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A BARBÁRIE DÁ OS PRIMEIROS PASSOS

Coelho De Moraes

Uma cidade sem teatro ligaria para barbárie? Saberia do que se


trata? O oco das mentes se faz presente e o emocional pasta. Escolas
que não frequentam teatro teriam referências para a vida? Professores
que não professam a cultura saberão do que falam?
A pobreza mental paira sobre a cidade, e, ao longe, mugidos de
vacas serão algo top de linha na intelectualidade, em pouco tempo. A
sociedade entre currais.
Não é questão de educação nem de percepção, porém,
estabelece-se uma clara manifestação egolátrica em pessoas que
adquirem o hábito de se valorizarem mais do que o ambiente, o local e
o evento que visitam. Caros... nos eventos o principal é aquele que está
no palco e não na plateia. A plateia vem para se educar, ver, sofrer a
catarse... informar-se, pasmar-se... a plateia vem para exercitar a
cultura milenar, a cultura teatral que nunca morre. A plateia não vem
para tossir. A plateia vem para saborear deuses que se expõem sobre os
palcos, e, se expressam em mil faces e mil vidas. Contam mil histórias.
Vivem mil vidas e morrem mil vezes.
Fagundes: - “O ator é aquele que vive em hora e meia o que a
plateia vive em trinta anos. A plateia tem que ser humilde, o ator não!”
Ainda perguntarão (com ar de mofa): Mas, você acha que todo mundo
tem que gostar de teatro? Direi: Sim. Uma cultura com mais de dois mil
anos é cultura já eterna em sua mitologia. Impregna as almas. Alguém
que queira passar por ser humano – mesmo que falso - deve pelo menos
mentir e dizer que gosta de teatro. E, então, passar a ir ao teatro, às
peças, às obras até apreender a gostar e ser autêntico.
O barulho externo que invadiu o palco, muito bem captado e
criticado ‘in loco’ pelo ator Lúcio Melo, em uma de nossas
apresentações, é o flagrante da barbárie em instalação. Como Cacilda
Becker, Lúcio sai da personagem que apresentava, faz seu comentário,
e volta à personagem, após a manifestação (contextualizada) contra o
barulho externo que invadia o teatro na última apresentação do TPM –
Teatro Popular de Mococa ‘Rogério Cardoso’.
Será inevitável proibir a entrada de celulares no espaço: a mulher
falando alto ao telefone na primeira fila, a imbecil que digitava
ferozmente dobrada na poltrona, o riso tolo e aparvalhado do besta que
plugou o ouvido e não escutava a peça. Essa gente é resto de uma
civilização que já foi. E para piorar a situação: O Theatro Municipal de
Mococa às traças.
As ações teatrais e culturais – de modo geral - da cidade estão às
traças. Só há aquilo que o Estado manda gratuito e que as potencias ‘S’
desejam apresentar nos palcos alheios. Plantar a cultura local não passa
pela cabeça dos dirigentes, pois, eles não têm cabeça e nada disso
entendem. São os que ocupam sinecuras e cabides de emprego. Se auto
proclamam artistas, mas, não têm obra para mostrar. Deveriam fazer os
cursos que propõe para as pessoas. Deveriam se reciclar e seguir suas
carreiras normais aprendidinhas nas universidades. Isso não é o novo. A
barbárie é instalada pois até analfabetos as frequentam, quanto mais
em política e negociatas.
O Theatro Municipal de Mococa – que bem podia ser o Templo da
Cultura Mogiana - está às traças. Traças são seus dirigentes se é que o
nome de dirigente se pode dar a seres com tais atitudes estereotipadas.
Não se preocuparam com iluminação nem som. Se viessem – som e luz -
de algum ministério, tudo bem. Como não vieram, tudo bem também.
Pode ser que de tanto mendigarem recebam algum troco por esses dias,
em função da campanha deste ano de 2016. Mas, mendigos
permanecerão. Permanecerão para sempre. Para sempre pedintes.
Se há vida no palco ela vem de artistas e deuses que habitam tais
paragens e trabalham com o mínimo do já proclamado teatro pobre de
Grotowski. Artistas e deuses se confundem entre vivos e mortos e, em
um palco como o do TPM é possível ver muito mais gente do que o
número de vivos atuantes. Nos gabinetes, contudo, permanecem os
mortos que nunca foram deuses. São o resto do restolho do restolhão...
do espírito que o xamã pode clamar num deserto onde inteligência,
realmente, não há.
O TPM mostrou que é possível abrir o leque para a arte. Não essa coisa
de copiar o que já está no YouTube, que é moda na cidade entre leigos.
A mão do gato. A linha-guia. A caligrafia. Isso é fácil. Stand ups de
araque usaram o palco sagrado para suas peripécias de falsos palhaços.
Em tempo, ser palhaço não é ser qualquer coisa, é, sim, ser divindade
de Téspis. Não há nada mais fácil do que frozens e disneys e brancas de
neve – personagens prontas - que podem, até, amealhar e acumular
algum dinheiro, mas, não é arte. É muito fácil trazer obras (poucas que
foram boas) enviadas pelo Estado, sem ônus, a não ser o ônus de não
plantarem e nem colherem a cultura da própria cidade.
Isso tudo tem nome e o nome é prostituição.
Há quem pense que cultura tem outros milhares de significados e não
apenas aquele de que ‘preciso ganhar o meu’, ou, ‘qual o caminho para
a globo?’, ou, a ‘fotografia ao lado do ator famoso’. Isso é coisa de
bobo. Sofre-se? Sim, mas sofrimento não é desculpa e nem serve para
contar vantagens. Sofrimento é vida. A cota de sofrimento serve para
acumular a memória emocional para a personagem futura. O artista
vero saberá fazer isso muito bem. E sorrirá no final.
O TPM aposta em nomes memoráveis do teatro brasileiro e
internacional. O TPM não deixa barato e vai estudar, longe dos
YouTubes e das Internets que facilitam, ao parco criador, sobre aquilo
que ele deve fazer. Pobre coitado. O que o TPM faz em um mês o pobre
criador levará sete vezes sete anos da mesma coisa.
O TPM simplifica o trabalho oneroso das construções cênicas – já que o
recurso é mínimo - pois, sabe que o fundamento está no âmago da atriz
e do ator e pode liberar-se de figurinos e cenários. Não fosse o elenco
poderoso e seria necessário pintar as paredes de ouro e, mesmo assim,
o espetáculo não se sustentaria. Atriz e ator criarão figurinos e cenários
e música.
O elenco do TPM é pleno, mágico e voraz. O elenco do TPM sabe que
sem inteligência não há emoção sincera e sabe que o mundo é pequeno
para ele. O elenco do TPM sabe que se sacrifica, mas sempre vai além.
O louro grego dos vencedores está com o TPM Rogério Cardoso.
Já o disse o bardo inglês: - O resto é silêncio.