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Tribunal de Justiça do Estado de Mato Grosso do Sul

29 de janeiro de 2020

3ª Câmara Cível

Agravo de Instrumento - Nº 1407396-09.2018.8.12.0000 - Campo Grande


Relator – Exmo. Sr. Des. Dorival Renato Pavan
Agravante : Jeová das Graças Silva
Advogado : Rafael Echeverria Lopes (OAB: 321174/SP)
Agravante : Elierri Medeiros de Oliveira
Advogado : Algacyr Torres Pissini Neto (OAB: 7400/MS)
Agravante : Edenil Neiva das Graças
Advogado : Rafael Echeverria Lopes (OAB: 321174/SP)
Agravado : Ministério Público Estadual
Prom. Justiça : Luiz Eduardo Lemos de Almeida
Interessada : Alvira de Carvalho Nunes
Advogado : Algacyr Torres Pissini Neto (OAB: 7400/MS)
Interessado : Bit Ofertas Informatica Ltda. - Me
Advogado : Rafael Echeverria Lopes (OAB: 321174/SP)
Advogado : Luiz Carlos Ormay Júnior (OAB: 19029/MS)
Advogado : Heitor Canton de Matos (OAB: 21998/MS)
Interessado : Bitpago Soluções de Pagamento Ltda.
Interessado : Cícero Saad Cruz
Advogado : Rafael Echeverria Lopes (OAB: 321174/SP)
Advogado : Luiz Carlos Ormay Júnior (OAB: 19029/MS)
Interessada : Zully Daniela Acosta Ortiz
Advogado : Rosane Catarina Haab (OAB: 43438/SC)
Interessado : Minerworld Sociedad Anônima
Advogado : Rafael Echeverria Lopes (OAB: 321174/SP)
Advogado : Luiz Carlos Ormay Júnior (OAB: 19029/MS)
Interessado : Jonhnes de Carvalho Nunes
Advogado : Algacyr Torres Pissini Neto (OAB: 7400/MS)
Interessado : Patrícia da Silva Beraldo
Interessado : Thayane Mayara Almeida Correia
DPGE - 1ª Inst. : Amarildo Cabral
Interessado : Hércules Franco Gobbi
Interessado : Ivan Felix de Lima
Advogado : Rodrigo Gonçalves Pimentel (OAB: 16250/MS)
Advogado : Lucas Gomes Mochi (OAB: 360330/SP)
Advogado : Rafael Ribeiro Bento (OAB: 20882A/MS)
Interessado : José Aparecido Maia dos Santos
Interessado : Mayckon Voltaire Grisoste Barbosa
Interessado : Luís Augusto Yamashita de Souza
Interessado : Raimundo Olegário Cruz
Advogado : José Rizkallah Júnior (OAB: 6125B/MS)
Advogado : Heberth Saraiva Sampaio (OAB: 14648/MS)
Advogada : Marina Boigues Idalgo (OAB: 15549/MS)
Advogado : Hátila Silva Paes (OAB: 20762/MS)
Interessada : Mirna Saad Cruz
Tribunal de Justiça do Estado de Mato Grosso do Sul
Advogado : José Rizkallah Júnior (OAB: 6125B/MS)
Advogado : Heberth Saraiva Sampaio (OAB: 14648/MS)
Advogada : Marina Boigues Idalgo (OAB: 15549/MS)
Advogado : Hátila Silva Paes (OAB: 20762/MS)
Interessado : Rosineide Pinto de Lima
Advogado : Marcio Antônio de Souza (OAB: 7648/MS)
Interessado : Maiko Alessandro Cunha Franceschi
Interessada : Janaina Fontanillas Ale Barros
Advogado : Antonio Castelani Neto (OAB: 5529/MS)
Interessado : 7 Reis Participação e Empreendimentos - Eireli
Interessado : Ivaldo Grisoste Barbosa Junior
Interessada : Divina Inácia de Souza
Interessado : Associação Projeto Ajudar

EMENTA - AGRAVO DE INSTRUMENTO – AÇÃO CIVIL


PÚBLICA – REPARAÇÃO DE DANOS EM RAZÃO DA PRÁTICA DE CRIME
CONTRA A ECONOMIA POPULAR – PRELIMINARES ARGÜIDAS EM
CONTRAMINUTA – IRREGULARIDADE FORMAL AFETA À INOBSERVÂNCIA
DO ART. 1.016, I e IV, do CPC – AUSÊNCIA DE NOMES E ENDEREÇOS DOS
CORRÉUS, LITISCONSORTES ATIVOS E ADVOGADOS ATUANTES NA
CAUSA – AUSÊNCIA DE PREJUÍZO – FINALIDADE DA NORMA
DEVIDAMENTE ATINGIDA – PRELIMINAR REJEITADA – PRELIMINAR DE
AUSÊNCIA DE REGULARIDADE FORMAL EM RAZÃO DA AFRONTA AO
PRINCÍPIO DA DIALETICIDADE (ART. 1.016, III, DO CPC) – REJEITADA –
PRELIMINAR DE SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA EM RELAÇÃO À ALEGAÇÃO
DE ILEGITIMIDADE PASSIVA – ARGUMENTAÇÃO QUE, TODAVIA, SE
RELACIONA COM O FUNDAMENTO PARA A CONCESSÃO DA LIMINAR –
POSSIBILIDADE DE ANÁLISE DA MATÉRIA EM SEDE DE RECURSO –
PRELIMINAR REJEITADA.
- O fato de o agravante não informar o nome e endereço dos demais
réus, dos litisconsortes e de todos os advogados atuantes na causa não acarreta o não
conhecimento do agravo de instrumento com base no art. 1.016, I e IV do CPC, uma vez
que a exigência somente seria justificada se todos devessem ser intimados para
responder ao recurso, o que não é o caso em razão da natureza coletiva da presente
demanda, proposta com fundamento no art. 129, inc. III, da Constituição Federal, nas
disposições da Lei 7.347/85 e do Código de Defesa do Consumidor (Lei 8.078/90), de
modo que a legitimação extraordinária do Ministério Público torna dispensável a
intimação de todos os interessados para se manifestarem sobre o recurso. Preliminar
rejeitada.
- Ainda que as questões argüidas no recurso não tenham sido objeto
da decisão recorrida, tais argumentações não implicam falta de impugnação específica
da decisão, uma vez que serve de fundamento para desconstituir o requisito da
verossimilhança da alegação que embasou o decisum. Preliminar rejeitada.
- A defesa dos agravantes relativa à ilegitimidade passiva, ainda que
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não foi analisada de modo direito e específico pelo juiz de primeiro grau, relaciona-se
com o conteúdo da decisão objurgada, o que possibilita a análise da matéria em sede de
agravo de instrumento. Preliminar rejeitada.

DECISÃO QUE DECRETOU A INDISPONIBILIDADE DE


BENS DOS AGRAVANTES PARA ASSEGURAR A REPARAÇÃO DE DANOS DE
PESSOAS LESADAS EM RAZÃO DA PRÁTICA DE CRIME – "PIRÂMIDE
FINANCEIRA" QUE CONSTITUI CRIME CONTRA A ECONOMIA POPULAR –
AUTOR QUE DEMONSTROU O VÍNCULO DOS AGRAVANTES COM O
ESQUEMA FRAUDULENTO – POSSIBILIDADE DE, EM TESE, EXISTIR
RESPONSABILIDADE DOS AGRAVANTES PERANTE OS LESADOS –
AFERIÇÃO DA LEGITIMIDADE QUE SE FAZ IN STATUS ASSERTIONIS –
PRELIMINAR REJEITADA – MEDIDA DE INDISPONIBILIDADE DE BENS
MANTIDA – RECURSO IMPROVIDO.
- A aferição da legitimidade passiva do réu é aferida in status
assertionis. Se se verificar que, em tese, o réu tem aptidão para responder pelo resultado
da demanda, em caso de procedência, é ele legitimado para a causa, ainda que o pedido
possa ser, adiante, julgado improcedente em face de sua pessoa, por razões de mérito.
- Deve ser mantido no polo passivo da demanda coletiva o réu que,
em tese, prestou auxílio e participou da atividade lesiva aos investidores através de
atuação em sistema piramidal, prática que constitui crime contra a economia popular e
que, por conseguinte, impõe a obrigação de reparação dos danos causados, cuja
efetividade, em caso de procedência do pleito inicial, deve ser assegurada com a
indisponibilidade de bens, medida cautelar que pode ser deferida sob o pálio do artigo
297 do CPC.
- Recurso conhecido para, com o parecer, se rejeitar a preliminar de
ilegitimidade passiva e, no mérito, negar-lhe provimento.

ACÓRDÃO

Vistos, relatados e discutidos estes autos, acordam os juízes da 3ª


Câmara Cível do Tribunal de Justiça, na conformidade da ata de julgamentos, Por
unanimidade, afastaram as preliminares e negaram provimento ao recurso, nos termos
do voto do relator, com o parecer.

Campo Grande, 29 de janeiro de 2020.

Des. Dorival Renato Pavan - Relator


Tribunal de Justiça do Estado de Mato Grosso do Sul
R E L A T Ó R I O
O Sr. Des. Dorival Renato Pavan.
JEOVÁ DAS GRAÇAS SILVA e EDENIL NEIVA DAS
GRAÇAS interpõem agravo de instrumento em face do MINISTÉRIO PÚBLICO
ESTADUAL, insurgindo-se contra a decisão de f. 142/149, do juiz da 2ª Vara de
Direitos Difusos, Coletivos e Individuais Homogêneos da comarca de Campo Grande,
Dr. David de Oliveira Gomes Filho, que, em ação coletiva de consumo ajuizada em face
do ora agravante e outros, deferiu parcialmente os pedidos formulados pelo Parquet
para determinar:
a) a busca e apreensão de documentos, equipamentos eletrônicos,
aparelhos celulares, mídias eletrônicas, valores e demais itens relacionados com o
objeto do processo, nos endereços dos requeridos indicados na petição inicial e na
emenda (fls. 609/610);
b) o impedimento de ingresso de novos afiliados, empreendedores ou
afins na Minerworld. Para tanto, ficam os requeridos cientes deste impedimento e
sujeitos a multa de R$ 50.000,00 por nova pessoa que vier ingressar nos planos a que
se refere a inicial desta ação;
c) a indisponibilidade de bens dos requeridos até o limite de R$
300.000.000,00 (trezentos milhões de reais).
Alegam que o juiz se equivocou e que as empresas Bitpago Soluções
de Pagamento LTDA. e Bit Ofertas Informática LTDA-ME atuam de forma distinta e
independente, tendo mera relação comercial com a Minerworld; que a empresa Bit
Ofertas Informática LTDA-ME explora atividade de EXCHANGE (casa de câmbio) de
criptomoedas e realiza, via plataforma digital, a disponibilização de order book para que
os clientes negociem compra e venda de Bitcoins; que a remuneração à exemplo das
casas de câmbio advém de taxas aplicadas sobre cada operação realizada; que os
usuários transferem o dinheiro ou criptomoedas para a plataforma digital, onde,
posteriormente, fazem suas operações com outros usuários; que, em seu tratando de
operações digitais e remotas, é necessária a transferência do numerário para a
plataforma digital da EXCHANGE, haja vista não se tratar de operação física, como nas
casas de câmbio.
Destacam, na seqüência, que a atividade da empresa Minerworld S.A
é justamente de locação de poder computacional para mineração, administração de
trade, todas relacionadas ao mercado de criptomoedas, de modo que é translúcido o
interesse comercial da empresa Bit Ofertas Informática LTDA-ME na viabilização de
tais operações através de sua plataforma; não que se falar em unicidade empresarial das
empresas pela prestação de serviços só pelo fato de Minerworld S.A necessitar da
prestação de um serviço regularmente disponibilizado por outra empresa (Bit Ofertas);
que mesmo que utilizado o sistema de pirâmide financeira da Minerworld, o que não se
vislumbra no caso, a empresa Bit Ofertas Informática LTDA-ME não seria beneficiada
de qualquer forma, vez que não participava dos lucros da empresa, ou de seus usuários,
mas somente das taxas cobradas sobre as operações realizadas entre usuários; que o
mesmo raciocínio se aplica à empresa Bitpago Soluções de Pagamento LTDA., eis que
era somente prestadora de serviço terceirizado, sem se sujeitar ao lucro da Minerworld
S.A.; que não há nos autos qualquer prova de que a empresa Bitpago Soluções de
Pagamento Ltda. tenha praticado ou contribuído para algum crime financeiro e,
sobretudo, que não há mínimo indício de abuso de personalidade jurídica que justifique
Tribunal de Justiça do Estado de Mato Grosso do Sul
a inclusão dos ex-sócios no polo passivo do feito.
Concluem, nos termos acima referidos, a explanação "quanto à total
independência entre as empresas Bitpago Soluções de Pagamento LTDA, Minerworld
S.A e Bit Ofertas Informática LTDA-ME".
Discorrem, após, sobre a constituição da Bitpago Soluções de
Pagamento LTDA., o histórico de modificações de quadro societário e a razão social
para, ao final, concluírem que são ilegítimos para figurarem no polo passivo da
demanda; especialmente em relação à ex-sócia Edenil Neiva das Graças, ressaltam que
ela participou da sociedade até o dia 19 de abril de 2017, quando saiu para dar lugar a
Patrícia da Silva Beraldo, esposa do sócio Hercules Gobbi; que Edenil Neiva das Graças
em momento algum exerceu atividade de administração na empresa, sendo patente a sua
ilegitimidade passiva.
Sintetizam o exposto dizendo que é "evidente a ilegitimidade passiva
dos Agravantes Jeová das Graças Silva e Edenil Neiva das Graças, uma vez que além de
inexistir qualquer vínculo jurídico entre os clientes da requerida Minerworld S/A com a
Bitpago Soluções de Pagamento LTDA., o agravado não apresentou na exordial
quaisquer indícios da existência de abuso da personalidade da requerida Bitpago
Soluções de Pagamento LTDA., motivo pelo qual todos os sócios da referida empresa
devem ser excluídos".
Por fim, defendem a ausência dos requisitos autorizadores para
indisponibilidade de bens.
Pedem a concessão de efeito suspensivo e que, ao final, seja o
recurso provido.
À f. 227, os agravantes manifestaram oposição ao julgamento virtual.
Contraminuta às f. 243/260.
Intimados sobre preliminares em contraminuta, os agravantes
manifestaram-se às fls. 287/291.
Às fls. 295/308, a douta Procuradoria-Geral de Justiça emitiu parecer
opinando pelo não conhecimento do recurso quanto às alegações de ilegitimidade
passiva e bloqueio de bens; e, no mérito, pelo não provimento do recurso.

V O T O
O Sr. Des. Dorival Renato Pavan. (Relator)
JEOVÁ DAS GRAÇAS SILVA e EDENIL NEIVA DAS
GRAÇAS interpõem agravo de instrumento em face do MINISTÉRIO PÚBLICO
ESTADUAL, insurgindo-se contra a decisão de f. 142/149, do juiz da 2ª Vara de
Direitos Difusos, Coletivos e Individuais Homogêneos da comarca de Campo Grande,
Dr. David de Oliveira Gomes Filho, que, em ação coletiva de consumo ajuizada em face
do ora agravante e outros, deferiu parcialmente os pedidos formulados pelo Parquet
para determinar:

a) a busca e apreensão de documentos, equipamentos eletrônicos,


aparelhos celulares, mídias eletrônicas, valores e demais itens
relacionados com o objeto do processo, nos endereços dos requeridos
indicados na petição inicial e na emenda (fls. 609/610);
Tribunal de Justiça do Estado de Mato Grosso do Sul
b) o impedimento de ingresso de novos afiliados, empreendedores
ou afins na Minerworld. Para tanto, ficam os requeridos cientes deste
impedimento e sujeitos a multa de R$ 50.000,00 por nova pessoa que vier
ingressar nos planos a que se refere a inicial desta ação;
c) a indisponibilidade de bens dos requeridos até o limite de R$
300.000.000,00 (trezentos milhões de reais).

I.
PRELIMINAR EM CONTRAMINUTA. DA FALTA DE
REGULARIDADE FORMAL AFETA À INOBSERVÂNCIA DO ART. 1.016, I e
IV, do CPC.
Em contraminuta, o Ministério Público Estadual suscitou preliminar
de ausência de regularidade formal para o conhecimento do presente agravo de
instrumento, uma vez que não atendida a exigência do art. 1.016, incisos I e IV do CPC,
a respeito da indicação expressa dos nomes das partes (polo ativo e polo passivo), assim
como do nome e endereço completo de todos os advogados constantes do processo,
deixando de cumprir o referido requisito formal.
Vejamos os termos da norma citada:

Art. 1.016. O agravo de instrumento será dirigido diretamente ao


tribunal competente, por meio de petição com os seguintes requisitos:
I - os nomes das partes;
II - a exposição do fato e do direito;
III - as razões do pedido de reforma ou de invalidação da decisão e
o próprio pedido;
IV - o nome e o endereço completo dos advogados constantes do
processo.

Pois bem.
De fato, os agravantes não informaram o nome e endereço dos
demais réus e dos litisconsortes ativos, mas, a meu ver, a exigência só seria justificada
se todos eles devessem ser intimados para responder ao recurso, o que não é o caso dos
autos em razão da natureza da presente demanda, proposta com fundamento no art. 129,
inc. III, da Constituição Federal, nas disposições da Lei 7.347/85 e do Código de Defesa
do Consumidor (Lei 8.078/90).
Assim, tem o Ministério Público legitimação extraordinária, o que,
conforme parecer do nobre Procurador de Justiça, SÉRGIO LUIZ MORELLI, "torna,
por si só, dispensável a intimação de todos os interessados para se manifestarem sobre
o recurso em voga, de modo a privilegiar a lógica do processo coletivo, bem como os
princípios da celeridade e da economia processual" (f. 297)
Desta forma, se a ausência das informações exigidas no art. 1.016, I,
IV, do CPC, não causou qualquer prejuízo para as partes, uma vez que os corréus e
litisconsortes não seriam mesmo intimados para apresentar resposta, rejeito essa
preliminar.

II.
PRELIMINAR EM CONTRAMINUTA. DA FALTA DE
REGULARIDADE FORMAL EM RAZÃO DA AFRONTA AO PRINCÍPIO DA
Tribunal de Justiça do Estado de Mato Grosso do Sul
DIALETICIDADE (ART. 1.016, III, DO CPC)
Em contraminuta, o agravado também defende ausência de
regularidade formal, tendo em vista que as razões recursais não foram limitadas à
concessão de tutela provisória, pois tratou de temas desconexos, como a ilegitimidade
passiva dos agravantes, o qual não foi enfrentado pelo juiz de primeiro grau, de modo
que não houve impugnação específica dos fundamentos da decisão em afronta ao art.
1.016, III, do CPC.
Contudo, essa preliminar também deve ser rejeitada, vez que as
argumentações afetas à ilegitimidade passiva dos agravantes têm vínculo direto com o
conteúdo da decisão e a análise da verossimilhança das alegações do Parquet em prol da
inclusão dos agravantes na ação e o bloqueio de bens deles.

III.
PRELIMINAR EM CONTRAMINUTA. DA SUPRESSÃO DE
INSTÂNCIA.
Na mesma linha da preliminar anterior, defende o agravado que o
recurso não deve ser conhecido quanto à alegação de ilegitimidade passiva, sob pena de
inegável supressão de instância.
Sem razão, pois, conforme dito acima, a questão afeta à legitimidade
passiva, embora não apreciada de modo específico pelo d. juiz a quo, relaciona-se
diretamente com o assunto tratado na decisão.
A decisão agravada é justamente aquela que inseriu os agravantes no
polo passivo da demanda, de modo que o juiz, ao analisar as alegações do Parquet e as
acolher, entendeu que os agravantes possuem legitimidade para responderem à
demanda, o que nos faz concluir que tal argumentação do recurso e o conseguinte
pedido de extinção do feito com relação a eles não implicam supressão de instância.
Daí a razão pela qual também rejeito a preliminar
Rejeitadas as prefaciais deduzidas em contraminuta, passo ao exame
do recurso.

IV.
O recurso traz, preliminarmente, a arguição de ilegitimidade passiva
dos agravantes, que, por sua vez, confunde-se com o mérito, de modo que examino
ambos conjuntamente.
Pois bem.
A questão da legitimidade da parte reside na verificação de um só
fato, a saber, se em tese e, portanto, in status assertionis (segundo os fatos denunciados
na inicial) o réu estaria em condições de responder pelas consequências da prestação
jurisdicional invocada na inicial.
As condições da ação devem ser aferidas pelo magistrado apenas da
simples leitura da exordial, sem adentrar na análise do caso, sob pena de apreciação
meritória. Aqui, "o que importa é a afirmação do autor, e não a correspondência
entre a afirmação e a realidade, que já seria problema de mérito" (MARINONI, Luiz
Guilherme. Novas linhas do processo civil. São Paulo: Malheiros, 1999, 3ª ed., p.212).
O professor Fredie Didier Jr. indica que se trata de análise feita "a
luz das afirmações do demandante contidas em sua petição inicial" (DIDIER JR.,
FREDIE. Curso de Direito Processual Civil. Bahia: Juspodivm, 2008, Vol. 1, 9ª ed.,
p.173).
Tribunal de Justiça do Estado de Mato Grosso do Sul
Deve existir, na configuração de Liebman, pertinência subjetiva para
a ação, ou seja, o réu deve estar em tese com aptidão para suportar os efeitos da
sentença condenatória, em caso de procedência da pretensão deduzida na inicial.
Dentro dessa ótica, parece-me que em face dos fatos expostos na
inicial os agravantes poderão ao menos em tese responder pelos danos que o autor
da ação diz ter sido causado a um número determinado de pessoas, nos termos da causa
de pedir exposta.
Nesse sentido, extrai-se da contraminuta clara explanação acerca do
vínculo entre as empresas Bitpago Soluções de Pagamento LTDA. e Bit Ofertas
Informática LTDA. ME, que pertenceram ou pertencem aos ora agravantes, com a
Minerworld S/A, o que é suficiente para mantê-los no polo passivo, com base teoria da
asserção.
Confira-se:
Tribunal de Justiça do Estado de Mato Grosso do Sul
Tribunal de Justiça do Estado de Mato Grosso do Sul

Vê-se, então, conforme declinado no parecer ministerial (f. 305), que


o Ministério Público Estadual logrou em demonstrar que a Bitpago é um dos braços do
empreendimento Minerworld e a conseguinte necessidade de inclusão dos ora
agravantes, integrantes do quadro societário da Bitpago, no polo passivo da
demanda.
A atuação das empresas dos agravantes no esquema foi bem
delimitado na decisão agravada, de modo que a adoto também como razões de decidir:

A empresa Bit Ofertas Informática Ltda pertence ou pertenceu aos


mesmos requeridos e faz parte do negócio criado pela Minerworld. A BIT
OFERTAS disponibilizou o aplicativo com o mesmo nome, para que a
Minerworld transacione produtos e serviços por meio de bitcoins. Ambas
seriam composições dentro do mesmo plano de atuação empresarial.
Já a BITPAGO (Bitpago Soluções de Pagamento Ltda) embora não
tenha os mesmos sócios da Mineworld funcionou no mesmo local da BIT
OFERTAS e ao mesmo tempo por mais de um ano (até setembro de 2017).
Na verdade, durante um período, a BITPAGO teve como sócia a Sra.
Patrícia da Silva Beraldo que também integrou as outras empresas.

Há, assim, uma correlação entre o pedido deduzido na inicial e os


danos supostamente causados pelo esquema fraudulento de que fez parte as empresas
pertencentes aos agravantes, de sorte que, in status assertionis, eles deve permanecer no
polo passivo.
Se haverá procedência do pedido, ou não, isto dependerá da prova a
ser produzida e da defesa que apresentará em seu tempo oportuno. Somente a sentença
de mérito, após colhidas todas as provas e em sede de cognição exauriente, é que poderá
determinar se os pedidos serão ou não julgados procedentes, reafirmo, ou
improcedentes, em relação aos agravantes.
No SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA tem prevalecido essa
orientação. Veja-se este acórdão:
Tribunal de Justiça do Estado de Mato Grosso do Sul
"A legitimidade ativa ad causam é uma das condições da ação. Sua
aferição, em conformidade com a teoria da asserção, a qual tem
prevalecido no STJ, deve ocorrer in status assertionis, ou seja, à luz das
afirmações do demandante (AgRg no AREsp 205.533/SP, Rel. Ministro
Mauro Campbell Marques, Segunda Turma,DJe 8/10/2012; AgRg no
AREsp 53.146/SP, Rel. Ministro Castro Meira, Segunda Turma, DJe
5/3/2012; REsp 1.125.128/RJ, Rel. Ministra Nancy Andrighi, Terceira
Turma, DJe 18/9/2012)."

É de ter presente que as condições da ação são inicialmente


aferidas in status assertionis, com base na alegação feita pelo demandante
na inicial, sem depender do exame das circunstâncias e dos elementos
probatórios contidos nos autos.(AgRg no AREsp 158127 / SP, AGRAVO
REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL
2012/0055945-7, Min. Sidnei Benetti, 26.06.2012, DJ de 02.08.2012).

"A falta de interesse de agir que determina a carência de ação, é


extraída, tão só, das afirmações daquele que ajuíza a demanda - in status
assertionis -, em exercício de abstração que não engloba as provas
produzidas no processo, porquanto a incursão em seara probatória
determinará a resolução de mérito, nos precisos termos do art. 269, I, do
CPC. Recurso não provido." ((REsp 1259460/SP, Rel. Ministra NANCY
ANDRIGHI, TERCEIRA TURMA, julgado em 19/06/2012, DJe
29/06/2012)".

Diante desse contexto, deve prevalecer na hipótese, por ora e sem


prejuízo de exame posterior mais acurado, o periculum in mora pro societate, isto é, em
prol dos investidores lesados, resguardando-se bens para devida compensação pelos
danos causados.
Trata-se de pretensão cautelar que pode ser deferida sob o pálio do
artigo 297 do CPC, sendo destinada a garantir a efetividade do processo principal em
caso de procedência dos pedidos formulados na presente demanda coletiva que tem por
objeto, além da cessação das atividades, a reparação dos danos materiais
experimentados pelos investidores.
Ademais, não se vislumbra para os agravantes perigo de dano
iminente e irreversível que demonstre risco à subsistência, pois nada carreou nesse
sentido. Ao contrário, vislumbra-se o perigo de dano inverso para aos consumidores,
pois acaso não concedida a medida pode restar inócua a pretensão de recomposição dos
danos que atingem a monta milionária.
No mesmo sentido o parecer do nobre Procurador de Justiça, Dr.
Sérgio Luiz Morelli (fls. 295/308):
Tribunal de Justiça do Estado de Mato Grosso do Sul

(...)
Tribunal de Justiça do Estado de Mato Grosso do Sul

Prudente, assim, a manutenção da decisão objurgada.

V.
DISPOSITIVO.
Ante o exposto, conheço do agravo de instrumento interposto por
JEOVÁ DAS GRAÇAS SILVA e EDENIL NEIVA DAS GRAÇAS, rejeito as
preliminares contidas na contraminuta para conhecer integralmente do recurso e, com o
parecer, rejeitar a preliminar de ilegitimidade passiva e, no mérito, negar-lhe
provimento para manter a decisão que decretou a indisponibilidade de bens em face do
agravantes.

D E C I S Ã O
Como consta na ata, a decisão foi a seguinte:

POR UNANIMIDADE, AFASTARAM AS PRELIMINARES E


NEGARAM PROVIMENTO AO RECURSO, NOS TERMOS DO VOTO DO
RELATOR, COM O PARECER.

Presidência do Exmo. Sr. Des. Dorival Renato Pavan


Relator, o Exmo. Sr. Des. Dorival Renato Pavan.
Tomaram parte no julgamento os Exmos. Srs. Des. Dorival Renato
Pavan, Des. Amaury da Silva Kuklinski e Des. Paulo Alberto de Oliveira.

Campo Grande, 29 de janeiro de 2020.

vin