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POLÍCIA MILITAR DE MINAS GERAIS

AJUDÂNCIA-GERAL

SEPARATA
DO
BGPM

Nº 71

BELO HORIZONTE, 19 DE SETEMBRO DE 2013.

Para conhecimento da Polícia Militar de Minas


Gerais e devida execução, publica-se o
seguinte:
CADERNO DOUTRINÁRIO 8

MEIO AMBIENTE
MANUAL TÉCNICO-PROFISSIONAL
nº 3.04.08/2013-CG
CADERNO DOUTRINÁRIO 8

MEIO AMBIENTE
MANUAL TÉCNICO-PROFISSIONAL
nº 3.04.08/2013-CG

Regula a Prática Policial Militar Especializada de Policiamento


de Meio Ambiente na Polícia Militar de Minas Gerais.

Belo Horizonte - MG
Academia de Polícia Militar
2013
Direitos exclusivos da Polícia Militar do Estado de Minas Gerais (PMMG).
Reprodução condicionada à autorização expressa do Comandante-Geral da PMMG.
Circulação restrita.

Governador do Estado: Antonio Augusto Junho Anastasia


Comandante-Geral da PMMG: Cel. PM Márcio Martins Sant´ana
Chefe do Estado-Maior: Cel. PM Divino Pereira de Brito
Chefe do Gabinete Militar do Governador: Cel. PM Luis Carlos Dias Martins
Comandante da Academia de Polícia Militar: Cel. PM Sérgio Augusto Veloso Brasil
Chefe do Centro de Pesquisa e Pós-Graduação: Ten.-Cel. PM Sílvio José de Sousa Filho
Tiragem: 3.000 exemplares

MINAS GERAIS. Polícia Militar. Comando-Geral. MANUAL TÉCNICO PROFISSIONAL


Nº 3.04.08/2013-CG: Regula a Prática Policial Militar Especializada de Policiamento de
Meio Ambiente na Polícia Militar de Minas Gerais. Belo Horizonte: PMMG – Comando-
Geral, 2013.
112 p.: il.

1. Policiamento de Meio Ambiente 2. Fiscalização Ambiental. 3. Policiamento Ostensivo.


4. Policiamento Especializado. I. Ribeiro, Luiz André Braida (resp.). II. Fagundes, Valmir
José (atu.). III. Costa, Winston Coelho (rev.). IV. Polícia Militar. Comando-Geral. V. Título.

CDU 351.744:504
CDD 352.6

Ficha catalográfica: Rita Lúcia de Almeida Costa – CRB – 6ª Reg. n.1730

ADMINISTRAÇÃO:
Centro de Pesquisa e Pós Graduação
Rua Diábase 320 – Prado Belo Horizonte – MG
CEP 30410-440
Tel.: (0xx31)2123-9513
E-mail: cpp@pmmg.mg.gov.br

SUPORTE METODOLÓGICO E TÉCNICO


Seção de Emprego Operacional (EMPM/3)
Quartel do Comando-Geral da PMMG
Cidade Administrativa/Edifício Minas, Rodovia Prefeito Américo Gianetti, s/n - 6º andar
Bairro Serra Verde - Belo Horizonte - MG - Brasil - CEP 31.630-900
Telefone: (31) 3915-7799.
RESOLUÇÃO N°4258, DE 11 DE JUNHO DE 2013.

Aprova o Manual Técnico-Profissional


de Meio Ambiente na Polícia Militar
de Minas Gerais.

O COMANDANTE-GERAL DA POLÍCIA MILITAR DE MINAS GERAIS,


no uso das atribuições que lhe são conferidas pelo inciso I, alínea I do artigo
6°, item V, do regulamento aprovado pelo Decreto n° 18.445, de 15Abr77 –
(R-100), e à vista do estabelecido na Lei Estadual 6.260, de 13Dez73, e no
Decreto n° 43.718, de 15Jan04, RESOLVE:

Art. 1° - Aprovar o Manual Técnico-Profissional nº 3.04.08/2013-CG,


ilustrativamente denominado Caderno Doutrinário de Meio Ambiente, que
visa a regular a prática policial militar especializada de policiamento de meio
ambiente na Polícia Militar de Minas Gerais.

Art. 2° - Esta Resolução entra em vigor na data de sua publicação.

Art. 3° - Revogam-se as disposições em contrário.

QCG em Belo Horizonte, 11 de junho de 2013.

(a) MÁRCIO MARTINS SANT´ANA, CORONEL PM

COMANDANTE-GERAL
DIRETORIA DE MEIO AMBIENTE E TRÂNSITO
Coronel PM Armando Leonardo L A F da Silva
GESTORES DO PROCESSO ELABORATIVO
Coronel PM Armando Leonardo L A F Silva
Coronel PM Fábio Manhães Xavier
Coronel PM Antônio de Carvalho Pereira
Coronel PM Newton Antônio Lisboa Junior
Tenente-Coronel PM Marcelo Vladimir Correa
SUPERVISÃO TÉCNICA
Tenente-Coronel PM Winston Coelho Costa
Major PM Cláudio José Dias
1ª REDAÇÃO
Coronel PM QOR Luiz André Braida Ribeiro
Tenente-Coronel PM QOR José Carlos de Oliveira
Major PM Edson Gonçalves
Major PM Rodrigo Teixeira Coimbra
Capitão PM Carlos Henrique S. da Silva
Capitão PM Nilson de Jesus Neves
REVISÃO, ATUALIZAÇÃO E REDAÇÃO
Major PM Valmir Jose Fagundes
Major PM Gilson de Oliveira Wenceslau
Capitão PM Reginaldo Correa Silva
1º Tenente PM Marcus Luiz Dias Coelho
2º Tenente PM Flávio José de Souza
Subtenente PM Marcelos Antônio Marques
REVISÃO DOUTRINÁRIA
Major PM Eugênio Pascoal C. Valadares
2º Sargento PM Luiz Henrique M. Firmino
2º Sargento PM Aricélio Santos
COLABORADORES
Tenente-Coronel PM Sílvio José de Sousa Filho
Major PM Cleverson Natal de Oliveira
Capitão PM Ricardo Luiz Amorim Gontijo Foureaux
Subtenente PM Antônio Geraldo Alves Siqueira
2º Sargento PM Danilo Teixeira Alcântara
3º Sargento PM Andreanderson Damasceno dos Santos
Cabo PM Elias Sabino Soares
REVISÃO FINAL
Tenente-Coronel PM Winston Coelho Costa
REVISÃO GRAMÁTICA
Professora Maria Sílvia Santos Fiúza
LISTA DE SIGLAS
AAF Autorização Ambiental de Funcionamento

ANVISA Agência Nacional de Vigilância Sanitária

APP Área de Preservação Permanente

BO Boletim de Ocorrência

BOS Boletim de Ocorrência Simplificado

CBHs Comitês de Bacias Hidrográficas

CERH Conselho Estadual de Recursos Hídricos

CF Constituição Federal

CONAMA Conselho Nacional do Meio Ambiente

COPAM Conselho Estadual de Política Ambiental

DAIA Documento Autorizativo de Intervenção Ambiental

DIAO Diretriz Integrada de Ações e Operações

DMAT Diretoria de Meio Ambiente e Trânsito Rodoviário

DN Deliberação Normativa

DNPM Departamento Nacional de Produção Mineral

DOPM Diretriz de Operações Policiais Militares

DOF Documento de Origem Florestal

EMPM Estado Maior da Polícia Militar

FEAM Fundação Estadual de Meio Ambiente

GCA Guia de Controle Ambiental

GPMAmb Grupamento de Polícia Militar de Meio Ambiente


GPS Global Position System

Ha Hectare

IBAMA Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis

ICMBIO Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade

IEF Instituto Estadual de Florestas

IGAM Instituto Mineiro de Gestão das Águas

LI Licença de Instalação

LO Licença de Operação

LOC Licença de Operação Corretiva

LP Licença Prévia

MMA Ministério do Meio Ambiente

MTP Manual Técnico Profissional

PMMG Polícia Militar de Minas Gerais

POG Policiamento Ostensivo Geral

REDS Relatório de Evento de Defesa Social

SEDRU Secretaria de Estado de Desenvolvimento Regional e Política Urbana

SEMAD Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável

SISEMA Sistema Estadual do Meio Ambiente e Recursos Hídricos

SISNAMA Sistema Nacional de Meio Ambiente

SUCFIS Subsecretaria de Controle e Fiscalização Ambiental Integrada

SUPRAM Superintendência Regional de Regularização Ambiental

UEOp Unidade de Execução Operacional


LISTA DE FIGURAS
Figura 01 Organograma do Sistema Estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos – SISEMA . 25
Figura 02 Fiscalização de pássaros em cativeiro . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 31
Figura 03 Exemplo de duas anilhas adulteradas em seus diâmetros e inscrições e uma anilha
verdadeira fornecida pelo IBAMA . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 34
Figura 04 Fiscalização de diâmetro interno de anilha . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 35
Figura 05 Relação de passeriformes fornecida para criadouro . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 35
Figura 06 Galos utilizados na prática de rinha – com biqueiras e esporas . . . . . . . . . . . . . 37
Figura 07 Galo com Crista e barbelas . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 37
Figura 08 Galo utilizado na prática de rinha com barbelas e crista aparadas . . . . . . . . . . . . . 37
Figura 09 Arena utilizada para prática de rinha de galos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 38
Figura 10 Galo apreendido durante fiscalização em rinha de galos . . . . . . . . . . . . . . . . . 38
Figura 11 Apreensão de caça abatida . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 38
Figura 12 Apreensão de petrechos utilizados na prática de pesca predatória . . . . . . . . . . . . . . .41
Figura 13 Tarrafas – apetrecho de uso proibido para pesca amadora. . . . . . . . . . . . . . . . 44
Figura 14 Rede de Pesca – apetrecho de uso proibido a pesca amadora . . . . . . . . . . . . . . 44
Figura 15 Espécies que devem ser preservadas – Pirá . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 45
Figura 16 Espécies com tamanho inferior ao permitido – Surubim . . . . . . . . . . . . . . . . . 45
Figura 17 Processo para Fotografar e medir tamanho mínimo de Pescado . . . . . . . . . . . . 45
Figura 18 Apreensão de Dourado inferior ao tamanho permitido . . . . . . . . . . . . . . . . . 46
Figura 19 Procedimento para aferir tamanho de malha de rede e tarrafa . . . . . . . . . . . . . 46
Figura 20 Medição correta do comprimento do peixe, da ponta do Focinho à extremidade nadadeira
caudal – Corvina Pachyurus francisci . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 47
Figura 21 Mapa dos biomas existentes no Estado de Minas Gerais . . . . . . . . . . . . . . . . . 57
Figura 22 Coleta de coordenadas em local de desmate . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 58
Figura 23 Fiscalização de local de desmate . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 59

Figura 24 Desmate e soterramento de área de nascente e curso d´água . . . . . . . . . . . . . . 61

Figura 25 Fiscalização ambiental em desmate do bioma Mata Atlântica . . . . . . . . . . . . . 65

Figura 26 Cálculo de medida de DAP de um Ipê amarelo – 12,7 cm . . . . . . . . . . . . . . . . 65

Figura 27 Cubagem de Material lenhoso objeto de área desmatada . . . . . . . . . . . . . . . . 66

Figura 28 Medições de área desmatadas com uso de GPS . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 66

Figura 29 Fiscalização de atividade de fabricação e empacotamento de carvão . . . . . . . 67

Figura 30 Transporte ilegal de lenha nativa . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 67

Figura 31 Armazenamento ilegal de lenha nativa . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 67

Figura 32 Fiscalização ambiental de atividade potencialmente poluidora – extração de minério


de ferro . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 74

Figura 33 Fiscalização de extração de areia com draga de sucção . . . . . . . . . . . . . . . . . . 76

Figura 34 Extração de areia com danos a mata ciliar e assoreamento de curso d´água . . . . . 77

Figura 35 Extração de areia em várzea – processo em cava e circuito fechado . . . . . . . . . . . . . 79

Figura 36 Fiscalização de draga flutuante – verificação de outorga . . . . . . . . . . . . . . . . 80

Figura 37 Planta de Loteamento – conferência de selo do SEDRU e aprovação pelo município do


empreendimento . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 81

Figura 38 Planta de loteamento e dados da área de lotes aprovados pela prefeitura . . . . . 83

Figura 39 Abertura de sistema viário de loteamento com desmate e assoreamento de


nascente. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 84

Figura 40 Cachoeira dos Pássaros – Piedade dos Gerais – MG – Recreação de contato primário – uso
preponderante da água . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 89

Figura 41 Captação de água em barramento com mangueira de ¾ de polegada por


gravidades – captação inferior a 1l/s – sujeito a cadastro junto ao IGAM . . . . . . . 91

Figura 42 Captação de água com uso de bomba de sucção de 3 polegadas e motor de 7,5 HP para
atividade de irrigação de hortaliças – volume captado de 3,6 litros por segundo . . 93
SUMÁRIO
1 APRESENTAÇÃO . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 17

2 CRIMES, INFRAÇÕES ADMINISTRATIVAS AMBIENTAIS


E ATUAÇÃO DA POLICIA MILITAR . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 21

2.1 Poder de Polícia e Fiscalização Ambiental . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 21

2.2 Abordagem Durante as Fiscalizações Ambientais . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 22

3 A ATUAÇÃO DOS ÓRGÃOS DE FISCALIZAÇÃO AMBIENTAL


NO ESTADO DE MINAS GERAIS. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 25

4 FAUNA . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 31

4.1 Fiscalização Policial Militar Relativa à Fauna . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 32

4.1.1 Procedimentos Policiais na fiscalização da fauna silvestre . . . . . . . . . . . . . . . . 33

4.1.2 Fiscalização onde foi constatado animal em situação de maus tratos, abuso,
mutilado ou ferido . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 36

5 ATIVIDADE DE FISCALIZAÇÃO DA PESCA . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 41

5.1 Fiscalização Policial Militar Relativa à Pesca . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 41

5.2 Procedimentos Policiais,na Fiscalização da Atividade de Pesca . . . . . . . . . . . . . 43

6 FISCALIZAÇÃO DE RODEIO . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 51

7 FLORA . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 59

7.1 Fiscalização Policial Relativa à Flora . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 59

7.1.1 Procedimentos Policiais de fiscalização de flora . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 59

7.1.1.1 Fiscalização de desmate de vegetação nativa . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 59

7.1.1.2 Fiscalização em local onde houve intervenção em Área de Preservação Permanente 61

7.1.1.3 Fiscalização em local envolvendo corte de árvores em perímetro urbano


ou em propriedade privada alheia . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 62
7.1.1.4 Fiscalização de transporte e o armazenamento de produtos e subprodutos florestais,
nativos ou plantados . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 63

7.2 Fiscalização de Queimada/Incêndio Floresta . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 68

8 FISCALIZAÇÃO DE ATIVIDADES POTENCIAMENTE POLUIDORA. . . . . . . . . . . . . 73

8.1 Fiscalização Policial Relativa a Atividades Efetivas ou Potencialmente Poluidoras . . 74

8.2 Fiscalização Ambiental em Atividade de Extração de Areia . . . . . . . . . . . . . . . 75

8.2.1 Procedimentos policiais para a fiscalização de atividades potencialmente poluidoras


do meio ambiente . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 78

8.3 Fiscalização Ambiental da Atividade de Parcelamento de Solo para fins Urbanos . . 80

8.3.1 Procedimentos policiais em fiscalização de loteamentos e desmembramento de solo 80

8.4 Fiscalização de Agrotóxicos em Área Urbana . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 84

9 FISCALIZAÇÃO AMBIENTAL DOS RECURSOS HÍDRICOS . . . . . . . . . . . . . . . 89

9.1 Modalidade de Outorga . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 90

9.2 Definição de Portes . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 90

9.3 Aspectos a serem observados pelo policial militar quando na Fiscalização ambiental
de recursos hídricos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 91

9.3.1 Fiscalização de atividade onde está sendo realizada a captação de recursos hídricos
para a atividade agrícola e se a situação está sujeita a outorga . . . . . . . . . . . . . 92

9.3.2 Fiscalização de atividade de uso de recursos hídricos considerados insignificantes na


captação em nascentes, acumulações e Cisternas . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 93

10 FISCALIZAÇÃO DE PATRIMÔNIO HISTÓRICO CULTURAL . . . . . . . . . . . . . . . 97

11 DESTINAÇÃO DE MATERIAIS APREENDIDOS EM OCORRÊNCIAS . . . . . . . . . 101

12 PRESCRIÇÕES DIVERSAS . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 107

REFERÊNCIAS . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 109
SEÇÃO 1

APRESENTAÇÃO
Manual Técnico-Profissional 3.04.08

1 APRESENTAÇÃO

A preservação do meio ambiente ecologicamente equilibrado tem recebido


grande atenção e merecida importância nos últimos tempos, por ser uma
condição essencial para garantir a sadia qualidade de vida e sobrevivência
das presentes e futuras gerações.

A Constituição Federal de 1988 – CF/88, em seu artigo 225, prevê o direito e


a responsabilidade de todos para defender e preservar o meio ambiente. A
Constituição de Minas Gerais de 1989, em seu artigo 142, atribui competência
à Polícia Militar de Minas Gerais - PMMG para a polícia ostensiva de prevenção
criminal, de segurança, de florestas e de mananciais, garantia do poder
de policia dos órgãos e entidades de proteção ambiental, entre outras
responsabilidades.

De ofício, cabe ao policial militar realizar a prevenção dos crimes ambientais


e reprimir aqueles que estejam em flagrante delito. Todavia, para adoção de
medidas administrativas, como autuação, embargo, suspensão, apreensão e
produtos e subprodutos, entre outras, é imprescindível a existência de um
convênio firmado com o órgão detentor do poder de polícia administrativa,
delegando esta competência à PMMG.

Atuar na questão da fiscalização ambiental é um desafio ao policial militar,


considerando a multidisciplinaridade que envolve a questão. Ao mesmo
tempo, o militar irá lidar com assuntos relativos à fauna, flora, poluição,
mineração, pesca, qualidade dos recursos hídricos, entre outras variedades
de campos do conhecimento.

Nesse contexto, cabe ao policial militar de meio ambiente um esforço para


sua capacitação profissional e atuação com a qualidade esperada, nas mais
diversas ocorrências com que poderá se deparar no seu dia a dia. A legislação
ambiental é complexa e dinâmica, merecendo detido estudo e atualização
por parte do agente público.

Este Manual Técnico Profissional - MTP tem como finalidade apresentar


orientações básicas para atuação do policial militar durante a atividade
operacional, desenvolvida para prevenir e reprimir os crimes ambientais.

17
PRÁTICA POLICIAL ESPECIALIZADA

Sua concepção e abrangência não esgotam os assuntos e outras fontes


de pesquisa certamente são necessárias. Para uma melhor compreensão
sua leitura deve ser precedida dos MTP 3.04.01 (Prática Policial Básica -
Intervenção Policial, Processo de Comunicação e Uso de Força), MTP
3.04.02 (Prática Policial Básica - Tática Policial, Abordagem a Pessoas e
tratamento às Vítimas) e MTP 3.04.04 (Cerco, Bloqueio e Abordagem a
Veículos).

18
SEÇÃO 2

CRIMES E INFRAÇÕES
ADMINISTRATIVAS
AMBIENTAIS
E ATUAÇÃO DA
POLÍCIA MILITAR
Manual Técnico-Profissional 3.04.08

2 CRIMES, INFRAÇÕES ADMINISTRATIVAS


AMBIENTAIS E ATUAÇÃO DA POLÍCIA MILITAR
Um dos aspectos que podem ser considerados como dificultadores para o
entendimento da legislação ambiental reside na diferenciação de crime e
infração administrativa. Os crimes ambientais são condutas típicas previstas
na Lei dos Crimes Ambientais – Lei 9.605/98, onde, em 36 (trinta e seis) artigos,
estão estabelecidas diversas condutas ilícitas. Já as infrações administrativas
estão previstas em decretos federais, estaduais e municipais, portanto, são
mais abrangentes, existindo em número maior que os crimes ambientais.

A conduta policial militar relativa aos crimes ambientais não difere das
adotadas em relação aos crimes comuns, quais sejam as estabelecidas na
Diretriz Integrada de Ações e Operações do Sistema de Defesa Social de
Minas Gerais – DIAO. Entretanto, existindo convênio com órgão ambiental
responsável, caberá ao policial militar de meio ambiente a adoção de medidas
administrativas concernentes a cada caso. Cabe salientar que o objeto de
crime poderá ser apreendido tanto em virtude da infração criminal quanto
em decorrência da infração administrativa.

Devido à peculiaridade da maioria dos crimes ambientais serem normas do


tipo penal em branco1, é necessário que o policial militar recorra a outros
instrumentos jurídicos regulamentadores para efetiva interpretação e
aplicação da lei ao caso concreto.

2.1 Poder de Polícia e Fiscalização Ambiental


Cabe à PMMG, portanto, no exercício do poder de polícia com vistas a prevenir
e reprimir os crimes ambientais e, mediante convênio, adotar medidas legais
face às infrações administrativas. Ressalta-se, ainda, que compete à Polícia
Militar a garantia do poder de polícia relacionada aos órgãos envolvidos na
proteção do meio ambiente.

Nos termos da Constituição Federal e legislação infraconstitucional, o exercício


do poder de polícia cabe ao ente federativo com atribuição para autorizar e
licenciar determinada atividade. Entretanto, essa diretiva não exclui a ação
1 São normas que, para serem aplicadas, necessitam de complementação de outra disposição
normativa (FREITAS, 2006).

21
PRÁTICA POLICIAL ESPECIALIZADA

fiscalizatória por parte da Polícia Militar ou de outro ente federativo, os quais


podem realizar ações fiscalizatórias de caráter supletivo e subsidiário2.

A fiscalização ambiental decorre do poder de polícia do órgão competente


e é exercida através de ações de verificação de conformidades e não
conformidades das atividades utilizadoras dos recursos ambientais, sujeitas
ou não de autorização e licenças por parte dos entes federativos.

A partir da Seção 4, serão apresentadas situações práticas e rotineiras


encontradas pelos policiais militares de meio ambiente durante as ações e
operações de prevenção e repressão aos crimes e infrações administrativas
ambientais. Para cada situação descrita, será exposta uma sequência de
procedimentos a serem adotados para atendimento adequado. Entretanto,
ressaltamos que, pela diversidade e peculiaridade de cada município do
Estado de Minas Gerais, algumas das providências que serão sugeridas
não têm aplicação integral, na prática, e poderão sofrer adaptações legais
respaldadas pelas autoridades locais.

2.2 Aboradagem Durante as Fiscalizações Ambientais

Existem outros documentos Institucionais, especialmente os MTP 3.04.02 e


MTP 3.04.04, que tratam, respectivamente, sobre Abordagem a pessoas e
tratamento a vítimas e Abordagem a veículos, que devem ser alvo de prévio
estudo para observação das orientações neles contidas, quando das ações e
operações do policiamento ambiental.

Normalmente, a pessoa alvo da abordagem do policial militar de meio


ambiente é cooperativa e não violenta, e os objetivos são atingidos com o
uso de verbalização e postura aberta. Entretanto, o policial militar não pode
descuidar das precauções atinentes a sua segurança pessoal e dos outros
componentes da guarnição, estando pronto para adequar o estado de
prontidão, de acordo com o comportamento do abordado.

2 atuação supletiva: ação do ente da Federação que se substitui ao ente federativo


originariamente detentor das atribuições, nas hipóteses definidas na Lei Complementar 140/11; 
- atuação subsidiária: ação do ente da Federação que visa a auxiliar no desempenho das
atribuições decorrentes das competências comuns, quando solicitado pelo ente federativo
originariamente detentor das atribuições definidas na Lei Complementar 140/11. 

22
SEÇÃO 3

ATUAÇÃO DOS ÓRGÃOS


DE FISCALIZAÇÃO
AMBIENTAL NO ESTADO
DE MINAS GERAIS
Manual Técnico-Profissional 3.04.08

3 A ATUAÇÃO DOS ÓRGÃOS DE FISCALIZAÇÃO


AMBIENTAL NO ESTADO DE MINAS GERAIS

Figura 01: Organograma do Sistema Estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos SISEMA.

A promulgação da Lei 6.938 de 31 de agosto de 1.981, criando a Política


Nacional do Meio Ambiente, estabeleceu conceitos, princípios, objetivos,
instrumentos, penalidades, seus fins, mecanismos de formulação e aplicação,
e instituiu o Sistema Nacional de Meio Ambiente (SISNAMA) e o Conselho
Nacional do Meio Ambiente (CONAMA).

Dentre os órgãos de atuação na esfera federal, destacamos o Ministério do


Meio Ambiente - MMA, o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos
Naturais Renováveis – IBAMA e o Instituto Chico Mendes de Conservação da
Biodiversidade – ICMBIO.

Em nível estadual, onde se concentra grande maioria das nossas relações


na defesa do meio ambiente, existe o Sistema Estadual de Meio Ambiente

25
PRÁTICA POLICIAL ESPECIALIZADA

– SISEMA, coordenado pela Secretaria de Estado de Meio Ambiente e


Desenvolvimento Sustentável – SEMAD.

O SISEMA tem a finalidade de integrar o regime de proteção e defesa do meio


ambiente e dos recursos hídricos a cargo do Estado no Sistema Nacional do
Meio Ambiente, criado pela Lei Federal nº 6.938, de 31 de agosto de 1981, e
no Sistema Nacional de Gerenciamento de Recursos Hídricos, criado pela Lei
Federal nº 9.433, de 8 de janeiro de 1997, por meio da articulação coordenada
dos seguintes órgãos e entidades que o integram:

a) Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável


- SEMAD;

b) Conselho Estadual de Política Ambiental - COPAM;

c) Conselho Estadual de Recursos Hídricos - CERH;

d) Fundação Estadual do Meio Ambiente - FEAM;

e) Instituto Mineiro de Gestão das Águas - IGAM;

f ) Instituto Estadual de Florestas - IEF;

g) Núcleos de gestão ambiental das demais Secretarias de Estado - NGASE;

h) Polícia Ambiental da Polícia Militar de Minas Gerais;

i) Comitês de bacias hidrográficas - CBH; e

j) Agências de bacias hidrográficas.

A SEMAD, responsável pela coordenação do SISEMA, está subdivida em


três Subsecratarias para gestão ambiental no Estado de Minas Gerais, quais
sejam: a Subsecretaria de Gestão e Regularização Integrada, a Subsecretaria
de Inovação e Logística e, por fim, a Subsecretaria de Controle e Fiscalização
Integrada - SUCFIS, sendo essa responsável pela fiscalização ambiental, com
apoio operacional da Polícia Militar de Minas Gerais – PMMG, principalmente
através da atividade de policiamento de meio ambiente.

26
Manual Técnico-Profissional 3.04.08

A PMMG faz parte do SISEMA, que é composto, ainda, pelo Instituto Mineiro
de Gestão das Águas – IGAM, responsável pela gestão de recursos hídricos
do Estado; pelo Instituto Estadual de Florestas – IEF, gestor das questões
relacionadas à biodiversidade, às áreas protegidas e aos recursos florestais;
e pela Fundação Estadual do Meio Ambiente – FEAM, gestora de resíduos
e efluentes, qualidade do ar e do solo, produção sustentável, energia e
mudanças climáticas.

Com a finalidade de descentralizar e integrar a administração ambiental


do Estado de Minas Gerais, foram implantadas pelo órgão ambiental nove
Superintendências Regionais de Regularização Ambiental (SUPRAMs), com
sedes em cidades pólos de suas regiões, assim favorecendo a construção de
agendas regionais e facilitando o atendimento ao empreendedor dentro da
sua própria região.

27
SEÇÃO 4

FAUNA
Manual Técnico-Profissional 3.04.08

4 FAUNA

A manutenção ilegal de animal silvestre3 em cativeiro ou a situação de maus


tratos, abuso, mutilação ou ferimento a qualquer animal4, são as ocorrências
mais comuns, relativas à fauna, atendidas pela PMMG. Ressaltamos que os
crimes contra a fauna estão previstos do artigo 29 ao 32 da Lei dos Crimes
Ambientais – Lei 9.605/98.

Figura 02: Fiscalização de pássaros em cativeiro.

3 De acordo com o Decreto Federal Nº 6.514, de 22 de julho de 2008, que dispõe sobre as infrações e
sanções administrativas ao meio ambiente, em seu Art. 24, § 7º são espécimes da fauna silvestre, todos os
componentes da biodiversidade incluídos no reino animal, pertencentes às espécies nativas, migratórias
e quaisquer outras não exóticas, aquáticas ou terrestres, que tenham todo ou parte de seu ciclo original
de vida ocorrendo dentro dos limites do território brasileiro ou em águas jurisdicionais brasileiras. Com
o disposto neste decreto, apesar de contrariar a LCA, buscou-se enquadrar como silvestres somente
aqueles animais originalmente existente em nosso território ou águas jurisdicionais brasileiras.
4 O artigo 32 da Lei 9.605/98 protege todos os animais. Quais sejam os animais silvestres, exóticos
e domésticos. Animais exóticos, de acordo com o Ibama (Portaria 102/98), são aqueles cuja a
distribuição geográfica não inclui o Território Brasileiro. As espécies ou subespécies introduzidas
pelo homem, inclusive domésticas, em estado selvagem, também são consideradas exóticas.
Outras espécies consideradas exóticas são aquelas que tenham sido introduzidas fora das fronteiras
brasileiras e suas águas juridicionais e que tenham entrado espontaneamente em Território Brasileiro.
Exemplos: leão, zebra, elefante, urso, ferret, lebre-européia, javali, crocodilo-do-nilo, naja, piton,
esquilo-da-mongólia, tartatuga-japonesa, tartaruga-mordedora, tartaruga-tigre-d’água, cacatua,
arara-da-patagônia, escorpião-do-Nilo, entre outros. Animais domésticos, de acordo com o Ibama.
(Portaria 93/98), são aqueles animais que através de processos tradicionais e sistematizados de
manejo e melhoramento zootécnico tornaram-se domésticas, possuindo características biológicas
e comportamentais em estreita dependência do homem, podendo inclusive apresentar aparência
diferente da espécie silvestre que os originou. Exemplos: gato, cachorro, cavalo, vaca, búfalo, porco,
galinha, pato, marreco, peru, avestruz, codorna-chinesa, perdiz-chucar, canário-belga, periquito-
australiano, abelha-européia, escargot, manon, mandarim, entre outros.

31
PRÁTICA POLICIAL ESPECIALIZADA

4.1 Fiscalização policial militar relativa à fauna

Os fatores preliminares deverão ser observados, no que couber, nas demais


fiscalizações ambientais.

Deverá ser realizada fiscalização à residência onde foi visualizada a presença


de animais silvestres, domésticos ou exóticos mantidos em cativeiro.

São fatores preliminares a serem observados pelo policial militar no caso de


passeriformes (pássaros canoros) silvestres em cativeiro:

1. o pássaro silvestre para ser mantido em cativeiro deve possuir anilhas


invioláveis, e o proprietário deve apresentar relação de passeriformes,
expedida pelo órgão ambiental competente, e/ou nota fiscal;

2. manter animal da fauna silvestre brasileira ilegalmente em cativeiro é


um crime permanente, portanto, configura-se flagrante delito. Nesse
sentido, o policial militar deve ter certeza de que o animal é da fauna
silvestre brasileira para realizar o adentramento sem o consentimento
do morador na residência, cumprindo os procedimentos previstos
na DIAO;não tendo o policial militar certeza tratar-se de animal
da fauna silvestre brasileira, em situação de crime, deve verbalizar
com o morador e solicitar autorização para adentrar a residência e
realizar a fiscalização, ressaltando que tudo deverá ser devidamente
testemunhado e registrado;

3. não obtendo autorização do morador para adentrar o interior da


residência e, havendo dúvidas com relação à existência do crime
ambiental, deve ser efetuado o registro do fato, com descrição dos
indícios à autoridade competente, especialmente ao promotor de
justiça, curador do meio ambiente, para subsidiar a solicitação e
expedição do mandado de busca e apreensão pelo poder judiciário;

4. recomenda-se que o policial militar possua conhecimento necessário


para identificação das principais espécies da fauna silvestre brasileira
da região ou utilize-se de obras literárias e manuais técnicos.

32
Manual Técnico-Profissional 3.04.08

4.1.1 Procedimentos policiais na fiscalização da fauna silvestre

A DIAO codifica as ocorrências de fauna no grupo “M 31.000” e orienta os


diversos procedimentos a serem adotados para o adequado atendimento
dessas ocorrências de meio ambiente. Entretanto, de acordo com o caso
concreto, orienta-se a adoção de procedimentos complementares abaixo
relacionados:

1. realizar levantamento fotográfico retratando o local e as espécimes


encontradas;

2. verificar se o número existente na anilha de cada pássaro corresponde


ao número da respectiva espécime, constante na relação de
passeriforme;

3. medir, com paquímetro, o diâmetro interno da anilha de cada espécime


e verificar se está de acordo com o estabelecido na legislação vigente;

4. conferir os principais dados da relação de passeriforme, onde deverá


constar a identificação do criador, relação de espécimes, número das
anilhas, sexo, data de nascimento;

5. caso seja possível, de acordo com a fisionomia de cada espécie, verificar


a compatibilidade da idade do animal e as características indicativas;

6. se possível, a contenção do animal para conferência e medição da


anilha deve ser realizada pelo próprio criador;

7. evitar, durante a fiscalização, nas proximidades das gaiolas e outros


cativeiros onde estejam as espécimes, o uso do chapéu aba larga pelo
policial militar de meio ambiente. Tal recomendação se faz necessário
para evitar estresse e outros males aos animais;

8. durante o transporte dos animais, o policial militar deve ter cuidados


especiais, evitando exposição excessiva ao sol, ao vento, chuva,
mudanças bruscas de temperatura, não colocando na mesma
gaiola espécies que causem, entre si, terror ou moléstia, além de
fazer o acondicionamento adequado das gaiolas na viatura policial,
evitando-se movimentações e choques bruscos;

33
PRÁTICA POLICIAL ESPECIALIZADA

9. deverá ser anexado junto ao Boletim de Ocorrência documento


comprobatório, expedido por profissional habilitado, iden-tificando a
espécie silvestre apreendida com o respectivo nome científico;

10. existindo informação confiável do possível local onde o animal foi


capturado, este fato deve ser noticiado no histórico do Boletim de
Ocorrência.

Fatores preliminares a serem observados pelo policial militar no caso de


fiscalização de animais da fauna silvestre brasileira (exceção feita aos
passeriformes):

Os animais da fauna silvestre brasileira, para serem mantidos em cativeiro,


deverão ser oriundos de criatórios devidamente legalizados pelo órgão
ambiental competente, possuir nota fiscal ou autorização mediante termo de
depósito, por exemplo.

Todos os animais a serem comercializados vivos deverão possuir sistema de


marcação provado pelo IBAMA e a venda deverá ser acompanhada da Nota
Fiscal fornecida pelo criadouro ou comerciante. Na Nota Fiscal, deverão
constar os dados referentes à marcação individual das espécimes.

Os demais fatores, bem como os procedimentos policiais, deverão ser


verificados nos itens 01 ao 10, no que couber.

Figura 03: Exemplo de duas anilhas adulteradas em seus diâmetros e inscrições e uma anilha
verdadeira fornecida pelo IBAMA.

34
Manual Técnico-Profissional 3.04.08

Figura 04: Fiscalização de diâmetro interno de anilha5.

Figura 05: Relação de passeriformes fornecida para criadouro.

5 A fiscalização está sendo realizada com o uso de um anilhador e paquímetro, o que facilita a
confirmação do diâmetro interno da anilha que, para o caso do trinca-ferro (Saltator similis), é
de 3,5 cm de diâmetro.

35
PRÁTICA POLICIAL ESPECIALIZADA

4.1.2 Fiscalização onde foi constatado animal em situação de


maus tratos, abuso, mutilado ou ferido6.

Fatores preliminares a serem observados pelo policial militar:

1. observar as alíneas 01 e 10, do item 7.1.1, no que couber;

2. o crime tipificado no artigo 32 da Lei 9.605/98 apresenta as seguintes


condutas de violência do infrator contra qualquer animal, quais sejam:
maltratar, abusar, mutilar e ferir. Logo, o policial militar deve especificar
a ação infracionária no histórico do Boletim de Ocorrência, bem como
descrever as circunstâncias que possibilitem constatar a materialidade
do ato delitivo, lembrando que apenas a ocorrência de uma das
condutas já configura o crime em questão;

3. realizar levantamento fotográfico retratando o local e situação que se


encontra o animal, bem como as possíveis lesões constatadas;

4. se necessário, anexar, junto ao Boletim de Ocorrência, laudo


comprobatório, expedido por profissional habilitado, atestando a
situação de crime.

6 Maus tratos significa insulto, ultraje. (Exemplo: manter cachorro permanentemente fechado
em lugar pequeno, sem ventilação e limpeza (FREITAS, 2006, p. 110);
Ferir é ofender, lesionar ou cortar;
Mutilar é privar o animal de parte do corpo (SIRVINSKAS, 2004, p. 134).

36
Manual Técnico-Profissional 3.04.08

Figura 06: Galos utilizados na prática de rinha – com biqueiras e esporas.

Figura 07: Galo com Crista e barbelas.

Figura 08: Galo utilizado na prática de rinha com barbelas e crista aparadas.

37
PRÁTICA POLICIAL ESPECIALIZADA

Figura 09: Arena utilizada para prática de rinha de galos.

Figura 10: Galo apreendido durante fiscalização em rinha de galos.

Figura 11: Apreensão de caça abatida.

38
SEÇÃO 5

ATIVIDADE DE
FISCALIZAÇÃO
DA PESCA
Manual Técnico-Profissional 3.04.08

5 ATIVIDADE DE FISCALIZAÇÃO DA PESCA

De acordo com o artigo 36 da Lei 9.605/98, considera-se pesca todo ato


tendente a retirar, extrair, coletar, apanhar, apreender ou capturar espécimes
dos grupos dos peixes, crustáceos, moluscos e vegetais hidróbios, suscetíveis
ou não de aproveitamento econômico, ressalvadas as espécies ameaçadas de
extinção, constantes nas listas oficiais da fauna e da flora.

Figura 12: Apreensão de petrechos utilizados na prática de pesca predatória.

5.1 Fiscalização policial militar relativa à pesca

Verifica-se que boa parte dos crimes de pesca são cometidos por pessoas
de bem, que simplesmente desconhecem a legislação. Logo, recomenda-se
que as ações e operações policiais militares devam ser realizadas com vistas a
evitar o cometimento da infração por essas pessoas. Por exemplo, se em um
local a pesca é proibida, a PMMG poderá, preferencialmente, executar ações
e operações na via de acesso a este local, orientando os pescadores a evitá-lo
ou até mesmo viabilizar parceria para colocação de placas educativas sobre
tal proibição.

O artigo 34 da Lei 9.605/98 e seus incisos prevêem várias condutas tipificadas


como crimes ambientais relativas à pesca, portanto, é imprescindível que o
policial militar, especialmente empregado na atividade de meio ambiente,
conheça plenamente estes dispositivos.

41
PRÁTICA POLICIAL ESPECIALIZADA

Para configurar o crime de pesca, basta a iminência da captura dos espécimes


da ictiofauna, ou seja, o pescador que atira na água um instrumento de pesca,
proibido ou não permitido para sua categoria, incorre no crime, mesmo que
não consiga trazer nada da água.

Fatores preliminares a serem observados pelo policial militar:

1. O entendimento do conceito de pesca:

!"conforme ensina Freitas (2006, p.130), se o pescador


amador faz aquisição de uma rede e/ou tarrafa com
o objetivo de pescar e venha utilizá-la, sendo seu uso
proibido para categoria, o fato configura o delito do art.
34 da Lei 9.605/98;

!"se ele mantém a rede em sua casa, a ação será atípica,


todavia configura infração administrativa. Se ele vai
ao rio e não chega a tirar a rede do porta-malas de seu
veículo, não há que se falar em crime de pesca proibida,
configurando, entretanto, apenas infração administrativa;

!"se ele retira a rede do porta malas de seu veículo, e na


margem do rio, está com ela nas mãos, prestes a lançá-la
nas águas, já está praticando o ato tendente de pesca
proibida, configurando o crime ambiental e infração
administrativa.

2. O policial militar deve conhecer as normas expedidas pelo IEF e


IBAMA que regulamentam os locais proibidos, período de restrição à
pesca (Ex: Piracema), categorias de pescadores, aparelhos e petrechos
proibidos, tamanhos e quantidades de peixes, restrições por bacias
hidrográficas, dentre outros.

3. Os tipos penais relativos à pesca são regulamentados por resoluções


e portarias do IBAMA. Não se recomenda fundamentar uma conduta
penal com base em uma regulamentação estadual ou municipal.
Portanto, as resoluções e portarias do IEF devem fundamentar as
providências administrativas.

42
Manual Técnico-Profissional 3.04.08

4. Recomenda-se que o policial militar possua conhecimento necessário


para identificação das principais espécies de peixes da região, ou
aprimore-se, utilizando-se de obras literárias e manuais técnicos.

5.2 Procedimentos policiais na fiscalização da atividade


de pesca

A DIAO codifica as ocorrências de pesca no grupo “M 30.000” e orienta os


diversos procedimentos a serem adotados para o adequado atendimento
dessas ocorrências de meio ambiente. Entretanto, de acordo com o caso
concreto, orienta-se a adoção de procedimentos complementares, abaixo
relacionados:

1. As regulamentações das categorias de pesca, sendo as principais as


amadoras e as profissionais, estabelecem quais aparelhos, petrechos,
métodos e técnicas permitidas a cada categoria. Outras normas
também podem estabelecer permissões e proibições neste sentido.
O pescador que for encontrado utilizando aparelhos, petrechos,
métodos e técnicas, diferentes dos permitidos para sua categoria,
estará cometendo crime ambiental.

2. Ao realizar uma apreensão de pescado irregular, seja pela quantidade


ou pelo tamanho, quando possível, a perícia deve ser acionada no
local.

3. Deve ser realizado o levantamento fotográfico pelo policial militar,


com as seguintes orientações:

!"utilizar fundo branco com fotos individuais por espécime,


para caracterização e identificação da espécie;

!"os peixes com tamanho inferior à medida permitida


devem ser fotografados individualmente, utilizando-se
um aparelho medidor (Ex: ectômetro, trena ou fita
métrica), indicando com nitidez o comprimento do peixe
da ponta do focinho à extremidade da nadadeira caudal
ou à parte existente.

43
PRÁTICA POLICIAL ESPECIALIZADA

4. Em relação à quantidade, orienta-se que a pesagem seja feita em


balança, separando-se as espécies e, posteriormente, somando-se
o total da pesagem e, quando possível, descrever o número de
indivíduos por espécie. Ressalta-se que todas as informações devem
estar devidamente descritas no histórico do Boletim de Ocorrência.
O policial militar ainda deve ter atenção com relação à espécime
excedente.

5. Para o pescado originário de outros Estados da Federação e de bacias


hidrográficas diversas ao estado de Minas Gerais, deve ser observada
a respectiva regulamentação da bacia de origem, com relação ao
tamanho mínimo permitido. Procedimento análogo deve ser adotado
em relação às espécies ameaçadas de extinção por bacia hidrográfica.

6. O aquicultor, criador de peixe, devidamente registrado no órgão


ambiental competente, pode comercializar peixes abaixo da medida,
devidamente acobertado por nota fiscal. Ao aquicultor é permitido
utilizar redes e tarrafas para o manejo e despesca.

Figura 13: Tarrafas – apetrecho de uso proibido para pesca amadora.

Figura 14: Rede de Pesca – apetrecho de uso proibido na pesca amadora.


Fonte: Manual de Pesca – PMMG - 2009.

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Manual Técnico-Profissional 3.04.08

Figura 15: Espécies que devem ser preservadas – Pirá7.

Figura 16: Espécies com tamanho inferior ao permitido - Surubim8.

Figura 17: Processo para fotografar e medir tamanho mínimo de Pescado.


Fonte: Manual de Fiscalização do IBAMA.

7 Surubim ou Pintado: Pseudoplatystoma corruscans - captura: tamanho mínimo de 80 cm.


8 Alta diversidade biológica, com alto grau de endemismo

45
PRÁTICA POLICIAL ESPECIALIZADA

Figura 18: Apreensão de Dourado inferior ao tamanho permitido.

Figura 19: Procedimento para aferir tamanho de malha de rede e tarrafa.

46
Manual Técnico-Profissional 3.04.08

Figura 20: Medição correta do comprimento do peixe, da ponta do focinho à extremidade


nadadeira caudal - Corvina Pachyurus francisci.
Fonte: Adaptado do Manual de pesca da PMMG.

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SEÇÃO 6

FISCALIZAÇÃO
DE RODEIO
Manual Técnico-Profissional 3.04.08

6 FISCALIZAÇÃO DE RODEIO

Trata-se de uma atividade econômica presente em diversos eventos e


festividades, principalmente no interior do Estado de Minas Gerais, que
consiste em atividades de montaria ou de cronometragem e as provas de
laço, nas quais avalia-se a habilidade do atleta em dominar o animal com
perícia e o desempenho do próprio animal (parágrafo único do artigo 1o da
Lei Federal 10.519/2002).

A realização da referida atividade carece de observância de normas sanitárias


e ambientais, visando à proteção e integridade física dos animais, bem como
estabelecer um cenário de segurança para todo o público envolvido.

Dessa forma, as festividades e eventos que envolvem a realização de rodeios


deverão ser alvo de fiscalização pelos policiais militares do Policiamento
Ostensivo Geral e, principalmente, pelos policiais militares da atividade de
Policiamento de Meio Ambiente da PMMG.

Assim sendo, durante as fiscalizações, deverão ser observadas as seguintes


condutas operacionais:

1. Identificar o endereço ou localização do evento, esclarecendo se a


atividade fiscalizada pode ser caracterizada como rodeio de animais,
incluídas atividades de montaria ou de cronometragem e as provas de
laço, nas quais avalia-se a habilidade do atleta em dominar o animal
com perícia e o desempenho do próprio animal (art. 1o, caput, da Lei
10.519/2002).

2. Identificar o(s) proprietário(s) e/ou possuidor(es) da área, assim como


a(s) pessoa(s) promotora(s) do rodeio, qualificando-a(s) (art. 3o da Lei
10.519/2002).

3. Esclarecer se a atividade conta com: (a) infraestrutura completa


para atendimento médico, com ambulância de plantão e equipe de
primeiros socorros, com presença obrigatória de clínico-geral (art. 3o,
I, da Lei 10.519/2002); (b) médico veterinário habilitado, responsável
pela garantia da boa condição física e sanitária dos animais e pelo
cumprimento das normas disciplinadoras, impedindo maus tratos

51
PRÁTICA POLICIAL ESPECIALIZADA

e injúrias de qualquer ordem (art. 3o, II); (c) transporte dos animais
em veículos apropriados e instalação de infraestrutura que garanta
a integridade física deles durante sua chegada, acomodação e
alimentação (art. 3o, III); (d) arena das competições e bretes cercados
com material resistente e com piso de areia ou outro material
acolchoado, próprio para o amortecimento do impacto de eventual
queda do peão de boiadeiro ou do animal montado (art. 3o, IV).
Deve-se nesse caso ser anexado relatório fotográfico das instalações
e serem feitas anotações no boletim, como, por exemplo, o nome do
médico veterinário responsável.

4. Verificar se os apetrechos técnicos utilizados nas montarias, bem como


as características do arreamento, podem causar ferimentos aos animais,
esclarecendo se: (a) cintas, cilhas e barrigueiras são confeccionadas
em lã natural com dimensões adequadas para garantir o conforto dos
animais; (b) há uso de esporas com rosetas pontiagudas ou qualquer
outro instrumento que cause ferimentos nos animais; (c) há aparelhos
que provoquem choques elétricos; (d) há redutor de impacto para o
animal nas cordas utilizadas nas provas de laço (art. 4o da Lei Federal
10.519/2002).

5. Verificar se há vestígios de maus-tratos aos animais do rodeio (art.


32 da Lei 9.605/1998), como feridas ou mutilações. Sendo o caso,
autuar e providenciar relatório fotográfico, para posterior análise por
veterinário do IMA ou perito da Justiça.

6. Analisar se a permanência das atividades do rodeio torna mais grave a


situação de perigo existente, bem como se as atividades e intervenções
devem ser suspensas.

7. Verificar se (a) a realização do rodeio foi precedida de autorização


do Instituto Mineiro de Agropecuária (IMA) (art. 3o da Lei Estadual
13.605/2000); (b) se houve comunicação da realização das provas ao
citado órgão, com antecedência mínima de 30 (trinta) dias e indicação
do médico veterinário responsável (art. 5o da Lei 10.519/2002 e art.
4o da Lei Estadual 13.605/2000). Conforme o caso, juntar cópia do
ato autorizativo e do protocolo da comunicação, a ser obtido junto à
pessoa promotora do rodeio, ou registrar a justificativa da entidade
para a não apresentação dos documentos.

52
Manual Técnico-Profissional 3.04.08

8. Verificar se a entidade promotora do evento, acerca dos animais que se


encontram no recinto de concentração, possui atestado de vacinação
contra febre aftosa, para bovinos e bubalinos, bem como certificados
de inspeção sanitária e de controle de anemia infecciosa equina, para
equídeos.

9. Tecer outras considerações entendidas como pertinentes.

Sempre que possível, as ações/operações de fiscalização de rodeio realizadas


pela PMMG deverão contar com a participação de órgãos representantes
do poder público do município, bem como do IMA e do Ministério Público
Estadual.

Além das condutas operacionais mencionadas, durante a fiscalização


deverá ser observado o constante na Lei Federal nº 10.519, de 17Jul2002,
e Lei Estadual nº 13.605, de 28Jun2000, bem como das demais normas e
regulamentos atinentes à realização de rodeios.

Cabe salientar que é expressamente proibido o uso de esporas com rosetas


pontiagudas ou qualquer outro instrumento que cause ferimentos nos
animais, incluindo aparelhos que provoquem choques elétricos.

Constatada situação de ofensa à integridade física do animal, deverá ser


registrado BO/REDS, com a codificação “M 31.014 da DIAO”, considerando
o ilícito penal ambiental listado no artigo 32 da Lei Federal nº 9.605/1998,
endereçado ao Delegado de Polícia Civil, e cópia da ocorrência ao Promotor
de Justiça de Defesa do Meio Ambiente e a representantes do IMA e do órgão
municipal competente, para conhecimento e providências decorrentes.

Os empenhos atinentes à fiscalização de rodeios deverão ser registrados com


a codificação “Y 11.006 da DIAO” e, acerca dos demais fatos ilícitos verificados
durante a ação/operação, deverá se proceder conforme normas pertinentes e
orientações constantes da DIAO.

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SEÇÃO 7

FLORA
Manual Técnico-Profissional 3.04.08

7 FLORA

A destruição da cobertura vegetal é um dos principais fatores que ameaçam a


biodiversidade. O Brasil, desde a sua colonização, vem sofrendo processos de
exploração de seus biomas de forma contínua e desregrada. Atualmente, os
biomas brasileiros encontram-se seriamente ameaçados, a exemplo da Mata
Atlântica e do Cerrado, biomas predominantes no Estado de Minas Gerais.

Figura 21: Mapa dos biomas existentes no Estado de Minas Gerais.


Fonte: IBAMA 2010-MMA.b.

O Estado de Minas Gerais possui 46,37% de sua cobertura vegetal


pertencente ao Bioma de Mata Atlântica em diversas tipologias, o qual possui
a maior variedade de espécies por quilômetro quadrado do planeta, sendo
considerado um dos hotspot9 de proteção da biodiversidade. Em virtude desta
grande importância e da severa ameaça que vem sofrendo, a Mata Atlântica
é protegida por lei específica nº 11.428, de 22 de dezembro de 2006, e pelo
Decreto Federal nº 6.660, de 21 de dezembro de 2008.
9 Alta diversidade biológica, com alto grau de endemismo.

57
PRÁTICA POLICIAL ESPECIALIZADA

7.1 Fiscalização policial relativa à flora

Fatores preliminares a serem observados pelo policial militar:

1. Para atuar na proteção da flora, o policial militar deve conhecer o


Código Florestal Brasileiro e a Lei Florestal do Estado de Minas Gerais,
diplomas legais nos quais estão inseridas as definições das áreas
protegidas: Área de Preservação Permanente – APP, Reserva Legal e
Unidades de Conservação; regras para exploração florestal; transporte,
consumo e armazenamento de produto e subproduto florestal.

2. É necessário que o policial militar conheça e opere o aparelho Global


Postion System – GPS, concernente à plotagem de coordenadas
geográficas e medição de áreas, para localização e mensuração de
locais fiscalizados. O GPS pode, também, entre outras funções, ser
usado para cálculo de declividade, o que pode ser feito também pelo
aparelho clinômetro.

Figura 22: Coleta de coordenadas em local de desmate.

3. O policial militar deve desenvolver habilidades para cálculo de volume


de madeiras e outros produtos e subprodutos florestais e, ainda,

58
Manual Técnico-Profissional 3.04.08

desenvolver oCaso não possua conhecimento sobre as principais


espécies de flora nativa e exótica da região, recomenda-se o
aprimoramento neste sentido.

7.1.1 Procedimentos policiais de fiscalização de flora

A DIAO codifica as ocorrências de flora no grupo “N 32.000” e orienta os


diversos procedimentos a serem adotados para o adequado atendimento
dessas ocorrências de meio ambiente. Entretanto, de acordo com o caso
concreto, orienta-se a adoção de procedimentos complementares abaixo
relacionados:

7.1.1.1 Fiscalização de desmate de vegetação nativa

1. A exploração florestal deve ser autorizada pelo órgão ambiental


competente, e, tratando-se de área rural, a competência é do IEF, e
área urbana é do município.

Figura 23: Fiscalização de local de desmate.

2. O documento autorizativo especifica o local, a área, o rendimento


lenhoso, quantidade de indivíduos que serão suprimidos e quantidade
por espécie.

59
PRÁTICA POLICIAL ESPECIALIZADA

3. Em regra, o documento autorizativo para exploração florestal especifica


que as espécies ameaçadas de extinção e protegidas por lei (madeira
de lei) não devem ser suprimidas. Todavia, é possível a autorização da
supressão dessas espécies pelo órgão ambiental competente.

4. Para transformação da lenha em carvão vegetal, o documento deve


possuir autorização específica neste sentido. Ressaltamos que as
espécies protegidas e/ou consideradas madeiras de lei10 ou ameaçadas
de extinção não podem ser transformadas em carvão.

10 Madeira de Lei: são espécies protegidas por lei, decreto, resolução, portaria ou outro ato
administrativo expedido pelos entes federativos ou pelo órgão ambiental competente.
As árvores protegidas por norma legal, só podem ser suprimidas quando apresentarem
perigo iminente e risco de vida ao ser humano e em situações justificadas em laudo técnico,
pela autoridade florestal competente e nos casos de interesse social e/ou utilidade pública. A
autorização para a supressão deve ter anuência do Gerente de Núcleo/Centro Operacional, para
o seu deferimento, atendidas as exigências de reparação ambiental, conforme critério técnico
estabelecido. O Documento Autorizativo de Intervenção Ambiental (DAIA) para corte ou
supressão dessas árvores está condicionado à formalização de processo, vistoria e laudo técnico
minucioso e conclusivo.
São espécies imunes de corte por norma Federal, Estadual ou Municipal:
a) açaizeiro, Euterpe oleracea : Lei Federal nº 6.576, de 30 de setembro de 1978;
a) buriti, Mauritia sp : Lei Estadual nº 13.635, de 12 de julho de 2002;
b) cajueiro, Anacardium occidentale: Decreto Lei Federal no. 3.583, de 03 de setembro de 1941;
c) castanheira, Bertholletia excelsa: Portaria IBAMA nº486 de 28 de setembro de 1986 e
Instrução Normativa IBAMA nº 001 de 11 de abril de 1980;
d) faveiro de Wilson, Dimorphandra wilsonii: Decreto nº 43.904/2004
e) ipê amarelo e pau d’arco amarelo, gêneros Tabebuia e Tecoma : Lei Estadual nº 9.743, de
15 de dezembro de 1988, alterada pela Lei 20.308/2012;
f ) pequizeiro, Caryocar brasiliense: Lei Estadual nº 10.883, de 02 de outubro de 1992; Lei
17.682/2008, alterada pela Lei 20.308/2012; Portaria IBAMA nº 54, de 05 de março de 1987;
g) pinheiro brasileiro, Araucária angustifólia: Portaria IEF nº 52, de 25 de setembro de 1997.
h) Seringueira, Hevea brasiliense: Decreto Lei Federal no. 4.841, de 17 de setembro de 1942,
Portaria IBAMA nº 486-P de 28 de setembro de 1986;
Espécies de Corte Restrito e Normas Especiais de Exploração:
a) palmito, Euterpe edulis: Portaria IBAMA de 14 de março de 1985 ; Instrução Normativa
IBAMA nº 001, de 11 de abril de 1980;
b) araucária, Araucária angustifólia: Instrução Normativa nº 001, de 11 de abril de 1980 -
Artigos 32 a 34;
c) aroeira do sertão, Astronium urundeuva, gonçalo alves, Astronium fraxinifolium e braúna
Melanoxylon brauna e Schinopsis brasiliensis : Portaria IBAMA nº 083, de 26/10/91.
Convém observar que várias espécies e indivíduos são declarados imunes de corte por Lei
Municipal, devendo os responsáveis pelos Núcleos e Centros do IEF entrar em contato com as
Prefeituras Municipais sob sua jurisdição.

60
Manual Técnico-Profissional 3.04.08

5. Para execução da fiscalização, o policial militar deve proceder da


seguinte forma:

!"Solicitar o documento autorizativo para exploração florestal;


!"De posse do documento autorizativo, deverá percorrer com GPS
toda área desmatada, verificando se corresponde ao local exato que
foi autorizado; se não foi atingido APP, espécies imunes, ameaçadas
ou protegidas por lei; se está sendo dada destinação adequada ao
rendimento lenhoso, conforme especificado na autorização, entre
outros;
!"Quando o desmate estiver em andamento, deverá ser verificado se
os instrumentos utilizados para o desmate (Ex: motosserra e trator
de esteira) possuem registro junto ao órgão ambiental competente;
!"Confeccionar levantamento fotográfico do local. Mesmo não
constando irregularidade, o arquivo digital das imagens pode ser
mantido no arquivo da fração;
!"O levantamento fotográfico deve retratar as espécies com detalhes
de diâmetro, textura da casca e madeira. Conforme o caso, retratar
a formação florestal ainda não suprimida, na área do entorno, para
possibilitar a caracterização do estágio sucessional.

7.1.1.2 Fiscalização em local onde houve intervenção em Área de


Preservação Permanente11:

Figura 24: Desmate e soterramento de área de nascente e curso d´água

11 Área de Preservação Permanente - APP: área protegida, coberta ou não por vegetação nativa,
com a função ambiental de preservar os recursos hídricos, a paisagem, a estabilidade geológica
e a biodiversidade, facilitar o fluxo gênico de fauna e flora, proteger o solo e assegurar o bem-
estar das populações humanas (Código Florestal Brasileiro, 2012).

61
PRÁTICA POLICIAL ESPECIALIZADA

1. Realizar a fiscalização e medição da área, com uso de GPS, conforme


item anterior.

2. Verificar qual o tipo de área de preservação permanente foi atingida


(Ex: margem de curso d’água, próximos a nascentes, entre outros).

3. Descrever qual tipo de intervenção foi realizada (Ex: corte de árvores


com destoca, supressão de vegetação rasteira mediante uso de
implemento agrícola, etc), a mensuração específica da APP atingida, a
distância do curso d’água ou da nascente, entre outros.

4. Quando tratar-se de curso d’água, especificar sua largura e o tamanho


da faixa marginal da APP, de acordo com o Código Florestal Brasileiro.

5. Quando tratar-se de APP de área com inclinação superior a 45º graus,


o valor aferido na medição deve ser citado no histórico do Boletim de
Ocorrência e Auto de Infração (Ex: desmatar em área com inclinação
superior a 47º graus).

6. Ressalta-se que a intervenção e o uso das APP são possíveis mediante


autorização em procedimento autônomo, nos casos de utilidade
pública, interesse social ou atividades eventuais ou de baixo impacto
ambiental.12

7.1.1.3 Fiscalização em local envolvendo corte de árvores em


perímetro urbano ou em propriedade privada alheia

1. Para realização do corte de árvores em logradouros públicos ou em


imóveis urbanos particulares, é necessário autorização do órgão
ambiental municipal competente.

2. O policial militar deve observar o local onde está sendo feito o corte
da árvore, pois, caso esteja sendo realizado em logradouro público ou
em propriedade privada alheia e não possua autorização para tal, o
fato configura crime ambiental tipificado no artigo 49 da Lei 9.605/98.

3. De acordo com entendimentos técnicos do Instituto Estadual de


Florestas - IEF, considera-se árvore a espécie vegetal que possui
Diâmetro a Altura do Peito – DAP superior a 05 (cinco) centímetros

12 De acordo com artigo 3 º, incisos VIII, IX e X do Código Florestal Brasileiro.

62
Manual Técnico-Profissional 3.04.08

e altura acima de 4,0 metros de altura. Essa definição sustenta a


possibilidade de aproveitamento do material lenhoso da espécie
no caso de supressão. As demais situações de porte dos indivíduos
estariam enquadradas em sub-bosque, quando localizadas em
maciços florestais ou fragmentos florestais.

4. A poda simples ou poda de ornamentação, nos preceitos da


legislação13 ambiental do Estado de Minas Gerais, é considerada como
prática não passível de autorização do órgão Estadual competente.
Nos casos das demais podas14, alguns municípios mineiros consideram
como desnecessária a autorização, entretanto, podem ocorrer normas
divergentes e o ato autorizativo ser exigido em alguns municípios.

7.1.1.4 Fiscalização de transporte e o armazenamento de


produtos e subprodutos florestais, nativos ou plantados

1. O transporte e armazenamento de produtos ou subprodutos florestais,


de forma ilegal, configuram crime ambiental tipificado no artigo 46 da
Lei 9.605/98.

2. O transporte e o armazenamento de produto e subprodutos florestais


devem estar acobertados de Nota Fiscal e, ainda, de Documento
Ambiental, quando tratar-se de essência nativa. Entretanto, quando

13 Decreto Estadual 44.844/08


14 Poda de formação: poda com finalidade de propiciar à planta uma altura de copa e uma
arquitetura/distribuição de ramos adequada;
Poda de frutificação: objetiva limitar e equilibrar o número de ramos vegetativos e frutíferos;
Poda de renovação: praticada após a colheita, eliminando-se a copa, deixando-se somente os
ramos principais (pernadas), com um comprimento de 30 a 50 centímetros.
Poda de condução: visa à conformação da copa nos primeiros anos de vida da árvore.
Pode ser efetuada em árvores frutíferas conduzindo-se um tronco único até certa altura do chão,
e, a partir daí, conduzindo-se a copa conforme peculiaridades de cada espécie (ex.:copa em
forma de taça, colunar, etc.);
Poda de limpeza: consiste na eliminação de galhos secos, velhos, doentes, e ou indesejáveis
como brotos ladrões e galhos que fecham o centro da copa, facilitando o arejamento e
reduzindo o ataque de pragas e doenças;
Poda de contenção de copa: consiste na abertura de espaços na copa para passagem de fios
elétricos e telefônicos.
A poda excessiva ou drástica - a supressão de mais de 50% (cinqüenta por cento) do total da
massa verde da copa, o corte da parte superior da copa, eliminando-se a gema apical e o corte
de somente um lado da copa, ocasionando o desequilíbrio estrutural da árvore.

63
PRÁTICA POLICIAL ESPECIALIZADA

tratar-se de um caminhão transportando lenha, madeira ou carvão de


eucalipto, (floresta ou essência plantada) a nota fiscal e o comprovante
de recolhimento da taxa de reposição florestal são suficientes para
acobertar a carga. No entanto, quando tratar-se de um caminhão
transportando lenha, madeira ou carvão, de origem de desmate de
floresta nativa, deve estar acobertado de Nota Fiscal e da Guia de
Controle Ambiental - GCA eletrônica.

3. Quando tratar-se de produto florestal de essência nativa originária de


outro Estado da federação, deverá o transporte estar acobertado com
Documento de Origem Florestal – DOF ou documento equivalente,
expedido pelo órgão ambiental estadual competente, e Nota Fiscal.

4. Para realizar a abordagem de veículos de carga transportando


produtos e subprodutos florestais, o policial militar deve escolher um
local apropriado em relação à segurança dos demais usuários da via, do
condutor do veículo e do próprio policial. A abordagem de caminhão
de transporte de carvão vegetal merece especial atenção devido à
possibilidade de tombamento da carga e, quando o policial militar
verificar excesso das dimensões da carga, deve acionar o policiamento
de trânsito para as devidas providências.

5. O policial militar não deve ater-se somente à conferência de


documentos, observando os seguintes aspectos:

!"com a utilização de instrumentos, realizar a cubagem do produto,


conferindo com o valor expresso na nota fiscal e demais documentos;

!"verificar e identificar se a essência transportada, nativa ou plantada,


realmente confere com a declarada na nota fiscal;

!"mesmo não constatando irregularidade, o policial militar deve


anotar os dados de cada veículo e documentos ambientais
fiscalizados, registrando-os em Boletim de Ocorrência Simplificado,
constando as coordenadas geográficas ou endereço do local onde
houve a abordagem.

64
Manual Técnico-Profissional 3.04.08

Figura 25: Fiscalização ambiental em desmate do bioma Mata Atlântica.

Figura 26: Cálculo de medida de DAP de um Ipê amarelo – 12,7 cm.

65
PRÁTICA POLICIAL ESPECIALIZADA

Figura 27: Cubagem de Material lenhoso, objeto de área desmatada.

Figura 28: Medições de área desmatadas com uso de GPS.

66
Manual Técnico-Profissional 3.04.08

Figura 29: Fiscalização de atividade de fabricação e empacotamento de carvão.

Figura 30: Transporte ilegal de lenha nativa.

Figura 31: Armazenamento ilegal de lenha nativa.

67
PRÁTICA POLICIAL ESPECIALIZADA

7.2 Fiscalização de queimada/incêndio florestal15


Todos os anos as queimadas e incêndios florestais têm sido um risco para a
saúde pública, bem como resultam em danos para as coberturas vegetais,
tais como floresta ombrófila, semidecídua, decídua, campo, campo rupestre,
cerrado, eucaliptos, pinus e outras tipologias.

O período de junho a novembro é considerado período crítico, pois coincide


com a diminuição das chuvas e maior possibilidade de ocorrência de
queimadas/incêndios em florestas e demais formas de vegetação no Estado.
Assim, os policiais militares, em especial os da atividade de Policiamento de
Meio Ambiente, deverão observar os seguintes aspectos:

1. atentar para o conceito de incêndio que consiste na ocorrência de


fogo que se propaga de forma descontrolada;

2. observar o conceito de “Queimada Controlada”, que consiste no uso do


fogo, se peculiaridades locais ou regionais justificarem o emprego em
prática agropastoril ou florestal, devendo estar autorizado pelo órgão
ambiental competente sob a forma de Aviso de Queima Controlada
ou Autorização para Queima Controlada;

3. considerar que o fogo em formação florestal (floresta) e mata sempre


será considerado como indício de ilícito penal ambiental, previsto na
Lei dos Crimes Ambientais, bem como infração administrativa;

4. sendo verificado, durante o atendimento de ocorrência, que o incêndio


causou ou expôs em perigo a vida, a integridade física ou o patrimônio
de outrem, existem indícios de fato tipificado como crime previsto no
Código Penal Brasileiro, além da possibilidade da situação configurar
infração ambiental administrativa;

5. a apuração da responsabilidade pela infração penal, civil e


administrativa, frente ao uso irregular do fogo em terras públicas
ou particulares, cabe à autoridade competente para fiscalização e
autuação, devendo-se comprovar o nexo de causalidade entre a ação
do proprietário ou qualquer preposto e o dano efetivamente causado.

15 Informações extraídas da Nota Técnica nº 0004.1/2012 – DMAT.

68
Manual Técnico-Profissional 3.04.08

6. durante o atendimento de ocorrência de queimada ou incêndio


florestal, sempre que possível, deverá ser acionada a perícia da Polícia
civil;

7. na impossibilidade de comparecimento da perícia da Polícia Civil,


tal situação deverá ser mencionada no BO/REDS, devendo o policial
militar coletar a maior quantidade de informações, indícios, vestígios
e testemunhas para auxiliar o trabalho pericial. Diante de tais
circunstâncias, é de fundamental importância a elaboração de croqui
e anexo fotográfico legendado, visando complementar as informações
do BO/REDS e eventual auto de infração.

69
SEÇÃO 8

FISCALIZAÇÃO
DE ATIVIDADES
POTENCIAMENTE
POLUIDORAS
Manual Técnico-Profissional 3.04.08

8 FISCALIZAÇÃO DE ATIVIDADES
POTENCIAMENTE POLUIDORAS

Os empreendimentos e atividades consideradas efetiva ou potencialmente


poluidoras do meio ambiente necessitam de anuência do órgão ambiental
competente para aprovar a sua localização, instalação, modificação e operação,
realizada por meio de um procedimento administrativo denominado
licenciamento ambiental16.

O licenciamento ambiental, normalmente, percorre três fases e, ao final de


cada uma delas, o empreendedor recebe um documento denominado de
Licença Prévia, Licença de Instalação e Licença de Operação:

Licença Prévia – LP: é expedida na fase de planejamento do empreendimento,


sendo aprovada sua localização, concepção e viabilidade ambiental.

Licença de Instalação – LI: autoriza a instalação do empreendimento, de


acordo com as especificações constantes do projeto executivo contido no
Plano de Controle Ambiental.

Licença de Operação – LO: depois de verificado se os projetos de controle


ambiental foram implantados conforme aprovados, com adequação à
legislação ambiental e condicionantes estabelecidas, autoriza o início da
atividade licenciada, o funcionamento de seus sistemas e equipamentos
de controle ambiental, de acordo com o que foi apresentado no plano de
controle ambiental.

Ao IBAMA compete o licenciamento de empreendimentos e atividades com


impacto ambiental de âmbito nacional, que afete diretamente o território de
dois ou mais Estados federados, e, ainda, em área de Unidades de Conservação
Nacional.

Ao órgão ambiental estadual compete o licenciamento ambiental dos


empreendimentos e atividades cujos impactos diretos ultrapassem os limites

16 Licenciamento Ambiental: procedimento administrativo destinado a licenciar atividades ou


empreendimentos utilizadores de recursos ambientais, efetiva ou potencialmente poluidores
ou capazes, sob qualquer forma, de causar degradação ambiental (Lei Complementar 140/2011).

73
PRÁTICA POLICIAL ESPECIALIZADA

territoriais de um ou mais municípios, ou que estejam localizados em mais de


um município ou em unidades de conservação de domínio estadual.

Aos órgãos ambientais municipais compete o licenciamento de empreendi-


mentos e atividades de impacto local e dos que lhes forem delegados pelos
Estados através de instrumento legal ou convênio.

Em Minas Gerais, a legislação classifica os empreendimentos, obras e serviços


poluidores e potencialmente poluidores em seis classes de acordo com o
porte e potencial degradador da atividade. Os empreendimentos enquadra-
dos nas classes 1 e 2, considerados de impacto ambiental não significativo,
estão dispensados do processo de licenciamento ambiental, mas sujeitos
obrigatoriamente a obter Autorização Ambiental de Funcionamento (AAF),
concedidas pelo órgão ambiental estadual.

Figura 32: Fiscalização ambiental de atividade potencialmente poluidora extração de minério


de ferro.

Ressalta-se que funcionar empreendimento potencialmente poluidor sem


licença ou autorização dos órgãos ambientais competentes configura crime
tipificado na Lei dos Crimes Ambientais.

8.1 Fiscalização policial relativa a atividades efetivas ou


potencialmente poluidoras

Dada a diversidade de empreendimentos e atividades que podem causar


poluição, a legislação ambiental estadual organizou uma listagem de sete
grupos de A a G :

74
Manual Técnico-Profissional 3.04.08

!"Listagem A – Atividades Minerárias

!"Listagem B - Atividades Industriais / Indústria Metalúrgica e Outras

!"Listagem C- Atividades Industriais / Indústria Química

!"Listagem D - Atividades Industriais / Indústria Alimentícia

!"Listagem E – Atividades de Infra-Estrutura

!"Listagem F - Serviços e Comércio Atacadista

!"Listagem G – Atividades Agrossilvipastoris

Para fiscalizar um dos empreendimentos listados em cada um dos grupos


acima, o policial militar deve se inteirar da legislação específica, familiarizar-se
com os impactos ambientais pertinentes e os sistemas ambientais adotados
para controlar e mitigar a degradação ambiental.

A fiscalização não deve ater-se somente à questão documental,


preferencialmente, deve ser realizada a verificação do funcionamento do
empreendimento conforme as premissas ambientais e condicionantes
estabelecidas.

8.2 Fiscalização ambiental em atividade de extração de


areia

A mineração gera grande impacto ao solo, aos recursos hídricos, à fauna, flora
e visual. A mitigação dos impactos da atividade está relacionada às medidas
técnicas de controle ambiental e à fiscalização, ação contínua ao processo
exploratório.

Os recursos minerais são considerados “bens da união”, podem ser extraídos


e beneficiados mediante concessão do Departamento Nacional de Produção
Mineral (DNPM), ao qual cabe também fiscalizar os empreendimentos.

Para obter a concessão de lavra junto ao DNPM, o empreendimento deve


obter a Licença Ambiental (especificamente a LI).

75
PRÁTICA POLICIAL ESPECIALIZADA

Figura 33: Fiscalização de extração de areia com draga de sucção.

Fatores preliminares a serem observados pelo policial militar no caso de


fiscalização de extração de areia:

1. A atividade de extração pode ocorrer nos métodos de:

!"Extração manual;

!"Extração em fossa – a seco;

!"Extração em área de várzea – circuito em cava fechada;

!"Extração em leito de curso d’água (navegáveis ou não).

2. Impactos ambientais que devem ser observados:

!"Desbarrancamento de margens de cursos d´água;

!"Assoreamento de curso d´água;

76
Manual Técnico-Profissional 3.04.08

!"Contaminação do solo devido a efluentes sanitários ou vazamentos


de óleo diesel;

!"Poluição visual;

!"Supressão da vegetação nativa, com prejuízos para a fauna e flora;

!"Comprometimento da qualidade das águas superficiais e


subterrâneas, dentre outras.

Figura 34: Extração de areia com danos a mata ciliar e assoreamento de curso d´água.

A atividade de extração mineral é regulada pelo Departamento Nacional de


Produção Mineral – DNPM. A obtenção do título é condição imprescindível
para o exercício da atividade. A portaria do DNPM, NR 11 de 14 de janeiro de
2005, define que os títulos de lavra são:

!"Manifesto de Mina, o Decreto de Lavra, a Portaria de Lavra, o


Grupamento Mineiro, o Consórcio de Mineração, o Registro de
Licenciamento, a Permissão de Lavra Garimpeira e o Registro de
Extração.

77
PRÁTICA POLICIAL ESPECIALIZADA

Nos processos de Autorização submetidos ao DNPM, para as atividades de


pesquisa minerária, pode ser concedido para o pesquisador uma GUIA DE
UTILIZAÇÃO 17, para a venda do produto oriundo da pesquisa.

Executar pesquisa, lavra ou extração de recursos minerais depende de prévia


autorização da União, mediante concessão de lavra emitida pelo DNPM, sua
inexistência constitui crime de Usurpação de Patrimônio da União, art. 2º da
Lei n° 8.176, de 8 de fevereiro de 1991, e, ainda, crime previsto no Art. 55, da
Lei 9.605/98 (Lei dos crimes ambientais).

Os fatores acima, conforme o caso concreto, podem ser aplicáveis a outros


tipos de extração mineral, no que couber.

8.2.1 Procedimentos policiais para a fiscalização de atividades


potencialmente poluidoras do meio ambiente

A DIAO codifica as ocorrências de atividades potencialmente poluidora do


meio ambiente no grupo “L 27.000” e orienta os diversos procedimentos a
serem adotados para o adequado atendimento dessas ocorrências. Entretanto,
de acordo com o caso concreto, orienta-se a adoção de procedimentos
complementares abaixo relacionados:

1. No primeiro momento, deverá ser solicitado ao representante do


empreendido que apresente a documentação pertinente ao exercício
da atividade, quais sejam:

!"Licença ambiental ou Autorização Ambiental de Funcionamento


para o exercício da atividade de exploração mineral, considerando
o volume explorado na atividade;

!"Certificado do direito minerário expedido pelo DNPM, incluída a


planta de detalhe. No caso de pesquisa minerária, solicitar também
a guia de utilização para o comércio do mineral;

17 Art. 2, da Portaria do DNPM Nr 11 de 14 de janeiro de 2005.


II - guia de utilização: documento que admite, em caráter excepcional, a extração de substâncias
minerais em área titulada, antes da outorga da Portaria de Lavra, fundamentado em critérios
técnicos, mediante prévia autorização do DNPM;

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Manual Técnico-Profissional 3.04.08

!"Cadastro Técnico Federal ou Estadual para o exercício da atividade


potencialmente poluidora/utilizadora dos recursos naturais;

!"Certificado de outorga ou cadastro de outras captações existentes na


área da exploração, como, por exemplo, captações em cisternas ou
poço artesiano utilizado para o consumo humano dos funcionários
da empresa.

Figura 35: Extração de areia em várzea - processo em cava e circuito fechado.

2. Iniciada a fiscalização, deverá ser procedida a verificação de todo o


processo de exploração mineral do empreendimento (equipamentos
utilizados, áreas recuperadas, sistema de decantação de sedimentos),
confeccionando o respectivo anexo fotográfico.

3. Mesmo o empreendimento devidamente legalizado e adequado


ambientalmente, o registro de BOS e minucioso anexo fotográfico
devem ser realizados pela equipe de fiscalização ambiental, pois
caracteriza controle e qualidade do emprego da atividade de
fiscalização ambiental. Para denúncias ou verificações futuras, esse
banco de dados irá subsidiar e servir de respaldo.

79
PRÁTICA POLICIAL ESPECIALIZADA

Figura 36: Fiscalização de draga flutuante – verificação de outorga.

8.3 Fiscalização ambiental da atividade de parcelamento


de solo para fins urbanos

A atividade de parcelamento do solo para fins de urbanização é comum a


todos os municípios mineiros devido ao aumento populacional.

A lei 6.766/79 estabelece procedimentos para a implantação de loteamentos


urbanos, entendidos aqui na modalidade para fins residenciais e industriais.
No caso específico do desmembramento para fins urbanos, estes somente
podem ocorrer em áreas urbanas ou de expansão urbana, definidas por leis de
uso e ocupação do solo ou plano diretores dos municípios. As implantações
irregulares de loteamentos é crime contra a administração pública, capitulados
nos Art.50, 51 e 52 da lei 6.766/79.

Além dos ilícitos já mencionados, e dependendo do porte do loteamento,


haverá casos em que a legislação exigirá, para instalação e operação do
empreendimento, a autorização ou licença ambiental, configurando, a falta
de tais documentos, crime previsto no artigo 60 da Lei dos Crimes.

80
Manual Técnico-Profissional 3.04.08

Figura 37: Planta de Loteamento – conferência de selo do SEDRU e aprovação pelo


município do empreendimento

Fatores preliminares a serem observados pelo policial militar no caso de


fiscalização de parcelamento de solo:

1. O parcelamento de solo pode ocorrer em duas modalidades distintas,


urbana ou rural. Nesse sentido, o militar precisa ficar atento e observar
os critérios e o local onde está ocorrendo o empreendimento.

2. Identificar a localização do empreendimento para confirmar se a


atividade está ocorrendo em área urbana ou de expansão urbana.
Com as coordenadas geográficas do empreendimento, esta
confirmação pode ser obtida junto à Secretaria de Planejamento
urbano do município ou órgão municipal equivalente, ou, ainda, junto
ao Zoneamento Econômico e Ecológico do Estado de Minas Gerais.

3. Identificada a situação do local onde ocorre o empreendimento,


verificar os impactos ambientais que a abertura do sistema viário
esteja causando aos recursos naturais, como intervenções em
área de preservação permanente, supressão de espécies arbóreas,

81
PRÁTICA POLICIAL ESPECIALIZADA

intervenções em curso d´água, canteiros de obras, manuseio e reparo


de máquinas, dentre outros.

4. O tamanho total da área do empreendimento, calculada em hectares,


e a identificação do bioma ao qual está inserido também são fatores
preliminares importantes para delinear as ações da fiscalização.

5. Verificado que o empreendimento está fora da área urbana ou de


expansão urbana do município, a modalidade de desmembramento
somente poderá ocorrer como módulos rurais, cujo tamanho mínimo
aceito pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária
– INCRA é de 02 (dois) hectares. Para cada módulo rural mínimo,
deve ser exigida a locação de reserva legal de 20% do total da área
desmembrada.

6. No caso do desmembramento de imóvel rural em que ocorra a venda


de módulos rurais, obedecidos os critérios estabelecidos pelo INCRA,
esse ato deve ser objeto de Autorização ou Licença junto ao órgão
ambiental estadual, pois caracteriza alteração do uso do solo.

8.3.1 Procedimentos policiais em fiscalização de loteamentos e


desmembramento de solo

A DIAO codifica as ocorrências de implantação de loteamento no grupo


“L 27.000” e orienta os diversos procedimentos a serem adotados para o
adequado atendimento dessas ocorrências, entretanto, poderá ocorrer ainda
o registro de infrações ambientais capituladas no grupo “N 32000”. De acordo
com o caso concreto, orienta-se a adoção de procedimentos complementares,
abaixo relacionados:

1. No primeiro momento deverá ser solicitado ao representante do


empreendido que apresente a documentação pertinente ao exercício
da atividade, quais sejam:

!"Licença ambiental da atividade ou Autorização Ambiental de


Funcionamento – AAF expedido pelo órgão ambiental competente
(conforme o porte do empreendimento). No caso específico,
verificar, a partir da área total do empreendimento, se a licença é de
cunho Municipal ou Estadual;

82
Manual Técnico-Profissional 3.04.08

!"Verificar se é exigível, no caso concreto, o Documento Autorizativo


de Intervenção Ambiental – DAIA, tratando-se de desmembramento
e/ou parcelamento em imóvel rural;

!"Apresentação de Planta aprovada do loteamento com decreto


de aprovação e, ainda, o carimbo/selo na planta da anuência
prévia da Agência Metropolitana ou Secretaria de Estado de
Desenvolvimento Regional e Política Urbana -SEDRU, tratando-se
de região metropolitana onde está inserido o município;

Figura 38: Planta de loteamento e dados da área de lotes aprovados pela prefeitura.

!"Certificado de outorga, no caso de abertura de sistema viário onde


ocorrer a implantação de pontes com pilares de sustentação que
causem interferência no curso d água;

!"Cadastro técnico Federal ou Estadual para o exercício da atividade


potencialmente poluidora/utilizadora dos recursos naturais;

!"Certificado de outorga ou cadastro de outras captações existentes


na área de implantação do empreendimento.

2. Iniciada a fiscalização, o policial militar verificará todo o processo


de implantação do loteamento ou desmembramento do solo,
confeccionando o anexo fotográfico relativo ao fato. Havendo
supressão de espécies árboreas, atenção especial será dada àquelas
ameaçadas de extinção ou protegidas por lei específica. Nos casos de
empreendimentos inseridos na tipologia do Bioma de Mata Atlântica,
torna-se necessária a caracterização do estágio sucessional. Ocorrendo
transposição de curso d’água, constatar se houve assoreamento por se
tratar de um impacto ambiental negativo a ser mitigado.

83
PRÁTICA POLICIAL ESPECIALIZADA

3. Mesmo o empreendimento devidamente legalizado e adequado


ambientalmente, o registro do Boletim de Ocorrência Simplificado - BOS
deve ser minucioso, e recomenda-se confeccionar o anexo fotográfico,
que caracteriza controle de qualidade do emprego da atividade de
fiscalização ambiental. Logo, para denúncias ou verificações futuras,
esse banco de dados irá subsidiar e servir de respaldo.

Figura 39: Abertura de sistema viário de loteamento com desmate e assoreamento de


nascente.

8.4 Fiscalização de agrotóxicos em área urbana18

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA), preocupada com a


difusão da prática não autorizada de uso de agrotóxicos (herbicidas) para
o controle de plantas daninhas em áreas urbanas, definiu que a prática
da capina química em área urbana ou por qualquer outro meio não está
autorizada, considerando que não existe nenhum produto agrotóxico no
mercado registrado para tal finalidade.

18 Informações extraídas da Nota Técnica nº 0003.1/2012 – DMAT.

84
Manual Técnico-Profissional 3.04.08

O descumprimento da referida recomendação da ANVISA configura ilícito


penal previsto na Lei Nº 9.605/98 e na Lei Nº 7.802/89, bem como poderá
incorrer em infrações administrativas, previstas nos decretos federal e
estadual.

Durante o atendimento de solicitações, denúncias e requisições diversas


acerca do uso irregular de agrotóxicos, deverá ser registrado BO/REDS
endereçado ao Delegado de Polícia Civil/Federal, com envio de cópia ao
Representante do Ministério Público Estadual/Federal.

85
SEÇÃO 9

FISCALIZAÇÃO
AMBIENTAL DOS
RECURSOS HÍDRICOS
Manual Técnico-Profissional 3.04.08

9 FISCALIZAÇÃO AMBIENTAL DOS RECURSOS


HÍDRICOS

O recurso hídrico é um bem de domínio público, ou seja, não é passível de


aquisição, como propriedade, estando sob a gestão da União ou dos Estados
e Distrito Federal.

Figura 40: Cachoeira dos Pássaros – Piedade dos Gerais –MG – Recreação de contato
primário – uso preponderante da água.

Para utilização dos recursos hídricos, faz-se necessária a obtenção de


outorga ou cadastro de uso de água expedido pelo órgão ambiental. Esse
procedimento visa garantir o uso deste recurso, assegurando a qualidade e
quantidade desse precioso bem natural.

A outorga é o ato administrativo emitido por órgão gestor dos recursos


hídricos, que, no Estado de Minas Gerais, é realizado pelo Instituto Mineiro
de Gestão das Águas - IGAM. Considerando os casos em que o outorgado
(aquele que obtém o direito de usar os recursos hídrico) não cumpra os
termos da outorga, esta poderá ser suspensa ou cassada pela autoridade
ambiental outorgante. A outorga não concede ao usuário a propriedade
da água ou sua alienação, mas o simples direito de seu uso e, ainda, regula

89
PRÁTICA POLICIAL ESPECIALIZADA

tanto as atividades de captações e o lançamento de efluentes das atividades


industriais ou quaisquer intervenções nos rios, ribeirões e córregos do Estado
de Minas Gerais.
A atividade de extração de água mineral requer outorga de direito minerário
junto ao DNPM, considerando que o bem jurídico está tutelado pela União.
A não obtenção dos atos autorizativos de outorga ou cadastro de uso dos
recursos hídricos não configura crime previsto na Lei dos Crimes Ambientais,
entretanto, algumas intervenções em recursos hídricos podem caracterizar
crime tipificado em outros dispositivos legais.

9.1 Modalidade de outorga


!"Concessão - Quando obras, serviços ou atividades forem
desenvolvidas por pessoa jurídica de direito público ou quando se
destinarem à finalidade de utilidade pública.

!"Autorização - Quando obras, serviços ou atividades forem


desenvolvidas por pessoa física ou jurídica de direito privado e
quando não se destinarem à finalidade de utilidade pública.

!"Permissão - Quando obras, serviços ou atividades forem


desenvolvidas por pessoa física ou jurídica de direito privado,
sem destinação de utilidade pública e quando produzirem efeitos
insignificantes nas coleções hídricas.

9.2 Definição de portes


Estão sujeitos a outorga os usos que alteram o regime das águas, além
das acumulações em reservatórios formados a partir da construção de
barramentos, travessias rodo-ferroviárias (pontes e bueiros), estruturas de
transposição de nível (eclusas), dragagens e demais intervenções que alterem
as seções dos leitos e velocidades das águas, produzindo alterações no seu
escoamento natural e sazonal. Ressalta-se a necessidade de estudos técnicos
para cada tipo de intervenção, que serão levados em conta na tomada de
decisão pelo deferimento ou indeferimento de determinado requerimento
de outorga.
Independe de outorga pelo Poder Público, o uso de recursos hídricos para
satisfação das necessidades de pequenos núcleos populacionais distribuí-

90
Manual Técnico-Profissional 3.04.08

dos no meio rural, bem como as acumulações, as derivações, as captações19


e os lançamentos considerados insignificantes. A não obrigatoriedade da
expedição da outorga não desobriga o Poder Público de inspecionar e
fiscalizar tais usos, sendo os mesmos passíveis de cadastramento.

9.3 Aspectos a serem observados pelo policial militar


quando na fiscalização ambiental de recursos hídricos
São fatores preliminares a serem observados pelo policial militar no caso da
fiscalização de recursos hídricos:

1. Identificar o ponto exato da captação de água.

Figura 41: Captação de água em barramento com mangueira de ¾ de polegada por


gravidades – captação inferior a 1l/s – sujeito a cadastro junto ao IGAM.

19 De acordo com DN CERH-MG, as captações e derivações de águas superficiais menores


ou iguais a 1 litro/segundo são consideradas como usos insignificantes para as Unidades de
Planejamento e Gestão de Recursos Hídricos (UPRGH) ou Circunscrições Hidrográficas do Estado
de Minas Gerais; para as UPGRH - SF6, SF7, SF8, SF9, SF10, JQ1, JQ2, JQ3, PA1, MU1, Rio Jucuruçu
e Rio Itanhém, são consideradas como usos insignificantes a vazão máxima de 0,5 litro/segundo
para as captações e derivações de águas superficiais.
A DN CERH-MG define que as acumulações de águas superficiais, com volume máximo de até
5.000 m3, também são consideradas como usos insignificantes para as Unidades de Planejamento
e Gestão de Recursos Hídricos (UPGRH) ou Circunscrições Hidrográficas do Estado de Minas
Gerais; para as UPGRH - SF6, SF7, SF8, SF9, SF10, JQ1, JQ2, JQ3, PA1, MU1, Rio Jucuruçu e Rio
Itanhém, o volume máximo a ser considerado como uso insignificante para as acumulações
superficiais é de até 3.000 m3. No Art.3º da DN CERH-MG, nº 09/2004, está estabelecido que as
captações subterrâneas, com volume menor ou igual a 14 m3/dia, serão consideradas como
usos insignificantes para todas as Unidades de Planejamento e Gestão de Recursos Hídricos
(UPGRH) ou Circunscrições Hidrográficas do Estado de Minas Gerais.

91
PRÁTICA POLICIAL ESPECIALIZADA

2. Verificar o equipamento utilizado para a captação (bomba), bem como


a capacidade de captação em litros por segundo.

3. Observar se o volume captado atende aos critérios autorizativos.

4. Realizar o registro minucioso dos fatos para futuros fins.

5. As derivações, apesar de algumas possuírem longos trechos de


drenagem e atenderem a diversos usuários, são formas de captação
sujeitas à outorga junto ao IGAM. Essa informação, bem como a
regularização das captações de cada usuário, deve ser objeto de
registros minuciosos no boletim de ocorrência.

6. Nos casos de captações de recursos hídricos, cujo volume é inferior


a um litro por segundo, deve ser observada em qual região está
instalada a captação e se o volume captado está classificado como uso
insignificante.

9.3.1 Fiscalização de atividade onde está sendo realizada a captação


de recursos hídricos para a atividade agrícola e se a situação está
sujeita a outorga.

A DIAO codifica as ocorrências do grupo de uso dos Recursos hídricos no


grupo “L28.000” e orienta os diversos procedimentos a serem adotados para
o adequado atendimento dessas ocorrências de meio ambiente. Entretanto,
de acordo com o caso concreto, orienta-se observar, além dos fatores
preliminares citados anteriormente, os seguintes aspectos:

Verificar qual tipo de captação está sendo realizada e se está sujeita à outorga
expedida pelo IGAM;

1. Realizar levantamento fotográfico, retratando o local da captação, os


equipamentos utilizados (motor, bomba, tubulações, entre outros) e o
tipo de plantação que é irrigada.

2. Identificar o curso d´água e a microbacia ou sub-bacia onde está


inserida a captação do recurso hídrico.

3. Verificar o tempo de captação do recurso hídrico diário.

92
Manual Técnico-Profissional 3.04.08

4. Identificar o nome do recurso hídrico onde está sendo captada a água


ou, no caso de pequenos cursos d´água, verificar o córrego ou ribeirão
ao qual o curso d´água é afluente.

5. Identificar o conjunto motor/bomba utilizado na captação, constando


a marca, modelo, potência e diâmetro da tubulação de saída.

6. Constar o volume captado em litros por segundo, considerando como


critério para caracterizar a necessidade ou não de outorga;

7. Se a atividade está devidamente legalizada, o registro de BOS


minucioso e confecção do anexo fotográfico devem ser realizados pelo
policial militar, pois constituem o controle do emprego da atividade de
fiscalização ambiental.

Figura 42: Captação de água com uso de bomba de sucção de 3 polegadas e motor de 7,5
HP para atividade de irrigação de hortaliças – volume captado de 3,6 litros por segundo.

9.3.2 Fiscalização de atividade de uso de recursos hídricos


considerados insignificantes na captação em nascentes,
acumulações e Cisternas.

De acordo com o caso concreto, além dos fatores preliminares citados


anteriormente, orienta-se a adoção de procedimentos complementares
abaixo relacionados:

93
PRÁTICA POLICIAL ESPECIALIZADA

1. Verificar na legislação estadual quais os usos dos recursos hídricos


considerados como usos insignificantes.

2. Realizar levantamento fotográfico, retratando o local da captação,


o conjunto motor/bomba, constando as coordenadas do ponto de
captação, dentre outras informações que forem julgadas relevantes.

3. Identificar o recurso hídrico, descrevendo:

!"No caso de cisterna, a profundidade e diâmetro do poço e


equipamento utilizado;

!"As nascentes - são consideradas captações em nascentes, qualquer


captação num raio de até 50 m do olho d’água, onde deverá ser
descrita a área de preservação permanente e se ela está preservada
ou não. Salienta-se que nascente pontual é aquela caracterizada
pela presença de um único olho d’água, diferentemente de
nascente difusa, quando existem mais de um olho d’água ou são
inexistentes.;

!"Poço manual - descrever o diâmetro e a profundidade média do


poço. O cálculo pode ser estimado, pois a mensuração exata exige
técnicas mais detalhadas;

4. Verificar o tempo de captação do recurso hídrico diário.

5. Identificar o conjunto motor/bomba utilizado na captação, constando


a marca, modelo, potência e diâmetro da tubulação de saída.

6. Constar o volume captado em litros por segundo, considerando como


critério para caracterizar a captação como uso insignificante.

7. Se a atividade está devidamente legalizada, o registro de BOS


minucioso e confecção do anexo fotográfico devem ser realizados pelo
policial militar, pois constituem o controle do emprego da atividade de
fiscalização ambiental.

94
SEÇÃO 10

FISCALIZAÇÃO DE
PATRIMÔNIO
HISTÓRICO CULTURAL
Manual Técnico-Profissional 3.04.08

10 FISCALIZAÇÃO DE PATRIMÔNIO HISTÓRICO


CULTURAL20

O artigo 216 da Constituição Federal estabelece que “constituem patrimônio


cultural brasileiro, os bens de natureza material e imaterial, tomados
individualmente ou em conjunto, portadores de referência à identidade, à
ação, e à memória dos diferentes grupos formadores da sociedade brasileira,
nos quais se incluem as formas de expressão, os modos de criar, fazer e viver,
as criações científicas, artísticas e tecnológicas, as obras, objetos, documentos,
edificações e demais espaços destinados às manifestações artístico-culturais,
bem como os conjuntos urbanos e sítios de valor histórico, paisagístico,
artístico, arqueológico, paleontológico, ecológico e científico”.

Dessa forma, toda conduta lesiva ao Meio Ambiente Cultural configura ilícito
penal listados nos artigos 62 ao 65 da Lei de Crimes Ambientais (Lei Federal
nº 9.605/1998) e infração administrativa ambiental, constante nos artigos
72 ao 75 do Decreto Federal nº 6.514 de 22Jul2008, além da possibilidade
de ocorrência de infrações constantes no Decreto Estadual nº 44.844/2008.
Contudo, é importante salientar que não houve, decorrente do Decreto
Estadual mencionado, a regulamentação devida que permita a aplicação das
infrações administrativas referentes a fatos alusivos ao ordenamento urbano
e patrimônio cultural.

O policial militar, durante o atendimento de solicitações, denúncias e


requisições diversas acerca de fatos lesivos ao ordenamento urbano e
patrimônio cultural, deverá registrar a ocorrência com a codificação “L 29.001,
L 29.002, L 29.003 e L.29.999” da DIAO, devendo ainda observar as demais
orientações constantes na referida diretriz, endereçando todo o material ao
Delegado de Polícia Civil/Federal, com envio de cópia ao Representante do
Ministério Público Estadual/Federal.

Na ausência de convênio delegando competência administrativa à PMMG,


será necessário informar tal situação no histórico da ocorrência, salientando
que, diante de tal circunstância, não foi possível autuar os envolvidos pelo
cometimento da infração ambiental constante nos artigos 72 ao 75 do
20 Informações extraídas da Nota Técnica nº 0006.1/2012 – DMAT.

97
PRÁTICA POLICIAL ESPECIALIZADA

Decreto Federal nº 6.514, de 22Jul2008, não existindo a necessidade do


encaminhamento de cópia do BO/REDS ao referido órgão ambiental.

Toda conduta lesiva ao ordenamento urbano e o patrimônio cultural


configura ilícito penal tipificado na Lei dos Crimes Ambientais, bem como
infração administrativa prevista nos decretos federal e estadual. Durante
o atendimento de ocorrências acerca dessas infrações, o policial militar
registrará o REDS/BO, atentando, dentre outras medidas cabíveis, para os
seguintes aspectos:

1. Verificar se o dano ocasionado caracteriza crime ambiental, podendo,


inclusive, acionar apoio pericial para comprovação do dano nas
situações em que houver dificuldade quanto à caracterização.

2. Definir qual tipo de estrutura, edificação ou local protegido por lei, ato
administrativo ou decisão judicial foi ou está sendo alterado.

3. Encaminhar cópia do REDS/BO aos órgãos ambientais competentes,


ao órgão responsável pelo tombamento/proteção do patrimônio
histórico, artístico, cultural ou similar, protegido por lei, e ao Ministério
Público.

98
SEÇÃO 11

DESTINAÇÃO
DE MATERIAIS
APREENDIDOS EM
OCORRÊNCIAS
Manual Técnico-Profissional 3.04.08

11 DESTINAÇÃO DE MATERIAIS APREENDIDOS EM


OCORRÊNCIAS

O §3º do artigo 225 da CF estabelece que: “As condutas e atividades


consideradas lesivas ao meio ambiente sujeitarão os infratores, pessoas
físicas ou jurídicas, a sanções penais e administrativas, independentemente
da obrigação de reparar os danos causados”.

Não existe uma hierarquia entre as esferas penal, civil e administrativa, o


que prevalece e se faz necessário é priorizar procedimentos que permitam
harmonia entre elas, bem como a identificação dos envolvidos (autoria),
materialização do fato, delimitação e dimensão do dano provocado a
bem juridicamente tutelado (protegido), para adoção de medidas legais e
regulamentares acerca do fato.

Nesse sentido, a PMMG priorizará os procedimentos alusivos à esfera penal,


considerando a missão institucional estabelecida na Constituição Federal e
Constituição do Estado de Minas Gerais, sem que haja prejuízo para efetivação
dos atos referentes à esfera civil e administrativa.

Justifica-se, ainda, priorizar os procedimentos atinentes à esfera penal,


considerando a possibilidade, inclusive, de prisão preventiva dos envolvidos,
quando a autoridade competente entender que existam indícios de autoria
e materialidade delitiva (quando houver prova da existência do crime), bem
como para “garantia da ordem pública, da ordem econômica, por conveniência
da instrução criminal, ou para assegurar a aplicação da lei penal” (artigo 312,
CPP).

Assim sendo, durante o atendimento de fato que configure indício de ilícito


penal ou infração administrativa ambiental e visando possibilitar a reparação
dos danos causados, será necessária a apreensão de materiais e objetos que
possam contribuir para a elucidação do ocorrido.

Segundo Hélio Tornaghi apud Barros (2001), conforme dispõe o artigo


240 do CPP, a apreensão pode ter fins penais, processuais ou puramente
administrativos, a saber:

101
PRÁTICA POLICIAL ESPECIALIZADA

1. Fins penais, porque visa tornar efetiva a lei penal, a apreensão de:
a) coisas achadas ou obtidas por meios criminosos (art. 240 § 1º, b);
b) instrumentos de falsificação ou contrafação e objetos falsificados
ou contrafeitos (art. 240 § 1.º, c); c) armas e munições, instrumentos
utilizados na prática do crime ou destinados a fim delituoso (artigo
240 § 1.º, d).

2. Fins processuais, porque objetiva, a prova do crime, a apreensão de:


a) objetos necessários à prova da infração ou à defesa do réu (art. 240
§ 1.º, e); b) cartas, abertas ou não, destinadas ao acusado ou em seu
poder (art. 240 § 1.º, f ); c) qualquer (outro) elemento de convicção (art.
240 § 1.º, h).

3. Fins administrativos, porque se destina à apreensão de: a) pessoas


vítimas de crime (art. 240 § 1º, g).

As condutas e procedimentos a serem adotados para apreensão de objetos e


materiais que tenham relação, direta ou indireta, com o ilícito penal ambiental
e com infração administrativa encontram-se devidamente listados na Diretriz
Integrada de Ações e Operações (Portanto, todo material apreendido pelo
policial militar, considerando envolvimento com o ilícito penal, deverá ser
encaminhado ao Delegado de Polícia Civil/Federal para providências que
forem julgadas legais, cabíveis e possíveis (artigo 6º c/c artigo 120 CPP).

Oportuno salientar que não cabe ao policial militar providenciar destinação


de materiais e bens apreendidos, sob pena de cometer, entre outros ilícitos, o
crime de usurpação de função pública (artigo 328 do Código Penal).

Após adotadas providências atinentes à esfera penal, acerca dos materiais


e objetos apreendidos/recolhidos, poderão ser tomadas as medidas legais
e cabíveis, referentes à esfera administrativa, bem como para reparação dos
danos, principalmente alusivos ao meio ambiente.

Assim, quando do atendimento, encaminhamento e solução das ocorrências


de meio ambiente, deve o policial militar adotar as seguintes medidas:

1. Toda ocorrência de crime ambiental, estando presente no local o


autor/envolvido, deverá ser realizada a prisão em flagrante delito,
conduzindo-o à Delegacia de Polícia Civil ou Federal, juntamente

102
Manual Técnico-Profissional 3.04.08

os materiais, objetos, instrumentos e veículos utilizados na prática


delituosa, conforme recomendação existente na Diretriz Integrada
de Ações e Operações (DIAO), sendo obrigatório listar, na ficha de
apreensão do REDS, as apreensões e recolhimentos.

2. Quando não for possível a condução imediata do autor de crime


ambiental perante a Autoridade Policial, deverá ser comunicado
ao Delegado ou o Plantonista da Polícia Civil, cientificando-os
dos impedimentos, devendo todas as circunstâncias, bem como
orientações da autoridade policial, serem mencionadas no histórico do
BO/REDS, adotando-se os demais procedimentos do item 1, referentes
ao encaminhamento dos materiais, objetos, instrumentos e veículos
utilizados na prática do ilícito penal e infrações administrativas.

3. Na hipótese do fato configurar também infração ambiental, além do


preenchimento da ficha de apreensão constante no formulário do
BO/REDS, sendo o policial militar credenciado, deverá lavrar também
auto de infração e termo de apreensão estabelecido pela legislação
ambiental, anexando-o ao BO/REDS, ficando a autoridade policial,
a princípio, responsável pelo recebimento e guarda dos materiais,
objetos, instrumentos e veículos apreendidos, visando aos trabalhos
necessários à comprovação de autoria e materialidade. Nessa hipótese,
será obrigatório o preenchimento do anexo de Meio Ambiente do
REDS, para cada procedimento referente atuação administrativa
realizado.

4. Havendo entendimento da Guarnição Policial Militar com a Autoridade


Policial, o policial militar, tendo competência administrativa delegada
por instrumento legal (convênio), acerca da apreensão dos materiais,
objetos, instrumentos e veículos utilizados na prática delituosa, poderá
adotar providências, tais como: nomeação de depositário fiel, soltura,
destruição, etc., registrando o respectivo termo.

5. Nos casos em que PMMG não possuir delegação de competência


para formalização dos atos alusivos à esfera administrativa (auto de
infração e termos), a elaboração dos procedimentos para nomeação
de depositário fiel, soltura, destruição, etc., é da Autoridade Policial,
conforme disposto no CPP, podendo a referida autoridade, caso
queira, acionar o órgão ambiental competente para implementação
das medidas mencionadas.

103
PRÁTICA POLICIAL ESPECIALIZADA

6. A Guarnição Policial Militar de Meio Ambiente, tendo em vista


possuir conhecimento específico referente à fiscalização ambiental,
poderá contribuir e auxiliar o Delegado de Polícia na realização dos
procedimentos referente à nomeação de depositário fiel, soltura,
destruição, etc., devendo o empenho ser registrado de acordo com
as codificações listada no “GRUPO A 00.000 - AÇÕES DE DEFESA
SOCIAL” da DIAO/SIDS, considerando tratar-se de procedimento após
encerramento do BO/REDS.

7. Na hipótese do fato configurar somente infração administrativa, o BO/


REDS será endereçado ao órgão ambiental competente, o qual será
encaminhado juntamente com os materiais, objetos, instrumentos e
veículos utilizados na prática da infração, devendo o policial militar
observar as orientações anteriores, naquilo que for pertinente.

8. Os materiais apreendidos e recolhidos não poderão ficar sob


responsabilidade da PMMG e nem de seus membros, considerando
orientações contidas na DIAO, devendo o policial militar, quando
da recusa da autoridade competente em receber o material, adotar
providências para que seja nomeado depositário, devendo os
materiais recolhidos ou apreendidos permanecer no quartel o tempo
necessário somente para encaminhamentos legais, quando a falta de
estrutura justificar.

Importante salientar que visando atender procedimentos atinentes à esfera


civil, será necessário encaminhar cópia do BO/REDS ao Ministério Público,
informando acerca da existência de danos ou riscos para o meio ambiente,
considerando disposição legal no artigo 215 da Constituição do Estado de
Minas Gerais, onde consta que a referida providência é obrigação dos órgãos
com atribuições de defesa do meio ambiente.

Considerando as atribuições e competências, poderá o Ministério Publico


solicitar liminarmente do Poder Judiciário providências atinentes aos materiais
e objetos apreendidos, principalmente para garantir o ressarcimento de dano
ambiental. Nesse caso, trata-se de medida para atender a esfera civil.

104
SEÇÃO 12

PRESCRIÇÕES
DIVERSAS
Manual Técnico-Profissional 3.04.08

12 PRESCRIÇÕES DIVERSAS

A capacidade de autoaperfeiçoamento técnico e profissional é a marca do


policial militar de meio ambiente. Somado a isso, para maximizar a execução
operacional, o planejamento do emprego e o treinamento à tropa devem
ser constantes.

Sabe-se que a legislação de meio ambiente é vasta e diversa, portanto,


deve ser incentivado que os policiais militares de meio ambiente, durante a
execução da atividade, disponham de material (digital e/ou impresso) para
consultas, facilitando o desempenho de suas funções.

A Diretriz de Educação da Polícia Militar (DEPM) prevê o curso de Policiamento


Ambiental, recomendado a quem possui disponibilidade para servir ou está
servindo em Unidade de Execução Operacional (UEOp) de Meio Ambiente.
Assim, as citadas UEOp devem demandar, por meio da DMAT, a capacitação
de sua tropa.

Cuidados especiais na execução do policiamento de meio ambiente devem


ser tomados, dentre eles destacam-se:

a) a obrigatoriedade da utilização de armamento e equipamento


disponíveis na Instituição (em especial o uso do colete balístico e de, no
mínimo, um instrumento de menor potencial ofensivo);

b) redobrar os cuidados em locais nos quais a rede de rádio não funcione,


onde é difícil a comunicação e a chegada de apoio em casos de necessidade
ou que já sejam conhecidamente hostis;

c) conhecer as normas que regulam a atuação da PMMG no policiamento


em zona rural (Patrulha Rural), visto que o policial militar de meio ambiente
pode deparar com crimes específicos desse local ou apoiar/atuar em ações
e operações policiais militares diversas no meio rural.

107
Manual Técnico-Profissional 3.04.08

REFERÊNCIAS
BARROS, Antonio Milton de. Da prova no processo penal: apontamentos gerais.
São Paulo: Juarez de Oliveira, 2001.

BRASIL. Constituição. Constituição da República Federativa do Brasil. Brasília,


DF: Senado, 1988.

____.Decreto nº 6.514, de 22 de julho de 2008. Dispõe sobre as infrações e sanções


administrativas ao meio ambiente, estabelece o processo administrativo federal
para apuração destas infrações, e dá outras providências.

_____.Lei nº 10.519, de 17 de julho de 2002. Dispõe sobre a promoção e a


fiscalização da defesa sanitária animal quando da realização de rodeio e dá
outras providências.

_____.Lei nº 6.766, de 19 de dezembro de 1979. Dispõe sobre o parcelamento


do solo urbano e dá outras providências.

_____.Lei nº 6.938, de 31 de agosto de 1981. Dispõe sobre a política nacional


do meio ambiente.

_____.Lei nº 7.802, de 11 de julho de 1989. Dispõe sobre a pesquisa, a


experimentação, a produção, a embalagem e rotulagem, o transporte, o
armazenamento, a comercialização, a propaganda comercial, a utilização,
a importação, a exportação, o destino final dos resíduos e embalagens, o
registro, a classificação, o controle, a inspeção e a fiscalização de agrotóxicos,
seus componentes e afins, e dá outras providências.

_____.Lei n° 8.176, de 8 de fevereiro de 1991. Define crimes contra a ordem


econômica e cria o Sistema de Estoques de Combustíveis.

____.Lei nº 9.433, de 08 de janeiro de 1997. Institui a Política Nacional de


Recursos Hídricos, cria o Sistema Nacional de Gerenciamento de Recursos
Hídricos, regulamenta o inciso XIX do art. 21 da ____Constituição Federal, e
altera o art. 1º da Lei 8.001, de 13 de março de 1990, que modificou a Lei 7.990,
de 28 de dezembro de 1989.

109
PRÁTICA POLICIAL ESPECIALIZADA

____.Lei nº 9.605, de 12 de fevereiro de 1998. Dispõe sobre as sanções penais e


administrativas derivadas de condutas e atividades lesivas ao meio ambiente
e dá outras providências.

_____.Lei Complementar no 140, de 8 de dezembro de 2011. Fixa normas, nos


termos dos incisos III, VI e VII do  caput  e do parágrafo único do art. 23 da
Constituição Federal, e dá outras providências. Brasilia, DF, 2011.

_____.Ministério do Meio Ambiente. Manual de Fiscalização. Instituto


Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis – IBAMA.
Brasília/DF. 2007a.

_____.Ministério do Meio Ambiente. Mata Atlântica: patrimônio nacional dos


brasileiros. Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais
Renováveis – IBAMA. Brasília/DF. 2010b.

FAGUNDES, Valmir José. O atendimento de requisição do Ministério Público


Estadual pela Polícia Militar do Meio Ambiente. Belo Horizonte, MG: FJP, 2007.

FAGUNDES, Valmir Jose; BELLO, Écio Antônio. Apostila Policiamento do Meio


Ambiente. Belo Horizonte, MG: PMMG, 2011.

FREITAS, Vladmir Passos de; FREITAS, Gilberto Passos de. Crimes Contra o
Meio Ambiente (de acordo com a lei 9.605/98). 8 ed. São Paulo: Revista dos
Tribunais. 2006.

MINAS GERAIS, Constituição. Constituição do Estado de Minas Gerais. Belo


Horizonte, MG: Assembléia Legislativa, 1989.

___.DECRETO nº 44.844, de 25 de junho de 2008. Estabelece normas para o


licenciamento ambiental e a autorização ambiental de funcionamento,
tipifica e classifica as infrações às normas de proteção ao meio ambiente e aos
recursos hídricos e estabelece o procedimento administrativo de fiscalização
e aplicação das penalidades.

___.Lei nº 13.199, de 29 de janeiro de 1999. Dispõe sobre a política estadual de


recursos hídricos e dá outras providências.

110
Manual Técnico-Profissional 3.04.08

___.Lei Nº 13.605, de 28 de junho de 2000. Dispõe sobre a promoção e a


fiscalização da defesa sanitária animal durante a realização de rodeio.

____.Lei Delegada nº 180, de 20 de janeiro de 2011. Dispõe sobre a estrutura


orgânica da administração pública do poder Executivo do Estado de Minas
Gerais e dá outras providências. Belo Horizonte, MG, 2007.

____.Policia Militar. Apostila do Treinamento Integrado de Fiscalização Sobre


Ictiofauna. Belo Horizonte: Diretoria de Meio Ambiente e Trânsito, 2009.

___. Polícia Militar. Comando Geral. Diretriz Integrada de Ações e Operações do


Sistema de Defesa Social – DIAO – aprovada – Resolução Conjunta Nr 55, de
24Jun2008. Belo Horizonte, 2008.

SISEMA. Zoneamento Ecológico e Econômico de Minas Gerais – ZEE-MG.


Disponível em: <http://www. zee.mg.gov.br> Acesso em 28 de março de 2013.

SIRVINSKAS, Luis Paulo. Manual de Direito Ambiental. São Paulo: Saraiva. 2002.

111
Página: ( - 114 - )

( - SEPARATA DO BGPM Nº 71, de 19 de setembro de 2013 -)

(a) MÁRCIO MARTINS SANT’ANA, CORONEL PM


COMANDANTE-GERAL

CONFERE COM O ORIGINAL:

NIULZA FERREIRA DE ALVARENGA MACIEL, MAJ PM


AJUDANTE-GERAL