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UNIVERSIDADE METODISTA DE SÃO PAULO

O CANTEIRO DO PENTATEUCO — Gabriel Lima de Souza

O CANTEIRO DO PENTATEUCO: RESENHA CRÍTICA

GABRIEL LIMA DE SOUZA

UMESP São Bernardo do Campo — maio de 2017


2017
GABRIEL LIMA DE SOUZA

O CANTEIRO DO PENTATEUCO: RESENHA CRÍTICA

Trabalho Acadêmico apresentado ao Prof. João Batista


Ribeiro Santos, com vistas à aprovação em disciplina. —
2º. Ano, Período Matutino, do Curso de Bacharel em
Teologia da Faculdade de Teologia da Igreja Metodista —
Universidade Metodista de São Paulo.

São Bernardo do Campo — maio de 2017


O Canteiro do Pentateuco

SKA, Jean-Louis. O Canteiro do Pentateuco: Problemas de composição e de


interpretação aspectos literários e teológicos. São Paulo: Paulinas, 2016. 276 p.

O objetivo desta obra é expor a importância da exegese para um


entendimento real acerca das escrituras, também tem como objetivo ressaltar a
importância da exegese para a nossa fé. O autor traz uma série de artigos exegéticos
dos primeiros capítulos do livro de Gênesis, e um artigo sobre o livro do êxodo.
Levantando questões, consideradas por alguns polemicas e complexas, e fazendo
um estudo exegético das mesmas.

Problemas de composição e de interpretação

O livro tem seu início expondo um breve estudo exegético dos onze primeiros
versículos do primeiro capítulo do livro de Gênesis, ele nos dá algumas teorias e
ideias de alguns teólogos-historiadores, entre elas nos apresenta as duas fontes, a
Eloísta e a Jeovísta, que são consideradas as principais fontes existentes no livro.

Em questão de datação, é correto afirmar que tanto os versículos de 1-11 do


primeiro capitulo de Gênesis, assim como os outros que fazem referência ao mesmo,
são textos pós-exílicos; contudo, é extremamente dificultoso datar estes textos,
devido ao fato de serem todos vindos de tradição oral. Outro motivo de considerarem
esses textos pós-exílicos, é pelo fato de alguns historiadores compreenderem que o
povo se apropriou de elementos da cultura de outros povos, e adaptou para sua
ideologia. Outra razão também, é a forma de escrita dos textos, que é similar aos
textos escritos no período pós-exílicos. Após isto o autor nos apresenta algumas
razões para cada texto dos primeiros capítulos do livro de Gênesis, o relato da
criação, para mostrar que o criador de todo o universo é o Deus de Israel; Caim e
Abel, para indicar os motivos da rivalidade entre os ofícios e entre a população.

No segundo capítulo Ska parte de um estudo de Karl Budde sobre os capítulos


2 e 3 de Gênesis, que cita algumas dificuldades nesses relatos, estas sendo: a
dificuldade em conciliar os relatos dos rios presentes no jardim em um mundo de
grande seca; as duas arvores presentes no jardim, a arvore da vida que é citada
apenas no início e no fim dos relatos, e a arvore do conhecimento do bem e do mal,
que é a arvore que se localizava no centro do jardim; as duas narrativas da tarefa e
da função que o homem tinha no jardim; os dois homens que assassinaram
Mefisboset; e também as narrativas que indicam que o homem foi por duas vezes
expulso do jardim. Na questão de datação, também consideram atualmente que são
textos pós-exílicos, provavelmente no fim da era persa.

O terceiro capítulo é destinado a falar sobre o homem, como humanidade, e


a sua dignidade. O autor começa abordando sobre a diferença na criação dos
animais, que foram criados segundo sua espécie, e do homem, que foi criado
segundo a imagem e semelhança de Deus. E também cita que não há distinção entre
homem e mulher pois ambos foram criados segundo a imagem e semelhança.
Percebemos nos texto a igualdade de todos os homens e mulheres, e notamos com
a exegese dos relatos, que todos os homens, de escravos a reis, possuíam a mesma
dignidade, devido a sua imagem e semelhança com Deus. Segundo Ska, (2016,
p.72) “o relato bíblico não hesita em reconhecer o estatuto de pessoa a indivíduos
que, segundo a mentalidade dominante, são considerados inferiores” e ainda
complementa que, de acordo com o segundo livro de Reis capítulo 5 (2016, p.76)
“diante do Deus da Bíblia, todas as diferenças sociais desaparecem para que todos
possuam a mesma dignidade”.

O quarto capítulo trata de um assunto muito importante, sobre a importância


das genealogias do livro de Gênesis, que muitas vezes são esquecidas ou
ignoradas. Ska diz que as genealogias servem como pontes entre o “hoje”, o “ontem”
e o “anteontem”, elas ligam a história, desde a criação do mundo, completando as
narrativas. Mas elas não tem apenas essa função, de relacionar passado e presente,
mas também possuem a função de estabelecer ligações entre povos.

Apesar de uma leitura superficial de Gênesis nos leve a entender que o mundo
foi criado apenas para que abração e sua descendência fossem escolhidos, os textos
da “tabela dos povos” – que são versículos que trazem as genealogias de Israel –
nos mostram que existiram vários povos que interviram na história de Israel. E os
outros povo entendemos que não são realmente “outros”, mas podem e devem ser
vistos como “parentes”. Conforme Ska, (2016, p. 102) "Os povos não são
esquecidos, o exclusivismo de Israel não triunfa em cada página, e o relato
sacerdotal, por exemplo, abre diversas portas "ecumênicas" para os povos vizinhos."

Agora, no quinto capítulo, o autor adentra no livro de Êxodo, e faz uma


observação, dizendo que, juntamente com o livro de Números, são os dois livros
mais complicados de todo o pentateuco, e isso se dá principalmente pelo vasto
conteúdo que possuem, encontramos texto, tanto legislativos, como também textos
culturais. Retrata a saída do Egito que é seguido de diversos momentos no deserto,
depois sobre o povo próximo ao monte Sinai, onde ocorrem manifestações Divinas,
incluindo episódios correspondentes a terra prometida, entre outros.

O livro de Êxodo, considerando inicialmente apenas o ponto de vista literário,


já percebemos que é um livro demasiadamente complexo. Encontramos várias
tradução manuscritas, como de Qumram, Vatus Latina e a Vulgata, Monacensis,
Pentateuco Samaritano, quais entre elas possuem muitas diferenças. Encontramos
várias complicações nos textos de Êxodo, devido as traduções, escritas, e também
devido a tradição oral.

Segundo o autor, (2016, p.124) "o direito, ao contrário das leis, não deve ser
proclamado e não depende de nenhum modo de uma atoridade humana" e
complementa, (2016, p.124) "o direito é universal e por princípio não é limitado nem
no espaço nem no tempo".Ska escolhe três exemplos – sendo eles, as parteiras do
Êxodo, o nascimento de Moisés e a esposa de Saul, Resfa – para ilustrar que a
Bíblia, faz a distinção entre “lei” e “direito” e também que sabe, com grande
competência fazer essa distinção entre eles. Na Bíblia há casos que o direito é
defendido por mulheres, mesmo diante de um poder que é apenas representado por
homens, como é o caso de Davi e do Faraó, no segundo exemplo que vimos;
contudo, também existem casos em que usam a “lei” em defesa do “direito”, e isso
é feito pelos profetas.

Aspectos literários e teológicos

O próprio Ska diz no início desta segunda parte do livro que a exegese do
pentateuco tem pouco a ver com música, contudo ressalta a importância de estuda-
la, o autor cita Hermann Gunkel, expondo, (2016, p.139) “o escopo da exegese é
conseguir escutar uma música antiga e distante. Exige-se um ouvido sensível e
atento para perceber as melodias bíblicas e sua harmonia.”. Gunkel também traz a
nossa memória que a comunicação oral é de mais importância que a escrita. Ska diz
que nossa música é decorrente da música do primeiro testamento. A segunda razão
para estudarmos a música no pentateuco diz respeito a compressão do texto. Muitas
vezes nossa exegese se limita a palavras, passagem curtas e extraídas de seu
contexto, contudo, fazendo um paralelo a um concerto, não devemos apenas escutar
notas soltas, mas sim toda a melodia, e todo o concerto.

O primeiro capítulo desta segunda parte já vem confrontando a falta de


importância que damos aos textos do Primeiro Testamento. Ele diz que é pouco lido,
e mais ainda, pouco pregado. Ska diz que por sermos cristãos, o que importa para
nós é o Segundo testamento. Aborta inicialmente as diferenças entre Primeiro
Testamento e o Segundo Testamento, dizendo que o Segundo é menos diversificado
pois trata de um período curto da história e também é todo centralizado em Jesus
Cristo, diferentemente do Primeiro que abrange um período de cerca de mil anos e,
apesar de focar em torno do povo de Israel, nem sempre isso é feito diretamente.

Nos fala da importância de se colocar o texto em seu contexto para termos


uma interpretação substancial. Não apenas no contexto, dizendo para levar em
conta todo o capitulo ou livro, mas que tudo isso seja levado ao contexto histórico,
social e cultural.

Seguindo para o próximo capitulo Ska, expõe homens considerados amigos


de Deus, e explica o motivo deste título não ser utilizado de modo claro. Abraão foi
merecedor deste título por crer na promessa de Deus, e também por confiar
plenamente em Deus. O próximo homem considerado amigo de Deus é Moisés,
vemos isto na passagem que revela que Moisés falava face a face com Deus, como
quem fala com um amigo, e isso porque ele tinha um profundo relacionamento com
Deus.

Então Ska fala sobre a Torá, a lei de Moisés. Inicia falando sobre a autoria
dos livros, que como sabemos é tradicionalmente ligada a Moisés, contudo o autor
nos indaga, (2016, p.185) “Moisés teria podido escrever o relato da sua morte”.
Seguindo pelo texto o autor nos apresenta uma série de teses sobre os autores quais
são atribuídas a autoria da Torá. Então Ska abrange diversos livros, comentando
brevemente, fazendo uma breve exegese do texto, como dos livros de Primeiro e
Segundo Reis, Neemias, Esdras. Ressalta a importância que os escribas possuíam
na religião de Israel. A inquestionável importância que o sacerdote o templo tinham
também.

O texto então entra em uma questão demasiadamente complicada de ser


resolvida e explicada, sobre quem seria o sucessor de Moisés, e aborda
principalmente a importância do livro de Deuteronômio. Primeiramente, notamos que
Deuteronômio conclui o relato que vai desde a criação do mundo, até a morte de
Moisés. Podemos considerar esse livro contendo fatos e arquivos a respeito de
Moisés, sobretudo, este livro se apresenta como um testamento de um líder
responsável pelo povo, sendo Moisés o fundador do povo de Israel. Nas próprias
palavras do autor, (2016, p. 224) “o Deuteronômio é o testamento de Moisés que,
antes de sua partida, pede insistentemente ao povo de Israel que seja fiel à aliança
e, de modo particular, que permaneça fiel à Torá que será seu único autêntico
herdeiro e sucessor.”

(Ska. 2016, p.225) “O Pentateuco encontrou sua forma atual durante a época
persa”. Contudo, o autor ressalta que o Pentateuco foi inteiramente escrito em
hebraico clássico, sem indícios, de usos em aramaico. O autor também fala
brevemente da composição do Pentateuco, sendo: relatos, leis, poemas, entre
outros.

A origem do pentateuco se deu pela necessidade do povo de registrar o que


já vinha sendo passado de geração a geração oralmente. Segundo Ska (2016, p.
234-235) “O objetivo desse longo relato é, em síntese, fixar por escrito e explicar a
origem de Israel, especificar as fronteiras da terra prometida, esclarecer as relações
com os vizinhos, determinar quais sejam os acontecimentos fundadores da história
do povo de YHWH, enumerar as obrigações deste povo para com seu Deus e
legitimar as principais instituições.”.

Então o autor aborda os sacrifícios do Primeiro Testamento, Ska, cita um


rabino espanhol, chamado Moshe Maimônides, conhecido também como Rambam,
que escreveu comentários a respeito dos sacrifícios presentes na Torá. Rambam
chega dizer que esta instituição de sacrifícios jamais foi verdadeiramente desejada
por Deus, e acordo com Rambam, devido aos israelitas serem fascinados pelos
rituais pagão de sacrifícios, Moisés então instituiu-os. Ska continua no tema de
sacrifícios, citando versículos do Segundo Testamento, onde, na carta aos Hebreus,
o autor diz que os sacrifícios que eram feitos na segunda aliança com Deus estão
abolidos. E o autor continua falando sobre teorias a respeito dos sacrifícios.

Por fim, Ska fala do primeiro, maior, e mais importante mandamento de toda
a bíblia cristã, o amor. Entre as diversas concepções do significado de amor, ele é
tanto privado quanto público, nas palavras do autor, amor é “uma força devastadora,
que não leva em conta as convenções, os imperativos, as proibições da sociedade,
e se afirma, aliás, se consolida, em sua oposição contra a sociedade” (2016, p.259-
260). Então o autor fala das diferentes formas de amor, pai e filho, nós para com
Deus, entre marido e esposa, entre outras. Ele ressalta a multiformidade do amor de
Deus.

Na leitura desta obra de Jean-Louis Ska, tive a oportunidade aumentar meu


conhecimento a respeito do pentateuco, de forma aprofundada, devida a exegese
trazida a nós. A linguagem clara, facilitou a compreensão. Achei interessante o
encerramento do livro, com o último capítulo que abordou o amor de Deus. Trazendo
estudos sobre as várias formas da manifestação desse amor, tanto de Deus para
conosco, como de nós para com o próximo, e também entre outras formas.