modo de identificá-los consiste em tomarmos o lugar do agressor e imaginarmos como ele
agiria. Identificando os pontos mais fracos, podemos então criar outras medidas de segurança que se sobreponham à primeira, de
forma a suprir eventuais falhas.

4° - Um sistema de segurança deve reduzir ao máximo a demora de intervenção da defesa e retardar ao máximo a
possibilidade de agressão.
Segundo os autores, “...quanto mais rápida for a intervenção quando de uma agressão, mais fácil será controlá-la e reduzir seu
dano...”.
A chave da defesa reside na rapidez da reação do serviço de segurança interna quando de uma agressão. Seguindo a idéia medieval
de barreiras sucessivas para proteção, os sistemas de segurança devem buscar o retardo da ação do agressor, para que aumentem as
possibilidades de ser barrado antes de chegar ao seu objetivo, o torreão central.

5° - O acesso às informações sigilosas é limitado unicamente às pessoas que têm necessidade de conhecê-las em razão de
suas funções.
Esse conceito, também conhecido entre nós como “necessidade de conhecer”, estabelece que devemos restringir ao máximo o
número de pessoas que têm acesso às informações restritas. Podemos guardar um bem em um cofre, mas precisamos saber quem
tem acesso ao cofre, sua chave e seu segredo, e o número dessas pessoas deve ser limitado ao máximo.

6° - As pessoas vulneráveis não devem ter acesso às informações sigilosas.


São pessoas vulneráveis os alcoólatras, jogadores, gabolas (aqueles que exaltam a si mesmos), mexeriqueiros, conquistadores ou
viciados. Há também aqueles cuja vulnerabilidade vem de circunstâncias tais como ciúmes, dificuldades familiares ou financeiras,
má adaptação ao meio social etc. Esse conceito, que complementa o anterior, estabelece que mesmo as pessoas que têm necessidade
de conhecer aspectos sigilosos pela função que exercem devem ser analisadas pelo pessoal de segurança e, caso se enquadrem nos
casos citados, isso representará uma vulnerabilidade no sistema de segurança como um todo e que pode eventualmente vir a torná-
lo muito fraco (3º conceito). Deverão ser tomadas medidas adicionais de segurança em torno dessa pessoa para diminuir essa
vulnerabilidade (1º conceito). Cabe ressaltar que esse conceito deve permanecer sempre dentro dos limites da ética e da legalidade,
como será visto mais adiante (13º conceito).

7° - Os riscos devem ser agrupados e segredos divididos.


Ainda lembrando os castelos medievais, agrupar-se os riscos permite uma segurança única como a que se fazia que em torno do
torreão. Porém, da mesma forma que o senhor feudal guardava parte de seu tesouro escondido fora do castelo para evitar um desastre
total no caso da chegada do agressor ao torreão, aquilo que pretendemos proteger deve ser fracionado, sendo decompostos em partes
que, por si só, não tenham significado, e cada parte protegida por diferentes medidas de segurança. Dessa forma, caso um agressor
tenha sucesso em quebrar sucessivas barreiras e tenha acesso ao que queremos proteger, terá acesso somente à parte do segredo.
Para consegui-lo completo terá que quebrar outra seqüência de barreiras de segurança, o que diminui suas chances de sucesso.

8° - Trancados ou não, os bens a serem protegidos devem estar sempre colocados sob uma responsabilidade bem definida.

A melhor pessoa para proteger um bem é seu proprietário. Na falta de uma propriedade individual, deve haver uma responsabilidade
individual pelo bem claramente definida perante a coletividade. Este conceito, juntamente com o 11º e 14º, remete ao gerenciamento
de RH. Pessoas se tornam mais responsáveis quando recebem tarefas importantes e de confiança.

9° - Tudo que serve para proteger um segredo é secreto.


Um segredo deixa de ser segredo quando um potencial agressor toma conhecimento de que há um segredo, sendo atraído apenas por
esse conhecimento. Deve-se, portanto, manter segredo de tudo que protege um segredo, de forma que outros não saibam nem mesmo
que existe algo sendo protegido. Esse interessante conceito estabelece que a primeira opção da segurança será sempre não fazê-la
de forma ostensiva para que agressores não saibam que algo está sendo protegido, o que significa que a primeira opção do
profissional de segurança deve ser sempre atuar na área da segurança da informação, que por natureza é não-ostensiva. A segurança
ostensiva, da qual a segurança física é parte, é sempre uma segunda opção e, mesmo esta, se deve buscar minimizar a
aparência agressiva das barreiras aplicando-se primeiramente, por exemplo, a teoria de CPTED “Prevenção de Crimes por meio de
Projetos”, que será vista mais adiante. Exceções à regra são os casos em que pela própria natureza da atividade, não há como
esconder a existência de algo valioso. Exemplificando, caso um profissional de segurança seja chamado para garantir a proteção de
algo esteja sendo criado na empresa, a primeira opção é sempre protegê-lo pelo segredo.

10°- Todo sistema de segurança deve comportar, no mínimo, um elemento de surpresa para o agressor.
Esse conceito complementa o 4º. Guardando-se o segredo de parte das defesas, o agressor será surpreendido por fatores
desconhecidos e inesperados. As surpresas mais eficientes são aquelas que causam nervosismo, que fazem o agressor hesitar e perder
tempo. Por exemplo, pode-se ostentar rondas de vigilantes e cães junto ao perímetro defensivo, como forma de desencorajar
possíveis agressores. Mas pode-se fazer segredo sobre um segundo sistema mais interiorizado de sensores de intrusão, que acionarão
sirenes se ultrapassados e que causarão susto e hesitação ao agressor que tenha se planejado para passar apenas por vigias e cães.
Como será visto mais adiante, esse conceito de elemento surpresa se aplica bem à segurança eletrônica.

11°- As medidas de segurança jamais devem atrapalhar a marcha da empresa.


Conforme o 1º conceito, não há proteção total. Mas é possível conseguir-se altos graus de proteção com medidas que se
sobreponham. Porém, se tais medidas se tornam um entrave para o trabalho das pessoas, estas se sentirão saturadas e haverá a
tendência de negligenciar a segurança, o que trará prejuízos à empresa. Esse é, como foi visto, o segundo conceito que se refere à
RH.

12°- A segurança deve ser compreendida, admitida e aprovada por todos.


Ao contrário do senso geral, a segurança não é encargo apenas de especialistas. Para ser eficaz, deve contar com a cooperação de
todos, pois é função do empenho e discrição de cada um individualmente e interage com o trabalho cotidiano. Esse conceito
estabelece a importância do profissional de segurança dominar as técnicas de marketing e atuar agressivamente em endomarketing
(“antes de vender um produto para seus clientes, precisa-se convencer os funcionários a comprá-lo”).

13°- A defesa é sempre moral.


A proteção só se justifica se for implementada respeitando-se a liberdade e dignidade da pessoa humana. Esse conceito envolve
todos os outros. Não há segurança se ela não for moral e legal. Os prejuízos a médio e longo prazo causados por ações ilegais ou
amorais sobrepujam em muito os ganhos de curto prazo que tais medidas podem trazer. Esse conceito nos remete também ao assunto
“Ética Profissional”.

14°- A segurança exige um entendimento harmonioso no interior da empresa.


Esse é o terceiro conceito que remete à RH. Empresas com empregados descontentes são alvo fácil para aliciamento por parte de
agressores. Um empregado descontente constitui um perigo em potencial para a segurança da empresa, e o profissional de segurança
deve estar atento a isso.

2.2 - Classificação Geral


Vários autores classificam de várias formas a segurança física. Normalmente, tais classificações enfatizam os meios
utilizados (humanos, animais ou técnicos) ou o modo como esses meios atuam.
Os meios humanos são os denominados vigilantes. São caros em comparação com outros elementos de segurança e por isso
já há algum tempo vem ocorrendo a gradual substituição de parte dos recursos humanos utilizados por equipamentos. Os animais,
são utilizados principalmente cães de guarda treinados para o serviço de vigilância. Eles representam uma das formas mais
econômicas de proteção física, pois um vigilante e um cão de guarda treinado podem substituir entre cinco e dez postos de vigilância,
especialmente em locais espaçosos
Classificação Geral

Atualmente são utilizados principalmente cães de guarda treinados para o serviço de vigilância. Eles representam uma das
formas mais econômicas de proteção física, pois um vigilante e um cão de guarda treinado podem substituir entre cinco e dez postos
de vigilância, especialmente em locais espaçosos.
Dentro da área tecnológica se encontram enquadrados os chamados Meios Técnicos de Segurança, que são todos os
materiais, dispositivos e sistemas que podemos empregar ou implementar especificamente para a prevenção e proteção contra riscos
e ameaças. Como a denominação abrange uma série extensa de artefatos inanimados, os autores dividem-na normalmente em meios
eletrônicos e meios mecânicos.
Meios eletrônicos são materiais, elementos, dispositivos e sistemas que utilizam as propriedades da elétrica ou da eletrônica
– ou ambas – para prover proteção (Operados por energia elétrica). Já meios mecânicos são materiais, elementos, dispositivos e
sistemas que utilizam as propriedades da mecânica para prover proteção (Operados manualmente).

As defesas passivas são aquelas estáticas, que permanecem constantes haja ou não agressão. Um muro, por exemplo,
estará sempre lá, haja risco ou não. E mesmo que uma agressão ocorra, o muro continuará lá, não alterando seu comportamento. As
defesas ativas são aquelas móveis, que alteram sua configuração reagindo a uma agressão. Um portão que se feche automaticamente
quando acionado o alarme de invasão é um exemplo de defesa ativa. Por fim, as defesas de inteligência são aquelas que possuem
comportamento proativo, visando antecipar-se ao risco e evitar uma agressão. Normalmente atuam à distância, antes que o problema
atinja a empresa Note-se que o termo “distância” aqui é utilizado em seu conceito mais amplo, não significando apenas distância
física. Pode ser também distância temporal. Sendo assim, quando colocamos um empregado dentro da linha de produção com a
tarefa de levantar uma possível ação futura de fraude, estamos atuando com uma defesa de inteligência na distância temporal, mesmo
sendo fisicamente dentro da empresa. Quanto aos meios:
1. Humanos
2. Animais 3. Técnicos:
3.1 Eletroeletrônicos: Operados por energia elétrica
3.2 Mecânicos: (Operados manualmente)

Quanto à atuação:
1. Passivos
2. Ativos
3. De inteligência

2.3 - Teoria dos Círculos Concêntricos

Calcada no princípio feudal europeu das sucessivas cinturas de proteção em torno de uma torre principal, essa teoria determina que
um sistema de segurança deve estabelecer zonas
(círculos de proteção) ao redor do objetivo.
Ela não discrimina na verdade quantos
círculos serão estabelecidos, mas sim qual o objetivo de
cada um deles.Tem evoluído nos últimos tempos para
uma “Teoria das Esferas Concêntricas” que, diferente dos
círculos que consideram os perigos somente ao nível do
solo ou próximos a ele, as esferas consideram também os
perigos advindos do subsolo e do espaço. Isso significa
que além de considerar possíveis ataques de ladrões que
tentem ultrapassar as cercas de proteção, considera
também a possibilidade de infiltrações por bueiros ou
túneis escavados intencionalmente, bem
como a possibilidade de invasão pelo ar, por
pára-quedas, ultraleves ou asa delta, além da espionagem
por satélite.

2.4 – Compartimentação
Caso as instalações que precisem ser protegidas cubram uma área física muito extensa, sua segurança como um todo pode
não ser possível por questão de custos. Os custos podem ser diminuídos se a área for dividida em partes e as partes mais importantes
e sensíveis possuírem proteção adequada. Essa técnica é conhecida como “compartimentação” e consiste em proteger várias áreas
menores dentro de uma área maior.
A partir desse conceito se pode também classificar as áreas segundo um critério de criticidade (neologismo que tem
sentido de determinar quão crítica é uma determinada situação), ou seja, o quanto a violação dessa área interfere no negócio da
empresa. Uma classificação muito usada hoje em dia utiliza cores para definir as áreas, conforme o quadro seguinte:
COR CRITICIDADE ACESSO
Branca Inexistente Livre acesso aos empregados e visitantes, sem muita necessidade de acompanhamento
específico.
Verde Baixa Acesso controlado. Poderá haver acompanhamento por CFTV ou pessoal dos
transeuntes.
Amarela Média Acesso restrito e controlado. Há algumas restrições sobre quem poderá acessar a área
e sua permanência poderá ser acompanhada por CFTV ou pessoal.
Vermelha Alta Acesso restrito. Há muitas restrições sobre quem poderá acessar a área e sua
permanência deverá ser acompanhada por CFTV ou pessoal.

2.5 – Acesso não autorizado


2.5.1 - Entrada forçada
A entrada forçada é o método mais comum para entradas não autorizadas. Portões, janelas e portas são especialmente
vulneráveis a entradas forçadas, mas também podem ser realizadas através de paredes (especialmente as finas), pisos, telhados,
clarabóias ou dutos de serviço ou ventilação.

Mesmo quando uma invasão não tem sucesso, sempre haverá prejuízos. Se o agressor estiver convencido de que há tamanha
segurança a ponto de se tornar um obstáculo desencorajador, o número de tentativas de invasão diminuirá. Pode-se conseguir este
efeito por meio de avisos bem visíveis informando às pessoas sobre os sistemas de segurança – “CUIDADO COM O CÃO”,
“PERIGO, CERCA ELÉTRICA” etc.

2.5.2 - Entrada consentida


O acesso não autorizado pode ser conseguido também sem o uso da força. Cadeados deixados desbloqueados, portas ou
janelas deixadas destrancadas ou uso de chaves roubadas são os métodos mais comuns, normalmente com ajuda interna.

2.6 - Controle de acesso de segurança


É um dos pontos mais importantes na prevenção e proteção contra os riscos derivados das atividades anti-sociais. É hoje
uma das áreas de segurança com maior índice de crescimento com uma oferta e uma demanda absolutamente crescentes.
A maior parte dos problemas de controle de acesso vem de nossa cultura. Por exemplo, uma pessoa de terno bem alinhado
e carregando uma pasta tipo 007 possivelmente poderá entrar na maioria das empresas sem muitos obstáculos, mesmo sendo um
desconhecido.
O primeiro passo para controlar quem entra na área da companhia ou sai dela, e aonde vão internamente ou de onde
vieram e os motivos é criar um sistema efetivo que identifique as pessoas, mantenha o controle de seus passos internamente e que
possa ser facilmente conhecido por todos – e reconhecido pelo pessoal da segurança em particular. Isso normalmente é conseguido
por um sistema de crachás.

2.7 – Crachás
Há atualmente vários tipos de crachás, desde os mais simples e baratos de papel aos mais sofisticados e caros com
microprocessadores. O que garante o sucesso do controle não é a sofisticação dos crachás, mas a capacidade do gestor de criar um
processo simples de identificação que consiga a participação de todos os empregados, caso contrário qualquer que seja o tipo de
crachá utilizado, e qualquer que seja seu custo, provavelmente não funcionará.
Um sistema de crachás deve se apoiar na compartimentação (reunir ou separar em compartimento ou em compartimentos)
das áreas. Sendo assim, qualquer que adentre a empresa, funcionário ou não, receberá um crachá que lhe garantirá o acesso à algumas
áreas da empresa e a outras não. Uma forma simples e com algum uso atual é colorir os crachás nas mesmas cores das áreas de
acesso. Se combinado com a pintura das portas de acesso e das paredes (ou pelo menos de faixas nas portas e paredes) com as
mesmas cores, isso permite ao usuário do crachá a reconhecer as áreas em que pode entrar e a todo o pessoal da empresa – e a
segurança em particular – identificar e informar sobre entradas não autorizadas. Crachás de visitantes e prestadores de serviço devem
ser devolvidos na saída, bem como os dos empregados que deixem de trabalhar na empresa. Os crachás que dão acesso às áreas
mais críticas devem receber maior atenção, principalmente visando evitar duplicações.
Crachás eletrônicos apenas facilitam o trabalho, pois se houver, por exemplo, sensores de passagem nos portais da
empresa, o controle de presença torna-se mais fácil. O uso da eletrônica não resolverá o problema de um sistema de controle mal
desenhado. Pelo contrário, se o controle de crachás simples estiver ruim, a sua substituição por crachás eletrônicos possivelmente
aprofundará o problema.

2.8 – CPTED
CPTED é um acrônimo, na língua inglesa, para Crime Prevention Through Environmental Design, “Prevenção de Crimes
por meio de Projetos”. É uma abordagem multidisciplinar que busca reduzir o crime e a insegurança colocando lado a lado
planejadores, projetistas, arquitetos e profissionais de segurança que trabalham para criar um clima seguro em de um ambiente, com
projetos que eliminem ou reduzam o comportamento criminal e ao mesmo tempo encorajem as pessoas a manterem-se alertas,
provendo segurança uns aos outros.

"O próprio projeto e uso efetivo do ambiente construído podem conduzir a uma
redução no medo e incidência de crimes, e a uma melhoria da qualidade de
vida”.
National Crime Prevention Institute – EUA

A abordagem do CPTED torna a segurança menos agressiva para as pessoas, evitando o sentimento de "estar prisioneiro"
naqueles que se pretende proteger. Além disso, é totalmente transparente aos usuários, permitindo que se consiga maiores graus de
segurança sem que mostre que se está preocupado com a segurança, o que pode ser uma vantagem.
Os princípios do CPTED podem ser aplicados de forma fácil e barata no construir ou remodelar. Em algumas
comunidades que aplicaram os princípios de CPTED nos EUA a atividade criminal diminuiu em até 40 por cento.
Historicamente, a ênfase da prevenção de crimes esteve na abordagem da dificultação (ato de dificultar) do acesso ao bem
que se queria proteger por meio de dispositivos (fechaduras, sistemas de segurança, alarmes, equipamentos de monitoração etc) e
processos (patrulhamento, legislação etc), estratégias de prevenção de crime que pretendem tornar o acesso ao objetivo do criminoso
mais difícil, mas que podem também criar um sentimento de "estar prisioneiro". Esta abordagem tradicional tende a negligenciar a
oportunidade para controle de acesso e vigilância natural. O CPTED coloca sua ênfase no "natural".

2.8.1 – Origens
1968, Jane Jacobs discutiu a interação do ambiente físico com seus habitantes e quão importante isto era para a vida e
vitalidade de uma rua ou bairro no livro The Death and Life of Great American Cities.
1969, o arquiteto Oscar Newman cunhou a expressão "espaço defensável" quando iniciou seu estudo sobre planejamento
de moradias, associando a ele a percepção das pessoas que ali residiriam sobre segurança. O foco era de como aquelas pessoas se
sentiriam em relação ao senso de propriedade - ou à sua falta (reforço territorial), e a relação disso com a atividade criminal. Parte
de seu trabalho relacionou-se desde então ao projeto de uso de ruas residenciais como um fator impeditivo para o crime.

1971, Clarence Ray Jeffery, criminologista norte-americano cunhou o termo Crime Prevention Through Environmental
Design após estudar a relação entre o ambiente físico e incidência de crimes.

2.8.2 - Princípios gerais


a. Vigilância natural
Considera a combinação de características físicas, atividades que serão desenvolvidas e as pessoas que as desenvolverão
no local de tal modo sobre que maximize a visibilidade. O desenho da planta deve permitir que estranhos sejam facilmente
observados por todos. Deve-se buscar a visibilidade sobre as pessoas, estacionamentos, entradas dos prédios (portas e janelas
faceando ruas e estacionamentos), passeios de pedestres e iluminação adequada à noite.

b. Reforço territorial
Encoraja o uso de itens físicos – primordialmente barreiras naturais mas, se necessário, incluindo barreiras artificiais- que
expressem propriedade. O desenho da planta pode criar ou estender a esfera de influência das pessoas. Os utilizadores desenvolvem
então um senso de controle territorial que, quando percebidos por potenciais agressores, serve de fator de dissuasão.
Devem ser definidos os limites da propriedade e tornar bem clara a distinção entre espaço público e privado, utilizando-se
cercas-vivas ou outros métodos.

c. Controle de acesso natural


Busca a orientação física das pessoas indo e vindo em um espaço pela colocação judicial de entradas, saídas, cercaduras,
ajardinados e iluminação. Nega-se o acesso aos locais que possivelmente poderão ser alvos de agressões e cria-se nos agressores
uma sensação de risco.
Consegue-se por meio de rotas, passeios e elementos estruturais que indiquem claramente a direção que as pessoas em
geral devem seguir, desencorajando o acesso indevido a áreas privadas.

d. Manutenção
Deve permitir o uso continuado de um espaço para seu propósito planejado e servir como uma expressão de propriedade.
Não se deve permitir qualquer redução da visibilidade de todos sobre o local ou obstrução na iluminação noturna.
Alguns autores incluem o CPTED com parte integrante da teoria da Segurança Física, outros o consideram como um
planejamento separado, que se insere após a análise do risco e antes do planejamento da segurança física propriamente dito. Porém,
mais importante que discutir se CPTED pertence ou não à segurança física é compreendermos que sempre haverá estreita ligação
entre a arquitetura do projeto e a segurança.

2.9 - Triângulo do Roubo (Crime)


É a teoria segundo a qual um ato ilícito somente ocorre se três fatores
estiverem presentes, quais sejam:

DESEJO = Está ligado a características culturais ou a efeitos da propaganda atuando no subconsciente do indivíduo;
MOTIVAÇÃO = Está ligada ao raciocínio, à capacidade de planejar a ação;
OPORTUNIDADE = Está ligada ao ambiente, à maneira como as coisas estão dispostas.

Os dois primeiros fatores atuam internamente no ser humano e modificá-los torna-se uma tarefa difícil, pois lidamos com
aspectos da psicologia humana. O terceiro fator é externo, ligado ao ambiente. Até bem pouco tempo considerava-se que
o profissional de segurança atuaria somente sobre a OPORTUNIDADE. Atualmente, ea abordagem
multidisciplinar, o profissional de segurança atua, em conjunto
com outros profissionais de outras áreas tais como psicólogos e
pedagogos, também sobre a MOTIVAÇÃO e, em uma escala menor, sobre o DESEJO.

3.0 – Meios de segurança física.


3.1 – Barreiras
A segurança física utiliza um combinado de barreiras, cada uma com um propósito específico, o que inclui barreiras
naturais e estruturais.
- Barreiras naturais: São acidentes do terreno que por sua disposição natural impedem ou dificultam o acesso ou o trânsito na área
da empresa. Podem ser um rio, montanha, alagadiço, encosta ou outro acidente geográfico que seja de difícil transposição.
Observações:
- Rios e fossos
Seu valor como barreira está no grau de agravamento de suas margens e na violência de sua correnteza, impedindo que
sejam transpostos com facilidade. - Alagadiços
Seu valor reside no solo pouco firme, que dificulta e por vezes impede o movimento a pé.
- Montanhas
Podem ser visualizadas como barreiras dependendo da altura e do ângulo de inclinação de suas encostas.
- Barreiras estruturais: São obras, permanentes ou temporárias, realizadas na empresa, não necessariamente com a única finalidade
de prover segurança. Podem ser cercaduras, portas, janelas ou a parede ou uma outra construção que sirva à função de deter a
entrada não autorizada.
A criação de barreiras de proteção serve para:
1°) Prevenir a entrada de pessoas e veículos de forma indesejada.
2°) Prevenir saídas indesejadas.
3°) Definir zonas de isolamento para áreas sensíveis.
4°) Prevenir o acesso de pessoas a áreas restritas internas.
Instalar barreiras não significa que sempre será necessário instalar cercas ou outros obstáculos, uma vez que por vezes a
natureza nos provê barreiras mais eficientes. Por exemplo, uma barreira natural poderá ser um rio, montanha ou outro terreno difícil
de ser atravessado por pessoas ou veículos. Construções também devem ser consideradas, como por exemplo, uma parede externa
de um prédio. É importante notar que barreiras raramente por si só impedem a intrusão. A segurança se dá com o seu uso integrado.
3.2 - Benefícios do uso de barreiras
São quatro os benefícios do uso de barreiras:
1°) Benefício psicológico. Uma barreira visível e que não seja fácil de ser transposta serve para desestimular entrada indesejada.
Poucas pessoas sobem cercas altas e que tenham arame farpado no topo, principalmente sabendo que a área é patrulhada por cães
ou seguranças. Normalmente, pessoas com intenção de roubar ou causar danos desistem frente a barreiras de proteção, reconhecendo
que, mesmo que entrem, talvez não possam escapar.
2°) Diminui a necessidade de pessoal de segurança e permite seu uso em atividades mais importantes.
3°) Canaliza o fluxo de pessoas que entram e saem da empresa, uma vez que só poderão fazê-lo através de pontos estabelecidos e
controlados pela segurança.
4°) Causam confusão no invasor. Uma vez dentro da área da empresa, ele pode ser confundido por suas barreiras de proteção
internas. Quando seu sistema de barreiras possui complexidade suficiente para causar confusão, a chance de um intruso sair da área
sem ser visto torna-se baixa.

3.3 - Cercaduras
É o tipo de barreira estrutural mais utilizado. Normalmente são construídas em uma única linha, mas, quando for
essencial o estabelecimento de maior grau de segurança, duas linhas de cercaduras podem ser instaladas no perímetro. Estas
cercaduras devem ser separadas por distância não inferior a 4,5 metros e não mais de 45 metros para melhor proteção e controle. As
cercaduras devem permitir passagens para execução de serviços, que terão no mínimo 25 cm de diâmetro, devendo ser protegidas
para prevenir abertura não autorizada. A escolha da melhor cercadura depende da situação dos riscos que cada empresa está sujeita,
bem como do orçamento da segurança. Sugere-se um estudo conforme o quadro abaixo:

Tipo de cercadura Tempo de Custo de Manutenção Facilidade de transposição Durabilidade


Instalação por m² Instalação por m² periódica por seres humanos no tempo
Tela de arame Média Média Média
Arame farpado Alta Alta Baixa
Concertina Média Baixa Baixa
Fio cortante Média Baixa Baixa
Muro de alvenaria Baixa Baixa Alta
Grade de ferro Baixa Média Alta
Cerca viva Alta Alta Baixa

Para melhorar a segurança de uma cercadura, os seguintes pontos devem ser considerados:
1) Postes, árvores, caixas ou quaisquer outros objetos junto à cercadura podem ser utilizados pelo agressor para escalá-la.
2) Escadas deixadas junto à cercadura são um convite aos invasores. Escadas fixas devem ter seu início protegido dentro de uma
gaiola de metal, com porta fechada.
3) Cercaduras conjugadas com a de outra propriedade, ou que se toquem em pontos específicos, representam perigo extra. Um
invasor pode entrar na propriedade vizinha e depois invadir a propriedade que se quer proteger escalando ou abrindo a outra
cercadura.
4) Deve-se ter especial atenção quando a cercadura toca em outras edificações, pois poderá ser transposta a partir dos telhados
vizinhos ou mesmo utilizando-se as janelas e outras saliências da edificação como apoio para a transposição. Os tipos mais
encontrados são:

Fio cortante.
Enrolados com clipes de segurança. São tiras galvanizadas (chapas de aço inoxidável) combinadas com fio do núcleo,
formando espirais contínuos de vários diâmetros, que são então cortados em conjunto com os grampos pesados. São utilizados em
paredes ou muros, ou mesmo instalado com uma barreira sobre a própria para criar um perímetro de segurança eficaz.

Tela de arame ou rede laminada.


É o tipo de cercadura mais usado para propósitos de segurança. Provê o sistema permanente de melhor custo-benefício e
sua eficiência aumenta com a introdução de arame farpado no seu topo.

Uma vantagem deste tipo de cercadura é permitir a observação de ambos os lados. Sendo assim, folhagem ou outros
materiais decorativos devem ser evitados, pois reduzem a visibilidade e auxiliam o invasor que, uma vez dentro, estará fora das
vistas dos transeuntes.
Devem ser construídas com no mínimo 2 m de altura e, no caso de cerca dupla, a segunda deve ter no mínimo 1,80 m.
Sua trama não deve ter mais que 2,5 cm de abertura.
De preferência, o arame de suas bordas superior e inferior não deve ser protegido, permanecendo pontiagudo e retorcido,
criando o efeito de arame farpado, pois o risco de alguém inadvertidamente se cortar nas pontas é menor que o risco de permitir que
algum agressor escale a cerca e ultrapasse-a com facilidade (pode-se também lançar arame farpado no seu topo como guarda
superior, criando-se o mesmo efeito).
Considera-se sempre a possibilidade de alguém lançar sobre a cerca uma lona, de forma a permitir escalá-la sem se ferir
nas pontas dos arames do topo.
Deve ser suportada por posteamento de metal ou concreto armado, preso em sapatas com 6 a 8 cm de profundidade e a
tela deve ser rigidamente presa no posteamento. Para impedir que pequenos animais ou pessoas passem por baixo da cerca, a tela
não deve estar a mais de 5 cm do solo, quando este for consistente e não possa ser cavado (cimento, pedra etc). Caso seja sobre terra
ou outro solo não consistente, deve estar enterrada no mínimo 5 cm no solo.
Deve ser pintada com alguma tinta não reflexiva, de forma a não permitir o reflexo da luz do sol. Em dias ensolarados, o
reflexo do metal da cerca – principalmente cercas novas – podem cegar momentaneamente a vigilância, permitindo que um agressor
não seja visto.
Deve ser feita manutenção periódica, procurando pontos de ferrugem e locais onde a cerca se desprendeu do posteamento.
O posteamento também deve ser testado para certificação de que continua firme, pois caso se solte a cerca cairá com ele. A
distância entre postes deve ser de no máximo 2 m.

Cerca de arame farpado


Permitem a passagem de pessoas e podem ser facilmente cortadas. São efetivas quando a ameaça se resume a animais de
grande porte. No Brasil não existe normatização versando sobre o assunto.
Cerca de concertina
A concertina foi desenvolvida pelas forças armadas norte-americanas buscando uma barreira de lançamento rápido.
Lançada com estaqueamento em X, cria uma barreira de 90 cm, podendo ser lançada em duas camadas, uma sobre a outra, criando
uma barreira de 1,80 m. Sua efetividade aumenta grandemente caso seja feito um lançamento triplo, com um estaqueamento sobre
outros dois em paralelo, assumindo uma forma piramidal, conseguindo-se assim uma barreira de 1,80 m de altura por 1,80 m de
largura, muito difícil de ser transposta. Cercaduras de concertina são muito úteis para uso temporário, como apoio enquanto se repara
a cercadura original danificada.
O arame farpado padrão para concertina é um rolo de arame farpado fabricado com aço muito forte, unidos intervalos
regulares de maneira a formar um cilindro. Aberta, a concertina de arame deve ter 15 m de comprimento e 1 m de diâmetro.

Cerca de fita farpada


Muito parecidas com a concertina, possuem o mesmo uso. Por seu baixo custo, estão se tornando populares atualmente. A
fita farpada é fabricada em uma tira de aço com uma resistência à quebra de no mínimo 230 Kg, a largura geral é 3/4" e tem farpas
de 7/16” espaçadas a intervalos de 1/2" ao longo de cada lado.

Muro de alvenaria.
Tem grande uso. Possui a vantagem da durabilidade, além de poder acompanhar o estilo arquitetônico de todo o
complexo, tornando-se menos agressivo às vistas. Pode ser feitos de tijolos, concreto armado, pedra ou similar e aumenta seu grau
de segurança se possuir arame farpado, pregos ou vidro quebrado no seu topo.
Não permite a visibilidade de dentro para fora e nem de fora para centro, o que pode ser uma vantagem ou uma desvantagem
dependendo do que se pretende, pois sem visibilidade se ganha privacidade, mas uma vez que o agressor tenha transposto o muro
não poderá ser observado por transeuntes nem por patrulhas policiais.
Muros sempre apresentam aparência agressiva e o uso da hera (plantas trepadeiras) tem servido para torná-los mais
sociais.

Grades de ferro
Também são duráveis, podem acompanhar o estilo arquitetônico do complexo e são devassáveis, isto é, permitem que se
observe de fora para dentro e de dentro para fora. Normalmente são de alto custo.

Cercas-vivas
São utilizadas como cercadura, principalmente em casas, por sua beleza estética. O uso de plantas espinhosas pode
desestimular o agressor. Há a necessidade de ser cuidada por jardineiro.

3.4 - Material utilizado nas cercaduras


Em geral são:
- Aço, com fabricação básica de alta resistência em vários perfis.
- Ligas ligeiras, com fabricação especial de alta resistência em vários perfis.
- Concretos, com fabricação básica ou de alta resistência em perfis ou módulos de específico desenho e construção. - Madeiras, com
fabricação especial em perfis reforçados de desenho e construção específicos.

3.5 - Construção das cercaduras


- Industrializada, com construção mediante o emprego de materiais ou perfis de caráter industrial, geralmente não específica.
- Pré-fabricada, com construção mediante o emprego de materiais ou peças selecionados e preparados para obter módulos completos
enlaçados.

3.6 - Composição das cercaduras


- Alicerce (ou base). Elemento estrutural, geralmente de concreto armado, que serve de base para colocação do posteamento.
- Posteamento. Elementos estruturais, geralmente de perfis metálicos, que servem de sustentação e fixação das malhas e painéis.
- Trama ou painéis. Elemento estrutural, geralmente de aço, que constitui a base de fechamento ou configuração da cercadura.
- Elementos de fecho. Dispositivos de segurança que garantirão o ajuste e sustentação dos elementos e painéis fixos ou móveis. -
Elementos praticáveis. Painéis, portas e dispositivos móveis ou fraturáveis que permitam a passagem através da cercadura. -
Acabamento. Determinação do material e seu tratamento final de proteção. Pode ser: Galvanizado; Pintado; Plastificado e
Inoxidáveis.

3.7 - A guarda superior


Uma guarda superior é uma projeção de arame farpado ou fita farpada ao longo do topo da cerca ou do muro, apontando
para fora (ofensiva) ou para dentro (defensiva) e para cima em um ângulo de aproximadamente 45º. Os braços de suporte para a
guarda superior devem ser fixados permanentemente no topo dos postes para aumentar a altura global da cerca em menos 30 cm, e
três fios de arame farpado espaçados 15 cm devem ser colocados apoiados nos braços.
Atualmente está ganhando força o uso da guarda superior com cercadura elétrica.

3.8 - BDV
Barreiras de detenção de veículos (BDV) são dispositivos de proteção que formam uma barreira compacta mediante
barras ou fileiras de elementos e se dispõe para a detenção de veículos diante de invasão agressiva ou não autorizada. Este tipo de
elemento pode ser utilizado tanto como um sistema de segurança que impeça invasões de veículos quanto como apoio ao controle
de acesso.

Tipos
- Fixas ou fundeadas. Passivas, não acionáveis, de caráter estacionário e permanente.
- Basculantes. Acionáveis que giram em um movimento de básculo sobre um eixo horizontal.
- Ascendentes. Elementos verticais ou horizontais acionáveis que se elevam sobre o solo.
- Extensíveis. Elementos pulsantes acionáveis manualmente que se estendem sobre o solo.
Construção
- Tradicional. Construção ou fabricação básica e generalizada.
-Industrializada. Construção ou fabricação empregando equipamentos e sistemas de fechos de caráter industrializado. -
Específica. Construção ou fabricação de caráter específico e diferenciado.
Operacionalidade
- Manual. Funcionamento mediante o acionamento pela força manual.
- Semi-automática. Funcionamento mediante sistemas de acionamento de caráter elétrico ou pneumático controlados pela ação
humana.
- Automática. Funcionamento mediante sistemas de acionamento de caráter elétrico ou pneumático controlados sem a ação humana.
Grau de segurança
Determinado pelos seguintes parâmetros:
- Tipo de veículo. Características técnicas, dimensões e funcionamento dos veículos que devem ser detidos.
- Peso do veículo. Dimensionamento em toneladas do veículo mais a sua carga.
- Velocidade de impacto. Dimensionamento em Km/h no ponto de impacto do veículo. - Conteúdo do veículo. Definição da carga
passiva ou ativa do veículo.
Espaço posterior percorrido
É a limitação em metros do possível deslocamento do veículo depois do impacto na barreira.
As barreiras de detenção de veículos têm uma dupla função. São empregadas contra a intenção de invasão não autorizada
e como sistema de controle de acesso de veículos. Seu desenho e implantação permitem utilizá-la ostensivamente como um sistema
de segurança dissuasório ou oculta como elemento de surpresa para o agressor.

3.9 - Eclusas
Eclusas. Como é designado o conjunto de elementos fixos e móveis (anteparas, biombos ou parede fina, divisória e portas) que
formam um sistema de controle de acesso para pessoas, veículos ou objetos constituído por duas ou mais portas que não se abrem
de uma só vez, não permitindo o contato direto entre duas áreas adjacentes. Classificam-se em função de: a) Manobra
Refere-se à forma de ação ou movimento que realizam suas portas e partes móveis.
a.1) Pivotante - O movimento de suas folhas realiza-se sobre um eixo vertical, lateral ou central. Pode ser tipo abatível ou giratória.
a.2) Elevadiça - O movimento de suas folhas realiza-se em forma ascendente ou descendente. Tipo guilhotina.
a.3) Deslizante - O movimento de suas folhas realiza-se horizontalmente para direita ou para esquerda. Tipo corredeira. b)
Utilização
b.1) Para pessoas - Dimensionadas para o controle de acesso de pessoas.
b.2) Para veículos - Dimensionadas para o controle de acesso de veículos.
b.3) Para objetos - Dimensionadas para o controle de acesso de maletas, valises, miudezas, correspondências etc. c) Fluxo
É o número de elementos que por unidade de tempo que poderão passar pela eclusa. d)
Ordem de passagem
É a seqüência de passagem dos elementos. e)
Grau de segurança
Refere-se ao nível de resistência a ataques que deve oferecer a eclusa. Sendo e eclusa um sistema, esse grau é determinado pelo
menor grau de segurança dos elementos individuais que compõem a eclusa, os quais serão vistos mais adiante. f)
Configuração
Refere-se à forma arquitetônica na qual está constituída a eclusa. Pode ser:
f.1) Linear - Forma de passagem em linha reta. Pode ser unidirecional ou bidirecional.
f.2) Angular - Forma de passagem em linha quebrada (ou em ângulo). Também pode ser unidirecional ou bidirecional

Equipamentos que compõem a eclusa


Uma eclusa é um sistema de equipamentos que deve ser projetada para cada situação. Não há duas eclusas iguais. O desenho
das eclusas está intimamente ligado aos diferentes parâmetros que intervém em sua definição e montagem, obtendo com isto
diferentes tipos e modelos e sua correta adequação as necessidades de cada caso e circunstâncias.
1) Estrutura. Elementos que constituem sua armação básica.
2) Painéis. Elementos que constituem seu fechamento perimetral. 3) Portas. Elementos móveis.
4) Equipamento de vigilância. Elementos que permitem a observação da operação da eclusa (CFTV, espelhos de observação etc).
5) Sistema de comunicação. Equipamentos de falar e escutar entre o interior e o exterior da eclusa.
6) Sistema de detecção de presença. Equipamentos de detecção volumétrica ou detecção por passagem.
7) Sistema de fechamento. Fechaduras para bloqueio manual ou automático de portas.
8) Sistema de sinalização. Equipamentos de indicação do estado de portas e utilização da eclusa.
9) Sistema de emergência. Dispositivos antipânico ou de abertura emergencial de portas ou painéis.
10) Sistema radioscópico. Equipamentos de inspeção por raios-X para materiais, objetos, pacotes e pessoas.
11) Compartimento de custódia. Locais seguros para objetos de passagem não autorizados.
12) Sistema de controle de acesso. Leitoras de dispositivos para validação e autorização de passagem. 13) Postos de controle geral.
Locais com capacitação para centralizar o manejo e controle da eclusa.

3.10 - Portões
Portões são barreiras necessárias para o controle do tráfego de entrada e saída através da cercadura. São utilizados para
impedir o acesso ou saída de veículos não autorizados. Quanto menos portões houver, maior a segurança, pois são pontos de
vulnerabilidade na cercadura da mesma forma que portas e janelas são pontos de vulnerabilidade em paredes. Em geral são fechados
com correntes e cadeados. O portão em uma cercadura deve ser tão alto quanto a cerca adjacente e as suas guardas superiores ser
verticais para evitar problemas com seu movimento. São também exemplos de portões a cancela e o muro móvel.

3.11 - Porta blindada Classificam-se por: 1) Manobra


Entendo-se como manobra a forma de ação ou movimento que realiza sua folha ou partes móveis.
1.1) Portas pivotantes (apoiadas por pivôs). O movimento de sua folha é sobre eixo vertical, lateral ou central.
1.1.1) Abatível (mais comum).
1.1.2) Giratório em eixo lateral.
1.1.3) Giratório em eixo central.
1.2) Portas suspensas. O movimento de sua folha ou lâminas é sobre guias de deslizamento verticais
1.2.1) Rígida.
1.2.2) Lâmina.
1.2.3) Guilhotina.
1.3) Portas deslizantes. O movimento de sua folha é sobre guias de deslizamento horizontais.
1.3.1) Reta.
1.3.2) Tangente

2) Material de defesa
Entendo-se como material de defesa a aquele que faz parte de sua configuração ou fabricação e que se servem para sua proteção.
2.1) Madeira – Material selecionado empregado como base estrutural e em peças maciças. A madeira deve ser dura e estratificada.
2.2) Material metálico – Material empregado como base estrutural ou de painéis, em moldura ou lâmina.
2.2.1) Aço tradicional.
2.2.2) Aço de alta resistência.
2.3) Material sintético – Material empregado como base estrutural ou de painéis e normalmente em lâminas rígidas ou flexíveis.
2.3.1) Blindagem anti-maçarico – Material de diversas composições resistente à aplicação de calor direto.
2.3.2) Blindagem anti-térmica – Material de diversas composições resistente à aplicação de elevadas temperaturas.
2.4) Material combinado – Material empregado como base estrutural ou painéis onde a combinação de alguns materiais permite
melhores graus de segurança.
2.4.1) Concreto de resistência normal – Conglomerado à base de cimento que possui resistência característica do tipo básico, habitual
e fácil de obter.
2.4.2) Concreto de alta resistência – Conglomerado à base de cimento que possui resistência característica de tipo especial, pouco
habitual e difícil de obter.

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2.4.3) Concreto de fibras – Conglomerado à base de cimento e fibras plásticas ou metálicas que possui elevado grau de segurança
ante o ataque.
2.4.4) Armaduras tradicionais – Contorno de aço de resistência e formas habituais, normalmente utilizado em obras de construção
e concretos armados estruturais.
3) Composição.
3.1) Batente de porta. Estrutura básica para sustentação da folha da porta e integração com a parede.
3.2) Folha da porta. Elemento móvel que constitui a base do fechamento e alojamento dos materiais de defesa, dispositivos de
fechamento e segurança.
3.3) Sistema de ancoragem. Elementos ou dispositivos situados para sua adequada e eficaz integração entre os elementos da folha
de porta e moldura e este ao batente.
3.4) Grade interior. Elemento móvel que funciona como fechamento complementar e controle de acesso nos períodos em que a porta
blindada permanece aberta.
3.5) Sistema de fechos. Elementos fixos e móveis que constituem a base do fechamento e segurança das portas blindadas.
3.6) Abertura motorizada. Mecanismo geralmente elétrico que permite o manejo do sistema de fechos em forma não manual ou
remota.
3.7) Fechadura. Elemento mecânico ou motorizado que constitui a base do acesso e segurança para a abertura e fechamento das
portas.
3.8) Retardador. Elemento mecânico ou motorizado que constitui a base do controle horário para a abertura das portas blindadas.
3.9) Sistema de alarme. Dispositivo de segurança que, incorporado às portas blindadas, permite a detecção de ataque assim como
transmite um sinal correspondente de alerta ou alarme.
3.10) Sistema de bloqueio. Dispositivo de segurança que, incorporado ao sistema de fechos da porta blindada, provoca o bloqueio
desta em caso de ataque mecânico ou térmico.

3.12 - Porta interna


Deve-se atentar para o fato de que uma porta fina e frágil, mesmo que tenha uma boa fechadura, poderá simplesmente ser
ignorada e atravessada por um agressor. Uma porta sólida, de madeira ou de metal, é um investimento necessário. Molduras de
madeira de pelo menos 10 cm ou de metal permitirão que haja segurança. Quando utilizando uma moldura de metal, deve-se ter o
cuidado de que seja sólida, e não apenas o perfil, o que a tornaria frágil. Se for utilizado apenas o perfil, deve ser preenchida com
cimento, de forma a resistir a impactos. Por fim, quando utilizando dobradiças para cadeados, as dobradiças devem ser fixadas de
tal forma que os parafusos não fiquem expostos.

3.13 - Janelas
Elemento de fechamento principalmente exterior utilizado na arquitetura e na construção em geral e raras vezes é colocado
segundo condições específicas de segurança. Seu emprego diante de invasão tem, em qualquer caso, planejamentos especiais. Sua
função mais comum é a ocultação de vistas e a regulação da luz solar, mas pode vir a apresentar condições notáveis de segurança.
Classificam-se por: a) Tipo de manejo
Refere-se à forma de ação ou movimento que realiza o conjunto ou a parte móvel.
a.1) Pregado (horizontal ou vertical). Movimento de seus painéis ou partes móveis de fechamento sobre eixos horizontais ou
verticais agrupando-se ou pregando-se para sua abertura.
a.2) Extensível. Movimento de seus painéis ou partes móveis de fechamento sobre eixos verticais agrupando-se para sua abertura.
a.3) Enrolável. Movimento de seus painéis, lâminas ou partes móveis de fechamento sobre um eixo horizontal no qual se enrolam
para sua abertura.
a.4) Abaixável. Movimento de seus painéis ou partes móveis de fechamento sobre um eixo vertical lateral ou central sobre o qual
giram para sua abertura ou fechamento.
a.5) Deslizante. Movimento de seus painéis ou partes móveis de fechamento sobre guias horizontais ou verticais nas quais deslizam
para a abertura e fechamento. b) Material
b.1) Aços normais.
b.2) Aços especiais.
b.3) Materiais sintéticos.
b.4) Madeiras.
c) Acionamento
c.1) Manual. Acionamento direto pelo ser humano sem nenhum tipo de mecanismo adicional para seu manejo.
c.2) Mecânico. Acionamento por meio de dispositivo tipo mecânico.
c.3) Eletromecânico ou eletromagnético. Acionamento por meio de dispositivos tipo eletromecânico ou eletromagnético.
c.4) Pneumático. Acionamento por meio de dispositivos tipo pneumático ou ar-comprimido d) Funções
São as possibilidades de uso que apresentam este tipo de fechamento. d.1)
Proteção. Provê segurança perante diversas formas de ataque.
d.2) Visão. Permite a vigilância ou observação direta.
d.3) Ventilação. Permite a circulação do ar.
d.4) Iluminação. Permite a entrada de luz natural ou artificial.
e) Grau de segurança.
São os níveis de segurança que podem oferecer as janelas.
e.1) Resistente a ataque com elementos manuais. Resiste a ataques utilizando meios básicos como alavancas, pés-de-cabra, serras,
tesouras de corte, martelos etc.

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e.2) Resistente a ataque com equipamento mecânico. Resiste a ataques utilizando meios mecânicos ou eletromecânicos como
talhadeiras, serras elétricas, tesouras de pressão etc.
e.3) Resistente a ataque com projéteis ligeiros. Resiste a ataques utilizando de armas de fogo, de caça ou guerra com projéteis
básicos ou especiais.
e.4) Resistente a ataque com explosivos. Resiste a ataques utilizando materiais ou cargas explosivas para a abertura.
3.14 - Fechaduras
Quando se pensa em sistema de fechamento, é normal se esqueça das fechaduras. Fechaduras não podem ser consideradas
como equipamentos simples que são adicionados às portas ou janelas como apêndices. Realmente, fechaduras que não sejam
elementos definidos e desenhados para a segurança são apenas elementos decorativos e não de proteção. Porém, fechaduras devem
ser parte de um sistema de fechamento cujo objetivo é atrasar a entrada ou a saída de um espaço por um período de tempo tal que
permita a detecção do invasor. Esta é a função de um sistema de fechamento.
São categorizadas como:
Mecânicas – fechaduras com chaves, nos seus vários tipos.
Eletromecânicas – fechaduras com cartões ou similares.
Quase todos os tipos de fechadura operam por meio de uma chave, combinação numérica (segredo), cartões ou impulso
elétrico. A maioria das fechaduras de chave (exceto cadeados) usa para seu funcionamento um mecanismo de travamento que se
estende para além da fechadura, penetrando no receptáculo na moldura da porta. Para anulá-lo, pode-se utilizar uma chave que mova
manualmente o mecanismo de volta em direção à fechadura. As lingüetas são empurradas por molas e são menos seguras que os
mecanismos de travamento. Possuem um ângulo que permite seu deslizamento e fechamento na abertura da moldura da porta sempre
que esta se fecha. A não ser que possua ranhura de segurança será necessário apenas um simples cartão plástico ou uma faca para
empurrá-la de volta à porta.

3.15 - Iluminação
A iluminação permite que seu sistema de segurança continue operando durante a noite e permite que se mantenha um nível
de proteção próximo ao nível existente durante o dia. Uma boa iluminação também funciona como um importante fator de dissuasão
para desencorajamento de possíveis agressores.
Não é comum a compreensão de que a iluminação de proteção sirva para outros propósitos além de dissuadir possíveis
agressores. A falta de uma boa iluminação de proteção é causada por uma percepção falha de suas vantagens, principalmente seu
baixo custo. Para compensar sua falta, aumenta-se o número de postos de vigilância e patrulhas móveis, o que é bem mais caro. A
iluminação de segurança possui como características gerais:
1º) É relativamente barato mantê-la.
2º) Permite reduzir a necessidade de forças de segurança.
3º) Permite proteção pessoal para a força de segurança reduzindo o elemento de surpresa para o intruso.
4º) Requer menor intensidade que a luz de trabalho.
O planejamento de um sistema de iluminação deve considerar a necessidade de luz a partir do perímetro externo, passando
por áreas e benfeitorias sensíveis dentro da empresa e terminando nos locais de onde houver atividade noturna. Normalmente há
menor necessidade de luz nas partes externas que nas partes internas da empresa, exceto nos locais onde haverá atividades tais como
portões de entrada e locais de carga e descarga noturna. Pode também ser utilizado acoplado a um sistema de alarmes, gerando
grande benefício para a segurança.
A iluminação de proteção precisa justificar-se por ao menos um dos três motivos abaixo:
1º) Desencorajar entradas não autorizadas na área da empresa.
2º) Simplificar e garantir a detecção de intrusos que se aproximem ou tentem entrar em áreas protegidas.
3º) Prevenir e detectar roubos internos ou outros problemas do gênero.
O sistema de iluminação deve ter capacidade de continuar operando de forma eficiente durante períodos de baixa
visibilidade tais como serração ou fortes chuvas.
Há também a necessidade de luzes de emergência, iluminação reserva caso haja pane nas luzes principais, rotinas de teste
e manutenção.
Quando se inicia o planejamento de um sistema de iluminação de proteção ou avalia-se um sistema já existente, os
seguintes pontos devem servir de guia:
1º) Fazer uma lista com a descrição, características e especificações dos vários tipos de lâmpadas existentes. 2º)
Fazer uma pesquisa e levantar as características dos vários tipos de iluminação oferecidos pelo mercado.
3º) Fazer alguns diagramas e definir quais as suas necessidades de iluminação, definindo altura, direção e espaçamento da
iluminação.

3.16 - Vigilantes
Emprego de meios humanos.
Podem ser próprios da empresa ou terceirizados, cada solução apresentando vantagens e desvantagens.
Vantagens de vigilantes próprios:
- Geralmente de melhor padrão, pois, eles recebem salários mais altos.
- Geralmente prestam melhor serviço, pois se sentem como parte do negócio.
- Podem ser treinados para dirigir alguns deveres de segurança mais complexos.
- Apresenta menor rotatividade.
- São mais familiarizados com as instalações que protegem.
-Tendem a ser mais leais à companhia.

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Desvantagens de vigilantes próprios:
- Custam mais caro.
- Têm que ter substitutos disponíveis na própria empresa. Vantagem de vigilantes terceirizados:
- A empresa reduz seus problemas administrativos e de pessoal, reduzindo a carga sobre seu Departamento de Pessoal.
- A empresa é aliviada das responsabilidades paralelas relacionadas à folha de pagamento.
- A empresa transfere para a contratada a responsabilidade de programar e supervisionar o pessoal da vigilância. - A contratada é
capaz de fornecer vigilantes extras em curto espaço de tempo quando necessário. - A contratada assume os riscos da
responsabilidade civil.
Desvantagens de vigilantes terceirizados:
- A empresa perde parte de seu controle sobre a qualificação dos vigilantes.
- Objetivando a redução de seus custos, a contratada pode dar treinamento falho aos vigilantes.
- Também objetivando a redução de seus custos, a contratada pode utilizar empregados de baixo salário e, por conseguinte, de baixa
qualidade profissional.
- Os vigilantes terceirizados não apresentam lealdade para com a organização.
- Podem apresentar elevado índice de rotatividade, o que inviabiliza qualquer programa de treinamento implementado pela empresa.
- Podem não estar familiarizados com a planta.

3.17 - Cães de Guarda


Seu uso vem crescendo ultimamente, pois os custos envolvidos na aquisição, alimentação e treinamento de cães são bem
mais baixos que o custo agregado dos vigilantes que eles podem substituir. Também eliminam a necessidade de extensas cercas
iluminadas, uma vez que cães de guarda preferem estar na penumbra, apenas com a iluminação natural da lua ou luzes refletidas à
distância.
Apresentam grande vantagem no uso em áreas sujeitas à serração ou fortes chuvas, que reduzem a visibilidade humana,
mas não ofuscam os sentidos dos cães. Vale ressaltar que os cães podem distinguir entre vários tipos de ruído a uma grande distância,
pois sua acuracidade auditiva é vinte vezes maior que a acuracidade humana e sua acuracidade visual é dez vezes maior que a
humana, não obstante não distinguirem cores e não poderem focar em um objeto específico.
Os cães imprimem também ao sistema de segurança um forte fator dissuasório. Para o invasor, saber que na escuridão um
cão feroz o espreita é no mínimo inquietante.
Os mais apropriados são os da raça Dobermann, Pastor Alemão e Rottweiler.
- Inconvenientes
Para que possa ser efetivo no serviço, um cão deve obedecer a somente uma pessoa, o que obriga a maior planejamento por
parte do Departamento de Pessoal. Normalmente, a empresa deverá ter mais de uma equipe de cães, cada uma com seu “dono”, por
assim dizer. Quando esse “dono” estiver no seu turno de vigilância, sua equipe estará com ele e as outras estarão descansando no
canil.
Cães não possuem a capacidade de decisão inerente aos humanos. Mas possuem grande agressividade natural e elevada
capacidade de detectar movimento, sons e odores, mesmo na escuridão. Um bom planejamento deve prever um trabalho em equipe,
no qual o uso desses fatores de força do animal sirva para aumentar a capacidade de detecção, decisão e reação dos seres humanos
encarregados da vigilância.
Por fim, cães necessitam de um grande esforço de treinamento. Mas se treinados para tal e bem posicionados, poderão
detectar um intruso antes que ele atinja os limites externos da empresa, mesmo no escuro.
Emprego de cães
Antes de decidir sobre o uso de cães de guarda, o profissional de segurança deve levar em consideração alguns fatores.
- Presença de distúrbios externos.
A efetividade dos cães de guarda possui uma grande dependência da ausência de distúrbios externos. Cães de guarda
detectam movimentos, sons e odores estranhos, e isso os faz alarmar a presença de invasores, ou seja, alguém que não está ali
normalmente. Sendo assim, eles devem ser utilizados em ambientes controlados, ou seja, que não varie de forma difusa. O local
deve ser livre de variações descontroladas de movimento, sons e odores para que o animal possa perceber que a variação vem de um
invasor. Quando utilizados em áreas onde tais variações ocorrem, o cão notará todas elas e não saberá distinguir quando um invasor
se aproximar. Nessa situação, seu valor como cão de guarda se limitará ao efeito psicológico de dissuasão.
- Visibilidade reduzida e escuridão.
Cães de guarda são mais efetivos quando utilizados à noite, em áreas escuras – não em áreas iluminadas ou durante
períodos de visibilidade reduzida. Cães ficam especialmente alerta quando na escuridão, pois aguçam seus sentidos de audição e
olfato, os quais são suas melhores ferramentas para a detecção de invasores. Se utilizados de dia ou em áreas iluminadas devem
patrulhar por rotas alternativas que busquem as sombras ou permanecer em pontos escuros de onde possam vigiar a área a ser
protegida. Por fim, caso seja necessário que se exponham em áreas iluminadas, mesmo não sendo seu uso ideal do ponto de vista
técnico, sua exposição aumentará o efeito psicológico de dissuasão sobre potenciais invasores.
- Vento, terreno e clima.
De todos os elementos naturais a serem considerados, o vento é o mais importante. Saber a direção dominante e sua
velocidade afeta sobremaneira a forma de se planejar o uso de cães de guarda, pois se deve utilizar o cão onde ele possa usar o vento
a seu favor para aumentar sua capacidade de detecção. Isso se torna crítico, pois afeta os dois principais sentidos do animal, o olfato
e a audição. Sendo assim, o melhor uso do fator vento consiste em planejar o uso do cão de forma que ele possa receber o vento
vindo da área a ser vigiada.
Da mesma forma o terreno e suas benfeitorias podem, se bem que em menor escala, interferir no olfato e audição dos
cães, na medida em que podem desviar o sentido original dos ventos e distorcer e difundir os sons de tal forma que se tornará muito
difícil para o cão definir o local exato da origem dos cheiros ou dos sons, dificultando que ele localize o invasor.
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As condições climáticas extremas tais como chuva torrencial, frio intenso, ou ventos muito fortes também devem ser
consideradas, pois tendem a reduzir a capacidade de detecção dos cães.
Em tais condições, o uso de rotas alternativas de patrulha onde o animal possa estar mais abrigado.
É razoável considerar que os cães suportam exposição às intempéries da mesma forma que os humanos, e que também as
mesmas conseqüências. Sendo assim, sob condições extremas, da mesma forma que o homem deve se proteger deve proteger
também os cães. Por exemplo, sob frio intenso, da mesma forma que os vigias devem se agasalhar deve-se considerar a
necessidade de agasalho para os cães, inclusive calçados, caso tenham que caminhar sobre geadas.
- Turno de trabalho.
Normalmente o turno de trabalho dos cães deve ser de quatro horas por quatro de descanso. Caso se queira planejar
turnos maiores, normalmente os cães se cansam e perdem o interesse em seis horas. Ainda assim, quando o vento, o frio ou o calor
se torna por demais agressivo, é prudente uma redução no turno de forma a evitar animais cansados e desinteressados na ronda. Na
figura temos um exemplo de planejamento de uso de cães de guarda.

4.0 – Planejamento de Segurança Física


Numa visão mais ampla, o planejamento da segurança física visa atingir o propósito de proteger bens e pessoas, prevenindo,
coibindo ou neutralizando ações de agentes agressores que venham a interferir na rotina da empresa. Devemos arquitetar nossas
ações com a finalidade impedir o avanço dos agentes agressores.
Antes de se iniciar um planejamento de segurança física, há necessidade de se definir:
1) Quais os ativos que vamos proteger (O que protegeremos)?
2) A que riscos esses ativos estão sujeitos (Quanto protegeremos)?
Há também a necessidade de se determinar o grau de risco ao qual o que deve ser protegido está exposto. Uma empresa
localizada em área urbana de alta criminalidade e possui itens de alto custo para proteger precisará de mais segurança que uma
empresa na área rural, onde seja baixa a criminalidade, e que produza, por exemplo, parafusos.
Normalmente (mas não obrigatoriamente) o planejamento se faz apoiado na teoria dos círculos concêntricos.
Consideraremos primeiramente a segurança de perímetro. Esta será a primeira linha de defesa contra as invasões. A
segurança de perímetro é tipicamente composta fossos ou por cercaduras, apoiada em iluminação, CFTV e patrulhas. Em alguns
casos, especialmente áreas urbanas, as paredes dos prédios são o perímetro e suas portas e janelas seus acessos. O tipo de barreira
física que será utilizada como primeira linha de proteção dependerá do que se pretende proteger. Por exemplo, proteger um prédio
em área urbana difere significativamente de proteger uma fábrica no campo.
Para o planejamento de uma segurança de perímetro, os seguintes fatores devem ser considerados:
1°) Sempre que houver um planejamento de perímetro, ele precisa estar de acordo com a visão geral do Plano Estratégico da empresa
e do Plano Tático de Segurança.
2°) Perímetros de segurança precisam ter uma relação custo-benefício favorável. Quando o plano for apresentado, certamente alguém
perguntará “Que tipo de retorno teremos com esse investimento?”.
3°) Muito embora quanto menor o número de entradas no perímetro de segurança mais segura ele fica, seu planejamento não deve
interferir negativamente nos negócios nem na execução do Plano de Evacuação de Emergência. Fazer segurança significa aumentar
o grau de proteção para as pessoas e equipamentos, e não aumentar o risco.
4°) Perímetros de segurança têm efeito psicológico sobre invasores em potencial. Eles sinalizam para os de fora – e para os de dentro
também – que há medidas para impedir invasões.
5°) Mesmo com uma boa segurança de perímetro, a possibilidade de uma entrada não autorizada não deve ser desconsiderada. 6°)
Se são encontrados invasores dentro da propriedade, houve fragilidade do perímetro de segurança. Essa fragilidade deve ser
encontrada e corrigida.
7°) O perímetro de segurança deve servir como uma primeira linha de uma série de defesas.
8°) Mercadorias sempre poderão ser atiradas por sobre cercas ou através de janelas. Uma enorme variedade de coisas sempre poderá
ser surrupiada por pessoas a pé ou em veículos legalmente dentro da propriedade.
9°) O perímetro externo de um prédio, principalmente em áreas urbanas, normalmente são suas paredes externas.
10°) Zonas limpas. Para permitir vistas livres, os dois lados de uma cercadura deverão estar limpos, sem obstáculos. Deve existir
uma zona vazia de 6 metros ou mais entre a barreira de perímetro e as estruturas de exterior, áreas de estacionamento, características
naturais ou benfeitorias feitas pelo homem. Da mesma forma, deve existir uma zona vazia de 15 metros ou mais entre a barreira de
perímetro e as estruturas internas. Em caso de cercas duplas, o intervalo entre elas também deve ser suficientemente grande que
impeça que uma cerca seja utilizada como apoio para ultrapassar a outra.
11°) Barreiras perimetrais estão todo o tempo expostas ao público externo. Deve-se cuidar bem da sua aparência, bem como da
aparência do pessoal das patrulhas e das guaritas.
12°) Barreiras perimetrais devem ser inspecionadas periodicamente, em períodos curtos. Não se deve esperar encontrar um invasor
na ante-sala para saber que a cerca está rompida.
Após considerarmos a segurança perimetral, passaremos para o segundo círculo, tipificado aqui pelo sistema de fechamento. O
propósito básico de um sistema de fechamento é obstruir entradas não autorizadas em locais já dentro do perímetro da empresa.
Tentativas de entrada em lugares não autorizados – protegidos – ocorrem normalmente pela porta ou pela janela, tanto externas
quanto internas e sistemas de fechamento devem deter o acesso não autorizado de pessoas de dentro ou de fora da empresa. Um
sistema de fechamento é composto por:
1) A abertura em que a porta será inserida, e seus materiais adjacentes.
2) A moldura que é inserida nesta abertura.
3) A porta, janela, portão ou similar e o material que o constitui.
4) As dobradiças.
5) A maçaneta e sua lingüeta, ou outro dispositivo similar.
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6) O cilindro-mestre.
7) O mecanismo de travamento.
Todas as partes do sistema de fechamento devem receber a mesma atenção.
Se em um sistema de fechamento tem um de seus itens especificado de forma tal que forneça alto grau de segurança, mas outros
itens não o acompanham no mesmo grau, não surte o efeito esperado e perde-se trabalho e dinheiro.
Atualmente fechaduras apresentam alto grau de sofisticação em relação à segurança oferecida, mas os outros materiais não. Sendo
assim, erros são comuns.
Por fim, passamos à terceira linha de proteção, a proteção interna. A terceira linha de proteção é aquela que visa o controle interno
de acesso e é composta por cofres, armários, porta interna, salas fortes e similares.

4.1 - Iniciando o plano


Baseado em um diagnóstico e uma análise de risco, o plano tem como finalidade principal, propor soluções para a
diminuição dos riscos levantados.
Iremos então dimensionar os meios humanos, animais e técnicos a serem utilizados para alcançar nossos objetivos.
O plano deve estar bem alinhado com a política e objetivos da empresa para que possamos atingir resultados não só
eficazes e eficientes, mas também efetivos.
É interessante iniciar apresentando o conceito à alta direção da empresa mostrando as conseqüências para a empresa caso
o sistema produtivo seja atacado e uma visão histórica de fatos ocorridos em outras empresas – ou na própria empresa.
Após a apresentação das medidas propostas se deve apresentar de forma honesta à direção que tipo de problemas as medidas de
segurança poderão causar na produtividade e, comparando-se tais problemas com as conseqüências de possíveis ataques ao sistema
produtivo, uma honesta análise do custo/benefício de tais propostas – que deve ser favorável à segurança, pois se não for não de
deve sequer iniciar a apresentação das propostas de segurança. O plano deverá retratar todas as preocupações que o executivo de
segurança deve ter com relação à aplicação dos recursos adequados, além da descrição das normas e procedimentos que as equipes
de segurança desempenharão através das normas de cada posto de serviço, respeitando-se as particularidades existentes em cada
setor.
Para que isso aconteça, se faz necessário que todos os envolvidos com a segurança, estejam bem treinados e integrados
com o ambiente de trabalho.

4.2 - Fatores importantes na elaboração do plano


Primeiro passo:
- Saber atividade principal da empresa;
- Saber as metas e condicionantes do Plano Estratégico da empresa e do Plano Tático de Segurança.
- Conhecer a geografia da região;
- Conhecer a planta da empresa;
- Conhecer o entorno da empresa (proximidade de aeroportos, vias principais, córregos de água, fontes de distribuição de energia,
comunidades etc);
- Relacionar o histórico das ocorrências em outras empresas que residem na área;
- Conhecer as benfeitorias da empresa, inclusive internamente; - Identificar os pontos vulneráveis (diagnóstico); - Levantar os riscos
(análise de risco).
Após isso:
- Identificar as barreiras necessárias (muros, cercas, portões, controle dos acessos, iluminação etc.), considerando o aproveitamento
das barreiras naturais;
- Estabelecer postos de segurança (humana ou animal);
- Estabelecer pontos e controles de acesso;
- Estabelecer procedimentos;
- Levantar efetivo necessário;
- Levantar materiais e equipamentos a serem utilizados;
- Calcular o custo;
- Em função do orçamento, reajustar se for necessário.
- Alinhar os possíveis problemas que as medidas de segurança poderão causar (por exemplo, aumento do tempo de carga ou
descarga, aumento do tempo necessário para os empregados entrarem ou saírem da empresa etc.) Devemos
dar especial atenção aos pontos de maior sensibilidade numa organização que são:
- Controle de acesso, circulação e perímetros;
- Controles internos e identificação;
- Áreas restritas, armazéns e estacionamentos; - Áreas de carga e descarga.

4.3 - Esboço de um Plano Operacional de Segurança Física

1. Propósito. Explicita o propósito do plano de forma clara que não permita dúvidas.
2. Área de segurança. Define as áreas, prédios e outras estruturas consideradas críticas e que mereçam proteção, bem como a
prioridade para sua proteção.
3. Medidas de controle. Estabelece restrições para o acesso e movimento nas áreas críticas. Essas restrições devem ser listadas para
pessoal, veículos e carga. a. Controle de pessoal.

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(1) Área. Define controles referentes a cada área ou estrutura considerada individualmente (a)
Autorização de acesso. Quem a possui e emitida por quem.
(b) Critério de acesso para:
i. Empregados da empresa.
ii. Visitantes.
iii.Vendedores.
iv Pessoal de manutenção. v Pessoal
contratado para trabalhos específicos. vi
Outros.
(2) Identificação e controle.
(a) Tipo. Descreve o sistema a ser utilizado em cada área. Se for utilizado um sistema de crachás,
deve conter uma descrição completa sobre todo os aspectos relativos ao acesso de pessoal nas
diversas áreas da empresa e como os crachás permitirão sua visualização rápida.
(b) Aplicação. Deve incluir regras específicas para cada caso baixo. i. Empregados da empresa.
ii. Visitantes. iii.Vendedores. iv. Pessoal de manutenção.
v. Pessoal contratado para trabalhos específicos.
vi. Outros.
b. Controle de material. Deve-se ter em mente que a área de segurança não define normas na área contábil ou fiscal. A segurança
controla se as normas definidas nessas áreas por quem de direito na empresa estão sendo seguidas para evitar perdas por recebimentos
ou liberações indevidas.
(1) Entrada de material.
(a) Recebimento. Define normas de segurança a serem observadas para recebimento de material e suprimentos de modo rotineiro.
(b) Controle. Define normas e responsabilidades a respeito da inspeção de segurança sobre o material que entra na empresa,
incluindo toda a documentação necessária para o aceite.
(2) Saída de material.
(a) Carregamento. Define normas de segurança a serem observadas para o carregamento de produtos de modo rotineiro.
(b) Controles. Define normas e responsabilidades a respeito da inspeção de segurança sobre o material que sai da empresa,
incluindo toda a documentação necessária para a liberação.
(3) Casos especiais. Define normas de segurança a serem observadas para o recebimento ou carregamento não usuais, em áreas livres
ou restritas. Define também a responsabilidade a respeito da inspeção e liberação, documentação necessária e outros. Normatiza a
procura e inspeção de material caso haja indícios de ameaça, neste caso específico sempre de acordo com a legislação vigente.
c. Controle de veículos.
(1) Frota da empresa. Define normas para o controle da utilização dos veículos da empresa.
Note-se que as normas para a utilização em si não são definidas pela área de segurança da empresa, mas pela logística ou outra área
equivalente. A segurança controla apenas o uso determinado para evitar perdas por utilização indevida.
(2) Veículos particulares dos empregados. Define normas para controle de entrada, revista e saída dos veículos particulares dos
empregados da empresa. A revista só poderá ser realizada se de acordo com a legislação vigente.
(3) Veículos de vendedores, visitantes, contratados e outros veículos. Normas para controle de entrada, revista e saída, sendo a revista
sempre de acordo com a legislação vigente.
(4) Normas para o controle da entrada de veículos em áreas restritas.
(a) Veículos particulares dos empregados.
(b) Frota da empresa.
(c) Veículos de emergência.
(d) Veículos dos vendedores, visitantes, contratados e outros veículos.
d Política e procedimentos para registro de veículos. A política de autorização de entrada de veículos de empregados da empresa
não é, a princípio, definida pela área de segurança, mas pela área de RH. Aqui essa política é explicitada e são definidas normas para
seu cumprimento.
4. Implementação da segurança. Indica de que forma os seguintes itens de segurança serão implementados dentro da área da
companhia.
a. Barreiras de proteção.
(1) Definições. Descrição de que barreiras estruturais serão criadas ou barreiras naturais serão aproveitadas, com o propósito de
cada uma. Deve-se ter atenção para o fato de que barreiras de segurança incluem cercaduras, mas não somente cercaduras. Inclui
também portas, janelas, armários, cofres e todo mais que retarde a ação do agressor que já tenha penetrado em qualquer dos
círculos de proteção.
(2) Zonas Limpas.
(a) Critério. Define os critérios utilizados para a definição da largura de cada zona limpa junto às barreiras e o propósito de cada
uma. Define também, no caso específico das cercaduras, se poderá haver ou qual o tipo de tráfego de pessoas, animais ou veículos
permitidos ou aceitáveis, e em que situações. No caso de portas, janela e similares define se poderá haver trânsito ou aglomeração
de pessoas nas suas proximidades.
(b) Manutenção. Define critérios para a necessidade de manutenção de cada zona limpa tais como altura máxima que a grama
pode alcançar, tipo de material cuja presença seja inaceitável na zona limpa (escadas ou martelos, por exemplo) etc.
(3) Sinalização.
(a) Visual. Define tipo de placas, avisos, faixas etc, seu tamanho, cores, dizeres, locais de colocação e em que direção. (b)
Auditiva. Define avisos, que podem ser sistemáticos ou não, no sistema de som interno, sirene etc.
(4) Portas, janelas e portões.

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(a) Abertura e fechamento. Inclui horário para abertura e fechamento, responsabilidade por seu fechamento, pela verificação do
fechamento após o expediente e pela sua abertura. Possui também instruções sobre o claviculário, sua localização, seu uso e
responsabilidade, sobre o recebimento das chaves, sua guarda e sua entrega. Deve conter instruções claras sobre quem está
autorizado manter chaves próprias de diferentes setores da empresa consigo, sobre quem está autorizado a receber quais chaves
no claviculário, autorizado por qual autoridade e sob quais circunstâncias (por exemplo, alguém pode estar autorizado a receber
uma chave em dias de trabalho, mas não em feriados).
(b) Requisitos de segurança. Define o tipo e o material a ser utilizado e o motivo – sempre ligado à segurança. Portas, janelas e
portões devem proporcionar o mesmo grau de segurança que as cercaduras, armários ou paredes nas quais eles se inserem.
(c) Travas e fechaduras de segurança. Define também o tipo e o material a ser utilizado.
Deve-se ter em mente que as travas e fechaduras devem proporcionar o mesmo grau de segurança que os portões, portas
ou janelas aos quais pertençam.

b. Sistema de Iluminação de Proteção.


(1) Localização, utilização e controle. Define os locais onde será utilizada a iluminação de segurança, suas características e o que se
pretende com sua utilização.
(2) Inspeção. Define rotinas e responsabilidades para a inspeção da iluminação.
(3) Ação a tomar em caso de falta de energia.
(4) Ação a tomar em caso de falha no sistema de geração de energia de emergência.
(5) Sistema de iluminação de emergência.
(a) Fixo.
(b) Portátil.

c. Sistema de detecção de intrusão.


(1) Localização, utilização e controle. Define os locais onde serão utilizados, suas características e o que se pretende com sua
utilização.
(2) Inspeção. Define rotinas e responsabilidades para a inspeção do seu funcionamento.
(3) Uso e monitoração. Define procedimentos para sua utilização e responsabilidades para monitoração dos painéis.
(4) Ações a serem tomadas em caso de acionamento do alarme.
(5) Manutenção. Define rotinas de manutenção.
(6) Registros de alarmes. Define procedimentos de catalogação e arquivamento dos alarmes ocorridos e as providências tomadas.
Deve-se atentar para a formatação dos dados, que deve ser de tal forma que possam vir a ser utilizados posteriormente em juízo,
se for o caso.
(7) Locais sensíveis. Define os locais sensíveis da empresa onde deverá ser dada maior atenção.
(8) Previsão de falhas e interferências. Define regras e procedimentos caso haja falhas ou interferências nos equipamentos.
(9) Localização do Painel Monitoração.

d. Comunicações.
(1) Localização. Define a localização e os usuários dos postos-rádio fixos, e usuários dos postos móveis (incluindo telefonia móvel),
localização e usuários dos telefones fixos.
(2) Uso. Define o uso que será dado ao sistema, evitando a sua sobrecarga.
(3) Teste. Define rotinas e responsabilidades de testes do sistema.
(4) Autenticação. Define métodos de autenticação.

5. Forças da Segurança. Inclui instruções gerais do que se aplica para todos os agentes de segurança (em postos fixos ou rondantes).
a. Composição e organização.
b. Turnos de trabalho.
c. Rotas e postos essenciais.
d. Armamento e equipamento.
e. Treinamento.
f. Utilização de cães de guarda.
g. Forças reservas de segurança.
(1) Composição.
(2) Propósito ou missão.
(3) Armamento e equipamento.
(4) Localização.
(5) Conceito de utilização.

6. Plano de contingência. Caso haja falha geral do sistema.

7. Uso de observação aérea. Mais relacionado a grandes propriedades, se for utilizada a observação aérea (helicópteros, aviões ou
veículos aéreos não-tripulados) devem ser estabelecidas normas, procedimentos e responsabilidades.
8. Instruções para coordenação. Torna explícito o que for necessário para coordenação com outras agências de segurança, públicas
ou privadas, por exemplo, Corpo de Bombeiros, Polícia Militar, Polícia Civil, Defesa Civil ou mesmo com a gerência de segurança
de outras empresas visando o apoio mútuo.

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a. Integração com o conceito de emprego e as necessidades de apoio dessas agências.
b. Ligação e coordenação.
(1) Autoridades locais.
(2) Elementos locais de apoio.
9. Sanções. Normalmente estabelecidas pelo setor de RH, explicitam as sanções administrativas e legais passíveis de serem
aplicadas em caso de descumprimento das normas e procedimentos estabelecidos.
10. Custos. Uma descrição dos custos da implantação do plano e de sua manutenção (custo inicial e mensal).
Anexos.
Normas e procedimentos. As normas e procedimentos citadas no corpo do plano, se extensas, poderão ser colocadas em anexo.
Planta baixa da empresa com sua compartimentação.
Planta do sistema de barreiras.
Planta de iluminação.
Planta de sensores e CFTV.
Crachás
Plano de comunicações.

4.4 - Implantação do Plano


Esta é uma das partes mais sensíveis, pois neste momento teremos que mobilizar toda a empresa, tanto pessoal da área de
segurança como de todos os outros departamentos e setores. Este é o momento em que é posto em prática tudo aquilo que foi previsto.
Porém precisamos lembrar que o sistema de segurança vai ser utilizado por todos os funcionários da empresa e, para que isso
realmente ocorra, o sistema deve ser cômodo para todos e deve ser divulgado antes do início de sua implementação até que pelo
menos a maior parte da resistência seja quebrada.

4.5 - Controle
Deve ser feito por meio de indicadores, os quais devem ser escolhidos criteriosamente de forma a permitir uma visão
correta dos efeitos causados pelo plano. Por exemplo, pode-se utilizar uma caixa de sugestões para verificar a satisfação dos clientes
internos com os sistemas implantados. Deve-se ter especial atenção com indicadores que tenham influência direta na lucratividade
da empresa (tais como aumento de casos de recuperação de material roubado por empregados, a diminuição de tentativas de invasão
etc).

4.6 - Avaliação
A avaliação dará à área operacional a possibilidade de acompanhar o desempenho do Plano de Segurança. Esta
ferramenta deverá retratar a aplicação dos processos elaborados, com a finalidade de medir se o que foi planejado está sendo
executado, e se a execução está com o retorno desejado.
Caso contrário, ele deverá ser reajustado. Note-se que a avaliação não deve ser superficial nem precipitada. O aumento de
casos de recuperação de material roubado por empregados por si só não é concludente. Na avaliação deve-se ter em mente que o
objetivo final da segurança é diminuir perdas, o que proporcionará um aumento dos lucros.
Um Plano de Segurança Física deve também considerar a maneira de agir dos agressores. As características das
cercaduras, patrulhas, alarmes, fechaduras, janelas e portas devem ser estudadas pelo pessoal da segurança – para impedir invasões
– na medida do possível com a mesma visão dos possíveis agressores – para tentar invasões. Colocando-se na posição do agressor,
pode-se vir a ter a sua perspectiva, o que ajudará em muito o planejamento das defesas. Agressores normalmente decidem se tentarão
ou não um crime contra aquele local após responder aos seguintes questionamentos:
1°) É fácil entrar?
2°) O quanto o alvo parece atrativo, vulnerável ou visível?
3°) Quais as chances de ser visto?
4°) Se visto, haverá reação contrária?
5°) Há uma rota de fuga rápida?
Caso seu plano não passe no teste acima, refaça-o antes de iniciar sua implementação.

Bibliografia e Leitura recomendada

BARRAL, Jean, LANGELAAN, George. Espionagem Industrial. 3ed. Rio de Janeiro: Agents Editores, 1977.
BRASILIANO, Antonio Celso Ribeiro. Planejamento da Segurança Empresarial. 1ed. São Paulo: Cia das Artes, 1999.

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CRIMINALÍSTICA
FUNDAMENTAÇÃO LEGAL:

DECRETO-LEI Nº 3.689, DE 3 DE OUTUBRO DE 1941. Código de Processo Penal.


Art. 6º Logo que tiver conhecimento da prática da infração penal, a autoridade policial deverá:
I - dirigir-se ao local, providenciando para que não se alterem o estado e conservação das coisas, até a chegada
dos peritos criminais; (Redação dada pela Lei nº 8.862, de 28.3.1994) (Vide Lei nº 5.970, de 1973)
II - apreender os objetos que tiverem relação com o fato, após liberados pelos peritos criminais; (Redação dada pela
Lei nº 8.862, de 28.3.1994)
III - colher todas as provas que servirem para o esclarecimento do fato e suas circunstâncias; IV - ouvir o ofendido;
V - ouvir o indiciado, com observância, no que for aplicável, do disposto no Capítulo III do Título Vll, deste Livro,
devendo o respectivo termo ser assinado por duas testemunhas que Ihe tenham ouvido a leitura;
VI - proceder a reconhecimento de pessoas e coisas e a acareações;
VII - determinar, se for caso, que se proceda a exame de corpo de delito e a quaisquer outras perícias;
VIII - ordenar a identificação do indiciado pelo processo datiloscópico, se possível, e fazer juntar aos autos
sua folha de antecedentes;
IX - averiguar a vida pregressa do indiciado, sob o ponto de vista individual, familiar e social, sua condição
econômica, sua atitude e estado de ânimo antes e depois do crime e durante ele, e quaisquer outros elementos que
contribuírem para a apreciação do seu temperamento e caráter.

Art. 158. Quando a infração deixar vestígios, será indispensável o exame de corpo de delito, direto ou indireto, não
podendo supri-lo a confissão do acusado.

Art. 167. Não sendo possível o exame de corpo de delito, por haverem desaparecido os vestígios, a prova testemunhal
poderá suprir-lhe a falta.

Art. 169. Para o efeito de exame do local onde houver sido praticada a infração, a autoridade providenciará
imediatamente para que não se altere o estado das coisas até a chegada dos peritos, que poderão instruir seus laudos
com fotografias, desenhos ou esquemas elucidativos. (Vide Lei nº 5.970, de 1973)
Parágrafo único. Os peritos registrarão, no laudo, as alterações do estado das coisas e discutirão, no relatório, as
consequências dessas alterações na dinâmica dos fatos. (Incluído pela Lei nº 8.862, de 28.3.1994)

Art. 564. A nulidade ocorrerá nos seguintes casos:


(...).
III - por falta das fórmulas ou dos termos seguintes:
(...).
b) o exame do corpo de delito nos crimes que deixam vestígios, ressalvado o disposto no Art. 167;

DECRETO-LEI Nº 1.002, DE 21 DE OUTUBRO DE 1969. Código de Processo Penal Militar


Art. 12. Logo que tiver conhecimento da prática de infração penal militar, verificável na ocasião, a autoridade a que se
refere o § 2º do art. 10 deverá, se possível:
a) dirigir-se ao local, providenciando para que se não alterem o estado e a situação das coisas, enquanto
necessário; (Vide Lei nº 6.174, de 1974)
b) apreender os instrumentos e todos os objetos que tenham relação com o fato;
c) efetuar a prisão do infrator, observado o disposto no art. 244;
d) colher todas as provas que sirvam para o esclarecimento do fato e suas circunstâncias.

20
DECRETO-LEI No 2.848, DE 7 DE DEZEMBRO DE 1940. Código Penal.
Art. 166 - Alterar, sem licença da autoridade competente, o aspecto de local especialmente protegido por lei:
Pena - detenção, de um mês a um ano, ou multa.
Art. 347 - Inovar artificiosamente, na pendência de processo civil ou administrativo, o estado de lugar, de coisa ou
de pessoa, com o fim de induzir a erro o juiz ou o perito: Pena - detenção, de três meses a dois anos, e multa.
Parágrafo único - Se a inovação se destina a produzir efeito em processo penal, ainda que não iniciado, as penas
aplicam-se em dobro.

PMGO:
portaria Nº 000499, 11 Fev 2010 – Aprova Normas Procedimentos em caso de Ocorrências de vulto envolvendo Policiais Militares
http://corregedoria.pm.go.gov.br/

1. INTRODUÇÃO

No princípio do século XIX, cabia à medicina legal, além dos exames de integridade física do corpo humano, toda a
pesquisa, busca e demonstração de outros elementos relacionados com a materialidade do crime e demais evidências extrínsecas ao
corpo humano.
Com o advento de novos conhecimentos e desenvolvimentos das áreas técnicas, como física, química, biologia,
matemática, toxicologia, etc., tornaram-se necessidade real a criação de uma nova disciplina para a pesquisa, análise, interpretação
dos vestígios materiais encontrados em locais de crime, tornando-se assim, fonte imperiosa de apoio à polícia e à justiça. Surgiu,
assim, a criminalística como ciência independente em sua ação, como as demais que a constituem.
O nome criminalística foi utilizado pela primeira vez por Hans Gross, considerado o pai da criminalística, juiz de
instruções e professor de direito penal, em 1893, na Alemanha, ao publicar seu livro como sistema de criminalística, Manual do juiz
de instrução.

1.1 CONCEITOS: ‘A Criminalística é o conjunto de procedimentos científicos de que se vale a justiça moderna para averiguar o
fato
delituoso e suas circunstâncias, isto é, o estudo de todos os vestígios do crime, por meio de métodos adequados a cada um deles. O
termo criminalístico foi criado por FRANS VON LISZT, para designar a "Ciência total do Direito Penal". Para Hans Gross
criminalística seria "O estudo global do crime". O 1º Congresso Nacional de Polícia Técnica aprovou a definição do Prof. JOSÉ
DEL PICCHIA FILHO:
"Criminalística é a disciplina que tem por objetivo o reconhecimento e a interpretação dos indícios materiais extrínsecos,
relativos ao crime ou à identidade do criminoso".
Por outro lado, no Rio Grande do Sul, um dos mais geniais peritos brasileiros, o Dr. ERALDO RABELLO assim definiu
a criminalística: "É uma disciplina autônoma integrada pelos diferentes ramos do conhecimento técnico-científico, auxiliar e
informativo das atividades policiais e judiciárias da investigação criLminal. Na atual conjuntura uma definição simples e concisa
seria:
CRIMINALISTICA É A CIÊNCIA QUE ANALISA SISTEMATICAMENTE OS ASPECTOS MATERIAIS DO ILÍCITO
PENAL, VISANDO, NUMA SÍNTESE DE INDÍCIOS, ELUCIDAR O DELITO E DAR A SUA AUTORIA.

1.2 OBJETIVOS DA CRIMINALÍSTICA:


A Criminalística é uma ciência que tem por objetivos:
a) dar a materialidade do fato típico, constatando a ocorrência do ilícito penal;
b) verificar os meios e os modos como foi praticado um delito, visando fornecer a dinâmica do fenômeno; c) indicar a
autoria do delito, quando possível;
d) elaborar a prova técnica, através da indiciologia material.

2. CONCEITO DE CORPO DELITO


Todos os crimes materiais deixam vestígios, pois nestes delitos existe a necessidade de um resultado externo à ação,
sendo relevante o resultado material para que os mesmos existam.
No lugar onde ocorreu uma morte violenta, por exemplo, um homicídio, são vestígios materiais: o corpo da vítima em
si, as lesões, indumentárias, a arma do crime, projéteis, marcas de sangue, pegadas, objetos diversos, etc. Ao conjunto de todos esses
vestígios materiais dá-se o nome de Corpo de Delito.
Para Pimenta Bueno: "Corpo de delito é o conjunto de elementos que constaram a existência do crime". Para João
Mendes: “Corpo de delito é o conjunto de elementos sensíveis do fato criminoso". Para Farinácio:
"Corpo de delito é o conjunto de vestígios materiais deixados pelo crime".

2.1 VESTÍGIOS:
VESTÍGIO: "Todo e qualquer elemento sensível encontrado no local do crime, na vítima ou no suspeito de ter sido o autor do ilícito
penal". Quando um vestígio, através de sua interpretação puder levar a uma prova indiciaria, estamos diante do que tecnicamente
denominamos indício. Ou seja, vestígio é o elemento material não necessariamente relacionado com o evento, é pressuposto de
prova. Indício, pois, é todo vestígio relacionado diretamente com o evento. É um princípio de prova manifesto.

21
Como regra geral, os vestígios materiais podem ser diretamente perceptíveis pelos sentidos (visão, olfato, tato, audição)
ou imperceptíveis diretamente pelos sentidos, subdivididos estes em LATENTES (só podem ser percebidos sensorialmente depois
de revelados) e MICROSCÓPICOS (são aqueles cujas dimensões estão aquém da capacidade de percepção do olho desarmado).
Podem ainda os vestígios ser PERSISTENTES (durabilidade prolongada) ou FUGAZES (quando de fácil e rápido desaparecem).
Em relação ao fato delituoso, os vestígios se classificam em:
a) verdadeiros; Os vestígios são VERDADEIROS quando estão diretamente relacionados com o evento.
b) forjados; Os vestígios são FORJADOS quando produzidos com a finalidade que possa iludir a investigação.
c) ilusórios. O vestígio ILUSÓRIO finalmente não tem nenhuma relação com o crime, podendo ser anteriores ou posteriores ao
próprio delito.

2.2 EXAME DE CORPO DE DELITO


Como definição, é correto afirmamos que o exame de corpo de delito é a comprovação pericial dos elementos
objetivos do tipo; o exame inspecional do corpo de delito. A finalidade do exame de corpo de delito é comprovar a existência dos
elementos do fato típico dos delitos "FACTIPERMANENTIS".
O fundamento do exame de corpo de delito está na lei, mais precisamente nos Arts.158 e 564, III, b do Código de
Processo Penal. Se o delito se incluir entre os que deixam vestígios, denominados por isso de "delito de fato permanente", a prova
pericial é essencial, obrigatória, importando a sua ausência na absolvição do acusado por falta de prova quanto ao fato criminoso.
Art. 386 - O juiz absolverá o réu, mencionando a causa na parte dispositiva, desde que reconheça.
.....................................................................................
II - não haver prova da existência do fato;
A confissão do indiciado como autor do crime não pode suprir a ausência do exame de corpo de delito quando se tratar de infração
que deixa vestígio.
Neste caso, a ausência do exame vai acarretar a própria nulidade do processo.
Art. 564 - A nulidade ocorrerá nos seguintes casos:
.......................................................................................

Na hipótese do desaparecimento dos vestígios admite a lei a realização de exame de corpo de delito de forma indireta,
se valendo de depoimentos de testemunhas "diretas" que tenha "visto" a cena do crime.
Dois são, portanto, os requisitos de admissibilidade do exame de corpo de delito indireto, a saber: a)
terem os vestígios desaparecidos;
b) existir pelo menos uma testemunha direta do crime.
O exame de corpo de delito indireto não possui nenhuma formalidade especial. Não existe "termo de compromisso",
mas tão somente uma advertência do crime de falso testemunho, identicamente feito em qualquer depoimento testemunhal.
É elaborado um "auto de exame de corpo de delito indireto" no qual a autoridade questiona a testemunha acercada
materialidade do crime, pois a sua finalidade é exatamente fazer prova da existência do delito. A testemunha tem que ser direta, deve
ter visto os vestígios para poder dizer dos mesmos ainda que tenha chegado ao local do crime após a consumação do ilícito.
Uma outra modalidade de exame de corpo de delito indireto é a denominada "reprodução simulada do fato". Esta é
uma peça pericial, realizada por perito oficial, na qual o experto emite um juízo de valor sobre a versão apresentada do crime. A
reprodução simulada do fato é uma encenação do delito com atores representado, cena por cena, o itinerário da ação criminosa do
acusado.
O perito realiza a reprodução simulada do fato, materializa fotograficamente as cenas e no final, analisa as
possibilidades técnicas, bem como, a coerência lógica das versões apresentadas.
Na reprodução simulada do fato, que trata de um exame de corpo de delito especial, indireto, o perito conclui sobre a
viabilidade da versão, sobre a possível veracidade desta. Na reprodução simulada do fato, o perito emite um juízo de valor, uma
opinião técnica acerca das versões. a) do acusado;
b) de testemunha direta;
c) da vítima.
Na realização de corpo de delito o Código de Processo Penal adotou o princípio da perícia oficial. O perito oficial é
aquele que exerce profissionalmente os misteres da perícia, ocupando cargo público de perito. Porém, em nem todas as cidades o
Estado consegue manter um perito oficial. Assim, onde não houver tal funcionário público deve a autoridade nomear "ADHOC".
Na falta de perito oficial, o exame será realizado por 2 (duas) pessoas idôneas, portadoras de diploma de curso
superior preferencialmente na área específica, dentre as que tiverem habilitação técnica relacionada com a natureza do exame (Art.
159, parágrafo 1º do CPP, alterado).
Os peritos não oficiais prestarão o compromisso de bem e fielmente desempenhar o encargo (Art. 159, parágrafo2º, do CPP,
alterado). São essas pessoas, nomeadas para um caso concreto de crime, denominadas de peritos não oficiais. Deve as mesmas
elaborar um laudo pericial ou um auto de exame de corpo de delito, que deve ir para o Inquérito ou Processo conjuntamente com o
termo de compromisso.
Para cada perícia, um termo de compromisso, que no caso é considerado como uma formalidade que constitui elemento
essencial do ato processual. O único fato que justifica a realização do exame de corpo de delito por perito não oficial é a inexistência
na cidade de perito oficial.
A oportunidade da realização da perícia depende da decisão da autoridade policial ou judiciária, pois o perito jamais pode
realizá-la sem a devida requisição. A autoridade requisita a realização do exame de corpo de delito, que é obrigatório por lei nos
crimes que deixam vestígios.

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O princípio da imediatidade justifica célere realização do exame de corpo de delito ainda na fase de investigação do
Inquérito Policial, pois ante a fugacidade dos vestígios, a sua não realização imediata prejudicaria a eficácia da perícia, muito embora
esta seja um ato de instrução.
Das peças investigatórias dos Inquéritos Policiais, os atos de valor judicial são apenas os representados pelos autos de
corpo de delito.
Todavia, se ainda persistir algum vestígio do delito a autoridade judiciária, ou mesmo, a policial, poderá requisitar um
novo exame de corpo de delito por outro perito que não aquele que já o fez.
Pode também a autoridade requisitar laudo complementar ao já emitido, visando esclarecer ou complementar o laudo
quando entender que nele exista omissão de ponto relevante, obscuridade na conclusão ou até mesmo contradição. Na
redação do artigo 181 do Código de Processo Penal, diz:
"No caso de inobservância de formalidade, ou no caso de omissões, obscuridade ou contradições, a autoridade judiciária mandará
suprir a formalidade, complementar ou esclarecer o laudo".
Todavia, para tal mister que a autoridade tenha noções de Criminalística, pois somente assim poderá discernir quando
necessário se fizer sua salutar intervenção, em prol do fim maior que é a Justiça, ao requisitar nova perícia.
Não é deselegante a atividade da autoridade que assim procede, pois a sua conduta nesse sentido é uma imposição do
artigo 181 do Código de Processo Penal.
Deselegante entendemos ser a conduta da autoridade, que demonstrando falta de humildade não procura o perito que
elaborou o exame de corpo de delito, para dele questionar diretamente as dúvidas, que muitas vezes existem unicamente por falta de
conhecimentos mínimos de Criminalística.
Do contato da autoridade com o perito, este poderá inclusive auxiliar aquela na elaboração de quesitos a serem respondidos
em laudo complementar. Neste caso, tal laudo poderia carrear para os autos um posicionamento mais próximo do mundo jurídico,
mais clarificando da verdade do fato; se resguardando da máxima que expressa não estar no mundo jurídico o que não estiver nos
autos.

3. LOCAL DE CRIME
3.1Conceito
"Local de crime é toda área onde tenha ocorrido um fato que assuma a configuração de delito e que portanto exija as providências
da Polícia Judiciária".
Neste conceito estão compreendidos, naturalmente, os crimes de qualquer espécie, bem como, todo fato que, não
constituindo crime, deva chegar ao conhecimento da polícia, afim de ser convenientemente esclarecido. Para Eraldo Rabello - "O
local de crime gira em torno da área onde tenha ocorrido uma infração penal e deixou marcas capazes de ser levantadas.
3.2 Classificação:
Vários são os critérios que podem ser adotados para se classificar os locais, todavia de maneira prática sem qualquer
detrimento de outras. Assim, os locais podem ser considerados:
1. Quanto a área onde ocorreu o fato:
a) Local interno: aquele situado no interior de edifícios, residências, lojas, pátios de estacionamento, garagens, etc;
b) Local externo: aquele localizado em campo aberto, cerrado, fazenda, rua, praça, etc.;
1.1. O que diferencia os locais em internos e externos é a existência ou não de delimitação física do espaço;
1.2. Todavia a classificação do local interno ou externo não acarreta conseqüência relevante, a não ser quanto ao aspecto de sua
preservação;
1.3. Os locais internos e externos são subdivididos em:
1.3.1. Ambiente imediato: é o local onde ocorreu o fato, ou seja, o local propriamente dito.
1.3.2. Ambiente mediato: compreende vizinhanças da área onde foi praticado o delito.
2. Quanto a localização: saber se a área é urbana, rural, etc.
3. Quanto a natureza do fato: o local é estudado tendo-se em vista o seu aspecto;
3.1. Determinar a natureza da área onde o mesmo ocorreu;
3.2. Determinar a natureza do fato ocorrido (se de morte violenta, se de furto qualificado, se de acidente, etc.). Em resumo,
quanto a natureza ou local, responder as indagações:
-Onde ocorreu o fato?
-A natureza do fato ocorrido?
-O que aconteceu?
4. Quanto aos vestígios existentes no local:
Com relação aos vestígios, pode ainda ser o local de crime:
4.1. Locais idôneos: preservados ou não violados:
4.2. Locais inidôneos, não apropriados ou violados:
Quando são devassados após a prática da infração penal e antes da chegada dos peritos ao local, em detrimento da perícia.
Pode haver adição e subtração de evidências, prejudicando portanto, a interpretação dos vestígios.
4.3. Locais relacionados:
São aqueles que se referem a uma mesma ocorrência, isto é quando duas ou mais áreas diferentes se associam ou se
completam na configuração do delito. É o que ocorre, por exemplo, na falsificação, num local se prepara o material falsificado e em
outro ele é negociado.

5. IMPORTÂNCIA DA PRESERVAÇÃO DOS LOCAIS DE CRIME NA FORMAÇÃO DA PROVA PERICIAL.


A eficiência do trabalho policial na investigação do delito está na razão direta das provas que encontra para o seu devido

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esclarecimento. A prova tem por objetivo transformar a suspeita, em certeza. Sem dúvida alguma a fase mais importante para a
investigação criminal é a preservação do local do crime, assegurando, em conseqüência o levantamento das provas.
O primeiro cuidado que um policial deve tomar num lugar onde tem que intervir, para comprovar a existência de um
delito, é evitar que o local onde este se produziu seja destruído. Deve-se evitar a permanência de pessoas estranhas à investigação,
pois um toque em uma marca pode levar a um não esclarecimento do sucedido.
O segundo cuidado, via de regra não oferecem grande dificuldade de interpretação, são sim difíceis de colher, dada a
extrema facilidade com que se perdem para sempre, quando não forem tomadas as precauções adequadas para protegê-lo em sua
integridade.
A possibilidade de produzir provas cientificamente depende quase em sua maior parte do correto procedimento dos
policiais incumbidos da preservação do local até a chegada no mesmo dos técnicos, e da perícia deste último na realização de um
exame eficaz.
Antes de se compreender perfeitamente bem a obrigação que se tem de proteger e conservar os vestígios encontrados, o
policial deve saber o que é um local de crime, conhecendo a sua extensão e entender a necessidade proteger todo esse local,
porque ele é o mais frutífero manancial de informações e, na maioria dos casos, todo êxito emana de uma apreciação inteligente que
permitiram ao perito oportunas conclusões.
Se uma investigação termina em fracasso, a causa é comumente um inadequado exame do local de crime.

5.1. ISOLAMENTO E PRESERVAÇÃO DE LOCAL:

a) Considerações iniciais: A problemática da preservação dos locais de crime sempre será mais grave entre a ocorrência do
delito e achegada do primeiro profissional de Segurança Pública, pois nesse espaço de tempo que inexistirá qualquer preocupação
com tais vestígios. TUDO É IMPORTANTE NO LOCAL DE CRIME!
Após a chegada ao local as preocupações iniciais são com a segurança pessoal, a primeira providência é verificar se há
vítimas no local e se estão ainda com vida.
O profissional de Segurança Pública só deve entrar no local (parte central dos vestígios e mais a vítima) se houver vítima
no local e tiver alguma dúvida sobre ela estar realmente morta.
Procedimentos que devem ser adotados ao adentrar no local, visando comprometer o menos possível a preservação dos
vestígios:
1. Deslocar em linha reta até a vítima e fazer o menor trajeto;
2. Parar próximo a vítima e chegar os seus pontos vitais;
3. Não tocar em nenhum objeto do local de crime
4. Estando a vítima morta, não tocá-la e observar a distância;
5. Não circular ao redor da vítima e do local de crime e nem coletar vestígios deixados no local de crime, principalmente
armas e munições.
Ao retornar do ponto onde estava o cadáver, adotar o mesmo trajeto da entrada e, simultaneamente, observar atentamente
onde está pisando, para ver o que possa estar sendo comprometido, a fim de informar aos peritos criminais;
Ao retornar, fazê-lo lentamente para observar toda a área (mantendo seu deslocamento somente pelo trajeto de entrada) e,
com isso, visualizar outros possíveis vestígios. Isto é importante para se saber qual o limite a ser demarcado para preservação dos
vestígios;
Deslocar-se para fora até um ponto onde não haja risco de comprometer algum vestígio, e caso algum vestígio seja
comprometido informar a autoridade policial e os peritos.

b) Um dos grandes e graves problemas das perícias em locais onde ocorrem crimes, é a quase inexistente preocupação das
autoridades em isolar e preservar adequadamente um local de infração penal, de maneira a garantir as condições de se realizar um
exame pericial da melhor forma possível.
No Brasil, não possuímos uma cultura e nem mesmo preocupação sistemática comesse importante fator, que é um correto
isolamento do local do crime e respectiva preservação dos vestígios naquele ambiente.
Essa problemática abrange três fases distintas.
A primeira compreende o período entre a ocorrência do crime até a chegada do primeiro policial. Esse período é o mais
grave de todos, pois ocorrem diversos problemas em função da curiosidade natural das pessoas em verificar de perto o ocorrido,
além do total desconhecimento (por parte das pessoas) do dano que estão causando pelo fato de estarem se deslocando na cena do
crime.
A segunda fase compreende o período desde a chegada do primeiro policial até o comparecimento do delegado de polícia.
Esta fase, apesar de menos grave que a anterior, também apresenta muitos problemas em razão da falta de conhecimento técnico de
alguns policiais para a importância que representa um local de crime bem isolado e adequadamente preservado. Em razão disso, em
muitas situações, deixam de observar regras primárias que poderiam colaborar decisivamente para o sucesso de uma perícia bem
feita.
E, a terceira fase, é aquela desde o momento que a autoridade policial já está no local, até a chegada dos peritos criminais.
Também nessa fase, ocorrem diversas falhas, em função da pouca atenção e da falta de percepção – em muitos casos – daquela
autoridade quanto a importância que representa para ele um local bem preservado, o que irá contribuir para o conjunto final das
investigações, da qual ele é o responsável geral como presidente do Inquérito.
Como podemos observar, a questão do isolamento e preservação de local de crime está, a partir da Lei nº 8862/94, tratada
devidamente e a altura da importância no contexto das investigações periciais e policiais.
O isolamento e a conseqüente preservação do local de infração penal são garantia que o perito terá de encontrar a cena

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do crime conforme fora deixado pelo (s) infrator (es) e pela vítima (s) e, com isso, ter condições técnicas de analisar todos os
vestígios. É também uma garantia para a investigação como um todo, pois teremos muito mais elementos e analisar e carrear para o
inquérito e, posteriormente, para o processo criminal.
No entanto, mesmo com a previsão legal, a preservação do local de crime é primeiramente uma questão de formação
profissional dos próprios policiais que, por sua vez, quando passarem – todos – a proceder corretamente, estamos iniciando uma
cultura de isolamento e preservação capaz de se fazer respeitar pela própria comunidade. Só depois de todos esse trabalho é que
poderemos dizer que haverá um perfeito isolamento e preservação dos locais de crime.
Qualquer investigação começará com muito mais probabilidade de sucesso se for observados dois fatores básicos,
conforme discutiremos a seguir:
- Iniciar imediatamente as investigações a partir do local onde ocorreu aquele delito, pois será ali que teremos mais chance de
encontrar alguma informação, tanto sob os aspectos da prova pericial, quanto das demais investigações subjetivas, tais como,
testemunhas, relato diversos de observadores ocasionais, visualização da área para avaliar possíveis outras informações de suspeitos,
etc.
- o tempo é fator que trabalha contra os investigadores e peritos para esclarecer qualquer delito. Quanto mais tempo gastamos
ou demorarmos para iniciar determinada investigação, fatalmente estaremos perdendo informações valiosas que em muitos casos
poderão ser essenciais para o resultado final da investigação.
A perícia, nesse mesmo medida, fundamenta o seu trabalho principal nos exames periciais efetuados diretamente no local
onde ocorreu a infração penal. É, a partir do exame do local do crime, que poderemos ter uma visão global de todo o ocorrido.
Quando são mantidos na integridade ou originalidade com que foram deixados pelo agente após a prática da infração penal,
até a chegada dos peritos. Ambientes fechados, são os objetos e móveis em completo desalinho, causado pela movimentação de
procura de coisas a serem roubadas.
Nesses casos, toda essa disposição dos objetos em desalinho deve ser mantida para que os peritos possam fazer os exames de
toda a situação deixada pelos assaltantes. Os vestígios de fragmentos de impressão digital são também muito prováveis de serem
encontrados, necessitando de rigorosa preservação. Portanto, caberá aos policiais orientarem aos moradores para que não toquem
em nada do que fora manuseado pelos delinqüentes.
Nos furtos com arrombamento nós temos a maior incidência dentro dessa classificação de crimes contra patrimônios. São os
chamados locais de arrombamento, que ocorrem nas residências ou prédios públicos e comerciais, um dos que mais ocorrem no
cotidiano da sociedade.
Nesses locais os policias deverão orientar as vítimas a não tocarem em nada, a fim de evitar a adulteração ou destruição dos
vestígios. Preferencialmente, seria conveniente que as pessoas (vítimas) de uma residência furtada sequer entrassem no recinto até
que os peritos tenham realizado a respectiva perícia.
No entanto, voltando a nossa realidade de alta demanda e poucos meios para atende-la, acontecem casos em que a perícia leva
várias horas até atender determinada ocorrência dessa natureza. É nesses casos, principalmente, que os policiais devem explicar as
dificuldades estruturais e pedir a colaboração das pessoas na preservação dos vestígios.
Imaginem a dificuldade de se preservar os vestígios, se tivermos as pessoas transitando pelo interior do recinto. Essa é a parte
primordial de orientação que os policiais devem passar aos moradores e/ou responsáveis pelo ambiente arrombado.
Nos locais de morte violenta, a visualização de alguns vestígios, em determinados casos, não é tarefa fácil, dada as variedades
e sutilezas desses elementos presentes numa cena de crime.
Nas situações em que haja vítima no local, a única providência é quanto à verificação se realmente a vítima está morta. A
partir dessa constatação, não se deve tocar mais no cadáver, evitando-se uma prática muito comum de mexer na vítima e em seus
pertences para estabelecer a sua identificação.

5.1.3. LOCAL DE ACIDENTE DE TRÁFEGO:


O isolamento e a preservação dos locais de acidente de tráfego sofre com as deficiências verificadas no tópico anterior.
Também esse tipo de ocorrência deve merecer todo o cuidado e atenção para tão importante requisito ao bom exame pericial.
Para esses tipos de locais já há uma dificuldade natural no que diz respeito ao fluxo do sistema de trânsito, onde vários riscos
são verificados no dia-a-dia, chegando a situações em que os locais são desfeitos por estarem prejudicando o fluxo do tráfego ou
estarem oferecendo risco de ocorrência de outros acidentes. Para tais situações existe a Lei 5.970/73 que autoriza desfazer o local.
“Art. 1º - Em caso de acidente de trânsito, a autoridade ou agente policial que primeiro tomar conhecimento do fato poderá
autorizar, independentemente de exame do local, a imediata remoção das pessoas que tenham sofrido lesão, bem como, dos veículos
nele envolvidos, se estiverem no leito da via pública e prejudicarem o tráfego.
Parágrafo único – “Para autorizar a remoção, a autoridade ou agente policial lavrará boletim da ocorrência, nele
consignando o fato, as testemunhas que o presenciaram e todas as demais circunstâncias necessárias ao esclarecimento da
verdade”.
Esse dispositivo tem prejudicado sobremaneira os exames periciais em locais de acidente de tráfego, uma vez que a exceção
virou regra, onde inúmeras situações que não justificariam tal medida acabam tendo os locais desfeitos pelas Polícias Militares e,
principalmente, pelas Polícias Rodoviárias.
À vista disso (supomos) e desobedecendo as determinações contidas no Código de Processo Penal, o Executivo Federal
atribuiu à Policia Rodoviária Federal a tarefa de realizar “perícias” nos acidentes de tráfego ocorridos nas rodovias federais. Nesse
sentido editou o Decreto nº 1.655, de 03/10/1995, inserindo no artigo 1º, o inciso V (V – realizar perícias, levantamentos de locais,
boletins de ocorrências, investigações, testes de dosagem alcoólica e outros procedimentos estabelecidos em leis e regulamentos
imprescindíveis à elucidação dos acidentes de trânsito), numa clara afronta ao CPP, que determina expressamente que todas as
perícias criminais sejam realizadas por peritos oficiais, abrindo somente a exceção ao perito “ad hoc” com formação universitária
quando não houver perito oficial.

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5.1.4 LOCAIS DE CRIME CONTRA PATRIMÔNIO
Esses tipos de ocorrências são tão diversificados que fica difícil estabelecermos um parâmetro básico para o isolamento e
preservação do local. Por essa razão, vamos nos ater aqueles mais conhecidos e de maior incidência, qual seja veículos, furtos com
arrombamento e roubos.
Os veículos objeto de exames periciais, quando forem produtos de furto ou roubo, devem ser devidamente preservados em
todo seu estado como foi encontrado, evitando-se ao máximo interferir nos vestígios que possam ter em sua estrutura.
Há uma tendência (ou vício) natural dos próprios policiais em abrir o veículo ou entrarem seu interior, procedimento errado
se considerarmos que, fatalmente, com esse tipo de ação estarão sendo produzidos outros tipos de vestígios que, no caso, serão
ilusórios e nada terão a ver com os originalmente produzidos pelo delinqüente.
Nesse contexto dos vestígios que possam existir em um veículo produto de furto ou roubo, um dos que mais está sujeito a ser
destruídos são os fragmentos de impressão digital.Também outros vestígios que poderão estar no interior do veículo, correm esse
risco de serem alterados ou perdidos totalmente pela falta de cuidado com a preservação dos vestígios. N ocaso de veículos, em
sendo possível, o ideal é que a equipe de perícia faça os exames no local onde fora encontrado, deixando-se quaisquer outros
procedimentos para depois da perícia, tais como a sua remoção ou chamar o proprietário para buscar o veículo.
Na prática esses procedimentos são difíceis de serem implementados e razão da falta de estrutura adequada da perícia em
atender prontamente a todas as perícias requisitadas, o que leva a polícia a providenciar o guinchamento do veículo até o pátio da
delegacia ou até o Instituto de Criminalística a fim de ser periciado. E neste manuseio do veículo que os policias envolvidos na
operação devem ter muita cautela e consciência da importância em terem o máximo de cuidado para preservar os vestígios naquele
veículo.
Os locais de roubos (assaltos) trazem, normalmente, muita dificuldade para a perícia, tendo em vista a exigüidade de vestígios.
Os mais encontrados, quando se trata de roubos em ambientes fechados, são os objetos e móveis em completo desalinho, causado
pela movimentação de procura de coisas a serem roubadas.
Nesses casos, toda essa disposição dos objetos em desalinho deve ser mantida para que os peritos possam fazer os exames de
toda a situação deixada pelos assaltantes. Os vestígios de fragmentos de impressão digital são também muito prováveis de serem
encontrados, necessitando de rigorosa preservação. Portanto, caberá aos policiais orientarem aos moradores para que não toquem
em nada do que fora manuseado pelos delinqüentes.
Nos furtos com arrombamento nós temos a maior incidência dentro dessa classificação de crimes contra patrimônios. São os
chamados locais de arrombamento, que ocorrem nas residências ou prédios públicos e comerciais, um dos que mais ocorrem no
cotidiano da sociedade.
Nesses locais os policias deverão orientar as vítimas a não tocarem em nada, a fim de evitar a adulteração ou destruição dos
vestígios. Preferencialmente, seria conveniente que as pessoas (vítimas) de uma residência furtada sequer entrassem no recinto até
que os peritos tenham realizado a respectiva perícia.
No entanto, voltando a nossa realidade de alta demanda e poucos meios para atende-la, acontecem casos em que a perícia leva
várias horas até atender determinada ocorrência dessa natureza. É nesses casos, principalmente, que os policiais devem explicar as
dificuldades estruturais e pedir a colaboração das pessoas na preservação dos vestígios.
Imaginem a dificuldade de se preservar os vestígios, se tivermos as pessoas transitando pelo interior do recinto. Essa é a parte
primordial de orientação que os policiais devem passar aos moradores e/ou responsáveis pelo ambiente arrombado.

5.1.5 PROCEDIMENTOS POLICIAIS


Quando ocorre um delito fatalmente chegará ao conhecimento da polícia, tanto a militar quanto a civil. Normalmente numa
seqüência rotineira, quem primeiro é chamada a atender a locais de crime é a Polícia Militar, tendo em vista o próprio telefone 190
que é muito conhecido. Porém, isso não é regra sempre, pois qualquer policial que for comunicado de um possível fato delituoso,
deverá de imediato tomar as providências para averiguar a ocorrência.

5.1.6 RESPONSABILIDADE DO PRIMEIRO POLICIAL


Quando o primeiro policial chega num local de infração penal, ele terá que observar uma rotina de procedimentos, a fim de não
prejudicar as investigações futuras. Os procedimentos levam em conta se existem vítimas no local ou se, se trata apenas de um delito
sem vítimas a serem socorridas.
Num local onde existam vítimas no local, a primeira preocupação do policial deverá ser em providenciar o respectivo
socorro, a fim de encaminhar para o hospital de atendimento de emergência. Tomadas as providências de socorro, o policial deve
isolar o local e garantir a sua preservação, não permitindo nenhum acesso ao interior daquela área. Deve ainda, sempre que possível,
rememorar a sua movimentação na área do delito, a fim de informar aos peritos quando do exame pericial, no sentido de colaborar
com eles para que não percam tempo analisando possíveis vestígios (ilusórios) deixados pelo policial e que nada terá a ver com os
vestígios do crime, mas que demandará tempo de análise por parte dos peritos até chegarem a essa conclusão.
Outra situação de local é quando há vítima aparentemente morta. Nesses casos, deve o policial dirimir qualquer dúvida
(mesmo por excesso de zelo), verificando se a vítima realmente já está morta. Falamos isso porque existem casos em que os policiais
não fizeram tal averiguação e, somente quando os peritos chegaram ao local é, ao checarem, verificaram que a vítima ainda estava
viva.
Porém, para adentrar no local onde está a vítima deve fazê-lo mediante deslocamento em linha reta. Chegando junto à vítima,
fará as verificações para constatar o óbito. Caso esteja viva, deverá providenciar o socorro o mais urgente possível, deixando de se
preocupar – nesta fase – com possíveis preservações dos vestígios, pois o mais importante é aquela vida que deve ser salva. No
entanto, constatando que a vítima está morta, deve então se preocupar exclusivamente com a preservação dos vestígios.
Neste caso, não deverá movimentar o cadáver e nem tocá-lo por qualquer motivo, pois, a partir daquele momento, somente
os peritos que devem trabalhar naquele local, até a sua liberação à autoridade policial. Assim, deve voltar de maneira mais lenta pelo
mesmo trajeto feito quando da entrada e, ao mesmo tempo, observar o seu percurso para verificar o acréscimo ou adulteração de

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qualquer vestígio que ele tenha produzido naquela sua movimentação. Guardará essas informações para repassar aos peritos quando
chegarem ao local.
Atingindo a área externa da cena do crime, observará visualmente todo o espaço que possa ter algum vestígio e providenciará
o isolamento de toda a área, utilizando fitas amarelas, cordas ou quaisquer instrumentos que possam propiciar a delimitação da área,
no sentido de demarcar os limites de acesso de quaisquer outras pessoas, inclusive os próprios policiais. Este policial será o
responsável por qualquer irregularidade que venha a ocorrer nesse espaço de tempo, até a chegada da autoridade policial ou seu
representante.
Se esse policial tiver que sair do local por motivos quaisquer, deve passar para a autoridade policial as informações relativas
ao seu deslocamento no interior da cena do crime, a fim de que esta repasse aos peritos. Caso permaneça no local, ele mesmo dará
as informações aos peritos.

5.1.7 A IMPRENSA NO LOCAL DO CRIME


A presença dos profissionais de imprensa nos locais de crime traz alguns problemas, mas também determinados
benefícios do ponto de vista da investigação pericial.
Os problemas que ocorrem tem – em regra – as mesmas razões já discutidas quanto ao desconhecimento da importância da
preservação do local de crime. Se a maioria dos policiais desconhece as corretas técnicas de isolamento e preservação, é
compreensível que jornalistas também a desconheçam.
Isso pode até ser verificado quando ocorre um problema dessa natureza e os peritos, ao chamarem a atenção para determinado
fato, aproveitem para esclarecer ao jornalista sobre as técnicas de isolamento e preservação e sua conseqüente importância no
contexto da investigação pericial.
É compreensível que a imprensa tem o direito de informar e que o seu trabalho é quase sempre executado numa corrida
contra o tempo. Este último fato é que nos leva a entender o porquê do jornalista ter toda a pressa em registrar os fatos no local.
Nessa pressa, ele acaba prejudicando o trabalho da perícia em alguns casos, quando adentra no local de crime antes do exame
pericial. Na grande maioria das vezes, não há necessidade do jornalista agir dessa forma, pois em se tratando de fotografia ou imagens
de vídeo, é possível operar de uma certa distância sem ter contato com os vestígios.
Como não há uma preocupação sistemática dos policiais e da própria perícia, no sentido de esclarecer aos jornalistas sobre
tais limitações, fica a cargo do bom senso e da experiência de cada um desses profissionais em não prejudicar o trabalho da perícia
ao alterarem ou destruírem vestígios na cena do crime, em conseqüência de deslocamentos inadequados naquela área.
A presença da imprensa no local de crime não é só problema, existem algumas situações em que esses profissionais colaboram
em muito com a perícia e com a polícia.

8.O TRABALHO DO PERITO:


Ante um fato concreto de crime, do qual remanesce o corpo de delito, a Criminalística se manifesta através da ação
pericial. O trabalho do perito sobre o corpo de delito se concretiza pela ação pericial, a qual é sempre um pressuposto necessário à
emissão do laudo. Sem ação pericial inexiste laudo, pois este documento público que exige uma motivação para que possa existir
validamente.
Todavia, a ação pericial necessita de um suporte doutrinário que a fundamente, que dê sustentação ao trabalho pericial.
Quatro princípios fundamentais compõem o sistema doutrinário da perícia na área criminal, formando os pilares que sustentam a
ação pericial. São eles:
a) princípio da independência ideológica do perito;
b) princípio da autonomia técnica da Criminalística;
c) princípio da fé pública do laudo;
d) princípio da verdade da prova pericial.
O princípio da independência ideológica do perito se traduz na liberdade de escolha de teorias científicas e não
vinculação política mediante pressão. O perito necessita ser livre para à justiça. Não pode sofrer coação no sentido de ter seu trabalho
e dirigido a um fim qualquer que divirja de sua própria convicção interior.
O princípio da autonomia técnica da Criminalística decorre de sua própria condição de ciência: por ter método próprio e
específico ascende, em igualdade, ao patamar das ciências naturais. O princípio da fé pública do laudo decorre de lei, pois este tem
presunção de verdade até prova em contrário.
O princípio da verdade da prova pericial advém do embasamento científico da perícia, pois não se admite que uma ciência
natural possa ser falsa quando se manifesta concretamente numa situação específica. Do exposto fica fácil perceber que a conduta
profissional do perito deve se balizar entre a ciência e a lei, nunca desta fugindo e daquela se esquecendo.

9. RECOMENDAÇÃO PARA O POLICIAL:


1º) Não fumar no local do crime;
2º) Não deve deixar-se fotografar atuando no local;
3º) Não deve prestar qualquer informação a quem quer que seja, sob qualquer pretexto;
4º) Não deve emitir o seu ponto de vista a respeito do caso, aos repórteres ou outras pessoas a quem não deva obediência, na razão
de sua função. Especialmente, em caso de um crime misterioso, não deve dizer nem insinuar de que sabe quem é o autor;
5º) Só relata suas conclusões às autoridades a que estiver subordinado, guardando inteiro sigilo sobre os fatos; 6°)
Não fazer quaisquer tipo de experiência com as evidências no local do crime, sem a presença do perito; 7º)
Prestará, entretanto, informações solicitadas pelos peritos.

GLOSSÁRIO

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CORPO DE DELITO: é o conjunto de elementos que constatam a existência do crime; é o conjunto de vestígios materiais deixando
pelo crime.
EVIDÊNCIA FÍSICA: o termo evidência física abrange todos e quaisquer objetos vivos e inanimados, sólidos, líquidos e gasosos
e todas as relações entre estes objetos pertencentes ao problema em questão (Crime);
INDÍCIO: são vestígios capazes de se elevarem à categoria de prova;
PRESERVAÇÃO: locais que foram isolados e protegidos adequadamente, tão logo que a polícia tomou o conhecimento do
acontecimento, são considerados idôneos para fins de exames periciais.
SUBSTRATO: o que forma a parte essencial do ser; aquilo que repousa as qualidades.
VESTÍGIOS: é o sinal que o homem ou animal deixa no lugar por onde passa, por exemplo: rastro, pegada, substâncias (restos de
alimentos, vômito, urina, esperma, sangue), vestes, cadáveres, armas, pêlos, impressões digitais sinais de luta, etc.).

BIBLIOGRAFIA
Cavalcante, Ascendino. Criminalística Básica, Editora Litoral, 1ª Ed., 1983.
Código de Processo Penal Brasileiro;
Tratado de perícias criminalísticas – Porto Alegre, 1ª ed, Editora Sagra, 1995.
Apostilas de Curso de Formação de Peritos Criminais, Academias PC/MS e SEJUSP/MT.
Coletâneas de material técnico em Criminalística pelo autor no período de 1984 a 2008. Artigo
159 do CPP alterado pela Lei nº 11.690, de 9 de julho de 2008.

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